A Luz da Tradição Rosacruz

por Frater Illuminatus, OS+B (*)

Um dos mais importantes papéis da Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (AMORC) dentro do moderno Rosacrucianismo – período que se estende do início da Era Industrial até os dias de hoje – tem sido o de preservar a autêntica Tradição Rosacruz, através da constituição de um acervo histórico que compreende documentos iniciáticos e livros raros. Esse trabalho, persistente e minucioso, vem sendo feito com extrema seriedade, por homens e mulheres abnegados. Sozinhos ou em equipes, eles vem coletando, desde a época do Dr. Spencer Lewis, cartas, manifestos, declarações, artigos, ensaios, discursos, exposições, livros, mapas, desenhos, diagramas, pinturas, esculturas e toda uma extensa gama de documentos, objetos e peças de artes plásticas que compõem a História Rosacruz.

A importância da formação deste acervo místico-histórico não é apenas documental e cultural. Transcende em muito esses parâmetros e se constitui na Luz da Tradição Rosacruz, um conceito de iluminismo que só pode ser perfeitamente compreendido pelos iniciados nos Graus Superiores da Ordem. Em linhas gerais e para uma compreensão mais fácil por parte dos interessados que visitam as páginas disponíveis na Internet à procura de esclarecimentos, pode-se dizer que o conjunto desses tratados, documentos, símbolos e peças de arte Rosacruz constitui no plano físico a tessitura material de um todo imaterial, um Símbolo Maior, que de tempos em tempos se manifesta, ciclicamente, gerando os eventos que resultam nessas produções.

Nos dias de hoje, quando o homem acaba de passar de um milênio para outro dentro da Era Cristã, vergado ao peso da imensa carga de culpa que a Igreja lhe impôs, lado-a-lado com um tremendo desejo de libertação das amarras da ignorância, do medo da morte e da superstição, sobressai ainda mais a importância do acervo Rosacruz preservado pela AMORC. Cultura, arte, história e misticismo se misturam no cadinho de Chronos, formando a Pedra Filosofal tão buscada pelos Alquimistas.

Muito embora o Movimento Rosacruz, em seu cerne, seja tipicamente cristão-ocidental, vê-se a todo momento provas de sua transcendência, tanto assim que organizações que nada têm a ver com a Cristandade avocam o nome Rosacruz para ser seu rótulo, ou por afinidade de posições ou por enquadramento dentro de certas Leis comuns a todas as instituições que pretendem levar algum tipo de Luz aos mais sombrios recônditos da criatura humana.

Se a AMORC fosse apenas uma instituição educativa, assim mesmo estaria exercendo um grande papel dentro da obra de formação do ser humano superior, pela notável abrangência dos ensinamentos que disponibiliza em seus estudos. Aquele que tiver estudado com seriedade, ao longo dos anos, todo o material que a AMORC fornece aos seus membros de Sanctum, na forma de monografias, discursos, fori e uma infinidade de livretos, certamente há de chegar, ao final de pouco mais de duas décadas, a um ponto que dificilmente alguém atingiria com apenas um curso universitário e suas extensões de mestrado e doutorado.

Esse trabalho cultural e educativo, ao par da iniciação mística autêntica, tem contribuído para que um grande número de pessoas se tornasse capaz de compreender melhor os mistérios do Universo, que são os mistérios de sua própria existência, colocando esse conhecimento a serviço da humanidade, para que possa haver melhor qualidade de vida para todos.

A persistência nos estudos, que abre caminho para a Iluminação, só é possível quando o estudante acredita com sinceridade que está na trilha certa. Essa certeza vem não apenas da fé cega nos ensinamentos de uma organização, o que a caracterizaria como religião – o que não é o caso das Ordens e Fraternidades do Rosacrucianismo -, mas também das provas documentais e demais evidências da autenticidade. É justamente aí que entra a suma importância do acervo preservado e continuamente enriquecido pela AMORC.

Na sua carta anual aos membros da AMORC, datada de fevereiro de 2001, o atual Imperator, Christian Bernard, informa que mais documentos foram incorporados ao acervo da Ordem. Entre eles, documentos relativos ao início da AMORC na Suiça, sob a liderança de Edouard Bertholet (1883-1965), cujo mandato foi conferido pelo Dr. Spencer Lewis. E também uma importante coleção de correspondências de Stanislas de Guaita (1861-1897), que com Joséphin Péladan, foi criador da Ordem Cabalística da Rosacruz, em 1887.

Esse vasto acervo vem permitindo que a AMORC funcione como uma espécie de farol no emaranhado de ordens e fraternidades que se multiplicam dia-a-dia, apontando aos estudantes sinceros a direção certa em meio à neblina. Esse trabalho vem sendo realizado em âmbito mundial, contribuindo para a elevação do nível de consciência a um plano tal que permita uma mais clara compreensão das respostas à antiga tríplice pergunta: “Quem sou? De onde vim? Para onde estou indo?”.

Nota dos Editores: Frater Illuminatus é membro da Ordo Svmmvm Bonvm.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-luz-da-tradicao-rosacruz/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-luz-da-tradicao-rosacruz/

Hierarquia, Dualismo e Evolução Espiritual

Eu não acho que exista um problema no dualismo ou na hierarquia em si, como ideia. São meras sistematizações. Há muitos exemplos em que se pode utilizar esses sistemas com sucesso e inclusive eles ajudam para a organização.

Meu ponto é que pode ser que em alguns casos essa ideia traga problemas. Por exemplo, como se tornou recorrente citar Platão desde o lançamento de “Epoch: The Esotericon & The Portals of Chaos”, seu “Mundo das Ideias” deu origem a um tipo de idealismo que dividiu o mundo em dois: um mundo espiritual e melhor, e outro material e pior; uma alma superior e um corpo inferior, etc.

Um dos problemas é que o universo criado por Platão é estático, em que tudo tem o seu lugar determinado. Essa ideia era inclusive usada para reforçar o sistema de castas e a escravidão. Claro que seria um pouco precipitado culpar a hierarquia e os dualismos por causa disso, considerando-os fadados ao conservadorismo e preconceitos. Eu não acho que seja esse o caminho.

Essa reflexão serve para alertar o magista sobre o seguinte: caso ele opte por utilizar um sistema idealista e dualista, derivado das tradições neoplatônicas (isso resume praticamente todo o ocultismo tradicional, especialmente os sistemas derivados das religiões judaico-cristãs como a cabala), ele deve ficar atento para não cair nas armadilhas que o dualismo pode gerar.

Evidentemente, cada sistema tem suas armadilhas, pontos fracos e problemas. O próprio caoísmo não é isento disso. Quem é caoísta pode cair na armadilha de confundir a imaginação com o mundo dos sentidos, de acreditar que tem superpoderes realmente extraordinários a ponto de comandar o universo, dentre outras conclusões precipitadas.

Não há respostas definitivas para essas questões, mas para concluir até onde pode ir, o caoísta deve testar: no seu dia a dia, a sua imaginação é tão poderosa a ponto de transformar completamente a realidade lá fora? E até que ponto a imaginação pode alterar suas emoções? Ele é realmente o rei do universo?

Há outras problemáticas em jogo. O magista não é somente mente; ele é corpo. O seu corpo possui aspectos fisiológicos que não devem ser ignorados. Os hormônios influenciam diretamente em suas emoções, não importa o quão forte seja sua mente. Ele precisa de comida, precisa de coisas materiais. Não irá transformar o mundo somente com o poder da mente. Esse poder existe, mas deve ser aliado ao próprio corpo e à realidade material lá fora.

Corpo e mente, mente e espírito, todas essas coisas estão tão conectadas que é difícil separá-las. Elas devem ser vistas e transformadas em sua totalidade. A magia deve ser realizada de forma holística e não pela metade.

