Os Pobres Cavaleiros de Cristo

No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos “infiéis” muçulmanos a glória dos atos de bravura e consagração, viajaram à Palestina. Eram os Soldados do Cristianismo, disputando a golpes de espada as relíquias sagradas que os fanáticos retinham e profanavam. Balduíno II reinava em Jerusalém, os acolheu, e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde as ruínas compostas de blocos de mármore e de granito, indicavam as ruínas de um Grande Templo.

Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo em que o gênio artístico dos fenícios se revelava. Destruído pelos caldeus, reconstruído por Zorobabel e ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo. Arrasado novamente pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Foi neste Templo que se originou a tragédia de Hiran?, cuja lenda a Maçonaria incorporou. Exteriormente, antes da destruição pelos romanos no ano 70 de nossa era, o Templo era circundado por dois extensos corredores excêntricos, ocupando um gigantesco quadrilátero em direção ao Nascente, a esquerda ficava o átrio dos Gentios e à direita o dos Israelitas, além das estâncias reservadas às mulheres, e aos magos sacerdotes, a que se seguia o Santuário propriamente dito, tendo ao centro o Altar dos Holocaustos.

Os “Pobres Cavaleiros de Cristo” atraídos pela inspiração divina e sensação do mistério que pairava sobre estas ruínas, passaram a explora-las, não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Cabala. Entraram numa extensa galeria que os conduziu até junto de uma porta chapeada de ouro por detrás da qual poderia estar o que durante dois milênios se constituíra no maior Segredo da Humanidade. Uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.

Os “infiéis do Crescente” eram seres vivos e contra eles, Os Templários, com a cruz e a espada realizavam prodígios de valentia. Ali dentro, porém, não era a vida que palpitava, e sim os aspectos da Morte, talvez deuses sanguinários ou potestades desconhecidos contra as quais a força humana era impotente, isto os fez estremecer. Hugo de Paynes, afoito, bateu com o punho da espada na porta e bradou em alta voz: – EM NOME DE CRISTO, ABRI!! E o eco das suas palavras se fez ouvir: EM NOME DE CRISTO…enquanto a enorme porta começou abrir, ninguém a estava abrindo, era como se um ser invisível a estivesse movendo e se escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de estranhas figuras, umas delicadas e outras, aos seus olhos monstruosas, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD.

Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a “LEI” cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que “comprovavam” a heresia dos Templários. A “Lei Sagrada” era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão. A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica e Teogâmica a KABBALAH.

Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ele é o emblema da Força Criadora e da Matéria Cósmica. É a Tríade que representa a Alma Solar, a Alma do Mundo e a Vida. é a Unidade Perfeita. Um raio de Luz intensa ilumina então àqueles espíritos obscecados pela idéia da luta, devotados à supressão da vida de seres humanos que não comungassem com os mesmos princípios religiosos que os levou à Terra Santa. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Jetzira propõe ao entendimento humano. Simbolizando o Absoluto, o Triângulo representa o Infinito, Corpo, Alma, e Espírito. Fogo Luz e Vida. Uma nova concepção que pouco a pouco dilui e destrói a teoria exclusivista da discriminação das divindades se apossa daqueles espíritos até então mergulhados em ódios e rancores religiosos e os conclama à Tolerância, ao Amor e a Fratenidade entre todos os seres humanos.

A Teosofia da Kabbalah exposta sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento dá aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE? Entre as figuras, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a idéia da Criação. E foi essa figura monstruosa, e atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas. Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já a concepção dos Templários acerca da idéia de Deus não era muito católica.

A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem “Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria” não era uma sujeição à Igreja mas uma referência a inicial que no centro do Triângulo simbolizava a unidade perfeita: YOD. Cavaleiros francos, normandos, germânicos, portugueses e italianos acudiram a engrossar as fileiras da Ordem que dentro em pouco se convertia na mais poderosa Ordem do século XII. Mas a Ordem tornara-se tão opulenta de riquezas, tão influente nos domínios da cristandade que o Rei de França Felipe o Belo decretou ao Papa para expedir uma Bula confiscando todas suas riquezas e enviar seus Cavaleiros para as “Santas” fogueiras da Inquisição. Felipe estava atento. E não o preocupava as interpretações heréticas, o gnosticismo. Não foram portanto, a mistagogia que geraram a cólera do Rei de França e deram causa ao monstruoso processo contra os Templários.

Foi a rapacidade de um monarca falido para quem a religião era um meio e a riqueza um fim. Malograda a posse da Palestina pelos Cruzados, pelo retraimento da Europa Cristã e pela supremacia dos turcos muçulmanos, os Templários regressam ao Ocidente aureolados pela glória obtidas nas batalhas de Ascalão, Tiberíade e Mansorah. Essas batalhas, se não consolidaram o domínio dos Cristãos na Terra Santa, provocaram, contudo, a admiração das aguerridas hostes do Islam (muçulmanos), influindo sobre a moral dos Mouros que ocupavam parte da Espanha. Iniciam entre os Templários o culto de um gnosticismo eclético que admite e harmoniza os princípios de várias religiões, conciliando o politeísmo em sua essência com os mistérios mais profundos do cristianismo. São instituídas regras iniciáticas que se estendem por sete graus, que vieram a ser adotados pela Franco Maçonaria Universal (três elementares, três filosóficos e um cabalístico), denominados “Adepto”, “Companheiro”, “Mestre Perfeito”, “Cavaleiro da Cruz”, “Intendente da Caverna Sagrada”, “Cavaleiro do Oriente”e “Grande Pontífice da Montanha Sagrada”.

A Caverna Sagrada era o lugar Santo onde se reuniam os cavaleiros iniciados. Tinha a forma de um quadrilátero (quadrado) perfeito. O ORIENTE representava a Primavera, o Ar, Infância e a Madrugada.O MEIO DIA (Sul), o Estio, o Fogo e a Idade adulta. O OCIDENTE, o Outono, a Água, o Anoitecer. O NORTE, a Terra, o Inverno, a Noite. Eram as quatro fases da existência. O Fogo no MEIO DIA simbolizava a verdadeira iniciação, a regeneração, a renovação, a chama que consumia todas as misérias humanas e das cinzas, purificadas, retirava uma nova matéria isenta de impurezas e imperfeições. No ORIENTE, o Ar da Madrugada vivificando a nova matéria, dava-lhe o clima da Primavera em que a Natureza desabrochava em florações luxuriantes, magníficas acariciando a Infância. Vinha depois o OUTONO, o Anoitecer, o amortecer da vida, a que a Água no OCIDENTE alimentava os últimos vestígios desta existência. O NORTE, marca o ocaso da Vida. A Terra varrida pelas tempestades e cobertas pela neve que desolam e que matam, é o Inverno que imobiliza, que entorpece e que conduz à Noite caliginosa e fria a que não resiste a debilidade física, a que sucumbe a fragilidade humana.

E é no contraste entre o Norte e o Meio Dia que os Templários baseiam o seu esoterismo, alertando os iniciados da existência de uma segunda vida. Nada se perde: Tudo se Transforma. …Vai ser iniciado um “Cavaleiro da Cruz”. O Grande Pontífice da Montanha Sagrada empunha a Espada da Sabedoria, e toma lugar no Oriente. Ao centro do Templo, um pedestal que se eleva por três degraus, está a grande estátua de Baphomet, símbolo da reunião de todas as forças e de todos os princípios (Masculino e Feminino, A Luz e as Trevas, etc…) como no Livro da Criação, a Sepher-Jetzira Livro mor da Cabala. No peito amplo da estranha e colossal figura, a Cruz, sangrando,imprime à Rosa Branca um róseo alaranjado que pouco a poco toma a cor de sangue. É a vida que brota da união dos princípios opostos.

Por cima da Cruz, a letra “G”. O iniciado, Mestre Perfeito, já conhece muito bem o significado dessa letra que na mudez relativa desafia a que a interpretação na sua nova posição, junto ao Tríplice Falus, na sua junção com a Rosa-Cruz mística. “A Catequese Cristã é apenas, como o leite materno, uma primeira alimentação da Alma; o sólido banquete é a Contemplação dos Iniciados, carne e sangue do Verbo, a compreensão do Poder e da Quintessência divina.” “O Gnóstico é a Verdadeira Iniciação; e a Gnose é a firme compreensão da Verdade Universal que, por meio de razões invariáveis nos leva ao conecimento da Causa…” “Não é a Fé, mas sim a Fé unida as Ciências, a que sabe discernir a verdadeira da falsa doutrina. Fiéis são os que apenas literalmente crêem nas escrituras. Gnósticos, são os que, profundando-les o sentido interior, conhecem a verdade inteira.” “Só o Gnóstico é por essência, piedoso.” “O homem não adquire a verdadeira sabedoria senão quando escuta os conselhos duma voz profética que lhe revela a maneira porqur foi, é, e será tudo quanto existe.” O Gnosticismo dos Templários é uma nova mística que ilumina os Evangelhos e os interpreta à Luz da Razão Humana.

