Apocalipse de Paulo

[…] a estrada. E ele falou para ele, dizendo, “Por qual estrada eu devo subir para Jerusalém?” A criança pequena respondeu, dizendo, “Diga seu nome, para que eu possa te mostrar a estrada”. A criança pequena sabia quem Paulo era. Ele desejava conversar com ele através das palavras dele, para que ele pudesse encontrar um pretexto para falar com ele.

A criança pequena falou, dizendo “Eu sei quem você é, Paulo. Você é aquele que foi abençoado do útero de sua mãe. Pois eu vim até você para que você possa subir para Jerusalém, para os seus companheiros apóstolos. E por esta razão você foi chamado. E eu sou o Espírito que te acompanha. Deixe a sua mente acordar, Paulo, com […]. Pois […] inteiro que […] entre todos os poderes supremos e estas autoridades e arcanjos e poderes e a raça inteira de demônios, […] aquela que revela corpos para uma alma-semente.”

E após ele ter concluído esse discurso, ele falou, dizendo para mim, “Deixe a sua mente acordar, Paulo, e veja que esta montanha sobre a qual você está parado é a montanha de Jericó, para que você possa conhecer as coisas escondidas naquelas que são visíveis. Agora você irá para os doze apóstolos, pois eles são espíritos eleitos, e eles te saudarão.” Ele elevou seus olhos e viu eles o saudando.

Então o Espírito Sagrado que estava falando com ele o alçou alto para o terceiro céu, e ele passou além para o quarto céu. O Espírito Sagrado falou para ele, dizendo, “Olhe e veja sua semelhança sobre a terra.” E ele olhou para baixo e viu aqueles que estavam sobre a terra. Ele observou e viu aqueles que estavam sobre os […]. Então ele fitou abaixo e viu os doze apóstolos à sua direita e à sua esquerda na criação; e o Espírito estava indo na frente deles.

Mas eu vi no quarto céu de acordo com categoria – Eu vi anjos parecendo deuses, os anjos trazendo uma alma para fora da terra dos mortos. Eles a puseram frente ao portão do quarto céu. E os anjos estavam açoitando ela. A alma falou, dizendo, “Que pecado foi que eu cometi no mundo?” O cobrador de pedágio que habita no quarto céu respondeu, dizendo, “Não foi correto cometer todas aquelas ações sem lei que existem no mundo dos mortos”. A alma respondeu, dizendo, “Traga testemunhas! Deixem que elas te mostrem em qual corpo eu cometi ações sem lei. Você gostaria de trazer um livro para consulta?”

E as três testemunhas vieram. A primeira falou, dizendo, “Eu não estava no corpo na segunda hora […]? Eu me levantei contra você até que você caiu em raiva e fúria e inveja.” E a segunda falou, dizendo, “Eu não estava no mundo? E eu entrei na quinta hora, e eu te vi e te desejei. E veja, portanto, agora eu te acuso dos assassinatos que você cometeu.” A terceira falou, dizendo, “Eu não vim até você na décima segunda hora do dia, quando o sol estava quase se pondo 1? Eu te dei escuridão até que você tivesse realizado seus pecados.” Quando a alma ouviu estas coisas, ela olhou para baixo com tristeza. E então ela olhou para cima. Ela foi lançada para baixo. A alma que havia sido lançada para baixo foi para um corpo que havia sido preparado para ela. E veja, suas testemunhas tinham terminado.

Então eu olhei para cima e vi o Espírito me dizendo, “Paulo, venha! Prossiga até mim!”. Então quando eu fui, o portão se abriu, e eu subi até o quinto céu. E eu vi meus companheiros apóstolos indo comigo enquanto o Espírito nos acompanhava. E eu vi um grande anjo no quinto céu segurando um bastão de ferro em sua mão. Havia três outros anjos com ele, e eu olhei nos rostos ferozes deles. Mas eles estavam se rivalizando, com chicotes em suas mãos, empurrando as almas para o julgamento. Mas eu fui com o Espírito e o portão abriu para mim.

Então nós subimos para o sexto céu. E eu vi meus companheiros apóstolos indo comigo, e o Espírito Sagrado estava me conduzindo adiante deles. E eu olhei para cima ao alto, e vi uma grande luz brilhando para baixo sobre o sexto céu. Eu falei, dizendo para o cobrador de pedágio que estava no sexto céu, “Abra para mim e para o Espírito sagrado que está diante de mim.” Ele abriu para mim.

Então nós subimos para o sétimo céu, e eu vi um homem velho […] luz e cuja vestimenta era branca. O trono dele, que está no sétimo céu, era sete vezes mais brilhante do que o sol. O homem velho falou, dizendo para mim, “Aonde você vai, Paulo? Ó abençoado e aquele que foi separado do útero de sua mãe.” Mas eu olhei para o Espírito, e ele estava acenando com a cabeça, me dizendo, “Fale com ele!”. E eu respondi, dizendo para o homem velho, “Eu estou indo para o lugar de onde eu vim.” E o homem velho me respondeu, “De onde você veio?” Mas eu respondi, dizendo, “Eu desci ao mundo dos mortais para libertar da escravidão aqueles que foram aprisionados em escravidão na Babilônia.” O homem velho respondeu me dizendo, “Como você será capaz de escapar de mim? Olhe e veja os poderes supremos e autoridades.” O Espírito falou, dizendo, “Dê-lhe o sinal que você tem, e ele abrirá para você.” E então eu lhe dei o sinal. Ele voltou sua face para baixo, para a criação dele e aqueles que são as autoridades pertencentes a ele.

E então o sétimo céu abriu e nós subimos para o Ogdoad. E eu vi os doze apóstolos. Eles me saudaram, e nós subimos ao nono céu. Eu saudei todos aqueles que estavam no nono céu, e nós subimos para o décimo céu. E eu saudei meus espíritos companheiros.

O Apocalipse de Paulo.

Nota:

1. Um dia na Terra tem 12 horas de luz e 12 horas de escuridão. A 12ª hora, portanto, é o momento de transição entre um período e outro.

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Fonte:

Apocalipse de Paulo. Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2017. Disponível em:<https://web.archive.org/web/20200220131228/http://misteriosantigos.50webs.com/apocalipse-de-paulo.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/apocalipse-de-paulo/

Ordem de Abraxas, Memphis Misraim e o Iluminismo Livre – Tales Azevedo

Bate-Papo Mayhem 247 – 09/11/2021 (Terça) 21h30 – com Tales Azevedo – Ordem de Abraxas, Memphis Misraim e o Iluminismo Livre

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Tales de Azevedo site: https://artereal.talesaz.com/

Ecclesia Babalon no Brasil: site: https://eb.4gsanctuary.com/

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#Batepapo #Thelema

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Fantasmas da Oceania

Austrália

[SMITH, 2004 – p 122]

Entre os aborígenes australianos o termo espírito e a dimensão espiritual da existência é se refere a inúmeras manifestações da vida:

1. há os espíritos de indivíduos; 2. espíritos da terra, de certos lugares e nações; 3. espíritos dos Tempo dos Sonhos e da Sabedoria [época primordial da criação do mundo e de todas as coisas]; 4. da família; 5. Protetores. Acreditam que o mundo foi criado em um estado de sonho [o Tempo dos Sonhos] pelos espíritos ancestrais, seres poderosos que tinham o poder de mudar de forma. Estes espíritos criadores são os mesmos que animam animais, habitam as terras, as águas, a flora e também os indivíduos, homens e mulheres da realidade objetiva e passageira da existência terrena. Por outro lado, espírito, “poder”, “força”, entre estes povos, são termos praticamente sinônimos.

A palavra “fantasma” chega a ser inadequada para designar os espíritos desencarnados mas, como herança européia, foi adotado para definir um espírito personificado [que mantém a personalidade do tempo em que estava vivo] confuso, alguém que morreu e que age no sentido de prejudicar os viventes. Os espíritos australianos originalmente que habitam cavernas, poços, fontes; quando deixam o corpo daquele que morreu, devem retornar para esses lugares. Porém, a persona tende a querer permanecer na terra de sua tribo; por isso, a cerimônia funerária do enterro inclui fazer o caminho até o local do túmulo andando em ziguezague ou cruzando a correnteza de rios para confundir a alma de modo que ela não encontre o caminho de retorno à aldeia. Se isso não for feito, o espírito volta causando transtornos, perturbando a vida cotidiana.

Polinésia

[CRAIG, 1989 – p 42] ─ Violentos e Canibais: Nas ilhas Polinésias, Akua ou Atua é o termo genérico para designar deuses, espíritos, demônios, fantasmas e outros seres sobrenaturais. Ali, existe uma distinção: o espírito de alguém que morreu é uma coisa, um fantasma, outra coisa. Os espíritos “normais” transcendem a existência e vão para “submundo”; são invisíveis. Mas aqueles que permanecem na Terra, são visíveis para os mortais.

Esses fantasmas, em geral, são malévolos e infligem danos físicos. Foram guerreiros que pereceram em batalhas ou os que morreram inesperadamente de mortes violentas [a crença se repete]. Freqüentemente, estes fantasmas tornam-se verdadeiros demônios, mencionados em muitos mitos polinésios. As vezes os espíritos voltam e atacam violentamente sem causa aparente: arrancam os olhos dos vivos, causam doenças No passado, fantasmas canibais, aterrorizaram os antigos polinésios.

Tal como em outras culturas, os procedimentos funerários têm importância fundamental no destino dos desencarnados. Se o cadáver não for tratado adequadamente, o espírito não tem descanso no Além. Algumas tribos não enterram seus mortos definitivamente: esperam pela decomposição da carne. Somente quando restam apenas ossos, estes são sepultados em lugares secretos. No Havaí, por exemplo, um fantasma Pümai’a apareceu para a esposa e revelou onde seu corpo fora jogado [pois seu paradeiro era desconhecido] para que ela pudesse providenciar funeral apropriado.

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/fantasmas-da-oceania/

Realidade ou Ficção?

