Aleister Crowley: a genial biografia da Besta

Tamosauskas

Imagine ser um cristão e não saber como Cristo morreu, um muçulmano que não conhece a vida de Maomé ou um judeu que nunca ouviu falar da infância de Moisés. Parece um absurdo, mas imagine então ser um ocultista no século XXI que não sabe nada sobre a vida de Aleister Crowley. Assim como os personagens citados antes, ele foi o profeta e comentador de uma revelação religiosa, teve uma passagem pela Terra igualmente interessante e transformou para sempre o cenário magístico do planeta, seja você thelemita ou não. Esta é a importância do livro “Aleister Crowley: a biografia de um mago” de Johann Heyss, o primeiro tomo da trilogia thelema da editora Presságio. Sem Crowley não haveria wicca, magia de maat, satanismo moderno, luciferianismo,  magia do caos ou igreja elétrica. E estes são apenas alguns dos nomes dos seus muitos filhos.

Johann é por si só figurinha carimbada no meio thelemita. O autor já escreveu outros dois livros sobre o Tarô de Thoth, vários sobre numerologia além de diversas obras de ficção e poesia. Mais recentemente encabeçou a tradução do Livro da Lei comentado por Aleister Crowley também pela Presságio Editora. Além de escritor e tradutor é ainda é músico, carreira na qual igualmente deixa transparecer suas influências ocultistas.

Nesta biografia, que é única escrita originalmente em português, Johann conta toda a trajetória  do mago inglês, desde seus primeiros anos como o pequeno Edward Alexander Crowley, filho de um casal evangélico até seu leito de morte como A Grande Besta regado de trovões e ventania. O livro passa ainda por sua movimentada vida como bissexual, inseparável de sua vasta obra mágika e literária e diversos rumores de zoofilia, sadomasoquismo, diabolismo, canibalismo, coprofagia, de ser espião de guerra e pai de Barbara Bush, futura primeira dama dos Estados Unidos. Algumas dessas lendas -e várias outras – são reais, mais você terá que ler o livro para saber. O livro conta ainda com apêndices contendo citações importantes sobre Crowley, seu mapa astral e uma lista com toda a sua bibliografia produzida.

Entre o não tão inocente Alexander e o nada inocente To Mega Therion, uma vida de descoberta, aceitação (não sem certa hesitação) e desenvolvimento da Thelema, uma nova religião trazendo uma nova lei para a humanidade baseada nos preceitos de “Faze o que tu queres  de ser tudo da Lei” e “Todo homem e toda mulher é uma estrela”. Esta nova religião talvez nunca chegue a ser uma religião das massas, mas sem dúvida nenhuma as massas já são influenciadas por ela.”Que meus servidores sejam poucos & secretos: eles deverão reger os muitos & os conhecidos. ” No meio ocultista sei impacto é crescente e na literatura inspirou nomes como Fernando Pessoa,  Jorge Luis Borges e Alan Moore. Na música nomes que vão de Beatles a Jay-Z (passando por Ozzy, David Bowie, Raul Seixas e Klaxons), levaram seus preceitos para as multidões.

O livro de Johann conta com detalhes toda a história e contexto no qual o Livro da Lei foi escrito e todo o esforço que Crowley fez para levar esta mensagem ao mundo, mas conta também todo desenvolvimento biográfico anterior e posterior a este ponto culminante.  A obra é dividida em cinco partes. Na primeira vemos sua infância infernal e sua a rápida rejeição a religiosidade da época vitoriana até o inicio de seu interesse pelo esoterismo.  Na segunda parte testemunhamos sua conturbada passagem pela Golden Dawn. Na terceira está descrito o início do Novo Éon com o recebimento do Livro da Lei e demais livros sagrados de Thelema e sua ascenção ao status de celebridade magicka.

Mas nem tudo são flores para a Besta. Como se  “o pior homem do mundo” demonstrasse na própria carne o que afirmou a dizer que “Os ‘senhores da terra’ são aqueles que estão realizando sua vontade. Não quer dizer necessariamente que sejam indivíduos com diademas e automóveis: muitos deles são os mais pesarosos escravos do mundo.” Assim no quarto e quinto capítulo sentimos o cheiro de pólvora e o coice da arma que disparou o éon de hórus passar por dificuldades financeiras, judiciais, de relacionamento, depressão e problemas com vício em heroína. Contudo nesses mesmos capítulos temos o desenvolvimento de alguns de seus principais livros, seu aprimoramento na magia sexual, sua entrada e reformulação da Ordo Templi Orientis, seu encontro com Leah Hirsig, “a mulher escarlate definitiva”, fundação da  Abadia de Thelema – primeira das Sociedades Alternativas – e a criação de seu famoso tarô com Frieda Harris. Prenúncios de que a nova era não seria fácil, mas seria muito criativa.

