O Uso Oracular do RPGQuest

O RPGQuest foi o maior Financiamento Coletivo de RPG no Brasil e, até agora, o terceiro maior entre os Jogos de Tabuleiro, mas o que pouca gente sabe é que ele traz dentro de si um conjunto oracular dos mais completos e complexos já criados, envolvendo Tarot, Runas e a própria Árvore da Vida.

Antes de começarmos, vamos explicar o que a Sincronicidade. Termo cunhado por Carl Gustav Jung para sua teoria de que tudo no universo estava interligado por um tipo de vibração, e que duas dimensões (física e não física) estavam em algum tipo de sincronia, que fazia certos eventos isolados parecerem repetidos, em perspectivas diferentes. Tal idéia desenvolveu-se primeiramente em conversas com Albert Einstein, quando ele estava começando a desenvolver a Teoria da Relatividade. Einstein levou a idéia adiante no campo físico, e Jung, no psíquico.

A sincronicidade é definida como uma coincidência significativa entre eventos psíquicos e físicos. Um sonho de um avião despencando das alturas reflete-se na manhã seguinte numa notícia dada pelo rádio. Não existe qualquer conexão causal conhecida entre o sonho e a queda do avião. Jung postula que tais coincidências apóiam-se em organizadores que geram, por um lado, imagens psíquicas e, por outro lado, eventos físicos. As duas coisas ocorrem aproximadamente ao mesmo tempo, e a ligação entre elas não é causal.

Desta maneira, quando se utiliza um Oráculo, o leitor está trabalhando o contato com o Sagrado Anjo Guardião e as cartas escolhidas, embora pareçam ter sido sorteadas ou escolhidas aleatoriamente, formarão uma história através do significado simbólico daquelas cartas e, ao ser interpretada, trará uma luz aos fatos que estão sendo perguntados.

O RPGQuest, além de sua utilidade como Boardgame para passar uma tarde de diversão, pode ser usado para o autoconhecimento através da Jornada do Herói em sincronicidade com sua própria Jornada naquele momento. Vou detalhar melhor isso com um exemplo de uma partida:

– Os territórios são formados por Esferas da Árvore da Vida, cada qual trazendo na forma de símbolos as características próprias daquela esfera, e são embaralhados formando uma Grande Ilha que se chama “Arcádia”. Nela serão sorteados três grandes Monstros que, por sua vez, são baseados nos Elementos da Alquimia e possuem uma Escala de dificuldade. Existem Combinações pareadas de todos os 4 Elementos, e graduações que variam de 12 a 18 em Dificuldade. Em uma Partida ritualística em Modo Oracular, o Leitor jogará sozinho ou cada um dos Jogadores terá seu próprio Desafio, que será sorteado entre os Desafios e representará o Problema a ser derrotado.

Os Monstros são representações simbólicas dos 4 elementos: Terra (Concretização, dificuldades no Reino Material); Ar (Razão, problemas no campo de trabalho/intelectual); Água (Emoção, problemas no campo emocional) e Fogo (Vontade, problemas em realizações de Projetos pessoais). A Combinação de 2 ou mais elementos deverá ser interpretada em sincronicidade ao que está acontecendo na vida do Jogador naquele momento.

Os símbolos podem aparecer na forma de um Observador Qliphotico (água/Fogo – um problema emocional que afeta um projeto importante), um Gigante Bestial (Ar/Terra – A dificuldade de se colocar um texto no papel), um Dragão (fogo/Terra – a dificuldade de concretização de um projeto importante), Cérberus (Agua/Ar/Terra – A dificuldade de entendimento em uma relação e trazer isto para algo mais concreto), uma Hidra (uma dificuldade no trabalho, onde cada problema resolvido parece criar mais problemas) e assim por diante… a intensidade dos Problemas em correlação aos Elementos sorteados indicam que tipo de problemas seu Herói (ou seja, você mesmo) terá de lidar em sua Jornada (o Ritual de enfrentamento deste Problema).

Os Heróis que farão esta jornada também são cartas e possuem poderes relativos aos Quatro Elementos da Alquimia. Podem representar a Terra (Guerreiros), o Ar (Ladinos, Espiões e Diplomatas), a Água (os Clérigos e Curadores emocionais) e o Fogo (os Magos e Intelectuais), e eles serão as forças que serão trabalhadas durante o ritual.

O Sorteio do Herói inicial também ocorre por Sincronicidade e você pegará UM Herói, que representará suas virtudes naquele momento. Pode ser um Personagem mais focado em resolver problemas concretos, em ajudar emocionalmente, em realizar tarefas intelectuais ou em tocar projetos de Verdadeira Vontade. As imagens e desenhos deles, em suas classes de heróis medievais, facilitarão todo o processo da Jornada.

E realiza-se o ritual jogando a partida solitária (ou, no caso de um grupo, cada um estará focado em resolver seu próprio Nêmesis). Ao longo do jogo, os Heróis vão resolvendo enigmas, solucionando missões e cumprindo tarefas dadas pelos Arcanos do Tarot, Runas e pelas Esferas da Árvore da Vida. Para quem já tem um conhecimento em Oráculos, pode interpretar os próprios Arcanos enquanto a Jornada vai se desenrolando. Os Heróis encontrarão com outros Aventureiros e poderão recrutá-los (escolher amigos e aliados representando as classes de energias que se deseja trabalhar e resolver, como Magos e Clérigos se o Desafio envolver estas dificuldades).

Se o Monstro apresentado possui desafios emocionais, busque cartas de curandeiros e clérigos para remediar a situação. Pesquise no interior das Cavernas: “Visita o Centro da Terra, Retificando-te, encontrarás a Pedra Oculta”. Muitos Artefatos estão disponíveis para serem encontrados pelos buscadores, e nesta partida oracular, cada um deles (são todos relacionados a Artefatos da História e do Hermetismo) trará uma parte da energia que falta ao Herói para derrotar sua sombra.

O Herói encontrará Ordens Iniciáticas, Artefatos (alguns amaldiçoados), Cavernas a serem exploradas e quem sabe até a Pedra Filosofal?

O Jogo é o Ritual. Cada Jogador se torna mais próximo de compreender o problema real ao mesmo passo em que o Aventureiro se torna mais próximo de conquistar o poder que precisa para derrotar o Grande Desafio da partida. Os Arcanos do tarot vão guiá-lo através das Esferas da Árvore da Vida. Algumas Esferas mais difíceis de serem trilhadas, outras mais fáceis.

As Esferas da Árvore da Vida, as Runas e os Arcanos do Tarot guiarão o Herói até a solução do Grande Problema.

O Financiamento Coletivo oficial já terminou, mas fizemos cerca de 200 unidades a mais do que as que foram vendidas no Projeto e abrimos pré-venda por mais 30 dias enquanto o Jogo está sendo produzido na gráfica (e já vendemos umas 30 até agora, então restam 170 jogos e o RPGQuest não será reimpresso). É a sua última chance de poder apoiar este projeto único que trabalha Jogos, Alquimia e Hermetismo! Uma maneira bacana de ensinar hermetismo para seus filhos e também para utilizá-lo em suas meditações.

Você pode comprar o RPGQuest aqui:

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-uso-oracular-do-rpgquest

Angel Tech: Guia de um xamã moderno para seleção de realidades

Perder-me na seção de religiões da minha livraria favorita costumava ser puro prazer cerebral… um prazer incomparável. Isso foi antes da invasão dos livros da Nova Era e de auto-aperfeiçoamento que, nos últimos anos, inundaram as estantes e empurraram para fora as gemas clássicas e mais obscuras da tecnologia psíquica. Você não pode mais encontrar os paradigmas cristalinos do Ensino Superior sem esbarrar em mais bobagens de palavras da moda. Ironicamente, devido à popularidade vertiginosa da Metafísica em geral, uma diluição generalizada de informações espirituais genuínas passou para a seção de história e filosofia. Talvez seja um sinal dos tempos, quem sabe? Não sei e, francamente, não quero saber. Metafísica para os Milhões não é minha praia.

Balançando em meio ao rio lamacento da literatura oculta está Angel Tech: A Modern Shaman’s Guide to Reality Selection (Angel Tech: Guia de um xamã moderno para seleção de realidade), de Antero Alli ,um residente de Boulder, Colorado, com um prefácio de Robert Anton Wilson, famoso por Cosmic Trigger. “Seleção de realidade”, hmmm… isso me chamou a atenção. Não é exatamente um livro de auto-ajuda ou um tratado metafísico, Angel Tech é (em suas próprias palavras), “um manual de sobrevivência para anjos caídos que acabaram com suas respostas congeladas aos pesadelos ao nosso redor”. Várias frases depois, ele nos instrui a: “voar mais alto, plantar os dois pés firmemente no chão… chão”. O título também é um pouco enganador, porque Angel Tech não é sobre anjos em si; pelo menos não do tipo pintado por artistas e descrito na Bíblia. Para citar mais uma vez o texto, “Um anjo é um ser de Luz. Tech vem de techne, significando arte ou habilidade. Angel Tech é a Arte de Ser Luz… Somos, em essência, seres de luz.”

Alli assumiu a responsabilidade de redefinir a terminologia comum, bem como criar palavras próprias para descrever sua jornada psíquica. Esta jornada atravessa a Lei das Oitavas e Harmônicos traduzidos na visão evolutiva das funções da Inteligência Única. Seu destino é a incrível tarefa de Aumento de Inteligência. O formato da lei dos oitos é tão antigo quanto as Escolas de Mistério Sufi e vigoroso o suficiente para atrair o próprio Gurdjieff. Mais recentemente, o guru patife Timothy Leary pegou e escreveu sua obra, Exo Psychology (também esgotada), um dos livros de origem da Angel Tech. O que diferencia a Angel Tech de outras interpretações desse sistema óctuplo é seu brilho cômico e algumas ilustrações histericamente perversas. Também visivelmente ausente é o tipo de dogma que quase sempre acompanha assuntos como este. (O autor nos lembra constantemente que o livro é um mapa e não o território em si, e que nós, leitores, devemos fazer nossos próprios mapas tão rápido quanto absorvemos informações para minimizar a constipação psíquica.)