* * * …O Mestre Perfeito entra de olhos vendados, até chegar ao pedestal de Baphomet. Ajoelha e faz sua prece: “Grande Arquiteto do Universo Infinito, que lês em nossos corações, que conheces os nossos pensamentos mais íntimos, que nos dá o livre arbítrio para que escolhamos entre a estrada da Luz e das Trevas.” “Recebe a minha prece e ilumina a minha alma para que não caia no erro, para que não desagrade à vossa soberana vontade” “Guiai-me pelo caminho da Virtude e fazei de mim um ser útil à Humanidade”. Acabada a prece, o candidato levanta-se e aguarda as provas rituais que hão de conduzí-lo a meta da Verdade. …O GRANDE PONTÍFICE TEMPLÁRIO interroga o candidato a “Cavaleiro da Cruz”em tom afetivo e paternal: “Meu Irmão, a nossa Ordem nasceu e cresceu para corrigir toda espécie de imperfeição humana”. “A nossa consciência é que é o juiz das nossas ações. A ignorância é o verdadeiro pecado. O inferno é uma hipótese, o céu uma esperança”. “Chegou o momento de trocarmos as arma homicidas pelos instrumentos da Paz entre os Homens.

A missão do Cavaleiro da Cruz é amar ao próximo como a si mesmo. As guerras de religião são monstruosidades causadas pela ignorância, geradas pelo fanatismo. As energias ativas devemos orientá-las no sentido do Amor e da Beleza; mas não se edifica uma obra de linhas esbeltas sem um sentimento estético apolíneo que só se adquire pelo estudo que conduz ao aperfeiçoamento moral e espiritual”. “O homem precisa Crer em algo. Os primitivos cultuavam os Manes. Os Manes eram as almas humanas desprendidas pela morte da matéria e que continuavam em uma nova vida”. “Onde iriam os primitivos beber a idéia da alma? Repondei-me, se sois um Mestre Perfeito Templário”. “- Nos fenômenos psíquicos que propiciam aparições, nas ilações tiradas dos sonhos, e na percepção”. “-Acreditais que os mortos se podem manifestar aos vivos?” “- Sim. Acredito que a Alma liberta do invólucro físico sobe a um plano superior, se sublima, e volve ao mundo para rever os que lhe são simpáticos, segundo a lei das afinidades”. “- Acreditais na ressurreição física de Cristo?” “- Não.” “- Acreditais na Metempsicose (Lei de Transmigração das Almas)?” “- Sim. A semelhança das ações, dos sentimentos, dos gestos e das atitudes que podemos observar em determinados seres não resultam apenas da educação mas da transmigração das almas. Essa transmigração não se opera em razão hereditária”. “- Acreditai que a morte legal absolve o assassino? Que o Soldado não é responsável pelo sangue que derrama”? “- Não acredito”. ” – Atentai agora nas palavras do Cavaleiro do Ocidente que vos dirá os sentidos que imprimimos no ao Grau de Cavaleiro da Cruz”. “A Ordem do Templo criou uma doutrina e adquiriu uma noção da moral humana que nem sempre se harmoniza com as concepções teológicas cristãs apresentadas como verdades indiscutíveis.

Por isso nos encontramos aqui, em caráter secreto, para nos concentrarmos nos estudos transcendentes por meio do qual chegaremos à Verdadeira Harmonia.” “As boas obras dependem das boas inclinações da vontade que nos pode conduzir à realização das boas ações. A intuição é que leva os homens a empreender as boas ações. Quando o Grande Pontífice vos falou do culto dos primitivos, ele definiu a existência de uma intuição comum a todos os seres humanos.” “Assim como por detrás das crenças dos Atlantes havia a intuição que indicava a existência de um Ser Supremo, o Grande Arquiteto responsável pela construção do Universo, também existia nesses povos um sentimento inato do Bem e do Belo, e um instinto de justiça que era a base de sua Moral.” “A Ciência nos deu meios de podermos aperfeiçoar a Moral dos antigos, mas a inteligência nos diz que além da Ciência existe a Harmonia Divina”. “Das ações humanas, segundo Platão, deverá o homem passar à Sabedoria para lhe contemplar a Beleza; e, lançado nesse oceano,procriará com uma inesgotável fecundidade as melhores idéias filosóficas, até que forte e firme seu espírito, por esta sublime contemplação, não percebe mais do que uma ciência: a do Belo”. Estavam findas as provas de iniciação.

O iniciado dirigia-se então para o Altar dos Holocaustos, onde o Sacrificador lhe imprime a Fogo, sobre o coração, o emblema dos Cavaleiro do Templo. …Foi nessa intervenção indébita de Roma que influiu poderosamente para que a “Divina Comédia” de Dante Alighieri fosse o que realmente é – uma alegoria metafísico-esotérica onde se retratam as provas iniciáticas dos Templários em relação à imortalidade. Na DIVINA COMÉDIA cada Céu representa um Grau de iniciação Templário. Em contraste com o Inferno, que significa o mundo profano, o verdadeiro Purgatório onde devem lapidar-se as imperfeições humanas, vem o Último Céu a que só ascendem os espíritos não maculados pela maldade, isentos de paixões mesquinhas, dedicados à obra do Amor, da Beleza e da Bondade. É lá o zênite da Inteligência e do Amor. A doutrína Iniciática da Ordem do Templo compreende a síntese de todas as tradições iniciáticas, gnósticas, pitagóricas, árabes, hindus, cabires, onde perpassam, numa visão Cosmorâmica todos os símbolos dos Grandes e Pequenos mistérios e das Ciências Herméticas: A Cruz e a Rosa, o Ovo e a Águia, as Artes e as Ciências, sobretudo a Cruz, que para os Templários, assim como para os Maçons seus verdadeiros sucessores, era o símbolo da redenção humana. Dante Alighieri e sua Grande Obra: A Divina Comédia, foi o cronista literário da Ordem dos Cavaleiros do Templo. Os Templários receberam da Ordem do Santo Graal o esquema iniciático e a base esotérica que serviu de base para seu sistema gnóstico.

Pois o que era a Cavalaria Oculta de Santo Graal senão um sistema legitimamente Maçônico ainda mal definido, mas já adaptado aos princípios da Universalização da Fraternidade Humana? O Santo Graal significava a taça de que serviu Jesus Cristo na ceia com os discípulos, e na qual José de Arimathéa teria aparado o sangue que jorrava da ferida de Cristo produzida pela lança do centurião romano. Era a Taça Sagrada que figurava em todas as cerimônias iniciáticas das antigas Ordens de Cavaleiros que possuiam graus e símbolos misteriosos, e que a Maçonaria moderna incorporou em seus ritos, por ser fatal aos perjuros.

Os Templários adotavam-na na iniciação dos Adeptos e dos Cavaleiros do Oriente, mas ela já aparece nas lendas do Rei Arthur, nos romances dos Cavaleiros da Távola Redonda, que eram de origem céltica, e que a própria Igreja Católica a introduziu no ritual do cálice que serve no sacrifício da missa. No Grau de Cavaleiro do Oriente,os Templários figuram um herói: Titurel, Cavaleiro da Távola Redonda, que desejando construir um Templo onde depositar o Cálice Sagrado, engcarregara da construção o profeta Merlin, que idealizou um labirintocomposto de doze salas ligadas por um sistema de corredores que se cruzavam e recruzavam, como no labirinto de Creta onde o Rei Minos escondia o Minotauro(Mit.Grega).

O Postulante Templário tinha de entrar em todas as salas, uma só vez, para receber a palavra de passe, e só no fim dessa viagem podia ascender ao grau que buscava. Mas se em Creta, Theseu tivera o fio de ouro de Ariadne, para chegar ao Minotauro, no Templo dos Cavaleiros do Oriente, o candidato apenas podia se orientar por uma chave criptográfica composta de oitenta e uma combinações (9×9) o que demandava muito esforço de raciocínio e profundos conhecimentos em matemática. A Ciência dos Números tinha para os Templários um significado profundo.

Os Grandes Iniciados, comos os Filósofos do Oriente, descobriram os mais íntimos segredos da natureza por meio dos números, que consideravam agradáveis aos Deuses. Mas tinha grande aversão aos números pares. O Grande Alquimista Paracelso dizia que os números continham a razão de todas as coisas. Eles estavam na voz, na Alma, na razão, nas proporções e nas coisas divinas. A Ordem dos Cavaleiros do Templo, cultuava a Ciência dos Números no Grau de Cavaleiro do Oriente, ensinando que a Filosofia Hermética contava com TRÊS mundos: o elementar, o celeste e o intelectual. Que no Universo havia o espaço, a matéria e o movimento. Que a medida do tempo era o passado, o presente e o futuro; e que a natureza dispunha de três reinos: animal, vegetal e mineral; que o homem dispunha de três poderes harmônicos: o gênio, a memória e a vontade. Que o Universo operava sobre a eternidade e a imensidade movida pela onipotência. A sua concepção em relação à Deus, o Grande Arquiteto do Universo, era Sabedoria, Força e Beleza.

