Fenômenos Estranhos

“Observatio diuturna, notandis rebus, fecit artem”, dixit Cicero num livrinho que se intitula De divinatione Liber II“Observatio diuturna, notandis rebus, fecit artem”, dixit Cícero num livrinho que se intitula De divinatione Liber II. Essa passou a ser a divisa do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina do Porto que se tornou, ao tempo de J. A. Pires de Lima, um centro de estudos de teratologia descritiva. Que fazer dos nado-mortos, senão autópsias? Que fazer do conceito biométrico de anomalia, ou do conceito estatístico de normalidade?

É verdade. Para ver basta ter olhos. Olhar exige muito mais: é necessário discernir o visível de si próprio, distinguindo nele planos em profundidade e em largura, delimitar formas, observar mudanças e seguir movimentos. Olhar acaba por ser impôr objectivos ao visível e, pouco a pouco, a fazer dele objectos.

A ciência tal qual é. A ciência pura. Puros fantasmas ao serviço de. Agamben, ao fazer a genealogia do conceito de vida, conclui que em toda a medicina grega não há um conceito médico-científico, como se pensa, mas um conceito filosófico-político. “O homem é o ser vivo que não tem nenhuma vocação biológica, histórica, etc.. É um ser de potência que não se identifica com nenhuma figura determinada” (Guerreiro).

O fantasma da inquisição é a pureza da fé. Que destino tiveram os judeus e os ciganos, mas também os atrasados mentais e outras criaturas consideradas como desvios à “raça pura”? Onde nos levará o horroroso culto da uniformização em que todos temos de corresponder a um formato? A que fantasma serve a ciência? De que “vida” se ocupa? Que formas de eugenismo dissimula desde Francis Galton (1890/1962) que defende o apuramento da raça humana através de cruzamentos selectivos? (Agamben). Não teremos entrado há muito na projecção aterrorizadora de uma forma de eugenismo, não ideológico – aquele que designaria categorias de pessoas que não merecem viver – mas técnico? Não se terá a técnica separado da ciência que servia a Vida, que, essa, fala em verdade? Não estará o próprio discurso ético a alinhar-se com o discurso técnico, sob pretexto de caridade: fazer as coisas o melhor possível? Barbosa Sueiro fala, a propósito da anatomia, de “finalidade utilitária – mas de virtuoso utilitarismo”.

“O monstro reflecte sempre uma determinada ordenação do mundo, seja este natural ou cultural. Eles são a ruptura da ordem em que cristalizam valores sociais e formas de conhecimento. Produz sentimentos e reacções contraditórias: medo, temor, asco, mas também prazer e lubricidade. Parte às vezes de uma cultura demonológica, outras vezes representação do exótico, do desconhecido, do estranho. Ou se manifesta de forma lúdica (lusus naturae), carnavalesca, ou transporta consigo o estigma da admonição (Deus Irae). O monstro não é só o negativo de formas variadas, mas também de graus diferentes de civilidade. Ambíguo, portanto (Mourão). O recurso à Antiguidade tem aqui alguma pertinência. A definição aristotélica de monstro (teras): “Aliás aquele que não se parece com os pais é já, de certa maneira, um monstro porque, neste caso, a natureza se afastou do tipo genérico” (Aristóteles). Um andrógino é um prodígio que publicamente deve ser exposto como sinal maléfico que o Estado deve fazer desaparecer. Levou tempo para que se passasse a uma outra atitude: interpretar o fenómeno como um erro da natureza, uma má-formação anatómica rara, mas explicável. Os seres dotados dos dois sexos serão vistos como um jogo da natureza, é o que Plínio o Velho explicitamente diz. A bixexualidade foi recebida primeiro como monstruosidade, ameaça, depois como fenómeno explicável e finalmente tolerado, recuperado como um “bem” de consumo (Bisson).

A norma anatómica (Sueiro, 1950) faz lei. “Monstra vero per excessum sunt”, escreve Vandelli (1776). Porém, o normal foi sempre a crux da ciência. As normas são essenciais aos discursos que animam a vida social. A sua constituição esquemática explica o impacto afectivo que acompanha a sua aparição discursiva. A norma parece exigir uma boa distância, da parte das ocorrências que ela avalia, e que não devem tomar o seu lugar. As normas manifestam uma sensibilidade dupla, correspondendo a uma topologia com duas entradas (pouco/assaz/demasiado), que regula os comportamentos aproximativos, nomeadamente a imprecisão exigida, de todos os fenómenos normativos, do domínio da gramática ao da jurisdição. Mas, em último caso, na norma trata-se da estabilização do imaginário através da referência ao semelhante, mecanismo que caracteriza a identificação categorial e analógica, diz P. A. Brandt.

Não obstante, mesmo entre cientistas o conceito de norma está sujeito a discussão. Carlos May Figueira (1864) considera impossível aceitar a ideia de Pareo, segundo a qual haveria hermafroditas com dupla aptidão geradora. Geoffroy Saint-Hilaire (fundador da teratologia em bases científicas) tem a melhor classificação: “hermafroditas com excesso e sem excesso). Para Luís Guerreiro (1921) o corpus da anatomia é o corps – cadáver. E, no entanto, tudo isto é considerado Biologia.

