Yod-He-Shin-Vav-He e Maria Madalena

Quero avisar que estou acompanhando os comentários, mas que só vou montar um post de respostas depois que as matérias sobre Yeshua terminarem, porque a maioria das perguntas feitas devem ser respondida ao longo dos textos. O que ficar faltando eu faço uma geral depois…

Continuaremos nesta semana a pequena série de matérias sobre Yeshua Ben Yossef, o Jesus, o Cristo, histórico. Como vimos na coluna anterior, Yeshua nunca foi o pobrezinho coitadinho nascido de uma virgem e de um carpinteiro que a Igreja Católica fez as pessoas acreditarem durante a Idade Média, nem nasceu em uma manjedoura porque não havia vagas nos hotéis de Belém por causa do recenseamento e muito menos três reis perdidos no deserto entregavam presentes para qualquer moleque nascido em estábulos que encontrassem pela frente.

Paramos a narrativa quando Yeshua é levado por seus pais para ser educado no Egito; mais precisamente nas Pirâmides do Cairo, e lá permanece estudando. A Bíblia nos dá um hiato de quase 30 anos…

O que aconteceu neste período?

Antes de continuarmos, precisamos explicar algumas coisas que os leitores estavam confundindo:

A primeira é “Se Yeshua é tão fodão quanto os ocultistas falam, porque ele não soltou bolas de fogo pelos olhos e raios elétricos pelo traseiro e matou todos os romanos?”

A resposta para isso é obvia. Yeshua é um humano como qualquer outro. Ele come, dorme, vai no banheiro e solta puns como eu ou você. Seu “poder” vem de sua iluminação e de seu conhecimento e do “ser Crístico” que foi despertado nele, assim como Buda, Krishna, Salomão, Davi, Moisés ou os Faraós. Claro que os conhecimentos alquímicos, astrológicos e místicos que possuía fazem com que Jesus fosse um ser humano muito superior aos demais, tanto física quanto mentalmente… um Mestre de bondade, caridade e iluminação, mas não o torna um super-homem. Cinco soldados com espadas dariam cabo dele com a mesma facilidade com que dariam cabo do Dalai Lama.

Quando Yeshua nasceu, os romanos já dominavam Jerusalém desde 63 AC e Herodes já estava no poder desde 37 AC.

Quando os romanos substituíram os selêucidas no papel de grande potência regional, eles concederam ao rei Hasmoneu Hircano II autoridade limitada, sob o controle do governador romano sediado em Damasco. Os judeus eram hostis ao novo regime e os anos seguintes testemunharam muitas insurreições. Uma última tentativa de reconquistar a antiga glória da dinastia dos Hasmoneus foi feita por Matatias Antígono, cuja derrota e morte trouxe fim ao governo dos Hasmoneus (40 AC); o país tornou-se, então, uma província do Império Romano.

Em 37 AC, Herodes, genro de Hircano II, foi nomeado Rei da Judéia pelos romanos. Foi-lhe concedida autonomia quase ilimitada nos assuntos internos do país, e ele se tornou um dos mais poderosos monarcas da região oriental do Império Romano. Grande admirador da cultura greco-romana, Herodes lançou-se a um audacioso programa de construções, que incluía as cidades de Cesaréia e Sebástia e as fortalezas em Heródio e Masada.

Dez anos após a morte de Herodes (4 AC), a Judéia caiu sob a administração romana direta. À proporção que aumentava a opressão romana à vida judaica, crescia a insatisfação, que se manifestava por violência esporádica, até que rompeu uma revolta total em 66 DC. As forças romanas, lideradas por Tito, superiores em número e armamento, arrasaram finalmente Jerusalém (70 DC) e posteriormente derrotaram o último baluarte judeu em Massada (73 DC), mas falarei sobre isso mais para a frente.

Portanto, estas Ordens das quais estamos discutindo (Pitagóricas, Essênias… ) das quais Yossef e Maria faziam parte já precisavam se manter “secretas” desde o Tempo de Pitágoras (eu tive de pular algumas partes da história do Ocultismo para chegar a Jesus mas voltarei aos Gregos assim que terminarmos esta série).

A conexão de Yeshua com a Ordem Pitagórica e com os ensinamentos orientais é simples de ser demonstrada. O nome Yeshua representa “Aquele que vem do fogo de Deus” ou, como mais tarde a Igreja colocou, “O Filho de Deus”, representando um sacerdote solar.

Cabalisticamente, Deus é representado pelas letras hebraicas Yod-Heh-Vav-Heh ou o tetragrama YHVH que simbolizam os 4 elementos e toda a Àrvore da Vida. Estas letras são dispostas em um quadrado ou uma cruz. O alfabeto hebraico não possui vogais e o nome de Deus precisava ser passado apenas oralmente de Iniciado para Iniciado. Quando surgia nos textos, os sacerdotes precisavam oculta-lo e usavam outras palavras para designá-lo. Eis o verdadeiro significado do mandamento “Não tomarás o nome de Deus em vão”.

A letra SHIN representa o espírito purificador. O fogo celestial que remove o Impuro (tanto que, como veremos mais adiante, ela representa o Arcano do Julgamento no tarot). Da evolução do quatro vem o número cinco, o pentagrama sagrado dos Pitagóricos, representado pela união dos 4 elementos mais o espírito (SHIN). Note que são os MESMOS elementos utilizados na bruxaria, no xamanismo, nas Ordens Egípcias, na wicca e na magia celta.

O pentagrama será, então, representado pelas letras Yod-Heh-Shin-Vav-Heh, ou YHSVH ou Yeshua. Este título já havia sido usado por Rama, Krishna, Hermes, Orfeu, Buda e outros líderes iluminados do passado.

A Infância de Jesus

De sua infância até seus 30 anos, Jesus viajou por muitos lugares, conhecendo a Índia, a Bretanha e boa parte da África. Sabia falar várias línguas, incluindo o grego, aramaico e o latim. Conhecia astrologia, alquimia, matemática, medicina, tantra, kabbalah e geometria sagrada, além das leis e políticas tanto dos judeus quanto dos gentios.

De toda a sua infância, a Igreja deixou escapar apenas um episódio ocorrido aos 12 anos, quando Jesus discute leis com os sábios e rabinos mais inteligentes de Jerusalém (Lucas 2: 42-50). Todo o restante foi destruído, já que seria embaraçoso para a Igreja ter de explicar onde o Avatar estava aprendendo tudo o que sabia. A versão oficial é que foi a “inteligência divina”, mas a verdade é muito mais óbvia e simples: Yeshua sabia tudo aquilo porque estudou. Conhecimento não vem de “graças dos céus”, mas de estudo e trabalho.

Jesus e Maria Madalena

Depois da febre Dan Brown, na qual a Opus Dei e todas as facções possíveis e imaginárias da Igreja tentaram abafar, criticar ou ridicularizar, sem sucesso, o mundo inteiro ficou sabendo do casamento de Jesus e Maria de Magdala. Foi um belo chute no saco da hipocrisia clerical e muita gente se sentiu finalmente vingada vendo os bispos e pastores desesperados pensando em como varrer tudo isso para debaixo do tapete sem a ajuda das fogueiras da Inquisição.

Para entender como este casamento aconteceu, precisamos passar por algumas explicações. A primeira é o fato de Jesus ser chamado de Rabbi (Rabino, ou Mestre) por todo o Novo Testamento. O titulo de Rabbi é passado de iniciado para iniciado desde Moisés, através de um ritual chamado Semicha (“ordenamento”). No período do Antigo Testamento, de acordo com o Judaísmo, para se tornar Rabbi, uma pessoa precisa obrigatoriamente preencher três requisitos:

1 – Ser um homem,

2 – ter conhecimento profundo do Tora e das Leis judaicas,

3 – ser casado.

Com isso, sabemos que Yeshua, por ser um líder religioso considerado um Rabbi por seus discípulos, era obrigatoriamente CASADO (não importando com quem) ou NUNCA poderia ter recebido este título. Além disso, naqueles tempos, qualquer líder religioso que estivesse na casa dos 30 anos e ainda fosse solteiro certamente seria considerado algo completamente fora dos padrões e digno de nota.

Sabemos, então, que Yeshua era casado… mas com quem?

Que mulher poderia ser digna do Mestre Carpinteiro?

A resposta é uma sacerdotisa vestal chamada Maria de Magdala, irmã de Lázaro e Marta. Assim como Yeshua, ela foi educada e preparada desde criança para ser a companheira do Avatar. Tinha grandes conhecimentos das artes lunares, divinatórias, dança e magia sexual, além de conhecimentos de astrologia, geometria, medicina e matemática. Assim como Maria, mãe de Yeshua, Maria de Magdala também era considerada uma “virgem”.

Lázaro, o irmão de Maria Madalena, é o sacerdote iniciado pelo próprio Yeshua. A bíblia cita isso como a “Ressurreição de Lázaro”, mas claramente percebemos que se trata de uma Iniciação Egípcia, lidando com a morte e renascimento do Sol. Lázaro era um iniciado muito importante em sua época, membro de uma das famílias mais ricas da Betânia, assim como os outros apóstolos também eram pessoas influentes. Passou três dias confinados em uma caverna (o templo religioso mais importante para os Essênios), sendo resgatado do Reino dos Mortos simbólico no terceiro dia por Yeshua.

Repare no mosaico acima, do século V. Note os 4 degraus, duas colunas e pirâmide com um olho que tudo vê na porta da “tumba” de Lázaro. Certamente “coincidências” estranhas…

Vamos ver o que a Bíblia fala de Maria Madalena:

Segundo o Novo Testamento, Jesus de Nazaré expulsou dela sete demônios, argumento bastante para ela pôr fé nele como o predito Messias (Cristo). (Lucas 8:2; 11:26; Marcos 16:9). Esteve presente na crucificação, juntamente com Maria, mãe de Jesus, e outras mulheres. (Mateus 27:56; Marcos 15:40; Lucas 23:49; João 19.25) e do funeral. (Mateus 27:61; Marcos 15.47; Lucas 23:55) Do Calvário, voltou a Jerusalém para comprar e preparar, com outros crentes, certos perfumes, a fim de poder preparar o corpo de Jesus como era costume funerário, quando o dia de Sábado tivesse passado. Todo o dia de Sábado ela se conservou na cidade – e no dia seguinte, de manhã muito cedo “quando ainda estava escuro”, indo ao sepulcro, achou-o vazio, e recebeu de um anjo a notícia de que Jesus Nazareno tinha ressuscitado e devia informar disso aos apóstolos. (Mateus 28:1-10; Marcos 16:1-5,10,11; Lucas 24:1-10; João 20:1,2; compare com João 20:11-18)
Maria Madalena foi a primeira testemunha ocular da sua ressurreição e foi quem foi usada para anunciar aos apóstolos a ressurreição de Cristo. (Mateus 27:55-56; Marcos 15:40-41; Lucas 23:49; João 19:25).

