O Som do Silêncio

Por Gilberto Antônio Silva

Hoje estava estudando um livro sobre aperfeiçoamento pessoal. Ao longo da leitura me dei conta do ruído do relógio de parede: tique-taque-tique-taque. Quando você consegue escutar o barulhinho desse tipo de relógio você percebe que existe um grande silêncio ao seu redor. De fato, é frequente que não se ligue rádio nem tv em minha casa. Simplesmente desfrutamos de algum livro ou trabalhamos no computador, sem ruídos externos. Talvez você estranhe esse procedimento, pois nossa cultura atual procura encher nossas vidas de barulho. Em geral a primeira coisa que se faz ao chegar em casa é ligar o rádio, colocar um CD ou ligar a TV (mesmo que ninguém vá assistir diretamente a ela).

Nesse tipo de cultura barulhenta, ficar quieto parece coisa do outro mundo. Vários alunos já manifestaram sua surpresa quando mencionei isso em aula. Ficar sentado, lendo, sem nenhum aparelho ligado tocando música ou outra coisa, se tornou algo raro. Acredito que meu prazer pelo silêncio se deva em grande parte à minha dedicação à cultura oriental e ao Taoismo. Os orientais procuram no silêncio as respostas que não aparecem no barulho. Quando silenciamos os ouvidos, a mente começa a prestar atenção nos pensamentos. A introspecção é parte fundamental das práticas orientais, pois é mais fácil procurar a Verdade dentro de nós do que no mundo exterior. Se muitas pessoas se voltassem para dentro de si mesmas ao invés de procurar respostas fora, teriam vidas mais tranquilas e fáceis.

Quando eu digo “silêncio” não quero dizer uma ausência absoluta de sons. Sabemos que isso é quase impossível, especialmente em nossos dias. Os ruídos externos são naturais e tendem a desaparecerem quando deixamos de prestar atenção neles. Os barulhos que nós provocamos é que causam grande transtorno. Silêncio total é muito raro. Me lembro de algumas vezes, quando era pequeno e passava férias na fazenda de parentes, de ficar parado no campo já arado e pronto para o plantio, e meus ouvidos zumbiam de tanto silêncio. É interessante, mas quando existe um silêncio tremendo escutamos nosso próprio corpo. Foi uma experiência que me marcou muito essa ausência quase total de som. Uma plantação já crescida tem muitos barulhos, de folhas ao vento, por exemplo. Mas na terra nua, arada e ainda vazia, nada perturba o silêncio.

O silêncio é importante na compreensão do Tao, pois nos remete ao Wuji, o Vazio Primordial. Sempre que se começa e termina uma forma de Tai Chi Chuan ou de Qigong, se permanece alguns instantes em pé (semelhante à posição militar de “sentido” para os ocidentais), mas relaxado, com os braços soltos ao longo do corpo e os olhos mirando à frente. Isso se deve ao fato de que começamos e terminamos as formas a partir do Vazio, começo e fim de cada ciclo. Um de meus mestres dizia que se deve “ouvir atrás” quando se coloca nessa posição, querendo dizer para se prestar atenção no mundo ao nosso redor, uma atenção passiva, vazia, como se isso tudo nada tivesse a ver conosco.

Quando ficamos em silêncio podemos contemplar nossa mente e compreender melhor nossos pensamentos, sentindo-nos ao mesmo tempo mais próximos do Tao. A importância disso deveria ser óbvia, pois somos o que pensamos. Procure diminuir o barulho ao seu redor e fique alguns minutos por dia, sentado no silêncio. Não precisa “meditar” propriamente dito, mas uma simples contemplação de seus pensamentos. Meditação nada mais é do que a ausência de “ruídos” em nossa mente. Existem três níveis para se atingir a hiperconsciência, segundo a filosofia indiana, que se aplicam perfeitamente ao Taoismo: Dharánna, Dhyanna e Samádhi – sucessivamente contemplação, meditação e transcendência. Comece pelo começo. Será uma experiência bastante enriquecedora.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-som-do-sil%C3%AAncio

Controle Mental Vampírico

por Ferox

A maioria das pessoas não controlará suas mentes. Eles evitam freneticamente a dor física e emocional, muitas vezes sem perceber que estão fazendo isso. Eles se preocupam e se afligem, lamentam sobre o passado, tornam-se defensivos ou agressivos quando insultados e reclamam mecanicamente de suas vidas em vez de passar pelo desconforto de mudar sua situação. Eles raramente veem a realidade como ela é, em vez disso, julgam o que verão antes mesmo de a luz atingir seus olhos.

Apesar de não parecer, isso é realmente uma coisa muito sensata para os mortais fazerem.

O conhecimento comum sustenta que o envelhecimento e a morte são inevitáveis. Todas as pessoas apodrecerão primeiro em seus ossos e depois apodrecerão abaixo do solo. Isso é obviamente horrível, mas como é inevitável, faz sentido esquecer isso o máximo possível.

Infelizmente, tudo está contaminado por isso. Aconteça o que acontecer, a crença é que cem anos farão com que tudo o que um mortal faça não passe de uma memória. O que importa qualquer conquista em uma carreira se você deixar de existir? Por que aprender uma nova habilidade se essa habilidade simplesmente desaparecerá um dia, não fazendo diferença? Que sentido faz , fazer qualquer coisa se tudo chegará ao fim?

Os seres humanos abordaram esse horror de duas maneiras principais. A primeira é tentar se convencer de que a morte é realmente boa. Eles falam de viver em uma vida após a morte ou nas memórias daqueles que sobrevivem a eles, e muitas vezes argumentam que a imortalidade seria indesejável mesmo se fosse possível. Eles traem seus verdadeiros sentimentos sempre que suas vidas são ameaçadas, mas desde que seja uma questão intelectual eles falarão da morte como uma bênção. Referimo-nos a essa perspectiva como deathismo.

A outra maneira pela qual os humanos abordaram isso é se dedicando a alucinar constantemente. Enquanto não perceberem a realidade como ela é, não terão que enfrentar o horror do esquecimento eventual que é uma aparente inevitabilidade da vida.

No entanto, esse comportamento não faz sentido para os imortais. Podemos escolher focar nossa mente na realidade como ela é, e isso nos revela a glória e o prazer da vida eterna.

Isso fornece o núcleo da serenidade viva que ilude os mortais que buscam desesperadamente a paz mental enquanto se apegam ao seu deathismo.

Abaixo, fornecemos três Segredos para desenvolver um comando tão poderoso de sua mente. Detalhamos cada um deles nas seções posteriores deste capítulo.

No entanto, é importante notar que isso apenas  funcionará apenas até um certo ponto caso você não saiba que viverá para sempre. Crença e fé não lhe farão bem. Você precisa tomar medidas para obter uma certeza razoável a fim de afetar as partes de sua mente que importam. Portanto, enfatizamos novamente que é vital que você tome as medidas descritas no fórum Segredos da Imortalidade para receber todos os benefícios do que oferecemos aqui.

  • Experimente o estado habitual de sua mente. Isso requer ir além da linguagem para um sentido somático de como você vive momento a momento e durante momentos de estresse. Isso é necessário para que você possa reconhecer o sentimento e escolher como responder.
  • Pratique meditações saudáveis. Isso fortalecerá seu domínio da mente e ensinará maneiras de pensar que são úteis para a vida eterna. Nem todas as formas de meditação são saudáveis, então vamos delinear o que procurar e dar alguns exemplos.
  • Desenvolva sua capacidade de usar a razão. Isso fornecerá uma ferramenta poderosa para criar os efeitos que você pretende em sua vida. A razão, na verdade, funciona um pouco diferente do que a maioria das pessoas imagina, como será explicado.

 

Estado mental habitual

As alucinações que a maioria das pessoas imaginam fazem com que acionem os instintos vitais do corpo. À medida que o corpo reage, várias sensações físicas tornam-se disponíveis para a experiência consciente. Isso significa que, se você puder reconhecer essas sensações físicas, poderá perceber quando está acionando esses instintos desnecessariamente.

Os instintos desencadeados vêm essencialmente em duas formas: excitação e rendição. A excitação ocorre quando a resposta de luta ou fuga é aproveitada até certo ponto. Isso se manifesta como medo, nervosismo, aborrecimento, raiva, júbilo, mania e uma série de outras experiências subjetivas que tendem a causar tensão física e agitação mental. Qualquer emoção que primeiro o energiza e depois o cansa é resultado desse instinto de excitação.

A rendição é um instinto social que torna o corpo flácido e a mente embotada e obediente. Isso evoluiu nos humanos para que os indivíduos que a comunidade condenasse à morte aceitassem seu destino em vez de representar qualquer ameaça. Desesperança, apatia, tristeza e vários outros estados que acompanham a lentidão física e mental são manifestações comuns desse impulso. Isso também é frequentemente desencadeado quando as pessoas “vai com calma”, resultando em exaustão após um dia de descanso manco.

É vital que você aprenda a reconhecer essas reações em seu corpo. Isso lhe dará uma maneira razoavelmente objetiva de discernir o estado de sua mente, proporcionando-lhe assim o poder de escolha.

  • Sinta seu corpo durante a reação de excitação. Encontre uma maneira de se agitar, como lembrar de algo frustrante ou preocupante. Pense no que poderia torná-lo ainda pior. Se você tem uma fobia ou sente ódio por alguém ou alguma coisa, pense no que inspira essa reação em você. Realmente sinta. Então observe como seu corpo se sente.

Quais músculos estão tensos? Qual é a sua postura? Como é a sua respiração?

Apenas tome nota dessas experiências. Você só precisa fazer isso uma vez para ter a sensação, embora deva retornar a ela sempre que tiver dificuldade em lembrar-se da sensação.

  • Sinta seu corpo durante a reação de rendição. Observe como você se sente quando desmaia de exaustão, como se jogar na frente da TV ou na cama depois de um longo dia. Se você consegue se lembrar de um momento em que se sentiu cansado por ter que admitir a derrota, pense nisso. Em seguida, preste atenção novamente à tensão muscular, postura e respiração. Tal como acontece com a tomada de consciência da resposta de excitação, uma vez deve ser suficiente, desde que você esteja consciente de como se sente fisicamente a rendição.
  • Observe essas reações físicas no seu dia-a-dia. Estes ocorrem em graus variados quase constantemente para a maioria das pessoas. É importante que você observe as reações do seu corpo em vez de se concentrar nas palavras que você diz a si mesmo ou em seu estado emocional. Esta é uma habilidade mental que levará tempo para se desenvolver. Não tente mudar esse estado quando ocorrer, pois isso tende a desencadear a reação de excitação na forma de lutar contra si mesmo. Basta observar. Isso combinado com os Segredos da meditação lhe dará força mental e paz ao longo do tempo.

 

Meditações eficazes

Boas meditações fortalecerão sua capacidade de relaxar em uma consciência de seu ambiente físico imediato. Os métodos de meditação que a maioria das pessoas usa dependem de fazer exatamente o oposto. Eles encorajam as pessoas a alucinar. Por exemplo, uma forma comum de meditação pobre é imaginar a luz dourada celestial derramando-se no corpo e acalmando toda a negatividade. No entanto, não existe essa luz dourada na experiência física imediata, portanto, fazer isso requer sintonizar o ambiente em favor da experiência imaginada. Isso é relaxante para aqueles para quem a realidade promete a morte, mas distraindo-os em vez de fortalecer suas mentes.

Em vez disso, qualquer meditação que você praticar deve ajudá-lo a se tornar mais consciente das informações que seus sentidos estão lhe dizendo. Também deve ajudá-lo a se estabelecer em um estado de relacionamento com a Vontade Vampírica que é distintamente diferente de excitação e rendição. A diferença entre a consciência calma e essas duas reações instintivas fica mais clara com a prática contínua ao longo do tempo.

Abaixo, fornecemos algumas boas meditações. Você está convidado a experimentar qualquer um ou todos eles. Você também pode praticar o seu próprio, mas nós o encorajamos a perguntar sobre eles neste fórum antes de fazer uma prática regular com eles.

Também é possível combinar meditações, mas certifique-se de que, ao fazer isso, você só precisa se concentrar em uma coisa de cada vez. Independentemente de quais práticas você escolher, você deve praticá-las no BTE todos os dias sem falhas. No mínimo, passe dez minutos logo pela manhã e dez antes de dormir fazendo uma boa meditação. Você pode achar mais fácil começar com apenas um minuto de cada vez e depois aumentar em um minuto por semana. Isso o ajudará a desenvolver o hábito sem tornar a exigência de tempo muito assustadora no início.

Esteja ciente de que você provavelmente não verá benefícios imediatos disso. Leva tempo para cultivar esse tipo de força interior. Comece agora e seja diligente. Você também pode reservar um momento durante os momentos estressantes de sua vida diária para praticar uma boa meditação para recuperar esse equilíbrio e acalmar a excitação e as respostas de entrega.

  • Simplesmente ficar parado pode ter um efeito poderoso quando feito BTE. Sente-se ereto com as costas sem apoio e a cabeça equilibrada na coluna vertebral. Role os ombros para trás para abrir o peito. Ajuste a pélvis para que o sacro fique perpendicular ao chão. Olhe para frente e um pouco para baixo.

Em seguida, relaxe em absoluta quietude. Não mova nada. Comece fazendo isso por apenas dez segundos e aumente dez segundos por dia. Não faça isso por mais de noventa segundos consecutivos, a menos e até que você tenha recebido instruções pessoais indicando o contrário. Geralmente é muito difícil ir mais de noventa segundos fazendo isso corretamente sem orientação.

  • Se você relaxar e se mover devagar o suficiente, há uma espécie de graça suave que aparece naturalmente. Esta é a velocidade na qual sua mente pode acompanhar seu corpo. Você aumentará essa velocidade se praticar esse movimento.

Passe algum tempo movendo-se dessa maneira para trabalhar o equilíbrio, carregando recipientes cheios de água até a borda ou praticando qualquer outra habilidade física que você ache que vale a pena desenvolver.

  • Qualquer prática que faça com que você continue focando em seu entorno através de um processo infinito pode ser bom. Um exemplo disso envolve a consciência espacial que permite que você saiba sem olhar onde estão seus dedos.

Comece respirando fundo e deixando de lado todo o excesso de tensão física na expiração. Então sinta a posição do seu corpo. Expanda essa consciência para observar as paredes, o teto, o espaço atrás de você e a estrutura sob o piso que o sustenta.

Expanda sua consciência novamente para estar ciente de toda a cidade, da terra abaixo de você e do céu acima de você. Expanda-o novamente para estar ciente do planeta flutuando no espaço. Expanda-o novamente para incluir o sistema solar.

Para fazer isso corretamente, a taxa na qual a consciência se estende ao seu redor deve aumentar a cada passo. Então, depois de um segundo você está ciente da sensação de estar em uma sala, depois de dois segundos de estar em uma cidade na superfície da Terra, depois de três segundos de estar em um planeta flutuando no espaço, e assim por diante. Essa expansão da consciência deve ocorrer muito rapidamente.

Você quer que sua experiência seja do BTE e não baseada na visualização. Você quer expandir sua consciência de onde você está. Os dois erros mais comuns são (1) visualizar sua consciência como uma esfera que você vê de fora em expansão e (2) imaginar a si mesmo em expansão. Não faça nenhum. Apenas esteja ciente de onde você está, e deixe essa consciência crescer.

Eventualmente, você chegará a um ponto em que não poderá mais pensar no processo de expansão porque é simplesmente muito grande e muito rápido. Apenas deixe a sensação de expansão da consciência continuar. Esse é o ponto em que sua mente está ficando mais forte e mais calma. Se você está ficando frustrado ou se preocupando se está fazendo certo, você parou. Apenas comece de novo e deixe o sentimento continuar.

 

Desenvolvendo a razão

Quase todas as tradições místicas, religiosas ou espirituais levam seus seguidores a acreditar no que é ensinado. Raramente há qualquer evidência fornecida para suas afirmações, mas eles ainda insistirão que sabem que o que dizem é verdade e que você deve confiar na palavra deles. Essa cerimônia ou essa meditação supostamente o aproximará de Deus, da iluminação ou da pureza. Jesus ou Buda ou seus ancestrais ou deuses mágicos supostamente irão protegê-lo como pais sobrenaturais.

Porque todos os outros nessa tradição dizem a mesma coisa, os recém-chegados à fé são varridos por um mar de crença cega. O que falta é razão. A razão é a disposição de reconhecer a evidência, independentemente das crenças que ela apóia ou desafia.

Em outras palavras, é a identificação não contraditória dos fatos da realidade. Esta é uma habilidade que esperamos que todos os membros aqui desenvolvam porque é a única maneira de você saber o que é útil para você. É também a ferramenta mais poderosa que você pode desenvolver para se defender contra o absurdo.

Doravante, sempre que encontrar uma perspectiva ou afirmação com a qual discorde, considere-a uma oportunidade de fortalecer sua capacidade de usar a razão. Esteja aberto à possibilidade de estar errado. Explore evidências para a posição com a qual você discorda ou contra a que você mantém. Preste atenção à natureza dos argumentos que você encontra, principalmente se eles apelam para a autoridade ou o que “todo mundo sabe”. Faça o seu melhor para provar que está errado. Se a sua posição original ainda faz sentido, então você tem uma confiança ainda maior de que está certa.