Aleister Crowley: a biografia de um mago” nem por um segundo tenta esconder os defeitos de Frater Perdurabo. Pelo contrário, demonstra que ele tinha defeitos comuns aos homens de seu tempo e também defeitos muito particulares. O autor faz uma leitura crítica de sua vida e convida o leitor a fazer o mesmo sem com isso desmerecer o impacto de sua mensagem para o mundo. Citando Johann Heyss: “Aleister Crowley é como um cartão em branco, no qual você ode escrever sua própria definição, a qual será, ao menos em parte, verdadeira. Partindo da perspectiva do processo iniciático, é possível perceber o fio de coerência que permeia os disparates deste personagem hoje lendário, à parte qualquer aprovação ou desaprovação.”

Durante sua vida Crowley foi descrito como a Grande Besta do Apocalipse, “o escolhido sacerdote  & apóstolo do espaço infinito” cuja revelação rasgou os véus do templo vitoriano, mas também como um belo filho da puta ou ainda como um ser humano capaz de errar e de sofrer. Alguém em busca do império da verdadeira Vontade, mas também levado pela vida a pagar contas e chorar a morte dos filhos. Em muitos sentidos uma pessoa além do seu tempo e em muito outros um homem de sua época. A biografia feita por Johann Heyss é sem dúvida a mais completa que temos.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/aleister-crowley-biografia/

ÚLTIMO DIA !!! Apoie os Livros Sagrados de Thelema!

Hoje é o último dia para apoiar o Financiamento Coletivo dos Livros Sagrados de Thelema.
Os Livros Sagrados de Thelema são os 15 principais e mais importantes livros de Magia escritos por Aleister Crowley, considerados como publicações classe A (textos sagrados) na Thelema, publicados originalmente entre 1907 e 1911.
Para a edição brasileira, todos os 15 Libri foram reunidos e organizados em um único volume de 320 páginas, capa dura e edição caprichada, contendo os textos originais de 1907-1911 e a tradução em paralelo.

O total de Metas batidas e prêmios que a galera que apoiar está ganhando!
Apoiando no grau de Minerval ou acima, você terá seu nome nos agradecimentos deste que é um dos conjuntos de livros mais importantes da história da magia.
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Aleister Crowley e o Deus Oculto (Resenha)

Aleister Crowley e o Deus Oculto – Resenha

Essa boa resenha de Aleister Crowley and the Hidden Gods (Aleister Crowley e o Deus Oculto) foi recentemente enviada para o site da Starfire Publishing. Tendo sido originalmente publicada na edição de Maio/2013 da Revista Australiana ‘Living Traditions’

 

É difícil para muitos magistas modernos de qualquer tradição pensar no que havia antes de Kenneth Grant.

 

Thelema antes da publicação de The Magical Revival, em 1972, era uma “balaio de gatos” muito diferente. Grant transformou a face da magick, não só consolidando a sua própria reputação como o magista mais inovador de todos os tempos, mas revolucionando a nossa compreensão de Qabalah, Tantra e a relação entre o oriente e o ocidente. Olhando para trás, é difícil explicar a radical mudança que o trabalho de Kenneth Grant trouxe para Thelema e a magick em geral. Suas obras são agora itens necessários em qualquer biblioteca de magistas e ainda, sua abordagem ofereceu uma visão muito diferente de Thelema com sua exploração de magia sexual e a natureza do lado negro causando  muita polêmica.

 

Aleister Crowley and the Hidden Gods explora ainda mais os temas das tendências mais obscuras da magick focando sobre a natureza da magia sexual. A capacidade de Grant de oferecer uma síntese abrangente do Vama Marga e do Culto da Mulher Escarlate ainda é uma das mais perspicazes já oferecidas. Seu trabalho sobre magia dos sonhos tem continuado a influenciar praticantes hoje; eu, particularmente, vejo sua ressonância e requinte no tradicional Cultus Sabbati do já falecido Andrew Chumbley.

