Pi – Amor, Loucura e Formigas

Got to be a joker, He just do what he please

 

No início deste milênio – ou no final do milênio passado, depende se você é do tipo que conta ou mede o tempo – uma descoberta científica desconcertante, incrível, dessas que mudaram as bases daquilo que chamamos de realidade! Uma descoberta tão  SUPERFANTASTICABRITA que passou completamente desapercebida por você, por seus conhecidos, pelo fantástico e por mais de 99% da população do mundo (mais de 6.930.000.000 de pessoas se podemos acreditar na precisão dos informativos que vem impressos nas bandejas do Mac Donalds).

A descoberta foi realizada por Eamonn B. Mallon e Nigel R. Franks, do Centro de Matemática Biológica na inglaterra, e foi publicada no dia 22 de Abril no Proceedings of the Royal Society of London B.

Eamonn e Nigel estavam estudando um cordão da espécie Leptothorax albipennis e SIM!!! Este é um artigo sobre insetos que são mais fodas em matemática do que você – cordão é o coletivo de formigas.

Mas continue lendo.

As formigas Leptothorax albipennis habitam pequenas fendas nas rochas planas. Um cordão, ou colônia se preferir, consiste de uma única rainha, a sua ninhada, e de 50 a 100 trabalhadores. Quando um ninho é destruído, a colônia envia olheiros para avaliar possíveis novos locais de nidificação – puxa quantas palavras novas você está aprendendo hoje!

Se existem opções, há uma preferência por ninhos que possuam um determinado tamanho padrão – que está relacionado com o número de formigas da colônia. Isso só para começo de conversa já começa a ser meio assustador. Sabemos que animais tem certas “capacidades matemáticas” como contar e realizar operações, criar padrões fractais para optimizar caçadas, se utilizar de geometria para criar ninhos ou como forma de comunicação… mas calcular a área de uma toca?

Lembre-se que o ser humano padrão precisou perder o rabo, descer da árvore – não necessariamente nesta ordem – e desenvolver um super cérebro para poder começar a brincar de medir áreas. As formigas parecem ter achado que essa evolução toda era uma perda de tempo e resolveram usar aquilo que existe dentro de suas cabecinhas para fazer isso sem ter que esperar a invenção da calculadora para auxiliar.

Mas como elas fazem isso?

Mallon e Franks coletaram formigas de áreas próximas à costa de Dorset, na Inglaterra, e passou a criá-las em laboratório. Eles então transferiram as colionias para pratos de Petri quadrados grandes e ofereceram a elas várias opções de cavidades para formarem seus habitats; todas elas feitas a partir de pares de lâminas de microscópio com paredes de papelão preenchendo o espaço estreito entre o chão de vidro e teto de vidro.

“Usamos esses ninhos de lâmina de microscópio com cavidades de diferentes tamanhos, formas e configurações a fim de analisar as preferências”, afirmaram os desbravadores.

E o que eles perceberam?

Que experimentos que envolviam uma formigas marcadas individualmente mostraram que o olheiro – ou batedor se preferir um nome mais medieval – gastava em média 2 minutos correndo dentro de qualquer cavidade de forma aparentemente irrefletida e sem sentido. Outra coisa que perceberam é que o batedor acaba fazendo duas visitas a um local considerado aceitável para o futuro ninho, antes de recrutar seguidores.

E o que foi que eles notaram?

Que quando o batedor explora inicialmente um potencial ninho, ele cria uma trilha de ferormônio. Em sua segunda visita a sua corrida tresloucada na verdade serve para se criar uma pista diferente, uma que cruza várias vezes a trilha original.

Mallon e Franks então começaram a pensar que talvez o batedor consiga estimar a área do ninho em potencial detectando o número de intersecções entre o primeiro e o segundo conjunto de trilhas. A resposta se tornou clara!

As formigas não precisaram evoluir um cérebro para inventar calculadoras para medir áreas porque elas conseguem usar algoritmos para fazer isso. E você ai tentando se lembrar a diferença entre um algoritmo e um logaritmo! As formigas fariam isso de olhos fechado caso possuíssem pálpebras. Elas simplesmente sabem que uma área estimada, chamemos de A, de uma superfície plana é inversamente proporcional ao número de intersecções, chamemos de N, entre dois conjuntos de linhas, digamos que de comprimentos S e L, dispersos aleatoriamente na superfície. Ou para resumir, enquanto a maioria das pessoas tem dificuldade de calcular 20% de 35% de R$215,00 reais, formigas conseguem calcular A = 2SL/pN!

“Os resultados de nossos estudos, de que formigas individuais podem fazer avaliações precisas das áreas de nidificação com base em uma regra de ouro, mostram de uma forma única como animais usam algoritmos robustos para tomar decisões quantitativas bem embasadas”, concluiu a dupla. E vamos concluir, por enquanto, o assunto de formigas.

Como disse, essa descoberta passou desapercebida por provavelmente quase todo mundo. Afinal mais insetos ou animais fazendo coisas que envolvem matemática são chatos. Vamos voltar ao mundo real!

 

He say one and one and one is three, Got to be good looking, Cause he’s so hard to see

 

Todos sabemos – ou deveríamos saber – que a Bíblia é uma colcha de retalhos literários. Vários autores, que escreveram ou compilaram textos por séculos e que posteriormente foram unidos em um único pacote. Alguns livros sugerem seus autores, outros não; um exemplo é o Livro de Reis.

Tendo em vista todas as evidências à nossa disposição nos dias de hoje, o melhor que podemos fazer é atribuir este livro da Bíblia a um autor/compilador anônimo do século VI a.C. Não há como afirmar se ele era um profeta ou não, mas muito provavelmente o livro foi composto na Palestina entre a queda de Jerusalém (587/586 a.C.) e o decreto do rei Ciro da Pérsia, que permitiu que os hebreus retornassem à sua terra natal (539 a.C.). A data de 550 a.C. parece razoável para o registro Reis concluída.

O livro foi escrito para os judeus que tinham testemunhado a catástrofe de 587, e para os seus filhos, cuja fé estava oscilando. Ele tinha como objetivo instruir e incentivar, para extrair-lhes os atos de arrependimento por seus pecados passados e para renovar as suas esperanças para o futuro. Foi escrito, em suma, para responder às perguntas angustiantes levantadas pelos acontecimentos de 587.

Mas o interessante deste livro bíblico é uma passagem que pode ser encontrada hoje em 1Reis 7:23:

“Hirão fez também o mar de bronze, que tinha dez côvados de uma borda à outra, perfeitamente redondo, e com altura de cinco côvados; sua circunferência media-se com um fio de trinta côvados.”

Este mesmo versículo aparece também em outros cantos da Bíblia, como em IICrônicas 4:2, onde indica uma série de especificações para o Grande Templo de Salomão. E por que essa passagem é tão interessante?

O texto afirma que foi construído algo que era um “círculo perfeito”. De uma borda à outra 10 unidades de media. Logo o raio tinha 5 unidades. A circunferência tinha 30 medidas. Isso nos mostra que um texto datado de 550 a.C. colocava a razão entre a circunferência e o raio de um círculo perfeito em 3. Ou para ser mais claro, a Circunferência deste círculo perfeito é igual a duas vezes o Raio, vezes 3. C=2.R.3.

Lembra-se da época da escola? Provavelmente você fazia o mesmo cálculo usando símbolos mais complicados como C=2πR. Essa letra grega ai no meio é o PI. Compare as duas expressões, a sua e a da Bíblia, e você vê que para os judeus antigos π=3.

É muito fácil perceber este erro hoje, se é que alguém pára para pensar nisto, mas na época do Antigo Testamento era normal, e tudo culpa das bolas – ou círculos, se preferir.

Ninguém sabe ao certo o que fez com que as pessoas desejassem medir as coisas. Curiosidade, inveja, exibicionismo. . . mas o certo é que tão logo que foi percebido que se poderiam ser cobrados impostos de outras pessoas, simplesmente por possuírem um pedaço de terra, a arte de se medir foi elevada a novos patamares, nasciam os primeiros geômetras profissionais. Logo perceberam que se medir quadrados, retângulos, paralelogramas, triângulos era brincadeira de criança, mas quando surgiam curvas a coisa complicava. O que fazer?

Bem talvez pegando um círculo, que parece à primeira vista como a forma mais simples de curva, pudéssemos tirar algum segredo dai. Um círculo é composto de algumas partes básicas: um centro, um raio, um diâmetro, uma circunferência e uma área. O centro é o centro. O raio é a distância do centro até a borda do círculo. O diâmetro é a largura do círculo (que calha de ser igual a duas vezes o raio). A circunferência é a medida da borda e a área a parte de dentro. Como essas partes estariam relacionadas uma à outra? A relação raio diâmetro era bem simples. A área do círculo estava relacionada à circunferência. Qual a relação do raio (ou do diâmetro) com a circunferência?

Uma pergunta simples, uma pergunta cuja resposta chegou a beirar e ultrapassar a loucura ao longo da história.

Como descobriram o Pi? De onde ele vem? Bem, deixando gênios de lado, suponha que nosso antepassado primitivo tivesse a curiosidade de pegar um barbante, amarrar em um prego, fincar o prego no chão ou em uma tábua e com um giz preso na outra extremidade desenhar um círculo pode ter chegado a uma descoberta interessante: se depois de traçar o círculo soltasse o barbante – que teria o tamanho do raio do círculo – e começasse a colocá-lo sobre a linha traçada, marcasse onde ele chegava e colocasse de novo na continuação e de novo e de novo, com 6 operações dessas o barbante daria a volta completa! Voilá! Se você multiplicasse o raio por 6, teria a circunferência da figura! Ou então se multiplicasse o diâmetro por 3! Trabalho resolvido. Existe uma lei da natureza que afirmava que a circunferência de um círculo era igual a duas vezes o raio do círculo vezes 3. Mas o que era esse 3? O que importa! A conta dá certo.

Isso, é claro, se você não precisar ser MUITO preciso.

Isso explica a passagem Bíblica do livro dos reis. Se você usasse algum método de medição mais “físico” como cordas para se medir as coisas, chegaria numa aproximação muito boa. Para se ter uma idéia, nos século XII a.C. – quase 700 anos antes de escreverem o Livro de Reis – os chineses também arredondavam Pi para 3.

Mas de novo, o que é Pi? Por que alguém desejaria saber o valor de Pi?

Voltemos ao imposto de renda. Suponha que você comprou um terreno perto do mar e construiu um farol. O coletor de impostos precisava cobrar de você o espaço de terra que você estava usando. Como ele iria fazer isso? Para descobrir a área do circulo ocupado por sua construção ele precisaria conhecer a circunferência do seu farol. Ou suponha que você construísse carroças, e descobrisse que ao se colocar uma tira de metal ao redor das rodas de madeira, elas durariam muito mais. Ou que você construísse barris. Ou faróis, piscinas ou qualquer coisa redonda que não fossem buracos. Você teria que trabalhar com a borda, saber quanto de metal usaria nas rodas, ou nos aros para segurar os barris, ou em pedras para a borda da piscina. Lembre-se, eles eram nossos antepassados, mas também tinham orçamentos. Assim a forma mais rápida de se calcular o quanto teria a circunferência era multiplicar o diâmetro do círculo por 3. Esse número não tinha um nome, era uma medida prática de se trabalhar com círculos.

O problema começava a surgir quando você resolvesse pegar papel e lápis, porque ai notava que esse “3” não era exatamente exato. Se você precisasse ser extremamente preciso notaria que a tira de metal, que você encomendou baseada nas medidas que seu estagiário calculou, não se enrolava com perfeição ao redor da roda da carroça. Faltava um pouco de metal para ela se fechar perfeitamente. Ficava um pedacinho, bem pequeno, sem metal. Mas tudo bem, isso não afetaria o funcionamento da roda. Quem se importaria com essa diferença mínima?

Bem. Os babilônios se importavam. Os egípcios se importavam. Os babilônios conseguiram com seus cálculos descobrir que a razão entre a circunferência e o diâmetro do círculo não era de exatamente 3, e sim de 3.125. Os Egipcios – muito mais exagerados – usavam uma razão de 3.1605. E isso lá pelos idos de 2000 a.C.

No caso egípcio, encontramos uma menção a este número no Papiro de Ahmes – ou Rhind – mostrado como uma fração: 4x(8/9)^2, que se encontra no Papiro de Ahmes ou Rhind, gravado no segundo século a.C.. É este valor que se obtém experimentalmente, medindo a circunferência de latas, pratos e cestas e dividindo-a pelos diâmetros respectivos.

Já, para os Babilônios, o valor 3+(1/8) é encontrado em uma das Placas de Susa, o único exemplo conhecido nessas épocas do que parece ser uma familiaridade com um processo geral que, em princípio, permite determinações tão exatas quanto se queira.

Inclusive, depois de anos medindo e desmedindo as pirâmides do Egito, John Taylor propôs a idéia, em 1859, de que a grande pirâmide não era apenas uma construção sinistra e gigante no meio do deserto. Ao se dividir o perímetro da Grande Pirâmide de Khufu pela sua altura, o resultado se aproximava muito de 2.Pi – e ao comparar isso com o fato de que ao se dividir a circunferência de um circulo por seu Raio obtemos 2.Pi, declarou que talvez a Grande pirâmide tenha sido erguida como uma representação da “esfericidade” da Terra.

Legiões de escravos construindo por anos um Pi gigante, holográfico, feito de pedras que pesavam toneladas, no meio do deserto. Eis um baita sonho erótico para muitos matemáticos.

Mas foi quando gregos começaram a se importar com este número que a merda bateu no ventilador.

 

 

He say I know you, you know me, One thing I can tell you is, You got to be free

 

Os gregos antigos eram pessoas interessantes. Punheteiros de primeira linha. Eles não contentavam em se preocupar em porque se você gira um compasso cria um círculo. Eles queriam saber se o círculo era democrata, qual o prato favorito do círculo e que tipo de música ele gostava de escutar. Eles não se satisfaziam com aproximações toscas, eles queriam saber exatamente. Eles levaram a matemática de uma ferramenta prática de comércio e arquitetura para a ciência angustiante, massante, enfastiante e increvelmente maravilhosa.

Entre Arquimedes de Siracusa, no século III a.C.. Arquimedes era famoso por correr pelado pelas ruas gritando palavras gregas e em dizer que sua vara era capaz de abalar a Terra. Arquimedes era tão foda que ele era matemático, físico, engenheiro antes de inventarem números. E ele resolveu estudar esse número, razão entre a circunferência – ou perímetro – e o diâmetro de um circulo. Arquimedes mergulhou de cabeça no problema com expedientes novos, muito mais profundos. Ele se propôs descobrir um processo para a determinação deste número com a precisão que se desejasse.

Se utilizando de polígonos que tocavam um determinado círculo, respectivamente do lado de dentro e de fora, ele calculava a área dos polígonos, que podia ser calculada com exatidão, resultando em um limite superior e outro inferior para a circunferência procurada, pois o polígono externo parece ter uma área maior que o círculo, e o interno, um menor.

Quanto mais ângulos nos polígonos, mais próximo do círculo se chegaria. Arquimedes chegou ao polígono de 96 lados, através do qual obteve a seguinte aproximação:

3.1410 < p < 3.1428

Uma aproximação muito boa. Mas que infelizmente trouxe um terrível efeito colateral. Hoje quando ouvimos falar de caixa de Pandora, imaginamos que se trata de uma simples lenda, ou uma metáfora. Estudando a história de Pi eu acredito em segredo que a origem desta tragédia foi a matemática, e o círculo.

Assim que começaram a comparar polígonos com círculos os gregos libertaram no mundo uma maldição muito maior do que o simples cálculo da razão do perímetro do círculo.

Em algum momento um daqueles gregos pensou: se eu tenho um quadrado, consigo medir a área dele. Sabendo como traçar círculos com a área que eu quiser, usando o número mágico, quanto tempo eu levo para traçar um círculo com a mesma área do quadrado? Claro que os gregos possuíam apenas réguas e compassos para fazer isso. Antes de continuar lendo, pense a respeito deste problema. Você acha que consegue pensar em uma solução?

Tantas pessoas foram contaminadas por esta idéia que em 1755  a “Real Academia de Ciências de Paris” decidiu não aceitar mais nenhuma proposta para a solução. Este problema ficou conhecido como a quadratura do círculo, e as pessoas que se envolviam com ele acabavam desenvolvendo Morbus cyclometricus – a doença da quadratura. Essa doença chegou a contaminar desde ilustres desconhecido a figuras famosas como o cardeal Nicolau de Cusa e o filósofo Thomas Hobbes; Hobbes até se mostrou disposto a ignorar as mais crassas contradições de sua proposta na sede de chegar à resposta a tantos séculos esperada, chegando a afirmar que ele estava correto e o Teorema de Pitágoras errado.

Hoje sabemos que a quadratura do círculo não poder ser calculada é culpa de Pi. O número é irracional, portanto, não permite ser expresso pela divisão (fração) de dois números inteiros. Além disso, ele é transcendente, ou seja, não é raiz de nenhum polinômio com coeficientes fracionários cujo resultado seria π. Mas apenas em 1822 isso foi provado, por Ferdinand von Lindemann.

Mas o problema com o Pi, que oficialmente ganhou a nomenclatura de π apenas em 1706 do matemático William Jones, é que ele não se contenta em assombrar apenas círculos. Ele parece estar infiltrado em todas as áreas da nossa vida, nos espreitando e nos assombrando.

No início do século XVIII Georges Louis Leclerc, conhecido pelas mulheres da região como Conde de Buffon, foi uma das vítimas colaterais de π. Aparentemente quando criança, a mãe dele não lhe alertou sobre as crianças famintas da África, então ele desenvolveu um gosto por brincar com comida. Numa bela tarde ele estava sentado em uma cadeira brincando de jogar pães por cima do ombro para trás. O chão era feito de tábuas de madeira e quando se virou ele viu que alguns dos pães estavam em cima das linhas entre as tábuas e outros não. O problema é que além de Conde, Leclerc era matemático, e não tardou a perceber que sua brincadeira representava um problema de probabilidade geométrica, que pode ser traduzido da seguinte maneira:

Dado um objeto mais largo do que alto de largura 4cm – digamos que uma agulha -, quando jogado ao acaso num assoalho feito de tábuas de 4 cm de largura, qual a probabilidade de que a agulha caia atravessando uma das junções?

 

Bem, vamos considerar que X é a distância entre o centro da agulha e a junção mais próxima. Não é difícil constatar que nesse caso que X pertence ao intervalo [0, 2].

θ como o menor ângulo entre a agulha e uma reta perpendicular as junções.

Então, nesse caso θ pertence ao intervalo fechado…

Bem, resumindo a parte chata (caso queiram esclarecimentos da parte chata nos mande um e-mail), temos que a resposta é igual a 2/Pi. Quanto mais agulhas você atirar, mais perto de 2/Pi você chega. Em 1901 outro matemático, desta vez italiano, Mario Lazzarini, afirmou ter atirado uma agulha mais de 3400 vezes e obteve um valor de π igual a 355/113 – ou  3.1415929, que se afasta do valor real em menos de 0.0000003. Claro que quando paramos para pensar em como ele conseguiu atirar uma agulha mais de 3400 vezes de forma realmente aleatória, começamos a nos lembrar de comentários de outros matemáticos de como Mario trapaceou um pouco em seu experimento.

O escrutínio que teve início com os gregos, resultou em cálculos hoje que determinam π até a 8.000.000.000.000.000 casa decimal. Para se ter idéia do que isso significa em 2006, o japonês Akira Haraguchi, enumerou meras 100.000 casas decimais de π, exercício para o qual gastou 16 horas.

Hold you in his armchair, You can feel his disease

Agora, se acreditam que estou sendo exagerado, ou mesmo sensacionalista a respeito do π, me respondam: Se podemos calcular a circunferência de um círculo do tamanho do universo conhecido, com um grau de precisão que deixaria margem de erro do tamanho de um próton, precisamos de π até a 39a casa decimal, por que calcular a 8.000.000.000.000.000a casa decimal e além? Isso toma tempo e dinheiro dos contribuintes. Por que essa fixação?
π faz parte da identidade de Euler, reconhecida por muitos como a identidade mais bela da matemática.
e vendo esta foto eu concordo com a afirmação.
De acordo com o oficial florestal Mohd. Thayyab, da divisão florestal em A.P., Índia, afirmou que para se medir a altura de um elefante, do pé ao ombro, basta multiplicar o diâmetro do pé do paquiderme por 2π.
Os satanistas adoram quando afirmamos que se somarmos os primeiros 144 dígitos de π, o resultado é 666.

