A Lei do Proibido

Anton Szandor LaVey

O motivo pelo qual sempre houve um fascínio pela bruxaria e feitiçaria é porque sempre foram considerados tabus. Seu primeiro dever como bruxa é com a sua aparência. Os homens são todos voyeurs, e muito do que os atrai é baseado no que eles vêem. O que eles vêem em você, como uma bruxa, deve ser fascinante, e nada é tão fascinante como aquela bruxa que não é para ser vista.

Você já reparou como as pessoas pulam para fora de seus carros quando há um grave acidente de carro e ficam ao redor olhando as vítimas? Por quê? Não é só porque elas são sádicas ou estão satisfazendo seu desejo por sangue, nem mesmo porque querem ficar chocadas. Normalmente é só curiosidade, e por que essa curiosidade por algo que pode lhes dar pesadelos (ou fazer deles motoristas mais cuidadosos)? Simplesmente porque alguma coisa está acontecendo fora do contexto de suas vidas cotidianas, algo que é pra valer, mas não algo que eles podem pagar alguns trocados para ver quando quer que queiram. Em resumo, alguma coisa está acontecendo que não deveria estar. Um evento que é estranho ao modo direto e próprio de uma cena de auto-estrada está ocorrendo.

Você não gostaria de estar ali deitado no asfalto com dor e todo mundo olhando para você. Você está, portanto, subconscientemente constrangido por causa das pessoas machucadas, mas não pensa nelas desta forma nem analisa porque você observa. Vamos passar a outra cena, pois não há nada eroticamente estimulante para a maioria das pessoas naquilo que acabamos de discutir, mesmo apesar de ser uma manifestação direta da Lei do Proibido.

A cena é num lugar noturno onde se presentam dançarinas de topless. As mesas à frente do palco baixo estão cheias de pessoas sozinhas e de casais observando as dançarinas de busto despido contorcendo-se espasmodicamente ao som da música, que é alta demais para poder-se conversar. A decoração é vistosa, as luzes são particularmente fracas e o bar cheic de pessoas que não conseguem-se aproximar mais ou que não querem. Entre as pessoas do bar, está sentado um homem com sua bela e jovem esposa, que está empoleirada no seu banco de um modo que revela mais das suas pernas do que parece que ela está consciente. Ela não está vestindo uma minissaia, mas um vestido normal que cobre até três polegadas acima dos seus joelhos, de fato bem conservadora para os padrões de hoje. Muitas outras mulheres estão presentes e
vestem mini emicrossaias, mas ninguém as nota. A garota no bar está vestindo uma fita de casamento, portanto, é óbvio que ela é casada. Suas belas pernas estão encapsuladas em meias de náilon comuns, de cor bege, com a parte de cima comum, presa por ligas simples e brancas. Ela está usando salto alto clássico de três polegadas, num ambiente cheio de sapatos de salto quadrado que estão na moda. Até mesmo as dançarinàs de topless estão usando os sapatos com jeito dos de Frankenstein, enquanto balançam seus pêndulos e impelem suas vulvas, cobertas apenas por uma pequena tira de fita Scotch. Mas a jovem senhora no bar tem sua própria platéia, pois muitos homens entediados estão cuidadosamente acariciando seus drinques enquanto olham furtivamente em sua direção.

O que eles vêem de tão chocante? Que tipo de obscenidade tira suas atenções das dançarinas que se contorcem no palco? O que os faz olhar sorrateiramente sobre seus ombros na direção do bar, enquanto suas esposas e namoradas, que os arrastaram até lá, estão atentamente aprendendo algumas dicas (ao menos elas acham que sim!) sobre titilação com as garotas do palco?

Vou lhes dizer o que esses garotinhos sacanas vêem. Eles vêem um belo vestido de mulher! Eles vêem uma mulher de verdade. Seu rosto é belo e apropriado, porém provocativo, e seu cabelo está arrumado com esmero. Seu vestido subiu debaixo dela, então a parte posterior das suas coxas nuas acima da meia de náilon está em contato direto com o banco do bar. Ela está com sua bolsa no colo, que também está coberto pelo vestido, então parece que ela acha que sua perna está devidamente coberta. De fato, pode-se seguir (se os olhos forem bons) uma das tiras da liga longe o bastante para vê-la desaparecer debaixo do que com certeza deve ser sua calcinha! “Olha só!”, suas mentes de garotinhos ficam conscientes, e eles voltam para os seus quartos quando tinham treze anos de idade: “você consegue ver tudo até sua calcinha!” De repente, a voz da prova oitenta e seis das MCs os trazem de volta à realidade. Suas evocações acabaram.

Candy Bumpstead está para apresentar seus dois magnums quarenta e quatro,então preste bastante atenção naqueles mamilos!

Agora vamos analisar a fórmula, os resultados do que acabamos de testemunhar. Primeiro de tudo, a garota do bar estava fora do contexto com relação ao resto da “diversão” -não era parte do show. Era uma mulher casada, ou pelo menos estava com alguém, portanto ela estava disponível pelo menos ao homem que estava com ela e não parecia ser casta, e todo ; mundo que a ficou encarando sentiu-se como se estivesse conseguindo ;, algo, mesmo que fosse apenas uma boa olhada no que pertencia a outro! , Isto é o Fruto Proibido n.9 1. Ela não estava vestindo uma saia que era destinada a mostrar tanta perna (Fruto Proibido n.92). Estava vestindo meia : com ligas, que eram para ser cobertas pelo vestido (Fruto Proibido n.!1 3). Ela estava revelando sua roupa de baixo (Fruto Proibido .n .9 4) que era de cor branca e não alguma coisa exibicionista que qualquer garota pode jul- gar bonito de se mostrar (Fruto Proibido n.!1 5), convencendo, portanto, os espectadores que a exposição era acidental, em vez de intencional (Fruto Proibido n.96). Os homens que olhavam furtivamente deveriam estar ob- servando a ação no palco, não olhando o outro lado do salão, já que é considerado rude e falta de educação virar-se em qualquer teatro para olhar os outros enquanto a apresentação está em progresso (Fruto Proibido n.!1 7).

Combine todos esses fatores com o poder compulsivo de do(ICE). Inércia de Cristalização Erótica de cada homem, que em termos de fetiche fizeram com que a mulher no bar roubasse o show das dançarinas no palco. Adicione a liberação emocional que a bebida proporciona, mesmo que o efeito seja pequeno ou os drinques estejam diluídos em água, e você tem nove bons motivos porque a garota sentada no bar com seu marido era a bruxa mais poderosa do lugar! Por meio do seu emprego, conscientmeEte ou não, da Lei do Proibido, ela roubou o show. Lembre-se: NADA E TÃO FASCINANTE COMO AQUILO QUE NÃO É PARA SER VISTO!

