Combustão Espontânea Humana

Pelo menos 200 casos de combustão humana, ao redor do mundo, já foram reconhecidos e registrados, mas isso não diminui o enigma que isso representa até hoje para médicos e outros especialistas. O mais intrigante é que, séculos depois dos primeiros casos serem divulgados e estudados, ainda não existe uma explicação conclusiva para o que pode fazer uma pessoa, simplesmente, pegar fogo.

O primeiro caso de combustão humana espontânea registrado pela ciência, aliás, aconteceu em 1470. A vítima foi um italiano chamado Polonus Vorstius, que tomava vinho e, do nada, começou a vomitar fogo. As chamas, então, não demoraram para consumir seu corpo, exceto pés e mãos.
Pés e mãos: mistério na combustão humana

Este último detalhe bizarro, aliás, parece ser uma das características comuns à combustão humana espontânea. Na maioria dos casos, o corpo fica quase completamente incinerado, exceto os membros que acabamos de citar; mas o ambiente em volta também não dá vestígios de que algo errado tenha acontecido, já que apenas o chão embaixo do corpo e o teto, acima de onde estava a vítima, costuma ficar mais danificados depois de uma combustão humana.

Um outro caso também emblemático de combustão humana, que apresenta todas essas características em comum com o primeiro registro, é o que aconteceu em 1725. Conforme os relatos, o dono de uma pousada, em Paris, na França, acordou e viu sua esposa, madame Millet, queimando, já com a parte superior do corpo carbonizada.

Dizem que a polícia tentou incriminar o marido pela a morte da mulher, mas o testemunho de um hóspede que dormia ali, naquela noite, salvou o francês. A testemunha era um cirurgião que conhecia sobre combustão humana e explicou à Justiça o que poderia ter acontecido com madame Millet. Na época, como nenhum indício de início de incêndio foi encontrado no local da morte, o legista responsável pelo caso chegou a afirmar que a mulher havia recebido uma “visita de Deus”.
Teorias da combustão humana

Muitas teorias foram criadas ao longo dos séculos para explicar a combustão humana espontânea, incluindo hipóteses sobrenaturais, mas nenhuma delas foi realmente convincente. Diziam até que pessoas alcoólatras tinham mais chances de morrer por essas chamas misteriosas, mas a quantidade de álcool no sangue necessária para que a pessoa começasse a arder em fogo já desbanca essa explicação.

Hoje em dia, a teoria mais aceita para a combustão humana, e a mais racional de todas até agora, diz que o corpo humano pode sofrer um “efeito pavio”. Isso significa que algum tipo de faísca externa, por menor que seja, como a ponta de um cigarro, por exemplo; tem o poder de queimar as roupas o suficiente para chegar à pele.

A pele humana, por sua vez, libera gordura, o que funcionaria como combustível para o fogo, assim como a cera de uma vela. Essa foi a única teoria sobre combustão humana testada até agora e, embora não seja amplamente aceita, ficou provado que o corpo humano tem gordura suficiente para garantir a própria combustão. Além disso, como é no tórax que está a maior parte da gordura de nosso corpo, é ele e as partes mais próximas a eles, que queimam primeiro.

O canal de TV Discovery Channel chegou a fazer documentários tratando sobre o assunto. Eles abordaram o tema da combustão humana por diversos ângulos, levantando várias possibilidades para essas tragédias naturais. Abaixo, você confere um dos vários vídeos sobre isso. Mas, cuidado, pode conter imagens e relatos perturbadores.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/combustao-espontanea-humana/

O Poder Curativo da Música

Texto de Max Heindel

Vibração é vida manifestada, é a origem de todas as coisas que existem ou sempre existiram. Inércia, seu oposto, resulta em separação, desintegração e deterioração. Música e cor são ambas o produto de certos graus do poder vibratório. Graus vibratórios harmoniosos são saudáveis, criadores e construtivos; os discordantes são destrutivos, desintegrantes e suscetíveis de dissolução. Som é a origem da cor. Somente um som claro e melodioso pode produzir uma cor bela, atraente, inspiradora.

O espectro solar reflete sete cores distintas: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. Existem sete sons produzidos no teclado do piano pelas teclas brancas de uma oitava . Dó corresponde ao vermelho, Ré ao laranja, Mi ao amarelo, Fá ao verde, Sol ao azul, Lá ao índigo, Si ao violeta. Quando uma oitava musical termina, outra começa e progride exatamente com duas vezes mais vibrações que as usadas na primeira oitava. Conseqüentemente, as mesmas notas são repetidas em uma escala mais delicada. O mesmo sucede com a escala das cores. Quando esta escala, visível ao olho comum, é completada no violeta, outra oitava das mais delicadas cores, invisíveis com duas vezes mais vibrações, terá início e progredirá de acordo com a mesma lei.

Áries exerce controle geral sobre a cabeça e os vários órgãos dentro da cabeça, e também sobre os olhos. Mas o nariz está sob a regência de Scorpio. Assim, uma doença de algum destes órgãos, exceto o nariz, será beneficiada por música tocada suavemente na escala de Réb maior. As doenças de Áries são dor-de-cabeça, nevralgia, coma e condições de transe, doenças do cérebro e hemorragias cerebrais. O tratamento para minimizar estas doenças é música tocada suavemente no tom de Réb maior.

Taurus rege o pescoço, a garganta, o pálato, a laringe, as amigdalas, a mandíbula inferior, os ouvidos, a região ocipital do cérebro, o atlas, as vértebras cervicais, as artérias carótidas, as veias jugulares e alguns vasos sanguíneos menores. Música tocada suavemente no tom de Mib maior é de grande benefício quando um destes órgãos começa a mostrar sinais de doença. As doenças de Taurus são bócio, difteria, crupe e apoplexia. Como cada signo sempre reage sobre o signo oposto, aflições em Taurus podem também produzir doenças venéreas, constipação ou menstruações irregulares.

Gemini rege os braços e as mãos, os ombros, os pulmões, a glândula timo, e também a caixa torácica superior. Qualquer doença em uma destas partes pode ser controlada por música tocada suavemente no tom de Fá# maior. As doenças de Gemini são pneumonia, doenças pulmonares, pleurisia, bronquite, asma e inflamação do pericárdio. Música tocada suavemente na nota-chave de Fá# maior é benéfica para neutralizar a atividade dessas doenças.

Câncer rege o esôfago, o estômago, o diafragma, o pâncreas, as mamas, os vasos lácteos, os lóbulos superiores do fígado e o duto torácico. As doenças são indigestão, flatulência, tosse, soluço, hidropisia, melancolia, hipocondria, histeria, cálculos na vesícula e icterícia. Doenças mencionadas sob a regência de Câncer são neutralizadas por música tocada suavemente em Sol# maior.

Leo rege o coração, a região dorsal, a região torácica da coluna, a medula espinhal e a aorta. As aflições de Leo são regurgitação, palpitação, desmaios, aneurisma, meningite, curvatura da espinha, arteriosclerose, angina pectoris, hiperemia, anemia e hidremia. Música tocada suavemente em Lá# maior traz alívio a estas doenças.

Virgo governa a região abdominal, os intestinos grosso e delgado, os lóbulos inferiores do fígado e o baço. Aflições de Virgo produzem peritonite, tênia, subnutrição, interferência na absorção do quilo, febre tifóide, cólera e apendicite. A melhor música para aliviar qualquer uma das aflições mencionadas é a de Dó natural e deve ser suavemente interpretada.

Libra rege os rins, as supra-renais, a região lombar da espinha, o sistema vasomotor e a pele. As doenças de Libra são poliúria ou supressão da urina, inflamação dos uréteres que ligam os rins com a bexiga, doença de Bright, lumbago, eczema e outras doenças de pele. A música para o tratamento destas doenças deve ser tocada suavemente na tonalidade de Ré maior.

Scorpio rege a bexiga, a uretra, os órgãos genitais em geral, o reto e o colon descendente, a dobra sigmóide, a glândula próstata e os ossos nasais. As doenças de Scorpio são catarro nasal, adenóides, pólipos, doenças do útero e dos ovários, várias doenças venéreas, estrangulamento e aumento da glândula próstata, irregularidades da menstruação, leucorréia, hérnia, pedras e areias renais. A nota-chave de Scorpio é Mi maior. Música tocada suavemente neste tom dissolve as doenças de Scorpio.

Sagittarius rege os quadris, as coxas, o fêmur, o íleo, as regiões do cóccix e sacral da espinha, as artérias e veias ilíacas e nervos ciáticos. Música tocada suavemente na tonalidade de Fá# maior é o melhor tratamento para estas doenças.

Capricornus governa a pele, os joelhos e tem também uma ação reflexa sobre o estômago que é governado pelo signo oposto, Câncer. Música tocada suavemente na tonalidade do Sol# maior ajuda a curar doenças de Capricornus que são: eczema e outras doenças de pele, erisipela, lepra e perturbações digestivas.

Aquarius rege os tornozelos, as pernas desde os joelhos até os tornozelos, e também tem uma ação reflexa sobre seu signo oposto, Leo; daí aflições em Aquarius produzirem varizes, entorse de tornozelo, irregularidades da atividade do coração e hidropisia. A nota-chave de Aquarius é Lá maior. Música tocada suavemente neste tom alivia as doenças comuns de Aquarius.

Pisces governa os pés e os dedos. Exerce também um efeito reflexo sobre a região abdominal governada pelo signo oposto Virgo. Portanto, aflições neste signo indicam, além de problemas e deformações dos Pés, doenças dos intestinos e hidropisia, desejo por bebida e drogas que podem levar ao delirium-tremens. Música tocada suavemente em Si maior é o melhor lenitivo para as doenças mencionadas.

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#Astrologia #Música

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A improvável história do macaco que virou gente

Em algum momento entre o período Paleolítico Médio (antes de 40 mil anos) e o Paleolítico Superior (40 mil anos atrás em diante) algo de extraordinário aconteceu.

Algo tão surpreendente quando o próprio surgimento da vida na terra ou do próprio nascimento do universo e suas leis. Mas assim como o Cosmos e a Vida este algo está tão presente que, como a água que não é enxergada pelos peixes que nadam nela, também passa desapercebida por nós, que raramente questionamos o que é ou de onde vem.

Este período, que antecede e prepara a Revolução Neolítica, é claramente tão mais diferente e bizarro de tudo o que houve antes que faz a explosão do cambriano parecer um passeio no parque.

Antes, dele, por muitíssimo tempo, vivíamos não muito diferente de qualquer outro primata de cérebro razoavelmente desenvolvido. Nossa única preocupação era nos manter vivos e nos reproduzir. Por dezenas de milhares de anos usamos as mesmas ferramentas simples de pedra e nos escondemos nos mesmos buracos em montanhas. Mas então algo aconteceu, começamos a apresentar um comportamento único.

Esse período marca o nascimento da arte, da guerra e da religião. Começamos a fazer rituais, praticar magia e a enterrar os mortos . Onde antes só haviam conchas começamos a fazer colares e criamos moedas de troca. Onde antes só havia cavernas começamos a fazer pinturas dos céus e dos animais e dos deuses. E mais importante ainda, onde antes só havia pedra começamos a fazer estátuas de mulheres peitudas peladas. Foi quando nasceu a Inteligência.

Não me refiro à inteligência cotidiana e vulgar, essa sempre existiu tanto em nós quanto em praticamente tudo o que existe. Assim como nos antepassados dos cães, sempre que alguém maior, mais forte e com uma voz mais alta ordenava SENTE, nós nos sentávamos. Tínhamos a mesma noção aritmética de pássaros e outros mamíferos. Também conseguíamos prever as estações e migrar ou nos proteger de acordo. Quando falo do Nascimento da Inteligência falo daquilo que nos separou de praticamente todas as formas de vida nativas deste planeta. Falo daquilo que até hoje é motivo de discussão entre macacos que conseguiram diplomas: “o que nos diferencia dos outros macacos?”. Ora, são os diplomas!

A primeira coisa curiosa quando tentemos responder essa questão é o período em que esta explosão cultural da macacada aconteceu; Pois embora o Homo Sapiens tivesse atingido o pico de sua modernidade anatômica cerca de 200 mil anos atrás foi só a 40 mil anos que aparentemente adquirimos uma mente moderna. Trocando em miúdos: se é nosso cérebro que nos permite usar o fogo para cozinhar a carne e o computador para criar o jogo de Tetris, por que passamos mais de 150 mil anos com o mesmo cérebro e corpo que temos sem nenhuma grande inovação, vivendo praticamente como um animalzinho social não muito mais esperto do que os outros que nos rodeavam? Não quero com isso dizer que o nascimento da cultura humana aconteceu do dia para noite e que não houve nenhum a evolução no período anterior. Contudo é inegável que alguma coisa aconteceu em nossas mentes, algo que se acendeu em nossos cérebros apenas depois de 150 mil anos de ócio e tédio e que nos fez dominar o fogo, a pesca e a pornografia.

 

Espertos para a idade

 

Os antropólogos de hoje, graças ao registro fóssil existente, conseguem desenhar os estágios da pré-história humana, mas são incapazes de explicar qualquer coisa além disso, como por exemplo, o momento do nascimento ou a causa para este fenômeno acontecer. O melhor que podem fazer é dizer coisas como “O homem desenvolveu sua inteligência porque isso era necessário para sua sobrevivência”. Vamos dissecar esta idéia, preparem-se pois a cena pode não ser muito bonita.

De acordo com essa teoria os proto-homens não possuíam velocidade, força, dentes e garras ou outros atributos necessários a sobrevivência. De acordo com o Cânon da Genética Moderna, Mutantes com mais inteligência teriam mais chances de sobreviver, procriar e sustentar seus descendentes, enquanto os grupos menos inteligentes seriam eliminados no processo. Este processo repetido por cinco milhões de anos resultou no homo sapiens que conhecemos hoje. A este cânon damos o nome de teoria antropogênica.