Se a vida é ilusão para o hinduísmo, para o budismo, e desta forma os mestres herméticos o afirmam, o que será então a realidade? E, igualmente, o que será esta ficção? Se o homem é estrangeiro nesta terra, e como tal vive ao começar um trabalho interno alheio aos outros, qual é o critério de “verdade” ou “mentira”? Que soleira sutil se transpassa entre uma forma de ver e a outra? Pois, embora o que se considere mais estranho no homem contemporâneo (do qual somos ainda parte) é sua maneira de se aferrar e se identificar com as coisas, aqueles que se permitem esta atitude interna ou extraterrestre são considerados igualmente estranhos para o meio. Ao se abrir uma porta e dar um passo à frente, as coisas estarão banhadas de uma outra luz e de um outro conteúdo. Se fecharmos essa porta e dermos um passo para trás, essas mesmas coisas aparecerão familiares em seu nível rasante e cotidiano. Realidade ou ficção? Permitir-se ver é algo castigado pela sociedade que não aspira a estes projetos. Do mais íntimo do coração alguém se pergunta quem tem razão. Mas será a razão o instrumento adequado, ou a ferramenta que nos permitirá elucidar estas experiências pessoais? Ou será que simplesmente a experiência justificaria toda nossa ação?

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/realidade-ou-fic%C3%A7%C3%A3o

Ama Ushumgal Anna

No inicio a escuridão reinava, o Caos era tudo.

Tiamat, Mãe do Caos, junto com Absu, Pai das Profundidades, governavam a eterna escuridão e o perfeito silêncio.

Tiamat e Absu juntos formavam o caótico primordial oceano.

A água doce de Absu se misturava com a água salgada de Tiamat quando juntos sonhavam seus escuros sonhos.

Mas foram de dois antigos sonhos que energias que eram impuras e que não estavam em harmonia com o Caos começaram a tomar forma na escuridão.

As energias impuras cresceram fortes.

Sem a Mãe do Caos ou o Pai do Abismo, despertando-os de seu profundo e escuro sono.

E a partir das energias impuras que tomaram forma na escuridão, os deuses rebeldes e imundos começaram a surgir.

A partir das energias não-caóticas que tinham tomado forma, os deuses bastardos e indignos de falsa luz começaram a se manifestar.

Entre estes novos deuses, existia um com o nome de Enki, o mais forte.

Enki se tornou governante dos deuses bastardos.

Enki tornou-se o rei dos deuses indignos.

E o silêncio perfeito já não era mais perfeito, pois a noite eterna foi interrompida pelo múrmuro dos deuses bastardos.

Absu, Pai da profundidade, acordou de seu sono e se enfureceu.

Tiamat, Mãe do Caos, acordou de seu sono e estava cheia de ódio.

Desgosto! Eles olhavam com desprezo para os novos deuses.

Com os olhos de ódio eles observaram os deuses bastardos que procriaram.

A Mãe Tiamat estava abatida.

Isso encheu o Pai Absu com desejo de vingança.

Nem mesmo Egura, a água negra do abismo poderia silenciar o riso alegre dos deuses bastardos.

Nem mesmo as brumas das profundezas pôde esconder a presença dos novos deuses.

O comportamento dos deuses indignos tornou-se abominável para o Pai das profundidades.

Absu explodia cheio de ódio para as ações indevidas dos novos deuses.

Em sua ira, Absu virou-se para o Dragão do Caos, Tiamat, e disse:

“Os atos dos deuses bastardos são repugnantes para mim, pois já não consigo encontrar qualquer descanso, nem dormir na escuridão.
Eu vou destruir, vou aniquilar, vou arruinar seus atos, de modo que a pureza do Caos possa ser reintegrada, para que mais uma vez possamos sonhar o mais escuro dos sonhos.”

Quando Tiamat ouviu estas palavras, ela se encheu de alegria e gritou para o seu marido:

“Destrua aqueles seres criados a partir de meus sonhos, pois suas ações são repugnantes para mim.
Extermine esses deuses rebeldes, meu esposo, e tu outra vez, em meu abraço, sonharás os sonhos escuros de poder.”

Quando Absu ouviu isso, seu rosto irradiava o mal que ele tinha em mente para os deuses bastardos, deuses que eram sua própria prole nojenta.

Quando os novos deuses viram a Aura de ódio que cercava seu pai, Absu, todos ficaram cheios de medo.

Os deuses bastardos fugiram para Enki, que era seu rei, e explicou-lhe:

“O Abismo está pronto para a guerra, e a toda-poderosa Dragão do Caos está recitando maldições de vingança.”

Enki ao ouvir isso se encheu de medo, mas aquele que foi o mais covarde e sub-reptício de todos os deuses bastardos, disse aos seus servos:

“Vamos envenenar as águas das profundezas, e se a força do Abismo encontra-se na escuridão, vamos então trazer a nossa luz para a escuridão, de modo que possamos cegar o nosso pai, Absu.
Vamos através de nossos esforços coletivos destrui-lo, pois Absu é orgulhoso e não espera covardia.
Vamos emboscá-lo e, com a nossa magia, derrubar Absu nas águas da morte, para que ele possa eternamente sonhar os sonhos de morte.”

Absu, o Pai das profundidades, levantou-se do abismo e preparou-se para a batalha, mas os deuses covardes cegaram-no com a falsa luz e envenenaram sua água.

Eles atacaram Absu e, com a sua magia, eles o colocaram no sono da morte.

Os deuses bastardos revoltantes estavam cheios de alegria, e em puro êxtase, eles copulavam, a fim de criarem uma nova vida.

Desta forma os deuses da luz comemoraram sua vitória enganosa, e o rei dos deuses bastardos, o Enki covarde, disse aos seus servos:

“Vamos construir um templo e profanar o nosso pai morto, de nome Absu.
Vamos neste templo criar mais vidas que irão neutralizar o Caos.”

Quando os outros deuses ouviram isso, eles estavam cheios da repugnante alegria.

E na terra onde eles haviam derrotado Absu com seu covarde ataque, eles construíram um templo.

Para profanar o Caos, o Templo foi batizado como Absu.

Dentro do templo Absu, Enki copulava com sua imunda prostituta, Damkina.

Dentro do templo Absu, Marduk foi gerado.

Dentro do templo imundo foi gerado Marduk, filho de Enki, filho de Damkina.

Do ventre da prostituta Damkina, Marduk nasceu, e todos os deuses da luz concediam presentes a Marduk.

Todos os deuses bastardos da luz deram de seus próprios poderes a Marduk.

Marduk tornou-se o mais poderoso de todos os deuses bastardos, tão covarde e inteligente quanto seu pai enganoso, Enki.

A poderosa Tiamat, Mãe do Caos, Mãe Tiamat, o Dragão do Caos, cheia de raiva e repleta de ódio, surgiu a partir da escuridão, e seus gritos foram ouvidos assombrando nas profundezas, ouvidos na escuridão.

Os gritos de Tiamat foram ouvidos em Nar Mattaru, e seus gritos eram como uma tempestade, chicoteando todas as almas, exceto seus inimigos jurados, que permaneciam em Da-Ra-Es Ku-Kuga Bar Sheg.

Fora das cavernas escuras de Da-Ra-Es Ku-Kuga Bar Sheg, o Espírito da Vingança aproximou-se de Tiamat.

O espirito da vingança disse a Tiamat:

“Teu esposo foi morto pelos deuses bastardos covardes, Absu foi morto pelos deuses bastardos abomináveis.
Das suas formas enganosas mataram nosso pai, e profanaram a escuridão do Caos com a sua imundice.
Vamos vingar o nosso amado Absu, ó Mãe do Caos! Vamos vingar sua morte, ó toda-poderosa dragão!”

Quando Tiamat ouviu este discurso, ela se agradou, e ela gritou na escuridão:

“O tempo da vingança está à mão! Os ventos de ódio devem atacar e o fogo da destruição queimará toda a vida!
O Espírito de Vingança me despertou do sono da tristeza, e agora iremos vingar a morte de Absu!”

Com sua magia, Tiamat convocou seres da sua escuridão à vida.

Demônios malignos e os deuses do Caos ela invocava, e todos eles se reuniram sob o trono do dragão.

Na raiva, conspiraram sem interrupção, aguardando a batalha.

Na raiva e ira, eles realizaram um conselho para planejar a próxima guerra.

A Mãe Tiamat, cheia de ódio, recitou as conjurações antigas e com a sua magia ela suscitou Hubur, sua Alta Sacerdotisa. Hubur, a Criadora de Demônios. Hubur, A Colérica Sombra de Tiamat.

Tiamat falou para Hubur:

“Crie uma legião de vingança, crie demônios de desordem, crie deuses da destruição, porque eu, Tiamat, a mais antiga e poderosa dos deuses do Caos, exijo o sangue dos novos deuses como sacrifício!
Crie exércitos de guerreiros do Caos, exércitos que deverão vingar a morte de Absu.
Crie vingadores do Caos, minha fiel Hubur, e vingue o sofrimento do dragão!”

Hubur curvou-se perante o trono do dragão, e com sua magia negra, chamou por diante dragões monstruosos com presas afiadas e impiedosas.

Em vez de sangue encheu suas veias com veneno, dragões gigantes de ira foram revestidos de poder e medo.

Ela deixou-lhes carregados com aura de terror e fez deles deuses, para que aqueles que tivessem intenção de prejudicá-los fossem destruídos.

Hubur aliou-se a Hydra; o dragão feroz; Lahamu; o grande leão, ao cão raivoso e ao homem escorpião.

Grandes demônios da tempestade, o homem peixe e os dragões, todos portando armas sem piedade e sem medo de batalha.

Onze Coléricos Deuses caóticos que dessa forma ela deu à luz.

E quando tudo estava preparado, Hubur ajoelhou-se diante do grande dragão, Tiamat. Tiamat, a personificação do Caos primordial, gritou para Hubur com uma voz odiosa:

“Hubur, minha própria sombra e sacerdotisa fiel, estou satisfeita com o que tu criaste, mas quem irá liderar o Onze para a suprema vitória, e trazer-me as almas arrancadas dos deuses bastardos como um sacrifício?”

