Aromagick: Aplicação Mágica da Aromatica

Pouco foi escrito sobre a prática ritual da aromatica. Os poucos itens que apareceram impressos sobre o tema são dogmáticos e terrivelmente imprecisos. As poucas pessoas envolvidas com  magick e habilitadas em aromática apenas plagiaram fontes duvidosas anteriores ao invez de pesquisar e testar o que ensinam. O sentido do olfato é grosseiramente subestimado por qualquer um que não tenha se dedicado a deliberadamente considerar seus efeitos. Para estas pessoas a habilidade de sentir cheiros é meramente um acessório para o que são consideradas os mais importantes portas da percepção – os outros quatro sentidos. Nenhum magista deve se permitir cair nesta armadilha. O sentido do olfato pode ser uma fonte sutil de condicionamento, intencional ou acidental e o uso magico ritual de incensos e óleos não pode ser ignorado, o sentido do olfato pode ser mais evocativo do que qualquer outro, por exemplo:

Ferormônios conseguem acionar funções hormonais pelo sistema olfativo sem nem ao menos notarmos a existência do seu odor… Cheio de hospital espalhado em um recinto em pouquíssimas quantidades de modo a sequer ser notado pode mensuravelmente aumentar o nível de ansiedade dos indivíduos ali presentes… alguns anos atrás um profissional do meu distrito trabalhando com almiscares sintéticos descobriu uma substância capaz de aprimorar o sentido do olfato em cem vezes. O governo do meu pais (EUA) confiscou seu trabalho, fechou seu laboratório e censurou-o para não repetir a experiência. Este episódio sinistro claramente demonstra a seriedade que o olfato tem para o ‘establishment’, provavelmente com propósitos de controle das massas. Em um nível mais cotidiano, anos de trabalho com óleos essenciais demonstrou para mim que certas vibrações do espectro dos perfumes têm repetidamente, quase universalmente sido reconhecidos pelos mesmos efeitos. Por exemplo, sândalo, não importa quem o cheire experimenta um efeito sedativo. Capim-Limão sempre acorda as pessoas. Aromas possuem ainda o poder de sugestionar  e em sistemas mágicos pragmáticos é a combinação destes dois princípios – natureza e associação é sempre usada em magia individual ou coletiva.

A construção de um “Olfabeto”… um sistema artificial de atribuições olfativas é algo que só pode ser feito a nível individual – nunca é a função do grupo. Esse sistema deveria ser constituído a partir de tantos cheiros evocativos de experiências passadas quanto for possível ao indivíduo recriar.

Por exemplo, quando criança o magista brigou com outro menino em seu caminho para a escola. A luta ocorreu em um lugar repleto de alho selvagem, e desde então sempre que ele sente o cheiro de alho a emoção da ocasião retorna a sua mente. Ele interpreta esta emoção como um aspecto da energia de Marte e consequentemente usa alho nos incensos do tipo marcial. O mesmo magista busca em si o mesmo para todas as suas emoções. Cocô de cavalo é usado para Vênus, porque lembra-lhe do estábulo onde ele perdeu a virgindade. Incenso de olíbano é usado apenas quando não deseja produzir emoções violentas porque ele sempre o considerou calmante.

Magos tradicionais ou cabalistas desaprovam este tipo de sistema, não percebendo que eles gastam uma grande quantidade de tempo para convencer suas mentes da validade destes sistemas arbitrários ao invés de criar sistemas que se adequem a eles próprios.

Na confecção de incensos para trabalhos em grupo há alguns elementos de consenso que devem ser lembrados.
É claro que aromas como o do sândalo são apreciados por quase todas as pessoas como prazeroso ao passo que Assa-fétida e Cauchu são sem exceção considerados detestáveis. Um incenso de Hathor é um bom exemplo; ele deve ser doce e pesado e criar o ambiente necessário para o ritual sem usar substâncias que eram desconhecidas pelos antigos egípcios. O Chamado incenso de outono é outro exemplo e deve ser composto de elementos coletados do lugar onde o trabalho será feito, originalmente sendo composto de resina de pinha, folhas, flores e frutos do campo e cabeças de camomila. Ele produz um perfume abundante e doce e sem duvida carrega a mensagem da colheita bem feita.

Alguém sem nenhuma experiência com incensos faria muito bem a si mesmo se comprasse alguns incensos prontos nas lojas.

Adquira alguns de vários lugares diferentes, compare-os e identifique seus ingredientes. Se o vendedor não está preparado para lhe dizer os ingredientes do incenso não compre mais nada deste lugar. Certamente não se trata se segredo, mas sim ignorância ou no pior dos casos quer dizer que a pessoa está cobrando muito mais do que o incenso realmente vale. Enquanto isso comece a coletar matérias primas que você ache útil. Isso inclui as gomas, resinas, mas você também achara úteis algumas ervas aromáticas, madeiras e raízes.

Sequer pense em começar a fazer seus próprios incensos se você não tem em estoque e não sabe diferenciar estes elementos básicos:

Olibano
Dammar
Mirra
Louro
Musgo do Carvalho
Raiz Galanga
Benjoim
Colofônia
Sândalo
Goma copal
Lavanda
Pinha

Queime cada um destes separadamente para se familiarizar com a natureza de cada um.

Alguns líquidos são importantes para se adaptar a fragrância de sólidos misturados. Estes vêm na forma de resinas ou óleos essenciais e devem ser comprados de comerciantes respeitáveis já que podem ser facilmente adulterados. Eu ficaria relutante em começar com menos do que os seguintes itens:

Benjoim
Cássia
Ylang Ylang
Cedro
Copiaba
Gerânio
Rosa
Jasmi

Incensos podem ser secos ou pegajosos de acordo com o gosto pessoal. Para um produto seco, não adicione mais de 1ml de óleo para cada 25mg da essência do incenso. Para resina basta adicionar um pouco mais de óleo essencial e ter certeza que a gomas e resinas foram, pelo menos em parte, finamente moídas. Os líquidos adicionado irão ligar o pó gomas e resinas, juntamente com os materiais de ervas e flores. Se a fragrância está certa, mas o produto não esta suficientemente resinosa, adicione amêndoa doce ou azeite para obter a textura desejada. Estes são inodoras e muito menos caro do que os óleos essenciais.

Uma mistura de incenso precisa de tempo para amadurecer. Fórmulas não devem ser descartadas antes de pelo menos, dois meses, pois é somente quando a mistura está madura que o Turiferário (pessoa encarregada de fazer incenso) pode decidir se ele é apropriado para o seu fim ou se é necessária uma nova adaptação. A fórmula final deve ser mantida seguro. Não há turiferário no mundo que não tenha alguma vez criado o melhor incenso do mundo para logo deopis extraviar a fórmula e, em seguida, esquecer de como ela era originalmente.

Para o trabalho coletivo de um templo é necessário um especialista turiferário. Muito pouca fumaça ou incenso não serão fortes o suficiente para causar qualquer efeito – fumaça e incenso demais tornará o ritual impossível de ser completado por alguns dos celebrantes que tentarão sair do templo o mais rápido que puderem. Infelizmente é impossível passar orientações sobre isso,  pois é uma questão de experiência. Como alternativa para as essências de incenso, óleos podem ser evaporados em um prato de metal sobre uma fonte de calor suave, como uma vela, mas é necessário um cuidado ainda maior ao medi-los pois são bem mais caros.

Óleos de Unção são bem mais simples. Para fazer, simplesmente misturamos óleos essenciais e os diluímos em um óleo fixo, como a amêndoa ou azeite doce. Algumas das velhas fórmulas tinctures2 estipulam que devem ser usados, mas estes são inferiores aos óleos essenciais e sua preparação é extremamente demorado.  Algumas das fórmulas tradicionais estipulam que algum tipo de tintura deva ser usados, mas isto torna o trabalho inferiores aos óleos essenciais e torna sua preparação extremamente demorada.

Vinhos aromáticos possuem uma vantagem sobre um simples bordeaux ou claret pois possuem sabores distintos que não são encontrados facilmente fora do ritual. Há duas formas com a qual eles podem ser preparados. A mais fácil é macerar as ervas no vinho a ser usado de sua própria adega. Este não é um método totalmente satisfatório já que os únicos elementos sobre os quais você tem controle são as propriedades e, em certa medida, o sabor. O segundo método envolve a fermentação de leveduras e açúcar com ervas adicionadas no início, e é muito superior. O controle pode ser exercido sobre suas propriedades, teor de álcool, corpo e sabor. A única desvantagem desse método é que o processo precisa ser iniciado no mínimo três meses antes do vinho ser consumido.

Algumas fórmulas de exemplo:

VINHOS:

O álcool nos vinhos é um produto da ação de leveduras (Saccharomyces elipsoidius) de algum tipo de açúcar. Quanto mais açúcar você adicionar mais álcool o vinho terá (dentro da tolerância da levedura utilizada). Fermentos de uso geral genéricos podem ser encontrados em qualquer loja de bebida, este possui uma tolerância relativamente elevada ao álcool e é adequado para qualquer vinho de ervas. Ervas devem ser escolhidas por suas propriedades, em vez de seu sabor tão pouca fruta pode ser necessária em alguns casos, assim é normal a inclusão de alguma fruta no processo para fazer a bebida saborosa. Como regra geral, 100g de erva para 4 litros de vinho, é a proporção certa. O exemplo a seguir é de um vinho afrodisíaco.

Equipamento:
2 garrafões, um com uma câmara
Um tubo de plástico para ser usado como um sifão
1 funil
1 ou 2 papéis de filtro

Ingredientes:
2k de açúcar ou mel
75 gramas de Damiana
25g de folhas de Louro
Fermento de uso geral
1 limão
1 saquinho de chá

Metodo:

Ferver as ervas em 2 litros de água por aproximadamente 45 minutos e tenha a água no garrafão. Derreta o açúcar em uma panela de água e adicionar à água da erva. Esprema o limão no garrafão e adicione o saquinho de chá. (Estes são adicionados para fornecer o ácido cítrico e tanino, respectivamente). Outros commodities poderiam ser usados, por exemplo, casca de laranja para o ácido cítrico e folhas da erva do salgueiro para tanino, estes ingredientes auxiliam a ação do fermento no açúcar.

Deixar o conteúdo do garrafão esfriar. Prepare uma garrafa colocando uma colher de sopa de fermento em um frasco contendo ¼ litro de água quente.  A mistura inicial estará pronta para ser adicionada no conteúdo no garrafão quando se estiver à temperatura ambiente. O processo levará algumas horas e desde que não esteja muito frio a fermentação continuará sozinha. Quando a câmara parar de borbulhar teste a força e o sabor do vinho. Quando pronto leve o garrafão par algum lugar fresco e deixe descansar por duas ou três semanas para permitir que as partículas finas se dissolvam e depois filtre o líquido para o garrafão final. Quanto mais tempo o vinho for guardado melhor será. Uma alternativa a esse processo é curtir as ervas em álcool e diluir a substância resultante se necessário.

UNGUENTOS:

Existem dois tipos de óleos de unção: um trabalha por associação de cheiro, o outro, faz a pele formigar ou “queimar” de leve. A inclusão de uma pequena porcentagem do óleo de folha de canela fará com que o último efeito se manifeste – a primeira é mais difícil pois é a síntese de todos os aspectos da fragrância até agora discutidos. A fórmula seguinte é retirado da tradução de  S.L. Mathers’  da Magia Sagrada de AbraMelin O Mago:

Você deve preparar o óleo sagrado desta maneira: Tome da mirra em lágrimas, uma parte; da canela fina, duas partes; de galanga meia parte e metade do peso total destas drogas do melhor azeite.

Essas referências são, evidentemente, para uma receita feita de sólidos, mas é mais conveniente que produto seja feito de óleos essenciais. O azeite pode ser substituído por amêndoa doce e, como gosto pessoal, eu gosto de utilizar o incenso olíbano, em vez de canela, que é levemente tóxica.

Um dos óleos de unção favoritos frequentemente usado para  atração sexual é o que foi favorecido por Aleister Crowley. Eu suspeito que o seu nome – Ruthvah – é uma corruptela de ruh hiyat, árabe que significa “sopro de vida”e seu nome alternativo,”O Perfume da Imortalidade” em certa medida, corrobora isso. Um verdadeiro ruthvah seria composto de almíscares e âmbar, mas o produto dessas secreções animais seriam injustificadamente caro. Passei alguns anos trabalhando neste problema e acabei por decidir usar a fórmula a seguir como o fornecimento de um perfume quase exatamente igual ao original mas por uma fração do custo:

2g de almíscar
3g algália.
3g gálbano.
6g de óleo mineral.

Estes são batidos juntos em um pilão até que uma consistência uniforme seja obtida, (isso pode levar dois ou três dias). Se um líquido claro é necessário a mistura pode ser filtrada, mas a fragrância é mais forte se o todo é mantido.

ÓLEO DE EVAPORAÇÃO:

Os dois óleos acima podem ser usados como evaporação assim como para unção. O exemplo dado aqui é de um óleo criado para aprimorar momentos de meditação. Quando evaporado ele também eliminará bactérias e esporos de fungo que estejam, suspensos no ar.

2 ml Lavanda
2 ml Geranium
1 ml Laranja Doce (Israeli)

INCENSOS

As fórmulas dadas a seguir são para os incensos de Hathor e Baphomet que são os mais eficaz para um bom ritual. Como preâmbulo devo dar também a fórmula dada por Deus a Moisés tal como registrado em Êxodo 30:34.

Disse mais o Senhor a Moisés: Toma especiarias aromáticas: estoraque, e ônica, e gálbano, especiarias aromáticas com incenso puro; de cada uma delas tomarás peso igual; e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo; e uma parte dele reduzirás a pó e o porás diante do testemunho, na tenda da revelação onde eu virei a ti; coisa santíssimá vos será.

HATHOR

25g de mirra
25g Incenso (Olibano)
25g de Benjoim
25g Copal
25g Filipêndula
25g Colofônia
25g Dammar
3g Benjoim resinoide (líquido)
3g Óleo de Amêndoas Doces

Moer e misturar as gomas e ervas e em seguida, adicionar os líquidos. Deixe guardado pelo menos, um mês antes de usar.

BAPHOMET

25g de flores dos cactos
25g de pinho
25g de Filipêndula
50g de Mirra
12g de Goma-laca
25g de Bagas de zimbro
25g de Sândalo
50g Colofônia
25g de Benjoim
10g Óleo do Patchouli
5g Óleo de Amêndoas Doces

Use o mesmo método do incenso de Hathor.

Excerto de The Book Of Results por Ray Sherwin

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/aromagick-aplicacao-magica-da-aromatica/

A’ano’nin (Túneis de Set)

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden.

 

O 26º Túnel está sob a égide de A’ano’nin, cujo número é 237. Seu nome deve ser pronunciado num tom áspero e gritante na clave de ‘A’. Seu sigilo deve ser pintado em negro dentro de um pentagrama de cor índigo e invertido.

 

Seu túnel passa por baixo do 26º caminho que transmite o 16º kala na série de kalas microcósmicos começando com o 11º caminho. Deveria ser lembrado neste ponto que as zonas de poder Cósmico ou Aeônico constituem as dez sephiroth, não sendo Daäth um kala no sentido estrito do termo porém um portal de Ingresso e Regresso de Aiwass (78) via Kether.667 As zonas de poder microcósmicas ou sexuais são os 22 Caminhos que, junto com as 10 zonas de poder Aeônico ou macrocósmico, perfazem 32 no total.

 

Os 22 Caminhos são reflexos na consciência humana das zonas de poder da consciência cósmica. Os aeons podem também ser considerados em relação aos centros cerebrais no homem, e os kalas em relação aos centros sexuais.668 O mecanismo psicossexual dos 16 kalas na humanidade (8 na mulher; 8 no homem) é refletido dos centros aeônicos ou zonas de poder cósmico dentro do fluido cérebro-espinhal e do sistema endócrino. O 16º  kala, em um sentido macrocósmico, é igualado ao Caminho 16, o Caminho da Har ou Criança (Horus). Ele é nascido da Deusa 15, representada no Caminho 15 como A Estrela cujo emblema místico é o décimo-primeiro signo zodiacal, Aquário. Este simbolismo foi explicado em Aleister Crowley e o Deus Oculto, ao qual o leitor é convidado a examinar.

 

O reflexo de Hórus no 16º kala microcósmico, que é numerado como 26, é O Diabo, ou Duplo, de Hórus, i.e. Set. Uma perfeita fusão ou equilíbrio de forças nos macro e micro cosmos é então obtida neste 26º kala, que é regido pelas energias de Capricórnio. O Bode é o astro- glifo da Mulher Escarlate cujo OLHO (Ayin) é atribuído a este caminho via o simbolismo do Atu XV, O Diabo. Este ain, ou olho, alcança sua mais completa extensão no nome da Sentinela deste túnel, i.e. A’ano’nin. Seu número é 237 que é também aquele de Ur-He-Ka, o Poder Mágico(k) da Deusa ShPhChH (Sefekh), 393.669 237 é também o número de IERAOMI, ‘ser um sacerdote ou sacerdotisa’, o que confirma a natureza sagrada deste número.

 

O sigilo de A’ano’nin mostra o Ur-heka encimado pela cabeça do sacerdote e cercado pelas letras BKRN, que somam em 272. Este é o número de Aroa, ‘Terra’, e de Bor, ‘consumir’, ‘ser bestial’, ‘bruto’, etc. Ele é também o número de Orb, significando ‘a noite’, ou um Arab, i.e. uma pessoa vivendo no Oeste. O Oeste é o local de Babalon. Seu totem, o bode, é o glifo da terra no oeste como o local do sol poente. Obr, uma metátese de Orb denota ‘lágrimas’, ‘gotejamento de mirra’, da palavra egípcia abr, ‘ambrosia’, ‘unguento’, e de aft, significando ‘transpirando’, ‘destilando’.

 

Os poderes mágicos do Caminho 26 se relacionam ao Sabá das Feiticeiras e ao Olho Mau e este kala é aquele que é destilado pelo rito do XIo, pois o Olho Mau é o Olho da Noite (i.e. a lua), e a unção, o ungüento, ou gotejamento de mirra é o Vinum Sabbati preparado no por do sol no caldeirão da Mulher Escarlate. Capricórnio é a Chama Secreta sobre a qual ferve o caldeirão, portanto sua conexão com Vesta, que, junto com as divindades Khem, Set, Pan, e Príapo, é atribuída ao Caminho 26.

 

A doença típica deste kala é o priapismo, e os animais sagrados à ele são a ostra, o bode, e o asno. O último é o totem específico da mulher e das qliphoth associadas à Lua de Yesod, o Gamaliel ou ‘Asno Obsceno’.

 

O túnel de A’ano’nin é povoado por sátiros, faunos, e demônios do pânico, e a Ordem de Qliphoth associada à ele é a dos Dagdagiron, significando ‘os Fishy’ (‘piscosos’- relativo à peixe), o que denota a natureza feminina. A Arma Mágica correspondente é a Força Secreta representada pela lâmpada, que é uma alusão ao olho oculto dentre as nádegas do bode.

 

A atribuição do Tarô a este Caminho 26 é o Trunfo intitulado O Diabo, O Senhor dos Portões da Matéria; pois a corrente lunar é o mênstruo de reificação que ferve dentro do Cálice de Babalon. Ela é a noiva de Choronzon pois ele é em verdade Senhor dos Portões da Matéria.

 

Segundo o Liber CCXXXI:

 

O Senhor Khem surgiu, Ele que é santo entre os mais elevados, e posicionou seu bastão coroado para redimir o universo.

 

Isto significa que Set ou Pan ergue o falo para redimir o universo, de cuja redenção a fórmula técnica está resumida no XIo O.T.O. O Diamante Negro é o símbolo secreto deste operação que envolve os poderes totais da geração, pois o diamante brilha na escuridão da matéria como o Olho de Set.

 

O panteão africano é representado neste túnel por Legba, o fetiche da ‘vara nodosa’, i.e. o falo. Ele é algumas vezes conhecido como Echu, o ‘rejeitado’; rejeitado, isto é, pelo não iniciado que é incapaz de compreender o valor da Primeira Matéria e sua relação com os aspectos mais sutis da consciência. Primeira Matéria, neste contexto, é uma alusão àquele fluido excremental que forma parte do Vinum Sabbati. Isto é destilado no Banquete de Legba que é conhecido como Odun, e que é indubitavelmente o precursor do Sabá das Feiticeiras. Odun quer dizer ‘o ano’ e significa um ciclo de tempo completo, portanto conectando o simbolismo ao ciclo periódico da mulher. A referência é à serpente lunar que confere riqueza perpétua, então sua associação com o Diabo e Poder Material.

 

Como é importante fazer uma distinção entre a magia do XIo tal como praticada pelos membros contemporâneos da O.T.O., e a interpretação daquele grau fornecida por Crowley em seus Diário Mágico,670 eu me sinto justificado em citar a seguinte passagem de Aleister Crowley e o Deus Oculto com relação ao simbolismo deste túnel:

 

Este simbolismo revela a fórmula do XIo O.T.O., que é o rito reverso e complementar do IXo. Ele não envolve o uso sodomítico do sexo, como Crowley supunha, porém o uso da Corrente lunar como indicado em seu Diário Mágico pela frase El.Rub. (Elixir Rubeus).

