O Mito do Vampiro e a Rosacruz

Por Shirley Massapust

Na obra O Vampirismo, Robert Amberlain alega que os membros da Rosa-Cruz do Grande Rosário iniciaram-se na pneumatologia que “não é senão a ciência dos Espíritos, aquilo a que chamamos agora metafísica, ciência que engloba o conhecimento da Alma”.[1] Ele descreve a ação e conversão dos vampiros alegando que “é muito possível que seja a isto que o marquês de Chefdebien faz alusão na sua carta publicada na página 52 da obra de B. Fabre, Um Initié des Sociétés Secrètes Supérieures (Paris, 1913), quando ele evoca a existência dos ‘irmãos do Grande Rosário’, cujo berço era em Praga ainda nesta época, ou seja, nos finais do século XVIII”.[2]

De fato, a metafísica rosa-cruz fundia recursos da metafísica tradicional, teologia, alquimia e cabala. Por exemplo, num manuscrito escrito entre 1700 e 1750, Phisica, Metaphisica et Hyperphisica. D.O.M.A., estas matérias correspondem às “três partes do homem” (espírito, alma e corpo) e representam os três elementos da pedra filosofal (sal, enxofre e mercúrio).[3] Contudo, o simples fato de estudarem variantes da metafísica tradicional não basta para provar que praticavam o vampirismo. A única justificativa para tal associação, seria a descoberta de uma interpretação especial da matéria e uso objetivo a fim de atingir tais ideais; fato que nos leva a um novo problema: Onde procurar? Existe uma quantidade infindável de escritos ‘metafísicos’ inspirados no movimento, de forma que até mesmo Descartes dedicou uma obra de juventude “aos eruditos do mundo inteiro e, especialmente, aos Irmãos Rosa-Cruzes, tão célebres na Germânia” (Preâmbulos), além de haver escrito trabalhos onde “transparecem suas preocupações científicas aliadas à influência dos temas da sociedade Rosa-Cruz”.[4] Comecemos, pois, pelo começo. Não irei discutir sobre a antiguidade da ordem. Cabe a cada um optar pela posição de certos historiadores que afirmam sua invenção no século XVI ou pela doutrina da atual Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (A.M.O.R.C.), que se proclama receptora da tradição de uma ordem hermética egípcia fundada por Thutmose numa ‘Reunião do Conselho’ ocorrida de 28 de março a 4 de abril de 1489 a.C. Para nosso tópico basta dizer que o interesse do público leigo pela ordem formou-se após a publicação da Fama Fraternitatis, 1614, e Confessio Fraternitatis R. C., 1615, dois escritos anônimos que ganharam importância em associação ao Chymische Hochzeit Christian Rosencreutz, Anno 1459 (1616). Este último trazia a alegoria de um casamento no qual alguns convidados são assassinados e trazidos novamente à vida através da alquimia; sua autoria acabou sendo reivindicada por um certo Johann Valentin Andrea (1586-1654), respeitado e ortodoxo membro do clero luterano, conhecido como opositor dos rosa-cruzes. Andréa esforçou-se ao máximo para distanciar-se da obra, chamando-a de sátira ideada em sua juventude tresloucada.[5] Contudo, independente da intenção do(s) autor(es), tais obras exerceram grande influência na concepção do rosacrucianismo. A descrição da exumação do corpo de Christian Rosencreutz – herói protagonista da Fama Fraternitatis – foi especialmente discutida devido a sua condição imputrescível:

Como até o momento não tivéssemos visto o corpo do nosso falecido pai, prudente e sábio, afastamos o olhar para um lado e ao erguermos a chapa de bronze, encontramos um corpo formoso e digno, em perfeito estado de conservação, tal qual uma contrafação viva do que aqui se encontra com todas as suas vestimentas e atavios.[6] Dentre outros livros e objetos, os descobridores do túmulo encontraram o Vocabular de Teophrastus Paracelsus ab Hohenheim (1493-1541).[7] Isso prova que os dois panfletos não se sincronizavam ou simplesmente pretendiam narrar uma ficção, pois de acordo com a Confessio o Irmão C. R. nasceu em 1378 e morreu aos 106 anos, em 1484, sendo o túmulo fechado e selado nove anos antes do nascimento de Paracelso. Em todo caso, o autor da Fama Fraternitatis devia ter em alta estima as teorias deste médico; cuja comparação dos “corpos embalsamados” com um filtro grego “preparado com sangue” levou a conclusão de que “o que cura verdadeiramente as feridas é a múmia: a própria essência do homem”.[8] Tal é a função do cadáver de R. C. na narrativa.

Seguindo raciocínio semelhante, W. Wynn Westcott apresentou como fato verídico à história de que Rosenkreutz “foi sepultado, conforme ele e os membros de seu círculo mais íntimo planejaram, numa cripta especial dentro do domus ou moradia secreta”.[9] Então, o teriam embalsamado com “esmero no cuidado carinhoso e no trabalho hábil de preservar os restos mortais do Mestre” do que resultou o ‘belo e notável corpo, integro e intacto’ descrito na tradução de Eugenius Philalethes (Londres, 1652).[10] Noutro extremo, no livro Perguntas e Respostas Rosacruzes, H. Spenser Lewis anuncia de forma pitoresca que “o verdadeiro autor dos panfletos que trouxeram o renascimento na Alemanha foi, nada mais, nada menos, que Sir Francis Bacon,[11] então Imperator da Ordem para a Inglaterra e várias partes da Europa”.[12] Ele teria velado a autoria da Fama Fraternitatis sob um nome simbólico, “como é natural em toda a literatura Rosacruz antiga”, cujo significado seria meramente “Cristãos da Rosa-Cruz”. Por isso “é muito duvidoso” que em seu tempo “qualquer indivíduo culto… que lesse esses panfletos, acreditasse que Christian Rosenkreutz fosse o nome verdadeiro de alguma pessoa”.[13] De qualquer forma, independente do autor ou da pretensão de ser ficcional, doutrinário ou verídico, o manifesto contém a descrição de um cadáver bem conservado semelhante aos de certos santos católicos ou dos relatos de vampiros primordiais que também são interpretados ora como ficção alegórica, ora como fruto de embalsamamento natural (ou milagre, ou produto de magia, etc.).

Interações culturais entre o pensamento maçônico e rosa-cruz:

A antiguidade histórica da afinidade entre a Rosa-Cruz e a Maçonaria inglesa é tal que ultrapassa a existência institucionalizada de ambas as ordens. Por exemplo, o poema A Trinódia das Musas, de Henry Adamson de Perth, 1638, contém a passagem ‘For we are the brethren of the Roise Cross. We have the mason word and second sight’. Ou seja, para que os irmãos da Rosa Cruz pudessem possuir a ‘palavra Maçônica’ seria necessário que já naquela época houvesse um intercâmbio entre as duas correntes de pensamento. Talvez por isso a fraternidade Rosa-Cruz “foi confundida muitas vezes com a maçonaria e, de certo modo, a maçonaria moderna assimilou muitos princípios esotéricos do grande movimento”, conforme atesta Rizzardo da Camino, autor de O Príncipe Rosa-Cruz e Seus Mistérios.[14] Em Orthodoxie maçonique, Ragon alega que Elias Ashmole “e os demais Irmãos da Rosa-Cruz” se reuniram em 1646 na sala de sessões dos franco-maçons, em Londres, onde livremente “decidiram substituir as tradições orais adotadas nas recepções de adeptos nas lojas por um processo escrito de Iniciação”. Após a aprovação do grau de Aprendiz pelos membros da loja, “o grau de Companheiro foi redigido em 1648, e o de Mestre, pouco tempo depois. Mas a decapitação de Carlos I em 1649 e o partido tomado por Ashmole a favor dos Stuarts, trouxeram grandes modificações a este terceiro e último grau, tornado bíblico, tomando-se totalmente por base esse hieróglifo da natureza simbolizado pelo fim de dezembro”.[15] Dessa forma, Papus aponta Ashmole como “autor principal” da lenda de Hiram, cujo assassinato simbólico revela que “é necessário saber morrer para reviver imortal”,[16] ou, conforme a versão vigente do Ritual do Grau de Mestre-Maçon (GR .’. 3), “ensina a lei terrível que faz com que aquele que auxiliastes e instruístes se revolte contra vós e procure matar-vos, segundo a fórmula da BESTA HUMANA: ‘O INICIADO MATARÁ O INIADOR’”.[17] O aumento da preocupação com os estudos teóricos em detrimento das práticas da construção levou ao nascimento da Maçonaria Moderna em 1717, quando quatro lojas londrinas se reuniram para a formação da Grande Loja de Londres. É sobre esta que recai a crítica do Daily Journal de 5 de setembro de 1730:

Tem-se de reconhecer que há uma associação estrangeira, da qual os maçons ingleses, envergonhados de sua verdadeira origem, copiaram certas cerimônias, tendo bastante dificuldade de persuadir a todos de que eles são os descendentes, embora só tenham uns poucos signos de prova ou de iniciação. Os membros dessa sociedade levavam o nome de Rosa-Cruzes e seus membros, chamados de grandes mestres, vigilantes etc., seguravam durante suas cerimônias uma cruz vermelha como signo de reconhecimento.[18] Se isto for verdade, ironicamente o ‘iniciado’ terminou mesmo matando por acidente seu ‘iniciador’ de forma simbólica, abolindo-o da memória.

Posteriormente, o grau 12º do rito Adoniramita foi chamado de ‘Rosa Cruz’,[19] assim como o grau 18.º do rito escocês antigo e aceito, surgido na França em 1754, recebeu o título de Soberano Príncipe da Rosa-Cruz de Heredom (ou simplesmente Cavalheiro Rosa Cruz). Segundo Leadbeater, neste grau revela-se o nome do Grande Arquiteto do Universo, que descobri tratar-se do epíteto INRI.[20] Sobre isto, o autor maçom informa que “em Sua encarnação como Christian Rosenkreutz, o C.D.T.O.V.M. traduziu a Palavra para o latim, conservando muitíssimo engenhosamente seu notável caráter mnemônico, todas as suas complicadas acepções e ainda uma íntima aproximação com o seu som original”.[21] O capítulo Rosa-Cruz possui dois estandartes quase idênticos; vermelhos, com franjas douradas, levam o titulo do Supremo Conselho acima e o do capítulo, local de funcionamento e data de fundação abaixo. Como figura central o primeiro mostra a cruz latina “com a rosa na interseção de seus braços” e o segundo traz o pelicano rasgando o peito com o bico para alimentar sete filhotes com seu sangue.[22] Autores maçons dão diversas interpretações para seus símbolos. O pelicano representa a “disposição ao sacrifício”.[23] Ragon diz que a rosa seguida pela cruz seria o modo mais simples de escrever “o segredo da imortalidade”.[24] Já para José Ebram, o homem de pé com os braços abertos pode dizer: “Eu sou a representação da cruz, e a alma que se encontra dentro de mim é a rosa mística”.[25] Fanatismo, ataques psíquicos e ‘guerra dos magos’:

Numa manhã de agosto de 1623 diversos cartazes apareceram nas ruas de Paris informando que a fraternidade Rosa-Cruz acabava de fixar-se na cidade. Prontamente, a igreja francesa emitiu vários manifestos acusando os recém chegados de haverem emigrado da província de Lyons, onde teriam feito “pactos horríveis” com Satã. Outro comentário, intitulado o Mercure de France, tentava liquidar o problema pelo ridículo ao observar que a chegada dos rosa-cruzes à cidade criara pânico generalizado.

Alguns hoteleiros locais diziam ter registrado hóspedes estranhos que desapareciam em uma nuvem de fumaça quando chegava a hora de acertar as contas… Vários cidadãos inocentes acordaram no meio da noite e depararam com aparições pairando sobre eles; quando gritavam para pedir socorro, as figuras de sombras desapareciam.[26] O Mercure concluía, jocosamente, que não era surpreendente encontrar parisienses prudentes dormindo com mosquetes carregados ao lado da cama e apedrejando os estranhos que se aventurassem em seus bairros. Por isso, não é de se admirar que o movimento rosa-cruz tenha esperado até o século XIX para se instituir de forma ordenada naquele país. Antes, o embrião desenvolveu-se na Inglaterra.

Na época em que exercia a função de Grande Secretário do Edifício da Maçonaria, sede nacional da Fraternidade Maçônica Inglesa, Robert Wentworth Little encontrou documentos na biblioteca da Grande Loja com informações sobre ritos rosa-cruz que não faziam parte das atividades maçônicas. A partir daí idealizou a Societas Rosicrocian in Anglia, também chamada pelas iniciais S. R. I. A. ou Soc. Ross., cujo ingresso era estrito a maçons. Esta organização fora fundada em 1867 e teve como Magus Supremo o Dr. W. Wynn Westcott, que posteriormente integrou a Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Também Alphonse Louis Constand (vulgo Eliphas Levi) esteve na S. R. I. A. por alguns anos, mas “os registros da S. R. I. A. declaram que Levi caiu em seu desagrado devido à publicação de seus vários livros sobre magia e ritual”.[27] De fato ele escreveu coisas como, por exemplo, que a mais antiga sociedade secreta do iluminismo a tomar consistência na Alemanha fora os “Rosa-Cruzes cujos símbolos remontam aos tempos dos Guelfos e dos Gibelinos, como o vemos pelas alegorias do poema de Dante e pelas figuras do Romance da rosa” e que “a conquista da rosa era o problema dado para a iniciação à ciência enquanto a religião trabalhava em preparar e em estabelecer o triunfo universal, exclusivo e definitivo da cruz”.[28] No mesmo livro, História da Magia, o ator trata de uma miríade de temas, incluindo uma longa explanação sobre os casos, causas e técnicas do vampirismo; assunto tratado de forma mais abreviada em A Ciência dos Espíritos e outras obras.

Durante a década posterior à morte do ocultista Eliphas Lévi, existiram poucas pessoas que estudaram os seus escritos, porém uma delas foi o novelista e poeta Catulle Mendès, que tinha conhecido Lévi e lhe havia apresentado a Victor Hugo. Em meados da década de oitenta, Mendès fez amizade com o marquês Stanislas de Guaita (1861-1897), jovem poeta e esteta a quem recomendou que lesse as obras deste autor. O marquês seguiu o conselho e encontrou nos escritos de Lévi uma revelação espiritual que descreveu como “o raio oculto”. Desde 1885 até o seu prematuro falecimento em 1897, dedicou sua vida ao ocultismo, chegando a ingerir cocaína, narcóticos e morfina para “afrouxar as ataduras da alma” e conseguir que seu espírito abandonasse seu corpo.

Em 1888, Guaita fundou a Ordre Kabbalistique de la Rosae Croix, na França, juntamente com Gérard Encause (1865-1916) e Joséphin Peladam (1858-1918), que abandonou a fraternidade em 1890 para fundar sua própria Ordem Católica Rosa-Cruz do Templo e do Graal.[29] Depois, Guaita entrou numa disputa contra a Igreja do Carmo[30], dirigida por Boullam (1824-1893), e – com a colaboração do ex-membro Oswald Wirth – escreveu o ensaio, Le Temple du Satan, no qual denunciavam Boullam como “pontífice da infâmia, desprezível ídolo da Sodoma mística, mago da pior espécie, retorcido criminoso, maligno feiticeiro”.[31] A novidade é que este livro inclui um estudo sobre as causas dos casos de vampirismo bastante concordante as teorias do Satanismo & Magia de Jules Bois, que se inspirou no ‘testemunho’ de J. K. Huysmans; ou seja, há uma possível acusação mútua implícita, mas expressa, de vampirismo.

Sabemos que após a denúncia, os dirigentes da Rosa-Cruz enviaram a Boullam uma carta solene na qual lhe comunicavam que era “um homem condenado”, frase que entendeu como uma ameaça de morte por meios mágicos. Assim, iniciou-se uma guerra entre magos. Cada bando amaldiçoou o outro e estava convencido de que os seus inimigos se propunham a destruí-lo. No meio de tudo, o novelista J. K. Huysmans tomou o partido da igreja do Carmo, apresentou Boullam como sendo o santo “Dr. Johannes” de Là-bas e chegou a acreditar que, devido à sua amizade com Boullam, Guaita e os seus se propunham a lhe matar. Passou a queixar-se de que à noite ele e o seu gato sofriam “agressões fluídicas”, golpes propiciados por demônios invisíveis. Estes ataques não tiveram conseqüências mais graves, conforme Huysmans, graças às medidas protetoras idealizadas por Boullam, que incluíam o emprego da hóstia consagrada e a queima de um incenso composto por cravo, cânfora e mirra. No entanto, em 3 de janeiro de 1893, Boullam escreveu a Huysmans para lhe comunicar um novo ataque da Rosa-Cruz: “Durante a noite sucedeu algo terrível. Às três da manhã acordei sufocado… caí inconsciente. Das três às três e meia, estive entre a vida e a morte… Madame Thibault sonhou com Guaita e de manhã ouvimos o canto de um pássaro da morte”. Na noite daquele mesmo dia Boullam morreu, dando fim à contenda.[32] Este caso, impulsionado pelo fanatismo, guarda semelhanças fundamentais com outro mais recente. No livro Lightbearers of Darkness, Miss Stoddart introduz o conceito de ‘Black Rosicrucians’. Segundo a Encyclopedia of Black Magic, antes de 1914, Miss Stoddart foi iniciada numa sociedade secreta britânica, The Red Rose and the Golden Cross, que dizia derivar do corpo germânico da ordem. “Miss Stoddart ocupava uma posição proeminente nesta alegada sociedade rosa-cruz, mas eles começaram a ter séries de experiências extraordinárias subjetivas que sugerem que ela também sofria séries de desilusões esquizofrênicas ou, como ela e alguns de seus associados próximos acreditavam, estava sofrendo ataque psíquico”. Os surtos começaram a partir de 17 de abril de 1919, dentro de templos da Igreja Anglicana, apresentando sintomas que incluíam a percepção de odores desagradáveis, alucinações visuais e experiência de ‘black-out’ ou ‘transes espontâneos’. No cume desses ataques ela via 12 figuras vestindo mantos negros, sentia dor no coração e tinha desmaios. Estava convicta de que seus sintomas provinham de “trabalhos de magia negra feitos contra ela por membros da sociedade rosa-cruz” e gastou boa parte do resto de sua vida denunciando a ordem.[33] Menções e acusações de vampirismo na Ordem Hermética da Aurora Dourada:

Criada como um subproduto da S. R. I. A., a Ordem Hermética da Aurora Dourada (G.D.) foi fundada em 1 de março de 1888 por William Wynn Westcott, William Robert Woodman e Samuel Liddell MacGregor Mathers. Mina Bérgson (Moina Mathers), uma talentosa artista da Escola de Slade, foi a primeira iniciada; tornando-se também esposa de Mathers após um breve compromisso. Em 1891 o casal mudou-se para Paris onde, dois anos depois, estabeleceu um Templo operativo chamado Ahathor.

A GD foi muitas vezes envolta em histórias fantásticas. Por exemplo, o primeiro documento produzido pela ordem, conhecido como Cipher Manuscript, teve caráter anônimo. Ele contém uma alegoria hermética trabalhada sobre um pingente rosa-cruz chamado Adept’s Jewel (jóia do adepto), mas pelo fato de estar codificado numa adaptação do alfabeto alquímico de Johannes Tritheminus (The Polygraphiae; Paris, 1561) decifra-lo é no mínimo aborrecido… Se tal artifício fosse mantido em todo material produzido teria livrado a ordem de muitos problemas, visto que, por volta de 1891, Mathers baseou-se na Fama Fraternitatis para criar o rito 5=6, Adeptus Minor, que incluía o momento dramático da descoberta do “corpo” de Christian Rosenkreuz, no caixão, representado por Mathers ou Westcott.[34] Imagino que tenha sido um documento com a descrição deste rito para iniciação na Segunda Ordem[35] que o Dr. Winn Westcott teve a infelicidade de esquecer dentro de um táxi em 1897. Seus papéis acabaram na polícia que não achou recomendável um coroner[36] se ocupar de tais atividades, pois poderia “ficar tentado a utilizar os cadáveres que são postos à sua disposição, para operações de necromancia”.[37] Westcott demitiu-se da Aurora Dourada.

Resta-nos, contudo, a dúvida sobre a impressão dos iniciados a respeito da natureza do prodígio. Sabemos que em Oil and Blood (1929) o poeta William Butler Yeats denuncia o paradoxo da afirmação do ‘milagre’ da incorruptibilidade dos corpos de certos santos, exaltado pela mesma igreja católica que escarnecia de fenômeno idêntico atribuído a vampiros pelos ortodoxos gregos:

Em tumbas de ouro e lapis lazuli

Corpos de homens e mulheres santos se aparecem.

Óleo milagroso, odor de violeta.

Mas debaixo de cargas pesadas de barro pisoteado

Corpos de mentira dos vampiros cheios de sangue;

Suas mortalhas são sangrentas e seus lábios estão molhados.

A influência de Yeats na G.D. era tal que quando lhe pareceu conveniente pode expulsar Mathers da ordem e substituí-lo como Imperator do templo Isis-Urania em Londres. Se quisesse, ele poderia muito bem impor sua visão de que a incorruptibilidade dos santos e vampiros deriva do mesmo princípio (podendo-se deduzir que seria plausível que a sentença se aplicasse igualmente bem ao corpo de Christian Rosencreutz).

Em 1956, um individuo publicou o artigo L’orde hermétique de la Golden Dawn, sob o nome de Pierre Victor, nos números 2 e 3 da revista La Tour Saint-Jacques, contendo “uma série de revelações sobre a existência, na Inglaterra, no final do século XIX e princípio do XX, de uma sociedade iniciática inspirada na Rosa-Cruz”.[38] Antes, contudo, ele havia colaborado como informante no best-seller O Despertar dos Magos, onde tornou conhecida a teoria de que “Stoker, o autor de Drácula” encontrava-se entre os escritores filiados a G.D. (informação que deve ter sido colhida da tortuosa tradição oral).[39] Tal filiação não consta em obras especializadas confiáveis, como o The Magicians of the GD de Ellic Howe, e o máximo que Sotker registrou foram menções vagas de seus encontros em Londres com “sugadores de sangue” ou “vampires personalites” (o que descreve tão bem seus contemporâneos da G.D. quanto qualquer outro alvo do adjetivo depreciativo).[40] Creio que o primeiro impresso que usou o termo vampirism para nomear técnicas utilizadas por membros da G.D. foi o De Arte Magica (1914), de Aleister Crowley. Segundo ele, havia “um método de vampirismo comumente praticado” pelo fundador McGregor Mathers, sua esposa Moina, pelo adepto E.W. Berridge, por Mr. e Mrs Horos – que tiveram contato com os ritos egípcios de Mathers – e por Oscar Wilde “em seus anos finais”, que apesar de não ter nenhuma relação com a ordem, pelo menos na ficção de O Retrato de Doriam Grey, sintetizou a fórmula da juventude eterna numa filosofia a seu gosto: “Para se voltar à mocidade, basta repetir as suas loucuras”.[41] Sabemos que o próprio Crowley filiou-se a G.D., sendo expulso junto a Mathers em 1900. Insatisfeito, usou os ritos da ordem para fundar uma dissidência chamada Argentium Astrum (AA) em 1907 e aderiu a Ordo Templi Orientes (O.T.O.) em 1911. Dentre as inúmeras curiosidades escabrosas que envolveram sua vida de Crowley, podemos destacar que chegou a limar os dentes caninos, deixando-os bem pontiagudos, e quando encontrava mulheres costumava dar-lhes o “beijo da serpente”, mordendo-lhe o pulso ou às vezes a garganta com suas presas.[42] Para perpetuar a tradição, Crowley criou uma elaborada ritualística. Segundo seu sucessor, Kenneth Grant, dois de seus ritos escritos para a O.T.O. envolvem o uso de sangue: “Eles são a Missa da Fênix e um certo rito secreto da Gnose, ensinado no Soberano Santuário da O.T.O.” Neste último o magista “consome a hóstia embebida em sangue”, enquanto na Missa da Fênix – publicada como Liber XLIV, tanto no Livro das Mentiras quanto no Magick – ele “corta seu peito e absorve seu sangue oralmente”. Por isso “a Missa da Fênix é, com efeito, a Missa do Vampiro”.[43] A Primeira Guerra Mundial chegou e Mathers viveu o suficiente para ver a vitória dos aliados no outono de 1918. Desde então, as coisas se voltaram obscuras. Dizem que Mathers morreu em seu apartamento na Rue Rivera em 20 de novembro de 1918, sucumbindo às poderosas correntes mágicas que emanavam de Crowley, segundo a primeira edição da autobiografia de Yeats.[44] Por sua vez, Dion Fortune relata que Moina lhe informou que seu marido falecera de uma epidemia de gripe nesse ano, mas não se encontrou nenhuma Certidão de Óbito de Mathers, nem sua tumba – e ainda que Moina possuísse uma Certidão de Óbito, não há registros cartorários.

