Dez Mitos sobre a Verdadeira Vontade

Excelente texto que encontrei no Blog IAO 131, tradução de Elidia Martins.

O conceito de “Verdadeira Vontade”, ou simplesmente “Vontade”, é fundamental para a Lei de Thelema desde que nosso princípio central é “Faça o que tu queres será o todo da Lei” (AL I:40), juntamente com “Tu não tens direitos senão fazer a tua Vontade” (AL I:42) e “Não há lei além de faze o que tu queres” (AL III:60). Thelema, apesar de tudo, significa “Vontade”.

Por ser Vontade um conceito central em Thelema há muitos equívocos sobre isso que limitam nosso entendimento assim como limitam nosso potencial para realizar e manifestar as nossas Vontades. Muitos desses mitos e equívocos estão altamente correlacionados, mas eles também são diferentes em sua ênfase e abordagem. A lista não pretende ser exaustiva ou completa, mas espero que possa levar a uma reflexão e clareza sobre a noção de Vontade. Mais fundamentalmente essa é uma lista curta destinada a desafiar alguns equívocos comuns sobre a Vontade, a fim de que possamos conhecer e realizar nossas Vontades mais livremente e com alegria.

1) A Verdadeira Vontade é encontrada num determinado momento.

O primeiro mito é que a Verdadeira Vontade é descoberta durante um evento distinto, num certo ponto da história. Isso significa que você não sabe qual é a sua Vontade, mas que num futuro você saberá, ao ter algum insight ou experiência, você de repente conhecerá sua Vontade. Em contraste, Crowley nos informou que “A Vontade é apenas o aspecto dinâmico do Eu…” (Liber II). Neste sentido, a Vontade é apenas a expressão de nossa Natureza. Entretanto de uma maneira pobre e incompleta nossa Natureza não pode deixar de se expressar de alguma maneira, o que quer dizer que: nós estamos sempre fazendo nossas Vontades até certo ponto, mas poderíamos fazer sempre um pouco “melhor”, no sentido de fazê-la mais completamente e com mais consciência. Mesmo se temos uma visão súbita ou que muda completamente a Natureza de nossas Vontades, isso não significa que esse entendimento não precisará mudar ou ser revisado no futuro.

2) A Verdadeira Vontade é algo para ser encontrado num futuro distante.

Relacionada ao primeiro mito é a noção de que Verdadeira Vontade não pode ser encontrada no presente, mas em algum ponto do futuro. Ou seja, se pensa “Eu não sei qual minha Vontade agora, mas espero que eu saiba no futuro”. Agora, é perfeitamente razoável acreditar que o conhecimento e entendimento da Vontade podem aumentar no futuro, mas, novamente, nós estamos sempre fazendo nossas Vontades até certo ponto. Isto é, a Vontade não é “encontrada”, mas nossa consciência e entendimento dela podem melhorar. Visualizando a Vontade como algo que se encontra no futuro, exclui o nosso potencial para fazermos nosso melhor para fazer nossa Vontade no momento presente. Podemos lamentar as nossas circunstâncias, acreditando que tudo ficaria bem se “conhecêssemos nossas Vontades”, ao invés de trabalhar em nós mesmos no momento presente para nos tornar mais conscientes e alegres com o que já está acontecendo. Isto é, nossos próprios conceitos sobre o que é Vontade nos impedem de ver o que já está aqui: todos nós somos estrelas (AL I:3) e Hadit, a chama de nossas Vontades, está sempre no centro de nosso Ser (AL II:6). É nosso trabalho ou dever descobrir como trabalhar com nós mesmos e nosso ambiente a fim de tornar a Verdade dentro de nós mais manifesta do que inerente.

3) Você está fazendo sua Vontade ou você não está fazendo.

A linguagem usada ao redor da Vontade é frequentemente “digital” no senso em que falamos sobre isso em “on ou off” (ligar ou desligar). Eu acredito que é mais efetivo e adequado pensar em Vontade em termos “análogos”, ou seja, que estamos fazendo nossa Vontade até certo ponto. A linguagem de “Verdadeira Vontade” implica esse tipo de dicotomia digital de verdadeiro ou falso. Por outro lado, a ideia de “Vontade Pura” é uma questão de graus. A totalidade “pura” da Vontade é 100% Vontade com nenhuma mistura ou contaminantes, assim como um suco puro é 100% suco – não há qualquer conotação moral. Podemos (por questão de explicação) dizer que podemos não estar fazendo 100% de nossa Vontade, mas podemos estar fazendo 30% ou 80% de nosso potencial até o momento. Isso coloca a responsabilidade em nós mesmos para tentar aprovar nossa Vontade ao máximo, na forma mais “pura” possível. Isso significa também que nós não precisamos pensar nos outros em termos deles estarem ou não fazendo suas Vontades; ao contrário, todos estão fazendo suas Vontade até certo ponto ou outro, e tudo o que temos de fazer é tentar nos esforçar intencionalmente para chegarmos ao ideal de Vontade 100%.

4) Verdadeira Vontade é uma coisa única e imutável.

A linguagem usada ao redor de Vontade implica que Vontade é algo único, por exemplo, “é minha Vontade ser um médico”. Na verdade, a ideia de Vontade ser certa carreira em particular é um dos mais comuns exemplos de equívocos. Um exemplo é Crowley falando neste sentido quando ele escreve: “virá o conhecimento de sua vontade finita, através da qual um é poeta, outro profeta, outro ferreiro, outro escultor.” (De Lege Libellum). O erro está em pegar a ideia de “Vontade = a carreira certa” literalmente do que metaforicamente. Ou seja, uma carreira é uma metáfora para o que você faz com a sua vida, acreditando ser adequado para as suas tendências, talentos e aspirações. Obviamente a Vontade não está confinada a uma simples carreira – especialmente nos dias de hoje em que a maioria das pessoas tem várias carreiras ao longo da vida – como aparentou ser a vida do próprio Crowley. Não seria correto dizer que era a Vontade de Crowley ser poeta porque iria negligenciar que ele era um mago, não seria correto dizer que foi a Vontade de Crowley ser um alpinista porque iria negligenciar que ele era um jogador de xadrez, etc. Na verdade, a Vontade é – como já mencionado – “o aspecto dinâmico do Self…” (Liber II). E dinâmico, ou seja, em constante movimento. Crowley reforça isso quando ele escreve que a Verdadeira natureza do Eu é mover-se continuamente, deve ser entendido não como algo estático, mas como dinâmico, e não como um substantivo, mas como um verbo” (Dever). Esta natureza dinâmica da Vontade é ainda implícita na linguagem que a descreve como “Movimento” como quando Crowley escreve que a Vontade é “o verdadeiro Movimento do teu ser mais íntimo” (Liber Aleph, capítulo 9).

5) Verdadeira Vontade pode ser encapsulada completamente em uma frase.

Conectada com os equívocos anteriores é a noção que Vontade pode ser completamente encapsulada numa frase. Uma vez que a Vontade é dinâmica, a sua natureza é de “Ir”, nenhuma frase pode sempre encapsulá-la completamente. Existem, certamente, benefícios por se encapsular a vontade numa frase como tendo um padrão conscientemente articulado pelo qual se pode julgar se um determinado curso de ação é expressivo ou impeditivo da Vontade. Por exemplo, pode-se formular a Vontade como “É minha Vontade que meu corpo seja saudável”, que pode atuar como um padrão pelo qual você vai determinar que comer junk food (comida que não é saudável) não faz parte da sua vontade (para todos os efeitos práticos). Dito isto, deve haver um entendimento de que a Vontade está, em ultima instancia, além da articulação verbal. Como se diz: “Também razão é uma mentira, pois há um fator infinito e desconhecido; & todas as suas palavras são meandros” (AL II:32). A Vontade é suprarracional na medida em que não pode ser descrita com precisão ou completamente descrita pela faculdade da razão e do pensamento. Como Crowley disse: “[A mente] deve ser uma máquina perfeita, um aparelho para representar o universo de forma precisa e imparcial ao seu mestre. O Eu, a sua Vontade, e sua apreensão, deve estar totalmente além dela.” (Novo Comentário para AL II:28). A mente com seus pensamentos e razão é simplesmente uma parte do seu ser, a vontade é o Verbo de todo o nosso ser, então, naturalmente, uma pequena parte não pode inteiramente compreender e abranger o Todo.

6) Verdadeira Vontade requer uma experiência mística.

Em conexão com o Mito #2, existe a tendência em acreditar que o conhecimento da Vontade virá apenas com algum tipo de experiência mística, se o acredita (ou concebe) como o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, iluminação, a travessia do Abismo, ou qualquer outra coisa. Embora possamos dizer que o Conhecimento e Conversação (ou outras experiências místicas) podem ajudar a esclarecer a Vontade ou se livrar de seus obstáculos, tais como o egoísmo excessivo, a Vontade pode ser tanto sempre presente ou trabalhada até certo ponto. A noção de que só pode se conhecer a Vontade através de experiências místicas negligencia o fato de que há muito modos simples, diretos e até mesmo “mundanos” nos quais podemos trabalhar em nós mesmos para fazer melhor e mais completamente a nossa Vontade. Por exemplo, alguém pode perceber que certo relacionamento não está mais funcionando, então ele se agita, sofre, se amargura e ressente. Pode-se então perceber que a fim de realizar a Vontade mais plenamente, é preciso terminar o relacionamento. “Oh amante, se tu queres, partes!” (AL I:41). Há muitas coisas em nossas vidas que sabemos, em algum nível, que podem ser alterados para decretar mais plenamente nossas Vontades, como se livrar de certos hábitos que já são conhecidos por serem problemáticos. Se isto é tão simples como “assistir menos televisão”, ou concreto como “largar os opiáceos”, ou mais sutil como “ser menos ligado às expectativas”, ou mais geral como “tornar-se mais consciente e menos reativo emocionalmente”, existem muitas maneiras de trabalhar em nós mesmos que estão disponíveis para todos, sem a menor experiência ou inclinação para experiências místicas. Ainda mais preocupante é “acreditar que apenas alguma experiência mística no futuro” pode ser usada como uma desculpa ou um “desvio espiritual” para evitar lidar com estas questões mais “mundanas”, como as emoções não processadas ou hábitos indesejáveis.

7) Todos devem alcançar a Vontade.

A crença geral difundida entre Thelemitas é que há certo tipo de “verdadeiro Thelemita” ou “Thelemita ideal”. Outro ensaio explica mais detalhadamente por que isso é um equívoco, mas, em suma ele depende de ter preconceitos sobre o que é “certo” e “errado” para a Vontade dos outros, quando toda a fundação de Thelema repousa sobre a noção de que cada indivíduo é único. Uma manifestação desse preconceito sobre o que é “certo” é a noção de que todos devem estar se esforçando para “atingir”, significando alcançar algum tipo de gnose mística ou iluminação. Na verdade, o Livro da Lei diz na mesma linha que seu lema central: “Quem nos chama Thelemitas não cometerá erro, se ele apenas observar bem de perto a palavra. Pois dentro dela existem Três Graus, o Eremita, e o Amante, e o homem da Terra. Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei” (AL I:40). Isto é explicado em A Visão e A Voz quando se diz: “O homem da terra é o devoto. O amante dá a sua vida para trabalhar entre os homens. O eremita caminha solitário dando aos homens apenas a sua luz.”. Não é inerentemente a Vontade de todos se tornarem um eremita e alcançar as alturas da iluminação espiritual. – Pode muito bem ser a vontade de alguém viver a sua vida sem se preocupar com essas coisas. Mais claramente o Livro da Lei diz que “a lei é para todos” (AL I:34). Essa insistência de que todos têm que “atingir” pode facilmente se transformar em forma de auto-superioridade espiritual que é contrário ao espírito da liberdade que permeia a lei.

8) Sua Vontade não tem nada a ver com as outras pessoas.

É típico conceber a Vontade como algo inerente ao individuo e que não tem nada a ver com as outras pessoas e suas circunstâncias. Eu acredito que isto é simplesmente uma falha de linguagem usada para descrever Vontade do que uma realidade. Nós todos somos incorporados em uma interconexão complexa de forças – somos todos estrelas na teia do Espaço Infinito – e ambos afetam e são afetados por tudo que nos rodeia: “Suas ações afetam não apenas o que ele chamou a si mesmo, mas também todo o universo.” (Liber Librae). Vendo como a Vontade é o aspecto dinâmico da nossa natureza, deve inerentemente se adaptar à situação ou circunstância em que se encontra. Crowley fala isso quando ele escreve que a vontade é “a nossa verdadeira órbita, como demarcada pela natureza de nossa posição, a lei do nosso crescimento, o impulso de nossas experiências passadas.” (Introdução ao Liber AL). A nossa “posição” muda constantemente e a Vontade é “marcada” em parte pela natureza de nossa posição. A nossa “posição” envolve o meio ambiente e as pessoas ao nosso redor. Praticamente qualquer tipo de articulação da Vontade – por mais que provisória ou experimental – deve incluir o meio ambiente ou outras pessoas de alguma forma. Para dizer “é minha vontade comer menos” envolve a comida em seu ambiente, dizendo “é minha vontade ser gentil” envolve a sua bondade para com outras pessoas, dizer “é minha vontade promulgar a Lei de Thelema” envolve aqueles a quem você irá promulgar etc. Mesmo dizer “é minha Vontade alcançar o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião” necessariamente requer que você crie adequadamente o ambiente propício para atingir esse objetivo. Na verdade algumas das melhores lições vêm de estar em sintonia com o seu ambiente e aqueles ao seu redor ao invés de ignorar a sua importância ou impacto. Se você estiver recebendo mensagens constantes na forma de dificuldades desnecessárias de quaisquer naturezas, talvez seja uma lição para alterar a forma como você está se adaptando ao seu ambiente, em vez de insistir mais fortemente no curso de seu caminho e apenas intimidando aos outros.

9) Verdadeira Vontade significa que você estará livre do sofrimento.

A ideia de Verdadeira Vontade, muitas vezes leva a noções utópicas e irrealistas quanto ao que Vontade vai realmente parecer. A ideia de que fazer a Vontade liberta do sofrimento é irrealista em vários níveis. Em primeiro lugar, o sofrimento é inerente à existência de alguma forma ou de outra, na medida em que todos nós ficamos doentes, sofremos perdas, envelhecemos, sofremos prejuízos e morremos. Nós sempre vamos encontrar algum tipo de resistência ou dificuldade em nossas vidas. Isso não deve ser visto como uma espécie de marca de fracasso em sua tentativa de fazer a tua Vontade, mas sim, essas ocorrências inevitáveis de sofrimento, resistência e dificuldade são os meios pelos quais nós aprendemos e crescemos. Como se diz, “Tu então que tens provas e problemas, regozija-te por causa deles, pois neles está a Força e por meio deles é aberta uma trilha àquela Luz… pois quando maior for tua prova, maior o teu triunfo” (Liber Librae). Essa ideia de que “fazer a sua Vontade = sem sofrimento” também depende da noção de que a Vontade seja “on” ou “off”, como mencionado no Mito n°3: mesmo que estejamos no modo de “Vontade 100%” por um tempo, todos nós, inevitavelmente, erramos, encontramos dificuldades imprevistas, ou simplesmente “escorregamos” e não fazemos o melhor que podemos. Além disso, o próprio desejo de ser livre do sofrimento é, em certo sentido, uma ideia do Antigo Aeon: Thelemitas não procuram transcender o mundo material, se isentar do Samsara, ou até mesmo evitar o sofrimento. Reconhecemos a realidade como ela é, sem insistir em estar de acordo com os nossos ideais a priori assim como ao “como o mundo deveria ser”. Nós aceitamos o sofrimento e as dificuldades da vida como “molho picante ao prato do Prazer” (Liber Aleph, capítulo 59). Eu acredito que é mais correto dizer que fazer a própria Vontade significa que você vai estar livre de uma grande dose de sofrimento desnecessário. Uma grande parte do nosso sofrimento não é de fato inerente ou necessária, mas nós, através dos nossos vários hábitos e pobres equívocos, nos sujeitamos à dificuldade que pode ser evitada em grande parte ou totalmente, se nos tornarmos mais conscientes e em sintonia com as nossas Vontades.