Pois bem, existem pelo menos três problemas com a crença antropogênica moderna. O primeiro deles é esta dependência do tempo. Algum cientista deve ter deixado um prato de comida, digamos um sanduíche de aliche, em cima de sua mesa de trabalho durante o fim de semana e, quando voltou para o escritório dias depois, descobriu que aquilo havia praticamente ganhado vida. Se alguns dias são o suficiente para transformar um delicioso sanduíche em algo pavoroso, peludo e verde, com certeza um macaco esperto depois de cinco milhões de anos se tornaria um humano como nós. Mas cinco milhões de anos é um período grande o bastante para qualquer coisa se transforme em qualquer outra coisa. Além disso os antropólogos dirão que o processo inteiro deve ter demorado cerca de cinquenta milhões de anos pois o despertar da inteligência seria lento e gradual e não do dia para a noite.

Se criamos cérebros porque não tínhamos garras e presas não seria muito mais prático criar garras e presas? Por que viramos nerds e não gorilas?

O segundo problema é que o proto-humano era apenas um entre muitos animais lutando para sobreviver a cinco milhões de anos. Se seu cérebro cresceu tanto pelo processo de seleção natural por que o de outras criaturas não se desenvolveu da mesma maneira? Se isso é verdade, então por que não temos por ai outros humanos que evoluíram de outros animais sem velocidade, garras e força? Por que além de humanos que vieram do macaco não temos humanos que evoluíram de gambás, de Guaxinins ou de Ratos do Campo?

O registro fóssil mostra que o cérebro das outras criaturas permaneceu praticamente do mesmo tamanho enquanto que a cavidade cerebral do ser humano quase dobrou entre o Pitecantropus Erectus e o Cro-Magnon em um pulo de de 900 cc para 1700 cc. Se a seleção natural e a evolução são processos cegos e aleatórios, deveríamos ter mais algumas espécies apresentando a mesma evolução. Mas mesmo outros mamíferos de cérebros grandes como os paquidermes não mostram um crescimento expressivo entre os mamutes e os elefantes de hoje, por acaso eles também não precisaram lutar para sobreviver?

Uma terceira problemática surge quando aplicamos um dos bastiões do próprio Darwinismo. A regra de que a natureza sempre escolhe o caminho mais fácil, ou seja, a regra de que a seleção favorece as adaptações mais simples e econômicas em lugar das mais complexas e custosas. Isso é tão importante que vou rescrever de forma de que até mesmo eu possa entender: Tudo o que existe necessita de energia para existir. Um ovo largado em um balcão não vira uma omelete do nada, é preciso que energia seja aplicada ao ovo, seja essa energia um cozinheiro ou um terremoto que o faça rolar e cair dentro de uma frigideira que está no fogo. Da mesma forma uma semente não vira uma árvore sem energia. Um feto não vira um animal adulto sem energia. Você não consegue se levantar da poltrona e ir ao banheiro sem energia. De acordo com o Darwinismo, se você mora a uma quadra de uma padaria e precisa de pão, você sai de casa e ruma para a padaria usando o caminho mais curto, ou seja, a linha com a distância de duas quadras, ao invés de ir na direção oposta onde teria que dar a volta ao mundo para chegar nela, porque isso faria a energia gasta não compensar o pãozinho que você precisava. Da mesma forma, qualquer mudança evolutiva que ocorra segue a lei do uso mínimo de energia: uma girafa não precisa de um pescoço retrátil, precisa de um pescoço grande. Não é estranho termos gasto uma quantidade enorme de energia para desenvolver um cérebro capaz de criar computadores e compor sinfonias quando tudo o que precisávamos era nos manter vivos e procriar?

Não há explicações dentro da mera seleção natural que justifique a evolução da inteligência, porque ela mesma (a evolução) não é nada inteligente. A seleção natural não é e, de acordo com darwinistas, geneticistas e os outros istas diplomados, não pode ser criativa – caso isso acontecesse teriam que começar a sustentar a idéia de uma criatividade existente antes da vida surgir, que está presente em todos os lugares e é responsável por tudo o que acontece, e como sabemos esses istas não se sentem muito confortáveis com este tipo de idéia. Ela apenas age no sentido de promover ou eliminar as mutações que surgem aleatoriamente. Desta forma ela não chega a ser um processo ativo ou dinâmico, apenas a confirmação de que uma espécie continua viva enquanto outras não. Poderíamos então tentar admitir, para nossa sanidade, que algum evento de especiação estritamente neurológico e estritamente focado ocorreu há cerca de 40 mil anos e que fez surgir uma entidade nova, com capacidades cognitivas únicas e simbolicamente expressiva. O problema com essa teoria é que a escala de tempo que resta até digamos o Neolítico, não nos permite isso. Pois isso exigiria que uma nova espécie humana fisicamente idêntica, mas intelectualmente superior aparecesse e começasse a se disseminar por todo velho mundo e eliminasse totalmente a espécie predecessora em um período muitíssimo curto de tempo.

 

Essa boa vida vai te te transformar em um molengão

Um Homo Sapiens já evoluído tentado sobreviver a um ambiente hostil valendo-se de suas novíssimas e custosas mutações cerebrais morreria muito antes de seu infinitésimo acréscimo de inteligência lhe dar alguma vantagem competitiva.

Sim, caros ouvintes, é isso mesmo. Até hoje, todas as explicações que temos para sermos capazes de nos reconhecer em espelhos, de questionarmos “quem sou eu?”, de usarmos calças é a de que nosso cérebro se desenvolveu para que sobrevivêssemos ao meio ambiente hostil. Mas faça um teste simples: pegue um amigo seu – um homo sapiens moderno que tem a vantagem de cinqüenta mil anos de evolução cerebral – e coloque dentro da jaula com um leão. Para deixar o experimento mais próximo da realidade dê a seu amigo todos os materiais que teria acesso durante o Paleolítico Superior. Depois forneça um anti-ácido ao grande felino. Se o a mente racional é tão poderosa que um pequeno crescimento dela valeria mais do que a força bruta por que ela ainda sucumbe à força bruta?

Na verdade conforme nossa inteligência tornou nossa vida mais fácil, nos tornamos ainda mais fracos e vulneráveis fisicamente. Nossa vida é confortável e longa porque nossa inteligência nos permitiu produzir remédios e nutella de ovomaltine. Mas arranque essa inteligência e a humanidade estaria extinta em poucas gerações ou ainda pior nossa inteligência está tão pouco ligada à sobrevivência que se amanhã houver uma explosão solar que causa um pulso eletromagnético grande o suficiente para fritar todo e qualquer circuito elétrico da face da terra, nos veríamos em um planeta sem dinheiro e sem computadores, por quanto tempo acha que você conseguiria sobreviver? Por causa de nosso cérebro a evolução natural do resto do nosso corpo não só foi desacelerada mas invertida como mostra este estudo. A regra da natureza é uma constituição física cada vez mais forte e uma fisiologia cada vez mais imune as doenças. Novamente nós fugimos à regra.

Desta forma, mesmo que queiramos acreditar na explicação padrão de que a inteligência é fruto da evolução natural somos obrigados a admitir que a adquirimos de uma maneira que foge completamente aos padrões evolutivos aceitos hoje. Somos uma verdadeira aberração na natureza. O surgimento da inteligência é algo tão improvável quanto o surgimento da vida e do universo. Entretanto aqui estamos nós nos questionando, vivos, no universo.

Mas um cérebro grande aliado a um polegar opositor é realmente tudo o que precisamos? Temos alguma prova de que foi nosso poderoso poder mental que nos permitiu chegar onde chegamos? Como já foi dito no começo do artigo nosso cérebro já estava pronto cerca de 150 mil anos antes da inteligência aparecer, incluindo o tamanho do nosso cérebro, nossa estrutura vocal complexa e nosso polegar opositor. Além disso, temos um registro histórico que nos deixa claro que existe algo além nessa história. Quando os Tasmanianos foram contatados pelos europeus no século XVI eles não tinham descoberto o fogo, não tinham escrita, crenças, nem qualquer conceito de música. Era cerca de 1600 depois de cristo, mas isolados do resto do mundo eles não tinha sequer desenvolvido ferramentas feitas de pedras. E eles tinham o mesmo cérebro e corpo que o nosso e muitas, muitas pedras.

Por outro lado sabemos de casos de macacos que aprenderam a falar a linguagem de surdos mudosproduzir ferramentas e jogar video-games. Curiosamente, em todos os casos de sucesso não foi feito um esforço concentrado para aumentar a inteligência dos animais, mas simplesmente eles foram colocados em um ambiente onde a linguagem e a inteligência eram usados ao seu redor. Quando isso aconteceu cada um destes estudos mostrou que a inteligência têm algo de contagioso. Mas quem teria nos contagiado?

Tamosauskas

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-improvavel-historia-do-macaco-que-virou-gente/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-improvavel-historia-do-macaco-que-virou-gente/

Maçonaria para Não-Maçons / Parte 1

Bem, ao começar a falar da Maçonaria, gostaria de começar esse Post na certeza de que este será um dos mais importantes para quem deseja compreender melhor o funcionamento da Maçonaria.

Os Mistérios e Segredos da Maçonaria são sempre temas de demoradas discussões que, na grande totalidade das vezes, não leva a lugar algum.

Tentarei abordar, de forma clara, como se Aprende e se Estuda dentro da Maçonaria. A grande verdade é que, entendendo isso, muitas outras coisas ficarão mais claras de se entender.

É muito comum, para quem não é membro, pensar na Maçonaria como uma Escola no sentido “acadêmico”, como se houvesse uma grade curricular que envolvesse todo o conhecimento que existe ali dentro.

Quem pensa isso acaba acreditando, logicamente que, ao atingir o Grau 33, o Maçon passa a ser detentor de todo o conhecimento que existe dentro da Ordem. No entanto, nada poderia estar mais distante da realidade.

Mas, vamos por partes, para que você possa entender melhor o porque isso acontece.

Existe um site Cristão, bem conhecido (A Espada do Espírito), do qual irei utilizar de um de seus Artigos, como base, para explicar algo muito importante para você, que não é Maçon, entender melhor como funciona a Ordem.

O nome do texto é justamente esse: Maçonaria: Duas Organizações, Uma Visível, Outra Invisível (dê uma lida, vale a pena).

O artigo, resumidamente, tenta demonstrar que existe uma “Maçonaria Invisível”, dentro da própria Maçonaria, onde estão os verdadeiros Maçons (que, para eles, são os Satanistas que preparam o Anticristo).

O argumento mais forte é uma citação do autor Manly Hall, que diz haver uma sociedade visível, que se dedica às atividades “éticas, educacionais, fraternais, patrióticas e humanitárias”, enquanto, a sociedade invisível “é uma fraternidade secreta e augustíssima (de majestosa dignidade e grandiosidade), cujos membros dedicam-se ao serviço dos arcanos”.

Ele diz a verdade, mas não da forma como é interpretada nesse artigo.

Para entender porque isso não é verdade, é preciso explicar algo muito triste, porém, muito verdadeiro, dentro da Ordem Maçonica. A maioria dos membros são altamente despreparados e a estrutura das Potências Maçonicas (GOB, COMAB, CMSB) não oferece nada que possa instruir seus membros com relação à tudo que a Ordem pode lhes oferecer.

Como eu dizia no começo, ser Grau 33 não garante que o membro seja detentor do conhecimento pleno da Maçonaria.

É porque não existe cobrança, de um Grau para outro, que exija estudo e conhecimento da Ordem (até existem alguns trabalhos, mas não são passíveis de “reprovação”). Ou seja, não existindo essa exigência, não há motivo para que as Potências Maçonicas organizem qualquer tipo de estudo referente aos Graus.

Tudo isso faz com que, para cada Grau que o Maçom avance, ele tenha contato com um novo Ritual, novos Símbolos e uma nova percepção da Filosofia Maçonica, sem que lhe seja fornecido um Material para lhe explicar (e, posteriormente, lhe cobrar) o MÍNIMO que ele – na condição de maçon daquele grau – deveria saber.

Devido a isso é compreensível que os não-maçons (como esses que escreveram o artigo em questão) acreditem, verdadeiramente, que existem duas ordens distintas dentro da Maçonaria, afinal, o que mais justificaria existirem maçons que conhecem tanto sobre a Ordem e outros que, praticamente, não conhecem nada?

Quando isso acontece é REALMENTE compreensível que fique a impressão de que estes maçons (que são bem distintos) fazem parte de Ordens diferentes, onde uma é realmente muito séria e instrui os seus membros, e outra, apenas o “clubinho” da cidade.

Era sobre isso que o Maçon Manly Hall se referia ao dizer que existe uma “outra ordem” onde os maçons conheciam os “verdadeiros arcanos”. São aqueles realmente dedicados, que estudam, debatem e frequentam as “academias maçonicas de estudos” para se aprimorarem no estudo dessa magnífica Ordem.

Mas, você deve estar se perguntando: “Como então os Maçons dedicados da Ordem fazem para se instruir”? Bem, material de qualidade é o que não falta (mas, isso será assuntos para próximos posts).

Por fim, para os que leram o Artigo do “Espada do Espírito” e acharam estranha a citação de Manly Hall (ao citar Lúcifer), não irei tratar dela agora. Haverá um post só para citações, similares a essas, em livros de renomados Maçons da história.

Para os que não leram, a citação foi:

“Quando o maçom aprende que o segredo para o guerreiro é a correta aplicação do dínamo do poder da vida, ele aprendeu o mistério de sua Arte. As energias ardentes de Lúcifer estão em suas mãos e antes que ele possa avançar para frente e para cima, precisa provar sua capacidade de aplicar corretamente a energia.”

Polêmico, não?

Continue acompanhando. Chegaremos lá…

[No Blog original, na categoria Maçonaria, você pode conferir a “parte 2” desse Post – e os textos posteriores]

#Maçonaria #satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ma%C3%A7onaria-para-n%C3%A3o-ma%C3%A7ons-parte-1

A Espiritualidade Queer na Europa Pagã: Os Celtas e Os Vikings

A CULTURA QUEER NA EUROPA PAGÃ:

Gênero e sexualidade na Europa pagã são frequentemente vistos hoje com emoções misturadas. Existem muitas evidências sobre as tendências LGBT+ das tribos e pessoas originais do continente, mas muitas dessas evidências vêm de fontes externas e observadores terceirizados. Normalmente, esses historiadores estrangeiros eram os gregos e os romanos, que relacionavam a natureza queer da Europa “bárbara” em termos de sua própria rígida dicotomia “ativo/passivo”, ou eram os cristãos imperiais, que difamavam qualquer forma de sexo não procriativo que testemunhassem. pagãos fazendo.

