A Serpente Cósmica e o DNA

Jeremy Narby

Excertos de The Cosmic Serpent, DNA and the Origins of Knowledge

Pesquisas indicam que os xamãs acessam uma inteligência, que eles dizem ser da natureza, e que lhes dá informações que têm correspondências impressionantes com a biologia molecular. Minha hipótese é que esta inteligência é nosso próprio DNA, que ao contrário do que se assume tem mente e consciência própria. É a substância da linguagem viva da vida, e vive dentro de todas as células de todas as formas de vida na Terra. À medida que seus olhos examinam essas palavras, há dois metros de DNA em cada célula de seus globos oculares, se enrolando e desenrolando como uma cobra.

Inteligência vem do latim inter-legere, escolher entre. Parece haver uma capacidade de fazer escolhas operando dentro de cada célula do nosso corpo, até o nível de proteínas e enzimas individuais. O próprio DNA é uma espécie de “texto” que funciona por meio de um sistema de codificação chamado “código genético”, que é surpreendentemente semelhante aos códigos usados ​​por seres humanos. Algumas enzimas editam a transcrição de RNA do texto de DNA e adicionam novas letras a ele; qualquer erro cometido durante esta edição pode ser fatal para todo o organismo; então essas enzimas estão fazendo as escolhas certas consistentemente; se não o fizerem, muitas vezes algo dá errado, levando ao câncer e outras doenças. As células enviam sinais umas às outras, na forma de proteínas e moléculas. Esses sinais significam: divida ou não divida, mova-se ou não se mova, mate-se ou permaneça vivo. Qualquer célula está ouvindo centenas de sinais ao mesmo tempo e precisa integrá-los e decidir o que fazer. Como essa inteligência opera é a questão.

Tanto os xamãs quanto os biólogos moleculares concordam que existe uma unidade oculta sob a superfície da diversidade da vida; ambos associam essa unidade à uma forma de dupla hélice (ou duas serpentes entrelaçadas, uma escada torcida, uma escada em espiral, duas trepadeiras enroladas uma na outra); ambos consideram que é preciso lidar com esse nível de realidade para curar. Pode-se encher um livro com correspondências entre xamanismo e biologia molecular.

Por exemplo, a imagem acima mostra um pouco (não mais que 3%) de uma única molécula de DNA liberada de um único cromossomo humano. (O cromossomo foi tratado para remover suas histonas). Lembre que isso é só 3% do DNA de apenas um dos 46 cromossomos da célula diplóide humana e você poderá apreciar o problema enfrentado pela célula de como separar sem erro esses grandes comprimentos de DNA sem criar emaranhados horríveis.

Inteligência e Consciência

Acho que devemos prestar atenção às palavras que usamos. A “consciência” carrega uma bagagem diferente da “inteligência”. Muitos definiriam a consciência humana como diferente, digamos, da consciência animal, porque os humanos são conscientes de serem conscientes. Mas como sabemos que os golfinhos não pensam em ser golfinhos? Não sei se existe uma “consciência” dentro de nossas células; por enquanto, a questão parece fora de alcance; temos bastante dificuldade em entender nossa própria consciência — embora a usemos na maioria das vezes. Proponho o conceito de “inteligência” para descrever o que as proteínas e as células fazem, simplesmente porque torna os dados mais compreensíveis. Esse conceito exigirá pelo menos uma década ou duas para que os biólogos considerem e testem. Então, poderemos seguir adiante e considerar a idéia de uma “consciência celular”. Como a biologia poderia pressupor que o DNA não é consciente, se nem sequer entende o cérebro humano, que é a sede de nossa própria consciência e que é construído de acordo com as instruções do nosso DNA? Como a natureza poderia não ser consciente se nossa própria consciência é produzida pela natureza?

A Serpente Cósmica

A consistência do símbolo da Serpente Cósmica na maioria das tradições e religiões do mundo me levou a investigá-la. Encontrei o símbolo no xamanismo em todo o mundo. Por quê? Esta é uma boa pergunta. Minha hipótese é que ele está ligado à dupla hélice do DNA dentro de praticamente todos os seres vivos. E o próprio DNA é um código simbólico saussuriano. Então, pelo menos de uma maneira importante, o mundo vivo é inerentemente simbólico. Somos feitos de linguagem viva.

Joseph Campbell insiste em dois pontos cruciais para a serpente cósmica na mitologia mundial. A primeira ocorre “no contexto do patriarcado dos hebreus da Idade do Ferro do primeiro milênio aC,  onde a mitologia foi adotada das civilizações neolíticas e da Idade do Bronze anteriores.” Na história judaico-cristã da criação contada no primeiro livro da Bíblia, encontram-se elementos comuns a tantos mitos da criação do mundo: a serpente, a árvore e os seres gêmeos; mas pela primeira vez, a serpente, “que havia sido reverenciada por pelo menos 7.000 anos antes da composição do Livro do Gênesis”, desempenha o papel de vilã. Yahweh, que o substitui no papel de criador, acaba derrotando “a serpente do mar cósmico, o Leviatã”.

Para Campbell, o segundo ponto de virada ocorre na mitologia grega, onde Zeus foi representado inicialmente como uma serpente; mas por volta de 500 a.C., os mitos mudaram e Zeus se torna um matador de serpentes. Ele assegura o reinado dos deuses patriarcais do Monte Olimpo derrotando Typhon, o enorme monstro-serpente que é filho da deusa da terra Gaia e a encarnação das forças da natureza. Typhon “era tão grande que sua cabeça muitas vezes batia contra as estrelas e seus braços podiam se estender do nascer ao pôr do sol”. Para derrotar Typhon, Zeus só pode contar com a ajuda de Atena, “Razão”, porque todos os outros olímpicos fugiram aterrorizados para o Egito.

Evolução e DNA

O DNA é uma única molécula com estrutura de dupla hélice; são duas versões complementares do mesmo “texto” enroladas uma na outra; isso permite que ele faça cópias de si mesmo: gêmeos! Este mecanismo de geminação está no centro da vida desde que começou. Sem ela, uma célula não poderia se tornar duas, e a vida não existiria. E, de uma geração para a outra, o texto do DNA também pode ser modificado, permitindo tanto a constância quanto a transformação. Isso significa que os seres podem ser os mesmos e não os mesmos. Um dos mistérios é o que impulsiona as mudanças no texto do DNA na evolução. O DNA aparentemente existe há bilhões de anos em sua forma atual em praticamente todas as formas de vida. A velha teoria – acúmulo aleatório de erros combinado com seleção natural – não explica totalmente os dados atualmente gerados pelo sequenciamento do genoma. A questão está em aberto.

Revelação em Três Atos

1. Os povos que praticam o que chamamos de “xamanismo” se comunicam com o DNA.
2. A cultura ocidental se desvinculou do princípio serpente/vida, ou seja, do DNA, pois adotou um ponto de vista exclusivamente racional.
3. Paradoxalmente, a parte da humanidade que se separou da serpente conseguiu descobrir sua existência material em um laboratório cerca de 3.000 anos depois. Teria sido tudo programado?

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-serpente-cosmica-e-o-dna/

A Tradição Hermética

As verdades eternas, conhecidas unanimemente e expressadas por sábios de todos os tempos e lugares, plasmaram-se no Ocidente no pensamento de culturas estreitamente inter-relacionadas, que em distintos momentos floresceram em regiões localizadas entre o Oriente Médio e a Europa, durante esta quarta e última parte do ciclo, à qual se chamou Kali Yuga ou Idade do Ferro, e que sempre se vinculou com o Oeste.

Antiqüíssimos conhecimentos, patrimônio da Tradição Unânime, foram revelados aos sábios egípcios, persas e caldeus. Eles se valeram da mitologia e do rito, do estudo da harmonia musical, dos astros, da matemática e geometria sagradas, e de diversos veículos iniciáticos que permitem acessar os Mistérios para recriar a Filosofia Perene, desenhando e construindo um corpus de idéias, que foi o gérmen do pensamento metafísico do Ocidente, conhecido com o nome de Tradição Hermética, ramo ocidental da Tradição Primordial. Hermes Trismegisto, o Três Vezes Grande, dá nome a esta tradição. Na verdade, Hermes é o nome grego de um ser arquetípico invisível que todos os povos conheceram e que foi nomeado de distintas maneiras. Trata-se de um espírito intermediário entre os deuses e os homens, de uma deidade instrutora e educadora, de um curandeiro divino que revela suas mensagens a todo verdadeiro iniciado: o que passou pela morte e a venceu.

Os egípcios chamaram Thot a esta entidade iniciadora, que transmitiu os ensinos eternos a seus hierofantes, alquimistas, matemáticos e construtores que, com o auxílio de complexos rituais cosmogônicos, empreenderam a aventura de atravessar as águas que conduzem à pátria dos imortais.

Autores Herméticos relacionaram Hermes com Enoch e Elias, que seriam, para os hebreus, a encarnação humana desta entidade supra-humana que identificam com Rafael, o arcanjo, também guia, sanador e revelador. Esta tradição judaica, que se considerou sempre como integrante da Tradição Hermética, conviveu com a egípcia antes e durante a cativeiro (Moisés é fruto desta convivência) e em tempos dos reis David e Salomão durante a construção do Templo de Jerusalém; faz ao redor de três mil anos, estes pensamentos se consolidaram numa arquitetura revelada que permitiu, uma vez mais, a criação de um espaço vazio ou arca interior capaz de albergar em seu seio a divindade.

No século VI antes de Cristo, que é o mesmo século da destruição do Templo de Jerusalém, e contemporânea de Lao Tsé na China, de Buddha Gautama na Índia e do profeta Daniel na Babilônia, nasce a escola de Pitágoras que, também herdeira dos antigos mistérios revelados por Hermes, alumiará posteriormente à cultura grega, tanto aos pré-socráticos como a Sócrates e Platão. Este pensamento hermético exerceu sua influência notavelmente na cultura romana, nos primeiros cristãos e gnósticos alexandrinos, nos cavaleiros, construtores e alquimistas da Europa medieval e nos filósofos e artistas renascentistas, nutrindo-se ao mesmo tempo dos conhecimentos cabalísticos e do esoterismo islâmico.

