Gremlins

A existência dos Gremlins se tornou mundialmente famosa nos anos 1980 graças a dois filmes de terror com tom de comédia produzidos por Steven Spielberg. O filme conta a história de um rapaz que adquiriu uma estranha criatura chamada ‘Mogwai’, um ser meigo de aparência inofensiva e claramente inteligente.  ‘Mogwai’ quer dizer “demônio” em cantones e esse era um prenuncio que não deveria ter sido ignorado. Junto do mascote ele recebeu as três regras para o cuidado do Mogwai que eram: 1 – Não alimentar depois da meia noite, 2 – Não molhar e 3 –  Não expor a luz do sol. A explicação das regras eram igualmente simples: A luz do sol era capaz de matar o Mogwai. A água fazia com que ele se reproduzisse indiscriminadamente. Já a alimentação após a meia noite transformava completamente a criatura que de aparência de mamífero dócil se tornava um reptiliano de agressivo, caótico e malicioso. O filme popularizou os gremlins, mas também foi responsável por uma certa perversão da descrição original desta criatura.  Sim, os gremlins já faziam bagunça por ai antes dos anos 80, e como vamos mostrar a seguir quanto maior nossa expansão tecnológica, mais eles se podem se divertir.

O nome “gremlim” tem origem em uma palavra do inglês antigo “grëmian”, que significa “incomodar” ou “maltratar” e também está relacionado com a raiz “grim” que tem a conotação de “macabro” e “sinistro.”  A primeira aparição impressa do termo “Gremlim” consta em um poema Journal Aeroplane, publicado em 10 de Abril de 1929. Um artigo de 1942 escrito por Hubert Griffith oficial da força aérea real para o Royal Air Force Journal descreve pela primeira vez a atuação destas criaturas com diversas histórias interessantes. Segundo eles os gremlins estão a solta por vários anos aparecendo durante os primeiros testes com os primeiros aeroplanos. Contudo, ele não apresenta qualquer evidência a favor desta hipótese.

A Origem da Lenda dos Gremlins

A origem desta criatura está no folclore inglês sempre descrito como uma criatura travessa e sempre (isso é importante) habitando proximidades de objetos mecânicos, em especial aeronaves. Os primeiros relatos remontam descrições feitas por mecânicos e pilotos ingleses alegando que algum tipo de criatura era a responsável pela sabotagem dos aviões da Royal Air Force (RAF, a Força Aérea Britânica) por todo Oriente Médio, Malta e índia. “. Neste período inicial os casos com os gremlims assombravam apenas o submundo dos pilotos militares. Antes de entrarem em missão era comum compartilharem algumas histórias que eram transmitidas pelo boca a boca. Cantavam algumas cantigas antes de irem voar como a que se segue:

Este é um poema pubicado pela RAF (Royal Air Force) Journal, a primeira referência escrita da lenda:

 

Existiam ainda uma série de “ditos populares” repetidos pelos oficiais da aeronáutica entre eles: “Onde passa um rato passam três gremlins”, referindo-se ao fato deles aparentemente chegarem em pontos inacessíveis das máquinas. “Culpe o Gremlim”, como uma piada interna para quem não assume as próprias faltas.  “Faça um gremlim aparecer. Confie sua vida a uma máquina.”,  usada na tentativa de assustar os novatos. E o mais popular “Quanto mais alto mais gremlins”. Este último mostrou-se assombrosamente verdadeiro, pois conforme o as máquinas foram ganhando altitude as pilhas de relatórios e casos contados entre os recrutas aumentaram na mesma proporção.

Já durante a segunda guerra mundial a idéia de responsabilizar qualquer pane mecânica aos gremlins tornou-se popular entre todos os pilotos do reino unido, em especial as unidade de reconhecimento fotográfico, em especial os esquadrões Benson, Wic e Eval. Para este último os gremlins foram responsáveis por acidentes que de outra forma seriam inexplicáveis e que muitas vezes aconteciam em pleno vôo. Como era óbvio, logo se responsabilizou os nazistas por terem criado tais criaturas, mas investigações revelaram que ambos os lados sofriam de similares problemas técnicos inesperados que só podiam ser causados por criaturas ativas e diminutas durante as operações. Com o tempo os gremlins ganharam a reputação de serem trapaceiros que não tomavam partido no conflito e atacavam em qualquer oportunidade por simples travessura. Talvez ele tenham sido uma experiência nazista que fugiu do controle. Talvez tenham outra origem e interesses próprios. Talvez simplesmente não precisem de uma razão para destruir.

Os Gremlins ganham o grande público

Foi o escritor Roald Dahl que tirou as histórias dos gremlins da subcultura aeronáutica e os levou para a cultura popular. Dahl era familiar com o mito não apenas por ter servido a força aérea inglesa no Oriente Médio, mas também por  ter tido uma experiência de primeira mão perdendo seu avião no deserto da Líbia. Em janeiro de 1942 foi transferido para Washington, D.C. para trabalhar como  comissário de bordo. Foi nesta época que escreveu o livro infantil ‘The Gremlins’ onde descrevia estas criaturas. Os gremlins machos chamada de “Widgets” e as fêmeas de “Fifinellas”. O manuscrito inicial foi enviado a  Bernstein, chefe do Serviço de Informação Britânico, que imediatamente teve a ideia de enviar o roteiro aos estúdios de Walt Disney, que em 1942 ofereceu a Dahl um contrato para uma animação.

Por pedido do autor um ano depois foi publicada também uma versão impressa e revisada da história em um livro ilustrado pela Random House. Foram impressas 50 mil cópias para o mercado norte-americano e Dahl incomendou pessoalmente 50 cópias para usar como material promocional para o filme que seria lançado. A verdade é que o livro foi mais bem sucedido que o próprio filme da Disney. A obra tornou-se um sucesso internacional e Dahl ganhou bastante notoriedade e sua história recebeu diversas reimpressões.

Por outro lado a animação que inicialmente seria um longa metragem foi reduzida a um curta e eventualmente foi cancelado em 1943 por problemas de copyright com a Aeronáutica Britânica. Na mesma época, aproveitando o vácuo deixado pela Disney, a  Merrie Melodies lançou um desenho onde o Pernalonga enfrenta alguns gremlins em espaço aéreo. Um ano depois é lançado ainda outra animação da  Merrie Melodies onde alguns gremlins russos sabotavam um avião pilotado por Adolf Hitler.

O tom humorístico foi deixado de lado nos anos 1960 quando o terror de um Gremlim aparecendo na janela da frente de uma aeronave foi revivido por um episódio de Além da Imaginação chamado “Nightmare at 20,000 Feet” (No Brasil: “Vôo Noturno”). No roteiro uma criatura sabota um vôo comercial, em certa cena o personagem principal (William Shatner) olha pela janela do avião e fica de cara a cara com o gremlim. Este episódio ganhou uma imensa popularidade entre os norte-americanos e é constantemente homenageado e parodiado em outras séries, filmes e desenhos animados até hoje. O episódio foi regravado em 1983 na versão colorida da série.

Cena de Nightmare at 20,000 Feet

Tudo isso colaborou para dar um ar popular as histórias dos Gremlins, mas enquanto o público se divertia nos cinemas os relatos sérios a respeito dos gremlins continuavam aparecendo entre os mecânicos e pilotos de empresas privadas e da força aérea. Devido a popularidade dos desenhos e produções televisivas a respeito do assunto, tais relatos começaram a ganhar fama de ridículos, embora diversos oficiais jurassem que realmente viram criaturas mexendo em seus equipamentos.

A criatura tornou-se até mesmo o mascote oficial da WASPS (Women Airforce Service Pilots) durante a Segunda Guerra Mundial. Os relatórios dos pilotos se acumularam nas décadas seguintes. O caso testemunhado por John Hazen registrado no livro “Funk and Wagnalls Standard Dictionary of Folklore, Mythology and Legend.” publicado pela Funk and Wagnalls em 1972 é emblemático e representa bem a toda uma legião de ocorrências similares. Neste relato Hazen, enquanto pilotava disse que por mais de uma vez durante os voos escutou uma voz rouca e irritadiça provocando-o com palavras que na maior parte do tempo eram ininteligíveis. Em dado momento escutou um forte barulho vindo da parte traseira da aeronave e foi obrigado a pousar.A visão cética atribui estes relatos ao stress de combate e vertigem causada pela altitude que causariam perigosas alucinações durante o vôo.  Entretanto, já em terra firme, Hazen relata ter encontrado a confirmação de sua suspeita de que estava sendo infernizado por um Gremlim. Os  “cabos de parte do equipamento estavam partidos com óbvias marcas de dentição animal” e em uma parte claramente inacessíveis da aeronave.

Dossiê de Criptozoologia de Herman Flegenheimer Jr.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/gremlins/

Magos Cristãos: a história da Magia no Cristianismo – Pedro Costa

Bate-Papo Mayhem #267 – 23/12/2021 (Quinta) – Com Pedro Costa – Magos Cristãos: a história da Magia no Cristianismo

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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A Menstruação na História e a Jornada Espiritual da Mulher

Para entender completamente o estupro de Eva, é preciso estar familiarizado com as lendas da demônia Lilith e a Queda do Homem. Resumidamente, de acordo com os escritos rabínicos hebraicos, Lilith foi a primeira esposa de Adão, criada por Deus como gêmeos unidos.

Lilith exigia igualdade com Adão, principalmente durante a relação sexual, pois não queria ficar todo o tempo por baixo, mas também queria ficar por cima na relação sexual. Quando Adão se recusou a suas exigências, Lilith rapidamente o deixou fugindo para o Mar Vermelho, onde, de acordo com outras lendas, ela copulou com Satanás (ou Samael) gerando os Djinns demoníacos ou cem bebês por dia. Deus enviou três anjos para buscá-la, mas Lilith se recusou a retornar.

Assim, Deus deu a Adão a dócil Eva. Mas quando Lilith viu Adão com Eva, ela se lembrou do Santo Belo e correu de volta para tomar seu lugar, só que era tarde demais, Deus a havia trancado pelos querubins.

Na lenda da Queda do Homem vê-se Eva sendo tentada pela serpente. De acordo com a crença cristã, a serpente era Satanás disfarçado; outro nome para Satanás é Samael, o amante demoníaco de Lilith. Os cabalistas levaram essa tradição adiante dizendo que o sangue menstrual era uma maldição sobre as mulheres descendentes da união sexual de Eva com Lilith sob o disfarce de Samael.

Quando Lilith viu Samael em sua forma serpentina seduzindo Eva, ela ficou com inveja e entrou no ato ela mesma. O sangue menstrual de Eva tornou-se a verdadeira “sujeira e a semente impura” de Samael. Isso segue a tradição rabínica de que Lilith em forma de serpente foi capaz de seduzir Eva por causa da luxúria e fraqueza inerentes das mulheres. Por sua vez, Eva seduziu Adão durante a menstruação. Uma vez que Adão se contaminou através deste ato proibido, Lilith tornou-se forte “em suas cascas” e foi capaz de vir até ele contra sua vontade para roubar sua semente para gerar muitos demônios, espíritos e Lilin (íncubos e súcubos).

A importância do mito cabalístico acima é que ele mostra que os cabalistas não apenas aceitaram a proibição hebraica de que os homens não deveriam ter relações sexuais com uma mulher durante a menstruação, mas também não durante o período de purificação que durava sete dias depois, conforme escrito no Antigo Testamento (Lev. 18:19) e o Midrash, mas eles apresentaram uma razão para a proibição.