Mas afora isso, por que a fascinação?

Carl Sagan eu seu livro Contato trabalha coma idéia de que encontrarem π a assinatura de Deus. π é uma sequência de números infinita e irracional – uma bela definiçao de Deus, eu diria – e dentro dela estaria escondida tal assinatura.

Peter Boghossian e Richard Dankins discutiram certa vez o que poderia ser uma evidência da existência de Deus e obviamente em determinado ponto Contato entrou na discussão. Em um mail enviado para Peter eu disse que essa seria uma evidência pobre, já que os números de π são aleatórios, poderíamos, com muita paciência, encontrar qualquer padrão dentro dele, existe um site inclusive que localiza seu aniversário dentro de π. Surpreendentemente Peter respondeu o mail com uma questão:

“mas e se esta assinatura dentro de π aparecesse apenas uma vez, sem nunca se repetir?”Isso seria uma evidência?”

π é infinito. E aleatório. Isso esbarra em um problema de nossa mente: contemplar o que é infinito. Por um lado imaginamos que o infinito é algo tão grande que não pode sequer ser pensado. Mas isso não é sempre verdade, Cantor nos mostrou que existem infinitos de diferentes tamanhos.

Pegue uma régua. Ande com o dedo para 1 cm. Ande então metade do caminho, para 1,5cm. Ande novamente metade desta segunda distância – 0.5cm – distância na régua. E novamente metade desta metade. Continue adicionando essas metades infinitamente. Você logo percebe que esta é uma soma infinita, mas você nunca vai chegar no fim da régua. Na verdade você não chega a 3cm. Um infinito menor do que a tampa de uma caneta Bic, que você consegue segurar em sua mão.

Agora de fato, e se dentro de uma série aleatória e infinita surgisse apenas uma sequência uma vez? Pensei comigo mesmo, isso poderia ser feito. Neial Gaiman certa vez disse que todo livro tem um final feliz, basta você saber quando parar de ler. Assim uma sequência única poderia ser encontrada dependendo de quando você decidisse que ela começa e termina, seria uma trapaça.

Como buscar tal assinatura então sem trapaças? Se você está em um navio e ele está afundando, você não enviaria apenas um S.O.S. pelo rádio, no meio da estática eletromagnética da atmosfera apenas um S.O.S. se perderia. Você mandaria vário, a espaços regulares. Eu imagino que qualquer mensagem codificada dentro de π seria como uma sinal, ou uma série de números que se repetiriam sem parar. Um farol piscando na escuridão nos guiando.

Bem… um matemático amador, Hagar Dronbecker , descobriu que Pi se repete no nível hiper- milésimo. A idéia veio a ele enquanto estava comendo um sanduíche de tomate. Aparentemente , o padrão de meta- fractal da listra verde e vermelha dos tomates o levou a inferir que Pi poderia de fato se repetir no nível hiper-milésimo, graças ao fato de que Pi não poderia ser mais aleatório do que quase-repetição da curva de escaleno dos tomates.

Mais especificamente, o ponto de repetição em Pi ocorre quando ele começa a se mover em um conjunto controverso de números que os matemáticos chamam de “números NLNcHT” –  New Large Numbers Considered to be in the Hyper-Thousands ou Novos Grandes Números considerados em hiper-Milhares. A seqüência de repetição encontrada por ele é constituída pelos seguintes números: ” 949700010007949 “. Agora repare a beleza disso, uma assinatura que se repete e não apenas aleatória, mas um palíndromo numérico dentro de π. Um olho que brilha como uma maçã dourada que pode ser lida em ambos os sentidos…

Não seria interessante que houvesse mesmo uma assinatura embutida dentro de um círculo que nos avisasse que o criador nos espera em algum ponto da existência?

Não seria ainda mais interessante se essa assinatura fosse a responsável, de certa forma, por nossa evolução mental?

Até hoje não existe uma explicação racional de porque nossos cérebros se desenvolveram tanto. Em algum momento da história um catalizador fez com que parássemos de lamber nossas bolas e assássemos a medía-las, e medindo-as encontramos π, nos esperando.

Hanne Tügel já me disse certa vez que “dito de modo crasso, pi significa a colisão entre a inteligência humana e a Matemática”. Mas e se ele fosse mais? E se π estivesse já dentro dos seres mais simples, se fizesse parte da vida e de alguma forma estivesse esperando que alguma mente o questionasse para que ele respondesse, fazendo-a evoluir conforme ouvisse sua resposta?

Claro que esta é uma suposição tola. Afinal como afirmar que π está presente nas formas mais simples de vida esperando ser descoberto? Para afirmar isso eu teria que ter evidência que animais com cérebros estupidamente mais simples do que nós poderiam ter a mesma facilidade que temos para trabalhar com π nos níveis mais básicos da vida certo?

 

Come together, right now, Over me

O que dizer então das formigas, do início deste artigo, calculando o tamanho de seus ninhos. Desde sempre elas utilizam o algoritmo, sem perceber. É instintivo, elas o fazem sem notar a matemática que existe por trás de suas corridas.
Quando tempo demoraria para que elas notassem que o algoritmo que usam é belo, elegante, e uma forma de calcular π?
Eu não sei afirmar isso tendo como base a mente de uma formiga, mas nós humanos precisamos evoluir muito para só no século XVIII de nossa era conseguirmos isso. O experimento da agulha de Buffon, que calcula π como efeito colateral, se baseia no mesmo algoritmo das formigas. O que elas fazem desde que são formigas só se manifestou de forma consciente em nossa mente alguns séculos atrás. E nós tivemos que evoluir muito para perceber isso…
Que tal o número 949700010007949 agora? Cada vez que você o lê, percebe algum brilho diferente dentro de sua mente?

por LöN Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/pi-amor-loucura-e-formigas/

Astrologia para Demolays e Maçons

“Planeta” é uma palavra de origem grega cujo significado é “errante”, pois assim eram classificados os astros celestes que não tinham sua órbita fixa, como são aparentemente as estrelas.

Assim permaneceu na tradição Astrológica, sendo classificados como planeta todos os astros errantes do céu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, e o Sol e a Lua também entram nessa definição antiga, pois todos os sete viajam através da linha do Zodíaco. Hoje também incluímos os planetas Urano, Netuno e Plutão na lista.

Diz-se que o Zodíaco é a “espinha dorsal” do céu, ou do corpo de Nuit, onde os antigos astrônomos e astrólogos previam épocas de cheia dos rios, de acasalamento dos animais, período de plantio e de colher, do nascimento de crianças especiais, o momento correto de acontecer uma coroação, uma guerra, etc. É nessa espinha dorsal da noite que viajam os planetas, nascendo a Leste e morrendo a Oeste.

A Astrologia na Ordem DeMolay e Maçônica estão ligadas ao simbolismo dos planetas e dos signos.

Vamos fazer uma pequena introdução sobre o que é e o que não é astrologia, com algumas informações pertinentes, para entender como vamos estudar esse assunto.

O QUE É ASTROLOGIA

Os antigos identificaram o céu como um livro escrito pelo próprio Pai Celestial, Arquiteto do Universo, que os homens poderiam (podem) ler e interpretar esse livro. Através de observação e análise foi constatado que os planetas agem como ponteiros que apontam para determinada constelação ou estrela e toda vez que o planeta apontava nessa mesma direção, ou quando os planetas se aproximam ou se distanciam uns dos outros, o mesmo fenômeno era observado.

Por exemplo, as cheias nos rios e as marés altas e as épocas de caça são determinadas pelas fases lunares.

“Zodíaco” é uma palavra de origem do grego antigo, z?diakós kýklos, que significa “círculo de animais”. Desde antiga Babilônia existe a repartição do céu em 12 partes que é percorrida pelos planetas.

O Zodíaco como conhecemos hoje foi formado e adaptado ao longo da história, sendo o principal personagem nessa adaptação o Filósofo Ptolomeu, Iniciado nas mais distintas Escolas de Mistérios, que sistematizou os diversos símbolos mitológicos no que temos hoje como “12 Signos”. Ptolomeu viveu em Alexandria e contribuiu com muitos volumes de livros sobre os astros, sendo a maior parte desses destruídos junto com a Biblioteca de Alexandria.

Muito das ciências herméticas da antiguidade foram preservadas e chegaram até nós por outro caminho: pelos Islamismo. Não só livros de Ptolomeu sobre Astrologia, mas também um grande legado da Alquimia e Hermetismo se manteve intacto graças aos místicos do Islã, os Sufis. Esse é um fato muitas vezes desconhecido e pouco explorado pelos estudiosos do Ocultismo.

As estrelas são obra de Deus, o Pai Celestial, Arquiteto deste Universo, e um homem através dos seus estudos constatou uma harmonia existente no viajar dos planetas no céu. Foi Pitágoras e sua descoberta é conhecida como Harmonia das Esferas. Descoberta que não só transformou a matemática e a filosofia, como também descobriu as sete as notas musicais observando os sete planetas através do Zodíaco, e deu nascimento a nossa atual Geometria Sagrada. Não faz sentido? Em breve veremos mais sobre esse incrível antepassado e seu legado.

Das estrelas e dos planetas não só nasceu a Astrologia, mas muitas outras ciências são derivadas desta. O Hebraico, alfabeto utilizado por Moisés para escrever o Torá (Pentateuco) foi todo inspirado por agrupamentos de estrelas, ou seja, é um alfabeto de inspiração Celestial, ou Divina. Dai a origem mitológica da Kabbalah, ou “Tradição”, segundo a concepção Judaica. Os hieroglifos egípcios, escritas cuneiformes, e os caracteres do chinês primitivo, derivam diretamente da forma de certas constelações.

Baseado na “escrita do Céu” é que foram desenvolvidas as Mitologias de diversas Religiões, da Suméria à Celta, dos Xamãs Esquimós aos Maias e Astecas, da Nagô à Judaica, da Hindu à Cristã. Releia o texto Mitologia e Ciências Herméticas para melhor entender sobre a importância da mitologia.

Na arquitetura a Astrologia influencia no formato dos Templos. No Egito muitos dos Templos eram construídos com o Altar direcionado a Leste e a porta de entrada a Oeste, assim as pessoas ao adentrar andavam em direção a Luz do Sol e se afastavam simbolicamente das Trevas. Assim são muitos dos Templos Gregos, as Igrejas Cristã, os Templos Maçons e a Sala Capitular DeMolay. Já falamos um pouco sobre a Arte da Construção onde os Mestres Pedreiros são detentores dos mais diversos mistérios por serem os responsáveis de realizar construções nas mesmas proporções existentes no Universo no texto Maçonaria, Templo de Salomão e Geometria Sagrada.

A importância da Astrologia a nós se dá principalmente pelo simbolismo que ela contêm. Estudaremos mais adiante o que significam os planetas e os signos, os símbolos contido em cada um deste e suas relações com a Jornada da Iniciação vivida nos Rituais, e as diversas influências astrológicas nos rituais. Já vimos algumas dessas influencias nos textos Simbolismo do Sol e Simbolismo da Lua.

Como puderam ver, não citamos acima nenhuma relação de um DeMolay ou Maçom ser astrólogo ou ser obrigado a estudar Astrologia. Aos que interessam, vamos estudar o legado astrológico contido nos rituais que são repletos de simbolismos e completam nosso entendimento dos Rituais.

Estudaremos coisas como a história da astrologia, o simbolismo astrológico (signos e planetas) e as relações mitológicas, Harmonia das Esferas, e como esses assuntos se conectam a nossos Rituais.

O QUE ASTROLOGIA NÃO É

Importante agora citar alguns fatos sobre o que não é e o que não faz a astrologia, pois esta foi extremamente banalizada e comercializada nas ultimas décadas, deturpando totalmente a ciência dos nossos antepassados e fazendo-a ser motivo de piada. Devemos conhecer, afinal o DeMolay e o Maçom devem fugir da ignorância, certo?

Astrologia não prevê o seu futuro, seja ele diário, mensal, anual, ou qualquer maneira de prever como será sua vida. Isso vai totalmente contra o livre arbítrio, a Lei da Causa e Efeito, e qualquer outro princípio hermético. A previsão da Astrologia Hermética é algo complemente diferente do que encontramos facilmente em revistas e internet.

Astrologia não atua em coisas como encontrar o amor da sua vida, a ganhar na loteria, a escolher que tipo de roupa você deve sair, a saber o que fazer em determinado dia ou semana.

Astrologia não diz quem e como a pessoa é através do signo solar. Quando dizermos “sou ariano” estamos dizendo, segundo a Astrologia, que “o sol estava na constelação de Áries no momento do nascimento”. Além do Sol temos mais todos outros planetas pelos 12 signos, 12 Casas, com aspectos entre si, entre muitas outras observações a serem analisadas. Cada pessoa é um indivíduo com características únicas e não existe generalização de caráter pelo signo ou ascendente.

Entendido?

Agora uma explicação sobre a Astrologia nesse blog. Não ensinaremos aqui a maneira correta de se construir ou interpretar um Mapa Astral, pois foge do nosso propósito. Simplesmente apresentaremos as chaves da Astrologia Hermética para que entendamos seu simbolismo.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/astrologia-para-demolays-e-ma%C3%A7ons

AGLA, ARARITA, IAO e outras Palavras de Poder na Magia Cerimonial

Por Spartakus FreeMann

Queremos oferecer ao estudante ou à pessoa curiosa que entra no caminho da Magia Cerimonial algumas chaves para as Palavras do Poder que ele poderá encontrar nos vários Rituais que ele terá que estudar e praticar. Algumas palavras podem parecer absurdas ou misteriosas, mas um exame abrirá uma compreensão do que elas realmente significam, e por que são usadas em rituais.

Tabela de conteúdo

Perguntas Frequentes

O que são palavras de poder na magia?

As palavras de poder (AGLA, ARARITA,…) são usadas para invocar algo ou proteger o invocador. Eles são encontrados por exemplo nos rituais de pentagrama e hexagramas.

Em quais grimórios elas podem ser encontradas?

Principalmente na Clavícula de Salomão e em quase todos os grimórios de vendedores ambulantes (Galinha Preta).

O que é magia cerimonial?

 A magia cerimonial é o ramo operativo da Magia que utiliza círculos invocatórios, fórmulas muito rígidas, invocações, evocações e dispensas de forças sobrenaturais. Esta magia usa muitas ferramentas (espada, punhal, cálice, tapete, túnica, grimório, incenso,…).

É perigoso usá-las sem preparação e conhecimento?

 Sim, como em qualquer ação mágica, o praticante deve entender e dominar o que está fazendo.

O que se segue é mais um esboço do que um estudo exaustivo. Para este trabalho, nos baseamos nas obras de Israel Regardie. Não queríamos elaborar uma tabela exaustiva de todas as palavras de poder, porque um livro em vários volumes não seria suficiente, mas o leitor pode encontrar obras muito boas no mercado atual.

AGLA

No Ritual de Banimento do Pentagrama, é utilizada a Palavra de Poder AGLA אגלא. Esta Palavra é na verdade um Notariqon da frase “Atah Ghibor Leolam Adonai” (A Ti é o Poder para sempre, Senhor!). É incrível saber então que os Wiccanos usam esta palavra de poder em suas evocações! Adonai é implicitamente invocado. Entretanto, como veremos mais adiante neste artigo, o simbolismo de Adonai pode ser diferente daquele normalmente atribuído a ele em ambientes religiosos.

ARARITA

Outra palavra de Poder frequentemente utilizada é a de ARARITA אראריתא que se encontra mais particularmente no Ritual do Hexagrama, que é vibrado nos quatro cantos ao traçar os hexagramas que estão associados às forças dos sete planetas. ARARITA é também um Notariqon de 7 letras da frase “Achad raysheethoh; achad resh yechidatoth temourathoh achod” (“Um é seu começo; um é sua individualidade; sua permutação é uma”). A palavra achad (אחד) significa “um”; Raysheet (ראשׁית) significa “início”, rosh (רששׁ) significa “cabeça” ou “início”; yechidah (יחידה) refere-se à alma humana superior que está associada a Kether; temurah (תמורה) significa “permutação”.

Na tradição da Magia de Thelema, ARARITA é uma fórmula relacionada ao macrocosmo, poderosa em certas Operações Mágicas da Luz Interior (ver Liber 813).

Por fim, observemos que ARARITA (אראריתא) tem um valor numérico de 813, que é idêntico à numeração de Gênesis I:3: “Vayomer Elohim Yehi Aur, Vihi Aur” (E Deus disse: que haja luz e houve luz).

ABRACADABRA

Outra palavra de poder frequentemente encontrada na Magia Ceremonial é ABRACADABRA. Este nome não é encontrado nos Livros de Mistérios Cabalísticos, mas o Sepher Raziel se refere a Abraxas, que é um nome derivado de Abracadabra. Em sua seção 37b, o Raziel substitui o Abraxas pelo nome “Abragag” (אברגג), dando-lhe o significado de “divino” e nomeando o nariz do corpo divino desta forma. Mas ele o usa em sua forma normal como um nome a ser invocado para fazer aparecer um brilho na escuridão, desta forma: ‘Yeir Abraksas’ (אברשׁכס יאיר), que significa ‘Ele ilumina divinamente’. Nomes mágicos são obtidos através de associações, desnaturações, abreviaturas ou combinações, de acordo com regras estabelecidas (Cabala Extática, cap.8).

De acordo com M-A Ouaknin, Abracadabra nasceu da confusão entre dibur e amira. Abracadabra significa literalmente, segundo ele, “ele criou enquanto falava” (hou bara kémo chedibère), e é, portanto, a expressão da Cabala cristã que assimila a criação pela fala ao termo dibour e não ao termo amira. Para Deus criado pela AMIRA como está escrito “vayomèr Elohim” dez vezes em Gênesis. Portanto, é provável que Abracadabra seja apenas a expressão de uma deriva oculta da Cabala cristã e não a expressão da verdadeira Cabala, mesmo que seja prática. Seu estudo é, no entanto, útil no surgimento da palavra da Lei do Aeon de Hórus, da Cabala Thelemita desta vez, Abrahadabra.

Abrahadabra significa “Abençoo os mortos”, que é uma das três palavras usadas para abençoar uma espada, e esta palavra parece derivar do hebraico “ha brachah dabarah” ou “Diga a bênção”.

Existe uma relação entre Abracadabra e a divindade gnóstica Abrasax, ou deus supremo desconhecido, fonte das 365 emanações da teologia persa. Neste contexto, o Abrasax é o mediador entre a criação e a divindade. A versão de Crowley tem um valor numérico de 418 em Gematria, ou 22 se for usada a Cabala das Nove Câmaras.

Como um símbolo do duplo poder ou unidade do Pentagrama e do Hexagrama, Abrahadabra simboliza o “casamento místico” do microcosmo e do macrocosmo, do mundo interior e do mundo exterior.

Portanto, pode-se dizer que Abrahadabra é a palavra sagrada que invoca a união dos mundos inferior e superior dentro do estudante. Usada corretamente, esta palavra tem o poder de elevar o estudante a esferas mais elevadas de iniciação. Esta ideia também é encontrada no Ritual Menor do Pentagrama, no qual as forças dos elementos e planetas são combinadas e equilibradas.

Segundo Stavich, “Como mediador, Abrahadabra sugere que como a humanidade é a Divindade encarnada, ‘Não há Deus senão o Homem, e o Homem é o Filho de Deus, Deus é o Homem’, podemos experimentar este estado em etapas progressivas ou graus de expansão da consciência. Podemos ser divinos, mas a lacuna entre a consciência mundana do mundo terreno e a consciência cósmica de Kether é radical. É por isso que progredimos lentamente e com a ajuda de diferentes mediadores para nos ajudar.”

Para este fim, podemos usar esta palavra, Abrahadabra, como um mantra, vibrando-a como uma palavra sagrada carregada de poder, podemos devolver sua energia ao seu poder original, como uma expressão divina. Quando vibramos esta palavra, devemos sentir e imaginar que os mundos inferiores e superiores estão unidos dentro de nós, que somos o centro do mundo e do universo, uma expressão de Tiphereth…

Em seu Liber IV, Aleister Crowley escreve sobre ABRAHADABRA:

“ABRAHADABRA é uma palavra a ser estudada no Equinox I, “O Templo de Salomão, o Rei”. Ela simboliza a Grande Obra concluída e é, portanto, um arquétipo para todas as operações mágicas menores. Em certo sentido, é perfeito demais para ser aplicado antecipadamente a qualquer um deles. Mas um exemplo de tal operação pode ser estudado no Equinócio I, “O Templo de Salomão, o Rei”, onde uma invocação de Hórus com base nesta fórmula é dada na íntegra. Note a reverberação de ideias umas contra as outras. A fórmula de Hórus ainda não foi suficientemente trabalhada em todos os seus detalhes para justificar um tratado sobre sua teoria e prática exotérica; mas pode-se dizer que é para a fórmula de Osíris o que a turbina é para o motor alternativo.”