No livro Ritual Magic in England (1970), Francis King relata a história subseqüente da Ordem da Aurora Dourada. A Sra. Mathers assumiu a liderança de uma das ramificações, mas não conseguiu mantê-la unida. A ocultista Dion Fortune, psicóloga freudiana cujo nome verdadeiro era Violet Firth, provocou uma divisão e formou seu próprio Templo; posteriormente, afirmou que a Sra. Mathers lhe dirigia “ataques espirituais” criminosos, tendo mesmo conseguido matar um membro itinerante.[45] Em 1920, Crowley instalou-se em uma quinta decadente de Calefu, na Sicília, e batizou esse santuário da AA como Abadia de Thelema. Um incidente deplorável aconteceu na abadia de Crowley. Um poeta oxfordiano chamado Raoul Loveday bebeu o sangue de um gato durante uma cerimônia e morreu instantaneamente, o que não estava previsto.[46] Sua viúva, Betty May, fez um escândalo e, entre boatos de que além de gatos também bebês haviam sido mortos, o governo italiano tomou medidas para expulsar Crowley da Sicília. Da mesma forma, a morte de Raoul Loveday na abadia causou furor na Inglaterra depois que Betty May forneceu a um jornal popular de Londres detalhes de “drogas, magias e práticas vis”.[47] A partir daí prosseguiria meio que morto em vida.

O dr. R. W. Felkin, chefe de outra facção da G.D. chamada Stella Matutina, dizia aos membros que “nosso pai Christian Rosenkreuz parece ter chegado a um estado quase divino”.[48] Ele acreditava na existência da tumba-cofre descrita na Fama Fraternitatis, em alguma parte do Sul da Alemanha, e estava a caminho pra procura-la quando estourou a guerra 1914-18. Os ritos herdados da G.D. foram publicados numa obra de quatro volumes por Frances Israel Regardie, um discípulo de Crowley que ingressou na ordem em 1934.

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[1] AMBERLAIN, Robert. O Vampirismo. Trd. Ana Silva e Brito. Lisboa, Livraria Bertrand, 1978, p. 163.

[2] AMBERLAIN, Robert. Op. Cit, p. 213.

[3] HALL, Manly P. (introduction and commentary). Codex Rosæ Crucis D.O.M.A. A Rare & Curious Manuscript of Rosicrucian Interest. Los Angeles, Philosophical Reserarch Societh, 1938, p 5 (do manuscrito).

[4] PESSANHA, José Américo Motta. Descartes – Vida e Obra. Os Pensadores: Descartes. São Paulo, Nova Cultural, 1996, p 12.

[5] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 54-55.

[6] YATES, Francês A. O Iluminismo Rosa-Crux. Trd. Syomara Cajado. São Paulo, Pensamento, 1983, p 306.

[7] YATES, Francês A. Op Cit., p 305-306.

[8] PARACELSO. A Chave da Alquimia. Trd. Antonio Carlos Braga. São Paulo, Três, 1973, p 220-222.

[9] GILBERT, R. A. (org). Maçonaria e Magia, Antologia de Escritos Rosa-cruzes, Cabalísticos e Maçônicos de W. Wynn Westcott, Fundador da Ordem Hermética “Golden Dawn”. São Paulo, Pensamento, 1996, p. 15.

[10] GILBERT, R. A. (org). Op. Cit, p. 23.

[11] É preciso ter cuidado ao fazer tal identificação. Encontrar fraudes de trabalhos de Francis Bacon é tão fácil quanto desmascarar as mesmas. Por exemplo, a página do Calvin College, Christian Classics Ethereal Library, disponibilizou por longo período a cópia de uma pretensa obra póstuma; The Fearful Estate of Francis Spira by Nathaniel Bacon (Londres, 06/01/1638). Nesta ficção curiosa Spira – o protagonista melancólico – nega crer que os pecados são redimidos com o sangue de Cristo e pede aos religiosos que lhe assediam: “Left miserable mortals should be swallowed up with the greatness of their willfully with my hands pulled down this vampire”… Ora, o que o termo ‘vampire’ esta fazendo numa publicação de 1638 se o vernáculo vampyr só tomou esta forma em inglês e francês no ano de 1732?

[12] LEWIS, H. Spenser. Perguntas e Respostas Rosacruzes. Curituba, Ordem Rosacruz AMORC – Grande loja do Brasil, Maio de 1983, p 85.

[13] LEWIS, H. Spenser. Op. Cit., p 78-79.

[14] CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico. São Paulo. Madras, 1995, p. 345.

[15] PAPUS (Dr. Gerard Encause). O Que Deve Saber um Mestre Maçom. Trd. J. Gervásio de Figueiredo 33º. São Paulo, Pensamento, p 85-86.

[16] PAPUS (Dr. Gerard Encause). Op. Cit, p 90.

[17] GRANDE LOJA DE MINAS GERAIS. Ritual do Grau de Mestre-Maçon (GR .’. 3). Belo Horizonte, Littera Maciel, 1976, p. 9.

[18] CARLES, Jacques e GRANGER, Michael. Alquimia: Superciência Extraterrestre? Trd. Hélio Pinheiro Carneiro. Rio de Janeiro, Eldorado, 1973, p 166.

[19] Marques, A. H. de Oliveira. Dicionário de Maçonaria Portuguesa. Vol. II. J-Z. Lisboa, Editorial Delta, 1986, coluna 1263.

[20] GODOY, A. C. & DELLAMONICA, J. A Cruz e a Rosa. São Paulo, Madras, 1994, p 43.

[21] LEADBEATER, C. W. A Vida Oculta na Maçonaria. Trd. Gervásio de Figueiredo 30º. São Paulo, Pensamento, 1964, p 229.

[22] CASTELLANI, José e FERREIRA, Cláudio R. Buono. Manual Heráldico do Rito Escocês Antigo e Aceito do 19º a 33º. São Paulo, Madras, 1997, p 13.

[23] LURKER, Manfred. Dicionário de Simbologia. Trd. Mario Krauss e Vera Barkow. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p 534.

[24] GODOY, A. C. & DELLAMONICA, J. Op. Cit, p 41.

[25] EBRAM, José. A Águia Bicéfala Sobre o Altar. São Paulo, Madras, 1996, p 58.

[26] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 47.

[27] LEWIS, H. Spenser. Perguntas e Respostas Rosacruzes. Curituba, Ordem Rosacruz AMORC – Grande loja do Brasil, Maio de 1983, p 92.

[28] LEVI, Eliphas. História da Magia. Trd. Rosabis Camaysar. São Paulo, Pensamento, 1995, p 277.

[29] A Rosa-Cruz cabalística sobreviveu às mortes, não só do seu fundador, mas da de muitos dos seus dirigentes, como por exemplo o poeta Edouard Dubus, viciado em morfina que morreu em um urinário público enquanto estava se drogando. Durante muitos anos a ordem esteve dirigida por Papus, que estabeleceu um ramo na Rússia e foi um dos ocultistas que influiriam no último czar. Papus faleceu em 1916 e com sua morte a ordem se separou em várias facções rivais, algumas das quais ainda mantém uma existência precária.

[30] Esta igreja teve sua origem na Obra da Misericórdia, fundada em 1840 por Vintras, que tinha instituído em Tilly um oratório onde celebrava a Missa Provitimal de Maria; rito de sua própria invenção onde ocorriam numerosos prodígios. Os discípulos de Vintras viam, ou pelo menos pensavam ver, cálices vazios que se enchiam de sangue até transbordar e símbolos sangrentos que apareciam na Hóstia. A Obra de Misericórdia, que começava já a ser conhecida como igreja do Carmo, foi condenada oficialmente pelo papa em 1848.

[31] KING, Francis. Magia. Trd. Traduções e Serviços, S.L. Madrid, Ediciones Del Prado, agosto 1996, p 22.

[32] KING, Francis. Op. Cit, p 22.

[33] ‘CASSIEL’. Encyclopedia of Black Magic. New York, Mailland Press, 1990, p 39.

[34] VÁRIOS. Os Rosa-Cruzes. Homem Mito e Magia, fascículo 16. Vol 2. São Paulo, Editora Três, 1973, p 315-320.

[35] Espécie de degrau evolutivo interno da G.D. também chamado Order of the Rose of Ruby and the Cross of Gold (R.R. et A.C.).

[36] Coroner: Posto jurídico que acumula as funções de médico legista e juiz de instrução. Em caso de morte suspeita, reunia um júri que pronunciava um veredicto, podendo eventualmente haver intervenção da justiça e da polícia. (Um desses veredictos foi célebre no século XIX; o júri concluíra que um desconhecido encontrado morto num parque londrino havia sido assassinado “por pessoas ou coisas desconhecidas”).

[37] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 91-92.

[38] PAUWELS, Louis e BERGIER, Jacques. O Despertar dos Mágicos. Trd. Gina de Freitas. São Paulo, Difel, 1974, p. 241-242.

[39] PAUWELS, Louis e BERGIER, Jacques. Op Cit., p. 241.

[40] STOKER, Bram. O Monstro Branco. Trd. João Evangelista Franco. São Paulo, Global, p 7-12.

[41] WIDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. Trd. Ed. Nova Aguiar. São Paulo, Abril, 1980, p 54.

[42] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 44.

[43] GRANT, Kenneth. Renascer da Magia. São Paulo, 1999. Madras, pp 153-166.

[44] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 30.

[45] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 30.

[46] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 96-97.

[47] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 117.

[48] Os Rosa-Cruzes. Homem Mito e Magia, fascículo 16. São Paulo, Três, 1973, p. 320.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-do-vampiro-e-a-rosacruz

A História e as Polêmicas da Ordem dos Nove Ângulos

A Ordem dos Nove Ângulos (Order of Nine Angles, ONA ou O9A) é um grupo ocultista satânico e do Caminho da Mão Esquerda sediado no Reino Unido, mas com grupos associados em outras partes do mundo. Afirmando ter sido estabelecida na década de 1960, ganhou reconhecimento público no início de 1980, atraindo a atenção por suas ideologias neonazistas e ativismo. Descrevendo sua abordagem como “Satanismo Tradicional”, também foi identificada como exibindo elementos pagãos herméticos e modernos em suas crenças por pesquisadores acadêmicos.

De acordo com as próprias reivindicações da Ordem, ela foi estabelecida nas Marchas Galesas da Inglaterra Ocidental durante o final da década de 1960 por uma mulher que já havia se envolvido em uma seita pré-cristã secreta que sobreviveu na região. Esse relato também afirma que em 1973 um homem chamado “Anton Long” foi iniciado no grupo, tornando-se posteriormente seu grão-mestre. Vários comentaristas acadêmicos que estudaram a ONA expressam a opinião de que o nome “Anton Long” é provavelmente o pseudônimo do ativista neonazista britânico David Myatt, embora Myatt tenha negado que esse seja o caso. A partir do final da década de 1970, Long escreveu livros e artigos que propagavam as ideias da Ordem e, em 1988, começou a publicar seu próprio jornal, Fenrir. Por meio desses empreendimentos, estabeleceu vínculos com outros grupos satanistas neonazistas em todo o mundo, promovendo sua causa ao abraçar a Internet nos anos 2000.

A ONA promove a ideia de que a história humana pode ser dividida em uma série de eras, cada uma contendo uma civilização humana correspondente. Expressa a visão de que a atual civilização aeônica é a do mundo ocidental, mas afirma que a evolução desta sociedade está ameaçada pela influência “mago/nazareno” da religião judaico-cristã, que a Ordem procura combater para estabelecer uma nova ordem social militarista, que chama de “Imperium”. De acordo com os ensinamentos da Ordem, isso é necessário para que uma civilização galáctica se forme, na qual a sociedade “ariana” colonizará a Via Láctea. Ele defende um caminho espiritual em que os praticantes são obrigados a quebrar tabus sociais, isolando-se da sociedade, cometendo crimes, abraçando o extremismo político e a violência e realizando atos de sacrifício humano. Os membros da ONA praticam magia, acreditando que são capazes de fazê-lo canalizando energias para seu próprio reino “causal” de um reino “acausal” onde as leis da física não se aplicam, e essas ações mágicas são projetadas para ajudá-los a alcançar seu objetivo final. objetivo de estabelecer o imperium.

A ONA evita qualquer autoridade ou estrutura central; em vez disso, opera como uma ampla rede de associados – denominados “kollective” – ​​que são inspirados nos textos originalmente de autoria de Long e outros membros da “ONA interna”. O grupo é composto em grande parte por células clandestinas, que são chamadas de “nexions”. Algumas estimativas acadêmicas sugerem que o número de indivíduos amplamente associados à Ordem cai na casa dos milhares. Vários estupros, assassinatos e atos de terrorismo foram perpetrados por indivíduos de extrema direita influenciados pela ONA, com vários políticos e ativistas britânicos pedindo que a ONA fosse proscrita como um grupo terrorista.

A HISTÓRIA DA ORDEM DOS NOVE ÂNGULOS:

Origens:

A primeira célula da ONA, “Nexion Zero”, foi estabelecida em Shropshire, Reino Unido (foto).

Acadêmicos têm encontrado dificuldades para apurar “informações exatas e verificáveis” sobre as origens da ONA, dado o alto nível de sigilo em que ela se envolve, a fim de se proteger. Tal como acontece com muitas outras organizações ocultas, a Ordem envolve sua história em “mistério e lenda”, criando uma “narrativa mítica” para suas origens e desenvolvimento. A ONA afirma ser descendente de tradições pagãs pré-cristãs que sobreviveram à cristianização da Grã-Bretanha e que foram transmitidas a partir da Idade Média em pequenos grupos ou “templos” baseados nas Marchas de Gales – uma área de fronteira entre a Inglaterra e o País de Gales – que eram cada um liderado por um grão-mestre ou grande mestra. De acordo com a Ordem, no final da década de 1960, uma grande mestra de um desses grupos uniu três desses templos – Camlad, o Temple of Sun e os Noctulians – para formar a ONA, antes de receber forasteiros na tradição.

De acordo com o relato da Ordem, um daqueles que a grande mestra iniciou no grupo foi “Anton Long”, um indivíduo que se descreveu como um cidadão britânico que passou grande parte de sua juventude visitando a África, Ásia e Oriente Médio. Long afirmou que, antes de seu envolvimento na ONA, ele se interessou por ocultismo por vários anos, tendo contatado um coven baseado em Fenland em 1968, antes de se mudar para Londres e ingressar em grupos que praticavam magia cerimonial no estilo da Ordem Hermética da Golden Dawn e Aleister Crowley. Ele também reivindicou um breve envolvimento em um grupo satânico baseado em Manchester, o Templo Ortodoxo do Príncipe dirigido por Ray Bogart, durante o qual ele encontrou a Grande Mestra da ONA. Segundo o relato da Ordem, Long ingressou na ONA em 1973 – o primeiro a fazê-lo em cinco anos – e tornou-se herdeiro da grande mestra. Mais tarde, ele lembrou que naquela época o grupo realizava rituais em henges e círculos de pedra ao redor dos solstícios e equinócios.

Este relato afirma ainda que quando a Grande Mestra da Ordem migrou para a Austrália, Long assumiu como o novo grão-mestre do grupo. O grupo afirmou que Long “implementou a próxima etapa da Estratégia Sinistra – para tornar os ensinamentos conhecidos em larga escala”. A partir do final da década de 1970, Long incentivou o estabelecimento de novos grupos ONA, que eram conhecidos como “templos”, e a partir de 1976 ele escreveu uma série de textos para a tradição, codificando e estendendo seus ensinamentos, mitos e estrutura. Esses textos são tipicamente escritos em inglês, embora incluam passagens do grego clássico, bem como termos do sânscrito e do árabe, refletindo a fluência de Long em tais idiomas. Depois de examinar esses textos, o historiador Nicholas Goodrick-Clarke afirmou que neles, Long “evoca um mundo de bruxas, feiticeiros camponeses fora da lei, orgias e sacrifícios de sangue em cabanas solitárias nas florestas e vales desta área, Shropshire e Herefordshire, onde ele viveu desde o início dos anos 1980”.

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David Myatt (foto de 1998) é frequentemente citado como o ideólogo central da ONA.

A verdadeira identidade de “Anton Long” permanece desconhecida tanto para os membros da Ordem quanto para os acadêmicos que a estudaram. No entanto, em uma edição de 1998 da revista antifascista Searchlight, afirmou-se que “Anton Long” era um pseudônimo de David Myatt, uma figura proeminente do movimento neonazista britânico. Nascido no início dos anos 1950, Myatt esteve envolvido em vários grupos neonazistas, inicialmente servindo como guarda-costas de Colin Jordan do Movimento Britânico antes de ingressar na milícia Combat 18 e se tornar membro fundador e líder do Movimento Nacional Socialista. Seu texto sobre A Practical Guide to Aryan Revolution (Um Guia Prático da Revolução Ariana), no qual defendia a militância violenta em prol da causa neonazista, foi citado como uma influência sobre o bombardeiro de pregos David Copeland. Em 1998, Myatt se converteu ao Islã e permaneceu muçulmano praticante por oito anos, período em que encorajou a jihad violenta contra o sionismo e os aliados ocidentais de Israel. Em 2010, ele anunciou que havia renunciado ao Islã e estava praticando uma tradição esotérica que denominou “Caminho Numinoso”.

Goodrick-Clarke apoiou a ideia de que Myatt era Long, com o estudioso de estudos religiosos Jacob C. Senholt acrescentando que “o papel de David Myatt é primordial para toda a criação e existência da ONA”. Senholt apresentou evidências adicionais que ele acreditava confirmaram a identidade de Myatt como Long, escrevendo que o abraço de Myatt ao neonazismo e ao islamismo radical representava “papéis de percepção” que Myatt havia adotado como parte da “estratégia sinistra” da ONA para minar a sociedade ocidental, uma visão endossada pelo estudioso do satanismo Per Faxneld. Em 2015, um membro da ONA conhecido como R. Parker argumentou a favor da ideia de que Myatt era Long. Como resultado da publicação de Page, o sociólogo da religião Massimo Introvigne afirmou que a ONA “mais ou menos reconheceu” que Myatt e Long são a mesma pessoa, o que a alegação sobre Myatt a ONA contestou.

O próprio Myatt negou repetidamente as alegações de que ele tem qualquer envolvimento com a ONA, e que ele usou o pseudônimo “Anton Long”, além de contestar os argumentos usados ​​para conectá-lo a Long, alegando que eles são baseados em evidências insuficientes. O estudioso de estudos religiosos George Sieg expressou preocupação com essa associação, afirmando que a considerava “imlausível e insustentável com base na extensão da variação no estilo de escrita, personalidade e tom” entre Myatt e Long. Jeffrey Kaplan, um especialista acadêmico da extrema direita, também sugeriu que Myatt e Long são pessoas separadas, enquanto o estudioso de estudos religiosos Connell R. Monette postulou a possibilidade de que “Anton Long” não fosse um indivíduo singular, mas sim um pseudônimo usado por várias pessoas diferentes.

Aparecimento ao Público:

A ONA surgiu à atenção do público no início de 1980. Durante as décadas de 1980 e 1990, espalhou sua mensagem por meio de artigos em revistas, como Nox, de Stephen Sennitt, bem como pela publicação de volumes como The Black Book of Satan (O Livro Negro de Satã) e Naos. Em 1988, iniciou a publicação de seu próprio jornal interno, intitulado Fenrir. Entre o material que publicou para consumo público estão folhetos filosóficos, instruções rituais, cartas, poesia e ficção gótica. Seu texto ritual central é intitulado The Black Book of Satan (O Livro Negro de Satã). Também lançou sua própria música, um conjunto de tarô pintado conhecido como Sinister Tarot (O Tarô Sinistro) e um jogo de tabuleiro tridimensional conhecido como Star Game (O Jogo da Estrela). A ONA estabeleceu ligações com outros grupos satanistas neonazistas: seu distribuidor internacional foi o neozelandês Kerry Bolton, o fundador da Black Order, que é descrito como um adepto da ONA na correspondência publicada do grupo, e tem acesso a um biblioteca de material oculto e de extrema direita de propriedade da Order of the Jarls de Bælder. Segundo Monette, o grupo agora tem associados e grupos nos Estados Unidos, Europa, Brasil, Egito, Austrália e Rússia. Um desses grupos associados é o Tempel ov Blood, com sede nos EUA, que publicou vários textos através da Ixaxaar Press, enquanto outro é o White Star Acception, com sede na Califórnia, que foi designado como “Flagship Nexion” da ONA nos Estados Unidos apesar de se desviarem dos ensinamentos tradicionais da ONA sobre uma série de questões.

Durante o início da década de 1990, a Ordem declarou que estava entrando no segundo estágio de seu desenvolvimento, no qual deixaria para trás seu foco anterior no recrutamento e divulgação pública dentro da comunidade oculta e que, em vez disso, se concentraria em refinar seus ensinamentos; sua quietude resultante levou alguns ocultistas a especular erroneamente que a ONA havia se extinguido. Em 2000, a ONA estabeleceu uma presença na Internet, utilizando-a como meio de comunicação com os outros e de distribuição dos seus escritos. Em 2008, a ONA anunciou que estava entrando na terceira fase de sua história, na qual voltaria a focar fortemente na promoção, utilizando mídias sociais como blogs online, fóruns, Facebook e YouTube para divulgar sua mensagem. Em 2011, a “Old Guard”, um grupo de membros de longa data da Ordem, afirmou que se retiraria do trabalho público ativo com o grupo. Em março de 2012, Long anunciou que se retiraria da atividade pública, embora pareça ter permanecido ativo na Ordem.

AS CRENÇAS E A ESTRUTURA DA ONA:

A ONA descreve suas crenças como pertencentes a “uma tradição mística sinistramente numinosa”, acrescentando que “não é agora e nunca foi estritamente satanista ou estritamente Caminho da Mão Esquerda, mas usa “satanismo” e o LHP como “formas causais”; isto é, como técnicas/experiências/provas/desafios” para auxiliar o avanço espiritual do praticante. Monette descreveu a ONA como “uma fascinante mistura de Hermetismo e Satanismo Tradicional, com alguns elementos pagãos”. Faxneld descreveu a ONA como “uma forma perigosa e extrema de satanismo” e como “um dos grupos satanistas mais extremos do mundo”. Jeffrey Kaplan e Leonard Weinberg o caracterizaram como um “grupo satanista de orientação nacional-socialista”, enquanto Nicholas Goodrick-Clarke também o considerou um “culto nazista satânico” que “combina o paganismo com o louvor a Hitler”. Ele acrescentou que a ONA “celebrou o lado escuro e destrutivo da vida através de doutrinas anti-cristãs, elitistas e darwinistas sociais”. Considerando a maneira pela qual a ONA sincretizou tanto o satanismo quanto o paganismo, o historiador da religião Mattias Gardell descreveu sua perspectiva espiritual como “um caminho satânico pagão”. O estudioso George Sieg, no entanto, argumentou que a ONA deveria ser categorizada como “pós-satânica” porque “ultrapassou (sem abandonar totalmente) a identificação com seu paradigma satânico original”.