Ela também aparece como a da pecadora que ungiu os pés de Jesus (Lucas 7:36-39) e como a mulher que derrama óleo perfumado sobre sua cabeça (Mateus 26:6-7), mas a “versão oficial” em nenhum momento afirma que essas mulheres eram a Madalena. Para a Igreja Católica, eram 3 mulheres distintas.

Agora vamos explicar cada uma destas passagens:

Bodas de Caná
Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus;

e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento.

E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho.

Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.

Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram- nas até em cima.

Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram.

Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo

e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. (João 2: 1,11)

As Bodas de Caná é a passagem do Novo Testamento que narra o Casamento de Jesus com Maria Madalena (e não a Santa Ceia, como Dan Brown afirma).

A versão “oficial” não fala de quem é o casamento mas, pelo bom senso, veremos que não faz muito sentido a versão do papa: Imagine que você convide Jesus e seus amigos para sua festa de casamento e, de repente, a mãe dele começa a dar ordens e palpites para os seus serviçais… não tem muita lógica, não é mesmo? E, se é Jesus quem transforma água em vinho, porque o mestre-sala vai agradecer ao noivo? A resposta é óbvia.

Basta conhecer um pouco de cultura judaica para saber que, em um casamento judeu, e mais especificamente o casamento dinástico, a ÚNICA pessoa que pode dar ordens para os serviçais é a mãe do noivo, que é a pessoa responsável pela organização da festa… e tudo faz muito mais sentido agora. E transformar água em vinho certamente não seria uma dificuldade para um Avatar.

O Ritual Sagrado da Unção com Nardo

Como já vimos, as regras do matrimônio dinástico não eram banais. Parâmetros explicitamente definidos ditavam um estilo de vida celibatário, exceto para a procriação em intervalos regulares.

Um período extenso de noivado era seguido por um Primeiro Casamento em setembro, depois do qual a relação física era permitida em dezembro. Se ocorresse a concepção, havia então uma cerimônia do Segundo Casamento em março para legalizar o matrimônio.

Durante esse período de espera, e até o Segundo Casamento, com ou sem gravidez, a noiva era considerada, segundo a lei, um almah (“jovem mulher” ou, como erroneamente citada, “virgem” ).

Entre os livros mais pitorescos da Bíblia está o Cântico dos Cânticos – uma série de cantigas de amor entre uma noiva soberana e seu noivo. O Cântico identifica a poção simbólica dos esponsais com o ungüento aromático chamado nardo. Era o mesmo bálsamo caro que foi usado por Maria de Betânia para ungir a cabeça de Jesus na casa de Lázaro (Simão Zelote) e um incidente semelhante (narrado em Lucas 7:37-38) havia ocorrido algum tempo antes, quando uma mulher ungiu os pés de Jesus com ungüento, limpando-os depois com os próprios cabelos.

João 11:1-2 também menciona esse evento anterior, explicando depois como o ritual de ungir os pés de Jesus foi realizado novamente pela mesma mulher, em Betânia. Quando Jesus estava sentado à mesa, Maria pegou “uma libra de bálsamo puro de nardo, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo” (João 12:3).

No Cântico dos Cânticos (1:12) há O refrão nupcial: “Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume”. Maria não só ungiu a cabeça de Jesus na casa de Simão (Mateus 26:6-7 e Marcos 14:3), mas também ungiu-lhe os pés e os enxugou depois com os cabelos em março de 33 DC. Dois anos e meio antes, em setembro de 30 DC, ela tinha realizado o mesmo ritual três meses depois das bodas de Caná.

Em ambas as ocasiões, a unção foi feita enquanto Jesus se sentava à mesa (como define o Cântico dos Cânticos). Era uma alusão ao antigo rito no qual uma noiva real preparava a mesa para o seu noivo. Realizar o rito com nardo era maneira de expressar privilégio de uma noiva messiânica, e tal rito só se realizava nas cerimônias do Primeiro e do Segundo Casamento. Somente como esposa de Jesus e sacerdotisa com direitos próprios, Maria poderia ter ungido-lhe a cabeça e os pés com ungüento sagrado.

e check-mate, papa.

Este rito também é narrado no Salmo 23, um dos meus favoritos (só perde para o Salmo 133).

O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.

Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranqüilas.

Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda.

Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

O Salmo 23 descreve Deus, na imagem masculina/feminina da época, como pastor e noiva. Da noiva, o salmo diz “Prepara-me uma mesa… Unge-me a cabeça com óleo“.Os De acordo com o rito do Hieros Gamos da antiga Mesopotâmia (a terra de Noé e Abraão), a grande deusa, Inana, tomou como noivo o pastor Dumuzi (ou Tammuz),106 e foi a partir dessa união que o conceito da Sekiná e YHVH evoluiu em Caná por meio das divindades intermediárias Asera e El Eloim.

No Egito, a unção do rei era o dever privilegiado das irmãs/noivas semidivinas dos faraós. Gordura de crocodilo era a substância usada na unção, pois era associada à destreza sexual, e o crocodilo sagrado dos egípcios era o Messeh (que corresponde ao termo hebraico Messias: “Ungido” ). Na antiga Mesopotâmia, o intrépido animal real (um dragão de quatro pernas) era chamado de MushUs.

Era preferível que os faraós desposassem suas irmãs (especialmente suas meio-irmãs maternas com outros pais) porque a verdadeira herança dinástica era passada pela linha feminina.

Alternativamente, primeiros de primeiro grau maternos também eram consideravam. Os reis de Judá não adotavam essa medida como prática geral, mas consideram a linha feminina um meio de transferir realeza e outras posições hereditárias de influência (mesmo hoje, o judeu verdadeiro é aquele nascido de mãe judia). Davi obteve sua realeza, por exemplo, casando-se com Micol, filha do rei Saul. Muito tempo depois, Herodes, o Grande, ganhou seu status real desposando Mariane da casa real sacerdotal.

Assim como os homens que eram designados para várias posições patriarcais assumiam nomes que representavam seus ancestrais – como Isaac, Jacó e José – também as mulheres seguiam sua genealogia e escalão. Seus títulos nominais incluíam Raquel, Rebeca e Sara. As esposas das linhas masculinas de Zadoque e Davi tinham o posto de Elisheba (Elizabeth, ou Isabel) e Miriam (Maria), respectivamente. Por isso a mãe de João Batista é chamada de Isabel e a de Jesus, Maria, nos Evangelhos. Essas mulheres passaram pela cerimônia de seu Segundo Casamento só quando estavam com três meses de gravidez, quando a noiva deixava de ser uma almah e se tomava uma mãe designada.

Ou seja: Através destas passagens bíblicas, sabemos que, além de casada com Jesus, Maria Madalena teve filhos com ele.

Os Sete Demônios

“Expulsou sete demônios” é uma expressão simbólica esotérica e representa que Jesus e Maria Madalena realizaram os rituais sagrados de magia sexual (os sete demônios representam os sete chakras despertos nos rituais sexuais, como eu já havia explicado em colunas anteriores). Estas alegorias são descritas várias vezes na Bíblia, especialmente no Apocalipse, quando se fala de “Sete Igrejas” e “Sete Selos” que precisam ser “rompidos”. Isto nada mais é do que o ser humano desenvolvendo sua energia kundalini e explorando todo o seu potencial divino, aflorando e abrindo os sete chakras.

Maria Madalena foi a principal discípula de Jesus e sua grande companheira. Em lugar algum da Bíblia ela é referida como uma “prostituta” embora eu já tenha conversado com vocês a respeito de como a Igreja Católica (e evangélica) trata as sacerdotisas das outras religiões.

A primeira citação oficial da Igreja a respeito da “prostituta Maria Madalena” foi feita pelo papa Gregório I em 591 DC, para coibir o culto a Maria Madalena (Notre Damme) no Sul da França (falarei sobre o herege “Culto à Virgem Negra” mais tarde).

Maria Madalena é a figura feminina mais sagrada para os Templários e todas as catedrais chamadas de “Notre Damme” na França construídas pelos Templários foram dedicadas a ela (inclusive a Notre damme de Paris, que mereceria uma coluna só para ela de tanto simbolismo que possui escondida nela.

Santa Maria Madalena, a prostituta arrependida, foi canonizada em 886 e transformada em Santa pela Igreja Ortodoxa, que dizia que suas relíquias estavam em Constantinopla. De acordo com a versão oficial, Madalena e Maria (mãe de Jesus) foram até o Éfeso onde passaram o restante de suas vidas e seus ossos foram levados para Constantinopla após sua morte… Mas a inconveniente tradição francesa insistia que Maria Madalena, sua filha Sara (Santa Sara Kali), Lázaro e outros companheiros aportaram em Marseille, vindos do Egito, e se juntaram aos nobres que ali viviam, continuando uma dinastia de reis-pescadores que mais tarde daria origem aos Merovíngios.

A seguir: João Batista, Apóstolos, Crucificação, Mel Gibson, a Fuga de Maria Madalena para o Egito e José de Arimatéia para Glastonbury, a Revolta dos Judeus de 66 DC, Masada e o descanso final na Cachemira.

Marcelo Del Debbio

#Essênios #Gnose #ICAR #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yod-he-shin-vav-he-e-maria-madalena

Iniciação à Magia Sexual Gay

Os homossexuais são um destes grupos que ainda tem a sorte de serem rejeitados por praticamente todas as religiões organizadas do mundo. Seja você hindu, cristão ou muçulmano, se você for gay os sacerdotes tem sempre um lugar reservado para você. Em geral, este lugar parece muito com o inferno cristão.

Por isse motivo é tão comum que gays e lésbicas desde muito cedo se aventurem nos caminhos espirituais alternativos que o ocultismo oferece. E não foram poucos os grandes bruxos e bruxas homossexuais ou bissexuais, como Austin Spare, Alex Sanders e Phil Hine. O próprio Aleister Crowley, considerado por muitos o maior mago do século XX dedicou muitas e muitas páginas a magia gamaista ( magia sexual apolar).

