Jesus no Pé de Goiaba e o Tao

Por Gilberto Antônio Silva

Há pouco tempo vimos com assombro a repercussão negativa de um desabafo da então futura Ministra de Mulheres, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, contando sua infância sofrida e a salvação pro meio de uma experiência mística. Aos seis anos de idade ela foi estuprada por um pastor, que prosseguiu no ato repetidamente por dois anos. Outro abusou sexualmente dela, mais tarde. Aos 10 anos ela resolveu se matar e subiu em uma goiabeira onde costumava ir chorar para ninguém ver. Estava com “chumbinho”, veneno de ratos. Nesse momento ela viu Jesus e o saquinho de veneno caiu de suas mãos.

Um relato trágico que, no entanto, foi motivo de chacota pelas redes sociais por conta de sua visão de Jesus. Algumas pessoas, quando souberam a história inteira, se calaram e passaram a respeitar a dor dessa corajosa mulher nordestina, que apesar dessa dor que ainda sente, não cala seu relato de modo a trabalhar em prol das crianças que sofreram o mesmo tipo de abuso e a evitar futuros casos.

Outras preferiram ignorar a história dessa mulher e focar apenas na visão de Jesus, considerada por ela como um “amigo imaginário” de sua infância, como prova de problemas mentais e fanatismo religioso. Sim, ela é cristã e evangélica, logo deve ter um “parafuso solto” e estar pronta para “oprimir o povo”. Sim, eu tive que ler essas coisas. Além de ter tido a visão e ser cristã/evangélica, ela será ministra do Presidente Bolsonaro, um pecado superior a todos os demais.

Notei, especialmente no meio acadêmico, especial rejeição à experiência da futura ministra. Um de meus colegas de universidade postou o seguinte comentário, ao saber dos abusos:

Agora faz sentido o relato histérico dela sobre Jesus. Deve ser estresse pós traumático devido ao abuso. Ela precisa de ajuda.

Outros compartilharam da ideia de que uma experiência religiosa é apenas “alucinação” ou “viagem”. Nada de novo, por certo. A visão acadêmica materialista que domina o meio intelectual se choca terminantemente com qualquer tipo de ação ou conhecimento que não se origine do mundo físico, palpável, facilmente escrutinado com os cinco sentidos ordinários. Mas possuir essa percepção materialista e cética, no sentido coloquial, do mundo é a atitude mais fácil e confortável. Ora, é muito simples que se admita apenas o que podemos perceber diretamente e que se ignore (ou se negue) a possibilidade de existência de alguma coisa fora disso. Um peixe pode enxergar o mundo dessa forma.

Essa percepção parte de outra ideia fixa, a de que a ciência é a única maneira real de se conhecer o mundo, o que é inteiramente falso. É apenas uma delas. O interessante é que um dos argumentos mais utilizados para demonstrar a superioridade da ciência é que ela pode ser provada por ser precisa. Ora, a ciência é precisa justamente porque é limitada, opera dentro de uma caixa de leis e regulamentos. Dentro dessa caixa ela é soberana e procura explicar tanto qualitativamente quanto quantitativamente o que nos cerca. Mas não explica tudo.

Outro modo de se conhecer o mundo são as religiões, incluindo e destacando as de cunho oriental que são alicerçadas em uma filosofia própria com sustentação na experiência e na percepção pessoal. E aí se afigura um dos grandes problemas com esse conhecimento: as experiências são PESSOAIS. Uma pessoa precisa estudar e praticar determinados exercícios e meditações, muitas vezes por décadas, até que se comece a adquirir essa faculdade de contato com o que eu chamo de “invisível” (escrevi alguns artigos sobre isso anteriormente).

Se um desses céticos chegar a um Yogue que teve uma experiência com o divino e exigir “prove!”, ele será direcionado a estudar e executar as mesmas práticas que o Yogue fez para tentar obter a mesma experiência. Mas poucos estão propensos a fazer isso e mais: de mente aberta. Essa é uma condição inegociável. Mesmo assim, podem não chegar à mesma experiência que o Yogue ou ter uma outra inteiramente diferente. Porque essa relação com o invisível é PESSOAL.

Então a Ministra Damares teve uma mera alucinação? É possível. Ela teve uma experiência transcendente verdadeira? É possível também. O problema é que a ciência não consegue separar os dois casos, pois tanto a alucinação quanto as visões verdadeiras estão situadas em uma mesma região do córtex cerebral, responsável pela capacidade visual. Daí as pessoas “verem” Buda, Jesus, Laozi, Nossa Senhora, etc. O mecanismo visual é o mesmo que usamos na vida cotidiana.

Esse tipo de experiência transcendente é bastante comum em religiosos, profetas e grandes líderes espiritualistas.

O Cristianismo está repleto de relatos deste tipo, como as famosas visões em Fátima. Mesmo na China, uma visão de Nossa Senhora aterrorizou grupos armados que queriam destruir uma igreja católica em 1900, preservando a construção e seus fiéis. No Islamismo, Muhammad recebeu revelações de Deus (Allah) através da visão do Arcanjo Gabriel, que foram depois transcritas por seus discípulos no texto conhecido como Quran, que é o texto central do Islã.

Zhang Daoling, estudioso do Taoismo, teve uma visão divina no ano de 142. Laozi apareceu para ele como a divindade Taishang Laojun, que lhe passou o Zhengyi Meng Wei (“Doutrina da Poderosa Comunidade da Unidade Ortodoxa”). Zhang assumiu o título de Mestre Celestial e fundou o ramo Zhengyi do Taoismo religioso, a primeira vez em que o Taoismo assumia caráter de religião. Esse ramo taoista ainda existe hoje e é um dos principais, tendo o atual Mestre Celestial radicado em Taiwan.

Embora esse tipo de experiência possa ser de grande valor, nem sempre é indicativo de elevação espiritual, como atestam mestres indianos, chineses e japoneses. Conta-se que um discípulo Zen obteve uma visão de Buda durante uma meditação. Correu a contar ao seu Mestre, acreditando tratar-se de grande avanço no caminho. O Mestre olhou com condescendência para o discípulo e comentou: “Continue meditando, isso passa”. A perspectiva de que algumas dessas experiências sejam consideradas como uma distração do Caminho e não um conhecimento real mostra a seriedade e o domínio desse tipo de conhecimento nas escolas orientais. Mas é necessário ter passado pela mesma experiência ou outra similar para poder orientar outros a respeito de sua validade.

Esse tipo de experiência muitas vezes envolve a fé, que nada mais é do que uma forma de conhecimento. Fé não é mera crença, como entendem os céticos e materialistas. Você pode acreditar ou não em Papai Noel, em Disco Voador ou no Saci Pererê. Mas fé é CERTEZA. Essa é a força da fé: ela não parte de mero conhecimento superficial, mas começa quando se apreende uma Verdade completamente, com o corpo e o espírito. Falamos, obviamente, de fé verdadeira e não do mero autoengano que não passa de conhecimento superficial. A fé parte de dentro, do coração, de algo maior e inunda todo o seu ser.

Paramahansa Yogananda afirmou certa vez: “a fé significa ampliar a sua percepção intuitiva da presença de Deus dentro de você e não contar com a razão como a sua principal via de conhecimento”. Vemos que fé é conhecimento além da razão, o que não significa que não faça sentido, mas que não pode ser compreendida apenas com o intelecto. Por conta disso, não pode ser explicada racionalmente, assim como as visões e contatos com o Divino. É um conhecimento que compreendemos perfeitamente, mas que não podemos explicar apenas através do intelecto.

Laozi solta essa bomba logo nas primeiras linhas do primeiro capítulo do Daodejing:

“O Tao que pode ser expresso não é o Tao constante

O nome que pode ser enunciado não é o Nome constante”

O Tao é o nome do inominável, é algo muito além do plano intelectual, que possui as limitações do mundo físico. Não significa que não pode ser compreendido, mas que não pode ser explicado de modo racional-analítico. Mais ainda: se você puder explicar, não é o Tao! É necessário que se apreenda esse conhecimento diretamente, a partir de fontes não materiais.

Diante disso tudo, percebemos que não podemos efetuar um julgamento intelectual ou moral da visão de Damares, mas apenas analisar o resultado disso – sua sobrevivência para lutar por outras crianças nas mesmas condições. Acredito que toda experiência transcendente deve ser analisada pelo seu resultado, e não se prender apenas na discussão de sua autenticidade visto que é uma experiência pessoal não acessível ou reproduzível por outros. Sabemos o que aconteceu com as visões de Fátima, de Muhammed e de Zhang Daoling. O conhecimento transmitido ainda hoje impacta nosso mundo de maneira profunda. Não é algo que pode ser menosprezado.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, é um dos mais importantes pesquisadores e divulgadores no Brasil dessa fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/jesus-no-p%C3%A9-de-goiaba-e-o-tao

O Sangue e Ossos da Bruxaria Tradicional

Com a primeira faísca da forja sagrada – a primeira gnose, palavra da mesma raiz que gnoscere, ou “conhecer”, o homo sapiens tornou-se capaz de maravilhar-se com toda a criação ao seu redor, assim como se tornou capaz de questionar as razões de tudo o que acontecia com ele. Podemos dizer que esta “faísca” caiu em um corpo que sentia medo, fome, frio, sono e o desejo de procriar, como qualquer outro animal. O homem muito provavelmente ainda nos tempos de “bicho” percebeu que um grupo era mais forte que um indivíduo solitário, assim como os lobos e os macacos, e portanto, é muito provável que ele já tivesse uma idéia do que era uma família, um clã ou tribo. A idéia de lar foi desenvolvida pelas mulheres, que também foram as inventoras da agricultura e muito provavelmente da pecuária, o que possibilitou os assentamentos humanos em regiões específicas.

Com o lar, toda a idéia das conexões entre a terra com o mundo invisível chegou à estrutura de culto – que interessantemente possui a mesma raiz etimológica que a palavra “cultivar”. Os primeiros cultos, de acordo com os resquícios mais antigos deixados pelas lendas do continente africano, foram os das divindades responsáveis em favorecer a vida na região em que se vivia e o culto aos ancestrais. Todos podiam remontar sua ancestralidade a uma divindade, o que lhes dava um ideal mítico como modelo para suas vidas. Cada ser humano era uma divindade na terra, em uma jornada humana, e este ainda é o sentido da iniciação em um culto ancestral.

Nos velhos tempos, os mortos eram enterrados em locais no mínimo significativos, naqueles considerados sagrados, e não raro, próximos ou dentro da própria moradia dos vivos, em porões ou sob o fogo que processava os alimentos. Tomando por base as culturas africanas e bascas, onde os mortos eram e muitos ainda são guardados sob o piso dos vivos, o culto aos mortos teria sido criado também pelas mulheres, que ficavam responsáveis em “cultivar” o fogo dos vivos (processando os alimentos) e o fogo dos mortos (mantendo suas memórias vivas). Algumas tradições de Bruxaria (isto é, Bruxaria Tradicional), mantêm este reconhecimento à mulher como um ser que já nasce com seus poderes completos, enquanto o homem nasceria somente com o poder do fogo, necessitando da mulher como a pedra fundamental de um clã, como aquela que doma o fogo. Nos mitos ancestrais da Nigéria, este período de poder matriarcal é relatado, e é possível observar como este período foi marcado pela tirania. O poder espiritual absoluto das mulheres foi tomado pelos homens quando eles astutamente tomaram os ossos dos mortos e dominaram o culto dos ancestrais, trazendo uma era de equilíbrio entre os gêneros, mas não sem algum conflito. O mito nos relata que os homens, ao tomarem os ossos e as vestimentas sagradas irritaram as mulheres profundamente, ao ponto do caos, e a única forma de resolver o conflito foi a de apaziguá-las com presentes, comidas, confortos e canções, gerando uma coexistência pacífica. A sociedade de Iyami, por exemplo, é sem dúvida a mais temida e poderosa, pois convencer estas “mulheres-pássaros” de uma decisão comunitária sempre dependerá do senso de justiça feminina e muito apaziguamento.