Logo florescem estas idéias hermético-iniciáticas no movimento rosa-cruz, que se desenvolve na Alemanha e na Inglaterra da época Elisabetana, tendo sido depositados estes antigos ensinos, posteriormente, na Franco-Maçonaria. Esta Ordem, que em sua aparência exotérica não pôde escapar à degradação e dissolução promovidas pela humanidade atual, conserva, no entanto, em seus ritos e símbolos esse gérmen revelado e revelador, ativo no seio de umas poucas lojas que conseguiram se subtrair às modas inovadoras que ameaçam a Ocidente com sucumbir, e mantêm esse vínculo regenerador com o eixo invisível da Tradição que se dirige sempre para o verdadeiro Norte, origem e destino da humanidade, do qual esta tradição nunca se separou.

Hermes e a Tradição Hermética vivem atualmente. Sua presença é eterna.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-tradi%C3%A7%C3%A3o-herm%C3%A9tica

Kali Yoni – O ritual da buceta de Kali

Exercicio preparatório

O ideal é praticar estes cinco movimentos DIARIAMENTE,  pela manhã e à noite. Procure fazer pelo menos três séries de quinze ou vinte repetições para cada uma delas. É natural sentir dificuldade nas primeiras tentativas. Não desanime. Resultados positivos costumam aparecer nas primeiras semanas.

1 – Sente-se em uma cadeira e apóie as mãos nas coxas. Deixe os pés paralelos e distantes 20 centímetros um do outro. Contraia os músculos da vagina como se apertasse algo dentro dela. Conte até três e relaxe. Aumente a contagem gradativamente até chegar a dez.

Variação: contraia e relaxe os músculos rapidamente. Para acertar o ritmo, imagine que acompanha uma respiração.

2 – Recoste-se na cama e deixe as pernas separadas e semi-flexionadas. Insira um dos dedos na vagina e tente apertá-lo o mais que puder. Caso não sinta nenhuma pressão insira dois dedos. Volte a se exercitar com um dedo quando a musculatura estiver mais treinada.

Variação: tente sugar o dedo com a vagina. Conte até três antes de relaxar.

3 – Deite-se num colchonete e deixe os braços ao longo do corpo. Flexione as pernas. Essa é a posição inicial. Eleve o quadril e o dorso e fique apoiada sobre os ombros e os pés. Ao elevar o quadril, contraia os glúteos. Volte a posição inicial e relaxe os glúteos.

Variação: Na posição inicial, contraia o ânus em três tempos, sem relaxar: primeiro levemente. Em seguida mais forte e depois com toda a intensidade que conseguir. Fique assim e contraia a vagina como se sugasse alguma coisa com ela. Conte até três e solte os músculos devagar: Primeiro os da vagina, depois os do ânus.

4 – De pé com as pernas semi-flexionadas, coloque as mãos na cintura e deixe os pés paralelos e distantes 20 ou 30 centímetros um do outro. Mova a pélvis para cima e para frente. Ao fazer isso, contraia a parte interna da vagina. Segure, conte até três e relaxe.

Variação: Faça um movimento contínuo e circular, como se usasse um bambolê, só que em quatro tempos:

1 – Mova a pélvis para cima e para frente;
2 – Leve o quadril para a esquerda;
3 – Jogue o bumbum para trás;
4 – Leve o quadril para direita.

Ritual: Kali Yoni

Trace um circulo grande para caber um pentagrama com seu parceiro deitado.

Trace um pentagrama grande para caber seu parceiro, virado para o norte.

Ponha o sigilo na barriga do seu parceiro.

Monte em seus parceira, deite sobre ele ponha as mão na ponta norte do pentagrama, aperte o pênis com sua genitália contando até 23.

Vire-se em sentido horário para próxima ponta sem desacoplar, novamente ponha as mãos sobre a ponta, com a genitália sugue o pênis contando até 23 e relaxe, faça essa sequencia 23 vezes.

Vire-se em sentido horário para próxima ponta sem desacoplar, novamente ponha as mãos sobre a ponta, suba e desça 23 vezes.

Vire-se em sentido horário para próxima ponta sem desacoplar, novamente ponha as mãos sobre a ponta, aperte contando até 23 e relaxe, faça essa sequencia 23 vezes.

Vire-se em sentido horário para próxima ponta sem desacoplar, novamente ponha as mãos sobre a ponta, sugue o pênis, relaxe, aperte contando até 23 e relaxe, suba e desça 23 vezes. faça essa sequencia 23 vezes.

Faça novamente, e de novo até ter orgasmo. Faça até ter 23 orgasmo.

Faça sempre com um desejo em mente.

Seu parceiro pode ser um vibrador, o sigilo fica no centro.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/kali-yoni-o-ritual-da-buceta-de-kali/

[parte 6/7] Alquimia, Individuação e Ourobóros: Amplificação Simbólica

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Running forward/ Falling back/ Spinning round and round/ Looking outward/ Reaching in/ Scream without a sound/ Leaning over/ Crawling up/ Stumbling all around/ Losing my place/ Only to find I’ve come full circle”

– Dream Theater

Esta é a sexta parte da série de sete artigos “Alquimia, Individuação e Ourobóros”, que é melhor compreendida se lida na ordem. Caso queira acompanhar desde o começo, leia as parte 1, 2, 3, 4 e 5.

Análise

Como descrito anteriormente, o método de amplificação consiste em três etapas principais: contato com o símbolo, associação com outras imagens arquetípicas, e o retorno do símbolo e seu valor individual associado com o valor coletivo e arquetípico.

“Portanto, a amplificação é executada em três fases distintas: a primeira seria o contato com o símbolo e as observações experienciais do analisado; a segunda é a etapa de amplificação coletiva, onde se pega um símbolo específico e o associa com outras imagens arquetípicas, e por isso pode ser denominada de objetividade da imagem; a terceira e última é o retorno ao subjetivo com o auxilio das analogias universais, em outras palavras, o símbolo – primordialmente individual – manifestado passa por uma variedade de possibilidades significativas através da associação com a coletividade, após essa etapa, ele necessita do indivíduo – que utiliza como parâmetro o reconhecimento afetivo dentro dos aspectos coletivos – para dar sentido ao símbolo” (CHAISE E VIANA apud JUNG, 2011, 12).

Contato com o Símbolo

É de valor significativo então explicitar que individualmente, passei a me interessar pela imagem arquetípica do Ourobóros quando situações da minha vida exigiam mudanças de atitude e paradigma. Eu simplesmente enxergava a imagem em tudo que via formas circulares, letras de músicas, poemas, poesias, ou seja, realizei espontaneamente associações que fizeram com que a imagem simplesmente conversasse comigo, chamando minha atenção para algo que, a priori, era nebuloso para o meu eu consciente.

Comecei a procurar em todos os lugares literaturas que pudessem me ajudar a entender o significado desta imagem, e como ela aparecera para mim. Ao meditar sobre a mesma, fui tomado por sentimentos de mudanças e transformações, que eu, intuitivamente, sabia que precisava reavaliar a forma que manifestava minha existência para atingir um crescimento que defino como espiritual, ou seja, me alinhar com a manifestação real que emanava animicamente do meu ser.

Sentia que me encontrava vazio, desorientado e sem forças para tomar qualquer atitude de mudança quanto a minha própria situação. Com o passar do tempo, e incorporando literaturas que variavam de esferas como psicologia, filosofia, mitologia e outras de cunho espiritual, percebi uma pequena faísca de transformação começar a se manifestar em meu âmago. Consegui com o tempo elaborar uma série de questões e embarcar numa aventura mitológica e pessoal que me permitiu acessar aspectos, não só desconhecidos de minha pessoa, como também fantásticos, que me deram forças necessárias para realizar transformações pessoais, que acabaram por afetar toda minha dinâmica social e individual.

No entanto, não é a primeira vez que alguma figura brota do inconsciente, muito menos essa figura da serpente circular. O elemento químico Benzeno que apresenta uma forma cíclica foi descoberto pelo químico August Kekulé. No ano de 1890, numa convenção em Berlim realizada para comemorar os 25 anos da publicação de Kekulé sobre a estrutura do Benzeno, o mesmo relatou um suposto sonho que serviu de ‘insigh’ para sua descoberta:

“Estava sentado escrevendo meu manual, mas o trabalho não progredia; meus pensamentos estavam dispersos. Virei minha cadeira para a lareira e adormeci. Novamente os átomos saltavam à minha frente. Desta vez os grupos menores permaneciam modestamente no fundo. Meu olho mental, aguçado pelas repetidas visões do gênero, discernia estruturas mais amplas de conformação múltipla; longas fileiras às vezes mais estreitamente encaixadas, todas rodando e torcendo-se em movimentos de cobra. Mas veja só! O que é aquilo? Uma das cobras havia agarrado a própria cauda e a forma rodopiava de modo a debochar ante meus olhos. Como se à luz de um relâmpago, despertei; e desta vez, também passei o resto da noite tentando estender as consequências da hipótese. Senhores, aprendamos a sonhar, e talvez então encontraremos a verdade […] mas também vamos ter cuidado para não publicar nossos sonhos até que eles tenham sido examinados pela mente desperta.”

Amplificação Coletiva e Analogias Universais

Cirlot (1974) consegue em seu Diccionario de los símbolos sintetizar a maioria das analogias levantadas no trabalho:

“Este símbolo, que aparece principalmente entre os gnósticos, é um dragão ou serpente que morde a própria cauda. Em sentido mais geral, simboliza o tempo e a continuidade da vida. Em suas representação tem por complemento que diz: Hen to pan (o Um, o Todo. Assim aparece no Codex Marcianus do século II d.C. Foi interpretado como a união do princípio ctônico da serpente e o princípio celeste do pássaro (síntese que se pode aplicar ao dragão)”. (CIRLOT, 1984)

Segundo Ruland, isto o define como variante simbólica de Mercúrio, o deus duplex. Em algumas representação a metade do corpo do animal é clara e a outra escura, aludindo à contraposição sucessiva de princípios, como o símbolo chinês Yang-Yin. Segundo Evola, é a dissolução dos corpos: a serpente universal que, segundo os gnósticos “caminha através de todas as coisas”. O veneno, víbora, dissolvente universal, são símbolos do indiferenciado, do “princípio invariável” ou comum, que passa entre as coisas e as liga. O dragão, como o touro, luta contra o herói solar.