Se você mudar de ideia, então você aprendeu algo e descartou uma ideia que simplesmente não era tão útil. De qualquer forma você fez um favor a si mesmo. Agora, pense em algo sobre o qual você tem uma opinião, mas nem todos necessariamente concordam com você. Pode ser alguma questão política, uma afirmação sobre a realidade dos fenômenos psi, algo sobre a experiência de abdução alienígena, ou qualquer outra coisa sobre a qual você se posicione. Então procure provas contra sua posição. Leia os argumentos de um campo oposto. Esteja aberto para estar errado.

Isso pode resultar em você não saber mais o que é certo em sua situação escolhida devido ao reconhecimento de que não tem informações suficientes. Considere isso uma marca de sabedoria. Isso significa que você está aberto a aprender os fatos da realidade. Este é um exercício que deve ser repetido com frequência. É especialmente vital que você faça isso quando se sentir tentado a acreditar nas afirmações que este Templo faz. O sucesso ao longo da vida e especialmente no Vampirismo requer o desenvolvimento de conhecimento ao invés de crença.

Para isso, apresentamos a seguir três ensaios que pretendem ajudá-lo a assumir uma perspectiva que encoraje o uso da razão. A primeira aborda a religião, a segunda a filosofia e a terceira a própria razão.

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/controle-mental-vampirico/

Sobre a Alquimia presente na Alma Ancestral Brasileira

“É como se no Brasil desse para fazer uma obra Alquímica, em que você coloca na mesma panela um monte de ingredientes e você trabalha aquilo e no fim há uma metamorfose e surge uma coisa preciosa para fora”

Com esse pensamento e outras metáforas interessantes, Roberto Gambini apresenta nesta palestra sua perspectiva a cerca da essência do povo brasileiro, do sujeito à nação. O cientista social e analista junguiano entende que nosso país precisa tomar consciência da diversidade, da imensidão e da riqueza das terras brasileiras e deve resgatar a essência indígena. Pautada na coletividade, nossa cultura deve ser geradora de colaboração.

Estamos nos deslocando para o que éramos antes de sermos interrompidos, atualizando tudo que foi conquistado pela contemporaneidade. Esse retorno nos permitirá identificar nossa antiga meta: viver com simplicidade.

É nossa missão retomar uma energia que “brota da terra e conduz sem erro para sermos o que tínhamos que ter sido desde o começo”. Amparados pela simplicidade, devemos reaprender a viver com pouco. Saber ter vida interior, ou seja, uma subjetividade atuante, expressa e livre. Devemos “saber ver a beleza desde o pequeno até o infinito”.

O resgate da alma indígena e as concepções tribais de sociedade, que englobam a ausência de propriedade privada e papéis bem integrados socialmente se mostra a alternativa ao maior desafio do Brasil: a injustiça.

É impossível separar as problemáticas socioeconômicas das problemáticas psicológicas e culturais. Elas andam juntas e a transmutação deve ocorrer internamente assim como externamente.

Injustiça essa que não é de nossa natureza, uma vez que os povos indígenas traziam consigo a capacidade de comungar coletivamente a natureza. Desigualdade e exclusão são provenientes da sociedade de classes, pois apenas o modo de produção que permite que pouquíssimos tenham exacerbados privilégios, e uma massa enorme não tenha acesso aos bens elementares.

Considerando a perspectiva alquímica, existe um conceito chamado multiplicatio, ou multiplicação. Tudo vem e provém de um. Considerando essa máxima hermética, a multiplicatio diz respeito ao processo de aumentar a potência da pedra filosofal. Aquela que tudo toca e transforma em ouro é uma metáfora para nossa consciência mais elevada. Quando transcendemos a esfera do ego e equilibramos nossas polaridades, acessamos camadas mais profundas do Self.

Tal mergulho nas águas do inconsciente é transformador e, ao retornarmos ao mundo exterior, aqueles que foram tocados pela luz, acabam iluminando os outros também. A Multiplicatio é o processo alquímico em que permite que a luz seja disseminada, sendo luz, aqui entendida como discernimento, como consciência.

Para Gambini, quem se conscientiza, ganha uma força e dela se obtém o poder da multiplicação. Instruir as crianças, expô-las a uma mentalidade que valoriza nossos raízes seria uma opção para a mudança. Isto permitiria não só a construção de uma nova identidade social, mas comportaria a construção de uma história “que pode correr livre e sem ser distorcida”. Só assim seria possível resignificar em nosso imaginário nosso complexo de inferioridade, ou de vira-latas, como diria Nelson Rodrigues.

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Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br ou envie um e-mail para contato@antharez.com.br

Imagens:

“A Primeira Missa no Brasil” de Victor Meireles (1860)

Criança Patajó (esquerda), bebê moderno mexendo num iPad (centro) e indíos Kuikuros (direita)

Respectivamente: “Multiplicatio”, encontrado na Coleção Alquímica de Manuscritos de Manley Palmer Hall e “Multiplicatio”, encontrado em Philosophia Reformata, de Johann Daiel Mylius (1628)

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sobre-a-alquimia-presente-na-alma-ancestral-brasileira

Entrevista com John Mack

John Mack (1928 – 2004) foi médico, escritor ganhador do Prêmio Pulitzer e professor chefe do departamento de psiquiatria da Harvard Medical School. Foi também o maior pesquisador de sua geração sobre os impactos psicológicos das experiências de abdução por alienígenas. A entrevista foi cedida a revista eletrônica NOVA Online em 2002.

NOVA: Vamos falar sobre sua evolução pessoal, talvez do ceticismo à crença…

MACK: Quando eu encontrei esse fenômeno pela primeira vez, ou particularmente antes de ter visto as próprias pessoas, eu tinha muito pouco espaço em minha mente para levar isso a sério. Eu, como a maioria de nós, fui criado para acreditar que, se quiséssemos descobrir outra inteligência, o faríamos por meio de ondas ou sinais de rádio ou ou algo do gênero.

A ideia de que poderíamos ser alcançados por algum outro tipo de ser, criatura, inteligência que pudesse realmente entrar em nosso mundo e ter efeitos físicos, bem como efeitos emocionais, simplesmente não fazia parte da visão de mundo em que fui criado. Com muita relutância, cheguei à conclusão de que esse era um verdadeiro mistério. Em outras palavras, que eu … fiz tudo o que pude para descartar outras fontes, traumas ou abuso sexual. Algumas dessas pessoas são abusadas. Mas eles são capazes de dizer, distinguir claramente o trauma de abdução de outras formas de abuso.  Há também algumas formas de psicose ou pessoas inventando histórias – mas eu poderia rejeitar isso com base no fato de que não há ganho nisso – inclusive há perdas – para a vasta maioria dessas pessoas.

Já trabalhei intensamente com mais de uma centena de abduzidos. O que envolve uma entrevista inicial de duas horas ou mais antes de fazer qualquer outra coisa. E caso após caso, fiquei impressionado com a consistência da história, a sinceridade com que as pessoas contam suas histórias, o poder dos sentimentos relacionados a isso, a dúvida – todas as respostas apropriadas que essas pessoas tem para suas experiências.

NOVA: Então diga-nos, por favor, quão literalmente você pretende que as pessoas entendam isso? Você está sugerindo que as pessoas estão realmente sendo arrancadas de suas camas por alienígenas e sendo levadas a bordo de uma nave espacial?

MACK: Como interpretar isso literalmente, é um dos aspectos mais interessantes e complexos do assunto. E eu quero passar por isso o mais claramente possível. Existem aspectos  que eu acredito que nos deixa justificados em interpretar literalmente. Ou seja, os OVNIs são de fato observados, filmados por as câmeras ao mesmo tempo que as pessoas estão tendo suas experiências de abdução.

Na verdade, observou-se que havia pessoas desaparecidas no momento em que relatavam suas experiências de abdução. Eles voltam de suas experiências com cortes, úlceras no corpo, lesões triangulares, que seguem a descrição das experiências que eles recuperam, do que foi feito a elas no decorrer da atividade cirúrgica desses seres.

Tudo isso tem um aspecto físico literal e é vivenciado e relatado com sentimento apropriado, pelas pessoas abduzidas, com ou sem hipnose ou exercício de relaxamento.

Há uma – eu acredito – gradação de experiências e que vão desde os tipos físicos mais literais de feridas, cortes, pessoas removidas, espaçonaves que puderam ser fotografadas, até experiências que são mais psicológicas, espirituais, envolvem o extensão da consciência. A dificuldade para a nossa sociedade e para a nossa mentalidade é que temos uma espécie de mentalidade que nos obriga ou isso ou a aquilo. Ou é literalmente físico ou está em outro reino espiritual, o reino invisível. O que parecemos não ter lugar para – ou perdemos o lugar para – são fenômenos que podem começar no reino invisível, e cruzar e se manifestar e aparecer em nosso mundo físico literal.

Portanto, a resposta simples seria: Sim, são os dois. Literalmente, algo fisicamente está acontecendo até certo ponto; e também é algum tipo de experiência psicológica espiritual ocorrendo e se originando talvez em outra dimensão. E assim o fenômeno nos abre, ou nos pede para nos abrir a realidades que não são simplesmente o mundo físico literal, mas para estendermos a possibilidade de que existem outras realidades invisíveis das quais nossa consciência, nossa alma, se você quiser, está aprendendo a experimentar ao longo das últimas centenas de anos.

NOVA: Eu me pergunto, se nesse sentido, você pode falar sobre o que você acha que se trata dessa experiência?

MACK: …. Existem vários efeitos que essas experiências têm para aqueles que passam por encontros de abdução alienígena. O primeiro é o aspecto ou ajuste mais familiar, que é um evento traumático no qual uma luz azul ou algum tipo de energia paralisa a pessoa, esteja ela em sua casa ou dirigindo um carro. Elas não podem se mover.

Eles se sentem removidos de onde quer que estejam. Eles flutuaram através de uma parede ou de um carro, levados por esse feixe de luz para uma nave e lá submetidos a uma série de procedimentos agora familiares que envolvem os seres que os encaram; sondagem de seus corpos e orifícios corporais; e um processo complexo pelo qual eles sentem, no caso dos homens, o esperma removido; nas mulheres, os óvulos são removidos; algum tipo de prole híbrida criada que eles são trazidos de volta os visitar em abduções posteriores. Esse é o tipo de experiência literal.

Agora, o efeito disso é – ou o que parece estar acontecendo lá, em uma série de abduções – não apenas as pessoas que entrevistei, mas aquelas que Budd Hopkins e outras pessoas pesquisaram – é produzir algum tipo de nova espécie ou espécie híbrida que – às vezes é dito aos abduzidos – povoará a terra ou estará lá para levar a evolução adiante, depois que a raça humana tiver concluído o que está fazendo agora, ou seja, a destruição da terra como um sistema vivo. Portanto, é uma espécie de forma futura. É uma reunião estranha com uma espécie menos corporificada do que nós, para um propósito evolutivo.

No entanto, isso pode não ser literalmente verdade. Pode ser que esta seja uma comunicação para nós. Que talvez precisemos mudar nossos hábitos. Pode não ser que sejam literalmente nossos bebês. Pode ser uma espécie de expressão de imagens de bebês; ou pode ser que esses híbridos que nos disseram sejam o que tenhamos que ser. É uma espécie de apólice de seguro se a terra continuar a ser sujeita à exploração de seu ambiente vivo a ponto de não poder sustentar a vida humana e outras como está ocorrendo agora. Mas pode não ser literalmente o que vai acontecer. Então essa é uma área em aberto.

Outra área é todo o aspecto visual, ambiental e informacional disso, em que as pessoas são mostradas nas telas de televisão uma enorme variedade de cenas de destruição ambiental da terra poluída; de uma espécie de cena pós-apocalíptica em que até os espíritos foram expulsos de seu ambiente porque vivem no mesmo ambiente físico e espiritual que nós; e os campos são mostrados com árvores destruídas; pedaços da terra são vistos como se separando, a terra em colapso.

NOVA: ….. Híbrido alienígena. O que isso significa?

MACK: Às vezes, ao longo do caminho, conforme você se aprofunda cada vez mais na consciência da pessoa, na experiência dela, ela descobrirá … o que é chamado de identidade dupla. Em outras palavras, que ambos são humanos – em uma dimensão; mas eles também são eles mesmos, têm uma identidade estranha. Que participam desse programa reprodutivo híbrido, como se fossem parte dele. E que eles podem, de fato, até se sentir como alienígenas. Uma versão sua melhorada que vive em um mundo maior.

Um dos homens em meu livro na verdade foi um participante ativo em levar uma mulher do Texas para uma nave e ser abduzida, e desempenhando a função reprodutiva de um ser alienígena, sentiu que ele próprio era um alienígena. E muitas vezes as abduzidas sentirão que seu trabalho, em termos de desenvolvimento, é integrar essas duas dimensões ou esses dois aspectos de si mesmas: o humano e o alienígena. E que a dimensão alienígena é uma parte de nós mesmos, nossas almas, se você preferir, das quais fomos ou fomos isolados ao longo dos séculos de seres humanos que vivem nesta terra nesta forma densamente incorporada.

NOVA: Você e outros disseram que não há outra explicação psicológica. Mas que há alguma realidade nisso. O que você acha do trabalho de pessoas como Michael Persinger e Robert Baker, que têm essas teorias complicadas sobre neurologia ou afirmam que as alucinações hipnogógicas estão na raiz dessas experiências percebidas?

MACK: Essas experiências geralmente ocorrem na consciência literal. Não em um estado hipnogógico ou onírico. A pessoa pode estar em seu quarto bem acordada. Os seres aparecem. E aí estão eles e a experiência começa. Que está ocorrendo frequentemente não é nenhum estado de sonho. Agora, às vezes eles ocorrem quando uma pessoa está cochilando ou em estado hipnogógico. Mas freqüentemente não.

Além disso, qualquer teoria que considere isso um fenômeno puramente endógeno, ou seja, gerado puramente a partir da psique da própria pessoo é uma espécie de arrogância também. Porque significa que simplesmente não podemos aceitar a noção de que pode haver outra inteligência trabalhando. O que é uma explicação muito mais econômica. Mas se devemos encontrar uma teoria dentro de nós mesmos, devemos ter em mente que qualquer teoria que comece a abordar isso deve levar em consideração cinco fatores:

Número um, a extrema consistência das histórias de pessoa após pessoa. O que você não obteria simplesmente estimulando os lobos temporais. Você obteria respostas idiossincráticas muito variáveis, que diferiam muito de caso em caso.

Número dois, você teria que lidar com o fato de que não existe uma base experiencial comum para isso. Em outras palavras, não há nada em sua experiência de vida que poderia ter dado origem a isso, a não ser o que eles dizem. Em outras palavras, não há nenhuma condição mental que possa explicar isso.

Terceiro, é preciso levar em conta os aspectos físicos: os cortes e outras lesões em seus corpos, que não seguem nenhuma distribuição psicodinâmica, como os estigmas associados à identificação com a agonia de Cristo.

Em quarto lugar, a forte associação com OVNIs, que muitas vezes são observados na comunidade local, pela mídia, independentemente da pessoa que está tendo a experiência de abdução ter ou não avistado o OVNI, mas lê ou vê na televisão no dia seguinte que um OVNI passou perto de onde eles estavam quando tiveram uma experiência de abdução.

E, finalmente, o fenômeno ocorre em crianças a partir de dois, dois e meio, três anos de idade. E qualquer teoria que simplesmente atribua isso à atividade do cérebro, não leva em conta pelo menos três dessas cinco dimensões fundamentais …

NOVA: Você realmente não corre o risco de se prejudicar um pouco, pessoal e profissionalmente, devido as críticas ?

MACK: Acho que, de certa forma, ganhei mais do que perdi em termos de convidar as pessoas para esse mistério, tendo um diálogo com todos os tipos de pessoas maravilhosas, abertas, inteligentes e brilhantes de muitos campos diferentes. Foi muito emocionante. Quer dizer, fui atacado, mas os ataques não foram realmente tão sérios para mim quanto a franqueza que encontrei entre muitas pessoas em toda a cultura e internacionalmente, que estão dizendo: Sim, sempre suspeitei que algo assim era está acontecendo, e fico feliz que você esteja disposto a se apresentar e relatar sobre isso.

Costuma-se dizer que sou um crente e que perdi minha objetividade. Eu realmente contesto isso. Porque não se trata de acreditar em nada. Eu não acreditava em nada quando comecei, eu realmente não acredito em nada agora. Eu vim para onde vim clinicamente. Em outras palavras, trabalhei com pessoas por mais de cem centenas de horas e fiz um trabalho tão cuidadoso quanto pude para ouvir, peneirar e considerar explicações alternativas. E nenhum ase apresentou. Ninguém encontrou uma explicação alternativa em um único caso de abdução.

NOVA: Muitos dizem que isso é apenas uma função de imagens culturais.