INRI

 Analisemos agora o Verbo Sagrado INRI, que é o acróstico da frase latina que foi colocada na cruz da crucificação de Jesus Cristo: “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”. Na Ordem Hermética da Aurora Dourada, esta frase foi incorporada ao simbolismo mágico das cerimônias da Ordem. Tornou-se a senha para o grau de Adeptus Menor e, de acordo com os ensinamentos da Ordem, INRI pode ser compreendido por uma simples análise do Sepher Yetzirah, as Lâminas do Tarô e com algum conhecimento de astrologia. Mas vamos primeiro traduzir INRI em seu equivalente hebraico e associá-lo às correspondências astrológicas do Sepher Yetsirah:

I – י – Virgem

N – נ – Escorpião

R – ר – Sol

I – י – Virgem

O Signo da Virgem representa a natureza virginal. Escorpião é o signo da Morte e da Transformação. O Sol é a fonte de luz e vida na Terra, é o centro do nosso sistema solar. Todas as ressurreições divinas ao longo dos tempos estão relacionadas ao Sol, que supostamente morrerá no inverno e renascerá a cada primavera.

No Liber 777 de Aleister Crowley, que codifica muito do conhecimento básico do sistema Golden Dawn, encontramos as seguintes informações sob a coluna “Deuses egípcios”:

  • Virgem = Ísis que é a Natureza, a Mãe de todas as coisas.
  • Escorpião = Apófis, a morte e o destruidor.
  • Sol = Osíris, morto e ressuscitado da morte, deus da ressurreição.

Isto lança alguma luz sobre a natureza da palavra INRI: o estado virginal do Jardim do Éden (e assim a juventude da humanidade) é quebrado pela intervenção do conhecimento do bem e do mal, pelo aparecimento da sexualidade que é introduzida por Apófis, a Serpente, Lúcifer, que provoca uma mudança de estado. A queda, que pode ser simbolizada pelo inverno, é então seguida pela ressurreição de Osíris, que exclama: “Este é o meu corpo que destruo para que se renove”. Ele é o arquétipo do Homem Solar perfeito que sofreu através da experiência terrena, foi glorificado através do julgamento, foi traído e assassinado para ressuscitar da morte e regenerar todas as coisas na Terra.

Aqui também descobrimos a fórmula IAO através dos nomes dos três deuses mencionados: Ísis, Apófis e Osíris. Observemos antes de tudo que o IAO é o deus supremo dos gnósticos. Além disso, e como o Sol é o fornecedor da luz e da vida, a fórmula deve portanto se referir à luz como o agente redentor. Durante a cerimônia Neophyte, o postulante ouve a seguinte frase: “Khabs am Phekht Konx om Pax”. Luz na Extensão”. Em outras palavras, “receber a bênção da luz e empreender a experiência mística, o objetivo de nosso trabalho”. A palavra luz pode ser traduzida para a palavra latina LVX. E o oficiante na Golden Dawn deve realizar os seguintes sinais de grau:

O adepto levanta seu braço direito no ar enquanto estende seu braço esquerdo para baixo. Este é o sinal que se refere à letra “L”. Em seguida, ele levanta os dois braços para o céu acima de sua cabeça, significando a letra “V”. E finalmente, ele cruza seus braços sobre o peito, simbolizando a letra “X”. LVX está assim associado à Luz da Cruz através do simbolismo da palavra INRI que estava na Cruz da Crucificação.

Como o sinal “L” é feito, o adepto diz: “Sinal de Ísis chorando”. Isto expressa o pesar de Ísis pela morte de Osíris que foi morto por Set ou Apófis. Como o sinal “V” é feito, o adepto diz, “Sinal de Apófis e Tifón”, que expressa os nomes de Set, o irmão inimigo assassino de Osíris. Quando o adepto cruza seus braços sobre seu peito, ele diz: “O sinal de Osíris morto” e depois “E levantado”. Ísis, Apófis, Osíris, IAO”.

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: O Sinal do Rasgar do Véu, O Sinal do Fechamento do Véu, Sinal de Osíris Desmembrado, Sinal do Pesar de Ísis, Sinal de Apófis e de Tífon e o Sinal de Osíris Ressuscitado.

Sobre o assunto Set (Apófis), note que em hebraico este nome está escrito שׁט e Crowley em Liber V vel Reguli estabelece a correspondência de Set com a numeração 31 ou AL (אל), Shin (ש) é Fire enquanto Teth (ט) é Force. Shin é o Espírito Santo, uma letra tripla associada à Lâmina XX do Tarô de Thoth.

Também pode ser escrito Shin Tav (שׁת) cuja numeração é 700, que é o valor de “paroketh” ou o Véu do Tabernáculo colocado diante do Santo dos Santos.

Vemos aqui, então, que usando procedimentos cabalísticos simples, podemos vislumbrar o simbolismo oculto de uma palavra. Assim, o adepto que pratica o Ritual envolvendo a palavra de poder INRI, está tentando alcançar a iluminação que esta palavra sugere. Além de uma simples dramatização ritual, estamos diante de um rito sagrado cujo objetivo é igualmente sagrado, para reviver o mistério dos deuses, a fim de reproduzir seu mecanismo cosmogônico.

Se traduzirmos a palavra LVX em valor numérico, então recebemos 65 que em hebraico é o valor da palavra Adonai (אדני) que significa “Senhor” e de Has (הס) que significa “Silêncio”, que se refere ao Grau do Neófito e sua obrigação de silêncio. O Adeptus Menor deve, portanto, procurar ascender para ser mais do que humano, para unir-se com sua alma superior, que é simbolizada por Adonai.

Crowley dá uma visão ampliada deste simbolismo em seu Liber LXV, ou Liber 65 “Liber Cordis Cincti Serpente” que se abre com as palavras “Eu sou o Coração; e a Serpente é enrolada”. Claro que, por seu número, o Liber 65 se refere a Adonai mas também às emoções íntimas (“Eu sou o coração”) do ser humano. A Serpente representa a força sexual que precipitou a Queda do casal primordial mas, por este fato, também sublimou e transmutou a sexualidade pelo despertar que ela produz. A serpente enrolada sem dúvida se refere à Kundalini que é enrolada na espinha e pode ser despertada pelos ritos apropriados.

” 65. Tal é também o fim do livro, e o Senhor Adonai o envolve por todos os lados como um Trovão, e como um Pilone, e como uma Serpente, e como um Falo, e no meio deles Ele é como a Mulher que jorra de seus mamilos o leite das estrelas; sim, de seus mamilos o leite das estrelas”.

Vamos dar uma olhada mais de perto no nome Adonai:

  • A – א – o aleph que tem a forma de um redemoinho.
  • D – ד – o portão, mas também um pilão.
  • N – נ – o peixe, mas também a letra atribuída ao Escorpião ou à Serpente.
  • I – י – um dedo da mão ou o Falo.

Assim, podemos entender que Adonai envolve o homem de todos os lados. Adonai é o centro espiritual interior sem limites, a Luz Infinita.

Finalmente, 65 pode ser obtido multiplicando 13 por 5, multiplicando o valor da palavra echad (אחד) pelo do pentagrama ou da letra He (ה). Sessenta e cinco é também o valor da palavra hekhal (היכל) que significa “templo” ou “palácio”, e de acordo com o Zohar, Adonai é o palácio de יהוה, e de gam yechad יחד גמ que significa “juntos em unidade”.

Com relação à Serpente, é necessário fazer um desvio através da Gnose. Os Ofitas ou Naassenos derivam seus nomes do hebraico “na’hash” (נחשׁ) e os Perates, um grupo Naasseno, fizeram de Jesus a encarnação da Serpente do Paraíso como o princípio universal da transmutação e da redenção. Na época de Mani, esta interpretação era ainda mais forte, pois os maniqueus colocavam Jesus diretamente no lugar da Serpente.

Se analisarmos a palavra hebraica “Na’hash”:

  • Nun – נ – Escorpião – Serpente – 50
  • Heth – ח – Câncer – A Carruagem do Tarô – 8
  • Shin – שׁש – Fogo – o Espírito Santo – 300

A numeração total é 358, e se dermos uma olhada (e como temos escrito em outro lugar), este número é também o número do Mashiach (messias) que podemos analisar da seguinte forma:

  • Mem – מ – Água – O Enforcado – 40
  • Shin – שׁש – Fogo – O Espírito Santo – 300
  • Yod – י – Virgem – O Eremita – 10
  • Chet – ח – Câncer – A Carruagem – 8

Existe, portanto, e a Cabala confirma este fato, uma identidade entre o Messias (no cristianismo Jesus Cristo) e a Serpente do Gênesis. A Serpente transmuta o fogo do espírito, o Adepto transforma-se em seu próprio Messias ou redentor de seu mundo interior. Cada homem pode então obter a sua própria libertação. A Serpente (Nun נ) transforma o Adepto em uma Carruagem (Merkabah da Cabala simbolizada por ‘Heth ח) que se move em direção à Luz Infinita do Espírito Santo (שׁ), e assim em direção à Iluminação.

IAO

IAO é um nome gnóstico de poder do qual os Oráculos Caldeus nos dizem: “não mudem os nomes bárbaros da evocação, pois eles possuem poder inefável nos ritos sagrados”. Analisando este Nome, descobriremos que poder intrínseco ele contém:

  • Yod – י – Virgem – 10
  • Aleph – א – Ar – 1
  • Vav – ו – Touro – 6

O valor total é 17 que é o número de quadrados na Suástica que por sua forma representa Aleph, o redemoinho, a primeira letra do alfabeto hebraico cujo valor é 1. Em seu simbolismo, portanto, a IAO representa o Ar de Aleph atuando como intermediário entre os dois signos terrestres Virgem e Touro, unindo suas essências, dando-lhes vida para que cumpram seus papéis na criação. As letras Aleph, Vav e Yod são, além disso, as letras dos caminhos que ligam Kether a Tiphereth via ‘Hokhmah e Hessed’.

Outra forma da palavra IAO dá o seguinte resultado:

  • Yod – י – Virgem – 10
  • Aleph – א – Ar – 1
  • Ayin – ע – Capricórnio – 70

O valor total então sendo 81 que é o número místico da Lua atribuído à Sephirah Yessod, a Fundação.

No Liber IV, Crowley fala da Fórmula IAO da seguinte forma:

“Esta fórmula é a principal e a mais característica de Osíris, da Redenção da Humanidade”. I é Ísis, a Natureza, arruinada por A, Apófis o Destruidor, e trazido de volta à vida por Osíris o Redentor. A mesma ideia é expressa na fórmula Rosacruz da Trindade:

 Ex Duo nascimur.

 Em Jesu morimur.

 Per Spiritum Sanctum reviviscimus.

 Isto também é idêntico à Palavra Lux, L.V.X., que é formada pelos braços de uma cruz. É esta fórmula que está implícita naqueles monumentos antigos e modernos onde o falo é adorado como o Salvador do Mundo.

 A doutrina da ressurreição, como é comumente entendida, é absurda e errônea. Não é nem mesmo “Escritural”. São Paulo não identifica o corpo glorioso pelo qual ocorre a ressurreição com o corpo mortal que perece. Pelo contrário, ele insiste repetidamente nesta distinção.

 O mesmo se aplica a uma cerimônia mágica. O Mago que é destruído pela absorção na Divindade é realmente destruído. O miserável autômato mortal permanece no Círculo. Não tem mais consequências para Ele do que o pó no chão.

 Mais adiante lemos: “O MESTRE THERION, no Décimo Sétimo Ano do Aeon, reconstruiu a Palavra IAO a fim de satisfazer as novas condições da Magia impostas pelo progresso. A Palavra da Lei sendo Thelema cujo número é 93, este número deveria ser o cânone de uma Missa correspondente. Assim, ele expandiu o IAO tratando o O como um ayin, e depois acrescentando vau como prefixo e sufixo. A palavra completa dá assim: ויאעו cujo número é 93. Podemos analisar em detalhes esta nova Palavra e demonstrar que ela é um hieróglifo próprio do Ritual de Autoiniciação deste Aeon de Hórus.

AMÉM

 Amém (AMEN) aparece em muitas orações religiosas, mas também em certas invocações mágicas. Esta palavra é frequentemente interpretada como “Assim seja!”, mas a Cabala pode nos oferecer uma interpretação um pouco diferente.

  • Aleph – א – Adonai – Senhor
  • Mem – מ – Melekh – Rei
  • Nun – נ – Na’amon – Fiel

Isto significa portanto “Senhor, Rei fiel”, uma imprecação que tem um caráter inegável de invocação divina.

A Gematria da palavra é 91 = 50 + 40 + 1 – אמן

91 é o valor de אדני יהוה = YHVH Adonai, assim como a soma dos primeiros 13 números.

91 é também o valor de מלכא = Malkah = Filha ou Noiva que se refere à Sephirah Malkhut.

Observe ainda que Adonai Melekh מלך אדני da fórmula AMÉM é um dos Nomes de Deus também conectado à Sephirah Malkhut, a Noiva do Microprosopo. Kether em sua expressão de Unidade também tem o valor de 91. Assim, AMÉM é uma fórmula para estender a Luz Divina do Sephirah Kether para o Sephirah de Malkhut (nosso mundo físico).

Leia mais no artigo sobre as palavras de poder Abrahadabra e Abrasax.

***

Fonte:

AGLA, ARARITA, IAO e outras Palavras de Poder, Spartakus FreeMann, janeiro-outubro de 2005 e.v.

Imagem de Enrique Meseguer de Pixabay.

https://www.esoblogs.net/3221/agla-ararita-iao-et-autres-mots-de-pouvoirs-dans-la-magie-ceremonielle/2/

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/agla-ararita-iao-e-outras-palavras-de-poder-na-magia-cerimonial/

A Física Moderna e o Shamir

Por Paul Goldstein.

É o sonho de todos os judeus ajudar na construção do Terceiro (e último) Templo. Para isso, as pedras devem ser esculpidas. Mas estaríamos fazendo isso da mesma forma que o rei Salomão fez, ou estaríamos apenas construindo um edifício? Um elemento essencial na construção do Templo de Salomão foi o milagroso shamir cortador de pedra. Ao nos instruir sobre como fazer o altar permanente a D’us, a Torá diz: “não o construa de pedra lapidada” (Êxodo, 20:22). Rashi comenta neste versículo que o ferro, o material das armas mortais, não deve ser usado para moldar as pedras do Templo, cuja essência é a paz.

A NATUREZA DO SHAMIR:

O shamir (de shamira em aramaico, que significa “como uma pedra de pederneira”) era um organismo sobrenatural. A palavra “shamir” no hebraico bíblico era usada em dois sentidos: a) uma ponta de caneta feita de uma substância dura (Jeremias 17:1); ou b) espinhos afiados (Isaías 5:6).

Cada uso está relacionado à capacidade do shamir de perfurar superfícies duras. O “olhar” do shamir sobrenatural poderia esculpir grandes pedras. O Talmude e os grandes rabinos posteriores descreveram como a passagem do shamir ao longo da superfície de uma pedra faria com que ela se partisse perfeitamente em dois pedaços.

O shamir era mineral, vegetal ou animal? Em uma lenda abissínia, supõe-se que o shamir tenha sido uma espécie de madeira ou erva. Maimônides, no entanto, e Rashi, o consideravam um animal vivo. O Talmude diz que o “olhar” de uma criatura viva fez madeira e pedra se partirem. Uma obra pseudoepígrafa, o Testamento de Salomão, no entanto, considera o shamir como uma pedra verde talvez semelhante à pitda colocada no peitoral do Sumo Sacerdote representando a tribo de Simeão.

Pequeno como um grão de cevada (menos de um centímetro), o shamir não tinha uma aparência física inspiradora. Sua essência sobrenatural veio de ter sido criada no crepúsculo da primeira véspera do Sabbath durante os Seis Dias da Criação. De acordo com R’ Bachiya no Talmude, o shamir foi usado pela primeira vez na época da construção do Tabernáculo para gravar os nomes das tribos nas joias preciosas do peitoral do Sumo Sacerdote.

Por segurança, o shamir não poderia ser colocado diretamente em qualquer tipo de recipiente de metal, incluindo ferro, que seria dividido. Foi mantido envolto em lã, colocado num cesto de chumbo cheio de farelo de cevada (Talmude, Sota 48b). A escolha destes materiais foi específica, uma vez que nenhum outro material foi capaz de resistir ao seu poder de penetração.

Os governantes dos cananeus e de outras nações perceberam o valor do shamir, mas nunca conseguiram localizá-lo. O Midrash conta que mesmo o Rei Salomão não tinha ideia de onde encontrar o shamir, embora soubesse que precisava dele para construir o Templo. Salomão fez um grande esforço para obter o shamir, até o ponto de contatar demônios. Também criados no crepúsculo da véspera do Sabbath dos Seis Dias da Criação, esses seres tiveram alguma relação com o shamir e os outros fenômenos sobrenaturais criados neste crepúsculo excepcional. O Midrash relata que Salomão consultou o rei dos demônios, que não o tinha, mas sabia que o anjo do mar havia dado o shamir ao pássaro poupa (dukhifat, Levítico, 11:19), um tipo de ave que precisava dele para sobreviver. No final, o rei Salomão capturou o shamir da poupa.

O shamir foi usado pelo homem apenas na construção do Tabernáculo e do Templo. Seres sobrenaturais criados por D’us para funções específicas não existem para sempre. A Mishná (Sota 9:12) afirma que o shamir existiu até a destruição do Segundo Templo. Tosafot (Gittin 68a) diz que o shamir existiu na Era Comum. De acordo com o Tosefta, o shamir desapareceu após a destruição do Templo, já que não era mais necessário. Da mesma forma, o tachash, que havia sido criado para que sua pele pudesse ser usada para o Tabernáculo, desapareceu depois que o Tabernáculo foi concluído. Considerado um animal kosher, o tachash era semelhante a um unicórnio com um único chifre na cabeça (Shabat 28b).

Outra criatura, a alcaparra, compartilhava características com o shamir e, portanto, foi confundida com o shamir. Mas porque o surto de alcaparras existia na Idade Média (1000 d.C.), os rabinos argumentam que os dois não eram idênticos.

O QUE CAUSAVA O “OLHAR” PENETRANTE?

Por definição, uma criatura sobrenatural feita por D’us para realizar milagres específicos não pode ser explicada racionalmente. No entanto, abundam teorias na ciência que correlacionam os fenômenos naturais com o sobrenatural. Nesse espírito, o “olhar” do shamir que poderia rachar madeira e pedra pode ser explicado por: 1) a produção de ondas de alta ou baixa frequência que podem ressoar a estrutura molecular dos materiais e perturbá-los, 2) a produção de ondas confluentes raios de luz como um “raio de laser”, ou 3) a radioatividade.

A essência do “olhar” permanece especulativa, mas o falecido Immanuel Velikovsky [1], um especialista nos tempos de Salomão, e Frederic Jueneman [2], um estudioso notável, sugeriram que o shamir era uma substância radioativa. Eles argumentam que uma caixa de chumbo seria o meio mais lógico para sabiamente conter um radionucleotídeo tão altamente energético. Assim, o “olhar” do shamir pode ter sido radiação alfa. A radiação alfa é uma partícula de alta energia, que pode destruir ou descolorir tudo o que está exposto a ela. O enfraquecimento relatado dos poderes do shamir no decorrer do tempo até o ponto de inatividade possivelmente indica decaimento radioativo e meia-vida de sua antiga potência radioativa.

Se o shamir fosse um mineral, poderia ter sido qualquer uma das várias pedras verdes nativas. Pode ter vindo dos locais de cobre na Armênia ou Chipre – ou das próprias minas do rei Salomão no Sinai, onde malaquita ou verdete também teriam sido encontrados no corpo de minério original. De fato, Jueneman cita escritos antigos de Zósimo, o Panopolitano (também chamado de Tebano), afirmando que a malaquita é um “inimigo do topázio, nublando sua cor e estragando seu brilho”. Um material altamente valorizado para objetos ornamentais, a malaquita, no entanto, também era conhecida por produzir feridas nos intestinos e inflamar os olhos – dois sintomas conhecidos hoje como efeitos característicos da exposição à radiação. A malaquita de hoje (ou crisocola como era conhecida pelos antigos) não é radioativa, mas poderiam ter existido exceções quando combinadas com outros minerais. A calcolita (ou torbenita), por exemplo, um fosfato de uranila de cobre verde, exibe radioatividade.