Segundo E. Neuman, em seus estudos sobre o simbolismo matriarcal, o símbolo primordial da criação do mundo é a serpente que morde a sua própria cauda, ato que significa autofecundação. No manuscrito veneziano de alquimia vemos a serpente do Ourobóros com uma metade negra (símbolo da terra) e a outra metade branca e salpicada de pontos que representam estrelas (céu) o que ratifica esse caráter de coniunctio e hierogamia.

Assinala o doutor Sarró, em seu artigo “El mito de la serpiente Ouroboros y el simbolismo letamendiano del organismo”, que este mito se refere a ideia de uma natureza capaz de renovar-se a sí mesma, cíclica e constantemente.

Outras analogias possíveis à imagem arquetípica do Ourobóros é sua semelhança com a simbologia e cultura Hindu, que fora melhor explorada no capítulo anterior através do conceitos de “Kundalini”, que significa ‘enrolada’. Metaforicamente uma serpente enrolada na altura do cóccix esperando para ser despertada (em nível de consciência).

E como já vimos anteriormente, a simbologia egípcia é rica e pertinente no que diz respeito a análise de imagens primordialmente arquetípicas. O ‘Uraeus’ é um adorno de serpente que era utilizado na cabeça dos faraós ou para adornar templos, que representa as características divinas e soberanas do governante, mas principalmente sua imortalidade.

Pode ser associado também ao Arcano 10 do tarô, correspondente à Roda da Fortuna, carta definida pelo tarólogo Constantino Riemma como “os ciclos sucessivos na natureza e na vida humana. As fases da manifestação, o movimento de ascensão e de declínio. A mobilidade das coisas”. O símbolo do Ourobóros aparece também em algumas cartas do Arcano 21: O Mundo. Constantino afirma que esta carta representa “Finalização, realização, recompensa, apoteose. Encontrar o próprio lugar no mundo. Centralizar-se. O equilíbrio inspirado”.

Segundo o psiquiatra Paulo Urban, entre os astecas e outras cultural da América Central e andina, Quetzalcoatl, a serpente emplumada (uma combinação de Quetzal, pássaro e serpente), é uma divindade solar e surge como elo entre os deuses e os homens, podendo ainda estar associada à chuva, ao vento, aos raios e trovões, bem como ao sopro da vida, ou ainda ao tempo incriado.

Na mitologia africana, o Orixá (divindade) Oxumaré é caracterizado segundo Reginaldo Prandi (2001) em “Mitologia dos Orixás” como “símbolo da continuidade e da permanência, algumas vezes, é representado por uma serpente que morde a própria cauda”, podendo representar aspectos tanto masculino quanto femininos, além de representar “a mobilidade, a atividade, uma de suas funções é a de dirigir as forças que dirigem o movimento”.

Encontramos outra referência ao ofídio circular se analisarmos a cultura nórdica, na mesma existe uma serpente chamada Jörmundgander. Segue o relato da lenda tirado de um diálogo da série do History Channel “Vikings”:

“O grande mar é mantido no lugar por Jörmundgander a Serpente, que com seu corpo gigante o circunda e mantém seu rabo em sua boca para completar o círculo e impedir as ondas de se libertarem. Mas um dia, o Deus Thor, filho da Terra, pescava no mar pela Serpente, usando a cabeça de um touro como isca. Jörmundgander levantou e as ondas bateram na praia, enquanto ele se torcia e se retorcia em fúria. Eles combinavam bem, Serpente e Deus, naquela briga furiosa. O mar ferveu ao redor deles, mas, então, o gancho ficou desalojado, a Serpente rastejou livre, e afundou novamente, muito rápida, sob as ondas. E logo, o mar ficou calmo de novo, como se nada tivesse acontecido.”

Na cultura oriental, especificamente no Zen Budismo, existe um conceito chamado “Ensō”, cujo o significado em japonês é ‘círculo’:

“Simboliza iluminação, força, elegância, o universo e o vazio; também pode simbolizar a própria estética japonesa. Como uma “expressão do momento” é frequentemente considerado uma forma de arte expressionista. […] Na pintura zen budista, o ensō simboliza um momento quando a mente está livre para simplesmente deixar os sentidos criarem. Os zen budistas acreditam que o caráter do artista está completamente exposto na forma com a qual desenha um ensō. Apenas uma pessoa mentalmente completa, que tenha percebido sua natureza búdica, consegue desenhar um ensō verdadeiro. Alguns artistas praticam o desenho do ensō diariamente, como uma espécie de exercício espiritual.”

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ens%C5%8D

Além disso o símbolo do Ourobóros é encontrado em diversos materiais ocultistas, gnósticos, esotéricos e alquímicos, sendo representado em gravuras, selos e inclusive como emblemas de algumas sociedades esotéricas, como por exemplo a Sociedade Teosófica, que tem como base os ensinamentos de Helena Pretovna Blavatsky. A teosofia é incrível e não cabe agora comentar sobre a mesma, mas quem tiver interesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teosofia

Estas foram alguma das analogias universais levantadas ao longo deste trabalho. É possível concluir que a imagem do Ourobóros é extremamente rica e presente em diversas culturas e momentos históricos, podendo ser caracterizada como arquetípica, portanto, universal. Ela representa os ciclos, o eterno, a integração, a completude, a transformação, o desenvolvimento de si-mesmo, a harmonia, o infindável movimento do flerte constante das polaridades que impulsiona a criação e expansão da vida à partir da sua essência.

Referências Bibliográficas

CHAISE E VIANA. Validação do Projeto: Mutus Liber. Disponível em: https://translatioanimae.wordpress.com/. 14/05/2013

CIRLOT, J.-E. Dicionário de símbolos. Trad. Rubens Eduardo Ferreira Frias. São Paulo: Edições Moraes, 1984.

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. São Paulo. Companhia das Letras. 2001.

URBAN, Paulo. A Serpente Emplumada. Disponível em: http://nemdeusesnemastronautas.blogspot.com.br/2011/01/mito-azteca-serpente-emplumada.html. 14/05/2013

Imagens:

Ourobóros num manuscrito judaico (Séc XVIII)

“Fred”, Anão de Jardim da ‘Compania Internacional’

Estrutura de Benzeno envolta por Ourobóros

“The Bitter End” arte digital de Bluefooted (Deviant Art)

‘Ouroboros’, arte plástica

Representação da subida de ‘Kundalini’

‘Uraeus’ adornando a cabeça do deus Hórus em gravura egípcia

Cartas “A Roda da Fortuna” e “O Mundo”, retiradas do tarô alquímico de Robert Place

‘Quetzalcoalt’ de SanMonet

Gravura do Orixá ‘Oxumaré’

Jörmundgander em volta do símbolo de proteção Aegishjálmur e gravura dessa serpente marinha enfrentando o deus Thor

Caligrafia de Kanjuro Shibata (2000)

Emblema da Sociedade Teosófica com os dizeres “Não há Religião maior que a Verdade”

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/parte-6-7-alquimia-individua%C3%A7%C3%A3o-e-ourob%C3%B3ros-amplifica%C3%A7%C3%A3o-simb%C3%B3lica

Mitos de Cthulhu

Embora Lovecraft nunca tivesse grande reconhecimento em vida ele atraiu a admiração de muitos dos escritores que com ele se correspondiam (inclusive alguns até estabelecidos como Robert E. Howard e Clark Ashton Smith). As obras que atraiam estes escritores tinham uma qualidade literária impar se aproximando dos escritos de Poe e estavam muito longe do que seria por assim dizer ‘popular’. O terror de monstros e vampiros para Lovecraft era batido, ele achava que a forma máxima do terror seria o terror cósmico-científico de forte conotação psicológica – o chamado terror psicológico, onde a ambientação é que conduz ao clima assombrado e onde elementos como angustia, depressão, sofrimento e suicídio são determinantes. Foi esta proposta literária e o desenvolvimento insipiente de uma mitologia fantástica envolvendo seres monstruosos e histórias antigas que atraiu a atenção destes escritores.

Utilizando palavras do próprio Lovecraft, “as efabulações sobre temas mundanos e o lugar-comum não satisfazem as mentes mais criativas e sequiosas de novos estímulos”. O trabalho de Lovecraft não serve para agradar às massas nem ao cidadão comum, mas apenas a um grupo mais restrito de admiradores que não se contentam com os enredos banais do dia-a-dia. Abdicando do lucro fácil que certamente teria atingido se utilizasse o seu gênio na produção de romances comerciais, Lovecraft deixou-nos um legado espantoso de visões fantásticas e universos assombrosos. Na verdade este gênero já havia sido explorado por Lord Dunsany e por William Hope Hodgson, mas o que fez Lovecraft foi dar uma singular propriedade a este novo tipo de horror que até então não existia – não daquela forma. É esta mitologia fantástica que ficou sendo conhecida como “Os Mitos de Cthulhu”.

É importante dizer aqui que este termo “Cthulhu” é pronunciado comumente como “kuh-THOO-loo” (em português soa algo como “Katuuluu”, pronunciado rapidamente) por causa da pronuncia indicada na caixa do famoso rpg de nome “Call of Cthulhu” da Chaosium. Entretanto, existem vários estudantes sérios de Lovecraft que preferem a pronúncia como “Cloo-loo”, justificando suas teses em referências dos contos do autor. Fora isto a discussão se estende e encontramos ainda uma série de pronuncias diferentes, mas que na prática nada, ou muito pouco, acrescentam ao termo. O próprio Lovecraft brincava com seus amigos escritores pronunciando hora de uma forma outra d’outra.