MACK: Tenho observado esse fenômeno conforme ele se manifesta nos povos indígenas, nos nativos americanos – os Cherokee, os Hopi, que conhecem esses seres como o povo das estrelas. Já vimos isso na África do Sul, particularmente ao entrevistar em profundidade um importante sangoma sul-africano, ou curandeiro, que chama esses seres de “mandingdas”.

Investigamos isso no Brasil com um fazendeiro em – fora de Belo Horizante, que teve experiências de abdução idênticas ao que foi relatado neste país. Recentemente recebi uma carta sobre experiências de abdução de uma pessoa na Malásia. Em outras palavras, este é – pelo que podemos dizer – um fenômeno mundial. Isso não se restringe, como algumas pessoas pensaram, à cultura ocidental ou, em particular, à cultura americana.

Eu descobri que quanto mais alto ou maior o interesse que uma pessoa tem nesta sociedade, em sua posição ou em seu trabalho, mais relutante ela fica em admitir que teve experiências de abdução. Quando abduzidos foram à televisão comigo durante a primavera de 1994, durante minhas turnês de livros, e queriam se comunicar e educar sobre isso, vários deles receberam ameaças de seus empregos. Alguns deles os perderam, temos um homem em consultoria de gestão que perdeu um contrato importante. Uma mulher que trabalhava para o governo federal, que foi abduzida, foi ameaçada de perder o cargo. Em outras palavras, isso não é algo considerado aceitável.

Entrevistei pilotos de avião que tiveram avistamentos – avistamentos de OVNIs de perto. Eles não vão denunciar, porque serão afastados de seu trabalho. Mesmo que eles tenham tido experiência de abdução, eles não vão falar sobre isso. E 25 a 30 por cento dos pilotos de avião, de acordo com uma pesquisa que uma das pessoas com quem conversei, tiveram avistamentos de perto, mas não vou discutir o assunto.

Isso simplesmente não é algo aceito aceitavel para falar, mas isso pode estar mudando. Recentemente, vi um aluno da Harvard Divinity School e fiz-lhe essas perguntas. Eu disse: você fala sobre isso entre seus colegas estudantes? E ele disse: ‘Oh, sim.’ E descobriu-se que vários deles também tiveram experiências de abdução. E mesmo os que não tinham, ficaram fascinados, interessados, não os ridicularizaram. Então, talvez o clima esteja mudando.

Livros de ou sobre Dr. John Mack, M.D.

  • Abduction: Human Encounters with Aliens
  • Passport to the Cosmos
  • The Believer: Alien Encounters, Hard Science, and the Passion of John Mack

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/entrevista-com-john-mack/

O Caminho Alquímico do Tao

Definir ou delimitar o conceito do Tao (ou Dao) da filosofia oriental, é no mínimo uma tarefa paradoxal, afinal ‘O tao que pode ser expressado, não é o tao absoluto’. É um conceito muito antigo, adotado como princípio fundamental do taoismo.

Tao (em chinês: 道; Wade-Giles: tao; pinyin: dao) significa, traduzindo literalmente, o caminho, mas é um conceito que só pode ser apreendido por intuição. O tao não é só um caminho físico e espiritual; é identificado com o absoluto que, por divisão, gerou os opostos/complementares Yin e Yang, a partir dos quais todas as “dez mil coisas” que existem no Universo foram criadas.

Quando pensamos numa substância única que dá forma a tudo que existe no Universo, lembramos do conceito alquímico da prima matéria, ou matéria prima. A prima materia é um conceito chave da Alquimia. Ela é como o nome sugere a matéria prima com a qual se realiza as operações e se extraem os elementos. Ela não está em tudo, ela é tudo.

“O termo prima matéria tem uma longa história, que remonta aos filósofos pré-socráticos. Esses antigos pensadores estavam presos a uma ideia arquetípica, que lhes dizia que o mundo é gerado de uma matéria única original, a chamada primeira matéria” (EDINGER, 2006, p.29)

Por esse motivo, a água, como símbolo, é associada à prima matéria, pois todos viemos da água (organismos unicelulares). A água também é um símbolo para o inconsciente, instância inicial que ‘gera’ a consciência. No entanto, a água é um símbolo alquímico ambíguo. Ao mesmo tempo em que representa um dos quatro elementos, representa todos os quatro indiferenciados. De novo, remontamos à filosofia oriental para facilitar e transcender nossa visão de mundo, como vemos neste vídeo de Bruce Lee:

E o que a Ciência pode aprender com esses conhecimentos milenares? Como é falado no vídeo, é preciso estar num ponto de equilíbrio entre instinto e controle, sendo que em demasia, este último pode te tornar um ‘homem mecânico’. Mas será que a comunidade científica acompanha este pensamento integral? No prefácio da segunda edição do livro “O Tao da Física”, Fritjof Capra diz o seguinte sobre os novos paradigmas científicos que se formavam a partir dentre outras coisas, da física quântica:

“A reacção da comunidade científica, previdentemente, tem sido mais cautelosa; mas, também aí, o interesse nas vastas implicações da física do século vinte tem aumentado. A relutância dos cientistas modernos em aceitar as profundas semelhanças entre os seus conceitos e os dos místicos não é surpreendente, já que o misticismo —pelo menos no Ocidente — tem sido tradicionalmente associado, de maneira errada, com coisas vagas, misteriosas, acientíficas. Esta atitude está, felizmente, a mudar. À medida que o pensamento oriental começou a interessar um número significativo de pessoas e a meditação deixou de ser ridícula ou suspeita, o misticismo tem sido tomado a sério mesmo na comunidade científica” (CAPRA, 1982, p.13)

Capra escreveu isso há 32 anos!!! Será mesmo que a visão de um mundo integrado estava tão próxima como o físico austríaco imaginara? De toda forma, estamos percebendo, mais agora do que nunca, que nossa sociedade está passando por um momento crítico. Vejamos nosso cenário político e a dicotomia batida de ‘petralha’ vs. ‘coxinha’. Ou então os casos absurdos, porém recorrentes, de estupros e violência contra a mulher, que expressam um evidente descompasso da energia masculina (yang) em relação a feminina (yin). As polaridades que nos dividem no coletivo, também nos dividem internamente, e o Casamento Alquímico, ou coniunctio oppositorum, parece uma metáfora pertinente para o trabalho que temos, individualmente e coletivamente, para executar.

“Estas discussões ajudaram-me muito na compreensão do abrangente enquadramento cultural, presente no grande interesse pelo misticismo oriental que surgiu no Ocidente nos últimos vinte anos. Agora entendo este interesse como integrante de uma tendência que visa contrariar um profundo desequilíbrio na nossa cultura—nos nossos pensamentos e sentimentos, valores e atitudes, e estruturas sociais e políticas. Achei a terminologia chinesa de yin e yang muito útil para descrever este desequilíbrio cultural. A nossa cultura tem consecutivamente favorecido valores e atitudes yang, ou masculinos, negligenciando as suas contrapartes complementares yin, ou femininas. Temos favorecido auto-asserções em lugar de integração, análise em lugar de síntese, conhecimento racional em lugar de sabedoria intuitiva, ciência em lugar de religião, competição em lugar de cooperação, expansão em lugar de conservação, e ‘ assim por diante. Este desenvolvimento unilateral chegou a um estado alarmante, a uma crise de dimensões sociais, ecológicas, morais e espirituais” (CAPRA, 1982, p.14)

Neste contexto, portanto, saudável é se atentar da responsabilidade em harmonizar-nos internamente, e seguir o fluxo natural da existência, em equilíbrio. A palavra Tao pode significar ‘caminho’, mas seu verdadeiro significado transcende a gramática, se tornando compreensível apenas em esferas abstratas. A arte, como sempre, pode nos ajudar. Como diria o poeta espanhol Antonio Machado:

Caminhante, são teus passos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se o caminho ao andar.

Se você gostou desse conteúdo, você pode assistir ao filme ‘O Ponto de Mutação’, baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, escrito após ‘O Tao da Física’. Mas se você gostou mesmo, participe do mini-curso de 4h sobre Alquimia Taoista, com prática de Tai Chi Chuan (气功 QiGong) que acontecerá em breve na Clínica Antharez. Dúvidas, críticas ou sugestões, nos comentários!

Referências Bibliográficas:

CAPRA, Fritjoc. O Tao da Física. Lisboa: Editorial Presença. 1975.

EDINGER, Edward. Anatomia da Psique: O Simbolismo Alquímico na Psicoterapia. São Paulo: Cultrix, 1990.

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br ou envie um e-mail para contato@antharez.com.br

#Alquimia #Tao #taoísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caminho-alqu%C3%ADmico-do-tao

Além do Pylon da Cova

 

 

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden, Capítulo Cinco.

 

A CHAVE para o mistério da redenção ou revitalização da múmia em Amenta repousa no uso mágico da Serpente de Fogo como ensinado nas escolas arcanas, particularmente aquelas da Asia.115 A chave está oculta no mito de Ísis e Osíris, e a busca de Ísis pelo falo perdido de Osíris.116 Este assunto é tratado por Apuleius em seu relato simbólico dos Mistérios de Ísis. Psyche, a alma, aprisionada no submundo de Plutão, é resgatada por Eros. Estes símbolos podem ser explicados em conexão com a Árvore da Vida como interpretada sob a luz da fórmula de Daäth do Novo Aeon. A Sabedoria Superna (Daäth) é representada pelo ego ou alma (Psyche) a qual adoece no Amenta. Kether, como Plutão, o Senhor do Abismo, é o mais externo, e, por analogia, o mais interno pylon de Amenta e o último Portal para o Espaço Exterior (Interior) onde a alma é liberada pela Serpente de Oito Cabeças. Oito representa a oitava, o Octimonos ou Mestre Magista, o mais alto ou altura. O simbolismo envolve o poder criativo primordial representado pela sete estrelas ‘filhas’ de Tífon no abismo do espaço (Malkuth), e a oitava, tipificada por Set ou Sothis na altura do céu (Kether). A profundidade de Malkuth e a altura de Kether é equilibrado pela Serpente de Daäth na qual a fórmula da Serpente de Fogo (Eros) está implícita. Portanto, Kether está em Malkuth, e Malkuth está em Kether, porém conforme outro modo. Em outra versão deste mito, Plutão ou Set é Kether e Eros ou a Serpente é Daäth, porque Daäth é o Jardim do ODN (Éden), o campo de força eletromagnética que é o covil da Serpente de Fogo; e a Psyche é Malkuth.

O simbolismo envolve o poder criativo primal representado pelas sete estrelas de Tífon no abismo do espaço, e o oitavo filho – Set – como a altura do céu tipificada pela estrela Sírius ou Sóthis na qual a fórmula da Serpente de Fogo está implícita. Este simbolismo, embora aparentemente complexo, é simples, como pode ser visto ao equacioná-lo com a bem conhecida fórmula budista: Primeiramente HÁ (there IS) (i.e. Malkuth) – Forma (i.e. Presença de Objeto). Então NÃO HÁ (there is NOT) (i.e. Kether) – Vazio (Void) (i.e. Presença de Sujeito). Então HÁ (there IS) (i.e. Ain) – Nem Forma nem Vazio, porém ausência da presença de ambos Objeto e Sujeito (i.e. a Ausência Absoluta, ou Vazio). Os dois primeiros estágio da fórmula compreendem toda a Árvore e suas dez zonas de poder cósmicas. Mas existe uma além de dez (i.e. onze; Daäth) que é o portal para o Ain a qual torna possível a transição do Universo representado pelo anverso da Árvore até o anti-Universo representado pelo inverso da Árvore. A pseudo-sephira, Daäth, é o espelho mágico no qual o Verdadeiro Ser é refletido em ‘matéria’ na forma de Existência.117

Este conceito era antigamente representado pela identidade de Satan o Opositor (e portanto o oposto ou reverso) com Malkuth, o universo mundano tal como este aparece no estado de consciência de vigília. Ainda assim a transição do universo irreal (representado pela Árvore) para o universo real que é NÃO (NOT) (representado pelas costas da Árvore) é ilusória, pois não existe nenhuma ponte verdadeira entre os dois universos. Existe uma solução de continuidade, e de forma à realizar isto, a altura do Abismo (a oitava estrela, Sóthis) tem que ser realizada em reverso, de forma que aquilo que se parece a altura a partir do lado frontal da Árvore seja realmente a profundidade quando observado a partir do ‘outro lado’. Satan-Set é portando a chave, e o nome do Pylon da Cova, cujo guardião é ‘aquele antigo demônio Choronzon’ cujo número, 333, é também aquele de Shugal, o Uivador, a raposa do deserto, a imagem zoomórfica de Sírius, o Negro ou Escuro, o Negativo Supremo.118

Na terminologia do Culto Tifoniano, Nuit ou Not (Não) é o Negativo Absoluto simbolizado pelas Sete Estrelas da Ursa Maior, o Possuidor-das-Faíscas ou Serpente de Fogo cujo oitavo filho é Sóthis, Set, ou Hoor-paar-Kraat. Portanto, de acordo com o antigo simbolismo onde o filho e a mãe são idênticos, Nuit e Set representam o infinito campo de possibilidade, pois em Set está ocultado seu gêmeo –Hórus– a manifestação da não- manifestacão que o ego (Daäth) sózinho torna possível.119

Austin Osman Spare demonstrou que a Postura da Morte120 é a chave para o Portal do Abismo, e sua doutrina do Nem-Nem (Neither-Neither) está intimamente entrelaçada com o complexo ego-anti-ego de Daäth. Naquela doutrina a mão simboliza o Zos, ou ‘corpo considerado como um todo’, e a mão, como foi mostrado, é um ideograma mágico do Macaco. Ela era de fato o nome do Macaco-Kaf (Kaf-Ape) no antigo Egito.121 O macaco ou cinocéfalo era o veículo de Thoth ou Daäth. O outro glifo-chave da feitiçaria de Spare, o Kia ou ‘Eu’ Atmosférico, é o despersonalizado ou anti-ego simbolizado pelo olho.122 Um certo uso mágico destes dois instrumentos – a Mão e o Olho – em consciência de vigília produz o estado de Nem-Nem que era a designação de Spare para o estado não conceitual (carente de conceito) ou pré-conceitual. Kia, portanto, é a antítese de Ra-Hoor-Khuit123 e, como tal, é idêntico a Set. A implicação Satânica está contida na identidade paranomasic(?) do Olho de Set e o ‘Eu’ de Kia.

O número de Kia, 31, é também aquele de AL, a chave de O Livro da Lei, e neste sentido Kia pode ser considerada como sendo o Olho de Nuit, o Ain, que é o ‘outro’[olho] ou o olho secreto,124 tipificado pelo ânus de Set. O cabalista medieval, Pico della Mirandola, formulou esta equação nos seguintes termos:

As letras do nome do demônio maligno que é o príncipe deste mundo [i.e. Set, Satan] são as mesmas que aquelas do nome de Deus125 – Tetragrama – e aquele que sabe como efetuar sua transposição pode extrair um do outro.126

Eliphas Lévi explica esta passagem com a declaração Daemon est Deus inversus. Em A Sabedoria Secreta da Qabalah, J.F.C. Fuller observa que ‘Satan . . . é de fato a Árvore da Vida de nosso mundo, aquela vontade livre que, para sua verdadeira existência, depende do choque das forças positiva e negativa as quais dentro da esfera moral nós denominamos bem e mal. Satan é portanto a Shekinah127 de Assiah [o mundo material]. Fuller observou previamente com respeito a Satan que:

O Deus de Assiah128 é o Sammael de Yetzirah129 invertido, que é o Metatron de Briah130 invertido, que é o Adam Qadmon de Atziluth131 invertido. Em resumo, Sammael em Assiah é o Adam Qadmon invertido três vezes removido; ele é a ‘sombra negra da manifestação do Grande Andrógino do Bem’. (Qabbalah, Isaac Myer, pág.331).

O número de Sammael, 131, é de grande importância no Aeon presente. Ele contém o número 13 e seu reverso, 31, sendo ambos vitais para a Corrente Ofidiana. Observe também que a elevação aos planos através das três zonas de poder, Malkuth-Yesod-Tiphareth, traz o foco de poder a Daäth, o vórtice que suga as energias cósmicas negativas que nutrem a Árvore. Isto é típico do ego que absorve tudo como uma esponja e então é ele próprio dissolvido no vazio do Abismo.

O Dragão cuja oitava cabeça reina em Daäth é idêntico com a Besta 666. A metade masculina é Shugal (333), o uivador no Deserto de Set; a metade feminina é Choronzon (333) ou Tífon, o protótipo de Babalon, a Mulher Escarlate. Um dos significados de Goetia é ‘uivar’132 o que sugere que os antigos grimórios eram registros primitivos da tentativa do homem em rasgar o véu do abismo e explorar o outro lado da Árvore. As elaboradas codificações de demônios e seus sigilos e os ritos acompanhando seu uso fazem paralelo com os trabalhos mágicos ortodoxos usados em conexão com a parte frontal da Árvore. Isso explicaria a necessidade de segredo e o uso frequente de nomes sagrados que velavam as verdadeiras intenções do feiticeiro.