Eles foram além da Bíblia, que apenas declara a proibição de Deus, que simplesmente afirma que o homem não deve deixar o sangue menstrual tocá-lo sem explicação. Não havia explicação necessária para a maioria dos judeus, uma vez que Deus havia declarado.

Os cabalistas não apenas apresentaram uma explicação para a proibição, mas também descreveram o poder oculto que se pensava estar no sangue menstrual da menstruação.

Reconhece-se que para muitos leitores modernos a proibição acima parece absurda e tola. Mas deixe que este autor lhe assegure que foi apenas alguns anos atrás, se não atualmente, que as mães cristãs estavam aconselhando seus filhos e filhas a não terem relações sexuais durante a menstruação da esposa, a proibição estava profundamente enraizada. Além disso, tal conhecimento não deve ser rejeitado abertamente como sem sentido, mas estudado por seu significado oculto mais profundo.

Os cabalistas acreditavam que o sangue menstrual de Eva era a semente de Samael em sua forma serpentina indica uma forte ligação entre o sangue menstrual e a energia Kundalini, que é sempre caracterizada como serpentina. A crença é levada adiante: a autoridade que Eva exerceu sobre Adão indica a crença no poder de seu sangue e mostra sua imensa potência (das mulheres), assim as mulheres podem obrigar os homens a agir contra sua vontade. Portanto, pode-se dizer, esta habilidade ou presente persuasivo foi dado por Lilith através de Samael a Eva. Não é de admirar que os antigos rabinos chamassem esse dom de maldição. A maldição ou presente para toda a humanidade também foi o nascimento de Caim, o Caim da gnose.

Como seria de esperar, os rabinos considerariam isso uma maldição. Sua atitude certamente foi levada para a religião cristã e continuou por séculos. Foi apenas nos últimos anos que as mulheres fizeram algum progresso dentro da Igreja Cristã, principalmente nas denominações protestantes. Claro, esse era o objetivo principal do cristianismo, destruir a religião da Deusa. Muitos acreditam que esse objetivo foi parcialmente interrompido por Lilith, o aspecto do amor sexual da Grande Mãe que exerce tanto poder.

Tal poder é de natureza mágica e sexual. Sempre esteve presente na alquimia como o termo “menstruum”, mênstruo, que significa sangue menstrual. Seu uso na alquimia está associado aos seus significados ocultos, tanto de vida quanto de morte. As virtudes ocultas do sangue menstrual têm conjuntos de associações completamente diferentes no ocultismo ocidental do sangue dentro do corpo.

O sangue menstrual, enquanto no corpo, nutria e fortalecia, mas uma vez que fluía, acreditava-se quase universalmente que esterilizava, destruía e matava. De acordo com alguns, essas características naturalmente o tornaram o sangue de Lilith. Ao longo da história, o sangue menstrual foi descrito como tendo propriedades mágicas, tornando-o útil para muitos usos que variam de fins mortais a úteis. Dois autores notáveis ​​foram o romano Plínio, o Velho e Agripa.

Plínio, o Velho, dedicou dois capítulos de sua História Natural descrevendo os terríveis poderes do sangue menstrual. Agripa mencionou muitos em seu tratamento de feitiçarias. Os comentários de Agripa são curiosos, pois ele dá vários exemplos de como o sangue menstrual é prejudicial à agricultura: azeda o vinho novo e, se tocar a videira, estraga; por seu contato, torna estéreis todas as plantas e árvores; e queima ervas e faz cair frutos das árvores.

Ele continua dando outros exemplos dos efeitos nocivos do sangue menstrual, mas, em contraste, os camponeses medievais pensavam que ele poderia nutrir e fertilizar. Alguns acreditavam que uma mulher durante a menstruação poderia proteger os campos caminhando por eles ou expondo seus órgãos genitais. Outras mulheres levavam sementes para os campos em trapos manchados de sangue menstrual, uma continuação do costume de fertilidade de Elêusis.

É de se perguntar quem está certo, Plínio, o Velho, e Agripa ou a camponesa? A partir de uma breve observação, tender-se-ia a responder que são as mulheres. Tanto Plínio, o Velho, quanto Agripa eram homens de letras, embora sem dúvida ambos tivessem observado a natureza e Agripa, embora praticasse o ocultismo, tinha conexões com a Igreja Católica Romana e suas visões antinaturais.

No entanto, as camponesas viveram a experiência natural; elas sabiam o que era plantar e semear. Muito provavelmente elas plantaram sementes encharcadas de sangue menstrual muitas vezes pensando que produziam melhor e sabendo que não causavam efeitos nocivos. As mulheres que mais gostavam viam os animais fêmeas menstruarem e sabiam que isso não causava nenhum mal. Para elas, a menstruação era um processo feminino natural, como tinha sido para as mulheres pagãs antigas observando os mistérios de Elêusis, talvez alguma dessa crença ainda vivesse.

Alguns chamam o sangue menstrual de sangue de Lilith porque acreditavam que tinha poder tanto de vida quanto de morte, vida dentro do corpo para nutrir o feto e morte quando flui; portanto, Lilith é a mestra do parto. Este sangue também está ligado à Lua, pois o ciclo menstrual corresponde intimamente ao ciclo lunar, portanto, associado à Lilith, Hécate, Kali e outras deusas lunares da destruição.

O estupro de Eva e a história de Lilith coincidem ao descrever a derrogação das mulheres entre o clero judaico-cristão do passado. Ambas foram degradadas por Deus e seu clero totalmente masculino seguiu seu exemplo. Mas ambos se restabeleceram tornando-se uma força feminina a ser considerada: Lilith indo para o Mar Vermelho, levando seu amante demoníaco Samael, gerando demônios e participando do estupro de Eva; e Eva quando ela tentou Adão a ter relações sexuais com ela durante sua menstruação.

Toda essa atividade interrompeu o plano de Deus para seu ‘homem perfeito’ e ‘mulher obediente’, e deu às mulheres igualdade com os homens. Por Adão se contaminar, as mulheres ganharam a oportunidade de fazer os homens fazerem coisas contra sua vontade. Nesse sentido, Lilith e Eva são comparáveis ​​à deusa do mar persa Tiamat, que deveria ser uma divindade obediente depois que seu marido Apsu foi morto. Mas, ao contrário da caótica Tiamat, nem Lilith nem Eva foram mortas e continuam devastando o caos no mundo ao lutar pela justiça.

Muitas mulheres possuem o aspecto Lilith da personalidade feminina, Samael nos homens. Este é um aspecto da personalidade que representa a faca da bruxa (o athame), dando-lhe a determinação e força para partir ou deixar de seguir o caminho protegido e tradicional da feminilidade, um caminho geralmente masculino e movido pelo poder.

O caminho não tradicional leva sua viajante feminina a um caminho muito diferente daquele percorrido pela mulher comum, que muitas vezes no início leva ao isolamento. No sentimento de completa solidão e, às vezes, vergonha, a pessoa pergunta: “O que eu fiz?” Mas tal isolamento e vergonha, quando aceitos como desafios, podem gerar fortaleza.

Depois de se curar das feridas infligidas pela sociedade comum, a mulher decide se vai aceitar repetidamente essas feridas ou revidar. Se seu aspecto Lilith se desenvolver completamente, ela revida decidindo as melhores maneiras de enfrentar inúmeras situações. Ela usa sua faca para destruir situações prejudiciais e se defender. O desempenho de suas tarefas pode ser lento e árduo, mas ela busca a autoigualdade e a justiça. Ela busca a individualidade como Lilith fez ao invadir o portão do céu.

A.G.H.

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Fonte:https://www.themystica.com/

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-menstruacao-na-historia-e-a-jornada-espiritual-da-mulher/

O Laboratório Alquímico

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O alquimista é uma peça fundamental nos experimentos e não somente um simples observador. O experimento e o experimentador constituem uma única coisa na alquimia. Este ponto de vista do experimentador como participante está agora sendo retomado pela física quântica, alterando o termo observador para participante. Portanto, mesmo tendo o conhecimento prático do processo, se tiver perdido a pureza do espírito, a Grande Obra não poderá ser concluída.

O dualismo sexual

A energia original é criada pela junção dos princípios masculino e feminino (sol e lua). Muitos alquimistas constituem casais na busca da Grande Obra, porém para que ocorra uma perfeita união alquímica este casal, ou seja, estas duas metades devem ser complementares formando um único ser (como a figura alquímica do andrógino). Contudo é muito difícil encontrar um par que produza uma união tão perfeita (almas gêmeas, por exemplo).

O Cosmo

O cosmo é visto como um ser vivo sendo que seus constituintes tem espírito e propósito definido. As estrelas exalam um campo de energia que pode ser sentido e utilizado pelo homem e assim obter as transformações.

A vida

Existe uma crença na alquimia da criação artificial de um ser humano, o homúnculo ou Golem, porém estes relatos de alguns alquimistas célebres poderia referir-se de forma figurada ao processo de fabricação da pedra filosofal, onde o homúnculo representaria a matéria prima para a fabricação da pedra ou então uma fase da iniciação em que o homem ressurge após a morte do outro já degradado. Na concepção alquímica tudo o que existe é vivo, até mesmo os minerais. Os metais vivem, crescem, reproduzem-se e evoluem. Portanto qualquer metáfora sobre seres vivos podem estar referindo-se também ao reino mineral.

A natureza e todos os seus constituintes devem ser respeitados para que a harmonia perfeita possa ser mantida. Esta consciência opõe-se claramente a forma de encarar a natureza até hoje, em que esta deve ser explorada o máximo possível e ainda consideram isto a evolução da humanidade. Reaprender a ver, sentir e ouvir a natureza, significa incorporar-se a ela, para relembrar o remoto passado quando fazíamos parte dela integralmente.

O amor

Todo o conhecimento alquímico está alicerçado no amor e por isso inacessível aos processos científicos atuais.

A união pelo amor está sempre presente em qualquer obra alquímica representando uma energia que une dois princípios ou dois materiais, tornado-os um só. De forma figurada é descrita como o casamento do Sol e da Lua, do enxofre e do mercúrio, do Rei e da Rainha, do Céu e da Terra ou do irmão e da irmã, por terem vindo da mesma raiz ou mesma substância.

Astrologia

Na alquimia a astrologia exerce um papel fundamental desde a escolha do momento certo para o início da obra, da colheita dos materiais utilizados, até o momento mais propício para o alquimista trabalhar.

O orvalho

O orvalho normalmente é utilizado para umedecer (banhar e nutrir) a matéria-prima. Como se condensa lentamente e desce da atmosfera está impregnado da energia cósmica. A melhor época de recolher o orvalho vai do equinócio de primavera ao solstício de verão, pois possui uma maior energia. Normalmente é recolhido com lençóis estendidos sobre vegetação rasteira sem, no entanto, tocá-la (água lustral).

A matéria-prima

Esta primeira matéria que dará origem a pedra filosofal constitui um dos grandes segredos da alquimia. Normalmente é descrita como algo desprezado, inferior e sem valor. Pode ser encontrado em todos os lugares, é conhecido por todos, é varrido para fora de casa, as crianças brincam com ele, porém possui o poder de derrubar soberanos.

