A medida de todas as coisas

Desde que a pitonisa do templo de Apolo afirmou que Sócrates era o homem mais sábio da Grécia, ele se dedicou a procurar saber quem era realmente sábio, e quem se julgava sábio, mas não era. A suspeita de Sócrates era simples: ele mesmo não se julgava sábio, portanto se os deuses afirmavam que o era, a única explicação era a de que a sua parca sabedoria advinha do fato de reconhecer a própria ignorância. O mundo era muito vasto, e o grande sábio da Grécia era sábio exatamente por perceber que ainda havia muito por ser descoberto – não era possível julgar-se coisa alguma no ramo da sabedoria, ou pelo menos não no sentido de estarmos numa posição superior aos demais.

Era uma época privilegiada da civilização Grega, por todo o lado surgiam grandes pensadores e, como não poderia deixar de ser, diversas teorias diferentes que tentavam explicar o mundo. Talvez o pensamento mais revolucionário da época – para o bem ou para o mal – tenha sido o sofismo. Até o surgimento dos sofistas, a educação grega (paideia) não fazia distinções entre religião e cultura – estava profundamente enraizada na religiosidade. Mas eis que surge o sofismo, e com ela uma nova forma de se pensar a educação: não mais um conceito de formação moral, enraizado nos valores absolutos transmitidos pelos deuses, mas um método de conhecimento do mundo, de organização dos diversos “saberes”, relativo em seus valores morais, assim como cada grupo de homens e, em última instância, cada indivíduo, traz consigo a sua própria visão de mundo – sua própria moral, independente dos deuses.

Sócrates se dedicou a demolir os argumentos de cada sofista que passou por seu caminho em Atenas. Perante sua sabedoria enraizada em campos elevados, seus argumentos eram como bodes mancos incapazes de subir as encostas de uma colina… Ante a máxima de Protágoras, um dos grandes dentre a escola sofística – o homem é a medida de todas as coisas –, Sócrates sai-se com uma outra máxima, que segundo muitos lhe é amplamente superior – a medida de todas as coisas é Deus.

É muito fácil, hoje em dia, interpretar tais afirmações de forma superficial, e fora de seu contexto. Pode-se, dessa forma, até mesmo imaginar que Protágoras e os sofistas eram prepotentes e ateístas, enquanto que Sócrates era o grande sábio temente a Deus… Porém, ambos, tanto Sócrates quanto Protágoras, foram acusados de ateísmo. A diferença é que Protágoras fugiu para a Sicília, impondo-se um auto-exílio, enquanto que Sócrates preferiu aceitar a punição máxima da morte por ingestão de veneno, embora tenha lhe sido ofertada a opção do exílio…

Não se discute que Sócrates foi um homem muito mais sábio, nobre, e relevante para a história da cultura ocidental, do que Protágoras – ele obviamente o foi. Porém, não se deve julgar todos os sofistas apenas por aquilo que se mostra deles nos livros de Platão. Em realidade, aqueles não eram sofistas na real acepção de seu lema (humanistas em essência), do contrário seriam grandes amigos de Sócrates, e não aqueles que ele caça em meio às ruas de Atenas, ansioso por demonstrar-lhes os equívocos de suas “suposições do grande saber”.

Com o sofismo surgiram os primeiros pedagogos e os primeiros advogados de que se tem notícia na história. Tratavam-se de homens que dedicavam a vida a estudar o conjunto dos conhecimentos e saberes, e então vendiam seus ensinamentos aos homens abastados, particularmente aqueles que se interessavam pela oratória ou pela política. Ora, Sócrates não cobrava por seus ensinamentos, mais consta que sobrevivia do auxílio de seus discípulos. Pode-se então imaginar Sócrates como um “mendigo sábio”, e os sofistas como enganadores e quem sabe até ladrões… Mas em realidade todos tiveram seu devido papel na história.

É sabido que Sócrates não confiava muito na “sabedoria escrita”. Acreditava que os discursos escritos não tinham como defender a si próprios da argumentação alheia, eram demasiadamente estáticos e, portanto, impróprios para uma reflexão aprofundada do Cosmos. Ora, é claro que Sócrates tinha razão, mas o problema é que o mundo vinha já crescendo, e os conhecimentos humanos com ele; Também se fazia necessária à devida “catalogação” dos saberes, a organização dos processos de ensino, enfim, o surgimento da pedagogia.

Se hoje existem mestrados, doutorados e áreas de especialização nas mais diversas disciplinas, não se enganem: também devemos isso aos sofistas, e bem mais do que a Sócrates. Entretanto, a questão parece estar em não abandonar a sabedoria, em não esquecer da espiritualidade, nos afogando em meio à pura racionalidade dos sistemas de conhecimento humanos. No fundo, Sócrates também tinha razão numa coisa: existem coisas que os livros jamais poderão nos ensinar.

Sim, o homem pode mesmo ser a medida de todas as coisas, mas tão somente no sentido de que é o homem quem interpreta todas as coisas, e é através dele que elas são efetivamente medidas. Mas sabemos que no mundo existem muitas e muitas coisas que estão além da medida, que não se equacionam, e que tampouco puderam nalgum dia serem medidas. Coisas como o amor, a ética e a poesia parecem pertencer a um outro reino, muito no alto das montanhas, além de nossa capacidade de catalogação – eis as coisas que residem no mundo das idéias, na terra da essência e não da transitoriedade. As coisas medidas por Deus.

O homem, porém, está no mundo, vive no mundo, lida com o mundo. Se ele consegue perceber a essência divina das coisas, da mesma forma parece conseguir organizar o próprio conhecimento dessa percepção, e medir o infinito por sua própria medida – humana!

Existem, portanto, essas duas lentes para se enxergar o Cosmos: uma lente que enxerga os sentidos e essências e outra lente capaz de observar os mecanismos e conhecimentos. Para muitos seres a vida sem a primeira lente pode ser insuportável e cinzenta; Mas há ainda outros que parecem ignorar a falta desta primeira lente por completo, e se dedicar apenas a uma imensa “catalogação” das cores do Cosmos. Seja como for, embora a segunda lente se faça até mesmo mais necessária quando consideramos uma vida em sociedades de conhecimento, o ideal me parece ser podermos contar com ambas. Contar com o humanismo dos sofistas e a espiritualidade dos sábios – ver tudo o que há para ver na imensidão infinita. E medir…

#Educação #Filosofia #Platão #Sócrates

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-medida-de-todas-as-coisas

Waking Life: A Eterna Pergunta

-Deixe eu lhe contar um sonho que tive. Li um ensaio de Philip K. Dick…

– No seu sonho?

– Não, eu o li antes do sonho. Esse é o preâmbulo. Era sobre aquele livro, Flow My Tears, the Policeman Said, você o conhece?

– Ele ganhou um prêmio por esse livro.

– É um que ele escreveu muito rápido. Simplesmente fluiu. Ele sentiu como se o estivesse psicografando, ou algo. Quatro anos antes de vir a ser publicado o livro, ele estava em uma festa, e conheceu uma mulher com o mesmo nome que a mulher do livro. E o namorado dela tinha o mesmo nome que o namorado da mulher do livro. E ela estava tendo um caso com um delegado de polícia, que tinha o mesmo nome que o delegado de seu livro. Tudo o que ela dizia sobre a vida dela parecia ter saído de seu livro.

Isso tudo o deixou muito assustado, mas o que ele podia fazer?

Anos depois, ele foi pôr uma carta no correio e viu um sujeito meio estranho em pé, ao lado de seu carro. Mas, ao invés de evitá-lo, como normalmente teria feito, ele disse: “Posso ajudá-lo?” E o sujeito disse: “Sim, eu fiquei sem gasolina”. Ele lhe deu algum dinheiro, coisa que jamais teria feito.

Ele chega em casa e pensa “Ele não conseguirá chegar ao posto. Ele está sem gasolina!”

Então, ele volta, acha o sujeito e o leva ao posto de gasolina. Enquanto estaciona, ele pensa: “Isto também está no meu livro! Este mesmo posto. Este mesmo sujeito. Tudo!”

Bem, este ocorrido é um tanto assustador, certo? Então ele resolve contar a um padre que ele escreveu um livro e que, quatro anos depois, tudo isso aconteceu.

E o padre diz: “Este é o Livro de Atos dos Apóstolos”. Ele responde: “Mas eu nunca o li!” . Então ele lê o Livro de Atos e lhe é estranhamente familiar. Até os nomes dos personagens são iguais aos da Bíblia!

O Livro dos Atos se passa em 50 d.C. Então, Dick criou uma teoria segundo a qual o tempo é uma ilusão e estaríamos todos em 50 d.C. E que a razão pra ele ter escrito esse livro era que ele, de algum modo atravessou essa ilusão, esse véu do tempo, e o que ele viu ali foi o que acontecera no Livro dos Atos.

Ele se interessava pelo gnosticismo e pela idéia de que um Demiurgo, ou demônio, teria criado essa ilusão do tempo para nos fazer esquecer que Cristo retornaria e que o Reino dos Céus estava pra chegar. E que estamos todos em 50 d.C e há alguém tentando nos fazer esquecer que Deus é iminente. Isso define o tempo e a História. É só um tipo de devaneio ou distração contínuos.

Então eu li isso e pensei: “Que estranho”. E, naquela noite, eu tive um sonho. E nele havia um homem que, supostamente, era um paranormal. Mas eu pensava: “Ele não é realmente um vidente”. Então, de repente, começo a flutuar, levitando até atingir o teto. Eu estava quase atravessando o telhado, quando digo: “Ok, Sr. paranormal, tudo bem, eu acredito em você”. E flutuo de volta. Quando meus pés tocam o chão o vidente vira uma mulher usando um vestido verde, e esta mulher é Lady Gregory. Ela era a patrona de Yeats, uma irlandesa. Mesmo nunca tendo visto a sua imagem eu tinha certeza de que esse era o rosto de Lady Gregory.

Então, enquanto andávamos, Lady Gregory vira-se para mim e diz “Deixe-me explicar-lhe a natureza do universo. Philip Dick está certo quanto ao tempo, mas errado quanto a ser 50 d.C. Na verdade, só existe um instante, que é agora. E é a eternidade. É um instante no qual Deus está apresentando um pergunta, que é basicamente: “Você quer fundir-se com a eternidade? Você quer estar no céu?” E estamos todos dizendo: “Nããão, obrigado. Ainda não”. Logo, o tempo é apenas o constante “não” que dizemos ao convite de Deus. Isso é o tempo. Não estamos em 50 d.C., como não estamos em 2001. Só existe um instante. E é nele que estamos sempre”.

Então ela me disse que esta é a narrativa da vida de todo mundo. Por detrás da enorme diferença, há apenas uma única história, a de se ir do “não” ao “sim”.

Toda a vida é: “Não, obrigado. Não, obrigado”. E, em última instância é: “Sim, eu me rendo. Sim, eu aceito. Sim, eu compreendo”. Essa é a jornada. Todos chegam ao “sim” no final, certo?

Então, continuamos a andar e meu cachorro corre em minha direção. Fico tão feliz. Ele morreu anos atrás. Estou fazendo carinho nele e percebo um troço nojento saindo de seu estômago. Olho para Lady Gregory e ela tosse, se desculpando. E há vômito escorrendo por seu queixo, e o cheiro é horrível. E eu penso: “Peraí, isto não é só cheiro de vômito. É cheiro de vômito de gente morta!”. Isso é duplamente horripilante. Então percebo que estou no Mundo dos Mortos. Todos à minha volta estão mortos. Meu cachorro morrera há 10 anos, Lady Gregory há muito mais tempo.

Quando acordei, pensei: “Aquilo não foi um sonho. Foi uma visita a um lugar real, o Mundo dos Mortos!”.

– O que aconteceu? Como você conseguiu sair de lá?

