RPG na Câmara dos Vereadores de São Paulo

Pela primeira vez na história, a Câmara Municipal de São Paulo, representada pelo Vereador Adolfo Quintas e em parceria com a Oscip O Caminho, abriu as portas para abordar o tema a respeito do fanatismo religioso e os preconceitos com o trabalhador esotérico. Temas relacionados : intolerância religiosa e o desenvolvimento do

Fanatismo religioso, Terapias alternativas, Tarot, Vampirismo, perseguição a cosplayers e RPGistas, ataques a obras literárias, arte e religião foram abordados. Participaram do Debate o Prof. Roberto Caldeira, o Engenheiro Serg Rios, o escritor Lord A, a terapeuta Silvana Martins e o arquiteto Marcelo Del Debbio. O vereador Adolfo Quintas abraçou o conteúdo do Debate, deixando sua agenda aberta para os participantes na elaboração dos projetos que contribuem para melhorar a qualidade de vida.

Pela primeira vez tivemos a oportunidade de relatar as perseguições que os jogos de Role-Playing Games sofrem nas mãos dos fanáticos religiosos, esclarecer os ataques estereotipados da mídia e relatar os diversos problemas que jogos como Dungeons & Dragons, Vampiro, Arkanun e outros tiveram em conflitos com o fanatismo religioso.

#RPG

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A Vontade em Thelema: Considerada em dois planos

A Vontade é um tema central para Thelema. Liber Al Vel Legis, texto central da Thelema expõe:

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.” (I:40)

“Tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade. Faze isso, e nenhum outro te dirá não.” (I:42-43)

“Não existe lei além de ‘Faze o que tu queres’” (III:60)

Há dois “planos” nos quais a Vontade deve ser considerada para que ela possa ser entendida completamente. O primeiro plano será intitulado como “teórico/absoluto” e o segundo será intitulado como “prático/relativo”. Como Aleister Crowley adverte em muitos lugares que não devemos “confundir os planos” – isto é, devemos manter as considerações de cada plano dentro de sua própria esfera e não permitir que os julgamentos que pertencem a uma sejam confundidos como pertencentes à outra.

No plano teórico/absoluto, tudo e todos já estão fazendo a sua Vontade “verdadeira” ou “pura”.

“Saiba firmemente, ó meu filho, que a verdadeira Vontade não pode errar; porque este é o vosso curso designado no Céu, em cuja ordem está a Perfeição” — Liber Aleph, “De Somniis”

“Há considerações muito mais profundas nas quais aparece que ‘Tudo o que é, é certo’.Elas são apresentados em outro lugar; só podemos resumi-las aqui dizendo que a sobrevivência do mais apto é o resultado delas”— Magick in Theory and Practice, Cap. I

“O não iniciado é uma ‘Estrela Negra’, e a Grande Obra para ele é tornar transparentes os seus véus, purificando-os. Esta ‘purificação’ é realmente ’simplificação’; não é que o véu seja sujo, mas sim que a complexidade de suas dobras o torna opaco. A Grande Obra, portanto, consiste principalmente na solução de complexos. Tudo em si é perfeito, mas quando as coisas estão confusas, elas se tornam ‘más’.— New Comment to AL I:8

“(…) Cada um de nós, estrelas, devemos nos mover em nossa verdadeira órbita, como marcado pela natureza de nossa posição, pela lei de nosso crescimento e pelo impulso de nossas experiências passadas. Todos os eventos são igualmente legítimos – e cada um, necessário, a longo prazo – para todos nós, em teoria; mas na prática, apenas um ato é legítimo para cada um de nós a qualquer momento. Portanto, o Dever consiste na determinação de experienciar o evento certo de um momento de consciência para outro”. Introdução do Livro da Lei, parte III

A última citação toca na questão pertinente deste curto artigo: “Todos os eventos são igualmente legítimos – e cada um, necessário, a longo prazo – para todos nós, em teoria”. Essa é a Vontade percebida a partir do plano teórico/absoluto – o próprio Crowley usa a terminologia “em teoria” para descrever esse aspecto. Em um sentido “absoluto”, ou de uma perspectiva “absoluta”, “todos os eventos são igualmente legítimos – e cada um, necessário”.

Ele, então, escreve, “mas na prática, apenas um ato é legítimo para cada um de nós a qualquer momento. (…) o Dever consiste na determinação de experienciar o evento certo de um momento de consciência para outro”. Essa é a Vontade percebida a partir do plano prático/relativo. Em um sentido relativo, é necessária discriminação.

A primeira e mais comum “confusão dos planos” ocorre quando se percebe a verdade do plano teórico/absoluto da Vontade. Nesse sentido, todos os eventos são legítimos e necessários e não há “errado” ou “mal”. Isto significa no mundo que nenhuma ação deve ser restrita, porque todas as coisas “funcionam no final”, você poderia dizer. Isto será, literalmente, sua morte se você decidir adotar a perspectiva teórica/absoluta como uma filosofia prática/relativa. Embora a Vontade seja “perfeita” e “necessária” no plano teórico/absoluto, há um “Dever” que é a necessidade prática de determinar a ação que é “correta”.

O plano teórico/absoluto da Vontade é praticamente inútil a nível prático, embora o conhecimento do fato de que a Vontade não pode verdadeiramente errar, pode dar origem a uma certa confiança, desapego e atitude despreocupada. É sobre o plano de existência prático/relativo que normalmente funcionamos e, por isso, se faz necessária uma compreensão prática/relativa da Vontade.

Em Thelema, a aplicação prática/relativa disso é afirmada como:

“Amor é a Lei, Amor sob vontade” (I:57)

Amor é o Modus Operandi do Thelemita, e tem de ser “sob vontade”. “Cada ação ou movimento é um ato de amor, a união com uma ou outra parte de ‘Nuit’; cada um desses atos deve ser “sob vontade”, escolhido de modo a cumprir e não frustrar a verdadeira natureza do ser em questão” (introdução ao Liber AL, parte III).

Portanto, a Vontade de Thelema deve ser considerada como operante simultaneamente em dois planos: o teórico/absoluto e o prático/relativo. No plano do teórico/absoluto, todos os eventos são perfeitos, puros e necessários; no plano do prático/relativo, o Thelemita opera sob a fórmula de “amor sob vontade”, assimilando a experiência de acordo com sua natureza única.

Link original: https://iao131.com/2011/04/30/the-will-in-thelema-considered-on-two-planes/

Tradução: Mago Implacável

Revisão: Maga Patalógica

#Thelema

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Dorman Seyman: o milenar Ritual do Pentagrama Japones – Abenoseimei no hoshi no gishiki – 安倍晴明の星の儀式

Por Robson Bélli

Doman Seyman são símbolos magico muito usados pelas mulheres que coletam produtos marinhos enquanto mergulham na parte sul da província de Mie no Japão, as chamadas mulheres Ama (海女), costumavam desenhar em toalhas de mão, camisetas e ferramentas.

O padrão Doman é um conjunto de 4 linhas verticais e 5 horizontais formando um padrão quadriculado e o segundo é um pentagrama. Uma teoria é que o padrão quadriculado “impede monstros com uma malha” e o pentagrama “na posição original feito a partir de um único traço”. Cria uma barreira, que impede os monstros/demônios/fantasmas de entrar.” A propósito, as atuais mulheres Ama usam uma roupa de mergulho, então elas raramente usam Doman e Seyman, nos dias de hoje.