Dentre os não iniciados, cada um aposta em um tipo de material tanto do reino animal, vegetal como mineral. Vários utilizaram minérios (especialmente os de chumbo, o cinabre que contém enxofre e mercúrio, o stibine um raro mineral sulfuroso, a galena que é magnética), cinzas, fezes, barro, sangue, cabelos. A maioria deles emprega a própria terra, recolhida em local preservado.

A terra estaria impregnada de energia cósmica, com a água que contém.

Esta matéria não está somente no reino do psiquismo, como afirmava Jung, ela tem também sua expressão no reino material através de um mineral que possui propriedades vegetativas. Descobrir a matéria-prima não é o principal, mas sim erguê-la a um ponto privilegiado para as operações subsequentes. Esta abordagem só será conseguida quando o alquimista deixa de lado a fronteira fictícia entre os elementos constitutivos de sua personalidade (física e espiritual) e o universo.

Ela normalmente é relacionada ao caos da gênese, a base de todo o processo, que tanto é material como imaterial.

Para descobrir a matéria-prima mineral o operador e o objeto, observador e o observado, devem estar unidos. Isto significa se abstrair da visão lógica e desenvolver uma visão intuitiva. Esta visão pode aparecer após um longo período de reflexão sobre os impasses insolúveis da alquimia, após um estímulo externo como o barulho do vento, das ondas do mar, do trovão e outros. Caso contrário ela permanecerá escondida por uma roupagem ou uma casca como o ovo.

#Alquimia

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Austin Osman Spare

1886 – 1956

Austin Osman Spare foi um dos artistas gráficos mais completos de seu tempo. Foi também um ocultista altamente capacitado que praticava uma forma de magia característica dos iniciados do Caminho da Mão Esquerda (este termo tem sido mal-interpretado pela maioria dos escritores ocultistas; no livro “Aleister Crowley and the Hidden God”, Kenneth Grant aborda o tema em questão adequadamente, explicando com maestria inquestionável que o termo significa especìficamente “o Caminho utilizado por aqueles que se valem das energias sexuais para adquirir controle dos mundos invisíveis”). Spare foi reconhecido como um Mestre deste Caminho por aqueles em condição de avaliar tais práticas e iniciou o núcleo de um movimento conhecido como Zos Kia Cultus.

Não se deve pensar que basta ser iniciado de alguma fraternidade esotérica para se conseguir acesso à corrente mágica deste Cultus, nem que isto foi fácil mesmo à época de Spare. Para se beneficiar desta poderosa prática de magia, será necessário colocar-se em sintonia com o Espírito do Culto.

A vida pessoal de Spare, por mais interessante que seja, não acrescenta muito à sua obra; apesar disto, forneceremos aqui alguns detalhes biográficos apenas para situà-la no tempo. Austin Osman Spare manteve um interesse perpétuo sobre a teoria e a prática da bruxaria, que começou em sua infância em virtude de seu relacionamento pessoal com sua babá, uma velha mulher do interior da Inglaterra chamada Paterson e que dizia ser descendente direta de uma linhagem das famosas feiticeiras de Salem. Se analisarmos a obra de Spare, reconheceremos nìtidamente a influência direta de uma corrente mágica vital que, certamente, só é transmitida por via oral e que indiscutìvelmente só poderia ter sido ensinada por um iniciado de alguma antiga tradição oculta.

Etimologicamente, feitiçaria ou bruxaria significa “aprisionar espíritos dentro de um círculo”. Não é a mesma coisa que praticar “magia”, que é a “arte de fazer ‘encantamentos’ ou ‘fascínios’”. Os métodos de Spare parecem pertencer mais à bruxaria que à magia, embora certamente envolvam ambas as técnicas.

Para Spare, do mesmo modo que para Aleister Crowley, a sexualidade é o centro da bruxaria e da magia, e é a chave para ambos os sistemas. Entretanto, se para Spare a bruxaria é um meio de realização do prazer, de transformação da velhice em juventude, de feiura em beleza, da natureza em arte, para Crowley ela é um meio de adquirir e irradiar poder, transformando a fraqueza em força e a ignorância em conhecimento. Ambos tiveram seus preceptores: Crowley foi fortemente influenciado por MacGregor Mathers, Grão-Mestre da antiga Ordem Hermética da Aurora Dourada, uma pessoa de energia marcial, enquanto Spare foi grandemente influenciado por uma feiticeira, Paterson, a bruxa arquetípica, velha e feia, que podia transmutar-se numa criatura de extraordinário poder de sedução a seu bel-prazer.

Crowley e Spare foram atraídos cada qual por diferentes gurus que influenciaram tanto seu caráter quanto sua obra. Isto explica porque Spare ficou tão pouco tempo na ‘Fraternidade da Estrela de Prata’ (Brotherhood of the Silver Star, ou AA – Argenteum Astrum, fundada por Aleister Crowley a partir dos ensinamentos da Golden Dawn, Aurora Dourada, e para a qual Spare entrou em 10 de julho de 1910 com o motto de Yihoveaum, que significa “Eu Sou AUM”, ‘eu sou a eternidade’): a disciplina que era exigida por Crowley para os membros de sua fraternidade não combinava com a concepção de liberdade de Spare, que consistia na expressão artística irrestrita do “sonho inerente” que é, de certa forma, idêntico à Verdadeira Vontade (Thelema) formulada por Crowley. Para Spare, entretanto, a transformação deste “sonho inerente” em algo real exigia um tipo de liberdade diferente daquela idealizada por Crowley. O resultado foi que Crowley, dois anos antes de sua morte em 1947, perguntado sobre o que achava de Spare, respondeu que este se havia tornado um ‘irmão negro’ (mago negro, um termo usado em ocultismo para representar alguém que deliberadamente se afasta da corrente evolutiva, passando a considerar como objetivo primordial o culto à sua personalidade) pelo cultivo do ‘auto-amor’ através do prazer. Se Crowley tinha ou não razão acaba não prejudicando o fato de que a contribuição de Spare para o moderno ocultismo foi tão grande quanto sua arte. Em duas ocasiões anteriores, em 1921 e em 1923, Crowley escrevera que seu discípulo “aprendeu muito do ‘Livro da Lei’ (que forma a base do Culto de Thelema de Crowley, psicografado pelo mesmo no Cairo em 1904 a partir da comunicação astral com uma entidade chamada Aiwass); o resto é um mistura de The Book of Lies (escrito por Crowley em 1913) com William Blake, Nietzsche e o Tao Teh King” e que “seu Livro parece-me ainda melhor e mais profundo do que quando o li pela primeira vez.” Estas declarações de Crowley sobre Spare são muito interessantes porque mostram que o primeiro considerava o segundo como seu aluno de ocultismo, além de o ter em alta consideração por ter o mesmo baseado suas teorias na mesma tradição oculta que Crowley ensinava, embora de uma forma um tanto diversa.

Seis ou sete anos antes da publicação de The Focus of Life, Spare publicou em edição do autor seu livro The Book of Pleasure (Self-Love), The Psychology of Ecstasy. Ambos eram e ainda são muito difíceis de se conseguir. Além disto, eles são igualmente difíceis de se entender, a não ser que se tenha a chave do sistema oculto proposto por eles.

Enquanto identificado com sua bruxaria, Spare usava o nome iniciático (motto) de Zos vel Thanatos, ou simplesmente Zos. Este indica a natureza de sua preocupação maior, sua obsessão primária: o corpo e a morte. ‘Zos’ era definido por ele como “o corpo considerado como um todo” e nisto ele incluía corpo, mente e alma; o corpo era o alambique de sua bruxaria. Seu outro símbolo chave, ‘Kia’, representa o “Eu Atmosférico”, o Eu Cósmico ou Eu Superior, que utiliza ‘Zos’ como seu campo de manifestação.

O culto de Zos e Kia envolve a interação polarizada da energia sexual em suas correntes positiva e negativa, simbolizada antropomòrficamente pela mão e pelo olho. Estes são os intrumentos mágicos utilizados pelo feiticeiro para invocar as energias primais latentes em seu inconsciente. A mão e o olho, Zos e Kia, ‘Toque-Total’ e ‘Visão-Total’, são os instrumentos mágicos do Id, o desejo primal ou obsessão inata que Zos está sempre buscando para corporificá-la em carne. O sistema de Spare assemelha-se a algumas técnicas dos iógues hindus e a certas práticas da escola Ch’an (Zen) do Budismo chinês (o budismo puro praticado durante a dinastia T’ang), embora existam diferenças importantes. O objetivo da meditação é abolir as transformações do princípio pensante (v. a definição de Yoga de Patanjali – Sutras de Yoga, 1, 2), de modo que a mente individual atinja o estado não-conceitual e se dissolva na Consciência indiferenciada. No Culto de Zos Kia, o corpo (Zos) se torna sensível a todos os impulsos da onda cósmica, de modo a “ser todo sensação” para realizar todas as coisas simultâneamente em carne ‘agora’. Esta pode ter sido a explicação mágica da doutrina do Cristo carnalizado (“…este é o meu Corpo; tomai e comei dele todos…”) que os últimos Gnósticos, por não a compreenderem adequadamente, denunciaram como uma perversão da Gnose genuína.

Nem sempre Spare definiu claramente os termos por ele criados; entretanto, ele sabia exatamente o que quis dizer com eles. Infelizmente, a gramática não era o seu forte e muito do que parece obscuro em seus escritos se deve a esta dificuldade. O Culto de Zos Kia parece postular uma interpretação literal (isto é, física) da identidade entre Samsara e Nirvana (samsara = existência fenomenal ou objetiva; sua contraparte é nirvana, que é a subjetivação da existência e, portanto, sua negação fenomenal ou objetiva). Por outro lado, os termos ‘corpo’, ou ‘carne’, podem denotar o ‘corpo adamantino’ (ou dharma-kaya, uma expressão budista que é sinônimo de “Nada”; o neti-neti dos budistas, ou o ‘nem isto, nem aquilo’ no sistema de Spare) e sua realização como o universo inteiro, neste exato momento e sensorialmente. O símbolo histórico supremo deste conceito é a imagem de Yab-Yum do Budismo Tântrico. Ela representa o nada (Kia) ensaiando sua união abençoada com o corpo (Zos). No Culto de Zos Kia, isto é realizável através da carne, enquanto no Budismo Ch’an (Zen) esta união é mental. Assim, tanto no Zen quanto no Zos o objetivo é o mesmo, embora os meios variem.

O sistema de Spare também sugere uma nova obeah, uma ciência de atavismos ressurgentes, uma magia primal baseada na obsessão e no êxtase. O subconsciente, impregnado por um símbolo do desejo, é energizado pelos êxtases reverberantes na suposição de que a profundeza primal, o Vazio, responda a antigas nostalgias revivendo suas ‘crenças’ obsessivas originais. O “Alfabeto do Desejo” (onde cada letra representa um princípio sexual, um impulso dinâmico) foi desenvolvido por Spare para sonorizar gràficamente estes atavismos e, quando o florescimento do símbolo acontece, a explosão de êxtase é a realização de Zos.

Em seu livro “Anotações sobre Letras Sagradas” Spare diz que: “as letras sagradas preservam a crença do Ego, de modo que a crença retorne contìnuamente ao subconsciente até romper a resistência. Seu significado escapa à razão, embora seja compreendido pela emoção. Cada letra, em seu aspecto pictórico, se relaciona a um princípio Sexual… Vinte e duas letras que correspondem a uma causa primeira. Cada uma delas análoga a uma idéia de desejo, formando uma cosmogonia simbólica.”