Em muitas formas de ocultismo, um novo membro geralmente passa por algum tipo de iniciação. Normalmente, estas cerimônias são planejadas em algumas etapas que são realizadas, e certos juramentos que são ditos. Falaremos então sobre este tipo específico de iniciação, que é igualmente – se não mais – poderoso do que qualquer tipo de ritual planejado. Estamos falando dos rituais iniciáticos para um iniciante em magia sexual gay.

Agora, não se trata de saber se você é Gay, Lésbica ou Bisexual, ou se é necessário ser Gay, Lésbica e/ou etc, para praticar estes rituais ou ser iniciado(a) neles. Estas são coisas que a maioria de nós percebe a partir de uma tenra idade e é simplesmente parte de nós ao longo das nossas vidas, para melhor ou para o pior. Também não estamos falando de quando você tem a sua primeira relação sexual, seja ela comum ou mágica. Essa é uma experiência emocionante e por vezes assustadora que é um rito de passagem por seus próprios meios.

Não se trata disso, o que falo é sobre o início da vida mágica/espiritual dos gays para o mundo. Um tipo de visão, uma busca espiritual gay e de como ele pode ser canalizada para certos propósitos: sejam eles bons ou maus, isso depende de você e de seus intentos, isso é magia. Todos nós devemos descobrir a grande potência e o mistério que existe dentro de todos nós como Gays e nossa magia natural, guardada a sete ou mais chaves dentro de nós.

Sair do armário é o primeiro passo para se dar bem e saber manipular as regras que regem os ritos de passagens e os feitiços. Reunir outras pessoas, se envolver com praticantes mais experientes e confiáveis também é uma ótima dica. Sair do armário neste caso têm significado duplo: significa assumir sua sexualidade e assumir sua identidade espiritual/filosófica: seja ela satanista, pagã/wiccan, vampirista, caoista, isto não importa. Para cada uma destas vertentes, temos rituais específicos e formas diferentes de se alcançar a superioridade mágica.

Renegar as religiões tradicionais é complicado, mas é necessário. Sair na rua e caminhar, orgulhando-se de suas posições e de suas idéias e seus ideais é indispensável. Mas surge um problema até mesmo quando se descobre gay e wiccan: Na maiorias das tradições da bruxaria moderna, há uma forte ênfase na polaridade sexual como um modelo para os trabalhos mágicos. Simplesmente, esta é a crença de que a energia é gerada mais fortemente (e talvez única) por um macho e uma fêmea, parceiros neste trabalho, um conceito que foi popularizado pelo movimento Gardneriano e foi transmitido de alguma forma para a grande maioria das tradições de feitiçaria praticadas hoje.

Mesmo nas tradições onde essa polaridade é vista e entendida como algo interno (ou seja, a idéia de que cada um contém um elemento masculino e outro feminino que lutam para equilibrar nossas forças e tendências, independentemente da nossa sexualidade) concluímos que, em última análise, o modelo que temos aprovado e aceitado de paganismo, ainda é um modelo hétero.

Parece haver uma tendência, um movimento paganista que repele o homossexual, levando-se sempre em consideração de que o papel do Deus e da Deusa não podem admitir um papel alternativo nestas tradições mágicas. Não deixa de ser interessante que exatamente por isso, a maioria dos gays praticantes de artes ocultas encontram no Satanismo, seu habitat natural. Isso foi diferente num passado não muito distante, onde a cena gay costumava olhar o satanismo com o mesmo preconceito que um testemunha de Jeová. Mas quando descobrimos que o satanismo ensina que o valor da pessoa humana, não importa qual seja sua natureza sexual é o mais importante, não deve ser surpreendente que o satanismo seja um oásis de redenção espiritual e libertária onde, do lado de fora só há agressão e preconceito.

Os verdadeiros adeptos do caminho da mão esquerda não experimentam qualquer tipo de homofobia, pelo contrário, há um grande respeito pelos segredos mágicos que a magia sexual gay têm para ensinar e para se praticar. A lista de práticas é enorme e não deve ser revelada toda de uma vez, por isso, Morte Súbita Inc. que desde 1996 cola o velcro e dá ré no kibe, inicia uma série de matérias e artigos que tratarão sobre operações mágicas homossexuais que incluem Feitiços, Deuses, Anjos e Demônios Gays, Maldições, Preces, Símbolos e muito mais. Inicialmente e para fechar este artigo, teremos duas invocações comuns a dois caminhos diferentes de magia homossexual, uma satânica e outra alquímica:

Oração a Satã comumente realizada em grottos satanistas gays:

Pai e protetor Satã, eu te invoco das profundezas do meu coração,

Eu te louvo com todas as minhas forças, eu sou devoto a ti por quanto for necessário e sei que serás meu protetor, fiel a mim,

Que me amas como sou assim como amo o que tu és,

Tu me mostras a verdadeira força e o verdadeiro caminho. Tu me mostra o que é o verdadeiro amor e assim me aceitas,

Das profundezas tu veio mostrar-me, o que é a verdadeira luz,

Por isso te chamam: o vindo da luz,

Meu mestre, meu pai e meu amigo, que com grandes dádivas tu me presenteia todos os dias em minha fidelidade a ti,

Hail ao verdadeiro rei!

Lorde Satanás,

As vezes a vida é tão dura e cruel,

E agora quando estamos perdidos em meio ao caminho do amor e do ódio,

Não sabemos que direção tomar, em que horizonte se aventurar,

Te pedimos para que sempre seja nossa guia e nossa proteção,

Te pedimos orientação e louvamos tua benção pois sabemos que tu não nos abandona,

Proteja nos dos infiéis e nos cubra com teu manto de glória, prazer e amor.

Oração ao verdadeiro cálice sagrado:

“Cetro escarlate,

fonte de vida,

Ascensão e queda, pilar da carne,

Excitação da paixão,

A chama do desejo…

Testemunha do triunfo e do prazer.

Esta fome, que só se alimenta por si mesma,

Leva-nos como aqueles procuram a tua religião,

E nós te cultuamos ajoelhados,

Com nossos lábios sedentos…

Nossas bocas e línguas selvagens,

Para receber nossos batismos,

Néctar dos Deuses,

Provamos teu forte aroma,

Para renovar nossos espíritos…

Nossa pele banhada com o sagrado bálsamo,

Nenhum perfume se compara com a tua sagrada intoxicação,

Nossa bocas transformadas em taças que transbordam,

Existe essa beleza,

A semente é derramada em nome da luxúria,

Através de ti, somos todos feitos Deuses,

Através de ti nossos corpos são feitos Santos…”

Sagrado Cálice, venha até nós !

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/iniciacao-a-magia-sexual-gay/

Nada a temer, nada a duvidar

Yorgana era médium firme, experiente, daquelas que parece já ter ido ao inferno e retornado para contar história, sempre com um sorriso, ou um meio sorriso, pela face nem mais tão jovial. Tomé estava ali, apreensivo, para observar e aprender…

Após a oração inicial, as luzes foram apagadas e as pessoas entraram em meditação, tanto na mesa grande quanto nas cadeiras em torno. Tudo o que se ouvia, a princípio, era o barulho dos dois ventiladores velhos e desgastados, que já aliviavam o calor daquele centro espírita há uma boa década ou mais. Tomé ansiava pelo que estava por vir, e logo alguns começaram a gemer e se contorcer e reclamar. Como sempre, Yorgana estava lá para oferecer conforto aqueles que foram convidados, de tão longe, aquele recinto de luz:

“Está tudo bem minha filha, quer me dizer alguma coisa?” – Dirigiu-se, sussurrante, a senhora que meditava na cadeira a sua frente.

De início não houve resposta, e exatamente por isso que alguma coisa parecia estar a ocorrer… Logo, aquela senhora pacata e serena tinha ido embora, alguém irrequieto e angustiado tomou o seu lugar:

“Ai! Ai! O que eu estou fazendo aqui? Que lugar é esse? Tá dolorido… Minha cabeça dói, tem insetos no meu corpo, tira isso, tira eles, me tira daqui!!”

Yorgana trouxe suas mãos para próximo da cabeça da senhora (ou quem quer que estivesse ali agora), e continuou serena, quase carinhosa:

“Calma… Calma! Vamos respirar mais devagar, assim, comigo, vamos…”

E o que se seguiu foi uma verdadeira luta para que a senhora conseguisse passar a respirar mais lentamente, no ritmo que a médium demonstrava, expirando e inspirando profundamente o ar seco do ambiente.

“Vamos, vamos… Assim comigo. Inspira, segura um pouco, expira… Calma que aqui são todos seus amigos…”

“Amigos? Não, eu não tenho amigos… Não aqui, principalmente aqui… Que lugar estranho é esse, por que me trouxeram? Por que, isso não tem nada a ver comigo… Eu não pertenço aqui, ninguém vai me aceitar aqui…”

“Isso já é contigo. Primeiro, você é quem precisa se aceitar… Você está aqui, é verdade, só por um tempo, e pode ficar tranquila que logo logo volta para onde veio… Você foi convidada… É, digamos assim, um certo privilégio, pois nem todos têm a oportunidade de vir a essa casa de cura.”

“Cura? Mas como você vai me curar de toda essa dor? E esses malditos insetos que não me largam! Me ajude então, se gosta de mim…”

“Só se você também abrir uma brecha para gostar de si… Vamos, esqueça o que te deixou nesse estado, há sempre tempo de recomeçar… Vamos, inspire comigo e imagine a cor azul, o ar sendo de um azul tão puro, que entra na sua cabeça e ajuda a limpar, e limpando vai levando a dor embora, e daí você expira essa dor, essa coisa ruim aí dentro, e isso tudo sai de você na cor vermelha… Deixa o azul entrar, deixa o vermelho sair… Deixa entrar, deixa sair… Isso… Isso, tá melhorando não tá?”

“Tá melhorando a dor, sim… Que coisa incrível, há tanto tempo que doía que eu nem sabia mais como era estar assim… Os insetos não picam mais meus braços, minhas pernas…”

“Isso, isso mesmo… Mas continua, continua imaginando as cores, continua inspirando, expirando… Eu poderia te ajudar só aqui, mas não sei quando vai poder voltar, e pode continuar fazendo isso onde quer que esteja, basta lembrar: deixa o azul entrar, deixa o vermelho sair… E se acalma, e se perdoa, e dê uma chance a si mesma de recomeçar.”

“Isso… Isso é maravilhoso! Mas eu não sei se vai funcionar onde eu moro… Lá é tudo tão gelado e úmido, o ar é ruim, o céu é escuro, não tem ar azul por lá…”

“Tem ar azul em tudo quanto é lugar… Vou te contar: o que você acha que é o ar que entra azul e sai com sua dor vermelha?”