 

Grant oferece um resumo da vida e dos ensinamentos de Aleister Crowley e investiga os seus significados esotéricos e tântricos em comparação com os Tantras e outras tradições. Grant também explora os significados mais profundos das técnicas mágicas utilizadas na Golden Dawn e outras ordens ocultistas.

 

Um dos elementos-chave de Aleister Crowley and the Hidden Gods é a fórmula de Babalon ou a Mulher Escarlate e o uso sagrado do sexo e fluidos corporais ou Kalas, do qual Grant revela a existência de um ciclo de 16 tipos. Essa sequência está relacionada ao verdadeiro significado do poder da serpente ou Kundalini. Embora muitos tenham visto o Liber Al vel Legis (o Livro da Lei), só como um texto espiritual, Grant lhe confere profundidade especial pela transmissão recebida tal como um Tantra. É a mesma coisa com a O.T.O. que a maioria via como uma estrutura administrativa ou ritual simples, mas que Grant revela manter intenso e profundo o significado tântrico.

 

Controle de Sonho tem uma longa história, incluindo dentro das seitas do Budismo Tibetano e do Hinduísmo; Dion Fortune e Austin Osman Spare também tinham suas próprias técnicas e métodos. Grant explora em detalhes o controle do sonho através da magia sexual. A singularidade do método tântrico ensinado por Crowley é que tem o potencial para ser ligada a terra e, portanto, efetivamente transformar a realidade.

 

Estendendo-se daí esta é uma verdadeira compreensão do Sabbat das bruxas e da natureza secreta da bruxaria como encontrado no uso da magia sexual e do poder da Kundalini.

 

Algumas explorações continuam a ter um efeito de caminho além de Thelema dentro da Bruxaria Tradicional e aqueles que buscam uma abordagem mais profunda para a Arte. Como este trabalho perspicaz continua Grant a explorar como o microcosmo e o macrocosmo são inter-relacionados e os mistérios que se encontram no corpo, planetas e forças além do espaço e tempo.

 

Esta é uma soberba nova edição de uma obra importante, que ainda é relevante hoje, quando muitos têm criticado a visão de Grant, mas ninguém tem se aproximado o suficiente e oferecido uma alternativa viável para esse assunto que fosse uma crítica realmente válida.

 

Embora muitos textos sobre Tantra Hindu e Budista tenham sido publicados desde os anos de 1970, especialmente no campo da Vajrayana, nenhum invalidou a exposição de Tantra sexual de Grant, simplesmente forneceu mais detalhes.

 

Aleister Crowley and the Hidden Gods foi novamente diagramado, erros corrigidos a partir da própria cópia de Kenneth Grant do livro e incluídas novas imagens e algumas das gravuras antigas foram agora reproduzidas a cores.

A permissão para reproduzir esta resenha é dada , em parte ou na íntegra, desde que “Living Traditions” seja creditado como a fonte e o endereço do site seja incluído.

©Tradução de Lília Palmeira – 2013
©Revisão de Cláudio César de Carvalho – 2013
Postado por SOCIEDADE LAMATRONIKA® @ maio 05, 2013

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Fonte: Kenneth Grant, O Homem, O Mito & O Magista
Aleister Crowley and the Hidden Gods – Resenha
http://kennethgrant.blogspot.com/2013_05_05_archive.html

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Nova Edição da Starfire (2013)

A republicação tão esperada deste título inicial por Kenneth Grant será finalmente publicada em Fevereiro de 2013, e já está disponível para encomenda antes da publicação.

Aleister Crowley and The Hidden God por Kenneth Grant é um atrativo, livro de capa dura costurado, formato oitavo, 246 páginas, com uma sobrecapa colorida, e limitada a 1500 cópias. Está incluído uma seção de dezesseis páginas de pranchas a cores e de meio-tom, um frontispício, guardas personalizadas impressas em preto e branco, e desenhos ao longo do texto, bem como um Glossário, Bibliografia e Índice.

A edição padrão é encadernado em tecido preto e custa £ 30.00. Há um adicional para postagem e embalagem £ 5.00 no Reino Unido, £ 7.00 na Europa e £ 12.00 para outros lugares. Para os clientes que estão no Canadá e EUA, a edição padrão deve ser encomendada a partir da Holmes Publishing, nossos distribuidores lá. Para todos os clientes não estejam no Canadá ou nos EUA, os pagamentos podem ser feitos diretamente pelo Paypal para starfire.books@btinternet.com (em Libra Esterlina apenas) ou via o link http://www.starfirepublishing.co.uk/Aleister_Crowley_and_the_Hidden_God_paypal_standard.htm

O pagamento também pode ser feito (mais uma vez, em Libra Esterlina apenas) por um cheque dirigido a um banco do Reino Unido, ou por Ordem de Pagamento Internacional ou Ordem de Transferência Bancária. Cheques, ordens de pagamento ou transferências devem ser nominais à ‘Starfire Publishing Ltd.’ e enviado para Starfire Publishing Ltd., BCM Starfire, Londres WC1N 3XX, Reino Unido.