Muitos sistemas de magia neoplatônicos que clamam ser o espírito superior à matéria não estão “errados”. Eles são verdadeiros, mas somente dentro de seus modelos. Lá eles funcionam, contanto que se enxergue esse dualismo somente como uma sistematização.

A própria Magia do Caos, ao falar de “caos” não está realmente clamando que não existem padrões na natureza e que eles são somente inventados pela mente. Nós não sabemos se há padrões, falta de padrões ou uma mistura dos dois. Porém, como não é possível viver ou fazer magia fora de um modelo, os caoístas geralmente optam por modelos que mostram uma realidade mais caótica, pois abre um universo de possibilidades. Em suma, cada modelo tem seus altos e baixos.

Claro que quando eu digo que não é possível fazer magia fora de um modelo, nem mesmo isso deve ser visto como uma afirmação absoluta. Eu uso até mesmo essa colocação meta-paradigmática como um paradigma.

Mas você não precisa ficar louco ao estudar teoria da magia, tentando entender o que realmente é a magia e como ela atua. Isso é difícil de descobrir, por isso no caoísmo nós optamos por ser pragmáticos: use a teoria ou a prática que te gere resultados interessantes.

O que é um resultado interessante? Isso cada magista deve descobrir. Cada um é livre para usar magia para o que bem entender. Sempre há os moralistas defendendo que magia só deve ser usada para A e não para B. Algumas vezes pode ser que eles estejam certos, mas os magistas também merecem a liberdade de explorar um pouco o que funciona até chegarem em suas próprias respostas.

E aqui nós caímos novamente na questão da hierarquia. Um sistema hierárquico já te deu estas respostas e já te colocou num ranking. Esse sistema te indicou o caminho que você deve seguir para “evoluir espiritualmente”, seguindo um passo a passo mais ou menos determinado. Isso é válido. Esse sistema pode ser usado com sucesso. Mas não é a única forma de fazer as coisas. Provavelmente não é a melhor, pois o que é melhor pode variar de pessoa para pessoa.

Eu particularmente não me sinto tão à vontade ao pensar em termos de melhor ou pior na magia. Para mim, a Magia do Caos permite descobertas, transformações e sobretudo autoconhecimento. Para alguns (note, não para todos!), é difícil haver autoconhecimento quando você já tem tudo pronto numa cartilha e não tem a liberdade de refletir, de questionar e de construir suas perguntas e respostas. Porém, cada pessoa é diferente e cada um tem a liberdade de conhecer a si mesmo da forma que bem entender e não precisa dar satisfações.

Acredito que a maior parte dos desentendimentos que existem no ocultismo é porque cada magista clama ter encontrado a forma “melhor” de fazer magia. A meu ver, não há uma forma melhor, pois cada indivíduo é único. Ou se realmente existe um caminho melhor, é difícil definir o que ele realmente seja através de nossa razão e de nossos sentidos. Essa primeira falha inerente à natureza humana é chamada de “ídolos da tribo” por Francis Bacon: tanto o intelecto quanto as percepções sensoriais estão sujeitos a enganos.

Alguns magistas podem dizer: “Eu li mais livros” ou “Consigo mover objetos com a mente” ou “Meus feitiços sempre funcionam” ou “Sou iniciado em dez Ordens diferentes” ou “Faço mais doações para instituições” ou “Sou ativo politicamente”.

Todas essas coisas são ótimas, mas eu acredito que não é nada disso que defina em absoluto o nível de magia, nível espiritual ou mesmo o caráter de uma pessoa. Simplesmente porque eu prefiro tentar olhar para a realidade como, por natureza, isenta de hierarquias. Para mim, pelo menos a maior parte dessas hierarquias foram artificialmente inventadas por nós.

Alguém pode clamar: “O certo e o errado, o bem e o mal, eles são absolutos, não são construções históricas e sociais”. Existe uma chance de isso ser verdade. Mas mesmo se for, quem realmente consegue diferenciar essas coisas se a mente e o mundo são tão complexos e existem tantos ídolos distorcendo nosso entendimento?

Vamos supor que, na maior parte das situações, sejamos capazes de diferenciar o bem e o mal. E provavelmente nós somos. Mas quem disse que isso é uma competição?

Há essa mania de competir, seja no mundo ou na magia. E isso não me surpreende. Somos incentivados a competir desde o colégio, com as notas. Na universidade, no trabalho. E os sistemas e teorias da magia foram construídos no interior de um mundo competitivo, que funciona como um jogo.

O jogo da magia é: “vamos evoluir espiritualmente. Vamos ver quem ganha. Vejamos quem é o mais bondoso e o mais poderoso”. Eu não sou contra competições saudáveis. Porém, como eu já mencionei antes, pode haver o risco de transformar uma boa intenção em algo perigoso, como a ideia de que existem os “escolhidos ou iniciados sábios” e a “massa ou o gado ignorante”. Um dualismo, a meu ver, bastante negativo. Em vez de desejar destruir a dualidade, queremos fazer parte dos “sábios” e manter a dicotomia. Como disse Paulo Freire, o sonho do escravo não é acabar com a escravidão, mas tornar-se um senhor que possui escravos.

Acho que cada pessoa deve ser livre para explorar a magia no seu ritmo. Ir descobrindo a si e ao mundo pouco a pouco, de forma natural e divertida. O magista não precisa sacrificar a si mesmo pelo bem do mundo (pode ajudar os outros, mas sem prejudicar a si) ou treinar meditações ou feitiços horas por dia pelo desejo de se tornar “mais poderoso”.

Claro, como foi dito, na magia queremos ganhar o jogo: ser o mais sábio, o mais poderoso, o mais bonzinho, o mais qualquer coisa, contanto que seja “o mais”. Vamos ver quem leu mais livros, quem ganha as discussões, quem dobra o mundo material a seus pés com a magia ou quem é o redentor do mundo, para se tornar um herói e receber a aprovação dos outros.

Evidentemente, quem se diverte jogando o jogo, pode continuar, principalmente se os resultados forem positivos. Se a competição estimula o magista a estudar, praticar ou até a ser mais gentil, que legal! Então use a hierarquia de forma positiva. Isso é possível.

No entanto, devo dizer que eu, particularmente, prefiro tentar não jogar tanto o jogo da hierarquia. Não acho que “os fins justificam os meios”. Não acredito que seja justificável fazer as coisas certas pelos motivos errados (considerando o que é “certo” e “errado” dentro desse modelo).

Ainda acho mais válido simplesmente dizer: que tal deixarmos de lado a ideia de evolução espiritual? Para mim essa é uma ideia de Darwin que faz sentido na biologia (e até mesmo na biologia ela não é absoluta). A evolução não necessariamente se aplica tão bem ao ocultismo. A propósito, no livro “A Origem das Espécies” Darwin deixa claro que aplicou a teoria de Malthus (que posteriormente se mostrou incorreta) para desenvolver a ideia de luta pela sobrevivência. Não sei porque muitos colocam um status quase divino nas ideias de cientistas como Darwin e Einstein, já que a história nos mostra que tais teorias irão eventualmente se mostrar não tão corretas no futuro ou serão no mínimo complementadas por outras. São hipóteses verificadas pela experiência, mas que não descrevem de forma absoluta a realidade. Não há nenhuma razão, tampouco, para aplicar as teorias atualmente aceitas (que são temporais) para o que ocorreria ao nosso espírito, que, segundo se costuma dizer, seria atemporal.(Só abrindo um parênteses: isso não significa que devemos deixar de dar crédito à ciência.

Devemos considerá-la como divulgadora de verdades provisórias até que surjam teorias melhores. O método científico não é perfeito, mas é bom o bastante para confiarmos nele, com os devidos cuidados. É algo vivo e em constante transformação, sempre desafiando a si mesmo).

