A Erótica Grega e a Prostituição na Antiguidade

Herbert Emanuel

A prostituição é uma das mais antigas profissões do mundo. Aliás, em algumas civilizações como a babilônica e a suméria era tida como uma atividade sagrada, ligada aos rituais da fertilidade, do amor e da guerra. Há muitos nomes para estas prostitutas: Inana/Ishtar, Hierodula, que significa literalmente “serva dos deuses”, “serva sagrada”, alguém que em geral está a serviço de uma Deusa. Mas o preconceito também remonta de muito tempo, o historiador grego Heródoto, que muito viajou pela Mesopotâmia Antiga (ou pelo menos escreveu extensamente sobre países e culturas diferentes da grega), dá-nos o seguinte relato:

Os Babilônicos têm um costume deveras vergonhoso. Cada mulher nascida naquele país deve uma vez ao longo de sua vida sentar-se no templo de Ishtar e lá consociar-se com um estranho. Grande número destas mulheres sentam-se dentro do átrio sagrado, com guirlandas de correntes ao redor de suas cabeças – e há sempre uma grande multidão, alguns vindo, outros indo; linhas de corda marcam os caminhos em todas as direções entre as mulheres, e os estranhos passam ao longo delas para fazerem suas escolhas. …

A moeda de prata pode ser de qualquer tamanho e não pode ser recusada, pois é proibido , pois uma vez que foi jogada, ela é sagrada. A mulher vai com o primeiro homem que lhe jogou dinheiro, e ninguém é rejeitado. Quando ela tiver ido com ele, e assim satisfeito a Deusa, ela volta para casa.  ( Heródoto, Livro 1, Cap. 199).

Ao rotular de “um costume deveras vergonhoso” (?), é patente o preconceito de Heródoto para com esse tipo de atividade. O significado original de prostituta literalmente é “aquela(e) que está no lugar de outrem”, mas o termo foi degradado para evocar condições sociais e padrões morais. Meretriz, por outro lado, soa como desaprovação bíblica e eclesiástica. Hetaira tem um determinado contexto sócio, histórico-cultural específico para a Grécia, e cortesã refere-se à associação de um aristocrata com uma amante de alta classe (Leick, 1994).

Na modernidade do século 20, as coisas não mudaram muito; há um curioso livro alemão, intitulado “Die Prostitution Als Psichologisches problem“, que pretende estabelecer algumas “definições” (?) do que seria uma prostituta.

Segundo este livro, esta se caracteriza por:

* Entregar seu corpo e realizar atos sexuais para satisfazer a libido de um parceiro.

* Fará isto para receber uma forma de remuneração que poderá ser: dinheiro, presente ou qualquer benefício.

* Não conhecer os parceiros ou clientes.

* Aceitar, sucessivamente, número ilimitado de parceiros.

* Não possuir elemento emocional, tal como, amor, afeição, simpatia e sensação sexual.

* Não ter intenção de procriar.

Uma das pretensas “definições?” acima que mais nos chamou a atenção, é a afirmativa de que a prostituta seria uma pessoa destituída de qualquer sentimento, incapaz de estabelecer uma cartografia afetiva com quem quer que seja. A partir desta perspectiva, seria impossível pensar na prostituta como uma pessoa que tal como nós, ama, apaixona-se, e que, portanto, está sujeita a todas as dificuldades e impasses que este ato significa. Na verdade, para entendermos melhor esse tipo de preconceito, faz-se necessário pensar um pouco esta relação entre sexo amor no mundo ocidental.

Os gregos, antes de Platão (e até mesmo na sua época) não costumavam separar essas duas coisas? sexo e amor.

Segundo Michel Foucault, os gregos possuíam uma ética sexual muito rígida, que estabelecia os padrões de comportamento quanto ao “uso dos prazeres”. Uma ética que era muito mais uma estética sexual, isto é, uma erótica, entendida como sendo a arte refletida do amor e, singularmente do amor pelos rapazes. (Uso dos Prazeres, Rio, Ed. Graal, 1984, p. 201).

E em que consistia essa erótica? Segundo ainda Foucault, quatro características a determinam:

1ª A dissimetria das idades: Sempre um mais jovem (que ainda não ganhou a maturidade política) com um mais velho (que já atingiu a maioridade política), estabelecendo-se entre ambos papéis sexuais muito bem definidos. O jovem, o erômeno (amado) será sempre passivo com relação ao mais velho, o erasta (o amante).

2ª A arte de cortejar : Oferecer presentes, prestar auxílios, inclusive, pedagógico.

3ª A liberdade: Marca uma distinção fundamental em relação o casamento; o jovem é livre para aceitar ou não ser cortejado.

4ª A temporalidade: O tempo de duração do amor. A navalha que cortava os primeiros fios de barba do jovem grego, que marcava a passagem da adolescência para a vida adulta, era a mesma que cortava os fios do amor. Era preciso estar preparado para essa separação. O amor deveria transformar-se em amizade, eros em filia.

Em suma, a erótica grega era uma arte de amar, visava demarcar os limites entre o bom e o mau amor, o que convém e o que não convém fazer para obter o consentimento do amado. Uma arte da conquista, portanto. E que não separa sexo de amor, a atração pelo belo corpo. E aqui começa a diferença entre a erótica grega e a erótica platônica. Ou melhor, a subversão da erótica grega proposta por Platão, pela boca de Sócrates, e que irá influenciar, sobremaneira, a concepção cristã de amor e toda essa dicotomia sexo vs amor que virá depois.

Segundo ainda Foucault, a erótica platônica opera quatro deslocamentos em relação à erótica grega. São eles:

1° O ontológico: Faz-se necessário definir o que é o amor. Para os gregos, era óbvio que o amor era um deus; para Platão, nem tanto, no máximo era um intermediário entre os homens e os deuses.

2° O objeto do amor: A verdade e não mais o belo corpo; portanto, algo mais espiritual do que concreto.

3° A simetria amorosa: Nada de ativo e passivo, ambos são sujeitos do amor, amante-amado, amado-amante.

4° A relação mestre-discípulo, amante-amado: O mestre, o amante, por ser mais velho, orienta o discípulo, o amado, na busca amorosa da verdade.

Daí para a concepção cristã foi só um passo. E o sexo e o amor começaram a ser percebidos como coisas bastante distintas, como na música dos titãs: “Às vezes acho que te amo, às vezes acho que é só sexo. O sexo como alguma coisa puramente biológica, e o amor como algo “especial”, “mais profundo”, “coisas da alma”, etc..

Quem pratica o sexo pelo sexo, é alguém desprovido de amor? Como se traçaria uma cartografia amorosa das(os) chamadas(os) profissionais do sexo? Prostitutas(os) não amam? O beijo na boca seria impossível? Eis aí um tema interessante para pesquisa. É claro que não devemos deixar de lado outros aspectos também importantes no que diz respeito à prostituição: a relação com o cafetão/cafetina, com a polícia, a
exploração sexual, inclusive, infantil. No entanto, acreditamos que um trabalho que dê conta da afetividade das(os) chamadas(os) profissionais do sexo, poderá contribuir e muito – para a redução do estigma social que recai sobre essas pessoas, possibilitando-nos a pensar também esses outros aspectos acima mencionados.

Herbert Emanuel

A prostituição é uma das mais antigas profissões do mundo. Aliás, em algumas civilizações como a babilônica e a suméria era tida como uma atividade sagrada, ligada aos rituais da fertilidade, do amor e da guerra. Há muitos nomes para estas prostitutas: Inana/Ishtar, Hierodula, que significa literalmente “serva dos deuses”, “serva sagrada”, alguém que em geral está a serviço de uma Deusa. Mas o preconceito também remonta de muito tempo, o historiador grego Heródoto, que muito viajou pela Mesopotâmia Antiga (ou pelo menos escreveu extensamente sobre países e culturas diferentes da grega), dá-nos o seguinte relato:

Os Babilônicos têm um costume deveras vergonhoso. Cada mulher nascida naquele país deve uma vez ao longo de sua vida sentar-se no templo de Ishtar e lá consociar-se com um estranho. Grande número destas mulheres sentam-se dentro do átrio sagrado, com guirlandas de correntes ao redor de suas cabeças – e há sempre uma grande multidão, alguns vindo, outros indo; linhas de corda marcam os caminhos em todas as direções entre as mulheres, e os estranhos passam ao longo delas para fazerem suas escolhas. …

A moeda de prata pode ser de qualquer tamanho e não pode ser recusada, pois é proibido , pois uma vez que foi jogada, ela é sagrada. A mulher vai com o primeiro homem que lhe jogou dinheiro, e ninguém é rejeitado. Quando ela tiver ido com ele, e assim satisfeito a Deusa, ela volta para casa.  ( Heródoto, Livro 1, Cap. 199).

Ao rotular de “um costume deveras vergonhoso” (?), é patente o preconceito de Heródoto para com esse tipo de atividade. O significado original de prostituta literalmente é “aquela(e) que está no lugar de outrem”, mas o termo foi degradado para evocar condições sociais e padrões morais. Meretriz, por outro lado, soa como desaprovação bíblica e eclesiástica. Hetaira tem um determinado contexto sócio, histórico-cultural específico para a Grécia, e cortesã refere-se à associação de um aristocrata com uma amante de alta classe (Leick, 1994).

Na modernidade do século 20, as coisas não mudaram muito; há um curioso livro alemão, intitulado “Die Prostitution Als Psichologisches problem“, que pretende estabelecer algumas “definições” (?) do que seria uma prostituta.

Segundo este livro, esta se caracteriza por:

* Entregar seu corpo e realizar atos sexuais para satisfazer a libido de um parceiro.

* Fará isto para receber uma forma de remuneração que poderá ser: dinheiro, presente ou qualquer benefício.

* Não conhecer os parceiros ou clientes.

* Aceitar, sucessivamente, número ilimitado de parceiros.

* Não possuir elemento emocional, tal como, amor, afeição, simpatia e sensação sexual.

* Não ter intenção de procriar.

Uma das pretensas “definições?” acima que mais nos chamou a atenção, é a afirmativa de que a prostituta seria uma pessoa destituída de qualquer sentimento, incapaz de estabelecer uma cartografia afetiva com quem quer que seja. A partir desta perspectiva, seria impossível pensar na prostituta como uma pessoa que tal como nós, ama, apaixona-se, e que, portanto, está sujeita a todas as dificuldades e impasses que este ato significa. Na verdade, para entendermos melhor esse tipo de preconceito, faz-se necessário pensar um pouco esta relação entre sexo amor no mundo ocidental.

Os gregos, antes de Platão (e até mesmo na sua época) não costumavam separar essas duas coisas? sexo e amor.

Segundo Michel Foucault, os gregos possuíam uma ética sexual muito rígida, que estabelecia os padrões de comportamento quanto ao “uso dos prazeres”. Uma ética que era muito mais uma estética sexual, isto é, uma erótica, entendida como sendo a arte refletida do amor e, singularmente do amor pelos rapazes. (Uso dos Prazeres, Rio, Ed. Graal, 1984, p. 201).

E em que consistia essa erótica? Segundo ainda Foucault, quatro características a determinam:

1ª A dissimetria das idades: Sempre um mais jovem (que ainda não ganhou a maturidade política) com um mais velho (que já atingiu a maioridade política), estabelecendo-se entre ambos papéis sexuais muito bem definidos. O jovem, o erômeno (amado) será sempre passivo com relação ao mais velho, o erasta (o amante).

2ª A arte de cortejar : Oferecer presentes, prestar auxílios, inclusive, pedagógico.

3ª A liberdade: Marca uma distinção fundamental em relação o casamento; o jovem é livre para aceitar ou não ser cortejado.

4ª A temporalidade: O tempo de duração do amor. A navalha que cortava os primeiros fios de barba do jovem grego, que marcava a passagem da adolescência para a vida adulta, era a mesma que cortava os fios do amor. Era preciso estar preparado para essa separação. O amor deveria transformar-se em amizade, eros em filia.

Em suma, a erótica grega era uma arte de amar, visava demarcar os limites entre o bom e o mau amor, o que convém e o que não convém fazer para obter o consentimento do amado. Uma arte da conquista, portanto. E que não separa sexo de amor, a atração pelo belo corpo. E aqui começa a diferença entre a erótica grega e a erótica platônica. Ou melhor, a subversão da erótica grega proposta por Platão, pela boca de Sócrates, e que irá influenciar, sobremaneira, a concepção cristã de amor e toda essa dicotomia sexo vs amor que virá depois.

Segundo ainda Foucault, a erótica platônica opera quatro deslocamentos em relação à erótica grega. São eles:

1° O ontológico: Faz-se necessário definir o que é o amor. Para os gregos, era óbvio que o amor era um deus; para Platão, nem tanto, no máximo era um intermediário entre os homens e os deuses.

2° O objeto do amor: A verdade e não mais o belo corpo; portanto, algo mais espiritual do que concreto.

3° A simetria amorosa: Nada de ativo e passivo, ambos são sujeitos do amor, amante-amado, amado-amante.

4° A relação mestre-discípulo, amante-amado: O mestre, o amante, por ser mais velho, orienta o discípulo, o amado, na busca amorosa da verdade.

Daí para a concepção cristã foi só um passo. E o sexo e o amor começaram a ser percebidos como coisas bastante distintas, como na música dos titãs: “Às vezes acho que te amo, às vezes acho que é só sexo. O sexo como alguma coisa puramente biológica, e o amor como algo “especial”, “mais profundo”, “coisas da alma”, etc..

Quem pratica o sexo pelo sexo, é alguém desprovido de amor? Como se traçaria uma cartografia amorosa das(os) chamadas(os) profissionais do sexo? Prostitutas(os) não amam? O beijo na boca seria impossível? Eis aí um tema interessante para pesquisa. É claro que não devemos deixar de lado outros aspectos também importantes no que diz respeito à prostituição: a relação com o cafetão/cafetina, com a polícia, a
exploração sexual, inclusive, infantil. No entanto, acreditamos que um trabalho que dê conta da afetividade das(os) chamadas(os) profissionais do sexo, poderá contribuir e muito – para a redução do estigma social que recai sobre essas pessoas, possibilitando-nos a pensar também esses outros aspectos acima mencionados.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-erotica-grega-e-a-prostituicao-na-antiguidade/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-erotica-grega-e-a-prostituicao-na-antiguidade/

O sincretismo japonês

Aisatsu! Recebi a pergunta abaixo por e-mail, e achei interessante compartilhar a resposta com os demais. Como o objetivo é abordar o ponto sobre o sincretismo japonês, outros trechos da pergunta original foram omitidos, bem como da resposta enviada.

P.: Me interesso muito pela mitologia oriental (China/Japão), porém nunca achei uma fonte esclarecedora que explicasse realmente como é a religião deles.
Algumas perguntas que ficam sem resposta para mim, por exemplo:
Toda essa mitologia japonesa, essa que aparece em animes, mangás, festivais temáticos, faz parte de alguma religião? Já ouvi falar que é do Xintoísmo, mas então todos lá são xintoístas? Ou são apenas elementos culturais, não ligados à religião?
A mesma coisa com a mitologia chinesa, faz parte de alguma religião? Ou são apenas elementos culturais?

 R.: Bem, vou começar respondendo a tua pergunta com um pouco de história: o Japão é um país formado por uma grande mistura étnica. O povo predominante que deu origem à formação do Japão tal qual o conhecemos hoje foi o Yamato, mas os japoneses também possuem heranças de grupos étnicos minoritários, como os coreanos, chineses, e o povo Ainu, dentre outros. Todos estes povos tinham as suas práticas xamânicas e religiosas, sua linguagem e seus mitos e seu folclore.

Especificamente no que se refere aos Ainu, eles eram um povo localizado nas ilhas ao norte do Japão, especialmente na ilha de Hokkaido. As práticas xamânicas do povo Ainu hoje são conhecidas através do ofício das Itako, como são chamadas certas médiuns japoneses. Havia também o culto às montanhas e aos antepassados, comum à grande maioria desses povos, e uma vasta variedade de lendas e de histórias folclóricas na região.

Com a configuração do povo japonês, surgiu o xintoísmo, baseado em todas essas práticas xamânicas, animistas e pré-religiosas. O xintoísmo é uma “religião” eminentemente japonesa, surgida com a formação do seu povo. Os mitos do xintoísmo, por sinal, retratam bem essa questão.

 No entanto, por causa dessa grande diversidade étnica, foram sendo introduzidas no Japão outras seitas e religiões do continente. Com o ingresso do budismo, o culto às montanhas deu origem ao Shugendou, uma seita que mistura elementos budistas, xamânicos e xintoístas. Foram fundadas escolas budistas japonesas, como a escola Shingon, a Tendai, a Nichiren e a Zen. O monge Kukai, o fundador do budismo Shingon, foi estudar na China antes de retornar ao Japão e lá fundar a sua escola, trazendo de lá vários elementos incorporados ao Shingon. O taoísmo chinês deu origem ao onmyoudou japonês, no qual se encontra também elementos semelhantes do xintoísmo, do budismo Shingon e do Shugendou.

Todas as seitas, escolas e práticas magístico-religiosas passaram a co-existir harmonicamente, e, assim como toda instituição, elas evoluíram, se desenvolveram e se adaptaram. À medida que o tempo passava, algumas foram utilizando, inclusive, elementos umas das outras. Cada uma apresenta características que lhe são peculiares, entretanto, por terem bebido das mesmas fontes, é possível observar muitos pontos em comum entre elas.

Assim, respondendo à tua pergunta, toda essa mitologia japonesa que aparece em animes, mangás, festivais, fazem sim parte de várias tradições, não apenas religiosas, e não apenas do xintoísmo, mas também culturais do povo japonês.

E não, nem todos os japoneses são xintoístas. Historicamente falando, em uma certa época, apenas os nobres japoneses podiam ser xintoístas. Atualmente, há xintoístas, budistas, cristãos, e membros de várias outras religiões por lá. Até mesmo por causa desse sincretismo histórico e cultural, o Japão é um dos países que mais reúne religiões “neo-cristãs”, ou seja, religiões e seitas que procuram conciliar princípios cristãos com princípios tradicionais do budismo e do xintoísmo, como, por exemplo, a Seicho-no-ie e a Oomoto.

Na China, a mesma coisa acontece. Seus mitos fazem parte do taoísmo, do budismo, das escolas de ciências tradicionais, e das diversas práticas xamânicas de seu território, que também foram inseridas e perpetuadas na cultura do povo chinês.

#MagiaOriental

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-sincretismo-japon%C3%AAs

‘Liber Al vel Legis

Tecnicamente chamado LIBER AL vel LEGIS svb figura CCXX
qual foi ditado por XCIII = 418 a DCLXVI

A.’. A.’.

Publicação em Classe A – B

COMENTO

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O estudo deste Livro é proibido. É sábio destruir esta cópia após a primeira leitura.

Quem não presta atenção a isto incorre em perigo e risco pessoais. Estes são dos mais pavorosos.

Aqueles que discutem o conteúdo deste Livro devem ser evitados por todos, como focos de pestilência.

Todas as questões da Lei devem ser decididas apenas por apelo aos meus escritos, cada qual por si mesmo.

Não existe lei além de Faze o que tu queres.

Amor é a lei, amor sob vontade.

O sacerdote dos príncipes,
ANKH-F-N-KHONSU

I

1 – Had! A manifestação de Nuit.

2 – A desvelação da companhia do céu.

3 – Todo homem e toda mulher é uma estrela.

4 – Todo número é infinito; não há diferença.

5 – Ajuda-me, ó guerreiro senhor de Tebas, em minha desvelação diante das Crianças dos homens!

6 – Sê tu Hadit, meu centro secreto, meu coração e minha língua!

7 – Vede! É revelado por Aiwass o ministro de Hoor-paar-kraat.

8 – O Khabs está no Khu, não o Khu no Khabs.

9 – Identificai-vos pois com o Khabs, e vede minha luz derramada sobre vós!

10 – Que meus servidores sejam poucos e secretos: eles regerão os muitos e conhecidos.

11- Estes são tolos que os homens adoram; seus Deuses e seus homens são tolos.

12 – Aparecei, ó crianças, sob as estrelas, e tomai vossa fartura de amor!

13 – Eu estou sobre vós e em vós. Meu êxtase está no vosso. Minha alegria é ver vossa alegria.

14 –
Acima, o enfeitado azul
É de Nuit o esplendor nu
Curvado em prazer taful;
Hadit secreto é beijado.
Céu de estrela e globo alado
São meus, Ó Ankh-af-na-Khonsu!

15 – Agora sabereis que o escolhido vate e apóstolo do espaço infinito é o sacerdote-príncipe a Besta; e em sua mulher chamada a Mulher Escarlate é todo poder dado. Eles juntarão minhas crianças em seu cercado: eles trarão a glória das estrelas para dentro dos corações dos homens.

16 – Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas a ele é a alada chama secreta, e ela a descendente luz estrelar.

17 – Mas vós não sois assim escolhidos.

18 – Queima sobre suas testas, ó serpente esplendorosa!

19 – Ó mulher de pálpebras azuis, curva-te sobre eles!

20 – A chave dos rituais está na palavra secreta que eu dei a ele.

21 – Com o Deus e o Adorante eu nada sou; eles não me vêem. Eles são como sobre a terra; eu sou no Céu, e não há ali outro Deus além de mim, e meu senhor Hadit.

22 – Agora, portanto, eu vos sou conhecida por meu nome Nuit, e dele por um nome secreto que eu lhe darei quando ele por fim me conhecer. Desde que eu sou o Espaço Infinito e as Infinitas Estrelas de lá, fazei vós assim também. Nada amarreis! Que não haja nenhuma diferença feita entre vós entre qualquer uma coisa e qualquer outra coisa; pois daí vem dor.

23 – Mas quem quer que valha nisto, seja ele o chefe de tudo!

24 – Eu sou Nuit, e minha palavra é seis e cinqüenta.

25 – Dividi, somai, multiplicai e compreendei.

26 – Então diz o profeta e escravo da bela: Quem sou eu, e qual há de ser o sinal? Assim ela lhe respondeu, curvando-se, uma lambente chama azul, tudo-tocando, tudo penetrando, suas mãos amoráveis sobre a terra negra, e seu corpo flexível arqueado para o amor, e seus pés macios não machucando as pequeninas flores: Tu sabes! E o sinal será meu êxtase, a consciência da continuidade da existência, a onipresença do meu corpo.

27 – Então o sacerdote respondeu e disse à Rainha do Espaço, beijando sua amoráveis sobrancelhas, e o orvalho da luz dela banhando o corpo inteiro dele em um doce perfume de suor: Ó Nuit, contínua mulher do Céu, que seja assim sempre; que os homens não falem de Ti como Uma mas como Nenhuma; e que eles não falem de ti de todo, desde que Tu és contínua!

28 – Nenhuma, respirou a luz, tênue e encantada, das estrelas, e dois.

29 – Pois eu estou dividida por amor ao amor, pela chance de união.

30 – Esta é a criação do mundo, que a dor de divisão é como nada, e a alegria da dissolução tudo.

31 – Por estes tolos dos homens e suas penas de todo não te cuides! Eles sentem pouco; o que é, é balançado por fracas alegrias; mas vós sois meus escolhidos.

32 – Obedecei meu profeta! Cumpri as ordálias do meu conhecimento! Buscai-me apenas! Então as alegrias do meu amor vos redimirão de toda a pena. Isto é assim; eu juro pela cúpula do meu corpo; por meu sagrado coração e língua; por tudo que eu posso dar, por tudo que eu desejo de vós todos.

33 – Então o sacerdote caiu em um profundo transe ou desmaio, e disse à Rainha do Céu; escreve para nós as ordálias; escreve para nós os rituais; escreve para nós a lei!

34 – Mas ela disse: as ordálias eu não escrevo: os rituais serão metade conhecidos e metade escondidos: a Lei é para todos.

35 – Isto que tu escreves é o tripartido livro de Lei.

36 – Meu escriba Ankh-af-na-Khonsu, o sacerdote dos príncipes, não mudará este livro em uma só letra; mas para que não haja tolice, ele comentará a respeito pela sabedoria de Ra-Hoor-Khu-it.

37 – Também os mantras e encantamentos; o obeah e o wanga; o trabalho da baqueta e o trabalho da espada; estes ele aprenderá e ensinará.

38 – Ele deve ensinar; mas ele pode fazer severas as ordálias.

39 – A palavra da Lei Q E L H M A Q E L H M A.
(Thelema, formada pelas letras gregas teta-epsilon-lambda-eta-mu-alfa).