Quando se trata de enfeitiçá-los, todos os homens são garotinhos sacanas em seus corações. Quando o primeiro sentimento sexual e subsequente experimentação ocorrem na vida de um homem, ele estava agindo com a capacidade de um menininho sacana em 99% dos casos, e não me importo com quem possa discordar. Podemos falar até ficarmos roucos sobre as belezas do amor e a majestade da realização sexual e eu concordo que estas coisas podem vir a passar na vida de um homem. Mas quando um garoto se torna um homem, ele está acompanhado de pensamentos lúbricos! Isso é tão certo e verdadeiro como o romance idílico que sempre sopra como uma brisa suave e delicada quando uma garota se toma mulher.

O despertar sexual de um menino é lúbrico, lascivo e cheio de desejo, e sua emergência romântica é um amanhecer doce e ao mesmo tempo amargo e ele se sente cheio de desejo sexual com um e angustiado com o outro; uma bruxa completa saberá como a diferença existente entre um e outro é grande. É por isso que você deve atrair o desejo dentro do homem sem recursos ímpios. Ele pode mentir e dizer que não tem pensamentos de vícios secretos ou prazeres furtivos e pode retirar-se e adotar métodos de monges para aplacar seus desejos, mas eles estarão lá eles sempre estarão lá, e enjaulá-los fará apenas com que rujam ainda mais alto.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/a-lei-do-proibido/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/a-lei-do-proibido/

O Pensamento que Liberta

“Não existe pensador católico. Não existe pensador marxista. Existe pensador. Preso a nada. Pensa, a todo risco” Millôr Fernandes

Nos tempos pré-históricos, encontrava-se o homem num período de escuridão intelectual, sua inteligência achava-se dormente. Tal como uma semente que carrega dentro de si todo o potencial de um dia tornar-se árvore, assim era o homem, um embrião em estado latente, prestes a se transformar.

Com o passar do tempo, sua compreensão dos fenômenos físicos aumentava, diminuam seus medos, suas distrações. Logo, encontrava mais tempo para refletir sobre a sua existência. Movido pela curiosidade, passou a buscar um entendimento lógico da realidade natural, da origem do cosmos, bem como, o entendimento do próprio pensamento.

Portanto, se filosofia é amor pela saber, ela não nasceu na Grécia. É claro que não podemos tirar o mérito dos gregos, por serem, provavelmente, os primeiros a elaborar uma forma de pensamento que se desvincula das explicações míticas e religiosas, formalizando o que hoje chamamos de filosofia. Mas não foram eles os inventores do livre pensar.

Grandes civilizações da antiguidade já faziam suas especulações filosóficas, entretanto, o caráter religioso desses pensadores fez com que hoje fossem categorizados como místicos e não como filósofos.

No entanto, um livre pensador não se importa se esse conhecimento é de origem filosófica, científica ou religiosa, mas se esse conhecimento é significativo para sua vida, para sua evolução como ser humano.

Ciência, Filosofia, Religião e Arte

Da mesma forma que o capitão de um navio, utiliza-se de uma bússola com quatro pontos cardeais para orientar-se pelos mares, também o livre pensador, que é o capitão do seu destino, precisa de quatro pontos cardeais para orientar sua navegação pelos turbulentos mares do conhecimento. Os quatro pontos cardeais, a saber, são: o da ciência, da religião, da filosofia e da arte. Seu destino: autoconhecimento e autorrealização.

Quando possível, é através da Ciência que o livre pensador tira a prova real das suas reflexões. Aqui, a ciência é vista sob uma óptica um pouco diferente do cientificismo materialista. A Ciência representa o pensamento livre e esclarecido, e a entendemos em seu significado original, do latim Scientia, significando, conhecimento.

Conhecimento este que deve ser útil e prático para o próprio indivíduo, pois, conhecimento que não se usa, atrofia, tal como um músculo quando não se movimenta. Assim também funcionam nossos neurônios, pesquisas recentes indicam que as áreas do cérebro não exercitadas, são progressivamente desativadas.

Ao livre pensador, religião é a vivência espiritual que ocorre no interior de cada um. Através dela procuramos ligar nosso espírito individual com a essência do Universo. Mas uma religião não institucionalizada, uma religião que não é alienante, que não possui dogmas inquestionáveis ou leis imutáveis, mas que pretende se realizar no interior do indivíduo, tal como o significado real da palavra religião, religar-se com o divino, o grande Todo universal.

Filosofia é simplesmente, “amor pela sabedoria”, união das palavras gregas philos e sophia, e a compreendemos como uma atitude natural do homem que, movido pela curiosidade, realiza a busca pelo conhecimento de si mesmo, das suas verdades, a fim de compreender os mistérios da alma e do cosmos. Acordando com as antigas inscrições do oráculo de Delfos “Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo”.

Entretanto, o livre pensador, não deve obediências à filosofia acadêmica, que infelizmente aprisionam seus alunos em labirintos metodológicos. Mas deve obediência a si mesmo, a sua consciência. Não devendo reduzir sua capacidade de pensar aos métodos, que em muitas ocasiões são tão úteis como formas de gelo: congelar o pensamento em blocos iguais.

Como nos atenta o filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé, os alunos de filosofia devem: “pesquisar aquilo que não querem, de uma forma que não querem, a fim de garantir verbas institucionais de pesquisa em grande escala. Esmagamos a criatividade e as intenções dos alunos fazendo deles uma infantaria estatística. A universidade mente: quer formar rebanhos dizendo que defende a liberdade de pensamento”.

Arte, do latim Ars, significa técnica ou habilidade de criar algo. Esse processo de criação ocorre a partir da percepção que temos de algo, assim, expressamos emoções e ideias através das habilidades que desenvolvemos. Ao final desse processo, cada obra ganha um significado único.

Através da arte, o livre pensador materializa suas reflexões, assim, ideias podem ser expressas através da música, da escultura, do desenho ou da literatura. Para tal, o artista deve expressar-se sinceramente, na medida do possível, sem a intervenção de metodologias ortodoxas, que por muitas vezes, desviam o pensamento autêntico, convertendo o artista num mero refém de teorias.

Filósofo ou Livre Pensador?

Antes de Pitágoras, o filósofo era chamado de sábio, mas ele entendia que esse termo qualificativo caberia apenas ao Eterno, ao Criador de todas as coisas, que tudo sabe. Portanto, para Pitágoras, o homem em sua pequenez só pode ser um buscador da sabedoria, um amigo da sabedoria, ou filósofo, união das palavras philos e sophia.

Philos é um termo grego que dá significado a uma das facetas do Amor. É o amor fraterno, o amor entre a família, o amor entre amigos, pais e filhos. E está diretamente relacionado com o nível mental do ser humano. Vale lembrar que os gregos utilizavam três palavras distintas para os diferentes aspectos do amor: eros, philos, e ágape.

Sophia, também de origem grega, significa Sabedoria. Sophia, em algumas ramificações do cristianismo e judaísmo, é também considerada como sendo o aspecto feminino de Deus.

Atenção, todo livre pensador é também um filósofo, mas talvez, nem todo filósofo seja um livre pensador.

Um livre pensador não se preocupa em provar nada para ninguém, ele simplesmente pensa. E uma vez que seu pensamento é transmitido, a lei é a mesma que ocorre nas redes sociais: gostou? curta! quer dividir com mais alguém? compartilhe!

