A Civilização das Ovelhas

Talvez haja uma certa estranheza nesse título. Ele nos remete a alguma fábula, ou a algum conto maravilhoso que tenhamos ouvido quando crianças, e certamente isso não é casual. O que me proponho, na verdade, é correlato com esse tipo de literatura, uma vez que descreve, de alguma maneira, uma aventura, e que busca provocar uma reflexão a partir dos acontecimentos narrados. Com alguma propriedade eu poderia começar com a frase “era uma vez uma terra distante, onde os habitantes eram ovelhas…”, mas, para manter a coerência com minha linha de pensamento e não buscar apenas a fabulação, devo dizer de início que a “terra” é exatamente esta onde vivemos e as “ovelhas” somos nós.

Afirmo, portanto – mesmo correndo o risco de incorrer na audácia de um iconoclasta – que a civilização ocidental é uma civilização de ovelhas: seres inermes que perderam sua condição de selvagens cabritos monteses pela suposta segurança de um rebanho e um pastor; que perderam os chifres da virilidade para tornarem-se fontes de lã e carne. Deixamos o desafio das pedrarias e montanhas pela tranquilidade dos pastos. Cabe tentar responder a pergunta: em que momento isso se deu?

Sempre houve entre os homens aquilo que Foucault denominou de “poder pastoral”. Se o ser humano pode ser definido como animal cultural, ou seja, se a sua diferenciação das demais espécies do planeta reside no fato de ser capaz de produzir cultura, talvez essa capacidade produza uma certa acomodação. Vinculado aos laços da cultura, como produzido e produtor, ele não se contenta em integrar-se, mas em inserir-se, agasalhar-se nos braços da cultura para não precisar pensar o eu. Embora eu me aproxime, com essa consideração, de um conceito de natureza humana, que não desejo e repudio, eu diria que a praticidade do ser cultural o leva a agrupar-se ao rebanho. Diria ainda mais: que o rebanho precede o pastor, e que este só existe porque aquele estava, pelo menos, em vias de formação. E o pastor, nesse contexto, é aquele que, por pensar o seu eu, julga-se capaz de fazê-lo pelos demais.

Esse eu, em última análise, eu comparo à divindade. Nos mitos, aquilo que Adão recebe é o discernimento, a consciência de si, equiparando-se assim a Deus. Lúcifer dá aos homens a luz do conhecimento, bem como Prometeu. O conhecer-se, o pensar-se, é atributo de existência que permeia o pensamento desde tempos bastante remotos. Logo, estabelecer contato com o eu é estabelecer contato com a fonte – com a divindade. A partir do momento que o ser humano se sente incapaz de estabelecer diretamente esse contato, surge o pastor: ele é o intermediário, aquele através do qual o contato se estabelece.

O pastor, no entanto, mitifica o eu. Ele o chama de deus, ou de deuses, para transportar sua responsabilidade para outros ombros mais poderosos, embora fictícios. Atua na pretensão de guiar o rebanho para aquilo que lhe é melhor, por emanar da divindade. No entanto, apenas o guia para seus próprios interesses, cegas que estão as ovelhas para o seu próprio interior. A acomodação do rebanho o impede de ver isso, uma vez que seus olhos estão fixados em algo externo, que ele venera por não saber que é apenas um ícone, uma representação em pedra, barro ou madeira do eu do pastor.

Evidentemente, tal situação não produziria por si só uma civilização de ovelhas. Eu diria que o grande corte, a grande transformação, somente poderia se produzir se um contexto específico levasse uma grande variedade de rebanhos dispersos a se unificarem sob um único pastor. No caso da civilização ocidental, Roma foi, numa instância inicial, esse rebanho unificador. Mas Roma apenas não bastaria. Roma foi, durante todo o seu apogeu, aquilo que eu chamaria de império pragmático: um vasto organismo multifacetado, onde conviviam diversas tendências, orientado por uma regra que antecedia de muito certas correntes de pensamento atuais: “é verdade aquilo que serve”. Na realidade, a decadência de Roma me parece um ponto de partida melhor para a civilização de ovelhas.