40 – Quem nos chama Thelemita não fará erro, se ele olhar bem de perto na palavra. Pois há ali Três Graus, o Eremita, e o Amante, e o Homem da Terra. Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

41 – A palavra de Pecado é Restrição. Ó homem! Não recuses tua esposa, se ela quer! Ó amante, se tu queres, parte! Não existe laço que possa unir os divididos a não ser o amor: tudo mais é maldição. Maldito! Maldito! Seja para os eons! Inferno.

42 – Deixa estar aquele estado de multiplicidade amarrado e odiando. Assim com teu tudo: tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade.

43 – Faze aquilo, e nenhum outro dirá não.

44 – Pois vontade pura, desembaraçada de propósito, livre da ânsia de resultado, é toda via perfeita.

45 – O Perfeito e o Perfeito são um Perfeito e não dois; não, são nenhum!

46 – Nada é uma chave secreta desta Lei. Sessenta e um os Judeus a chamam; eu a chama oito, oitenta, quatrocentos e dezoito.

47 – Mas eles têm a metade: une por tua arte para que tudo desapareça.

48 – Meu profeta é um tolo com seu um, um, um; não são eles o Boi, e nenhum pelo Livro?

49 – Abrogados estão todos os rituais, todas as ordálias, todas as palavras e sinais. Ra-Hoor-Khuit tomou seu assento no Oriente ao Equinócio dos Deuses; e que Asar seja com Isa, que também são um. Mas eles não estão em mim. Que Asar seja o adorador, Isa o sofredor; Hoor em seu secreto nome e esplendor é o Senhor iniciando.

50 – Existe uma palavra a dizer a respeito do trabalho Hierofântico. Vede! Existem três ordálias em uma, e pode ser dada em três caminhos. O grosseiro deve passar por fogo; que o fino seja provado em intelecto, e os elevados escolhidos, no altíssimo. Assim vós tendes estrela e estrela, sistema e sistema; que nenhum conheça bem o outro!

51 – Há quatro portões para um palácio; o chão daquele palácio é de prata e ouro; lápis-lazúli e jaspe estão ali; e todos os perfumes raros; jasmim e rosa, e os emblemas da morte. Que ele entre sucessiva ou simultaneamente pelos quatro portões; que ele fique de pé no chão do palácio. Não afundará ele? Amn. Ho! Guerreiro, se teu servo afunda? Mas há meios e meios. Sede bons portanto: vesti-vos finamente; comei comidas ricas e bebei vinhos doces e vinhos que espumejam! Também, tomai vossa fartura e vontade de amor como quiserdes, quando, onde e com quem quiserdes! Mas sempre em mim.

52 – Se isto não for correto; se confundis as marcas do espaço, dizendo: Elas são uma; ou dizendo Elas são muitas; se os ritual não for sempre para mim: então esperai os terríveis julgamentos de Ra-Hoor-Khuit!

53 – Isto regenerará o mundo, o mundozinho minha irmã, meu coração e minha língua, a quem eu mando este beijo. Também, ó escriba e profeta, se bem que tu és dos príncipes, isto não te redimirá nem absolverá. Mas êxtase seja teu e alegria da terra: sempre a mim! A mim!

54 – Não mudes nem mesmo o estilo de uma letra; pois vê! Tu, ó profeta, não verás todos estes mistérios escondidos aí.

55 – A criança das tuas entranhas, ele os verá.

56 – Não o esperes do Oriente, nem do Ocidente; pois de nenhuma casa esperada vem aquela criança. Aum! Todas as palavras são sagradas e todos os profetas verdadeiros; salvo apenas que eles compreendem um pouco; resolvem a primeira metade da equação, deixam a segunda inatacada. Mas tu tens tudo na luz clara e algo, mas não tudo, na escuridão.

57 – Invocai-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Nem confundam os tolos o amor; pois existem amor e amor. Existe o pombo, e existe a serpente. Escolhei bem! Ele, meu profeta, escolheu, conhecendo a lei da fortaleza, e o grande mistério da Casa de Deus.

Todas essas velhas letras de meu Livro estão certas; mas * não é a Estrela. Isto também é secreto: meu profeta o revelará aos sábios.

(o símbolo * é a letra Hebraica Tzaddi)

58 – Eu dou alegrias inimagináveis sobre a terra; certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz inominável, descanso, êxtase; nem exijo eu coisa alguma em sacrifício.

59 – Meu incenso é de madeiras resinosas e gomas; e não existe sangue ali: por causa de meu cabelo as árvores da Eternidade.

60 – Meu número é 11, como todos os seus números que são de nós. A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio, e o círculo é Vermelho. Minha cor é negra para os cegos, mas azul e ouro são vistos dos videntes. Também eu tenho uma glória secreta para aqueles que me amam.

61 – Mas amar-me é melhor que toda a coisa: se sob as estrelas da noite no deserto tu presentemente queimas meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração puro, e a chama Serpentina ali contida, tu virás deitar-te em meu seio um bocadinho. Por um beijo tu então quererás dar tudo; mas quem quer que dê uma partícula de pó perderá tudo naquela hora. Vós ajuntareis mercadorias e quantidade de mulheres e espécies; vós usareis ricas jóias; vós excedereis as nações da terra em esplender e orgulho; mas sempre no meu amor, e assim vireis à minha alegria. Eu te urjo seriamente a que venhas diante de mim em uma vestimenta única, e coberto com um rico diadema. Eu te amo! Eu te desejo! Pálido ou púrpura, velado ou voluptuoso, eu que sou todo prazer e púrpura, e embriaguez do senso mais íntimo, te desejo. Põe as asas, e acorda o esplendor enroscado dentro de ti: vem a mim!

62 – Em todos os meus encontros convosco a sacerdotisa dirá – e seus olhos queimarão com desejo enquanto ela está de pé nua e regozijante em meu templo secreto – A mim! A mim! Evocando a flama dos corações de todos em seu cântico de amor.

63 – Cantai a canção de amor feliz para mim! Queimai perfumes para mim! Usai jóias para mim! Bebei a mim, pois eu vos amo! Eu vos amo!

64 – Eu sou a filha do Poente, de pálpebras azuis; eu sou o brilho nu do voluptuoso Céu noturno.

65 – A Mim! A Mim!

66 – A manifestação de Nuit está em um fim.

II

1 – Nu! O esconderijo de Hadit.

2 – Vinde! Todos vós, e aprendei o segredo que ainda não foi revelado. Eu, Hadit, sou o complemento de Nu, minha noiva. Eu não sou estendido, e Khabs é o nome de minha Casa.

3 – Na esfera eu sou em toda a parte o centro, enquanto Ela, a circunferência, em parte alguma é encontrada.

4 – No entanto ela será conhecida e eu nunca.

5 – Vede! Os rituais do velho tempo são negros. Que os ruins sejam jogados fora; que os bons sejam purgados pelo profeta! Então este Conhecimento irá corretamente.

6 – Eu sou a flama que queima em todo coração de homem, e no âmago de toda estrela. Eu sou Vida, e o doador de Vida, no entanto por isto conhecer-me é conhecer a morte.

7 – Eu sou o Mago e o Exorcista. Eu sou o eixo da roda, e o cubo no círculo. “Vinde a mim” é uma palavra tola; pois sou eu que vou.

8 – Quem adorou Heru-pa-kraath adorou-me; erro, pois eu sou o adorador.

9 – Lembrai-vos todos vós de que existência é pura alegria; de que todos os sofrimentos são apenas como sombras; eles passam e estão acabados; mas existe aquilo que resta.

10 – Ó profeta! Tu tens má vontade de aprender esta escritura.

11 – Eu te vejo odiar a mão e a pena; mas eu sou mais forte.

12 – Por causa de Mim em ti que tu não conhecias.

13 – Por que? Porque tu eras o conhecedor, e eu.

14 – Agora haja um velar deste sacrário: agora que a luz devore os homens e os engula com cegueira!

15 – Pois eu sou perfeito, não sendo; e meu número é nove pelos tolos; mas o justo eu sou oito, e um em oito: o que é vital, pois eu nenhum sou de fato. A Imperatriz e o Rei não sou eu; pois existe um outro segredo.

16 – Eu sou a Imperatriz e o Hierofante. Assim onze, como minha noiva é onze.

17 –
Ouvi, vós que suspirais!
As dores de pena infinda
Queda aos mortos e mortais,
Quem me não conhece ainda.

18 – Estes são mortos, esta gente; eles não sentem. Nós não somos para os pobres e tristes: os senhores da terra são nossos parentes.

19 – Há um Deus de viver em um cão? Não! Mas os mais elevados são de nós. Eles se regozijarão, nossos escolhidos: quem se amargura não é de nós.

20 – Beleza e vigor, rigor contínuo e delicioso langor, força e fogo, são de nós.

21 – Nós nada temos com o incapaz e o expulso: deixai-os morrer em sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão é o vício dos reis: calcai aos pés os desgraçados e os fracos: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria do mundo. Não penses, ó rei, naquela mentira: Que Tu Deves Morrer: em verdade, tu não morrerás, mas viverás. Agora seja isto compreendido: Se o corpo do Rei se dissolve, ele permanecerá em puro êxtase para sempre. Nuit! Hadit! Ra-Hoor-Khuit! O Sol, Força e Visão, Luz; estes são para os servidores da Estrela e da Cobra.

22 – Eu sou a Cobra que dá Conhecimento e Deleite e brilhante glória, e movo os corações dos homens com embriaguez. Para adorar-me tomai vinho e estranhas drogas das quais eu direi ao meu profeta, e embriagai-vos deles! Eles não vos farão mal de forma alguma. É uma mentira, esta tolice contra si mesmo. Sê forte, ó homem! Arde, usufrui todas as coisas de senso e raptura: não temas que qualquer Deus te negará por isto.

23 – Eu sou só: não existe Deus onde eu sou.

24 – Vede! Estes são graves mistérios; pois há também de meus amigos quem são eremitas. Agora não penseis encontrá-los na floresta ou na montanha; mas em camas de púrpura, acariciados por magníficas bestas de mulheres com longos membros, e fogo e luz em seus olhos, e massas de cabelo flamejante em volta delas; lá vós os encontrareis. Vós os vereis governando, em exércitos vitoriosos, em toda a alegria; e haverá neles uma alegria um milhão de vezes maior que isto. Cuidado para que algum não force outro, Rei contra Rei! Amai-vos uns aos outros com corações ardentes; nos homens baixos pisai no enérgico ímpeto do vosso orgulho, no dia de vossa cólera.

25 – Vós sois contra o povo, ó meus escolhidos!

26 – Eu sou a secreta Serpente enroscada a ponto de pular: em minhas roscas há alegria. Se eu levanto minha cabeça, eu e minha Nuit somo um. Se eu abaixo minha cabeça, e ejaculo veneno, então há raptura da terra, e eu e a terra somos um.

27 – Existe um grande perigo em mim; pois quem não compreende estas runas fará uma grande falha. Ele cairá dentro do mundéu chamado Porque, e lá ele perecerá com os cães da Razão.

28 – Agora uma maldição sobre Porque e seus parentes!

29 – Seja Porque amaldiçoado para sempre!

30 – Se a Vontade pára e grita Por Que, invocando Porque, então a Vontade pára e nada faz.

31 – Se o Poder pergunta Por Que, então o Poder é fraqueza.

32 – A Razão também é uma mentira; pois existe um fator infinito e desconhecido; e todas as suas palavras são meandros.

33 – Bastante de Porque! Seja ele danado para um cão!

34 – Mas vós, ó meu povo, levantai-vos e acordai!

35 – Que os rituais sejam retamente executados com alegria e beleza!

36 – Há rituais dos elementos e festas das estações.

37 – Uma festa para a primeira noite do Profeta e sua Noiva!

38 – Uma festa para os três dias da escritura do Livro da Lei!

39 – Uma festa para Tahuti e a criança do Profeta-Secreta, ó Profeta!

40 – Uma festa para o Supremo Ritual, e uma festa para o Equinócio dos Deuses!

41 – Uma festa para o fogo e uma festa para a água; uma festa para a vida e uma festa maior para a morte!

42 – Uma festa diária em vossos corações na alegria de minha raptura!

43 – Uma festa toda noite para Nu, e o prazer do mais transcendente deleite!

44 – Sim! Festejai! Regozijai-vos! Não existe pavor no além. Existe a dissolução, e eterno êxtase nos beijos de Nu.

45 – Há morte para os cães.

46 – Falhas? Arrependes-te? Há medo em teu coração?

47 – Onde eu sou estes não são.

48 – Não tenhais piedade dos caídos! Eu nunca os conheci. Eu não sou para eles. Eu não consolo: eu odeio o consolado e o consolador.

49 – Eu sou único e conquistador. Eu não sou dos escravos que perecem. Sejam eles danados e mortos! Amém. (Isto é dos 4: existe um quinto que é invisível, e ali sou eu como um bebê em um ovo.)

50 – Azul sou eu e ouro na luz de minha noiva: mas o brilho vermelho está nos meus olhos; e minhas escamas são púrpuras e verde.

51 – Púrpura além do púrpura: é a luz mais alta que a visão.

52 – Existe um véu; e este véu é negro. É o véu da mulher modesta; e o véu de sofrimento, e o companheiro da morte: e nenhum sou eu. Rasgai abaixo aquele mentiroso espectro dos séculos: não veleis vossos vícios em palavras virtuosas: estes vícios são meu serviço; vós fazeis bem, e eu vos recompensarei aqui e no além.

53 – Não temas, ó profeta, quando estas palavras forem ditas, tu não te arrependerás. Tu és enfaticamente meu escolhido; e abençoados são os olhos que tu contemplares com alegria. Mas eu te esconderei em uma máscara de sofrimento: eles que te verem recearão que tu és caído: mas eu te levanto.

54 – Nem valerão aqueles que gritam alto sua tolice que tu não significas nada; tu o revelarás; tu vales: eles são os escravos de Porque: eles não são eu. A pontuação como quiseres; as letras? Não as mudes em estilo ou valor!

55 – Tu obterás a ordem e valor do Alfabeto Inglês: tu acharás novos símbolos aos quais atribuí-las.

56 – Ide! Vós escarnecedores; apesar de que rides em minha honra vós não rireis longamente: então quando estiverdes tristes sabei que eu vos abandonei.

57 – Ele que é correto será correto ainda; ele que é imundo será imundo ainda.

58 – Sim! Não penseis em mudança: vós sereis como sois, e não outro. Portanto os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos servirão. Nenhum existe que será derrubado ou elevado: tudo é sempre como foi. No entanto existem uns mascarados meus servidores: pode ser que aquele mendigo ali seja um Rei. Um Rei pode escolher sua roupa como quiser: não existe teste certo: mas um mendigo não pode esconder sua pobreza.

59 – Cuidado portanto! Amai a todos, pois pode ser que haja um Rei escondido! Dizeis assim? Tolo! Se ele é um Rei, tu não podes feri-lo.

60 – Portanto, golpeia duro e baixo, e para o inferno com eles, mestre!

61 – Existe uma luz diante dos teus olhos, ó profeta, uma luz indesejada, muito desejável.

62 – Eu estou erguido em teu coração; e os beijos das estrelas chovem forte no teu corpo.

63 – Tu estás exausto na fartura voluptuosa da inspiração; a expiração é mais doce que a morte, mais rápida e cheia de riso que uma carícia do verme do Inferno.

64 – Ó! Tu estás sobrepujado: nós estamos sobre ti; nosso deleite está sobre tu todo: salve! Salve: Profeta de Nu! Profeta de Had! Profeta de Ra-Hoor-Khu! Agora regozija-te! Agora vem em nosso esplendor e raptura! Vem em nossa paz apaixonada, e escreve doces palavras para os Reis!

65 – Eu sou o Mestre: tu és o Santo Escolhido.

66 – Escreve, e encontra êxtase na escrita! Trabalha, e sê nossa cama trabalhando! Freme com a alegria de vida e morte! Ah! Tua morte será linda: quem a ver se alegrará. Tua morte será o selo da promessa do nosso anciente amor. Vem! Levanta teu coração e regozija-te! Nós somos um; nós somos nenhum.

67 – Firma! Firma! Agüenta em tua raptura; não se perca com os beijos supremos!

68 – Endurece! Conserva-te a prumo! Levanta tua cabeça! Não respires tão fundo – morre!

69 – Ah! Ah! Que sinto eu? Está a palavra exausta?

70 – Existe auxílio e esperança em outros encantamentos. Sabedoria diz: sê forte! Então tu podes suportar mais alegria. Não sejas animal; refina tua raptura! Se tu bebes, bebe pelas oito e noventa regras de arte: se tu amas, excede em delicadeza; e se tu fazes o que quer que seja de alegre, que haja sutileza ali contida!

71 – Mas excede! Excede!

72 – Esforça-te sempre por mais! E se tu és verdadeiramente meu – e não o duvides, e se tu és sempre alegre! – a morte é a coroa de tudo.

73 – Ah! Ah! Morte! Morte! Tu ansiarás pela morte. Morte está proibida, ó homem, para ti.

74 – A duração da tua ânsia será a força da sua glória. Aquele que vive longamente e deseja muito a morte é sempre o Rei entre os Reis.

75 – Sim! Escuta os números e as palavras.

76 – 4 6 3 8 A B K 2 4 A L G M O R 3 Y X 24 89 R P S T O V A L. Que significa isto, ó profeta? Tu não sabes; nem nunca saberás. Vem um para te seguir: ele o exporá. Mas lembra-te, ó escolhido, de ser eu; de seguir o amor de Nu no céu iluminado de estrelas; de contemplar os homens, de dizer-lhes esta palavra alegre.

77 – E sejas orgulhoso e poderoso entre os homens!

78 – Levanta-te! Pois nenhum existe como tu entre homens ou entre Deuses! Levanta-te, ó meu profeta, tua estatura sobrepassará as estrelas. Elas adorarão teu nome, quadrangular, místico, maravilhoso, o número do homem; e o nome de tua casa 418.

79 – O fim do esconderijo de Hadit; e bênção e veneração ao profeta da amável Estrela!

 

III

1 – Abrahadabra: a recompensa de Ra Hoor Khut.

2 – Existe divisão daqui em direção ao lar; existe uma palavra não conhecida. Soletrar é ineficaz; tudo não é alguma coisa. Cuidado! Espere! Levantai o encanto de Ra-Hoor-Khuit!

3 – Agora seja primeiramente compreendido que eu sou um Deus de Guerra e de Vingança. Eu lidarei duramente com eles.

4 – Escolhei uma ilha!

5 – Fortificai-a!

6 – Cercai-a de engenharia de guerra!

7 – Eu vos darei uma máquina de guerra.

8 – Com ela vós golpeareis os povos; e nenhum ficará de pé diante de vós.

9 – Espreitai! Retirai-vos! Sobre eles! Esta é a Lei da Batalha de Conquista: assim será meu culto em volta de minha casa secreta.

10 – Toma os mandamentos da própria revelação; coloca-os em teu templo secreto – e aquele templo já está corretamente disposto – e eles serão o vosso Kiblah para sempre. Eles não desbotarão, mas cor miraculosa voltará a eles dia após dia. Fechai-os em vidro trancado como uma prova para o mundo.

11 – Esta será vossa única prova. Eu proíbo argumento. Conquistai! Isso basta. Eu farei fácil para vós a abstrução da casa mal-ordenada na Cidade Vitoriosa. Tu a transportarás tu mesmo com veneração, ó profeta, se bem que tu não gostas. Tu terás perigo e tribulação. Ra-Hoor-Khu está contigo. Adorai-me com fogo e sangue; adorai-me com espadas e com lanças. Que a mulher seja cingida com uma espada diante de mim; que sangue corra em meu nome. Calcai aos pés os Gentios; sede sobre eles, ó guerreiro, eu vos darei da carne deles para comer!

12 – Sacrificai gado, pequeno e grande: depois uma criança.

13 – Mas não agora.

14 – Vós vereis aquela hora, ó Besta abençoada, e tu a Concubina Escarlate do desejo dele!

15 – Vós ficareis tristes por isto.

16 – Não penseis demasiado avidamente em apossar-vos das promessas; não temais incorrer nas maldições. Vós, mesmo vós, não conheceis este significado todo.

17 – De todo não temais; não temais nem homens nem Fados, nem Deuses, nem coisa alguma. Dinheiro não temais, nem risada da tolice do povo, nem qualquer outro poder no céu ou sobre a terra ou debaixo da terra. Nu é vosso refúgio como Hadit vossa luz; e eu sou a potência, força, vigor, de vossas armas.

18 – Misericórdia esteja fora: amaldiçoai os que se apiedam! Matai e torturai; não poupeis; sede sobre eles!

19 – Aos mandamentos eles chamarão de Abominação da Desolação; contai bem seu nome, e será para vós tal qual 718.

20 – Por que? Por causa da queda do Porque, que ele não é lá novamente.

21 – Coloca minha imagem no Este: tu te comprarás uma imagem que eu te mostrarei, especial, não dessemelhante àquela que tu conheces. E será subitamente fácil para ti o fazer isto.

22 – As outras imagens agrupa em volta minha para suportar-me: sejam todas adoradas, pois elas se reunirão para exaltar-me. Eu sou o objeto visível de adoração; os outros são secretos; para a Besta e sua Noiva são eles: e para os vencedores da Ordenamemto x. O que é isto? Tu saberás.

23 – Para perfume misturai farinha e mel e grossa borra de vinho tinto: então óleo de Abramelin e óleo de oliva, e depois amolecei e amaciai com rico sangue fresco.

24 – O melhor sangue é da lua, mensal: então o sangue fresco de uma criança, ou pingando da hóstia do céu: então de inimigos: então do sacerdote ou dos adoradores: por último de alguma besta, não, importa qual.

25 – Isto queimai: disto fazei bolos e comei em minha homenagem. Isto tem também um outro uso; seja depositado diante de mim, e conservado impregnado com perfumes de vossa prece: encher-se-á de escaravelhos como já o foi e de coisas rastejantes sagradas para mim.

26 – Estes matai, nomeando vossos inimigos; e eles cairão diante de vós.

27 – Também estes criarão o desejo e o poder do desejo em vós ao serem comidos.

28 – Também sereis fortes na guerra.

29 – Ou então, sejam eles longamente conservados, é melhor; pois incham com minha força. Tudo diante da minha presença.

30 – Meu altar é de latão rendado: queimai sobre ele prata ou ouro.

31 – Vem um homem rico do Oeste que derramará seu ouro sobre ti.

32 – Do ouro forja aço!

33 – Sê pronto a fugir ou a golpear!

34 – Mas vosso lugar santo será intocado através dos séculos: ainda que com fogo e espada ele seja queimado e despedaçado, uma casa invisível está de pé ali, e estará de pé até a queda do Grande Equinócio; quando Hrumachis se erguerá e o que possui duas varas assumirá meu trono e lugar. Outro profeta se erguerá, e trará febre nova dos céus; outra mulher despertará o ardor e adoração da Serpente; outra alma de Deus e da besta misturar-se-á no sacerdote englobado; outro sacrifício manchará a tumba; outro rei reinará; e que benção nenhuma seja mais servida ao místico Senhor de Cabeça de Falcão!

35 – A metade da palavra de Heru-ra-ha, chamado Hoor-pa-kraat e Ra-Hoor-Khut.

36 – Então disse o profeta ao Deus:

37 –
Eu te adoro na canção –
Eu sou o Senhor de Tebas, e eu
O vate inspirado de Mentu.
Para mim desvela o véu do céu,
O sacrificado Ankh-af-na-Khonsu
Cujo verbo é lei. Deixa que eu incite
Tua presença aqui, Ó Ra-Hoor-Khuit!
Unidade extrema demonstrada!
Adoro Teu poder, Teu sopro forte,
Deus terrível, suprema flor do nada,
Tu que fazes com que os deuses e a morte
Tremam diante de Ti:
Eu, eu adoro a ti!
Aparece no trono de Ra!
Abre os caminhos do Khu!
Ilumina os caminhos do Ka!
Nas rotas do Khabs sê tu,
Para mover-me ou parar-me!
Aum! Deixe que me preencha!

38 – De forma que tua luz está em mim; e sua flama rubra é como uma espada em minha mão para empurrar tua ordem. Existe uma rota secreta que eu farei para estabelecer tua rota em todos os quadrantes (estas são as adorações, como tu escreves-te), como é dito:

É minha a luz; faz que eu me vá
Com os seus raios. Sou o autor
De oculta porta ao Lar de Ra
E Tum, de Kephra e de Ahathoor.

Eu sou teu Tebano, Ó Mentu,
O profeta Ankh-af-na-Khonsu!
Por Bes-na-Maut bato no peito;
E por Ta-Nech lanço o feitiço.

Brilha, Nuit, ó céu perfeito!
Alada cobra, luz e viço,
Abre-me tua Casa, Hadit!
Mora comigo, Ra-Hoor-Khuit!