Contudo, ele tem a liberdade para navegar pelos diversos afluentes do grande rio do conhecimento, usar tudo, sem apegar-se a nada. Até que um dia, trilhando seu próprio caminho, esteja preparado para ultrapassar o limiar do santuário, entrando em contato com o mundo metafísico da suprema sabedoria, e quando aí chegar estará próximo de completar sua grande obra.

Convém lembrar que filosofar não é algo para desocupados. É dito na doutrina budista que: “Para se andar com segurança, nos labirintos da vida humana, é necessário que se tenham como guias a luz da sabedoria e a virtude”. Entendo que busca pela sabedoria tem por finalidade iluminar cada um de nossos pensamentos, de nossas palavras, de nossas ações.

Mas nem tudo são flores, a busca pelo saber, também tem os seus espinhos. Como bem escreveu Salomão: “Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor”. (EC.: 1:18). Entretanto, parafraseando o escritor russo Isaac Asimov, “se a busca pelo saber traz problemas, não é a ignorância que os resolve”.

Assim, estamos longe de encontrar respostas imediatas, nosso caminho é mais demorado, envolve questionamentos, pesquisas e constantes leituras. Isso porque, o livre pensar não pretende aliviar os sintomas, mas tratar a causa. Leva-se tempo para começar a sentir seus efeitos, porque também, leva-se muito tempo para libertar nosso organismo de toda uma miríade de concepções e ideias intoxicantes.

O alimento dessa busca incessante é a curiosidade, é o querer ir além do óbvio e a vontade de enxergar a realidade um pouco diferente daquela que é jogada aos nossos olhos. No fim, queremos apenas encontrar nosso lugar no cosmos, aceitando que somos apenas meros aprendizes da vida.

E fiquem em Paz.

#Filosofia #Universalismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-pensamento-que-liberta

Amatsu Norito (天つ祝詞) – Oração Shinto

A oração Amatsu-Norito remonta a uma época anterior à de Jinmu, o primeiro imperador do Japão. Foi escrita por um “deus” da linhagem de Amaterassu-Oomikami, adorado pelo clã Yamato. Por isso suas palavras possuem um espírito muito elevado e uma ação intensa, tendo o poder de purificar o Céu e a Terra.

Ouvir o Norito no trabalho pode ser uma experiência muito relaxante e espiritual para alguns. Algumas das maiores cidades do mundo, como Nova York ou Tóquio, contêm algumas indústrias de alto estresse, como profissionais de saúde, vendas, forças policiais e advocácia, nas quais os empregados podem se beneficiar das leituras de Norito.

Amatsu Norito

Japonês

高天原に 神づまります
神ろぎ、神ろみの命 以て
皇御祖(の)神、伊邪那岐命
筑紫の日向の
橘の小戸の仰ぐ原に
禊 払いたもう時になりませる
払いどの大神達
諸々の禍事、罪、汚れを
払いたまえ、清めたまえと申すことの由を
天つ神、国つ神、八百万の神達ともに
天の斑駒の 耳振り立てて聞こし召せと
畏み畏みも申す
弥勒大神
守り給え幸栄え給え
雄雄し 御祖主の神
守り給え幸栄え給え
随神の道栄えませ

Transliteração

Takaamahara Ni Kami Tsumari masu.
Kamurogi Kamuromi no Mikoto wo Mochite
Sumemioya Kamu Izanagi No Mikoto
Tsukushi No Himuka No Tachihana No Odo No
Ahagi Hara Ni Misogi Harai Tamau Toki Ni
Narimaseru Haraidono Ookami Tachi
Moromoro No Magagoto Tsumi Kegare Wo
Harai Tamae Kiyome Tamae To Mousu Koto No Yoshi Wo
Tamatsu Kami Kunitsu Kami Yaoyorozu No Kamitachi Tomomi
Ameno Huchikoma No Mimi Furitatete Kikoshimese To
Kashikomi Kashikomi Mo Maosu

Tradução

Ó deuses da purificação, criados por ordem do pái e da mãe
que habitam o Céu, justamente quando o Deus Izanagui no Mikoto
se banhou na foz estreita de um rio coberto por árvores permanentemente frondosas, na região Sul.
Com todo o respeito e do fundo do coração pedimos que nos ouçam,
tal como o equino que ouve atento, com ouvidos aguçados e,
juntamente com os demais deuses do Céu e da Terra, purifiquem todas as maldades, desgraças e pecados.

Miroku Oomikami.
Abençoai-nos e protejei-nos

Meishu Sama
Abençoai-nos e protejei-nos

Para expansão da nossa alma
Seja feita a Vossa vontade

Fonte: nihonkunka

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/amatsu-norito-oracao-xinto/

Hércules e as Éguas de Diomedes

Hércules teve de enfrentar quatro éguas que se alimentavam de náufragos estrangeiros. Como no trabalho anterior, esse é mais um passo para o herói se aperfeiçoar na arte de amar.

“Essa é uma iniciação: aprender a entregar o coração com sinceridade, não se deixar levar pela tentação, movido apenas pela atração física”.

Mitologia

Diomedes, filho de Marte, governava uma terra de pântanos onde criava os cavalos e as éguas para a guerra. Os cavalos eram selvagens e as éguas eram ferozes, diante dos quais os homens tremiam, pois elas matavam todos os que cruzassem seu caminho e procriavam sem cessar cavalos extremamente selvagens e perversos.

Hércules recebeu a tarefa de capturar as malignas éguas e dar um fim às suas atrocidades. Por isso, Hércules chamou seu inseparável amigo, Abderis.

Após planear seus actos cuidadosamente, os dois seguiram os cavalos soltos pelos pântanos da região e, finalmente, encurralaram as éguas bravias num campo onde não havia espaço para que se movessem. Lá ele agarrou-as e acorrentou-as e deu gritos de alegria pelo sucesso alcançado.

Tão feliz se sentia que julgou indigno de si conduzir as éguas até Diodemes e para isso chamou Abderis, deu-lhe a tarefa e seguiu adiante. Mas Abderis era fraco e teve medo. Não conseguiu conter as éguas que se voltaram contra ele e mataram-no, fugindo em seguida.

Hércules retornou à sua tarefa, mais sábio, presa da dor, humilde e abatido. Procurou os cavalos por toda a parte, deixando o amigo morto no chão. Prendeu novamente os cavalos e conduziu-os ele mesmo. Mas Abderis estava morto. Os cavalos foram conduzidos para um lugar de paz para serem domesticados e adestrados e o povo aclamava Hércules como seu libertador e salvador de sua terra. Mas seu amigo estava morto e Hércules sabia que o Trabalho estava feito, mas mal feito.

Sabia que havia uma importante lição a aprender dessa tarefa antes de prosseguir.

Simbologia

Este Trabalho está associado ao signo de Áries. Áries governa a cabeça, portanto é um signo mental. Todos os começos se originam no plano mental e na mente do criador. Consequentemente, está claro que em Áries começam a correcta direcção e a correcta orientação de Hércules.

