Equivalência da Forma: O Decodificador Cabalístico

A sabedoria da Cabala é algo que hoje, mais do que nunca, exerce um enorme interesse sobre as pessoas, o que pode chocar à primeira vista, mas que já era previsto por nossos sábios. No século XXI, onde as mídias democratizaram tanta coisa., uma informação se espalha como rastilho de pólvora e a facilidade de se correlacionar sabedorias diferentes, comparando duas páginas de internet acabou por simplificar o processo. Com certeza, exige-se muito menos tempo do que no passado, quando pesquisas duravam uma infinidade de tempo.

O lado negativo disso, chama-se “autodidatismo”. A pessoa acha-se capaz de apreender TODA E QUALQUER forma de conhecimento simplesmente porque fez uma pesquisa de internet ou leu alguns pares de livros. Por isso, canso de receber pedidos para traduzir livros em hebraico (o que de fato estou fazendo, mas com fins de aprendizado verdadeiro no CCI), ou ver pessoas que ao invés de dedicar-se a aprender DE FATO à ciência cabalística, preferem unicamente consultar uma ou outra fonte, acreditando piamente que podem revelar o que nossos sábios demoram tempos razoáveis para adquirir, até que pudessem transmitir aos seus alunos.

Certa vez eu ministrava uma palestra, na qual abordava a bibliografia cabalística de importância primária, tendo levado alguns livros, simplesmente para fazer uma demonstração. Neste evento havia um rapaz muito inteligente, que volta e meia me interrompia com alguma pergunta interessante, sendo que a última pergunta que ele me fez, foi se não poderia passar à ele a lista bibliográfica para que ele pudesse estudar a cabala sozinho, em casa. Rindo, eu peguei dois volumes do Zohar e falei, enquanto passava os livros às suas mãos: “por que não começa então estudando agora?”. Ele pegou os livros e começou a ler, deixando com que eu conduzisse a palestra, sem mais me perguntar.

Ao final da palestra, antes de liberar as perguntas para os participantes, indaguei: “o que o meu amigo achou?” E ele disse: “Nossa, é humanamente impossível aprender isso aqui sem orientação!” Após ele dizer àquilo, eu afirmei que não só era humanamente impossível para ele, como seria também para qualquer pessoa, ainda que falássemos de mentes inteligentíssimas. Isto porque em cabala, há um conceito, que nossos sábios nos transmitem há milhares de anos, que hoje é chamado cientificamente de EQUIVALÊNCIA DE FORMA.

Isto significa, que escritos cabalísticos profundos como a Torá, o Talmud, O Zohar, O Sêfer Yetzirá, o Bahir e outros, foram escritos por pessoas que estavam sob efeito de forte Ruach Hakodesh (Inspiração Divina), o que nos leva simplesmente à conclusão que existem códigos em seus escritos. É verdade que todo código pode ser quebrado, mas trata-se de algo tão engenhoso, que os mistérios para a revelação e entendimento da sabedoria ocultos nestes livros, não são algo que estão fora e sim, dentro do “decodificador”.

Vamos por um exemplo: imagine que você ama uma mulher, e que ela não sabe nada disso. Você a admira pela cultura que ela tem, porque é inteligente, se comunica bem e aprecia música clássica. Sabe falar sobre várias coisas, em especial cinema, literatura e teatro. É muito correta com os assuntos do trabalho e em todas as ocasiões possíveis está folheando um livro. Você então se olha e constata que odeia ler, não é interessado em cinema, música, assim como acha teatro um saco. Está num trabalho por falta de opção melhor, o que o torna extremamente desleixado com os assuntos dele. Não estou dizendo que você precisa ser idêntico com uma pessoa para que se apaixonem, mas é preciso ter uma proximidade e questões internas afins, isto é o caminho para a equivalência de forma.

Então você aprende, que se realmente quiser se aproximar da mulher de seus sonhos, você só tem uma opção. Buscar as qualidades que lhe faltam e que podiam causar interesse nela, e nas qualidades que você já possui, você precisa refiná-las, até que levem automaticamente á uma proximidade. Com certeza as suas chances sairão de 0%, para algo mais elevado. Pode ser que você não conquista ESTA MULHER, mas com certeza abrirá as portas para alguém semelhante na sua vida.

A verdade é que usei um exemplo cotidiano para explicar algo profundamente espiritual. Em Cabala para que possamos desvendar certos códigos, é necessário que nos aproximemos do alvo a ser desvendado. Se pegarmos um livro como o Zohar, para entendê-lo não se trata somente de uma questão de leitura, mas sim uma aproximação espiritual com o autor daquele livro. Isto significa que é preciso que eu tenha uma aproximação com as qualidades daquele autor, para que possa de fato vir a compreendê-lo.

Mas como posso compreender ou provocar um estado que vai me levar até a equivalência de forma com os autores dos livros cabalísticos, se eu nem ao menos conheço as características espirituais que eles cultivavam? Aí entra o papel do Rav (Mestre). Tendo ele percorrido tal caminho, ele será capaz de evocar no estudo da Cabala, situações, através das quais estes estados serão atingidos, até que você vai ler o livro ou partes dele, uma, duas, três vezes, sentindo que em cada lida, um novo véu está sendo revelado. Aí, a equivalência de forma vai acontecendo e quanto mais eu cultivo em mim as características daqueles sábios, mais eu os compreendo e mais o conteúdo transmitido por eles fica claro.

No final das contas, nossos antigos sábios dizem, que tudo no universo nos “empurra” para a equivalência de forma, já que o objetivo final do ser humano é a similaridade com D´us. Até que sejamos tão parecidos com ele em qualidades espirituais, até o ponto em que não aja eu ou D´us e sim nós. Como na matemática cabalística: 1+1= 1.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/equival%C3%AAncia-da-forma-o-decodificador-cabal%C3%ADstico

A Cabala do Gênero

A Cabalá ensina que o masculino vê de cima para baixo – o feminino de baixo para cima.

Por Rabi Yitzchak Luria (dos Escritos de Isaac Luria, o Ari, conforme registrado pelo Rabi Chaim Vital); adaptado por Tzvi Freeman.

Quando a Luz Infinita emanou um mundo, fê-lo com duas mentes, dois estados de consciência. Uma mente vê de Cima para Baixo – e assim, tudo é insignificante diante dela. De Cima para Baixo, não há mundo, apenas Um.

A outra mente vê de baixo para cima – e assim toda a criação é divina para ela. De baixo para cima, há um mundo – um mundo para apontar para a Unidade acima.

No nexo dessas duas mentes, no fio da navalha de seu paradoxo, brilha a própria Essência da Luz Infinita. A primeira mente desceu ao homem; o segundo em mulher. É por isso que o homem tem o poder de conquistar e subjugar, mas lhe falta o sentido do outro. É por isso que a mulher sente o outro. Ela não conquista, ela nutre. Mas sua luz é fortemente restringida e, portanto, ela pode ficar cheia de julgamentos severos.

À medida que se unem, o homem adoça o julgamento da mulher e a mulher ensina o homem a sentir o outro. E na união brilha a própria Essência do Infinito.

[Sefer Halikutim, Shmot, de acordo com Chabad Chasidut]

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Há três parceiros na concepção de cada criança: a mãe, o pai e Aquele que está acima.

O Aquele que está acima fornece o sopro da vida. Mas essa respiração não pode entrar neste mundo sem roupa. Se esse sopro é uma alma “nova”, é delicado demais para sobreviver aqui sem proteção. Se já esteve aqui muitas vezes antes (como acontece com a maioria de nós), então sua memória do passado, seu fracasso e suas contusões o impedirão muito de lidar com um novo corpo e uma nova vida. E assim ele entra com um “traje”, adaptado para respirar a vida de Cima enquanto manipula o corpo que é dado aqui Abaixo.

Cada pensamento, palavra e ato que a alma faz em sua vida deve se relacionar através desse naipe. Até mesmo a corrente de bênçãos e vida do Alto deve passar por seu canal. A própria alma pode ser pura e luminosa, mas se seu traje não combinar, essa luz terá grande dificuldade em penetrar.

Como esse terno é formado? É moldado pelos pensamentos e conduta da mãe e do pai no momento da concepção. Pensamentos egoístas, pensamentos distraídos, pensamentos grosseiros – estes fornecerão grandes desafios para a criança ao longo da vida. Unidade de mente, pensamentos elevados e pensamentos carinhosos – isso permitirá que a alma da criança brilhe.

Mesmo quando nenhuma criança nasce de relacionamentos, há almas nascidas acima em reinos mais elevados. E tudo o que uma pessoa faz por essas almas retornará a ela.

[Extraído de “Men, Women & Kabala (Homens, Mulheres e a Cabala)” (Class One Press; ClassOne@theRebbe.com); baseado em Likutei Torá, Vayera]

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Fonte: The Kabbalah of Gender.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-cabala-do-genero/

Jung – As Cinco etapas da Consciência

A primeira etapa é caracterizada pela participation mystique (termo tomado do antropólogo francês Lévy-Bruhl). Refere-se a identificação entre a consciência do indivíduo e seu mundo circundante. Ex: Quando o carro tem algum problema, o proprietário fica doente, ou tem dores no estômago. Isso acontece por estarmos vinculados inconscientemente ao mundo que nos cerca. Neste sentido, a primeira etapa da consciência é equivalente á última etapa; a unificação com o TODO. O mundo de um bebê é extremamente unificado. Ele considera que a mãe é parte integrante dele, que não há limites entre ele e um móbile acima do berço. Chamamos a isso de projeção. A maioria das pessoas estão vinculadas às suas famílias, e há identificação quando o filho ou o marido acha que é dono da mulher.

Na segunda etapa, já é possível perceber os limites, a diferenciação sujeito/objeto eu/você. Mas isso não significa que a projeção foi superada, apenas passou a ser mais localizada. Note que as etapas não são exatamente superadas, mas interpoladas. É por isso que um adulto possa ter a mesma identificação com a esposa (“ela é minha”) que tinha com a mãe, quando bebê. Mãe, brinquedos favoritos, objetos brilhantes… pessoas especiais são escolhidas e distinguidas. Os pais passam a ser objeto de adoração, e representam a onipotência e onisciência. Jung chamou a isso de projeções arquétipicas: “Papai é super forte, e pode fazer qualquer coisa! Mamãe me ama incondicionalmente!”. A chocante revelação de que os próprios pais não sabem de tudo ocorre na adolescência, e então, durante um certo tempo, os pais estão “completamente por fora” (outro tipo de projeção). Também projetamos em irmãos (daí a rivalidade) e professores (daí as paixões, ou aversões).

Na terceira etapa a pessoa se dá conta que os portadores das suas projeções específicas não correspondem a essas projeções. As pessoas ficam desidealizadas, e o mundo perde muito do seu primitivo encanto. O conteúdo psíquico projetado torna-se abstrato, e manifesta-se através de símbolos e ideologias. O jovem entra pra uma banda, vira rebelde sem causa, usa drogas, manda toda a “sociedade” pra PQP, ou então vira um místico ou religioso. Nesse caso a onisciência e onipotência, antes atribuídas aos pais ou professores, são projetadas em entidades abstratas, como Deus, Destino, Anjos, Verdade ou Bob Marley. Filosofia e Teologia tornam-se possíveis. A Lei, ou a Revelação, passam a estar investidos de projeções arquétipicas, deixando o mundo concreto como algo neutro. A pessoa passa a não temer inimigos, pois quem está no controle é Deus, ou acha que pode manipular e assumir o controle do mundo racionalmente, porque ele obedece às leis da natureza. A empatia com as pessoas tende a diminuir, por não interessar o sofrimento de fulano com sicrano, mas sim as idéias vigentes para o bem comum. Ex: Uma pessoa faz uma coisa ecologicamente certa, não porque lhe doa no íntimo assistir à destruição do mundo natural, mas sim porque é o correto social e moralmente pra solucionar os problemas do mundo. Enquanto uma pessoa achar que Deus vai premiá-la ou puni-la, ela está na etapa 3 do nível da consciência.

A quarta fase representa a extinção total das projeções, mesmo na forma de abstrações teológicas ou ideológicas. Essa extinção leva à criação de um “centro vazio” que Jung identifica com a modernidade. O sentimento de alma – antes grandioso, no sentido e propósito da Vida, de um “Deus íntimo” – é substituído por valores utilitários e pragmáticos (os demônios estão convertidos em sintomas psicológicos e desequilíbrios químicos cerebrais). O indivíduo contenta-se com breves momentos de prazer, ou entra em depressão por querer sempre mais. Nesta quarta etapa da consciência, natureza e história são vistas como o produto do acaso e do jogo aleatório de forças impessoais. Parece como se as projeções psíquicas tivessem desaparecido completamente, quando na verdade o próprio ego é que foi investido com os conteúdos previamente projetados em outros, em objetos e abstrações. Assim, o ego está radicalmente inflado na pessoa moderna e assume uma posição secreta de Deus Onipotente. Embora a pessoa moderna pareça ser razoável e estar assentada em bases firmes, na realidade está louca. Mas isso está escondido, uma espécie de segredo guardado até da própria pessoa.

Jung acreditava que essa quarta etapa era extremamente perigosa pela razão óbvia de que o ego inflado é incapaz de adaptar-se muito bem ao meio ambiente e, por isso mesmo, é passível de cometer catastróficos erros de julgamento. Embora isso seja um avanço da consciência num sentido pessoal ou mesmo cultural, é perigoso por causa do seu potencial para a megalomania. A pessoa da Etapa 4 já não é controlada por convenções sociais relacionadas, seja com pessoas, seja com valores. Por isso o ego pode considerar possibilidades ilimitadas de ação. Isso não significa que todas as pessoas modernas sejam sociopatas, mas as portas para tal estão bem abertas…

Nem todo mundo chega à etapa 4. De fato, muitas pessoas não podem suportar suas exigências. Outras consideram-na maléfica. Os fundamentalismos do mundo insistem em manter-se aferrados às etapas 2 e 3, por temerem os efeitos corrosivos da etapa 4 e o desespero e vazio que ela engendra. Mas é uma verdadeira façanha psicológica quando as projeções têm de ser removidas a esse ponto e os indivíduos assumem responsabilidade pessoal por seus destinos. A armadilha é que a psique passa a estar escondida na sombra do ego. Mas tudo é evolução, e essas etapas são necessárias para o desenvolvimento da consciência. A pessoa que chegou na etapa 4 sem cair numa inflação megalomaníaca passa, na avaliação de Jung, por uma notável transformação.

Na quinta etapa temos a reunificação de consciente e inconsciente. Há um reconhecimento consciente da limitação do ego e uma clara percepção dos poderes do inconsciente; e torna-se possível uma forma de união entre consciente e inconsciente através do que Jung chamou a função transcendente e o símbolo unificador. A psique unifica-se mas, contrariamente à etapa 1, as partes permanecem diferenciadas e contidas na consciência. E, também ao contrário da etapa 4, o ego não é identificado com os arquétipos: as imagens arquetípicas continuam sendo o “outro”, não estão escondidas na sombra do ego. São vistas agora como “aí dentro”, ao invés da etapa 3, onde estão “lá fora” (em algum lugar no espaço metafísico), e não são mais projetadas em algo externo.

Oficialmente, Jung deteve-se na etapa 5, embora em numerosos lugares indique que considerou a realização de novos avanços para além dela. Há sugestões em seus escritos para o que poderia ser considerado uma sexta e talvez até uma sétima etapa. Por exemplo, no seu Seminário de Yoga Kundalini, realizado em 1932, Jung reconhece claramente a realização de estados de consciência no Oriente que superam amplamente o que é conhecido no Ocidente, e que poderia ser considerado uma etapa 7 potencial.

Fonte: Jung e o mapa da alma, de Murray Stein

#Jung

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Al-Mahdi, o Imam Oculto

O Imam Mohammad Ibn Al-Hassan (A.S.), teve várias alcunhas, sendo a mais famosa a de “Al-Mahdi” por ter ser o “Guia” do povo. Outro apelido que lhe deram foi de “Al-Qá-emm”, isto é, “O Reformador”, pois retornará a Terra no fim dos tempos e erguerá a bandeira da justiça e dos direitos, e teve também o cognome de Sáheb Al-Zamán”, ou seja, “O Dono dos Tempos”. Mohammad Ibn Al-Hassan, o Al-Mahdi, é o décimo segundo Imam do Xiismo dos Imans.

Seu pai foi o Imam Al-Hassan “Al-Ascari” (A.S.). E sua mãe foi a grandiosa senhora Nârjas, que era neta do Imperador bizantino Yoshaa, descendente de Chamoun, ou seja, Simão “A Pedra”, um dos discípulos do Messias.

Essa senhora vivia em seu país, pertencente à ocasião ao Império Bizantino, juntamente com sua família e a nobreza. Ela tinha sempre sonhos premonitórios, dos quais num deles sonhou com o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) em companhia do Messias (A.S.), o qual a casava com o Imam Al-Hassan “Al-Ascari”. E. em outra noite, viu em seu sonho Fátima “Azzahra” (A.S.), exortando-a para abraçar a doutrina islâmica, convertendo-se para o Islam sob sua benção, porém, Nârjas ocultou o seu sonho e nada contou dele aos seus parentes, omitindo-lhes a conversão, até que se estenderam as lutas entre os muçulmanos e bizantinos comandados por seu avô, Yoshaa. Novamente, Nârjas teve um sonho, onde ouviu a voz “ordenando-a a se vestir como uma serviçal e se misturar com as serviçais do castelo, indo com as mesmas acompanhar os soldados até a fronteira dos combates”. Obediente, ela cumpriu a ordem recebida em sonho e foi até os campos de batalha, onde ficou prisioneira dos muçulmanos, os quais mandaram as caravanas dos cativos para Bagdá, antiga Capital do Califado Abássida. Este fato ocorreu no tempo do Imam Ali “Al-Hádi” (A.S.) que se encontrava em Samarrá, donde escreveu uma carta em latim e remeteu-a por intermédio de um homem de sua confiança, orientando-o de que deveria ir ao local onde se encontravam os prisioneiros de guerra e comprar determinada mulher, que o Imam (A.S.) lhe descreveu, depois de entregar-lhe sua missiva. E assim foi; o homem comprou aquela grandiosa mulher, levando-a posteriormente para o Imam “Al-Hádi” (A.S.). Chegando na residência do Imam e depois do descanso devido e merecido, o Imam mandou chamá-la para um diálogo, quando ele começou a lembrá-la dos sonhos que ela tivera, anunciando-lhe que seria a esposa de seu filho o Imam Al-Hassan “Al-Ascari” (A.S.) e mãe de seu neto, Mohammad “Al-Mahdi”, (A.S.) o qual preencheria o mundo com a justiça, a paz e os direitos humanos.

O NASCIMENTO MILAGROSO:

O Imam Mohammad “Al-Mahdi” nasceu na cidade de Samarrá no dia 15 de Chaaban do ano de 255 da Hijra (868 d.C), e os Abássidas tentaram por todos os meios controlar as mulheres do Imam “Al-Ascari” (A.S.) a fim de se informarem sobre o filho que iria sucedê-lo no Imamato, com a intenção macabra e maléfica de exterminá-lo; mas o Poder de Deus Supremo é invencível e Sua vontade protegeu-o de qualquer maldade, encobrindo-o dos olhares indiscretos; tanto é que quando sua mãe estava grávida dele nada denunciava a sua gravidez, até o dia em que deu a luz, e somente as pessoas de confiança de seu pai, o Imam Al-Hassan “Al-Ascari” (A.S.), o viam, com receio de que viesse a ser assassinado. Assim, o Imam “Al-Mahdi” (A.S.) viveu com seu pai até a idade dos cinco anos.

SEU MINISTÉRIO:

Após a morte de seu pai, o Imam Al-Hassan “Al-Ascari”, em 260 da Hijra, incumbiu-se lhe a responsabilidade do imamato, e tinha então, a idade de cinco anos; e, por ordem de Deus Altíssimo, o Imam Al-Mahdi (A.S.) ausentou-se, cortando as comunicações com as pessoas em geral, e somente transmitia suas informações sobre as questões do povo, através de seus assessores de confiança. Apesar de tal procedimento ser deveras estranho diante da conduta dos dois últimos Imames, “Al-Hádi” e “Al-Ascari”, os quais nomeavam seus procuradores e assessores em todas as províncias, enquanto que o Imam “Al-Mahdi” (A.S.), teve somente quatro assessores especiais, os quais um sucedeu o outro, sendo o primeiro Othmán Ibn Said Al-Umari, que era um dos amigos fieis dos Imames “Al-Hádi” e “Al-Ascari” (A.S.), e, após a morte do amigo Othmán, sucedeu-o seu filho Mohammad Ibn Othmán, que, após o falecimento deste, sucedeu-o Hussein Ibn Ruh’ Al-Noubkhati, nomeado pelo próprio Imam “Al-Mahdi” (A.S.) e depois que ele morreu, o Imam nomeou como seu 4º assessor, Ali Mohammad Al-Samari, o qual tinha recebido uma carta do Imam “Al-Mahdi” (A.S.), no ano de 329 da Hijra, que o notificava que ele morreria em poucos dias, cessando assim o assessoramento e a assistência, e começando daí a Grande Ausência, até que Deus permitisse o seu retorno, e então, a representação geral. Nesta missiva, o Imam “Al-Mahdi” (A.S.) menciona também o seguinte: “… e aquele que for dos jurisconsultos, preservado e conservador em sua religião, contrariando os próprios desejos, obedientíssimo ao seu Senhor Deus, será necessariamente procurado por todos pelo conhecimento de suas sentenças legislativas”.

O IMAM “AL-MAHDI” NOS NOBRES COLÓQUIOS:

Dezena de centenas de vezes foi mencionado o assunto alusivo ao 12 º Imam e seus atributos e qualidades, bem como, sobre a sua ausência e ressurgimento para o estabelecimento do Estado da Verdade; e muito foi declarado a respeito de qual seria o seu nome, e que ele descenderia do Imam Al-Hussein Ibn Ali (A.S.).

Eis que mencionaremos alguns desses colóquios oriundos da Nobre Tradição:

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Ainda que reste um dia neste mundo, Deus Majestoso enviará um de nós, para preenchê-lo com a justiça da mesma forma que ele foi preenchido com a tirania”.

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Eu vos anunciou o ‘Al-Mahdi’ que será enviado da minha nação, no tempo em que as nações estiverem em desacordo e com lapsos entre si, e então, ele preencherá a terra com a justiça e a equitatividade, tal qual como fora preenchida com a escuridão e a tirania, e os habitantes dos céus e da terra irão aprová-lo e contentar-se-ão com ele”.

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Ali é o Imam de minha nação depois de mim, e de seu filho descenderá o Reformador esperado, o qual encherá a Terra com a justiça e equitatividade, da mesma forma que ela se preencheu com a tirania e a crueldade; e Aquele que me enviou, para anunciar a verdade, adverte que os permaneceram firmes na crença de seu imamato durante a sua ausência serão como fósforo vermelho”. Quando o Profeta (S.A.A.S.) terminou, veio Jáber Ibn Abdulláh, o Ansári, e perguntou-lhe: “Ó Mensageiro de Deus, para vosso filho haverá ausência”? “Sim”, respondeu o Mensageiro, “pois meu Senhor purificará aqueles que creram e aniquilará o apóstata, ó Jáber, porque a questão pertence a Deus; portanto cuidado se duvidares, pois aquele que duvida das determinações de Deus Protetor e Majestoso, abjura”.

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “O reformador, que será um dos meus filhos, terá o meu nome e suas prevalências serão iguais as minhas, e seus preceitos iguais aos meus; e fará com que as pessoas permaneçam na minha religião e na minha lei, exortando-as ao Livro de Deus, meu Senhor; pois aquele que o desobedecer, me desobedeceu; e aquele que o irritar, me irritou; e aquele que renegar a sua ausência, me renegou; e aquele que o desmentir, me desmentiu; e aquele que nele acreditar, me acreditou; e a Deus me queixarei dos embusteiros que me desmentirem sobre a Sua questão e dos incrédulos que duvidaram das minhas palavras sobre Seus assuntos, e dos que desviarem a minha nação do Seu caminho; e saberão os tiranos a que vicissitudes eles reverterão”.

O Imam “Zein Al-Ábidin” (A.S.) falou: “O Empreendedor dentre nós estimulou os profetas em preceito desde nosso pai Adão, seguido pelo preceito de Noé, de Abraão, de Moisés, de Issa (Jesus), de Jô e finalmente, do preceito de Mohammad, que as bênçãos de Deus estejam com eles. De Adão e Noé, veio a longevidade; de Abraão veio o envoltório da procriação e o seu afastamento das pessoas; de Moises veio o temor e a ausência; de Issa surgiu a diferenciação em relação a ele entre as pessoas; de Jô veio a bonança depois do infortúnio; porém, de Mohammad (Deus o abençoou e a sua linhagem e os saudou) veio a luta pela espada, contra os opositores do Islam, que é a religião da verdade, e a renegaram mesmo após conhecê-la”.

O Imam “Assadeq” (A.S.) disse: “Para o Empreendedor duas ausências, sendo uma delas uma curta ausência e a outra uma longa ausência. A primeira ausência desconhece e a sua posição, exceto a particularidade da seita, e a outra ausência desconhecemos a sua posição exceto a particularidade de seu Senhor (Deus)”.