Ainda assim, há pouca menção às tendências LGBT+ dos próprios indígenas. Isso significa que sexualidade e gênero não eram um grande problema e eles estavam vivendo em uma utopia queer? Isso significa que qualquer coisa queer era um tabu tão terrível que ninguém ousava registrar sua existência em detalhes? Bem, ninguém realmente sabe com 100 por cento de certeza. Mas, como a maioria das histórias maculadas escritas por rivais e conquistadores, a verdade provavelmente está em algum lugar no meio. O que se preserva, no entanto, é a inegável natureza queer nas religiões de várias tribos pagãs, especialmente as dos celtas e dos vikings. Então, vamos novamente levar alguns grãos de sal conosco e começar olhando para os celtas.

A ESPIRITUALIDADE QUEER DOS CELTAS:

Os vários grupos de europeus pré-cristãos nativos fora da Grécia e Roma clássicas são comumente agrupados e conhecidos como os celtas (pronuncia-se “kelts”). Nesse sentido da palavra, os celtas eram as tribos da Europa que não falavam nem grego nem latim e adoravam divindades não greco-romanas. Em sua maior extensão, o povo celta compreendia muitas culturas e vivia em uma grande faixa de terra que se estendia desde os atuais Portugal e Espanha até a França, as Ilhas Britânicas, a Alemanha, a Escandinávia, as fronteiras da Europa Oriental do Mar Negro e até bolsões de Peru. Em vez de um único povo unificado, os celtas eram compostos por numerosas tribos que compartilhavam certos graus de semelhança cultural, e uma grande semelhança era o uso predominante da tradição oral para transmitir lendas, ensinamentos e modos de vida. Hoje em dia, porém, os celtas são principalmente associados ao povo da Irlanda, Escócia, País de Gales e à província francesa da Bretanha, onde suas culturas sobrevivem de forma mais vibrante.

Como mencionado anteriormente, muitos dos escritos sócio- e antropológicos sobreviventes que temos dos celtas vêm de outras pessoas que os encontraram. E no mundo clássico, os líderes militares gregos e romanos eram as principais pessoas a ter esses encontros múltiplos e contínuos. Com certeza pode ser esse o motivo pelo qual os celtas da antiguidade sempre foram descritos como guerreiros, já que era através da guerra que essas culturas se encontravam, mas o jeito do guerreiro também aparece bastante em sua própria mitologia. Na mitologia irlandesa em particular, figuras masculinas lendárias muitas vezes tinham um irmão de armas masculino especial ao lado de quem lutavam e com quem amavam ternamente.

As culturas celtas, como as sociedades humanas ao longo do tempo, tinham um sistema de classes estratificado da elite aristocrática e subdivisões de praticamente todo mundo. As classes superiores da sociedade celta masculina, de acordo com os gregos e romanos que os encontraram, eram conhecidas por terem relações sexuais com outros homens, mas como os gregos e romanos não queriam parecer semelhantes a esses “bárbaros”, os escritores da época enfatizavam que a aristocracia celta preferia outros homens a mulheres e até se envolvia em três vias masculinas. 112 Aristóteles até fez menção especial para apontar como essa homossexualidade preferida também tinha um viés para os homens dentro da mesma classe social – um severo não-não na sociedade grega. 113 Novamente, no entanto, a verdade está em algum lugar no meio.

Outra verdade intermediária é o desdém social deles por homens homossexuais “no fundo”. A suposição moderna para isso vem de como a cultura machista predominante dominou a sociedade celta. Ser fraco era ruim e, portanto, para um homem agir como o sexo fraco era ruim. Na verdade, ser um “passivo” homossexual era uma das piores coisas de que se poderia acusar um homem celta. Ironicamente, a frequência dessa acusação (especialmente no norte da Europa) prova que a homossexualidade era uma coisa na Europa pagã, uma vez que tal insulto só poderia ser entendido se fosse praticado com bastante frequência para que as pessoas comuns pudessem reconhecer a acusação.

Evidências semelhantes da semelhança da homossexualidade celta foram escritas nas Leis Brehon dos celtas irlandeses do século VII como uma razão legal pela qual uma mulher pode se divorciar de seu marido. A lei não menciona a homossexualidade em si, mas concede o divórcio legal a mulheres cujos maridos preferem fazer sexo com outros homens do que com ela. Estudiosos modernos acreditam que isso não é uma punição legal para homens gays, pois é uma garantia legal para as mulheres terem o direito de ter filhos, como evidenciado pela lei que continua a listar uma série de outros fundamentos legais para o divórcio, todos os quais giram em torno da incapacidade de um homem de engravidar sua esposa, como ser muito obeso para fazer sexo e infertilidade masculina total. Ainda assim, um homem preferindo a cama de outro homem deve ter ocorrido com frequência suficiente para que os celtas irlandeses o incluíssem em seu código de leis. 114

Quanto às próprias mulheres, não há muita evidência de lesbianismo romântico entre senhoras celtas. O mesmo vale para indivíduos transgêneros e bissexuais. A razão para isso é, novamente, os romanos. A maior parte da história sobrevivente dos celtas que nós, pessoas modernas, temos que continuar são os escritos dos militares romanos, que, em geral, tiveram contato principalmente com homens guerreiros celtas. E, além de não interagir muito com as mulheres celtas, os generais e historiadores romanos não teriam interesse particular nos assuntos privados dessas mulheres “bárbaras”, como evidenciado pela pouca estima que tinham por suas próprias mulheres “civilizadas”.

Há, é claro, uma exceção, embora controversa: Boudica, a lendária rainha guerreira ruiva dos celtas britânicos que liderou uma revolta bem-sucedida contra os exércitos romanos invasores. A polêmica está no fato de sabermos muito pouco sobre ela. O que sabemos é que Boudica era casada com o rei de uma tribo celta aliada de Roma. Após a morte de seu marido, o exército romano saqueou suas terras, estuprou suas filhas e a açoitou impiedosamente. Agora um inimigo declarado de Roma, ela foi eleita líder de uma resistência celta unida contra os invasores. Sob sua liderança, os celtas britânicos obtiveram sucesso militar após sucesso militar contra a máquina de guerra da Roma Imperial até que o exército romano obteve uma vitória decisiva em um local estratégico na Watling Street (principal rodovia de Roma na Grã-Bretanha). Após esta derrota irrecuperável, os relatos divergem quanto ao destino da rainha celta. Alguns escritos dizem que ela adoeceu na campanha e morreu, e outros dizem que ela cometeu suicídio por envenenamento auto-ingerido para não ser capturada e se tornar uma escrava romana. 115

Além das associações óbvias e estereotipadas de lesbianismo possuídas por Boudica, como ser um líder marcial, um guerreiro agressivo e impiedoso e dominar os homens tanto por comando direto quanto por conquista, os historiadores modernos acreditam que é bastante lógico que, após a morte de seu marido, Boudica tenha tido relações sexuais com outras mulheres, embora não cheguem a dizer que ela realmente o fez. O raciocínio é que, como líder de jure de sua tribo, o costume celta britânico de seu povo ditava que ela se deitasse com mulheres. 116 É verdade que esse costume foi provavelmente estabelecido com a suposição de que todos os seus líderes seriam homens, então era possível que o costume fosse ignorado devido ao gênero dela? Sim, é uma possibilidade. Mas também era possível que Boudica seguisse esse costume para manter as aparências como líder de seu povo? Sim, isso também é uma possibilidade. A verdade pode nunca ser totalmente conhecida.

O único outro relato da sexualidade feminino-feminina, além da suposta bissexualidade de Boudica, vem em uma breve passagem do antigo conto irlandês de “Niall Frossach” como escrito no Livro de Leinster do século XII. No conto, há menção direta de duas mulheres fazendo sexo uma com a outra, e é descrito como “acasalamento brincalhão”. Nada é dito sobre isso ser algo abominável ou mesmo estranho e incomum, e os personagens dentro do conto não reagem a isso de nenhuma maneira particular além de uma questão de fato/ ou um tipo de atitude de é-o-que-é-é. atitude. 117

A CONTRIBUIÇÃO CELTA:

A Comunicação Intrapessoal e Interpessoal:

A história queer dos vários povos celtas é escassa devido ao uso predominante da tradição oral, mas aí também está a lição: comunicar-se com as pessoas diretamente. Somos tímidos muitas vezes na magia e na vida queer. Não sabemos como alguém pode reagir se dissermos que praticamos magia ou que somos queer. Além disso, tanto praticantes de magia quanto pessoas queer são minorias, então há menos de nós com quem conversar. Isso leva a muita prática de magia solitária e aprendizado sobre a vida queer através de várias mídias. Agora, não me entenda mal, essas duas coisas são ótimas, mas não há nada como ser capaz de falar sobre coisas com pessoas reais ali mesmo.

O povo celta tinha uma grande consideração pela comunicação oral direta, mas hoje em dia a vemos como uma espécie de último recurso. Por que lidar com outras pessoas e suas falhas quando podemos obter todas as informações do mundo no conforto do nosso próprio quarto? Bem, a razão é porque a interação humana é uma parte mágica da vida. Além de sermos animais sociais, há uma certa sensação mágica e “saber” em falar diretamente com as pessoas. Comumente é chamado de “vibe” – aquele sentimento sutil e inexplicável que você tem sobre uma pessoa que só pode ser recebido pessoalmente. Você também pode pensar em qualquer data que você teve.

Conversando on-line por meio de texto, fotos ou vídeos, todos eles não podem dizer tanto sobre uma pessoa quanto estar na sala com ela em uma conversa. É aí que nossos sentidos mágicos entram em ação e nos permitem conhecer verdadeiramente uma pessoa.

Então, para sua próxima atividade mágica, saia e teste o quão bem você pode ler magicamente as vibrações de uma pessoa. Escolha uma pessoa aleatória que você vê e faça uma avaliação rápida de sua personalidade com base nas vibrações que você capta. Em seguida, converse com eles cara a cara. Uma escolha segura é fazer isso em uma loja e abordar um funcionário com o pretexto de ter algumas perguntas.

Aproximar-se de pessoas aleatórias pode colocá-las em um clima defensivo ou desdenhoso, mas um funcionário espera isso e tecnicamente terá que responder a você. Quanto mais você fizer isso, melhor você se tornará em captar instintivamente e com precisão as energias das pessoas.

Consequentemente, ser capaz de ler essas energias irá ajudá-lo a fazer feitiços para outras pessoas, bem como dar-lhe um aviso na vida diária sobre em quem confiar e quem está apenas jogando.

A ESPIRITUALIDADE QUEER DOS VIKINGS:

Durante os séculos VIII a XI, as sociedades escandinavas da Europa pagã eram um povo belicoso. Famosos por seus ataques, ferocidade na batalha e agressão extrema, esses guerreiros do norte valorizavam a masculinidade alimentada pela testosterona e o poder físico que a acompanhava. Então, sem surpresa, eles não pareciam muito favoráveis à natureza queer. Muito parecido com os celtas ao sul, os vikings eram uma sociedade machista que valorizava a dureza masculina e desprezava a efeminação. Em certo sentido, não era a natureza queer em si que os nórdicos odiavam, mas sim a feminização de seus homens, que eles equiparavam à fraqueza.

No entanto, sabemos que a homossexualidade masculina era praticada pelos vikings. Além do fato óbvio de que pessoas LGBT+ existiram ao longo do tempo em todas as sociedades, o escárnio comum de homens homossexuais pelos vikings prova que eles estavam cientes disso e que era comum o suficiente para ser um insulto entendido. De fato, duas palavras em particular foram usadas como tal insulto: ergi e argr. Traduzidas grosseiramente, elas significam “não-masculinidade” e “não-masculinidade”, respectivamente. Em uma cultura tão machista, a masculinidade carregava consigo poder e influência social, então ser chamado desses nomes era um insulto extremo que poderia destruir permanentemente a reputação de um homem. Tão severas eram essas acusações que ser chamado assim era motivo para um duelo conhecido como holmganga. Se o acusado ganhou, então ele obviamente não era “não-masculino” e tinha direito a compensação, mas se ele perdesse, então era supostamente sua falta de masculinidade que o havia perdido no duelo. 118

Claro, porém, havia exceção à regra. Se você fosse o “ativo” penetrante durante uma rodada de relações sexuais masculinas, então você não era considerada feminina. E no rescaldo de uma batalha, esperava-se que um nórdico penetrasse sexualmente em seus inimigos derrotados. Nas conquistas vikings, o estupro era uma arma de guerra. Afirmava o domínio sobre o perdedor e efetivamente o feminizava, além de quebrar psicologicamente seu espírito. Fora da guerra, também era visto como certo que os machos vikings fizessem sexo com seus escravos/servos do sexo masculino, uma vez que afirmava seu domínio masculino, desde que fossem os “ativos”. Assim, não era a homossexualidade que os vikings abominavam, mas sim a falta de masculinidade associada a assumir o papel feminino durante o sexo e ser dominado por outro homem.

E não nos esqueçamos das senhoras. Assim como as outras culturas que discutimos anteriormente, não se sabe muito sobre a vida sexual privada das mulheres vikings porque as mulheres não eram vistas como importantes o suficiente para documentar suas vidas com tanta profundidade. Mas há evidências indiretas que sugerem que as mulheres vikings se envolveram no amor feminino do mesmo sexo com frequência suficiente para que os homens decretassem leis contra a masculinização das mulheres. Os sociólogos dizem que isso se deve ao valor escasso das mulheres; a proporção de mulheres para homens era drasticamente desigual, com muito menos mulheres e uma superabundância de homens — um importante efeito colateral de uma sociedade que valorizava fortemente os filhos em detrimento das filhas.