Estas vinte e duas letras, embora não sejam dadas consecutivamente nem inteiramente em quaisquer dos escritos de Spare, sem dúvida se equiparam de alguma forma com as vinte e duas cartas do Tarot, ou Livro de Thoth de Aleister Crowley e aos vinte e dois caminhos da Árvore Cabalística da Vida; elas são, de fato, as chaves primitivas da magia. Também existe uma possível afinidade com as onze posições lunares de poder refletidas, ou dobradas, nas noites claras ou escuras do ciclo lunar. O conhecimento secreto destas vinte e duas zonas de poder celestial e sua relação com o ciclo mensal da mulher formam uma parte vital da antiga Tradição Draconiana sobre a qual o Culto de Zos Kia se baseia.

 

[…] um livro reunindo as obras (conhecidas e desconhecidas) de Austin Osman spare. E não estamos falando apenas dos textos mas dos desenhos e pinturas – todas em alta […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/austin-osman-spare/

Conhecimento Exotérico e Esotérico

Existem duas espécies de conhecimento: exotérico e esotérico.

Vejamos o que significam estes termos. Segundo os dicionários, “Exotérico” vem do grego exoterikós e refere-se ao ensinamento que em escolas da Antiguidade grega era transmitido ao público sem restrições, por tratar-se de ensinamento dialético, provável e verossímil.

“Esotérico” vem do grego esoterikós e refere-se ao ensinamento que era reservado aos discípulos completamente instruídos nas escolas filosóficas da Antiguidade.

Por extensão, todo ensinamento ministrado a círculo restrito e fechado de ouvintes.

Em filosofia, diz-se dos ensinamentos ligados ao ocultismo.

Como vemos, o conhecimento exotérico diz respeito basicamente ao mundo dos fenômenos. É o conhecimento aprendido e acumulado pela raça humana, no mundo físico em que habita. É o conhecimento deste mundo físico, do meio ambiente mais imediato, da adaptação física ao mundo; é o conhecimento das leis que parecem se manifestar, como o movimento dos objetos no espaço, as marés, as mudanças de estações, a gravidade e inúmeras outras.

Por outro lado, todo o conhecimento que não pode ser isolado, confinado, ou descrito em termos de fenômenos físicos, é classificado como conhecimento esotérico.

Para aqueles que aceitam uma filosofia idealística, o conhecimento esotérico é um fato e as verdadeiras realidades do universo estão compreendidas no âmbito deste conhecimento. No entanto, é impossível encontrar prova ou confirmação da existência de qualquer forma de conhecimento esotérico, no mundo físico. Uma tal prova ou confirmação deve, necessariamente, provir de uma condição que transcende o físico. A validade deste conhecimento, segundo o idealista, e segundo os princípios da filosofia templária, depende de sua concordância ou conformação com o Absoluto.

O conhecimento exotérico ou conhecimento do mundo exterior é aquele que percebemos através dos sentidos físicos. Podemos ver, tocar, ouvir, provar pelo paladar e cheirar as coisas que formam o mundo que nos cerca. No entanto, se fizéssemos uma analise técnica da epistemologia, que é a ciência da natureza e validade do conhecimento, poderíamos levantar sérias dúvidas sobre a percepção do mundo real pelo homem. Será que percebemos realmente o mundo material, ou percebemos apenas impressões dele?

O âmbito deste discurso não nos permite tocar, senão de leve, neste assunto. Sabemos, por exemplo, que ao cheirarmos uma rosa, recebemos uma certa impressão; mas será esta impressão proveniente da própria rosa ou será ela resultante de certas reações químicas que ocorrem quando a rosa é aproximada à nossa faculdade sensorial do olfato? Cheiramos a rosa ou cheiramos a alteração química do ar causada pela rosa?

Desenvolvemos nossas atividades no mundo físico e, por isso, acreditamos que percebemos de maneira essencialmente correta aquilo que realmente existe.

Percebemos os objetos substancialmente como são, e a razão de assim acreditarmos é o fato de podermos lidar com eles, até certo ponto. Por conseguinte, nosso mundo de atualidade está relacionado com o nosso mundo de pensamento, pelos canais dos sentidos físicos.

Como decorrência de nossas percepções sensoriais, capacitamo-nos a tirar conclusões, em nossa consciência, sobre a existência, uso e aplicação que fazemos das coisas exteriores. A faculdade da percepção sensorial física, portanto, é o canal que nos une ao conhecimento exotérico, na qualidade de entidades pensantes.

O conhecimento esotérico, por sua vez, não pode ser percebido ou apreendido por meio dos sentidos físicos. Além disso, sabemos que o homem não se apercebe do conhecimento esotérico exclusivamente pelos processos da razão; a associação de ideias, embora seja um processo, uma faculdade do homem, com existência potencial em sua mente, não é, em si mesma, uma função criadora suficiente para produzir conhecimento novo.

A razão consiste na ordenação de uma sequência correta, ou o arranjo, numa certa forma, de conhecimentos obtidos pelos sentidos físicos. Isso nos leva a buscar uma outra fonte, caso desejemos obter conhecimento esotérico.

Esta fonte é a intuição. Em geral, considera-se a intuição como um meio direto, imediato e seguro de obter o conhecimento que dispensa tanto o fator dedução lógica, que está presente na razão, como o fator observação sensorial, associado com as nossas experiências do dia-a-dia. O conhecimento intuitivo existe fora do mundo dos fenômenos, devendo ser obtido por um meio capaz de transcender qualquer limitação física.

Um garoto preferiu jogar futebol em vez de ir à Escola Dominical. Quando voltou para casa, ficou surpreso ao encontrar sua mãe preocupada por ele não ter comparecido à escola. Sua mãe tivera um pressentimento, uma ideia, de que o garoto não fora à Escola, sem que nenhum sentido físico estivesse envolvido nesse pressentimento. A partir daquele dia, o garoto passou a olhar com muito respeito a forma de conhecimento chamada intuição.

Parece-nos inútil negar a existência deste tipo de conhecimento. Ocorrem continuamente inúmeros exemplos que confirmam sua existência, incontáveis experiências em que as pessoas adquiriram um conhecimento não originado do funcionamento dos sentidos físicos.

Aprendemos muitas coisas pelo meio direto e imediato da intuição, por se tratar de uma forma de percepção, um processo no qual o conhecimento vem à consciência diretamente e, com certeza, é opinião de muitos que tal conhecimento existe e chega à nossa consciência através de um sexto sentido.

Muitos psicólogos concordarão com o fato de que muitas pessoas recebem a solução de um problema por inspiração. Mas eles tendem a negar que esta percepção constitui prova suficiente da existência de uma faculdade intuitiva especial, mesmo não podendo negar o fato de que o conhecimento inspirado veio realmente à consciência.

Há uma relação íntima entre intuição e misticismo. Visto que o misticismo é a base fundamental da filosofia templária, devemos sempre, em última análise, correlacionar qualquer princípio que consideramos como filosofia com o conceito básico do misticismo.

A intuição, que conforme sabemos, funciona em diferentes tipos de situações cognitivas, é, em seu significado geral, aquilo que diz respeito ao súbito sentimento que uma pessoa tem de um certo conhecimento, para o qual não há nenhuma prova aparente, além do poder que a convicção estabeleceu no interior da consciência.

Muitos exemplos da função da intuição ocorreram com notáveis figuras históricas, por meio de visões, iluminação interior, vozes interiores e outras experiências deste gênero. Comumente, essa intuição tem o efeito de transformar repentinamente os conceitos metafísicos, morais e religiosos da pessoa. Em muitos casos, esses incidentes provocaram uma completa reorganização de toda a vida. Em todas as épocas e lugares, incidentes desta natureza têm sido experimentados por muitas pessoas.

Em um famoso trecho de “O Simpósio”, afirma Platão que, após tentar laboriosamente ascender ao reino de ideias que existe no Absoluto, pela disciplina de várias formas terrenas de existência, tornou-se capaz de alcançar uma visão da beleza eterna que transcende toda a beleza física.

Sócrates e Joana D’Arc, muito diferentes em suas crenças, cultura, época e lugar onde viveram, ouviram vozes interiores em momentos críticos da vida, e encontraram um caminho para a realidade através do conhecimento assim revelado. São Paulo teve uma visão na estrada para Damasco que o transformou, de perseguidor da cristandade, em seu melhor defensor.

Estas formas de intuição caracterizam a maneira como o conhecimento está relacionado com a experiência mística.

Qualquer um de nós pode experimentar a intuição, e efetivamente nós a experimentamos, em muitas e diferentes situações da vida. Os exemplos históricos foram dados apenas como ilustração, pois a intuição é um fenômeno universal e nos permite resolver os mais variados problemas, além de nos dotar do conhecimento esotérico que nos eleva e refina.

O místico é a pessoa capaz de elevar sua consciência ao ponto em que transcende o mundo físico em que vive, a ilusão do mundo, e alcança a percepção de que existe uma realidade divina com a qual pode sentir-se uno. Para o místico, o conhecimento consiste na capacidade de perceber o Absoluto, de se relacionar com Deus, de se elevar acima das limitações do mundo dos fenômenos físicos e entrar em contato, individualmente, com o reino do conhecimento esotérico.

Entre o conhecimento exotérico e esotérico, qual o mais importante? Em certo ponto, é mais importante obtermos o conhecimento esotérico. Não podemos esquecer, entretanto, que estamos destinados a viver num mundo físico e alcançar a compreensão dos princípios que o regem. O universo não foi criado por Deus para divertimento e espanto de Suas criaturas. O agnóstico pode reconhecer que existe uma realidade e ao mesmo tempo afirmar que o homem nunca poderá conhecê-la.

Há um véu, entre o homem, em seu estado atual, e Deus; esse véu, porém, pode ser levantado, o santuário pode ser visitado, o incognoscível pode se tornar cognoscível. O caminho para o incognoscível desenvolve-se pelo conhecimento. É por meio da ilusão daquilo que parece ser a realidade que podem nos aproximar do conhecimento da verdadeira realidade, e apreendê-la. O homem não passa de um espelho do universo, um pequeno mundo no interior do grande mundo. Mas mesmo este pequeno mundo faz parte integrante da realidade e de tudo aquilo que a criou.

Se aceitarmos a existência do conhecimento esotérico e o ponto de vista da filosofia idealística proposta pelos templários, compreendemos que somos entidades existentes no interior de um mundo físico, lutando para nos libertar dele para alcançar a completa e final fusão com o Real. Para a pessoa comum, que não costuma pensar, pode parecer que tudo seja realidade e ilusão.Ou seja, ela tende a presumir que tudo que pode perceber é realidade e tudo mais é ilusão. Essa pessoa pode presumir que apoia um conceito religioso ou uma filosofia básica, mas na verdade acredita que tudo que não pode ser comprovado fisicamente pertence puramente ao mundo da ilusão.

