11 Regras Satânicas da Terra

Anton Szandor LaVey

1. Não dê opiniões ou conselhos a menos que lhe sejam pedidos.

2. Não conte teus problemas pessoais para outras pessoas a menos que tenha certeza de que elas desejem ouvi-los.

3. Quando no lar de outrem demonstre respeito, ou então não vá lá.

4. Se um convidado te ofende e irrita em teu lar trate-o cruelmente e sem piedade.

5. Não faça avanços sexuais a não ser que tua vontade seja correspondida.

6. Não apanhe aquilo que não te pertence a não ser que seja um fardo para a outra pessoa e ela rogue para ser aliviada.

7.  Acredite no poder da magia se a tens utilizado com sucesso para realizar teus desejos. Se o negar após tê-lo empregado com êxito, perderá tudo o que conseguiu.

8. Não reclame de coisa alguma à qual você não tenha que se sujeitar.

9. Não moleste crianças.

10.  Não mate animais não humanos a não ser que você seja atacado por eles ou precise deles para se alimentar.

11. Quando caminhando em território aberto não incomode ninguém. Se for incomodado peça para que a pessoa pare. Se não ela parar destrua-a.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/as-onze-regras-satanicas-da-terra/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/as-onze-regras-satanicas-da-terra/

Arcano 10 – Roda da Fortuna – Koph

Sobre o aro de uma roda de seis raios, suspensa no ar por um apetrecho de madeira, seguram-se três animais estranhos.

O fundo é branco; o chão está cortado por listas negras. A roda se apóia sobre dois pés ou suportes paralelos; o da esquerda não chega ao eixo.

Do centro da roda saem seis raios – azuis até menos da metade e em seguida brancos – que se fixam na parte interna do aro: dois deles formam ângulo reto com o chão; os outros quatro representam um xis (ou o dez romano, número da carta, ou ainda uma cruz de Santo André).

À direita, um animal intermediário entre cachorro e lebre (com patas traseiras que não combinam com esses animais) parece subir pela roda; à esquerda, uma espécie de macaco desce de cabeça para baixo. Na parte superior, uma plataforma suporta uma figura que pode ser vista como uma esfinge coroada; três das suas patas repousam sobre a base, enquanto a pata anterior esquerda empunha uma espada desembainhada.

Significados simbólicos

Os ciclos sucessivos na natureza e na vida humana. A manifestação, o movimento de ascensão e de declínio.

Influências lunares e mercurianas.

Interpretações usuais na cartomancia

Boa sorte, louvor, honra.

Alternativas da sorte. Instabilidade.

Esperteza, presença de espírito que não deixa escapar as boas oportunidades. Iniciativa feliz, adivinhação de ordem prática, sorte. Êxito casual, como o ganho na loteria. Espontaneidade, disposição inventiva. Animação, brio, bom humor.

Mental: Lógica, regularidade. Juízo equilibrado e sadio.

Emocional: Traz animação e reforça os sentimentos.

Físico: Os acontecimentos não serão estáveis, porque necessitam de uma mudança, uma evolução. Esta mudança tende a ser para melhor, no sentido do desenvolvimento.

Segurança na dúvida. Do ponto de vista da saúde: não haverá problemas circulatórios. Bons augúrios para um futuro casamento.

Sentido negativo: A transformação se fará com dificuldade, mas poderá ocorrer quando fizer falta. É preciso modificar desde o princípio, partir de outras bases. Descuido.

Especulação, jogo, abandono ao azar.

Insegurança. Imprevisão, caráter boêmio, pouca seriedade.

Situação instável: ganhos e perdas. Aventuras, riscos. Diminuição da sorte.

História e iconografia
Uma das alegorias mais antigas e populares, a imagem que reproduz o Arcano X causa uma impressão estranha ao observador contemporâneo. Isto se deve ao fato de que nos últimos séculos a iconografia do tema tornou-se puramente verbal: qualquer um entende o conceito de “roda do destino”, mas dificilmente se faz dela uma representação visual. Desde a antigüidade clássica, contudo, até o Renascimento, foi justamente o contrário que aconteceu. Em vários textos romanos descreve-se o Destino como uma mulher cega, louca e insensível, que atravessa a multidão caminhando sobre uma pedra redonda (para simbolizar a sua instabilidade); a roda aparece com freqüência nos sarcófagos, como evidente alusão ao caráter cíclico da vida.

Até o final do primeiro milênio não se encontram outros exemplos valiosos sobre o tema, mas depois de uns séculos ele ressurge com maior esplendor que nunca. É já na sua plenitude iconográfica que o reencontramos a partir de meados do século XIII em rosetas de várias catedrais góticas (Amiens, Trento, Lausanne) e de numerosas igrejas: pequenas figuras, representando os momentos e estados da vida, que sobem e descem pelos raios de uma roda.

Um exemplo muito antigo pode ser visto no Hortus deliciarum, de Herrade de Landsberg, abadessa do claustro de Santa Odília (Estrasburgo), morta em 1195.

Nesta imagem completa, como em muitas posteriores, quatro personagens, que aparecem representados como reis, são movidos pela roda que é manejada pelo Destino ou Fortuna em pessoa.

As legendas que acompanham os personagens não deixam dúvida sobre o significado da alegoria: Spes, regnabo (esperança, reinarei), diz o rei ascendente da esquerda; Gaudium, regno! (Alegria, reino!), exclama o que se encontra sobre a plataforma superior; Timor, regnavi… (Temor, reinava…) murmura o da direita, que desce de cabeça para baixo; enquanto que o quarto, que foi atirado da roda e jaz na terra, aceita a evidência da sua condição: Dolor, sum sine regno (Dor, estou sem reino).

É evidente que, numa leitura alegórica, os quatro personagens não passam de um, submetido às variações do destino.

O simbolismo deste personagem quatro-em-um refere-se também às fases da lua e às idades do homem (infância, juventude, maturidade, velhice).

A substituição dos reis por animais ou monstros é um pouco mais tardia (século XIV, ou final do XIII), mas a idéia que este arcano simboliza é certamente mais antiga que a civilização ocidental.

No livro de Ezequiel, diz Wirth, encontra-se a explicação transparente do Arcano X. No plano simbólico, segundo esse autor, muitos dados podem ser extraídos do simbolismo geral da roda. “Refere-se em última instância à decomposição da ordem do mundo em duas estruturas essenciais e distintas: o movimento rotatório e a imobilidade; a circunferência da roda e seu centro, imagem do ‘motor imóvel’ aristotélico”.

O aspecto solar e zodiacal do simbolismo da roda a relaciona sem dúvida com o conceito dos ciclos (o dia, as estações, a vida do homem), ou seja, daquele que nasce para morrer, mas que também morre para ressuscitar.

Guénon afirma que a roda é símbolo de origem céltica e assinala seu evidente parentesco com as flores emblemáticas (rosa no Ocidente, lótus no Oriente), com as rosetas das catedrais góticas e, em geral, com as figuras mandálicas. No taoísmo aparece como metáfora do processo ascendente-descendente (evolução e involução, progresso espiritual e regressão).

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-10-roda-da-fortuna-koph

A Peste Negra

A chamada peste negra foi talvez a pandemia que mais marcou a história a história universal. Seja por sua extensão territórial, seja por ter permanecido inexplicáel por muito tempo, ou mesmo pelo número assombroso de pessoas que matou, sua lembrança persiste até hoje no imaginário ocidental como uma genuina expressão da face da morte, comparável às das  grandes guerras mundiais.

No início de 1330 o primeiro foco da peste bubônica aconteceu na China. A peste afeta principalmente roedores, mas suas pulgas podem transmitir a doença para as pessoas. Uma vez infectada, o contagio a outras pessoas ocorre de maneira extremamente rápida. A peste causa febre e um inchaço doloroso das glândulas linfáticas chamadas de bulbos, daí o seu nome. A doença pode também causar manchas na pele que apresentam primeiramente uma cor avermelhada e então se torna negra.

Como a China era um das maiores nações comerciais, foi só uma questão de tempo até que a epidemia da peste se espalhasse pela Ásia oriental e pela Europa. Em outubro de 1347, vários navios mercantes Italianos retornaram de uma viagem ao mar negro, um dos elos no comércio com a China. Quando os navios aportaram Sicília muitos dos que estavam a bordo já estavam morrendo por causa da peste. Após alguns dias a doença se espalhava pela cidade e pelos arredores. Uma testemunha ocular conta o que aconteceu:

“Percebendo que um desastre mortal havia chegado a eles, as pessoas rapidamente expulsaram os italianos de sua cidade. Mas a doença permaneceu, e logo a morte estava por toda parte. Pais abandonavam seus filhos doentes. Advogados se recusavam a sair de casa e fazer testamento para os moribundos. Frades e freiras foram deixados para trás para tomar conta dos doentes e monastérios e conventos logo estavam desertos, pois eles também foram afetados. Corpos foram deixados em casa abandonadas, e não havia ninguém para lhes dar um funeral Cristão.”

A doença atacava e matava com terrível rapidez. O escritor italiano Boccaccio disse que as vítimas normalmente,

“almoçavam com seus amigos e jantavam com seus ancestrais no paraíso.”

Em agosto no ano seguinte, a peste havia se espalhado ao norte até a Inglaterra, onde as pessoas a chamavam de “A Morte Negra” por causa das manchas negras que ela causava na pele. Um terrível assassino estava solto na Europa, e a medicina medieval não tinha nada para combatê-lo.

No inverno a doença parecia desaparecer, mas somente porque as pulgas, grandes responsáveis pelo transporte da peste de pessoa para pessoa, estavam dormentes. A cada primavera a peste atacava novamente, fazendo novas vítimas. Após cinco anos 25 milhões de pessoas estavam mortas, um terço da população da Europa.