10) Verdadeira Vontade significa estar livre de conflito.

Conectada ao mito anterior é a noção de que fazer a própria Verdadeira Vontade significa que estará livre de todos os conflitos. Isso geralmente é baseado ao fato de que o Livro da Lei diz: “tu não tens direito senão fazer a tua Vontade. Faça isso e nenhum outro dirá não” (AL I:42 – 43) e Crowley escreveu que “[a lei] parece implicar uma teoria que, se cada homem e cada mulher fizesse a sua Vontade – a Verdadeira Vontade – não haveria conflito” (Liber II). Realisticamente, sempre haverá pessoas que “dizem não”, independentemente do grau em que você está fazendo a sua Vontade, e sempre será “conflitante”. A questão real vem de uma compreensão do “confronto”. Se confronto significa conflito interpessoal na forma de desacordo ou argumento, nunca haverá um fim a este a menos que todos nós nos tornamos autômatos, irrefletidos – o qual certamente não é o objetivo da Lei da Liberdade. Semelhante ao mito anterior, eu acredito que é mais correto dizer que fazer a própria vontade significa que você estará livre de uma grande quantidade de conflitos desnecessários. Grande parte do nosso conflito com os outros dependem da nossa insistência em saber o que é “certo” para os outros, as nossas próprias expectativas e normas impostas aos outros, insistindo em manter uma posição baseada numa autoestima do ego e identidade que está amarrada com a nossa posição e muitos outros erros que se afastam naturalmente na medida em que nos concentramos em nossa Vontade ao invés de discutir. Talvez essa seja a razão para sermos ensinados a “não discutir, não converter; não falar em demasia” (AL III:42). Novamente é um tipo de fantasia do Velho Aeon o mundo ou a vida de alguém ser livre de conflitos. Eu acredito que a aceitação e o envolvimento com o conflito é uma marca distintiva de uma pessoa que tem uma mentalidade do Novo Aeon, ao invés do Velho Aeon. Como Crowley escreveu, “O combate estimula a energia viril ou criativa” (Dever). Mesmo as formas mais triviais e mundanas de conflito, como equipes rivais em esportes ou pontos de vistas opostos em um debate, permitem que a diversão do jogo esteja em primeiro lugar. Ao invés de procurar ser livre de conflitos, podemos fazer melhor examinando os conflitos em nossas vidas e determinando até que ponto eles são o resultado da nossa incapacidade de concretizar plenamente a nossa Vontade, a fim de viver mais plenamente e com alegria.

O que todos esses 10 mitos implicam é uma visão da Vontade como algo sempre presente até certo ponto, sempre dinâmico e mutável, sempre capaz de ser trabalhado, e, trabalhado independentemente de ter experiências místicas ou não, embutido dentro do contexto do nosso ambiente e outros indivíduos, e aceitar o sofrimento e o conflito como coisas inerentes a existência, coisas mais para serem trabalhadas do que evitadas. Esta lista não é exaustiva de qualquer maneira, e há, obviamente, muitas nuances para a ideia de Vontade e muitas outras maneiras de compreendê-la. No entanto, espero que desafiar algumas dessas ideias como mitos ou equívocos possa libertar o nosso pensamento a fim de tornar-se consciente do grande potencial em cada momento de decretar e regozijar em nossas Vontades.

Amor é a lei, amor sob vontade.

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dez-mitos-sobre-a-verdadeira-vontade

Mapa Astral de Michael Jackson

Michael Joseph Jackson (Gary, 29 de agosto de 1958 — Los Angeles, 25 de junho de 2009) foi um famoso cantor, compositor, ator, multiinstrumentista, coreógrafo, diretor, dançarino, produtor, empresário, filantropo e humanitário norte-americano.

Começou a cantar e a dançar aos cinco anos de idade, iniciando-se na carreira profissional aos onze anos como vocalista dos Jackson 5; começou logo depois uma carreira solo em 1971, permanecendo como membro do grupo. Apelidado nos anos seguintes de King of Pop (“Rei do Pop”), cinco de seus álbuns de estúdio se tornaram os mais vendidos mundialmente de todos os tempos: Off the Wall (1979), Thriller (1982), Bad (1987), Dangerous (1991) e HIStory (1995). Lançou-se em carreira solo no início da década de 1970, ainda pela Motown, gravadora responsável pelo sucesso do grupo formado por ele e os irmãos. Em idade adulta, gravou o álbum mais vendido e popular da história, Thriller. Jackson é frequentemente citado como “O maior ícone negro de todos os tempos”, e com grande importância para a quebra de barreiras raciais, abrindo portas para a dominação da música negra na música popular, e pessoas como Oprah Winfrey e Barack Obama conseguirem o status que tem hoje em dia.

Sol e Plutão em Virgem, Lua em Peixes, Ascendente em Escorpião e Caput Draconis em Libra. Mercúrio, Vênus e Urano em Leão (com Mercúrio em conjunção com o Meio do Céu); marte em touro.

Michael Jackson não é exatamente um exemplo de pessoa sã, mas ninguém pode dizer que ele não seguiu aquilo que o seu coração ditava. O Mapa de Michael mostra o que acontece quando se pega as energias de um mapa e as desloca para os extremos da escala.

Mostra uma pessoa extremamente organizada e metódica ao mesmo tempo em que possui uma alma pura e sensível. A combinação entre virgem-peixes (racional/emocional) não costuma ser fácil de se lidar. No Caso do Michael Jackson, ele extrapolou (e exagerou) estas energias tanto no campo da sensibilidade, com suas belas criações musicais, quanto na área metódica/paranóica/TOC virginiana.

Seu Planeta mais forte é Mercúrio (em Leão cravado no MC), com 7 Aspectações. Indica um potencial criativo muito acima da média, além de uma desinibição e capacidade de se colocar em público ou diante dos holofotes maior do que a média das pessoas (no caso dele, também extrapolada nos limites da escala). Esta combinação é encontrada em muitos artistas performáticos (vale comparar que James Randi, the Amazing Randi, também possui Vênus e Mercúrio em Leão, por exemplo). Ao contrário de Randi, que possui natureza briguenta (Lua em Áries), a criatividade de Michael era voltada para o lado sensível (Lua em Peixes) e introspectivo, resultando em uma fuga da realidade mais do que um confronto com ela.

Por fim, a combinação das energias de Leão-Libra definem um aspecto de harmonia/beleza com exposição/exibição e é muito encontrado em bailarinas, dançarinas e coreógrafos (e nenhuma surpresa encontrar esta combinação no Mapa do Michael Jackson).

Sempre achei que o MC fosse mesmo apenas um peter-pan distanciado da realidade, e não um doente malvado pedófilo, como quiseram retratá-lo. O Mapa Astral dele confirma esta impressão.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-michael-jackson

Bibliografia Estrangeira sobre lobisomens

Em La Genèse des Mythes, Alexandre Krapper (Paris, 1915) escreve:

“Diz uma lenda búlgara que o Diabo faz o corpo do lobo, mas não consegue animá-lo. É preciso que Deus o faça:

Na Escandinávia, o deus Tir tem sua mão direita arrancada pelo lobo Fenrir.

O lobo é comumente obra do espírito das trevas.”

Não obstante, cultos endeusaram o animal desde tempos muito antigos. A figura do lobo, como se sabe, esteve sempre presente tanto na mitologia clássica como na folclórica. Nesta, emprestou seu nome e seu aspecto ao Lobisomem.

Ele chegou até aqui vindo da Europa, na época da colonização. Tem-se notícia de sua existência já em era muito remota e o mundo todo o conhece, com variações.

O Lobisomem apresenta-se – no contexto da cultura erudita – na tradição clássica da Grécia, de onde se transportou para Roma.

Na Grécia, o rei Licaon tentou matar Zeus. Em outra lenda, Licaon fez um sacrifício humano e a ira divina recaiu sobre ele. Ou Licaon serviu a Zeus carne humana. Ou ainda Licaon sacrificou ao deus o seu próprio filho. Em todas essas lendas, o final é o mesmo. O rei foi transformado para sempre em lobo, como castigo.. Mas se não se alimentasse de carne humana por dez anos, recuperaria o aspecto de homem.

É curioso notar, entretanto, que mesmo antes de tornar-se lobo, o rei já lhe portava o nome: Licus, Luko.

Na mitologia pré-helênica, para alguns, já teria havido um ZeusLicaeus; a mais antiga crença local. Outros indicam a evocação desse deus como sendo posterior à pena sofrida por Licaon. O ZeusLicaeus era o deus da luz (luke) e pode, também, ter havido confusão entre esse vocábulo e luko, lobo.

Também não seria despropositado supor-se a existência de um rito com oferendas ao deus-lobo, a fim de que ele poupasse os rebanhos e que esse culto se realizasse com os sacerdotes vestidos com a pele do animal-deus.

Em Roma, sempre houve veneração pelo lobo. Rômulo, o fundador da cidade e seu irmão gêmeo, Remo, abandonados ao nascer, foram amamentados por uma loba antes de serem recolhidos por Fáustolo e sua mulher Acca Laurentia. A loba de Roma, a deusa Luperca, era homenageada com festas denominadas Lupercais (festas do lobo), que, no ano 494 depois de Cristo, tiveram o nome mudado para Festa da Purificação.

No século I, na Roma de Nero, Tito Petrônio Arbiter escreve o Satíricon. No capítulo LXII, Niceros, no banquete de Trimalcion, relata a estória do soldado que se transforma em lobo.

Este é o mais antigo registro existente, em literatura erudita, da Estória do Lobisomem. Nessa estória, traduzida para o francês por M. Héguin de Guerle, Niceros narra a sua saída com um soldado, seu companheiro; em certa noite de Lua, tão clara como se fosse o meio-dia. Puseram-se a caminho ao primeiro canto do galo. Ao fim de uma estrada encontraram-se entre sepulturas. Subitaments, começou o soldado a conjurar os astros. Depois, despiu-se e colocou as roupas junto à estrada. Em seguida, urinou à volta delas e, nesse instante, transformou-se em lobo. Pôs-se então a uivar e embrenhou-se na mata. As suas vestes tornaram-se em pedras. Niceros, apavorado, saiu correndo e chegou à casa de Melisse. Esta, espantada por vê-lo ali a desoras, disse-lhe que, se tivesse chegado um pouco mais cedo, teria sido de grande valia; pois um lobo penetrara no curral e degolara todos os carneiros. Uma verdadeira carnificina! Mas, embora tivesse escapado, fora gravemente ferido no pescoço, por um criado. Intrigado e horrorizado, e como o dia já vinha clareando, voltou rapidamente pelo mesmo caminho. Ao passar pelo lugar onde as roupas haviam-se transformado em pedra, verificou que ali só restava sangue. Entrando no alojamento, encontrou o soldado estendido na cama; sangrava abundantemente e um médico o atendia, tentando estancar a hemorragia do pescoço. Foi então que percebeu tratar-se de um Lobisomem.

Nos primórdios da era cristã, tanto Ovídio como Petrônio registraram que o Lobisomem era fruto de penitência, de castigo, ou era uma transformação voluntária e temporária, como acontecera ao soldado da estória. Também em transformação voluntária fala o poeta clássico da antigüidade, Virgílio, nas Bucólicas, em tradução de Manuel Odorico Mendes.

“Meris estes venenos e estas ervas
Com eles Meris vi, tornado em lobo.”

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E ainda nas Éclogas, em versão de José Pedro Soares – Lisboa, 1800./
Meris me deu as ervas que sahia Os venenos de que Ponto abundava; Com eles ele lobo se fazia,
Nos matos, invisível se ocultava”.

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Os romanos, povo conquistador, divulgaram largamente o mito do Lobisomem pelas terras conquistadas. Para eles, o homem transformado em animal era Versipélio. Para os gregos, Liçantropo. É o Valkodlák dos eslavos, o Werewolf dos saxões, o Wahrwolf dos germanos, o Óbaroten dos soviéticos, o Hamrammr dos nórdicos, o Loupgarou dos franceses, o Lupo-mannaro dos italianos; o Luisán ou Lobisón dos Paraguaios, o Lobisome ou Lobizón dos argentinos, o Lobisomem da Península Ibérica e da América Central e do Sul com suas modificações para Lubizon, Lubisome, Lobisomi, Labisomi, Lambisome, Lubisono, Lobo-homem, Lobisa, Porcalhão.

Licantropia é o “estado de alienação em que o doente se imagina transformado em lobo. Licomania.’ (Dicionário de Termos Médicos – Dr. Pedro Alves Pinto). Por extensão, esse vocábulo designa, também, a mutação do homem em animal por meio de ritos, invocações ou poderes mágìcos, ou, ainda, como conseqüência de maldição.

O historiador Heródoto acreditava que povos do leste da Europa, onde se situa a Romênia, possuíam a faculdade de se transformar em lobo, durante alguns dias do ano. Retornavam depois à forma humana. Esses povos, denominados Neuros, durante o culto ao deus-lobo, atacavam traiçoeiramente pessoas desprevenidas, com fins de antropofagia e também bebiam sangue humano.

Nos bosques da Itália Central primitiva, sacerdotes do Sorano (um dos nomes de Plutão, rei dos infernos) do povo Sabino, que habitava essa regíão, entregavam-se ao seu culto envolvidos em peles de lobo, o animal do deus.

Lupo-mannara, o Lobisomem da Itália, ataca e devora pessoas,especialmente crianças.

No folclore lapão, se um homem comete um crime de morte e não se confessa culpado, pode ver-se transformado em lobo, por artes do Diabo. Lá se acredita também que é impossível matar um lobo com uma bala comum, a menos que houvesse permanecido no bolso de alguém que tivesse assistido à missa por dois domingos seguidos.

Certas tribos africanas são tidas como praticantes da mutação com complicadas iniciações secretas, e seus membros reproduzem o comportamento do tigre e do leopardo, mascarados com peles desses animais.

Na ilha Sumatra (Indonésia) os homens de uma tribo afirmam possuir a faculdade de se transformar em tigre. Por toda a Ásia, membros de determinadas Associações confessam abertamente que retêm o poder de metamorfose, com regressão ao estado anterior.

No folclore soviético, as alcatéias de lobos famintos que uivam, nas noites de inverno rigoroso, são Lobisomens cumprindo o seu fadário, após o que, um dia, voltarão ao convívio dos homens.

Na China, os Lobisomens, depois de mortos, conservam a forma do animal. Lá existe ainda o Lobisomem fêmea. A mãe de um general, acredita-se, transformou-se em loba aos setenta anos de idade.

No folclore chinês aparece também a estória de um camponês que se viu atacado ferozmente por um lobo. Para livrar-se, subiu em uma árvore. O animal, no entanto, dava-lhe botes e com isso rasgava-Ihe a calça. O homem, para se defender, deu-lhe uma machadada na cabeça. No dia seguinte, verificou que um seu conhecido estava ferido na cabeça, e tinha, nos dentes, fiapos do tecido de sua roupa.

O Lobisomem feminino é encontrado na África, na forma de hiena ou pantera e é uma penitência que a mulher que cometeu pecado mortal deve cumprir por sete anos. Na Armênia, uma pele de lobo cai sobre ela, que à noite devora os próprios filhos, os filhos de seus parentes mais chegados e outras crianças, retomando, ao amanhecer, a forma humana.

No folclore irlandês, “o fato do homem e da mulher transformarem-se em lobos a cada sete anos é por demais conhecido…” Lá, a fêmea do Lobisomem é chamada Conoel.

