Corpo e Chakra

Paulo Jacobina

O Corpo é o veículo utilizado pelo Eu para passar pelas situações no Orbe ou Mundo de Existência, capazes de gerar a experiência necessária para o deslocamento na Consciência. Sua criação também ocorre pela ação do Agente Modelador, que o brutaliza e, assim como acontece com o Mundo de Existência, o Corpo também pode ser subdividido infinitamente, conforme a sua região de sutileza, nos Corpos Existenciais.

Tal divisão tem apenas caráter explicativo, haja vista que, embora possam parecer distintos, todos os Corpos Existenciais são apenas o Corpo, da mesma forma com que ocorre numa paleta de tons de uma cor. Aparentemente o “azul celeste” e o “azul índigo” são distintos, mas ambos continuam sendo “azul”, assim como o Corpo Físico e o Corpo Átmico, que parecem distintos, mas ambos continuam sendo o Corpo.

Apesar de a ocorrência de Corpos Existenciais ser infinita, o de maior compreensão do Eu, que se encontra encarnado neste planeta em decorrência do seu estado de Consciência, é o Corpo Físico, que é aquele utilizado pelo Eu para passar pelas situações que ocorrem no Mundo Material.

Obviamente, existem infinitos Corpos Existenciais mais brutos do que o Corpo Físico, mas que dificilmente são percebidos pelo Eu que está encarnado neste planeta, tendo em conta que o Eu, mesmo se encontrando em um estágio considerado grosseiro, também está em um estágio mais sutil do que o desses outros Corpos Existenciais.

Ao sofrer a ação do Agente Modelador, o Corpo passa a apresentar características mais segregadas e, a espelho do que foi apresentado no Mundo Existencial, pode ser subdividido, à medida que se torna mais grosseiro, em Corpo Átmico, Corpo Búdico, Corpo Mental Abstrato, Corpo Mental Concreto, Corpo Emocional, Corpo Energético e Corpo Físico.

Como a divisão ocorre de maneira artificial e, tendo como base o grau de compreensão daquele Eu que aqui se encontra encarnado, cada um desses Corpos Existenciais pode ser subdividido infinitamente em outros Corpos Existenciais, de acordo com o grau de sutileza. Por isso que, por ter a sua compreensão ainda muito ligada aos assuntos do Mundo Material, o Eu entende o Corpo Energético como um Corpo Existencial (não um “intermediário” entre o Material e o Emocional), mas ainda não compreende o corpo no qual se vislumbra o “cordão de ouro” como um Corpo Existencial, apenas o percebendo como um agente “intermediário” entre o Emocional e o Mental Inferior. Tal fato ocorre em função da atuação do Agente Modelador, que causa a ilusão da separatividade e faz o Eu pouco compreender sobre aquilo que ele acredita estar distante.

Tendo em vista que o Corpo é um veículo, sobre ele recaem não só as influências do Eu, mas também as do Agente Modelador, fornecendo ao Corpo tanto o poder do Amor, quanto o do Ódio, além dos demais atributos do Eu e do Agente Modelador.

Corpo Átmico

Também chamado de Atmam, Yechida, Atmú e de Espírito Divino. É o “primeiro” Corpo Existencial a ser formado e o mais distante da compreensão do Eu que aqui se encontra encarnado e, por isso, muitos o confundem com o próprio Eu em função do seu estado de sutileza e por se esquecerem da ocorrência do plano Anupádaka e do Ádi.

Sua composição é predominantemente de elementos contidos no Grande Plano Átmico e possui três atributos: a Existência ou Sat, responsável pela irradiação da Vitalidade que alimenta os demais Corpos Existenciais; a Consciência ou Chit; e a Felicidade Inefável ou Ananda.

É neste Corpo Existencial que a individualidade é criada.

Corpo Búdico

Também chamado de Buddhi, Búddhico, Shayah, Putah, Anandamaya Kosha, Corpo Intuicional e por Espírito de Vida, o Corpo Búdico é aquele utilizado pelo Eu para interagir no Mundo Búdico, o estado de sutileza inferior ao apresentado no Mundo Átmico.

Neste Corpo Existencial se encontra registrada a experiência do Eu, o seu Akasha.

Aqui, a ilusão do tempo ainda não foi criada pelo Agente Modelador e, consequentemente, só existe o agora.

Por se encontrar plenamente no agora e possuir um único “núcleo de consciência”, o Eu compreende tudo o que lhe ocorre com o uso da Intuição, um de seus atributos.

À medida que se desloca para outros Corpos Existenciais pela ação brutalizante, a compreensão começa a se separar por ser analisada em “diferentes” mentes, em “diferentes” momentos etc, fazendo com que a experiência passe a ser vista como o que o Eu faz com o que lhe acontece.

Sua composição ainda é de elementos pertencentes ao Grande Plano Átmico.

Corpo Mental Abstrato

Em um estado mais bruto do que o apresentado pelo Corpo Búdico, encontra-se o Corpo Mental Abstrato, também conhecido por Corpo Mental Superior, Manas Arrupa, Nechamah, Sab, Espírito Humano, Corpo Causal e Vijnanamaya Kosha.

Sua sutileza já se encontra modificada em relação ao Corpo Búdico pelo aumento da proporção de elementos constitutivos pertencentes ao Plano da Mente Hominal, que já passa a contar com todos os seus subplanos integrando o Corpo Mental Superior.

Por possuir elementos integrantes do Grande Plano Mental, o Corpo Mental Abstrato já começa a apresentar atuação densificadora, haja vista que a densidade é um atributo do Grande Plano Físico decorrente da ação originária do Grande Plano Mental.

Em função de já possuir elementos de todos os subplanos do Plano da Mente Hominal, a esse Corpo Existencial também se dá o nome de Corpo Causal, numa alusão à origem de todos os fenômenos no Grande Plano Físico experimentado pelo homem.

Nesse Corpo Existencial ocorre a primeira divisão da Mente, deixando a unidade apresentada no Corpo Búdico (o Núcleo de Consciência) e passando a se manifestar na dualidade do que se chama de Mente Espiritual ou Super-Consciente e Mente Intelectiva ou Consciente.

A Mente Espiritual é a responsável pela Vontade no Plano Mental do Eu. Com a brutalização provocada pelo deslocamento para os Corpos Existenciais posteriores, o desejo começa a se separar da Vontade.

A Mente Intelectiva é a responsável pelo Raciocínio, isto é, o estabelecimento de relação entre as coisas. À medida que se brutaliza, deslocando-se para outros Corpos Existenciais, o raciocínio se torna menos depurado, dificultando a correlação entre as coisas.

No Corpo Mental Abstrato, a Intuição vinda do Corpo Búdico já sofreu a ação brutalizadora do Agente Modelador, fazendo surgir as ideias de bem e mal, certo e errado.

Corpo Mental Concreto

Também chamado de Corpo Mental Inferior, Manas Rupa, Ruach, Akbú, Mente, Manomaya Kosha, o Corpo Mental Concreto é o Corpo Existencial responsável pelo processo cognitivo e onde uma nova mente surge, a Mente Instintiva ou Inconsciente, que é a responsável pela criação das formas físicas e dos desejos.

A Mente Instintiva está associada aos sentidos externos, às emoções, e é onde fica registrado o condicionamento decorrente das experiências pretéritas, tendo em vista que a ilusão do tempo já se encontra atuante no Mundo Mental Inferior.

Por se encontrar em um estágio menos sutil do que o do Corpo Mental Abstrato, é no Corpo Mental Concreto que as emoções surgem dos sentimentos e os desejos da vontade.

Com o surgimento das emoções, a ilusão do tempo se torna mais atuante, tendo em vista que a ilusão do tempo decorre do estado emocional e da compreensão por intermédio das formas.

A proporção de elementos constitutivos desse Corpo Existencial já possui todos os subplanos do Grande Plano Mental, embora seja proporcionalmente ínfima a presença dos elementos contidos a partir do Plano da Mente Animal.

A partir deste Corpo Existencial, os elementos constitutivos do Grande Plano Físico passam a fazer parte da sua composição e, à medida que o Corpo continua a se brutalizar, mais os elementos do Grande Plano Físico se tornam preponderantes.

É no Corpo Mental Concreto que as formas concretas surgem, inclusive o próprio Corpo Mental Concreto assume uma forma concreta arredondada. Com o aparecimento dos próximos Corpos Existenciais menos sutis, pela ação da densidade desses Corpos, o Corpo Mental Concreto sofre uma leve modificação em sua forma, passando a apresentar um aspecto mais ovalado.

Corpo Emocional

Também chamado de Kama Shárira, Nephesch, Khabá, Corpo dos Desejos, Corpo Astral, Psicossoma, Corpo Espiritual, Perispírito e Kamamaya Kosha. É o Corpo Existencial no qual ocorrem as interações no Mundo Emocional. É o palco das emoções e dos desejos e, por isso, tem os seus atributos[1] influenciados por eles.

Em decorrência desta preponderância de elementos do Grande Plano Físico e, consequentemente, da ocorrência de densidade, torna-se possível, de acordo com o nível desse atributo, subdividir artificialmente o Corpo Emocional em sete níveis, a espelho do que se fez com o Corpo e o Mundo Existencial.

Corpo Energético

Também chamado por Corpo Vital, Corpo Etérico, Linga Shárira, Kusch há Guf, Bah, Duplo Etérico e Pranamaya Kosha.

O Corpo Energético basicamente é a porção do Chakra que une o Corpo Emocional ao Corpo Físico.

Composto por elementos do Grande Plano Físico, o Corpo Energético, como o próprio nome sugere, é a parte mais sutil do Corpo Físico, tendo em vista que ambos são feitos de energia, porém em níveis de sutileza distintos, sendo o Corpo Físico composto, basicamente, por energia densa, chamada corriqueiramente de matéria; e, o Corpo Energético, por energia mais sutil.

Corpo Físico

Também chamado por Stulo Shárira, Guf, Kha, Corpo Denso, Annamaya Kosha.

O Corpo Físico é aquele amplamente estudado pela ciência terrena e responsável pelas interações do Mundo Material.

Esse Corpo Existencial compõe-se de elementos químico-biológicos decorrentes da ação direta das Formas-Pensamento existentes no Grande Plano Mental e adquiridos no processo de alimentação. Por exemplo, ao se analisar a composição química do Corpo Físico, encontra-se a presença de elementos que são formados pela atuação direta do Plano da Mente Mineral. Esta presença pode ser maior, caso se analise uma rocha, ou menor, no caso de se analisar o corpo humano.

Contudo, todo Corpo Físico possui, em maior ou menor quantidade, a ação das formas-pensamento do Plano da Mente Mineral e, à medida que se torna mais complexo, passa a receber a ação das formas-pensamentos decorrentes dos outros planos que integram o Grande Plano Mental.

Ao se deslocar na Consciência enquanto está no Corpo Físico, o Eu passa por acontecimentos que são típicos de cada um desses estados, experimentando o físico no mineral, as sensações no vegetal, as emoções no animal e, por fim, o intelecto no hominal. Esse caminho de sutilização é percebido quando se verifica que o Eu ali contido começa a experimentar acontecimentos típicos dos próximos estados de sutilização, como um mineral que já começa a captar as sensações como ocorre com o vegetal; uma planta que já começa a experimentar o emocional como o animal; e um animal que já começa a experimentar o pensar como o homem.

Como ocorre com todos os Corpos Existenciais, a composição do Corpo Físico decorre da união da Vitalidade emanada pelo Corpo Átmico com os elementos existentes no Mundo Existencial no qual se encontra. Contudo, enquanto nos outros Corpos Existenciais a utilização dos elementos do Mundo Existencial no qual se encontra decorre da absorção direta do meio, no Corpo Físico utilizado no Reino Animal ocorre o fenômeno conhecido por alimentação.

CHAKRA

Chakra é uma palavra de origem sânscrita que significa “roda”, no sentido de círculo, e seu nome foi dado em função da sua visão em um corte frontal. É através dele que os atributos irradiados pelo Corpo Átmico percorrem e alimentam todos os demais Corpos Existenciais, animando-os.

Além de servir de meio pelo qual os atributos do Corpo Átmico se deslocam entre os Corpos Existenciais, também é por intermédio do Chakra que ocorre a comunicação entre os Corpos Existenciais, fazendo com que as vivências em cada Corpo Existencial sejam transferidas entre eles.

Entretanto, tal troca de vivências não ocorre de maneira livre, existindo, ao longo do Chakra, uma série de “filtros”, sendo o supostamente mais conhecido chamado por muitos de “Tela Etérica” ou de “Tela Búdica”, que fica localizado no Corpo Energético, e é responsável por filtrar a comunicação de determinadas sensações, impressões, vivências etc. entre o Corpo Físico e o Corpo Emocional.

Por mais que seu nome em sânscrito signifique “roda”, o formato do Chakra, mais se assemelha ao de um duto por meio do qual, principalmente, a vitalidade se desloca.

À medida que percorre os demais Corpos Existenciais e sofre a ação do Agente Modelador, o Chakra se subdivide infinitamente de maneira a conectar todos os elementos constitutivos dos Corpos Existenciais, permanecendo unido, nos Corpos Existenciais, por outros Chakra denominados nadi[2].

Esta subdivisão faz com que a porção do Chakra “localizado” em um Corpo Existencial menos sutil seja menor do que a sua porção localizada em um Corpo Existencial mais sutil, dando-lhe um aspecto cônico e, consequentemente, resultando em que uma quantidade menor de vitalidade e de outros atributos superiores se encontre presente no Corpo Existencial menos sutil.

Tendo em vista essa rede de vitalidade propiciada pelo Chakra, seja pelos chakra que unem os Corpos Existenciais entre si, seja pelas nadi que unem os Corpos Existenciais correspectivamente, é possível se estabelecer que os Corpos Existenciais são formados ao seu redor e se nutrem da Vitalidade que transita pelo Chakra.

No Corpo Energético, onde supostamente é mais conhecido, o Chakra se apresenta como uma miríade de chakra e nadi.

Os chakra são agrupados e classificados no Corpo Energético de acordo com a sua capacidade de transmissão e, consequentemente, função, em chakra mínimos, menores, maiores, secundários, principais e primordiais.

Os chamados de primordiais estão reunidos em dez grupos: o Muladhara ou Adhara ou Fundamental; o Svadhishthana ou Adhishthana ou Shaddala ou Genésico ou Sexual; o Manipura ou Manipuraka ou Nabhi ou Umbilical; o Esplênico; Gástrico ou Solar; o Anahata ou Hritpankaja ou Rirupana ou Cardíaco; o Vishuddha ou Kantha Padma ou Shodasha Dala ou Laríngeo; o Ajna ou Bhru Madhya ou Dvidala Padma; o Soma ou Amrita ou Indu ou Cerebral ou Frontal; e o Sahasrara ou Shunya ou Niralambapuri ou Coronário.

Enquanto as nadi também apresentam subdivisões de acordo com o seu fluxo de energia, as chamadas de principais são em número de quatorze: Sushumna; Ida; Pingala; Gandhari; Hastajihva; Yashasvini; Pusha; Alambusha; Kahu; Shankhini; Sarasviti; Payasvini; Varuni; e Vishvodara.

Ao se localizar no Corpo Físico, pela ação do Agente Modelador, o Chakra se torna menos sutil e se manifesta na forma de sistemas.

A exemplo do que ocorre no Corpo Energético, que possui “Tela Etérica” ou “Tela Búdica” como “filtros”, o Corpo Físico possui o sistema imunológico e o linfático, que desempenham a mesma função. As nadi se manifestam como os sistemas cardiovascular, o digestório, o nervoso, o esquelético, o endócrino e o muscular. Já os sistemas sensorial, excretor, urinário e reprodutor[3] atuam como os chakra que unem o Corpo Físico ao próximo Corpo Existencial mais denso, o Planeta.

O Planeta, por sua vez, também possui suas nadi (que recebem o nome de Linhas Ley), e seus chakra (que recebem o nome de Nodos ou Mecas), que unem os Corpos Existenciais do Planeta e auxiliam na sua jornada de sutilização, na qual o Planeta se liberta de seus Corpos Existenciais mais densos, mantendo os mais sutis[4].

Notas:

[1] Costuma-se estabelecer que o Corpo Emocional possui, dentre outros, os seguintes atributos: a plasticidade, a densidade, a ponderabilidade, a luminosidade, a penetrabilidade, a visibilidade, a expansibilidade, a bicorporeidade, a tangibilidade, a sensibilidade global, a sensibilidade magnética, a unicidade, a mutabilidade, a capacidade refletora, o odor e a temperatura. Estes atributos também podem ser encontrados em outros Corpos Existenciais.

[2] A palavra nadi tem a raiz sânscrita nad que significa “movimento”, dando a ideia de “correnteza”.

[3] O sistema reprodutor também tem atuação de chakra, pois, por intermédio do sistema reprodutor é que outro Eu pode se manifestar no Planeta, contribuindo não só com a sua jornada existencial, mas também com a do Eu que está encarnado no Planeta.