Quando a Igreja tomou o poder de enterrar os mortos, ela “tomou os ossos” dos nossos ancestrais, e da mesma forma, tomou para si o culto aos mortos. Nossos mortos não mais eram enterrados em seus locais favoritos ou sagrados para serem lembrados por qualquer um que ali passasse, e assim fomos convencidos que nem suas presenças eram bem vindas perto de nós. Fomos roubados de nossos ancestrais, e a memória foi roubada deles. Nossos cemitérios são meros depósitos de ossos esquecidos, e nossos mortos são enterrados em um piscar de olhos. Já não são mais velados, enaltecidos e relembrados, e eles já não encontram mais seus lugares em nossas vidas e memórias. Roubaram-nos a nossa memória, e se não conhecemos de onde viemos como saberíamos para onde vamos?

Bruxaria e Paganismo

Pessoalmente, eu concordaria com uma “bruxaria” ligada ao paganismo se as correntes ancestrais – que dão contexto mitológico às bruxas – não estivessem rompidas. E é por esta mesma razão que a iniciação nos cultos pagãos ainda se perpetua e se faz necessária: quando entramos em um culto ancestral, recebemos não só os ensinamentos acumulados do culto, mas o vínculo espiritual com os ancestrais deste culto, que é sem dúvida o ponto central de onde toda a sabedoria parte. E é aqui que reside a diferença entre conhecimento e sabedoria, pois esta última só pode ser obtida com experiência e memória. O neopaganismo, por exemplo, tem uma enorme desvantagem neste quesito, desde que tenta reconstituir o vínculo espiritual muito frequentemente sem terem a noção precisa de quem foram estes ancestrais, e muitas vezes tateando através da história e antropologia para reconstituir fatos, e assim, limitando-se ao “conhecimento” enquanto desbrava-se o caminho rumo à “sabedoria”. Eu diria que isto é uma desvantagem, e não uma diminuição de valor, desde que a meta é a mesma.

Em especial por conta das ocorrências da Idade Média – no período que foi nomeado como a “Era das Fogueiras” – muitas pessoas ganharam o direito de clamar para si a herança “bruxa”. Pagãos, judeus, pervertidos, criminosos, alcoviteiras e feiticeiras foram os indiscutíveis bodes expiatórios que queimaram como “bruxos”. No Brasil, especificamente, ondas de novos convertidos ou degradados (ou seja, expulsos de seus países pela Santa Inquisição), mesclaram suas crenças – unidas por uma espantosa similaridade – às dos indígenas e negros escravos, dando origem a híbridos singulares e interessantes. As benzedeiras não devem em nada daquelas que foram julgadas nos tribunais inquisitórios, e apesar do freqüente rigor cristão da maioria delas, elas continuam marginalizadas pelo cristianismo moderno. Para elas, nada mudou. É bom ainda ressaltar que a Inquisição foi um processo de limpeza interna da igreja para livrá-la das heresias. Este processo que saiu fora do controle, e acabou perseguindo muitos que se consideravam “bons cristãos”, mesmo que mantivessem certos costumes remanescentes do paganismo através do velho catolicismo em uma Europa protestante. O próprio termo “auld faith”, ou como se traduziu “Antiga Religião” era uma alusão ao catolicismo anterior ao protestantismo, que considerava o culto aos santos – uma derivação pagã – uma grande heresia. Lutero, por exemplo, apontou a Igreja Católica como a “Sinagoga de Satã” por este motivo entre outros muitos. E isto, aliás, é um dos motivos pelos quais não é absurda a cristandade para uma bruxa, apesar da histeria que isto causa entre os bruxos modernos. É lógico que a própria Igreja Católica possui todo um capítulo negro em sua história, mas nem por isso deve ser descartada, desde que manteve uma herança viva dos antigos cultos – disfarçados e distorcidos ou nem tanto.

O Bruxo e a Tradição

A diferença que se faz de um “bruxo” para um “bruxo tradicional” é que o primeiro pode não estar necessariamente ligado a uma ancestralidade mítica conhecida, e assim, alguns buscam o híbrido “pagão-bruxo” da Wicca exatamente para recompor uma ancestralidade mítica perdida. Outros permanecem manifestando seus dons ancorados nas religiões exotéricas, como o catolicismo, ou dentro do misticismo new age, buscando fortalecer os laços com seus espíritos guias solitariamente. Um “bruxo tradicional” é um ser já consciente de sua ancestralidade mítica (ou ainda, de suas plurais ancestralidades míticas), que podem ser passadas através da família (blood in) ou da adoção como novo parente (blood out).

Não podemos deixar de discutir um outro subgrupo que deve ser apresentado dentro do contexto tradicional da bruxaria, que remonta de sociedades similares à Maçonaria, e que operam como “guildas de ofício”. Uma guilda de ofício é basicamente um grupo que possui uma determinada especialidade. Antigamente, todas as guildas de ofício possuíam não só um caráter social – mas um espiritual, já que possuíam suas próprias mitologias ligadas à profissão. Aqueles cuja profissão era a de ferreiro, por exemplo, prestavam cultos a deidades “ferreiras”, como Hefestos, Tubelo, Ogum, etc. Com o surgimento destas confrarias, grupos que giravam em torno de deuses ctônicos, obscuros e marginalizados pela religião oficial também surgiram. O fato é que estas guildas se formaram através de pessoas que possuíam uma linhagem ancestral em um determinado culto, e que possibilitavam a adoção de novos “parentes” ligados ao ofício.

Bruxaria e o Ofício

Para falarmos do caráter “ofício” da bruxaria, temos necessariamente que trazer à memória o arquétipo primordial do que é uma Bruxa. Aliás, se esta figura sobreviveu aos tempos, é graças à sua imagem arquetípica.

Particularmente, gosto sempre de relembrar as figuras de Circe e Medeia, mas outros “personagens” imortalizados nos contos de fadas, no folclore e nas tradições da terra contam um pouco sobre esta figura assombrosa, magnífica e incompreendida quando colocada dentro esta sociedade destituída da Tradição Perene. Ela reina absoluta no papel da resistência necessária que o herói deve enfrentar para que floresça e se torne imortalizado. Ela é a sábia que perscruta o destino dos homens, que alimenta o fogo dos vivos com seus remédios fervendo no caldeirão, assim como alimenta o fogo dos mortos ao jamais esquecê-los. Como podemos observar nas inquebradas tradições ancestrais da terra, estas mulheres são as nigromantes, curandeiras, feiticeiras e conselheiras… megeras que são donas de seus narizes e que jamais tiveram ou terão rédeas. A única forma de domá-las é através da rendição completa, é o dar-se para ter. Sem esta doação, pode-se até brincar de ser bruxo, e manter a esperança de coerência, mas em última instância, é bom torcer que esta força indomada da natureza, representada por deusas cujos mistérios são relegados a poucos, nunca preste atenção em você.

Originalmente postado em http://www.espelhodecirce.com.br/2011/05/o-sangue-e-ossos-da-bruxaria.html

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-sangue-e-ossos-da-bruxaria-tradicional

Alan Moore discute Ciência e Religião

“Mesmo que percamos tudo o que é físico, contanto que tenhamos a memória de como reconstruir não teremos perdido nada” é excelente dica para o fim do mundo”

Alan Moore anda aparecendo bastante. Depois de um longo monólogo recente em uma webcam, o quadrinista fez uma palestra no evento Novo Humanista – Ideias para pessoas sem deus (@MDD – enquanto isso, no Brasil, a palavra “humanista” está cada vez mais associada a “ateu babaca fanático” graças a “ligas” que se comportam como igrejas crentes).

Vestindo uma camiseta escrito “Sperm” (esperma), com a tipografia de “Superman”, o autor depois repetiu nos bastidores sua palestra sobre ciência e religião. Leia abaixo os melhores momentos e assista ao vídeo na sequência.

Moore começou citando algumas teorias sobre a nossa existência e o início da vida. “Há a teoria de que os universos se reproduzem e que o novo foi criado pelo canal uterino de um buraco negro. Também existe a ideia de que estamos vivendo em uma simulação computadorizada e que somos hologramas projetados do outro lado do espaço. São ideias em que alguns acreditam e que são tão estranhas hoje quando as nossas descobertas sobre o espaço seriam alguns séculos atrás”.

O criador de Watchmen disse também que sempre se impressiona com as teorias dos cientistas e sua imaginação. “Newton era um alquimista, que disse que era um pigmeu sobre os ombros de gigantes. Um deles era o doutor John Dee, que praticamente inventou o Império Britânico. Pessoas como essas eram os cientistas da época, ou filósofos naturais, cujo trabalho era mensurar o imensurável, ou imaginar o inimaginável. Esse trabalho continua até hoje, dividido entre cientistas e artistas”

O quadrinista continua dizendo que acredita que somos anfíbios, no sentido de termos vidas em dois espaços, o material e o imaterial, das ideias, que existe dentro de nossas mentes. “São ambos reais de sua própria maneira. Tudo o que é físico e criado pelo homem começou como um ideia, dentro da cabeça de alguém”. Mensagem importante, caso você esteja se preparando para o fim do mundo…

Moore termina o papo falando sobre o conflito entre ciência e racionalidade contra a religião. “A racionalidade está sob sitio, em sua maioria por fundamentalistas cristãos americanos. Eles preferem acreditar que Adão e Eva existiram em um tempo em que sabemos que os dinossauros caminhavam sobre a Terra. Isso é assustador. Tudo isso é conhecimento pelo qual lutamos tanto tempo e de forma tão difícil para obter… é um retorno ao abismo da Idade das Trevas. Informação é nosso bem mais precioso e se a perdermos estamos ferrados. Mesmo que percamos tudo o que é físico, contanto que tenhamos a memória de como reconstruir não teremos perdido nada. O problema é que isso aflige tanto os nossos cientistas que eles estão tomando posições que também beiram a religião para defendê-las. Etimologicamente, a palavra religião não tem nada a ver com espiritualidade, mas com união, ligação em torno de algo. Nesse sentido, o Marxismo é uma religião. As várias escolas da Física também o são. O problema é que as religiões, no sentido que conhecemos a palavra hoje, criam dogmas, que são limitações ao pensamento – e isso nunca é uma coisa boa”.

Em outro momento recente de Moore, ele deixou uma mensagem de “Feliz Ano Novo” para os ouvintes da BBC Radio 4. Leia abaixo (via Bleeding Cool). “Olá a todos. Meu nome é Alan Moore e eu ganho a vida criando histórias sobre coisas que nunca existiram. Quanto às minhas crenças espirituais, elas remontam a um deus-serpente com cabeça humana do século II chamadoGlycon, que foi revelada como sendo, na verdade, um boneco de ventríloquo, há quase dois mil anos. Encontrado em todo o Império Romano, Glycon foi a criação de um empresário conhecido como Alexander, o Falso Profeta, um nome terrível para se começar qualquer negócio. O boneco tinha corpo de jiboia de verdade, viva, e sua cabeça artificial tinha olhos grandes e um longo cabelo loiro. Glycon se parecia bastante, na verdade, com Paris Hilton, mas talvez mais adorável e com um corpo biologicamente mais verossímil. Visual à parte, meu interesse pelo deus-serpente é puramente simbólico. Na verdade, esse é um dos símbolos mais antigos da humanidade, que significa sabedoria, ou, de acordo com o etno-botânico Jeremy Narby, o próprio formato da espiral de DNA. Mas eu também estou interessado em ter um deus que é assumidamente um boneco de ventríloquo. Afinal de contas, não é assim que usamos a maioria das novas divindades? Podemos ler nossos livros sagrados e escolher uma passagem ambígua específica e uma interpretação em detrimento de outra e podemos fazer nossos deuses justificarem assim qualquer desejo imediato. Podemos fazê-los dizer o que quisermos. A maior vantagem de endeusar um boneco de meia de verdade e que, se as coisas começarem a fugir do controle, ou parecerem injustas, você pode jogá-lo na gaveta. E ele não tem opção a não ser ir para a gaveta. Bom, em nome de Glycon e eu, tenham todos um Ano Novo muito feliz”.