– Cara, isso foi uma daquelas experiências que transformam a vida. Eu nunca mais voltei a ver o mundo do mesmo jeito.

– Mas como é que você finalmente saiu do sonho? Esse é o meu problema. Eu estou aprisionado! Fico achando que estou acordando, mas ainda estou num sonho. Quero acordar de verdade. Como se acorda de verdade?

– Eu não sei… Não sou mais tão bom nisso. Mas, se é o que está pensando, você deve fazê-lo, se puder. Porque, um dia, não será mais capaz… então – é fácil – simplesmente acorde.

(Diálogo final do filme Waking Life, de Richard Linklater)

#espiritualismo #Filmes #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/waking-life-a-eterna-pergunta

A ponte em reforma

» Parte final da série “Para ser um médium” ver a introdução | ver parte 1 | ver parte 2 | ver parte 3 | ver parte 4

Segundo a falsa ideia de que não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa-vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados. É assim, por exemplo, que o indivíduo, propenso a raiva, quase sempre se desculpa com o seu temperamento. Em vez de se confessar culpado, culpa seu organismo, acusando a Deus por suas próprias faltas. (Hahnemann em O evangelho segundo o espiritismo) [1]

Para ser um médium é preciso abandonar o que fomos, e nos preparar, sem medos ou falsas expectativas, para o que viremos a ser – novos homens e mulheres forjados no único fogo que queima sem se ver, e arde pela eternidade.

Para ser um médium é preciso reconhecer nossa própria alma, tomar posse, mergulhar profundo dentro de nós mesmos, pois que só assim nos conheceremos em verdade. Manuais de natação e mergulho podem ser importantes, mas há algo que são incapazes de nos ensinar – somente mergulhando, sem medos ou dúvidas improdutivas, é que saberemos. O grande poeta português já nos alertou:

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu. [2]

E, se a alma não for pequena, se o amor não for brisa passageira, se a vontade não for chama inconstante que se apaga com os ventos contrários, valerá a pena… Em nosso inconsciente profundo encontraremos, decerto, muitos monstros e demônios, mas caberá a nós, somente a nós, educá-los, persuadi-los, mostrar que só existe um caminho para uma vida plena de liberdade e sentido, e que todos os outros são apenas falsos atalhos e estradas sem saída, que nos fazem girar em torno de nosso próprio ego, sem realmente sairmos do lugar.

Os maiores perigos no início do caminho espiritual são as idealizações, as ilusões encantadas. Já falamos do “complexo de santidade” anteriormente, mas uma outra ilusão tão ou mais comum é a ilusão do céu de ócio eterno, alcançado mediante barganhas com alguma espécie de deus estranho… O que Deus precisa de nós? Apenas que aprendamos a posicionar nossa alma tal qual espelho a refletir a luz solar. Apenas que consideremos que todo pequeno ser, e todo grande ser, são como crianças a tatear um berçário cósmico, descobrindo aos poucos o que significa, afinal, amor infinito.

Um dos espíritos que respondeu a Kardec no Livro dos Espíritos talvez tenha vislumbrado tal amor de forma um pouco mais abrangente do que temos conseguido: “O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados. A atração é a lei de amor para a matéria inorgânica… Não esqueçam que um espírito, qualquer que seja seu grau de adiantamento no plano cósmico, está sempre colocado entre um superior, que o guia e aperfeiçoa, e um inferior, para o qual é pedido que cumpra esses mesmos deveres, em troca” [3]. Portanto, se não nos perguntamos por que a gravidade nunca deixa de atuar, constante e harmoniosa, por incontáveis eras, da mesma forma não devemos nos perguntar se Deus precisa de alguma coisa de nós – não é Deus quem precisa, são nossos irmãos. Devemos tão somente aumentar o centro de massa de nosso próprio amor, para que cada vez mais seres gravitem em torno dele.

Para ser um médium é preciso reconhecer todas as nuances do amor, é preciso ter um plano para conquistá-lo e estudá-lo, refleti-lo e irradia-lo, conforme tem sido feito pelos seres de cima, em nosso benefício, há tantas eras.

Mas para amar o próximo é preciso antes ter amor dentro de si, e para si. É preciso investigar o sótão da alma e reconhecer que lá há sujeira, e eventualmente arregaçar as mangas e fazer uma pequena faxina, e depois uma grande faxina, até que todos os monstros e demônios não tenham mais onde se ocultar… Será preciso encará-los frente a frente, e aceitá-los como são: apenas partes de nossa animalidade, fruto de nossa longa teia de vidas e espécies vividas. Não será o caso de decapitar tais monstros com uma espada reluzente e afiada… Guarde a espada. Os monstros passarão a ser seus amigos, lembranças de tempos em que você era ignorante do amor, e que agora não têm mais necessidade de serem antagonistas de sua saga. E, se não há exatamente um final feliz neste grandioso conto de fadas, há ao menos uma imensa ilusão em desencanto. Não há guerra: há apenas a ignorância a se desvanecer como a neblina da manhã ante os primeiros raios de sol…

Para ser um médium é preciso compreender que existe, afinal, uma terra de vida e uma terra de morte. E se entre tais territórios há hoje apenas uma tênue ponte de madeira quebradiça e cordas prestes a arrebentar, façamos a reforma!

Pois é esta ponte, somente ela, o que separa nossa alma da vida eterna. E é somente amando que conseguiremos progredir em sua reforma… Um remendo de corda, uma nova placa de madeira de lei, um pequeno gesto de amor, dia após dia. Passos na travessia, passos cuidadosos, rumo ao outro lado, onde há música…

Há esta ponte entre nós e o Absoluto: atravessá-la, através do amor, é o único sentido, o único significado, a única razão para ser, afinal, um médium.

Todos pensam em mudar o mundo. Quão poucos pensam em mudar a si mesmos. (Tolstói)

para Maria Luiza.

» Esta série termina aqui, mas você ainda pode ler o Epílogo que escrevi para ela em meu blog.

***

[1] Cap. IX, item 10. Com ligeiras adaptações.

[2] Trecho final do poema Mar português, de Fernando Pessoa.

[3] São Vicente de Paulo, 888a. Com ligeiras adaptações.

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Crédito das imagens: [topo] moodboard/Corbis; [ao longo] Martin Puddy/Corbis (ponte em Angkor Wat, Cambodja)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

» Comprar livro impresso, PDF, ou versão para Amazon Kindle

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#Espiritualidade #Mediunidade #FernandoPessoa #amor #Espiritismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-ponte-em-reforma

A Transmutação Sexual de Napoleon Hill

No clássico livro de Napoleon Hill, Pense e Enriqueça, o décimo passo para a riqueza é chamado de “O Mistério da Transmutação Sexual”. Algo bastante peculiar de se encontrar em livro destinado ao mundo corporativo e às pessoas desejando o sucesso empresarial.

Vamos começar definindo a palavra “transmutar”, que é “a mudança ou transferência de um elemento, ou forma de energia, para outro”. Então, o que exatamente estamos mudando ou transferindo nesse contexto?

É a energia do desejo.

Goste ou não, este mundo tem tudo a ver com desejo. Desejo de riqueza e abundância. Desejo de paz. Desejo de saúde. Desejo pelo companheiro perfeito. E, sim, o desejo por sexo, que é nosso desejo mais poderoso.

Napoleon Hill colocou sua ideia da seguinte maneira:

“Quando impulsionados por esse desejo, os homens desenvolvem agudeza de imaginação, coragem, força de vontade, persistência e capacidade criativa desconhecidas por eles em outros momentos.

O desejo ou desejo de expressão sexual é natural e inato e não deve ser suprimido ou eliminado. Em vez disso, deve ser dada uma saída benéfica adicional. A transmutação sexual é simplesmente redirecionar a mente dos pensamentos de expressão física para os pensamentos de outros esforços criativos. De acordo com Hill, fazer isso tem o potencial de…

Transforme a mediocridade em gênio

E é isso que a energia ou desejo sexual tem a ver o sucesso nos negócios. O pensamento de sexo é um poderoso estimulante para nossa mente. Ela estimula nosso entusiasmo, imaginação criativa e cria um desejo intenso.

Você sabe o que mais estimula a mente quase no mesmo grau?

Um desejo ardente por algo, como fama, poder ou realização.

“Quando aproveitada e redirecionada em outras linhas, essa força motivadora [sexo] mantém todos os seus atributos de agudeza de imaginação, coragem, etc., que podem ser usados ​​como poderosas forças criativas na literatura, arte ou em qualquer outra profissão ou vocação, incluindo, é claro, no acúmulo de riquezas”. 

Se você conseguir entrar no estado elevado de intensidade emocional que Hill descreve, você será:

  • Mais palpites conscientes
  • Mais “Ativado” por qualquer coisa em que você esteja trabalhando ou pensando
  • Mais sensível a estímulos
  • Mais exuberante e expressivo
  • Mais energizado e inspirado
  • Mais motivado para agir

E essas são todas as qualidades nas quais você pode recorrer para se tornar uma mente excepcional e criar a vida que deseja.

Para acessar o estado de espírito dos gênios, você deve estimular sua mente para que ela atinja uma vibração elevada. Você deve ter um desejo intenso e ser entusiasmado, da mesma forma que quando é motivado pelo sexo.

Isso levará sua mente ao estado de consciência descrito acima. Nesse estado expandido de consciência, você tem acesso a fontes de conhecimento que de outra forma não teria quando está envolvido no pensamento da realidade cotidiana (preocupação, obsessão, atividades triviais etc.).

Quando toda a sua paixão e energia sexual estão focadas na busca de alguém e na tentativa de ganhar sua afeição, sua mente é turbinada por aquilo. O mesmo acontece quando você transmuta essa paixão e energia em seu trabalho, em uma ideia de negócio ou em ganhar dinheiro.

Aqui estão alguns exemplos de como você pode usar a transmutação sexual para acessar esse estado de espírito genial:

Estimule sua mente pensando em um amor genuíno atual ou passado e sexo apaixonado. Banhe sua mente com esses pensamentos. Isso aumentará sua consciência e tirará sua mente de seus problemas ou desafios atuais.

Com sua mente afastada de qualquer realidade desagradável da vida, ela pode vagar pelo mundo da fantasia. Uma vez lá, pode gerar idéias, metas ou planos empolgantes que podem mudar todo o status financeiro ou espiritual de sua vida.

Ou… digamos que você está trabalhando em algo, mas está travado. Quando estiver nesse estado de espírito mais elevado, pense no que deseja alcançar. Então, concentre sua mente em todas as informações que você coletou e em todas as ações que você realizou até agora. Em seguida, permita que surja uma imagem mental perfeita do que permanece inacabado.

Mantenha essa visão e deixe-a saturar sua mente. Então deixa pra lá. Limpe sua mente de todos os pensamentos. E espere que os próximos passos “pisquem” em sua mente.

A chave é cultivar e usar conscientemente e deliberadamente sua imaginação e intuição enquanto estiver nesse estado elevado. Sua imaginação e intuição são ligações diretas entre sua mente finita e a Inteligência Infinita.

Todos nós temos desejos. A fome é um desejo. A autopreservação é uma necessidade. Ser social ou gregário é um desejo.

Os impulsos se desenrolam em nossas vidas como normais, subnormais ou acima do normal. Por exemplo, se você tem um desejo subnormal de autopreservação, pode ser um temerário. Ou se você tem uma fome acima do normal, pode estar acima do peso.

Bem, o sexo é um desejo. É o impulso criativo. Como tal, a transmutação sexual é o grande segredo de todo grande inventor, artista e pessoa de grande sucesso.