Quando Hubur ouviu a pergunta do Dragão do Caos, ela chamou à luz o seu cônjuge com sua magia negra, ela chamou por diante o grande príncipe do Caos, o Senhor da Guerra, Kingu.

Em frente ao trono de Tiamat exaltou Kingu. E, em nome de Tiamat, Hubur escolheu Kingu para liderar o exército.

Ela escolheu Kingu para liderar esta congregação sinistra, para levantar as armas, e estar no comando da batalha próxima. Hubur deixou Kingu tomar o seu lugar no conselho escuro.

E diante do trono de Tiamat, Hubur disse a seu esposo, o poderoso Kingu:

“Eu tenho que recitar uma fórmula de poder para ti. Eu te fiz grande entre os deuses, eu enchi tua mão com o poder e domínio sobre todos os deuses, tu agora estás mais poderoso do que nunca, ó meu esposo.
Deixe aqueles deuses bastardos imundos serem esmagados debaixo dos teus pés!”

Hubur deu ao poderoso Kingu as Tábuas do Destino, e amarrou-as no seu peito. Então, Tiamat gritou:

“Kingu agora está pronto para a guerra! Kingu que irá vingar a morte de Absu!”

As legiões do Caos estavam armadas para a batalha contra os deuses rebeldes; a própria semente indesejada e detestável de Tiamat.

Os deuses rebeldes imundos, mais uma vez tornaram-se cheios de horror, e o deus deles, Enki, estava tremendo de raiva e medo.

Enki foi silenciado pelo medo e chorou sangue em seu trono, pois sabia que ninguém poderia sobreviver a ira da poderosa Tiamat.

O covarde Enki, o deus enganador, reuniu seus servos e disse-lhes sobre os feitiços que a poderosa dragão tinha destinado a eles.

Enki disse-lhes sobre os onze, criados pela vontade de Tiamat e a magia de Hubur.

Ele disse-lhes sobre as Legiões da Vingança, que sob a liderança de Kingu agora estavam preparadas para a guerra.

E quando todos os deuses de falsa luz ouviram isso, eles choraram sangue.

Eles sabiam que nenhum deles se atreveria a responder às legiões de sua ira, que, sob a liderança de Kingu, iriam vingar Absu.

Os deuses covardes foram silenciados e a sombra de Uggu caiu sobre eles.

Mas Anshar, que era o mais velho entre os deuses bastardos, surgiu com uma solução. Anshar chamou Enki e sugeriu:

“Aquele cuja força é enorme deve ser defensor de seu pai.
O único que deve lutar contra o Caos é Marduk, o herói”

Quando Enki ouviu isso, ele chamou seu filho, Marduk, e disse-lhe:

“Ó Marduk, meu filho fiel, ouça agora o teu pai, pois a sombra da morte caiu sobre todos nós, a Mãe Tiamat, o dragão do mal, declarou uma guerra contra nós que têm vindo sucessivamente a partir de teus sonhos, ela reuniu as legiões do Caos e colérica escuridão, que agora estão prontos para derramar o nosso sangue.
Tu és a nossa única esperança, Marduk, pois nenhum outro em meio de nós se atreve a lutar contra os guerreiros de Tiamat, que estão liderados por Kingu.
Eu, Enki, quero tu, Marduk, que é o mais fortes de todos os deuses, para nos defender contra a ira do Dragão. Eu quero tu, meu filho, para derrotar Tiamat.”

Marduk, que estava cheio de ódio contra as forças do Caos, jurou diante do trono de seu pai que faria guerra contra a Mãe Tiamat e usaria a força que todos os deuses tinham lhe concedido.

Quando os deuses ouviram isso, eles encheram-se de alegria, mas Marduk, que era o mais astuto entre os deuses bastardos, reuniu todos eles, e colocou por diante as suas exigências antes da batalha que estava próxima, batalha contra as forças do Caos.

Para o seu pai e os outros deuses, ele proclamou:

“Se eu, Marduk, filho de Enki, devo travar uma guerra contra Tiamat, preciso das bênçãos e poderes de todos os deuses.
Eu, Marduk, serei exaltado acima de tudo. Pois governar o trono mais alto é o meu pedido, pois, se vós não me exaltardes como o mais alto deus, minha força não será suficiente para derrotar o Caos, e a morte certamente levará todos nós.”

Os deuses, cheios de medo da guerra que se aproximava.

Concordaram com as demandas de Marduk.

Eles construíram poderosos templos em honra a Marduk, e elogiaram o seu nome.

Eles declararam Marduk como o rei dos deuses, e deu-lhe o topo, o trono e o domínio.

Os deuses bastardos armaram Marduk com armas poderosas.

Eles armaram Marduk com arco e flecha.

O Marduk foi armado com machado e espada.

O Marduk foi armado com relâmpagos e fogo.

Com seus poderes recém-adquiridos, o covarde Marduk criou uma rede de luz ilusória para capturar seus inimigos dentro.

Marduk convocou os quatro ventos cósmicos, e ele criou o redemoinho e o furacão, para protegê-lo contra a ira do Caos.

Ele enviou estes ventos para o Dragão, para confundir seus sentidos.

Marduk, agora que estava pronto para a batalha, chamou uma tempestade de vento forte. Em seguida, cercou-se com um redemoinho que o protegeria sobrevoando os exércitos das trevas.

Marduk voou até o trono do Dragão.

Para as profundezas do Caos, Marduk percorreu, diante do trono do Caos, diante da Mãe Tiamat, mais uma vez ele desceu em direção à profundidade.

Cara a cara com o Dragão, Marduk declarou guerra. Sem se ajoelhar, o Marduk imundo se atreveu a ficar na frente do trono de Tiamat.

Ummu Ushumgal Sumun Tiamat, Mãe do Caos, cheia de ira, cheia de ódio, olhou para o Marduk rebelde.

Com os olhos da morte, e com o frio olhar de ódio, ela olhou para o filho indigno de Enki.

Tiamat recitou as canções de morte, ela gritou por diante uma conjuração.

Tiamat atacou Marduk com sua antiga fórmula, e com sua magia negra ela o esfaqueou.

Como filho dos deuses, o Marduk astuto, estava cheio de medo.

Dos olhos de Marduk, o sangue jorrou.

Da boca de Marduk, a água vermelha da vida fluiu.

Dos ouvidos de Marduk, o sangue divino correu.

Marduk gritou de dor e lentamente começou a se afogar em seu próprio sangue.

Sessenta demônios dilaceraram o corpo de Marduk.

Sete demônios beberam seu sangue.

O grande Dragão, a Imperatriz do Caos, sentada em seu trono, riu da miséria e do sofrimento de Marduk.

As legiões do Caos, lideradas por Kingu, rodeavam Marduk. Os Filhos e Filhas do Ódio cercavam Marduk.

Marduk, cheio de medo, viu a sombra da morte fechando-se sobre ele.

Desesperado e oprimido pelo mal que o cercava, ele convocou seus ventos cósmicos.

Marduk convocou seus ventos de tempestade e lançou-os sobre os demônios.

Ele jogou sua rede de luz sobre Tiamat.

O Dragão do Caos, cheio de ódio, gritou as maldições antigas.

Marduk agora combatia com todos os seus poderes, e desencadeava os quatro ventos contra o rosto de Tiamat.

Quando Tiamat abriu a boca para gritar de raiva, Marduk deixou os ventos cósmicos correrem para dentro dela, para que ela não pudesse fechar suas mandíbulas ensanguentadas.

A Mãe Tiamat, a maior de todos eles, gritou para Marduk:

“Como tu podes esperar matar algo que nunca viveu?
Como tu podes derrotar aquilo que nunca nasceu?
Eu, Tiamat, era tudo quando tudo era nada! Eu governei antes da morte existir.
Eu sou o vazio e a escuridão eterna.
Eu sou o Caos, a destruidora de toda a ordem e a mãe de todos e do nada!
Como tu pudeste, Marduk, tu que és apenas uma prole de um dos meus sonhos natimortos, sempre esperar por uma ordem eterna?
Antes do Cosmos, era Caos, e quando o Cosmos cair, o Caos será tudo novamente!
Então aproveite a tua curta vitória, deus bastardo, porque eu, Tiamat, que fui a primeira a ver as Tábuas do Destino, sei como esta guerra vai acabar.
Aproveite a tua curta vitória, Marduk, pois quando a luz dos novos deuses for extinta, Eu novamente governarei!”

Marduk, que estava cheio de medo quando ouviu o discurso de desprezo de Tiamat, deixou os ventos cósmicos preencherem seu abdômen rasgando ela em pedaços por dentro.

Mas a poderosa Dragão do Caos, Tiamat, não gritou de dor. Em vez disso, ela respondeu com uma risada desdenhosa.

Marduk, o rei dos novos deuses, disparou suas flechas de luz e rasgou os intestinos do Dragão.

As flechas de Marduk dilaceraram os intestinos do Dragão e dividiram seu interior.

Rindo, a poderosa Tiamat caiu.

Rindo, a Mãe do Caos caiu no sono dos mortos-vivos.

Quando as tropas de Kingu testemunharam a queda do dragão, eles se dispersaram, mas a alta sacerdotisa do Caos, Hubur, a bruxa demoníaca que testemunhou a batalha, transformou-se em um vulto escuro.

Antes que o sangue derramado de Tiamat pudesse cair no chão, antes que o sangue do Dragão do Caos pudesse ser profanado pelo Marduk imundo, Hubur recolheu o sangue do poderoso dragão, Tiamat, e levou-o para lugares desconhecidos dos deuses de falsa luz.

A fiel Hubur, a Mãe da Magia Negra, a bruxa malvada Hubur, trouxe o sangue para os divinos e mais escuros lugares e derramou o sangue do dragão para o vazio infinito à fora.

A partir do sangue do dragão surgiu o Império do Caos Colérico.

A partir do antigo sangue do Caos, os vingadores da Escuridão surgiram, eles que deverão vingar a queda do Trono do Dragão.