39 – Tudo isto e um livro para dizer como tu chegaste aqui e uma reprodução desta tinta e papel para sempre – pois nisto está a palavra secreta e não apenas no Inglês – e teu comento sobre este o Livro da Lei será impresso belamente em tinta vermelha e negra sobre belo papel feito à mão; e a cada homem e mulher que tu encontras, fosse apenas para jantar ou beber a eles, esta é a Lei a dar. Então talvez eles decidam permanecer nesta felicidade ou não; não tem importância. Faze isto rápido!

40 – Mas o trabalho do comento? Aquilo é fácil; e Hadit ardendo em teu coração fará célere e segura tua pena.

41 – Estabelece em tua Kaaba um escritório; tudo deve ser bem feito e com jeito de negócios.

42 – As ordálias tu fiscalizarás tu mesmo, salvo apenas as cegas. Não recuses ninguém, mas tu conhecerás e destruirás os traidores. Eu sou Ra-Hoor-Khuit; e eu sou poderoso para proteger o meu servo. Sucesso é tua prova; não discutas; não convertas; não fales demais! Aqueles que buscam armar-te uma cilada, derrubar-te, esses ataca sem dó nem trégua; e destrói-os por completo. Célere como uma serpente pisada vira-te e dá o bote! Sê tu mais mortífero ainda que ele! Puxa para baixo suas almas a tormento horrível: ri do medo deles: cospe sobre eles!

43 – Que a Mulher Escarlate se precavenha! Se piedade e compaixão e ternura visitarem seu coração; se ela deixar meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então minha vingança será conhecida. Eu matarei sua criança eu mesmo: eu alienarei seu coração: eu a expelirei dos homens: como uma encolhida e desprezada rameira ela rastejará por ruas molhadas e escuras, e morrerá fria e faminta.

44 – Mas que ela se erga em orgulho! Que ela me siga em meu caminho! Que ela obre a obra da maldade! Que ela mate seu coração! Que ela seja gritona e adúltera! Que ela esteja coberta de jóias, e ricas roupas, e que ela seja sem vergonha diante de todos os homens!

45 – Então eu a levantarei a pináculos de poder: então eu irei gerar nela uma criança mais poderosa  que todos os reis da terra. Eu a encherei de alegria: com minha força ela verá e  não perderá tempo para adorar Nu: ela alcançará o  Hadit.

46 – Eu sou o guerreiro Senhor dos Quarentas: os Oitenta se acovardam diante de mim, e são afundados. Eu vos trarei a vitória e alegria: eu estarei nas vossas armas em batalha e vós se deleitareis em matar. Sucesso é vossa prova; coragem é nossa armadura; avante, avante em minha força; e vós não retrocedereis diante de ninguém!

47 – Este livro será traduzido em todas as línguas: mas sempre com o original pela mão da Besta; pois na forma ao acaso das letras e sua posição umas com as outras: nestas há mistérios que nenhuma Besta adivinhará. Que ele não procure tentar: mas um vem após ele, de onde eu não digo, que descobrirá a Chave disso tudo. Então esta linha traçada é uma chave; então este círculo esquadrado em seu fracasso é uma chave também. E Abrahadabra. Será sua criança e isso estranhamente. Que ele não procure por isto; pois dessa forma apenas pode ele cair.

48 – Agora este mistério das letras está acabado, e eu quero prosseguir para o lugar mais santo.

49 – Eu estou em uma secreta palavra quádrupla, a blasfêmia contra todos os deuses dos homens.

50 – Maldição sobre eles! Maldição sobre eles! Maldição sobre eles!

51 – Com minha cabeça de Falcão eu bico os olhos de Jesus enquanto ele se dependura da cruz.

52 – Eu bato minhas asas na face de Mohammed e cego-o.

53 – Com minhas garras eu dilacero e puxo fora a carne do Hindu e do Budista, Mongol e Din.

54 – Bahlasti! Ompheda! Eu cuspo nos vossos credos crapulosos.

55 – Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: por causa dela que todas as mulheres castas sejam completamente desprezadas entre vós!

56 – Também por causa da beleza e do amor!

57 – Desprezai também todos os covardes; soldados profissionais que não ousam lutar, mas brincam; todos os tolos desprezai!

58 – Mas os mordazes, aqueles que são sutis e os altivos, a realeza e os elevados; vós sois irmãos!

59 – Lutai como irmãos!

60 – Não existe lei além de Faze o que tu queres.

61 – Há um fim da palavra do Deus entronado no assento de Ra, tornando leves as vigas da alma.

62 – A mim reverenciai! Vinde a mim através de tribulações da ordenação, que é o deleite.

63 – O tolo lê este Livro da Lei, e seus comentários; e ele não o compreende.

64 – Que ele passe pela primeira ordenação, e será para ele como prata.

65 – Pela segunda, ouro.

66 – Pela terceira, pedras de água preciosa.

67 – Pela quarta, as extremas fagulhas do fogo íntimo.

68 – No entanto a todos ele parecerá belo. Seus inimigos que não dizem assim, são meros mentirosos.

69 – Existe sucesso.

70 – Eu sou o Senhor de Cabeça de Falcão do Silêncio e da Força; minha nêmesis cobre o céu azul-noturno.

71 – Salve! Vós gêmeos guerreiros em volta dos pilares do mundo! Pois vossa hora está próxima.

72 – Eu sou o Possuidor Das DUas Varas de Poder, a vara da Força de Coph Nia – mas minha mão esquerda está vazia, pois eu esmaguei um Universo; e nada resta.

73 – Juntai as folhas da direita para a esquerda e do topo ao pé: então contemplai!

74 – Existe um esplendor em meu nome oculto e glorioso, como o sol da meia-noite é sempre o filho.

75 – O fim das palavras é a Palavra Abrahadabra.

 

O Livro da Lei está Escrito
e Escondido.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/liber-al-vel-legis/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/liber-al-vel-legis/

04/10 – Dia de São Francisco de Assis

São Francisco nasceu em 1182 em Assis, Itália. Filho de um comerciante rico, ele teve tempo e dinheiro para gastar com leituras e hospedar banquetes para os jovem nobres, que o proclamaram “O Rei de Banquetes”. Jovem e bonito, ansiou por uma vida de aventuras como cavaleiro. Assim, aos 20 anos entrou na guerra entre Assis e Perugia. Ao partir, jurou voltar consagrado cavaleiro. Foi ferido e feito prisioneiro. Passou um ano em um calabouço, onde contraiu malária. Resgatado por seu pai, voltou a Assis mais reflexivo. Ainda assim, o desejo de lutar pela “justiça” através das armas não o abandonou. Quando soube das vitórias militares do Conde Walter de Brienne voltou a querer ser um cavaleiro. A caminho de juntar-se a Brienne, Francisco parou em Spoleto e ouviu as notícias da morte de seu futuro ex-líder. Tomado pela depressão, sua malária retornou.

Uma noite, uma voz misteriosa perguntou a ele: “Quem você pensa que pode melhor recompensar você, o Mestre ou o empregado?” Francisco Respondeu, “O Mestre.” A voz continuou, “Então por que você deixa o Mestre pelo empregado?” Francisco percebeu que o empregado era o Conde Walter. Ele deixou Spoleto seguro de que Deus havia falado com ele. Durante os próximos dois anos Francisco sentiu uma força interna que o estava preparando para uma mudança. A visão de leprosos causava uma convulsão na alma sensível de Francisco. Um dia, enquanto montava seu cavalo, ele encontrou um leproso. Seu primeiro impulso era o de lançar uma moeda e esporear seu cavalo pra sair dali o mais rápido possível. Ao invés disso, Francisco desmontou, abraçou e beijou o leproso, dando-lhe uma bolsa de moedas. Muito depois, em seu leito morte, ele recordou o encontro como o momento de coroamento de sua conversão: “O que antes parecia amargo pra mim se converteu em doçura de alma e corpo”.

Passou a evitar a vida de banquetes e esportes ao lado de suas companhias habituais, que, em tom de brincadeira, perguntavam se ele estava pensando em casar. Ele respondeu “sim, com a mais formosa dama que vocês já viram”. Mais tarde saberíamos que ele se referia à Madonna Povertà – a Senhora Pobreza – como costumava dizer. Ele passou muito tempo em locais solitários, pedindo a Deus por Iluminação.

Após uma peregrinação à Roma, onde clamava pelos pobres nas portas das Igrejas, São Francisco volta a Assis e ora ante a imagem do Cristo Crucificado nas ruínas da Igreja de São Damião. No que pareceu-lhe ouvir claramente: “Francisco, Francisco, vai e repara minha casa, que, como podes ver, está em ruínas” Pensando tratar-se do velho templo onde se achava, agiu de pronto, vendendo o cavalo e os tecidos de seu pai, que tinha em mãos. Seu pai, indignado com o novo gênero de vida adotado por Francisco, após ameaças e castigos, queixou-se ao bispo Dom Guido III e, diante dele, pediu a Francisco que lhe devolvesse o dinheiro gasto. A resposta foi uma renúncia total à vultosa herança: tirou, ali mesmo na Igreja, as próprias vestes, e exclamou: “… doravante não direi mais pai Bernardone, mas Pai nosso que estás no céu…”

Ele se tornou um mendigo, e com o dinheiro dos viajantes ajudou a reconstruir mais três pequenas igrejas abandonadas: a de São Pedro, a de Porziuncola e a de Santa Maria dos Anjos, sua preferida (e lugar onde morreu).

Por essa época ouve um sermão que mudou sua vida. Era sobre Mateus 10:9, no qual Cristo fala aos seus seguidores que eles deveriam ir adiante e proclamar que o Reino de Céu estava neles, que não deveriam levar nenhum dinheiro com eles, nem mesmo uma bengala ou sapatos para a estrada. Assim, Francisco foi inspirado por esse sermão a se dedicar completamente a uma vida de pobreza. Suas humildes túnicas amarradas por um simples cordão levam até hoje três nós, são seus votos de: Pobreza, Obediência e Castidade. Começa a atrair outras pessoas com seus sermões, e em 1209 já são 11 companheiros de jornada. Frascisco recusa o título de padre, e a comunidade se dá o nome de Fratres minores (irmãos menores, em Latim). Eles vivem uma vida simples e alegre perto de Assis, sempre com muitas canções, embora fossem bastante sérios em suas pregações. Viviam em cabanas de taipa; suas igrejas eram modestas e pequenas; dormiam no chão. Não tinham cadeiras ou mesas, e possuíam poucos livros.

AS ORDENS

Em 1209 Francisco foi com seus 11 novos irmãos à Roma, buscar a permissão do Papa Inocêncio III para fundar uma ordem religiosa. O biógrafo Frei Boa Ventura conta que o Papa não quis aprovar logo a regra de vida proposta por Francisco, porque parecia estranha e por demais penosa às forças humanas no parecer de alguns cardeais. Mas o cardeal João de São Paulo, bispo de Sabina, intercedeu e disse a Francisco: “Meu filho, faze uma oração fervorosa a Cristo para que por teu intermédio nos mostre a sua vontade. Assim que a tivermos conhecido com maior clareza, poderemos aceder com mais segurança aos teus pedidos”.

Francisco o fez, e com suas humildes súplicas obteve do Senhor que lhe revelasse o que deveria falar ao Pontífice e que este sentisse em seu íntimo os efeitos da inspiração divina. Contou então ao Pontífice a parábola de um rei muito rico que, feliz, desposara uma bela senhora pobre e dela tivera vários filhos com a mesma fisionomia do rei, pai deles, e que por isso forem educados em seu palácio. E acrescentou: “Não há nada a temer que morram de fome os filhos e herdeiros do Rei dos céus, os quais, nascidos por virtude do Espírito Santo, à imagem de Cristo Rei, de uma mãe pobre, serão gerados pelo espírito da pobreza numa religião sumamente pobre. Pois se o Rei dos céus promete a seus seguidores a posse de um reino eterno, quanto mais seguros podemos estar de que lhes dará também todas aquelas coisas que comumente não nega nem aos bons nem aos maus!” O Papa ficou maravilhado e já não duvidava de que Cristo havia falado pela boca daquele homem. Especialmente porque tivera, pouco tempo antes, um sonho onde a basílica do Latrão estava prestes a ruir e um homem pobre, pequeno e de aspecto desprezível, a segurava nos ombros para não cair. Ainda assim, o Papa aprova as regras só verbalmente (um ano depois a aprovaria no papel). Surge assim a Fraternidade dos Irmãos Menores, a Primeira Ordem.

No Domingo de Ramos de 1212, uma nobre senhora, chamada Clara de Favarone (hoje conhecida por Santa Clara ou Clara de Assis), foi procurar Francisco para abraçar a vida de pobreza. Alguns dias depois, Inês, sua irmã, segue-lhe o caminho. Surge a Fraternidade das Pobres Damas, a Segunda Ordem. Aqueles que eram casados ou tinham suas ocupações no mundo e não podiam ser frades ou irmãs religiosas, mas queriam seguir os ideais de Francisco, não ficaram na mão: por volta de 1220, Francisco deu início à Ordem Terceira Secular para homens e mulheres, casados ou não, que continuavam em suas atividades na sociedade, vivendo o Evangelho.

NO ORIENTE

A parábola que Francisco contou ao Papa para convencê-lo a reconhecer a Ordem guarda uma fantástica semelhança com a história do Islã, pois Abraão (o patriarca do judaísmo) tinha duas esposas: Sarah e Hagar. Sarah deu a luz a Isaac, e Hagar a Ismael (futuro patriarca do povo árabe, não apenas dos islâmicos). Sarah, enciumada, pediu o banimento de Hagar e seu filho, e Abraão a mandou da Palestina para o deserto Árabe, crendo que Deus cuidaria deles. Quando acabaram as provisões (água especialmente), Hagar correu enlouquecida pelo deserto, até que Deus milagrosamente fez um poço (o Zam-Zam, que existe até hoje) e com ele se sustentaram. Uma cidade (Meca) se desenvolveu neste local, e hoje ela é O local sagrado para todo o povo árabe. A semelhança aqui é que os sufis podem ser considerados, por isso, os filhos pobres de Abraão.

A atmosfera e organização da Ordem franciscana é mais parecida com os Dervixes (Ordem sufi) que qualquer outra coisa. Além dos contos sobre Francisco serem muito parecidos com os dos professores sufis, todos os tipos de pontos coincidem. Como os sufis, os franciscanos não se preocupam com sua salvação pessoal (considerado uma vaidade). Francisco iniciava suas pregações com a frase “Que a paz de Deus esteja com você”, que ele disse ter recebido de Deus, mas que era (obviamente) uma saudação árabe. Até a roupa, com seu capote coberto e mangas largas, é a mesma dos dervixes de Marrocos e da Espanha, por onde Francisco se aventurou em 1212, plena época das cruzadas, dedicando-se a tentar converter os Sarracenos pela não-violência. O próprio nome da Ordem, “Fraternidade dos Irmãos Menores”, pressupõe haver os Irmãos maiores, e os únicos com esse nome na época eram os “Grandes Irmãos”, uma Ordem sufi fundada por Najmuddin Kubra, “o Grande”. As conexões impressionam. Uma das maiores características deste grande sufi era sua misteriosa influência sobre os animais; Desenhos o mostram cercado de pássaros; Ele amansou um cachorro feroz apenas olhando para ele (exatamente como Francisco fez com um lobo). Todas essas histórias eram conhecidas no ocidente 60 anos antes de Fracisco nascer.

Por tudo isso, não é de se espantar que, em Damietta, no Egito, de alguma forma Francisco e seus companheiros tenham conseguido cruzar a linha de batalha onde os Cruzados lutavam com os Árabes e se encontrar pessoalmente com o sultão Malik el-Kamil. E ser bem recebido. Diz-se que Francisco desafiou os líderes religiosos muçulmanos a um teste de fé através do fogo, mas eles recusaram. Então Francisco propôs entrar no fogo primeiro e, se ele saísse de lá incólume, o sultão teria que reconhecer o Cristo como o verdadeiro Deus. O sultão não aceitou, mas ficou tão impressionado com a fé deste homem que permitiu aos franciscanos acesso livre aos locais sagrados para os cristãos, como a sagrada sepultura. Deu um salvo-conduto para que eles pudessem trafegar e até mesmo PREGAR em terras árabes, e ainda pediu para que ele o visitasse novamente.

Entretanto, Francisco de Assis não teve sucesso convertendo o sultão, e as últimas palavras de Malik para Francisco foram: “Reze para que Deus me revele qual Lei e fé é a mais agradável para Ele”. Francisco recusou todos os ricos presentes oferecidos pelo sultão e voltou aos exércitos cristãos. No entanto, essa viagem parece ter causado uma transformação (conversão) maior em Francisco de Assis do que no sultão, como se ele tivesse encontrado no Oriente (e no sufismo) suas raízes. Tanto é que, ao retornar aos Cruzados, tentou dissuadi-los de atacar os Sarracenos. Ele gastou alguns meses peregrinando na Terra santa, até que ele foi chamado urgentemente por notícias de mudanças que tinham acontecido na Ordem que ele tinha fundado.

DE VOLTA PRA CASA

A Ordem Franciscana tinha crescido com o passar dos anos. Em 1219 houve uma grande expansão para a Alemanha, Hungria, Espanha, Marrocos e França. Durante sua ausência, vigários modificam algumas regras da Ordem e no mesmo ano Francisco se demite da direção da mesma. Com o crescimento – quase 5.000 frades em 1221 – uma nova regra foi escrita por São Francisco em 29 de novembro de 1223 que foi aprovada pelo Papa Honório. É a que vigora até hoje.

Por volta de 1220 Francisco celebra o Natal na cidade de Greccio (perto de Assis) com uma novidade: O presépio. Ele usou animais de verdade para recriar a cena do nascimento de Jesus, de forma que as pessoas podiam experimentar sua fé fazendo uso dos sentidos, especialmente a visão.

A Ordem tinha passado para as mãos de Pietro Cattini. Entretanto, um ano depois o irmão Cattini morreu e foi enterrado em Porziuncola. Quando numerosos milagres foram atribuídos ao falecido, várias pessoas começaram a peregrinar para Porziuncola, perturbando o dia-a-dia dos frades franciscanos. Francisco, então, rezou a Pietro, pedindo que ele parasse com os milagres, obedecendo em morte do mesmo jeito que ele obedecia em vida. Os milagres então cessaram.

COM OS ANIMAIS

A proximidade de Francisco com a natureza sempre foi a faceta mais conhecida deste santo. Seu amor universalista abrangia toda a Criação, e simbolizava pra muitos um retorno a um estado de inocência, como Adão e Eva no Jardim do Éden. Entretanto, esta não foi uma característica apenas de Francisco, havendo casos semelhantes de santos ingleses e irlandeses. Muitas histórias com animais cercam a vida de Francisco de Assis. Elas estão contadas no Fioretti (pequenas flores, em italiano), uma coleção póstuma de contos populares sobre este santo. Certa vez ele viajava com seus irmãos e eis que viram ao lado da estrada árvores lotadas de passarinhos. Francisco disse a seus companheiros: “aguarde por mim enquanto eu vou pregar aos meus irmãos pássaros”. Os pássaros o cercaram, atraídos por sua voz, e nenhum deles voou. Francisco falou a eles:

“Meus irmãos pássaros, vocês devem muito a Deus, por isso devem sempre e em todo lugar dar seu louvor a Ele; porque Ele lhe deu liberdade para voar pelo céu e Ele o vestiu. Vocês nem semeiam nem colhem, e Deus os alimenta e lhes dá rios e fontes para sua sede, montanhas e vales para abrigo e árvores altas para seus ninhos. E embora vocês nem saibam como tecer, Deus os veste e a suas crianças, pois o Criador os ama grandemente e o abençoa abundantemente. Então, semprem busquem louvar a Deus.”

Outra lenda do Fioretti nos fala que na cidade de Gubbio, onde Francisco viveu durante algum tempo, havia um lobo “terrível e feroz, que devorava homens e animais”. Francisco teve compaixão pela população local e foi para as colinas achar o lobo. Logo, o medo do animal fez todos os seus companheiros fugirem, mas Francisco continuou e, quando achou o lobo, fez o sinal da cruz e ordenou ao animal para vir até ele e não ferir ninguém. Milagrosamente, o lobo fechou suas mandíbulas e se colocou aos pés de Francisco. “Irmão lobo, você prejudica a muitos nestas paragens e faz um grande mal” disse Francisco. “Todas estas pessoas o acusam e o amaldiçoam. Mas, irmão lobo, eu gostaria de fazer a paz entre você e essas pessoas”. Então Francisco conduziu o lobo para a cidade e, cercado pelos cidadãos assustados, fez um pacto entre eles e o lobo. Porque o lobo tinha “feito o mal pela fome”, a obrigação da população era alimentar o lobo regularmente e, em retorno, o lobo já não os atacaria ou aos rebanhos deles. Desta maneira Gubbio ficou livre da ameaça do predador.

Também se conta que, quando Francisco agradeceu ao seu burrinho por tê-lo carregado e ajudado durante a vida, o burrinho chorou.

ÚLTIMOS ANOS

Enquanto rezava no Monte La Verna, em 1224, durante um jejum na quaresma, Francisco teve a visão de um Seraph, um anjo de seis asas numa cruz. Este anjo deu a ele um “presente”: as cinco chagas de Cristo (relativas às marcas feitas pelos pregos na cruz). Foi o primeiro caso de stigmata (estigma) registrado na história. Entretanto, Francisco manteve segredo e o caso só ficou conhecido dos próprios franciscanos dois anos depois, após sua morte, quando uma testemunha resolveu contar.

Logo após receber as chagas, Francisco ficou muito doente, e no ano seguinte ficou cego. Sofreu muito com as formas primitivas de cirurgias e tratamentos medievais, mas foi por esta época que ele escreveu seus mais belos textos – sendo considerado por muitos o primeiro poeta italiano – deixando registrado seu amor universal em lindos versos (assim como os sufis o fazem), como o O cântico do Sol (também conhecido como “Cântico das criaturas”), escrito em companhia de sua alma gêmea, Clara, em São Damião, por volta de 1224/1225, quando já sofria muitas dores e estava quase cego. A estrofe que fala da paz foi acrescentada um mês depois, a fim de reconciliar o bispo e o prefeito de Assis, que estavam em discórdia. Francisco defendia que o povo devia poder rezar a Deus em sua própria língua, por isso ele escreveu sempre no dialeto da Umbria, ao invés de Latim.

Agradeço a Sergio Scabia pela oportunidade de ler o Cântico numa tradução quase literal, sem o floreio encontrado nas versões em português:

O Cântico do Sol

Altíssimo, todo-poderoso bom Senhor

Seus são os louros, a gloria, a honra e todas as bênçãos

Somente a Ti são reservadas

e homem algum é digno de te mencionar

Louvado seja, meu Senhor, com todas suas criaturas

principalmente com o senhor irmão sol,

que é dia e ilumina por isso.

E ele é belo irradiando imenso esplendor;

de ti, traz o significado.

Louvado seja, meu Senhor, pelas irmãs lua e estrelas,

que no céu criaste claras, preciosas e belas

Louvado seja, meu Senhor, pelo irmão vento

e pelo ar e as nuvens e o céu azul e para qualquer tempo,

pelos quais às tuas criaturas fornece alimento.

Louvado seja, meu Senhor, pela irmã água,

a qual é muito útil e humilde e preciosa e pura.

Louvado seja, meu Senhor, pelo irmão fogo,

pelo qual iluminas as noites,

e ele é belo, brincalhão, robusto e forte.

Louvado seja, meu Senhor, pela irmã nossa mãe terra,

que nos sustenta e governa,

e produz diversos frutos, com flores coloridas e grama.

Louvado seja, meu Senhor, por aqueles que perdoam pelo seu amor,

e suportam infinitas tribulações.

Abençoados os que as suportarão em paz,

que por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado seja, meu Senhor, pela irmã morte corporal,

à qual nenhum homem vivo pode escapar

Ai dos que morrerão em pecado mortal;

abençoados aqueles que se encontrarão nas tuas santíssimas vontades,

que a segunda morte não lhes fará mal

Louvem e abençoem o meu Senhor,

e agradeçam e sirvam-no com grande humildade

Uma oração que sempre me impressionou pela beleza e singeleza foi a Oração da Paz, atribuída a São Francisco de Assis e comumente denominada de “Oração de São Francisco”. Na verdade trata-se de uma oração anônima, escrita em 1912, tendo aparecido inicialmente num boletim paroquial na Normandia (França), e em menos de dois anos foi impressa em Roma numa folha onde, no verso, estava impresso uma figura de São Francisco; por isto e pelo fato de que o texto reflete muito bem o franciscanismo, esta oração começou a ser divulgada como se fosse de autoria do santo.