Encontra-se o Lobisomem fêmea também na Bretanha. Uma mulher saiu à noite e logo após, uma grande gata entrou em sua casa. O marido machucou-a, ao tentar espantá-la com um pedaço de lenha. Passados três dias a esposa retornou, com um corte em uma das mãos.

Segundo Sébillot, acreditava-se, na Bretanha de 1832, que os Lobisomens fossem homens transformados em lobo por estarem há dez anos afastados do confessionário. Outras vezes o castigo era atribuido ao fato da pessoa não ter mergulhado os dedos numa pia de água-benta pelo espaço de sete anos. Em 1870, dizia-se, na Baixa-Bretanha, que os Lobisomens vestiam-se com uma pele de lobo e então absorviam sua personalidade, correndo pelos campos e bosques, atacando pessoas e animais. Ao clarear o dia, escondiam sigilosamente essa pele e voltavam para casa. Havia uma grande afinidade entre a pele e o seu próprio corpo, de tal forma que, certa vez, um homem, que a escondera dentro do forno de sua casa, pôs-se a gritar que estava sendo queimado, quando a esposa acendeu o forno. Ainda em região da Bretanha, crê-se que para os homens se transformarem em animal basta que se untem com uma pomada fornecida pelo Diabo. Dessa forma transformam-se não só em lobos, mas ainda em vacas ou gatos.

Em sua Histoire de la Magique en France (História da Mágica na França), Garinet narra acontecimentos de 1573; quando Gilles Garnier foi a julgamento – acusado de ter devorado várias crianças ao se transformar em Lobisomem. Condenado, foi arrastado ao local da execução e queimado vivo.

Esse homem viu-se, um dia, a braços com problemas e, com o intuito de se acalmar, embrenhou-se na floresta. La encontrou um fantasma com forma humana que lhe propôs fazê-lo transformar-se em lobo ou qualquer outro animal. Escolheu a forma de lobo e conseguiu a metamorfose esfregando-se com um ungüento especial, como confessou durante o julgamento.

Outro caso deu-se com um menino de treze ou catorze anos, que confessou só não ter devorado sua amiga pastorinha Margarida, porque esta conseguira defender-se valenternente com um pau. Mas declarou já ter devorado algumas crianças, quando transformada em lobo. Ao lhe perguntarem por que artes conseguia essa transformação, relatou que um seu vizinho o apresentara ao Senhor da Floresta, que Ihe dera um ungüento para se esfregar e que esse ungüento ficava sob a guarda do Senhor, mas que ele podia usá-lo quantas vezes o desejasse, Este menino, Jean Grenier, foi declarado pelos juízes portador de licantropia e, por esse motivo, escapou à morte, sendo condenado à prisão perpétua.

Crê-se também que a metamorfose possa acontecer ao ingerir-se uma beberagem oferecida pelo Diabo. E se os Lobisomens não se recordarem do lugar ande deixaram a garrafa com a bebida, serão lobos para sempre.

Existe ainda a crença de que é preciso possuir duas garrafas: a primeira com a bebida para a metamorfose e a segunda para o retorno à forma humana.

Uma outra maneira de se obter a transformação na França, Inglaterra, URSS e certas regiões da Europa, é bater a parte baixa das costas repetidamente em porta de igreja, recitando uma fórmula mágica. Ou então utilizar um cinto confeccionado com a pele do animal.

no qual o indivíduo deseja transformar-se; ou cobrir-se com essa pele; beber água acumulada no seu rastro; comer alimentos abandonados pelo animal; comer carne na sexta-feira santa; partilhar o covil ou a ração de um lobo; untar-se com ungüento feito com um dos seguintes ingredientes: gordura de lobo, folhas de meimendro, de beladona, de papoula, de eleboro, de cânhamo ou de datura.

Para cessar o encantamento, retirar o cinto mágico; ficar cem anos de joelhos no local; ser publicamente acusado de Lobisomem; ser saudado com o sinal da cruz; ser chamado pelo nome de batismo; ser ferido, de forma a perder sangue; ao percorrer sete cidades, entre um local e outro mergulhar na água, ou espojar-se no orvalho.

Proteção contra o Lobisomem é participar-se, anualmente, de fogueira em festa de S. João. Há ainda um sem número de fórmulas mágicas a serem recitadas; com a mesma finalidade.

Em 1598, uma criança foi devorada, nos arredores de Angers. Caçadores depararam-se com uma criatura selvagem, não muito distante do cadáver. Esse selvagem confessou-lhes haver devorado a criança, juntamente com seu pai e seu primo, ambos Lobisomens, como ele. Condenado à morte, apelou, sendo declarado, então, mais louco do que criminoso e mandado para o hospital Saint-Germain-des-Pres.

Van Gennep, citado por Daniel Bernard, escreve que em Auvergne, o Lobisomem é um mortal que se levanta à noite e, coberto com uma pele de animal selvagem, corre loucamente, sobre pés e mãos, atravessando os campos. É invulnerável a balas. Se consegue devorar o primeiro animal que encontra no seu caminho, tornase inofensivo; do contrário, devasta tudo por onde passa e mata até crianças. Sua esposa, que esta a par dessa possessão, prepara-lhe uma pasta semelhante à dos parcos, que engole na volta, ao clarear o dia. Na manhã seguinte retoma suas ocupações habituais e nada trái sua infelicidade, a não ser a extraodrinária rugosidade das mãos. Se for ferido e sangrar durante a corrida da noite, cura-se; mas infeliz do amigo que lhe prsetar tal serviço: o Lobisomem será obrigado a fazê-lo em pedaços.

Os párocos possuíam o poder de transformar um criminoso, que não confessasse o seu crime, em Lobisomem. No primeiro domingo, advertiam o culpado; no segundo, se ele não se acusasse, era avisado do que lhe aconteceria no domingo seguinte; e neste, ficava ciente de que, após o terceiro aviso, a sentença seria pronunciada; sentença horripilante. Mulheres nervosas deveriam abster-se de assistir a tal cerimônia. Do alta do púlpito, o sacerdote lia a fórmula aterradora. Apagava então a chama do círio e gritava: Que a alma do culpado se apague como esta luz!

O criminoso transformava-se imediatamente em animal e começava sua corrida, que se prolongaria por sete anos, através de sete paróquias. Não podia, também, desvendar seu terrível segredo, sob pena de ser amaldiçoado por mais sete anos.

Em 1521, Pierre Burgot e Michel Verdung enfrentaram o juiz Bodin; demonólogo e inquisitor de feiticeiros. Confessaram haverem-se acasalado com fêmeas de lobo. Burgot teria assassinado um jovem, com patadas e dentadas de lobo; Michel teria matado uma jovem e, ambos, finalmente, declararam havèr devorado quatro moças. Foram condenados à fogueira, sem produção de outras provas.

Na Bretanha existem também os amestradores de lobos. Eles, quando assim o desejam, tomam uma bebida oferecida pelo Diabo e transformam-se em lobo. Têm grande domínio sobre esses animais. Quando metamorfoseados e feridos, assim que o sangue corre, voltam à forma humana. Sobre eles existe este relato:

Um homem perdido na floresta chegou a uma encruzilhada, onde encontrou um amestrador de lobos, com alguns à sua volta. Recebeu dois dos animais como guias e guardas e eles o conduzram fielmente até a casa, são e salvo. Mas teve que observar uma recomendação: não cair durante a caminhada è dar aos lobos, assim que chegasse, pão e galette de blé noir (bolo folheado, escuro, feito de grãos de centeio ).

A autora1 encontrou, em transcrição, uma narrativa de Alain Decaux intitulada La Bête de Gévaudan, a qual traduz livremente de forma abreviada.

A Fera de Gévaudan

O Gévaudan é a atual província de Lozère, abrangendo, também, uma parte do Alto-Loire. É uma região áspera, dura, de beleza selvagem. Situa-se entre gargantas de montanhas e montes calcários, pedregosos.

Sua principal riqueza é a pecuária e seus rebanhos de vacas, carneiros, cabras, cavalos e burros precisam pastar nos flancos dessas montanhas, pastoreados por crianças de seis a quinze anos, e por velhos.

Tudo começou na primavera de 1764, há mais de dois séculos, portanto. Mas o fato ainda é lembrado e comentado, nos nossos dias.

Através de documentos da época, Alain Decaux rememora os acontecimentos.

“Uma Fera monstruosa semeia o pavor e o desespero na região, atacando e matando sem cessar, especialmente crianças, adolescentes e mulheres.

A primeira vítima foi uma menina de catorze anos, Jeanne Foulet. Dentro de pouco tempo, mais adolescentes. Em seguida, uma mulher de trinta e seis anos, que cuidava do seu jardim, em frente a casa. Enfrentando o povo, calma, ousada, sem pressa, a Fera abocanhou-Ihe o pescoço, bebeu-lhe o sangue e, em seguida, devorou-a.

A Igreja declarou-a fruto da cólera divina, por pecados cometidos pelo povo: O pavor tomou conta de todos.

Os registros da época referem-se a animal desconhecido. De fato, os que o viram afirmaram categoricamente que não era um lobo. Lobos, eles os conheciam bem. As descrições apresentaram-no com esta aparência:

Tem o porte de um vitelo de um ano os olhos grandes como ele; é baixo na parte da frente e as patas são providas de garras; a cabeça é grande, terminando em focinho alongado; as orelhas são menores do que as de um lobo e espetadas, como chifres; o peitoral é largo e recoberto de pêlos acinzentados; os flancos são avermelhados; acompanhando a espinha, uma listra negra. Mas o que mais impressionava a todos era a sua goela, uma bocarra imensa e provida de afiadíssimas presas, capazes de decepar as cabeças das vítimas como uma navalha. Goela horrenda.

Descreviam-no ainda como tendo andar lento e correndo aos pulos, em velocidade inacreditável. Era visto ora num lugar e ora noutro, a distância que nenhum animal poderia percorrer dentro daquele espaço de tempo. Alguns concordavam que ele pudesse ser semelhante ao lobo; mas eram todos categóricos ao afirmar que não era, em absoluto, um lobo, mas uma fera jamais vista antes.

O número de vítimas aumentava assustadoramente. A população entrou em pânico.

Vieram para o local os Dragões – força armada, comandada pelo capitão Dúhamel: 57 homens, sendo 17 à cavalo. O capitão defrontou-se com a Fera. Atirou, feriu-a. Ela fugiu, mas ele teve tempo de vê-la bem. Declarou que deveria tratar-se de um produto híbrido, cujo pai seria um leão. Mas quem seria a mãe? Um mês se passou e ela não foi abatida. Retiraram-se os Dragões.

O Rei ofereceu alta recompensa a quem a capturasse ou matasse.

Na região, corriam notícias de que se tratava de um Lobisomem, pois uma mulher chegara à cidade, espavorida, relatando que, na estrada, ao ser ajudada a montar, por um desconhecido, observara-lhe as mãos e estas eram inteiramente recobertas de grossos pêlos.

Empreenderam marchas e emboscadas e seguiram os rastros da Fera. O resultado foi nulo. Parece que ela adivinhava a presença deles e desaparecia. Mas continuava fazendo vítimas, sem cessar, simultaneamente em lugares os mais distantes, parecendo ter o dom da ubiqüidade.

Um jovem fidalgo, avistando-a da janela do seu castelo, armou-se e, acompanhado de dois irmãos, partiu ao seu encalço. Defrontaram-se. A Fera não aparentava medo; pelo contrário, parecia atrevida, ousada. Foi, desta vez, ferida no pescoço e no peito. O sangue jorrou em abundância. Os três irmãos declararam que, embora tivesse fugido, não sobreviveria. Dois dias depois, entretanto, continuava a atacar e matar.

O lugar-tenente dos caçadores do Rei, senhor François-Antoine, veio para o local. A área onde a Fera corria era extensa e de matas fechadas. Mas um dia, afinal, Antoine, como ficou conhecido, encontrou as pegadas de uma loba e seus filhotes, que lhe pareceram enormes, e profundas, devido ao peso dos animais. E de repente, avistou o animal que, não tinha dúvidas, era a Fera!

Monstruosa, patas curtas, corpo muito comprido, goela assustadora, avançou para ele. Antoine estava sentado. Mirou, atirou. A bala atingiu o olho direito da Fera, atravessou a cabeça e fraturou-lhe a base do crânio. Que animal resistiria a isso? Ela caiu. Morta? Não. Levantou-se e avançou novamente. Mais um tiro e ela tombou. Desta vez, sim, morta.

Aproximou-se. Parecia um lobo. Mas um lobo como jamais alguém havia visto. Medonho, gigantesco, com flancos avermelhados e aquela listra negra no lombo. Foi, por centenas de testemunhas, reconhecido como a Fera.

Alívio geral. Empalharam-na e remeteram-na para a Corte, como prova da façanha. Pesou 65 quilos e mediu 1,43 m. do focinho às patas traseiras e 1,90 m. até a ponta da cauda.

Antoine foi condecorado e agraciado com uma pensão. Alguns dias mais tarde seguiu os rastros da fêmea. e matou-a, assim como aos filhotes. Parecia o fim do pesadelo, afinal.

Passados, entretanto, menos de dois meses, o horror recomeçou. A Fera lá estava de novo, atacando e matando.

Desesperado, o povo organizou uma romaria a Nossa Senhora D’Estours. Entre os peregrinos encontrava-se um cidadão maduro, porém sadio, vigoroso. Era Jean Chastel. Na chegada, entregou seu fuzil para benzer, juntamente com três balas.

O extraordinário é que exatamente nesse momento Jean Chastel terminara de ler as Litanias. Calmamente, sem pressa, retirou os óculos e guardou-os no bolso. Empunhou o fuzil. Mais extraordinário ainda é que a Fera, imóvel, o observava, como que obedecendo a um comando. Mirou. Atirou. Acertou o animal no quarto dianteiro. Ele não se mexeu. Mas quando os cães acorreram e saltaram sobre ele, caíu. A Fera, finalmente, estava morta.

Jean Chastel aproximou-se dela e murmurou:

– Fera, não mais devorarás.

E então, enfim, todos puderam dormir em paz.

Voltando ao passado: Informam os documentos da época que em 1762, dois anos antes, portanto, do aparecimento da Fera, havia, naquela região, uma família de amestradores de lobos. Usaram-nos certa ocasião para um assalto a viajantes, ordenando-lhes que os devorassem. Pelo crime foram condenados à forca. Seria Jean Chastel um dos filhos que escapou a tal morte?”

Bernard Alliot, em artigo no jornal francês Le Monde n.° 1738 – ano 1982 – tece comentários sobre a terrível Fera de Gévaudan, ainda viva na memória do povo, partindo dos mesmos documentos da época, que serviram de subsídio ao relato acima. Essa colaboração, intitulada Loup, y est-tu?2 (Lobo, estás aí?) informa que “não há mais lobo. Exterminado, desapareceu o sinistro canis lupus que semeou o terror durante séculos, nos campos . . . Ele é o símbolo do grande devorador; ao lado do Ogre. O terrível lobo de Sarlat3 tinha 42 dentes trinchantes e afilados dos quais 4 em forma de gancho. No século XVIII, Buffon, conhecido por sua serenidade, ressaltou que não há nada de bom nesse animal a não ser a sua pele. Mas Gengis Khan – e isso se compreende – gabava-se de ter um ancestral lobo. Hitler gostava de ser chamado oncle Wolf (tio Lobo).

Na mitologia judaica, o lobo é considerado um animal impuro, uma figura do Maligno. Portanto, não é de surpreender que na imaginação dos povos cristãos surja o Diabo com olhos de brasa…

Os testemunhos de pessoas atacadas, os massacres causados pelas feras, a esperteza e a resistência desses animais, a atitude da Igreja, associando o assalto dos lobos a uma punição divina, além da voz do povo, criaram em torno do animal uma atmosfera de terror e de feitiçaria. O homem introduziu-o em contos e estórias, apossando-se dos seus poderes maléficos. O amestrador de lobos, em troca de um pacto com Satã, detém o poder sobrenatural de comandá-los.

