VI Simpósio Brasileiro de Hermetismo

Hermes é a figura associada à divulgação das Ciências Ocultas. Quer seja histórico, quer seja mitológico, sua influência foi tão grande que até hoje as ciências ocultas são chamadas de Hermetismo.

N’A Tábua Esmeralda, Hermes avoca o título de Trimegistos, o Três Vezes Grande, por possuir as três partes da Filosofia Universal, que receberam, dentre outros, os nomes de Magia, que é a arte de causar a mudança de acordo com a Vontade, Misticismo, que é o estudo da(s) divindade(s) e das leis que aproximam o ser humano dela(s), e a Alquimia, que é o estudo da natureza humana e sua transformação.

De Magos mitológicos, capazes de controlar os elementos, o clima e os animais, aos Alquimistas com seus fornos, capazes de transformar chumbo em ouro, passando por aqueles aptos a ver a face da(s) divindade(s), conhecer seus nomes e invocá-las, o Hermetismo chegou aos nossos dias imerso em um véu de mistério.

Sem a pretensão de solucionar esses mistérios (Seria o Nome de Deus uma Palavra? A transformação do chumbo em ouro é literal? É possível viver para sempre e eternamente jovem?) o Hermetismo fala sobre a Mudança: Mudar o Mundo, Mudar a Si Mesmo e a Mudança em direção ao Divino.

Nada mais coerente, portanto, que se debruçar sobre as mudanças que o Hermetismo proporciona aos seus praticantes.

E é com essa proposta que a Associação Educacional Sirius-Gaia (AESG) tem a alegria de apresentar o VI Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas: O Hermetismo como Instrumento da Transformação do Ser.

Nos dias 11 e 12 de novembro poderemos ouvir alguns daqueles que, de uma forma ou de outra, trilhando o caminho das ciências ocultas, puderam observar em sua vida a mudança que lhes aproximou um pouco mais de sua Verdade Individual.

O local escolhido é o Century Plaza, na Rua Teixeira da Silva, 647, próximo a avenida Paulista.

Inscrições:

As inscrições são efetuadas somente pelo site do Simpósio e valem para assistir todas as palestras nos dias 11 e 12 de novembro de 2017. O valor da inscrição no momento é de R$ 180,00.

O calendário das inscrições segue a seguinte progressão:

Inscrições realizadas de 21/05 a 10/06 – R$ 180,00

Inscrições realizadas de 11/06 a 10/07 – R$ 200,00

Inscrições realizadas de 11/07 a 10/08 – R$ 225,00

Inscrições realizadas de 11/08 a 10/09 – R$ 250,00

Inscrições realizadas de 11/09 a 10/10 – R$ 275,00

Inscrições realizadas de 11/10 a 09/11 – R$ 300,00

Esteja atento aos prazos e antecipe sua inscrição!

http://simposiohermetismo.com.br/

#Blogosfera #Simpósio

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/vi-simp%C3%B3sio-brasileiro-de-hermetismo

A Monada Hieroglifica de John Dee

Uma das cifras mais poderosas em toda história da alquimia é um glifo obscuro de aparência bastante estranha. Há quem diga, entre eles seu criador, que este e é o símbolo da Pedra Filosofal, não apenas simbolicamente, mas que incorpora alguns dos poderes da Pedra sempre que é desenhada. Em outras palavras, acredita-se que a cifra carrega seu próprio espírito ou inteligência, que é evocada toda vez que é escrita ou construída. Este não é um espírito qualquer, mas a própria Alma do Mundo.

O nome dessa cifra é Mônada Hieroglífica, e foi criada pelo Dr. John Dee , o grande sistematizador da magia enochiana.

Sobre John Dee

Dee foi um verdadeiro homem da Renascença que alcançou renome mundial como matemático, cartógrafo, criptógrafo, mágico, filósofo,  astrólogo e alquimista. Entre suas qualidades estava a da obstinação.

“Eu estava tão decidido a estudar”, disse Dee sobre seu tempo em Cambridge, “que durante esses anos eu mantive inviolavelmente esta ordem: apenas dormir quatro horas todas as noites; permitir que me encontrem, comam e bebam comigo duas horas por dia; e das outras dezoito seriam todas gastas em meus estudos e aprendizado.”

Com uma intensa pureza de intenção e motivo, Dee embarcou em um plano sistemático para descobrir a Pedra Filosofal. Ele a via tanto como uma filosofia quanto como um objeto físico. Em sua opinião, a Pedra era “a força por trás da evolução da vida e o poder universal que une mentes e almas em uma unidade humana”.

Enquanto a maioria dos alquimistas de seu tempo procuravam a Pedra por sua capacidade de transmutar metais básicos em ouro, Dee queria possuí-la como fonte de transmutação espiritual também.

Em pouco tempo, o Dr. Dee percebeu que poderia representar todos os poderes e características da Pedra Filosofal em um símbolo mágico matematicamente corrente. Após sete anos de intenso estudo de símbolos alquímicos, ele encontrou o que procurava. Em apenas 13 dias em janeiro de 1564, Dee entrou em um estado de profunda concentração e completou uma prova matemática passo a passo chamada Monas Hieroglyphica (Mônada Hieroglífica).

Sobre a Mônada

Segundo o filósofo grego Pitágoras, a Mônada foi a primeira coisa que veio a existir no universo. Pode ser descrito como o átomo ou ovo espiritual que deu origem a todo o cosmos. Para os filósofos gnósticos, a Mônada era o único ser espiritual superior (a Mente Única) que criou todos os deuses menores e poderes elementais. Em termos junguianos, é o primeiro arquétipo que contém todos os outros arquétipos. Hoje podemos vê-lo como um mega computador que contém todo o software do universo.

Quando os alquimistas representavam a Mônada, costumavam acrescentar a legenda latina In Hoc Signo Vinces (Neste signo você vencerá). Todas as cifras codificadas dos alquimistas eram consideradas peças da Mônada Hieroglífica e, como veremos, a partir de John Dee isso tornou-se geometricamente verdadeiro.

Teria dito Dee que esta prova “revolucionaria a astronomia, a alquimia, a matemática, a linguística, a mecânica, a música, a ótica, a magia e o adepto”. Ele até pediu aos astrônomos que parassem de espiar através de seus telescópios tentando entender os céus e, em vez disso, passassem o tempo meditando em sua Mônada.

Dee acreditava que sua cifra era a verdadeira Pedra Filosofal. O frontispício de sua Mônada Hieroglífica é uma explicação sucinta da própria cifra, e o frontispício foi considerado tão importante nos tempos elisabetanos que ficou conhecido em todo o mundo como o Grande Selo de Londres.

No centro do frontispício está a cifra da Mônada dentro de um ovo invertido cheio de fluido embrionário e conhecido como Ovo Hermético. O fluido representava a Primeira Matéria; a gema é representada como um círculo e aponta para o centro da figura. O círculo com um ponto central é a cifra do ouro e do sol.

O símbolo do crescente lunar da lua cruza a parte superior da gema amarela do sol. Assim, o sol e a lua estão unidos em ouro neste nível, que representa a perfeição ou o fim da Grande Obra. Dentro da moldura ao redor da Mônada encontram-se os Quatro Elementos e os Três Essenciais do Enxofre (o sol no pilar esquerdo), Sal (a lua no pilar direito) e Mercúrio (o símbolo central).

Dois crescentes lunares arredondados ou ondas representando o Elemento Água estão na parte inferior da Mônada. Eles se juntam para formar os chifres de carneiro do signo de Áries, que significa Fogo. Áries, o primeiro signo do zodíaco, está associado à explosão de força vital na primavera, quando começa a Grande Obra. “Para começar o Trabalho desta Mônada”, escreveu Dee, “é necessário o auxílio do Fogo”.

Uma cruz, conhecida como a Cruz dos Elementos, conecta a parte inferior e a parte superior da cifra. Aqui se desenrola o funcionamento da realidade manifestada. Nesta seção da Mônada, todos os glifos dos cinco planetas visíveis, juntamente com os símbolos do sol e da lua, se cruzam. Os metais também são indicados, pois na alquimia, as cifras para o planeta e seu metal são os mesmos (Saturno/Chumbo, Júpiter/Estanho, Marte/Ferro, Vênus/Cobre, Mercúrio/Mercúrio, Lua/Prata e o Sol/Ouro). Ao traçar as linhas e arcos de conexão de diferentes maneiras, pode-se localizar todos os símbolos dos planetas e seus metais e, assim, revelar as forças invisíveis por trás da Natureza.

As cifras planetárias fundidas são organizadas da esquerda para a direita e de cima para baixo ao redor da Cruz dos Elementos. De acordo com Dee, ao colocar as cifras planetárias em seu relacionamento adequado, os símbolos astronômicos são imbuídos de uma “vida imortal”, permitindo que seu significado codificado seja expresso “de maneira mais eloquente em qualquer língua e qualquer nação”. Nesse arranjo, o sol é o único símbolo que é sempre o mesmo e, nesse sentido, incorruptível como o ouro. Não importa para que lado a Mônada seja virada – de cabeça para baixo, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda ou sua imagem espelhada – a cifra do sol e do ouro é sempre exatamente a mesma.

O coração da Mônada e a cifra que engloba todas as outras é Mercúrio. Na alquimia, Mercúrio representa o próprio princípio da transformação. Assim como descrito na Mônada, Mercúrio faz parte de todos os metais e Elementos da alquimia e funde-os juntos como um. Dee incorporou o espírito de Mercúrio no coração de seu símbolo mestre e acreditava ter capturado com sucesso as essências de todos os elementos e metais arquetípicos.

Dee acreditava que sua Mônada carregava o segredo da transformação de qualquer coisa no universo, mas nunca falou de abertamente de seu significado publicamente porque achava que a Mônada era poderosa demais para ser compartilhada com os não iniciados. Ele disse a outros alquimistas em particular que seu símbolo não apenas descrevia a inter-relação precisa das energias planetárias, mas também mostrava o caminho para a transmutação dos metais, bem como a transformação espiritual do alquimista.

Dee teve a palavra final, no entanto. “Aquele que se dedica sinceramente a esses mistérios”, disse ele, “verá claramente que nada pode existir sem a virtude de nossa Mônada Hieroglífica”. E deu este conselho a quem quisesse ler a sua prova: “Quem não entende deve aprender ou calar-se”.

~ Denis Wiliam Hauck

Α

Mônada Hieroglífica

John Dee, Antuérpia, 1564

Teorema I

E pela linha reta e pelo círculo que o primeiro e mais simples exemplo e representação de todas as coisas devem ser demonstrados, sejam essas coisas inexistentes, sejam apenas ocultas sob o véu da Natureza.

Teorema II

Não podem ser produzidos artificialmente nem o círculo sem a linha, tampouco a linha sem o ponto. E, portanto, pela virtude do ponto e da Mônada que todas as coisas começam a emergir a princípio. Aquilo que é afetado na periferia, não importando quão grande seja, não pode de forma alguma carecer do suporte do ponto central.

Teorema III

Por conseguinte, o ponto central que vemos no centro da Mônada produz a Terra, em torno da qual o Sol, a Lua e os outros planetas seguem seus respectivos caminhos. O Sol tem a suprema dignidade, e nós o representamos como um círculo que possui um centro visível.

Teorema IV

Embora o semicírculo da Lua esteja disposto sobre o círculo do Sol e podendo parecer superior, não obstante sabemos que o Sol é Rei e senhor. Vemos que a Lua, com sua forma e sua proximidade, rivaliza como Sol em sua grandeza, que é aparente ao homem ordinário; porém, sua face, ou uma semiesfera da Lua, sempre reflete a luz do Sol. Ela deseja tão intensamente ser impregnada com os raios solares e assim transformar-se em Sol que por vezes desaparece completamente dos céus e alguns dias depois reaparece, e nós a representamos pela figura dos Cornos (Cornucópia).

Teorema V

E, de fato, eu concluí a ideia do círculo solar adicionando um semicírculo à Lua, pois a manhã e o entardecer foram o primeiro dia, e foi, portanto, no primeiro (dia) que a Luz dos Filósofos foi feita (ou produzida).

Teorema VI

Notamos aqui que o Sol e a Lua são sustentados pela Cruz retangular. Esta Cruz pode significar muito profundamente, e com razões suficientes em nosso hieróglifo, tanto o Ternário quanto o Quartenário. O Ternário é composto pelas duas linhas retas tendo um centro copulativo.

O Quartenário é produzido pelas quatro linhas retas encerrando quatro ângulos retos. Qualquer um destes elementos, as linhas ou os ângulos retos, repetidos duas vezes, consequentemente, fornecem-nos da maneira mais secreta a Octada, a qual eu não creio ter sido conhecida por nossos predecessores, os Magi, e a qual deveis estudar com grande atenção. A magia tripla dos primeiros Patriarcas e dos sábios consistia em Corpo, Alma e Espírito. Portanto, temos aqui o primeiro Setenário manifesto, ou seja, duas linhas retas com um ponto comum, os quais são três, e as quatro linhas que convergem para formar o ponto central separando as duas primeiras.

Teorema VII

Quando os Elementos estão distantes de seus locais familiares, as partes homogêneas são deslocadas, e isto um homem aprende pela experiência, pois é ao longo das linhas retas que eles retornam natural e efetivamente a esses mesmos locais. Portanto, não será absurdo representar o mistério dos quatro Elementos, no qual e possível reduzir cada um a sua forma elemental, por quatro linhas retas estendendo-se em quatro direções contrárias a partir de um ponto comum e indivisível. Aqui notareis particularmente que os geômetras ensinam que uma linha é produzida pelo deslocamento de um ponto: nós notificamos que deve ocorrer algo semelhante aqui, e por uma razão similar, porque nossas linhas elementares são produzidas por uma contínua cascata de gotículas como um fluxo no mecanismo de nossa magia.

Teorema VIII

Além disso, a extensão cabalística do Quartenário, de acordo com a fórmula comum de notação (porquanto dizemos um, dois, três e quatro), é uma fórmula abreviada ou reduzida a Década. Isto ocorre porque Pitágoras tinha o hábito de dizer: l +2 + 3 + 4 fazem 10. Não é por acaso que a cruz de ângulo reto, ou seja, a vigésima primeira letra do alfabeto romano, a qual considerava-se como sendo formada por quatro linhas retas, foi usada pelos mais antigos dos Filósofos romanos para representar a Década. Posteriormente, eles definiram o ponto em que o Ternário conduz sua forca até o Setenário.

Teorema IX

Vemos que tudo isto está perfeitamente de acordo com o Sol e a Lua de nossa Mônada, porque, pela magia dos quatro Elementos, deve ser feita uma separação exata em suas linhas originais; em seguida, a conjunção circulatória no complemento solar pelas periferias dessas mesmas linhas é realizada, pois não importa quão longa uma dada linha possa ser, é possível descrever um círculo passando por seus extremos, seguindo as leis dos geômetras. Portanto, não podemos negar quão úteis o Sol e a Lua são para nossa Mônada, em conjunção com a proporção decimal da Cruz.

Teorema X

A seguinte figura do signo de Áries, em uso entre os astrônomos, é a mesma para todo o mundo (um tipo de ereção ao mesmo tempo cortante e pontuda), e entende-se que ela indica a origem da triplicidade ígnea naquela parte do céu. Portanto, adicionamos o signo astronômico de Áries para indicar que na prática desta Mônada o uso do fogo é requerido.

Terminamos a breve consideração Hieroglífica de nossa Mônada, a qual somamos em um único contexto hieroglífico:

O Sol e a Lua desta Mônada desejam que os Elementos, nos quais a décima proporção florescerá, sejam separados, e isto é feito pela aplicação do Fogo.

Teorema XI

O signo do Carneiro, composto de dois semicírculos conectados por um ponto comum, e justamente muito atribuído ao lugar do nictêmero equinocial, porque o período de 24 horas dividido pelo equinócio denota as mais secretas proporções.

Isto eu tenho dito em respeito a Terra.

Teorema XII

Os antiquíssimos sábios e Magi transmitiram-nos cinco signos hieroglíficos dos planetas, todos os quais são compostos pelos sinais usados para a Lua e para o Sol, com o signo dos Elementos e do signo hieroglífico de Áries, o Carneiro, o qual se tornara óbvio para aqueles que examinarem essas figuras:


Não será difícil explicar cada um desses signos de acordo com a maneira Hieroglífica em vista de nossos princípios fundamentais, já colocados. Para começar, falaremos em paráfrases dos que possuem as características da Lua; em seguida, dos que possuem caráter solar. Quando nossa natureza lunar, pela ciência dos Elementos, tiver completado a primeira revolução ao redor da Terra, então ela foi chamada, misticamente, Saturno. Depois, na revolução seguinte, foi chamada Júpiter, e possui uma figura muito secreta. Então a Lua, desenvolvida por ainda mais uma Jornada, foi mais uma vez representada muito obscuramente pela figura que se costumava chamar Mercúrio. Vê-se como neste ciclo Lunar que ela deve ser conduzida por meio de uma quarta revolução, e não é algo contrário a nosso desenho secreto, não importa o que certos sábios possam dizer. Dessa maneira o puro espírito mágico, por sua virtude espiritual, realizará a obra de albificação no lugar da Lua; apenas para nos e como estava no meio de um dia natural ele falará hieroglificamente sem palavras, introduzindo e imprimindo estas quatro figuras geogênicas da pura Terra muito simplesmente preparada por nós.


Esta última figura estando no meio de todas as outras.


Teorema XIII

Agora falemos sobre a característica mística de Marte. Não é ele formado pelos hieróglifos do Sol e de Áries, o magistério dos Elementos intervindo parcialmente? E o de Vênus — eu gostaria de saber —, não é ele produzido pelo do Sol e dos Elementos de acordo com os melhores expoentes? Portanto, os planetas tornam-se para a periferia solar e para a obra de revivificação.

Na progressão notaremos que este outro Mercúrio aparecerá e é verdadeiramente o irmão gêmeo do segundo: pois, pela magia Lunar e Solar completa dos Elementos, o Hieróglifo desse Mensageiro fala-nos muito distintamente, e deveríamos examiná-lo cuidadosamente e escutar o que ele diz. E (pela vontade de Deus) ele é o Mercúrio dos Filósofos, o grandemente celebrado microcosmo e ADÃO. Portanto, alguns dos mais experientes inclinaram-se a colocá-lo em uma posição e dar-lhe um grau de distinção igual ao do próprio Sol. Isto nós não podemos fazer na presente época, a menos que adicionemos a esta obra de cristal coralíneo uma certa ALMA separada do corpo por uma arte pirofágica. É muito difícil conseguir isso e também muito perigoso por causa da fragrância que o fogo e o enxofre contém. Mas certamente esta ALMA pode realizar coisas maravilhosas. Por exemplo, junte-a, por meio de amarras inseparáveis, ao disco da Lua (ou ao de Mercúrio) por Lúcifer e pelo Fogo. Em terceiro lugar, é necessário que mostremos (a fim de demonstrar nosso número Setenário) que este é o próprio Sol dos Filósofos. Vós observareis a exatidão, bem como a clareza com a qual esta anatomia da Mônada Hieroglífica corresponde àquilo que é o significado do arcano destes dois teoremas.

Teorema XIV

Está portanto claramente confirmado que todo o magistério depende do Sol e da Lua. O Grandiosíssimo Hermes disse-nos isso repetidamente afirmando que o Sol é o pai e a Lua a mãe, e nos sabemos de fato que a terra vermelha (terra lemnia) é nutrida pelos raios da Lua e do Sol, os quais exercem uma influência singular sobre ela.

Os princípios da Astronomia inferior, mostrados na anatomia de nossa Mônada.

Teorema XV

Sugerimos, portanto, que os Filósofos considerem a ação do Sol e da Lua sobre a Terra. Eles notarão que, quando a luz do Sol entra em Áries, a Lua, quando entra no próximo signo, ou seja, Touro, recebe uma nova dignidade na luz e é exaltada naquele signo em relação às suas virtudes naturais. Os Antigos explicavam esta proximidade dos astros — a mais notável de todas — por um certo signo místico sob o nome do Touro. É muito provável que seja a exaltação da Lua, a qual os astrônomos dos tempos mais remotos testemunham em seus tratados. Este mistério pode ser compreendido apenas por aqueles que se tornaram os Pontífices Absolutos dos Mistérios. Pela mesma razão eles disseram que Touro é a casa de Vênus, ou seja, do amor conjugal, casto e prolífico, pois a natureza regozija-se na natureza, como o grande Ostanes ocultou em seus mistérios mais secretos. Estas exaltações são adquiridas pelo Sol, porque ele próprio, após ter sofrido muitos eclipses de sua luz, recebeu a força de Marte, e é dito como exaltado nesta mesma casa de Marte, que é o nosso Carneiro (Áries).

Este mistério secretíssimo é claro e perfeitamente mostrado em nossa Mônada pela figura Hieroglífica de Touro, o qual é aqui representado, e pela de Marte, que indicamos no Teorema XII e Teorema XIII pelo Sol unido a uma linha reta na direção do signo de Áries. Nesta teoria oferece-se outra análise cabalística de nossa Mônada, pois eis a real e engenhosa explicação: as exaltações da Lua e do Sol são feitas por meio da ciência dos Elementos.

Nota: Há duas coisas que devem ser particularmente observadas; primeiro, que a figura Hieroglífica de Touro é a mesma do ditongo dos gregos, o qual era sempre usado na terminação do singular; segundo, que por uma simples transposição de lugar mostramos a letra alfa duas vezes, por um circulo e um semicírculo, sendo simples tangentes que tocam uma a outra, como mostrado.

Teorema XVIora, tendo em vista nosso tema, filosofar brevemente a respeito da Cruz. Nossa Cruz pode ser formada por duas linhas retas (como dissemos) que são iguais, ou seja, não podemos separar as linhas, exceto partindo-as de modo que se consigam comprimentos iguais. Mas na distribuição mística dos componentes de nossa Cruz, queremos usar partes que sejam tanto iguais como desiguais. Estas partes mostram que uma virtude está oculta sob o poder da divisão da (Cruz Equilateral em duas partes, pois elas são de igual grandeza. Em geral, a Cruz deve ser composta de ângulos retos, já que a natureza da justiça exige a perfeita igualdade das linhas usadas na interseção. De acordo com essa justiça, propomos um exame cuidadoso do que segue a respeito da Cruz Equilateral (a qual corresponde à vigésima primeira letra do alfabeto latino).

 


Se, por meio do ponto comum no qual os ângulos opostos se encontram em nossa Cruz Retilínea, Retangular e Equilateral, imaginarmos uma linha reta dividindo-a em duas partes, então em cada lado da linha assim transversa notamos que as partes são perfeitamente iguais e similares.

E essas partes são similares em forma aquela letra dos romanos que corresponde a quinta vogal e que era frequentemente usada pelos mais antigos Filósofos Latinos para representar o numero V. Isso, suponho, não era feito por eles sem uma boa razão, pois é de fato a metade exata de nossa Década. Dessas partes da figura, assim duplicadas pela divisão hipotética da Cruz, podemos concluir que é razoável que cada parte represente o quinário, embora uma esteja de pé e a outra ao contrário, a semelhança da multiplicação da raiz quadrada que entra aqui de maneira maravilhosa como o número circular, ou seja, o quinário, do qual notamos que o numero 25 é produzido (porquanto esta letra é a vigésima do alfabeto e a quinta das vogais).


Consideraremos agora outro aspecto desta mesma Cruz Equilateral — o seguinte é baseado na posição mostrada em nossa Cruz Monádica. Suponhamos que uma divisão similar da Cruz em duas partes seja feita como no desenho. Agora vemos a forma germinante de outra letra do alfabeto latino — uma de pé e a outra ao contrário. Esta letra é usada (segundo o antigo costume dos latinos) para representar o número 50. Dai, parece-me, estabelecemos nossa Década da Cruz, pois é colocada no topo de todos os mistérios, e segue-se que esta Cruz é o signo hieroglífico da perfeição. Portanto, incluso na forma do quinário está o poder da Década, de onde provém o número 50 como seu próprio produto.

Ó, meu Deus, quão profundos são estes mistérios! E o nome ELE (EL) é dado a esta letra! E por esta mesma razão, vemos que esta responde a virtude decimal da Cruz, porque, começando da primeira letra do alfabeto, L é a décima letra, e contando de trás para frente, com base na letra X, descobrimos que ele cai no décimo lugar, e desde que mostramos que há duas partes da Cruz, e considerando agora sua virtude numérica, fica bem claro como o número cem é produzido. E se pela lei dos quadrados essas duas partes forem multiplicadas, elas resultam num produto igual a 2.500. Este quadrado, comparado com o quadrado do primeiro número circular e aplicado a ele, resulta numa diferença de cem, que é a própria Cruz explicada pelo quadrado de sua Década, e é reconhecida como cem. Portanto, como isto está contido na figura da Cruz, também representa a unidade. Pelo estudo destas teorias da Cruz, a mais digna de todas, somos assim induzidos a utilizar esta progressão, a saber: um-dez-um-cem, e esta é a proporção decimal da Cruz como se apresenta a nós.