Senhor,

Fazei de mim um instrumento de vossa paz!

Onde houver ódio, que eu leve o amor,

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

Onde houver discórdia, que eu leve a união.

Onde houver dúvida, que eu leve a fé.

Onde houver erro, que eu leve a verdade.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

Onde houver trevas, que eu leve a luz!

Ó Mestre,

fazei que eu procure mais.

Consolar, que ser consolado.

Compreender, que ser compreendido.

Amar, que ser amado.

Pois é dando, que se recebe.

Perdoando, que se é perdoado e

é morrendo, que se vive para a vida eterna!

Francisco morreu ouvindo o Evangelho de João, onde se narra a Páscoa do Senhor. Isso foi em 03 de outubro de 1226, num sábado, aos 45 anos. Foi sepultado no dia seguinte, na Igreja de São Jorge, na cidade de Assis. Em 1230 seus ossos foram levados para a nova Basílica construída para ele, a Basílica de São Francisco, hoje aos cuidados dos Frades Menores Conventuais.

São Francisco de Assis foi canonizado em 1228 por Gregório IX e seu dia é comemorado em 04 de outubro.

Na tradição teosófica, Francisco de Assis é o Mestre Kuthumi, da Grande Fraternidade Branca, e na linha espírita, é a reencarnação de João Evangelista (enquanto Clara fora Joana de Cusa).

#Religião

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/04-10-dia-de-s%C3%A3o-francisco-de-assis

A Pedra do Destino e o Trono Escocês

Por Walter Whitton Harris

A formação rochosa mais comum do Reino Unido é o arenito. Por onde quer que se viaje, encontrará casas, edifícios, estátuas e palácios revestidos com essa pedra.
Talvez a pedra mais famosa da Grã-Bretanha seja a Pedra do Destino, também conhecida por Pedra de Scone. A disputa dessa pedra tornou-se uma questão de honra para os escoceses, pois representa para eles um dos mais importantes símbolos de sua pátria.
A pedra à qual me refiro é de um pedaço de arenito, uma rocha cortada em formato retangular, irregular e tosco, medindo 67 x 42 cm, com 26 cm de altura, e pesando 152 kg.
Conta-se que a Pedra serviu de travesseiro para Jacó, o rochedo onde repousou sua cabeça quando sonhou da escada que se erguia aos Céus. A lenda continua, afirmando que a Pedra foi levada para a Escócia por descendentes de Scota, filha do faraó do Egito, e instalada num local chamado Scone por um rei que uniu o reino dos escoceses com o de outro grupo autóctone, no séc. IX.

No entanto, o arenito da Pedra do Destino é do tipo que se encontra na área de Perthshire, um condado a leste da Escócia. Fica difícil separar ficção de realidade.
Por aproximadamente 400 anos, os reis dos escoceses eram coroados, sentados na Pedra do Destino. Com o passar dos anos, a realeza escocesa foi se enfraquecendo, e a inglesa se fortalecendo, a ponto dos reis ingleses encararem os escoceses como seus vassalos, inaceitável para os escoceses até os dias de hoje.
Nos finais do séc. XIII, a Inglaterra se via em guerra com a França e convocou forças escoceses para participar. Desafiaram a convocação e ainda procuraram um tratado com os franceses. Isto bastou como desculpa para uma invasão da Escócia. O rei escocês foi aprisionado e enviado para a Torre de Londres. Os símbolos nacionais, a coroa, o cetro, a espada e também a Pedra do Destino foram confiscados e enviados para Londres em 1296, na tentativa de esmagar a identidade daquele povo.
Por 700 anos, os reis da Inglaterra e, posteriormente, da Grã-Bretanha e Irlanda, foram coroados sobre a Pedra na Abadia de Westminster, em Londres. Durante todos estes anos, a Pedra de Scone ficou debaixo do Trono de Coroação inglês. Entretanto, um rei escocês sentaria novamente na Pedra do Destino: em 1603, Jaime IV da Escócia tornou-se Jaime I da Inglaterra, assim unindo as duas Coroas. A última coroação foi em 1953, quando subiu ao trono a Rainha Elizabeth II. Aberta para visitação pública, tivemos ocasião de ver a Pedra na Abadia de Westminster em 1992.
A ausência dos símbolos nacionais da Escócia jamais mitigou os escoceses de sua cidadania. Até a união das nações no séc. XVII, continuaram coroando seus reis e estabelecendo suas próprias leis e tratados.
No dia de Natal de 1950, estudantes escoceses conseguiram remover a Pedra da Abadia de Westminster e levá-la para a Escócia. Alguns meses depois foi descoberta e novamente instalada sob o Trono de Coroação. Este ato foi ilegal, mas os estudantes não foram sequer processados. Porém, o incidente demonstrou como muitos escoceses do séc. XX se sentiam em relação aos símbolos de sua nação em poder dos ingleses.
Foi totalmente inesperado o discurso do Primeiro-ministro britânico, ao se levantar na Casa dos Comuns do Parlamento, em 3 de julho de 1996:
“A Pedra do Destino é o símbolo mais antigo da realeza escocesa. Foi utilizada na coroação dos reis escoceses até o fim do século XIII. Exatamente 700 anos atrás, em 1296, o Rei Eduardo I a trouxe da Escócia para hospedá-la na Abadia de Westminster. A Pedra é de propriedade da Coroa. Quero informar a esta Casa que, aconselhada pelos seus ministros, a Rainha concordou que a Pedra deva ser devolvida para a Escócia. É claro, a Pedra continuará sendo usada nas tradicionais cerimônias de coroação dos futuros soberanos do Reino Unido.
“A Pedra do Destino tem um lugar muito especial no coração dos escoceses. Nesta data de 700 anos da remoção da Escócia, é apropriado que retorne a seu lar. (…) A Pedra será colocada num local apropriado na Escócia (…) ao lado das Honras da Escócia, as jóias da coroa mais antigas da Europa (…).”
No dia 30 de novembro de 1996, Dia de Santo André, padroeiro da Escócia, num cerimonial rico em pompa e circunstância, a Pedra foi instalada no Castelo de Edimburgo, na Sala da Coroa, construída por Jaime IV da Escócia (depois Jaime I da Inglaterra), que uniu as Coroas dos dois países em 1603. Se não bastasse, foi também autorizada a formação do Parlamento Escocês, inexistente por muitos séculos.
Foi com enorme satisfação e emoção que pudemos ver a Pedra do Destino naquele local, em 2002, acompanhada das coroas escocesas, a espada e o cetro, os maiores símbolos do povo escocês.

#Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-pedra-do-destino-e-o-trono-escoc%C3%AAs

A Linguagem Angelical: entrevista com Aaron Leitch

Uma entrevista de Aaron Leitch (AL) concedida à Llewellyn (LL):

Llewellyn (LL): Tenho em minhas mãos dois lindos livros de capa dura – The Angelical Language , volume um e volume dois. Eles parecem incríveis! Primeiro, vamos falar sobre o volume um: A História Completa e Mitos da Língua dos Anjos . O que este livro cobre, e quais partes você está mais animado em termos de ouvir o que a comunidade mágica tem a dizer sobre o que você apresentou aqui?

Aaron Leitch (AL): Sim, o design dos livros é uma verdadeira obra de arte! Vocês da Llewellyn realmente se superaram desta vez, e estou muito orgulhoso de ver este trabalho apresentado com tanta graça digna!

O primeiro volume começa com uma breve visão geral de três tradições ocultas que influenciaram mais diretamente a linguagem – e como ela é usada – nos diários de John Dee. Uma é a prática judaica de “Contar o Ômer” (envolvendo os 50 Portais Cabalísticos do Entendimento). Em segundo lugar estão os vários textos bíblicos apócrifos conhecidos como os Livros de Enoque. Finalmente, incluo também uma breve exploração do misterioso grimório chamado “Livro de Soyga”. Nenhum deste material é exaustivo – eu só queria dar ao leitor uma base histórica básica antes de lançar o material de Dee. O resto do livro se concentra exclusivamente na Linguagem Angélica registrada nos diários e no grimório pessoal de Dee. (A maioria das pessoas conhece isso como a “Língua Enochiana”, embora nunca tenha sido chamada assim por Dee. )

O que mais me empolga é que muitas das informações apresentadas neste livro nunca foram apresentadas antes. Por exemplo, o capítulo dois é dedicado inteiramente ao próprio Livro de Enoque de John Dee – também conhecido como o Livro de Loagaeth (Discurso de Deus). Não é um capítulo curto, mas explora o Livro de Loagaeth em detalhes exaustivos: sua recepção por Dee e Kelley, o que os Anjos tinham a dizer sobre ele, instruções sobre como construí-lo e muito mais. Nenhum outro livro sobre o material de Dee contém tanta informação sobre Loagaeth – e isso é uma pena porque Loagaeth é o coração e a alma de todo o sistema de magia enoquiana.

Outros capítulos cobrem as 48 Chaves Angélicas e seu relacionamento adequado com o Livro de Loagaeth , instruções sobre como usar as Chaves com Loagaeth , o Alfabeto Angélico e como usá-lo para magia angelical e talismânica e uma exploração das mitologias bíblicas por trás o idioma. Para completar, até coloquei um “Saltério Angélico”, que contém as 48 Chaves e outras invocações com traduções e um guia de pronúncia fonética. (É ótimo para uso em cerimônia prática. )

A maior parte do material no Volume Um raramente é mencionado ( se é que é ) na maioria dos livros sobre magia enoquiana. Tanto os iniciantes quanto os adeptos da Enochiana aprenderão aqui coisas que nunca encontraram antes. Isso vai gerar excitação ou controvérsia – qualquer um é legal comigo!

LL: O volume dois é Um Léxico Enciclopédico da Língua dos Anjos . Isso é absolutamente fascinante para mim, pois sou um grande nerd de idiomas. O que deu em você para cruzar todas essas palavras, procurar palavras-raiz e significados alternativos, para fornecer um dicionário de inglês para o angelical? Você é um Trekkie, isto é, um fã de Star Trek? (Estou brincando!)

AL: Este projeto nasceu um dia quando li minha cópia de Stranger in a Strange Land de Robert Heinlein. Essa história é sobre um homem que se perdeu em um planeta alienígena quando criança e foi criado pelos nativos de lá. Quando ele foi descoberto mais tarde e trazido de volta à Terra, eles aprenderam algo que enviou o mundo inteiro ao caos: este homem poderia realizar milagres à vontade. Ele não considerou estranho ou mesmo mágico. Para ele, era como escovar os dentes ou calçar os sapatos: depois que você aprende, é só fazer. Quando as pessoas lhe pediam para ensiná-las a fazê-lo, ele percebeu que não havia palavras humanas para o que ele precisava dizer. Se você quisesse aprender a habilidade, primeiro teria que aprender a língua alienígena. Ele montou uma escola para ensinar essa língua e a chamou de Igreja de Todos os Mundos (soa familiar?).

Na época em que li isso, eu estava trabalhando muito com os Anjos Enochianos. E, enquanto lia o livro naquele dia , eles me contataram com uma mensagem: “Aprenda as partes de nossa Língua que já lhe demos (plural), e vamos te ensinar mais”. Isso fez todo o sentido para mim. Eu tinha visto dezenas de pessoas por aí tentando aprender e até expandir a “Língua Enoquiana” sem a menor referência aos registros de Dee. Como um Anjo poderia levar esse tipo de esforço a sério?

Então, eu me propus a lidar com os diários de Dee e descobrir cada pequeno fragmento de informação que pudesse ser encontrado lá sobre a Língua, a maioria das quais não estava disponível em nenhum livro publicado sobre a magia de Dee. Eu também precisava de um conjunto corrigido das 48 Chaves (também não disponíveis), com referências cruzadas completas, para que eu pudesse montar o Lexicon. Tomado de uma só vez, pretendia ser meu material de estudo pessoal para que eu pudesse aprender a ler e até pensar no idioma.

Como resultado, não me tornei totalmente fluente na língua e certamente não penso nela! Pelo menos ainda não! Mas a promessa feita a mim pelos Anjos se manteve verdadeira. Ao fazer este trabalho, descobri palavras angélicas, elementos- palavra e palavras-raiz – juntamente com vários pontos de gramática, sintaxe e pronúncia que ninguém sabia que existiam. Sem mencionar o fato de que a seção English-to-Angelical do Lexicon é mais abrangente do que qualquer tentativa anterior, e pode ser expandida ainda mais.

Ah, e só para constar — eu também sou um amante da linguística. E eu amo Jornada nas Estrelas!

LL: Como você acha que o Lexicon ajudará outros magos por aí?

AL: Magos praticantes gostam de criar novas invocações Enochianas para sua própria magia. No entanto, nunca houve um recurso para eles traduzirem seus textos adequadamente . Por exemplo, você sabia que Enoquiano [diferente do inglês] tem duas palavras diferentes para o singular “você” e o plural “vocês”? A maioria dos magos enoquianos não sabe disso, mas eu acho que seria uma questão de alguma importância se você estivesse invocando anjos ou espíritos na língua. (Eu posso chamar “você” da Esfera de Júpiter , ou posso chamar “todos vocês” da Esfera de Júpiter – grande diferença!) usá-lo corretamente, é o que leva as pessoas a pensar que a magia enoquiana é de alguma forma excessivamente perigosa ou mesmo demoníaca.

Além disso, e tão importante quanto, analisei e decifrei as notas de pronúncia de Dee para as palavras e criei uma nova chave de pronúncia fonética para facilitar a leitura das palavras. Outros guias de pronúncia para o enoquiano têm sido alfabéticos em vez de fonéticos – o que significa que eles mostram como qualquer letra pode soar, mas não mostram como as letras soam quando combinadas em sílabas. Por causa disso e da obscuridade das próprias notações de Dee, surgiu um mito entre os magos enoquianos de que as palavras não têm pronúncias adequadas, e você pode simplesmente inventar enquanto lê. Na verdade, as palavras têm pronúncias adequadas, e você as verá no meu Léxico pela primeira vez em qualquer lugar.

LL: Em ambos os volumes você se concentra apenas nas palavras que foram transmitidas pelos anjos ao Dr. John Dee e Edward Kelley. Você pode explicar um pouco do seu raciocínio por trás da não inclusão de termos Crowleyanos e outros retardatários na linguagem Angélica?

AL: Assim como mencionei anteriormente, aqueles que seguiram Dee tentaram trabalhar com seu sistema sem gastar muito tempo com seus diários. Isso é ainda mais verdadeiro no que diz respeito à Linguagem Angélica. Nem a Golden Dawn, Aleister Crowley, a Aurum Solis nem muitos outros tiveram tempo para pesquisar exaustivamente os registros de Dee, reunir todas as informações possíveis sobre a Língua e dar uma olhada no quadro maior que teria resultado. Eles não se preocuparam com o que os Anjos tinham a dizer sobre isso, ou sobre como usá-lo corretamente. Eles apenas pegaram as 48 invocações (pelo menos pelo valor nominal!) e correram em suas próprias direções com elas.

De fato, muito trabalho foi feito para propositadamente arrancar a Língua (e a magia enoquiana em geral) de suas raízes na magia dos Anjos da Renascença. Eu queria voltar às raízes da Língua, cortar todas as inclusões posteriores semi-compreendidas dos outros, e fazer o trabalho pesado com os discos de Dee que deveria ter sido feito centenas de anos atrás. Só assim poderemos avançar com a Língua com alguma certeza.

LL: Gosto de me gabar de estar trabalhando nesses livros desde dezembro de 2006, quando seu manuscrito apareceu pela primeira vez na minha mesa em uma caixa enorme . (Ainda tenho aquela caixa – tão pesada que só a postagem custou US$ 15,25!) Mas quanto tempo você levou apenas para chegar a essa fase de rascunho? Há quanto tempo você estava pesquisando e escrevendo antes de imprimi-lo e enviá-lo para Llewellyn?

AL: Dez MUITO longos anos! Bem, na verdade eu tirei dois anos para escrever Segredos dos Grimórios Mágicos! Mas então estava de volta ao Lexicon. Eu tive a ideia para o projeto em 1997, e enviei para você no final de 2006. Adicione o tempo que levou para o processo de publicação, foi um projeto de 13 anos ! E isso, é claro, não inclui meus anos de estudos e práticas enoquianas que levaram à decisão de escrever o Léxico.

LL: Este livro passou por muitas reuniões de visão, reuniões de arte, relatórios de leitores externos e muito mais antes de nos contentarmos em enviá-lo ao nosso departamento de produção – daí a longa linha do tempo deste livro. Esse processo foi frustrante para você ou foi sempre agradável?

AL: Ah não, realmente não foi muito frustrante. Segredos dos Grimórios Mágicos , com suas dezenas de peças de arte e gravuras medievais, foi uma prova muito maior! Este projeto correu muito bem – só foi devagar devido à atenção especializada que obviamente recebeu. Isso sempre me fez sentir bem com esse processo, pois realmente parecia que vocês estavam levando o projeto tão a sério, prestando atenção em cada pequeno detalhe, querendo que isso fosse perfeito.

Enquanto isso, eu realmente não poderia chamar de “agradável” porque era muito trabalho duro! Especialmente considerando o tamanho deste projeto (mais de 900 páginas entre os dois volumes!), as notas de edição continuaram para sempre! Mas cada nota valeu a pena, e o livro resultante é infinitamente melhor do que o que enviei. (Meu editor, Brett, tinha um talento incrível para descobrir meus hábitos de escrita mais irritantes. Quanto ao Angelical, ele confiou em mim para editar meu próprio trabalho, já que ele não pode lê-lo sozinho. Então, confiei em suas habilidades de edição em troca. e funcionou lindamente.)

LL: A pergunta de um milhão de dólares: você acredita que Angelical é uma linguagem real, transmitida por seres celestiais, ou você acha que foi criada por Kelley e Dee, o que seria surpreendente por si só? Ou há uma terceira explicação?

AL: Como de costume , a verdade está no meio-termo. Eu certamente acredito em Inteligências Angélicas, e meu próprio trabalho com elas indicou que Angelical é de fato uma poderosa Linguagem Celestial. Isso não significa que outras pessoas, seguindo outras tradições, possam não obter resultados diferentes.

Enquanto isso, é inegável que as próprias mentes de Dee e Kelley desempenharam um papel no que ele recebeu de seus anjos. Afinal, a palavra angelical para “Reino” é Londoh, e a palavra para “Iniquidade” é Madrid. E você não saberia que o Reino Unido (capital: Londres) estava em guerra com a Espanha (capital: Madrid) na época em que Dee escrevia seus diários?! Nenhuma informação canalizada é encontrada sem a influência da mente que a canalizou.

No entanto, mesmo que o Livro de Loagaeth fosse decifrado e encontrado nada mais do que segredos políticos codificados ou algo assim, não acho que isso impediria os místicos de todo o mundo de usar o Angelical de Dee em sua própria magia e misticismo.

LL: Uma última pergunta – o que os anjos reservam para você em seguida?

AL: Os Anjos já me fizeram trabalhar duro no próximo projeto por vários anos! Desde que Georg Dehn finalmente nos deu uma tradução em inglês do original alemão “Livro de Abramelin”, tenho trabalhado na correção, decifração e tradução da infame palavra quadrada Talismãs encontrada no final do livro. Assim que estiver completo (ou, pelo menos, o mais completo possível) , adicionarei alguma discussão sobre o próprio Rito de Abramelin, incluindo guias aprofundados para aspirantes que desejam realizar a iniciação e colocar a magia de Abramelin em uso prático.

Depois disso, pretendo completar um livro que enfoca as ferramentas mágicas enoquianas, móveis e os vários sistemas de magia que os utilizam. Parte dele será no mesmo estilo de The Angelical Language Volume One , na medida em que explorará os próprios diários de Dee (e de mais ninguém) sobre a magia. Então, parcialmente será um grimório explicando como funciona o sistema. Você poderia dizer que será uma versão enoquiana de Secrets of the Magickal Grimoires .

Fonte: The Angelical Language: An Interview with Aaron Leitch

COPYRIGHT (2010) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-linguagem-angelical-entrevista-com-aaron-leitch/

Reflexões místicas com Joseph Campbell (parte final)

Uma entrevista com Joseph Campbell, por Tom Collins
Originalmente publicada na revista The New Story (1985)

Tradução de Gabriel Fernandes Bonfim; Revisão de Rafael Arrais

« continuando da parte 3

4. A modernidade e a carência de mitos
[Tom] Eu entendo que houve uma série de conflitos entre os conceitos religiosos ocidentais e orientais na igreja primitiva. Acho Pelágio [da Bretanha] uma figura fascinante, por exemplo.
[Joseph] O Pelágio do século IV era ou um galês ou um irlandês, eu acho. Ele manteve a tradição ocidental individualista contra o que eu chamaria o tribalismo do Oriente, e foi considerado um herege. Ele expos os principais argumentos contra as doutrinas nas quais Santo Agostinho, seu contemporâneo, era o campeão. Uma delas foi a doutrina do pecado original. Pelágio disse, “Você não pode herdar o pecado de outro. Portanto, o pecado de Adão não é herança de ninguém.”
[Tom] Os pecados do pai não recaem sobre o filho?
[Joseph] Isso é tudo filosofia oriental, não europeia. Outra coisa que Pelágio disse é que você não pode ser salvo pelo ato de um outro. Isto diz respeito a Jesus na cruz, e derruba toda a crença [de que ele veio “pagar nossos pecados”]. Claro que [sua ideia] foi rejeitada. Pelágio estava defendendo a doutrina da responsabilidade individual. Eu não sei de onde vem, mas certamente era típico, eu diria, dos europeus, em oposição aos pontos de vista orientais. Você era um indivíduo, e não apenas o membro de um grupo.
[Tom] Isso soa como aquele trecho na lenda do Rei Arthur…
[Joseph] “Cada cavaleiro adentrou na floresta num ponto que ele havia escolhido, onde ela era mais escura e não se via caminho algum.” – Isto vem de A jornada do Santo Graal [The Quest of the Sangral], de 1215, aproximadamente, na França.
[Tom] Como é que eles esperam encontrar o seu caminho, então?
[Joseph] Se aventurando.
[Tom] E é isso que todos nós fazemos na vida?

[Joseph] Sim. Caso contrário, você iria seguir o caminho de outra pessoa, seguindo por vias já desgastadas com as pegadas de tantos andarilhos. Ninguém no mundo jamais foi você antes, com os seus dons, habilidades e potencialidades. É uma pena desperdiça-los fazendo o que alguém já realizou anteriormente.
[Tom] Você disse certa vez que nenhuma sociedade humana foi encontrada onde os temas mitológicos não eram celebrados – “magnificados em canções e experienciados em êxtases de luz e visões”. O que dizer sobre a nossa sociedade?
[Joseph] O que aconteceu na nossa é que, a nível oficial a tônica recai sobre a economia e as práticas políticas, e tem havido uma eliminação sistemática da dimensão espiritual. Mas ela existe em nossas poesias e artes. Ela existe. Você pode encontrá-la aqui. Está em uma condição recessiva, mas do contrário as pessoas não teriam vida espiritual de maneira alguma.
[Tom] Ela não estaria viva também em algumas fases do movimento ecológico?
[Joseph] Sim. E esse interesse agora no folclore indígena americano, isso não é interessante? O povo brutalizado e rejeitado – e são eles quem trazem a mensagem pela qual este país tem esperado.

Há um provérbio terrível de Spengler, que eu li num de seus livros, “Jahre der Entscheidung”, “ano da decisão”, que são os anos em que vivemos agora. Ele disse, “Quanto a América, é um amontoado de caçadores de dólares, sem passado, sem futuro”. Quando eu li isso na década de 30 eu levei a mal. Eu pensei que era um insulto. Mas no que as pessoas estão interessadas? E então Lenin diz: “Quando estivermos a ponto de enforcar os capitalistas, eles irão competir para nos vender a corda”. E é isso que estamos fazendo. Ninguém está se importando com o que sua cultura representa. Eles estão se perguntando se o agricultor no Centro-Oeste vai votar ou não em você, por você ter vendido o trigo dele para os russos. É uma terrível falta de qualquer outra coisa que não preocupações econômicas, é isto o que estamos enfrentando. Esta é a velhice e a morte; o fim. Esta é a maneira como eu enxergo este assunto. Eu não tenho nada que não julgamentos negativos sobre ele.