[4] Tal processo de sutilização do Planeta é conhecido por alguns como “transição planetária” e faz com que o Eu “encarnado” no Planeta comece a se tornar mais consciente de que ele é parte integrante de um todo, do seu Sistema Planetário, aproximando-o, cada vez mais e à medida que se sutiliza, dos outros Planetas, incluindo da Estrela em torno da qual orbita, tendo em vista que esta também é um Planeta, porém em estado bem mais sutilizado do seu grupo.

À medida que o Sistema Planetário se sutiliza, ele também passa por transformações, transmutando-se infinitamente em outros corpos mais sutis, como os observados pelos astrônomos modernos em sua classificação da evolução estelar, que culmina em um Buraco Negro, um chakra que une esse Corpo Existencial ao estágio no qual o Eu será submetido às experiências vivenciadas no Reino Mineral “encarnado” diretamente em um corpo mineral; depois no mineral que se encontra dentro do reino vegetal; depois no mineral que se encontra dentro de um corpo do reino animal; depois no mineral que se encontra dentro de um corpo do reino hominal; para então vivenciar as experiências diretamente no Reino Vegetal; depois um aspecto vegetal dentro do reino animal; depois no aspecto vegetal dentro do reino hominal e assim sucessivamente, passando, inclusive, pelo aspecto hominal dentro do reino angelical, na Senda Infinida, no eterno e natural caminho sem começo e sem fim, no Sanatana-Dharma.

Assim, no interior de cada Corpo Existencial, habitam infindáveis Eus, que veem aquele Corpo Existencial como o Absoluto, como Aquele que É, como Deus, pois “vós sois deuses”.

~ Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalista.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/corpo-e-chackra/

Do Enoque bíblico à gênese da Magia Enoquiana

Donald Tyson

A magia enoquiana é um sistema de teurgia, ou magia angelical, transmitida psiquicamente ao alquimista e vidente elizabetano Edward Kelley por um grupo de espíritos que veio a ser chamado de anjos enoquianos. Ao longo dos anos 1582-1587, os espíritos ditaram várias partes dessa magia para Kelley, ou a apresentaram na forma de visões enquanto Kelley olhava para uma bola de cristal.

Kelley repetia as palavras dos espíritos e descrevia as visões para seu amigo e empregador, o grande matemático, geógrafo e astrólogo Dr. John Dee. Dee sentou-se ao lado de Kelley durante as sessões de vidência com uma caneta na mão e papéis espalhados diante de si. Tudo o que Kelley dizia, Dee registrava literalmente. Graças ao método cuidadoso de Dee, as comunicações dos espíritos foram preservadas com a precisão de uma transcrição do tribunal.

Os anjos se identificaram para Kelley como os mesmos anjos que instruíram o patriarca Enoque na linguagem angélica e na sabedoria de Deus. Enoque foi o único patriarca do Antigo Testamento a ser elevado ao céu enquanto ainda estava vivo – pelo menos, esta foi a interpretação dos rabinos e cabalistas judeus de Gênesis 5:24: “E Enoque andou com Deus: e não se viu mais; porque Deus para si o tomou.” Todos os outros descendentes de Adão até Noé mencionado na Bíblia são explicitamente declarados mortos, mas não Enoque.

Ao longo dos séculos, uma tradição de sabedoria cresceu em torno de Enoque. Junto com Adão, Noé, Salomão e alguns outros, ele teria sido um dos responsáveis ​​por transmitir os ensinamentos primordiais dos anjos à humanidade. O livro apócrifo de Enoque surgiu dessa tradição. O evento-chave neste livro é uma descrição de como os anjos rebeldes, cobiçando as filhas dos homens, desceram à Terra e ensinaram à humanidade todas as artes e ciências do adorno, magia e guerra que semeiam conflitos em todo o mundo.

TEURGIA E GOETIA

De acordo com o anjo Ave, esses anjos maus foram autorizados a descer sobre a Terra e espalhar ensinamentos falsos e destrutivos porque os reis da Terra se tornaram arrogantes através do uso da sabedoria legada a eles por Enoque. Como punição, Deus enviou anjos falsos e enganadores para ensinar o que hoje é conhecido como magia negra. Desta forma, Deus permitiu que a humanidade fosse o instrumento de sua própria punição. No entanto, Ave diz a Kelley, Deus decidiu permitir que a verdadeira sabedoria de Enoque, como preservada em seus livros celestiais, seja novamente conhecida na Terra. Dee e Kelley deveriam ser os instrumentos de sua disseminação:

“O Senhor apareceu a Enoque, e foi misericordioso com ele, abriu seus olhos para que ele pudesse ver e julgar a terra, que era desconhecida de seus pais, por causa de sua queda; porque o Senhor disse: Mostremos a Enoque, o uso da terra: E eis que Enoque era sábio e cheio do espírito de sabedoria.”

E ele disse ao Senhor: Que haja lembrança da tua misericórdia, e que aqueles que te amam provem disto depois de mim: Oh, não seja esquecida a tua misericórdia. E o Senhor se agradou. E depois de 50 dias Enoque escreveu: e este foi o título de seus livros, aqueles que temem a Deus, e são dignos de serem lidos.

Mas eis que o povo se tornou perverso e se tornou injusto, e o espírito do Senhor estava longe e se afastou deles. De modo que aqueles que eram indignos começaram a ler. E os reis da terra disseram assim contra o Senhor: O que é que não podemos fazer? Ou quem é ele, que pode resistir a nós? E o Senhor se aborreceu, e enviou entre eles cento e cinqüenta leões, e espíritos de maldade, erro e engano; e eles apareceram para eles. Porque o Senhor os colocou entre os anjos bons aqueles que são maus. E eles começaram a falsificar as obras de Deus e seu poder, pois eles tinham poder dado a eles para fazê-lo de modo que a memória de Enoque se apagou e os espíritos do erro começaram a ensinar-lhes Doutrinas: que de tempos em tempos até esta era e até hoje, se espalhou por todas as partes do mundo, e é a habilidade e astúcia dos maus.

Assim eles falam com os demônios: não porque eles têm poder sobre os demônios, mas porque eles são unidos a eles na liga e disciplina de sua própria doutrina.

Pois eis que, como o conhecimento das figuras místicas e o uso de sua presença é o dom de Deus entregue a Enoque, e por Enoque aos fiéis, para que assim eles possam ter o verdadeiro uso das criaturas de Deus e do terra em que habitam: Assim o diabo entregou aos ímpios os sinais e sinais de seu erro e ódio para com Deus; condenação eterna.

A estes chamados caracteres são uma coisa lamentável. Pois por destes, muitas Almas pereceram.

Agora aprouve a Deus libertar esta Doutrina novamente das trevas e cumprir sua promessa contigo, para os livros de Enoque: A quem ele diz como disse a Enoque.

Que aqueles que são dignos entendam isso por ti, para que seja uma testemunha da minha promessa para contigo.”

Deus promete diretamente a John Dee, por meio de seu mensageiro, o anjo Ave, e por meio do vidente de Dee, Edward Kelley, que o sistema de magia que está sendo revelado a Dee é a sabedoria genuína de Enoque pela qual pode ser obtido “o uso da terra”. Os cento e cinquenta leões, “espíritos de maldade, erro e engano” são os mesmos anjos caídos que, no Livro de Enoque, pecam com mulheres mortais e ensinam ciências corruptoras à humanidade. De acordo com Ave, esse falso ensinamento consistia principalmente em magia demoníaca, ou goetia.

É comum que os proponentes de um sistema de religião, filosofia ou magia afirmem que a sua é a única prática legítima e que todos os métodos que diferem dela são corruptores e falsos. Ao caluniar outras formas de magia, os anjos esperam elevar seus próprios ensinamentos e dar-lhes uma importância maior aos olhos de Dee.

Kelley, que antes de sua associação com Dee tinha um conhecimento considerável em primeira mão de necromancia e outras formas de magia negra, diz a Ave que a sabedoria de Enoque parece muito com magia comum para ele, mas Ave garante a Kelley. “Não, todos eles apenas brincaram com isso”, significando que todas as formas de magia, exceto a magia enoquiana, são meros brinquedos de que a magia enoquiana é a única teurgia verdadeira aprovada por Deus e aceita pelos anjos do céu.

OS PORTÕES E AS CHAVES

É importante entender que a magia enoquiana se preocupa apenas com a convocação ritual e o comando de anjos e espíritos inferiores. Ao falar sobre as evocações formais enoquianas conhecidas como Chamadas ou Chaves, o anjo Mapsama diz a Dee:

“Esses Chamados tocam todas as partes do Mundo. O Mundo pode ser tratado em todas as suas partes; Portanto, você pode fazer qualquer coisa. Esses Chamados são as chaves para os Portões e Cidades da sabedoria. Tais portões não podem ser abertos senão com aparição visível.”

Os portões para as cidades da sabedoria são quarenta e nove em número. No entanto, um dos portões é sagrado demais para ser aberto, então as chaves reais são quarenta e oito. As cidades da sabedoria são reinos espirituais habitados por diferentes hierarquias de anjos com funções distintas na terra. Essas cidades celestiais são representadas por quarenta e nove quadrados de números/letras extremamente complexos que contêm quarenta e nove linhas e quarenta e nove colunas. Tomados em conjunto, os anjos referem-se a esses quadrados como o Livro de Enoque. Um dos quadrados está representado em uma placa no início de Uma Relação Verdadeira e Fiel, de Meric Casaubon. Sobre esses quadrados mágicos, Nalvage diz a Dee:

Você tem 49 Tábuas: Nessas Tábuas estão contidas as vozes místicas e sagradas dos Anjos: as dignas e as em estado desgraça e encharcadas de confusão  que perfuram o Céu e olham para o Centro da Terra: a própria linguagem e fala das Crianças e Inocentes, que engrandecem o nome de Deus e são puras”.

As tábua servem como o solo caótico de onde as palavras das Chaves são extraídas letra por letra tortuosa durante as sessões de vidência. Kelley observava no cristal enquanto um anjo apontava para uma parte ou outra da tábua em questão e então mostrava a posição para Dee, que então procurava em sua cópia da tabua e escrevia a letra que era encontrada lá. As Chaves Enoquianas foram extraídas das tábuas e entregues desta forma, de trás para a frente e uma letra de cada vez.

As energias ocultas dessas tábuas são incorporadas coletivamente em uma única tábua de letras com quatro quadrantes chamada de Grande Tábua. É um diagrama esquemático mágico de todo universo enoquiano. Cada quadrante da Grande Mesa é conhecido como Torre de Vigia. As Chaves abrem os portões para as cidades dos anjos cujos nomes estão escritos nas Torres de Vigia e os chamam, junto com seus numerosos servos. Juntas, as quarenta e oito Chaves Enoquianas e a Grande Mesa das quatro torres de vigia formam o coração da magia enoquiana.

O LIVRO DAS FOLHAS PRATEADAS

Há outro livro falado pelos anjos que está indubitavelmente ligado ao livro dos quadrados mágicos. Dee é instruído a construí-lo com folhas em branco em preparação para receber a O Livro dos Espíritos já era uma prática comum da magia angelical na idade média. Eles continham os nomes, sigilos e, ocasionalmente, imagens dos espíritos que estão vinculados ao serviço do mago – geralmente após um trabalho ritual intenso e envolvente até alcançar a evocação inicial dos espíritos. Os próprios espíritos escreviam o livro, assinam-no com suas marcas e assinaturas, ou pelo menos juram obediência a ele. É claro que os espíritos não são realmente capazes de escrever no livro. Isso é realizado possuindo o mago sem sua consciência e usando o corpo do mago para escrever ou assinar o Livro dos Espíritos.

No caso de Dee, os anjos das quarenta e oito cidades espirituais que podem ser abertas pelas Chaves foram representados por símbolos ocultos que provavelmente continham combinações de letras e números. No entanto, nunca saberemos o que o Livro das Folhas Prateadas deveria conter, já que a cópia de Dee não sobreviveu. Esses sinais misteriosos deveriam ser inscritos em pergaminho prateado pela poderosa Mãe de muitos dos anjos enoquianos, um ser tão exaltado que ela se identifica apenas com o título EU SOU, que é equivalente ao nome hebraico de Deus, Eheich. Ela parece ser o mesmo anjo que é a Rainha do Céu de Apocalipse 12:1.

O TRABALHO ENOQUIANO

A inscrição do Livro das Folhas Prateadas de Dee ocorreria após um período de dezoito dias de trabalho ritual durante o qual uma evocação original composta por Dee e Kelley deveria ser dita a cada dia. Nos primeiros quatro dias de trabalho, Dee foi instruído por Ave a dirigir sua evocação apenas aos nomes de Deus; para após quatorze dias, Dee  evocar as hierarquias dos anjos pelos nomes específicos de Deus que regem cada um:

“Quatro dias… você deve invocar apenas esses nomes de Deus, ou o Deus dos Exércitos, nesses nomes: E 14 dias depois de você (neste, ou em algum lugar conveniente) deve Chamar os Anjos por Petição, e peloo nome de Deus, ao qual são obedientes.”

No 15º dia vocês se revestirão, em vestes feitas de linho branco: e assim terão a aparição, uso e prática das Criaturas. Pois, não é um trabalho de anos, nem de muitos dias.

As Criaturas às quais Ave se refere parecem ser os anjos dos Trinta Aethers ou Airs, que são representados pelas últimas trinta Chaves Enoquianas. Essas chaves são realmente uma única chamada ou convocação para trinta diferentes zonas ou esferas angélicas chamadas Aethers. Apenas os nomes dos Éteres mudam nas últimas trinta Chaves – eles são idênticos. Por esta razão, a décima nona Chave é conhecida como a Chave dos Trinta Aethers. Os Príncipes dos Aethers governam os espíritos menores das regiões ou reinos do mundo. Eram esses espíritos geográficos que Dee mais queria controlar.

Sobre as vestes e o livro usado durante este trabalho, Ave diz: “Você nunca deve usar o Garment depois, mas apenas uma vez, nem o livro.” Kelley objeta com bastante razão: “Para que fim o livro é feito então, se não for para ser usado depois.” Dee um tanto irritado escuta de Kelley: “É feito para ser usado naquele dia apenas..”

Há alguma ambiguidade aqui sobre qual livro está sendo discutido. Kelley parace falar do livro de nomes e invocações que ele e Dee são ordenados a criar. Sobre este livro de exercícios, que chamarei de Livro dos Espíritos de Dee, Ave diz a Dee: “O Livro consiste de Invocação dos nomes de Deus, e invocação dos Anjos e pelos nomes de Deus seus ofícios são manifestados”. Essa parece ter sido a função de todos o os dezoito dias de trabalho, e talvez de trabalho posterior. Dee realmente criou um modelo para este Livro dos Espíritos invocando os nomes de Deus e dos anjos. Estes formam o manuscrito de Dee Liber Scientiae Auxilii e Victoriae Terrestris, que ainda existe e é mantida na Biblioteca Britânica.

Já o anjo Ave provavelmente fala do livro de folhas em branco e prateadas que deve ser inscrito sobrenaturalmente por sua mãe. Este Livro de Prata seria usado apenas no único dia em que os anjos jurassem obediência a Dee. O prateamento das folhas sugere que a Mãe dos anjos é uma deusa lunar, e que a magia enoquiana é de natureza lunar. Segunda-feira (o dia da Lua) parece ser o sábado enoquiano.”

MAGIA ENOQUIANA PROIBIDA PARA DEE E KELLEY

Não há evidência de que Dee e Kelley alguma vez tenham conduzido este trabalho para usar o o poder dos anjos enoquianos. Eles estavam esperando a permissão dos anjos para fazê-lo, mas essa permissão nunca foi concedida.

Mapsama: Você pediu sabedoria, Deus abriu para você, seu julgamento: Ele entregou a você as chaves, para que você possa entrar; Mas seja humilde. Entre não de presunção, mas de permissão. Não entre precipitadamente; Mas seja trazido de bom grado: pois muitos subiram, mas poucos entraram. No domingo você terá todas as coisas que precisam ser ensinadas; então (conforme a ocasião servir) você pode praticar o tempo todo. Mas você está sendo chamado por Deus, e para um bom propósito.

Dee: Como devemos entender este Chamado de Deus?

Mapsama: Deus cala minha boca, não te responderei mais.”

É evidente para mim, a partir de um estudo minucioso das transcrições enoquianas, que os anjos pretendiam que Dee tivesse o sistema de magia enoquiana, mas nunca pretendiam permitir que ele realmente o usasse. Dee e Kelley serviram como instrumentos humanos através dos quais os anjos foram capazes de transmitir a magia enoquiana à raça humana. Gabriel diz a Dee e Kelley: “Mas em vocês dois está a hora de chegar.” Os anjos garantem a Dee e Kelley que eles continuarão a prosperar e a serem seguros enquanto permanecerem juntos, porque são duas partes de um único todo. “O Vidente deixe-o ver, e cuide do que ele vê, pois você é apenas um corpo nesta obra.”