A.E.Waite, em sua introdução à O Livro de Magia Cerimonial fala sobre as fases mais ortodoxas da magia como ‘aspectos da Tradição Secreta em tal extensão como esta declarou a si mesma ao lado de Deus’. Ele então declara ‘que existe uma tradição à rebours133. Ele observa mais:

‘Como existe a altura de Kether no Kabalismo, igualmente existe o abismo que está abaixo de Malkuth . . . ‘ Ele não diz, contudo, que o abismo abaixo de Malkuth é acessível ao homem apenas através do Portal de Daäth. Porém na página xli ele escreve:

Como existe uma porta na alma que se abre para Deus, igualmente existe outra porta que se abre para as profundezas (recremental_?), e não existe dúvida que as profundezam adentram quando ela é efetivamente aberta. Também existem os poderes do abismo.

Pode ser observado que Waite distingue entre as ‘profundezas’ e os ‘poderes do abismo’.

Existe uma Arte Negra e uma Branca . . . uma Ciência da Altura e uma Ciência do Abismo, de Metatron e Belial.134

É minha intenção mostrar que a Altura e o Profundo, i.e. o Oitavo e o Tepht135 são idênticos abaixo da imagem da Besta, cuja oitava Cabeça é a Porta do Abismo. Waite observa, corretamente, que ‘Typhon, Juggernaut,136 e Hecate137 não eram menos divinos que os deuses do supra-mundo’138. Ele contrasta o supra-mundo com o submundo ou, como poderíamos dizer, a frente da Árvore com seu lado inferior (neste caso, lado posterior).

É significativo que a incorporação da consciência humana, i.e. o homem, é, em hebraico, ‘Adam’, significando ‘terra vermelha’ ou ‘barro’, um símbolo do sangue solidificado como carne. A palavra Adam deriva do egípcio Atum ou Tum, o sol poente, o sol vermelho- sangue que está morrendo e afundando no Amenta, a terra oculta (hell). Nas tradições mais primitivas (i.e. a Draconiana), antes de o período equinocial ter sido estabelecido, o Norte, não o Oeste, era o lugar da escuridão; o esquerdo, o lado inferior; mesmo como o Sul era o Leste primitivo, como a frente ou lugar de ascensão.139 Daäth, primeiramente o norte, mais tarde se tornou identificado com o Pylon Ocidental e o bourne (início_?) da jornada do homem. A partir do momento de sua encarnação, a consciência humana inicia sua jornada para o Amenta. Então, o início está em Malkuth (terra); o fim está em Daäth (ar ou espaço).

A Besta e a Mulher unidos é a fórmula do Baphomet andrógino que era representado pela cabeça de um asno. Esta criatura era um símbolo Tifoniano do caminho, passagem ou túnel regressivo, um glifo apropriado do Abismo, o portal para o que era Daäth (Death / Morte). O símbolo da qliphoth de Yesod é conhecido como o ‘asno obsceno’, que, por sua vez é simbólico da consciência astral tipificada pela água (sangue), o elemento atribuído à Mulher Escarlate. Daäth, como Sabedoria Superna, corresponde ao elemento fogo, pois ele é o aspecto criativo do ego que gera imagens no sangue de Yesod antes da reificação na carne de Malkuth.

As cinco zonas de poder cósmico do Pilar do Meio correspondem aos cinco elementos:

Terra (Malkuth), Água (Yesod), Fogo (Tiphareth), Ar (Daäth), e Espírito (Kether). A dissolução do ego em Amenta tem que ser realizada antes da ‘ressurreição’ ou exaltação ao céu do Espírito, representado por Kether. Os cinco elementos correspondem aos cinco estados de consciência mencionados pelos hindus: Jagrat (consciência de estado de vigília), Malkuth, Terra; Svapna (consciência astral ou de sonho), Yesod, Água; Sushupti (consciência vazia), Tiphareth, Ar; Turiya (consciência transcendente), Daäth, Morte, Fogo; e Turiyatita (estado Nem-Nem de Kia), Kether, Espírito.140

Malkuth (terra) é o mênstruo de reificação; Yesod (água), o mênstruo de reflexão ou o duplo da imagem141via o sangue da lua; Tiphareth (ar), o mênstruo da aspiração pela luz da consciência solar; Daäth (fogo), o mênstruo de vibração, o Local do Logoi ou Palavra Gêmea que é ambas verdadeira e falsa, pronunciada e não pronunciada; e Kether (espírito), o mênstruo do Não-ser que transmite a Negatividade Pura do Ain.

A numeração total das Sephiroth do Pilar do Meio, incluindo Daäth, é 37, que representa a própria Unidade em sua manifestação trinitária equilibrada.142 37 é também a palavra LHB, significando a ‘chama’, ‘cabeça’, ou ‘ponto’, que resume a doutrina da Cabeça (em Daäth) como o ponto de acesso ao universo de Pura Negação. Também, 37 é o número de LVA que significa ‘Non’, ‘Neque’, ‘Nondum’, ‘Absque’, ‘Nemo’, ‘Nihil’; não, nem, não ainda, sem, nenhum, nada.

Como previamente observado, o número 333, a metade da Besta na frente (Shugal- Set) adicionado a 333, a parte detrás (Choronzon) surge como a Besta 666. Quando 333 é subtraído do número 365,143 resta 32. Este é o número da manifestação total; as coisas como elas são em sua totalidade e finalidade, como representado pela Árvore inteira: as dez sephiroth e os vinte e dois caminhos. Mais importante de tudo, entretanto, 32 é o número de IChID, o ego, self, ou alma. A palavra Ichid deriva do egípcio Akhet, o espírito, o manes, o morto, que enfatiza a natureza precisa do ego como uma upadhi – uma entidade ilusória mascarando-se como o Ser. E este upadhi é o único portal para o reino do puro Não-Ser, de onde se originam todos os fenômenos. A Besta 666 então representa o Habitante no Portal do Abismo, e seus dois aspectos – Shugal (333) e Choronzon (333), juntos resumem os 32 kalas144– que são as chaves para o Mistério da Plenitude, Santidade, Totalidade, representados pela Árvore da Vida e a Árvore da Morte.145

Em A Gênese Natural (vol.I.p.137) Massey declara:

Pode ser afirmado, de modo geral, que todos os inícios verdadeiros na tipologia, mitologia, números e linguagem, podem ser traçados até a abertura de uma Unidade (Oneness) que [se] divide e se torna dual em sua manifestação.

Isto também se aplica à metafísica da ‘Criação’. Em egípcio, o local de abertura é o Teph ou Tepht. A palavra hebraica Tophet deriva do egípcio Tepht como a ‘cova’, ‘inferno’, o ‘abismo’. A letra ‘T’ era uma forma anterior da letra ‘D’, e quando a mais recente substitui a letra inicial da palavra Tepht, nós obtemos Depth (Profundeza). Como Daäth, esta é a abertura primal para o Abismo por trás da Árvore. Massey declara mais ainda que ‘o pensamento humano verificável mais antigo estava relacionado à abertura’ no sentido de que a mãe abriu, e o um por este meio se tornou dois. O paralelo metafísico é também verdadeiro, pois o pensamento humano era uma conceitualização de energias partindo da abertura de Daäth como uma fenda no espaço, por assim dizer, através da qual as forças do Não-ser escorreram e se tornaram, no processo, pensamento conceitual. Assim o ego floresceu, e sua raiz estava no abismo. A palavra ego146 totaliza 78, que é o número de Mezla, a influência de Kether. Esta influência não fluiu diretamente para dentro de Tiphareth (o assento da consciência humana), ela veio via o Túnel de Set por trás de Daäth através do qual ela passou – como a luz através de um prisma – para terminar em pensamento conceitual; daí a sua natureza ilusória. ‘No ato da abertura, as coisas se tornaram duais’- Massey expressou portanto o assunto com relação aos fenômenos físicos; o mesmo também é verdadeiro sobre os fenômenos metafísicos. Uma passagem do Bundahish expressa a situação nesses termos:

A região da Luz é o local de Ahura-Mazda, a qual eles chamam de Luz infinita, e sua onisciência está em visão ou revelação.

Por outro lado: Aharman ‘em Escuridão, com entendimento retrógrado e desejo por destruição estava no abismo, e é ele quem não será, e o local daquela destruição, e também daquela Escuridão, é o que eles chamam de a escuridão infinita’.147

o número do ego, 78, é também um número de AIVAS, o transmissor do AL a partir de uma dimensão extraterrestre. Esta dimensão é interna (está dentro), e não externa (não está fora), e a mensagem de Aiwass procedeu desde o Abismo do Não-ser. Esta corrente negativa, ao passar através do prisma do ego,148 assumiu aqueles aspectos com os quais os estudantes do assunto estão familiarizados: ‘Aiwass é chamado o ministro de Hoor-paar-Kraat, o Deus do Silêncio; pois sua palavra é a Fala do Silêncio’149. Em outras palavras, 78 (ego) é o Logos, a pronúncia manifesta do Imanifesto. Esta vibração (Palavra), no processo de se tornar manifesta é inevitavelmente falsificada, porque de formas que ela possa ser formulada, Nada (Nuit) deve aparecer para tornar-se Algo (Hadit). O reino da palavra – no microcosmo – é o Visuddha chakra que é atribuído a Daäth. Seu elemento, ar, é o mênstruo de vibração, o meio através do qual o silêncio se manifesta em som. Em termos mágicos Daäth como ar é o meio pelo qual Hoor-paar-Kraat se manifesta como Ra-Hoor-Khuit. O numênico se torna fenomenal no chit- jada-granthi 150 ou centro-Daäth que tipifica o ego, a fonte aparente de todos os fenômenos.

Também, 78 é o número de Enoch (ChNK), significando ‘iniciar’. Enoch era a fonte das Chamadas ou Chaves usadas por Dee e Kelly em seu tráfico com entidades extraterrestres. É de fato a Dee que nós devemos o primeiro relato sobre Choronzon, o Guardião do Abismo151. Ainda mais, 78 é o número de MBVL, ‘uma enchente’ e portanto a enchente. A palavra deriva do egípcio mehber,152 que contém o nome real do abismo. Finalmente, 78 é o número de cartas que compreendem o pacote do Taro e, como tal, ele resume todas as fórmulas ocultas possíveis.

Em resumo, Daäth é a abertura primal, a fonte do universo conceitual, i.e., o ego; daí sua natureza alegadamente satânica e enganosa. A fórmula de sua resolução é a fórmula de iniciação no Real, i.e. o anti-universo ou mundo do não-ser, o negativo, o Ain.

Já foi observado que Ain, vazio fenomenal, é, no inverso, o Nia. Esta palavra, que é comum á vários dialetos africanos, denota o negativo, não (no, not). Ela era representada no Egito pela deusa Nuit. Seu determinativo hieroglífico é a mulher menstruando. O ain (olho) como nia, é o olho invertido; não o olho da luz, mas o olho da escuridão, o olho oculto, a vulva em sua fase negativa, a lua [feiticeira_?] de sangue, o eclipse lunar.

As Duas Águas ou Cheias descritas no Bundahish são consideradas como fluindo [a partir] do Norte. Este é o lugar de Daäth, a fonte do segundo dilúvio, o primeiro fluindo do Ain, ainda mais além do norte. Dion Fortune salienta que nas tradições mais antigas o Norte era considerado como o local da maior escuridão. Como a mulher foi a primeira a abrir e dividir em dois, então a escuridão precedeu a luz no sentido de que ela era o estado de ser numênico, negativo, a partir do qual a existência, o estado positivo, foi emitida. Daäth é o portal para a escuridão primal no norte. Inversamente ela é também o manifestador da existência, representada pelo sul. Set é Matéria; Nuit é Espírito. O Norte ou costas da Árvore com sua rede de túneis aparece no Sul como a frente da Árvore na forma das zonas de poder e caminhos. Como a Mãe-Escuridão era primal e representava as costas da Árvore, assim a Mão Esquerda como a mão feminina ou infernal, era também a primeira. Existe uma tradição rabínica que mantém [a idéia de] que ‘todas as coisas vieram a partir de Hé’. Hé é o número 5, que é o glifo da Mulher tipificado pela sua fase negativa; ele é também o equivalente de uma mão (cinco dedos), a própria mão sendo típica [do ato] de formar, moldar, criar. Seu ideograma era o macaco-Kaf (?) ou cinocéfalo, o veículo especial do deus Thoth (a lua), assim indicando a natureza lunar desta formação. A mulher produz o sangue a partir do qual a carne é formada. A Mão Esquerda portanto se equaciona com o simbolismo do macaco. Nos antigos mistérios egípcios o macaco era um tipo da morte transformadora, quer dizer, do nascimento dentro do mundo do espírito. O significado esotérico é que, na noite da morte (Daäth), o ego é dissolvido, descarta sua existência ilusória e alcança o ser real que é não-ego, não-ser.

Notas:

115 Eu expliquei os aspectos Tântricos deste Mistério em minha Trilogia Tifoniana (q.v.). Crowley foi um dos primeiros adeptos a incorporar ao ocultismo Ocidental o uso mágico das energias sexuais, embora o iniciado africano, P.B.Randolph, operando nos Estados Unidos por volta da virada do presente século foi talvez o primeiro à advogar abertamente um uso mágico do sexo. Vide Eulis (P.C.Randolph), Toledo, Ohio, 1896.

116 Para uma interpretação iniciática deste mito, vide Aleister Crowley & o Deus Oculto, capítulo 10.

117 O Ser, por si apenas, é real. Ele é a within-ness (internalização_?) das coisas; o noumenon. A existência é irreal pois, como está implícito na palavra, ela comporta a objetividade do Ser em algum estado externo, e não existe nenhum. O universo fenomenal, ou Existência (como uma ‘permanência fora’ de subjetividade) é apenas aparente.

118 A palavra Shugal é o equivalente cabalístico da palavra SaGaLa que é considerada por iniciados como sendo o nome de um metal do qual é constituída a estrela gêmea escura ou invisível de Sírius. Vide Robert Temple, O Mistério de Sírius, pág.24. O simbolismo da raposa é também implícito. Vide Temple, págs. 24, 48.

119 O Universo é conceitual, e nenhum conceito é possível sem um ego para concebê-lo.

120 Vide Imagens e Oráculos de Austin Osman Spare, Parte II, (1975).

121 Kaf em hebraico significa a ‘palma’ (da mão).

122 Olho = Ayin = Ain = Nada.

123 i.e. o ponto de vista individual.

124 i.e. a vulva.

125 Deus (God) = AL = 31; a afinidade vem, como declarado, via Kia, o Olho, AL, a Chave para a Corrente 93 (93 é três vezes 31), e Ain, o olho secreto de Nuit que, como Tífon, era a mãe ou fonte de Set.

126 Como demonstrado. Vide nota anterior. O trecho é de Kabbalistic Conclusions, XIX, citado em A.E. Waite: A Santa Kabbalah, Livro X.

127 Shekinah é o equivalente judaico de shakti, poder divino.

128 i.e. Satan.

129 Sammael (SMAL = 131 = Pan, etc) é o Guardião no Limiar (do Abismo). Yetzirah é o mundo formativo ou astral. SMAL, 131, é também o número de Mako (Set) o filho de Tífon.

130 Metatron é o Anjo de Briah, o Mundo Criativo.

131 Atziluth é o Mundo do Espírito, algumas vezes chamado de o mundo arquetípico. Os quatro mundos: Assiah, Yetzirah, Briah e Atziluth correspondem aos quatro estados de consciência referidos pelos hindus como Jagrat, Svapna, Sushupti, e Turiya. (Vide capítulo anterior).

132 Vide As Confissões de Aleister Crowley , capítulo 20.

133 Página xxxviii. A rebours significa ‘contra o grão’, i.e. ao inverso.

134O Livro da Magia Cerimonial, pág.5.

135 Tophet; a Profundeza.

136 Yog-Nuit. Compare com Yog-Sothoth.

137 Ur-Hekau, a coxa emblema do Grande Poder Mágico (shakti), conhecido pelos egípcios como o ‘Poderoso dos Encantamentos’. Vide O Livro dos Mortos.

138O Livro da Magia Cerimonial , pág.14.

139 i.e. do sol no macrocosmo e do falo no microcosmo.

140 Será notado que na série de atribuições anterior o Ar, e não o Fogo, é atribuído a Daäth. Isso é porque Daäth enquanto o Portal do Vazio = (é igual a) Espaço (Ar), ao passo que Daäth enquanto Morte = (é igual a) Dissolução (Fogo).

141 i.e. reprodução em níveis astrais.

142 111 dividido por 3.

143 O ciclo completo de manifestação como tipificado pelo círculo de 360 graus, mais os 5 dias ‘ proibidos’. Vide Cultos da Sombra, capítulo 4.

144 Dezesseis cada = 32.

145 333 + 32 = 365. O número 365 e os 16 kalas foram explicados em detalhes em Cultos da Sombra, capítulo 4.