Não acho que devemos desesperadamente tentar fazer o bem para outras pessoas a custa de nossa saúde e sanidade ou estudar magia loucamente e sem parar para “estar na frente dos outros”. Deve haver um equilíbrio. Eu acho que os magistas formam um grupo múltiplo, vejo beleza na diversidade. Ninguém é melhor, mais poderoso, mais sábio ou mais “espiritualmente avançado” do que ninguém. As pessoas são apenas diferentes.

Claro que sempre podemos melhorar a nós mesmos, mas até essa ideia de “melhorar” a si não precisa ser vista de forma absoluta ou fatalista. Nós estamos sempre aprendendo, mas também desaprendendo. Acho duvidosa essa ideia de que gradativamente nos tornamos cada vez melhores. Até a evolução na biologia frequentemente atua de forma aleatória. Uma mutação pode até extinguir uma espécie. O nosso cérebro é seletivo, deleta informações o tempo todo, esquece coisas. Nossa memória engana. E um dia ela vai desaparecer.

Pode existir coisas como karma e alma imortal, mas não sabemos direito como isso funciona. O que sabemos é que, aparentemente, nosso corpo está vivo, nosso cérebro aprende e esquece coisas, passa os genes adiante e morre. Enquanto isso podemos criar, destruir, aprender coisas e esquecer. A magia entra aí no meio num contexto histórico e cultural, no meio da arte e da espiritualidade.

Nós criamos sentido para as coisas, inventamos padrões e hierarquias. Outros nós descobrimos, sem ter certeza se é uma ilusão ou a verdade. O padrão parece funcionar por um instante. Em outros momentos pode não funcionar mais, pois a realidade e a mente são dinâmicas.

A magia pode trazer grandes momentos de diversão, deleite e descobertas. Aprendizados e esquecimentos, que não são lineares. Para mim, não existe uma escadinha que marque uma evolução espiritual e que te faça subir até o céu. E se existir, ela pode ser tão diferente do que imaginamos que poderia se assemelhar mais a uma espiral ou a algo que aos nossos olhos pareceria um grande caos.

Portanto, a ideia de que estamos realmente “avançando” no entendimento da magia e do mundo ou “evoluindo”… será que faz sentido? A partir do Iluminismo muitos começaram a falar na ideia de progresso (criticada por Rousseau) e na supremacia da razão humana, no domínio sobre a matéria através da ciência. Até que estouraram as Grandes Guerras. Se estamos sempre progredindo, por que o sistema heliocêntrico de Aristarco de Samos foi retomado somente muitos séculos depois?

É bem aceito na biologia que o ser humano não é mais evoluído do que outros animais, mesmo possuindo a razão. Alguns animais voam, outros respiram embaixo d’água; existe a ideia de um ser mais adaptado ao ambiente em que vive e não um animal mais evoluído que todos, de forma absoluta. E se o ser humano não está mais evoluído que outro animal, por que um ser humano estaria mais evoluído que outro? Se isso faz sentido do ponto de vista biológico, faria ainda mais do ponto de vista espiritual, que seria mais subjetivo.

Para alguns a ideia de evolução espiritual pode soar simpática. Para outros, pode haver soluções melhores. Aconselho usar a visão que mais te agrada, que mais faz seu coração bater forte e seguir experimentando e compartilhando suas descobertas. Não somente por desejo de ser melhor ou de evoluir, mas pela alegria de se divertir com os amigos. No final, pode ser que todos esqueçam de tudo, seja ainda em vida ou na morte, mas ainda assim terá valido a pena.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hierarquia-dualismo-e-evolu%C3%A7%C3%A3o-espiritual

9 Pontos da Filosofia Satânica

O Manifesto a seguir trata-se da resposta magistral de uma bruxa satânica frente a indagação: Quais foram os passos mentais de sua escalada pessoal que permitem hoje você proclamar com orgulho sua identidade como satanista?

Eis a resposta:

1. Eu vivo por mim, tendo por base o Satanismo Moderno. Deste ponto, parte todos os meus caminhos.

2. Não acredito em deuses, pois os mesmos foram criados por humanos de tempos antigos. Acredito na existência de seres que não possuem corpo físico, que permeiam o universo, agindo independente de culto ou não. E seria muito errado dar-lhes nomes ou atribuições humanas, já que eles estão além disso. Apenas deixo sua ação agir em mim sem idolatrias.

3. O corpo é o altar onde divinizo-me. A mente é o meu trono. Por isso, necessito viver da melhor forma possível neste mundo, adaptando-me à sociedade a qual vivo, pois para estar neste mundo e nela, preciso lutar para viver, e não sobreviver, por meio do trabalho, da elevação do meu intelecto e erudição através dos estudos e leituras.

4. Eu não tenho limites. Vivo intensamente, sem culpa ou pecado. E não me restringiria por convenções, moral ou imposições.

5. A Lei do Talião é a maior das leis. E eu aplico isso aos que me tratam bem, e aos que tentam me prejudicar.

6. Os símbolos e sistemas mágickos criados servem apenas como um norte para a criação do próprio sistema mágicko. Todos os deuses e deusas são arquétipos que podem ajudar no entendimento do Daimon interior.

7. Rito não é teatro. As intenções mencionadas nos ritos devem ter reflexo direto na vida do Satanista. Isso sim é Magia Satânica.

8. Todas as relações humanas são baseadas em interesses. Não existem amigos: existem concorrentes ou aliados. Isso não é usar as pessoas, mas conviver em sociedade. Tudo é troca.

9. Racismo não é desprezar um povo, uma cultura, uma religião, ou o que seja. É colocar a sua Pátria, a sua Filosofia, o seu grupo social, você mesmo, acima de tudo. Principalmente acima da escória, dos fracos, dos “tangidos como gado”, entre outros.

Elaine .Z:

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/9-pontos-da-filosofia-satanica/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/9-pontos-da-filosofia-satanica/

Absurdos Bíblicos

Confira abaixo uma seleção inicial de absurdos, contradições e contrasensos encontrados no texto bíblico do Antigo e do Novo testamento, Você verá que a Bíblia pode ser uma leitura muito divertida para aquele com imaginação forte.

GÊNESIS 1:29 Todas as plantas com semente, todas as árvores em que há fruto que dá semente servirão de alimento para o homem (e as plantas venenosas com semente?)

GÊNESIS 4:17 Caim constrói e povoa uma cidade em duas gerações apenas.

GÊNESIS 6:4 Gigantes na Terra.

GÊNESIS 6:5 Por estar insatisfeito com o homem, Deus decide inundar a terra e eliminar toda a humanidade. Todos os seres vivos, plantas, animais, mulheres e crianças inocentes são também exterminados (Isso é como por fogo numa casa só por ela estar infestada de ratos).

GÊNESIS 8:20 O primeiro ato de Noé após o Dilúvio foi o de sacrificar um exemplar de cada espécie de animal limpo e de cada ave ao Senhor… (Levando-se em consideração a existência de somente um casal de cada na Arca, isso foi no mínimo um absurdo). Além disso, se tudo havia perecido, de que iriam os animais se alimentar quando saíssem da Arca?

GÊNESIS 8:21 O odor da carne sacrificada agradou ao Senhor.

GÊNESIS 30:37-43 Jacó altera a estrutura genética do gado fazendo com que eles procriem em frente a varas de madeira verde descascada, fazendo com que os bezerros nasçam listrados e malhados por essa influência visual (e Jacó fazia isso para enganar Labão a quem servia…)

GÊNESIS 38:27-29 Nascimento de gêmeos: “e aconteceu que dando ela à luz, que um pôs fora a mão, e a parteira tomou-a e atou em sua mão um fio roxo, dizendo: este saiu primeiro. Mas aconteceu que tornando ele a recolher a sua mão, eis que saiu o seu irmão e ela disse: como tens tu rompido?… E depois saiu o seu irmão em cuja mão estava o fio roxo”.