Mesmo quando o pior havia passado epidemias menores continuaram a acontecer, não só por anos mas por séculos. Os sobreviventes viviam em medo constante do retorno da peste, e a doença não desapareceu até o século XVII.

A sociedade medieval nunca se recobrou dos resultados da praga. Tantas pessoas haviam morrido que houveram sérios problemas de mão de obra em toda a Europa. Isso fez com que trabalhadores pedissem maiores salários. No fim do século XIV revoltas de camponeses aconteceram na Inglaterra, França, Bélgica e Itália.

A doença também cobrou sua dívida na igreja. Pessoas durante a era cristã rezaram com devoção para serem liberados da praga. Por que essas preces não foram atendidas? Um novo período de distúrbio político e questionamento filosófico surgiam à vista.

O Desastre Acontece

População estimada na Europa entre os anos 1000 e 1352

1000 38 milhões
1100 48 milhões
1200 59 milhões
1300 70 milhões
1347 75 milhões
1352 50 milhões

Calcula-se que a peste negra tenha matado mais de 25 milhões de pessoas entre 1347 e 1352. Ou seja, a peste bubônica sozinha dizimou cerca de 1/3 da população na Europa em apenas cinco anos. Isso sem contar a imensidão de orfãos e viúvas deixados no rastro da epidemia.

Um Relato Sobre o Início da Peste

“No começo de Outubro, no ano 1347 da encarnação do Filho de Deus, doze galeões Genoveses que estavam fugindo da vingança de nosso Nosso Senhor, vingança essa lançada contra seus feitos nefastos, entraram no porto de Messina. Em seus ossos traziam tão virulenta doença que qualquer um que tão somente falasse com eles enfrentaria seus sintomas mortais e logo sucumbiria sem esperanças de evitar a morte. A infecção se espalhou para todos que tiveram intercurso com os doentes. Os infectados se sentiam penetrados por uma dor que se fazia sentir por todo o corpo e, por assim dizer, indeterminada. Então desenvolviam em suas virilhas e em seus braços bolhas pustulentas. Estas infectavam o corpo inteiro e penetravam tão profundamente que o paciente ficava vomitando sangue violentamente. Esses vômitos de sangue se seguiam sem pausa por um período de três dias, sem haver como curá-lo, e então o paciente expirava. Mas não só aqueles que tinham intercurso com eles morriam, mas também aqueles que haviam tocado neles ou em qualquer uma de suas coisas.

“Em breve os homens se odiavam tanto que se um filho fosse atacado pela doença seu pai não cuidaria dele. Se, apesar de tudo, ele ousasse se aproximar também se contaminaria e estaria marcado para morrer em três dias. E isso não era tudo, todos aqueles habitando a mesma casa que ele o seguiriam à morte. Conforme o número de mortes crescia em Messina muitos desejavam confessar seus pecados aos padres e expressar seus últimos desejos colocando-os em seus testamentos. Mas eclesiásticos, advogados se recusavam a entrar nas casas dos doentes. Mas se algum deles colocasse um pé dentro da casa do doente ele era imediatamente abandonado para a morte súbita. Freiras, Dominicanos e membros de outras ordens que ouviam as confissões dos moribundos eram logo subjulgados pela morte tão rapidamente que alguns nem chegavam a abandonar o quarto do doente. Logo os corpos estavam largados pelas casas. Nenhum eclesiástico, nenhum filho, nenhum pai e nenhum parente ousava entrar, mas pagavam serventes altas taxas para enterrar os mortos. Mas as casas dos mortos permaneciam abertas, com todos os seus pertences, jóias e ouro e todo aquele que decidisse entrar para reclamá-las o fazia sem encontrar obstáculos, pois a praga atacava com tanta veemência que em pouco tempo havia uma falta de serventes e finalmente não havia nenhum.

“Quando a catástrofe alcançou seu clímax os Messienses se decidiram emigrar. Uma parte deles achou abrigo nos vinhedos e nos campos, mas uma parte maior procurou refúgio na cidade da Catânia, na esperança que a Santa Virgem Agatha de Catânia lhes pouparia de seu mal. Para esta cidade se dirigiu a Rainha da Sicília e de lá convocou seu filho Don Federigo. Em novembro os Messienses persuadiram o Patriarca, Arquebispo de Catânia, a permitir que as relíquias de santos fossem trazidas para sua cidade. Mas a população de Catânia não permitiriam que os ossos sagrados fossem removidos de seu lugar. Agora processões e pelegrinagens se dirigiam a Catânia para se apresentar a Deus, mas a praga atacava com mais veemência que antes. A fuga não era mais uma opção. A doença se escondia entre os fugitivos e os acompanhava por todo lugar onde fossem buscar ajuda. Muitos dos fugitivos caiam nas beiras de estradas e eram arrastados para o campo ou escondidos entre os arbustos para morrerem lá. Aqueles que alcançaram a Catânia tiverem seu último suspiro nos hospitais que haviam lá. Os cidadãos horrorizados demandavam que o Patriarca proibisse que os doentes recebessem uma banição eclesiástica e que fossem enterrados nos arredores da cidade, e então eles eram atirados em valas cavadas do lado de fora dos muros da cidade.

“A população de Catânia era tão tímida e atéia que ninguém dentre eles ofereceu (aos fugitivos) abrigo. Se alguns grupos em segredo não houvessem ajudado um pequeno número de pessoas de Messina, elas teriam sido abandonadas sem auxilio algum. Mesmo se espalhando por toda a ilha da Sicília, e junto com eles a peste, inúmeras pessoas morreram. Sempre que alguém em Catânia sofria de dores de cabeça e calafrios essa pessoa sabia que estava destinada a morrer dentro do prazo, então saia para se confessar com os padres e para fazer seus testamentos com os advogados. Quando a praga ganhou peso em Catânia o Patriarca delegou a todos os eclesiásticos, até os mais jovens, com todos os poderes sagrados para a absolsão dos pecados que ele como bispo e patriarca possuía. Mas a pestilência continuou atacando de outubro de 1347 a abril de 1348. O próprio patriarca foi um dos últimos a morrer. Ele morreu realizando seu trabalho. Ao mesmo tempo o Duque Giovanni, que havia evitado cuidadosamente cada casa infectada e pessoa doente morreu.”

Analisando a Peste

A variedade de respostas à praga talvez seja o que melhor nos mostre a natureza da sociedade medieval Européia na Idade Média.. Mas quando investigamos as respostas humanas à peste devemos considerar o seguinte:

É a natureza humana reagir e responder a diferentes eventos e circunstâncias. Uma boa técnica de entender os complexos eventos é analisar o comportamento humano separando-o em categorias distintas. Essas podem incluir respostas científicas e médicas, políticas, sociais ou religiosas. Essas categorias não são exclusivas e uma coisa pode cair em várias categorias, mas geralmente esse método faz que vários dados sejam organizados de maneira compreensiva.

Todas as civilizações sempre se preocuparam com a saúde e doenças. Todas tiveram curandeiros de um modo ou outro e forneceram explicações para a ocorrência de doenças. Veja agora os elementos da teoria e prática médica prevalecente na Europa e no Oriente Médio na época da praga.

Rumores do Anti-Cristo

Com tantas mortes ao seu redor, os europeus começaram a enxergar o fim do mundo, como a Bíblia Cristã previa. Uma das professias do Livro do Apocalipse dizia que o Anti-Cristo apareceria.

“Os rumores citados abaixo foram escritos em 1349, pelo Irmão William de Blofield na Inglaterra para um irmão Frade Dominicano em Norwich. Existem inúmeros profetas nos arredores de Roma, cujas identidades permanecem um segredo, que inventaram estórias como esta por anos. Eles dizem que neste mesmo ano, 1349, o Anti-Cristo vive com 10 anos de idade e é uma criança encantadora, tão bem educada em todas as áreas de conhecimento que nenhum ser vivo pode se igualar a ele. E eles também dizem que existe outro garoto, agora com 12 anos, e vivendo além das terras dos tártaros, que foi criada como um cristão e será ele que destruirá os saracenos e se tornará o maior homem no reinado cristão, mas seu poder logo será trazido para um fim pela chegada do Anti-Cristo.”

Teorias Médicas Medievais

A teoria médica medieval esteve em grande dívida com os antigos filósofos Gregos e Greco-Romanos. A medicina islâmica não somente se utilizava de práticas antigas, mas os filósofos islâmicos também desenvolveram um sofisticada teoria médica. A medicina européia do século XIV aplicava as tradições antigas assim como as islâmicas. Para a maioria dos europeus existiam três grandes autoridades que representavam essas tradições médicas, Hipócrates, Galen e Avicena.

Os documentos revelam as teorias médicas envolvendo as causas da peste e seus métodos de tratamento.

Naquele tempo a peste não se encaixava no conhecimento médico contemporâneo que em sua maioria afirmavam que doenças eram transmitidas através do “ar ruim”, que geralmente possuía um cheiro nauseabundo. Para prevenir que as doenças se espalhassem era comum a terapia de aromas. Isso podia incluir a queima de incensos ou a inalação de fragrâncias, como perfumes ou flores. Isso não afetou o avanço da peste e muitos curandeiros  fugiam ao primeiro sinal da doença.

Biologia da Peste Negra

Nós devemos nos lembrar que no século XIV, as idéias modernas de medicina ainda não haviam se desenvolvido. Não foi até o século XIX que os fisiologistas foram capazes de isolar a causa precisa da peste.

A causa da peste foi finalmente descoberta pela comunidade médica na última década do século. Como resultado da então nova teoria de germes causadores de doenças, pesquisadores acharam que a peste bubônica era de fato causada por uma infecção massiva da bactéria Yersinia Pestis. Somente com esta descoberta é que se tornou possível sintetizar os antibióticos necessários para combater esta doença.