Semelhante à notoriedade outrora causada pela política do filho único da China moderna, as famílias vikings que davam à luz meninas muitas vezes as deixavam no deserto para morrer de exposição como uma maneira de apagar o “erro” e tentar novamente um filho. tendo poucas mulheres, e se algumas dessas escassas mulheres tinham aversão ao sexo heterossexual, isso deixava ainda menos mães em potencial para os homens se casarem e engravidarem. 119 Assim, foram promulgadas leis que desencorajavam as mulheres de assumir características masculinas, como cortar o cabelo curto, usar roupas masculinas, portar armas, etc. Basicamente, as mulheres precisavam agir como o sexo mais fraco para atrair um companheiro e gerar filhos, já que nenhum homem viking macho iria querer uma mulher que fosse mais masculina e dominante do que ele. Por outro lado, isso significava que as mulheres detinham muita autoridade no casamento, pois se se divorciassem do marido, a escassez de mulheres disponíveis dificultava encontrar outra esposa, um poder sobre os homens refletido em inúmeras sagas vikings. 120

Mas, novamente, do ponto de vista lógico da política sexual, se uma mulher viking realmente era lésbica ou mesmo bissexual, realmente não havia nada que seu marido pudesse fazer sobre isso. Afinal, seria imprudente divorciar-se dela devido à escassez de mulheres casáveis por aí. E se ele reclamasse disso, ela poderia ameaçá-lo com o divórcio, efetivamente calando-o. Realisticamente, desde que a mulher cumprisse seu dever de gerar os filhos do marido, quaisquer outras ligações que ela tivesse com mulheres eram sua prerrogativa. 121

Quanto aos indivíduos bissexuais e transgêneros na sociedade viking, quase nada se sabe. A noção viking de natureza queer não é a mesma que a nossa hoje. Para eles, a sexualidade era uma questão de posicionamento sexual e domínio psicológico, não os anseios internos e a identidade de um indivíduo. No entanto, é seguro presumir que, apesar da efemifobia desenfreada exibida na cultura nórdica, todos provavelmente eram um pouco bissexuais. Se você considerar que os guerreiros vikings machistas eram socialmente esperados para gerar filhos e dominar sexualmente seus inimigos de batalha, bem como a permissividade generalizada de escravos/servos masculinos sexualmente “passivos para os ativos”, então a bissexualidade era a norma para os homens vikings, pelo menos. Ainda assim, as façanhas e aventuras dos deuses nórdicos revelam uma boa quantidade de transexualismo e natureza queer geral, como testemunharemos daqui a pouco.

A CONTRIBUIÇÃO VIKING:

A Sacralidade do Masculino Divino:

Agora, antes que você dê um pulo e comece a gritar que sou um agente do patriarcado, é importante entender que qualquer coisa levada ao extremo é ruim, mas isso não significa que a coisa em si seja ruim. O culto da masculinidade reverenciado pelos vikings ainda está conosco em nossa cultura moderna, e a feminilidade ainda é vista como fraca. Embora isso seja lamentável e não seja uma coisa boa para a sociedade, temos que ter em mente que ser masculino ou gostar de pessoas e coisas masculinas não é ruim. Como falamos sobre juventude e beleza, a posse e atração pela masculinidade não é ruim, mas a expectativa de ser masculino certamente é.

No nível do dia-a-dia, temos que estar bem com a afinidade pessoal das pessoas pela masculinidade, seja em sua identidade ou no que as atrai. Hoje em dia, como um movimento reacionário ao patriarcado, homens queer envergonham outros homens queer que têm preferência sexual por homens masculinos. Supõe-se erroneamente que gostar de algo significa automaticamente não gostar de seu oposto. Afinal, um homem gay pode ter uma forte preferência por homens com barba, mas isso não significa que ele odeia ou não se sente atraído por caras barbeados. E uma lésbica pode ter preferência por mulheres com cabelo comprido, mas isso não significa que ela odeie ou não seja atraída por mulheres de cabelo curto.

Se um homem heterossexual prefere mulheres masculinas, isso não significa que ele tenha desdém por mulheres efeminadas. Se uma mulher heterossexual prefere homens efeminados, isso não significa que ela tenha desdém por homens masculinos. Se uma lésbica prefere sexualmente mulheres masculinas, isso não significa que ela tenha desdém por mulheres efeminadas. Se uma pessoa bissexual tem uma leve preferência sexual por homens, mesmo que ainda haja atração sexual por mulheres, isso não significa que haja desdém pelas mulheres. Se um transexual de mulher para homem prefere sexualmente homens, isso não significa que haja desdém pelas mulheres. Se um homem gay prefere sexualmente homens masculinos, isso não significa que ele tenha desdém por homens efeminados. Você vê onde eu estou indo com isso?

Todo mundo gosta de alguma coisa, e envergonhar nossa própria família queer por gostar do que eles gostam só nos derruba como um todo. E só porque alguém é atraído pela masculinidade não significa que odeia a efeminação; os dois não estão de mãos dadas. Desde que não prejudique ninguém, deixe as pessoas gostarem do que elas gostam. E magicamente, não seja adverso ao masculino divino só porque as religiões monoteístas dominantes mostram desdém pelo feminino divino.

Então, para sua próxima atividade mágica, faça um ritual com sua tradição que honre e adore a divindade mais estereotipada masculina em seu panteão. O próprio paganismo atrai muitas pessoas porque sua adoração ao feminino divino é uma lufada de ar fresco em um mundo que cultua o culto da masculinidade tóxica, mas o masculino divino é igualmente importante e não deve ser ignorado ou visto com aversão. Todas as divindades, mesmo as ultra-masculinas, podem nos ensinar algo se estivermos abertos ao aprendizado.

DIVINDADES E LENDAS QUEER:

Cú Chulainn:

Cú Chulainn é sem dúvida a mais homoerótica das divindades celtas irlandesas na consciência moderna, apesar de tecnicamente nunca ter sido oficialmente descrita como tal na tradição sobrevivente. O que o torna um membro do panteão internacional de divindades queer é seu relacionamento com o melhor amigo e irmão adotivo, Ferdiad. Eles cresceram juntos, treinaram juntos, experimentaram o amor físico juntos, e dizem que eram iguais em todas as coisas, exceto que Cú Chulainn era mais naturalmente adequado para “ofensiva” em batalha devido ao seu talento com uma lança, enquanto Ferdiad era mais natural. “defensivo” devido à sua pele dura e dura como armadura.

Através de uma série de eventos, eles são forçados a lutar uns contra os outros em uma batalha até a morte. A batalha se arrasta por dias até que um dia Cú Chulainn desfere o golpe mortal, enfiando sua “arma misteriosa” no ânus de Ferdiad, uma parte de seu corpo onde Cú Chulainn convenientemente sabia que a pele impenetrável de Ferdiad não cobria. Depois de sacar sua arma, Cú Chulainn lamenta muito o cadáver de seu querido amigo, uma cena imortalizada em inúmeras obras de arte. 122

Na adoração, os cães são sagrados para Cú Chulainn, assim como a lança e os aspectos do masculino divino.

Loki:

De todos os deuses nórdicos, Loki é talvez o mais reconhecido por possuir traços queer. Nas lendas, ele é frequentemente descrito como uma divindade trapaceira mercurial e que muda de forma e um agente do caos. A primeira coisa reveladora sobre ele é seu nome completo, Loki Laufeyjarson, que é único, pois mostra que ele recebeu o nome de sua mãe, em oposição à tradição machista viking de crianças recebendo o nome de seus pais.

Sua aparência é descrita como muito bonita, mas muitas vezes ele é encontrado se metamorfoseando em vários animais e, em três ocasiões, uma mulher. Uma história específica conta como Loki se transformou em uma égua e se permitiu engravidar do garanhão Svadilfari, eventualmente dando à luz o cavalo de Odin, Sleipnir. Diz-se também que ele engravidou comendo o coração meio cozido de uma mulher e deu à luz os demônios que atormentam a humanidade.

Em muitos outros contos, Loki vai além de mostrar sua habitual indiferença pelos papéis de gênero e revela seu desrespeito por sua própria identidade de gênero. Um dos exemplos mais populares disso conta como, em um esforço para fazer a giganta Skadi rir, Loki amarrou seus genitais à barba de uma cabra e começou a se castrar. Na cultura machista viking, onde o pênis de um homem era seu símbolo de poder, a tentativa de Loki de se castrar fisicamente para rir resume perfeitamente sua atitude em relação ao sexo e ao gênero. 123

Na adoração, as correspondências de Loki são cobras, sabugueiros e faias, chumbo, azeviche, incenso apimentado, a cor preta e participando de brincadeiras práticas e transgressoras.

Odin:

Uma das divindades escandinavas mais populares, Odin é principalmente um deus xamânico da batalha, morte e sabedoria espiritual que é cego de um olho e é o mestre da vida após a morte do guerreiro paradisíaco de Valhalla. Suas associações com a natureza queer são basicamente duplas. Primeiro, ele é frequentemente considerado um patrono dos párias por estar ideologicamente em desacordo com outros deuses devido ao seu apoio à amoralidade frenética, seja no campo de batalha como um berserker através da ingestão de plantas psicotrópicas ou mesmo como um fora-da-lei. Em segundo lugar, ele pratica as artes mágicas das mulheres. Em um conto famoso, Odin ridiculariza a efeminação de Loki chamando-o do insulto proibido argr, mas Loki então contra-ataca apontando que Odin também não é masculino porque ele é um praticante de seidr (um tipo de magia feminina), efetivamente colocando Odin em seu lugar porque era verdade. Embora as lendas não entrem em detalhes sobre o envolvimento ativo de Odin em seidr, o verdadeiro impulso do contra-ataque de Loki foi uma implicação irônica de que Odin não apenas abraçou sua feminilidade interior, mas também “foi passivo” durante o sexo. 124

Na adoração, suas correspondências são lobos, corvos, as cores preto, laranja e vermelho, incenso de sangue de dragão, samambaias, mandrágoras, teixos, cornalina, ônix e participando das artes de cura, bem como atos de altruísmo.

As Samodivi:

As Samodivi são divindades celtas da Europa Oriental que podem ser melhor descritas como um cruzamento entre uma ninfa, uma sereia e uma harpia. Visualmente, elas são altos, atraentes, loiros e usam vestidos longos, esvoaçantes e etéreos, semelhantes aos de Stevie Nicks da era Rumours, exceto cravejados de penas. Elas têm nomes diferentes dependendo de onde você está: Samodivi na Bulgária, Iele na Romênia, Vila na Polônia e Veelas nos Balcãs.

Elas são conhecidas por serem muito bonitas e muitas vezes são retratadas como bissexuais que flertam abertamente umas com as outras para atrair os homens para sua perdição.

As lendas folclóricas variam, mas geralmente contam como sua beleza e dança sedutora sem fim encantam os homens para se tornarem seus servos luxuriosos. Elas também são conhecidas por atrair mulheres propositalmente com sua linguagem corporal sáfica e sugestiva, mas ao contrário de suas vítimas masculinas, as vítimas femininas ficam tão ciumentas (por nunca possuir tanta beleza ou por alguém com tanta beleza) que se matam. Quem conhece a série Harry Potter vai ver que é das Samodivi que J. K. Rowling tirou sua inspiração para as personagens das Veela. A personagem Fleur Delacour, que representa a Escola de Beaubattons no Torneio Tribruxo é neta de uma Veela. 125

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  1. Ronesa Aveela, “Samodivi—Witches of Darkness or Thracian Goddesses?” Mystical Emona, June 22, 2015, http://mysticalemona.com/2015/06/22/samodiviwitches-of-darkness-thracian-goddesses/goddesses/ (accessed Sept. 16, 2016).

Fonte: Queer Magic, por Tomás Prower.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/queer/a-espiritualidade-queer-na-europa-paga-os-celtas-e-os-vikings/

Vídeo sobre o Epoch

Magia+do+Caos

Eis um vídeo meu falando um pouco sobre o último livro do Peter J. Carroll. Em 2015 eu escrevi uma resenha detalhada sobre a obra, que você pode conferir aqui. Sendo assim, o objetivo do vídeo foi principalmente mostrar algumas cartas e páginas do livro, que é ricamente ilustrado. Mencionei uma ou outra curiosidade que recordei no momento e o resto você pode conferir na resenha.

Há muitos autores de caoísmo lançando livros esse ano. Alguns exemplos são “My Years of Magical Thinking” de Lionel Snell (meu autor favorito de magia do caos e um dos melhores livros que já li), “Getting Higger: The Manual of Psychedelic Ceremony” de Julian Vayne e “Life Force: Sensed energy in breathwork, psychedelia and chaos magic” de David Lee.

Na verdade só fiquei sabendo do lançamento do livro do Lionel Snell porque o Peter Carroll elogiou bastante a obra no Specularium (Alan Moore também não poupou elogios à obra). Então eu pensei: enquanto Carroll não lança seu livro seguinte, vamos relembrar todo o material admirável que ele nos deu em Epoch, que certamente não foi pouca coisa. Estudar as ideias do autor somente pelo Liber Null e Liber Kaos pode nos dar uma ideia não tão fiel da visão atual dele sobre magia.

Lembrando que o Matt Kaybryn não somente ilustrou a obra, mas também desenvolveu o livro junto com Carroll. Ele já é ilustrador de outros livros do autor há muito tempo e possui material próprio sobre magia do caos que também é de alto nível.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/v%C3%ADdeo-sobre-o-epoch

Princípios da Engenharia Mágica

Thiago Garcia Tamosauskas

Nomes podem ser trapaceiros. O Nacional Socialismo não é socialista, a República Democrática do Congo não é democrática e a República Federativa do Brasil não é federativa. Este não é um problema exclusivo da política: A Teoria da Relatividade trata de absolutos nada-relativos como a constante cosmológica e velocidade da luz e a teoria do caos, por sua vez encarrega-se, na verdade, de lidar com a ordem que surge em meio à complexidade. O mesmo pode ser dito da corrente conhecida como Magia do Caos, que ao contrário do que pode soar, na verdade é uma corrente ordenadora que consegue unificar os mais diferentes campos da prática mágica, muitos dos quais seriam paradoxais e contraditórios caso ela não existisse.

A magia, assim como outras expressões da natureza – como a música por exemplo – pode ser convertida em linguagem matemática para medir sua harmonia, seus padrões e assim ser estudada, observada e desenvolvida. É justamente isso que Peter J. Carroll propôs, em seu livro Liber Kaos, editado pela primeira vez em 1992. Carroll se utilizou da matemática formal para ordenar a mecânica mágica em uma série de equações. Não é minha intenção, repetir sua explicação e suas justificativa, nem mostrar o porquê e o como destas equações. Ele mesmo já fez um trabalho fenomenal na seção intitulada ‘Chaos Mathematics’, logo no primeiro capítulo da obra acima citada. Sendo assim irei apenas citar rapidamente as três equações básicas e fornecer uma rápida legenda para elas  na esperança de que o praticante perceba novas ramificações da prática mágica e vá imediatamente atrás da fonte original. Feito isso entrarei na real proposta deste artigo.