O ideal sobre o Imam “Al-Mahdi” não é uma encarnação de uma ideia religiosa de caráter meramente islâmico, mas sim, algo presente em todos os dogmas e diversificações religiosas, é uma formação e inspiração inata que fez com que as pessoas compreendessem que apesar da variedade de suas ideologias a humanidade terá um dia determinado sobre a terra, no qual existirá nele a justiça e a boa conduta.

Os muçulmanos creem de que este dia realizar-se-á sem dúvida e que ele é umas promessas divinas, mencionadas no Alcorão Sagrado, conduzido por um líder divino, e que este líder é representado por alguém, determinado nominalmente, e que ele já existiu aqui na terra, esperando a hora que Deus lhe permita reaparecer, a fim de divulgar o apelo a verdade e confirmar a justiça, purificando a terra do germe da tirania e do despotismo.

Entretanto, a ideologia do Imam “Al-Mahdi” (A.S.), a qual esclarece sobre o Líder divino, escolhido por Deus, a fim de conduzir a Sua mensagem, e que nascera há muitos séculos atrás e permanece vivo até que Deus Supremo lhe permita o ressurgimento cria várias perguntas, tal qual: “Como alguém pode viver tanto tempo e de que forma se livrará da lei da natureza que se impõe sobre o homem, que é a de passar pela velhice e sua fragilidade, até que a morte natural chegue?!”

Eis que respondemos a esta pergunta:

Cientificamente, e, do lado do conhecimento humano, confirmou-se que, aparentemente, a velhice se mostra fisiológica e não temporal. Às vezes vem cedo demais outras vezes vem tardiamente para alguns. Há pessoas de faixa etária bem adiantada, possuindo uma energia incrível, afastando-se delas os sinais da senilidade, e isso é algo confirmado pelos cientistas. E hoje, a ciência atual tem se aproveitado das maleabilidades das leis das longevidade natural, conseguindo vitórias para o retardamento da velhice, e isto, em benefício do homem. O que realmente confirma cientificamente que o adiamento do envelhecimento do ser humano não é um processo impossível, mas algo solucionável. Por isso, afirmamos que a diferença entre o polegar, a vida de alguns animais e o insucesso disto para com o homem, não quer dizer no parecer cientifico, de que isto seja impossível que um dia não se torne realidade.

Religiosamente, o Alcorão Sagrado menciona alguns Profetas (A.S.) que viveram longo tempo, dentre os quais o Profeta Noé (A.S.) que o Alcorão Sagrado menciona em diversos versículos, tal como: “Enviamos Noé a seu povo e permaneceu entre eles mil anos exceto cinqüenta anos”. Há também o que Alcorão Sagrado mencionou sobre o Profeta de Deus, Issa Ibn Mariam Jesus (A.S.) de que ele não morreu e vive até os nossos dias, e que Deus o ascendeu até Ele e o protegeu da morte: “E por dizerem: Matamos o Messias O filho de Maria, o Mensageiro de Deus, embora não o mataram nem o crucificaram, porém, foi-lhes simulado e aqueles discordaram quanto a isto permaneceram na dúvida e não possuíram conhecimento algum disso senão somente em conjecturas e não o mataram deveras, porém, Deus o ascendeu até Ele e Deus é O Poderosíssimo Prudentíssimo”.

Voltando à existência do Imam “Al-Mahdi” (A.S.), vivo até os nossos dias, tendo hoje a idade de 1160 anos, podemos afirmar que esta longevidade já sucedeu a outros homens de bem, portanto, não há dúvida e tampouco há o que estranhar com os desígnios de Deus Supremo, se analisarmos a questão pelo lado miraculoso vindo da parte do Senhor dos céus e da terra.

Com isto, chegarmos à conclusão de que a ciência não descarta a questão e que a doutrina confirma em sua perfeição e realização, que a concreta veracidade diz que “a genuína ciência não se contradiz com a religião da verdade”.

Já ocorreram dezenas de acontecimentos aos Profetas (A.S.), enviados e devotos a Deus, os quais confirmaram que Deus Glorificado e Supremo desviou as leis da natureza e as desprezou a fim de protegê-los contra as iras dos inimigos, para que eles possam dar prosseguimento a sua missão divina até chegarem onde nada possa desabonar as suas mensagens.  Deus fez o mar se abrir para proteger Mussa Ibn Imran (A.S.) ira do Faraó e seus soldados. Deus fez os romanos acreditarem que aprisionaram Issa Ibn Mariam (A.S.), porém, eles capturaram outro que se assemelhava com ele, salvando-o de suas mãos. E quando o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) saiu de sua casa em Meca, mesmo sitiada pelos coraixitas, seus inimigos, os quais conspiravam derramar-lhe o sangue e matá-lo, Deus interveio e o protegeu de seus olhares, em conformidade com a revelação de Deus: “E lhe colocamos uma barreira na frente deles e uma barreira atrás deles e lhe ofuscaremos a vista para que não possam enxergar” (Alcorão Sagrado Cap. 36 versículo 9). E assim o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) prosseguiu em seu caminho rumo a Medina, mas durante o trajeto precisou se esconder na gruta com seu amigo que o acompanhava; e eis que interveio a Providência Divina, a vontade de Deus, quando uma aranha teceu a sua teia na entrada da gruta, vedando-a por completo, e, quando os seus inimigos, aliados de Coraich, chegaram ali nada viram. O Alcorão Sagrado registrou este acontecimento: “Se não o socorrerdes, Deus o socorrerá, como fez com os incrédulos o desterraram. Quando estava na caverna com um companheiro, disse-lhe: Não te aflijas, porque Deus está conosco! Deus infundiu nele o sossego, confortando-o com tropas celestiais que não poderíeis ver, rebaixando ao mínimo as palavras dos incrédulos, enaltecendo ao máximo as palavras de Deus, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo”. (Cap. 9 versículo 40)

Finalmente, podemos também afirmar que a Vontade Divina determinou os caminhos do último dos sucessores do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.), o 12º Imam “Al-Mahdi”, o esperado (Que Deus apresse o seu ressurgimento) ao qual o agraciou com a longevidade a fim de empenhar o seu papel no estabelecimento do Estado Islâmico Mundial de Direito, que o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) fundou, para iluminar a humanidade sob a bandeira do direito e da justiça, e se beneficiar com a segurança, a tranqüilidade, a concórdia e a paz.

OS MUÇULMANOS NO TEMPO DA AUSÊNCIA:

No início da missão islâmica, os muçulmanos honravam a risca os ensinamentos do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) quando se tratava de seu governo e suas legislações, que encerravam os seus conceitos morais e religiosos, porque o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) é considerado a segunda procedência para a legislação depois do Alcorão Sagrado, e depois que o Mensageiro de Deus partiu ao encontro de Deus Supremo, a nação islâmica procurava os Doze Imames, que o Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua linhagem e os saudou) designou como seus sucessores, iniciando-se com Ali Ibn Abi Táleb (A.S.) cognominado por Príncipe dos Crentes sendo o: 2º Imam Al-Hassan Ibn Ali “Al-Mujtabehân” (O comparador); 3º Imam Al-Hussein Ibn Ali “Sayed Al-Chuhadá” (Senhor dos mártires); 4º Imam Ali Ibn Al-Hussein “Zein Al-Ábidin” (Formosura dos devotos); 5º Imam Mohammad Ibn Ali “Al-Báqer” (O Erudito); 6º Imam Jaafar Ibn Mohammad “Assadeq” (O Verídico); 7º Imam Mussa Ibn Jaafar “Al-Kadhem” (O Silencioso); 8º Imam Ali Ibn Mussa “Al-Reda” (O Contentamento); 9º Imam Mohammad Ibn Ali “Al-Jauád” (O Generoso); 10º Imam Ali Ibn Mohammad “Al-Hádi” (O Orientador); 11º Imam Al-Hassan Ibn Ali “Al-Ascari” (Nascido em Ascar); 12º Imam Mohammad Ibn Al-Hassan “Al-Mahdi” (O Guia). A paz esteja com todos eles.

O grupo dos Imames completou-se com o 12º Imam, todos mencionados pelo Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) em diversas ocasiões; e quando o imamato chegou até o último dos sucessores do Mensageiro de Deus, devido a conspiração de seus inimigos, os quais pretenderam assassiná-lo, Deus o ocultou e o ausentou dos olhares de todos; e o Imam “Al-Mahdi” (A.S.) passou a se comunicar somente com seus assessores especiais, os quais eram a única conexão entre ele e os muçulmanos, seu seguidores. Estes assessores formaram o total de quatro, que reuniam os muçulmanos pela sua devoção e fé, sendo iniciada tal conexão em 260 da Hijra e que são: 1º Assessor foi Othmán Ibn Said Al-Umari, servindo-o por 5 anos; 2º Assessor foi Mohammad Ibn Othmán Ibn Said Al-Umari, servindo-o por 40 anos; 3º Assessor foi Al-Hussein Ibn Ruh’ Al-Noubkhati que o assessorou durante 21 anos; 4º e o último assessor, foi Abu Al-Hassan Ali Ibn Mohammad Al-Samari, que assessorou por apenas três anos.

Assim sendo, o assessoramento termina com o 4º embaixador no ano 329 da Hijra, conforme foi mencionado anteriormente, prolongando-se por quase setenta anos, deixando a nação islâmica preparada para a Grande Ausência. Sobre a questão a quem os muçulmanos deverão honrar e recorrer, o Imam “Al-Mahdi” (A.S.) disse: “A reverência deverá ser concebida àquele que faz parte dos jurisconsultos e que se previne e se conserva em sua doutrina, e contraria as próprias paixões, obediente ao seu Senhor e é dever que todos o imitem, isto é, todos deverão procurá-lo para a solução de seu problemas sejam eles quais forem”.

E foi a partir daí que os sábios se empenharam, praticando seu papel como Guias para a nação, a fim que os muçulmanos possam viver e enfrentar as situações mais inquietantes na sociedade islâmica, alusivas aos campos ideológicos e legislativos, de acordo com o que determina o Islam sobre os muçulmanos, procurando os sábios estudiosos, os quais despenderam as intenções de seus estudos na aplicação das sentenças legislativas, cultivadas de sua procedência básica, o Alcorão Sagrado e o Preceito do Mensageiro de Deus. E chamou-se este ato despendido pelos sábios para o conhecimento das sentenças legislativas, de “Al-Ijtihad”, isto é, “A Aplicação”, e aquele que alcança a escala desta magnífica ciência, se denomina de “Al-Mujtahid”, ou seja, “O Estudioso” ou “Aplicado”, assim pois, o Islam determina aos muçulmanos se guiarem pelos sábios e teólogos “estudiosos” para a orientação de seus problemas do dia-a-dia, e este procedimento se chama no termo da jurisprudência de “Attaqlid”, isto é, “A Tradição”; e com isto, os muçulmanos se beneficiam com a aprovação de Deus e a segurança contra as deturpações e o afastamento da religião.

OS SINAIS DO APARECIMENTO DO IMAM:

Nós aludimos aos sinais e indícios que ocorrerão antes do aparecimento do Imam “Al-Mahdi” (A.S.), como mencionados nos livros de tradições.

O alastramento da tirania, da crueldade, da violência e da devassidão e perversão dos costumes, e, principalmente o enfastiamento em geral, inclusive até entre os próprios muçulmanos, que se utilizarão das bebidas alcoólicas e das drogas publicamente; e o relacionamento com os demais com a usura e o estelionato para a aquisição das fortunas ilícitas. Por outro lado o alastramento do adultério e da sodomia (homossexualismo) e a prática de tudo que é abominável e indigno, abolindo e perdendo a castidade, a saúde, a vergonha e o pudor; e as mulheres se mostrando indecentemente em suas indumentárias e sem o véu (hijab); e os homens se travestido em mulheres e as mulheres agindo masculinizadas em todos os sentidos, moral, social e sexualmente; e a cada dia aumenta-se a coragem na prática do ilícito, isto é, tudo que é contrário a moral e ao direito, deixando de lado as obrigações divinas e preenchendo os corações com as ilusões, o logro, a fraude e a falsidade (a exibição de fé e devoção diante das pessoas enquanto escondem a abjuração e a apostasia); a falsa filantropia (o empenho na prática do bem, não pela fé e dedicação a Deus, mas para se engrandecer diante das pessoas); a fundação de seitas (o acréscimo de algo na religião, e fundação de uma nova crença); a crítica (a crítica ofensiva e caluniadora do fiel sobre aquilo que ele detesta); o falso testemunho (a acusação do inocente recriminando-o daquilo que ele não praticou).

E assim, a tirania prevalece e os tiranos tornam-se indiferentes e desinteressados com os problemas e valores monetários das pessoas, deixando ocorrerem os fatos sobre si mesmo, solucionando-os com favores, levando as pessoas a ingratidão pelos favores, e isto é o mal dos tempos. E contudo, os fieis e devotos são humilhados e escarnecidos, alastrando-se a apostasia e o ateísmo, sem a prática pelo Islam e o Alcorão Sagrado.

Os filhos passarão a enfrentar seus pais desrespeitosamente e com total desinteresse; e se interrompe a conexão das compaixões e comiserações, e não pagam o “quinto” do tributo e o donativo, gastando-o em futilidades, prevalecendo o parecer dos estrangeiros, dos apostatas, dos ateus e dos depravados sobre os muçulmanos, os quais acabam tomando-os como modelos, imitando-lhes o linguajar, os costumes e até o modo de se vestir e se enfeitar, e, se forem criticados, defendem-se com atrevimento, arrogância e insolência, sem se importarem com a própria religião e os princípios de seus preceitos, aviltando, menosprezando e depreciando Deus declaradamente, juntamente com os Profetas e Mensageiros, sem se importarem com a Sua ira, fazendo inclusive pouco caso dos lugares sagrados.

Desvairadamente, aumentarão os crimes e o derramamento de sangue, e se gastarão fortunas inutilmente para a ruína dos países, e a terra então se tornará improdutiva.

O mundo presenciará as piores catástrofes, escândalos e calamidades, e as grandes potências sucumbirão, e virão criaturas cósmicas avançadas tecnologicamente e implantarão o terror e o desespero provocados pelas organizações governantes, e o povo então, passará a viver em debates ideológicos e religiosos, se distinguirá entre as pessoas uma situação diversa a que estariam vivendo, e se encaminharão às necessidades da religião e se agarrarão aos valores virtuosos e se exortarão entre si a religião da verdade, reivindicando a permanência da justiça, e passarão a agir de acordo com a religião de Deus e seus limites, firmes e sem temor, seja de quem for, e jamais se desviarão do caminho da verdade, tendo o coração tal qual o ferro, por causa da força de sua devoção a Deus. E não mais temerão a morte, porém, a anelariam a fim de se encontrarem com Deus; e tudo farão para que se estabeleça um Estado Islâmico a fim que permaneçam os limites de Deus na terra, para que com isto cheguem ao Estado governado pelo Imam “Al-Mahdi” (A.S.).

O Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) disse:

“Virá um povo do Oriente, portadores de bandeiras negras, os quais procurarão o bem e quando este lhes for negado, lutarão e vencerão e conseguirão o que pretenderem, e só aceitarão até que seja entregue a um homem, descendente da minha linhagem, e então, ele preencherá o mundo com a justiça tal como o preencheram com a tirania; e aquele que compreender isto, virá até eles, nem que rasteje sobre a neve”.

“Virá um povo do Oriente e se preparará para o Al-Mahdi”.

Enfim, o estabelecimento de um Estado de justiça e da verdade é necessário, tanto pela razão antes do que pela lei, porque o confronto das sentenças divinas e os limites legais se baseiam nele.

O chamado celestial é mais um dos sinais que ocorrerão antes do surgimento do Imam “Al-Mahdi” (A.S.), quando se ouvirá um grito estrondoso do anjo Gabriel, entre o céu e a terra, que o mundo inteiro ouvirá, do Oriente ao Ocidente, e cada pessoa o entenderá de acordo com seu próprio idioma, chamando pelo nome do Restaurador e seu pai, ordenando os povos a apoiarem o Imam (A.S.) para se orientarem com ele e acatarem o seu governo, para não se extraviarem e para que se confirme o direito do Imam e seus assessores, defensores e dogmas.

O que acompanhará os acontecimentos do aparecimento do Imam “Al-Mahdi” (A.S.) é a descida a terra do Messias Issa Ibn Mariam (A.S.), o qual prosseguirá com o Imam e o fará um vencedor, chamando os cristãos para seguí-lo. Num dos colóquios do Profeta Mohammad (S.A.A.S.) com sua filha Fátima “Azzahra” (A.S.), ele disse: “Será um dos nossos. Por Deus Onipotente! O “Mahdi”, orientador desta nação, o qual, atrás dele, orará Issa Ibn Mariam”.

ESTABELECIMENTO DO ESTADO DO IMAM “AL-MAHDI”:

Coleções de livros que mencionaram os Imames (A.S.), afirmam que o Imam “Al-Mahdi” (A.S.) ressurgirá depois de uma longa ausência, em Mecca, ao lado da Caaba, portando a bandeira do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) e sua espada, vestindo a sua vestimenta e seu turbante, e com os anjos prontos para a sua defesa e vitória enquanto que ele se levanta colérico, reivindicante, vingando os oprimidos e guerreando com os inimigos de Deus e do Islam, e seus companheiros o apoiando desde Mecca e Medina, e todos eles dos mais valentes e tementes a Deus, totalmente dedicados à sua meta, acatando-o, saindo dali vencedores e se dirigindo em direção ao Iraque, entrando depois em Cufá, onde se estabelecerá a sede de seu governo justíssimo, e Cufá se tornará a sua Capital como fora no califado de seu ancestral, o Príncipe dos Crentes, Ali Ibn Abi Táleb (A.S.); e depois, Deus lhe abrirá a parte Oriental e a parte Ocidental do mundo, a fim de expandir o Islam, renovando a vida doutrinária, encaminhando a humanidade com as bênçãos de Deus através de Seu livro e preceito de Seu profeta, e assim, doravante, a terra tornar-se-á abençoada e produtiva, aumentando as suas bênçãos, e com isto, dissipar-se-á a pobreza e todos viverão felizes e tranquilos, e periodicamente, o povo se dirigirá a Cufá e muitos desejarão permanecer nela a fim de se avizinharem com o Imam (A.S.), como também irão construir uma imensa Mesquita com mil portas, para que todos possam entrar e orar, imitando o Grande Imam (A.S.).

E sob o seu justíssimo governo, todos tornar-se-ão confiantes, sem a necessidade de alguém cobrar alguém, ou deter o seu próximo por causa da ganância pleiteando possuir o que ele tem; inclusive, os livros mencionam que a mulher transitará pelas ruas ou viajará para longas distâncias enquanto estiver portando ou se enfeitando com suas pedras preciosas, sem que haja alguém para molestá-la ou assaltá-la.

No ressurgimento do Imam (A.S.), a promessa de Deus a seus devotos se realizará e eles herdarão a terra e tudo que nela houver, e explodirão as fontes do conhecimento e da sabedoria através do Imam (A.S.), e a humanidade passará a viver no auge de sua grandeza pelo saber e evolução tecnológica e industrial, tal como mencionou o Imam “Al-Báqer”: “… e se nos levantarmos, levantará conosco a questão de Deus e Ele colocará a Sua mão sobre as cabeças dos devotos, unificando os seus cérebros para a realização de seus sonhos…”; o que significa, que a sociedade chegará a perfeição em todos os sentidos.

O Imam Jaafar “Assadeq” falou: “O saber é composto de vinte e sete partículas, e tudo que os Mensageiros trouxeram foram somente duas partículas, e até hoje as pessoas só conhecem estas duas partículas, porém, se o nosso Restaurador vier, trará as vinte e cinco partículas restantes e as difundirá entre as pessoas, unindo-as as duas partículas, totalizando as vinte e sete”.

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Fonte:

https://www.arresala.org.br/profeta-mohammad-s-a-a-s/12-imam-mohammad-ibn-al-hassan-a-s

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/al-mahdi-o-imam-oculto/

Baopuzi nei pian (抱樸子) a Alquimia de Ge Hong

por Evgueni A. Tortchinov
St. Petersburg State University, Russia

Este artigo é dedicado ao problema das atitudes do grande alquimista chinês Ge Hong (284-363 ou 283-343 EC) em relação à ciência dentro do quadro de sua visão de mundo taoísta. É bem conhecido que Ge Hong era um representante do chamado ramo sulista da tradição do ocultismo taoísta chinês (ou a linhagem dos Três Augustos – san huang wen). Esta linhagem estava intimamente relacionada com a herança do Daoísmo Han e suas crenças nos imortais (xian) e imortalidade corpórea atingível através das práticas esotéricas de alquimia e magia.

Ge Hong era bem conhecido não apenas como alquimista e mestre taoísta ou moralista e pensador social confucionista (veja seu “Baopu-zi wai pian”), mas também como médico e farmacêutico. É bastante compreensível porque a alquimia taoísta chinesa com seu caráter iatroquímico pode ser tratada como parte da tradição médica chinesa (veja as obras de N. Sivin). Assim, nas obras de Ge Hong (e antes de tudo, em seu “Baopu-zi nei pian”; doravante – BPZNP) encontramos uma mistura bastante estranha das crenças na imortalidade física, ritos e cerimônias mágicas, astrologia, medicina e farmacologia .

Mas ainda mais interessante é o fato de que esses elementos do ocultismo alquímico são combinados nos escritos de Ge Hong com as fortes e distintamente articuladas inclinações ao ceticismo e ao racionalismo de pensamento livre. Ele ri das crenças e superstições populares, critica ardentemente a escolástica confucionista e os preconceitos das pessoas comuns, etc. A seguir darei alguns exemplos desse ceticismo com sua breve análise e algumas conclusões preliminares.

Em primeiro lugar, Ge Hong rejeita a opinião de que apenas as drogas à base de plantas são benéficas para a saúde, bem como para o prolongamento da vida.

No capítulo 4 (Jin dan) do BPZNP ele afirma que os medicamentos feitos de minerais e substâncias metálicas são muito mais úteis do que os fitoterápicos. As drogas à base de plantas são fracas e o calor forte as destrói, mas os minerais e metais são fortes e estáveis: por exemplo, o calor não pode destruir o cinábrio que se transforma na “prata da água”, ou mercúrio. Após esta declaração, Ge Hong observa que as pessoas comuns não sabem nem mesmo coisas tão simples como a origem do cinábrio (Hg S) no mercúrio. Dizem que o cinábrio é vermelho e o mercúrio é branco e, portanto, é impossível que a substância branca produza a vermelha.

O segundo aspecto desta passagem é mais interessante. Ge Hong declara que as pessoas comuns (“pessoas mundanas”, ou shi ren ) são ignorantes até mesmo de coisas como a natureza do cinábrio e, portanto, não é de surpreender que eles não acreditem em coisas sutis como o caminho da imortalidade . Acho que essa afirmação de Ge Hong tem caráter crucial para a compreensão de sua atitude em relação às conexões entre os “místicos” da imortalidade taoístas e o conhecimento “positivo”: para ele os ensinamentos taoístas sobre os imortais e as práticas de obtenção da imortalidade e poderes sobrenaturais não têm nenhum caráter místico ou irracional. Eles não têm natureza menos “positiva” do que a medicina ou o conhecimento químico sobre a composição do cinábrio e outras substâncias. E se for verdade, esse conhecimento é muito diferente (e até de natureza oposta) das crenças supersticiosas em deuses e espíritos populares com seus ritos xamanísticos sangrentos e caros e suas formas de culto. E Ge Hong não deixa de rir desses cultos e crenças, criticando-os com humor afiado e o verdadeiro sarcasmo (ver capítulo 9 Dao yi do BPZNP).

A mesma ideia pode ser encontrada no capítulo 5 (Zhi li) do BPZNP. Aqui Ge Hong descreve as qualidades curativas de diferentes plantas e ervas. Mas, como ele afirma, as pessoas comuns não querem usá-los e preferem os métodos religiosos supersticiosos de cura (como orações, sacrifícios, adivinhação, etc.). Eles não acreditam na arte dos médicos famosos, mas confiam em xamãs e feiticeiros. E se é assim, é muito natural que eles não acreditem que, por comer os elixires de ouro e cinábrio, a imortalidade possa ser obtida. Além disso, eles rejeitam até mesmo a utilidade de cogumelos e flores para o prolongamento da vida. Como podemos esperar que eles reconheçam a veracidade do caminho dos imortais?

É significativo que Ge Hong trate a alquimia taoísta com seus objetivos supermundanos nos mesmos termos que a medicina tradicional e a farmacologia. Assim, a alquimia e as “artes dos imortais” para Ge Hong não são de natureza sobrenatural ou religiosa; são “positivos” e “científicos” da mesma forma que a medicina e a farmacologia. A rejeição dessas artes atesta a ignorância das pessoas comuns que preferem os caminhos religiosos “supersticiosos” aos meios da medicina e as artes taoístas que têm o mesmo caráter da medicina. E esse caráter se opõe bastante à natureza supersticiosa das práticas puramente religiosas. Um dos argumentos de Ge Hong em defesa do método alquímico taoístas é o princípio da verificação dos preceitos relevantes dos escritos taoístas:

“Seus ensinamentos podem ser chamados de palavras elevadas, mas as pessoas comuns não acreditam e os tratem como escritos vazios. Mas se fossem apenas escritos vazios, como seria possível realizar nove transformações e nove mudanças em tão poucos dias como é dada nos preceitos? As verdades que foram obtidas pelas pessoas perfeitas não são compreensíveis para o pensamento primitivo das pessoas comuns” (BPZNP, capítulo 4).