Este livro não é para todos. Considere a seção intitulada Mecânica do Karma, que é “um curso de estudo mais adequado para robôs auto-realizados”. Quem vai admitir a seu papel de robô? Gurdjieff e sua espécie certamente o fizeram, mas não sem muito trabalho. Mais adiante nesta seção há outro chamado Problemas Mecânicos que, com detalhes meticulosos, explora os sintomas, causas e ajustes necessários para “robôs enlouquecidos”… em termos leigos, o processo de consertar pessoas quebradas. Apesar da leitura bastante densa nesta seção, Alli conseguiu me atrair com seu humor, que às vezes é implacável. Para o neófito não iniciado, Fred Mertz (lembra-se, do programa I love Lucy?) ressuscitou ao status espiritual de Bodhisattva com o propósito de transmitir sua compaixão através do “meio neuroeletrônico da televisão nas reprises…” Se Fred Mertz é um Avatar da Nova Era, então eu sou o papa. E em algum universo paralelo, provavelmente sou mesmo.

Angel Tech não é uma leitura fácil. Suas 380 páginas descrevem uma abordagem abrangente para reprogramar sua mente. O único outro autor que conheço que apresentou uma visão tão lúcida desta digna tarefa é o Dr. John Lilly (Simulations of God, Center of the Cyclone, etc.). Mais uma coisa surpreendentemente perdida da Angel Tech são os endossos pró-drogas que proliferam em livros de predecessores como Leary, Wilson e Lilly. A fórmula de Alli para Brain Change vem diretamente do próprio biocomputador humano. Técnicas para flexionar os músculos psíquicos são abundantes na Angel Tech. Os tópicos de pesquisa incluem Arrebatamento, Carisma, Ritual, Desenhando um Tarô, Alquimia, Sincronicidade, Astrologia, Rituais do Sonho e Fator X… se ao menos eles tivessem nos ensinado essas coisas quando fomos para a escola. E ao longo de tudo isso, uma corrente sublinhada chamada “aterramento” conecta o que é psíquico à terra. Só isso, na minha opinião, já vale o preço do ingresso.

Às vezes, este livro fica no limite entre a redundância e a repetição instrutiva com a esperança de levar seu ponto para casa. Esse ponto parece ser a autorresponsabilidade e a necessidade de se definir ou ser definido pelos outros. Alli dá como certo que os leitores já entendem que eles criam sua própria realidade, então não há muita escolaridade sobre isso.  É, talvez, por esta razão que o público da Angel Tech permanecerá limitado àqueles que atualmente projetam seu próprio programa. Desta forma, a Angel Tech é até elitista. Ele se recusa a tentar alcançar todo mundo. No entanto, as pessoas que tocarão serão mais ricas devido à falta de compromisso de Alli. Não é um livro totalmente inacessível, mas é baseado em uma suposição bastante radical. Ele falha em reconhecer a divisão entre os Eus Inferiores e Superiores que a maioria dos livros metafísicos quase divinizam. Meu palpite é que Alli é uma espécie de anarquista que encontrou seu caminho no sistema. Sua paixão por aniquilar a hierarquia com o propósito de desmistificar as comunicações é difícil de ignorar.

O que eu achei a parte mais atraente de Angel Tech foi que a seção chamada Capela Perigosa, que poderia ter sido expandida e reescrita como outro livro. Para aqueles familiarizados com o Cosmic Trigger de Robert Anton Wilson, a menção da Capela Perigosa deve tocar os sinos do inferno. De acordo com Alli, a Capela é um “lugar para onde as almas vão depois de serem catapultadas para fora de seus corpos, tateando sem rumo pela outra metade… enquanto seus corpos permanecem vivos, no automático, andando pelo planeta” (parafraseado). Esta seção do livro explora o processo de “Iniciação como resposta criativa ao choque do desconhecido”. É apresentado dramaticamente como Oito Sermões contados a uma congregação de almas perdidas por um padre que lembra vagamente os Sermões dos Mortos no final do livro de Carl Jung, Memórias, Sonhos e Reflexões. Os títulos dos sermões incluem: Paixões Fatais, Suicídio e Livre Arbítrio, Céu e Inferno, A Crucificação… entre outros. A Capela Perigosa não é um lugar bonito para se estar e Alli olha através de seus vitrais, sombriamente.

Angel Tech é o livro um de uma trilogia chamada Manual de Referência de Operadores de Campo. Os outros dois livros, All Rites Reversed e The Akashic Record Player, serão lançados. Até lá, recomendo esta viagem irreverente e alucinante de um livro, Angel Tech, e espero mais de Alli.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/angel-tech-guia-de-um-xama-moderno-para-selecao-de-realidades/

RPGQuest – Um Jogo baseado na Kabbalah Hermética

Entramos nos últimos 15 dias de Financiamento Coletivo e o RPGQuest já é o maior financiamento de um RPG nacional de todos os tempos e chegou aos Top 10 de Jogos/RPGs, desbancando clássicos como “Call of Cthulhu”, “Tormenta” e “Runicards”.

Agora queremos chegar aos primeiros lugares e mostrar que os jogos brasileiros podem ser tão bons e até melhores que os gringos.

RPGQuest – A Jornada do Herói é um Boardgame para 1 a 4 pessoas, no qual cada jogador controla um pequeno grupo de Aventureiros em busca de fama e fortuna em Arcádia. Os Reinos são baseados nas Sephiroth da árvore da Vida, as Classes nos 4 Elementos da Alquimia e as Missões são baseadas nos Caminhos da Árvore da Vida.

Durante o jogo, os Heróis enfrentarão Monstros da Mitologia Grega, Encontrarão Artefatos e Itens Mágicos e enfrentarão criaturas clássicas dos RPGs como Orcs, Esqueletos, mortos-vivos e dragões.

Ainda não apoiou? Corre lá que dá tempo…
https://www.catarse.me/rpgquest

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/rpgquest-um-jogo-baseado-na-kabbalah-herm%C3%A9tica

Elias Ashmole

Elias Ashmole (1617-1692) foi um historiador e estudioso inglês com um intenso interesse na Alquimia. Elias Ashmole é mais conhecido como o fundador da Biblioteca Ashmoleana em Oxford.

Ashmole nasceu em 1617, filho de um selador de Lichfield. Ele estudou Direito e depois serviu como Realista (Royalist) na Guerra Civil. Em 1673, foi eleito Companheiro (Fellow) da Royal Society e foi um de seus membros fundadores. Ele foi um dos primeiros “maçons especulativos” aceitos na guilda londrina de “maçons trabalhadores”.

Ashmole estava intensamente interessado em alquimia, astrologia, filosofia hermética, magia, magia de anjos e outros tópicos esotéricos. William Backhouse, seu pai adotivo, era um alquimista que, um dia, levou Ashmole para o lado e lhe revelou o segredo da Pedra Filosofal.

Em 1652, Ashmole publicou Theatricum chemicum Brittanicum, uma obra substancial sobre o estudo da alquimia. Nela, ele expõe os princípios herméticos e neoplatônicos. A tábua de esmeralda – o que está acima é como o que está abaixo – contém a verdadeira cosmologia, expressando as correspondências que ligam o mundo celestial e o mundo terreno juntos. O verdadeiro alquimista é aquele em quem o espiritual desce no material, criando uma unidade, ou vínculo, que tem o poder de segurar todas as influências celestes.

Ashmole acreditava nos poderes transmutadores da Pedra, mas sustentava que seu verdadeiro poder e propósito residiam na transmutação espiritual, não na transformação dos metais de base em ouro e prata. Ele disse:

“E certamente aquele a quem todo o curso da Natureza jaz aberto, regozija-se não tanto que ele possa fazer o Ouro e a Prata, ou os Divinos se tornarem Sujeitos a ele, mas que veja os Céus abertos, os Anjos de Deus Ascendentes e Descendentes, e que seu próprio Nome esteja escrito com justiça no Livro da Vida.”

Ele defendeu os princípios da magia natural. Ele considera a medicina eremita como uma arte hermética ligada ao sol e à musa, que, juntamente com os eremitas, são os únicos que já compreenderam plenamente a natureza e os poderes da Pedra. A Pedra, disse ele, tem uma relação com cristais de Cristal, como o usado por John Dee e Edward Kelly para o contato com anjos. Ashmole acreditava em uma pedra de Cristal invisível que:

“tem um Poder Divino, Celestiais e Invisíveis, acima dos demais; e dota o possuidor de Dons Divinos. Ela proporciona a Aparição dos Anjos, e dá o poder de conversar com eles, por Sonhos e Revelações: nem ousa qualquer Espírito Maligno aproximar-se do Lugar onde se aloja.”

Ashmole acreditava fortemente na astrologia prática – ele mantinha um horóscopo de Backhouse – e na eficácia das ferramentas mágicas, sigilos, seloss, e assim por diante. Ashmole também traduziu o Fasciculus chemicus de Arthur Dee, publicado em 1650, uma obra destinada aos adeptos. Para o seu próprio nome, ele usou um anagrama, James Hasolle.

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Fonte:

The Encyclopedia of Magic and Alchemy, por Rosemary Ellen Guiley.

Copyright © 2006 by Visionary Living, Inc.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/elias-ashmole/

Brasão do Arcanum Arcanorum

O Brasão do Arcanum Arcanorum representa todo o processo de busca e trabalho com o Sagrado Anjo Guardião. A Jornada por dentro de nosso Brasão começa pelo centro, na fagulha divina, perfeita e única que habita cada um de nós. Esta fagulha é representada pela Rosa Rubra dentro da Cruz Dourada.

Desperta a Vontade do buscador de trilhar as sendas do autoconhecimento e o aperfeiçoamento próprio em benefício da humanidade, esta pequena fagulha incandesce e acende as três primeiras pétalas do Lamen Rosacruz, representadas nas três letras mãe hebraicas: Alef, Mem e Shin. Alef representa o sopro divino, Mem as águas primordiais e Shin o fogo que testará o neófito em suas provações. Os três elementos etéreos que, somados à manifestação em Malkuth dada pela encarnação do buscador, completam os Quatro Elementos primordiais da Alquimia.