#AlanMoore #Ciência #Religião

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/alan-moore-discute-ci%C3%AAncia-e-religi%C3%A3o

Teoria da Conspiração

Existem muito mais coisas no mundo do que são ensinadas em nossas escolas, na mídia, e divulgadas pelas Igrejas e pelo Estado. A maioria da humanidade vive em um transe hipnótico, acreditando estar na realidade ao invés de um triste e distorcido simulacro de realidade. As pessoas vivem um sonho coletivo na qual os valores estão invertidos, mentiras são tomadas como verdades e a tirania é aceita sem questionamento como sendo uma falsa segurança. As pessoas gostam desta ignorância e agarram-se com força à miséria que lhes dá identidade.

Felizmente, alguns nascem com um sistema espiritual imune, que mais cedo ou mais tarde lhes traz rejeição a este mundo ilusório criado desde seu nascimento através de condicionamento social. Elas começam sentindo que algo está errado; e começam a buscar respostas. Em pouco tempo, a busca pelo auto-conhecimento e experiências não explicáveis mostram a elas uma face da realidade que normalmente permanece oculta, começando assim sua jornada para a iluminação. Assim, cada passo em direção à iluminação é guiado pelo coração e não pela multidão, escolhendo o conhecimento ao invés da ignorância.

O Conhecimento é a chave para destravar todo o nosso potencial. Ele nos fornece a determinação, responsabilidade e o poder necessário para nos livrar das correntes da opressão. O Conhecimento é nosso grande protetor, pois ele nos fornece as ferramentas para lidar com os desafios da vida e, mais importante, as maneiras para evitarmos as armadilhas no caminho para a Iluminação. Quanto mais você trabalhar as verdades superiores e aplicar aquilo que você conhece, mais começará a operar sobre as leis superiores e transcenderá as limitações das leis inferiores.

#Pessoal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/teoria-da-conspira%C3%A7%C3%A3o-1

Mozart, O Grande Arquiteto da Música

Em 5 de dezembro de 1784 era proposto o nome de Wolfgang Amadeus Mozart à Loja Maçônica “A Beneficência”. Entretanto, analisando o teor esotérico da sua obra, nota-se que Mozart era ligado a egrégora maçônica muito antes do seu ingresso na fraternidade. Aos 11 anos, Mozart musicou o poema maçônico “Andie Freude“. Aos 16, compôs uma ária para o hino ritual “Oh heiliges Band“. E aos 17, compôs o drama maçônico “Thamos, König in Ägypten”.

Mozart escreveu aproximadamente 30 obras destinadas exclusivamente à maçonaria. Dedicou à congregação cantatas com textos que falam em igualdade entre seres humanos, seres livres de jugos impostos por determinadas religiões, melodias compostas para atos solenes, para acompanhar os ritos e até mesmo concertos beneficentes abertos ao público.

É interessante o fato que Mozart não encontrava incongruências entre a Maçonaria e a igreja. Para ele, ambos os sistemas se complementavam, na Maçonaria ele faria a busca pelo autoconhecimento, a transformação do chumbo do Ego no ouro da Essência, no catolicismo reconheceu a busca do aperfeiçoamento espiritual, o perdão dos pecados, e a consolidação da redenção na vida após a morte.

Óperas

A iniciação era o centro do pensamento mozartiano. Suas obras refletem os aspectos mais profundos da Maçonaria e da via alquímica, porém imperceptível ao grande público. Suas óperas foram concebidas como verdadeiros rituais, possuindo vários níveis de percepção e significado.

“Descobrimos o mistério: não há nada a acrescentar.” (As Bodas de Fígaro ato II, cena 2)

Le Nozze di Figaro (As Bodas de Fígaro), ópera dividida em três atos, tem como tema a Igualdade, ela representa a jornada do Aprendiz, Fígaro. Há também alusões ao casamento alquímico, sagrada geometria, enfim uma obra de várias camadas.

“Não se alimenta de alimentos mortais aquele que se alimenta de alimentos celestes” (Don Giovanni ato II, cena 15)

Don Giovanni tem como tema a Liberdade e trata do drama vivido pelo companheiro em busca do grau de Mestre. O próprio Mozart confirmou o caráter iniciático desta obra. Don Giovanni representa o companheiro, o Comendador a encarnação do Mestre-de-Obras Hiram, Leporello o Primeiro Vigilante, isso se descrevermos apenas os principais. Ao longo de todo o ritual, Leporello fará a formação de Don Giovanni e o levará na direção das provas até ser engolido pela terra.

Cosi fan Tutte (Todas elas são assim), aparentemente representa o comportamento das mulheres, mas Mozart a concebeu pensando nas Lojas. Todas elas agem de maneira ritualística se desejam viver a tradição iniciática. Sob a óptica da alquimia, Cosi fan Tutte aborda o segredo do pilar da Sabedoria. Don Alfonso, detentor dos segredos, representa o Venerável Mestre. Ao atravessar a morte alquímica sob a conduta do Venerável Alfonso, os dois casais atingem a verdade do amor autêntico, em outras palavras, a Grande Obra.

“Se a virtude e a Justiça espalharem a glória pelo caminho dos Grandes, então a Terra será um reino celeste, e os mortais, semelhantes aos deuses.” (A Flauta Mágica, ato I, cena 19)

Die Zauberflöte (A Flauta Mágica), tem como tema a Fraternidade, com o simbolismo muito mais explícito que as anteriores, é uma das obras mais ricas em conteúdo iniciático da história da música, não por acaso o filósofo e dramaturgo alemão Johann Wolfgang Goethe afirmou: “É suficiente que a multidão tenha prazer em ver o espetáculo; mas, ao mesmo tempo, seu significado elevado não vai escapar aos iniciados”.

A flauta sintetiza todo o simbolismo iniciático. No decorrer da ópera Pamina diz que ela foi esculpida em madeira numa noite de tempestade (água e escuridão) repleta de sons de trovões (terra) e de relâmpagos (fogo), e a própria flauta representando o elemento ar. Maçonaria, Hermetismo, Rosacrucianismo, Astrologia, Magia, Tarot,  Kabbalah, Mitologia, está tudo lá. E como vocês já perceberam, dá pra fazer um post pra cada ópera, e desta eu já fiz AQUI.

“Todos os esforços que fizemos para conseguir expressar a profundidade das coisas se tornaram inúteis depois do aparecimento de Mozart.” (Goethe)

A Gruta

Mozart era mais inclinado aos elementos místicos da Maçonaria do que o seu racionalismo ético, e sua música procurava refletir esse espírito místico. Naquela época houve o surgimento de interesse em ritos iniciáticos do Antigo Egito e a introdução do simbolismo egípcio em alguns rituais maçônicos. A Loja de Mozart praticava a “Estrita Observância”, um rito que dava atenção às influências dos Cavaleiros Templários, sendo descrita como uma mistura de “simbolismo maçônico, práticas alquímicas e tradições rosacruzes.

Em 1791, ano da sua morte, Mozart decide fundar uma nova Ordem iniciática, a qual iria se chamar “Gruta”. Como é demonstrado na ópera-ritual “A Flauta Mágica” a Gruta seria uma ordem “celestial”, permitindo a iniciação feminina com rituais inspirados na tradição dos mistérios egípcios. Entretanto, poucos sabiam dessa intenção de Mozart, como revelou sua esposa Constanze numa carta “A respeito da Ordem ou Sociedade denominada Gruta, que ele queria criar”, escreveu ela, “não posso dar maiores explicações. O antigo clarinetista da corte, Stadler, que redigiu o resto dos estatutos, poderia fazê-lo, mas ele confessa que tem medo, pois sabe que as Ordens e as sociedades secretas são odiadas.”

Última Obra

Curiosamente a última obra terminada por Mozart, anotada no seu catálogo, foi uma pequena cantata maçônica intitulada “Laut verkünde unsre Freude” (Em alta voz anuncia nossa Alegria). Finalizada no dia 15 de novembro de 1791 à apenas três semanas do dia da sua morte (05 de dezembro), o espírito de despedida ressoa por estas melodias. Mozart dirigiu a cantata pessoalmente em sua Loja, foi a sua última aparição pública.

“Em alta voz anuncia nossa alegria

O alegre soar dos instrumentos.

O coração de cada Irmão sente

O eco destes muros.

Portanto, consagremos este lugar,

Pela cadeia de ouro da fraternidade,

E com verdadeira humildade de coração,

Hoje, o nosso Templo.”

(Trecho da letra de “Laut verkünde unsre Freude”)

Referências:

Tetralogia: Mozart, o grande mago, Christian Jacq

A Flauta Mágica, Ópera maçônica de Jacques Chailley

Música e Simbolismo de Roger J.V. Cotte

Mozart e a Música Maçônica, SCA.

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A Flauta Mágica e a Kabbalah
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#Biografias #Ocultismo #Música #Maçonaria #Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mozart-o-grande-arquiteto-da-m%C3%BAsica

Goécia, Kiumbas e os demônios de verdade

Postado no S&H em 3/9/2008.
Já estava com saudades de escrever para o Sedentário. Estas semanas sem parar na correria da Bienal e todas as palestras para lançamento da Enciclopédia de Mitologia praticamente acabaram com o meu (pouco) tempo livre e prejudicaram um pouco o cronograma do Teoria da Conspiração. Para manter a constância, tenho publicado textos de amigos meus e ocultistas famosos no meu Blog pessoal.
Mas esta semana retornaremos às atividades normais.

Dando continuidade à série “Desmistificando os Demônios”, falaremos agora sobre as entidades hostis que habitam o Plano Astral. Para entender o que se passa, você precisará ler primeiro os textos “O Diabo não é tão feio quanto se pinta”, “Belzebu, Satanás e Lúcifer”, “Zaratustra, Mithra e Baphomet” e “666, the Number of the beast”. Nestes textos, eu explico detalhadamente de onde surgiu cada um dos alegados “demônios” inventados pela Igreja Católica e copiados ad nausea pelas Igrejas evangélicas e caça-níqueis que se vê por ai. Porém, esta explicação precisou fazer um parênteses porque não seria possível continuar a explicação sobre manifestação de entidades astrais no Plano Físico sem explicar primeiro o que é o Plano Astral. Então chegamos a uma “mini-série” onde expliquei o que é e como funciona o Plano Astral. Esta série está nos textos “Yesod – Bem vindo ao Deserto do Real”, “Thanatos”, “Hecate”, “Hermes”, “Morpheus” e “Caronte”, que explicam as cinco interações do Plano Físico com o Astral.
Sei que é um bocado de texto para ler, mas tenho fé em vocês, jovens leitores. E muito do que eu falei em colunas anteriores, sobre Pirâmides, Círculos de Pedra e Chakras estão interligados com estas manifestações físicas das entidades astrais.