O sangue da mãe Dragão fluiu e se espalhou, para que o Caos viesse cercar o que fosse evoluir do Cosmos.

Na escuridão do Caos Colérico estavam os demônios aguardando famintos.

O covarde Marduk ignorou as ações de Hubur. O novo Império da Fúria (Império de deuses indignos) estava junto ao corpo “morto” do Dragão e eles reuniram suas armas.

Pois já que tinham “matado” Tiamat, agora deveriam derrotar Kingu.

Kingu, o último que restava da antiga raça.

Kingu, o vingador do Dragão, queimava com ódio, e estava pronto para a guerra!

Mas antes que o senhor da guerra Kingu pudesse lutar contra o indigno Marduk, mas antes que ele pudesse afundar Marduk nas águas da morte, ele foi preso pelos exércitos dos deuses bastardos.

Kingu foi dominado pelas legiões dos deuses covardes, que agora se atreveram a aparecer.

Pois quando o Dragão foi ‘morto’ e Os Onze que foram criados pela magia de Hubur tinham se disperso em direção à essência do sangue do Caos Externo, os deuses bastardos estavam cheios de falsa coragem.

Eles algemaram o poderoso Kingu com correntes flamejantes, e Marduk roubou as Tábuas do Destino de Kingu, e incorporou-as ao seu próprio peito.

E então o demoníaco Senhor do Caos riu para Marduk e disse:

“Ó cão covarde, sua covardia deve ter te salvado agora, mas eu, Guerreiro do Caos, contemplei as Tábuas do Destino e eu vi como a guerra entre o Caos e o Cosmos irá acabar.
Eu olhei dentro das tábuas negras e vi tua própria criação se voltando contra ti.
Eu vi aqueles que servem a Ira da espada cega abrirem os portões para os Deuses famintos que esperam o dia da vingança.
Eu, Kingu, vi como aqueles que, guiados pelo meu sangue, irão vingar o Caos Primordial, que tu profanaste.
O Dragão se levantará, e eu, Kingu, receberei minha vingança!
Então, aproveite tua curta vitória, pois a vitória do Caos será eterna!
Minha vingança está dentro da herança do meu sangue, e o ódio em meu sangue é sem fim.
Então, aproveite tua vitória Marduk, porque quando o Dia da Ira amanhecer, teu sangue será derramado em minha honra, por aqueles que o meu sangue dentro circula!”

Quando Marduk ouviu isso, ele disse aos seus guerreiros para aprisionar Kingu.

Na caverna mais escura de Uggu, ele deixou seus exércitos acorrentarem Kingu.

Toda a congregação dos novos deuses se reuniu em torno de Marduk, e o saudaram.

Então, Marduk, o bastardo indigno, partiu a cabeça do Dragão com sua espada.

Então Marduk cortou suas veias, e quando o seu pai viu isso, ele se encheu de alegria e felicidade.

Marduk, olhando para o corpo do Dragão, decidiu criar o universo com o corpo da Mãe Dragão.

Ele cortou seu corpo ao meio, e com uma metade ele criou o céu.

Com a outra metade, ele criou a terra.

Marduk colocou guardiões para impedir “aqueles que ficam do lado de fora” de invadir sua criação, pois ele sentiu o ódio daqueles que haviam ascendido da essência do sangue do Dragão.

Ele criou barreiras para proteger sua criação dos Deuses Coléricos do Caos. Ele criou portões fechados para evitar os Oceanos do Caos de inundar o universo.

Ele criou estações para que os deuses se correspondessem com as estrelas das constelações.

Marduk criou anos e dias, e deu domínio sobre todos os planetas aos deuses. O filho de Enki criou o sol para clarear o dia, e a lua para clarear a noite.

Todos os deuses saudaram Marduk, e deram a ele o título de Senhor Criador.

Marduk que gostava de ser aclamado decidiu criar o Homem, para que eles também o saudassem e o adorassem. Marduk disse ao seu pai Enki:

“Com sangue eu unirei e atarei um esqueleto.
Eu criarei o Homem, cuja finalidade será adorar-nos para sempre e servi-nos como escravos.”

Quando Enki ouviu isso ele estava orgulhoso de seu filho, e chamou todos os deuses, para que Marduk pudesse confessar seus planos para a criação do Homem.

Quando os deuses ouviram o plano de Marduk, eles deram a sua aprovação ao deus criador.

O astuto Marduk estava satisfeito, e perguntou aos deuses:

“Quem dentre vós estais, então, pronto para ser sacrificado a fim de criar o Homem como nosso fiel escravo?
Quem dentre vós estais pronto para ter o teu sangue derramado, a fim de criarmos nossos escravos de sangue e barro?
Para a fim de criar o Homem, eu preciso do sangue de um deus, para fazer o homem emergir do barro, a vida de um deus deve ser sacrificada.
Quem dentre vós estais preparado para morrer a fim de cumprir os desejos exaltados pela assembleia divina?”

Os deuses covardes ouviram as palavras do demiurgo (Marduk) e estavam cheios de medo, pois nenhum deles estavam preparados para sacrificar sua própria vida, a fim de cumprir os desejos de Marduk.

Mas os deuses Igigi, que estavam entre os mais inteligentes dos deuses, pensaram em uma solução, eles disseram a Marduk:

“Vamos sacrificar o único que declarou guerra contra nós, vamos matar quem nos ridicularizou.
Vamos derramar o sangue de quem professou a nossa morte.
O Guerreiro do Caos, quem nós temos aprisionado, pode morrer para que possamos receber nossos fiéis servos.
Nós podemos matar Kingu, para que o Homem, nosso fiel escravo, possa ser criado!”

Quando Marduk ouviu isso, ele se animou e ordenou para que Kingu fosse levado perante a assembleia dos deuses.

Os deuses rebeldes imundos trouxeram Kingu da caverna de Uggu.

Orgulhoso, o poderoso Kingu ficou diante os deuses indignos.

O covarde Marduk, disse a Kingu:

“Tu, quem professastes nossa morte, é agora tu quem deverás morrer.
Talvez a força e os poderes do Caos não sejam tão grandes como eu havia previsto.
O poderoso Kingu talvez esteja cego, que não pôde ver a sua terrível morte nas Tábuas do Destino.”

Quando Kingu ouviu isso, ele riu com sua risada desdenhosa novamente e disse:

“Eu, Kingu, vi minha própria morte nas Tábuas do Destino, mas também vi minha própria ressurreição.
Pois o que mais é a morte para nós que somos do Caos do que um pequeno descanso?
Nós somos os primeiros, e devemos ser os últimos.
Nós, que nunca vivemos, não podemos morrer!
Derrame meu sangue, ó covarde Marduk, pois todo o sangue que corre em minhas veias, um dia derrotará a ti, pois o meu ódio é eterno, assim como meu desejo por vingança!
Aproveite, ó deus bastardo e imundo, pois a punição para os teus crimes é horrível e eterna!”

Quando os deuses que estavam presentes ouviram aquilo, eles ficaram cheios de raiva, e com suas espadas eles cortaram o corpo do poderoso Kingu em pedaços.

O covarde Marduk cortou as veias de Kingu, e misturou o sangue de Kingu com a argila para modelar o corpo humano.

Então Marduk soprou sua própria respiração fétida dentro do corpo humano, de modo que seria preenchido com força vital e começassem a viver.

O Homem foi criado e todos os deuses saudaram Marduk.

Os deuses indignos concederam a Marduk seus cinquenta títulos, e o exaltaram para governar como rei de todos os deuses cósmicos, onde o Caos havia governado supremo, o Cosmos agora reinava.

No entanto de fora das barreiras do Cosmos, os deuses do Caos Colérico, que emergiram a partir da essência do sangue do Dragão do Caos, estão olhando para a criação de falsa luz e esperando o dia da vingança.

Eles aguardam a ordem dos Onze do Caos, para invadir o império do demiurgo, para espalhar as chamas na Luz Externa, e para sempre extinguir a centelha da vida dos deuses criadores.

Mas os famintos, que aguardam a guerra do lado de fora, não são os únicos agentes do Caos Colérico.

Também está escrito que a criação de Marduk, impulsionada pelo sangue de Kingu, deve abrir os portões internos para o Outro Lado.

Porque fora dito que o homem, criado pelo sangue do Diabo deve-se voltar contra o seu próprio criador, o impotente Marduk cometera um erro fatal quando criou os humanos com o sangue de Kingu; o Guerreiro do Caos Colérico.

Através do sangue de Kingu, o Homem carrega nas profundezas de sua alma a Chama Negra do Caos.

Dentro das profundezas de sua alma, o Homem carrega a semente do ódio anticósmico.

Pois o sangue-espírito do Homem é da essência do vingador, e o ódio da humanidade é o ódio de Kingu.

Entre os eleitos, que são guiados pelo Espírito do Sangue Caótico, há aqueles que são abençoados com os poderes dos antigos Deuses do Caos.

Estes eleitos, que servem a ira dos deuses „mortos‟ são os únicos que deverão abrir as portas trancadas por dentro e deixar entrar aqueles que esperam do lado de fora da barreira cósmica.

A criação de Marduk/Demiurgo nada mais é, que uma ilha afundando, cercada por um oceano de Caos eterno.

O oceano do Caos que é o sangue do Dragão ‘morto’.

Do lado de fora dos muros da criação os Onze Vingadores do Caos, aguardam.

Os Onze e suas legiões esperam para os portões serem abertos, para que eles possam restabelecer o Caos que uma vez governou.

Quando os Deuses da Vingança, os Coléricos Guerreiros do Caos, já tiverem dilacerado os deuses bastardos, quando a Ira do Dragão do Caos tiver destruído os deuses rebeldes e sua criação imunda, Ama-Ushumgal-SumunTiamat deverá despertar do sono da morte.

A Escuridão primordial e o silêncio descerão e dissolverão o Cosmos.

O triunfo do Caos sobre o Cosmos irá durar para toda a eternidade, e mais uma vez as forças do Caos deverão reinar supremas.