Kelley recebeu o dom da segunda visão apenas para que ele pudesse ajudar Dee a receber a magia enoquiana.

Um vendedor obscuro poderia se gabar de sua beleza só porque recebe luz e clareza, por uma vela trazida ou brilhando nela? Não mais podes tu, (E.K.) para o amadurecimento de tua inteligência e  compreensão é através da nossa presença, e nossa iluminação. Mas se partirmos, você se tornará um vendedor obscuro e pensará muito bem de si mesmo em vão.”

Em outro lugar, o anjo Uriel, falando na voz de Deus, diz a Kelley: “Farei de ti um grande Vidente: Aquele que julgará o Círculo das coisas na natureza. Mas o entendimento celestial e o conhecimento espiritual serão selados de ti neste mundo.” Kelley é considerado pelos anjos como pouco mais do que um telefone psíquico através do qual eles podem alcançar a mente consciente de John Dee. Os anjos pouco toleram suas suspeitas e abuso verbal. Eles sabem que Kelley os detesta e os considera enganadores.

Os anjos respeitam Dee por sua grande piedade e sabedoria, mas mesmo ele não terá permissão para atingir a plena compreensão da magia enoquiana. O anjo Gabriel diz isso a Dee e faz mais referência à necessidade de Dee e Kelley permanecerem juntos como uma unidade orgânica (mesmo ao ponto de compartilhar suas esposas em comum, um evento futuro prefigurado aqui):

“Nunca conhecereis os mistérios de todas as coisas que foram ditas. Se vocês amarem juntos, e habitarem juntos, e em um só Deus, então o mesmo Deus se compadecerá de vós, que vos abençoará, vos consolará e fortalecerá  vocês até o fim.”

Dee e Kelley eram duas metades de uma máquina humana para receber e registrar os mistérios das comunicações angélicas. Kelley tinha a habilidade de perceber os anjos e seus ensinamentos. Dee teve a inteligência para entendê-los e transcrevê-los com precisão e corrigir quaisquer erros que ocorressem durante sua transmissão. Nenhum homem poderia ter gerado o sistema de magia enoquiana sozinho. Cada um atuou como um catalisador para o outro.

*Excerto da obra Magia Enoquiana para Iniciantes

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/do-enoque-biblico-a-genese-da-magia-enoquiana/

Big Bang, outra mera crença

Enquanto o darwinismo ainda cria polêmica entre criacionistas e ateus, o Big Bang tornou-se um ponto de encontro entre céticos e crentes. Os primeiros veem nesta grande explosão primordial uma resposta verdadeiramente científica que torna Deus obsoleto, os segundos enxergam o Big Bang como o “Faça-se a Luz” do seu Deus semita. Como veremos, para variar, ambos estão errados. Considere o seguinte texto de Carl Sagan:

– Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem.

– Mostre-me – você diz. Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão.

– Onde está o dragão? – você pergunta.

– Oh, está ali – respondo, acenando vagamente. – Esqueci de lhe dizer que é um dragão invisível.

Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão.

– Boa idéia – digo eu –, mas esse dragão flutua no ar.

Então você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível.

– Boa idéia, mas o fogo invisível é também desprovido de calor.

Você quer borrifar o dragão com tinta para tomá-lo visível.

– Boa idéia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai aderir…

O trecho acima refere-se a infame falácia Ad Hoc. A falácia Ad Hoc é a tentativa de explicar uma observação após ela ter ocorrido de modo que todo novo fato seja encaixado na teoria já que ela sozinha sempre falha em acertar qualquer tipo de previsão. Ela acontece quando alguém quer tanto que uma crença seja aceita que para isso encontra uma nova explicação para cada novo fato observável que inicialmente a refutava. Essa tática é usado por homeopatas para defender a homeopatia, por espíritas para defender o espiritismo e por “céticos” para defender o Big Bang.

A hipótese do universo em expansão depende de pelo menos dois pressupostos não confirmados: Em primeiro lugar que a força da Gravidade, a mais fraca de todas as forças elementares do universo, é quem determina a estrutura e o comportamento dos astros. Só a título de comparação a força eletromagnética é um trilhão de trilhão de trilhão de vezes mais forte que a gravidade. Se acha isso motivo de espanto basta pegar um pequeno ímã e uma moeda. Coloque o ímã logo acima da moeda e veja como você conseguiu presenciar uma força muito mais forte do que a da gravidade. Pense nisso um pequeno imã venceu toda a força gravitacional do planeta Terra… Mas quando Issac Newton lançou as bases da astrofísica James Maxell estava longe de nascer. Talvez se Newton tivesse empinado a pipa de Benjamin Franklin nossa visão de mundo não estaria hoje tão estagnada.

O segundo pressuposto arbitrário dos defensores do Big Bang é que o Desvio para o Vermelho implica que as galáxias estão se afastando.

O Desvio para o Vermelho

O problema não é o desvio em si, mas assumir que ele implica em distânciamento. Ele ocorre realmente. Mas não ocorre sempre da forma homogênia necessária a um universo em expansão. Alguns astros inclusive apresentam desvios para o azul, ou seja, estão se aproximando. Tudo começou em 1929 quando Hubble observou o desvio pela primeira vez. Essa descoberta lançou as bases da hipótese do Big Bang, afinal se as galáxias estão se afastando elas devem ter estado juntas algum tempo atrás. Contudo Hubble era muito mais cauteloso que seus continuadores. Em um artigo chamado “The Problem of the Expanding Universe,” Hubble escreveu para a American Scientist: ““Parece improvável que o desvio para o vermelho seja devido a um universo em expansão e muitas das especulações sobre a estrutura do universo devem ser re-examinadas.”

Entretanto o consenso se estabeleceu de que o desvio ocorre por conta do “Efeito Doppler” – no qual objetos afastando-se do observador esticam as ondas luminosas emitidas por eles. Isso permitiria aos astrónomos calcular a velocidade dos corpos celestes e descobrir suas distâncias em relação a Terra. E como as galáxias estariam se afastando elas devem ter estado juntas no início e assim dataram o Big Bang como tendo ocorrido a 13.7 bilhões de anos atrás. A teoria era linda, mas tinha um problema. Os matemáticos esqueceram de avisar o Universo sobre ela.

O primeira cientista que apontou que o rei estava nú foi Halton Arp. Ele constatou inicialmente que uma série de objetos conectados fisicamente e interagindo entre si possuem desvios diferentes e segundo a teoria deveriam estar a milhões de anos luz de distância. Seu exemplo mais gritante seja talvez o dos quasares, que baseados no desvio para o vermelho deveriam ser os objetos mais distantes de nós de todo universo visível, mas que nos telescópios aparecem na frente de galáxias vizinhas. No exemplo abaixo temos  a NGC 7319 de desvio 0.0225 e um quasar de desvio 2.114. Segundo a teoria padrão o quasar deveria estar muito mais distante e não na frente da galáxia:

Outro exemplo típico do trabalho de Arp é o caso das galáxias NGC 3808A e NGC 3808B, duas galáxias espirais em colisão. O fato de existirem galáxias colidindo em um universo onde supostamente todas as galáxias estão se afastando umas das outras já é algo que precisa de explicação. Mas o problema nem é esse. O que ocorre é que a NGC 3808A apresenta um desvio para o vermelho bem diferente da NGC 3808 B. Ou seja, embora vejamos as galáxias colidindo a teoria do desvio nos diz que elas estão separadas por milhares de anos luz de distância. (foto abaixo)

Outro exemplo gritante é o testemunho dado pelos aglomerados de galáxias do tipo globular..  Segundo os teóricos do Big Bang o universo tem cerca de 13,73 bilhões de anos de idade. A parte embaraçosa é que se pressupomos que o desvio para o vermelho é uma medida de distância temos que admitir que os aglomerado de galáxias globulares tem mais de 16 bilhões de anos. Ou seja, cerca de 5 bilhões de anos mais velhas que o próprio universo. Como agora os matemáticos não pode mudar a data do Big Bang senão suas contas não fecham, a resposta padrão é que este é um “erro de observação.” Na época foi dito que Hubble estava velho e suas lentes gastas. Contudo, quando novas medições feitas em 1999 pioraram a situação, tornando as galáxias 10 bilhões de anos mais velhas que o próprio cosmos onde estão. {(1999), Nature 399, 539-541 e (1999); Sky&Tel. 98 (Oct.), 20.}

Para finalizar, existem inclusive galáxias com desvios para o azul, o que nos obrigada a artificialmente distribuir os clusters de galáxias como linhas, ironicamente chamadas por alguns astronomos de “os dedos de Deus”, apontando para a Terra como se fossemos o centro do universo. Isso porque os aglomerados visíveis incluem muitos corpos com desvios diferentes fazendo com que os teoricos do universo em expansão tenham que forçosamente espalhá-los gradualmente, conforme se afastam de nós observadores.

Halon Arp preparou em 1966 um atlas com estes e outros exemplos de anomalias num total de 338 “galáxias que não deveriam estar lá“. Ninguém, entretanto, balança o status quo impunemente, especialmente quando tantas pesquisas baseadas no universo em expansão são financiadas com dinheiro público. Assim o California Institute of Technology  recompensou Arp por suas descobertas cortando suas horas de uso do telescópio. O boicote ao seu trabalho o obrigou a finalmente abandonar os Estados Unidos e ir trabalhar no Instituto Max Planck, na Alemanha, talvez a Caltech não tenha se recuperado até hoje dos experimentos de Jack Parsons realizados lá décadas atrás.

Radiação de Fundo

Quando o satélite COBE apresentou a medida da “Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas” – RCFM – como sendo de 2.7 Kelvin em 1992 a notícia foi alardeada pela mídia como uma confirmação da teoria do Big Bang. Mas o resultado de medição realmente corrobora o modelo padrão? A verdade não alardeada é que as previsões feitas por físicos que não se basearam na hipótese do Big Bang chegaram muito mais perto dos dados coletados pelo satélite.

Em 1896, Charles Eduard Guillaume previu que o próprio calor das estrelas daria um RCFM de 5.6K e Arthur Eddington refinou estes calculos em 1926 e chegou a 3K. Isso, é claro, antes sequer da hipótese do Big Bang ser lançada. Em 1933 Eric Regener estimou uma radiação de fundo de 2.8K e em 1941 Andrew McKellar calculou que a RCFM seria de  2.3K, nenhum dos dois apoiava o modelo de universo em expansão. Na verdade os defensores do Big Bang foram os que fizeram as piores previsões. O primeiro deles foi Robert Dicke que baseado na idéia do universo inflacionário sugeriu em 1946 um RCFM de 20K. Em um trabalho posterior ele corrigiu esse número para 45K. Em 1961 George Gamow estimou uma temperatura de fundo de 50K. Agora, compare estes números com o que foi realmente revelado (2.7K) pelo COBE e responda se isso pode ser usado como prova para alguma coisa. Enquanto Regener chegou à cifra assustadoramente próxima de 2.8K, o grande pai do Big Bang esperava uma temperatura 12 mil vezes maior do que a que foi encontrada.  O que realmente acontece é que apenas em 1992, com os novos dados consolidados da Radiação Microondas de Fundo, os cálculos dos teóricos do Big Bang foram refeitos para bater com o que estava sendo descoberto.

Sem tempo para se explicar

Sem poder negar que existem aglomerados de galáxias lá fora (que deveriam ter sido espalhadas pelo Big Bang) os defensores do modelo atual dizem que esses acúmulos de matéria são formados pela mera ação da gravidade. Ok, vamos admitir que essa explicação faz sentido. O problema é que temos encontrados acúmulos que são grandes demais e que demorariam um período de tempo para ser formado que excede em muito a própria idade do universo.

Os dados recolhidos pelo satélite ROSAT em 2003 são um ótimo exemplo. Uma investigação por meio de raios-x encontrou um cluster de matéria tão grande que equivale a 120.000 Via Lácteas. Seus 12 bilhões de anos luz de extensão só poderiam ser formados pelo processo de aproximação gravitacional em um período de tempo muito maior do que aquele que nos separa do Big Bang. Simplesmente não tivemos tempos para isso, pois uma formação deste tamanho demoraria 300 bilhões de anos  para se formar, enquanto que todo universo sem apenas cerca de 10 a 20 bilhões de anos segundo o modelo do Big Bang.

O fator tempo também mostrou-se um problema quando em 2004  uma reunião da American Astronomical Society mostrou que o universo observável é muito parecido em suas várias partes, seja nas com alto ou baixo desvio para o vermelho, que supostamente indicariam áreas mais antigas e mais recentes. Em outras palavras, as estruturas de grande porte que existem hoje também existem nas áreas onde o desvio para o vermelho corresponderiam a três bilhões de anos após a data hipotética do Big Bang. Tais regiões teriam apenas um quarto do tempo para crescer e formar praticamente as mesmas estruturas, com uma distribuição similar de idades estelares e uma quantidade similar de elementos químicos produzidos por suas estrelas. 

Se o Big Bang realmente tivesse acontecido, quando olhássemos para o passado, em regiões das quais a luz está chegando apenas agora, estas regiões deveriam se aparecer com um universo mais jovem, com poucos metais pesados e em sua maioria recheado de jovens estrelas. Em vez disso, eles se parecem exatamente como as que temos hoje. Um grande problema para uma teoria que defende que o universo era muito diferente quando criança.

 

Os Invisíveis ao resgate

A refeitura dos cálculos da RCFM indica o comportamento padrão de quem quer defender uma teoria – é o chamado Dragão na Garagem mencionado no começo do artigo. A própria existência de aglomerados de galáxias é um desafio para o modelo padrão. Outro desafio é responder porque as galáxias em si não se fragmentam já que a força da gravidade não bastaria para mantê-las unidas em um universo em expansão. Para isso foi inventada a “Matéria Escura”‘ um tipo de matéria que não pode ser observada de forma alguma, mas que permitiria as galáxias não se fragmentarem. E já que elas não se fragmentam a Matéria Escura deve estar lá, dizem os defensores do Big Bang. Totalmente invisível, sem deixar pegadas ou rastros, desprovida de calor e incorpórea.

Você entendeu bem, a “Matéria Escura” só existe porque sem ela teríamos que abandonar o modelo atual de como o universo funciona.

Assim desde 1932/1933 quando a idéia surgiu pela primeira vez basta adicionar Matéria Escura sempre que fosse necessário salvar o modelo padrão contra o testemunho das estrelas.

Mais tarde quando foi observado o comportamento de certas supernovas, os cosmologistas foram forçados à desconfortavel conclusão de que o universo estaria além de expandindo, acelerando esta expansão. O problema é que com a Matéria Escura engrossando o caldo do universo, sua massa gravitacional deveria estar desacelerando esta expansão. Então, o problema causado por um amigo invisível foi solucionado por outro amigo invisível. Nasceu assim a “Energia Escura”, um tipo de energia igualmente não detectável, mas que fazia as contas baterem novamente e, mais importante, salvava as bolsas de pesquisa dos físicos teóricos.

Assim enquanto ridicularizam outras teorias e crenças mais antigas, os defensores do Big Bang não percebem que eles mesmos moram em um castelo de cartas. Estas abstrações de matéria e energia escuras feitas para salvar um modelo que não se sustenta diante das observações criou um universo onde 95% de tudo o que existe não pode ser visto, medido, detectado ou mesmo entendido. Não é de se admirar que os astronomos de hoje prefiram olhar para seus modelos computadorizados do que para os céus. Eles sabem que quando olharem para cima serão surpreendidos novamente.

A Ciência como uma putinha

Mas qual o problema com isso, você se pergunta? A ciência, diferente da religião que se baseia na fé, é isenta de dogmas e fanatismo. Se algo se mostra diferente do que foi observado, ela muda para abraçar essa mudança! Mas será mesmo? Vamos fingir que diferentes dos outros seres humanos, cientistas são criaturas puras, desprovidas de ego e vaidade e que são movidas pela curiosidade e atraídas pela Verdade, com V maiúsculo. Apesar de não parecer, nem para mim nem para você, a ciência é algo caro. Muito caro. Nós que temos a comodidade de um PC ou de um Laptop na nossa frente não imaginamos que ainda hoje a hora de uso de um supercomputador seja algo extremamente caro. Peguemos o exemplo do LHC – o Large Hedron Colider – construído na Europa. Em 10 anos foram gastos mais de 4.75 bilhões de dólares em sua construção. Mas uma vez construído o LHC não faz dinheiro, ele continua gastando dinheiro, na busca do Boson de Higgs apenas, o custo ultrapassa os 5.5 bilhões de dólares por ano. Apenas o uso dos computadores para analisar os dados coletados custa 286 milhões de dólares por ano. A conta de eletricidade dos caras ultrapassa os 23.5 milhões de dólares por ano. O gasto com seres humanos, produtos de limpeza, cafezinho e outras trivialidades ultrapassa os 1 bilhão de dólares anuais. Tenha em mente que eles já estão funcionando há 4 anos. Tirando algumas falhas e pausas para corrigir falhas já foram gastos mais de 13.25 bilhões de dólares na busca da tal partícula de Deus.