O alvo simboliza a atividade intelectual: o cavalo branco representa a mente iluminada do homem espiritual e cavalos negros, representam a mente inferior com as suas ideias falsas e errôneos conceitos humanos.

O significado desta prova está agora muito mais evidente. Hércules tinha que começar no mundo do pensamento para obter o controle mental. As éguas do pensamento vinham produzindo cavalos guerreiros e, através do pensamento errado, da palavra errada e de ideias errôneas, devastavam os campos.

Uma das primeiras lições que todo o principiante tem que aprender é o tremendo poder que ele exerce mentalmente, e a extensão do mal que ele pode causar no meio que o circunda, através das “éguas reprodutoras da mente”. Por isso ele tem que aprender o correco uso da sua mente e a primeira coisa a fazer é capturar as éguas e providenciar para que não gerem mais cavalos guerreiros.

Para aquele que pretende seguir o Caminho, basta que dedique um único dia a observar o pensamento e perceberá que quase todo o tempo, a maldade, o amor, a fofoca e a crítica estão a ser fertilizadas pelo egoísmo e ilusão.

Hércules compreendeu o mal que as éguas estavam causando e correu em socorro das pessoas, determinado a capturá-las; porém ele superestimou-se quando não percebeu a potência e a força que elas possuíam, tanto que as entregou a Abderis, o símbolo do eu inferior pessoal.

Hércules, a alma, e Abderis, a personalidade, juntos eram necessários para guardar as éguas. Sozinho, Abderis não tinha força suficiente e por isso foi morto.

Abderis, incapaz de contrariar quem ama, tal como no signo da Balança, não teve coragem de enfrentar o seu amigo, mostrando o seu medo, temendo perder o seu Amor.

Com a morte de Abderis, e a necessidade de tratar do seu corpo, após o cumprimento da sua tarefa (apanhar as éguas), Hércules defronta-se com o seu orgulho e vaidade e com a aprendizagem dos limites entre o eu e o outro. Enquanto na Libra, o respeito por si próprio ao assumir que não seria capaz de tal tarefa, espelha-se no Áries, destemido, que na sua ânsia e coragem de guerreiro, nem compreende a incapacidade do outro.

Assim funciona a grande lei: pagamos em nossas próprias naturezas o preço das palavras incorretamente proferidas e pelas ações mal julgadas. Assim, uma vez mais, a alma da pessoa de Hércules teve que lidar com o problema do pensamento errôneo, e somente mais tarde ele consegue realmente atingir o controlo total dos processos de pensamento e de sua natureza.

Caminho de Iniciação

Capturar as Éguas Antropófagas de Diomedes, foi o próximo Trabalho de Hércules.

As Éguas de Diomedes (um rei cruel da Trácia) devem ser eliminadas dos infernos do planeta Saturno para que a Consciência, liberada desses átomos, possa subir ao Céu desse planeta, morada dos Tronos. O céu de Saturno é o Para-Nirvana.

O Trabalho nos Infernos de Saturno é penoso. Basta dizer que na Mitologia as Éguas do Rei Diomedes eram alimentadas com carne humana. Essas éguas representam novos elementos infra-humanos de natureza passional; evidentemente, são simbólicos animais que vivem junto às águas espermáticas (sexo) sempre dispostas a devorar os fracassados (os que deixam cair no sexo).

Prender as éguas (cavalos) é a tarefa principal, porém, existem muitos outros trabalhos a serem realizados nos infernos de Saturno. “Hércules limpou a terra e os mares de toda a classe de mostruosidades, que não de monstros, vencendo o mago negro Briarco, o dos cem braços, num dos célebres trabalhos de magia negra atlante que havia se apoderado de toda a Terra”, diz um texto histórico antigo.

Portanto, todo classe de tentações e guerras são travados pelo Iniciado contra as hostes tenebrosas que vivem nos infernos do planeta Saturno. São ataques de bruxaria e de magia negra; são tentações sexuais sublimes e bestiais; são seduções maravilhosas e perigosas.

Saturno é o Senhor da Verdade e da Justiça. Nenhum Adepto poderá ingressar no Céu de Saturno sem haver sido declarado totalmente “morto” (em si mesmo) no Palácio da Verdade e da Justiça (o Tribunal do Karma, regido por Saturno ou Deus Kronos).

Quando uma pessoa, um Iniciado, morre em si mesmo, se converte em criança inocente. Os Deuses, por mais poderosos que sejam, são crianças; possuem mente infantil, inocente, porém com a experiência das Idades.

Biblioteca da Antroposofia.

#Hércules #Mitologia

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6 ou 18 Meses: Por quanto Tempo, Ó Abramelin, por quanto tempo?

Por Aaron Leitch

Já em 1898, o famoso mago S.L. Mathers publicou uma tradução inglesa de um obscuro pequeno grimório do século 16 chamado ‘O Livro da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago.’ Este texto continha o que pode muito bem ser o rito mágico mais único em todo o corpus ocultista ocidental. Não era, como outros grimórios, focado em ganhar riquezas, ou amantes, ou respeito de seu chefe. Não se concentrava em encontrar tesouros enterrados, em tornar-se à prova de balas ou em ganhar outros superpoderes mágicos. Oh, todas essas coisas são encontradas no livro, pode ter certeza, mas todas elas são apresentadas como uma nota de rodapé ao ritual principal: a ligação com o Sagrado Anjo Guardião (ou SAG), a Voz de Deus em sua vida, o Representante Divino e Redentor de sua alma. Não era um ritual simples que se pudesse realizar em uma noite de folga do trabalho e dizer que estava feito; não, o processo de Abramelin era uma dedicação de seis meses que poucos fizeram a gentileza de tentar.

Seria um eufemismo sugerir que o grimório fascinava os ocultistas, tanto na época em que foi publicado como até hoje. Devido ao longo tempo envolvido e ao alto objetivo espiritual do Rito, ele foi rapidamente entronizado como o Ritual Ocidental por excelência. Este era o objetivo final do feiticeiro adepto, a mais alta e mais difícil provação pela qual ele poderia passar, após a qual ele teria acesso ao Verdadeiro Poder! (Tenha em mente, entretanto, que isto contradiz o próprio livro, que apresenta o Ritual como o primeiro passo que se deve tomar no caminho mágico, e até assegura que, uma vez completo o Ritual, você ainda será um neófito com um longo caminho a percorrer (agora com a ajuda de seu Anjo Guardião) e quem sabe um dia alcançar a profundidade.

Assim, o uso do Livro de Abramelin tem sido bastante tímido, com as pessoas esperando muito mais do que deveriam. Você realmente não terminará o do Rito com superpoderes mágicos, ou mesmo com uma firme compreensão de como trabalhar com os espíritos. (Estas são todas as coisas que o Anjo lhe ensinará, lenta e seguramente, ao longo dos anos seguintes). No entanto, de alguma forma, o livro tem sido também subestimado – com a maioria das pessoas assumindo (muito incorretamente) que o Rito, apesar de todo seu comprimento, é simplesmente um ritual de evocação para seu Anjo Guardião. (Na verdade, é um ritual de união permanente com esse Anjo – uma perspectiva muito maior e mais perigosa do que simplesmente convocá-lo para uma conversa e depois mandá-lo embora).