 

A Formação do Círculo de Lovecraft

Não apenas Lovecraft começou a desenvolver estes tipos de histórias, mas junto a ele aqueles correspondentes que falamos também criavam suas histórias e seus deuses, é por exemplo de autoria de Frank Belknap Long a entidade de nome Chaugnar Faugn. O trabalho de Lovecraft atraiu um grupo considerável de escritores, que começaram a corresponder com ele e entre si. Nascia o Lovecraft Cycle, “fundado” pelo próprio Lovecraft e dois escritores consagrados: Clark Ashton Smith e Robert E. Howard (criador de Conan – o Bárbaro). Jovens e talentosos escritores como August Derleth, Frank Belknap Long e Robert Bloch (que viria a escrever mais tarde o conto que inspirou o filme “Psicose”) juntam-se também ao círculo, e todos contribuíram com o seu trabalho para enriquecer os Mitos de Cthulhu. “Era uma espécie de jogo”, que todos levaram muito a sério, como comentou certa vez Robert Bloch. Estima-se que tenha-se criado mais de novecentas histórias sobre os mitos. A este grupo de escritores que se juntou a Lovecraft se denominou “Círculo de Lovecraft”.

Estes contos se centravam em um grupo de entidades transdimensionais e extraterrestres que serviram como deidades ao homem primitivo. Lovecraft escreveu que Cthulhu e os “Grandes Antigos”, como ele (às vezes) chamou os deuses alienígenas, vieram de estrelas escuras. Alguns viveram em um planeta que ele chamou de Yuggoth e identificou nos anos trinta com o planeta recentemente descoberto, Plutão.

Introdução aos Mitos de Cthulhu

 

Em “O Chamado de Cthulhu”, Lovecraft dispôs os fundamentos de seu conceito mitológico. Ele disse que muitos milênios atrás, os Antigos vieram de outros planetas e estabeleceram residência na Terra. Quando as estrelas estavam erradas eles não podiam viver, assim eles desapareceram sob o oceano ou voltaram aos seus mundos de origem onde usaram poderes telepáticos para comunicar-se com o homem. Central ao mito de Lovecraft, os Antigos formaram um culto e uma religião que adorava os aliens como deuses. Nas histórias, os Antigos pairam a meio caminho entre puros extraterrestres e verdadeiros deuses, como requer o enredo. Em seu romance “Nas Montanhas da Loucura“, ele escreveu que uma espécie dos Antigos criou o homem para servi-los, iniciando as primeiras civilizações humanas: Atlântida, Lemuria e Mu.

Lovecraft usou as mitologias suméria, egípcia e grega como base para os seus semideuses monstruosos. Ele disse que seu deus-mensageiro Nyarlathotep era um membro do panteão egípcio – a própria esfinge ou um grande faraó. Ele identificou o peixe-deus fenício Dagon (anteriormente Oannes) como o próprio Grande Cthulhu, e assim se tornou a primeira pessoa a ligar extraterrestres a religiões antigas. É interessante notar que Dagon é muitas vezes citado na Bíblia Sagrada nas seguintes partes para quem quiser conferir: Juízes 16:23, Samuel 5:2-7 e Crônicas 10:10. Entretanto Lovecraft nunca alegou que suas histórias eram qualquer coisa além de ficção, embora fizesse parecer ser as mesma muito reais.

August Derleth viria a designar o conjunto do trabalho produzido por Lovecraft e pelos escritores que seguiram o seu estilo como ele próprio por “Mitos de Cthulhu”. Cthulhu é uma criação do próprio Lovecraft de que falarei mais adiante, e que aparece naquele que é provavelmente o seu conto mais conhecido, “Call of Cthulhu”. Cada conto escrito por Lovecraft e seus seguidores constitui mais uma peça para enriquecer a imagem geral do que são os mitos. A melhor forma de os conhecer é obviamente pela leitura desses mesmo contos, mas tentarei dar uma idéia geral. Mas, o por que de tentar dar esta idéia geral, vocês devem estar se perguntando ao ler este site. Bem, a resposta é simples é para que vocês ao lerem a obra de Lovecraft pela primeira vez (como suponho que muitos o façam ao baixar os contos que transcrevi para o formato e-book neste site) vocês não pensem que o conto é um todo quando na verdade faz parte de um conjunto complexo. Foi apenas para dar uma noção que fiz esta seção neste site, tentar sistematizar toda a mitologia como tentou fazer Derleth só conduzirá a dados incompletos e críticas (como ele mesmo foi vítima na época). Vou tentar explicar melhor: Derleth e sites na web tentaram sistematizar algo meio que inconcebível, foram mais de 900 contos de diversos autores o que já complicaria muito as coisas. Mas, se nos concentrarmos mais nos trabalhos de Lovecraft que foi seu grande e inicial idealizador? Bem, isto também não seria bom, pois muitos dos temas que ele trabalhava também tiveram contribuição de outros ou mesmo vieram da troca de idéias e muitas das origens de determinado ponto da mitologia para ser corretamente catalogado deveriam partir para um grande pesquisa seja em contos destes autores ou de qualquer um dos outros que também trabalharam o tema. Entendem? A melhor forma de entender a mitologia e ter acesso a ela é ler as obras de Lovecraft e também, se possível, dos outros autores dos mitos a Chaosium tem muitas destas obras para venda em formato impecável. Fora isto, alguns contos que estão disponíveis aqui no Brasil são a base da mitologia citando alguns: “O Chamado de Cthulhu”, “Nas Montanhas da Loucura”, “Os Sonhos na Casa Assombrada”, “A História do Necronomicon”, só pra citar alguns.

Continuando a falar do mistos é possível dizer que é constante ao longo de todas as histórias a idéia de que a humanidade e o nosso planeta são uma “concha” de sanidade mental, imersa num universo completamente alienado, povoado por criaturas e raças poderosas, deuses estranhos e regido por leis completamente insondáveis e divergentes das leis naturais que conhecemos. Um homem exposto a esta realidade tem tendência a enlouquecer. A sanidade mental é vista como uma cortina que nos protege da realidade, permitindo que as sociedades humanas subsistam como as conhecemos, alheias à estranheza do universo que as rodeia. A personagem principal nas histórias de Lovecraft é tipicamente um cientista, investigador ou professor universitário que se vê confrontado das mais diversas formas com esta terrível realidade. Lembraram-se do filme Matrix? Pois, é acho que muito do que eles “criaram” com certeza tem como base os trabalhos de Lovecraft, Hodgson e Dunsany ou mesmo do artista de quadrinhos Grant Morrison criador dos “Invisíveis”, que alias chegou a processar os produtores do filme Matrix. Fiquei sabendo a pouco do trabalho deste artista e a pouco também procurei na minha cidade uma loja de HQ´s e pude comprovar falando com alguns e lendo algumas coisas que realmente o que propuseram no filme Matrix, e que causou sucesso, de novo não tem nada.

Outra idéia de base importante é a de que a maioria dos cultos e religiões humanas das mais diversas épocas e regiões do globo, sendo aparentemente dispersas, representem imagens distorcidas e por vezes complementares da verdadeira natureza do cosmos. Segundo a Mitologia de Cthulhu, diversas raças e entidades superiores teriam habitado a terra antes do homem, e diversas o farão depois que humanidade desaparecer. Algumas destas entidades superiores (como o próprio Cthulhu), dado o seu ciclo de vida inimaginavelmente longo, e a sua supremacia física e intelectual sobre o homem, são facilmente confundíveis com deuses. Cultos primitivos terão aparecido para adorar estes pseudo-deuses. Muitas das histórias dos mitos especulam sobre a subsistência desses cultos na atualidade, as suas atividades obscuras e as suas motivações incompreensíveis, criando um ambiente extremamente tenso e paranóico.

As histórias originais de Lovecraft têm na sua maioria como cenário os Estados Unidos dos anos 20 e início dos anos 30. Trata-se de uma época de grandes injustiças sociais, em que a classe baixa vivia na miséria e oprimida pela burguesia, enquanto que a classe alta usufruía de um estilo de vida luxuoso. A segregação racial era intensa e a lei seca encontrava-se em vigor, motivando o aparecimento de crime organizado em volta do tráfico de bebidas espirituosas. A terrível realidade dos Mitos de thulhu contrasta de uma forma bastante brutal e sugestiva com a futilidade dos interesses da classe alta.

Seguidamente irão ser descritos alguns elementos-chave dos mitos. Não sendo uma lista de forma alguma exaustiva, pretende apenas dar uma idéia geral do ambiente. Nas descrições que se seguem, e por comodidade, fatos completamente fictícios irão ser descritos como reais. É importante frisar aqui que vamos dar uma idéia geral, pois a entidades lovecraftianas são extensas e difíceis de serem sistematizadas, como falei. Lovecraft escreveu contos sem um ordem cronológica específica, de forma que o conjunto forma a mitologia seja a partir de suas criações ou de elementos do círculo. Por isto é mais interessante do que uma sistematização (aqui feita apenas para dar uma visão geral) é ler as obras sobres os mitos, aí sim ter contato com elas assim como elas foram criadas – dispersas, errantes, mas ao mesmo tempo dentro de uma linha de trabalho. Destas criações podemos citar algumas e alguns trabalhos em que há referências sobre as mesma eu coloquei em parênteses e preferi deixar os títulos originais em Inglês por que dependendo da tradução o título pode vir um pouco diferente e atrapalhar algum de vocês que um dia quiserem consultar algo a respeito:

 

Criação

Referências

 Azathoth

 (“The Dream-Quest of Unknown Kadath”, “The Whisperer in Darkness”, “The Dreams in the Witch House”).

 Hastur

 (“The Whisperer in Darkness”). Lovecraft tomou este termo emprestado de Robert W. Chambers, que por sua vez já havia tomado emprestado de Ambrose Bierce.