“Algum ar que só existe aqui nessa casa de santos… Eu preciso ficar aqui, me deixa, me deixa ficar!!”

O atendimento estava acabando, e Yorgana tinha só alguns segundos:

“O ar azul, é Deus. Ou você imaginou que nalgum dia estranho poderia realmente estar fora Dele? Ele está em todo lugar, mais próximo que o seu pensamento mais querido, porém tão distante quanto a sua culpa mais profunda… Se perdoe, vá em paz, há sempre tempo de recomeçar. Adeus!”

***

Após a cantoria ao final da sessão, Tomé estava ainda enxugando as lágrimas. Ele havia sentido de perto, bem de perto, toda a dor e angústia, todo o caos mental naquela senhora, ou no que quer que a tenha visitado ali. Alguém que sofria imensamente, mas que foi consolada. Alguém que pareceu, depois de muito tempo, enxergar uma vez mais a luz ensolarada da esperança…

Ele tinha de perguntar a Yorgana:

“Nossa, como você atendeu bem, firme! Como você faz para ter as palavras certas nesse momento? Você não fica com medo do que pode aparecer? Você não… Duvida do que está ocorrendo?”

“Eu nunca sei o que virá, e certamente fico apreensiva, e certamente tenho dúvidas acerca do ocorrido… Se foi realmente alguém que apareceu, se era uma memória antiga, algum distúrbio mental, alguma personalidade trancafiada que pôde finalmente vir a tona… Quem vai saber?”

“Mas, na hora você…”

“Na hora, não era eu. Era algo acima de mim, algo que me toma e que me faz ser alguém maior, alguém que tão somente deixa a luz do alto passar, o mais límpida possível… Na hora, não há nada a se temer, nem nada a se duvidar. Na hora, eu apenas amo, e o amor faz o resto. E, Tomé, não há como se temer o amor, não há como se duvidar dele.”

raph’12

***

Crédito da imagem: Fraternidade Espírita Monsenhor Horta

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Contos #Espiritismo #Espiritualidade #Mediunidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/nada-a-temer-nada-a-duvidar

Lovecraft e os 13 Portais do Necronomicon

Por Donald Tyson

Howard Phillips Lovecraft rolaria em seu caixão no histórico Cemitério de Swan Point, em Providence, Rhode Island, se soubesse o que as pessoas em todo o mundo estão fazendo com sua ficção. Milhões de fãs não estão apenas lendo-o para puro prazer, eles estão levando-o a sério!

Isto é algo que a Lovecraft nunca pretendeu. Ele era um materialista convicto e um ateu cuja filosofia de vida pode ser resumida em poucas palavras: a vida é sofrimento sem sentido, e a morte a única libertação. Embora Lovecraft fosse um homem genial para se encontrar e conversar, alguém de quem quase todos os que o conheciam gostavam, sua compreensão do universo e de nosso lugar nele teria levado Nietzsche à depressão suicida.

Quando os fãs lhe escreviam, perguntando se Cthulhu era real, ele lhes dizia que não sabia nada sobre o ocultismo, que não se importava com ele e que não queria ouvir falar sobre isso – que todo esse assunto era um puro disparate.

O que levanta um pouco de mistério. Por que um homem passaria toda sua vida obsessivamente escrevendo sobre o estranho, o horripilante, o esotérico, o bizarro, se ele não tivesse interesse nestes assuntos?

A resposta a este enigma encontra-se nos sonhos e pesadelos de Lovecraft. Sua vida onírica era invulgarmente vívida, e ele tinha a capacidade de lembrar mais dela do que a maioria de nós consegue. Às vezes, ele tomava consciência de si mesmo enquanto ainda sonhava, e descobria que podia direcionar sua atenção para diferentes aspectos do sonho, e até mesmo mover-se de lugar em lugar dentro dele. Hoje conhecemos isso como sonho lúcido, mas o termo não estava em uso quando Lovecraft sonhou com Cthulhu, Nyarlathotep, Yuggoth e o Necronomicon.

Lovecraft sempre ria quando alguém lhe sugeria que seus sonhos eram mais do que trivialidades, mas no fundo de sua mente deve ter havido algumas dúvidas, pois muitas vezes ele escreve em suas cartas que, se não soubesse melhor, juraria que tinha vivido uma cena de uma vida passada. Ele era tão obcecado com o passado e com o velho como era com seus sonhos. Ele acreditava ser um homem nascido fora de sua idade natural – ele se via como um cavalheiro inglês do século 18.

A verdade é que Lovecraft vivia aterrorizado com seus pesadelos. Ele não suportava reconhecer seu poder sobre ele, por isso zombava deles e negava sua importância, mesmo para si próprio. Como uma forma de exorcizar seus sonhos e ganhar controle sobre eles, ele os escreveu na forma de histórias.

Ele se recusou a considerar a possibilidade de que ele pudesse ser uma velha alma deslocada no tempo a partir do século 18 até nossa era moderna. Ele negou isso pela mesma razão que se recusou a considerar que seus sonhos pudessem ter algum significado esotérico – ele precisava desesperadamente que o mundo fosse ordeiro e mundano.

Seu maior pavor era a loucura. Ambos os pais enlouqueceram, primeiro seu pai, e depois sua mãe. Ao longo de sua vida, desde a infância, ele sofreu uma série de colapsos nervosos, alguns maiores e outros menores. Ele estava interiormente certo de que um dia ele mesmo enlouqueceria e precisava que o mundo fosse o mais chato e previsível possível para manter sua sanidade intacta. Foi por esta razão que ele ignorou resolutamente qualquer coisa a ver com o sobrenatural ou paranormal, e recusou-se até mesmo a reconhecer que tais coisas poderiam existir.

Os magistas modernos estão aprendendo a olhar além do materialismo e do ateísmo ostensivos de Lovecraft, a fim de examinar o conteúdo e a qualidade de suas histórias para seu significado esotérico. Quando fazemos isso, descobrimos que o universo mitológico que ele criou não tem semelhança a nenhum outro, e que possui uma coerência interna e uma plausibilidade perturbadoras.

Lovecraft sonhou com um mundo no qual a espécie humana vive na feliz ignorância das muitas raças de criaturas alienígenas, antigas e inimaginavelmente poderosas, que habitaram este globo em eras passadas distantes, e que ainda mantêm uma presença aqui, invisível e insuspeita pela maioria de nós. No mundo do Lovecraft, a magia é a ciência alienígena, uma espécie de potente geometria transdimensional que pode ser acessada por qualquer pessoa com as devidas chaves simbólicas, e os demônios do mundo pagão são seres alienígenas adorados por cultos degenerados que sobrevivem nas terras bárbaras e nos recantos longínquos de nosso planeta.

O único Deus para Lovecraft em seus sonhos era o idiota cego Azathoth, que se senta em seu trono negro no centro do turbilhão do caos do universo, babando ao som de flautas frenéticas. Ele não tem moralidade, nenhuma virtude, nenhum propósito. Ele espera pacientemente que o universo seja engolido no vórtice caótico que é seu reino, para que então ele passe mais uma vez para o nada de onde saiu.

No mito do Lovecraft, a própria Terra é uma espécie de deusa que caiu ou fugiu de algum estado espiritual superior. Os Antigos foram enviados para limpar sua superfície da infestação de vida biológica antes de usar sua ciência mágica para arrancá-la de sua órbita e devolvê-la à sua exaltação anterior através da porta dimensional do Yog-Sothoth, que é o guardião universal por cujas portas todos nós devemos passar quando morremos.

Tudo isso e muito mais é sugerido nas páginas do Necronomicon, um livro de loucura e horror escrito pelo poeta árabe louco do Iêmen, Abdul Alhazred, em seus meses finais de vida, pouco antes de um demônio invisível o ter arrancado do mercado de Damasco e o consumido, pelo menos da visão de olhos mortais. Só um louco poderia escrever um livro tão insano, e lê-lo é enlouquecer. O que é obliquamente referido em suas páginas é que Alhazred aprendeu com as coisas que rastejam e deslizam por cavernas e túneis abaixo do grande deserto da Arábia, a terra dos gênios que sem remorsos odeiam todos os seres humanos.

O livro não existe – pelo menos, não nesta vida. Lovecraft o viu e ouviu seu nome em sonhos, assim como sonhou com Nyarlathotep e Shub-Niggurath, os Abissais e os Antigos, os Mi-go e a Grande Raça de Yith. Os mágicos afirmam que estes seres têm pelo menos tanta realidade quanto os deuses e deusas do Egito e da Grécia, para não falar do pálido Deus dos cristãos. Eles começaram a usar o mito do Lovecraft para trabalhos de magia prática. De fato, quando usado desta forma, ele forma um sistema coerente de imensa potência.

O principal objetivo do livro “The 13 Gatesof Necronomicon” é reunir todo o material de ficção e poesia do Lovecraft que pode ser explorado com utilidade prática por mágicos modernos que trabalham no campo do mito do Necronomicon. É um texto fonte, um compêndio das raças alienígenas, criaturas monstruosas, mundos estranhos e dimensões alternativas, cidades antigas e poderosos feiticeiros e bruxas que habitaram os sonhos do Lovecraft. Os rituais mágicos aos quais Lovecraft fez referência são expostos e explicados. Os livros de magia que ele escreveu, tanto os que são materiais como os que são astrais, estão lá documentados.

Este pode ser o único livro que reúne todas as partes esotéricas do mito do Lovecraft em um só lugar, e os apresenta de uma forma facilmente acessível aos mágicos que trabalham. Este material reunido representa os blocos de construção para os futuros sistemas de magia do mythos.

Aproveitei a oportunidade proporcionada pela publicação deste livro para apresentar também um sistema de treze portões esotéricos, que chamei de portões estelares porque cada um deles está ligado a uma das treze constelações zodiacais atuais. Isso mesmo, existem treze constelações na faixa do zodíaco, não doze. Muitas pessoas não sabem disso, porque todos nós estamos muito familiarizados com os doze signos da astrologia moderna.

Cada porta no céu está ligada a uma porta na cidade do Necronomicon – uma porta que leva a um tópico separado e distinto tratado no mito por Lovecraft. Para fins ocultos, é útil pensar no Necronomicon como uma cidade murada, com muitas ruas estranhas e habitantes curiosos, e com treze entradas principais. Desta forma, cada uma das treze áreas do mito pode ser examinada e controlada individualmente, através de seu próprio portal estelar.