Do domínio dos Quatro elementos no grau de Zelator, o buscador passa a estudar os Sete Planetas no grau de Theoricus, seu próprio Mapa astral e toda a simbologia contida nas Sete Letras duplas do alfabeto Hebraico. São elas: Resh (o Sol), Gimmel (a Lua), Beit (Mercúrio), Daleth (Vênus), Peh (Marte), Kaph (Júpiter) e Tav (Saturno), cada um com seus mistérios, poderes ocultos e cobranças pessoais no caminho da Luz.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/bras%C3%A3o-do-arcanum-arcanorum

A Recolha do Orvalho

Rubellus Petrinus

O orvalho ou água celeste é a condensação atmosférica nocturna, sob a influência da Lua, e, segundo a tradição alquímica, é o veículo privilegiado do espírito universal. Os antigos alquimistas tinham a água celeste em muito apreço. Nos países da Europa central, recomendavam recolher o orvalho nos meses de Março a Maio, porque nessa altura, tem uma virtude muito especial por estar impregnado do espírito universal.

No centro e sul do nosso país, (Portugal) a melhor altura para recolher o orvalho é nos meses de Março e Abril. Nos anos de pouca pluviosidade na Primavera, no mês de Maio, a erva dos prados começa a secar, dificultando, assim, a condensação. Além da condensação ser pouca e não justificar o esforço dispendido, o orvalho recolhido nestas condições fica cheio de impurezas como tivemos ocasião de verificar pessoalmente.

Por vezes, nos seus livros, os nossos Mestres fazem referência à água celeste por analogia quando há uma condensação de vapores num vaso ou numa destilação.

Vimos um alquimista muito conhecido no seu país pelos livros que escreveu sobre a sua “obra” alquímica, esboçar um sorriso incrédulo quando lhe falámos da aplicação do orvalho na alquimia, demonstrando, assim, um desconhecimento da realidade alquímica.

Se perguntardes a um “desses” alquimistas como se recolhe e destila o orvalho e como se extrai o seu sal, certamente não saberá responder-vos, porque esse conhecimento não está ao alcance de todos, pois são muito raros os livros onde esta operação é descrita. Nós aprendemo-lo num dos livros de Solazaref.

Na nossa Arte, esta água é usada geralmente como veículo no tratamento dos sais filosóficos e não só.

A condensação do orvalho, faz-se durante a noite, perto da madrugada. Para que haja uma condensação abundante, é necessário que o céu esteja descoberto, sem nuvens, que não haja vento ou aragem, isto é, numa noite tranquila.

O tempo apropriado para recolher o orvalho, como dissemos, é na Primavera durante o quarto crescente até ao plenilúnio.

São poucas as noites que oferecem as condições ideais para a recolha do orvalho, por isso, tereis de aproveitá-las o melhor possível.

Para recolher a água celeste, necessitareis, uma toalha de algodão de tamanho médio, de preferência, muito usada, uma bacia de ferro esmaltada de 10 litros, alguns garrafões de vidro muito bem lavados com água, um funil grande de plástico e um pano fino bem limpo para servir de filtro.

No dia anterior, inspeccionai o campo aonde ireis, para verdes o melhor caminho de acesso e outras condições que vos permitam identificar bem o lugar à noite.

Escolhei um campo limpo, sem poluição, com erva curta, o máximo de um palmo de altura e que esteja bem afastado do meio urbano.

Levantai-vos duas horas antes do amanhecer e, antes de vos deslocardes para o local, verificai se o tejadilho dos automóveis que se encontram estacionados na rua, em lugar aberto afastado dos edifícios, está coberta de condensação. Isto é um bom sinal. Se não houver condensação no tejadilho dos carros, é escusado sairdes de casa porque não há orvalho. Segui o nosso conselho, porque nós sabemo-lo bem, por experiência própria.

Se houver condensação abundante, deslocai-vos para o sítio escolhido, levando todo o vosso material. A toalha deverá ser previamente lavada em água da chuva ou de nascente.

Quando chegardes ao local, desdobrai a toalha e estendei-a no chão, num dos extremos do campo. Prendei-lhe uma corda fina nas duas pontas para a poderdes arrastar pelo prado.

Arrastai a toalha bem estendida devagar, para que esta tenha tempo de absorver a água celeste que se encontra na relva. Quando começardes, notai bem o seu peso, porque à medida que se for impregnando de orvalho, pesará mais. Quando virdes que está saturada, parai e espremei-a bem para a bacia.

O orvalho, nesta época do ano, está a uma temperatura inferior a 5º ou menos e, por isso, as vossas mãos ficarão muito frias.

Continuai, da mesma maneira, arrastando a toalha e, quando estiver novamente saturada, parai e espremei-a bem para a bacia, até enchê-la. Nessa altura, ide buscar um garrafão, colocai-lhe o funil com o pano para filtrar e vazai o líquido para o garrafão.

Não vos esqueçais de levar uma lanterna eléctrica para poderdes ver, pois, como vos dissemos, a recolha do orvalho deverá ser feita em plena madrugada, antes do nascer do Sol.

Prossegui, até que os primeiros raios da aurora comecem a aparecer no horizonte, então, parai. Guardai o vosso material e regressai a casa. Numa noite, em boas condições, podereis recolher mais de 10 litros de água celeste.

O orvalho recolhido, tem uma cor de chá, ligeiramente amarelada e é inodoro.

A primeira vez que o observámos, pensámos que esta cor era devida à poeira que estava na relva onde tinha sido recolhido e, para o confirmar, na noite seguinte, quando os raios do Sol começaram a aparecer no horizonte e havia boa visibilidade, com uma esponja muito bem limpa, recolhemos, cuidadosamente, o orvalho depositado nas plantas que estavam bem limpas e sem qualquer poluição. A cor era exactamente a mesma.

Chegados a casa, no escuro, despejai o líquido dos garrafões de 5 litros, através de um funil com o pano de filtragem, para um garrafão de vidro de 20 litros e fechai-o bem com uma rolha de borracha. Arrumai o garrafão numa            cave,                  ao                         abrigo              da                luz. Se tiverdes possibilidade, isto é, se viverdes no campo fora da zona citadina, nas noites de lua cheia, despejai o orvalho numa bacia grande de plástico e deixai-o, durante a noite, exposto à luz da Lua, para este se carregar de espírito universal e, assim, aumentar a sua virtude. Recolhei-o antes do nascer do dia.

Enchei, pelo menos, mais um garrafão de 20 litros, conforme as vossas necessidades e deixai repousar na cave durante um mês. Ao cabo desse tempo, retirai, com um tudo de plástico 5 litros de orvalho para um garrafão. Fazei esta operação de noite, servindo-vos de uma pequena lanterna eléctrica.

Durante esse tempo, o orvalho apodreceu e, por isso, todas as matérias em suspensão, assentaram no fundo, deixando o líquido límpido e transparente.

Deitai os 5 litros numa cucúrbita de 6 litros, igual à que usastes para destilar o espírito de vinho e do vinagre, colocai-lhe o capitel e um recipiente de 2 litros e destilai a fogo lento, não superior a 60º. Demorará mais de uma semana a destilar tudo dependendo da abertura que tiver a vossa cucúrbita. Não nos esqueçais que esta operação deverá ser feita no escuro. Guardai o orvalho destilado em garrafões de vidro, ao abrigo da luz.

Depois de tudo destilado, ficará, no fundo da cucúrbita, uma borra, que recolhereis.

Destilai todo o vosso orvalho, da mesma maneira e recolhei sempre as borras. Depois de terdes destilado 40 litros, deitai todas as borras na cucúrbita e destilai até à secura. Retirai o caput e calcinai-o numa escudela de barro, com fogo muito forte, num fogão a gás. Extraí o sal, por lixiviação, com orvalho destilado. Obtereis umas 20 ou 30 g de sal.

Este sal de orvalho, ainda grosseiro sob o ponto de vista alquímico, contém um nitro subtil que depois de devidamente tratado como manda a Arte, é utilizado na via seca canónica.

A recolha e a destilação do orvalho, é um verdadeiro trabalho de Hércules, que requer muita paciência e perseverança e, como já vos dissemos no início, nem sempre vos será possível, dentro da época propícia, recolher o orvalho que necessitareis, devido a condições adversas, como chuva, céu encoberto com nuvens, vento, etc.

O orvalho destilado ser-vos-á muito útil na preparação dos diversos sais canónicos inerentes à nossa Arte.

Para certas operações mais correntes, podereis empregar em vez do orvalho destilado, água da chuva bem limpa e filtrada, recolhida na Primavera, de preferência em dias de trovoada.

A propósito da recolha do orvalho e por se terem levantado algumas dúvidas sobre o processo que descrevemos, relemos o livro “L’Alchimie et son Livre Muet” (Mutus Liber), Réimpression première et integrale de l’edition originale de La Rochelle, 1677, Introdution et comentaires par Eugène Canseliet F.C.H. disple de Fulcanelli, à Paris, chez Jean-Jacques Pauvert.

Pelos comentários feitos por Canseliet neste livro, não só confirmámos o que descrevemos como também o que suspeitávamos quando vimos pela primeira vez estas figuras.

Página 87 – «Pois bem! Sim, o carneiro e o touro da imagem sobre a qual nos debruçámos presentemente correspondem aos dois signos zodiacais, isto é, aos meses primaveris durante os quais a operação tendo por objectivo recolher a flor do céu é realizada exactamente tal como ela se encontra definida neste lugar.»

«Trata-se sem dissimulação da maneira simples que já primeiramente por nós mesmo utilizada e não há menos de meio século, salvo a diferença quanto à instalação das peças de roupa branca sobre as estacas. Sistema que pode explicar, na passagem de Altus, a secura do terreno, ainda que, segundo um médico inglês, toda a substância colocada por cima do solo “adquirirá mais orvalho durante uma noite bem calma, que uma substância semelhante colocada sobre a erva”.

(1) Ensaio sobre o orvalho, Well (William-Charles. Essais sur la Rosée, traduit par Aug. J. Tordeux, Maitre en Pharmacie, Paris, 1817, p 24.»

«Depois de muito tempo operámos diferentemente, passeando, de preferência sobre os cereais verdes, os trevos, as luzernas e os sanfenos um pano de linho cuidadosamente lavado várias vezes com água da chuva. Convém que nenhum sal da lixívia e da lavagem se dissolva por pouco que seja no licor generoso que será absorvido. Do mesmo modo deverá recear- se que o vegetal portador não esteja desgraçadamente polvilhado ou aspergido de qualquer adubo.»

Página 88 – «A prática é banal e consiste em torcer em seguida o tecido embebido à saturação a fim de espremer e de recolher o orvalho como o fazem o homem e a mulher que nós vimos em oração na segunda figura.»