Lobisomens cobrem-se com a pele do animal maldito e perambulam à noite por árduos caminhos. Segundo a crença do povo, essas pessoas, vítimas de feitiçaria, são condenadas a vagar sob a Lua uivando como lobos.

Visando ao equilíbrio natural, ecologistas desejam reintroduzir na França alguns exemplares deste animal desaparecido. Deverão primeiramente, conseguir extrair do conceito popular o terror do lobo, ali fixado por toda uma marcante mitologia.”

A autora recebeu, da França, as duas publicações anteriores, a obra L’homme et Le Loup, (O homem e o Lobo), de Daniel Bernard e Daniel Dubois, e o Guide de L’Auvergne Mystérieux (Guia do Auvergne Misterioso), da coleção Guides Noirs (Guias Negros).

Esse volume, de Annette Lauras-Pourrat, apresenta interessante material sobre o Lobisomem, o Loup-garou dos franceses. Isso vem comprovar o interesse que o mito desperta, ainda hoje, pois trata-se de coleção destinada a turistas, sendo cada volume referente às principais curiosidades (de horror) de detèrminada região.

Auvergne é antiquíssima e situa-se no maciço central da França. Relata a História que no ano 52 a.C. foi anexada a Roma. É procurada pelos turistas especialmente pela beleza e imponência de suas vetustas construções acasteladas.

Eis alguns trechos dessa publicação; em tradução informal.

“Há séculos crê-se em Auvergne na existência de homens-lobos,os Lobisomens, com são chamados, ou ainda galipotes. Esses seres não tinham, na verdade, nada de humano e nem mesmo grande coisa de animal. Eram uma espécie de vulto negro quase sem mem bros, vislumbrados à noite, ao longo das sebes e dos muros. Atacavam retardatários, saltavam-lhes às costas e exigiam que se os carregasse.

Segundo se pensava, tratava-se de párias, cuja desgraça os teria levado a fazer um pacto com o Maligno. Na lua cheia viam-se transformados em lobos, e por tal eram tomados, pois revestiam-se da pele do animal, fornecida pelo Diabo. Corriam como quadrúpedes a uma velocidade que homem algum alcançaria. Assim que escurecia, eram acometidos de febre. Saltavam da cama e escapavam pela janela. Seu amo e senhor (o Diabo) estipulava que deviam correr, durante a noite, sete povoados. Soltavam-se pelos campos, em desabalada carreira, prontos para saltar sobre o primeiro caminhante. Nada os atemorizava, nem armas de fogo, a menos que as balas fossem bentas.

Se encontrássemos um Lobisomem, teríamos que feri-lo com faca, ou com pedrada, para tirar-lhe sangue, único meio de fazê-lo retornar à forma humana. Deve-se colocar sempre sob os berços um ramo de avenca; essa elegante folhagem que medra nos velhos muros tem o poder de afastar o Lobisomem.

No seu Discurso sobre as Feiticeiros, Boguet relata que, nos fins do século XVI, numa pequena aldeia de Auvergne, um nobre estava à janela, quando avistou um caçador seu conhecido. Pediu- lhe que, na volta, passasse por ali e lhe mostrasse o que caçara.

Assim foi prometido. Chegando à floresta viu um grande lobo caminhar ao seu encontro. Entraram em luta. O caçador decepou-lhe a pata direita, mas o animal conseguiu escapar. Depois, para honrar a palavra, levou o troféu .ao amigo. Mas, para sua surpresa, ao abrir o alforje, o que apareceu foi mão feminina, com um anel que o nobre reconheceu imediatamente, pois era de sua esposa.

Apressou-se a procurá-la. Encontrou-a junto à lareira, com o braço direito escondido sob um chale. Quando lhe mostrou a mão decepada, a infeliz não teve como negar que havia perseguido o caçador sob a forma de um lobo. O marido entregou-a à justiça e a dama feiticeira foi queimada em Riom.”

Ainda no mesmo volume encontra-se trecho, sob o título Dos Lobisomens aos Flammaçons (Franco-maçons).

“A História pouco se ocupou desses homens que não saíam da sombra dos bosques, onde toda a riqueza consistia em uma dúzia de porcos e três vacas, e cujo entretenimento era sangrar um javali ou desalojar uma ninhada de lobos.

Eles corriam, nas noites de lua cheia, ridiculamente mascarados com uma pele de lobo. Ao longo dos séculos, existiram sempre esses homens envolvidos em peles. Dão, sobretudo, o que pensar, os textos que se referem aos Tuchins, durante a Guerra dos Cem Anos. Mataram todos os comerciantes, nobres e padres que puderam apanhar. Ninguém mais ousava sair, a menos que estivesse coberto com uma pele de animal. Essa pele era mais do que uma vestimenta: era algo como um emblema e, acima de tudo, um estado, uma condição. Mas os Tuchins perceberam o estratagema e mataram todos os que não tinham as mãos calosas.

Cogitaria o bando dos homens-lobos restabelecer nas montanhas seu antigo primitivismo? O certo é que foram cometidos muitos horrores antes que essa horda fosse dizimada.

Falava-se de cidades inteiras de feiticeiros, e de amestradores de lobos morando nas montanhas.

Sob a Restauração, como quase toda a burguesia dessas pequenas cidades fazia parte das lojas maçônicas, a imagem da horda misturou-se à da maçonaria.

Haveria ainda, nessa época, banquetes nas florestas? Talvez.

Em todo caso, os velhos assim acreditavam firmemente e indicavam os locais onde fulano e fulano, que eles haviam conhecido bem, tinham perecido, nesses festins à luz dos archotes.

Os Franco-maçons (Franc-maçons) eram homens que andavam pelos bósques carregando archotes. Como a letra R transforma-se muitas vezes em L no linguajar do povo, a pronúncia passou a ser Flammaçans, nome que lembrava chama (flame); archotes e reuniões à volta de uma fogueira, o que estaria vinculado aos Lobisomens, segundo Henri Pourrat em Le Loup-Garou et sa bancle (O Lobisomem e sua horda) Edit. Attinger, 1949.”

A mesma narrativa da esposa do nobre que tem a mão decepada, aparece em L’homem et Le Loup (O homem e o Lobo), de Daniel Bernard, e em Estranhas Superstições e Práticas de Magia, de Willian J Fielding – tradução de Silvia Mendes Cajado, com o comentário de que em setembro de 1573, o Parlamento, com assento em Dôle, teria autorizado os camponeses a se armarem e percorrer os bosques, com a finalidade de matar os Lobisomens.

Estes já haviam levado muitas criancinhas, que nunca mais foram encontradas, e atacado atguns cavaleiros, que só conseguiram salvar-se enfrentando grande perigo.

A Bête Bigarne (Fera Bigorne), bode horrendo e gigantesco, com garras, faz parte do folclore da França. Escreve Câmara Casudo que, em Auvergne, existe, no Castelo de Villeneuve, um afresco representando a sua figura.

Daniel Bernard, em L’hamme et le Loup (O homem e o Lobo), dedica um capítulo ao Lobisomem. Escreve que, na França, dependendo da região, sua denominação varia. Em Picardie é Leu-wareu; em Normandie, Varau; em Languedoc, Libérou; em Périgord,.Gâloup; em Bordelais, Galipaude. Reproduz trecho da obra Le Gâloup, de Claude Seignolle – que se poderia denominar lamentarão do Lobisomem -, aqui traduzido livremente:

Sete anos minhas patas me levarão às matas e aos apriscos; aos bosques gelados, aos tépidos currais.

Sete anos Lua Zarolha virá me vigiar com seu único olho pálido, que toma formas diversas, para me fazer acreditar que cada vez é uma curiosa diferente… E, sempre, me forçará a uivar contra sua impassível provocação.

Sete anos dolorosos como o frio dos ventos incolores; penetrantes como a água das nuvens impalpáveis.

Sete anos meu ventre doerá.

Sete anos os homens suplicarão e implorarão a outro Senhor que não o verdadeiro, coma se a seu Deus de doçura pudesse contra o meu, crivado de escamas e a revolver brasas.

Sete anos cortantes como sete espadas de aço, permanecerei amaldiçoado, sem nunca saber quem sou realmente; homem ou árvore; pássaro ou seixo.

Meus suspiros serão uivos; minha bebida, sangue; meu alimento, montanhas de animais tenros e mornos… E quando estes faltarem, alimentar-me-ei de homens…

Sete anos meu Mestre me reterá.

Sete anos permanecerei voraz, antes de estar quites com ele.É o meu castigo.

Sete anos somente.

Sete anos, ai de mim!

O próprio Demônio transforma-se em lobo. Assim parecia a São Maudet, pois todas as noites, as paredes do convento que ele estava construindo, eram derrubadas por mãos invisíveis. Certo dia, encontrou um lobo, que outro não era senão o Diabo. Conseguiu agarrá-lo pela cauda e jogá-lo ao mar. Daí por diante a construção prosseguiu normalmente.

No folclore da França, crê-se que o Lobisomem é obrigado, pelo Demônio, a devorar, em cada noite de maldição, sete cães.

Le marteau des sorciers (O martelo dos feiticeiros), espécie de manual-guia do caçador de Lobisomens, divulgado em 1486, continha duas indagações principais: Podem os feiticeiras transformar homens em animais? e Como os feiticeiros dão aos homens a forma da animais? Apoiando-se em Santo Tomás e Santo Agostinho, os autores declaram que os lobos, de tempos a tempos, partem de suas casas e devoram homens e crianças. E distanciam-se, vagando com tal astúcia, que nenhum ardil, nenhum poder é capaz de feri-los ou capturá-los. Tais coisas são causadas por um sortilégio diabólico. Deus, punindo uma nação por seus pecados, segundo o Levítico4 : lançarei sobre vós bestas ferozes que arrebatarão vossos filhos e matarão vosso gado. Quanto à questão: são lobos verdadeiros ou diabos sob essa forma? Respondemos que são lobos verdadeiros, mas possuídos pelo Diabo.”

Uma estória de Lobisomem, com grande repercussão, difundiu-se na Bavária, por volta de 1685. Um lobo que assolava a região, devorando pessoas e animais, foi identificado ao burgomestre, já falecido, que se teria encarnado no animal. Quando a fera foi capturada e morta, verificaram que sua carcassa estava revestida com um encerado cor de carne. Ao lhe cortarem o focinho, constataram a existência de uma cabeleira castanha e longas barbas brancas; ao mesmo tempo, um rosto semelhante ao do burgomestre apareceu no lugar da cabeça do lobo. Esse corpo foi enforcado na presença de grande público, e sua pele, empalhada, permaneceu exposta num museu, como prova concreta da existência do Lobisomem.

Na Dinamarca, acreditava-se que uma mulher que apanhasse uma placenta ao nascer um potro e a esticasse entre quatro paus e se arrastasse pela sua membrana, poderia dar à luz sem nenhuma dor e livrar-se de doenças. Mas, em tal caso, todos os meninos dela nascidos seriam Lobisomens.

Na Inglaterra, sob o reinado de Jaime I, quem fosse apontado como Lobisomem era condenado a morte artoz, único meio de extingui-lo. Esse monarca equiparava o werewolf aos feiticeiros e explicava o fenômeno como superabundância de melancolia.

Na Idade Média, foram incontáveis os julgamentos de pessoas acusadas de ser Lobisomem, para as quais a pena era a morte na fogueira.

A associação da Lua com o Lobisomem é um fato verificado não poucas vezes na literatura folclórica, na popularesca e na erudita. Arnold L. Lieber em The Lunar Effect (A Influência da Lua) diz que sociedades antigas reconheciam uma conexão entre a Lua e a violência, como no caso do Lobisomem. Para neutralizar essa violência, os pastores da antiga Arcádia costumavam enviar um homem aos lobos, como emissário. Este se transformava em Lobisomem por oito anos e durante esse período as alcatéias não atacavam os rebanhos. Na Alemanha antiga, os guerreiros selvagens eram denominados ûlfhêdhnar (homens com pele de lobo). Esses guerreiros existiam, também, nas sociedades secretas norte americanas e praticavam antropofagia ritual. Encontram-se Lobisomens na Alemanha de Hitler. Lá, onde o mito era bastante difundido, os nazistas fundaram a Organização do Lobisomem, na década de 20. Chama a atenção a coincidência do apelido do Führer ser exatamente, tio Lobo. “No final da Segunda Guerra Mundial, a Organização do Lobisomem deveria continuar, na forma de guerrilha, a luta contra os Aliados que estavam ocupando a Alemanha. Contudo, seus membros já tinham bastante dificuldade em, simplesmente, permanecer vivos. A regressão histórica foi um dos grandes temas da ideologia nazista, e o Lobisomem, com sua regressão a um modo de vida arcaico e violento, era uma escolha adequada para simbolizar a monstruosidade do regime.”

Como já se sabe, o Lobisomem chegou até o Brasil trazido da Europa, através de Portugal.

Oliveira Martins, em Sistema dos Mitos Religiosas, mostra o Lobisomem como sendo “aquele que por um fado se transforma de noite em lobo, jumento, bode ou cabrito montês.” E ainda: “Os traços com que a imaginação do nosso povo retratou o Lobisomem são duplos, porque também essa criatura infeliz, conforme o nome o mostra, é dual. Como homem, é extremamente pálido, magro, macilento, de orelhas compridas e nariz levantado. A sua sorte é um fado, talvez a remissão de um pecado . . . . Por via de regra, o fado é a moral – é uma sorte apenas. Nasce-se Lobisomem; em lugares são os filhos do incesto, mas, em geral, a predestinação não vem senão de um caso fortuito, e liga-se com o número que a astrologia acádia5 ou caldaica tornou fatídico – o número 7. O Lobisomem é o filho que nasceu depois de uma série de sete filhas. Aos treze anos, numa terça ou quinta-feira, sai de noite e topando com um lugar onde um jumento se espojou, começa o fado. Daí por diante, todas as terças e sextas-feiras, da meia-noite às duas horas, o Lobisomem tem de fazer a sua corrida visitando sete adros (cemitérios) de igreja, sete vilas acasteladas, até regressar ao mesmo espojadouro onde readquire a forma humana. Sai também ao escurecer, atravessando na carreira as aldeias onde os lavradores recolhidos não adormeceram ainda. Apaga todas as luzes, passa como uma frecha; e as matilhas dos cães ladrando perseguem-no até longe das casas. Diga-se três vezes Ave-Maria que ele dará um grande estoiro, rebentando e sumindo-se. O Sino Saimão6 (Signo de Salomão) é um fetiche contra o malefício. Quem ferir o Lobisomem quebra-Ihe o fado; mas que não se suje no sangue, de outro modo herdará a triste sorte.”

No Minho, é charnado Corredor e as fêmeas são denominadas Peeiras ou Lobeiras. Em Paços de Ferreira, é Tardo.

Jaime Lopes Dias, em Etnografia da Beira, registra a maldição tal como uma das versões na Brasil – “Se num casal nascem sete rapazes, o último será Lobisomem.” E ainda: “Se alguém muda, em proveito próprio, marcos ou divisórias de propriedades, jamais deixará de ser Lobisomem. Mesmo depois de morto, não deixará de aparecer no terreno que roubou, transformado em bezerro, em cão, sombra negra etc.”

Na mesma obra encontra-se uma narrativa sobre o Lobisomem. “Já lá vão muitos anos . .

Sabe-se lá. . . talvez séculos! . . .

Pelas ruas de Segura, a desoras, nas intermináveis noites de Inverno, surgia estranho ser em desordenado tropel que trazia amedrontada a população.