A linhas do padrão quadriculado chamado Doman são um total de nove e estão ligados aos ideogramas do Kuji-Kiri e a estrela de cinco pontas esta ligada de Abe Seimei (Aproximadamente em 990 d.c), um dos maiores (se não o maior) dos magos japoneses de todos os tempos.

Uma curiosidade que seja interessante acrecentar é que Abe Seimei teve um outro mago poderoso como inimigo e este se chamava Ashiya Doman, estes tem muitos duelos mágicos descritos na literatura, alegadamente se sabe que Abe Seimei sai como o vencedor de um destes duelos matando Ashiya Doman com uma magia.

No japão costuma se afirmar que os ideogramas e os mudras do Kuji-kiri esotérico tem o efeito de defesa contra demônios, então pode-se dizer que é perfeito para as Ama usarem para evitar acidentes marítimos. Da mesma forma, o pentagrama também foi usado como símbolo de proteção e anti-demônios em todo o mundo, para então poder estar relacionado ao nome de Seimei (exclusivamente no Japão) mais tarde.

Este feitiço tornou-se conhecido do público em geral porque um personagem costumava dizer “Dorman Seyman” no filme “Tokyo: The Last Megalopolis”.

A forma da mão para traçar tais traços no ar é a seguinte:

A Estrela de cinco pontas. Chama-se Seimei Kikyo-in porque se assemelha a uma flor Kikyou. A origem de “Seyman” vem do nome de Seimei Abe, para a execução do ritual de proteção e diz-se: apenas “Seyman” enquanto se traça o pentagrama de um golpe só, costuma-se dizer que este ritual funciona pois:

“pois ele retorna à sua posição original com um único golpe, não há lacunas para que os monstros possam entrar”

“一筆書きでもとの位置に戻るため、隙間がな いので魔物が入り込めない”

Ippitsugaki de moto no ichi ni modoru tame, sukima ga na inode mamono ga hairikomenai

A forma quadriculada para aprisionar espíritos e demônios deve ser desenhada na seguinte ordem:

Quando se traça cada traço se deve dizer o nome do ideograma correspondente do kuji-kiri sendo os mesmos na seguinte ordem:

  1. (臨) Rin – PODER sobre si mesmo e os outros
  2. (兵) pyo – DIREÇÃO da energia
  3. (闘) Toh – HARMONIA com a natureza
  4. (者) Sha – CURA para mim e para os outros
  5. (皆) Kai – PREMONIÇÃO do perigo
  6. (陣) Jin– CONHECER os pensamentos dos outros
  7. (列) Retsu – DIMENSÃO
  8. (在) Zai – CRIAÇÃO
  9. (前) Zen – ILLUMINAÇÃO

Após finalizar os traços tanto de um padrão quanto do outro deve-se adotar a seguinte postura com amas as mãos:

E dizer em voz alta, YOSHHHH.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/pentagrama-japones/

Uma Sinfonia para a Divina Comédia

Dante

No entanto, Richard Wagner o alertara que descrever o Paraíso não era tarefa para simples mortais. Convencido disso, Liszt decidiu não compor esta última parte, produzindo apenas uma “visão longínqua do Paraíso” a que ele chamou de “Magnificat”, o último trecho da obra. É como se nós, após enfrentarmos a dolorosa jornada do monte purgatório, tivéssemos um pequeno vislumbre do coro angélico.

A “Sinfonia para a Divina Comédia de Dante”, popularmente conhecida como “Sinfonia Dante”, foi um trabalho inovador, com inúmeros avanços harmônicos e orquestrais: efeitos de vento, harmonia progressiva, experimentos em atonalidade, tonalidades e tempos incomuns, interlúdios de música de câmara, uso de formas musicais incomuns. Foi também, uma das primeiras sinfonias a fazer uso de tonalidade progressiva, começando e terminando em tonalidades radicalmente diferentes.

Inferno: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais!”

O movimento de abertura retrata Dante e Virgílio iniciando sua jornada através dos nove círculos infernais. Nos primeiros temas que se prosseguem, Liszt utiliza-se de uma afinação em Ré menor, tonalidade frequentemente utilizada por outros compositores em obras associadas à morte. O tema termina em Sol sustenido, formando então o famoso trítono, intervalo associado ao diabo e conhecido na Idade Média como Diabolus in Musica.

É interessante notar, que mais à frente, na medida em que música vai mudando seu andamento (accelerando poco a poco), um motivo derivado dos primeiros temas é introduzido pelas cordas (naipe normalmente associado ao elemento fogo). Este motivo, que é praticamente uma escala cromática descendente, retrata Dante e Virgílio em sua descida ao Inferno.

Vale a pena destacar também, o momento em que Dante e Virgílio adentram no segundo círculo do Inferno, o Vale dos Ventos. É perceptível o subir e o descer de escalas cromáticas executadas pelas cordas e flautas (fogo+ar), evocando então o Vento Negro Infernal, o furacão que não para nunca, atormentando eternamente os espíritos luxuriosos.

Purgatório

O segundo movimento, intitulado Purgatório, retrata a subida de Dante e Virgílio ao Monte Purgatório. Monte este que é composto por sete círculos ascendentes, cada um correspondente a um dos sete “pecados” capitais: Orgulho, Inveja, Ira, Acídia, Avareza, Gula e Luxúria. É reservado àqueles que estão em processo de libertação dos mesmos.

Na segunda seção deste movimento, notamos a indicação Lamentoso na partitura. Suas figurações agonizantes refletem a súplica e o sofrimento dos penitentes, o quão difícil é libertar-se completamente destes defeitos.

O Vislumbre do Paraíso

“Os tesouros, porém, do reino santo,
Que arrecadar-me pôde o entendimento,
Serão matéria agora de meu canto”

Uma melodia celeste, acompanhada pelo arpejo das harpas, é entoada pelo coral feminino. Há um forte desejo para que esta melodia se prolongue ou evolua, mas Liszt encerra sua sinfonia por aqui, com com uma tranquila cadência plagal em Si maior,  três repetições de uma única palavra, Hallelujah, nos deixando com aquela vontade secreta de adentrar o Paraíso, apenas para ouvir um pouco mais este magnífico coral angélico.

Magnificat anima mea Dominum,
Et exsultavit spiritus meus in Deo salutari meo.
Hosanna!
Hallelujah!

Link da Obra

Faça um passeio musical inesquecível  pelos círculos infernais, monte purgatório, mas não se anime, o paraíso só verás ao longe. Esta versão foi gravada em 1991 pela filarmônica de Berlim sob a batuta do maestro Daniel Barenboim. O usuário que postou esse vídeo teve o trabalho de fazer uma sincronização com as belas ilustrações de Gustave Doré, exatamente como Liszt gostaria que sua sinfonia fosse apresentada. Vale a pena pela música, pelas imagens e pela viagem. Assista >> AQUI

Franz Liszt

Fabio Almeida
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#Música #Ocultismo

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O Taoísmo – Igor Teo

Bate-Papo Mayhem #096 – gravado dia 29/10/2020 (Quinta) Marcelo Del Debbio bate papo com Igor Teo – O Taoísmo

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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A longa e horrível história de pessoas tentando viver para sempre

Theo Zenou 

O filósofo renascentista Montaigne brincou certa vez que “a morte nos pega pela nuca a cada momento”. Ele poderia muito bem ter acrescentado: ‘até que, finalmente, nos estrangule.’ Mas e se soubéssemos como escapar do estrangulamento da morte? E se pudéssemos evitar a morte e viver para sempre? Seria possível? Seria ético? Seria desejavel?