É fácil identificar um monstro. É fácil idealizar a forma humana, as suas variações musculares. Para o naturalista a vida não tem mistérios, tão bem ele vê, tão bem educou o senso crítico. Não será então necessário bem ver para melhor compreender? Se não podemos negar ao corpo medical uma existência histórica, científica ou ideológica, é pelo menos necessário reconhecer que esse corpo não é todo o corpo (quer dizer o todo duma imaginação do seu real) e trabalhar pelo menos com o mínimo de imaginário com que Valéry tentava descobrir nele funções figurativas, ordens fantasmáticas.

Todo o discurso médico contemporâneo, higienista e moral, de que as bonecas de Pierre Spitzner são uma espécie de caricatura, apoia-se num catálogo desordenado das aberrações de imagens do corpo (Schefer). Para lá das aberrações iconológicas, é necessário notar que a “escrita” médica não tende a fazer significar algo ao corpo. E não se esqueça o seguinte: “From the point of view of the subject, the representation of the body, even when narrowly biological, is always an image of the self: identity, genealogical resemblance, cultural norm and configuration, etc.” (Abel)”. E todavia, haverá, no discurso dos saberes, discurso mais marcado por uma espécie de regularidade do fantasma (o do corpo como objecto, como labirinto, etc.) do que o discurso da medicina?

Artigo originalmente publicado na revista Triplov

José Augusto Mourão

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/fenomenos-estranhos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/fenomenos-estranhos/

O Que significa o “G” na Maçonaria?

simbolos-maconicos

Qual o significado da letra “G” comumente presente no centro do Esquadro & Compasso?

Vários autores apontam vários significados, muitos dos quais absurdos: God, GADU, Grande Geômetra, Ghimel, Gama, Geração, Gênio, Gnose, Gomel, Glória, Gibur, Gibaltrar, etc.

Há ainda aqueles autores que, sem conseguirem se aprofundar na pesquisa sobre o tema, preferem afirmar que o verdadeiro significado do “G” é um grande mistério maçônico, talvez nunca revelado. Uma desculpa um tanto quanto poética.

A letra G é um daqueles tantos símbolos que sobrevivem aos séculos mas, infelizmente, perdem seu significado original, ganhando vários outros significados ao longo do tempo. E vez ou outra, um desses significados novos prevalece, sepultando de uma vez por todas o original.

Séculos atrás, conhecimento era algo raro, reservado a pequena parcela da população, restrito aos poucos com berço ou condições financeiras para tanto. Naqueles tempos, a Geometria era tida quase como uma ciência sagrada, mãe da arquitetura e da construção, sem a qual as Catedrais não podiam ser planejadas e concluídas. As crianças não aprendiam Geometria nas escolas, como ocorre atualmente. Apenas aqueles que trabalhavam com construções aprendiam tais lições. Em resumo, a Geometria era a ciência do maçom operativo, uma ciência que os distinguia dos demais, que tornava possível a execução da Arte Real, que levanta templos às virtudes.

A presença do “G” no Templo é representativo da Geometria como a ciência maçônica; como foco do estudo, conhecimento e prática do trabalho maçônico; e principalmente como origem da Arte Real, base para o uso de todas as ferramentas do maçom. Esse significado pode ser comprovado em todos os antigos Catecismos Maçônicos que se tem conhecimento.

A letra “G” definitivamente não é “God” ou qualquer outro nome relacionado ao Grande Arquiteto do Universo. Apenas nas línguas anglo-saxãs, a palavra referente a Deus começa com “G”, enquanto que o uso do “G” também sempre constou nos países de línguas latinas. Se “G” fosse God (inglês e holandês) ou Gott (alemão), então nos países como França, Espanha, Itália e Portugal utilizariam um “D”: Dieu (francês), Dios (espanhol), Dio (italiano) e Deus (português). E isso não aconteceu e não acontece, nem nesses países e nem nos que adotam as línguas latinas. Já a palavra “Geometria” mantém sua letra inicial tanto nas línguas anglo-saxãs como nas latinas: Geometry (inglês), Geometrie (holandês e alemão), Géométrie (francês), Geometría (espanhol), Geometria (italiano e português).

O surgimento de novos significados para o “G” foi surgindo entre o século XVIII e XIX, quando os intelectuais-maçons da época, achando a simbologia maçônica de certa forma simplista, começam a inventar significados considerados por eles mais profundos e adequados para os símbolos maçônicos e pegar emprestado símbolos de outras fontes (astrologia, alquimia, cabala, templários, etc), criando novos rituais e ritos.

Ao indicar num mesmo ritual que uma única letra tem 07 diferentes significados, não relacionados entre si, os “sábios da maçonaria” daquela época, assim como os de hoje, revelam uma informação importantíssima a todo maçom estudioso: na tentativa de “florear” nossa simbologia, se mostram grandes incoerentes.

Sim, “G” é apenas “Geometria”. Pode não parecer muita coisa hoje, mas na época era.