EXODUS 12:30 O Senhor mata todos os primogênitos do Egito, inclusive o dos animais, e não há uma casa onde não há pelo menos um morto (Isso quer dizer que em todas as casa havia pelo menos um primogênito).

EXODUS 12:37, NUMEROS 1:45-46 O número de judeus homens que partiu do Egito é de 600.000 Considerando-se no mínimo uma mulher, um filho e uma pessoa idos a para cada um deles, temos um total de aproximadamente 2.000.000 de israelitas saindo do Egito, numa época em que toda a população de egípcios era menor que esse número.

NUMEROS 22:21-30 Uma jumenta vê um anjo, reconhece-o como tal e começa a falar na língua humana (provavelmente em Hebreu) com o seu dono.

DEUTERONOMIO 1:1 Moisés discursa para todo o povo de Israel (cerca de 2.000.000 de pessoas!)

DEUTERONOMIO 7:15 Moisés promete a seu povo que Deus não deixará que ninguém fique enfermo e no versículo 14 diz que ninguém será estéril, nem mesmo dentre os animais.

DEUTERONOMIO 25:5-9 O homem tem por obrigação manter relações sexuais com a viúva de seu irmão, para nela gerar um filho. Caso ele se recuse, a sua cunhada deverá cuspir em seu rosto na frente dos mais velhos.

JUÍZES 3:21-22 (KJV) “Eude pegou da adaga e a enfiou no ventre, de tal maneira que entrou até a empunhadura após da lâmina e a gordura encerrou a lâmina e saiu-lhe o excremento…”

JUÍZES 7:12 Os camelos eram tão numerosos como os grãos de areia da praia.

JUÍZES 20:16 Havia setecentos homens canhotos escolhidos, os quais todos acertavam com a funda uma pedra em um fio de cabelo, e não erravam…

REIS I 3:12, 16-28 Salomão, o homem mais sábio que já existiu, não consegue pensar em um jeito melhor para determinar qual a mãe verdadeira de uma criança, a não ser ameaçando esquartejar a criança. (Isso sem falar no distúrbio mental que poderia ter causado na mãe verdadeira, pois afinal ele era o Rei, todo poderoso, e estaria falando a
verdade).

REIS I 6:2, CRÔNICAS II 3:3 O templo de Salomão tinha 28 metros de comprimento por 13 de largura. E mesmo assim: REIS I 5:15-16 153.300 pessoas foram usadas na sua construção.

REIS I 6:38 Sua construção durou 7 anos.

CRONICAS I 22:14 5,8 toneladas de ouro e 52 toneladas de prata foram consumidos em sua construção.

CRONICAS I 23:4 24.000 supervisores e 6.000 oficiais e juizes foram
empregados na obra.

REIS I 10:24 Toda a terra buscava Salomão para ouvir sua sabedoria.

REIS I 17:2-6 Deus ordena aos corvos que levem pão e carne a Elias em seu refúgio.

REIS II 6:5-7 Uma viga de ferro sai nadando.

CRÔNICAS II 7:5, 8-9 Salomão sacrificou ao Senhor 22.000 bois e 120.000 ovelhas em uma semana. Isto dá mais de 845 animais por hora, mais de 14 por minuto, sem parar durante toda a semana.

CRÔNICAS II 21:20, 22:1-2 Acazias tinha 42 anos quando se tornou rei; ele sucedeu seu pai, que morreu com a idade de 40 anos. Assim, Acazias era dois anos mais velho que seu
próprio pai!

CRÔNICAS II 13:3 Abias enviou 400.000 homens para a batalha contra os 800.000 homens de Jerobão. Isso dá um total de 1.200.000 indivíduos, todos judeus. (Imaginando no mínimo mais 2 pessoas por cada um – seus pais ou seus filhos – daria uma população judia naquela área de cerca de 4.800.000 pessoas, um número fantástico.

CRÔNICAS II 13:17 500.000 Israelitas morrem numa única batalha.(Isso é muito mais do que as mortes ocorridas nas batalhas da Segunda Guerra Mundial)

SALMOS 121:6 O sol não te molestará de dia nem a lua de noite.

MATEUS 4:8 Existência de uma montanha tão alta que de seu alto podem ser vistos todos os reinos da Terra. (Terra plana.)

MATEUS 4:23-24, 9:32-33, 12:22, 17:14-18, MARCOS 1:23-26, 32-34, 5:2-16, 9:17-29, 16:9, LUCAS 11:14, 4:33-35, 8:2, 27-36, 9:38-42, ATOS 8:7, 16:16-18 Tanto as doenças físicas quanto as mentais são causadas por possessão demoníaca e podem ser curadas pelo exorcismo.

MATEUS 27:52-53 Os corpos dos santos mortos se levantaram dos túmulos e
invadem a cidade.

MARCOS 11:12-14, 20-21 Jesus amaldiçoa e seca uma figueira só porque ela não estava dando frutos fora da estação.

MARCOS 16:17-18 Aqueles que tem fé podem segurar em serpentes e beber veneno sem que sofram nenhum mal.

JOÃO 12:34 Uma verdadeira multidão (em uníssono?) faz uma pergunta com cerca de trinta palavras a Jesus (Respondeu-lhe a multidão: “nós temos ouvido da lei, que o Cristo permanece para sempre; e como dizes tu que convem que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse filho do homem?”).

TIMÓTEO 5:09-11 “Nunca seja inscrita viúva com menos de 60 anos, e só a que tenha sido mulher de um só marido…” “não admitas as viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristro, querem casar-se”.

TIMÓTEO 6:10 O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.

TITO 1:12 “Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos….”

HEBREUS 7:1-3 Melquisedeque não teve mãe nem pai, nem princípio nem fim.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/absurdos-biblicos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/absurdos-biblicos/

O Triângulo

Por isso, é usado pra representar o aspecto Divino, através da Trindade, presente em várias culturas:

Cristianismo: Pai, Filho e Espírito Santo
Hinduísmo: Brahma, Vishnu e Shiva (trimurti)
Egito: Ísis, Osíris e Hórus
Irlanda: Morrigan, Badb e Macha (facetas da Deusa da batalha)
Celtas: Virgem, Mãe e Anciã (Aspectos da Mãe Terra)
Espiritismo: Deus, princípio espiritual (Espírito) e princípio material (matéria)
Platão: Ser (modelo perfeito, original), devir (cópia do modelo) e receptáculo (espaço, lugar)

São necessários dois elementos duais (e, ainda assim, complementares) para produzir um terceiro.

Vida + Morte = Evolução

Bem + Mal = Discernimento

Pólo positivo + pólo negativo = Corrente elétrica

Homem + mulher = Vida

Luz + Trevas = Conhecimento

Prestando atenção, quase sempre um desses componentes é visto como ruim (negativo), enquanto o outro é bom (desejável). O ser humano não escapou dessa visão distorcida da realidade, herança do zoroastrismo, que separava o bem do mal, o claro do escuro. O Zen budismo e o Taoísmo nos mostram visões complementares, como o Yin que é oposto mas complementar ao Yang. O binário vida e morte compõem um ciclo evolutivo em que o homem vive os dois tipos de experiências, a do plano físico e as do mundo espiritual, os quais proporcionam a dinâmica que favorece a evolução.

No hebraico, o plural das palavras no masculino terminam em im, e nome utilizado para Deus (Elo-him) pode ser um sinal dessa trindade. As palavras de abertura do Gênesis dizem: “Bereshit bará Elo-him” (No princípio Deus criou); Elo-him é plural, mas bará (criou) é singular. Unidade na diversidade. Multiplicidade resultando numa só força Criadora.