ESCULPINDO AS PEDRAS:

O Talmude diz que a precisão necessária para gravar os nomes das tribos nas joias preciosas do peitoral do sumo sacerdote sem perder nenhum material não era humanamente possível. Usando um composto radioativo (seguindo a linha de pensamento de F. Jueneman), isso não seria difícil de realizar. Os tufos de lã e farelo de cevada embalando o shamir seriam transparentes à sua radiação, enquanto o recipiente de chumbo seria impenetrável. Se a tinta usada para escrever nas pedras contivesse chumbo, uma descoloração graduada seria destacada nas gemas após a exposição ao shamir. A posterior retirada da tinta deixaria tal caligrafia contrastada com o fundo, dando também a aparência de profundidade à escrita. A maioria dos minerais preciosos, como diamantes, safiras, esmeraldas ou topázios, são descoloridos pela radioatividade. Outras gemas, como as opalas, são silicatos contendo água de cristalização. A exposição à radiação alfa desintegra esses cristais liberando a água quimicamente ligada, que volatiza sem deixar resíduos. Isso significa que nem uma lasca seria perdida, deixando uma textura turva ou granular.

A “VERDADEIRA” ESSÊNCIA DO SHAMIR:

A Mishná (Avot 5:6) relata que o shamir foi criado no Sexto Dia da Criação, no crepúsculo da véspera do Sabbath. O Maharal elabora o significado deste ponto: Todo o mundo físico criado durante os Seis Dias é governado pelas leis da natureza. Não tendo sido criado exatamente dentro desse prazo, o shamir é, portanto, sobrenatural.

Os outros fenômenos excepcionais criados durante o primeiro crepúsculo da véspera do Sabbath relacionam-se, de alguma forma, com o shamir. Eles incluem os demônios, o carneiro que Abraão sacrificou no lugar de Isaque, o primeiro par de tenazes, que foram então usados ​​para fazer outros instrumentos, o cajado de Moisés, as roupas de Adão e Eva, o fogo, a boca da jumenta de Balaão, a Coluna de Fogo e a Coluna de Nuvens que conduziram os Filhos de Israel pelo deserto, e o vaso em que o maná foi preservado no Santo dos Santos no Templo.

A criação, existência e função do shamir e dos organismos que o guardavam eram todos milagrosos. O Midrash relaciona o conceito de que uma substância mais macia pode ter a capacidade de perfurar uma mais dura. Por exemplo, a pedra que Davi atirou em Golias perfurou o capacete do gigante e o matou (Samuel I 17:49). O shamir também não tinha limitações físicas. Podia penetrar sem esforço nos materiais mais duros e, no entanto, foi preservado em uma cesta de chumbo (um metal macio), atestando sua origem não natural.

Embora, por definição, os milagres não precisem ser explicados como fenômenos cientificamente observáveis, o milagroso shamir que cortou as pedras para o Templo do Rei Salomão corresponde à descrição da radiação alfa.

Adaptado do artigo original e reimpresso com a gentil permissão de B’Or HaTorah vol. X (1997), pp. 173-176.

NOTAS DE RODAPÉ:

1. Immanuel Velikovsky, Ramses II and his Time (Garden City, NY: Doubleday, 1978).

2. Frederic Jueneman, “The Stone of the Shamir ” in R & D Magazine (September 1990) page 45.

***

Fonte:

Modern Physics and the Shamir.

We have lost an important instrument for the building of the Temple.

By Paul Goldstein.

https://www.chabad.org/kabbalah/article_cdo/aid/380303/jewish/Modern-Physics-and-the-Shamir.htm

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-fisica-moderna-e-o-shamir/

Pobres Cavaleiros de Cristo

No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos “infiéis” muçulmanos a glória dos atos de bravura e consagração, viajaram à Palestina. Eram os Soldados do Cristianismo, disputando a golpes de espada as relíquias sagradas que os fanáticos retinham e profanavam. Balduíno II reinava em Jerusalém, os acolheu, e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde as ruínas compostas de blocos de mármore e de granito, indicavam as ruínas de um Grande Templo.

Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo em que o gênio artístico dos fenícios se revelava. Destruído pelos caldeus, reconstruído por Zorobabel e ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo. Arrasado novamente pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Foi neste Templo que se originou a tragédia de Hiran?, cuja lenda a Maçonaria incorporou. Exteriormente, antes da destruição pelos romanos no ano 70 de nossa era, o Templo era circundado por dois extensos corredores excêntricos, ocupando um gigantesco quadrilátero em direção ao Nascente, a esquerda ficava o átrio dos Gentios e à direita o dos Israelitas, além das estâncias reservadas às mulheres, e aos magos sacerdotes, a que se seguia o Santuário propriamente dito, tendo ao centro o Altar dos Holocaustos.

Os “Pobres Cavaleiros de Cristo” atraídos pela inspiração divina e sensação do mistério que pairava sobre estas ruínas, passaram a explora-las, não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Cabala. Entraram numa extensa galeria que os conduziu até junto de uma porta chapeada de ouro por detrás da qual poderia estar o que durante dois milênios se constituíra no maior Segredo da Humanidade. Uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.

Os “infiéis do Crescente” eram seres vivos e contra eles, Os Templários, com a cruz e a espada realizavam prodígios de valentia. Ali dentro, porém, não era a vida que palpitava, e sim os aspectos da Morte, talvez deuses sanguinários ou potestades desconhecidos contra as quais a força humana era impotente, isto os fez estremecer. Hugo de Paynes, afoito, bateu com o punho da espada na porta e bradou em alta voz: – EM NOME DE CRISTO, ABRI!! E o eco das suas palavras se fez ouvir: EM NOME DE CRISTO…enquanto a enorme porta começou abrir, ninguém a estava abrindo, era como se um ser invisível a estivesse movendo e se escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de estranhas figuras, umas delicadas e outras, aos seus olhos monstruosas, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD.

Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a “LEI” cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que “comprovavam” a heresia dos Templários. A “Lei Sagrada” era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão. A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica e Teogâmica a KABBALAH.

Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ele é o emblema da Força Criadora e da Matéria Cósmica. É a Tríade que representa a Alma Solar, a Alma do Mundo e a Vida. é a Unidade Perfeita. Um raio de Luz intensa ilumina então àqueles espíritos obscecados pela idéia da luta, devotados à supressão da vida de seres humanos que não comungassem com os mesmos princípios religiosos que os levou à Terra Santa. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Jetzira propõe ao entendimento humano. Simbolizando o Absoluto, o Triângulo representa o Infinito, Corpo, Alma, e Espírito. Fogo Luz e Vida. Uma nova concepção que pouco a pouco dilui e destrói a teoria exclusivista da discriminação das divindades se apossa daqueles espíritos até então mergulhados em ódios e rancores religiosos e os conclama à Tolerância, ao Amor e a Fratenidade entre todos os seres humanos.

A Teosofia da Kabbalah exposta sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento dá aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE? Entre as figuras, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a idéia da Criação. E foi essa figura monstruosa, e atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas. Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já a concepção dos Templários acerca da idéia de Deus não era muito católica.

A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem “Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria” não era uma sujeição à Igreja mas uma referência a inicial que no centro do Triângulo simbolizava a unidade perfeita: YOD. Cavaleiros francos, normandos, germânicos, portugueses e italianos acudiram a engrossar as fileiras da Ordem que dentro em pouco se convertia na mais poderosa Ordem do século XII. Mas a Ordem tornara-se tão opulenta de riquezas, tão influente nos domínios da cristandade que o Rei de França Felipe o Belo decretou ao Papa para expedir uma Bula confiscando todas suas riquezas e enviar seus Cavaleiros para as “Santas” fogueiras da Inquisição. Felipe estava atento. E não o preocupava as interpretações heréticas, o gnosticismo. Não foram portanto, a mistagogia que geraram a cólera do Rei de França e deram causa ao monstruoso processo contra os Templários.

Foi a rapacidade de um monarca falido para quem a religião era um meio e a riqueza um fim. Malograda a posse da Palestina pelos Cruzados, pelo retraimento da Europa Cristã e pela supremacia dos turcos muçulmanos, os Templários regressam ao Ocidente aureolados pela glória obtidas nas batalhas de Ascalão, Tiberíade e Mansorah. Essas batalhas, se não consolidaram o domínio dos Cristãos na Terra Santa, provocaram, contudo, a admiração das aguerridas hostes do Islam (muçulmanos), influindo sobre a moral dos Mouros que ocupavam parte da Espanha. Iniciam entre os Templários o culto de um gnosticismo eclético que admite e harmoniza os princípios de várias religiões, conciliando o politeísmo em sua essência com os mistérios mais profundos do cristianismo. São instituídas regras iniciáticas que se estendem por sete graus, que vieram a ser adotados pela Franco Maçonaria Universal (três elementares, três filosóficos e um cabalístico), denominados “Adepto”, “Companheiro”, “Mestre Perfeito”, “Cavaleiro da Cruz”, “Intendente da Caverna Sagrada”, “Cavaleiro do Oriente”e “Grande Pontífice da Montanha Sagrada”.

A Caverna Sagrada era o lugar Santo onde se reuniam os cavaleiros iniciados. Tinha a forma de um quadrilátero (quadrado) perfeito. O ORIENTE representava a Primavera, o Ar, Infância e a Madrugada.O MEIO DIA (Sul), o Estio, o Fogo e a Idade adulta. O OCIDENTE, o Outono, a Água, o Anoitecer. O NORTE, a Terra, o Inverno, a Noite. Eram as quatro fases da existência. O Fogo no MEIO DIA simbolizava a verdadeira iniciação, a regeneração, a renovação, a chama que consumia todas as misérias humanas e das cinzas, purificadas, retirava uma nova matéria isenta de impurezas e imperfeições. No ORIENTE, o Ar da Madrugada vivificando a nova matéria, dava-lhe o clima da Primavera em que a Natureza desabrochava em florações luxuriantes, magníficas acariciando a Infância. Vinha depois o OUTONO, o Anoitecer, o amortecer da vida, a que a Água no OCIDENTE alimentava os últimos vestígios desta existência. O NORTE, marca o ocaso da Vida. A Terra varrida pelas tempestades e cobertas pela neve que desolam e que matam, é o Inverno que imobiliza, que entorpece e que conduz à Noite caliginosa e fria a que não resiste a debilidade física, a que sucumbe a fragilidade humana.

E é no contraste entre o Norte e o Meio Dia que os Templários baseiam o seu esoterismo, alertando os iniciados da existência de uma segunda vida. Nada se perde: Tudo se Transforma. …Vai ser iniciado um “Cavaleiro da Cruz”. O Grande Pontífice da Montanha Sagrada empunha a Espada da Sabedoria, e toma lugar no Oriente. Ao centro do Templo, um pedestal que se eleva por três degraus, está a grande estátua de Baphomet, símbolo da reunião de todas as forças e de todos os princípios (Masculino e Feminino, A Luz e as Trevas, etc…) como no Livro da Criação, a Sepher-Jetzira Livro mor da Cabala. No peito amplo da estranha e colossal figura, a Cruz, sangrando,imprime à Rosa Branca um róseo alaranjado que pouco a poco toma a cor de sangue. É a vida que brota da união dos princípios opostos.

Por cima da Cruz, a letra “G”. O iniciado, Mestre Perfeito, já conhece muito bem o significado dessa letra que na mudez relativa desafia a que a interpretação na sua nova posição, junto ao Tríplice Falus, na sua junção com a Rosa-Cruz mística. “A Catequese Cristã é apenas, como o leite materno, uma primeira alimentação da Alma; o sólido banquete é a Contemplação dos Iniciados, carne e sangue do Verbo, a compreensão do Poder e da Quintessência divina.” “O Gnóstico é a Verdadeira Iniciação; e a Gnose é a firme compreensão da Verdade Universal que, por meio de razões invariáveis nos leva ao conecimento da Causa…” “Não é a Fé, mas sim a Fé unida as Ciências, a que sabe discernir a verdadeira da falsa doutrina. Fiéis são os que apenas literalmente crêem nas escrituras. Gnósticos, são os que, profundando-les o sentido interior, conhecem a verdade inteira.” “Só o Gnóstico é por essência, piedoso.” “O homem não adquire a verdadeira sabedoria senão quando escuta os conselhos duma voz profética que lhe revela a maneira porqur foi, é, e será tudo quanto existe.” O Gnosticismo dos Templários é uma nova mística que ilumina os Evangelhos e os interpreta à Luz da Razão Humana.

* * * …O Mestre Perfeito entra de olhos vendados, até chegar ao pedestal de Baphomet. Ajoelha e faz sua prece: “Grande Arquiteto do Universo Infinito, que lês em nossos corações, que conheces os nossos pensamentos mais íntimos, que nos dá o livre arbítrio para que escolhamos entre a estrada da Luz e das Trevas.” “Recebe a minha prece e ilumina a minha alma para que não caia no erro, para que não desagrade à vossa soberana vontade” “Guiai-me pelo caminho da Virtude e fazei de mim um ser útil à Humanidade”. Acabada a prece, o candidato levanta-se e aguarda as provas rituais que hão de conduzí-lo a meta da Verdade. …O GRANDE PONTÍFICE TEMPLÁRIO interroga o candidato a “Cavaleiro da Cruz”em tom afetivo e paternal: “Meu Irmão, a nossa Ordem nasceu e cresceu para corrigir toda espécie de imperfeição humana”. “A nossa consciência é que é o juiz das nossas ações. A ignorância é o verdadeiro pecado. O inferno é uma hipótese, o céu uma esperança”. “Chegou o momento de trocarmos as arma homicidas pelos instrumentos da Paz entre os Homens.

A missão do Cavaleiro da Cruz é amar ao próximo como a si mesmo. As guerras de religião são monstruosidades causadas pela ignorância, geradas pelo fanatismo. As energias ativas devemos orientá-las no sentido do Amor e da Beleza; mas não se edifica uma obra de linhas esbeltas sem um sentimento estético apolíneo que só se adquire pelo estudo que conduz ao aperfeiçoamento moral e espiritual”. “O homem precisa Crer em algo. Os primitivos cultuavam os Manes. Os Manes eram as almas humanas desprendidas pela morte da matéria e que continuavam em uma nova vida”. “Onde iriam os primitivos beber a idéia da alma? Repondei-me, se sois um Mestre Perfeito Templário”. “- Nos fenômenos psíquicos que propiciam aparições, nas ilações tiradas dos sonhos, e na percepção”. “-Acreditais que os mortos se podem manifestar aos vivos?” “- Sim. Acredito que a Alma liberta do invólucro físico sobe a um plano superior, se sublima, e volve ao mundo para rever os que lhe são simpáticos, segundo a lei das afinidades”. “- Acreditais na ressurreição física de Cristo?” “- Não.” “- Acreditais na Metempsicose (Lei de Transmigração das Almas)?” “- Sim. A semelhança das ações, dos sentimentos, dos gestos e das atitudes que podemos observar em determinados seres não resultam apenas da educação mas da transmigração das almas. Essa transmigração não se opera em razão hereditária”. “- Acreditai que a morte legal absolve o assassino? Que o Soldado não é responsável pelo sangue que derrama”? “- Não acredito”. ” – Atentai agora nas palavras do Cavaleiro do Ocidente que vos dirá os sentidos que imprimimos no ao Grau de Cavaleiro da Cruz”. “A Ordem do Templo criou uma doutrina e adquiriu uma noção da moral humana que nem sempre se harmoniza com as concepções teológicas cristãs apresentadas como verdades indiscutíveis.

Por isso nos encontramos aqui, em caráter secreto, para nos concentrarmos nos estudos transcendentes por meio do qual chegaremos à Verdadeira Harmonia.” “As boas obras dependem das boas inclinações da vontade que nos pode conduzir à realização das boas ações. A intuição é que leva os homens a empreender as boas ações. Quando o Grande Pontífice vos falou do culto dos primitivos, ele definiu a existência de uma intuição comum a todos os seres humanos.” “Assim como por detrás das crenças dos Atlantes havia a intuição que indicava a existência de um Ser Supremo, o Grande Arquiteto responsável pela construção do Universo, também existia nesses povos um sentimento inato do Bem e do Belo, e um instinto de justiça que era a base de sua Moral.” “A Ciência nos deu meios de podermos aperfeiçoar a Moral dos antigos, mas a inteligência nos diz que além da Ciência existe a Harmonia Divina”. “Das ações humanas, segundo Platão, deverá o homem passar à Sabedoria para lhe contemplar a Beleza; e, lançado nesse oceano,procriará com uma inesgotável fecundidade as melhores idéias filosóficas, até que forte e firme seu espírito, por esta sublime contemplação, não percebe mais do que uma ciência: a do Belo”. Estavam findas as provas de iniciação.

O iniciado dirigia-se então para o Altar dos Holocaustos, onde o Sacrificador lhe imprime a Fogo, sobre o coração, o emblema dos Cavaleiro do Templo. …Foi nessa intervenção indébita de Roma que influiu poderosamente para que a “Divina Comédia” de Dante Alighieri fosse o que realmente é – uma alegoria metafísico-esotérica onde se retratam as provas iniciáticas dos Templários em relação à imortalidade. Na DIVINA COMÉDIA cada Céu representa um Grau de iniciação Templário. Em contraste com o Inferno, que significa o mundo profano, o verdadeiro Purgatório onde devem lapidar-se as imperfeições humanas, vem o Último Céu a que só ascendem os espíritos não maculados pela maldade, isentos de paixões mesquinhas, dedicados à obra do Amor, da Beleza e da Bondade. É lá o zênite da Inteligência e do Amor. A doutrína Iniciática da Ordem do Templo compreende a síntese de todas as tradições iniciáticas, gnósticas, pitagóricas, árabes, hindus, cabires, onde perpassam, numa visão Cosmorâmica todos os símbolos dos Grandes e Pequenos mistérios e das Ciências Herméticas: A Cruz e a Rosa, o Ovo e a Águia, as Artes e as Ciências, sobretudo a Cruz, que para os Templários, assim como para os Maçons seus verdadeiros sucessores, era o símbolo da redenção humana. Dante Alighieri e sua Grande Obra: A Divina Comédia, foi o cronista literário da Ordem dos Cavaleiros do Templo. Os Templários receberam da Ordem do Santo Graal o esquema iniciático e a base esotérica que serviu de base para seu sistema gnóstico.

Pois o que era a Cavalaria Oculta de Santo Graal senão um sistema legitimamente Maçônico ainda mal definido, mas já adaptado aos princípios da Universalização da Fraternidade Humana? O Santo Graal significava a taça de que serviu Jesus Cristo na ceia com os discípulos, e na qual José de Arimathéa teria aparado o sangue que jorrava da ferida de Cristo produzida pela lança do centurião romano. Era a Taça Sagrada que figurava em todas as cerimônias iniciáticas das antigas Ordens de Cavaleiros que possuiam graus e símbolos misteriosos, e que a Maçonaria moderna incorporou em seus ritos, por ser fatal aos perjuros.

Os Templários adotavam-na na iniciação dos Adeptos e dos Cavaleiros do Oriente, mas ela já aparece nas lendas do Rei Arthur, nos romances dos Cavaleiros da Távola Redonda, que eram de origem céltica, e que a própria Igreja Católica a introduziu no ritual do cálice que serve no sacrifício da missa. No Grau de Cavaleiro do Oriente,os Templários figuram um herói: Titurel, Cavaleiro da Távola Redonda, que desejando construir um Templo onde depositar o Cálice Sagrado, engcarregara da construção o profeta Merlin, que idealizou um labirintocomposto de doze salas ligadas por um sistema de corredores que se cruzavam e recruzavam, como no labirinto de Creta onde o Rei Minos escondia o Minotauro(Mit.Grega).

O Postulante Templário tinha de entrar em todas as salas, uma só vez, para receber a palavra de passe, e só no fim dessa viagem podia ascender ao grau que buscava. Mas se em Creta, Theseu tivera o fio de ouro de Ariadne, para chegar ao Minotauro, no Templo dos Cavaleiros do Oriente, o candidato apenas podia se orientar por uma chave criptográfica composta de oitenta e uma combinações (9×9) o que demandava muito esforço de raciocínio e profundos conhecimentos em matemática. A Ciência dos Números tinha para os Templários um significado profundo.