À sua aproximação, mesmo os mais animosos, sentiam levantar-se-lhes os cabelos! . . .

Sol posto, já ninguém saía à rua.

E o alegre povo raiano sofria e passava um verdadeiro castigo.

Um dia, um mocetão, valente e destemido, tomou a resolução de averiguar a causa de tão extraordinário fenômeno.

E colocou-se entre o postigo e a porta da casa de seus pais.

Chovia a potes.

O vento com seus estridentes assobios era medonho. Parecia impelido pelo demo!

E o mocetão, valente, firme em seu posto, esperou uns momentos; o bastante para se enregelar.

O tropel não se fez esperar, e uma sombra negra surgiu.

As pedras da calçada chispavam lume.

A sombra horrenda resvalava pelas valetas e escouceava para um e outro lado, fazendo com que as próprias ombreiras dos portados deitassem faíscas.

E o rapaz, agora um tanto assustado, colou-se bem à porta.

Parecia petrificado.

O estranho fenômeno avançava cada vez mais em correria vertiginosa, e o moço, embora, como se disse, um tanto amedrontado pôde verificar que se tratava de um monstro informe, metade cavalo, metade homem, ferrado de pés e mãos! Estava quase a arrepender-se da sua temeridade! . . .

Mas, o monstro, seguindo o seu caminho, desapareceu…

Que fazer depois do que vira? Calar-se?

E se contasse tudo a pessoas experimentadas; sabedoras e consideradas pela sua idade?

Procurou de facto um dos homens mais velhos da sua terra.

E expôs-lhe minuciosamente o que vira.

E o bom vizinho respondeu-lhe:

– O que tu viste, meu amigo, é um entcanto que só se desfará se alguém tiver coragem de, escandido atrás de uma das cruzes das ruas da nossa aldeia e munido de uma vara com aguilhão, picar o monstro por forma que o faça lançar de si muito sangue.

– Pois deixe o caso comigo. Se aí está o remédio . . . picalo-ei eu mesmo, respondeu o rapaz.

– Pois então, toma cuidado, que, se o não picares bem, grande perigo corres!…

O moço, forte e destemido, como se disse, disposto a dar mais uma prova do seu valor, e a livrar a povoação de tão grande desassossego, logo que anoiteceu, recolhidos todos os moradores e fechadas todas as portas, foi colocar-se, por entre vendaval formidável, atrás de uma das cruzes, tendo bem apertada na mão direita forte vara com grande aguilhão.

Começou a ouvir-se o tropel, pondo-se em breve à vista a infernal figura.

O rapaz tremia!

Perdera quase a noção de si mesmo!

Fugir?…

Bem se lembrava ele do conselho do velho: – Toma cuidado, que se a não picares bem; grande perigo corres! . . .

Recobrou ânimo: Estava ali para vencer ou morrer! Já agora levaria ao fim a sua empresa.

Esperou! O monstro avançava a todo o galope.

E passou; e, na passagem, o heróico mocetão cravou-lhe bem a grande aguilhada!

E o monstro, como por encanto, desapareceu.

O valente moço respirava; mas tremia ainda. O seu coração batia desordenadamente.

Foi deitar-se, mas não podia conciliar o sono! Que iria suceder?

Passaram algumas noites e o tropel não mais se ouviu.

– Que estranho facto se terá passado? inquiria a povoação. O rapaz (ninguém sabe até onde vai o poder de encantos e bruxarias) contara o seu feito, muito em segredo, só aos mais íntimos.

Volveram dias e noites, e o povo, de segredo em segredo, veio a saber o que se passara.

E perguntava: – Mas que figura seria essa, horrenda e disforme?

– Seria um Lobisomem?

– E quem seria o infeliz?

Passaram ainda mais alguns dias, até que um dos mais considerados moradores de Segura que havia desaparecido do convívio da população, apareceu sem um dos olhos.

Se ele era são e escorreito, se não constara na povoação qualquer desastre, como e onde teria ele perdido a vista? – perguntavam todos os moradores de Segura. Tirara-lha, evidentemente, o rapaz da aguilhada!

E o povo passou a afirmar, desde logo, como verdade incontestável, que o monstro, semi-homem e semi-cavalo que tanto o incomodara, era, por artes do demo ou mercê do encanto, o bom homem que aparecera, sem saber como, sem um dos olhos.”

No Paraguai há o Luisón como um cachorro preto, de cabeça grande, olhos brilhantes, muito peludo, que se alimenta de cadáveres dos cemitérios. Exala mau cheiro. Aparece à meia-noìte e percorre as vizinhanças, provocando latidos e uivos de todos os cachorros, que o temem. Para conjurá-lo, deve-se colocar sob a língua um pouco de terra de seus rastros e chamá-lo três vezes. Diz-se que Luisón é o último filho entre sete homens, a quem a mãe amaldiçoou ao morrer.

Ainda no Paraguai pode aparecer como um cão negro sem cabega. Felix Coluccio, no Diccionaria Folklorico Argentino apresenta o verbete “Lobisome – En Brasil y otros paises de América, corre este mito de origen europeo, según el cual el séptimo hijo varón seguido, se transforma en Lobisome, mientras que la séptima hija mujer seguida se convierte em bruja. Representan los paisanos al Lobisome como um animal mezcla de perro y de cerdo. A las 12 de la noche de los dias viernes se opera esta transformación, dirigiéndose para alimentarse a los estercoleros y gallineros, donde devora los excrementos. Igualmente se alimenta de ninos no bautizados. El Lobisome recobra su fisionomia humana se alguien sin conocerlo lo hiere, pero se expone también a ser muérto por el mismo debido a que este monstruo tratará de exterminar por todos los medios al que lo libra de su malefício. Libra-se de la fatalidad de ser Lobizón si se lo bautiza com el nombre de Benito – dice D. Granada – y si el padriznago lo realiza el mayor de los siete hermanos.

1- Maria do Rosário de Souza Tavares de Lima

2- Denominação, na França, do jogo de crianças “Seu Lobo está pronto?”

3- Região da França.

4- Um dos livros do Antigo Testamento

5- Dos acadianus, povos da Babilônia, antes do domínio assírio.

6- Estrela de seis pontas, formada por dois triângulos de metal, superpostos.

Lobisomem: assombração e realidade
Maria do Rosário de Souza Tavares de Lima

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/bibliografia-estrangeira-sobre-lobisomens/

Projeção Consciente e Inconsciente

Texto de Lázaro Freire, da lista Voadores.

Todos nos projetamos, mas nem sempre temos a consciência do processo. É comum nosso corpo espiritual sair, mas nossa lucidez se manter baixa, o que faz que, ao voltarmos ao corpo, a saída do corpo seja às vezes lembrada como imagens simbólicas, confundíveis com sonhos.

Mais frequente ainda é nos projetarmos, até com boa lucidez, mas depois da saída (em geral na fase delta do sono) entrarmos em outras fases, sonharmos, e a partir daí encobrirmos a experiência. Ainda assim, a informação fica absorvida de forma inconsciente, podendo, dependendo do caso, gerar “intuições” ou rememorações ao longo do dia, ainda que nem sempre associemos a uma experiência projetiva anterior.

Boa parte do esforço dos projetores mais experientes concentra-se não na saída em si, mas nas técnicas de rememoração, altamente eficientes, e na melhora do metabolismo visando uma atividade mais consciente. Dentre elas, é recomendado:

– Anotar todos os sonhos e projeções em um caderno

– Evitar alimentos pesados, especialmente à noite

– Evitar dormir com timer e/ou TV ligada

– Não ingerir aceleradores do metabolismo à noite (guaraná em pó, bebidas com cafeina, etc)

– Não cobrir a cabeça, evitando inalação de gás carbônico

– Procurar dormir de lado ou de barriga para cima

– Ler sobre o assunto, especialmente à noite, para que a mente considere normal e não mascare a experiência

– Fazer práticas que ativem os chakras laríngeo e frontal

– Dormir de forma confortável

– Preservar o quarto como local para dormir, estudar ou amar, zelando pela egrégora do local

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SINTOMAS PROJETIVOS:

Cada pessoa pode ou não apresentar sinais característicos de uma facilidade projetiva. Note que há projetores que não tem um ou vários dos sintomas:

– Catalepsia projetiva: sensação de imobilidade noturna, acordando abruptamente a seguir

– Balonement: sensação de expansão da aura, como se o corpo inchasse

– Ruidos intracranianos: estalos no interior do cérebro, provavelmente relativos ao desenvolvimento da pineal

– Estado Vibracional: choques que parecem percorrer o corpo espiritual, ligeiramente desconfortáveis, acompanhados de intensa vibração

– Flutuações e quedas abruptas: sensação de estar flutuando, em relaxamentos ou sono, em geral com uma ligeira queda no reencaixe no corpo.

– Deslocamento na reentrada : sensação de acordar com referência equivocada da posição das janelas e portas do quarto, como se reencaixado inadequadamente no corpo ao “acordar” – corrigindo a “posição” relativa aseguir.

Além dessas evidências relativas ao corpo espiritual, há sinais menores que ocorrem em períodos projetivos, ainda que não rememorados. Dentre eles, maior incidência de sincronicidades, fortes sensações de deja vu, pequenos “estados vibracionais” ocorrendo durante o dia, maior contato com amparadores (e/ou intuições inspiradas por eles) na vigília, ativação mais frequente do chakra frontal e maior incidência de fenômenos mediúnicos. Note que nenhum destes caracteriza, por si, a existência de projeções não relembradas, mas são quase todos presentes quando estas estão ocorrendo.

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MECANISMOS

Em linhas gerais, a projeção astral se dá sempre que a consciência torna-se mais ativa que o estado de ondas cerebrais. Ou seja, é como se consciência e atividade cerebral andassem juntas na maior parte do tempo. Adormecemos e “apagamos” ao mesmo tempo que nossas ondas cerebrais caem. Ao começarmos a sonhar, o cérebro também acompaha: entramos numa fase chamada REM (Rapid Eyes Movement) ou “Sono Paradoxal”, na qual nosso estado onírico de quase lucidez é acompanhada por uma atividade cerebral mais intensa, porém ainda inferior à da vígilia. E agora, acordados, estamos tanto com consciência quanto com o cérebro desperto. Esta espécie de “sintonia vibracional” constante mantém os corpos físico e espiritual (psicossoma, corpo psíquico, corpo astral) unidos.

Se o corpo físico tem morte cerebral, porém, o espírito evidentemente se despreende. Mas existem estados intermediários ou alterados de consciência onde o cérebro diminui sua atividade, mas a consciência se mantém um pouco mais ativa. A consequência será uma saída natural, porém temporária. Após um tempo relativamente curto, o espírito volta ao corpo rapidamente, assim que as ondas cerebrais aumentam – por “alarmes” externos, metabolismo ou fases do sono.

Imagine, assim, um exercício de relaxamento – ou uma palestra enfadonha. Em seu esforço para manter a atenção, a consciência se mantém parcialmente desperta, enquanto o metabolismo cai, o cérebro entra em estado de ondas “alfa”, no estado alterado de hipnagogia (cochilo). A consequência dessa pequena diferença entre atividade cerebral e consciencial, tentando se encontrar para se manter desperto, será uma ligeira desconcidência entre corpos físico e espiritual. Daí não raro a sensação de pequena “queda”, como se flutuassemos a alguns centímetros da cadeira.

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(c) Lázaro Freire – http://www.voadores.com.br

#PlanoAstral

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/proje%C3%A7%C3%A3o-consciente-e-inconsciente

Conexão ZosKia – Aliens

O contato imediato entre Magos e os seres de fora de nosso mundo é um fato há muito conhecido pelos interessados em Ocultismo. Quer seja o ser contatado do Espaço Sideral ou procedente de Espaços Interiores, eles representam em si aspectos da consciência que são a síntese do próprio Universo e que talvez seja o que há de perene nele: informação & dissolução, o velho jogo entre Thanatos e Eros. Sendo assim, cada magista que contata esses seres de outros mundos impregna de si a própria manifestação exterior do ser contatado. Isso explicaria o que seja popular e, digamos, erudito, em se tratando de contatos.

Essas visões e manifestações diferentes revelam também um pouco mais como a vida em seus diversos graus de evolução e consciência se dá como fenômeno e provam, talvez, que o próprio ser humano já fora alienígena à este mundo. Sejam deuses, anjos, demônios, gnomos, supermáquinas, todas estas visões foram se expressando de acordo com o lugar, época e pessoas que com elas fizeram contato. A interpretação que trata esses seres como Alienígenas, no atual sentido que compreendemos o termo, sempre existiu desde o antiqüíssimo passado. É o que vemos expressado, por exemplo, na Cabala e seu design de mundos interconectados; no Egito com seus deuses zoomórficos; no conhecimento sideral destes mesmos egípcios assim como dos Maias, dos Dogons da África, dos deuses astronautas dos Astecas, os seres divinos do Bön Po e da tradição Lamaista do Tibet relatado por Lobsang Rampa; assim como mais remotamente, na Suméria e sua tradição Tiphoniana.

Aleister Crowley e sua filosofia-mágicka, chamada Thelema, pertence à essa tradição Sumeriana, uma corrente mágicka que teve John Dee como antecessor direto de Crowley, como perscrutador de seus mistérios e busca de contato com seres ditos angelicais. E tanto Crowley como seus contemporâneos, principalmente aqueles que se engajaram nas fileiras renovadoras do que foi Thelema então, adentraram em uma verdadeira orgia de relações com seres alienígenas particularmente designadas então de “Inteligências Praeter-Humanas”.

No livro “Aleister Crowley e o Deus Oculto” Kenneth Grant escreve que Aleister Crowley “estava ciente da possibilidade de abrir portais espaciais e admitir a existência de uma corrente extraterrestre na onda vital do ser humano”, e que ao contrário do que outros iniciados de sua época chegavam a crer, essas forças não eram más e não queriam destruir a raça humana, mas investiam na expansão e evolução da consciência humana para torná-la cósmica, como salienta Robert Anton Wilson, que em seus escritos expõe tais conexões cósmico-consciência-thelemicas. Essa corrente leva consigo personagens como Ron Hubbard, Jack Parsons, Charles Stanfield Jones, Dion Fortune, Austin Osman Spare; assim como os expoentes mais recentes do ocultismo que inclui principalmente Kenneth Grant, Michael Bertiaux, tudo, pode-se dizer, seguidos de refrões de sucesso de Raul Seixas em parceria com Marcelo Motta.

Não podemos deixar de citar o background dos contos de H.P. Lovecraft que se interpenetra com H.P. Blavlastsk dando em J.J. Benitez, etc… Pensadores que fundiram espiritualidade e ufologia. Dentre todo o rol de magistas que tentaram contatos com seres extraterrestres, talvez aquele que tenha destilado a visão mais estranha destes seres alienígenas foi Austin Osman Spare. Encarando estes Aliens como seres interdimencionais, os quais viajam pelas frestas dos Universos, da matéria, do espaço, do tempo e da consciência, eles podem também podem possuir corpos como forma de traficar entre mundos sensações, conhecimento, energias e todo tipo de coisas que se pode trazer dos sonhos à carne e levar do Ser ao Não-Ser e vice-versa. A forma dos seres que se expressaram à Spare se aproxima bastante da descrição de entidades como o Mothman, que fora pesquisado por John Keel, ou como os alienígenas nomeados de Greys da casuística OVNI; seres extraterrestres que se relacionam intimamente no nível conciência-carne-medo-vácuo-matéria-caos… Seres sem nenhum vestígios de causalidade ou moral humana, seres que não podem ser compreendidos através da lógica, alcançando seus particulares objetivos somente se usando da loucura ou da crença cega que reflete a impotência da inteligência humana diante de tão dês-aforado lócus de ação por parte deles.