O bacilo, Yersinia Pestis, é normalmente encontrado vivendo como um parasita dentro de ratos. Lá a bactéria pode se multiplicar, infectar a corrente sangüínea, órgãos e outros sistemas dos roedores hospedeiros. Pulgas vivendo nesses ratos ingerem o sangue infectado quando se alimentam, e assim se tornam infectadas pela bactéria. Normalmente essas pulgas vivem somente nos ratos, mas a peste também os afetou assim como aos humanos, e logo os ratos hospedeiros acabam morrendo. As pulgas devem então encontrar um novo hospedeiro e, por causa da proximidade entre as duas espécies devido principalmente às condições de vida da época, logo elas migraram para seus novos hospedeiros, os humanos. A infecção acontece quando a pulga começa a se alimentar de sangue humano e acaba passando a bactéria através de fluídos para o hospedeiro humano.

Este tipo de infecção acaba causando o tipo de peste denominada “bubônica”. A bactéria começa a se multiplicar na corrente sangüínea da pessoa infectada, chegando à veias e artérias e ao tecido dos pulmões. Como resultado, uma pessoa infectada normalmente exibirá uma descoloração na pele causada pela hemorragia nos capilares. Como resultados sua pele apresenta uma aparência pálida marcada por vários hematomas. A bactéria também ataca o sistema linfático. A infecção dos nódulos linfáticos é que dá a este tipo de peste o seu nome. Os nódulos linfáticos tentam criar anticorpos para combater a infecção, o que acaba resultando num inchaço do tamanho que varia de uma noz até o tamanho de uma maçã. Os inchaços resultantes, localizados nas axilas, pescoço ou virilha eram chamados de “bulbos” ou “bubões” pelos europeus medievais. Era geralmente este sintoma em particular que permitia com que os doutores contemporâneos detectassem a presença desta doença. A forma bubônica desta doença na maioria dos casos se mostrava fatal, mas existem registros de pessoas que se recuperaram completamente após ficarem seriamente doentes.

Existem outras duas formas desta doença, pneumônica e infecciosa. A primeira envolve uma infecção no tecido pulmonar que causa o acúmulo de fluído que acaba acarretando na morte do infectado. Evidência sugere que um pessoa pode contrair esta forma da doença ao inalar gotículas de saliva ou outro fluído corporal de uma pessoa infectada. A forma pneumônica parece causar uma taxa de morte que se aproxima a 100%. A Segunda forma da doença, infecciosa, envolve uma forma de infecção tão rápida e massiva que a morte acontece antes mesmo que os sintomas principais tenham tempo de aparecer. Esse tipo relativamente raro da peste pode ser encontrado em registros médicos indicando que a pessoa simplesmente morreu durante as epidemias de peste por nenhuma razão aparente.

Ambos os tipos desta doença afetaram a sociedade européia entre os anos de 1347-1348 e em epidemias que ocorreram nos anos seguintes. Infelizmente ainda é muito difícil se dizer qual das formas da doença estava presente em algumas das localidades e em alguns casos da peste. De fato ao que tudo indica alguns casos de epidemias da peste não passavam de casos de disinteria, por exemplo, e muitas outras doenças acabaram ganhando o rótulo da peste em epidemias que ocorreram mais tarde. Uma pista para se identificar a forma da doença depende da época do ano no qual determinada epidemia aconteceu. Por causa da temperatura e umidade do ar que permitem a população de pulgas a prosperar, a peste bubônica tendia a surgir nos meses de verão enquanto a pneumônica durante o inverno. A relação entre a forma da peste, o clima e a localização geográfica da epidemia entretanto é algo complexo, e um conhecimento biológico definitivo destes eventos históricos é difícil de se estabelecer.

Durante os períodos medievais e no início do período moderno somente o rato negro, ou rato de telhado, parece ter vivido na maior parte da Europa. O rato negro (Rattus rattus) vivia próximo de humanos preferindo, por exemplo, viver em sótãos ou telhados. O rato negro não encontrou dificuldades para se adaptar aos humanos já que pesavam 315 gr e chegavam a 17,5 cm. O rato marrom, ou rato de esgoto, tomou o lugar do rato negro em algum ponto do século XVIII. As pulgas do rato marrom (Rattus nirvegicus) são menos efetivas como transmissoras da bactéria e alguns historiadores alegam que essa mudança foi a responsável pelo, de outra maneira difícil de se explicar, desaparecimento das grandes epidemias na Europa nessa época.

A Peste na Europa

No fim de 1347 a “Peste Negra” havia chegado no centro oeste e estava começando a se dirigir para a parte sul da Europa. Em seis meses, no início do verão, a doença havia se espalhado pela Itália, Europa Central e atingido a parte norte da Espanha. No Natal de 1348 o seu alcance atravessou o Canal da Mancha e os Alpes. Outros seis meses foram testemunhas do seu avanço para a Irlanda, interior da Inglaterra e para o norte da Europa. O inverno de 1349 trouxe a peste para a Escócia, partes da Escandinávia e aos Países Baixos. No ano seguinte a doença havia chegado na Suécia, norte da Alemanha e norte da Polônia. Nenhuma parte da Europa foi tão afetada como as cidades de Liege e Nuremberg, assim como algumas cidades do sul da França e da Alemanha central parecem ter sido ignoradas pela praga.

Durante a Era Medieval as rotas de comércio na Europa passavam pelo eixo norte-sul. Mercadorias dos mercados do Oriente Médio inundavam o sul da Europa chegando pelas cidades estados da Itália. De lá as rotas de comércio se ramificavam em direção ao norte seguindo os rios as passagens naturais nos Alpes. Como a tecnologia marítima ainda era muito precária as principais rotas eram terrestres.

A Peste Bubônica pode voltar?

como visto anteriormente, a peste bubônica é provocada por uma bactéria, a Yersinia Pestis, geralmente transportada por pequenos roedores (ratos) e transmitida ao homem pelas pulgas. Como facilmente se compreende, são os países das regiões mais pobres, com condições sanitárias e higiénicas mais desfavoráveis, os que estão à mercê deste tipo de doença.

Esta lógica tem elevado com frequência a preocupação da própria Organização Mundial de Saúde (OMS), quanto ao problema, especialmente depois dos anos 90 quando os relatados  de algumas dezenas de casos acoteceram na Índia. Neste mesmo país, entre os anos de 1889 e 1950 a Peste Bubonica já foi responsável por mais de 12,5 milhões de mortos.

As formas conhecidas como peste bubônica e peste pneumônica ainda existem no Brasil, especialmente na região nordeste. Apesar de dispormos de tratamento com antibiótico, este é eficaz quando o diagnóstico é feito precocemente. O diagnóstico precoce também é importante pelo caráter contagioso da forma pneumônica, que necessita isolamento respiratório do doente. Se tratado a tempo, este se recupera sem sequelas.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-peste-negra/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-peste-negra/

Podcast Mayhem – 01 – O que é Kabbalah?

Está no ar o episódio #01 do Podcast do Projeto Mayhem !!!

Neste Podcast, Rodrigo Grola, Marcelo Del Debbio, Fratet Qos e Soror Tiamat debatem sobre o que é Kabbalah, para que estudar Hermetismo, quais as diferenças entre a Kabbalah Hermética e a Cabala Judaica, métodos para estudar magia e outros assuntos levantados pelos membros do Projeto Mayhem!

Podcast do Projeto Mayhem

Ajudem a divulgar e, se puderem, sejam nossos padrinhos para participar do Projeto Mayhem que, além da orientação em ritualística (rituais jupiterianos semanais, Rituais de Solstícios e Equinócios, Sefirat ha Omer), revista Hermetismo trimestral e grupos fechados de debate e plantão de dúvidas no Facebook e Telegram, possamos chegar agora a um episódio a cada quinze dias (a próxima meta!).

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/podcast-mayhem-01-o-que-%C3%A9-kabbalah

A Abolição da Felicidade

“Happiness is a Warm Gun” – John Lennon

Todo mundo quer ser feliz e encontrar seu caminho para a felicidade. Para conseguir isso as pessoas compram margarina, vão a igreja ou vão passear no parque, mas mesmo a felicidade tem seu lado sombrio é o que diz um artigo no jornal Perspectives on Psychological Science, da Associação Americana de Ciências Psicológicas. Eles garantem que a felicidade não pode ser vista como uma coisa incondicionalmente boa ou universalmente desejável. O artigo lista quatro casos bem documentados em que a felicidade é prejudicial para o indivíduo.

Quem quer encontrar um caminho para a felicidade pode escolher entre uma multidão de métodos, técnicas e promessas. Mas definir uma meta para a própria felicidade pode ser um tiro pela culatra, é o que diz June Gruber da Universidade de Yale, co-autor do artigo com Iris Mauss da Universidade de Denver e Maya tamir da Universidade Hebraica de Jerusalem. Este é um dos problemas com a felicidade – pessoas que a desejam demais podem acabar numa situação pior do que a que estavam no começo.

Isso não quer dizer que as técnicas descobertas pela psicologia para tornar uma pessoa feliz não tenham seu valor. Coisas como separar uma parte do dia, todo dia para lembrar das coisas pelas quais você é grato ou feliz ou criar situações mais prováveis de produzir felicidade, continuam valendo. “Mas quando você faz estas coisas com a motivação ou expectativa de tornar-se alguém mais feliz, elas podem levá-lo ao desapontamento, frustração e diminuição de felicidade original”, afirma Gruber. Por exemplo, um estudo feito por Mauss e seus colegas descobriu que pessoas que leram um artigo de jornal exaltando a felicidade se sentiram pior depois de assistir a um filme feliz do que aqueles que leram um artigo que não mencionava a felicidade. A conclusão é que eles estavam desapontados consigo mesmos por não se sentirem igualmente felizes. Quando as pessoas não ficam tão felizes quando esperam, seus sentimentos de fracasso podem fazê-las se sentir pior do que estavam inicialmente.