Digo isso porque na Roma dos últimos tempos, onde as bases que possibilitaram a formação desse organismo pluriforme estavam rotas graça a própria instituição do Império, uma nova instituição tomou forma e se fortaleceu. Ausentes a variedade do Senado e o poder pastoral do imperador, degradadas as instituições e valores ancestrais, um movimento de centralização se dá como resposta à crise. Este movimento titubeia, em princípio, entre vários rebanhos, mas acaba direcionando-se a um deles, que soube melhor captar a dissolução dos eus coletivos: o cristianismo. Oriundo, em última essência, de um rebanho que acostumara-se desde há muito à proteção de um pastor divino – o judaísmo – , o cristianismo não chega a tomar Roma de assalto, mas fortalece-se o suficiente para sobreviver quando Roma desmorona.

Sobrevêm a Idade Média, e a Europa é uma colcha de retalhos onde diversos grupos de povos fundem-se aos antigos romanos. Nem estes nem aqueles possuem mais uma identidade própria: temos bárbaros que não são mais bárbaros, embora não cheguem a ser cidadão romanos, e temos antigos cidadãos que não chegam a ser bárbaros. São todos apátridas. Nessa situação de anomia, apenas uma coisa se mantém coesa: a Igreja Cristã. É sobre ela, então, que recai a tarefa de reconstituir uma unidade, e é sobre seus líderes, que possuíam o papel auto-atribuído de representantes da divindade, que recai o fardo do poder pastoral.

Eu diria, então, que foi a Idade Média, em especial depois da ascensão do reino franco de Carlos Magno sobre os demais e das doutrinas do compele intrare, ou seja, a partir do século IX, o grande marco temporal de transformação da sociedade ocidental. Talvez ao menos se possa falar em civilização ocidental antes disso, pois o cristianismo é a marca registrada dessa civilização, e a força que a transformou numa civilização de ovelhas.

Não se trata de imputar uma culpa à doutrina cristã. Não serei nietzchiano a esse ponto. É evidente que, ao retirar do ser humano o seu corpo e atribuir toda importância a uma alma suposta, ao transformar o tempo em algo linear que aponta para a salvação ou danação eternas dessa mesma alma, essa doutrina de compassividade e resignação propiciou as bases para a tosquia. No entanto, foi apenas a sutil integração entre Igreja e Estado, que já se desenhava em Roma e que se evidenciou no medievo, que possibilitou a formação de um rebanho.

No plano político, o rebanho se configura naquilo a que Foucault se refere como razões de Estado. Não vejo, no entanto, profunda distinção entre razões de Estado e poder pastoral. Vejo antes uma continuidade, ou uma consequência. A criação do Estado Moderno teve por embasamento a doutrina cristã, a idéia de um bem-comum que, embora apenas mais tarde expressa claramente, já estava presente. Mesmo nos tempos revolucionários que moldaram as atuais democracias, pensamentos inconciliáveis como “liberdade, igualdade e fraternidade” exprimiam nada além de um ideário cristão que buscava refazer na terra um imaginário reino dos céus. Além disso, tanto o poder pastoral quanto a razão de Estado não hesita em executar a ovelha desgarrada, ao invés de simplesmente trazê-la de volta para o rebanho: talvez fosse interessante cotejar o número de vítimas da religião com o número de vítimas da política. Em ambos os casos, trata-se de tornar o maior número de pessoas possível em seres sem vontade, submetidos à alienação da maioria, dóceis e prontos para cederem sua lã e sua carne. O Estado o faz através da força, a Igreja através do terror psicológico.

Restaria, por fim, a pergunta: um processo que se desenvolve há, no mínimo, 1200 anos, seria reversível? Poderia a civilização ocidental deixar de ser uma civilização de ovelhas? Creio que nenhum tipo de resposta concludente poderia ser dada a essas perguntas, mas diria que uma meia-resposta pode ser tentada. Os bastiões sobre os quais se assenta a civilização ocidental, em especial o capitalismo e a hegemonia militar de determinadas nações, são fatores que, cada vez mais, são questionados. A escala de desigualdades que os valores do rebanho criou e fortaleceu ao longo dos séculos, é hoje quase impossível de ser galgada e transposta, o que gera revolta e instabilidade. Ora, toda instabilidade de uma estrutura tende a rompê-la e, assim, eu diria que a estrutura do grande e informe rebanho ocidental tende a ruir e a carregar de roldão seus pastores. No entanto, isso não seria uma reversão, isso seria uma desconstrução.