Os treze portões estelares, que podem ser entrados pelo Sol ou pela Lua, são projetados para servir como uma estrutura ritual geral para vidência, encantamentos, viagem astral, invocações e evocações. Eles podem até ser adaptados para uso por aqueles que talvez não tenham vontade de trabalhar a magia do mito do Lovecraft. Quando acoplado ao dispositivo de uma cidade murada de treze portões separados, cada um levando a uma ala diferente da cidade, torna-se uma potente técnica mnemônica de visualização, e uma forma de categorizar e organizar elementos deste sistema oculto.

Tudo isso teria sido um anátema para Lovecraft, que queria, em nome de sua própria sanidade, acreditar que seus sonhos não tinham significado superior e que o universo era um lugar muito seguro e previsível. Mas em seu coração, Lovecraft sabia que esse não era o caso, e nós sabemos que as coisas não são assim. O universo é mais estranho do que até mesmo Lovecraft poderia imaginar, embora ele tenha chegado mais perto do que ninguém na captura da sensação de  estranheza em sua ficção. O que Lovecraft sonhou e negou, os mágicos modernos abraçaram e procuraram manifestar em seus trabalhos rituais. As 13 Portas do Necronomicon foi projetado para ser um livro fonte para eles em sua busca para explorar todo o potencial dos sonhos de Lovecraft.

***

Fonte: TYSON, Donald. Lovecraft and the 13 Gates of the Necronomicon. The Llewellyn’s Journal, 2010. Disponível em: <https://www.llewellyn.com/journal/article/2122>. Acesso em 8 de março de 2022.

COPYRIGHT (2010). Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/lovecraft-e-os-13-portais-do-necronomicon/

As mais belas Histórias são as de Superação

Por Yoskhaz

Não raro escuto pessoas dizendo que fariam tudo “exatamente igual” se iniciassem novamente a sua trajetória de vida. Se é apenas uma alusão a como aprenderam com os próprios erros e como eles ajudaram a chegar onde estão, entendo. Sim, por vezes, os erros são preciosos mestres que nos oferecem valiosas lições, embora a vida disponibilize outros, como a percepção e o amor, que permitem encurtar tempo e pavimentar a estrada. São as mesmas lições oferecidas pelo erro, porém ministradas de maneira suave, afinal aprende-se por imposição ou gosto. A escolha é sempre nossa. No entanto, na maioria dos casos vejo alguns amigos sustentando verbalmente a repetição da trajetória de vida por vergonha, negação ou orgulho. Pena, pois a não aceitação do próprio caminho trilhado impede de entendermos quem realmente somos, por consequência, não permite ver as transformações que devemos operar em nós, atrasando a viagem evolutiva e, assim, a paz da plenitude que tanto ansiamos.

Revejo a minha história e, grato às duras lições que o erro me ofereceu, percebo que poderia fazer diferente. Pessoas que magoei, voltas em círculos que dei por teimosia, tempo e energia desperdiçados com situações que não tinham nenhuma importância e por aí vai. A lista é enorme. É verdade que aquele era o meu nível de consciência naquele momento e ali eu não conseguia perceber que poderia fazer de outra maneira. Sim, sempre é possível fazer diferente e melhor.

Embora ainda muito longe de onde tenho que chegar, já não sou o mesmo da partida. Mudou o olhar e o viver. Não é assim com todos nós?

E o que eu fiz com o meu passado? Principalmente aqueles capítulos que no íntimo tenho, hoje, a plena consciência de que poderia ter feito de outra maneira? Decidi abraçá-lo e ser agradecido por minha história. Ao invés de ficar paralisado pelo erro, aceitei a responsabilidade, reparei o que foi possível e segui adiante com uma nova postura em relação a tudo e todos. Ninguém precisa se envergonhar, tudo no universo está em eterna evolução e todos somos parte dele.

Reinventar-se todos os dias é uma exigência do Caminho.

Encante-se com a transformação que chega na esteira da sabedoria e com a beleza do amor que te contaminará sempre que tentar o melhor. As mais fantásticas histórias são as de superação.

Imagine um filme em que uma criança nasce em um lar repleto de amor e com todas as condições para uma vida saudável. Desde cedo seus pais, almas evoluídas, lhe ministram sábias lições de amor, tolerância, compaixão, dentro de um bonito código de ética existencial e valores morais nobres. Esta criança, afeita ao bem e a luz, aprende com rapidez e, desde sempre, espalha sementes de alegria por onde passa. Ao entrar na vida adulta abraça a medicina como instrumento para levar a cura e o conforto a toda gente, no esforço de difundir a felicidade e contentamento que existe dentro dela. Sem dúvida, uma belíssima história de vida e, com certeza, eu gostaria de assistir a este filme.

Imaginemos um outro filme onde uma criança nasceu em um ambiente governado pela desarmonia, impaciência, ausência de indicativos morais e condições razoáveis de subsistência. Cresce nas ruas selvagens das grandes cidades na proximidade de um invertido código de ética, valores morais deturpados ou inexistentes, onde o instinto de sobrevivência costuma se sobrepor aos sentimentos mais nobres e sutis. Pequenos furtos, atos de violência que pratica e sofre, sexo irresponsável são páginas comuns da sua adolescência ao lado da fome e, principalmente, da ausência de amor. Aos poucos, a princípio em mínimos atos, percebe que quando age diferente, deixando florescer o melhor de si, um sentimento amoroso por todas as pessoas e coisas cria uma esfera agradavelmente leve a sua volta e parece levantar-lhe do chão. Tem a sensação de que a vida parece reagir na exata medida de suas ações. Sente-se diferente, tudo muda. Aos poucos começa a praticar mais e mais tais atitudes que descobriu adormecidas na gaveta mais alta do seu coração, até a decisão de reinventar-se de vez. A pessoa que era já não cabe mais em si. Embora ela mesma, necessita ser outra. Então, ocorre a transmutação de que falavam os alquimistas medievais e transforma metaforicamente chumbo em ouro. Quando muda o seu jeito de ser, o mundo também se transforma. Aos poucos, pessoas e situações comuns em sua vida deixam de se fazer presente dando lugar a outras. Decide retornar aos bancos escolares, dedica-se com afinco aos estudos, começa a entender que o conhecimento expande o olhar e, após infrutíferas tentativas e inúmeras dificuldades, acaba por conseguir uma vaga em uma faculdade de Direito. Após alguns anos de luta incansável torna-se um juiz misericordioso e exerce a cura em todos aqueles que cruzam o seu caminho, utilizando ferramentas como a verdade e a justiça, na alegria de espalhar a semente da esperança em si e em todos. Outro belo filme que eu adoraria assistir.

Na absurda hipótese de ser possível assistir a apenas um, qual deles você escolheria? Embora sejam duas belíssimas histórias de amor, tanto esta quanto aquela, minha escolha recairia por esta última. As histórias de superação encantam a humanidade desde sempre, pois são a prova de sua evolução. Na verdade, a História do Mundo se conta através das pequenas histórias de pessoas comuns, como a minha e a sua. Os grandes personagens que conhecemos nos livros são apenas reflexos mais visíveis da mudança de um novo nível de consciência já sedimentado no íntimo de todos.

Assim, não existe caminho feio. São as curvas e dificuldades da estrada que desenham a beleza da trajetória de cada um de nós, colorindo a paisagem na medida que mudamos o nosso jeito de ser, reflexo de cada escolha que fazemos. Basta estar disposto a ver com outros olhos e ter a coragem, sabedoria e amor para fazer diferente. Como dizia um anjo que esteve encarnado recentemente entre nós, “é impossível reescrever o passado, mas podemos construir um futuro diferente”.

Abrace a sua história, sem vergonha ou vitimização, aproveite para se conhecer melhor, aceite os erros como lições, abra-se para a mestria do amor adormecido em teu coração, permita que a coragem que reside em sua alma guerreira faça em ti as transmutações essenciais a cada dia e todos os dias. Entender que tudo, absolutamente tudo, pode ser diferente e melhor é o bilhete para a próxima estação.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-mais-belas-hist%C3%B3rias-s%C3%A3o-as-de-supera%C3%A7%C3%A3o

Breve Introdução aos Manuscritos do Mar Morto

Em 1947 na Palestina, nos arredores do vilarejo de Khirbet Qumran, perto do lado ocidental do Mar Morto, foram encontrados por acaso uns antigos manuscritos que revelaram-se uma extraordinária descoberta arqueológica, cujas consequências ainda não estão completamente esclarecidas.

Infelizmente, por mais de 30 anos, os encontrados desta descoberta foram estritamente monopolizados, através de um verdadeiro sequestro, a fim de impedir o acesso ao mundo acadêmico internacional.

Serão preciso muitos anos, apesar do elogiável trabalho de pesquisadores independentes, para limpar nossos conhecimentos do material qumraniano das parcialidades interpretativas que ainda inundam o assunto.

Em 1947 quando o Estado de Israel ainda não tinha nascido, o lado leste do Mar Morto ficava em território jordaniano, e o lado ocidental sob o protetorado inglês.

Naquela época as ruas que levavam à lagoa eram poucas e muito ruins, e a região ao redor a pátria dos Beduínos, os quais mudavam para cá e para lá seus acampamentos e seu gado. Naquela altura, um jovem pastor árabe, Mohammed adh-Dhib, que estava iscando sua cabra, descobriu por acaso uma série de ingressos de grutas no flanco de uma perigosa escarpa, próxima da aldeia de Khibet Qumran.

O beduíno entrou e encontrou no interno muitos jarros abandonados. Voltou novamente com um amigo para recuperar os jarros (podiam ser usados para a água) quando os dois descobriram que nos jarros encontravam-se alguns rolos de pele embrulhados em tecidos consumidos.

A história da descoberta é obscura, não bem esclarecida, até que nunca poderemos saber quantos manuscritos foram originariamente encontrados pelos beduínos, nem se alguém tem ainda alguns manuscritos escondidos.

Em 1954 alguns manuscritos acabaram no cofre do hotel Waldorf Astoria de New York, de onde saíram quando o governo israelita os comprou por 250.000 dólares (ajudado por um rico benfeitor).

Outros manuscritos chegaram no Museu Rockfeller, na parte leste de Jerusalém, na época em mão jordaniana. Nasceram assim duas diferentes comissões independentes: uma chefiada por Yigael Yadin, em Israel, a outra, controlada por Padre de Vaux, um sacerdote católico, na Jordânia. Hoje, os manuscritos são conservados no Museu de Israel, no assim chamado Shrine of the Book (Trono do Livro).