Pm = P + (1-P) M^(1/P)

A primeira equação calcula a Probabilidade de Sucesso Mágico (Pm).

Entre as centenas de definições existentes de magia uma das mais acuradas é a “Ciência de manipular as probabilidades”, isso porque ela abarca tanto a definição de Alta Magia como de Baixa Magia manipulativa e não se apega a termos de nenhum modelo mágico específico como Vontade, Espírito ou Destino.  Esta equação é uma das maneiras de se calcular a influência do processo mágico em aumentar a probabilidade de algum evento acontecer.

O bom resultado de qualquer operação mágica depende portanto de dois fatores: P, que é a chance de algo acontecer por simples chance e M, o fator que se cria pela operação mágica que aumentando a probabilidade deste algo acontecer. Esta probabilidade varia entre 0 (fracasso, impossibilidade) e 1 (sucesso, certeza). A equação a seguir demonstra como calcular M, segundo o paradigma proposto por Peter Carroll.

M = GL(1-A)(1-R)

Numa explicação rápida, podemos dizer que o fator mágico (M) é o produto do estado de Gnosis (G), pela Ligação com o alvo (L) descontada a ansiedade (A) e a resistência subconsciente ao processo todo (R). Resumindo de forma clara: Ansiedade é sua preocupação de que algo aconteça e Resistência é a voz  na sua cabeça dizendo que aquilo não vai acontecer. O fator M, após ser calculado deve ser incluído na primeira equação. Isso entretanto apenas para o caso de tentar-se aumentar a probabilidade de algum evento.

Existe também o caso de querer se utilizar de magia não para aumentar a probabilidade de algo ocorrer, mas o oposto, que a probabilidade de algo caia drasticamente. Um exemplo rápido disso é imaginar que um ritual que seria usado caso você deseje que um conhecido, por exemplo, não consiga arranjar um emprego. Neste caso, do segundo exemplo, você deve utilizar esta terceira fórmula:

Pm = P - PM^[1/(1-P)]

Como pode-se notar, trata-se apenas de uma inversão da primeira equação. Lembrando que o sinal ^ refere-se a exponenciação matemática. A probabilidade resultante nesta fórmula é portanto igual a probabilidade natural subtraída pelo produto de si mesma  com o fator M elevado a 1 dividido por 1 menos esta mesma probabilidade original.

Estas fórmulas, permitem uma série de conclusões interessantes e trazem boas e más notícias aos magistas. A primeira boa notícia é que o Fator de Equilíbrio que mencionei alguns anos atrás no Manual do Satanista é algo matematicamente óbvio e de extrema importância. Qualquer valor M entre 0.5 e 0.7 terá um grande resultado sobre probabilidades na mesma faixa numérica, mas pouco efeito em eventos altamente improváveis onde P é superior ou igual a 0.8. O magista deve portanto sempre tentar alimentar as chances naturais antes de se engajar magicamente. Por outro lado, se M chegar a 1, então mesmo eventos altamente improváveis tornar-se-ão possíveis.

Explicadas as três equações da magia, chegamos ao verdadeiro objetivo deste artigo e minha real contribuição a engenharia mágica iniciada acima.  Não basta apenas ter muita vontade de se trocar uma lâmpada se antes você não tiver uma lâmpada nova em mãos. Creio que Peter Carroll deixou uma grande lacuna em sua obra que pode e deve ser explorada para benefício de todos os praticantes. Trata-se da ausência de fatores bem definidos para as variáveis G, L, A e R. É necessária uma aproximação numérica para cada uma destas partes, pois sem isso as fórmulas não alcançam toda sua utilidade prática, permanecendo apenas no reino da pura especulação subjetiva.

É realmente muito difícil padronizar coisas tão sutis como o funcionamento da mente, contudo considero que graças a experiência pessoal, longas discussões com outros praticantes e muita revisão em cima dos conceitos consegui chegar a um resultado aceitável. As tabelas a seguir são uma pequena aproximação pragmática dos quatro fatores essenciais da equação M:

Fator L = Ligação

Esta primeira tabela é uma sugestão de padrão numérico para a sua ligação com o alvo de seu ato mágico. Ela por si mesma mostra porque rituais de iluminação costumam ser mais efetivos do que rituais de encantamento, pois o vinculo consigo mesmo é sempre mais garantido do que a ligação com terceiros. Eis a tabela do Fator L:

  • 0    Nenhuma forma de vinculo
  • 0.1  Vinculo abstrato/simbólico (símbolos, assinaturas, nomes)
  • 0.2  Vinculo material (sangue, cabelos, roupas, etc.. )
  • 0.3  Vinculo pictórico/representativo (fotos, desenhos )
  • 0.4  Constructo mental ordinário (imaginação não treinada, lembrança vaga que você associe com o alvo)
  • 0.5  Vinculo usando 3 sentidos ( em geral, visual e sonoro + olfativo ou tátil)
  • 0.6  Uso pleno dos cinco sentidos no vinculo
  • 0.7  Cinco sentidos + tempo (filme, teatro, psicodrama)
  • 0.8  Constructo mental elaborado (imaginação bem treinada e realista)
  • 0.9  Contato real com o alvo (entrar em contato com ele)
  • 1    Contato real e interativo com o alvo (entrar em contato e interagir com ele)

Note que os itens 0.9 e  1 são para contatos reais com o seu alvo. Para a maioria das pessoas isso representará uma proximidade espacial, mas não a diferença significativa entre uma mente completamente convencida de um contato físico e uma mente completamente convencida de um contato astral.

Fator A = Ansiedade

A segunda tabela é uma escala da preocupação com o ritual ou trabalho mágico funcionar. A Sigilização, esta grande contribuição do século XX a tradição mágica ,é uma maneira conhecida de reduzir a ansiedade, mas não é a única forma, como prova toda a história anterior do ocultismo. Idiomas bárbaros, pentáculos e chaves enoquianas são alguns dos exemplos comuns. Al;em disso, todo grau avançado de Gnosis reduz a Ansiedade na medida em que a mente fica tão envolvida e/ou satisfeita que não tem motivos para se preocupar e o ritual oblitera qualquer ânsia de resultados. Eis a tabela do Fator A:

  • 0    Não ligo se o resultado for negativo ou positivo.
  • 0.1  Não tenho necessidade, nem urgência. O fracasso é uma opção.
  • 0.2  Não tenho pressa, nem necessidade urgente de um resultado favorável
  • 0.3  Tenho necessidade de um resultado favorável, mas quase não perco tempo pensando nisso
  • 0.4  Tenho necessidade de um resultado favorável e penso nisso ocasionalmente
  • 0.5  Tenho necessidade de um resultado favorável e penso nisso freqüentemente
  • 0.6  Tenho necessidade de um resultado favorável e penso nisso o tempo todo.
  • 0.7  Tenho urgência. Esta é uma das mudanças importante para mim agora.
  • 0.8  De todas esta é a mudança mais relevante para mim atualmente.
  • 0.9  Esta e uma das mudanças mais importantes da minha vida
  • 1    Esta é a mudança mais importante de toda a minha vida

Fator R = Resistência subjetiva

A terceira tabela esquematiza a sua resistência psicológica a magia. A segunda palavra é importante porque lembra que não se trata de uma crença superficial que pode ser facilmente mudada, mas daquilo que interiormente é aceito como verdadeiro. Ela define em última instancia sua opinião sobre um ritual ou um trabalho mágico.

  • 0    Tudo é possível, indivíduos podem afetar até as leis da realidade.
  • 0.1  As leis da natureza podem ser temporariamente quebradas
  • 0.3  Existem leis cósmicas que fazem a magia funcionar
  • 0.2  Tudo é possível sob certas condições raras
  • 0.4  É possível. Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia
  • 0.5  A Magia é real mas está restrita à natureza e às suas leis. Funciona em alguns casos e em outros não.
  • 0.6  As leis da natureza as vezes de comportam de modo a parecer mágicas.
  • 0.7  Magia é apenas uma maneira de conseguir estar no lugar certo na hora certa.
  • 0.8  Magia tem um poder limitado a consciência individual ligado apenas a psicologia, neuro-linguistica, etc.
  • 0.9  Magia é um nome pomposo para auto-ilusão, placebo e sorte
  • 1    Magia não existe.

Fator G = Gnosis

A última variável é calculada de maneira diferente. Realizei alguns experimentos com algumas  escalas lineares para a Gnosis  e todas elas mostraram-se insatisfatórias e imprecisas. Este problema foi contornado pelo aperfeiçoamento da escala original que resultou na criação de uma quarta equação da magia:

G = S T

Gnosis é portanto, o produto do fator Spare (S) pelo Tempo (T). O conceito importante aqui é o fator S central. Ele se refere a Tabela Spare que desenvolvi, (em homenagem a Austin Spare) e que será relacionada abaixo.

O Tempo, T não é uma escala cronológica de segundos ou horas. Isso não faria sentido uma vez que o tempo linear é por si só ilusório e se torna cada vez mais irrelevante a medida que nos aprofundamos da realidade psíquica interior. Trata-se portanto da percepção subjetiva que a consciência tem da duração do estado de Gnosis.  De 0.1 a 0.3 são experiências rápidas e fugazes, como um espirro, um susto ou uma topada no pé. Valores T iguais a 0.4 a 0.6 são para experiências moderadas como auto-flagelação, os giros dervixes ou uma corrida em uma montanha russa. De 0.7 a 0.9 são experiências relativamente longas, como um transe xamânico, uma seção sado-masoquista ou um exorcismo neo-pentecostal. O fator 1.0 é reservado apenas a aquelas experiências onde a noção de tempo é completamente superada e o adepto experimenta a atemporalidade como no caso do Samadi yogui, das Experiências Culminantes de Abraham Maslow e das visões descritas no Apocalipse de João.

A Tabela Spare, por sua vez, não é uma escala progressiva mas sim a soma ponderada de diversos sintomas específicos. Cada um deles com seu valor. Ela foi criada com base no trabalho de Austin Spare e dos Círcuitos de Consciência de Timothy Leary e enriquecida com as experiências de minha prática mágica pessoal.  A unidade de medida do estase eu chamo de spare. A Tabela foi estrategicamente concebida de maneira a evitar trapaças evitando acúmulos desleais na contagem. Assim, qualquer soma superior a 1 spare é indício claro de que você está enganando a si mesmo na hora de estimar o fator.

A Tabela Spare

  • 0.1   Sensações intensas de Prazer/Dor física.
  • 0.1   Privação/Estase dos sentidos.
  • 0.1   Privação/Sobrecarga do organismo  (jejum, fastio, insônia, imobilidade, exaustão)
  • 0.1   Emoções atávicas, fortes ou significativas.
  • 0.1   Estímulos abstratos complexos (música, dança, matemática, teatro, etc…)
  • 0.1   Libertação socio-cultural. Entrega completa. (perda de auto-censura, alivio de normais cotidianas, quebra de tabus tribais)
  • 0.1   Memórias Simultâneas/Amnésia
  • 0.1   Consciência não-local. Transcedência da noção de espaço.
  • 0.1   Superação conceito de individualidade.
  • 0.2   Pensamento único extremamente concentrado
  • 0.2   Vacuidade. Ausência absoluta de pensamentos.

Para exemplificar a consulta da Tabela Spare: Um orgasmo de má qualidade acumularia o estado de vacuidade, 0.2 spares (sp), ao prazer físico 0.1 sp, a perda de auto-censura 0.1 sp e a emoção da luxúria 0.1 sp num total de 0.5 spares. Já um orgasmo tântrico acumularia ainda, o estase dos sentidos 0.1 sp, os estímulos sensórios complexos próprios do ritual 0.1 sp, a consciência expandida não-local resultante 0.1 sp e a superação do conceito do Eu ordinário 0.1. num total de 0.9 sp.

Aplicando a equação G=ST teríamos que uma seção tântrica longa de T=0.9 que atinja 0.9 spares resultaria em uma Gnosis na ordem de 0.8.

Fator P = Probabilidade

Agora, voltando às duas fórmulas, não adianta nada se ter todas os elementos mágicos calculados se não temos o fator P (a chance de algo acontecer por simples chance) na equação também. O fator P é a probabilidade natural de algo acorrer sem a influência do magista ainda, é a probabilidade simples que deve ser calculada antes de mais nada. Nossas duas fórmulas dependem deste fator como podemos ver:

Pm = P + (1-P) M^(1/P)
Pm = P - PM^[1/(1-P)]

Vamos ver então como chegar a este número agora. Para se calcular a probabilidade de qualquer evento acontecer podemos nos valer de três regras principais de cálculo. A primeira delas afirma que a probabilidade de dois eventos ocorrerem nunca pode ser maior do que a probabilidade de que cada evento ocorra individualmente. Essa é a primeira lei da probabilidade. Trocando em miúdos ela simplesmente afirma que em um caso onde temos dois eventos possíveis, evento A e evento B, a chance do evento A acontecer = chance que evento A e B ocorram + chance que evento A ocorra e evento B não ocorra.

Um exemplo mais visual para isso é: A chance de a primeira pessao entrar numa sala ser uma garota de vestido vermelho nunca pode ser maior do que a chance da primeira pessoa que entrar na sala seja uma garota. Que evento você acha que tem uma probabilidade maior de acontecer, qual acha mais provável:

  1. A) Que uma pessoa se forme em aconomia
  2. B) Que uma pessoa se forme em economia e vá trabalhar em um banco
  3. C) Que uma pessoa se forme em economia, vá trabalhar em um banco e depois de 3 anos seja promovida à vaga de gerente

Resposta certa: A

Em casos mais complexos a lei permanece. Por exemplo a probabilidade de um garoto ser destro é sempre maior do que a probabilidade dele ser destro e ter cabelos pretos e maior do que ele ser destro. Para isso basta calcular a probabilidade de um garoto ser destro (GD), a probabilidade dele ter cabelo preto(CP) e colocar na fórmula: (GD + CP) + (GD + Cabelo qualquer outra cor).