Satanismo Tradicional e Paganismo:

“[Long] rejeita a organização quase religiosa e as palhaçadas cerimoniais da Igreja de Satã, o Templo de Set e outros grupos satânicos. Ele acredita que o satanismo tradicional vai muito além da gratificação do princípio do prazer e envolve a árdua conquista do eu – maestria, auto-superação em um sentido nietzschiano e, finalmente, sabedoria cósmica. Sua concepção de satanismo é prática, com ênfase no crescimento individual em reinos de escuridão e perigo por meio de atos práticos de coragem, resistência e risco de vida.”

— Estudioso do esoterismo Nicholas Goodrick-Clarke.

A ONA descreve seu ocultismo como “Satanismo Tradicional” e como uma “tradição mística sinistra-numinosa”. De acordo com Jesper Aagaard Petersen, um acadêmico especialista em satanismo, a Ordem apresenta “uma nova interpretação reconhecível do satanismo e do Caminho da Mão Esquerda”, e para os envolvidos no grupo, o satanismo não é simplesmente uma religião, mas um modo de vida. A Ordem postula o satanismo como uma árdua conquista individual de autodomínio e autossuperação nietzschiana, com ênfase no crescimento individual através de atos práticos de risco, bravura e resistência. Portanto, “o objetivo do satanismo da ONA é criar um novo indivíduo através da experiência direta, prática e autodesenvolvimento com os graus do sistema ONA sendo altamente individuais, com base nos próprios atos práticos e da vida real dos iniciados, em vez de meramente realizar certos rituais cerimoniais”. Assim, o satanismo, afirma a ONA, exige aventurar-se no reino do proibido e do ilegal para libertar o praticante do condicionamento cultural e político. Intencionalmente transgressora, a Ordem tem se caracterizado por proporcionar “uma espiritualidade agressiva e elitista”. O estudioso de estudos religiosos Graham Harvey escreveu que a ONA se encaixava no estereótipo do satanista “melhor do que outros grupos”, algo que ele achava que foi deliberadamente alcançado ao abraçar atos “profundamente chocantes” e ilegais.

A ONA critica fortemente grupos satânicos maiores como a Igreja de Satã e o Templo de Set, que eles consideram “satânicos falsos” porque abraçam o “glamour associado ao satanismo”, mas têm “medo de experimentar sua realidade dentro e externo a eles”. Por sua vez, a Igreja de Satã criticou o que eles alegaram ser a “insistência paranoica da Ordem de que eles são os únicos defensores da tradição satânica”, com Kaplan afirmando que esses comentários refletem “as tensões internas” que são comuns dentro “do mundo do satanismo “, e sobre qual crítica Anton Long escreveu que a ONA não “afirma ser uma organização de pares com a reivindicação de algum tipo de autoridade … Quando no passado nós e outros como nós dissemos coisas que outros interpretam como sendo contra o Templo de Set ou LaVey, estávamos simplesmente assumindo o papel de Adversário – desafiando o que parecia estar se tornando um dogma aceito.”

Embora se conceba como tendo origens pré-cristãs e descreva o satanismo como “paganismo militante”, a ONA não defende o restabelecimento de sistemas de crenças pré-cristãs, com um tratado da ONA afirmando que “todos os deuses do passado das várias tradições ocidentais são tornados obsoletos pelas forças que o satanismo sozinho está desencadeando”. No entanto, Goodrick-Clarke observou que as “ideias e rituais” do grupo se baseiam em “uma tradição nativa”, com referências ao conceito anglo-saxão pré-cristão de wyrd, uma ênfase em cerimônias realizadas em equinócios e a construção de incenso usando árvores indígenas, sugerindo assim a ideia de “enraizamento na natureza inglesa”. Os praticantes passam por “peregrinações negras” a locais cerimoniais pré-históricos na área ao redor de Shropshire e Herefordshire nas Midlands inglesas. Além disso, Monette escreve que “um exame crítico dos textos-chave da ONA sugere que as conotações satânicas podem ser cosméticas e que seus mitos e cosmologia centrais são genuinamente herméticos, com influências pagãs”.

Cosmologia Aeônica e o Nazismo:

 

“Adolf Hitler foi enviado por nossos deuses

Para nos guiar à grandeza

Acreditamos na desigualdade de raças

E no direito do ariano de viver

De acordo com as leis do povo.

Reconhecemos que a história do “holocausto” judaico

É uma mentira para manter nossa raça acorrentada

E expressar nosso desejo de ver a verdade revelada.

Acreditamos na justiça para nossos companheiros oprimidos

E buscar um fim em todo o mundo da

Perseguição dos Nacional-Socialistas.”

 

— A “Missa da Heresia” da ONA.

A ONA afirma que a evolução cósmica é guiada por uma “dialética sinistra” de energias Aeônicas alternadas. Ele divide a história humana em uma série de Aeons, acreditando que cada Aeon foi dominado por uma civilização humana que surgiu, evoluiu e depois morreu. Ele afirma que cada Aeon dura aproximadamente 2.000 anos, com sua respectiva civilização humana dominante se desenvolvendo nos últimos 1.500 anos desse período. Sustenta que após 800 anos de crescimento, cada civilização enfrenta problemas, resultando em um “Tempo de Problemas” que dura entre 398 e 400 anos. No estágio final de cada civilização há um período que dura aproximadamente 390 anos, no qual ela é controlada por um forte regime militar e imperial, após o qual a civilização cai. A ONA afirma que a humanidade viveu cinco desses Aeons, cada um com uma civilização associada: a Primal, a Hiperbórea, a Suméria, a Helênica e a Ocidental. Tanto Goodrick-Clarke quanto Senholt afirmaram que este sistema de Aeons é inspirado nas obras de Arnold J. Toynbee, com Senholt sugerindo que também pode ter sido influenciado pelas ideias de Crowley sobre Thelêmicos Aeons. No entanto, a ONA afirmou que seu conceito “não tem nada a ver com Crowley”, mas é baseado no trabalho de Toynbee e Spengler.

A ONA afirma que a atual civilização ocidental tem um ethos faustiano e passou recentemente por seu Tempo de Perturbações, com seu estágio final, um “Imperium” de governança militarista, que deve começar em algum momento de 1990-2011 e durar até 2390. será seguido por um período de caos a partir do qual será estabelecido um sexto Aeon, o Aeon do Fogo, que será representado pela civilização galáctica na qual uma sociedade ariana colonizará a galáxia Via Láctea. No entanto, a Ordem sustenta que, ao contrário das civilizações Aeônicas anteriores, a civilização ocidental foi infectada com a distorção “Magia / Nazareno”, que eles associam à religião judaico-cristã. Os escritos do grupo afirmam que enquanto a civilização ocidental já foi “uma entidade pioneira, imbuída de valores elitistas e exaltando o caminho do guerreiro”, sob o impacto do ethos mago/nazareno tornou-se “essencialmente neurótica, introspectiva e obcecada “, abraçando o humanismo, o capitalismo, o comunismo, bem como “a farsa da democracia” e “o dogma da igualdade racial”. Eles acreditam que essas forças magos/nazarenos representam uma tendência contra-evolucionária que ameaça impedir o surgimento do Império Ocidental e, portanto, a evolução da humanidade, opinando que esse inimigo cósmico deve ser superado pela força da vontade. Tanto Goodrick-Clarke quanto Sieg observam que essas ideias sobre a “alma mágica” e a “distorção cultural” trazida pelos judeus foram derivadas das obras de Oswald Spengler e Francis Parker Yockey.

A ONA elogia a Alemanha nazista como “uma expressão prática do espírito satânico… uma explosão de luz luciferiana – de entusiasmo e poder – em um mundo nazareno, pacificado e chato”. Abraçando a negação do Holocausto, afirma que o Holocausto foi um mito que foi construído pelo estabelecimento mago/nazareno para denegrir a administração nazista após a Segunda Guerra Mundial e apagar suas conquistas da “psique do Ocidente”. O grupo acredita que uma revolução neonazista é necessária para derrubar o domínio mago-nazareno da sociedade ocidental e estabelecer o Império, permitindo que a humanidade entre na civilização galáctica do futuro. Assim, referências positivas ao nazismo e neonazismo podem ser encontradas no material escrito do grupo, e evoca o líder nazista Adolf Hitler como uma força positiva em seu texto para a realização de uma Missa Negra, também conhecida como A Missa da Heresia. No entanto, alguns textos da ONA enfatizam que os membros devem abraçar o neonazismo e o racismo não por uma crença genuína na ideologia nazista, mas como parte de uma “estratégia sinistra” para avançar a evolução Aeônica. Uma versão da Missa Negra produzida por um grupo australiano da ONA, The Temple of THEM, substitui elogios a Hitler por elogios ao militante islâmico Osama bin Laden, enquanto os escritos de Chloe Ortega e Kayla DiGiovanni, principais publicitários do White Star Acception, expressam o que Sieg denominou uma plataforma “anarquista de esquerda” que carecia da condenação do sionismo e do endosso do racismo ariano que é encontrado nos escritos de Long. A Ordem é, portanto, muito mais abertamente politicamente extrema em seus objetivos do que outras organizações satânicas e do Caminho da Mão Esquerda, buscando se infiltrar e desestabilizar a sociedade moderna através de meios mágicos e práticos.

Iniciação e o Caminho Sétuplo:

A ONA encoraja seus membros a adotar “papéis de insight” em grupos anarquistas, neonazistas e islâmicos para perturbar a sociedade ocidental moderna.

O sistema central da ONA é conhecido como o “O Caminho Sétuplo” ou a “Hebdomadria”, e é descrito em um dos textos principais da Ordem, Naos. O sistema sétuplo é refletido na cosmologia simbólica do grupo, a “Árvore de Wyrd”, na qual sete corpos celestes – a Lua, Vênus, Mercúrio, Sol, Marte, Júpiter e Saturno – estão localizados. O termo wyrd foi adotado do inglês antigo, onde se referia ao destino ou destino. Monette identificou isso como um “sistema hermético”, destacando que o uso de sete corpos planetários havia sido influenciado pelos textos árabes medievais Ghāyat al-Ḥakīm (conhecido também como o grimório Picatrix) e o Shams I-Maarif. O Caminho Sétuplo também se reflete no sistema iniciático do grupo, que possui sete graus pelos quais o membro pode progredir gradualmente. São eles: (1) Neófito, (2) Iniciado, (3) Adepto Externo, (4) Adepto Interno, (5) Mestre/Mestra, (6) Grão-Mestre/Mousa e (7) Imortal. O grupo revelou que muito poucos de seus membros ascendem ao quinto e sexto graus, e em um artigo de 1989 a ONA afirmou que naquele momento havia apenas quatro indivíduos que haviam alcançado o estágio de Mestre.

A ONA não inicia membros no grupo em si, mas espera que um indivíduo inicie a si mesmo. Exige que os iniciados estejam em boas condições físicas e recomenda um regime de treinamento para os futuros membros seguirem. Espera-se que os recém-chegados assumam um parceiro mágico do sexo oposto, ou do mesmo sexo, se forem lésbicas ou gays. A partir daí, o praticante deve enfrentar desafios pessoais e cada vez mais difíceis para transitar pelos diferentes graus. A maioria das provações que permitem ao iniciado avançar para a próxima etapa são reveladas publicamente pela Ordem em seu material introdutório, pois acredita-se que o verdadeiro elemento iniciático está na própria experiência e só pode ser alcançada através da sua realização. Por exemplo, parte do ritual para se tornar um Adepto Externo envolve uma provação na qual o membro em potencial deve encontrar um lugar solitário e ficar ali, quieto, por uma noite inteira sem se mexer ou dormir. O processo iniciático para o papel de Adepto Interno implica que o praticante se retire da sociedade humana por três meses, de um equinócio a um solstício, ou (mais geralmente) por seis meses, período durante o qual deve viver em estado selvagem sem conveniências modernas ou contato. com a civilização. A próxima etapa – o Ritual do Abismo – envolve o candidato vivendo sozinho em uma caverna escura e isolada por um mês lunar. De acordo com Jeffrey Kaplan, um especialista acadêmico da extrema direita, essas tarefas iniciáticas física e mentalmente desafiadoras refletem “a concepção da ONA de si mesma como uma organização de vanguarda composta por um pequeno círculo de elites nietzschianas”.

Dentro do sistema iniciático da ONA, há uma ênfase na adoção de “papéis de discernimento” pelos praticantes em que trabalham disfarçados em um grupo politicamente extremista por um período de seis a dezoito meses, ganhando experiência em algo diferente de sua vida normal. Entre as tendências ideológicas que a ONA sugere que seus membros adotem “papéis de insight” estão o anarquismo, o neonazismo e o islamismo, afirmando que, além dos benefícios pessoais de tal envolvimento, a participação nesses grupos tem o benefício de minar o poder mágico. sistema sócio-político nazareno do Ocidente e, assim, ajudando a trazer a instabilidade da qual uma nova ordem, o Imperium, pode emergir. No entanto, Monette observou uma mudança potencial nas funções de insight recomendadas pelo grupo ao longo das décadas; ele destacou que, enquanto a ONA recomendava atividades criminosas ou militares durante os anos 1980 e início dos anos 1990, no final dos anos 1990 e 2000 eles estavam recomendando o monaquismo budista como um papel de insight para os praticantes adotarem. Através da prática de “papéis de insight”, a ordem defende a transgressão contínua de normas, papéis e zonas de conforto estabelecidos no desenvolvimento do iniciado … , Essa aplicação extrema de ideias amplifica ainda mais a ambiguidade das práticas satânicas e do Caminho da Mão Esquerda de antinomianismo, tornando quase impossível penetrar nas camadas de subversão, jogo e contra-dicotomia inerentes à dialética sinistra.” Senholt sugeriu que o envolvimento de Myatt com o neonazismo e o islamismo representam esses “papéis de insight” em sua própria vida.

O Reino Acausal, a Mágicka e os Deuses das Trevas:

A ONA acredita que os humanos vivem dentro do reino causal, que obedece às leis de causa e efeito. No entanto, eles também acreditam em um reino acausal, no qual as leis da física não se aplicam, promovendo ainda mais a ideia de que energias numinosas do reino acausal podem ser atraídas para o causal, permitindo o desempenho da magia. Acreditando na existência de magia – que o grupo soletra “mágicka” seguindo o exemplo da obra de Elias Ashmole de 1652, o Theatrum Chemicum Britannicum – a ONA distingue entre mágicka externa, interna e aeônica. A magia externa em si é dividida em duas categorias: mágicka cerimonial, que é realizada por mais de duas pessoas para atingir um objetivo específico, e mágicka hermética, que é realizada solitária ou em casal e que geralmente é de natureza sexual. A mágicka interna é projetada para produzir um estado alterado de consciência no participante, a fim de resultar em um processo de “individuação” que confere um bem-estar. A forma mais avançada de mágicka no sistema ONA é a mágicka aeônica, cuja prática é restrita àqueles que já são percebidos como tendo dominado a mágicka externa e interna e alcançado o grau de mestre. O propósito da mágicka aeônica é influenciar um grande número de pessoas por um longo período de tempo, afetando assim o desenvolvimento de eras futuras. Em particular, é empregado com a intenção de perturbar o atual sistema sociopolítico do mundo ocidental, que a ONA acredita ter sido corrompido pela religião judaico-cristã.

A ONA utiliza dois métodos em seu desempenho de mágicka aeônica. A primeira envolve ritos e cânticos com a intenção de abrir um portal – conhecido como “nexion” – para o “reino acausal” a fim de manifestar energias no “reino causal” que influenciarão o aeon existente na direção desejada pelo praticante. O segundo método envolve jogar uma forma avançada de um jogo de tabuleiro conhecido como Star Game; o jogo foi idealizado pelo grupo, com as peças do jogo representando diferentes eras. O grupo acredita que quando um iniciado joga o jogo, ele pode se tornar um “nexion vivo” e, portanto, um canal para que as energias acausais entrem no reino causal e efetuem a mudança aeônica. Uma forma avançada do jogo é usada como parte do treinamento para o grau de Adepto Interno. De acordo com Myatt, ele inventou o jogo em 1975.

A Ordem promove a ideia de que “Deuses das Trevas” existem dentro do reino acausal, embora seja aceito que alguns membros os interpretem não como entidades reais, mas como facetas do subconsciente humano. Essas entidades são percebidas como perigosas, com a ONA aconselhando cautela ao interagir com elas. Entre os Deuses das Trevas cujas identidades foram discutidas no material publicamente disponível da Ordem estão uma deusa chamada Baphomet que é retratada como uma mulher madura carregando uma cabeça decepada, com a ONA afirmando que o nome é de origem grega antiga. Além disso, existem entidades cujos nomes, segundo Monette, são emprestados ou influenciados por figuras de fontes clássicas e astronômicas, como Kthunae, Nemicu e Atazoth.

Outra dessas figuras acausais é denominada Vindex, após a palavra latina para “vingador”. A ONA acredita que Vindex acabará encarnando como um humano – embora o gênero e a etnia desse indivíduo sejam desconhecidos – através da “presença” bem-sucedida de energias acausais dentro do reino causal, e que eles atuarão como uma figura messiânica ao derrubar o Mago forças e levando a ONA à proeminência no estabelecimento de uma nova sociedade. Sieg fez comparações entre essa crença em Vindex e as ideias de Savitri Devi, o proeminente hitlerista esotérico, sobre a chegada de Kalki, um avatar do deus hindu Vishnu, à Terra. A ONA também propaga a ideia de que é possível ao praticante garantir uma vida após a morte no reino acausal através de suas atividades espirituais. É por esta razão que o estágio final do Caminho Sétuplo é conhecido como o “Imortal”, constituindo aqueles iniciados que conseguiram avançar para o estágio de habitação no reino acausal.

Sacrifício Humano:

Os escritos da ONA toleram e encorajam o sacrifício humano, referindo-se às suas vítimas como opfers. A ONA descreve suas diretrizes para o sacrifício humano em vários documentos: “A Gift for the Prince – A Guide to Human Sacrifice”, “Culling – A Guide to Sacrifice II”, “Victims – A Sinister Exposé” e ” Guidelines for the Testing of Opfers”. De acordo com as crenças da ONA, o assassino deve permitir que sua vítima se “auto-selecione”; isso é conseguido testando a vítima para ver se ela expõe falhas de caráter percebidas. Se este for o caso, acredita-se que a vítima tenha demonstrado que é digna de morte, e o sacrifício pode começar. Aqueles considerados ideais para o sacrifício pelo grupo incluem indivíduos percebidos como sendo de baixo caráter, membros do que eles consideram “grupos falso-satânicos” como a Igreja de Satã e o Templo de Set, bem como “nazarenos zelosos e interferentes” e jornalistas , empresários e ativistas políticos que atrapalham as operações do grupo. A ONA explica que, devido à necessidade dessa “autoseleção”, as crianças nunca devem ser vítimas de sacrifícios. Da mesma forma, a ONA “despreza o sacrifício de animais, sustentando que é muito melhor sacrificar mundanos adequados, dada a abundância de escórias humanas”.

O sacrifício é então realizado através de meios físicos ou mágicos, quando acredita-se que o assassino absorva o poder do corpo e do espírito da vítima, entrando assim em um novo nível de consciência “sinistra”. Além de fortalecer o caráter do assassino ao aumentar sua conexão com as forças acausais de morte e destruição, tais sacrifícios também são vistos como de maior benefício pela ONA, pois retiram da sociedade indivíduos que o grupo considera seres humanos inúteis. Monette observou que nenhuma célula nexion da ONA admitiu publicamente realizar um sacrifício de maneira ritual, mas que os membros se juntaram à polícia e aos grupos militares para se envolver em violência legal e assassinato.

A ONA acredita que existem precedentes históricos para sua prática de sacrifício humano, expressando a crença em uma tradição pré-histórica na qual os seres humanos foram sacrificados a uma deusa chamada Baphomet no equinócio da primavera e à estrela Arcturus no outono. No entanto, a defesa do sacrifício humano pela ONA atraiu fortes críticas de outros grupos satanistas como o Templo de Set, que o consideram prejudicial às suas próprias tentativas de tornar o satanismo mais socialmente aceitável dentro das nações ocidentais.

O Termo “Nove Ângulos”:

Embora os estudiosos ocultistas atribuam o conceito de Nove Ângulos à Igreja de Satã, em seus ensaios e outros escritos a ONA oferece explicações diferentes quanto ao significado do termo “Nove Ângulos”. Uma explicação é que se trata dos sete planetas da cosmologia do grupo (os sete ângulos), somados ao sistema como um todo (o oitavo ângulo), e os próprios místicos (o nono ângulo). Uma segunda explicação é que se refere a sete estágios alquímicos “normais”, com dois processos adicionais. Uma terceira é que se refere às nove emanações do divino, um conceito originalmente encontrado em textos medievais produzidos dentro da tradição mística islâmica do sufismo. Monette sugeriu ainda que era uma referência a uma tradição indiana clássica que dividia o sistema solar em nove planetas.

De acordo com o O9A, eles usam o termo “nove ângulos” em referência não apenas às nove emanações e transformações das três substâncias alquímicas básicas (mercúrio, enxofre, sal), como ocorre em seu uso oculto do Jogo Estelar, mas também em referência à sua jornada hermética com suas sete esferas e seus dois aspectos acausais.

A ORGANIZAÇÃO DA ONA:

A ONA é um coletivo diversificado e mundial de diversos grupos, tribos e indivíduos, que compartilham e buscam interesses, objetivos e estilos de vida sinistros, subversivos semelhantes, e que cooperam quando necessário para seu benefício mútuo. e na busca de seus propósitos e objetivos comuns… O critério para pertencer à ONA é essa busca de interesses, objetivos e estilos de vida semelhantes sinistros, subversivos, juntamente com o desejo de cooperar quando for benéfico para eles e a prossecução dos nossos objectivos comuns. Não há, portanto, nenhum membro formal da ONA, e nenhum Antigo-Aeon, mundano, hierarquia ou mesmo quaisquer regras.

— The ONA, 2010.

A ONA é uma organização secreta. Falta qualquer administração central, operando como uma rede de praticantes satânicos aliados, que chama de “coletivo”. Assim, Monette afirmou que a Ordem “não é uma loja ou templo estruturado, mas sim um movimento, uma subcultura ou talvez uma metacultura que seus adeptos escolhem incorporar ou se identificar”. Monette também sugeriu que essa ausência de uma estrutura centralizada ajudaria a sobrevivência da Ordem, porque seu destino não seria investido apenas em um líder em particular. A ONA não gosta do termo “membro”, preferindo a palavra “associado”. Em 2012, Long afirmou que os afiliados à Ordem se enquadravam em seis categorias diferentes: associados de nexions tradicionais, Niners, Balobians, membros de gangues e tribos, seguidores da tradição Rounwytha e aqueles envolvidos com grupos inspirados na ONA.

O grupo consiste em grande parte de células autônomas conhecidas como “nexions”. A célula original, baseada em Shropshire, é conhecida como “Nexion Zero”, com a maioria dos grupos subsequentes estabelecidos na Grã-Bretanha, Irlanda e Alemanha, no entanto, nexions e outros grupos associados também foram estabelecidos nos Estados Unidos, Austrália, Brasil, Egito, Itália, Espanha, Portugal, Polônia, Sérvia, Rússia e África do Sul. A ala grega da ONA atende pelo nome de Mirós tou Zeús. Alguns desses grupos, como o Tempel ov Blood, com sede nos EUA, descrevem-se como distintos da ONA, embora ambos tenham sido muito influenciados por ela e tenham conexões com ela.