Desconstruir a civilização ocidental, fragmentá-la em partes que tivessem a consciência de seus eus individuais, não seria, no entanto, apenas fragmentar o problema? Essa pergunta eu deixo em aberto. Mas, de qualquer maneira, este seria um movimento de onde talvez emergissem alguns cabritos-monteses, que se ririam do pastor e de seus cães.

Jan Duarte. Extraído da Mito e Magia

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-civilizacao-das-ovelhas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-civilizacao-das-ovelhas/

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Shirlei Massapust

Em mandarim yāo (妖) significa um monstro, geralmente de origem exógena, com corpo formado de ectoplasma modelável, como o ātman (आत्म) do hinduísmo. Este termo passou para o nihongo como prefixo de palavras tais como yōkai (妖怪) ou monstro misterioso, yōma (妖魔) ou monstro mágico, yōtō (妖刀) ou kataná monstruosa, etc. Menos frequentemente yāo pode designar um humano que se tornou feiticeiro ou até um fantasma. Geralmente os imaginamos com má aparência, embora a partícula ocorra também em termos venturosos como yōen (妖艶), que designa uma personagem encantadora, sensual. A palavra utilizada para traduzir o inglês faery (fada) é geralmente yāojing (妖精), em mandarim, yojeong (요정) em hangul e yōsei (妖精) em nihongo.

Um ponto leva a outro. Pelas sílabas de yōkai (妖怪) obtemos os sinônimos yōbutsu (妖物) e kaibutsu (怪物), designando poder de mutação; algo que nos leva em trilha semântica ao bakemono (化け物), um ser com poder de metamorfose, apto a assumir ao menos duas formas distintas. Outras combinações do superlativo honorífico o (お) com bake (化け, mudando, corrompendo)[1] e o substantivo mono (物, objeto) dão-nos as variantes sinônimas obake (お化け) e obakemono (お化け物).[2]

No Japão uma casa mal assombrada é uma bakemono-yashiki (化物屋敷). No folclore oriental o ser humano tem ki (氣), uma força vital que nos sustenta e se espalha pelo meio-ambiente do mesmo modo que deixamos fios de cabelo, células mortas, fragmentos de unhas, suor, etc., para traz. Enquanto nossos restos matérias atraem ácaros que produzem fezes, nossos restos de carga atraem yōkai que, por sua vez, recarregam o ambiente com rastros de sua potência mutagênica e vivificante.

Casas repletas de mobília antiga e objetos que nunca são renovados acumulam carga até as coisas entrarem num estado de existência animista[3] indicativo da corrupção ou mudança, chamado de tamashī (魂), reikon (靈魂), konpaku (魂魄) e hakurei (魄霊)[4] em diferentes épocas. Isto que hoje conhecemos por bakemono é um corpo material (objeto, animal ou pessoa) que prodigiosamente muda daquilo que era antes para algo que vem a ser. Um exemplo: No templo budista Mannenji, localizado em Iwamizawa, Hokkaido, existe uma boneca chamada Okiku (お菊人形), antiga e já bastante erodida.

A tradição oral revela que este item foi comprado por Eikichi Suzuki, um rapaz de dezessete anos, no ano 1918, em Tanuki-Koji, na ilha Sapporo. Eikichi Suzuki deu Okiku à sua irmã de três anos, chamada Kikuko ou Kiyoko. A menina amou o presente e não se separou da boneca até morrer de virose no ano seguinte. Após a cremação do corpo da menina, Okiku foi posta no oratório da família bem ao lado da urna funerária. Com o passar do tempo o corte de cabelo em estilo okappa, antes nos ombros, alongou visivelmente. A família interpretou a mudança como sinal de que a sombra da morta penetrou naquele objeto por osmose, vivificando-o.