E aqui novamente Ge Hong não apenas demonstra o contraste entre o conhecimento “científico” dos sábios e a ignorância das pessoas comuns, mas usa o conteúdo “positivo” ou “experimental” dos textos taoístas para apoiar suas abordagens taoístas. E aqui, mais uma vez, a abordagem crítica das pessoas comuns aos objetivos taoístas torna-se o testemunho de sua ignorância, e as crenças de Ge Hong na imortalidade e na alquimia obtêm seu fundamento “científico” nos lados empíricos e positivos dos clássicos taoístas (jing) tornando-se os resultados comprovados do conhecimento real verificado. Assim, conhecimento e experiência (não fé, ou intuição) eram a base das crenças de Ge Hong nos imortais e nos métodos taoístas de alcançar seu estado exaltado.

No entanto, é óbvio que a BPZNP está repleta de informações sobre eventos mágicos e sobrenaturais que são para o observador externo bastante idênticas ao conteúdo das crenças dos oponentes dos Ge Hong. Mas para o próprio Ge Hong elas são muito diferentes: para ele as crenças taoístas, como ardente defensor que ele era, tinham uma natureza científica e positiva baseada nos dados experimentais e no conhecimento positivo dos sábios (sendo do mesmo tipo que os dados de medicina, etc.), e as crenças de seus oponentes eram desprovidas de tal base, sendo supersticiosas e ignorantes. É possível notar que havia dois tipos de oponentes e interlocutores de Ge Hong: os representantes do chamado racionalismo confucionista e os seguidores “supersticiosos” dos cultos religiosos populares.

Certamente, os confucionistas eram racionalistas, mas seu racionalismo era limitado pela análise escolástica de suas autoridades escriturísticas e o campo das investigações da natureza lhes era absolutamente estranho. Nesse campo, seu racionalismo representava apenas a manifestação do senso comum sem nenhuma abordagem especial. Eles ignoravam o significado da experiência e a alquimia taoísta e outras “artes” desse tipo eram para eles apenas exemplos de práticas vazias e inúteis. Portanto, pode-se dizer que o ceticismo experiencial de Ge Hong era de outra natureza que o chamado racionalismo confucionista. As crenças das pessoas comuns também eram estranhas à sua abordagem como frutos da fé e da ignorância. Neste caso surge um problema dos critérios usados ​​por Ge Hong para distinguir o conhecimento real das crenças supersticiosas dos profanos.

É substancial para Ge Hong ter fontes autorizadas de informação reconhecidas pela tradição taoísta (o conhecimento da linhagem dos detentores do texto também é importante). Tais fontes são chamadas por Ge Hong “Os clássicos dos imortais” (xian jing). Da autobiografia de Ge Hong e do capítulo 19 do BPZNP sabe-se que tais textos eram raridades e os taoístas gastaram muito tempo e energia para obtê-los. O próprio Ge Hong viajou para o Norte em busca desses clássicos, mas não conseguiu. Sabe-se que às vezes ele protestava contra a alta autoridade de um ou outro clássico com base em sua não autenticidade. Assim, no capítulo 4 do BPZNP ele fala sobre a popularidade de “O clássico do mecanismo de Dao” (Dao ji jing) que foi considerado por muitos taoístas como sendo a obra do lendário discípulo de Lao-zi, Yin Xi. Dedicava-se à prática da “regulação do pneumata” (xing qi) e não tinha informações sobre os grandes elixires da alquimia taoísta. Ge Hong rejeitou este texto como o livro contemporâneo escrito pelo general Wang Tu e apenas falsamente atribuído ao sábio da antiguidade.

Não só a origem nos clássicos taoístas foi o testemunho da validade das informações sobre os imortais e a imortalidade para Ge Hong. Ele também avaliou muito as testemunhas dos textos oficiais chineses da tradição confucionista e historiográfica. As notas de grandes historiadores como Ban Gu e Sima Qian sobre as técnicas da imortalidade e as atividades mágicas dos sábios taoístas foram de grande importância para Ge Hong. Ele definitivamente prefere Sima Qian a Ban Gu por causa de suas simpatias taoístas completamente alheias ao autor de “Han shu”. Ele até critica severamente Ban Gu por sua abordagem confucionista ortodoxa à doutrina taoísta na qual Ge Hong reconhece a ignorância das “pessoas comuns” (su ren; shi ren). No entanto, ele não perde a oportunidade de citar “A História Han” quando seus materiais apoiaam o ponto de vista de Ge Hong

Pode-se dizer que Ge Hong reconhece os seguintes critérios de validade das crenças e diferentes tipos de opiniões relacionadas aos temas da ciência e da religião: 1. A experiência; 2. Os testemunhos dos clássicos taoístas e dos textos não taoístas bem conhecidos e altamente estimados pela tradição chinesa. As práticas e crenças que não tinham tal suporte escritural (como no caso das crenças e cultos populares) foram rejeitadas por Ge Hong como supersticiosas e excessivas. Assim, Ge Hong tenta representar suas técnicas de imortalidade e suas idéias alquímicas e ocultas como parte integrante da “grande tradição” da cultura chinesa. Para ele, elas não são apenas iguais às idéias dos sábios confucionistas, mas ainda mais elevadas e exaltadas do que as doutrinas confucionistas (de acordo com a posição de Ge Hong, o confucionismo é um ramo e o taoísmo sua raiz).

É bastante claro que Ge Hong avalia muito a experiência e as operações alquímicas de laboratório. Mas essas operações como tais têm relações diretas com a magia e o comportamento ritual. É impossível dividir os aspectos técnicos, mágicos e ritualísticos das abordagens científicas de Ge Hong. Ele nega a ideia do efeito automático ou mecânico dos elixires, combinando os procedimentos técnicos e químicos com jejuns, orações e purificação. As passagens do capítulo 4 da BPZNP são extremamente eloquentes nesse ponto:
“Em primeiro lugar, não se pode permitir que as pessoas comuns incrédulas riam dos elixires e os blasfemem. Caso contrário, não haverá sucesso. Mestre Zheng (ou seja, Zheng Yin) disse que a preparação deste grande elixir deve ser seguida pelo Os sacrifícios devem ser servidos à Grande Unidade, à Senhora Primordial – Yuan-jun, a Lao-jun e à Donzela Misteriosa. Essas divindades virão observar as atividades do adepto. Se a pessoa que prepara as drogas não deixar a vida mundana para o eremitério e solicitude dando oportunidade para os profanos obterem os clássicos taoístas ou observarem o processo do trabalho alquímico, então os espíritos executam o alquimista. Se blasfemar o Dao, então os espíritos não podem ajudar tal pessoa. Então o pneuma malévolo entrará na substância da droga e não poderá ser completada”.

Assim, pode-se dizer que o caráter prático da alquimia de Ge Hong não o impede de declarar a natureza altamente ritualizada dos feitos alquímicos. Portanto, é notável (para a mente de um ocidental contemporâneo, é claro) uma contradição entre ciência e magia. E essa magia permeia o cerne da compreensão de Ge Hong sobre alquimia e medicina. Mas essa magia é de natureza bem diferente das crenças supersticiosas das pessoas comuns: tem suas raízes no estrato taoísta da grande tradição da cultura chinesa sendo para a mente de Ge Hong apoiada pela experiência dos sábios antigos que transmitiram suas conhecimento e métodos para os taoístas contemporâneos lançam a linhagem inquebrável de uma matéria para outra. Além disso, esta experiência dos antigos sábios não deve ser apenas um assunto da chamada “fé cega”: pode ser verificada pelo alquimista através de seus próprios feitos de laboratório. Ge Hong não admira a antiguidade como tal.

Como os antigos legalistas e seu antecessor no campo do ceticismo e do empirismo Wang Chong, Ge Hong olha para a antiguidade como o rastro de um gigante: o gigante foi embora e seu rastro não é ele mesmo. Portanto, as antigas testemunhas de Ge Hong têm seu valor apenas dentro do quadro da abordagem experimental taoísta. Se Ge Hong fosse apenas um místico, poderia esperar-se pelo seu interesse nos insights intuitivos sobre a natureza oculta da realidade subjacente aos fenômenos transitórios. Mas não podemos encontrar tal interesse. As passagens dedicadas às práticas meditativas para a compreensão metafísica são muito raras na BPZNP. A única exceção é o início do capítulo 18 desta obra (Di zhen) dedicado à contemplação do Verdadeiro (zhen yi) que é a manifestação do Misterioso Dao (xuan) nas coisas e nas estruturas fisiológicas do Taoísta “corpo sutil” (“os campos de cinábrio”, dantian). Mas mesmo esta passagem relaciona-se principalmente com as práticas da “preservação do Uno” (shou yi) e não com as meditações do tipo insight. As ajudas desse tipo de contemplação são a proteção contra os inimigos e as doenças, a obtenção de superpoderes, a multiplicação do corpo, etc.

O lado metafísico da obra de Ge Hong é bastante fraco. O primeiro capítulo da BPZNP (Chang xuan) representa por si só uma réplica do capítulo de abertura de “Huainan-zi”; sua estilística, vocabulário e imagens têm sua origem justamente naquele grande compêndio de Liu An e seus clientes (ke). As primeiras passagens do capítulo 9 (Dao yi) também não são frutos do pensamento metafísico independente sendo a reprodução poética dos lugares comuns das descrições taoístas do princípio supremo do Caminho. Os lados práticos do Taoísmo (a preparação do grande elixir da imortalidade e métodos de apoio) e a eles correspondentes as doutrinas dos imortais – xian são os principais assuntos dos interesses de Ge Hong que se correlacionam diretamente com suas abordagens científicas e experienciais. Na minha opinião, Ge Hong não era um místico ou um buscador de insights intuitivos, mas um investigador, pesquisador da natureza com atitude pragmática (a obtenção da imortalidade física) e pensador experimental e cético. A abundância de magia em seus escritos era resultado de um caráter essencial da ciência tradicional que incluía em si magia e atitudes mágicas (por exemplo, a idéia das simpatias universais, “tong lei” chinesas) não só na China, mas em todo o mundo até época de Newton, Galileu Galilei e Descartes.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/a-alquimia-do-baopuzi-nei-pian-de-ge-hong/

A Conexão entre o rock e o vodu

Steve Lawhead, em seu livro Rock Reconsidered, cita Tony Palmer: “Que Rock e sua ‘má e nociva batida’ originaram-se com os escravos africanos é uma noção racista e sem nenhum fundamento na verdade” (Rock Reconsidered, pp. 55-60). Dan e Steve Peters expressam a mesma insana cegueira na página 187 do livro deles What About Christian Rock?

Tais negações são absoluta e completa cegueira espiritual. Leonard Seidel, famoso pianista de concertos e professor que também dá palestras sobre música, tem pesquisado este tópico e desmascara a mentira do dizer que não há conexão entre Vodu, paganismo africano, e música Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana):

“Os incessantes poli-rítmos batidos nos tambores cilíndricos [pelos nativos nas tribos africanas] são o catalisador do Rhythms-and-Blues, do Rock-and-Roll(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) , e do Metal-Pesado de hoje. É assombroso como as reações que contemporaneamente vemos em concertos de Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) são uma exata cópia do que acontecia nas celebrações de Pinkster [festivais dos negros em New York] ou em Place Congo [escravos negros dançando em New Orleans] durante o Período Antebellum[1]. Qualquer análise que negue este fato rouba das igrejas a percepção da [evidente] conexão do [paganismo] africano com o movimento do Rock(* e da Música Popular Afro-LatinoAmericana) do século 20.

“Em Stairway to Heaven [Escadaria para o Céu], Davin Seay cita Robert Palmer em Rolling Stone Illustrated History of Rock ‘N’ Roll [A História do Rock ‘N’ Roll Ilustrada nos Rolling Stones]:‘Em um sentido muito real, Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) estava implícito na música dos primeiros africanos trazidos para aAmérica do Norte (e América do Sul e Central). E, implícito na música deles, estavam séculos de acumulação de ritos, de rituais, e de inflamado [e grotesco] paganismo [culto a ídolos, a animais, e a demônios]. A música destes primeiros escravos brutalizados e animalizados, arrancados de culturas tão antigas quanto as pirâmides, aquelas antiqüíssimas cantigas e fortes pisadas [das danças] tribais, não meramente evocavam os espíritos dos deuses-demônios da floresta: deram-lhes vida e imortalidade (Davin Seay, Stairway to Heaven, New York: Ballantine Books, 1986, p. 11).

“Implicações tais como esta levam a uma investigação mais profunda e a focalizarmos nos escravos que foram trazidos para as Ilhas do Caribe. Um dos mais significativos livros publicados até hoje, sobre este assunto, é o estudo feito por Maya Deren, para a Fundação Guggenheim, em 1953, concernente à história das origens que os deuses-demônios do Haiti e os seus cultos têm nas tribos africanas. O livro Divine Horseman — The Living Gods of Haiti [Cavaleiros Divinos — Os Deuses-Demônios do Haiti, Vivos e Atuantes], lida com a importação dos escravos para as Ilhas Caribenhas ([eles eram vendidos por tribos caçadoras, geralmente muçulmanas, e eram oriundos] da costa Oeste da África). Estes escravos foram tomados das mesmas tribos das quais os escravos das Colônias [precursoras dos Estados Unidos] foram tomados: Senegaleses, Bambaras, Arades, Congos, Kangas, Fons e Fulas. O primeiro carregamento de escravos para o Haiti foi em 1510.

“Os escravos das Colônias TROUXERAM CONSIGO A ADORAÇÃO AOS SEUS DEUSES-DEMÔNIOS, TROUXERAM AS SUAS DANÇAS E SUAS BATIDAS DE TAMBORES [ênfase adicionada]. Eileen Southern declara: ‘Não há dúvidas que Haiti foi o local central onde as tradições religiosas africanas… sincretizaram com as crenças e práticas Católicas para dar a luz o Vaudau (Vodu)2] … as cerimônias se centralizavam na adoração do deus-serpente Damballa através do cantar, do dançar, e da possessão por espíritos’ (Eileen Southern, The Music of Black Americans, New York: W.W. Horton, 1983, p. 139).

“A ADORAÇÃO DELES ERA BASEADA EM TAMBORES E DANÇAS, e, enquanto adoravam um deus (isto é, um demônio), a suprema experiência [que buscavam] era ter seus corpos possuídos por aquele demônio. Os rituais eram grotescamente sensualistas e sádicos. Uma vez firmemente estabelecida nas Ilhas Caribenhas, a prática abriu caminho para a costa dos Estados Unidos, principalmente através da cidade de New Orleans. Historicamente, escravos oriundos de São Domingos foram trazidos aos Estados Unidos durante a revolução haitiana em 1804, mas Vodu provavelmente existiu [nos USA] antes disto, porque o estado da Louisiana tinha importado escravos das Índias Ocidentais em 1716, e a prática foi também relatada em Missouri, Geórgia e Flórida.

“As danças de New Orleans tinham nomes honrando aos deuses-demônios Vodus dos rituais de adoração. O SAMBA [ênfase adicionada] tem seu nome homenageando o deus-demônio ‘Simbi,’ deus da sedução e da fertilidade [nós chamaríamos de fornicação]. O CONGADO homenageia, com seu nome, o demônio africano ‘Congo.’ O nome MAMBO homenageia as sacerdotisas Vodu que ofereciam sacrifícios aos demônios, durante os rituais.

Sheldon Rodman, autor de Haiti, the Black Republic, descreve estas danças e as relaciona com as danças de hoje. É interessante notar que, no álbum de Rock de 1981, My Life in the Bush of Ghosts [Minha Vida na Mata dos Espíritos], por Brian Eno e David Byrne, estes enaltecem-invocamos próprios espíritos africanos do tenebroso passado do Rock). [D.W. Cloud — Este álbum incorporou tambores africanos com Rock eletrônico]

“A MAIS PENETRANTE OBSERVAÇÃO FEITA NO LIVRO DE MAYA DEREN REFERE-SE AOS BATEDORES DE TAMBORES, AOS RITMOS, E À BATIDA. ‘De todos os indivíduos relacionados à atividade ritual, é o batedor de tambores aquele cujo papel pareceria quase análogo ao de um virtuoso [o excepcional solista, atração de uma banda] … tocar os tambores nos rituais haitianos exige mais treinamento explícito [aulas] de destreza e requer mais o praticar do que qualquer outra atividade ritual.'(Maya Deren, Divine Horseman–The Living Gods of Haiti, New Paltz: McPherson & Co., 1953, p. 233).

“Ela observa que os dançarinos são forçados a saudar ou encurvar-se aos batedores de tambores, antes que qualquer outra parte do ritual seja iniciada. É óbvio que, sem os tambores, o ritual não pode se consubstanciar. Que chocante paralelo com a moderna banda de Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) ! O conjunto de baterias está sempre no centro do palco, usualmente elevado por detrás do cantor líder. Sem o baterista (ou, em muitos casos, sem o ritmista da guitarra elétrica tipo baixo ou contrabaixo), a banda de Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) cessaria de existir.

“Ademais, a Senhorita Deren escreve que ‘é sobre os batedores de tambores que recai a responsabilidade de integrar os participantes em um coletivo homogêneo. É a batida dos tambores que funde os cinqüenta ou mais participantes em um único corpo, fazendo que se movam como um [um só ser], como se todos estes corpos individuais tivessem se acorrentado ao fluir de um único pulsar – um pulso que bate … levando o corpo em uma [pulsante e alucinante ou] lenta [e sensualíssima] ondulação (como a de uma serpente) e que começa nos ombros, depois [desce] pela espinha dorsal, sobe pelas pernas e [explode] nos quadris’ (Deren, Divine Horseman, p. 235).

“Esta descrição é assombrosamente paralela ao que tem lugar em um moderno concerto de Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) . Basta que observemos um vídeo dos participantes para sermos convencidos. As ações dariam a um observador a impressão de que algum tipo de possessão [demoníaca] ocorreu. No seu livro, a Senhorita Deren desce a alguns detalhes para descrever o objeto inanimado do tambor como sendo sagrado, até mesmo ao ponto de sertratada como vital à sobrevivência e assim vigiada e guardada por uma guarnição dos participantes[3] . ‘São os tambores e a batida dos tambores que são, em si, o som sagrado’ (Deren, Divine Horseman, pp. 244-246).

“Pearl Primus, há muito tempo aclamada como uma das maiores experts em dança Vodu, disse: ‘Os batedores dos tambores mantêm terríveis pulsar e batida, os quais muito facilmente tomam posse das sensibilidades dos adoradores. Observadores dizem que estes tambores são (por si só)capazes de trazer uma pessoa ao ponto onde é fácil para a deidade-demoníaca (Loa) ter possessão dos seus corpos – a pessoa indefesa é açoitada por cada golpe do conjunto de tambores, à medida que o batedor de tambores começa a ‘bater a Loa (deusa-demônio) para dentro de sua cabeça’: a pessoa encolhe-se com cada uma das batidas acentuadas[4] como se o cassetete do tambor descesse sobre sua própria cabeça; a pessoa ricocheteia ao redor do local, cegamente se agarrando aos braços estendidos para apoiá-la'(aula-palestra, Mount Holyoke College, Holyoke, Massachusetts, Mary E. Wooley Hall, 1953).

“Não pode ser negado que há um forte relacionamento entre o que temos descoberto no Vodu haitiano (Candomblé brasileiro)e a sua contraparte na cidade de New Orleans e outras cidades do sul. TAMBÉM NÃO PODE SER NEGADO QUE O MODERNO MOVIMENTO DE ROCK AND ROLL(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) EVOLVEU PARCIALMENTE DE ALGUMAS DAS DANÇAS ACIMA DESCRITAS, PROGREDINDO ATRAVÉS DE UM NÚMERO DE ESTÁGIOS: RUMBA DANÇANTE, RHYTHMS-AND-BLUES, ROCK-AND-ROLL, DISCO, METAL-PESADO E PUNK-ROCK.É óbvio que há outros elementos que compõem a evolução da música Rock; no entanto, eles não são nosso tema aqui. Concernente a Disco, a Senhorita Southern diz: ‘Os insistentes ritmos pulsantes da música Disco empurraram as convencionais melodia e harmonia para posições subalternas … de uma maneira que lembra descrições da recitação de Juba[5] para acompanhar as danças das plantações do século dezenove’ (Eileen Southern, The Music of Black Americans, New York: Norton and Co., 1983, p. 507). …

“Ruth Tooze e Beatrice Krone, no livro que escreveram, relatam que ‘o mesmo instinto por ritmos pulsantes que é encontrado nas canções dos negros é levado para como [escolheram e] passaram a usar instrumentos musicais … banjos nas plantações e depois na cidade, onde adicionaram o pistão, o clarinete e o trombone. Com seu inato talento para improvisar, um novo tipo de música instrumental foi criada – nós o chamamos de Jazz’ (Ruth Tooze, Beatrice Krone, Literature and Music, Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1955, p. 105).

“É irrefutável que música Rock and Roll(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) deve algumas [nós diríamos, a maioria] de suas raízes às tribos da África. Cada análise escrita sobre o assunto reconhece que as raízes do Rock vêm das profundezas do ‘Jazz’ e do ‘Rhythms-and-Blues.’Por causa do relacionamento entre a música Negro-Americana e a música Africana, criaram um termo que é consideravelmente usado hoje, ‘Música AfroAmericana’ (Literature and Music, p. 102). Joseph Machlis diz (em seu volumoso trabalho, The Enjoyment of Music [O Prazer da Música]:): ‘Jazz, numa definição sem teoria e sem refinamentos, mas que funciona muitíssimo bem, é um idioma musical Afro-Americano cheio de improvisações. Faz uso de elementos de ritmo + melodia + harmonia oriundos da África, e de elementos de melodia + harmonia da tradição musical européia. A influência do Jazz(e dos idiomas [musicais] Afro-Americanos que lhe são intimamente associados) tem sido tão insidiosa e onipresente, que agora a maior parte da nossa música popular é no idioma musical Afro-Americano, e elementos de Jazz também têm permeado um bocadão da nossa música de concerto’ (Joseph Machlis, The Enjoyment of Music, New York: W. W. Norton, 1963, p. 597).

“Declarar que os paganismo e feitiçaria da África, através do Haiti, são as únicas raízes da música Rock, seria enganar e ser menos que honesto. Um cuidadoso estudo da música Rock revela-a ser mais complexa que isto; no entanto, NEGAR QUE EXISTE UMA CONEXÃO AFRICANA COM OS RITMOS DE ROCK(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) DE NOSSOS DIAS É SER IGUALMENTE ENGANADOR E DESONESTO. Declarar que um certo ritmo ou batida é ‘mau e nocivo’ não pode ser completamente provado. Mas o que é muitíssimo mais importante é a revelação histórica de que atividade demoníaca tem sido observada em conexão com rituais onde tambores e batidas rítmicas têm sido o catalisador. Que esta possibilidade exista já deveria bastar como uma advertência, às igrejas, de que Satanás pode e irá usar tudo que estiver em seu poder para fazer com que todos adorem não a Deus mas a ele, para que, no devido tempo, o Diabo consuma seu mau propósito e receba a glória” (Leonard J. Seidel, Face the Music: Contemporary Church Music on Trial [Encare a Música: A Música Cristã Contemporânea no Banco de Réus , 1988, p. 34-42).

A conexão entre Rock & Roll(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) e Vodu (Candomblé brasileiro) tem sido notada mesmo por músicos de Rock, descrentes. O baterista inglês de sessões de Rock, Rocki (Kwasi Dzidzornu), que tem gravado com muitos grupos famosos e para músicos tais quais os Rolling Stones, Spooky Tooth, e Ginger Baker, percebeu que a música de Jimi Hendrix era similar à música Vodu. Note as seguintes assombrosas declarações da biografia de Hendrix:

“Ele [Hendrix] tinha tido uma chance de ver Rocki e alguns outros músicos africanos no cenário de Londres. Achou um prazer tocar ritmos contra seus poli-rítmos. Eles gostavam de totalmente saírem [fora de si mesmos] para [entrarem] dentro de outro tipo de espaço em que [nunca ou] raramente tivessem antes estado … O pai de Rocki era um sacerdote de Vodu e era, também, o principal batedor de tambores em uma aldeia de Gana, África Ocidental. O nome real de Rocki era Kwasi Dzidzornu. Uma das primeiras coisas que Rocki perguntou a Jimi foi de onde ele tinha recebido aquele ritmo Vodu. Quando Jimi objetou, Rocki foi em frente, explicando (em seu inglês tropeçante) que muitas das ‘assinaturas rítmicas’ que Jimi tocava na guitarra eram, muito freqüentemente, os mesmos ritmos que seu pai tocava em cerimônias Vodu. A maneira com que Jimi dançava aos ritmos que tocava faziam Rocki rememorar os ritmos que seu pai tocava para OXUM [ênfase adicionada], o deus do trovão e dos raios. A cerimônia é chamada de Vodushi. Quando criança na aldeia, Rocki entalhava em madeira representantes dos seus deuses-demônios. Eles também representavam seus ancestrais. Estes eram os deuses-demônios que eles adoravam. Eles vieram a tomar um bocadão de espaço na casa de Jimi. Uma vez eles estavam congestionando e Jimi parou e, à queima-roupa, perguntou a Rocki: ‘Você se comunica com este deus-demônio, não é?” Rocki disse: ‘Sim, eu me comunico com este deus-demônio’ ” (David Henderson, ‘Scuse Me While I Kiss the Sky [Desculpe-me, Enquanto Beijo Este Firmamento], pp. 250,251).