Felicidade demais também pode ser um problema. Um estudo de acompanhamento estudou crianças de 1920 até a terceira idade e descobriu que aquelas que morreram jovens foram justamente as classificadas como mais alegres pelos seus professores. Pesquisadores descobriram que pessoas que se sentem muito feliz podem não pensar tão criativamente e tendem a se expor mais facilmente em risco. Por exemplo, pessoas maniacas ou com desordem bipolar com grau excessivo de emoções positivas podem levá-las a comportamento de risco como ao abuso de drogas, direção irresponsável ou gastar excessivamente suas economias. Mas mesmo para pessoas sem desordens psiquiátricas “níveis muito elevados de felicidade podem ser uma coisa ruim.” conclui Gruber.

Outro problema é sentir a felicidade de maneira inapropriada, obviamente não é saudável ficar feliz ao ver alguem chorando a perda de um ente querido ou quando ouve que um conhecido se feriu gravemente em um acidente de trânsito e seus colegas pesquisadores identificaram que esta felicidade inapropriada ocorre frequentemente entre maniacos. Felicidade pode neutralizar outras emoções, mesmo as chamadas emoções negativas que possuem um papel importante na vida. Medo pode mantê-lo longe de riscos desnecessários, culpa pode lembrá-lo de comportar-se bem em sociedade.

Como complemento da pesquisa, os cientistas comportamentais em seu artigo descobriram que o realmente garante o aumento do nível de felicidade. “Nossos dados demonstram que felicidade não é dinheiro, nem reconhecimento externo do sucesso ou fama.” afirma Grubber. “Felicidade é possuir relações sociais significativas.” Isso significa que a melhor maneira de se tornar mais feliz é parar  de se preocupar com a felicidade e em vez disso direcionar sua energia para fortalecer os laços sociais que você têm com as outras pessoas.”Se você quer focar em alguma coisa, foque nisso e deixe o resto vir por conta própria”,  conclui.

resenha do Psychological Science

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Linhas de Ley

Antes de explicar sobre a construção e disposição dos círculos propriamente ditos, vamos começar sobre as chamadas “Linhas de Ley”. Apesar de conhecidas pelos chineses e hindus por milênios, o primeiro ocidental a estudar e teorizar as linhas energéticas que passam pela superfície do planeta foi o matemático Pitágoras, aproximadamente em 500 AC, mas estas linhas só foram mesmo popularizadas em 1921, por Alfred Watkins.

As linhas de Ley, como vocês perceberão, é uma teoria que explica muito bem a imensa quantidade de eventos “inexplicáveis” ao redor do mundo, incluindo o Triângulo das Bermudas, Pirâmides, Áreas mortas, aparições de OVNIs e outras regiões de fenômenos magnéticos estranhos.

A mais antiga evidência a respeito de pesquisadores das linhas de Ley encontra-se no Ashmolean Museum of Oxford, que tive o prazer de visitar pessoalmente em 1989. Nele estão expostas um conjunto de 5 pedras mais ou menos do tamanho de um punho, esculpidas em 1400 AC, que representam precisamente os sólidos de Platão descritos no Timeus (que só seriam estudados oficialmente mil anos depois, na Grécia segundo as otoridades). Apesar destas estruturas serem extremamente delicadas e precisas, oficialmente, estas pedras são consideradas “projéteis de algum tipo não definido de boleadeira”.

No Brittish Museum também estão em exposição esferas de metal (de ouro e bronze) vietnamitas com respectivamente 20 e 12 pontos, que se encaixam e rolam umas sobre as outras, marcando uma combinação de 62 pontos e 15 círculos. Estas esferas possuem cerca de 2.500 anos de idade. Apesar destas esferas servirem como objeto de estudo dos sólidos de Platão e da combinação de pontos dentro de uma superfície esférica, oficialmente elas são “objetos de uso religioso não especificado”.

Combinando os dois principais sólidos de Platão, temos uma grade composta de 120 triângulos como a figura ao lado. Esta esfera metálica vazada foi encontrada por arqueólogos em ruínas na cidade de Knossos (durante a Idade Média, diversas imagens como esta apareciam em textos de alquimia e ela era chamada de “Esfera Celestial” por eles). Sua função era ser deixada ao sol para estudos da projeção das sombras sobre a esfera central. Com isto, os gregos (e egípcios e posteriormente os pitagóricos, alquimistas e templários) conseguiram medidas precisas de distâncias no planeta, que só foram igualadas em precisão neste século, com os mapeamentos por satélite. Oficialmente, este é uma “esfera ornamental, de função desconhecida”.

Mas vamos direto para as Linhas de Ley. Como todos nós sabemos, os sólidos de Platão são 5 (tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e icosaedro). Pense nos dados de RPG. Porque apenas cinco? A resposta está nos cinco elementos do pentagrama usado na magia. Estes elementos estão também relacionados com sólidos geométricos, além das cores e símbolos tradicionais. Então temos: Fogo = tetraedro, Terra = cubo, Ar = octaedro, Água = Icosaedro e Espírito ou Prana = Dodecaedro. As Escolas Pitagóricas reuniram todos os sólidos dentro de uma única esfera e o resultado foi um mapa de linhas formado por 120 grandes círculos e 4.862 pontos. Como na figura abaixo.

Os estudos de Platão ecoam os ensinamentos de Pitágoras a respeito da projeção do infinito sobre o finito e servem para demarcar os pontos energéticos de maior intensidade na superfície do planeta, da mesma maneira que as linhas energéticas marcam os pontos principais da acupuntura em um corpo humano. Repetindo: “As above, so Below” (Tudo o que está em cima é igual ao que está embaixo).

Eminentes cientistas, como Sir Joseph Norman Lockyer, estudaram a superfície do planeta e sobrepuseram as chamadas Linhas de Ley com grandes monumentos do passado, como as Pirâmides, os principais círculos de pedra e outros eventos “inexplicáveis” e chegaram a “coincidências” absurdas. Cidades como o Cairo, com 6.000 anos de idade, foram projetadas (sim, você leu direito: projetadas) de maneira harmoniosa com as linhas energéticas do planeta. Londres, Paris, Berlin, Moscou, Washington, Brasília (ok, Washington e Brasília são cidades novas, mas seus projetistas sabiam o que estavam fazendo – olhe direito a planta de Brasília… aquilo é mesmo um avião ou poderia ser um compasso?).

Graças a este conhecimento oculto, mapas medievais até hoje inexplicados mostram a América, Austrália e Antártida com formas quase perfeitas, condizentes com descobertas feitas séculos depois. Exemplos são o Mapa de Piri Ibn Haji (copiado de um mapa que estava na Biblioteca de Alexandria, com a descrição da América) e o mapa de Calopodio (1537, descrevendo a Antártida). Estes mapas eram mais precisos do que mapas feitos até a década de 60 ou 70.

Com base nestas linhas, mapas da Atlântida e de Lemúria também puderam ser traçados muitos séculos antes que os cientistas sequer começassem a discutir “placas tectônicas”. O pesquisador e cientista Sir James Churchward publicou, em 1972, um trabalho intitulado “The Twelve Devil´s Graveyard around the world”, onde localizava os doze locais onde ocorriam o maior número de acidentes e desaparecimentos de barcos e aviões no planeta. Durante anos, ele compilou relatórios da marinha de vários países, chegando aos doze pontos críticos (entre eles, o famigerado Triângulo das Bermudas). Quando os estudiosos compararam estes pontos com o modelo esférico de Platão/Pitágoras, “coincidentemente” chegaram aos pontos principais do icosaedro projetado no Planeta (que “coincidentemente” é o elemento Água na geometria pitagórica).

Cruzando outros pontos na grande esfera temos pirâmides ao redor do planeta (uma na Amazônia, inclusive… porque será que os americanos estão tão preocupados com a Amazônia agora? Vejam a briga que está no congresso, com esta proposta de lei para privatizar partes da floresta… que terrenos exatamente vão cair nas mãos de multinacionais americanas?), caminhos que as aves migratórias seguem, avistamentos de UFOs, locais sagrados, Catedrais, Círculos de Pedra e por ai vai. Escolha um local bizarro ou inexplicável do estilo “acredite se quiser” e coloque-o sobre o mapa-mundi. Ele estará sobre ou muito próximo de um ponto destes.

Se quisermos brincar um pouco mais, basta pegar cidades importantes do ponto de vista religioso ou político, como Kiev, Roma, Constantinopla, Jerusalém, Meca, Karthoum (cidade mais importante do antigo Sudão), Ile Ife (cidade mais importante para os antigos Yorubás) e as ruínas do Grande Zimbabwe e perceberemos que elas se encaixam em um padrão peculiar (os pontos que estão faltando são sítios arqueológicos que foram centros religiosos em um passado distante). Quem já está familiarizado com a Kabbalah vai achar no mínimo intrigante esta “coincidência”. Podem, inclusive reparar que Jerusalém está sobre a sephira Da´ath (ok, eu sei que a maioria não vai entender essa… )

Na Europa não é diferente. Se conectarmos todas as linhas básicas descritas por Platão e Pitágoras, os cruzamentos principais destas linhas cairão em cidades importantes como Oxford, Rotterdan, Berlin, Chartres, Altamira, Barcelona, Frankfurt, Córdoba, Hamburgo, Lourdes, Roma, Atenas, Delfos e trocentas outras. Cidades que surgiram ao redor de oráculos, círculos de pedra (que foram substituídos por catedrais por causa da Igreja Católica e ai entra a importância dos pedreiros livres para a preservação desta geometria sagrada) ou monumentos antigos.

Agora… por que TODOS os oráculos gregos, círculos de pedra e pirâmides estão localizados sobre estes nodos? Que relação temos entre “comunicação com os deuses”, “centros religiosos”, “eventos bizarros” e as linhas de Ley? Coincidências? 4.862 coincidências então.