Em 1938 a família Suzuki se mudou para Sakhalin e doou Okiku ao templo, onde permanece exposta até hoje, junto à urna contendo as cinzas da falecida. Todos os anos romeiros participam duma cerimônia em memória de Okiku. Dizem que os olhos da boneca causam sensação de vigilância real. Dizem que sua boca abriu e que cabelos continuam a crescer. Graças à boneca, este templo acabou virando atração turística.[5]

É triste quando o bonequeiro, ningyōshi (kanji 人形師, kana にんぎょうし), fabrica o boneco, ningyō (kanji 人形, kanaにんぎょう), com propósitos artísticos e o item acaba na fogueira porque alguém julgou aquele objeto como algo capaz de absorver a moléstia e curar uma criança adoentada quando posto no leito onde ela dorme.

No Japão as bonecas não são apenas brinquedos infantis e muitas vezes representam símbolo da história dos costumes do país. Elas são chamadas de ningyō e ao longo de toda a história do Japão foram sofrendo pequenas modificações. As primeiras referências de bonecos são os haniwa, estatuetas de barro encontradas em tumbas pré-históricas, onde o que menos contava era o apelo decorativo. No período Heian (794-1185) eram usados para afastar demônios.

Inicialmente as bonecas eram muito simples, moldadas em palha ou papel sendo que as primeiras serviam para afastar epidemias e eram colocadas nas fronteiras das antigas aldeias. E para purificar corpo e alma, se usavam bonecas feitas de papel que depois eram jogadas no rio para levar embora os maus fluídos. (…) Durante o fechamento do país para o mundo, no período Edo (1603-1868), o país desenvolveu uma cultura própria. Neste período as bonecas ainda carregavam uma forte superstição pois muitas pessoas as tinham como amuleto para afastar pragas de plantações ou para garantir um bom parto. Mas foi em meio a esta mentalidade que surgiram as karakuri, bonecas que tocavam instrumentos e dançavam através de um sistema simples de cordas retorcidas, roldanas e fios.[6]

Noutro artigo já mencionamos a lenda da yōtō (妖刀), espada de uso bélico que se apega à sua função social, tem sede de sangue e induz qualquer usuário a continuar matando mesmo em tempos de paz. Outros artefatos de uso militar também podem ganhar vida, conforme narrativas folclóricas e artísticas. O abumi-guchi (鐙口) é o estribo de hipismo, utilizado por um comandante militar, que com o tempo se transforma numa criatura peluda.[7] Certa vez Ozamu Tezuka preencheu uma página do gibi Dororo (どろろ) com um único quadro onde equinos sem cabeça, de pescoços flamejantes, galopam assustando o protagonista. Parecem com a mula-sem-cabeça do folclore brasileiro.

Não é normal num gibi que o desenhista gaste uma página inteira com apenas um quadro, especialmente contendo uma cena desprovida de pertinência temática com o roteiro. Na página seguinte o menino sonha com o passado, lembrando de como ele se tornou um órfão predestinado à vida de ladrão.[8] Seriam aqueles cavalos de guerra decapitados anunciadores de pesadelos?[9] Na esperança de obter mais informações procurei pela primeira versão animada de Dororo (どろろ; 1969) cuja música da abertura e encerramento é pausada pela recitação de poemas por uma voz feminina. Na primeira interrupção ela fala sobre as posses do samurai moeru yoroini (燃えるよろいに) ou “armadura flamejante” e moeru uma (燃える馬) ou “cavalo flamejante”:

赤い夕日に照り映えて

燃えるよろいに燃える馬

天下めざしてつきすすむ

 

No crepúsculo vermelho

Armadura em chamas, cavalo em chamas

Correndo veloz, galopando pelo mundo[10]

Na abertura do remake de Dororo (どろろ; 2019) vemos a cena do quadrinho onde vários cavalos sem cabeça galopam numa fração de segundo e não tornam a aparecer no seriado em si, assim como nunca vemos a cena da putrefação do cadáver do protagonista igualmente presente naquela amostragem.