Espero que o próximo maçom a se aventurar em escrever sobre o “G” na Maçonaria não subestime a inteligência de seus irmãos. Não basta apenas pegar o dicionário, abrir no “G”, selecionar algumas palavras legais e depois filosofar um pouquinho sobre elas. É exatamente assim que perdemos a nossa história.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-que-significa-o-g-na-ma%C3%A7onaria

Ayahuasca e Umbanda – Elisa Taborda

Bate-Papo Mayhem 125 – gravado dia 19/01/2021 (Terça) Marcelo Del Debbio bate papo com Elisa Taborda – Ayahuasca

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Annie Wood Besant

1847-1935

Nasceu em primeiro de outubro de 1847, em Londres. Filha de um médico irlandês, ficou órfã aos 5 anos. Muito religiosa, casou-se com o pastor Frank Besant, do qual separou-se em 1873, aos 26 anos, após crise interior. A partir deste momento, rompeu com a Igreja Anglicana publicamente.

Tornando-se livre pensadora, tornou-se líder de inúmeras atividades.Formou-se em Ciências Biológicas, no ramo da Botânica.Demolia em praça pública, os mitos que deformavam a compreensão do ABSOLUTO. Foi escritora de centenas de livros e conferencista renomada. Emotiva, seus dotes intelectuais notáveis fizeram dela a maior oradora de sua época e uma das mais famosas militantes femininas.

Trabalho Político

Defensora dos direitos dos trabalhadores, reformadora política, lutou contra a escravidão da mulher indiana e inglesa. Participou de ações na Co-Maçonaria e fundou inúmeras escolas e universidades na Índia.Editou revistas, foi julgada e presa na Inglaterra, por divulgar panfletos e editar um livro sobre controle da natalidade. Fundou a Liga da Lei e da Liberdade na Inglaterra, através da qual, conseguiu vencer uma greve londrina. Lutou pela libertação da Índia, foi socialista e fez muito pelas crianças e moças sem lar. Sempre encontrou tempo para trabalhar em algum setor construtivo como instrutora e educadora.

Encontro com a teosofia

Trabalhando para um jornal, recebeu a incumbência de comentar a Doutrina Secreta, a qual havia sido escrita por Helena Blavatsky. Lendo, foi tocada pela grandeza da obra. Sua conversão do ateísmo a Teosofia foi escandalosa para a época, pois rompeu com o grupo ateísta de que fazia parte. Ao entrar em contato com Blavatsky teve um encontro comovente, um reconhecimento creditado a outras vidas. Daí surgiu a grande ocultista e mística que foi Annie Besant, que escreveu tantos livros sobre Teosofia. Trabalhou com Blavatsky por dois anos, tornando-se sua discípula. Sucedeu-lhe como diretora da Escola Esotérica após sua morte.

Correspondia-se com Gandhi, ao qual passava conhecimentos teosóficos, que o tocavam muito, e notícias. Mudou-se para a Índia, onde presidiu a Sociedade Teosófica Internacional após a morte de Henry S. Olcott, de 1907 até a sua morte, em setembro de 1935. Tinha então, 86 anos de idade. Há uma avenida em Bombaim e outra em Madras, em sua homenagem, pelas lutas que empreendeu também na Índia. Propagou sua causa por todos os lugares, a qual se resumia na busca da Perfeita União entre Matéria e Espírito, corpo e alma, a busca do encontro do homem consigo mesmo e da plenitude humana.

Conheceu Krishnamurti ainda criança e foi sua tutora, orientadora espiritual e intelectual. Ela lançou-o ao mundo. Na índia, fundou escolas, o escotismo e a primeira Universidade, a qual lhe concedeu o título de Doutora. Segundo comentários de Gandhy,” toda celebração é digna desta translúcida, delicada e grande mulher”

Bibliografia de Annie Besant:

  • Brahmavidya – Sabedoria Divina
  • Dharma
  • Karma
  • O Enigma da Vida
  • O Homem e Seus Corpos
  • Reencarnação
  • Sugestões para o Estudo do Bhagavad-Gita
  • Um Estudo Sobre o Karma
  • A vida do Homem em Três Mundos
  • Formas de Pensamento
  • Ocultismo, Semi-ocultismo e Pseudo-ocultismo
  • Vegetarianismo e Ocultismo
  • A Doutrina do Coração
  • A Vida Espiritual
  • Os Ideais da Teosofia
  • Os Sete Princípios do Homem
  • Sabedoria Antiga
  • Os Avatares
  • Morte… e Depois?
  • Os Mestres
  • Do Recinto Externo ao Santuário Interno
  • Um Estudo Sobre a Consciência
  • A Sabedoria dos Upanixades
  • O Homem – Donde e Como Veio, e Para Onde Vai?
  • O Poder do Pensamento
  • Introdução ao Ioga
  • O Cristianismo Esotérico
  • A teoria do inanimado

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/annie-wood-besant/

A Filosofia em Thelema – Parte 2

Parte 2: Epistemologia

Tradução: Mago Implacável

Revisão: (não) Maga Patalógica

Recomendamos que você leia primeiro : A Filosofia em Thelema – Parte 1

Há dois pontos sobre a razão que estão expostos no Liber Al Vel Legis. O primeiro ponto é que a razão deve ser subserviente à Vontade; o segundo ponto é a importância da experimentação direta acima da razão. Essas ideias sobre a razão se complementam e dão suporte uma à outra.