Na terminologia da ONA, os termos Drecc e Niner referem-se à cultura popular ou baseada em gangues ou indivíduos que apoiam os objetivos da Ordem por meios práticos (incluindo criminosos) em vez de esotéricos. Um desses grupos é o White Star Acceptation, que afirma ter perpetrado estupros, agressões e roubos para aumentar o poder do grupo; Sieg observou que a realidade dessas ações não foi verificada. Um balobiano é um artista ou músico que contribui para o grupo através de sua produção de belas artes. A Rounwytha é uma tradição de místicos populares ou folclóricos considerados como exibindo poderes psíquicos talentosos refletindo sua encarnação do “arquétipo feminino sinistro”. Embora uma minoria seja de homens, a maioria das Rounwytha é do sexo feminino, e muitas vezes vivem reclusas como parte de grupos pequenos e muitas vezes lésbicos.

Representante Externo:

Vários comentaristas acadêmicos destacaram a existência de uma posição dentro da ONA chamada de “Representante Externo”, que atua como porta-voz oficial do grupo para o mundo exterior. O primeiro a afirmar publicamente ser o “Representante Externo” do grupo foi Richard Moult, um artista e compositor de Shropshire que usou o pseudônimo de “Christos Beest”. Moult foi seguido como “Representante Externo” por “Vilnius Thornian”, que ocupou o cargo de 1996 a 2002, e que foi identificado por membros da ONA como o ideólogo do Caminho da Mão Esquerda Michael Ford. Posteriormente, no blog do White Star Acception, foi feita a alegação de que o membro do grupo Chloe Ortega era o representante externo da ONA, também este blog mais tarde foi extinto em 2013. Em 2013, uma americana Rounwytha usando o nome de “Jall” apareceu alegando ser o “Representante Externo” da Ordem.

No entanto, de acordo com Long, o “representante externo” era “um exemplo interessante e instrutivo do Labyrinthos Mythologicus da O9A, … um estratagema”, e que foi projetado para “intrigar, selecionar, testar, confundir, irritar, enganar”. Long escreveu que “o estratagema era para um candidato ou um iniciado divulgar abertamente o material da ONA, e possivelmente dar entrevistas sobre a O9A para a mídia, sob o pretexto de ter recebido algum tipo de ‘autoridade’ para fazê-lo, embora tal autoridade – e a hierarquia necessária para dotá-la – era de fato uma contradição de nossa razão de ser; um fato que naturalmente esperávamos que aqueles incipientes de nossa espécie soubessem ou sentissem”. De acordo com Senholt, a ONA “não concede títulos”, com Monette escrevendo que “não há autoridade central dentro da ONA”.

Dentro da ONA havia um grupo de iniciados de longa data conhecidos como a “Velha Guarda” ou “Inner ONA”, cuja experiência com a tradição os levou a se tornarem influentes sobre os membros mais novos que frequentemente procuravam seus conselhos. Os membros desta Velha Guarda incluíam Christos Beest, Sinister Moon, Dark Logos e Pointy Hat, embora em 2011 tenham declarado que se retirariam da esfera pública.

Filiação:

Uma edição da revista Fenrir original da ONA.

Embora a ONA tenha declarado que não é uma organização oculta no sentido convencional, mas uma filosofia esotérica, vários acadêmicos escreveram sobre a associação à ONA. Em uma visão geral de 1995 dos grupos satanistas britânicos, Harvey sugeriu que a ONA consistia em menos de dez membros, “e talvez menos de cinco”. Em 1998, Jeffrey Kaplan e Leonard Weinberg afirmaram que os membros da ONA eram “infinitamente pequenos”, com o grupo atuando principalmente como um “ministério de correspondência”. Quanto à questão da adesão, Anton Long, em carta a Aquino datada de outubro de 1990, escreveu que “uma vez que as técnicas e a essência da ONA estão mais amplamente disponíveis, a adesão como tal é irrelevante, pois tudo está disponível e acessível … com o indivíduo assumindo a responsabilidade por seu próprio desenvolvimento, suas próprias experiências”.

Em 2013, Senholt observou que, como o grupo não possui membros oficiais, é “difícil, se não impossível, estimar o número de membros da ONA”. Senholt sugeriu que uma “estimativa aproximada” do “número total” de indivíduos envolvidos com a ONA em alguma capacidade de 1980 a 2009 era de “alguns milhares”; ele havia chegado a essa conclusão a partir de um exame do número de revistas e periódicos sobre o assunto que circulavam e do número de membros de grupos de discussão on-line dedicados à ONA. Ao mesmo tempo, ele achava que o número de “adeptos de longa data é muito menor”. Também em 2013, Monette estimou que havia mais de dois mil associados da ONA, amplamente definidos. Ele acreditava que o equilíbrio de gênero era aproximadamente igual, embora com variação regional e diferenças entre os nexos particulares. Introvigne observou que se a estimativa de Monette estivesse correta, isso significaria que a ONA é “facilmente… a maior organização satanista do mundo”.

De acordo com uma pesquisa em 2015, a ONA tem mais apoiadores do sexo feminino do que a Igreja de Satã ou o Templo de Set; mais mulheres com filhos; mais torcedores mais velhos; mais adeptos mais bem estabelecidos em termos socioeconômicos; e mais que politicamente estão mais à direita.

TERRORISMO E CRIMES ATRIBUÍDOS À ONA:

De acordo com um relatório do grupo de direitos civis Southern Poverty Law Center, a ONA “detém uma posição importante no nicho, nexo internacional de grupos neonazistas ocultos, esotéricos e/ou satânicos”. Vários jornais relataram que a O9A está ligada a uma série de figuras de alto perfil da extrema direita e que o grupo é afiliado e compartilha membros com grupos terroristas neonazistas, como a Divisão Atomwaffen e a proscrita Ação Nacional, Divisão Sonnenkrieg e Resistência Nórdica. Movimento.

Em 23 de setembro de 2019, o especialista Jarrett William Smith, 24, de Fort Riley, Kansas, foi acusado de distribuir informações relacionadas a explosivos e armas de destruição em massa. O procurador-adjunto dos EUA, Anthony Mattivi, alegou no tribunal federal que Smith distribuiu informações sobre explosivos e estava planejando assassinar agentes federais com três outras pessoas “para a glória de sua religião satanista”. Em 10 de fevereiro de 2020, Smith se declarou culpado de duas acusações de distribuição de informações relacionadas a explosivos, dispositivos destrutivos e armas de destruição em massa e foi condenado a 30 meses de prisão federal.

Um paraquedista norte-americano chamado Ethan Melzer dos Sky Soldiers da 173ª Brigada Aerotransportada, que foi designado para o 1º Batalhão, 503º Regimento de Infantaria, em Vicenza, Itália, em 2019 até 2020, planejou uma emboscada em sua unidade, “para resultar na morte de tantos de seus companheiros de serviço quanto possível.” Ele foi acusado em junho de 2020 de conspirar e tentar assassinar membros do serviço militar e fornecer e tentar fornecer apoio material a terroristas. O paraquedista foi acusado de vazar informações classificadas (incluindo a localização da unidade) para seus co-conspiradores no nexion RapeWaffen e na Ordem dos Nove Ângulos (O9A). Ele enfrenta uma sentença máxima de prisão perpétua.

Depois que Melzer foi exposto, vários outros membros ativos das forças armadas dos EUA também foram descobertos como membros da O9A. Corwyn Storm Carver foi encontrado para ser outro membro em comunicação com o grupo e na posse de parafernália e literatura O9A enquanto estacionado no Kuwait. Shandon Simpson, membro da Guarda Nacional do Exército de Ohio enviado para reprimir os distúrbios de George Floyd em Washington, D.C. defendeu abertamente as opiniões neonazistas e também foi encontrado no Rapewaffen. Simpson disse que planejava atirar nos manifestantes como parte da “guerra santa racial” e foi interceptado pelo FBI, mas só depois de já ter sido destacado.

Em janeiro de 2020, o seguidor da O9A, Luke Austin Lane e dois cúmplices foram presos por supostamente estocar armas e conspirar para matar um casal antifascista e seus filhos pequenos. Em preparação, Lane, juntamente com dezenas de outras pessoas, se envolveu em treinamento paramilitar e sacrificou um carneiro, bebeu seu sangue e consumiu drogas psicodélicas em um ritual oculto em sua propriedade.

O grupo britânico de defesa política Hope not Hate informou em março de 2020 que havia seis casos de neonazistas ligados à O9A sendo processados ​​por crimes terroristas apenas durante o ano. Um artigo de 2019 no jornal The Times afirmou que “um repórter do Times se disfarçou na plataforma de jogos Discord para se infiltrar em um grupo neonazista satanista chamado The Order of Nine Angles (O9A). O grupo encorajou abertamente atos de terrorismo e celebrou o que foi descrito como hitlerismo esotérico.” Em março de 2020, Hope not Hate iniciou uma campanha para banir a Ordem dos Nove, proscrever, como grupo terrorista, uma campanha apoiada por vários membros do Parlamento britânico, incluindo Yvette Cooper, do Partido Trabalhista, presidente do Comitê Seleto de Assuntos Internos.

Em 18 de setembro de 2020, a polícia de Toronto prendeu Guilherme “William” Von Neutegem, de 34 anos, e o acusou do assassinato de Mohamed-Aslim Zafis. Zafis era o zelador de uma mesquita local que foi encontrado morto com a garganta cortada. O Serviço de Polícia de Toronto disse que o assassinato está possivelmente ligado ao assassinato a facadas de Rampreet Singh alguns dias antes, a uma curta distância do local onde ocorreu o assassinato de Zafis. Von Neutegem é membro da O9A e contas de mídia social estabelecidas como pertencentes a ele promovem o grupo e incluíam gravações de Von Neutegem realizando cânticos satânicos. Em sua casa havia também um altar com o símbolo da O9A adornando um monólito. De acordo com Evan Balgord, da Canadian Anti-Hate Network, eles estão cientes de mais membros da O9A no Canadá e de sua organização afiliada Northern Order. A CAHN relatou anteriormente sobre a Ordem do Norte quando um membro das Forças Armadas Canadenses foi pego vendendo armas de fogo e explosivos para outros neonazistas.

Em 11 de dezembro de 2020, a BitChute, com sede no Reino Unido, removeu todo o material da O9A por violar a política antiterror do site, citando as “conexões próximas da O9A com outras organizações proscritas”. No mesmo mês, o Yahoo News adquiriu um relatório do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, o FBI e o Departamento de Segurança Interna circulou para as agências de inteligência dos EUA, avaliando que o O9A representa uma ameaça violenta e que desempenha um papel influente entre os grupos terroristas de direita. . O relatório, no entanto, acrescentou que a O9A foi rejeitada por certos grupos por incitar seus membros a cometer estupro e pedofilia. Em janeiro de 2021, após a tomada do Capitólio dos Estados Unidos em 2021, a discussão sobre a proibição de grupos de extrema direita foi renovada pelo ministro da Segurança Pública Bill Blair, e a O9A foi apontada por especialistas como um dos grupos mais perigosos do Canadá, cuja proibição é uma prioridade. Em abril de 2021, a deputada democrata Elissa Slotkin pressionou o governo de Joe Biden a designar a O9A como uma Organização Terrorista Estrangeira (FTO) em uma carta ao secretário de Estado Antony Blinken. A Divisão Sonnenkrieg foi oficialmente proscrita na Austrália em 22 de março de 2021, com sua adesão à “violenta ideologia supremacista branca inspirada no Partido Nazista e no movimento satânico ‘Ordem dos Nove Ângulos’” citado como o motivo.

As Forças Armadas do Canadá lançaram uma investigação interna em outubro de 2020, depois que um soldado das forças especiais do CJIRU foi identificado como membro da Ordem do Norte e da Ordem dos Nove Ângulos. De acordo com o SPLC, o homem está entre “algumas pessoas bem conhecidas e de alto nível nessas organizações” e um conhecido de James Mason e do ex-mestre cabo Patrik Mathews, que foi exposto anteriormente como recrutador da Ordem e Base do Norte. no Canadá. Em 1º de fevereiro de 2021, um homem da Cornualha disse ter sido o líder da filial britânica da Divisão Feuerkrieg se declarou culpado de 12 crimes de terrorismo. A polícia já havia invadido sua casa em 2019 por armas de fogo e encontrou instruções de construção de bombas e O9A literatura.

Danyal Hussein, que matou duas irmãs, Bibaa Henry e Nicole Smallman, em um parque de Wembley, em Londres, estava “intimamente associado” à Ordem dos Nove Ângulos e participou do fórum da Internet O9A. Ele matou as duas mulheres para cumprir um “pacto demoníaco”. Em resposta, a deputada Stephanie Peacock pediu ao Ministro do Interior que proíba a O9A. Na Rússia, quatro membros da Ordem dos Nove Ângulos foram presos depois que dois confessaram assassinatos rituais envolvendo canibalismo na Carélia e em São Petersburgo. Dois deles também são acusados ​​de tráfico de drogas em larga escala, pois uma grande quantidade de entorpecentes foi encontrada em sua casa.

Em 12 de agosto de 2021, Ben John foi condenado por crimes terroristas após uma investigação de 11 meses pelo Comando Antiterrorista. A declaração da polícia de Lincolnshire afirmou que “John tinha uma riqueza de material supremacista branco e anti-semita, bem como material relacionado à organização satanista chamada Ordem dos Nove Ângulos (ONA), que está cada vez mais sob o foco da aplicação da lei. ” Em outubro de 2021, o Facebook e o Instagram baniram o membro da O9A, E.A Koetting, cuja página tinha 128.000 assinantes por incitar assassinato. O Serviço de Inteligência de Segurança finlandês também destacou a O9A como fonte de radicalização e preocupação no país.

Abuso Sexual:

Alegações foram feitas por organizações antifascistas, vários políticos britânicos e a mídia de que o O9A tolera e incentiva o abuso sexual, e isso foi dado como uma das razões pelas quais o O9A deveria ser proscrito pelo governo britânico. Muitos membros da O9A veem abertamente o estupro como uma forma eficaz de minar a sociedade ao transgredir suas normas. A White Star Acception comete estupros por sua própria admissão e textos da O9A como “The Drectian Way”, “Iron Gates”, “Bluebird” e “The Rape Anthology” recomendam e elogiam o estupro e a pedofilia, até sugerindo que o estupro é necessário para “ascensão do Ubermensch”. Segundo a BBC News, “as autoridades estão preocupadas com o número de pedófilos associados à ONA”. Crianças de pelo menos 13 anos foram preparadas pelo grupo.

Ryan Fleming, da O9A nexion Drakon Covenant, com sede em Yorkshire, está atualmente na prisão pelo estupro de uma menina de 14 anos, depois de já ter sido condenado por agressão sexual e tortura de um menor. O membro da O9A, Andrew Dymock, que foi condenado por 15 crimes terroristas, também foi interrogado pela polícia sobre a agressão sexual de uma adolescente que tinha símbolos nazistas e ocultistas esculpidos em seu corpo. Em julho de 2020, outro membro da O9A, Jacek Tchorzewski, foi condenado pelo Harrow Crown Court por crimes de terrorismo e por possuir mais de 500 fotos e vídeos que retratavam crianças de seis anos sendo estupradas e necrofilia. Tchorzewski também possuía nazi e “literatura satanista retratando estupro e pedofilia”. O co-réu de Tchorzewski, Michal Szewczuk, “administrou um blog que incentivava o estupro e a tortura de oponentes, incluindo crianças pequenas” e também foi condenado a quatro anos de prisão por crimes terroristas. Ethan Melzer também pertencia a uma sala de bate-papo criptografada da O9A, onde os membros encorajavam uns aos outros a cometer violência sexual e compartilhavam vídeos desses estupros. Em novembro de 2019, um adolescente de Durham que, de acordo com a BBC News, adere ao “nazismo oculto” e “influenciado pela ONA, procurou se alterar de acordo com sua literatura” foi considerado culpado de preparar um ataque terrorista. Além dos crimes terroristas, ele é acusado de agredir sexualmente uma menina de 12 anos. Ele acabou sendo condenado por cinco agressões sexuais, além dos crimes de terrorismo.

Em março de 2020, um proeminente membro da O9A e ex-líder da Divisão Atomwaffen John Cameron Denton foi acusado pelos promotores de possuir e compartilhar pornografia infantil de abuso sexual de uma jovem menor de idade por seu grupo, além de fazer 134 ameaças de morte e bomba contra repórteres. e comunidades minoritárias. Em 2 de setembro de 2020, outro membro Harry Vaughan se declarou culpado de 14 crimes de terrorismo e posse de pornografia infantil. Uma busca policial em sua casa descobriu vídeos de estupros brutais de crianças, documentos mostrando como construir bombas, detonadores, armas de fogo e livros “satânicos, neonazistas” da ONA aconselhando estupro e assassinato. Além disso, ele foi descrito no Old Bailey como um entusiasta de armas de fogo e vivendo com suas duas irmãs no momento da prisão. Cinco finlandeses também foram presos por abusar sexualmente de várias crianças, segundo a polícia as atividades envolviam “nazismo e satanismo” e consumo de metanfetamina.

Em Montenegro:

O Astral Bone Gnawers Lodge (comumente conhecido como ABG Lodge) é uma afiliada da ONA (“nexion”) que opera nos Balcãs. Na comunidade virtual da ONA o ABG Lodge tem status de nexion de destaque, conhecido por seu projeto musical Dark Imperivm, bem como por seus ensaios polêmicos. Eles são um dos poucos nexions que fizeram e publicaram gravações de vários Cantos Sinistros da ONA.

A ABG Lodge está estruturada como uma sociedade secreta tradicional, liderada por uma matriarca conhecida como ‘Blood Mistress’. ABG Lodge relata que sua fundadora é ‘Zorya Aeterna’, que também é a atual força motriz por trás da organização. Os membros da Loja ABG afirmam que a loja também se baseia nas tradições herméticas e iniciaram sua própria igreja chamada Igreja Gnóstica de Cristo-Lúcifer.

A Ramificação The Legion Ave Satan:

Os Serviços de Segurança Federal da Rússia prenderam um grupo de satanistas em abril de 2020 em Krasnodar suspeitos de “chamadas públicas para realizar atividades extremistas”, incitação ao assassinato devido ao ódio religioso e racial e atividades criminosas contra mulheres. A polícia também apreendeu “material extremista” oculto durante as batidas. Eles pertenciam a um grupo chamado Legion Ave Satan, um capítulo da O9A, usando o Reichsadler nazista segurando um pentagrama e uma espada como seu símbolo. Em sua página VKontakte agora banida, eles reivindicaram nexions em todos os países da CEI, promoveram a O9A e se identificaram como seguidores do “satanismo tradicional” e da “fé pré-cristã”. Eles apareceram pela primeira vez na mídia russa em 2018, quando um adolescente incendiou uma igreja na República da Carélia. O adolescente expressou seu apoio à Legion Ave Satan no VKontakte e postou fotos usando uma máscara de caveira associada à Atomwaffen e à O9A. Ele foi enviado para tratamento psiquiátrico involuntário. O nexion local usava uma antiga granja de aves em Kondopoga para reuniões, e o grupo atraiu crianças para a prostituição de acordo com Moskovskij Komsomolets. Como é o caso em outros lugares, o grupo está conectado ao capítulo local da Atomwaffen. Quatro membros russos da Ordem dos Nove Ângulos foram presos por assassinatos rituais na Carélia e em São Petersburgo.

O LEGADO E A INFLUÊNCIA DA ONA:

A principal influência da ONA não está no grupo em si, mas no lançamento prolífico de material escrito. De acordo com Senholt, “a ONA produziu mais material sobre os aspectos práticos e teóricos da magia, bem como mais textos ideológicos sobre o satanismo e o Caminho da Mão Esquerda em geral, do que grupos maiores como a Igreja de Satã e o Templo of Set produziu em conjunto o que torna a ONA um importante ator na discussão teórica do que é e deve ser o Caminho da Mão Esquerda e o Satanismo de acordo com os praticantes”.

Esses escritos foram inicialmente distribuídos para outros grupos satanistas e neonazistas, embora com o desenvolvimento da Internet isso também tenha sido usado como meio para propagar seus escritos, com Monette afirmando que eles alcançaram “uma presença considerável no ciberespaço oculto”, e tornando-se assim “um dos grupos mais proeminentes do Caminho da Mão Esquerda em virtude de sua presença pública”. Muitos desses escritos foram então reproduzidos por outros grupos. Kaplan considerou a ONA como “uma importante fonte de ideologia/teologia satânica” para “a margem ocultista do nacional-socialismo”, ou seja, grupos neonazistas como a Ordem Negra. O grupo ganhou maior atenção após o crescimento do interesse público no impacto de Myatt em grupos terroristas durante a Guerra ao Terror nos anos 2000. O historiador do esoterismo Dave Evans afirmou que a ONA era “digna de uma tese de doutorado inteira”, enquanto Senholt afirmou que seria “potencialmente perigoso ignorar esses fanáticos, por mais limitados que sejam seus números”.

Na Música e na Literatura:

A influência da ONA estende-se a algumas bandas de black metal como Hvile I Kaos, que segundo uma reportagem da secção de música do LA Weekly, “atribuem o seu propósito e temas às filosofias da Ordem dos Nove Ângulos”, embora a partir de dezembro de 2018 o a banda não está mais envolvida com a ONA. A banda francesa Aosoth tem o nome de uma divindade O9A e tem influência lírica direta do O9A. O álbum Intra NAOS da banda italiana Altar of Perversion tem o nome do ensaio O9A NAOS: A Practical Guide to Modern Magick e mostra o próprio caminho dos membros da banda através do Numminous Way. Algumas músicas associadas ao O9A também foram controversas; The Quietus publicou uma série de artigos durante 2018 explorando as conexões entre a política de extrema direita, a música e a ONA. Filósofo inglês, contista de terror e “pai do aceleracionismo” Nick Land também promoveu o grupo em seus escritos.

Na série de romances de Jack Nightingale de Stephen Leather, uma satânica “Ordem dos Nove Ângulos” são os principais antagonistas. Da mesma forma, um grupo satânico fictício chamado “Ordem dos Nove Anjos” aparece no romance de 2013 de Conrad Jones, Child for the Devil. Em outro de seus romances, Black Angel, Jones incluiu uma página intitulada “Informações Adicionais” dando um aviso sobre a Ordem dos Nove Ângulos.

No primeiro episódio da história em quadrinhos Zenith a antagonista Greta Haas, uma ocultista nazista, realiza um ato demoníaco chamado “O Ritual dos Nove Ângulos”.

Nota:

A ONA usou o termo Satanismo Tradicional em seu Black Book of Satan (Livro Negro de Satã), publicado em 1984. Desde o estabelecimento da ONA, o termo “Satanismo Tradicional” também foi adotado por grupos satanistas teístas como a Brotherhood of Satan (Irmandade de Satã). Faxneld sugeriu que a adoção da palavra “tradicional” pela Ordem possivelmente refletiu uma “estratégia consciente para construir legitimidade”, remetendo à “sabedoria antiga arcana” de uma maneira deliberadamente distinta da maneira pela qual Anton LaVey procurou ganhar legitimidade para sua Igreja de Satã  apelando para a racionalidade, ciência e seu próprio carisma pessoal. Em outro lugar, Faxneld sugeriu que o uso do “satanismo tradicional” pela ONA para se diferenciar das formas dominantes de satanismo tinha comparações com a forma como aqueles que se descrevem como praticantes de “feitiçaria tradicional” o fazem para distinguir suas práticas mágico-religiosas da forma dominante de bruxaria moderna, Wicca. Segundo Anton Long, escrevendo no texto Selling Water By The River “O Satanismo Tradicional é um termo usado para descrever o caminho sinistro que durante séculos foi ensinado individualmente… A este caminho pertence o Sistema Setenário, o Canto Esotérico e o treinamento abrangente de noviços (incluindo o desenvolvimento do lado físico) e, mais importante, o sistema interno de magia (os Rituais de Grau etc.).”

Dados da ONA:

A ONA foi fundada em Shropshire, no Reino Unido. Ela tem estado em atividade dos anos 1960 até os dias de hoje. Ela possui grupos na Europa, Rússia, Estados Unidos, Canadá e Austrália. Seus quartéis-generais estão localizados em: Shropshire (Reino Unido), Carolina do Sul (EUA), Carélia (Rússia), Colúmbia Britânica (Canadá) e Tampere (Finlândia).