 

Os antigos Mistérios Draconianos de Khem sobre os quais o Culto de Shaitan-Aiwass está por fim baseado são silentes a respeito de qualquer fórmula sodomítica exceto como uma perversão da prática mágica. Naquela Tradição – a mais antiga do mundo – Horus e Set representavam originalmente Norte e Sul; o calor de Set era simbolizado pelo poder escurecedor ou enrubescente do sol no sul, também por Sothis a estrela que anunciava a inundação periódica do Nilo, interpretada místicamente como um fenômeno dos Mistérios Femininos. A lama vermelha, a inundação, o Horus ‘cego’, o Osíris atado em faixas, o sol choroso ou eclipsado, todos eram igualmente simbólicos do ciclo periódico da natureza feminina. Set, como o assento, não simbolizava o fundamento literal, mas a fundação no sentido lunar e Yesódico do fluxo fisiológico que é a base verdadeira de manifestação e estabilidade. Similarmente, o simbolismo regressivo da paródia medieval destes antigos Mistérios, com seu assim chamado Sabá das feiticeiras e os obscaenum, era uma referência ainda legível à fórmula lunar. A interpretação errônea destes Mistérios em termos anais é, para o Iniciado, tanto uma perversão de doutrina (e, como tal, uma blasfêmia sacramental) quanto é a recitação do Pai Nosso de trás para frente e a violação dos sacramentos para o cristão ortodoxo.671

 

667 Existem 78 chaves ou chamadas no Livro de Thoth e todas elas tem uma posição na Árvore da Vida. 78 é um número de Aiwass, a Inteligência extra-terrestre que comunicou a Crowley a Lei do presente Aeon de Horus. Ele é também o número de Mezla, a influência do alto, ou do além. Note que 26 (o número deste túnel) vezes 3 (o número de Saturno ou Set) é igual a 78. Note também que o Atu XVI é entitulado A Torre ou Fortaleza de Deus. Compare com os ‘onze templos dos Yezidi’ com o ‘Aeon de onze torres’ mencionados por Crowley em O Trabalho Cephaloedium. Vide Mezla (editado [por]Ayers e Siebert), Nos. 5 e 6, onde este Trabalho está publicado.

 

668 Vide Cultos da Sombra, capítulos 1 e 2, para uma explicação sobre estes assuntos.

 

669 Vide notas na página 166, supra.

 

670 Vide O Diário Mágico da Besta 666 (Ed. Symonds e Grant), 1972.

 

671 Aleister Crowley e o Deus Oculto, págs.109-10.

 

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Texto adaptado, revisado e editado por Ícaro Aron Soares.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/aanonin-tuneis-de-set/

Demônios da Carne: O Guia Completo para a Magia Sexual do Caminho da Mão Esquerda

Por Nikolas & Zeena Schreck.

Introdução 

Para a Ordem de Babalon, a Ordem de Sekhmet e seus aliados. Dedicado às memórias do Barão Julius Evola, que começou o trabalho de despertar o caminho da mão esquerda no Ocidente, e Cameron, que serviu como avatar para a força Shakti adormecida do Ocidente. Nossos agradecimentos às muitas pessoas que nos ajudaram durante as fases de pesquisa e preparação deste livro, incluindo DM Saraswati, Janet Saunders, Ananda Parikh, Kevin Rockhill, Brian G. Lopez, Michael A. Putman, Curtis Harrington, Kevin Fordham, Nancy Hayes, Lorand Bruhacs, Forrest J Ackerman, Peter-R. Koenig, Dr. Stephan Hoeller, Walter Robinson, Laurie Lowe, Jeanne Forman, Dr. George Grigorian, The Vienna and Paris WO Dens, a equipe da Biblioteca Estadual de Berlim, Tibet House, Leon Wild e James Williamson.

Isenção de Responsabilidade:

As atividades sexuais e mágicas descritas neste livro destinam-se exclusivamente à aplicação de adultos que atingiram a maioridade, e só devem ser realizadas de forma consensual por indivíduos que possuam boa saúde física e mental. Recomendações sugerindo que o leitor realize treinamento adequado em atividades físicas que possam ser prejudiciais são intencionadas seriamente. Nem os autores nem o editor deste livro podem assumir qualquer responsabilidade por qualquer dano que possa ocorrer ao leitor como consequência dos experimentos descritos aqui.

Os Demônios da Carne: O Guia Completo para a Magia Sexual do Caminho da Mão Esquerda

 

 Vamos falar sobre o assunto mais misterioso de todo sexo. O sexo é um fenômeno eletromagnético.

– William S. Burroughs.

O desejo é a grande força.

– André Breton

Das Ewigweibliche zieht un hinan. (O Eterno Feminino nos atrai.)

– Dr. Fausto, no Fausto II de Goethe.

Preliminares:

O livro diante de você é um guia no sentido de que irá acompanhá-lo em uma jornada.

A rota que faremos passa por paisagens de estranha beleza e por abismos perigosos. É conhecido como o caminho da mão esquerda. Poucos percorreram esta estrada e menos ainda chegaram ao seu destino final e distante.

Infelizmente, a maioria dos mapas disponíveis anteriormente deste terreno misterioso foram elaborados por aqueles que nunca pisaram no caminho. No entanto, eles vão avisá-lo dos terríveis perigos enfrentados ao longo do caminho, sugerindo que sua árdua passagem só leva ao mais sombrio dos becos sem saída. Esses cartógrafos defeituosos irão adverti-lo de que as únicas almas que podem ser encontradas nesta via mal iluminada são tolos, lunáticos, canalhas e ladrões. (De fato, pode haver alguma verdade nessa última advertência, mas o aventureiro nato não será dissuadido tão facilmente.)

Existem outros mapas, oferecidos por almas um pouco menos tímidas, que se assemelham mais à realidade. No entanto, esses guias apontam alegremente apenas as atrações turísticas mais reconfortantes do roteiro turístico. Todos os becos escuros, bairros de má reputação e distritos da luz vermelha são mantidos com segurança fora de vista, considerados impróprios para consumo público. Tal escrúpulo permite ao explorador apenas uma visão cuidadosamente expurgada. Além disso, as especificações encontradas neste tipo de mapa são frequentemente tão complicadas que o viajante não sabe qual é o lado para cima.

Por fim, há o mapa elaborado por aqueles que se declaram não apenas como guias turísticos, mas também reivindicam com orgulho esta via à esquerda em sua totalidade, saudando-a como o melhor lugar para se estar. No entanto, se o viajante incauto consultar esses mapas, mesmo para as direções mais simples, imediatamente se torna aparente que houve alguma confusão. Essa confusão, ao que parece, se deve a uma simples, mas duradoura apropriação indevida de nomenclatura. A área nesses mapas marcada tão claramente como “o caminho da esquerda” acaba, em uma inspeção mais próxima, ser um caminho completamente diferente.

Os Demônios da Carne, projetado em parte como um corretivo para as falsas pistas e desvios descritos acima, traça esse caminho até então mal interpretado de uma perspectiva muito diferente. Em nosso mapa, mostramos claramente o plano rodoviário completo em toda a sua topografia e complexidade tridimensionais, a partir de seu antigo ponto de origem oriental remoto. Também rompemos a superfície visível desta calçada para revelar as camadas arqueológicas ocultas da corrente sinistra à medida que ela percorreu o tempo. Acompanhando você nesta viagem, oferecemos sugestões práticas para navegar na estrada da esquerda em um mundo ocidental contemporâneo que não oferece bússola confiável.

Mas chega de metáforas sobre mapas e caminhos. Vamos encarar, você pegou este livro para ler sobre sexo.

E certamente há muito sexo para ser encontrado nestas páginas, narrando uma infinita diversidade de experiências eróticas. Da alquimia do sangue menstrual e do sêmen ao culto ritual da vagina. Sexo com monges promíscuos e prostitutas sagradas, do Tibete à Babilônia. Sexo necrofílico em locais de cremação. Sexo coprofílico na Sicília. Sexo incestuoso na Índia. Sexo vampírico na China. O orgasmo como sacrifício. O orgasmo prolongado. Sexo com Deusas. Transexualismo psíquico. Sexo com seres desencarnados. Escravidão sexual. Domínio sexual. Transe sexual. Sexo anal egípcio antigo entre Set e seu sobrinho Hórus. Sexo oral. Sexo autoerótico. Sexo em grupo. Sexo telepático. Todos os tipos de seitas sexuais. Sexo tântrico. Sexo gnóstico. Sexo satânico. Sexo com jovens virgens. Sexo com idosos. Sexo com as esposas de outros homens. Até sexo com Jesus.

No entanto, o panorama multicorporal de deleite polimorfo que escorre deste livro não é apresentado apenas para estimular os voluptuários ennuyé (entediados) cansados ou excitados com novos desvios que ainda não experimentaram. É importante estabelecer que há uma diferença significativa entre o prazer profundo da sexualidade desfrutada por si mesma como uma experiência fisiológica e estética, e a sexualidade utilizada para propósitos mágicos ou iniciáticos autênticos – o núcleo do caminho da mão esquerda. Tirados de seu contexto apropriado, os boatos aparentemente lascivos pressionados entre estas páginas podem – e provavelmente serão – ser mal interpretados se essa distinção não for levada em conta.

Ao mesmo tempo, deve-se salientar que todo o tópico da magia sexual foi cercado por uma tremenda hipocrisia, emanando tanto dos magos sexuais praticantes quanto daqueles que meramente observam suas atividades. Por exemplo, muitos curiosos pesquisaram casualmente o nível mais superficial da magia erótica, na esperança de aprender algumas dicas de sexo para apimentar uma vida amorosa sem brilho. Na maioria das vezes, esse jogo equivocado de magia sexual é apenas uma perda de tempo, gerando pouco em termos de excitação física e absolutamente nada em termos de magia. Mas alguns magos sexuais hipócritas assumiram a posição da escola de que esse fenômeno bastante comum é “imoral” ou “espiritualmente prejudicial”, ou mesmo que a magia sexual deve ser realizada sem uma centelha de luxúria ou emoção para ser legítima. Por outro lado, o não-mágico pode zombar de toda a ideia de magia erótica, descartando-a como algum tipo de piada suja, recusando-se a aceitar que os magos do sexo estão fazendo algo mais profundo do que saciar seus apetites carnais comuns sob o pretexto de doutrina esotérica.

Por trás dessas atitudes hipócritas está a horrível banalidade a que Eros foi reduzido no mundo ocidental moderno.

Nesse espírito, alguns de nossos leitores podem imaginar que um guia para a magia sexual do caminho da mão esquerda fornecerá as emoções furtivas e baratas da pornografia velada. Literalmente falando, essa palavra tão difamada pornografia, do grego porno (puta) e graphia (escrita) significa simplesmente “escrever sobre putas”. Então, para aqueles de vocês que esperavam fervorosamente que este livro fosse pornográfico, há de fato textos suficientes sobre prostitutas nestas páginas para se qualificar tecnicamente. Claro, as prostitutas com as quais nos preocuparemos são as transportadoras daquela ars amatoria (arte amadora) há muito perdida da prostituição sagrada. Se a prostituição já serviu uma função nobre e até sagrada, então por que não uma pornografia sagrada? Tal forma seria algo muito mais subversivo e poderoso do que a repetição estereotipada de convenções que costumamos associar ao gênero. A autora britânica Angela Carter, cujos contos cruéis geralmente eram tingidos de uma sexualidade inquietante e surreal, certa vez sugeriu as possibilidades:

“O pornógrafo moral seria um artista que usa material pornográfico como parte da aceitação da lógica de um mundo de absoluta licença sexual para todos os gêneros, e projeta um modelo de como tal mundo poderia funcionar. Seu negócio seria a total desmistificação da carne e a posterior revelação, através das infinitas modulações do ato sexual… essas relações, para restabelecer a sexualidade como um modo primário de ser em vez de uma área especializada de férias do ser e mostrar que os encontros cotidianos no leito conjugal são paródias de suas próprias pretensões.

De muitas maneiras, a descrição de Carter do “guerrilheiro sexual” que derruba tabus e que desmistifica totalmente a carne é uma excelente introdução ao trabalho do magista sexual do caminho da mão esquerda que este livro ilustra. Para os magi (magos) do caminho da mão esquerda, a sexualidade é ainda mais do que “um modo primário de ser” – o estado alterado de êxtase erótico extremo é um modo de ser potencialmente divino, a dança caótica de duas energias opostas magneticamente atraídas que permite a criação de um terceiro poder transcendendo o humano. O casal que liberar esse poder oculto e psiquicamente remanifestante do caminho da mão esquerda dentro de seus organismos sob o jugo do orgasmo em toda a sua intensidade achará difícil retornar à existência pré-programada que eles levaram uma vez. O homem e a mulher que mesmo uma vez experimentam a liberdade do caminho da esquerda, expressa através de seus ritos sexuais autodeificantes, saíram do jogo humano como normalmente é jogado.

Se o caminho da mão esquerda é perigoso – um ponto com o qual tanto seus detratores quanto seus defensores concordam – um de seus principais riscos é o perigo da liberdade em um mundo quase instintivamente comprometido em esmagar a liberdade sob qualquer forma que possa aparecer. Todas as autocracias dominaram restringindo severamente o pleno desenvolvimento do poder sexual em seus súditos. O caminho da mão esquerda, um método de ativação consciente de níveis de energia erótica quase desconhecidos nas relações sexuais convencionais, deve ser visto como uma ameaça a qualquer hierarquia que procure frear o desenvolvimento do homem em deus. A gnose sexual do caminho da mão esquerda tem o potencial de forjar indivíduos heroicos e autodeterminados a partir da carne balida do rebanho humano.

As pesquisas do excêntrico (alguns diriam insano) psicólogo Wilhelm Reich sobre os mistérios inexplorados do orgasmo na consciência humana concordam parcialmente com os antigos ensinamentos do caminho da mão esquerda. Em seu Psicologia de Massas do Fascismo, Reich reconheceu a ameaça que a total liberdade erótica representaria para qualquer mecanismo de controle social. Em consonância inconsciente com a veneração do caminho da mão esquerda de Shakti, o poder sexual divino da mulher, ele escreveu: “Mulheres sexualmente despertas, afirmadas e reconhecidas como tal, significariam o colapso completo da ideologia autoritária”. George Orwell, em seu romance distópico 1984, que continua sendo um diagnóstico agudo para o culto moderno do controle, também entendeu que a limitação do poder sexual era uma das armas mais insidiosas da autocracia. Orwell faz Julia, a heroína de 1984, perceber o segredo de Eros: “Ao contrário de Winston, [ela] entendeu o significado interno do puritanismo sexual do Partido. Não foi apenas que o instinto sexual criou um mundo próprio que estava fora o controle do Partido e que, portanto, deveria ser destruído, se possível. O mais importante era que a privação sexual induzia a histeria, o que era desejável porque podia ser transformado em febre de guerra e adoração de líderes.”

O adepto do caminho da esquerda, radicalmente individuado e separado das ilusões da multidão através da transgressão sistemática do tabu e do “mundo próprio” da sexualidade transcendente, dificilmente será arrastado pelas paixões impensadas das massas. Na primeira manifestação histórica da corrente sinistra que investigaremos, a Vama Marga da Índia, esse elemento de desafio social torna-se evidente. A recusa do iniciado do caminho da esquerda indiana em seguir as restrições religiosas de sua sociedade contra o sexo entre as castas, o consumo de vinho, o consumo de certos alimentos “impuros”, é a base sobre a qual ele eventualmente transgrede o estado humano e torna-se divino. Em seitas mais extremas do caminho da esquerda, como os Aghori, a transcendência de tabus internos profundamente arraigados vai muito além. Embora esse fator crítico de subversão social tenha sido ignorado ou branqueado por intérpretes mais moderados do caminho da esquerda do que nós, você descobrirá que essa recusa em seguir as regras ditadas por outros é um dos fatores universalmente definitivos que separam a esquerda caminho da mão de formas mais brandas e menos antagônicas de magia sexual.

Seria fácil interpretar erroneamente esse desafio ao costume social e religioso como uma declaração puramente política. No entanto, uma vez libertado de um conjunto de antolhos psíquicos, o magista do caminho da mão esquerda não os troca simplesmente por um novo conjunto. Ele ou ela se esforça para alcançar um estado de espírito em que todas as formas de ortodoxia devem ser questionadas e rejeitadas.

Mesmo neste estágio inicial, o leitor perspicaz terá percebido que quando falamos de magia sexual da mão esquerda, não estamos preocupados apenas com o funcionamento da genitália para algum propósito feiticeiro. Sim, sua ferramenta central de iluminação é a sexualidade desperta. Mas a tradição do caminho da mão esquerda na verdade fornece uma abordagem para todos os aspectos da existência, uma filosofia – ou “amor de Sophia” – que posta em ação pode transformar a totalidade da estrutura psicobiológica humana, não apenas seu pênis ou vagina.

Pode-se dizer que a magia sexual do caminho da mão esquerda é uma forma de iniciação conscientemente projetada para um mundo irremediavelmente fodido. A filosofia do caminho da mão esquerda postula que é o método mais adequado para os tempos apocalípticos e fora de ordem em que a humanidade existe atualmente, uma era que a tradicional disciplina indiana do caminho da mão esquerda reconhece como Kali Yuga. São necessárias medidas excepcionais para despertar a plena consciência sob condições tão desfavoráveis. O primeiro passo é rejeitar a tristeza e o desespero que esses tempos podem inspirar e abraçar com alegria o caos do mundo em desintegração, esse espetáculo ilusório e cintilante que emana da vulva da escura Kali. E uma das grandes ferramentas de transformação sobre as quais Kali preside é a carne, especialmente quando submetida à chama do desejo.

Fora da tradição do caminho da mão esquerda propriamente dita, a antiguidade pré-cristã reconhecia claramente que os estados mentais transformadores e misteriosos atingíveis através da sexualidade fazem parte do reino dos Deuses. De fato, muitos termos comuns que denotam sexualidade na linguagem moderna ainda carregam os traços indeléveis daquela antiga apreciação da natureza mágica – até mesmo religiosa – da sexualidade humana. O erótico remete ao deus Eros, o afrodisíaco refere-se à deusa Afrodite, assim como o venéreo é derivado de Vênus. As origens mágicas da palavra “fetiche” também são bastante conhecidas – deriva do português feitico (feitiço), para feitiçaria ou encanto. Quem pode negar que o poder poderoso em que um fetiche sexual escraviza o fetichista não é nada além de um fascínio, um glamour, de natureza inteiramente mágica? O caminho da esquerda, em todas as suas formas, conscientemente devolve Eros ao lugar outrora exaltado que ocupava na vida humana, reconhecendo a divindade adormecida do sexo mesmo em práticas que os profanos rejeitam como sórdidas e vergonhosas.

Sob seu exame às vezes contraditório de símbolos e premissas de magia sexual de várias tradições culturais e religiosas, Os Demônios da Carne postula um fenômeno biológico universal aparentemente conectado à consciência e sexualidade humanas. Como veremos, a expressão tântrica indiana caminho da mão esquerda descreve essa anomalia psicossexual com grande precisão. No entanto, também usamos a frase “corrente sinistra”, que indica sua existência não indígena, onipresente, não apenas em uma tradição cultural específica, mas como uma força localizada no próprio corpo.

Indicamos agora quão central é o papel que o sexo desempenha no caminho da mão esquerda, mas, presumivelmente, você pode estar se perguntando onde entra a “mágica” mencionada no subtítulo deste livro. inerente ao prazer sexual foi reduzido ao seu estado atual de degradação, assim como a outrora real arte da magia sofreu um declínio semelhante no mundo moderno. Se não se associa imediatamente a palavra com truques e prestidigitação do show business, então ela evoca o ocultista consumidor vulgar, vestido com o manto “mágico” obrigatório, recitando credulamente feitiços “mágicos” doutrinários, geralmente esperando em vão invocar o dinheiro que ele ou ela não tem as habilidades para ganhar, ou para atrair um determinado objeto de desejo sem adquirir as graças sociais para sequer iniciar uma conversa. Em outras palavras, a magia, pelo menos no mundo ocidental, tornou-se um brinquedo exótico para perdedores, a atuação de pensamentos ilusórios para alcançar objetivos transitórios mais eficientemente realizados através do desenvolvimento mundano da competência pessoal.

A magia, da perspectiva do caminho da esquerda descrita aqui, está muito distante da mercadoria bruta que se tornou no meio ocultista moderno. Estamos focados aqui na Grande Obra, a transformação sexual-alquímica do humano em semidivindade, não no desenvolvimento de alguns truques de salão. No caminho da mão esquerda indiana, os maiores magos são os divya ou bodhisattva, que não precisam recorrer a nada que se assemelhe a um ritual para criar uma transformação radical de maya, a substância da qual a mente e a matéria são compostas. Os poderes mágicos, como entendidos no Ocidente, às vezes são uma consequência da iniciação erótica, mas são secundários à remanifestação radical do eu para modos superiores de ser, que é a raison d’etre (razão de ser) do caminho da mão esquerda. Nas antigas tradições helênicas e gnósticas também consideraremos como expressões da corrente sinistra, um divya é conhecido como um magus (mago), um ser cujo poder mágico se baseia no cultivo interno do eu a níveis demoníacos de consciência.