  Shub-Niggurath

(“The Last Test”, “The Dunwich Horror”, “The Mound”, “Medusa’s Coil”, “The Horror in the Museum”, “The Thing on the Doorstep”, “The Diary of Alonzo Typer”, “The Whisperer in Darkness”, “The Dreams in the Witch House”, “The Man of Stone”).

  Yog-Sothoth

 (“The Case of Charles Dexter Ward”, “The Dunwich Horror”, “The Horror in the Museum”, “Through the Gates of the Silver Key”).

 Tsathoggua

 (“The Mound”, “The Whisperer in Darkness”, “The Horror in the Museum”). Este termo é de criação de Clark Ashton Smith.

 Shoggoths  (“Sonnet XX, “Night Gaunts” in Fungi from Yuggoth, 1929-30″,”At the Mountains of Madness”, “The Shadow Over Innsmouth”, “The Thing on the Doorstep”).
  Nyarlathotep  (“Nyarlathotep”,”The Dream-Quest of Unknown Kadath”,”The Dreams in the Witch House”,”The Haunter of the Dark”)
  Night-gaunts  (“The Dream-Quest of Unknown Kadath”).
  Elder Things    (“At the Mountains of Madness”).
 Chaugnar Faugn   (“The Horror in the Museum”). Esta é uma criação de Frank Belknap Long.
   Mi-Go (“The Whisperer in Darkness”).
 Great Race  (“The Shadow Out of Time”).
 Ghouls  (“Pickman’s Model”
   Deep Ones  (“The Shadow Over Innsmouth”).
    Dagon  (“Dagon”, “The Shadow Over Innsmouth”).
  Cthulhu

 (“The Call of Cthulhu”).

 

Nas palavras do próprio Lovecraft sobre os Mitos de Cthulhu, ” basea-se na idéia central de que o nosso mundo foi povoado por outras raças que, por praticar magia negra, perderam suas conquistas e foram expulsos, mas vivem num lugar exterior, dispostos a todo o momento a voltar e se apoderar da Terra”.  Muitas vezes confundidos com deuses menores, os great old ones são provavelmente seres vivos incrivelmente poderosos, com ciclos de vida espantosamente longos. Especula-se sobre se pertencerão todos a uma ou várias raças cujos elementos se encontram dispersos pelo universo. A variedade do seu aspecto parece excluir a possibilidade de pertencerem todos à mesma raça. Os seus propósitos são mais compreensíveis do que os dos deuses exteriores, estando interessados em colonizar planetas. É freqüente um great old one liderar um povo de uma raça menos poderosa. Na terra existem cultos dispersos a vários destes seres, principalmente Cthulhu.O necronomicon, ou livro dos mortos, nos conta a existência dos “Grandes Antigos”, entidades vindas do espaço que dominaram a Terra primordial,  muito antes da existência dos seres humanos. Essas entidades foram derrotadas pelos outros deuses mais antigos chamado por Derleth de “Deuses Arquépticos” e foram expulsos do planeta Terra.

 

Existem seis “Grandes Antigos”:

  • Azathoth: Origem do nome:do árabe Izzu Tahuti, que significa “poder de Tahuti”, provavelmente uma alusão à divindade egípcia Thoth. Azathoth é o “Sultão Demoníaco”, o mais importante dos deuses exteriores. Fisicamente é uma massa gigantesca e amorfa de caos nuclear, sendo incrivelmente poderoso mas completamente desprovido de inteligência. A sua “alma” é Nyarlathotep, o mensageiro dos deuses. Azathoth passa a maior parte do tempo no centro do universo, dançando ao som de deuses menores flautistas. A maior parte das suas aparições em locais diferentes deste estão relacionadas com catástrofes gigantescas, como é o caso da destruição do quinto planeta do sistema solar, que é hoje o cinturão de asteróides.
  • Nyarlathotep: Origem do nome: do egípcio Ny Har Rut Hotep, que significa “não existe paz na passagem”. Nyarlathothep é a alma e o mensageiro dos deuses exteriores. É o único deles que tem vindo a travar contatos com a humanidade, mas os seus objetivos são imperscrutáveis. Possui um inteligência inimaginável e um sentido de humor mórbido. Consegue adotar centenas de formas físicas distintas, podendo parecer um homem vulgar ou uma monstruosidade gigantesca. Especula-se que um faraó obscuro da IV Dinastia do Egito dinástico fosse Nyarlathotep “em pessoa”. A própria esfinge seria uma representação em tamanho natural de uma outra forma de Nyarlathotep. Foi o único que, com suas astúcia, escapou do castigo general, e conspira para o retorno dos seus companheiros.
  • Cthulhu: Origem do nome: Deterioração pelos gregos da palavra árabe Khadhulu, que significa “aquele que abandona”. No Alcorão existe a seguinte passagem: 25:29 – “Para a Humanidade Satan é Khadulu”. O mais conhecido dos great old ones e das criações de Lovecraft, Cthulhu é um ser gigantesco e vagamente humanóide, com asas e tentáculos de polvo na boca. Chegou à terra milhões de anos antes do aparecimento do homem e povoou-a com a sua raça de deep ones, seres humanóides anfíbios. Construiu a gigantesca cidade de R’lyeh onde é hoje o oceano pacífico. Daí comandou o seu império, até ao dia em que as estrelas atingiram um alinhamento que o obrigou a entrar em letargia. Cthulhu dorme na sua cidade entretanto submersa por água, aguardando o dia em que a posição das estrelas lhe permita voltar à vida e de novo reinar sobre a Terra. Cthulhu é capaz de comunicar por sonhos enquanto dorme, influenciando alguns seres humanos mais sensíveis durante o sono. Diversos cultos tentam apressar o seu regresso, mas ele próprio não parece ter muita pressa. Especula-se que esta longa hibernação seja uma característica normal do seu estranho ciclo biológico.

 

  • Yog-sothot: é o veículo do caos, a manifestação exterior do caos primitivo.
  • Hastur: a manifestação da voz a força do caos.
  • Shub-niggurath: é o único com representação definida e humanamente acessível, é o poder dos “Grandes Antigos” manifestado na esfera terrestre, vulgarmente o deus das feiticeiras nos sabás.

Fora isto em nosso planeta e em outras dimensões do espaço-tempo existem espécies de monstros associados a isto e grupos de adoradores humanos cujo propósitos é despertar a estes entes extraterrestre. Três destas raças são os Cachorros de Tindalos, os necrófagos de Ghouls e os adoradores de Dagon na cidade de Innsmouth.

 

Outros elementos presentes na mitologia:

 

Necronomicon

 

Constituindo uma verdadeira “bíblia” dos mitos, o necronomicon foi originalmente escrito por Abdul Alhazared um árabe louco e visionário de cuja vida pouco se sabe, exceto que terá visitado alguns dos lugares mais desolados do globo terrestre. Escrito originalmente em árabe, o necronomicon foi mais tarde traduzido para grego (onde ganhou o seu nome atual), latim e inglês. Na atualidade não existirão mais do que duas ou três cópias deste livro, citando a “História do Necronomicon”: “…dos textos latinos agora existe um (século XV) está guardado no Museu Britânico, enquanto outra cópia (século XVII) está na Biblioteca Nacional de Paris. Uma edição do século XVII está na Widener Library em Harvard, e na Biblioteca da Universidade de Miskatonic em Arkham. Além disto na Biblioteca da Universidade de Buenos Aires. Numerosas outras cópias provavelmente existem em segredo, e uma do século XV existe um rumor persistente que forma parte da coleção de um célebre milionário norte americano”. Revelando alguns dos mais terríveis segredos dos mitos, a sua leitura provoca graves perdas de sanidade mental a quem alguns que o lêem. Lovecraft embora afirmou, por carta, certa vez que criou o necronomicon baseado em um sonho que teve, acredita-se que ele se inspirou no Liber Logaeth, o grimório real do Dr. John Dee.

Estes grimório não existe e nunca existiu e as descrições acerca do mesmo são de autoria de Lovecraft, o verdadeiro idealizador do necronomicon. O necronomicon nem como um livro cem por cento escrito foi criado por Lovecraft, pois o mesmo dizia ser o mesmo desconhecido. Com a morte de Lovecraft a coisa ganhou tal proporção que muitos forjaram cópias na internet de versões falsas do necronomicon algumas mais complexas outras menos e que em nada acrescenta de útil. É até engraçado algumas, certa vez li uma famosa que dizia a despeito de uma ligação do ocultista Aleister Crowley e Lovecraft – pode isto? Os contos que citam o necronomicon (e são muitos) constituem uma das partes mais interessantes da mitologia. Tem até um filme muito bom, baseado nos trabalhos de Lovecraft que recomendo sobre o tal livro que é o filme “Uma Noite Alucinante” (no E.U.A como “Evil Dead 2”), prefiram assistir a parte 2 que nada mais é do que uma refilmagem. Este filme conta a história de um grupo de jovens que vai acampar numa cabana no meio da floresta e lá encontram o necronomicon e ao ligarem um gravador com onde estava gravado passagens do livro, libertam espíritos malignos da floresta. Pode-se encontrar muito informação sobre o necronomicon no conto: “Os Sonhos na Casa Assombrada” e “O Horror de Dunwich” entre tantos outros. Esclarecendo novamente (em vista da confusão presente na web): o necronomicon nunca existiu como livro, o mesmo para a mitologia lovecraftiana, que como o necronomicon pertencem ao mundo da fantasia e nada mais! Fora este livro imaginário também existiam outro como The King in Yellow.

Arkham

Trata-se de uma pequena cidade universitária perto de Boston, na Nova Inglaterra. Atravessada pelo rio Miskatonic, é nela que vivem muitos dos heróis das histórias de Lovecraft. Aliás, a Universidade de Miskatonic é palco de muitas de suas aventuras. Fundada por pioneiros ingleses da colonização do continente americano, Arkham é assombrada pelas memórias do tempo das bruxas e dos ritos sombrios. Alguns dos sótãos desta cidade ocultam ainda hoje segredos terríveis.