Agora imagine o que acontece com qualquer pessoa que de repente surja do “nada” dizendo que possue evidências de que a tal partícula não existe. Claro que quando você pára para pesar os avanços militares, médicos e tecnológicos que o LHC pode trazer, 13.25 bilhões de dólares se torna uma barganha, mas as pessoas tendem a começar a ficar tensas quando surge a possibilidade de estarem gastando rios de dinheiro com algo que não existe. No caso do Big Bang, a busca por esse algo não dura apenas 4 anos, e sim alguns séculos. Agora pegue aquele cientista hipotético que discutimos e coloque nele algumas pitadas de egoismo, vaidade e orgulho. Consegue imaginar o que uma reviravolta como essa faria no meio científico?

No final das contas a maneira com a qual os cientístas fazem dinheiro é idêntica a dos pastores neo-pentecostais. Quanto mais as pessoas acreditarem na sua crença, mas dinheiro você vai fazer.


Bibliografia

 

 

Tamosauskas

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/big-bang-outra-mera-crenca/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/big-bang-outra-mera-crenca/

A Dedicação das Crianças

Ritual de bruxaria correspondente ao batismo cristão

“Os cristãos, quando batizam seus filhos, o fazem em geral com a intenção de compromissá-los com o cristianismo, de preferência perpetuamente – e ao próprio ramo particular de cristianismo dos pais. Espera-se via de regra que os filhos endossarão tal compromisso, ratificando-o quando tiverem idade suficiente para aquiescer conscientemente (embora sem maturidade para discernir). Para sermos justos, esses pais – quando não estão meramente acatando uma convenção social – amiúde assim agem porque sinceramente acreditam que isso é essencial para a segurança das almas de seus filhos. Foram ensinados a crer nisso e freqüentemente mediante o medo.

Essa crença segundo a qual existe apenas um tipo de ingresso para o céu e que um bebê precisa recebê-lo com toda a rapidez para sua própria segurança é, evidentemente, estranha a Wicca. A crença de bruxas e bruxos na reencarnação a nega em todos os casos. Mas, independentemente disto, feiticeiras e feiticeiros sustentam o ponto de vista que era virtualmente universal antes da era do monoteísmo patriarcal, a saber, que todas as religiões são diferentes sendas de expressão das mesmas verdades e que a validade delas para qualquer indivíduo depende da natureza e das necessidades deste.

Uma cerimônia Wiccaning para a criança de uma família de bruxos não compromete, portanto, a criança com nenhuma senda em particular, mesmo uma pertencente a Wicca. É similar a um batizado no sentido em que invoca a proteção divina para a criança e ritualmente afirma o amor e o cuidado com os quais a família e os amigos desejam cercar o recém-chegado. Difere de um batizado no fato de especificamente reconhecer que, à medida que a criança se transforma num adulto, decidirá, e realmente terá que decidir, sobre sua própria senda.

Wicca é, acima de tudo, uma RELIGIÃO NATURAL – de modo que pais-bruxos tentarão naturalmente comunicar a seus filhos a alegria e realização que sua religião lhes proporciona, a família toda partilhando inevitavelmente do modo de vida vinculado a essa religião. Partilhar é uma coisa, impor ou ditar é outra, e longe de assegurar a “salvação” de uma criança, pode muito bem retardá-la – isto se, tal como as feiticeiras, você encarar a salvação não como uma espécie de transação instantânea, mas como um desenvolvimento ao longo de muitas existências.

Compomos nosso ritual de Wiccaning dentro desse espírito e achamos que a maioria das bruxas e bruxos concordarão com tal postura.

Sabíamos que a idéia de Ter padrinhos – amigos adultos que manterão um interesse pessoal no desenvolvimento da criança – era uma idéia justificadamente popular e sentimos que uma cerimônia de Wiccaning deveria adotá-la também. A princípio chamamos esses amigos adultos de “Patrocinadores”, a fim de evitar uma confusão com respeito à prática cristã. Mas reconsiderando o assunto posteriormente, percebemos que “patrocinador era uma palavra fria e que não havia motivo algum para que “padrinho” e “madrinha” (desde que god abarcasse goddess/ Padrinho em inglês é GODfather e madrinha GODmother) não servissem a bruxas e bruxos tanto como servem os cristãos. Afinal de contas, consideradas as diferenças de crença (e Deus sabe quanto os cristãos diferem entre si), inclusive a diferença de postura que já mencionamos, a função é a mesma.

Os padrinhos não têm de ser eles mesmos necessariamente bruxos, o que cabe aos pais decidir. Mas precisam, ao menos, simpatizar com a intenção do ritual e tê-lo lido integralmente de antemão, para assegurar que possam fazer as necessárias promessas com toda sinceridade (o mesmo se aplica, afinal, a bruxos e bruxas convidados por amigos cristãos para serem padrinhos num batismo cristão).

Se a Grã Sacerdotisa e/ou o Grão Sacerdote se prestam eles próprios a serem padrinhos, farão as promessas um ao outro nos momentos apropriados, durante o ritual.

Preparação

Se os membros do coven normalmente atuarem despidos, a decisão se assim participarão do ritual ou se farão vestidos caberá aos pais da criança. Num caso ou noutro, a Grã Sacerdotisa usará símbolos da Lua, e o Grã Sacerdote símbolos do Sol.

O círculo é marcado com flores e folhas verdes e o caldeirão colocado no centro, preenchido com as mesmas flores e folhas e talvez também de frutos. Coloca-se à disposição, no altar, óleo de consagração. Somente incenso leve deve ser usado – preferivelmente sob forma de bastão. Os presentes para a criança são postos ao lado do altar, bem como o alimento e as bebidas para uma pequena festa no círculo, depois do ritual.

Os pais devem escolher antecipadamente um “nome oculto” para a criança (isto é, em grade parte, para o próprio benefício da criança; crescendo numa família de bruxos, ele ou ela quase certamente apreciará ter um nome de bruxo ou bruxa particular tal como têm mamãe e papai – e se não for o caso, poderá ser discretamente esquecido até que e a menos que seu detentor queira usá-lo novamente).

O Ritual Para uma Menina

O Ritual de Abertura é realizado normalmente até o fim da invocação do “Grande Deus Cernunnos”, exceto pelo fato de que todos, inclusive os pais e a criança, se colocam no círculo antes do traçado, sentamos num semicírculo próximos do caldeirão e olhando para o altar – cedendo lugar à Grã Sacerdotisa, para que esta trace o círculo em torno deles. Somente a Grã Sacerdotisa e o Grão Sacerdote ficam em pé para conduzir o Ritual de Abertura.

Para reduzir movimento excessivo, que poderia amedrontar a criança, a Grã Sacerdotisa traça o círculo com seu athame, e não com a espada, e ninguém se move com ela, ou imita seus gestos quando ela invoca os Senhores das Atalaias. Ela e o Grão Sacerdote carregam os elementos em torno.

Após a invocação do Grande Cernunnos, a Grã Sacerdotisa e o Grão Sacerdote consagram o vinho. Não o experimental, mas colocam o cálice no altar.

O Grão Sacerdote, em seguida, posta-se diante do altar, encarando o caldeirão. A Grã Sacerdotisa fica pronta para entregar-lhe o óleo, o vinho e a água.

O Grão Sacerdote diz:

“Estamos reunidos neste círculo para pedir a benção do poderoso deus e da gentil deusa para ______________ (nome da menina), a filha de ______________ e ______________, de modo que ela possa crescer em beleza e força, em alegria e sabedoria. há muitas sendas, e cada um tem de encontrar a sua, e portando não buscamos ligar ______________ (nome da menina) à nenhuma senda, enquanto ela é ainda demasiadamente jovem para escolher.
Preferimos pedir ao deus e a deusa, que conhecem todas as senda e aos quais todas as senda conduzem, para abençoá-la, protegê-la e prepará-la ao longo dos anos de sua infância, de sorte que, quando finalmente for verdadeiramente adulta, saiba ela sem alimentar dúvidas ou medo qual sua senda e passe a trilhá-la com contentamento.

______________, mãe de ______________ (nome da menina), adianta-se com ela para que possa ser abençoada.”

O pai ajuda a mãe a se levantar e ambos levam a criança ao Grão Sacerdote, que a toma em seus braços. ele pergunta:

______________ , mãe de ______________ (nome da menina),possui esta tua criança também um nome oculto?

A mãe responde:

Seu nome oculto é ______________

O Grão Sacerdote, então, unta a criança na testa com óleo, fazendo a marca de um pentagrama e dizendo:

Eu unto a ti, ______________ (dizer o nome comum), com óleo e te dou o nome oculto de ______________.

Ele repete a ação com o vinho, dizendo:

Eu unto a ti, ______________ (dizer nome oculto), com vinho em nome do poderoso deus cernunnos.

Repete a ação com a água dizendo:

Eu unto a ti, ______________ (dizer nome oculto), com água em nome da gentil deusa aradia.

O grão sacerdote devolve a criança à sua mãe e, então conduz os pais e a criança a cada uma das atalaias, dizendo:

Vós senhores das atalaias leste (sul, oeste, norte), com efeito apresentamos a vós ______________ (nome comum), cujo nome oculto é ______________ (dizer nome oculto) e que foi devidamente ungida dentro do círculo de wicca. escutai, portanto, que ela se acha sob a proteção de cernunnos e aradia.

O Grão Sacerdote e a Grã Sacerdotisa tomam seus lugares voltados para o altar, com os pais e a criança entre eles. erguem seus braços e invocam cada um por sua vez:

Grão Sacerdote: poderoso Cernunnos, concede a esta criança o dom da força;

Grã Sacerdotisa: gentil Aradia, concede a esta criança o dom da beleza;

Grão Sacerdote: poderoso Cernunnos, concede a esta criança o dom da sabedoria;

Grã Sacerdotisa: gentil Aradia, concede a esta criança o dom do amor;

O Grão Sacerdote, a Grã Sacerdotisa e os pais se voltam para encarar o centro do círculo, e o grão sacerdote então pergunta:

Há duas pessoas no círculo que se apresentariam como padrinhos de ______________ ?

(obs.: se o sacerdote e a sacerdotisa estão se apresentando como padrinhos, ele perguntará, em lugar disso: há alguém no círculo que se apresentará comigo, como padrinhos de______________? e a sacerdotisa responderá: eu me juntarei a vós. em seguida eles olharão um para o outro e trocarão as perguntas e promessas).

Os padrinhos deverão se adiantar e ficar de pé, a madrinha encarando o sacerdote e o padrinho encarando a sacerdotisa.

O sacerdote pergunta para a madrinha:

Tu, ______________ prometes ser uma amiga de ______________ ao longo de sua infância, no sentido de ajudá-la e guiá-la da maneira que ela necessitar; e de acordo com seus pais por ela zelar e amá-la como se fosse de teu próprio sangue até que pela graça de cernunnos e aradia ela esteja pronta para escolher sua própria senda?

A madrinha responde:

Eu, ______________ assim prometo.

A Grã Sacerdotisa pergunta ao padrinho:

Tu, ______________ prometes ser uma amiga de ______________ ao longo de sua infância, no sentido de ajudá-la e guiá-la da maneira que ela necessitar; e de acordo com seus pais por ela zelar e amá-la como se fosse de teu próprio sangue até que pela graça de cernunnos e aradia ela esteja pronta para escolher sua própria senda?

O padrinho responde:

Eu, ______________ assim prometo.

O Grão Sacerdote diz:

O deus e a deusa a abençoaram;
Os senhores das atalaias a reconheceram;
Nós seus amigos lhe demos as boas vinda;
Portanto, ó círculo das estrelas;
Brilha em paz sobre ______________
Cujo nome oculto é ______________
Que assim seja.

Todos dizem: que assim seja!

O Grão Sacerdote diz:

Que todos se sentem dentro do círculo

Todos se sentam, exceto o sacerdote e a sacerdotisa, que experimentam e passam por todos o vinha já consagrado da maneira usual e então consagram e passam a todos os bolos da maneira usual.

A seguir, buscam os presentes, o alimento e as bebidas da festa e se sentam com os outros, daqui em diante passando-se para o informal.

O Ritual Para um Menino

A diferença básica caso a criança seja um menino é que o Grão Sacerdote e a Grã Sacerdotisa trocam suas funções. Ela realiza o enunciado de abertura e executa a unção, o Grão Sacerdote lhe entrega o óleo, o vinho e a água. Ela representa a criança às Atalaias.

A invocação a Deusa e ao deus por seus dons de força, beleza, sabedoria e amor, entretanto, é feita exatamente como a feita para a menina, e na mesma ordem.

A Grã Sacerdotisa convoca os padrinhos para que se apresentem e toma a promessa do padrinho; o Sacerdote toma então a promessa da madrinha.

A Grã Sacerdotisa pronuncia a bênção final.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-dedicacao-das-criancas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-dedicacao-das-criancas/

As raízes judaicas da Magia Sexual

Excerto de “Modern Sex Magick” de Donald Michael Kraig

Para aqueles que não estão familiarizados, a história da magia sexual começa com os Cavaleiros Templários. Fundado em 1118 EC, o propósito declarado dos Templários era proteger os peregrinos que iam para o Oriente Médio durante a Segunda Cruzada. A história dos Templários é bastante fascinante, mas para nossos propósitos basta dizer que eles foram suprimidos em 1312 por autoridades religiosas e temporais que tinham inveja de seu poder e riqueza. Vários dos seus membros foram presos ou mortos. Seu líder, Jacques DeMolay, foi queimado vivo. Os Templários, como outros acusados ​​de heresia, feitiçaria e prática de magia, foram acusados ​​de uma litania de crimes. Essas acusações provavelmente foram apenas um ardil perpetuado pela igreja e pelo estado para obter a imensa riqueza e amplas propriedades que os Templários possuíam. A história aceita é que os templários aprenderam magia sexual com os sufis do Oriente Médio, que a aprenderam com os tântricos da Índia. Os alquimistas medievais receberam esta informação dos Templários e a codificaram em alguns ensinamentos em suas obras. Eventualmente, Aleister Crowley, que aprendeu sobre magia sexual em suas viagens à Índia e à África, começou a experimentar tanto as técnicas tradicionais quanto as suas próprias técnicas recém-criadas.

Enquanto isso, um homem chamado Pascal Beverly Randolph havia descoberto os segredos da magia sexual ou inventado algumas novas técnicas também. Nascido em 1815, era filho de um médico e de uma dançarina de salão. Tornou-se grumete e aprendeu o ofício de marinheiro, tornando-se em seguida mestre de embarcação. Ser marinheiro permitiu-lhe viajar muito. Aos vinte e cinco anos, foi iniciado na Irmandade Hermética de Luxor. Em 1868 (depois de várias viagens à França), fundou a Irmandade de Eulis, que acabou tendo muitos seguidores. Ele publicou um livro (Magia Sexual) que postulava um tipo de bissexualidade espiritual junto com a ideia de que o orgasmo era mágico e sagrado. Randolph influenciou as pessoas que recriaram os Cavaleiros Templários na forma da Ordo Templi Orientis (OTO). Crowley se juntou a esta Ordem e, eventualmente, após uma batalha divisória, tornou-se seu chefe. Hoje, assim como a maioria dos ensinamentos sobre magia cerimonial foi filtrada pelas lentes dos membros da Golden Dawn, também a maioria dos ensinamentos sobre magia sexual foi filtrada através da lente de Aleister Crowley e da OTO.

A história acima é precisa, mas representa apenas uma parte da corrente. É uma versão um tanto quanto limitada da história da magia sexual ocidental – uma visão de túnel que ignora a realidade mais ampla e falha em duas áreas:  Primeiro, não identifica onde e como a magia sexual se desenvolveu originalmente. Em segundo lugar, implica que a magia sexual permaneceu relativamente inalterada ao longo do tempo (especialmente no último século) e simplesmente transportada para o presente. De fato, há ampla evidência de que a magia sexual tem uma história muito mais ampla do que é comumente reconhecida. Para entender essa história mais profunda, no entanto, devemos primeiro examinar a natureza da Cabala.

Nos últimos anos, tive a sorte de dar palestras em todos os EUA, da Flórida a São Francisco e de San Diego a Nova York. Uma das coisas que faço agora perto do início de cada palestra, não importa o assunto, é escrever as seguintes letras no quadro-negro: T F Y Q A

As letras representam as palavras em inglês para “Pense por si mesmo. Questione a autoridade”. Continuo explicando que simplesmente porque eu ou qualquer outra “autoridade” ou autor escreve ou diz algo não o torna verdadeiro. Eu sempre peço aos meus alunos que ouçam o que eu tenho a dizer, mas depois que verifiquem. Encorajo as pessoas a confiar em si mesmas em vez de acreditar em um líder ou professor, mesmo quando esse professor seja eu.