No que diz respeito ao desejo sexual, o truque de uma vida eficaz é manter um equilíbrio entre o sexo físico e o trabalho criativo. Se você fizer uma escolha consciente e deliberada de fazer isso, poderá experimentar o melhor dos dois mundos.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-transmutacao-sexual-de-napoleon-hill/

O Sagrado mora no seu Coração

Por Yoskhaz

Certa vez assisti a um filme, desses hollywoodianos, com muita ação, onde o protagonista era um frio assassino profissional que passa a ser perseguido tanto pela polícia quanto pela máfia. Sua aparente indiferença em relação a qualquer tipo de sentimento era a tônica da sua personalidade e a principal razão de sua nefasta eficiência. No entanto, durante a sua fuga carregou por todo o tempo um vaso de plantas, salvo engano, pois faz muito tempo, com uma orquídea. Aquela singela flor era o depositário de todo e único amor que esse homem conhecia. Ele se preocupava com ela, pois era preciso que a colocasse no sol, regasse, vigiasse de eventuais pragas para que não morresse. A planta era motivo de preocupação, pois dependia completamente dele para continuar viva; a orquídea tinha a capacidade de fazer florescer o melhor de um homem embrutecido em sua consciência. Aquela flor era sagrada.

Sagrado é tudo aquilo que nos religa à divindade, que permite que possamos exercitar nossos sentimentos mais nobres, nos ensina a ser pessoas melhores e alavanca a nossa evolução. Em um pequeno altar que tenho em casa há vários objetos aparentemente mundanos, mas que trazem tamanha significação pessoal que os tornam sagrados para mim. Algumas pessoas mais distraídas nem percebem que ali reside importante parte do meu templo. Por exemplo, tenho três malabares de circo. Quando me recolho para as minhas reflexões, meditações e orações eles me lembram que distribuir alegria por onde passar é a melhor forma de agradecer a Vida pelas bênçãos e lições disponibilizadas a mim durante a jornada. Eles são sagrados para mim.

O sagrado está oculto no profano.

Em todas as tradições religiosas os avatares que lhes inspiraram foram contrários ao culto de imagens. No entanto, igrejas e templos mundo afora estão repletos deles. Estariam errados? Não. E é necessário entender a diferença. O objeto em si não traz nenhum poder, no entanto o sagrado em uma estátua de Buda ou de Francisco de Assis existe e é importante para nos lembrar de suas lições de sabedoria e amor, mapa e bússola a nortear a caminhada rumo ao Sol. A partir do momento que algo descortina o véu de sombras para que sentimentos mais sutis nos sirvam de régua e compasso torna-se sagrado.

O sagrado estará onde estiver seu coração.

Assim como nos objetos comuns, são nas nossas relações cotidianas, sejam familiares, profissionais ou sociais, simples ou complexas, que podemos descobrir e revelar o melhor de nós. As pessoas que amamos, por razões óbvias, serão sempre sagradas, pois nelas depositamos nossos melhores e incondicionais sentimentos. Uma pessoa estranha que nos traga complicações também pode se tornar sagrada se deste convívio passarmos a entender e a viver formas mais sublimes de sabedoria e amor. A razão de ser das dificuldades é tão somente para alavancar nossa evolução.

O mesmo vale para os lugares sagrados. Jerusalém, Meca, Budigaia, Fátima ou Sedona são locais onde há séculos peregrinos ancoram suas melhores energias e, sem dúvida, têm muita força e fazem você se sentir diferente caso esteja aberto para isso. No entanto não podemos esquecer que o mar é um santuário; as florestas e montanhas são catedrais; sua casa, um templo. Qualquer espaço que te permita a conexão com a outra esfera é divino. Todo local que nos permita colocar o ego para dialogar com a alma fará brilhar a mais pura luz.

Tudo que toca o seu coração é sagrado.

Um olhar, um abraço ou um beijo podem ser mundanos ou sagrados, dependem dos sentimentos depositados. Um sincero e humilde ato de compaixão sempre, sempre, será sagrado. Idem para qualquer ato de boa vontade ou quando a sua escolha privilegiar o amor em detrimento a qualquer outro interesse.

O sagrado reside mansamente no seu coração. Convide-o para dançar contigo em todas as canções do Grande Baile da Vida!

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/08/11/o-sagrado-mora-no-seu-coracao/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-sagrado-mora-no-seu-cora%C3%A7%C3%A3o

A Infância de Cristo segundo Bartolomeu

Depois que Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou de entre os mortos, acercou-se dele Bartolomeu e abordou-o desta maneira:

– Desvela-nos, Senhor, os mistérios dos céus.

Jesus respondeu-lhe:

– Se não me despojar deste corpo carnal não os poderei desvelar.

Bartolomeu, pois, acercando-se do Senhor, disse-lhe:

-Tenho algo a dizer-lhe, Senhor.

Jesus, por sua vez, respondeu:

– Já sei o que me vais dizer. Dize-me, pois, o que quiseres. Pergunta e eu te darei a razão.

Bartolomeu, então, falou:

– Quando ias no caminho da cruz, eu te segui de longe. E te vi a ti, dependurado no lenho, e os anjos que, descendo dos céus, te adoraram. Ao sobrevirem às trevas e eu estava a tudo contemplando. Eu vi como desapareceste da cruz e só pude ouvir os lamentos e o ranger de dentes que se produziram subitamente das entranhas da terra. Dize-me, Senhor, onde foste depois da cruz.

Jesus, então, respondeu desta forma:

– Feliz de ti, Bartolomeu, meu amado, porque te foi dado contemplar este mistério. Agora podes perguntar-me qualquer coisa que a ti ocorra, porque tudo dar-te-ei eu a conhecer. Quando desapareci da cruz, desci aos Infernos para dali tirar Adão e a todos que com ele se encontravam, cedendo às suplicas do arcanjo Gabriel.

Então disse Bartolomeu:

– E o que significa aquela voz que se ouviu?

Responde-lhe Jesus:

– Era a voz do Tártaro que dizia a Belial: a meu modo de ver, Deus se fez presente aqui. Quando desci, pois, com meus anjos ao Inferno para romper os ferrolhos e as portas de bronze, dizia ele ao Diabo: parece-me que é como se Deus tivesse vindo a terra. E os anjos dirigiram seus clamores às potestades, dizendo: levantai, ó príncipes, as portas e fazei correr as cortinas eternas, porque o Reino da Glória vai descer a terra. E o Inferno disse: quem é esse Rei da Glória que vem do céu a nós? Mas quando já havia descido quinhentos passos, o Inferno encheu-se de turbação e disse: parece-me que é Deus que baixa a terra, pois ouço a voz do Altíssimo e não o posso agüentar. E o Diabo respondeu: não percas o ânimo, Inferno; recobra teu vigor, que Deus não desce a terra. Quando voltei a baixar outros quinhentos passos, os anjos e potestades exclamaram: alçai as portas ao vosso Reino e elevai as cortinas eternas, pois es que está para entrar o Rei da Glória. Disse de novo o Inferno: ai de mim! Já sinto o sopro de Deus. E disse o Diabo ao Inferno: para que me assustas, Inferno? Se somente é um profeta que tem algo semelhante com Deus … Apanhemo-lo e levemo-lo à presença desses que crêem que está subindo ao céu. Mas replicou o Inferno: e quem é entre os profetas? Informa-me. É, por acaso, Enoch, o escritor mui verdadeiro? Mas Deus não lhe permite baixar a terra antes de seis mil anos. Acaso te referes a Elias, o vingador? Mas este não poderá descer até o final do mundo. Que farei? Para nossa perdição, é chegado o fim de tudo, pois aqui tenho escrito em minha mão o número dos anos. Belial disse ao Tártaro: não te perturbes. Assegura bem teus poderes e reforça os ferrolhos. Acredita-me, Deus não baixa a terra. Responde o Inferno: não posso ouvir tuas belas palavras. Sinto que se me arrebenta o ventre e minhas entranhas enchem-se de aflição. Outra coisa não pode ser: Deus apresentou-se aqui. Ai de mim! Aonde irei esconder-me de seu rosto, da sua força do grande Rei? Deixa-me que me esconda em tuas entranhas, pois fui criado antes de ti. Naquele preciso momento, entrei. Eu o flagelei e o atei com correntes que não se rompem. Depois fiz sair a todos os Patriarcas e voltei novamente para a cruz.

– Dize-me, Senhor – disse-lhe Bartolomeu. – Quem era aquele homem de talhe gigantesco a quem os anjos levavam em suas mãos?

Jesus respondeu:

– Aquele era Adão, o primeiro homem que foi criado, a quem fiz descer do céu à terra. E eu lhe disse: por ti e por teus descendentes fui pregado na cruz. Ele, ao ouvir isso, deu um suspiro e disse: assim, rendo-me a ti, Senhor.

De novo disse Bartolomeu:

– Vi também os anjos que subiam diante de Adão e que entoavam hinos, mas um destes, o mais esbelto de todos, não queria subir. Tinha em suas mãos uma espada de fogo e fazia sinais somente a ti. Os demais rogavam que ele subisse ao céu, mas ele não queria. Quando, porém, tu o mandaste subir, vi uma chama que saia de suas mãos e que chegava à cidade de Jerusalém.

Disse Jesus:

– Era um dos anjos encarregados de vingar o trono de Deus. E estava suplicando a mim. A chama que viste sair de suas mãos feriu o edifício da sinagoga dos judeus para dar testemunho de mim, por terem eles me sacrificado.

Quando falou isso, disse aos apóstolos:

– Esperai-me neste lugar, porque hoje se oferece um sacrifício no paraíso e ali hei de estar para recebê-los.

Falou Bartolomeu:

– Qual é o sacrifício que se oferece hoje no paraíso?

Jesus respondeu:

– As almas dos justos, que saíram do corpo, vão entrar hoje no Éden e, se eu não estiver lá presente, não poderão entrar.

Bartolomeu continuou:

– Quantas almas saem diariamente deste mundo?

Disse-lhe Jesus:

– Trinta mil.-

Insistiu Bartolomeu:

– Senhor, quando te encontravas entre nós ensinando-nos tua palavra, recebia sacrifícios no paraíso?

Respondeu-lhe Jesus:

– Em verdade te digo eu, meu amado, que, quando me encontrava entre vós ensinando-vos a palavra, estava simultaneamente sentado junto de meu Pai.

Disse-lhe Bartolomeu:

– Quantas almas nascem diariamente no mundo?

Responde-lhe Jesus:

– Uma só a mais do que as que saem do mundo.

Dizendo isto, deu-lhes a paz e desapareceu no meio deles.

Excerto do apócrifo de São Bartolomeu

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-infancia-de-cristo-segundo-bartolomeu/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-infancia-de-cristo-segundo-bartolomeu/

As Torres de Vigia do Sistema Enoquiano

No sistema enoquiano, as Torres de Vigia são as quatro principais regiões do mundo invisível que permeia e transcende nosso mundo físico. Nós não podemos ver estes mundos com nosso olhos físicos. Nossos ouvidos não podem ouvir seus sons, nem nosso olfato sentir seus aromas. mas pelo uso da técnica do Corpo de Luz podemos viajar por estes territórios e experimentá-los em toda sua glória, ver suas belezas, ouvir sua música e sentir suas fragrâncias Para não nos perdermos nestas viagens precisamos de um mapa acurado de onde estamos indo e do que vamos encontrar por lá quando chegarmos. O sistema enoquiano fornece exatamente isso por meio das suas tábuas.

Cada Torre de Vigia pode ser dividida em  quadrantes e em uma Grande Cruz de 36 quadrados e quatro subquadrantes de 30 quadrados cada. Cada subquadrante por sua vez pode ser dividido em uma cruz de 10 quadrados, 4 quadrados grandes e 16 quadrados menores.  Cada Grande Cruz contem os quadrados mais elevados espiritualmente enquanto que os quadrados  abaixo dos braços da Grande Cruz são os mais densos (materiais) dos subplanos. As quatro Torres de Vigia formam um retrato do universo invisível e são unidas por meio de uma cruz negra de 51 quadrados. Importantíssimo ressaltar que eliminando a repetição de letras a cruz negra pode ser reduzida a Tabua da União de 20 quadrados.  Todas estas proporções são importantíssima guarda alguns dos mais importantes segredos deste sistema magico.