Portanto, no final, o que temos no Livro de Abramelin é um infame grimório que a maioria dos ocultistas colocam sobre um pedestal, mas estão assustados demais para realmente tentar ou geralmente não entendem com o que estão prestes a começar. Tornou-se mais uma lenda do que uma realidade – algo sobre o qual escrever com temor, mas não algo que você ousaria colocar em prática. Ou, como muitos já fizeram, você pode escolher porções do texto que gosta (olhe, talismãs de palavras quadradas que eu não entendo! Vamos usá-los!) enquanto ignora aquele ritual de anjos de meses de duração que exige muito esforço!

Então, no final do século 20, alguns de nós decidimos fazer aquela coisa de Abramelin e ver se funcionava. E, adivinhe? Funcionou muito bem. Tenho quase certeza de que, naquela época, cada um de nós o fazia inteiramente por conta própria. (Sei que eu estava.) Mas então aconteceu a Internet e nós nos encontramos e começamos a conversar a respeito. Em seguida, outros nos encontraram falando sobre isso e perceberam que o Rito de Abramelin não é tão impossível quanto parecia. Então Georg Dehn entrou em cena.

Georg havia colocado suas mãos sobre um manuscrito ainda mais antigo do Livro de Abramelin do que Mathers havia encontrado. Este estava em alemão e não em francês, e era bastante evidente que a versão francesa foi adaptada deste (ou de outro) original alemão. Havia muitas diferenças importantes entre os dois textos – embora este artigo não se trate de compará-los em detalhes. Em vez disso, trata-se de uma diferença importante – provavelmente a maior diferença entre os dois livros: o tempo para o Rito de Abramelin no original alemão era de 18 meses, não de apenas seis!

Agora que as pessoas perceberam que Abramelin é um grimório viável, em vez de um dispositivo literário distante, as duas “versões” de Abramelin causaram certa preocupação. Não é que as instruções técnicas sejam tão diferentes entre as duas, mas a diferença na duração do tempo é marcante. Em vez de trabalhar em três pequenas fases de dois meses cada uma, descobrimos que se pretendia trabalhar em três longos períodos de seis meses cada um. O mago francês que havia adaptado o Rito havia encurtado drasticamente – e isso parece ser o tipo de coisa que você não deveria absolutamente fazer com algo tão importante como isto. Por isso, tenho visto esta pergunta ser colocada repetidamente nos últimos anos: é possível alcançar o Conhecimento e a Conversação do Sagrado Anjo Guardião em apenas seis meses? Será que se deve sequer tentar?

A resposta não é um sim ou não. Para entender isso, há algumas coisas importantes que você tem que entender sobre o Rito. Primeiro, Abramelin não é um ritual com duração de meses, mas apenas de sete dias, que caem logo no final do processo. Os meses de ritual que você realiza antes desses sete dias são todos destinados a um objetivo simples: a purificação. É um longo período de preparação para o Rito de Abramelin propriamente dito, e como tal não é muito diferente das mesmas purificações delineadas em outros grimórios. (A principal diferença é que a purificação de Abramelin dura meses, enquanto a maioria dos grimórios requer apenas dias ou semanas).

A segunda coisa que você precisa entender sobre Abramelin é que ela está longe de ter terminado quando você completa esses sete dias finais. Isto não é um ritual de invocação que você faz e volta para casa! Uma vez alcançado o vínculo com seu SAG, você passará o resto de sua vida trabalhando com seu Anjo Guardião, pois ele o guiará e ensinará de forma lenta e cuidadosa ao longo de seu caminho destinado. Voltarei a este ponto em apenas um momento.

Portanto, o verdadeiro Rito de Abramelin está centrado nesses sete dias finais, e isso nos deixa livres para questionar exatamente quanto tempo precisa ser esse período preliminar de limpeza ritual. O autor francês parecia acreditar que não era necessário passar um ano e meio em reclusão e oração, e encurtou-o para seis meses. Mas será que ele estava certo em fazer isso? É prejudicial ao objetivo final – o Conhecimento e a Conversação do SAG; tomar um atalho tão grande? Ou, se for possível encurtar a duração da purificação, até onde podemos levá-la? Que tal apenas três meses? Três semanas? Três dias? Três horas? Quanto não é o suficiente?

Eu sempre digo a mesma coisa às pessoas: não importa o tempo que você escolha, porque no final você vai fazer a mesma quantidade de trabalho.

Lembre-se, o processo de Abramelin não cessa quando o ritual é feito. Espera-se que você continue trabalhando com seu SAG regularmente pelo resto de sua vida, durante o qual o Anjo o guiará e ensinará, progredindo lentamente de um neófito cabeça dura para um adepto calculista. Todas as promessas de alto nível que você lê no Livro de Abramelin (que, para seu próprio mau serviço, finge acontecer instantaneamente no mesmo dia em que você entra em contato pela primeira vez com seu SAG) realmente acontecem ao longo de um longo período de tempo. Não dias ou semanas, ou mesmo meses – mas anos de trabalho.

Pense desta maneira: para que você consiga uma ligação total com seu SAG, vai levar X anos e/ou meses. Ninguém sabe quanto tempo esse X será para você, exceto seu próprio SAG. Mas, em nome desta explicação, digamos que vai levar 5 anos para você realizar. (Poderia ser menos, mas poderia ser muito mais.) Portanto, não importa o que aconteça, você vai ter cinco anos de trabalho para alcançar seu objetivo. Você pode empreender 6 meses de purificação antes de realizar o Ritual de 7 dias, e ainda levará mais 4 anos e meio de trabalho regular com a SAG antes de alcançar algo. Mas vamos supor que você pegou o caminho dos 18 meses – ainda vai lhe levar mais 3 anos e meio de trabalho regular com sua SAG para atingir o objetivo.

A propósito, no ritual da Santeria chamado Ocha (um Rito muito parecido com Abramelin), eles o fazem passar primeiro pela cerimônia de união, depois você passa um ano na purificação, e depois começa seu treinamento como sacerdote da fé.

Portanto, o tempo que você passa no processo de purificação é relativamente arbitrário. (Eu digo “relativamente” porque não quero dizer que foi escolhido ao acaso, mas apenas que é arbitrário de uma perspectiva técnica). Quer seja 18, 6 ou até 0 meses, você irá passar os X anos /meses de trabalho e treinamento com seu Anjo independentemente.

É claro, não quero dizer isto para sugerir que você pode ou deve encurtar o ritual de Abramelin para algo inferior a 6 meses. Na verdade, acho que ao colocar apenas seis meses de devoção já está empurrando as coisas. Sim, eu mesmo o consegui (e não esqueça que ninguém sabia sobre o original alemão naquela época), mas também acho que tive que compensar isso nos anos seguintes. Meu melhor conselho para os aspirantes é seguir com a versão de 18 meses (mas ainda assim incluindo algumas adições úteis da versão francesa – como o uso de certos Salmos), simplesmente porque isso se encaixará melhor naqueles meses e anos de trabalho que você tem que fazer de qualquer maneira.