Página 103 – «O leitor sério e atento não será surpreendido se nós lhe dissermos que esta nossa figura não está no seu lugar e que a quarta figura a deveria ter precedido. É fácil compreender que esta segunda parte da preparação preliminar da obra se situa depois daquela recolha inicial a qual nós observámos sobre a estampa número quatro.

O líquido precioso é agora submetido à acção do fluido universal, em largos pratos circulares onde ele parece encobrir uma borra espessa e negra. Estas duas fracções da fase preliminar da Grande Obra, devem sempre ser efectuadas na estação que designam os dois animais das suas imagens…»

Página 104 – «Desta água celeste, mais exactamente do sal precioso que ele retêm em solução, o metalóide adquire a sua grande e nova virtude.»

Canseliet não refere que a recolha do orvalho terá de ser efectuada de madrugada antes do nascer do sol. No entanto, diz que as figuras não estão colocadas pela ordem dos trabalhos da Obra e que a quarta figura deveria ser seguida da nona e, como nós referimos, depois da recolha do orvalho este deverá ser exposto à radiação Lunar.

O processo indicado pela figura acima é a recolha do orvalho por meio de lençóis de algodão branco colocados sobre estacas pela razão que refere Wells.

No entanto, Canseliet, descreve a recolha do orvalho tal como nós o fizemos sobre os cereais verdes ou relva não com uma toalha de linho mas com uma toalha de algodão muito usada.

E tal como nós afirmámos, Canseliet utilizava o sal extraído do orvalho sem especificar como, na segunda obra da Via Seca ou seja nas Águias. Sempre afirmámos que Canseliet fez a via seca tal como a descreve no seu livro a “Alchimie Expliquee Sus Ses Textes Classiques”.

Há quem diga que a via espagírica praticada por Barbault seria a via descrita no Mutus Liber. Na nossa opinião o trabalho espagírico de Barbault não se enquadra de forma alguma com a obra descrita no Mutus Liber e a via descrita neste último não é feita exclusivamente com o orvalho como podereis observar na Sétima Figura e, ao que parece, de acordo com o que lemos, o seu autor Altus não chegaria a concluí-la.

Com a chegada da Primavera é a altura propícia para recolhermos o orvalho. Desta vez resolvemos recolhê-lo tal como nos mostra a Quarta Lâmina do Mutus Liber por meio de lençóis brancos de algodão esticados e presos em estacas de madeira espetadas no solo.

Na tarde do dia 1 de Abril de 1999, às 19.00h colocámos seis estacas de madeira de 50 cm no solo do jardim num local descoberto, sem árvores, ficando estas apenas 25 cm acima do solo. Os dois lençóis mediam 1,40 x 2,50m. e foram presos com um pedaço de corda fina em cada ponta de uma estaca como podereis observar na imagem.

A noite aproximava-se tranquila sem vento nem nuvens e a Lua já estava nos primeiros dias de quarto minguante mas brilhava no horizonte nocturno com o céu estrelado. Era uma noite ideal para a recolha do orvalho.

Cerca da meia noite fomos verificar o “material”. Os lençóis estavam ligeiramente húmidos e encurvados e tivemos de esticá-los novamente e, por precaução, colocar uns cartões por baixo para evitar que tocassem o solo e se sujassem.

Aproveitámos a ocasião para limpar com um pano de flanela limpo o tejadilho e os vidros automóvel que já tinham alguma condensação.

Levantámo-nos às 05.30h (eu e minha esposa) e fomos recolher os lençóis desprendendo-os das estacas auxiliados apenas pela fraca luz da iluminação pública. Levámos os lençóis para o interior da casa e com essa fraca luz dobrámos os lençóis em quatro e tentámos espremê-los para uma bacia  de ferro esmaltado.

Não saiu nem uma gota de orvalho embora eles estivessem molhados. Desdobrámo-los e voltámos a dobrá-los novamente mas desta vez no sentido do comprimento. Esprememo-los por pequenas secções cada um torcendo no sentido inverso. Sentimos então escorrer algum orvalho para a bacia. Recomeçámos até chegarmos ao fim, fazendo a mesma coisa com o outro lençol.

Deitámos o orvalho recolhido na bacia para uma pequena garrafa de vidro escuro de 300 ml previamente lavada com água de nascente. Colocámos a garrafa dentro dum saco de plástico preto.

Por uma questão de curiosidade, limpámos o tejadilho do automóvel e os vidros com o mesmo pano de flanela ainda húmido. Esprememo-lo para a bacia e deitámos esse orvalho para outra garrafa de 300 ml que encerrámos também dentro do mesmo saco de plástico preto.

Chegados a casa verificámos que o orvalho recolhido pelos lençóis estava turvo. O que recolhemos no tejadilho e nos vidros do automóvel estava sujo de poeiras.

Ficámos completamente desiludidos com o sistema pois o orvalho recolhido nos lençóis não ultrapassou os 200 ml. Os lençóis ficaram ainda húmidos mas não nos foi possível recolher mais nada. Para humedecer os lençóis seria necessário mais de um litro de água, por isso, o total de líquido recolhido seria pelo menos 1,5 litro do qual só pudemos recolher 300 ml. O orvalho recolhido no automóvel foi aproximadamente a mesma quantidade.

O orvalho turvo talvez se deva ao facto de os lençóis não terem sido lavados previamente com água de nascente porque quisemos fazer a experiência com os lençóis completamente secos.

Nestas condições e com tão pouca quantidade de orvalho turvo não pudemos evaporá-lo para ver se conseguíamos algum sal. Provámos o orvalho recolhido e verificámos que era um líquido insípido e inodoro.

Para a próxima vez, isto é, no próximo quarto crescente até à lua cheia faremos nova experiência mas lavando previamente os lençóis com água de nascente para ver se conseguimos maior quantidade e que seja límpido para tentar extrair algum sal por evaporação lenta.

Fizemos posteriormente nova recolha com o mesmo processo, mas desta vez lavando previamente os lençóis com água de nascente e colocando-os ainda húmidos. O resultado foi mais animador. Recolhemos 1 litro de orvalho mas também turvo embora os lençóis tivessem sido lavados com água de nascente, por isso, a poluição só poderia ser atmosférica.

Conclusão: a imagem 4 do Mutus Liber é, pelo menos, falaciosa e dá-nos a impressão de que quem a desenhou ou mandou desenhar nunca recolheu o orvalho por esse processo. Quem verificar a referida Lâmina 4 ficará com a impressão de que irá recolher litros de orvalho como se pode observar pelo líquido que escorre do lençol que o casal está torcendo.

Ainda em referência ao orvalho, vejamos os comentários que Eugène Canseliet faz à Quinta Chave de Basílio Valentim, em Les Douze Clefs de la Philosophie, Les Editions de Minuit , página 140 e 141:

«O espírito universal descende dos espaços celestes na primavera e retorna no outono.

Este movimento circular de queda e ascensão determina um ciclo anual e regular no qual o espírito representa o papel de mediador entre o céu a terra. Ele é mais abundante na época da germinação que no princípio do verão e manifesta   a   sua   actividade   mais   à   noite   que   de   dia. A radiação solar dissipa-o, o calor volatiliza-o, as nuvens interceptam-no, o vento dispersa-o e impede-o de se fixar, mas pelo contrário, as radiações lunares favorecem-no e exaltam-no.

Na superfície da terra, ele une-se à água pura do orvalho que lhe serve de veículo para o reino vegetal e forma com ele um sal dotado de uma acidez particular.

Na destilação ou evaporação lenta ao abrigo da luz, pode-se recolhê-lo em cristais minúsculos, verdes, muito refringentes e possuindo uma certa analogia qualitativa com o nitro ordinário.

É por isso que o Cosmopolita que o conhece muito bem, lhe impõe nos seus tratados o nome de “salpêtre” filosófico com o duplo sentido de nitro e de sal da pedra (Salpetrae).

A incorporação do espírito, a sua infiltração através da textura mais ou menos mole dos minerais, não implicam a necessidade de uma dissolução prévia nem do seu transporte num veículo aquoso. Pelo contrário, é directamente tal como ele nos chegam dos espaços celestes – sob forma de vibração obscura ou de energia invisível – que se pode aliar aos metais mineralizados.

Isto demonstra o erro de certos alquimistas que por não terem compreendido o seu modo de acção submetem o orvalho de Maio – extraído a maior parte das vezes do nostoc – metais divididos precipitados reduzidos em pó impalpável.

O fluido universal, apesar da sua grande subtileza não saberia penetrar os corpos metálicos, inicialmente porque está já corporificado ele mesmo no orvalho, em seguida porque a densidade a inércia dos metais reduzidos pela indústria humana constituem outro tanto de obstáculos à sua introdução. Se se quer conseguir a sua animação é indispensável mantê-los perfeitamente em fusão conforme o que indica nesta imagem da quinta chave, o personagem com o rosto em chamas e munido dum fole.»

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-recolha-do-orvalho/

Papageno – I

Yvette Centeno, na minha opinião uma das maiores especialistas da obra esotérica do Fernando Pessoa.

Nas primeiras cenas do Acto I adquirem especial importância Tamino, a serpente que o persegue, as damas de negro que o salvam e Papageno, o passarinheiro, coberto de penas como se ele mesmo fosse uma criatura mais próxima do reino animal do que do reino dos humanos.O cenário é descrito como uma paisagem rochosa, onde há grutas e árvores, vendo-se ao longe um templo de forma circular: duas esferas, a natural, primitiva, em parte por isso assustadora, e a religiosa ou espiritual, ao longe ainda, na representação do templo. Mas já estão presentes ambos os cenários, ambas as esferas, a natural e a espiritual.Os autores não querem deixar nada ao acaso.

No diálogo que se estabelece entre Tamino, o príncipe, e Papageno que fingirá ter sido o seu salvador, torcendo o pescoço da serpente, terá uma das deixas mais importantes. Quando o príncipe lhe pergunta “quem és tu?”, este responde:

Wer ich bin? Dumme Frage!

Ein Mensch, wie du.

Quem sou eu?Que pergunta mais tola!

Um homem, como tu.

Por ser um homem, poderá Papageno acompanhar o príncipe na aventura de redenção da princesa Pamina, ainda que as suas provações, por ele ser mais imperfeito (estar mais dependente dos seus instintos naturais, a fome, a sede, o sexo)durem mais tempo, até ele ter direito à sua Papagena, o seu contraponto feminino desejado. Se com os príncipes se realiza a Obra no seu grau mais sublime, com os Papagenos a Obra realiza-se num grau abaixo, por assim dizer, mais perto da realidade da res humana. Do ponto de vista alquímico, no entanto, ambos atingem a completude que a Conjunção representa.