Teorema XVII

Após um estudo apropriado do sexto teorema é lógico proceder para uma consideração dos quatro ângulos retos da Cruz, para cada qual, como mostramos no teorema precedente, atribuímos o significado do quinário de acordo com a primeira em que estão colocados, e transpondo-os para uma nova posição, o mesmo teorema mostra que eles tornam-se signos hieroglíficos do numero 50. É muito evidente que a Cruz é vulgarmente usada para indicar o número 10, e também é a vigésima primeira letra, seguindo a ordem do alfabeto latino, e é por esta razão que os sábios entre os Mecubales designaram o numero 21 pela mesma letra. De fato, podemos fazer uma consideração muito simples deste signo para descobrir que outras virtudes qualitativas e quantitativas ele possui. Baseados em todos estes fatos vemos que podemos seguramente concluir, pela melhor das computações cabalísticas, que nossa Cruz, por uma maravilhosa metamorfose, pode significar 252 para os Iniciados. Por conseguinte: quatro vezes cinco, quatro vezes cinquenta, dez, 21, os quais somados resultam em 252. Podemos extrair este número mediante dois outros métodos, como já mostramos anteriormente; recomendamos aos cabalistas, que ainda não fizeram experimentos para produzi-lo, não apenas estudá-lo em sua concisão, mas também formar um julgamento digno de filósofos a respeito das várias permutações e engenhosas produções que surgem do magistério deste número. E não esconderei de vós outra memorável mistagogia: considerai que nossa Cruz, contendo tantas ideias, oculte duas outras letras se examinarmos cuidadosamente suas virtudes numéricas depois de uma certa maneira, de modo que, por um método paralelo seguindo sua força verbal com esta mesma Cruz, reconheçamos com suprema admiração que é daqui que a LUZ é derivada (LUX), a palavra final do magistério, pela união e conjunção do Ternário dentro da unidade da Palavra.

Teorema XVIII

Dos nossos Teoremas XII e XIII pode-se inferir que a astronomia celestial é a fonte e o guia da astronomia inferior. Antes de elevarmos nossos olhos ao céu, cabalisticamente iluminados pela contemplação destes mistérios, devemos perceber com exatidão a construção de nossa Mônada, como é mostrada para nós não apenas na LUZ, mas também na vida e na natureza, pois ela revela explicitamente, por seu movimento interno, os mais secretos mistérios desta análise física. Contemplamos as funções celestiais e divinas deste Mensageiro celestial, e aplicamos agora esta coordenação à figura do ovo.

É bem sabido que todos os astrólogos ensinam que a forma da órbita traçada por um planeta é circular, é porque os sábios deveriam entender como uma simples alusão, é assim que o interpretamos no hieróglifo mostrado, o que concorda em cada detalhe com aquilo que já foi dito. Aqui vós notareis que os miseráveis alquimistas devem aprender a reconhecer seus numerosos erros e entender o que é a água da clara do ovo, o que é o óleo da gema do ovo e o que queremos dizer com cascas de ovos calcinadas. Esses impostores inexperientes devem aprender em seu desespero a compreender o que realmente querem dizer estas e muitas outras expressões similares. Aqui nos mostramos praticamente todas as proporções que correspondem à própria Natureza. Este é o mesmo Ovo de Águia que o escaravelho quebrou anteriormente por causa da injúria que a crueldade e a violência deste pássaro causaram aos tímidos homens primitivos, pois este pássaro perseguiu alguns deles que estavam entrando na caverna onde o escaravelho habitava para implorar por seu auxílio. O escaravelho ponderou como poderia ele sozinho vingar tamanha insolência e, possuindo caráter veemente, preparou-se para levar a cabo seu propósito por meio de constância e determinação, pois não lhe faltavam nem poder nem inteligência. O escaravelho perseguiu a águia resolutamente e fez uso desta, extremamente perspicaz: ele derramou seu excremento no seio de Júpiter onde o ovo estava depositado, fazendo com que o Deus, ao tentar livrar-se dele, lançasse o ovo ao chão, onde ele se quebrou. O escaravelho teria, desta maneira, exterminado toda a família das águias da Terra não fosse Júpiter, a fim de evitar tamanha calamidade, resolver que, durante aquela parte do ano, quando as águias chocavam seus ovos, nenhum escaravelho deveria voar próximo a eles. Portanto, aconselho aqueles que forem maltratados pela crueldade deste pássaro que aprendam a utilíssima arte destes insetos solares (Heliocantharis) que vivem ocultos e escondidos por longos períodos de tempo. Por estas indicações e sinais, pelas quais deveriam ser muito gratos, eles próprios serão capazes de obter vingança contra seus inimigos. E eu afirmo (ó Rei!) que não é Esopo, mas Edipo quem me vem à lembrança, pois ele apresentou estas coisas a almas valorosas e aventurou-se pela primeira vez a falar desses mistérios supremos da Natureza. Eu sei perfeitamente que houve certos homens que, pela arte do escaravelho, dissolveram o ovo da águia e sua casca em puro albume e fizeram desse modo uma mistura de tudo; subsequentemente eles reduziram esta mistura a um líquido amarelo, por um processo notável, a saber: por uma incessante circulação, assim como os escaravelhos rolam suas bolotas de terra. Por este meio a grande metamorfose do ovo foi alcançada; o albume foi absorvido durante muitas revoluções ao redor das órbitas heliocêntricas, e foi envolvido no mesmo líquido amarelo. A figura Hieroglífica mostrada aqui, desta arte, não desagradará os que são familiarizados com a Natureza.


Lemos que, durante os primeiros séculos, essa arte foi muito celebrada entre os mais sérios e antigos Filósofos como certa e proveitosa. Anaxágoras realizou o magistério e extraiu dai uma excelente medicina, como podeis ler em seu livro Sobre a Natureza.

Aquele que se devota sinceramente a esses mistérios verá claramente que nada é capaz de existir sem a virtude de nossa Mônada Hieroglífica.

Teorema XIX

O Sol e a Lua irradiam sua força corpórea sobre os corpos dos Elementos inferiores muito mais do que todos os outros planetas. É este fato que mostra, com efeito, que na análise pirognômica todos os metais perdem o humor aquoso da Lua, assim como a solução ígnea do Sol, pelas quais todas as coisas corpóreas, terrestres e mortais são sustentadas.

Teorema XX

Mostramos suficientemente que por razões muito boas os Elementos são representados por linhas retas em nosso Hieróglifo, portanto damos uma conjetura bastante exata a respeito do ponto que colocamos no centro de nossa Cruz. Este ponto não pode de maneira alguma ser subtraído de nosso Ternário. Se qualquer pessoa que ignore esta sabedoria divina disser que nesta posição de nosso Binário o ponto pode ser ausente, nós responderemos que ele pode supô-lo ausente, mas aquele que permanecer sem ele certamente não será nosso Binário; pois o Quartenário é imediatamente manifesto porque, removendo o ponto, descontinuamos a unidade das linhas. Agora, nosso adversário pode supor que por este argumento reconstruímos nosso Binário; que de fato nosso Binário e nosso Quartenário são uma e a mesma coisa, de acordo com essa consideração, o que é manifestadamente impossível. O ponto precisa necessariamente estar presente, pois com o Binário constitui nosso Ternário, e não há nada que possa substituí-lo. Entretanto, ele não pode dividir a propriedade hipostática de nosso Binário sem anular uma parte integrante deste. Assim demonstra-se que ele não pode ser dividido. Todas as partes de uma linha são linhas. Isto é um ponto, e isto confirma nossa hipótese. Portanto, o ponto não forma parte de nosso Binário e, entretanto, forma parte integrante de nosso Binário. Segue-se que devemos tomar nota de tudo que esta oculto na forma hipostática e compreender que não há nada supérfluo na dimensão linear de nosso Binário. Mas porque vemos que essas dimensões são comuns a ambas as linhas, considera-se que elas recebam uma certa imagem secreta deste Binário. Dessa maneira, demonstramos aqui que o Quartenário está oculto no Ternário. Ó Deus, perdoa-me se pequei contra Tua Majestade revelando tão grande mistério em meus escritos que devem ser lidos por todos, mas creio que apenas os que são realmente dignos o compreenderão.

Continuamos, portanto, a expor o Quartenário de nossa Cruz como temos indicado. Procure diligentemente descobrir se o ponto pode ser removido da posição na qual primeiramente o encontramos. Os matemáticos ensinam que ele pode ser deslocado com muita facilidade. No momento em que é separado o Quartenário permanece, e torna-se muito mais claro e distinto aos olhos de todos.

Esta não é uma parte de suas proporções substanciais, mas apenas o ponto confuso e supérfluo que é rejeitado e removido.

Ó Divina Majestade Onipotente, como nós Mortais somos constrangidos a confessar quão grande Sabedoria e inefáveis mistérios residem na Lei que Tu fizeste! Por todos estes pontos e letras os segredos mais sublimes, e mistérios arcanos terrestres, assim como as múltiplas revelações deste ponto único, agora colocadas na Luz e examinadas por mim, podem ser fielmente demonstradas e explicadas. Este ponto não é supérfluo dentro da Divina Trindade, ainda quando considerado, por outro lado, dentro do Reino dos quatro Elementos onde ele é negro, portanto corruptível e insípido. É quatro vezes felicíssimo, o homem que atinge este ponto (quase copulativo) no Ternário, e rejeita e remove aquela parte sombria e supérflua do Quartenário, a fonte de vagas sombras. Assim, após algum esforço, obtemos as vestes brancas brilhantes como a neve.

Ó, Maximiliano, que Deus, por meio dessa mistagogia, faça de você ou de algum outro descendente da Casa da Aústria o mais poderoso de todos quando me chegar a hora de repousar tranquilo em Cristo, afim de que a honra de Seu formidável nome possa ser restaurada nas abomináveis e intoleráveis sombras que pairam sobre a Terra. E agora, por temor de que eu próprio possa dizer demais, devo retornar imediatamente ao fardo de minha tarefa, e porque ja terminei meu discurso para aqueles cujo olhar está centrado no coração, é agora necessário traduzir minhas palavras para aqueles cujo coração esta centrado nos olhos.

Aqui, portanto, podemos representar em alguma medida na figura da Cruz o que já dissemos. Duas linhas iguais são igual e desigualmente cruzadas a partir do ponto de necessidade que se vê em A. As quatro linhas retas, como em B, produzem um tipo de vácuo em que são retiradas do ponto central, que era sua condição comum, em cujo estado não eram prejudiciais, de uma para a outra. Este é o caminho pelo qual nossa Mônada, progredindo pelo Binário e Ternário no Quartenário purificado, é reconstituída dentro de si mesma, unida em proporções iguais, e que agora mostra que o todo é igual a suas partes combinadas, pois durante o tempo em que isto ocorre nossa Mônada não admitirá outras unidades ou números, porque é autossuficiente, e assim exatamente dentro de si mesma; absoluta em todos os números na amplitude da qual está difusa, não apenas magicamente, mas também por um processo um tanto vulgar empregado pelo artista, que produz grandes resultados de dignidade e poder dentro desta mesma Mônada, que é resumida à sua própria primeira matéria; enquanto o que é estranho a sua natureza e às suas proporções naturais hereditárias é segregado com a máxima cautela e diligência e rejeitado para sempre entre as impurezas.

Teorema XXI

Se o que está oculto nas profundezas de nossa Mônada for trazido à luz, ou, ao contrário, se as partes primárias que são exteriores em nossa Mônada forem fechadas no centro, vós vereis até onde a transformação filosófica pode ser produzida. Exporemo-vós agora outra comutação local de nossa Mônada mística, usando as partes dos caracteres hieroglíficos dos planetas superiores que são imediatamente oferecidas a nós. Cada um dos outros planetas por este motivo e, por sua vez, elevado a uma posição que lhes foi frequentemente apontada por Platão; portanto, se eles forem convenientemente tornados nesta posição e neste ponto em Áries, Saturno e Júpiter estão em conjunção. Descendo, a Cruz representa Vênus e Mercúrio, seguidos pelo próprio Sol com a Lua abaixo. Isto será refutado em outros círculos; entretanto, como não queremos esconder o tesouro filosófico de nossa Mônada, resolvemos dar uma razão para que a posição da Mônada seja dessa maneira deslocada. Mas veja! Ouça estes outros grandes segredos que conheço e revelarei para assisti-los no que concerne a esta posição, que posso explicar em poucas palavras. Distribuímos nossa Mônada, agora vista de um aspecto diferente e analisada de uma maneira diferente, como visto em B, D, C. Neste novo Ternário as figuras C e D são conhecidas por todos os homens, mas a figura designada por B não é de fácil compreensão.

É necessário dar cuidadosa atenção as conhecidas formas D e C, que mostram que as essências estão separadas e distintas da figura B: também vemos que os Cornos da figura C estão virados para baixo em direção a Terra. A parte de D que ilumina C esta também direcionada à Terra, ou seja, para baixo, no centro da qual o solitário ponto visível é em verdade a Terra; finalmente, estas duas figuras D e C viradas em direção a extremidade inferior dão uma indicação Hieroglífica da Terra. Portanto, a Terra é feita para representar, hieroglificamente, estabilidade e fixação. Deixo para vós julgardes o que se quer dizer com C e D: do que vós notareis um grande segredo. Todas as qualidades que primeiramente atribuímos ao Sol e a Lua podem ter aqui uma interpretação perfeita e muito necessária, estas duas estrelas até agora tendo sido colocadas na posição superior com os cornos da Lua virados para cima; porém, já falamos a este respeito.

Examinaremos agora, de acordo com os fundamentos de nossa Arte Hieroglífica, a natureza desta terceira figura B. Primeiro, carregamos a Coroa o crescente duplo da Lua que é nosso Áries, convertido de uma maneira mística. Então se segue o signo hieroglífico dos Elementos, que está anexado a ele. O porque de usarmos a Lua dupla pode ser explicado que isto está de acordo com a matéria, o que requer uma quantidade em dobro da Lua. Falamos destes graus dos quais os Filósofos em seus experimentos puderam encontrar apenas quatro, entre todas as substancias criadas, ou seja, ser, viver, sentir e compreender (esse, vivere, sentire et entelligere). Dizendo que os dois primeiros destes Elementos são encontrados aqui, dizemos que eles são chamados argent vive (lunas existens, viva), princípios de movimento. A Cruz que está anexa implica que neste artífice os Elementos são requisitados. Nós lhes dissemos muitas vezes que em nossa teoria o hieróglifo da Lua é como um semicírculo, e pelo contrário o círculo completo significa o Sol, enquanto aqui temos dois semicírculos separados, mas tocando-se em um ponto comum; se estes estão combinados, como o podem ser por uma certa arte, o produto pode resultar na plenitude circular do Sol. De todas estas coisas que consideramos, o resultado é que podemos resumir e, em uma forma Hieroglífica, oferecer o seguinte:

Argent vive, que deve ser desenvolvido pelo magistério dos Elementos, possui o poder da força solar pela unificação destes dois semicírculos unificados por uma arte secreta.

O círculo, o qual falamos e que designamos na figura pela letra E, é assim realizado e formado. Vós lembrareis que dissemos que o grau solar não nos é entregue prontamente em mão pela Natureza, mas que é artificial e não produzido pela Natureza, estando-nos disponível em seu primeiro aspecto de acordo com sua própria natureza (como em B) em duas partes separadas e dissolvidas, e não solidamente unido o corpo solar. De fato, o semidiâmetro destes semicírculos não é igual ao semidiâmetro de D e C, mas muito menor. Todos podem perceber isto pela forma como os desenhamos no diagrama, onde está claro que este mesmo B não tem uma amplitude tão grande quanto D e C. As proporções na figura confirmam isto, sendo desta maneira transformada num círculo de B a E. Portanto, aparece ali diante de nossos olhos apenas o signo de Vênus. Já demonstramos por estes silogismos hieroglíficos que de B não podemos obter o verdadeiro D, e que o verdadeiro C não é e não pode estar completamente dentro da natureza de B; portanto, ele por si mesmo não é capaz de tornar-se o verdadeiro Argent Vive. Vós podeis duvidar do sujeito desta vida e deste movimento, se é que é possível, de fato, possuí-lo naturalmente ou não. Todavia, como já explicamos aos sábios, todas as coisas que são ditas a respeito de B, de maneira similar serão pelo menos analógicas, e tudo o que ensinamos brevemente a respeito de C e D pode ser muito bem aplicado, por analogia, a este mesmo B acompanhado pelos Elementos.

De fato, o que anexamos à natureza de Áries deveria servir perfeitamente para este caso, pois ele carrega esta figura B, embora ao contrário, em seu ápice, é o que está anexado a figura B e a figura mística dos Elementos. Portanto, vemos por meio desta anatomia que apenas do corpo de nossa Mônada, separado desta maneira por nossa Arte, este novo Ternário é formado.

Disto não podemos ter dúvidas, pois os membros que a compõem reagrupam-se e formam entre si por sua própria vontade uma união e simpatia monádica que é absoluta. Por este meio descobrimos entre estes membros uma força que é tanto magnética como ativa.

Finalmente penso ser bom notar aqui, por recreação, que este mesmo B apresenta muito claramente as mesmas proporções na mal formada e rústica letra na qual carrega pontos visíveis em direção ao topo e na frente, e que estas letras são três em número, de outro modo seriam em número de seis, sumariando três vezes três: elas são brutas e mal-formadas, instáveis e inconstantes, feitas de tal maneira que parecem ser formadas por uma serie de semicírculos. Mas o método de tornar estas letras mais estáveis e firmes está na mão dos peritos literários. Eu coloquei aqui diante de vossos olhos uma infinitude de mistérios: introduzo um jogo, mas para interromper a teoria. Entretanto, não compreendo o esforço de certas pessoas em levantarem-se contra mim. Nossa Mônada sendo reconstituída em sua primeira posição mística e cada uma de suas partes sendo ordenada pela Arte, eu os advirto e exorto a buscarem com zelo pelo fogo de Áries na primeira triplicidade, que é nosso fogo equinocial e que é a causa pela qual nosso Sol deve ser elevado acima de sua qualidade vulgar. Muitas outras coisas excelentes deveriam ser estudadas também em felizes e sabias meditações.


Agora passaremos a outro assunto; queremos apontar o caminho, de maneira não apenas amigável, mas também fiel, para os outros segredos sobre os quais devemos insistir, antes que caíamos em silêncio e os quais, como dissemos, compreendem uma notável infinitude de outros mistérios.

Teorema XXII

Será prontamente entendido que os mistérios de nossa Mônada não podem ser extraídos, a menos que se esteja inclinado a farmácia da mesma Mônada, e que estes mistérios não sejam revelados a não ser aos Iniciados. Eu ofereço aqui para a contemplação de vossa Serena Alteza os vasos da Arte Sagrada que são verdadeira e completamente cabalísticos. Todas as linhas que unem as diversas partes de nossa Mônada são muito sabiamente separadas; nós atribuímos a cada uma delas uma letra especial, a fim de distingui-las umas das outras, como vereis no diagrama.

Informamos-vos que em A é encontrado um certo vaso artificial, formado por A e B com a linha M. O diâmetro exterior é comum a ambos, A e B, e este não é diferente, como vemos, desta primeira letra do alfabeto grego, exceto por uma única transposição das partes.

Ensinamos a verdadeira simpatia mística primeiro pela linha, o círculo e o semicírculo, e, como dissemos anteriormente, esta simetria pode apenas ser formada com base no círculo e no semicírculo, que estão sempre juntos pelo mesmo propósito

mas de outros vasos. Ou seja, X  é feito de vidro e 8 é feito de terra (cerâmica ou argila). Em segundo lugar, X  e 8 podem lembrar-nos do Pilão e do Almofariz que devem ser feitos como a substantia adequada, nos quais pérolas imperfuráveis artificias, lamelas de cristal e berilo, crisólita, rubis preciosos, carbúnculos e outras pedras artificiais raras podem ser transformadas em pó.

Por fim, o indicado pela letra w é um pequeno vaso contendo os mistérios, que nunca está distante desta última letra do alfabeto grego agora restaurada a sua mistagogia primitiva, e que é feita de uma única transposição de suas partes componentes, consistindo de dois meio-círculos de tamanho igual. A respeito dos objetos e necessidades vulgares que são requeridos em adição aos vasos, e o material dos quais eles devem ser moldados, seria inútil tratar disso aqui. Entretanto, deve ser considerado como buscar pela ocasião para realizar sua função por uma circulação espiral muito secreta e rápida e um sal incorruptível pelo qual o primeiro princípio das coisas seja preservado, ou melhor, que a substantia que flutua no vitríolo após sua dissolução mostre ao aprendiz uma espécie primordial, mas muito transitória de nossa obra, e se ele for atento, uma maneira muito sutil e mais efetiva de preparar a obra ser-lhe-á revelada. Dentro de X, o vaso de vidro, durante o exercício desta função particular, todo o ar deve ser excluído ou será extremamente prejudicial. O corolário de w é o homem agradável, ativo e bem disposto o tempo todo. Quem, então, não está agora apto a procurar os frutos doces e salutares desta Ciência, que, digo, cresce do mistério destas duas letras?

Alguns dos que os afastariam de nosso Jardim de Hespérides, e nos fariam ver isto um pouco mais próximo como num espelho, dizem que está estabelecido que este não é formado a não ser por nossa Mônada.

Mas a linha reta que aparece em Alfa e homologa aquela que, na separação da análise final de nossa Cruz, já foi designada pela letra M. Pode-se descobrir desta maneira de onde as outras foram produzidas. Veja o esquema delineado a seguir.

Nestas poucas palavras, eu sei que dou não só os princípios, mas também a demonstração ao aos que podem ver neles como fortificar o vigor ígneo e a origem celestial, de modo que possam emprestar uma orelha ao grande Demócrito, certos de que não é um dogma mítico e sim místico e secreto, de acordo como qual está a medicina da lama, a libertadora de todo o sofrimento, e está preparado para os que o desejam e como ele ensinou; deve ser buscado na Voz do Criador do Universo, de maneira que os homens, inspirados por Deus e gerados novamente, aprendam pela perfeita disposição das línguas místicas.

Teorema XXIII

Apresentamos agora de forma diagramática as proporções já observadas por nós na construção de nossa Mônada, as quais devem ser vistas por aqueles que desejam gravá-las sobre seus selos e anéis, ou para utilizá-las de qualquer outra maneira. Em nome de Jesus Cristo crucificado sobre a Cruz, eu digo que o Espírito escreve estas coisas rapidamente por meu intermédio; eu espero e creio que eu seja apenas a pena que traça esses caracteres. O Espírito impele-nos agora para nossa Cruz dos Elementos, com todas as medidas seguintes que devem igualmente ser obtidas por um processo de raciocínio, de acordo com o tema que for proposto para discussão. Tudo que existe abaixo do céu da Lua contém o princípio de sua própria geração em si mesmo e é formado pela coagulação dos quatro Elementos, a menos que seja a própria substancia primária, e isto de várias maneiras não é conhecido pelos vulgares, não havendo nada no mundo criado em que os Elementos existam em igual proporção ou igual força. Mas, por meio de nossa Arte, eles podem ser restituídos à igualdade em certos aspectos, como bem sabem os sábios; portanto, em nossa Cruz, tornamos as partes iguais e desiguais.


Outra razão é que podemos promulgar tanto a similitude quanto a diversidade, a unidade ou a pluralidade, ao afirmarmos as propriedades secretas da Cruz equilateral, como foi dito anteriormente.

Se tivéssemos de expor todas as razões que conhecemos, para as proporções estarem estabelecidas desta maneira, ou se tivéssemos que demonstrar as causas por meio de outros métodos que ainda não tenhamos usado, embora tenhamos feito o suficiente para os sábios, deveríamos transcender os limites da obscuridade que temos prescrito, não sem razão, em nosso discurso.