Olhe para o que as pessoas estão lendo nos jornais. Você entra no metrô e as pessoas estão lendo todas sobre a mesma coisa – este assassinato, aquele assassinato. Este estupro, este divórcio. Observem os tópicos que não nos saem da cabeça! O foco jornalístico em nossas vidas é o assassinato. Assassinato!
[Tom] Você não vê tal conflito acabar? Não há nenhum tipo de ordem mundial que poderia nos trazer isso?
[Joseph] Ela teria que ser uma ordem mundial, mas então ainda haveria luta dentro dela, assim como há luta dentro de nossa ordem nos Estados Unidos. Nunca me apeguei a nenhuma ideia de revolução, pois já conheci revolucionários demais.

Nota do revisor: Eu penso que Campbell, em sua sabedoria, acreditava que a verdadeira revolução é a que ocorre dentro da alma humana, e não em seu exterior.
[Tom] Se os únicos mitos que existem então são aqueles em que todo o mundo acredita – Cristianismo, Judaísmo, Hinduísmo, Budismo – as pessoas não poderiam criar um novo mito, que atendesse as necessidades de hoje?
[Joseph] Não, porque mitos não vêm a existência dessa forma. Você tem que esperar para que eles apareçam. Mas eu não acredito que nada desse tipo vá acontecer, porque existem muitos pontos de vista dispersos ao redor do mundo. Todos os mitos têm estado até agora dentro de horizontes limitados, e as pessoas têm de estar de acordo com suas dinâmicas de vida, suas experiências de vida.
[Tom] Os gregos antigos foram cercados pela presença de deuses – pelas estátuas e as lembranças desses deuses.
[Joseph] Mas isso não funciona mais. O cristianismo não está movendo a vida das pessoas hoje em dia. O que está movendo a vida das pessoas é o mercado de ações e as pontuações do beisebol. O que tem interessado às pessoas? Há um nível de pensamento totalmente materialista que tomou conta do mundo. Não há mais nem mesmo um ideal pelo qual alguém esteja lutando.

***

Nota de Tom Collins (o entrevistador): Minha vez. Eu gostaria de adicionar meus comentários aos de Joseph Campbell que diz respeito à Bíblia [ver parte 3]. Minha intenção em incluir seus comentários não foi para desmerecer as tradições baseadas na Bíblia em relação a outras tradições importantes, como o hinduísmo ou budismo. Do meu ponto de vista, a literatura sagrada de todas estas tradições foi escrita em uma linguagem da era dos impérios, e está profundamente envolvida com a consciência dos senhores da guerra. Se quisermos avançar, precisamos olhar para estes textos com olhos claros, capazes de ver o chauvinismo tribal, o machismo, o militarismo, etc., pelo que eles são. Só então seremos capazes de traduzir a sabedoria que eles de fato têm, em uma linguagem renovada, adequada para a Era Planetária.

***

Nota do revisor: É sempre reconfortante e esclarecedor tomar contato com a sabedoria de Joseph Campbell, mas penso que o fim desta entrevista ressoou particularmente sombrio. Ocorre que, já nos idos da década de 80, o olhar atento de Campbell sobre a sociedade “sem mitos” já antecipava, ainda que intuitivamente, uma crise de sentido da modernidade (ou pós-modernidade, ou seja lá como queiram chamar) que só se revela em todas as suas nuances e conflitos no século XXI.

Creio que este trecho de uma breve entrevista de Eduardo Galeano aos jovens espanhóis que se manifestavam “contra o sistema que aí está”, na Praça Catalunya, há alguns anos, seja ao menos uma espécie de sinalização para alguma luz que chegará, espero, senão com a Primavera, ao menos com a Alvorada:

“Aqui vejo reencontro, energia de dignidade e entusiasmo. O entusiasmo vem de uma palavra grega que significa “ter os deuses dentro”. E toda vez que vejo que os deuses estão dentro de uma pessoa, ou de muitas, ou de coisas, ou da Natureza, eu digo para mim mesmo: “Isto é o que faltava para me convencer de que viver vale a pena”.

Então estou muito contente de estar aqui, porque é o testemunho de que viver vale a pena. E que viver está muito, muito mais além das mesquinharias da realidade política e da realidade individual, onde só se pode “ganhar ou perder” na vida! E isso importa pouco em relação com esse outro mundo que te aguarda. Esse outro mundo possível.

Este mundo de merda está grávido de um outro!

O mundo a espera de nascer é diferente, e de parto complicado. Mas com certeza pulsa no mundo em que estamos. O mundo que “pode ser” pulsando no mundo que “é”. Eu o reconheço nessas manifestações espontâneas, como as desta praça.

Alguns me perguntam “o que vai acontecer?”; “e depois, o que vai ser?”. Pela minha experiência, eu respondo: “Não sei o que vai acontecer… Não me importa o que vai acontecer, mas o que está acontecendo!”. Me importa o tempo que “é”.”

***

Crédito da imagem: Android Jones

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do .

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

» Comprar livro impresso, PDF, ou versão para Amazon Kindle

#Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/reflex%C3%B5es-m%C3%ADsticas-com-joseph-campbell-parte-final

do Vampiro Histórico

Primeiro artigo de uma série sobre vampirismo, intercalado aos outros assuntos do blog, começando com uma breve história do vampirismo no imaginário popular.

O mito do Vampiro assombra e fascina a mente humana desde tempos imemoriais, estando presente em diversas culturas e em seus respectivos folclores sob as mais variadas formas, mas com certos pontos em comum, como sendo mortos-vivos que retornam de seus túmulos e alimentando-se de sangue humano, tendo sua maior expressão na mitologia da Idade Média na Europa Cristã. Apresento aqui um breve resumo, do Vampiro histórico, ao Vampiro Literário e sua presença no cinema moderno:

-Pré História – Crenças e mitos sobre vampiros emergem nas culturas do mundo inteiro.

-1047 – Primeiras aparições, na forma escrita, da palavra Upir (forma primitiva da palavra que mais tarde se tornaria “vampiro”) num documento se referindo a um príncipe russo como “Upir Lichy”, ou Vampiro Perverso.

-1190 – De Nagis Curialium, de Walter Map, inclui relatos de seres vampíricos na Inglaterra.

-1196 – Chronicles, de Willian de Newburgh, registram diversas histórias de fantasmas vampíricos na Inglaterra.

-1428/29 – Nasce Vlad Tepes, filho de Vlad Dracul.

-1436 – Vlad Tepes se torna príncinpe da Wallachia e se muda para Tirgoviste.

-1442 – Vlad Tepes é aprisionado com seu pai pelos turcos.

-1443 – Vlad Tepes se torna refém dos turcos.

-1447 – Vlad Dracul é decapitado.

-1448 – Vlad conquista brevemente o trono da Wallachia. Destronado, vai para a Moldávia e se torna amigo do príncipe Stefan.

-1451 – Vlad e Stefan fogem para a Transilvânia.

-1455 – Queda de Constantinopla.

-1456 – John Hunyadi ajuda Vlad Tepes a conquistar o trono da Wallachia. Vladislav Dan é executado.

-1458 – Mathias Corvinus sucede a John Hunyandi como rei da Hungria.

-1459 – Massacre dos boiardos na Páscoa e reconstrução do Castelo de Drácula. Bucareste é estabelecida como o segundo centro do governo.

-1460 – Ataque sobre a cidade de Brasov, na Romênia.

-1461 – Campanha bem-sucedida contra os agrupamentos turcos ao longo do Danúbio. Retirada, no verão, para Tirgoviste.

-1462 – Após a batalha no Castelo de Drácula, Vlad foge para a Transilvânia. Vlad inicia período de treze anos na prisão.

-1475 – Guerras de Verão na Sérvia contra os turcos. Novembro: Vlad retoma o trono de Wallachia.

-1476/77 – Vlad é assassinado.

-1560 – nasce Elizabeth Bathory.

-1610 – Bathory é presa por ter matado centenas de pessoas e ter nadado em seu sangue. Julgada e condenada, é sentenciada à prisão perpétua.

-1614 – Elizabeth Bathory morre.

-1645 – Leo Allatius acada de escrever o primeiro tratado moderno sobre os vampiros, De Graecorum hodie quirundam opinationabus.

-1657 – Fr. Françoise Richard escreve Relation de ce qui s’est passé à Sant-Erini Isle de l’Archipel ligando o vampirismo à bruxaria.

-1672 – Onda de histeria vampírica varre Istra.

-1679 – Philip Rohr escreve De Masticatione Mortuorum, um texto alemão sobre os vampiros.

-1710 – A histeria do vampiro varre a Prússia oriental.

-1725 – A histeria do vampiro volta à Prussia oriental.

-1725/30 – A histeria do vampiro continua na Hungria.

-1725/32 – A onda da histeria do vampiro na Sérvia austríaca produz os famosos casos de Peter Plogojowitz e Arnold Paul (Paole).

-1734 – A palavra vampyre entra para a língua inglesa traduzida de relatos alemães sobre as ondas de histeria vampíricas européias.

-1744 – O Cardeal Giuseppe Davanzati publica seu tratado Dissertazione sopre I Vampiri.

-1746 – Dom Augustin Calmet publica seu tratado sobre os vampiros, Dissertations sur les Apparitions des Anges, des Démons et des Esprits, et sur les revenants, et Vampires de Hundrie, de Bohême, de Moravie, et Silésie.

-1748 – É publicado o primeiro poema moderno de vampiros, “Der Vampir”, por Heinrich August Ossenfelder.

-1750 – Outra onda de histeria vampirica ocorre na Prússia oriental.

-1755 – A Imperatriz Maria Theresa, da Áustria, instaurou leis contra a exumação de corpos na região eslava e na Áustria.

-1756 – A histeria do vampiro atinge o pico na Wallachia.

– 1765 – O naturalista francês Louis Lecrerc de Buffon batizou uma espécie de morcego do Novo Mundo de ‘vampiro’ em seu livro Histoire Naturelle ao descobrir sua alimentação à base de sangue, e a sua habilidade de chupar o sangue de pessoas e animais sem acordá-los associando assim o morcego pela primeira vez ao mito do vampiro.

-1772 – A histeria do vampiro ocorre na Rússia.

-1797 – Publicação do poema de Goethe “Bride of Corinth” (poema concernente ao vampiro).

-1780/1800 – Samuel Taylor Coleridge escreve “Christabel”, considerado hoje como o primeiro poema sobre vampiros em inglês.

-1800 – I Vampiri, ópera de Silvestro de Palma, estréia em Milão, Itália.

-1801 – “Thalaba”, de Robert Southey, é o primeiro poema a mencionar a palavra vampiro, em inglês.

-1810 – Circulam no norte da Inglaterra reatos de ovelhas com a juguar cortada e o sangue drenado. Publicação de “The Vfampyre”, de John Stagg, um dos primeiros poemas sobre vampiros.

-1813 – O poema de Lord Byron, “The Giaour”, inclui o encontro de um herói com um vampiro.

-1819 – The Vampyre, de John Polidori, a primeira história de vampiros em inglês, é publicada na edição de Abril do New Monthly Magazine. Esta obra é considerada por muitos a origem do Vampiro na Ficção moderna. John Keats compõe “The Lamia”, um poema calcado em antigas lendas gregas.

-1820 – Lord Ruthwen, ou Les Vampires, de Cypren Berard, é publicado anonimamente em paris, em 13 de junho; Le Vampire, a peça de Charles Nodier, estréia no héatre de la Pore Saint-Martin, em Paris; agosto: The Vampire/ or The Bride os the Isles, uma tradução da peça de James R. Planché, estréia em Londres.

-1829 – Março: a ópera de Heinrich Marshner, Der Vampyr, baseada na história de Nodier, estréia em Leipzig.

-1841 – Alexey Tolstói publica seu conto, “Upyr”, quando morava em Paris. É a primeira história moderna sobre vampiros escrita por um Russo.

-1847 – Nasce Bram Stoker. Começa a longa seriação de Varney the Vampire.

-1851 – A ultima obra dramática de Alexandre Dumas, Le Vampire, estréia em Paris.

-1854 – O caso do vampiro na familia Ray, de Jewett, Connecticut, é publicado nos jornais locais.

-1872 – Sheridan Le Fanu escreve “Carmilla”. Vincenzo Verzeni, na Itália, é condenado por assassinar duas pessoas e por ebber seu sangue.

-1874 – Relatos de Ceven, na Irlanda, informam que ovelhas tiveram o pescoço cortado e o sangue drenado.

-1888 – Editado o Land Beyond the Forest, de Emily Gerard. Vai se tornar a principal fonte de informações sobre a Transilvânia para o Dracula, de Bram Stoker.

-1894 – O conto de H. G. Wells, “The Flowering of the Strange Orchild”, é o precursos das histórias de ficção científica sobre vampiros.

-1897 – Dracula, de Bram Stoker, é publicado em Londres. “The Vampire”, de Rudyard Kipling, se torna uma inspiração para a criação do vampiro como um personagem estereotipado no palco e na tela.

-1912 – The Secret of House nº 5, possivelmente o primeiro filme sobre vampiros, é produzido na Grã-Bretanha.

-1913 – É publicado Dracula’s Guest, de Stoker.

-1920 – Dracula, o primeiro filme baseado no livro, é produzido na Russia. Não há copias.

-1921 – Cineastas Húngaros produzem uma versão de Drácula.

-1922 – Nosferatu, um filme mudo alemão, é produzido pela Prana Films, é a terceira tentativa de filmar Drácula.

-1924 – A versão de Dracula para o palco, de Hamilton Deane, estréia em Derby. Fritz Haarmann, de Hanover, Alemanha, é preso, julgado e condenado por matar mais de vinte pessoas numa orgia criminal vampirica. Sherlock Holmes tem seu único encontro com um vampiro em “The Case of the Sussex Vampire”.

– 1927 – 14 de fevereiro: versão para o palco de Dracula estréia no Little Theatre de Londres. Outubro: a versão americana de Dracula, estrelando Bela Lugosi, estréia no Fulton Theatre de New York. Tod Browning dirige Lon Chaney em London After Midnight, o primeiro longa-metragem sobre vampiros.

– 1928 – A primeira edição do influente trabalho de Montague Summers, The Vampire: His Kith and Kin, aparece na Inglaterra.

-1929 – O Segundo livro de Montague Summers, The Vampire in Europe, é pulicado.

-1931 – Janeiro: avant-première da versão espanhola Dracula. Fevereiro: versão americana para o cinema, Drácula, com Bela Lugosi, estréia em Roxy Theatre, em New York. Peter Kiirten, de Diisseldorf, Alemanha, é executado após ser julgado culpado de assassinar várias pessoas numa orgia vampirica.

-1932 – Lançado o altamente aclamado filme Vampyr, dirigido por Carl Theodor Dreyer.

-1936 – Lançado o filme Dracula’s Daughter, pela Universal Pictures.

-1942 – “Asylum”, a primeira história sobre um vampiro alienígena, de A.E.Van Gogt.

-1943 – Son of Dracula (Universal Pictures) com Lon Chansey Jr., como Drácula.

-1944 – John Carradine interpreta Drácula pela primeira vez em Horror of Frankenstein.

-1953 – Dracula Istanbula, um filme turco adaptado de Dracula, é lançado. Série nº 8 inclui a primeira história em quadrinhos adaptada de Dracula.

-1954 – O Código das Histórias em Quadrinhos bane os vampiros. I Am Legend, de Richard Matheson, apresenta o vampirismo que altera o corpo.

-1956 – John Carradine interpreta Drácula na primeira adaptação para a televisão no programa Matinee Theater. Kyuketsuki Ga, o primeiro filme japonês sobre vampiros é lançado.

– 1957 – O primeiro filme Italiano sobre vampiros, I Vampiri, é lançado. O produtor americano Roger Corman faz o primeiro filme de ficção científica sobre o vampiro, Not of This Earth. El Vampiro, com German Robles, é o primeiro de uma série de filmes mexicanos sobre vampiros.

-1958 – A Hammer Films, da Grã-Bretanha, inicia uma nova onda de interesse pelos vampiros com o seu primeiro filme Dracula, lançado nos Estados Unidos como The Horror of Dracula filme que lançou Christopher Lee no papel de Drácula, interpretando o mesmo como um conde violento, dinâmico e fisicamente poderoso, apresentando a peculiaridade que se seguiria nos romances de vampiros: caninos afiados. O primeiro número de Famous Monsters of Filmland assinala um novo interesse pelos filmes de horror nos Estados Unidos.

-1959 – Plan 9 from Outer Space é o último filme de Bela Lugosi.

-1961 – The Bad Flower é a primeira adaptação coreana de Dracula.

-1962 – Fundação da Count Dracula Society, em Los Angeles, por Donald Reed.

-1964 – The Munsteers e A Familia Addams, duas comédias de horror com personagens vampiricos, abrem a temporada de outono na televisão.

-1965 – Jeanne Youngson funda The Count Dracula Fan Club. The Munsters, baseado na série de TV do memso nome, é a primeira série de histórias em quadrinhos que destaca um personagem vampirico.

-1966 – Dark Shadows estréia na rede ABC, na programação da tarde.

-1967 – Abril: no episódio 210 de Dark Shadows, o vampiro Barnabas Collins faz sua primeira aparição.

-1969 – O primeiro número de Vampirella, a história em quadrinhos de maior duração até hoje, é lançado. Denholm Elliot fazz o papel-titulo na série Dracula, produção televisiva da BBC. Does Dracula Realy Suk? (Dracula and the Boys) é lançado como o primeiro filme a apresentar um vampiro gay.

-1970 – Christopher Lee estrela em El Conde Dracula, adaptação espanhola de Drácula. Sean Manchester funda The Vampire Research Society.

-1971 – A Marvel Comics lança a primeira cópia de um livro sobre vampiros pós-Código das Histórias em Quadrinhos, The Tomb of Dracula. Morbius, o Vampiro Vivo, é o primeiro novo personagem introduzido após a revisão do Código, que permitiu o reaparecimento de vampiros em histórias de quadrinhos.

-1972 – The Night Stalker, com David McGavin, se torna o filme de TV mais visto até essa data. Vampire Kung-fu é lançaod em Hong Kong como o primeiro de uma série de filmes de artes marciais vampíricos. In Search os Dracula, de Raymond T. McNally e Radu Florescu, introduz Vlad, o Empalador, o Drácula Histórico, ao mundo dos fãs do vampiro contemporâneo. A dream of Dracula, de Leonard Wolf, complementa o trabalho de McNally e de Florescu ao chamar a atenção para a lenda do vampiro. True Vampires os History, de Donald Glut, é a primeira tentativa de juntar as histórias de todas as figuras históricas de vampiros. Stephen Kaplan funda The Vampire Research Center.

-1973 – A versão de Dracula, da Can Curtis Productions, apresenta o ator Jack Palance num filme feito para a TV. Vampires, de nancy Garden, inicia uma onda de literatura juvenil para crianças e jovens.

-1975 – Fred Saberhagen propõe que se veja Dracula mais como um herói do que como vilão em The Dracula Tape. The World of Dark Shadows é fundada como a primeira fanzine Dark Shadows.

-1976 – Publicaçãod e Interview With the Vampire, de Anne Rice. Stephen King é recomendado para o World Fantasy Award por seu romance Salem’s Lot. Shadowcon, a primeira covnenção nacional Dark Shadows, é organizada pelos fãs de Dark Shadows.

-1977 – Uma nova e dramática versão de Dracula estréia na Broadway, com Frank Langella. Louis Jordan faz o papel principal em Count Dracula, uma versão de três horas do romance de Bram Stoker, na TV BBC. Martin V. Riccardo funda o Vampire Studies Society.

-1978 – O livro Hotel Transylvania, de Chealsea Quinn Yarbro, junta-se aos voumes de Fred Saberhagen e Anne Rice como um terceiro grande esforço para iniciar uma reavaliação do mito do vampiro durante a década. Eric Held e Dorothy Nixon fundam o Vampire Information Exchange.

-1979 – Baseado no sucesso da nova produção da Broadway, a Universal Pictures refilma Dracula (1979), com Frank Langella. A gravação pela banda Bauhaus de “Bela Lugosi’s Dead” torna-se o primeiro sucesso do novo movimento de rock gótico. Shadowgram é fundada como uma fanzine Dark Shadows.

-1980 – A Bram Stoker Society é fundada em Dublin, na Irlanda. Richard Chase, conhecido como o Drácula Assassino de Sacramento, Califórnia, comete suicídio na prisão. A World Federation of Dark Shadows Clubs (atualmente Dark Shadows Official Fan Club) é fundada.

-1983 – Na edição de dezembro de Dr Strange, o ás ocultista da Marvel Comics mata todos os vampiros do mundo, banindo-os assim da shistórias em quadrinhos pelos seis anos seguintes. É fundado o Dark Shadows Festival para anfitriar a convenção anual de Dark Shadows. Hunger, filme baseado no romance de Whitley Streiber (1981).

-1985 – Publicação do livro The Vampire Lestat, de Anne Rice, que alcança a lista dos best-sellers. Lançamento do filme Fright Night (A Hora do Espanto).

-1987 – O filme Lost Boys;

-1989 – A derrubada do ditador romeno Nicolae Ceaucescu abre a Transilvânia para os fãns de Dracula. Nancy Collins ganha o Bram Stoker Award por seu romance Sunglass After Dark.

– 1991 – Lisa Jane Smith lança o livro de terror e romance Diários do Vampiro, The Vampire Diaries no original, sobre a vida de uma garota chamada Elena Gilbert que se vê ás voltas com dois irmãos vampiros. Dark Reunion, segundo livro da série, lançado em 1992, e após 16 anos lança a primeira parte dos novos títulos, intitulado The Vampire Diaries – The Return: Nightfall, publicado em 10 de feveriero de 2009. Vampire: The Masquerade, o mais bem-sucedido role-playing game, ou RPG, é lançado por White Wolf.

-1992 – Estréia Bram Stoker’s Dracula, dirigido por Francis Ford Coppola, considerado uma das melhores adaptações do filme para o cinema, com Gary Oldman no papel de Dracula e Winona Rider no papel de Mina Murray. Andrei Chikatilo, da Rússia, é condenado á morte após matar e vampirizar cerca de 55 pessoas. É lançado também o Romance Lost Souls, de Poppy Z. Bright. É Lançado também o filme Buffy, a Caça-Vampiros, dirigido por fran Rubel Kuzui.

-1994 – A versão cinematográfica de Interview With the ampire (entrevista com Vampiro), de Anne Rice, estréia com Tom Cruise no papel do Vampiro Lestat e Brad Pitt como Louis.

-1995 – Em maio, a International Transylvania Society of Dracula promove a Wrold Dracula Conference na Romênia.

-1996 – Os membros de um “culto” ao vampiro, liderados por Rod Ferrell, são presos pelo assassinato de duas pessaos na Flórida. Eles foram em seguida julgados e condenados por assassinato. Lançado Santanico Pandemonium (Um Drink no Inferno).

-1997 – O centenário de publicação do romance Dracula, de Bram Stoker, provoca um surto de atividades durante 1997 e 1998, incluindo o lançamento de diversos livros comemorativos, muitos programas para televisão e a criação de selos (no Canadá, na Irlanda, no Reino Unido e nos Estados Unidos). De 13 a 15 de junho, ocorreu em Whitby, na Inglaterra, o evento “Dracula the Centenary”, patrocinado pela Whitby Dracula Society. Em 13 de agosto, o serial killer Ali Reza Khoshruy Juran Kordiyeh, conhecido como “o vampiro de Teerã”, é executado publicamente no Irã. De 14 a 17 de agosto, ocorreu em Los Angeles a Dracula’ 97: A Centennial Celebration, o maior de todo os eventos que comemoraram o centésimo aniversário de publicação de Dracula. O evento foi patrocinado pelas divisões americana e canadense da Transylvania Society of Dracula e pelo Count Dracula Fan Club.

-1998 – Lançamento de Balde, Caçador de Vampiros, com Wesley Snipes no papel principal.

-2002 – Lançamento de Blade II, continuação da história do meio-vampiro Negro Blade.

-2004 – Blade Trinity, o terceiro filme da série é lançado.

-2005 – 5 de outubro: Stephenie Meyer publica: Twillight, adaptado ao cinema em 2008 sob o titulo Crepusculo, no Brasil;

-2006 – Lançado Blade: A nova Geração, e o seriado para TV Blade: The Series. 6 de setembro: Lança New Moon, segundo titulo da série Twillight, lançado no Brasil em 27 de setembro de 2008 e adaptado ao cinema em 20 de novembro de 2009.

-2007 – 7 de agosto: Lançado em inglês o livro Eclipse, da Saga Twillignt, em 16 de Janeiro, adaptado ao cinema em 30 de Junho de 2010, dirigido por David Slade.