Por isso Deus não pode ser descrito como algo. Usemos uma analogia: seria como dizer que o ar que respiramos é composto tão somente pelo elemento AR, ignorando toda a complexidade das cadeias de átomos, partículas agregadas e outras variáveis. Seria tomar o resultado pela causa. Existe o ar na ionosfera, mas também existe o ar nas cavernas. Tecnicamente não é o mesmo, mas também NÃO deixa de ser o mesmo. Não há separação entre o ar, apenas adaptação, num imenso degradê. Por isso não podemos dizer que seu Deus é melhor que o meu Deus, pois são manifestações do Todo, que é Deus, adequadas a uma determinada época / povo / mentalidade.

SELO DE SALOMÃO

O selo de Salomão, que no judaísmo é conhecido como Maguen David (Escudo de David, em hebraico) é composto por dois triângulos: Um com seu vértice para cima, e o outro com o vértice para baixo. Sua origem – e isso quase ninguém sabe – remonta a Índia, onde tem o nome de Signo de Vishnu, que é o deus mantenedor na trindade Hindu. Era utilizado como amuleto contra o mal, e esse significado se perpetuou, como atestam os nomes “selo” e “escudo” do Hebraico. No Kabbalah (ou na Cabalá, como queiram) vemos que os dois triângulos representam as dicotomias inerentes ao homem: o bem e o mal, o espiritual e o físico. É mais um aspecto do positivo/negativo que se unem, como no símbolo do Yin/Yang.

O Maguen David também significa a Onipresença de Deus. Suas seis pontas correspondem às direções do microcosmo: norte, sul, leste, oeste, o céu e a terra.
PENTAGRAMA

O Pentagrama representa o microcosmo (aspecto humano) e o Selo de Salomão o macrocosmo (aspecto Divino). Leonardo Da Vinci sabiamente interpenetrou estes signos dentro do homem no seu desenho “Estudo de proporções“. Obviamente os signos não estão desenhados, mas sugeridos apenas a quem os conhecessem, pois naquela época seria considerado uma heresia. Ele nos remete ao pensamento de Protágoras “o homem é a medida de todas as coisas” e ao “Sois Deuses” do Velho Testamento.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-tri%C3%A2ngulo

A Cartografia da Consciência de Stanislav Grof

Stanislav Grof é um pesquisador da área da Psiquiatria que tem como objeto de estudo a consciência humana. Não é propriamente filósofo, pedagogo ou educador. Então por que fui buscá-lo? Porque de suas pesquisas empíricas com a consciência humana, inicialmente investigando o ácido lisérgico e depois criando a Respiração Holotrópica, emergiu uma interessante cartografia da consciência que sugere que a condição humana, o sujeito humano, tem muito mais aspectos a serem considerados em sua antropologia do que aquilo que vêm propondo as antropologias fundadas no paradigma newtoniano-cartesiano.

Grof, mediante a instalação de estados ampliados de consciência, registrou e gravou em fitas magnéticas os conteúdos elaborados pelos sujeitos de sua investigação. Coletou tais relatos, catalogou-os, organizou-os e ousou uma nova interpretação que vai além do inconsciente pessoal como proposto por Freud. Assim a cartografia que propõe não é oriunda de estudos teológicos, a partir da Revelação de livros sagrados, e nem de especulação filosófica e metafísica. É fruto de suas investigações com os estados ampliados de consciência e, portanto, tem uma base empírica.

Os detalhes da construção da cartografia sugerida por Grof encontram-se bem descritos em seus livros. Vou apresentar aqui uma breve síntese para que o leitor tenha, posteriormente, condições de compreender a concepção antropológica – concepção de ser humano – que dela emana. Tal cartografia distingue quatro níveis na consciência: a barreira sensorial, o nível biográfico- rememorativo, o nível perinatal e o nível transpessoal.

O primeiro nível, a barreira sensorial

, diz respeito a sensações físicas que sentimos quando entramos em processo de expansão da consciência e não tem muito significado na perspectiva do autoconhecimento. São sensações relativas à visão, à audição e ao olfato, por exemplo.

 

O segundo nível, o biográfico-rememorativo

, diz respeito às nossas memórias biográficas com nossos pais e pessoas próximas a nós; refere-se também à memória de acontecimentos que nos marcaram positiva ou negativamente. Aqui é possível ver toda a dinâmica psíquica como ensinada por Freud.

 

O terceiro nível, o perinatal,

diz respeito à memória e ao aprendizado experimentado por ocasião do processo de nascimento dos seres humanos no momento do parto, processo este que Grof chama de morte-renascimento, por toda dramaticidade e risco que traz. Sua cartografia sugere a existência, no nível perinatal, de quatro matrizes de aprendizado que se constituem neste momento e que, embora permaneçam inconscientes, atuam na vida pós- uterina, participando da definição de nossas características pessoais.

 

São as Matrizes Perinatais Básicas (MPB):

 

Matriz Perinatal Básica I (MPB I): também chamada por Grof de O Universo Amniótico. Esta matriz tem sua base biológica na unidade simbiótica entre o feto e o organismo materno no processo de gestação. A experiência do feto pode ser uma experiência de conforto, segurança, tranqüilidade e paz – o que o autor chama de “berço bom” – ou pode ser uma experiência de distúrbios, desconfortos e inseguranças, especialmente nos períodos finais da gestação, o “berço ruim”. Para Grof a qualidade da experiência na vida intra-uterina é um dos determinantes de comportamento futuro do sujeito humano, obviamente que em combinação com inúmeros outros fatores da vida pós-uterina. As figuras abaixo são pinturas, de autoria do próprio Stanislav Grof, que representam o que chamou de berço bom e berço ruim. Nos processos de respiração holotrópica, em estado ampliado de consciência, as experiências vivenciadas são, muitas vezes, marcadas por imagens deste tipo que Grof representou em suas pinturas. Posteriormente podem ser trabalhadas em processos psicoterápicos que guardam sensibilidade para com uma visão mais ampliada do ser humano.

 

 O Berço Bom

 

 O Berço Ruim

 

MPB II ou Devoração Cósmica Sem Saída:

ocorre no segundo momento biológico do parto e é uma situação de enorme tensão para o feto uma vez que se inicia o processo que prepara o nascimento. A sensação para o feto é tão crítica, principalmente se este experimentou o “berço bom”, que Grof denominou esta matriz de devoração cósmica. Na vida pós-uterina esta matriz associa-se a situações de estar sem saída e sem esperança pela dimensão de opressão. Permanecer preso a esta sensação pode facilitar o sujeito assumir o papel de vítima em sua vida cotidiana. A figura a seguir, também de autoria de Grof, representa a experiência dos primeiros sintomas do parto biológico e da influência da Matriz Perinatal Básica II.

 

Os primeiros momentos do parto biológico

MPB III ou A Luta Morte-Renascimento: esta matriz corresponde ao terceiro momento do parto, quando o feto começa a travessia pelo canal do nascimento. É um momento de luta e esperança. Luta porque a situação é ainda de muita opressão, mas, ao mesmo tempo, é de esperança porque é a possibilidade de fazer a travessia e superar as ameaças deste momento. A figura 7, quadro do pintor suíço Hansruedi Giger selecionada pelo próprio Grof em seu livro Além do Cérebro, sugere a experiência da MPB III ao combinar “a fragilidade anatômica dos fetos com uma maquinaria agressiva e faixas constritivas de aço à volta da cabeça, sugerindo o nascimento”.

 

 Representação da MPB III

MPB IV ou Experiência de Morte e Renascimento: é o ápice do processo de nascimento quando o feto, finalmente, completa a saída do útero materno e ganha o espaço exterior. Biologicamente tal processo apresenta os indícios ainda de luta, mas já dentro de um estágio mais evoluído e menos agressivo. Os episódios da vida pós-natal que se ligam a MPBIV são aqueles relacionados a vitórias, sucessos e triunfos sobre situações perigosas. A figura 8, de autoria de Grof, representa a Fênix que para o autor é um símbolo bastante apropriado de morte- renascimento “uma vez que envolve morte pelo fogo, nascimento de algo novo e movimento em direção da fonte de luz”.