A Maçonaria criou uma expressão própria para os Altos Graus: Sabedoria, Estabilidade e Poder. Tudo isto provinha do Santo Graal, a que os Templários juntavam que, em política, a grandeza e a duração e a prosperidade das nações se baseavam em três pontos primordiais: Justiça dos Governos, Sabedoria das Leis e Pureza dos Costumes. Era nisso que consistia a arte de governar os povos. As oitenta e uma combinações que levavam o candidato ao Templo de Cavaleiro do Oriente tinha por base o sagrado numero Três, sagrado em todas as corporações de caráter iniciático.

O Triângulo encontrado no Templo de Salomão era uma figura geométrica constituída pela junção de Três linhas e a letra YOD no centro significava a sua origem divina. Todas as grandes religiões também têm como número sagrado o Três. A Católica, exprimindo-o nas pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) nos dias que Cristo passou no sepulcro, nos Reis Magos, e nas vezes que São Pedro negou o mestre. Nos Grandes Mistérios Egípcios, temos a Grande Trindade formada por Ísis, Osíris e Hórus. Entre os Hindus temos a Trimurti, constituída de Brahama, Shiva e Vishnu personificando a Criação, a Conservação e a Destruição. Em todas elas, como no racionalismo, nós encontramos como elementos vitais a Terra, a Água e o Sol.

Foi, portanto, baseada nas grandes Religiões e no Gnosticismo dos Templários, que por sua vez se inspirou no da Cavalaria Oculta do Santo Graal, que a Maçonaria adotou como símbolo numerológico de vários graus o número três, que se vai se multiplicando na vida maçônica dos iniciados até a conquista da Sabedoria, da Força e da Beleza. …Os Graus na Ordem do Templo eram Sete, como o é na Maçonaria Moderna Universal. Este número era também, junto com o Três, estremamente sagrado para os antigos. Era considerado o Número dos Números. Ele representava os Sete Gênios que assistiam o Grande Mitra, Deus dos Persas, e figurava igualmente os Sete pilotos de Osíris. Os Egípcios o consideravam o símbolo da Vida. Haviam Sete Planetas e são Sete as fases da Lua. Sete foram os casais encerrados na arca de Noé, que parou sete meses depois do dilúvio, e a pomba enviada por Noé só recolheu depois de sete dias de ausência. Foram sete as pragas que assolaram o Egito e o povo hebraico chorou sete sias a morte de Jacob, a quem Esaú saudara por sete vezes. A Igrja Católica reconhece Sete pecados capitais e instituiu os sete sacramentos. Para os muçulmanos existem sete céus. Deus descansou ao sétimo dia da criação. Sete eram as Ciências que os Templários transmitiam nos sete graus iniciáticos: A Gramática, a Retórica, a Lógica, a Aritmética, a Geometria , a Música e a Astronomia. Sete eram também os Sabios da Grécia. Apollo nasceu no dia sete do mes sete e sete era seu número sagrado. … Harmonizando todas as Doutrinas, os Templários fugiam ao sentido fúnebre e superficial do catolicismo para se refugiarem em outros mistérios que entoavam Hinos à Vida.

O argumento para a iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada foram buscá-lo à velha Frígia , Grécia, aos Mistérios dos Sabázios. Para os Gregos, Demeter (ou Ceres para os romanos) deu à luz a Perséfone, a quem Zeus (ou Júpiter) viola, e para isso se transforma em serpente. O Deus, atravessando o seio é a fórmula usada nos mistérios dos Sabázios: assim se chama a serpente que escorrega entre os vestígios dos iniciádos como para lembrar a impudicícia de Zeus. Perséfone dá a Luz a um filho com face de touro. O culto dos Sabázios que servia de tema às iniciações Templárias de Quinto Grau, impressionara o gênio grego mas era um intruso em sua religião, e contra ele se levantaram Aristóphanes e Plutarco. Era um Culto Orgíaco, mas não era disso que se queixavam os gregos, que também tinham o culto de Cybele e arvoravam em divindades as suas formosas hetairas (prostitutas sagradas do Templo) como o demonstra no túmulo da hetaira Tryphera: “Aqui jaz o corpo delicado de Tryphera, pequena borboleta, flor das voluptuosas hetairas, que brilhava no santuário de Cybele, e nas suas festas ruidosas, suas falas e gestos eram cheios de encantos” A iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada realizava-se no mês de Maio, o mês das flores, com o Templo dedicado à natureza, porque o Quinto Grau de Iniciação Templária era um hino à renovação periódica da vida, dentro do Princípio Alquímico que admitia a Transmutação das substâncias e a renovação das células por um sistema circular periódico, vivificante, em que tudo volta ao ponto de partida, OUROBOROS.

O Grande Pontífice da Montanha Sagrada encarnava o papel do Sabázio, o Deus Frígio que figurava as forças da natureza e as movia no sentido da renovação e da regeneração humana. A seus pés, de aspecto ameaçador estava a Serpente Sagrada, símbolo da regeneração e renovação pela mudança periódica de pele. À esquerda, coroada de flores e folhas verdes, cabelos soltos saindo de um emblema de estrelas, tendo ao peito nu, uma trança de papoulas, símbolo da fecundidade, nas orelhas brincos de três rubis e no braço esquerdo arqueado, o crivo místico das festividades de Elêusis, que três serpentes aladas acariciavam, a Grande Estátua de Deméter, personificação da Terra, e das forças produtoras da natureza. À direita, envergando uma cumprida túnica, severa e majestosa, Hera(ou Juno) a imponente Deusa do Olimpo, Esposa de Zeus, estende aos postulantes a taça do vinho celeste que contém em si o espírito da força indomável do sado com a reflexão e com a temperança. As provas, neste Grau, dirigiam-se no sentido da imortalidade da alma, e também no rejuvenescimento físico. Deméter estendia a sua graça sobre o gênero humano para que os iniciados compreendessem que as forças da natureza reuniam a própria essência da Divindade.

Eram elas que impulsionavam a vida, que renovavam as substâncias nos ciclos mais críticos e que podiam levar o homem à Imortalidade. Hera velava do Olimpo e Sabázio conduzia o fogo sagrado. Apenas os profundamente convictos, isentos de dúvidas e fortes em sua crença de que acima da natureza só existia a própria natureza evoluída é que recebiam a consagração da investidura do Grau. “A natureza mortal procura o quanto pode para se tornar imortal. Não há, porém, outro processo senão o do renascimento que substitui um novo indivíduo a um indivíduo acabado.” “Com efeito, apesar de dizer do homem que vive do nascimento até a morte, e que é o mesmo durante a vida , a verdade é que não o é, nem se conserva no mesmo estado, nem o compõe a mesma matéria.” “Morre e nasce sem cessar, nos cabelos, na carne, nos ossos, no sangue, numa palavra: em todo seu corpo e ainda em sua alma.” “Hábitos, opiniões, costumes, desejos, prazeres, jamais se conservam os mesmos. Nascem e morrem continuamente.” “Assim se conservam os seres mortais. Não são constantemente os mesmos, comos os seres divinos e imortais. E aquele que acaba, deixa em seu lugar um outro semelhante.” “Todos os mortais participam da imortalidade, no corpo e em tudo o mais.

Por Paulo Benelli

#Maçonaria #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-pobres-cavaleiros-de-cristo

Ilha de Páscoa

“Terra à vista!” – Em um grito súbito, o vigia da gávea da galeota holandesa De Afrikaanske Galei chamava a atenção do comandante comodoro Jacob Roggeveen. Aproximavam-se de uma ilha que não constava no mapa. Eram seis horas da tarde, num domingo de páscoa de 1722.

Com o Sol já se pondo, o comodoro chega em tempo de avistar ao longe, no litoral, enormes gigantes, os quais, sobre longas muralhas de pedra, pareciam dispostos a evitar o desembarque. Resolveu então ancorar ali mesmo e esperar a claridade da manhã seguinte para tomar uma decisão.

Ao amanhecer, com seus “óculos de alcance” avistaram gente normal se movimentando entre os gigantes. Tinham se assustado com estátuas. Decidiram então desembarcar, após batizarem a ilha em homenagem à data de sua descoberta.

Ao desembarcar, o movimento dos nativos, que curiosos correram em massa para saudar os desconhecidos, assustou os europeus, que de imediato, abriram fogo contra eles, matando doze e ferindo muitos outros.