A Rainha da Noite, para além de ser um símbolo da nigredo alquímica, é neste contexto da ópera de Mozart algo mais, de mais remoto, mais ancestral, primitivo. Daí o seu fascínio, desde logo sobre o príncipe, que aparentemente tinha sido atraído ao seu reino:

Sternflammende Koenigin!-Wenn es etwa gar die maechtige/Herrscherin der Nacht waere!

A rainha de estrelas flamejantes!Se fosse mesmo a poderosa/Senhora da Noite!

Adiante, pela descrição do atemorizado Papageno, que nunca a vira, só às damas de negro, o príncipe aluda ao facto de o seu pai lhe ter mencionado uma rainha assim, tão poderosa:

Nun ist’s klar; es ist/ eben diese naechtliche Koenigin, von der mein/ Vater mir so oft erzaehlte.

É óbvio, trata-se mesmo/dessa rainha da noite de quem o meu pai/ tantas vezes me falou.

O que o príncipe não percebe, como diz a seguir, nem os autores nos explicam, é por que razão o príncipe ali se encontra, ali é perseguido por uma grande serpente e salvo pelas damas de negro da rainha.

O fascínio das damas pelo príncipe é idêntico ao que ele sente pela poderosa Senhora. Os diálogos deixam no ar uma certa ambiguidade: tanto quando as damas o contemplam, desmaiado no chão, desejando, cada uma delas, ficar ali a guardá-lo enquanto as outras vão chamar a rainha, como quando ele, já bem desperto, ainda que algo confuso sobre o que lhe está a acontecer, se vê perante um pedido da rainha: que seja o salvador da sua filha Pamina, raptada por Sarastro, nestas cenas ainda apresentado como espírito do mal.

É importante o momento em que a terceira dama entrega ao príncipe o retrato da princesa. A primeira sedução é exercida pela imagem, que ele contempla emudecido e que parece hipnotizá-lo. A incumbência de a salvar parece-lhe um imperativo a que não pode nem quer furtar-se. Assim começará a sua grande aventura.

Falámos da importância do negro, do 3 ( 3 damas , 3 bocados da serpente) da flauta que é dada ao príncipe, fazendo dele um segundo Orfeu, e da dimensão cósmica que a rainha assume, ao aparecer num trono rodeado de estrelas brilhantes (Acto I, cena seis). Podemos evocar Hecate, deusa dos infernos, como faz van den Berk, mas prefiro pensar em Cybele, e os ritos sacrificiais de Attis (de que o príncipe poderia ter sido vítima, ou ainda Sarastro, no segundo acto, quando a rainha entrega a Pamina um punhal para o matar); ou talvez ainda melhor a grande prostituta do Apocalipse de João, descrita também ela como mulher carregada de pérolas e pedras preciosas, simbolizando a decadente Babilónia, a Grande Cidade que reinava sobre os reis da terra. De qualquer modo estes são cultos e figuras que terão o seu fim com a época das Luzes, celebrada na ópera.

O que se pode depreender, do simbolismo do negro feminino, é que diz respeito à matéria social ou humana decaída, e que é necessário opôr-lhe, para redenção social ou humana também ela, um complemento espiritual masculino (entenda-se, luminoso, racional).

Qualquer destas figurações o que faz é remeter-nos para uma memória ancestral, aterradora, que é preciso sublimar, pois a espessura da matéria negra carece de tal espiritualização – quer se trate da sociedade humana e sua condição (como no caso da ópera de Mozart)-quer se trate de algum processo alquímico de trabalho da Pedra Filosofal (como também a interpretação da ópera permite). No tocante à alquimia haverá sempre duas leituras: a da alquimia verdadeira ( do ouro espiritual) e a da falsa, que todos os filósofos herméticos condenam, sem excepção, como lembra Dom Pernety no seu dicionário Mito-Hermético. As cenas iniciais em que Papageno mente, fingido ser o salvador do príncipe são exemplo de um processo imperfeito (porque mentiroso ) da tal falsa alquimia. O seu pão e vinho são transformados em água e pedra, lembrando-lhe, ainda que ele não o entenda logo, que se trata da Pedra verdadeira dos filósofos e não da mentira e do fingimento da aparência. Também a regra do silêncio é ali apontada, quando as damas lhe põem um cadeado na boca.

Como se verá adiante na ópera, o Caminho exige privações e provações a que será preciso resistir: Tamino resiste a todas: do silêncio, desde logo, da água, do fogo, do ar (neste caso representado pelos jovens que atravessam os céus); Papageno tem mais dificuldades, mas a sua imperfeição é perdoada no momento em que, arrependido, tenta enforcar-se. E lembremo-nos que, para a leitura alquímica, o elemento terra já fora apresentado no início, com a paisagem rochosa e com a serpente que as damas mataram com as suas lanças.

Terra e nigredo estão na ópera muito próximas; depois, com Papageno, o das penas coloridas, se alude à fase da cauda pavonis, interessante porque anuncia um bom progresso na Obra.

A côr, tal como os números, os princípios e os elementos, vai anunciando a evolução do caminho.Tudo o que é suposto estar presente tem de ser figurado, de uma ou outra maneira, para que se veja a Obra na sua completude: nigredo, albedo, rubedo – e entre elas a cauda pavonis, multicolor.

#Poemas

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/papageno-i

Yod-He-Shin-Vav-He e Maria Madalena

Quero avisar que estou acompanhando os comentários, mas que só vou montar um post de respostas depois que as matérias sobre Yeshua terminarem, porque a maioria das perguntas feitas devem ser respondida ao longo dos textos. O que ficar faltando eu faço uma geral depois…

Continuaremos nesta semana a pequena série de matérias sobre Yeshua Ben Yossef, o Jesus, o Cristo, histórico. Como vimos na coluna anterior, Yeshua nunca foi o pobrezinho coitadinho nascido de uma virgem e de um carpinteiro que a Igreja Católica fez as pessoas acreditarem durante a Idade Média, nem nasceu em uma manjedoura porque não havia vagas nos hotéis de Belém por causa do recenseamento e muito menos três reis perdidos no deserto entregavam presentes para qualquer moleque nascido em estábulos que encontrassem pela frente.

Paramos a narrativa quando Yeshua é levado por seus pais para ser educado no Egito; mais precisamente nas Pirâmides do Cairo, e lá permanece estudando. A Bíblia nos dá um hiato de quase 30 anos…

O que aconteceu neste período?

Antes de continuarmos, precisamos explicar algumas coisas que os leitores estavam confundindo:

A primeira é “Se Yeshua é tão fodão quanto os ocultistas falam, porque ele não soltou bolas de fogo pelos olhos e raios elétricos pelo traseiro e matou todos os romanos?”

A resposta para isso é obvia. Yeshua é um humano como qualquer outro. Ele come, dorme, vai no banheiro e solta puns como eu ou você. Seu “poder” vem de sua iluminação e de seu conhecimento e do “ser Crístico” que foi despertado nele, assim como Buda, Krishna, Salomão, Davi, Moisés ou os Faraós. Claro que os conhecimentos alquímicos, astrológicos e místicos que possuía fazem com que Jesus fosse um ser humano muito superior aos demais, tanto física quanto mentalmente… um Mestre de bondade, caridade e iluminação, mas não o torna um super-homem. Cinco soldados com espadas dariam cabo dele com a mesma facilidade com que dariam cabo do Dalai Lama.

Quando Yeshua nasceu, os romanos já dominavam Jerusalém desde 63 AC e Herodes já estava no poder desde 37 AC.

Quando os romanos substituíram os selêucidas no papel de grande potência regional, eles concederam ao rei Hasmoneu Hircano II autoridade limitada, sob o controle do governador romano sediado em Damasco. Os judeus eram hostis ao novo regime e os anos seguintes testemunharam muitas insurreições. Uma última tentativa de reconquistar a antiga glória da dinastia dos Hasmoneus foi feita por Matatias Antígono, cuja derrota e morte trouxe fim ao governo dos Hasmoneus (40 AC); o país tornou-se, então, uma província do Império Romano.

Em 37 AC, Herodes, genro de Hircano II, foi nomeado Rei da Judéia pelos romanos. Foi-lhe concedida autonomia quase ilimitada nos assuntos internos do país, e ele se tornou um dos mais poderosos monarcas da região oriental do Império Romano. Grande admirador da cultura greco-romana, Herodes lançou-se a um audacioso programa de construções, que incluía as cidades de Cesaréia e Sebástia e as fortalezas em Heródio e Masada.

Dez anos após a morte de Herodes (4 AC), a Judéia caiu sob a administração romana direta. À proporção que aumentava a opressão romana à vida judaica, crescia a insatisfação, que se manifestava por violência esporádica, até que rompeu uma revolta total em 66 DC. As forças romanas, lideradas por Tito, superiores em número e armamento, arrasaram finalmente Jerusalém (70 DC) e posteriormente derrotaram o último baluarte judeu em Massada (73 DC), mas falarei sobre isso mais para a frente.

Portanto, estas Ordens das quais estamos discutindo (Pitagóricas, Essênias… ) das quais Yossef e Maria faziam parte já precisavam se manter “secretas” desde o Tempo de Pitágoras (eu tive de pular algumas partes da história do Ocultismo para chegar a Jesus mas voltarei aos Gregos assim que terminarmos esta série).

A conexão de Yeshua com a Ordem Pitagórica e com os ensinamentos orientais é simples de ser demonstrada. O nome Yeshua representa “Aquele que vem do fogo de Deus” ou, como mais tarde a Igreja colocou, “O Filho de Deus”, representando um sacerdote solar.

Cabalisticamente, Deus é representado pelas letras hebraicas Yod-Heh-Vav-Heh ou o tetragrama YHVH que simbolizam os 4 elementos e toda a Àrvore da Vida. Estas letras são dispostas em um quadrado ou uma cruz. O alfabeto hebraico não possui vogais e o nome de Deus precisava ser passado apenas oralmente de Iniciado para Iniciado. Quando surgia nos textos, os sacerdotes precisavam oculta-lo e usavam outras palavras para designá-lo. Eis o verdadeiro significado do mandamento “Não tomarás o nome de Deus em vão”.