À ONA são atribuídas as seguintes atividades criminais: Terrorismo de supremacia branca, abusos sexuais, abuso sexual infantil e prostituição infantil.

Os supostos aliados da ONA são: Atomwaffen Division, Black Order, Combat 18, National Action e Nordic Resistance Movement. A ONA tem como rivais a Igreja de Satã e o Templo de Set.

Os membros mais notáveis da ONA são: Jarrett Smith, Garron Helm, Jacek Tchorzewski, Andrew Dymock, Ethan Melzer, Nikola Poleksić e Mirna Nikčević.

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Referências:

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Order of Nine Angles blog

Fenrir. Journal of Satanism and the Sinister

O9A Archive. An Archive of the Order of Nine Angles

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-historia-e-as-polemicas-da-ordem-dos-nove-angulos/

A Menina da Capa Vermelha

Lendo um excelente texto sobre Satanismo aqui Morte Súbita me deparei com a seguinte parte:

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[…]Responda as seguintes afirmações com um “X”, caso você aceite e afirmação como verdadeira:

[ ] Chapeuzinho Vermelho era uma menina que usava uma capa vermelho porque era sua cor favorita.

[ ] O Lobo Mal Comeu a Vovozinha literalmente.

[ ] Chapeuzinho Vermelho andava tranquilamente por uma floresta quando se deparou com o Lobo-Mal.

[ ] O Caçador matou o Lobo Mal e tirou a vovozinha viva de dentro de sua barriga.

[ ] A Chapeuzinho Vermelho levava doces para sua vovozinha.

1º “Chapeuzinho Vermelho era uma menina que usava uma capa vermelha porque era sua cor favorita” – Não. Chapeuzinho Vermelho usava uma capa vermelha porque na época em que se passa a história o vermelho era a cor das prostitutas. Pode parecer satírico e pitoresco, mas a história original (antes das versões dos Irmãos Grimm) remonta ao século VII, onde o vermelho era a cor das prostitutas e meretrizes. Quando chapeuzinho vermelho saiu de casa para levar doces para a vovozinha, não era exatamente isso que ela supostamente iria fazer na casa da vovó.

2º “O Lobo Mal Comeu a Vovozinha literalmente”

– Não, o “lobo” é comumente associado na cultura antiga como sendo o símbolo dos “garanhões”, das pessoas que procuravam por sexo e por satisfazerem seus libidos, não raro, com prostitutas idosas.

3º “Chapeuzinho Vermelho andava tranquilamente por uma floresta quando se deparou com o Lobo-Mal”

– Provavelmente, Chapeuzinho Vermelho estava fazendo programa na floresta.quando apareceu um “Lobo Mal”.

4º “O Caçador matou o Lobo Mal e tirou a vovozinha viva de dentro de sua barriga.”

– “Caçador’ também é comumente referido na literatura antiga e medieval como pessoa valente, cumpridora de lei, oficial de justiça. há uma figura de linguagem na expressão pois, em verdade, o que pode estar explicito neste caso é de que um homem da lei “flagrou” o ato entre o “lobo” e a “vovozinha”.

5º “A Chapeuzinho Vermelho levava doces para sua vovozinha.”

– Doces são comumente associados a sexualidade.

– Fonte: Livro “Der Ursprung der Märchen”

Vocês jamais pensariam isto de uma história infantil não?

———–

Bem, a pergunta final ficou em minha cabeça, por isso decidi respoder a ela; dizer o que penso desta história infantil em especial.

Quando eu chego no final da descida eu me volto para o topo da rampa, onde eu paro e me volto e torno a  percorrer o mesmo trajeto até chegar ao fundo, onde finalmente o vejo de novo. HELTER SKELTER.

Os símbolos controlam os homens, os safados controlam os símbolos. Podemos tirar algumas conclusões interessantes disso. Vejamo-as.

É curioso que apesar dos Grimm Brothers terem se tornados famosos por serem os monteiros lobatos da câmara cascudo da Alemanha, a versão mais antiga registrada desta história em particular é francesa, pela pena de Charles Perrault. Perrault viveu entre 1628 e 1703, o dueto alemão surgiu mais de 80 anos depois da mort deste digno francês e acabaram reescrevendo algumas das histórias que a Ganso gigante lhe ditou, talvez seja por isso que que na metade do séc XX Hitler tenha rumado para a terra do queijo, para apagar todo e qualquer registro de Perrault e declarar então a alemanha a dona deste e de outros contos.

Agora tirando este fato sem importância é curioso notar que hoje chamamos tais relatos de histórias para crianças, mas na época elas não tinham nada disso, esses contos eram a versão antiga do Notícia Populares para analfabetos, já que eram passados oralmente, em sua maioria mostravam como o mundo poderia ser cão e ainda não haviam inventado os finais felizes, então eram relatos bem pesados e sujos.

Agora, se pudéssemos captar a essência de um pensamento e rastreá-lo em várias mentes, farejando o caminho que uma idéia tomou de mente para mente, e se nos desprendermos desta ilusão gosmenta de espaço e tempo, poderíamos ver que Perrault simplesmente transcreveu uma versão popular de vários contos que já circulavam, veja que por exemplo esta história já era conhecida, com variantes é claro, pelos camponeses franceses do século XIV assim como na itália onde o título do headliner grotesco era: “La finta nonna” ou a falsa avó. Em outros cantos latinos da europa ainda era conhecida uma versão similar chamada de “História da Avó”. Para aqueles que gostam do velho Balzac ainda temos um link com uma senhora de idade esperando visitas na cama.

Vamos fazer uma pausa lupina agora. Lobos, por algum motivo quase sempre foram associados com sexo, Roma foi fundada por dois gêmeos, Remo – A.k.a. desarmado e perigoso – e Rômulo – A.k.a. quem dá esse nome par auma criança? – que foram criados por uma…………………

Exato, quem respondeu prostituta ganha uma bala (bala de verdade não um narcótico).

Na época e na região prostitutas eram chamadas de Lobas e apesar de achar que aquela estátua famosa dos dois bebês sentados do lado de um loba que parece o logo de uma companhia de gás ficaria melhor se mudassem pra a estátua de uma dama da noite realizando um lap dance enquanto toma conta das crianças dá para entender porque é que com o tempo zoomorfizaram de vez a pobre mulher.

Agora voltemos para a França. Como Freud diria se você não está pensando em fazer sexo selvagem e descabelado com a sua mãe agora, deveria! Logo aquele bando de camponeses que existiam antes de se inventar a televisão a cabo e que não sabiam ler possivelmente passavam o dia pensando em fazer sexo, tentando fazer sexo ou mesmo fazendo sexo, o que deveria render boas histórias de vinganças, noitadas e cartas para o fórum da Ele&Ela. Mas na época havia outra coisa rolando na frança também naquela época e vamos falar dela assim que revirmos outro ponto interessante da história:

Nem todos os relatos nos falam de um destemido lobo mal, muitos deles falavam de outro personagem, não é mesmo meu amigo?

Sim!

É isso mesmo, falavam que a menina foi achacada por um Ogro, e outras vezes ainda, surpresa, por um ‘bzou’. Essas também eram figuras clássicas mas não eram associadas a garanhões sexuais como o Rambo na festa da Kitty, eram associados com ladrões e bandoleiros, mas isso claro se você acreditar nessas figuras míticas, nós sabemos que ladrões, bandoleiros e unicórnios não existem.

Para aqueles não familiarizados com o termo bzou, na França no século XVIII circulavam notícias de que:

“Uma Fera monstruosa semeia o pavor e o desespero na região, atacando e matando sem cessar, especialmente crianças, adolescentes e mulheres.”

A data disso foi 1762, bem depois de Perrault, mas ainda muito antes dos Irmãos Grimm, mais para frente toco neste assunto.

Resumidamente este dita fera fez como primeira vítima uma menina de catorze anos, Jeanne Foulet. Dentro de pouco tempo, mais adolescentes. Em seguida, uma mulher de trinta e seis anos, que cuidava do seu jardim, em frente a casa. A região onde isso aconteceu foi Gévaudan, o mesmo lugar onde Mark Dascascos filmou O Pacto dos Lobos, que por coincidência conta exatamente esta história, com a diferença do filme não ter tido medo de descrever como todos lutavam kung fu na época.

A Igreja, fazendo o seu papel declarou que a Fera era fruto da cólera divina, por pecados cometidos pelo povo: O pavor tomou conta de todos.

Apesar de todos de bom senso dizerem que aquilo era um lobo que matava pessoas os relatos de quem havia encontrado o bicho a descrevia como:

“Tem o porte de um vitelo de um ano os olhos grandes como ele; é baixo na parte da frente e as patas são providas de garras; a cabeça é grande, terminando em focinho alongado; as orelhas são menores do que as de um lobo e espetadas, como chifres; o peitoral é largo e recoberto de pêlos acinzentados; os flancos são avermelhados; acompanhando a espinha, uma listra negra. Mas o que mais impressionava a todos era a sua goela, uma bocarra imensa e provida de afiadíssimas presas, capazes de decepar as cabeças das vítimas como uma navalha. Goela horrenda.

Descreviam-no ainda como tendo andar lento e correndo aos pulos, em velocidade inacreditável. Era visto ora num lugar e ora noutro, a distância que nenhum animal poderia percorrer dentro daquele espaço de tempo. Alguns concordavam que ele pudesse ser semelhante ao lobo; mas eram todos categóricos ao afirmar que não era, em absoluto, um lobo, mas uma fera jamais vista antes.”

Uau….

Sim, se quiserem ver o desfecho desta história podem acessá-la aqui.

Bem, puxei todo mundo para cá para mostrar que na frança e europa da época os bzous não eram os bandidos ganhando fama, mas o que hoje chamamos de lobisomens.. ahhh e naquela época eles estavam por toda parte em todos os lugares.

E isso dá uma reviravolta interessante no conto registrado. As versões mais antigas e distantes que teriam semelhança vem do bom e velho oriente onde o atacante chega mesmo a ser descrito como um tigre, mas na europa era o Ogro, que mesmo sendo um mostro podia conversar e se comunicar, isso é… até os lobisomens chegarem. E o lobo se torna um vilão popular, mas não qualquer lobo, aqueles que podem falar e caminhas em duas patas também.

Veja, nas primeiras versões da história o lobo não “come” a avozinha, nem tampouco a come – sim desculpem posso ouvir os falos se encolhendo dentro das calças. Ele a mata. Então fatia o corpo e coloca a carne em uma travessa, drena o sangue e o coloca em uma garrafa. Quando a pobre Chapeuzinho chega em sua mui humilde morada a avó a convida para jantar e faz a menina devorar a carne crua e a beber o sangue dizendo que é vinho. E só então a chama para a cama. As versões mais antigas terminam com a menina sendo morta pelo lobo, outras ainda dão uma chance para a menina que percebe a arapuca e muito esperta diz para a avó que comeu tanto que precisa ir cagar, que não quer sujar a cama. A avó, matreira, diz que para não se sentir sozinha e para que a menina não se perca na floresta, vai amarrar uma corda na mão ou no pé da netinha. A menina sai de casa, amarra a ponta da corda em alguma coisa e foge, mas não sem antes ouvir algo semelhante a: “Meretriz, você comeu a carne da sua avó e bebeu o seu sangue”.

Um detalhe importante é que o lobo a faz tirar a roupa e a jogar na lareira antes de ir para a cama. Outro detalhe importante é que em todas essas versões, pré Perrault não existe o caçador/lenhador/this is fucking L.A.P.D. open your door! – a menina quando foge, simplesmente foge, pelada, floresta a dentro.

Outro detalhe é que a capa vermelha foi invensão do Perrault também, antes dele a menina não era nem “uma atraente e bem educada moça de família”, nem usava a capa vermelha. Em 1967 Perrault publica o livro: Histoires et contes du temps passé, avec des moralités. Contes de ma mère l’Oye (Histórias e contos do passado, com moral. Contos da Mamãe Ganso). Vejam que existe já no título uma dica de que vai rolar uma moral, você vai ter que aprender algo, não apenas se divertir, e o próprio Perrault disse na época que o objetivo da história era mostrar que não faz bem para meninas dar ouvidos a estranhos, basicamente ele fez o que nossas mães fazem conosco só que de uma maneira longa e com uam roupa vermelha. Também era o objetivo desta nova versão mostrar para as senhoritas o que os homens são capazes de fazer para ver elas peladas.

Agora o caçador só surge depois na alemanha, que de fato tem um fetiche por esses tipos sarados que carregam coisas fálicas para manter a lei. Os irmãos Grimm colocaram este personagem em sua versão de 1812. Outro fetiche dos alemães da época era fazer um lobo engolir crianças, seja uma menina (chapeuzinho vermelho), um menino (pedro e o lobo) ou várias delas (o lobo e as sete crianças), e depois fazer alguém abrir a pança do bicho sem ele acordar, tirar o que tem dentro e encher de pedras costurando novamente para ele morrer afogado quando for beber água. Talvez esteja ai a origem dos relatos de pessoas que dizem que foram dormir, de repente se viram numa mesa com uma criatura estranha fazendo experimentos nela, a abrindo e costurando, a enchendo de implantes e a devolvendo para a cama.

Agora de fato quando analizamos o significado deste conto podemos chegar a algumas conclusões interessantes, como muitos já chegaram. Deixando de lado o obvio: não fale com estranhos! podemos seguir o caminho do Dr. Valerius da universidade de Calgary, que escreveu uma tese de que o conto de fato falava do perigo de você topar com um lobo no meio do mato. Existem aqueles que por algum motivo acham que tudo é um mito solar e associam a capa vermelha ao sol, que é devorada pela noite – o lobo – para depois ser resgatada de suas entranhas – o alvorecer (e ai é óbvio que surgem os fãs de Black Metal Nortico e afirmam que a prova disso é que o lobo da chapeuzinho é SKöl, o lobo da terra de Odin que engole o sol personificado no Ragnarok). Da mesma forma dizem que o conto reproduz o ritual de passagem pela puberdade, o renascimento, o despertar sexual, etc… Mas vamos lembrar que antes dos Grimm e de Perrault o caçador, a capa vermelha e mesmo o lobo não eram constantes e muitas vezes sequer existiam.

E agora crianças, fechem os olhos, vou tocar naquele assunto lá de cima: grande parte da europa foi assolada por ataques de lobisomens. Existem registros, existem monumentos, existem documentos de época que mostram como o povo se f****a na mão dos bichos. Assim podemos supor porque é que de todos os personagens sinistros o lobo (o mesmo que Gengis Khan dizia ser seu antepassado) se tornou o vilão nào apenas desse conto mas de vários.

Claro que a idéia estritamente sexual é divertida, mas nesse caso eu imagino a interpretação dos três porquinhos, era um lance meio sauna gay com um garanhão tentando provar de outra fruta e sendo rejeitado pelo trio?

L.

por LöN Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-menina-da-capa-vermelha/

Atabaques e Ilusões

O osirianismo (e.g religiões abraamicas) atualmente utiliza várias máscaras. Mostra-se mais facilmente visível no cristianismo e suas variações, mas, em Verdade vos digo, o osirianismo é bem aberto nas chamadas religiões Afro (Candomblé, Umbanda e Quimbanda). Os rituais, as festas, o comportamento das pessoas e dos sacerdotes.. Enfim, o osirianismo impregna a atmosfera destas religiões como uma pestilência infindável. Um exemplo disto é o fato de que em uma das etapas do processo iniciático dalgumas nações do candomblé, os participantes devem assistir uma missa.

Muitas pessoas iludem-se pela idéia de falsa liberdade que estas religiões transmitem, principalmente em torno da homossexualidade. Ao contrário de outros terrenos osirianos, as religiões Afro toleram bem manifestações diferentes de sexualidade. Isto incute nas pessoas uma idéia de falsa liberdade e de uma concepção de libertinagem extrema (que em muitos casos, se confirma).

As religiões Afro são religiões de imagem. Se o seu namorado não lhe quer mais, isto não é problema: fale com uma Pomba-Gira (uma entidade de Quimbanda, conhecida por muitos como o “lado negro” das religiões Afro) e em sete dias, depois de algumas oferendas para ela, ele volta cheio de amor e doçura. Se o problema é dinheiro, não tem erro: fale com um pai-de-santo que trabalhe com Oxum (uma entidade ligada à água doce e à riqueza material) e, sete quindins, uma bandeja de canjica amarela e uma galinha depois, tudo se resolverá.

E tenha certeza, as coisas acontecerão.

Seduzidas pela propaganda, pelo que vêem acontecer, muitas pessoas embarcam no sistema. Aí tem-se início o processo de vampirização que irá durar indefinidamente na vida do novo adepto. Cada vez mais escravo dos orixás que lhe dão as coisas que necessita, o adepto não percebe que está retroalimentando entidades sedentas de energia, da sua energia vital. Assim, obedece a elas que de certa forma, obedecem ao pai-de-santo (afinal, ele foi o intermediário entre a nova fonte doadora de energia e estes cascarões esfomeados) que – infeliz iludido – obedece aos orixás que lhe escravizaram. Enfim, um círculo vicioso de vampirização e subserviência.

Os sacerdotes (pais-de-santo/mães-de-santo) são os piores escravos deste sistema alienante e vampirizador. São completamente cegos por conta dos incontáveis caprichos de seus orixás, senhores absolutos de tudo o que refere-se à suas vidas. Escravizados pelas entidades, não hesitam em transmitir esta mesma situação aos “filhos-de-santo”. São “trabalhos” em praias, matos, campos, cachoeiras; rituais no mínimo uma vez por semana; festas homenageando orixás uma vez ou mais por mês (onde muitas vezes existe a necessidade imperiosa de confecções de roupas especiais); ajuda financeira para manter o terreiro; oferendas e “trabalhos de reforço” esporadicamente; paramentos (trajes, colares, instrumentos etc) elaborados; odediência inquestionável à autoridade do sacerdote e da (s) “entidade dona da casa” …

Tais entidades nada mais são do que cascarões esfomeados por energia vital fresca que assumem os nomes de outros cascarões já conhecidos. Baseio esta afirmação nos seguintes questionamentos:

1) Como pode existir ao mesmo tempo, por exemplo, um Xangô em um terreiro em Nova Friburgo (RJ), outro em Fortaleza (CE) e outro em Passo Fundo (RS)?

2) Partindo-se do pressuposto de que existisse uma só manifestação de cada orixá, como esta iria estar em todos os terreiros do Brasil quando fosse lá chamada em uma data especial, como por exemplo, no dia 23 de Abril (dia da tradicional festa de Ogum no Brasil)?

3) Se cada um dos orixás que existem é um ente singular, por que se perguntarmos a uma Pomba-Gira de um terreiro localizado em São Miguel do Oeste (SC) sobre todos os seus “filhos” ela só irá responder sobre o adepto em que está “baixada” naquele terreiro?

Experimente perguntar isto a um sacerdote ou adepto para ver o que ele lhe responde… Justamente pela falta de coerência das respostas de vários deles e pela observação e contato direto que já tive com esta religião é que faço minhas afirmações.

Iansã, Ogum, Nanã, Logun-Edé e outros não passam de cascarões com fome. São estes cascarões de nomes amigáveis que, alimentados a níveis estratosféricos de energia, adquirem uma força considerável. Esta força é o fator determinante e que permite a estas entidades interferirem diretamente nas vidas de seus seguidores. Desta forma é que ocorrem os famosos “castigos” àqueles que ousam abandonar a religião depois de algum tempo: indignadas pela perda de sua fonte de energia e já tendo adquirido uma força maior de atuação, as entidades fazem com que a vida destas pessoas torne-se um verdadeiro tormento.

E novamente vê-se a imagem agindo em conjunto com o medo impingido aos seguidores destas religiões mantendo “as coisas em seus lugares”. O medo que estes possuem de tudo perder caso questionem certas determinações que justificam-se por dogmas oriundos de uma mistura de catolicismo e antigo paganismo africano, é um ingrediente essencial para que esta situação subserviente das religiões Afro permaneça imutada. Medo este reforçado pela imagem daqueles que renegaram a religião, foram à bancarrota, voltaram para o sistema escravista e conseguiram “dar a volta por cima” (que não são poucos, diga-se de passagem).

Muitos podem dizer que as pessoas que isto fazem, o fazem por não terem escolha. Porém, todos nós sabemos que este é um juízo de valor equivocado. Há possibilidade de se evitar a auto-ilusão? Há, claro. Mas bem sabemos que o comodismo e a facilidade alienante de não ter que se preocupar com muita coisa são ótimo; e a imagem, quando bem trabalhada, é um forte argumento para derrubar dúvidas. Então, para quê questionar? Por que dizer não para um sacerdote Afro que vem com a velha história do “teu orixá está te chamando e se tu atenderes, tua vida com certeza vai melhorar”?

Assim, por estar contaminada com esta pestilência osiriana é que considero inviável para um satanista realmente emancipado comungar com quaisquer destas religiões. Nenhum satanista irá procurar alguma espécie de consolo ou apoio nestes cascarões esfomeados para resolver seus problemas; ele próprio irá resolve-los satisfatoriamente. Enquanto isso, dia 02 de Fevereiro, os “africanistas” dirigem-se à praia usando vestes brancas e colares de contas azuis na esperança tola.de que seus problemas se esvairão ao pular sete ondas para Iemanjá…”

Por: Dark Velvet

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/atabaques-e-ilusoes/

Dossiê Beatles

 

Volta e meia o mundo é sacudido por algum fato, história ou boato a respeito do ‘fenômeno’ Beatles. Nenhuma banda ou grupo, em tempo algum, conseguiu influenciar tanto, tantas gerações seguidas como os Beatles. Mesmo após terem se passado três décadas da separação da banda ainda se percebe vez ou outra alguma influência, seja nos sons, ritmo ou letras que lembram algo deles. A verdade é que o rock estava em declínio nos Estados Unidos, quando os Beatles surgiram, no início dos anos 60. Os principais líderes da revolução rock haviam saído de circulação. Elvis Presley estava no exército e Chuck Berry na prisão. Buddy Holly e Eddy Cochran haviam morrido. Enfim, a música pop, que havia surgido na década anterior apresentava evidentes sinais de desgaste. A banda foi, portanto, um dos maiores canais de divulgação das seitas orientais, do uso indiscriminado das drogas, principalmente as alucinógenas e da rebeldia deflagrada contra a sociedade já desgastada e de certa forma conservadora. O ‘gosto’ pelas mensagens subliminares começou depois de uma visita do ex-beatle George Harrison à India em 1967, quando foi iniciado na seita hindu conhecida como Hare Krishna, pelo guru Maharishi, tornando-se adepto do movimento e seu maior divulgador no mundo ocidental. O movimento Hare Krishna (Hare=modo imperativo do verbo Hara, que significa ‘vibrar’, e Krishna é o nome de um deus na India) cresceria a partir de então de maneira assustadora, através da influencia causada pelos conteúdos do movimento contidos nos discos do grupo, como frases ou mantras (mantra=frases ou cânticos que são utilizados como invocatórios de entidades, semelhantes as utilizadas na Umbanda, Candomblé, Vodu, etc.) Estas influências podem ser destacadas principalmente nos discos: My Sweet Lord (Meu doce senhor), Living in the Material World (Vivendo no mundo material), Within You, without You (Dentro de você, sem você), The Hare Krishna Mantra (O mantra Hare Krishna). O excesso no uso indiscriminado de drogas, o orgulho exacerbado devido à fama, status e muito dinheiro, foram pouco a pouco minando e desagregando a união do grupo, até a dissolução total, quando cada um seguiu sua carreira solo. Não custa lembrar a infeliz e ‘maldita’ declaração de Lennon, que eles, Beatles, eram mais populares que Jesus Cristo. E aí, o sonho acabou…

VAMOS ÀS MENSAGENS

Consumo de drogas:

A canção “Lucy in the Sky with Diamonds” tem como iniciais as letras L.S.D (sigla do ‘Acido Alisérgico’) droga muito difundida na década de 60. Caetano Veloso, no movimento contemporâneo aos Beatles no Brasil, chamado tropicália, repetiria a dose com a canção “Alegria Alegria”, que também tem a mesma sigla – L.S.D. A canção “Day in the life” diz respeito a uma atemorizante viagem psicotrópica. “Yellow Submarine”, grande sucesso do grupo, era na verdade uma gíria para drogas. A canção “Magical mystery tour” faz o seguinte convite: ‘…Arregace sua manga, arregace sua manga, a tournée e misteriosa vem para lhe arrebatar…’ A canção “Hey Jude”, que pode ser traduzida também como ‘Hey viciado’ faz uma alusão clara às drogas, mais especificamente à uma agulha debaixo da pele: ‘…Lembre-se de deixá-la entrar debaixo de sua pele, e então começara a sentir-se melhor’. A revista Time depois de analisar o álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (A Banda do Clube dos desamparados do Sargento Pimenta, gravado em 1967), descreveu o trabalho como ‘ensopado’ nas drogas.