Ao chegar no interior da ilha, Roggeveen descobriu que o que pareciam ser muralhas, eram na verdade longas e maciças plataformas de pedras onde se enfileiravam centenas de figuras feitas em pedra (monolíticas) esculpidas apenas da cintura para cima, todas adornadas com um capacete cônico vermelho. Roggeveen foi o primeiro e o útimo europeu a admirar as estátuas em seu perfeito estado.

Após sua partida, passaram-se 50 anos antes que outros europeus pisassem em Hapa Nui, como os habitantes a chamavam. E quando assim o fizeram, trouxeram consigo doenças, desgraça, violência e morte para os habitantes desta ilha. Nada de muito espantoso comparado ao costume europeu de levar a desgraça a todas as civilizações primitivas que encontravam, em nome de seus reis, sua ganância e sua igreja.

E assim, nos anos seguintes, os habitantes conviveram com toda a sorte de aventureiros e exploradores até que em 1862, os habitantes da ilha sofreram o golpe final. Traficantes de escravos levaram embora seu rei, seus ministros, toda a sua casta e todos os homens válidos para trabalhar nas estrumeiras de Guano, no litoral do Peru. Mais tarde, quando o governo peruano decidiu deter o tráfico, somente 15 deles estavam vivos. Estes foram levados de volta à sua ilha, e ajudaram a dizimar a população restante com as doenças trazidas consigo. Das 4 mil pessoas estimadas estarem na ilha a época de seu descobrimento, em 1862 restavam apenas 111.

Toda uma cultura destruida em menos de 2 séculos. Os documentos escritos, por meio de tabuinhas gravadas com hieróglifos foram achados pelos missionários e destruidos em nome da Santíssima Igreja, na ordem de dissipar os cultos pagãos.

As estátuas presentes, esculpidas em lava porosa, em alguns casos, retirada a quilômetros de distância na base de vulcões extintos na ilha, fazem um total de 300. Cada uma tem em média 4 metros de altura e pesa umas 30 toneladas. Existe ainda uma maior, inacabada, a qual deveria ter uns 20 metros de altura e 50 toneladas. Hoje, os gigantes de pedra que Roggeveen descrevera em seu livro de bordo encontram-se todos tombados, destroçados e com seus capacetes quebrados.

Vale ressaltar que os colonizadores quando lá chegaram, se depararam com um fato curioso, para não dizer bizarro: nas minas junto ao vulcão, encontraram diversas estátuas inacabadas e ferramentas largadas ao acaso, como se todos ali tivessem saído para um almoço, e nunca tivessem retornado. Sua história, seus costumes, seu passado já não mais se encontrava presente na memória de seus habitantes. Foi preciso anos de estudo e de pesquisa para se levantar o que hoje se sabe.

Os nossos conhecimentos se baseiam na lenda do rei Hotu-Matua, que diz: “…Há muitos anos atrás, vieram na direção do Sol nascente o rei Hotu-Matua e sua rainha, com 7 mil súditos, em duas canoas. Chegaram à ilha e se instalaram.” Os habitantes locais relatam que cada canoa era do tamanho de uma praia local (180 metros).

A hipótese mais aceita hoje nos meios científicos é que Hotu-Matua era um nobre rico exilado, o qual viajou com os seus súditos. O fato de as estátuas presentes na ilha terem as orelhas alongadas pode se dever ao costume dos nobres incas de pendurar pesos nestas para alongá-las e diferenciá-los de seus súditos. A expedição Kon-Tiki, de Thor Heyerdahl, provou que é possível uma simples jangada saida das américas, levada pelas correntes, chegar à Ilha de Páscoa.

Cálculos diversos fixam a data da chegada de Hotu-Matua à ilha entre 850 e 1200 de nossa Era, numa época em que a Europa ainda se encontrava em plena Idade Média e nem sequer se cogitavam descobertas marítimas. Os costumes e os tipos físicos dos habitantes da ilha apontam tanto para uma origem inca quanto indonésia, chinesa e até egípcia. O que se acredita é já estar a ilha habitada por antigos naturais polinésios quando chegou Hotu-Matua, que os dominou e se transformou, com sua gente, na alta classe local.

Perto do litoral, foi achada uma caverna num lugar chamado Hanga Tuu Hata, a qual continha uma figura gravada de uma antiga embarcação à vela, que segundo pensam os estudiosos, é a visão da De Afrikaanske Galei por um artista local.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/ilha-de-pascoa/

A Válvula redutora de Onisciência

Refletindo sobre minha experiência, vejo-me levado a concordar com o eminente filósofo de Cambridge, dr. C. D. Broad, “que será bom considerarmos, muito mais seriamente do que até então temos feito, o tipo de teoria estabelecida por Bergson, com relação à memória e ao senso de percepção. Segundo ela, a função do cérebro e do sistema nervoso é, principalmente, eliminativa e não produtiva. Cada um de nós é capaz de lembrar-se, a qualquer momento, de tudo que já ocorreu conosco, bem como de se aperceber de tudo o que está acontecendo em qualquer parte do universo. A função do cérebro e do sistema nervoso é proteger-nos, impedindo que sejamos esmagados e confundidos por essa massa de conhecimentos, na sua maioria inúteis e sem importância, eliminando muita coisa que, de outro modo, deveríamos perceber ou recordar constantemente, e deixando passar apenas aquelas poucas sensações selecionadas que, provavelmente, terão utilidade prática”.

De acordo com tal teoria, cada um de nós, possui em potencial, a Onisciência. Mas, visto que somos animais, o que mais nos preocupa é viver a todo custo. Para tornar possível a sobrevivência biológica, a torrente da Onisciência tem que passar pelo estrangulamento da válvula redutora que são nosso cérebro e sistema nervoso. O que consegue coar-se através desse crivo é um minguado fio de conhecimento que nos auxilia a conservar a vida na superfície desse singular planeta. Para formular e exprimir o conteúdo dessa sabedoria limitada, o homem inventou, e aperfeiçoa incessantemente, esses sistemas de símbolos com suas filosofias implícitas a que chamamos idiomas. Cada um de nós é, a um só tempo, beneficiário e vítima da tradição linguística dentro da qual nasceu – beneficiário, porque a língua nos permite o acesso aos conhecimentos acumulados oriundos da experiência de outras pessoas; vítimas, porque isso nos leva a crer que esse saber limitado é a única sabedoria que está a nosso alcance; e isso subverte nosso senso de realidade, fazendo com que encaremos essa noção como a expressão da verdade e nossas palavras como fatos reais. Aquilo que na terminologia religiosa, recebe o nome de “este mundo” é apenas o universo do saber reduzido, expresso e como que petrificado pela limitação dos idiomas. Os vários “outros mundos” com os quais os seres humanos entram esporadicamente em contato não passam, na verdade, de outros tantos elementos componentes da ampla sabedoria inerente à Onisciência. A maioria das pessoas, durante a maior parte do tempo, só toma conhecimento daquilo que passa através da válvula de redução e que é considerado genuinamente real pelo idioma de cada um. No entanto, certas pessoas parecem ter nascido com uma espécie de desvio que invalida essa válvula redutora. Em outras, o desvio pode surgir em caráter temporário, seja espontaneamente, seja como resultado de “exercícios espirituais” voluntários, do hipnotismo ou da ingestão de drogas. Mas o fluxo de sensações que percorre esse desvio, seja ele permanente ou temporário, não é suficiente pra que alguém se aperceba “de tudo o que esteja ocorrendo em qualquer lugar do universo” (uma vez que o desvio não destrói a válvula de redução, que ainda impede que se escoe por ela toda a torrente da Onisciência), embora possibilite a passagem de algo mais – e sobretudo diferente – do que aquelas sensações utilitárias, cuidadosamente selecionadas, que a estreiteza de nossas mentes considera uma imagem completa (ou, no mínimo, suficiente) da realidade.

“Retirado de: As portas da percepção; de Aldous Huxley”

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-valvula-redutora-de-onisciencia/

O Menino Jesus

Toda poesia de Alberto Caeiro

Num meio-dia de fim de Primavera

Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte

Tornado outra vez menino,

A correr e a rolar-se pela erva

E a arrancar flores para as deitar fora

E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.

Era nosso demais para fingir

De segunda pessoa da Trindade.

No céu era tudo falso, tudo em desacordo

Com flores e árvores e pedras.

No céu tinha que estar sempre sério

E de vez em quando de se tornar outra vez homem

E subir para a cruz, e estar sempre a morrer

Com uma coroa toda à roda de espinhos

E os pés espetados por um prego com cabeça,

E até com um trapo à roda da cintura

Como os pretos nas ilustrações.

Nem sequer o deixavam ter pai e mãe

Como as outras crianças.

O seu pai era duas pessoas —

Um velho chamado José, que era carpinteiro,

E que não era pai dele;

E o outro pai era uma pomba estúpida,

A única pomba feia do mundo

Porque não era do mundo nem era pomba.

E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala

Em que ele tinha vindo do céu.