Muitos de vocês, sem dúvida, estão familiarizados com a Cabala. São os fundamentos místicos do judaísmo, do cristianismo e até, até certo ponto, do islamismo. Aqueles de vocês familiarizados com a Cabala usada em grupos ocultistas conhecem suas teorias sobre a Árvore da Vida com suas correspondências, bem como os sistemas numerológicos como a gematria. Na minha biblioteca, tenho bem mais de 1.000 livros especificamente relacionados à Cabala ou associados a ela. A maioria deles são semelhantes em conteúdo, simplesmente expressando as mesmas coisas de maneiras diferentes. Todos eles alegam explicar as bases do que é a “A” Kabalah.

Todos eles estão errados.

Para aqueles de vocês que foram estudantes da Cabala, eu lhes peço que reflitam sobre estas questões: Não é possível que a Cabala seja muito mais do que gematria, notarikon, temurah e a Árvore da Vida e suas correspondências? Se sim, então por que tão pouco se sabe de outros aspectos da Cabala? Para responder isso temos que olhar um pouco de história.

Nos anos 1700, um grupo de judeus ortodoxos e piedosos se formou na Europa Oriental. A palavra para “piedoso” em hebraico é Hasid (pronuncia-se: “RASSID”). Assim, essas pessoas ficaram conhecidas como os “Piedosos” ou os Hasidim.

Anteriormente, o judaísmo místico incluía muitas maneiras de desenvolver poder sobre o ambiente: o que hoje chamaríamos de magia. Mas os hassidim não queriam nada disso. Eles buscavam a exaltação espiritual, não a capacidade de mudar o mundo. Eles queriam aumentar o poder de suas orações, não o poder sobre as coisas ao seu redor. Como resultado, eles se concentraram nos aspectos mentais da Cabala, incluindo correspondências sobre a Árvore da Vida, meditação sobre como Deus criou o mundo e as manipulações de letras e números, uma versão moderna (para a época) de formas místicas mais antigas do que é chamado de “magia das letras”.

Como essa informação era mística, era inevitável que ela chegasse ao mundo oculto local (alemão), onde se tornou parte da tradição maçônica daquele país. Esses ensinamentos foram posteriormente traduzidos para as línguas românicas e acabaram se tornando, para muitas pessoas, os ensinamentos centrais da Cabala.

Mesmo depois dessa história, muitas pessoas vão duvidar do que estou dizendo sobre a Cabala. Peço-lhe, então, que olhe para o único trabalho publicado que é aceito como talvez o texto cabalístico mais importante – o Zohar. Há muito pouco lá sobre tal numerologia. O mesmo ocorre no pequeno mas importante livro cabalístico primitivo, o Sepher Yetzirah.

Para resumir, a versão da Cabala que é mais amplamente aceita entre os ocultistas hoje é basicamente nada mais do que parte dos ensinamentos místicos dos hassidim alemães. Isso não torna tais estudos de forma alguma “ruins” ou “errados” ou mesmo incompletos. Em vez disso, simplesmente indica que tais estudos são apenas uma abordagem em um tipo ou escola da Cabala,  e não na coisa toda.

Quando comecei a estudar a Cabala, ou melhor, o que é comumente conhecido entre os ocultistas ocidentais por esse nome, eu era como um cachorro faminto na loja de um açougueiro de bom coração. Eu queria provar e experimentar tudo.

Para quem não conhece a gematria, sua ideia básica é simples. Cada letra hebraica está associada a um número. Soma-se os números das letras de uma palavra e, se forem iguais ou tiverem relação com os números de outra palavra, há uma relação entre as duas palavras. Em Magia Moderna dei o famoso exemplo que mostrava como, em hebraico, a enumeração da palavra “amor” era igual ao valor numérico da palavra “unidade” e como, quando suas numerações são somadas, o total é igual a o valor numérico de uma palavra hebraica para “Deus”. É um sistema numerológico simples que, neste caso, indica que Deus é uma unidade e que Deus é amor.

Muitas noites eu ficava acordado até as primeiras horas da manhã seguinte me debruçando sobre cálculos para tentar provar alguma coisa. Analisei meu nome mágico de três letras escolhido em um papel que tinha várias páginas. Da mesma forma, tenho visto pessoas analisando seções das obras de Aleister Crowley, rituais da famosa Ordem Hermética da Golden Dawn, seções da Bíblia, etc., por mais páginas do que gostaria de lembrar.

Mas um dia percebi que faltava algo. Fiquei com a pergunta atormentadora que Peggy Lee fez em sua música: “Isso é tudo o que existe?” Depois de anos de manipulação numerológica cabalística, cheguei à conclusão de que – para mim, pelo menos – uma exploração mais aprofundada já não provava nada de importante. Percebi que havia se tornado uma estrada falsa, como um falso vidente que parece dar muitas informações, mas na verdade fala pouco.

Claro, eu poderia passar horas provando que as palavras estavam relacionadas. Esse tipo de trabalho ainda é feito hoje (veja, por exemplo, os livros de Kenneth Grant) e pode ser de grande valia para pessoas que sentem que precisam desse tipo de prova. Para eles, esse trabalho é importante e valioso. Eu também precisei disso no passado e recebi isto muitas recompensas e insights espirituais.

Mas para mim, os ensinamentos comumente considerados o núcleo da Cabala agora pareciam nada mais do que uma forma de masturbação mental. Para o exemplo de “amor mais unidade é igual a Deus”, eu disse: “E daí? Isso já não é aceito por muitos (inclusive eu)?” Eu já sabia disso. Eu não precisava “provar” isso para mim ou para qualquer outra pessoa. Sei que a Declaração da Independência foi assinada em 1776. Não preciso passar horas tentando provar que esse evento aconteceu. Não preciso ler centenas de livros para saber que esse evento ocorreu em um determinado ano. Fazer tal estudo neste momento da minha vida seria chato e uma perda de tempo. Um dos tipos de pessoas que encontramos no caminho oculto é o “mago de poltrona” que fará alguma magia assim que “acabar com mais um livro” ou “construir mais uma ferramenta mágica”. Ele não consegue nada prático porque nunca faz mágica. Sim, ele ganha conhecimento, o que certamente é um objetivo digno em si. Mas o conhecimento por si só não é o objetivo de um mago praticante. Para todos os efeitos práticos, ele está fazendo o mesmo trabalho que os do místico hassídico do século XVIII. Isso não era o suficiente para mim. Um mágico de poltrona não era alguém que eu queria ser. Esta foi uma grande crise. Eu estava prestes a perder completamente meu interesse pela Cabala – algo que havia me transformado e tinha sido o maior interesse da minha vida por mais de vinte anos. Eu hibernei, fiz leituras de tarô para mim mesmo e meditava. Então, um dia, ficou claro.

Experiência! Era isso que faltava em todas as manipulações numerológicas. Cheguei à conclusão de que pensar em algo não era suficiente para mim. Eu sou ação. E embora muitas das técnicas cabalísticas que usam a numerologia cabalística para fazer talismãs bem-sucedidos, por exemplo, proporcionassem uma gratificação tardia quando o talismã atingia seu objetivo, eu queria algo mais imediato. Eu conhecia apenas uma técnica que forneceu a aventura, ação e experiência que eu desejava: Pathworking cabalístico.

Devido a muitos trabalhos publicados, o termo pathworking perdeu seu significado original. Hoje, pathworking significa qualquer tipo de meditação guiada em que se faz uma viagem mental ou astral visualizada ou algum tipo de viagem. Eu uso a expressão “pathwork cabalístico para representar o significado original da palavra pathworking: andar na Árvore da Vida cabalística enquanto estiver no plano astral. A chave aqui é ser capaz de separar a consciência do corpo e viajar no plano astral. Em outras palavras, esta técnica cabalística requer que você alcance um estado alterado de consciência. Exceto pelos métodos fornecidos em fontes como The Golden Dawn de Regardie e as várias versões dessas instruções que foram publicadas, pouca informação apareceu de um antigo ponto de vista cabalístico. Se o pathworking cabalístico requerer acesso ao plano astral através de um estado alterado de consciência, segue-se que deve haver métodos cabalísticos tradicionais para alcançar tal estado.

Um método que descobri nas obras de Aryeh Kapi era simplesmente colocar a cabeça entre os joelhos. Isso muda o fluxo de sangue para o cérebro, resultando em um estado alterado. No entanto, ao investigar mais, descobri outro método para alcançar um estado alterado, uma técnica que Marsha Schuchard chama de transe sexual. Este método faz parte da teoria cabalística, embora tenha sido ignorado pela maioria dos pesquisadores e praticantes, pois não era uma parte publicada do movimento hassídico alemão. E enquanto esta chave cabalística para o mistério tem estado no subsolo por mais de 2.500 anos, ela vazou ou foi redescoberta de tempos em tempos e formou a base da magia sexual ocidental, em todas as suas formas, como existe hoje. Eu precisava daquilo.

Se você ler a Bíblia como um tipo de história, verá que os profetas de todas as gerações criticaram os hebreus por não adorarem os deuses e deusas de outras culturas. A implicação disso é que os hebreus não eram monoteístas desde a época de Abraão, mas eram tão politeístas quanto suas culturas vizinhas. De fato, em The Hebrew Goddess, o respeitado antropólogo Raphael Patai mostra que os hebreus adoravam uma deusa tanto em suas casas quanto no templo sagrado em Jerusalém até a destruição do segundo templo em 70 EC, você encontrará frequentemente nos artigos sobre as práticas religiosas dos primeiros hebreus, práticas que incluíam a adoração tanto de um Deus quanto de uma Deusa.

Na maioria dos templos judaicos de hoje, o local onde reside a Torá – os primeiros cinco livros da Bíblia em forma de pergaminho – está localizado em uma plataforma elevada. Essa plataforma geralmente tem a forma de um tipo de palco onde o Rabino (o líder das orações) e o Cantor (o líder dos cantos ) também têm suas posições rituais. Esta área é conhecida como bimah (pronuncia-se: bee-mah). A palavra “bimah” significa uma plataforma ou palco. No entanto, a origem da palavra é bamah (bah-mah) que se refere à ideia de um “lugar alto”. No Oriente Médio, uma área elevada era comumente onde várias divindades, não apenas o Deus judeu, eram adoradas. Outros resquícios de tempos pagãos anteriores – incluindo a adoração da Lua como uma forma da Deusa Lunar Levanah (que agora é o próprio nome da Lua em hebraico) – também são encontrados em várias tradições folclóricas judaicas.

As primeiras formas de paganismo tinham vários propósitos, talvez o mais importante fosse a fertilidade. Os primeiros pagãos praticavam ritos para garantir a fertilidade das colheitas, rebanhos e pessoas. Freqüentemente, esses ritos incluíam comportamento sexual. Por exemplo, em algumas culturas, os pagãos teriam ritualizado a relação sexual em cima de colheitas recém-plantadas. Acreditava-se que a energia levantada durante seu rito, através da imitação de sua magia sexual elementar, ajudaria as plantações a crescer.

Existe alguma evidência de que os primeiros hebreus, como seus vizinhos politeístas, tinham ritos e mistérios sexuais? A resposta é sim. Na verdade, alguns desses ritos têm até versões modernas.

Um exemplo é a prática da circuncisão. Antes que essa prática fosse fixada no judaísmo para oito dias após o nascimento de um menino, provavelmente fazia parte dos ritos da puberdade. Em outras palavras, era realizada quando um menino atingia a maioridade como sinal de maturidade sexual. Os ritos de puberdade para meninos e meninas são comuns nas culturas pagãs. Em algumas culturas, os ritos de circuncisão masculina na puberdade ainda são praticados como parte dos “Mistérios Masculinos”. No judaísmo, os meninos ainda têm um tipo de tal rito (embora sem a circuncisão) quando passam pelo ritual de entrada na idade adulta conhecido como Bar Mitzvah. Mais recentemente, as meninas foram adicionadas a essa tradição quando passam por um Bat Mitzvah semelhante.

Na Torá, a circuncisão é um sinal de um pacto entre Deus e os judeus. Nisto se insinua a ligação entre sexualidade e espiritualidade. Outras vezes, você lerá sobre situações em que colocar a mão na “coxa” é sinal de acordo, geralmente entre um humano e o Divino. “Coxa” é um eufemismo para “pênis” (assim como a Bíblia usa o verbo “conhecer” para significar “coito”). Essa ideia foi adotada ou emprestada de outras culturas onde um homem juraria colocando a mão sobre os testículos do outro. De fato, nossa palavra “testemunhar” (derivada, é claro, da palavra “testes”) vem dessa prática.

Há mais evidências de ritos sexuais no antigo judaísmo. O livro de Raphael Patai, “The Hebrew Goddess “, mostra claramente que não havia apenas um forte componente sexual no misticismo judaico mais antigo, mas que era algo muito importante.

Desde a realização do filme Caçadores da Arca Perdida, muitas pessoas se familiarizaram com a forma da Arca da Aliança. Em cima dela estavam dois Querubins. De acordo com Patai, há uma tradição talmúdica de que “… enquanto Israel cumpriu a vontade de Deus, os rostos dos querubins estavam voltados um para o outro: no entanto, quando Israel pecou, ​​eles viraram os rostos um do outro. ” O que isso pode significar?

A Arca da Aliança foi mantida no “Santo dos Santos”, a parte mais privada e sagrada do templo em Jerusalém. Já o famoso historiador primitivo dos judeus, Flávio Josefo (37 D.C.–100 D.C.), escreveu que não havia nada no Santo dos Santos. Por quê? É bem aceito que ele queria representar o judaísmo como “anti-icônico”, uma religião livre da adoração de ídolos ou ícones. Mas haveria algo mais? Algo que Josefo poderia até ter vergonha de mencionar?

A resposta vem de um historiador ainda mais antigo, Filo (30 A.C-45 D.C ). Ele escreveu que na parte mais interna do templo, na parte mais sagrada do local judaico mais sagrado, havia as estátuas dos Querubins. E esses Querubins estavam “entrelaçados como marido e mulher”. Ou seja, eles foram mostrados tendo relações sexuais.

Isso foi verificado mais tarde pelo relato de um talmudista conhecido como Rabi Qetina, que afirmou que nos dias santos, quando as pessoas iam em peregrinação para ir ao templo, os sacerdotes realmente mostravam os Querubins a eles e diziam: “Vejam! o amor diante de Deus é como o amor do homem e da mulher”. Várias centenas de anos depois, o famoso Rashi escreveu: “Os Querubins estavam unidos, agarrados e abraçados, como um macho que abraça uma fêmea”.
Em outras palavras, o segredo final do Santo dos Santos não era que ele continha a Arca da Aliança, a Torá ou as tábuas dos Dez Mandamentos. Em vez disso, era a natureza espiritual do sexo. A tradição talmúdica mencionada anteriormente implicaria que os querubins estariam envolvidos em relações sexuais constantes enquanto Israel cumprisse a vontade de Deus, mas eles se separariam de seu abraço se Israel pecasse. Além disso, acreditava-se que Deus “falava” entre os Querubins.

Lembre-se, de acordo com a Torá e a Cabala, Deus cria através da fala: “E o Senhor disse: “Haja luz.” E eis que havia luz.” Esta, então, é a revelação do segredo cabalístico da magia sexual: profecia, adivinhação e invocação que podem resultar do sexo espiritualizado.  De fontes talmúdicas também sabemos que um dos maiores feriados para os antigos judeus ocorreu cerca de duas semanas após o Ano Novo Hebraico. Os peregrinos vinham ao templo em Jerusalém de todas as partes para este feriado que era considerado uma festa alegre. No entanto, ao final dos sete dias desta festa, que era celebrada tanto por homens como por mulheres, as festividades se tornariam tão intensas que homens e mulheres se misturariam e cometeriam atos que eufemisticamente chamavam de “vertigem”. Em termos modernos, a multidão corria sexualmente desenfreada. Este comportamento terminou algo entre cerca de 100 AEC. e 70 d.C.

Outra fonte que indica que o judaísmo primitivo tinha ritos sexuais é encontrada no livro O Cântico dos Cânticos, de Carlo Suares, que é sua interpretação desse pequeno texto bíblico (conhecido também por seu título mal traduzido, Cantares de Salomão). Na introdução, Suares descreve brevemente o honrado Rabi Akivah (também conhecido como Akiba), que nasceu em 40 D.C e foi executado no ano 135.
D.C. depois de passar muitos anos na prisão por ser um apoiador da guerra judaica contra Roma. Hoje, Rabi Akivah é homenageado por judeus em todo o mundo. Poemas e orações atribuídos a ele são recitados por judeus fiéis. Ainda me lembro da bela e ritmada oração cantada que começa com “Amar Rabi Akivah…” (assim falou Rabi Akiba…). Ele é considerado o pai da versão escrita das leis orais judaicas conhecidas como Mishná. Ele também é considerado por muitos como o pai da Cabala.