Como temos chamado sua atenção, há proponentes de música “Rock Cristão” que etiquetam de “racista” o que expusemos [acima]. No entanto, na biografia de Hendrix (a qual NÃO foi escrita por um crente), vemos que o filho (descrente) de um real sacerdote do Vodu vê uma conexão entre a música do estrela do Rock, Jimi Hendrix, e Vodu idólatra. O baterista Rocki, um negro, seria um racista por fazer tais observações? Estas suas observações não podem ser convenientemente postas de lado como furioso delírio de um fundamentalista bíblico!

O bem-conhecido artista do Rock, Peter Gabriel, não tem dúvidas de que há uma conexão africana direta, com o Rock & Roll(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) :

“Há coisas, como o ritmo de Bo Diddley, que, batida-por-batida, tenho ouvido em padrões Congoleses. Parte do que nós [americanos] consideramos ser a herança do Rock and Roll que criamos, originou-se na África. Ponto final”(Peter Gabriel, citado por Timothy White, em Rock Lives, p. 720).

Little Richard, um dos pais da música Rock, também tem testificado desta conexão:

“Minha verdadeira crença a respeito de Rock ‘n’ Roll(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) – e tem havido um bocado de frases atribuídas a mim ao longo dos anos – é esta: CREIO HOJE QUE ESTE TIPO DE MUSICA É DEMONÍACA. … UMA PORÇÃO DE TIPOS DE BATIDAS NA MÚSICA TÊM SIDO TOMADAS DO VODU(Candomblé brasileiro), ISTO É, DOS TAMBORES DO VODU. Se você estudar música em ritmos, como eu o tenho feito, verá que isto é verdade … CREIO QUE ESTE TIPO DE MÚSICA ESTÁ EMPURRANDO AS PESSOAS PARA LONGE DE CRISTO.É CONTAGIOSO[6]” (Little Richard, citado por Charles White, The Life and Times of Little Richard, p. 197).

Suponho que seria fácil um proponente de música Rock Cristão desconsiderar o testemunho de Little Richard, talvez por causa da sua estranha personalidade e do seu relacionamento com o cristianismo parecer ser do tipo “hoje aceso, amanhã apagado”. Mas responda-me isto: os defensores do Rock Cristão sabem mais do caráter do Rock and Roll do que um homem como Little Richard, que foi um dos seus criadores?

Os Rolling Stones e outros grupos de Rock & Roll têm gravado cerimônias de tambores ocultistas (tribais e do Vodu) e incorporaram [elementos das mesmas] dentro das suas músicas Rock. Em 1981, por exemplo, Brian Eno e David Byrne gravaram My Life in the Bush of Ghosts [Minha Vida na Mata dos Espíritos].

Música não é neutra. Há música que encoraja a atividade demoníaca, e há música que encoraja a atividade do Espírito Santo. Há música que ministra ao lado carnal do homem, e há música que ministra ao lado espiritual do homem. Música Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) sempre tem sido associada com o carnal e o demoníaco. Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) não tem nenhum lugar legítimo na vida e ministérios cristãos.

“Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.Ou provocaremos o Senhor? Somos nós mais fortes do que ele? (1Cor 10:21-22).

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-conexao-entre-o-rock-e-o-vodu/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-conexao-entre-o-rock-e-o-vodu/

As oferendas nas encruzilhadas eram para alimentar escravos fugidos?

Começou a circular dia 13 de junho de 2017, na página do Facebook “Ìkóòdídé” (1) um texto atribuído a professor “Leandro”, “historiador da UNB” (embora nos quadros de docentes do departamento de história na UNB não existe nenhum professor Leandro: http://www.his.unb.br/en/docentes). A publicação discorre algumas linhas sobre a prática de religiões de matriz africana de oferecer comidas nas encruzilhadas, mas é um festival de besteiras e invencionices que beira o absurdo. Infelizmente, quanto mais estúpido e sem noção são esses clickbaits, mais seguidores atraem (a última vez que olhamos já tinha ultrapassado 43 mil compartilhamentos).

Segundo este suposto autor “as oferendas deixadas nas encruzilhadas era uma forma dos negros alimentarem seus irmãos escravos que estavam fugindo dos feitores”. Pois bem, o processo de escravidão no Brasil, durou de 1539 até 1888 e foi de norte a sul do Brasil. Os primeiros escravizados foram trazidos para o Brasil, eram oriundos do Antigo Reino do Kongo. Seguido pelo Reino do Dahomey e finalizando pelos Reinos Yorubá.

O texto não cita exatamente qual região isso acontecia, quais as etnias envolvidas nesse processo, nem a época que isso aconteceu. Sendo o Brasil um país continental e o período de tempo longo da escravidão (349 anos), seriam uma informações importantes para situar e entender a prática.

A primeira leva de africanos que chegou ao Brasil, foi enviada para as fazendas de cana de açúcar no nordeste. Confinados, trabalhando de sol a sol, com muita sorte tinham o domingo de folga, onde eram obrigados a adotar práticas cristãs. Quando muito, tinham comida suficiente para se manter em pé no trabalho árduo, não tinham NENHUM acesso livre a “encruzilhadas” (se tivessem, com certeza iriam atrás dos seus irmão fugidos!) e muito menos comida de sobra para distribuir para “os irmãos foragidos”.

Outro exemplo é Minas Gerais, a escravidão era dentro das minas de ouro e pedras preciosas: os escravos de pequena estatura eram escolhidos para procriar, dando a luz a mais mão de obra. Viviam e morriam dentro de minas apertadas, apenas com pequenas lamparinas de óleo de baleia para iluminar sua labuta forçada em túneis insalubres. Morriam muito cedo e eram tratados pior que mercadoria.

Mais a frente, diz o autor não identificado: “colocavam comida pesada; carne, frango e farofa porque sabiam da fome e dos vários dias”. Como o autor não cita o local e a época, também não cita onde eles encontravam “carne sobrando”, ainda mais COZIDA, para deixar na encruzilhada. Nesse ponto, o autor mostra um total desconhecimento das oferendas: comidas não são “depositadas nas encruzilhadas”: as refeições sagradas são COMPARTILHADAS NA COMUNIDADE. E essa prática já veio da África: os ancestrais e divindades participam à mesa do banquete sagrado.

Existem diversos tipos de oferendas feitas pelos adeptos da religião de matriz africana: o mais conhecido é o padê (2): uma mistura de farinha, água, mel ou dendê e bebida alcóolica. No padê do candomblé, NÃO VÃO CARNES, ao contrário do que daria a entender o autor do texto. O padê com pimenta, carne, frango, peixes, cebola, etc é uma adaptação recente da Umbanda para o antigo costume do Candomblé.

A carne do animal sacrificado, também NÃO é oferecida diretamente às divindades: a parte oferecida é conhecida como axé do animal: são o sangue e outras partes que NÃO são usualmente consumidas. Animais largados inteiros em encruzilhadas NÃO são práticas das religiões de matriz africana. entenda que a carne JAMAIS é desperdiçada. Muitas vezes os animais sacrificados são a única forma de proteína disponível para a comunidade ao entorno do terreiro!!! Isso já tem sido tema de debate pois evangélicos inescrupulosos distorcem estas informações para angariar defensores dos animais contra as religiões africanas, fazendo-os acreditar que os religiosos afros “torturam animais” o que é uma enorme mentira.

O autor também cita: “uma boa cachaça pra aliviar as dores do corpo e dar-lhes algum prazer na luta cotidiana” reforçando o estereótipo de que o negro é dado ao vício e a bebedeira. A bebida alcoólica é oferta votiva em diversas religiões, incluindo a igreja católica, onde o sangue do Cristo é representado pelo vinho: mas ninguém insinua que o padre bebe por prazer. Voltando ao assunto do texto, a “pinga” (nome dado à aguardente pela forma como o álcool resultado das fermentações da cana de açúcar pingava do teto durante o processo, causando dor nos ferimentos nas costas dos escravos, daí o outro nome: água-ardente) era algo que os escravos NÃO tinham acesso fácil.

Mais para frente no texto outra besteirada que não possui nenhum fundamento histórico ou cultural: “As velas eram postas em volta dos alimentos pra que animais não se aproximassem”. A vela NÃO pertence à cosmogonia africana; é algo típico da cultura européia. Não existia na época da escravidão lojas de velas disponíveis para que os escravizados fossem para adquirir velas. Com qual dinheiro fariam isso? como conseguiriam a parafina? como produziriam as velas na senzala, debaixo dos olhos dos capatazes?

Continuando a leitura, surgem mais incongruências preconceituosas: “aí surge o que todos conhecem como macumba” NÃO! O que conhecemos como Macumba (3) é a prática de reunir africanos, afro-brasileiros, mestiços de brancos e índios, marginalizados pela sociedade européia da época. Essa prática da macumba é típica do Rio de Janeiro, uma cidade urbana, onde existia essa possibilidade de encontro, entre escravos, libertos, pobres, índios, brancos, etc. A palavra macumba tem origem no idioma Kimbundo: sua tradução literal é: reunião de pessoas veneráveis, reconhecidas. E o nome de um instrumento musical, muito usado nestas reuniões.

Ao continuar a leitura, vemos mais besteiras e desinformação: “O rito permanece sendo realizado pelas religiões afro”. O termo “religiões afro” coloca todas as práticas e crenças africanas, afro-brasileiras e afro-indígenas no mesmo balaio! As religiões de matriz africana são inumeras: Calundus, Candomblés de Caboclo, Candomblés de Angola, Nagô e Jêje, Xangôs, Amburaxó, Xambá, Terecô, Omoloko, Kimbanda, Babaçuê, Batuque, Umbanda . . . entre outras que surgiram e desapareceram e não tiveram a chance de deixar o seu nome na história. Cada prática tem suas particularidades e não cabe a ninguém de fora falar em nome das práticas. E certamente não cabe a alguém falar em nome de todas.

Por fim, ao aparentemente tentar defender as práticas afro-brasileiras, o autor faz um ataque covarde a essas práticas: “cultura branca e eurocêntrica foi quem desvirtou (sic) a prática, para causar medo, terror e abominação e reforçar os preconceitos e discriminações contra os negros”. No parágrafo anterior, ele afirma que os negros repetem práticas que hoje perderam o sentido, já que não existem mais escravos fugitivos. Agora ele afirma que as práticas atuais são para causar medo e terror e reforçar preconceitos, ou seja: ou as práticas são vazias e sem sentido ou são abominações.

Aparentemente o autor tentou dar um ar evangélico-cristão e condescendente para as antigas práticas ancestrais. Ou talvez em sua ignorância extrema tente racionalizar tais rituais, tentando dar um sentido prático de algo que faz parte da cultura/fé de um povo. Talvez ele nem se de conta do preconceito que suas palavras carregam.

Esperamos que o tal texto, apesar de mentiroso, preconceituoso e distorcido, seja útil para trazer mais debate e entendimento. Para cada linha de baboseira que se encontra na internet, precisamos sentar e escrever uma página de texto para refutá-la.

Por Kesa dia Nzaambi com comentários de Marcelo Del Debbio

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1- Ìkóòdídé: pena do rabo do do papagaio africano Odidé, largamente utilizada nos candomblés de origem Yorubá (keto ou nagô).

2- O Ìpàdé, feito de farinha de mandioca no Brasil e de farinha de Inhame na África é uma prática ancestral: Ìpàdé significa reunião é uma forma de agradar Exu Orixá. Na umbanda, ganhou o diversos complementos, como carne, pimenta, cebola, etc para servir de oferenda ao Exu Espírito.

3- O idioma kimbundo o plural não está no final da frase, mas no começo: Kumba é uma grande pessoa, viva ou morta. Ma é o prefixo que indica plural. Kumba: Venerável. Makumba: Veneráveis.

#Candomblé #Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-oferendas-nas-encruzilhadas-eram-para-alimentar-escravos-fugidos

Alquimia e Harry Potter, parte II

Arianhrod.

Nota: Esta é a segunda parte da série de artigos, confira a primeira aqui.

Nota do Tradutor: O presente artigo foi escrito antes da publicação de Harry Potter e as Relíquias Morte, motivo pelo qual o autor não se refere ao mesmo.

Nicolau Flamel, a quem é atribuída à criação da Pedra Filosofal, nasceu em 1330 e morreu em 1418, tornando-se um dos maiores alquimistas do mundo. A Bibliotheque Nationale em Paris contém obras copiadas de sua própria mão e obras originais escritas por ele. Sua esposa, Perenelle, era realmente uma pessoa rara. Ela se tornou sua companheira e confidente ao longo da vida, guardando seus segredos e ajudando-o em seus estudos até o dia de sua morte. Ela nunca revelou os segredos do marido a ninguém. Seu segredo causou muitas dores de cabeça para pesquisadores posteriores, porque exatamente o que Flamel descobriu permanece um mistério até hoje.

O que parece claro, no entanto, é que Flamel devia seu conhecimento de alquimia e outras coisas esotéricas a uma única fonte: O Livro de Abraão, o Judeu, que ele recebeu de um estranho que entrou em sua livraria um dia. O livro estava cheio de palavras cabalísticas em grego e hebraico, e Flamel teve muita dificuldade em traduzi-las.

De acordo com Merton:

“Um dia, quando Nicolas Flamel estava sozinho em sua loja, um homem desconhecido que precisava de dinheiro apareceu com um manuscrito para vender. Flamel sem dúvida se sentiu tentado a recebê-lo com desdenhosa arrogância, como fazem os livreiros de nossos dias quando algum pobre estudante se oferece para lhes vender parte de sua biblioteca. Mas no momento em que viu o livro, reconheceu-o como o livro que o anjo lhe oferecera e pagou dois florins por ele sem barganhar. O livro parecia-lhe realmente resplandecente e instintivo de virtude divina. Tinha uma encadernação muito antiga de cobre trabalhado, na qual estavam gravados curiosos diagramas e alguns caracteres, alguns gregos e outros numa língua que ele não conseguia decifrar. As folhas do livro não eram de pergaminho, como as que ele costumava copiar e encadernar. Eles eram feitos de casca de árvores jovens e cobertos com uma escrita muito clara feita com uma ponta de ferro. Essas folhas foram divididas em grupos de sete e consistiam em três partes separadas por uma página sem escrita, mas contendo um diagrama que era bastante ininteligível para Flamel. Na primeira página estavam escritas palavras no sentido de que o autor do manuscrito era Abraão, o judeu – príncipe, sacerdote, levita, astrólogo e filósofo. [minha nota: Abraão da Bíblia] Seguiram-se então grandes maldições e ameaças contra qualquer um que pusesse os olhos nele, a menos que fosse um sacerdote ou um escriba. A misteriosa palavra maranatha, repetida muitas vezes em cada página, intensificou o caráter inspirador do texto e dos diagramas. Mas o mais impressionante de tudo era o ouro patinado das bordas do livro e a atmosfera de antiguidade sagrada que havia nele.” 17

Flamel fez o trabalho de sua vida para entender o texto desses segredos perdidos. Ele havia adquirido amplo conhecimento das artes alquímicas antes de obter o livro; no século 14, a sabedoria dos árabes e judeus encontrou seu caminho para a Europa cristã, e como livreiro e copista Flamel certamente teve acesso a eles. Então ele procurou os árabes e judeus para decifrar o livro. Ele viajou para universidades na Andaluzia para consultar autoridades judaicas e muçulmanas. Na Espanha, conheceu um mestre misterioso que lhe ensinou a arte de entender seu manuscrito, mas ainda levou 21 anos para desvendar o mistério do livro. Se ele conseguiu ou não realmente encontrar a Pedra Filosofal é uma questão ainda muito debatida.

De qualquer forma, após seu retorno à França, Flamel de repente se tornou fabulosamente rico. Ele estabeleceu moradias de baixa renda para os pobres, fundou hospitais e dotou igrejas, nunca vivendo de forma extravagante. Segundo o historiador Louis Figuier: “Marido e mulher socorreram os pobres, fundaram hospitais, construíram ou reformaram cemitérios, restauraram a fachada de Saint Genevieve des Ardents e dotaram a instituição dos Quinze-Vingts, cujos internos cegos, em memória deste fato, vinha todos os anos à igreja de Saint Jacques la Boucherie para rezar por seu benfeitor, uma prática que continuou até 1789.” 18

Em sua morte em 1418, Flamel foi supostamente enterrado em uma igreja e sua lápide decorada com os mais incríveis símbolos alquímicos imagináveis. Alguns anos depois, seu túmulo foi aberto e, surpreendentemente, o túmulo estava vazio. Foi o mesmo com o de Perenelle. Muitas fontes permitem a possibilidade de que talvez ele realmente tenha encontrado o Elixir da Vida. Cientistas modernos recriaram seus experimentos em um laboratório moderno e, embora fossem necessárias 700 destilações, eles conseguiram reproduzir parte de seu experimento. 19

O que aconteceu com O Livro de Abraão, o Judeu, após a morte de Flamel? Ninguém sabe ao certo, mas de alguma forma, o Cardeal Richelieu (da fama dos Três Mosqueteiros) conseguiu adquirir O Livro de Abraão, o Judeu, para sua própria coleção. A biblioteca pessoal de Richelieu estava, de fato, cheia de livros sobre esoterismo, ocultismo e vários textos gnósticos. Como ele conseguiu encontrar um dos mais famosos de todos os livros de ocultismo é um mistério, mas o livro desapareceu após sua morte, para nunca mais ser visto.

Então Flamel realmente morreu? Alguns pensam que não, por causa de uma figura curiosa que continuou surgindo ao longo dos séculos XVIII, XIX e início do XX na pessoa do Conde de St. Germain. Diz-se que St. Germain era um aristocrata francês que detinha os segredos do Elixir da Vida e o compartilhava com vários nobres e membros da realeza francesa, incluindo Madame Pompadour.

A história sabe bastante sobre St. Germain – exceto quando ele nasceu. A primeira vez que ouvimos falar dele é em Londres e em 1745 em Edimburgo, onde foi preso por espionagem, presumivelmente pelos jacobitas que travavam guerra no trono da Inglaterra na época. Ele desapareceu em 1746 e não foi visto novamente até 1758 em Versalhes. Durante este tempo em Paris, ele deu diamantes como presentes e supostamente deu a entender que ele tinha séculos de idade. Em 1760 partiu para a Inglaterra pela Holanda quando o ministro de Estado, o duque de Choiseul, tentou prendê-lo. Depois disso, o conde passou pela Holanda para a Rússia e aparentemente estava em São Petersburgo quando o exército russo colocou Catarina, a Grande, no trono. Teorias da conspiração posteriores creditam-no por causá-lo. Mais tarde esteve na Bélgica, oferecendo seus tratamentos de madeira, óleo e metais. Enquanto estava lá, ele insinuou um nascimento real para o ministro belga e realmente transformou o ferro em algo parecido com ouro.

Em 1763 ele desapareceu por mais 11 anos, e a próxima vez que ouvimos falar dele é na Baviera em 1774, depois na Alemanha em 1776, onde ele mais uma vez ofereceu suas receitas aparentemente alquímicas. Ele alienou os emissários do rei Frederico por suas alegações de transmutação de ouro e, em alguns relatos, comparou-se a Deus e afirmou ser maçom. Ele se estabeleceu em uma casa do príncipe Karl de Hesse-Kassel, governador de Schleswig-Holstein e estudou remédios de ervas e química para dar aos pobres, alegando que era um Francisco Rakoczy II, príncipe da Transilvânia.

Segundo a Wikipedia, St. Germain morreu em 1784 de pneumonia. No entanto, houve relatos de avistamentos dele vivo em Paris em 1835 (quando ele teria pelo menos 100 anos), Milão em 1867 e no Egito durante as Guerras Napoleônicas. Os relatos dele continuam até 1926, que é, curiosamente, o mesmo ano em que Tom Servolo Riddle nasceu em 31 de dezembro.

A ideia de St. Germain e Flamel como uma e a mesma pessoa parece absurda; no entanto, não se pode deixar de perguntar: onde St. Germain adquiriu o Elixir? Ele por acaso tropeçou no Livro de Abraão, o Judeu, que desapareceu após a morte do Cardeal Richelieu? Ou foi tudo uma farsa? Não importa a explicação, tanto Nicolas Flamel quanto o Conde de St. Germain continuam sendo dois dos personagens mais intrigantes de toda a alquimia.

Independentemente do status de Flamel, sua invenção desempenha o papel central no livro. A busca de Harry pela verdade por trás do misterioso arrombamento de Gringotes e a percepção de que o alvo é a Pedra Filosofal coloca ele e seus amigos constantemente no caminho de Severo Snape. Desde o início, Snape e Harry se detestam; A condescendência arrogante e a natureza ácida de Snape são um espinho constante no lado de Harry. Harry está convencido de que Snape está tentando roubar a Pedra, apenas para provar que está errado, como faria uma e outra vez.

Como mencionado anteriormente, Snape representa o vitríolo, o catalisador do processo de transformação. Está presente em todos os sete estágios (como Snape esteve presente em todos os seis livros, e seu retorno no Livro 7 é garantido). O catalisador não é destruído na reação; na verdade, ela não é alterada pela transformação. Isso se tornará crucial quando discutirmos o Livro 7.

O arqui-inimigo de Harry, Draco Malfoy, representa todo o primeiro estágio da Grande Obra. Seu nome, Draco, significa “dragão”, e o dragão representa a prima materia antes de começar sua transformação. É significativo, então, que encontremos Draco no Beco Diagonal, antes da viagem de trem para Hogwarts. Neville representa o sapo, ou matéria terrena, a Primeira Matéria, que é o primeiro estágio antes mesmo da prima materia ser obtida. Em muitos contos de fadas, o sapo é um símbolo de fracasso, e Neville pode ser visto assim até o quinto livro. Na alquimia, o sapo é uma criatura humilde até encontrar a águia ou cisne branco no quinto estágio, e isso é exatamente o que acontece com Neville quando ele começa a se destacar em Ordem da Fênix.

A introdução do Quadribol no mundo de Harry Potter está impregnada de simbolismo alquímico e arquetípico. Como apanhador do time da Grifinória, o trabalho de Harry é encontrar e pegar o pomo de ouro. No entanto, a palavra Apanhador (em inglês “Seeker”, o buscador) descreve Harry maravilhosamente – ele realmente é um buscador, um buscador da verdade e da iluminação. Os balaços representam os obstáculos ao longo do caminho, enquanto ele tenta se abaixar e se esquivar dos eventos que conspiram para mantê-lo longe de seu objetivo. O Pomo de Ouro, no entanto, é o objeto mais importante do jogo. Uma pequena bola de ouro com asas, o pomo representa os planos superiores de consciência” a Pedra Filosofal. O Harry Potter Lexicon (O Léxico de Harry Potter) descreve Bowman Wright, o homem que inventou o Pomo de Ouro, como um “encantador de metal”, que é outro nome para um metalúrgico ou alquimista. Curiosamente, uma bola dourada com asas estava no topo do caduceu de Hermes; de acordo com para o Dicionário Eletrônico Alquímico, o caduceu simboliza a “conjunção dos princípios alquímicos e sua prole, se vive, é a Pedra. Esta Pedra é representada como uma bola dourada com asas no topo do caduceu.”

Eventualmente, Harry, Ron e Hermione encontram o caminho pelo alçapão e Fofo, o cão de três cabeças inspirado no Cérbero da mitologia grega. As provações que eles enfrentam antes que Harry possa finalmente entrar na sala onde o Espelho de Ojesed é guardado são um rito de passagem em si; eles devem provar que são dignos antes que possam continuar.

A batalha final com o Professor Quirrell antes do Espelho também tem ligações alquímicas muito fortes. Embora o próprio Espelho seja uma invenção de Rowling, a maneira como ele funciona é fiel à tradição alquímica. Dumbledore, ele próprio um alquimista, está bem ciente do princípio do amor e da iluminação, e esconde a Pedra em um lugar onde apenas os puros de coração seriam capazes de obtê-la. O professor Quirrell pode se ver com a Pedra Filosofal, mas não a entende. Por quê? Porque ele queria isso para ganho material e poder” para devolver seu mestre à força. Harry, por outro lado, queria que a Pedra a mantivesse segura; de forma alguma ele pretendia usá-lo para si mesmo. É por isso que ele conseguiu pegar a Pedra do Espelho e Quirrell não.

Este é o caminho no qual Harry se encontra – o caminho para a iluminação. Somente buscando aquela parte de si mesmo “sua bondade e amor” ele encontrará os meios para destruir Voldemort de uma vez por todas. Ele deve se tornar a personificação física da Pedra Filosofal, alcançando a perfeição espiritual e a imortalidade, antes de finalmente se libertar do vínculo entre ele e Tom Riddle.