E queriam que ele, que só nascera da mãe,

E nunca tivera pai para amar com respeito,

Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir

E o Espírito Santo andava a voar,

Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.

Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.

Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.

Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz

E deixou-o pregado na cruz que há no céu

E serve de modelo às outras.

Depois fugiu para o Sol

E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.

É uma criança bonita de riso e natural.

Limpa o nariz ao braço direito,

Chapinha nas poças de água,

Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.

Atira pedras aos burros,

Rouba a fruta dos pomares

E foge a chorar e a gritar dos cães.

E, porque sabe que elas não gostam

E que toda a gente acha graça,

Corre atrás das raparigas

Que vão em ranchos pelas estradas

Com as bilhas às cabeças

E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.

Ensinou-me a olhar para as coisas.

Aponta-me todas as coisas que há nas flores.

Mostra-me como as pedras são engraçadas

Quando a gente as tem na mão

E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.

Diz que ele é um velho estúpido e doente,

Sempre a escarrar no chão

E a dizer indecências.

A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.

E o Espírito Santo coça-se com o bico

E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.

Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.

Diz-me que Deus não percebe nada

Das coisas que criou —

“Se é que ele as criou, do que duvido.” —

“Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,

Mas os seres não cantam nada.

Se cantassem seriam cantores.

Os seres existem e mais nada,

E por isso se chamam seres.”

E depois, cansado de dizer mal de Deus,

O Menino Jesus adormece nos meus braços

E eu levo-o ao colo para casa.

……

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.

Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.

Ele é o humano que é natural,

Ele é o divino que sorri e que brinca.

E por isso é que eu sei com toda a certeza

Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina

É esta minha quotidiana vida de poeta,

E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.

E que o meu mínimo olhar

Me enche de sensação,

E o mais pequeno som, seja do que for,

Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo

Dá-me uma mão a mim

E a outra a tudo que existe

E assim vamos os três pelo caminho que houver,

Saltando e cantando e rindo

E gozando o nosso segredo comum

Que é o de saber por toda a parte

Que não há mistério no mundo

E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.

A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.

O meu ouvido atento alegremente a todos os sons

São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro

Na companhia de tudo

Que nunca pensamos um no outro,

Mas vivemos juntos e dois

Com um acordo íntimo

Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas

No degrau da porta de casa,

Graves como convém a um deus e a um poeta,

E como se cada pedra

Fosse todo um universo

E fosse por isso um grande perigo para ela

Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens

E ele sorri, porque tudo é incrível.

Ri dos reis e dos que não são reis,

E tem pena de ouvir falar das guerras,

E dos comércios, e dos navios

Que ficam fumo no ar dos altos mares.

Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade

Que uma flor tem ao florescer

E que anda com a luz do Sol

A variar os montes e os vales

E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.

Levo-o ao colo para dentro de casa

E deito-o, despindo-o lentamente

E como seguindo um ritual muito limpo

E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma

E às vezes acorda de noite

E brinca com os meus sonhos.

Vira uns de pernas para o ar,

Põe uns em cima dos outros

E bate as palmas sozinho

Sorrindo para o meu sono.

……

Quando eu morrer, filhinho,

Seja eu a criança, o mais pequeno.

Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro da tua casa.

Despe o meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias, caso eu acorde,

Para eu tornar a adormecer.

E dá-me sonhos teus para eu brincar

Até que nasça qualquer dia

Que tu sabes qual é.

……

Esta é a história do meu Menino Jesus.

Por que razão que se perceba

Não há-de ser ela mais verdadeira

Que tudo quanto os filósofos pensam

E tudo quanto as religiões ensinam?

s.d.

“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). – 32.

“O Guardador de Rebanhos”. 1ª publ. in Presença, nº 30. Coimbra: Jan.-Fev. 1931.

As Edições Textos para Reflexão voltam a publicar Fernando Pessoa, ou melhor, Mestre Caeiro. Em Toda poesia de Alberto Caeiro temos ao todo 3 livros – O Guardador de Rebanhos, O Pastor Amoroso e Poemas Inconjuntos –, além de diversos textos adicionais.

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O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#FernandoPessoa #Kindle #poesia #Jesus #Paganismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-menino-jesus

A Menina da Capa Vermelha

Lendo um excelente texto sobre Satanismo aqui Morte Súbita me deparei com a seguinte parte:

——-

[…]Responda as seguintes afirmações com um “X”, caso você aceite e afirmação como verdadeira:

[ ] Chapeuzinho Vermelho era uma menina que usava uma capa vermelho porque era sua cor favorita.

[ ] O Lobo Mal Comeu a Vovozinha literalmente.

[ ] Chapeuzinho Vermelho andava tranquilamente por uma floresta quando se deparou com o Lobo-Mal.

[ ] O Caçador matou o Lobo Mal e tirou a vovozinha viva de dentro de sua barriga.

[ ] A Chapeuzinho Vermelho levava doces para sua vovozinha.

1º “Chapeuzinho Vermelho era uma menina que usava uma capa vermelha porque era sua cor favorita” – Não. Chapeuzinho Vermelho usava uma capa vermelha porque na época em que se passa a história o vermelho era a cor das prostitutas. Pode parecer satírico e pitoresco, mas a história original (antes das versões dos Irmãos Grimm) remonta ao século VII, onde o vermelho era a cor das prostitutas e meretrizes. Quando chapeuzinho vermelho saiu de casa para levar doces para a vovozinha, não era exatamente isso que ela supostamente iria fazer na casa da vovó.

2º “O Lobo Mal Comeu a Vovozinha literalmente”

– Não, o “lobo” é comumente associado na cultura antiga como sendo o símbolo dos “garanhões”, das pessoas que procuravam por sexo e por satisfazerem seus libidos, não raro, com prostitutas idosas.

3º “Chapeuzinho Vermelho andava tranquilamente por uma floresta quando se deparou com o Lobo-Mal”

– Provavelmente, Chapeuzinho Vermelho estava fazendo programa na floresta.quando apareceu um “Lobo Mal”.

4º “O Caçador matou o Lobo Mal e tirou a vovozinha viva de dentro de sua barriga.”

– “Caçador’ também é comumente referido na literatura antiga e medieval como pessoa valente, cumpridora de lei, oficial de justiça. há uma figura de linguagem na expressão pois, em verdade, o que pode estar explicito neste caso é de que um homem da lei “flagrou” o ato entre o “lobo” e a “vovozinha”.

5º “A Chapeuzinho Vermelho levava doces para sua vovozinha.”

– Doces são comumente associados a sexualidade.

– Fonte: Livro “Der Ursprung der Märchen”

Vocês jamais pensariam isto de uma história infantil não?

———–

Bem, a pergunta final ficou em minha cabeça, por isso decidi respoder a ela; dizer o que penso desta história infantil em especial.

Quando eu chego no final da descida eu me volto para o topo da rampa, onde eu paro e me volto e torno a  percorrer o mesmo trajeto até chegar ao fundo, onde finalmente o vejo de novo. HELTER SKELTER.

Os símbolos controlam os homens, os safados controlam os símbolos. Podemos tirar algumas conclusões interessantes disso. Vejamo-as.

É curioso que apesar dos Grimm Brothers terem se tornados famosos por serem os monteiros lobatos da câmara cascudo da Alemanha, a versão mais antiga registrada desta história em particular é francesa, pela pena de Charles Perrault. Perrault viveu entre 1628 e 1703, o dueto alemão surgiu mais de 80 anos depois da mort deste digno francês e acabaram reescrevendo algumas das histórias que a Ganso gigante lhe ditou, talvez seja por isso que que na metade do séc XX Hitler tenha rumado para a terra do queijo, para apagar todo e qualquer registro de Perrault e declarar então a alemanha a dona deste e de outros contos.

Agora tirando este fato sem importância é curioso notar que hoje chamamos tais relatos de histórias para crianças, mas na época elas não tinham nada disso, esses contos eram a versão antiga do Notícia Populares para analfabetos, já que eram passados oralmente, em sua maioria mostravam como o mundo poderia ser cão e ainda não haviam inventado os finais felizes, então eram relatos bem pesados e sujos.

Agora, se pudéssemos captar a essência de um pensamento e rastreá-lo em várias mentes, farejando o caminho que uma idéia tomou de mente para mente, e se nos desprendermos desta ilusão gosmenta de espaço e tempo, poderíamos ver que Perrault simplesmente transcreveu uma versão popular de vários contos que já circulavam, veja que por exemplo esta história já era conhecida, com variantes é claro, pelos camponeses franceses do século XIV assim como na itália onde o título do headliner grotesco era: “La finta nonna” ou a falsa avó. Em outros cantos latinos da europa ainda era conhecida uma versão similar chamada de “História da Avó”. Para aqueles que gostam do velho Balzac ainda temos um link com uma senhora de idade esperando visitas na cama.