A imortalidade pode parecer coisa de ficção científica, mas está se tornando cada vez mais o foco da ciência real. Em 2013, o Google lançou a Calico, uma empresa de biotecnologia cujo objetivo é “resolver” a morte. Enquanto isso, o cofundador do PayPal, Peter Thiel, prometeu “combater” a morte. E no ano passado, foi relatado que o presidente da Amazon, Jeff Bezos, fez um alto investimento na Altos Labs, uma empresa que planeja “rejuvenescer” as células para “reverter doenças”. (Bezos é também dono do Washington Post.).

Existe até uma startup desenvolvendo medicamentos para que os cães possam viver mais. Os ensaios clínicos estão programados para começar este ano. Se forem conclusivos, o plano é aplicar a mesma ciência às pessoas. A imortalidade – ou anti-envelhecimento, como os pesquisadores o chamam sobriamente – é a próxima grande novidade. As estimativas colocam o valor do setor em impressionantes US$ 610 bilhões até 2025. Do Vale do Silício a Cambridge, na Inglaterra, cientistas estão escrevendo o capítulo mais recente da tortuosa história de nossa busca pela vida eterna. É uma história que vem de longe.

A Epopéia de Gilgamesh

Nós temos tentado viver para sempre a muito tempo. A história mais antiga de nossa espécie, “A Epopéia de Gilgamesh”, é sobre esse anseio.

Gravado em tábuas de argila quatro milênios atrás na Mesopotâmia, diz respeito ao rei Gilgamesh, um “homem touro selvagem” com músculos gigantescos e um ego ainda maior. Após a morte de seu melhor amigo, Gilgamesh é forçado a enfrentar sua própria mortalidade. “Devo morrer também?” ele clama aos céus.

Em sua dor, ele se transforma em uma versão mesopotâmica de Peter Thiel e parte em uma missão para “superar” a morte. Ele falha, mas descobre o significado da vida ao longo do caminho:

“Os humanos nascem, vivem, depois morrem,
esta é a ordem que os deuses decretaram.

Mas até o fim chegar, aproveite sua vida,
gaste-o em felicidade, não desespero.

… Ame a criança que te segura pela mão,
e dê prazer à sua esposa em seu abraço.

Essa é a melhor maneira de um homem viver.”

Mas o resto da humanidade não recebeu o memorando. Veja o primeiro imperador da China, Qin Shi Huang, que governou no século III a.C. e estava determinado a viver para sempre.

Qin Shi Huang

Como Gilgamesh, Qin tinha pavor da morte. Tanto que ele proibiu qualquer discussão sobre o assunto no tribunal sob pena de – você adivinhou – morte.

De acordo com o livro “Imortalidade”, de Stephen Cave, quando Qin soube de um grafite profetizando que ele também morreria, ele ordenou que suas tropas matassem quem fosse responsável por essa afronta. Mas o meliante escapou da captura. Então o imperador mandou matar todos na área. (Para alguém com um medo tão neurótico da morte, Qin foi bem casual em matar seus súditos.)

Um dia, um enigmático feiticeiro chamado Xu Fu afirmou que sabia como conceder a imortalidade ao imperador. Tudo o que este último precisava fazer era absorver o “elixir da vida”. Esta bebida especial pode ser encontrada em uma ilha mágica do Mar da China Oriental. Qin, sempre crédulo, financiou a expedição de Xu lá.

Mas, é claro, não havia ilha. Xu era um vigarista tão descarado que fez Charles Ponzi parecer Desmond Tutu.

Ainda assim, o imperador permaneceu obcecado em prolongar sua existência. Para esse efeito, ele começou a beber uma mistura estranha… e morreu aos 49 anos de envenenamento por mercúrio.

Diane de Poitier

Qin não foi a única figura histórica convencida de que um coquetel poderia conferir imortalidade. Diane de Poitiers, supostamente a mulher mais bonita da França do século XVI, bebia ouro para preservar sua boa aparência.

Diane de Poitiers era uma nobre francesa e cortesão proeminente que bebia ouro para preservar sua boa aparência.

Poitiers não escolheu arbitrariamente o ouro como sua panacéia. O elemento foi associado à imortalidade graças à alquimia, a biotecnologia da Idade Média, que se centrava na busca da Pedra Filosofal. Acreditava-se que transmutava metais básicos em ouro e dava vida eterna.

Um alquimista parisiense do século XIV, Nicolas Flamel, descobriu a pedra sagrada e ainda estaria vivo hoje. Ou assim vai a lenda, que inspirou o primeiro livro de “Harry Potter”.

Papa Inocêncio VIII e Elizabeth Bathory

Ao longo da história, o sangue tem sido um remédio antienvelhecimento popular. Em 1492, o moribundo Papa Inocêncio VIII foi injetado com sangue de crianças, colocando em prática a recomendação do polímata italiano Marsilio Ficino de que os idosos sugam o sangue dos jovens “como sanguessugas” para voltar seu relógio biológico. (Se isso for muito grosseiro para você saiba que Ficino aconselhou misturar o sangue com água quente e açúcar.) Infelizmente para o Sumo Pontífice, era besteira. Inocentes morreram, junto com seus jovens doadores de sangue.

A longa e chocante história de papas atormentados por escândalos
Mas que tal banhar-se no sangue das virgens? Na virada do século XVII, a condessa húngara Elizabeth Bathory era aparentemente um adepto. Ela acreditava que mergulhos regulares evitariam que sua pele se enrugasse.

Busca pela imortalidade no Século XX

Avançando dois séculos, um eminente neurologista creditou injeções de cobaias e testículos de cachorro por fazê-lo “se sentir trinta anos mais jovem”. Um cirurgião empreendedor correu com a ideia, enxertando testículos de macaco nas partes íntimas de homens idosos em uma tentativa de reverter o envelhecimento. Saiba mais, por sua conta e risco, em seu tratado “Vida; um Estudo dos Meios de Restaurar a Energia Vital e Prolongar a Vida”.

A busca pela imortalidade se estendeu até a hora mais sombria do século 20. No auge da Segunda Guerra Mundial, o líder nazista Heinrich Himmler embarcou em uma busca para localizar o Santo Graal. O chefe da SS, mergulhado nas artes das trevas, acreditava que o Graal lhe concederia habilidades sobre-humanas, incluindo a vida eterna. Desde a Idade Média, dizia-se que beber do Graal anularia a morte. (Himmler nunca encontrou o Graal; ele morreu em 1945 quando tomou uma pílula de cianeto ao ser capturado pelos britânicos.)