Como esse estado de ser é o objetivo de todos os sinistros magos sexuais atuais, não fornecemos ao leitor feitiços, maldições ou rituais pré-programados. Nós também não fornecemos nomes de demônios garantidos para cumprir todos os seus comandos, nem feitiços infalíveis que atrairão os alvos de sua luxúria. Se você for ingênuo o suficiente para procurar por tais panaceias instantâneas, nossa ênfase na importância do trabalho mágico autodirigido como um processo interno de autodeificação provavelmente será extremamente frustrante. Este livro deixará claro os métodos perenes do caminho da mão esquerda que ativam o curso eterno do desenvolvimento tomado pelo divya ou o magus (mago) do caminho da mão esquerda, mas ele deliberadamente se abstém de conduzir o leitor mecanicamente através de uma lista de truques externos. Você não encontrará nada como: 1) Vagina aberta. 2) Insira o pênis. 3) Diga a palavra mágica com convicção.

Esse tipo de coisa é inútil, para não dizer um insulto à inteligência do magista iniciante. Instruções dogmáticas, para nossa experiência, não podem ser feitas para grandes magistas – elas apenas provam que o leitor pode obedecer obedientemente aos comandos. Esses atalhos e simplificações não fornecem nenhum atrito necessário para o estudante do caminho da esquerda, sem o qual nenhum esforço abrasivo necessário para iniciar a si mesmo pode ser desencadeado. Os Demônios da Carne, que somos imodestos o suficiente para classificar como um Tantra para o século XXI, é construído para fornecer esse atrito, em vez de destilar o caminho da mão esquerda em um leite materno fácil de engolir para o lactente. . Por esta razão, embora métodos práticos de procedimento sejam sugeridos, este não é tanto um livro de “como fazer” – seu foco está em “por que fazer”. Em nossa opinião, uma marca do verdadeiro magista do caminho da mão esquerda é a capacidade de integrar sistemas simbólicos complexos, sintetizá-los com a experiência pessoal e criar a partir dessa síntese sua própria direção única no caminho da mão esquerda.

Uma crença comum, mas errônea, sobre magia sexual, caminho da mão esquerda ou não, é que sua prática consiste em nada mais do que fazer um forte desejo focado durante o orgasmo. Se fosse esse o caso, dificilmente seria necessário um livro inteiro sobre o assunto – essa última frase seria suficiente para uma educação sexual-mágica completa. Este é, na verdade, apenas um dos menos sofisticados métodos de feitiçaria sexual, e embora o magista do caminho da mão esquerda possa experimentá-lo como um meio de testar a insubstancialidade de todos os fenômenos mentais, não pode ser comparado ao método da mão esquerda, muito mais essencial. métodos de caminho de iluminação sexual, como Kundalini, que remodelam a consciência para níveis supernos de realização que transcendem inteiramente o modelo pueril do “bem dos desejos” da magia sexual popular.

Talvez a prevalência dessa ideia, mesmo entre aqueles que deveriam saber melhor, se baseie no fato de que muito tem sido escrito sobre a “magia sexual” de Aleister Crowley, que em sua própria prática cotidiana consistia em pouco mais do que coordenar desejos e chegando. Mas Crowley, apesar de sua ascensão póstuma como o “nome de marca” mais reconhecível no campo da magia sexual ocidental, não é a essência da magia sexual. A ideia do orgasmo mágico não explodiu espontaneamente das entranhas de Crowley um dia. De fato, como mostraremos, os agora obscuros precursores pseudorrosacruzes de Crowley, como o magista sexual afro-americano PB Randolph e o espermófago alemão Theodor Reuss originaram muitas das ideias que se acredita que a Grande Besta 666 “descobriu”, assim como vários de seus contemporâneos e antecedentes desenvolveram essas mesmas ideias em direções mais pertinentes do que o próprio Mestre. Também tentaremos resolver a espinhosa questão de saber se Crowley é de fato um magus (mago) do caminho da esquerda.

Neste último aspecto, deve-se dizer que a prática da magia sexual por si só não qualifica um magista para o caminho da mão esquerda. Todo maluco oculto que alguma vez proclamou seu orgasmo como um evento mágico de primeira ordem não é necessariamente um iniciado no caminho da mão esquerda. Da mesma forma, a ausência de sexualidade na prática mágica de alguém é um sinal seguro de que não se está mais lidando com o caminho da esquerda em seu sentido clássico.

Colocamos a magia sexual da mão esquerda em um contexto histórico, analisando algumas das figuras históricas coloridas que praticaram a taumaturgia orgástica no Ocidente moderno. Mas devemos deixar claro que não é nossa intenção inspirar nossos leitores a imitar as vidas e lendas desses indivíduos. O caminho da esquerda está firmemente focado na autodeificação – a idolatria fanática e a adoração de heróis inculcadas por tanta literatura oculta para as “estrelas” do passado estão totalmente fora de lugar com os objetivos do caminho da esquerda. Se há uma atitude apropriada no caminho da mão esquerda a ser tomada com os famosos e infames professores de magia sexual do passado, certamente é a irreverência, não a santificação piedosa. De fato, no processo de transformar-se de consciência humana em divina por meio da iniciação erótica, é obrigatória uma irreverência saudável direcionada às próprias pretensões.

O mundo está cheio de pessoas que devoraram mil livros mágicos e ainda assim nunca realizaram um único ato genuíno de magia. Esse fenômeno é tão prevalente que a síndrome até ganhou um nome: o mágico da poltrona. Certamente não é nossa intenção criar através deste livro algo ainda pior – o mágico do sexo à beira da cama. Assumindo que você está lendo isso como uma visão geral introdutória da magia sexual do caminho da mão esquerda, e não simplesmente como uma diversão perversa, os princípios descritos aqui devem ser promulgados em sua própria carne, através da ação no mundo real, em oposição à abstração cerebral .

Claro, houve outros livros que tentaram comunicar algo dos mistérios da magia sexual. No entanto, do nosso ponto de vista, a maioria desses volumes anteriores errou o alvo. Gostaríamos de pensar que nosso objetivo será mais preciso. Na maioria das vezes, os textos de magia sexual anteriormente disponíveis suavizaram o poder penetrante disponível para o magista erótico em uma espuma pegajosa de romantismo insípido. As ofertas mais recentes foram voltadas para as sensibilidades fracas e chorosas do chamado movimento da Nova Era. Esses guias medrosos têm oferecido uma magia sexual totalmente desfigurada e domesticada a seus leitores. Este volume ficará desconfortável na prateleira com aqueles trabalhos mais suaves e menos diretos. Se sua compreensão da magia sexual foi adquirida apenas a partir desse corpo de trabalho doentio, esperamos que este livro sirva como um antídoto de purga para equívocos anteriores.

Não menos importante dos equívocos que visamos é a compreensão totalmente incoerente e historicamente inválida da natureza exata do caminho da esquerda que prevaleceu no século passado ou mais no mundo ocidental. Um dos desafios ao escrever este livro foi definir adequadamente um assunto que tantos já pensam que entendem, mas na verdade não entendem – pelo menos não por qualquer padrão objetivo que possamos identificar Ao tentar esclarecer o que a esquerda O caminho da mão é que estamos apenas começando a tarefa maior de estabelecer um modelo de trabalho congruente da corrente sinistra no Ocidente. Construído, como deve ser, sobre as ruínas da confusão do passado, esse modelo de trabalho pode levar outros cinquenta a cem anos para realmente se firmar.

Embora nós mesmos estejamos praticando magos sexuais do caminho da mão esquerda, este livro não é de forma alguma concebido como um meio de conversão ou como um dispositivo de recrutamento. Como deixaremos claro, o caminho da esquerda é, apesar de todos os seus elementos antiautoritários, uma forma elitista de iniciação. Com isso, não queremos dizer que os adeptos do caminho da esquerda necessariamente se considerem superiores aos não iniciados – apenas que a corrente sinistra não é para todos, e nunca pode ser um caminho para milhões. Ler este livro pode esclarecer para você que você não seria adequado para esta escola de iniciação.

A sexualidade é a expressão no mundo material do conceito metafísico de polaridade – o yin e yang, Shiva e Shakti, a rosa e a cruz, a união e transcendência dos opostos. Os Demônios da Carne é exatamente o que descreve, na medida em que pode ser entendido como uma magia sexual funcionando por si só. Como uma criança criada pelas energias eróticas polarizadas da sexualidade masculina e feminina gerada por seus autores, este livro ilustra como a força sexual combinada de dois magos pode criar uma terceira entidade demoníaca. Ao moldar as palavras e perspectivas colaborativas de dois magos em um todo coeso, pretendemos criar um elemental mágico que ganha uma certa vida própria, independente de seus criadores. Sempre que dois magos trabalham juntos, o resultado é a criação de tal força elementar; William S. Burroughs e Brion Gysin se referiram a esse fenômeno como “a terceira mente”. Assim como a magia erótica do caminho da esquerda cria um espaço numinoso no qual as energias muito diferentes de masculino e feminino podem se comunicar e ver além dos limites do gênero, a voz dupla deste livro fala de um ponto de vista que transcende masculino e feminino.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/demonios-da-carne-o-guia-completo-para-a-magia-sexual-do-caminho-da-mao-esquerda/

Conexão ZosKia – Aliens

O contato imediato entre Magos e os seres de fora de nosso mundo é um fato há muito conhecido pelos interessados em Ocultismo. Quer seja o ser contatado do Espaço Sideral ou procedente de Espaços Interiores, eles representam em si aspectos da consciência que são a síntese do próprio Universo e que talvez seja o que há de perene nele: informação & dissolução, o velho jogo entre Thanatos e Eros. Sendo assim, cada magista que contata esses seres de outros mundos impregna de si a própria manifestação exterior do ser contatado. Isso explicaria o que seja popular e, digamos, erudito, em se tratando de contatos.

Essas visões e manifestações diferentes revelam também um pouco mais como a vida em seus diversos graus de evolução e consciência se dá como fenômeno e provam, talvez, que o próprio ser humano já fora alienígena à este mundo. Sejam deuses, anjos, demônios, gnomos, supermáquinas, todas estas visões foram se expressando de acordo com o lugar, época e pessoas que com elas fizeram contato. A interpretação que trata esses seres como Alienígenas, no atual sentido que compreendemos o termo, sempre existiu desde o antiqüíssimo passado. É o que vemos expressado, por exemplo, na Cabala e seu design de mundos interconectados; no Egito com seus deuses zoomórficos; no conhecimento sideral destes mesmos egípcios assim como dos Maias, dos Dogons da África, dos deuses astronautas dos Astecas, os seres divinos do Bön Po e da tradição Lamaista do Tibet relatado por Lobsang Rampa; assim como mais remotamente, na Suméria e sua tradição Tiphoniana.

Aleister Crowley e sua filosofia-mágicka, chamada Thelema, pertence à essa tradição Sumeriana, uma corrente mágicka que teve John Dee como antecessor direto de Crowley, como perscrutador de seus mistérios e busca de contato com seres ditos angelicais. E tanto Crowley como seus contemporâneos, principalmente aqueles que se engajaram nas fileiras renovadoras do que foi Thelema então, adentraram em uma verdadeira orgia de relações com seres alienígenas particularmente designadas então de “Inteligências Praeter-Humanas”.

No livro “Aleister Crowley e o Deus Oculto” Kenneth Grant escreve que Aleister Crowley “estava ciente da possibilidade de abrir portais espaciais e admitir a existência de uma corrente extraterrestre na onda vital do ser humano”, e que ao contrário do que outros iniciados de sua época chegavam a crer, essas forças não eram más e não queriam destruir a raça humana, mas investiam na expansão e evolução da consciência humana para torná-la cósmica, como salienta Robert Anton Wilson, que em seus escritos expõe tais conexões cósmico-consciência-thelemicas. Essa corrente leva consigo personagens como Ron Hubbard, Jack Parsons, Charles Stanfield Jones, Dion Fortune, Austin Osman Spare; assim como os expoentes mais recentes do ocultismo que inclui principalmente Kenneth Grant, Michael Bertiaux, tudo, pode-se dizer, seguidos de refrões de sucesso de Raul Seixas em parceria com Marcelo Motta.

Não podemos deixar de citar o background dos contos de H.P. Lovecraft que se interpenetra com H.P. Blavlastsk dando em J.J. Benitez, etc… Pensadores que fundiram espiritualidade e ufologia. Dentre todo o rol de magistas que tentaram contatos com seres extraterrestres, talvez aquele que tenha destilado a visão mais estranha destes seres alienígenas foi Austin Osman Spare. Encarando estes Aliens como seres interdimencionais, os quais viajam pelas frestas dos Universos, da matéria, do espaço, do tempo e da consciência, eles podem também podem possuir corpos como forma de traficar entre mundos sensações, conhecimento, energias e todo tipo de coisas que se pode trazer dos sonhos à carne e levar do Ser ao Não-Ser e vice-versa. A forma dos seres que se expressaram à Spare se aproxima bastante da descrição de entidades como o Mothman, que fora pesquisado por John Keel, ou como os alienígenas nomeados de Greys da casuística OVNI; seres extraterrestres que se relacionam intimamente no nível conciência-carne-medo-vácuo-matéria-caos… Seres sem nenhum vestígios de causalidade ou moral humana, seres que não podem ser compreendidos através da lógica, alcançando seus particulares objetivos somente se usando da loucura ou da crença cega que reflete a impotência da inteligência humana diante de tão dês-aforado lócus de ação por parte deles.

Particularmente em se tratando da criatura conhecida como Mothman que fez “fama” em suas aparições nos EUA no fim da década de 1960, é sabido que houve aparições deste em Londres nos idos do final do Século 19, mas precisamente na região de Piccadilly Circus Station, no centro de Londres. O que fazia lá, como fora atraído para o lugar, é como sempre uma questão que o pensamento humano comum não tem como responder, e talvez só se responda pela lógica da mística ou da própria loucura. Esses seres “entremundos” recordam-nos muito também os seres dos contos de Lovecraft, ligação que Kenneth Grant fez remetendo-se até a Anciã Paterson, iniciadora de Austin Osman Spare no culto da feitiçaria. Esses seres são feitos da mais pura essência do Necronomicon, o guia cósmico das aberrações interestelares. Seres, assim como a caracterização do Mothman feito por John Kell, parecem se alimentarem do próprio medo humano, vampiros psíquicos que se nutrem de emoções. Seres assim são citados inclusive pela tradição de alguns discípulos de Carlos Castãneda.

Tais parâmetros de contato e de seres, acrescido ao caráter especial de Austin Osman Spare, traz à tona o quanto mais tenebroso e intrínseco é o Fenômeno Alien e sua relação com o fator humano. É uma emanação que abarca Sexo, referência da lembrança humana de deuses, anjos e todo tipo de seres que desejaram e copularam com “as filhas dos homens”. Há também o congresso sempiterno da Carne que relembra o contato Alien carregado de mutilações e experiências cientificas com corpos humanos e animais, espécies de “êxtases feios”. Austin Osman Spare sempre aventa também o papel da Medicina, da Ciência, do Vírus, o que aproxima as referências aos agentes da desinformação no mundo OVNI, sempre munidos de tecnologia avançada e táticas de combate mental. Falamos dos misteriosos interventores conhecidos como Homens de Preto (MiB) e sua proximidade com os Irmãos Negros (Black Brothers), humanos que dedicam sua existência à construírem no Astral a engenharia necessária para a permanência indefinida de seu Ego (EU).

Em suas obras de arte, Spare retrata paisagens estranhas, de outros mundos onde habitam seres de uma estranheza inumana, parecendo seres vistos pela lente distorcida da mente que não os compreende em sua perfeição, uma carência estética humana talvez, ou simplesmente a distorção da compreensão máxima. Kenneth Grant escreve em “O Estranho Espírito de Zos vel Thanatos”, referente à Spare e o Culto de Zos Kia: “…Há um certo estado de consciência caracterizado por uma estranha perichoresis em que os sentidos mundanos, exaltados e infundidos com a Vontade magickamente carregada, i. e., dirigida, atraem influencias misteriosas do exterior.

A interação de elementos deste mundo com elementos de outro criam uma realidade ultradimensional Universo conhecido como Meon que só os artistas (ou Magos) mais sensíveis são capazes de responder de forma criativa…” Na obra que Spare busca representar aquilo que talvez seja o ponto de partida de sua inspiração místico-artística, tal obra é “Isis Sem Véu”, a figura dos mitos egípcios que representa o Infinito Espaço de Infinitas Estrelas, a morada dos Aliens. Enquanto que no livro-mor de Thelema, o Líber AL vel Legis (de 1904), já são explicitas as referências à alienígenas, outros mundos, tecnologia nuclear, et. al, já nos escritos de Spare tais referências são muitas das vezes subentendidas pelo véu da mística particular do Culto de Zos Kia. Assim podemos traçar uma linha de influência extraterrestre vindo através da Anciã Paterson, trazendo consigo a sabedoria de uma corrente mágicko-alienigena proveniente das paragens da América do Norte que fora herdada pelos nativos aos quais pertencia a anciã bruxa, tradição esta registrada pavorosamente nos escritos de Lovecraft e da qual Kenneth Grant pesquisou e descobriu ligações. A Sra. Paterson, como era usualmente chamada por Spare, migrou dos Estados Unidos para a Inglaterra, talvez fugindo do ambiente hostil de caça às bruxas das terras da outrora colônia, e então transmitiu ao jovem Spare essa diligência de outros mundos. Tal determinada espécie de conhecimento coincidentemente entraria novamente na vida de Spare quando mais tarde ele fora iniciado na Aurora Dourada e no pensamento de Thelema de Crowley. Conta-se que Spare só veio a aceitar de fato a revelação de “Líber AL” no fim de sua vida, mas Grant também nos revela que em certa fase de sua vida, Spare esteve totalmente devotado em fazer contato com seres alienígenas, buscando para isso os meio adequados. E esses meio segundo Grant, se revelam além dos grimórios que são cada uma de suas obras de arte e sigilos, mas também, e principalmente como sendo através da “Postura de Morte” como uma espécie de meio mediúnico para o contato interrealidades, uma forma de levar a consciência às plataformas de lançamento cósmicas para alcançar seres dispostos ao contato com os homens.

Dois parênteses: Primeiro, tais espécies de contatos a nível mediúnico, de forma mais tradicional, foram mais tarde efetuados com sucesso também pelo dito Grupo Rama nos Andes para contatar alienígenas e programar então avistamentos e até contatos do terceiro grau também. E segundo, em plena atividade nos dias de hoje, Michael Bertiaux, sacerdote Voodoo, identificou e em contatou, usando das mais diversas tecnologias mágickas-mediúnicas, os chamados Voltigeurs, seres esses que são caracterizados como reptilianos que saltam de mundo em mundo e que abarcam uma mística da lua. Parece-nos então que Austin Osman Spare foi um vetor muito especial de contatos com aliens, e seu Culto de Zos Kia então não poderia deixar de ser também um poderoso vortex que converge para si os portais de contato yóguicos da flexão da carne e da mente, uma espécie de crença astral e para o astral.

Com a influência Ameríndia através da Anciã Paterson e a influência Sumeriana via Aleister Crowley e Thelema, onde talvez o ponto de convergência seja não só o Necronomicon, mas também a própria ancestralidade humana neste mundo, que Spare explorou através da flexão dos atavismos, onde se pode perceber um verdadeiro rememoramento de “nomes mortos”. Então, do Oriente provém a Tradição Sumeriana via a síntese abrangente de Thelema, do Ocidente os eflúvios dos Mitos de Cthulhu, no meio de tudo isso o Greenwich de Zos Kia Cultus: a corrente xamânica que leva direto aos Alienígenas que sempre estiveram próximos ao seres humanos, em corpo, alma & Discos Voadores.

De todas estas escassas aproximações e fantásticos desdobramentos, a mente recua, mas as cartas estão na mesa. Anjos, Demônios ou Alienígenas, Inteligências Praeters-humanas, irradiações do subconsciente ou radiação do espaço sideral. Código Morse das estrelas refletida no DNA. Homens possuídos por deuses usando tecnologia e irremediando a realidade com vislumbres de outros mundo incapazes de habitarmos por simples leis físicas… Nikola Tesla pisou neste mundo… Heinrich Reich pisou nestas terras, Albert Einstein viveu aqui… Austin Osman Spare habitou aqui e lá, mas não viveu nem por isto e nem por aquilo. Ele traficou interrealidades através de uma arte alienígena a tudo, pois concretizou em caos e tinta sentimentos que não poderiam nunca coabitar com os homens sem pedir o pagamento do engrandecimento da visão humana que tem do vislumbre que é estar-aqui e do que está lá. A Ciência de mais baixa tecnologia que poderia haver abriu todos os canais de comunicação que poderiam existir com o Além/Alien, e essa ciência foi Arte, a expressão mais ferrenha e sem mentiras que possamos juntos fluir do Zos Kia Cultus.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/conexao-zoskia-aliens/

Adam Weishaupt e os Illuminati

Robert Anton Wilson

Lição #1 do Maybe Logic Academy

A CORPO

“Raramente se faz a pergunta: Nossos filhos estão aprendendo?”
-George W. Bush

“O único livro que você tem que ler é O Poderoso Chefão. Essa é a única obra que conta como o mundo é realmente governado”.
– Roberto Calvi, Presidente, Banco Ambrosiano; esticada, Londres, 18/06/1982

Adam Weishaupt fundou — ou reviveu — a secreta Ordem dos Illuminati em 1º de maio de 1776; isso parece um fato histórico. Todo o resto permanece disputado e acaloradamente controverso.