Tome um ponto qualquer, o ponto A, por exemplo; desenhe uma linha reta passando por ele em ambas as direções, como CAK. Divida a linha CK em A comum a linha formando ângulos retos, a qual chamaremos DAE. Agora selecione um ponto qualquer na linha AK, que seja ele o ponto B, e obtém-se assim a medida primária de AB, a qual será a medida comum de nossa obra. Tome três vezes o tamanho de AB e marque a linha central de A a C, que será AC. Agora tome duas vezes a distância entre AB e marque-a na linha DAE na altura do ponto E e novamente em D, de maneira que a distancia entre D e E seja quatro vezes a distância entre A e B. Assim forma-se nossa Cruz dos quatro Elementos, ou seja, o Quartenário formado pelas linhas AB, AC, AD, AE. Agora na linha BK tome uma distância igual a AD na linha central ate o ponto I. Tendo o ponto I como centro e IB como o raio, descreva um círculo que corte a linha AK em R: do ponto R em direção ao ponto K marque uma distância igual a AB, que sera RK. Do ponto K desenhe uma linha formando ângulos retos na linha central, formando um ângulo em cada lado de AK, que será PFK. Do ponto K meça na direção de F uma distância igual a AD, que será KF: agora com K como centro e KF como raio descreva um semicírculo FLP, de forma que FKP seja o diametro. Finalmente, no ponto C desenhe uma linha formando ângulos retos em AC suficientemente longa em ambas as direções para formar OCQ. Agora na linha CO medimos a partir de C uma distância igual a AB, que é CM, e tendo M como centro e MC como raio descrevemos um semicírculo CHO. E da mesma maneira em CQ, do ponto C mediremos uma distância igual a AB que será CN, e do centro N com CN como raio, traçamos um semicírculo CGQ, do qual CNQ é o diâmetro. Agora afirmamos, com base nisso, que todas as medidas requeridas foram explicadas e descritas em nossa Mônada.

Seria bom notar, vós que conheceis as distâncias de nosso mecanismo, que toda a linha CK é composta de nove partes, das quais uma nós é fundamental, e que de outra maneira é capaz de contribuir para a perfeição de nossa obra; então, mais uma vez, todos os diâmetros e semidiâmetros devem ser designados aqui por linhas hipotéticas escondidas ou ocultas, como dizem os geômetras. Não é necessário deixar nenhum centro visível, com exceção do centro solar, que aqui é marcado pela letra I, onde é desnecessário adicionar qualquer letra. Entretanto, os que são adeptos de nosso mecanismo podem adicionar algo à periferia solar, como ornamento, e não por virtude de qualquer necessidade mística; por esta razão esta possibilidade não foi anteriormente por nós considerada. Este algo é um anel fronteiriço, necessariamente uma linha paralela à periferia original. A distância entre estas paralelas pode ser fixada em um quarto ou um quinto da distância AB. Pode-se também dar ao crescente da Lua uma forma que é frequentemente assumida por este planeta no céu, após sua conjunção com o Sol — ou seja, na forma de Cornos, que você obterá se, do ponto K na direção do ponto R, medir a distância mencionada; a quarta ou quinta parte da linha AB, e se do ponto assim obtido, como um centro, traçar com o raio lunar original a segunda parte do crescente lunar, a qual junta-se nas extremidades ao final do primeiro semicírculo. É possível realizar uma operação similar com respeito às posições M e N quando se eleva a perpendicular até cada um destes pontos centrais; podemos usar a sexta parte de AB ou um pouco menos, de cada ponto, como o centro, descrevemos dois outros semicírculos, usando o raio dos dois primeiros, MC e NC.

Nosso Cânone de Transposição

Tome a mesma proporção que é mostrada em números quando escritos na ordem natural, após a primeira Mônada; então, do primeiro ao último, faça uma multiplicação contínua, ou seja, o primeiro pelo segundo, o produto destes dois pelo terceiro, e este produto pelo quarto, e assim por diante, até o último; o produto final determina todas as Metastáses possíveis, com respeito a proporção no espaço, e pela mesma razão em proporção a diversos objetos de acordo com o que desejares.

Eu te digo, ó Rei, esta operação será útil para ti em muitas circunstâncias, seja no estudo da Natureza, seja nos afazeres do governo dos homens; pois é ela que eu costumo usar com enorme prazer no Tziraph ou Themura dos hebreus.

Eu sei que muitos outros números poderosos podem ser produzidos com base em nosso Quartenário, pela virtude da aritmética e do poder dos números. Ainda assim aquele que não entende que uma grande obscuridade foi por este método iluminada por aqueles números que eu tracei, os quais tem natureza e distinção entre uma infinidade, não será capaz de estimar seu significado, o qual é obscuro e não óbvio. Quantos encontrarão em nossos números a autoridade que prometemos pelo valor dos Elementos, pelas afirmações a respeito das medidas do tempo e pela certeza das proporções que podem ser atribuídas aos poderes e as forças das coisas? Tudo isso vós deveis estudar nos dois diagramas precedentes.

Pode-se deduzir muitas coisas dos diagramas que, preferivelmente, devem ser estudadas silenciosamente em vez de divulgadas abertamente por meio de palavras. Entretanto, vos informaremos de uma coisa, entre muitas outras, reveladas agora para nós pela primeira vez, em relação a esta nova Arte; por entendimento, estabelecemos aqui uma causa racional por virtude da qual o Quartenário com a Década, de certa maneira, terminam a série numérica. Afirmamos que esta causa não é exatamente a que foi descrita pelos Mestres que nos precederam, mas é exatamente como começamos aqui. Esta Mônada foi restaurada integral e fisicamente a si mesma, ou seja, ela é realmente a Mônada Unitíssima, a unidade comprovada das imagens; e não está contida no poder da Natureza, nem tampouco podemos por qualquer arte promover nela qualquer movimento ou progressão, a menos que por meio de quatro ciclos ou revoluções supra celestiais, e desta Mônada é gerado o que gostaríamos de denominar como a maneira e o curso de sua eminência; e por esta razão, não há no mundo elemental, nem nos mundos celestial ou supra celestial, qualquer poder ou influencia criado que não possa ser absolutamente por ela favorecido ou enriquecido.

Foi por causa do verdadeiro efeito disto que quatro homens ilustres, amigos da Filosofia, estiveram juntos na grande obra em uma ocasião.

Um dia eles foram surpreendidos por um grande milagre neste assunto, e, após isso, passaram a dedicar-se a cantar encômios a Deus e a orar ao Todo Poderoso porque Ele havia lhes conferido tamanha sabedoria e poder e um grande Império sobre todas as criaturas.

Teorema XXIV

Da mesma forma que iniciamos o primeiro teorema deste pequeno livro com o ponto, a linha reta e o círculo, e os estendemos do ponto Monádico ao efluxo extremamente linear dos Elementos em um círculo, quase análogo ao equinocial onde faz uma revolução em 24 horas, assim agora por fim nós consumamos e terminamos a metamorfose e a metástase de todos os conteúdos possíveis do Quartenário definido pelo número 24 em nosso presente vigésimo quarto teorema, para a honra e Glória dEle, como testemunhado por João, o Arquiprior dos Mistérios Divinos, no quarto e no último capítulo do Apocalipse, o qual está sentado em Seu Trono, ao redor e em frente de quatro animais, cada um com seis asas, que cantam noite e dia sem repouso: “Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus Onipotente, o qual foi, é e virá a ser”, assim como os 24 anciões nos 24 assentos colocados no círculo o adoram e prostram-se, tendo derribado por terra suas Coroas de ouro, dizendo: “Digno es Tu, ó Deus, de receber Glória, Honra e Virtude, porque Tu criaste todas as coisas, e por Tua Vontade foram elas criadas”.

Amem.

Diga a quarta letra.

Aquele a quem Deus conferiu a vontade e a habilidade de saber neste caminho o mistério Divino por meio dos monumentos eternos da literatura e acabar com grande tranquilidade esta obra no dia 25 de janeiro, tendo encetando-a no dia 13 do mesmo mês.

Ano de 1564, Antuérpia.

CONTRACTUS AD PUNCITUM

Aqui os olhos vulgares hão de enxergar apenas a Obscuridade e desesperar-se-ão consideravelmente.

Ω

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-monada-hieroglifa-de-john-dee/

Princípios da Engenharia Mágica

Thiago Garcia Tamosauskas

Nomes podem ser trapaceiros. O Nacional Socialismo não é socialista, a República Democrática do Congo não é democrática e a República Federativa do Brasil não é federativa. Este não é um problema exclusivo da política: A Teoria da Relatividade trata de absolutos nada-relativos como a constante cosmológica e velocidade da luz e a teoria do caos, por sua vez encarrega-se, na verdade, de lidar com a ordem que surge em meio à complexidade. O mesmo pode ser dito da corrente conhecida como Magia do Caos, que ao contrário do que pode soar, na verdade é uma corrente ordenadora que consegue unificar os mais diferentes campos da prática mágica, muitos dos quais seriam paradoxais e contraditórios caso ela não existisse.

A magia, assim como outras expressões da natureza – como a música por exemplo – pode ser convertida em linguagem matemática para medir sua harmonia, seus padrões e assim ser estudada, observada e desenvolvida. É justamente isso que Peter J. Carroll propôs, em seu livro Liber Kaos, editado pela primeira vez em 1992. Carroll se utilizou da matemática formal para ordenar a mecânica mágica em uma série de equações. Não é minha intenção, repetir sua explicação e suas justificativa, nem mostrar o porquê e o como destas equações. Ele mesmo já fez um trabalho fenomenal na seção intitulada ‘Chaos Mathematics’, logo no primeiro capítulo da obra acima citada. Sendo assim irei apenas citar rapidamente as três equações básicas e fornecer uma rápida legenda para elas  na esperança de que o praticante perceba novas ramificações da prática mágica e vá imediatamente atrás da fonte original. Feito isso entrarei na real proposta deste artigo.

Pm = P + (1-P) M^(1/P)

A primeira equação calcula a Probabilidade de Sucesso Mágico (Pm).

Entre as centenas de definições existentes de magia uma das mais acuradas é a “Ciência de manipular as probabilidades”, isso porque ela abarca tanto a definição de Alta Magia como de Baixa Magia manipulativa e não se apega a termos de nenhum modelo mágico específico como Vontade, Espírito ou Destino.  Esta equação é uma das maneiras de se calcular a influência do processo mágico em aumentar a probabilidade de algum evento acontecer.

O bom resultado de qualquer operação mágica depende portanto de dois fatores: P, que é a chance de algo acontecer por simples chance e M, o fator que se cria pela operação mágica que aumentando a probabilidade deste algo acontecer. Esta probabilidade varia entre 0 (fracasso, impossibilidade) e 1 (sucesso, certeza). A equação a seguir demonstra como calcular M, segundo o paradigma proposto por Peter Carroll.

M = GL(1-A)(1-R)

Numa explicação rápida, podemos dizer que o fator mágico (M) é o produto do estado de Gnosis (G), pela Ligação com o alvo (L) descontada a ansiedade (A) e a resistência subconsciente ao processo todo (R). Resumindo de forma clara: Ansiedade é sua preocupação de que algo aconteça e Resistência é a voz  na sua cabeça dizendo que aquilo não vai acontecer. O fator M, após ser calculado deve ser incluído na primeira equação. Isso entretanto apenas para o caso de tentar-se aumentar a probabilidade de algum evento.

Existe também o caso de querer se utilizar de magia não para aumentar a probabilidade de algo ocorrer, mas o oposto, que a probabilidade de algo caia drasticamente. Um exemplo rápido disso é imaginar que um ritual que seria usado caso você deseje que um conhecido, por exemplo, não consiga arranjar um emprego. Neste caso, do segundo exemplo, você deve utilizar esta terceira fórmula:

Pm = P - PM^[1/(1-P)]

Como pode-se notar, trata-se apenas de uma inversão da primeira equação. Lembrando que o sinal ^ refere-se a exponenciação matemática. A probabilidade resultante nesta fórmula é portanto igual a probabilidade natural subtraída pelo produto de si mesma  com o fator M elevado a 1 dividido por 1 menos esta mesma probabilidade original.

Estas fórmulas, permitem uma série de conclusões interessantes e trazem boas e más notícias aos magistas. A primeira boa notícia é que o Fator de Equilíbrio que mencionei alguns anos atrás no Manual do Satanista é algo matematicamente óbvio e de extrema importância. Qualquer valor M entre 0.5 e 0.7 terá um grande resultado sobre probabilidades na mesma faixa numérica, mas pouco efeito em eventos altamente improváveis onde P é superior ou igual a 0.8. O magista deve portanto sempre tentar alimentar as chances naturais antes de se engajar magicamente. Por outro lado, se M chegar a 1, então mesmo eventos altamente improváveis tornar-se-ão possíveis.

Explicadas as três equações da magia, chegamos ao verdadeiro objetivo deste artigo e minha real contribuição a engenharia mágica iniciada acima.  Não basta apenas ter muita vontade de se trocar uma lâmpada se antes você não tiver uma lâmpada nova em mãos. Creio que Peter Carroll deixou uma grande lacuna em sua obra que pode e deve ser explorada para benefício de todos os praticantes. Trata-se da ausência de fatores bem definidos para as variáveis G, L, A e R. É necessária uma aproximação numérica para cada uma destas partes, pois sem isso as fórmulas não alcançam toda sua utilidade prática, permanecendo apenas no reino da pura especulação subjetiva.

É realmente muito difícil padronizar coisas tão sutis como o funcionamento da mente, contudo considero que graças a experiência pessoal, longas discussões com outros praticantes e muita revisão em cima dos conceitos consegui chegar a um resultado aceitável. As tabelas a seguir são uma pequena aproximação pragmática dos quatro fatores essenciais da equação M:

Fator L = Ligação

Esta primeira tabela é uma sugestão de padrão numérico para a sua ligação com o alvo de seu ato mágico. Ela por si mesma mostra porque rituais de iluminação costumam ser mais efetivos do que rituais de encantamento, pois o vinculo consigo mesmo é sempre mais garantido do que a ligação com terceiros. Eis a tabela do Fator L:

  • 0    Nenhuma forma de vinculo
  • 0.1  Vinculo abstrato/simbólico (símbolos, assinaturas, nomes)
  • 0.2  Vinculo material (sangue, cabelos, roupas, etc.. )
  • 0.3  Vinculo pictórico/representativo (fotos, desenhos )
  • 0.4  Constructo mental ordinário (imaginação não treinada, lembrança vaga que você associe com o alvo)
  • 0.5  Vinculo usando 3 sentidos ( em geral, visual e sonoro + olfativo ou tátil)
  • 0.6  Uso pleno dos cinco sentidos no vinculo
  • 0.7  Cinco sentidos + tempo (filme, teatro, psicodrama)
  • 0.8  Constructo mental elaborado (imaginação bem treinada e realista)
  • 0.9  Contato real com o alvo (entrar em contato com ele)
  • 1    Contato real e interativo com o alvo (entrar em contato e interagir com ele)

Note que os itens 0.9 e  1 são para contatos reais com o seu alvo. Para a maioria das pessoas isso representará uma proximidade espacial, mas não a diferença significativa entre uma mente completamente convencida de um contato físico e uma mente completamente convencida de um contato astral.

Fator A = Ansiedade

A segunda tabela é uma escala da preocupação com o ritual ou trabalho mágico funcionar. A Sigilização, esta grande contribuição do século XX a tradição mágica ,é uma maneira conhecida de reduzir a ansiedade, mas não é a única forma, como prova toda a história anterior do ocultismo. Idiomas bárbaros, pentáculos e chaves enoquianas são alguns dos exemplos comuns. Al;em disso, todo grau avançado de Gnosis reduz a Ansiedade na medida em que a mente fica tão envolvida e/ou satisfeita que não tem motivos para se preocupar e o ritual oblitera qualquer ânsia de resultados. Eis a tabela do Fator A:

  • 0    Não ligo se o resultado for negativo ou positivo.
  • 0.1  Não tenho necessidade, nem urgência. O fracasso é uma opção.
  • 0.2  Não tenho pressa, nem necessidade urgente de um resultado favorável
  • 0.3  Tenho necessidade de um resultado favorável, mas quase não perco tempo pensando nisso
  • 0.4  Tenho necessidade de um resultado favorável e penso nisso ocasionalmente
  • 0.5  Tenho necessidade de um resultado favorável e penso nisso freqüentemente
  • 0.6  Tenho necessidade de um resultado favorável e penso nisso o tempo todo.
  • 0.7  Tenho urgência. Esta é uma das mudanças importante para mim agora.
  • 0.8  De todas esta é a mudança mais relevante para mim atualmente.
  • 0.9  Esta e uma das mudanças mais importantes da minha vida
  • 1    Esta é a mudança mais importante de toda a minha vida

Fator R = Resistência subjetiva

A terceira tabela esquematiza a sua resistência psicológica a magia. A segunda palavra é importante porque lembra que não se trata de uma crença superficial que pode ser facilmente mudada, mas daquilo que interiormente é aceito como verdadeiro. Ela define em última instancia sua opinião sobre um ritual ou um trabalho mágico.

  • 0    Tudo é possível, indivíduos podem afetar até as leis da realidade.
  • 0.1  As leis da natureza podem ser temporariamente quebradas
  • 0.3  Existem leis cósmicas que fazem a magia funcionar
  • 0.2  Tudo é possível sob certas condições raras
  • 0.4  É possível. Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia
  • 0.5  A Magia é real mas está restrita à natureza e às suas leis. Funciona em alguns casos e em outros não.
  • 0.6  As leis da natureza as vezes de comportam de modo a parecer mágicas.
  • 0.7  Magia é apenas uma maneira de conseguir estar no lugar certo na hora certa.
  • 0.8  Magia tem um poder limitado a consciência individual ligado apenas a psicologia, neuro-linguistica, etc.
  • 0.9  Magia é um nome pomposo para auto-ilusão, placebo e sorte
  • 1    Magia não existe.

Fator G = Gnosis

A última variável é calculada de maneira diferente. Realizei alguns experimentos com algumas  escalas lineares para a Gnosis  e todas elas mostraram-se insatisfatórias e imprecisas. Este problema foi contornado pelo aperfeiçoamento da escala original que resultou na criação de uma quarta equação da magia:

G = S T

Gnosis é portanto, o produto do fator Spare (S) pelo Tempo (T). O conceito importante aqui é o fator S central. Ele se refere a Tabela Spare que desenvolvi, (em homenagem a Austin Spare) e que será relacionada abaixo.

O Tempo, T não é uma escala cronológica de segundos ou horas. Isso não faria sentido uma vez que o tempo linear é por si só ilusório e se torna cada vez mais irrelevante a medida que nos aprofundamos da realidade psíquica interior. Trata-se portanto da percepção subjetiva que a consciência tem da duração do estado de Gnosis.  De 0.1 a 0.3 são experiências rápidas e fugazes, como um espirro, um susto ou uma topada no pé. Valores T iguais a 0.4 a 0.6 são para experiências moderadas como auto-flagelação, os giros dervixes ou uma corrida em uma montanha russa. De 0.7 a 0.9 são experiências relativamente longas, como um transe xamânico, uma seção sado-masoquista ou um exorcismo neo-pentecostal. O fator 1.0 é reservado apenas a aquelas experiências onde a noção de tempo é completamente superada e o adepto experimenta a atemporalidade como no caso do Samadi yogui, das Experiências Culminantes de Abraham Maslow e das visões descritas no Apocalipse de João.

A Tabela Spare, por sua vez, não é uma escala progressiva mas sim a soma ponderada de diversos sintomas específicos. Cada um deles com seu valor. Ela foi criada com base no trabalho de Austin Spare e dos Círcuitos de Consciência de Timothy Leary e enriquecida com as experiências de minha prática mágica pessoal.  A unidade de medida do estase eu chamo de spare. A Tabela foi estrategicamente concebida de maneira a evitar trapaças evitando acúmulos desleais na contagem. Assim, qualquer soma superior a 1 spare é indício claro de que você está enganando a si mesmo na hora de estimar o fator.

A Tabela Spare

  • 0.1   Sensações intensas de Prazer/Dor física.
  • 0.1   Privação/Estase dos sentidos.
  • 0.1   Privação/Sobrecarga do organismo  (jejum, fastio, insônia, imobilidade, exaustão)
  • 0.1   Emoções atávicas, fortes ou significativas.
  • 0.1   Estímulos abstratos complexos (música, dança, matemática, teatro, etc…)
  • 0.1   Libertação socio-cultural. Entrega completa. (perda de auto-censura, alivio de normais cotidianas, quebra de tabus tribais)
  • 0.1   Memórias Simultâneas/Amnésia
  • 0.1   Consciência não-local. Transcedência da noção de espaço.
  • 0.1   Superação conceito de individualidade.
  • 0.2   Pensamento único extremamente concentrado
  • 0.2   Vacuidade. Ausência absoluta de pensamentos.

Para exemplificar a consulta da Tabela Spare: Um orgasmo de má qualidade acumularia o estado de vacuidade, 0.2 spares (sp), ao prazer físico 0.1 sp, a perda de auto-censura 0.1 sp e a emoção da luxúria 0.1 sp num total de 0.5 spares. Já um orgasmo tântrico acumularia ainda, o estase dos sentidos 0.1 sp, os estímulos sensórios complexos próprios do ritual 0.1 sp, a consciência expandida não-local resultante 0.1 sp e a superação do conceito do Eu ordinário 0.1. num total de 0.9 sp.

Aplicando a equação G=ST teríamos que uma seção tântrica longa de T=0.9 que atinja 0.9 spares resultaria em uma Gnosis na ordem de 0.8.

Fator P = Probabilidade

Agora, voltando às duas fórmulas, não adianta nada se ter todas os elementos mágicos calculados se não temos o fator P (a chance de algo acontecer por simples chance) na equação também. O fator P é a probabilidade natural de algo acorrer sem a influência do magista ainda, é a probabilidade simples que deve ser calculada antes de mais nada. Nossas duas fórmulas dependem deste fator como podemos ver:

Pm = P + (1-P) M^(1/P)
Pm = P - PM^[1/(1-P)]

Vamos ver então como chegar a este número agora. Para se calcular a probabilidade de qualquer evento acontecer podemos nos valer de três regras principais de cálculo. A primeira delas afirma que a probabilidade de dois eventos ocorrerem nunca pode ser maior do que a probabilidade de que cada evento ocorra individualmente. Essa é a primeira lei da probabilidade. Trocando em miúdos ela simplesmente afirma que em um caso onde temos dois eventos possíveis, evento A e evento B, a chance do evento A acontecer = chance que evento A e B ocorram + chance que evento A ocorra e evento B não ocorra.

Um exemplo mais visual para isso é: A chance de a primeira pessao entrar numa sala ser uma garota de vestido vermelho nunca pode ser maior do que a chance da primeira pessoa que entrar na sala seja uma garota. Que evento você acha que tem uma probabilidade maior de acontecer, qual acha mais provável:

  1. A) Que uma pessoa se forme em aconomia
  2. B) Que uma pessoa se forme em economia e vá trabalhar em um banco
  3. C) Que uma pessoa se forme em economia, vá trabalhar em um banco e depois de 3 anos seja promovida à vaga de gerente

Resposta certa: A

Em casos mais complexos a lei permanece. Por exemplo a probabilidade de um garoto ser destro é sempre maior do que a probabilidade dele ser destro e ter cabelos pretos e maior do que ele ser destro. Para isso basta calcular a probabilidade de um garoto ser destro (GD), a probabilidade dele ter cabelo preto(CP) e colocar na fórmula: (GD + CP) + (GD + Cabelo qualquer outra cor).

A segunda lei da probabilidade importante para chegarmos no fator P é a lei da combinação de probabilidades: Se dois eventos possíveis, A e B, forem independentes, a probabilidade de que A e B ocorram é igual ao produto de suas probabilidades individuais.

Hoje com o advento da compra de ingresso pela internet para assitir a filmes no cinema, suponha que um cinema exibindo o último filme comentado esteja quase lotado, tenha apenas mais uma cadeira disponível e dois ingressos tenham sido reservados pelo site do cinema. Suponha que, a partir da experiência, o atendente do cinema saiba que existe uma chance de 2/3 de alguém que reserva um ingresso apareça para ver o filme, ou seja de cada 3 pessoas que reservam ingressos 2 pelo menos aparecem para ver o filme. Então ele sabe que, caso essas últimas duas reservas que faltam ser preenchidas, se tiverem sido feitas por pessoas independentes, podem resultar em uma chance de 2/3 X 2/3 de terminar com um cliente puto porque reservou um lugar e quando chegou não tinha cadeiras, ou seja a chance do cliente 1 aparecer, multiplicada pela chance do cliente 2 aparecer, que é de aproximadamente 44%. Ao mesmo tempo existe uma chance de 1/3 (probabilidade da pessoa reservar e não aparecer) X 1/3 do filme começar com uma cadeira vazia apesar das reservas, ou seja: 11%.

E existem ainda casos onde aplicamos outra lei: se um evento pode ter diferentes resultados possíveis, A, B, C e assim por diante, a possibilidade de que A ou B ocorram é igual à soma das probabilidades individuais de A e B, e a soma das probabilidades de todos os resultados possíveis (A,B,C e assim por diante) é igual a 1 (ou seja 100%). Esta lei serve para calcular a probabilidade de que um dente dois eventos mutuamente excludentes, A ou B, ocorra. Como exemplo vamos voltar para o caso do cinema. Suponha que o atendente queira calcular a chance de que as duas pessoas que reservaram a cadeira apareçam ou que nenhuma delas apareça. Calculando com os números acima, e somando ao invés de multiplicar, terminamos com o resultado de 55% aproximadamente.