Este conceito será invertido para a pessoa que verdadeiramente busque o conhecimento esotérico. Ela verificará que vivemos num mundo de ilusão (que todo o mundo físico existe apenas como instrumento incidental, um lugar incidental de ação). Em nossa vida, lembramos com prazer ou mágoa uma paisagem, uma cidade, uma ocasião, dependendo da impressão que nos tenham causado. Talvez nunca vejamos novamente aquele lugar, que foi um incidente isolado na experiência global de nossa vida. Do mesmo modo, cada vida terrena que experimentamos será como um incidente isolado na totalidade da nossa existência, quando alcançarmos o ponto em que poderemos olhar para trás e examinar o propósito de nosso ser individual. Graças às nossas experiências nessas vidas terrenas isoladas, teremos experimentado o que é real e o que é ilusório, e entrado em completa e final associação com o Real. Somos a essência da totalidade dessas vidas.

Portanto, a totalidade da existência inclui o bem e o mal, a luz e as trevas, o exotérico e o esotérico, o material e o espiritual. Todas estas coisas dizem respeito ao mundo dos fenômenos. Deus é a força que se infunde em tudo isso; Ele está em tudo e a tudo transcende. Se podemos chamar esta manifestação de substância da existência, natureza do Absoluto, então podemos compreender que Deus é a existência de todas as coisas. Ele é Luz Absoluta, e transcende o oceano de ilusão que constitui o mundo em que vivemos.

Com este ponto de vista em mente, parece impossível contestar a existência da alma, que é um conceito puramente esotérico. O fato de haver ou não uma vida após a morte, não é importante; existe prova da continuidade do Ser e por isso é lógico admitir a continuidade da vida. Quaisquer que sejam os imensos períodos de tempo a se estenderem diante da alma, em suas jornadas por muitas experiências físicas e seus muitos corpos físicos, existe ao mesmo tempo uma consciência a se ampliar constantemente, uma visão a se expandir infindavelmente, que tem por fim a final integração com o Absoluto.

A imortalidade é a única existência de que estamos conscientes. É um outro nome para a existência total e inclui o passado, o presente e o futuro. Toda a vida, tal como compreendida na imortalidade, pode verdadeiramente proporcionar maravilhosas experiências. Agora, ou no futuro, a verdade e os ideais podem ser apreendidos. Estes são os valores reais, que podem se tornar conhecidos para o homem através dos sentidos físicos e da intuição, ou seja, exotérica e esotericamente. Eles existem eternamente. Nada é destruído; a ideia de total destruição de uma consciência individual pode ser abandonada.

O universo, com tudo que contém, deverá ser finalmente reabsorvido por Deus, de onde emanou, mais enriquecido, de um modo misterioso, para sua existência em termos de tempo e espaço.

A gota que cai no oceano não se perde, apenas torna-se unificada com sua fonte. Podemos facilmente compreender que as possibilidades que se abrem ante a alma confinada neste universo de ilusão podem incluir muitas experiências de fantástica beleza. Podemos nos sentir seguros de que as experiências reservadas para a alma, quando a realidade tiver sido completamente compreendida, deverão ser indizivelmente mais gloriosas.

Por meio do conhecimento exotérico, compreendemos o mundo dos fenômenos. Por meio do conhecimento esotérico, intuitivo, espiritual, emocional e místico compreendemos, cada vez mais, os mistérios do reino da Realidade Absoluta, e dele nos aproximamos e nele mitigamos a nossa sede intrínseca de perfeição.

MENTES E CORAÇÕES ABERTOS

Há séculos, mentes inquiridoras têm demonstrado seu interesse sobre o significado da vida. O reconhecimento de que ela, a vida, não consiste apenas em comer, beber, dormir, em sexo e em posses. Mas o que é esse significado? Podemos algum dia encontrá-lo? As muitas perguntas sem respostas tornam o homem um ser que busca. Buscar significa “questionar”, abandonar todas as posturas rígidas, tornar-se flexível, fazer uma abertura interior para acolher, sem preconceitos, ideias novas e inusitadas.

É difícil satisfazer essa exigência de abertura mental, mais do que normalmente se pensa. Facilmente sucumbimos à tendência de fixação no conhecido e no habitual. Tudo o que é o novo desencadeia medo e mobiliza os mecanismos de defesa. Assim, muitos pensamentos e afirmações provocarão alguma resistência. Ninguém abandona com facilidade os seus queridos clichês e convicções para substituí-los por critérios novos. Contudo, é isso o que temos que fazer: abrir nossa mente, nosso espírito, colocar para baixo nossas defesas, se quisermos que a evolução e a expansão da consciência seja um objetivo a ser alcançado.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/conhecimento-exot%C3%A9rico-e-esot%C3%A9rico

Marketing de Guerra

Al Ries e Jack Trout

Após vinte anos de sucesso e diversas reimpressões, Marketing de Guerra tornou-se uma leitura básica para todos os tipos e tamanhos de empresários. Seus autores Al Ries e Jack Trout, possuem décadas de experiência em marketing seja na liderança executiva, seja como consultor independente  de diversas corporações. Também escreveram best sellers no ramo como “As 22 Leis Consagradas do Marketing” e “Posicionamento”, um termo criado por eles mesmos para falar da fixação das marcas na mente do consumidor.

 

Em Marketing de Guerra eles desenvolvem a tese do posicionamento tendo como referência a concorrência. Da mesma forma que na guerra forças militares disputam território, no mundo dos negócios as empresas disputam espaço na mente e o bolso do consumidor. Como uma provocação eles chamam o grande belicista alemão Karl von Clausewitz de o maior estrategista de marketing que o mundo já conheceu. Segundo ele, sua obra “Da Guerra” escrito em 1832 é o livro mais importante de marketing escrito até hoje.

 

Al Ries e Jack Trout fazem diversas citações de Clausewitz e mostram como aplicar seus ensinamentos no mundo dos negócios.Para ilustrar estes ensinamentos usam tanto exemplos do campo de batalha como das corporações modernas.

Marketing é Guerra

 

Tanto a guerra como a concorrência empresarial são atividades onde diferentes interesses humanos estão em conflito. Tradicionalmente o marketing tem sido orientado para o cliente. Este foi um grande avanço inovador na época comparado com a situação anterior. Antigamente as empresas eram orientadas a produção e ninguém se preocupava muito com os desejos dos consumidores. Hoje, porém toda a empresa já é voltada para o cliente. Simplesmente saber o que os clientes querem já não basta. Existem dúzias de outras empresas fazendo coisas similares e competindo para atender os mesmos desejos e necessidades. O problema da American Motors não é mais o cliente. Seu problema é a Ford.

 

Em um ambiente competitivo de livre mercado a natureza do marketing é o conflito entre empresas para ver quem vai ganhar espaço. Para ter sucesso hoje em dia a empresa não pode mais ignorar os concorrentes.  Há os que dizem que um plano de marketing bem feito sempre incluiu a concorrência. Isso é verdade. Mas não basta mais apenas citá-la no final do planejamento. É preciso conhecer e dissecar cuidadosamente cada participante do mercado, desenvolver uma lista de pontos fortes e fracos e um plano de ação para explorá-los ou para se defender.

 

O Princípio da Força

O primeiro princípio da guerra, tirado pelos autores do pensamento de Karl von Clausewitz é que nada é tão importante quanto uma força superior. A vida real do campo de batalha é bem diferente do que aprendemos nos filmes de Hollywood. No cinema um punhado de fuzileiros dizima toda uma companhia do exército inimigo. Na vida real, todavia, a vantagem numérica é o ponto mais importante. Geralmente a grande empresa e o grande exército que vence no final.  Vamos  examinar a matemática de um combate.  Um esquadrão vermelho com nove mil soldados contra um esquadrão azul de seis mil soldados. Esta é uma superioridade numérica de 50% (nove contra seis). Depois da primeira saraivada a situação piora. Em lugar de uma vantagem de 9 para 6 o esquadrão vermelho deve ter uma de 7 para 3, ou seja uma vantagem de 100%.

 

Não há segredo sobre o motivo pelo qual os Aliados ganharam a Segunda Guerra Mundial. Onde os alemães tinham dois soldados os aliados tinham quatro. Onde tinham quatro, os Aliados tinham oito. Nem mesmo a habilidade e experiência de quem praticamente inventou a guerra moderna pôde modificar a lógica do campo de batalha. Entre os militares os números são tão importantes que os exércitos possuem sempre um ramo de “inteligência” que informa aos comandantes o tamanho e distribuição da força do oponente.

 

O mesmo ocorre no marketing. A superioridade de forças é a vantagem mais avassaladora que sobrepuja a maioria das outras diferenças de qualidade. Em um território virgem, a empresa com maior força de vendas tem a probabilidade de conseguir a maior participação no mercado. Mesmo um melhor produto ou a melhor equipe não ultrapassam uma força de vendas superior. A sorte sempre sorri para os exércitos com mais soldados e as empresas com maior força de vendas. Não é de se admirar que os ricos fiquem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

 

A Superioridade da Defesa

 

A segunda regra da guerra é que é melhor defender-se do que atacar. Como vimos, em uma batalha o resultado pode ser rapidamente previsto em favor da unidade com maior força  numérica. Acontece que a posição defensiva é mais forte do que a ofensiva e isso modifica a matemática da guerra.

 

Em termos de marketing isso acontece porque geralmente tirar clientes de um concorrente é muito mais difícil do que conquistar um cliente que não está compromissado com empresa nenhuma. Na história militar o mesmo ocorre. O atrito da guerra favorece a defesa e um ataque exige muito mais recursos, tempo e logística do atacante do que do defensor.

 

Na guerra da Coreia os EUA ganharam no Sul que defendiam e perderam no Norte que atacavam. A Inglaterra  imperial, ganhou do Waterloo na defensiva e perdeu para as Colônias americanas. Os exemplos são muitos.

 

Para ter sucesso na ofensiva não basta superar os números do oponente. É preciso ter pelo menos uma superioridade numérica de 3 para 1. Heroísmo é uma tragédia comum  a soldados e profissionais de marketing.

A Nova Era da Concorrência

 

A guerra de marketing é uma tentativa de aplicar o pensamento militar aos problemas de marketing.  O Marketing enquanto disciplina científica tem menos de 100 anos. Desde seu início está se dedicando ao desenvolvimento pela prática e pouco em formular uma teoria. A teoria militar pode preencher esta lacuna.

 

Retórica à parte o marketing está entrando em uma nova era, uma era onde a concorrência está ficando cada vez mais brutal e o nome do jogo passou a ser “tomar o negócio de alguém”. Para conquistar isso programamos mais reuniões, mais relatórios, mais memorandos e mais trabalho. Mas a história militar ensina que não é assim que se vence uma guerra.

 

Não basta se esforçar. Não basta apenas ser agressivo. O comandante que permite que seus exércitos fiquem atolados na luta corpo a corpo usualmente é derrotado por um comandante mais inteligente. Músculos e superioridade numérica são importantes, mas isso não é o mesmo do que achar que um discurso bonito fará um soldado valer por dois. Mesmo em casos em que sua força é obviamente superior você estará jogando fora sua vantagem se deixar a batalha degenerar em uma simples guerra de desgaste. Todas as vezes que você ouvir um comandante dizer “Temos de redobrar nossos esforços” ficará sabendo que está ouvindo um perdedor.

A Natureza do Campo de Batalha

A localização geográfica onde uma batalha acontece é outro fator determinante. Um bom general estuda cuidadosamente o terreno antes do combate. Cada colina, montanha, rio ou construção é analisado por suas possibilidades defensivas ou ofensivas. O bom general também estuda a posição do inimigo neste território para evitar a todo custo um ataque surpresa em uma direção inesperada.