A edição de luxo estará disponível apenas pelos editores em março de 2013. Limitada a 111 exemplares, e reservas podem ser feitas agora. As capas são costuradas a mão, papel com um couro adicional através da lombada. O livro possui uma caixa, com sobrecapa colorida, e vem com as guardas personalizadas impressas em preto e branco, e com bandas do topo a cauda na encardenação. Cada cópia é numerada à mão e assinadas por Steffi Grant. O preço é de  £ 130.00. Há um adicional na postagem e embalagem de £ 7.00 para o Reino Unido, £ 15.00 para Europa e £ 18.00 para outros lugares. Pagamentos podem ser feitos diretamente pelo Paypal para starfire.books@btinternet.com (em Libra Esterlina apenas) ou através do

link http://www.starfirepublishing.co.uk/Aleister_Crowley_and_the_Hidden_God_paypal_deluxe.htm

O pagamento também pode ser feito (novamente, em Sterling apenas) por um cheque dirigido a um banco do Reino Unido, ou por Ordem de Pagamento Internacional ou Ordem de Transferência Bancária. Cheques, ordens de pagamento ou transferências devem ser nominais à “Starfire Publishing Ltd.’ e enviada para Starfire Publishing Ltd., BCM Starfire, Londres WC1N 3XX, Reino Unido.

Mais detalhes sobre o livro pode ser encontrado no site da publicação Starfire seguindo o link de http://www.starfirepublishing.co.uk/Aleister_Crowley_and_the_Hidden_God_moredetails.htm

Michael Staley,

Starfire Publishing Ltd.

admin@starfirepublishing.co.uk

Fonte: Kenneth Grant, O Homem, O Mito & O Magista
©Por Henrik Bogdan – 2006
©Tradução e revisão de Cláudio César de Carvalho – 2012
Revisão final Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/aleister-crowley-e-o-deus-oculto-resenha/

A Ecclesia Babalon – Tales Azevedo

Bate-Papo Mayhem 239 – 05/10/2021 (Terça) Marcelo Del Debbio bate papo com Tales Azevedo – A Ecclesia Babalon

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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O Livro da Lei – Johann Heyss e Flavio Watson

Bate-Papo Mayhem 265 – 16/12/2021 (Quinta) – Com Johann Heyss e Flavio Watson – O Livro da Lei

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Aiwas, Thelema e o Culto ao Ego

[Nota Editorial: Este texto surgiu em decorrência da condensação de uma Instrução (alias, uma Papestra – Papo-Palestra) minha, proferida na sede do Oásis Quetzalcoatl, da Ordo Templi Orientis, no Rio de Janeiro, aos Membros deste Corpo Local da O.T.O. O texto completo aparecerá ao público, de modo Geral, em momento oportuno.]

 

Prezados Irmãos;

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Thelemitas são brigões. Alguém contestaria esta afirmação? Certamente não. E brigam muito, sobremodo entre si mesmos, como se algo muito precioso estivesse em disputa. Mas, ao que tudo indica, nada está em disputa… É tudo, como insistem em dizer, puro Ego… Talvez – segundo alguns – seja exatamente isso: mero Culto ao Ego.

Mas, seria Thelema um Culto ao Ego? Por que? Talvez sim, talvez não. Não sei a resposta correta. Posso, apesar de minha crassa ignorância quanto a questão, deixar soltas algumas palavras à livre meditação de quem se interessar pelo tema. Vamos lá então:

Passeando pelos Códices Thelêmicos, nos deparamos com um de seus segmentos práticos mais estimulantes à imaginação, segmento este caprichosamente tomado de assalto da Cultura Hebréia, ou, melhor dizendo, tomado emprestado, mesmo a revelia do que sobre isso pensem nossos notáveis Irmãos do Rabinato: a Gematria.