Yuggoth

 

Ainda antes da descoberta oficial de Plutão, o último planeta do sistema solar, já Lovecraft escrevia sobre Yuggoth, um pequeno planeta sólido com a sua órbita exterior à de Neptuno. Yuggoth é a terra natal de uma raça de criaturas terríveis, os Fungos de Yuggoth, que são seres insectóides da dimensão de um homem com a capacidade de voar através do vácuo inter-planetário, e donos de uma tecnologia incrivelmente avançada. Os Fungos de Yuggoth vagueiam por todo o sistema solar, incluindo a Terra, com propósitos desconhecidos.

 

A impossibilidade de uma definição

Existe bastante polemica sobre se os Mitos de Cthulhu podem ser considerados uma verdadeira mitologia, ou mesmo uma pseudo-mitologia. Tendo todas as características de uma qualquer outra mitologia, desde um panteão de deuses a um conjunto de lendas (os contos de Lovecraft e outros), foram criados de uma forma perfeitamente artificial e intencional por um conjunto restrito de escritores. Não tiveram a sua gênese nas tradições e crenças de uma civilização, como seria normal numa mitologia. As obras desta mitologia fazem constantemente referências a elementos presente em outros livros, por isto é muito comum vermos termos como: Arkham (a principal cidade-palco de suas histórias), Universidade de Mistakatonic, a vila mal assombrada de Innsmouth, e outras coisas mais presentes em muitas de suas histórias.

August Derleth, autêntico embaixador da obra de Lovecraft e defensor da idéia de considerar os Mitos de Cthulhu uma mitologia, tentou de certa forma a sua sistematização. Procurou determinar que contos de Lovecraft e outros pertenciam aos mitos, e esclarecer aspectos focados de uma forma vaga e imprecisa nessas histórias. Chegou a pretender associar algumas entidades dos mitos com os quatro elementos naturais: ar, água, terra e fogo.

Lin Carter, no seu ensaio “Deamon-Dreaded Lore”, considera que este tipo de sistematização é negativa na medida em que faz desaparecer o fator que considera mais importante nas histórias de Lovecraft: o medo do desconhecido e do incompreensível. Na sua opinião Lovecraft descreve de forma vaga muitos aspectos dos mitos propositadamente, para criar uma aura de mistério e tensão. Os contos de Lovecraft abordam freqüentemente o confronto de seres humanos com realidades e desígnios totalmente alienígenas, e que não para eles compreensíveis.

De forma um pouco marginal ao núcleo central do seu trabalho, e sob a influência de Lord Dunsany, Lovecraft escreveu algumas histórias oníricas, passadas numa dimensão de sonhos, as dreamlands. A história central deste ciclo é “À Procura de Kadath” e narra as aventuras de Randolph Carter (alter-ego de Lovecraft e seu grande personagens de muitos trabalhos), um homem que quando sonha se vê transportado para um outro plano de existência, semelhante a uma terra medieval povoada de criaturas fantásticas. As dreamlands são aparentemente um lugar de paz e tranqüilidade, habitado por criaturas próprias do imaginário infantil. Este sonho pode por vezes transformar-se em pesadelo, dando lugar aos mais horríveis monstros e criaturas. Embora de uma forma dispersa, Lovecraft estabelece algumas relações entre estas dreamlands e o corpo central dos mitos.

Alguns contos de Lovecraft definitivamente não fazem parte dos mitos como por exemplo “A Arvore” e “Os Gatos de Ulthar”, mas que não deixam de forma algum de ter um excelente qualidade.

Existem ainda alguns paralelismos que podem ser traçados entre a vida de Lovecraft e alguns aspetos dos mitos. Desde muito pequeno que Lovecraft gostava de ler as “Mil e Uma Noites”, fascinando-o especialmente um personagem árabe misterioso. A analogia com o necronomicon e Abdul Alhazared é inevitável, tanto que era por este nome que ele gostava de ser chamado quando criança. A sua repulsa por peixe e comida marinha faz lembrar “A Sombra sobre Innsmouth”, onde a decadente população da cidade pesqueira de Innsmouth tem estranhas relações com os deep ones, anfíbios humanóides que imitem um repugnante odor a peixe. Falando nisto tem um filme muito interessante sobre Lovecraft que se chama “Dagon” ele é baseado no conto de mesmo nome e na “A Sombra… é um dos poucos filmes bons do mestre dando um boa idéia dos mitos (Necronomicon, Dagon, Re-Animator, Evil Dead 2, pra mim são os melhores filmes, mas existem outros – inclusive porcarias), este e tantos outros é fácil baixar no e-mule ou em qualquer programas de p2p na web e depois é só baixar as legendas em sites especializados. Voltando… Lovecraft é atormentado por sonhos desde pequeno, e a sua mais famosa criação, Cthulhu, tem a capacidade de influenciar os sonhos dos humanos. Além disto temos ainda um ciclo inteiro de histórias dedicadas às suas terras de sonhos, as dreamlands. Também é notório a influencia que exerceu Lord Dunsany com sua mitologia fantástica e também William Hope Hodgson e suas aventuras marinhas.

O fim do Círculo de Lovecraft

 

Os vários autores dos mitos seguiam um acordo tácito de criar nas suas histórias um ou dois deuses exteriores, um great old one, um tomo arcano e uma cidade assombrada por cultos obscuros e lendas sombrias. Com pequenas variações, os diversos elementos do círculo cumpriam as “regras do jogo” ao escrever para os Mitos de Cthulhu.

Era muito freqüente os membros do círculo “brincarem” uns com os outros colocando referências a outros autores dos mitos de uma forma mais ou menos explícita nas suas histórias. Em 1935 Robert Bloch pediu autorização a Lovecraft para o utilizar como personagem principal num conto. Lovecraft concorda e Bloch torna-o o herói em “O Bamboleiro das Estrelas”, matando-o no fim da história às mãos de um monstro alienígena. Lovecraft obtém a sua vingança “matando” Robert Blake, um alter-ego de Bloch em “O Caçador do Escuro”. O autor do tomo “Cultes des Goules” imaginado por Bloch, Comte D’Erlette, é uma alusão clara a August Derleth. O nome Klarkash-Ton, de alto-sacerdote da Atlântida num conto de Lovecraft, constitui uma paródia a Clark Ashton Smith. Vários outros exemplos poderiam ser citados…

Edmund Wilson criticou e ridicularizou mesmo Lovecraft por este usar muita adjetivação na sua escrita. Era considerado que um bom conto de ficção não deveria socorrer-se de muita adjetivação, mas que os próprios acontecimentos e descrições é que deviam sugestionar o leitor. Se uma visão é horrível, o próprio leitor deveria aperceber-se disso, nunca deveria explicitamente ser dito: “a visão é horrível”. O que é fato é que tanto Lovecraft como diversos dos seus seguidores mantiveram sempre o uso de adjetivação muito rica, o que se tornou uma característica distintiva dos contos dos mitos. Em sua defesa Robert Price considera que estes adjetivos podem ter um efeito quase hipnótico no leitor, despertando a sua própria noção dos conceitos que encerram e inflamando a sua imaginação.

A morte de Lovecraft constituiu um choque para os elementos do círculo, assim como uma surpresa, visto que este não lhes tinha dado qualquer indicação na sua correspondência de que estivesse doente. Este acontecimento causou uma quebra temporária no trabalho relacionado com os mitos. Citando Robert Bloch, “o jogo tinha perdido toda a piada”. Nos anos 40 e 50, Robert Bloch, James Wade e August Derleth continuaram a escrever histórias dos mitos. Em 1964 Ramsey Campbell, um jovem escritor britânico, dá a sua contribuição com o apoio de Derleth. Em 1971 ainda outro britânico, Brian Lumley, junta-se ao grupo. O círculo não morrera verdadeiramente com Lovecraft, subsistindo de uma forma dispersa até aos dias de hoje.

Fonte: www.sitelovecraft.cjb.net

Denilson, sitelovecraft.cjb.net

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/mitos-de-cthulhu/

Mapa Astral de Jorge Amado

Jorge Leal Amado de Faria (Itabuna, 10 de agosto de 1912 — Salvador, 6 de agosto de 2001) foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos.

Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.

Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa.

O Mapa de Jorge Amado possui Sol em Leão, Lua em Câncer, Vênus em Leão-Virgem (Rei de Moedas); Mercúrio e Marte em Virgem (na Casa 3, da comunicação), Júpiter em Sagitário, Saturno em Gemeos-Touro (Rei de Espadas), Ascendente em Gêmeos e Caput Draconis em Áries. Seu Planeta mais forte é Mercúrio em Virgem, com 4 Aspectações fortes, sendo a Principal aspectação a quadratura com Saturno (em Gêmeos) que vai indicar uma das relações mais interessantes de seu mapa: a Facilidade em escrever.

Lua em Câncer, eu já falei em diversos mapas, é a lua das mães, das enfermeiras e dos poetas; indica a energia de lidar e cuidar dos sentimentos dos outros e colocar as emoções dos outros em suas mãos. Combinando esta energia com qualidades metódicas virginianas (Mercúrio e Marte… pensamento organizado e vontade organizada, ambas na casa 3, das comunicações) temos alguém com uma facilidade enorme de redigir estratégias e cultivar o emocional dos leitores… alguém capaz de trabalhar as palavras de maneira bastante complexa e ao mesmo tempo penetrar fundo na essência emocional do leitor.

Júpiter em Sagitário indica uma facilidade acima da média de observar o mundo ao redor e agarrar oportunidades. Normalmente encontrado em pessoas “sortudas”, na verdade mostra pessoas com uma facilidade natural para observar os mecanismos da realidade e entender como estas oportunidades se manifestam. No caso do escritor, ele utilizou esta facilidade para compreender a natureza humana e retratá-la de maneira profunda em seus livros.