Os Grandes Iniciados, comos os Filósofos do Oriente, descobriram os mais íntimos segredos da natureza por meio dos números, que consideravam agradáveis aos Deuses. Mas tinha grande aversão aos números pares. O Grande Alquimista Paracelso dizia que os números continham a razão de todas as coisas. Eles estavam na voz, na Alma, na razão, nas proporções e nas coisas divinas. A Ordem dos Cavaleiros do Templo, cultuava a Ciência dos Números no Grau de Cavaleiro do Oriente, ensinando que a Filosofia Hermética contava com TRÊS mundos: o elementar, o celeste e o intelectual. Que no Universo havia o espaço, a matéria e o movimento. Que a medida do tempo era o passado, o presente e o futuro; e que a natureza dispunha de três reinos: animal, vegetal e mineral; que o homem dispunha de três poderes harmônicos: o gênio, a memória e a vontade. Que o Universo operava sobre a eternidade e a imensidade movida pela onipotência. A sua concepção em relação à Deus, o Grande Arquiteto do Universo, era Sabedoria, Força e Beleza.

A Maçonaria criou uma expressão própria para os Altos Graus: Sabedoria, Estabilidade e Poder. Tudo isto provinha do Santo Graal, a que os Templários juntavam que, em política, a grandeza e a duração e a prosperidade das nações se baseavam em três pontos primordiais: Justiça dos Governos, Sabedoria das Leis e Pureza dos Costumes. Era nisso que consistia a arte de governar os povos. As oitenta e uma combinações que levavam o candidato ao Templo de Cavaleiro do Oriente tinha por base o sagrado numero Três, sagrado em todas as corporações de caráter iniciático.

O Triângulo encontrado no Templo de Salomão era uma figura geométrica constituída pela junção de Três linhas e a letra YOD no centro significava a sua origem divina. Todas as grandes religiões também têm como número sagrado o Três. A Católica, exprimindo-o nas pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) nos dias que Cristo passou no sepulcro, nos Reis Magos, e nas vezes que São Pedro negou o mestre. Nos Grandes Mistérios Egípcios, temos a Grande Trindade formada por Ísis, Osíris e Hórus. Entre os Hindus temos a Trimurti, constituída de Brahama, Shiva e Vishnu personificando a Criação, a Conservação e a Destruição. Em todas elas, como no racionalismo, nós encontramos como elementos vitais a Terra, a Água e o Sol.

Foi, portanto, baseada nas grandes Religiões e no Gnosticismo dos Templários, que por sua vez se inspirou no da Cavalaria Oculta do Santo Graal, que a Maçonaria adotou como símbolo numerológico de vários graus o número três, que se vai se multiplicando na vida maçônica dos iniciados até a conquista da Sabedoria, da Força e da Beleza. …Os Graus na Ordem do Templo eram Sete, como o é na Maçonaria Moderna Universal. Este número era também, junto com o Três, estremamente sagrado para os antigos. Era considerado o Número dos Números. Ele representava os Sete Gênios que assistiam o Grande Mitra, Deus dos Persas, e figurava igualmente os Sete pilotos de Osíris. Os Egípcios o consideravam o símbolo da Vida. Haviam Sete Planetas e são Sete as fases da Lua. Sete foram os casais encerrados na arca de Noé, que parou sete meses depois do dilúvio, e a pomba enviada por Noé só recolheu depois de sete dias de ausência. Foram sete as pragas que assolaram o Egito e o povo hebraico chorou sete sias a morte de Jacob, a quem Esaú saudara por sete vezes. A Igrja Católica reconhece Sete pecados capitais e instituiu os sete sacramentos. Para os muçulmanos existem sete céus. Deus descansou ao sétimo dia da criação. Sete eram as Ciências que os Templários transmitiam nos sete graus iniciáticos: A Gramática, a Retórica, a Lógica, a Aritmética, a Geometria , a Música e a Astronomia. Sete eram também os Sabios da Grécia. Apollo nasceu no dia sete do mes sete e sete era seu número sagrado. … Harmonizando todas as Doutrinas, os Templários fugiam ao sentido fúnebre e superficial do catolicismo para se refugiarem em outros mistérios que entoavam Hinos à Vida.

O argumento para a iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada foram buscá-lo à velha Frígia , Grécia, aos Mistérios dos Sabázios. Para os Gregos, Demeter (ou Ceres para os romanos) deu à luz a Perséfone, a quem Zeus (ou Júpiter) viola, e para isso se transforma em serpente. O Deus, atravessando o seio é a fórmula usada nos mistérios dos Sabázios: assim se chama a serpente que escorrega entre os vestígios dos iniciádos como para lembrar a impudicícia de Zeus. Perséfone dá a Luz a um filho com face de touro. O culto dos Sabázios que servia de tema às iniciações Templárias de Quinto Grau, impressionara o gênio grego mas era um intruso em sua religião, e contra ele se levantaram Aristóphanes e Plutarco. Era um Culto Orgíaco, mas não era disso que se queixavam os gregos, que também tinham o culto de Cybele e arvoravam em divindades as suas formosas hetairas (prostitutas sagradas do Templo) como o demonstra no túmulo da hetaira Tryphera: “Aqui jaz o corpo delicado de Tryphera, pequena borboleta, flor das voluptuosas hetairas, que brilhava no santuário de Cybele, e nas suas festas ruidosas, suas falas e gestos eram cheios de encantos” A iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada realizava-se no mês de Maio, o mês das flores, com o Templo dedicado à natureza, porque o Quinto Grau de Iniciação Templária era um hino à renovação periódica da vida, dentro do Princípio Alquímico que admitia a Transmutação das substâncias e a renovação das células por um sistema circular periódico, vivificante, em que tudo volta ao ponto de partida, OUROBOROS.

O Grande Pontífice da Montanha Sagrada encarnava o papel do Sabázio, o Deus Frígio que figurava as forças da natureza e as movia no sentido da renovação e da regeneração humana. A seus pés, de aspecto ameaçador estava a Serpente Sagrada, símbolo da regeneração e renovação pela mudança periódica de pele. À esquerda, coroada de flores e folhas verdes, cabelos soltos saindo de um emblema de estrelas, tendo ao peito nu, uma trança de papoulas, símbolo da fecundidade, nas orelhas brincos de três rubis e no braço esquerdo arqueado, o crivo místico das festividades de Elêusis, que três serpentes aladas acariciavam, a Grande Estátua de Deméter, personificação da Terra, e das forças produtoras da natureza. À direita, envergando uma cumprida túnica, severa e majestosa, Hera(ou Juno) a imponente Deusa do Olimpo, Esposa de Zeus, estende aos postulantes a taça do vinho celeste que contém em si o espírito da força indomável do sado com a reflexão e com a temperança. As provas, neste Grau, dirigiam-se no sentido da imortalidade da alma, e também no rejuvenescimento físico. Deméter estendia a sua graça sobre o gênero humano para que os iniciados compreendessem que as forças da natureza reuniam a própria essência da Divindade.

Eram elas que impulsionavam a vida, que renovavam as substâncias nos ciclos mais críticos e que podiam levar o homem à Imortalidade. Hera velava do Olimpo e Sabázio conduzia o fogo sagrado. Apenas os profundamente convictos, isentos de dúvidas e fortes em sua crença de que acima da natureza só existia a própria natureza evoluída é que recebiam a consagração da investidura do Grau. “A natureza mortal procura o quanto pode para se tornar imortal. Não há, porém, outro processo senão o do renascimento que substitui um novo indivíduo a um indivíduo acabado.” “Com efeito, apesar de dizer do homem que vive do nascimento até a morte, e que é o mesmo durante a vida , a verdade é que não o é, nem se conserva no mesmo estado, nem o compõe a mesma matéria.” “Morre e nasce sem cessar, nos cabelos, na carne, nos ossos, no sangue, numa palavra: em todo seu corpo e ainda em sua alma.” “Hábitos, opiniões, costumes, desejos, prazeres, jamais se conservam os mesmos. Nascem e morrem continuamente.” “Assim se conservam os seres mortais. Não são constantemente os mesmos, comos os seres divinos e imortais. E aquele que acaba, deixa em seu lugar um outro semelhante.” “Todos os mortais participam da imortalidade, no corpo e em tudo o mais.

Por Paulo Benelli

#Maçonaria #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pobres-cavaleiros-de-cristo

Absurdos Bíblicos

Confira abaixo uma seleção inicial de absurdos, contradições e contrasensos encontrados no texto bíblico do Antigo e do Novo testamento, Você verá que a Bíblia pode ser uma leitura muito divertida para aquele com imaginação forte.

GÊNESIS 1:29 Todas as plantas com semente, todas as árvores em que há fruto que dá semente servirão de alimento para o homem (e as plantas venenosas com semente?)

GÊNESIS 4:17 Caim constrói e povoa uma cidade em duas gerações apenas.

GÊNESIS 6:4 Gigantes na Terra.

GÊNESIS 6:5 Por estar insatisfeito com o homem, Deus decide inundar a terra e eliminar toda a humanidade. Todos os seres vivos, plantas, animais, mulheres e crianças inocentes são também exterminados (Isso é como por fogo numa casa só por ela estar infestada de ratos).

GÊNESIS 8:20 O primeiro ato de Noé após o Dilúvio foi o de sacrificar um exemplar de cada espécie de animal limpo e de cada ave ao Senhor… (Levando-se em consideração a existência de somente um casal de cada na Arca, isso foi no mínimo um absurdo). Além disso, se tudo havia perecido, de que iriam os animais se alimentar quando saíssem da Arca?

GÊNESIS 8:21 O odor da carne sacrificada agradou ao Senhor.

GÊNESIS 30:37-43 Jacó altera a estrutura genética do gado fazendo com que eles procriem em frente a varas de madeira verde descascada, fazendo com que os bezerros nasçam listrados e malhados por essa influência visual (e Jacó fazia isso para enganar Labão a quem servia…)

GÊNESIS 38:27-29 Nascimento de gêmeos: “e aconteceu que dando ela à luz, que um pôs fora a mão, e a parteira tomou-a e atou em sua mão um fio roxo, dizendo: este saiu primeiro. Mas aconteceu que tornando ele a recolher a sua mão, eis que saiu o seu irmão e ela disse: como tens tu rompido?… E depois saiu o seu irmão em cuja mão estava o fio roxo”.

EXODUS 12:30 O Senhor mata todos os primogênitos do Egito, inclusive o dos animais, e não há uma casa onde não há pelo menos um morto (Isso quer dizer que em todas as casa havia pelo menos um primogênito).

EXODUS 12:37, NUMEROS 1:45-46 O número de judeus homens que partiu do Egito é de 600.000 Considerando-se no mínimo uma mulher, um filho e uma pessoa idos a para cada um deles, temos um total de aproximadamente 2.000.000 de israelitas saindo do Egito, numa época em que toda a população de egípcios era menor que esse número.

NUMEROS 22:21-30 Uma jumenta vê um anjo, reconhece-o como tal e começa a falar na língua humana (provavelmente em Hebreu) com o seu dono.

DEUTERONOMIO 1:1 Moisés discursa para todo o povo de Israel (cerca de 2.000.000 de pessoas!)

DEUTERONOMIO 7:15 Moisés promete a seu povo que Deus não deixará que ninguém fique enfermo e no versículo 14 diz que ninguém será estéril, nem mesmo dentre os animais.

DEUTERONOMIO 25:5-9 O homem tem por obrigação manter relações sexuais com a viúva de seu irmão, para nela gerar um filho. Caso ele se recuse, a sua cunhada deverá cuspir em seu rosto na frente dos mais velhos.

JUÍZES 3:21-22 (KJV) “Eude pegou da adaga e a enfiou no ventre, de tal maneira que entrou até a empunhadura após da lâmina e a gordura encerrou a lâmina e saiu-lhe o excremento…”

JUÍZES 7:12 Os camelos eram tão numerosos como os grãos de areia da praia.

JUÍZES 20:16 Havia setecentos homens canhotos escolhidos, os quais todos acertavam com a funda uma pedra em um fio de cabelo, e não erravam…

REIS I 3:12, 16-28 Salomão, o homem mais sábio que já existiu, não consegue pensar em um jeito melhor para determinar qual a mãe verdadeira de uma criança, a não ser ameaçando esquartejar a criança. (Isso sem falar no distúrbio mental que poderia ter causado na mãe verdadeira, pois afinal ele era o Rei, todo poderoso, e estaria falando a
verdade).

REIS I 6:2, CRÔNICAS II 3:3 O templo de Salomão tinha 28 metros de comprimento por 13 de largura. E mesmo assim: REIS I 5:15-16 153.300 pessoas foram usadas na sua construção.

REIS I 6:38 Sua construção durou 7 anos.

CRONICAS I 22:14 5,8 toneladas de ouro e 52 toneladas de prata foram consumidos em sua construção.

CRONICAS I 23:4 24.000 supervisores e 6.000 oficiais e juizes foram
empregados na obra.

REIS I 10:24 Toda a terra buscava Salomão para ouvir sua sabedoria.

REIS I 17:2-6 Deus ordena aos corvos que levem pão e carne a Elias em seu refúgio.

REIS II 6:5-7 Uma viga de ferro sai nadando.

CRÔNICAS II 7:5, 8-9 Salomão sacrificou ao Senhor 22.000 bois e 120.000 ovelhas em uma semana. Isto dá mais de 845 animais por hora, mais de 14 por minuto, sem parar durante toda a semana.

CRÔNICAS II 21:20, 22:1-2 Acazias tinha 42 anos quando se tornou rei; ele sucedeu seu pai, que morreu com a idade de 40 anos. Assim, Acazias era dois anos mais velho que seu
próprio pai!

CRÔNICAS II 13:3 Abias enviou 400.000 homens para a batalha contra os 800.000 homens de Jerobão. Isso dá um total de 1.200.000 indivíduos, todos judeus. (Imaginando no mínimo mais 2 pessoas por cada um – seus pais ou seus filhos – daria uma população judia naquela área de cerca de 4.800.000 pessoas, um número fantástico.

CRÔNICAS II 13:17 500.000 Israelitas morrem numa única batalha.(Isso é muito mais do que as mortes ocorridas nas batalhas da Segunda Guerra Mundial)

SALMOS 121:6 O sol não te molestará de dia nem a lua de noite.

MATEUS 4:8 Existência de uma montanha tão alta que de seu alto podem ser vistos todos os reinos da Terra. (Terra plana.)

MATEUS 4:23-24, 9:32-33, 12:22, 17:14-18, MARCOS 1:23-26, 32-34, 5:2-16, 9:17-29, 16:9, LUCAS 11:14, 4:33-35, 8:2, 27-36, 9:38-42, ATOS 8:7, 16:16-18 Tanto as doenças físicas quanto as mentais são causadas por possessão demoníaca e podem ser curadas pelo exorcismo.

MATEUS 27:52-53 Os corpos dos santos mortos se levantaram dos túmulos e
invadem a cidade.

MARCOS 11:12-14, 20-21 Jesus amaldiçoa e seca uma figueira só porque ela não estava dando frutos fora da estação.

MARCOS 16:17-18 Aqueles que tem fé podem segurar em serpentes e beber veneno sem que sofram nenhum mal.

JOÃO 12:34 Uma verdadeira multidão (em uníssono?) faz uma pergunta com cerca de trinta palavras a Jesus (Respondeu-lhe a multidão: “nós temos ouvido da lei, que o Cristo permanece para sempre; e como dizes tu que convem que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse filho do homem?”).

TIMÓTEO 5:09-11 “Nunca seja inscrita viúva com menos de 60 anos, e só a que tenha sido mulher de um só marido…” “não admitas as viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristro, querem casar-se”.

TIMÓTEO 6:10 O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.

TITO 1:12 “Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos….”

HEBREUS 7:1-3 Melquisedeque não teve mãe nem pai, nem princípio nem fim.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/absurdos-biblicos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/absurdos-biblicos/

A História do Patrono da Ordem DeMolay

O nome da ordem tem origem em um homônimo, Jacques Demolay, nascido na França em 1244, que aos 21 anos uniu-se à Ordem dos Cavaleiros Templários, também conhecida como Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão.

Os Cavaleiros Templários foram uma organização sancionada pela Igreja Católica Romana em 1128, para proteger os caminhos que ligavam Jerusalém a Acre (atualmente corresponde à cidade de Akko, porto de Israel situado a Norte da Baía de Haifa, no Mediterrâneo). A Ordem dos Templários participou das cruzadas e ganhou renome por seu valor e heroísmo.

Com muitos nobres e governantes enviando seus filhos para unirem-se aos Templários, a Ordem também se tornara muito rica e popular por toda a Europa.

Em 1298, Jacques DeMolay, foi nomeado o Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários, posição esta de grande prestigio e poder. Como Grão-Mestre, no entanto, também estava em uma posição difícil. As Cruzadas não haviam alcançado seus objetivos. Os Sarracenos, não cristãos, haviam derrotado os Cruzados em uma batalha e capturado várias cidades e pontos geográficos vitais. Os Cavaleiros Templários e os Hospitaleiros (uma outra Ordem de Cavaleiros) foram os únicos grupos remanescentes do confronto com os Sarracenos.

Os Templários decidiram por se reorganizar e recuperar suas forças. Eles viajaram para a ilha de Chipre, esperando o suporte popular para uma nova Cruzada.

Todavia, ao invés do suporte popular esperado, os Templários atraíram a atenção de poderosos governantes, interessados na riqueza e no poder da Ordem. Em 1305, Felipe, o Rei da França, passou a dedicar-se a obter o controle sobre os Cavaleiros Templários. Até então, eles haviam sido controlados somente pela Igreja. Para prevenir um aumento do poder clerical, Felipe decidiu assumir o controle sobre a Ordem.

O ano de 1307 assistiu o início da perseguição aos Templários. Jacques DeMolay, juntamente com centenas de outros Cavaleiros, foi preso e atirado às masmorras. Por sete anos, eles sofreram torturas em padeceram nas condições desumanas do cárcere. Como os Templários não se acabavam, o Rei conseguiu forçar o Papa Clemente a condenar os Cavaleiros. Suas riquezas e propriedades foram confiscadas e foram dadas aos partidários de Felipe.

Durante anos de tortura, Jacques DeMolay continuou leal aos amigos e aos Cavaleiros. Ele recusou-se a revelar a localização dos tesouros da Ordem e a denunciar seus companheiros. Em 18 de março de 1314, DeMolay foi julgado por um tribunal especial. Como evidência, a corte baseou-se em uma confissão forjada, supostamente assinada por DeMolay.

Jacques DeMolay repudiou a confissão forjada. Pelas leis daquela época, o repudio de uma confissão era punível por morte. Outro Cavaleiro, Guy de Auvergne, assim mesmo, repudiou sua própria confissão e ficando ao lado de DeMolay. O Rei Felipe ordenou que ambos fossem queimados vivos naquele mesmo dia.

Apesar de tudo o que sofreu, DeMolay nunca renegou sua fé nem traiu seus companheiros, sendo, até hoje, considerado um exemplo de honra, lealdade e amizade.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-do-patrono-da-ordem-demolay/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-do-patrono-da-ordem-demolay/

A História da Ordem dos Cavaleiros Templários

Por Spartakus FreeMann.

A História da Ordem
Organização do Templo
A vida no Templo
Lista dos Grão-Mestres
Símbolos e História oculta
Dante e os Templários
Godfrey de Bouillon e a Ordem do Priorado de Sião
Relação com as comunidades muçulmanas e gnósticas

História

 Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão.

Em 1097, a primeira cruzada liderada por Godfrey de Bouillon, Robert de Flandres e Bohémon de Tarento é lançada pelo Papa Urbano II.

Em 1099, Jerusalém foi tomada. Godfrey, não se sentindo digno de usar uma coroa na cidade onde Cristo foi crucificado, tomou o título de “Protetor do Santo Sepulcro”.

Em 1100, a morte de Godfrey de Bouillon, Baudoin de Boulogne, seu irmão, foi coroado Rei de Jerusalém.

Em 1118, Baudoin II foi coroado Rei de Jerusalém. Nesse mesmo ano, nove cavaleiros franceses, liderados por Hugues de Payens, chegaram a Jerusalém, onde se apresentaram a Baldwin II. Eles foram recebidos no recinto do Templo do Rei Salomão. Os cânones do Santo Sepulcro foram movidos para a ocasião. Antes do Patriarca de Jerusalém (Garimond) eles fizeram os três votos de pobreza, castidade e obediência e seguiram a regra de Santo Agostinho. A origem de Hugues de Payens levantou muitas controvérsias entre os historiadores. Nada se sabe sobre isso, exceto que ele provavelmente veio da região de Champagne. O personagem deve ser de alguma importância, pois seu nome aparece em duas cartas de Hugh de Troyes. O vilarejo cujo nome ele leva está localizado a cerca de dez quilômetros de Troyes.