 

A transição da MPB III para MPB IV: nascimento, luz, vitória

Grof sugere que experiências de muita dor e sofrimento numa dessas matrizes podem fazer com que a pessoa em questão guarde com esta matriz uma relação de Matriz Negativa, e afirma que “muitas observações sobre o indivíduo que está sob forte influência de matrizes perinatais negativas sugerem que ele encara a vida e seus problemas de um modo não somente vazio, mas com conseqüências destrutivas para si e para os outros, a longo prazo” (1987, p. 307-308). Entretanto, mostrou também que tais experiências podem ser acessadas e liberadas tornando a vida do sujeito mais adequada ao desenvolvimento pleno e para tanto, juntamente com sua esposa Christina Grof, criou um processo terapêutico conhecido como Respiração Holotrópica. O processo perinatal abre espaço para o quarto nível da consciência.

 

O quarto nível da consciência é o domínio transpessoal. De acordo com Grof as matrizes perinatais anteriormente apresentadas são uma ponte e fazem a comunicação entre a nossa psique individual e aquilo que Jung chamou de Inconsciente Coletivo. De fato as experiências com as diferentes matrizes perinatais mostram, além das lembranças do parto biológico, seqüências que podem apresentar a história da humanidade, o envolvimento com reinos e seres mitológicos, a identificação com animais, etc… Todos estes elementos fazem parte do domínio transpessoal, que é um “lugar” descoberto pela moderna pesquisa da consciência e que está além dos campos biográfico e perinatal. É bem verdade que muitas culturas e tradições espirituais já conhecem tais domínios há muito tempo. A ciência moderna, porém, somente agora, com as últimas décadas de pesquisa da consciência, chegou a trabalhar com tal domínio que foge aos limites impostos pelo paradigma newtoniano- cartesiano. Este é o nível no qual, através da consciência ampliada, as barreiras de tempo e espaço, rigorosamente estudadas no paradigma newtoniano-cartesiano, desaparecem e dão lugar à percepção da unidade que perpassa o mundo humano, o mundo da natureza e a realidade cósmica. Aqui Grof identificou uma série de experiências, espirituais inclusive, que a humanidade há muito conhece, mas que permaneceram sufocadas, e às vezes consideradas como doentias, por uma concepção paradigmática redutiva e fragmentada. É a partir, sobretudo deste nível, que é possível considerar a espiritualidade do ser humano e também a sua dimensão ecológica, que o liga ao mundo da natureza.

 

Na tentativa de facilitar a compreensão da cartografia grofiana proponho o seguinte esquema didático apresentado na figura abaixo. Neste esquema o ponto central é o sujeito, o indivíduo humano. Tudo o que está dentro do grande “V”, que se abre sobre o sujeito, é a sua interioridade, aberta ao mundo holotrópico (do grego holos, totalidade; holotrópico é aquilo que se move em direção à totalidade). Tudo o que está fora do grande “V” é a sua exterioridade ou plano hilotrópico (do grego hylé, matéria; hilotrópico é tudo aquilo que se move em direção à matéria). Na exterioridade estão o Tempo-Espaço, a História, a(s) Cultura(s) e a(s) Sociedade(s). O mergulho (ou subida) em direção ao transpessoal, as realidades além do ego pessoal como o nome sugere, passam pela barreira sensorial, pelo campo biográfico-rememorativo e pelo campo perinatal com suas quatro matrizes básicas.

 

As pessoas podem viver seu cotidiano com atenção apenas ao mundo exterior e abrirem-se muito pouco às suas realidades internas. A vida, como é comumente vivida nas diretrizes do paradigma newtoniano-cartesiano, facilita que a pessoa chegue, no máximo, a trabalhar sistematicamente com materiais do campo biográfico-rememorativo, de modo especial dentro da dinâmica psíquica sugerida por Freud. Ao viverem assim ficam “desconectadas” de grandes energias psíquicas presentes nos campos perinatal e transpessoal. Eventos esporádicos, ocasionais ou provocados, podem, em certos momentos, “reconectá-las” com tais energias, mas uma vida que se pretenda irrigada pelas energias mais profundas da psique precisará manter esta conexão por um permanente e cuidadoso trabalho de autoconhecimento ou auto-exploração sugere Grof. A Respiração Holotrópica é uma dessas vias de autoconhecimento, mas não é a única. Muitos podem ser os caminhos utilizados para tal processo, do trabalho sistemático com os próprios sonhos às experiências artísticas diversas passando pelas diferentes técnicas de meditação. Conforme a figura 10 sugere, a pessoa que conseguiu um trabalho de auto-atenção permanente, de forma a reconectar seus níveis internos, é a pessoa re-ligada interagindo com o mundo das culturas e das sociedades com a inteireza de ser hilo-holotrópico que é.

 

 

A cartografia que apresentei sugere uma antropologia da inteireza, uma vez que Grof defende que o ser humano, para desenvolver-se plenamente, precisa re-ligar as dimensões internas de sua psique ao mesmo tempo em que necessita reconhecer suas vinculações com a realidade exterior a si mesmo, o mundo da cultura. Entende que o sujeito pode viver fragmentado: como afirmei anteriormente a cultura newtoniano-cartesiana tende a fixá-lo nos dois primeiros níveis da consciência da cartografia proposta. A conseqüência é uma vida angustiada e atormentada pela falta da energia que vem dos demais níveis da consciência e que podem ajudar a introduzir equilíbrio, ânimo, entusiasmo, capacidade de cuidado e sentido à vida. A pessoa quando desligada de suas energias vitais pode facilmente tornar-se o Zé Ninguém, sugerido por Reich.

 

O sujeito re-ligado pode, além de avançar positivamente em seu processo pessoal de individuação e realização, contribuir favoravelmente para a construção de uma cultura de paz e solidariedade. Grof chega mesmo a dizer que as situações de exploração, opressão, miséria, fome, guerras e enfermidades que nossa humanidade vive são sintomas de problemas “não apenas econômicos, políticos e tecnológicos. Eles são reflexos do estado emocional, moral e espiritual da humanidade contemporânea. (…) Esses elementos destruidores e autodestrutivos na atual condição humana são uma conseqüência direta da alienação da humanidade moderna tanto de si mesma como da vida e dos valores espirituais” (1992, p. 249-250).

 

A antropologia sugerida por Grof me faz entender o ser humano como um sujeito complexo e transpessoal, hilotrópico (=direcionado à materialidade) e holotrópico (=direcionado à totalidade), no qual estão presentes: a racionalidade, a corporeidade, a emocionalidade e a espiritualidade perpassadas por polaridades que nos fazem nos construir na história como homo sapiens-demens (Morin, 2000, p. 59-60), em meio ao conjunto dos outros seres humanos, na coletividade, o que exige uma atenção constante à complexidade sujeito individual-sujeito coletivo. Tal construção, sempre inacabada, e, portanto, sempre propiciadora de esperança (Freire, 2000, p. 114), se faz muitas vezes entre conflitos, contradições e sofrimentos, mas comporta também o desenvolvimento com amadurecimento, integração e solidariedade. Ao usar o termo transpessoal não se pretende negar o pessoal. O termo transpessoal expressa uma concepção mais ampliada de ser humano, isto é, ele não se reduz ao seu ego construído nas culturas e nas sociedades. É isto também, mas não só isto. Compreende que a construção do humano exige o pessoal e o transpessoal. Este transpessoal significa “sair de si”, de seu ego racional, e mover-se em direção aos níveis mais profundos de si mesmo; em direção aos outros seres humanos na vida interpessoal, social e cultural; em direção à natureza, aos demais viventes e ao próprio cosmo. No limite significa abrir-se, inclusive, à perspectiva do Mistério que envolve a origem e desenvolvimento da vida. Não se trata, portanto, de negar o pessoal, mas de estar aberto ao transpessoal e assim gerar uma maior capacidade de cuidado para com a vida. Esta maneira de compreender o ser humano exige de todos os humanos, e em especial do educador, um empenho de autoconhecimento, uma vez que é no trabalho consciente de religação de suas características advindas da realidade interior e da realidade exterior que se faz à consciência com a qual se apresenta à ação no mundo e ao trabalho educativo.