O sonho que não morre

No entanto, se você espera viver para sempre, abandone os contos de fadas medievais. Em vez disso, estude a ciência emergente da programação de células, ou “hackeie” células para recodificá-las que ficou sob os holofotes recentemente graças a uma conferência no prestigiado London Institute for Mathematical Sciences (LIMS).

“Em princípio, a vida poderia ser projetada para viver mais”, disse o diretor do LIMS, Thomas Fink, ao The Post. Físico formado em Caltech e Cambridge, ele vê a imortalidade como um desafio matemático. Para resolvê-lo, é preciso primeiro perguntar por que envelhecemos. “A resposta canônica”, explicou Fink, “é que o envelhecimento é inevitável e uma condição fundamental da vida”. Todo organismo se degrada com o tempo e, eventualmente, se decompõe. Fim da história.

“Mas a história é muito mais estranha do que pensamos”, disse Fink. Em um artigo recente, ele usou a matemática para demonstrar que “o envelhecimento pode ser favorecido pela seleção natural”. Essa é uma visão chocante: significa que as primeiras formas de vida, que começaram há bilhões de anos, provavelmente não morreram.

A morte surgiu durante o curso da evolução porque conferia uma vantagem. Em suma, as espécies que morreram se saíram melhor do que as que não morreram.

Na frase memorável de Fink, “imortalidade – não mortalidade – é o estado natural das coisas”. Então, como podemos voltar a esse estado natural? É aí que entra a programação celular.

Várias empresas estão tentando fazer esse trabalho, como a bit.bio, que recodifica células para tentar encontrar curas para doenças como o Alzheimer. A longo prazo, essa biotecnologia revolucionária pode muito bem permitir que os cientistas redefinam as células para a imortalidade.

“Se o processo de envelhecimento é um mecanismo dentro da célula controlado por um programa de transcrição, então seremos capazes de influenciá-lo”, hipotetizou Forrest Sheldon, um membro júnior do LIMS que colabora com o bit.bio.

Mas Fink e Sheldon alertaram que ainda estamos muito longe de nos tornarmos imortais. Então não reserve ainda suas férias para o verão de 4500.

Fonte: https://www.msn.com/en-us/news/us/the-long-and-gruesome-history-of-people-trying-to-live-forever/ar-AAWNqyu?ocid=uxbndlbing

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Luciferianismo – Frater Amoriel

Bate-Papo Mayhem 204 – 17/07/2021 (Sabado) Com Frater Amoriel – Luciferianismo Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #Luciferianismo #satanismo

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A Postura da Morte & a Nova Sexualidade

Desde tempos imemoriais, a partir do culto místico à múmia no Antigo Egito até o ritual da assunção de formas divinas praticado na Aurora Dourada (Golden Dawn), quando o Adepto Chefe (Sumo Sacerdote) simulava o papel de Christian Rosenkreutz e se deitava no túmulo (pastos), pronto para a ressurreição, o conceito de morte tem sido inseparável do de sexo.

A ilustração intitulada “A Postura da Morte” (ver ao lado), que forma o fronstispício do “Livro do Prazer”, de Austin Osman Spare, contém, numa forma alegórica, a doutrina completa da Nova Sexualidade.

A figura de Zos (o nome Zos não apenas é o nome mágico de Austin Osman Spare, como ele também considera no “Livro do Prazer” que “o corpo considerado como um todo eu o chamo de Zos”) está sentada à uma mesa circular repleta de imagens estranhas. Sua mão direita está pousada em seu rosto, selando a boca e impedindo o fluxo de ar (força vital) através das narinas; seus olhos se concentram com intensidade fixa em VOCÊ – a testemunha. Com sua mão esquerda ele escreve os caracteres místicos que materializam seus desejos sob a forma de “sigilos”. A identidade da mão com a serpente (isto é, phallus) é inequívoca. Ao redor desta figura, encontram-se as inumeráveis imagens de desejos passados, disfarçados sob formas humanas ou bestiais, elementares ou incomuns, algumas delas transfixadas pelo metal do ódio, outras elevadas pela sua mão direita ao local do amor, outras tantas em atitudes de entrega feliz, contemplativa ou sedutora, uma outra brilha através duma máscara impenetrável de êxtase interior, transcendendo a dualidade por um tipo de prazer além da compreensão. Diante de Zos, acima dele e à sua esquerda, encontram-se os crânios dos mortos. O crânio, emblema da morte, está colocado em lugar de destaque, envolto em seus cabelos desalinhados. A idéia é a de que a morte domina o pensamento ou, mais exatamente, todo pensamento é morto, totalmente nulo, e um nada intensamente hipnótico emana de seus olhos fixos no além; e, sob estes olhos, a mão sustenta a cabeça da mesma forma que um pedestal a um cálice.

Os dois instrumentos mágicos, o Olho e a Mão, estão submissos à morte; eles cumpriram seu objetivo único e encontraram a apoteose na aniquilação. Nenhuma respiração (princípio vital, prana) faz com que as formas imóveis à sua volta se mexam. Está implícito um estado de suspensão animada que simula a Morte (qhe, thané). A Morte ou thané é o motto (nome mágico ou iniciático) de Zos (Austin Osman Spare), cujo nome mágico completo era Zos vel Thanatos. Ele diz, em seu “Inferno Terrestre” escrito em 1905, que “a Morte é Tudo”.

Todas as religiões e cultos mágicos da antiguidade enfatizavam a idéia de morte, que era interpretada como um nascimento num outro plano da existência. Túmulo e útero eram termos intercambiáveis que denotavam as idas e vindas do ego em vários níveis ou planos da realidade, com o objetivo de fazer cumprir as leis do karma decretado pelo destino. A Morte é “a vinda daquilo que foi reprimido; o tornar-se pelo ir além, a grande chance: uma aventura na Vontade que se traduz no corpo”. Esta é a chave para a Postura da Morte, na verdade uma impostura, uma simulação de morte com o objetivo de permitir que o sonho reprimido emerja e se corporifique, se transforme em realidade.
Entretanto, a Postura da Morte é mais que uma simulação ritual da Morte, do mesmo modo que no ritual supremo da Maçonaria há (ou deveria haver) uma verdadeira ressurreição nascida da ressurreição teatral ensaiada com o objetivo de externar a verdade interior.

No “Alfabeto dos Símbolos Sensoriais” que Spare idealizou para formar a base de sua Linguagem do Desejo, um símbolo representa o Ego, ou princípio da dualidade, enquanto outro representa a “Postura da Morte”, a dissolução da dualidade no estado sem forma da Consciência Absoluta.

A “sensação preliminar” da Postura da Morte (conforme “O Livro do Prazer”) é um ótimo exemplo da habilidade de Spare de “visualizar a sensação”). A figura está curvada sobre si mesma num “estado de graça” de concentração interior e a “Estrela da Vontade” brilha em seu coração nas suas seis cores; a mão direita cinge uma arma invisível. A mão simboliza a Vontade Criativa e os Olhos, que simbolizam tanto desejo quanto imaginação, estão fechados ou cobertos. É fácil interpretar a gravura em questão como significativa de um intenso poder preso dentro do corpo que será liberado através de uma explosão que tomará uma forma desejada. É através da união entre vida e morte, entre a corrente ativa da Vontade e a corrente passiva da Imaginação, a união de Mão e Olho, que nasce o conceito da Nova Sexualidade. A compreensão plena da Postura da Morte leva à plena compreensão da sexualidade primal, irrestrita e “nova” (no sentido de “revigorante”).