Explicando-a de forma mais que sucinta e rápida, a Gematria seria o jeito pelo qual se atribui valores numéricos às letras. Deste modo, as letras, quando reunidas, formam palavras as quais, por sua vez, teriam como valor a soma dos valores das letras que a compõem. Ainda diz a Gematria que palavras de mesmo valor possuem o mesmo sentido, ou significado, sendo semelhantes em princípio, em idéias, etc. Isso, a grosso modo, funcionaria como uma simples relação matemática a qual diz que se A é igual a 5 e B também é igual a 5, logo, A seria igual a B.

Assim, tendo rapidamente exposto o que vem a ser Gematria, convido o estimado leitor para, juntos, tentarmos sondar, de forma simples e direta, alguns pequenos Mistérios Thelêmicos, os quais, em sua franca e absoluta grande maioria, são completamente desconhecidos dos próprios Thelemitas, tão ocupados em brigar que estão.

Uma das principais Deidades do Culto à Thelema, cujo papel, embora não primevo, é de vital importância para a compreensão da Teogonia Thelêmica, é conhecida pelo Mote Aiwass. Ele é o Mensageiro do Senhor do Eon. Segundo as instruções Thelêmicas, Aiwass possui ainda algumas outras formas de grafia: Aiwaz, Aiwas, AiwSh, etc. Cada uma destas formas resulta num diferente valor numérico. Assim, por exemplo, Aiwaz, seguindo um determinado procedimento (procedimento este exposto logo abaixo) tem valor Gemátrico igual a 93. Desta forma, Aiwaz se eqüivaleria a palavra Thelema e a Agape, ambas somando 93.

Aiwaz, segundo Crowley, é uma corruptela da palavra, OVIZ a qual, por sua vez, seria um anagrama de ZIVO (7+10+6+70=93). Zivo é uma espécie de “Deus” da antiquíssima Suméria, adorado nos santuários dos Yezidi, na Mesopotâmia, identificado depois como Seth pelos Egípcios e, ainda depois, como o “demônio” Shaitan (lembrem-me de falar sobre as “estranhas” relações Gemátricas existentes entre Shaitan e Thelema).

Embora isso possua ares especulativos, segundo muitos estudantes, o conhecimento sobre este ancestral culto, dos Yezidi, é de grande relevância à compreensão da Teogonia Thelêmica pois Crowley, entre tantas outros logros, teria revivido esse Culto, também conhecido pelo sugestivo jargão de o “Culto das Sombras”.

Acontece que, se adotarmos o procedimento padrão para a palavra Aiwas, esta somaria 78 (Aiwas = 1+10+6+1+60 = 78).

Rapidamente, o que poderíamos falar sobre o número 78? De acordo com algumas Escolas de Iniciação, todos os Mistérios, Maiores e Menores, estão expostos ao longo das 78 Cartas do Livro de Thoth, ou Tarot. Este número então, 78, representaria um grande Símbolo Iniciático. Vale ressaltar que, segundo os Pitagóricos, 78 é o número “místico” de 12 (o calculo é feito da seguinte forma: 1+2+3+4+5+6+7+8+9+10+11+12 = 78)

Segundo Crowley, sob vários aspectos, o Trunfo XII de seu Tarot – “O Pendurado” – está relacionado ao “Deus” do Eon passado, o Deus Sacrificado, que pode assumir diversos nomes. Este, segundo a teoria dos Eons, também fora conhecido como o Messias de Peixes. Apenas por citar, os elementos associados a este Trunfo são a “Água” e a letra hebraica Mem (que também significa “Água”). Ainda vale lembrar que a Décima-Segunda Casa Astrológica é relacionada a Peixes.

A grosso modo, temos em Osiris um dos exemplos do Deus Sacrificado, cujo “herdeiro” é Horus, aquele que regera’ a Era seguinte. Assim, teríamos a transição dos Eons de Osiris para Horus.

Àqueles que gostam de meditar sobre a Simbologia contida na Gematria das palavras, vale pensar a respeito do seguinte:

O Regente de um novo Eon sempre será uma conseqüência da transição do Regente anterior. É normalmente dito que, após a Morte de um Deus, este “renasce” através de seu filho, em Luz (ou em LVX). Assim, após a Morte de Osiris, ele mesmo, através da LVX, surge como Horus-Seth. Essa LVX, também é conhecida como “a Palavra Perdida”, ou Aquela Palavra que transforma uma Natureza em outra. Agora, LVX, e’ uma variação do valor LXV, igual a 65 (daqui viria todo aquele raciocínio sobre a importância do numero 11 em Thelema, já apresentado por mim anteriormente, pois 6+5=11). Outra curiosa relação entre o 12 (o Deus Sacrificado) e o 78 (Aiwas) e’ a seguinte: (12 x 65)/10 = 78. Ou, para irritação daqueles que odeiam o Deus Sacrificado, Osiris (12), em LVX (65), é vivo (10, matéria, Malkuth) em Aiwas (78).