Particularmente em se tratando da criatura conhecida como Mothman que fez “fama” em suas aparições nos EUA no fim da década de 1960, é sabido que houve aparições deste em Londres nos idos do final do Século 19, mas precisamente na região de Piccadilly Circus Station, no centro de Londres. O que fazia lá, como fora atraído para o lugar, é como sempre uma questão que o pensamento humano comum não tem como responder, e talvez só se responda pela lógica da mística ou da própria loucura. Esses seres “entremundos” recordam-nos muito também os seres dos contos de Lovecraft, ligação que Kenneth Grant fez remetendo-se até a Anciã Paterson, iniciadora de Austin Osman Spare no culto da feitiçaria. Esses seres são feitos da mais pura essência do Necronomicon, o guia cósmico das aberrações interestelares. Seres, assim como a caracterização do Mothman feito por John Kell, parecem se alimentarem do próprio medo humano, vampiros psíquicos que se nutrem de emoções. Seres assim são citados inclusive pela tradição de alguns discípulos de Carlos Castãneda.

Tais parâmetros de contato e de seres, acrescido ao caráter especial de Austin Osman Spare, traz à tona o quanto mais tenebroso e intrínseco é o Fenômeno Alien e sua relação com o fator humano. É uma emanação que abarca Sexo, referência da lembrança humana de deuses, anjos e todo tipo de seres que desejaram e copularam com “as filhas dos homens”. Há também o congresso sempiterno da Carne que relembra o contato Alien carregado de mutilações e experiências cientificas com corpos humanos e animais, espécies de “êxtases feios”. Austin Osman Spare sempre aventa também o papel da Medicina, da Ciência, do Vírus, o que aproxima as referências aos agentes da desinformação no mundo OVNI, sempre munidos de tecnologia avançada e táticas de combate mental. Falamos dos misteriosos interventores conhecidos como Homens de Preto (MiB) e sua proximidade com os Irmãos Negros (Black Brothers), humanos que dedicam sua existência à construírem no Astral a engenharia necessária para a permanência indefinida de seu Ego (EU).

Em suas obras de arte, Spare retrata paisagens estranhas, de outros mundos onde habitam seres de uma estranheza inumana, parecendo seres vistos pela lente distorcida da mente que não os compreende em sua perfeição, uma carência estética humana talvez, ou simplesmente a distorção da compreensão máxima. Kenneth Grant escreve em “O Estranho Espírito de Zos vel Thanatos”, referente à Spare e o Culto de Zos Kia: “…Há um certo estado de consciência caracterizado por uma estranha perichoresis em que os sentidos mundanos, exaltados e infundidos com a Vontade magickamente carregada, i. e., dirigida, atraem influencias misteriosas do exterior.

A interação de elementos deste mundo com elementos de outro criam uma realidade ultradimensional Universo conhecido como Meon que só os artistas (ou Magos) mais sensíveis são capazes de responder de forma criativa…” Na obra que Spare busca representar aquilo que talvez seja o ponto de partida de sua inspiração místico-artística, tal obra é “Isis Sem Véu”, a figura dos mitos egípcios que representa o Infinito Espaço de Infinitas Estrelas, a morada dos Aliens. Enquanto que no livro-mor de Thelema, o Líber AL vel Legis (de 1904), já são explicitas as referências à alienígenas, outros mundos, tecnologia nuclear, et. al, já nos escritos de Spare tais referências são muitas das vezes subentendidas pelo véu da mística particular do Culto de Zos Kia. Assim podemos traçar uma linha de influência extraterrestre vindo através da Anciã Paterson, trazendo consigo a sabedoria de uma corrente mágicko-alienigena proveniente das paragens da América do Norte que fora herdada pelos nativos aos quais pertencia a anciã bruxa, tradição esta registrada pavorosamente nos escritos de Lovecraft e da qual Kenneth Grant pesquisou e descobriu ligações. A Sra. Paterson, como era usualmente chamada por Spare, migrou dos Estados Unidos para a Inglaterra, talvez fugindo do ambiente hostil de caça às bruxas das terras da outrora colônia, e então transmitiu ao jovem Spare essa diligência de outros mundos. Tal determinada espécie de conhecimento coincidentemente entraria novamente na vida de Spare quando mais tarde ele fora iniciado na Aurora Dourada e no pensamento de Thelema de Crowley. Conta-se que Spare só veio a aceitar de fato a revelação de “Líber AL” no fim de sua vida, mas Grant também nos revela que em certa fase de sua vida, Spare esteve totalmente devotado em fazer contato com seres alienígenas, buscando para isso os meio adequados. E esses meio segundo Grant, se revelam além dos grimórios que são cada uma de suas obras de arte e sigilos, mas também, e principalmente como sendo através da “Postura de Morte” como uma espécie de meio mediúnico para o contato interrealidades, uma forma de levar a consciência às plataformas de lançamento cósmicas para alcançar seres dispostos ao contato com os homens.

Dois parênteses: Primeiro, tais espécies de contatos a nível mediúnico, de forma mais tradicional, foram mais tarde efetuados com sucesso também pelo dito Grupo Rama nos Andes para contatar alienígenas e programar então avistamentos e até contatos do terceiro grau também. E segundo, em plena atividade nos dias de hoje, Michael Bertiaux, sacerdote Voodoo, identificou e em contatou, usando das mais diversas tecnologias mágickas-mediúnicas, os chamados Voltigeurs, seres esses que são caracterizados como reptilianos que saltam de mundo em mundo e que abarcam uma mística da lua. Parece-nos então que Austin Osman Spare foi um vetor muito especial de contatos com aliens, e seu Culto de Zos Kia então não poderia deixar de ser também um poderoso vortex que converge para si os portais de contato yóguicos da flexão da carne e da mente, uma espécie de crença astral e para o astral.

Com a influência Ameríndia através da Anciã Paterson e a influência Sumeriana via Aleister Crowley e Thelema, onde talvez o ponto de convergência seja não só o Necronomicon, mas também a própria ancestralidade humana neste mundo, que Spare explorou através da flexão dos atavismos, onde se pode perceber um verdadeiro rememoramento de “nomes mortos”. Então, do Oriente provém a Tradição Sumeriana via a síntese abrangente de Thelema, do Ocidente os eflúvios dos Mitos de Cthulhu, no meio de tudo isso o Greenwich de Zos Kia Cultus: a corrente xamânica que leva direto aos Alienígenas que sempre estiveram próximos ao seres humanos, em corpo, alma & Discos Voadores.

De todas estas escassas aproximações e fantásticos desdobramentos, a mente recua, mas as cartas estão na mesa. Anjos, Demônios ou Alienígenas, Inteligências Praeters-humanas, irradiações do subconsciente ou radiação do espaço sideral. Código Morse das estrelas refletida no DNA. Homens possuídos por deuses usando tecnologia e irremediando a realidade com vislumbres de outros mundo incapazes de habitarmos por simples leis físicas… Nikola Tesla pisou neste mundo… Heinrich Reich pisou nestas terras, Albert Einstein viveu aqui… Austin Osman Spare habitou aqui e lá, mas não viveu nem por isto e nem por aquilo. Ele traficou interrealidades através de uma arte alienígena a tudo, pois concretizou em caos e tinta sentimentos que não poderiam nunca coabitar com os homens sem pedir o pagamento do engrandecimento da visão humana que tem do vislumbre que é estar-aqui e do que está lá. A Ciência de mais baixa tecnologia que poderia haver abriu todos os canais de comunicação que poderiam existir com o Além/Alien, e essa ciência foi Arte, a expressão mais ferrenha e sem mentiras que possamos juntos fluir do Zos Kia Cultus.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/conexao-zoskia-aliens/

o Poder dos Sons

Para que se possa compreender perfeitamente a razão de ser dos Hinos, Mantras, e Vocalizações (entoações de vogais) é mister que se tenha em mente que os sons são vibrações e como tais são capazes de desenvolver ações físicas. Um som não é apenas um fenômeno acústico, portanto ele é algo capaz de influenciar não apenas o órgão da audição, mas também produzir outras manifestações físicas. A física conhece perfeitamente o efeito da ressonância que pode se fazer presente em tudo, pois a estrutura da natureza é essencialmente vibratória.

Para que possamos sentir o que foi dito antes vamos tentar examinar uma pequena faixa de ondas, aquela em que se situam os fenômenos acústicos. Ninguém põe em duvidas as citações seguintes, por serem elas suficientemente reintegradas nos anais das ciências Clássicas, mesmo que algumas delas pareçam referências absurdas.

Um som ritmado, como o marchar cadenciado de soldados, pode fazer desmoronar pontes, por isto quando tropas atravessam-nas geralmente o fazem em marcha desordenada, pois o marchar ritmado pode determinar uma sobrecarga vibratória por ressonância suficientemente forte para acarretar um rompimento físico da estrutura sólida. Isto foi o que certa vez ocorreu numa ponte em Amienes, na França. Por essa razão é que desde então um pelotão geralmente evita atravessar uma ponte marchando.

Os sons produzidos por aviões a jato acarretam problemas de diferentes naturezas. Sabe-se que a grande maioria dos ovos incubados próximos das rotas de aviões a jato não geram devido às vibrações produzidas pelo ruído das turbinas. Esse mesmo ruído é capaz de rebentar vidros e outros objetos frágeis. As naves aéreas quando ultrapassam a barreira do som originam ondas de choque que rebentam vidros e causam uma infinidade de outros inconvenientes. O grande tenor Caruzo era capaz de rebentar uma taça de cristal unicamente pela emissão vocal de certas notas musicais. Na França um edifício onde funciona um Instituto de Pesquisas Físicas de Ultra-sons, embora ninguém escutasse som algum, mesmo assim durante certas experiências físicas ali realizadas começou a apresentar rachaduras. Depois ficou comprovado que o problema tinha como causa as vibrações sonoras, mesmo em nível de ultra-sons.

Algumas construções históricas, entre elas o Coliseu de Roma, estão ameaçadas de desmoronamento em decorrência de vibrações de trânsito, especialmente as sonoras.

Os sons, além de um certo limite de decibéis, causam lesões no aparelho auditivo de gravidade variável, podendo chegar a um limite máximo de produzir surdez. Quaisquer barulhos podem ser prejudiciais aos ouvidos assim como determinar outras alterações orgânicas. Mesmo o buzinar de um veículo determina quebra acentuada na postura das aves, por isto hoje se evitam os aviários às margens das rodovias.

Por outro lado, as aves quando submetidas a uma música adequada apresentam uma postura mais prolongada. Também as vacas conforme a música e outros sons podem produzir maior quantidade de leite e isto de uma maneira tão evidente que certos produtores americanos e europeus estão utilizando musica ambiental nos estábulos.

Certas bactérias capazes de resistir ao calor ou ao frio intenso morrem rapidamente ao serem submetidas a certos níveis sonoros, por isto atualmente a esterilização de materiais muito sensíveis ao calor está sendo feito por meio de ultra-sons.

A medicina emprega sobejamente os sons como meio curativo. Comumente ela utiliza aparelhos de ultra-sons que geram sons de baixa freqüência, praticamente inaudíveis para o homem, mas que determina uma série imensa de ações sobre o organismo. Várias moléstias são suscetíveis de tratamento com tais aparelhos.

Além da ação física propriamente dita, os sons têm uma enorme capacidade de produzir efeitos mentais das mais diferentes naturezas. Assim é que há sons que irritam as pessoas, como por exemplo, o chiado de um grilo, uma goteira numa lata, o ranger de uma serra sobre um metal, giz em quadro negro, e uma infinidade de outros ruídos. Por outro lado há sons que acalmam e agradam, haja vista a música lenta e melódica. Mas, mesmo em se tratando de música há aquelas que estimulam certas condições psíquicas, como as músicas que despertam os sentimentos patrióticos, a coragem e a combatividade. Há músicas, como as sacras, que levam a alma a um estado místico profundo, como há as que estimulam o repouso, enquanto outras podem despertar tristezas e melancolias. Não restam dúvidas de que os sons têm poder de despertar estados psíquicos especiais. Portanto, vemos com estes exemplos, entre milhares de outros, que uma vibração sonora pode determinar condições as mais diversas sobre o campo onde ela se manifesta, e que os seres vivos são altamente sensíveis aos sons.

Vimos também que os sons podem acarretar alterações no organismo vivo, portanto é de interesse saber quais são as alterações possíveis, em que níveis e em que intensidade elas ocorrem. Certamente ninguém está em condição de afirmar isto com precisão, pois se trata de um campo altamente inexplorado pela ciência atual, mas, se é desconhecido para a ciência oficial, também o será para outras ciências? Será que não existem ciências que tenham conhecimentos do assunto em profundidade? Talvez sim, então não se deve negar que o homem por vias diferentes daquelas preconizadas pela ciência oficial pode haver descoberto uma série de coisas ainda não oficialmente aceitas. Isto tem acontecido a amiúde. Por exemplo, até bem pouco tempo a ciência oficial dizia não existir a “aura” dos seres vivos citada pelos sensitivos, até que isso foi evidenciado por meios técnicos. O campo bioplasmático, portanto, acabou sendo fotografado e a ciência teve que aceitar isso, mesmo que ela haja contradito isso no passado e denominado de fantasiosas aquelas pessoas que afirmavam ver um halo em torno do corpo das pessoas.

As descobertas podem ocorrer por via dedutiva e também por via indutiva. Assim os conhecimentos existentes na terra podem perfeitamente ter surgido por quaisquer dessas vias. Ninguém sabe quantas vezes a terra já foi palco para civilizações que atualmente estão sepultadas na névoa dos tempos e que cultivaram ramos das ciências especializados exatamente em usos incomuns dos sons.

Seja como for que o leitor encare essas informações, uma coisa, porém é certo, o som determinam modificações apreciáveis nos seres vivos, pois quando determinados sons são emitidos, certas células do organismo vibram e isto não é nada de espetacular, é uma lei normal de acústica que se cumpre.

No mundo há muitas coisas curiosas a respeito do poder dos sons. Por exemplo, no Templo de Shivapur da Índia, dizem existir uma pedra em frente à porta de entrada e que tem a peculiaridade de ao ser tocada com um dedo por onze pessoas pronunciando as palavras “QMAR ALI DEVIXE” a pedra se torna sem peso e flutua, embora ela pese 41 Kg. Ao ser pronunciada aquela frase com uma certa tonalidade a pedra é erguida sem qualquer esforço por parte das pessoas até uma altura de dois metros e em seguida ela cai após um segundo.

Infelizmente o homem tem utilizado muito pouco do poder dos sons, especialmente na área da saúde. Em algumas civilizações desaparecidas o poder dos sons foi a base de um sistema completo de cura, mas todos aqueles conhecimentos ficaram perdidos, ou melhor, foram destruídos em muitas ocasiões, especialmente no incêndio da Biblioteca de Alexandria.

Atualmente só um pouco resta da ciência hermética dos sons, apenas um mínimo voltou a ser redescoberta, especialmente pelos pitagóricos. Muitas pessoas podem duvidar de que os sons podem se constituir uma das principais artes de curar, mas queiram ou não queiram eles curam. Quando um médico utiliza um aparelho de ultra-sons para o tratamento de uma inflamação, para deter a formação de um abscesso, ou para a cura de um artritismo, ele simplesmente está emitindo e dirigindo uma onda sonora diretamente para o nível da lesão que pretende curar. Assim, se obtém efeitos especiais tais como o facilitar a circulação local pela dilatação dos vasos sangüíneos e algumas outras alterações que os sons são capazes de provocar e assim forçar o reequilíbrio na região afetada.

Se uma emissão sonora produzida por um aparelho pode curar uma enfermidade, perguntamos então a razão pela qual se deve duvidar de que os sons produzidos por instrumentos musicais, ou mesmo pelas cordas vocais, não possam fazer o mesmo.