Spare descreve a Postura da Morte como “uma simulação da morte através da negação absoluta do pensamento, isto é, a prevenção da transformação do desejo em crença manipulada por aquele, e a canalização de toda a consciência através da sexualidade”. “Pela Postura da Morte, permitimos que o corpo se manifeste espontâneamente, impedindo a ação arbitrária, causada pelo pensamento. Só os que estão inconscientes de suas ações têm coragem para ir além do bem e do mal, em sua sabedoria pura de sono profundo”.

Para se assumir corretamente esta postura é necessário “re-lembrar-se” (em inglês, um jogo de palavras com re-member, isto é, lembrar-se para transformar outra vez em membro ou parte integrante) daquela parte distante da memória subconsciente onde o conhecimento se transforma em instinto e, daí, em curso forçado, ou lei. Neste momento, que é o momento da geração do Grande Desejo, a inspiração flui da fonte do sexo, da Deusa primordial que existe no coração da matéria. “A inspiração sempre acontece num instante de esvaziamento da mente e a maioria das grandes descobertas é acidental, acontecendo geralmente após uma exaustão mental”, isto é, quando o “conhecimento” consciente foi descartado e a percepção puramente instintiva tomou o seu lugar.

A Postura da Morte é o somatório de quatro gestos (mudras) principais que constituem os sortilégios mágicos de Zos. Vontade, Desejo e Crença constituem uma unidade tripartite capaz de estremecer o subconsciente, forçando-o a ceder o seu potencial criativo. Este varia de acordo com a natureza do desejo e da quantidade de crença “livre” que o sigilo contem. Os métodos de energização da crença variam, mas a imaginação sugere o melhor deles. Em outras palavras, seja espontâneo, não dê espaço ao pensamento. Para reificar (transformar em algo real) o sonho ou desejo, Spare utiliza a mão e o olho. A nostalgia intensa faz com que se retorne a remotos caminhos passados e o desejo ardente se mistura com todos os outros, o Ser com o Não-Ser, de modo que um “espírito” familiar há muito esquecido acabe se tornando uma obsessão para a mente consciente; então, e só então, a experiência ancestral é revivida e se corporifica.

A corporificação de entidades mentais “ressuscitadas”, evocadas pelo desejo ardente de se entrar novamente em contato com elas, acaba se tornando “real” tanto para o olho quanto para a mão. Deste modo, o “corpo” é ressuscitado, não como um sonho enevoado, mas palpável ao toque e visível ao olho. “Do Passado chega este novo ser”.
A “ressurreição do corpo” está sempre acontecendo, inclusive no quotidiano, mas é uma ressurreição involuntária, freqüentemente anacrônica e, portanto, indesejada. Através do uso da teurgia auto-erótica de Zos é possível viver todas as “mentiras” e encarnar todos os sonhos agora, neste mesmo instante. No “Grimório de Zos“, Spare afirma que “a identidade é uma obsessão, um composto de múltiplas personalidades, cada uma delas sabotando a outra; um ego multifacetado, um cemitério ressurgente onde os demiurgos fantasmagóricos buscam em nós a realidade deles”.

Através da Postura da Morte, a nossa consciência sobre algo se identifica com a consciência dos que chamamos de outros; uma qualidade que, em si mesma, é uma não-qualidade, uma vez que ela não é isto nem aquilo. E, pela apreensão de Kia (Ser) como “nem isto, nem aquilo” (neither-neither, ou neti-neti dos budistas), nasce a nova estética ou percepção da sexualidade, que é a nossa percepção individual das coisas vista sob uma nova ótica, que também é a fonte de todas as percepções dos outros que nós freqüentemente “projetamos” como se fossem corpos femininos.

Isto nos leva ao estranho conceito de sexualidade que Spare utilizou como a base de sua teurgia. Todas as mulheres são vistas como formas de nossos desejos; elas são desejos sigilizados e, por causa da qualidade condicionada de nossas crenças, elas estão condicionadas e sujeitas a mudanças, surgindo em nossas mentes como a realidade dos outros que deseja unir-se à nossa realidade. “Feliz é o que absorve estes ‘corpos femininos’ – sempre projetados – pois ele adquire a percepção da verdadeira extensão de seu próprio corpo”.

Spare não restringe o significado da palavra “corpo” ao corpo físico; se este fosse o caso, não haveria qualquer sentido na sua declaração de que “a Morte é Tudo”, nem na glorificação da simulação de uma condição que decreta o fim do organismo físico. A frase “a verdadeira extensão de seu próprio corpo” envolve a percepção de um estado sensorial do qual o organismo físico é apenas uma reificação ou ressurreição (isto é, nosso próprio corpo é muito mais do que apenas seu limite físico nos faz crer, embora este possa “encarnar” sua verdadeira dimensão através da Postura da Morte). A doutrina de Spare, em última instância, prega a unificação de todos os estados sensoriais em todos os planos simultâneamente, de modo que o ego possa estar plenamente consciente de suas múltiplas entidades e identidades num “aqui” e “agora” que seja eterno. Este é o significado de “adquirir a percepção da verdadeira extensão de seu próprio corpo”.

No “Grimório” ele nos diz que: “nunca estamos completamente conscientes das coisas a não ser pelo influxo do desejo sexual que nos desperta esta percepção”, e a Postura da Morte concentra todas as sensações e as devolve a seu sentido primal, isto é, sexual, que confere ao corpo a percepção total de todos os planos simultâneamente. Sem o conhecimento de como assumir a Postura da Morte, “o ser existe simultâneamente em muitas unidades, sem a consciência de que o Ego é uma só carne. Que miséria maior que esta pode haver?”

No mesmo livro, Spare pergunta: “por que razão ocorre esta perda de memória através destas surpreendentes refrações da imagem original um dia percebida por mim?” A Postura da Morte contém a resposta a esta pergunta, pois, pela união da crença vital (i.e., desejo orgânico) com a vontade dinâmica se chega à “verdadeira extensão de seu próprio corpo”.

Êxtase, auto-amor perfeito (deve-se notar que a expressão ‘Self-love’ em Inglês também é um jogo de palavras com ‘Self’, auto e Ser Superior ou Eu Superior, e ‘love’ amor, significando também “amor pelo Eu Superior” além de ‘auto-amor’) contém sua apoteose na Postura da Morte, pois “quando o êxtase é transcendido pelo êxtase, o ‘Eu’ se torna atmosférico e não há lugar para que objetos sensuais reajam ou criem diferentemente”.

E assim se chega ao ponto focal do Culto de Zos Kia, que é implícito pela sigilização do desejo através de uma figura que não conserva qualquer semelhança gráfica com a natureza do desejo. De modo a escapar do ciclo de renascimentos ou reencarnações, devemos livrar-nos do ciclo transmigratório da crença, pois não devemos acreditar numa determinada coisa por nenhum período de tempo. Assim, através do paciente esvaziamento da energia contida em nossas crenças e pelo direcionamento da nova energia que desta forma é liberada para um auto-amor (Self-love) não-reacionário e sem necessidades, chegamos à negação do karma (causa e efeito) e alcançamos o universo de Kia (o ‘Eu’ Atmosférico). O verdadeiro autocontrole é conseguido “deixando os acontecimentos em nossas vidas seguirem seu curso natural. Quanto mais interferimos neles, mais nos tornamos identificados com o seu desejo e, portanto, sujeitos a eles.”