 

A partir desta antropologia é possível, pois, pensar uma outra educação. E é importante lembrar que educação, nesta maneira de pensar, não se confunde com ciência; e por mais que necessite desta é necessário que ela, a educação, esteja atenta aos diversos aspectos da condição humana e sua educabilidade. Assim é possível pensar uma educação na/para inteireza. Esta concepção de educação não advoga abandonar a luta política no contexto da história, mas, ao contrário, defende a participação política do educador por inteiro, re-ligado e, portanto, com energia suficiente para enfrentar obstáculos, construir sentido, favorecer a partilha, encarar os conflitos e ajudar a gerar uma cultura de paz.

 

Elydio dos Santos Neto

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-cartografia-da-consciencia-de-stanislav-grof/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-cartografia-da-consciencia-de-stanislav-grof/

Razão e Vontade

“A Verdadeira Vontade deve saltar, uma fonte de Luz, de dentro de nós, e fluir desimpedida, fervente de Amor, para o Oceano da Vida.” (Crowley)

A Razão, o Logos, é a Luz, a Vida, o Espírito Universal.

A Vontade é a direção individual em que a Razão Universal flui.

A Razão é como que um lago imenso, um mar, um oceano de energia estática.

A Vontade é algo como uma torrente dinâmica que sai desse imenso reservatório de energia estática; é uma voltagem que dinamiza a massa da amperagem, canalizando-a em determinada direção.

Quando a Vontade canaliza parte da energia racional para fins pessoais, egoísticos, torna-se ela adversativa, satânica, contrária à Razão Universal; mas quando a Vontade canaliza as águas da Razão numa direção universal, então se torna ela crística, harmonizada com o Logos.

Amor é uma vontade para fins universais, construtivos.

Egoísmo é uma vontade para fins pessoais, destrutivos.

Texto da série Roteiro Cósmico, de Huberto Rohden. 

#Rohden #Universalismo #VerdadeiraVontade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/raz%C3%A3o-e-vontade

A Caminhada da Alma: um exercício simples para a Integração da Alma

Por Daniel Moler.

A alma tem muitas partes. Com meu trabalho em práticas xamânicas, fiquei surpreso com a presença repetida do número três. Vários aspectos do número três surgirão de muitas maneiras no caminho xamânico. Por exemplo, existem três mundos no universo xamânico: os mundos superior, médio e inferior. O processo de cura xamânica se desdobra em três fases: a limpeza, o alinhamento e a elevação. Da mesma forma, a própria psique é composta por três elementos.

Essa segmentação do eu não é reservada apenas às tradições xamânicas. Na Cabala, o eu é reduzido a três expressões de ser conhecido como “Nephesch” (o subconsciente primordial), “Ruach” (a personalidade básica) e “Neschamah” (o eu superior). Da mesma forma, a teoria psicanalítica de Sigmund Freud dividiu a psique em Id (base, instintos primitivos/eu subconsciente), Ego (personalidade baseada na realidade/eu consciente) e o Super Ego (a consciência moral/eu ideal).

Em meu livro, The Shamanic Soul: A Guidebook for Self-Exploration, Healing, and Mysticism (A Alma Xamânica: Um Guia para Auto-Exploração, Cura e Misticismo), discuto os três aspectos do eu que me foram ensinados em meu treinamento no curanderismo Peruano. Cada um deles está enraizado no conceito de sombra, traduzido em Espanhol como “sombra” ou “obscuridade”, que é uma projeção ou imagem de si mesmo lançada sobre o mundo. A sombra é a forma como a alma se expressa na realidade. Os três aspectos da sombra são conhecidos como:

– SOMBRA “GANADERA”: Conhecida como sombra “o fazendeiro”, mas também referida como “o contrário” (“contrario”), essa sombra normalmente corresponde ao eu inferior, o estado mental subconsciente onde residem os instintos básicos e as memórias reprimidas. Portanto, este aspecto da alma está principalmente preocupado com o passado. Se não for devidamente controlado ou encurralado (daí, “o fazendeiro”) esta sombra irá ressurgir e sabotar a vida de alguém de maneiras muitas vezes não intencionais.

– SOMBRA “PRIMERA”: A sombra “primeira” é a personalidade primária, consciente e consciente do mundo que nos rodeia, o aspecto da nossa alma preocupado com os relacionamentos e o dia-a-dia. Esta parte da alma está mais preocupada com o presente.

– SOMBRA “CRIANDERA”: A sombra da “ama de leite” ou “babá” é o aspecto da alma que nutre o eu no caminho, incentivando-o à evolução. Outras tradições chamam isso de eu superior, que está relacionado com a realidade transcendente.

Muitas vezes, a vida trará um conjunto de desafios que quebrarão esses aspectos da alma. O modo natural de vida é que essas partes trabalhem juntas em uníssono. Se não o fizerem, eles trabalharão uns contra os outros e os indivíduos passarão pela vida confusos, descontentes e até se envolverão em auto-sabotagem. Pode-se ser facilmente governado por emoções ou ego, e a desarmonia das sombras refletirá uma desarmonia da alma.

Embora meu livro The Shamanic Soul (A Alma Xamânica) seja composto de muitas práticas de cura espiritual, a maioria delas está centrada na “mesa”, um altar xamânico usado para treinamento e prática xamânica. No entanto, não é preciso ter uma mesa para se envolver em cura xamânica. Na verdade, você já tem tudo o que precisa! Sua mente, corpo e alma são construídos para curar a si mesmos. Assim como uma ferida física se cura nas condições certas, tudo o que você precisa fazer é nutrir suas capacidades de cura e fornecer tempo/espaço para sua alma fazer seu trabalho. Se minha própria alma se sente fragmentada, desarticulada ou não totalmente alinhada, se as três sombras não parecem estar funcionando em alinhamento, este é o ritual simples que sigo para a verdadeira integração da alma.

O RITUAL DA CAMINHADA DA ALMA:

Arranje algum tempo para si mesmo. Uma verdadeira cerimônia de cura não pode ser feita durante o trabalho ou em um espaço onde você possa se distrair com outras tarefas. Você precisa alocar algum tempo especificamente para cuidar de sua alma, assim como faria para qualquer outro evento. Eu sugeriria pelo menos umas boas 3 a 4 horas, mas se você não puder fazer mais do que isso, agende no mínimo uma hora.

Encontre um espaço onde você possa passear em um ambiente natural, especificamente onde você não interaja com outras pessoas. É bom ter algum isolamento dos outros, para que você não se distraia do seu processo de cura. Há uma abundância de Parques Estaduais e Nacionais que você pode visitar, mesmo perto da cidade, com trilhas para caminhada que proporcionarão um isolamento adequado da população. Você vai querer um espaço onde a única conexão seja entre você e o mundo natural, idealmente um espaço ao qual você esteja conectado.

Você pode levar uma mochila para carregar uma garrafa de água, protetor solar ou repelente de insetos, se isso for adequado às suas necessidades. Vista-se de acordo com o clima e use sapatos confortáveis. Deixe seu telefone para trás. Se você precisar informar a alguém onde você está, em caso de emergência, faça isso. No entanto, você não quer que surja outra oportunidade de distração.