-2008 – lançado em inglês o titulo breaking Dawn, da série Twillight em2 de agosto, e no Brasil em 26 de junho de 2009; a adaptação do livro será dividido em dois filmes: a primeira parte tem previsão de lançamento para 18 de novembro de 2011 e a segunda para 16 de novembro de 2012. Em 7 de Setembro estréia a Série de TV True Blood pela HBO, estreando no Brasil em 5 de Janeiro de 2010. Lançado o Filme “Deixa Ela Entrar”, onde a jovem Eli chamou a atenção do público ao mesclar tanto o lado existencial dos vampiros quanto o sanguinolento.

– 2009 – Lançado no Brasil o primeiro volume da série Vampire Diaries, chamado ‘O Despertar’, em novembro foi lançado o segundo volume, sob o nome de ‘O Confronto’, em março de 2010 foi lançado A Fúria, e em agosto de 2010 o Reunião Sombria. A nova trilogia O Retorno teve seu primeiro livro lançado em Dezembro de 2010, sob o titulo: Anoitecer.

Essa é uma breve explanação sobre a figura do Vampiro no ideário medieval, sua influência na literatura e no cinema até os dias de hoje, em breve falarei sobre poderes e fraquezas associadas ao vampiro literário, e a presença do Vampiro no Ocultismo, revisado e atualizado.

Fontes:

Wikipédia, no nomes de pesquisadores e consulta d lançamento dos livros e filmes citados

-O Livro dos Vampiros – A Enciclopédia dos Mortos-Vivos” – MELTON, J, Gordon, Makron Books, São Paulo, 1996.

-Enciclopédia dos Vampiros – Edição Compacta – MELTON, J. Gordon, M. Books do Brasil, São Paulo, 2008

#Filosofia #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/do-vampiro-hist%C3%B3rico

Algumas Noções de Cabalá Judaica

Arvore-judaica

O Deus de Israel, Deus Vivente, Rei do Universo, El Shaddai. Misericordioso e Cheio de Graça. Mais Alto e Exaltado Habitando na Eternidade. Cujo nome é Sagrado. E Ele criou Seu universo com três livros (Sepharim), com texto (Sepher), com número (Sephar) e com comunicação (Sippur).

Sepher Yetzirah 1:1

Kabbalah é o Verbo da Criação. É a raiz na qual se sustenta o tronco e os galhos de toda a Sabedoria Divina. É o caminho de retorno para o Ponto Central. Não há nada que a contenha (exceto o Criador), porém ela está em Tudo (a partir do Criador). O Senhor nos deu a possibilidade de sermos unos com Ele através da apreensão dos frutos da Árvore da Vida (Etz haChaim).

Foram 10 os Mandamentos recebidos por Mosher (Moisés) no pico do Monte Sinai. Seus nomessão: Kether, Hochmah, Binah, Chesed, Pechad, Tipheret, Netzah,Hod, Yesod e Malkuth. 32 são as Vias da Sabedoria. E 22 as letras do alfabeto hebreu. É sustentada por 3 pilares que são: Severidade, Misericórdia e Equilíbrio. Cujas bases se alicerçam em um mundo e seu teto em outro. Seu meio é como o de duas grandes águas. Seus mundos são em número de 4. E são: Olam ha Atziluth, Olam ha Beriyah, Olam ha Yetzirah e Olam ha Asiyah.

A Árvore da Vida aparece muitas vezes nos textos sagrados do mundo inteiro, mas na Bíblia e na Torah é que ela (para mim) tem o maior significado. Elohim, a potência criadora, cria o Universo e todas as suas maravilhas, e para coroar sua obra, cria o homem como legislador de tudo. Havia uma única condição: que ele não comesse o fruto proibido da Árvore. Este fruto era Daath, a não-sephira. Daath é o Conhecimento. Fruto do ego e da auto-exaltação. O homem (princípio ativo), sendo iludido pela mulher (princípio passivo), aceitou o fruto que lhe foi entregue pela Serpente. Samael (a cobra), na Árvore da Morte é o demônio correspondente à qlipah de Iauch, tem o poder sobre a heresia e a decepção. Ademais, a própria serpente é tida como símbolo de sabedoria. O problema é que tomaram o hábito pelo frade… Então, profundamente decepcionado com tudo isso, o Senhor expulsou-os do Paraíso.

E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada flamejante que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.

Gênesis 3:24

Bom, o homem não foi expulso do paraíso de verdade. No sentido literal, eu quero dizer. Esse, na verdade, foi o modo como os mestres da época usaram para revelar (re-velar) para as massas as suas doutrinas. Nós estamos em um ciclo evolutivo de éons. A descida na matéria foi necessária para que pudéssemos, como Deus, nos tornar no futuro, criadores de mundos. Tinhamos poderes divinos e nada sofríamos, pois vivíamos no seio do Pai. Mas o maior dos problemas era a inocência. Inocência não é sinal de defeito, porém também não é sinal de virtude. Para que tivéssemos a noção de indivíduo, de ação e de evolução, Ele nos conduziu, com as Hierarquias Criadoras, até o ponto onde estamos hoje: Malkuth – O Reino. Para que com o esforço necessário voltemos ao nosso ponto de origem com toda a bagagem que não tínhamos. Para isso temos a Kabbalah.

Cada um dos caminhos e cada uma das sephiroth (plural de sephirah) é como um mapa para nossa ascensão ao Princípio (Reschit). TODAS as energias da Criação estão na Árvore. E vale lembrar, são apenas dez sephiroth. Nem nove, nem onze. Não são nove porque Kether não é Deus. Nem onze pois Deus não é a Kabbalah.

Shalom!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/algumas-no%C3%A7%C3%B5es-de-cabal%C3%A1-judaica

‘Kama Sutra (texto completo)

Antes de ser uma livro de imagens, o kama sutra é um poema. Este poema divertido e instrutivo doi criado para a nobreza da Índia por um nobre Vatsyayana, em alguma época entre 100 e 400 d.C. Originalmente em sânscrito, está inserido na concepção de mundo da religião hindu. Seus ensinamentos, embora conduzam seus praticantes ao orgasmo intenso e ao prazer visam, antes disso, à elevação espiritual do casal.

Kama significa sexo, amor, prazer, satisfação. É um dos três sustentáculos da religião hindu. Os outros são Dharma e Artha. Dharma é o mérito religioso e Artha a aquisição de riquezas e bens materiais..

Os hindus acreditavam que aquele que praticar Dharma, Artha e Kama, sem se tornar escravo das paixões, conseguirá êxito em todos os seus empreendimentos. Em outras palavras, deve-se desfrutar as riquezas e os prazeres sexuais sem jamais perder a virtude religiosa.

Estas três metas possuem suas contrapartes modernas. Muitos de nós não somos tão voltados para a religião, mas buscamos desenvolvimento pessoal e realização; muitos de nós não aspiram grandes riquezas, mas sim ter o dinheiro suficiente para viver confortavelmente; e a maioria de nós quer um relacionamento sexual carinhoso.

Não é apenas um manual de posições sexuais. Além de trazer detalhadamente 64 formas de amar consideradas essenciais, pretende também desenvolver o erotismo e sensualidade de ambientes, situações e pessoas. Velas e óleos aromáticos, comidas afrodisíacas, perfumes e músicas, fazem parte de todo o ritual. Os amantes são encorajados a estarem sempre enfeitados com tecidos leves, coloridos e sensuais e cheios de adornos como colares e brincos. O sexo vai além do simples prazer genital e explodia em todas as direções dos cinco sentidos.

Segue a tradução do poema original para o português:

Os Beijos

Beijar, com unhas marcar,

as mordidas de amor,
sempre devem o acto do amor preceder,
enquanto os golpes e gritos de amor
são usados apenas para apressar o orgasmo.

Mas Vatsyayana diz: a paixão desperta,
pouco tempo resta para a etiqueta.
Faça o que bem quiser,
quando lhe aprouver,
pois Kama não respeita convenções.

Na primeira vez que se deitar com uma mulher,
não exagere nos beijos, unhas e dentes,
melhor sempre é uma coisa de cada vez.
A confiança dela aumentando, recorra a tudo,
que neste livro há, para alimentar o desejo.

Os Beijos

Dê os seus beijos na fronte,
olhos, cabelos, nas faces e lábios,
no pescoço e nos seios,
que sua língua peregrine
pelos sagrados recônditos da suave boca.

Um homem de Lat também beijaria
os tufos de macaco nas axilas, o umbigo,
as coxas, os lábios secretos.
Essa demonstração exuberante de paixão
reflecte a nacionalidade, não é para todos.

Três beijos têm encanto especial
quando dados pelas jovens em flor.
São o Quase-não-um-beijo,
o Beijo Trémulo,
e refinado Primeiro-toque-de-sua-língua.

O primeiro ocorre com a nervosa jovem,
importunada por um beijo,
um abraço relutante lhe permite,
aceita a homenagem de seus lábios,
mantendo os dela fechados firmemente.

Depois que ganha confiança,
ela pode permitir que os lábios se entreabram.
Se você então lhe mordiscar o lábio inferior,
sentir que treme, o prazer ao medo surpreende,
a vitória conquistou, pelo segundo beijo.

Um dia os olhos dela vão fechar,
aos seus olhos as mãos dela cobrirão
e uma língua furtiva indagará
se pode prosseguir por aventuras mais ousadas:
é o terceiro beijo, que o aprendizado encerra.

Mais quatro beijos há nos textos de amor,
Lábios se encontrando em cheio formam o Beijo
Recto, se inclinados, o Beijo de Viés.
Ao queixo dela levante para o Beijo Alteado;
qualquer deles, se ardente, é Beijo Esmagado.

Há quem chame Sorver o Vinho
quando, ao queixo dela se levanta,
a boca se comprime para um “O” formar,
cautela para com os dentes não feri-la
se dá um beijo sôfrego, com força.

Jogos de Beijar

Façam apostas sobre quem, os lábios só usando,
primeiro pode ao lábio inferior do outro
capturar. Se ela perder, há de gritar,
a mão lhe sacudindo, clamando que é injusto,
que você a enganou, outra chance vai querer.

Quando você por direito recusar,
seu nariz ela deve morder e magoar,
até levá-lo a concordar com suas exigências.
E se você ganhar outra vez,
um rebuliço maior ela deve criar.

Se desprevenido ela pegá-lo
o seu lábio captura entre os dentes,
entre os risos declarando
vitória maior ter conquistado,
morder ameaçando, se tentar escapar.

A vitória ela deve proclamar, exuberante,
provocando com gracejos refinados,
recorrendo às nuanças de expressão
que os lindos olhos e sobrancelhas forjam,
no desafio a seu orgulho lançar em nova prova.

Invente outros jogos de beijar,
competições de unhas, de dentes,
quem perder fazendo o que foi apostado.
Esses jogos o desejo aguçam,
por muitas horas o prazer do amor prolongam.

Se, ao beijar ela seu lábio superior,
você suga seu lábio inferior, é o Beijo Alto.
Se os dois lábios dela pelos seus são apanhados
(a esse beijo ela pode retribuir
apenas com você raspado), então é o Broche.

Se nesse beijo as duas línguas,
os dentes explorando, o céu da boca,
se encontrarem em feroz justa,
então se chama Torneio das Línguas.

Outras batalhas se travam com lábios e dentes.
Quatro beijos usam lábios, dentes, língua,
tudo junto. O Sama nos seios se dá,
nas sensíveis curvas de joelho e cotovelo,
onde as coxas ao corpo encontram:
mordisque delicado, a língua faça cócegas.

Pidita se reserva para as faces,
seios, quadris, barriga, a bunda,
seus dentes na carne afundando,
sem chegar a machucá-la,
lábios, língua, em massagem vigorosa.

Anchita é o beijo da língua,
as curvas sob os seios percorrendo,
sondando o umbigo, perdurando
no secreto lótus,
o desejo atiçando, sem propor alívio.

Mridu é usar os lábios no alívio
da comichão nas costas, seios, braços,
nos quadris, por dentro das coxas dela,
depois que suas unhas por lá roçaram, de leve,
levando os cabelos a se arrepiar, assim ficar.

Quando ela olha o seu rosto adormecido
e sua boca beija,
para despertá-lo, o desejo incendiar,
o beijo longo, tão ardente, tem o nome
Ragadipa, Amor-em-chama-se-tornando.

Se você ignora por estar absorvido
em música, pintura ou discussão,
porque os dois discutiram,
e ela o surpreende com um longo beijo,
será Chalita, o Beijo do Desvio.

Se tarde em casa chega, adormecida encontra,
você a beija com ternura,
é Pratibodlha, o Beijo que Desperta.
E ela deve fingir que está dormindo
quando a sua voz ouvir à porta.

Os Abraços

Homens e mulheres que pouco se conhecem
os sentimentos podem transmitir
usando o Toque ou Pontada.
A Carícia e o Aperto
são dos amantes que os desejos se conhecem.

Quando ela se aproxima,
como se você não existisse,
e sua mão ou corpo, na passagem,
deixa roçar contra, o seu, de leve,
é o abraço que se chama Toque.

Quando uma mulher avança, ao vê-lo
exclamando que algo deixou cair
e se abaixa para pegar,
os seios duros em seu corpo espetam
(furtivamente acaricie), é a Pontada.

Quando à noite saem juntos,
num bazar apinhado,
ou passeiam pelos campos,
os corpos se aninham em suas curvas,
a sensação que os percorre é a Carícia.

Quando a comprime contra uma coluna
ou de costas num portal,
o fôlego de seu corpo extraindo,
as mãos se pondo a explorar
os corpos mútuos, é o Aperto.

Babhravya mais quatro abraços dá
para amantes de experiência.
Trepadeira e Árvore de pé são feitos,
Sésamo e Arroz, Leite e Água,
muitas vezes se convertem no ato do amor.

Quando ela entrança os braços em seu pescoço,
como a trepadeira que a sal envolve,
o rosto erguendo para o beijo,
depois recua um pouco, respirando fundo,
seu rosto ansiosa olhando, é a Trepadeira.

Quando ela põe os pés entre os seus,
pelo seu corpo subindo, como liana,
sua cintura com as coxas agarrando,
seus ombros apertando, gemidos soltando,
sua cabeça aos beijos inclinando, é a Árvore.

Quando se deitam de frente um para outro,
as coxas entrelaçadas, os seios comprimidos
contra você, as mãos buscando lugares novos
para acariciar, cabeças em beijos se unindo,
o braço é como a mistura de Gergelim e Arroz.

Quando ela trança as pernas em sua cintura,
o peito contra o seu se comprimindo
em tão violento abraço que seus corpos,
à dor indiferentes, parecem quase
se penetrar, é chamado Leite e Água.

São esses os oito abraços de Babhravya.
Suvarnanabha dá mais quatro
em que partes do corpo diferentes
despertam para o amor: os abraços
das coxas, virilhas, seios e testa.

Deitados nos braços um do outro,
ela prende uma de suas coxas,
apertando com força entre as dela,
os músculos se encharcando de prazer:
os conhecedores chamam de Abraço de Coxa.

Quando ela ergue as lindas coxas
e sua virilha puxa contra a colina do amor,
as unhas lhe crava, belisca, em beijos suga
os seus lábios, os cabelos derramados
soltos por seu rosto, é o Abraço da Virilha.

Quando ela o monta,
o seu peito suportando todo o peso
dos seios cheios,
que trançam círculos em seu corpo,
quem conhece chama Abraço dos Seios.

Os três abraços também podem
pelo homem serem iniciados.
Quando as testas se unem, olho no olho,
nariz em nariz, lábio em lábio, os rostos
em carícias mútuas, é o Abraço de Testa.

Alguns mestres a massagem incluem nos abraços
pelo prazer físico que proporciona
mas Vatsyayana diz: a massagem visa
ao cansaço remover, não atiçar o desejo,
assim não pode entrar nas artes do amor.

Mesmo os que indagam, ouvem ou falam
de tais abraços
hão de sentir, na descrição correcta,
o desejo em seus corpos despertar.

Quem usar, maior prazer terá.
São muitas as carícias adoráveis
que os textos jamais mencionaram.
Descubra-as com quem ama,
use quando puder,
se aguçar o prazer e o desejo.

Os textos do amor podem se úteis
só quando o desejo está sereno,
mas com a roda do oleiro em movimento,
joguem fora até o Kama Sutra,
pois não há, nem ciência.

Dentes e Unhas

A paixão, se ateada,
que as unhas entrem em cena.
Electrizante é o efeito:
sob as unhas da mulher, o tímido amante
sente o corpo lentamente de desejo impregnar.

O jogo das unhas mais excita
a primeira vez em que juntos deitam,
nas noites antes e depois de longa separação,
depois de briga furiosa,
e quando ela bebeu além da conta.

Boas unhas são compridas, bem talhadas,
ao contacto bem suaves,
limpas, firmes, refulgentes,
os arranhões devem ser
tão rosados quanto as unhas.

Os ardorosos deixam as unhas
da mão esquerda crescer, longas, afiadas.
Há quem lixe em duas pontas, às vezes três,
como a lâmina da serra,
outros lixam em crescente, em bico de papagaio.

Textos de amor aconselham a se marcar
da amante apenas seios, axilas,
garganta, costas, coxas e virilha.
Mas no amor, lembra Suvarnanabha,
de tais coisas ninguém se recorda.

Marcas de Unhas

As oitos técnicas se aprendam:
Rasgar Seda, a Meia-Lua,
Círculo, Sulco, Garra do Tigre,
o Pé do Pavão,
Salto da Lebre, a Pétala do Lótus Azul.

Passe as unhas afiadas
pelas faces, seios, lábio inferior,
tão de leve que marca alguma fique,
mas ao contacto a pele se arrepie de prazer,
no som da seda que se rasga.

Esta carícia torturante use
quando ela pedir que lhe massageie o corpo,
o couro cabeludo, que lhe arranhe as costas,
que uma bolha impertinente fure, sempre
que quiser deixá-la ardente de desejo.

A Meia-Lua é suave crescente
com uma unha feito na garganta e seios.
Um par de crescentes fundo impressos,
na barriga, quadris, bunda ou virilha,
como marcas de um parêntesis, são o Círculo.

O Sulco é a linha vermelha
que unha afiada estende pela pele,
do corpo, em qualquer parte.

Se curvo, é uma Garra de Tigre,
quase sempre nos seios e pescoço.

Quando o mamilo se pega
entre as cinco unhas, comprimindo,
na explosão de suaves raios vermelhos,
é o famoso Pé de Pavão,
difícil de fazer, tão do gosto das mulheres.

Se ela roga, despudorada,
o Pé de Pavão, num dos seios,
e você usa as cinco unhas,
sobre um seio, depois no outro,
é o virtuoso Salto da Lebre.

A Pétala do Lótus Azul
se faz nos seios, na cintura, tão-somente,
moldada sempre na sugestão do nome.
Tal marca em elogio é,
equivalente a jóias de presente dadas.

É falta de cavalheirismo
sair de casa, em viagem longa,
sem marcar seios e coxas da esposa,
com três ou quatro pelo menos,
pequenas linhas, momentos do seu amor.

Novas marcas sempre invente
a praticar com quem ama.
Sejam de flores, passarinhos,
vasos, folhas, trepadeiras,
tudo é possível, não se pode enumerar.

Tentar sequer catalogar
o potencial infinito de marcas e técnicas,
para não falar dos sinais bizarros
que amantes ardentes improvisam,
é pura perda de tempo, dizem os sábios.

Há de se ressaltar, diz Vatsyayana,
a importância de variar no amor.
Qualquer tolo sabe: variar é o tempero
da vida, mas só cortesãs bem sucedidas
sabem, ao que parece, se a essência do amor.

Para acabar, jamais crave as suas unhas
na esposa de outro homem.
A discretos crescentes se limite,
ocultos onde ela apenas vai observar,
a se lembrar dos encontros secretos com você.

Mordidas de Amor

Cada parte do corpo, que se beija,
tirando a língua, olhos, lábio superior,
também aceitará mordidas de amor.
Até lugares que os Latas muito beijam
são alvos certos para dentes hábeis.

Bons dentes são limpos, brilhantes, iguais,
afiados, bem formados, com paan se colorindo.
Dentes lascados, rudes, sujos, gastos,
sobrepostos, salientes,
melhor ficam se ocultos, são insultos ao amor.

Prática é preciso par oito mordidas
bem famosas: a Secreta e a Inchada,
o Ponto e a Linha de Pontos,
o Coral e o Colar de Coral,
a Tempestade e o Javali.

Quando o lábio inferior morder,
avermelhando, mas sem marca, é a Secreta.
Se morder até o lábio machucar,
é a Inchada (só depois vem o Inchar),
e também se faz na face esquerda.

Quando a pele mordisca tão de leve
que marca é do tamanho da semente
de sésamo, fez um Ponto, incha de Pontos
bonita há de ficar na macia pele
do pescoço, seios, dentro das coxas.

A vermelha curva, irregular, do Coral,
se faz mordendo apenas com os incisivos
de cima. No seios começando, nas coxas,
Colares de Coral se vão fazendo,
as laçadas pelo corpo se espalhando.

Tempestade é um círculo de marcas
que no seio suave se imprime.
Se profundo, ardentes marcas,
no centro violeta, é Javali.
Que só agrada aos ardorosos.

Quando unha e dente marcas fazem
na folha de bhurja, flor de lótus azul,
que as mulheres nas orelhas usam,
são convites amorosos,
a se fazer com o esmero das cartas de amor.

Se um homem ignora os gritos da amada
de que unhas e dentes a machucam,
na mesma espécie ela deve revidar,
Garra de Tigre pelos Sulcos,
Javali à Tempestade confrontando.

Na paixão, que a mulher agarre
os cabelos do amado, lábio prenda
entre os dentes, qual a borda de uma xícara,
sorvendo sempre, de desejo se inebrie,
mordendo a esmo, de frenesi, em mil lugares.

Quando ele mostra, orgulhoso, manhã seguinte,
aos amigos tantas marcas
que unhas, dentes em seu corpo deixaram,
que ela o fite, impassível,
rindo apenas ao lhe virar as costas.

Censurá-lo ela pode, furiosa,
sendo amarrado exibindo mas próprias marcas.
Se um ao outro amam,
a censura é sempre afectuosa,
o amor nem em cem anos se esvai.

Golpes e Gritos

Como o amor, por natureza,
é quase uma batalha entre os sexos,
os vários golpes de amor,
que podem o prazer acentuar,
são analisados nos textos de amor.

Quando golpes, Apahasta (Costa da Mão),
Prasritaka (o Capuz), Mushti (o Punho)
e Samatal a(a Palma),
usados são na cabeça, ombros, costas,
flancos, no espaço entre os seios.

A amada, claro, há de sentir
dor quando você a golpear,
mas os gritos que à garganta lhe subirem,
se cada tipo você puder reconhecer,
vão dizer o quanto ela se encontra excitada.

Hinkara é o ar que se suga bruscamente,
como um sobressalto repentino.
Stanita é mais profundo, som ressonante,
que vem dos tímbales dos pulmões dela.
Kujita é suave arrulho, como a pomba.

Rudita é o soluço gutural da mulher
que o orgasmo alcança.
Sutrita é o ofego áspero.
Dutkrita é abafado chocalhar.
Phutrita é o morango que na água cai.

Sitkrita são palavras, sons,
que seus golpes dela arrancam,
exclamações de dor, lutando com prazer.
A sequência, que aprender se deve,
vai do prazer à dor ao prazer maior.

A princípio, soluçando, ela dirá:
“Mamãe”, “Pare!”, “Já chega!”,
“Deixe-me em paz!”, Estou morrendo!”,
mas os sons que em sua garganta adejam
logo se tornam gritos sem palavras.

Os tímidos gritos do início
podem ser como o choro de uma pomba,
o chamado do cuco entre as folhas,
o suspiro sonolento dos pardais,
o grito estridente do papagaio.

Mas logo a amada, gemendo como abelha,
gritando qual galinha assustada,
emitindo gritos baixos, que soam,
como gansos e patos no voo chamando,
acaba choramingando, como a perdiz .

Quando deitada ela está sob você,
com as costas da mão deve bater-lhe
entre os seios, gentilmente,
a paixão crescendo, deixe que os golpes
sejam mais fortes e rápidos: é Apahasta.

Se hábil aplicado, este golpe
há de arrancar uma raga
de arrulhos, gritos e soluços.
Se você a machucar, que ela fique furiosa,
revidando golpe a golpe.

Os gritos de amor não precisam
obedecer a qualquer ordem:
que ela tudo faça de improviso,
mas cada golpe desferido
deve arrancar um grito de prazer.

Se satisfação ela não tem
de Apahasta e outro lhe pedir,
na cabeça da amada bata
com os dedos encurvados:
é Prasritaka (o Capuz).