Essas três leis são basicamente tudo o que você precisa para poder chegar ao fator P e adicioná-lo à fórmula. Agora para isso você precisa saber a sutileza do que quer saber para descobrir que fórmula usar.

A seguir faremos uma sugestão de uma abordagem experimental para tudo o que foi explicado até agora. A Engenharia Mágica que propomos deve ser baseada em resultados práticos e acima de tudo mensuráveis.

Provas Experimentais

A prática mágica só se distingue da religião e das demais crenças na medida em que coloca a si mesmo a prova. Por enquanto tenha toda a teoria passada até agora apenas como uma hipótese a ser testada. Para isso vou propor um experimento simples para a utilização da formula sem que o adepto perca-se com números e possa por sua própria experiência pessoal cruzar a linha entre o mito e o método. Além disso este será exercício fundamental para você “afinar” a sua percepção sobre si mesmo e superar suas limitações enquanto magista.

Você vai precisa de papel e caneta, ou alguma outra forma de registro e dois dados de 6 lados cada.

O espaço amostral, ou seja o conjunto de todos os resultados possíveis do resultado de um lance de dois dados são:

[1-1], [1-2], [1-3], [1-4], [1-5], [1-6]

[2-1], [2-2], [2-3], [2-4], [2-5], [2-6]

[3-1], [3-2], [3-3], [3-4], [3-5], [3-6]

[4-1], [4-2], [4-3], [4-4], [4-5], [4-6]

[5-1], [5-2], [5-3], [5-4], [5-5], [5-6]

[6-1], [6-2], [6-3], [6-4], [6-5], [6-6]

Existem 36 resultados possíveis, logo a chance de qualquer combinação é de 1 para cada 36 jogadas ou 1/36, P = 0,027. Em outras palavras, sando o espaço amostral do resultado do jogo de dois dados, temos uma chance de 2,7% de saírem 2 números 6 em cada jogada.

Atire 200 vezes os dois dados e anote os resultados. Atire 500, 1000 vezes, lembre-se que quanto maior o número de resultados melhor você vai poder mensurar os seus atributos mágicos. Caso tenha a possibilidade, você pode simular rapidamente estas jogadas usando softwares próprios de sorteio, isso não influenciará em nada o resultado da experiência.

Depois de anotar todos os resultados, veja quantos duplos 6 você tirou. Tabule esta informaçao.

Realize então o sua prática mágica de preferência. Evoque espíritos antigos, assuma uma forma-deus, canalize as linhas Leis, faça pactos com demônios, etc. Exercite sua magia dentro de sua área de expertise desejando que os próximos resultados da experiência sejam apenas duplos 6. Se possivel passe uma semana realizando rituais ou se preparando antes das próximas jogadas e então faça o mesmo exercício de jogar os mesmos dados.

Anote todos os resultados e veja como a sua magia influencia a probabilidade natural dos resultados. Estes serão os dados de controle para o restante da experiência.

Na próxima semana, utilizando as fórmulas e tabelas fornecidas neste artigo tente melhorar o resultado matemático do seu fator M. Munido deste ajuste fino prepare-se mais uma semana e repita a experiência. Estas três semanas devem bastar para convencer o magista sobre o poder desta abordagem magica. Entretanto alguns praticantes podem desejar realizar este exercício por um tempo mais longo devido aos benefícios óbvios que ele fornece. Se este for o seu caso, aproveite para comparar os resultados com o passar das semanas, se possível mantendo alguma espécie de registro gráfico ou tabular.

Isso é interessante por vários motivos, por um lado você pode ter uma “prova” real de como pode influenciar a probabilidade natural de algo com o sua magia, e outro é ver porque você não influencia tanto quanto gostaria. Use os princípios ensinados neste artigo e afine os parâmetros de suas experiências. Depois da segunda amostragem realize outro tipo de ritual buscando variar os elementos fundamentais das fórmulas e repita o experimento, veja como isso afeta de forma diferente os resultados. Será que sua Gnose não é tão intensa quanto você acha que é? Será que é extremamente ansioso e não consegue relaxar depois? Será ainda que no fundo acredita que magia é besteira e só funciona com coisas que apresentem um resultado vago o bastante para poder ser atribuído ao acaso? Estas são perguntas que só você poderá responder e mestre ou guru nenhum no mundo poderão substituir.

Conclusão

Como conclusão resta dizer que estas ferramentas dadas acima servem não apenas para se calcular o quanto a interação mágica pode afetar a chance de algo ocorrer, mas também como forma de ver como o praticante deve evoluir ou se adaptar para que essa probabilidade mude. Identifique suas forças e fraquezas. Trabalhe com os pontos das tabelas para ver como aumentar a chance de sucesso vendo como sua crença e sua ansiedade, por exemplo, afetam os resultados de suas práticas trabalhando então de forma a mudar a balança a seu favor.

Da mesma forma este estudo pode ser usado como uma excelente arma de ataque mágico. Sabendo como funcionam essas engrenagens você pode afetar outros magistas usando os elementos da tabela de forma que afetem o sucesso de seus trabalhos. Aumentando a ansiedade de seus oponentes, fazendo com que o seu fator R aumente ou diminuindo a ligação dele/a com o alvo, etc… Essas informações são tão mais poderosas conforme a ignorância de seu oponente chegando a perfeição no caso de magos naturais que sequer sabem o que estão fazendo.

Eu estimulo meus irmão da prática mágica a explorar sutilezas dos métodos aqui ensinados. Isso é não apenas aceitável, mas bastante recomendado, inclusive tentando acrescentar ou mudar elementos de acordo com sua própria experiência. Devo destacar ainda que é necessária completa honestidade consigo mesmo na hora de avaliar cada um dos fatores. No caso de G devemos ser francos com o grau de alteração de consciência que realmente conseguimos atingir. Em L os graus 0.4 e 0.8 devem ser judiciosamente distinguidos, pois existe uma tendência entre os iniciantes de achar que suas imagens mentais fracas sejam como aquelas que uma mente treinada consegue projetar. Como distinguir? Tente fazer uma descrição de uma pessoa para alguém e então peça para a pessoa tentar adivinhar de quem você está falando. Em A e R, é necessário que escolhamos com sinceridade nossa posição, buscado aquilo que realmente pensamos e não aquilo que gostaríamos de pensar.

Uma nota se faz necessária quanto a possibilidade de drogas e substâncias químicas para melhorar o desempenho das variáveis que compõem o fator M. Não existem evidências de que nenhuma substância química possa ajudar no elemento R, isso porque trata-se da resistência subconsciênte. O uso de Álcool por exemplo, para esse fim se prova impróprio pois ele apenas aflora as mesmas crenças subjetivas. A variável A, de ansiedade pode ser melhorada pelo uso haxixe e de ansiolíticos em geral como os derivados da morfina. Por fim spares podem ser acumulados pelos uso de uma grande variedade de substâncias químicas, e notadamente o LSD, a Psilocibina e o Ayahuasca.

Agora devemos estar atentos quando formos inserir qualquer forma de consumo de drogas em rituais por um motivo simples: a banalização que se tornou o consumo deste tipo de substância.

Gregos e romanos antigos, e xamãs muito antes deles, era famosos de substâncias em seus rituais, de ópio a anticolnérgicos, passando por toda uma gama de cogumelos e outros vegetais ou substâncias biológicas excretadas por animais. E esse uso de drogas era feito de forma precisa e “sagrada”, ou seja, consciente. O uso de drogas, mesmo o álcool, em trabalhos mágicos tem 3 estágios claros. O primeiro é aquele em que a droga é necessária para se atingir certos níveis de percepção que apenas a mente não atinge sozinha sem muita prático, é o estágio da droga como auxiliar. Esse estágio pode evoluir para o uso da droga sempre que se deseja atingir aquele estágio, já que é mais fácil do que exercitar a mente, este é o estágio da droga como muleta. E finalmente existe o estágio onde você pode usar drogas para seus rituais da mesma forma que usa para escovar os dentes, assistir tv ou sair na rua que é o estágio “eu sou um drogado que gosta de fazer rituais”.

Acredito que o objetivo da magia é a evolução do praticante para um estágio onde apenas a própria vontade seja capaz de causar alterações na realidade sem o uso de muletas. Desta forma, até algum estudo provar o contrário afirmo que as substâncias químicas não constituem substitutos seguros para o treinamento mágico. É por este motivo que os treinamentos mentais e as práticas de iluminação constituem a parte inicial de qualquer tradição mágica competente. Ansiedade, Resistência, Ligação e os estados alterados de consciência da Gnosis são elementos que podem sem dúvida ser aprimorados com treino e persistência. É a alquimia interna que acaba servindo como exercícios para melhorar cada um destes fatores consideravelmente.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/principios-da-engenharia-magica/

Enoquiano: invenção ou descoberta?

Por Patrick Dunn

Embora descartada nos círculos científicos, a ideia de que poderíamos chegar a alguma linguagem que se comunique mais precisa ou eficientemente com os espíritos ou com nossas próprias mentes profundas é uma ideia comum na magia. A mais famosa das tentativas de fazer isso é frequentemente chamada de Enoquiano, embora o criador, John Dee, a tenha chamado simplesmente de “Linguagem Angélica”. John Dee, que foi astrólogo da corte para a rainha Isabel I no século XVI, caracterizou especificamente sua tentativa de contatar seres angélicos e aprender sua língua como uma tentativa de recuperar uma língua anterior conhecida como Ur que era falada por Adão antes da queda.

O que Dee acabou tendo, graças à ajuda de seu amigo Edward Kelley, é uma coleção de breves afirmações poéticas e muitos, muitos nomes, todos derivados de tabuletas complexas. Enquanto Kelley era bem conhecido por ser um charlatão em outras coisas (ele era famoso por tentar passar ouro falso como um sucesso alquímico, por exemplo), e embora haja lugares em seus registros de trabalho de Dee nos quais ele tenta, muito obviamente, mentir sobre o que os espíritos estão dizendo, não é tão fácil descartar todo o processo como uma fraude. Dee pedia a Kelley para sentar-se em uma mesa e olhar para uma pedra de obsidiana ou um de seus cristais. Kelley entraria, presumivelmente, em algum tipo de transe enquanto Dee rezava para que os anjos aparecessem. Eventualmente, Kelley anunciaria a presença de um anjo, e Dee conversaria através da interpretação de Kelley. Este procedimento levou a uma série de tabuas complexas, cheios de letras, cuja consistência interna geral deve ter significado que Kelley, se era um charlatão, tinha uma memória sobrenatural. A partir destas tabuletas, por algum meio ou código agora obscuro para nós (apesar de termos as notas de Dee), os anjos apontariam para certas letras, que Kelley relatava e Dee transcrevia. Estas letras escreviam dezoito chaves ou chamadas angélicas, palavra por palavra. Uma vez compostas, os anjos forneceriam a tradução, que Dee tentaria fazer corresponder com as chamadas linha por linha.

A principal atração do sistema de Dee é que ele fornece um número quase infinito de anjos que, como aponta Donald Tyson[1], estão associados a regiões da Terra. Dee, sendo ativo na política da corte da Rainha Elizabeth I, naturalmente acharia tal coisa atraente, particularmente porque a magia renascentista foi concebida principalmente para suplicar a ajuda de certos espíritos, sejam eles demoníacos ou angélicos. O sistema de Dee forneceu um sistema muito flexível de magia, com muitos nomes angélicos (e, portanto, bons) para chamar, para realizar qualquer número de tarefas em várias regiões da Terra. Dee compunha, em outras palavras, o grimório de magia “branca” definitivo.

A evocação de tais espíritos tem sido tratada em vários livros, e embora haja controvérsia não sou mais qualificado do que o próximo a elucidá-la. O que me interessa são menos os nomes e mais as chaves ou chamadas. Linguisticamente estas fornecem um enigma, na forma de uma série de perguntas:

(1) Elas são uma linguagem e, em caso afirmativo, de onde?

(2) Qual é o propósito delas?

(3) Qual é a sua origem? (4) Para que propósito podemos usá-las agora?

A primeira destas perguntas, se o enoquiano uma língua, é facilmente respondida: não. Não, pelo menos, por qualquer definição padrão linguística. Embora existam elementos que pareçam linguagem, tais como terminações gramaticais, um exame rápido mostra que eles são completamente aleatórios. A menos que esta linguagem não tenha nada além de verbos irregulares, o que poderia significar que ela é de fato a linguagem de entidades não humanas e em grande parte desaprendida pelas pessoas, as terminações verbais são aleatórias. O fato de que as terminações verbais também parecem diferir em palavras com exatamente o mesmo caso, tensão, sexo, número, pessoa e humor indicariam que estas terminações não significam nada. É claro que, se não for uma linguagem humana, e é de fato a linguagem dos anjos, então ela pode muito bem marcar verbos para algo que nenhuma linguagem humana faz, ou mesmo para algum propósito que nenhum humano poderia compreender. Se for esse o caso, e duvido que seja, então a análise humana não poderia valer muito.

Embora não seja uma língua, o enoquiano também não é aleatório. As palavras significam as mesmas coisas consistentemente, e o vocabulário raramente é confundido. Se Kelley ou Dee fabricaram o enoquiano, eles o fizeram com muito, muito cuidado – e se o fizeram, por que não ter o mesmo cuidado com a gramática? O que o enoquiano parece ser não é uma linguagem, mas uma espécie de código de substituição complexo chamado de relexificação. Em uma relexificação, palavras de uma língua são substituídas por palavras diferentes, ou compostas por palavras. Um exemplo famoso de um código de relexificação é aquele usado pelos falantes de código Navajo durante a Segunda Guerra Mundial. Os falantes de Navajo foram contratados pelos militares para substituir palavras comuns e importantes por frases em código Navajo. Tal código é incrivelmente difícil de ser quebrado; é preciso coletar um grande número de mensagens e ligá-las a vários contextos para quebrar o código, e até lá a relexificação poderia ser alterada. Embora tenha sido sugerido que Dee desenvolveu o enoquiano com esta finalidade, não há exatamente nenhuma evidência de que ele tenha usado a linguagem para espionar ou passar mensagens, e simplesmente não há o suficiente da linguagem para fazer qualquer coisa assim. Além disso, a língua não tem algumas palavras importantes que um espião possa precisar – nem tem palavras para soldado ou guerra, por exemplo.

Então isso levanta a segunda pergunta: qual é a finalidade desta linguagem? Os anjos, se quisessem apenas transmitir um grimório, poderiam ter transmitido as tabuletas e os meios de tirar nomes delas, deixando as chaves de fora ou fornecendo-as em inglês. No entanto, os anjos parecem concentrar-se, em grande parte, na questão da língua. Eles querem que Dee a aprenda. Para que fim? Donald Tyson sugere que as chaves podem ter sido um meio de trazer o fim do mundo, ou imanentização escatológica (aceleração do fim de uma era), como alguns poderiam dizer. O que ele ignora é o fato de que enquanto as chaves estão cheias de linguagem apocalíptica, elas não estão mais cheias de tais imagens do que sermões da época, e até mesmo dos sermões que se estendem até o início do inglês escrito. Existe uma longa tradição, em outras palavras, de escrita apocalíptica em inglês; as chaves enoquianas de Dee e Kelley dificilmente se destacam no gênero. Embora esta seja uma ideia interessante para “conjurar”, simplesmente não há muita razão para pensar assim, a não ser a imagem escatológica das próprias chaves, que são comuns na literatura religiosa da época.

Dee perguntava frequentemente sobre um livro que tinha em sua posse, cheio de tabelas semelhantes, que ele sugeriu que poderia vir da própria mão de Adão. Os anjos acabam por concordar relutantemente que, de fato, esse livro descende de Adão, assim como, dizem eles, a língua enoquiana. Nesta está a chave da linguagem: os anjos significam que ela é um código primário para interpretar o mundo mágico. Assim como Adão definiu sua relação com os animais com uma série de rótulos, assim Dee – eu sugiro – definiu sua relação com o mundo com uma série semelhante. As chaves são o início dessa redefinição. Contudo, a linguagem é incompleta, e os meios pelos quais os anjos a transmitem garantem que ela não poderia ser terminada antes da eventual morte de Dee. Se, de fato, Dee estava em contato com algum tipo de entidades sobrenaturais, elas devem ter tido outra coisa em mente. Tyson argumenta convincentemente que Dee não era quem deveria completar o trabalho do enoquiano[2]. E não, ele não sugere quem poderia ser.

Isso, naturalmente, levanta a questão: a origem do enoquiano é sobrenatural ou humana? Embora a maioria dos estudiosos argumente que Kelley enganou Dee e criou o próprio enoquiano, eu creio que houve pelo menos alguma influência sobrenatural. Kelley frequentemente não entendia o que estava acontecendo. Muitas vezes ele fazia perguntas aos anjos sobre alquimia, as quais eles não queriam responder. Kelley sabia pouco latim e não sabia grego. Em uma ocasião, ele manteve uma longa conversa em grego, que ele não entendia. Em outra, ele criou um acróstico latino complexo, algo difícil de se fazer com uma língua que não se conhece bem. Além disso, as informações frequentemente canalizadas pelos anjos eram heréticas até um grau não visto durante centenas de anos; teria feito com que ambos os homens fossem mortos se tivessem sido descobertos, e não havia nenhum benefício para Kelley em fingir tal heresia.

Por outro lado, os primeiros rascunhos de alguns diagramas haviam sido encontrados em sua pessoa por Dee. Kelley os explica com fracas desculpas. Os anjos também falavam em latim ruim, quando falavam em latim. Eles também se contradizem e, em vários lugares, dão previsões manifestamente erradas. Muitas vezes, eles jogam até com a paranoia de Dee.

Dee, no entanto, não era completamente crédulo. Ele questionou os anjos sobre suas contradições, e exigiu a confirmação independente de muitas alegações. A circunstância mais incomum foi quando os anjos exigiram que Dee e Kelley trocassem de esposas. Escrevi em outro lugar que não pensei que eles o tivessem feito; agora mudei de ideia. Depois de examinar o material de origem, acho que há alguma referência velada à troca. Esta pode ter sido a tentativa da perversão de Kelley, também pode ter sido um estratagema dos anjos. Mesmo que o enoquiano tenha vindo de uma de suas mentes, são mentes quem podem criar algo muito complexo e ainda assim consistente. Mesmo as inconsistências na gramática não negam a memorização cuidadosa que um embuste implicaria. Um tal embuste daria mais trabalho do que conseguir uma troca honesta! E considerando que nem Dee nem Kelley jamais ganharam dinheiro, tanto quanto podemos dizer, com o enoquiano, teria sido um embuste elaborado com muito esforço por pouco ou nenhum ganho material. Dee até trancou a maior parte de suas notas, para evitar ser julgado por heresia. Essa dificilmente é a maneira de engendrar uma trapaça.

Referências:

[1]. Donald Tyson, Enochian Magic for Beginners: The Original System of Angel Magic. Woodbury, MN: Llewellyn, 2005.

[2]. Tyson, Enochian Magic for Beginners: The Original System of Angel Magic.

De Magic, Power, Language, Symbol, de Patrick Dunn.

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Fonte: The Invention or Discovery of Enochian. The Lllewellyn’s Journal

COPYRIGHT (2010). Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-invencao-ou-descoberta-do-enoquiano/

A Medula da Alquimia

Contendo Três Livros, Elucidando a Prática

O Primeiro Livro

A Alquimia – que alguns chamam de Arte Dourada – trata-se não de uma fábula, como muitos quereriam, mas de uma verdadeira Ciência, como ficou por nós provado e por exemplos demonstrado na parte anterior deste tratado, Ciência esta cuja prática passaremos a elucidar nesta Segunda Parte, através da qual será possível obter grande provisão de prata e ouro. E para uma boa compreensão das nossas intenções considera correctamente, e com justeza pesa bem a razão da nossa Obra, caso contrário é mais certo que percas o teu tempo e dinheiro em vão, encontrando apenas esforço e despesa, tal como muitos já o fizeram.

De maneira que a Pedra que procuras, como já o dissemos e voltamos a afirmar é apenas ouro levado à máxima perfeição possível; pois embora se trate de um corpo firme e compacto é no entanto, através do engenho da Arte e operação da Natureza transformado num Espírito tingente que nunca se esgota que a Natureza, por si nunca teria conseguido produzir pois o ouro em si não possui o poder de se elevar a tal grau de perfeição antes se mantendo eternamente na sua constância.

Aquele que se presta a encontrar tal Essência deverá então, através da Arte, transformar o seu ouro em pó e fazer com que se converta numa água mineral, que então circulará com um bom fogo até que quando toda a humidade se seque esta seja fixada; a qual será com frequência embebida e fixada de modo a que o infante quede selado no ventre da sua mãe, e sendo alimentado até que se fortaleça e se torne suficientemente capaz de resistir aos seus robustos oponentes: então fermentando, deve por longo tempo residir em repetida negrura até que a Natureza apodreça e morra, que deves logo revificar, sublimar e exaltar, e de novo retornar à terra onde o deves deixar no calor o tempo necessário para que a negritude se transforme na mais pura brancura; o Rei, sendo então colocado sobre o seu Selo Real, brilhará como a chama faíscante e a pedra escondida a que chamamos enxofre. Isto tu deves multiplicar até que se transforme no elixir espiritual; que será então como juiz no Dia do Juízo Final, condenando ao fogo toda a escória que aderir à mais pura substância nos metais imperfeitos.

Donde que, sendo o nosso Sujeito o ouro, teremos que procurar o agente adequado para o abrir, o qual, se souberes procurar a variedade mais adequada, pouco trabalho terás a preparar; este será vil à vista e grandemente desprezado pelo seu aspecto exterior. Deste assunto poucos autores tratam e os que o fazem obscurecem esta chave o mais que podem, mas eu, querido leitor, serei de uma sinceridade como nunca viste; garanto-te no entanto que este não é trabalho para mentes opacas nem para aquele que desdenha trabalhar, pois a ociosidade é um verdadeiro obstáculo para esta Arte; mas se possuis uma mente tranquila e és trabalhador presta bem atenção ao que irei declarar, e que trata primeiramente daquilo que jaz escondido no nosso Agente ígneo.

A substância que tomamos primeiro em mãos é um mineral semelhante ao Mercúrio que coze na Terra um enxofre cru. Este é chamado de Filho de Saturno, parece de facto vil à vista mas o seu interior é glorioso. É cor de sable, com veios prateados misturados com o corpo cuja linha cintilante mancha o enxofre inato; é todo volátil e não fixo, no entanto, quando tomado na sua crueza nativa purgou o Sol de toda a sua superfluidade. A sua natureza é venenosa e muitos abusaram dele medicinalmente. Se pela Arte soltamos os seus elementos o seu interior aparece resplandecente, o qual então flui no fogo como um metal, embora nada exista de natureza metálica assim tão frágil.

Este é o nosso Dragão, que o Deus da guerra assaltou com uma armadura do aço mais robusto, mas em vão, pois logo uma Estrela nunca vista apareceu, de modo que quando Cadmus primeiramente sentiu esta força não conseguiu aguentar um tal poder, mas do seu corpo a sua Alma se separou. Oh força poderosa! Pois quando os Sábios a avistaram grandemente se surpreenderam e assim a chamaram o seu Leão Verde, cuja fúria com encantos esperaram com o tempo domar. Pelo que, deixando-o presa dos sócios de Cadmus, verificaram que pelo seu poder os derrotou e tendo a luta terminado, olhai, uma Estrela matutina foi vista a sair da Terra e após as carcaças terem sido removidas logo apareceu uma fonte corrente, onde se disse que a Besta saciou a sede até que o seu ventre estoirou. Mas pareceu-lhes deveras estranho que logo que este Dragão se tivesse aproximado da Fonte, as Águas se retirassem como que assustadas, pese embora o esforço de Vulcano em reconciliá-las. Então apareceram as Pombas de Diana com adornos ofuscantes, com cujas asas prateadas o ar se acalmou, no qual o Dragão dobrado para dentro perdeu a sua picadura. Então as Águas como uma inundação logo voltaram e engoliram a Besta, cuja cor se tornou negra como o carvão, e nisto o nosso Dragão fez com que a fonte exalasse um cheiro fétido onde ele morreu e que lhe serviu de sepultura. Mas com a ajuda de Vulcano este Dragão voltou à vida e recebeu dos Céus uma Alma, pelo que ambos se reconciliaram, aqueles que antes eram inimigos, sendo as suas almas agora unidas, deixaram os seus corpos e transformaram-se no verdadeiro banho das ninfas, e no nosso Leão Verde, pelo que nunca nada assim tinha sido visto antes.