“… O rei, os cavaleiros e o senhor patriarca, cheios de compaixão por esses homens nobres que haviam desistido de tudo por Cristo, apoiaram-nos com seus próprios recursos e posteriormente lhes conferiram… alguns benefícios e algumas propriedades. Como eles ainda não tinham uma igreja própria, nem uma residência fixa, o rei senhor lhes concedeu uma pequena moradia por um tempo em uma parte de seu palácio, perto do templo do Senhor… eles foram posteriormente chamados de Cavaleiros do Templo Irmãos”.

 Jacques de Vitry

 Em 27 de dezembro de 1118, dia de São João Evangelista, estes nove cavaleiros (Hugues de Payns, Geoffroy de Saint-Omer, André de Monbard (tio de São Bernardo), Payen de Montdidier, Archambaud de Saint Aignan (ou de Saint Amant), Geoffroy Bisol, Hugues Rigaud, Rossal e Gondemare) reuniram-se no local do Templo de Salomão onde revelaram a fundação da Ordem dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão (pauperes commilitones Christi Templique Salomonici).

“Há um templo em Jerusalém onde eles vivem em comum; se ele está longe de igualar na arquitetura o antigo e famoso templo de Salomão, ao menos não é inferior a ele em glória. Na verdade, toda a magnificência da primeira consistia na riqueza dos materiais corruptíveis de ouro e prata e na montagem de pedras e madeiras de todos os tipos que entraram em sua construção; A segunda, ao contrário, deve toda sua beleza, seus ornamentos mais ricos e agradáveis, à piedade, a religião de seus habitantes e sua vida perfeitamente regulamentada; uma encantava os olhos por suas pinturas; mas a outra exige respeito pelo espetáculo variado das virtudes que ali são praticadas e dos atos de santidade que ali são realizados.”

(São Bernardo de Claraval, “Para os Cavaleiros do Templo”)

A Ordem dos Templários havia acabado de nascer. Sua missão era proteger as rotas dos peregrinos para a Terra Santa.

De 1118 a 1127, durante 9 anos, os Templários se organizaram, mas estranhamente, eles que queriam proteger os peregrinos, não tomaram parte em nenhuma batalha. Sua única ocupação era renovar os estábulos subterrâneos do Templo. Em 1220, Baldwin II deu todo o Palácio do Templo aos Templários. Durante o mesmo período, a Ordem recrutou escudeiros e sargentos de armas.

Em 1126, o Conde Hugues de Champagne aderiu à Ordem, uma importante contribuição, pois era um grande amigo de Bernardo de Claraval, cuja autoridade era imensa nos círculos eclesiásticos.

Em 1227, Baldwin II enviou Hugues de Payens e alguns de seus companheiros para a Europa. O Papa Honório II os recebeu. Foram feitos contatos com Bernardo de Claraval, que organizou o Conselho que deveria dar existência legal à Ordem.

Em 14 de janeiro de 1128, o Conselho de Troyes, reunido na Catedral de Troyes, sob o impulso de Bernardo de Claraval, dotou oficialmente a nova congregação com as “Regras da Ordem”. Na verdade, isto só aprovou uma regra pré-existente. Esta regra, escrita em latim, contém 72 artigos e subordina o Templo à autoridade do Patriarca de Jerusalém.

Por volta de 1130, Bernardo de Claraval escreve “De Laude Novae Militiae”, uma obra na qual ele contrasta a cavalaria secular e o cavalheirismo celestial dos Templários.

“Diz-se que um novo tipo de milícia nasceu na terra, na mesma terra que o sol nascente veio visitar do céu, para que onde ele espalhou os príncipes das trevas com seu poderoso braço, a espada desta corajosa milícia extermine logo seus satélites, ou seja, os filhos da infidelidade. Ela redimirá novamente o povo de Deus e fará o chifre da salvação crescer aos nossos olhos na casa de Davi, seu filho (Lucas I, passim). Sim, é um novo tipo de milícia, desconhecido dos séculos passados, destinada a lutar sem descanso contra a carne e o sangue, e contra os espíritos da maldade espalhados no ar. Não é tão raro ver homens lutando contra um inimigo corporal apenas com a força do corpo que eu me surpreenda; por outro lado, travar guerra contra o vício e o diabo apenas com a força da alma também não é tão extraordinário a ponto de ser louvável; o mundo está cheio de monges que lutam essas batalhas; Mas o que eu acho tão admirável quanto é obviamente raro é ver ambas as coisas combinadas, o mesmo homem pendurando corajosamente sua espada dupla a seu lado e cingindo nobremente seus flancos com seu arnês duplo ao mesmo tempo. O soldado que veste sua alma com a couraça da fé e seu corpo com uma couraça de ferro ao mesmo tempo não pode deixar de ser destemido e em perfeita segurança; pois sob sua dupla armadura ele não teme nem o homem nem o diabo. Longe de temer a morte, ele a deseja. Pois o que ele pode temer, seja ele vivo ou morto, já que só Jesus Cristo é sua vida e a morte é seu ganho? Ele vive sua vida com confiança e de todo o coração por Cristo, mas o que ele preferiria é estar livre dos laços do corpo e estar com Cristo; isso é o que lhe parece melhor. Ide, pois, para a batalha em segurança, e acusai os inimigos da cruz de Jesus Cristo com coragem e destemor, pois sabeis que nem a morte nem a vida podem separar-vos do amor de Deus, que se fundamenta nas indulgências que Ele toma em Jesus Cristo, e recordai estas palavras do Apóstolo, em meio a perigos: “Se vivemos ou morremos, pertencemos ao Senhor” (Romanos XIV. 8). Que glória para aqueles que retornam vitoriosos da batalha, mas que felicidade para aqueles que encontram o martírio! Alegrai-vos, generosos atletas, se sobreviverdes à vossa vitória no Senhor, mas deixai que vossa alegria e alegria sejam dobradas se a morte vos une a Ele: sem dúvida vossa vida é útil e vossa vitória gloriosa; mas é com boa razão que se prefere a morte santa a eles; pois se é verdade que aqueles que morrem no Senhor são abençoados, quanto mais felizes ainda são aqueles que morrem pelo Senhor?

São Bernardo de Claraval, “Aos Templários Louvores de sua Nova Milícia”

Em 29 de março de 1139, Inocêncio II emitiu a bula papal “Omne Datum Optimum”, a fonte de todos os privilégios da Ordem. O objetivo disto era fornecer ao Templo capelães para o serviço religioso e assim libertá-lo da jurisdição episcopal. A Ordem foi submetida diretamente à autoridade do Papa, deixando assim o Mestre e seu capítulo quase total liberdade. Além disso, os Templários tiveram o privilégio de coletar o dízimo.

“Nós os exortamos a combater os inimigos da cruz com ardor e, como sinal de nossa recompensa, permitimos que guardem para si todos os saques que tiraram dos sarracenos sem que ninguém tenha o direito de reivindicar uma parte deles. E declaramos que sua casa, com todos os seus bens adquiridos pela generosidade dos príncipes, permanece sob a proteção e a tutela da Santa Sé.”

Em 1146, o Papa Eugênio III lhes deu a túnica branca com a cruz vermelha no ombro com quatro ramos iguais.

A partir daquele momento, a Ordem cresceu constantemente e logo teve comandantes em toda a Europa, bem como na Palestina. A Ordem fretou sua própria frota sediada em La Rochelle. De lá, navios com destino ao Levante partiram e navios da Inglaterra e da Bretanha chegaram a este porto.

Durante os séculos XII e XIII, a história do Templo se entrelaçou com a história das Cruzadas.

Esquieu de Floyrian, sob pressão de Guillaume de Nogaret, confessou em 1305 ao Rei da França as práticas obscenas dos ritos de entrada da ordem, e Filipe, o Belo aproveitou esta informação para encomendar uma investigação, e assim em 13 de outubro de 1307 os sargentos de Felipe, o Belo apreenderam quase todos os Templários da França. Quase todos os outros estados europeus seguiram o exemplo. De acordo com os documentos da investigação papal, que contêm até 127 itens, os Templários foram acusados principalmente de simonia (tráfico criminal de coisas sagradas), heresia, idolatria, magia e sodomia. Além disso, eles foram acusados de forçar seus neófitos a negar Cristo, cuspir no crucifixo e dar beijos obscenos. Os sacerdotes, enquanto celebravam a missa, foram omitidos voluntariamente para consagrar os anfitriões; foi dito que eles não acreditavam na eficácia dos sacramentos.

Finalmente, foi dito que os Templários se dedicaram à adoração de um ídolo conhecido como “Bafomet” (uma cabeça humana, que discutiremos mais tarde) ou de um gato; foi dito que eles usaram cordas encantadas em suas camisas noite e dia. A acusação representou todos estes crimes como sendo ordenados por uma Regra secreta.

O Conselho de Viena de 1311-1312 examinou o caso dos Templários, mas a maioria dos cardeais concluiu que não havia provas da culpa da Ordem e que seus representantes deveriam ser ouvidos novamente. Sob pressão de Felipe, o Belo, o Papa oficializou a supressão da Ordem em 22 de março de 1312 com a bula papal “Vox in excelso”.

“Considerando, portanto, as infâmias, suspeitas e insinuações ruidosas e outras coisas acima mencionadas que surgiram contra a ordem, e também a recepção secreta e clandestina dos irmãos desta ordem; que muitos destes irmãos se afastaram dos costumes, vida e hábitos gerais dos outros fiéis de Cristo, e isto especialmente quando receberam outros [homens] entre os irmãos de sua ordem; [que] durante esta recepção fizeram com que aqueles que receberam fizessem profissão e jurassem não revelar a ninguém a forma de sua recepção e não deixar esta ordem, por causa da qual surgiram presunções contra eles;

 Considerando ainda o grave escândalo que essas coisas causaram contra a ordem, que parecia não poder ser apaziguada enquanto essa ordem permanecesse, e também o perigo para a fé e as almas; que tantas coisas horríveis foram cometidas por muitos irmãos dessa ordem […] que caíram no pecado de uma apostasia atroz contra o próprio Senhor Jesus Cristo, no crime de uma idolatria detestável, no execrável ultraje dos sodomitas […] ;

 Considerando também que a Igreja Romana às vezes reprimiu outras ordens ilustres de obras muito menos do que as acima mencionadas, sem sequer uma reprovação apegada aos irmãos: Não sem amargura e tristeza de coração, não em virtude de uma sentença judicial, mas por meio de disposição ou decreto apostólico, a referida ordem do Templo e sua constituição, hábito e nome por decreto irrevogável e válido perpetuamente, e o submetemos à proibição perpétua com a aprovação do santo conselho, proibindo formalmente qualquer pessoa de se permitir no futuro entrar na referida ordem, de receber ou vestir seu hábito, ou de agir como Templário. Quem transgredi-lo incorrerá ipso facto na sentença de excomunhão.

Além disso, reservamos as pessoas e bens desta ordem à ordem e disposição de nossa sede apostólica, que, pela graça do favor divino, pretendemos dispor para a honra de Deus, a exaltação da fé cristã e a prosperidade da Terra Santa antes do fim do presente Concílio.”

A bula papal “Ad providam” de 2 de maio decretou que a propriedade do Templo passaria para as mãos dos Hospitalários.

O Papa Clemente V apoiou o Rei da França e assim, em 1314, Jacques de Molay (22o Grande Mestre), Geoffroy de Charnay (Colecionador da Normandia) e 37 cavaleiros da Ordem foram queimados vivos em Paris, na Ilha dos Judeus. Godfrey de Paris foi uma testemunha ocular desta execução. Em sua Crônica Métrica (1312-1316), ele escreveu as palavras do Mestre da Ordem: “Eu vejo aqui meu julgamento, onde morrer me convém livremente; Deus sabe quem está errado, quem pecou. Deus sabe quem está errado, quem pecou. A infelicidade logo recairá sobre aqueles que erroneamente nos condenaram: Deus vingará nossa morte”. Esta é uma versão muito distante da versão de Rois Maudits de Druon (Reis Malditos de Druon) das diatribes de Molay.

Na Alemanha, os Templários foram absolvidos e se juntaram a outras ordens. Na Espanha, os Templários se refugiaram na Ordem de Calatrava e foi criada uma nova ordem, a de Montesa. Em Portugal, os Templários foram absolvidos e fundaram a Ordem de Cristo (da qual Vasco da Gama e Henrique o Navegador eram membros). Vale a pena notar que os navios de Colombo carregavam a Cruz Templária e que ele mesmo era casado com a filha de um antigo Grão Mestre desta ordem.

Organização do Templo

Os territórios onde são realizadas as atividades do Templo estão divididos em Províncias. Em 1294, havia 22 deles (5 na França, 4 na Espanha, 3 na Itália, 2 na Alemanha, 1 na Inglaterra, 1 na Hungria, 6 no Leste).

Os Templários formaram um exército permanente de vários milhares de homens, liderado por 500 cavaleiros e 1000 sargentos. Todos eles obedeciam ao Mestre e sua equipe.

Baldwin II cedendo o Templo de Salomão a Hugues de Payns e Gaudefroy de Saint-Homer, de William of Tyre, século XIII.

Hierarquia :

O pessoal do Templo é composto por:

  • O Mestre da Ordem: comparado a um Abade ou, melhor dizendo, a um soberano. Ele não pode tomar nenhuma decisão sem o acordo do Capítulo.
  • O Seneschal da Ordem: ele tem o selo da Ordem.
  • O Marechal: líder militar e responsável pela disciplina.
  • O Comandante da Terra e do Reino de Jerusalém: Tesoureiro do Templo e chefe da Marinha.
  • O Comandante de Trípoli e de Antioquia.
  • O Drapier: encarregados dos suprimentos da Ordem.
  • O Turcopolier.
  • O Submarechal.
  • O Gonfanonier.
  • O Comandante de Jerusalém: guardião dos peregrinos, da Santa Cruz e Embaixador da Ordem.

O Mestre do Templo, que mais tarde foi chamado Grande Mestre, tinha a autoridade de um líder supremo, mas só podia tomar uma decisão após consulta ao Capítulo. Ele não podia dar ou emprestar os bens da ordem e não podia começar ou terminar uma guerra. Na verdade, o Grande Mestre era como um presidente controlado pelo capítulo. Ele tinha que cumprir com as decisões do capítulo. “Todos os Irmãos devem obedecer ao Mestre e o Mestre deve obedecer a seu Convento”. (Estatutos Hierárquicos).

Com a morte do Mestre, as funções são assumidas pelo Marechal que reúne todos os dignitários da Ordem. Eles nomeiam o Grande Comandante que atuará até a eleição do novo Mestre. O Grande Comandante forma um pequeno conselho que fixa o dia da eleição. Naquele dia, ele convoca um capítulo restrito que escolhe três irmãos, um dos quais é nomeado Comandante da Eleição. O Capítulo escolhe um deputado. O Comandante da Eleição e seu deputado se retiram para a capela onde rezam até o nascer do sol. Pela manhã, o Comandante da Eleição e seu deputado nomeiam mais dois Irmãos. Depois elegem mais dois Irmãos e assim por diante até que haja 12 (em memória dos Apóstolos) e depois um décimo terceiro que deve ser capelão da Ordem. Entre este Capítulo devem existir 8 Cavaleiros e 4 Sargentos. Os treze eleitores se aposentam e quando parece haver acordo sobre dois nomes, o Comandante coloca à votação e aquele que recebe a maioria é designado como o novo Mestre da Ordem do Templo.

Os demais membros do Templo foram distribuídos da seguinte forma: Cavaleiros, Escudeiros, Sargentos, Capelães e Irmãos Artesãos.

Além disso, havia três categorias de pessoas que serviram a Ordem por um período fixo de tempo: Cavaleiros Clientes, Escudeiros Clientes e Turcopoles.

A vida no Templo

O enxoval dos cavaleiros consistia de duas camisas, dois pares de sapatos, dois calções, um gibão, uma peliça, uma capa, dois casacos, uma túnica e um amplo cinto de couro. Além dessas roupas, há duas toalhas: uma para a mesa e a segunda para a lavagem.

O traje militar consistia de uma cota de malha, um par de calções de ferro, um chapéu de ferro, um elmo, sapatos e um brasão. O armamento consistia de uma espada, uma lança e um escudo.

Além de suas ocupações civis e do serviço militar, sua existência era a dos monges. Quando soa o sino das matinas, os Templários vão à capela onde devem dizer 13 Pais-nossos para Nossa Senhora e 13 para o santo do dia. Após as matinas, eles devem ir para os estábulos. À prima, os cavaleiros vão novamente à missa. Os Templários não podem comer sem ouvir ou recitar 60 Pais-nossos. Antes das refeições, são recitados a Bênção e um Pai-nosso. Graças na capela após o refeitório, depois as vésperas, as horas da nona e completa.

Cada uma das horas é acompanhada por 13 ou 18 Pais-nossos. Além disso, há toda a gama de obrigações nas festas católicas. Ao cair da noite, os irmãos fazem um lanche e depois vão para a capela.

Lista dos Grão-Mestres

Observe que a lista aqui apresentada é indicativa e é apenas uma das muitas listas emitidas por historiadores. De fato, parece que os historiadores não concordam com o número e os nomes dos Grão-Mestres da Ordem do Templo…

  1. Hugues de Payens
  1. Robert le Bourgignon
  1. Evrard des Barres
  1. Bernard de Tramelay
  1. Bertrand de Blanquefort
  1. Filippe de Napelouse
  1. Odon de Saint-Amand
  1. Arnaud de Toroge
  1. Terrie (ou Thierry ou Therence)
  1. Gerard de Riddeford
  1. Robert de Sablé
  1. Gilbert Horal
  1. Filippe de Plessiez
  1. Guillaume de Chartres
  1. Pierre de Montaigu
  1. Armand de Périgord
  1. Guillaume de Tonnac
  1. Renaud de Vichiers
  1. Thomas Beraut
  1. Guillaume de Beaujeu
  1. O monge Gaudin
  1. Jacques de Molay

Símbolos e História oculta

Aqui estão algumas hipóteses e elementos de ocultismo relacionados com o Templo. Os templários sempre animaram a imaginação de muitos pesquisadores profissionais e não profissionais. Assim, há aqueles que defendem a ideia do esoterismo templário e tentam ligar todos os eventos mundiais à intervenção direta ou indireta dos Templários. O objetivo desta seção não é defender ou rejeitar esta ou aquela hipótese.

1 – O Selo da Ordem: representa dois cavaleiros cavalgando juntos em um cavalo. Este selo pode então simbolizar a pobreza da Ordem, mas também em um nível mais profundo, pode simbolizar:

  • A natureza dupla da Ordem, exotérica e esotérica, bélica e monástica
  • A natureza dual do homem, divina e humana
  • A tripartição do ser em spiritus (mente), animus (alma) e corpus (corpo)

Descriptio Terrae Sanctae, 1283. De Jerusalém, por Michel Join-Lambert. Elek Books, 1958.

2 – O Bafomet: antes de tudo, é importante saber que o termo “Bafomet” nunca foi usado pelos acusadores ou pelos próprios Templários. Na verdade, apenas a forma adjetival “bafomética” ou “bafomético” é encontrada. Assim, um irmão occitano da Ordem em Montpezat, Gaucerant, confessou ter adorado uma “imagem bafomética” que, em langue d’oc, poderia ser uma distorção do nome do profeta islâmico Maomé. Segundo os ocultistas, o Bafomet é um ídolo de origem islâmica, enquanto o Islã proíbe qualquer representação humana, ou uma simbolização dos dois São João na forma de Jano, um símbolo de batismo e iniciação?

Aqui, antes de tudo, estão os termos precisos de um artigo da primeira investigação (articulo super quibus inquiretur contra ordinem Templi): “Que os cavaleiros nas várias províncias tinham ídolos, ou seja, cabeças, algumas com três rostos e outras apenas uma; outras tinham um crânio humano. Estes ídolos ou este ídolo foram adorados… Os cavaleiros disseram que esta cabeça podia salvá-los, enriquecê-los, que fazia florescer as árvores, que fazia brotar as colheitas; os cavaleiros cingiram ou tocaram com cordas uma certa cabeça destes ídolos e depois se cingiram com esta corda, seja sobre a camisa ou sobre a pele.”