A Goécia e os 72 demônios de Salomão
Apesar de ser atribuído ao rei Salomão – que, segundo o folclore judaico, tinha o poder de controlar os demônios do céu, da terra e do inferno -, o texto da Clavícula não tem nada a ver com o legendário soberano judeu. Pela estrutura da composição do texto, ele deve ter sido escrito por volta do sec. XII d.C. provavelmente na região do Império Bizantino, que herdou boa parte do conhecimento clássico e helenístico, inclusive no que se refere ao esoterismo.
Muitos dos títulos usados nos textos (Príncipes, Duques, Barões…) não existiam nos tempos bíblicos e, portanto, não poderiam ter sido usados naquela época.
O Lemegeton Clavicula Salomonis, na minha opinião, se trata de uma compilação dos 72 “espíritos das trevas”, que deveriam fazer a contraparte dos 72 anjos cabalísticos, ou derivados dos nomes de Deus (falarei sobre isso no futuro, por ora chega de textos sobre kabbalah).
Como todos os tratados de magia medieval, a Clavícula descreve um procedimento ritualístico bastante complexo, com a utilização de toda uma parafernália cerimonial de robes, pantáculos, amuletos e talismãs, que devem ser confeccionados seguindo à risca as precisas instruções contidas em cada capítulo. Um leitor moderno que vá ler o texto à procura de um manual prático ficará decepcionado – pode-se dizer o que for dos rituais seguidos pelos magos medievais, menos que eles são práticos. Mesmo problema, aliás, do Livro de Abramelin. E não ajudam nada as constantes advertências de que o menor erro pode fazer com que a alma do mago seja arrastada para o inferno pelas entidades que ele tentam imprudentemente evocar.
E quais seriam estas entidades?

Bem… para entender o que estes magos estavam invocando, precisamos retornar um pouco no tempo e estudar as magias cerimoniais e tribais africanas (ou nossa contraparte moderna da Umbanda, Condomblé, Wodun, Santeria, Vodu e ritos caribenhos de invocação dos mortos). Ou mesmo entender o fenômeno das mesas girantes estudadas pelo maçon Allan Kardec ou as tábuas de Oui-ja do século XVIII-XIX. Embora mais “educados” em suas aparições para a fina nata européia, todos os princípios acima lidam com basicamente a mesma coisa: a manifestação de seres espirituais no Plano Físico.

Sabemos que as entidades que vivem no Astral são basicamente o MESMO tipo de pessoa que vive no Plano Físico; apenas não possuem um corpo de carne ou as limitações que possuímos aqui. Sendo assim, a índole e a moral destas pessoas varia da mesma maneira que a índole e a moral das pessoas que estão vivas. E o trabalho dos feiticeiros ou magistas consiste em chamar e contratar as pessoas certas para realizar o trabalho desejado.

No Plano Material, quando temos um problema de hidráulica em casa, contratamos um encanador para resolver o problema; se o problema é na fiação, chamamos um eletricista; se estamos doentes, chamamos um médico; e assim por diante…
No Plano Astral, a coisa funciona da MESMA MANEIRA.
Quando um xamã indígena realiza um ritual de invocação de um “espírito ancestral” para, por exemplo, ajudar no tratamento de uma pessoa doente, é exatamente isso que ele está fazendo: entrando em comunicação com os antigos médicos da tribo que examinarão a pessoa e dirão o que há de errado com ela.
Quando um Guia em um templo de umbanda ou candomblé examina uma pessoa, ele está observando as alterações e distúrbios na aura (campo eletromagnético) e sugerindo algum tratamento para sanar aquele problema.

No mundo físico, se alguém precisar “eliminar” um oponente, pode contratar os serviços de um matador de aluguel. Claro que isso é considerado criminoso, anti-ético, ilegal, etc… mas é uma possibilidade que existe!
No Mundo Astral, acontece a mesma coisa. Pode-se contratar os serviços de pessoas especializadas em separar casais, manipular a índole das pessoas, quebrar objetos, atrapalhar negócios ou até mesmo aleijar, adoecer ou mesmo matar um outro ser vivente. Nenhuma surpresa.

No mundo físico, os bandidos se agrupam em gangues, com símbolos, ritualísticas próprias (máfia russa, tríade, yakusa, etc.), vestem máscaras para não serem identificados e usam do terror e intimidação para impor respeito e medo nas suas vítimas (como por exemplo, nas armaduras samurai japonesas). No Plano Astral ocorre a exata mesma coisa. Como o duplo-etérico (perispírito) é MUITO mais maleável do que nossa pele física, é possível modificar e transformar nossa estrutura espiritual para ficarmos com a aparência que desejarmos, o que inclui chifres, garras, dentes afiados e qualquer outra coisa que você pensar que vá assustar os crentes. E eles sabem disso e usam destas modificações astrais como maneira de intimidação, desde sempre.

Na antiguidade, os médiuns videntes eram capazes de enxergar estas formas e dos relatos delas surgiram as descrições que tradicionalmente associamos aos demônios, como asas, chifres, dentes, garras, rapo, espinhos e tudo mais. Outros assumem formas animalescas como lobos ou serpentes; outros ainda assumem formas vampíricas, monstruosidades ou deformidades (eu vi certa vez no astral um ser extremamente pálido, quase albino, careca, vestindo um robe negro, que possuía 6 olhos avermelhados no rosto, quatro do lado direito e dois no esquerdo, uns sobre os outros, e que ficavam piscando de maneira desordenada…). Também há entidades que se utilizam de correntes, pregos, ganchos, piercings, espetos e toda forma de agressões e auto-mutilações sado-masoquistas que você puder imaginar (Clive Barker certamente inspirou-se nestes seres para criar os cenobitas nos seus livros da série “Hellraiser”). O Baixo-Astral ou Baixo-Umbral está repleto deste tipo de criaturas.

Nos cultos afros, chamam estas entidades de Kiumbas, de onde vem a palavra quimbanda, ou “magia negra”. No kardecismo, chamam estas entidades de “obsessores” ou “espíritos trevosos”, no hermetismo chamamos estas entidades de “seres goéticos”. Tome muito cuidado com a mistureba que a mídia e os cristitas fazem com os cultos africanos:
UMBANDA , CANDOMBLÉ e QUIMBANDA são religiões bem diferentes entre si, embora os cristitas misturem tudo e chamem de “Macumba”.

E o termo “magia negra” é utilizado errôneamente, pois não há “cor” na magia, existe o uso que se faz da magia. Assim como o gênio da lâmpada na história de Aladin, estas entidades fazem o que o magista as comandar.
O ritual e toda a ritualística envolvida serve para se entrar em conexão com as entidades astrais. Para tanto, os magistas dividem as ritualísticas de invocação e evocação em três tipos: a Teurgia, a Magia Natural e a Goécia.

A Teurgia lida com os anjos e com os seres de luz, lida com os 72 nomes de Deus, com suas manifestações, com as sephiroth da Kabbalah e com os Salmos bíblicos (sim, crianças, mais uma vez a Bíblia se mostra extremamente valiosa para o estudante de ocultismo).
A Magia Natural lida com Elementais (gnomos, ondinas, silfos e salamandras), orixás, Exus, Devas, Asuras, Djinns, Efreetis e outras criaturas da natureza.
E finalmente, a Goécia lida com os seres do baixo-umbral.

Tendo os rituais certos, nos dias e horários certos, consegue-se contatar estas criaturas; mas apenas contatá-las: é como ter à mão o telefone do Cabeleira e do Zé Pequeno. O Ritual apenas chama estas entidades, o segundo passo é negociar com elas o preço do serviço. E não usei o Zé Pequeno de exemplo à toa… negociar com estas entidades é como negociar com os traficantes do “Cidade de Deus”, você nunca sabe o que poderá acontecer.

Acho que com isto conseguimos fechar a série desmistificando os demônios. Se tiverem alguma dúvida deixem nos comentários que eu tento responder aqui mesmo ou, se for o caso, abro uma nova sessão de “Perguntas e Respostas”.

#Goécia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/go%C3%A9cia-kiumbas-e-os-dem%C3%B4nios-de-verdade

Estatuto do Egun

Todos os anos, dezenas de milhares de Eguns ou “Encostos” são desincorporados por Pastores Evangélicos em rituais sem nenhum tipo de segurança para o médium. Este estatuto prevê o fim do desencapetamento e pagamento de indenização por parte da Igreja para os médiuns incorporados.

Estatuto do Egun

• Das disposições preliminares

Art.1º Esta lei dispõe sobre a proteção integral ao Egun.

Art. 2º Egun é o ser incorpóreo que corresponde às forças da natureza.

Parágrafo único. O conceito de Egun inclui os seres de todas as forças e variadas etimologias, não se excluindo espíritos, fantasmas ou mesmo assombrações.

Art. 3º O Egun adquire personalidade jurídica ao incorporar, e sua natureza é reconhecida desde sua existência que não pode ser determinadas por meio científico, conferindo-lhe proteção jurídica através deste estatuto e da lei civil e penal.

Parágrafo único. O Egun goza da expectativa do direito à incorporação, à integridade etérea, à honra, à imagem e de todos os demais direitos da personalidade.

Art. 4º É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar ao Egun, com absoluta prioridade, a expectativa do direito à incorporação, à comunicação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Art. 5º Nenhum Egun será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, sendo punido, na forma da lei, qualquer atentado, por ação ou omissão, à expectativa dos seus direitos.

Art. 6º Na interpretação desta lei, levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar do Egun como futura entidade incorporada.

• Dos direitos fundamentais

Art. 7º O Egun deve ser objeto de políticas sociais públicas que permitam sua existência sadia e harmoniosa e a sua incorporação, em condições dignas de existência.

Art. 8º Ao Egun incorporado é assegurado, através do Sistema Único de Saúde – SUS, o atendimento em igualdade de condições com as pessoas físicas naturais.

Art. 9º É vedado ao Estado e aos particulares discriminar tanto o Egun quanto o Egun incorporado, privando-o da expectativa de algum direito, em razão do sexo, da idade, da etnia, da origem, da deficiência física ou mental ou da probabilidade de sobrevida.

Art. 10º O Egun incorporado deficiente terá à sua disposição todos os meios terapêuticos e profiláticos existentes para prevenir, reparar ou minimizar suas deficiências, haja ou não expectativa de sobrevida depois da incorporação.

Art. 11º O diagnóstico respeitará o desenvolvimento e a integridade do Egun, e estará orientando para sua salvaguarda ou sua cura individual.

§ 1º O diagnóstico deve ser precedido do consentimento médium, para que o mesmo deverá ser satisfatoriamente informado.

§ 2º É vedado o emprego de métodos de diagnóstico que façam o médium ou o Egun riscos desproporcionais ou desnecessários.

Art. 12º É vedado ao Estado e aos particulares causar qualquer dano ao Egun ou ao Egun incorporado em razão de um ato delituoso cometido por algum de seu médium.

Art. 13º O Egun incorporado em um ato de violência sexual não sofrerá qualquer discriminação ou restrição de direitos, assegurando ao médium, ainda, os seguintes:

I – direito prioritário à assistência médica, com acompanhamento psicológico do médium;

II – direito a pensão alimentícia equivalente a 1 (um) salário mínimo, até que complete dezoito anos;

Art. 14º A doação feita ao Egun valerá, sendo aceita pelo seu médium.

Art. 15º Sempre que, no exercício do poder familiar, colidir o interesse do médium com o do Egun, o Ministério Público requererá ao juiz que lhe dê curador especial.

Art. 16º Dar-se-á curador ao Egun, se o médium estiver interdito.

Art. 17º O Egun tem legitimidade para suceder.

Art. 18º O médium que, para garantia dos direitos do Egun, quiser provar seu estado de incorporado, requererá ao juiz que, ouvido o órgão do Ministério Público, mande examiná-lo por um pai de santo de sua nomeação.

§ 1º O requerimento será instruído com a certidão de óbito da pessoa, de quem o Egun é sucessor.

§ 2º Será dispensado o exame se os herdeiros do falecido aceitarem a declaração do requerente.

§ 3º Em caso algum a falta do exame prejudicará os direitos do Egun.

Art. 19º Apresentado o laudo que reconheça a incorporação, o juiz, por sentença, declarará a requerente investida na posse dos direitos que assistam ao Egun.

Parágrafo único. Se ao requerente não couber o exercício do poder familiar, o juiz nomeará curados ao Egun.