A segunda lei da probabilidade importante para chegarmos no fator P é a lei da combinação de probabilidades: Se dois eventos possíveis, A e B, forem independentes, a probabilidade de que A e B ocorram é igual ao produto de suas probabilidades individuais.

Hoje com o advento da compra de ingresso pela internet para assitir a filmes no cinema, suponha que um cinema exibindo o último filme comentado esteja quase lotado, tenha apenas mais uma cadeira disponível e dois ingressos tenham sido reservados pelo site do cinema. Suponha que, a partir da experiência, o atendente do cinema saiba que existe uma chance de 2/3 de alguém que reserva um ingresso apareça para ver o filme, ou seja de cada 3 pessoas que reservam ingressos 2 pelo menos aparecem para ver o filme. Então ele sabe que, caso essas últimas duas reservas que faltam ser preenchidas, se tiverem sido feitas por pessoas independentes, podem resultar em uma chance de 2/3 X 2/3 de terminar com um cliente puto porque reservou um lugar e quando chegou não tinha cadeiras, ou seja a chance do cliente 1 aparecer, multiplicada pela chance do cliente 2 aparecer, que é de aproximadamente 44%. Ao mesmo tempo existe uma chance de 1/3 (probabilidade da pessoa reservar e não aparecer) X 1/3 do filme começar com uma cadeira vazia apesar das reservas, ou seja: 11%.

E existem ainda casos onde aplicamos outra lei: se um evento pode ter diferentes resultados possíveis, A, B, C e assim por diante, a possibilidade de que A ou B ocorram é igual à soma das probabilidades individuais de A e B, e a soma das probabilidades de todos os resultados possíveis (A,B,C e assim por diante) é igual a 1 (ou seja 100%). Esta lei serve para calcular a probabilidade de que um dente dois eventos mutuamente excludentes, A ou B, ocorra. Como exemplo vamos voltar para o caso do cinema. Suponha que o atendente queira calcular a chance de que as duas pessoas que reservaram a cadeira apareçam ou que nenhuma delas apareça. Calculando com os números acima, e somando ao invés de multiplicar, terminamos com o resultado de 55% aproximadamente.

Essas três leis são basicamente tudo o que você precisa para poder chegar ao fator P e adicioná-lo à fórmula. Agora para isso você precisa saber a sutileza do que quer saber para descobrir que fórmula usar.

A seguir faremos uma sugestão de uma abordagem experimental para tudo o que foi explicado até agora. A Engenharia Mágica que propomos deve ser baseada em resultados práticos e acima de tudo mensuráveis.

Provas Experimentais

A prática mágica só se distingue da religião e das demais crenças na medida em que coloca a si mesmo a prova. Por enquanto tenha toda a teoria passada até agora apenas como uma hipótese a ser testada. Para isso vou propor um experimento simples para a utilização da formula sem que o adepto perca-se com números e possa por sua própria experiência pessoal cruzar a linha entre o mito e o método. Além disso este será exercício fundamental para você “afinar” a sua percepção sobre si mesmo e superar suas limitações enquanto magista.

Você vai precisa de papel e caneta, ou alguma outra forma de registro e dois dados de 6 lados cada.

O espaço amostral, ou seja o conjunto de todos os resultados possíveis do resultado de um lance de dois dados são:

[1-1], [1-2], [1-3], [1-4], [1-5], [1-6]

[2-1], [2-2], [2-3], [2-4], [2-5], [2-6]

[3-1], [3-2], [3-3], [3-4], [3-5], [3-6]

[4-1], [4-2], [4-3], [4-4], [4-5], [4-6]

[5-1], [5-2], [5-3], [5-4], [5-5], [5-6]

[6-1], [6-2], [6-3], [6-4], [6-5], [6-6]

Existem 36 resultados possíveis, logo a chance de qualquer combinação é de 1 para cada 36 jogadas ou 1/36, P = 0,027. Em outras palavras, sando o espaço amostral do resultado do jogo de dois dados, temos uma chance de 2,7% de saírem 2 números 6 em cada jogada.

Atire 200 vezes os dois dados e anote os resultados. Atire 500, 1000 vezes, lembre-se que quanto maior o número de resultados melhor você vai poder mensurar os seus atributos mágicos. Caso tenha a possibilidade, você pode simular rapidamente estas jogadas usando softwares próprios de sorteio, isso não influenciará em nada o resultado da experiência.

Depois de anotar todos os resultados, veja quantos duplos 6 você tirou. Tabule esta informaçao.

Realize então o sua prática mágica de preferência. Evoque espíritos antigos, assuma uma forma-deus, canalize as linhas Leis, faça pactos com demônios, etc. Exercite sua magia dentro de sua área de expertise desejando que os próximos resultados da experiência sejam apenas duplos 6. Se possivel passe uma semana realizando rituais ou se preparando antes das próximas jogadas e então faça o mesmo exercício de jogar os mesmos dados.

Anote todos os resultados e veja como a sua magia influencia a probabilidade natural dos resultados. Estes serão os dados de controle para o restante da experiência.

Na próxima semana, utilizando as fórmulas e tabelas fornecidas neste artigo tente melhorar o resultado matemático do seu fator M. Munido deste ajuste fino prepare-se mais uma semana e repita a experiência. Estas três semanas devem bastar para convencer o magista sobre o poder desta abordagem magica. Entretanto alguns praticantes podem desejar realizar este exercício por um tempo mais longo devido aos benefícios óbvios que ele fornece. Se este for o seu caso, aproveite para comparar os resultados com o passar das semanas, se possível mantendo alguma espécie de registro gráfico ou tabular.

Isso é interessante por vários motivos, por um lado você pode ter uma “prova” real de como pode influenciar a probabilidade natural de algo com o sua magia, e outro é ver porque você não influencia tanto quanto gostaria. Use os princípios ensinados neste artigo e afine os parâmetros de suas experiências. Depois da segunda amostragem realize outro tipo de ritual buscando variar os elementos fundamentais das fórmulas e repita o experimento, veja como isso afeta de forma diferente os resultados. Será que sua Gnose não é tão intensa quanto você acha que é? Será que é extremamente ansioso e não consegue relaxar depois? Será ainda que no fundo acredita que magia é besteira e só funciona com coisas que apresentem um resultado vago o bastante para poder ser atribuído ao acaso? Estas são perguntas que só você poderá responder e mestre ou guru nenhum no mundo poderão substituir.

Conclusão

Como conclusão resta dizer que estas ferramentas dadas acima servem não apenas para se calcular o quanto a interação mágica pode afetar a chance de algo ocorrer, mas também como forma de ver como o praticante deve evoluir ou se adaptar para que essa probabilidade mude. Identifique suas forças e fraquezas. Trabalhe com os pontos das tabelas para ver como aumentar a chance de sucesso vendo como sua crença e sua ansiedade, por exemplo, afetam os resultados de suas práticas trabalhando então de forma a mudar a balança a seu favor.

Da mesma forma este estudo pode ser usado como uma excelente arma de ataque mágico. Sabendo como funcionam essas engrenagens você pode afetar outros magistas usando os elementos da tabela de forma que afetem o sucesso de seus trabalhos. Aumentando a ansiedade de seus oponentes, fazendo com que o seu fator R aumente ou diminuindo a ligação dele/a com o alvo, etc… Essas informações são tão mais poderosas conforme a ignorância de seu oponente chegando a perfeição no caso de magos naturais que sequer sabem o que estão fazendo.

Eu estimulo meus irmão da prática mágica a explorar sutilezas dos métodos aqui ensinados. Isso é não apenas aceitável, mas bastante recomendado, inclusive tentando acrescentar ou mudar elementos de acordo com sua própria experiência. Devo destacar ainda que é necessária completa honestidade consigo mesmo na hora de avaliar cada um dos fatores. No caso de G devemos ser francos com o grau de alteração de consciência que realmente conseguimos atingir. Em L os graus 0.4 e 0.8 devem ser judiciosamente distinguidos, pois existe uma tendência entre os iniciantes de achar que suas imagens mentais fracas sejam como aquelas que uma mente treinada consegue projetar. Como distinguir? Tente fazer uma descrição de uma pessoa para alguém e então peça para a pessoa tentar adivinhar de quem você está falando. Em A e R, é necessário que escolhamos com sinceridade nossa posição, buscado aquilo que realmente pensamos e não aquilo que gostaríamos de pensar.

Uma nota se faz necessária quanto a possibilidade de drogas e substâncias químicas para melhorar o desempenho das variáveis que compõem o fator M. Não existem evidências de que nenhuma substância química possa ajudar no elemento R, isso porque trata-se da resistência subconsciênte. O uso de Álcool por exemplo, para esse fim se prova impróprio pois ele apenas aflora as mesmas crenças subjetivas. A variável A, de ansiedade pode ser melhorada pelo uso haxixe e de ansiolíticos em geral como os derivados da morfina. Por fim spares podem ser acumulados pelos uso de uma grande variedade de substâncias químicas, e notadamente o LSD, a Psilocibina e o Ayahuasca.

Agora devemos estar atentos quando formos inserir qualquer forma de consumo de drogas em rituais por um motivo simples: a banalização que se tornou o consumo deste tipo de substância.

Gregos e romanos antigos, e xamãs muito antes deles, era famosos de substâncias em seus rituais, de ópio a anticolnérgicos, passando por toda uma gama de cogumelos e outros vegetais ou substâncias biológicas excretadas por animais. E esse uso de drogas era feito de forma precisa e “sagrada”, ou seja, consciente. O uso de drogas, mesmo o álcool, em trabalhos mágicos tem 3 estágios claros. O primeiro é aquele em que a droga é necessária para se atingir certos níveis de percepção que apenas a mente não atinge sozinha sem muita prático, é o estágio da droga como auxiliar. Esse estágio pode evoluir para o uso da droga sempre que se deseja atingir aquele estágio, já que é mais fácil do que exercitar a mente, este é o estágio da droga como muleta. E finalmente existe o estágio onde você pode usar drogas para seus rituais da mesma forma que usa para escovar os dentes, assistir tv ou sair na rua que é o estágio “eu sou um drogado que gosta de fazer rituais”.

Acredito que o objetivo da magia é a evolução do praticante para um estágio onde apenas a própria vontade seja capaz de causar alterações na realidade sem o uso de muletas. Desta forma, até algum estudo provar o contrário afirmo que as substâncias químicas não constituem substitutos seguros para o treinamento mágico. É por este motivo que os treinamentos mentais e as práticas de iluminação constituem a parte inicial de qualquer tradição mágica competente. Ansiedade, Resistência, Ligação e os estados alterados de consciência da Gnosis são elementos que podem sem dúvida ser aprimorados com treino e persistência. É a alquimia interna que acaba servindo como exercícios para melhorar cada um destes fatores consideravelmente.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/principios-da-engenharia-magica/

Arcano 7 – Chet – Carro

Dois cavalos arrastam uma espécie de caixa, montada sobre duas rodas e coberta por um dossel, onde se encontra um homem coroado, que traz um cetro em sua mão direita. Na parte frontal do carro (a única visível), em boa parte dos tarôs clássicos, há um escudo com duas letras, que variam com as editoras das lâminas.

Mais do que de cavalos, poderíamos falar de dois corpos dianteiros, fundidos ao carro. Os dois animais olham para a esquerda, mas a sua disposição é tal que parecem andar cada um para o seu lado. O cavalo da esquerda levanta a pata direita, e o da direita, a pata esquerda. O dossel repousa sobre quatro colunas.

O homem, que tem uma coroa do tipo das de marquês, tem a mão esquerda sobre um cinto amarelo, na altura da cintura, e na mão direita traz um cetro que termina por um ornamento esférico encimado por um cone. O peito do personagem está coberto por uma couraça. Cada um dos seus ombros está protegido por uma meia-lua, com rostos de expressão diferente.

Os cabelos do personagem são amarelos, e seu olhar dirige-se ligeiramente para a esquerda, no mesmo sentido que o de seus cavalos.

Cinco plantas brotam do solo. Não aparecem rédeas ou qualquer outro meio de guiar o carro.

Significados simbólicos

Contemplação ativa, repouso. Vitória, triunfo.

O setenário sagrado, a realeza, o sacerdócio.

Magistério. Superioridade. Realização.

Interpretações usuais na cartomancias

Êxito legítimo, avanço merecido. Talento, dons, capacidade, aptidões postas em marcha. Tato para governar, diplomacia, direção competente.

Conciliação dos antagonismos, condução de forças divergentes. Progresso, mobilidade, viagens por terra.

Mental: As coisas se realizam, mas falta ainda montar as peças de conjunto.

Emocional: Afeto manifestado; protetor, serviçal.

Físico: Grande atividade, rapidez nas ações. Boa saúde, força, atividade intensa. Do ponto de vista do dinheiro: gastos ou ganhos, movimento de fundos.

Significa também notícia inesperada, conquista. Pode ser interpretado também como difusão da obra ou atividades do consulente através de palavras e, segundo sua localização na tiragem, significa elogios ou calúnias.

Sentido negativo: Ambições injustificadas, vanglória, megalomania. Falta de talento e de consideração. Governo ilegítimo, situação usurpada, ditadura. Oportunismo perigoso. Preocupações, cansaço, atividade febril e sem repouso. Perda de controle.

História e iconografia

O desfile dos heróis triunfantes de pé sobre seus carros de guerra é um costume pelo menos tão antigo quanto os próprios carros de guerra. Court de Gébelin – e com ele os que acreditam numa origem egípcia do Tarô – imagina que o Arcano VII nada mais é que a reapresentação do Osíris triunfal, e que os cavalos são uma herança vulgar da Esfinge.

Mais coerente, contudo, é relacioná-lo às apoteoses lendárias que comoveram a Idade Média, época em que se localiza sua iconografia.

Pode também lembrar um conto do ciclo mítico de Alexandre, o Grande, amplamente reproduzido desde a Antiguidade até o Renascimento.

Levado até o Oriente pela sucessão de seus triunfos, Alexandre teria chegado até o fim do mundo. Quis então saber se era verdade que a Terra e o Céu se tocavam num ponto comum. Para isto seduziu com ardis – é preciso recordar que a astúcia é também prerrogativa dos heróis – dois pássaros gigantes que existiam na região; prendeu-os e acomodou entre eles uma cesta.