Nossa energia impregna num animal doméstico mimado em excesso do mesmo modo que entra em objetos estimados. Por isso a forma primária dum bakemono pode ser um ser vivo, como o bakeneko (化け猫, gato metamorfo). Um animal selvagem que atinge idade avançada para muito além do normal também se transforma, como o bake-danuki (化け狸, tanuki metamorfo). Isso é o contrário das lendas ocidentais de homens que viram animais (lobisomem, capelobo, etc.) pois no caso nipônico é o gato, o tanuki, a raposa, etc., que vira gente temporariamente ou reencarna como gente.

Quando itens domésticos ganham vida e senciência eles ainda estão apegados aos velhos usos e atuam de modo obsessivo compulsivo. Sendo assim, na China uma zhǒu shén (箒 神), chamada no Japão de wawakigami (ははきがみ), é uma vassoura que, descontroladamente, varre sozinha as folhas que caem em dias de vento frio.[11]

Objetos domésticos de uso regular só se tornam agressivos quando passionais, podendo buscar vingança contra pessoas que os inutilizaram ou os jogaram no lixo. Por conta disso, alguns santuários oferecem o serviço de “consolar” objetos quebrados ou que não são mais usados.[12] Muitos países como a Tailândia, por exemplo, constroem templos para alguns objetos com fama ou origem sobrenatural.[13] No Japão cerimônias de consolação são realizadas em templos budistas e xintoístas. Por exemplo, existe o festival hari kuyō (針供養), celebrado em 8 de fevereiro na região de Kanto, mas em 8 de dezembro nas regiões de Kyoto e Kansai, onde as costureiras levam suas agulhas quebradas para agradecer os préstimos antes do descarte.[14] Assim elas não as furam.

Ningyō kuyō (人形供養) é um serviço de memorial para bonecas antigas, com presença de gueixas e monges, onde as famílias agradecem os préstimos dos objetos que cumpriram sua função social fazendo companhia e protegendo suas crianças, mas que perderam a utilidade e foram entregues à cremação. Isto ocorre desde sempre no templo zen-budista Hōkyō-ji (宝慶寺), em Kyoto, conhecido como Templo dos Bonecos devido ao seu acervo de peças imperiais coletadas e acumuladas durante séculos.[15] Posteriormente o mesmo costume foi introduzido no templo Kiyomizu Kannon-dō (清水観音堂), em Tokyo, e virou matéria da revista Superinteressante (agosto de 1992).

No Japão, até hoje as duas definições (boneca e ídolo) se misturam tanto quanto se misturavam entre romanos e gregos. Há pelo menos 900 anos, todo dia 3 de março, as meninas reverenciam a casa imperial reunindo suas bonecas prediletas numa grande festa. Uma a uma, todas as bonequinhas são visitadas, apresentadas às amigas e, durante o chá, têm o privilégio de serem servidas em primeiro lugar. (…) Para os japoneses, bonecas têm espírito. (…) Ainda hoje, muitos japoneses acreditam que, colocada no leito de uma criança doente, a boneca pode levar a moléstia embora. Se presenteadas no dia do casamento, são consideradas símbolo de prosperidade e felicidade conjugal para o jovem casal. Há pouco mais de vinte anos, o sindicato dos fabricantes e comerciantes de Tóquio aproveitou a deixa dessa crença para promover um grande lance comercial chamado ningyō kuyō. Tradução: “consolo da alma das bonecas”, ritual de cremação que se tornou tradicional na capital japonesa. Todo dia 25 de setembro, as mulheres estéreis que obtiveram a graça de ter um filho levam uma boneca para ser cremada no templo Kiyomizu-Kannon-dō. A ideia é que, queimando a boneca, seu espírito carregado do desejo de maternidade vai embora com a fumaça e a criança pode crescer em paz. Vai-se o espírito infantil, fica o comercial.[16]