O uso dos sons é uma arte perdida, houve povos na Antigüidade que curavam somente com os sons. Não somente as funções somáticas, como também a função psíquica era restabelecida pelas ondas sonoras adequadamente dirigidas.

Para cada função orgânica existem sons capazes de provocar alterações. Assim sendo, há sons que estimulam as funções renais, hepáticas (Hoje a ciência vem redescobrindo as possibilidades de cura oferecidas pelos sons assim é que redescobriu que os cálculos renais podem ser fragmentados com ultra-sons). Por outro lado há sons que provocam lesões e congruentemente, doenças. Há sons adequados para tudo no organismo, infelizmente isto foi esquecido em parte e hoje até mesmo chega-se a duvidar da eficácia do poder dos sons, embora eles realmente funcionem a maior parte dos resultados é decorrente do efeito de ressonância.

No tratamento das doenças, sem sombra de dúvidas, o poder dos sons muitas vezes é mais eficiente do que o próprio poder das drogas químicas. Os medicamentos químicos muito freqüentemente agem destruindo, enquanto os sons quando bem orientados podem com certa facilidade restabelecer a harmonia do organismo sem provocar-lhe danos e assim dispensa a ação tóxica de muitos remédios atuais. Se os sons são pouco utilizados no tratamento das pessoas isto decorre do conhecimento haver sido perdido há muitos séculos. Tudo o que restou foram uns poucos conhecimentos sob a guarda das Fraternidades Secretas. Restaram apenas fragmentos da arte completa, e ninguém tem certeza de que aquilo que algumas doutrinas ensinam atualmente sobre isso seja realmente algo benéfico, pois o poder invisível da “conjura” que tudo corrompe certamente não deixou passar em branco algo tão valioso como o uso dos sons. Por certo a “conjura” também provocou alterações nesse conhecimento sempre tendo em mente os fins maléficos a que sempre se propôs.

O pouco uso que hoje se dá à arte dos sons deve-se também ao fato do ser humano ser comodista demais por natureza, sendo assim ele acha mais fácil deglutir um comprimido, ou tomar uma injeção, do que passar algum tempo sob o efeito de ondas sonoras. O homem atual quer se curar num minuto, por isto ele não aceita coisas como os “mantras e as vocalizações como forma de tratamento. A vida moderna, infelizmente, exige velocidades, e a cura pelos sons muitas vezes é um tanto mais lenta do que aquela levada a efeito por sistemas místicos, mesmo que esta seja uma forma muito mais perfeita e harmônica. A emissão de sons durante vários minutos, várias vezes por dia, é para o homem moderno mais cansativo do que a deglutirão de uma pílula ou a ingestão de uma colherada de xarope, por isto ele muitas vezes dá preferência a esse tipo de tratamento”.

Muitos julgam que a saúde depende de medicamentos químicos, quando na realidade ela depende do EQUILÍBRIO DA ENERGIA VITAL. O grande poder de curar que certas pessoas são dotadas reside no saber conservar a sua energia sutil mantendo-a suficientemente intacta para usá-la, entre outras coisas, no tratamento da saúde.

Os medicamentos químicos levam o organismo a um estado de aparente cura, pois é um sistema violentador, lesivo para o organismo, muitas vezes curando uma coisa na medida exata em que gera uma outra ainda pior, num processo de “cura substituta”, apenas. Há a substituição de uma manifestação mórbida por outra, às vezes menos incômoda, mas suficiente para tornar o paciente dependente perpétuo da medicação química.

Qual os medicamentos ingeridos por Buda, por Jesus e por tantos outros avatares? – Por ventura Jesus ficou doente algum dia? – Não, pois Ele era e é a própria saúde. Qual o segredo de muitos Ioguins que vivem um número de anos muito além da média considerada normal? – Qual a fonte de juventude de alguns místicos, de muitos Rosacruzes, por exemplo? – Qual o segredo de alguns Patriarcas Bíblicos que viveram séculos?…

Autor: José Laércio do Egito – F.R.C.

#Mantras

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-poder-dos-sons

A visão thelemita sobre os sacrifícios sanguíneos

O sacrifício de sangue é um assunto recorrente nas discussões religiosas e mágickas.

Muito se diz e muito pouco se sabe, ao menos por aqueles que não o praticam e por aqueles que o julgam sem conhecer.

Condenado por muitos e praticado desde os primórdios da civilização, o derramamento de sangue ainda é considerado um tabu.

O deus dos crististas, como retratado no Velho Testamento, era um exímio sacrificador de humanos.

Cain matou Abel, que por sua vez sacrificava animais. O deus iracundo não via com favor os sacrifícios de Cain, ao menos até o sangue de Abel ser derramado.

Maias sacrificavam crianças: seus corações eram retirados e suas peles eram usadas como vestimenta pelos sacerdotes.

Na África do Sul ainda hoje há o assassinato Muti: uma pessoa é morta ou mutilada para que partes de seu corpo sejam utilizadas como ingredientes de remédios da sabedoria popular.

Incas e Astecas acalmavam e satisfaziam os deuses com as vítimas humanas imoladas sobre os altares.

Os Thugs na Índia matavam para agradar Nossa Deusa Kali.

Escandinavos, gregos e romanos tinham em suas práticas ancestrais muitos sacrifícios, tanto de animais, quanto de seres humanos. Crianças, adolescentes, Homens e Mulheres.

O sacrifício animal costuma ser bastante solicitado nos cultos de descendência africana: na Umbanda, na Quimbanda e nos Candomblés “brasileiros”. Os animais sacrificados geralmente são galinhas, galos, caranguejos, gatos, pombas, cobras, bodes, cabras e cães.

O que fazemos aqui não é uma apologia ao sacrifício, mas um convite à reflexão e ao simbolismo arcano do ofício sagrado que envolve o sangue, seja ele procedente de algum animal, de nós mesmos, de nossa Vesica Pisces na sacra alquimia dos Kalas ou somente como um ato para saciar nossa fome e nossa sede.

Vida se alimenta de vida e o sangue é um dos Vayus mais potentes e eficazes para gerar determinadas energias dinâmicas de transformação no trabalho mágicko.

O texto de Crowley, publicado em seu Book Four, apresenta uma das teorias mágickas mais proeminentes no ocultismo tradicional thelêmico e serve de base ampla e sólida para o aprofundamento do estudo relacionado. A parte seguinte deste texto trás a tradução sobre a matéria relacionada, quem escreve é o próprio mega Therion

É esperado para nós considerar detidamente os problemas relacionados com os sacrifícios sanguíneos, tendo esta questão uma importância tradicional relacionada com a Magia. Para ser mais preciso, toda a Antiga Magia gira sobre este eixo. Em particular em todas as religiões Osirianas – Os Ritos do Deus Moribundo – são um claro exemplo. A matança de Osíris e Adonis; a mutilação de Attis; os Cultos do México e do Peru; a mitologia de Hércules ou Melcarth; as lendas de Dionísio e Mithras: todas estão relacionadas com esta idéia. Na Tradição Hebraica também a encontramos. Na primeira lição ética da Bíblia se indica que o único sacrifício que agrada os olhos do Senhor é um sacrifício de sangue; Abel, por realiza-lo, encontrou favor com o Senhor, enquanto que Caín, que oferecia vegetais, foi considerado um avarento. Isto ocorre uma e outra vez. Temos o sacrifício que se oferece pelos Judeus, depois de que Abraão foi ordenado pelo Senhor a sacrificar seu primeiro filho. A cerimônia anual das duas cabras expiatórias é outro exemplo. Também é a idéia dominante no romance de Esther, na qual Haman e Mordecai são as duas cabras ou deuses; e também no rito de Purím na Palestina, quando Jesus e Barrabás foram as cabras naquele ano em particular, do qual sabemos tanto sem chegar a um acordo sobre a data dos fatos.

Este tema pode ser estudado em The Golden Bough, de J.G. Frazer.

Já foi dito o suficiente para demonstrar que o eixo da Magia desde os tempos imemoráveis tem sido o sacrifício sanguíneo. A ética desta prática parece que não importou a ninguém em particular; e, para dizer a verdade, não deve importar. Como disse São Paulo, “Sem o derramamento de sangue não há remissão.”; E quem somos nós para discutir com S. Paulo ? Mas, depois de tudo, cada um pode julgar o que quiser sobre o tema, ou sobre qualquer outro tema, graças a Deus! Também não faz falta estudar o assunto, façamos o que façamos; porque nossa ética dependerá naturalmente da teoria que nós possuímos do universo. Se pudermos estar seguros, por exemplo, de que todos iremos para o céu quando morrermos, não haverá tanta objeção ao homicídio ou ao suicídio, como normalmente se faz – por aqueles que não sabem nada dos dois – que a Terra não é um lugar tão agradável quanto o céu.

De todas as formas, existe uma teoria oculta no sacrifício sanguíneo que é de grande importância para o estudante, não façamos portanto mais apologias. Não teríamos nem sequer feito essa apologia para uma apologia, se não fosse pela solicitude de um bom amigo de caráter mui austero, que insistiu que os trechos que agora se seguem – a parte que foi originalmente escrita – poderiam causar alguma confusão. Isto não deve ser assim.

O Sangue é a Vida. Esta simples afirmação é expressa pelos hindus como “O sangue é o veículo principal do Prana vital”. Há alguns fundamentos para afirmar a crença de que existem umas substâncias definidas, que ainda não puderam ser isoladas, e que determinariam a diferença entre matéria viva ou morta. Os Charlatões Pseudocientíficos da América, que afirmam que há uma perda de peso do corpo no momento da morte, devemos – como é natural – menosprezar, incluindo os supostos clarividentes que tem visto a alma sair da boca da pessoa em estado de Articulo mortis; mas sua experiência como explorador tem convencido ao Mestre Therion que a carne perde uma porção de seu valor nutritivo alguns minutos após a morte, e que esta perda aumenta com o passar das horas. Se sabe que a comida viva, como são as ostras, é o tipo de energia mais concentrada e que melhor se assimila. Os experimentos de laboratório sobre os valores nutritivos são inválidos, por razões que não discutiremos aqui; o testemunho geral da humanidade parece ser o guia mais confiável.

Seria irracional – deste ponto de vista – condenar aos selvagens que arrancam o coração e o fígado de seus inimigos e os comem enquanto ainda palpitam. Os Magos da antiguidade sustentavam a teoria de que qualquer ser vivo era um armazém de energia variando em quantidade segundo o tamanho do mesmo e em qualidade segundo seu caráter moral e mental. À morte deste animal esta energia se libera instantaneamente.

O animal, então, se deve matar dentro do círculo, ou no triângulo, segundo o caso, para que esta energia não se perca. Se deve escolher um animal que esteja em sintonia com a cerimônia. Por exemplo, se alguém sacrificasse uma ovelha para invocar a Marte, não obteria muita da energia violenta deste planeta. Neste caso seria melhor um carneiro. E este carneiro tem que ser virgem – a potência de toda sua energia original tem que ser intacta.

Para os trabalhos espirituais mais elevados, se tem que escolher aquela vítima que encerra a maior quantidade e pureza de força, e sem nenhuma deformação física.
Para as evocações, seria mais conveniente por o sangue da vítima dentro do Triângulo; a idéia é que o espírito pode obter deste sangue a substância, ainda que muito sutil, física, que é a quintessência de sua vida para permitir que o mesmo (espírito) tome uma forma tangível.

Os Magos são contrários ao emprego do sangue e utilizam em seu lugar o incenso. Para tal fim se pode empregar o incenso de Abra-Melin em grandes quantidades. Ainda que também sirvam os do tipo Dittany e Creta. Ambos os incensos são muito católicos em sua natureza, e são adequados para quase qualquer materialização.

Mas quanto mais perigoso for o sacrifício mágico, mais êxito se obterá. Para quase todos os propósitos o sacrifício humano é o melhor. O verdadeiro Mago será capaz de empregar seu próprio sangue, ou possivelmente o sangue de um de seus discípulos, e o fará de uma tal maneira que não sacrificará a vida irrevogavelmente. Um exemplo deste sacrifício se encontra no Capítulo 44 de Liber CCCXXXIII. Recomendamos esta Missa como uma prática diária.

Se deve dizer uma última palavra sobre o tema. Existe uma Operação Mágica com a máxima importância: a Iniciação de uma Nova Era “Aeon”. Quando é necessário pronunciar uma Palavra e todo o planeta terá que se banhar em sangue. Antes de que o Homem aceite a Nova Lei, de Thelema, se deve lutar a Grande Guerra. Este Sacrifício Sanguíneo é o ponto crítico da Cerimônia-Mundial da Proclamação de Hórus, o Menino Conquistador e Coroado ou Senhor da Era.

Todas estas profecias se encontram em The Book of the Law; que o aluno tome nota e se una as fileiras do senhor do Sol

Há outro sacrifício, que tem sido mantido como secreto por todos os Adeptos. É um mistério supremo da Magia Prática. Seu nome é a Fórmula da Rosa-Cruz. Neste caso, a vítima sempre é – para dize-lo de alguma maneira – o próprio Mago, e este sacrifício deve coincidir com a pronunciação do nome mais sublime e secreto do Deus que se deseja invocar.

Se esta operação é executada com precisão, sempre se cumprirá o efeito. Mas isto é demasiado difícil para o principiante, porque é muito laborioso manter a mente concentrada no propósito da cerimônia. O vencer deste obstáculo aumenta o poder do Mago.

Não aconselhamos que o aluno intente leva-la a cabo até que tenha sido iniciado na verdadeira Ordem da Rosa-Cruz, e deverá ter tomado os votos com a plena compreensão de seu significado, e logicamente, experiência. Sendo necessário também que tenha alcançado um grau absoluto de moral emancipada, e aquela pureza de espírito que resulta de um perfeito conhecimento das harmonias e diferenças dos planos sobre a Árvore da Vida.

Por este motivo Frater Perdurabo nunca se atreveu a empregar esta Fórmula de maneira cerimonial completa, salvo em uma ocasião de suma importância, quando realmente não foi Ele quem fez a oferenda, e sim UM dentro Dele. Porque percebeu um grande defeito em seu caráter moral, que pode superar no plano intelectual, mas até agora não o conseguiu nos planos superiores. Antes do término deste livro já o terá realizado. Os detalhes práticos do Sacrifício Sanguíneo podem ser estudados em outros manuais etnológicos, especialmente The Golden Bough de Frazer, que se recomenda ao leitor.

Os detalhes das cerimônias também podem ser aprendidos com o experimento. O método empregado para matar é praticamente uniforme. O animal deve ser apunhalado no coração, ou pelo pescoço, e em ambos os casos com o punhal. Todos os outros métodos são menos eficazes; inclusive no caso da crucifixação, a morte chega com a punhalada.

Deve-se indicar aqui, que para o sacrifício só se empregam animais de sangue quente, com duas exceções principais. A primeira é a serpente, que só se utiliza em um Ritual muito especial; e o segundo caso são os escaravelhos mágicos de Liber Legis.

Possivelmente se deveriam dar algumas palavras de cautela para o principiante. A vítima tem que estar em perfeito estado de saúde, caso contrário sua energia poderá estar como que envenenada. Também não deve ser demasiada grande, já que a energia liberada seria excessiva, e de uma proporção inimaginável pela natureza do animal. Em conseqüência, o Mago poderia perder o controle e ficar obcecado com a força extraordinária que teria liberado; então, provavelmente se manifestaria em sua condição mais baixa. O intenso propósito espiritual é absolutamente essencial para manter a segurança.

Nas evocações o perigo não é tão grande, porque o círculo forma uma barreira protetora; mas o círculo neste caso se tem que proteger, e não unicamente pelos nomes de Deus e as Invocações empregadas, também pelo hábito de defesa eficaz levado a cabo por muito tempo.