Com uma lança na mão, em cujo extremo havia atravessado um pedaço de carne de cavalo, o conquistador subiu ao seu carro improvisado. Com a promessa de comida que oscilava ante seus olhos, os Grifos começaram a mover-se e alçaram vôo. Os heróis não podem, contudo, sobrepor-se aos deuses: na metade do caminho Alexandre recebeu um emissário dos deuses, um enfurecido Homem Pássaro que insistiu para que ele desistisse de seu projeto. Muito a contragosto, Alexandre aceitou a censura e atirou a lança para a Terra, para onde desceram os Grifos, impacientes e vorazes.

Essa lenda, nascida certamente no Oriente, foi introduzida na Europa no fim do século II. Estendeu-se em seguida por todo o Ocidente cristão e era conhecida desde a baixa Idade Média. Numerosas ilustrações e várias esculturas que a representam chegaram até nós. A Crônica Mundial, de Rudolph von Ems (século XIII) a reproduz em uma detalhada miniatura; em São Marcos de Veneza está o relevo talvez mais significativo para rastrear as fontes inspiradoras do Arcano VII: a cesta de Alexandre é ali uma caixa semelhante à de O Carro; aparecem também as rodas esboçadas.

Durante a Idade Média, a arte dos imagiers parece ter-se servido desta lenda como uma alegoria do orgulho.

Por sua amplitude simbólica e pela beleza da sua composição, O Carro figura entre os arcanos de maior prestígio do Tarô. É, também, um dos que oferecem maiores lacunas de interpretação.

Relacionado em princípio com Zain (sétima letra do alfabeto hebreu, que corresponde ao nosso Z), denuncia uma mobilidade e inquietude que tem a ver com todo deslocamento ou ação ziguezagueante, veloz.

Há autores que relacionam as rodas do Carro aos torvelinhos de fogo da visão de Ezequiel.

Quando se traduz a lâmina pela palavra carro – protótipo dos sistemas de troca – representa o que é móvel, transferível, interpretável. Nesse caso, seu aspecto oracular é associado às mudanças provocadas pela palavra: elogios, calúnias, difusão da obra, boas ou más notícias; e, por extensão, aos sistemas de intercâmbio em geral (economian movimento de fundos).

Aponta-se aqui a questão das relações entre esta mobilidade e o dinamismo mercurial do Prestidigitador, já que esses arcanos se encontram no início e no fechamento do primeiro setenário do Tarô.

Talvez esta analogia possa ser levada mais longe, e não parece impossível que a figura toda seja uma ilustração desta passagem bíblica. Em Ezequiel (I, 4-28), com efeito, aparecem não só as rodas, o carro e os animais, mas também “sobre o trono, no alto, uma figura semelhante a um homem que se erguia sobre ele. E o que dele aparecia, da cintura para cima, era como o fulgor de um metal resplandecente”, o que é uma descrição bastante aproximada do personagem do Arcano VII. Nessa mesma passagem podem-se encontrar também analogias válidas para o simbolismo geral do Arcano XXI (O Mundo).

Há quem veja ainda, nos animais presos, uma anfisbena (serpente de duas cabeças), ou poderes antagônicos que é necessário subjugar para prosseguir – “como no caduceu se equilibram as duas serpentes contrárias”. O veículo representaria o simbolismo do Antimônio (ou a Alma Intelectual dos alquimistas), mencionado como Currus Triumphalis num tratado de Basílio Valentin (Amsterdã, 1671).

A totalidade do arcano sugere, para Wirth, a idéia do corpo sutil da alma, graças ao qual o espírito pode se manifestar no campo do material. Esta idéia de um halo ou dupla transubstancial que não pode ser relacionada a nenhum dos três aspectos do homem (corpo –> alma –> espírito), mas que tende a relacioná-los entre si, gozou de um vasto prestígio esotérico: é o corpo sideral de Paracelso (ou astral, na linguagem teosófica), como também o “corpo aromático”, de Fourier, ou o Kama rupa do budismo soteriológico.

Finalmente, permanece em aberto a explicação para as letras inscritas no escudo: S e M (no Tarô da editora Grimaud). Alguns supõem que se referem a Sua Majestade; outros, que falam dos dois princípios alquímicos, Sulfur e Mercurius). Não é este o único ponto obscuro do arcano que Éliphas Lévy chamou “o mais belo e mais completo de todos que compõem a chave do Tarô”.

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-7-chet-carro

Como Praticar a Magia Sexual

Por Tahirah Olufemi

É importante esclarecer quaisquer equívocos sobre a magia sexual antes de pensar em usá-la. Não é um jogo nem é para apimentar uma vida sexual chata. Não é nem para ter prazer sexual ou fazer bebês. Dito isto, não é de todo impossível considerar que isso transformará muito a maneira como você faz amor. Sua intenção pode ser atrair dinheiro, obter elevação espiritual ou promover a cura.

Seus sentimentos e o que você está pensando são os materiais essenciais necessários para criar o resultado desejado usando o poder puro que é abundante no universo. Para usar com sucesso o sexo mágico, sua mente deve estar focada e suas intenções devem ser claras. Você já está em um estado elevado de consciência quando está perto do clímax sexual. Quando você pratica magia sexual, aumenta a aposta tremendamente. A magia sexual força você a experimentar um momento mente-corpo-espírito. Você cria a intenção com a sua mente, a energia é fornecida pelo seu corpo e o Espírito fará o resto.

Qualquer um pode trabalhar com essa energia poderosa! Você já pode ser um praticante de magia. Em caso afirmativo, simplesmente incorpore-a em seus rituais atuais. O básico é praticamente o mesmo que para qualquer outro tipo de magia.

Se você não é atualmente um praticante de magia ou acredita em alguma tradição mágica em particular, tudo bem. A energia sexual não tem favoritos, é neutra e funcionará para todos. Não tem um senso moral que dita o que é bom ou mau.

Você não precisa de um parceiro do sexo oposto para praticar magia sexual. Este tipo de trabalho ritualizado faz uso da energia feminina e masculina. Todo mundo, não importa seu gênero ou orientação sexual, tem energia feminina e masculina dentro de si. Casais gays e lésbicas também podem praticar magia sexual. Na verdade, um parceiro nem é obrigatório para realizar magia sexual. Sexo consigo mesmo (ou seja, masturbação) também funcionará. Provavelmente é uma boa maneira para começar antes de começar a praticar com um parceiro. Você pode até invocar a divindade de sua escolha para participar com você, se desejar.

Ser bom nisso é como qualquer outra habilidade. Requer prática e pode eventualmente se tornar uma arte. A primeira lição é desacelerar. Muitos de nós temos o hábito de apressar o ato, em vez de desfrutar de um ritmo relaxado durante o sexo. Ao prolongar o ato sexual e permitir que sua energia sexual construa seu poder mágico, será aprimorado. Aproveite seu erotismo. Permita que sua excitação chegue lentamente a um nível próximo ao orgasmo. Então pare. Respire profundamente e mentalmente mude o foco da estimulação em seus órgãos sexuais para outras partes do seu corpo. Isso pode ser suas costas, ombros, braços, etc. Quando a intensa sensação sexual diminuir, trabalhe lentamente seu nível de excitação de volta. até que você esteja novamente no ponto do clímax. Desacelere e volte a focar novamente. Continue assim, construindo e relaxando lentamente. O objetivo é praticar o suficiente para que você possa permanecer perto do pico por um longo período de tempo.

Quando estiver finalmente pronto para liberar sua energia acumulada, mantenha sua intenção forte e vívida em sua mente. Visualize como você se sentirá quando receber o que deseja. Permita que seu orgasmo ultrapasse você. Quando isso acontece, ela transporta sua intenção com ela, como uma onda do mar quebrando na praia. A energia que você produziu leva sua intenção diretamente para o universo, onde ela está nascendo para a realidade.

Depois de chegar ao seu ponto sem retorno, acalme-se e pense no resultado desejado. Desfrute da paz e do relaxamento que fluirão dentro de você. Está agora nas mãos da grande mãe universo.

Agora que você entende o essencial, eu o encorajo a experimentá-lo. A energia sexual é poderosa, de fácil acesso e natural. É o básico para a felicidade, saúde e riqueza. Está tudo ao seu alcance.

Tahirah Olufemi é autora de vários livros sobre espiritualidade, astrologia, sexualidade tântrica, relacionamentos, cura holística e nutrição.

http://www.sensualsacredlove.webs.com

Fonte do artigo:

https://EzineArticles.com/expert/Tahirah_Olufemi/1411138

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Fonte:

How To Do Sex Magic

By Tahirah Olufemi.

https://ezinearticles.com/?How-To-Do-Sex-Magic&id=7851539

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/como-praticar-a-magia-sexual/

Yesod – Bem-vindo ao Deserto do Real

Publicado no S&H dia 4/jun/2008,

Continuando nossa série sobre desmistificação de demônios, diabos, encostos e afins, precisamos neste momento ao mesmo tempo fazer uma parada e estabelecer uma conexão com a kabbalah. Sem explicar o que é o chamado “Plano Astral”, será muito difícil entrar em detalhes sobre como exatamente funciona a mecânica por trás dos Anjos, Demônios, Devas, Asuras, Elementais, Exus, Anjos Enochianos, Fantasmas e Gênios.
Da mesma maneira, estava devendo para vocês uma explicação gnóstica sobre o filme Matrix, então este período do tempo-espaço em relação à coluna me parece o ponto exato para comentar três coisas aparentemente distintas, mas ao mesmo tempo intrinsecamente conectadas: Yesod, o Plano Astral e Matrix.

Tome a pílula vermelha e siga o tio Marcelo para descobrir o quão funda é a Caverna de Platão.

Yesod
Para os que fizeram os exercícios do Sefira ha Omer já deve estar bastante clara qual é a função de Yesod dentro das emanações divinas. Yesod se situa abaixo de Tiferet e entre Netzach e Hod. É chamada de “Fundamento” ou “Fundação” e funciona como um reservatório onde todas as inteligências emanam seus atributos, que são misturados, equilibrados e preparados para a revelação material. É compilação das oito emanações e forma o Plano dos Pensamentos, Plano Astral, ou a Base da Realidade.
Malkuth é o plano físico puro, chamado de Plano Material, que nossos sentidos objetivos podem ver, ouvir, cheirar, tocar e provar, mas incapaz de perceber qualquer tipo de consciência além disto. Malkuth é o mundo criado das ilusões para nos manter em torpor ou, fazendo nossa comparação, Malkuth é a Matrix.

Em Malkuth vivem os adormecidos. Pessoas que acordam, tomam café, vão para suas baias em seus trabalhos, trabalham, almoçam, trabalham, vão para casa, jantam, assistem novela, assistem futebol, dormem e no dia seguinte acordam de novo… fazem isso durante a vida toda, aposentam-se e morrem, sem nunca terem realmente vivido. Suas almas estão presas em casulos sem imaginação, sugadas pelo sistema que mantém a ilusão funcionando, tal qual é retratado simbolicamente no filme.

Yesod representa os bastidores da realidade. O mundo real na qual são programados os acontecimentos que surgirão no mundo ilusório. Para fazer uma analogia, imaginemos que Malkuth seja um prédio comercial. Yesod será, então, toda a fundação: canos, fios, dutos de ar, fosso do elevador, esgotos, toda a parte elétrica e hidráulica que faz o prédio funcionar. Quando se aperta um interruptor na parede, a luz da sala acende. Os ignorantes chamam isso de “coincidência”, mas qualquer pessoa que tenha um conhecimento maior de ciência sabe que, por trás daquele interruptor correm fios elétricos escondidos na Fundação e que, quando se aperta um botão neste interruptor, uma série de conexões simples são acionadas, fazendo com que a eletricidade chegue até a lâmpada, acendendo-a.
Magia é compreender como os condutores de energia da realidade material funcionam e apertar os botões certos para que as lâmpadas certas se iluminem.

Yesod representa a Intuição; o sexto sentido; o despertar. Infelizmente, assim como Morpheus diz a Neo no começo do filme, ninguém vai conseguir explicar para você o que é o Plano Astral. Você precisa ter esta experiência sozinho para compreender. E a maioria das pessoas passa sua vida toda como gado, inconscientes da realidade ao seu redor, como baterias inertes de um sistema controlado por egrégoras que mantém as pessoas ocupadas demais rezando para deuses externos, com medo de falsos diabos e trabalhando como escravas para mantê-las no poder. As famosas “otoridades”. No filme, são representadas pelos Agentes da Matrix.

Uma das melhores cenas do filme ocorre logo no começo, quando Thomas (Tomé, escritor do principal livro apócrifo) Anderson (Andras [homem]+Son [filho], ou seja, “Filho do Homem”, em uma analogia a Jesus/Yeshua) está dormindo diante da tela e aparece o texto “Acorde, Neo”. Esta cena resume a fagulha que vai despertar dentro de cada um de nós em direção ao Cristo; a Princesa dos contos de fada; a espada presa dentro da pedra, a Branca de Neve adormecida em um caixão de vidro.
Minutos após despertar, um hacker diz a ele “você é meu salvador… meu Jesus Cristo”. Simbolicamente, isto representa que mesmo esta pequena fagulha de controle sobre a realidade é suficiente para despertar seguidores, de tão perdidas que as pessoas estão.
As referências ao caminho do Sábio na Kabbalah continuam: quando Neo chega a nave (que tem o Nome de Nabucodonosor, o rei da Babilônia que no Livro de Daniel teve um enigmático sonho que precisa ser interpretado) cujo número de série é “MARK III NR. 11” (Marcos, Capítulo 3, versículo 11: “E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus”). Neo passa pela morte e ressurreição e finalmente, no final do filme, chega a Tiferet, “o escolhido”.

Para os gnósticos, o Deus Supremo (Keter) é totalmente perfeito, e, por isso, estranho e misterioso, “inefável”, “inalcançável”, “imensurável luz, pura, santa e imaculada”(Apócrifo de João). Para este Deus existem outros seres menos divinos no Pleroma (similar ao Paraíso, uma divisão desse universo que não é a Terra), que é dotado de um sexo metafórico masculino (Hochma) ou feminino (Binah).
Pares desses seres são capazes de produzir descendência, que são, eles mesmos, emanações divinas perfeitas em si mesmas (a analogia no filme é a criação de múltiplas matrix pelos computadores). O problema surge quando um EON ou Ser chamado SOPHIA (Sabedoria em grego, representado no filme pela Oráculo), uma mulher, decide “levar adiante sua semelhança sem o consentimento do Espírito” – que gera uma descendência sem sua consorte (Apócrifo de João).