Silim-Madu Ama-Ushumgal-Hubur!

Silim-Madu Sumun Mummu Tiamat!

Fonte: Liber Azerate: O Livro do Caos Colérico.

© 2002 – MLO Frater Nemidial Copyright.

© 2002 MLO – Anti-Cosmic Productions Todos os Direitos Reservados.

Tradução e Adaptação: Zeis Araújo (Inmost Nigredo) Revisão: Gabriela Paiva 2014.

Texto enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/ama-ushumgal-anna/

Projeto de Kabbalah Hermética fatura o Prêmio Jack Bauer do Catarse

Por volta de 2013 O Catarse fez uma lista dos projetos que mais conseguiram arrecadar nas primeiras vinte e quatro horas de campanha. E criaram, internamente, o Prêmio Jack Bauer (personagem principal da série 24 Horas) pra destacar o projeto que conseguir a maior arrecadação no primeiro dia de campanha.

No segundo semestre de 2014, o Catarse teve uma enxurrada de recordes (foi quando o Mola se tornou a maior captação da história do site). Dead Fish e A Lenda do Herói, duas campanhas que arrecadaram mais de R$250.000, protagonizaram a principal disputa pelo Jack Bauer (um prêmio até então só simbólico).

Esse recorde perdurou por 18 meses. No início de 2016, O Teatro Mágico bateu o recorde de captação para projetos de música da história do crowdfunding nacional e quase chegou lá. Até que…

…na quarta-feira , dia 13/4/2016, o antigo recorde foi dizimado. Atropelado.

O novo recorde: o livro Kabbalah Hermética

E ainda dá tempo de apoiar o livro Kabbalah Hermética e conseguir as Metas e Presentes atingidos no projeto!

Sucesso é a única possibilidade!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/projeto-de-kabbalah-herm%C3%A9tica-fatura-o-pr%C3%AAmio-jack-bauer-do-catarse

Guia de pronuncia Enochiana, para lusófonos

Por Robson Bélli

Para Mentoria de enochiano/Projeto Mayhem/mortesubita.net

Segue abaixo a tabela de transcrição da pronuncia lusófona para a linguagem enochiana usada por nós da enochiano.com.br.

Apenas a nível de conhecimento, nós nos utilizamos da ideia do hebraico conhecida como vogal natural, com base na ideia de que se uma palavra continha apenas consoantes, como é o caso do hebraico e não se sabe a pronuncia correta, então se pronuncia com a vogal natural daquela letra em hebraico (a segunda casa apenas da pronuncia do nome da letra hebraica), pois independentemente da vogal estar certa ou não, ela não possuiria peso gematrico, não alterando assim o valor (gematrico) da palavra e portanto continuaria a manter o seu valor, sendo agora pronunciável.

Um exemplo Miguel em hebraico seria MYKAL (MEM, YOD, KAF, ALEPH, LAMED), portanto ficaria MeYKaELa, lembrando que o Y do Yod é também o “j” ou o “i”, sendo o i é uma vogal não sendo necessário o “o” e o caso da penúltima letra o A (Aleph) é uma vogal que pode ser pronunciada tanto como “a” como “e”, também não sendo necessário adição da segunda letra, o Aleph por regra nunca é acompanhado da segunda letra enquanto que o Yod pode ou não ser acompanhado pela segunda letra, conforme a conveniência, pois como vimos anteriormente não altera seu valor.

A seguir temos a tabela de conversão da pronuncia e os casos especiais, seguido de um exemplo de uma oração de consagração do templo ou espaço ritualístico e da segunda chamada enochiana.

 

N# LETRA Pronuncia lusófona
1 A A
2 B BE
3 C,K KA
4 D DA
5 E E
6 F FE
7 G GI
8 H RRE
9 I, J, Y. I
10 L LA
11 M ME
12 N NU
13 O O
14 P PE
15 Q KO
16 R
17 S SA
18 T TA
19 U,V,W. U
20 X SHI
21 Z ZED

C, K – Como ambas tem um som muito similar.

G – GI de “Guimel”.

H – HE com som de dois RR.

F – Com som de F da época que Ph era F.

I, J, Y – Todos estes três em nosso sistema de pronuncia se fala como I.

U, V, W – nós pronunciamos U.

Z – pode ser pronunciado Zod ou Zed como foi entregue ao John Dee

ds – Se pronuncia como Di-Es.

Oração para consagração do espaço

 A lava zuraahus, iad: Nah ieh maah, prdzar ton doalim od drix aqlo rit emna sem. Noasmi oi siaion poamal k’ylsi, od ozazma plapli de aqlo mad mozod, qrasahi, od nah: noib, l de pibliar. Or od ef, iad de rit, od dlugar sem gah tia od caosgon od k’ saga mano.

Pronuncia da oração

A lava zura-arrusa, iada: narre ierre ma-arre, perédazodaré tonu doalime oda darishi akalo rita emena seme. Noasami oi siaionu poamala ka’ ylasi, oda ozazod-ma pelapeli de akalo mada mozoda, karasarri, oda narre: noibe, la de pibeliaré. Oré oda efe, iada de rita, oda dalugaré seme garre tia oda caosagonu oda ka’ saga mano.


Segunda chamada enochiana

Adgt upaah zong om faaip sald, viu l? Soban lalprg izazaz piadph; casarma abramg
ta talho paracleda q-ta lorslq turbs oogo baltoh givi chis lusd orri od micalp chis bia
ozongon; lap noan trof cors ta ge oq manin laidon. Torzu gohe-l! Zacar, ca c-noqod!
Zamran micalzo, od ozazm urelp, lap zir loiad.

Pronuncia da chamada

– Adagita upaarre zonugi ome faaipe salada, viu la? Sobanu lalaperégi  Izazazed piadaperre; casaréma aberamegi ta talarro paracaleda ka-ta lorésalako turébesa oogo balatorre givi karrisa lusada oréri oda micalape karrisa bia ozonugonu; lape noanu tarofe corésa t age oko maninu laidonu. Torézu gorre-la! Zacaré, ca, ca-nokoda!


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/guia-de-pronuncia-enochiana-para-lusofonos/

Individualização e Verdadeira Vontade

Tradução:Mago implacavel

Revisão: (não) Maga patalógica

Na seção anterior deste ensaio, foi visto como a mente inibe a expressão plena da Vontade. O “fator infinito e desconhecido” é a “Vontade subconsciente”, e, portanto, se podemos eliminar os complexos de pensamento que impedem que essa Vontade se manifeste, conheceremos nossa Vontade. Este processo pelo qual conhecemos e fazemos a nossa Vontade é chamado em alguns lugares “A Grande Obra”. Crowley explica a Grande Obra de conhecer a verdadeira Vontade, de forma concisa quando escreve,

“Não devemos nos considerar como seres básicos, sem cuja esfera é Luz ou” Deus “. Nossas mentes e corpos são véus da Luz interior. O não iniciado é uma “Estrela Negra”, e a Grande Obra para ele é fazer seus véus transparentes “purificando” eles. Esta “purificação” é realmente “simplificação”; não é que o véu esteja sujo, mas que a complexidade de suas dobras torna opaco. O Grande Trabalho consiste, portanto, principalmente na solução de complexos. Tudo em si é perfeito, mas quando as coisas estão confusas, elas se tornam “malvadas”.¹

Este processo da Grande Obra que “consiste principalmente na solução de complexos” também é coincidente com uma frase Crowley freqüentemente usada: Conhecimento e Conversação do Santo Anjo Guardião. Ele afirma essa identidade o mais claramente possível quando escreve: “A Grande Obra é a realização do Conhecimento e Conversação do SAG.”

O processo pelo qual conhecemos e fazemos nossa Vontade é a solução de complexos que inibem o fluxo livre e natural da Vontade. A Grande Obra é simplesmente uma remoção das inibições do eu consciente para permitir que o Eu verdadeiro, que contenha elementos conscientes e subconscientes, reine livremente para fazer o ele Quer. A teoria é que, se só pudermos “limpar as portas da percepção” (como William Blake diz), teremos permissão para manifestar efetivamente a nossa Vontade pura. Crowley escreve: “Nosso próprio Ser silencioso, indefeso e sem palavras, escondido dentro de nós, surgirá, se tivermos arte para soltá-lo para a Luz, avançar rapidamente com seu grito de Batalha, a Palavra de nossas Verdadeiras Vontades. Esta é a Tarefa do Adepto, para ter o Conhecimento e a Conversação de Seu Santo Anjo Guardião, para tomar consciência de sua natureza e seu propósito, cumprindo-os “.³ Aqui Crowley não só faz o Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda análogo a tornando-se consciente e cumprindo a natureza e o propósito de alguém, mas ele admite que tudo o que precisamos é de “ofício para soltar” esse “Eu Mágico” e então, naturalmente, a “Palavra de nossas Verdades Vontades” será “brotar luxuriante pra frente”.

As várias formas de Horus encontradas no Liber AL vel Legis (Ra-Hoor-Khuit, Hoor-paar-kraat, Heru-pa-kraath, Heru-ra-ha, etc.) 4 representam uma expressão simbólica do “Silencioso” ou “True Self” e, portanto, também um símbolo do Sagrado Anjo da Guarda. Horus é, portanto, uma expressão arquetípica do Eu a que todos aspiram a se unir ou se identificar com “A Grande Obra”. Isto é falado em Liber AL quando Hórus, o falante do terceiro capítulo, diz: “Fazei a Mim a vossa reverência! vinde vós a mim através da tribulação do ordálio que é êxtase. “.5 Crowley explica:

Vimos que Ra-Hoor-Khuit é, em um sentido, o Eu Silencioso em um homem, um Nome de seu Khabs, não tão impessoal como Hadit, mas a primeira e menos falsa formulação do Ego. Devemos venerar este eu em nós, então, não para suprimir e subordiná-lo. Nem nós devemos evadir, mas para chegar a ele. Isso é feito “através da tribulação da provação”. Esta tribulação é a experiência no processo chamado Psicanálise, agora que a ciência oficial adotou – na medida em que a inteligência inferior permite – os métodos do magus. Mas a “provação” é “êxtase”; a solução de cada complexo por “tribulação” … é o espasmo da alegria, que é o acompanhamento fisiológico e psicológico de qualquer alívio da tensão e congestionamento “.