A letra SHIN representa o espírito purificador. O fogo celestial que remove o Impuro (tanto que, como veremos mais adiante, ela representa o Arcano do Julgamento no tarot). Da evolução do quatro vem o número cinco, o pentagrama sagrado dos Pitagóricos, representado pela união dos 4 elementos mais o espírito (SHIN). Note que são os MESMOS elementos utilizados na bruxaria, no xamanismo, nas Ordens Egípcias, na wicca e na magia celta.

O pentagrama será, então, representado pelas letras Yod-Heh-Shin-Vav-Heh, ou YHSVH ou Yeshua. Este título já havia sido usado por Rama, Krishna, Hermes, Orfeu, Buda e outros líderes iluminados do passado.

A Infância de Jesus

De sua infância até seus 30 anos, Jesus viajou por muitos lugares, conhecendo a Índia, a Bretanha e boa parte da África. Sabia falar várias línguas, incluindo o grego, aramaico e o latim. Conhecia astrologia, alquimia, matemática, medicina, tantra, kabbalah e geometria sagrada, além das leis e políticas tanto dos judeus quanto dos gentios.

De toda a sua infância, a Igreja deixou escapar apenas um episódio ocorrido aos 12 anos, quando Jesus discute leis com os sábios e rabinos mais inteligentes de Jerusalém (Lucas 2: 42-50). Todo o restante foi destruído, já que seria embaraçoso para a Igreja ter de explicar onde o Avatar estava aprendendo tudo o que sabia. A versão oficial é que foi a “inteligência divina”, mas a verdade é muito mais óbvia e simples: Yeshua sabia tudo aquilo porque estudou. Conhecimento não vem de “graças dos céus”, mas de estudo e trabalho.

Jesus e Maria Madalena

Depois da febre Dan Brown, na qual a Opus Dei e todas as facções possíveis e imaginárias da Igreja tentaram abafar, criticar ou ridicularizar, sem sucesso, o mundo inteiro ficou sabendo do casamento de Jesus e Maria de Magdala. Foi um belo chute no saco da hipocrisia clerical e muita gente se sentiu finalmente vingada vendo os bispos e pastores desesperados pensando em como varrer tudo isso para debaixo do tapete sem a ajuda das fogueiras da Inquisição.

Para entender como este casamento aconteceu, precisamos passar por algumas explicações. A primeira é o fato de Jesus ser chamado de Rabbi (Rabino, ou Mestre) por todo o Novo Testamento. O titulo de Rabbi é passado de iniciado para iniciado desde Moisés, através de um ritual chamado Semicha (“ordenamento”). No período do Antigo Testamento, de acordo com o Judaísmo, para se tornar Rabbi, uma pessoa precisa obrigatoriamente preencher três requisitos:

1 – Ser um homem,

2 – ter conhecimento profundo do Tora e das Leis judaicas,

3 – ser casado.

Com isso, sabemos que Yeshua, por ser um líder religioso considerado um Rabbi por seus discípulos, era obrigatoriamente CASADO (não importando com quem) ou NUNCA poderia ter recebido este título. Além disso, naqueles tempos, qualquer líder religioso que estivesse na casa dos 30 anos e ainda fosse solteiro certamente seria considerado algo completamente fora dos padrões e digno de nota.

Sabemos, então, que Yeshua era casado… mas com quem?

Que mulher poderia ser digna do Mestre Carpinteiro?

A resposta é uma sacerdotisa vestal chamada Maria de Magdala, irmã de Lázaro e Marta. Assim como Yeshua, ela foi educada e preparada desde criança para ser a companheira do Avatar. Tinha grandes conhecimentos das artes lunares, divinatórias, dança e magia sexual, além de conhecimentos de astrologia, geometria, medicina e matemática. Assim como Maria, mãe de Yeshua, Maria de Magdala também era considerada uma “virgem”.

Lázaro, o irmão de Maria Madalena, é o sacerdote iniciado pelo próprio Yeshua. A bíblia cita isso como a “Ressurreição de Lázaro”, mas claramente percebemos que se trata de uma Iniciação Egípcia, lidando com a morte e renascimento do Sol. Lázaro era um iniciado muito importante em sua época, membro de uma das famílias mais ricas da Betânia, assim como os outros apóstolos também eram pessoas influentes. Passou três dias confinados em uma caverna (o templo religioso mais importante para os Essênios), sendo resgatado do Reino dos Mortos simbólico no terceiro dia por Yeshua.

Repare no mosaico acima, do século V. Note os 4 degraus, duas colunas e pirâmide com um olho que tudo vê na porta da “tumba” de Lázaro. Certamente “coincidências” estranhas…

Vamos ver o que a Bíblia fala de Maria Madalena:

Segundo o Novo Testamento, Jesus de Nazaré expulsou dela sete demônios, argumento bastante para ela pôr fé nele como o predito Messias (Cristo). (Lucas 8:2; 11:26; Marcos 16:9). Esteve presente na crucificação, juntamente com Maria, mãe de Jesus, e outras mulheres. (Mateus 27:56; Marcos 15:40; Lucas 23:49; João 19.25) e do funeral. (Mateus 27:61; Marcos 15.47; Lucas 23:55) Do Calvário, voltou a Jerusalém para comprar e preparar, com outros crentes, certos perfumes, a fim de poder preparar o corpo de Jesus como era costume funerário, quando o dia de Sábado tivesse passado. Todo o dia de Sábado ela se conservou na cidade – e no dia seguinte, de manhã muito cedo “quando ainda estava escuro”, indo ao sepulcro, achou-o vazio, e recebeu de um anjo a notícia de que Jesus Nazareno tinha ressuscitado e devia informar disso aos apóstolos. (Mateus 28:1-10; Marcos 16:1-5,10,11; Lucas 24:1-10; João 20:1,2; compare com João 20:11-18)
Maria Madalena foi a primeira testemunha ocular da sua ressurreição e foi quem foi usada para anunciar aos apóstolos a ressurreição de Cristo. (Mateus 27:55-56; Marcos 15:40-41; Lucas 23:49; João 19:25).

Ela também aparece como a da pecadora que ungiu os pés de Jesus (Lucas 7:36-39) e como a mulher que derrama óleo perfumado sobre sua cabeça (Mateus 26:6-7), mas a “versão oficial” em nenhum momento afirma que essas mulheres eram a Madalena. Para a Igreja Católica, eram 3 mulheres distintas.

Agora vamos explicar cada uma destas passagens:

Bodas de Caná
Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus;

e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento.

E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho.

Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.

Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram- nas até em cima.

Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram.

Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo

e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. (João 2: 1,11)

As Bodas de Caná é a passagem do Novo Testamento que narra o Casamento de Jesus com Maria Madalena (e não a Santa Ceia, como Dan Brown afirma).

A versão “oficial” não fala de quem é o casamento mas, pelo bom senso, veremos que não faz muito sentido a versão do papa: Imagine que você convide Jesus e seus amigos para sua festa de casamento e, de repente, a mãe dele começa a dar ordens e palpites para os seus serviçais… não tem muita lógica, não é mesmo? E, se é Jesus quem transforma água em vinho, porque o mestre-sala vai agradecer ao noivo? A resposta é óbvia.

Basta conhecer um pouco de cultura judaica para saber que, em um casamento judeu, e mais especificamente o casamento dinástico, a ÚNICA pessoa que pode dar ordens para os serviçais é a mãe do noivo, que é a pessoa responsável pela organização da festa… e tudo faz muito mais sentido agora. E transformar água em vinho certamente não seria uma dificuldade para um Avatar.

O Ritual Sagrado da Unção com Nardo

Como já vimos, as regras do matrimônio dinástico não eram banais. Parâmetros explicitamente definidos ditavam um estilo de vida celibatário, exceto para a procriação em intervalos regulares.

Um período extenso de noivado era seguido por um Primeiro Casamento em setembro, depois do qual a relação física era permitida em dezembro. Se ocorresse a concepção, havia então uma cerimônia do Segundo Casamento em março para legalizar o matrimônio.

Durante esse período de espera, e até o Segundo Casamento, com ou sem gravidez, a noiva era considerada, segundo a lei, um almah (“jovem mulher” ou, como erroneamente citada, “virgem” ).

Entre os livros mais pitorescos da Bíblia está o Cântico dos Cânticos – uma série de cantigas de amor entre uma noiva soberana e seu noivo. O Cântico identifica a poção simbólica dos esponsais com o ungüento aromático chamado nardo. Era o mesmo bálsamo caro que foi usado por Maria de Betânia para ungir a cabeça de Jesus na casa de Lázaro (Simão Zelote) e um incidente semelhante (narrado em Lucas 7:37-38) havia ocorrido algum tempo antes, quando uma mulher ungiu os pés de Jesus com ungüento, limpando-os depois com os próprios cabelos.

João 11:1-2 também menciona esse evento anterior, explicando depois como o ritual de ungir os pés de Jesus foi realizado novamente pela mesma mulher, em Betânia. Quando Jesus estava sentado à mesa, Maria pegou “uma libra de bálsamo puro de nardo, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo” (João 12:3).

No Cântico dos Cânticos (1:12) há O refrão nupcial: “Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume”. Maria não só ungiu a cabeça de Jesus na casa de Simão (Mateus 26:6-7 e Marcos 14:3), mas também ungiu-lhe os pés e os enxugou depois com os cabelos em março de 33 DC. Dois anos e meio antes, em setembro de 30 DC, ela tinha realizado o mesmo ritual três meses depois das bodas de Caná.

Em ambas as ocasiões, a unção foi feita enquanto Jesus se sentava à mesa (como define o Cântico dos Cânticos). Era uma alusão ao antigo rito no qual uma noiva real preparava a mesa para o seu noivo. Realizar o rito com nardo era maneira de expressar privilégio de uma noiva messiânica, e tal rito só se realizava nas cerimônias do Primeiro e do Segundo Casamento. Somente como esposa de Jesus e sacerdotisa com direitos próprios, Maria poderia ter ungido-lhe a cabeça e os pés com ungüento sagrado.

e check-mate, papa.

Este rito também é narrado no Salmo 23, um dos meus favoritos (só perde para o Salmo 133).

O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.

Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranqüilas.

Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda.

Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

O Salmo 23 descreve Deus, na imagem masculina/feminina da época, como pastor e noiva. Da noiva, o salmo diz “Prepara-me uma mesa… Unge-me a cabeça com óleo“.Os De acordo com o rito do Hieros Gamos da antiga Mesopotâmia (a terra de Noé e Abraão), a grande deusa, Inana, tomou como noivo o pastor Dumuzi (ou Tammuz),106 e foi a partir dessa união que o conceito da Sekiná e YHVH evoluiu em Caná por meio das divindades intermediárias Asera e El Eloim.

No Egito, a unção do rei era o dever privilegiado das irmãs/noivas semidivinas dos faraós. Gordura de crocodilo era a substância usada na unção, pois era associada à destreza sexual, e o crocodilo sagrado dos egípcios era o Messeh (que corresponde ao termo hebraico Messias: “Ungido” ). Na antiga Mesopotâmia, o intrépido animal real (um dragão de quatro pernas) era chamado de MushUs.

Era preferível que os faraós desposassem suas irmãs (especialmente suas meio-irmãs maternas com outros pais) porque a verdadeira herança dinástica era passada pela linha feminina.

Alternativamente, primeiros de primeiro grau maternos também eram consideravam. Os reis de Judá não adotavam essa medida como prática geral, mas consideram a linha feminina um meio de transferir realeza e outras posições hereditárias de influência (mesmo hoje, o judeu verdadeiro é aquele nascido de mãe judia). Davi obteve sua realeza, por exemplo, casando-se com Micol, filha do rei Saul. Muito tempo depois, Herodes, o Grande, ganhou seu status real desposando Mariane da casa real sacerdotal.

Assim como os homens que eram designados para várias posições patriarcais assumiam nomes que representavam seus ancestrais – como Isaac, Jacó e José – também as mulheres seguiam sua genealogia e escalão. Seus títulos nominais incluíam Raquel, Rebeca e Sara. As esposas das linhas masculinas de Zadoque e Davi tinham o posto de Elisheba (Elizabeth, ou Isabel) e Miriam (Maria), respectivamente. Por isso a mãe de João Batista é chamada de Isabel e a de Jesus, Maria, nos Evangelhos. Essas mulheres passaram pela cerimônia de seu Segundo Casamento só quando estavam com três meses de gravidez, quando a noiva deixava de ser uma almah e se tomava uma mãe designada.

Ou seja: Através destas passagens bíblicas, sabemos que, além de casada com Jesus, Maria Madalena teve filhos com ele.

Os Sete Demônios

“Expulsou sete demônios” é uma expressão simbólica esotérica e representa que Jesus e Maria Madalena realizaram os rituais sagrados de magia sexual (os sete demônios representam os sete chakras despertos nos rituais sexuais, como eu já havia explicado em colunas anteriores). Estas alegorias são descritas várias vezes na Bíblia, especialmente no Apocalipse, quando se fala de “Sete Igrejas” e “Sete Selos” que precisam ser “rompidos”. Isto nada mais é do que o ser humano desenvolvendo sua energia kundalini e explorando todo o seu potencial divino, aflorando e abrindo os sete chakras.

Maria Madalena foi a principal discípula de Jesus e sua grande companheira. Em lugar algum da Bíblia ela é referida como uma “prostituta” embora eu já tenha conversado com vocês a respeito de como a Igreja Católica (e evangélica) trata as sacerdotisas das outras religiões.

A primeira citação oficial da Igreja a respeito da “prostituta Maria Madalena” foi feita pelo papa Gregório I em 591 DC, para coibir o culto a Maria Madalena (Notre Damme) no Sul da França (falarei sobre o herege “Culto à Virgem Negra” mais tarde).

Maria Madalena é a figura feminina mais sagrada para os Templários e todas as catedrais chamadas de “Notre Damme” na França construídas pelos Templários foram dedicadas a ela (inclusive a Notre damme de Paris, que mereceria uma coluna só para ela de tanto simbolismo que possui escondida nela.

Santa Maria Madalena, a prostituta arrependida, foi canonizada em 886 e transformada em Santa pela Igreja Ortodoxa, que dizia que suas relíquias estavam em Constantinopla. De acordo com a versão oficial, Madalena e Maria (mãe de Jesus) foram até o Éfeso onde passaram o restante de suas vidas e seus ossos foram levados para Constantinopla após sua morte… Mas a inconveniente tradição francesa insistia que Maria Madalena, sua filha Sara (Santa Sara Kali), Lázaro e outros companheiros aportaram em Marseille, vindos do Egito, e se juntaram aos nobres que ali viviam, continuando uma dinastia de reis-pescadores que mais tarde daria origem aos Merovíngios.

A seguir: João Batista, Apóstolos, Crucificação, Mel Gibson, a Fuga de Maria Madalena para o Egito e José de Arimatéia para Glastonbury, a Revolta dos Judeus de 66 DC, Masada e o descanso final na Cachemira.

Marcelo Del Debbio

#Essênios #Gnose #ICAR #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yod-he-shin-vav-he-e-maria-madalena

As mais belas Histórias são as de Superação

Por Yoskhaz

Não raro escuto pessoas dizendo que fariam tudo “exatamente igual” se iniciassem novamente a sua trajetória de vida. Se é apenas uma alusão a como aprenderam com os próprios erros e como eles ajudaram a chegar onde estão, entendo. Sim, por vezes, os erros são preciosos mestres que nos oferecem valiosas lições, embora a vida disponibilize outros, como a percepção e o amor, que permitem encurtar tempo e pavimentar a estrada. São as mesmas lições oferecidas pelo erro, porém ministradas de maneira suave, afinal aprende-se por imposição ou gosto. A escolha é sempre nossa. No entanto, na maioria dos casos vejo alguns amigos sustentando verbalmente a repetição da trajetória de vida por vergonha, negação ou orgulho. Pena, pois a não aceitação do próprio caminho trilhado impede de entendermos quem realmente somos, por consequência, não permite ver as transformações que devemos operar em nós, atrasando a viagem evolutiva e, assim, a paz da plenitude que tanto ansiamos.

Revejo a minha história e, grato às duras lições que o erro me ofereceu, percebo que poderia fazer diferente. Pessoas que magoei, voltas em círculos que dei por teimosia, tempo e energia desperdiçados com situações que não tinham nenhuma importância e por aí vai. A lista é enorme. É verdade que aquele era o meu nível de consciência naquele momento e ali eu não conseguia perceber que poderia fazer de outra maneira. Sim, sempre é possível fazer diferente e melhor.

Embora ainda muito longe de onde tenho que chegar, já não sou o mesmo da partida. Mudou o olhar e o viver. Não é assim com todos nós?

E o que eu fiz com o meu passado? Principalmente aqueles capítulos que no íntimo tenho, hoje, a plena consciência de que poderia ter feito de outra maneira? Decidi abraçá-lo e ser agradecido por minha história. Ao invés de ficar paralisado pelo erro, aceitei a responsabilidade, reparei o que foi possível e segui adiante com uma nova postura em relação a tudo e todos. Ninguém precisa se envergonhar, tudo no universo está em eterna evolução e todos somos parte dele.

Reinventar-se todos os dias é uma exigência do Caminho.

Encante-se com a transformação que chega na esteira da sabedoria e com a beleza do amor que te contaminará sempre que tentar o melhor. As mais fantásticas histórias são as de superação.

Imagine um filme em que uma criança nasce em um lar repleto de amor e com todas as condições para uma vida saudável. Desde cedo seus pais, almas evoluídas, lhe ministram sábias lições de amor, tolerância, compaixão, dentro de um bonito código de ética existencial e valores morais nobres. Esta criança, afeita ao bem e a luz, aprende com rapidez e, desde sempre, espalha sementes de alegria por onde passa. Ao entrar na vida adulta abraça a medicina como instrumento para levar a cura e o conforto a toda gente, no esforço de difundir a felicidade e contentamento que existe dentro dela. Sem dúvida, uma belíssima história de vida e, com certeza, eu gostaria de assistir a este filme.

Imaginemos um outro filme onde uma criança nasceu em um ambiente governado pela desarmonia, impaciência, ausência de indicativos morais e condições razoáveis de subsistência. Cresce nas ruas selvagens das grandes cidades na proximidade de um invertido código de ética, valores morais deturpados ou inexistentes, onde o instinto de sobrevivência costuma se sobrepor aos sentimentos mais nobres e sutis. Pequenos furtos, atos de violência que pratica e sofre, sexo irresponsável são páginas comuns da sua adolescência ao lado da fome e, principalmente, da ausência de amor. Aos poucos, a princípio em mínimos atos, percebe que quando age diferente, deixando florescer o melhor de si, um sentimento amoroso por todas as pessoas e coisas cria uma esfera agradavelmente leve a sua volta e parece levantar-lhe do chão. Tem a sensação de que a vida parece reagir na exata medida de suas ações. Sente-se diferente, tudo muda. Aos poucos começa a praticar mais e mais tais atitudes que descobriu adormecidas na gaveta mais alta do seu coração, até a decisão de reinventar-se de vez. A pessoa que era já não cabe mais em si. Embora ela mesma, necessita ser outra. Então, ocorre a transmutação de que falavam os alquimistas medievais e transforma metaforicamente chumbo em ouro. Quando muda o seu jeito de ser, o mundo também se transforma. Aos poucos, pessoas e situações comuns em sua vida deixam de se fazer presente dando lugar a outras. Decide retornar aos bancos escolares, dedica-se com afinco aos estudos, começa a entender que o conhecimento expande o olhar e, após infrutíferas tentativas e inúmeras dificuldades, acaba por conseguir uma vaga em uma faculdade de Direito. Após alguns anos de luta incansável torna-se um juiz misericordioso e exerce a cura em todos aqueles que cruzam o seu caminho, utilizando ferramentas como a verdade e a justiça, na alegria de espalhar a semente da esperança em si e em todos. Outro belo filme que eu adoraria assistir.

Na absurda hipótese de ser possível assistir a apenas um, qual deles você escolheria? Embora sejam duas belíssimas histórias de amor, tanto esta quanto aquela, minha escolha recairia por esta última. As histórias de superação encantam a humanidade desde sempre, pois são a prova de sua evolução. Na verdade, a História do Mundo se conta através das pequenas histórias de pessoas comuns, como a minha e a sua. Os grandes personagens que conhecemos nos livros são apenas reflexos mais visíveis da mudança de um novo nível de consciência já sedimentado no íntimo de todos.