Continuem dedicados, buscadores!

 

Aaron Leitch é autor de vários livros, incluindo Secrets of the Magickal Grimoires, The Angelical Language Volume I e Volume II, e o Essential Enochian Grimoire.

Fonte: 6 or 18 Months: How Long, O Abramelin, How Long?, by Aaron Leitch.

COPYRIGHT (2016) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/6-ou-18-meses-por-quanto-tempo-o-abramelin-por-quanto-tempo/

Esoterismo da Ordem DeMolay

Há o Ocultismo na Ordem DeMolay, em seus paramentos, suas falas, sua história, seus movimentos, na Sala Capitular, seu Brasão, em tudo que consiste o Ritual.

Hoje fazem 699 anos que Jacques DeMolay foi queimado em Paris, assim como hoje a Ordem DeMolay completa 94 anos de existência, e os assassinos de DeMolay, a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania, continuam atuando em nossos meios.

Cada DeMolay e Maçom que se interesse pelo oculto deve dedicar seu tempo ao despertar espiritual, assim quando alcançarmos o ocaso de nossas vidas, olharemos para trás e contemplaremos um trabalho bem feito. Através do esoterismo vamos incentivar esse despertar. Temos todas as chaves necessárias dentro da Ordem DeMolay.

ESOTERISMO DEMOLAY

Não podemos fundamentar nenhum conhecimento esotérico dentro da Ordem DeMolay sem antes entender esse axioma.

Os Rituais baseiam seus ensinamentos na jornada do Sol no Céu e comparam com a jornada do homem na Terra. Essa analogia entre Sol e Homem é fundamentada através desse axioma hermético, sendo o Sol o que está em cima, o homem o que está em baixo. Esse ensinamento reflete a mais antiga sabedoria que se repete em todas as religiões e filosofias do planeta: o estudo do Homem como meio de conhecer os segredos do Universo. É o primeiro passo a se dar no Esoterismo dentro da Ordem DeMolay.

Para o Hermetismo, Deus é todo o Universo em manifestação, e cada átomo, cada célula, cada ser humano é  uma pequena manifestação desse Universo (ou Microcosmo, “o que está em baixo”) criados sob as mesmas Leis. Dessa maneira Deus, que é o Todo Universal (ou Macrocosmo, “o que está no alto”) e o Homem são semelhantes em suas maneiras de existirem. Encontramos o mesmo axioma em Gênesis 1:26: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Nossos Rituais deixam bem claro esse ensinamento quando compara nossas vidas e a trajetória do Sol.

Dessa maneira o homem é o próprio Templo que contêm os segredos de Deus e do Universo, e desse princípio é que a arquitetura da Sala Capitular representa a trajetória do Sol no céu, e representa o corpo humano ao mesmo tempo. Muito bem coloca Franz Bardon: “O homem é a imagem verdadeira de Deus, portanto ele foi criado segundo o retrato do Universo. Tudo o que se encontra no Universo numa escala maior, reflete-se no homem numa escala menor. É por isso que o homem é definido como um microcosmo, em contraposição ao Universo como macrocosmo.”

O principal objeto de estudo dentro do esoterismo DeMolay é o próprio homem. Por esse caminho chegamos ao estudo da Astrologia, da Cabala, dos Princípios Herméticos, Psicologia, da Jornada do Herói, entre outros, sempre dentro do Ritual.

O Ritual dos Trabalhos Secretos foi desenvolvido através de um padrão lógico e místico ao mesmo tempo. Lógico porque existe um fundamento em todo o Ritual, não sendo este arbitrário. Místico pois seu efeito é espiritual. Por exemplo, os estágios da vida são lembrados a nós em toda reunião, tudo que nasce um dia morre. Aqueles que se apegam a matéria sofrerão, pois com o tempo verão que tudo é passageiro, já aqueles que se dedicam ao espirito terão uma passagem mais tranquila ao chegar no ocaso de suas vidas. É a lógica e o misticismo em atuação nas Cerimônias.

Os DeMolays tem material de sobra para se aprofundarem nessa incrível jornada mística que só tem a acrescentar em seus trabalhos Capitulares e em suas vidas diárias. Esses caminhos são de vital avanço para aqueles que querem descobrir os mistérios da existência que podemos encontrar dentro da Ordem. Preconceitos de Esoterismo dentro da Ordem DeMolay são assuntos ilógicos.

Esoterismo, Ocultismo e Hermetismo são sim parte da Ordem DeMolay. Não vamos perder tempo comprovando ou discutindo isso com alguém que queira impedir nosso caminho, dedicaremos nosso tempo a apresentar material para estudo dentro dessa Sublime Ordem que foi materializada por grandes homens e por uma egrégora já existente a tempo indeterminado.

Não ousaremos nem queremos ser pretensiosos, os estudos que serão apresentados não serão nada mais que um ponto de apoio aos irmãos que querem conhecer e trilhar esse caminho. Nosso objetivo é abrir uma janela que não poderá ser fechada, pois “Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do Entendimento” e “Quando os ouvidos do discípulo estão preparados para ouvir, então vêm os lábios para enchê-los com sabedoria”.

Acreditamos em Frank Sherman Land que disse: “É o princípio que importa”, e acreditamos na importância do Esoterismo. Quanto mais cedo essa janela for aberta, mais completo será o combate contra aquilo que avilta e depõe contra a juventude.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/esoterismo-da-ordem-demolay

1979 – 1983 Volume 1, Bauhaus

Muito se fala de que o trabalho da banda de Peter Murphy e companhia limitada, sempre foi irregular demais; e que para que o trabalho da banda fosse melhor julgado, era necessário uma compilação de obras da carreira do grupo para que isso pudesse ser feito.  Pois bem, este disco não deixa pedra sobre pedra quando o assunto é pós-punk; e a influência indispensável e inegável daquilo que foi, restou e se reconstruiu do movimento gótico.

Ecos da banda podem ser ouvidos em 9 de cada 10 bandas que hoje ( e ontem ) abraçam o movimento e suas influências. Curioso lembrar que ouvindo os hoje, e em especial seu primeiro álbumIn The Flat Field, outras obras mais assombrosas pareciam pertencer muito mais aos terrenos vampíricos do que o próprio Bauhaus.

Mas foram eles quem criaram o hino gótico par excellence: Bela Lugosi’s Dead. E isso já vale por tudo, ou por muito… como queiram.