Por causa do péssimo relacionamento entre os dois países, as comissões trabalharam sobre os manuscritos de forma completamente independente, sem possibilidade nenhuma de comunicação, com todos as desvantagens da situação. É claro que o resultado de cada comissão precisava ser confrontado com o da outra, mas isso era impossível.

O problema foi resolvido em 1967 quando, seguida a guerra dos seis dias, a parte leste de Jerusalém passou para as mãos israelitas e tudo o que aí se encontrava se tornou de propriedade do governo de Israel como despojos de guerra, inclusive os rolos de Qumran conservados no Rockfeller Museum. É engraçada e significativa a reação a este acontecimento do Padre de Vaux.

Se conta que, até o material permaneceu em mão jordaniana e que havia sido impedido que os hebreus tivessem acesso aos manuscritos, e que, quando eles passaram sob a autoridade israelita, de Vaux ficou literalmente enfurecido e aterrorizado pela ideia de perder o controle do material qumraniano.

Algum motivo estava pressionado-o a manter o material sob seu controle. Baigent, Leigh e Lincoln narram que de Vaux era um dominicano que tinha sido enviado, em 1929, à École Biblique de Jerusalém onde primeiro foi professor e depois diretor. Era um homem carismático, enérgico, autoritário e carola.

O governo israelita, que em 1967 estava ocupado em assuntos muitos diferentes que os manuscritos do Mar Morto, deixou a de Vaux a responsabilidade de supervisionar o trabalho de análise e lhe deu o encargo de formar e dirigir uma equipe internacional, com o compromisso de publicar o mais rápido possível os resultados das pesquisas.

Claramente, a expressão “equipe internacional” faz pensar numa precisa intenção de criar um grupo amplo, caraterizado pela presença de diferentes componentes que pudessem dar garantia de uma gestão não parcial do trabalho. Mas as coisas não andaram assim.

Os israelitas não foram convidados a fazer parte do grupo, e todos os componentes selecionados eram todos católicos, não laicos, e com uma ideologia com uma forte conotação: Franck Cross, do McCormick Theological Seminary. Chicago; monsenhor Patrick Skehan, diretor do Albright Institute; Padre Jean Starcky, da École Biblique; Padre Maurice Baillet, francês; Padre Josef Milik, polonês; apenas um tal John Allegro não era um personagem tão claramente enquadrado com os outros.

Mas a sua presença não foi tolerada por muito tempo. Logo foi extraditado e substituído por John Strugnell, que oferecia maiores garantias de alinhamento. Em prática se pode dizer que Padre de Vaux, expoente da asa mais tradicionalista e conservadora da igreja romana, criou um restrito grupo de católicos.

Os manuscritos encontrados a Khirbet Qumran abriram a porta de uma longa série de incômodas perguntas sobre os primeiros cristãos.? De fato, nos rolos se encontram elementos que, além de mostrar evidentes ligações com o cristianismo das origens, põem em seria discussão alguns fundamentos da mesma doutrina e da interpretação histórica da figura de Jesus Cristo.

Em 1992, depois de 25 anos de monopólio absoluto da equipe, a situação começou a mudar. Sobretudo pela enorme quantidade de críticas internacionais contra o absurdo de um pequeno grupo de pesquisadores, tratar como propriedade privada materiais arqueológicos daquela extraordinária importância, e muitos daqueles rolos acabaram sendo publicados.

Mas ainda assim fica a suspeita que parte dos documentos continuem ficando desconhecidos à coletividade. Para não falar da profunda influência cultural, que continua a condicionar o endereço interpretativo, causado por esses 25 anos de monopólio.

Serão precisos muitos anos para a situação se ajeitar até o ponto de poder avaliar o material de maneira objetiva baseada sobre posições realmente desinteressadas.. . .

OS MANUSCRITOS DE QUMRAN:

Entre os primeiros documentos publicados dos manuscritos do mar morto, é preciso lembrar o Manual de Disciplina (ou Regra da Comunidade), a Regra da Assembleia, o Documento de Damasco, a Regra da Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas, o Comentário de Habacuque.

Neles aprendemos que o ritual do batizado, o eucarístico e a confissão dos pecados, eram parte integrante e essencial das práticas religiosas, é possível reconhecer muitos elementos que, nos textos evangélicos, são próprios do pensamento cristão: a iminência do reino, a exortação a converter-se nesta mesma prospectiva, a proibição de jurar, os conceitos expressos por Jesus no sermão da montanha, a terminologia usada etc….

Confrontamos, por exemplo, as seguintes palavras dos manuscritos :

“…Pelo sábio para que ele ensine os Filhos da Luz… Numa fonte de Luz está a origem da verdade, e numa fonte de Escuridão a origem da injustiça…”

“…na hora que os Filhos da Luz atacarem o partido dos Filhos das Trevas…” (Regra da Guerra)

com as palavras do Quarto Evangelho:

“…Andai enquanto tendes a Luz, para as Trevas vos não apanhem; pois quem anda nas Trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a Luz, credes na Luz, para que sejais Filhos da Luz…” (Jo 12, 35-36)

“…a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica o verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestadas, porque são feitas em Deus…” (Jo 3, 19-21)

“…Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas…” (Jo 12, 46)

Observe-se este trecho, que pertence ao manuscrito qumraniano “Regra da Comunidade”: “Do Deus muito sábio vem tudo o que é e será… dispus para o homem dois espíritos para que caminhe com eles até o tempo estabelecido da sua visita… concedeu um tempo determinado à existência da injustiça: no tempo estabelecido pela visita, ele a exterminará para sempre…”

E vamos a confrontá-lo com estas palavras do Evangelho de Lucas: “…Bendito o Senhor Deus de Israel, porque visitou e remiu o seu povo…” (Lc 1, 68)

“…se tu [Jerusalém] conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todas as bandas; E te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação…” (Lc 19, 41-44)

Os mesmos tons de ameaça apocalíptica se encontram no manuscrito qumraniano “Rolo da Guerra”:

“…Ouça, Israel! Hoje vós vos aprestais a combater contra vossos inimigos… não temeis e não vos alarmais na frente deles. Pois vosso Deus caminha convosco para combater vossos inimigos e para salvar-vos… Na hora que, no vosso país chegar uma guerra contra o opressor que vos oprime, tocareis as trombetas e vosso Deus lembrará de vós e estareis salvos dos vossos inimigos…”

Que podemos comparar a estas palavras do Evangelho de Lucas:

“…[o Senhor Deus de Israel] nos levantou uma salvação poderosa na casa de Davi seu servo. Como falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio do mundo; para nos salvar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos aborrecem; para manifestar misericórdia a nossos pais, e lembrar-se do seu santo concerto, e do juramento que jurou a Abraão nosso pai, de conceder-nos que, libertados da mão dos nossos inimigos, o serviríamos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida…” (Lc 1, 68-75)

E ainda, sempre no manuscrito qumraniano “Regra da Guerra”:

“…Alegra-te muito, Sião! [Jerusalém] Exultais vós todos, cidades de Judá! Abre para sempre tuas portas, para fazer entrar em ti a riqueza das nações… Filhas do meu povo, gritais de felicidade, enfeitai de glória… até quando resplandecerá o rei de Israel para reinar pela eternidade…”

Para se confrontar com o episódio evangélico do ingresso messiânico de Jesus a Jerusalém:

“…no dia seguinte, uma grande multidão que viera à festa, ouvindo que Jesus vinha a Jerusalém, tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o rei de Israel que vem em nome do Senhor, e achou Jesus um jumentinho, e assentou-se sobre ele, como está escrito: não temas, ó filha de Sião [Jerusalém]; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta…” (Jo 12, 12-15)

Uma importante consideração a fazer é relativa ao nome que a seita qumraniana dava a si mesma e ao lugar onde estava instalada. Logicamente a denominação de Khirbet Qumran é moderna e pertence à língua árabe. Para conhecer como os qumranianos indicavam seu próprio lugar de auto – exílio, podemos utilizar as palavras do Documento de Damasco [imagem a direita]:

“…o poço é a lei, e aqueles que o escavaram são os convertidos de Israel, aquele que saíram da terra de Judá e se exilaram na terra de Damasco…” (Documento de Damasco VI, 4-5)

“…segundo a disposição daqueles que entraram no novo pacto na terra de Damasco…” (Doc. Damasco VI, 19)

“…a estrela é a intérprete da lei que verá a Damasco, como está escrito: uma estrela tem feito muita estrada desde Giacobbe, e um cetro se levanta de Israel…” (Doc. Damasco VI, 18-20)

É importante observar, neste último versículo, a citação de uma profecia messiânica [Num. 24,17], que o Novo Testamento afirma estar referida a Cristo (Mt 2, 1-12 e Ap. 22, 16), também em relação a imagem da “estrela” como astro nascente que anuncia a chegada do Messias. Isso torna ainda maior a ligação do movimento cristão originário com o qumraniano. E ainda:

“…Todos os homens que entraram no novo pacto na terra de Damasco, mas depois se foram, traíram e se afastaram do poço da viva água…” (Doc. Damasco VIII, 21)

Neste versículo também encontra-se uma correspondência com o Novo Testamento. A imagem do poço da viva água corresponde perfeitamente às palavras usadas por Jesus no diálogo com a samaritana, no Evangelho de João. E ainda:

“…o pacto com o qual se comprometeram com o país de Damasco, ou seja, o novo pacto…” (Doc. Damasco XX, 12)

Tudo isso leva a acreditar que expressões como Damasco e a terra de Damasco, eram utilizadas pelos qumranianos para indicar ora a si mesmos e a sua comunidade, ora o lugar ou os lugares dos seus rituais. Muitos estudiosos concordam com esta opinião, inclusive o mesmo Padre de Vaux (L’archeologie et les manuscrits de la Mer Morte, London 1961), além de J. Barthelemy, A. Jaubert, G. Vermes, N. Wieder e outros. Qual o motivo de os qumranianos adotarem esta denominação? Eles trouxeram inspiração num texto bíblico, Amos 5, 26-27, que de fato vem citado no mesmo Documento de Damasco (VII, 14-15), onde se fala da teologia da deportação e do exílio (veja também Jeremias e Ezequiel).

Em prática, Damasco é visto como um lugar de exílio, um lugar onde os homens pio e puros encontram um abrigo em frente a cólera de Deus. Jeremias e Ezequiel falam dos exilados em Damasco como a parte melhor do povo de Israel.