Assim como as principais seitas cristãs têm divisões entre si, também houve divisões no judaísmo. No primeiro século EC, o rabino Ismael assumiu uma posição semelhante à de alguns cristãos fundamentalistas modernos de hoje. Ele e seus apoiadores sustentavam que os escritos sagrados judaicos foram escritos em uma linguagem que falava diretamente aos homens e deveriam ser aceitos literalmente. Rabi Akivah discordou e sustentou que as palavras eram apenas a forma da mensagem. O verdadeiro significado da Torá deveria ser encontrado em sua interpretação mística, sua essência interior. Assim, quando uma discussão sobre quais livros deveriam ser considerados parte da Bíblia judaica estava ocorrendo entre os principais Rabinos, a maioria deles queria excluir o aparentemente profano poema de amor que é o Cântico dos Cânticos. Afinal, como poderia um judeu hoje em dia ter frases como “beije-me com os beijos de sua boca” e “seus seios são como dois filhotes” em seu livro sagrado?

Rabi Akivah foi um dos rabinos mais honrados de seu tempo e assim permanece até os dias atuais. Em seu tempo, ele foi mantido em grande respeito e era considerado uma autoridade poderosa no judaísmo. Akivah exerceu sua reputação e autoridade para mudar a atitude dos outros rabinos. “O universo inteiro não vale o dia em que aquele livro… [foi] dado a Israel”, disse ele, “porque todas as escrituras são sagradas, mas o Cântico dos Cânticos é o mais sagrado”.

Quando li pela primeira vez esta citação, fiquei fascinado e intrigado. Não é estranho que um dos rabinos mais importantes da história judaica tenha defendido a canção de amor não apenas como um bom livro, não (como alguns diriam) porque é Deus dizendo como Ele ama Israel (ou vice-versa), mas porque é a “santíssima” de todas as escrituras?

Lembre-se, Akivah é considerado o pai da Cabala. Não poderia a razão para a defesa do livro de Akivah ser que ele retinha o segredo sagrado do judaísmo, o segredo da magia sexual? Este segredo teria então sido passado para seus seguidores e de lá para muitas das escolas da Cabala.

Mesmo o bastante enfadonho e pedante AE Waite, em The Holy Kabbalah, refere-se ao fato de que os judeus místicos consideravam o casamento um sacramento e que praticavam um “ensino em caminhos pouco freqüentados, algo herdado do passado … [dos quais ] há algum vestígio de ensino no Oriente.” Isso aparece na seção do livro de Waite intitulada “O Mistério do Sexo”, e indica que entre os cabalistas havia um ensinamento de magia sexual que era de certa forma semelhante aos ensinamentos sexuais dos taoístas e tântricos. Em uma nota de rodapé ele diz que os magos sexuais cabalísticos:

… tinham um ideal interior, espiritual e divino, no qual eles habitavam, e pelo qual eles parecem ter realizado transmutações abaixo. Isto é, sua magia sexual (que era tanto um ato físico quanto espiritual) e produzia mudanças – magia – no plano físico.

Como nota final para esta seção, eu acrescentaria que entre os judeus devotos de hoje é uma mitsvá (uma palavra que significa tanto um mandamento de Deus quanto uma bênção) fazer sexo com seu cônjuge no sábado. Isso porque Deus é considerado um andrógino Divino e ao fazer sexo, unindo homem e mulher, eles estão simulando Deus. Uma interpretação alternativa é que eles estão imitando Deus em união com sua consorte, a Shekhina (semelhante à noção pagã ocidental do Deus unido à Deusa ou à noção hindu de Shiva unida a Shakti).

A Disseminação da Cabala Após a destruição do Segundo Templo no ano 70 d.C., os judeus foram dispersos por toda a Ásia e Europa. Muitos judeus consideravam isso um castigo de Deus sobre eles por não seguirem as tradições do judaísmo. Especificamente, eles não estavam seguindo as muitas leis judaicas e estavam adorando outros deuses e deusas. Mas os cabalistas alegaram que, ao dispersar os judeus, a sabedoria da Cabala se espalhou por todo o mundo. Deste ponto de vista, a diáspora não era uma maldição para os judeus, mas uma bênção para o resto do mundo. E essa bênção, a Cabala, consistia, pelo menos em parte, nos segredos da magia sexual. À medida que os judeus se moviam pela Europa, formavam pequenas comunidades. Em alguns deles havia escolas de cabalistas. A separação entre as comunidades acrescentou diversidade, e muitos dos ensinamentos cabalísticos, incluindo aqueles relativos à magia sexual, devem ter mudado e evoluído. Mas como os ensinamentos foram além das escolas do judaísmo místico? A resposta, acredito, vem da própria natureza do judaísmo e sua longa tradição de judeus sendo o povo do livro. À medida que a Igreja Católica se fortaleceu, a educação secular (incluindo leitura, escrita e matemática) dos fiéis foi desaprovada e limitada à realeza, aos ricos, escribas da Igreja e certos membros das forças armadas. Mas porque muitos judeus sabiam ler, escrever e sabiam matemática, agiam como mensageiros viajantes ou como cobradores de impostos para os ricos. Com alguns deles veio junto Cabala e a magia sexual.

Eles se comunicavam com outros que viajavam, incluindo os músicos errantes conhecidos por nomes como trovadores, menestreis, bardose os posteriores minicantores e meistersingers que vagavam por partes da Europa ocidental nos séculos XII e XIII d.C.  Não eram apenas homens como como registrado por historiadores do sexo masculino que, durante séculos, subestimaram a importância das mulheres na história, algumas mulheres também atuavam assim.

No século XIII, um livro pouco conhecido chamado Iggeret Ha Kodesh (A Carta Sagrada) foi difundido entre os judeus na Espanha. Foi por muitos anos atribuído ao famoso rabino chamado Nachmanides, mas os estudiosos hoje concordam que o rabino provavelmente não foi o autor. O livro era tão popular que três manuscritos variados deste livro são conhecidos. Foi dito que todos os livros verdadeiramente sagrados podem ser lidos em três níveis: físico, espiritual e místico. No nível físico, este livro parece ser um manual de casamento judaico. Em um nível espiritual, este livro é visto como uma “obra cabalística que descreve o relacionamento de Deus” com os judeus. Mas em um nível místico revela virtualmente todos os mistérios e técnicas de magia sexual que estão em uso até hoje. É minha opinião que os menestréis errantes medievais tinham alguma familiaridade com este livro ou com aqueles que usaram suas técnicas e ajudaram a difundir o conhecimento.

Até então, os casamentos não eram muito conhecidos. As pessoas viveriam juntas e se chamariam de marido e mulher. Eles eram considerados casados ​​mesmo sem um ritual de casamento. Nas Ilhas Britânicas, as regras para proteger as mulheres tornaram-se parte do que era conhecido como “lei comum [principalmente não escrita]”. Assim, após um certo período de tempo de convivência e alegando ser marido e mulher (e aceito como tal pela comunidade), uma mulher seria legalmente reconhecida como esposa de direito comum de um homem. Daquele ponto em diante, ele não poderia simplesmente jogá-la na rua quando estivesse cansado dela. Ela tinha direitos sob as leis do divórcio, embora eles não tivessem passado por uma cerimônia formal de casamento. O direito comum é inda hoje uma das bases do sistema jurídico americano.

Geralmente, na sociedade ocidental, controlada pelos cristãos, eram apenas os ricos e a realeza que se casavam. O objetivo dessa exibição pública era mostrar a todos que apenas os filhos dessa mulher seriam os herdeiros legítimos de um determinado homem. Na verdade, o casamento era mais um contrato legal do que um desejo de se unir por amor. Às vezes, pinturas eram feitas para mostrar a cena do casamento para provar que um casamento havia sido realizado.

Governantes e homens ricos queriam saber que seus filhos, na verdade, eram seus filhos de sangue. Acreditava-se que o sangue tinha qualidades mágicas inatas. Existe até uma crença hoje entre alguns bretões no “Toque do Rei” – que o próprio toque de um rei (que também foi aprovado pelo Deus cristão, ou então como ele poderia ser rei?) poderia curar várias doenças. Para garantir uma linhagem contínua, a monogamia tornou-se a regra para as esposas dos ricos e da realeza. Mesmo assim, há ampla evidência de que tanto as esposas quanto os maridos costumavam fazer sexo fora do casamento.

Eventualmente, a ideia de amor tornou-se um acessório do casamento. Foi uma conseqüência da noção de “amor cortês” que foi difundida pelos bardos viajantes. Eles até tinham regras para o amor cortês, algumas das quais escondiam os segredos da magia sexual. Por exemplo, a regra 30, de acordo com Andreas Capellanus cerca de 1.500 anos atrás, diz: “Um verdadeiro amante é continuamente é ininterruptamente obcecado pela imagem de sua amada”.

Dentro dessas palavras está um segredo de magia sexual que alguns dizem ter sido “descoberto” por A. O. Spare neste século. Como pode ser visto, este aspecto da magia sexual antecedeu Spare em mais de um milênio!

Outro grupo de viajantes eram os comerciantes, artesãos capazes de muitas habilidades valiosas. Eles vieram desde os primeiros tempos (quando cada ofício também estava associado a uma divindade) e continuaram no Renascimento. Na Roma antiga, essas guildas eram conhecidas como collegia (a fonte de nossa palavra “faculdade”). Eles tinham seus próprios edifícios onde eles compartilhariam os segredos de sua guilda. Os membros realizavam festas conhecidas como ágape, provavelmente a fonte das festas ágape cristãs do primeiro século. Para identificar outros membros ou permitir entrada nos limites das casas de guildas, eles tinham sinais de mão, gestos e toques especiais, incluindo beijos especiais e ritualísticos. Dessa forma, eles eram os elos entre as antigas escolas de mistérios e as modernas lojas ocultistas. De fato, os collegia foram influenciados pelos gregos, que, por sua vez, foram influenciados por uma variedade de culturas do Oriente Médio, incluindo os ensinamentos dos egípcios, dos sírios e dos antigos Hebreus.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/as-raizes-judaicas-da-magia-sexual/

A Física Moderna e o Shamir

Por Paul Goldstein.

É o sonho de todos os judeus ajudar na construção do Terceiro (e último) Templo. Para isso, as pedras devem ser esculpidas. Mas estaríamos fazendo isso da mesma forma que o rei Salomão fez, ou estaríamos apenas construindo um edifício? Um elemento essencial na construção do Templo de Salomão foi o milagroso shamir cortador de pedra. Ao nos instruir sobre como fazer o altar permanente a D’us, a Torá diz: “não o construa de pedra lapidada” (Êxodo, 20:22). Rashi comenta neste versículo que o ferro, o material das armas mortais, não deve ser usado para moldar as pedras do Templo, cuja essência é a paz.

A NATUREZA DO SHAMIR:

O shamir (de shamira em aramaico, que significa “como uma pedra de pederneira”) era um organismo sobrenatural. A palavra “shamir” no hebraico bíblico era usada em dois sentidos: a) uma ponta de caneta feita de uma substância dura (Jeremias 17:1); ou b) espinhos afiados (Isaías 5:6).

Cada uso está relacionado à capacidade do shamir de perfurar superfícies duras. O “olhar” do shamir sobrenatural poderia esculpir grandes pedras. O Talmude e os grandes rabinos posteriores descreveram como a passagem do shamir ao longo da superfície de uma pedra faria com que ela se partisse perfeitamente em dois pedaços.

O shamir era mineral, vegetal ou animal? Em uma lenda abissínia, supõe-se que o shamir tenha sido uma espécie de madeira ou erva. Maimônides, no entanto, e Rashi, o consideravam um animal vivo. O Talmude diz que o “olhar” de uma criatura viva fez madeira e pedra se partirem. Uma obra pseudoepígrafa, o Testamento de Salomão, no entanto, considera o shamir como uma pedra verde talvez semelhante à pitda colocada no peitoral do Sumo Sacerdote representando a tribo de Simeão.

Pequeno como um grão de cevada (menos de um centímetro), o shamir não tinha uma aparência física inspiradora. Sua essência sobrenatural veio de ter sido criada no crepúsculo da primeira véspera do Sabbath durante os Seis Dias da Criação. De acordo com R’ Bachiya no Talmude, o shamir foi usado pela primeira vez na época da construção do Tabernáculo para gravar os nomes das tribos nas joias preciosas do peitoral do Sumo Sacerdote.

Por segurança, o shamir não poderia ser colocado diretamente em qualquer tipo de recipiente de metal, incluindo ferro, que seria dividido. Foi mantido envolto em lã, colocado num cesto de chumbo cheio de farelo de cevada (Talmude, Sota 48b). A escolha destes materiais foi específica, uma vez que nenhum outro material foi capaz de resistir ao seu poder de penetração.

Os governantes dos cananeus e de outras nações perceberam o valor do shamir, mas nunca conseguiram localizá-lo. O Midrash conta que mesmo o Rei Salomão não tinha ideia de onde encontrar o shamir, embora soubesse que precisava dele para construir o Templo. Salomão fez um grande esforço para obter o shamir, até o ponto de contatar demônios. Também criados no crepúsculo da véspera do Sabbath dos Seis Dias da Criação, esses seres tiveram alguma relação com o shamir e os outros fenômenos sobrenaturais criados neste crepúsculo excepcional. O Midrash relata que Salomão consultou o rei dos demônios, que não o tinha, mas sabia que o anjo do mar havia dado o shamir ao pássaro poupa (dukhifat, Levítico, 11:19), um tipo de ave que precisava dele para sobreviver. No final, o rei Salomão capturou o shamir da poupa.

O shamir foi usado pelo homem apenas na construção do Tabernáculo e do Templo. Seres sobrenaturais criados por D’us para funções específicas não existem para sempre. A Mishná (Sota 9:12) afirma que o shamir existiu até a destruição do Segundo Templo. Tosafot (Gittin 68a) diz que o shamir existiu na Era Comum. De acordo com o Tosefta, o shamir desapareceu após a destruição do Templo, já que não era mais necessário. Da mesma forma, o tachash, que havia sido criado para que sua pele pudesse ser usada para o Tabernáculo, desapareceu depois que o Tabernáculo foi concluído. Considerado um animal kosher, o tachash era semelhante a um unicórnio com um único chifre na cabeça (Shabat 28b).

Outra criatura, a alcaparra, compartilhava características com o shamir e, portanto, foi confundida com o shamir. Mas porque o surto de alcaparras existia na Idade Média (1000 d.C.), os rabinos argumentam que os dois não eram idênticos.

O QUE CAUSAVA O “OLHAR” PENETRANTE?

Por definição, uma criatura sobrenatural feita por D’us para realizar milagres específicos não pode ser explicada racionalmente. No entanto, abundam teorias na ciência que correlacionam os fenômenos naturais com o sobrenatural. Nesse espírito, o “olhar” do shamir que poderia rachar madeira e pedra pode ser explicado por: 1) a produção de ondas de alta ou baixa frequência que podem ressoar a estrutura molecular dos materiais e perturbá-los, 2) a produção de ondas confluentes raios de luz como um “raio de laser”, ou 3) a radioatividade.

A essência do “olhar” permanece especulativa, mas o falecido Immanuel Velikovsky [1], um especialista nos tempos de Salomão, e Frederic Jueneman [2], um estudioso notável, sugeriram que o shamir era uma substância radioativa. Eles argumentam que uma caixa de chumbo seria o meio mais lógico para sabiamente conter um radionucleotídeo tão altamente energético. Assim, o “olhar” do shamir pode ter sido radiação alfa. A radiação alfa é uma partícula de alta energia, que pode destruir ou descolorir tudo o que está exposto a ela. O enfraquecimento relatado dos poderes do shamir no decorrer do tempo até o ponto de inatividade possivelmente indica decaimento radioativo e meia-vida de sua antiga potência radioativa.

Se o shamir fosse um mineral, poderia ter sido qualquer uma das várias pedras verdes nativas. Pode ter vindo dos locais de cobre na Armênia ou Chipre – ou das próprias minas do rei Salomão no Sinai, onde malaquita ou verdete também teriam sido encontrados no corpo de minério original. De fato, Jueneman cita escritos antigos de Zósimo, o Panopolitano (também chamado de Tebano), afirmando que a malaquita é um “inimigo do topázio, nublando sua cor e estragando seu brilho”. Um material altamente valorizado para objetos ornamentais, a malaquita, no entanto, também era conhecida por produzir feridas nos intestinos e inflamar os olhos – dois sintomas conhecidos hoje como efeitos característicos da exposição à radiação. A malaquita de hoje (ou crisocola como era conhecida pelos antigos) não é radioativa, mas poderiam ter existido exceções quando combinadas com outros minerais. A calcolita (ou torbenita), por exemplo, um fosfato de uranila de cobre verde, exibe radioatividade.