Necrofilia:

Estive analisando o ‘Álbum Branco’ e certamente a música (se é que pode classificá-la desta forma) “Revolucion 9” é a mais estranha e misteriosa de todas as músicas que o grupo produziu. O que mais nos chamou a atenção, é que ela lembra uma alucinante viagem de ácido, e, dentre os sons de sirenes, gemidos de crianças, grunhidos de porcos, metralhadoras, etc., a única frase inteligível é “Number Nine”. Ora, isso nos levou quase que instintivamente a ouvir esta frase, em rotação contrária, e qual foi a nossa surpresa, a frase em ‘backward masking’ diz: “Turn me on DIED man” – Excite-me homem morto !

Ocultismo:

Na canção “Revolucion 9”, este número é repetido várias vezes nesta música. O número 9 é um dos números mais usados no ocultismo. As canções “Helter-Skelter” (Grande Confusão), “Blackbird” (Pássaro Negro), “Piggies” (Porcos), “Revolucion 1” e “Revolucion 9”, contém mensagens declaradamente ocultistas, contidas nas entrelinhas, ou seja – subliminares, e o mais interessante, estas cinco, fazem parte do “Álbum Branco”

Violência:

Uma das músicas que incitam ao crime é “Piggies”. A parte final desta música, descreve casais de Piggies (porcos) comendo bacon de garfo e faca. Na canção “Revolucion 9” nós observamos sons de metralhadora disparando e pessoas chorando, gritando ou morrendo.

Nas Capas:

Sgt. Pepper’s (1967) – Título da 1ªfoto: “Sgt. Pepper’s se tornou o hino oficial da cultura hippie” (S.Lawhead, Rock Reconsidered) Afirma-se que o grupo gastou cerca de 400 horas com a gravação deste álbum, das quais 200 foram empregadas na inserção de mensagens subliminares (Youth Aflame-out/82). Este álbum é caracterizado pela policromia modal (entrelaçamento de ritmos, utilização de recursos técnicos e música erudita). Este trabalho marca também a transição do rock tradicional para o rock progressivo. Esta capa está recheada de mensagens subliminares. Na verdade, todo o conjunto de elementos desta capa estão retratando uma espécie de funeral. Observe o esquife (caixão) coberto de flores vermelhas. Abaixo dele há um arranjo de flores amarelas, com a forma de um contra baixo, de canhoto, que seria de Paul ! (veja os comentários em ‘Abbey Road’).Veja que estranhas estas declarações de Paulo Coelho (As Valkirias-pag.127):

“…E as pessoas sempre respeitam mais aquele que diz coisas que ninguém entende. Do resto – Hare Krishna, Meninos de Deus, Igreja de Satã, Maharishi -, do resto todo mundo participava. A Besta – a Besta só para os eleitos ! “A lei do forte”, dizia um texto dela. A Besta estava na capa do Sargent Pepper’s, um dos mais conhecidos discos dos Beatles – e quase ninguém sabia. Talvez nem os Beatles soubessem o que estavam fazendo quando colocaram aquela fotografia lá.”

Paulo Coelho, ex-parceiro de Raul Seixas na composição de dezenas de músicas, neste trecho estaria fazendo uma citação ou referência a foto de Aliester Crowley, que estaria colocada nesta capa. Crowley (falecido em 1947), de quem eram discípulos indiretos, pois nem Raul, nem Coelho chegaram a conhecê-lo pessoalmente, é considerado o maior satanista deste século, e até hoje é cultuado por seus seguidores, e que usava também este nome “A Besta”. Conta-se que certa vez, durante um ritual satânico, sado-masoquista, Crowley fizera com que uma mulher praticasse uma relação sexual com um bode (o animal mais cultuado dentro do satanismo) e no momento do orgasmo, este teria imolado o animal, cortando seu pescoço. (Se você tiver interesse, estaremos abrindo uma biografia completa de Crowley, neste site)

“Abbey Road” Lançado em 26/set/69, cinco anos depois da suposta morte de Paul

É sem dúvida a capa mais polêmica de todas pesquisadas. Recentemente (21/out/00) a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, apresentou “Paul is Dead”. O filme revive o boato da morte do ex-beatle Paul McCartney, em 1966, quando a banda estava no auge. Segundo esse boato, Paul teria sido decapitado em um desastre de carro na Inglaterra e para evitar o choque que a notícia causaria nos fãs, um sósia foi colocado em seu lugar, e assim a banda deu seqüência à sua dominação mundial. John Lennon, que nunca engoliu a farsa, passou a espalhar pistas subliminares da morte do parceiro pelas famosas capas dos álbuns da banda. O filme é autobiográfico já que seu produtor conta a história exatamente como a conheceu: quando tinha 12 anos e ouviu-a no rádio. O filme é um trabalho de mestrado do diretor Hendrik Handloegten, 32, alemão formado na German Film and Television Academy. A verdade sobre a morte de Paul, teria vazado nos Estados Unidos, e divulgada por um DJ de uma rádio de Detroit. A noticia correu o mundo, virou obsessão de fãs-detetives durante anos, se transformou em livros, especiais de TV, sites e agora filme. (Folha de S.Paulo-20/out/2000). Alguns estudiosos realmente constatam diferenças nas músicas compostas antes e depois de 66, por Paul. O material de pesquisa desta pagina é do autor do site. Somente as relacionadas a Abbey Road, fazemos citação de Hendrik, e Lúcio Ribeiro (reportagem local) da Folha de S.Paulo (20/10/00). Se você tiver algum material, que possa acrescentar mais informações, mande seu email e a fonte, que estaremos publicando.

O Funeral – Os 4 Beatles, andando em fila, simbolizam a procissão de um enterro. John , de branco, seria o padre; Ringo, de preto, o agente funerário; Paul é o morto, e Harrisson seria o coveiro.

O Carro Na rua, um carro parece vir em direção a Paul. Ou, como os ingleses dirigem na mão esquerda, parece que o carro já atingiu Paul e segue em frente

O Carro de Policia- Um carro de policia, entre John e Ringo, esta parado. Parece estar atendendo a alguma ocorrência, como um acidente.

A Mancada – A mancada maior, o cigarro na mão direita de Paul. Ele era canhoto. Erro do sósia?

Pés descalços Paul é o único beatle de pés descalços. Há um costume de ingleses ser enterrado de pés descalços. Detalhe: seus olhos também estão fechados.

A chapa de um fusca que aparece à esquerda traz a inscrição LMW 28IF. O LMW poderia significar a abreviação de “Linda McCartney Weeps” (Linda McCartney Chora) ou “Linda McCartney Widow” (Linda McCartney Viuva). O 28IF seria “28 years IF alive”, o mesmo que 28 anos SE vivo, se referindo à idade de Paul à época do disco, se não tivesse morrido. Paul, na verdade, tinha 27. Mas, era o dito, em religiões indígenas a idade de uma pessoa é contada a partir da gestação. Então ela já tem 9 meses quando nasce. Logo, Paul teria 28 anos, na época.

Charles Manson

A prova mais concreta dos efeitos das mensagens subliminares dos Beatles. Ninguém interpretou mais realisticamente e encarnou tão enlouquecidamente as mensagens contidas nas entrelinhas dos trabalhos dos Beatles, como Charles Manson, ou Charles The “Man’s Son” (Charles, o filho do Homem, maneira pela qual era chamado Jesus Cristo, no evangelho). Não assinava mais Charles Milles Manson, mas “Charles Will is Man’s Son” Charles era o líder e uma espécie de guru de um pequeno grupo de hippies chamado ‘A Família’, que viviam na periferia das cidades, vendendo drogas, praticando sexo grupal, roubando e realizando cerimônias ritualisticas. Ficavam ouvindo durante horas seguidas suas canções em busca de pistas e símbolos ocultos. Eram na verdade uma espécie de seita, destas apocalípticas de alucinados fanáticos que volta e meia aparecem na mídia atual. Quando os Beatles lançaram o ‘Álbum Branco’, ele gastou muito dinheiro (em cartões de crédito roubados, claro!) ligando para Londres e deixando recados como “Diga ao Paul e ao John que eu entendi tudo !”, como se as mensagens do disco fossem realmente dirigidas a ele. Em 9 de agosto de 1969, Manson começaria a ter notoriedade internacional como um dos ícones mais idolatrados deste século. Ex-presidiário, carismático e desesperadamente apaixonado pelos Beatles, Manson e a ‘família’ cometeriam um dos crimes mais hediondos da história. Cinco pessoas pagaram com a vida, as loucas interpretações das letras das músicas inspiradoras dos homicídios. Eles entraram na mansão em Beverly Hills, alugada pelo cineasta Roman Polanski (diretor de ‘O bebê de Rosemary’). Curiosamente uma das vítimas era sua esposa, a bela Sharon Tate, atriz promissora, com 26 anos de idade e que estava grávida de oito meses. Mesmo assim, ela não foi poupada, seu corpo foi perfurado 16 vezes pela longa lâmina de uma baioneta, e depois, enforcada. Os assassinos confessaram depois que gostariam de ter arrancado o bebe de sua barriga. Na noite seguinte, o grupo entraria em outra mansão e repetiria a tragédia com o casal Leno e Rosemary La Bianca, proprietários de uma rede de supermercados, considerados “piggies”, porcos, para Manson. Vicente Bugliosi, que foi designado pela justiça norte-americana como promotor para atuar nos casos Sharon e La Bianca, no final do processo escreveu um livro sobre o caso com a colaboração de Curty Gentry (Manson: Retrato de um crime repugnante. Tradução de A.B.Pinheiro Lemos. Editora Record-1978. R.Janeiro. 705 páginas). Vicente constatou a incrível semelhança da cena que viu, o casal morto com dezenas de golpes de garfos e facas e na parede, escrita com o próprio sangue, a frase “Death to Piggies” (morte aos porcos) com a música dos Beatles – “Piggies”. Segundo Manson, os brancos ricos eram os ‘piggies’ e a revolução negra era descrita em ‘Blackbird’ e ‘Revolucion 9’ virou ‘Revelacion 9’ como sinal de sua confusa ideologia, fazendo analogia ao Novo Testamento. Outra música que o levou a prática de crimes foi “Helter-Skelter”, onde se ouve grunhido de porcos e metralhadora disparando. Cria também que os Beatles eram os 4 anjos mencionados no livro do Apocalipse, último livro da Bíblia, e que ele, Charles era o quinto anjo do mesmo livro, ou o quinto beatle, Stuart Sutcliff, que em 1962, morrera na Alemanha. Se as teses de Vicente Bugliosi são infundadas, por que G.Harrison não permitiu as citações das letras do grupo em seu livro?

Mesmo cumprindo prisão perpétua numa penitenciária, Manson continua fazendo discípulos na música pop. Um dos casos mais recentes foi o de Axl Rose, da banda Guns N’Roses. “The Spaghetti Incident” seria apenas mais um disco da banda, se entre as músicas não houvesse a “Look at your game, girl” de ninguém menos que Charles Manson. Axl que durante muitos shows da banda também desfilou com a imagem de Manson estampada numa camiseta, tentou justificar a escolha da canção de Manson, um dos assassinos mais frios que o mundo conheceu, porque a música tinha uma letra ‘interessante’. O mais novo fã usa o nome de Manson junto com o de Marilyn Monroe, no seu nome artístico. Trata-se de Marilyn Manson, andrógino, bissexual, satanista assumido que chega a assustar até mesmo metaleiros pesados, fãs de Iron Maiden, Ozzy e companhia. Anton La Vey, autor da Bíblia satânica e fundador da Igreja de Satã, nos Estados Unidos (já falecido), consagrou Marilyn sacerdote satanista antes de falecer.

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A História de Anton Szandor LaVey

Por Magus Peter H. Gilmore © 2003.

Anton Szandor LaVey (1930-1997) foi o fundador da Church of Satan (Igreja de Satanás), a primeira igreja organizada nos tempos modernos a promulgar uma filosofia religiosa que defende Satanás como o símbolo da liberdade pessoal e do individualismo. Ao contrário dos fundadores de outras religiões, que reivindicavam uma “inspiração” exaltada entregue através de alguma entidade sobrenatural, LaVey prontamente reconheceu que usou suas próprias faculdades para sintetizar o Satanismo, com base em sua compreensão do animal humano e insights obtidos de filósofos anteriores que defendiam o materialismo e individualismo. Sobre seu papel de fundador, ele disse que “se ele mesmo não o fizesse, outra pessoa, talvez menos qualificada, teria feito”.

Nascido em Chicago em 1930, seus pais logo se mudaram para a Califórnia, o ponto de encontro mais ocidental para as manifestações mais brilhantes e sombrias do “Sonho Americano”. Era um ambiente fértil para a criança sensível que eventualmente amadureceria em um papel que a imprensa chamaria de “O Papa Negro (Black Pope)”. De sua avó do leste Europeu, o jovem LaVey aprendeu sobre as superstições que ainda existem naquela parte do mundo. Esses contos aguçaram seu apetite pelo outré (excêntrico), levando-o a se envolver na literatura sombria clássica, como Drácula e Frankenstein. Ele também se tornou um ávido leitor das revistas pulp, que primeiro publicaram contos agora considerados clássicos dos gêneros de terror e ficção científica. Mais tarde, ele fez amizade com autores seminais de Histórias Bizarras (Weird Tales), como Clark Ashton Smith, Robert Barbour Johnson e George Hass. Sua fantasia foi capturada por personagens fictícios encontrados nas obras de Jack London, em personagens de histórias em quadrinhos – como Ming, o Impiedoso (Ming, the Merciless), além de figuras históricas de um elenco diabólico como Cagliostro, Rasputin e Basil Zaharoff. Mais interessantes para ele do que a literatura oculta disponível, que ele descartou como sendo pouco mais do que magia branca hipócrita, eram livros de conhecimento obscuro aplicado, como Lições Práticas de Hipnotismo (Pratical Lesson in Hypnotism) do Dr. William Wesley Cook, Navios de Combate (Fighting Ships) de Jane e manuais para análise de caligrafia.

Suas habilidades musicais foram notadas cedo, e ele recebeu liberdade de seus pais para experimentar vários instrumentos. LaVey foi atraído principalmente pelos teclados por causa de seu alcance e versatilidade. Ele encontrou tempo para praticar e poderia facilmente reproduzir músicas ouvidas de ouvido sem recorrer aos fake books (partituras de jazz) ou às partituras em geral. Esse talento viria a ser uma de suas principais fontes de renda por muitos anos, principalmente seu calíope tocando durante seus dias de carnaval, e depois suas muitas passagens como organista em bares, salões e boates. Esses locais lhe deram a chance de estudar como várias linhas melódicas e progressões de acordes balançavam as emoções de seu público, desde os espectadores do carnaval e shows de fantasmas, até os indivíduos que buscavam consolo para as decepções em suas vidas em destilados e na fumaça. tabernas cheias para as quais a música de LaVey fornecia uma trilha sonora.

Seus interesses estranhos o marcavam como um estranho (outsider), e ele não aliviou isso sentindo qualquer compulsão de ser “um dos garotos”. Ele desprezava as aulas de ginástica e esportes de equipe e muitas vezes faltava às aulas para seguir seus próprios interesses. Ele era um ávido leitor e assistia a filmes como aqueles que mais tarde seriam rotulados de film noir, bem como o cinema expressionista Alemão, como M, O Gabinete do Dr. Caligari e os filmes do Dr. Mabuse. Seu modo de vestir chamativo também serviu para amplificar sua alienação do mainstream. Ele abandonou o ensino médio para andar com tipos de bandidos e gravitou para trabalhar no circo e carnavais, primeiro como um trabalhador nos bastidores do circo e garoto de gaiola e depois como músico. Sua curiosidade foi recompensada através de “aprender as cordas (a dominar as suas habilidades)” e trabalhar um ato com os grandes felinos, e depois ajudar nas maquinações dos shows de fantasmas. Ele se tornou bem versado nas muitas raquetes usadas para separar os caipiras de seu dinheiro, junto com a psicologia que leva as pessoas a tais atividades. Ele tocava música para os shows obscenos nas noites de Sábado, bem como para os protestantes revivalistas das tendas nas manhãs de Domingo, vendo muitas das mesmas pessoas participando de ambos. Tudo isso forneceu um fundo firme e terreno para sua visão de mundo cínica em evolução.

Quando a temporada de carnaval terminava, LaVey ganhava dinheiro tocando órgão em casas burlescas da área de Los Angeles, e ele relata que foi durante esse período que teve um breve caso com uma então desconhecida Marilyn Monroe. Voltando a São Francisco, LaVey trabalhou por um tempo como fotógrafo para o Departamento de Polícia e, durante a Guerra da Coreia, matriculou-se no San Francisco City College como especialista em criminologia para evitar o recrutamento. Tanto seus estudos quanto sua ocupação revelaram percepções sombrias sobre a natureza humana. Nessa época ele conheceu e se casou com Carole Lansing, que lhe deu sua primeira filha, Karla Maritza, em 1952. Alguns anos antes, LaVey havia explorado os escritos de Aleister Crowley, e em 1951 ele conheceu alguns dos Thelemitas de Berkeley. Ele não se impressionou, pois eles eram mais espirituais e menos “iníquos” do que ele supunha que deveriam ser para os discípulos do credo libertino de Crowley.

Durante a década de 1950, LaVey complementou sua renda como “investigador psíquico”, ajudando a investigar “ligações malucas e sem sentido (nut calls)” encaminhadas a ele por amigos no departamento de polícia. Essas experiências lhe provaram que muitas pessoas estavam inclinadas a buscar uma explicação sobrenatural para fenômenos que tinham causas mais prosaicas. Suas explicações racionais muitas vezes decepcionavam os reclamantes, então LaVey inventou causas mais exóticas para fazê-los se sentirem melhor, dando-lhe uma visão de como a religião geralmente funciona na vida das pessoas.

Em 1956, ele comprou uma casa Vitoriana na California Street, no distrito de Richmond, em São Francisco. Tinha a fama de ter sido uma pessoa barulhenta. Ele a pintou de preto; ela mais tarde se tornaria o lar da Igreja de Satanás. Após sua morte, a casa permaneceu desocupada até ser demolida pela imobiliária proprietária do imóvel em 17 de outubro de 2001.

LaVey conheceu e ficou fascinado por Diane Hegarty em 1959; ele então se divorciou de Carole em 1960. Hegarty e LaVey nunca se casaram, mas ela lhe deu sua segunda filha, Zeena Galatea em 1964 e foi sua companheira por muitos anos. Hegarty e LaVey mais tarde se separaram, e ela o processou por pensão e isso foi resolvido fora do tribunal. A última companheira de LaVey foi Blanche Barton, que deu à luz seu único filho, Satan Xerxes Carnacki LaVey em 1 de Novembro de 1993. De acordo com os desejos de LaVey, ela o sucedeu como chefe da Igreja após sua morte em 29 de outubro de 1997. Em 2001, ela passou essa posição para Peter H. Gilmore, um membro de longa data do Conselho dos Nove.

Por meio de sua “apresentação excêntrica em shows de destruição de fantasmas (ghost busting)” e de seus frequentes shows públicos como organista, incluindo tocar Wurlitzer no salão de coquetéis Lost Weekend, LaVey se tornou uma celebridade local e suas festas de fim de ano atraíram muitos notáveis de São Francisco. Entre os convidados estavam Carin de Plessin, chamada de “a Baronesa” por ter crescido no palácio real da Dinamarca, o antropólogo Michael Harner, Chester A. Arthur III (Neto do presidente dos EUA), Forrest J. Ackerman (mais tarde, o editor de Famous Monsters of Filmland e reconhecido especialista em ficção científica), o autor Fritz Leiber, o excêntrico local Dr. Cecil E. Nixon (criador do autômato musical Isis) e o cineasta underground Kenneth Anger. Dessa multidão, LaVey destilou o que chamou de “Círculo Mágico” de associados que compartilhavam seu interesse pelo bizarro, o lado oculto do que move o mundo. À medida que sua experiência crescia, LaVey começou a apresentar palestras nas noites de Sexta-feira sumarizando os frutos de sua pesquisa. Em 1965, LaVey foi destaque no The Brother Buzz Show, um programa infantil humorístico apresentado por marionetes. O foco estava no estilo de vida da “Família Addams” de LaVey – ganhando a vida como hipnotizador, investigador psíquico e organista, bem como em seu animal de estimação altamente incomum, Togare, um leão Núbio.

No processo de criação de suas palestras, LaVey foi levado a destilar uma filosofia única baseada em suas experiências de vida e pesquisas. Quando um membro de seu Círculo Mágico sugeriu que ele tinha a base para uma nova religião, LaVey concordou e decidiu fundar a Igreja de Satanás como o melhor meio de comunicar suas ideias. E assim, em 1966, na noite de véspera de maio – o tradicional Sabá (Sabbath) das Bruxas – LaVey declarou a fundação da Igreja de Satanás, bem como renumerando 1966 como o ano Um, Anno Satanas – o primeiro ano da Era de Satanás.

A atenção da imprensa logo se seguiu, particularmente com o casamento do jornalista Radical, John Raymond com a socialite de Nova York Judith Case em 1º de Fevereiro de 1967. O famoso fotógrafo Joe Rosenthal foi enviado pelo San Francisco Chronicle para capturar uma imagem, que foi impressa no Chronicle, bem como no Los Angeles Times e outros grandes jornais. LaVey começou a disseminação em massa de sua filosofia através do lançamento de um álbum, The Satanic Mass (A Missa Satânica, Murgenstrumm, 1968). O álbum apresentava um gráfico de capa chamado por LaVey como o “Sigilo de Baphomet”: a cabeça de bode em um pentagrama, circulada com a palavra hebraica “Leviathan (Leviatã)”, que desde então se tornou o símbolo onipresente do Satanismo em todo o mundo. Em destaque no álbum estava parte do rito de batismo escrito para Zeena, de três anos (realizado em 23 de Maio de 1967). Além da gravação real de um ritual Satânico, o lado dois do LP tinha LaVey lendo trechos da ainda não publicada The Satanic Bible (A Bíblia Satânica) sobre música de Beethoven, Wagner e Sousa. Suas palestras de Sexta-feira continuaram e ele instituiu uma série de “Oficinas de Bruxas (Witches’ Workshops)” para instruir as mulheres na arte de alcançar sua vontade através do glamour (sedução, atração, fascínio), do tempo feminino e da descoberta e exploração habilidosa dos fetiches dos homens.

No final de 1969, LaVey havia tomado monografias que havia escrito para explicar a filosofia e as práticas rituais da Igreja de Satanás e as fundiu com todas as suas influências filosóficas de Ayn Rand, Nietzsche, Mencken e London, juntamente com a sabedoria básica dos carnavalescos. Ele prefaciou esses ensaios e ritos com trechos retrabalhados de Might is Right (O Poder está Certo), de Ragnar Redbeard, e concluiu com versões “Satanizadas” das Chaves Enoquianas de John Dee para criar a Bíblia Satânica. Ela nunca saiu de impressão e continua a ser a principal fonte para o movimento Satânico contemporâneo.