Crowley identifica Horus como uma expressão simbólica do Eu cuja Vontade não deve ser suprimida, subordinada ou evadida. O mais surpreendente das declarações de Crowley é que ele afirma que a “tribulação da provação” da Grande Obra é coincidente com a Psicanálise, uma conexão direta novamente entre a psicologia e Thelema. Com isso, podemos ver que o processo da psicanálise é análogo ao “Grande Trabalho” e ao “Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda”: é uma realização do verdadeiro Eu.

Carl Jung considerou esse mesmo processo de “individuação”. Ele define a individuação como:

“Tornando-se um “in-divíduo”, e na medida em que a “individualidade” abrange a nossa singularidade, última e incomparável unicidade, também implica tornar-se a si próprio. Podemos, portanto, traduzir a individuação como “chegando à individualidade” ou “auto-realização …” Os egotistas são chamados de “egoísta”, mas isso, naturalmente, não tem nada a ver com o conceito de “eu”, como estou usando aqui … Individuação, portanto, só pode significar um processo de desenvolvimento psicológico que satisfaça as qualidades individuais dadas; em outras palavras, é um processo pelo qual um homem se torna o ser definitivo e único, ele é de fato. Ao fazê-lo, ele não se torna “egoísta” no sentido ordinário da palavra, mas está cumprindo apenas a peculiaridade de sua natureza, e isso … é muito diferente do egoísmo ou do individualismo.

Jung aqui afirma que a individuação é uma “auto-realização”, mas garante a qualificação dessa afirmação dizendo que isso não significa um fortalecimento do ego essencial. Este eu que se realiza está além da noção egocêntrica normal de “eu”. Em vez disso, este eu contém tanto o consciente (onde o ego reside) quanto os fatores inconscientes. Jung explica que “o consciente e o inconsciente não são necessariamente opostos um ao outro, mas complementam outro para formar uma totalidade, que é o eu” .8 Este é o Eu que vem a “através da tribulação da provação”. Horus é um símbolo desse Eu em Liber AL vel Legis, e em outros lugares o Sagrado Anjo da Guarda é mencionado como esse símbolo. Crowley escreve: “O anjo é o verdadeiro eu de seu eu subconsciente, a vida escondida de sua vida física” e “seu anjo é a unidade que expressa a soma dos elementos desse eu” 9, um paralelo quase exato de A definição de Jung do “eu”.10

Conforme afirmado anteriormente por Crowley, este processo de individuação ou “A Grande Obra … consiste principalmente na solução de complexos”, e é simplesmente tornar-se consciente e satisfazer a própria natureza. Através desta grande obra de individuação, alguém se identifica com este eu. Em Thelema, faz-se tal sob a figura de Hórus.11 Um vem a saber que “ele [ou ela] é Harpocrates, o Menino Hórus … isto é, ele está em Unidade com sua própria Natureza Secreta”. 12

Pode-se até mesmo afirmar que a Grande Obra é um processo natural da psique humana. Carl Jung diz: “a força motriz [do inconsciente], na medida em que é possível para nós entendê-lo, parece ser, na essência, apenas um impulso para a auto-realização” .13 Nesse sentido, todos os humanos estão participando de o drama da “Grande Obra”, cada um esforçando-se, conscientemente ou inconscientemente, para essa união de naturezas subconscientes e conscientes no Eu, para que eles possam realizar suas Forças de forma mais completa.

1 Crowley, Aleister. The Law is for All, I:8.

2 Crowley, Aleister. Liber Aleph, “De Gradibus ad Magnum Opus.”

3 Crowley, Aleister. The Law is for All, I:7.

4 É interessante notar que Crowley diz em seu comentário do Liber Al, “O Louco tamém é o Grande Louco,Bacchus Diphues, Harpocrates, the Eu Anão, o SAG, enfim,” essencialmente equiparando todos os símbolos. Depois, ele escreve em seu comentário do Liber Al II:8, “Harpocrates é… a Alma Anã, o Self Secreto de cada homem, a serpente com a cabeça de Leão.” Se isso for verdade, e de acordo com o Liber Al i:8 “Hoor-paar-kraat” (um nome para Harpócrates) é dado como a fonte do Liber AL vel Legis como o próprio livro proclama, então Liber AL foi de fato a manifestação do inconsciente de Crowley. O fato é que o inconsciente contém “tanto o conhecimento quanto o poder” maior que a mente consciente e, portanto, é bem possível que o Liver Al vel legis seja uma manifestação do mesmo.

5 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, III:62.

6 Crowley, Aleister. The Law is for All, III:62.

7 Jung, Carl. “The Function of the Unconscious” from The Collected Works of C.G. Jung vol.7, par.266-267.

8 Jung, Carl. “The Function of the Unconscious” from The Collected Works of C.G. Jung vol.7, par.274.

9 Crowley, Aleister. “Liber Samekh,” Ponto II, Seção G.

10 Por estas considerações será visto que o SAG é mais acertadamente não um ente externo como algum grupos thelemicos dizem. Isto é dito provavelemente devido a uma declaração feita por Crowley no Magick Without Tears, um tratado feito pra iniciantes totais. Temos que entender que o subconsciente pode e aparece um autonomo para a mente consciente. Portanto, alguém pode dizer que o Anjo está “fora” do individuo pois parece que ele funciona autonomamente considerando o ponto de vita do ego, mas em ultima instancia , chega-se a ver que o Anjo é, de fato, o somatório de ambas as naturezas subconscientes e conscientes que compõem o Eu.

11 Numa nota de rodapé do capitulo 90 do Confessions of Aleister Crowley, Symonds escreve sobre uma declaração que Crowley fez para um discípulo Frank Bennett: “Quero explicar-lhe plenamente, e em poucas palavras, o que significa iniciação, e o que se entende quando conversamos sobre o Eu Real e o que o Eu Real é. “E então, Crowley disse a ele que era tudo uma questão de conseguir que a mente subconsciente funcionasse; e quando essa mente subconsciente tem permissão a dominação total da mente, sem interferência da mente consciente, então a iluminação poderia começar; Para a mente subconsciente era nosso Santo Anjo da Guarda. Crowley ilustrou o ponto assim: tudo é experimentado na mente subconsciente, e ele (o subconsciente) está constantemente exortando sua vontade na consciência, e quando os desejos internos são restritos ou suprimidos, o mal de todos os tipos é o resultado “. Embora isso seja diretamente ade acrodo com nossas conclusões, incluí-lo apenas em uma nota de rodapé porque é uma conta de terceiros.

12 Crowley, Aleister. Liber Aleph, “De Gramine Sanctissimo Arabico.”

13 Jung, Carl. “The Function of the Unconscious” from The Collected Works of C.G. Jung vol.7, par.291.

Link texto original: https://iao131.com/2013/03/02/psychology-of-liber-al-pt-5-individuation-and-the-true-will/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/individualiza%C3%A7%C3%A3o-e-verdadeira-vontade

Àjé – As Aves das Noites Mais Escuras das Almas

Por Nicholaj de Mattos Frisvold.

O termo iorubá àjé carrega associações de movimento e comércio – podemos entendê-lo como um mercado da noite se desdobrando em raios prateados. Este mercado noturno é concebido como um encontro de pássaros de bico comprido e predadores.

O conceito de àjé no Novo Mundo e no Ocidente Moderno foi equiparado a ‘bruxa’ – e isso é verdade, na medida em que entendemos o que é uma bruxa – nas premissas africanas. Àjé é considerado um poder que algumas pessoas possuem por herança, iniciação ou nascimento. É considerado um excesso de àse (poder natural) – e, portanto, deve ser mantido sob controle e em equilíbrio para evitar danos ao portador do àjé e à própria comunidade. Àjé é a profundidade emocional primordial da feminilidade. Não é uma força geradora – pelo contrário. A Doce Òsún é os poderes geradores e da fertilidade. Àjé e sua mãe Ìyàmí Òsòròngà é a esterilidade e a alteridade, a feminilidade anterior ao primeiro sangue e o lamento sobre o último sangue. Isso significa que os poderes do àjé se jogam no campo da possibilidade. Àjé é como os rizomas de um fungo ou um lótus rastejando quilômetros abaixo do solo, manifestando-se em picos de poder aqui e ali – mas sua verdadeira essência é uma rede fosforescente de possibilidades subterrâneas que podem ou não se manifestar.

Ifá nos diz que foi na vibração divina conhecida como Odú Òsá Méjí que o poder conhecido como àjé veio à terra. Este odú também fala sobre como dois Òrìsà masculinos, Obàtálá e Ògún e uma mulher, Òdù vieram à terra para esculpi-la e moldá-la. Olodumare deu a Obàtálá o poder da escultura e da arte e a Ògún o poder da metalurgia. A Òdù ele deu o poder de dar a vida – ele deu a maternidade e disse que ela era a sustentadora do mundo. Ela sustentaria o mundo com uma cabaça particular. Dentro desta cabaça havia um pássaro. Ela declarou que usaria este magnífico àse para lutar contra aqueles que a desrespeitavam e para defender aqueles que a adoravam. Este pássaro era àjé – e Òdú segurando este pássaro torna-se Ìyàmí Òsòròngà, que podemos entender como “Minha Mãe Misteriosa; Dono dos Pássaros da Noite”.

E é por isso que Obàtálá declara o seguinte neste Òdú que anuncia que as aves do outro mundo descerão sobre a terra:

“Obarisa disse que as pessoas devem sempre respeitar as
Mulheres grandemente
Pois se elas sempre respeitarem muito as mulheres, o mundo
Estará na ordem certa
Preste homenagem; Respeite as mulheres
De fato, foi a mulher que trouxe
Nos à existência
Antes de sermos reconhecidos como seres humanos.”