Quando você chegar ao seu espaço, declare sua intenção para a terra que você pretende se curar e peça permissão e assistência. A terra ouve, e a terra responderá.

A CAMINHADA COM A GANADERA:

A primeira é a caminhada com a sombra ganadero, o aspecto da alma tipicamente relacionado com o passado ou estado subconsciente. Para isso você vai querer começar sua caminhada localizando uma pedra. Se você estiver em uma área onde nenhuma pedra pode ser encontrada, você pode escolher uma vara ou algum outro objeto natural. No entanto, uma pedra é ideal para este exercício, especificamente uma escura e densa.

Coloque a pedra em sua mão direita e comece sua caminhada. O primeiro terço de sua caminhada se concentrará em trazer à tona o seu problema em mãos. Você está tendo problemas com um cônjuge? Você se sente sozinho, confuso? O trabalho está te estressando? Como o seu problema reflete sobre você e sua personalidade? Como isso faz você se sentir? Por que você acha que isso faz você se sentir assim? Houve um evento em seu passado que o fez reagir da maneira que você reage, que o fez sentir ou pensar esses pensamentos?

Não julgue nenhuma dessas noções. E, por favor, não tente resolver o problema em questão. Apenas traga à tona esses sentimentos, pensamentos e emoções e testemunhe-os, sem julgamento. Quaisquer que sejam, apenas observe enquanto caminha.

Usando o poder de sua imaginação, alimentado pelo poder físico de sua caminhada, tente fazer com que quaisquer pensamentos, sentimentos ou lembranças que o deixem desconfortável fluam de seu corpo, desça pelo braço direito e entre na pedra em sua mão direita. Pretenda que a pedra atue como um ímã, atraindo qualquer densidade que esses sentimentos tragam para serem absorvidos pela própria pedra, deixando seu corpo e mente. Tudo no mundo natural é consciente e pode ser utilizado como uma ferramenta para nos ajudar em nossa própria cura. Stone são ancestrais maravilhosos que são ótimos em absorver esses tipos de energias densas da sombra ganadera. Tudo bem, eles não afetarão a pedra, porque em breve desembolsaremos essas energias onde elas precisam ir.

Quando você sentir que o primeiro terço de sua caminhada está completo, que você distribuiu adequadamente a negatividade desses sentimentos e emoções na pedra, encontre um lugar para enterrar a pedra no chão. Não precisa ser profundo. Mesmo com as próprias mãos ou um graveto, você pode remover solo suficiente para enterrar a pedra e desde que esteja abaixo do nível do solo. Quando o fizer, agradeça à pedra por sua ajuda e faça com que as energias que você distribuiu na pedra voltem para a terra. A Mãe Terra sabe o que fazer com essas energias, pois ela as transmutará em algo bom, compostando-as de negatividade densa em vida nutritiva.

A CAMINHADA COM A PRIMERA:

Em seguida, é o passeio com a sombra primera. Como este é o aspecto da alma mais preocupado com o presente, você fará o próximo terço de sua caminhada completamente aberto e atento ao momento presente. Faça o seu melhor para limpar sua mente. Pace sua respiração com sua caminhada. Se algum pensamento tentar surgir em sua mente, use a expiração da respiração para expulsá-lo. Concentre-se apenas no mundo natural ao seu redor. O arrastar dos pés no chão. O roçar da grama contra suas pernas. O som do vento farfalhando através das folhas das árvores. Os gorjeios de quaisquer pássaros próximos. O movimento das nuvens. Deixe o mundo natural ser seu único estímulo.

Este aspecto da caminhada é um limpador de paladar, desde estar em energias mais densas até agora realinhar-se à presença de sua própria alma como um todo integrado. Esta caminhada pode ser a melhor forma de meditação. Sua alma deve estar operando em uníssono. Você é multifacetado, mas também inteiro, e a sombra primera nos lembra disso. Deixe o mundo natural falar com você e reconectá-lo com o holismo da integração da alma.

A CAMINHADA COM A CRIANDERA:

O aspecto “ama de leite ou babá” da alma olha para o futuro. Esta sombra cuidará dos aspectos necessários de si mesmo para estimular a evolução. No caminho xamânico, isso geralmente é feito retribuindo à Mãe Terra de alguma forma, em agradecimento pelo apoio que ela nos forneceu. Na minha tradição essa retribuição é o que chamamos de “pago” (“pagamento”) na sagrada reciprocidade da obra completa.

No terço final de sua caminhada, examine a paisagem em busca de flores ou plantas que chamem sua atenção. Uma forma comum de pago é colher essas flores ou plantas e organizá-las em um desenho semelhante a uma mandala na terra, proporcionando um presente artístico de beleza à Mãe. Você pode ser tão criativo e detalhista quanto quiser com ele, desde que esteja trabalhando do coração como um pagamento de volta ao remédio que recebeu em seu ritual de integração. Se você estiver em uma paisagem onde não há muitas flores, você pode criar um desenho usando pedras, como a roda da medicina. Se não houver materiais naturais disponíveis, você mesmo pode dar um presente cantando uma música ou arrancando um pedaço de cabelo para deixar na terra.

A reciprocidade sagrada é uma forma de arte em si. Não há regras específicas, mas deve ser feito com sincera gratidão. Trata-se de estabelecer uma conexão com o mundo natural, um relacionamento no qual você e a terra comungam como uma alma para outra. Este aspecto da sombra pode ser um grande benefício na integração geral da alma, elevando o espírito da pessoa e carregando o corpo físico com energia positiva para avançar em seus empreendimentos.

RESUMO:

Quando feito com foco e intenção, o Ritual da Caminhada da Alma pode consertar pensamentos e emoções fraturados. Pode trazer clareza à caminhada da alma na vida, para que, quando você se sentir incerto sobre uma situação, possa fornecer um espaço para si mesmo onde a harmonia possa ocorrer. Integração é pegar as partes desconectadas da alma e conectá-las para que possam trabalhar juntas, não umas contra as outras. Aproveite o tempo e o espaço para si mesmo – você merece!

Para explorar mais exercícios xamânicos, você pode conferir meu livro The Shamanic Soul (A Alma Xamânica).

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Sobre o autor:

Daniel Moler é um visionário criador e estudante das artes místicas. Ele é o escritor, artista e criador da série de quadrinhos de sucesso Psychonaut Presents e The Simon Myth Chronicles. Ele é o autor de Shamanic Qabalah, o romance psicodélico de fantasia urbana RED Mass e o guia de Terence McKenna Machine Elves 101. Ele também fez contribuições no livro Cactus of Mystery, de Ross Heaven, bem como nas edições de 2020, 2021 e 2022 do livro da Llewellyn’s Magical Almanac. Daniel escreveu vários artigos em jornais e revistas de todo o mundo e, em abril de 2019, foi apontado como Autor do Mês pelo autor e pesquisador de best-sellers Graham Hancock. Ele foi treinado em uma variedade de modalidades mágicas e xamânicas, incluindo o curanderismo peruano.

Site: https://www.danielmolerweb.com

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Fonte:

Soul Walk: A Simple Exercise for Soul Integration, by Daniel Moler.

https://www.llewellyn.com/journal/article/3032

COPYRIGHT (2022) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-caminhada-da-alma-um-exercicio-simples-para-a-integracao-da-alma/

Psicologia Anomalística: Aliens, Alquimia e Ayahuaska – Ricardo Assarice

Bate-Papo Mayhem 212 – 29/07/2021 (Quinta) Com Ricardo Assarice – Psicologia Anomalística: Aliens, Alquimia e Ayahuaska

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #Psicologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/psicologia-anomal%C3%ADstica-aliens-alquimia-e-ayahuaska-ricardo-assarice