A antiga visão era a de que as mulheres oferecem a matéria na reprodução, e os homens, a forma. Por isso, o ato de Sophia produz uma descendência que é imperfeita ou até mesmo mal formada, e ela a afasta dos outros seres divinos do Pleroma, levando-a para outra região isolada do cosmos. Essas deformadas e ignorantes deidades, as vezes denominadas DEMIURGOS (o Arquiteto, no filme), que equivocadamente acreditam ser o único Deus.

Os gnósticos identificam o Demiurgo como o Deus Criador psicopata do Antigo Testamento, o qual decide criar os Arcontes (Anjos), o mundo material (Malkuth/Terra) e os seres humanos. Embora as tradições variem, o Demiurgo normalmente é enganado dentro do alento divino ou espírito de sua mãe Sophia que antigamente vivia nele, dentro do ser humano (especialmente Apócrifo de João, ecos do Gênese 2-3).
Para os gnósticos, somos pérolas no lodo, espíritos divinos (bom) aprisionados num corpo material (mau) e num mundo material (mau). O Paraíso é nosso verdadeiro lar, mas estamos exilados do Pleroma.
Felizmente, para o Gnóstico a salvação está disponível na forma de Gnose ou Conhecimento, dado pelo Redentor Gnóstico, que é o Cristo, a figura enviado pelo Altíssimo para libertar a espécie humana do Demiurgo, tal qual Neo é o “escolhido” para libertar as pessoas do jugo do Arquiteto.

Quando Neo é desconectado e desperta pela primeira vez em Nabucodonosor, em meio a um brilhante espaço branco iluminado (linguagem cinematográfica para indicar o despertar), seus olhos ardem, conforme explica Morpheus, porque ele nunca os havia usado antes. Tudo que Neo havia visto até aquele ponto o foi através do olho da mente, como num sonho, criado através de um software de simulação. Tal como um antigo Gnóstico, Morpheus explica que a respiração (prana, chi-kung, tai-chi, reiki) conduz Neo pelo programa de treinamento de artes marciais e que não há nada a fazer com seu corpo, a velocidade ou sua força, os quais são todos ilusórios. Mais ainda, eles dependem unicamente de sua mente, que é real.

Ainda outro paralelo com o Gnosticismo, ocorre na figura dos Agentes, como o Agente Smith e seu opositor, o equivalente gnóstico de Neo e todos os demais que tentam sair de MATRIX. A IA criou esses programas artificiais para funcionarem como “porteiros” – os Guardas das portas – que possuem todas as chaves. “Esses Agentes são parentes dos ciumentos Arcontes criados pelo Demiurgo para bloquearem a ascensão do Gnóstico quando tentam deixar o mundo material. Eles defendem as portas em sucessivos níveis ao paraíso (e.g. Apocalipse de Paulo, Divina Comédia de Dante, textos Babilônicos narrando os sete infernos, a estrela setenária dos alquimistas e assim por diante).

Sobre a questão do Samsara, até mesmo o título do filme evoca a visão budista de mundo. MATRIX é descrita por Morpheus como “uma prisão para a mente”. É uma “construção” dependente feita de projeções digitais interconectadas de bilhões de seres humanos (egrégoras) que desconhecem a natureza ilusória da realidade na qual vivem, e são completamente dependentes do “hardware” implantado em seus corpos reais e dos programas (softwares/mapas astrais) elaborados (para fazer a máquina funcionar), criados pelo Demiurgo. Essa “construção” é parecida com a idéia budista do SAMSARA, a qual ensina que o mundo, no qual vivemos nossas vidas diárias, é feito unicamente de percepções sensoriais formuladas por nossos próprios desejos.
O problema, então, pode ser examinado em termos budistas. Os humanos são aprisionados no ciclo da ilusão (Maya), e sua ignorância acerca do ciclo os mantém atados a ele, totalmente dependentes de suas próprias interações com o programa e com as ilusões da experiência sensorial que ele provê, bem como das projeções sensoriais dos demais. Essas projeções são consolidadas pelos enormes desejos humanos de acreditarem que o que eles percebem como real é real de fato (para eles). É o mundo dos materialistas, ateus e céticos.
Este desejo é tão forte que derruba Cypher, que não pode mais tolerar o “deserto do real”, e procura uma maneira de ser reinserido na Matrix. Tal como combina com o Agente Smith num restaurante fino, fumando um charuto com um copo grande de brandy, Cypher diz: “Eu sei que este bife não existe; eu sei que quando eu o levo a minha boca Matrix está dizendo ao meu cérebro que ele é suculento e delicioso. Depois de 9 anos você sabe o que está mais claro para mim? Que a ignorância é a felicidade!” (Ignorance is Bliss).
A contrapartida é a vida monástica dentro da nave: comem uma gororoba vegetariana, vestem-se com trapos, não possuem bens materiais e treinam um kung fu que beira o sobrenatural. Possuem a humildade de quem já se despojou dos bens materiais, tal qual os monges do monastério de Shaolin.
Em determinada parte do filme, Morpheus diz a Neo, “há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho”. E como Buda ensinou aos seus seguidores, “vocês, por vocês mesmos, devem fazer o esforço; só os Despertos são Mestres”.
Para quem já está no Caminho da Iluminação, Morpheus é somente um Guia. Em última instância, Neo precisará reconhecer a Verdade por ele mesmo.

Reinos Subterrâneos
Na Antiguidade, o estado de consciência de Yesod era representado por Hades, o Reino Subterrâneo. Como tal, podia ser acessado apenas pelos seres chamados Psychopompos (“Condutores das Almas”), que eram apenas cinco: Hermes, Hecate, Caronte, Morpheus e Thanatos. Cada um deles descreve exatamente os estados de consciência que habitam o Plano Astral.

Comecemos por Morpheus, o senhor dos sonhos e o nome do Personagem de Lawrence Fishburn como condutor de Neo (que representa nossa consciência crística que deve ser trabalhada até nos tornarmos “o Escolhido”). Morpheus é o senhor dos sonhos, indicando que uma das maneiras de acessarmos o Plano Astral é durante o sono, quando conseguimos atingir os estados de ondas teta e alfa, necessários para atingirmos a chamada superconsciência (ou meditação profunda, ou transe, dependendo para quem você pergunta). Anote ai no seu caderno: Sonhos.

A segunda Psychopompos é chamada de Hecate, deusa dos Templos Lunares. Ela representa os aspectos da consciência atingidos através do Ajna Chakra (o sexto chakra). Hecate representa as danças sagradas, o sexo mágico, o tantra, o despertar da kundalini, os oráculos (tarot, runas…) e todos os Templos que lidam com a energia lunar/feminina dentro da magia. Hecate também é conhecida como a “Deusa Tríplice” (Trinity).
Anote ai no seu caderno: Oráculos e Magia Sexual.

O terceiro deus condutor de almas é Caronte. Caronte é o barqueiro que conduz os viajantes até os Reinos de Hades. A lenda de Caronte deriva das histórias do Barco de Ísis e das antigas iniciações egípcias onde os sacerdotes e iniciados eram colocados em transe nas pirâmides e tinham sua alma liberta do corpo para que vissem a si mesmos deitados aos pés dos outros sacerdotes e tomassem consciência de que eram espíritos habitando temporariamente um corpo físico. Quando fazemos Viagens Astrais induzidas, a sensação de se desligar do corpo no momento em que saímos do Plano Material é muito semelhante ao deslizar que sentimos quando estamos dentro de um barco. Desta maneira, Caronte representa as Viagens Astrais Conscientes. Tanto a lenda de Orfeu quanto a de Hércules (e também Dionísio, Psique e Enéias) representam iniciados em cultos Dionísicos e o despertar da consciência. Os Barcos Espirituais (tanto de Caronte quanto de Ísis) estão representados na forma dos Hovercrafts. Anote no caderno: Viagens Astrais Conscientes.

Hermes representa o Templo Solar, a magia atuando sobre a Luz Astral. Hermes representa o mensageiro dos Deuses, aquele que domina o caduceu (kundalini) e trabalha com a imaginação de maneira racional. Ele representa os grandes magos e conjuradores, os grimórios que lidam com a conjuração de espíritos, o contato consciente entre os que estão no Plano Material e os que estão no Plano Astral. Assim como Salomão, Eliphas Levi e Crowley, Hermes representa todos os iniciados e médiuns capazes de estabelecer contatos entre o Plano Material e o Plano Espiritual.
Como veremos na próxima coluna, o Caduceu e os Chakras representam a porta de entrada e o controle sobre as energias que atuam sobre Yesod e o Plano Astral. Hermes aparece no filme Matrix na forma de “Mercúrio”, como o espelho que engloba Neo e o guia através da jornada que fará o despertar final.
Anote no seu caderno: Mediunidade, Imaginação e Vontade atuando sobre a Luz Astral.

Por fim, temos Thanatos, deus da morte. Irmão de Hypnos (o sono), Thanatos representava a morte e os espíritos dos mortos, que eram transportados por ele até o Reino Subterrâneo. O Reino dos Mortos. Thanatos está representado na máquina que descarta Neo nos esgotos assim que ele desperta e Thanatos o reconhece como não pertencente àquele local. Anote ai como o quinto item: Espíritos dos Mortos.

A partir destas alegorias, podemos compreender que o Plano Astral é habitado por diversas criaturas, objetos, egrégoras, seres e entidades que possuem uma complexa e intrincada estrutura de organização, a partir das quais explicaremos todas as lendas, contos e bases de muitas religiões e filosofias espiritualistas.

Homens e Espíritos
Começaremos nossa jornada da comunicação entre homens e espíritos pelo Xamanismo. Há mais de 40.000 anos as tribos mais antigas conseguiam entrar em contato com o Mundo Astral de diversas maneiras. Seus sacerdotes comunicavam-se com os espíritos dos antepassados em busca de conselhos e indicações enquanto dormiam ou durante rituais envolvendo ervas capazes de alterar o estado de consciência dos participantes no ritual. Os xamãs também eram capazes de entrar em contato com o Reino Espiritual através de oráculos e rituais de conjuração de seres que eles chamam de Elementais.
Nas religiões Aborígenes (Austrália) e Tribais (Africanas), os nativos possuem o mesmo nome para designar o “Reino dos Sonhos” e o “Reino dos Mortos”. Nestas religiões, os deuses e os espíritos iluminados conseguem se comunicar com os sacerdotes através da mediunidade deles (fazendo conexões entre seu corpo astral e os chakras dos médiuns, os espíritos conseguem agir através do corpo de um médium). Além dos espíritos, outras entidades astrais (chamadas de Devas pelos hindus, Orixás pelos africanos e Elementais pelos celtas) também são capazes de incorporar um médium capaz de recebê-los.
Na Babilônia, os cultos a Astarte envolviam danças sagradas, sexo sagrado e contato com os mortos através dos oráculos.
Entre os hindus, o tantra fazia a ponte entre o despertar da kundalini e a iluminação do ser humano através do sexo sagrado. Com a abertura e desenvolvimento dos chakras, os praticantes tornavam-se canais poderosos de conexão com o cósmico, despertando habilidades consideradas sobrehumanas.
Os Egípcios conheciam como ninguém os desdobramentos astrais, potencialidades dos chakras, telepatia e diversas outras habilidades que são preservadas até os dias de hoje dentro das Ordens Iniciáticas como a Rosacruz, Templários e Maçonaria.
Entre os gregos, as sacerdotisas de Hecate também eram conhecidas pelo nome de Ptionísia ou Oráculo (mais uma conexão com o filme Matrix) e conseguiam estabelecer um contato entre os vivos e os mortos para obter conselhos e previsões.
Do ponto de vista ocultista, praticamente não há diferença entre um oráculo grego da antiguidade e um centro espírita Kardecista, salvo pela ritualística. Os princípios e os mecanismos envolvidos são rigorosamente os mesmos.
O rei Salomão utiliza seu conhecimento sobre o astral para deixar um dos maiores legados ocultistas, o Ars Goetia, ou os 72 espíritos (falarei sobre eles mais adiante, quando retornarmos aos trilhos dos posts sobre demônios). Chamavam estes conhecimentos de Arte Real. Paralelamente, temos os judeus e seu vasto estudo sobre a kabbalah e os 72 nomes de Deus (chamados vulgarmente de “anjos cabalísticos”). Salomão compartilha estes conhecimentos com a rainha de Sheba, que os leva para os Reinos africanos e mistura este conhecimento com as religiões tribais, dando origem aos cultos africanos que muitos séculos mais tarde dariam origem indireta ao Candomblé, Umbanda, Santeria, Vodu e Quimbanda. (explicarei em detalhes cada um deles em posts futuros).

Da Grécia, os oráculos chegavam até praticamente todos os pontos do mundo conhecido. Rituais de magia que lidavam com o astral são descritos em diversos poemas e praticados por comandantes, soldados e sacerdotes iniciados.
Dos romanos e dos celtas, este conhecimento também chegou até a Europa, onde as bruxas utilizavam-se deste contato para conversar com os antepassados, conjurar elementais e adquirir conhecimento e iluminação. As belíssimas obras de arte deixadas por todos estes povos são um retrato claro da interação entre vivos e mortos, espíritos e sonhadores, deuses e mortais.
Os nórdicos possuíam lendas a respeito das Valkírias, dos Einherjar, das runas e de toda a estrutura de contato entre os vivos e os mortos. Suas lendas refletem um profundo conhecimento dos iniciados a respeito da Árvore da Vida. Um dos cursos que mais gosto de ministrar é justamente o de runas, pois cada uma das 24 pedras do Oráculo encerra uma lenda rica e profunda; desde a famosa “Ponte do arco Íris”, guardada por Heimdall, que representa o caminho de Tav na Árvore da Vida, até a própria estrutura da origem das runas, provenientes do sacrifício de Odin durante nove dias (nove esferas fora do mundo material na Kabbalah).

Semana que vem: Vampiros, Encostos, Espíritos do Mal e Poltergeists.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yesod-bem-vindo-ao-deserto-do-real