Esta doutrina se assemelha à filosofia de Advaita Vedanta, ou não-dualidade, embora não sejam exatamente idênticas. Spare acrescenta as seguintes palavras: “enquanto persistir a noção de que existe ‘uma força compulsória’ no mundo, ou mesmo nos sonhos, esta força se torna real. Devemos eliminar as noções de Escravidão e de Liberdade em qualquer situação através da meditação da Liberdade sobre a Liberdade pelo ‘nem isto, nem aquilo’ (neither-neither). E acrescenta: “não há necessidade de crucifixão.”

Desta forma, para se poder apreciar adequadamente a idéia da Nova Sexualidade, é necessário que a mente se dissolva no Kia e que não haja stress na consciência (i.e., pensamento), pois os pensamentos modificam a consciência e criam a ilusão absurda de que o indivíduo ‘possui’ a consciência.

O conceito da Mulher Universal, Aquela com quem Zos “caminhou na senda perfeita”, leva-nos à transcendência da dualidade. Ela é o glifo da polaridade perfeita que, em última instância, nos remete ao Nada. No culto de Crowley ela é Nuit, cuja fórmula mística é 0 = 2. A Consciência Absoluta (Kia, o Eu Superior), como o Espaço Infinito (Nuit), não tem limites; ela é o vazio-pleno, ou vazio fértil, sem forma e sem localização definida, significando coisa alguma, embora ela seja a única Realidade!

Nos recônditos mais ocultos do subconsciente, esta realidade se assemelha ao relâmpago, ou a uma luz faiscante de brilho intenso. Ela é o hieroglifo do desejo potencial, sempre pronta para penetrar numa forma e se transformar na “concretização de nosso último Deus”, i.e., a corporificação de nossa crença mais recente.
Este desejo primal, esta sexualidade ‘nova’ ou imemorial, é o unico sentido verdadeiro. Ele é o fator constante em nossa mutabilidade. Quanto mais este sentido puder ser ampliado de modo a abranger todas as coisas, tanto mais o Eu Superior (Self) poderá realizar-Se, fazer-Se entender, fazer-Se conhecer e, finalmente, ser Ele mesmo, integralmente, eternamente e sem necessidades. “A nova lei será o segredo do provérbio místico ‘nada importa – nada precisa ser’; não existe nenhuma necessidade, que sua crença seja simplesmente ‘viver o prazer’ (a Crença, sempre buscando sua negação, é mantida livre pela sua retenção neste estado de espírito)”. Isto é muito parecido com o credo de Crowley “faze o que queres”, embora haja uma diferença. O Caminho Negativo do Taoísmo e o Caminho Positivo do hinduísmo tradicional se relacionam da mesma forma que o Auto-amor e o Culto de Zos Kia e a Lei de Thelema e “amor sob vontade”.
Para Spare, a mulher simboliza o desejo de se unir com “todas as outras coisas” como Eu Superior (Self); não as manifestações individuais da mulher, mas a mulher primordial ou primitiva da qual todas as mulheres mortais são fragmentos de imagens refletidas.

Podemos chamar este conceito inconcebível de sexo, desejo ou emoção; ou ainda, personificá-lo como a Deusa, a Bruxa, a Mulher Primitiva, que é a cifra de toda intertemporalidade, o êxtase alusivo ao caminho do relâmpago que Zos chamava de “o precário caminho do prazer ambulante”. Para adorar a esta mulher primitiva não se pode aprisioná-la numa forma efêmera e limitá-la a isto ou aquilo, mas se deve transcender o isto ou aquilo de todas as coisas e experienciá-la na unidade do auto-amor (Self-love).
Spare não a materializou arbitrariamente como Astarté, Ísis, Cibele ou Nuit (embora ele freqüentemente a desenhasse nestas formas divinas), pois limitá-la é sair do caminho e idealizar o ídolo, o que é falso porque é parcial, e irreal porque não é eterno. “Os possessivos personalizam, idolatram o amor, daí seu despertar mórbido…” (‘O Grimório de Zos’). A utilização de tais ídolos não apenas é permitida como desejável, com o objetivo de armazenar crenças livres durante um período inativo ou não-criativo, quando a energia não é necessária. Entretanto, a principal objeção ao uso continuado de ídolos é que ‘o que é familiar nos induz ao cansaço e este nos leva à indiferença; que coisa alguma seja vista desta maneira. Que possamos ver de modo visionário: cada visão, uma revelação. O cansaço desaparece quando esta é a atitude constante’, i.e., quando a imagem é sempre nova e a sexualidade, portanto, constantemente estimulada através de novas inspirações.

Por não permitir que a crença livre seja aprisionada numa forma divina específica, o impacto da visão como revelação pode ser facilmente incutido, acabando-se com a esterilidade. Uma das máximas fundamentais de Spare é a de que “o que é comum é sempre estéril” (‘O Grimório de Zos’), pois não se pode criar a partir de imagens comuns ou familiares. Esta familiaridade conduz à desvitalização, preguiça e atitudes convencionais, o caminho mais fácil para se evitar os obstáculos. “Se eu superar este cansaço indesejado, transformar-me-ei num Deus”. A mente deve estar treinada para conseguir enxergar de modo sempre renovado e a fórmula de Spare para conseguir isto é “provocar a consciência pelo toque e o êxtase pela visão… Permita que sua maior virtude seja a o Desejo Insaciável, a corajosa auto-indulgência e a sexualidade primal”.

A chave para a sexualidade primal, ou Nova Sexualidade, é dada no livro The Focus of Life (“O Objetivo da Vida”) onde Zos exclama: “livre-se de todos os meios para atingir um fim”. É o caminho do imediatismo em contraste com o do adiamento da realidade numa simulação desenergizada: “faça agora, não daqui a pouco…pois o desejo só é realizável pela ação” (esta é, sem dúvida, uma crítica direta que Spare faz das pomposas técnicas ritualísticas praticadas na Aurora Dourada, da qual ele foi membro em 1910).  Continua ele: “o objetivo final é alcançado não pela mera pronúncia das palavras ‘eu sou o que eu sou’, nem pela simulação, mas pelo ato vivo. Não pretenda ser o ‘eu’ apenas, seja o ‘Eu’ absoluto, completo e real, agora.”

Esta é a teurgia da transformação da Palavra em carne. No “Livro do Prazer”, ele pergunta: “porque vestir robes e máscaras cerimoniais e simular posturas divinas? Não é preciso repetir gestos ou fazer imitações teatrais. Você está vivo!” Este é o motivo pelo qual Spare rejeitava as práticas de seus colegas magos e daqueles que simplesmente “ensaiam” a realidade, em detrimento da sua verdadeira vitalidade e desejo, através de uma simulação que, em última instância, acaba negando a própria realidade! Spare alega que a magia simplesmente destrói a realidade por ser praticada num momento em que o Eu Superior não é real nem vital, em que Ele não é todas as coisas ou em que o poder para se transformar em tudo não está presente. As pessoas “prezam magia cerimonial ou ritual e o palco mágico acaba cheio de fãs. Será através de mera representação que nos transformaremos naquilo que estamos representando? Se eu me coroar Rei, transformar-me-ei num? Mais certamente, transformar-me-ei num objeto de piedade ou desgosto.”