146 Por Cabala Simplex, Ego = 25, que é o númedo d’A Besta, ChIVA, como 5 x 5, a fonte ou útero da vida. Tenho uma dívida para com a Soror Tanith por ela ter salientado para mim que ShIVA é uma metátese de AIVASh, assim identificando a Besta com o prisma egoidal através do qual as forças extraterrestres fluem para o ser (para se tornar_?) a partir dos vazios do Espaço (não-ser).

147 Citado por Massey em A Gênese Natural,vol.I, página 147 de O Bundahish , capítulo I, versos 2 e 3. (trans.West.)

148 Neste caso, Aleister Crowley.

149Comentários Mágicos e Filosóficos Sobre o Livro da Lei, p.94.

150 Um termo sânscrito que denota o nó ou centro sutil  no qual a senciência se identifica com a não-senciência e portanto parece criar uma entidade autônoma ou sujeito consciente tendo o ‘mundo’ como seu objeto.

151 Dr.John Dee, 1527-1608: ‘Existe um Poderoso Daemon, O Poderoso Choronzon, que serve para guardar as Grandes Portas do Universo Desconhecido. Conheça-O Bem e Esteja Atento’.

152Meh, ‘o abismo das águas’; ber, mais tarde bel, ‘jorrar’, ‘inchar’ , ‘ser efervescente’.

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/alem-do-pylon-da-cova/

A palavra “Magia” no Hermetismo

Falaremos da palavra magia e de seus possíveis equívocos. A vida inteira, que se está manifestando em todas as ordens neste mesmo momento, é desta forma uma função permanente de magia, ou seja, que a realidade na qual vivemos é mágica. Nesse mesmo sentido nossa atuação nela também o é, de modo natural, e a participação do homem neste processo é parte integrante do próprio processo. A vida e nossa existência se estão fazendo permanentemente e nós podemos participar ou influenciar nela de acordo a determinadas pautas, relacionadas com certos ritos especiais. Pois no caso do rito sucede o mesmo que com o símbolo: conquanto toda manifestação é simbólica e igualmente a vida um perpétuo rito, no entanto existem certos símbolos e ritos particulares que em forma mágica atuam sobre nós, sempre que o sujeito que pratique determinados exercícios se encontre no estado adequado para os realizar e sejam sensatas e sãs suas intenções. A Tradição Hermética trabalha constantemente com símbolos e também utiliza determinadas “cerimônias”, para vivificar esses símbolos trazendo-os assim ao plano da ação. Determinados “métodos”, gestos ou formas de trabalho, capazes de promover em nós, e em nosso meio, determinadas situações e energias aptas para serem moldadas por uma vontade lúcida e retamente ordenada na triunidade Verdade-Beleza-Bem.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-palavra-magia-no-hermetismo

As Colunas do Templo – Segunda Coluna

Força

A obra humana, para ter valia, deve estar dotada de Força. A acção do maçon deve beneficiar da Força.

Não é de força física que aqui se trata. Ao mencionar esta característica de que devem estar dotados os maçons e o comportamento e as obras destes, quer-se, em primeiro lugar, fazer referência à Força de Carácter que deve ser apanágio do maçon. Força de carácter para seguir o, por vezes estreito e acidentado, caminho da virtude.

Em segundo lugar, Força de Vontade. Força de vontade para combater o vício, isto é, para combater e anular, se possível, os defeitos que, infelizmente, todos nós temos.

Mas a Força não respeita apenas às características intrínsecas do Homem, refere-se igualmente às das suas obras.

E, neste plano, a Força de que aqui se fala respeita à Eficácia das acções humanas. Pode agir-se com muita boa vontade, mas se a nossa actuação for estéril, se a nada conduzir, se do nosso acto nada nascer, nada frutificar, nada mudar, nenhum efeito se obtiver, então mais valia ter estado quieto e poupado o esforço absolutamente inútil… Quando nada de útil se pode fazer, então manda o bom senso (a Sabedoria de que ontem falava…) que nada se faça. O Homem deve agir, deve actuar, mas deve fazê-lo com eficácia, de forma a que dos seus actos resultem efeitos, especialmente os efeitos pretendidos, que devem melhorar o que existia antes de se actuar.

Também no plano das características de que devem estar dotadas as obras humanas, a Força é sinónimo de Durabilidade. Pouca utilidade tem a construção que se desmorona ao mais leve sopro de vento ou que, ao jeito de construção na areia, é destruída logo que a maré sobe… Neste sentido, o Homem prudente procura que aquilo que constrói seja durável, que seja utilizável com proveito enquanto seja útil. E com isto, tanto nos podemos estar a referir à construção de um edifício ou de uma ponte, como à edificação da relação que partilhamos com a nossa companheira de vida ou àquela que temos com os nossos filhos, ou ainda aos laços de amizade que tecemos ao longo de nossas vidas.

A obra humana, seja física, seja relacional, deve, à imagem do seu autor, estar dotada de Força, isto é, deve corresponder ao que se pretende dela (eficácia) por todo o tempo que se destinar a durar (durabilidade), no limite para toda a nossa vida e, se possível, para além dela.

Para os maçons, é importante, mas não basta, que os seus actos estejam dotados de Sabedoria; é imperioso que tenham também a Força que os faça valer a pena.

É assim que a Força é outra coluna de suporte do Templo que interiormente cada um de nós deve edificar.

por Rui Bandeira

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/as-colunas-do-templo-segunda-coluna/

1.000 inscritos :)

Chegamos aos mil inscritos, ou mil formas do Cosmos conhecer a si mesmo (como diria Carl Sagan)! Neste vídeo vamos celebrar esta marca e falar um pouco mais da história do meu blog, o Textos para Reflexão, e também das Edições Textos para Reflexão, a minha “editora”… Ainda falaremos sobre os toriis, os portais japoneses que são o símbolo do canal. Ao final, algumas mensagens muito importantes a todos vocês 🙂

Se gostaram, não esqueçam de curtir, compartilhar e se inscrever no canal!

#eBooks #Kindle #RafaelArrais #youtube

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/1-000-inscritos

A História e as Polêmicas da Ordem dos Nove Ângulos

A Ordem dos Nove Ângulos (Order of Nine Angles, ONA ou O9A) é um grupo ocultista satânico e do Caminho da Mão Esquerda sediado no Reino Unido, mas com grupos associados em outras partes do mundo. Afirmando ter sido estabelecida na década de 1960, ganhou reconhecimento público no início de 1980, atraindo a atenção por suas ideologias neonazistas e ativismo. Descrevendo sua abordagem como “Satanismo Tradicional”, também foi identificada como exibindo elementos pagãos herméticos e modernos em suas crenças por pesquisadores acadêmicos.

De acordo com as próprias reivindicações da Ordem, ela foi estabelecida nas Marchas Galesas da Inglaterra Ocidental durante o final da década de 1960 por uma mulher que já havia se envolvido em uma seita pré-cristã secreta que sobreviveu na região. Esse relato também afirma que em 1973 um homem chamado “Anton Long” foi iniciado no grupo, tornando-se posteriormente seu grão-mestre. Vários comentaristas acadêmicos que estudaram a ONA expressam a opinião de que o nome “Anton Long” é provavelmente o pseudônimo do ativista neonazista britânico David Myatt, embora Myatt tenha negado que esse seja o caso. A partir do final da década de 1970, Long escreveu livros e artigos que propagavam as ideias da Ordem e, em 1988, começou a publicar seu próprio jornal, Fenrir. Por meio desses empreendimentos, estabeleceu vínculos com outros grupos satanistas neonazistas em todo o mundo, promovendo sua causa ao abraçar a Internet nos anos 2000.

A ONA promove a ideia de que a história humana pode ser dividida em uma série de eras, cada uma contendo uma civilização humana correspondente. Expressa a visão de que a atual civilização aeônica é a do mundo ocidental, mas afirma que a evolução desta sociedade está ameaçada pela influência “mago/nazareno” da religião judaico-cristã, que a Ordem procura combater para estabelecer uma nova ordem social militarista, que chama de “Imperium”. De acordo com os ensinamentos da Ordem, isso é necessário para que uma civilização galáctica se forme, na qual a sociedade “ariana” colonizará a Via Láctea. Ele defende um caminho espiritual em que os praticantes são obrigados a quebrar tabus sociais, isolando-se da sociedade, cometendo crimes, abraçando o extremismo político e a violência e realizando atos de sacrifício humano. Os membros da ONA praticam magia, acreditando que são capazes de fazê-lo canalizando energias para seu próprio reino “causal” de um reino “acausal” onde as leis da física não se aplicam, e essas ações mágicas são projetadas para ajudá-los a alcançar seu objetivo final. objetivo de estabelecer o imperium.

A ONA evita qualquer autoridade ou estrutura central; em vez disso, opera como uma ampla rede de associados – denominados “kollective” – ​​que são inspirados nos textos originalmente de autoria de Long e outros membros da “ONA interna”. O grupo é composto em grande parte por células clandestinas, que são chamadas de “nexions”. Algumas estimativas acadêmicas sugerem que o número de indivíduos amplamente associados à Ordem cai na casa dos milhares. Vários estupros, assassinatos e atos de terrorismo foram perpetrados por indivíduos de extrema direita influenciados pela ONA, com vários políticos e ativistas britânicos pedindo que a ONA fosse proscrita como um grupo terrorista.

A HISTÓRIA DA ORDEM DOS NOVE ÂNGULOS:

Origens:

A primeira célula da ONA, “Nexion Zero”, foi estabelecida em Shropshire, Reino Unido (foto).

Acadêmicos têm encontrado dificuldades para apurar “informações exatas e verificáveis” sobre as origens da ONA, dado o alto nível de sigilo em que ela se envolve, a fim de se proteger. Tal como acontece com muitas outras organizações ocultas, a Ordem envolve sua história em “mistério e lenda”, criando uma “narrativa mítica” para suas origens e desenvolvimento. A ONA afirma ser descendente de tradições pagãs pré-cristãs que sobreviveram à cristianização da Grã-Bretanha e que foram transmitidas a partir da Idade Média em pequenos grupos ou “templos” baseados nas Marchas de Gales – uma área de fronteira entre a Inglaterra e o País de Gales – que eram cada um liderado por um grão-mestre ou grande mestra. De acordo com a Ordem, no final da década de 1960, uma grande mestra de um desses grupos uniu três desses templos – Camlad, o Temple of Sun e os Noctulians – para formar a ONA, antes de receber forasteiros na tradição.

De acordo com o relato da Ordem, um daqueles que a grande mestra iniciou no grupo foi “Anton Long”, um indivíduo que se descreveu como um cidadão britânico que passou grande parte de sua juventude visitando a África, Ásia e Oriente Médio. Long afirmou que, antes de seu envolvimento na ONA, ele se interessou por ocultismo por vários anos, tendo contatado um coven baseado em Fenland em 1968, antes de se mudar para Londres e ingressar em grupos que praticavam magia cerimonial no estilo da Ordem Hermética da Golden Dawn e Aleister Crowley. Ele também reivindicou um breve envolvimento em um grupo satânico baseado em Manchester, o Templo Ortodoxo do Príncipe dirigido por Ray Bogart, durante o qual ele encontrou a Grande Mestra da ONA. Segundo o relato da Ordem, Long ingressou na ONA em 1973 – o primeiro a fazê-lo em cinco anos – e tornou-se herdeiro da grande mestra. Mais tarde, ele lembrou que naquela época o grupo realizava rituais em henges e círculos de pedra ao redor dos solstícios e equinócios.

Este relato afirma ainda que quando a Grande Mestra da Ordem migrou para a Austrália, Long assumiu como o novo grão-mestre do grupo. O grupo afirmou que Long “implementou a próxima etapa da Estratégia Sinistra – para tornar os ensinamentos conhecidos em larga escala”. A partir do final da década de 1970, Long incentivou o estabelecimento de novos grupos ONA, que eram conhecidos como “templos”, e a partir de 1976 ele escreveu uma série de textos para a tradição, codificando e estendendo seus ensinamentos, mitos e estrutura. Esses textos são tipicamente escritos em inglês, embora incluam passagens do grego clássico, bem como termos do sânscrito e do árabe, refletindo a fluência de Long em tais idiomas. Depois de examinar esses textos, o historiador Nicholas Goodrick-Clarke afirmou que neles, Long “evoca um mundo de bruxas, feiticeiros camponeses fora da lei, orgias e sacrifícios de sangue em cabanas solitárias nas florestas e vales desta área, Shropshire e Herefordshire, onde ele viveu desde o início dos anos 1980”.

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David Myatt (foto de 1998) é frequentemente citado como o ideólogo central da ONA.

A verdadeira identidade de “Anton Long” permanece desconhecida tanto para os membros da Ordem quanto para os acadêmicos que a estudaram. No entanto, em uma edição de 1998 da revista antifascista Searchlight, afirmou-se que “Anton Long” era um pseudônimo de David Myatt, uma figura proeminente do movimento neonazista britânico. Nascido no início dos anos 1950, Myatt esteve envolvido em vários grupos neonazistas, inicialmente servindo como guarda-costas de Colin Jordan do Movimento Britânico antes de ingressar na milícia Combat 18 e se tornar membro fundador e líder do Movimento Nacional Socialista. Seu texto sobre A Practical Guide to Aryan Revolution (Um Guia Prático da Revolução Ariana), no qual defendia a militância violenta em prol da causa neonazista, foi citado como uma influência sobre o bombardeiro de pregos David Copeland. Em 1998, Myatt se converteu ao Islã e permaneceu muçulmano praticante por oito anos, período em que encorajou a jihad violenta contra o sionismo e os aliados ocidentais de Israel. Em 2010, ele anunciou que havia renunciado ao Islã e estava praticando uma tradição esotérica que denominou “Caminho Numinoso”.

Goodrick-Clarke apoiou a ideia de que Myatt era Long, com o estudioso de estudos religiosos Jacob C. Senholt acrescentando que “o papel de David Myatt é primordial para toda a criação e existência da ONA”. Senholt apresentou evidências adicionais que ele acreditava confirmaram a identidade de Myatt como Long, escrevendo que o abraço de Myatt ao neonazismo e ao islamismo radical representava “papéis de percepção” que Myatt havia adotado como parte da “estratégia sinistra” da ONA para minar a sociedade ocidental, uma visão endossada pelo estudioso do satanismo Per Faxneld. Em 2015, um membro da ONA conhecido como R. Parker argumentou a favor da ideia de que Myatt era Long. Como resultado da publicação de Page, o sociólogo da religião Massimo Introvigne afirmou que a ONA “mais ou menos reconheceu” que Myatt e Long são a mesma pessoa, o que a alegação sobre Myatt a ONA contestou.

O próprio Myatt negou repetidamente as alegações de que ele tem qualquer envolvimento com a ONA, e que ele usou o pseudônimo “Anton Long”, além de contestar os argumentos usados ​​para conectá-lo a Long, alegando que eles são baseados em evidências insuficientes. O estudioso de estudos religiosos George Sieg expressou preocupação com essa associação, afirmando que a considerava “imlausível e insustentável com base na extensão da variação no estilo de escrita, personalidade e tom” entre Myatt e Long. Jeffrey Kaplan, um especialista acadêmico da extrema direita, também sugeriu que Myatt e Long são pessoas separadas, enquanto o estudioso de estudos religiosos Connell R. Monette postulou a possibilidade de que “Anton Long” não fosse um indivíduo singular, mas sim um pseudônimo usado por várias pessoas diferentes.

Aparecimento ao Público:

A ONA surgiu à atenção do público no início de 1980. Durante as décadas de 1980 e 1990, espalhou sua mensagem por meio de artigos em revistas, como Nox, de Stephen Sennitt, bem como pela publicação de volumes como The Black Book of Satan (O Livro Negro de Satã) e Naos. Em 1988, iniciou a publicação de seu próprio jornal interno, intitulado Fenrir. Entre o material que publicou para consumo público estão folhetos filosóficos, instruções rituais, cartas, poesia e ficção gótica. Seu texto ritual central é intitulado The Black Book of Satan (O Livro Negro de Satã). Também lançou sua própria música, um conjunto de tarô pintado conhecido como Sinister Tarot (O Tarô Sinistro) e um jogo de tabuleiro tridimensional conhecido como Star Game (O Jogo da Estrela). A ONA estabeleceu ligações com outros grupos satanistas neonazistas: seu distribuidor internacional foi o neozelandês Kerry Bolton, o fundador da Black Order, que é descrito como um adepto da ONA na correspondência publicada do grupo, e tem acesso a um biblioteca de material oculto e de extrema direita de propriedade da Order of the Jarls de Bælder. Segundo Monette, o grupo agora tem associados e grupos nos Estados Unidos, Europa, Brasil, Egito, Austrália e Rússia. Um desses grupos associados é o Tempel ov Blood, com sede nos EUA, que publicou vários textos através da Ixaxaar Press, enquanto outro é o White Star Acception, com sede na Califórnia, que foi designado como “Flagship Nexion” da ONA nos Estados Unidos apesar de se desviarem dos ensinamentos tradicionais da ONA sobre uma série de questões.