Primeiramente, a Vontade é “suprarracional” ou para além da razão. A parte do Liber Al Vel Legis que fala com isso está no capítulo 2:

“Há grande perigo em mim; pois quem não compreende estas runas cometerá um grande erro. Ele cairá dentro do fosso chamado Porque, e lá ele perecerá com os cães da Razão. Agora uma maldição sobre Porque e sua parentela! Seja Porque amaldiçoado para sempre! Se Vontade pára e clama ‘Por quê?’ invocando Porque, então Vontade pára e nada faz. Se o Poder pergunta ‘Por quê?’, então Poder é fraqueza. Também razão é uma mentira; pois existe um fator infinito e desconhecido; e todas as suas palavras são artifícios. Chega de Por que! Seja ele condenado como um cão! Porém vós, ó meu povo, erguei-vos e despertai!” (linhas 27-34).

Aqui nós temos uma maldição sobre a ideia de “Por quê” [Because], “Razão” e “Porque” [Why]. Não há “porquê” ou “porque” para a Vontade: simplesmente VAI, ela simplesmente É. Porque nós habitamos um mundo de Espaço Infinito e já que a razão só funciona com quantidades e ideias finitas, então a razão não consegue expressar o Infinito de um modo preciso e acurado. É uma “mentira” devido ao “fator infinito e desconhecido”. Crowley escreve, “Não existe uma ‘razão’ pela qual uma Estrela deva continuar em sua órbita. Deixe que ela rasgue [a linha da órbita]! É ridículo perguntar ao cachorro porque ele late. Deve-se cumprir a sua verdadeira Natureza, deve-se fazer a sua Vontade. Questionar isso é destruir a confiança e, assim, criar uma inibição” (The Law is For All, II: 30-31). Portanto, a razão deveria preocupar-se com suas tarefas (resolver problemas de raciocínio) e permitir que a Vontade flua desinibida; de outra maneira, “arrisca-se a cair do mundo da Vontade (livre da ânsia de resultado) para o da Razão” (Operação Djeridensis , Liber Al II:44). Crowley continua: “nós não devemos supor nem por um instante que o Livro da Lei é oposto a Razão. Ao contrário, sua reivindicação à autoridade se baseia na razão, nada além disso. Ela desdenha da arte do orador. Faz da razão o autocrata da mente. Mas este mesmo fato enfatiza que a mente deveria se encarregar de suas próprias tarefas. Não deveria transgredir seus limites. Deveria ser uma máquina perfeita, um aparato para representar o universo de modo preciso e acuradamente a o seu mestre. O Eu, a Vontade e sua Apreensão deveriam ser totalmente para além dela”. (The Law is for All, II:27). E também “[q]uando a razão usurpa as funções mais elevadas da mente, quando se atreve a ditar à Vontade quais desejos deveria ter, destrói toda a estrutura da estrela. O Eu deveria colocar a Vontade em movimento, isto é, A Vontade deveria receber ordens apenas de dentro e de cima” (“Operação Djeridensis”, II: 31).

Outro ponto é feito no Liber Al Vel Legis I: 58, “Eu concedo prazeres inimagináveis sobre a terra: certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz indescritível, repouso, êxtase; e Eu não exijo nada em sacrifício”. A Vontade não requer regras da fé para ser aceita, mas, ao invés disso, pergunta ao indivíduo que ele confie em suas próprias experiências. É a fé adquirida pela experiência direta da “consciência da continuidade da existência,” (Liber Al Vel Legis I: 26) que é oferecida. Preceitos racionais não são propostos, debatidos, aceitos ou rejeitados; ao contrário, alcança-se diversos transes e aprende-se com a própria experiência. Quando se atinge a “consciência da continuidade da existência,” (Liber Al Vel Legis I: 26) e torna-se “mestre de tudo” (Liber Al Vel Legis I: 23), a união desta percepção não é explicável pela dualidade da razão. Relacionado a esta experiência nós descobrimos que “não pode existir nenhuma realidade em conceito intelectual algum de qualquer tipo, a única realidade deve basear-se na experimentação direta de tal forma a ser para além do escopo do aparato crítico da nossa mente. [A realidade]não pode ser sujeitada às leis da Razão; não será encontrada nos grilhões da matemática elementar só os conceitos irracionais e transfinitos nesse assunto talvez possam sombrear a verdade em um paradoxo tal como a identidade de contraditórios (Oito leituras sobre Yoga). Crowley também afirma “´[p]ara ter qualquer sentido sensível, a fé deve ser equivalente a experiência (…) Nada nos é de qualquer serventia, a menos que seja uma certeza inabalável por qualquer tipo de crítica, e só existe uma coisa no universo que cumpre essas condições: a experiência direta de verdade espiritual. Aqui, e somente aqui, encontramos uma posição na qual as grandes mentes religiosas de todos os tempos e de todas as regiões coincidem. É necessariamente acima do dogma, porque o dogma consiste em uma coleção de afirmações intelectuais, cada uma delas, e também a suas contradições, podem ser facilmente contestadas e derrubadas” (Oito leituras sobre Yoga). Essa percepção do mundo como contínuo e unitário não é oferecida na (ou pela) fé, mas pode ser alcançada e reconhecida como uma certeza por aqueles que já a atingiram.