Estes ensinamentos, desenvolvidos por Spare antes da I Guerra Mundial, estão muito próximos das doutrinas da Escola Ch’an de Budismo, cujos textos principais apenas recentemente foram colocados à disposição do público em geral.

Livrar-se de todos os meios para atingir um fim é simples de se dizer, mas não tão simples de se fazer. Um desenvolvimento pleno do senso estético é necessário, pois sem este não é possível aceitar nem entender a doutrina da Nova Sexualidade, seja intelectual ou simbolicamente. Isto pode ser conseguido pela saturação do complexo corpo-mente nas emanações sutis do Culto de Zos Kia, através do acompanhamento do trabalho de Spare em direção às células iluminadas do subconsciente; pela aquisição de uma percepção ultra-sensível para as situações do quotidiano, como se elas não estivessem distanciadas do Eu Superior. Spare compreende a Natureza inteira (o universo objetivo) como o somatório de nosso passado, simbolizado, aparentemente cristalizado fora de nós mesmos. Apenas o potencial, naquele exato instante meteórico de sua manifestação, deve ser agarrado e tornado vivo num segundo de êxtase, pois “quando o êxtase é transcendido pelo êxtase, o ‘Eu’ se torna Atmosférico (Superior) e deixa de haver espaço para que os objetos sensuais criem de modo diverso…”

Contudo, não se consegue localizar a Crença Suprema na Natureza porque, tão logo a Palavra tenha sido pronunciada, sua realidade se transforma em passado, já não é mais uma realidade agora, podendo apenas reviver pela ressurreição quando recriada em carne; entretanto, o que confere realidade a esta Crença não é aquele que pronuncia a Palavra, nem a pronúncia Dela em si, mas uma sutil e vaga intertemporalidade que ocorre numa fração de segundo de êxtase. “Não existe verdade falada que não seja passada, sábiamente esquecida” (‘O Anátema de Zos’). No ‘Grimório’, Spare ainda nos diz que “esta fração de segundo é o caminho que deve ser aberto…” Este caminho e o caminho do relâmpago são sinônimos e descrevem um estado indescritível que é não-conceitual: Neither-Neither (‘nem isto, nem aquilo’), Self-love (‘Auto-amor’ ou ‘Amor pelo Eu Superior’), Kia, ou a Nova Sexualidade.

A arte de Spare não é conhecida do grande público nem recebeu o merecido reconhecimento, e seu sistema intensamente pessoal de bruxaria ainda não abriu seu caminho na estrutura do ocultismo moderno. Entretanto, existem indícios de que não será preciso muito tempo mais para que sua magia verdadeira receba um poderoso estímulo da corrente mágica deste final de século, pois se houve alguém no início deste que antecipou e interpretou corretamente tal corrente, este alguém certamente foi Austin Osman Spare.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-postura-da-morte-a-nova-sexualidade/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-postura-da-morte-a-nova-sexualidade/

KaoGênesis: Manual de Magia do Caos

Magia+do+Caos

PDF, em EPUB ou adquira o exemplar impresso!

Com essa obra completa-se a trilogia, da qual também fazem parte o “Vias Ocultas” e o “Liber PPP”. Acompanhe os comentários do autor nessa postagem.

Tive a honra de escrever o prefácio de KaoGênesis. O livro me encheu de ideias, especialmente para testar novas práticas. Ao me deparar com pensamentos como esses me dou conta do quanto ainda tenho a aprender. Sempre fico entusiasmada ao descobrir conceitos tão criativos e sinto muito orgulho ao ver o trabalho dos caoístas brasileiros, com suas produções nacionais de encher os olhos.

Desejo-lhes uma maravilhosa leitura! Que lhes gere infindáveis inspirações!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/kaog%C3%AAnesis-manual-de-magia-do-caos

O Simbolismo Queer em Matrix Ressurrections

Por Reuben Baron

Até Ressurrections, a série Matrix não reconhecia diretamente as pessoas LGBTQ. A personagem Switch foi escrita como trans no roteiro original de Matrix, mas a personagem foi alterada para o filme finalizado, pois os executivos do estúdio estavam confusos. Isso não impediu as leituras queer da obra, é claro, que se intensificaram depois que as diretoras Lana e Lilly Wachowski se assumiram como mulheres trans.

Até mesmo Lilly Wachowski incentivou essas leituras no documentário Disclosure, de 2020: “Matrix era todo sobre o desejo de transformação, mas tudo vinha de um ponto de vista de dentro do armário”. The Matrix Ressurrections é o primeiro filme da série feito desde que as Wachowskis foram lançadas. Questões queer e trans não são intercambiáveis, mas a última sequência ofereceu uma oportunidade de reconhecer essas leituras. Lana Wachowski (dirigindo sem Lilly, que gravitou longe da ficção científica em favor de histórias queer mais realistas) e a equipe aceitou.

ALERTA DE SPOILERS!

Na última parte da saga, Neo está vivo (surpresa) e preso em uma nova Matrix, vivendo como o desenvolvedor de videogames Thomas Anderson. Enquanto trabalhava em um novo projeto ambicioso intitulado Binary (Binário, muito sutil…), seu chefe Smith o força a desenvolver uma sequência de sua série de videogames de sucesso The Matrix, que é semelhante à trilogia de filmes que todos vimos e que Neo não consegue lembrar que ele realmente viveu.

Este meta primeiro ato permite que Ressurrections comente diretamente as interpretações alegóricas de Matrix. Em uma reunião em que a equipe de desenvolvimento de Anderson discute sobre o que eram os jogos The Matrix, um desenvolvedor comenta que a história original era sobre “política trans”, a primeira referência direta LGBTQ na série. Essa troca é irônica, mas também não é uma rejeição completa dessa leitura. A série obviamente contém muitas das coisas que esses desenvolvedores trazem – “bullet time!” “WTF!” – e a cena está apenas ridicularizando levemente aqueles que dizem que Matrix é sobre qualquer coisa.

A maior parte do conteúdo queer em Ressurrections segue as mesmas linhas alegóricas do original, repetindo antigos cenários de Neo e Trinity despertos rejeitando seus “nomes mortos” e adicionando novas e copiosas referências a “binários” que inevitavelmente foram lidos como um comentário sobre os gêneros binários. Embora ainda não haja nenhum personagem diretamente declarado queer, Ressurrections torna os headcanons LGBTQ muito mais fáceis do que os filmes anteriores, dando a Niobe e Freya, bem como a Bugs e Lexi, demonstrações de afeto suficientes na tela para lê-las como casais.

O que pode ser o aspecto mais fascinante do subtexto queer de Matrix Resurrections, no entanto, é em relação a seus vilões. Vilões com códigos queer têm uma história longa e problemática em Hollywood, mas apesar ou mesmo por causa dessa história, eles costumam ser uma fonte de fascínio para artistas e públicos queer. Então, quando Lana Wachowski decidiu escalar dois atores abertamente gays, Jonathan Groff e Neil Patrick Harris, nos papéis dos dois principais antagonistas de Ressurrections, Agente Smith e o Analista, tenho certeza que ela sabia exatamente o que estava fazendo.