Bela Lugosi’s Dead – Bauhaus

White on white translucent black capes
back on the back
bela lugosi’s dead
the bats have left the bell tower
the victims have been bled
red velvet lines the black box
bela lugosi’s dead
undead undead undead
the virginal brides file past his tomb
strewn with time’s dead flowers
bereft in deathly bloom
alone in a darkened room
the count bela lugosi’s dead
undead undead undead

oh bela
bela’s undead

Tradução de Bela Lugosi’s Dead
(Bela Lugosi Está Morto)

Branco em mantos negros de branco translúcido
De volta ao passado
Bela Lugosi está morto
Os morcegos deixaram a torre do sino
As vítimas foram sangradas
Linhas de veludo vermelhas na caixa preta
Bela Lugosi está morto
Morto-vivo morto-vivo morto-vivo
A fila de noivas virgens
Passou por sua tumba
Coberta de flores mortas pelo tempo
Desolado no desabrochar mortal
Sozinho numa sala escura
O conde Bela Lugosi está morto
Morto-vivo morto-vivo morto-vivo

Oh! Bela
Morto-vivo morto-vivo morto-vivo…

 

 

Nº 39 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/1979-1983-volume-1-bauhaus/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/1979-1983-volume-1-bauhaus/

As Constelações (Estrelas Fixas)

Blog do frater Matheus, que trata das constelações por aquilo que elas realmente são: Pontos de referência simbólicos no céu. Os profanos e esquisotéricos acabaram associando-as à Astrologia, embora as constelações não tenham papel algum na confecção de Mapas Astrais.

As chamadas “estrelas fixas” (o que é também apenas um referencial, já que nada está “fixo” no universo) – em contraposição às “estrelas errantes” (os planetas) – constituem um dos mais antigos focos de interesse da humanidade. Registros históricos atestam que os primeiros assentamentos humanos do Neolítico já se maravilhavam com a observação delas. Ocupavam o plano mais alto e estável de tudo o que se movia aparentemente no céu.

Agrupadas nas constelações, as “estrelas fixas” ajudavam a orientação dos viajantes, marcavam início de colheitas, épocas de plantio, festas anuais e muitas outras atividades.

Constelação é o nome dado a certos grupos de estrelas do Céu onde é projetado o imaginário coletivo de um grupo social. As formas, desenhos e atributos variados as distinguem no firmamento. A palavra constelação vem do latim com-stelattus, marcado com estrelas. Em 1945, a União Internacional Astronômica marcou oficialmente os limites das constelações e quais estrelas pertencem a qual constelação. Por volta de 1970, 88 constelações eram aceitas universalmente, além de grupos estelares menores, chamados asterismos.

Catálogos do Céu para ajudar o trabalho na Terra

Os gregos povoaram a esfera celestial com suas lendas e mitos acrescidos das que herdaram da Mesopotâmia e da Fenícia. Tales, o mais antigo astrônomo grego conhecido, era de origem fenícia. Em Hesíodo (Teogonia e Os trabalhos e os dias) e em Homero há referências a certas estrelas e constelações que têm relação com mitos sumérios. N’ O Trabalho e Os Dias – um calendário/tratado para uso dos pastores gregos – Hesíodo faz referência às Plêiades, Híades, Orion, Sirius e Arcturus. Assim ocorre também nos Hinos Homéricos, em que há citações sobre as anteriores, além da constelação do Boieiro – e outras que são elencadas em Jó (do Antigo Testamento). A partir do sec VI a C, as constelações começam a aparecer nos registros de historiadores e poetas gregos: Aglaóstenes registra a Ursa Menor (Cinosura) e a translação de Aquila; Epimenides de Creta observa a translação de Capricórnio e da estrela Capella; Ferécides de Siros escreve sobre Orion, observando que, quando esta constelação se põe, o signo de Escorpião ascende; Ésquilo e Helano de Mitilene narram a lenda das 7 irmãs Pleiades, filhas do gigante Atlas, e Hécato de Mileto relaciona o mito da Hidra à constelação de mesmo nome.

Euctêmon, um astrônomo grego (séc. V a C), compila um calendário de estações no qual Aquário, Aquila, Cão Maior, Coroa Boreal, Cisne, Golfinho (Delphinus em latim), Lira, Orion, Pegasus, Sagitário e os asterismos Hiades e Plêiades estão ali mencionados, em relação ao tempo, às mudanças de estação. Neste calendário, solstícios e equinócios estavam associados aos signos.

O mais antigo trabalho grego com relação às constelações foi escrito por Eudoxo de Cnido (Phaenomena). Embora perdido, o original emprestou a base e o nome para que Arato, um poeta da corte macedônia, escrevesse seu longo poema. No Phaenomena, são descritas 44 constelações, sendo 19 ao norte, 13 zodiacais e 12 ao sul.

Cláudio Ptolomeu, astrônomo alexandrino, cerca de 300 anos mais tarde, no livro 6o de seu Almagesto, adota o sistema de Hiparco e cataloga 48 constelações por nome e localização, atribuindo a cada estrela próxima da eclíptica características de um ou mais planetas. O Almagesto foi a base para todos os catálogos de estrelas posteriores.

Outros catálogos estelares importantes, bem posteriores, foram feitos por J Bayer (1603), J Flamsteed (1725), J Hevelius (1690), N de Lacaille (1751), entre outros. Cada um destes astrônomos, além da catalogação, criou métodos de classificação estelar e, ainda, outras constelações, como por exemplo a de Lacerta (Lagarto) ou de Camelopardalis (Camelo). A constelação do Cruzeiro do Sul (Crux Australis) foi incluída por Augustine Royer em catálogo de 1679. Essa constelação, próxima do Escorpião, tem estrelas como Gacrux, Acrux e Mimosa, que, além de serem consideradas, em astrologia política, relativas ao Brasil, têm um simbolismo que está associado à astrologia, astronomia, botânica e a poderes psíquicos.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-constela%C3%A7%C3%B5es-estrelas-fixas

A Base de Alquimia

“Escuro e nebuloso é o início de todas as coisas, mas não o seu fim.”

A transmutação de qualquer metal em ouro, o elixir da longa vida são na realidade coisas minúsculas diante da compreensão do que somos. A Alquimia é a busca do entendimento da natureza, a busca da sabedoria, dos grandes conhecimentos e o estudante de alquimia é um andarilho a percorrer as estradas da vida. O verdadeiro alquimista é um iluminado, um sábio que compreende a simplicidade do nada absoluto. É capaz de realizar coisas que a ciência e tecnologias atuais jamais conseguirão, pois a Alquimia está pautada na energia espiritual e não somente no materialismo e a ciência a muito tempo perdeu este caminho. A Alquimia é o conhecimento máximo, porém é muito difícil de ser aprendida ou descoberta. Podemos levar anos até começarmos a perceber que nada sabemos, vamos então começar imediatamente pois o prêmio para os que conseguirem é o mais alto de todos.

O ideal alquimista não constitui a descoberta de novos fenômenos, ao contrário do que procura cada vez mais intensamente a ciência moderna, mas sim reencontrar um antigo segredo, que ainda é inacessível e inexplicado para a maioria. Ela não é constituída somente de um caminho material, como por exemplo a transmutação de qualquer metal em ouro. Antes de tudo a alquimia é uma arte filosófica, uma maneira diferente de ver o mundo.