Ano 2: A Câmara Secreta:

O segundo estágio da operação, ou dissolução, representa o colapso adicional do ego. Inconscientemente, a mente começa a permitir que memórias enterradas e pensamentos reprimidos venham à tona. De acordo com Adam McLean, a dissolução pode ser descrita como um “fluxo” da felicidade de ser bem usado e ativamente engajado em atos criativos sem preconceitos tradicionais, bloqueios pessoais ou hierarquia estabelecida atrapalhando. 20

Câmara Secreta nos apresenta os conceitos bruxos de sangue e herança, e leva aos preconceitos inerentes de alguns “sangues puros” em relação aos nascidos trouxas (“sangues-ruins”) e mestiços. Harry deve aprender a navegar dentro dessa estrutura enquanto tenta desvendar o enigma da lendária Câmara Secreta.

Neste livro, somos apresentados a alguns personagens muito interessantes: Dobby, o Elfo Doméstico, Fawkes, o basilisco, Aragogue, a Acromântula, e Tom Riddle, monitor, aluno modelo e menino de ouro de Hogwarts. A partir do momento em que Harry encontra o diário de Tom, Tom Riddle captura nosso interesse assim como o de Harry. Harry sente uma curiosidade instantânea e, apesar dos avisos de Ron e Hermione, investiga ainda mais os segredos do diário.

Em uma passagem que suscitou discussões e debates fantásticos, Harry não pode jogar o diário fora:

“Harry não conseguia explicar, nem para si mesmo, por que não jogou o diário de Riddle fora. O fato é que, mesmo sabendo que o diário estava em branco, ele o pegava distraidamente e virava as páginas, como se fosse uma história que ele quisesse terminar. E enquanto Harry tinha certeza de que nunca tinha ouvido o nome T.M. Riddle antes, ainda parecia significar algo para ele, quase como se Riddle fosse um amigo que ele tinha quando era muito pequeno, e meio esquecido.” (A Câmara Secreta, página 235).

Harry está se lembrando de uma memória há muito enterrada do passado? A conexão de Harry com Lord Voldemort nunca foi adequadamente explicada, um fato que sem dúvida é intencional por parte de Rowling. Embora provavelmente não saibamos a resposta para o significado desta passagem até o Livro 7, se mesmo assim, parece que Harry tem uma conexão com Tom Riddle, bem como com Lord Voldemort, que pode ser explicada alquimicamente. Harry confia em Tom, e mesmo ele não sabe por quê. Ele não questiona, não duvida. É apenas um sentimento que ele tem de que pode depender de Tom, mesmo que ele seja apenas uma memória e não de forma alguma real.

Harry descobre através do diário (ou pensa que sabe) que Hagrid abriu a Câmara Secreta cinquenta anos antes, uma reviravolta que ele tem medo de perguntar a Hagrid. Quando a Câmara é aberta novamente e vários estudantes são atacados, Hagrid é enviado para Azkaban. Antes de ser levado, no entanto, Hagrid dá uma última ordem a Harry e Ron, dizendo-lhes para “seguir as aranhas”. Isso nos leva a Aragogue, a acromântula que Hagrid criou de um ovo.

As aranhas surgem não apenas na alquimia, mas também no Tarô. A aranha é considerada a Mestra Tecelã da Roda da Fortuna e aquela que prediz o destino. Além disso, as aranhas simbolizam as conexões entre passado, presente e futuro. Aragogue, então, representa o equilíbrio entre destino e fortuna, e realmente representa o passado como a única testemunha restante, além de Hagrid, da primeira abertura da Câmara. Ele simboliza os fios da delicada teia que tece o passado, presente e futuro juntos. Isso é exatamente o que Harry aprende neste livro – que ele e Tom Riddle estão inextricavelmente ligados pela Roda do Tempo.

Quando Harry fica cara a cara com Tom na Câmara Secreta, ele ainda confia nele, mas as coisas rapidamente ficam feias quando as motivações de Tom ficam claras. Memória Tom representa para Harry o que ele poderia se tornar, dependendo das escolhas que fizer, assim como Dumbledore representa para Tom o que ele poderia ter se tornado; Harry e Tom são dois lados da mesma moeda, reflexos sombrios um do outro. Na verdade, pode-se dizer que Tom é o alter ego de Harry. Para crédito de Harry, ele nunca vacila do Caminho Verdadeiro, e ao fazê-lo é recompensado por sua lealdade com a chegada oportuna de Fawkes, sem o qual Harry certamente teria morrido.

Rowling enfatiza fortemente ao longo da série a importância das escolhas em nossas vidas. Como Dumbledore diz: “São nossas escolhas, Harry, que mostram o que realmente somos, muito mais do que nossas habilidades”. (Prisioneiro de Azkaban, p. 333) Esse tema reverberará pelo resto dos livros e destaca a principal diferença entre Harry e Tom Riddle.

Muitos de nós nos perguntamos se Tom também era um alquimista; se ele era um, ele era um Alquimista Negro em oposição ao Alquimista Branco de Dumbledore. Como mencionado anteriormente, o alquimista deve iniciar seus estudos com um coração puro, o que Tom não fez. Cheio de raiva e raiva, ele escolheu o poder e o ganho material sobre o amor e a pureza e, ao fazê-lo, selou seu próprio destino. Ele nunca alcançará a imortalidade, apesar de suas melhores tentativas.

A própria Câmara representa o Abaixo, o reino da matéria e do mundano. Este motivo está presente em A Pedra Filosofal, na Sala dos Espelhos; em Prisioneiro de Azkaban, na Casa dos Gritos; em Cálice de Fogo, onde o confronto ocorre em um cemitério; e em Ordem da Fênix, onde a batalha acontece no subsolo do Ministério da Magia. Estes são todos símbolos do estágio Negro, que termina com a Ordem da Fênix.

Nas profundezas da Câmara, o basilisco e a fênix desempenham papéis importantes no resultado. Ambos são símbolos alquímicos; o basilisco é uma criatura alquímica simbólica que se diz ter a cabeça de um pássaro e o corpo de um dragão. Este animal serpentino sem asas nasceu de um ovo de galo hermafrodita após 900 anos e foi amamentado por uma serpente. Claramente, no entanto, o basilisco neste caso é uma serpente ou cobra. É o inimigo mortal da fênix, que representa a morte e a ressurreição. Isso é simbolizado pelas lágrimas de Fawkes, que têm poderes curativos e curam Harry do veneno do basilisco.

Curiosamente, segundo The Medieval Bestiary (O Bestiário Medieval), o nome latino do basilisco é regulus; era chamado de Rei das Serpentes porque seu nome grego basilicus significa “pequeno rei”. Regulus é latim para rei. De acordo com Plínio, o Velho [século I d.C.]:

Qualquer um que veja os olhos de uma serpente basilisco (basilisci serpentis) morre imediatamente. Não tem mais de trinta centímetros de comprimento e tem marcas brancas na cabeça que parecem um diadema. Ao contrário de outras cobras, que fogem de seu silvo, ela avança com o meio erguido. Seu toque e até mesmo seu hálito queimam a grama, matam arbustos e explodem pedras. Seu veneno é tão mortal que, uma vez, quando um homem em um cavalo espetou um basilisco, o veneno subiu pela lança e matou não apenas o homem, mas também o cavalo. Uma doninha pode matar um basilisco; a serpente é jogada em um buraco onde vive uma doninha, e o fedor da doninha mata o basilisco ao mesmo tempo em que o basilisco mata a doninha. 21

A jornada de Harry continua. Seu segundo ano em Hogwarts lhe deu muito em que pensar; algumas coisas no mundo bruxo não são o que parecem. Ele questiona seu lugar nele e o papel que ele deve desempenhar para derrotar Voldemort. Acima de tudo, ele aprende que suas escolhas o definem e, inconscientemente, decide permanecer no caminho certo, escolher o que é certo sobre o que é fácil, uma decisão que lhe servirá bem em Prisioneiro de Azkaban.

Ano 3: Prisioneiro de Azkaban:

Prisioneiro de Azkaban nos apresenta personagens ainda mais fascinantes: o pobre mas gentil Professor Lupin, o Mapa dos Marotos, Pedro Pettigrew, Bicuço o Hipogrifo, Bichento o Amassador e o malandro Sirius Black. Nós também encontramos os dementadores pela primeira vez, assim como os conceitos de mudança de tempo e patrono, que finalmente salvam tanto a vida de Harry quanto a de Sirius.

Neste livro encontramos o terceiro estágio de transformação, chamado separação, que representa a recuperação da parte de nós mesmos onde estão nossas esperanças e sonhos. A separação é um processo consciente de arrumação mental, onde decidimos o que manter e o que jogar fora, mantendo apenas as partes que se encaixam com nossa nova visão da vida. Significa abrir mão de velhas restrições impostas por professores, pais e outros, para que possamos finalmente começar a ser nós mesmos e alcançar todo o nosso potencial. 22

Sirius Black rouba a cena em Prisioneiro de Azkaban. Um homem inocente condenado injustamente à prisão perpétua em Azkaban, Sirius representa o sal no processo alquímico. Como mencionado anteriormente, o sal era uma das três substâncias mais importantes na alquimia, junto com o mercúrio e o enxofre. A Tábua de Esmeralda chama isso de “a Glória de Todo o Universo” e “o início e o fim da grande obra.” Sua importância no trabalho alquímico será discutida em maiores detalhes no Ano 5: Ordem da Fênix. basta dizer que o papel de Sirius na história é crucial, e que temos uma boa introdução ao seu personagem em Prisioneiro de Azkaban.

Antes de Harry partir para Hogwarts, ele entra em contato com um grande cachorro preto enquanto espera pelo Nôitibus depois de explodir sua tia Marge. Mal sabe ele que o cachorro é na verdade o assassino em massa Sirius Black; no entanto, o próprio cão tem conotações alquímicas. Na alquimia, os cães significam matéria primitiva ou enxofre natural. Um cachorro sendo devorado por um lobo simboliza o processo de purificação do ouro usando antimônio, e vemos esse processo perto do final do livro durante a luta entre Sirius e Lupin. Não surpreendentemente, então, o Professor Lupin representa o antimônio ou estribita, também conhecido como o Lobo Cinzento. O alquimista Basílio Valentim nomeou o metal depois de alimentá-lo a alguns monges em um mosteiro beneditino. Os monges adoeceram violentamente e alguns até morreram, daí o nome latino que significa “anti-monge”. Espiritualmente também, muitas pessoas se sentem mais ameaçadas por sua própria natureza animal. Como um lobisomem, Lupin simboliza os impulsos animais que todos nós temos em forma monstruosa, que são elementos que precisamos aprender a controlar se quisermos avançar espiritualmente.

Não é por acaso que Lupin toma o lugar de uma figura paterna na vida de Harry. Através de Lupin, ele aprende a expulsar os dementadores (a expressão de depressão de Rowling) ao perceber que não pode viver no passado. Isso se encaixa no modelo do terceiro estágio da alquimia, a separação. Harry começa a se separar de seus pais e a formar sua própria identidade. Uma vez que ele aprende a “desligar” os gritos de sua mãe quando os dementadores estão por perto, Harry pode então produzir um patrono, ou guardião. Ele recupera uma parte de si mesmo que sabe que seus pais o amaram e se sacrificaram por ele, mas que ele não pode viver no passado a ponto de esquecer-se de viver. O tremoço é crucial para este processo.

O patrono de Harry assume a forma de um cervo branco, que não só tem conotações religiosas, mas também simbolismo alquímico. Os alquimistas chamavam isso de Veado Fugitivo e representa a energia feminina (água) da Grande Obra, ou o elemento protetor e nutridor da transformação. A armação de chifres do veado representa as constelações e o zodíaco – o Acima e os reinos superiores da consciência. Este é o Acteón da mitologia grega, o caçador que foi transformado em veado por admirar a Ártemis nua enquanto ela se banhava em um lago.

Nós conhecemos Bicuço, o Hipogrifo, na primeira aula cheia de ação de Hagrid como professor de Hogwarts. Na alquimia, o Vaso de Hermes (outro nome para o Cálice de Salomão ou o Santo Graal) era chamado de Ovo do Grifo. De acordo com Legends of Charlesmagne (As Lendas de Carlos Magno) de Thomas Bulfinch:

“Como um grifo, tem cabeça de águia, garras armadas de garras e asas cobertas de penas, sendo o resto do corpo de cavalo. Este estranho animal é chamado de Hipogrifo.

A razão de sua grande raridade é que os grifos desprezam os cavalos, que consideram com os mesmos sentimentos que um cão tem por um gato. Nos tempos medievais havia uma expressão, “Para acasalar grifos com cavalos”, que significava quase o mesmo que a expressão moderna, “Quando os porcos voam”. O hipogrifo era, portanto, um símbolo de impossibilidade e amor. Isso teria sido inspirado nas Éclogas de Virgílio: … cruze Grifos com éguas, e na próxima idade veados e cães tímidos vêm beber juntos.

Entre os temas de combate animal em adornos de ouro citas podem ser encontrados grifos atacando cavalos.

O hipogrifo parecia mais fácil de domar do que um grifo. Nas poucas lendas medievais em que essa criatura fantástica aparece, geralmente é o animal de estimação de um cavaleiro ou de um feiticeiro. Faz um excelente corcel, sendo capaz de voar tão rápido quanto um relâmpago. Diz-se que o hipogrifo é um onívoro, comendo plantas ou carne.” 23

Na “execução” de Bicuço, perto do final da história, encontramos um dos símbolos da separação: o machado; embora no livro seja um machado, o simbolismo é o mesmo. MacNair afia sua lâmina em uma pedra em preparação para o evento e a usa para executar Bicuço. Outros símbolos para esta fase incluem espadas, flechas, foices e facas.

Outros simbolismos animais também aparecem em Prisioneiro de Azkaban. O apelido de Pedro Pettigrew é “Rabicho”, e com razão. Na alquimia, o verme é outra representação do Ouroboros, ou a cobra segurando sua própria cauda. O Ouroboros simboliza um grande círculo e a ideia de que “tudo é um” e que o tempo é um ciclo de destruição e regeneração. Pedro inclinou a balança em Prisioneiro de Azkaban, escapando e voltando para Voldemort. No entanto, ele se arrependerá do que fez e, no livro final, expiará seus erros contribuindo para a queda de Voldemort, redimindo-se assim. Quando isso acontecer, os eventos terão completado o círculo, assim como a cobra segurando sua cauda está completa.

Mais uma vez, os eventos na Casa dos Gritos (o Abaixo neste caso) provam de que material forte Harry é feito. Em vez de permitir que Sirius e Lupin matem Pedro, Harry o poupa, preferindo mandá-lo para os dementadores, algo que nem Sirius nem Lupin entendem completamente. A superioridade moral e o coração por excelência de Harry realmente se mostram aqui. Ele não quer que os dois melhores amigos de seu pai se tornem assassinos, e involuntariamente liga Rabicho a ele na forma de uma dívida de vida. Nisso, Harry está se destacando; ele está saindo da sombra de seu pai e se tornando sua própria pessoa. Este processo está longe de terminar, no entanto; está apenas começando.

Ano 4: Cálice de Fogo:

O quarto estágio da transformação alquímica é chamado de conjunção. A conjunção representa a união do masculino e feminino (yin e yang) em um novo sistema de crenças ou um estado intuitivo de consciência. Foi chamado de “A Pedra Menor” porque quando foi alcançado o Apanhador, ou o Buscador, sabia exatamente o que precisava ser feito. 24

Cálice de Fogo está cheio de imagens alquímicas; no entanto, vou me concentrar nas três tarefas Tribruxo nesta análise. Essas quatro tarefas juntas são preparatórias para as provações que Harry enfrentará na Ordem da Fênix. Mas primeiro, ele deve passar pelo Torneio Tribruxo.

O Cálice de Fogo em si é mais uma representação do Santo Graal e da Pedra Filosofal. Um objeto mágico muito poderoso, o Cálice sela o destino dos competidores em um contrato obrigatório do qual não há como escapar. Eles devem competir ou enfrentar as consequências. Como o Graal, o Cálice sabe quais participantes são dignos e verdadeiros o suficiente para enfrentar os difíceis desafios à frente.

A primeira tarefa é o dragão e representa o fogo. Como observado anteriormente, os dragões simbolizam a matéria no início do trabalho ou calcinação, cujo símbolo é o fogo; nesse sentido, Harry está voltando ao primeiro estágio da Grande Obra. Desta vez, no entanto, ele sabe exatamente o que fazer e consegue obter seu ovo notavelmente rápido. Em algumas interpretações, o dragão é o guardião do submundo, assim como Fofo era em A Pedra Filosofal. O tesouro mais importante que um dragão possui é sua pérola mágica, que o dragão sempre manteve perto, seja na boca ou sob o queixo. A pérola emite uma luz radiante que nunca se apaga e é o símbolo da sabedoria, iluminação, auto-realização e riqueza espiritual. Os dragões ficam impotentes se suas pérolas forem roubadas. Neste caso, os ovos dos dragões substituem as pérolas. Curiosamente, os alquimistas estavam interessados ​​em dragões por uma pedra curiosa chamada draconita, que dizia detectar e curar venenos. No entanto, a única maneira de obter essa gema era removê-la antes que o dragão morresse, ou então a criatura, ao morrer, arruinaria propositalmente a pedra.

Os dragões também representam o inconsciente e funcionam como uma porta de entrada para outras dimensões. Na alquimia indiana, chamada Nagayuna, o objetivo era unificar as energias do corpo preservando o Elixir da Vida. O símbolo de duas serpentes entrelaçadas, chamadas Naga, representa a ligação entre o céu e a terra, bem como a transição entre o Abaixo e o Acima, que é o que o Cálice de Fogo faz. Como o livro do meio da série, é o último volume a ocorrer no Abaixo; as que se seguem ocorrem no Alto, ou nos reinos mais elevados da consciência. Esse simbolismo aparece novamente na cena do cemitério na forma de Nagini, a enorme cobra de estimação de Voldemort. Em muitas culturas, os termos “serpente” e “dragão” eram intercambiáveis; na verdade, os dragões eram frequentemente chamados de “serpentes aladas”.

Depois que Harry adquire seu ovo, vence a tarefa no processo, e é aconselhado por Cedrico a abri-lo debaixo d’água para a próxima pista. Ele vai ao banheiro dos monitores e passa uma hora agradável na companhia da Murta Que Geme  e das sereias descobrindo sua pista. Como tenho certeza que você já deve ter adivinhado, mesmo algo tão inofensivo quanto um banho também tem conotações alquímicas! Os banhos na alquimia simbolizam o processo de dissolução (segunda etapa) em que os metais são limpos e purificados.

A segunda tarefa representa, obviamente, a água. O mergulho de Harry no lago é cheio de perigos. Ele tem que resgatar Ron das garras das sereias dentro do prazo. No entanto, Harry não percebe que Dumbledore não deixaria Ron, Hermione e Gabrielle se afogarem; como resultado, ele acaba salvando todos os reféns. Ao fazer isso, ele confirma que é nobre de espírito e puro de coração; ele se importava mais com a vida dos outros do que consigo mesmo. Isso também faz parte do estágio de conjunção; confirma que Harry está no caminho certo em seu caminho para a iluminação.

Há alguma confusão sobre a natureza da terceira tarefa e a diferença entre um labirinto (labyrinth) e um labirinto (maze). Ao contrário da crença popular, labirintos (labyrinths) e labirintos (mazes) não são a mesma coisa. Labirintos (labyrinths) têm um caminho bem definido que nos leva ao centro e volta para fora. Não há truques para um labirinto; oferece uma escolha: entrar ou não. Uma vez dentro, você encontrará o caminho para fora novamente. Um labirinto (maze), por outro lado, oferece várias opções, algumas com muitas entradas e saídas. Becos sem saída e curvas fechadas representam os enigmas e dificuldades da vida, que vemos na Esfinge e seu enigma da aranha. Labirintos (mazes) nos desafiam a tomar decisões corretas com base na lógica e na intuição. Em um labirinto (maze), o objetivo é encontrar o caminho através de caminhos elaborados e tortuosos para alcançar um objetivo específico; neste caso, a Taça Tribruxo. O objetivo de um labirinto (labyrinths) é encontrar o caminho para o centro de si mesmo. Intencionalmente ou não, Rowling incorporou o simbolismo de ambos os quebra-cabeças à tarefa, para que possamos ver melhor os caminhos e escolhas que Harry deve fazer em sua jornada para a iluminação.

O labirinto (labyrinth) é um antigo símbolo da jornada de vida pela qual encontramos o verdadeiro propósito de nossa vida. Ao percorrer o caminho, criamos um lugar sagrado dentro de nós mesmos e deixamos nosso ego de lado. Os celtas chamavam isso de “Coração do Coração” e é isso que Harry faz durante sua jornada pelo labirinto (maze). Os obstáculos que ele encontra ao longo do caminho o guiam pelo caminho até o centro. O aspecto do labirinto (maze) representa os enigmas e os diferentes caminhos que se pode escolher ao longo da vida para atingir nossos objetivos. No labirinto (maze), “reina a ilusão e a confusão e o alquimista corre o risco de perder toda a conexão e clareza”. 25 O Feitiço de Quatro Pontos de Harry permite que ele permaneça no caminho certo e alcance o centro do labirinto (maze) relativamente ileso.

O cemitério, na alquimia, é um símbolo para o “recipiente do alquimista”, no qual os produtos químicos que foram fermentados por três estágios atingem o ponto de ebulição, produzindo explosões tão violentas que muitas vezes o alquimista foi gravemente ferido ou morto no processo. O objetivo disso era produzir um “fluido” ou essência dentro do recipiente, algo que os alquimistas chamavam de “asa de corvo” por causa de sua cor azul-preta.26 Harry está quase morto nesta cena e está, de fato, ferido. Os eventos o ultrapassam até que ele e Voldemort duelam até a morte em uma explosão de frustração e hostilidade reprimidas. Harry mal consegue segurar Voldemort; no entanto, por causa das essências de seus pais e de Cedrico produzidas por sua varinha, ele é salvo mais uma vez por pura força de vontade e não por coragem.

Os corvos representam o estágio negro ou nigredo; neste caso, a vinda de Ordem da Fênix. O Corvo Negro ou Corvo Negro é frequentemente retratado como um processo de morte em vez de um pássaro real, como no caput mortuum, a cabeça da morte, ou como algumas ilustrações alquímicas mostram, o alquimista morrendo dentro de um frasco. (Veremos o caput mortuum novamente em Ordem da Fênix.) Assim, no símbolo do Corvo Negro temos a saída em consciência do mundo dos sentidos físicos, as restrições que nos prendem ao corpo físico. 27 É por isso que Cedrico teve que morrer, na minha opinião. Ele representa a cabeça da morte e o início da ascensão do Abaixo para o Acima.

Pouco depois de seu renascimento, Voldemort menciona alegremente a poção que ele instruiu Pedro a preparar para que ele pudesse habitar um corpo rudimentar até sua Festa de Renascimento e até lista os ingredientes:

“O corpo de Rabicho, é claro, estava mal adaptado para possessão, já que todos supunham que ele estava morto, e atrairia muita atenção se notado. No entanto, ele era o servo de que eu precisava, e, pobre bruxo como ele é, Rabicho foi capaz de seguir as instruções que lhe dei, o que me devolveria a um corpo rudimentar e fraco, um corpo que eu poderia habitar enquanto esperava os ingredientes essenciais para o verdadeiro renascimento… um feitiço ou dois de minha própria invenção… com uma pequena ajuda de minha querida Nagini’ Os olhos vermelhos de Voldemort caíram sobre a cobra que circulava continuamente, “uma poção preparada com sangue de unicórnio, e o veneno de cobra que Nagini forneceu… Eu logo voltei a uma forma quase humana e forte o suficiente para viajar”. (Cálice de Fogo, p. 656)

Sangue de unicórnio é outro nome para mercúrio ou mercúrio, e veneno de cobra é mencionado por Valentim em suas Doze Chaves como um dos componentes do Elixir da Vida. Voldemort estava tentando fazer sua própria Pedra Filosofal? Parece possível. Ele falhou em roubar a Pedra no primeiro livro, mas certamente sabia o suficiente sobre alquimia para inventar tal poção (ou dar instruções explícitas a Pedro sobre sua preparação), e assim como ele sabia que o sangue de unicórnio em A Pedra Filosofal mantê-lo vivo, ele sabia que essa poção em particular ajudaria a fortalecê-lo por tempo suficiente para adquirir um corpo. Parece estranho que Rowling escolhesse esses ingredientes em particular a menos que ela conhecesse a conexão entre eles e o Elixir. Além disso, quando lembramos do objetivo de Geber de takwin ou vida artificial, vemos como ele poderia ter instruído Pedro a realizar a magia necessária para que ele adquirisse um corpo rudimentar até que seus planos atingissem a maturidade.

É interessante notar que muitas pessoas se perguntaram o que era o corpo infantil de Voldemort e do que era feito. Logo no início, mencionei a busca de Geber pela criação da vida e que Paracelso afirmou ter criado um homúnculo – e o corpo rudimentar de Voldemort pode ter sido exatamente isso.