O historiador dinamarquês Munter, assim como outros, levantou a hipótese de que as chamadas cabeças adoradas pelos Templários eram simples cabeças relicárias, como ainda são encontradas em muitos museus e tesouros da igreja.

3 – A Beaucéant: preto e branco ou vermelho e dourado, poderia simbolizar as Trevas e a Luz. Veja o livro de Gérard de Sède para outras implicações desta bandeira.

4 – Números Simbólicos:

O número três aparece frequentemente na vida da Ordem (esmola três vezes por semana, aceitando três assaltos antes de retaliar…)

O número nove de fato, a Ordem foi fundada por nove cavaleiros em 27 de dezembro de 1118 (2+7=9, 12=9+3…), a Regra Latina tem 72 artigos (7+2=9), há nove anos entre 1118 e 1127 e os anos 18 e 27 são múltiplos de nove, a Ordem tinha nove províncias, a Beaucéant era às vezes um composta de 81 quadrados pretos e brancos (quadrados de 9, 8+1=9).

Dante e os Templários

Em 1318, Dante terminou sua Divina Comédia, na qual alude várias vezes aos Templários. No Paraíso (Canto XXX), Beatrice é cercada e protegida por “um conjunto de capas brancas” (nome pelo qual os Templários eram conhecidos). Também nos círculos do Paraíso, Dante escolhe São Bernardo como seu guia (Canto XXXII) por causa de seu papel na fundação da Ordem do Templo. São Bernardo em sua De laude novae militiae estabelece, como vimos, a missão e o ideal do cavalheirismo cristão, a ‘milícia de Deus’, termo muitas vezes encontrado nos escritos dos Fiéis do Amor, dos quais Dante era um membro proeminente.

No Purgatório (Canto XXVII), Dante lembra-se de testemunhar a execução de Jacques de Molay e Geoffroy de Charnay na fogueira em 18 de março de 1314 em Paris: “Estiquei-me para frente com as mãos fechadas e me deitei, olhando para o fogo e imaginando vividamente os corpos humanos que eu já tinha visto queimados”.

Finalmente, Dante compara o Papa Clemente V ao Anticristo, e lhe atribui um lugar em seu Inferno (Canto XIX): ‘Um pastor sem lei virá do oeste […] Ele será um novo Jasão, do qual os Macabeus falam, e quanto a este flexível foi seu rei, a este será o rei que governa a França’. Ele compara ainda o rei da França, Felipe, o Belo, a Pilatos em seu Purgatório (Canto XX): “Vejo o novo Pilatos tão cruel que não o satisfaz, mas sem decreto ele empurra seus véus gananciosos para dentro do Templo”.

Dante e os Fiéis do Amor, aos quais Dante pertencia, aspergiram suas obras com vários símbolos esotéricos a fim de lembrar sua filiação ao espírito cavalheiresco da Ordem do Templo. Assim, Dante frequentemente usa o número 9 como um número sagrado, simbolizando a trindade: espírito, alma, corpo, cada um com 3 aspectos e 3 princípios. Este número, também muito simbólico para os Templários, lembra os 9 fundadores tradicionais da Ordem, assim como as 9 províncias do Templo Ocidental; através do significado dos “Céus” dado por Dante em sua Divina Comédia – os 9 “Céus” são os graus da hierarquia iniciática que conduzem à “Terra Santa”.

Godfrey de Bouillon e a Ordem do Priorado de Sião

Em 1099, diz-se que ele fundou a Ordem do Priorado de Sião na Abadia de Notre-Dame du Mont de Sion (Nossa Senhora do Monte Sião), que é a origem da fundação da Ordem do Templo. De acordo com algumas fontes, o Priorado de Sião era a estrutura esotérica enquanto o Templo era a estrutura exotérica visível. Diz-se que o Priorado sobreviveu de várias formas até os dias de hoje. Na realidade, e para grande desgosto dos fãs do Código Da Vinci e outros disparates místicos e misteriosos, o Priorado de Sião foi mencionado pela primeira vez em 1956, a invenção do mistificador francês Pierre Plantard. Em uma série de documentos forjados depositados na Biblioteca Nacional em meados dos anos 60 e intitulados “Arquivos Secretos de Henri Lobineau”, Plantard apresenta o Priorado como uma irmandade datada de 1099, ligada à Ordem do Templo e cuja missão teria sido preservar o segredo de uma descendência oculta dos merovíngios para a restauração de uma monarquia merovíngia na França.

Relação com as comunidades muçulmanas e gnósticas

 1- Os Assassinos: uma seita xiita fundada no século XI por Hassan Ibn Sabbah, os Assassinos são cavaleiros baseados principalmente na Síria e na Pérsia que obedecem cegamente a seu líder, o “Velho da Montanha”.

Existe um certo paralelismo entre a ordem Assassina e a ordem Templária:

  • cavaleiros – refiks
  • escudeiros – fedavi
  • sargentos – lassiks
  • priores – daîkebir
  • grande mestre – xeque el djebel

Embora religiosamente opostas, houve um certo grau de colaboração entre as duas ordens. Além disso, os Templários mantiveram relações diplomáticas e até militares com os Assassinos da Síria. Também vale a pena notar que havia uma certa comunidade de espírito na linha das ordens de cavalheirismo.

2- Ordem dos Irmãos do Oriente: fundada na segunda metade do século XI por Michael Psellos, esta ordem está impregnada de doutrinas herméticas neopitagóricas.

3- Ordem dos Santos (ou Kaddosh): esta ordem era de inspiração Essênia, Gnóstica e Joanina. Diz-se que um certo Arnaud de Toulouse foi para a Palestina no início do século IX para estudar e penetrar nos mistérios desta sociedade. Ele atingiu o início das três graus e obteve permissão para fundar uma emanação da Ordem na Europa. A primeiro alojamento, ou loja, foi fundado em 804 em Toulouse por Arnaud sob o nome de Amus. A ordem teria incluído figuras como Gerber de Aurillac (futuro Papa Silvestre II), Raymond de Saint-Gilles (Conde de Toulouse), Godefroi de Bouillon e os nove cavaleiros fundadores da Ordem dos Templários. No Museu de Viena, uma medalha de Dante de Pisanello está em exposição. No verso da medalha, que representa Dante, pode-se ler a seguinte estranha sequência de letras: “F.S.K.I.P.F.T.”. Segundo René Guénon, estas letras significam “Fidei Sanctae Kadosh Imperialis Principatus Frater Templarius”.

Se você quiser saber mais sobre o esoterismo templário, não hesite em consultar nosso livro, coautoria de Spartakus FreeMann e Soror D.S., Le Bafomet, Figure de l’ésotérisme templier & de la franc maçonnerie, retraçando a lenta elaboração do mito do Bafomet, recém-publicado pela Alliance Magique.

Ordem do Templo, Spartakus FreeMann, agosto de 2008.

***

Fonte:

Ordre du Temple : histoire, Spartakus FreeMann, août 2008. 

https://www.esoblogs.net/211/l-ordre-du-temple-histoire-1/

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-da-ordem-dos-cavaleiros-templarios/

Os Templários

“Não por nós, Senhor, não por nós,

mas para que seu nome tenha a Glória.”

A Ordem Templária foi fundada em Jerusalém em 1118, logo após a Primeira Cruzada, mesmo havendo alguns indícios de ter sido fundada quatro anos antes. Seu nome está relacionado ao local de seu primeiro quartel-general, no lugar do antigo Templo de Salomão.

Nove monges veteranos dessa Primeira Cruzada, entre eles Hugues de Payens e Godofredo de Saint Omer, reuniram-se para fundar a Ordem em defesa da Terra Santa. Pronunciaram perante o patriarca de Jerusalém, Garimond, os votos de castidade, de pobreza e de obediência, comprometendo-se, solenemente, a fazer tudo aquilo que estivesse ao seu alcance para garantir as rotas e os caminhos e a defender os peregrinos contra os assaltos e os ataques dos infiéis. Foi dada a fundação da Ordre de Sion (Ordem de Sião) a Godofredo de Bouillon, por volta de 1099. A original Ordem de Sião foi estabelecida para que muçulmanos, judeus e outros indivíduos elegíveis pudessem aliar-se à Ordem cristã e tornar-se Templários.

Freqüentemente podemos encontrar os Templários sendo denominados Soldados de Cristo (Christi Milites), Soldados de Cristo e do Templo de Salomão. A regra que lhes foi concedida por ocasião do Concílio de Troyes, em Champagne, é: Regula pauperum commilitonum Christi Templique Salomonici.

Eles, no começo, viviam exclusivamente da caridade, e tamanha era sua pobreza que não podiam ter mais do que um só cavalo cada um. O antigo sinete da Ordem, no qual aparece a representação de dois cavaleiros em um só cavalo, comprova essa humildade primitiva.

O bispo de Chartres escreveu a respeito dos Templários em 1114, chamando-os de Milice du Christi (Soldados de Cristo).

O primeiro Grão-Mestre da Ordem foi Hugues de Payens, certamente um homem superior. Durante toda a sua vida, testemunhou um pensamento seguro e uma indomável coragem. Inspirado pelo espírito cavalheiresco de seu século, ele não podia ter se tornado apenas um cruzado cujo nome caiu no esquecimento, como o de tantos outros nobres e bravos senhores. Era grandioso armar-se com oito soldados contra legiões numerosas; oferecer-se, sob um céu implacável, aos golpes de um inimigo que observava atentamente sua empreitada e que podia afogá-lo definitivamente, já no primeiro combate, no sangue de seu punhado de bravos.

E foi assim que viveram durante dez anos. Sem pedir reforços nem subsídios, nenhuma recompensa, nenhuma prebenda esperava por eles. Viviam segundo suas próprias leis, vestidos e alimentados pela caridade cristã.

Martin Lunn, em seu livro Revelando o Código de Da Vinci (Madras Editora), fala-nos do Priorado de Sião, que compartilhava com a Ordem do Templo (Cavaleiros Templários) o mesmo Grão-Mestre; eram dois braços da mesma organização até algo conhecido como a “Corte do Olmo”, que aconteceu em Gisors, em 1118. Essa separação entre as duas Ordens foi supostamente causada pela chamada “traição” do Grão-Mestre Gerard de Ridefort que, de acordo com os Dossiês Secretos, resultou na perda de Jerusalém pela Europa para os sarracenos.

Quando do Concílio de Troyes (1128), Hugues e outros seis Cavaleiros compareceram diante dos mais altos dignitários da Igreja. O papa e o patriarca Étienne lhes deram um hábito, e o célebre abade de Clarval, São Bernardo de Clairvaux, encarregou-se da composição de sua regra, modificando parcialmente os estatutos primitivos da sociedade. Foi também São Bernardo quem revitalizou a Igreja Celta da Escócia e reconstruiu o mosteiro de Columba, em Iona (tal mosteiro havia sido destruído em 807 por piratas nórdicos). O juramento dos Cavaleiros Templários a São Bernardo exigia a “Obediência de Betânia – o castelo de Maria e Marta”.

Durante a era das cruzadas, que perfazem um total de oito e as quais continuaram até 1291 no Egito, na Síria e na Palestina, apenas a primeira, de Godofredo, foi de alguma utilidade, como afirma Laurence Gardner, um magnífico autor de nossa editora: “(…) Mas mesmo essa foi desfigurada pelos excessos das tropas responsáveis que usaram sua vitória como desculpa para o massacre de muçulmanos nas ruas de Jerusalém. Não apenas Jerusalém era importante para os judeus e cristãos, porém se tornara a terceira Cidade Santa do Islã, após Meca e Medina. Como tal, a cidade até hoje está no cerne de contínuas disputas. (Embora os muçulmanos sunitas considerem Jerusalém sua terceira cidade Sagrada, os muçulmanos xiitas colocam-na em quarto lugar após Carabala, no sul do Iraque.)

A segunda cruzada para Odessa, liderada por Luiz VII da França e pelo imperador alemão Conrado III, fracassou miseravelmente. Então, cerca de cem anos após o sucesso inicial de Godofredo, Jerusalém caiu sob o poder de Saladino do Egito, em 1187. Foi quando engatilhou a terceira cruzada de Felipe Augusto, da França, e Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, que, entretanto, não conseguiram recuperar a Cidade Santa. A quarta e quinta cruzadas concentraram-se em Constantinopla e Damieta. Jerusalém foi retomada brevemente dos sarracenos após a sexta cruzada, mas ficou longe de reverter a situação. Por volta de 1291, a Palestina e a Síria estavam firmemente sob o controle muçulmano e as cruzadas haviam terminado.

Vejamos alguns preceitos da nova legislação, mas é importante lembrarmos que nessa época os cavaleiros não eram classificados em graus como os nobres. Todo homem que não fosse sacerdote ou servo podia aspirar à Cavalaria e à nobreza moderna tinha aí sua origem. A partícula de não indicava seus nomes, mas a cidade, a vila ou o lugarejo que habitavam. Mais tarde, o nome de sua residência transformou-se em seu nome de família.

Todos os cavaleiros que tenham professado vestem mantos brancos de comprimento médio. Os mantos usados são entregues aos Escudeiros e irmãos servos, ou aos pobres.

Os mantos brancos que os escudeiros e servos vestiam originalmente foram substituídos por mantos negros ou cinzas.

Apenas os cavaleiros vestem mantos brancos.

Cada cavaleiro possui três cavalos, pois a pobreza não permite que tenham mais que isso.

Cada cavaleiro tem somente um escudeiro ao qual não poderá castigar, já que ele o serve gratuitamente.

Ninguém pode sair, escrever ou ler cartas sem autorização do Grão-Mestre.

Os cavaleiros casados habitam à parte e não vestem clâmides ou mantos brancos.

Os cavaleiros seculares que desejam ser admitidos no Templo serão examinados e ouvirão a leitura da regra antes de seu noviciado.

O Grão-Mestre escolhe seu capítulo dentre seus Irmãos. Nos casos importantes que dizem respeito à Ordem ou na admissão de um Irmão, todos podem ser chamados para o capítulo, se essa for a vontade do chefe.

Na obra A História dos Cavaleiros Templários, de Élize de Montagnac, da Madras Editora, encontramos um texto muito oportuno a respeito da iniciação, que passamos a transcrever: “(…) Os estatutos e regulamentos recomendavam, acima de tudo, a prece, a caridade, a esmola, a modéstia, o silêncio, a simplicidade, o desdém à riqueza e à opulência, a abnegação, a obediência, a proteção aos pobres e oprimidos; cuidar dos enfermos; o respeito aos mortos entre outros”. Tal Código de regras é composto de 72 artigos e foi descoberto em 1610, em Paris, por Aubert-le-Mire, cientista e historiador, decano de Anvers.

Mas a cada dia os regulamentos concernentes à hierarquia, à disciplina e ao cerimonial eram ajustados e adaptados ao Código Latino, assim declarado perfectível.

“Portanto não é de se surpreender que, além desse, hoje são conhecidos outros três códigos manuscritos, os quais não são nada mais do que sua continuação. Um foi descoberto em 1794, na biblioteca do príncipe Corsini, pelo cientista dinamarquês Münster; o outro foi encontrado na biblioteca Real por M. Guérard, conservador e restaurador; o terceiro foi encontrado nos arquivos gerais de Dijon por M. Millard de Cambure, mantenedor dos arquivos de Borgúndia.”

E desse último, datado de 1840, é que extraímos a descrição do modo de iniciação dos irmãos cavaleiros; a verdade sobre essas recepções nos sugere serem elas revestidas de um grande interesse, após as absurdas e terríveis lendas que as cercam. Por favor, observem a quantidade de coincidências com nossos rituais (maçônicos).

“Antes que um novo Irmão fosse recebido, era necessário sondar os espíritos para saber se ele vinha de Deus: Probate Spititus, si ex Deo Sunt. Em razão disso, ao longo de certo período, impunham-se ao candidato diversas privações de todas as naturezas; incumbiam-lhe os trabalhos mais pesados e baixos da casa, tais como: cuidar do fogão e da cozinha, girar o moinho, cuidar das montarias, tratar dos porcos, etc. Após isso, procedia-se à admissão, a qual era feita da seguinte forma:

A Assembléia reunia-se, ordinariamente, à noite. O candidato esperava do lado de fora; por três vezes, dois cavaleiros se dirigiam a ele para perguntar-lhe o que ele desejava; e por três vezes o candidato respondia que era sua vontade adentrar a Casa. A seguir, então, o candidato era conduzido à Assembléia, e o Grão-Mestre, ou aquele que presidia a sessão em seu lugar, apresentava-lhe tudo de rude e penoso que o aguardava naquela vida em que estava prestes a entrar. Dizia-lhe: ‘Devereis ficar desperto e alerta quando mais quiserdes dormir, suportar o cansaço quando mais quiserdes repousar. Quando sentirdes fome e quiserdes comer, ser-vos-á ordenado que vades aqui ou acolá, sem vos ser dada nenhuma explicação ou motivo. Pensai bem, meu querido Irmão, se sereis capaz de sofrer todas as asperezas.’ Se o candidato respondesse ‘Sim, eu me submeterei a todas, se assim agradar a Deus!’, o Mestre complementava: ‘Estai ciente, querido Irmão, de que não deveis pedir a companhia da Casa para obter benesses, honrarias e riquezas, nem satisfazer o vosso corpo, principalmente em relação a três aspectos:

1º, Evitar e fugir dos pecados deste mundo;

2º, Servir ao nosso Senhor;

3º, Ser pobre e fazer a penitência nesta vida para a santidade da alma.

Sabei também que sereis, a cada dia de vossa existência, um servo e escravo da Casa.

Estais certo de vossa decisão?’

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor’.

‘Estais disposto a renunciar para sempre à vossa própria vontade, e nada mais fazer além daquilo que vos for determinado?’

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor’.

‘Então, retirai-vos e orai a nosso Senhor para que Ele vos aconselhe’.

Assim que o candidato se retirava, o presidente da Assembléia continuava: ‘Beatos senhores, puderam constatar que essa pessoa demonstrou ser possuidora de um grande desejo de ingressar na Casa, e declarou estar disposta a dedicar toda a sua vida como servo e escravo. Se há entre vocês alguém que saiba alguma coisa que possa impedir que essa pessoa seja recebida como cavaleiro, que nos dê conhecimento agora, pois, após sua admissão, ninguém mais terá crédito para fazê-lo’. Caso nenhuma contestação fosse apresentada, o Mestre perguntava: ‘Admitamo-lo como oriundo de Deus?’

‘Por inexistir qualquer oposição, fazei-o retornar como vindo de Deus.’

Então um dos membros que se manifestaram saía ao seu encontro e o instruía como ele deveria pedir seu ingresso.

Retornando à Assembléia, o recipiendário ajoelhava-se e, com as mãos postas, dizia:

‘Senhor, eu compareço perante Deus, perante vós e perante os Irmãos, para vos pedir e implorar em nome de Deus e de Nossa Senhora que me acolham em vossa Irmandade, e nos benefícios da Casa, espiritual e materialmente, como um que será servo e escravo da Casa, em cada um dos dias de toda a sua vida.’

O presidente da Assembléia lhe respondia: ‘Pensastes bem? Ainda pensais em renunciar à vossa vontade em favor do próximo? Estais decidido a submeter a todas as dificuldades e asperezas que vigoram na Casa e a cumprir tudo aquilo que vos for mandado?’

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor.’

E continuava o presidente, agora se dirigindo aos cavaleiros presentes à Assembléia:

‘Então levantem-se, nobres senhores, e orem a Nosso Senhor e a Nossa Senhora Santa Maria pedindo que ele seja bem-sucedido.’

Em seguida, cada um deles recitava um Pai-Nosso, enquanto os capelães recitavam a oração ao Espírito Santo, e, em seguida, traziam o Evangelho, sobre o qual o recipiendário prestava o seu juramento de responder com franqueza, sinceridade e lealdade às questões seguintes:

1º, Não tendes nem esposa nem noiva?

2º, Não estais engajado em nenhuma outra Ordem; não fizestes nenhum outro voto, juramento ou promessa?

3º, Tendes alguma dívida convosco mesmo ou com algum outro, a qual não vos seja possível pagar?

4º, Estais em plena saúde física?

5º, Não destes, ou prometestes dar, dinheiro a nenhuma pessoa para que, assim, facilitasse vossa admissão à Ordem do Templo?

6º, Sois filho de um cavaleiro e de uma dama; pertencem vossos pais à linhagem dos cavaleiros?