Mas para não te manter mais em suspenso, iremos agora explicar claramente o significado destas alegorias, desatando estes nós cujo sentido obscuro poderá deixar perplexo o leitor.

Pelo que agora observa que o nosso Filho de Saturno deve ser unido a uma forma metálica e mercurial, pois é apenas azougue o agente que a nossa obra requer, mas o azougue comum não serve para a nossa Pedra; estando morto, presta-se no entanto a ser animado pelo sal da Natureza e verdadeiro enxofre que é o seu único cônjugue. Este sal, que se encontra no rebento de Saturno e é puro interiormente, tem o poder de penetrar o centro dos metais, e tem em abundância as qualidades necessárias para entrar no corpo do Sol, o qual divide em elementos e no qual reside após a dissolução. O Enxofre deves procurá-lo na casa de Aries, é este o fogo mágico dos sábios para aquecer o banho do Rei (que deves preparar numa semana). Este fogo está estreitamente escondido, mas podes revelá-lo numa hora e depois lavá-lo em chuva prateada.

Parecia deveras estranho que um metal suficientemente robusto e fixo para suportar o golpe atordoante de Vulcano e que não se abrandará em nenhum calor nem se misturará em fluxo com nenhum metal seja no entanto pela nossa Arte retrogradado neste penetrante licor mineral. Este trabalho real foi selado pelo Todo-Poderoso para ensinar os prudentes que o Infante Real é aqui nascido, a quem eles diligentemente procuram sendo pela Estrela guiados, mas os tolos procuram os nossos segredos em coisas sórdidas e sem sentido e o que encontram é apenas a própria ruína.

Esta substância tem uma natureza estrelada e completamente espiritual, sendo totalmente inclinada a fugir do fogo; a razão é que a alma de cada um é como um íman para o outro, e a isto nós chamamos a urina do velho Saturno. Este é o nosso aço, o nosso verdadeiro hermafrodita, a nossa Lua, assim chamada pelo seu brilho: este é o nosso ouro imaturo, que à vista é um corpo frágil e quebradiço, mas é domado por Vulcano e cuja alma se sabes misturar com Mercúrio nenhum segredo te será ocultado.

Não tenho necessidade de citar qualquer autor, pois eu vi e com as minhas mãos trabalhei este mistério, e por constantemente seguir a sabedoria da Natureza fui levado a tornar brando o corpo mais sólido e do corpo mais grosseiro fazer uma Terra tingente e fixa, que nunca se desvanecerá. E não sou o único que o diz, pois muitos outros o fizeram, cujos segredos aqui vos revelo. Artephius nomeou-o, mas o outro segredo não o revelou, antes disse que este deveria ser pedido a Deus, a não ser que o ensinasse um sábio Mestre.

Este é o enigma que tanto tem deixado perplexos os estudantes desta Arte. Assim Zeumon na Turba p.18, Ars Aurif: Vol.2, disse: A nossa Pedra é vil e no entanto é combinada com o mais precioso. É aquilo que é deitado à rua, nos caminhos, nas estrumeiras e nos lugares impuros que é a matéria que deveremos tomar como verdadeiro fundamento da nossa Arte. Ninguém pode viver sem ela, e há quem a aplique em usos sórdidos, o que demonstra que apenas com Marte ela pode ser associada. Em barcos ela flutua sobre os oceanos, e sem ela não há barco ou casa que possa ser construído, ou mercadoria que possa ser transportada; com ela aramos a nossa terra, ceifamos o nosso milho, vestimos, fervemos e cortamos a nossa carne, e com ela são ferrados os cavalos. Muitos mais usos ela tem os quais seria fastidioso enumerar e no entanto encontra-mo-la frequentemente num estado contemplativo sobre a terra, em velhos pregos sem cabeça, que pouco valem o achado, e que por isso como vil é estimado.

Para mais, Aries é conhecido da casa do robusto Marte, pelo qual todos os artistas dizem que deves começar a tua obra, o que pode ser mais claro? Dificilmente pode existir alguém tão ignorante que julgue que estas palavras ocultam ainda um outro significado, pois nunca até agora isto tinha sido tão claramente explicado. Belus na Turba, p.27, Ars Aurif: Vol.2, insta-nos a combinar o lutador com aquele que não deseja lutar; pelo qual a Marte o Deus da Guerra ele atribui Saturno em união, que se deliciava na paz e cujo reino não é necessário revelar uma vez que é de todos tão conhecido.

Repara na segunda figura do Rosarium Philosophorum Irne, p.212, Ars Aurif, Vol.2, na qual o Rei e a Rainha em vestes reais seguram entre ambos a nossa verdadeira Lunária que contém oito flores e no entanto não tem raiz. Entre ambos há um pássaro. Sob os seus pés o Sol e a Lua. O Rei tem na mão uma flor e a Rainha outra e o pássaro segura com o bico numa terceira, tendo também na cauda uma estrela que representa o nosso grande segredo, pois o pássaro alado representa Mercúrio combinado com a Terra Estrelada até que ambos se tornem voláteis e alados.

Assim parece que os antigos Sábios escolheram antes instruir o olho por imagens do que o ouvido por palavras. No entanto alguns dos seus discursos são tão simples que qualquer palerma poderá perceber o sentido que eles contêm, e para o mesmo propósito, sendo eu um filho da Arte, tenho na Cabala Sapientum a mesma explicação, para a qual remeto o leitor aplicado. Prosseguirei agora com o objectivo deste curso mostrando como obter esta Água, que tão poucos encontram, de onde retiramos a mais secreta semente do Sol, pelo que aplica-te diligentemente em aprender a obter esta Água, pois ela é o fundamento da nossa Quintessência.

Sabe então que todos os metais têm apenas uma matéria, que não é senão o Mercúrio; que como fundamento possibilitou primeiro a transmutação e por isto nós concluímos que a nossa muito secreta Água tem a mesma matéria que o vulgar Mercúrio. E se o Mercúrio bruto e todos os cinco metais imperfeitos se podem transformar em ouro, (sendo neste processo, e devido à sua crueza consumidos pelo fogo), a razão é então como todos os Sábios ensinam que todos os metais contêm em si o Mercúrio e todos são por conseguinte igualmente transmutáveis. Se o nosso Mercúrio, ao qual chamamos a nossa Água viva, for outro que não o ouro imaturo, então qualquer metal que seja pela Arte convertível em ouro deverá conter em si essa natureza, da mesma forma que pela Arte é feita o nosso Azougue.

Assim, se chumbo, estanho ou cobre fossem convertidos num verdadeiro Mercúrio, então poderia a Arte causar essas Águas, pois seriam já tão diferentes na forma que qualquer um deles se poderia enquadrar no nosso Mercúrio Filosófico. Mas para que precisaríamos disso se a natureza produz já uma Água ao alcance do artista, na qual através da Arte uma forma pode ser induzida de modo a comandar os nossos segredos? Atenta então bem para o que deverá ser o nosso Mercúrio que deseja ser o nosso mais secreto Menstruum, pois nós garantimos que ambos são Metálicos de peso e cor semelhante, e que ambos são fluídicos e voláteis sob o fogo mas, no nosso, deverá existir um Enxofre que não encontras no das minas, e este Enxofre purifica a matéria, torna-a ígnea e no entanto não deixa de ser uma Água. Pois a Água, que é o ventre, não tendo calor é totalmente inútil para a verdadeira geração, nem o nosso corpo será reduzido a um humor, nem produzirá a sua semente, enquanto não estiver sob a circulação do fogo, combinado pela Arte com um mercúrio que tenha em si Enxofre.

Este Enxofre deverá ter uma força, ou virtude, magnética, pelo que deverá ser ouro verdadeiro, embora imaturo, como também da mesma origem tanto a matéria como a forma, apenas com esta diferença, que é que enquanto o outro é fixo este deve ser volátil e alado, tendo o poder de abrir e soltar o primeiro. E só há um corpo na Terra suficientemente próximo do Mercúrio para o poder preparar para a nossa pedra secreta e para poder esconder o corpo sólido no seu ventre e este, como disse anteriormente, é o rebento de Saturno sobejamente conhecido por todos os magos, e que eu aqui te mostrei.

E embora alguns metais possam ser fixados com Azougue não penetram uns nos outros mais que à vista, e pelo calor podem facilmente ser separados, pois verás que eles nunca penetram o centro, nem são por isso melhorados. A razão é que o Enxofre que se encontra nos metais perfeitos encontra-se selado, ou nos outros partilha das fezes terrestres e impurezas que o Mercúrio abomina e com as quais nunca se unirá embora pareça à vista com eles se misturar. Se separares estas fezes encontrarás Mercúrio fluídico e um Enxofre cru que endureceram a humidade pela congelação bem como um Sal aluminoso mas todos eles são de natureza demasiado distante do ouro.

Mas o mineral que tanto estimamos, excepto as suas escórias (que são totalmente separáveis) contém um Mercúrio mais puro, que fará reviver os Corpos mortos de forma a que estes possam como todas as outras coisas gerar a sua espécie. Mas em si não contém nenhum Enxofre, embora, sendo quebradiço e negro com veios brilhantes esteja congelado num Enxofre ardente. Este Enxofre não tem nada de metálico, mas se correctamente separado segundo a Arte, as escórias sendo removidas, aparece uma noz de aspecto metálico (que poderás moer em pó) na qual se encontra fechada uma alma terna que se mostra como fumo sob um fogo suave, semelhante ao Azougue, levemente congelado, e que o fogo de facto evapora.

É isto que dá penetração à nossa Água e lhe permite penetrar até ao centro dos corpos, invertendo-os completamente e reduzindo-os à sua verdadeira matéria primeira e isto deseja ser reunido com um verdadeiro Enxofre, que deverá ser procurado na casa de Aries. Através deste mineral apenas e com a habilidade do artista, é Marte retrogradado num mineral; como por muitos foi já ensaiado. Esta é a nossa verdadeira Vénus, a esposa do coxo Vulcano, e que é amada por Marte.

Primeiramente então faz com que Marte abrace este mineral, de forma que ambos se libertem das suas características terrenas, e em pouco tempo a substância metálica deverá brilhar como os céus, e como prova do teu sucesso deverás seguramente nela encontrar a impressão do selo de um rei estrelado. Este é o selo real, a marca que o Todo-Poderoso afixa neste estranho corpo. Este é o fogo celestial, no qual ao fazer despertar uma centelha, grandes mudanças ocorrerão nos corpos, de tal modo que a negritude é feita brilhar como uma gema cintilante, com a qual como um diadema o nosso jovem rei é coroado. A isto adiciona Vénus na proporção adequada, cuja beleza é admirada por Marte e que é conhecida por lhe ter grande amor e desejo de com ele se unir, assim que logo é inclinada ao movimento, sendo ela afim do ouro, Marte e da brilhante Diana, com quem ele concilia o amor e a verdadeira união.

Mas Vulcano ficará cada vez mais ciumento e é com desgosto que o coxo cornudo sente os cornos adornarem-lhe a cabeça, e na esperança de os destruir atira a sua rede sobre os amantes apanhando a esposa e Marte durante o acto, exibindo-os desta forma aprisionados.

No entanto, que isto não seja tomado como mera Fábula. Primeiro observa como Cadmus é devorado pela nossa besta feroz a quem Cadmus depois de a ter intrepidamente perfurado fez merecer nome de campeão, pois esta Serpente (de poder inquestionável) ele com a sua lança mortal trespassou contra um carvalho, perante o qual todos sentiram temor. Observa também a Estrela, que na realidade é Solar, como se pode provar, pois o ouro unido intimamente com o filho de Saturno cujas fezes foram purgadas quando tudo o que era perfeito se abateu no fundo, depois de fundido e vertido, ao arrefecer nos mostra uma Estrela, assim como faz Marte. Mas Vénus fornece uma substância metálica que só por si é desprezível, mas que ao ser unida com Marte, como que dobrados numa rede, aparece como agradável à vista, como descreveram os poetas misteriosos de vista apurada, de forma velada mas no entanto suficientemente clara para o Sábio.

De forma que a alma de Saturno, e Marte, são através da nossa Arte e com a ajuda de Vulcano intimamente misturados, mas ambos são semelhantes e voláteis, não sendo divisíveis até que a alma de Marte seja fixada e então deixe Saturno, e então um ensaio revelará o mais puro ouro, e uma tintura da mais pura e verdadeira. Mas esta mediação deve ser feita através de Vénus, caso contrário nenhum artifício humano seria capaz de os separar, nem os poderia reduzir a pó. No entanto após a sua união serão reduzidos apenas pela associação de Vénus, da qual Diana produz neles a separação.

Alguns para preparar esta Água usam as Pombas de Diana, o que é um trabalho tedioso em que por cada vez que o artista acerta há sempre duas em que falha: mas a outra forma (que é a mais secreta) nós recomendámos a todos os que desejam ser verdadeiros artistas.

Pelo que deverás assegurar que o vapor mais subtil da Água seja longa e repetidamente circulado, até que as almas de cada (deixando a matéria grosseira) se unam e voem juntas para o alto; onde não as deves deixar residir durante muito tempo, para que não congelem, pois de contrário laboras em erro.

Assim tira do Filho do velho Saturno duas partes, de Cadmus uma parte e estas purifica com a ajuda de Vulcano até que (sendo liberta das suas fezes) a parte Metálica seja a mais pura; o que deves fazer em quatro reiterações, cujas operações perfeitas te serão ensinadas pela Estrela.

Faz com que AEneis seja igual ao seu amado, purgando-os com arte até que a rede de Vulcano os envolva a ambos, pelo que deves então molhá-los bem com a água e mantê-los em calor e humidade até se tornem perfurados e a suas Almas sejam ambas glorificadas. Este é o Orvalho celeste, que deve ser alimentado durante tanto tempo quanto seja requerido pela natureza, pelo menos três vezes, ou até sete, assim os guiando através das ondas e chamas como a razão ordenará, mas atenta para que a terna natureza não fuja pela força de um fogo demasiado forte.

Sabe também com certeza que o Mercúrio, com o qual a obra deve ser iniciada, deve ser líquido e branco, mas toma cuidado para que não seques a humidade em pó devido a um fogo muito forte, de modo que se mostre vermelho, pois nesse caso o teu esperma feminino estaria corrompido e falharias o teu desejado objectivo. Nem faças com que o Azougue se torne numa clara e transparente goma, óleo ou unguento, pois caso tenhas perdido a proporção certa nunca chegarás a uma verdadeira dissolução mas serás obrigado a suspender o teu trabalho já sem esperança, e a adiá-lo para outra altura, pois procedeste de forma contrária às regras da Arte.

Preocupa-te apenas então em aumentar um espírito que falta ao Azougue comum, sublimar o grosseiro no firmamento e separar as escórias segundo a Arte; o que reiterado sete vezes deves então desposar com o ouro até que quedem ambos perfeitamente combinados.

Assim através da Arte e com a ajuda da Natureza é a verdadeira Donzela preparada, a qual sendo separada das fezes se faz um rebento celeste que tornou macio o corpo sólido do Sol e ao ser separado em átomos se tornou negro e putrefacto, que depois no entanto revive e se torna volátil.

Mas se eu aqui revelasse todos os segredos do fabrico desta nossa Água seria desprezado por todos os verdadeiros artistas, pois apenas àqueles a quem Deus deseja ensinar estes devem ser comunicados, enquanto que outros devem permanecer perdidos num labirinto de erros. Mas aquele que com sofrimentos e orações dedicadamente procurar este segredo, sem nessa busca ser excitado por desejos de cobiça, mas procurar apenas o conhecimento com candura, resolverá certamente este mistério, sobre o qual ninguém em nenhuma altura falou tão claramente.

Há alguns que através da Arte sabem preparar um maravilhoso Licor, que os Adeptos chamaram Fogo do Inferno, e cujas virtudes são tão estranhas e poderosas que (pela sua força) são capazes de resolver qualquer composto na sua Matéria primeira, ou Água; isto numa suave dissolução de Azougue tão uniforme que como gotas de cristal possa ser dela separado sem que nada seja depositado no fundo do vaso nem a sua virtude de qualquer maneira enfraquecida. Pois sendo repetidamente destilada deixa para trás o Azougue que como verás se assemelha a um sal fixo, de odor lembrando o almíscar, ou aroma, e de sabor semelhante ao mel tal é a sua doçura, que podes pulverizar como ferrugem e que nenhum fogo pode consumir, isto no ensaio com Saturno aparece tão fixo como a mais pura Luna.

Esta substância ao ser coobada cinco ou seis vezes com a dita Água (com digestão prévia) aparecerá como que um Óleo, e pouco tempo depois destila como um Espírito, que pela adição de um pequeno sujeito pouco a pouco se separa em duas substâncias distintas, que estando prontas serão guardadas separadamente, sendo a primeira um Óleo ou Tintura solúvel em Licor; a outra (se a fazes ferver) é através da Arte redutível em Mercúrio, cujo Azougue é uma substância tão maravilhosa que não se encontra igual debaixo dos céus.

Esta nem com sais ou água forte poderá ser corroída em precipitado, ou por circulação frequente pelo fogo ser combinada, ou sublimada, ou seca em pó, nem tão pouco ser fixada mas para sempre se manterá volátil. O grande Elixir não conseguirá transmutar mas de facto dissolve e destrói; é de tal forma estranha que todos os artistas surpreende, pois nenhum tem poder ou mestria para a alterar: e através da forma mencionada, poderá ser produzida de todos os corpos Metálicos.

No entanto na nossa Arte isto não serve de nada, pois nós procuramos multiplicar o Enxofre que é uma Hematina Solar e cuja cauda é lunar; são estes os únicos planetas que consideramos no nosso céu terrestre, rejeitando todos os outros e todas as outras artes. Pois se Ouro, que pela natureza é feito puro e perfeito puder através deste nosso fogo secreto ou Água ser retrogradado em Mercúrio e Enxofre, sendo completo em substância, e que antes não podia ser separado pela força do fogo mas firmemente nele residia. Quem não vê que tal Mercúrio está distante da nossa obra? Pois nós procuramos aumentar uma Tintura e apenas o Enxofre, que como uma capa envolve o Mercúrio e é agradável à natureza Metálica e sem o qual a Água não poderá reclamar o nome de um metal.

Este Enxofre encontra-se mais ou menos em toda a coisa Metálica, mas em algumas uma certa escória inquina a substância pura, pelo que deve ser destruída pelo fogo, pois tudo o que é grosseiro e inútil neste é consumido. Mas dos metais o Sol e a Lua são revestidos tão intimamente por um puro Enxofre que suportam grandemente a maior força de Vulcano, e nenhum Artifício humano poderá alguma vez dividir este Enxofre da sua Água exceptuando o mencionado licor, cuja virtude é tão poderosa que reduzirá até o Sol e a Lua do seu estado fixo e os tornará voláteis. Não apenas ele, mas também o nosso admirável Fogo podem fazer o mesmo ao ouro, e de uma forma directa e gentil forçar a sua retrogradação, e no entanto sem dividir o Enxofre do seu centro, antes o vestindo com uma veste Mercurial para que ambos habitem combinadas numa Água Dourada.

Mas o mencionado Licor estranho ao dissolver destrói a homogeneidade Metálica, pois ao separá-los causa um desentendimento e desunião, de modo que nenhum pode desfrutar do outro e portanto o Mercúrio Central ao ser separado do Licor tingido mantém-se em baixo de forma que a Hematina que antes no ouro tinha o Pondus de um Metal se encontra agora tão alterada que se torna num Azougue mais leve, à vista como que um Óleo ou mesmo um Sal untuoso, que é uma nobre medicina para os enfermos.

E assim parece que tanto mais uma substância Metálica seja dissolvida nesta humidade tanto mais é transformada de uma natureza Metálica cujo Enxofre, pela força deste Licor poderá (embora contra-vontade) ser pelo menos trazido até uma Água elementar; tal é o poder que este Licor tem sobre qualquer matéria.

Com isto todos os Filósofos concordam, e todos concluem que o nosso Mercúrio é apenas um, que humidifica apenas aquilo que é homogéneo nos metais, e que é a mãe da nossa Pedra e cujo segredo, se já não ignoras, deves calar; pois ninguém alguma vez sobre isto escreveu mais claramente.

Fim do Primeiro Livro

Por Ireneu Filaleto, Londres 1654. Tradução de Paulo Cruz.


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[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-medula-da-alquimia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-medula-da-alquimia/

Philip K. Dick e Gnosticismo

Por Larissa Douglass, Oxford University

A Scanner Darkly, recente filme baseado na sombria visão de futuro de Philip K. Dick, aborda a discrepância entre a experiênciasubjetiva ou pessoal e a experiência objetiva. Esta última forma de experiência seria fornecida por meio de câmeras que observam processos.
Essa discrepância é uma característica de uma série de histórias e romances de Philip K. Dick, jogando com a noção de que os meios que utilizamos para aprimorar a compreensão da realidade também podem minar e obscurecê-la. Essa confusa realidade subjetiva é, então, associada a um exterior, uma perspectiva objetiva (por meio de scanners: um espelho, uma câmera ou outro meio de vigilância ou dispositivo de gravação) que relaciona-se com a “verdadeira” realidade. O choque resultante aguarda o espectador quando é revelada a discrepância existente entre a narrativa do protagonista e a que aparentemente é a real. O uso de câmeras como um “terceiro olho” tem sido cada vez mais empregado em filmes recentes para revelar uma desconexão entre a percepção dramática dos personagens e acontecimentos reais. Em última análise, que a perspectiva objetiva deve ser colocada em dúvida.

Philip K. Dick, autor

Embora a narrativa subjetiva de Scanner Darkly e em outro romance, The Three Stigmata of Palmer Eldricht, tenha origem no vício por drogas, em outras histórias Dick oferece cifras alternadas num jogo simultâneo de expansão e distorção da percepção. Quando apressentadas em conflito com uma narrativa objetiva, força a consciência humana a níveis cada vez mais altos de vigília do espaço e tempo. Por exemplo, Dick utilizou:

• Robôs em Do Androids Dream of Eletric Sheep? (que deu origem ao filme Blade Runner) para comparar a relatividade humana sobre o “real” e “falsos” seres humanos;
• Colonização de outros planetas, isolamento e doença terminal na história “Chains of Air, Web of Aether”;
• Precognição confundida com autismo ou esquizofrenia em “Martian Time-Slip e a história “A World of Talent”;
• Sono criogênico de humanos em máquinas sencientes e espaçonaves em “Divine Invasion” e na estória “I Hope I Shall Arrive Soon”.

Gnosticismo

Não importa o expediente utilizado, essas estórias, especialmente a última de Philip K. Dick, “Valis”, inspiram-se em no moderno renascimento da antiga heresia cristã do Gnosticismo. Ela pode ser definida mais simplesmente pela Catholic Encyclopedia como “a doutrina da salvação através do conhecimento”. A única verdadeira religião gnóstica que sobreviveu diretamente da Antiguidade tardia é a seita Mandean no Iraque (ou madianitas Mandaeism). Mais ligações tênues são rastreadas na Idade Média, Renascimento e na história do Iluminismo. Um sentido de continuidade histórica foi reforçada pela descoberta arqueológica do século em torno de 1945 de cerca de quatro textos gnósticos em Nag-Hammadi, no Egito.

Com esse pano de fundo, o moderno gnosticismo popular refere-se,a grosso modo, as idéias que incluem:

• Alienação espiritual no mundo material
• Um conhecimento especial, “gnosis”, que pode despertar os seres humanos do estado atual, a falta de consciência semelhante ao sono;
• Uma separação entre os aspectos divinos da existência espiritual e a realidade material, caracterizado por qualidades femininas e masculinas;
• E uma hierarquia de expansão do entendimento através desse conhecimento especial, que pode finalmente curar a cisão entre divindades masculinas e femininas.