Homúnculo (alt: homonculus) significa “homenzinho” e na alquimia se refere a falsos seres humanos criados a partir de uma variedade de ingredientes. De acordo com a Wikipédia, um método envolvia raízes de mandrágora, que vemos na Câmara Secreta como o antídoto para petrificação. Diz a lenda que a mandrágora, cujas raízes lembravam vagamente um ser humano, cresceu onde o sêmen ejaculado por homens enforcados durante os últimos espasmos convulsivos antes da morte cair no chão. A raiz deveria ser colhida antes do amanhecer de uma sexta-feira de manhã por um cão preto, depois lavada e “alimentada” com leite e mel e, em algumas receitas, sangue, após o que se desenvolveria completamente em um humano em miniatura que guardaria e protegeria seu proprietário. Outro método era pegar um ovo posto por uma galinha preta, fazer um pequeno buraco na casca, substituir uma porção do branco do tamanho de um feijão por esperma humano, selar a abertura com pergaminho virgem e enterrar o ovo no esterco na primeira dia do ciclo lunar de março. Um humanoide em miniatura emergiria do ovo após trinta dias, o que ajudaria e protegeria seu criador em troca de uma dieta constante de sementes de lavanda e minhocas. Ainda outra receita, a usada supostamente por Paracelso, prescrevia o uso de um saco de ossos, fragmentos de pele e pelos de qualquer animal. Curiosamente, o homúnculo seria um híbrido do animal escolhido – então, se uma cobra fosse escolhida, a criação se pareceria com uma cobra.

O homúnculo é mencionado no Ato II do Fausto de Goethe como uma criação alquímica do aluno de Fausto, Wagner. Na verdade, é uma inteligência artificial e talvez o primeiro bebê de proveta do mundo. O homúnculo naquela obra se assemelhava a um ser de fogo, um ser de alma e espírito puros que vive completamente dentro de seu frasco e não tem um corpo real. (Soa familiar?) Seu maior desejo é se tornar um humano completo, e ele leva Fausto e Mefisto ao reino da Grécia antiga para tentar isso. Homúnculo aprende que deve se unificar com o elemento água para ver seus sonhos realizados. Com o incentivo de Proteu, Homúnculo entra nas ondas em seu frasco para encontrar Galatea, a deusa do oceano. Disto vem uma celebração dos quatro elementos. Mais tarde, porém, Fausto tenta quase a mesma coisa, e sua tentativa pode ser caracterizada como o estupro da ordem natural, uma perversão da natureza que sela seu destino como instrumento de sua própria queda.

Já comentamos sobre a presença de Nagini no livro, mas e a aparência medonha de Voldemort após seu renascimento? A descrição que Rowling nos dá é decididamente a de uma cobra: fendas vermelhas para os olhos, narinas achatadas e pele escamosa. Por que uma cobra? Na minha opinião, Rowling usa essa analogia para descrever a alma interior de Voldemort – esfarrapada e serpentina. A cobra representa o primeiro estágio da transformação; ao torná-lo parecido com uma cobra, Rowling nos diz que Tom Riddle nunca saiu do primeiro estágio de transformação simplesmente porque seu coração não era puro. Ele é um lembrete horrível dos perigos da ganância, brutalidade e orgulho. Outra possibilidade é que Tom começou “iluminado” e retrocedeu pelos estágios de transformação, começando com um belo rapaz e jovem e terminando com uma serpente. Isso também explicaria como Tom conseguiu adquirir uma varinha com um núcleo de penas de cauda de fênix, quando de todas as aparências ele certamente não merece. Aos 11 anos, ele pode ter sido digno da pena de Fawkes de uma maneira que nunca poderá ser agora.

Harry emerge de seu confronto com Voldemort espancado e ferido, mas vivo. Os eventos da noite abalaram suas crenças sobre o mundo bruxo; ele alcançou a Pedra Menor em virtude de sua sobrevivência e seu conhecimento de que Voldemort está de volta, com seus antigos seguidores ao seu lado, e pronto para lutar pelo destino do mundo bruxo. Ele começa a perceber que “esta é sua luta e só dele” que, eventualmente, ele e Voldemort se confrontarão novamente, e apenas um deles sobreviverá.

Ano 5: Ordem da Fênix:

A fermentação, também conhecida como Estágio Negro, é também a primeira a ocorrer no “Acima”, ou nos planos superiores de consciência. A fermentação era um processo de duas etapas, a primeira das quais envolvia a “morte” do precipitado inerte nascido no estágio de conjunção. Isso foi chamado de “putrefação” e simbolizava a morte e a ressurreição para um nível superior de ser. Uma vez concluído, iniciava-se o processo de fermentação com a nova vida “nascendo” dessa ressurreição, visando fortalecê-la e garantir sua sobrevivência. A alma se livra das coisas que a estão desgastando; isso ocorre em um lampejo de cor iridescente chamado Cauda Pavonis, isto é, a Cauda do Pavão. 28

Ordem da Fênix prepara o cenário para os dois últimos livros da série. Embora os quatro primeiros livros também façam parte do estágio negro, é este que configura os eventos posteriores.

Ordem da Fênix começa com um ataque de dementadores a Harry e Duda. Em seu julgamento, Harry sente pela primeira vez o que o próximo ano reserva para ele na pessoa de Dolores Umbridge. Ela é um trabalho desagradável, e é justo que seu próprio nome (Black, isto é, Negro) represente o estágio Negro; umbra significa sombra ou escuridão. Também representativo disso é o sobrenome de Sirius, Black, assim como a presença de Kingsley Shacklebolt, o Rei Negro. Os próprios dementadores representam a depressão e a escuridão da mente, mas desta vez Harry é capaz de lidar com eles.

Encontramos Sirius em sua casa no Largo Grimmauld, 12. Ele está mal-humorado e deprimido, confinado a uma casa que odeia para seu próprio bem. Uma das imagens mais estranhas que vemos na casa são as cabeças dos elfos-domésticos mortos que revestem as paredes. Este é outro exemplo do caput mortuum mencionado em Cálice de Fogo, representando o início do estágio negro.

Ordem da Fênix apresenta mais novos personagens: Ninfadora Tonks, a Metamorfomaga, Luna Lovegood, Monstro e o irmão mais novo de Sirius, Regulus. Como mencionado anteriormente, regulus também é o nome do basilisco, que vimos em Câmara Secreta, e vemos uma conexão entre os negros e o basilisco no capítulo 4: “Tanto o lustre quanto o candelabro em uma mesa frágil nas proximidades foram em forma de serpentes.” No entanto, essa não é a única conexão que o nome tem com a alquimia. Regulus também é um termo alquímico geralmente associado a Isaac Newton e Nicolas Flamel. Na alquimia de Newton, um metal era anteriormente chamado de regulus do minério do qual era reduzido; regulus (sem especificação adicional) significava regulus de antimônio (ou seja, antimônio na nomenclatura moderna). Um regulus era a substância pesada que afundava no fundo do cadinho durante a reação. Em outras palavras, o regulus é o metal puro derivado do minério.

Mencionei anteriormente que Sirius representava o sal ou corpo (corpus) do trabalho alquímico, assim como Hagrid representa a alma e Dumbledore a mente ou intelecto. Sirius é absolutamente crucial neste estágio e no estágio vermelho, que seguirá no Livro 7. De acordo com Hauck, em The Sorcerer’s Stone: A Beginner’s Guide to Alchemy (A Pedra Filosofal: Um Guia para Iniciantes à Alquimia), o sal é a chave para a alquimia, o início e o fim da Grande Obra. De acordo com isso, e para encurtar a história, o estágio negro é encerrado pela alma deixando o corpo. A morte de Sirius, em outras palavras.

O sal é uma das três substâncias mais importantes da alquimia (as outras são o mercúrio e o enxofre) e representa a manifestação final da Pedra. Qualquer substância que fosse resistente ao fogo era chamada de sal. A Tábua de Esmeralda chama isso de “a Glória de Todo o Universo”. 29 No entanto, Harry ainda não está pronto para a perfeição da Pedra. Ele acabou de adquirir a Pedra Menor, e há muitas outras lições a serem aprendidas antes que ele alcance a iluminação. A manifestação final virá no Livro 7, onde veremos Sirius novamente.

Em geral, o Sal representa a ação do pensamento sobre a matéria, e é isso que Sirius representa. Sirius é um homem ativo e espirituoso que está enjaulado em sua casa; como um homem de ação, isso é decididamente desagradável para ele e deixa Harry sem fim de preocupação. No final, Sirius faz exatamente o que Harry teme que faça: deixa o Largo Grimmauld, recusando-se a ser deixado para trás mais uma vez. É essa imprudência que leva à sua morte; se ele tivesse ficado parado, ele teria vivido. Mas Rowling afirma que Sirius teve que morrer, e é por isso. Harry não pode ir para o estágio de purificação enquanto os estágios negros ainda estiverem vivos.

A relação de Sirius com Snape também é curiosa. Sozinho e confinado a uma casa que ele odeia, Sirius sofre insultos contra sua bravura e utilidade ao longo do livro. Harry fica do lado de Sirius contra Snape, a quem ele sempre odiou. Quando lembramos que Snape é o vitríolo ou o catalisador da série, esse comportamento faz todo o sentido. É trabalho de Snape irritar e irritar, perturbar e difamar; em outras palavras, tornar a vida de Harry a mais miserável possível. Quando combinado com a personalidade sinistra de Umbridge, o ano de Harry em Hogwarts não é nada pacífico.

De todos os personagens dos livros, Luna é um dos mais interessantes. Com o nome da deusa romana da lua, Luna simboliza a feminilidade e a intuição, que era frequentemente retratada como um sol de sete raios em desenhos alquímicos. Um dos símbolos do sexto estágio, que discutiremos no Ano 6: O Enigma do Príncipe, Luna ajuda Harry a ver o outro lado das coisas “as coisas que não são baseadas em fatos ou razões, mas na intuição e fé. Esses traços são tradicionalmente considerados femininos e naturais. A visão de mundo singular de Luna ajuda Harry a lidar com a morte de Sirius; ninguém mais é capaz de consolá-lo, mas Luna o faz se sentir melhor e ele começa a se curar.

Neste livro, conhecemos o irmão de Dumbledore, Aberforth, que tem uma queda por cabras e copos sujos enquanto cuida de seu bar na Pousada Cabeça de Javali. As cabras, que são mencionadas repetidamente em conexão com Aberforth, simbolizavam a quimera da mitologia grega. A alquimia em si é uma quimera, que compreende muitas disciplinas diferentes provenientes de muitas fontes diferentes. De acordo com o Musaeum Hermeticum Reformatum et Amplificatum:

“Os alquimistas costumavam simbolizar seus metais por meio de uma árvore, para indicar que todos os sete eram ramos dependentes do único tronco da vida solar. Assim como os Sete Espíritos dependem de Deus e são ramos de uma árvore da qual Ele é a raiz, o tronco e a terra espiritual da qual a raiz deriva seu alimento, assim o único tronco da vida e do poder divinos nutre todas as múltiplas formas das quais o universo é composto.”

Aberforth e suas cabras são mais conhecidas como o Bode de Mendes, ou Baphomet das tradições dos Templários. De acordo com a Magia Transcendental de Levi, “A prática da magia “branca ou negra” depende da capacidade do adepto de controlar a força vital universal, aquilo que Eliphas Levi chama de grande agente mágico ou luz astral. essência fluídica são produzidos os fenômenos do transcendentalismo. O famoso e hermafrodita Bode de Mendes era uma criatura composta formulada para simbolizar essa luz astral. É idêntico a Baphomet, o panteão místico daqueles discípulos da magia cerimonial, os Templários, que provavelmente a obtiveram de os árabes”. 30

Gostaria de mencionar aqui a proeminência que os pássaros têm na alquimia. Como vimos em Cálice de Fogo, o aparecimento do Corvo Negro anuncia o início do estágio negro. Daqui em diante, os pássaros simbolizam cada etapa da transformação. Depois do Corvo Negro vem o Cisne Branco ou a Águia, depois o Pavão, o Pelicano e finalmente a Fênix, que representa a transformação final e a manifestação final da Pedra. Em Ordem da Fênix, vemos dois desses pássaros enquanto Harry passa rapidamente pelo estágio negro. Vemos o Cisne Branco na figura do patrono de Cho Chang, que representa as primeiras incursões de Harry em seu eu interior e sua crescente conexão com sua alma:

“Oh, não seja tão desmancha-prazeres”, disse Cho brilhantemente, observando seu Patrono prateado em forma de cisne voar pela sala durante a última aula antes da Páscoa. (Ordem da Fênix, p. 606)

A Cauda Pavonis, isto é, a Cauda do Pavão é uma das imagens mais curiosas de toda a alquimia. Como observado anteriormente, a Cauda do Pavão ocorre de repente em um lampejo brilhante de cor iridescente. Isso ocorre perto do final do livro, com Harry viajando de chave de portal do Ministério de volta ao escritório de Dumbledore:

“Harry sentiu a sensação familiar de um gancho sendo puxado atrás de seu umbigo. O piso de madeira polida havia sumido sob seus pés; o Átrio, Fudge e Dumbledore haviam desaparecido, e ele estava voando para frente em um turbilhão de cores e sons…” (Ordem da Fênix, p 819)

No entanto, o estágio da Cauda do Pavão também é marcado por visões estranhas e sonhos significativos. 31 Vemos isso consistentemente ao longo do livro. Não é por acaso que a conexão de Harry com Voldemort é mais forte neste livro. Inconscientemente, o poder de Harry nesta área está crescendo rapidamente com a força de sua conexão com Voldemort, e isso é mostrado em vários sonhos muito poderosos, incluindo aquele em que Harry, como Nagini, ataca Arthur Weasley:

“O sonho mudou…

Seu corpo parecia suave, poderoso e flexível. Ele estava deslizando entre barras de metal brilhantes, através de pedra escura e fria… Ele estava deitado contra o chão, deslizando sobre sua barriga… Estava escuro, mas ele podia ver objetos ao seu redor brilhando em cores estranhas e vibrantes… Ele estava virando a cabeça… À primeira vista, o corredor estava vazio… mas não… um homem estava sentado no chão à frente, seu queixo caído sobre o peito, seu contorno brilhando no escuro…

Harry colocou a língua para fora… Ele sentiu o cheiro do homem no ar… Ele estava vivo, mas cochilando… sentado na frente de uma porta no final do corredor…

Harry desejava morder o homem… mas precisava dominar o impulso… Ele tinha um trabalho mais importante a fazer…

Mas o homem estava se mexendo… um manto prateado caiu de suas pernas enquanto ele se levantava de um salto; e Harry viu seu contorno vibrante e borrado elevando-se acima dele, viu uma varinha retirada de um cinto… Ele não teve escolha… Ele se ergueu do chão e golpeou uma, duas, três vezes, mergulhando suas presas profundamente no a carne do homem, sentindo suas costelas se partirem sob suas mandíbulas, sentindo o jorro quente de sangue…

O homem estava gritando de dor… então ele ficou em silêncio… Ele caiu para trás contra a parede… O sangue estava espirrando no chão…

Sua testa doía terrivelmente… Estava a ponto de explodir…” (Ordem da Fênix, pgs. 462-63)

Não apenas Harry se torna Nagini, ele também se torna o próprio Voldemort:

O dormitório estava vazio quando ele chegou… Ele rolou de lado, fechou os olhos e adormeceu quase imediatamente… Ele estava parado em um quarto escuro com cortinas, iluminado por um único ramo de velas. Suas mãos estavam apertadas nas costas de uma cadeira na frente dele. Eram dedos longos e brancos como se não tivessem visto a luz do sol há anos e pareciam aranhas grandes e pálidas contra o veludo escuro da cadeira. Além da cadeira, em uma poça de luz projetada no chão pelas velas, ajoelhou-se um homem de túnica preta.

“Eu fui mal aconselhado, ao que parece”, disse Harry em uma voz alta e fria que pulsava com raiva.

“Mestre, eu imploro seu perdão…” resmungou o homem ajoelhado no chão. A parte de trás de sua cabeça brilhou à luz de velas. Ele parecia estar tremendo.

Eu não culpo você, Rookwood’ disse Harry naquela voz alta, fria e cruel. Ele soltou a cadeira e caminhou ao redor dela, mais perto do homem encolhido no chão, até que ele parou diretamente sobre ele na escuridão, olhando para baixo de uma altura muito maior do que o normal…

Deixado sozinho no quarto escuro, Harry virou-se para a parede. Um espelho rachado e manchado de idade estava pendurado na parede nas sombras. Harry se moveu em direção a ela. Seu reflexo ficou maior e mais claro na escuridão… Um rosto mais branco que uma caveira… olhos vermelhos com fendas para pupilas… (Ordem da Fênix, págs. 585-86)

Ano 6: O Príncipe Mestiço:

De acordo com The Seven Stages of Alchemical Transformation (Os Sete Estágios da Transformação Alquímica), o sexto estágio é chamado de destilação ou leucose. Também chamada de Estágio Branco, a destilação é:

“… a agitação e a sublimação das forças psíquicas são necessárias para garantir que nenhuma impureza do ego inflado ou do id profundamente submerso seja incorporada ao próximo e último estágio. A destilação pessoal consiste em uma variedade de técnicas introspectivas que elevam o conteúdo da psique ao mais alto nível possível, livre de sentimentalismo e emoções, desvinculado até da identidade pessoal. A destilação é a purificação do Eu não nascido – tudo o que realmente somos e podemos ser.”

Fisiologicamente, a Destilação está elevando a força vital repetidamente das regiões inferiores do caldeirão do corpo para o cérebro (o que os alquimistas orientais chamavam de Circulação da Luz), onde eventualmente se torna uma maravilhosa luz solidificante cheia de poder. Diz-se que a destilação culmina na área do Terceiro Olho da testa, ao nível das glândulas pituitária e pineal, no Chakra Frontal ou Prata. 32

Curiosamente, a cicatriz de Harry aparece na região do Terceiro Olho ou Chakra Frontal: no meio de sua testa. Além disso, o Terceiro Olho é controlado pela glândula pineal, que os antigos egípcios consideravam um bezoar.

O Pulvis Solaris Negro é uma mistura de antimônio metálico e enxofre purificado. Esses dois se combinam para formar uma substância dura como pedra chamada bezoar (parece familiar?), que na verdade são bolas duras de comida não digerida encontradas nos intestinos; eles foram descobertos pelos antigos egípcios enquanto trabalhavam em suas múmias e acreditavam ser uma pílula mágica formada pela “serpente” no homem; ou seja, os intestinos. A mistura de óxido de mercúrio vermelho com enxofre formou um bezoar vermelho. Como sabemos desde a primeira aula de poções de Snape, acreditava-se amplamente que os bezoares eram um antídoto para a maioria dos venenos e na verdade eram prescritos pelos médicos como cura para muitas doenças. Os egípcios também procuraram uma “pílula” semelhante na “pequena serpente” do homem “o cérebro” e podem tê-la encontrado na glândula pineal. Da mesma forma que os egípcios acreditavam que os bezoares eram formados nos intestinos, eles acreditavam que o ouro era formado nas entranhas da terra. Isso deu origem à crença de que o ouro era um bezoar mineral.

Ao longo do livro vemos referências a bezoares. Ron, por exemplo, tem um encontro com um em seu aniversário:

Harry saltou sobre uma mesa baixa e correu em direção ao kit de Poções aberto de Slughorn, tirando potes e bolsas, enquanto o som terrível da respiração gargarejada de Ron enchia a sala. Então ele a encontrou – a pedra enrugada parecida com um rim que Slughorn havia tirado dele em Poções.

Ele se jogou de volta para o lado de Ron, abriu sua mandíbula e enfiou o bezoar em sua boca. Rony deu um grande estremecimento, um suspiro ruidoso, e seu corpo ficou flácido e imóvel. (Harry Potter e o Enigma do Príncipe – EDP, p. 397-98)

Psicologicamente, a destilação é a purificação das forças necessárias para garantir que nenhuma imperfeição do id e do ego sobreviva até o estágio final. 33  Através de Dumbledore, Harry se torna imune à emoção, sentimentalismo e até identidade pessoal, elevando-se ao nível espiritual mais alto possível para que possa completar sua transformação. Este é o propósito das aulas de Harry com Dumbledore. Em um nível pessoal, Harry pode se livrar de qualquer emoção ou pena em relação a Voldemort vendo até onde ele foi para alcançar seu objetivo final. Ao assumir o manto do Escolhido, Harry abandonou sua identidade pessoal (assim como Voldemort fez, mas por um motivo diferente!) e se dedicou a derrotar Voldemort para o bem de todos.

Os símbolos do estágio branco são o lírio, a lua e o pelicano. Slughorn fala sobre Lílian Potter quase incessantemente, elogiando suas habilidades como fabricante de poções e sua beleza como pessoa” e possivelmente preparando-a para um papel ainda maior no Livro 7. A lua também aparece na pessoa de Luna Lovegood, a quem Harry convida para a festa de Natal de Slughorn. Ainda outra possível conexão com o estágio branco é Gina. Em celta, seu nome completo, Ginevra, significa “espuma branca” e ela desempenha um grande papel nos acontecimentos do livro, especialmente perto do final. Mencionei no início deste artigo que a única coisa que pode emitir um fogo ácido é espuma ou um agente de terra seca; Snape representa o ácido ou vitríolo, e seu papel no assassinato de Dumbledore choca e entristece a todos. No entanto, é Gina quem faz Harry se sentir melhor e começar a aceitar sua perda. Ela o conforta e pergunta. nada dele em troca. Ela é igual a ele em todos os sentidos, e a única que pode aliviar sua raiva de Snape.

Mas a pessoa que realmente representa esse estágio é o próprio Dumbledore. Seu nome, Alvo, significa “branco”, e encontramos a palavra “alvo” espalhada pelas obras de pesos pesados ​​alquímicos como Agripa e Paracelso. Através dele, Harry aprenderá os segredos de Voldemort enquanto Dumbledore transmite seu vasto conhecimento como se estivesse passando a tocha. Este é o Pelicano, que nutre seus filhotes do próprio peito para garantir sua sobrevivência:

“O Pelicano é mostrado apunhalando seu peito com o bico e nutrindo seus filhotes com seu próprio sangue. O alquimista deve entrar em uma espécie de relação sacrificial com seu ser interior. Ele deve nutrir com suas próprias forças da alma, o embrião espiritual em desenvolvimento interior. Qualquer um que tenha feito um verdadeiro desenvolvimento espiritual conhecerá bem esta experiência. A imagem de si mesmo deve ser mudada, transformada, sacrificada ao eu espiritual em desenvolvimento. Esta é quase invariavelmente uma experiência profundamente dolorosa, que testa os recursos internos da pessoa. A partir disso, eventualmente emergirá o eu espiritual, transformado pela experiência do Pelicano.” 34

Vemos que isso é exatamente o que Harry faz. Ele deixa Gina por causa da causa, sacrificando-se ao que ele sente ser um final inevitável. E isso machuca. A traição de Snape, a morte de Dumbledore e o conhecimento de que ele é o Escolhido o forçam a deixar de lado seus desejos pessoais pelo bem do mundo bruxo. Ele não tem certeza de que sairá vivo da experiência, mas pelo menos morrerá lutando.

O assassinato de Dumbledore é o momento mais chocante do livro e talvez até de toda a série. O papel de Snape como vitríolo está chegando ao auge; ele agora é responsável por mais do que poderia levar crédito. Ele inclinou a balança do destino por suas ações, mas quando lembramos que o vitríolo é um catalisador, isso dá esperança de que ele não seja mau, afinal. Sem Snape, não há razão para Harry passar para a próxima fase, nenhum fator motivador para ele continuar a batalha. Existe a possibilidade de que ele realmente estivesse do lado de Dumbledore e que ele foi forçado a matar Dumbledore pelo Voto Inquebrável. De qualquer forma, seu papel no livro final será crucial” o final da série dependerá das ações e lealdade de Snape.

Perto do final do livro temos a sensação de que a fase branca está acabando e a fase vermelha está amanhecendo. Várias coisas apontam para isso, entre elas a morte de Dumbledore. Em Ordem da Fênix, o estágio negro, o nigredo, terminou com a morte de Sirius e o estágio branco, o albedo, começou com a bomba de Dumbledore sobre a profecia. Em O Enigma do Príncipe, o estágio branco termina com a morte de Dumbledore e o estágio vermelho, o rubedo, começa com a pessoa que será a mais importante na transformação final: Hagrid.

Após a morte de Dumbledore, Harry escorrega em sangue enquanto corre atrás de Snape e Malfoy. (EDP, p. 600). Quando ele chega ao hall de entrada, ele vê os rubis da ampulheta da Grifinória espalhados por todo o chão. (EDP, p. 601) Harry aponta um jato de luz vermelha para Snape para impedi-lo de escapar. (EDP, p. 602) Ele persegue Snape e Malfoy até a cabana de Hagrid, onde ele eventualmente ajuda Hagrid a apagar o fogo feito pelos Comensais da Morte. (EDP, p. 606) A aparição de Hagrid em si anuncia o fim do estágio branco e o início do vermelho; O nome de Hagrid, Rúbeo, significa “vermelho”. Harry permanece com Hagrid durante todo o caminho até o castelo, e é Gina (uma ruiva) que o leva para longe do corpo de Dumbledore.