Outra doutrina relacionada à razão que aparece nos escritos de Crowley, mas não explicitamente em(ou no) Liber Al vel Legis é a ideia da circularidade da razão. A Razão consegue manipular e trabalhar apenas com as ferramentas da razão; isto tem relação com o que foi dito anteriormente pois os problemas na esfera da razão não devem usurpar o poder da ou ditar ações à esfera da Vontade. Nós temos um exemplo desta doutrina da circularidade da razão em “Antecedentes da Thelema”, onde Crowley escreve “[q]uando examinadas todas as provas [estas] se tornam definições. Todas as definições são circulares. (Para a = bc, b = de … w = xy e y = za.)”. Nesse sentido, a razão lida com a relação entre ilusões. Isso é certamente útil – ciência é um grande exemplo disso – mas isso não nos dá nenhum fato poderoso sobre a forma que as coisas são. Num sentido mais profundo, a razão trabalha dentro do reino da dualidade, enquanto a Vontade deve permanecer unidirecional e, portanto, não atolada nas relações da Razão. Crowley escreve mais sobre isso no artigo chamado “Knowledge” no seu Pequenos Ensaios em Direção à Verdade: “todo o conhecimento pode ser expresso pela fórmula S = P. Mas, desta forma, a idéia P está realmente implícita em S; assim nós não aprendemos nada (..) S = P (a menos que idêntico, e, portanto sem sentido) é uma afirmação da dualidade; ou, podemos dizer, a percepção intelectual é uma negação da verdade do Samadhi. É, portanto, essencialmente falso na profundeza de sua natureza”. A razão é entendida simplesmente como uma relação de palavras que apontam a outras palavras, ad infinitum. Além disso, como mencionado acima, por que a razão trabalha com a relação entre ideias (a relação entre S e P acima), ela afirma a dualidade no mundo. Duas coisas só podem ser relacionadas racionalmente se elas são distintas e, portanto, separadas.

De novo, todas essas ideias sobre a Razão se interligam para nos dar uma imagem geral da abordagem da Thelema sobre o lugar do conhecimento e da razão. Essencialmente, a Vontade do indivíduo está além da razão, ou [,podemos dizer, é] suprarracional, então não se pode perguntar “Por que” disso ou justificar com um “Porque”. O indivíduo deve então constantemente avançar e experienciar coisas novas e diversificadas, não dependendo de artigos da fé. A Razão é uma aptidão humana que nos permite manipular e encontrar relações entre fatos e ideias finitas. Devido a isso, deve trabalhar dentro de sua própria esfera (isto é, lidar com problemas racionais como matemática, ciência, etc) enquanto deixa a Vontade agir de forma desinibida. Com esse entendimento, podemos estar protegidos da razão quando surge a pergunta “de onde vieste? Para onde vais?”, respondendo “De nenhum lugar! Para nenhum lugar! (…) Não há prazer inefável neste vôo sem destino? Não haveria fadiga e impaciência para aquele que alcançasse algum destino? (Liber LXV, II: 21-22, 24)

Link original: https://iao131.com/2011/01/25/the-philosophy-of-thelema-pt-2-epistemology/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-filosofia-em-thelema-parte-2

Discrição – a maior astúcia do Diabo

Sim, o satanismo é a religião dos fortes. É a doutrina da auto-aceitação e do abraçar da sombra usualmente renegada por todas as outras religiões. O satanismo é o caminho do Eu, de pensar em si mesmo antes de todas pessoas e no que você quer antes do que os outros querem. Mas não, você não precisa gritar aos quatro cantos do mundo que você é satanista. Isso na verdade pode ir contra o primeiro “pecado” satânico: a Estupidez. Cada caso é um caso e algumas pessoas realmente são tão auto-suficientes o bastante para poderem bradar o pentagrama, mas para a maioria dos satanistas fazer isso seria um erro. Você poderia perder a credibilidade, ganhar inimigos e oportunidades importantes na vida pelo simples fato de admitir  que é parte da religião desafiadora de todos os tempos. Ao contrário de outras doutrinas não precisamos de aceitação social. Um batizado cristão ou uma chahad islamica são sempre feitos publicamente testemunhas externas para que se entre oficialmente nestas religiões. Já os satanistas só precisam saber quem são.