Os qumranianos, que se separaram autoexilando-se no deserto do Mar Morto para protesto contra a corrupção da classe sacerdotal de Jerusalém, explorando a similitude com os versos bíblicos, comparam a si mesmos aos “deportados na terra de Damasco”, e nomearam Damasco o próprio ritual.

Tudo isso tem um papel fundamental na leitura e interpretação do Novo Testamento. O Professor R. Eisenman (California State University), que acredita na identidade, ou pelo menos numa estrita parentela, entre a comunidade de Qumran e o movimento judeu-cristão primitivo, afirma que o famoso trecho dos Atos dos Apóstolos no qual Paulo é enviado a Damasco pelo sumo sacerdote em busca de cristãos para prendê-los, tenha que ser completamente reinterpretada, entendendo com Damasco não a célebre cidade da Síria, mas este sitio de Qumran.

De fato, é importante observar que na Síria, nem Paulo nem o sumo sacerdote de Jerusalém tinham alguma autoridade. A cidade de Damasco pertencia a outra administração e as autoridades de Jerusalém não tinham nenhum direito de efetuar ações de polícia na Síria. Tudo isso mostra claramente a quantidade de questões que podem nascer de uma atenta análise da origem cristã. E de quanto tenha sido manipulada a memória histórica.

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Fonte: http://mucheroni.br.tripod.com/mar_morto

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/breve-introducao-aos-manuscritos-do-mar-morto/

Mapa Astral de Nikola Tesla

Mapa Astral

O Mapa de Tesla é interessante pois temos o horário de seu nascimento, o que nos permite aprofundar um pouco mais em sua interpretação. O mapa possui Sol e Vênus em Câncer; Lua em Virgem-Libra (Rainha de Espadas) e Marte em Libra, na casa 6; Mercúrio e Saturno em Gêmeos-Câncer (Rainha de Copas); Ascendente e Urano em Touro-Gêmeos (Rei de Espadas); Júpiter e Caput Draconis em Áries na casa 12 e Netuno em Peixes. Seu Planeta mais forte é Urano, com 5 Aspectações.

A genialidade e Imaginação construtiva de Tesla, pela teoria da Astrologia, é dada por sua Aspectação entre Urano e Lua. Urano (Hochma) em Touro-Gêmeos mostra alguém com uma incansável busca e acumulação de conhecimento (Rei de Espadas); sua Lua (Yesod) em Virgem-Libra mostra uma pessoa obsessiva-compulsiva extremamente metódica e perfeccionista (as diversas lendas a respeito de tesla dizem que ele era capaz de criar e projetar uma máquina em sua mente e colocá-la para funcionar em sua imaginação, observando os resultados que ela traria antes mesmo de construir um protótipo). O Meio-do-Céu em Capricórnio-Aquário completa esse quadro de inventor-maluco capaz de dominar todo o conhecimento de um campo a ponto de transcendê-lo, criando coisas novas e inesperadas. O conjunto triplo Mercúrio-Lua-Meio-do-Céu em Signos intermediários é uma combinação bem única e extremamente forte no mapa.

Seu Mercúrio (Hod) está em Gêmeos-Câncer, denotando uma capacidade acima da média para criar e fantasiar. Combinando essa capacidade com as características brilhantes de sua lua e urano, esta “imaginação” era potencializada para criações reais, ou seja, alguém com a capacidade de trazer o imaginário para o mundo real.

Completando o quadro único de Tesla, seu Ascendente em Touro-Gêmeos aumentava, com o passar dos anos, esta capacidade de manifestação de seu intelecto. Júpiter em Áries dava a ele o entusiasmo, dinamismo e capacidade de trabalho sem parar que resultou em mais de 700 projetos (e, em aspectação com a Lua, ampliava ainda mais seu transtorno obsessivo-compulsivo). Por final, Vênus e Sol em Câncer explicam seu gosto pela teatralidade. Tesla era largamente conhecido por apresentar suas inovações e demonstrações ao público de uma forma artística, quase como um mágico.

Uma combinação fascinante de um homem extraordinário.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-nikola-tesla

Formação Estelar, Planeta e Transição Planetária

Paulo Jacobina

À medida que o Agente Modelador passa a atuar no Tecido Elementar, ele molda, no Grande Plano Mental, o Princípio Inteligente, partícula elementar de tudo que compõe o Grande Plano Mental e, consequentemente, é responsável por toda a manifestação que ocorre no Grande Plano Físico.

No polo oposto, o Eu atua unindo o Princípio Inteligente, dando origem a novas Formas-Pensamentos e, consequentemente, a novas manifestações no Grande Plano Físico.

Ao unir o Princípio Inteligente, o Eu começa o processo de estruturação de Formas-Pensamento que se manifestam, em determinado estágio, no Grande Plano Físico como nuvens de gases. Com a intensificação da ação unificadora, buscando aglutinar todas as Formas-Pensamento que ali se encontram, alcança-se um novo estágio de Consciência, a formação estelar.

Em situações nas quais a ação unificadora do Eu exerce forte predominância sobre a ação do Agente Modelador, origina-se apenas uma estrela, a qual passará por todos os estágios da sua jornada existencial, estudada no campo do Grande Plano Físico amplamente pela Astronomia, até transmutar-se, juntamente com outras Formas-Pensamento similares, e dar origem à Forma-Pensamento que anima o reino mineral.

Porém, raramente a ação unificadora do Eu prevalece de forma tão grande à ação do Agente Modelador, e, por isso, outros caminhos são trilhados, caminhos por meio dos quais se formam, por exemplo, dois núcleos de consciência[1] (em fenômeno conhecido como estrelas binárias), ou mesmo situações nas quais há um núcleo maior de consciência e diversos núcleos menores, em um fenômeno conhecido como Sistema Planetário.

O Sistema Planetário nada mais é do que um único organismo que se encontra em processo de depuração, com as suas nadi, que se apresentam como as eclípticas e demais forças que mantêm o sistema coeso; com seus chakra, que se manifestam como os “buracos de minhoca” ou “Pontes de Einstein-Rosen” e como as outras formas de expulsão de elementos para fora do sistema, e de atração de elementos oriundos de regiões externas ao sistema.

Entretanto, por ainda não se encontrar totalmente integrado, ocorre que algumas partes desse organismo se percebem como organismos únicos, mas que se encontram em um processo de interdependência com os outros organismos do seu sistema[2]. Dessa forma, tal como a Escada de Jacó, cada parte do Sistema Planetário atua de acordo com a sua função e o degrau no qual se encontra, estando o Planeta principal[3] desse Sistema Planetário servindo de guia para os demais Planetas do Sistema.

Conforme se depuram os estágios de consciência dos elementos que compõem o Sistema Planetário, processos de transformação ocorrem e os elementos começam a se fundir, pela ação do Eu, dando forma a novos organismos, novos estágios no processo de transformação e sutilização estelar.

PLANETA

Planeta é o nome dado a um estado de consciência do Eu na formação estelar. Esse estado possui gradações e pode se manifestar como a Estrela em si, em seus diversos estágios existenciais, ou como o que se chama comumente de planetas, em seus diversos estágios.

Independente do estágio no qual se encontra, a formação do Planeta se dá pela atuação de infinitos fatores, dentre os quais se podem destacar alguns:

O mais importante são as situações vivenciadas diretamente pelo Planeta, tendo em vista que a jornada existencial é do Eu que ali se encontra e, por isso, ele deve vivenciá-las de forma a encontrar a ressonância necessária para se deslocar na Consciência.

Um segundo fator de destaque está associado à relação do Planeta com aqueles Planetas que se encontram em degraus superiores e inferiores ao seu.

E por fim, a relação do Planeta com Eus que se encontram em outros estágios de Consciência e que, em virtude destes estágios, necessitam passar por experiências que são proporcionadas pelo Planeta no estágio no qual ele se encontra, manifestando-se nos diversos Corpos Existenciais do Planeta. Da mesma forma com que o Planeta auxilia na jornada desse Eu que ali encarna, este auxilia na jornada do Eu que se manifesta como Planeta, contribuindo para a transformação dos seus Corpos Existenciais[4].

Além desse grupo de Eus, também existe aquele que se encontra em outro estágio de Consciência, no qual, pela utilização do Amor, passa a atuar de forma a organizar e manter a coesão na manifestação de grupos de Eus, no que se chama comumente de Psiquismo Diretor.

Assim como ocorre no Eu que se encontra encarnado como homem, o Planeta também possui Corpos Existenciais[5], sendo criado em seu aspecto mais sutil, passando-se a brutalizar-se pela ação do Agente Modelador e, posteriormente, sutilizando-se novamente[6] até integrar-se com o restante do Sistema Planetário, em um processo denominado de Transição Planetária.

TRANSIÇÃO PLANETÁRIA

Tal qual ocorre com a Existência, o Planeta também tem os seus períodos de sístoles e diástoles que provocam a diminuição e o aumento do fluxo de Vitalidade que recebe pelos chakra e são distribuídos pelas nadi.

A Vitalidade inicia o seu fluxo em um período que recebe o nome de Satya Yuga[7]. À medida que o fluxo de Vitalidade diminui, um novo período se inicia, chamado de Treta Yuga[8]. Continuando a diminuir, dá-se origem a terceiro período, o Dwapara Yuga[9]. E, com a constante diminuição do fluxo, um quarto período se inicia, o Kali Yuga[10], um período no qual a Vitalidade quase não alcança o Planeta.

Atingindo o seu ponto de menor fluxo de Vitalidade no final do Kali Yuga, tem-se início a diástole, fazendo com que o Planeta percorra, agora em sentindo inverso, o Kali Yuga, o Dwapara Yuga, o Treta Yuga e o Satya Yuga, quando, ao final deste último período, alcançará o ponto de maior fluxo de Vitalidade[11] e dará início a uma nova sístole. A esse sucessivo processo de sístoles e diástoles[12] do Planeta dá-se o nome de Transição Planetária[13].

Estes fluxos e refluxos de Vitalidade são os responsáveis por permitir que o Planeta experimente a ilusória transitoriedade do seu estado e se depure, percorrendo a trilha do seu Dharma, naquilo que ele é, o Absoluto manifesto.