Este símbolo, 78, atribuído a Aiwas, ainda se relaciona a Nossa Senhora das Estrelas, Nuit (NU = 50+6 = 56 = 7 x 8) e a Noiva de Choronzon, Nossa Senhora Babalon, cujo valor é 156 (2+1+2+1+30+70+50 = 156 = 78 x 2). Todavia, a demonstração deste Mistério ficará para uma próxima ocasião.

E o Ego?

Aqui, começamos expondo os Thelemitas como brigões e perguntando o porquê de alguns considerarem Thelema um mero Culto ao Ego. Bem, para resumir, já que falamos tanto sobre Gematria e Aiwas, seria suficiente dizer que a palavra EGO, de acordo com a própria Gematria, é igual a Aiwas, pois EGO vale (5+3+70) 78. A partir desta constatação, poderemos tecer todo um raciocínio, relacionando o Ego a tudo o que foi aqui apresentado.

Mas ainda valeria acrescentar que Aiwas é, tão somente, o Ministro do Senhor do Eon, e não o Eon em si mesmo. Ele é o Mercúrio, o Mensageiro. Ele é aquele que deve ser escutado, assimilado e transcendido, caso queiramos viver a Grande Noite de Pan. Mas não meramente cultuado. Do mesmo modo, o Ego pode ser considerado como Intermediário, um Mensageiro, de algo de ordem superior, associado à própria Natureza do Iniciado. Transcende-lo (ou não se limitar a ele) pode ser uma forma, no Culto de Thelema, de participar de certos Mistérios os quais, por “culpa” exclusiva dos próprios estudantes, continuam reservados a poucos & secretos.

Finalizando, direi ainda que, em louvor a tudo, há uma Igreja, a qual, embora em fato conhecida de bem poucos, todos logram participam, de um modo ou de outro. Ela reúne os Iniciados em grande assembléia, onde o mais Sagrado é Cultuado, estimulado, elevado e exaltado. Tudo para, ao final do Grande Sabbath, ser destruído. A esta Igreja deu-se o nome de E.G.O. – Ecclesia Gnostica Occulta. Ela promove a Sabedoria, mas também a Destruição. Cada virtude em seu devido Tempo, no Templo do EGO, que também deve ser transcendido.

Amor é a lei, amor sob vontade.

por Carlos Raposo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/aiwas-thelema-e-o-culto-ao-ego/

Chicken Qabalah – Entrevista com Lon Milo Duquette

IMPORTANTE: Selecionem “legendas” e nos detalhes “Traduzir automaticamente para Português”. O Youtube gerará as legendas.

Bate-Papo Mayhem #106 – gravado dia 20/11/2020 (sexta) Marcelo Del Debbio bate papo com Lon Milo Duquette – Chicken Qabalah

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as e 5as com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

Saiba mais sobre o Projeto Mayhem aqui:

#Batepapo #Tarot #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/chicken-qabalah-entrevista-com-lon-milo-duquette

A FRA e o Sol Central

A palavra “Sol” aqui não significa necessariamente a estrela que a Terra gira. Nestes termos, falamos em “Corpo de Consciência”. O corpo humano abriga uma consciência, que alguns designam como Eu. O planeta Terra tem uma massa maior do que um corpo humano, então a Terra abriga uma consciência maior do que um corpo humano, Gaia. Por sua vez, nossa estrela, no centro do nosso sistema solar, é ainda mais pesada e abriga uma consciência ainda maior, Logos Solar. O próximo nível de massividade é o “Sol Central”, na qual diversas tradições esotéricas falam que emana uma consciência maior ainda.

Escreve Helena Blavatsky que: “No oceano sem limites brilha o Sol Central, Espiritual e Invisível. O universo é seu corpo, espírito e alma; e TODAS AS COISAS são criadas de acordo com este modelo ideal”. Essa escada de consciência é também chamada de “Logos”. Heráclito estabeleceu o termo Logos como significando a fonte e a ordem fundamental do universo.