Antes de partirmos para a apresentação de cada uma das torres de vigia, quero lembrar o leitor que não devemos confundir o Fogo, Terra, Água e Ar com os elementos materiais que estamos acostumados. Para eliminar qualquer tipo de dúvida neste sentido recomendo a leitura de um outro artigo meu já publicado aqui no portal da iniciativa Morte Súbita inc. sob o nome Mundos Enoquianos.

Torre de Vigia da Terra

 

 

O Grande Quadrante da Terra é onde encontramos a primeira das torres de vigia, responsável por criar e manter nosso mundo físico. É uma região de poderosas forças criativas que sustenta todas as coisas físicas. A Torre de Vigia da Terra não deve ser confundida com o planeta Terra em que vivemos com nosso corpo físico. Para deixarmos claros esta diferença podemos dizer que a torre de vigia da terra compenetra o planeta mas se estende por sua superfície e atmosfera até aproximadamente a órbita da Lua.

Torre de Vigia da Água

 

 

O Grande Quadrante Ocidental da Água  é a Torre de Vigia que reflete as imagens de nosso mundo físico nos mundos superiores. É a região de forças vitais e criadoras da vida. Um fato curioso sobre este plano é que aqui as coisas do nosso mundo podem ser vistas segundo sua forma espiritual. Um cobertor feito com carinho por uma mãe para seu filho resplandecerá a beleza deste amor, por mais feio e mal feito que seja no mundo material. Uma pessoa falsa terá a feiúra de sua falsidade, etc… A Torre de Vigia permeia nosso planeta e toda região da Torre de Vigia da Terra e se estende para além delas até aproximadamente a órbita de Vênus.

Torre de Vigia do Ar

 

 

O Grande Quadrante Oriental é a localização da Torre de Vigia do Ar de onde jorram todas as ideais que mais tarde se materializam nos outros planos. Não deve ser confundida com o céu e as nuvens, pois cada quadrado desta região é um vasta e sutil região que envolve nosso mundo. É a região da Inteligência que conduz a lógica e a razão de todos os seres vivos. Mais importante do que isso é o fato de que esta é a região onde literalmente podemos encontras as respostas para toda e qualquer pergunta que possa ser formulada. Este quadrante permeia todo nosso planeta e demais regiões e se estende até a órbita de Mércurio.

Torre de Vigia do Fogo

O Grande Quadrante Sul do Fogo é onde se encontra a Torre de Vigia responsável pelas incessantes mudanças de nosso mundo físico. É a região das primeiras forças motivadoras que por meio de sua força causam um efeito cascata nas demais regiões até causarem transformações em nosso mundo material. É a região do verbo criador e destruidor. Virtualmente qualquer mudança pode ser realizada se conseguirmos fazer com que nasça em algum dos quadrados desta Torre de Vigia. Esta região permeia todas as anteriores, mas avança para além delas até a superfície do Sol.

A  Tábua da União

 

A Tábua da União é a origem última de todas as coisas que existem. É a região das forças causais da onde nascem todas as coisas do universo. É a região do logos de onde nasce a Vontade que dá origem as forças motivadoras acima citadas. É uma região composta inteiramente por espírito que não pode ser encontrado em nossa realidade física. Cada quadrado da tabua da união é uma região infinitamente grande que supera em muito qualquer realidade que possamos conceber. É dito que esta região se estende para os planos mais altos do nosso sistema solar

Por Angellita Obelieniute PhD

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/as-torres-de-vigia-do-sistema-enoquiano/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/as-torres-de-vigia-do-sistema-enoquiano/

Simbolismo Animal II

É importante ademais destacar que quase todas as divindades zodiacais, não importa de que tradição, estão representadas com formas de animais, e recordaremos novamente que a palavra Zodíaco não quer dizer senão “roda dos animais”, ou “roda da vida”, o que está obviamente unido à idéia de movimento e de geração surgida do Ser universal, ou melhor, de sua energia criadora, que permanentemente se recria a si mesma, neste caso através das indefinidas formas animais. Isto concorda perfeitamente com a idéia, muito difundida entre as civilizações pré-colombianas de que o Cosmo, isto é a Vida universal, é um animal gigantesco, do qual todos fazemos parte integrante (tal é o caso também da serpente alquímica Ouroboros), e isso explicaria o porquê entre ditas culturas a Deidade criadora estar em bastantes ocasiões representada como um animal (como ocorre na tradição indiana, com o deus com forma de elefante Ganesha), ou bem caracterizada com as partes mais significativas de um animal, geralmente a cabeça, como é o caso, por exemplo, dos deuses assírio-babilônicos e do antigo Egito. Nas tradições Centro-americanas o deus Quetzalcoátl quer dizer “pássaro-serpente”, ou “serpente emplumada”, conjugando em sua natureza as energias aéreas que tendem para o céu (o vertical), e aquelas que reptan e se movem pela terra (o horizontal). A águia e a serpente são, efetivamente, os dois animais que melhor representam esse antagonismo e complementaridade entre o celeste urânico e o terrestre ctónico e telúrico.

Por outro lado, junto com o cordeiro, o pelicano e o peixe, a águia e a serpente são os animais-símbolos mais representativos de Cristo, conquanto isto teria que se estender a quase todos eles (inclusive os fabulosos), como o demonstra o riquíssimo bestiário de Cristo (dentro do qual se inclui o Tetramorfos), tão amplamente desenvolvido na arte da Idade Média. Dito bestiário compreende praticamente todas as espécies repartidas em quatro grandes grupos, em correspondência com os quatro elementos: os répteis à terra, os peixes e anfíbios à água, as aves ao ar, e os mamíferos ao fogo, sendo o mesmo Cristo (o Filho do Homem) o elemento central, ou “quintessência”, pois dele emanam, enquanto expressões dos atributos de seu Verbo ou Logos criador.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/simbolismo-animal-ii

A Instrução de Ptah-hotep

Por Ptah-hotep

A Instrução do Governador de sua Cidade, o Vizir, Ptah-hotep, no Reino do Rei do Alto e Baixo Egito, Isôsi, vivendo para sempre, até o fim dos tempos.

A. O Governador de sua Cidade, o Vizir, Ptah-hotep, disse: ‘Ó Príncipe, meu Senhor, o fim da vida está próximo; a velhice desce [sobre mim]; a fraqueza vem, e a infantilidade se renova’. Ele [que é velho] se deita na miséria todos os dias. Os olhos são pequenos; os ouvidos são surdos. A energia é diminuída, o coração não tem descanso. A boca é silenciosa, e ele não diz nada; o coração para, e ele não se lembra de ontem. Os ossos são dolorosos em todo o corpo; o bem se transforma em mal. Todos os gostos partem. Estas coisas fazem a velhice para a humanidade, sendo o mal em todas as coisas. O nariz é parado, e ele não respira por fraqueza (?), seja em pé ou sentado.

Comanda-me, portanto, teu servo, a fazer sobre minha princesa autoridade [para meu filho]. Deixe-me falar-lhe as palavras dos que ouvem os conselhos dos homens de outrora; os que escutavam os deuses”. Que isto seja feito, para que o pecado seja banido do meio das pessoas de entendimento, para que ilumine as terras”.

Disse a Majestade deste Deus:[1] ‘Instruí-o, pois, nas palavras dos velhos tempos; que ele seja um prodígio para os filhos dos príncipes, para que entrem e o ouçam com ele’. Endireitem todos os seus corações; e discutam com ele, sem causar cansaço”.

B. Aqui começam os provérbios do discurso justo, proferido pelo Chefe Hereditário, o Santo Sacerdote[2], Amado de Deus, o Filho mais velho do Rei, de seu corpo, o Governador de sua Cidade, o Vizir, Ptah-hotep, ao instruir os ignorantes no conhecimento da exatidão da linguagem justa; a glória daquele que obedece, a vergonha daquele que o transgride.

Ele disse a seu filho:

1. Não te orgulhes porque és instruído; mas discursa com o ignorante, como com o sábio. Pois nenhum limite pode ser fixado à habilidade, nem há nenhum artífice que possua todas as vantagens. O discurso justo é mais raro do que a esmeralda que é encontrada pelas escravas nos seixos.

2. Se você encontrar um argumentador falando, um que seja bem disposto e mais sábio que você, deixe cair seus braços, curve suas costas[3], não se zangue com ele se ele concordar (?) não com você. Abstenha-se de falar mal; não se oponha a ele em momento algum quando ele falar. Se ele se dirigir a ti como um ignorante, tua humildade levará consigo suas contendas.

3. Se você encontrar um argumentador falando, seu companheiro, alguém que esteja ao seu alcance, não se cale quando ele disser algo que seja maligno; assim você será mais sábio do que ele. Grande será o aplauso dos ouvintes, e teu nome será bom no conhecimento dos príncipes.

4. Se você encontrar um argumentador falando, um pobre homem, ou seja, não seu igual, não seja desprezível para com ele porque ele é humilde. Deixe-o em paz; então ele deve confundir-se. Interroga-o para não agradar ao teu coração, nem derramar tua ira sobre aquele que está diante de ti; é vergonhoso confundir uma mente má. Se estás prestes a fazer o que está no teu coração, supera-o como uma coisa rejeitada pelos príncipes.

5. Se você for um líder, como alguém que dirige a conduta da multidão, procure sempre ser gracioso, que a sua própria conduta seja sem defeitos. Grande é a Verdade, indicando um caminho reto; nunca foi derrubado desde o reinado de Osíris[4]. Aquele que ultrapassa as leis deve ser punido. Exceder é pelo homem ganancioso; mas as degradações (…) suportam suas riquezas, pois a época de suas más ações não cessa. Pois ele diz: ‘Eu obterei por mim mesmo’, e não diz: ‘Eu obterei porque me é permitido’. Mas os limites da justiça são firmes; é o que um homem repete de seu pai.

6. Porque não há medo entre os homens; pois [isto] o Deus castiga da mesma forma. Pois há um homem que diz: “Ali está a vida”; e é despojado do pão de sua boca. Há um homem que diz: ‘O poder está nele’; e ele diz: ‘Eu tomo para mim aquilo que percebo’. Assim, um homem fala, e ele é golpeado. É outro que alcança dando a quem não tem; não aquele que causa pavor aos homens. Pois acontece que o que o Deus ordenou, mesmo essa coisa vem a acontecer. Vivam, portanto, na casa da bondade, e os homens virão e darão presentes de si mesmos.

7. Se você estiver entre os convidados de um homem que é maior que você, aceite o que ele lhe dá, pondo-o em seus lábios. Se você olhar para ele que está diante de você (seu anfitrião), não o fure com muitos olhares. É abominável para a alma[5] olhar fixamente para ele. Não fales até que ele se dirija a ti; não se sabe o que pode ser mau em sua opinião. Fala quando te questionar; assim será teu discurso bom em sua opinião. O nobre que se senta antes da comida o divide à medida que sua alma o move; ele lhe dá o que ele gostaria de favorecer – é o costume da refeição da noite. É sua alma que guia sua mão. É o nobre que a dá, não o inferior que a atinge. Assim, o comer do pão está sob a providência de Deus; ele é um homem ignorante que o contesta.

8. Se você for um emissário enviado de um nobre a outro, seja exato conforme a maneira daquele que o enviou, dê sua mensagem como ele a disse. Cuidado para fazer inimizade com tuas palavras, colocando um nobre contra o outro, pervertendo a verdade. Não a superestime, nem repita o que qualquer homem, seja príncipe ou camponês, diz ao abrir o coração; é repugnante para a alma.

9. Se lavraste, ajunta a tua colheita no campo, e o Deus a fará grande sob a tua mão. Não enchas tua boca na mesa de teus vizinhos….[6] Se um homem astuto for o possessor da riqueza, ele rouba dos sacerdotes como um crocodilo.