Vamos fazer uma pausa lupina agora. Lobos, por algum motivo quase sempre foram associados com sexo, Roma foi fundada por dois gêmeos, Remo – A.k.a. desarmado e perigoso – e Rômulo – A.k.a. quem dá esse nome par auma criança? – que foram criados por uma…………………

Exato, quem respondeu prostituta ganha uma bala (bala de verdade não um narcótico).

Na época e na região prostitutas eram chamadas de Lobas e apesar de achar que aquela estátua famosa dos dois bebês sentados do lado de um loba que parece o logo de uma companhia de gás ficaria melhor se mudassem pra a estátua de uma dama da noite realizando um lap dance enquanto toma conta das crianças dá para entender porque é que com o tempo zoomorfizaram de vez a pobre mulher.

Agora voltemos para a França. Como Freud diria se você não está pensando em fazer sexo selvagem e descabelado com a sua mãe agora, deveria! Logo aquele bando de camponeses que existiam antes de se inventar a televisão a cabo e que não sabiam ler possivelmente passavam o dia pensando em fazer sexo, tentando fazer sexo ou mesmo fazendo sexo, o que deveria render boas histórias de vinganças, noitadas e cartas para o fórum da Ele&Ela. Mas na época havia outra coisa rolando na frança também naquela época e vamos falar dela assim que revirmos outro ponto interessante da história:

Nem todos os relatos nos falam de um destemido lobo mal, muitos deles falavam de outro personagem, não é mesmo meu amigo?

Sim!

É isso mesmo, falavam que a menina foi achacada por um Ogro, e outras vezes ainda, surpresa, por um ‘bzou’. Essas também eram figuras clássicas mas não eram associadas a garanhões sexuais como o Rambo na festa da Kitty, eram associados com ladrões e bandoleiros, mas isso claro se você acreditar nessas figuras míticas, nós sabemos que ladrões, bandoleiros e unicórnios não existem.

Para aqueles não familiarizados com o termo bzou, na França no século XVIII circulavam notícias de que:

“Uma Fera monstruosa semeia o pavor e o desespero na região, atacando e matando sem cessar, especialmente crianças, adolescentes e mulheres.”

A data disso foi 1762, bem depois de Perrault, mas ainda muito antes dos Irmãos Grimm, mais para frente toco neste assunto.

Resumidamente este dita fera fez como primeira vítima uma menina de catorze anos, Jeanne Foulet. Dentro de pouco tempo, mais adolescentes. Em seguida, uma mulher de trinta e seis anos, que cuidava do seu jardim, em frente a casa. A região onde isso aconteceu foi Gévaudan, o mesmo lugar onde Mark Dascascos filmou O Pacto dos Lobos, que por coincidência conta exatamente esta história, com a diferença do filme não ter tido medo de descrever como todos lutavam kung fu na época.

A Igreja, fazendo o seu papel declarou que a Fera era fruto da cólera divina, por pecados cometidos pelo povo: O pavor tomou conta de todos.

Apesar de todos de bom senso dizerem que aquilo era um lobo que matava pessoas os relatos de quem havia encontrado o bicho a descrevia como:

“Tem o porte de um vitelo de um ano os olhos grandes como ele; é baixo na parte da frente e as patas são providas de garras; a cabeça é grande, terminando em focinho alongado; as orelhas são menores do que as de um lobo e espetadas, como chifres; o peitoral é largo e recoberto de pêlos acinzentados; os flancos são avermelhados; acompanhando a espinha, uma listra negra. Mas o que mais impressionava a todos era a sua goela, uma bocarra imensa e provida de afiadíssimas presas, capazes de decepar as cabeças das vítimas como uma navalha. Goela horrenda.

Descreviam-no ainda como tendo andar lento e correndo aos pulos, em velocidade inacreditável. Era visto ora num lugar e ora noutro, a distância que nenhum animal poderia percorrer dentro daquele espaço de tempo. Alguns concordavam que ele pudesse ser semelhante ao lobo; mas eram todos categóricos ao afirmar que não era, em absoluto, um lobo, mas uma fera jamais vista antes.”

Uau….

Sim, se quiserem ver o desfecho desta história podem acessá-la aqui.

Bem, puxei todo mundo para cá para mostrar que na frança e europa da época os bzous não eram os bandidos ganhando fama, mas o que hoje chamamos de lobisomens.. ahhh e naquela época eles estavam por toda parte em todos os lugares.

E isso dá uma reviravolta interessante no conto registrado. As versões mais antigas e distantes que teriam semelhança vem do bom e velho oriente onde o atacante chega mesmo a ser descrito como um tigre, mas na europa era o Ogro, que mesmo sendo um mostro podia conversar e se comunicar, isso é… até os lobisomens chegarem. E o lobo se torna um vilão popular, mas não qualquer lobo, aqueles que podem falar e caminhas em duas patas também.

Veja, nas primeiras versões da história o lobo não “come” a avozinha, nem tampouco a come – sim desculpem posso ouvir os falos se encolhendo dentro das calças. Ele a mata. Então fatia o corpo e coloca a carne em uma travessa, drena o sangue e o coloca em uma garrafa. Quando a pobre Chapeuzinho chega em sua mui humilde morada a avó a convida para jantar e faz a menina devorar a carne crua e a beber o sangue dizendo que é vinho. E só então a chama para a cama. As versões mais antigas terminam com a menina sendo morta pelo lobo, outras ainda dão uma chance para a menina que percebe a arapuca e muito esperta diz para a avó que comeu tanto que precisa ir cagar, que não quer sujar a cama. A avó, matreira, diz que para não se sentir sozinha e para que a menina não se perca na floresta, vai amarrar uma corda na mão ou no pé da netinha. A menina sai de casa, amarra a ponta da corda em alguma coisa e foge, mas não sem antes ouvir algo semelhante a: “Meretriz, você comeu a carne da sua avó e bebeu o seu sangue”.

Um detalhe importante é que o lobo a faz tirar a roupa e a jogar na lareira antes de ir para a cama. Outro detalhe importante é que em todas essas versões, pré Perrault não existe o caçador/lenhador/this is fucking L.A.P.D. open your door! – a menina quando foge, simplesmente foge, pelada, floresta a dentro.

Outro detalhe é que a capa vermelha foi invensão do Perrault também, antes dele a menina não era nem “uma atraente e bem educada moça de família”, nem usava a capa vermelha. Em 1967 Perrault publica o livro: Histoires et contes du temps passé, avec des moralités. Contes de ma mère l’Oye (Histórias e contos do passado, com moral. Contos da Mamãe Ganso). Vejam que existe já no título uma dica de que vai rolar uma moral, você vai ter que aprender algo, não apenas se divertir, e o próprio Perrault disse na época que o objetivo da história era mostrar que não faz bem para meninas dar ouvidos a estranhos, basicamente ele fez o que nossas mães fazem conosco só que de uma maneira longa e com uam roupa vermelha. Também era o objetivo desta nova versão mostrar para as senhoritas o que os homens são capazes de fazer para ver elas peladas.

Agora o caçador só surge depois na alemanha, que de fato tem um fetiche por esses tipos sarados que carregam coisas fálicas para manter a lei. Os irmãos Grimm colocaram este personagem em sua versão de 1812. Outro fetiche dos alemães da época era fazer um lobo engolir crianças, seja uma menina (chapeuzinho vermelho), um menino (pedro e o lobo) ou várias delas (o lobo e as sete crianças), e depois fazer alguém abrir a pança do bicho sem ele acordar, tirar o que tem dentro e encher de pedras costurando novamente para ele morrer afogado quando for beber água. Talvez esteja ai a origem dos relatos de pessoas que dizem que foram dormir, de repente se viram numa mesa com uma criatura estranha fazendo experimentos nela, a abrindo e costurando, a enchendo de implantes e a devolvendo para a cama.

Agora de fato quando analizamos o significado deste conto podemos chegar a algumas conclusões interessantes, como muitos já chegaram. Deixando de lado o obvio: não fale com estranhos! podemos seguir o caminho do Dr. Valerius da universidade de Calgary, que escreveu uma tese de que o conto de fato falava do perigo de você topar com um lobo no meio do mato. Existem aqueles que por algum motivo acham que tudo é um mito solar e associam a capa vermelha ao sol, que é devorada pela noite – o lobo – para depois ser resgatada de suas entranhas – o alvorecer (e ai é óbvio que surgem os fãs de Black Metal Nortico e afirmam que a prova disso é que o lobo da chapeuzinho é SKöl, o lobo da terra de Odin que engole o sol personificado no Ragnarok). Da mesma forma dizem que o conto reproduz o ritual de passagem pela puberdade, o renascimento, o despertar sexual, etc… Mas vamos lembrar que antes dos Grimm e de Perrault o caçador, a capa vermelha e mesmo o lobo não eram constantes e muitas vezes sequer existiam.