ESCULPINDO AS PEDRAS:

O Talmude diz que a precisão necessária para gravar os nomes das tribos nas joias preciosas do peitoral do sumo sacerdote sem perder nenhum material não era humanamente possível. Usando um composto radioativo (seguindo a linha de pensamento de F. Jueneman), isso não seria difícil de realizar. Os tufos de lã e farelo de cevada embalando o shamir seriam transparentes à sua radiação, enquanto o recipiente de chumbo seria impenetrável. Se a tinta usada para escrever nas pedras contivesse chumbo, uma descoloração graduada seria destacada nas gemas após a exposição ao shamir. A posterior retirada da tinta deixaria tal caligrafia contrastada com o fundo, dando também a aparência de profundidade à escrita. A maioria dos minerais preciosos, como diamantes, safiras, esmeraldas ou topázios, são descoloridos pela radioatividade. Outras gemas, como as opalas, são silicatos contendo água de cristalização. A exposição à radiação alfa desintegra esses cristais liberando a água quimicamente ligada, que volatiza sem deixar resíduos. Isso significa que nem uma lasca seria perdida, deixando uma textura turva ou granular.

A “VERDADEIRA” ESSÊNCIA DO SHAMIR:

A Mishná (Avot 5:6) relata que o shamir foi criado no Sexto Dia da Criação, no crepúsculo da véspera do Sabbath. O Maharal elabora o significado deste ponto: Todo o mundo físico criado durante os Seis Dias é governado pelas leis da natureza. Não tendo sido criado exatamente dentro desse prazo, o shamir é, portanto, sobrenatural.

Os outros fenômenos excepcionais criados durante o primeiro crepúsculo da véspera do Sabbath relacionam-se, de alguma forma, com o shamir. Eles incluem os demônios, o carneiro que Abraão sacrificou no lugar de Isaque, o primeiro par de tenazes, que foram então usados ​​para fazer outros instrumentos, o cajado de Moisés, as roupas de Adão e Eva, o fogo, a boca da jumenta de Balaão, a Coluna de Fogo e a Coluna de Nuvens que conduziram os Filhos de Israel pelo deserto, e o vaso em que o maná foi preservado no Santo dos Santos no Templo.

A criação, existência e função do shamir e dos organismos que o guardavam eram todos milagrosos. O Midrash relaciona o conceito de que uma substância mais macia pode ter a capacidade de perfurar uma mais dura. Por exemplo, a pedra que Davi atirou em Golias perfurou o capacete do gigante e o matou (Samuel I 17:49). O shamir também não tinha limitações físicas. Podia penetrar sem esforço nos materiais mais duros e, no entanto, foi preservado em uma cesta de chumbo (um metal macio), atestando sua origem não natural.

Embora, por definição, os milagres não precisem ser explicados como fenômenos cientificamente observáveis, o milagroso shamir que cortou as pedras para o Templo do Rei Salomão corresponde à descrição da radiação alfa.

Adaptado do artigo original e reimpresso com a gentil permissão de B’Or HaTorah vol. X (1997), pp. 173-176.

NOTAS DE RODAPÉ:

1. Immanuel Velikovsky, Ramses II and his Time (Garden City, NY: Doubleday, 1978).

2. Frederic Jueneman, “The Stone of the Shamir ” in R & D Magazine (September 1990) page 45.

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Fonte:

Modern Physics and the Shamir.

We have lost an important instrument for the building of the Temple.

By Paul Goldstein.

https://www.chabad.org/kabbalah/article_cdo/aid/380303/jewish/Modern-Physics-and-the-Shamir.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-fisica-moderna-e-o-shamir/

A Missa do Caos

O rito pode ser realizado como um sacramento de invocação para elevar uma particular energia de manifestação para inspiração, divinificação ou  comunhão com um domínio particular de consciência. Isto pode ser feito  como um ato de encantamento, no qual encantamentos são projetados  para modificar a realidade física. Isso pode, também, ser feito para  consagrar instrumentos mágicos ou invocar entidades para uso  posterior. O rito consiste em um mínimo de seis partes: Preparação,  estabelecimento de intenção, invocação do Caos, invocação de  Baphomet, pacto e fechamento.

A preparação incluirá a feitura pronta do assento a ereção dos círculos e  triângulos, a colocação de instrumentos e armas e a administração de  um elixir químico ou botânico, que possa ser desenvolvido para elevação  gnóstica. Rituais de banimento, meditação, danças circulares e outras  formas de gnosis preparatória para a preparação dos participantes.

A declaração de intento deve ser feita da forma mais simples e  específica possível. Erguendo a base material utilizada para o ritual, o  sacerdote toma a palavra e diz: “É nosso desejo …”, adicionando o  objetivo do ritual que será realizado. A base material pode ser qualquer  tipo de alimento para subsequente consagração e consumação. Pode ser  um símbolo com o qual se lança um encantamento ou um talismã,  amuleto ou símbolo para consagração. Quando a base material for um  elixir sexual, o sacerdote deve erguer as mãos vazias para o sacrifício  que é feito de seu próprio corpo.

A invocação do Caos é feita por um encantamento bárbaro desenvolvido  na conjunção de métodos gnósticos, à escolha do operador. A suprema  advertência do Caos é dada abaixo, junto com uma tradução, na qual é  acusada dentro do possível, na estrutura caótica primitiva da linguagem  Enoquiana. O sacerdote desenha o símbolo do Caos, no ar, acima do  círculo assistido pela visualização dos assistentes. O sacerdote começa:

 Encantamento:

OL SONUF VAROSAGAI GOHU
 ( Eu Reino Sobre Você Saith )
VOUINA VABZIR DE TEHOM QUADMONAH
( O Dragão Águia do Caos Primal  )
ZIR ILE IAIDA DAYES PRAF ELILA
( Eu sou o Primeiro o Mais Alto Que Vive No Primeiro Étir  )
ZIRDO KIAFI CAOSAGO MOSPELEH TELOCH
( Eu sou o Terror da Terra os Chifres da Morte  )
PANPIRA MALPIRGAY CAOSAGI
( Vertendo os Fogos da Vida por sobre a Terra  )
ZAZAS ZAZAS NASATANATA ZAZAS
(Esta última linha não pode ser traduzida)

A estrela de oito raios do Caos radiante é visualizada acima e através do  círculo e sacrifícios de incenso, sangue ou elixires sexuais podem ser  feitos.

Invocação de Baphomet

O sacerdote ou sacerdotisa que assume a manifestação de Baphomet ornamenta-se e visualiza-se na tradicional forma do deus de suas fontes de poder. Baphomet, como a representação da corrente de vida terrestre, aparece como uma deidade theriomórfica com chifres, de aspecto andrógino, alado, réptil, mamífero e humano.

O sacerdote desperta em si uma ressurgência de Khi ou Kundalini ou sagrada Serpente de Fogo, como é comumente conhecida. Outros participantes podem auxiliar livremente tais encantamentos, utilizando por exemplo o incomparável “Hino a Pã”, por projeção de visualização do pentagrama invertido dentro do sacerdote e, se necessário for, pela administração de ósculo infame. Este assim chamado beijo obsceno na garupa do demônio tem sido muito mal entendido. Tudo que se requer é uma contração do períneo, o espaço entre os genitais e o ânus, dentro do qual a Kundalini espera para ser libertar. O sacerdote, então, completa a invocação com a litania eônica.

No primeiro éon, eu fui o Grande Espírito
No segundo éon, os Homens me conheciam como o Deus Cornudo Pangenitor Panphage
No terceiro éon, eu fui o Obscuro, o Diabo
No quarto éon, os Homens não me conhecem, pois sou o Escondido
Neste novo éon, surjo perante vocês como Baphomet
O Deus anterior a todos os deuses, que irá perdurar até o fim da Terra.  

O sacerdote, agora como Baphomet, apanha o objeto utilizado como um foco para consagração, para atingir o propósito do rito. Seja qual for o significado que o Deus veja nele, deve anunciá-lo, seja falando, por gesto ou algum outro sinal inesperado. O juramento marca o ápice do ritual, erguendo o objeto simbólico, o sacerdote e todos os participantes afirmam:

Esta É Minha Vontade.

Se o objeto é um sacramento, ele deve ser consumido. Se for um símbolo, deve ser destruído ou escondido, para que o objeto consagrado possa ser guardado e utilizado mais tarde.

O fechamento pode necessitar de um exorcismo do sacerdote, se a possessão for muito profunda. Qualquer símbolo de Baphomet e qualquer parafernália é removida e um pentagrama virado para cima é desenhado no sacerdote. É administrada uma lustração completa da face com água fria, e ele é chamado por quatro vezes, por seu nome profano, até que responda. O ritual é fechado por um último banimento.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-missa-do-caos/ […]

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A Ordem DeMolay

Ao longo do tempo a Maçonaria inspirou ou criou várias organizações para educação e formação de jovens. Em função do enorme contingente de maçons existentes nos Estados Unidos e da ampla disseminação dos ideais maçônicos, este país foi o berço de várias destas organizações, as quais posteriormente se internacionalizaram. São exemplos as seguintes Ordens: DeMolay Internacional, Filhas de Jó, Garotas do Arco-Íris, Boy Builders, Girls of the Golden Court, Organization of Triangles, Constellation of Junior Stars. Destas, seguramente, a Ordem DeMolay é a maior e mais difundida.

 

O que é DeMolay?

DeMolay é uma organização iniciática dedicada a preparar jovens, entre 12 e 21 anos e do sexo masculino, para terem uma vida produtiva, feliz e bem sucedida. Contrariamente ao que muitos supõem, a Ordem não é uma Maçonaria juvenil, embora muitos princípios comuns permeiem as duas. Muitos dos membros são filhos de maçons, mas não exclusivamente, estando as portas da organização abertas a todos.

Baseando sua abordagem em princípios eternos e práticos e na participação ativa, a Ordem procura desenvolver nos jovens a consciência cívica, a responsabilidade pessoal e a habilidade de liderança, tão primordialmente necessárias na sociedade atual. Neste intento, são enfatizadas Sete Virtudes Cardeais. São elas: amor filial, reverência pelas coisas sagradas, cortesia, companheirismo, fidelidade, pureza e patriotismo.

Crenças religiosas não são ensinadas no âmbito da Ordem. Não há a pretensão de propagar ensinamentos de caráter religioso, mas a reverência ao sagrado é firmemente encorajada, seja qual for a religião de devoção do membro.

A organização combina sua séria missão com uma abordagem agradável que conduz à formação de laços de amizade entre os membros filiados aos mais de 1000 Capítulos existentes em todo o mundo. Os Capítulos são a “unidade operacional” da Ordem e se caracterizam por serem grupos distintos em constituição e localização geográfica, mas sempre subordinados a um Supremo Conselho. Cada Capítulo é patrocinado por um grupo e Maçons e assistido por um Conselho Consultivo.

Capítulos

No Brasil a Ordem DeMolay é relativamente recente, sua fundação ocorreu em 16 de agosto de 1980. Apesar disto, já existem muitos Capítulos. A maioria das cidades de médio porte possui um ou mais.

DeMolays Famosos

Tendo em vista sua recente fundação, a Ordem ainda não produziu expoentes no Brasil, mas em outros países há muitas pessoas de enorme destaque que foram “alumni” DeMolay. Três são muito famosos: Walt Disney, criador da Disney; John Wayne, ator de muito destaque; e Bill Clinton, ex-presidente americano.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-ordem-demolay/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-ordem-demolay/

Energia Telúrica, Linha de Ley 1 ½

Fico feliz que a idéia destas colunas “intermediárias” tenha agradado o pessoal. Sei que os assuntos que tratamos aqui são razoavelmente complexos, quase nunca abordados na internet e às vezes eu me empolgo, vou escrevendo… e esqueço que certas coisas, apesar de óbvias e corriqueiras para os ocultistas, são um tanto quanto complicadas para quem nunca teve contato com este tipo de informação.

Mas, volto a insistir, se pintar alguma dúvida, basta perguntar que eu tento responder na medida do possível.

Ah, eu andei apagando uns comentários desta vez… acho que comentários de céticos fanáticos sem argumentação que falam apenas “seu texto é uma baboseira, isso ai não está nos livros de ciência” tem tanto valor pra mim quanto os fanáticos religiosos que falarão “seu texto é uma baboseira, isso ai não está na Bíblia”. Se o cara quer questionar e pedir uma explicação adicional (como o Zatraz fez) a gente tenta ajudar da melhor maneira possível, mas ninguém aqui tem de ficar dando espaço pra xingamento gratuito. E é mais triste ainda que isso venha de gente que quer posar de “argumentador pela lógica racional”.

Douglas Moraes, Pokan – Quanto as perguntas. Eu percebi que isso deixaria o post interminável, então não vou fazer… mas dá pra usar o “localizar palavra” com o nome da pessoa que eu coloco em negrito para achar o comentário dela, e vou tentar colocar um subtítulo na frente da resposta para ajudar o povo a se localizar. E outra… de acordo com um dos comentários, a gente só escreve estas colunas para fazer vocês visitarem as páginas do site, então esta é uma conspiração para fazer vocês voltarem inúmeras vezes nos meus posts… =D

Caio – Sobre o Benitez. Sim, ele é autor de ficção, mas… até ai… eu também sou… muitos autores de ficção (escritores, tanto de livros quanto de HQs) eram (e são) ocultistas e usam o recurso da “ficção” para preparar a mente das pessoas para aceitar algumas coisas que virão posteriormente. Alguns exemplos incluem Shakespeare, Victor Hugo, Alexandre Dumas, Arthur Conan Doyle e Julio Verne, pra ficar nos clássicos. Alan Moore e Grant Morrison pra ficar nos contemporâneos.

Igniz – Este site tem muitos textos legais para ler e consultar.

Thiago – Daniel Mastral? Aquele pastor evangélico que se finge de ex-satanista pra inventar bizarrices medievais contra o “tinhoso” e os “adoradores do capeta” e faturar com isso?… Assim como o “TIO CHICO” (ex-bruxo, ex-macumbeiro, ex-maçom, ex-aidético, ex-homossexual… entre outras bizarrices) que se “converteu” e agora ganha uma grana dando “testemunhos”. As igrejas caça-níqueis são pródigas em inventar atrações circenses.

Mais pra frente, eu pretendo falar sobre satanistas de verdade aqui na coluna.

CacauPE, Daniel – Kardec, a Maçonaria e Espiritismo. Allan Kardec, ou melhor, Hippolyte Léon Denizard Rivail, pertenceu à Grande Loja da França, foi um dos primeiros estudiosos a promover uma pesquisa científica séria e metódica a respeito do Plano Astral e seus habitantes e manifestações (chamados de “espíritos” por ele), em 1857. Apesar das otoridades classificarem o kardecismo como “religião” nos rótulos que gostam de colocar nas pessoas, o kardecismo não é uma religião, mas uma filosofia, mesmo porque a Maçonaria não permite debates religiosos dentro de suas lojas e os estudos que Kardec coordenou eram puramente científicos.

Se você já leu os livros básicos dele, eu recomendo os trabalhos do prof. WALDO VIEIRA e da CONSCIENCIOLOGIA, que coordena estudos científicos há 40 anos, com centenas de experimentos em laboratórios sobre todo tipo de manifestação extrafísica. Recomendo especialmente o livro “700 experimentos da Conscienciologia”.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Waldo_vieira
http://www.iipc.org/
700 Experimentos da Conscienciologia

Scherer– o Projeto HAARP (High Frequency Active Auroral Reserach Program) era para ser usado em comunicações ao redor do planeta, controle do clima, irrigação de áreas desérticas, iluminação noturna entre outros usos que os Atlantes possuíam através da combinação das camadas mais sutis da Ionosfera atuando em com as Linhas de Ley. Hoje este projeto está classificado de Top Secret e é coordenado pela USAF, com estudos voltados apenas para o lado bélico, como “ataques de ondas eletromagnéticas”. Uma das minhas teorias da conspiração favoritas envolvem Nicolai Testa (o gênio) e a explosão “inexplicada” de Tunguska. Outro dia falamos mais sobre isso…

Evandro – Yoga. Não tem como falar sobre yoga em apenas um parágrafo, mas eu prometo que, quando chegar nos chakras, a gente entra em detalhes sobre a origem e explicação das 6 linhas de yoga (Hatha, Raja, Bhakti, Jnana, Kriya e Karma).

Daniel, Julien – Vocês estão certos, eu acabei mandando o texto pro eightbits faltando um parágrafo. Apesar de Stonehenge ser construída com base nos mesmos moldes dos templos romanos, ela possui 10 conjuntos de pedras, sendo que o local onde fica a sexta posição é o local onde os sacerdotes levavam certas pedras como as Lia Fail ou Pedra de Scone (a bíblia fala sobre a pedra onde Jacob descansou sua cabeça antes de vislumbrar a “Escada de Jacó” mas falaremos mais sobre isso na Kabbalah) que faziam às vezes de canalizador de energia (como a Arca da Aliança fazia nas Pirâmides). Ou seja: da mesma maneira que os sacerdotes egípcios recebiam suas iniciações dentro da pirâmide na câmara do Faraó, os sacerdotes celtas recebiam suas iniciações neste ponto do círculo. E este costume mágico continua até os dias de hoje. TODOS os reis e rainhas da Inglaterra e Escócia não eram coroados se não estivessem sentados sobre a “Pedra de Scone”. Até eu chegar na parte do Rei Arthur, vamos todos parar para meditar sobre o que pode ter de coincidência nisto que falei acima e na história da “espada cravada na pedra”.