O Agente Smith é o personagem mais rico em relação ao subtexto queer, já que algum grau de subtexto já fazia parte da interpretação de Hugo Weaving de seu personagem na trilogia original. Nas leituras queer de The Matrix, Smith foi comparado aos pregadores homofóbicos enrustidos, mulheres trans que se forçam a viver como homens e defensores da “terapia de conversão”. Quando Smith diz a Morpheus no primeiro filme: “Eu odeio esse lugar, esse zoológico, essa prisão, essa realidade, como você quiser chamar”, sua auto-aversão vem em alto e bom som.

Se o Smith da Weaving está dentro do armário, então o Smith do Groff basicamente saiu dele. Não como trans (Lana já deixou claro que Matrix não é uma alegoria cara a cara para o ser trans), mas como gay. A codificação queer no Smith reiniciado é tão pesada que quase vai além da codificação; é tão óbvio quanto poderia ser sem se tornar um estereótipo ofensivo ou explícito o suficiente para justificar o tipo de censura comum com material LGBTQ+ em filmes de sucesso em todo o mundo. Embora Groff não tenha falado sobre interpretar Smith como gay, ele descreveu o filme como um todo como “mais queer”, e é fácil ler esse sangramento em sua performance.

Apenas na atitude, é evidente que o Smith de Groff é mais relaxado e confortável em sua própria pele do que o Smith de Weaving. Quando Smith faz seu apelo a Neo por volta de uma hora e 22 minutos de Ressurrections, fica claro que ele também se sente muito mais à vontade para expressar afeição por seu lendário oponente. “Há tantas teorias sobre os dois”, Berg, o estudioso de Neo e residente da tripulação, brinca timidamente, talvez aludindo aos shippers Smith/Neo. Smith diz a Neo: “Você nunca apreciou nosso relacionamento”, e diz que o Analista usou seu “vínculo” e o transformou em uma “corrente”. Smith pergunta a Neo sua opinião sobre seus “penetrantes olhos azuis” e faz muitas pausas para fazer expressões faciais sedutoras. É uma isca total para o remetente.

Quando eles finalmente estão prestes a lutar, Smith diz que “Anderson e Smith” são um dos “binários que formam a natureza das coisas”. Dado o subtexto de gênero das críticas de Resurrections aos binários, sinta-se à vontade para fazer uma piada sobre “os dois gêneros” aqui. Com o quão pesadas as imagens do BDSM são ao longo da série Matrix, também não é difícil ver algum erotismo sadomasoquista no desejo apaixonado de Smith de lutar contra Neo e o Analista, o último de quem ele sugestivamente afirma ter “sua coleira no meu pescoço”. Mais tarde no filme, quando Smith finalmente salva Neo e Trinity do Analista, ele diz que quando Neo saiu da Matrix e o despertou, “eu estava livre para ser eu”. (Além disso, Smith e Morpheus tecnicamente têm um filho juntos na forma do novo personagem do programa Morpheus de Yahya Abdul-Mateen II.)

Além dos comentários sadomasoquistas de Smith e da escalação de Harris, o Analista não é tão fortemente codificado como queer quanto Smith. Ele é codificado mais como um daqueles fãs “da direita alternativa” de Matrix que se apropriaram das imagens do original do que qualquer coisa, monólogo sobre “fatos alternativos” e desprezando os outros como “ovelhas”. Enquanto a maioria dos espectadores sabe que Harris é um homem gay, eles também sabem que seus personagens mais icônicos, de Barney Stinson à sua própria caricatura nos filmes Harold & Kumar, foram extremamente heterossexuais.

No entanto, mesmo interpretando um personagem tão diferente de si mesmo na página, Harris diz que interpretou o personagem como uma “versão de mim mesmo”. Dada a relação complicada do Analista com a verdade e a natureza hiper-estilizada da trilogia Matrix original, foi fácil para ele se inclinar para uma estilização semelhante, mas o estilo de Lana Wachowski evoluiu em uma direção mais naturalista, deixando Harris um pouco confuso sobre o quão “verdadeiro” seu desempenho precisava ser. O Analista obviamente não é o “verdadeiro” Neil Patrick Harris, mas mesmo assim qualquer pessoa que conheça o ator vai trazer seu conhecimento de sua identidade pública para o Analista. Em combinação com a pesada codificação queer de Smith, isso cria um fenômeno estranho no qual os dois agentes mais significativos de um sistema geralmente são lidos como uma metáfora para conformidade e opressão anti-LGBTQ emitem pelo menos algumas vibrações gays.

Em 1999, ser abertamente queer automaticamente tornava alguém um inimigo do sistema. Em 2021, isso não é necessariamente o caso. Direitos como casamento e proteção contra discriminação no emprego pelo menos foram escritos em lei, e o suficiente mudou para que algumas pessoas queer (principalmente cis, principalmente brancas, principalmente do sexo masculino) sejam capazes de manter o poder dentro do sistema. Só porque nossos governos e corporações são mais amigáveis ​​​​aos gays do que antes, no entanto, não os torna necessariamente mais amigáveis ​​​​em geral. O “capitalismo arco-íris” é muitas vezes performático, na melhor das hipóteses, para as necessidades da comunidade LGBTQ, e o “pinkwashing (igualdade queer corporativa e política)” usa progressividade nominal em questões queer para desviar a atenção de ações prejudiciais em outras áreas.

Um dos principais temas de Matrix Ressurrections é que os sistemas de poder se apropriam e assimilam forças que originalmente desafiavam esses sistemas. Isso é mais óbvio em como a história de rebelião de Neo contra a Matrix foi transformada em uma franquia de videogame dentro da própria Matrix. A Subversão é reduzida a um produto corporativo que a maioria do público nem entende a mensagem pretendida. Como Bugs diz: “Eles pegaram sua história, algo que significava muito para pessoas como eu, e a transformaram em algo trivial”. Quando o Analista usa o bullet time, a imagem mais icônica de Matrix, como uma arma para congelar Neo e Trinity no lugar, é perfeitamente simbólico de como a estética da revolução é distorcida contra seu significado original.

Os vilões com código queer de Ressurrections são mais um exemplo dessa assimilação no sistema, ao mesmo tempo em que fornecem duas respostas muito diferentes a ele. O Analista abraça seu poder dentro desse sistema, enquanto Smith é finalmente capaz de se redimir rompendo com ele. Sempre houve debates acalorados sobre se os objetivos do movimento LGBTQ devem ser focados em mostrar ao mundo cishétero que as pessoas queer podem ser “como todo mundo” ou se é melhor rejeitar a política de normalidade e respeitabilidade. Lana Wachowski pode se opor a qualquer um dizendo sobre o que Matrix Resurrections é “sobre”, mas é justo dizer que pelo menos parte disso é uma mensagem antiassimilacionista: não gay como em feliz, mas queer como em foda-se.

***

Fonte: The Matrix’s Queer Subtext Is Plain Text in Resurrections, by Reuben Baron.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/o-simbolismo-queer-em-matrix-ressurrections/