Não podemos, no entanto, separar o material do espiritual, uma vez que na Terra estamos encarnados em um corpo, onde um sofre influência do outro, pois na realidade tudo é uma coisa só, uma unidade, o ser humano. Na alquimia ocorre a transmutação da matéria e do espírito ao mesmo tempo. O alquimista adquire conhecimentos irrestritos da natureza, se pondo em um ponto especial de observação, vendo tudo de maneira diferente. Seria como se uma pessoa pudesse ver tanto o aspecto físico nos mínimos detalhes bem como as energias associadas a este corpo. O alquimista estaria em contato total com o universo, enquanto que para todos nós este contato é apenas superficial.

Na realização da Grande Obra, o alquimista consegue obter a pedra filosofal e modificar sua aura eliminando a cobiça e a avidez. Descobre que o ouro material não tem grande valor quando comparado ao ouro interno, ou seja, o caminho espiritual é infinitamente mais importante que as coisas materiais. Todos deveriam se contentar com o básico para sobrevivência do corpo e se dedicar por inteiro a busca de um aperfeiçoamento espiritual. Somente os homens de coração puro e intenções elevadas serão capazes de realizar a Grande Obra.

A corrida atômica se intensificou durante a Segunda guerra mundial, onde vários cientistas desenvolveram a bomba atômica que viria a ser a maior ameaça para a sobrevivência da Terra. Se os alemães tivessem tido acesso a estes conhecimentos antes, não teria sobrado muita coisa em nosso planeta. Portanto se os cientistas tivessem mais consciência e um maior conhecimento das conseqüências de suas descobertas, não teriam divulgado muitas coisas. Os alquimistas já conheciam o poder e os perigos da energia atômica a muito tempo e não divulgaram em função dos riscos inerentes de uma má utilização destes conhecimentos.

Por isso existe um grande segredo em torno da alquimia. A ciência na atualidade se especializou tanto que cada vez mais os cientistas estudam uma parte menor de determinada área. Acreditam que com isso podem avançar muito mais em determinada direção. Assim, perdem a visão do todo, tornando-se menos conscientes da utilização de tais pesquisas, quer seja para o bem ou para mal.

Os cientistas estão mais preocupados com a fama e dinheiro do que com o próprio sentido da ciência. Eles podem ser comparados a empresários capitalistas pois para a maioria o caminho é unicamente material. Quando pensam no aspecto espiritual este se encontra dissociado de tudo o quanto mais acreditam. Eles são os sopradores modernos.

O alquimista é o estudante assíduo da alquimia, aquele que busca o caminho para a iluminação. O soprador é um mercenário que só se interessa pelo ouro que ele poderá produzir e o Adepto é o alquimista que realizou a Grande Obra, ou seja um iluminado.

A alquimia é a mais antiga das ciências e influenciou todas as demais. Tem como principal objetivo compreender a natureza e reproduzir seus fenômenos para conseguir uma ascensão a um estado superior de consciência. Os alquimistas, em suas práticas de laboratório, tentavam reproduzir a pedra filosofal a partir da matéria prima primordial. Com uma pequena parte desta pedra é possível obter o controle sobre a matéria, transformando metais inferiores em ouro e também o Elixir da Longa Vida, que é capaz de prolongar a vida indefinidamente.

O ouro é considerado o mais perfeito dos metais pois dificilmente se oxida, não perde o brilho e acredita-se que todos os outros metais evoluem naturalmente até ele no interior da terra. Portanto, a transmutação é considerada um processo natural. Os alquimistas somente aceleram este processo, realizando as transmutações em seus laboratórios. Este tipo de conhecimento ficou sendo o mais cobiçado, não pelos alquimistas, mas pelos não iniciados, os sopradores como eram chamados. Eles buscavam a pedra filosofal, que lhes confeririam poderes como a invisibilidade, viagens astrais, curas milagrosas, etc.

Esta pedra filosofal não se constituía necessariamente de um objeto, mas sim energia que pode ser adquirida e controlada. Este conjunto pedra e alquimista são responsáveis dos poderes alcançados. Um não iniciado poderia possuir a pedra e dela não desfrutar toda a sua potencialidade conseguindo, quando muito transformar uma pequena quantidade de chumbo em ouro. A transformação da matéria-prima na pedra filosofal, juntamente com a transformação do indivíduo constitui a Grande Obra.

No laboratório, com experimentos e constantes leituras e releituras, o alquimista nas várias etapas da transformação da matéria, vai gradativamente transformando a própria consciência. Antes do ouro metal, o alquimista deverá encontrar o ouro espiritual dentro de si.

Os ideais e poderes pretendidos pelos alquimistas, nos faz correlacioná-los aos poderes de Cristo, que foi capaz de transmutar água em vinho, multiplicar os pães, andar sobre a água, curar milagrosamente, dentre outros. Ele sempre dizia: “aquele que crê em mim, fará tudo que eu faço e ainda fará coisas maiores”.

Os alquimistas buscavam esta pureza e compreensão espiritual, conseguindo assim, realizar estas obras. Portanto, o exemplo de Cristo, além do exemplo espiritual, constitui-se em um meio de descobrir o poder sobre a matéria. Muitos alquimistas consideram Cristo a pedra filosofal. Encontrar a pedra filosofal significa descobrir o segredo da existência, um estado de perfeita harmonia física, mental e espiritual, a felicidade perfeita, descobrir os processos da natureza, da vida, e com isso recuperar a pureza primordial do homem, que tanto se degradou na Terra. Portanto, a Grande Obra eleva o ser a mais alta perfeição: purifica o corpo, ilumina o espírito, desenvolve a inteligência a um ponto extraordinário e repara o temperamento.

A pedra filosofal era gerada a partir da matéria prima primordial, além de outros compostos, no Ovo Filosófico que é um recipiente redondo de cristal onde todos estes compostos vão sendo transformados, em várias etapas, sempre utilizando o forno. Este processo freqüentemente é comparado a uma gestação da pedra filosofal. Isto seria como reproduzir o que a Natureza fez no princípio, quando só existia o caos, porém de maneira mais rápida, dando melhores condições para que ocorram as transformações. Portanto, a conclusão da Grande Obra, ou seja, o entendimento dos segredos alquímicos, significa adquirir os conhecimentos das leis universais e penetrar em uma dimensão espaço-tempo sagrada, diferente da do cotidiano de todos.


Quer aprender alquimia do zero? Conheça o Principia Alchimica: o manual prático da alquimia.


 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-base-de-alquimia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-base-de-alquimia/

Eros e Psique

Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada

A quem só despertaria

Um Infante, que viria

De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,

Vencer o mal e o bem,

Antes que, já libertado,

Deixasse o caminho errado

Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,

Se espera, dormindo espera,

Sonha em morte a sua vida,

E orna-lhe a fronte esquecida,

Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,

Sem saber que intuito tem,

Rompe o caminho fadado,

Ele dela é ignorado,

Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino

Ela dormindo encantada,

Ele buscando-a sem tino

Pelo processo divino

Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro

Tudo pela estrada fora,

E falso, ele vem seguro,

E vencendo estrada e muro,

Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,

À cabeça, em maresia,

Ergue a mão, e encontra hera,

E vê que ele mesmo era

A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

#Poemas

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/eros-e-psique