Durante o início da década de 1990, a Ordem declarou que estava entrando no segundo estágio de seu desenvolvimento, no qual deixaria para trás seu foco anterior no recrutamento e divulgação pública dentro da comunidade oculta e que, em vez disso, se concentraria em refinar seus ensinamentos; sua quietude resultante levou alguns ocultistas a especular erroneamente que a ONA havia se extinguido. Em 2000, a ONA estabeleceu uma presença na Internet, utilizando-a como meio de comunicação com os outros e de distribuição dos seus escritos. Em 2008, a ONA anunciou que estava entrando na terceira fase de sua história, na qual voltaria a focar fortemente na promoção, utilizando mídias sociais como blogs online, fóruns, Facebook e YouTube para divulgar sua mensagem. Em 2011, a “Old Guard”, um grupo de membros de longa data da Ordem, afirmou que se retiraria do trabalho público ativo com o grupo. Em março de 2012, Long anunciou que se retiraria da atividade pública, embora pareça ter permanecido ativo na Ordem.

AS CRENÇAS E A ESTRUTURA DA ONA:

A ONA descreve suas crenças como pertencentes a “uma tradição mística sinistramente numinosa”, acrescentando que “não é agora e nunca foi estritamente satanista ou estritamente Caminho da Mão Esquerda, mas usa “satanismo” e o LHP como “formas causais”; isto é, como técnicas/experiências/provas/desafios” para auxiliar o avanço espiritual do praticante. Monette descreveu a ONA como “uma fascinante mistura de Hermetismo e Satanismo Tradicional, com alguns elementos pagãos”. Faxneld descreveu a ONA como “uma forma perigosa e extrema de satanismo” e como “um dos grupos satanistas mais extremos do mundo”. Jeffrey Kaplan e Leonard Weinberg o caracterizaram como um “grupo satanista de orientação nacional-socialista”, enquanto Nicholas Goodrick-Clarke também o considerou um “culto nazista satânico” que “combina o paganismo com o louvor a Hitler”. Ele acrescentou que a ONA “celebrou o lado escuro e destrutivo da vida através de doutrinas anti-cristãs, elitistas e darwinistas sociais”. Considerando a maneira pela qual a ONA sincretizou tanto o satanismo quanto o paganismo, o historiador da religião Mattias Gardell descreveu sua perspectiva espiritual como “um caminho satânico pagão”. O estudioso George Sieg, no entanto, argumentou que a ONA deveria ser categorizada como “pós-satânica” porque “ultrapassou (sem abandonar totalmente) a identificação com seu paradigma satânico original”.

Satanismo Tradicional e Paganismo:

“[Long] rejeita a organização quase religiosa e as palhaçadas cerimoniais da Igreja de Satã, o Templo de Set e outros grupos satânicos. Ele acredita que o satanismo tradicional vai muito além da gratificação do princípio do prazer e envolve a árdua conquista do eu – maestria, auto-superação em um sentido nietzschiano e, finalmente, sabedoria cósmica. Sua concepção de satanismo é prática, com ênfase no crescimento individual em reinos de escuridão e perigo por meio de atos práticos de coragem, resistência e risco de vida.”

— Estudioso do esoterismo Nicholas Goodrick-Clarke.

A ONA descreve seu ocultismo como “Satanismo Tradicional” e como uma “tradição mística sinistra-numinosa”. De acordo com Jesper Aagaard Petersen, um acadêmico especialista em satanismo, a Ordem apresenta “uma nova interpretação reconhecível do satanismo e do Caminho da Mão Esquerda”, e para os envolvidos no grupo, o satanismo não é simplesmente uma religião, mas um modo de vida. A Ordem postula o satanismo como uma árdua conquista individual de autodomínio e autossuperação nietzschiana, com ênfase no crescimento individual através de atos práticos de risco, bravura e resistência. Portanto, “o objetivo do satanismo da ONA é criar um novo indivíduo através da experiência direta, prática e autodesenvolvimento com os graus do sistema ONA sendo altamente individuais, com base nos próprios atos práticos e da vida real dos iniciados, em vez de meramente realizar certos rituais cerimoniais”. Assim, o satanismo, afirma a ONA, exige aventurar-se no reino do proibido e do ilegal para libertar o praticante do condicionamento cultural e político. Intencionalmente transgressora, a Ordem tem se caracterizado por proporcionar “uma espiritualidade agressiva e elitista”. O estudioso de estudos religiosos Graham Harvey escreveu que a ONA se encaixava no estereótipo do satanista “melhor do que outros grupos”, algo que ele achava que foi deliberadamente alcançado ao abraçar atos “profundamente chocantes” e ilegais.

A ONA critica fortemente grupos satânicos maiores como a Igreja de Satã e o Templo de Set, que eles consideram “satânicos falsos” porque abraçam o “glamour associado ao satanismo”, mas têm “medo de experimentar sua realidade dentro e externo a eles”. Por sua vez, a Igreja de Satã criticou o que eles alegaram ser a “insistência paranoica da Ordem de que eles são os únicos defensores da tradição satânica”, com Kaplan afirmando que esses comentários refletem “as tensões internas” que são comuns dentro “do mundo do satanismo “, e sobre qual crítica Anton Long escreveu que a ONA não “afirma ser uma organização de pares com a reivindicação de algum tipo de autoridade … Quando no passado nós e outros como nós dissemos coisas que outros interpretam como sendo contra o Templo de Set ou LaVey, estávamos simplesmente assumindo o papel de Adversário – desafiando o que parecia estar se tornando um dogma aceito.”

Embora se conceba como tendo origens pré-cristãs e descreva o satanismo como “paganismo militante”, a ONA não defende o restabelecimento de sistemas de crenças pré-cristãs, com um tratado da ONA afirmando que “todos os deuses do passado das várias tradições ocidentais são tornados obsoletos pelas forças que o satanismo sozinho está desencadeando”. No entanto, Goodrick-Clarke observou que as “ideias e rituais” do grupo se baseiam em “uma tradição nativa”, com referências ao conceito anglo-saxão pré-cristão de wyrd, uma ênfase em cerimônias realizadas em equinócios e a construção de incenso usando árvores indígenas, sugerindo assim a ideia de “enraizamento na natureza inglesa”. Os praticantes passam por “peregrinações negras” a locais cerimoniais pré-históricos na área ao redor de Shropshire e Herefordshire nas Midlands inglesas. Além disso, Monette escreve que “um exame crítico dos textos-chave da ONA sugere que as conotações satânicas podem ser cosméticas e que seus mitos e cosmologia centrais são genuinamente herméticos, com influências pagãs”.

Cosmologia Aeônica e o Nazismo:

 

“Adolf Hitler foi enviado por nossos deuses

Para nos guiar à grandeza

Acreditamos na desigualdade de raças

E no direito do ariano de viver

De acordo com as leis do povo.

Reconhecemos que a história do “holocausto” judaico

É uma mentira para manter nossa raça acorrentada

E expressar nosso desejo de ver a verdade revelada.

Acreditamos na justiça para nossos companheiros oprimidos

E buscar um fim em todo o mundo da

Perseguição dos Nacional-Socialistas.”

 

— A “Missa da Heresia” da ONA.

A ONA afirma que a evolução cósmica é guiada por uma “dialética sinistra” de energias Aeônicas alternadas. Ele divide a história humana em uma série de Aeons, acreditando que cada Aeon foi dominado por uma civilização humana que surgiu, evoluiu e depois morreu. Ele afirma que cada Aeon dura aproximadamente 2.000 anos, com sua respectiva civilização humana dominante se desenvolvendo nos últimos 1.500 anos desse período. Sustenta que após 800 anos de crescimento, cada civilização enfrenta problemas, resultando em um “Tempo de Problemas” que dura entre 398 e 400 anos. No estágio final de cada civilização há um período que dura aproximadamente 390 anos, no qual ela é controlada por um forte regime militar e imperial, após o qual a civilização cai. A ONA afirma que a humanidade viveu cinco desses Aeons, cada um com uma civilização associada: a Primal, a Hiperbórea, a Suméria, a Helênica e a Ocidental. Tanto Goodrick-Clarke quanto Senholt afirmaram que este sistema de Aeons é inspirado nas obras de Arnold J. Toynbee, com Senholt sugerindo que também pode ter sido influenciado pelas ideias de Crowley sobre Thelêmicos Aeons. No entanto, a ONA afirmou que seu conceito “não tem nada a ver com Crowley”, mas é baseado no trabalho de Toynbee e Spengler.

A ONA afirma que a atual civilização ocidental tem um ethos faustiano e passou recentemente por seu Tempo de Perturbações, com seu estágio final, um “Imperium” de governança militarista, que deve começar em algum momento de 1990-2011 e durar até 2390. será seguido por um período de caos a partir do qual será estabelecido um sexto Aeon, o Aeon do Fogo, que será representado pela civilização galáctica na qual uma sociedade ariana colonizará a galáxia Via Láctea. No entanto, a Ordem sustenta que, ao contrário das civilizações Aeônicas anteriores, a civilização ocidental foi infectada com a distorção “Magia / Nazareno”, que eles associam à religião judaico-cristã. Os escritos do grupo afirmam que enquanto a civilização ocidental já foi “uma entidade pioneira, imbuída de valores elitistas e exaltando o caminho do guerreiro”, sob o impacto do ethos mago/nazareno tornou-se “essencialmente neurótica, introspectiva e obcecada “, abraçando o humanismo, o capitalismo, o comunismo, bem como “a farsa da democracia” e “o dogma da igualdade racial”. Eles acreditam que essas forças magos/nazarenos representam uma tendência contra-evolucionária que ameaça impedir o surgimento do Império Ocidental e, portanto, a evolução da humanidade, opinando que esse inimigo cósmico deve ser superado pela força da vontade. Tanto Goodrick-Clarke quanto Sieg observam que essas ideias sobre a “alma mágica” e a “distorção cultural” trazida pelos judeus foram derivadas das obras de Oswald Spengler e Francis Parker Yockey.

A ONA elogia a Alemanha nazista como “uma expressão prática do espírito satânico… uma explosão de luz luciferiana – de entusiasmo e poder – em um mundo nazareno, pacificado e chato”. Abraçando a negação do Holocausto, afirma que o Holocausto foi um mito que foi construído pelo estabelecimento mago/nazareno para denegrir a administração nazista após a Segunda Guerra Mundial e apagar suas conquistas da “psique do Ocidente”. O grupo acredita que uma revolução neonazista é necessária para derrubar o domínio mago-nazareno da sociedade ocidental e estabelecer o Império, permitindo que a humanidade entre na civilização galáctica do futuro. Assim, referências positivas ao nazismo e neonazismo podem ser encontradas no material escrito do grupo, e evoca o líder nazista Adolf Hitler como uma força positiva em seu texto para a realização de uma Missa Negra, também conhecida como A Missa da Heresia. No entanto, alguns textos da ONA enfatizam que os membros devem abraçar o neonazismo e o racismo não por uma crença genuína na ideologia nazista, mas como parte de uma “estratégia sinistra” para avançar a evolução Aeônica. Uma versão da Missa Negra produzida por um grupo australiano da ONA, The Temple of THEM, substitui elogios a Hitler por elogios ao militante islâmico Osama bin Laden, enquanto os escritos de Chloe Ortega e Kayla DiGiovanni, principais publicitários do White Star Acception, expressam o que Sieg denominou uma plataforma “anarquista de esquerda” que carecia da condenação do sionismo e do endosso do racismo ariano que é encontrado nos escritos de Long. A Ordem é, portanto, muito mais abertamente politicamente extrema em seus objetivos do que outras organizações satânicas e do Caminho da Mão Esquerda, buscando se infiltrar e desestabilizar a sociedade moderna através de meios mágicos e práticos.

Iniciação e o Caminho Sétuplo:

A ONA encoraja seus membros a adotar “papéis de insight” em grupos anarquistas, neonazistas e islâmicos para perturbar a sociedade ocidental moderna.

O sistema central da ONA é conhecido como o “O Caminho Sétuplo” ou a “Hebdomadria”, e é descrito em um dos textos principais da Ordem, Naos. O sistema sétuplo é refletido na cosmologia simbólica do grupo, a “Árvore de Wyrd”, na qual sete corpos celestes – a Lua, Vênus, Mercúrio, Sol, Marte, Júpiter e Saturno – estão localizados. O termo wyrd foi adotado do inglês antigo, onde se referia ao destino ou destino. Monette identificou isso como um “sistema hermético”, destacando que o uso de sete corpos planetários havia sido influenciado pelos textos árabes medievais Ghāyat al-Ḥakīm (conhecido também como o grimório Picatrix) e o Shams I-Maarif. O Caminho Sétuplo também se reflete no sistema iniciático do grupo, que possui sete graus pelos quais o membro pode progredir gradualmente. São eles: (1) Neófito, (2) Iniciado, (3) Adepto Externo, (4) Adepto Interno, (5) Mestre/Mestra, (6) Grão-Mestre/Mousa e (7) Imortal. O grupo revelou que muito poucos de seus membros ascendem ao quinto e sexto graus, e em um artigo de 1989 a ONA afirmou que naquele momento havia apenas quatro indivíduos que haviam alcançado o estágio de Mestre.

A ONA não inicia membros no grupo em si, mas espera que um indivíduo inicie a si mesmo. Exige que os iniciados estejam em boas condições físicas e recomenda um regime de treinamento para os futuros membros seguirem. Espera-se que os recém-chegados assumam um parceiro mágico do sexo oposto, ou do mesmo sexo, se forem lésbicas ou gays. A partir daí, o praticante deve enfrentar desafios pessoais e cada vez mais difíceis para transitar pelos diferentes graus. A maioria das provações que permitem ao iniciado avançar para a próxima etapa são reveladas publicamente pela Ordem em seu material introdutório, pois acredita-se que o verdadeiro elemento iniciático está na própria experiência e só pode ser alcançada através da sua realização. Por exemplo, parte do ritual para se tornar um Adepto Externo envolve uma provação na qual o membro em potencial deve encontrar um lugar solitário e ficar ali, quieto, por uma noite inteira sem se mexer ou dormir. O processo iniciático para o papel de Adepto Interno implica que o praticante se retire da sociedade humana por três meses, de um equinócio a um solstício, ou (mais geralmente) por seis meses, período durante o qual deve viver em estado selvagem sem conveniências modernas ou contato. com a civilização. A próxima etapa – o Ritual do Abismo – envolve o candidato vivendo sozinho em uma caverna escura e isolada por um mês lunar. De acordo com Jeffrey Kaplan, um especialista acadêmico da extrema direita, essas tarefas iniciáticas física e mentalmente desafiadoras refletem “a concepção da ONA de si mesma como uma organização de vanguarda composta por um pequeno círculo de elites nietzschianas”.

Dentro do sistema iniciático da ONA, há uma ênfase na adoção de “papéis de discernimento” pelos praticantes em que trabalham disfarçados em um grupo politicamente extremista por um período de seis a dezoito meses, ganhando experiência em algo diferente de sua vida normal. Entre as tendências ideológicas que a ONA sugere que seus membros adotem “papéis de insight” estão o anarquismo, o neonazismo e o islamismo, afirmando que, além dos benefícios pessoais de tal envolvimento, a participação nesses grupos tem o benefício de minar o poder mágico. sistema sócio-político nazareno do Ocidente e, assim, ajudando a trazer a instabilidade da qual uma nova ordem, o Imperium, pode emergir. No entanto, Monette observou uma mudança potencial nas funções de insight recomendadas pelo grupo ao longo das décadas; ele destacou que, enquanto a ONA recomendava atividades criminosas ou militares durante os anos 1980 e início dos anos 1990, no final dos anos 1990 e 2000 eles estavam recomendando o monaquismo budista como um papel de insight para os praticantes adotarem. Através da prática de “papéis de insight”, a ordem defende a transgressão contínua de normas, papéis e zonas de conforto estabelecidos no desenvolvimento do iniciado … , Essa aplicação extrema de ideias amplifica ainda mais a ambiguidade das práticas satânicas e do Caminho da Mão Esquerda de antinomianismo, tornando quase impossível penetrar nas camadas de subversão, jogo e contra-dicotomia inerentes à dialética sinistra.” Senholt sugeriu que o envolvimento de Myatt com o neonazismo e o islamismo representam esses “papéis de insight” em sua própria vida.

O Reino Acausal, a Mágicka e os Deuses das Trevas:

A ONA acredita que os humanos vivem dentro do reino causal, que obedece às leis de causa e efeito. No entanto, eles também acreditam em um reino acausal, no qual as leis da física não se aplicam, promovendo ainda mais a ideia de que energias numinosas do reino acausal podem ser atraídas para o causal, permitindo o desempenho da magia. Acreditando na existência de magia – que o grupo soletra “mágicka” seguindo o exemplo da obra de Elias Ashmole de 1652, o Theatrum Chemicum Britannicum – a ONA distingue entre mágicka externa, interna e aeônica. A magia externa em si é dividida em duas categorias: mágicka cerimonial, que é realizada por mais de duas pessoas para atingir um objetivo específico, e mágicka hermética, que é realizada solitária ou em casal e que geralmente é de natureza sexual. A mágicka interna é projetada para produzir um estado alterado de consciência no participante, a fim de resultar em um processo de “individuação” que confere um bem-estar. A forma mais avançada de mágicka no sistema ONA é a mágicka aeônica, cuja prática é restrita àqueles que já são percebidos como tendo dominado a mágicka externa e interna e alcançado o grau de mestre. O propósito da mágicka aeônica é influenciar um grande número de pessoas por um longo período de tempo, afetando assim o desenvolvimento de eras futuras. Em particular, é empregado com a intenção de perturbar o atual sistema sociopolítico do mundo ocidental, que a ONA acredita ter sido corrompido pela religião judaico-cristã.