Naturalmente, a dádiva da maternidade vem com o intenso campo de variáveis ​​emocionais animadas que ocorrem durante a menstruação, gestação e menopausa. Estas são as marés altas para os segredos da maternidade se enfurecerem e delirarem em seu estado bruto. Assim, àjé são ‘pássaros’ que habitam, infestam e se alimentam de nossas emoções e maculam ou curam nossa alma. Nisto reside a advertência em numerosos versos e provérbios de Ifá aconselhando-nos – e especialmente aos homens – a prostrar-se sobre Odú – ou útero e mulher e prestar-lhe respeito, fazer ipese; o sacrifício que acalma o ventre.

Diz-se que Ìyàmí está “sentada sobre Òdù”, que ela está coroando os poderes femininos ou que Òdú é uma Ìyàmí. Ela também é conhecida como Ìyàmí eleye “A Dona dos pássaros” e Ìyà Àgbà “A mulher idosa é respeitável” e Ìyàmí Òsòròngà que significa “Minha mãe a Poderosa Feiticeira ou Bruxa”. Isso levanta algumas questões controversas, uma vez que a feitiçaria está associada a atos anti-sociais, bem como um poder natural acessível para mulheres e membros de sociedades como egbé eleye e egbé ìmùlè, onde os segredos da manipulação de poderes sobrenaturais são preservados. A bruxaria anti-social é triste por derivar do àjé burúkú, mas também existe outro tipo de “bruxa” conhecido como àjé rere. A diferença é de caráter. A palavra burúkú se refere a tudo que é ruim, quebrado e corrompido. Por exemplo, o termo Orí burúkú significa uma pessoa incapaz de fazer escolhas que são boas para ela e que são consideradas incômodas e destrutivas para si e para a sociedade.

Rere, por outro lado, também usado de forma intercambiável com Ìwá pélé refere-se a um estado de contentamento e felicidade, onde o caráter é bom e a pessoa é uma adição boa e benevolente à sociedade e a si mesmo. O historiador nigeriano Lawal comenta a esse respeito que as mulheres menos fortes fisicamente foram abençoadas com uma forma especial de astúcia, ogbón ayé, que também carrega a conotação de engano ou astúcia. Ainda assim, a importância do caráter e da manutenção de uma consciência calma e boa é sempre enfatizada. Ainda hoje temos provérbios entre os iorubás que se referem à influência do àjé ser como ‘pássaros nidificando no cabelo de uma pessoa’. Isso é mais revelador porque o cabelo carrega o significado simbólico de ser algo indomável e selvagem, o que emaranha e deve ser direcionado se se deseja um crescimento positivo. Por isso o Ori (consciência/cabeça física) é muitas vezes adornado embelezando o próprio cabelo e modelando-o com cuidado para decorar o Ori/cabeça como forma de apaziguar e acalmar a cabeça.

Há outro elemento que precisa ser comentado. Esse é o elemento ancestral. Ìyámí é considerado o progenitor ancestral do sexo feminino como Osó é o progenitor do sexo masculino. Isso talvez signifique que enquanto Ìyámí representa a feminilidade suprema e transcendente, Osó representa a masculinidade suprema e transcendente. Diz-se que Osó toma seu àse do reino de Èsù colocando esta divindade no reino da transformação e mudança. Talvez se possa entender que Àjé e Osó é o mesmo poder essencial, mas levado em duas direções diferentes pelo ritmo natural da criação e aí se torna algo completamente diferente – como masculinidade bruta e original e feminilidade bruta e original. Também se vê isso na reflexão que isso tem nos cultos, Osó está profundamente relacionado ao culto de Orìsà Oko, o orìsà da Fazenda e é dito servir como juiz e intermediário em casos de acusações de feitiçaria. Ele é considerado uma força calma e tranquila, justo e sábio com um profundo conhecimento sobre feitiçaria e feitiçaria. Talvez em Osó se encontre o masculino idealizado espelhado nos caminhos de Orìsà Oko? Pode-se ver isso pelos pássaros sagrados para Ìyámi e Osó também. As aves de Ìyámí são predadoras, enquanto no caso de Osó é sagrado o abutre, uma ave que não reza sobre nada além de carne que já está morta. Não é um predador, mas um purificador. Esta pode ser uma explicação para a respectiva relação ancestral relacionada a essas duas potências espirituais e suas semelhanças e diferenças. Também se harmoniza com a visão iorubá do cosmos nas palavras de Lawal: “como uma interação dinâmica de opostos como céu e terra, dia e noite, masculino e feminino, físico e metafísico, corpo e alma, interior e exterior, quente e frio, duro e macio, esquerda e direita, vida e morte, sucesso e fracasso e assim por diante.”

Há uma crença no Novo Mundo de que existe alguma forma de inimizade entre o àjé e Ifá – mas Òrúnmìlà em sua capacidade como o grande pacificador entendeu a necessidade desses poderes e como essa abundância de ase pode beneficiar a humanidade. Este mistério é guardado na sociedade de Ogboni, onde a dinâmica tradicional de poder entre a mão esquerda e a mão direita é compreendida e usada. Não só isso, mas o peso e a qualidade das cores também são preservados aqui, pois toda manifestação e seu potencial vem nas cores do vermelho, preto e branco – que são graus de misericórdia, frieza e fogo. Em última análise, estamos falando do mistério da tensão emocional e cósmica e como apaziguá-la.

On pode perguntar, no entanto, por que é importante entender esses poderes, por que eles são tão essenciais para o trabalho de Ifá, por que essas forças disruptivas estão presentes no mundo. A explicação para este mistério é maravilhosa e maravilhosa – e um raio de sua magnificência encontra-se no Òdù Òsá Méjì onde podemos ler:

Ogbon kan nbe ní Kun omo ASA Ìmóràn kan nbe kìkùn omo àwòdì Okan nínúù re Okan ninúù mi Okòòkàn níkùn ara wa Sefa divertido Orúnmilá Ifá nlo bá Àjé Mulè Moreré ganhou ni nítorìi Kinni Ò ní Nitori Ki nkan oun lègún gègèègè ni

Tradução:

“O falcão tem uma sabedoria
O falcão possui um conhecimento
Um em minha mente
Um em sua mente
Um em cada uma de nossas mentes
Estas foram as declarações de Ifá para Òrúnmìlà
quando ia entrar em um pacto com as bruxas em Mòrèrè
Elas perguntaram a ele por que ele estava fazendo isso
Ele disse que era para que a sua vida fosse perfeitamente organizada”

***

Fonte: Àjé – The Birds of the Souls Darker Nights, by Nicholaj de Mattos Frisvold.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/aje-as-aves-das-noites-mais-escuras-das-almas/

Cada Pessoa é uma Estrela com uma Vontade

Psicologia do Liber Al pt 2 – Cada pessoa é uma estrela com uma Vontade

“A coisa realmente valiosa no desfile da vida humana não me parece o Estado, mas o indivíduo senciente e criativo, a personalidade; ela por si só cria o nobre e o sublime, enquanto o rebanho, como tal, permanece abobado em pensamento e abobado em emoções“.

-Albert Einstein, Mein Weltbild (1931)

Após as proclamações de Nuit e Hadit, vem uma das declarações mais importantes para Thelema, na terceira linha do Liber AL:

“Todo homem e toda mulher é uma estrela”.¹

Isto significa que “somos todos livres, todos independentes, todos brilhando gloriosamente, cada um sendo um mundo radiante”² e, além disso, “o indivíduo é a Autarquia”³. No mesmo sentido que o sol, como estrela, é centro do sistema solar no macrocosmo físico, todo homem e toda mulher são entendidos como uma espécie de estrela microcósmica e centro de seu próprio sistema. “Uma estrela é uma identidade individual; ela irradia energia, ela vai, é um ponto de vista. Seu objetivo é tornar-se inteira ao estabelecer relações com outras estrelas. Cada uma dessas relações é um Evento: é um ato de Amor sob a Vontade”4 – cada indivíduo é “um agregado de tais experiências, mudando constantemente com cada novo evento, que o afeta de forma consciente ou inconsciente”5.

Certamente, do ponto de vista psicológico, pode-se entender facilmente que somos todos o centro de nosso próprio universo6 e também “agregados de experiência” como mostram nossas próprias memórias. Além disso, as estrelas são auto-luminosas, implicando que poder e força derivam de nós mesmos e não de uma fonte externa (explicado com mais profundidade a frente), e também que as estrelas estão constantemente em movimento interagindo com as forças gravitacionais das infinitas outras estrelas e outros sistemas.

Thelema postula que Hadit é “a chama que queima em todos os corações do homem e no núcleo de todas as estrelas”7. Crowley escreve: “Ele é o seu eu divino mais íntimo; é você, e não outro, que está perdido no êxtase constante dos abraços da Beleza Infinita”8. Na verdade, Nuit nos diz:” Sejais Hadit, meu centro secreto, meu coração e minha língua!”9, nos mostrando que estamos intimamente interligados com a divindade, refletindo o sentimento oriental básico do vínculo da alma com Deus e o sentimento observado no Ocidente em místicos como Meister Eckhart e Miguel de Molinos:

“Tu sabes, que a tua alma é o Centro, a Habitação e o Reino de Deus”10.

Em uma palavra, dizendo que “todo homem e tda mulher é uma estrela”, afirmamos tanto a soberania do indivíduo quanto sua divindade. Assim como as estrelas físicas têm cada uma seu curso único num período do espaço, cada indivíduo é entendido como tendo sua própria Vontade única. De fato, “Thelema” significa “Vontade” (em inglês, Will) e esse é o fundamento de toda a filosofia de Thelema. É dito:

“Faze o que quiseres há de ser o todo da Lei”¹¹.