A maioria dos historiadores acredita que os Illuminati originalmente recrutavam apenas maçons de alto grau, e desde então em todas as gerações desde 1785 – quando o governo da Baviera descobriu e proibiu os Illuminati – os maçons enfrentam a acusação de que permanecem “sob controle dos Illuminati”.

Todos negam, é claro.

Bem, nem todos. Um maçom escocês, John Robison, em suas Proofs of a Conspiracy [1801], afirmou que os malditos Illuminati haviam conquistado a Maçonaria da Europa Continental; ele escreveu principalmente para alertar as lojas da Inglaterra, Escócia e Irlanda contra um golpe semelhante.

Desde Robison, o debate Maçônico/Illuminati inclui aqueles que pensam que os Weishauptianos tomaram conta de todas as Lojas Maçonicas, aqueles  que como Robison pensam que só se infiltraram em algumas, e aqueles, incluindo a Enciclopédia Britânica, que vêem o Iluminatti como um “grupo de curta duração que viveu o movimento do livre pensamento republicano” e que nunca teve uma grande influência na Maçonaria – ou em qualquer outra coisa.

Mas o debate Illuminati cobre um terreno muito maior do que isso.

Por exemplo: Kris Millegan em seu Fleshing Out Skull & Bones apresenta a sociedade de Yale como um ramo dos Illuminati. Caso você não saiba, alguns Bonesmen proeminentes incluíram Bush I, Bush II, Henry Luce of Time, Justice Potter Stewart e um elenco de estrelas dos chefões dos bancos, imprensa e política norte-americanas, e a maioria dos diretores de a CIA… ah sim, e John Kerry.

Tem certeza que você realmente quer saber mais sobre isso?

De outro ângulo, Akron Daraul, em sua History of Secret Societies, argumenta que Weishaupt não inventou, mas apenas renovou os Illuminati, que ele relaciona a movimentos anteriores conhecidos como Der Begriff Feme (Alemanha), Allubrados (Espanha), Roshinaya (Pérsia). etc.; enquanto o mais exuberante John Steinbacher em Novus Ordo Seclorum os rastreia até o Jardim do Éden! Eles foram fundados, diz ele, por Caim, não são do casamento sagrado de Adão e Eva, mas de um acoplamento ilícito e satânico entre Eva e a Serpente. Que tal isso para os tabloides? Bestialidade, satanismo e todos os temas para um novo filme de Arquivo X.

Enquanto isso, a História da Magia de Eliphas Levi traça os Illuminati de volta a Zaratustra e afirma que sua doutrina secreta chegou a Weishaupt via maniqueísmo, os Cavaleiros Templários e a Maçonaria. Isso os coloca como parte da mesma tradição oculta que Giordano Bruno, Dr. John Dee, Aleister Crowley e dos Sufis do Islã.

Mas na quarta ou quinta versão, uma pesquisadora britânica chamada Nesta Webster vê os Illuminati como os cérebros por trás do socialismo, comunismo, anarquismo e do governo prussiano de 1776 a 1918. [Ela escreveu logo após a primeira guerra da Inglaterra com o Prússia.]

Na sexta versão, J.F.,C. Moore argumenta que os Illuminati, uma fonte secreta do ocultismo fascista, inspiraram personagens tão estranhos como Aaron Burr, Adolf Hitler e J. Edgar Hoover; mas os moluscos Philip Campbell Argyle-Smith são invasores extraterrestres do planeta Vulcano. Eles se autodenominam “judeus” neste planeta, acrescenta. Se isso significa que todos os judeus “são” vulcanos ou apenas alguns deles, parece incerto para mim, mas o vulcano mais famoso, Sr. Spock, “é” judeu na medida em que ser interpretado por um ator judeu o torna pelo menos parcialmente “judeu”. o que quer que isso signifique. Talvez Argyle-Smith tenha visto muitos filmes de Star Trek.

Ele também credita aos Vulcanos Iluminados a gestão dos bandidos da Índia, os sionistas em Israel, os bancos Rothschild, a Internacional Comunista, a Sociedade Teosófica, a Maçonaria e os Assassinos do Afeganistão medieval. Não sei por que deixou de fora George Bush e a Al Qaeda; provavelmente ele só escreveu cedo demais.

Outra teoria dos Illuminati cósmicos apareceu no East Village em junho de 1969; incluía Skull & Bones, os Rothschilds, a Nação do Islã [“Muçulmanos Negros”], Richard Nixon, os Panteras Negras, o Bank of America, os Rosacruzes, o Der Begriff Feme, o Federal Reserve e o Combine’s Fog Machine. Esse deve conter algumas piadas escondidas [espero].

De acordo com o RogerSpark, um jornal radical de Chicago [julho de 1969] Weishaupt realmente assassinou George Washington e serviu em seu lugar por seus dois mandatos como presidente. [Então, quem escreveu os livros de Weishaupt? Hegel talvez; eles soam como dele às vezes……]

A John Birch Society, é claro, tem uma visão diferente sobre tudo isso. De acordo com Gary Allen, editor de sua revista de notícias, American Opinion, Adam Weishaupt “era” um “monstro”, mas os Illuminati só ficaram realmente monstruosos após sua captura pelo aventureiro/bilionário inglês Cecil Rhodes, que o usou para estabelecer o domínio britânico no mundo. O Conselho de Relações Exteriores atua como sua “frente” mais importante nos EUA. hoje, de acordo com Allen.

Sandra Glass, no entanto, pensa nos Illuminati como um grupo de maconheiros clandestinos que incluíam os Assassinos medievais, Weishaupt, Goethe, Washington, o primeiro grande Richard Daly de Chicago e Ludvig van Beethoven. “Beethoven?” você pode bufar. Bem, curiosamente, uma biografia recente, acadêmica e não conspiratória do grande Ludwig van, de Maynard Solmon, diz que o Sr. B escreveu algumas de suas músicas sob encomenda dos Illuminati e tinha muitos amigos na própria Ordem. Solomon não menciona a maconha, no entanto; talvez Ludvig, como um presidente recente com uma ereção perpétua, não tenha tragado.

Então, novamente, Adam Gorightly em The Prankster and the Conspiracy afirma que todas as pesquisas recentes dos Illuminati [pós-1960] se tornaram confusas e caóticas por causa de uma conspiração falsa, também chamada de Illuminati, fundada por Kerry Thornley, um homem acusado de envolvimento em o assassinato de JFK por Nova Orleans D.A. Jim Garrison. De acordo com Gorightly, esse neo-Illuminati visa apenas atormentar e zombar dos esforços de pesquisadores de conspiração sinceros, e ele até acusa o autor deste ensaio [eu, R.A.W.] de envolvimento nessa conspiração diabólica!

Eu, é claro, me recuso a dignificar essa acusação absurda com uma negação, na qual ninguém acreditaria de qualquer maneira. Além disso, como o Rev. Ivan Stang da Igreja do Subgenius diz em Maybe Logic: “Bem, se eu fosse um membro dos Illuminati, não confessaria isso, certo?”

O ANTICORPO

“Não somos vítimas do mundo que vemos, somos vítimas da forma como vemos o mundo.”
— Dennis Kucinich

“Acho que Deus está nos mandando um recado: “Se você não aguenta uma piada, vá se foder”.
-Woody Allen

O que podemos revelar sobre o “real” Adam Weishaupt e os “reais” Illuminati?

Um livro funciona como um espelho, alguém disse uma vez: quando um macaco olha para dentro, nenhum filósofo olha para fora. Posso apenas dizer-lhe o que essa teoria me parece; outros, tenho certeza, encontrarão outras coisas nele – incluindo referências codificadas a Vulcanos, Skull and Bones, Zaratustra, a Der Begriff Feme, comunismo, Maria Madalena, o Federal Reserve, a Combine’s Fog Machine e outros.

Para mim, parece apoiar a mais cautelosa e conservadora de minhas fontes, a Enciclopédia Britânica, e o velho Adam se parece muito com um cansado defensor do “livre pensamento republicano”, estilo do século XVIII. Em outras palavras, ele parece um parente distante, filosoficamente falando, de Adam Smith, Hume, Voltaire, Jefferson, Franklin, Tom Paine – ou seja, de todas essas ideias libertárias atualmente tão fora de moda neste país quanto na Baviera na época de Weishaupt. Eu sei por que ele parece cansado para mim: tentar ensinar a libertação a pessoas que se sentem reconciliadas com sua escravidão pode realmente esmagar você, seja em 1804 ou em 2004.

Também acho que vejo uma influência de Kant, e talvez um prenúncio de Hegel, na estrutura semântica continuamente usada por Weishaupt – “X parece verdadeiro; não-X também parece verdadeiro; teremos que pensar mais sobre isso.” Tomás de Aquino fez o mesmo truque, mas sempre fica do lado da ortodoxia segura om sabor papista. Weishaupt joga a bola de volta para o leitor, embora você nem sempre o pegue fazendo isso.

Não vejo nenhuma prova conclusiva de que os Illuminati planejaram algo nefasto ou mesmo ilegal, exceto na medida em que o próprio pensamento livre permaneceu ilegal no sul da Europa. Mas também não vejo nenhuma prova conclusiva de que eles não fariam e não poderiam e não fizeram coisas desagradáveis. Como uma sociedade secreta escondida dentro da sociedade secreta da Maçonaria, os Illuminati sempre permanecerão um tanto misteriosos, e pedantes e paranóicos discutirão sobre isso até que o último bando desembarque.

Talvez Tom Jefferson tenha acertado quando disse que as sociedades secretas pareciam necessárias na Europa, assombradas pela monarquia e pelo papismo, mas não nos Estados Unidos. Certamente, enquanto a Constituição Americana permaneceu a lei nesta terra nenhuma pessoa sã sentiria a necessidade de sociedades secretas aqui. Atrevo-me a acrescentar “Mas e  agora com a Constituição em suspensão criogênica“? Não: é melhor eu não ir por ai… melhor prevenir do que remediar…

Por outro lado, não apenas as sociedades secretas, mas o próprio sigilo ou mesmo a privacidade parecem cada vez mais impossíveis sob o reinado de George III.

Eles têm câmeras escondidas em todos os lugares.

Eles grampeiam nossos telefones.

Se eles quiserem, eles podem “ler” cada pressionamento de tecla no meu computador, incluindo este:

Eles podem até bisbilhotar o conteúdo de nossas bexigas, em testes aleatórios explicitamente proibidos por aquela Constituição maravilhosa e moribunda. Doce Jesus de luto, não há lugar para onde possamos escapar ou nos esconder ou nos sentirmos sozinhos, não é?

Às vezes, me revirando e tentando dormir de madrugada, exploro as ideias rejeitadas pela minha cética mente desperta. Talvez as fantasias mais paranóicas sobre os Illuminati contenham alguma verdade… pode ser…

Talvez o Olho Que Tudo Vê na nota de dólar represente o estado totalmente fascista que esses bastardos querem.

Talvez todos aqueles discursos na Internet sobre Skull and Bones servindo como recrutador para os Illuminati tenha alguma base de fato, afinal.

Talvez devêssemos realmente nos preocupar quando a escolha na próxima eleição permanecer limitada a dois homens ricos de Bonesmen… O que Weishaupt escreveu? – “Quem é rico – muito rico – pode fazer qualquer coisa…”.

Talvez devêssemos considerar “Illuminati” como um termo genérico ou uma metáfora?

Talvez toda estrutura de poder aja muito como as fantasias mais paranóicas sobre os Illuminati, especialmente quando se sente ameaçada.

Talvez você devesse ver o mundo como uma conspiração dirigida por um grupo muito unido de pessoas quase onipotentes.

Talvez você deveria pensar que esse grupo de pessoas sejam você e seus amigos.

Não, não – é assim que é a loucura, a esquizofrenia. Depois de um sono profundo, acordo, as sombras fogem e lembro que “tudo está bem neste melhor dos mundos possíveis”.

Voltaire não pretendia que isso fosse sarcasmo, pretendia?

Robert Anton Wilson
subterrâneo profundo
Em algum lugar nos EUA ocupados
23 de fevereiro de 2004

Leitura e visualização recomendadas:

  • Argyle-Smith, Philip Campbell — High IQ Bulletin, Colorado Springs 1970, IV, 1
  • Bauscher, Lance — MaybeLogic, http://www.maybelogic.com
  • Daraul, Akron — History of Secret Societies, Citadel Press NY, 1961.
  • Ellul, Jacques — Violence, Seabury Press, NY,1969.
  • Glass, Sandra — “The Conspiracy,” Teenset, March 1969.
  • Gorightly, Adam — The Prankster and the Conspiracy, ParaView Press, NY, 2003.
  • Gurwin, Larry — The Calvi Affair, Pan Books, London, 1984.
  • Knight, Stephen — The Brotherhood, Grenada, London, 1984.
  • Levi, Eliphas — History of Magic, Borden Publishing, Los Angeles, 1963.
  • Millegan, Kris — Fleshing Out Skull & Bones,Trineday, Walterville, OR, 2003.
  • Moore, J.f.C. — “The Nazi Religion,” Libertarian American, August 1969.
  • Morals, Vamberto — Short History of Anti-Semitism, Norton, NY, 1976.
  • Robison, John — Proofs of a Conspiracy, Christian Book Club, Hawthorn, CA, 1961.
  • Solomon, Maynard — Beethoven, Schirmer Books, NY, 1977.
  • Vankin, Jonathan — Conspiracies, Cover-Ups and Crimes, IllumiNet Press, Lillburn,GA, 1996.
  • Webster, Nesta — World Revolution, Constable, London, 1921.
  • Wilgus, Neal — The Illuminoids, Sun Press, Albuquerque NM, 1977.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/adam-weishaupt-e-os-illuminati/

Afrodite: All You Need is Love

Semana anterior falamos sobre a Razão: um dos 3 pilares da Magia e também dos 3 estados de consciência que precisam ser trabalhados e dominados dentro de cada um de nós. Falei sobre os deuses associados à razão, à lógica e ao entendimento e como os antigos utilizavam-se destas alegorias e representações para facilitar o domínio destes conceitos.

Hoje falaremos sobre o contraponto feminino em nossa mente. Associado ao elemento Água, ao naipe de taças (copas) e ao sagrado feminino, a Emoção está representada na esfera de Netzach.

Antes de prosseguir com a leitura desta matéria, recomendo que vocês leiam (ou releiam) o post sobre Hermes Trismegistrus antes de continuar.

Inanna
A representação mais antiga de Netzach era a deusa Inanna.
Inanna era a deusa do amor, do erotismo, da fecundidade e da fertilidade, entre os antigos Sumérios, sendo associada ao planeta Vênus.
Era especialmente cultuada nos enormes e importantes templos em Ur, mas era alvo de culto em todas as cidades sumérias.

Inanna surge em praticamente todos os mitos, sobretudo pelo seu carácter de deusa do amor (embora seja sempre referida como a virgem Inanna). Inanna representava também a primavera e as festividades relacionadas com o plantio. Sua história conta que como a deusa se tivesse apaixonado pelo jovem Dumuzi (um deus que antes era humano, representante das plantações, que todo ano morria e posteriormente era ressuscitado… já viram este mito em algum lugar antes?). Durante o Inverno, tendo Duzumi morrido, a deusa Inanna desceu aos Infernos para o resgatar dos mortos, para que este pudesse dar vida à humanidade, agora transformado em deus da agricultura e da vegetação no final dos tempos tenebrosos.

É cognata das deusas semitas da Mesopotâmia (Ishtar) e de Canaã (Asterote e Anat), tanto em termos de mitologia como de significado.

Ishtar
Da deusa Inanna, surgiu na suméria o culto a Ishtar.
Ishtar é a deusa mãe dos acádios, herança dos seus antecessores sumérios, cognata da deusa Asterote dos filisteus, de Isis dos egipcios, Inanna dos sumérios e da Astarte dos Gregos. Mais tarde esta deusa foi assumida também na mitologia Nórdica como

Easter – a deusa da fertilidade e da primavera.
Esta deusa era irmã gêmea de Shamash (que era o deus solar – preste atenção que isto é importante!) e filha do deus Sin, o deus lunar (e isto também será importante). Até este momento da história, quando os homens não tinham muita certeza sobre como as mulheres geravam os filhos, as principais divindades eram todas matriarcais, e associadas ao Sol.

Assim como Inanna, Ishtar também é representada pelo planeta Vênus.
Eu já havia falado sobre os ritos sexuais do Hieros Gamos então não vou repetir. Além destes rituais, o mais importante festival em honra a Ishtar consistia na Celebração do

Equinócio da Primavera.
Neste ritual, os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam nos campos. Para quem não fez as contas ainda, o Equinócio da Primavera cai aproximadamente dia 21 de Março, inicio do período de plantações.
Estes ovos continham runas e magias de Sigil pintadas cuidadosamente sobre eles (ensinarei sobre magia de Sigil daqui algumas colunas). Estes ovos eram enterradas nos campos e, quando os ovos eram destruídos pelos arados, os desejos escritos nos ovos se realizavam. Esta é a origem dos ovos “coloridos” de “Páscoa” (na verdade, eles não eram apenas “pintados”, mas escritos com runas e sigils de várias cores, representando cada cor e símbolo dos desejos a serem realizados)… calma que chegaremos nos coelhos daqui a pouco.

[um parênteses – hoje em dia, quando alguém vai em um templo de Umbanda e Candomble e recebe uma instrução de um Exú ou Bombo-Gira para acender tantas velas de tal cor para realizar um pedido, ou quando amarramos fitas de cores específicas nos galhos de uma árvore no Japão, no festival de Tanabata, ou quando desligamos nossa mente pintando mandalas com areia colorida, estamos falando do MESMO tipo de magia ritualística, apenas em formas e culturas diferentes – fim do parênteses].

Ísis
Isis é a deusa suprema do panteão egipcio; a grande mãe, a grande deusa, a criadora da vida. Ela era descrita como tendo pele clara, olhos azuis e cabelos negros. Junto com Osíris e Hórus, fazia parte da trindade sagrada dos deuses egípcios.
As lendas diziam que suas sacerdotisas eram capazes de controlar o clima prendendo ou soltando seus cabelos. Seus sacerdotes conheciam como ninguém as artes de trabalhar com metalurgia. Assim como nas culturas anteriores, o culto à deusa-mãe que representava as forças da natureza era muito difundido. Ísis era a deusa da sabedoria, detentora de todos os poderes mágicos dentro nas iniciações das Pirâmides (o chamado “Véu de Ísis”). Repare no “carretel de empinar pipas” que ela carrega em sua mão esquerda. Mais tarde falaremos sobre ele.

Ísis era casada com seu irmão osíris e ambos governavam o Egito. Enquanto Osíris estava espalhando suas idéias de civilização pelo mundo, Isis governava o Egito. Porém, seu irmão Seth era um deus violento e invejoso e queria o trono para si. Quando Osíris retornou a Menphis, Seth convocou 72 auxiliares e o convidou para um banquete. Durante o jantar, ele mostrou um belíssimo baú e disse que qualquer pessoa que coubesse dentro dele seria seu dono. Osíris coube perfeitamente, mas Seth e seus seguidores fecharam o baú com chumbo derretido e jogaram a caixa no Nilo.

A caixa chegou na Fenícia, onde uma árvore de Tâmaras cresceu ao seu redor. Mais tarde, quando esta árvore foi cortada e levada para fazer um pilar de um templo no palácio do rei, o odor da árvore era tão maravilhoso e diferente que a história acabou chegando até os ouvidos de Ísis e Seth.

Seth chegou primeiro ao baú e despedaçou o corpo de Osíris em 14 pedaços, que espalhou pelo Egito. Quando Ísis conseguiu chegar até o baú, ficou desesperada e começou a procurar pelas partes de Osíris por toda a terra, até que conseguiu recuperar todas as partes de seu amado (exceto seu falo, que havia sido devorado por um caranguejo) e levá-lo para os pântanos da deusa cobra Buto. Ali, utilizando-se de magias de Thoth e Anubis, Ísis conseguiu reanimar a essência de seu amado tempo suficiente para gerar um filho (sem contato sexual), chamado Hórus. Ísis era considerada uma deusa-virgem até então, de onde pode-se dizer que Hórus nasceu de uma Virgem.

Hórus simboliza a criança do solstício de Inverno; a esperança que o sol mais uma vez surgirá após o tenebroso inverno.