Se te alarmas ou ficas nervoso com facilidade, ou se ainda não tenhas superado a tendência que a mente tem de se distrair, não é aconselhável que executes o Sacrifício Sanguíneo. Mas não deve se esquecer que este e outros que remotamente temos mencionado são as Fórmulas Supremas da Magia Prática.
Também tu podes ter este capítulo e suas práticas como uma confusão se não compreendes seu verdadeiro significado.

Há um adágio tradicional que diz que quando um Adepto afirma uma coisa em branco e preto, que o mais seguro é que esteja dizendo uma coisa completamente diferente. A verdade nunca se expressa com a clareza de Suas Palavras, sendo sua simplicidade o que confunde aos indignos. Eu escolhi as expressões neste capítulo de tal forma que confundam aqueles Magos que permitem que os interesses egoístas turvem suas inteligências, por minha vez indico umas pistas aos que tem feito os Votos de dedicar seus poderes para fins legítimos. “Não tens outro direito que fazer Tua Vontade”.

Pharzhuph

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-visao-thelemita-sobre-os-sacrificios-sanguineos/

Arte, Magia e Meditação

Bate-Papo Mayhem 167 – Com Igor Kloh (Floki) – Arte, Magia e Meditação

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/yhl5WXozlfs

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arte-magia-e-medita%C3%A7%C3%A3o

Adam Weishaupt e os Illuminati

Robert Anton Wilson

Lição #1 do Maybe Logic Academy

A CORPO

“Raramente se faz a pergunta: Nossos filhos estão aprendendo?”
-George W. Bush

“O único livro que você tem que ler é O Poderoso Chefão. Essa é a única obra que conta como o mundo é realmente governado”.
– Roberto Calvi, Presidente, Banco Ambrosiano; esticada, Londres, 18/06/1982

Adam Weishaupt fundou — ou reviveu — a secreta Ordem dos Illuminati em 1º de maio de 1776; isso parece um fato histórico. Todo o resto permanece disputado e acaloradamente controverso.

A maioria dos historiadores acredita que os Illuminati originalmente recrutavam apenas maçons de alto grau, e desde então em todas as gerações desde 1785 – quando o governo da Baviera descobriu e proibiu os Illuminati – os maçons enfrentam a acusação de que permanecem “sob controle dos Illuminati”.

Todos negam, é claro.

Bem, nem todos. Um maçom escocês, John Robison, em suas Proofs of a Conspiracy [1801], afirmou que os malditos Illuminati haviam conquistado a Maçonaria da Europa Continental; ele escreveu principalmente para alertar as lojas da Inglaterra, Escócia e Irlanda contra um golpe semelhante.

Desde Robison, o debate Maçônico/Illuminati inclui aqueles que pensam que os Weishauptianos tomaram conta de todas as Lojas Maçonicas, aqueles  que como Robison pensam que só se infiltraram em algumas, e aqueles, incluindo a Enciclopédia Britânica, que vêem o Iluminatti como um “grupo de curta duração que viveu o movimento do livre pensamento republicano” e que nunca teve uma grande influência na Maçonaria – ou em qualquer outra coisa.

Mas o debate Illuminati cobre um terreno muito maior do que isso.

Por exemplo: Kris Millegan em seu Fleshing Out Skull & Bones apresenta a sociedade de Yale como um ramo dos Illuminati. Caso você não saiba, alguns Bonesmen proeminentes incluíram Bush I, Bush II, Henry Luce of Time, Justice Potter Stewart e um elenco de estrelas dos chefões dos bancos, imprensa e política norte-americanas, e a maioria dos diretores de a CIA… ah sim, e John Kerry.

Tem certeza que você realmente quer saber mais sobre isso?

De outro ângulo, Akron Daraul, em sua History of Secret Societies, argumenta que Weishaupt não inventou, mas apenas renovou os Illuminati, que ele relaciona a movimentos anteriores conhecidos como Der Begriff Feme (Alemanha), Allubrados (Espanha), Roshinaya (Pérsia). etc.; enquanto o mais exuberante John Steinbacher em Novus Ordo Seclorum os rastreia até o Jardim do Éden! Eles foram fundados, diz ele, por Caim, não são do casamento sagrado de Adão e Eva, mas de um acoplamento ilícito e satânico entre Eva e a Serpente. Que tal isso para os tabloides? Bestialidade, satanismo e todos os temas para um novo filme de Arquivo X.

Enquanto isso, a História da Magia de Eliphas Levi traça os Illuminati de volta a Zaratustra e afirma que sua doutrina secreta chegou a Weishaupt via maniqueísmo, os Cavaleiros Templários e a Maçonaria. Isso os coloca como parte da mesma tradição oculta que Giordano Bruno, Dr. John Dee, Aleister Crowley e dos Sufis do Islã.

Mas na quarta ou quinta versão, uma pesquisadora britânica chamada Nesta Webster vê os Illuminati como os cérebros por trás do socialismo, comunismo, anarquismo e do governo prussiano de 1776 a 1918. [Ela escreveu logo após a primeira guerra da Inglaterra com o Prússia.]

Na sexta versão, J.F.,C. Moore argumenta que os Illuminati, uma fonte secreta do ocultismo fascista, inspiraram personagens tão estranhos como Aaron Burr, Adolf Hitler e J. Edgar Hoover; mas os moluscos Philip Campbell Argyle-Smith são invasores extraterrestres do planeta Vulcano. Eles se autodenominam “judeus” neste planeta, acrescenta. Se isso significa que todos os judeus “são” vulcanos ou apenas alguns deles, parece incerto para mim, mas o vulcano mais famoso, Sr. Spock, “é” judeu na medida em que ser interpretado por um ator judeu o torna pelo menos parcialmente “judeu”. o que quer que isso signifique. Talvez Argyle-Smith tenha visto muitos filmes de Star Trek.

Ele também credita aos Vulcanos Iluminados a gestão dos bandidos da Índia, os sionistas em Israel, os bancos Rothschild, a Internacional Comunista, a Sociedade Teosófica, a Maçonaria e os Assassinos do Afeganistão medieval. Não sei por que deixou de fora George Bush e a Al Qaeda; provavelmente ele só escreveu cedo demais.

Outra teoria dos Illuminati cósmicos apareceu no East Village em junho de 1969; incluía Skull & Bones, os Rothschilds, a Nação do Islã [“Muçulmanos Negros”], Richard Nixon, os Panteras Negras, o Bank of America, os Rosacruzes, o Der Begriff Feme, o Federal Reserve e o Combine’s Fog Machine. Esse deve conter algumas piadas escondidas [espero].

De acordo com o RogerSpark, um jornal radical de Chicago [julho de 1969] Weishaupt realmente assassinou George Washington e serviu em seu lugar por seus dois mandatos como presidente. [Então, quem escreveu os livros de Weishaupt? Hegel talvez; eles soam como dele às vezes……]

A John Birch Society, é claro, tem uma visão diferente sobre tudo isso. De acordo com Gary Allen, editor de sua revista de notícias, American Opinion, Adam Weishaupt “era” um “monstro”, mas os Illuminati só ficaram realmente monstruosos após sua captura pelo aventureiro/bilionário inglês Cecil Rhodes, que o usou para estabelecer o domínio britânico no mundo. O Conselho de Relações Exteriores atua como sua “frente” mais importante nos EUA. hoje, de acordo com Allen.

Sandra Glass, no entanto, pensa nos Illuminati como um grupo de maconheiros clandestinos que incluíam os Assassinos medievais, Weishaupt, Goethe, Washington, o primeiro grande Richard Daly de Chicago e Ludvig van Beethoven. “Beethoven?” você pode bufar. Bem, curiosamente, uma biografia recente, acadêmica e não conspiratória do grande Ludwig van, de Maynard Solmon, diz que o Sr. B escreveu algumas de suas músicas sob encomenda dos Illuminati e tinha muitos amigos na própria Ordem. Solomon não menciona a maconha, no entanto; talvez Ludvig, como um presidente recente com uma ereção perpétua, não tenha tragado.

Então, novamente, Adam Gorightly em The Prankster and the Conspiracy afirma que todas as pesquisas recentes dos Illuminati [pós-1960] se tornaram confusas e caóticas por causa de uma conspiração falsa, também chamada de Illuminati, fundada por Kerry Thornley, um homem acusado de envolvimento em o assassinato de JFK por Nova Orleans D.A. Jim Garrison. De acordo com Gorightly, esse neo-Illuminati visa apenas atormentar e zombar dos esforços de pesquisadores de conspiração sinceros, e ele até acusa o autor deste ensaio [eu, R.A.W.] de envolvimento nessa conspiração diabólica!

Eu, é claro, me recuso a dignificar essa acusação absurda com uma negação, na qual ninguém acreditaria de qualquer maneira. Além disso, como o Rev. Ivan Stang da Igreja do Subgenius diz em Maybe Logic: “Bem, se eu fosse um membro dos Illuminati, não confessaria isso, certo?”

O ANTICORPO

“Não somos vítimas do mundo que vemos, somos vítimas da forma como vemos o mundo.”
— Dennis Kucinich

“Acho que Deus está nos mandando um recado: “Se você não aguenta uma piada, vá se foder”.
-Woody Allen

O que podemos revelar sobre o “real” Adam Weishaupt e os “reais” Illuminati?

Um livro funciona como um espelho, alguém disse uma vez: quando um macaco olha para dentro, nenhum filósofo olha para fora. Posso apenas dizer-lhe o que essa teoria me parece; outros, tenho certeza, encontrarão outras coisas nele – incluindo referências codificadas a Vulcanos, Skull and Bones, Zaratustra, a Der Begriff Feme, comunismo, Maria Madalena, o Federal Reserve, a Combine’s Fog Machine e outros.

Para mim, parece apoiar a mais cautelosa e conservadora de minhas fontes, a Enciclopédia Britânica, e o velho Adam se parece muito com um cansado defensor do “livre pensamento republicano”, estilo do século XVIII. Em outras palavras, ele parece um parente distante, filosoficamente falando, de Adam Smith, Hume, Voltaire, Jefferson, Franklin, Tom Paine – ou seja, de todas essas ideias libertárias atualmente tão fora de moda neste país quanto na Baviera na época de Weishaupt. Eu sei por que ele parece cansado para mim: tentar ensinar a libertação a pessoas que se sentem reconciliadas com sua escravidão pode realmente esmagar você, seja em 1804 ou em 2004.

Também acho que vejo uma influência de Kant, e talvez um prenúncio de Hegel, na estrutura semântica continuamente usada por Weishaupt – “X parece verdadeiro; não-X também parece verdadeiro; teremos que pensar mais sobre isso.” Tomás de Aquino fez o mesmo truque, mas sempre fica do lado da ortodoxia segura om sabor papista. Weishaupt joga a bola de volta para o leitor, embora você nem sempre o pegue fazendo isso.

Não vejo nenhuma prova conclusiva de que os Illuminati planejaram algo nefasto ou mesmo ilegal, exceto na medida em que o próprio pensamento livre permaneceu ilegal no sul da Europa. Mas também não vejo nenhuma prova conclusiva de que eles não fariam e não poderiam e não fizeram coisas desagradáveis. Como uma sociedade secreta escondida dentro da sociedade secreta da Maçonaria, os Illuminati sempre permanecerão um tanto misteriosos, e pedantes e paranóicos discutirão sobre isso até que o último bando desembarque.

Talvez Tom Jefferson tenha acertado quando disse que as sociedades secretas pareciam necessárias na Europa, assombradas pela monarquia e pelo papismo, mas não nos Estados Unidos. Certamente, enquanto a Constituição Americana permaneceu a lei nesta terra nenhuma pessoa sã sentiria a necessidade de sociedades secretas aqui. Atrevo-me a acrescentar “Mas e  agora com a Constituição em suspensão criogênica“? Não: é melhor eu não ir por ai… melhor prevenir do que remediar…

Por outro lado, não apenas as sociedades secretas, mas o próprio sigilo ou mesmo a privacidade parecem cada vez mais impossíveis sob o reinado de George III.

Eles têm câmeras escondidas em todos os lugares.

Eles grampeiam nossos telefones.

Se eles quiserem, eles podem “ler” cada pressionamento de tecla no meu computador, incluindo este:

Eles podem até bisbilhotar o conteúdo de nossas bexigas, em testes aleatórios explicitamente proibidos por aquela Constituição maravilhosa e moribunda. Doce Jesus de luto, não há lugar para onde possamos escapar ou nos esconder ou nos sentirmos sozinhos, não é?

Às vezes, me revirando e tentando dormir de madrugada, exploro as ideias rejeitadas pela minha cética mente desperta. Talvez as fantasias mais paranóicas sobre os Illuminati contenham alguma verdade… pode ser…

Talvez o Olho Que Tudo Vê na nota de dólar represente o estado totalmente fascista que esses bastardos querem.

Talvez todos aqueles discursos na Internet sobre Skull and Bones servindo como recrutador para os Illuminati tenha alguma base de fato, afinal.

Talvez devêssemos realmente nos preocupar quando a escolha na próxima eleição permanecer limitada a dois homens ricos de Bonesmen… O que Weishaupt escreveu? – “Quem é rico – muito rico – pode fazer qualquer coisa…”.

Talvez devêssemos considerar “Illuminati” como um termo genérico ou uma metáfora?

Talvez toda estrutura de poder aja muito como as fantasias mais paranóicas sobre os Illuminati, especialmente quando se sente ameaçada.

Talvez você devesse ver o mundo como uma conspiração dirigida por um grupo muito unido de pessoas quase onipotentes.

Talvez você deveria pensar que esse grupo de pessoas sejam você e seus amigos.

Não, não – é assim que é a loucura, a esquizofrenia. Depois de um sono profundo, acordo, as sombras fogem e lembro que “tudo está bem neste melhor dos mundos possíveis”.

Voltaire não pretendia que isso fosse sarcasmo, pretendia?

Robert Anton Wilson
subterrâneo profundo
Em algum lugar nos EUA ocupados
23 de fevereiro de 2004

Leitura e visualização recomendadas:

  • Argyle-Smith, Philip Campbell — High IQ Bulletin, Colorado Springs 1970, IV, 1
  • Bauscher, Lance — MaybeLogic, http://www.maybelogic.com
  • Daraul, Akron — History of Secret Societies, Citadel Press NY, 1961.
  • Ellul, Jacques — Violence, Seabury Press, NY,1969.
  • Glass, Sandra — “The Conspiracy,” Teenset, March 1969.
  • Gorightly, Adam — The Prankster and the Conspiracy, ParaView Press, NY, 2003.
  • Gurwin, Larry — The Calvi Affair, Pan Books, London, 1984.
  • Knight, Stephen — The Brotherhood, Grenada, London, 1984.
  • Levi, Eliphas — History of Magic, Borden Publishing, Los Angeles, 1963.
  • Millegan, Kris — Fleshing Out Skull & Bones,Trineday, Walterville, OR, 2003.
  • Moore, J.f.C. — “The Nazi Religion,” Libertarian American, August 1969.
  • Morals, Vamberto — Short History of Anti-Semitism, Norton, NY, 1976.
  • Robison, John — Proofs of a Conspiracy, Christian Book Club, Hawthorn, CA, 1961.
  • Solomon, Maynard — Beethoven, Schirmer Books, NY, 1977.
  • Vankin, Jonathan — Conspiracies, Cover-Ups and Crimes, IllumiNet Press, Lillburn,GA, 1996.
  • Webster, Nesta — World Revolution, Constable, London, 1921.
  • Wilgus, Neal — The Illuminoids, Sun Press, Albuquerque NM, 1977.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/adam-weishaupt-e-os-illuminati/

O Livro Tibetano dos Mortos – Kaio Shimanski

Bate-Papo Mayhem 257 – 30/11/2021 (Terça) – Com Kaio Shimanski – Livro Tibetano dos Mortos

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