Literatura Comparada e Lingüística

Da obra de Dick se originou um mix de novelas, pulp fiction, música popular, vídeo games, animação e filmes cujas referências baseiam-se em muitas idéias gnósticas. Os filmes mais conhecidos incluem a trilogia de Matrix, Dark City (Cidade das Sombras), Vanilla Sky e eXinsteZ e novelas que incluem O Código Da Vinci de Dan Brown. Autores como Umberto Eco e Jorge Luis Borges trouxeram este tema para as fronteiras da literatura comparada e lingüística.
Gnosticismo (Variantes modernas)

Tais exemplos contemporâneos têm raízes culturais no século XIX e no fin-de-siècle, com os aficionados mais notáveis como o psicólogo Carl Jung e o ocultista Aleister Crowley. Crowley se refere ao Gnosticismo, Alquimia, Maçonaria e Cabala para formar suas teorias ocultas, que por sua vez influenciaram L. Ron Hubbard, o fundador da Igreja da Cientologia. Mais provocativo, o cientista político Eric Voegelin, em sua obra “Science, Politics and Gnosticism” (1958), sugeriu que as ideologias do comunismo e do nazismo eram gnósticas, com efeito, heresias cristãs. O escritor Tobias Churton alegou que as idéias gnósticas foram sendo reveladas no campo da física quântica. E com focos sobre o “real” e o “artificial”, e os do sexo masculino e feminino, o gnosticismo pode ter uma influência sobre as teorias pós-modernas e feministas. Assim, o gnosticismo demonstra ser uma gama sincrética de “espiritismo”, Nova Era “,de teorias de conspiração e investigação séria. Tais idéias manifestando-se em tantos campos diferentes sugere que a era moderna tem testemunhado um ressurgimento dessa heresia na cultura ocidental e política.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/philip-k-dick-e-gonosticismo/

Contextualizando os Textos Mágicos Clássicos e Antigos

Por Kayque Girão

A crítica mais comum ao tradicionalismo mágico proveniente da magia dos séculos XVII e XVIII diz respeito a interpretação, viabilidade e funcionalidade dos textos mágicos. O caro leitor certamente já deve ter lido ou ouvido alguma opinião desse tipo, o que revela muitas vezes um grande desconhecimento baseado no senso comum acerca da a tradição clássica que o tempo todo procura se renovar e, principalmente, se reinventar diante das diversas circunstâncias temporais, políticas, religiosas e étnicas. Mas antes de partirmos para o assunto principal se faz necessário antes compreender o que são exatamente esses textos e manuscritos antigos.

O que são Grimórios?

Grimórios são textos antigos, copiados à mão, com fórmulas mágicas para os mais diversos fins, da consagração talismânica a conjuração infernal. Receberam esse nome a partir da palavra “grimoar” por se assemelharem a “gramática”, uma disciplina que envolve linguagem e nomes, aspectos principais desses textos místicos e fantásticos.

Os mais antigos textos com “voces magiae” – os assim chamados “nomes bárbaros de evocação” – documentados até então remontam da Antiguidade tardia, durante os períodos de helenização de parte da Europa assim como do fenômeno de cristianização a que passavam esses povos com a influência romana até a queda do Império com a cisão entre o Ocidente católico e o Oriente ortodoxo bizantino.

Então textos comuns como “Higromanteia” (termo ligado a “clarividência pela água” ou por superfícies refletoras) e uma coletânea esparsa do que ficou conhecido como “Papiros Mágicos Greco-Egípcios” (conhecida mais pela sigla “PGM” entre os estudiosos) foram cooptados pelo clero como resquícios do antigo paganismo clássico e da influência tardia da escrita, que ia do antigo cóptico, aramaico e hebraico arcaico. Esses textos possuíam fórmulas místicas e mágicas de consecução espiritual que não eram reconhecidos por nenhuma religião hegemônica, estando ligado a praticantes marginais à Civilização de então.

Com a expansão cristã e o fenômeno de conversão dos povos pagãos por sobre a Europa, esses textos ficaram restritos ao controle religioso do clero quando não eram destruídos pelo fundamentalismo religioso. Alguns integrantes religiosos foram pagãos convertidos ou religiosos muito estudiosos que conseguiram perpetuar seus textos e copiá-los para outras bibliotecas a fim de servirem de estudo por parte da própria Igreja (o leitor iria se surpreender bastante com o quanto o clero ainda hoje sabe mais de magia).

Então, como não poderia deixar de ocorrer, alguns desses religiosos também incorreram no risco da prática clandestina desses textos pagãos impondo sobre eles a influência litúrgica cristã sem quebrarem diretamente as regras clericais de sua classe, por mais heréticas que parecessem aos olhos da hierarquia religiosa temporal.

Sendo assim, isso explica o anonimato de grande parte dos textos atribuídos ao mítico “Salomão” e tantos outros magos desconhecidos e de origens bíblicas ou egípcias, bem como da limitação textual dos procedimentos descritos nos textos referidos, dado que em sua grande parte foram escritos, copiados e mantidos por padres, rabinos e monges que tinham noções básicas de liturgia, o que deixavam escrito nos textos apenas o essencial a ser praticado.

Se um desses livros fosse pego por alguma autoridade ao revistar um praticante, o mesmo ainda poderia tentar “escapar” sob o argumento de que se tratavam somente de textos de orações, tão comuns da época por devotos. Basta observar essa semelhança de textos como “Liturgia Diária” para com “Liber Juratus” (o “Livro Jurado” atribuído ao Papa Honório, um dos textos mais antigos textos da tradição salomônica, datado de meados do Séc. XIV) : ambos são textos predominantemente organizados com orações.

Grimórios podem ser adaptados?

Antes de responder essa pergunta, temos de entender o contexto do qual os grimórios foram escritos. Eles são resultado inquestionável de um determinado pensamento sobre um determinado período em uma determinada localidade.

Sendo assim, quem os escreveu e os perpetuou foram religiosos ou estudiosos, mas ambos ligados a centros de conhecimento vinculados ao poder da Igreja. O maior de seus mecenas intelectuais fora o próprio Abade Johanes Trithemius (1462-1516), que administrava a maior biblioteca hermética de seu tempo, servindo de ponto de encontro para estudiosos como Marcílio Ficino (1433-1499) e Cornelius Agrippa (1486-1535), autor dos “Três Livros de Filosofia Oculta”, o maior compilado de conhecimento hermético disponível na época.

Então pode ser percebida três camadas de influência desses textos:

1ª Camada: a influência pagã com entidades celestes e telúricas, provenientes em grande parte do paganismo tardio e da goécia mais arcaica;

2ª Camada: a influência religiosa cristã, com a inserção de elementos litúrgicos dentro da ritualística mágica dos textos, com recomendações de purificação e até de orações, quase todos esses procedimentos tento intertextualidade direta com textos sacros, como a Bíblia e a Liturgia das Horas;

3ª Camada: A influência acadêmica escolástica e hermética, que tentou reorganizar esse conhecimento e justificá-lo sob a chancela cristã em detrimento da “magia natural” pagã, como que legitimados pela autoridade religiosa e mágica de Cristo. Grande parte dos hermetistas do período assim se posicionaram para organizarem a sua “prisca theologia”;

Também não deixamos de mencionar uma influência contínua da cultura judaica e rabínica sobre os referidos textos, com procedimentos que são muito pertinentes a visão do Velho Testamento e inteiramente parte da visão religiosa judaica, como o sacrifício de animais e o “holocausto ao Senhor”, de modo que parte das analogias pagãs a pedaços de couro de animais vem da curtição de cabra, bode, boi e leão, por exemplo.

E pode parecer hoje algo terrivelmente horroroso ao pensamento moderno sacrificar um animal para curtir o couro para a feitura de talismãs, considerando esse ato como de extrema brutalidade e selvageria, impactando a psiquê do magista quando isso era visto como natural por quem o fazia nos tempos idos onde não havia açougue e tecnologia de refrigeração e se comia carne o mais fresca possível.

A analogia não era somente literal, mas por verossimilhança, de modo que se um texto como “Grimorium Verum” (o documento mais antigo sobre Goécia) exigia o couro de bode e o das “Clavículas de Salomão” (e suas inúmeras versões latinas, gregas ou hebraicas) o de leão, havia uma equiparação e funcionalidade orgânica em tais trabalhos que os diferenciavam profundamente em significado e simbolismo.

Na visão do Lemegenton, o couro de leão era uma proteção e chancela espiritual sobre o domínio do bestial. Daí pode se considerar os mais diversos níveis de interpretação e analogia, do astrológico ao mitológico. O mesmo para o couro de bode, numa aproximação ao ctônico e bestial, propriamente pagão e mortuário.

Sendo assim, se pudesse-mos sintetizar a praticidade de um grimório, seria sob o raciocínio de etapas descrito a seguir:

“Etapa A”. Um homem com faculdades sensíveis e noção mística/religiosa de mundo entra em contato com um espírito;

“Etapa B”. O espírito mantém contato com o homem e ensina seus conhecimentos sobre a natureza das comunicações e como melhorá-las, prescrevendo materiais acessíveis a este de modo que a comunicação possa tornar-se cada vez mais estreita;

“Etapa C”. O homem alfabetizado anota para deixar registrada a receita para uso frequente e transmite a outros indivíduos, que copiam o texto e passam pra frente, ora incorrendo em erros de tradução ou deturpações conforme suas próprias visões de mundo;

Nenhum grimório, em tese, deveria ser visto como um texto escrito em pedra, mas assim como em todas as vertentes, existirão sempre os fundamentalistas e dogmáticos que farão tudo à risca e com a maior exatidão de detalhes descritos por esses textos.

Como adaptar os Grimórios?

Não existe fórmula pronta e perfeita, que fique claro. Entretanto, à luz dos tempos atuais, faz-se necessário ter uma visão mais aberta ao estudo acadêmico e entender com alteridade tais textos e culturas distintas sob um olhar mais “antropológico”.

Isso porque ao longo da história esotérica muitos se propuseram a adaptar conforme as conveniências pessoais ou filosofias místicas do período, como a própria “Ordem Hermética da Aurora Dourada” MacGregor Mathers (1854-1918), que incorporou diversos textos em sua ritualística e estrutura maçônica e rosacruz. Mesmo Mathers não sendo o melhor dos exemplos, deve ser reconhecido pelas diversas traduções que fez da “Magia Sagrada de Abramelin, o Mago” (Séc. XV apróximadamente) e da “Chave Menor”, do qual, apesar dos erros, soube adaptar tão bem à luz de outras fontes de consulta, como dos livros do Agrippa e do Francis Barret (1770-…) e seu “Magus – A Milícia Celeste”.

Nessa mesma esteira, também é devida a menção honrosa a Papus (Vincent Encausse, 1865-1916), Eliphas Levi (Alphonse Louis Constant, 1810-1875) e Arthur Edward Waite (1857-1942) por seguirem a mesma linha de conduta. Até Aleister Crowley (1875-1947) soube adaptar conforme suas conveniências pessoais aspectos de sistemas pregressos como a Magia Enochiana e o próprio “PGM” na construção de sua carreira mágica com Thelema.

Até aí, Ok. Todos os poucos citados são europeus. Falar que eles puderam adaptar é fácil porque, excluindo-se as devidas diferenças, seguiam uma mesma linha cultural, o que não seria viável para pessoas inseridas em outras culturas que nunca tiveram o contato íntimo com essas tradições, certo?

Então…

A questão é que talvez não tenhamos feito a pergunta certa. Não caberia “adaptar os grimórios” porque eles se consolidaram num contexto específico e local e que dificilmente encontraria a mesma abordagem em outra circunstância. Sendo assim, a pergunta que poderia ser feita de forma mais fortuita seria em “como adaptar as práticas dos grimórios”. E é aí que podemos perceber “o pulo do gato”.

O melhor exemplo que posso dar com base em estudo e vivência é a questão da popularização da leitura. Isso foi crucial com a industrialização e a invenção da imprensa, de modo que muitos desses textos deixaram de ser exclusivos do clero e de uma aristocracia pedante e caíram ao gosto popular e mais informal de uma plebe e burguesia menos intelectuais e mais técnicas, voltadas ao consumo e a busca por alívio espiritual em tempos de materialismo da era moderna.

Esse processo não foi de imediato, claro. Em muitos casos demorou gerações. Imaginemos a situação de um camponês da Irlanda semi-letrado que se tornou monge franciscano e teve acesso a uma Bíblia e textos mais “heterodoxos” como “Galinha Preta” (“Black Chicken”, no original, pouco conhecido do público). O que ele vai contextualizar não vai ser a cosmovisão de um clérigo que está no topo da liturgia rebuscada cristã, mas de um sacerdote popular. Sendo assim, a adaptação dessas práticas vão encontrar uma aproximação com a cultura popular camponesa de sua região.

A leitura e prática do “Galinha Preta” foi corrompida? Não, de maneira alguma. Fora adaptada às circunstancias, necessidade e entendimentos práticas da “magia popular”.

Agora, peguemos o mesmo exemplo, desse monge. Chamemos o gajo de “Willie”. Willie alfabetiza Patrick, jovem mancebo que era literato tanto quanto o monge, e ganha de presente o “Galinha Preta”, numa confidência entre eles. Patrick vivía em tempos difíceis e também tinha o desejo de se aventurar por aí, então ele se arrisca a virar marujo e enfrentar os mares a comerciar nos portos especiarias e produtos diversos, como cana-de-açúcar e algodão.

Patrick, que era um pouco menos inteligente que seu padrinho e mentor de sua terra natal, aprendeu diversas coisas em seu intercâmbio comercial. Num desses portos negreiros do Haiti e da América travou contato com diversos escravos alforriados e letrados e trocou seus textos por diversas outras coisas.

Então o “Galinha Preta” passa das mãos de um Irlandês semi-letrado alfabetizado por um monge popular para as de um escravo liberto que não entende absolutamente nada de Teologia e religiosidade cristã, mas reconhece o poder daqueles espíritos de tão longe, e os trata sob sua mentalidade pagã e ancestral a ponto de adaptar o que aprendeu aqui e acolá, com magia popular, magia de índio, magia de europeu e o que restou da sua religião natal.

Entendem onde quero chegar? Ocorre a mesma coisa.

Em meus estudos pessoais sobre Voodoo e Hoodoo, dentre outras tradições africanas e ameríndias, encontrei muitas aproximações cerimoniais que em nada devem a hegemonia do pensamento católico/protestante de uma elite aristocrática e clerical. E mesmo com suas diferenças conceituais, o texto em prática continua funcionando.

Então, mais uma vez reitero: fazemos as perguntas erradas e por isso deixamos de nos integrar a tradição mágica.

Engenharia Espiritual Reversa e a Prática Hoje

“Certo, você provou seu ponto, mas isso é a sua opinião! Me mostre mais alguém que considera esse raciocínio como válido”

Ok, desafio aceito. Alguns exemplos que me fazem concordar com essa visão reconstrucionista:

Se os grimórios são resultados do desenvolvimento de práticas místicas e mágicas, é natural que aqueles que os escreveram não pensaram e tornarem funcionais para outras pessoas, achando que as condições de vida de seus praticantes se manteriam com o passar das gerações, o que é um erro comum.

Alguns desses textos tem erros grosseiros de tradução dado os inúmeros fragmentos, rasuras e rudimentos de preservação dos textos. Acaba sendo a mesma coisa que sua avó faz ao copiar as receitas que a Palmirinha dá no programa matinal, muitas vezes naquele caderno velho e quase apagado, já amarelado pelo tempo.

Se isso não fosse verdade, não existiriam trabalhos acadêmicos e compilações ou mesmo novas traduções, como as de Joseph H. Peterson, o que implica sempre em novas descobertas que não limitam a interpretação de um texto sob uma chancela de uma única tradição religiosa, a menos, claro, que você pense da mesma maneira que Joseph Lisiewiski e ache que só cristão pode praticar a magia dos grimórios.

Os erros também não são só de linguagem, também dizem respeito a outros conhecimentos dos quais o grimorista poderia não conhecer com profundidade. O autor de Abramelin, por exemplo, tava se lixando para astrologia e deu uma visão simplista e mais gnóstica do tema. Astrólogos como Christopher Warnock chegaram a peitar muito “devoto” ao afirmar que “As Clavículas estão erradas!” pelo simples fato de que, na sua visão de astrólogo, o texto continha erros conceituais e os retificou segundo o que aprendeu.

Mas o derradeiro exemplo que guardo sempre como citação honrosa são de dois autores dos quais tenho grande respeito e admiração: Humberto Maggi (e suas atuais traduções compiladas dos grimórios conhecidas como “Thesaurus Magicus”) e Jake Stratton-Kent. Maggi possui diversos artigos nos quais mostrou um senso de adaptação muito prático e acessível, seguindo a mesma linha original de Jake, que fora capaz de afirmar que “preferia desobedecer os grimórios a desrespeitar os espíritos” e em diversas entrevistas relatou o desagrado de algumas entidades com o tratamento de algumas orações mais tradicionais, demonstrando que é possível uma cordialidade de tratamento mútuo entre o homem e os espíritos.

Sendo assim, e usando o bom senso, eu não vejo a recusa a contatar os espíritos usando adaptações sensatas e aplicadas a vida prática a fim de reduzir esse distanciamento entre teoria e resultados. No mais das vezes, tudo vai se resolver com a mão na massa e na boa e velha “tentativa e erro”. Seria muita ingenuidade não tratar tais textos apenas como tábuas de convocação em vez de listas telefônicas acessíveis as entidades.

Afinal de contas, se elas deixaram por os nomes delas num pedaço de papel, é porque elas desejam ser comunicadas também e receber um chamado para irem de encontro ao “karcista” (outro termo pouco conhecido para o espiritualista que trabalha com evocação de espíritos). Por isso se faz tão necessário tentar ver o tema sob diversos matizes a fim de construir o melhor contato possível, e isso só é possível tentando atender não a forma, mas a essência de tais fontes e seus objetivos: o contato com os espíritos e a formação de vínculos espirituais.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/contextualizando-os-textos-m%C3%A1gicos-cl%C3%A1ssicos-e-antigos

Afinal de contas, o que torna o TdC Especial?

Por Frater Dybbuk,, Zelator do AA

Nos dias de hoje, onde qualquer estudante de primeiro ano de filosofia pode inventar para si um titulo pomposo e criar um blog esotérico para tentar impor suas verdades, e dezenas de blogs de magias e pactos e ordens e curiosos de todos os calibres esquisotéricos surgem a cada dia na internet, como podemos saber se determinado autor é confiável?

Eu me fiz essa pergunta oito anos atrás, quando encontrei com o Del Debbio pela primeira vez em uma loja Maçônica, em uma palestra sobre “Kabbalah Hermética” (que vocês ja devem ter assistido pelo menos alguma versão dela. São todas iguais, mas todas diferentes. Só assistindo duas para ver. Para quem não viu, tem um link de uma delas no youtube Aqui). Adoro essa palestra porque sempre os judeus tradicionais se arrepiam todo quando ele faz as correlações da árvore das vidas com outras religiões. E este, talvez, seja o maior legado que ele deixará na história do Hermetismo.

Mas o que o gabarita para fazer estas afirmações?

Talvez porque a história do MDD dentro das Ordens iniciáticas seja única. A maioria de nós, estudiosos do ocultismo pré-internet, começávamos pela revista Planeta, depois comprávamos os livros da editora Pensamento, entrávamos na Maçonaria, em alguma ordem rosacruz e seguíamos pela senda sem nunca travarmos contato com outras vertentes. Quem é da macumba, caia em um terreiro escondido no fundo de algum quintal e ficava por lá décadas, isolado. Cada um com suas verdades…

O DD começou em 1989 lá na Inglaterra. E ainda teve sorte (se é que alguém aqui ainda acredita que existam coincidências) de cair em um craft tradicional de bruxaria, com a parte magística da coisa (que inclui incorporações) e contato com o pessoal da SRIA, do AA e de outros grupos rosacruzes. Quando voltou para o Brasil, talvez tivesse ficado trancado em seu quarto estudando e nunca teríamos este blog… mas ele também foi um dos primeiros Jogadores de RPG aqui no Brasil. (RPG é a sigla de um jogo que significa “role playing games” ou jogos de teatro). Em 1995 publicou um livro que utilizava o cenário medieval de mitologias reais em um jogo que foi um dos mais vendidos da história do RPG no Brasil (Arkanun). Por que isso é importante?

Porque ele se tornou uma espécie de celebridade pop. E isso, como veremos, foi de importância vital para chegarmos onde estamos hoje (vai anotando as coincidências ai…).

Bem, o DD se graduou em arquitetura e fez especializações em história da arte, semiótica e história das religiões comparadas. De um trabalho de mais de dez anos de pesquisas, publicou a Enciclopédia de Mitologia, um dos maiores trampos sobre o assunto no Brasil.

Com a faculdade veio a maçonaria e aqui as coisas começam a ficar interessantes. Por ser um escritor famoso, ele conheceu o Grande Secretário de Planejamentos do GOB, Wagner Veneziani Costa, um dos caras mais importantes e influentes dentro da maçonaria, editor da Madras, uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e fundador da loja maçônica Madras, que foi padrinho do Del Debbio. E aqui entra o ponto que seria crucial para a história do hermetismo no Brasil, a LOJA MADRAS.

No período de 2004 a 2008, a ARLS Madras contou entre seus membros com pessoas como Alexandre Cumino (Umbanda), Rubens Saraceni (Umbanda Sagrada), Johhny de Carli (Reiki), Cláudio Roque Buono Ferreira (Grão Mestre do GOB), Sérgio Pacca (OTO, Thelemita e fundador da ARLS Aleister Crowley), Mario Sérgio Nunes da Costa (Grão Mestre Templário), Adriano Camargo Monteiro (LHP, Dragon Rouge), José Aleixo Vieira (Grande Secretário de Ritualística), Severino Sena (Ogan), Waldir Persona (Umbanda e Candomblé), Carlos Brasilio Conte (Teosofia), Alfonso Odrizola (Umbanda, diretor da Tv espiritualista), Ari Barbosa e Cláudio Yokoyama (Magia Divina), Marco Antônio “Xuxa” (Martinismo), Atila Fayão (Cabalá Judaica), César Mingardi (Rito de York), Diamantino Trindade (Umbanda), Carlos Guardado (Ordem da Marca), Sérgio Grosso (CBCS), entre diversos outros experts em áreas de hermetismo e ocultismo. Agora junte todos estes caras em reuniões quinzenais onde alguém apresentava uma palestra sobre um tema ocultista e os outros podiam questionar e debater sobre o assunto proposto com seus pontos de vista e você começará a ter uma idéia do que isso representou em termos de avanço do conhecimento.

Entre diversas contribuições para a maçonaria brasileira, trouxeram o RER (Rito Escocês Retificado), O Rito Maçônico-Martinista, para o Brasil, fundando a primeira loja do rito, ARLS Jerusalem Celeste, em SP, e organizaram as Ordens de Aperfeiçoamento (Marca, Nauta, Arco Real, Templários e Malta). O Del Debbio chegou a ser Grande Marechal Adjunto da Ordem Templária em 2011/2012.

Em paralelo, tínhamos a ARLS Aleister Crowley e a ARLS Thelema, onde naquela época se estudava magia prática e trocávamos conhecimento com a OTO no RJ (Loja Quetzocoatl, com minha querida soror Babalon) e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema (que, dentre outros, tivemos a honra de poder conversar algumas vezes com Frater Áster – Euclydes Lacerda – antes de seu falecimento em 2010). Além disso, tínhamos acesso a alguns dos fundadores do movimento Satanista em São Paulo e Quimbandeiros (cujos nomes manterei em segredo para minha própria segurança ).

Palestra no evento de RPG “SANA”, em 2006. Eu avisei que ele era subcelebridade, não avisei? Bem… nesse meio tempo, o MDD já estava bem conhecido dentro das ordens Iniciáticas, dando diversas palestras e cursos fechados apenas para maçons e rosacruzes. De dia, popstar; de noite, frequentando cemitérios para desfazer trabalhos de magia negra com a galera do terreiro. Fun times!

Ok, mas e a Kabbalah Hermética?

O lance de toda aquela pesquisa sobre Mitologia e suas correlações com a Cabalá judaica o levou a estudar a Torah e a Cabalá com rabinos e maçons do rito Adonhiramita por 5 anos, tendo sido iniciado na Cabalá Sefardita em um grupo de estudos iniciáticos coordenado pelo prof. Edmundo Pellizari (Ras Adeagbo). Apesar da paixão e conhecimento pela cultura judaica, ele escolheu não se converter (segundo palavras do próprio “Não tem como me converter ao judaísmo; como vou ficar sem filé à Parmigiana?“). Seus estudos se intensificaram entre os textos de Charles “Chic” Cicero via suas publicações na Ars Quatuor Coronatorum, nas Lojas Inglesas e os textos de Tabatha Cicero via Golden Dawn.

A idéia da Kabbalah associada aos princípios alquímicos, unificando tarot, alquimia e astrologia sempre levantou uma guerra com os judeus ortodoxos, que consideram a Cabalá algo profundamente vinculado à sua religião (por isso costumamos grafar estas duas palavras de maneira diferente: Kabbalah e Cabalá.

Em 2006, Adriano Camargo publica o “Sistemagia”, um dos melhores guias de referência de Kabbalah Hermetica, onde muitas das correlações debatidas em loja foram aproveitadas e organizadas.