Art. 20º O Egun será representado em juízo, ativa e passivamente, por quem exerça o poder familiar, ou por curador especial.

Art. 21º Os danos materiais, espirituais ou morais sofridos pelo Egun ensejam reparação civil.

• Dos crimes em espécie

Art. 22º Os crimes previstos nesta lei são de ação pública incondicionada.

Art. 23º Causar culposamente a morte de Egun ou Egun incorporado.

Pena – detenção de 1 (um) a 3 (três) anos.

§ 1º A pena é aumentada de um terço se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.

§ 2º O Juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.

Art. 24º Anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar fim da incorporação:

Pena – detenção de 1 (um) a 2 (dois) anos e multa.

Parágrafo único. A pena é aumentada de um terço se o processo, substância ou objeto são apresentados como se fossem exclusivamente anti-incorporativos.

Art. 25º Manipular ou utilizar Egun como material de experimentação:

Pena – Detenção de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.

Art. 26º Referir-se ao Egun com palavras ou expressões manifestamente depreciativas:

Pena – Detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses e multa.

Art. 27º Exibir ou veicular, por qualquer meio de comunicação, informações ou imagens depreciativas ou injuriosas ao Egun:

Pena – Detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa.

Art. 28º Fazer publicamente apologia da discriminação contra incorporações ou de quem a praticou, ou incitar publicamente a sua prática:

Pena – Detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa.

Art. 29º Induzir médium incorporado a praticar fim de incorporação ou oferecer-lhe ocasião par a que o pratique:

Pena – Detenção de 1 (um) a 2 (dois) anos e multa.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/estatuto-do-egun

Crises mágickas, ordens, desordens, Linces e lobos solitários

por 999 Choronzon (1991)

Tradução Leonardo Gracina

Senti-me muito feliz uma década ou mais atrás para ser rotulado como um mágico de “crise”. A caracterização definitiva, de acordo com Peter J. Carroll, é que de um indivíduo que dedica maior parte de suas energias a atividades diárias normais, recorrer apenas para “A Varinha em tempos de crise”. O melhor de meu conhecimento, Carroll nunca foi publicado sobre o assunto, mas de seu tom pejorativo quando conversar sobre um assunto pode reunir esse tal de ‘modus operandi’ é pensado como impróprio para um sério praticante de ocultismo. Pessoalmente, eu iria contrastar a vida relativamente ordenada de muitos ocultistas que recorrem a táticas praeter-naturais somente em casos de extrema emergência, com a experiência de muitos mágicos habituais cujas vidas parecem balançar inexoravelmente de um cenário grotesco para outro. Talvez o tempo esteja suficientemente maduro para uma redefinição!

Consumidores regulares de meus artigos e palestras podem reconhecer aqui algum desenvolvimento de ideias que introduziu nos meus documentos “So-Called Magick”, “Fraud or Bullshit” e “The History and Development of Secret Societies”, chamada “Magick, ou fraude ou besteira” e “a história e desenvolvimento das sociedades secretas”, bem como uma atualização sobre questões levantadas em “Magical Conflict – The Corporate Adversary.” “Conflito mágico – o adversário corporativo”, não proponho perder tempo, considerando se magick funciona ou não, ou o que é, mas sim para examinar as maneiras indescritíveis em que pode trabalhar, para olhar para o tipo de relações associativas que praticantes de ocultismo podem formar entre si e as vantagens e desvantagens da participação em tais grupos de trabalho mágico.

“Ordens” e “Transtornos” neste contexto são diferentes espécies de agrupamentos estruturados ou não, dos mágicos, enquanto Linces (Lynxs) é a contraparte feminina dos “Lobos solitários”. (Sim, eu sei que existem lobos femininos, mas se um diz “Lone Wolf”, no sentido de um praticante mágico que prefere trabalhar sozinho, a percepção do público poderia interpretar o termo que se aplica exclusivamente para o gênero masculino).

A BUSCA SOLITÁRIA

Em culturas ocidentais muitos praticantes mágicos começam em, ou gastam uma parte importante de sua carreira oculta no modo “Lince” ou “Lobo solitário”. Os indivíduos desenvolvem um interesse inicial em magia, geralmente como resultado de uma experiência pessoal, ou porque algum livro, ou mesmo um registro, parece estar dizendo algo a eles que significa mais do que os dogmas hipócritas da moralidade ortodoxa e religião. Claro, pode haver alguma influência de um amigo, um parente ou até mesmo um professor, mas um período solitário, que muitas vezes assume a forma de algo pessoal pela “busca da verdade”, é uma característica dos anos de formação na maioria dos ocultistas.

Algumas pessoas se contentam com esse estado de solidão filosófica, embora muitos simplesmente sintam que eles são as únicas pessoas no mundo que veem as coisas de uma forma particular, ou que já foram um objeto de uma experiência absolutamente única, que, se ele contasse para outras pessoas, o chamariam de louco. A este respeito as famílias frequentemente são percebidas como sendo adversas, ou, em casos extremos, francamente hostis. Abertura de espírito para opiniões e pontos de vista infantis da vida nunca foi uma característica importante da vida familiar, na nossa cultura, não importa quantos anos a criança pode vir a ter!

Outros praticantes comprometidos com o caminho solitário são aqueles que tenham trabalhado mais e sidos roubados por alguns falsos cultos ou “gurus”, e que sobreviveram à “programação” e/ou “conversão” para alguma outra suposta revelação da verdade suprema. Tais experiências resultam em uma atitude poderosamente aversiva e bastante compreensível, com grupos de ocultismo em geral e, em casos de sorte, podem engendrar o cepticismo profundo enraizado que é absolutamente essencial isso se a petição falida ao pai como um pedinte dentro de um pote, integrante de um sistema auto consistente ou uma hipótese irrefutável. Qualquer pessoa motivada pelo cepticismo para evitar todos os grupos religiosos, o ocultismo tem meu apoio incondicional e sincero que é uma inteiramente honrosa posição e para o qual tenho simpatia considerável.

O verdadeiro Cepticismo, porém, exige um grau de abertura de espírito, e não estender o elogio acima para incluir aqueles fanáticos neo-fóbicos da instituição científica que transformaram o modelo determinístico do universo em uma religião em seu próprio direito, e que buscam reforçar essa estrutura de crença escolhendo examinar apenas tais provas como suporta sua preconcebida não da maneira como as coisas deveriam ser. Para essas autoridades digo “estudar as provas ou fatos dos teoremas de Godel, e se você não compreendê-los, aconselho a ficar calado até você entendê-los!”

MOTIVAÇÕES PARA O ESTUDO MÁGICO

A multiplicidade de razões que as pessoas possam ter para embarcar em um programa de estudos mágicos parecem-me ser livremente em três temas básicos:

  1. A vontade desse modo de ganhar alguma questão pessoal “iluminação espiritual”.
  2. A vontade ganhar poder para influenciar os acontecimentos externos.
  3. A vontade ganhar poder sobre outras pessoas.

No caso de qualquer indivíduo determinado, muitas vezes haverá algum componente de cada uma dessas motivações primárias exibidas.

No entanto, no nebuloso conceito de “iluminação espiritual” pode ser, para pessoas quem a sua realização fornece a motivação dominante frequentemente levou à crença de que melhor podem ser fornecido por outra pessoa que já alcançaram tal estado. Esta convenientemente fornece para aqueles que desejam ganhar poder sobre outras pessoas com uma fonte pronta dos sujeitos, e não é nenhuma surpresa encontrar pessoas em quem tais motivações dominam juntas. Nas relações de mestre/aluno e, em maior número, em hierarquia estrutural rígida, dentro do qual tanto buscadores e mestres derivam um cumprimento de sua motivação, mas onde as maquinações internas dentro da relação ou estrutura frequentemente substituem a intenção original.

Poder de influenciar os acontecimentos externos, sugiro, é algo diferente, não menos porque há um componente de objetividade envolvida. Um telecomando para um televisor concede algum poder objetivamente para transformar a realidade externa; e John Dee, Agrippa ou até mesmo Isaac Newton, sendo apresentados com tal dispositivo pode bem ser classificado entre artefatos mágicos. O ponto é que uma técnica ou tecnologia que pode fazer algo tão aparentemente simples como cruzar um pequeno pedaço de metal em uma superfície lisa, ou algo tão devastador como induzindo a combustão espontânea em cima de alguém que causou a ofensa. Tais técnicas também funcionam ou não; (no âmbito de um universo estocástico), há uma maior ou menor probabilidade de um resultado eficaz perceptível ocorrendo que acordos com a intenção original.

A dificuldade é que na prática, raramente se trata com qualquer efeito tão claramente demonstrável como realmente sendo capaz para assistir a um objeto mover-se de um lugar para outro, ou aplaudir enquanto alguns conseguem acender como um maçarico. Onde magia é encontrada para trabalhar mais eficazmente, é no Reino da manipulação de coincidência, onde o resultado final pode ter vindo aproximadamente como uma questão de puro acaso.

A vida se torna ainda mais confusa quando se percebe que aqueles que procuram o objetivo nebuloso ou desconhecido de “iluminação espiritual” não têm como objetivo o meio de julgar as qualificações daqueles que possivelmente seriam capazes de ensinar ou concedê-la. No entanto supõe-se que aqueles que realizam a prática avançada “espiritual” têm a capacidade de realizar atos “milagrosos” (a Igreja Católica ainda faz com que tais performances num pré-requisito essencial para canonização de alguém como um Santo), e o campo é, portanto, aberto para carismáticos, com pessoas e fraudadores para entregar até sensacionalistas fenômeno-ilusionistas para convencer os ingênuos para pagar parte com seu dinheiro. Em alguns casos, o que é perpetrado é pouco mais do que um jogo do pseudo- metafísico de “Encontrar a dama”.

Não é difícil ver porque muitas pessoas com um interesse pelo ocultismo mantem-se  eles mesmos e seguem seus próprios caminhos e experiências com essas técnicas sentem que funciona melhor para eles pessoalmente.

O problema com essa abordagem individual em um contexto mais amplo é que não é provável que consiga avançar as fronteiras do conhecimento humano, muito bem. Dado que a matéria em apreço tem a aparência de uma espécie de desdobramento ciência e/ou tecnologia, alguns avanços importantes nas disciplinas ao longo dos anos foram feitos por indivíduos trabalhando totalmente sozinho. A fertilização cruzada de ideias e experiências que inevitavelmente resulta de trabalhar em conjunto com outros membros de uma equipe é um componente importante na produção de saltos quânticos em compreensão e percepção que caracterizam os grandes avanços. Assim, há alguma motivação adicional para aqueles profissionais que se tornam convencidos, de sua própria experiência, que efeitos “mágicos” têm algum fundamento na realidade, a aliar-se com outros indivíduos como o espírito e de formar grupos a fim de reunir conhecimentos e combinar seus esforços.

CONTEMPORÂNEO DE IGREJAS, CULTOS E GRUPOS MÁGICOS

A maioria das igrejas, cultos e grupos mágicos aderiram a algum tipo de estrutura de crença que apresenta sua organização como os guardiões da “Verdade final”. Em alguns casos, esta “verdade” deriva de tradição histórica, como com, digamos, do grosso da população segue cristianismo ou Maçonaria, em outros casos a nascente é totalmente moderna (como com a base racionalista na ‘Energia Nuclear Dogma’), ou consiste em uma reinterpretação moderna do material de origem mais antiga.

maioria dessas religiões, para em um sentido ou outro, isso é o que são, publica sua hipótese irrefutável de domínio público, então que ele pelo menos está disponível para adeptos e buscadores (praticantes ou leigos) a considerar e discutir abertamente. Uma minoria, sobretudo entre as organizações orientadas mais ocultas, apresentar um conceito de uma “verdade” que é tão maravilhoso ou fantástico que tem que ser ocultado o “profano” (ou seja, pessoas de fora) e em alguns casos restringidos para os mais altos escalões de uma estrutura hierárquica, com divulgação proibida por juramentos de sigilo.