Saturno em Gêmeos-Touro (Gêmeos a 2,54 graus, ou seja, ainda com influencias da energia taurina; posição que, na Astrologia Hermética, é chamado de Rei de Espadas) trabalha a energia da comunicação e profundidade de maneira rigorosa e responsável. A casa 12 é da espiritualidade (Jorge Amado se classificava como “um materialista que adora o Candomblé”, religião na qual exercia o posto de honra de Obá de Xangô (protetor do terreiro; um dos títulos honorários mais importantes do Candomblé no Rio de Janeiro).

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-jorge-amado

Como não dormir na missa

Só existe uma forma de uma pessoa normal não pegar no sono durante uma missa soleme: mudá-la completamente.

O movimento Jesus Freak alegra-se em trabalhar incansavelmente na ruptura da lógica centralizadora que tem regido o cristianismo desde a Idade Média.  Esta centralização é reforçada diariamente em diversos templos de diversas dominações nos quais os rituais são dirigidos por uma elite sacerdotal com diferentes graus de interação com o público, mas ainda assim, dividido sempre entre leigos e sacerdotes. Talvez essa divisão possuísse certa coerência na época de Arão no antigo testamento (Números 3:10). Porém, torna-se uma ideia completamente estapafúrdia para a nova aliança, onde segundo I Pedro 4:16 todo aquele que se chama cristão é honrado como sacerdote.

Uma vez que os morcegos das tradições humanas eclipsam o Sol da verdade é necessário que algumas dessas tradições sejam revisadas ou mesmo abolidas. Caso contrário o cristianismo estará fadado ao sono profundo e aos jogos de poder que podemos ver hoje em seus templos. É por este motivo  os Jesus Freaks incentivam a retomada dos verdadeiros valores cristãos de fraternidade deixando para  trás o centralismo e o fanatismo que não apenas foram condenados por Jesus Cristo em sua época como agem hoje como ervas daninhas sufocando o crescimento de um espírito espontâneo de conhecimento e adoração.

Nós propomos que o culto cristão seja revolucionário:

Roteiro Rápido

1 – Ação de graças
2 – Leitura
3 – Comentários
4 – Oração
5 – Comunhão
6 – Bençãos

Roteiro Detalhado

0 – Preparação

Um momento musical pode preceder o culto (ver artigo ‘Transliturgia: Todas as músicas são sagradas’). Deve-se evitar uma disposição no formato altar ou palco. Todos os participantes são absolutamente iguais. Recomenda-se uma mesa ou um circulo no chão. Não é preciso uma grande congregação ou mesmo um templo físico para organizar uma reunião. Um grupo com pelo menos 2 corações sinceros é tão digna da presença de Deus quanto um showmissa em uma catedral. Não recomendamos grupos com mais de 12 pessoas para preservar a organização do culto. Em casos de é comum que entre os Freaks uma divisão em dois novos grupos, estimulando assim o crescimento do movimento.

1 – Ação de Graças

Cientes da presença divina, o grupo inicia a missa com as ações de graças. Uma pessoa de cada vez deve esforçar-se em divulgar aos irmãos presentes algo em sua vida pelo que sinta-se grata. Saúde, amor,prosperidade, sexo com a vizinha, não importa o que for, deve ser compartilhado nesse momento com a comunidade em sincera alegria. Todos os presentes podem expressar-se, mas quem quiser se calar agora também pode fazer isso. Lembre-se, são todos irmãos, não há do que se envergonhar.

2 – Leitura

Esse é o momento em que se inicia a leitura das escrituras sagradas. Esse momento exige um cuidado especial, para evitar a manipulação política e ideológica dos muitos pelos poucos. Desta forma, o aleatório é muito bem vindo. Recomendamos alguns mecanismos de sorteio como dados ou papéis fechados em sacolas que possam decidir o texto e livro a ser lido e quem o lerá. É sensato não prolongar muito a leitura, portanto devem ser lidas apenas porções pequenas mas coesas dos textos que contemplem um ou mais ensinamentos. O Movimento Jesus Freak não faz diferenças entre Livros Canônicos ou Apócrifos deixando o coração de cada um ser o filtro da verdade.

3 – Observações

Após a leitura todos terão a oportunidade de deixar seu testemunho sobre o texto em questão. Os interessados devem manifestar-se levantando uma das mãos ou emitindo algum outro sinal durante a leitura. Este é o belo momento de compartilhar e deixar de lado a contenda. Ninguém deve ser criticado ou julgado pelo que disser, por isso não haverá réplica sobre comentários. Exemplificando: Se um ateu achar que um versículo lido é um indício da inexistência de Deus e expressar-se assim, os demais deverão exercitar a tolerância e o amor cristão em silêncio.

4 – Oração

Para criar uma harmonia no grupo após eventuais tensões nos comentários todos devem fazer uma oração ou no se preferir aguardar em silêncio. Alguns grupos podem optar por um Pai Nosso em unissono, outros podem escolher que esta é a hora de um fervor multi-línguas no qual, ao mesmo tempo, todos farão suas próprias orações outro grupo ainda pode achar mais apropriado que cada um faça sua oração em voz baixa ou apenas com os pensamentos.  Mesmo queo grupo tenha uma prática definida para esta hora, a liberdade de cada um deve ser honrada e cada um pode honrar, pedir reclamar conforme suas próprias crenças ou permanecer em silêncio. Todos devem aguardar até a última oração terminar. Um momento musical pode estar presente nessa etapa e recomendamos que não pare antes do último participante parar de falar.

5 – Comunhão

Tira-se a sorte agora para a decisão de quem presidirá a comunhão. Ela pode ser feita com qualquer alimento e bebida que agradar. O sortudo exibe ambos para os presentes e anuncia que a bebida é o sangue derramado por Cristo e que o alimento é a carne entregue em sacrifício. Após isso todos devem saborear com alegria a eucaristia, fazendo isso em memória D’ELE.

6 – Bençãos

A última etapa é iniciada com um minuto de silêncio que segue a comunhão. Após o término do silêncio, outro participante é escolhido randomicamente para fazer abençoar todos os demais. Não importa a forma, mas sim que seja feita em nome de Jesus. Quem não quiser receber benção nenhuma, porque por exemplo não acredita em nada da Bíblia, pode cruzar os braços em sinal de negação se desejar. Estas pessoas devem sempre ser convidadas mas nunca coagidas a nada. As pessoas que desejarem uma benção específica (saúde, vida pessoal, etc…) deverão dizer o motivo em voz alta e em seguida a receberão.

Conclusão

 

Uso de escolhas randomicas, embora não seja incomum não é uma novidade moderna. Quando Judas morreu ous apóstolos tiveram que escolher uma nova pessoa para ficar em seu lugar entre os 12. Veja em Atos 1:26 como eles decidiram isso. Eles sabiam que Deus conhece o coração de todos e pediu que indicasse o escolhido, lançando a sorte em seguida.  Toda aleatoridade é guiada por Deus. Mesmo no antigo testamento, Exodo 28:30, lemos sobre o Urim e Tumim, que embora de natureza misteriosa indicam ter uma funcão semelhante a uma moeda de cara e coroa.

Sabemos que nossa proposta de missa pode desagradar a muitas pessoas, especialmente aquelas doutrinadas pelas antigas tradições e as interessadas em manter seu rebanho sob controle. De fato, muitas pessoas acreditam que não estão prontas para o tipo de liberdade que o evangelho oferece. Mas caso estas diretrizes lhe causem estranhamento não se incomode, continue no seu culto. Não somos o tipo de cristãos que obrigam as pessoas a fazerem o que elas não querem.


Sentindo-se freak? Conheça Jesus Freak: o Guia de Campo para o Pecador Pós-Moderno


 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/como-nao-dormir-na-missa/

Ordem Demolay

Salve,

A Ordem DeMolay é a maior organização juvenil do mundo, de fins filosóficos, filantrópicos, e sem fins lucrativos, já tendo iniciado desde de sua origem, mais de 2,5 milhões de jovens. Trabalha alicerçada na máxima de que “educando-se o jovem estaremos nos eximindo da tarefa de ter que castigar o adulto”. Fundada em 18 de março de 1919 em Kansas City, Missouri, EUA, tem como objetivo formar jovens de 12 à 21 anos de idade, melhores cidadãos e líderes através do desenvolvimento e fortalecimento da personalidade e enfatizando virtudes indispensáveis para a boa conduta social.

Como as pessoas envelhecem e a Ordem Demolay é para estudantes até os 21 anos de idade (depois disto, tornam-se “Senior Demolays”), todos os anos precisamos buscar por novos iniciáticos para repor nossas fileiras. O Capítulo Arcanum Arcanorum está à procura de novos candidatos.

Se você é homem, tem entre 13 e 20 anos, mora em São Paulo e gosta de Kabbalah, Hermetismo, Alquimia, Cavalaria e outros temas abordados aqui no Teoria da Conspiração, ou conhece alguém que esteja nestas condições, entre em contato comigo no email marcelo@daemon.com.br que passarei os dados dos coordenadores do Capítulo para os testes de seleção.

PS: Se você não for de São Paulo, mas gostaria de participar, entre em contato que eu procuro algum Capítulo na sua cidade.

#Demolay #Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ordem-demolay

Homem, Sansara e o Princípio Diretor

Paulo Jacobina

O Homem é um dos estados transitórios no qual o Eu se manifesta e, como tudo o que existe e o que não existe, é composto por infinitos Eus, cada um em um estágio distinto da Consciência e responsável por reger um ponto específico da constituição do Homem.

No núcleo do Homem existe um Eu Central, que é o responsável por reger a orquestra de Eus que compõe o Homem, aplicando o Amor para que toda a estrutura se mantenha coesa. Ao seu redor, infinitos Eus se encontram, alguns em estágios mais sutis da Consciência, compondo os estágios do Psiquismo Diretor que atuam sobre o Homem; além de outros em estágios menos sutis em comparação ao Eu Central, compondo os elementos básicos que constituem o Homem. A esse conjunto de Eus centrados em um Eu Central dá-se o nome de Persona.