No meio de todos estes processos de estudos, chegamos em 2007 em uma palestra na qual estava presente o Regis Freitas, mais conhecido como Oitobits, do site “Sedentário e Hiperativo”, que perguntou a ele se gostaria de ter um blog para falar de ocultismo. O nome “Teoria da Conspiração” foi escolhido pelo pessoal do S&H e em poucas semanas atingiu 40.000 leitores por post.

Del Debbio se torna a primeira figura “pública” dentro do ocultismo brasileiro a defender uma correlação direta entre os orixás e suas entidades com as Esferas da Árvore das Vidas e as entidades helênicas evocadas nos rituais da Golden Dawn “Apenas uma questão de máscaras que a entidade espiritual escolherá de acordo com a egrégora em que estiver trabalhando” disse uma vez em uma entrevista.

Estes trabalhos em magia prática puderam ser feitos graças ao intercâmbio de conhecimentos na ARLS Madras, pois foi possível que médiuns umbandistas estudassem hermetismo, kabbalah e cabalá em profundidade e, consequentemente, as entidades que trabalham com eles pudessem se livrar das “máscaras” africanas e trabalharem com formas mais adequadas, como alquimistas, templários e hermetistas. Com a ajuda dos terreiros de Umbanda Sagrada, conseguimos trabalhar até com judeus estudiosos da cabalá que eram médiuns, cujas entidades passaram grandes conhecimentos sobre correspondências dos sistemas judaico e africano, bem como de sua raiz comum, o Egito. A maioria deste conhecimento ainda está restrito ao AA, ao Colégio dos Magos e a outros grupos fechados mas, aos poucos, conforme instruções “do lado de lá”, estão sendo gradativamente abertos.

Em 2010, conhece Fernando Maiorino, diretor da Sirius-Gaia e ajuda a divulgar o I Simpósio de Hermetismo, onde participam também o Frater Goya (C.I.H.), Acid (Saindo da Matrix), Carlos Conte (Teosofia), Renan Romão (Thelema) e Ione Cirilo (Xamanismo). Na segunda edição, em 2011, participam além dos acima o monge Márcio Lupion (Budismo Tibetano), Mário Filho (Islamismo), Alexandre Cumino (Umbanda), Adriano Camargo (LHP), Gilberto Antônio (Taoísmo) e Lázaro Freire (projeção Astral).

A terceira edição ampliou ainda os laços entre os pesquisadores, chamando Felipe Cazelli (Magia do Caos), Wagner Borges (Espiritualista), Claudio Crow (Magia Celta) e Giordano Cimadon (Gnose).

O Blog do “Teoria da Conspiração” também cresce, agregando pensadores semelhantes. Além de textos de todos os citados neste post, também colaboram estudiosos como Jayr Miranda (Panyatara, FRA), Kennyo Ismail (autor do blog “No Esquadro” e um dos maiores pesquisadores contemporâneos sobre maçonaria), Aoi Kwan (Magia Oriental), Raph Arrais (responsável pelas belíssimas traduções da obra de Rumi), o Autor do blog “Maçonaria e Satanismo” (cujo nome continua em segredo comigo!), Tiago Mazzon (labirinto da Mente), Fabio Almeida (Música e Hermetismo), Danilo Pestana (Satanismo), Bruno Cobbi (Ciganos), PH Alves e Roe Mesquita (Adeptus), Frater Alef (Aya Sofia), Jeff Alves (ocultismo BR), Yuri Motta (HQs e Ocultismo), Djaysel Pessoa (Zzzurto), Leonardo lacerda e Hugo Ramirez (Ordem Demolay).

A ARLS Arcanum Arcanorum, braço maçônico da Ordem de Estudos Arcanum Arcanorum, que trabalha em conjunto com a SOL (Sociedade dos Ocultistas Livres), o Templo Aya Sofia, o Colégio dos Magos e o Teoria da Conspiração.

E os frutos desse trabalho se multiplicaram. Com o designer Rodrigo Grola, organizou o Tarot da Kabbalah Hermética, possivelmente um dos melhores e mais completos tarots que existem, além dos pôsteres de estudo. Hoje seus alunos estão desenvolvendo HQs, Livros, Músicas, dando aulas e até mesmo produzindo um Filme baseado nos estudos da Kabbalah Hermética (“Supernova”).

E o estudo de mitologias comparadas, kabbalah e astrologia hermética nunca mais será o mesmo. Isso se chama LEGADO.

E ai temos a resposta que tive para a pergunta do início do texto: Como saber se um autor é confiável? Oras, avaliando toda a história dele e quais são suas bases de estudo, quem são seus professores, quais as pessoas que o ajudam e quem são seus inimigos. Quais são os caras que ele pode perguntar alguma coisa quando tem dúvida? e quais são os caras que tentam atrapalhar o seu trabalho?

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Pronto. Aqui está o texto que eu tinha prometido sobre os doze anos de Blog. Parabéns, Frater Thoth, já passou da hora de alguém começar a organizar uma biografia decente sobre os seus trabalhos.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afinal-de-contas-o-que-torna-o-tdc-especial

A origem secreta do Skull & Bones

A história começa em Yale, onde três tópicos da história social Americana – espionagem, tráfico de drogas e sociedades secretas – se entrelaçam em uma.

Elihu Yale nasceu perto de Boston, educado em Londres, serviu com a Companhia das Índias Ocidentais Britânica, eventualmente se transformou em governador no Forte São Jorge (Fort Saint George), Madras, em 1687. Ele acumulou uma grande fortuna com as trocas de mercadorias e retornou a Inglaterra em 1699. Yale ficou conhecido como um grande filantropo; recebendo um convite da Escola Collegiate (Collegiate School) em Connecticut, ele mandou uma doação e uma grande quantia de livros. Subsequentemente, por causa de suas heranças e doações, Cotton Mather sugeriu que a escola fosse nomeada Universidade de Yale (Yale College), em 1718.

A estátua de Nathan Hale esta erguida no Antigo Campus na Universidade de Yale. Existe uma cópia desta estátua na frente do quartel-general da CIA em Langley, Virginia. E ainda outra na frente da Academia Phillips em Andover, Massachusetts (onde George H.W (’48) estudou na infância e se juntou a sociedade secreta com doze anos).

Nathan Hale, junto com três outros graduados de Yale, foi um membro do “Culper Ring, ” uma das primeiras agencias de inteligência americana. Estabelecida por George Washington, na qual foi um grande sucesso na Guerra Revolucionaria. Nathan foi um dos operantes investigados pelos britânicos, e após seu famoso discurso de remorso, ele foi enforcado em 1776. Desde então a fundação da Republica, o relacionamento entre Yale e a “Comunidade de Inteligência” foram únicas.

Em 1823, Samuel Russell estabeleceu a Russell & Companhia com propósitos para adquirir ópio na Turquia e contrabandear para China. Russell & Companhia emergiu com o sindicato Perkins (de Boston) em 1830 e virou o líder número um de contrabando na américa. Muitas das grandes fortunas americanas e europeias foram construídas através da troca de ópio com a China.

Um dos chefes de operação da Russell & Companhia em Canton foi Delano Jr., Avô de Franklin Roosevelt. Os outros parceiros de Russell eram John Cleve Green (que financiou Princeton), Abiel Low (que financiou a construção de Columbia), Joseph Coolidge e as famílias Perkins, Sturgis e Forbes. (O filho de Coolidge organizou a United Fruit Company (Companhia das frutas unidas), e seu neto Archibald C. Coolidge, foi co-fundador do Conselho das Relações de Estrangeiros.

William Huntington Russell (’33), primo de Samuel Russell, estudou na Alemanha entre 1831-1832. Alemanha era o centro de novas ideias. O “método cientifico” estava começando a ser aplicada em todas as formas de estudos humanos. Prússia, que culpou napoleão pela derrota em 1806 começaram a pesquisar sobre o stress em campo de batalha, elevou os princípios estabelecidos por John Locke e Jean Rousseau e criaram um novo sistema educacional. Johan Fitche, em seu “ Endereço para o povo alemão, ” (Address to the German People) declarou que as crianças deveriam ser educadas e assumidas pelo Estado.

Georg Wilhelm Friedrich Hegel tomou posse da cadeira da Universidade de Berlim em 1817 após Fitche, e foi professor até sua morte em 1831. Hegel foi o culminar da ideologia filosófica alemã sobre a escola de Immanuel Kant.

Para Hegel, nosso mundo é o mundo da razão. O estado é Razão Absoluta e o cidadão se torna livre somente com admiração e obediência ao estado. Hegel chamou isso de “marcha de Deus no mundo” e “seu ápice final” (final end). Esse final, disse Hegel, “ tem direito supremo contra o indivíduo, o dever supremo é ser membro do estado”. Ambos o fascismo e comunismo tem suas raízes filosóficas nos trabalhos de Hegel. A filosofia de Hegel foi muito influente na Alemanha durante o tempo de William Russell.

Quando Russell retornou para Yale em 1832, ele formou uma sociedade sênior com Alphonso Taft (’33). De acordo com informações adquiridas de um furto a “tumba” (o salão de encontro do Skull & Bones) em 1876, “ Bones é um capítulo sobre corporações na Universidade da Alemanha…General Russell, seu fundador, estava na Alemanha antes de completar seu último ano como Sênior e lá formou grandes amizades com os líderes da sociedade alemã. Ele trouxe consigo para a universidade, autoridade para fundar uma organização aqui”. William H. Russell, junto com outros quatorze amigos, foram os membros fundadores da “ A Ordem da Caveira e Ossos, ” (The Order of Scull and Bones).

A secreta Ordem da Caveira e Ossos (Order of Skull and Bones) existe somente em Yale. Quinze iniciantes (Juniors na universidade) são escolhidos todos os anos pelos veteranos (Sêniores na universidade) para iniciarem no grupo do ano seguinte. Alguns dizem que o iniciado ganha 15.000 dólares, após escolhido, e o relógio do avô. Longe de ser uma casa para diversão dentro do Campus, o grupo é voltado ao sucesso de seus membros no mundo pós-universitário.

Os nomes das famílias tradicionais e conhecidas da sociedade secreta seguem abaixo:                                        Lord, Whitney, Taft, Jay, Bundy, Harriman, Weyerhaeuser, Pinchot, Rockfeller, Goodyear, Sloane, Stimpson, Phelps, Perkins, Pillsbury, Kellogg, Vanderbilt, Bush, Lovett e entre outros.

William Russell se tornou general o legislador do estado em Connecticut. Alphonso Taft foi apontado como Ministro da Justiça dos EUA, Secretario de Guerra (um posto que muitos membros possuíram), Embaixador da Áustria, e Embaixador da Rússia (outro posto que muitos membros possuíram). Seu filho, William Howard Taft (’87), é o único homem a ocupar a Presidência dos Estados Unidos e chefe de Justiça da Suprema Corte.

 

Segredos da “Tumba”

A Ordem floresceu desde de o começo graças as ocasionais controvérsias. Existe uma discórdia entre alguns professores, que não gostavam do sigilo e da exclusividade. E existe uma discrepância dos estudantes, mostrando preocupação sobre a influência da Ordem sobre as finanças de Yale e o favoritismo de seus membros, os “Bonesmen”.

Em outubro de 1873, Volume 1, Número 1, do “O iconoclasta” (The iconoclasta) foi publicado em New Haven. Só foi publicado uma vez e foi um dos poucos artigos publicado para o “publico” sobre a Ordem Skull and Bones.

De O Iconoclasta:

“ Nós falamos através desta nova publicação, porque a imprensa universitária está fechada para aqueles que pretendem mencionar o “Bones” livremente…

De todas as classes a Skull and Bones aceita só homens. Eles foram para o mundo e tornaram-se, em muitas instancias, lideres dentro da sociedade. Eles obtiveram o controle sobre Yale. Os negócios são feitos por eles. O dinheiro pago para a Universidade passa por suas mãos, e você está sujeito a vontade deles. Sem dúvida alguma são homens de poder, mas muitos que os admiram, enquanto estão na Universidade, não esquecem que financiam a Ordem livremente. Os homens em Wall Street reclamam que os estudantes vêm a ajuda deles, dos homens de Wall Street, ao invés de pedir a sua parte para a universidade. A razão disto é um comentário feito por um dos primeiros estudantes de Yale e da Ordem: “Poucos vão dar, mas os homens da Ordem. E eles se preocupam muito mais com a sociedade do que a universidade…”

Ano após ano o mal mortal está crescendo. A sociedade nunca foi tão desagradável para a universidade quanto hoje, e é justamente este sentimento de doença que fechamos o bolso para os não-membros. Nunca antes foi visto tanta arrogância e sentimento de superioridade. O domínio da Imprensa Universitária e seus empreendimentos para dominar e fazer as regras. Não tem a dignidade de mostrar suas credenciais, mas agarram o poder com uma silenciosa consciência de culpa.

Para dizer o bem que a Universidade de Yale fez seria impossível. Para dizer o bem que ela fará seria ainda mais difícil. A questão, então, é reduzida a isto – em uma mão está a fonte de um bem incalculável – não outra uma sociedade culpada por seus crimes. Seria a universidade de Yale contra a Ordem Skull and Bones!!  Perguntamos a todos os homens, como uma questão de direito, quem deveria ter o direito de viver? ”

Primeiramente, a sociedade fazia suas reuniões em salões privados. Então em 1865, a “tumba”, foi construído um salão de pedra marrom, coberto de vinha e sem janelas, onde desde então os “Bonesmen” sustentam seus “ estanhos ocultistas” ritos de iniciação e se encontram todas Quintas e Domingos.

Em 29 de setembro de 1876, um grupo autodeclarado “ A Ordem do Arquivo e Garra” (The Order of File and Claw) invadiram o salão do Skull and Bones. Na “tumba” eles acharam um deposito – quarto 324 “ encoberta por veludos pretos, até mesmo as paredes eram cobertas com o material”. No andar de cima era o quarto 322, “ O santuario do templo…decorado com veludo vermelho com um pentagrama na parede”.  Na parede do salao estão “pinturas de fundadores da Bones em Yale, e membros da Sociedade na Alemanha, onde uma organização foi estabelecida em 1832”. O grupo de jovens encontrar outra cena interessante na sala de estar perto do quarto 322.

De A caída da Skull And Bones :

Na parede oeste, pendurada entre outras pinturas e fotografias, uma velha gravura representava um tumulo aberto, no qual, a tabua de pedra, continha quatro crânios humanos, agrupados sobre chapéus e sinos, um livro aberto, inúmeros instrumentos matemáticos, um velho papel, e uma coroa real. Nas paredes arqueadas sob o tumulo palavras significativas, em letras romanas, “ ‘We War Der Thor, Wer Weiser, Wer Bettler Oder, Kaiser?'(1) e abaixo do tumulo está gravado, in caracteres alemães, a sentença; ‘Ob Arm, Ob Beich, im Tode gleich.’ (2)

Nós era o Thor , que sabio , que mendigo Ou , o Imperador (1)

Se armar Se Beich , igual na morte (2)

A pintura é acompanhada por um cartão no qual está escrito, “ Da Organização Alemã. Presente de D.C Gilman de D. 50.”

Daniel Coit Gilman (‘52), junto com outros dois “Bonesmen, ” formando a troika na qual ainda a influencia na vida americana nos dias de hoje. Logo após suas iniciações na Skull and Bones, Daniel Gilman, Timothy Dwight (’49) e Andrew Dickinson White (’53) foram estudar filosofia na Europa na Universidade de Berlin. Gilman retornou da Europa e incorporou Skull and Bones assim como Russell Trust, em 1856, com ele mesmo exercendo a profissão de tesoureiro e William H. Russell como presidente. Ele passou os próximos quatorze anos em New Haven consolidando o poder da Ordem.

Gilman foi apontado como bibliotecário em Yale 1858. Através de uma manobra política perspicaz, ele adquiriu fundos para o Departamento Cientifico de Yale (Sheffield Scientific School) e foi capaz de introduzir a Morrill Bill no Congresso, passada a lei e finalmente assinada pelo Presidente Lincoln, depois de ter sido vetada pelo Presidente Buchanan.

Esta Morril Bill, “ doando terras públicas para o Estado Universitário para agricultura e ciências”, é agora conhecido como Land Grant College Act. Yale foi a primeira escola na américa a terras graças a esta lei federal e rapidamente se apossou de toda parte possível de Connecticut em seu tempo. Agradecidos pelas aquisições, Yale fez Gillman, o professor de Física Geográfica.

Daniel foi o primeiro Presidente na Universidade da Califórnia. Ele também ajudou a fundar, e foi o primeiro presidente de, John Hopkins. (Universidade de medicina).

Gilman foi o primeiro presidente na Instituição Carnegie e estava envolvida com a criação do Peadbody, Slater e Russell Sage fundações.

Seu amigo, Andrew D. White, foi o primeiro presidente da Universidade de Cornell (na qual recebeu toda parte de terras de New York pela Land Grant College Act), ministro dos Estados Unidos pela Rússia a Embaixador de Berlin e primeiro americano da Associação Histórica Americana (American Historical Association). White também foi Ministro da delegação americana para a Primeira conferência em Hague em 1899, na qual estabeleceu um judiciário internacional.

Timothy Dwight, um professor de Yale Divinity School, foi instaurado como presidente de Yale em 1886. Desde então todos os Presidentes, eram ou “Bonesmen” ou diretamente ligado a Ordem e seus interesses.

O trio Daniel/Gilman/White foram responsáveis por fundar a Associação Econômica Americana, a Sociedade de Química Americana, e a Associação Psicológica americana. Através de suas influencias sobre John Dewey e Horace Mann, este trio continua tendo um impacto enorme na educação, nos dias atuais.

 

Rede de Poder

Em seu livro Estabelecimento secreto da América (America’s Secret Establishment), Antony Sutton nos diz que a habilidade da Skull and Bones de estabelecer “correntes de influencias” tantos verticais quanto horizontais são enormes, assim assegurando a continuidade dos esquemas conspiratórios da Ordem.

O Link Whitney-Stimson-Bundy representa a “corrente vertical”.

W.C. Whitney (’63), que casou com Flora Payne (da Dinastia Oil Payne), foi Secretário da Marinha. Seu advogado foi um homem chamado Elihu Root. Root contratou Henry Stimson (’88), após ele terminar a escola de direito. Stimsom tomou o cargo de Root como Secretario de Guerra em 1911, apontado por seu amigo Bonesmen William Howard Taft. Stimson depois virou Governador de Coolidge – General das Ilhas Filipinas, Secretario do Estado de Hoover, e Secretario de Guerra durante a administração de Roosevelt e Truman.

Hollister Bundy (’09) foi o assistente

Os dois irmãos, de suas posições na CIA, no Departamento de Defesa e Departamento do Estado, e Assistentes Especiais dos Presidentes Kennedy e Johnson, exerceram um significante impacto no fluxo de informações e inteligência durante a Guerra do Vietnam. especial de Stimson e uma importante figura no Pentágono durante o Projeto Manhattan. Seus dois filhos, também membros da Skull And Bones, onde foram – William Bundy (’39) e McGeorge Bundy (’40) — dois membros muito ativos no governo americano.

William Bundy foi editor dos Negócios de Estrangeiros, que influenciou o Conselho de Negócios de Estrangeiros (CFR). McGeorge virou o Presidente da Fundação Ford.

Outro grupo interessante dos “Bonesmen” é o grupo Harriman/Bush. Averil Harriman (’13) “Ancião do Estado” do Partido Democrático, e seu irmão Roland Harriman (’17) foram membros ativos. De fato, quatro amigos de Roland que participavam da Ordem da classe de 1917 foram os diretores Brown Brothers, Harriman, incluindo Prescott Bush (’17), pai de George Bush.

Desde da virada do século, duas firmas de Investimentos – Fundo de garantia & Brown Brothers (Guaranty Trust & Brown Brothers), Harriman – foram ambas dominadas pelos membros da Skull and Bones. Estas duas firmas estavam fortemente envolvidas no financiamento do Comunismo e do Regime Nazista de Hitler.

Os “Bonesmen” compartilham uma afinidade pelas ideias de Hegel e sua dialética histórica, que debate o uso do conflito controlado – Thesis v.s Anti-Thesis- para criar uma pré-determinada síntese. A síntese de sua criação, onde o estado é absoluto e aos indivíduos são garantidas suas liberdades baseada na obediência do estado – Nova Ordem Mundial.

Financiamento e manobras políticas praticadas pela Ordem e seus aliados ajudaram os Bolcheviques a prevalecerem na Rússia.  Em provocação as leis federais, a indústria de finanças, bancos e depósitos de minerais e óleos (petróleo) uma parte de seus lucros eram revertidos em dinheiro para ajudar a USSR.

Depois, Averil Harriman, como ministro da Grã-Bretanha responsável pelo empréstimo para a Bretanha e Rússia, foi responsável por enviar fabricas inteiras para a Rússia.  De acordo com alguns pesquisadores, Harriman também supervisionou a transferência de segredos nucleares, plutônio e a falsificação de dólares para a USSR.

Em 1932, a Corporação Bancaria Unida (Union Banking Corporation) na Cidade de New York, alistou quatro diretores da central (’17) e dois banqueiros nazistas associados com Fritz Thyssen, que estava financiando Hitler desde 1924.

De George Bush: a Biografia Não-Autorizada:

“ Custodia da propriedade estrangeira do Presidente Franklin Roosevelt, Leo T. Crowley, assinou a Ordem de Carência Número 248 [17/11/1942] apreendendo a propriedade de Prescott Bush abaixo do Ato de Trocas Inimigas. A Ordem, publicada no livro de registros fora das notícias pelo governo obscuro, Nora #4 explicando nada sobre o envolvimento com os nazistas; somente que a Corporação dos Bancos Unidos (Union Banking Corporation) era comandada pela família Thyssen da Alemanha e/ou Hungria – “Nacionais…inimigas do pais”.

Decidindo que Prescott Bush e outros diretores da Corporação de Bancos Unidos (Union Banking Corporation) eram legalmente “os porta-vozes dos nazistas”, o governo evitou outras questões históricas importantes: No qual “ os nazistas de Hitler eram contratados, armados e instruídos por grupos exclusivos de New York e Londres no qual Prescott Bush era gerente executivo…

  1. New York Times, 16 de dezembro de 1944, na página 25 do artigo sobre o Departamento Bancário do Estado de Nova York. Somente a última sentença refere-se aos bancos nazistas, a frase se segue: “A Corporação de Bancos Unidas (Union Banking Corporation), na rua 39 Broadway, em Nova Iorque, recebeu autoridade para trocar sua instituição de lugar para a rua 120 Broadway. ” 

O Times omitiu o fato de que a Corporação do Bancos Unidos (Union Banking Corporation) foi apreendida pelo governo por suas trocas com o inimigo, e o fato que 120 Broadway tinha o endereço da Custodia de Propriedade Estrangeira do Governo. ”

Após a guerra, Prescott virou o Senador de Connecticut e se parceiro de golf era o Presidente Eisenhower. Prescott clama responsabilidade por ter colocado Nixon na política e recebe credito pessoal por trazer Dick a bordo assim como Ike como parceiro de campanha em 1952.

Motivos para a Conspiração

Então, por que uma agência de inteligência/sociedade secreta quer contrabandear drogas e assassinar O presidente Kennedy?

Bem, dessa forma, eles poderiam arrecadar grandes quantias financeiras, e ainda armazenar recursos de inteligência ao longo de sua participação nesses eventos. Ainda há uma análise racional de que o mundo é um lugar desagradável e inapropriado, e se você quer ser ‘o cara’ do pedaço, é melhor estar ciente do que está acontecendo ao redor. E qual a melhor maneira de saber o que está acontecendo além de controlar isso você mesmo? Ainda há aqueles que teorizam que o encoberto tráfico de drogas está de acordo com o plano de desestabilizar famílias americanas e a sociedade.  De forma desmoralizante e através da quebra do corpo político, eles poderiam impor suas vontades usando técnicas de desestabilização psicológica e a alquimia política da dialética Hegeliana para tal.

O artigo de James Shelby Downard  chamado Feitiçaria, Sexo, Assassinato e a Ciência do Simbolismo, um clássico ocultista, liga eventos históricos americanos com um bárbaro, numerológico e grandioso plano oculto “para nos tornar zumbis cibernéticos do mistério”. O assassinato do presidente estadunidense Kennedy, ao que o artigo alega, teria sido uma performance de um ritual ocultista público chamado O Extermínio do Rei, projetado para gerar um trauma em massa, um atentado de controle mental contra o corpo político nacional dos Estados Unidos.

Durante a Operação Sunrise , Operação Blowback e a Operação Paperclip , dentre outras, milhares de cientistas nazistas, pesquisadores e administradores foram trazidos para os Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. Muitos foram “contrabandeados” para o país contra ordens diretas, por escrito, do Presidente Harry S. Truman.