“Não há lei além de Faze o que quiseres”.¹²

Essas duas afirmações estabelecem claramente que tudo em Thelema gira em torno do dito de “fazer o que você quer”. Como Crowley observou frequentemente, isso não significa, “faça o que você gosta”, mas é um comando para executar “verdadeiro” ou “pura” vontade “e nada mais. Liber AL proclama: “Não tens direito senão fazer a tua vontade”. Faça isso, e nenhum outro deve dizer não. “13

Agora, podemos ver o ponto de vista geral da existência formulado em Thelema: cada indivíduo é considerado como uma “estrela” cujo único direito ou dever é realizar sua vontade. No núcleo desta estrela está Hadit e envolta desta estrela estão o espaço infinito e as possibilidades de Nuit. Nós estabelecemos que cada indivíduo está no centro de seu próprio universo, um “centro secreto, coração e língua” 14 do divino, cada um executando sua vontade única imerso em Nuit, o espaço infinito.

Uma vez que a Vontade é considerada absolutamente primordial em Thelema, devemos entender como um Thelemita supõe “vontade-ar” as coisas. Liber AL afirma algo distinto como “vontade pura” e explica suas condições:

“Para a vontade pura, sem um objetivo, liberado da luxúria do resultado, é perfeitamente perfeito”. 15

Portanto, para que a vontade seja considerada “pura” e “toda forma perfeita” pelas condições estabelecidas no Liber AL, deve ser

1) “desembaraçada de propósito” e

2) “livrado da luxúria do resultado”

A primeira consideração, “desembaraçada de propósito”, tem dois significados a serem considerados. O primeiro é o mais óbvio, que é que essa vontade é dificultada ou enfraquecida por um “propósito” e está destinada a seguir seu caminho irrestrita dessa noção chamada de “propósito”. A mente e a razão geralmente são um obstáculo para a expressão plena da vontade de uma pessoa e essa idéia é tratada mais detalhadamente em uma seção posterior. A próxima consideração é simplesmente que isso significa “com propósito sem compensação” ou “com energia incansável”.

Em segundo lugar, ser “liberado da luxúria do resultado” significa não ser afetado ou desapegado aos resultados das ações de alguém. Esta doutrina é um princípio central para o sistema oriental de karma yoga, onde geralmente é chamado de “não-apego aos frutos da ação”. Também pode ser dito que é conhecido pelo Ocidente sob o aforismo de “A arte pela arte”. O Bhagavad Gita descreve sucintamente essa doutrina de ser “liberto da luxúria do resultado ” quando diz,

“Aqueles cuja consciência é unificada abandonam todo o apego aos resultados da ação e alcançam a paz suprema. Mas aqueles cujos desejos estão fragmentados, que estão egoisticamente ligados aos resultados de seu trabalho, estão vinculados em tudo o que fazem. Aqueles que renunciam ao apego em todos os seus atos vivem conteúdo na “cidade dos nove portões”, o corpo, como seu mestre “. 16

Essencialmente, esta linha do Liber AL vel Legis significa que para realizar nossa “vontade pura” que “é perfeita em todas as formas,” devemos fazer a nossa vontade com energia incansável, sem consideração ao propósito, e sem preocupação com os resultados. Crowley escreveu: “Você deve (1) descobrir o que é a Tua Vontade. (2) Faça sua Vontade com a) foco, (b) desapegado, e em (c) paz. E aí, e somente aí, você está em harmonia com o Movimento das Coisas, sua vontade é parte de, e, portanto, igual à vontade de Deus. E uma vez que a vontade é apenas o aspecto dinâmico do eu, e como dois eus diferentes não podem possuir vontades idênticas; então, se a tua vontade será a vontade de Deus, Tu será Isso “17

Em Liber AL vel Legis, Nuit declara: “Invoca-me sob minhas estrelas! O amor é a lei, o amor sob vontade “. 18 Crowley explica que isso significa “enquanto a vontade é a lei, a natureza dessa vontade é amor “. Mas esse Amor é como se fosse um subproduto dessa Vontade; não contradiz ou substitui essa Vontade; e se a aparente contradição surgir em qualquer crise, é a vontade que nos guiará corretamente. “Portanto, o método ou o modus operandi de Thelema é “amor sob vontade “, o que significa a assimilação da experiência de acordo com sua vontade.19

Deve ser reconhecido que “Love” no contexto de Thelema e Liber AL vel Legis é entendido de uma maneira muito universal. Não é o que a maioria consideraria a emoção do amor ou do coração. Crowley escreve: “Eis que, enquanto no Livro da Lei, é muito amor, não há nenhuma ocorrência da palavra de Sentimentalidade. Ódio é quase como o amor! “20 para o ódio mesmo é uma experiência digna de nossa assimilação e integração. Em vez disso, refere-se essencialmente a todos os atos, qualquer “Mudança em conformidade com a vontade”, pois todas as ações são legais e necessárias. Crowley explica: “Todo evento é uma união de uma mônada com uma das experiências possíveis”, 21 e ainda que “Cada ação ou movimento é um ato de amor, unindo uma parte com uma outra parte de” Nuit “; cada um desses atos deve ser “sob vontade”, escolhido de modo a cumprir e não frustrar a verdadeira natureza do ser em questão “.22 Portanto, enquanto o” amor “pode se referir especificamente a atos de” união “(no sentido de que o sexo é união no plano físico, e samadhi 23 é união no plano mental) todas as experiências são entendidas como atos de “amor” no sentido mais universal de que “todo evento é uma união de uma mônada com uma das experiências possíveis , “Incluindo atos do que pode ser percebido como atos de “divisão”.

Agora podemos entender que “não há lei além do faça o que tu queres”, 24 e “amor sob vontade” é essencialmente a assimilação da experiência de acordo com a natureza do indivíduo. A concepção reflete as proposições de Carl Roger, que são as afirmações subjacentes ao seu sistema de “terapia centrada no cliente”. Ele escreve como sua sexta proposição,

“O organismo tem uma tendência e esforço básica -para atualizar, manter e melhorar o organismo experiente

” .25

Esses atos de “atualizar, manter e melhorar o organismo experiente” são o que nos termos de Thelema são atos de “amor”. A única condição que é importante do ponto de vista de Liber AL vel Legis é que atos de “Amor” deve ser feito “sob vontade”, ou de acordo com a natureza da circunstância singular e do indivíduo (ou o “organismo” se quisermos usar a terminologia de Rogeriano). Um ato de “amor sob vontade” que funcionou corretamente é o que Carl Rogers chamaria de “ajuste psicológico” em oposição ao “desajuste psicológico”. Rogers escreve como suas proposições quatorze e quinze:

“O ajuste psicológico existe quando o conceito do self é tal que todas as experiências sensoriais e viscerais do organismo são ou podem ser assimiladas em um nível simbólico em uma relação consistente com o conceito de si mesmo.”

Existe inadaptação psicológica quando o organismo nega a consciência de experiências sensoriais e viscerais significativas, que, consequentemente, não são simbolizadas e organizadas na gestalt da autoestrutura. Quando essa situação existe,então temos uma tensão psicológica básica ou potencial “. 26

O “ajuste psicológico” consiste em uma “assimilação” funcional de experiências equivalentes ao método “amor sob vontade” de Thelema, enquanto que o “desajuste psicológico” consiste na “assimilação” inadequada da experiência, que cria “tensão psicológica”. Essencialmente, nós podemos ver que Thelema coincide com, e de certa forma antecipada, as “proposições” de Rogerianos que formam a base de sua “terapia centrada no cliente”.

“Todo amor é expansão, toda auto-estima é contração. O amor é, portanto, a única lei da vida. Aquele que ama vive, aquele que é egoísta está morrendo. Portanto, amor por amor, porque é lei da vida, assim como você respira para viver. “-Sami Vivekananda

1 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, I:3.

2 Crowley, Aleister. “Liber DCCCXXXVII: The Law of Liberty” from Equinox III(1).

3 Crowley, Aleister. Magick Without Tears, ch.48.

4 Crowley, Aleister. “The Antecedents of Thelema” from The Revival of Magick.

5 Crowley, Aleister. Introduction to Liber AL vel Legis, part II.

6 This also attests to the universal import of mandala-like art pieces across cultures, for they are all expressions of that central point of consciousness and the apparent unfolding and expression of the psyche & universe around it. This was a subject of study for Carl Jung.

7 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, II:6.

8 Crowley, Aleister. “The Law of Liberty.”

9 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, I:6.

10 de Molinos, Miguel. Spiritual Guide of Miguel de Molinos (1685), ch.1, verse 1.

11 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, I:40.

12 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, III:60.

13 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, I:42-43.

14 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, I:6.

15 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, I:44.

16 Bhagavad Gita (trad. By E. Easwaran), chapter 5, verse 12-13.

17 Crowley, Aleister. “Liber II: Message of the Master Therion” from Equinox III(1).

18 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, I:57.

19 Isso casa com o que o místico Cristãos Meister Eckhart escreveu, “O lugar onde o amor tem sua o seu ser apenas na vontade; A pessoa que tem mais vontade, também tem mais amor. Mas ninguém sabe de mais ninguém, se alguém tem mais disso; que está escondido na alma, enquanto Deus estiver escondido no fundamento da alma. Este amor está inteiramente na vontade; Quem tem mais vontade, também tem mais amor.” -Meister Eckhart, Counsels on Discernment (Counsel 10).

20 Crowley, Aleister. “The Message of the Master Therion” from Equinox III(1).

21 Crowley, Aleister. Introduction to Liber AL vel Legis, part II.

22 Crowley, Aleister. Introduction to Liber AL vel Legis, part III.

23 “Samadhi” é o termo Hindu usado nas práticas de yoga para atingir o fenômeno psicológico de desaparecer (ou ‘união’ or ‘cessação’) a separação de sujeito e objeto prática comum em várias culturas e com outros nomes. Esse assunto é muito profundo e extenso para ser discutido nesse artigo.

24 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, I:22.

25 Rogers, Carl. Client-Centred Therapy, ch.11.

26 Rogers, Carl. Client-Centred Therapy, ch.11.

Link texto original: https://iao131.com/2013/02/25/psychology-of-liber-al-pt-2-each-person-as-a-star-with-a-will/

Tradução:Mago implacavel

Revisão: (não) Maga patalógica

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cada-pessoa-%C3%A9-uma-estrela-com-uma-vontade