Não é preciso que todos que você conheça saibam que você é satanista simplesmente porque poucos sabem e pouquíssimos querem saber o que isso realmente significa. Não nos esqueçamos que vivemos no maior pais católico do mundo e que os cultos evangélicos estão cada vez mais disseminados. Para essas pessoas a palavra Satan tem um significado completamente diferente. Nunca se esqueça disso, A MAIORIA DAS PESSOAS SÃO PRECONCEITUOSAS e o fato de você enxergar além não significa que as regras do jogo vão mudar para você. Por mais esclarecido que você seja, continuará sendo julgado por preceitos judaicos cristãos, por mitos disseminados e por exemplos hollywodianos. Não leve para o lado pessoal, não é que as pessoas não queiram saber quem você é, elas tem horror a qualquer tipo de saber. Levar a tocha do conhecimento para elas irá assustá-las ainda mais. Não é porque a inquisição acabou que não existem mais julgamentos. E os juízes sociais em geral não respeitam a coisa mais importante no ser humano, sua individualidade. Talvez, só uns poucos possam ser dignos de saber de sua condição como satanista, seus melhores amigos, seu companheiro ou companheira amorosos e provavelmente ninguém mais. Afinal no satanismo é o Eu que importa, se você sabe, aceita e entende o fato de ser satanista e esta sempre atrás de auto-aperfeiçoamento não é preciso que ninguém no mundo mais saiba disso. Você já está ciente e é isso que importa.

Mas como eu disse, você se quiser, pode contar sobre o seu caminho para quem sabe, o seu melhor amigo, e ele poderá se interessar e ai então você poderá contar a ele sobre tudo o que conhece. É assim que surgem novos satanistas, surgem dos poucos e dos forte e não ao meio dos gritos irracionais de um rebanho de ovelhas.

Charles Baudelaire em suas “Litânias a Satan” escreveu; “A maior astúcia do Diabo é convencer-nos de que ele não existe.”. E há realmente um fundo de verdade nesta frase. A discrição pode ser a armas mais poderosa de nós diabos, satanistas que somos. É um tremendo erro de Baixa-Magia, uma má manobra política e um suicídio social querer ganhar inimigos à toa.  Se temos a oportunidade brilhante de sermos o lobo entre os cordeiros o melhor a fazer é desfrutar de nossa segunda pele e de todos os bens que esta posição pode trazer.

Você não precisa sair gritando nas ruas “Eu Sou Satanista”, você não precisa, dizer a todos que encontra aquilo que é. Na Verdade você não precisa dizer a ninguém – não que não possa pois você sabe que nenhuma pessoa no mundo é mais importante do que você.

Abençoado seja Satã, o Eu Supremo.

Morbitvs Vividvs é autor de Lex Satanicus: O Manual do Satanista e outros livros sobre satanismo.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/discricao-a-maior-astucia-do-diabo/

Aleister Crowley, Thelema e a História da O.T.O. – Com Carlos Raposo

Bate-Papo Mayhem #026 – Com Carlos Raposo – Aleister Crowley, Thelema e a História da O.T.O.

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/gjn8MdagesU

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral duas vezes por semana, às segundas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados uma vez por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/aleister-crowley-thelema-e-a-hist%C3%B3ria-da-o-t-o-com-carlos-raposo

Ajuda e o invisível

Jean DUBUIS

A solução mais fácil para resolver os problemas da vida ou as dificuldades do Caminho Iniciático é chegar ao ponto em que a sua própria ajuda seja suficiente e eficaz. Isso pode parecer óbvio, mas pensei ser bom enfatizar o ponto porque muitos falham nessa área simplesmente por falta de método. Além dos métodos, digamos técnicos, para chegar a esse ponto de autossuficiência, há uma mentalidade a ser cultivada sem a qual qualquer tentativa está fadada ao fracasso, mesmo com a ajuda poderosa de outros.

Um primeiro ponto a considerar, e talvez o mais importante, é que não damos ordens ao Invisível; esperamos por seu conselho, sua revelação. De fato, não é possível dar ordens ao Mestre Interior, pois por sua própria estrutura é o único com a leitura completa de nosso caso. Por outro lado, o que é possível nessa área é dar ordens às entidades aplicando as leis do universo, mas isso só é possível após um longo e cuidadoso estudo da Cabala. Além disso, os rituais ou técnicas que atingem esses princípios só podem ser aplicados se a pessoa tiver o controle total desses processos da Cabala e, além disso, se tiver a Sabedoria ou Iniciação necessária para escolher soluções. Caso contrário, o uso dessas práticas, ou mesmo apenas tentativa de uso, pode levar ao suicídio psíquico ou mesmo físico.

Um segundo obstáculo, de outra ordem, é a confusão entre perseverança e obstinação. Em muitas áreas, a perseverança que é a continuidade do pensamento no projeto é necessária porque, em muitos casos, as dificuldades são resolvidas uma após a outra. Por outro lado, a teimosia, que é repetir tentativas na mesma dificuldade um número exagerado de vezes, é um erro tático. De fato, quando um ponto definido em nossas vidas, em nosso caminho, resiste a vários testes em uma solução, você tem que mudar de ideia, considerar a aplicação de outros princípios. O Invisível não nos ajudará nem nos permitirá ser ajudados enquanto não tivermos boa vontade. Teimosia é estupidez e é o oposto de boa vontade.

Outras condições devem ser atendidas, tanto material quanto psicologicamente e mentalmente, para obter ajuda do Invisível por conta própria.

Em primeiro lugar, você deve tentar resolver o problema no plano material, ou pelo menos tentar tudo ao seu alcance nesta área. “Faça por onde que eu te ajudarei.”. Então, você deve se esforçar para ter uma atitude de boa vontade, não fraqueza nem rigidez.