Cícero – Arquivo kmz das linhas de Ley: http://www.vortexmaps.com/hagens-grid-google.php

David – Quem foi que disse que elas não tentaram?

Tio Patinhas – sim, você pode. Eu vou explicar com calma isso no post dos Chakras, mas se você estiver curioso sobre que tipo de efeitos práticos você pode ter, vai no youtube, digita meu nome lá e dá uma olhada nos vídeos de Chi-kung que eu deixei. São demonstrações que a energia dos chakras pode ser manipulada para efeitos práticos/visíveis a qualquer hora em qualquer local, exatamente como os céticos adoram dizer que as coisas científicas devem ser… o único “senão” é que a disciplina mental para chegar neste ponto é extremamente trabalhosa… Ah, as barras de aço tem meia polegada cada uma (e são 4 em cada demonstração).

A HELLSTONE fica em Dorset, é um mini observatório usado para calcular datas de plantio e colheita. Tem este nome porque os cristãos acusavam os bruxos de fazerem “sacrifícios humanos” sobre o altar de pedra central. Como curiosidade, o desenho formado no chão ao redor das pedras é um ouroboros.

Lázaro, Xtecox, Dave, PH, Bolívar, Lego, Thahy, Pet – Thelema rulez. É claro que vou falar sobre Golden Dawn, Rosa Cruz Alfa et Omega e OTO. Tudo a seu tempo… Por sinal, ontem (12/10) foi aniversário do Aleister Crowley.

Jean Bulinckx, Arthur, Krebys – Não importa o quão avançada seja a sua civilização, não dá pra segurar ondas com 500m de altura chegando nas suas cidades. Segundo as informações que temos, o continente afundou em um único dia. Apesar dos avisos dos sacerdotes/cientistas, os governantes não deram atenção a eles. Você já deve ter visto alguma história fictícia semelhante nas HQs, com um cara de capa vermelha e um planeta que explode… Mas, como estamos conversando nas colunas, muitas das informações e conhecimentos se salvaram, SIM. Apenas ficaram sob a guarda de Iniciados para que os erros cometidos pelas civilizações antigas não se repetisse.

Betopow – Na medida do possível, sempre vamos colocar fotos, links ou vídeos para mostrar que todas as pesquisas estão muito bem embasadas. Mas nunca ouvi falar na “Teoria da Terra Chata”. Nos campos ocultistas, os estudiosos já sabiam que a Terra era esférica desde os tempos Egípcios.

Zatraz – Sobre computadores de cristal, controlados por ondas mentais. Os cientistas ortodoxos estão engatinhando nesta tecnologia ainda, mas já possuem alguma coisa pesquisada. Veja estes dois sites das autoridades sobre estas pesquisas (é… autoridades, porque eu gosto dos japoneses e hindus quando se trata de tecnologia, pois eles não têm os preconceitos católicos/muçulmanos/ateus para trabalhar com o espiritual x tecnológico).

http://www.livescience.com/health/050317_brain_interface.html
http://www.newscientist.com/article/mg16922741.000-a-clear-winner.html

O conceito dos “computadores de cristal acionados pela mente humana” exigem um domínio e concentração mental que devem existir em 0,001% da população de hoje em dia, no máximo… Histórias sobre estes computadores de cristal conectados a Linhas de Ley sobreviveram entre os profanos na forma das lendas de “bolas de cristal” das bruxas.

Renan, Mateus, – Vocês estão confundindo as bolas… Místicos e Ocultistas são coisas BEM diferentes… ocultistas são extremamente céticos também… conhecem e estudam todos os livros ateus e normalmente fazem parte de grupos de discussão como os Céticos S/A do Mori… só que são discretos. Nada me irrita mais do que falsos videntes, tarólogos picaretas, astrólogos de programas femininos, falsos médiuns e todo tipo de esquisotérico demente que colabora para colocar mais preconceito na cabeça das pessoas.

É uma burrice achar que estamos em posições antagônicas. A única diferença entre ocultistas e cientistas ortodoxos é que os ocultistas possuem mais informações que vocês para trabalhar seus estudos.

#Astrologia #Pirâmides

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/energia-tel%C3%BArica-linha-de-ley-1

A Consciência Genética

O sistema nervoso central, incluindo o cérebro, assim como todo o resto do corpo foi projetado pelo código interno da molécula de DNA após milhares e milhares de anos de evolução e seleção natural. Esta mesma molécula é a que hoje envia sinais através do RNA mensageiro para informar ao organismo o que este deve fazer: Cresça cabelos ruivos, tenha olhos azuis, fique de pé e comece a andar, comece a falar, encontre um companheiro, tenha um filho. A nossa vida inteira já esta determinada no interior desta nossa fita de acido desribonucleico

Esses arquivos de DNA sempre ficaram acessíveis á perscruta cerebral consciente, mesmo séculos e séculos antes de Darwin, Mendel, Crick e Watson. Enquanto estávamos despertos a consciência genética sempre esteve acessíveis na forma dos arquétipos do inconsciente coletivo em mitos e metáforas da cultura humana de diferentes povos. Enquanto estávamos dormimos esta mesma consciência buscava um contato mais pessoal conosco por meio de sinais interiores traduzidos dentro de nossos próprios sonhos. Desesperadamente os genes pareciam quere se comunicar.

Quando esta integração genética é feita consciente, mente o individuo atinge o que ouso chamar de consciência genética. Por milhares de anos este estado resultou em místicos,  poucos e sábios, mas recentemente isso parece estar se tornando algo cada vez mais organizado. Esta consciência que ultrapassada os limites do individuo, recebeu diversos nomes em diferentes períodos da história, mas quase todos que dela provaram se referiam a um estado de iluminação, da luz do mundo, de despertar ou de uma nova consciência.

Os primeiros a alcançarem a consciência genética, há alguns milhares de anos, interpretavam como podiam suas experiências, falavam de vidas passadas, anjos, duendes, reencarnações, deuses e  imortalidade, retorno dos mortos, etc. Que esses antigos adeptos genéticos estavam falando de algo real, na melhor das linguagens à disposição em suas épocas, é indicado pelo fato de que muitos deles, especialmente os Hindus e os Sufis, forneceram visões poéticas maravilhosamente corretas da evolução, milênios antes de Darwin e previram a busca da superação da condição humana muito antes das obras de Nietzsche.

Os Gregos chamaram a consciência genética de “a visão de Pã”. Os Chineses de o grande “Tao”, os Hindus de “Consciência de Atman”, traduções que ainda hoje geram no mínimo um silêncio respeitoso pelo mais convicto dos céticos. As figuras numinosas que inspiram  espanto e respeito, aquelas figuras de um “Deus Sublime” ou de “Deusas ou Demônios” que aparecem nos estágios iniciais dessa tomada de consciência, correspondem aos arquétipos de Jung do inconsciente coletivo, e são reconhecidos como os “visitantes do mundo dos sonhos”, pelos primitivos ou “os Sidde” pelas bruxas, assim como o “Povo Estranho” em centenas de tradições populares.

Jung mostrou que todos estes arquétipos não são oriundas de mundos exteriores, espirituais e metafísicos, mas sim frutos de uma redução mínima para a qual retorna todo o organismo incluindo o ser humano e sua mente racional e criativa. Os Deuses não eram  algo posterior ao mundo, mas algo anterior ao corpo e ainda presente nele. Conhece a ti mesmo e conhecerás o teu Senhor ensinou o Islamismo, enquanto a tradição cristã apregoava “O Reino dos Céus está dentro de Você”.. A consciência genética surge exatamente quando o sistema nervoso central torna-se consciente de sua ligação com os genes.

Gurdjieff denomina esta conexão entre o Sistema Nervoso Central e o DNA como Centro Emocional Superior, o inconsciente filogenético do Dr. Stanislaus Grof e a “Hipótese Gaia” dos biólogos Margulis e Lovelock são três metáforas modernas que juntamente com o Inconsciente coletivo de Jung buscam explicar esta maneira de pensar. As visões da evolução passada e futura, descritas  por aqueles que tiveram experiências transpessoais durante o trauma da morte clínica, das ditas experiências “próximas da morte” também descrevem de certa forma este paradigma genético.

No entanto exercícios especiais para desencadear o despertar do ser humano como um  aglomerado de genes não são encontrados no ensinamento iogue: geralmente tal experiência meramente acontece , quando acontece, depois de muitos anos de prática esmerada daqueles tipos avançados de raja ioga, que desenvolvem o êxtase somático. Estudos do Timoth Leary Phd demonstram que altas doses de LSD  também desencadeiam visões da consciência genéticas, ainda que temporárias.

De qualquer forma após milênios de tentativas de contato por parte dos genes somente com a ciência contemporânea esta realidade foi melhor compreendida, como sendo arquivos genéticos ativados pela excitação das proteínas anti-histonas – ou em termos forçosamente metafóricos, a “memória” do DNA se desvelando de volta até o início da vida, contendo também as plantas genéticas para possíveis evoluções futuras.

“Eu sou Ele, que foi, que é, e que será” uma sentença do Livro Egípcio dos mortos, tanto  na forma hieroglífica como na caligrafia ocidental foi encontrada na mesa onde de Beethoven compôs a Nona Sinfonia, e toda a música posterior “evolucionárias”, abrangendo períodos  de tempo da ordem de eras . Vale lembrar que Beethoven era um Maçon Livre adorava o único Arquiteto Cósmico e seu objetivo a imortalidade.  Pode-se julgar disto tudo e da sua própria música que Beethoven havia aberto sua consciência genética.

Aqui habitam os arquétipos primordiais, muito mais antigos que a própria linguagem e ainda assim, mais novos que o amanhã.  São todos personificações dos genes como a grande Mãe celta, o Baphomet dos templários, “O Grande Arquiteto Cósmico” da maçonaria ou o Bebê no Ovo azul no final do filem de Stanley Kubrick, 2001. Essas imagens não são delírios poéticos de povos ou de indivíduos. Elas reaparecem nos sonhos dos indivíduos ( o mito pessoal da noite) e nos mitos de todos os povos ( sonhos impessoais das espécies) e, uma vez e sempre nas estórias de anjos e Ufos. Jesus e Cristo, Sidarta e Budha, O Ser Humano e a Entidade Planetária; em outras palavras O Sistema Nervoso e o DNA.

Joyce em o Desperar de Fennegan explica a lógica do consciência genético assim: “Esses anos e terras nossos, nada mais são que poeira de tijolos. Somos humanos e humus da mesma massa e retorno. No limiar do pão nosso de cada dia jaz o cadáver da colheita de nosso pai fecundo que cairá se preciso mais inadvertidamente se reerguerá.”. Nosso pai fecundo, a semente o código genético, e o ovo, a sabedoria celular manda o sinal ao longo das épocas. Numa metáfora semelhante o geneticista ganhador do Prêmio Nobel, Herbert Muller diz: “Todos somos robôs gigantes manufaturados pelo DNA para produzir mais DNA.” Para o individuo as quebras da cadeia de vida/morte/vida/morte são extremamente reais e dolorosas: para a sabedoria do Pai Semente.  A unidade contínuo da vida/morte/vida morte… é uma realidade maior.

Este estado permite  ao cérebro individual “conversar” com o arquiteto  evolucionário que projetou o seu corpo e – com bilhões e bilhões de outras pessoas, desde o início da vida.  Esta “arquiteta” é a maior projetista sobre este planeta como Buck Fuller comentou repetidamente  nenhum projetista humano já se igualou a sua eficiência ou mesmo em sua estética em produtos rotineiros como rosas, ovos, colônias de insetos, peixes, etc…

De forma menos poética, seja ao humanizarmos este arquiteto numa Grande Mãe ou num Deus das Florestas. Ou animalizarmos num ser com cabeça de chacal, como um Louca deus Divino, como uma tribo africana. Ou ainda se o espiritualizarmos  em algo totalmente abstrato como os Hindus e os Cientistas Cristãos , estamos apresentando apenas uma visão  humanizada deste ser de três bilhões de anos  de idade. Quando o molecularizamos  como DNA, estamos ainda vendo apenas uma seção transversal do mesmo, mas fazemos isso simplesmente porque esta é até agora a sua versão mais útil em termos de análise científica.

Ele ou Ela pode ser personificado em termos modernos como Mãe DNA ou Pai Acido Nucléico. O Racionalista imediatamente repudia tais personificações humanizadas,  uma vez que Ele ou Ela é inconsciente do que faz é um fenômeno não inteligente. A resposta em todas as eras é a de que Ele ou Ela não está inconsciente mas sim intoxicado em si próprio, embriagado em sua própria imensidão.

Mas se julgarmos a inteligência pela capacidade de sobreviver, o pool genético é mais inteligente do que qualquer pessoa, por um fator de vários milhares, mesmo se considerarmos os gênios. Einstein não era tão inteligente quanto o povo judeu quando este é considerado de forma coletiva.  Ele formulou a lei da relatividade e foi esperto o suficiente para escapar dos Nazistas. Os Judeus historicamente criaram dezenas de idéias tão importantes quanto a relatividade e sobreviveram a centenas de “progons”.

A espécie  humana é ainda mais inteligente do que pool genético. Vive milhões de anos a mais do que qualquer individuo, muitos milhares de vezes mais do que qualquer pool genético e é autora de muito mais arte, ciência, filosofia e conquistas do que qualquer outro grupo especifico. A biosfera – Gaia – O código do DNA é ainda mais inteligente do que todos os indivíduos, pools genéticos e espécies. Sobreviveu a tudo que lhe foi atirado  contra ela por cerca de quatro bilhões de anos e está ficando cada vez mais esperta o tempo todo. Pela humanidade dispõe de um olho cada vez melhor com que ver e julgar sua trajetória, como nunca antes e está se preparando gradualmente para abandonar esse planeta e expandir-se pelo universo.

Beethoven , para cita-lo mais uma vez disse: “Qualquer pessoa que compreenda minha música não mais será infeliz.”, Isto acontece porque  a sua música é uma melodia da consciência genética da mesma forma que os Upanishads são uma poesia da consciência genética, representa o espírito da Vida tornando-se consciente de Si mesmo, dos Seus poderes, das suas próprias capacidades para progresso infinito.

Para aqueles que ainda não passaram pela experiência genética por meios pessoais e religiosos espera-se que com o decorrer dos anos uma compreensão maior da natureza nos forneça os subsídios para ligarmos essa consciência através da própria razão e da ciência. Quando isso acontecer a visão religiosa será esclarecida pelo que realmente é e todos os deuses e mitos da antiguidade retornaram como velhos amigos do tempo de infância revelando-se agora sob seus verdadeiros nomes.

Seja como for a maneira como isso aconterá, estaparece uma hipotese cada vez mais próxima com o passar dos anos. A religião cada vez mais se curva para a ciência e a ciência a cada instante parece se tornar tão fascinante quando qualquer misticismo. Qualquer que seja o nome dado a este movimento que trará a consciência genética para as grandes massas com ele virá à compreensão em grande escala do papel da humanidade como parte um todo muito maior.  A raça humana terá então abandonado sua infância e estará livre para expandir-se e crescer com seus genes para as fronteiras mias distantes do espaço infinito. Quando isso acontecer, então a aventura da vida terá finalmente começado e todo adulto será um Cristo e toda  criança será um messias.

EXERCICIOS

1 – Faça uma lista e pelo menos 15 semelhanças entre São Paulo (ou qualquer outra cidade grande)  e uma colônia de insetos, tal como uma colméia ou um formigueiro. Se você não puder pensar em quinze alternativas, procure ler o livro Sociobiologia de Edward Wilson. Contemple a informação do DNA, que criou estes enclaves de alta coerência e organização, seja na sociedade dos primatas ou dos insetos.

2 – Leia os Upashads e todas as vezes que ler a palavra “Atman” ou “Alma do Mundo” traduza como “Fita Mestre do DNA” Veja se isto lhe faz ler esta tradição antiga com maior sentido.

3 – Observe seus próprios sonhos, quanto se seu conteúdo poderia ser atribuído a mensagens de seu próprio código genético quanto a incongruências de seu próprio comportamento cotidiano em relação a vontade deste “Pai Fecundo”.

4 – Jung e vários dos seus discípulos  como Coleman, Steiger e Fideler, sugeriram que da mesma forma que as mitologias clássicas, os mitos modernos dos UFOS são mensagens deste circuito de DNA coletivo dirigidas ao cérebro.  O que significam tais mensagens? O que é que o filamento de DNA poderia estar querendo dizer a humanidade?

5 – Releia o encontro de Moisés com o “Eu Sou o que Sou” no deuteronômio. Tente ler com a interpretação de que Moises estava falando com seu própria consciência genética. Quais os interesses da sarsa ardente em relação ao povo hebreu?

6 – Dedique um tempo a prática da DNA-Vidência

Robert Anton Wilson

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