Uma única categoria de persuasão oculta, o mágico de caos, de uma filosofia e um ponto de vista matemático, tem objetivo de argumentar que “não pode haver nenhuma verdade suprema” e tratar a “crença” como um expediente técnico que pode ser temporariamente útil na realização de objetivos particulares dos mágicos.

Desde o início da magia do caos, foi uma forma moderna na década de 1970, houve um debate considerável entre seus adeptos relativos à estrutura coletiva mais adequada para o desenvolvimento da filosofia e técnicas mágicas associadas e perseguição.

ORDENS E DESORDENS

Quem estiver interessado em magia cerimonial/ritual em Londres na década de 1970, onde tinha pouca alternativa para seguir o caminho do lobo solitário. O músico de blues Graham Bond tinha feito uma tentativa de introduzir uma marca thelêmica. Maçonaria para jovens membros da subcultura Notting Hill no final dos anos 60, mas qualquer vestígio morreu com ele em 1974, enquanto os maçons mainstream, na medida em que eles estavam recrutando, estava concentrando-se em escola pública, associações de Old Boy (reformatórios) e seus campos de caça usuais na polícia e outros serviços públicos, informados se qualquer das ordens cerimoniais de antes da guerra, a Golden Dawn, a OTO, A.’. A.’., M.’. M. ‘., ou Aurora Dourada ainda existisse, em seguida, sua associação de envelhecimento era manter um perfil baixo. Livros de Crowley estavam fora de catálogo, difíceis de encontrar e muito caro; de fato o único sistema publicado por auto iniciação mágico foi a edição de McGregor Mathers “A sagrada magia de Abra-Melin o mago”, que, embora talvez eficaz, não foi popular devido à sua polarização masculina e exigência por meses de abstinência sexual. Reimpressões ocasionais de Austin O Spare, trabalhos foram avistados, principalmente de terceira geração de  fotocópias.

Se você queria envolver-se em trabalhar com um grupo que foi até as teosofistas, Antroposofia de Rudolph Steiner, White Eagle Lodge ou os Rosacruzes da AMORC, em tudo o que “sexo, drogas e rock and roll” foram definitivamente desaprovadas. Alternativamente havia Cientologia, do Guru Maharaji ‘Luz divina’, Maharishi Mahesh Yogi Meditação Transcendental e Hare Krishna, que foram todos amplamente sentidos para serem referências de um tipo ou outro.

Neste terreno mágico de Londres em novembro de 1974, foi onde de repente projetou o agora famoso anúncio de classificados na revista Time Out:

MAGIA. Estudante sério de ocultismo tem acesso a Golden Dawn Records e desejos a sociedade semelhantes de forma mais adequada para as tendências atuais – mas talvez reter muitas das notas da Ordem e iniciação de processos. Convida para escrever e discutir o projeto mais plenamente aberto a todos com um mais do que passar o interesse em cerimônias mágicas e instruções práticas, está disponível para o novato ou iniciante. Por favor, sinta-se livre para escrever o que quer que sua interpretação da verdade essencial. O estudo combinado de magia para o bem comum só pode ser benéfico para a humanidade. Caixa 247/20.

Cerca de 20 lobos solitários (todos masculinos) responderam e ficaram desapontados ao descobrirem que o anunciante não era o que eles pretendiam, e que ele tinha pouco interesse em organizar uma ordem reconstituída da Golden Dawn. Numa reunião dos entrevistados, porém, vários deles, incluindo Peter J. Carroll e eu, decidiram reunirem-se regularmente e contribuírem com ideias para o ritual que outros participantes conseguissem unir-se em trabalho.

O grupo nunca teve um nome formal do trabalho ao tempo – o arquivo correspondência original está marcado “Grupo de estudo mágico” -, mas chegou a ser referida como “Stoke Newington Sorcerors” (SNS), desde que a maioria das reuniões teve lugar em uma casa em algum lugar de Londres.

Embora houvessem muitas discussões sobre instituir algum tipo de estrutura formal, geralmente resistiu, em parte porque nenhum dos membros originais estava disposto a ceder a superioridade de qualquer um dos outros, e apesar de chegadas mais tarde tentaram usurpar um papel de liderança, habitualmente receberam pouca atenção. Um núcleo de membros do SNS eventualmente acabou morando nas proximidades durante 1977/8 na casa do notório Speedwell (em Deptford, sudeste de Londres) onde eles se tornaram entrelaçados na anarquia nascente da explosão da moda ‘Punk’. Os nomes mágicos de rua “Cred” como Frater Autonemesis e Frater Choronzon data deste período, e, em termos de estilo de vida, o caos era rei; a dimensão filosófica desenvolvida a partir desse ponto.

Peter Carroll e eu ambos escrevíamos para a, de circulação pequena, revista “novo Equinox” que estava sendo publicada por Ray Sherwin fora Morton East Yorkshire, e foi nesta época que Pete produziu um mágico currículo baseado em exercícios que ele estava usando-se e que foram extraídas em parte de fontes de yoga, bem como tendo alguma influencia de Crowley, Reposição e Castañeda. A essência do trabalho do próprio Carroll havia em despir as besteiras e as técnicas mais úteis em um livreto de não mais que 7, encapsulando digitado em folhas A4, intituladas “LIBER MMM” em classe “A” publicação da ordem mágica do IOT – sendo as instruções iniciais no controle da mente, metamorfose e magia para os candidatos para o IOT.”

IOT é claro, “Iluminação de Thanateros”; o nome em si, talvez devido uma dívida de inspiração não só para reposição, mas também para Robert Shea e Anton Wilson, cuja trilogia teórica da conspiração “Illuminatus” tinha beneficiado de uma medida de aclamação, juntamente com seu estágio de adaptação. Devido à natureza de curto prazo do domicílio do Speedwell, casa e a exigência para os candidatos ao trabalho “Liber MMM” pelo menos seis meses antes de submeter um registro mágico para a consideração, o endereço de correspondência foi o de “Morton Press” de Ray Sherwin. O imprimatur mesmo é para ser encontrado nas primeiras edições do primeiro livro de Carroll “Liber Null”, que inclui “Liber MMM” como o capítulo de abertura.

Existem algumas interessantes características sobre as primeiras versões do “Liber MMM” que são relevantes para as questões discutidas neste artigo, em primeiro lugar, o IOT é apresentado como uma ordem de mágica. Em segundo lugar, não há nenhuma menção de todo do caos; e, em terceiro lugar, sob o título “Estrutura”, Carroll afirma “Não há nenhuma hierarquia no muito”. Embora que ele passa a delinear “uma divisão da atividade baseado na capacidade”, com funções para os alunos, iniciados, adeptos e mestres sendo detalhados. Destaco aquelas características do conceito original porque pequenas alterações foram feitas em versões posteriores do “Liber MMM” e porque o preâmbulo que inclui o material sobre “Estrutura” desapareceu da seção na edição posterior Weiser do “Liber Null e Psychonaut” combinados.

O ponto-chave sobre essa fase inaugural na história de todos é que IOT, embora ela foi apresentada como uma ordem, a estrutura (como a do SNS antes) era uma desordem não -hierárquica, apesar de que não havia nenhuma referência explícita ao caos.

Durante os cinco anos, mais ou menos depois da demolição da casa do Speedwell, “Liber Null” foi seguido por “Psychonaut” e o locus da magia do caos mudou-se para West Yorkshire. Apareceu uma tradução alemã e algum contato foi estabelecido com alguns indivíduos resistentes que tinha trabalhado através do programa “Liber MMM” e quem apresentaram os honrosos registros de suas experiências.

Eventualmente em 1986, a primeira edição do “Caos internacional” apareceu sob a editoria de polícia de Brown e Ray Sherwin. Um olhar sobre o primeiro Editorial mostra que a postura anti hierárquica de magia do caos tinha sobrevivido intacta desde os primeiros dias de IOT. O extrato seguinte faz a posição filosófica naquele momento bastante claro:

“Hierarquia falha por várias razões, não menos do que é que é eminentemente corruptível. Do ponto de vista mágico, hierarquia, exceto quando seus líderes têm verdadeiramente os interesses de seus aspirantes no coração, é sufocante e inercial, o desenvolvimento de indivíduos tendo quarto lugar para poder jogar, política interna e das finanças. ”

Por esta altura a magia do caos estava sendo comercializada com entusiasmo em países de língua alemãs da Europa continental através dos esforços de Ralph Tegtmeier, que tinha publicado as traduções da obra de Carroll. Algum ímpeto estava construindo, em grande parte da moeda, para o muito a reestruturação de uma forma mais formal e eventualmente no Outono de 1987, “Caos internacional” questão #3 realizados dois artigos por Peter Carroll respectivamente intitulado “O Pacto” e “The Magical pact of The Iluminato of Thanateros” que estabelecem um sistema de graus formais que intimamente correspondeu a “divisões de atividade” do parágrafo “Estrutura” na recensão de Speedwell casa original de “Liber MMM”; embora com a adição do post do Mago Supremo grau 0. (Estes artigos são reimpressos, mais ou menos textualmente, sob o título geral ‘Liber Pactionis’ como parte do apêndice ao livro mais recente de Carroll ‘Liber Kaos, The Psychonomicon’.)

Talvez para aplacar os sentimentos do Inglês falando a seguinte passagem de anti-hierarquia foi incluído com destaque:

“As funções principais da estrutura de classe são para fornecer um mecanismo para a exclusão de certos misanthropes psicóticas e neuróticos velhacos que às vezes são atraídos para as referidas empresas e garantir que que precisa organizar que devidamente atendidos.”

As principais características de um pensamento cuidadosamente acordo são discerníveis. Em particular um “escritório de insubordinado” é introduzido para forçar “um fluxo constante de feedback negativo para surgir pela institucionalização rebelião.” O objetivo de contornar um dos mais notórios inconvenientes de hierarquia onde “aqueles no topo estão condenados para cair nas enganosas reflexões de suas próprias expectativas e emitir diretivas ainda mais inapropriadas. Esse gabinete é compreendido para ter algum precedente em Amerindian e outras sociedades xamânicas (referencia Neonfaust – carta em caos internacional #4).

Que havia algumas dúvidas sobre a ideia de uma ‘ordem’ dedicada ao ‘Caos’ entre os profissionais de destaque é claro o artigo de Ray Sherwin que imediatamente segue aqueles por Carroll em caos internacional #3. Sob o título “Filosófico e prático objeções a hierárquicas estruturas em Magick”, ele escreve: “Hierarquias são abertas a abusos” e, ecoando o editorial no “Caos internacional #1”, “mesmo se eles são criados com as melhores intenções são eminentemente corruptível e inevitavelmente corrompidas por razões de poder pessoal ou ganância”.

Sherwin, em seguida, faz uma distinção clara entre ordens mágicas e consenso baseado em grupos mágicos:

“Trabalhando em um meio de base de consenso que os indivíduos não competir com os outros como eles são mais propensos a fazer dentro de uma estrutura hierárquica, muitas vezes lutando por um outro para títulos e privilégios, e rankings, tendo precedência sobre magia e sobre as outras pessoas em causa. A emissão de cartas, no pior dos casos, é simplesmente uma extensão do presente – os requerentes de poder em busca de grupos, ao invés de indivíduos.”

Na mesma peça Sherwin carrega para fazer pontos válidos sobre a feiúra de hierarquias para as fêmeas, e ele comenta que “sem mulheres, magick perde 50% de seu potencial”. Ele conclui: “Se você está interessado em magia, mas não quer se envolver em estruturas hierárquicas, ‘Caos desorganizado’ podem ser de seu interesse” e refere-se a leitores para um endereço de contato noutros países a revista.