O alvo é excitá-la
tanto que os gritos “Hare Rama”
se prendam na garganta, virando
um trinado de vogais abertas e fechadas,
terminando em soluços estrangulados.

Você deve provocá-la
seus gritos imitando,
até que ela ria, e depois,
com unhas e dentes espicaçando,
lhe arranque efeitos mais extravagantes.

Quando sentir que o orgasmo se aproxima,
nas coxas dela bata e nos lados,
de mãos abertas, palmadas de Samatala.
Se o momento for exacto, há de ouvir
o ganso e a perdiz chamando o orgasmo dela.

Por natureza, os homens são mais duros,
mais cruéis e violentos que as mulheres,
sempre delicadas e tímidas,
daí porque o homem geralmente bate
e a mulher é quem grita.

Mas se a paixão a sufoca,
se uma postura especial a excita
ou se tal é o costume do país,
a mulher pode chover golpes no amado.
Mas tal coisa raramente acontece.

Quatro outros golpes são usados
às vezes: Kila (Cunha) no peito,
Kartai (Tesoura) na cabeça,
Vidram (Espeto) nas faces,
Samdanshikam (Tenaz) nos seios .

Tais golpes perigosos
são bem populares pelo sul.
Nos peitos dos sulistas e esposas
as marcas às vezes são visíveis
dos golpes desferidos no estilo Kila.

Mas os costumes do sul
não devem ser copiados por nortistas
curiosos. Vatsyayana diz: esses golpes
são antiarianos e impróprios ao homem de bem,
que deve encarar tal violência com desdém.

Nenhuma dúvida pode haver
que práticas que a membros quebrados levem,
à mutilação e à morte,
não podem ser justificadas, nem mesmo
aos que se recusam a vê-las como barbarismo.

Não é segredo que o Rei Chola
matou há pouco a cortesã Chitrasena,
ao golpeá-la no estilo Kila.
O Rei Shatkarni dos Kuntalas matou
sua rainha, Malyavati, com a Tesoura.

Naradeva, o supremo comandante
dos exércitos de Pandya,
de mão esquerda deformada,
um dia bateu à Vidvam numa dançarina,
errando o alvo, cegou-a de um olho.

Mas quando os homens a paixão inflama,
pouco se lembram de pensar
nos shastras ou nas consequências
de tão louca violência:
a paixão causa tais calamidades.

O sexo perturba o equilíbrio:
os anseios e loucas fantasias
que afloram à imaginação de um homem,
quando o amor faz, são mais estranhos
que os sonhos mais grotescos.

Como um cavalo, em pleno galope,
não percebe valas, muros e os poços
que margeiam seu caminho,
a fúria da paixão cega os amantes
aos males que unhas, dentes, punhos causam.

Procure sempre recordar
que a amada é bem mais fraca que você,
que paixão é bem mais forte.
E como nem todas gostam de apanhar,
duas vezes pense para usar golpes de amor.

Prazeres Orais

Os sábios condenam o prazer oral,
alegando que não é civilizado
e rigorosamente proibido pelos shastras.
Os homens doenças contraem, dizem eles,
ao beijar mulheres e eunucos após a felação.

Mas Vatsyayana diz que os shastras
não se aplicam no caso dos eunucos
(com o sexo oral a vida ganham)
nem em países de costumes diferentes.
Quanto às doenças, evitá-las é bem fácil.

Os shastras dizem ainda que são quatro
as bocas puras: do bezerro a mamar,
do cão de caça pegando a sua presa,
o bico do pássaro a fruta arrancando
e a boca da mulher enquanto faz amor.

Mas nesta questão tão delicada,
os shastras são contraditórios.
O conselho de Vatsyayana é agir
de acordo com os desejos, sua consciência,
os costumes da terra em que nasceu.

As oito técnicas da felação
normalmente se praticam na seguinte ordem:
Nimitta (Contacto),
Parshvatoddashta (Morder nos Lados),
Bahiha-samdansha (Pinça Externa).

Antha-samdansha (Pinça Interna),
Chumbitaka (Beijar),
Parimrshtaka (Golpear a Ponta),
Amrachushita (Chupar a Manga)
e Sangara (Engolir Tudo).

Quando a amada seu pénis captura
na mão dela, os lábios forma
num “O”, de leve os pousa na ponta,
a cabeça mexendo em círculos pequenos,
é o primeiro estágio, Nimita (Contacto).

Pegando a glande em sua mão,
ela comprime os lábios pela haste,
primeiro de um lado, depois no outro,
evitando que os dentes lhe machuquem:
é Parshvatoddashta (Morder nos Lados).

A ponta do pénis ela pega,
gentilmente, entre os lábios,
ora apertando, ora beijando ternamente,
a pele macia puxando:
é Bahiha-samdansha (Pinça Externa).

Ela deixa agora a cabeça deslizar
inteiramente para a sua boca,
a haste entre os lábios comprime firmemente,
por um momento parando, antes de puxar:
é Antaha-samdansha (Pinça Interna).

Quando ela pega o pénis em sua mão
e os lábios bem redondos
beijos dão por toda a extensão,
sugando qual faria com seu lábio inferior,
o nome que se dá é Chumbitaka (Beijar).

Se, ao beijar, ela deixa que a língua
por todo o pénis se esbata
e depois, em ponta, ataca insistente
a glande tão sensível,
vira Parimrshtaka (Golpear a Ponta).

Agora, pela paixão inflamada, o pénis
ela enfia bem fundo em sua boca,
puxando e sugando com vigor,
como se fosse da manga o caroço:
é Amrachushita (Chupar a Manga).

Quando ela sente que o seu orgasmo
é iminente e engole todo o pénis,
sugando, trabalhando, com os lábios,
com a língua, até o momento final,
é Sangara (Engolir Tudo).

Técnicas de Cunilíngua – Ratiratnapradipika
O santuário da amada venere
com as oito técnicas de cunilíngua:
Adhara-sphuritam (Beijo Trémulo),
Jihva-bhramanaka (Língua Circulando)
Jihva-mardita (Massagem da Língua).

Chushita (Sugar), Uchchushita (Sugar para
Cima), Kshobhaka (Remexer),
Bahuchushita (Sugar com Força) e Kakila
(o Corvo); improvisar com os dentes
produz infindáveis variações ao amor.

Com as pontas dos dedos, delicado,
aperte os lábios arqueados da casa do amor
e devagar, bem lentamente, os una,
beijando qual faria com o lábio inferior:
é Adhara-sphuritam (Beijo Trémulo).

Agora a arcada abra com o nariz,
deixe que a língua entre,
a yoni explore gentilmente,
o nariz girando, os lábios e o queixo:
é Jihva-bhramanaka (Língua Circulando).

Deixe a língua descansar por um momento
na arcada do templo o amor,
antes de entrar para o culto vigoroso,
fazendo a seiva dela escorrer:
é Jihva-mardita (Massagem da Língua).

Prenda agora os seus lábios
nos lábios da yoni da amada,
a beijos profundos se entregue,
mordiscando, ao clitóris sugando:
é Chushita (Sugar).

Com as mãos suspenda a bela bunda,
a língua o umbigo sonde, resvale
para girar suavemente na arcada
do templo do amor, e lamber a seiva:
é Uchchushita (Sugar para Cima).

Remexendo as lindas coxas,
que ela própria com as mãos segura
e abre o mais que pode,
sua língua adeja, a seiva sorve:
é Kshobhaka (Remexer).

Sua amada num divã estenda,
os pés dela em seus ombros, a cintura
pegue, sugue com força, deixe a língua
remexer o templo do amor a transbordar:
é Bachuchushita (Sugar com Força).

Se de lado deitados,
em direcções opostas,
as partes íntimas beijam mutuamente,
usando as 15 técnicas descritas,
é Kakila (o Corvo).

Comentários finais- Kama Sutra
Tão grande é o prazer que o corvo
às mulheres oferece que por sua causa
muitas cortesãs abandonaram
respeitáveis cidadãos e se ligaram
a escravos, machuts , a homens inferiores.

As mulheres encerradas em haréns
o Corvo acabam praticando.
Depravados praticam em segredo
com outros homens, íntimos seus,
deitados lado a lado, em mútua felação.

Jovens dândis que se exibem,
com brincos e outros ornamentos,
não são avessos a chuparem outros;
mas os mais hábeis nas artes orais
são eunucos, cortesãs ou as escravas.

O intercurso oral deve se evitado
por altos sacerdotes, brahmins, reais
ministros, reis, políticos, por quem tenha
posição e por sua reputação zele,
pois a ética é extremamente duvidosa.

Não é suficiente alegar que práticas
não são condenadas pelos shastras,
estes são conselhos para os casos todos
e inevitavelmente encerram ideias
que corrompidas ficam, se fora de contexto.

Nos textos médicos de Ayurvedic,
vai se encontrar a declaração
de que carne de cão é saborosa, nutritiva,
mas sinceramente isso implica
todos passarem a come-la?

Os shastras podem aconselhar com sensatez
em quase todas as questões sexuais,
mas se em dúvida estiver, respeite
as convenções de tempo, costume e lugar,
na própria consciência se apoie.

Como tais coisas na intimidade se fazem
e são mantidas em segredo absoluto,
como a paixão sobre a razão predomina,
quem pode saber o que alguém fará,
por quê, como, onde, quando, com quem?

Compatibilidade

Os textos sagrados divide
os homens em quatro classes,
mas Ama apenas três conhece,
a casta determinada pelo tamanho do pénis:
lebre, touro, cavalo.

Kama às mulheres classifica
como corça, égua ou elefanta,
a profundeza da yoni sendo a medida.
Corça com lebre, égua com touro,
elefanta com cavalo: são os pares ideais.

Com casais de dimensões
que bem não correspondam,
há seis graus de inadequação:
elefanta e lebre ou touro, égua
e lebre ou cavalo, corça e touro ou cavalo.

Uniões iguais são melhores:
conjunções extremas (elefanta com lebre,
corça ou cavalo) raramente satisfazem.
Com os pares restantes, o sucesso depende
em grande parte de temperamento e perícia.
Os temperamentos sexuais são três:
ardoroso, moderado e frio.

Um homem de fria natureza pouco desejo tem;
o sémen esguicha sem vigor;
sempre evita unhas e dentes da amada.
Homens ardentes o desejo não escondem,
os moderados sabem manter o controle.

Cada tipo tem o equivalente feminino,
às conjunções físicas acrescentando
nove possíveis relações de temperamento.
A perícia de amante, diga-se agora,
se avalia na medida
em que sabe prolongar o prazer do amor.

Amantes podem ser peritos, adequados e inábeis,
em mais nove aumentando as relações.

Falácia

No papel da mulher é que se concentra
a controvérsia pela necessidade de perícia.
Auddalaki diz: as mulheres
não encontram satisfação no amor,
apenas alegria de satisfazer os amantes.

A perícia no beijo e na carícia,
variação de posturas, o amor prolongado,
são coisas que aumentam o prazer de um homem;
mas as mulheres não precisam,
seu prazer é muito diferente.

Nenhum homem ou mulher saberá jamais
o que sente o outro exactamente no amor;
palavras jamais vão descrever,
mas o prazer do homem se encerra com o orgasmo
enquanto jamais termina o prazer da mulher.

Resposta

Por que então é um fato
que a mulher adora um homem que uma hora fica
e despreza aquele que se vai
em duas ligeiras investidas?
Não prova que o orgasmo ela também quer?

Falácia

Seria anormal, os cépticos dizem,
para uma mulher experimentar
prazer intenso, emocional, no amor,
mas não querer que continue.

E citam até os versos de Auddalaki:
“Na paixão do homem se abate
o desejo da mulher feliz,
não há beijo, carícia, arremetida
do falo que sua paixão sacie.
O prazer do homem é seu único prazer.”

Ao contrário do homem, diz Babhravya,
cujo sémen esguicha, ao final do prazer,
a seiva da mulher flui do início,
a toda fibra inundando de alegria;
não precisa assim de um longo amor.

Resposta

É Auddalaki em disfarce.
Se tal prazer ela sente, desde o início,
por que tão quieta fica no começo,
o corpo só aos poucos à paixão se entregando,
o que tanto a abala ao final?

A paixão da mulher não seria
como a roda do oleiro, a piorra da criança,
a princípio girando lentamente,
a velocidade aumentando, até explodir
na beleza indescritível do orgasmo?

O próprio Babhravya escreveu:
“O orgasmo dele é o final do seu prazer,
o ardor intenso dela não tem fim,
pois ambos devem se gastar na batalha do amor
e a seiva misturar, antes que a paz ela encontre.”

Como homem e mulher são humanos,
ambos absorvidos no mesmo ato,
por que o prazer seria diferente?
Vatsyayana conclui
que a mulher tem orgasmo, como o homem.

Falácia

Mas homem e mulher não são iguais!
Um homem é para a mulher
o que a mó para o moinho é:
são feitos de forma diferente,
naturezas opostas, papéis separados.

Não é absolutamente ridículo
dizer que homem e mulher,
divergindo um do outro,
tanto no corpo como no temperamento,
experimentam o prazer de formas diferentes.

Resposta

É mais que óbvio, até para Vatsyayana,
que homem e mulher são diferentes.
Ele também aceita que, por costume,
homens dominam, mulheres são dominadas,
o que há de se reflectir no ato do amor.

A natureza do homem é apregoar
“Estou fazendo o amor!”
A mulher arrulha: “Este homem me faz o amor!”
Mas o prazer, quando chega,
não sabe quem é a mulher, quem é o homem.

Quando os carneiros se chocam, de cabeça,
quando os galos se agridem,
quando lutadores se engalfinham,
o choque pelos dois se distribui;
assim também é, quando homem faz amor à mulher.

Não se alegue que carneiros são carneiros,
lutadores, lutadores, mas homens não são mulheres.
Homem e mulher o mesmo nervo são, mesmo sangue,
mesmo músculo, osso, tendão e alma:
não há diferença, por baixo da pele.

Linga e shaki feitos são um para o outro,
de que outro jeito vida nova nasceria?
O desejo junta homem e mulher num só amor,
numa ardente união,
criando um filho do choque partilhado do prazer.

Vatsyayana diz: toda mulher
a alegria do orgasmo deve conhecer.
Todo homem deve aprender as artes do amor,
o beijo, carícia, asanas, jogos de dentes
e das unhas, o prazer da amante antes do seu.

Como dois amantes jamais poderão
em tamanho, temperamento e arte se igualar,
não existem regras que governem o amor.
Só a experiência pode lhe dizer
que técnicas satisfarão que amantes.

O sábio também sabe que o prazer físico
não é o fim exclusivo do acto do amor.
Pode ser como música, atiçando emoções,
intensificando sentidos, dissolvendo
pensamento em ritmo, até que um só ritmo exista.

Vai fluindo, corações acelerando,
os lábios tremem na batida
de tambores na mais rápida marcha,
até que a própria música se dissolve
na sagrada e longa nota de silêncio.

O amor tem muitas yogas:
o contacto de dois corpos; virilhas presas;
a ruptura na separação;
o acalmar da respiração violenta;
a serenidade de corpo e mente.

Pessoas de inteligência e sensibilidade
vão achar tais comentários
suficientes para esclarecer o delicado assunto.
Para quem precisa de mais esclarecimento
as artes do amor agora são descritas.

Posições Sexuais

Se a amada é menor do que você,
posições de amor escolha
em que as coxas dela bem abertas fiquem.
Se ela puxa ao generoso,
use aquelas que as coxas se unem.

Se ela muito o sobrepuja,
o prazer lhe dê com um falo de ouro ou prata.
Mas se os dois à perfeição combinam,
cada postura conhecida se pode exaltar
nesta yoga deslumbrante de dois corpos.

Se a amada é menor do que você,
posições de amor escolha
em que as coxas dela bem abertas fiquem.
Se ela puxa ao generoso,
use aquelas que as coxas se unem.

Se ela muito o sobrepuja,
o prazer lhe dê com um falo de ouro ou prata.
Mas se os dois à perfeição combinam,
cada postura conhecida se pode exaltar
nesta yoga deslumbrante de dois corpos.

Posições Deitadas 

Grupo Utphullaka- Kama Sutra
A mulher corça mais prazer encontra
nas abertas posturas do grupo Utphullaka:
Utphullaka (Flor em Botão),
Vijrimbhitaka (Bocejo Largo)
e Indranika, da deusa Indrani a postura.

Em Utphullaka a mulher usa uma almofada,
quadris bem alto erguendo,
as coxas abre, o mais largo que puder.
Gentilmente a penetre,
sem ferir a ela, magoar a si mesmo.

Em Vijrimbhitaka as coxas são abertas,
as pernas se estendem para o alto,
os quadris na cama permanecem.
A yoni assim se expande, mas se inclina
para baixo, cuidado na entrada.

Indrani os joelhos ergue,
nas curvas dos seios se aninham,
os pés encontram as axilas do amado.
Quem é pequena esta postura adora,
mas uma deusa se faz com muita prática.

Grupo Utphullaka- Textos Medievais
Com as palmas ela pega e ergue a bunda,
as coxas abre, o mais possível,
põe ao lado dos quadris,
enquanto você os seios lhe acarinha:
assim é Utphullaka (a Flor em Botão).
(Ratirahasya)

Os tornozelos pegando
da mulher de quadris cheios, bunda
como abóboras maduras,
as lindas coxas erga
e bem estenda na abertura.

De desejo impregnado, em palavras doces,
dela se aproxime, seu corpo rígido,
arremeta direito para frente,
penetre o lótus, os corpos se unindo:
é Madandhvaja (a Bandeira de Cupido).
(Panchasayaka)

Os dois pés da amada agarre,
suspenda até os seios comprimirem,
as pernas dela um círculo formando.
Pelo pescoço a enlace e faça o amor:
é Ratisundara (Delícia de Afrodite).
(Smaradipika)

Os pés da amada erga até as solas
se encontrem paralelas
nos dois lados do pescoço esguio,
os seios pegue, o amor faça:
é técnica é Uthkana (Alto do Pescoço).
(Ratimanjari)

A linda esposa, na cama deitada,
os próprios pés segura
e levanta até os cabelos,
você lhe pega os seios e faz amor:
assim é Vyomapada (Pé no Céu).
(Ananga Ranga)

Seus próprios joelhos, segurando, sua esposa,
na cama estendida,
estica as pernas, os pés erguendo,
enquanto você comprime os seios juntos:
assim é Vyomapada (Pé no Céu).
(Panchasayaka)

A mulher de coxas roliças, na cama,
os tornozelos agarra, os pés bem alto ergue,
você crava até a raiz, beijando,
batendo com as palmas entre os seios:
assim se faz Markata (o Macaco).
(Srnararasaprabandhadipika)

De costas ela deita,
você senta entre os joelhos e suspende,
os pés dela engancha em suas coxas,
os seios pegue, faça o amor:
é Manmathpriya (Caro a Cupido).
(Smaradipika)

Entre as coxas da esposa sente,
as mãos na cama ponha, junto à cintura dela,
gire os quadris, ao fazer amor:
é Smarachakra (a Roda do Amor),
tão do grado de mulher mais ardentes.
(Ananga Ranga).

No leito do amor se estende,
braços, pernas estendidos, qual estrela-do-mar,
você se abate sobre ela, achatando
os seios, juntos os comprimindo:
é Ratimarga (Estrada do Amor).
(Srngararasaprabandhadipika)

Grupo Samputa- Kama Sutra
Se tem o pénis para uma mulher pequeno,
então use as posturas do grupo Samputa:
Samputa (a Caixa de Jóia),
Pidita (o Aperto), Veshtita (Entrelaçado)
e Vadavaka (o Truque da Égua).

Em Samputa suas pernas se estendem
junto às delas, em carícia de alto a baixo.
Sua amada põe por baixo,
ou os dois de lado estendidos,
mas neste caso que ela fique à sua esquerda.

Em Pidita as coxas dos amantes
se entrelaçam e se apertam, ritmadas.
Em Veshtita as coxas ela cruza
ou cada rola para dentro,
assim forçando o aperto da yoni.

Quando a amada como a égua
que , cruel, agarra o garanhão,
pretende e suga o seu pénis com vagina,
é Vadavaka (o Truque da Égua),
que só a longa prática aperfeiçoa.

Grupo Samputa – Textos Medievais
Quando amantes, as pernas estendidas,
rígidos, pés acarinhando,
fazem amor pelo desejo em seus corações,
sábios em Tantra chamam Samapada (Pés Iguais),
todos concordam se caminho para o êxtase.
(Ratikallolini)

Como estaca rígida, no meio da cama,
ela se estende no ato do amor,
arrulhando e gorjeando como a pomba,
a jóia do clitóris bem polida:
isto é Mausala (o Pilão).
(Srngararasaprabandhadipika).

Quando de costas ela deita,
as coxas juntas, comprimidas,
você lhe faz amor,
suas coxas além das coxas dela,
é Gramya (o Rústico).
(Ratirahasya)

Se envolvendo, aprisionando,
as coxas dela com as suas,
tão forte aperta que ela grita em dor,
é Ratipasha (o Nó do Amor),
que às mulheres sempre agrada.
(Smaradipika)

Os membros dela, nos seus entrelaçados,
como tentáculos de jasmim fragrante,
se contraem e relaxam lentamente,
no ritmo suave de linga e yoni:
é Lataveshta (Trepadeira Ardente).
(Ratimanjari/Ananga Ranga)

As pernas ela junta,
os joelhos contra os seios comprimindo,
a yoni, como o botão que desabrocha,
em oferenda ao prazer:
quem conhece chama de Mukula (o Botão).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se ela ergue os joelhos
e os seus se prendem nas coxas levantadas,
um nó bem firme se formando,
enquanto a monta pela bunda sedutora,
ardente a beija, é Shankha (a Concha).
(Srngararasaprabandhadipika)

Grupo Bhugnaka – Kama Sutra
Suvarnanabha tem sequência de posturas
que derivam de Bhugnaka (Ascendente),
a mulher de costas se deitando,
as pernas alto levantando
e juntas, comprimidas.

Se ela cruza as pernas levantadas,
a postura vira Piditaka (o Aperto).
Se, alternativamente, os pés ela põe
sobre os seus ombros,
vira Jrimbhitaka (o Bocejo).

Se os pés em seu peito se apoiam e você comprime contra os seios
os joelhos dela, é Utpiditaka (Aperto Alto).
Se agora ela estende uma das pernas,
é Ardhapiditaka (Meio Aperto).

Se ela solta um pé, em Jrimbhitaka,
lentamente a perna estende até o fim,
torna a puxar, a outra perna estende
pela cama, até onde pode ir,
é Venudaritaka (Bambu Rachado).

Se o calcanhar ela põe em sua cabeça,
a outra perna estendida para fora,
alternando como acima,
é Shulachita (Assado no Espeto):
você o assado, ela o espeto.

Grupo Bhugnaka – Textos Medievais
Quando ela ergue os pés bem alto,
você ajoelha entre as coxas separadas
e faz amor, vigorosamente,
acariciando e comprimindo os seios,
é Ardhasamputa (Meia Caixa de Jóia).
(Ratimanjari)

Quando sua amada ergue as coxas cruzadas
e os calcanhares põe
num dos seus ombros, a bunda
ardentemente golpeada por seu pénis,
bem depressa, é Nagara (O Caminho da Cidade).
(Panchasyaka).

Quando, de costas estendida,
a bela amada os pés levanta aos seus ombros
e os mantém cruzados
ao ritmo de suas invertidas,
é Vanshadaraka (as Varas de Bambu).
(Smaradipika)

De costas ela deita,
as coxas se enganchando em sua cintura,
e você senta para entrar:
é Nagara (o Caminho da Cidade),
tão do agrado entre as chitrini.
(Ananga Ranga).

Se os pés você coloca
da amada no seu colo
e faz amor enquanto
a enlaça no pescoço,
é Ratilila (Jogo da Deusa).
(Ratikallolini).

Os pés dela junte,
contra o seu coração comprima,
a outra mão vagueando
por vales e picos do país dos seios:
assim é Priyatoshana (Delícia da Amada).
(Smaradipika).

Se agora ela balança, para a frente, para trás,
os pés contra o seu peito empurrando,
suas mãos entre as dela segurando,
enquanto a yoni se golpeia ardentemente,
então é Prenkha (o Balanço).
(Ratirahasya/Ratimanjari).

Se deitada de costas ela ergue
um pé para o seu ombro
e o outro você aninha em sua palma,
a mão livre lhe afagando os seios,
é Ekapada (Um Pé).
(Smaradipika).