Outra vantagem, não menos importante, é o respeito ao silêncio. Você não deve falar, nem escrever sobre quais são seus problemas, para não corrigi-los por escrito ou cristalizá-los pelo verbo. Você precisa olhar para eles no “silêncio interior” pois a verdadeira compreensão das coisas se faz na ausência das palavras da Terra.
Treinar para ter contato interno direto se torna uma prática fácil, mas apenas depois de um longo período de paciência e trabalho.
Quando então você “sentir o problema em silêncio interior”, sem esforço, talvez apenas com algumas imagens mentais, você deve adotar a seguinte técnica:

  • Coloque-se em um quarto escuro
  • Coloque-se em um lugar tranquilo
  • Coloque-se em uma sala onde a temperatura seja moderada.

Em resumo, você deve ter um mínimo de percepções sensoriais.

É bom no início do treino focar em todas as partes do corpo, começando pelos pés, com o pensamento de retirar a percepção sensorial do corpo. Quando esta etapa é bem sucedida, você “sente” como um “estado magnético” em todo o seu corpo.

Diante das dificuldades a serem resolvidas, você deve fazer uma revisão mental neutra e pensar que a solução “será”. Acima de tudo, não procure influenciar a natureza da solução. Não damos ordens ao Invisível. Neste momento, o segredo do contato interior com o Invisível está em uma fase de intensa mas breve transição para um estado em que a mente está totalmente vazia. O Eu não pensa mais que não pensa.

No dia em que o contato for alcançado – nesse momento o sentimento, a revelação são indiscutíveis – você deve escolher uma palavra-código, por exemplo, “eu disse”, ou “está feito” ou “está tudo bem”, etc. Com anos dessa prática, o simples pensamento do assunto a ser abordado e a simples palavra-código torna-se suficiente para estabelecer contato se as condições acima foram suficientemente trabalhadas.

Não desanime, mesmo que o resultado demore muito para ser obtido. De fato, a repetição dessa prática prepara para um eventual sucesso e já está causando um estado positivo de auto-suficiencia, mesmo que não induza estados de consciência como descrito acima.
Quando este passo de ajuda própria for obtido, você saberá como ajudar os outros.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/ajuda-e-o-invisivel/

A Dança

Desde a mais remota Antigüidade, e de maneira unânime em todos os povos, aparece a dança como expressão do sentir do homem, e como um ato natural nele. Unida sempre à música e ao canto, como uma trilogia rítmica indissolúvel, ela constitui um gesto espontâneo que se articula com o ritmo universal. Este se colocar “no ritmo”, este “ritmar” com o Cosmo, é a essência e a origem da dança, cujas coreografias e movimentos circulares se inspiram na ordem dos planetas e seus efeitos e correspondências na manifestação. O homem, o dançarino, é o intermediário entre céu e terra, e seus passos repetem e representam a Cosmogonia primordial à qual imediatamente assinala um caráter repetitivo e ritual. Graças a estes gestos e figuras ideais, ou “patronos” simbólicos, e à total entrega à dança, o ser humano se vê transportado a outro mundo, a outro espaço mental, onde sua participação ativa no presente através do movimento faz com que se conecte com uma só e única onda, ou vibração, compartilhada pela criação inteira. Quando isto é assim, é que se compreendeu o sentido mágico da vida, da qual é parte.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-dan%C3%A7a

Black Ice, AC/DC

A presença de Highway to Hell, Back in Black e The Razor´s Edge na nossa lista já é uma amostra de como AC/DC é praticamente a trilha sonora do chamado satanismo moderno. Poderiamos sem dúvida incluir nesta lista qualquer outro álbum da banda, mas não é porque cada faixa da discografia deste grupo é um exemplo perfeito do que a celebração materialista deveria ser que Brian Johnson e compania não deixariam espaço para Satã cantar pela boca de outros rock stars. Assim, podemos fazer vista grossa e deixar de citar obras primas como “For Those About to Rock” e “Let There Be Rock”. Mas não podemos deixar de falar de Black Ice.

O chifres e o pentagrama invertido aparecem no encarte, o diabo é citado nas letras das músicas e a farra hedonista de sempre aparece em todas as músicas. Mas o motivo deste álbum estar nessa posição privilegiada de nossa contagem é muito mais sutil. Apesar das várias brincadeiras de Angus Young nas entrevistas sobre o título deste trabalho, os fãs de Neuromancer vão logo entender a mensagem.

Para quem não sabe, Neuromancer foi o livro que inaugurou o gênero Cyberpunk e influênciou enormemente a cultura digital vindoura. Foi para os primeiros “marginais virtuais” o que “On the Road” foi para a geração hippie. Neste livro os ICE`s são os “Intrusion Countermeasures Electronics” (Contramedidas Eletrônicas de Intrusão), algo que hoje chamariamos de Firewalls. Na história, as interfaces neurais já são uma realidade e o “Black Ice” é um programa criado não apenas para impedir as invasões, mas matar os cowboys do ciberespaço.