E estas linhas e pontos podem ser divididos múltiplas vezes, em grades menores, até chegar a parcelas bem pequenas, suficientes para envolver quarteirões ou mesmo casas. Os chineses, gregos, egípcios e os antigos já conheciam a respeito destas linhas e chamam isso de Feng Shui/Geometria sagrada (mas esqueçam estas coisas estranhas que aparecem nas revistinhas de decoração hoje em dia, estou falando da ciência por trás do Feng Shui, algo que definitivamente não vai cair nas mãos das massas tão cedo).

Todo mundo conhece locais na sua cidade ou bairro onde não importa que tipo de negócio se abra, ele sempre quebra, lugares onde qualquer loja que se estabeleça será um sucesso, locais onde você se sente mal sem saber por que ou lugares onde você se sente bem sem explicação racional. O estudo sério destas linhas energéticas poderia trazer benefícios enormes para a humanidade, definindo locais melhores e mais adequados para se construir hospitais, escolas, presídios, estabelecer plantações, parques, áreas residenciais e assim por diante.

A moral é: Feng Shui tem fundamento científico? SIM. Ele funciona do jeito que as revistinhas e livros pregam? NÃO. Portanto, temos de dar um pouco de razão aos céticos que xingam essas coisas porque eles estão parcialmente certos: tem muita besteira e chute sem fundamento publicado por ai, infelizmente. Mas o estudo sério destas energias (digo, algo patrocinado por universidades e conduzido de maneira séria e laboratorial, envolvendo geólogos, físicos e pesquisadores) seria algo muito interessante.

Bom… sabemos que as linhas energéticas estão ai. A questão é: como aproveita-las?

Os antigos sabiam.

Semana que vem, círculos, pirâmides, cristais e outras formas geométricas.

Temet Nosce, crianças.

#LinhasdeLey #Matemática #Pirâmides

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/linhas-de-ley

A Bruxa de Endor

A Bruxa de Endor, também conhecida como a Médium ou a Necromante de Endor (hebraico: בַּעֲלַת־אֹוב בְּעֵין דּוֹר‎ baʿălaṯ-ʾōḇ bəʿĒyn Dōr, “aquela que possui o ʾōḇ de Endor”) é uma mulher que, de acordo com a Bíblia hebraica, foi consultada por Saul para realizar um ritual noturno e convocar o espírito de Saul profeta Samuel. Saul desejava receber conselhos sobre como derrotar os filisteus em batalha, depois que as tentativas anteriores de consultar a Deus por meio de sorteios sagrados e outros meios falharam. Quando convocado, no entanto, o espírito de Samuel apenas profere uma profecia de condenação contra Saul. Este evento ocorre no Primeiro Livro de Samuel [28. 3-25]; também é mencionado no livro deuterocanônico do Eclesiástico [46. 19-20].

A mulher da história é chamada no hebraico bíblico de ” אֵשֶׁת בַּעֲלַת־אֹוב בְּעֵין דֹּור” (ʾēšeṯ baʿălaṯ-ʾōḇ bəʿĒyn Dōr), “uma mulher, possuidora de um ʾōḇ em Endor”. A palavra אֹ֖וב ‘ōḇ foi sugerida por Harry Hoffner para se referir a um poço ritual para convocar os mortos do submundo, com base em paralelos em outras culturas do Oriente Próximo e do Mediterrâneo. A palavra ” ‘ōḇ ” tem cognatos em outras línguas regionais (como a palavra suméria “ab”, acadiano “âbu”, hitita “a-a-bi”, ugarítico “ib”) e o ritual da bruxa de Endor tem paralelos nos textos mágicos babilônicos e hititas, bem como na Odisseia. Outras sugestões para uma definição de ” ‘ōḇ ” incluem um espírito familiar, um talismã, ou um odre, em referência ao ventriloquismo.

Na Septuaginta, a tradução da Bíblia escrita em grego, ela é chamada de
” ἐγγαστρίμυθος ἐν Αενδωρ “, engastrímythos en Aendōr, enquanto a Vulgata, a tradução latina da Bíblia, tem ” pythonem em Aendor “, ambos os termos são referências a oráculos pagãos contemporâneos.

A bruxa também afirma ver “elohim surgindo” (verbo plural) do chão, ao usar a palavra tipicamente traduzida como “deus(es)” para se referir aos espíritos dos mortos. Isso também é paralelo ao uso da palavra cognata acadiana ” ilu ” (“deus”) de maneira semelhante.

Quando o profeta Samuel morre, ele é enterrado em Ramá. Saul, o rei de Israel, busca conselho de Deus para escolher um curso de ação contra as forças reunidas do exército filisteu. Ele não recebe resposta de sonhos, profetas, ou do Urim e Tumim. Tendo anteriormente expulsado todos os necromantes e magos de Israel, Saul, de forma anônima, procura uma bruxa e encontra uma vivendo na vila de Endor. Saul a visita disfarçado e pede que ela invoque o espírito de Samuel. A mulher a princípio se recusa, por causa do decreto de Saul contra a feitiçaria, mas Saul garante que ela não será punida [1 Samuel, 28. 8-25].

A mulher invoca um espírito, que ela descreve como tendo a aparência de um velho envolto em um manto. Saul se curva ao espírito, mas aparentemente é incapaz de vê-lo por si mesmo. O espírito reclama de ser perturbado, repreende Saul por desobedecer a Deus e prediz a queda de Saul. Reitera uma profecia pré-mortem de Samuel, e acrescenta que Saul perecerá na batalha no dia seguinte, junto com todo o seu exército. Saul desmaia de terror; a mulher o conforta, mata um bezerro e lhe prepara uma refeição para restaurar suas forças [1 Samuel 28:3-25].

No dia seguinte, o exército israelita é derrotado conforme profetizado: Saul é ferido mortalmente pelos filisteus e comete suicídio ao cair sobre sua espada [1 Samuel 31:1-4] – ou, de acordo com um relato paralelo, ao pedir a um jovem amalequita para que desferisse o golpe mortal [2 Samuel, 1:6-10]. Em 1 Crônicas, afirma-se que a morte de Saul foi, em parte, uma punição por buscar conselho de um médium ao invés de Deus [1 Crônicas, 10.13-14].

Na Septuaginta (século II a.C.), a mulher é descrita como uma ventríloquista, o que possivelmente reflete a visão consistente dos tradutores alexandrinos de que os demônios não existem. Por outro lado, o livro hebraico do Eclesiástico, composto no mesmo período, representa como um fato que Samuel profetizou a Saul após sua morte [Eclesiástico, 46:19-20]. O historiador judeu Flávio Josefo, que escreveu no século I d.C., também parece achar a história completamente confiável [Antiguidades Judaicas 6.14].

O Yalkut Shimoni (século 11), um texto que faz parte do Midrash, identifica a bruxa anônima como Zefanias, a mãe de Abner, um dos generais do rei Davi [Yalkut Shimoni, 140 e Lev. R. 26]. Com base na afirmação da bruxa de ter visto algo, e Saul ter ouvido uma voz desencarnada, o Yalkut sugere que os necromantes são capazes de ver os espíritos dos mortos, mas são incapazes de ouvir seu discurso, enquanto a pessoa para quem o falecido foi convocado ouve a voz, mas não consegue ver nada.

De acordo com Antoine Augustin Calmet, que escreveu no século 18:

“Os judeus de nossos dias acreditam que, depois que o corpo de um homem é enterrado, seu espírito vai e vem, e sai do local onde está destinado a visitar seu corpo e saber o que se passa ao seu redor; que vaga durante um ano inteiro após a morte do corpo, e que foi durante esse ano de atraso que a Pitonisa de Endor evocou a alma de Samuel, após o qual a evocação não teria poder sobre seu espírito.”

Os Padres da Igreja e alguns escritores cristãos modernos têm debatido as questões teológicas levantadas por este texto, que à primeira vista parece afirmar que é possível (embora proibido) que os humanos convoquem os espíritos dos mortos através de magia.

O Rei James, em seu tratado filosófico Daemonologie (1597), rejeitou a teoria de que a bruxa realizava um ato de ventriloquismo, mas também negou que ela tivesse realmente convocado o espírito de Samuel. Ele escreveu que às vezes é permitido ao Diabo assumir a semelhança dos santos, citando 2 Coríntios 11:14, que diz que “Satanás pode se transformar em um anjo de luz”. James descreve a bruxa de Endor como a “Pitonisa de Saul”, comparando-a á Pítia, o antigo oráculo grego. Ele afirma a realidade da feitiçaria, e argumenta que se tais coisas não fossem possíveis, elas não seriam proibidas nas Escrituras:

“Certo é que a Lei de Deus nada fala em vão, nem lança maldições, nem impõe castigos às sombras, condenando-a a ser doente, o que não é em essência ou ser como a chamamos.”

Outras glosas medievais da Bíblia também sugeriam que o que a bruxa invocou não era o fantasma de Samuel, mas um demônio que toma sua forma ou uma ilusão criada pela bruxa. Martinho Lutero, que acreditava que os mortos estavam inconscientes, leu que era “o fantasma do Diabo”, enquanto João Calvino leu que “não era o verdadeiro Samuel, mas um espectro”.

Augustin Calmet menciona brevemente a bruxa de Endor em seu Tratado sobre as Aparições de Espíritos (1759), entre outras provas bíblicas da “realidade da magia”. Ele reconhece que esta interpretação é contestada, e diz que não deduzirá nada da passagem “exceto que esta mulher passou por uma bruxa, [e] que Saul a estimava assim”.

Uma vez que esta passagem afirma que a bruxa chorou de medo quando viu o espírito de Samuel, alguns intérpretes rejeitam a sugestão de que a bruxa foi responsável por invocar o espírito de Samuel, e alegam que isso foi obra de Deus. Joyce Baldwin (1989) escreve que “o incidente não nos diz nada sobre a veracidade das alegações de consultar os mortos por parte dos médiuns, porque as indicações [do comportamento da mulher] são de que este foi um evento extraordinário para ela, e assustador, porque ela não estava no controle.”