Após a presença constante de Hagrid ao longo da série, em O Enigma do Príncipe ele se destaca apenas por sua ausência. E, no entanto, daqui em diante ele está em quase todas as cenas pelo restante do livro. Rowling se esforça para nos mostrar sua importância; durante a reunião com Slughorn, Sprout e os outros professores restantes, McGonagall pede especificamente a opinião de Hagrid. O que ele pensa e sente tem um grande peso, e continuará a sê-lo durante o livro final.

Havia alguns sinais de que Dumbledore morreria neste livro. Em memória de Bob Ogden, Ogden se aproxima da casa de Gaunt e vê uma cobra pregada na porta. Na alquimia, a morte de um rei era anunciada exatamente por uma imagem assim: uma cobra pregada a uma porta ou a uma cruz. Embora saibamos por Lupin que não existe realeza no mundo bruxo, Dumbledore é sem dúvida a coisa mais próxima da realeza na série. Sua graça e nobreza de espírito o diferenciavam de outros bruxos e, de fato, de outros seres humanos, bruxos ou trouxas. E Dumbledore frequentemente usa roxo; isso ocorre não apenas em O Enigma do Príncipe, mas também nos outros livros. Roxo é a cor da realeza.

A Morte do Rei simboliza a sublimação da matéria. Dependendo do seu ponto de vista, a Morte do Rei pode ser tomada como a crucificação de Cristo, quando Cristo teve que se sacrificar antes de se tornar um com Deus. No entanto, tradicionalmente o Rei é uma metáfora para o ego; ao matar o rei, o ego morre também, e qualquer sentimentalismo em relação à tarefa em mãos desaparece. Harry fará o que deve; ele tem que fazê-lo, ou tudo o que ele conhece e ama desaparecerá.

Em um obscuro texto alquímico chamado Lexicon alchemiæ sive dictionarium alchemisticum, cum obscuriorum verborum, et rerum Hermeticarum, tum Theophrast-Paracelsicarum phrasium, planam explicationem continens (Alchemical Lexicon, o Léxico Alquímico), Ruland diz sobre a prima materia: de Deus que se chama Matéria Primordial, especialmente quanto à sua eficácia e mistério, que lhe deram muitos nomes e quase todas as descrições possíveis, pois não souberam louvá-lo suficientemente”. 35 Ele continua mencionando que um dos nomes dados à matéria prima é “veneno, veneno, chambar, porque mata e destrói o Rei, e não há veneno mais forte no mundo”. Isso possivelmente alude à poção que Dumbledore bebeu na caverna. Se aceitarmos que Dumbledore é um rei, podemos ver que a pedra é tão capaz de matar quanto de curar, uma propriedade geralmente atribuída ao Santo Graal. Ruland continua dizendo que também é chamada de “Água da Vida, pois faz com que o Rei, que está morto, desperte para um modo melhor de ser e viver. É o melhor e mais excelente remédio para a vida da humanidade.” Ele também o chama de espírito, “porque voa para o céu, ilumina os corpos do Rei e dos metais e lhes dá vida”. Após a morte de Dumbledore, sua alma se eleva de seu corpo na forma de uma fênix; ele encontrou seu ouro e atravessou para o outro lado – um modo de vida melhor, de acordo com os textos religiosos. Ele também aparece como um retrato, então ele não se foi completamente, embora ele não possa mais ajudar Harry da maneira que fazia antes.

Estágio 7: Coagulação (Harry Potter e o …):

Como obviamente ainda não sabemos o que o Livro 7 contém, é hora de fazer um pouco de teorização e tentar prever o que pode acontecer. Mas primeiro, vamos definir o sétimo estágio e as transformações que precisam ocorrer antes que Harry possa alcançar a iluminação.

O Estágio Vermelho, o último e último estágio da transformação alquímica, é chamado de coagulação, quando os elementos dos seis primeiros estágios se unem no mais alto estágio de perfeição. Ela libera a Ultima materia da alma – o Corpo Astral, que é a Pedra Filosofal. Com a Pedra, os alquimistas acreditavam que poderiam existir em todos os planos da realidade.

A maioria das pessoas geralmente experimenta este estágio pela primeira vez como uma nova confiança em si mesmo, a sensação de que você pode fazer qualquer coisa, embora muitos o experimentem – como um Segundo Corpo de luz dourada coalescida, um veículo permanente de consciência que incorpora as mais altas aspirações e evolução da mente.” 36

A coagulação é representada pelo Pulvis Solaris Vermelho, que na verdade era um bezoar vermelho ou uma mistura de enxofre puro e óxido de mercúrio. Pulvis solaris significa “Pó do Sol”, e os alquimistas acreditavam que aperfeiçoaria instantaneamente qualquer composto. A fênix, que simboliza a vida, ressurreição e reencarnação, também representa esta etapa. Os primeiros cristãos consideravam a fênix uma criatura real e equiparavam sua canção com o Espírito Santo.

Então, que coisas DEVEM ocorrer alquimicamente no último livro?

  1. A fênix de alguma forma deve aparecer no livro final.

Convenientemente, já temos uma fênix na forma de Fawkes, embora não tenha certeza de qual papel ele desempenhará no livro final. No final de O Enigma do Príncipe, Harry ouve o Lamento da Fênix e se sente renovado quando sua dor começa a se dissipar:

“Em algum lugar na escuridão, uma fênix estava cantando de uma forma que Harry nunca tinha ouvido antes: um lamento ferido de terrível beleza. E ele sentiu, como havia sentido sobre a canção da fênix antes, que a música estava dentro dele, não fora. Foi sua própria dor que se transformou magicamente em música que ecoou pelos jardins e pelas janelas do castelo.” (EDP, págs. 614-15)

No entanto, Harry sente que Fawkes deixou Hogwarts para sempre.

Deitado ali, percebeu que o terreno estava silencioso. Fawkes tinha parado de cantar.

E ele sabia, sem saber como ele sabia, que a fênix tinha ido embora, tinha deixado Hogwarts para sempre, assim como Dumbledore tinha deixado a escola… tinha deixado Harry. (EDP, págs. 631-32)

Recentemente, uma teoria interessante surgiu em torno do Leaky. Essa teoria diz que o patrono de Harry mudará de um veado para uma fênix no decorrer do livro final. Isso faz muito sentido. Vimos que o patroni pode mudar quando o mago está sob grande tensão ou recebe um forte choque emocional. Por que não pode mudar quando uma pessoa endurece sua determinação de lutar até a morte? Ele não está mudado por dentro, assim como um bruxo deprimido ou chocado? Não acho que essa ideia seja muito absurda e pode muito bem acontecer. Outra ideia sobre Fawkes é o fato de que em Câmara Secreta e Ordem da Fênix, Fawkes chegou em cima da hora para salvar o dia de Voldemort. Talvez ele faça isso de novo. Fawkes é atraído pela lealdade a Dumbledore, e Harry afirmou em várias ocasiões que ele é leal a Dumbledore, chegando ao ponto de dizer a Rufus Scrimgeour que ele é “o homem de Dumbledore por completo”. Essa lealdade vai nos dois sentidos, no entanto. Dumbledore era tão ferozmente leal a Harry quanto Harry é a ele. Em O Enigma do Príncipe, quando Dumbledore pede a Harry para obter a memória Horcrux de Slughorn, Fineus Nigellus pergunta por que ele acha que Harry seria capaz de fazer melhor. Dumbledore responde: “Eu não esperava que você entendesse, Fineus”. (Ordem da Fênix, p. 372) Mais tarde, após a cena da caverna, Harry diz a Dumbledore para não se preocupar e que tudo ficará bem. Dumbledore se vira para Harry e diz: “Não estou preocupado, Harry, porque estou com você”. (EDP, p. 578) Fawkes pode pegar esse vínculo entre diretor e aluno e decidir ir para Harry.

  1. O Grande Casamento – a união do Rei Vermelho e da Rainha Branca.

É o casamento de mercúrio e enxofre, sol e lua, masculino e feminino, ouro e prata. E temos um casamento desses chegando: Gui Weasley, o Rei Vermelho, e Fleur Delacour, a bruxa parte-Veela da Escola de Beauxbatons, a Rainha Branca. Na mitologia grega, o deus do sol Apolo era chamado de “quebrador de maldições” ou “quebrador de juramentos”. Que apropriado que Gui fosse um quebrador de maldições para o Banco Gringotes e tivesse o cabelo da cor do fogo. Prata é a cor da lua, e Fleur é descrita como tendo cabelos loiros prateados, devido a sua ascendência Veela. Da união do rei e da rainha surge a Criança Simbólica, a Criança Hermafrodita do Sol e da Lua. Uma criança coroada ou vestida com mantos roxos significa Sal ou Pedra Filosofal. O nascimento de tal criança representaria uma nova ordem mundial, de paz e harmonia. Procure essa possibilidade no último livro!

Mas há outros Reis Vermelhos e Rainhas Brancas: Rony e Hermione e Tiago e Lílian. Ron e Hermione representam o Casal Brigante, da notória relutância do mercúrio e do enxofre em combinar quimicamente. Procure por Ron e Hermione para deixar suas diferenças de lado e finalmente se tornar um casal depois de seis livros de guerra e ciúmes quase constantes. No entanto, eu não acho que Ron e Hermione terão um filho, pelo menos não ainda. O filho de sua união será Harry como a quintessência, assim como ele é literalmente o filho simbólico de Tiago e Lílian. Harry, para o mundo bruxo, representa aquele que colocará o mundo em ordem e inaugurará a paz e a prosperidade que ele buscou por tanto tempo.

  1. A unidade das quatro casas.

Se Harry é a quintessência, então ele tem o poder de juntar todos os elementos em um. Uma vez unificados, eles terão uma chance muito maior de derrotar Voldemort. No entanto, os Sonserinos são um problema. A única maneira de eles se unirem sob uma bandeira é se Draco de alguma forma conseguir convencê-los; ele é seu líder de fato e eles o seguirão. O outro candidato é Slughorn. Ele pode ser um sonserino, mas é um homem decente que realmente lamenta sua parte na criação de Lord Voldemort. De qualquer forma, a Sonserina deve se juntar às outras casas. Só então o poder de Harry será suficiente para derrotar Voldemort.

  1. A iluminação de Harry.

Este é todo o propósito da série; isso tem que acontecer. Acredito que isso não acontecerá até perto do final do livro, e ocorrerá de uma só vez. Os alquimistas sempre afirmaram que a iluminação, se e quando vier, aconteceu de repente e rapidamente. Eles ficaram surpresos com a simplicidade da resposta a todas as suas perguntas. O mesmo será verdade com Harry. Quando finalmente chegar, ele ficará surpreso ao saber que este é o poder que ele tinha dentro dele o tempo todo, e ele o usará para derrotar Voldemort de uma vez por todas. Como citado anteriormente, a iluminação às vezes era experimentada como “como um segundo corpo de luz dourada coalescida, um veículo permanente de consciência que incorpora as mais altas aspirações e evolução da mente”.

Então, o que acontece após a transformação final? A resposta pode ser resumida em um pequeno parágrafo do The Chemical Arcana (O Arcano Químico):

Depois que a reação final termina, a única coisa que resta é uma solução fraca de ácido sulfúrico e uma variedade de compostos de sódio. Os alquimistas acreditavam que a Quintessência era um desses compostos de sódio, um “segundo corpo” de Natron, ou Natrão, formado durante o experimento. Esta quinta essência estava além dos Quatro Elementos e exibia uma durabilidade e permanência que faltavam aos outros elementos. Para os alquimistas, esses sais inertes representavam um corpo ressuscitado e incorruptível.

Infelizmente, isso parece implicar que Hagrid não viverá. Eu tenho procurado alto e baixo por evidências que digam sem dúvida que ele vai conseguir, mas até agora não encontrei nenhuma. Eu realmente espero estar errado, mas acredito que Hagrid vai morrer. Snape, por outro lado, vai conseguir, e por algumas razões:

  1. “A única coisa que resta é uma solução fraca de ácido sulfúrico…” Snape, como mencionado várias vezes, representa ácido sulfúrico e vitríolo.
  1. Snape é o catalisador. Em uma reação química, um catalisador é definido como:

* Substância, geralmente presente em pequenas quantidades em relação aos reagentes, que modifica e principalmente aumenta a velocidade de uma reação química sem ser consumida no processo;

* Aquele que precipita um processo ou evento, especialmente sem ser envolvido ou alterado pelas consequências. 37

O catalisador não é alterado nem destruído pela reação, embora os reagentes ao seu redor sejam. Acredito que Snape sobreviverá, mas sua personalidade não sofrerá nenhuma alteração drástica. Ele ainda será maldoso, amargo, mordaz e mesquinho com Harry, mas eles podem chegar a um entendimento e pelo menos não se odiarem. Dadas as circunstâncias, acredito que é o melhor que se pode esperar.

E os outros? Neste momento é difícil dizer sem mais pesquisas. Há alguma evidência de que Ron/Hermione ou Gui/Fleur não viverão, embora eu acredite que um dos Weasleys morrerá. Harry é outro assunto. Acredito que ele pode ter que se sacrificar para conseguir o ouro; no entanto, esse sacrifício pode ser simbólico e não literal. Se, como suspeito, o véu está envolvido, então isso é inteiramente possível. Lembre-se, também, que devemos ver Sirius novamente, porque o sal é o começo e o fim da Grande Obra. Acredito que Harry verá Sirius do outro lado do véu, e Sirius o ajudará a decidir se continua ou se volta. Se tivermos em mente, no entanto, que os sais inertes permanecem na solução de ácido sulfúrico como a quintessência, então Harry será “ressuscitado”; ele pode morrer simbolicamente e renascer em um estado iluminado de consciência.

O que Voldemort fará neste livro? Podemos apenas adivinhar, mas suspeito que entre tentar matar Harry ele pode estar ocupado tentando fazer sua própria Pedra Filosofal. A série começou com a Pedra e terminará com ela, na minha opinião, e pode ser aí que Lílian finalmente entra. Acredito que há muito mais nela do que nos disseram, e sua aptidão em Poções sugere seu possível conhecimento de alquimia. Há muitas evidências para sugerir que Voldemort também está familiarizado com tradições e princípios alquímicos, então teoricamente não há nada que o impeça de fazer uma Pedra Filosofal por conta própria. Se ele suspeitar que suas Horcruxes estão sendo destruídas, ele pode decidir pela Pedra como um plano alternativo.

Em Cálice de Fogo, Voldemort nos conta que a poção que o manteve vivo consistia em sangue de unicórnio e veneno de cobra. Esses dois ingredientes são, segundo Valentine, componentes da Pedra Filosofal. Mas faltam ingredientes-chave: sangue de dragão e algo da fênix. O leitor se lembrará da Parte II que sangue de dragão é outro nome para cinábrio ou sulfeto de mercúrio; é a matéria prima para criar a Pedra. Mas onde está? Em seis livros, ainda temos que ver, além de uma menção no primeiro livro sobre o cartão Sapo de Chocolate de Dumbledore. Parece que para Harry completar sua transformação, o sangue de dragão deveria estar envolvido no último livro. Isso pode acontecer de várias maneiras: de Slughorn, que tem um frasco empoeirado; ou de Charlie Weasley, que trabalha com dragões na Romênia. Seria fantástico, na minha opinião, se Harry adquirisse o sangue do dragão de ninguém menos que Norbert, o animal de estimação de Hagrid.

Na 12ª Chave de Valentim, ele menciona a fênix como sendo crucial para a conclusão do Elixir da Vida, mas não especifica exatamente qual parte da fênix é tão importante. Além disso, ele é bastante explícito sobre os perigos da 12ª Chave se for feito incorretamente. Em poucas palavras, o alquimista selou seu próprio destino. Mas como a fênix afetaria o desfecho da história? Há a questão das varinhas de Harry e Voldemort: ambas têm penas de cauda do próprio Fawkes. Assim, os destinos de Harry e Voldemort podem estar de alguma forma ligados à relação entre suas varinhas e Fawkes. Por outro lado, vimos na Câmara Secreta que as lágrimas de fênix têm poderes curativos; sem elas, Harry teria morrido então.

Então Voldemort estará muito ocupado neste livro! No entanto, todas as suas intrigas e planejamentos não darão em nada; Voldemort vai morrer. É a única conclusão lógica da série, e ele morrerá de tal forma que impossibilitará seu retorno. Vou deixar para a imaginação de Rowling como isso vai acontecer, mas não ficaria surpreso se uma combinação do poder de Harry como a quintessência e a música de Fawkes tivesse algo a ver com isso. Como a quintessência, Harry é incorruptível e puro de espírito; ele poderia invadir a mente e a alma de Voldemort e não sofrer nenhum dano a si mesmo. A canção da Fênix, como mencionado anteriormente, foi considerada como o Espírito Santo pelos primeiros cristãos, e infunde medo e terror nos corações dos indignos. Uma combinação dessas duas coisas pode causar a queda de Voldemort, e somente no final ele perceberá sua perda de humanidade e alma. Eu sinceramente espero que Tom Riddle, se não Lord Voldemort, tenha a chance de redenção, mesmo que ele escolha não aproveitá-la. Acredito que seria um final adequado para uma série que valoriza o amor, a amizade, a lealdade e o perdão.

JK Rowling deu a Harry uma tarefa aparentemente impossível. Para finalmente derrotar Voldemort, Harry deve embarcar em uma jornada de autodescoberta e autorrealização para alcançar uma perfeição que poucos alcançam. Seu sucesso depende de seu contínuo crescimento espiritual, emocional e psicológico; ele deve lembrar que precisa de seus amigos e, como quintessência, ele é o único que pode finalmente unir as quatro casas de Hogwarts em uma única frente na luta. Usando suas consideráveis ​​habilidades como bruxo e nutrindo seu poder interior de amor e perdão, Harry continuará a crescer e finalmente alcançará o ouro. No final, ele será a personificação viva da Pedra Filosofal, exatamente como Dumbledore pretendia. Ao tecer os fios da alquimia através dos romances, Rowling cria um mundo rico cheio de alegorias e simbolismos enquanto planta dicas de eventos futuros com tanta habilidade que não é de admirar que mal podemos esperar para colocar as mãos no próximo.

Figura 2: As Etapas da Alquimia e seus Símbolos, Planetas Regentes e Metais.

ESTÁGIO COR ELEMENTO SUBSTÂNCIA SÍMBOLOS PLANETA REGENTE METAL
Calcinação Magenta, vermelho-púrpura Fogo Dragão, sapo Saturno Chumbo
Dissolução Azul-claro Água Banheiras, fontes Júpiter Estanho
Separação Vermelho-alaranjado Ar Lobo, cachorro Marte Ferro
Conjunção Verde Terra Corvo negro, o Ovo de Griffin Vênus Cobre
Fermentação Turquesa Sal Pavão, Rei, esqueletos Mercúrio Mercúrio
Destilação Azul-escuro Mercúrio Lírio, Lua-Luna, Rainha, Pelicano, bezoar, fontes Lua Prata
Coagulação Violeta, púrpura Enxofre Fênix, Pulivs Solaris Vermelho, coroas Sol Ouro

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/alquimia-e-harry-potter-parte-ii/

A Mansão Winchester – Parte 1

Rev. Obito

Quando era criança meu pai gostava de brincar de quebra-cabeças e fazer contas. Às vezes ele dizia: se você ficar entre 1 e 2 minutos sem respirar você desmaia. 10 minutos sem oxigênio e seu cérebro desliga, sem volta. Então, se eu prender você e te jogar nessa piscina, quanto tempo você tem para se soltar do cadeado e das correntes para conseguir nadar até a superfície e sair vivo da água?

Talvez hoje esse tipo de brincadeira seja questionado, mas aos 11 anos eu conseguia abrir quase todos os cadeados que via. Eu também conseguia resolver um cubo mágico em menos de 2 minutos, para outras crianças isso significava um nerd chato e sem vida ou futuro, para mim significava sobremesa e poder assistir os filmes que começavam depois da meia noite na tv.

Outra coisa que adorava era ler, quadrinhos especialmente. Claro que na época se os garotos mais velhos te pegassem com uma revistinha você virava saco de pancada, hoje elas viram filmes e se você não é #teamstark as pessoas olham com nojo para sua alma.

Assim, lá pelo fim da década de 1980, encontrei em uma banca a nova edição do Monstro do Pântano, escrita por Alan Moore. Aquilo era arte pura, uma obra de suspense sofisticado, era algo que eu precisava ler. A história no caso era sobre dois casais que se embrenhavam no meio do mato e chegavam a uma mansão assombrada.

A mansão, Alan Moore contava, ficava na cidade de São Miguel, na Califórnia, e havia sido construída pela viúva Amy Cambridge, com a fortuna que herdou de seu marido, o dono da companhia de armas de fogo Cambridge. Cambridge construíu a mansão sem plantas ou mapas, dizia que recebia dos fantasmas as instruções de como deveria construir, o que resultou em uma casa que era um labirinto bizarro, salas com treze lareiras, portas que se abriam para abismos ou para paredes de tijolos. Quartos construídos dentro de quartos, cômodos com alguns poucos metros quadrados de área com armários do tamanho de salões.

Lendo os quadrinhos o resumo do que havia acontecido era: o Sr. Cambridge, depois de fazer fortuna vendendo armas de fogo havia morrido e deixado tudo para a esposa. Ela passou a ser assombrada pelos fantasmas das pessoas mortas pelas armas, cowboys, índios, mexicanos, mendigos, suicidas, etc… Os fantasmas foram claros quando ela perguntou o que queriam:

“The sound of the hammers must never stop”

“O som dos martelos não deve nunca parar!”

Então ela contratou marceneiros que começaram a expandir a casa, trabalhando em turnos, 24 horas por dia, 7 dias por semanas, sem parar nunca. BANG! BANG! BANG!

Eventualmente a viuva morreu e só então as obras da casa pararam. Por causa de sua bizarrice arquitetônica a casa foi abandonada e estava caindo aos pedaços, mas cheia de fantasmas. E o som dos martelos havia parado.

Em inglês a coisa fica mais genial porque hammer significa tanto ‘martelo’, a ferramenta, quanto ‘cão’ aquela peça de metal que as pessoas puxavam para trás para engatilhar a arma. O som de um cão batendo também faz BANG, mas um tipo diferente de BANG.

Os casais se embrenham na casa, o horror acontece e não vou dar mais spoilers, ao invés disso você pode baixar aqui a edição original (em inglês) e se divertir.

Bom, como acontecia com quase tudo que lia de Moore aquilo grudou na minha mente. Uma mansão labirinto construída com instruções dadas pelos fantasmas que morreram como resultado da fortuna que era usada para construir a casa. Uma ode à morte e à loucura.

Muito tempo depois em uma conversa sobre lugares assombrados contei da casa para um grupo de amigos, não me lembrava dos detalhes “a mansão da viuva das armas de fogo”. Uma das amigas presentes respondeu arregalando os olhos: você já ouviu falar da Mansão Winchester? Eu não me lembrava do nome exato e concordei, o que eu puxava da memória ela completava com os próprios detalhes. “Uma boa história!” Eu terminei.

– História? Como assim? Ela existe de verdade!

E foi assim que aquele labirinto me puxou de volta para dentro de seus corredores. Voltei para casa depois de um tempo, cacei a revista e a reli, prestando atenção. Vi que claramente era chamada de mansão Cambridge, mas Moore avia deixado duas pistas:

1ª Um diálogo onde uma das personagens diz: Look, really, it’s not a joke. The Cambridge Repeater was a sort of a second-rate copy of the winchester.

Ou

Olhem, é verdade, isso não é uma piada. O rifle Cambridge foi tipo uma imitação barata do Winchester.

2ª Nunca existiu uma marca Cambridge de rifles, mas o escritor e artistas eram ingleses e Cambridge é uma cidade universitária muito popular do Reino Unido que fica a uma boa distância de Winchester.

Eventualmente, depois dos anos 1990 e início no admirável milênio novo a Mansão Winchester se tornou popular de novo. Aparece em uma série de programas de caçadores de fantasmas, desbancados de mitos e gurus psíquicos. Haviam liberdades poéticas entre a mansão de verdade e a dos quadrinhos. Ambas estavam localizadas na Califórnia, a de Moore em São Miguel a real em São José. Todas as bizarrices do quadrinho existiam na casa real, salas com inúmeras lareiras, portas que levavam a lugar nenhum, os corredores labirínticos e claro, a história da assombração.

Durante anos a fascinação que aquela casa exerceu em mim me levou a estudá-la, sua história, suas lendas e principalmente seu propósito. O que levaria alguém a construir uma casa do tamanho de uma vila com detalhes tão bizarros? A resposta simples “loucura e/ou fantasmas” não me satisfazia, a lógica, mesmo que insana, não fazia sentido. Nessa matemática a conta tinha variáveis demais ou de menos.

(Para entender como funciona a matemática aplicada a essas loucuras você pode ler este textinho)

Então não tive outra opção a não ser arregaçar as mangas, vestir as calças, colocar a cueca e ir atrás de resolver esse problema. Este texto é o resultado do constrangimento de sair correndo pelas ruas, bibliotecas e até mesmo outro país com a cueca por cima das calças.