Sendo Black Ice o primeiro álbum de AC/DC no século XXI, é natural que a mesma irreverência rebelde de sempre, seja apresentada numa roupagem apropriada ao espírito desta época. A referência a cultura hacker não para por ai. O lançamento de Black Ice (o álbum) abusou da divulgação digital viral como ferramenta de promoção. Para se ter uma idéia o grupo se recusou a colocar o álbum para ser vendido via iTunes numa clara ofensa contra o monopólio da Apple sobre a música digital e o ‘video clipe’ promocional foi divulgado no formato de uma planilha comercial tipo Excel usando frames em ASCII-Art, para que ao contrário do que acontece com os formatos de vídeo ele não pudesse ser bloqueado por administradores de redes que não querem que as pessoas se divirtam no trabalho.

Pense bem, satanistas se orgulham de ser elitistas, rebeldes e independentes, qualidades que se encaixariam na definição de qualquer hacker de verdade. Se resta alguma dúvida uma breve leitura do famoso Manifesto Hacker pode saná-las. Palavras que poderiam ter sido escritas por LaVey. Nele lemos:

“Nós buscamos por conhecimento…e você nos chama de criminosos. Nós existimos sem cor de pele, sem nacionalidade, sem preconceito religioso…e você nos chama de criminosos. Você constrói bombas atômicas, você empreende guerras, você assassina, engana e tenta nos fazer acreditar que é para nosso próprio bem, contudo nós somos os criminosos. Sim, eu sou um criminoso. Meu crime é a curiosidade. Meu crime é  julgar as pessoas pelo que eles dizem e pensam e não pelo que se parecem. Meu crime é ser mais inteligente do que vocês, algo pelo qual você nunca me perdoará. Eu sou um hacker, e este é meu manifesto.”

Seria ridículo dizer que os integrantes do AC/DC sejam hackers, assim como seria ridículo dizer que são satanistas, mas isso apenas para as definições limitadas que as pessoas têm do que é um hacker e do que é um satanista. O mundo em que vivemos muda a todo segundo e dificilmente uma década é uma simples cópia da década anterior, mas os seres humanos continuarão sendo humanos onde quer que nasçam. Como Petridis escreveu para o Guardian.co.uk: “O capitalismo ocidental pode entrar em colapso mas ao menos podemos ter certeza que [Angus] Young estará em um palco, tocando sua guitarra em alguma música sobre sexo e rock and roll, vestindo bermuda, blazer e seu boné.”

Sobre o futuro Brian Johnson confessa que não tem bolas de cristal e em entrevista a Reuters é agnóstico: “Vou deixar na mão dos deuses. A vida é o que é, você sabe. Se você começa a planejar com muitos detalhes, ela te dá um chute no traseiro”. Mundanos, Tarados e Céticos como todo bom satanista. Seja qual for o formato que o ideal luciferino tomar nos próximos séculos, AC/DC será sempre lembrado como a banda que soube representá-lo em seu tempo. Se o “Rebelde” é um arquétipo eterno, o “Hacker” é sua roupagem mais atual. Black Ice!

Black Ice

 

Well the devil may care,
You toss ‘em back and be a man,
With the last time,
Black ice,
End of it all, end of the line,
End of the road,
Black ice,
Black ice,

Come on and bleeding out the crowds,
We’re watching all the women go,
Many a mile I’ll never take,
I run for forty miles and come up runnin’ late,
Don’t you know I live it down,
When the devil come a callin’ I aint gonna be around,
Black ice,
Black ice,
Black ice,
The devil come a callin’ I aint gonna be around,
Black ice,

Livin’ long, livin’ long,
Sleep all alone, you’re gonna take it all,
And I’m gonna rip it out,
I’ll kick, I creep crawl down your street,
I’ll gouge your eyes out,
Black ice,
Black ice,
Black ice,
Black ice,

My life,
Black ice,
My life,
Black ice,
My life,
When the devil come a callin’ I aint gonna be around,
I’ll kick, I creep crawl down your street, and gouge your eyes out,
Black ice

Tradução de Black Ice

Bem, o diabo pode se importar,
Rebata e seja um homem,
Com a última vez,
Black Ice,
Fim de tudo, fim da linha,
fim da estrada.
Black Ice,
Black Ice,

Vamos lá e sangrando as multidões
Nós assistimos todas as mulheres,
Com muitas não andarei nem uma milha,
Eu corro por quarenta milhas e venho correndo até tarde
Você não sabe eu vivo até o fundo,
Quando o diabo vier chamando eu nem estarei mais aqui.
Black Ice,
Black Ice,
Black Ice,
O diabo vem chamando eu não estou mais aqui.
Black ice,

Vida longa, vida longa,
Dorma sozinho, você vai conseguir tudo,
e eu vou pegar tudo para mim.
Eu chuto e venho me esgueirando pela sua rua
Eu engano os seus olhos,
Black Ice,
Black Ice,
Black Ice,
Black Ice,

Minha vida,
Black Ice,
Minha vida,
Black Ice,
Minha vida,
Quando o diabo fizer o chamado, eu não vou estar mais aqui,
Eu chuto, Eu me esgueiro pela sua rua, eu engano seus olhos.
Black Ice

 

Nº 42 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/black-ice-ac-dc/