Os espíritas tomaram a história como evidência da mediunidade espiritual nos tempos antigos. A história foi citada em debates entre apologistas espíritas e críticos cristãos. Um jornal espiritualista de Chicago em 1875 afirmou: “A mulher de Endor era uma médium, respeitável, honesta, cumpridora da lei e muito mais semelhante a Cristo do que” os críticos cristãos do Espiritismo.

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Fontes:

Bíblia Sagrada Ave-Maria.

História dos Hebreus, por Flávio Josefo.

The Encyclopedia of Jewish Myth, Magic, and Mysticism, por Rabbi Geoffrey W. Dennis.

Hoffner, Harry A. (1967). “Second Millenium Antecedents to the Hebrew ‘Ôḇ”. Journal of Biblical Literature. Atlanta, Georgia: Society of Biblical Literature. 86 (4): 385–401.

Calmet, Augustin (2016). Treatise on the Apparitions of Spirits and on Vampires or Revenants: of Hungary, Moravia, et al. The Complete Volumes I & II. pp. 47, 237.

Baldwin, Joyce (1989). 1 and 2 Samuel: An introduction and commentary. p. 159.

“The Religion of Ghosts”. Spiritualist at Work. Vol. 1, no. 19. Chicago. 24 April 1875. p. 1.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-bruxa-de-endor/

Os Corvos de Wotan, parte 3

» Parte 3 da série sobre Odin ver parte 1 | ver parte 2

A fonte da sabedoria

Ainda abaixo de uma das gigantescas raízes de Yggdrasil, a árvore cósmica a sustentar todos os reinos míticos da mitologia nórdica, se encontra uma nascente d’água muito especial: Mímisbrunnr. É neste pequeno lago que vivia o Mímir, um reconhecido sábio (seu nome significa algo como “o sábio”, ou ainda “aquele que se lembra”). Odin ficou sabendo da existência desta fonte, que se acreditava dar “a sabedoria de todas as eras” aqueles que a bebiam regularmente (daí a sabedoria do próprio Mímir, seu guardião). Ora, como Odin era um deus que buscava a sabedoria, ele a visitava regularmente para beber um pouco de sua água, assim também ficando amigo de seu protetor.

O que ficou mais conhecido desta história, entretanto, foi o fato de Odin ter arrancado um de seus olhos (não se sabe qual ao certo) e o mergulhado no lago, onde jaz até hoje, oculto no lodo, onde talvez só ele e o Mímir saibam localizar. Diz-se que Odin realizou tal sacrifício em troca da sabedoria do Mímir, mas obviamente algo aqui não faz sentido: se Odin já conhecia a localização do poço, se já era amigo do Mímir, qual seria a necessidade de sacrificar um olho em troca de sabedoria (da qual ele já dispunha gratuitamente)?

Este me parece mais um mito cuja interpretação exige que usemos os olhos da alma, e não do corpo. Para mim, está muito clara a metáfora de “se ter um olho no mundo espiritual, e um olho no mundo terreno”. Ora, por mais que Odin pudesse galopar os céus em seu corcel de oito patas, ele aparentemente não podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, ou pelo menos não podia estar no plano terreno e no plano espiritual ao mesmo tempo. Esta bela história nos aponta, portanto, para um fato bastante conhecido do caminho espiritual, e até mesmo da própria prática da magia ou da mediunidade: abre-se um olho lá, fecha-se um olho cá. Mas, querer fazer ambas as coisas ao mesmo tempo pode nos levar a loucura, a não ser, talvez, que sejamos também da raça dos deuses.

A cabeça perdida e encontrada

Infelizmente o destino do Mímir não foi dos mais agradáveis… Na apocalíptica guerra entre os vanir e os æsir, o Mímir teve sua cabeça cortada por um guerreiro vanir. Ora, os vanir eram um povo relativamente pacífico e místico, que cultuava deuses da fertilidade e da sabedoria, e também se dizia que muitos eram capazes de ver o futuro. Eles já habitavam o norte europeu, mas foram invadidos pelos æsir (ou “meio-deuses”), um conglomerado de tribos guerreiras e expansionistas, que vinham da Ásia e do sul europeu em busca de novos territórios. Como o Mímir, juntamente com Odin, pertencia aos æsir, foram deles a iniciativa do ataque.
Os vanir eventualmente foram conquistados e tornaram-se um subgrupo dos æsir, até que as eras se passassem e todos fossem confundidos com um só povo: o povo nórdico…

Mas, voltando a grande batalha: Odin, não se dando por rogado, encontrou a cabeça perdida do Mímir após o final da chacina e, com sua magia, manteve seu amigo vivo como uma peculiar (e, provavelmente, assustadora) cabeça falante que ele carrega consigo para onde quer que vá – pois o Mímir ainda é um grande e sábio conselheiro.

Esta épica batalha, que poderia ser lamentada como um fato trágico, na realidade é festejada como o alvorecer da civilização – de qualquer civilização, pois todas começaram assim, e todas tem mitos muito próximos [1] –, quando tribos sedentárias e pacíficas, que já dominavam a agricultura, são invadidas e quase dizimadas por tribos nômades guerreiras. Mas, no fim, tudo se ajusta: a cultura das tribos nativas, geralmente mais profunda e espiritual (por se tratar de gente “que tinha tempo de viver, e não apenas caçar e coletar”), é assimilada aos poucos pela cultura invasora, e com o passar dos séculos é como se todas fossem uma só cultura – e, de fato, já o são.

O próprio fato de Odin ainda hoje ser visto como um deus de sabedoria e magia, e não apenas um grande guerreiro, demonstra que talvez, no fim, a cultura dos vanir tenha se sobressaído à cultura dos æsir, e isso talvez indique que ainda podemos ter a esperança de uma volta a este antigo mundo pacífico: onde a fertilidade é mais exaltada do que a ferocidade.

Mas, e quanto à cabeça decepada e falante do Mímir, o que diabos isso significa? Olha, não vou dizer que sei o que isso significa, mas este mito me remete pelo menos a duas considerações: a primeira, é que os nórdicos já sabiam valorizar a importância da cabeça em relação ao corpo, o que a neurociência apenas confirmou; a segunda, é que eles tinham algum senso de humor.

O deus enforcado

Como já disse no início, Odin também é reverenciado por ter trazido ao conhecimento dos homens as runas, que nada mais eram do que o primeiro alfabeto do povo nórdico, o que possibilitou a origem da escrita entre eles. O que eu não mencionei é o quão estranha é, a primeira vista, a história que nos conta como Odin obteve tal conhecimento…

Diz-se que ele, desejando adentrar reinos ocultos do mundo espiritual, enforcou-se na própria árvore cósmica, Yggdrasil, por nove dias e nove noites (nove também são os reinos míticos da mitologia nórdica em geral), enquanto era estocado por sua própria lança (não está claro quem o “auxiliava” neste ritual, talvez fosse ainda o Mímir quando tinha o corpo inteiro)… Ao final de todo esse sacrifício, Odin acordou (se é que ele morreu no processo, entende-se que após os nove dias ele ressuscitou [2]) e trouxe consigo a memória do conhecimento da escrita rúnica.

Ora, sabe-se que todos os deuses inventores da escrita foram grandes, ou ainda são: pois foi exatamente a escrita que possibilitou que o conhecimento sobre eles fosse preservado de forma mais exata (o que não necessariamente é algo sempre bom). No Egito antigo sabe-se que tal tarefa coube ao deus Thoth. Posteriormente, na Grécia, existiu também Hermes, que partilhava de tantas características em conjunto com Thoth, que muitas vezes faziam referência a ambos os deuses sob o título de Toth-Hermes. Entre os romanos, Hermes foi conhecido como o deus Mercúrio e, de fato, muitos historiadores acreditam que os romanos também confundiam Mercúrio com o próprio Odin, quando se referiam aos povos nórdicos – assim, o ciclo se fecha…

Mas, o que me interessa aqui é que todos os deuses inventores da escrita também eram reconhecidos como grandes intermediários entre o mundo dos homens e o mundo dos deuses, ou seja: eram médiuns, ou xamãs [3].

E é exatamente daí que parte a compreensão do que diabos Odin foi tentar fazer ao se enforcar numa árvore cósmica: ora, é claro que se trata de ainda mais uma metáfora. A árvore Yggdrasil sustenta todo o Cosmos e, dessa forma, o ato de “enforcar-se” nela nada mais é do que o ato de “perder a consciência deste mundo, e viajar com ela alhures”… Além desta referência mais clara ao xamanismo (ou a viagem astral) há ainda a questão das “estocadas de lança”: uma imagem muito comum na arte das cavernas, a arte rupestre, de nossa pré-história longínqua, e que também está intimamente relacionada às práticas xamãnicas.

O ato simbólico de se cortar, espetar, estocar com lanças, ou até mesmo destroçar o próprio corpo, significa, para o xamã, o abandono total do apego ao corpo, para que ele possa se elevar mais facilmente, e mais profundamente, aos reinos etéreos de sua própria alma, ou da Alma do Mundo, ou de Yggdrasil. Estes sacrifícios foram necessários para que os xamãs, os grandes heróis míticos de outrora, pudessem nos trazer conhecimentos ocultos, que podiam variar desde “onde caçar amanhã”, a “quais plantas e ervas coletar para fabricar este ou aquele remédio”, a até mesmo a própria inspiração divina para algo totalmente novo, como a escrita rúnica.

» Na última parte: finalmente, os corvos…

***

[1] No Mahabharata hindu temos histórias de batalhas muito parecidas, de onde surgiram grandes reinos e, eventualmente, a própria civilização. Na Europa não será diferente: mesmo a origem de Roma teve seu episódio de brutalidade para com tribos pacíficas na região próxima. No Brasil, poderíamos nos referir aos indígenas como os vanir, e aos colonizadores europeus como os æsir (como já disse, a história é escrita pelos vencedores).