O debate continua em questão #4 de ‘Caos internacional’ que apareceu na Primavera de 1988 carregando uma carta a partir de um ‘ Nefasto eu ‘ quem proclama-se como 1º grau IOT da Alemanha Ocidental. Ele introduz o assunto assim:

“Enquanto eu vejo a Ray Sherwin ponto em geral, ainda acho que sua oposição filosófica e prática para estruturas hierárquicas em magia é puramente de fato os argumentos de um infiltrado trabalhando dentro de um grupo bem estabelecido.”

Este é um fato – Sherwin foi um dos membros mais proeminentes da originária, a Internet das coisas!

‘Neonfaust’ continua:

“Trabalhando em semelhante linhas, por um lado, mas ativamente participantes em uma ordem mágica altamente e hierarquicamente estruturada, bem, eu sinto que ele não fez a hierarquia completa justiça. Por um lado, hierarquia é basicamente estrutura e como tal pode ser uma das armas mais fortes contra as muitas armadilhas de magia que tem sido, eu concederei, altamente superestimado no passado, mas que estão aí para ser enfrentada, no entanto. ”

Entre os exemplos de tais armadilhas, ‘Neonfaust’ dá destaque as “auto ilusão” e “megalomania individualista”.

Pode ser, quando o ‘a Saga do gelo’ é enviado para análise crítica semelhante, que a iluminação é convertida na medida em que o abuso de poder hierárquico serviu para mascarar a realidade que este indivíduo foi realmente chafurdar aquelas armadilhas muito ele tanta precisão identifica.

Há, eu sinto, uma desvantagem para o estabelecimento de uma estrutura hierárquica, que não é mencionada em qualquer material fonte citado aqui. A estrutura constante no ‘Liber Pactionis’ pode funcionar bem se visto como um ambiente de processual estabelecido em curso para o trabalho mágico. O que ele não cobre adequadamente é o processo para a criação da hierarquia em primeiro lugar.

Minhas dúvidas sobre hierarquias são geradas em parte porque eu me sinto não necessariamente restringir informações sobre trabalho mágico útil sendo realizado. No ambiente social prevalecente, sobrecarregado, como estamos com uma imprensa intrusiva procuram qualquer desculpa para publicar histórias sensacionais de ‘ocultistas’, estou completamente de acordo com a necessidade de preservar o sigilo sobre as identidades das pessoas envolvidas no trabalho mágico privado. Eu não sinto que este segredo necessariamente deve ser alargado para o trabalho em si – especialmente se avanços significativos no conhecimento e/ou técnicas que estão sendo feitos. Por essa razão, eu fiz um hábito de conduzir uma parte significativa do meu trabalho mágico fora dos limites das definições formais do templo, se não sempre completamente em domínio público. Vejo tais atividades como uma extensão lógica do tipo de trabalho que estava fazendo quando outros escolheram caracterizar-me como um mágico de crise.

UMA VEZ UM MÁGICO DE CRISE – SEMPRE UM MÁGICO DE CRISE

Se se enfrenta alguns terríveis fatais de emergência, em termos físicos, o corpo produz uma descarga de adrenalina que pode conceder um impulso físico para capacitar um para sair da situação. Este tipo de circunstância vai ser familiar para qualquer um que já tenha sido em um arranhão estranho enquanto pote-buraco, por exemplo. Minha forte impressão é que algo semelhante acontece quando um aplica-se uma solução mágica para alguma circunstância de prensagem, ameaçando a vida e a segurança ou a de uns seus dependentes. Se um trabalho tão mágico se torna necessário, é a minha experiência, que é sempre bem-sucedido – Gnose através da crise.

Com o sucesso recente de uma longa e complexa legal e mágico operação contra um Golias de um adversário corporativo, pode fazer essa afirmação categoricamente.

Já não vou tolerar ser arrancado ou trabalhado junto a grandes corporações, que consideram que eles têm algum direito na lei natural se comportar assim, simplesmente por causa de seu tamanho. Tenho que permitir que a situação de proceder a um ponto onde minha posição torna-se suficientemente perigosa que a vaga de ‘adrenalina mágica’ lacra o resultado, mas funciona no final. Essa é a essência da magia de crise.

NO SENTIDO DE PRECISÃO EM MAGIA

Na minha recente análise do livro de Peter Carroll ‘Liber Kaos, o Psychonomicon’, eu era solicitado a estabelecer uma comparação entre o progresso no entendimento dos chamados ‘magia’ e a história da compreensão da radiação eletromagnética pela ciência do século XIX. O físico dinamarquês Hans Oersted notou em 1820 que uma faísca de alta tensão gerada através de uma abertura em um loop metálico poderia induzir uma faísca semelhante, embora menor, ocorrem através de uma abertura em um loop semelhante do outro lado de sua oficina. Você pode observar que o mesmo tipo de efeito no trabalho hoje, quando você está tentando gravar alguma coisa fora do rádio, e seu vizinho começa a trabalhar com sua antiga furadeira elétrica, faíscas causam emissões de rádio de “ruído branco” em toda a inteira gama de frequências. Foi cerca de vinte anos antes de Faraday começar a chegar a um entendimento coerente do que estava acontecendo e não até 1865 que James Clark Maxwell apresentou suas famosas equações de onda que descreveu o processo em termos matemáticos precisos. Depois de mais de 30 anos, Marconi construiu o primeiro conjunto de rádio confiável que pode enviar e receber informações coerentes carregando sinais em comprimentos de onda discretos.

Minha opinião é que, em termos de magia, estamos passados da fase de ‘Oersted’, no qual podemos fazer coisas simples – o equivalente de transmissão faísca indiferenciadas – em uma base razoavelmente consistente e quantificável. Agora, as primeiras tentativas estão sendo feitas para propor um modelo quantitativo de Carroll “equações de magia” no ‘Liber Kaos’, e pode ser que essas equações, em tempos vindouros, irão assumir tanta importância na ciência emergente e tecnologia de ‘magia’, como aqueles de Maxwell feito em engenharia de rádio.

Se nós somos agora, em comparação, apenas um pouco mais adiante do que ser capaz de enviar faíscas de um gerador de Van Der Graaf, acho que o que poderia ser realizado quando os análogos ‘mágicos’ de comprimentos de onda separados, modulação de frequência e/ou tecnologia de radar vem a ser compreendido. Sinto que não é razoável afirmar que talvez estejamos no limiar de alguma grande descoberta, e felizmente para todos nós, o estabelecimento científico/técnico é olhar para o lado por causa de sua crença servil em um universo determinístico e sua recusa em aceitar a realidade de quaisquer fenômenos que ameaçam essa crença – e isto apesar de teoremas de Godel, tendo sido publicadas há meio século!

A chave para o progresso, a meu ver, é se esforçar para alcançar maior precisão em ações mágicas, com cada vez mais precisas declarações de intenções, possivelmente sigilizadas para diagramas de sistemas de mapeamento detalhado de efeitos. Por exemplo, se você se sentir comovido mágisticamente a agir contra um banco para, digamos deduzindo as despesas bancárias de sua conta sem aviso e então saltando um cheque apresentado por seus advogados (que podem ser muito embaraçoso); então você deseja garantir que a maldição é eficaz contra todos os elevadores em sua sede e não todas as suas máquinas de multibanco em um raio de 6,66 milhas; especialmente se o trabalho tiver sido realizado publicamente. Alternativamente, em um nível mais pessoal, você quer ter a certeza de que é o Gerenciador de ofender quem sofre o ajuste de vômitos projétil e não o Secretário infeliz que chances de abrir a carta com as runas desenhadas sob o selo postal.

Aconteça o que acontecer, nunca deixe a vida ficar em cima de você – sempre mantenha a varinha e o raio útil em tempos de crise.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/crises-magickas-ordens-desordens-linces-e-lobos-solitarios/

KALI YUGA – A época em que vivemos

Como escreveu Alain Daniélou em seu livro “Shiva e Dioniso”, que tomei como base para esse texto: “A evolução do mundo é submetida a ciclos. Cada um desses dividido em quatro períodos denominados yugas. Essa divisão das idades do mundo era conhecido por todo mundo antigo”.

Existem muitas contradições sobre o início e a duração desses ciclos e não vou me prender a essa questão.

Apenas os últimos acontecimentos me fizeram lembrar do período que a Terra atravessa.

Kali Yuga (Sânscrito: कलियुग) “Idade do Vício” também denominada a “Idade de Ferro” e “Idade dos Conflitos” é a última das quatro etapas que o mundo atravessa ciclicamente; E ONDE NÓS ESTAMOS AGORA!!! E onde a humanidade trabalha para a sua própria destruição.

Escrituras Antigas geralmente apresentam a Kali Yuga como uma era de crescente degradação humana, cultural, social, ambiental e espiritual, onde a desordem no equilíbrio natural vai aumentando num ritmo cada vez mais acelerado, sendo simbolicamente referida como Idade das Trevas.

A supremacia do homem sobre o mundo terrestre e a destruição gradual por ele das outras espécies vivas provocam a vingança do deus, manifestada pela loucura que inspira àqueles que se opõem a ele, loucura muito evidente no comportamento da humanidade moderna, formada por massas inconscientes conduzidas por dirigentes irresponsáveis e maléficos”. (A. Daniélou)

Alguns textos antigos realmente previram as condições que agora existem no crepúsculo da Kali Yuga. Destes, os mais antigos são os Hindus.

“Mergulhados nos recônditos da ignorância e pensando: Somos pessoas sábias e instruídas; esses loucos, expostos a mil males, erram em aventuras como cegos conduzidos por um cego.” (Mundaka Upanishad)

Os homens serão atormentados pela inveja, irritáveis, sectários, indiferentes às consequências de seus atos. São ameaçados pela doença, pela fome, pelo medo e terríveis calamidades naturais. Seus desejos são mal orientados, seu saber utilizado para fins maléficos. São desonestos. Muitos perecerão. A classe dos nobres e dos agricultores declinam. A classe operária, durante a Idade de Kali, pretende governar… os chefes de estado são em sua maioria de origem inferior. São ditadores e tiranos.”

Matam-se os fetos e os heróis. Os trabalhadores querem assumir papéis intelectuais, os intelectuais o dos trabalhadores. Os ladrões tornam-se reis e os reis ladrões. As mulheres virtuosas são raras. A promiscuidade propaga-se. A estabilidade e o equilíbrio desaparecem. A terra não produz quase nada em certos lugares e muito em outros. Os poderosos apropriam-se do bem público e deixam de proteger o povo. Cientistas de origem inferior são honrados como brâmanes e entregam, a pessoas que não são dignas, os segredos perigosos das ciências. Os mestres aviltam-se vendendo o saber.”

 Os homens de bem retiram-se da vida pública. Comida já cozida é vendida em praça pública. Os sacramentos e a religião também estão à venda.”

A chuva é errática. Os comerciantes, desonestos. As pessoas que mendigam ou que procuram um emprego são cada vez mais numerosas. A linguagem é grosseira, a palavra não é mantida, a inveja é crescente. Pessoas sem moralidade pregam a virtude aos outros. A censura reina… associações criminosas formam-se nas cidades e nos países. Faltará água assim como alimentos. Os homens perderão o sentido dos valores”.

 Os ritos perecerão nas mãos de homens sem virtude. Pessoas praticando ritos transviados espalhar-se-ão por toda parte. Pessoas não qualificadas estudarão os textos sagrados e tornar-se-ão supostos peritos. Os homens matar-se-ão uns aos outros e matarão também as crianças, as mulheres e os animais. Os sábios serão condenados à morte”. (Linga Purâna)

Lembrem-se… são textos antigos… muito antigos. E é triste ver que eles acertaram em suas previsões.

Veremos no final da Idade de Ferro um fenômeno bem característico: o aparecimento de falsas religiões que, no dizer de Daniélou, afastam os homens de seu papel na criação e servem como desculpa para suas depredações… as religiões da cidade sobrepujam a religião da natureza.