Que não haja inveja de um homem que não tem filhos; que não seja abatido nem briguento por causa disso. Pois um pai, ainda que grande, pode ficar triste; quanto à mãe dos filhos, ela tem menos paz que outro. Na verdade, cada homem é criado [para seu destino] pelo Deus, que é o chefe de uma tribo, confiante em segui-lo.

10. Se fores humilde, serve a um homem sábio, para que todas as tuas ações sejam boas diante de Deus. Se conheceste um homem de nenhuma categoria, não sejas altivo para com ele por causa do que sabes a respeito dele, mas honra aquele que foi avançado, de acordo com o que ele se tornou.

Eis que as riquezas não vêm de si mesmas; é a regra deles para aquele que as deseja. Se ele mesmo o agitar e as recolher, o Deus o fará próspero; mas o castigará, se ele for preguiçoso.

11. Segue teu coração durante tua vida; não mais do que te é ordenado. Não diminua o tempo de seguir o coração; é abominável à alma, que seu tempo [de facilidade] seja tirado. Não encurte o dia mais do que o necessário para manter a sua casa. Quando a riqueza é adquirida, siga o coração; pois a riqueza não serve de nada se alguém estiver cansado.

12. Se quiseres ser um homem sábio, gera um filho para o agrado de Deus. Se ele seguir seu exemplo, se organizar seus assuntos na devida ordem, faça-lhe tudo o que é bom, pois seu filho é ele, gerado de sua própria alma. Não lhe arranjeis o vosso coração, ou o vosso próprio filho vos amaldiçoará. Se ele for descuidado e transgredir tuas regras de conduta, e for violento; se todo discurso que sai de sua boca for uma palavra vil; então bate nele, para que sua fala seja adequada. Mantém-no afastado daqueles que fazem luz do que é ordenado, pois são eles que o fazem rebelde[7]. E os que são guiados não se desviam, mas os que perdem o rumo não conseguem encontrar um rumo reto.

13. Se você estiver na câmara do conselho, aja sempre de acordo com os passos que lhe são ordenados no início do dia. Não esteja ausente, ou será expulso; mas esteja pronto para entrar e fazer relatório. Ampla[8] é a sede de quem fez discurso. A Câmara Municipal acata por regra estrita; e todos os seus planos estão de acordo com o método. É o deus que conduz alguém para se sentar nela; o mesmo não se faz para os cotovelos.

14. Se você estiver entre as pessoas, faça para si mesmo o amor, o começo e o fim do coração. Aquele que não conhece seu curso dirá em si mesmo (vendo-te): ‘Aquele que se ordena a si mesmo, devidamente se torna o dono da riqueza; eu copiarei sua conduta’. Teu nome será bom, ainda que não fales; teu corpo será alimentado; teu rosto será [visto] entre teus vizinhos; ser-te-á providenciado o que te falta. Quanto ao homem cujo coração obedece ao seu ventre, ele causa repugnância no lugar do amor. Seu coração é miserável (?), seu corpo é bruto (?), ele é insolente para com aqueles dotados de Deus. Aquele que obedece ao seu ventre tem um inimigo [9].

15. Relate suas ações sem esconder; descubra sua conduta quando estiver em conselho com o seu soberano. Não é mal para o enviado que seu relatório não seja respondido, “Sim, eu sei” pelo príncipe; pois o que ele sabe não inclui [isto]. Se ele (o príncipe) pensa que vai se opor a ele por causa disso, [ele pensa] ‘Ele ficará em silêncio porque eu falei'[10].

16. Se você for um líder, faça com que as regras que você ordenou sejam cumpridas; e faça tudo como alguém que se lembra dos dias que se seguem, quando o discurso não tem valor. Não sejas pródigo em favores; isso leva à servidão (…), produzindo preguiça.

17. Se você for um líder, seja gracioso ao ouvir o discurso de um suplicante. Que ele não hesite em se livrar do que ele pensou em te dizer; mas deseje remover sua lesão. Que ele fale livremente, para que se possa fazer o que ele veio a ti. Se ele hesita em abrir seu coração, é dito: “É porque ele (o juiz) faz o mal que não lhe sejam feitas súplicas a esse respeito por aqueles a quem isso acontece? Mas um coração bem instruído ouve prontamente.

18. Se você deseja continuar a amizade em qualquer morada em que entre, seja como mestre, como irmão ou como amigo; onde quer que você vá, tenha cuidado para não se misturar com mulheres. Nenhum lugar prospera em que isso seja feito. Nem é prudente tomar parte nele; mil homens foram arruinados pelo prazer de um pouco de tempo curto como um sonho. Até mesmo a morte é alcançada por ela; é uma coisa miserável. Quanto ao fígado maligno, deixa-se por aquilo que ele faz, ele é evitado. Se seus desejos não forem gratificados, ele não considera (?) nenhuma lei.

19. Se você deseja que suas ações sejam boas, salve-se de toda malícia e tenha cuidado com a qualidade da cobiça, que é uma dolorosa (?) maldade interior. Não deixeis cair aí por acaso. Ela se coloca em desacordo com os sogros e os parentes da nora; ela se coloca em desacordo com a esposa e o marido. Ela recolhe para si todos os males; é o cinturão de toda maldade [11]. Mas o homem que é justo floresce; a verdade segue seus passos, e ele faz habitações nela, não na morada da cobiça.

20. Não seja cobiçoso ao tocar as ações, na apreensão do que não é sua própria propriedade. Não seja cobiçoso para com o próximo, pois com um homem gentil o elogio vale mais do que o poder. Aquele [que é cobiçoso] vem vazio entre seus vizinhos, ficando sem a persuasão da fala. A pessoa tem remorso até mesmo por um pouco de cobiça, quando sua barriga arrefece.

21. Se você for sábio, providencie sua casa e ame sua esposa que está em seus braços. Enche-lhe o estômago, veste-lhe as costas; o óleo é o remédio de seus membros. Alegra o coração dela durante sua vida, pois ela é uma propriedade lucrativa para seu senhor. Não seja duro, pois a doçura a domina mais do que a força. Dá-lhe (…) aquilo por que ela suspira e aquilo para o qual ela olha; assim a manterás em tua casa….

22. Satisfaz os teus servos contratados com as coisas que tens; é o dever de quem tem sido favorecido por Deus. Em tão pouco tempo, é difícil satisfazer os servos contratados. Pois alguém[12] diz: ‘Ele é uma pessoa pródiga; não se sabe o que pode vir [dele]’. Mas no dia seguinte ele pensa: ‘Ele é uma pessoa de exatidão (parcimônia), contente com isso’. E quando são mostrados favores aos criados, eles dizem: ‘Nós vamos’. A paz não habita naquela cidade onde habitam os servos miseráveis.

23. Não repita o discurso extravagante, nem o escute, pois é a expressão de um corpo aquecido pela ira. Quando tal discurso te for repetido, não o ouças, olha para o chão. Não fales a respeito, para que aquele que está diante de ti possa conhecer a sabedoria. Se te for ordenado que faças um roubo, faze com que a ordem seja tirada de ti, pois é uma coisa odiosa de acordo com a lei. O que destrói uma visão é o véu sobre ela.

24. Se quiseres ser um homem sábio, e um que se senta em conselho com seu soberano, aplica o teu coração à perfeição. O silêncio é mais proveitoso para ti do que a abundância da fala. Considere como você pode ser oposto por um especialista que fala em conselho. É uma tolice falar sobre todo tipo de trabalho, pois aquele que contestar suas palavras as colocará à prova.

25. Se você for poderoso, faça-se honrado pelo conhecimento e pela gentileza. Fale com autoridade, isto é, não como se estivesse seguindo injunções, pois aquele que é humilde (quando altamente colocado) cai em erros. Não exalte o seu coração, que não se abaixe [13]. Não se cale, mas tenha cuidado com a interrupção e com a resposta às palavras com calor. Coloque-o longe de si; controle-se a si mesmo. O coração irado fala palavras inflamadas; ele ousa o homem de paz que se aproxime, interrompendo seu caminho.

Aquele que conta relatos o dia todo não passa um momento feliz. Aquele que alegra seu coração durante todo o dia não providencia para sua casa. O arqueiro acerta a marca, enquanto o boi reage à terra, pela diversidade de objetivos. Aquele que obedece ao seu coração comandará [14].

26. Que um príncipe não seja impedido quando estiver ocupado; nem oprima o coração dele que já está carregado. Pois ele será hostil para com aquele que o retarda, mas que lhe dará à luz sua alma para com aquele que o ama. A disposição das almas está com Deus, e o que Ele ama é sua criação. Ponha-se, pois, em paz com aquele que é hostil a [você] seu oponente, depois de uma violenta briga. São essas almas que fazem o amor crescer.

27. Instrua um nobre em coisas que lhe sejam proveitosas; porque ele seja recebido entre os homens. Que sua satisfação caia sobre seu amo, pois tua provisão depende de sua vontade. Por causa disso, tua barriga será satisfeita; tuas costas serão assim revestidas. Que ele receba o teu coração, para que a tua casa floresça e a tua honra – se assim o desejares – floresça. Ele te estenderá uma mão amável. Além disso, ele implantará o amor de ti nos corpos de teus amigos. É uma alma que ama ouvir” [15].

28. Se você for filho de um homem do sacerdócio, e um enviado para conciliar a multidão,….[16] fale sem favorecer um dos lados. Que não se diga: “Sua conduta é a dos nobres, favorecendo um dos lados em seu discurso”. Vire o seu objetivo para julgamentos exatos.

29. Se você foi gracioso em um tempo anterior, tendo perdoado um homem para guiá-lo, evitá-lo, não o lembre depois do primeiro dia que ele tenha ficado calado para você [a respeito disso].

30. Se tu és grande, depois de não teres sido de nenhuma conta, e se enriqueceste depois da miséria, sendo o mais importante na cidade, e tens conhecimento sobre assuntos úteis, de modo que a promoção te venha a ti; então, não enfaixes o teu coração no teu tesouro, pois te tornaste o mordomo dos dons de Deus. Tu não és o último; outro será teu igual, e a ele virá o semelhante [fortuna e estação].

31. Dobra as tuas costas ao teu chefe, teu superintendente no palácio do Rei, pois tua casa depende de sua riqueza, e de teu salário na época deles. Quão tolo é aquele que discute com seu chefe, pois só se vive enquanto ele é gracioso….

Não roubes as casas dos inquilinos; nem roubes as coisas de um amigo, para que ele não te acuse em tua audiência, que te devolve o coração [17]. Se ele souber disso, ele te fará um dano. A briga no lugar da amizade é uma coisa tola.

32. [Sobre a continência].

33. Se você quiser procurar a natureza de um amigo, não peça a nenhum companheiro seu; mas passe um tempo com ele sozinho, para não ferir seus negócios. Debata com ele depois de uma temporada; teste seu coração em uma ocasião de discurso. Quando ele te contar sua vida passada, ele te dará a oportunidade de que ou você se envergonhe dele ou se familiarize com ele. Não te reserves com ele quando ele abre o discurso, nem lhe respondas depois de uma maneira escarnecedora. Não te afastes dele, nem interrompas (?) aquele cujo assunto ainda não está encerrado, a quem é possível beneficiar.

34. Que teu rosto seja luminoso o tempo que vives. O que entra no armazém deve sair dali; e o pão deve ser repartido. Aquele que se agarra no entretenimento deve ter a barriga vazia; aquele que causa contendas se entristece a si mesmo. Não tome tal coisa por seu companheiro. São os atos de bondade de um homem que são lembrados dele nos anos após sua vida [18].

35. Conhece bem os teus comerciantes; pois quando os teus negócios estão em maus casos, a tua boa reputação entre os teus amigos é um canal (?) que é preenchido. É mais importante do que as dignidades de um homem; e a riqueza de um passa para outro. A boa fama do filho de um homem é uma glória para ele; e um bom caráter é para a lembrança.