Assim, não existe caminho feio. São as curvas e dificuldades da estrada que desenham a beleza da trajetória de cada um de nós, colorindo a paisagem na medida que mudamos o nosso jeito de ser, reflexo de cada escolha que fazemos. Basta estar disposto a ver com outros olhos e ter a coragem, sabedoria e amor para fazer diferente. Como dizia um anjo que esteve encarnado recentemente entre nós, “é impossível reescrever o passado, mas podemos construir um futuro diferente”.

Abrace a sua história, sem vergonha ou vitimização, aproveite para se conhecer melhor, aceite os erros como lições, abra-se para a mestria do amor adormecido em teu coração, permita que a coragem que reside em sua alma guerreira faça em ti as transmutações essenciais a cada dia e todos os dias. Entender que tudo, absolutamente tudo, pode ser diferente e melhor é o bilhete para a próxima estação.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-mais-belas-hist%C3%B3rias-s%C3%A3o-as-de-supera%C3%A7%C3%A3o

Alquimia no Ritual de Iniciação Demolay

Texto do meu irmão Hamal,

O Ritual de Iniciação é de fato um dos momentos mais marcantes em toda Ordem DeMolay. É como se algo fosse implantado, ou despertado, dentro de nós.

A Sala Capitular contêm em si um simbolismo em tudo que há lá, esse simbolismo é herança do que Frank Marshall chamou de “nossos antepassados”. Não há nada que não exista uma ligação ou um motivo de estarem inseridos nos Rituais da Ordem DeMolay. Isso fica bem claro a todo estudante do simbolismo ritualístico, e foi exatamente o que Frank S. Land disse aos primeiros DeMolays antes de suas Iniciações.

A Iniciação tem por objetivo apresentar uma nova realidade ao Neófito. É uma experiência que propõe uma mudança em sua personalidade, para que este tome um novo rumo em sua vida diária com o juramento que lhe é proposto e as virtudes que lhes são apresentadas.

Nossos antepassados são os Hermetistas, são aqueles que criaram a ciência iniciática mais antiga na terra: a Alquimia. Vamos recorrer a seus legados para decifrar esse mistério dentro da Iniciação.

Será mesmo que existe isso na Ordem DeMolay? Vejamos…

ALQUIMIA

Já fizemos uma pequena descrição sobre a Iniciação e a Alquimia no texto Iniciação – Hermetismo e Alquimia, e recomendamos fortemente a releitura desse importante texto para a ideal compreensão do que é Alquimia e qual sua relação com as Ordens. Esse é talvez o assunto de maior importância do blog.

Ao procurarmos sobre “Alquimia” na internet nos deparamos com informações de quais seriam seus objetivos, sua história, alquimistas famosos, etc. Vamos tentar ser claros e rápidos, pois teremos textos específicos sobre o assunto.

Alquimia tem duas possibilidades de origens históricas, o antigo Egito dos Faraós e as primeiras eras da China, apesar de sabemos que foi praticada por todo o globo de maneira semelhante. O objetivo dos alquimistas eram diversos e se destacavam na construção da Pedra Filosofal, que daria sabedoria, saúde e vida eterna ao alquimista, e na transmutação dos metais em ouro.

Os alquimistas foram os primeiros cientistas. Estudavam e analisavam em seus laboratórios como o mundo funcionava, penetravam por trás das aparências procurando as Leis que regem a Terra e os Céus, procurando o porquê disso tudo existir da maneira que existe. E atribuíam um símbolo sagrado por trás de cada descoberta.

Da Alquimia surgiu a medicina como ciência de curar os enfermos com a manipulação dos produtos da natureza, a Astrologia como ciência de prever as mudanças na natureza pelos astros, a Geometria como ciência dos estudos matemático da Terra e seus componentes, o Hermetismo como síntese simbólica e linguagem da Alquimia, a Química como estudo dos elementos e suas interações, a Engenharia e Arquitetura como arte de construir com as mesmas proporções da natureza, entre outras.

Mas isso tudo era antigamente. Hoje, num mundo completamente diferente, devemos nos perguntar “qual o valor que teria a alquimia em nossas vidas além de um conhecimento histórico”?

O grande Carl Gustav Jung desvendou esse véu e percebeu que a Alquimia é fonte de estudo para a psique humana, mostrando que dentro das ciências Herméticas encontram-se as chaves para decifrar o Inconsciente. Destaquemos aqui suas próprias palavras do livro “Psicologia e Alquimia”:

“A alquimia movia-se de fato sempre no limite da heresia e era proibida pela Igreja. Ela desfrutou entretanto da proteção eficaz da obscuridade de seu simbolismo, que a qualquer momento podia ser explicado por uma alegoria inofensiva. Para muitos alquimistas, o aspecto alegórico se achava de tal modo em primeiro plano, que estavam totalmente convencidos de tratar-se apenas de corpos químicos. Outros, entretanto, consideravam o trabalho de laboratório relacionado com o símbolo e seu efeito psíquico. Tal como demonstram os textos, esses alquimistas tinham a consciência do efeito psíquico, a ponto de condenarem os ingênuos fazedores de ouro como mentirosos, trapaceiros ou extraviados. Proclamavam seu ponto de vista através de frases como esta: “aurum nostrum non est aurum vulgi” (nosso o ouro não é o ouro vulgar).

Seu trabalho com a matéria constituía um sério esforço de penetrar na natureza das transformações químicas. No entanto, ao mesmo tempo era – e às vezes de modo predominante – a reprodução de um processo psíquico paralelo; este podia ser mais facilmente projetado na química desconhecida da matéria, uma vez que ele constituía um fenômeno inconsciente da natureza, tal como a transformação misteriosa da matéria. A problemática acima referida do processo do desenvolvimento da personalidade, isto é, do processo de individuação, é expressa no simbolismo alquímico.”

O estudo de Jung sobre Alquimia destaca uma coisa importantíssima que deve ser atentada a todo estudante de Hermetismo. Demonstra a validade das ciências ocultas para com o entendimento do ser humano e sua evolução para o que Jung chamou de Individuação, que é a pessoa tornar-se Si Mesma, alguém inteiro e completo. Para Jung, “processo do desenvolvimento da personalidade, isto é, do processo de Individuação, é expressa no simbolismo alquímico”. Isso é a transmutação do Chumbo em Ouro dos alquimistas, é o processo psicológico de Individuação, é a maturação que devemos ser em vida.

Nossos antepassados bem sabiam o que faziam e estudavam, e temos em nossas mãos seus legados.

As etapas da Alquimia, sua relação com a psique, a transmutação dos metais, Pedra Filosofal, e toda essa “obscuridade do simbolismo” como referido por Jung, voltaremos a estudar e entender melhor, já que os Templários também são alvo de nosso estudo e estes refugiaram e patrocinaram muitas Guildas de Pedreiros-Alquimistas na Idade Média.

Vamos entender agora a relação da Alquimia com o processo da Iniciação DeMolay.

PRINCÍPIO DO GÊNERO

O Sétimo Princípio descrito no Caibalion é este: “O Gênero está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e seu princípio feminino o gênero se manifesta em todos os planos”.

Esse ensinamento se baseia na seguinte observação do Universo: tudo existem a partir de dois gêneros, para todo positivo existe seu negativo, em todos os planos de existência há sua contra parte, no físico, emocional, racional, energético, etc. Temos o dia e a noite, o veneno e o antídoto, o bem o mal, o macho e a fêmea, o macro e microcosmo, o quente e o frio, o animo e anima na psique, a vida e a morte, até mesmo a gravidade tem sua oposição na energia escura e os átomos tem suas cargas opostas para poderem existir.

Segundo a Tradição é dito que Deus criou tudo em dualidade para que pudesse existir e evoluir, e isso só é possível através do Princípio do Gênero que tem como meta a união dos opostos para haver a criação. Sem oposição não há criação nem evolução!

O Sol e a Lua foram tomados pelos Alquimistas como símbolos opostos que representam o “Grande Pai” e a “Grande Mãe” criadores de tudo. Enfatizemos que isso são símbolos e não uma crença cega. Quando os antigos adoravam o Sol estes estavam adorando a energia da Criação em seu princípio Masculino, e a Lua como princípio feminino. E para quem acha que esses cultos Solares e Lunares acabaram, revejam a origem de festas como Natal, Páscoa, Festa Junina e da Missa. São as mesmas energias que invocamos em nossa Ritualística.

Esses dois astros são opostos em suas energias e finalidades, mas a atuação de ambos é o que mantêm a vida na terra possível de existir e evoluir (isso é estudar Astrologia!). Reveja seus simbolismos nos textos: O Símbolo do Sol e O Símbolo da Lua.

A união do Sol com a Lua, na Alquimia, recebe uma denominação especial: Casamento Alquímico. Assim é denominado a união entre macho e a fêmea de maneira sagrada. E a Iniciação é uma nova vida sendo criada: a vida como Iniciados. A Iniciação da Ordem DeMolay, em especial, explora muito esse simbolismo alquímico.

Vejamos como…

Sabemos que o Altar é o ponto simbólico onde o plano espiritual é invocado e se espalha por toda Sala Capitular, é onde colocamos os utensílios para a Invocação. O Altar é a representação do Sol na arquitetura sagrada. É no Altar onde o Iniciado recebe a Luz. Durante a Iniciação os 23 Oficiais formam um certo símbolo ao redor do altar, e esse símbolo contem em seu centro a Lua.

No momento em que somos consagrados como DeMolays há o Casamento Alquímico entre o Sol e Lua e uma nova vida é criada, recebemos a Luz como DeMolays. E há muito mais. Que essa pequena revelação possa servir de inspiração aos irmão a buscarem ainda mais do que não pode aqui ser dito.

Revejam a imagem do inicio da postagem. Esta imagem simboliza o exato momento da nova vida sendo criada, a união alquímica entre o Sol e a Lua e o Pombo, símbolo do Espirito Santo, descendo para implantar a vida ao produto dessa união. É o próprio momento da Iniciação. Lembrem-se do Oficial que conduz os Iniciados em suas 9 voltas que representam a Vida e o Dia de Trabalho…

Nossos antepassados bem sabiam. Isso é Magia Cerimonial da Ordem DeMolay, e isso é Alquimia.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/alquimia-no-ritual-de-inicia%C3%A7%C3%A3o-demolay