E agora crianças, fechem os olhos, vou tocar naquele assunto lá de cima: grande parte da europa foi assolada por ataques de lobisomens. Existem registros, existem monumentos, existem documentos de época que mostram como o povo se f****a na mão dos bichos. Assim podemos supor porque é que de todos os personagens sinistros o lobo (o mesmo que Gengis Khan dizia ser seu antepassado) se tornou o vilão nào apenas desse conto mas de vários.

Claro que a idéia estritamente sexual é divertida, mas nesse caso eu imagino a interpretação dos três porquinhos, era um lance meio sauna gay com um garanhão tentando provar de outra fruta e sendo rejeitado pelo trio?

L.

por LöN Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-menina-da-capa-vermelha/

Cristo, Buda e Krishna

Hans Küng, teólogo suíço, escreveu: “não haverá paz no mundo se não houver paz nas religiões e não haverá paz entre as religiões se não houver diálogo”. Eu poderia escrever um longo texto sobre tolerância religiosa. Ou quem sabe, sobre o diálogo entre as religiões, suas semelhanças, suas diferenças e etc. Mas preferi me calar e expor o que os próprios representantes do Grande Arquiteto do Universo tem a dizer.

O Conselho dos Avatares

Buda: A causa do sofrimento humano encontra se, sem dúvida, nos desejos do corpo físico e nas ilusões das paixões humanas. Os homens se apegam obstinadamente à vida de riqueza e fama, de conforto e prazer, de excitamento e egoísmo, sem saber que estes desejos são a fonte do sofrimento humano.

Krishna:  Sábios dotados de perfeita sabedoria não se apegam aos frutos do seu trabalho, e com isto se libertam para sempre da escravidão de nascimento e morte, e atingem o estado de beatitude absoluta.

Cristo: Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os destroem, onde os ladrões penetram e roubam. Acumulai para vós tesouros nos céus, onde nem a traça nem a ferrugem os destroem, onde os ladrões não penetram nem os roubam. Pois onde está o tesouro, aí também está o teu coração. 

Buda: O rico se preocupa com seu patrimônio; preocupa-se com sua mansão ou outras propriedades. Aflige-se, enfim, com o desastre que lhe possa acontecer: incêndio em sua mansão, roubos ou sequestro. Preocupa-se com a morte e a disposição de sua fortuna. Com efeito, seu caminho para a morte é solitário: ninguém o acompanhará em sua morte.

Cristo: Por isso vos digo: não vos dê cuidados a vida, o que haveis de comer e o que haveis de beber; nem o vosso corpo, o que haveis de vestir. Não vale, porventura, mais a vida que o alimento, e o corpo mais que a vestimenta?

Krishna: Quem a tudo renuncia, jubiloso, alcança, já agora, a mais alta paz de espírito; mas quem espera vantagem das suas obras é escravizado por seus desejos.

Buda: Muitos homens, por alimentar o amor ao bem-estar do corpo, não percebem os males que seguem o conforto (…)   Estes desejos, que surgem das diferentes sensações, são as mais perigosas armadilhas. Sendo apanhados por elas, os homens se enredam nas paixões mundanas e sofrem. Devem aprender um meio pelo qual possam escapar dessas ciladas.

Cristo: Não andeis, pois, inquietos, nem digais: que havemos de comer? Que havemos de Beber? Com que havemos de nos vestir? Os mundanos é que se preocupam com todas essas coisas. Vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas. Buscai, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo.

Buda: Se o desejo, que se aloja na raiz de toda paixão humana, puder ser removido, aí então, morrerá esta paixão e desparecerá, consequentemente, todo o sofrimento humano.

Krishna: Porque quando o homem é perfeitamente liberto de todos os desejos do ego finito e alcança a paz da alma pela realização do Eu divino, então é um homem de perfeita sabedoria.

Cristo: Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Buda: O meio de vida, isento de toda a paixão mundana e do sofrimento, somente é conhecido através da Iluminação.  Aqueles que buscam a Iluminação devem sempre se lembrar da necessidade de manter constantemente puros o corpo, a fala e a mente.

Cristo: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Krishna: Entretanto, árduo é esse caminho para os que procuram encontrar o Imanifesto por meio de um amor afetivo; difícil é esse caminho para os que ainda vivem em corpo carnal.

Cristo: Entrai  pela porta estreita. Pois larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição – e são muitos os que entram por ele. Quão apertada é a porta e quão estreito o caminho que conduz à vida – e poucos são os que acertam com ele!

Buda: É muito difícil seguir o caminho da Iluminação, mas será muito mais difícil, se os homens não tiverem a mente para procurar este caminho. Sem a Iluminação, haverá infindável sofrimento neste mundo da vida e da morte.

Krishna: Verdade é que o saber espiritual é melhor que o fazer material; porém, melhor que ambos é o amar integral – e isso requer total desapego; quem a tudo renuncia por amor, este está perto da meta final.

Buda: Para se manter o corpo puro, não se deve matar qualquer criatura vivente, não se deve roubar ou cometer adultério.

Cristo: Tendes ouvido que foi dito aos antigos: não matarás e quem matar será réu em juízo, Tendes ouvido que foi dito: “Não cometerás adultério”.

Krishna: Quem não quer mal a ser algum e, liberto do ódio e egoísmo, é benévolo para com todas as criaturas; quem permanece fiel a si mesmo, no prazer e no sofrimento, sempre sereno e paciente, este me é querido.

Cristo:  Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.

Buda: O Esforço Correto significa dar o melhor de si, com diligência, para realizar nobres ações.

Krishna: Quem dá esmola em tempo e lugar corretos, de espírito alegre e por compaixão, inspirado no senso do dever, sem nada esperar em retribuição – este também é guiado pela sapiência da razão.

Cristo: Quando, pois deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que tua esmola fique às ocultas; e teu Pai, que vê o que é oculto, te há de recompensar.

Buda: Para se manter pura a fala, não se deve mentir, abusar, ludibriar ou se perder em vãs conversas.  Mas evitar as palavras falsas, inúteis, abusivas e ambíguas.

Krishna: Quem age indeciso, sem rumo certo, sem jeito nem critério, procurando iludir os outros – este age sob o signo do desmazelo.

Cristo: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.

Buda: Para se manter pura a mente, deve-se remover toda a cobiça, ira e o falso julgamento.

Cristo: Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir vós.

Krishna: E ainda que a mente volúvel se rebele e tente fugir para longe, disciplina-a pela força do amor e a reconduz ao Ser Supremo.

Buda: À mente impura seguem atos impuros e estes trarão sofrimentos. Assim, é de suma importância que se conservem puros a mente e o corpo.

Cristo: O que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.

Krishna: Realmente perseverante é o homem quando domina os impulsos do coração, a força vital e os sentidos – e isso provém do conhecimento da Verdade.

Cristo:  E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará.

***

Na tentativa de construir um só diálogo,  retirei  as falas de Krishna da Bhagavad Gita, as falas de Cristo dos Evangelhos e as falas de Siddharta Gautama do livro “A Doutrina de Buda”. Os ensinamentos desses três avatares são tão similares, que foi preciso pouco esforço para construir tal diálogo.

Vejo cada religião como uma bela sinfonia, diferentes entre si, tal como as diferenças que percebemos ao ouvir uma sinfonia de Mozart, Beethoven ou Bruckner. Diferenças estéticas à parte, somos capazes de apreciar o que cada uma delas tem de melhor. No fim, todo compositor possui os mesmos recursos: uma pauta de cinco linhas e sete notas. A única diferença é a maneira como elas se organizam.

Fábio Almeida é bacharel em administração de empresas, especializado em filosofia, teologia e história. Um eterno aprendiz, amante das artes e do livre-pensar.

#Cristo #Religiões #Universalismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cristo-buda-e-krishna

Filmes sobre Tantra

Excerto de Magia Moderna de Donald Michael Kraig

Tradução: Yohan Flaminio

Embora existam filmes que supostamente tratam do Tantra, poucos realmente manifestam a experiência do Mahatantra. No entanto, há dois que aparentemente não têm nada a ver com o Tantra, mas o retratam de maneira brilhante. E você não vai acreditar no que eles são.

O primeiro é Star Trek: The Motion Picture. Nele, um ser semelhante a um deus, V’ger, se manifesta como Ilia, uma mulher. Para que a divindade definitiva evolua, esta fêmea (deusa?) Deve se unir em total unidade com um homem, o comandante Decker. No clímax, eles se abraçam enquanto a energia gira em torno deles. Eles se fundem e a divindade (V’ger), o deus (Decker) e a deusa (Ilia) evoluem e se movem para um plano superior.

O segundo filme foi o último filme de Natalie Wood, Brainstorm. O conceito básico é a invenção de um dispositivo que permite registrar as experiências, incluindo pensamentos e sentimentos, de uma pessoa. Quando outra pessoa reproduz usando um capacete especial, ela pode vivenciar tudo o que foi gravado, incluindo sensações e emoções. Originalmente, quando alguém estava reproduzindo uma gravação, a imagem na tela do cinema ficava repentinamente muito mais ampla e o filme, viajando em uma velocidade mais rápida, era mais realista. Foi uma sensação intensa para a época.