A Bíblia Satânica foi seguida em 1971 por The Compleat Witch (A Bruxa Completa, relançado em 1989 como The Satanic Witch, A Bruxa Satânica), um manual que ensina a “Magia Menor” – as formas e meios de ler e manipular as pessoas e suas ações para o cumprimento dos objetivos desejados. The Satanic Rituals (Os Rituais Satânicos, 1972) foi impresso como um volume complementar para A Bíblia Satânica e contém rituais selecionados de uma tradição Satânica identificada por LaVey em várias culturas do mundo. Duas coleções de ensaios, que vão do humorístico e perspicaz ao sórdido, The Devil’s Notebook (O Caderno do Diabo, 1992) e Satan Speaks (Satanás Fala, 1998), completam seu cânone escrito.

Desde sua fundação, a Igreja de Satanás de LaVey atraiu muitas pessoas variadas que compartilhavam uma alienação das religiões convencionais, incluindo celebridades como Jayne Mansfield e Sammy Davis Jr., bem como estrelas do rock King Diamond e Marilyn Manson, que se tornaram, pelo menos por uma vez, membros de carteirinha. Ele contava entre seus associados Robert Fuest, diretor do filme “Dr. Phibes (O Abominável Dr. Phibes, 1971)”, no qual estrela o ator Vincent Price,  assim como do filme The Devil’s Rain (A Chuva do Diabo, 1975); Jacques Vallee, ufólogo e cientista da computação, que serviu de inspiração para o personagem Lacombe, interpretado por François Truffaut em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Spielberg; e Aime Michel conhecido como espeleólogo e editor do Morning of the Magicians (O Despertar dos Mágicos).

A influência de LaVey foi espalhada por vários artigos na mídia de notícias em todo o mundo, revistas populares como Look, McCalls, Newsweek e Time, revistas masculinas e em talk shows como Joe Pyne, Phil Donahue e Johnny Carson. Essa publicidade deixou uma marca em romances como O Bebê de Rosemary (concluído por Ira Levin durante os primeiros dias da blitz de mídia de alto perfil da Igreja) e Our Lady of Darkness (Nossa Senhora das Trevas) de Leiber, e filmes como O Bebê de Rosemary (1968), The Devil’s Rain (A Chuva do Diabo, 1975), The Car (O Carro, a Máquina do Diabo, 1977), e muitos dos filmes posteriores “Devil Cult” (filmes cult com a temática do culto ao Diabo) dos anos 1970 até os anos 1990 que pegaram o simbolismo dos escritos de LaVey. Um documentário de longa-metragem, Satanis: The Devil’s Mass (Satanis, a Missa do Diabo, 1969) cobriu os rituais e a filosofia da Igreja, enquanto o próprio LaVey foi retratado no documentário de vídeo de Nick Bougas de 1993, Speak of the Devil (Falando no Diabo).

A musicalidade de LaVey é preservada em várias gravações, principalmente Strange Music (A Música Estranha, 1994) e Satan Takes a Holiday (Satanás Tira Férias, 1995), ambas originalmente lançadas pela Amarillo Records, agora disponíveis pela Reptilian Records. Isso reflete sua propensão para músicas da década de 1930 até a década de 1950, que variam de humorísticas a canções de maldição, bem como canções com temas do diabo. LaVey os processa em uma série de sintetizadores autoprogramados, imitando vários grupos instrumentais. Eles são impressionantes, pois não são gravações multipista, mas são feitas de uma só vez com os sons do conjunto instrumental completo criado através do uso simultâneo de vários sintetizadores tocados pelas mãos de LaVey, bem como pelos pés, em um pedal estilo órgão teclado conectado via midi.

Duas biografias foram escritas sobre LaVey: The Devil’s Avenger (O Vingador do Diabo, 1974) por Burton Wolfe e Secret Life of a Satanist (A Vida Secreta de um Satanista, 1990) pela Blanche Barton. A autenticidade de alguns dos acontecimentos narrados nessas obras tem sido contestada nos últimos anos, particularmente por detratores de LaVey, que o acusam de exagero autopromocional. LaVey era um showman habilidoso, um talento que ele nunca negou. No entanto, o número de incidentes detalhados em ambas as biografias que podem ser autenticados por meio de evidências fotográficas e documentais superam em muito os poucos itens em disputa. O fato é que LaVey seguiu um curso que o expôs às alturas e profundezas da humanidade, cheio de encontros com pessoas fascinantes; culminou com a fundação da Igreja de Satanás e levou a uma notória celebridade em escala mundial. A Igreja sobreviveu à sua morte e continua, por meio de seus escritos, a atrair continuamente novos membros que se veem refletidos na filosofia que ele chamou de Satanismo.

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Fonte: Anton Szandor LaVey, by Magus Peter H. Gilmore © 2003.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

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Austin Osman Spare, H.R.Giger e Rosaleen Norton: Três Artistas Malditos

Se a arte visionaria brota dos íntimos refolhos assombrados da consciência, não nos surpreende que alguns artistas também sejam magos. Sua arte se torna uma espécie de invocação, um chamado uterino ‘as energias arquetipicas a “presenças” que povoam a imaginação. Para esses artistas, as imagens que conjuram provêem uma espécie de espiada ‘as profundas – e talvez mais ameaçadoras – realidades que se acotovelam alem dos limites de nossa consciência conhecida.  É mágico como artistas dessa estirpe  nos “relembram”  de potencialidades visionarias que filtram através do psíquico, como ecos do Grande Vazio. Os três artistas que vamos tratar aqui são exemplos exponenciais desses gênios criativos e excêntricos; artesãos visuais que, de alguma forma, conseguiram explorar estas realidades inomináveis, mantendo-se no contexto da cultura ocidental do século XX e, sobretudo, preservando a sua sanidade.  Os três podem ser considerados “marginais”, ou alternativos. E somente um, o suíço H.R.Giger, conseguiu atrair a si considerável notoriedade do establishment, alem de ser o único ainda vivo: Austin Osman Spare morreu abandonado em Londres em 1956 e Rosaleen Norton – a Bruxa de King Cross – deixou esta vida em um hospício de Sidney, Austrália, em 1979.  Mas o que especificamente nos desperta o interesse nestes três artistas? Penso que o trio consubstancia justamente o conceito de Arte como Magia, de artista como mago. Eles nos mostraram, através de suas imagens fantásticas, que o Universo realmente é algo misterioso, milagroso e ‘às vezes, aterrorizante, e que a nossa consciência existe e transita em vários níveis. O artista-mago é pois, por definição, um avatar de diversos mundos paralelos.

Austin Osman Spare

O visionário do transe britânico Austin Osman Spare (1886-1956) nos legou exemplos intrigantes da fusão  criativa da Magia com a Arte. Valendo-se de um sistema todo seu de encantamentos e civilizações (mandingas), ele era capaz de focar determinada e controladamente a sua consciência, que evocava energias primais poderosas de sua psique, na técnica que ele cunhou de ressurgencias atavistica.  Ele foi alem dos conhecidos rituais práticos da Magia, ao ponto de suas peças-de-arte representarem uma desapaixonada confrontação com o próprio Universo – ou, como ele próprio gostava de descrever o ato, “roubavam o fogo dos céus”.  Inspirado nos deuses egípcios clássicos e também em sua ligação intima com uma velha bruxa chamada apenas de Sra. Paterson – e com uma entidade dos círculos interiores apelidada de Águia Negra – Spare evoluiu rapidamente de uma arte figurativa conhecida para um estilo inspirado de surrealismo mágico.  Sua carreira iniciou-se de um modo impressionante, mas ortodoxo, quando ele conseguiu uma bolsa para estudar no famoso Colégio Real de Arte, com apenas 16 anos de idade.  Admirado por Augustus John, George Bernard Shaw e John Sargent, ele foi considerado um prodígio artístico e foi logo depois contratado para ilustrar uma porção de livros expressivos, inclusive “Atrás do Véu”, de Ethel Wheeler (1906) bem como um livro de aforismos intitulado “Lodo Queimado nas Estrelas” (1911).

No inicio dos anos 20 ele já era o co-editor de um excelente jornal literário ilustrado, O Golden Hind (Corça de Ouro), junto com Clifford Bax, que atingiu oito números quadrimestrais (1922-24), estampando artigos de verdadeiros papas da cultura de então, como Aldous Huxley, Alex Waugh e Havelock Ellis.  Os desenhos de Spare para o jornal eram em sua maioria de mulheres nuas e suntuosas, apenas levemente insinuando todo o mundo mágico que já começava a inspirá-lo. Se ele tivesse continuado no metier, trafegando meio aos círculos literários convencionais, certamente que se tornaria bem mais conhecido como artista – pelo menos ao nível de outro notado ilustrador, Edmund J.Sullivan, autor das imagens que embelezava O Rubaiyat de Omar Khayyam e cujo estilo gráfico assemelhava-se ao estilo inicial de Spare.  Mas Spare já estava decidido a auto-publicar seus escritos e desenhos, que lidavam com a exploração da consciência mágica. Na verdade, suas inclinações esotéricas  o encaminharam mesmo foi  para longe do mainstream cultural.  Sua cosmologia é complexa, mas instrutiva. Ele acreditava na Reencarnação e afirmava categoricamente que todas as suas pretéritas vidas, seja humana ou até animal, estiveram igualmente imersas na mente subconsciente.  O propósito místico do homem seria justamente rastrear todas essas existências até  ‘a sua fonte primal, e isto poderia ser feito num estado de transe, no qual estaria se sujeito a ser possuído pelos atavismos de algumas dessas vidas.  Ele chegou a nomear essa fonte primal e universal do ser como “Kia” e se referia ao corpo humano como “Zos”. Para ele, este era o veiculo ideal para a manifestação das energias espirituais e ocultas desse universo que, em assim não sendo, permaneceria “oculto”.  Considerava este nível mental como “a epítome de toda experiência e maravilhamento, encarnações passadas como homem, animal, passaro, vida vegetal…tudo o que existe, existiu ou existira´  Sua técnica para fazer aflorar essas imagens primais – a ressurgencia atavistica – envolvia focar sua vontade ferrenhamente em sigilos mágicos que ele própria criava – um simples anagrama gráfico composta por letras de uma sentença que manifestava uma vontade.  Atingido o ponto maximo da sigilizaçao, Spare então fechava seus olhos e concentrava-se tanto no sigilo quanto na vontade a ele associada. De acordo com seu amigo e colega ocultista Kenneth Grant, o efeito era dramático: quase que imediatamente ele percebia a “resposta interior”. Sentia então uma tremenda efusão de energia a percorrer o seu corpo, as vezes com a força até de uma ventania a dobrar uma vara de bambu. Com um esforço supremo, ele se mantinha firme e conseguia canalizar essa energia ao seu objetivo.  Spare visitou o Egito durante a Primeira Guerra e ficou sensivelmente impressionado pelo magnetismo imanado dos deuses clássicos ali representados por esculturas monumentais. Para ele, os egípcios da antiguidade já demonstravam um grande conhecimento da complexa mitologia da mente subconsciente: “Eles simbolizaram este conhecimento em um grande monumento, a Esfinge, a qual retrata pictograficamente o homem evoluindo de uma existência animal”.  Seus numerosos deuses, todos parcialmente animal, passaro, peixe…constatam a totalidade de seus conhecimentos da ordem evolucionaria, os complexos processos iniciados apenas num simples organismo”.

Para Spare, lembranças e até impressões de encarnações previas bem como todos os impulsos míticos, podiam ser despertados da mente subconsciente:” Todos os deuses já viveram na Terra, sendo nos próprios” – escreveu – ” e quando mortos, suas experiências, ou Karma, comandam nossas açoes em parte”.  O artista aprendeu sua técnica de atavismo ressurgente da Sra. Paterson, que por sua vez creditava uma ligação intima com o Culto das Bruxas de Salem.  Ele também começou a fazer “desenhos automáticos” em transe, através da mediunidade de uma manifestada presença que ele chamava de Águia Negra e que tomava a forma de um índio americano.. Afirmava que o via muitas vezes, e até que já vivia em um mundo perceptual em que  se misturavam a realidade circundante, as alucinações e o mundo do transe.  Certa vez, viajando num  ônibus de dois andares, ele afirmou se ver cercado de repente por um grupo de passageiros imaginários, uma turma de bruxas indo para um Sabbath.  A sua atração pela idosa Sra. Paterson era compreensível se levarmos em conta o contexto mágico da relação do casal. Para Spare, ela era capaz de transformar-se perceptualmente de uma encarquilhada feiticeira a uma atraente sereia. Sua concepção de mulher sem uma forma fixa, finita, lhe era de grande apelo – e a Deusa Universal era, acima de tudo, um aspecto central de sua cosmologia mágica. E não abria mão de sua crença de que essa deusa não podia ser limitada nem cultural nem miticamente e nem também nomeada como Astarte, Isis, Cybele, Kali, Nuit, já que, em assim procedendo, estaríamos desviando-nos do “caminho” e,  idealizar um conceito tão sagrado seria falso porquanto incompleto, irreal porquanto temporal.   Spare usou diversas técnicas para entrar em estados de transe; algumas vezes, a exaustão absoluta, como um meio para lhe “abrir o estado de vácuo total”; outras, o orgasmo, para atingir a mesma espécie de êxtase místico. Acreditava que a sigilizaçao, a mandinga, representando um ato de vontade consciente, podia ser plantada como uma semente na mente subconsciente durante estes estados de pico do êxtase, momentos especiais quando o ego e o espírito universal se fundem: “Nesse momento, o qual ocorre a geração do Grande Desejo “ – escreveu – “ a inspiração flui livremente da fonte do sexo da deusa primordial , que existe no coração da matéria…a inspiração vem sempre do grande momento do vazio”.  Diversos dos desenhos mágicos de Spare exibem a Dama Divina guiando o artista pelo labirintico mundo da magia. Um dos seus mais importantes e singulares trabalhos, “ A Ascençao do Ego do Êxtase ao Êxtase” – o qual foi incluso em sua obra-prima auto-publicada , “O Livro dos Prazeres”, em 1913 – mostra a Deusa dando as boas vindas ao próprio artista que, na ocasião,  era apropriadamente provido de asas brotadas de sua cabeça.  Seu ego, ou identidade pessoal, e´ mostrada emergindo na forma de uma encarnação primal animalesca e as duas formas transcendem a si mesmas conjuradas numa caveira atávica – união com Kia.  Em outro  trabalho igualmente importante , “Agora pela Realidade”, a Dama aparece novamente, levantando o véu que revela a misteriosa realidade alem. No primeiro plano, pululam toda forma de criatura – uma coruja, um rato do mato, um diabo com chifres – mas, claramente, a realidade esta´ alem, nas regiões inferiores reveladas pela Deusa.  Indubitavelmente, um dos principais intentos de Spare ao usar os seus transes era liberar energias as quais ele acreditava serem a fonte de genialidade. E ele próprio comentava “ êxtase, inspiração, intuição e sonho…cada estado destampa memórias latentes e as apresenta na imagética de suas respectivas linguagens”. O  gênio, de acordo com ele, era justamente  experimentar diretamente o “atavismo ressurgente” durante” o êxtase da Serpente de  Fogo do Kundalini.

Rosaleen Norton

Nascida na Nova Zelândia e criada na Austrália, a artista Rosaleen Norton (1917-1979) e´ uma das poucas a  fazerem par com Austin Spare. Boemia, excêntrica e extraordinariamente talentosa, ela marcou indelevelmente o folclore urbano de Sidnei como “ a Bruxa de Kings Cross”, por suas pinturas sobrenaturais, prenhas de satanismo e pornografia, numa presumida era de conservadorismo social moralistico, nos anos 50. Mas este era apenas um julgamento estreito que a cercou e que, infelizmente, a perseguiu durante toda a vida.  Seu pai foi um capitão da marinha mercante e primo do compositor Vanghan Williams, que emigrou com a família para a maior cidade da Austrália em 1925. Enquanto eles  comungavam de crenças religiosas ortodoxas, a jovem Rosaleen já fazia seus primeiros contatos com o mundo da magia.

Seu talento para o desenho se revelou precoce, pois aos 3 anos já rabiscava fantasmas com cabeças de animais e aos cinco jurou ter visto um dragão brilhante voando na cabeceira de sua cama.  Mais tarde, na escola secundaria, ilustrou “Dança Macabra” do conjunto Saint Saens, completo com vampiros, lobisomens e gárgulas.  Sua orientação pagã  foi logo notada pela direção da escola que não tardou em expulsá-la, sob a alegação de que “sua natureza depravada poderia corromper as outras garotas inocentes”.  Na adolescência, depois de curta temporada como escritora do Semanario Smith, Rosaleen estudou arte com o famoso escultor Rayner Hoff,  se tornou a primeira artista australiana de rua e começou a saltar de trabalho em trabalho – desenhista para uma industria de brinquedos, “assistente” em clubes noturnos, e até recepcionista e modelo. E foi nessa época que começou a se interessar e pesquisar Psicologia, Magia e Metafísica, indo fundo nas obras de Carl Gustav Jung, William James e ocultistas como Eliphas Levi, Madame Helena Blavatsky, Dion Fortune e Aleister Crowley.  Também descobriu técnicas para elevar a sua percepção artística: através da auto-hipnose, por exemplo, aprendeu a transferir voluntariamente a sua atenção para “planos interiores de excitamento místico”. Esses experimentos, como escreveu mais tarde, “produziram um numero de resultados peculiares e inesperados…e culminaram num período de percepção extra-sensorial  mesclado a uma prolongada serie de visões simbólicas”.  A seguir, algumas passagens de uma entrevista de Rosaleen ao psicologo L.J.Murphy, conduzida na Universidade de Melbourne em 1949, que  provê fascinante insight de sua exploração visionaria de estados alterados da consciência.

“Eu decidi experimentar o transe auto-induzido com o fito de atingir um estado anormal de consciência e poder manifestá-lo, representá-lo de alguma forma, de preferência, desenhando. Queria ir fundo nesses estados da mente subconsciente, explorá-la totalmente e se possível ir ainda mais alem. Tinha a sensação, mais intuitiva que intelectual , de que em algum lugar das profundezas do inconsciente, o individuo contem, em essência, todo o conhecimento acumulado da humanidade; da mesma forma que o nosso corpo manifesta o somatório de nossas experiências como raça, na forma de instintos e de reação automática a estímulos.  No sentido de” contatar” essa fonte hipotética do saber, decidi aplicar estímulos psíquicos ao subconsciente; estímulos que a razão consciente poderia rejeitar, mas que apelaria aos instintos enterrados há gerações, e os quais, eu esperava, causariam reflexos psíquicos automáticos (cultos religiosos usam rituais, incensos, musicas etc,como mesmo objetivo).   Conseqüentemente juntei uma variedade grande de “instrumentos” como folhas, vinho,  uma pata mumificada, etc…e um fogareiro , todas potentes estímulos a parte do inconsciente que eu desejava invocar. Deixei o quarto no escuro, foquei meus olhos na pata, esmaguei as folhas, bebi algum vinho e tentei exaurir minha mente de todo e qualquer pensamento. Assim foi o começo de tudo – e eu fiz varias outras experiências progressivamente bem sucedidas.  Seguindo uma corrente de curioso excitamento, meu cérebro ficou limpo de todo pensamento consciente e, de olhos fechados, comecei simplesmente a desenhar na folha de papel branco a minha frente…me senti liberada do mundo a minha volta, para um estado onde não havia tempo, experimentei uma considerável intensificação de minhas faculdades intelectuais, criativas e intuitivas, e comecei a ver coisas com muito mais clareza e encantamento do que no “meu normal”.

Quando eu próprio entrevistei Rosaleen Norton em 1977, ela me contou que seus visionários encontros com as criaturas mágicas que passaram a povoar as suas pinturas eram extremamente reais. Mesmo sendo entidades como Zeus, Júpiter e Pan, usualmente associados a mitos e lendas da mitologia, portanto bem “longínquos” da realidade da maioria das pessoas, para ela eles representavam forças sobrenaturais, passiveis inclusive de casualidades, não eram simplesmente uma projeção da mente subconsciente ou da imaginação criativa.  Rosaleen inclusive veio a ter uma especial reverencia ao Grande Deus Pan, ao qual ela considerava ” a totalidade de todo o ser , o verdadeiro Deus do Mundo e o Super-Deus do Equilíbrio da Natureza”. Haviam outros também, Lúcifer, Bafomet, Ecate e até  Júpiter, mas de acordo com ela, esses somente se manifestavam em suas visões de transe ao seu próprio bel prazer. “Não atendiam a qualquer invocação ou aceno de qualquer um”, explicou .  Também haviam as chamadas “forças menores”  na sua hierarquia do oculto, incluindo certo numero de demônios, seres espirituais e formas astrais. Algumas das entidades mágicas que apareciam em seus trabalhos artísticos parecem representar híbridos atávicos – metade humano, metade animal, quase sempre nus –  revelando os aspectos primevos da evolução espiritual da humanidade.

Certa vez, como Austin Spare, Rosaleen Norton começou a considerar sua arte como um veiculo para apresentar uma realidade alternativa e potencialmente muito mais impressionantes do que o mundo de aparências familiares. Numa de suas primeiras citações em seu diário oculto, ela chegou a marcar: “ Há sentidos, formas de arte, atividades e estados de consciência que não tem nenhum paralelo na experiência humana…verdadeiro cataclismo envolvente tanto do auto-conhecimento  como do conhecimento universal, presentes (quase sempre em forma alegórica) em todo e quaisquer aspectos concebíveis..metafísico, matemático, cientifico, simbólico…. Compõem um desconcertante espectro de experiências, cada uma completa em si própria, embora ainda assim interdependentes em significância com todas as outras facetas.  Uma experiência dessas poderia ser comparada a assistir e simultaneamente tomar parte de uma peça teatral em que todas as formas de arte estão presentes, a musica, o drama, os rituais cerimonialisticos, formas, sons e padrões, tudo formando um todo sinergistico  Grande parte da arte de Rosaleen foi influenciada pelas escolas cubistas e modernistas, mas detêm uma imagética visionaria muito forte e singular.  Suas imagens foram publicadas inicialmente em 1952, num volume controverso intitulado “A Arte de Rosaleen Norton”, de co-autoria do poeta Gavin Greenles.  Embora atualmente seus desenhos não pareçam tão “confrontacionais”, na época causaram furor nos meios tradicionais e tradicionalistas dos anos 50, já que seu editor, Wally Glover, chegou a ser convocado as barras da Lei e processado por tornar publico “imagens ofensivas a castidade e decência humanas”.  Examinado atualmente esta situação, fica claro que a admitida arte pagan de Rosaleen atingiu fundo toda a estreita e reacionária sensibilidade  judaica-crista de então  O que e´ indubitável e´que  seu melhor trabalho  emanava todo um poder arquétipo e próprio. Nos estudos esotéricos, por exemplo, um demônio furioso olha com lascívia a partir de uma realidade Qliptica, contrabalançado por uma forma de diamante de radiante brilho, enquanto que em Individualização, somos confrontados com um ser mítico resultado de uma fusão de elementos humano, animal e divino.  Similarmente, suas representações de Gebura´ – um vortex de poder dinâmico da Cabala – mostra um poderoso torso humano com uma cabeça alada de um falcão. Esse deus tem ainda um rabo de escorpião e patas  providas de garras, emanando uma agressividade crua e guerreira. Segura uma esfera em sua destra, que bem poderia ser o débil globo terrestre – envolvido pelo seu domínio.  Como Austin Spare, Rosaleen Norton foi uma adepta da exploração de estados alterados de consciência nos quais ela teria seus visionários encontros com deuses. Quando morreu em 1979, entrou para a lenda, embora por razoes errôneas. Em seus dias, perseguida por acusações de obscenidade – e também de “manipular massas negras” em seu abrigo da rua Kings Cross – Rosaleen Norton foi considerada uma marginal pagã e sua arte julgada bizarra e pornográfica.  Mas hoje podemos reavaliar seu trabalho sobre uma nova luz.  Sua imagistica nos parece querer escapar de nossos parcos limites, dar forma a realidades visionarias e arquetipicas que, para a maioria das pessoas, não pertencem a estados conscientes. Talvez foi esta a característica que fez sua arte tão chocante nos anos 50: ela ousou trazer a luz imagens vindas das camadas mais profundas do nosso psíquico, imagens que, para a maioria de nos, seria muito melhor que fossem reprimidas ou esquecidas.