36. Corrigir principalmente; instruir confortavelmente [com isto]. O vício deve ser tirado, para que a virtude possa permanecer. Também não é uma questão de infortúnio, pois aquele que é um opositor se torna um causador de lutas.

37. Se fizeres uma mulher envergonhada, desavergonhada de coração, conhecida por seus habitantes para ser colocada falsamente, seja gentil com ela por um espaço, não a mande embora, dê-lhe de comer. A falta de coração dela deve estimar a sua orientação.

C. Se obedeceres a estas coisas que te disse, todo teu comportamento será do melhor; pois, em verdade, a qualidade da verdade está entre suas excelências. Ponha a memória deles na boca do povo; pois seus provérbios são bons. Nem tampouco cessará para sempre desta terra qualquer palavra que aqui tenha sido proferida, mas será feita um padrão pelo qual os príncipes falarão bem. Eles (minhas palavras) instruirão um homem; como ele falará, depois de tê-las ouvido; sim, ele se tornará como um hábil em obedecer, excelente em falar, depois de tê-las ouvido. A boa fortuna lhe sucederá, pois ele será do mais alto nível. Ele será gracioso até o fim de sua vida; ele será sempre contente. Seu conhecimento será seu guia (?) para um lugar de segurança, onde ele prosperará enquanto estiver na Terra. O erudito[19] estará satisfeito em seu conhecimento. Quanto ao príncipe, por sua vez, por sua vez, seu coração será feliz, sua língua endireitada. E [nestes provérbios] seus lábios falarão, seus olhos verão, e seus ouvidos ouvirão, o que é proveitoso para seu filho, para que ele lide com justiça, sem enganos.

38. Uma coisa esplêndida é a obediência de um filho obediente; ele entra e escuta obedientemente.

Excelente na audição, excelente na fala, é todo homem que obedece ao que é nobre; e a obediência de um obediente é uma coisa nobre.

A obediência é melhor do que todas as coisas que são; ela faz a boa vontade.

Como é bom que um filho tire aquilo de seu pai pelo qual alcançou a velhice (Obediência).

O que é desejado por Deus é obediência; a desobediência é abominada por Deus.

Em verdade, é o coração que faz seu mestre obedecer ou desobedecer; pois a vida sã e segura de um homem é seu coração.

É o homem obediente que obedece ao que é dito; aquele que ama obedecer, o mesmo deve cumprir as ordens.

Aquele que obedece, torna-se obedecido.

É realmente bom quando um filho obedece a seu pai; e ele (seu pai) que falou tem grande alegria com isso. Tal filho será brando como um mestre, e aquele que o ouve obedecerá àquele que falou. Ele será bem humorado no corpo e honrado por seu pai. Sua memória estará na boca dos vivos, os que estão sobre a terra, enquanto eles existirem [20].

39. Que um filho receba a palavra de seu pai, não sendo desatento a nenhuma regra sua. Instrua teu filho [assim], pois o homem obediente é perfeito na opinião dos príncipes. Se ele dirigir sua boca pelo que lhe foi ordenado, vigilante e obediente, teu filho será sábio, e seus passos parecerão ser bons. A desatenção leva à desobediência no dia seguinte; mas a compreensão o estabelecerá. Quanto ao tolo, ele será esmagado.

40. Quanto ao tolo, desprovido de obediência, nada fará. O conhecimento ele considera como ignorância, coisas lucrativas como coisas dolorosas. Ele comete todo tipo de erros, de modo que é repreendido por isso todos os dias. Ele vive na morte com ela; é a sua comida. Ao falar, ele se maravilha, como à sabedoria dos príncipes, vivendo na morte todos os dias. Ele é evitado por causa de seus infortúnios, por causa da multidão de aflições que se abate sobre ele todos os dias.

41. Um filho que ouve é como um seguidor de Hórus[21]. Ele é bom depois de ouvir; ele envelhece, ele recebe honra e reverência. Ele repete da mesma forma a seus filhos e filhas, renovando assim a instrução de seu pai. Cada homem instrui como seu procriador, repetindo-o a seus filhos. Deixe-os [por sua vez] falar com seus filhos e filhas, para que sejam famosos em seus atos. Que aquilo que você fala implante coisas verdadeiras e justas na vida de seus filhos. Então chegará a mais alta autoridade, e os pecados [deles] se afastarão. E os homens que virem estas coisas dirão: ‘Certamente que o homem falou com bom propósito’, e farão o mesmo; ou: ‘Mas certamente esse homem foi experimentado’. E todos os homens declararão: ‘São eles que dirigirão a multidão; as dignidades não estão completas sem eles’.

Não retirar nenhuma palavra, nem acrescentar uma; não colocar uma no lugar de outra. Cuidado com a abertura…[22] em si mesmo.

Tem cuidado com a fala quando um homem instruído te ouve; desejo de ser estabelecido para o bem na boca daqueles que te ouvem falar. Se você entrou como especialista, fale com lábios exatos (…), para que sua conduta possa ser bem parecida.

42. Seja teu coração transbordante; mas refreia tua boca. Que tua conduta seja exata enquanto estiveres entre os nobres, e aparente diante de teu senhor, fazendo o que ele ordenou. Tal filho falará aos que o ouvirem; além disso, o seu procriador será favorecido. Aplica o teu coração, a que horas falas, a dizer coisas tais que os nobres que ouvem declarem: “Quão excelente é o que sai de sua boca”!

43. Cumpre a ordem de teu senhor a ti. Quão bom é o ensinamento do pai de um homem, pois ele veio dele, que falou de seu filho enquanto ele ainda estava por nascer; e o que é feito por ele (o filho) é mais do que o que lhe é ordenado. Assim, um bom filho é do dom de Deus; ele faz mais do que está unido a ele, ele faz o bem, e põe seu coração em todos os seus passos.

D. Se agora atingires minha posição, teu corpo florescerá, o Rei se contentará com tudo o que fizeres, e tu recolherás anos de vida não menos do que eu passei sobre a terra. Reuni até mesmo cinco e dez anos de vida, pois o Rei me concedeu mais favores do que aos meus antepassados; isto porque eu fiz verdade e justiça para o Rei até a minha velhice.

É O FINAL

DESDE SEU INÍCIO ATÉ SEU FIM

MESMO COMO ENCONTRADO POR ESCRITO.

[1] O Rei.

[2] Título de uma ordem do sacerdócio.

[3] A atitude habitual de um inferior submisso naquela época.

[4] Acreditava-se que o Deus Osíris tinha reinado na terra muitos milhares de anos antes de Menés, o primeiro rei histórico.

[5] Alma = ka’, e ao longo deste trabalho. Ka’ é traduzido pessoa em § 22, testamento em § 27.

[6] Segue-se uma frase obscura ou corrupta, que não admite uma tradução satisfatória.

[7] Tradução duvidosa.

[8] ou seja, confortável.

[9] Sua barriga, presumivelmente.

[10] A tradução acima não é satisfatória; o texto pode ser corrupto. Ainda não foi feita nenhuma tradução inteligível do mesmo.

[11] ou seja, toda a maldade está contida nele.

[12] Um servo.

[13] Comparar com o livro bíblico de Provérbios. 17:18.

[14] Assim também na vida, pela diversidade de objetivos, alternando trabalho e diversão, a felicidade é assegurada. A pirataria é evidentemente destinada no caso do remador.

[15] Esta seção se refere às relações entre o filho de um nobre e seu tutor, que se detém nos benefícios de ex-alunos em lugares altos, se seus tempos de escola tiverem sido agradáveis. A última frase desta seção, a partir das seções 23 e 25, é um pouco à propos des bottes (sem razão aparente).

[16] Uma frase obscura está aqui.

[17] Literalmente, “É aquilo que previne o coração de avançar (…)” Uma frase curiosa.

[18] Literalmente, depois de seu bastão ou cetro.

[19] Quem os conhece.

[20] A maior parte desta seção é um jogo sobre a raiz ‘sôdem, que em seu significado inclui nosso ouvir (ouvir) e obedecer. Esta cansativa tortura de palavras é frequente no Egito, especialmente em textos religiosos antigos.

[21] Os “Seguidores de Hórus” são uma lendária dinastia de semideuses, que os egípcios acreditam ter governado por cerca de 13.400 anos após o reinado de Hórus, e antes do de Menés. Há também uma ordem de espíritos com este nome.

[22] Uma palavra de significado desconhecido; aparentemente algum tipo de planta. Tal palavra parece fora de lugar aqui, e pode ser idiomática, como nossa “linguagem florida”. Mas a linha anterior obviamente se refere a este livro.

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Fonte:

The Instruction Of Ptah-Hotep.

https://www.gutenberg.org/files/30508/30508-h/30508-h.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-instrucao-de-ptah-hotep/

A Grande Fraternidade Branca

Em termos de Sociedade Secreta não há registro de nada mais antigo nem mais secreto-secretíssimo do que a Grande Fraternidade Branca ─ ou Grande Loja Branca: seus integrantes, afinal, são invisíveis e atemporais. Dela se diz que sua regência sobre a evolução das criaturas humanas terrenas remonta à Terceira Raça Raiz ─ ou seja, a Fraternidade Branca atua neste globo desde as extintas civilizações Lemuriana [a Terceira] passando pela civilização Atlante e chegando à atual, a civilização do auto-denominado homo sapiens, Quinta Raça Raça Humana, ponto extremo inferior da curva evolutiva.

18 milhões de anos! Considerando tal longevidade e analisando a cronologia dos Brâmanes [veja box abaixo] conforme da Doutrina Secreta, essa Grande Fraternidade Branca deve estar atuando nos destinos humanos há pelo menos 18 milhões de anos! quando, segundo os teósofos,  a Humanidade atual, a Quinta Raça Humana, começou a se manifestar.

Cronologia dos Brâmanes

Idade deste Sistema Planetário-Solar [em 2009]
Idade do Surgimento da Primeira Raça Humana [etérea]
Idade da Humanidade Atual ─ Quinta Raça Humana
Duração do Kali-Yuga, Era atual
Tempo de KaliYuga já transcorrido [em 2009]

1 bilhão 995 milhões 884 mil 809 anos
1 bilhão 644 milhões 501 mil 109 anos
18 milhões 618 mil 728 anos
432 mil anos
5 mil 111 anos

Fonte: BLAVATSKY, 2001

Para muitas Sociedades Secretas, a Grande Fraternidade Branca é uma espécie de modelo hierárquico, doutrinário e ideológico invisível. Muitas dessas sociedades, mais ou menos antigas, reivindicam o posto de representantes fiéis dos Mestres Espirituais neste mundo material:

Segundo abalizados autores, a Loja Branca é uma poderosa Fraternidade ou Hierarquia de Adeptos cujas colunas mestras são o Amor e a Sabedoria [estrutura da qual] uma Loja maçônica é uma miniatura simbólica. …Essa Fraternidade vela pela humanidade e através dos séculos vem guiando sua evolução e governando internamente [secretamente] os negócios do nosso globo. [FIGUEIREDO, 1899 ─ p 225]

Durante os séculos XVIII, XIX, XX e mesmo hoje, no século XXI, quando o interesse nas tradições ocultistas era [e ainda é] tão intenso quanto o entusiasmo pela ciência objetiva, Teósofos e outros esotéricos revelaram a Grande Loja Branca como um Colégio, um Conselho de Mestres responsáveis pela preservação da Sabedoria e pela orientação da evolução da Humanidade deste planeta. De acordo com essa revelação, os Mestres da Grande Loja Branca são os verdadeiros governantes deste mundo; são guias dos Homens ao longo do processo de desenvolvimento espiritual.