 

Em uma batalha de marketing o mesmo ocorre. As batalhas de marketing não acontecem em escritórios ou supermercados. Esses são apenas pontos de distribuição. A escolha da marca é decidida em outro lugar.  Elas ocorrem dentro da mente. A guerra do marketing acontece dentro da mente de seus clientes e clientes em potencial todos os dias da semana.

 

Mapear o campo de batalha mental lhe dará uma vantagem enorme. A maioria dos concorrentes nem ao menos saberá onde a batalha está sendo travada. Eles estão preocupados com seus próprios produtos e planos. Um modo de reconhecer o terreno da mente humana é a pesquisa. Você precisa saber que posições pertencem cada um dos seus concorrentes. Quem está no terreno elevado?

O Quadro Estratégico

 

No campo de batalha da mente, uma montanha conquistada seria o domínio de uma categoria. A montanha do refrigerante de cola está ocupada pela Coca-Cola sob forte ataque da Pepsi. A montanha dos mecanismos de busca está com a bandeira do Google. Quando um cliente usa o nome de uma marca em lugar de um genérico você pode ter certeza que sua mente está fortemente ocupada.

 

Montanhas monolíticas estão sendo objeto de combate e cortadas em segmentos. Cada qual disputado por diferentes senhores de guerra. Essa tendência de longo prazo tem a probabilidade de continuar século XXI adentro.  O dono do território tem uma escolha: estender-se ou contrair. Frente a inimigos que procuram segmentar o mercado uma empresa não tem o privilégio de ficar parada. A guerra defensiva não deve ser interpretada como sinônimo de operação passiva.

 

Os Princípios da Guerra Defensiva

 

Clausewitz dizia que o estatista que, vendo a guerra inevitável hesita em dar o primeiro golpe está cometendo um crime contra sua pátria.  Da mesma forma, somente os líderes de  mercado deve considerar as estratégias de defesa. Jamais encontramos uma empresa que não se considerasse líder de alguma coisa. Entretanto essas definições de liderança são mais criativas do que as realidades do mercado. Sua empresa pode ser a líder “a leste do Mississipi em uma segunda feira pela manhã” mas os clientes não ligam para isso. Os líderes de verdade são quem o cliente percebe como líderes.

 

A melhor estratégia defensiva é a coragem para atacar a si próprio. Em outras palavras, para garantir seu lugar na mente dos clientes você precisa fortalecer sua posição introduzindo novos produtos ou serviços que tornem obsoletos os seus próprios produtos já existentes. A concorrência se esforça continuamente para superá-lo. Você deve fazer o mesmo.

 

Os fortes movimentos competitivos devem ser bloqueados. A maioria das empresas só tem uma chance de vencer, mas as líderes tem duas. Se uma líder perder uma oportunidade ela muitas vezes pode se recuperar copiando o movimento competitivo. Mas é preciso movimentar-se com rapidez  antes que o atacante se firme.

Os Princípios da Guerra Ofensiva

 

Se você não conseguir a superioridade absoluta, ensina Clausewitz, deve conseguir uma superioridade relativa no ponto decisivo, pelo uso de todas as forças que dispor. No caso de estratégias ofensivas a principal consideração é a força da posição do líder. Deve-se perguntar como diminuir a participação do líder no mercado. Para isso, encontre uma fraqueza na força do líder e ataque nesse ponto com tudo o que tiver. O ataque deve ser lançado em uma frente tão estreita quanto possível.

 

Esta é uma área onde o pessoal de marketing tem muito a aprender com os militares, na Segunda Guerra Mundial usualmente os ataques eram lançados sobre uma frente muito estreita. Algumas vezes uma simples estrada. Somente quando havia uma irrupção é que as forças atacantes se expandiam lateralmente para ocupar o território. Na famosa batalha de Termópilas, uns poucos espartanos venceram as forças imperiais de Xerxes I por concentrarem suas forças no estreito de Artemísio.  Não tente fazer tudo o que o líder faz, mas seja a referência naquilo que ele está deixando de fazer. Aquiles tinha um tendão que o levou a queda e quando você ataca uma frente estreita está fazendo o princípio da força trabalhar para você.

Os Princípios da Guerra de Flanqueamento

Para a maioria dos gerentes de marketing , a guerra de flanqueamento pode parecer um conceito militar sem aplicações de marketing. Não é assim. Flanqueamento é uma das maneiras mais inovadoras de combate em uma guerra no mundo dos negócios.

 

Um bom flanqueamento deve ser feito em uma área incontestada. Assim como você não solta seus paraquedistas sobre as posições das metralhadoras inimigas também não lançará um produto contra um concorrente bem estabelecido. Não é necessário um produto totalmente inovador, mas ele deve ter algum elemento de novidade ou exclusividade. A chave é fazer o cliente colocar você em uma nova categoria.

 

Quando a Coca Cola estava bem estabelecida a Pepsi fez um movimento de sucesso com a Pepsi Diet. O marketing tradicional chama isso de segmentação, a busca por segmentos ou nichos de mercado ainda não estabelecidos. Para lançar um verdadeiro ataque de flanco você deve ser o primeiro a ocupar o segmento. Caso contrário será apenas um ataque ofensivo contra uma posição já sendo defendida.

 

O elemento surpresa é essencial para o sucesso do flanquemento.Quanto maior a surpresa maior o tempo necessário para o líder reagir e tentar cobrir-se. A surpresa também tende a desmoralizar o inimigo. A força de venda ou os soldados ficam sem saber o que fazer até receberem novas instruções.

 

A perseguição é tão crítica ao flanqueamento quanto o ataque inicial. Mesmo assim muitas empresas desistem de continuar depois de estarem na frente  e atingirem seus objetivos iniciais de marketing. Esse é um grande erro. Reforce o sucesso ou estará marchando para o fracasso.

Os Princípios da Guerrilha

As vitórias militares na China de Mao, na Cuba de Fidel e do Vietnã contra os Estados Unidos são exemplos históricos sobre o poder do movimento de guerrilha. Ela acontece sempre que existe uma desproporção muito grande entre as forças dos oponentes. Isso é claro, é relativo. A American Motors é muito maior do que qualquer empresa de aparelhos de barbear. Mas a American Motors deve combater em guerrilha e a Gilette em guerra defensiva. Isso acontece porque a guerrilha é definida não pelo seu tamanho, mas pelo tamanho das forças inimigas.

 

Para lutar a guerra de guerrilha no marketing encontre um terreno, um segmento de mercado, que seja pequeno demais para uma grande empresa atacar. Pode ser geograficamente pequeno ou pequeno em volume.  A guerrilha não modifica a matemática da guerra mas procura reduzir o tamanho do campo de batalha para conseguir uma superioridade de força em um terreno inconveniente ao inimigo. Em outras palavras, ser um peixe grande em uma lagoa pequena.

 

Mas não importa quanto sucesso você alcance, nunca haja como um líder. As guerrilhas de sucesso operam com um formato e intensidade diferentes tirando vantagem de seu pequeno tamanho para tomar decisões rápidas. Isso pode ser um bem precioso na competição com grandes empresas para as quais uma decisão rápida significa 30 dias de trabalho de escritório.

 

Os guerrilheiros devem por fim estar prontos para cair fora logo ao primeiro aviso. Uma empresa que foge vive para combater outro dia. Não hesite em abandonar uma posição  ou um produto se a batalha se virar contra você. Guerrilheiros são rápidos para abandonar as trincheiras e atacar o próximo território vulnerável.

Estratégia e Tática

Algumas empresas reúnem quatro ou cinco pessoas em uma sala para definirem sua estratégia. Outras levam toda a equipe sênior para algum evento longe dos escritórios para formular seus planos futuros. Ambas as abordagens estão erradas. O que a história militar nos ensina é que embora a estratégia defina a tática, elas não podem ser completamente separadas. Somente um general com conhecimento profundo e íntimo do que acontece no fronte pode desenvolver uma estratégia efetiva. Este foi por exemplo o grande trunfo de Napoleão Bonaparte. Ex-oficial de artilharia tornou-se general com 24 anos e imperador com 34. Na guerra o estudante sério de estratégia começa conhecendo a baioneta.

 

Vejamos a propaganda, um componente-chave na maioria das guerras de marketing. Normalmente as empresas contratam agências para tratar da tática de suas campanhas. As empresas desenvolvem uma estratégia de marketing antes que a agência comece a trabalhar. Em outras palavras, a empresa decide o que fazer e a agência como fazê-lo. O problema é que há uma barreira artificial aqui. Dificilmente a agência conhece todos os planos da empresa e o mais provável é que a empresa não conheça todas as competências da agência. O conhecimento especializado de tática na propaganda raramente é considerado no desenvolvimento dos planos da empresa que a contratou. O mesmo ocorre em outros braços do marketing sempre que há um distanciamento entre quem faz os planos e quem os executa

 

O General do Marketing

O abismo entre a tática e a estratégia só pode ser superado pela competência de um bom general. Com poucas exceções o mundo dos negócios nos apresentou homens como Jack Welck, Lee Iacocca, John Reed e Henry Ford. ocorre que as qualidades de um bom general são difíceis de encontrar.  Não basta apenas ser inteligente.

 

A principal característica de um general de marketing é a flexibilidade para ajustar a estratégia à situação e não vice-versa. Um bom general não tem vieses embutidos. Ele considerará seriamente todas as alternativas e escutará todos os pontos de vista antes de tomar uma decisão. Além disso ele se dedica a conhecer os fatos e constrói sua estratégia a partir de informações fiéis do terreno, de si mesmo e dos inimigos.

 

Por outro lado, em algum momento ele terá que tomar uma decisão. Nesse instante sua mentalidade aberta se fecha e o general mergulha em seu íntimo para encontrar a força de vontade e a coragem mental para prevalecer. Assim como sua contrapartida militar o general do marketing precisa ter um suprimento ilimitado de  ousadia para enfrentar os superiores, associados e subalternos que possam advogar uma abordagem diferente.

 

Por fim um general deve conhecer as regras da guerra. Deve estudar os casos reais de sucesso sejam eles militares ou no mundo dos negócios.  Assim como para dominar qualquer jogo ou esporte, na guerra do marketing os atalhos não levam a lugar algum. Você deve começar a aprender as regras até chegar ao ponto de conseguir jogar sem precisar se lembrar delas.