7º, Não sois nem padre, nem diácono, nem subdiácono?

8º, Não fostes excomungado?

Procurai não mentir, pois, se o fizerdes, sereis considerado perjuro e tereis de abandonar a Casa.

Concluído esse interrogatório, o Grão-Mestre, ou aquele que substituía, ainda se dirigindo à Assembléia, indagava se ainda havia algumas outras perguntas a serem formuladas e, caso reinasse o silêncio, ele se voltava ao recipiendário, dizendo:

‘Ouvi bem, meu caro Irmão, o que ainda vos vamos pedir:

Prometei a Deus e a Nossa Senhora que, ao longo de toda a vossa vida, obedecereis ao Mestre do Templo e ao comandante sob cujas ordens estareis sujeito.

E mais: que todos os dias de vossa vida vivereis imaculado.

E mais ainda: prometei a Deus e a Nossa Senhora Santa Maria que, em todos os dias de vossa vida, respeitareis os bons costumes vigentes na Casa e aqueles que os Mestres e os doutos haverão de acrescentar.

Mais: que, em cada um dos dias de vossa vida, ajudareis, com todas as forças e com todo o poder que Deus vos outorgou, a conquistar a Terra Santa de Jerusalém e a proteger e defender as propriedades dos cristãos.

E ainda: que jamais abandonareis essa religião em favor de outra, seja ela qual for, sem permissão do Grão-Mestre e da Assembléia, etc.’

E a cada vez o futuro Cavaleiro devia responder:

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor.’

Isso feito, aquele que conduzia a Assembléia assim anunciava sua admissão:

‘Vós, por Deus e por Nossa Senhora, por São Pedro de Roma, por nosso Padre Apóstolo e por todos os Irmãos do Templo, acolhei, vosso pai e mãe, e todos aqueles que foram acolhidos em vossa linhagem e em todos os benefícios que já fizeram e farão. E vos comprometeis sobre o pão e sobre a água e sobre a pobre vestimenta da Casa, do sacrifício e do trabalho farto.’

A seguir, tomando o manto do templário, ele o colocava no pescoço do novo cavaleiro, seguido pelo Irmão capelão que entoava o salmo:

‘Ecce quam Bonum et quam jucundum habitare in unum…’ (‘Oh! Quão bom e quão agradável viverem unidos os Irmãos!…’)

Segundo M. Mignard, algumas vezes, durante as iniciações, eles entoavam alguns versículos dos Salmos, ou alguma alocução em alusão ao espírito da fraternidade, como o Salmo 133. E a oração do Espírito Santo;

‘O Espírito de Deus me criou e o sopro do Todo-Poderoso me deu a vida.’

(João 33: 4)

Veni, Creátor Spíritus

[ Ao Espírito Santo]

Veni, Créator Spíritus,

[Espírito criador ]

Mentes tuórum visita,

[Visita a alma dos teus]

Imple supérna grátia,

[Nos corações que criaste]

Quae tu creásti péctora.

[derrama a graça de Deus]

Qui díceris Paráclitus,

[Ó fogo quem vem do alto,]

Altíssimi donum Dei,

[Teu nome é consolador,]

Fons vivus, ignis, cáritas,

[Unção espiritual,]

Et spiritális únctio.

[perene sopro de amor.]

Tu septifórmis múnere,

[Por Deus Pai tão prometido,]

Dígitus patérnae déxterae,

[És dedo da sua mão,]

Tu rite promíssum Patris,

[Os teus sete dons são fonte]

Sermóne ditanas gútura.

[De toda vida e oração]

Accénde lúmen sénsibus.

[Acende o lume das mentes,]

Infunde amórem córdibus.

[Infunde em nós teu amor;]

Infirma nostri córporis,

[nossa carne tão frágil,]

Virtúte firmans pérpeti.

[sustenta com teu vigor.]

Hostem repéllas lóngius,

[Atira longe o inimigo,]

Pacémque dones prótinus,

[Conserva em nós tua paz,]

Ductóre sic te praevio,

[A ti queremos por guia,]

Vitémus omne nóxium.

[noss’alma em ti se compraz]

Per te sciámus da Patrem,

[Ao Pai e ao Filho possamos]

Noscámus atque Fíluim,

[Em tua luz conhecer;]

Teque utriúsque Spíritum

[Dos dois tu és o Espírito,]

Credámus omni témpore.

[O sol de todo saber.]

Deo Patri glória

[Louvemos ao Pai celeste,]

Et Filio qui a mórtuis

[Ao Filho que triunfou,]

Surréxit, ac Paráclito,

[E a quem, de junto ao Pai,]

In saeculórum saecula. Amen.

[à santa Igreja enviou. Amém.]

…então aquele que tornou Irmão o novo cavaleiro levanta-o, beija-lhe a boca (era costume que o Irmão capelão assim o fizesse, como também era normal que os reis se cumprimentassem dessa mesma forma) e, convidando-o a sentar-se diante de si, diz: ‘Caro Irmão, nosso Senhor vos conduziu ao vosso desejo e vos introduziu em uma fraternidade tão bela como esta Cavalaria do Templo, pela qual deveis dedicar extrema atenção para jamais cometer algo que vos faça perdê-la – que assim Deus vos conserve!’

Finalmente, depois de enumerar as causas que poderiam acarretar a perda do hábito e da Casa, depois de ter lido para ele os regulamentos disciplinares, acrescentava:

‘Já vos dissemos as coisas que deveis fazer e as coisas das quais deveis manter-se afastado… E, se por acaso não abordamos tudo o que deveria ser dito sobre os nossos deveres, vós indagareis. E Deus vos ajudará a falar e a fazer o bem. Amém!’ (referência ao maior deus egípcio Amon). (Nesse momento, o Grão-Mestre selava com os lábios o cóquis (cóccix), o fim ou início da espinha dorsal, que é o equilíbrio do homem, seu eixo central, um chacra, que são pontos energéticos no corpo humano.)

Pois bem, aí está, segundo as únicas regras conhecidas, como eram realizadas as cerimônias de iniciação qualificadas de infames, e nas quais eram ultrajadas tanto a divindade como a moral; mas nas quais, na realidade, o maior crime cometido era o de continuarem secretas.

O mistério com o qual os templários cercavam suas reuniões enchia de terror a imaginação dos contemporâneos daquela época, e não foge muito de nossa época também. Em geral, tudo o que os homens não podiam ver ou compreender adquiria, aos seus olhos, as mais sinistras tonalidades. Em 1789, quando a população sitiou a Bastilha, imaginava-se ser de boa-fé trabalhar pela libertação de grandes grupos de prisioneiros abandonados nas celas das prisões. Qual não foi o seu espanto ao ver as vítimas do despotismo real? Não havia mais do que sete, entre os quais falsários e dois desequilibrados mentais”.

A influência templária cresceu rapidamente. Os templários guerrearam heroicamente nas diversas cruzadas e também chegaram a ser os grandes financiadores e banqueiros internacionais da época; em conseqüência, acumularam grandes fortunas. Calcula-se que, antes da metade do século XIII, eles possuíam nove grandes propriedades rurais apenas na Europa. O Templo de Paris foi o centro do mercado mundial da moeda, e sua influência, assim como sua riqueza, era também muito grande na Inglaterra. No fim do mesmo século, diz-se que haviam alcançado uma receita cujo montante era equivalente a dois milhões e meio de libras esterlinas atuais, ou seja, maior que a de qualquer país ou reino europeu daqueles dias. Acredita-se que, a essa altura, os templários eram cerca de 15 ou 20 mil cavaleiros e clérigos; porém, ajudando-os, havia um verdadeiro exército de escudeiros, servos e vassalos. Pode-se conceber uma influência com base no fato de que alguns membros da Ordem tinham a obrigação de assistir aos grandes Concílios da Igreja, como o Concílio de Lateranense, de 1215, e o de Lyons, de 1274.

Os cavaleiros templários trouxeram para o Ocidente um conjunto de símbolos e cerimônias pertencentes à tradição maçônica, e possuíam um certo conhecimento que agora é transmitido somente nos Graus filosóficos e capitulares da Maçonaria. Desse modo, a Ordem era também um dos depositários da sabedoria oculta na Europa durante os séculos XII e XIII, embora os segredos completos fossem dados somente a alguns membros; portanto, suas cerimônias de admissão eram executadas pelo Grão-Mestre, ou Mestre que esse designasse, pois eram estritamente religiosas e em absoluto segredo, como já mencionamos. Por causa desse segredo, a Ordem sofreu as mais terríveis acusações.

Há também uma passagem no ritual templário, na qual o pão e o vinho eram consagrados em capítulo aberto durante uma esplêndida cerimônia: tratava-se de uma verdadeira eucaristia, um maravilhoso amálgama do sacramento egípcio com o cristão.

A Eliminação dos Templários

A supressão dessa poderosa Ordem é uma das maiores máculas na tenebrosa história da Igreja Católica Romana. Os relatos do processo francês foram publicados por Michelet, o grande historiador, entre 1851-61, e existe uma excelente compilação das provas apresentadas, tanto na França como na Inglaterra, em uma série de artigos que apareceram em 1907 na Ars Quattuor Coronatorum (XX, 47, 112, 269). Vamos apenas apresentar um esboço do que aconteceu:

Filipe, o Belo, então rei da França, necessitava desesperadamente de dinheiro. Já havia desvalorizado a moeda e aprisionado os banqueiros lombardos e judeus e, depois de confiscar-lhes suas riquezas, acusando-os falsamente de usura – algo abominável para a mente medieval –, expulsou-os de seu reino. Em seguida, resolveu desfazer-se dos templários, depois que eles haviam lhe emprestado bastante dinheiro e, como o papa Clemente V devia sua posição às intrigas de Filipe, o assunto não foi difícil de ser resolvido. Sua tarefa foi facilitada ainda mais pelas acusações apresentadas pelo ex-cavaleiro Esquin de Floyran, que tinha interesse pessoal no assunto e pretendeu revelar todo o tipo de coisas malévolas: blasfêmia, imoralidade, idolatria e adoração ao demônio na forma de um gato preto.

Essas acusações foram aceitas por Filipe com deleite. E em uma sexta-feira, 13 de outubro de 1307, todos os templários da França foram aprisionados sem nenhum aviso prévio por parte do mais infame tribunal que jamais existiu, um aglomerado de demônios em forma humana, chamado, em grotesca burla, de Santo Ofício da Inquisição que, nesses dias, tinha plena jurisdição naquele e em outros países da Europa. Os templários foram horrivelmente torturados, de modo que alguns morreram e os outros assinaram toda a classe de confissões que a Santa Igreja desejava. Os interrogatórios se relacionavam principalmente à suposta negação de Cristo e ao fato de terem cuspido na cruz e, em menor grau, com graves acusações de imoralidade. Um estudo das evidências revela a absoluta inocência dos templários e a engenhosidade diabólica mostrada pelos oficiais do Santo Ofício, encarregados da prisão dos acusados pela Inquisição, que os mantinha incomunicáveis, carentes de defesa adequada e de consulta pertinente, ao mesmo tempo em que faziam circular a versão de que o Grão-Mestre havia confessado diante do papa a existência de crueldades na Ordem. Os Irmãos foram convencidos por meio de adulações e promessas, subornados e torturados, até confessarem faltas que jamais haviam cometido, e tratados com a mais diabólica crueldade.

Assim era a “justiça” daqueles que usavam o nome do Senhor do Amor durante a Idade Média; assim era a compaixão exibida em relação a seus fiéis servidores, cuja única falta foi a riqueza, obtida legalmente para a Ordem e não para si mesmos. Filipe, o Belo, obteve dinheiro. Mas, que carma, mesmo com 20 mil vidas de sofrimento, poderá ser suficiente para um ingrato vil? A Igreja romana, sem dúvida, tem sua participação. E pergunto: como cancelar uma maldade tão incrível quanto essa?

O papa desejava destruir a Ordem e reuniu o concílio em Viena, em 1311, com tal objetivo, mas os bispos recusaram-se a condená-la sem primeiro escutá-la. Então, o papa aboliu a Ordem em um consistório privado efetuado em 22 de novembro de 1312, apesar de ter aceitado o fato de que as acusações não haviam sido comprovadas. As riquezas do Templo deviam ser transferidas à Ordem de São João; porém, o certo é que a parcela francesa foi desviada para os cofres do rei Filipe.

O último e mais brutal ato dessa desumana tragédia ocorreu em 14 de março de 1314, quando o Venerável Jacques de Molay, Grão-Mestre da Ordem Templária, e Gaufrid de Charney, Grande Preceptor da Normandia, foram queimados publicamente como hereges reincidentes, em frente à grande Catedral de Notre Dame. Quando as chamas os rodearam, o Grão-Mestre incitou o rei e o papa a que, antes de um ano, se reunissem a ele diante do trono de julgamentos de Deus e, de fato, tanto o papa como o rei morreram dentro do prazo de 12 meses.

Temos notícias que alguns cavaleiros templários franceses se refugiaram entre seus Irmãos do Templo da Escócia e, naquele país, suas tradições chegaram a fundir-se, em certa medida, com os antigos ritos celtas de Heredom, formando, assim, uma das fontes das quais mais tarde brotaria o Rito Escocês Antigo e Aceito.

Há muito pouco tempo, a escritora Barbara Frale encontrou na biblioteca do Vaticano um documento denominado “Chinon”. Trata-se de uma carta na qual o papa Clemente V perdoa o Grão-Mestre Jacques de Molay. Você poderá saber disso com mais detalhes na obra de Barbara Frale: Os Templários – E o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do Vaticano, da Madras Editora.

Por Wagner Veneziani Costa

#Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-templ%C3%A1rios

O Pavimento Mosaico e a Orla Dentada na Maçonaria

Primeiramente, o que é mosaico? Ao contrário do que muitos já registraram, mosaico não tem origem em Moisés. Conforme a etimologia dessa palavra já confirmou, sua origem é a mesma da palavra “museu”. Mosaico é o trabalho feito através da união de diferentes pedras.

Em Loja, diz-se que o Pavimento de Mosaico, constituído de pedras brancas e pretas, simboliza a diversidade do ser humano, mas sempre levado à dualidade das forças: bem e mal, rico e pobre, sábio e ignorante, saudável e doente, virtude e vício, feliz e triste. Muitos autores concordaram sobre isso. Será que essa é a verdadeira interpretação?

Também se diz que o Pavimento Mosaico está presente em nossos templos porque assim era o piso do Templo de Salomão. Será mesmo verdade?

Outra importante questão sobre o Pavimento Mosaico é quanto ao seu formato. Qual é o correto? Aquele pequeno retângulo na área do Altar dos Juramentos, ou todo o piso da Loja?

Para encontrar as respostas corretas para tais questionamentos, deve-se por um momento esquecer dos nossos Rituais atuais e voltar os olhos para a história:

Mosaicos faziam parte da arte e da arquitetura romana. Tem-se no livro João, Capítulo 19, versículo 13, que os julgamentos do governante romano Pilatos ocorriam em um lugar chamado pelo termo grego de “Litóstrotos”, e em hebraico chamado de “Gabatah”. Litóstrotos significa calçado por pedras, e Gabatah significa pavimento. Plínio utilizava o termo Litóstrotos para se referir a um Pavimento Mosaico.

Convencionou-se imaginar que o “Santo dos Santos” do Templo de Salomão, por também ser um local de juízo, possuía um Pavimento Mosaico. Essa teoria não tem fundamentos na Bíblia, onde consta que todo o piso do Templo era de madeira de cedro, mas é baseada em uma breve passagem do Talmud, que permite uma interpretação de que os lugares mais sagrados dos templos tinham o Pavimento Mosaico. As escrituras e tradições também dão notícia de que o Santo dos Santos, mais alto do que o restante do Templo, era delimitado por véus com franjas e borlas (almiazar). Franjas e borlas eram usadas em sinal de respeito e devoção na época. Por borlas, entende-se um adorno pendente. Uma herança dessa tradição ainda está presente, por exemplo, nos populares lenços palestinos.

Até o final da Idade Média, não se sabia quais as cores desses antigos Pavimentos Mosaicos. Porém, no século XVI, o Rei Henrique VIII autorizou a confecção de um bíblia em inglês, surgindo então a chamada “Bíblia de Genebra”, por ter sido feita naquela cidade. Essa versão traduzida trazia como novidade diversas ilustrações. Entre elas, a do Templo de Salomão, que era ilustrado com um Pavimento Mosaico de quadrados intercalados em preto e branco. É evidente que não havia outra forma de ilustrar um pavimento colorido, pois a impressão na época era apenas em preto e branco. Porém, com pouco tempo a visão do Pavimento Mosaico do Templo de Salomão em preto e branco firmou-se como realidade. Dessa forma, quando do surgimento dos templos maçônicos, inspirados no Templo de Salomão, o Pavimento Mosaico em preto e branco foi adotado.

Enfim, as cores não tinham a simbologia da dualidade das forças. As cores eram apenas porque essa era a ideia que se tinha do piso do Templo de Salomão. O próprio Mackey, um dos maiores escritores sobre maçonaria de todos os tempos, confessou isso em sua Enciclopédia Maçônica, declarando que, apesar de equivocada, é adequada a interpretação do Pavimento Mosaico como a dualidade entre o bem e o mal.

Você pode estar se perguntando: “E a Orla Dentada?” Essa é uma questão interessante. Quando do registro dos primeiros rituais em inglês, o que era uma orla (borda, margem) com franjas e borlas (adornos pendentes) nas extremidades… tornou-se simplesmente “indented tessel” que, em tradução livre, significa “orla dentada”. Mas o que seria então uma verdadeira “orla dentada”? Trata-se do que hoje vemos sobre o trono do Venerável Mestre, em que a borda da cobertura do trono possui “dentes” com franjas, sendo comum atualmente serem feitos de gesso.

Como se sabe, os primeiros templos maçônicos eram planos e sua ornamentação precária. Por esse motivo, o retângulo onde se encontra o Altar dos Juramentos, o qual simbolicamente representa o Santo dos Santos, não era elevado, o que impedia de se ter uma Orla Dentada real. Por isso, a Orla Dentada precisava ser desenhada ou pintada no chão, ao redor do Pavimento Mosaico. Com o tempo e a forte presença do triângulo na simbologia maçônica, convencionou-se desenhar os “dentes” da orla em formato de triângulos, e assim surgiu o que atualmente se vê na maioria dos templos maçônicos espalhados pelo mundo.

Nos Ritos que adotam o Pavimento Mosaico como um retângulo central, os maçons não devem pisar no Pavimento, a não ser aquele que irá abrir e fechar o Livro da Lei, assim como ocorria no Santo dos Santos, onde apenas o Sumo Sacerdote podia ingressar e para realizar um fim específico relacionado ao GADU. A circulação então é feita em ângulo reto, tendo como parâmetro o Pavimento Mosaico.

Já no REAA, prevaleceu o entendimento de que todo o piso do Templo de Salomão era um Pavimento Mosaico, baseado nas ilustrações medievais. Por isso, todo o piso nos templos do REAA é em mosaico alvinegro, e a Orla Dentada, que circula todo o pavimento, está representada pela “Corda de 81 nós”, da qual pendem 04 borlas nos 04 cantos do Templo.

Porém, com a perda de tal compreensão e do conhecimento da origem de tais símbolos, além da influência de outros Ritos, é comum encontrar templos do REAA no Brasil que possuem o Pavimento Mosaico restrito ao retângulo central, constituído também de Orla Dentada, ao mesmo tempo em que vemos a Corda de 81 nós sobre as colunas zodiacais, algo totalmente redundante. Onde se vê Orla Dentada não deveria existir Corda de 81 nós, e vice-versa. Dessa forma, não é de se surpreender com as dezenas de significados inventados para cada um desses símbolos:

Rizzardo da Camino chegou a escrever que o Pavimento Mosaico representa a união das doze tribos de Israel, os dentes da Orla Dentada são os planetas que giram no Cosmos, e que a Corda de 81 nós absorve as vibrações negativas e as transforma em positivas. Castellani preferiu escrever que o Pavimento Mosaico representa a mistura de raças, a Orla Dentada é a união dos opostos, e a Corda de 81 nós representa a comunhão de ideias e objetivos de todos os maçons, tendo suas borlas o papel de representar que a Maçonaria é “dinâmica e progressista”. Não somente discordaram um do outro como suas suposições estavam erradas.

Apesar desses dois grandes autores discordarem um do outro em suas teorias, eles têm algo em comum: criatividade.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-pavimento-mosaico-e-a-orla-dentada-na-ma%C3%A7onaria