Tal “corpo de consciência” é referido como um Logos ou um Sol. A palavra “Sol” não deve, portanto, ser tomada literalmente. O Logos pode ser uma estrela, um buraco negro, uma constelação, ou qualquer outra coisa. Apesar de causar estranheza inicialmente, lembramos que nas Ciências Ocultas, escreve Papus, o emprego da analogia é o método característico do ocultismo. Essas correspondências unem todos os elementos do universo, assim o que está em cima é como o que está embaixo.

O Sol físico é definido por Blavatsky em sua obra “Ísis Sem Véu” como um símbolo vivo de uma fonte espiritual. Ideia que provem de um conceito pitagórico do Sol Central, na qual o nosso sol físico é apenas reflexo. Esse Sol espiritual é identificado com vários nomes, sendo a causa de diversas manifestações. Rudolf Steiner identificava que as radiações do Sol Oculto não provem de nenhum astro, mas da emanação de seres elevadíssimos, os Elohim ou Exusiai. A Sociedade de Thule também utilizou desse conceito, chamando de Sol Negro ou SS (Schwarze Sonne). Na maçonaria, o Grande Arquiteto do Universo é a outra referência ao ordenador oculto. Blavatsky é a principal fonte, ela lista algumas referências do Sol Central em outras culturas:

“o Caos dos antigos; o sagrado fogo de zoroastrino, ou o Âtas-Behrâm dos pârsîs; o fogo de Hermes; o fogo de Elmes dos antigos alemães; o relâmpago de Cibele; a tocha ardente de Apolo; a chama sobre o altar de Pan; o fogo inextinguível do templo de Acrópolis, e de Vesta; a chama ígnea do elmo de Plutão; as chispas brilhantes sobre os capacetes dos Dióscuros. Sobre a cabeça de Górgona, o elmo de Palas, e o caduceu de Mercúrio; o Ptah egípcio, ou Râ; o ZeusKataibates (o que desce); as línguas de fogo pentecostais; a sarça ardente de Moisés; a coluna de fogo do Êxodo, e a “lâmpada ardente” de Abraão; o fogo eterno do “poço sem fundo”; os vapores do oráculo de Delfos; a luz sideral dos Rosacruzes; o ÂKÂSA dos adeptos hindus; a luz astral de Éliphas Lévi; a aura nervosa e o fluido dos magnetizadores; o od de Raichenbach; o globo ígneo, ou o gato-meteoro de Babenet; o Psicode e a força extênica de Thury; a força psíquica de Sergeant E. W. e do St. Crookes; o magnetismo atmosférico de alguns naturalistas; galvanismo; e finalmente, eletricidade (…).”

Na FRA (Fraternitas Rosicruciana Antiqua) o Mestre Huiracocha também faz referência a uma fonte espiritual, que está por detrás do Sol: (…) “Cristo é a Luz do Sol. Não a física, mas apenas a espiritual, que está por detrás dela”. O Mestre Huiracocha identifica nosso Sol como um mediador, um caminho para o Sol Central. Ele explica que essa manifestação da luz é uma substância ou partícula emanada pelo Sol. Na qual o Sacerdote Gnóstico pode invocar o nome do Cristo e fazer que essa substância cristônica penetre no ritual da Eucaristia. A luz é uma substância ou matéria que provém do Sol e penetra em todas as coisas. Ele escreve em “Igreja Gnóstica” que:

“O Sol, por sua vez, depende de outro Sol Central. Ele por si mesmo, não é mais que um mediador que nos cria, nos faz evoluir constantemente e nos redime pela ação imperativa do Crestos Solar. Este Crestos, não é Maya, não é ilusão, nem sequer um símbolo. É algo de prático, real e evidente e tal como o Logos, tem a sua ressonância, o seu ritmo e o seu tom. Platão disse, que o Logos soa, e afirmou que o Sol tem o seu ritmo. Deste modo, o Crestos Cósmico, tem positividade efetiva e é uma substância, uma força, uma consciência atuante. A Matéria é, por essa ação, Luz materializada”.

Vemos nisso, como as emanações do Sol Central podem implicar perturbações no éter de nosso planeta. Influenciando a vida na Terra.