A ONA utiliza dois métodos em seu desempenho de mágicka aeônica. A primeira envolve ritos e cânticos com a intenção de abrir um portal – conhecido como “nexion” – para o “reino acausal” a fim de manifestar energias no “reino causal” que influenciarão o aeon existente na direção desejada pelo praticante. O segundo método envolve jogar uma forma avançada de um jogo de tabuleiro conhecido como Star Game; o jogo foi idealizado pelo grupo, com as peças do jogo representando diferentes eras. O grupo acredita que quando um iniciado joga o jogo, ele pode se tornar um “nexion vivo” e, portanto, um canal para que as energias acausais entrem no reino causal e efetuem a mudança aeônica. Uma forma avançada do jogo é usada como parte do treinamento para o grau de Adepto Interno. De acordo com Myatt, ele inventou o jogo em 1975.

A Ordem promove a ideia de que “Deuses das Trevas” existem dentro do reino acausal, embora seja aceito que alguns membros os interpretem não como entidades reais, mas como facetas do subconsciente humano. Essas entidades são percebidas como perigosas, com a ONA aconselhando cautela ao interagir com elas. Entre os Deuses das Trevas cujas identidades foram discutidas no material publicamente disponível da Ordem estão uma deusa chamada Baphomet que é retratada como uma mulher madura carregando uma cabeça decepada, com a ONA afirmando que o nome é de origem grega antiga. Além disso, existem entidades cujos nomes, segundo Monette, são emprestados ou influenciados por figuras de fontes clássicas e astronômicas, como Kthunae, Nemicu e Atazoth.

Outra dessas figuras acausais é denominada Vindex, após a palavra latina para “vingador”. A ONA acredita que Vindex acabará encarnando como um humano – embora o gênero e a etnia desse indivíduo sejam desconhecidos – através da “presença” bem-sucedida de energias acausais dentro do reino causal, e que eles atuarão como uma figura messiânica ao derrubar o Mago forças e levando a ONA à proeminência no estabelecimento de uma nova sociedade. Sieg fez comparações entre essa crença em Vindex e as ideias de Savitri Devi, o proeminente hitlerista esotérico, sobre a chegada de Kalki, um avatar do deus hindu Vishnu, à Terra. A ONA também propaga a ideia de que é possível ao praticante garantir uma vida após a morte no reino acausal através de suas atividades espirituais. É por esta razão que o estágio final do Caminho Sétuplo é conhecido como o “Imortal”, constituindo aqueles iniciados que conseguiram avançar para o estágio de habitação no reino acausal.

Sacrifício Humano:

Os escritos da ONA toleram e encorajam o sacrifício humano, referindo-se às suas vítimas como opfers. A ONA descreve suas diretrizes para o sacrifício humano em vários documentos: “A Gift for the Prince – A Guide to Human Sacrifice”, “Culling – A Guide to Sacrifice II”, “Victims – A Sinister Exposé” e ” Guidelines for the Testing of Opfers”. De acordo com as crenças da ONA, o assassino deve permitir que sua vítima se “auto-selecione”; isso é conseguido testando a vítima para ver se ela expõe falhas de caráter percebidas. Se este for o caso, acredita-se que a vítima tenha demonstrado que é digna de morte, e o sacrifício pode começar. Aqueles considerados ideais para o sacrifício pelo grupo incluem indivíduos percebidos como sendo de baixo caráter, membros do que eles consideram “grupos falso-satânicos” como a Igreja de Satã e o Templo de Set, bem como “nazarenos zelosos e interferentes” e jornalistas , empresários e ativistas políticos que atrapalham as operações do grupo. A ONA explica que, devido à necessidade dessa “autoseleção”, as crianças nunca devem ser vítimas de sacrifícios. Da mesma forma, a ONA “despreza o sacrifício de animais, sustentando que é muito melhor sacrificar mundanos adequados, dada a abundância de escórias humanas”.

O sacrifício é então realizado através de meios físicos ou mágicos, quando acredita-se que o assassino absorva o poder do corpo e do espírito da vítima, entrando assim em um novo nível de consciência “sinistra”. Além de fortalecer o caráter do assassino ao aumentar sua conexão com as forças acausais de morte e destruição, tais sacrifícios também são vistos como de maior benefício pela ONA, pois retiram da sociedade indivíduos que o grupo considera seres humanos inúteis. Monette observou que nenhuma célula nexion da ONA admitiu publicamente realizar um sacrifício de maneira ritual, mas que os membros se juntaram à polícia e aos grupos militares para se envolver em violência legal e assassinato.

A ONA acredita que existem precedentes históricos para sua prática de sacrifício humano, expressando a crença em uma tradição pré-histórica na qual os seres humanos foram sacrificados a uma deusa chamada Baphomet no equinócio da primavera e à estrela Arcturus no outono. No entanto, a defesa do sacrifício humano pela ONA atraiu fortes críticas de outros grupos satanistas como o Templo de Set, que o consideram prejudicial às suas próprias tentativas de tornar o satanismo mais socialmente aceitável dentro das nações ocidentais.

O Termo “Nove Ângulos”:

Embora os estudiosos ocultistas atribuam o conceito de Nove Ângulos à Igreja de Satã, em seus ensaios e outros escritos a ONA oferece explicações diferentes quanto ao significado do termo “Nove Ângulos”. Uma explicação é que se trata dos sete planetas da cosmologia do grupo (os sete ângulos), somados ao sistema como um todo (o oitavo ângulo), e os próprios místicos (o nono ângulo). Uma segunda explicação é que se refere a sete estágios alquímicos “normais”, com dois processos adicionais. Uma terceira é que se refere às nove emanações do divino, um conceito originalmente encontrado em textos medievais produzidos dentro da tradição mística islâmica do sufismo. Monette sugeriu ainda que era uma referência a uma tradição indiana clássica que dividia o sistema solar em nove planetas.

De acordo com o O9A, eles usam o termo “nove ângulos” em referência não apenas às nove emanações e transformações das três substâncias alquímicas básicas (mercúrio, enxofre, sal), como ocorre em seu uso oculto do Jogo Estelar, mas também em referência à sua jornada hermética com suas sete esferas e seus dois aspectos acausais.

A ORGANIZAÇÃO DA ONA:

A ONA é um coletivo diversificado e mundial de diversos grupos, tribos e indivíduos, que compartilham e buscam interesses, objetivos e estilos de vida sinistros, subversivos semelhantes, e que cooperam quando necessário para seu benefício mútuo. e na busca de seus propósitos e objetivos comuns… O critério para pertencer à ONA é essa busca de interesses, objetivos e estilos de vida semelhantes sinistros, subversivos, juntamente com o desejo de cooperar quando for benéfico para eles e a prossecução dos nossos objectivos comuns. Não há, portanto, nenhum membro formal da ONA, e nenhum Antigo-Aeon, mundano, hierarquia ou mesmo quaisquer regras.

— The ONA, 2010.

A ONA é uma organização secreta. Falta qualquer administração central, operando como uma rede de praticantes satânicos aliados, que chama de “coletivo”. Assim, Monette afirmou que a Ordem “não é uma loja ou templo estruturado, mas sim um movimento, uma subcultura ou talvez uma metacultura que seus adeptos escolhem incorporar ou se identificar”. Monette também sugeriu que essa ausência de uma estrutura centralizada ajudaria a sobrevivência da Ordem, porque seu destino não seria investido apenas em um líder em particular. A ONA não gosta do termo “membro”, preferindo a palavra “associado”. Em 2012, Long afirmou que os afiliados à Ordem se enquadravam em seis categorias diferentes: associados de nexions tradicionais, Niners, Balobians, membros de gangues e tribos, seguidores da tradição Rounwytha e aqueles envolvidos com grupos inspirados na ONA.

O grupo consiste em grande parte de células autônomas conhecidas como “nexions”. A célula original, baseada em Shropshire, é conhecida como “Nexion Zero”, com a maioria dos grupos subsequentes estabelecidos na Grã-Bretanha, Irlanda e Alemanha, no entanto, nexions e outros grupos associados também foram estabelecidos nos Estados Unidos, Austrália, Brasil, Egito, Itália, Espanha, Portugal, Polônia, Sérvia, Rússia e África do Sul. A ala grega da ONA atende pelo nome de Mirós tou Zeús. Alguns desses grupos, como o Tempel ov Blood, com sede nos EUA, descrevem-se como distintos da ONA, embora ambos tenham sido muito influenciados por ela e tenham conexões com ela.

Na terminologia da ONA, os termos Drecc e Niner referem-se à cultura popular ou baseada em gangues ou indivíduos que apoiam os objetivos da Ordem por meios práticos (incluindo criminosos) em vez de esotéricos. Um desses grupos é o White Star Acceptation, que afirma ter perpetrado estupros, agressões e roubos para aumentar o poder do grupo; Sieg observou que a realidade dessas ações não foi verificada. Um balobiano é um artista ou músico que contribui para o grupo através de sua produção de belas artes. A Rounwytha é uma tradição de místicos populares ou folclóricos considerados como exibindo poderes psíquicos talentosos refletindo sua encarnação do “arquétipo feminino sinistro”. Embora uma minoria seja de homens, a maioria das Rounwytha é do sexo feminino, e muitas vezes vivem reclusas como parte de grupos pequenos e muitas vezes lésbicos.

Representante Externo:

Vários comentaristas acadêmicos destacaram a existência de uma posição dentro da ONA chamada de “Representante Externo”, que atua como porta-voz oficial do grupo para o mundo exterior. O primeiro a afirmar publicamente ser o “Representante Externo” do grupo foi Richard Moult, um artista e compositor de Shropshire que usou o pseudônimo de “Christos Beest”. Moult foi seguido como “Representante Externo” por “Vilnius Thornian”, que ocupou o cargo de 1996 a 2002, e que foi identificado por membros da ONA como o ideólogo do Caminho da Mão Esquerda Michael Ford. Posteriormente, no blog do White Star Acception, foi feita a alegação de que o membro do grupo Chloe Ortega era o representante externo da ONA, também este blog mais tarde foi extinto em 2013. Em 2013, uma americana Rounwytha usando o nome de “Jall” apareceu alegando ser o “Representante Externo” da Ordem.

No entanto, de acordo com Long, o “representante externo” era “um exemplo interessante e instrutivo do Labyrinthos Mythologicus da O9A, … um estratagema”, e que foi projetado para “intrigar, selecionar, testar, confundir, irritar, enganar”. Long escreveu que “o estratagema era para um candidato ou um iniciado divulgar abertamente o material da ONA, e possivelmente dar entrevistas sobre a O9A para a mídia, sob o pretexto de ter recebido algum tipo de ‘autoridade’ para fazê-lo, embora tal autoridade – e a hierarquia necessária para dotá-la – era de fato uma contradição de nossa razão de ser; um fato que naturalmente esperávamos que aqueles incipientes de nossa espécie soubessem ou sentissem”. De acordo com Senholt, a ONA “não concede títulos”, com Monette escrevendo que “não há autoridade central dentro da ONA”.

Dentro da ONA havia um grupo de iniciados de longa data conhecidos como a “Velha Guarda” ou “Inner ONA”, cuja experiência com a tradição os levou a se tornarem influentes sobre os membros mais novos que frequentemente procuravam seus conselhos. Os membros desta Velha Guarda incluíam Christos Beest, Sinister Moon, Dark Logos e Pointy Hat, embora em 2011 tenham declarado que se retirariam da esfera pública.

Filiação:

Uma edição da revista Fenrir original da ONA.

Embora a ONA tenha declarado que não é uma organização oculta no sentido convencional, mas uma filosofia esotérica, vários acadêmicos escreveram sobre a associação à ONA. Em uma visão geral de 1995 dos grupos satanistas britânicos, Harvey sugeriu que a ONA consistia em menos de dez membros, “e talvez menos de cinco”. Em 1998, Jeffrey Kaplan e Leonard Weinberg afirmaram que os membros da ONA eram “infinitamente pequenos”, com o grupo atuando principalmente como um “ministério de correspondência”. Quanto à questão da adesão, Anton Long, em carta a Aquino datada de outubro de 1990, escreveu que “uma vez que as técnicas e a essência da ONA estão mais amplamente disponíveis, a adesão como tal é irrelevante, pois tudo está disponível e acessível … com o indivíduo assumindo a responsabilidade por seu próprio desenvolvimento, suas próprias experiências”.

Em 2013, Senholt observou que, como o grupo não possui membros oficiais, é “difícil, se não impossível, estimar o número de membros da ONA”. Senholt sugeriu que uma “estimativa aproximada” do “número total” de indivíduos envolvidos com a ONA em alguma capacidade de 1980 a 2009 era de “alguns milhares”; ele havia chegado a essa conclusão a partir de um exame do número de revistas e periódicos sobre o assunto que circulavam e do número de membros de grupos de discussão on-line dedicados à ONA. Ao mesmo tempo, ele achava que o número de “adeptos de longa data é muito menor”. Também em 2013, Monette estimou que havia mais de dois mil associados da ONA, amplamente definidos. Ele acreditava que o equilíbrio de gênero era aproximadamente igual, embora com variação regional e diferenças entre os nexos particulares. Introvigne observou que se a estimativa de Monette estivesse correta, isso significaria que a ONA é “facilmente… a maior organização satanista do mundo”.

De acordo com uma pesquisa em 2015, a ONA tem mais apoiadores do sexo feminino do que a Igreja de Satã ou o Templo de Set; mais mulheres com filhos; mais torcedores mais velhos; mais adeptos mais bem estabelecidos em termos socioeconômicos; e mais que politicamente estão mais à direita.

TERRORISMO E CRIMES ATRIBUÍDOS À ONA:

De acordo com um relatório do grupo de direitos civis Southern Poverty Law Center, a ONA “detém uma posição importante no nicho, nexo internacional de grupos neonazistas ocultos, esotéricos e/ou satânicos”. Vários jornais relataram que a O9A está ligada a uma série de figuras de alto perfil da extrema direita e que o grupo é afiliado e compartilha membros com grupos terroristas neonazistas, como a Divisão Atomwaffen e a proscrita Ação Nacional, Divisão Sonnenkrieg e Resistência Nórdica. Movimento.

Em 23 de setembro de 2019, o especialista Jarrett William Smith, 24, de Fort Riley, Kansas, foi acusado de distribuir informações relacionadas a explosivos e armas de destruição em massa. O procurador-adjunto dos EUA, Anthony Mattivi, alegou no tribunal federal que Smith distribuiu informações sobre explosivos e estava planejando assassinar agentes federais com três outras pessoas “para a glória de sua religião satanista”. Em 10 de fevereiro de 2020, Smith se declarou culpado de duas acusações de distribuição de informações relacionadas a explosivos, dispositivos destrutivos e armas de destruição em massa e foi condenado a 30 meses de prisão federal.

Um paraquedista norte-americano chamado Ethan Melzer dos Sky Soldiers da 173ª Brigada Aerotransportada, que foi designado para o 1º Batalhão, 503º Regimento de Infantaria, em Vicenza, Itália, em 2019 até 2020, planejou uma emboscada em sua unidade, “para resultar na morte de tantos de seus companheiros de serviço quanto possível.” Ele foi acusado em junho de 2020 de conspirar e tentar assassinar membros do serviço militar e fornecer e tentar fornecer apoio material a terroristas. O paraquedista foi acusado de vazar informações classificadas (incluindo a localização da unidade) para seus co-conspiradores no nexion RapeWaffen e na Ordem dos Nove Ângulos (O9A). Ele enfrenta uma sentença máxima de prisão perpétua.

Depois que Melzer foi exposto, vários outros membros ativos das forças armadas dos EUA também foram descobertos como membros da O9A. Corwyn Storm Carver foi encontrado para ser outro membro em comunicação com o grupo e na posse de parafernália e literatura O9A enquanto estacionado no Kuwait. Shandon Simpson, membro da Guarda Nacional do Exército de Ohio enviado para reprimir os distúrbios de George Floyd em Washington, D.C. defendeu abertamente as opiniões neonazistas e também foi encontrado no Rapewaffen. Simpson disse que planejava atirar nos manifestantes como parte da “guerra santa racial” e foi interceptado pelo FBI, mas só depois de já ter sido destacado.

Em janeiro de 2020, o seguidor da O9A, Luke Austin Lane e dois cúmplices foram presos por supostamente estocar armas e conspirar para matar um casal antifascista e seus filhos pequenos. Em preparação, Lane, juntamente com dezenas de outras pessoas, se envolveu em treinamento paramilitar e sacrificou um carneiro, bebeu seu sangue e consumiu drogas psicodélicas em um ritual oculto em sua propriedade.