Na antologia de poemas Ise monogatari (伊勢物語), seção 63, datada do século IX, lemos a palavra tsukumogami (つくも髪) referente aos cabelos brancos, kami (髪), duma idosa. Setecentos anos depois o autor-ilustrador do pergaminho Tsukumogami emaki (付喪神絵巻) explicou que o intraduzível prefixo tsukumo na palavra tsukumogami (desta vez 付喪神) também poderia ser escrito com o kanji 九十九, que significa um período de noventa e nove anos. Sendo assim uma ferramenta ou utensílio doméstico desenvolveria um espírito evoluído após a passagem de noventa e nove anos. Mas há um problema: A truncagem de kami (髪, cabelo) por kami (神, divindade) sugere que ele não entendia o sentido original de tsukumogami ou formulou um homônimo homófono.            Segundo o pergaminho do século XVI, à época as pessoas descartavam objetos antes de completarem o período chamado de susu-harai (煤払い). Conforme exposto, se demorassem mais a ferramenta “mudaria e adquiriria um espírito, e enganaria o coração das pessoas”. Tal ensinamento constaria no livro Onmyō Zakki (陰陽雑記), livro que também informaria sobre a coisa vivificada que assume aparência humana, tanto masculina quanto feminina, tanto idosa quanto jovem; bem como “a semelhança de chimi akki” (aparência de oni) e “a forma de korō yakan” (forma de animais), entre outras. Seu aspecto após a mutação é referido com palavras como youbutsu (妖物).[17]

Há dúvidas sobre se o susu-harai é, de fato, um período de exatos noventa e nove anos porque tsukumo (九十九) pode se referir literalmente a um número ou, menos precisamente, a uma hipérbole no sentido de muito tempo. A boneca Okiku só precisou de um ano para adquirir uma natureza espiritual pois isso representou um terço da vida de sua dona, que a amou com intensidade, agonizou e morreu com ela. No primeiro volume do romance gráfico Tokyo Babylon (東京BABYLON), do grupo CLAMP, editado pela Shinshokan, em 1990, uma personagem adoece e apresenta comportamentos estranhos após comprar uma jaqueta numa liquidação de roupas. Subaru descobre que a jaqueta ficou carregada de energia negativa por conta da competição da clientela por aquele objeto, ao ponto de aquilo necessitar de exorcismo.[18]

Papéis encantados

No Japão, em templos da religião xintó, são vendidos ofuda (御札), que são amuletos de papel produzidos por monges para atrair o amor, a saúde, a prosperidade financeira e até proteger contra mal olhado e fantasmagorias. Do mesmo modo, no taoísmo e noutras religiões chinesas, existe o jufu (呪符) ou gofu (護符), amuleto de papel ou madeira produzido para finalidades que mudam conforma a inscrição.

Os ofuda tem efeito imediato porque o monge xintó é competente para canalizar a energia dos kami (神) aos quais ele presta culto. Porém existem métodos para o leigo carregar papel com os eflúvios energéticos de origem humana, de modo voluntário ou involuntário. Hoje há todo um ritual construído em torno da tradição de confeccionar, expor e descartar o washi ningyō (和紙人形); um ningyō (人形) ou boneco feito de washi (和紙), tipo de papel artesanal feito a partir das cascas das árvores das amoreiras.

Livro de arte com fotografias de washi ningyō produzidos pela artesã japonesa Eika Ito.[19]

Dizem que o washi ningyō teria o poder de remover a dor quando posto no leito dum enfermo que dorme. Logo depois, o boneco descartável carregado pela energia da enfermidade deve ser cremado ou levado para longe e dissolvido em água.

Fotos: 1) washi ningyō produzidos pela fábrica Kyugetsu representando Shinzo Abe, o Primeiro Ministro do Japão, e Caroline Kennedy, Embaixatriz dos Estados Unidos no Japão. (Foto © 2014, The Japan Times). 2) Monges levando um barco cheio de bonecos para o rio.

Com o passar dos séculos este rito individual originou uma festa coletiva. Hina-ningyō (雛人形) é um washi ningyō introduzido no festival Hinamatsuri (雛祭り), o “Dia das Meninas”, realizado anualmente por japoneses e italianos descendentes de japoneses. Neste festival inúmeros bonecos são expostos sobre carpete vermelho.