A perna esquerda recta estendida,
ela ergue a direita e puxa para trás,
até que os dedos no colchão encostem, além
de sua cabeça. Faça amor, sem que o seu peso
a force: é Traivikrama (Passo Largo)
(Ananga Ranga)

Lado a lado estendidos, na cama,
um pé dela ao seu coração levante,
deixando a outra perna recta:
assim é Vinasana (o Alaúde),
postura que a mulher experimente adora.
(Ananga Ranga)

De lado deitados,
os corpos em carícia,
dos pés aos lábios,
levante um pé ao coração da amada,
assim penetre a sua yoni:
é Ratibana (Flecha do Amor)
(Ratikallolini).

Grupo Karkata – Yoga – Kama Sutra
Como um caranguejo, cruzando as pernas,
sobre a barriga, a sua amada
os pés levanta ao seu umbigo,
as solas se encontrando,
a postura é Karkata (o Caranguejo).

Grupo Karkata – Yoga- Textos Medievais
De costas ela deita,
membros estendidos, como o caranguejo,
braços e pernas se contraem, a puxá-lo,
com força apertando,
é Karkata (o Caranguejo).

Os pulsos dela agarre, estenda os membros,
sua língua acarinhando
os mamilos, a região entre as coxas,
abrace-a, os seios esmagando
contra seu peito: é Ghattita (Acariciando).
(Srngarasaprabandhadipika)

De costas ela deita,
você a abraça,
os braços passa sob os seus joelhos
para assediá-la, destemido:
é Nagapasha (o Nó de Cobra).
(Smaradipika)

Quando a amada os braços passa
sob as coxas levantadas
e os dedos se enlaçam por trás do seu pescoço,
seu rosto descendo para o beijo,
é Phanabhritpasha (o Nó do Encapuçado).
(Ratiratnapradipika)

Lábios sobre os lábios,
braços sobre os braços,
coxas sobre as coxas,
seu peito esmagando os seios dela:
é Kanakakshaya (Destruidor de Riqueza).
(Smaradipika).

Os dois com pernas e braços estendidos,
numa completa Kaurmasana,
ela por baixo, você por cima,
lábios, braços, coxas juntos, mãos unidas:
é Kaurma (a Tartaruga).
(Ratiratnapradipika)

De costas ela deita, os pés no alto
das coxas opostas;
pelo corpo dela passe as mãos, penetre
de repente, o prazer dê em golpes firmes:
é Padmasana (a Posição do Lótus).
(Ratimanjari).

Quando amantes de costas se deitam,
os membros adoráveis
em flor jungidos (pés cruzados em lótus),
no centro da cama,
se dá o nome de Vriksha (a Árvore).
(Srngararasaprabandhadipika).

De costas deitada, as pernas ela ergue,
os dedões agarra,
com força apertando,
você senta entre as coxas levantadas,
pelo pescoço a enlaça e faz amor.
É a famosa Sanyama
(a Controlada),

tão recomendada no Kama Sutra
de Mallanaga Vatsyayana
e por outros bem versados na arte do amor.
(Ratiratnapradipika)

De costas deitadas, a sua amada
os joelhos leva aos lados do rosto,
calcanhares na cama bem abertos,
expondo o cume triplo e orgulhoso da yoni:
é Shulanka (Trindente de Shiva).
(Ratiratnapradipika).

Posições Sentadas

Grupo Padmasana – Kama Sutra
Quando o pé esquerdo no alto se coloca
por cima da coxa direita,
o pé direito sobre a coxa esquerda sobe,
a postura do amor
é Padmasana (a Posição do Lótus) .

Grupo Padmasana -Textos Medievais
Se sua esposa põe o pé esquerdo
sobre a coxa direita
e vice-versa, as pernas cruzadas ergue
na direcção da barriga,
é Padmasana (Posição do Lótus).

Mas se apenas um dos pés
assim está cruzado,
na coxa oposta bem alta se prendendo,
enquanto a outra perna se estende,
é Ardhapadmasana (Meio Lótus).
(Ananga Ranga).

Quando você erecto senta, na pose do lótus,
as mãos aos pés pegando,
e sua amada os pés coloca em suas coxas,
os seios seu peito perfurando,
e faz amor assim, é Matsya (o Peixe).

Se firme e apertado neste abraço,
ela põe os pés na cama
e lentamente gira a lhe voltar o rosto,
sem romper a união,
é Jvalamukhi (o Rosto em Chama).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentada erecta, na cama,
se ela cruza os pés em prece no umbigo
e faz amor, apoiada
em suas coxas fortes lhe amparando a cintura,
é Kauliraka (Tantra-yoga Kauli).

Se durante Kauliraka
os pés você firma contra a cama,
a jovem amada balançando, gentilmente,
para a frente, para trás, é Prenkhi (o Balanço),
caminho pelo para a perfeita paz.
(Ratiratnapradipika).

Grupo Kaurma – Kama Sutra
Se vocês estão sentados em firme abraço
e ela se vira,
sem romper o ritmo do amor,
para abraça-lo por trás,
é o virtuoso Paravrittaka (Raviravolta).

Paravrittaka também é possível
em algumas posições de penetrar por trás,
mas tão difícil é
de dominar, tanta prática exige,
quanto a versão sentada.

Grupo Kaurma – Textos Medievais
Sentados, boca em boca,
braços coxas em coxas,
assim é o Kaurma (a Tartaruga).
Se as coxas dos amantes, juntas, se levantam,
é Paravartita (Virando).
( Ananga Ranga)

Se dentro da caverna das coxas dela
você senta, os quadris girando, qual abelha ,
é Markata (o Macaco).
Se, nesta pose, você se vira,
é Marditaka (Especiarias Moídas).
(Ratiratnapradika)

Ela senta com as coxas levantadas,
os pés se encaixam nos lados de sua cintura,
linga penetra yoni,
golpes fortes no corpo você lhe inflige:
é Kshudgara (Golpeando).
(Ratimanjari)

Quando sua esposa senta,
com os joelhos ao corpo comprimidos
e você esta postura espelha,
quem é versado na arte do amor chama
Yugmapada (o Jugo dos Pés).
(Ananga Ranga)

Sentada erecta, a bela dama
uma perna dobra contra o corpo,
a outra estende pela cama,
o mesmo você fazendo:
é Yugmapada (o Julgo dos Pés).
(Ratirahasya)

Com a perna esquerda estendida,
se ela lhe enlaça a cintura com a direita,
o tornozelo pondo sobre a coxa esquerda,
e tal postura também você assume,
é Svastika (a Suástica).
(Srngararasaprabandhadipika)

Na cama sentados, frente a frente,
os seios dela no seu peito comprimindo,
os calcanhares se engancham
por trás da cintura do outro,
e para trás se inclinam, pulsos segurando.

O balanço ponha em movimento,
a sua amada, em medo simulado,
a seu corpo aderindo com pernas impecáveis,
de amor arrulha, geme de prazer:
assim é Dolita (o Balanço).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentados frente a frente,
os dedos de seus pés os mamilos dela acariciam,
os pés dela em seu peito comprimidos
e fazem amor, as mãos se dando,
é Kaurma (a Tartaruga).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentada, a mulher ergue
um pé sobre a cabeça, na vertical aponta
e com as mãos o firma,
a yoni ao amor oferecendo:
é Mayura (o Pavão).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentado erecto, a cintura pegue da amada
e a puxe contra você,
as virilhas golpeando sem parar,
com o som do bater de orelhas de elefante:
assim é Kirtibandha (Nó de Fama)
(Panchasayaka)

Entre as coxas dela ajoelhado,
os seios coce, sob os braços,
de “meu querido amor” a chame,
marcas de unha lhe faça nos mamilos:
assim Jaya (Vitória) se consuma.
(Srngararasaprabandhadipika)

Grupo Bandha – Textos Medievais
Quando você senta com seus braços
e pescoço da amada enlaçando
e ela as palmas pressiona
contra o seu coração, batendo forte,
é Nagara (o Caminho da Cidade).
(Smaradipika)

Aos pescoços um do outro segurando,
sorvendo ternos beijos
do lábio inferior, como botão,
as coxas firmemente enredadas,
fazendo amor: é Pallava (a Folha Nova).
(Srngararasaprabandhadipika)

Quando sentado os braços você passa
sob as coxas levantadas da amada,
os dedos se cruzando por trás de seu pescoço
e assim lhe fazer amor,
é Sanyama (a Controlada).
(Ananga Ranga)

As mãos cruzando
sob os próprios joelhos,
os ombros um do outro segurando,
o duplo engate
se chama Bandhura (o Nó Curvo).

(Ratikallolini)

À sua frente sentada,
a amada passa os braços sob as próprias coxas
e dedos entrelaça por trás de seu pescoço,
o mesmo exactamente você faz,
é Bandhurita (o Nó Curvo)
(Ananga Ranga)

Se a amada seu pescoço enlaça
e seus braços entre os dela igual enlaçam,
assim fazem amor, bem juntos,
diz Kalyana Malla, Príncipe dos poetas,
é Phanipasha (Nó da Cobra).
(Ananga Ranga)

Posições de Pé

Do Kama Sutra

Vamos agora às posturas de amor
com que os escultores adoram nossos templos
Quando um casal faz amor de pé
ou se firmando em parede, numa coluna,
se dá o nome Sthita (Firmada)

Quando a mulher senta nas mãos do amado
aninhada, os braços ao pescoço enlaçam,
as coxas a cintura apertam,
os pés contra a parede em balanço,
é Avalambitaka (Suspensa).

Do Textos Medievais
Quando a amada pega e esmaga
na jaula dos seus braços,
os joelhos com os seus força a abrirem
e nela afunda lentamente,
é Dadhyayataka (Coalho Remexido).
(Panachasayaka).

Quando na parede ela se encosta,
os pés abertos, até onde possível,
e você entra na caverna
entre as coxas, ansioso pelo amor,
é Sammukha (Frente a frente).
(Ratiratnapradipika)

Se você numa parede encosta
e a amada as coxas trança pelas suas,
os pés em seus joelhos prende,
e seu pescoço agarra, fazendo amor
ardentemente, é Dola (o Balanço).
(Smaradipika)

Quando sua amada uma perna ergue,
o calcanhar deixando
aninhar-se logo atrás de seu joelho,
e você lhe faz amor, em braço vigoroso,
é Traivikrama (a Longa Passada).
(Ratiratnapradipika)

Se um joelho da amada você pega,
em sua mão, bem firme,
e de pé lhe faz amor,
as mãos por seu corpo acarinhando,
é Tripadam (o Tripé).
(Panchasayaka)

Se uma perna ela ergue
e o mimoso pé você pega,
os seios acarinhando,
dizendo o quanto a ama,
é Ekapada (Um Pé).
(Srngararasaprabandhadipika)

O seu coração o pé da amada pressiona,
seus braços a envolvem e sustentam,
as costas na parede se apoiam
e você desfruta a linda jovem:
assim é Veshta (o Envolvimento).
(Smaradipika)

Na parede ela se encosta,
as mãos em lótus nos quadris,
dedos longos ao umbigo se estendendo,
um pé você lhe pega em sua palma,
a outra mão seu anjo acarinhando.
Ao pescoço da amada passe o braço
e a desfrute, com ela à vontade.

Vatsyayana e muitos outros
que a arte do amor bem conheceram
à postura um nome davam: Tala (a Palma).
(Ratiratnapradipika)

Numa parede encostada,
a amada ao seu pescoço agarra
e os pés levanta,
em suas palmas, para o amor:
é Dvitala (Duas Palmas).
(Ratirahasya)

Se a amada você ergue,
seus cotovelos sob os joelhos dela,
a bunda lhe agarrando,
enquanto ela se pendura em seu pescoço,
é Janukurpara (O Joelho-Cotovelo).
(Ratiratnapradipika)

Sua esposa o pescoço lhe segura,
as pernas trança, na cintura sua:
assim é Kirti (Fama), uma postura
que não se encosta no Kama Sutra.
Jamais a tente se a amada muito pesa.
(Ananga Ranga).

Posições de Penetração por Trás
Do Kama Sutra
Se de quatro ela fica,
as palmas no tapete estendidas,
e você a monta como um touro,
acarinhando as costas, em vez dos seios,
é Dhenuka (a Vaca Leiteira).

Aos animais imitar divertido pode ser,
como cães, veados, bodes,
movimentos copiando, a seus gritos:
atacar abruptamente, como o asno,
as costas arquear, como gatos sensuais.

Como o tigre ataque; nas costas dela
lentamente suba, qual solene elefante;
pode grunhir, qual javali;
com orgulho a cubra, um garanhão:
são jogos que novas coisas ensinam.

Dos Textos Medievais

Para a frente ela se inclina e pega
a armação da cama, a bunda levantada;
suas mãos como serpentes se insinuam
e os seios junto apertam:
é Dhenuka (a Vaca Leiteira).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se você a monta como um cão,
sua cintura agarrando,
ela se vira para seu rosto olhar,
quem conhece as artes do amor
chama Svanaka (o Cão).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se a amada, pelo amor ansiosa,
de quatro fica, lombo erguido, como a corça,
e por trás você a desfruta,
como se a natureza humana perdesse,
é Harina (o Cervo).
(Panchasayaka)

Os pés em lótus,
no chão bem aparados, ela se inclina,
cada mão sobre uma coxa,
por trás você a toma:
é Gardabha (o Asno).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se de barriga ela deita
e com as mãos você lhe agarra os tornozelos,
bem alto levantando e o amor fazendo,
o queixo para trás puxando com a outra mão,
é Marjara (o Gato).
(Srngararasaprabandhadipika)

De frente ela se deita,
com as mãos seus tornozelos pega,
para trás bem alto levantando:
a esta difícil postura quem conhece dá o nome
de Mallaka (o Lutador).
(Panchasayaka)

Quando sua amante deita,
seios, braços, testa no tapete,
a bunda bem alto elevando,
e você guia o pénis à yoni,
é Aibha (a Elefanta).
(Ratirahasya)

Bem alto você ergue os tornozelos dela,
ela se estica,
as pernas estendendo,
como pelo ar a rastejar:
é Hastika (o Elefante).
(Srngararasaprabandhadipika)

De quatro ela fica,
por trás você se põe,
um dos pés ao ombro leva,
a linda jovem desfruta:
é Traivikrama (a Passada).
(Panchasayaka)

Os pés dela alto erga
(como um carrinho de mão),
o pénis na yoni enfie
e a sacie com golpes vigorosos
é Kulisha (o Raio).
(Smaradipika)

De joelhos, como arqueiro,
em seu colo a pegue
e dobre para frente, até que os seios
nas coxas dela se comprimam:
é Ekabandha (Um Nó).
(Smaradipika)

De lado deitada, contra você virada,
a linda jovem, olhos de corça,
a bunda lhe oferece
e seu pénis entra na casa do amor:
é Nagabandha (o Elefante).
(Panchasyaka)

Amor Exótico – Kama Sutra
Suvarnanabha diz ser uma delícia
fazer amor em águas fundas:
os nós mais complexos, contorções,
posturas da yoga e do templo,
com prazer e fáceis se dominam.

Mas o conselho é sem valor,
diz Vatsyayana: contradiz ensinamentos
dos santos sábios, dos smritis,
por Gotama é proibido: “O casal
que na água copula será amaldiçoado.”

Quando você na cama faz um trio
com duas esposas que gostam,
é Sanghataka (o Par).
Se a muitas deleita a um só tempo,
é Goyuthika (a Manada).

Qual manada de elefantes
no calor do verão se refrescando,
uma incursão você faz com as esposas
a algum remanso de um rio, à sombra:
é Varikriditaka (o Jogo da Água).

O papel você assume
de carneiro, garanhão,
entre o rebanho das concubinas.
A mulher que aprecia dois ou mais
amantes desfrutar desse jogo vai gostar.

Nas montanhas em que vivem os Nagas,
em Balkh, Strirajya,
frustadas damas de casas reais
rapazes sempre atraem
e seus haréns, onde os escondem.

Uma rainha no colo de um homem senta,
enquanto outro a penetra
e mais um seu corpo cobre de beijos,
unhadas e mordidas de amor,
os três se revezando, até que ela se canse.

Em terras civilizadas, há que ressaltar,
essas sessões de orgia são prerrogativas
de cortesãs e prostitutas
só bem raro alguém ouve falar
de princesas se entregando aos sirdars.

Os povos das terras do sul
se afeiçoam à sodomia
e praticam livremente com homens e mulheres.
Sexo oral e inversão dos papéis
também aqui serão tratados.

Inversão de Papéis

Primeiro, os meios de excitar e saciar
uma difícil amante.
Comece por atraí-la para a cama
e a enleve com palavras doces,
antes de abrir furtivamente o nó da saia.

Se ela tentar impedi-lo, beije-a,
suplicante, até que o desejo prevaleça.
Quando seu pénis rígido subir,
faça-a senti-lo, gentilmente,
comprimindo e acarinhando as coxas.

Se for a primeira vez em que se deitam,
ela certamente há de protestar
quando a mão entre as coxas você estender
e prontamente as fechará:
acaricie até as coxas tornem a se abrir.

Embale agora as suspeitas
fingindo as mãos pelos seios atraídas,
a garganta, braços, os quadris.
Isto é muito importante com as virgens
que sempre exigem carícias infindáveis.

Se é mulher de experiência,
do recurso terá conhecimento,
pelos cabelos a pegue,
vire a boca para beijos,
nas faces plante mordidas de amor.

Se a amada é virgem,
fechados os olhos e tímida estará,
seu trabalho às cegas deve ser,
pois nos belos olhos das mulheres
quem sabe ler encontra segredos de amor.

Quando a carícia é vibrante,
os olhos dela para cima se reviram
em êxtase, ao que diz Suvarnanabha.
Deixe que os olhos dela a carícia escolham
e sua amada logo ardente há de ficar.

Quando para o amor ela estiver pronta,
as pernas pesadas há de sentir,
os movimentos lentos, langorosos,
os olhos ela fecha e comprime
o templo do amor contra você.

Você sente que o orgasmo dela é iminente
quando os braços começam a tremer,
o corpo de suor se torna lúbrico,
ela morde, arranha,
agita as pernas, incontrolável.

Se ao orgasmo você chega
enquanto ela à beira ronda,
o agarra, não o solta,
a amada em paixão desesperada
continua a arremeter, com frenesi.

Para que tal não aconteça
você deve prepará-la,
antes do amor, formando os dedos
em romba de elefante e acarinhando
a yoni dela, até molhada estar.

Durante o amor, dez golpes você pode
com o pénis desferir,
mas apenas Upasripta (Natural),
instintivo até para quem não conhece,
ao clitóris estimula plenamente.

É um golpe para cima bem suave
que se pode variar na profundidade,
rapidez, em ritmo subtil,
tão espontâneo,
que os outros nove jamais hão de alcançar.

Se o pénis você pega e move
em círculo na yoni,
é Manthana (Batedeira).
Se o pénis comprime, implacável, a yoni,
Quando golpeia bem fundo na yoni,
é Hula (a Faca de Duplo Gume).

Os quadris dela numa almofada erguidos,
se você desfere um golpe vigoroso
para cima, é Avamardana (Pontada).
Se o pénis comprime, implacável,
a yoni, é Piditaka (Pressão).
Se for completo você sai
e depois ataca, violento,
é Nirghata (o Tapa).

Pressão contínua num lado da yoni
é Varahaghata (Golpe do Javali).
Se por todos os lados você arremete,
como um touro os chifres enfiando,
é Vrishaghata (o Golpe do Touro).

Um tremor na yoni é Chatakavilasa
(Canto do Pardal), que o orgasmo anuncia.
À convulsão involuntária do orgasmo
se dá nome de Samputa (Caixa de Jóia).
Mas não há duas mulheres que o amor
igual façam e assim varie seus ritmos
pelos ânimos e cores da raga da amada.

Se o amor longo o esgota
antes que a amada o orgasmo alcance,
você deve permitir
que ela de costas o vire e monte,
a iniciativa tomando.

Se a postura a ela dá prazer
ou se você desfruta a novidade,
ela pode tornar a mudança em rotina,
embora cuidado extremo sempre tome
para a linga não sair do templo do amor.

Uma amante hábil os papéis
troca sem romper os ritmos do amor.
Se o amor você já fez,
ela pode bem fácil despertá-lo,
assumindo o papel de homem desde o início.

Pense um pouco: em você ela monta,
caindo flores dos cabelos desgrenhados,
os risinhos em ofegos se tornando,
a cada vez que se dobra para o beijo,
os mamilos seu peito perfuram.

Os quadris dela se remexem agora,
a cabeça, para trás jogada, mais depressa
se balança, ela arranha, com os punhos
o agride, os dentes lhe crava no pescoço,
em você fazendo o que tantas vezes fez a ela.

Ela grita, conquistadora inebriada:
“Você me doma, agora é humilhado!”
Mas o orgasmo a domina abruptamente,
os lindos olhos fechando,
ela a você se anima, outra vez mulher.

Quando o papel do homem assume,
sua amada escolher pode
três famosas técnicas de amor:
Samdmsha (a Pinça),
Bhramara (a Abelha), Prenkholita (o Balanço).

Se o Truque da Égua ela usa,
seu pénis com a yoni apertando,
comprimindo e afagando,
a mantê-lo por tempo infindável,
é Samdamsha (a Pinça).

Se ela ergue os pés
e os quadris gira, seu pénis
bem fundo na yoni circulando,
e você arqueia o corpo em sua ajuda,
é Bhramara (a Abelha).

Se agora os quadris ela balança
em largos círculos, fazendo oitos,
no seu corpo balançando,
como se andasse de gangorra,
é Prenkholita (o Balanço).

Quando a paixão se esvai,
ela deve repousar, à frente se inclinar,
a testa sobre a sua,
sem romper a união dos corpos:
o desejo logo há de renascer.

Dos Textos Medievais

O seu pénis segurando, a amada,
olhos revirados qual pétalas de lótus,
o guia para yoni,
a você se agarra, a bunda mexe:
é Charunariksshita (Bela Dama no Comando).
(Ratikallolini)

Em seu pénis entronizada,
as mãos na cama a amada põe
e faz amor, enquanto você
as mãos comprime no coração dela:
é Lilasana. (Assento do Amor).
(Smaradipika)

Sobre você ela senta, empertigada,
cabeça para trás, qual égua empinada,
os pés unindo,
na cama, ao lado de seu corpo:
é Hansabandha (o Cisne).
(Srngararasaprandhadipika)

A amada põe um pé
em seu coração, outro na cama.
Mulher ousada adora esta postura,
que no mundo se conhece
por Upavitika (Cordão Sagrado)
(Panchasayaka)

Se com um pé
preso em sua mão
e o outro em seu ombro,
a jovem dama o desfruta,
é Viparitaka (Invertida).

Se a amada, em você sentada,
os pés cruzados em lótus,
o corpo erecto, imóvel,
lhe faz amor,
é Yugmapada (Jugo dos Pés).
(Ratiratnapradipika)

Por cima de você sentada,
os pés cruzados, na pose do lótus,
ela cruza os braços por baixo
e as palmas no chão encosta:
é Kukkuta (o Frango).
(Srngararasapradhadipika).

A cavaleiro em você,
ela se vira e um pé em sua coxa põe,
o outro pé levantando
para um seu peito pôr:
é Viparitaka (Invertida).
(Ratimanjari)

Se em você ela senta,
de frente para os seus pés,
os pés dela às suas coxas conduzindo,
os quadris meneando em frenesi,
é Hansa-lila (o jogo do Cisne).
(Smaradipika).

Se a sua amada um pé coloca
em seu tornozelo, o outro aloja
logo acima de seu joelho,
e assim montada, os quadris mexe,
é Garuda (Garuda)
(Srngararasaprabandhadipika).

Se de costas você deita
com as pernas estendidas
e a amada o monta, ao outro lado
virada, os pés lhe segurando,
é Vrisha (o Touro).
(Srngararasaprabandhadipika).

Com os membros se enlaçando,
a beijar e a brincar,
em mil e um jogos de amor,
a amada seu papel usurpa:
é Valli (a Trepadeira).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sobre você deitada, a amada
gira, como uma roda,
as mãos pela cama comprimindo,
seu corpo beijando, enquanto vira:
é Chakrabandha (a Roda).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se, por meio de algum mecanismo,
a amada sobre você suspeita fica,
seu linga encaixa em sua yoni
e sobe e desce sem parar,
é Utkalita (Orissana).
(Ananga Ranga)

O Comentário Final

Mesmo a tímida, recatada,
que seus sentimentos oculta,
ao desejo simulando indiferença,
não pode evitar demonstrar sua paixão
quando sentada sobre um homem no amor.

Mas jamais assim brinque
com uma mulher menstruando
ou que acabou de ter um filho,
muito menos com mulher-corça,
grávida ou por demais pesada.

 

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/kama-sutra-texto-completo/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/kama-sutra-texto-completo/