Em seguida, Ísis realiza os ritos de embalsamar, preparando Osíris para a viagem ao Próximo Mundo. Ísis e Hórus permanecem no pântano de Buto até que Hórus esteja forte o suficiente para desafiar seu tio Seth.
Quando estava em idade adequada, foi chamado um conselho dos deuses e Hórus pediu a eles que recuperasse o trono que era seu por direito. Todos os deuses votaram para que o trono permanecesse com Seth, exceto Toth (a Razão). O trono permanecia com Seth.

Ísis começou a proferir maldições e Seth ficou furioso, ameaçando matar um deus por dia até que os deuses decidissem a seu favor. Para evitar maiores problemas, Rá ordenou que a votação fosse movida para um santuário em uma Ilha e deu instruções ao barqueiro Ani para que nenhuma mulher cruzasse aquelas águas.

Ísis, então, decidiu usar um estratagema: transformou-se em uma linda donzela e, disfarçada, subornou Ani para que a levasse até a ilha de santuário de Seth, onde o seduziu com sua beleza. Quando Seth estava prestes a cair em sua sedução, ísis contou a ele que era uma viúva com um filho, cuja herança em gado havia sido tomada injustamente por seu tio estrangeiro, e perguntou o que ela deveria fazer para ajudar o filho da viúva. Seth disse a ela que o filho dela era o verdadeiro herdeiro.
Ísis foi, então, até o conselho dos deuses onde contou a todos o que havia acontecido e, dado que o julgamento foi proferido pela própria boca de Seth, os deuses não tiveram outra alternativa senão entregar o trono a Hórus.

Seth pediu, então, que o trono fosse disputado em uma batalha entre os dois e o conselho concordou. A partir de então, os dois deuses combatem, sendo responsabilidade de Toth velar para que haja sempre equilíbrio entre as estações.
Ísis era considerada uma deusa LUNAR. Ao contrário de suas predecessoras, que eram divindades solares, a partir do Egito as deusas femininas que possuem as atribuições sexuais e de fertilidade passam a adquirir atributos lunares. Isto se deve, em parte à associação do ciclo menstrual feminino (de 28 dias) com os ciclos lunares e, em parte, com a tomada do poder pelo patriarcado, que elevou o Sol à categoria de deus masculino dominador todo-poderoso.

Afrodite
De acordo com a Teogonia, de Hesíodo, Afrodite nasceu quando Urano (pai dos titãs) foi castrado por seu filho Cronos/Saturno, que atirou os genitais cortados de Urano ao mar, que começou a ferver e a espumar, esse efeito foi a fecundação que ocorreu em Tálassa, deusa primordial do mar. De aphros (“espuma do mar”), ergueu-se Afrodite e o mar a carregou para Chipre. Assim, Afrodite é de uma geração mais antiga que a maioria dos outros deuses olímpicos.

Após destronar Cronos, Zeus ficou ressentido pois tão grande era o poder sedutor de Afrodite que ele e os demais deuses estavam brigando o tempo todo pelos encantos dela, enquanto esta os desprezava a todos. Como vingança e punição, Zeus fê-la casar-se com Hefesto, que usou toda sua perícia para cobri-la com as melhores jóias do mundo, inclusive um cinto mágico do mais fino ouro, entrelaçado com filigranas mágicas. Segundo Homero, Afrodite e Hefesto se amavam mas, pela falta de atenção deste, que estava sempre envolvido com os trabalhos encomendados pelos deuses, Afrodite começou a trair o marido com Ares.

Suas festas eram chamadas de “Festas Afrodisíacas” e eram celebradas por toda a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto. Suas sacerdotisas eram consideradas prostitutas sagradas, que representavam a própria Afrodite, e o sexo com elas era considerado um meio de adoração e contato com a Deusa. Com o passar do tempo, e com a substituição da religiosidade matriarcal pela patriarcal, Afrodite passou a ser vista cada vez mais como uma Deusa frívola e promíscua, como resultado de sua sexualidade liberal.

Afrodite/Vênus representa as paixões incontroladas, o espírito deixado levar pelo sentimento, as forças primordiais do SENTIR, incontroláveis. Vênus simboliza a emoção pura. O desejo, ciúmes, amizade, amor, ódio, luxúria, a arte, inspiração, etc… todos os sentimentos que não podem ser controlados pela Razão são de domínio de Vênus. Tudo o que não pode ser contabilizado, quantificado ou racionalizado pertence à Esfera de Vênus… a esfera de Netzach.

Eostre
Eostre ou Ostera é a deusa da fertilidade e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica. A primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação a ela associados.
A lebre (e NÃO um coelho) era seu símbolo. Suas sacerdotisas eram capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada (claro que a versão “coelhinho da páscoa, que trazes pra mim?” é bem mais comercialmente interessante do que “Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte para mim?”, que é a versão original desta rima.

A lebre de Eostre pode ser vista na Lua cheia (vide desenho neste post) e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade.
De seus cultos pagãos originou-se a Páscoa (Easter, em inglês e Ostern em alemão), que foi absorvida e misturada pelas comemorações judaico-cristãs. Os antigos povos nórdicos comemoravam o festival de Eostre no dia 30 de Março. Eostre ou Ostera (no alemão mais antigo) significa “a Deusa da Aurora” (ou novamente, o planeta Vênus). É uma Deusa anglo-saxã, teutônica, da Primavera, da Ressurreição e do Renascimento. Ela deu nome ao Sabbat Pagão, que celebra o renascimento chamado de Ostara.

Afrodite/Vênus na Kabbalah
A Árvore da Vida representa um mapa dos estados de consciência humanos. Vamos falar mais detalhadamente sobre isso em posts futuros, mas vou fazer a referência agora e vocês podem retornar e ler novamente este texto mais tarde, ok?

Em razão de sua ligação com o amor incondicional e com as emoções, Vênus está associado na Kabbalah à sétima esfera (sephira), chamada Netzach (Vitória). Netzach representa a emoção pura, o amor, desejo, luxúria, as águas torrentes das paixões. Enquanto Hod, sua contraparte racional, é simbolizada pelos ventos frios do deserto, Netzach é associada ao elemento Água e ao lado feminino de nossos pensamentos.
Netzach está associado ao planeta Vênus, ao metal cobre, ao incenso de benzoin e rosas, às rosas, à cor verde, à esmeraldas, velas e aos cinturões. Netzach influencia os Caminhos de Qof (29), a “antiga bruxa”, a conexão entre o Emocional e o Plano Físico, representado pelo sentimento que deu origem a todas as grandes festividades ao redor das fogueiras; Tzaddi (28) a “Estrela”, que liga as fortes conexões entre o Plano Astral e o Emocional. É um caminho tão importante que Aleister Crowley o substituiu com o caminho de Heh (Imperador) no cruzamento do Abismo (falaremos sobre isto mais adiante, mas por enquanto, lembrem-se da frase “Todo Homem e toda Mulher é uma estrela”). Peh (27), a Torre, o caminho turbulento que conecta a esfera da Razão Pura à esfera da Emoção Pura. Imaginar este estado de consciência é como colocar um fanático cético com um fanático religioso para discutir. Mais cedo ou mais tarde, a estrutura vai rachar ao meio.

Da conexão entre Netzach e Tiferet está Nun (24), a terrível Morte através do sacrifício pela Humanidade, a maneira do caminho da Mão Direita para se chegar a Ascensão. A frase usada ad nauseam pelos católicos e evangélicos (“Jesus morreu para nos salvar”) vem de uma má interpretação ou de uma interpretação literal deste caminho. O quinto caminho, conectando os rituais de fertilidade com a esfera da prosperidade (Hesed) é o caminho de Koph (21), também conhecido como a “Roda da Fortuna”, que rege os ciclos da natureza.

Assim como os excessos de Hod criam os fanáticos-céticos, os excessos de Netzach criam os fanáticos religiosos: Aqueles que acreditam em algo baseados apenas na fé, sem razão nem imaginação. Como eu já disse alguns posts atrás, fanáticos ateus e fanáticos religiosos são duas faces da mesma moeda, e aqui está a demonstração. Sem equilíbrio e domínio dos quatro elementos não vamos a lugar nenhum, ficando perdidos e isolados nestas esferas que, como vocês podem observar, ocupam o mesmo grau dentro do mapa da consciência humana.

Os símbolos de Vênus
O primeiro e mais conhecido deles é o Pentagrama. Observando o céu e anotando a posição da “Estrela Matutina” durante 8 anos, o traçado do chamado “período sinódico” de Vênus forma um Pentagrama (período sinódico é o tempo que um planeta leva para retornar a uma mesma posição em relação ao sol por um observador na Terra – observe o desenho ao lado).

O outro símbolo de Vênus, que também é a sua representação planetária utilizada por cientistas e ocultistas, é este que está representado ao lado. Ele possui a chave para entender o caminho de Nun através da Mão Direita (somente através do amor e do sacrifício pela humanidade é que se consegue atingir a Iluminação).

Examinemos o símbolo de Vênus por um momento: um círculo sobreposto a uma cruz. A cruz representa o Plano Material e o Microcosmos, enquanto o círculo representa o Espírito e o Macrocosmos. A cruz representa o ciclo de reencarnações, os quatro elementos que precisam ser dominados para se chegar até o estado de Iluminado, enquanto o círculo representa o ciclo divino, já fora da Roda de Samsara. O ponto central do símbolo é a esfera de Tiferet – O Sol.

Também quero que vocês prestem atenção na estrutura da Árvore da Vida. Quando estudamos as relações entre o Microcosmo e o Macrocosmo na alquimia, podemos sublinhar alguns dos caminhos mais relevantes para este processo de Autoconhecimento: Aleph, Beth, Vav, Chet, Yod, Lamed, Sameck, Peh e o mais importante de todos: Tav.

Vamos ver o que acontece quando eu seleciono estes caminhos no diagrama:

Vejam só, crianças… que símbolo curioso surgiu!
Não é um prendedor de cinto de Ísis e muito menos um segurador de pipas, como os céticos acreditam. É o símbolo da Árvore da Vida, retratado pelos Antigos Egípcios através do Ankh, o Símbolo da VIDA ETERNA.

E qual seria a razão pela qual o símbolo astronômico de Vênus e o Símbolo da Árvore da Vida e do caminho até Deus serem os mesmos?
Porque… não importa quanto conhecimento você adquira (Hod), não importa o quanto você seja fodão em alquimia e magia (Yesod), não importa o quão rico e bem estruturado você esteja no Plano Material (Malkuth), sem AMOR você não vai chegar a lugar nenhum.

E o Símbolo de Netzach/Vênus representa o “Tudo o que está acima é igual ao que está abaixo”. De nada adianta um mundo com tecnologia melhor que a Atlântida se a humanidade continua fazendo as mesmas merdas…

Love, love, love, love, love, love, love, love, love.
There’s nothing you can do that can’t be done.
Nothing you can sing that can’t be sung.
Nothing you can say but you can learn how to play the game
It’s easy.
There’s nothing you can make that can’t be made.
No one you can save that can’t be saved.
Nothing you can do but you can learn how to be in time
It’s easy.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
Love, love, love, love, love, love, love, love, love.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
There’s nothing you can know that isn’t known.
Nothing you can see that isn’t shown.
Nowhere you can be that isn’t where you’re meant to be.
It’s easy.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
All you need is love (all together now)
All you need is love (everybody)
All you need is love, love, love is all you need.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afrodite-all-you-need-is-love

Individualização e Verdadeira Vontade

Tradução:Mago implacavel

Revisão: (não) Maga patalógica

Na seção anterior deste ensaio, foi visto como a mente inibe a expressão plena da Vontade. O “fator infinito e desconhecido” é a “Vontade subconsciente”, e, portanto, se podemos eliminar os complexos de pensamento que impedem que essa Vontade se manifeste, conheceremos nossa Vontade. Este processo pelo qual conhecemos e fazemos a nossa Vontade é chamado em alguns lugares “A Grande Obra”. Crowley explica a Grande Obra de conhecer a verdadeira Vontade, de forma concisa quando escreve,

“Não devemos nos considerar como seres básicos, sem cuja esfera é Luz ou” Deus “. Nossas mentes e corpos são véus da Luz interior. O não iniciado é uma “Estrela Negra”, e a Grande Obra para ele é fazer seus véus transparentes “purificando” eles. Esta “purificação” é realmente “simplificação”; não é que o véu esteja sujo, mas que a complexidade de suas dobras torna opaco. O Grande Trabalho consiste, portanto, principalmente na solução de complexos. Tudo em si é perfeito, mas quando as coisas estão confusas, elas se tornam “malvadas”.¹

Este processo da Grande Obra que “consiste principalmente na solução de complexos” também é coincidente com uma frase Crowley freqüentemente usada: Conhecimento e Conversação do Santo Anjo Guardião. Ele afirma essa identidade o mais claramente possível quando escreve: “A Grande Obra é a realização do Conhecimento e Conversação do SAG.”

O processo pelo qual conhecemos e fazemos nossa Vontade é a solução de complexos que inibem o fluxo livre e natural da Vontade. A Grande Obra é simplesmente uma remoção das inibições do eu consciente para permitir que o Eu verdadeiro, que contenha elementos conscientes e subconscientes, reine livremente para fazer o ele Quer. A teoria é que, se só pudermos “limpar as portas da percepção” (como William Blake diz), teremos permissão para manifestar efetivamente a nossa Vontade pura. Crowley escreve: “Nosso próprio Ser silencioso, indefeso e sem palavras, escondido dentro de nós, surgirá, se tivermos arte para soltá-lo para a Luz, avançar rapidamente com seu grito de Batalha, a Palavra de nossas Verdadeiras Vontades. Esta é a Tarefa do Adepto, para ter o Conhecimento e a Conversação de Seu Santo Anjo Guardião, para tomar consciência de sua natureza e seu propósito, cumprindo-os “.³ Aqui Crowley não só faz o Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda análogo a tornando-se consciente e cumprindo a natureza e o propósito de alguém, mas ele admite que tudo o que precisamos é de “ofício para soltar” esse “Eu Mágico” e então, naturalmente, a “Palavra de nossas Verdades Vontades” será “brotar luxuriante pra frente”.

As várias formas de Horus encontradas no Liber AL vel Legis (Ra-Hoor-Khuit, Hoor-paar-kraat, Heru-pa-kraath, Heru-ra-ha, etc.) 4 representam uma expressão simbólica do “Silencioso” ou “True Self” e, portanto, também um símbolo do Sagrado Anjo da Guarda. Horus é, portanto, uma expressão arquetípica do Eu a que todos aspiram a se unir ou se identificar com “A Grande Obra”. Isto é falado em Liber AL quando Hórus, o falante do terceiro capítulo, diz: “Fazei a Mim a vossa reverência! vinde vós a mim através da tribulação do ordálio que é êxtase. “.5 Crowley explica:

Vimos que Ra-Hoor-Khuit é, em um sentido, o Eu Silencioso em um homem, um Nome de seu Khabs, não tão impessoal como Hadit, mas a primeira e menos falsa formulação do Ego. Devemos venerar este eu em nós, então, não para suprimir e subordiná-lo. Nem nós devemos evadir, mas para chegar a ele. Isso é feito “através da tribulação da provação”. Esta tribulação é a experiência no processo chamado Psicanálise, agora que a ciência oficial adotou – na medida em que a inteligência inferior permite – os métodos do magus. Mas a “provação” é “êxtase”; a solução de cada complexo por “tribulação” … é o espasmo da alegria, que é o acompanhamento fisiológico e psicológico de qualquer alívio da tensão e congestionamento “.

Crowley identifica Horus como uma expressão simbólica do Eu cuja Vontade não deve ser suprimida, subordinada ou evadida. O mais surpreendente das declarações de Crowley é que ele afirma que a “tribulação da provação” da Grande Obra é coincidente com a Psicanálise, uma conexão direta novamente entre a psicologia e Thelema. Com isso, podemos ver que o processo da psicanálise é análogo ao “Grande Trabalho” e ao “Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda”: é uma realização do verdadeiro Eu.

Carl Jung considerou esse mesmo processo de “individuação”. Ele define a individuação como:

“Tornando-se um “in-divíduo”, e na medida em que a “individualidade” abrange a nossa singularidade, última e incomparável unicidade, também implica tornar-se a si próprio. Podemos, portanto, traduzir a individuação como “chegando à individualidade” ou “auto-realização …” Os egotistas são chamados de “egoísta”, mas isso, naturalmente, não tem nada a ver com o conceito de “eu”, como estou usando aqui … Individuação, portanto, só pode significar um processo de desenvolvimento psicológico que satisfaça as qualidades individuais dadas; em outras palavras, é um processo pelo qual um homem se torna o ser definitivo e único, ele é de fato. Ao fazê-lo, ele não se torna “egoísta” no sentido ordinário da palavra, mas está cumprindo apenas a peculiaridade de sua natureza, e isso … é muito diferente do egoísmo ou do individualismo.

Jung aqui afirma que a individuação é uma “auto-realização”, mas garante a qualificação dessa afirmação dizendo que isso não significa um fortalecimento do ego essencial. Este eu que se realiza está além da noção egocêntrica normal de “eu”. Em vez disso, este eu contém tanto o consciente (onde o ego reside) quanto os fatores inconscientes. Jung explica que “o consciente e o inconsciente não são necessariamente opostos um ao outro, mas complementam outro para formar uma totalidade, que é o eu” .8 Este é o Eu que vem a “através da tribulação da provação”. Horus é um símbolo desse Eu em Liber AL vel Legis, e em outros lugares o Sagrado Anjo da Guarda é mencionado como esse símbolo. Crowley escreve: “O anjo é o verdadeiro eu de seu eu subconsciente, a vida escondida de sua vida física” e “seu anjo é a unidade que expressa a soma dos elementos desse eu” 9, um paralelo quase exato de A definição de Jung do “eu”.10

Conforme afirmado anteriormente por Crowley, este processo de individuação ou “A Grande Obra … consiste principalmente na solução de complexos”, e é simplesmente tornar-se consciente e satisfazer a própria natureza. Através desta grande obra de individuação, alguém se identifica com este eu. Em Thelema, faz-se tal sob a figura de Hórus.11 Um vem a saber que “ele [ou ela] é Harpocrates, o Menino Hórus … isto é, ele está em Unidade com sua própria Natureza Secreta”. 12

Pode-se até mesmo afirmar que a Grande Obra é um processo natural da psique humana. Carl Jung diz: “a força motriz [do inconsciente], na medida em que é possível para nós entendê-lo, parece ser, na essência, apenas um impulso para a auto-realização” .13 Nesse sentido, todos os humanos estão participando de o drama da “Grande Obra”, cada um esforçando-se, conscientemente ou inconscientemente, para essa união de naturezas subconscientes e conscientes no Eu, para que eles possam realizar suas Forças de forma mais completa.

1 Crowley, Aleister. The Law is for All, I:8.

2 Crowley, Aleister. Liber Aleph, “De Gradibus ad Magnum Opus.”

3 Crowley, Aleister. The Law is for All, I:7.

4 É interessante notar que Crowley diz em seu comentário do Liber Al, “O Louco tamém é o Grande Louco,Bacchus Diphues, Harpocrates, the Eu Anão, o SAG, enfim,” essencialmente equiparando todos os símbolos. Depois, ele escreve em seu comentário do Liber Al II:8, “Harpocrates é… a Alma Anã, o Self Secreto de cada homem, a serpente com a cabeça de Leão.” Se isso for verdade, e de acordo com o Liber Al i:8 “Hoor-paar-kraat” (um nome para Harpócrates) é dado como a fonte do Liber AL vel Legis como o próprio livro proclama, então Liber AL foi de fato a manifestação do inconsciente de Crowley. O fato é que o inconsciente contém “tanto o conhecimento quanto o poder” maior que a mente consciente e, portanto, é bem possível que o Liver Al vel legis seja uma manifestação do mesmo.

5 Crowley, Aleister. Liber AL vel Legis, III:62.

6 Crowley, Aleister. The Law is for All, III:62.

7 Jung, Carl. “The Function of the Unconscious” from The Collected Works of C.G. Jung vol.7, par.266-267.

8 Jung, Carl. “The Function of the Unconscious” from The Collected Works of C.G. Jung vol.7, par.274.

9 Crowley, Aleister. “Liber Samekh,” Ponto II, Seção G.

10 Por estas considerações será visto que o SAG é mais acertadamente não um ente externo como algum grupos thelemicos dizem. Isto é dito provavelemente devido a uma declaração feita por Crowley no Magick Without Tears, um tratado feito pra iniciantes totais. Temos que entender que o subconsciente pode e aparece um autonomo para a mente consciente. Portanto, alguém pode dizer que o Anjo está “fora” do individuo pois parece que ele funciona autonomamente considerando o ponto de vita do ego, mas em ultima instancia , chega-se a ver que o Anjo é, de fato, o somatório de ambas as naturezas subconscientes e conscientes que compõem o Eu.