OS FATOS

A Mansão Winchester, ou Winchester Mystery House, se tornou uma atração turística. Ela se encontra no número 525 South,em Winchester Blvd. in San José, Califórnia. A construção é impressionante.

Quando você entra para fazer a tour – paga, é claro – pode pegar uma pequena brochura que traz alguns fatos sobre a casa, o mesmo texto hoje se encontra disponível no site deles <https://winchestermysteryhouse.com/>, no site também é possível fazer um tour virtual – pago, é claro. A brochura nos diz:

É UMA MARAVILHA

A Winchester Mystery House® é uma maravilha arquitetônica e um marco histórico em San José, Califórnia, que já foi a residência pessoal de Sarah Lockwood Pardee Winchester, a viúva de William Wirt Winchester e herdeira de grande parte da fortuna da Winchester® Repeating Arms.

A tragédia se abateu sobre Sarah – sua filha morreu de uma doença infantil e, alguns anos depois, seu marido foi tirado dela por tuberculose.

A MUDANÇA PARA O OESTE

Pouco depois da morte de seu marido, Sarah deixou sua casa em New Haven, CT e mudou-se para o oeste para San José, CA. Lá, ela comprou uma casa de fazenda com oito quartos e começou o que só poderia ser descrito como a mais longa reforma doméstica do mundo, parando apenas quando Sarah faleceu em 5 de setembro de 1922.

ESTES SÃO OS FATOS

De 1886 a 1922, a construção aparentemente nunca cessou, já que a casa da fazenda original de oito quartos se transformou na mansão mais incomum e ampla do mundo, apresentando:

2.230m2 de área construída
10.000 janelas
2.000 portas
160 quartos
52 claraboias
47 escadas e lareiras
17 chaminés
13 banheiros
6 cozinhas

O custo da construção foi de U$5 milhões de dólares em 1923 ou U$71 milhões hoje.

É UM MISTÉRIO

Mas o que restou é realmente um mistério. Mesmo antes de sua morte, rumores de uma “casa misteriosa” sendo construída por uma mulher rica e excêntrica circulavam. Ela foi instruída a construir esta casa por um médium? Ela foi assombrada pelos fantasmas daqueles abatidos pela “Arma que Venceu o Oeste”? A construção realmente nunca parou? O que motivou uma socialite bem-educada a se isolar do resto do mundo e se concentrar quase exclusivamente na construção da mansão mais bonita e bizarra do mundo?

À FRENTE DE SEU TEMPO

Sarah Winchester foi uma mulher independente, energética e corajosa que até hoje vive em lendas. E a mansão que ela construiu é mundialmente conhecida tanto pelas muitas curiosidades e inovações de design (muitas à frente de seu tempo) quanto pelas atividades paranormais relatadas que ocorrem dentro dessas paredes.

Esses mistérios e muito mais já atraíram mais de 12 milhões de visitantes a visitar a Winchester Mystery House® desde que as portas foram abertas em 30 de junho de 1923. Você será capaz de desvendar o mistério?

Isso resume o mistério a cerca da casa – se bem que vendo as fotos, chamar aquilo de casa é como chamar um elefante de piolho. Ele foi criado com base em lendas e mitos gerados pela excentricidade do projeto.

AS LENDAS

Alan Moore resumiu todas as lendas de maneira bem rápida e poética na história do Monstro do Pântano, depois em 2018 a Lions Gate lançou o filme A Maldição da Casa Winchester (você pode ver o trailer aqui) que além de dar uma mão de tinta moderna nas superstições foi filmado na mansão verdadeira! As cenas que mostram os cômodos e corredores são muito mais belos do que as feitas pelas dezenas de programas sobrenaturais [1], vale a pena ser visto nem que seja para se sentir o tamanho da casa.

Seria impossível tentar reunir em um único texto com menos de 10 volumes tudo o que já disseram sobre a mansão, mas em linhas gerais isso é o que popularmente se acredita:

Hoje a mansão é conhecida como a Winchester Mystery House, mas nas décadas em que estava sendo construído ela era simplesmente a casa de Sarah Winchester.

Sarah era a viuva de William Wirt Winchester, herdeiro da Companhia de Armas Winchester.

Ela nasceu em 1840 – aproximadamente – e cresceu em um mundo de privilégios. Ela falava quatro línguas, frequentava as melhores escolas, se casou bem e chegou a ter uma filha, Annie, aparentemente a vida que todos pedem a Deus. O problema é que Deus tem um senso de humor bizarro e sua filha morreu, logo em seguida foi a vez de seu marido.

Com a morte do marido Sarah herdou aproximadamente U$20 milhões de dólares (mais ou menos U$500 milhões hoje em dia), 50% das ações da empresa que lhe rendia uns U$1000 dólares por dia (ou U$26.000 dólares hoje em dia). Credo, que delícia!

Mas além de mais dinheiro do que poderia queimar, Sarah herdou uma tristeza profunda, depressão e tudo mais que acompanhava o luto de uma mulher do fim do século XIX que perde o único pilar de sua vida: a companhia e o controle de um homem!

Assim ela fez a única coisa que uma mulher como ela poderia fazer, se envolveu com o espiritismo. Começou a realizar sessões espíritas se consultava com médiuns (todos homens, é claro) e buscava entre os mortos a resposta para os problemas de sua vida, não é de se admirar que tenha obtido sucesso.

Contratando os serviços do melhor Médium Psíquico que uma fortuna descomunal poderia pagar Sarah chegou a Adam Coons. Adam conseguiu entrar em contato com William (obviamente Sarah não pediu para falar com filha, provavelmente porque ela também havia sido uma mulher do século XIX) e as notícias não eram boas. Sarah estava sendo amaldiçoada por cada ser vivo que já havia sido morto por uma arma Winchester.

Durante o século XIX houve uma corrida nos Estados Unidos para a criação de uma arma foda. Vários concorrentes desenvolviam seus projetos. Na época os rifles e revólveres disparavam uma bala por vez. Muitos ainda precisavam de pais para queimar a pólvora e disparar o projétil. Pensando em formas mais eficientes e rápidas para matar cada vez mais pessoas, H̶i̶t̶l̶e̶r̶ os americanos começaram a desenvolver novas munições que já traziam a pólvora e o projétil numa única peça e armas que disparassem essa munição cada vez mais rápido. E quem conseguisse isso estava com o futuro feito: o oeste americano estava sendo desbravado. Milhares de índios e mexicanos e búfalos malvados teimavam em não sair de lá e em atacar os pobres patriotas que queriam explorar o ouro e as terras que Deus havia lhes dado. Além desses inconvenientes o pais estava promovendo uma guerra civil que já durava meia década. O mercado precisava de armas melhores.

Oliver Winchester, um empresário e político – é claro – entrou em cena em 1866 e começou a produzir suas armas. O Modelo e, eventualmente o modelo 1873 foram campeões de venda, ficaram conhecidos como A Arma que Conquistou o Oeste. Isso tornou Oliver estupidamente rico até o dia de sua morte em dezembro de 1880. Seu filho William herdou a empresa e morreu quatro meses depois. E ai entra Sarah, que pegou o equivalente a uma Apple depois da volta de Steve Jobs.

Assim, na época da morte de William as armas Winchester já estavam matando, ferindo, aleijando e intimidando pessoas há mais de 24 anos, durante a conquista do oeste bravio e durante o final da guerra civil americana. Muita, muita gente mesmo já havia testemunhado a eficiência das armas que deram a Sarah sua fortuna. E todas essas pessoas queriam atormentá-la.

Coons então disse a Sarah que William pedia para que ela saísse sua casa em New Heaven, Connecticut, e fossa para a Califórnia. Então ela deveria usar sua fortuna para construir uma casa para os espíritos das vítimas da Winchester ou seria atormentada por eles a vida toda.

Em 1884 Sarah comprou uma casa de fazenda e o terreno ao redor, contratou carpinteiros e trabalhou para construir sua cidadela de 7 andares de altura. Ela não tinha plantas, planos ou arquitetos, ela ia instruindo os carpinteiros conforme os fantasmas a iam instruindo, assim cômodos eram construídos do lado de fora da casa, fazendo com que a janela de um quarto desse para dentro de outro quarto. Escadas eram erguidas, cada uma com degraus de tamanhos diferentes, e então interrompidas sem motivo, terminando no teto, levando a lugar algum. Portas eram colocadas e o próximo cômodo não era construído, elas davam para o lado de fora alguns andares acima do chão.

Um corredor começava a ser construído e então pediam mudanças no tamanho, e de novo, e de novo, até que se afunilavam e terminavam quando as paredes se encontravam. Cômodos eram ligados por passagens, cômodos prontos eram desmontados e paredes erguidas ali, muitas portas acabam se abrindo para revelar um muro de tijolos.

Mas a arquitetura não era a única excentricidade. Os fantasmas queriam que tudo fosse construído com madeira de sequoias gigantes mas Sarah não gostava da cor da madeira então ela mandou que pintassem todas as paredes – mais de 90.000 litros de tinta foram gastos – SÔÔÔÔ RIKAAAAAAA!

Além dos números já citados ela tinha dois porões, três elevadores, iluminação automática a gás, chuveiros e toda a tecnologia de ponta da época.

Candelabros de ouro e prata pendiam dos tetos, dúzias de painéis de cristal feitos pela Tiffany & Co. – todos desenhados por Sarah atendendo as ordem precisas dos fantasmas – preenchiam portas, janelas e painéis pela casa. Uma delas, colocada em uma das janelas, foi feita com o propósito de projetar um arco-íris no chão quando a luz do dia batesse no painel… claro que isso seria lindo se a janela não tivesse uma parede do outro lado.

Em 1904 um terremoto sacudiu San Jose, mas a Mansão Winchester havia sido erguida sobre uma base flutuante – uma fundação que distribui e equilibra o peso do solo ao redor, nada mal para uma mulher não arquiteta do século XIX – a casa ficou inteira… ou quase. Os três andares superiores sofreram algum s danos e acabaram sendo desmontados, deixando a mansão com os 4 andares que tem hoje (sem contar os porões).

A “sala Principal” era a sala onde Sarah continuava realizando sessões espíritas da meia noite às 2 da madrugada. Era enorme, tinha treze lareiras e uma mesa de carvalho redondo gigante no centro.

O cenário estava bem desenvolvido, preparado para começar a receber histórias.

Sarah nunca admitiu abertamente que estava construindo uma casa para fantasmas de pessoas assassinadas, mas alguns rumores começavam a nascer.

Os trabalhadores falavam das sessões diárias na sala dos espíritos, realizadas com médiuns locais, numa tentativa de atrair espíritos bons. Esses “espíritos bons” eram consultados para que ela se informasse sobre maneiras de melhor agradar aos espíritos para os quais ela estava construindo a casa, eram esses guias que diziam para Sarah fazer tantas adições aparentemente ilógicas ao seu projeto.

Dos 13 banheiros da casa, apenas um funcionava. Era uma tentativa de confundir espíritos que tentassem assombrar os encanamentos. Ela dormia cada noite em um quarto diferente, e usava suas passagens secretas para ir de um cômodo para outro, evitando os corredores principais.

Enquanto ela estava viva as histórias eram criativas, depois que ela morreu elas ficaram insanas. Os trabalhadores simplesmente largaram suas ferramentas, vários pregos ficando para fora das paredes, madeiras serradas pela metade.

Relatos de pessoas que invadiam a casa, tanto para roubá-la quanto para explorá-la e fugiam apavoradas, se tivessem a sorte de conseguir fugir, é claro, se tornaram lugar comum.

Gritos, choros, sons de marteladas (ou tiros) na casa vazia eram ouvidos por quem passasse por perto.

Sarah divide seus bens em seu testamento, menos um: a casa.

Apesar de seu tamanho e conteúdo ninguém queria comprá-la. Era bizarra demais. Sua sobrinha então retirou toda a mobília e a leiloou. Dizem que foram necessárias 6 semanas para esvaziar a casa. Depois de vazia um investidor local comprou a casa pela bagatela de US135.000 dólares. Apenas cinco meses depois da morte de Sarah a casa estava aberta para o público – embora não em sua totalidade. Muitas alas e cômodos permaneceram fechados, nunca ofereceram uma explicação. Com os anos as surpresas continuavam surgindo, de quando em quando um cômodo secreto era descoberto, cheio de surpresas como um órgão hidráulico, um sofá vitoriano, um armário de vestidos, uma máquina de costura e várias pinturas.

Muitos visitantes relatam sentir a presença dos espíritos dos mortos que moram lá e os guias estão cheios de histórias de acontecimentos e acidentes suspeitos. Como Sarah nunca deu entrevistas, nenhum diário jamais foi encontrado e nenhum parente quis comentar nada sobre ela o mistério persiste.

A PESQUISA

A história toda é fabulosa, um prato cheio para qualquer MindFreak, logo é óbvio que eu não teria como resistir a mergulhar de cabeça.

Se você leu os quadrinhos, assistiu ao trailer e leu tudo até aqui tem basicamente tudo o que eu tinha na época. Isso e uma dúvida que eu batizei em homenagem a outra casa incrível: a Dúvida Amityville!

O que é a Dúvida Amityville?

No dia 13 de novembro de 1974 Ronald DeFeo Jr. matou a tiros seis membros de sua família na casa em que viviam no número 112 da Ocean Avenue em Nova Iorque. Em novembro de 1975 ele foi declarado culpado e condenado. Em dezembro de 1975 George e Kathy Lutz compraram e se mudaram para a casa no estilo colonial holandês onde o crime aconteceu. Eles levaram o cachorro e os 3 filhos. 28 dias depois, os Lutz abandonaram a casa dizendo ser vítimas de atividades paranormais no local.

A história virou um livro escrito por Jay Anson que deu início a uma série de filmes sobre o assunto.

Claro que com o sucesso vieram as dúvidas, o livro, os filmes a família e o escritor passaram a ser alvos de críticas e processos dizendo que a história não era real. Até o padre que aparece na história deu depoimentos dizendo que o conteúdo do livro havia sido distorcido.

Em 1977 os Lutz começaram a processar de volta as pessoas e os meios de comunicação que desacreditavam a história. Mas ano a ano parecia que cada parágrafo do livro era desmentido. As marcas de arrombamento nas fechaduras e maçanetas, o quarto vermelho secreto que não parecia ser nada além de uma despensa, pegadas de bode na neve, marcas de fogo na parede ao redor da lareira, a casa sendo construída sobre um terreno onde originalmente os índios enviavam seus doentes mentais para morrerem, etc., etc., etc.

Com o tempo os Lutz se divorciaram, surgiram mais pessoas que afirmaram terem ajudado a criar a história que os Lutz contaram e que viraram o livro e a vida seguiu. Mas George se manteve firme a vida toda. Em um documentário do History Channel do ano 2000 entitulado Amityville: The Haunting and Amityville: Horror or Hoax? Ele afirmou “Acredito que isso permaneceu vivo por 25 anos porque é uma história verdadeira. Não significa que tudo o que já foi dito sobre isso seja verdade. Certamente não é uma farsa. É muito fácil chamar algo de embuste. Eu gostaria que fosse. Não é.”

Mas qualquer pessoa com acesso à internet e com um conhecimento mediano de inglês acha dezenas e dezenas de matérias que mostram que o casa todo foi inventado pelos Lutz, e isso deveria ser o ponto final para o assunto. Deveria… mas uma dúvida permanece, a Dúvida Amityville:

O livro escrito por Anson foi publicado em setembro de 1977. O primeiro filme sobre o caso estreiou em 1979.

Eu fico imaginando: o que levaria uma família e investir uma bela grana em uma casa e um mês depois sairem correndo feito loucos de lá?

Vamos imaginar que eles pensaram: podemos inventar que a casa é assombrada, vamos colocar cemitérios indígenas, um quarto secreto de sacrifícios satânicos (podemos falar que é na despensa) quartos com infestações de moscas, banheiros vazando ectoplasma, fantasmas nos atacando e tentando nos violentar, um demônio que nosso filho mais novo vê com cabeça de porco e acha que é um anjo, uma lareira assombrada por satã, experiências fora do corpo, cachorro agitado e louco, pegadas do diabo na neve, vizinhos que não chegam perto da casa, todo mundo ficando apático, as pessoas me confundindo fisicamente com DeFeo, portas que não se trancam, meio inferno marchando pela casa… ai nós saímos correndo e colhemos os frutos de nossa imaginação!

Mas que frutos seriam esses? Eles só conheceram Anson DEPOIS de sair da casa. Qualquer acordo financeiro de royalties só começariam a chegar de 2 a 4 anos depois deles saírem. Imagine quem iria querer pagar por uma casa onde um assassinato famoso aconteceu e depois foi possuída por Satã? Quem pagaria perto do que os Lutz tinham pago por um lugar maldito?
Como eles iam saber que a história que eles estavam inventando seria um sucesso?

Eles não permaneceram na casa enquanto o livro e filme aconteciam, eles fugiram anos antes. Por que? Se fossem uma casa herdada, ou um presente, talvez a piada fosse boa o suficiente para valer a pena (sem contar o bulling que as crianças sofreriam na escola, na família, etc…) mas eles pagaram pela casa, venderam o que tinham e se mudaram… e menos de um mês depois tinham fugido de lá. Por quê?

A Dúvida Amityville pode ser resumida assim: num caso de maluquice e birutice e enganação, geralmente o picareta não tem muito à perder e muito a ganhar com a história, mas em alguns casos acontece algo que, por mais pilantragem que aconteça depois, não justifica um dos atos da pessoa.

Os Lutz não tinham como saber que iriam encontrar um escritor, que o que ele fosse escrever iria se tornar um sucesso e que o livro viraria um filme. Então porque saíram da casa e a pintaram como o pior investimento do mundo se todo o dinheiro e crédito que tinham estava investido lá?

(Se quiser saber como qual nossa resposta para a Dúvida Amityville, além de um estudo bem minucioso sobre o caso, escreve ai nos comentários. Diabos… se tiver bastante gente curiosa de repente a gente até procura a editora que publicou o livro por aqui e podemos pensar em algum sorteio!)

E o que a Dúvida Amityville tem a ver com a Mansão Winchester?

Da mesma forma que algo não se encaixa na história de Amityville se ela for 100% invenção e pilantragem, algo não se encaixa na história da Mansão Winchester se ela for 100% loucura e paranóia.

Vamos imaginar que ela estivesse fazendo aquilo para chamar a atenção. Que fosse 100% sã e quisesse criar uma Disney paranormal. Então ela fez um trabalho porco. Construiu a casa até morrer, mas não fez nada além disso, deixou algumas pessoas inventarem lendas e depois ela virou uma atração turística.

Se ela queria criar uma atração turística… bem… na época dela ainda não havia uma Las Vegas para servir de exemplo, mas ela também fez um trabalho porco. Não deixou nada no testamento, apenas largou a casa quando morreu.

Se ela fosse louca e estivesse construindo uma casa aleatoriamente projetada por fantasmas do bem que estavam ensinando ela a construir uma armadilha para capturar fantasmas maus… por que tanto capricho em detalhes que passariam batidos? Os painéis de vidro que ela projetava, os lustres feitos de ouro e prata, os adereços da casa. Aquilo não era para fantasmas.

Algo, eu ainda não sabia o que, não se encaixava.

…continua na parte II

 

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-mansao-winchester/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-mansao-winchester/

7 dicas para reconquistar seu poder de atenção

Tamosauskas

Muitos cientistas modernos defendem que a atenção é algo que pode ser exercitados, entre eles Susan Blackmore, Albert Wojciech Adamkiewicz, Herman Boerhaave, Charles-Édouard Brown-Séquard, Johann Nepomuk Czermakh Wilhelm, Joganna Kintee, Octavio Stevaux, Heinrich Wilhelm Gottfried von Waldeyer-Hartz, Ryuta Kawashima, János Szentágothai, Louis Sokoloff, Samuel Thomas von Sömmerring, Félix Vicq-d’Azyr, Terrence J. Sejnowski e Heinrich Obersteiner.

Se você pulou a lista de nomes acima, por preguiça ou praticidade não se preocupe, você é um ser humano normal. A todo tempo tentamos otimizar nossos recursos cognitivos e isso é ótimo. O problema é que o excesso de atalhos do mundo moderno está causando um dano em nossa espécie. De acordo com testes em massa feitos pela Microsoft em 2015 o tempo médio de atenção do ser humano é hoje de oito segundos, enquanto que o de um peixinho dourado é de nove segundos. Esse valor é ainda menor que o de pesquisas nos anos 90, que ja eram menores do que o de pesquisas anteriores. A conclusão da gigante de tecnologia é que é uma redução do nosso poder de concentração é um dos efeitos da revolução da internet móvel.

O poder de atenção pode ser um diferencial no mundo moderno. Confira abaixo algumas praticas tradicionais e/ou científicas que poderão fazer de você o peixinho mais poderoso do aquário.

1. Use sua rotina para aumentar seu foco

Se você leu até aqui, parabéns! Seu foco não é tão horrível quanto poderia ser. No entanto, o caminho para recuperar o controle de sua atenção é longo. Estudos demonstraram que, para reconstruir o músculo da atenção, é melhor dividir o dia de trabalho em partes administráveis, com intervalos regulares entre elas.

Depois de analisar 5,5 milhões de registros diários de como os funcionários de escritório estão usando seus computadores (com base no que os usuários identificaram como trabalho “produtivo”), a equipe da DeskTime descobriu que os 10 por cento dos trabalhadores produtivos trabalharam em média 52 minutos antes de fazer uma pausa de 17 minutos. Se 52 minutos soa como uma maratona para você tente a Técnica Pomodoro, comece devagar com 20 minutos focados, cinco minutos desligados e vá aumentando.

2. Crie uma lista de “não-fazer”

As distrações estão por toda parte em nosso mundo. Na rua, no trabalho ou em casa. Os pesquisadores descobriram que depois de perder o foco levamos até 25 minutos para recupera-lo. Uma solução fácil é criar uma lista de “não-fazer”: sempre que sentir vontade de verificar o Facebook ou o Twitter ou seguir qualquer outro pensamento aleatório que vier à sua cabeça, escreva-o. O ato de simplesmente transferir esse pensamento da mente para o papel permite que você mantenha o foco na tarefa em questão.

3. Leia livros longos sem pressa

De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center , a leitura de conteúdo online aumentou quase 40%. Mesmo assim, 26% dos americanos não leram um único livro no ano passado. Ler apenas  conteúdos curtos está acabando com nossa capacidade de enfocar e treinar nossas mentes para buscar apenas respostas rápidas, em vez de explorar conceitos complexos. Não leve sua ânsia de produtividade para sua leitura de lazer. Pegue um clássico e experimente.

4. Como nossos pais

Não se engane, o declínio da capacidade de atenção é apenas um problema dos dias modernos. Em 1959, Mouni Sadhu, abismado com a desvantagem dos ocidentais em termos de atenção, escreveu um poderoso livro chamado Concentration com várias práticas para recuperar esse talento perdido. (Os poderes ocultos que essas práticas dizem despertar são um bônus). Cinquenta anos antes, em 1900, Theron Q. Dumont publicou um livro chamado The Power of Concentration também destacou uma série de práticas para desenvolver sua capacidade de atenção. Aqui estão algumas delas :

  • Sente-se quieto em uma cadeira por 15 minutos

  • Concentre-se em abrir e fechar lentamente os punhos por cinco minutos

  • Siga o ponteiro dos segundos de um relógio por cinco minutos

Eles podem parecer um pouco malucos, e desafiadores, mas são uma boa forma de medir a evolução de seu poder de foco.

5. Traga mais atenção ao seu dia

Atenção Plena (Mindfullness) está na moda e por um bom motivo: Pesquisadores da Universidade de Washington mostraram que apenas 10 a 20 minutos de meditação por dia podem ajudar a melhorar seu foco e estender sua capacidade de atenção. Além do mais, você verá melhorias em sua atenção após apenas quatro dias. Existem muitos apps hoje que se propõem a dar a mão os iniciantes e ajudá-los a dar seus primeiros passos.

6. Adicione exercícios físicos à sua rotina de exercícios de atenção

Malhar não é bom apenas para o corpo. Os pesquisadores descobriram que adicionar exercícios físicos à sua rotina ajuda a desenvolver a capacidade do cérebro de ignorar distrações. Em um estudo, os alunos que se envolveram apenas em exercícios físicos moderados antes de fazer um teste que mediu sua capacidade de atenção tiveram um desempenho melhor do que os alunos que não se exercitaram.

7. Pratique a escuta ativa

Se há um lugar em que nossa atenção limitada é incrivelmente perceptível, é quando estamos conversando com outras pessoas. Em vez de deixar a mente divagar enquanto o outro fale, pratique a escuta atenta , não interrompendo, recapitulando o que a outra pessoa disse regularmente e usando palavras de ligação como “OK”, “Entendi” e “Sim” para permanecer envolvido e mostrar que você está ouvindo. Essa prática não apenas fará bem para sua capacidade de atenção, mas também para seus relacionamentos.

* Conheça também o Principia Alchimica, um manual simples e prático dos principais conceitos da alquimia.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/7-dicas-para-reconquistar-seu-poder-de-atencao/