[2] Avatares que morrem por “x dias” e ressuscitam com novos conhecimentos místicos existem aos montes na mitologia em geral.

[3] Você pode achar estranho o termo “xamã” aparecer toda hora neste relato, e tem toda razão: o termo surgiu do estudo antropológico dos primeiros místicos tribais da Sibéria, mas acabou por ganhar o mundo num significado bem mais amplo, referindo-se a todo e qualquer chefe espiritual tribal de toda e qualquer cultura selvagem antiga. Dessa forma, obviamente os índios do Brasil não chamam a seus xamãs como xamãs, mas sim como pajés, e assim vai… É nesse sentido que os termos “xamã” e “xamanismo” (a prática espiritual do xamã) são utilizados ao longo desta série.

***

Crédito das imagens: [topo] viking-mythology.com (A fonte do Mímir); [ao longo] Anônimo

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Mitologia #Odin #Paganismo #xamanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-corvos-de-wotan-parte-3

Fúria Matemática

O texto a seguir revelará a maneira perfeita de transformar um macaco em um Campeão. Para prosseguirmos vamos precisar de um pouco de matemática, mas ela se resume a um pouco de multiplicação e divisão, então não temam, bando de matematofóbicos. Vocês podem pular para o final do texto e ver apenas o resultado.

Não. Foda-se. Não vou fazer isso.

Se algum cretino não tem estômago para uma simples raiz quadrada ou não consegue compreender o conceito de uma função, saia daqui agora. Se mande e não volte até ter aprendido um mínimo de matemática, qualquer coisa sobre estatística, teoria da probabilidade, até saber desenhar um gráfico ou pelo menos até que saiba o suficiente para que seu queixo preguiçoso não caia até o chão quando eu derivar a desigualdade de Hölder.

E quer saber por quê?

Simples. Porque é tudo culpa sua.

E o que é culpa sua?

TUDO!

Tudo mesmo. Cada uma das merdas que estão erradas no mundo.

Cada uma das decisões financeiras absurdas tomadas pelos governos, companhias e indivíduos é sua culpa. Você deveria ter percebido, seu cretino ignorante de matemática; você deveria saber o que os números significam mas ao invés disso ficou como um animal paralizado no meio da estrada quando a luz dos faróis de um carro que vem em sua direção em alta velocidade o atinge, como um animal estupidificado que não sabe diferenciar um milhão de um bilhão.

Cada uma das quebras do mercado de ações é sua culpa, já que a sua espécie não tem a menor idéia de como esses enormes sistemas aleatórios podem flutuar, então você simplesmente marcha em direção ao desastre, e ao fazê-lo o torna dez vezes pior. Ou mil vezes pior. Não que eu espere que você saiba a diferença.

E não se trata apenas de não saber lidar com a especulação porque é a sua espécie de macaco que deu aos “Jogos de Azar” este nome. Nenhuma empresa pode sobreviver se não souber produzir o máximo com o menor custo objetivando o melhor lucro. E como você ou seu chefe tentam fazer isso? Por tentativa e erro! Puta que pariu você prefere fazer o feng shui do escritório à olhar o balancete e acha que a diferença entre ativo e passivo é apenas uma questão de quem vai comer quem.

O mundo dos inadimplentes cresce a cada segundo, recebendo gente do seu tipo a cada instante. Gente que não tem idéia do que “juros” significa, que não consegue conceber como a aleatoriedade trabalha e se empenha em arruinar cada uma de suas boas intenções. Você não planeja, você não pensa em como as coisas funcionam, você nem ao menos pára para pensar se elas podem funcionar. Cada estelionatário, cada fraudador de sucesso, cada aposentado que é roubado dos frutos de anos de investimento é sua culpa. Cada idéia brilhante arruinada por idiotas sem nenhum senso de probabilidade é sua responsabilidade, incluindo o desastre que ocorreu após o desastre de Hindenburgo. Sim! Você é a razão pela qual nós não temos mais dirigíveis; você entrou em pânico depois do Hindenburgo e sua paranóia e incompreensão bovina foram o fim daquela era maravilhosa. Nós poderíamos ter naves aéreas se não fosse por você e por sua inabilidade de compreender matemática!

Bernie Madoff, o Banco Rural e toda essa laia são suas crianças, seu cretino. Cada maníaco de powerpoint corporativo, cada molestador de gráficos, mentindo com números sem legenda, com abscissas e ordenadas desiguais, com falsas porcentagens, totais omitidos e questionários tortuosos são da sua laia também. Você deu a luz a eles, os amamentou. Tenha certeza de que cada um deles vai para o túmulo muito bem alimentados pela sua incompreensão numérica. Você também alimentou os homeopatas, os curandeiros de cristais e outras escórias semelhantes porque seu cérebro tolo algaravia sempre que uma potência de dez surge e acredita que a matemática não tem poder de lhe morder os fundilhos se você não parar para prestar atenção nela. Os criacionistas, evolucionistas e cientologistas, juntamente com suas abominações matemáticas são sua culpa, assim como todas as vidas arruinadas pelas parafilias pervertidas da astrologia e numerologia. Cada criança que foi privada de uma guloseima, porque suas estúpidas unidades parentais decidiram comprar o Código da Bíblia ao invés de passar pela sessão de salgadinhos do supermercado tem apenas você a culpar, e a criança está chorando.

Durante a Idade Média a Peste Negra dizimou mais de dois terços da vida na Europa. Pelo menos a peste era sincera e honesta, ela matava pessoas, não as transformavam em zumbis como você, que acredita que um livro ou uma palestra podem te transformar no melhor vendedor, no mais rico empresário. Zumbis estupidificados, recitando mantras e seguindo passos simples para o sucesso, como um bando de hare-krishnas infernais que acreditam ter descoberto a pedra filosofal que trasmutará sua incompetência numérica em ouro.

Cada milhão desviado da educação, destinado para o desenvolvimento de novos remédios alopatas milagrosos, tem o seu carimbo de aprovação, afinal é melhor gastar bilhões em patentes médicas do que simplesmente aceitar o fato de que alguns males não tem cura. Sua capacidade de analisar simples estatísticas te cegam para o fato que hoje muitos tratamentos são piores do que as doenças que deveriam curar e que mais dametade dos remédios consumidos visam combater efeitos colaterais de outros remédios consumidos, a maioria sem necessidade.

Cada criança que poderia ter a vida salva com uma simples refeição diária merece um pedido de desculpas de você, um pedido que nunca chegará, pois você prefere pregar aos quatro cantos do mundo que o costume de comer carne vermelha é um dos grandes responsáveis pela fome mundial ao invés de estudar um simples gráfico que mostra quanta alface é jogada no lixo todo dia por imbecis como você. Não são os matadouros e assassinos de vacas os responsáveis pela fome no mundo, mas sim a sua burrice e a sua preguiça. Você é tão idiota que acredita que a loteria é um investimento melhor, mais excitante e mais certeiro do que uma poupança.

Você é responsável por cada político que prefere aumentar o próprio salário ao invés de investir na rede pública. Cada Bolsa Família, cada déficit estadual, cada desvio de dinheiro, tem o seu nome escrito. Você deveria se cumprimentar a cada morte em filas de espera de hospitais públicos que são mantidos com os impostos que você paga.

Você não é apenas um perdulário, um destruidor do dinheiro e da vida alheia. Você é um assassino também. Cada criança morta graças ao medo dos minúsculos riscos da vacinação, um medo que parece não existir em relação aos riscos muito maiores da falta de vacinação, também é culpa sua, meu caro inumerado. Cada pessoa morta por causa do “com certeza isso não vai acontecer comigo!” é uma vítima sua, jazendo morta e despedaçada nas ruínas de sua própria crença na superioridade do exepcionalmente pessoal em detrimento à probabilidade bruta.

São chucros como você que, quando ouvem termos como uma quinta ou uma oitava, são incapazes de perceber que o assunto é música, e é essa surdez numérica que impede que você perceba como os números berram que os grandes hits da sua vida como Basket Case da banda Green Day, Don’t Look Back in Anger, do Oasis, Crying do Aerosmith, C U When U Get There do Coolio, We’re not gonna take it do Twisted Sister, Get Me Away From Here, I’m Dying do Belle e Sebastian, Life Goes On do Tupac, The Black Parade do My Chemical Romance, Hook do Blues Traveler, Go West do Petshop boys, além de dezenas e dezenas de outros são basicamente uma única estrutura melódica matematicamente definida desde o Canon de Pachelbel.

Qual a sensação de ter seus dígitos cobertos de sangue? Mães adolescentes, pessoas incriminadas erroneamente em tribunais, criminosos que são absolvidos… cada um deles é culpa sua. Seu apalermado embrulhado em uma camisa polo, que sempre é totalmente enganado e mistificado pela retórica e por joguinhos emocionais, dentro de sua casa ou sentado no banco do júri em julgamentos, incapaz de compreender aquilo que os números dizem, incapaz de entender o que “o menor dos males” significa, já que você é um analfabeto, um cego, um tonto que nunca vai enxergar como pequenas probabilidades às vezes podem nos levar a quase certezas, um inépto que não consegue enxergar que tudo se reduz a números, inclusive esse disperdício que é a sua vida e o custo da sua inumeracia. Você é daquele tipo de imbecil que acredita que com um único ponto anedótico de dados se é possível se traçar um curva. Chega mais perto e eu vou usar o único ponto da minha bengala pra traçar uma porra de um polinômio do terceiro grau na sua cara idiota!

Cada pessoa que perdeu o emprego por causa de cada crise financeira, deve sua desgraça a você e à sua incapacidade de assimilar termos como investimento de alto risco. ALTO RISCO! Por algum motivo seu cérebro consegue interpretar essas palavras como ALTO LUCRO! Ele não percebe que não existe vantagem em se pagar por algo que nunca vai ser seu. Você diz que não gosta de números e que não precisou mais deles depois que se formou no ensino médio, mas bastam te darem um % e você acredita. Te dão um $ e você obedece.