Notas finais

  • Na guerra do marketing o território a ser conquistado é a mente e preferência dos clientes.
  • Somente o líder de mercado pode atuar na defesa e a melhor defesa é o ataque.
  • Se você não é o líder vai precisar atacar. Sua principal consideração deve ser a força do líder e para superá-la terá que encontrar seu ponto fraco e atacá-lo na frente mais estreita possível.
  • Para evitar o desgaste do combate direto com uma força superior aposte na surpresa tática da inovação e faça seu movimento de flanqueamento em áreas ainda disputadas.
  • O acompanhamento posterior de ocupação é tão crítico quando o próprio ataque.
  • Forças reduzidas devem especializar-se em nichos de mercado, normalmente não-atendidos ou mal-atendidos pelos demais concorrentes.
  • O bom estrategista deve conhecer o campo de batalha. Deve ser realista e mente aberta para definir uma estratégia, mas ao mesmo tempo corajoso e ousado para implementá-la.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/marketing-de-guerra/

Mapa Astral de três Compositores

Em 25 de Agosto de 1891 Nasciam Alberto Savínio (Itália), Luis Iruarrizaga Aguirre (Espanha) e Samuel Gardner (EUA). Em consonante com suas belas obras, o gosto pelo espiritual. Alberto Savínio escrevia peças que envolviam deuses, metáforas e comportamento humano, tendo como referências a mitologia grega clássica; Luis Iruarrizaga foi criado dentro da Igreja Católica, começando a cantar aos 6 anos de idade e desenvolvendo toda a sua composição ao redor de temas sagrados e religiosos e, finalmente, Samuel Gardner cresceu dentro da Igreja Ortodoxa Russa e foi considerado um grande violinista, chegando a ganhar o prêmio Pullitzer em 1914 por seu conjunto de composições de corda. Sua obra foi descrita como sendo “Extremamente espiritualizada”. Três homens devotados a criar códigos (expressos na forma de arte e música) que traduzisse o vasto sentimento espiritual de cada um.

Mapas Astrais

O Mapa dos três traz Sol, Mercúrio e Marte em Leão-Virgem (Rei de Ouros); Lua em Touro; Mercúrio em Virgem-Libra (Rainha de Espadas); Júpiter em Peixes (ao lado do sol, o planeta mais forte do mapa, com 3 aspectações fortes, entre elas Oposição com Saturno em Virgem, que comentarei a seguir), Saturno em Virgem e Plutão e Netuno cravados em uma Aspectação de 0,09 graus em Gemeos.

Os mapas possuem duas Aspectações muito interessantes. A primeiro delas é a conjunção de Netuno (Espiritualidade) e Plutão (as grandes transformações) em Gêmeos (Energia da Comunicação). A Conjunção de um grau entre Netuno e Plutão demora cerca de 3 meses e acontece a cada 500 anos aproximadamente.

A última vez que aconteceu, marcou o início da Renascença (1398-1399), a última ocorreu no final do século XIX e começo do século XX e influenciou muito os movimentos artísticos e literários.

O segundo Aspecto interessante é a oposição de Júpiter em Peixes e Saturno em Virgem que fazem uma ponte entre a expansão espiritual e a lógica cartesiana virginiana. Uma combinação astral bem forte para “codificar o espiritual”. A música dos três possui aspectos piscianos, de mexer com o emocional e nos conduzir a uma jornada dentro de nós mesmos, cada um influenciado pelo meio cultural onde cresceu.

Achei estes três mapas muito interessantes porque eles ajudam a entender aquelas perguntas do tipo “por quê todo mundo que nasce no dia XYZ não é igual?”. As potencialidades são as mesmas, mas os fatores culturais, geográficos, sexuais e econômicos influenciam bastante em nossas escolhas e em nossa Verdadeira Vontade. O resultado final é fruto de nossas escolhas boas ou ruins; o Mapa funciona como um “parametro de configuração do software” de nossas biomaquinas… dadas vocações e condições iguais, os resultados serão muito próximos, como estes três mapas demonstram.

#Astrologia #Biografias

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Introdução ao Ocultismo Chinês

Li Jianmin (Instituto de História e Filologia, Academia Sinica)

O termo chinês para “artes ocultas” (數術 shushu) tem origem nos vários sistemas para determinar o destino. Originário da China antiga, o shushu recebeu muita atenção ao longo da história chinesa. Nos tempos antigos, “shu”數(“números”) eram considerados parte da natureza, e shushu (literalmente “arte dos número”) era percebido como um sistema de leis naturais que governam o cosmos. As artes ocultas incluíam técnicas e teorias para entender a relação entre os seres humanos e o cosmos. Em outras palavras, shushu era tanto uma visão tradicional chinesa do universo como uma variedade de técnicas de adivinhação baseadas nessa visão.

Assim, “shu” tem o significado tanto de “números” quanto de “cálculo”. Por exemplo, em shushu, os números eram percebidos como sinistros ou auspiciosos e, portanto, podem representar o destino. Assim, dominar os “números” era explicar o passado e prever o futuro, como declarado simplesmente por Yan Shigu 顏師古(581-645), um estudioso dos clássicos: “As artes ocultas são as artes da adivinhação”. Mais adiante, em adição a numerologia, shushu acabou por incluir o estudo de vários tipos de correspondências, incluindo conceitos relacionados ao tempo e ao espaço.

Existem duas visões tradicionais sobre a origem das Artes Ocultas na China. A primeiro, são de estudiosos que consideram todos os estudos do yinyang e das Cinco Fases como originados na figura histórica de Zou Yan (fl. 300 aC). Um segundo ponto de vista, como proposto, por exemplo, na seção “Artes Ocultas” do Siku quanshu, uma enorme coleção imperial de todos os tipos de escritos compilados em 1782, afirma que o estudo das artes ocultas “é na verdade um ramo do estudo das Mutações.”

No entanto, ambas as visões são imprecisas. À medida que mais e mais materiais recém-escavados são descobertos, sabemos que em vez de vir pronta de qualquer figura única, as noções de yinyang e das Cinco Fases originaram-se aos poucos de uma visão do universo extraída da prática da astronomia, do cálculos de calendário e do oráculo do cascos de tartaruga (I-Ching) As principais artes ocultas chinesas tomaram forma durante os trezentos anos que vão do período dos Reinos Combatentes até o Han Ocidental. Estudiosos pré-Qin, incluindo pensadores confucionistas e taoístas que enquadraram seus pensamentos dentro dessa visão do universo. Por exemplo, as idéias atribuídas ao Imperador Amarelo e Lao Tsé nos primeiros anos Han e as teorias cosmológicas discutidas nos apócrifos (chenwei 讖緯) em anos posteriores estão todas relacionadas às artes ocultas.

De acordo com a pesquisa recente de Li Ling, a adivinhação chinesa pode ser dividida em três ramos principais:

  • Astrologia e modelos cósmicos (式占 shizhan) relacionados ao calendário; (ver mais)
  • Advinhação oracular por meio de gravetos e leitura de casco de tartaruga  (筮占 shizhan) relacionados a adoração dos espíritos de animais ou vegetais; (ver mais)
  • Interpretação dos sonhos, apaziguamento (厭劾yan ke) e propiciação (祠禳ci rang) relacionados a fantasmas e seus efeitos no corpo humano. (ver mais)

A seção bibliográfica do Hanshu漢書 afirma que a biblioteca imperial Han continha 2.558 fascículos de escritos sobre as artes ocultas shushu. Estes foram categorizados em seis ramos: astronomia, calendário, as cinco fases (wuxing), leitura de casco de tartaruga (蓍龜), métodos variados de prognóstico (雜占) e fisionomia (形法).

Wuxing” refere-se à ressonância mútua entre as cinco fases (metal, madeira, água, fogo e terra) que na China antiga eram consideradas as forças básicas subjacentes a tudo no mundo. Os Wuxing estão correlacionados com as estações e direções. A maioria dos livros listados em wuxing na bibliografia Hanshu diz respeito a modelos cósmicos para selecionar dias auspiciosos. Após a dinastia Han, shushu tornou-se uma subcategoria das “Cinco Fases” nas histórias dinásticas e outros textos relevantes, expandindo assim o conceito de “Cinco Fases” para incluir vários tipos de adivinhação associados ao shushu. Os Princípios Gerais das Cinco Fases de Wuxing Dayi por Xiao Ji蕭吉 (final do século VI) resume as principais teorias de shushu antes da Dinastia Sui.

A astronomia e o calendário foram eventualmente separados das artes ocultas. Os editores do século XVIII Siku quanshu incluíram sete categorias sob o termo “artes ocultas”: matemática (數學shuxue), adivinhação por fenômenos celestes (占候zhhanhou), avaliações de habitações e túmulos (相宅相墓 xiangzhai, xiangmu), adivinhação,  fisionomia (命書相書mingshu, xiangshu), yinyang e as cinco fases, e artes diversas (雜技術).

Além disso, nos tempos antigos, as artes e técnicas ocultas para preservar a vida (方技fangji) eram conjuntamente chamadas de “fangshu方術”. , técnicas para preservar a vida (fangji) incluíam vários ramos destinados a preservar a saúde (養生yangsheng), como técnicas médicas, técnicas sexuais e os caminhos dos imortais (神仙shenxian). Capítulos sobre fangshu nas histórias dinásticas e enciclopédias (類書leishu) frequentemente discutiam medicina. Artes e técnicas ocultas para preservar a vida são, de fato, dois ramos de conhecimento inter-relacionados.

Livros sobre artes ocultas e sobre tecnologia e habilidades (como medicina) compartilham várias características comuns. A autoria é anônima. Os livros são atribuídos a figuras lendárias ou imperadores cujas conversas foram supostamente registradas nos livros. Caso contrário, alega-se que as técnicas ou habilidades registradas nesses livros estão de alguma forma relacionadas a essas figuras lendárias. Além disso, um livro pode incorporar várias obras de diferentes de períodos e de natureza diferente. Os escritos de um professor e de seu(s) discípulo(s) podem ser reunidos no mesmo livro. Outra característica comum é que o conhecimento das artes ocultas era transmitido secretamente de mestre para discípulo. Por causa desse sigilo, os termos técnicos e as fórmulas das artes ocultas foram muitas vezes perdidos ou modificados. No entanto, as artes ocultas ainda mantinham um certo nível de consistência interna.

Embora algumas técnicas tenham sido perdidas antes da dinastia Tang, materiais recém-desenterrados sobre artes ocultas podem nos ajudar a alcançar uma nova compreensão das principais tendências das artes ocultas nos tempos pré-Tang. (Para mais informações sobre esses materiais recém-desenterrados sobre artes ocultas, veja Li Ling, Zhongguo fangshu kao [Um Estudo das Artes Ocultas Chinesas]). Esses artefatos indicam que as artes ocultas se desenvolveram rapidamente durante as dinastias Zhou e Qin (cerca de 600-200 a.C.). A terminologia e o formato narrativo das artes ocultas nessa época tiveram uma grande influência em períodos posteriores.
Esses materiais recém-descobertos revelam que durante os períodos dos Reinos Combatentes, Qin e Han, houve uma tendência das artes ocultas em correlacionar shu, e combinar tempo, posição e direção, e até especular sobre espíritos. Esse desenvolvimento caracteriza a preocupação chinesa com a interação e ressonância nos ritmos cósmicos.

Zhang Xuecheng章學誠 (1738-1801), um proeminente estudioso da Dinastia Qing, sugeriu que os livros das artes ocultas eram originalmente baseados em ilustrações e gráficos. Na dinastia Song, o estudo de “yi” (易, os hexagramas do Livro das Mutações) incluiu um ramo para o “estudo de gráficos e números” (圖數之學 tushu zhixue). Os artefatos recentemente desenterrados mostram que ilustrações e números usados ​​em coordenação eram uma parte importante dos livros de artes ocultas.