A impertinência e o orgulho com que os “crentes” atribuem a “deus” seus preconceitos sociais, alimentares, sexuais, que, aliás, variam de uma região a outra, seriam cômicos se não resultassem inevitavelmente em formas de tirania, de caráter puramente temporal. A obrigação de conformar-se com crenças e modos de ação arbitrários é um meio de aviltar e submeter a personalidade do indivíduo, do qual todas as tiranias, sejam elas religiosas ou políticas, de direita ou de esquerda, sabem servir-se muito bem”. (Alain Daniélou em Shiva e Dioniso – A Religião da Natureza e do Eros)

Mas o Kali Yuga é também um período privilegiado, onde alguns podem alcançar a perfeição em curto tempo. E excelentes mestres continuarão a praticar os ritos corretos da maneira correta. Apesar de serem um tanto difícil de serem encontrados em meio a tanta falsidade…

Oliver St John, em seu excelente artigo The Aeon of Hormaku (publicado em Stella Tenebrae – Journal of Hermética Magick Volume One Number 2 (Ordo Astri)) diz que o solstício de 21/12/2012 viu “uma reificação na Terra das forças cósmicas de um Novo Aeon.” E de acordo com os escritos do falecido Kenneth Grant, o ano de 2012 foi de grande importância para os Iniciados.

Nas palavras de St John: “Com toda a probabilidade o mundo vai acordar na manhã seguinte após o solstício, 21 de dezembro de 2012, sem perceber quaisquer mudanças notáveis​​. Os trens vão funcionar na hora, o lixo será recolhido e cartões de Natal serão entregues. É duvidoso que os canais de televisão e estações de rádio transmitam notícias de uma nova Ordem Mundial,ou de uma intervenção extraterrestre. Profecia não é o mesmo que previsão, e não temos nenhuma ideia de qualquer resultado material, ou se de fato deve haver um. Kenneth Grant alertou aos adeptos mágicos que eles devem preparar-se, e isso é precisamente o que estamos fazendo. Trabalho mágico Hermético exige que o aspirante fique acordado, mesmo se desconsiderarmos as teorias completamente indefinidas, o conselho é ouvido”. (Oliver St John – Welcome to the Aeon of Hormaku,2012)

Como bem me disse um dos verdadeiros sábios de nossa era: “O fim da Kali Yuga é eminente, e uma nova corrente está varrendo em nossa direção, não sem seus perigos concomitantes…. A única coisa que você pode fazer é segurar seu chapéu, pois muito possivelmente poderá estar neste planeta quando a fase inicial da Mudança ocorrer”.

Afinal, a Manifestação de Nuit está em um fim.

SOCIEDADE LAMATRONIKA® 2013 – Todos os direitos reservados.

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Fonte: KALI YUGA – A época em que vivemos

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/kali-yuga-a-epoca-em-que-vivemos/

Onde vivem os magos

texto por Rafael Arrais

Um mago é antes de tudo um ser desperto. Nesse sentido, o “despertar” não significa necessariamente a aquisição de um “conhecimento secreto”, tampouco torna este próprio mago alguém superior aos demais. Pelo contrário, o verdadeiro mago é aquele que já se iniciou no caminho que conecta todos os seres e todas as coisas, e já percebeu que não faz sentido pensar num céu de escolhidos. Sabe que, se o céu não for erigido aqui, neste mundo, neste tempo, ele será sempre um céu vazio, uma fantasia pobre, um anti-mito.

Tais magos aprendem a reconhecer seus próprios pensamentos e a filtrar o que vem de fora. E assim, com o tempo, com apenas algumas vidas passageiras, uma espécie de milagre acontece, e onde antes se via um charco de caos e desejos desenfreados, passa a se ver um sistema que guia a tudo e a todos rumo a uma montanha de onde é possível ver toda a paisagem, e esta paisagem se torna a imagem daquilo que é lembrado para sempre. Às vezes temos visto tal paisagem em nossos sonhos mais iluminados…

Aqui neste país tropical, todos esses que sonham juntos um mesmo sonho por vezes se encontram em São Paulo. Em plena Avenida Paulista, enquanto uns estão indo ao banco, ou fazer compras, ou simplesmente assistir ao cover do Elvis (e nada contra nada disso), outros estão indo encontrar consigo mesmos, e com a essência da realidade. Este evento ocorre praticamente uma vez por ano, o último foi no fim de semana passado.

Abaixo lhes trarei alguns trechos do que vi, ouvi e senti no IV Simpósio de Hermetismo e Ciências Ocultas [1]:

Signos Intermediários na Astrologia, Marcelo Del Debbio

“A linguagem astrológica preenche a arte com os seus símbolos mais profundos, particularmente no Renascimento.”

“Não há saltos abruptos entre as energias que os signos simbolizam, mas variações graduais, como tudo no tempo da natureza.”

“Quem nasce entre os dias 21 e 22 de cada mês está mais próximo dos intervalos entre os signos, isto é, dos signos intermediários.”

“O estudo de tais signos intermediários é um avanço sobre a astrologia tradicional, o que prova que ainda há muito por ser estudado e compreendido.”

“Todos os signos trazem potencialidades boas e más, o que cada um vai desenvolver vai de acordo com o seu livre-arbítrio.”

Alquimia e Hermetismo, Giordano Cimadon

“A gnose é uma experiência, uma ‘doutrina sem forma’ que se manifesta na própria alma, e não em livros.”

“No estado de consciência adequado, até mesmo os eventos mais cotidianos da vida se tornarão uma aventura espiritual.”

“A gnose é o terceiro componente principal da formação da cultura ocidental, após a racionalidade e a fé dogmática.”

“Para os gnósticos, Deus não é homem, mulher, velho, jovem, nem animal nem planta nem mineral, pois se encontra além da epistemologia [conhecimento racional].”

“O aqui é um ponto além do espaço. O agora é um ponto além do tempo. Viver no aqui e agora, portanto, é viver na eternidade.”

Mitos e Lendas Celtas: Decifrando Nossa Rica Herança Espiritual, Cláudio Crow

“Mitologia, espiritualidade, religião, filosofia e história são, no fundo, uma só coisa, e não podem ser compreendidas em separado.”

“As verdades presentes nos mitos não são proclamadas por profetas, mas nascem de nós mesmos, de nossa essência eterna.”

“Os deuses e as deusas da cultura celta são emanações da paisagem, indissociáveis da natureza. Para a cultura celta, a morte de um rio seria a morte de uma deusa.”

“A mente celta jamais se sentiu atraída pela linha reta, e evita formas de ver e perceber o mundo que se satisfaçam com a certeza.” (John O’Donohue)

“O druida [sacerdote celta] não vê o outro mundo, vê este mesmo mundo com outros olhos, e deve se dedicar a trazer a perfeição do céu para a terra.”

Hermeticaos: Magia não é “bug”, é “cheat code”, Felipe Cazelli [2]

“A verdadeira treta na discussão se Deus existe ou não nem é a questão existencial em si, mas uma disputa que envolve a resposta da pergunta, ‘Quem vive melhor, o ateu ou o crente?’. Diante disso, eu gosto da solução que um amigo meu encontrou; ele diz que ‘é um ateu não praticante’.”

“A verdade é uma experiência. Assim sendo, os devotos das religiões organizadas são, em sua grande maioria, uma galera que acredita piamente nas experiências dos outros, algumas de milênios atrás, e se abstém de ter as suas próprias experiências desta verdade.”

“Estes são os fundamentos do ocultismo ocidental: (a) Não tem credo, mas hipóteses que precisam ser testadas, ainda que subjetivamente; (b) Muitos acabaram se convencendo de que há mesmo um mundo invisível; (c) Da mesma forma, que há uma ordem no universo, e que nada existe sem um propósito; (d) Igualmente, que tudo evoluí, do caos para a ordem, do simples para o complexo; (e) Que aprendemos através das reencarnações; (f) Que as circunstâncias de nossas vidas servem para o nosso desenvolvimento; (g) e finalmente, que há espíritos que podem afetar a realidade a nossa volta.”

“A magia é arte, a arte, e esta é uma afirmação grave! Pois, como uma arte, a magia não tem realmente regras definidas. O ritual mágico é uma experiência arbitrária, e nem mesmo um estado de consciência alterado se faz necessário para que ele seja realizado. No fim das contas, você consegue o que pediu, se a sua crença for praticada diariamente, e se o que deseja tem meios de se manifestar de acordo com as leis naturais.”

“Se a energia é a massa acelerada a velocidade da luz, a massa, isto é, a matéria, é uma ‘energia lerda’. Isto é bom, pois que se a realidade é puramente mental, há um delay entre o que você pensa e o que você efetivamente realiza. Assim, nós estamos nesse mundo, sobretudo, para aprendermos a controlar a mente, que nunca desliga. O dia em que não vermos problema em ver nossos desejos realizados imediatamente, sem delay, estaremos já iluminados, e não será mais necessário vivermos por aqui.”

Nos Sagrados Caminhos da Y’urema, Rita Andreia de Cássia

“A natureza é sagrada e viva, e Y’urema é a árvore, e também a deusa, que liga a terra e o céu.”

“O mundo está doente porque os homens se distanciaram do seu lado feminino.”

“Nós temos fé que existe um espírito vegetal que nos cura…”

“A Y’urema é uma árvore de muitos, muitos galhos… Ela é a maior entidade dos cultos ameríndios.”

“No fundo, toda a magia terá a cor que você pensar.”

A Magia na Umbanda, Alexandre Cumino

“Zélio de Moraes fundou a umbanda em Niterói/RJ, em 1908, com 17 anos de idade. Foi a entidade que ele incorporava, o Caboclo das 7 Encruzilhadas, quem idealizou o ritual de umbanda. A umbanda é a primeira religião nascida exclusivamente no Brasil.”

“Este caboclo foi reconhecido como um padre católico em uma vida passada por um médium espírita vidente, mas ele responde ao médium que ‘somente uma encarnação não resume o que é um espírito, e hoje eu prefiro ser um caboclo’.”

“A umbanda faz questão de ser uma religião, e cultuar os orixás e os santos católicos. A umbanda, ao contrário do espiritismo, não tem ‘centro’, tem ‘templo’, com altar e uma ritualística formal.”

“Uma falange é composta por muitos espíritos anônimos usando um mesmo nome para se identificar. Assim sendo, não há somente um Preto Velho, uma Maria Padilha ou um único Caboclo Pena Branca, mas muitos deles.”

“Na umbanda e nos demais cultos africanos, a chamada Direita se encarrega de trazer a energia positiva, enquanto que a Esquerda se dedica a repelir a energia negativa. Dessa forma, ambas têm a sua função, que é sempre benéfica (em se tratando de magia divina).”

***
[1] Se trata de pequenos trechos e frases que anotei em meu caderno. Não significa que tenha sido exatamente o que os palestrantes disseram, mas antes já a minha interpretação, por vezes resumida, do que foi dito. Finalmente, vale notar que infelizmente eu não tive tempo de assistir todas as palestras (apesar de ter assistido somente cerca de metade da palestra do Alexandre Cumino, decidi incluí-lo também).
[2] O próprio título da palestra do Cazelli já encerra um conhecimento profundo, que merece uma explicação: um bug seria como que uma espécie de falha no sistema de um game; já um cheat code seria um código que permite “burlar” certas regras do jogo. Ora, se a realidade é um sistema mental, um mago não está se aproveitando de nenhuma suposta falha deste sistema, mas antes se aproveitando desses tais códigos que permitem alterar suas regras – o detalhe é que tais códigos já estavam inseridos nela, desde o início dos tempos.

Crédito das fotos: Raph e AESG

#hermetismo #Simpósio

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/onde-vivem-os-magos