Em cada Persona, infinitos Eus com seus Livres-Arbítrios atuam vivenciado as situações necessárias para o deslocamento por ressonância na Consciência, fazendo uso do Amor e do Ódio. Na condição de núcleo do Homem, um dos estágios do Psiquismo Diretor, o Eu Central deve se conectar aos Eus mais sutis para receber a orientação necessária à sua transformação, bem como orientar os menos sutis, seguindo a Escada de Jacó e estabelecendo a harmonia necessária para a sutilização, para percorrer o Dharma.

RODA DE SAMSARA

Tal qual ocorre com o Planeta, a Existência e a tudo o que existe e o que não existe, todos os Eus que integram o Homem também têm os seus ciclos de sístoles e diástoles, inclusive o Eu Central. E, tal qual ocorre em todos os estágios de Consciência, o Eu Central inicia o seu ciclo no ponto de maior Vitalidade e, consequentemente, de maior estado de sutilização.

Quando atinge o seu ponto de menor fluxo de vitalidade, no ápice da sístole, o Eu Central do Homem perde a capacidade de manter coesa toda a estrutura que dá forma ao Homem, e aqueles Eus que compunham os elementos básicos da constituição do Homem são redistribuídos pelo sistema em que se encontram, de acordo com o seu estado de Consciência.

Iniciando o período de diástole, o Eu Central começa a receber mais Vitalidade, e, por isso, aumenta a sua capacidade de atrair novos Eus elementares, dando forma a outro organismo, a outra Persona. Quando essa Persona se encontra inteiramente formada no ponto de maior fluxo de Vitalidade, de maior sutileza possível para este organismo, no ápice da diástole, tem início o período de sístole.

Durante o período de sístole, em decorrência da mudança do fluxo de Vitalidade, a Persona se torna menos sutil e, por isso, começa a transitar entre Mundos Existenciais, passando a experimentar as situações desses Mundos, compatíveis aos Corpos Existenciais de que principalmente faz uso. A esse processo, que acompanha o período de sístole, costuma-se dar o nome de Encarne e, em contrapartida, ao período de diástole, dá-se o nome de Desencarne.

A Persona que durante o período de sístole ou Encarne manifesta-se, sobretudo, fazendo uso de um Corpo Físico, e durante o período de diástole ou Desencarne, sobretudo fazendo uso de um Corpo Energético.

Tanto o Encarne ou sístole, quanto o Desencarne ou diástole, são períodos nos quais a Persona manifesta-se simultaneamente em dois Corpos Existenciais com estados de sutileza próximos, como o Corpo Físico e o Corpo Energético, e por consequência, coexiste em dois Mundos Existenciais, como o Mundo Físico e o Mundo Energético[1].

No início do período de sístole ou Encarne, o Corpo Existencial mais sutil se encontra em zênite e o menos sutil em nadir. Durante esse período, o mais sutil entra em ocaso, ao passo que o menos sutil inicia a sua aurora.

E no início do período de diástole ou Desencarne, o Corpo Existencial menos sutil se encontra em zênite e o mais sutil em nadir. Durante esse período, o menos sutil entra em ocaso à medida que o mais sutil inicia a sua aurora, como duas ondas sobrepostas e que possuem a mesma frequência e amplitude, mas em oposição de fase.

PSIQUISMO DIRETOR

O Psiquismo Diretor é um dos atributos dos elementos que constituem o Grande Plano Atman, sendo responsável pelos infinitos padrões adotados por tudo o que existe e o que não existe, seja no Grande Plano Mental, seja no Grande Plano Físico, e que visam, tão somente, promover a integralidade da manifestação.

Para experimentar o Mundo de Existência, cada Eu, ilusoriamente, é submetido à atuação de elementos integrantes dos Grandes Planos de Existência, de acordo com o estado de Consciência no qual se encontra. Ao ser submetido ilusoriamente aos elementos do Grande Plano Atman, o Eu passa a adotar características desse plano existencial, à medida que se encontra mais identificado com cada Mundo Existencial.

O Eu mais próximo ao Eu Inferior gera um padrão mais simples, enquanto o Eu mais próximo ao Eu Superior dá origem a um padrão mais complexo, e tudo que se manifesta no Grande Plano Físico e no Grande Plano Mental decorre de uma amálgama dos padrões originados no Grande Plano Atman.

Essas amálgamas que se manifestam no Grande Plano Físico seguem parcialmente a classificação taxonômica[2], sendo que cada Clado[3] tem origem em um Eu.

Apenas para ilustrar, a manifestação de uma Persona só é possível em virtude da atuação de elementos do Grande Plano Atman no Eu Central, que estabelece o padrão daquela Persona. São infinitos os Eus em estados mais próximos do Eu Inferior que do Eu Central, os responsáveis pelos padrões mais simples que compõem aquela Persona, como, por exemplo, a habilidade de andar, respirar, sentir etc.

Do mesmo modo, são infinitos os Eus em estados mais próximos ao Eu Superior que do Eu Central, responsáveis por padrões mais complexos, como, por exemplo, a forma humana, as características físicas típicas de um povo, os padrões culturais, a compreensão do Todo, a manifestação no Planeta, a correlação com o Sistema Planetário etc.

[1] Em que pese a utilização do termo Mundo Energético, como ocorre com o Absoluto e com tudo o que existe e o que não existe, o nome em si não é relevante e, por isso, o Mundo Energético também, como acontece em algumas culturas, pode receber o nome de Umbra ou Umbral, Mundo Espiritual, Submundo, Salão das Duas Verdades, o Mundo das Sombras, Mundo dos Mortos, a Sombra Aveludada, Mundo Inferior etc.

[2] Modelo de classificação científica adotado pela biologia para agrupar espécies de seres de acordo com as suas características morfológicas, mas que deixa de englobar a vida que se manifesta no reino mineral, por exemplo.

[3] Clado ou ramo é o nome dado cientificamente a um grupo de organismos originados de um único e exclusivo ancestral comum.


Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalis

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/homem-sansara-e-o-principio-diretor/

Quem pode ser e o que deve ser feito para se tornar um Thelemita?

Por Jonatas Lacerda

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Muitas vezes sou questionado a respeito de como uma pessoa pode se tornar Thelemita, assim como de quais são os requisitos para ser um. A partir disso fica a questão: Quem pode e o que deve ser feito para se tornar um Thelemita?

Não existem escolas que trabalhem na formação de Thelemitas, já que não se forma um Thelemita, todo homem e toda mulher nascido após o Equinócio dos Deuses[1], está preparado para esta era e está em suas mãos aceita-la ou não. Não são necessárias quaisquer certificações e nem mesmo patentes que atestem seu conhecimento ou o status, assim como, não são necessários mestres ou instrutores[2]. Enfim, ser Thelemita é uma questão pessoal e somente o indivíduo tem capacidade para se considerar um[3].

A verdade é que a resposta dessa pergunta é muito simples. Por definição, um Thelemita é aquele que aceita o Livro da Lei e que trabalha, de alguma forma, na divulgação e no estabelecimento da Lei do Novo Æon, Thelema. O Thelemita está cônscio de seu papel na sociedade e está disposto a avaliar seus atos sob a ótica da Lei e a trabalhar dia-a-dia na evolução de sua própria concepção: sobre si mesmo, sobre o próximo, sobre a humanidade e sobre o meio-ambiente. Ele é responsável por todos os seus atos e deve observar esses constantemente, para que dessa forma, jamais interfira na órbita de outras estrelas.

O Thelemita toma a consciência da não existência do pecado, e dessa forma se não existe pecador não existe redenção e, portanto não há como culpar a Deus ou ao Diabo por suas dádivas ou por suas tentações. Toda ação tem uma reação e toda mudança só é realizada com intenção, portanto, somos responsáveis por tudo de bom e tudo de ruim em nossas vidas e devemos sempre procurar melhorar cada aspecto dela, avaliando e corrigindo nossas falhas.

O Thelemita deve buscar por sua ascensão em Luz, Vida, Amor e em Liberdade e a Lei de Thelema tem a fórmula que é capaz de auxiliá-lo a compreender sua relação com cada ponto deste vasto espaço. O mais importante é que o Thelemita está consciente de sua realidade como uma estrela única e também da existência de muitas outras, que são, por direito, também únicas.

A Lei de Thelema é sim o encontro da liberdade incondicional, mas exatamente por ser a Lei de Liberdade, ela se mostra ao Thelemita como a mais restrita de todas as restrições, já que a liberdade não está ali somente para ele, ela está da mesma forma para todos.

Todo homem e toda mulher tem o sagrado direito de aceitar o Livro da Lei e de aplicar os preceitos da Lei de Thelema em sua vida. Não existe a obrigatoriedade de uma iniciação ou rito de passagem, nem de nomeação ou ainda de se filiar a uma organização[4]. Todo homem e toda mulher que aceita o Livro da Lei e caminha em direção da aplicação completa dos preceitos da Lei de Thelema em sua vida e trabalha de alguma forma, na divulgação e no estabelecimento do Æon da Criança Coroada e Conquistadora, é um Thelemita.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Notas de Rodapé

1- O início do Æon de Hórus, em 1904.

2- É evidente que em muitos casos é necessário que um Thelemita auxilie outro em diversas questões relativas à Lei. O importante é ter em mente que mesmo que existam mestres ou instrutores, eles não são fundamentais para que uma pessoa se considere uma Thelemita.

3- Dizer que alguém é Thelemita, lhe forçando, de alguma forma a sê-lo é uma interferência danosa que jamais deve ser realizada. Um homem ou uma mulher só é Thelemita se ele ou ela assim o quiser. ? voltar

Muito embora realmente não haja a necessidade de se filiar a uma organização de cunho Thelêmico, é muito comum que se faça isso, já que essas organizações são extremamente importantes, em primeiro lugar para ajudar no crescimento individual da pessoa e em segundo lugar, para fornecer ferramentas que auxiliem na tarefa de divulgação da ideia do Novo Æon.

Publicado originalmente em Thelema.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/quem-pode-ser-e-o-que-deve-ser-feito-para-se-tornar-um-thelemita