Considere, por exemplo, a “Ilustração de uma Figura Humana” (人字圖 – Renzi tu), em destaque acima encontrada nos documentos de seda desenterrados dos túmulos Mawangdui em Changsha em 1973. O caractere “zi”字 em “Renzi”人字 significa parto. Esta ilustração, na qual certas localizações corporais estão relacionadas à hora e data de nascimento, é usada para prever o destino ou a possível personalidade de um bebê recém-nascido. A ilustração “Renzi” usa a figura de um corpo humano para representar as quatro estações. Também localiza os Ramos Terrestres nas sete partes de um corpo humano para prever a fortuna do bebê. Os doze Ramos Terrestres são uma sequência de marcadores de tempo, usados ​​tanto para os ciclos de duas horas mensais quanto para os diurnos. Por que esta ilustração toma a figura humana como seu fundamento?

De acordo com as notas na ilustração, diferentes conotações foram atribuídas a diferentes partes do corpo humano. Por exemplo, a cabeça representa “riqueza”, enquanto a sola dos pés representa “baixo status”, as axilas correspondem ao “amor” e as mãos representam “esperteza”. analogia entre partes do corpo e a fortuna de um bebê. Os vapores vitais masculinos e femininos (qi) foram considerados como correspondendo aos diferentes elementos dos Ramos Terrestres usados ​​no calendário. Emblemáticos das quatro estações, os Ramos Terrestres na “Ilustração da Figura Humana” representam as mudanças de energia ao longo do ano. Os leitores da ilustração precisam começar na cabeça e terminar na genitália, procedimento que simboliza as transições das quatro estações. Finalmente, esta ilustração define sete como um número de unidade. Aqui shu é considerado uma entidade independente que existe antes e depois do céu e da terra. A regularidade de shu representa ainda a noção de um “número” fixo ou destino que afeta pessoas e eventos. Em suma, a lógica interna das artes ocultas como expressa na ilustração “Renzi” é mostrada pelas relações entre as quatro estações, yinyang e os números. Os significados metafóricos de diferentes partes do corpo na ilustração predizem as possíveis personalidades de um bebê.

O “Yucang maibao tu” ou “Enterrando o Mapa de Pós-Nascimento Secretado por Yu”禹藏埋胞圖, outro documento de seda descoberto em Mawangdui, revela uma estrutura semelhante de interações entre o céu e os humanos. O “bao” em “maibao” refere-se à placenta. As pessoas na China antiga usavam este gráfico para selecionar a hora, o local e a direção adequados para enterrar a placenta, a fim de influenciar o destino, a inteligência e a expectativa de vida de um bebê recém-nascido.

Este gráfico consiste em três partes:

1) O gráfico inteiro é um grande quadrado feito de doze pequenos quadrados representando os doze meses. Os doze quadrados estão dispostos no sentido horário a partir do quadrado inferior esquerdo, que é rotulado como “Primeiro Mês”. O resto dos quadrados são rotulados sequencialmente.

2) Cada quadrado mensal é dividido em doze direções, por um diagrama chamado “ersheng sigou tu” 二蠅四鉤圖 (gráfico de duas cordas e quatro ganchos).

3) Cada um dos doze quadrados mensais é marcado com duas posições de “morte” e 10 números, variando de 20 a 120. As posições e números de “morte” diferem para cada mês. A pessoa que enterra a placenta deve observar rigorosamente várias regras relativas ao tempo, direção e números.


O “ersheng sigou tu” (tabela de duas cordas e quatro ganchos) é particularmente interessante. De acordo com o capítulo Tianwen “Padrões Celestes” do Huainan zi准南子, o céu é sustentado por duas cordas e quatro ganchos. As duas cordas se cruzam perpendicularmente através do centro do céu. Os quatro cantos do céu são amarrados e sustentados pelos quatro ganchos. Quando lido em conjunto com os Doze Ramos Terrestres, o “Quadro de duas cordas e quatro ganchos” torna-se um modelo do universo. As duas cordas e quatro ganchos podem ser interpretados como representando “espaços temporais”, um conceito importante para a compreensão das artes ocultas.

Gráficos ou figuras semelhantes de espaços temporais também podem ser vistos em dispositivos, como o gráfico liubo六博 e o espelho guiju規矩鏡 (ou diagrama TLV) que incorporavam a visão antiga do cosmos. O gráfico de doze meses de “Enterrando a placenta secretada por Yu” é exatamente um desses gráficos. As posições de “dashi”(大時,Grande Período) ou “xiaoshi”(小時,Período Pequeno) são posições de azar para enterrar a placenta, e são as duas posições rotuladas como “morte” para cada mês. Dashi originou-se de observações da Estrela do Ano (Júpiter), enquanto “xiaoshi” foi baseado em observações da Ursa Menor (斗doubing), ou da fundação lunar (月建yuejian), que foi baseada na observação da Ursa Maior. .
A “Tabela de Enterrar a Pós-parto Secretada por Yu” incorpora todos os elementos usados ​​na prática das artes ocultas nas gerações posteriores. O gráfico como um todo é um mapa com o norte na parte inferior e o sul na parte superior, o oeste à direita e o leste à esquerda. Os gráficos internos (gráficos de doze meses) são todos baseados no layout universal dos dois cabos e quatro ganchos. Os números nos pequenos gráficos simbolizam a duração da vida de uma pessoa. Portanto, neste mapa, o céu, a terra (direções) e o homem (tempo de vida) formam um conjunto de referentes correspondentes. O futuro de um bebê está ligado à ação de enterrar a placenta. O intermediário entre as interações é o “vapor vital” (qi) que efetua a correspondência entre assuntos semelhantes ou relacionados.

Este método de pensamento correlativo baseia-se na linguagem simbólica e estereotipada para derivar infinitas inferências de qualquer ponto de referência. A biografia de Zou Yan, no capítulo Meng Xun do Shiji史記, descreve suas técnicas com o seguinte: “Ele primeiro testaria sua teoria em pequena escala e depois extrapolaria por inferência até abranger tudo.” Tecnologias e habilidades práticas tradicionais chinesas adotaram esse modo de pensar, sendo a medicina chinesa clássica um exemplo bem conhecido.

Os documentos demonstram que as artes ocultas eram de valor pragmático, e foram, e continuam a ser, integradas e na vida cotidiana das pessoas comuns. Por exemplo, nos tempos antigos, manuais sobre artes ocultas foram publicados para o público em geral e as comunidades na China moderna ainda usam almanaques que incorporam as artes ocultas. Por outro lado, porque as artes ocultas eram frequentemente usadas para prever o futuro dos assuntos do Estado, e porque seu caráter misterioso era considerado uma ameaça à ordem estabelecida, a prática das artes ocultas era inseparável da manipulação do poder político. Portanto, o conhecimento das artes ocultas, especialmente astronomia e astrologia, geralmente era controlado pelo governo, que muitas vezes proibia o estudo privado nesses campos.

O proeminente estudioso Gu Jiegang 顧頡剛 (1883-1980) disse uma vez que entre todos os ramos do aprendizado chinês, as artes ocultas são as mais difíceis, e que as seções mais impenetráveis ​​de livros sobre artes militares ou medicina são principalmente relacionadas às artes ocultas. A importância do estudo das artes ocultas não se limita à compreensão das próprias artes ocultas. As artes ocultas tiveram uma influência importante em muitos aspectos da cultura tradicional chinesa e foram uma força importante ao longo da história chinesa.

Referências

Li, Ling, ed. Zhongguo fangshu gaiguan [Uma visão geral das artes ocultas chinesas]. Pequim: Renmin zhoungguo chubanshe, 1993. 10 seções e 13 volumes. Este trabalho abrange astrologia, adivinhação, seleção de dias auspiciosos, adivinhação, fisionomia e outras técnicas.

Liu, Daochao, trad. e comentário. Xieji bianfang shu [協紀辯方書] (1741) Nanning: Guangxi renmin chubanshe, 1993. Nakamura, Shohachi. Goygo taigi kochu [Comentário sobre os Princípios Gerais das Cinco Fases]. Tóquio: kyuko shoin, 1984.

Graham, A. C. Yin-yang e natureza do pensamento correlativo. Cingapura: Instituto de Filosofias do Leste Asiático, 1986.

Harper, Donald. “Estados guerreiros, qin e manuscritos Han relacionados à filosofia natural e ocultismo.” em Edward L. Shaughnessy (ed.) Novas Fontes da História Chinesa Antiga. Berkeley: The Society for the Study of Early China & The Institute of East Asian Studies, University of
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Huang, Yinong. “Mawangdui hanmu boshu’renzitu’ kaoshi” [Um estudo e explicação da ‘Ilustração de uma figura humana’ um documento de seda de
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Huang, Yinong..”Zhoungguo gudai’jinfang’kaolun”[Jinfang: A transmissão de técnicas secretas na China antiga].in Zhongyang yanjiu yuanlishi yuyan yanjiusuo jikan [Boletim do Instituto de História e Filologia, Academia Sinica] v.68, parte 1.1997.

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Llody, Geoffrey. “Adivinhação: tradições e controvérsias, chinês e grego.” Extremo-Oriente, Extremo-Ocidente 21,1999.

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/introducao-ao-ocultismo-chines/

Os Sabbats

Os oito Sabbats, celebrados a cada ano pelos Covens dos Bruxos e pelos Bruxos Solitários, são belas cerimônias religiosas derivadas dos antigos festivais que celebravam, originalmente, a mudança das estações do ano. Os Sabbats, também conhecidos como a “Grande Roda Solar do Ano” e “Mandala da Natureza”, têm sido celebrados sob formas diferentes por quase todas as culturas no mundo. São conhecidos sob vários nomes e aparecem com freqüência na mitologia.

Os quatro Sabbats principais (ou grandes) correspondem ao antigo ano gaélico e são chamados de Candlemas, Beltane, Lammas e Samhain. Os quatro menores são Equinócio de Primavera, Solstício de Verão, Equinócio do Outono e Solstício de Inverno.

Ao contrário da imagem que muitas pessoas têm do Sabbat dos Bruxos, eles não constituem uma ocasião em que as Bruxas se reúnem para realizar orgias, lançar encantamentos ou preparar poções misteriosas. A magia raramente é realizada, se é que isso acontece, num Sabbat de Bruxos. O Sabbat, infelizmente tem sido confundido também com a “Missa Negra” Satânica ou “Sabbat Negro”, sendo esse outro conceito errado que muitas pessoas têm e que é decorrente de séculos de propaganda antipagã da Igreja, do medo, da ignorância e da imaginação excessiva dos escritores desde a Idade Média. Uma Missa Negra não é um Sabbat de Bruxos, mas uma prática satânica que parodia o principal ritual do Catolicismo e que inclui supostamente o sacrifício de bebês não batizados, orgias sexuais pervertidas e a recitação de trás para frente do “Pai Nosso”.

Nada disso jamais acontece nos Sabbats dos Bruxos. Não há sacrifícios (humano ou animal), não há o que chamam de magia negra, não há rituais anticatólicos. Os Sabbats são simplesmente uma ocasião em que os Bruxos celebram a Natureza, dançam, cantam, deleitam-se com alimentos pagãos e honram as deidades da Religião Antiga (principalmente a Deusa da Fertilidade e Seu Consorte, o Deus). Em certas tradições wiccanas, a Deusa é adorada nos Sabbats de Primavera e do Verão, enquanto o Deus é homenageado nos Sabbats do Outono e do Inverno.

A celebração de cada Sabbat é uma experiência espiritual intensa e sublime que permite aos praticantes permanecerem em equilíbrio harmonioso com as forças da Mãe Natureza.

Por Gerina Dunwich

#Wicca

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