11 Numa nota de rodapé do capitulo 90 do Confessions of Aleister Crowley, Symonds escreve sobre uma declaração que Crowley fez para um discípulo Frank Bennett: “Quero explicar-lhe plenamente, e em poucas palavras, o que significa iniciação, e o que se entende quando conversamos sobre o Eu Real e o que o Eu Real é. “E então, Crowley disse a ele que era tudo uma questão de conseguir que a mente subconsciente funcionasse; e quando essa mente subconsciente tem permissão a dominação total da mente, sem interferência da mente consciente, então a iluminação poderia começar; Para a mente subconsciente era nosso Santo Anjo da Guarda. Crowley ilustrou o ponto assim: tudo é experimentado na mente subconsciente, e ele (o subconsciente) está constantemente exortando sua vontade na consciência, e quando os desejos internos são restritos ou suprimidos, o mal de todos os tipos é o resultado “. Embora isso seja diretamente ade acrodo com nossas conclusões, incluí-lo apenas em uma nota de rodapé porque é uma conta de terceiros.

12 Crowley, Aleister. Liber Aleph, “De Gramine Sanctissimo Arabico.”

13 Jung, Carl. “The Function of the Unconscious” from The Collected Works of C.G. Jung vol.7, par.291.

Link texto original: https://iao131.com/2013/03/02/psychology-of-liber-al-pt-5-individuation-and-the-true-will/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/individualiza%C3%A7%C3%A3o-e-verdadeira-vontade

Austin Osman Spare

1886 – 1956

Austin Osman Spare foi um dos artistas gráficos mais completos de seu tempo. Foi também um ocultista altamente capacitado que praticava uma forma de magia característica dos iniciados do Caminho da Mão Esquerda (este termo tem sido mal-interpretado pela maioria dos escritores ocultistas; no livro “Aleister Crowley and the Hidden God”, Kenneth Grant aborda o tema em questão adequadamente, explicando com maestria inquestionável que o termo significa especìficamente “o Caminho utilizado por aqueles que se valem das energias sexuais para adquirir controle dos mundos invisíveis”). Spare foi reconhecido como um Mestre deste Caminho por aqueles em condição de avaliar tais práticas e iniciou o núcleo de um movimento conhecido como Zos Kia Cultus.

Não se deve pensar que basta ser iniciado de alguma fraternidade esotérica para se conseguir acesso à corrente mágica deste Cultus, nem que isto foi fácil mesmo à época de Spare. Para se beneficiar desta poderosa prática de magia, será necessário colocar-se em sintonia com o Espírito do Culto.

A vida pessoal de Spare, por mais interessante que seja, não acrescenta muito à sua obra; apesar disto, forneceremos aqui alguns detalhes biográficos apenas para situà-la no tempo. Austin Osman Spare manteve um interesse perpétuo sobre a teoria e a prática da bruxaria, que começou em sua infância em virtude de seu relacionamento pessoal com sua babá, uma velha mulher do interior da Inglaterra chamada Paterson e que dizia ser descendente direta de uma linhagem das famosas feiticeiras de Salem. Se analisarmos a obra de Spare, reconheceremos nìtidamente a influência direta de uma corrente mágica vital que, certamente, só é transmitida por via oral e que indiscutìvelmente só poderia ter sido ensinada por um iniciado de alguma antiga tradição oculta.

Etimologicamente, feitiçaria ou bruxaria significa “aprisionar espíritos dentro de um círculo”. Não é a mesma coisa que praticar “magia”, que é a “arte de fazer ‘encantamentos’ ou ‘fascínios’”. Os métodos de Spare parecem pertencer mais à bruxaria que à magia, embora certamente envolvam ambas as técnicas.

Para Spare, do mesmo modo que para Aleister Crowley, a sexualidade é o centro da bruxaria e da magia, e é a chave para ambos os sistemas. Entretanto, se para Spare a bruxaria é um meio de realização do prazer, de transformação da velhice em juventude, de feiura em beleza, da natureza em arte, para Crowley ela é um meio de adquirir e irradiar poder, transformando a fraqueza em força e a ignorância em conhecimento. Ambos tiveram seus preceptores: Crowley foi fortemente influenciado por MacGregor Mathers, Grão-Mestre da antiga Ordem Hermética da Aurora Dourada, uma pessoa de energia marcial, enquanto Spare foi grandemente influenciado por uma feiticeira, Paterson, a bruxa arquetípica, velha e feia, que podia transmutar-se numa criatura de extraordinário poder de sedução a seu bel-prazer.

Crowley e Spare foram atraídos cada qual por diferentes gurus que influenciaram tanto seu caráter quanto sua obra. Isto explica porque Spare ficou tão pouco tempo na ‘Fraternidade da Estrela de Prata’ (Brotherhood of the Silver Star, ou AA – Argenteum Astrum, fundada por Aleister Crowley a partir dos ensinamentos da Golden Dawn, Aurora Dourada, e para a qual Spare entrou em 10 de julho de 1910 com o motto de Yihoveaum, que significa “Eu Sou AUM”, ‘eu sou a eternidade’): a disciplina que era exigida por Crowley para os membros de sua fraternidade não combinava com a concepção de liberdade de Spare, que consistia na expressão artística irrestrita do “sonho inerente” que é, de certa forma, idêntico à Verdadeira Vontade (Thelema) formulada por Crowley. Para Spare, entretanto, a transformação deste “sonho inerente” em algo real exigia um tipo de liberdade diferente daquela idealizada por Crowley. O resultado foi que Crowley, dois anos antes de sua morte em 1947, perguntado sobre o que achava de Spare, respondeu que este se havia tornado um ‘irmão negro’ (mago negro, um termo usado em ocultismo para representar alguém que deliberadamente se afasta da corrente evolutiva, passando a considerar como objetivo primordial o culto à sua personalidade) pelo cultivo do ‘auto-amor’ através do prazer. Se Crowley tinha ou não razão acaba não prejudicando o fato de que a contribuição de Spare para o moderno ocultismo foi tão grande quanto sua arte. Em duas ocasiões anteriores, em 1921 e em 1923, Crowley escrevera que seu discípulo “aprendeu muito do ‘Livro da Lei’ (que forma a base do Culto de Thelema de Crowley, psicografado pelo mesmo no Cairo em 1904 a partir da comunicação astral com uma entidade chamada Aiwass); o resto é um mistura de The Book of Lies (escrito por Crowley em 1913) com William Blake, Nietzsche e o Tao Teh King” e que “seu Livro parece-me ainda melhor e mais profundo do que quando o li pela primeira vez.” Estas declarações de Crowley sobre Spare são muito interessantes porque mostram que o primeiro considerava o segundo como seu aluno de ocultismo, além de o ter em alta consideração por ter o mesmo baseado suas teorias na mesma tradição oculta que Crowley ensinava, embora de uma forma um tanto diversa.

Seis ou sete anos antes da publicação de The Focus of Life, Spare publicou em edição do autor seu livro The Book of Pleasure (Self-Love), The Psychology of Ecstasy. Ambos eram e ainda são muito difíceis de se conseguir. Além disto, eles são igualmente difíceis de se entender, a não ser que se tenha a chave do sistema oculto proposto por eles.

Enquanto identificado com sua bruxaria, Spare usava o nome iniciático (motto) de Zos vel Thanatos, ou simplesmente Zos. Este indica a natureza de sua preocupação maior, sua obsessão primária: o corpo e a morte. ‘Zos’ era definido por ele como “o corpo considerado como um todo” e nisto ele incluía corpo, mente e alma; o corpo era o alambique de sua bruxaria. Seu outro símbolo chave, ‘Kia’, representa o “Eu Atmosférico”, o Eu Cósmico ou Eu Superior, que utiliza ‘Zos’ como seu campo de manifestação.

O culto de Zos e Kia envolve a interação polarizada da energia sexual em suas correntes positiva e negativa, simbolizada antropomòrficamente pela mão e pelo olho. Estes são os intrumentos mágicos utilizados pelo feiticeiro para invocar as energias primais latentes em seu inconsciente. A mão e o olho, Zos e Kia, ‘Toque-Total’ e ‘Visão-Total’, são os instrumentos mágicos do Id, o desejo primal ou obsessão inata que Zos está sempre buscando para corporificá-la em carne. O sistema de Spare assemelha-se a algumas técnicas dos iógues hindus e a certas práticas da escola Ch’an (Zen) do Budismo chinês (o budismo puro praticado durante a dinastia T’ang), embora existam diferenças importantes. O objetivo da meditação é abolir as transformações do princípio pensante (v. a definição de Yoga de Patanjali – Sutras de Yoga, 1, 2), de modo que a mente individual atinja o estado não-conceitual e se dissolva na Consciência indiferenciada. No Culto de Zos Kia, o corpo (Zos) se torna sensível a todos os impulsos da onda cósmica, de modo a “ser todo sensação” para realizar todas as coisas simultâneamente em carne ‘agora’. Esta pode ter sido a explicação mágica da doutrina do Cristo carnalizado (“…este é o meu Corpo; tomai e comei dele todos…”) que os últimos Gnósticos, por não a compreenderem adequadamente, denunciaram como uma perversão da Gnose genuína.

Nem sempre Spare definiu claramente os termos por ele criados; entretanto, ele sabia exatamente o que quis dizer com eles. Infelizmente, a gramática não era o seu forte e muito do que parece obscuro em seus escritos se deve a esta dificuldade. O Culto de Zos Kia parece postular uma interpretação literal (isto é, física) da identidade entre Samsara e Nirvana (samsara = existência fenomenal ou objetiva; sua contraparte é nirvana, que é a subjetivação da existência e, portanto, sua negação fenomenal ou objetiva). Por outro lado, os termos ‘corpo’, ou ‘carne’, podem denotar o ‘corpo adamantino’ (ou dharma-kaya, uma expressão budista que é sinônimo de “Nada”; o neti-neti dos budistas, ou o ‘nem isto, nem aquilo’ no sistema de Spare) e sua realização como o universo inteiro, neste exato momento e sensorialmente. O símbolo histórico supremo deste conceito é a imagem de Yab-Yum do Budismo Tântrico. Ela representa o nada (Kia) ensaiando sua união abençoada com o corpo (Zos). No Culto de Zos Kia, isto é realizável através da carne, enquanto no Budismo Ch’an (Zen) esta união é mental. Assim, tanto no Zen quanto no Zos o objetivo é o mesmo, embora os meios variem.

O sistema de Spare também sugere uma nova obeah, uma ciência de atavismos ressurgentes, uma magia primal baseada na obsessão e no êxtase. O subconsciente, impregnado por um símbolo do desejo, é energizado pelos êxtases reverberantes na suposição de que a profundeza primal, o Vazio, responda a antigas nostalgias revivendo suas ‘crenças’ obsessivas originais. O “Alfabeto do Desejo” (onde cada letra representa um princípio sexual, um impulso dinâmico) foi desenvolvido por Spare para sonorizar gràficamente estes atavismos e, quando o florescimento do símbolo acontece, a explosão de êxtase é a realização de Zos.

Em seu livro “Anotações sobre Letras Sagradas” Spare diz que: “as letras sagradas preservam a crença do Ego, de modo que a crença retorne contìnuamente ao subconsciente até romper a resistência. Seu significado escapa à razão, embora seja compreendido pela emoção. Cada letra, em seu aspecto pictórico, se relaciona a um princípio Sexual… Vinte e duas letras que correspondem a uma causa primeira. Cada uma delas análoga a uma idéia de desejo, formando uma cosmogonia simbólica.”

Estas vinte e duas letras, embora não sejam dadas consecutivamente nem inteiramente em quaisquer dos escritos de Spare, sem dúvida se equiparam de alguma forma com as vinte e duas cartas do Tarot, ou Livro de Thoth de Aleister Crowley e aos vinte e dois caminhos da Árvore Cabalística da Vida; elas são, de fato, as chaves primitivas da magia. Também existe uma possível afinidade com as onze posições lunares de poder refletidas, ou dobradas, nas noites claras ou escuras do ciclo lunar. O conhecimento secreto destas vinte e duas zonas de poder celestial e sua relação com o ciclo mensal da mulher formam uma parte vital da antiga Tradição Draconiana sobre a qual o Culto de Zos Kia se baseia.

 

[…] um livro reunindo as obras (conhecidas e desconhecidas) de Austin Osman spare. E não estamos falando apenas dos textos mas dos desenhos e pinturas – todas em alta […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/austin-osman-spare/

O Manifesto Pós-Thelêmico

Por Tau Meithras, tradução do Mago Implacável

Faça o que tu queres há de ser o todo da  Lei.

Já faz 117 anos desde a recepção do Liber Al vel Legis por Aleister Crowley, e o início do Novo Aeon para toda a humanidade.

Assim o é, claro, se nós quisermos acreditar na história da recepção do Livro da Lei no Cairo. Nos últimos anos, diversas críticas sobre esta história apareceram- algumas com mais validade do que outras.

Todavia, nós estamos convencidos veementemente que magick existe para além dos limites do tempo e espaço, no espaço liminal entre a realidade consentida e a poesia mítica. E então é altamente irrelevante se a história do Cairo é “verdadeira” ou “falsa”: o que importa é o que ela inspirou. Há pouquíssimas dúvidas que o Século XX e as primeiras duas décadas do século XXI foram testemunhas das mudanças profetizadas em AL.

Nós estamos de novo em uma conjuntura crítica e crucial da evolução espiritual.

Este é o momento em que devemos integrar finalmente as lições de Força e Fogo do Aeon de Hórus, e nos movermos em direção à plena abertura e estabelecimento do Aeon de Maat, a Era de Ajustamento e de Justiça, o sonho de Aquário.

A ideia da Sucessão dos Aeons foi amplamente criticada nos últimos tempos também, novamente em vários graus de relevância. Independente se esta ideia tem validade ontológica ou não, não se pode negar que ela é instrumental para o pensamento mítico por de trás da magia.

O Aeon de Horus foi conduzido pelo Mestre Therion, em sua encarnação mortal como o homem Aleister Crowley. Ele fez isso falando sua Palavra como Magus 9 ° = 2 □ A∴A∴ – essa Palavra era θέλημα.

O Aeon de Hórus foi introduzida pelo Master Therion, e nessa encarnação mortal que foi conhecida pelo Nome de Aleister Crowley. Ele fez isso ao dizer sua palavra como Magus 9=2 da A∴A∴ – Essa Palavra é θέλημα.

É notável que a ideia de Thelema como uma Corrente espiritual não é nova nem original: o homem Crowley era realmente um mestre em encontrar os conceitos antigos e adaptá-los ao mundo em que vivia e para aquele que ele vislumbrava.

No entanto, ao elevar Thelema como uma Fórmula Aeônica, o Mestre Therion deu a ela um significado completamente novo, adjunto com o poder alquímico de transmutação deste nome.

Essa promessa foi cumprida.

No intervalo de 117 anos desde sua recepção, as Fórmulas de Thelema forçaram a alma da humanidade através da Força e Fogo do atanor de Hórus.

Agora é hora de ir além.

Não fazer isso apenas trará o processo de volta a um estágio de putrefação e dissolução, e já estamos vendo alguns vislumbres disso.

Da atitude servil a imagem do homem Crowley, este que não era isento de falhas, ao desespero de pertencer a organizações em decadência, os Thelemitas estão espalhados pelos quatro ventos, vagando sem rumo enquanto se perdem nas garras de Choronzon.

“Post CXX annos patebo” fora escrito em cima da porta da Cripta dos Adeptos Rosa Cruzes do Colégio Invisível – “Eu irei me revelar em 120 anos”. Isso nos demonstra que o tempo de fazer a Ordem ser conhecida no mundo chegou.

Nós agora estamos nos aproximando de um novo centésimo vigésimo aniversário, em 2024 que marcará 120 anos desde a inauguração do Aeon de horus. Entre o Equinócio de Verão de 2021 e o Equinócio de Verão de 2024 nós iremos trabalhar incansavelmente para estabelecer um mundo pós-thelêmico.

Nós não iremos destruir tudo que surgiu anteriormente, e começar do zero de novo, ao invés disso nós nos concentraremos nas leis˜øes e ensinamentos de Nuit, Hadit, Ra-Hoor-Kuit, Hoor-Paar-Kraat, Therion, Chaos, Pan, Baphomet, and a maioria quiçá todas as palavras da Nossa Donzela do Abismo, Babalon.

E ao fazê-lo, nós nos livramos dos grilhões e do legado inaceitável do homem aleister Crowley.

Denunciamos todos seus erros, sua misoginia, seu racismo, e deixando pra tras todas as regras e limitações que constringem que ele colocou.

Nós iremos negar a autoridade de qualquer Ordem que queria estabelecer um cannon ou uma ortodoxia: a Lei é para Todos, e a era da organização hierárquica acabou.

Estes três anos, como a fase da jornada Alquimica, serão desafiadora mas sem dúvida nenhuma será recompensadora

Já é hora de ir para além

It is now time to move beyond.

Tετέλεσται

Amor é a Lei, Amor sob vontade.

Tau Meithras

Zenite de Glastonbury

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-manifesto-p%C3%B3s-thel%C3%AAmico

V de Vingança, Guia de Referências

Estas anotações sobre a série  V for Vendetta de Alan Moore foram preparadas por uma classe de graduação em Pesquisa Literária, sob a direção do Dr. James Means, da Universidade Estadual do Noroeste da Louisiana, durante a primavera de 1994. Na realização destas anotações, adotou-se um sistema que permite ao leitor seguir cada entrada facilmente.

O primeiro número indica a página na qual a entrada original pode ser achada. O segundo número indica a linha de arte, numerada de cima para baixo; a maioria das páginas tem três linhas de arte, enquanto algumas tem menos. Finalmente, o último número indica a coluna, numerada da esquerda para a direita.

PARTE 1

-, -, – Europa Depois do Reino (título – Na versão da Ed. Globo: O Vilão)

O título do primeiro livro refere-se à pintura Europa Depois da Chuva de Max Ernst, e retém dentro dela implicações de reviravoltas climáticas de um ataque nuclear próximo. Depois do Reino certamente se refere à dissolução da realeza com um certo anel ominoso, da mesma maneira que o título da pintura implica um grande peso em cima de todo continente. A imagem da página do título, de uma única mão enluvada (que com certeza indica tempo frio) colocando algo pesado e sombrio sob a superfície, contribui para a natureza ominosa. A pintura, intitulada L’Europe Apres la Pluie, foi criada entre 1940 e 1942. É descrita como uma cena fúnebre cheia de ruína e putrefação, povoada apenas por criaturas bestiais que vagam solitárias ao redor, (pg. 44-45). Ernst tinha criado trabalhos semelhantes que implicavam os arruinados, os fossilizados, os inanimados; superfícies parecem estar decadentes, corroídas por ácido e perfuradas com inúmeros buracos como a superfície de uma esponja, (pg. 44).
Durante algum tempo antes da Segunda Guerra (trabalhando na técnica chamada de decalcomania, datando de 1936, 37, 40 – será que foi realmente antes da guerra? Onde ele estava neste momento? Estava sendo posto em vários acampamentos, sendo reposto em outros, fugindo e finalmente voando para a América (pg. 94). Mas foi depois da sua “premonição de guerra traduzida em realidade” que ele fugido para a América. Lá, assombrado pelas recordações de uma Europa feita em pedaços, ele criou a composição também chamada Europa Nach dem Regen que se traduz como A Europa depois da Chuva ou A Europa depois da Inundação (pg. 44).
Ernst nasceu em 1891 em Bruhl, sul de Colônia, às margens do Reno (pg. 29). As suas pinturas descrevem freqüentemente um mundo no qual a história de gênero humano foi apagada completamente por um evento cataclísmico no Universo … ou pelo ato consciente de revolução que destruiu tudo (pg. 8). Em 1925, o melhor amigo dele, Paul Eluard escreveu sobre a atitude mental de Ernst, que buscou destruir toda a cultura que foi herdada ou não como resultado de experiência pessoal, como se fosse um tipo de esclerose na sociedade Ocidental: ‘Não pode haver nenhuma revolução total mas somente revolução permanente. Como o amor, é a fundamental alegria de viver’ (nota de rodapé, pg. 8).
Ernst participou de exibições dadaístas onde os observadores destruíram a sua arte e observaram seus pedaços pregados na paredes e espalhados no chão. Para alcançar a galeria onde se desenrolou o evento, espectadores atravessaram o lavatório de uma cervejaria onde uma menina vestida como uma beata que acabou de receber a comunhão recitava versos lascivos. A exibição foi fechada sob a acusação de fraude e obscenidade (baseado na estampa de Adão e Eva de D’rer, que tinham sido incorporada em um das esculturas de Ernst). Subseqüentemente, ela foi reaberta.
De acordo com Hamlyn, o evento foi realizado para embaraçar e provocar o público (nota, página 8). Este elemento de drama e provocação também é uma linha seguida em V de Vingança.