Kenneth Grant, no seu livro “O Renascer da Magia”, diz que de acordo com a tradição hermética nosso sol é apenas um reflexo do Sol maior: Sothis ou Sírius. O sol do nosso sistema solar, portanto, tem uma relação de filho (Hórus) com essa estrela. Relação que vem desde o Egito Antigo. Kenneth Grant interpreta à luz da Lei da Thelema que “a Estrela reside no poder mágico da essência geradora feminina, pois Canicula (Constelação do Cão Maior) é Sothis, que também é a alma de Ísis”.

Robert Temple em seu livro “O Mistério de Sírius” demonstra que os egípcios relacionavam Sírius com Ísis. Essa correspondência é largamente comprovada por diversos estudos. Na publicação da Royal Astronomical Society, o estudioso Chapman-Rietschi em seu artigo, “The Colour of Sirius in Ancient Times”, escreve que os primeiros egípcios relacionam o nascimento heliacal de Sopdet (Sírius) com o nascimento de Ísis. O nascer helíaco de Sopdet foi observado no Egito com a finalidade de estabelecer o calendário lunar.

Na Thelema, ao adorar ritualisticamente Nuit, seria também uma adoração a estrela Sírius. Remetendo ao simbolismo do Aeon de Ísis, na qual antecede aos Aeon de Osíris. Sírius se levanta quando o Sol se deita no ocaso. O poder por trás do Sol, conclui Kenneth Grant, é Sírius.

Concluímos, então, que o Mestre Huiracocha ao aceitar a Lei da Thelema na FRA estabeleceu uma ponte mágica entre esses dois Aeons: na Missa Gnóstica, invocando o Logos Solar; e nos rituais rosa-cruzes, o Sol Oculto de Sírius, o revelador de Nuit. Um aspecto Solar e outro Estelar: Sol e Sírius; Masculino e Feminino. Unindo as dualidades da nossa vida.

#FRA #rosacrucianismo #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-fra-e-o-sol-central

A Vida e a obra de Aleister Crowley – Carlos Raposo

Bate-Papo Mayhem 120 – gravado dia 15/12/2020 (Terça) Com Carlos Raposo – A Vida e a obra de Aleister Crowley

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Podcasts, Palestras e Bate-papo sobre Hermetismo

Conseguimos reunir em um único post boa parte das palestras, entrevistas e bate-papos sobre Kabbalah, Hermetismo, Maçonaria, Oráculos e Ordens Iniciáticas que estão espalhados pela net. Assim facilita a busca dos vídeos e fica mais tranquilo assistir aos que ainda não viram.

Palestras e Entrevistas sobre Hermetismo:

– A Kabbalah e os Deuses de Todas as Mitologias (Sociedade Teosófica)

– Astrologia Hermética (Sociedade teosófica)

– Bate papo sobre Oráculos no Conhecimentos da Humanidade

– Bate papo sobre Alquimia no Conhecimentos da Humanidade.

– Entrevista dada ao site Thelema.com

– Podcast sobre Hermetismo no Conversa entre Adeptus – parte 1

– Podcast sobre Hermetismo no Conversa entre Adeptus – parte 2

– O Louco no Tarot de Rider-Waite e Thoth

– Entrevista sobre Simbolismo e História da Arte dentro do Tarot.

– Entrevista no programa E-farsas sobre Maçonaria

– Entrevista sobre Ordens Iniciáticas e ocultismo

– Podcast sobre Maçonaria no Podcast “Descontrole”.

– Maçonaria e Ordens Iniciáticas no Podcast Mundo Freak Confidencial.

– Astrologia Hermética no Podcast Mundo Freak Confidencial.

– Entrevista sobre Teorias da Conspiração.

– Programa “Entre o Céu e a Terra” TVBrasil- Símbolos e Representações.

– Programa “Entre o Céu e a Terra” TVBrasil – Espiritualidade, Sexo e Prazer.

– Entrevista sobre Astrologia Hermética, no Podcast “Descontrole”.

– Entrevista sobre Ocultismo e Teoria da Conspiração no site E-Farsas.

– Entrevista sobre Filosofias Hermética, no Podcast Contos Acabados.

– Entrevista sobre Ocultismo e Magia Moderna no Occultacast.

– Entrevista sobre Origens do hermetismo – parte 1 com Fredi Jon.

– Entrevista sobre Origens do hermetismo – parte 2 com Fredi Jon.

– Brasileiros notáveis – Marcelo Del Debbio apresentado por Gastão Moreira.

– Palestra sobre a História dos Oráculos, na Sociedade Teosófica

– Mitologia e RPG, bate papo no “canal Roleplayers”.

#Blogosfera

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