H.R.Giger

hrgiger.jpgMais conhecido por ser o criador do Alien, O Oitavo Passageiro, Han-Ruedi Giger é nativo de Chur, na  Suíça, onde veio ao mundo em 1940.   Diferente de Spare e de Rosaleen,  não desenvolveu inicialmente sua arte visionaria a partir de um tradicional  conhecimento esotérico consciente.   Ao invés disso, as formas artísticas evocadas de sua psique e´ que o guiaram crescentemente em direção a realidade mágica.  As imagens conjuradas por Giger freqüentemente tomam forma sob uma iluminação nebulosa e etérea, levando o observador a cavernas de pesadelo ou espaços mágicos de onde não há nenhum meio tangível de se escapar.  Nos últimos anos, Giger vem se transformando num mago de grande intuição, com sua arte provendo  um assombrado testemunho das potentes energias que nascem do mais profundo da psique.

Quando criança, Giger costumava construir esqueletos de papelão, arame e gesso e tinha “um considerável mal gosto por e vermes e serpentes” – repugnância esta que até  hoje se manifesta em sua pintura. Depois, já aluno da Escola de Artes Aplicadas de Zurique, ele começou a ficar fascinado por imagens de tortura e terror – um fascínio estimulado pela precoce visão de fotografias tétricas do cadáver do Imperador da China, assassinado em 1904,   e ainda pelas lendas de Vlad, o Impalador – a figura histórica na qual Drácula, o Príncipe das Trevas, foi baseado  Mais tarde, o artista foi impressionado indelevelmente pelos textos macabros de H.P;Lovecraft, especialmente seu Mito de Cthulhu e o Necronomicon.  Parte desse apelo, como ele mesmo admite, e´ que o Necronomicon,  clamava ser “…um livro de magia  que ocasionaria grande sofrimento a humanidade se caísse em mãos erradas. Isso inclui a lenda de grandes deuses de nomes impronunciáveis, como Cthulhu e Yog-Sothoth,  adormecidos nas profundezas da terra e dos oceanos, esperando o alinhamento de certas estrelas para despertarem e tomarem posse de seus domínios, o nosso mundo”.  O amigo e mentor de Giger, Sergius Golowin, foi quem sugeriu mais tarde justamente o titulo de Giger´s Necronomicon ao seu primeiro livro de arte,  uma coleção de suas imagens visionarias e esotéricas, inicialmente publicado pela Basle, em 1977 – e depois com outras edições na Inglaterra.  Muitas das mais distintas pinturas de Giger retratam sua modelo principal, a linda atriz Li Tobler, com quem ele se encontrou em 1966, quando ela tinha 18 anos e vivia com outro homem. Giger foi morar no apartamento de sótão dela e se tornaram amantes. Ele recorda que ela “tinha enorme vitalidade e um grande apetite pela vida” e que ela também desejava “uma  vida curta, mas intensa”.  Li Tobler e´ o protótipo para as muitas mulheres torturadas, mas etéreas, que habitam suas pinturas, fazendo par atormentado a serpentes, agulhas e sufocantes cavernas-prisão formada por estruturas ósseas – já prenunciando seu estilo “biomecânico” que o tornou famoso mais tarde.  O próprio e belo corpo jovem e voluptuoso de Li serviu varias vezes de tela aos aerógrafos de Giger e existem diversas fotos mostrando a posando nua, como uma mulher misteriosa emergindo de um pesadelo que possuiu a sua alma.  Infelizmente, a vida de Li Tobler foi realmente curta. Atormentada por uma estressante vida de viagens com seu grupo de teatro por todo o pais e perturbada emocionalmente pela sucessão de outros amantes, ela interrompeu tragicamente sua vida numa segunda-feira de 1975, com um tiro de revolver.  Quando eu encontrei Giger em sua casa de Zurique  em 1984, para filmar uma seqüência ao documentário de TV “A Experiência do Oculto”, ficou claro para mim o quanto ele ainda estava assombrado por Li Tobler: a simultânea agonia e trabalho de viver com ela, contribuiu para impingir  uma dinâmica de medo e transcendência   em suas pinturas, como um legado perene da tumultuada relação que mantiveram.

Giger vive hoje numa atmosfera que evoca simultaneamente um senso de magia e de paranóia. A sala principal de escadarias em sua casa de dois andares e terraço, tem as paredes cobertas por telas impressionantes, exibindo  mulheres tipo Medusa, de peles fantasmagoricamente alvas, cabelos de serpente e com seres estranhos se enroscando em volta de seus voluptuosos corpos.  Garras, agulhas, metralhadoras, espinhas e outras estruturas ósseas também constituem o aspecto central da iconografia visual de Giger.  No meio da mesa monumental que ocupa o seu living, esta´ gravado um pentagrama, bruxuleantemente iluminados pela luz de velas compridas  de um conjunto de castiçais próximos.  Uma fileira de altíssimas estantes em um canto, revela um amontoado de crânios, caveiras e até autenticas cabeças encolhidas e mumificadas de uma tribo canibal.  Uma prateleira exibe o Oscar que premiou H.R. Giger  pelos efeitos especiais de Alien, num verdadeiro tributo a sua bizarra imaginação.  Escada acima e chegamos ao seu estúdio, verdadeiro caos de tintas, pinceis e trabalhos inacabados e descartados.  Aqui, ele experimenta suas técnicas de aerografia, espreiando tinta através de grades e peças de metal funcionando como mascaras –  para obter padrões repetidos de design, luz e sombra, e texturas, tonica de sua imagistica biomecanoide tão característica.  Ao final de uma comprida sala toda aberta existe uma enorme mesa negra, sustentada por pernas em bulbo, com tampo de impressionante polimento, quase um espelho. Modelada em plástico pesado, ela e´ ladeada por cadeiras altas, decoradas com caveiras e construídas para darem a impressão de vértebras distorcidas. Na cabeceira, a cadeira principal, cor cinza grafite, esta sim, construída de ossos verdadeiros.  Pairando sobre todo o cenário, um grande painel apresentando um demônio com chifres, um pentagrama prateado e muitas serpentes negras e hostis.  Indagado sobre suas “afiliações com o ocultismo” ele confirmou que, embora tenha estudado os escritos de Aleister Crowley, não pratica rituais nem se envolve com invocações de espíritos.  De toda forma ninguém poderia encontrar um templo para pratica de magia melhor que esta sala de Giger e os seres astrais que habitam suas pinturas compõem por si mesmos verdadeira legião de demônios.  Parece na verdade e´que Giger pratica a magia espontânea .  “Eu tento ir o mais próximo possível da minha imaginação” expressa o artista em seu inglês gaguejante. “Tenho alguma coisa na mente e tento trabalhar isto, numa espécie de exorcismo”.  E´ quando o débil véu que cobre sua mente e´ levemente descortinado que supitam as visões tempestuosas e impressionantes, como se os deuses da escuridão mais uma vez emergissem dos pesadelos de seu passado.

Conclusão

Como destacado desde o inicio, existe distintivos paralelismos entre Austin Osman Spare e Rosaleen Norton. Ambos foram influenciados por feitiçaria e tradições ocultas da magia oriental, ambos valeram-se de estados de transe e ambos acreditavam que o mundo dos deuses tem a sua própria intrínseca existência – servindo o artista apenas como veiculo de manifestação das energias arquetipicas, um canal inspirado. E e´ interessante que ambos empregaram técnicas de enfoque mental – usando mandingas e objetos físicos específicos para induzir o estado de transe. Como nas tradições de meditação oriental,  que utiliza um enfoque centralizado da mente e  da consciência numa intenção, como uma valorosa pratica para liberar energias psíquicas armazenadas.  H.R.Giger por sua vez,  nos prove com uma orientação de alguma forma diferente. Sua arte não deriva de estados transe  per si, mas flui de toda forma, de um tipo de exorcismo da alma.  Na Introdução a uma recente coleção de trabalhos de Giger publicada em 1991, o guru do LSD Timothy Leary confirmou o impacto da arte evocativa do pintor suíço: “ Giger, você retalha com navalha partes do meu cérebro e os molda, ainda pulsantes, sobre suas telas…Gostemos disto ou não, nos somos todos alienígenas insetóides encravados dentro de nossos corpos urbanóides. Seus cenários, seus slides microscópicos, são sinais para mutação”.

Nota: este é um trecho traduzido de  “Echoes from the Void: Writings about Magik, Visionary Art and the New Counsciousness”. Shadowplay zine – Austrália
Cortesia: www.alanmooresenhordocaos.hpg.com.br

Por Nevill Drury, Tradução: José Carlos Neves

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/austin-osman-spare-h-r-giger-e-rosaleen-norton-tres-artistas-malditos/

A função do inimigo

Lord Ahriman

“Você já dançou com um demônio à luz do luar?
– Coringa (Batman, 1989)

A seletividade é uma lei da natureza. A natureza não é um mero paraíso, ela se sustenta através de uma imensa cadeia alimentar. Os seres vivos são naturalmente inimigos uns dos outros (e amigos também!). Se não houvesse essa cadeia alimentar, não haveria sobrevivência alguma. Assim, a idéia de um “éden perfeito” trata-se de uma utopia parasitária.

A sociedade humana é predadora por excelência, pior do que a própria selva. Não existe NENHUM setor da vida social em que um ser não esteja predando e parasitando alguma vítima. Aí surge a religião com a ideia de “amar ao próximo como a si mesmo”. Percebeu o jogo nefasto? O inimigo é muito importante. Eis algumas razões:

• É importante porque a pessoa aprende o valor da seletividade – amor para quem merece, não amor pelos ingratos, já dizia LaVey.

• É importante porque a pessoa descobre seus próprios pontos fracos – justamente os que o seu inimigo vai usar sem dó nem piedade.

• É importante porque a pessoa busca dar o melhor de si, para combatê-lo pelos meios adequados – tira energia de onde normalmente não tiraria, então surge a auto-superação.

• É importante, por fim, porque a pessoa passa a ter real noção da existência, a realidade nua e crua, sem as fraudes santificadas.

Em menção à condescendência, quem é amigo do seu inimigo, gosta de virar a outra face, não é amigo de si mesmo, perdeu toda a noção de
valor. Em outras palavras, essa infeliz vítima atenta contra a própria auto-estima e possui uma atitude desmoralizante e aviltante para o
próprio ser. Em linhas simples, é totalmente antinatural.

O fato real e comprovado é que o inimigo nunca vai ter pena do seu desafeto. Se a pessoa acha que, por ser boazinha com o inimigo, ele vai dispensar o mesmo tratamento, está incorrendo num erro gravíssimo, cujo dano será irreparável. Por outro lado, a criação artificial de inimigos também é uma estupidez. A maioria dos litígios são idiotas e podem ser perfeitamente evitados. Diluindo-se os pequenos problemas, normalmente os grandes problemas também se tornam diluídos, mas não necessariamente.

Finalmente, um inimigo deve ser honrado como tal. Trata-se de uma simples questão de merecimento. Se você possui um inimigo, combata-o veementemente, pois ele não terá a menor consideração por você. Agora, depende exclusivamente de cada um tirar o melhor proveito possível de uma lição a ser aprendida.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-funcao-do-inimigo/

Os 10 Mandamentos dos Trambiqueiros

Morbitvs Vividvs

Nem sempre as vítimas merecem a nossa simpatia. Acontece que, por vezes, a infâmia roça o artístico e é-nos muito mais simpática do que a vítima. É legítima a prática da infâmia quando ela é só amoral e se abate sobre o idiota útil.” – Manuel S. Fonseca em ‘O Conde Lustig’

Veja esta imagem a direita. Este senhor ao lado, com cara respeitável é um dos maiores golpistas de todos os tempos. Um charlatão, um picareta, um enganador que entrou para a história. O “Conde” Victor Lustig foi um dos mais famosos e bem sucedidos trambiqueiros do século XX. Nascido em Bohemia, em local hoje conhecido como república Checa.

Antes de morrer Victor Lustig era procurado por cerca de 45 agências de inteligências policiais ao redor do mundo. Ele possuía pelo menos 25 identidades falsas (incluindo algumas famílias) e falava 5 linguas diferentes.

Um de seus golpes mais célebres é o golpe da “caixa de dinheiro”. Uma impressora primitiva que ele apresentava aos criminosos de cada cidade por onde passava com a qual conseguia imprimir em seis horas uma nota de cem dólares. Os clientes chegavam a pagar 30 mil dólares por esse milagre da falsificação. E de fato nas próximas duas horas a máquina soltava mais duas notas de cem. Doze horas eram o bastante para o Conde já estar bem longe e os criminosos perceberem que a máquina era apenas uma enganação. As vítimas, é claro, nunca procuravam a polícia.

Sua biografia é repleta de outras façanhas do gênero, entre elas a de conseguir se passar por um oficial do governo francês e literalmente vender a Torre Eiffel a um homem de negócios. Este golpe deu tão certo que ele vendeu a Torre Eiffel cinco vezes na mesma semana. Outro golpe digno de nota foi o de ter enganado ninguém menos que o poderoso Al Capone, em um golpe de alguns milhares de dólares.

 

Os 10 Mandamentos do Trapaceiro

No livro ‘Fakes, Frauds & Other Malarkey’ de Marc Manus encontramos os dez mandamentos deixados por Victor aos poucos amigos que acumulou durante a vida:

1. Seja um bom ouvinte (ouça suas vítimas falarem mais do que você).

2. Nunca pareça entediado.

3. Espere para a outra pessoa revelar suas opiniões políticas, e então concorde com ela.

4. Deixe a outra pessoa revelar sua visão religiosa, e então mostre ter a mesma.

5. Tenha uma linguagem implicitamente sexual. Mas não faça avanços a não ser que a pessoa demonstre forte interesse.

6. Nunca fale sobre doenças, ao menos que alguma preocupação especial seja demonstrada.

7. Nunca questione diretamente sobre assuntos pessoais. (eles lhe dirão tudo uma hora ou outra)

8. Nunca se vanglorie. Apenas deixe sua importância ser silencionamente evidente.

9. Nunca esteja desarrumado.

10. Nunca fique bêbado.

Influência no Satanismo

Como satanista acho difícil ler estes conselhos do Conde e não lembrar de alguns dos escritos básicos de LaVey, em especial das ‘Onze Regras Satânicas da Terra’ e dos ‘Nove Pecados Satânicos.’ O primeiro ponto lembra a versão laveyana de “Não dê opiniões a menos que alguém os peça.”. O sexto mandamento remete ao “Não conte seus problemas aos outros a menos que você esteja certo de que os outros querem ouvi-los.”. Enfim, esta quase tudo ai, mas a influência geral que permeia tudo é muito maior do que qualquer comparação que possa ser pontuada. É verdade que o Conde sugere uma hipocrisia maior, dizendo que devemos moldar nossas opiniões políticas e religiosas segundo o nosso meio, enquanto LaVey era enfático em suas posições. Contudo devemos lembrar que LaVey ganhava dinheiro com seu satanismo e Victor fez sua fortuna graças a sua hipocrisia.

Sabemos que LaVey também gostava de um trambique e que trabalhou um bom tempo como fotógrafo policial, sendo culto como era acho muito difiícil ele nunca ter ouvido falar de Victor Lustig. Aposto ainda, mas não posso provar, que ele foi uma grande influência ao pai do satanismo moderno· Não acho contudo que LaVey tenha plagiado o Conde com o é costume acusa-lo quando encontramos uma referência mais antiga do que sua obra. Acho sim que foi uma parte importante da formação de sua ética pessoal e que ferve no mesmo caldeirão onde ele jogou Ayn Rand, Nietzsche, Jung e tantos outros.

Isso tudo são apenas conjecturas. O que temos de prático aqui é que estes 10 mandamentos podem ser um reforço ou um anexo interessante a prática do satanismo, especialmente na questão da Baixa Magia e manipulação interpessoal. Aos que querem tirar proveito da vida neste mundo digo aquilo que o Rev. Obito sempre diz ao ganhar no poker: “Se você for um bom trapaceiro, não precisa ser bom em mais nada.”

O Mandamento Zero

Dito isso, pode ser proveitoso aprender ainda com os erros de Lustig. Apesar de ser um gênio do crime ele foi preso em 1935 em Nova Yorque por ter cometido o maior erro que um homem pode cometer: confiar demais em alguém. Uma de suas amantes Billy May, que sabia de seus golpes ficou com ciúme de um outro relacionamento que ele cultivava e usou toda informação que tinha para traí-lo. Ela combinou com a polícia federal americana uma cilada que resultou em sua prisão. Ele andava sempre com uma maleta contendo apenas roupas caras e limpas, mas em sua carteira havia uma chave. Lustig se recusou a responder de onde era a chave mas Billy Man sabia que ela abria um armário público da estação Times Square de metrô. No armário havia 51 mil dólares em notas falsas e as placas modelos para falsificação. O Conde foi preso e após uma fuga bem sucedida 27 dias depois ele foi recapturado e transferido para a ilha prisão de Alcatraz onde morreu em 1947.

Isso nos leva a pensar que os 10 mandamentos dos charlatões deveria possuir um mandamento de número zero: “Não confie em ninguém”.

Morbitvs Vividvs é autor de Lex Satanicus: O Manual do Satanista e outros livros sobre satanismo.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/os-10-mandamentos-dos-trambiqueiros/

Death Cult Armageddon, Dimmu Borgir

Dimmu Borgir, cujo o nome é uma referencia a “Entrada para o Inferno” segundo a cultura scandinavian poderá ser lembrada como a banda que salvou ou a banda que matou o Black Metal. “Matou” porque são grandemente acusados de mecantilisar o estilo e “Salvou” porque de uma forma ou de outra foram eles que, depois dos casos de violência dos anos 90 que quase levou o estilo a falência, carregaram a tocha do movimento adiante, sendo inclusive uma das poucas bandas norueguesas indicadas ao Grammy. Os membros da banda já disseram que suas letras nada tem haver com o culto ao diabo e que são apenas uma critica a hipocrisia ao status quo cristão. Por outro lado  suas músicas e estética falam por si só. Death Cult Armageddon é o mais novo petardo da banda.

O satanismo está tão presente neste album que o ouvinte quase pode tocá-lo. A começar pela primeira faixa Allegiance, aqueles que já conhecem os trabalhos anteriores do Dimmu Borgir perceberão que há algo diferente. A introdução dela ao invés de ser sinfônico – o que seria comum – foi substituída por efeitos eletrônicos. A impressão ao ouvir essa intro é de que algo está sendo torcido ou prensado por algum instrumento mecânico. Esses e outros tipos de efeitos sonoros; ou melhor, outros mecanismos sonoros, como de zumbido de abelhas, tiros, aviões, soldados marchando, além de narrativas são os elementos extras que o Dimmu Borgir adicionou ao seu som.

Se em “Puritanical Euphoric Misanthropia” Dimmu Borgir conseguiu tocar com instrumentos de música clássica, em Death Cult Armageddon a banda realmente tocou com uma orquestra. A quantidade de instrumentos e instrumentistas é bem maior que a do Puritanical. Agora a banda conta com a ajuda de mais instrumentos de sopro, isso deu uma atmosfera absurdamente sólida e impactante ao álbum. As orquestrações foram tão bem mixadas e compostas de uma forma tão pungente que às vezes chegam até a assustar. Esta ousadia musical afastou alguns metaleiros mais puristas, mas este sacrificio foi amplamente recompensado com a legiao de novos headbanger que surgiram das trevas.

Esse álbum não pode ser ouvido com o voume baixo. Ele tem é que ser apreciado no melhor aparelho que você tiver pra que o som seja o mais fiel e espantoso possível. Embora a orquestra tenha sido utilizada com bastante freqüência, alguns trechos foram feitos por sintetizadores, mas graças ao excelente tecladista Mustis, fica até difícil de distinguir qual parte se trata de uma orquestra real e qual é feita pelos teclados. Agora, saindo da parte clássica e indo para a parte metálica, aqui se deu efetivamente a entrada de Galder na banda. Nota-se claramente suas influências nas composições, que algumas vezes parecem com as do Old Man´s Child. Ele trouxe uma maior variedade de estilos. Ouve-se Thrash, Death, Black, Metal Tradicional e até um pouco de Industrial. Esse é com certeza o mais variado CD do Dimmu Borgir. Pode-se dizer que eles se distanciaram ainda mais do rótulo Black Metal e como disse o guitarrista Silenoz em uma entrevista, o som da banda está mais próximo de um Dark Metal Extremo. Seja como for, Satã esta lotando as casas e  regendo a orquestra.

Unorthodox Manifesto

 

The memories far beyond the reckoning
Have begun to lurk in the distance
Like visual objects dearly known
The grace of devils hands

As they walk with me like a medium
When I choose and require a burn-out
Resting in expanded malicious force
Drained for murderous weapons

Knowing where you stand
In the magnitude of this thought
Looking at the spirit of fire and flames
Enduring on the throne of the black heart

The memories far beyond the reckoning
Have begun to lurk in the distance
Like visual objects dearly known
The grace of devils hands

As they walk with me like a medium
When I choose and require a burn-out
Resting in expanded malicious force
Drained for murderous weapons

Knowing where you stand
In the magnitude of this thought
Looking at the spirit of fire and flames
Enduring on the throne of the black heart

A bringer of evil I am
And therefore also a carrier of light
As I use this focus through the dark
And face the sunshine in the dead end

Limitations do not exist
When you are ahead of the crowd
With the art of confidence
I reign at the throne of my soul

The value of this darkness unwinds
Travelling the other path
A hidden triumph
But obvious to the strong and wise

By understanding this reality
I remain in a twice-coloured cloud
With feet connected solid in the ground
And thus I get peace of mind

A bringer of evil I am
And also a carrier of light
As I use this focus through the dark
And face the sunshine in the dead end

A bringer of evil I am
And also a carrier of light
As I use this focus through the dark
And face the sunshine in the dead end

A bringer of evil I am
And also a carrier of light
As I use this focus through the dark
And face the sunshine in the dead end

Tradução de Unorthodox Manifesto
(Manifesto Não-Ortodoxo)
As recordações muito além do que parece
Começaram a espreitar ao longe
Como objetos visuais carinhosamente conhecidos
A graça de mãos demoníacas

Enquanto eles caminham comigo como um médium
Quando eu escolho e exijo algo perdido
Descansando em força maliciosa expandida
Drenada para armas assassinas

Sabendo onde você está
Na magnitude deste pensamento
Olhando para o espírito de fogo e chamas
Firme no trono do coração negro

Um portador do mal eu sou
E portanto também um mensageiro da luz
Enquanto eu uso este foco pela escuridão
E encaro a luz do sol no beco sem saída

Limitações não existem
Quando você está à frente da multidão
Com a arte da confiança
Eu reino no trono de minha alma

O valor desta escuridão se desata
Viajando pelo outro caminho
Um triunfo escondido
Mas óbvio para o forte e sábio

Pela compreensão desta realidade
Eu permaneço em uma nuvem bicolorida
Com os pés firmes no chão
E assim eu tenho paz de espírito

Um portador do mal eu sou
E também um mensageiro da luz
Enquanto eu uso este foco pela escuridão
E encaro a luz do sol no beco sem saída

 

Nº 14 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/death-cult-armageddon-dimmu-borgir/