Estudos e ensaios teosóficos descrevem com detalhes a organização interna dessa Fraternidade transcendental. Seu líder e considerado o Senhor do Mundochama-se Sanat Kumara. Na hierarquia da Fraternidade, o segundo mestre é Gautama [príncipe Sidarta Gautama, o Buddha Sakyamuni ─  [vida terrena situada entre 563-483 a.C.] ─ o Buda da Raça Humana atual, [a Quinta]. A estes Mestres seguem-se muitos outros, menos graduados, entre manus, bodhisatvas [corpos de Sabedoria], Cohans, Maha-cohans, mestres de Raios!  e toda uma corte de seres supra-humanos, metafísicos e sobretudo, ocultos, inacessíveis aos sentidos e meios físicos, misteriosos.

Quanto à fonte de Todo esse conhecimento, sobre esta suposta Irmandade que interage com o mundo humano-terreno a partir de uma outra dimensão existencial, essas informações foram obtidas, segundo os ocultistas informantes, por meio da paranormal faculdade da clarividência [portanto é um conhecimento que pertence á categoria Acredite se quiser] ─ [GREER, 2003 ─ p 209]. Todavia, não é bem assim; o fato é que a Grande Fraternidade Branca é uma idéia que tem um precursor histórico.

Origem da Idéia

A idéia de uma organização secreta de místicos iluminados, guias do desenvolvimento espiritual da raça humana, foi apresentada pela primeira vez no século XVIII [anos 1700] por Karl von Ekartshausen [1752-1803], escritor, filósofo, místico alemão, no livro The Cloud Upon the Sanctuary [A Nuvem Sobre o Santuário] publicado depois da morte do autor, em 1802.

Na concepção de Ekartshausen estes místicos, que formam um Conselho da Luz, eram [ou são] Espíritos que permanecem ativos em relação à Terra mesmo depois depois da morte física neste planeta. O autor propõe, então, que se promova uma comunhão entre vivos e mortos, unindo a idéia cristã da Comunhão dos Santos com as Sociedades Secretas Ocultistas, místicas ou mágicas, como os Rosa-cruzes e os Illuminatti.

Durante o século XIX ocultistas de diferentes linhas de pensamento se encarregaram de enriquecer, alimentar e difundir a crença nessa Irmandade. Entre esses difusores, destacam-se: os Teósofos, como Alfred Percy Sinnet [1840-1921, autor de Mahatma Letters, ou cartas de Mahatmas, mestres espirituais], Helena Petrovna Blavatsky [1831-1891], C. W. Leadbeater [1854-1934], Alice Bailey [1880-1949], Helena Roerich [1879-1955]; Guy Balard, [1878-1939], pseudônimo de Godfré Ray King, fundador do movimento Eu Sou, transmissor na Terra dos ensinamentos transcendentais do Conde de Saint-Germain, personagem misterioso do ocultismo ocidental, um dos Iluminados da Fraternidade Branca ou, como também são chamados esses mestres invisíveis, um mestre ascencionado [CABUS, 2008].

Os teósofos foram um dos primeiros a atribuir sua doutrina, seus ensinamentos a esse Colegiado de Adeptos. Em Isis Unveiled [Isis Sem Véu] H.P. Blavatsky refere-se a estes Guias como Mestres da Irmandade Oculta ou Mahâtmas [Grande Espírito] e afirma que não somente encontrou pessoalmente esses Adeptos com também, durante toda a sua vida, manteve com eles comunicações regulares através de poderes telepáticos, incorporações, como os mediuns espíritas fazem com espíritos desencarnados ou, ainda, por deslocamentos do corpo astral.

A expressão Grande Irmandade Branca [white brotherhood] começou a ser usada depois da publicação de The Masters and The Path [Os Mestres e O Caminho] de C. W. Leadbeater, 1925. Desde então o título Grande Irmandade Branca tornou-se o preferido nas referências a essa comunidade de Adeptos Iluminados.

Os ocultistas ocidentais também costumem se referir à Irmandade com Grande Loja Branca, denominação que parece indicar que esses ocultistas idealizam esse Colégio de Sábios, como uma sociedade hierárquica, com estrutura semelhante às sociedades secretas iniciáticas terrenas.

Inúmeras Sociedades ocultistas reclamam para si a condição de verdadeiras representantes da Grande e invisível Irmandade Branca. Até Aleister Crowley [1875-1947], com sua fama auto-proclamada de perversa besta, chegou a insinuar que sua Astrum Argentum era diretamente ligada aos bondosos Mestres Ascensos.

Mestres Ascensos e Doutrina do EU SOU

Em 1934, Guy Ballard [1878-1939], um engenheiro norte-americano, que alegava ter tido uma revelação em 1930, no Mt. Shasta ─ Califórnia, publicou Unveiled Mysteries onde refere-se à Irmandade Branca como um Conselho ou Colegiado de Mestres Ascensos.

Ballard afirma que esteve frente a frente com o lendário Conde de Saint-Germain. O Conde seria um desses Mestres Ascensos que encarnou voluntariamente na Terra em diferentes períodos da História sempre usando, ostensivamente, a mesma identidade, de Conde de Saint-Germain, intrigando gerações que envelheceram enquanto o misterioso personagem permanecia jovem.

Mestre Saint-Germain transmitiu a Ballard os ensinamentos da Doutrina EU SOU, muito difundida através de um livrinho precioso chamado O Livro de Ouro de Saint-Germain. Precioso porque, com certeza, a pequena obra é origem e fundamento de praticamente todas as técnicas de auto-ajuda, em cujo cerne repousa a velha e boa reprogramação comportamental com base na neuro-lingüística, tão em moda nas últimas cinco décadas [desde os anos de 1960, no mínimo ─ CABUS, 2008].

Sincretismo & Mestres Ascensos

Depois de tantas revelações e tantos reveladores, a Grande Fraternidade Branca chegou à segunda metade do século XX [a partir dos anos de 1950] envolta em doutrinas sincréticas, que misturavam ensinamentos de várias vertentes místico-religiosas: cristianismo esotérico, gnose, teosofia, budismo e doutrinas outras entre exóticas e fantasiosas. Essas Irmandades terrenas que se dizem representantes da verdadeira White Brotherhood proliferam em todo o mundo adotando diferentes denominações.

O conceito do Colegiado de Mestres Ascensos enfatizado por Guy Ballard obteve enorme aceitação entre esotéricos da Nova Era [New Age] resultando na formação de numerosas irmandades, fraternidades, sociedades, muitas delas fazendo absoluta questão de serem legítimos rosa-cruzes, outras, proclamando-se profetas contemporâneos guiados pelos Ascencionados.

O elenco ou lista desses Ascencionados, não é um consenso e cada organização tem lá suas preferências embora alguns personagens de elite, conhecidos do grande público, sejam comuns a todas elas: Jesus, Maria mãe de Jesus, Buda Sakyamuni, qchamam familiarmente Gautama quando o próprio Buda Sakyamuni renunciou ao seu nome de família nobre e, mais recentemente, até o desencarnado papa João Paulo II foi admitido na equipe dos Mestres Ascencionados!

Oh! Raios!

Outros destacados Mestres Ascensos, mais ou menos famosos, fazem são nomeados e até suas imagens, desenhadas, aparecem em suas fichas. São alguns deles:  El Morya, Hilarion, classificados como cohans ou seja, Mestres do Raio: Kuthumi [que foi popularizado pela Teosofia], Mestra Nada [que tem sido identificada com Maria de Nazaré], Maytreya, Palas Atena [aquela mesma, da mitologia grega] entre outros menos famosos.

O Raio, na verdade, ao menos sete deles, são emanações energéticas diferentes, cada uma sob o domínio de um Mestre do Raio. Esses raios têm uma cor terapêutica própria e comunicam aos que os recebem ou invocam diferentes virtudes. Esses mestres atuam sob a liderança de um superior, o Maha-Cohan.

O cargo não é eterno e, no momento, segundo os teóricos da Summit Lighthouse, [Cúpula da Casa da Luz], uma das incontáveis organizações que se apresentam como verdadeiros representantes da White Brotherhood, o lugar é ocupado por um conhecido personagem histórico: Aquele que atualmente ocupa o cargo de Maha-Chohan esteve encarnado como o poeta cego Homero! ─ cujos poemas épicos, a Ilíada e a Odisséia, incluem sua chama gêmea, Palas Atena!, como personagem central. A Summit Lighthouse define a Irmandade:

A Grande Fraternidade Branca é uma ordem espiritual de santos do Ocidente e de adeptos do Oriente, que se reuniram ao Espírito do Deus vivente, e da qual fazem parte as hostes celestiais. Eles transcenderam os ciclos de carma e renascimento e ascenderam para essa realidade superior, que é a eterna morada da alma… A palavra “branca” não se refere à raça, mas à aura de luz branca que circunda esses seres. [SUMMIT LIGHT HOUSE]

Endereço! ─ Onde Fica a Sede da Grande Fraternidade Branca

Para chegar à sede da Grande Fraternidade Branca é necessário: 1. ou morrer em santidade; 2. ou aprender a sair do corpo e visitar pessoalmente os Mestres, se os Mestres quiserem receber você. Isso porque, como já foi esclarecido, a Grande Fraternidade Branca é invisível e sua sede está situada em um não-lugar terreno; em um plano outro de existência [outro plano ontológico, de Ser], em outra dimensão, em alguma dobra das curvas do Universo.

Todavia, essa mansão sem endereço topográfico tem sua localização etérica que, eventualmente, tem seus pontos de referência geográficos. Mas não há consenso entre os ocultistas: para alguns, a morada dos Mestres fica em uma dimensão transcendental situada no Deserto de Gobi.

O Deserto de Gobi, que ocupa territórios da Mongólia e da China, em tempos arcaicos, teria sido um mar e a cidade dos Ascensos ficava às margens deste mar. O mar foi engolido pelas convulsões geológicas do planeta porém, no mesmo lugar, existiria, ainda, a ilha sagrada dos Mestres, que os sentidos meramente físicos dos humanos não podem perceber. Diz a lenda que o local permanece oculto graças aos poderes sobrenaturais de seus habitantes; e protegido pela vigilância de seres encantados.

Outra possível localização dessa Morada dos Mestres seriam os subterrâneos da cordilheira dos Himalaias, entre o Tibete e o Nepal. Nesse caso, não é uma cidade invisível; antes, é uma sede oculta. Uma terceira hipótese, supõe que os Iluminados estão onde sempre estiveram desde o início dos tempos: no único ponto imutável do planeta [segundo os teósofos], o Pólo Norte, na região diretamente alinhada com a estrela chamada Ursa Polar. Ali habitariam seres remanescentes da Primeira Raça Humana, os Sombras, os Arûpa, os Sem-Corpos [materiais densos]; e também os sábios de todas as outras quatros Raças que vieram depois. Entre estes, destacam-se os magos brancos da Atlântida.

Finalmente, existe a versão dos Mestres Invisíveis que vivem não nos subterrâneos mais superficiais, mas nas entranhas do mundo, em uma cidade mítica sobre a qual há controvérsias. A idéia mais aceita implica na admissão não de um, mas de dois Colegiados de seres superiores e rivais. Os mestres da mão direita, magos brancos, teriam se instalado no reino de Agharta, ao norte, no interior deste planeta. Estes trabalham pela evolução da Humanidade.

Os mestres da mão esquerda, magos negros, seriam os fundadores moradores de Shambala, que ou são indiferentes ao destino dos Homens ou não se importam em, eventualmente, promover a desgraça desta Quinta Raça Humana. Nesta hipótese, tanto os Magos brancos quanto negros seriam os últimos descendentes/sobreviventes da civilização Atlante e, somente escaparam das enchentes e terremotos porque souberam previamente da iminência da tragédia graças aos seus poderes de clarividência.