Você é tão repulsivo que não percebe que vive em um mundo onde 80% das pessoas acredita sem nenhum tipo de questionamento em qualquer dado que seja precedido de uma porcentagem. E é tão imbecil que provavelmente vai acreditar nesta estatística sem nem ao menos questioná-la.

Eu só não tenho mais asco de você porque diariamente você também paga o preço de sua própria estupidez. Você paga mais impostos de o que deveria. Você é enganado pela televisão. Você é roubado pelos bancos. Você perde no jogo e acha que apenas não tem sorte no amor. Você gasta mais do que tem. Você ganha menos do que mereceria. Você não sabe administrar seu próprio tempo e as únicas metas que consegue cumprir são as do dono do seu chicote. Seu desinteresse pelas regras do mundo, no fim das contas, fazem com que você seja sempre passado para trás por pessoas que no fundo são só um pouco menos idiotas do que você. Você vive em uma cidade onde todo jogo é viciado e todos trapaceiam e mesmo sabendo disso sempre que perde apenas se limita a sorrir e dizer que hoje a sorte não sorriu para você. Sorte! Você ao menos já sentiu curiosidade de saber o que significam pequenas palavras como probabilidade, aleatoriedade e estatística?

Tudo isso e qual a sua reação? “Oh… meu deus, eu nunca fui muito bom com números” ou “Eu nunca precisei de matemática depois da escola.” ou ainda “De que servem essas equações inúteis?”

Por Gauss! Você é o tipo de gentinha que deve achar que proporção áurea tem alguma coisa haver com o fim da escravidão e só conhece Fibonacci por causa de algum romance popular que nem tem a ver com matemática. Você não faz idéia do que ele diz e provavelmente faz questão de não saber, esse conhecimento provavelmente destruiria a bênção que você deve considerar a sua ignorância. A cada segundo de cada dia que você desperdiça com sua existência, você joga na privada o trabalho e a paixão de centenas de seres humanos que levaram centenas e milhares de anos com o único objetivo de lapidar uma jóia que te foi dada de graça. De graça! Uma jóia que de qualquer maneira vai durar mais tempo do que qualquer coisa que você pode conceber na vida, que seus filhos inúteis e seus netos retardados concebam, e os filhos e netos deles também. Você é um porco que come pérolas, caga pérolas e ainda reclama do gosto.

Eu não vou facilitar as coisas para você, escória. Você não merece nada fácil. Continue fazendo esta cara de bunda sempre que uma divisão de dois dígitos for necessária para pagar a conta no bar.

É claro você pode sentir um certo incômodo e se iludir pensando que a partir de agora vai reagir, vai tentar mudar e recuperar um pouco daquilo que seus pais ou o estado tentaram de dar no começo da vida.

Mas você é do tipo que pula as partes difícieis direto para o resultado, que no fim é o que interessa certo? Certo? Aqui esta ele: Você é um idiota.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/furia-matematica/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/furia-matematica/

O sermão na Montanha

Um texto pouco conhecido do Eliphas Levi, que mostra um pouco do lado Martinista deste Mago.

“Depois de Jesus ter repelido numa visão todas as coroas da Terra que lhe eram oferecidas pelo gênio do mal, a quem elas pertenciam, e que lhe propunha comprar a tirania ao preço de escravidão, como estava na lei do velho mundo; Depois de ter dominado a fome, o orgulho e a ambição do poder, Jesus, o conquistador pacífico, subiu a montanha, e, cercado de pastores e pecadores, começou seu primeiro discurso: Bem-aventurados aqueles que são pobres de espírito, porque a eles pertence o reino dos céus! Isso queria dizer: Infelizes os escravos da riqueza egoísta, porque só acumularão a miséria eterna! Bem-aventurados aqueles que são dóceis, porque possuirão a terra! É como se dissesse: Infelizes os que querem reinar sobre a terra pela violência, porque o poder lhes escapará!

Bem-aventurados aqueles que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados aqueles que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Pobres e deserdados, esperai pois! o cristianismo vos abre a porta de um futuro feliz. Bemaventurados os misericordiosos, porque obterão a misericórdia! Compreendemos que a frase acima quer dizer também: Infelizes os homens sem piedade, porque não haverá piedade para eles! Bemaventurados aqueles que têm o coração puro, porque verão Deus! Deus é a verdade e a justiça. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados de filhos de Deus! Um de nossos poetas disse: o amor é mais forte do que a guerra. A força bruta passará e se consumirá, mas a razão calma e senhora de si mesma triunfará e terá sempre um novo poder! Bem-aventurados aqueles que sofrem perseguição pela justiça, porque a eles pertence o reino do céu! É perdoando que os mártires provam sua realeza. Quem persegue, abdica, e quem sofre, resiste. Resistir é poder, e poder é reinar. Não vim para destruir, mas para realizar, dizia ainda o filho do carpinteiro, declarando-se assim o iniciador do progresso.

O que dizia então ao judaísmo podemos dizê-lo ao catolicismo, nós, os homens do progresso religioso; nós, seus discípulos e continuadores de sua obra! Se vossa justiça, dizia ele, não é mais rica que a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus, e podemos dizer: Se não sois melhores e mais justos que os mais ardentes do

velho mundo e da Idade Média, não entrareis na associação universal do cristianismo realizado. Cristo disse: Aquele que injuriar seu irmão merecerá condenação; e nós dizemos: Aquele que não cuidar de seu irmão e que tratar como estranho um só membro da família humana, merecerá ser renegado pela família e terá lugar no julgamento dos fratricidas. Cristo disse: Perdoai sempre, e nós dizemos: Não vos ofendais mesmo com o mal que vos possam fazer. Os maus são doentes, tratai-os e não vos irriteis contra eles. Ele disse: Prestai atenção, antes do vosso sacrifício, se vosso irmão não tem alguma coisa contra vós e ide reconciliar-vos com ele antes de vossa

prece. E dizemos: Antes de vos sentardes à mesa perguntei a vosso irmão se não precisa de nada; dai primeiramente uma parte de vosso pão a quem não o tem, em seguida sentai no banquete da comunhão e Deus vos reconhecerá como seus filhos.

Ele disse: Aquele que abandona sua mulher é um adúltero, e aquele que rechaça sua companheira a impele à prostituição. E nós dizemos: Aquele que prostitui uma mulher, ultraja sua mãe, e aquele que casa sua filha por dinheiro, vende sua filha, e aquele que compra ou vende uma mulher, a prostitui; porque a essência do casamento é o amor e as relações conjugais sem amor são a impureza. Cristo disse: Não jureis, mas que vossa palavra seja sagrada. E nós dizemos: Para que a palavra seja sagrada é necessário que ela seja livre. Libertemos a inteligência; não fechemos a boca senão à mentira. Aquele que sufoca a palavra verdadeira é um deicida. Condenar não é responder. Perseguir uma idéia é sancioná-la. Um homem inteligente que fala fora de tempo pode não ter razão, para julgar é preciso ouvi-lo. Aquele que é forçado a se calar tem sempre razão. Quanto à perversidade e à estupidez, o próprio bom senso impõe-lhes silêncio. Ele disse:

Oferece a face esquerda se te baterem na direita; e se te tomarem a túnica, abandona também teu manto. E nós dizemos a nossos irmãos: Quando vos caluniarem por ter dito a verdade ireis vos expor ainda à injustiça, e quando tiverdes sofrido a injúria e a calúnia, ireis vos expor com júbilo à miséria e à morte no desprezo. Quanto mais vossos inimigos vos batem, mais eles enfraquecem; quanto mais sofreis, mais sois fortes. Cristo disse: Não sejais hipócritas. E nós dizemos: Prestai solicitude a todos, falai menos de moral e sede menos infames. Sede francos e modestamente homens, e não procureis encobrir as torpezas da estupidez sob as asas de um anjo. Ele disse: Não se pode servir a Deus e ao dinheiro. E nós dizemos:

A propriedade não se faz respeitar quando não tem por origem o trabalho e por regra a fraternidade na associação. Ele disse: Não julgueis e não sereis julgados. E nós dizemos: Operai a transformação da penalidade em higiene moral, levantai aquele que cai e não batais nele; daí às enfermidades morais tratamentos morais, e não punições ímpias; não gireis em um círculo sangrento punindo o homicídio, porque agindo dessa forma dais de algum modo razão aos assassinos e perpetuais uma guerra de canibais. Se quereis que o homicídio seja realmente um crime, fazei com que não seja jamais um direito, e lembrai-vos desse condenado que dizia: Assassinando, arrisquei minha cabeça; vós ganhais, eu pago: estamos quites. E em seu pensamento acrescentava: Somos iguais. Cristo disse: Procurai primeiramente o reino de Deus e sua justiça e o resto vos será dado por acréscimo. E nós dizemos: O reino de Deus não é o reino da fome para Lázaro e das orgias do rico mau. O reino de Deus é o sol para todos, e a terra para todos é a fraternidade do trabalho, é a prostituição tornada impossível pelo respeito à mulher, é a escada social acessível, em todos os seus degraus, ao trabalho e mérito de todos. É o trabalho para todos; é a família para todos, é a propriedade para todos, é o reino da razão, é o sacerdócio do amor, é a comunhão de cada um em todos e de todos em cada um, é a unidade divina e humana, Deus vivo na humanidade, o Cristo ressuscitado e vivo no grande corpo do povo cristão; a liberdade progressiva e submetida à ordem, a igualdade relativa na ordem da hierarquia e a fraternidade distribuindo tudo a todos, segundo as leis da harmonia, que é a eterna sabedoria.

#Martinismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-serm%C3%A3o-na-montanha