Para se divertir, um dos experimentadores faz uma gravação de si mesmo fazendo sexo com um parceiro voluntário. Um cientista chamado Gordy Forbes acima do peso, farto de seu trabalho e de sua vida – consegue a gravação e faz um loop, para que possa experimentar sexo orgástico indefinidamente…

Quando o encontram, ele está tremendo em um estado de transe! Claro, eles pensam que é algo terrível e o levam para um hospital onde ele se recupera. Ele diz aos personagens principais (interpretados por Wood e Christopher Walken) que não pode mais fazer seu trabalho. Ele mudou com a experiência. Mais tarde, quando o vemos, ele parece mais saudável e está se exercitando.

Toda a sua vida mudou para melhor com a experiência do MahaTantra.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/filmes-sobre-tantra/

Karma e Linearidade

Um dos problemas centrais na busca espiritualista é a conciliação entre a crença intuitiva em uma Criação perfeita e o oceano de dúvida e dor que existe em nossa realidade cotidiana. Filosoficamente isso resulta em dezenas de especulações e interpretações que chegam até mesmo a negar a relação direta entre Criador e Criação (supondo que exista tal diferenciação) através de um personagem intermediário, o demiurgo gnóstico, que teria gerado o mundo corrupto que observamos.

Outra maneira de tentar conciliar essas percepções opostas é a concepção de um processo de causa e efeito tão natural e impessoal quanto a gravidade, que ajusta essas realidades aparentemente díspares. Enquanto a tradição ocidental, de raízes egípcias, fala em um julgamento final da alma humana, o oriente imagina um processo dinâmico e cotidiano, que dispensa júri e juiz (embora algumas linhas, como a teosofia, citem a figura dos Senhores do carma, essa personificação da lei não é a mais comum, mantendo seu caráter natural).

O quanto desse conceito é útil e o quanto é apenas uma fantasia egóica? Dando um passo atrás, pensemos a reencarnação e veremos o mesmo comportamento. De uma hipótese sistêmica muito interessante, ela passa a ser uma simples maneira de afagar o ego. Quantas princesas e generais não se redescobrem em centros espíritas e terapias de vidas passadas? Nunca a humanidade foi tão nobre quanto em suas pretensões…

Em sua interpretação tradicional, todo o mecanismo reencarnatório/cármico é tradicionalmente respaldado por um interpretação linear do tempo. Mas essa interpretação faz sentido de um ponto de vista do Self (vamos chamar assim uma possível dimensão maior do Ser) ou é apenas um ponto de vista raso do ego? A argentina Zulma Reyo, em seu livro Karma e Sexualidade faz uma representação interessante entre o que ela chama de tempo linear e o tempo concêntrico, a realidade vivida pelo Self. Ela considera a existência egóica, linear, como uma experiência do Self projetado na tridimensionalidade, a partir de condições absolutamente aleatórias. O mecanismo cármico existe apenas como elemento de aprendizagem dentro dessa única existência linear, não atuando como elemento de ajuste entre consecutivas experiências lineares. Do ponto de vista de uma Criação una, essa visão é absolutamente harmônica. Mas do ponto de vista do ego individualizado, a perspectiva de uma vida iniciada em condições aleatórias não difere em nada de uma visão absolutamente materialista.

A autora também define como elemento chave para entender o processo cármico aquilo que chamamos de forma-pensamento. É através dessas estruturas mentais/emocionais geradas e mantidas por nossos pensamentos e ações que se dá a atração das condições externas que caracterizam a relação de causa e efeito. E essas formas-pensamento seriam visíveis a médiuns treinados como aderências no campo causal. É praticamente a mesma interpretação, dita em termos atuais, do processo cármico tal como compreendido no Jainismo, uma das religiões mais antigas da India. Os janistas crêem que o carma é uma substância que se adere à alma, e essa quantidade e qualidade de substância aderida que define as condições atuais da vida do individuo. Essa substância pode ser eliminada através de jejuns e meditações.

Fica então a questão. É possível conciliar reencarnação, causa e efeito e uma existência não linear?

Texto fantástico do Andrei, do Anoitan.

#Budismo #Espiritismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/karma-e-linearidade

Invocação de Cthulhu

“Ó escuro oceano proibido,

que  mentiras escondes em suas profundezas,

lá embaixo além do alcance do homem mortal,

meditando na noite eterna,

muito além daquele reino de raios de sol;

reside uma relíquia de uma era há muito esquecida,

ela se encolhe, esperando, Aguarda seu tempo,

até que mais uma vez irromperá sobre o mundo.

Eu sonhei com esse lugar, 

as torres negras e sujas, 

as torres negras e sujas , 

os pilares de basalto envolvidos pelas algas; 

uma fortaleza dos abismos, cidade antiga,  dos eons de pesadelo, 

Sobre seu pico mais alto ergue-se um colosso cinza, 

um enorme monólito de pedra, perfurado pela passagem de incontáveis anos . 

Esse edifício titã coroa uma cripta, 

onde repousa o grande sacerdote, poderoso Cthulhu, 

mergulhado no sonho de morte, até o alinhamento estrelas, 

então ele se levantará para assombrar as mentes de humanos inferiores, 

quando sua cidadela será lançada no mundo desperto onde ele não é conhecido, 

exceto em cantos distantes do globo,

onde os feiticeiros e xamãs ainda governam ,

e quando a lua está pálida, ficam a sussurrar ladainhas ao seu nome temido . ”

 

Uma das associações que podemos fazer sobre os  mitos de Cthulhu , o grande sacerdote dos Antigos,  é sua função como o senhor dos sonhos. “Quando Cthulhu se agita em  seu ‘ sonho de morte “, a onda telepática resultante envia uma onda de caos á todo o mundo – o humano sensível enlouquece, e ocultistas se prepararam para um evento portentoso (ver Lovecraft “The Call of Cthulhu “). O oceano profundo, o local escondido onde Cthulhu sonha, dentro da cidade submersa de R’Lyeh , pode ser tomado como uma referência para as profundezas da psique – o subconsciente ou mente profunda , dentro do qual se encontram as memórias de estágios pré-humanos da vida. Note-se que , dos Grandes Antigos , Cthulhu é o mediador entre a Terra, a consciência humana , e os verdadeiramente alienígenas como Azathoth ou Yog- Sothoth . Cthulhu é uma forma- deus adequada para a estimulação de ” envios ” telepáticos e R’Lyeh a ‘ porta de entrada ‘ para a consciência coletiva . Esta premissa foi o tema de uma série de trabalhos realizados entre 1979-1980 , o envio de uma ‘ vibração ‘  á toda a região de West Yorkshire , atuando como uma espécie de telegrama psíquico para colocar outros ocultistas em contato com o método de Fra. Zebulon :

 

Uma câmara em escuridão total. Efeitos de áudio sugerindo um leve sussurro –  sussurros lembrando sons aquáticos. Os preparativos para os ritos incluem jejum, privação de sono e imersão prolongada em água fria. A sequência de visualização é a seguinte: um redemoinho no qual se é arrastado – que se desloca através das profundezas do oceano , acompanhado por um sentimento de grande pressão com estranhas  formas  de vida do fundo do mar girando junto no redemoinho. Então , ao longe, avista-se vagamente a forma  de edifícios ciclópicos  – a geometria louca de R’Lyeh . Então, o grande monólito cinza que coroa o túmulo de Cthulhu pode ser identificado. Neste momento, um sigilo especialmente preparado (o glifo de sua intenção mágica) é arremessado para o monólito e por uma fração de segundo , ele brilha intensamente contra a superfície da pedra.  Um emerge em resposta  – toda R’lyeh treme e o mago é atingido por uma onda de força que o leva a uma grande velocidade de volta à superfície e o estado de vigília normal. Cthulhu foi agitado e essa breve ondulação vai ser percebida – aqueles que estão despertos para a chamada irão responder em seu próprio tempo .

Notas;

1. Não é considerado aconselhável ir muito perto de r’lyeh  – e melhor (tratá-la ou tratá-lo¿)  como a teia do demônio que está entre o humano e o espaço não humano, ou os Túneis de Set em Nightside of Eden de Kenneth Grant.

2. R’Lyeh, foi recentemente identificado com Nan-Madol, uma cidade de pedra arruinada consistindo de ilhotas artificiais na ilha do Pacífico de Ponape. De acordo com lendas locais, a cidade “caiu do céu”, e foi habitada por uma raça de deuses.

3 Partes desse rito aparecem no “The Handbook of Chaos Magic” publicado na Áustria por Fra.717

Por: Fra. Zebulon – trad. Giuliana

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/invocacao-de-cthulhu/