Fraternidade Branca: O que Dizem os Místicos

Muitos ocultistas escreveram sobre essas Entidades, Seres, Mestres que governam o mundo por meios insidiosos e agentes secretos, pelo bem ou pelo mal da Humanidade. Eis alguns comentários e revelações sobre aquela que deve ser a mais antiga das Sociedades Secretas da História desta e de todas as Humanidades que já existiram na Terra:

H. P. Blavatsky [1831-1891] ─  Quando a Quinta Raça [atual] estava ainda em sua infância, o Dilúvio alcançou a Quarta Raça, Atlante [que eram gigantes comparados ao homo sapiens]… Somente [um] punhado de eleitos, cujos instrutores divinos tinham ido habitar a Ilha Sagrada [no deserto de Gobi] – de onde virá o último Salvador – impediu que metade da Humanidade se convertesse em exterminadora da outra metade. …Os Adeptos e Sábios moram em habitações subterrâneas, geralmente sob construções piramidais existentes nos quatro cantos do mundo. …Os Senhores da Sabedoria trouxeram frutas, grãos de outras esferas, para benefício da Raça que eles governavam. O primeiro uso do fogo, a domesticação de animais, o plantio dos cereais e das ervas foram conhecimentos transmitidos pela Hoste Santa. [BLAVATSKY, 1899]

O Colégio dos Sábios Segundo Gurdjieff [1860/1872?-1949] ─ Setenta gerações antes do último dilúvio [e cada geração valia por cem anos]… no tempo em que o mar estava onde hoje está a terra e a terra, onde hoje está o mar – existia uma grande civilização, cujo centro era a ilha Hannin. Os únicos sobreviventes desse dilúvio [o dilúvio ao qual o autor se refere é o que aparece no relato sumério-mesopotâmica de Gilgamesh] tinham sido alguns membros de uma confraria [irmandade] denominada Imastun que representava, por si só, toda uma casta.

Esses Irmãos Imastun estavam, antigamente, espalhados por toda a Terra, mas o centro de sua confraria permanecia nessa ilha. Esses homens eram sábios. Estudavam, entre outras coisas, a astrologia e foi para poder observar os fenômenos celestes sob ângulos diferentes que, pouco antes do dilúvio tinham se dispersado por todo o globo. Mas qualquer que fosse a distância, às vezes considerável, que os separasse, permaneciam em comunicação entre si, bem como com o centro de sua comunidade, que mantinham ao corrente de suas pesquisas por meios telepáticos. [GURDJIEFF, 2003- ─ p 44]

Peter Deunov ─  [1864-1944] Gnóstico búlgaro, mestre espiritual fundador da School of Esoteric Christianism, [chamado por seus discípulos de Master Beinsa Douno] refere-se a essa organização como Universal Brotherhood [Irmandade Universal]. Ao ser excomungado em julho de 1922, defendeu a Irmandade: Existe apenas uma Igreja no mundo mas a Universal Brotherhood está além das Igrejas, é mais que Igrejas. Mais elevado que a Universal Brotherhood, somente o reino do Céus [o Paraíso].

C. W. Leadbeater [1854-1934, teósofo] ─ Desde sempre existe uma Irmandade de Adeptos [Brotherhood of Adepts], The Great White Brotherhood [Grande Irmandade Branca]; desde sempre existiram Aqueles que sabiam, Aqueles que possuíam [essa] sabedoria secreta, e nossos Mestres estão entre os atuais representantes dessa poderosa linhagem de Profetas e Sábios. Durante incontáveis Eons Eles têm preservado O Conhecimento.

Atualmente, parte desse Conhecimento está ao alcance de qualquer um, aqui, no plano físico, [no corpo da chamada Doutrina Secreta revelada pela Teosofia]. O próprio Mestre Kuthumi disse uma vez, sorrindo, que quando alguém fala da grande mudança que o conhecimento teosófico trouxe à sua vida, Ele reflete: Sim, mas nós somente levantamos uma pequena ponta do véu [LEADBEATER, 1925].

A Grande Fraternidade Branca é uma organização diferente de qualquer outra no mundo. Alguns a descrevem, ou imaginam, como uma irmandade Himalaica ou tibetana que reúne ascéticos indianos em algum tipo de monastério situado em algum ponto inacessível de uma montanha. [Mas não é assim, os Irmãos pertencem, muitas vezes, a outras esferas, outros globos; outros são desencarnados terrenos e não habitam, necessariamente, um lugar físico]. Esse Grandes Espíritos pertencem a duas categorias: aqueles que mantêm um corpo físico e os que não mantêm. Esses últimos são chamados Nirmanakayas. Os Nirmanakayas mantêm a si mesmos em um estado de ser intermediário entre o mundo-terreno e o Nirvana. Dedicam todo o seu tempo e energia para a geração de força espiritual benéfica para Humanidade [LEADBEATER, 1996]

Koot’ Hoomi Lal Sing [1880, mestre ascenso] ─ A verdade sobre nossas Lojas e sobre nós mesmos… os Irmãos, sobre os quais todos ouvem falar e poucos vêem, são entidades reais, e não ficções criadas como alucinações por um cérebro em desordem. [Apud SINNETT, 1926]

Trevor Barker [teósofo] ─ Entre os estudiosos da Teosofia e Ocultismo é bem conhecido o fato de que a doutrina e a ética apresentadas ao mundo pela Sociedade Teosófica, durante os 16 anos depois de de sua fundação, em 1875, são conhecimentos ministrados por Mestres do Oriente pertencentes a uma Irmandade Oculta que vive no Trans-Himalaia Tibetano. Blavatsky, que tinha esses sábios como mestres, afirmava não somente a existência da Irmandade, mas dizia que, durante sua estada no Tibete, tinha recebido pessoalmente, destes mestres, treinamento, ensinamentos e instruções [BARKER, 1926]

Wouter J. Hanegraaff[Grande Fraternidade Branca & Jesus] ─ Segundo o clarividente Edgar Cayce [1877-1945], os Essênios foram representantes da Grande Fraternidade Branca, ativos na Palestina no tempo de Jesus. Seu principal centro não era em Quram, mas no Monte Carmelo, lugar associado ao profeta Elias, outro iniciado, membro da Fraternidade. …Antes do nascimento de Jesus, os essênios souberam e prepararam seu advento. Chamavam-no o Velho Irmão. Acreditava-se que Ele foi o primeiro ser humano a completar o desenvolvimento espiritual. Aquele mesmo Jesus que viria como Messias tinha vivido muitas vidas neste planeta: Adão, Enoch, Melchizedek, José do Egito.

Preparando a chegada ou encarnação do mestre, os essênios selecionaram várias jovens; uma delas seria a mãe do Messias. Essas candidatas a Mãe do Salvador eram educadas no Monte Carmelo. Maria foi escolhida por um anjo. No episódio da Fuga Para o Egitoos essênios providenciaram que a Sagrada Família chegasse ao seu destino em segurança. Ao longo de toda sua vida até o momento em que começou seu ministério público, Jesus foi treinado por mestres da Grande Fraternidade Branca. Depois dos sete anos passados no Egito, o menino foi levado à Índia, onde ficou por três anos; depois, Pérsia voltando à Judéia na ocasião da morte de seu tutor terreno, José. [HANEGRAAFF, 1996]

George D. Chryssides─ A Grande Fraternidade Branca é um grupo de seres espirituais que vivem, existem em um espaço paralelo ao mundo físico humano. Essa Fraternidade é liderada por um Senhor do Mundo que preside uma hierarquia de mestres que inclui o Buda Sakyamuni, o mestre Maiterya, o mestre Morya e Mestre Koot Hoomi. Alguns desses mestres são pessoas desencarnadas, outros, pertencem a uma mitologia religiosa e alguns não se encaixam em nenhuma dessas categorias.

A Fraternidade abriga, ainda, históricas personalidades religiosas, ocultistas e filosóficas:

  • o patriarca Abraão
  • o rei Salomão
  • Confúcio [551-479 a.C.]
  • Lao Tzu [filósofo e alquimista chinês,autor do Tao Te Ching]
  • Platão [428-347 a.C., grego], Jacob Boehme [1575-1624, filósofo e místico alemão]
  • Roger Bacon [1214-1294, inglês]
  • Francis Bacon []1561-1626, inglês]
  • Cagliostro [1743-1795 Alexandro, conde de Cagliostro, ocultista, alquimista, maçom]
  • e até Franz Anton Mesmer [1734-1815, alemão], o famoso médico e hipnotizador. [CHRYSSIDES, 2001]

Glossário Mínimo da Grande Fraternidade Branca

Fonte: BLAVATSKY, H. P.. Glossário Teosófico. [Trad. Silvia Branco Sarzana] ─ São Paulo: Pensamento, 1995.

Adepto  ─ latim. Adeptus  ─  aquele que obteve. Em Ocultismo, aquele que pelo desenvolvimento espiritual alcançou o grau de Iniciação ou seja, alcançou conhecimentos e poderes transcendentais e chegou à condição de Mestre esotérico [dos segredos] [BLAVASTKY, 1995].

Cohan ─ Na Doutrina Secreta a tradução é Senhor. Na literatura teosófica atual é o mesmo que Dhyân-Cohan ou seja, Luzes Celestiais, Arcanjos.[BLAVASTKY, 2001]

Dhyânis ─ sânscrito. Anjos ou espíritos angélicos. Nome genérico aplicado a alguns Seres espirituais ordenados [hierarquizados] ─  [HOUDT Apud BLAVASTKY, 1995]

Doutrina Secreta ─ [Gupta Vidyâ ─ ciência oculta ou esotérica] denominação usada para designar os ensinamentos secretos da Antiguidade. [BLAVASTKY, 1995]

Gnôsis [do grego] ─  Gnose. Conhecimento. Termo empregado pelas escolas de filosofia religiosa, antes e durante os primeiros séculos do Cristianismo a Gupta Vidyâ [veja acima], o conhecimento supremo ou divino através do  estudo e prática das ciências ocultas ou esotéricas a fim de alcançar a posição de Iniciado nos Mistérios Espirituais [realidade metafísica, BLAVASTKY, 1995]

Gnósticos ─ Filósofos que formularam e ensinaram a Gnôsis. Viveram nos três primeiros séculos da Era Cristã. entre estes precursore, destacam-se: Valentino, Basilides, Marcion, Simão, o Mago ─ entre outros.

Loja ─ etimologicamente, do sânscrito loka, mundo, lugar próprio, podendo se referir a um templo, um prédio, uma casa, este mundo, outros mundos ou o Universo. [BLAVASTKY, 1995]

Maha-Cohan ─ sânscrito. Chefe de uma hierarquia espiritual ou de uma escola de ocultismo; o chefe dos místicos da região situada além do Himalaia. [BLAVASTKY, 1995]

Mahâtma ou Mahâtman ─ sânscrito. Em pali, Arhats ou Rahats. Adepto de ordem mais elevada. Sres que, tendo obtido o domínio de seus princípios inferiores [físicos orgânicos-astrais] vivem livres das limitações do homem carnal. Possuem conhecimento e poderes [faculdades, habilidades, sentidos, percepção] que o homem comum considera sobrenaturais mas que decorrem de evolução espiritual.

Também são chamados Sidhas, na condição de seres perfeitos que, por sua poderosa inteligência e santidade chegaram a uma condição semi-divina; ou, ainda, Jivan-muktas, almas libertadas; mas concedem em se ligar a corpos mais ou menos físicos sempre que necessário em sua missão de auxílio ao progresso da Humanidade.Como primeiros espíritos que um dia encarnaram em Humanidades arcanas, ao longo de Eons! alcançaram a consciência atmica [de Atman, o Todo incognoscível, consciência divina] ou nirvânica; completaram o ciclo de evolução como humanos. [BLAVASTKY, 1995]

Páli ─ Língua arcaica que precedeu o sânscrito mais refinado. As escrituras budistas mais antigas são todas escritas nessa língua. [BLAVASTKY, 1995]

texto, organização & pesquisa: Ligia Cabus

O Ser Humano tem uma necessidade enorme de complicar as coisas e uma imaginação que não cabe no planeta.

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