O grupo britânico de defesa política Hope not Hate informou em março de 2020 que havia seis casos de neonazistas ligados à O9A sendo processados ​​por crimes terroristas apenas durante o ano. Um artigo de 2019 no jornal The Times afirmou que “um repórter do Times se disfarçou na plataforma de jogos Discord para se infiltrar em um grupo neonazista satanista chamado The Order of Nine Angles (O9A). O grupo encorajou abertamente atos de terrorismo e celebrou o que foi descrito como hitlerismo esotérico.” Em março de 2020, Hope not Hate iniciou uma campanha para banir a Ordem dos Nove, proscrever, como grupo terrorista, uma campanha apoiada por vários membros do Parlamento britânico, incluindo Yvette Cooper, do Partido Trabalhista, presidente do Comitê Seleto de Assuntos Internos.

Em 18 de setembro de 2020, a polícia de Toronto prendeu Guilherme “William” Von Neutegem, de 34 anos, e o acusou do assassinato de Mohamed-Aslim Zafis. Zafis era o zelador de uma mesquita local que foi encontrado morto com a garganta cortada. O Serviço de Polícia de Toronto disse que o assassinato está possivelmente ligado ao assassinato a facadas de Rampreet Singh alguns dias antes, a uma curta distância do local onde ocorreu o assassinato de Zafis. Von Neutegem é membro da O9A e contas de mídia social estabelecidas como pertencentes a ele promovem o grupo e incluíam gravações de Von Neutegem realizando cânticos satânicos. Em sua casa havia também um altar com o símbolo da O9A adornando um monólito. De acordo com Evan Balgord, da Canadian Anti-Hate Network, eles estão cientes de mais membros da O9A no Canadá e de sua organização afiliada Northern Order. A CAHN relatou anteriormente sobre a Ordem do Norte quando um membro das Forças Armadas Canadenses foi pego vendendo armas de fogo e explosivos para outros neonazistas.

Em 11 de dezembro de 2020, a BitChute, com sede no Reino Unido, removeu todo o material da O9A por violar a política antiterror do site, citando as “conexões próximas da O9A com outras organizações proscritas”. No mesmo mês, o Yahoo News adquiriu um relatório do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, o FBI e o Departamento de Segurança Interna circulou para as agências de inteligência dos EUA, avaliando que o O9A representa uma ameaça violenta e que desempenha um papel influente entre os grupos terroristas de direita. . O relatório, no entanto, acrescentou que a O9A foi rejeitada por certos grupos por incitar seus membros a cometer estupro e pedofilia. Em janeiro de 2021, após a tomada do Capitólio dos Estados Unidos em 2021, a discussão sobre a proibição de grupos de extrema direita foi renovada pelo ministro da Segurança Pública Bill Blair, e a O9A foi apontada por especialistas como um dos grupos mais perigosos do Canadá, cuja proibição é uma prioridade. Em abril de 2021, a deputada democrata Elissa Slotkin pressionou o governo de Joe Biden a designar a O9A como uma Organização Terrorista Estrangeira (FTO) em uma carta ao secretário de Estado Antony Blinken. A Divisão Sonnenkrieg foi oficialmente proscrita na Austrália em 22 de março de 2021, com sua adesão à “violenta ideologia supremacista branca inspirada no Partido Nazista e no movimento satânico ‘Ordem dos Nove Ângulos’” citado como o motivo.

As Forças Armadas do Canadá lançaram uma investigação interna em outubro de 2020, depois que um soldado das forças especiais do CJIRU foi identificado como membro da Ordem do Norte e da Ordem dos Nove Ângulos. De acordo com o SPLC, o homem está entre “algumas pessoas bem conhecidas e de alto nível nessas organizações” e um conhecido de James Mason e do ex-mestre cabo Patrik Mathews, que foi exposto anteriormente como recrutador da Ordem e Base do Norte. no Canadá. Em 1º de fevereiro de 2021, um homem da Cornualha disse ter sido o líder da filial britânica da Divisão Feuerkrieg se declarou culpado de 12 crimes de terrorismo. A polícia já havia invadido sua casa em 2019 por armas de fogo e encontrou instruções de construção de bombas e O9A literatura.

Danyal Hussein, que matou duas irmãs, Bibaa Henry e Nicole Smallman, em um parque de Wembley, em Londres, estava “intimamente associado” à Ordem dos Nove Ângulos e participou do fórum da Internet O9A. Ele matou as duas mulheres para cumprir um “pacto demoníaco”. Em resposta, a deputada Stephanie Peacock pediu ao Ministro do Interior que proíba a O9A. Na Rússia, quatro membros da Ordem dos Nove Ângulos foram presos depois que dois confessaram assassinatos rituais envolvendo canibalismo na Carélia e em São Petersburgo. Dois deles também são acusados ​​de tráfico de drogas em larga escala, pois uma grande quantidade de entorpecentes foi encontrada em sua casa.

Em 12 de agosto de 2021, Ben John foi condenado por crimes terroristas após uma investigação de 11 meses pelo Comando Antiterrorista. A declaração da polícia de Lincolnshire afirmou que “John tinha uma riqueza de material supremacista branco e anti-semita, bem como material relacionado à organização satanista chamada Ordem dos Nove Ângulos (ONA), que está cada vez mais sob o foco da aplicação da lei. ” Em outubro de 2021, o Facebook e o Instagram baniram o membro da O9A, E.A Koetting, cuja página tinha 128.000 assinantes por incitar assassinato. O Serviço de Inteligência de Segurança finlandês também destacou a O9A como fonte de radicalização e preocupação no país.

Abuso Sexual:

Alegações foram feitas por organizações antifascistas, vários políticos britânicos e a mídia de que o O9A tolera e incentiva o abuso sexual, e isso foi dado como uma das razões pelas quais o O9A deveria ser proscrito pelo governo britânico. Muitos membros da O9A veem abertamente o estupro como uma forma eficaz de minar a sociedade ao transgredir suas normas. A White Star Acception comete estupros por sua própria admissão e textos da O9A como “The Drectian Way”, “Iron Gates”, “Bluebird” e “The Rape Anthology” recomendam e elogiam o estupro e a pedofilia, até sugerindo que o estupro é necessário para “ascensão do Ubermensch”. Segundo a BBC News, “as autoridades estão preocupadas com o número de pedófilos associados à ONA”. Crianças de pelo menos 13 anos foram preparadas pelo grupo.

Ryan Fleming, da O9A nexion Drakon Covenant, com sede em Yorkshire, está atualmente na prisão pelo estupro de uma menina de 14 anos, depois de já ter sido condenado por agressão sexual e tortura de um menor. O membro da O9A, Andrew Dymock, que foi condenado por 15 crimes terroristas, também foi interrogado pela polícia sobre a agressão sexual de uma adolescente que tinha símbolos nazistas e ocultistas esculpidos em seu corpo. Em julho de 2020, outro membro da O9A, Jacek Tchorzewski, foi condenado pelo Harrow Crown Court por crimes de terrorismo e por possuir mais de 500 fotos e vídeos que retratavam crianças de seis anos sendo estupradas e necrofilia. Tchorzewski também possuía nazi e “literatura satanista retratando estupro e pedofilia”. O co-réu de Tchorzewski, Michal Szewczuk, “administrou um blog que incentivava o estupro e a tortura de oponentes, incluindo crianças pequenas” e também foi condenado a quatro anos de prisão por crimes terroristas. Ethan Melzer também pertencia a uma sala de bate-papo criptografada da O9A, onde os membros encorajavam uns aos outros a cometer violência sexual e compartilhavam vídeos desses estupros. Em novembro de 2019, um adolescente de Durham que, de acordo com a BBC News, adere ao “nazismo oculto” e “influenciado pela ONA, procurou se alterar de acordo com sua literatura” foi considerado culpado de preparar um ataque terrorista. Além dos crimes terroristas, ele é acusado de agredir sexualmente uma menina de 12 anos. Ele acabou sendo condenado por cinco agressões sexuais, além dos crimes de terrorismo.

Em março de 2020, um proeminente membro da O9A e ex-líder da Divisão Atomwaffen John Cameron Denton foi acusado pelos promotores de possuir e compartilhar pornografia infantil de abuso sexual de uma jovem menor de idade por seu grupo, além de fazer 134 ameaças de morte e bomba contra repórteres. e comunidades minoritárias. Em 2 de setembro de 2020, outro membro Harry Vaughan se declarou culpado de 14 crimes de terrorismo e posse de pornografia infantil. Uma busca policial em sua casa descobriu vídeos de estupros brutais de crianças, documentos mostrando como construir bombas, detonadores, armas de fogo e livros “satânicos, neonazistas” da ONA aconselhando estupro e assassinato. Além disso, ele foi descrito no Old Bailey como um entusiasta de armas de fogo e vivendo com suas duas irmãs no momento da prisão. Cinco finlandeses também foram presos por abusar sexualmente de várias crianças, segundo a polícia as atividades envolviam “nazismo e satanismo” e consumo de metanfetamina.

Em Montenegro:

O Astral Bone Gnawers Lodge (comumente conhecido como ABG Lodge) é uma afiliada da ONA (“nexion”) que opera nos Balcãs. Na comunidade virtual da ONA o ABG Lodge tem status de nexion de destaque, conhecido por seu projeto musical Dark Imperivm, bem como por seus ensaios polêmicos. Eles são um dos poucos nexions que fizeram e publicaram gravações de vários Cantos Sinistros da ONA.

A ABG Lodge está estruturada como uma sociedade secreta tradicional, liderada por uma matriarca conhecida como ‘Blood Mistress’. ABG Lodge relata que sua fundadora é ‘Zorya Aeterna’, que também é a atual força motriz por trás da organização. Os membros da Loja ABG afirmam que a loja também se baseia nas tradições herméticas e iniciaram sua própria igreja chamada Igreja Gnóstica de Cristo-Lúcifer.

A Ramificação The Legion Ave Satan:

Os Serviços de Segurança Federal da Rússia prenderam um grupo de satanistas em abril de 2020 em Krasnodar suspeitos de “chamadas públicas para realizar atividades extremistas”, incitação ao assassinato devido ao ódio religioso e racial e atividades criminosas contra mulheres. A polícia também apreendeu “material extremista” oculto durante as batidas. Eles pertenciam a um grupo chamado Legion Ave Satan, um capítulo da O9A, usando o Reichsadler nazista segurando um pentagrama e uma espada como seu símbolo. Em sua página VKontakte agora banida, eles reivindicaram nexions em todos os países da CEI, promoveram a O9A e se identificaram como seguidores do “satanismo tradicional” e da “fé pré-cristã”. Eles apareceram pela primeira vez na mídia russa em 2018, quando um adolescente incendiou uma igreja na República da Carélia. O adolescente expressou seu apoio à Legion Ave Satan no VKontakte e postou fotos usando uma máscara de caveira associada à Atomwaffen e à O9A. Ele foi enviado para tratamento psiquiátrico involuntário. O nexion local usava uma antiga granja de aves em Kondopoga para reuniões, e o grupo atraiu crianças para a prostituição de acordo com Moskovskij Komsomolets. Como é o caso em outros lugares, o grupo está conectado ao capítulo local da Atomwaffen. Quatro membros russos da Ordem dos Nove Ângulos foram presos por assassinatos rituais na Carélia e em São Petersburgo.

O LEGADO E A INFLUÊNCIA DA ONA:

A principal influência da ONA não está no grupo em si, mas no lançamento prolífico de material escrito. De acordo com Senholt, “a ONA produziu mais material sobre os aspectos práticos e teóricos da magia, bem como mais textos ideológicos sobre o satanismo e o Caminho da Mão Esquerda em geral, do que grupos maiores como a Igreja de Satã e o Templo of Set produziu em conjunto o que torna a ONA um importante ator na discussão teórica do que é e deve ser o Caminho da Mão Esquerda e o Satanismo de acordo com os praticantes”.

Esses escritos foram inicialmente distribuídos para outros grupos satanistas e neonazistas, embora com o desenvolvimento da Internet isso também tenha sido usado como meio para propagar seus escritos, com Monette afirmando que eles alcançaram “uma presença considerável no ciberespaço oculto”, e tornando-se assim “um dos grupos mais proeminentes do Caminho da Mão Esquerda em virtude de sua presença pública”. Muitos desses escritos foram então reproduzidos por outros grupos. Kaplan considerou a ONA como “uma importante fonte de ideologia/teologia satânica” para “a margem ocultista do nacional-socialismo”, ou seja, grupos neonazistas como a Ordem Negra. O grupo ganhou maior atenção após o crescimento do interesse público no impacto de Myatt em grupos terroristas durante a Guerra ao Terror nos anos 2000. O historiador do esoterismo Dave Evans afirmou que a ONA era “digna de uma tese de doutorado inteira”, enquanto Senholt afirmou que seria “potencialmente perigoso ignorar esses fanáticos, por mais limitados que sejam seus números”.

Na Música e na Literatura:

A influência da ONA estende-se a algumas bandas de black metal como Hvile I Kaos, que segundo uma reportagem da secção de música do LA Weekly, “atribuem o seu propósito e temas às filosofias da Ordem dos Nove Ângulos”, embora a partir de dezembro de 2018 o a banda não está mais envolvida com a ONA. A banda francesa Aosoth tem o nome de uma divindade O9A e tem influência lírica direta do O9A. O álbum Intra NAOS da banda italiana Altar of Perversion tem o nome do ensaio O9A NAOS: A Practical Guide to Modern Magick e mostra o próprio caminho dos membros da banda através do Numminous Way. Algumas músicas associadas ao O9A também foram controversas; The Quietus publicou uma série de artigos durante 2018 explorando as conexões entre a política de extrema direita, a música e a ONA. Filósofo inglês, contista de terror e “pai do aceleracionismo” Nick Land também promoveu o grupo em seus escritos.

Na série de romances de Jack Nightingale de Stephen Leather, uma satânica “Ordem dos Nove Ângulos” são os principais antagonistas. Da mesma forma, um grupo satânico fictício chamado “Ordem dos Nove Anjos” aparece no romance de 2013 de Conrad Jones, Child for the Devil. Em outro de seus romances, Black Angel, Jones incluiu uma página intitulada “Informações Adicionais” dando um aviso sobre a Ordem dos Nove Ângulos.

No primeiro episódio da história em quadrinhos Zenith a antagonista Greta Haas, uma ocultista nazista, realiza um ato demoníaco chamado “O Ritual dos Nove Ângulos”.

Nota:

A ONA usou o termo Satanismo Tradicional em seu Black Book of Satan (Livro Negro de Satã), publicado em 1984. Desde o estabelecimento da ONA, o termo “Satanismo Tradicional” também foi adotado por grupos satanistas teístas como a Brotherhood of Satan (Irmandade de Satã). Faxneld sugeriu que a adoção da palavra “tradicional” pela Ordem possivelmente refletiu uma “estratégia consciente para construir legitimidade”, remetendo à “sabedoria antiga arcana” de uma maneira deliberadamente distinta da maneira pela qual Anton LaVey procurou ganhar legitimidade para sua Igreja de Satã  apelando para a racionalidade, ciência e seu próprio carisma pessoal. Em outro lugar, Faxneld sugeriu que o uso do “satanismo tradicional” pela ONA para se diferenciar das formas dominantes de satanismo tinha comparações com a forma como aqueles que se descrevem como praticantes de “feitiçaria tradicional” o fazem para distinguir suas práticas mágico-religiosas da forma dominante de bruxaria moderna, Wicca. Segundo Anton Long, escrevendo no texto Selling Water By The River “O Satanismo Tradicional é um termo usado para descrever o caminho sinistro que durante séculos foi ensinado individualmente… A este caminho pertence o Sistema Setenário, o Canto Esotérico e o treinamento abrangente de noviços (incluindo o desenvolvimento do lado físico) e, mais importante, o sistema interno de magia (os Rituais de Grau etc.).”

Dados da ONA:

A ONA foi fundada em Shropshire, no Reino Unido. Ela tem estado em atividade dos anos 1960 até os dias de hoje. Ela possui grupos na Europa, Rússia, Estados Unidos, Canadá e Austrália. Seus quartéis-generais estão localizados em: Shropshire (Reino Unido), Carolina do Sul (EUA), Carélia (Rússia), Colúmbia Britânica (Canadá) e Tampere (Finlândia).

À ONA são atribuídas as seguintes atividades criminais: Terrorismo de supremacia branca, abusos sexuais, abuso sexual infantil e prostituição infantil.

Os supostos aliados da ONA são: Atomwaffen Division, Black Order, Combat 18, National Action e Nordic Resistance Movement. A ONA tem como rivais a Igreja de Satã e o Templo de Set.

Os membros mais notáveis da ONA são: Jarrett Smith, Garron Helm, Jacek Tchorzewski, Andrew Dymock, Ethan Melzer, Nikola Poleksić e Mirna Nikčević.

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Order of Nine Angles blog

Fenrir. Journal of Satanism and the Sinister

O9A Archive. An Archive of the Order of Nine Angles

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-historia-e-as-polemicas-da-ordem-dos-nove-angulos/