O Projeto Monarca ou Programação Monarca foi uma retomada de um projeto de controle mental chamado Marionette Programming, que começou na Alemanha nazista. O componente básico do Projeto Monarca é uma sofisticada manipulação da mente, usando traumas extremos para induzir ao Transtorno de Personalidade Múltipla.

James Downward presume que os responsáveis propositalmente assassinaram o Presidente Kennedy de modo a afetar a identidade nacional e a coesividade americana – para despedaçar a alma Estadunidense. Mesmo com a banalidade gritante de sua conspiração, ela foi projetada para mostrar a “superioridade deles” e “futilidade estadunidense”.

Ainda é possível que haja estudos que mostram a correlação entre o assassinato de Kennedy e o aumento de violência na sociedade, desconfiança em relação ao governo e outras extensões de patologias sociais.

Os Illuminati: Subvertendo o Corpo Político

Por que isso é um ataque ao corpo político estadunidense?

Em 1785, um relâmpago atingiu um mensageiro na rota de Paris à Frankfort. Um trato escrito por Adam Weishaupt, fundador dos Illuminati, Original Shift in Days of Illuminations , foi recuperado do mensageiro morto, contendo o plano de longo alcance da sociedade secreta para a “Nova Ordem Mundial através da revolução mundial”.

O governo da Bavaria declarou a sociedade como fora a da lei e em 1787 publicou os detalhes da conspiração Illuminati em The Original Writings of the Order da Sect of the Illuminati .

Nas palavras de Adam Weishaupt:

“Com esse plano, nós devemos direcionar toda humanidade sob essa conduta. E, pelas formas mais simples, devemos colocar tudo em movimento e em chamas. Os ofícios devem ser tão alocados e maquinados que nós devemos, em segredo, influenciar todas as transações políticas”. 

Existe uma discordância entre os intelectuais quanto ao fato ou não dos Illuminati terem sobrevivido ao seu banimento. Ainda assim, o grupo tem sido bastante êxito em atrair membros e ter se aliado com uma extensiva rede Massônica.

A Ordem Illuminati foi fundada publicamente no dia primeiro de maio de 1776 na Universidade de Ingolstadt, por Weishaupt, professor de Lei Canônica. Ela foi uma sociedade bastante erudita na época; Weishaupt atraiu primeiramente alguns dentre seus estudantes para se tornarem membros de sua nova ordem.

No dia 5 de dezembro de 1776, estudantes do William and Mary College  fundaram a sociedade secreta Phi Beta Kappa. Um segundo capítulo seria formado, em Yale, em 1780. O movimento anti-Massônico nos Estados Unidos manteve grupos como o Phi Beta Kappa na penumbra. Em razão da pressão sofrida, a sociedade se tornou pública. Isso é evidenciado por alguns pesquisadores como uma causa direta do aparecimento da Ordem Skull and Bones.

Em The Cyclopedia Of Fraternities , um gráfico genealógico geral das fraternidades universitárias influenciadas pela literatura grega nos Estados Unidos, mostra a Phi Beta Kappa como “um fonte antecessora de todas os sistemas de fraternidade na educação superior estadunidense”. Há apenas uma “vertente” linear de descendentes: O capítulo Yale de 1780. A linha depois continua para a Skull and Bones em 1832, e segue até as outras, também de Yale, sociedades seniores Scroll & Key e Wolf’s Head.

Phi Beta Kappa são as primeiras três letras gregas, para ‘Philosophia Biou Kubernetes’ ou ‘Amor pelo saber, o timoneiro da vida’. Um homófono para caveira (skull no inglês) é crânio (scull), um rápido e suave movimento, e parte da primeira nomenclatura da Skull & Bones.

John Robison, um professor de Filosofia da Natureza na Universidade de Edinburgh na Escócia e membro de uma Loja Macônica, disse que ele foi convidado a se juntar aos Illuminati. Depois de muitas pesquisas, ele concluiu que os propósitos dos Illuminati não eram para ele.

Em 1798, ele publicou um livro chamado Proofs Of A Conspiracy :

“Uma associação vem sendo formada com o propósito evidente de extirpar todos os estabelecimentos religiosos e derrubar todos os governos existentes…. Os lideres iriam reger o Mundo com poderes incontroláveis, enquanto todo o resto seria empregado como ferramentas da ambição de seus regentes desconhecidos”.

Proofs of A Conspiracy foi enviado a George Washington. Respondendo ao remetente do livro com uma carta, o presidente Americano disse que ele estava ciente que os Illuminati haviam ido para os Estados Unidos. Ele imaginava que os Illuminati tinham “princípios diabólicos” e que seu objetivo era “a separação das pessoas de seus governos”.

Em Proofs Of A Conspiracy, Robinson publicou a cerimônia de iniciação do “grau Regente” no Illuminismo . Nele, um esqueleto é apontado para ele [o iniciado], no pé, onde é colocada uma coroa e uma espada. Ele é questionado ‘se o esqueleto é de um rei, de um nobre ou de um mendigo’. Como ele não pode decidir, o presidente do encontro diz ao iniciado, ‘O caráter de um ser humano é a única coisa de valor”.

Isto é, essencialmente, o mesmo que está escrito na “sepultura” da Ordem Skull & Bones:

“Wer war der Thor, wer Weiser, Bettler oder Kaiser? Ob Arm, ob Reich, im Tode gleich.”

Onde se lê:

“Quem foi tolo, quem foi homem sábio, mendigo ou rei? Quer seja pobre ou rico, todos serão o mesmo na morte”

Skull & Bones = Illuminati?

Seria a Ordem Skull & Bones parte dos Illuminati?

Quando uma pessoa é iniciada na Skull & Bones, elas são dadas um novo nome, prática que é similar ao dos Illuminati. E muitos membros Illuminatis registrados podem ser evidenciados como tendo contato e/ou fortes influências com muitos dos professores que ensinaram os “Bonesmen ” em Berlim.

Quando uma sociedade secreta conspira contra a soberania de um rei, eles precisam se organizar, levantar fundos, fazer seus planos operacionais, e esperançosamente, trazê-los à fruição.

É possível ter, nos Estados Unidos, uma sociedade secreta que usou o “Estado de Segurança Nacional” para dar cobertura para seus planos nefastos?

De George Bush: The Unauthorized Biography :

“Esse setembro [1951], Robert Lovett  substituiu Marshall  como Secretário de Defesa. Enquanto isso, Harriman  foi nomeado diretor da Agência Mútua de Segurança , tornando ele o líder dos Estados Unidos na aliança militar anglo-americana. Dessa forma, a Brown Brothers , através de Harriman, era tudo, apenas não era comandante chefe.

O foco central do regime de segurança de Harriman em Washington (1950-53), foi a organização de operações de encobrimento e ‘guerra psicológica’. Harriman, junto a seus advogados e sócios de negócios, Allen e John Foster Dulles, queriam que o serviço secreto do governo conduzisse extensivas campanhas publicitárias e experimentos de psicologia de massas dentro dos Estados Unidos, e campanhas paramilitares no exterior… 

O regime de segurança de Harriman criou o Conselho de Estratégias Psicológicas  em 1951. O homem apontado para ser o diretor do PSB [foi] Gordon Gray … O irmão de Gordon, Bowman Gray Jr., presidente da R.J. Reynolds  na época, foi também um oficial da inteligência naval estadunidense, conhecido em Washington como o ‘fundador da inteligência operacional’. Gordon Gray se tornou um amigo próximo e aliado político de Prescott Bush ; e o filho de Gray posteriormente, se tornou advogado e um escudo da política de encobrimento de George, filho de Prescott.”

Então temos o clã Whitney/Stimson/Bundy e os rapazes Harriman/Bush empunhando uma quantia tremenda de influência na política, economia e nos assuntos sociais dos Estados Unidos e no mundo. Depois você tem o companheiro de Prescott e Bush, Richard Nixon como um vice-presidente ativista. Depois, um assassinato deprimente para a nação, um tempo sob LBJ  com os Bundy mantendo as coisas na linha, depois Nixon como presidente com os assessores “Bonesmen” Ray Price (’51) e Richard A. Moore. Após isso, um tempo fora para um presidente democrata trilateralista leviano, seguido pelo filho de Prescott como um vice-presidente ativista inferior a Regan. Depois, temos um presidente Skull and Bones que declara a “Nova Ordem Mundial” enquanto ataca fortemente seu parceiro de negócios, Saddam Hussein.

Depois de doze anos de administrações republicanas, Bush passa seu reinado para seu companheiro contrabandeador de drogas do Arkansas, Bill Clinton, que estudou na Escola de Legislação de Yale. De acordo com alguns pesquisadores, Clinton foi recrutado como um operário para a CIA enquanto ainda estava na Escola Rhodes em Oxford. Poderia esse ser o “velho processo histórico dialético hegeliano?

História Mundial: Plano ou Acidente?

Iremos nós ter outra fracassada administração democrática? Um escândalo tão vergonhoso como a queda de Nixon? Quando Robert P. Jonhson (William Barr)  disse a Clinton, num bunker no Arkansas, que “você é nosso rapaz louro, mas você tem competição para o emprego que você procura. Nós nunca iriamos botar todas as nossas fichas numa única máquina. Você e seu estado tem sido nossa maior posse…. O sr. Casey queria que eu te passasse que, a menos que você ferre com tudo ou faça algo estupido, você é o número um de nossa pequena lista para te lançar ao emprego que você sempre quis.

Então, você tem William Casey – Diretor da CIA, gerente de campanha de George Bush e Cavalheiro Soberano da Malta – falando direto como representante do último procurador geral George Bush para o rival de Bush, nas eleições federais estadunidenses de 1992. Isso é tudo apenas uma demonstração fraudulenta para a plebe estadunidense?

Talvez então, se de fato existe um tipo de controle sobre o processo eleitoral como dito por Mae Brussell e o livro reprimido VoteScam, escrito por Jim e Ken Collier:

“… Seu voto e o meu podem agora ser um bocado de energia sem sentido direcionado por computadores pré-programados que podem ser fixados para selecionar certos candidatos pré-ordenados e sem deixar pegadas ou rastros de papel.”

Em resumo, computadores estão reciprocamente roubando seu voto.

Por quase três décadas o voto estadunidense tem sido objeto para o roubo eletrônico patrocinado pelo governo.

O voto tem sido roubado do povo pelo cartel de burocratas da “segurança nacional” federal, que inclui seus superiores na Agência Central de Inteligência (CIA), dentre os líderes de partidos políticos, dentre os congressistas, jornalistas cooptados – e os donos e gerentes – da maioria dos estabelecimentos de notícias e da mídia, que tem decidido em acordo o como o voto estadunidense é contado, por quem ele é contado e como o resultado é verificado e entregue ao público é, como um deles coloca, ‘Não é uma área adequada de inquérito’.

Por meio de uma não-oficial corporação privada chamada News Election Service (NES), a imprensa tem atualmente controle físico da contagem e disseminação do voto, e se recusa a deixar o púbico saber como isso é feito”

Seria o eleitorado estadunidense sujeitado à cíclica propaganda, candidatos e vencedores pré-selecionados e campanhas psicológicas para alienar o país das instituições estabelecidas para servi-los pela constituição? Seriam os partidos Democratas e Republicanos usados como um experimento hegeliano num conflito controlado?

Pamela Churchill Harriman, esposa de Averil, é uma das maiores arrecadadoras de fundos para o partido dos Democratas. Ela uma vez deu a Bill* um emprego como o diretor de sua “PAM PAC” , quando ele perdeu a disputa para governador em 1980. Bill retribuiu o favor designando ela como sua Embaixadora na França mais tarde.

Outro amigo de Harriman/Bush, Eugene Stetson (’34), foi um assistente de gerencia de Prescott Bush na Brown Brothers, o escritório de Nova Iorque de Harriman. Ele organizou a fundação H. Smith Richardson. Fundação esta que no fim dos anos 1950, participou do MKULTRA, a criada doméstica da CIA que buscava cobrir a operação campanha psicológica. A fundação Richardson ajudou a financiar os testes de drogas psicotrópicas, incluindo LSD, no hospital Bridgewater em Massachusetts, o centro de alguns dos mais brutais experimentos da MK-ULTRA.

Durante as operações contra o Irã, a fundação H. Smith Richardson foi um “comitê de direção de doadores privados”, trabalhando com o Conselho Nacional de Segurança para coordenar o Escritório de Diplomacia Pública*. Esse foi um esforço para enfatizar as propagandas em favor e uma rápida cobertura para as operações contra o Irã, e para sincronizar os ataques publicados para os oponentes do programa.

A fundação H. Smith Richardson também comanda o Centro de Liderança Criativa em Langley para “treinar líderes da CIA”, bem como um outro centro perto de Greensboro, na Carolina do Norte, que treina agentes da CIA e do Serviço Secreto. Quase todos que chegam uma classificação militar de general também recebem esse treinamento.

Isso é apenas a ponta do iceberg. Também existe eugenia e controle de população, história e tecnologia suprimidas, toques de recolher anuais, sociedades lucrativas com ditadores brutais, acordos com “terroristas”, o envolvimento dos Cavalheiros da Malta, guerras de tráfico e exploração, controle de mentes, sociedades secretas para jovens, magia ritualística e mais – tudo girando em fios negros de uma teia de conspiração que nossa girante bola azul foi capturada.

Ainda há toda uma nova colheita de “Bonesmen” chegando, incluindo o filho de George H. W. Bush, George W. Bush (’68), que foi governador do Texas e presidente estadunidense.

Quando Don Schollander (’68), medalhista de ouro olímpico e o único membro da Skull & Bones conhecido vivo em Portland, foi contatado pelo repórter da Willamette Week, Jonh Schrang a respeito do seu envolvimento com a Ordem, ele disse, “isso é realmente algo que eu não posso falar sobre”.

Não é que não iria, mas sim que não “podia”.

Na vigilância das primeiras exposições inovadoras de Antony Sutton da Ordem, a autêntica Biblioteca de Yale se recusou a permitir qualquer outros acessos à pesquisas relacionadas aos documentos Russell Trust.

Daniel Gilman, como a maioria dos Bonesmen, não faz menções da Skull & Bones ou ao Russell Trust em suas memórias ou biografias.

Então, seria o povo estadunidense apenas uma “forragem” para uma sociedade secreta com sobretons satânicos que está tentando formar um governo mundial com eles mesmos no governo? Ou seria a Ordem Skull & Bones apenas um bando de garotos da fraternidade de Yale? Quer apostar seu futuro nisso?

Referências

[1] James Shelby Downard, foi um teórico da conspiração estadunidense, publicou muitos trabalhos pela Feral House sobre a sincronia entre eventos ocultistas e históricos no século XX.

[2] A Operação Sunrise é descrita como um conjunto de operações secretas entre a Alemanha Nazista e o Bloco Capitalista, no intuito de fazer a inimiga chegar a redenção no período da Segunda Guerra Mundial.

[3] A Operação Paperclip foi um conjunto de ações da política estadunidense durante a Segunda Guerra Mundial para levar secretamente cientistas da Alemanha Nazista aos Estados Unidos.

[4] Algo como Mudança Original em Dias de Iluminação.

[5] Algo como Os Escritos Originais da Ordem e Seita dos Illuminati.

[6] Atualmente uma universidade estadunidense renomada, dentre seus alunos passaram os presidentes Thomas Jefferson e James Monroe.

[7] Uma compilação de informações autenticas e resultados das investigações existentes de mais de 600 sociedades secretas nos Estados Unidos.

[8] Algo como Os Escritos Originais da Ordem e Seita dos Illuminati.

[9] Atualmente uma universidade estadunidense renomada, dentre seus alunos passaram os presidentes Thomas Jefferson e James Monroe.

[10] Uma compilação de informações autenticas e resultados das investigações existentes de mais de 600 sociedades secretas nos Estados Unidos.

[11] Algo como Os Escritos Originais da Ordem e Seita dos Illuminati.

[12] Atualmente uma universidade estadunidense renomada, dentre seus alunos passaram os presidentes Thomas Jefferson e James Monroe.

[13] Uma compilação de informações autenticas e resultados das investigações existentes de mais de 600 sociedades secretas nos Estados Unidos.

[14] Numa tradução livre George Bush: Uma Bibliografia Não Autorizada.

[15] Roberto Lovett foi o 4º Secretário de Defesa dos Estados Unidos, durante o governo de Harry S. Truman.

[16] George Marshall foi o 3º Secretário de Defesa dos Estados Unidos, substituído por Lovett durante o governo Truman.

[17] William Averell Harriman, foi um político e empresário do Partido Democrata estadunidense, foi também governador de Nova Iorque de 1951 a 1958.

[18] A Agência Mútua de Segurança foi estabelecida pelo congresso americano em 1951 e tinha o intuito de dar forças aos aliados dos Estados Unidos na Europa, através de assistência miliar e econômica, que renderia benefícios a longo prazo para o país.

[19] Brown Brothers Harriman & Co. é o maior e mais antigo banco privado americano. Geralmente apontado como tendo muita influência política e de interesses nos governos estadunidenses.

[20]  Psychological Strategy Board, ou PSB no inglês.

[2] Gordon Gray foi um oficial estadunidense associado à defesa nacional durante os governos de Harry Truman e Dwight Eisenhower.

[22] R. J. Reynolds é a segunda maior empresa de tabaco estadunidense.

[23] Prescott Bush foi senador dos Estados Unidos pelo estado de Connecticut e banqueiro de Wall Street junto com os Brown Brothers Harriman, ele também é pai do ex-presidente estadunidense George H. W. Bush.

[24] Lindon B. Johnson, ou popularmente chamado LBJ, foi o 36º presidente estadunidense, tendo assumido logo após a morte de Kennedy.

[25] William P. Barr foi um

[26] Pam Pac Machines Ltd. Empresa de embalagens estadunidense.

RantBrso, tradução Max Quintanilha Barison

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-origem-secreta-do-skull-bones/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-origem-secreta-do-skull-bones/

Longevidade e Mortalidade

Gilberto Antônio Silva

Os temas “longevidade” e “imortalidade” são recorrentes dentro do Taoismo. Há milênios que os antigos chineses se debruçam sobre esses problemas, buscando soluções muitas vezes pitorescas. Mas qual seria a real importância de se obter a longevidade? E, quando falha a busca pela imortalidade, como lidar com nossa própria mortalidade? São questões que muito importam aos taoistas do século XXI.

A pouco mais de um mês perdi um professor e amigo, alguém muito importante e que possuía um conhecimento tremendo de Medicina Chinesa, Qigong e artes marciais internas. Foi algo inesperado, súbito e decisivo do tipo “uma hora está aqui e na outra não está mais”. E o que mais me marcou nesse evento foi, mais uma vez, a certeza de que todos estamos nesse mesmo processo e podemos ter nosso cartão carimbado a qualquer momento.

Existe uma ideia equivocada, mas muito difundida, de que mestres em artes taoistas vivem muitos anos a mais que a média das pessoas. Isso não é necessariamente verdade. Embora existam mestres de grande longevidade, isso não é uma norma. No Brasil, Mestre Liu Pai Lin fez seu passamento com 93 anos, enquanto Mestre Wu Jhy Cherng nos deixou aos 45 anos. Na verdade, Paramahansa Yogananda afirmou que, em geral, os mestres yogues vivem cerca de 60 anos, pouco mais. Então devemos enxergar algo de muito importante nisso: a longevidade deve ter um motivo e a imortalidade é relativa.

Dediquei o último capítulo de meu livro “26 Dicas de Saúde da Medicina Oriental” à longevidade. E o que digo lá repito aqui: a longevidade, em si mesma, nada representa; o importante é o que fazemos com nossa longevidade. Qual meta temos, quais objetivos almejamos, o que pretendemos fazer com nossos muitos anos a mais. Isso é de total importância nesse assunto. Bruce Lee viveu apenas 33 anos, mas seu trabalho servirá de inspiração e ensinamento por muitas décadas. Swami Vivekananda morreu com 39 anos, mas seu trabalho foi fundamental na introdução do pensamento indiano e do Yoga no Ocidente no início do Século XX. Então o período de vida de uma pessoa é relativo e a longevidade, se adquirida, deve ser utilizada para algum objetivo.

Do mesmo modo a imortalidade é relativa. No início, há cerca de 2.200 anos, era uma busca pela imortalidade física por meio de elixires feitos com substâncias químicas muitas vezes venenosas. Muitos alquimistas e alguns imperadores chineses morreram dessa forma (esse conhecimento chegou à Europa través dos árabes e levou a outro contingente de vítimas). John Blofeld encontrou reclusos taoistas na década de 1930 que ainda acreditavam na obtenção da imortalidade física. Apesar disso, a partir do segundo século de nossa era os alquimistas chineses perceberam que a imortalidade tinha mais a ver com o espirito do que com o corpo e que se integrar ao Tao após a morte seria uma maneira mais consistente de obter a tão sonhada imortalidade. Nascia a Alquimia Interna, que busca obter a realização com o Tao ao mesmo tempo em que promove a longevidade. É aí que nossa busca se afunila.

Obter a imortalidade pelo aprofundamento no Tao é algo complicado e que demanda grande esforço por muito tempo. Nada mais natural, portanto, que se busquem práticas que acentuem a saúde e prolonguem a vida de modo a ter tempo hábil para finalizar esse projeto ou, ao menos, adiantar o máximo possível.

Como ninguém sabe exatamente quando sua validade vence neste planeta, procurar se cuidar e se adiantar no Caminho é a coisa mais lógica a se fazer. Porque morrer é parte do processo, parte integrante do fluxo ininterrupto de ciclos a que estamos submetidos assim como todos nesse Universo Manifestado, que o Yi Jing já explicava há 3.000 anos.

Encarar nossa própria mortalidade faz parte da busca pelo Tao e mostra o quanto próximo estamos deste objetivo. Uma de minhas histórias preferidas é de Zhuangzi, um dos mais claros taoistas do Período Clássico chinês.

“A mulher de Zhuangzi morreu e Huizi chegou a fim de o consolar, mas Zhuangzi permaneceu sentado de pernas cruzadas, a bater numa bacia surrada e a cantar.

Huizi disse: “Viveste com ela como homem e mulher, e ela criou-te os filhos. Na morte o que pelo menos devias fazer seria sentir vontade de prantear, em vez de estares por aí a fazer da bacia um tambor e a cantar – isso não está certo.”

Zhuangzi respondeu: “Certamente que não. Quando ela morreu, decerto que fiz o luto tal como toda a gente! Contudo, recordei que ela já existia antes, num estado anterior ao do nascimento. Na verdade, não só antes que nascer, mas antes do seu corpo ser sequer criado. Não só sem forma como sem substância, mas antes mesmo do seu sopro vital ser adicionado ao seu corpo. E por meio do maravilhoso mistério da mudança foi-lhe atribuído o alento de vida. Esse alento vital forjou uma transformação e ela passou a possuir um corpo. O seu corpo gerou outra transformação e ela morreu. Ela assemelha-se às quatro estações, na forma como a primavera, o verão, o outono e o inverno se sucedem. Agora encontra-se em paz, a repousar no seu ataúde, mas se eu me entregar aos soluços e ao pranto decerto parecerá que eu não compreenda o destino. É por isso que me abstenho.”

Vemos que Zhuangzi percebeu ser uma incoerência tentar compreender o funcionamento do Universo e não estender esse conhecimento à morte de um ente querido. Mas, mesmo assim, passou pelo luto normal. Quando percebemos, ainda que muito superficialmente, as ações do Tao, ampliamos nossa compreensão das coisas ainda que não percamos totalmente nossa natureza emocional humana. Muitas pessoas acham que um taoista não deve se emocionar com o mundo, mas isso é falso. Por mais iluminados que sejam, não conseguem deixar de serem humanos. E isso não é apenas no Taoismo. Consta que o grande iniciado tibetano Milarespa chorou copiosamente a morte de um filho. Uma importante Mestra Zen, Sul, perdeu sua neta e chorou copiosamente. Ao ser questionada, disse que suas lágrimas ”eram maiores que todos os Sutras, que todas as palavras dos Patriarcas e de todas as possíveis cerimônias”. As pessoas próximas não entenderam, mas ela falava sobre a própria alma humana.

O que nos torna humanos é nossa capacidade de almejar elevados níveis espirituais enquanto convivemos com nossas fraquezas e, eventualmente, as sobrepujamos. Ser humano é apontar nossa cabeça para o Céu enquanto plantamos firmemente os pés na Terra. Obter longevidade é uma ferramenta poderosa para ter tempo de superar o ego e poder atingir a imortalidade na fusão com todas as coisas.

A busca pela imortalidade espiritual passa pela superação de nossa própria mortalidade humana.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica filosofia e cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo, Coordenador Editorial da Revista Brasileira de Medicina Chinesa e Editor Responsável da revista Daojia, especializada em filosofia e artes taoistas e cultura chinesa. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/longevidade-e-mortalidade