1, 1, 1, O 5 de Novembro…

Esta é a primeira referência ao dia de Guy Fawkes, o aniversário do dia em que Guy Fawkes foi pego no porão de Parlamento com uma grande quantidade de explosivos. Fawkes era um extremista católico e um herói militar que se distinguiu como um soldado corajoso e de fria determinação, através de suas façanhas lutando com o exército espanhol nos Países Baixos (Encyclopaedia Britannica 705). Ele foi recrutado por católicos insatisfeitos que conspiraram para explodir o Parlamento e matar o rei James I. James tinha trabalhado para instituir uma multa à pessoas que se recusassem a comparecer as missas anglicanas (Encyclopaedia Britannica 571), somando isso à opressão que os católicos já sofriam na Inglaterra. Um do conspiradores alugou uma casa que compartilhava parte de seu porão com o Parlamento, e o grupo encheu esse porão de pólvora. Fawkes foi escolhido para iniciar o fogo, e foi determinado que ele devia escapar em quinze minutos antes da explosão; se ele não pudesse fugir, ele estaria totalmente pronto para morrer por tão sagrada causa, (Williams 479). Um dos conspiradores tinha um amigo no Parlamento; ele advertiu o amigo para não estar presente na abertura durante o dia escolhido para o atentado, e o paranóico rei James imediatamente descobriu o complô. Fawkes foi pego no porão e foi torturado. Ele foi executado exatamente em frente ao Parlamento no dia 31 de janeiro de 1606.

2, 3, 2, Utopia (livro na estante)

Este foi o mais famoso trabalho de Sir Thomas em 1516 (Sargent 844) no qual ele esboçou as características humanitárias de um sociedade decente e planejada, (Greer 307) uma sociedade de comum propriedade de terra, liberalidade, igualdade, e tolerância (Greer 456).

2, 3, 2, Uncle Tom’s Cabin (livro na estante)

Escrito por Harriet Beecher Stowe e publicado em 1852, este romance fala sobre os deprimentes estilos de vida dos negros escravos no Sul dos EUA, contribuindo enormemente com o sentimento popular de anti-escravidão (Foster 756-66).

2, 3, 2, O Capital (livro na estante)

Este foi a obra máxima de Karl Marx, publicada em 1867. Foi seu maior tratado sobre política, economia, humanidade, sociedade, e governo; Tucker o descreve como a mais completa expressão (de Marx) de visão global.

2, 3, 2, Mein Kampf (livro na estante)

A biográfica proclamação das convicções do líder nazista Adolf Hitler, Mein Kampf (Minha Luta), foi escrita durante o seu encarceramento após a sua primeira tentativa de golpe contra o governo bávaro, em 1923 (Greer 512). Sem nenhuma dúvida, Moore quis ironizar ao colocar este trabalho próximo ao de Marx, Já que a extrema-direita nazista era forte oponente do comunismo.

2, 3, 2, Murder in the Rue Morgue (cartaz de filme)

Os Assassinatos da Rua Morgue. Este foi um filme de horror de 1932, produzido pela Universal. Foi uma importante adaptação da história de Edgar Allen Poe, estrelada por Bela Lugosi, um famoso ator do gênero. É sobre uma série de terríveis assassinatos que se supõe ser o trabalho de um macaco treinado (Halliwell 678). Esta referência pode conter alguns sinais sobre os métodos de investigação de V para os seus ataques contra o sistema, e suas características de serial killer.

2, 3, 2, Road to Morocco (cartaz de filme)

Este filme de 1942 da Paramount foi um de uma série de leves comédias românticas estreladas por Bing Crosby e Bob Hope como dois ricos playboys que viajam ao redor do mundo tendo tolas aventuras (Halliwell 825).

2, 3, 2, Son of Frankenstein (cartaz de filme)

O Filho de Frankenstein. Filme de horror de 1939 da Universal, Son of Frankenstein foi o último de uma trilogia clássica. Foi estrelado por Boris Karloff, um famoso ator de filmes de terror, e envolveu o retorno do filho do barão e seu subseqüente interesse por ele (Halliwell 906).

2, 3, 2, White Heat (cartaz de filme)

White Heat, feito em 1949 pela Warner, estrelado por James Cagney. O enredo envolvia um gângster violento com fixação por sua mãe que finalmente cai após a infiltração de um agente do governo em sua gangue (Halliwell 1073). Esta pode ser outra importante indicação, de como V também derruba o violento e disfuncional líder do partido se infiltrando através de suas fileiras.

3, 1, 3, …E novamente tornar a Bretanha grande!

Este é um sentimento tipicamente “nacionalista”. O nacionalismo europeu, que tem suas raízes na Guerra dos Cem Anos (Greer 269-275), é o conceito de que cada nação tem que manter em comum uma única cultura e uma única história e no qual se considera, inevitavelmente, que uma nação é melhor que as outras. Foi este sentimento, levado a seus extremos, que levou o partido nacional-socialista trabalhista de Hitler (o nazismo) a tentar livrar a Alemanha dos “não-alemães”. (Wolfgang 246-249).


4, 3, 3, The Multiplying vilanies of nature do swarm upon him… (de vilanias tão cumulado pela natureza…).

Esta é uma fala do Sargento no Ato I, cena II, de MacBeth, de Shakespeare (766).

7, 1, 1-2 Lembrai, lembrai do 5 de novembro, a pólvora, a traição, o ardil. Por isso, não vejo por que esquecer uma traição de pólvora tão vil.

Esta é uma versão de uma rima infantil inglesa. Em busca por um poema confirmatório, eu procurei no The Subject Index to Poetry for Children and Young People (1957-1975) que apresenta cinco coleções de poemas onde se incluiam versos sobre Guy Fawkes (Smith e Andrew 267). Um destes, Lavender’s Blue, incluiu a seguinte versão feita em, pelo menos, 1956:
Please to remember the fifth of November
Gunpowder, treason and plot
I see no reason why gunpowder treason
Should ever be forgot (Lines 161)
Cuja tradução é:

Agradeça por lembrar do 5 de novembro
A pólvora, a traição e o complô
Eu não vejo nenhuma razão por que tal traição de pólvora
Deveria para sempre ser esquecida (linha 161)
O Oxford Dictionary of Quotations atribui esta versão a uma canção de ninar infantil anônima de 1826 (Cubberlege 368), e as primeiras duas linhas como sendo tradicionais desde o século 17, (Cubberlege 9).

7, 1, 2, A explosão do Parlamento…

Nesta cena, V teve sucesso onde Fawkes falhou; a posição dele e de Evey em oposição ao Parlamento é, provavelmente, significativa, como se fosse a posição oposta ao Parlamento em que Fawkes foi enforcado (Encyclopaedia Britannica 705).

7, 2, 2, Os fogos de artifício em forma de V

Isto se refere à prática comum de explodir fogos de artifício no dia de Guy Fawkes como parte da celebração (Encyclopaedia Britannica, p.705). Também é provavelmente uma referência a ‘Arrependa-se, Arlequim!’ Disse o Ticktockman (algo como homem Tique-taque) por Harlan Ellison.
9, 3, 1, Inglaterra triunfa
Este sentimento parece muito com o impulso em um verso da peça Alfred: Uma Máscara, de James Thomson, de 1740 (Ato III, última cena):

When Britain first, at heaven’s command, Arose from
out the azure main,
This was the charter of the land, And guardian angels
sung this strain:
Rule Britannia, rule the waves; Britons never will be
slaves. (Cubberlege 545)
Cuja tradução é:

Quando a Inglaterra primeiro, ao comando do céu, Surgiu do
mar azul-celeste,
Esta foi a escritura da terra, E anjos guardiões
cantaram esta melodia:
Comande Britannia, comande as ondas; Bretões nunca serão
escravos. (Cubberlege 545).

12, 2, 3, Frankenstein (livro na estante)

Este é uma famosa explanação de ficção ciêntífica/social de 1818, por Mary Wollstonecraft Shelley. De acordo com Inga-Stina Ewbanks, é sobre o eterno tema da criação do homem que fica além de seu poder de controle, (5).

12, 2, 3, Gulliver’s Travels (livro na estante)

As viagens de Gulliver. Este foi um romance utópico escrito em 1726 por Jonathon Swift, um satírico escritor social inglês que passou a maior parte de sua vida na Irlanda (Adler ix-x).

12, 2, 3, Decline and Fall of…? (livro na estante)

Este, provavelmente, deve ser o trabalho de Edward Gibbs, The History of the Decline and Fall of the Roman Empire (A História do Declínio e Queda do Império Romano), mais comumente conhecido como The Decline and Fall of the Roman Empire (O Declínio e Queda do Império Romano). A coleção de seis volumes foi escrita entre 1776 e 1788, e é considerada como uma das melhores histórias já escritas (Rexroth 596).

12, 2, 3, Essays of Elia Lamb (livro na estante)

Elia, ou Charles Lamb, primeiro publicou seus famosos ensaios nas páginas da London Magazine, de 1820 a 1825, posteriormente encadernados em dois volumes, publicados em 1923 e 1833. Seus ensaios são considerados como pessoais, sensíveis e profundos (Altick 686-87).

12, 2, 3, Don Quixote (livro na estante)

Este foi um romance satírico sobre cavalaria, escrito por volta de 1600 (Adler) pelo autor espanhol Miguel de Cervantes. Seu herói é um caricatural cavaleiro romântico que é desesperadamente idealista (Greer 307).

12, 2, 3, Hard Times (livro na estante)

Charles Dickens escreveu este quase solitário ataque à… industrialização em 1854. Ele se justapõe aos sérios e aplicados industriais com um circo criativo e divertido que vem à cidade na qual o romance se desenrola (Ewbanks 786). Provavelmente pode ter servido de apelo ao senso de drama de V e sua vitória sobre as mazelas.

12, 2, 3, French Revolution (livro na estante)

Este volume pode ser sobre qualquer história passada durante a Revolução Francesa, ou sobre a própria Revolução Francesa, que ocorreu entre 1787 e 1792.

18, 2, 3, Faust (livro em estante)

O famoso poema de Goethe, Fausto, foi publicado no início de 1808. Ele reconta uma lenda renascentista sobre um doutor que barganha com o diabo por juventude e poder. A segunda parte, postumamente publicada, foi um tratado filosófico no qual a alma de Fausto é salva porque ele ama e serve tanto a Deus quanto a humanidade, apesar dos seus erros. Este Fausto é considerado como a encarnação do “moderno” ser humano (Greer 426).

12, 2, 3, Arabian Nights Entertainment (livro na estante)

As Mil e Uma Noites. Este livro é uma coleção de histórias folclóricas originárias da Índia, mas que foi levada para a Persia e para a Arábia. Embora iniciadas na Bagdá do século 8 ou 9, elas retêm muitos mais características do Egito do século 15, onde foram formalmente traduzidas (Wickens 164).

12, 2, 3, The Odessey (livro em estante)

A Odisséia. Um dos dois históricos poemas épicos gregos, feitos por volta de 800 A.C. e escritos por Homéro. Embora a identidade de Homéro seja incerta, e ele pode ter sido até mesmo um arquetípico personagem de si próprio, A Odisséia é uma aventureira história sobre o retorno de gregos que viram heróis que atravessam mares bravios (Greer 66).

12, 2, 3, V (livro em estante)

O romance V, escrito em 1963 por Thomas Pynchon, é considerado um dos primeiros importantes trabalhos pós-modernos. Ele combina pedaços de história, ciência, filosofia, e psicologia pop com personagens paranóicos e metáforas científicas. O trabalho de Pynchon é descrito como uma variação entre a ‘cultura intelectual’ e o meio termo da cultura pop underground das drogas, (Kadrey e McCaffery 19). Isto também pode ser dito tanto sobre a Galeria Sombria como sobre o próprio livro de V de Vingança.

12, 2, 3, Doctor No (livro na estante)

Ian Fleming, um ex-agente de inteligência britânica, escreveu este romance de espionagem em 1958. Os romances de Fleming eram supostamente baseados na vida que teve como um espião (Reilly 320).

12, 2, 3, To Russia With Love (livro na estante)

Outros dos romances de Fleming, este aqui foi escrito em 1957 (Reilly 320).

12, 2, 3, Illiad (livro na estante)

Outro poema de Homéro, A Ilíada fala sobre a violenta e sangrenta guerra de Tróia.

12, 2, 3, Shakespeare (2 volumes na estante)

Shakespeare foi um escritor elizabetano de peças de teatro cujos dramas e sonetos são considerados trabalhos clássicos do renascimento humanista (Greer 307).

12, 2, 3, Ivanhoe (livro na estante)

Um dos dramáticos romances históricos de Sir Walter Scott, Ivanhoe, foi escrito em 1820 (Greer 425).

12, 2, 3, The Golden Bough (livro na estante)

O exaustivo décimo terceiro volume do trabalho de James G. Frazer sobre superstições primitivas foi publicado primeiro em 1890. A estante de livros de V contém um único volume do trabalho.

12, 2, 3, Divine Comedy (livro em estante)

A Divina Comédia. Esta é uma obra-prima da literatura italiana, escrita por Dante Alighieri. Começada por volta de 1306 e terminada com a morte de Dante em 1321, ela trata da viagem do autor através da vida após a morte.

12, 3, 3, Martha and the Vandellas

Um grupo musical de Rhythm-and-Blues, produzido e distribuído pelo selo Motown Record entre 1963 e 1972. Eles tiveram seu começo como cantores de apoio de Marvin Gaye, outra estrela da Motown, e então se lançaram para uma carreira de sucesso como artistas agressivos e extravagantes. A canção Dancing in the Streets foi lançada em 1964. (Sadie 178).

12, 3, 3, Motown

Motown foi uma gravadora independente, de propriedade de afro-americanos, fundada em Detroit (também conhecida como Motortown, ou a Cidade dos Motores), Michigan. A palavra também descreve o distinto estilo de música pop-soul que trouxe sucesso à gravadora. Este Motown sound foi extraído do blues, do rhythm-and-blues, do gospel e do rock, mas diferente destes outros estilos musicais afro-americanos, também contou com algumas das práticas de música popular anglo-americana socialmente aceitas, e isto obscureceu algumas das mais vigorosas características da música afro-americana (Sadie 283).

13, 1, 2, Tamla e Trojan

Não consegui determinar nenhuma referencia para Tamla e Trojan. Como Motown se refere tanto a gravadora quanto para o estilo de música que ajudou a popularizar, eu não sei que relação Tamla teve com os outros grupos mencionados. Como os outros indivíduos mencionados são reais, eu acredito que Tamla e Trojan tenham existidos, mas não pude achar nenhum registro sobre eles.

13, 1, 2, Billie Holiday

Famosa Cantora de jazz, Billy Holiday foi extremamente popular entre os intelectuais brancos de esquerda de Nova Iorque. Ela gravou com alguns dos melhores do jazz, incluindo Benny Goodman e Count Basie. Ela acabou em um mundo de drogas, álcool e abusos, e morreu em 1959, com a idade de 44 anos (Sadie 409-410).

13, 1, 2, Black Uhuru

Este grupo foi uma das mais famosas bandas de reggae da Jamaica. Foi formada no ano de 1974 em Kingston (Sadie 46-47). Reggae é um típico estilo de dance music jamaicano, influenciado tanto pela música afro-caribenha quanto pelo Rhythm-and-Blues americano (Sadie 464).

13, 1, 2, A Voz do Dono…

O logo da RCA trazia um cachorro fitando o cone de um gramofone (um dos primeiro toca-discos), simbolizando o reconhecimento do animal pela voz de seu dono.

13, 3, 3, Aden

Aden tanto foi o outro nome para os habitantes da República democrática de Iêmen (o Iêmen do Sul) como a cidade da capital do país. O país que agora é fundido com o Iêmen do Norte, ocupou a extremidade Meridional da Península árabe, no sul de Arábia Saudita. Os britânicos o colonizaram, e mantiveram controle parcial ali até que o país se tornou uma república marxista em 1967 (Encyclopaedia Britannica 835). Embora a idade de Prothero não seja mencionada, ele parece ter cerca de 50 anos; é provável que ele tenha servido como soldado imediatamente antes da revolução de Iêmen. Assim, ele seria um jovem durante a revolução de 1967, e cerca de 40 durante os seus anos como chefe no Campo de Readaptação de Larkhill.

18, 3, 1, V num círculo

Este símbolo apresenta semelhanças com o sinal de anarquia de um A num círculo, e também com a dramática inicial de Zorro (Stolz 60).

19, 1, 2, Rosas “Violet Carson”

A Violet Carson é uma rosa híbrida introduzida em 1963 (Coon 201) ou 1964 (Rosas Modernas 7 432) por S. McGredy. É uma criada pelo cruzamento de uma Madame Leon Cuny com uma Spartan. É descrita como uma flor colorida, com creme (Coon 201) ou prata (Rosas Modernas 7 432) por sob as pétalas, e tem um arbusto robusto e espalhado. Não parece ser de uma variedade muito comum, e é listada em publicações de sociedades idôneas de rosas mas não em livros dirigidos a um leitor casual, assim é incerto como Finch pode tê-la reconhecido imediatamente.

20, 1, 3, The Cat (cartaz de filme)

O cartaz para um filme chamado The Cat pendurado na parede parece descrever um homem que segura uma arma. O único filme que pude achar com este título, porém, foi um drama francês de 1973 sobre a relação pouco comunicativa entre uma amarga estrela de trapézio e seu marido (Halliwell 168).

20, 1, 3, Klondike Annie (cartaz de filme)

Um filme de 1936 da Paramount, Klondike Annie foi estrelado por Mae West, como uma ardente cantora em fuga que, disfarçada como uma missionária, revitaliza uma missão no Klondike (Halliwell 542). Alguns dos filmes descritos nos cartazes parecem ter atraído V apenas por propósitos de entretenimento. Porém, este aqui pode dar o leitor uma pista sobre o caráter de V. Ele tanto está em fuga, disfarçado, quanto tenta revitalizar toda uma nação.

20, 1, 3, Monkey Business (cartaz de filme)

Este filme de 1931 dos irmãos Marx, feito pela Paramount, narra as artimanhas de quatro passageiros clandestinos em um navio que bagunçam uma festa social a bordo, onde eles capturam alguns escroques (Halliwell 666). Esta é outra pista, pois V é um clandestino num sistema social que bagunça o sistema e capturas vários inimigos.

20, 1, 3, Waikiki Wedding (cartaz de filme)

Waikiki Wedding foi produzido em 1937 pela Paramount. Seu enredo envolve um agente de imprensa que está no Havaí para promover uma competição de A Rainha do Abacaxi (Halliwell 1050).

21, 3, 2, Salve uma Baleia (camiseta)

Por causa da ameaça de extinção das baleias, muitas pessoas nos anos 70 começaram a usar camisetas e bottons proclamando que alguém deveria Salvar uma Baleia. Este sentimento veio a ser associado com política e ambientalismo “liberais”.

22, 1, 1, …Quando os Trabalhistas subiram ao poder…

De acordo com a Encyclopaedia Britannica, o Partido Britânico dos Trabalhistas é um partido reformista socialista com fortes laços institucionais e financeiros com os sindicatos. Em janeiro de 1981, devido a vastas mudanças internas, o Líder do partido trabalhista eleito foi Michael Foot, um militante socialista cuja política incluia o desarmamento nuclear unilateral, a nacionalização das indústrias-chaves, união de poder e pesados impostos (82), da mesma maneira que Moore descreve em Por Trás do Sorriso Pintado (271).

22, 1, 1, …Presidente Kennedy…

A implicação é que o presidente dos Estados Unidos ou é Ted Kennedy, senador democrata ou John Kennedy Jr, respectivamente, o sobrinho e o filho do ex-presidente John F. Kennedy.

23, 2, 1, Nórdica chama

Este provavelmente é o nome de um partido estadual, com todas as bandeiras e uniformes exibindo grandes N’s. Nórdica deriva dos nórdicos ou Vikings dos países escandinavos que invadiram a Europa nos séculos V e VI (Greer 183). Eles eram ferozes, fortes, e “arianos” – a população “idealizada” pelo partido nazista de Hitler: loira e de olhos azuis (Greer 513-514). A escolha desta imagem ajuda a identificar a política do governo.

27, 2, 3, O mundo é um palco!

Esta é uma citação da peça As You Like It, de Shakespeare, Ato II, cena VII. (Bartlett 211).
40, 2, 3, …voltamos às cinco.

Uma expressão popular para dar um intervalo vem de uma frase do show business, embora leis de sindicatos agora requeiram dez minutos de intervalo (Sergal 219).

46, 3, 2, Mea Culpa

Do latin eu confesso ou a culpa é minha (Jonas 69).

47, 1, 3 – Bring me my bow of burning gold, Bring me my arrows/ of desire, Bring me My spear, O clouds unfold, Bring/ me my chariot of fire…I will not cease from mental/ flight Nor shall my sword sleep in my hand ‘Till we/ have built Jerusalem In England’s green and pleasant/ land.


Este é parte do poema de William Blake, And Did Those Feet (E Fez Esses Pés), do prefácio à sua coleção Milton. O prefácio de Blake para este trabalho foi um chamado aos cristãos para condenassem os clássicos escritos de Homéro, Ovídio, Platão, e Cícero, venerados no lugar da Bíblia. Ele declarou: Nós não queremos modelos gregos ou romanos na Inglaterra; de preferencia, ele disse, seus companheiros Cristãos deveriam se esforçar para criar esses mundos de eternidade nos quais nós viveremos para sempre, (MacLagan e Russell xix). V está, a seu modo, tentando criar a sua idéia de Jerusalém, um mundo livre, na Inglaterra. A tradução é a seguinte:
Tragam meu arco de ouro candente,
Traga minhas flechas de desejo,
Tragam minha espada, ó nuvens que se desfraldam,
Tragam minha carruagem de fogo…
Eu não cessarei minha luta espiritual…
Nem descansarei a espada em minha mão…
Até termos erguido Jerusalém…
Nas terras verdes e aprazíveis da Inglaterra.