O ciclo se inicia no maior estágio do fluxo de Vitalidade, pois, além do fato de o movimento se iniciar no seio do Absoluto, é o momento no qual o Eu tem de captar a Vitalidade que será “colocada à prova” nos períodos posteriores, nos quais o fluxo é menor, de forma a fazer com que o Eu compreenda pelo Planeta por intermédio dos seus chakra e das suas nadi. Durante o período de sístole, uma quantidade maior de Vitalidade deixa o Planeta em comparação com a quantidade de Vitalidade que chega; enquanto no período diástole, uma quantidade maior de Vitalidade chega ao Planeta em comparação com a quantidade que sai.

Essa Vitalidade que transita pelo Planeta se manifesta na forma de Eus que se encontram em estágios de maior ou menor sutilização, e que ainda necessitam de experimentar as situações proporcionadas pelo Planeta no qual irão encarnar.

Assim, durante o Satya Yuga, a aquilo que foi captado[14].

A Vitalidade se deslococorre uma intensa chegada de Eus mais sutilizados, e no polo oposto, durante o Kali Yuga, há menor chegada de Eus mais sutilizados.

O fluxo de Vitalidade chega e deixa o Planeta via Sistema Planetário, tendo em vista que o Planeta é parte integrante de um organismo maior, assim como o próprio Sistema Planetário também o é, bem como tudo o que existe e o que não existe também faz parte de um organismo maior, o Absoluto[15].

[1] Aos estágios da Consciência nos quais o Eu se percebe como esses núcleos de consciência, dão-se o nome de Planeta.

[2] De forma similar ao que acontece com o homem, que, muitas das vezes, se vê como um ser único, mas dentro de um processo de interdependência dos outros homens, sem se dar conta de que ele faz parte de um organismo maior, a Humanidade.

[3] No caso do sistema solar, ao planeta principal desse sistema dá-se o nome de Sol. O Dharma de todo sistema planetário, seja ele qual for, é tornar-se uma única estrela e, por fim, formar o princípio inteligente que se manifesta no reino mineral.

[4] Um exemplo básico dessa contribuição encontra-se no estudo das egrégoras.

[5] “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”.

[6] “Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação”.

[7] Também chamada de Sat Yuga ou Krta Yuga ou Krita Yuga ou Era de Ouro.

[8] Também chamado de Trétha Yuga ou Era de Prata.

[9] Também chamado de Dvapara Yuga ou Era de Bronze.

[10] Também chamado de Era de Ferro.

[11] Sabendo que “o que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”, também é possível se verificar este ciclo de sístole e diástole em outras escalas existenciais, como a apresentada com o passar das estações do ano, as etapas do dia, a Roda de Samsara ou ciclo das encarnações etc.

[12] “Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação”.

[13] A Transição Planetária é o conjunto de ciclos de sístoles e diástoles da Vitalidade no Planeta, permitindo a sua transformação de maneira a seguir o seu Dharma e, como “o que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”, também é possível se verificar esse conjunto de ciclos em outras escalas existenciais, como a apresentada no reinício do movimento de translação do Planeta.

[14] De forma similar ao que ocorre no processo de se criar uma escultura com argila. Primeiro se utiliza uma porção de argila, que é moldada e o excesso é retirado, deixando apenas a base do que se visa construir. Depois, uma nova porção de argila é acrescentada, moldada e o excesso é retirado, para construir a estrutura da escultura. Esse ciclo de acrescentar argila, moldar e retirar o excesso se repete até o objeto ser finalizado.

[15] Pois “enquanto Tudo está no Todo, é também verdade que o Todo está em Tudo”.


~ Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalista.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/formacao-estelar-planeta-e-transicao-planetaria/

Resultados da Hospitalaria – Abril 2015

Em Abril, tivemos 37 mapas e 14 sigilos, além de 12 doações de sangue. Entidades ajudadas este mês:

– Pequeno cotolengo do Paraná

– Centro de Umbanda Cabocla Jurema

– Projeto Segunda Chance 

– Medicos sem Fronteiras

– Cruz Vermelha da França

– Centro Espírita Nosso Lar – Casas André Luiz

– Lar das vovozinhas

– Associação Cantinho dos Animais dos Açores

E continuamos com o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-abril-2015

As falácias sobre a magia goética

“O Homem é capaz de ser e usar qualquer coisa que percebe; porque tudo que ele percebe é, de certo modo, uma parte de seu ser. Ele pode, desta forma, subjugar todo o Universo do qual ele é ciente a sua Vontade Individual.”

“Ele poderá atrair para si mesmo, qualquer força do Universo, tornando-se um receptáculo adequado para isto, estabelecendo a conexão adequada às condições para que a natureza desta força faça fluir através dele.” – O que é Magick?, Aleister Crowley

A popularização da goécia trouxe consigo uma grande remessa de mestres – como tudo em ocultismo, a vontade de poder se torna base sustentável de muitas pessoas. De adolescentes que evocavam seus espíritos as escondidas no banheiro a psicopatas que acreditam que estavam em contato direto com espíritos e usavam isso para seu charlatanismo interpessoal, a década de 2000 trouxe consigo muito mais desinformação do que realmente algo prodigioso.

Eu tenho medo, então você não faz

Qualquer um que tenha se deparado na busca de goétia encontrou diversos avisos – desde os mais kardecistas, “você vai atrair obsessores”, passando para os umbandistas “você vai se encher de egum”, ou os mais cristãos “os espíritos vão se vingar de você”. A verdade é que o medo é o pior inimigo e costuma ser contagioso. Os pretensos mestres e ocultistas poderosos que circulam pela internet pouco sabem ou simplesmente não querem que você saiba. Ou podem ser ainda mais egoístas e desejar ambos ao mesmo tempo.

Quando se obtém sucesso do mais ínfimo ao esplendor, a primeira reação é óbvia –  desde o cético “foi pura coincidência” ao melindroso “você vai ver a hora que ele te cobrar”, a pequenez humana não costuma admitir para si a possibilidade de sucesso do outro, ainda mais quando se sente superior aquele outro. “Os meus anos de estudo” costuma ser um escudo eficaz para a covardia.

Eles vão atormentar a sua vida

Devemos ter em mente que magia não encobre burrice. Simplesmente desculpar as suas falhas com “o espírito X está me atormentando” ou “só aconteceu merda comigo depois de evocar Y”, é uma forma simples de desviar da própria culpa. A generalização sempre foi sintoma da estupidez e livrar-se disso deveria ser sua primeira meta como magista.

Um espírito ganha muito mais com você trabalhando a favor dele do que você tentando banir ele. Logo seria contraprodutivo ele “ferrar a sua vida”, simplesmente porque você o evocou – e absurdamente ignorante pensar assim. Qualquer um que realmente já tenha trabalhado com espíritos goéticos, sabe que os mesmos possuem uma inteligência e um conhecimento peculiar. Para os mesmos, é muito mais inteligente produzir toneladas de seguidores do que atormentar qualquer indigente que o evocou por acaso e/ou curiosidade. O próprio anônimo pode ser o canal para trazer mais pessoas para eles.

A ideia comum do ocultismo atual de que os espíritos goéticos estão prontos para atormentar justifica a inutilidade dos próprios ocultistas. Os mesmos são neutros. Assim como anjos causam dor e agonia (vide a bíblia cristã, apocalipse), os demônios podem ter efeitos benéficos. Isso não significa que são “bonzinhos”, significa que foram evocados para esse fim. Nas palavras de Crowley, “toda força no Universo é capaz de ser transformada em qualquer tipo de força pelo uso dos meios adequados. Há deste forma uma inesgotável fonte de qualquer tipo de força que precisemos.”

Interessante relatar também que Crowley e seu discípulo evocaram o espírito Buer para curar seu ex mentor, Allan Bennett. Ele relata isso em Magick – Book 4, sua obra prima em magia. Assim como Bartzabel, um “demônio” do planeta marte, foi evocado por Crowley para que assegura-se o estabelecimento da Lei de Thelema na terra.

Antes de finalizar o calculo dando crédito total ao espírito que está trabalhando por qualquer evento contrario, pense na sua parcela de culpa (isso é se o calculo todo não for culpa sua) e lembre-se de uma máxima: magia não te impede de fazer más escolhas, tampouco te assegura de conserta-las.

 

Eles querem a sua alma

Essas são as primeiras desculpas plausíveis para interromper alguém. Porém antes de dar credibilidade total a isso, pense um pouco: espíritos precisam se alimentar. De uma simples vela acesa passando por sangue animal e/ou humano, o alimento mantém vivo o espírito. Muitas vezes, o alimento pode ser o próprio operador, que ganha características daquele espírito enquanto o mesmo se mantém  sobre ele.

Mas isso não é um fato exclusivo de goécia.

É natural que um operador que entre em contato com Hermes, comece a se comunicar mais com outras pessoas, por mais introvertido que ele seja. Isso se opera porque a energia de Hermes induz ele a isso – e conforme ele se comunica, Hermes se alimenta do mesmo. O mesmo acontece com qualquer espírito/energia, que induzindo uma sensação/sentimento/característica em quem o evoca, acaba por se alimentar disso que está no operador. No Opus Lutentianum,  Crowley relata os efeitos que Zeus teve em sua personalidade/vida conforme foi o evocando. A “possessão” e a durabilidade da mesma permaneceu enquanto Crowley manteve o contato com o espírito.

Isso se defini como evocação – evocar para fora – e invocação – chamar para dentro de si. Porém, na pratica os termos se tornam muito mais superficiais. É fato que toda e qualquer evocação vai ter efeitos na sua psique como se fosse uma invocação. E isso não significa ser algo necessariamente ruim.

Enquanto espíritos como Marte podem acentuar sua coragem, outros como Astaroth e Vassago podem potencializar sua intuição e outros dons psíquicos. Não porque você pede isso a ele, mas sim por ser um efeito colateral de se lidar com aquele espírito. Asmodeus acentua tanto sua libido como sua raiva, assim como Belial faz com a sua ganancia. Porém, psicologicamente você se torna igual as pessoas com quem tem mais contato. É natural do ser humano absorver aquela energia e desenvolver características iguais pelo momento. Quantas pessoas já andaram com você e depois que parou de falar com elas, você notou que elas mudaram? E quantas vezes outras pessoas notaram o mesmo em você?

Um pouco de auto controle e um bom auto conhecimento, é suficiente para driblar quaisquer efeitos que um espírito pode ter sobre você. Entenda que evocar um espírito de discórdia, como Haures ou Andras, instiga seu instinto bélico. Mas isso não é desculpa alguma para agir feito um idiota, assim como desculpar sua tara porque está trabalhando com qualquer espírito de luxuria.

Antes de procurar magia, procure o bom senso.

por King

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/as-falacias-sobre-a-magia-goetica/