54, 2, 2, Por favor, deixe que eu me apresente. Eu sou um homem de posses… e bom-gosto!

Esta é a abertura da canção Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones, lançada em 1968.
56, 3, 3, Eu sou o Demônio e vim realizar a obra demoniaca!
Finch descreve esta citação como vindo de um famoso caso de assassinato, quase vinte anos antes de 1997. Uma busca em almanaques dos anos 1974 a 1979 revela que o único caso famoso de assassinato naquele tempo foi o do Filho de Sam/David Berkowitz. Berkowitz foi condenado por matar seis pessoas e ferir outras sete em ataques aleatórios nas ruas de Nova Iorque entre 29 de julho de 1976 e 31 de julho de 1977. Não havia nenhum motivo aparente por trás dos assassinatos; Berkowitz os explicou dizendo que foi um comando. Eu tive um sinal e o segui (Delury, 1978, 942). Considerando esta citação, e a aparente insanidade de Berkowitz, na qual o fez interromper seu julgamento com violentos ataques, é provável que esta citação venha desse caso.

57, 2, 1-2: O Senhor é meu pastor: e nada me faltará; Em um lugar de pastos, ali me colocou. Ele me conduziu junto a uma água de refeição. Converteu minha alma, me levou pelas veredas da justiça, por amor de seu nome!

Esta é a tradução feita da seguinte versão inglesa do 23º Salmo do livro bíblico dos Salmos, usada originalmente na versão em inglês de V de Vingança:
The Lord is my shepherd: therefore I can lack
nothing; He shall feed me in green pasture and lead
me forth beside the waters of comfort. He shall
convert my soul and bring me forth in the paths of
righteousness, for His name’s sake…
Esta parece ser uma estranha versão deste salmo. Não é nada parecida com a versão padronizada pelo Rei James:

The Lord is my shepherd, I shall not want. He maketh
me lie down in green pastures; He leadeth me
beside the still waters. He restoreth my soul: he
leadeth me in the paths of righteousness for his
name’s sake. (Bartlett 18)
Procurei em várias bíblias e descobri que cada uma tinha uma versão diferente. Em uma versão bastante comum, da Holy Bible (versão católica padrão da Bíblia), lê-se:

The Lord is my shepherd, I shall not be in want. He
makes me lie down in green pastures, he leads me
beside quiet waters, he restores my soul. He guides
me in paths of righteousness for his name’s sake. (310)

PARTE 2

9, 3, 1, The Magic Faraway Tree, por Enid Bla?? (na tradução da Ed. Globo – A Árvore distante)

Embora muitos dos livros em V de Vingança sejam reais, este aqui parece ser uma das invenções de Moore. Nem o Oxdford Companion to Children’s Literature, nem a Science Fiction Encyclopedia incluem o seu título.

15, 1, 3, Ouvi falar de um experimento…

A experiência, que não foi tão dramática quanto descrita em V de Vingança, foi administrada na Universidade de Yale em 1963 por Stanley Milgram. Os voluntários não estavam realmente acreditando que estavam matando as vítimas, e 65% (26 de 40 voluntários) continuaram administrando o que eles acreditavam ser perigosos e severos choques em suas vítimas (Milgram 376).

23, 2, 3, … uma mistura de extrato de Hipófise e Pineal.

Moore se refere-se a uma mistura de substâncias extraidas das glândulas Pituitária e Pineal, embora eu duvide que tal mistura apresente os efeitos que Moore descreve na série. Deve ser apenas uma criação de Moore.

24, 3, 3, fertilizante de amônia

Alguns fertilizantes contêm amônia que, na presença de certas bactérias, pode ser transformada em nitrato, que é usada pelas plantas (Chittenden 99).

24, 2, 2, gás mostarda

Este gás foi criado para ser usado como arma química durante a Segunda Guerra Mundial. Causa severas vesículas na pele e irritação nos olhos. Sua estrutura química é (Cl2CH2CH2)2S (sulfeto de 1,1-dicloro-etil) (Enciclopédia Americana 679).

24, 2, 3, napalm

Napalm é um explosivo derivado da gasolina, também usado durante a Segunda Guerra Mundial (Enciclopédia Americana 724). Não acho que uma pessoa possa fazer Napalm ou gás mostarda a partir de ingredientes de jardinagem. (N. do T.: Como foi apontado por outras pessoas, há a possibilidade de produzir tais substâncias com produtos de jardinagem, dependendo, é claro, das condições de produção. Mas como estamos falando de uma obra de ficção, o autor deve ter admitido que, devido a sua impressionante natureza mental, o personagem V seria capaz de tais façanhas científicas).

53, 3, 2, As Dunas de Sal

Este não é um filme real. Halliwell não dá nenhuma referência desse filme, e parece servir apenas como um ponto secundário do enredo, como um popular filme de Valerie Page.

57, 2, 3, Storm Saxon

Este programa de televisão é (felizmente) outra invenção. The Complete Encyclopedia of Television Programs de 1947-1979, não inclui nenhum programa parecido. A escolha do nome Saxon (saxão) é importante; o Saxões foram os descendentes dos conquistadores escandinavos que povoaram a França e a Inglaterra no século V (Greer 178-179). Note que a companheira de Storm é uma mulher branca de cabelos loiros chamada Heidi – o modelo de perfeição da Pureza ariana!

58, 2, 2, …na N.T.V um!

Aparentemente, N.T.V. significa Norse Fire Television (Televisão da Nórdica Chama), e é a substituição para a BBC – TV, a corporação estatal de televisão e radiodifusão britânica (Greene 566). O um se refere ao número do canal. A B.B.C. atualmente vai ao ar pelos canais Um e Dois (Greene 566).

62, 1, 3, …A gente paga, e pra quê?!

A BBC não é um canal comercial; é mantida pela venda das licenças de transmissão, pagas por donos de aparelhos de televisão e de rádio.

PARTE 3

4, 1, 2, Imagem espacial

Este é Neil Armstrong, caminhando na superfície da lua. Armstrong, a primeira pessoa a caminhar na lua, deu seu histórico passo em 1968.

6, 3, 1, Hitler

Um das imagens na colagem ao fundo é de Adolf Hitler, líder do Partido Nazista alemão, a linha de extrema-direita do governo que comandou a Alemanha de 1933 a 1945 e executou aproximadamente 6 milhões pessoas, entre judeus, ciganos, homossexuais e outros prisioneiros políticos (Sauer 248).

6, 3, 1, Stalin

O quadro de Josef Stalin está incluído porque, como Hitler e Mussolini, ele está associado com a tirania violenta. Ele controlou a antiga União Soviética de 1929 a 1953; durante os anos entre 1934 e 1939, ele prendeu e matou seus inimigos políticos, que eram quase todos membros das camadas militar, política e intelectual do país (Simmonds 571-74)

6, 3, 1, Mussolini

Benito Mussolini, outro líder apresentado na colagem, foi um líder italiano que era quase igual à Hitler em despotismo. Embora ele tenha começado como um socialista pacifista, durante a primeira grande guerra, ele formou o seu partido fascista de direita. Ele foi o ditador da Itália de 1922 a 1943, e controlou o norte da Itália de 1943 a 1945, antes de ser executado (Smith 677-78).

7, 2, 1, Imagem de tropas marchando (ao fundo)

Estas são as tropas nazistas do exército de Hitler.

A partir de agora, vamos acompanhar, por conveniência, a numeração das páginas do livro dois de V de Vingança, publicado pela Via Lettera.

17, 2, 1, … alguém que se espelha numa bandeira vermelha…

Historicamente, bandeiras vermelhas simbolizaram o movimento anarquista ou o comunista, ou ambos.

17, 3, 1, …Quero a emoção… da vontade triunfante…

 

Esta linha da canção no caberé se refere o famoso filme-documentário de propaganda nazista, The Triumph of the Will (O triunfo da Vontade, produzido por Leni Riefenstahl em 1934. O filme descreve um comício ao ar livre do partido nazista em Nuremburg como uma experiência mística, quase religiosa, da mesma maneira que a cantora está encenando (Cook 366).

18, 1, 2, …se um gato loiro…
Outra referência ao ideal da raça ariana.

18, 1, 2, O Kitty-Kat Keller

O nome da boate é uma referência ao clube burlesco Kit Kat Klub, do filme Caberet durante a subida de Hitler ao poder numa Alemanha pré II Guerra mundial. Ambos apresentam as iniciais KKK, que leva a uma inevitável associação com a infame organização racista Ku Klux Klan.

18, 3, 1, Faz ‘heil’ pra mim…

Mais uma referência ao nazismo; heil era a saudação verbal dada à Hitler com o braço direito levantado e a palma da mão virada para baixo.

43, 3, 2, …um show de marionetes muito especial…

O show que o pai de Evey menciona, e que vemos representado na página 34 é um tipo de show de marionetes conhecido como Punch & Judy, que se originou na Itália antes do século XVII. É um espetáculo extremamente violento; o boneco Punch geralmente bate nos outros personagens até a morte. Como V, Punch sempre destrói seus inimigos (Encyclopedia Americana 6).

PARTE 4

15, 2, 1, Arthur Koestler, As Raízes da Coincidência

Koestler foi um jornalista humanista e intelectual do início do século XX. Este trabalho trata de fenômenos paranormais [Enciclopédia Americana (530-31)].

34, 3, 1, 1812 Overtune Solennelle

Este peça musical, escrita em 1880 por Peter Ilich Tchaikovsky, foi a consagração da Catedral de Cristo de Moscou. A catedral foi construída em agradecimento à derrota de Napoleão em 1812. O trabalho incorporou um velho hino russo, e incluiu tanto o hino nacional francês, a Marseillaise, para representar a invasão de Napoleão e God Save The Czar (Deus Salve o Czar) para simbolizar a vitória de Rússia. Moore provavelmente escolheu este trabalho tanto pelo seu som revolucionário, quanto por um motivo incomum: a orquestração original incluía sons de tiros de um campo de batalha que o maestro produzia ao acionar interruptores elétricos (Adventures in Light Classical Music 34), uma ação que V imita com suas bombas.

48, 3, 1, Ordnung

Palavra alemã que significa, nesse caso, ordem, disciplina (Betteridge 452).
Aparentemente, na edição da Via Lettera, a grafia está errada: a palavra está escrita como Ordung.

48, 3, 2, Verwirrung

Palavra alemã que significa confusão, perplexidade, desordem (Betteridge 686).

49, 1, 1, Rodando em giro cada vez mais largo,/ O falcão não escuta o falcoeiro;/ Tudo esboroa…/… o centro não segura.

Estas palavras são do poema de William Butler Yeats, The Second Coming (A Segunda Vinda), que fala sobre uma figura que representa Cristo/anti-Cristo que sustenta a caótica história da humanidade (Donoghue 95-96). Isso ilustra visão de V de um mundo caótico, mas V acredita que como resultado do caos virá a ordem. Isto também está prenunciado, pois V representa um Cristo/anti-Cristo e Evey é a segunda vinda. O trecho em inglês do poema original é o seguinte:
Turning and turning in the widening gyre the
Falcon cannot hear the falconer.
Things fall apart…
the centre cannot hold.

54, -, – Todavia, como se diz, vale tudo no amor e na guerra. Como, no caso, trata-se de ambos, maior a validade./ Embora ostente os cornos de um traído, não serão/ eles uma coroa que usarei sozinho./ Como vê, meu rival, embora inclinado a pernoitar fora,/ Amava a mulher que tinha em casa./ Há de se arrepender/ O vilão que roubou meu único amor,/ Quando souber que, há muitos anos…/ Eu me deito com o seu.

V fala freqüentemente, como ele faz aqui, em pentâmetro iambico, que é um esquema rítmico. Cada linha consiste em cinco pés métricos, cada um dos quais contêm duas sílabas, uma breve (átona) e uma longa (acentuada), (Encyclopedia Americana 688). Simplificando, um pentâmetro iambico é uma coluna de cinco estrofes, cada uma formada por um iambo, que é uma medida – um pé de verso – constituído de uma sílaba breve e outra longa. Falando em versos brancos, característicos de peças Jacobeanas, V presta uma homenagem. Era comum que os dramas Jacobeanos fossem uma peça de vingança, que V imita em mortal adaptação ao longo da história. O texto original em inglês é o seguinte:
Still all in love and war is fair, they say,
this being both and turn-about’s fair play.
Though I must bear a cuckold’s horns, they’re not a crown that I shall bear alone. You see,
my rival, though inclined to roam, possessed
at home a wife that he adored. He’ll rue
his promiscuity, the rogue who stole
my only love, when he’s informed how
many years it is since first I bedded his.


56, -, – A Queda dos Dominós (imagem)

Os dominós, que V tem colocado em pé desde o começo, estão prontos para cair. Na pequena história de Harlan Ellison ‘Repent, Harlequin!’ said the Ticktockman ( Arrependa-se, Arlequim! disse o Homem-Tick-Tack), o primeiro ato de terrorismo do Arlequim é descrito dessa forma:
Ele tinha tocado o primeiro dominó na linha, e um após o outro, em um ‘chik, chik, chik’, tinham caído.
‘Repent, Harlequin!’ said the Ticktockman demostra uma ridícula distopia onde o tempo é tanto os meios quanto os fins para o facismo; nisto, o atraso é erradicado pela constante exigência da vingança bíblica: se um indivíduo está dez minutos atrasado, dez minutos são tomados do fim de sua vida. Neste mundo, o Arlequim, disfarçado com uma fantasia de palhaço, consegue perturbar o tempo derramando 150.000 dólares em balas de mascar em uma multidão de transeuntes que esperam em uma calçada móvel. As balas de mascar, que são um mistério já que foram deixadas de ser fabricadas há mais de cem anos (como os fogos de artifício de V e o badalar do Big Ben na página 145 de V de Vingança), literalmente impede o funcionamento da calçada e anula todo o sistema desse mundo por sete minutos. Este ato faz do Arlequim um terrorista contra o estado, e o Mestre Controlador do Tempo (o Homem-Tick-Tack do título) tem que descobrir a identidade do encrenqueiro antes do sistema ser totalmente destruído. Muitos dos truques de V são semelhantes aos do Arlequim: ambos usam fogos de artifício para se comunicar com as massas, e ambos aparecem sobre edifícios para zombar das massas com canções ou poemas. O Ticktockman sabe, como Finch, que a identidade do Arlequimé menos importante que o entendimento de o que ele é. O Arlequim e V fundamentalmente representam idéias opostas àqueles que dirigem seus mundos, e ambos, embora usem de destruição, semeiam os que detém o poder para demolir as realidades que os consomem. Ambos são, de certa forma, celebridades, e ambos são inimigos do estado porque eles querem ser reformadores deste [uma referência à Civil Disobedience (Desobediência Civil) de Henry David Thoreau].

PARTE 5

1, 2, 2, Dietilamida de Ácido Lisérgico

Também conhecido como LSD ou LSD-25, esta droga é um psicotrópico que induz a um estado de psicose. Foi isolada pela primeira vez em Basle, Suíça, em 1938 por Albert Hoffman, que a sintetizou a partir de um fungo que ataca cereais, causando uma moléstia conhecida como ferrugem de gramíneas (Stevens 3-4).

2, 1, 1, Quatro tabletes

Hoffman também foi a primeira pessoa a experimentar a LSD-25. No seu primeiro experimento, ele usou 250 miligramas (Stevens 4). Ele experimentou uma violenta viagem e as doses subseqüentes foram reduzidas para menos de dois terços da quantidade inicial (Stevens 10). Assim, os quatro tabletes de Finch, cada um com 200 miligramas, era uma quantidade muito, mas muito excessiva.

5, 3, 1, …in nomini patri, et filii, et spiritus sancti…

Latim, da missa Cristã: Em nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo.

7, 2, -, La Voie… La Verite… La Vie.

Estas palavras são francesas, e significam, respectivamente, o caminho (ou a estrada), a verdade, a vida.

7, 3,1, Stonehenge

Um dos maiores e mais completos monumentos de pedra dispostas da Inglaterra. Sua origem e propósito são desconhecidos, mas se acredita que tenha sido ou um tipo de local de observação astrológica, ou um lugar para cerimônias religiosas, ou ambos.

9, 1, 3, Everytime we say goodbye…I die a little./ Everytime we say goodbye, I wonder/ why a little. Do the gods above me, who must/ be in the know think so little of me they’d/ allow you to go?

A citação é de uma canção de Cole Porter intitulada Ev’ry time we say goodbye (Toda Vez Que Dizemos Adeus), do espetáculo de Porter, Seven Lively Arts, de 1944. Porter (1891-1964) foi um compositor americano que escreveu trabalhos sinfônicos de jazz e musicais. Ele é mais lembrado por sua adaptação da peça de Shakespeare, The Taming of the Shrew (A Megera Domada), no musical Kiss me, Kate (Lax and Smith 611; Havelince 200).
Uma tradução livre para esse trecho da canção é a seguinte:
Toda vez que dizemos adeus… Eu morro um pouco. Toda vez que dizemos adeus, eu desejo saber um pouco porquê.
Será que os deuses acima de mim,
que sabem tanto de tudo, pensam tão pouco em mim,
a ponto de permitir que você se vá?

9, 2, 2, Faze o que quiseres, Eve. Essa será a única lei!

Esta é a Lei de Thelema, de Aleister Crowley, em sua publicação de 1904, The Book of the Law (O Livro da Lei). Crowley foi um controverso e mal-compreeendido mago e ocultista dos meados do século XIX e início do século XX. Ele declarou que esse livro foi ditado a ele por seu espírito guardião, um deus-demônio, a encarnação de Set, um deus egípcio, a quem Crowley chamava de Aiwas. Embora alguns interpretem a lei como permissão para fazer pura anarquia, pode na verdade significar que alguém tem que fazer o que deve fazer e nada mais (Guiley, 76).

13, 1, 1, … uma história de Ray Bradbury que você me leu, sobre um trigal…

A história é A Foice, do livro The October Country. O livro contém outros nove contos, e aqui no Brasil foi publicado com o nome de Outros Contos do País de Outubro.

15, 2, 1, Eu estou esperando o homem.

Esta é uma citação da canção de Velvet Underground Heroin (Heroína) sobre um viciado que espera por sua conexão que vai trazer mais de sua droga para lhe vender.

15, 3, 3, Adeus, Minha Adorada (Cartaz)

Este filme de 1945, cujo título em inglês é Farewell, My Lovely, foi produzido pela RKO. Foi um dos primeiros filmes noir, um estilo caracterizado pelo violência e depravação de suas personagens, seu enredos complexos e sua fotografia sombria e de alto-contraste. Este filme foi adaptado de um romance de Raymond Chandler, e trata da procura de um detetive particular pela namorada de um ex-condenado (Halliwell 314).

21, 2, 2, Eva Perón…, Evita…e Não Chores por mim, Argentina…
Eva Perón foi a esposa de Juan Perón, antigo presidente da Argentina,de 1946 a 1952. Eva Perón, também conhecida como Evita, controlou o sindicato trabalhista, e os purgou de seus líderes, fazendo-os assim completamente dependente do governo. Ela também suprimiu grupos que a insultavam. Porém, ela era bastante querida por muitos de Argentina. Eva Perón inspirou um musical, Evita, escrito por Andrew Lloyd Webber, e encenado pela primeira vez em Londres em 1978.

23, 1, 1, …e deu estes passos em tempos antigos…

As primeiras linhas do poema And Did Those Feets, de William Blake.

27, 2, – …então, como podes me dizer que estas sozinho…/ … e afirmar que o sol não brilha para ti?/ Dá-me tuas mãos e vem comigo pelas ruas de Londres./ Eu lhe mostrarei algumas coisas…/ … que te farão mudar de idéia.

Esta pode ser uma canção real; porém, Fui incapaz de determinar sua origem ou qualquer outra informação sobre ela.

41, 3, 1, … um funeral viking.

Os vikings enterravam seus mortos primeiro colocando o cadáver em um navio e, depois de atear fogo na embarcação, empurravam-na para dentro do mar.

41, 3, 1, Ave atque vale

Latim, que significa, Olá e adeus (Simpson 63, 70, 629).

52, 1, 2, Les Miserables (cartaz)

Este cartaz pertence a Les Miserables (Os Miseráveis), uma moderna peça de ópera de Claude-Michel Schonberg, baseada no romance de Victor Hugo e encenada pela primeira vez em Londres em 1980. Fala sobre um insignificante ex-criminoso que, saído da prisão, se torna um líder revolucionário (Behr 391).

55, 2, 2, As notícias de minha morte foram… exageradas.

Esta citação é de um telegrama enviado de Londres à Associated Press por Mark Twain, escritor americano, em 1897 (Bartletts 625).

Por Madelyn Boudreaux – 27 de abril de 1994.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/v-de-vinganca-guia-de-referencias/