Bonecos de papel ou palha representando a corte imperial, com roupinhas em estilo antigo, são levados para templos onde ficam expostos ao público desde meados de fevereiro até o dia três de março. Depois o excesso é cremado pelos monges. Contudo, muitos ainda chegam ao fim do procedimento onde as pequenas figuras humanas são postas para navegar à deriva em barquinhos de madeira, empurrados pela correnteza dos rios ou pelo movimento das ondas.  Estes se tornam hina-nagashi (雛流し), bonecos flutuantes, que levam as doenças e problemas com eles para longe.

No Brasil existe um costume parecido onde, no dia do Réveillon, os umbandistas pulam sete ondas na Praia de Copacabana e enviam oferendas para Iemanjá dentro de réplicas de barcos em miniatura que podem ou não conter uma imagem da santa.

No Japão até um maço de papel pode ser imbuído de poder mágico. Kyōrinrin ( 経凛々) é um bakemono resultado da transmutação de pergaminhos, livros, etc., que foram negligenciados e deixados sem leitura[20] por bastante tempo. Antigamente o papel branco era produzido com fibras da planta chamada asa (麻) ou o (苧), conhecida em botânica como Cannabis sativa. Havia grandes campos de plantações destinadas a este fim. Na ausência de nanquim a tinta era obtida de materiais biológicos, como gema de ovo e sangue animal. Segundo Aline Ribeiro, durante o shogunato de Tokugawa (1853-1867) os samurais eram submetidos a um rito de passagem:

A lealdade tinha certos rituais muito profundos, como um “contrato” firmado entre o guerreiro e seu daimyō. O documento era escrito com o sangue do próprio samurai, assinado e, logo em seguida, queimado. As cinzas eram dissolvidas em água e bebidas, fazendo com que se criasse um laço eterno entre a linhagem do samurai e a do senhor.[21]

Coisas estranhas acontecem quando um papel impregnado de energia aleatória não é cremado nem exposto aos elementos. Muitos acreditam que o shōji – tipo de porta deslizante feita de papel de arroz, – assim como as fechaduras e outras benfeitorias necessárias do lar, se transmutam em mokumokuren (目目連) e tendem a criar muitos olhos quando deteriorados e esburacados pelo tempo ou pela má conservação.[22]

A lanterna chōchin (提灯お), feita de bambu ou papel de seda, é um objeto de grande beleza, onipresente na decoração nipônica. O yóuzhǐ sǎn (油纸伞), um guarda chuva de papel em estilo chinês, é estruturalmente semelhante ao kasa (傘), o guarda-chuva comum, porém se trata dum item decorativo que os noivos carregam na cerimônia de casamento. Se alguém decidir guardar estes apetrechos perecíveis e descartáveis, em algumas décadas eles se tornarão os monstros folclóricos chōchin-obake (提灯お化け) e kasa-obake (傘おばけ)[23]. Assim como um gato doméstico muito mimado pode se tornar um bakeneko (化け猫), um tanuki eventualmente evolui para bake-danuki (化け狸) e outros animais da fauna local se convertem nas mais variadas fantasmagorias.

Um kasa-obake não precisa necessariamente evoluir de um yóuzhǐ sǎn, mas suponhamos que assim seja. Como todo bakemono ele é um objeto imbuído da força vital projetada por alguém que congelou sentimentos experimentados à época de sua posse. Quem não deseja mudar de atitude ou de opinião faria bem em ter um bakemono amigo. As emoções impregnadas na memorabilia nupcial carregariam e vivificariam o objeto de estimação que transmuta a haste de sua alma artificial num corpo sutil e abre as asas na forma do animal que lhe é mais semelhante: Um elegante morcego.

Este quiróptero etéreo promoveria a união do casal evocando a lembrança daqueles momentos felizes. Enquanto o objeto existisse, ele faria tudo para não deixar seus proprietários se separarem, brigarem ou pararem de desejar um ao outro. Contudo, se fosse jogado fora ou acabasse nas mãos de outrem, por herança ou mero acaso, tumultuaria a vida alheia tentando controlar sua vontade para realizar sua função social. Enfim, o novo dono viraria um mulherengo, um libertino, ou se apressaria a casar.

Ilustração de Hokusai representando um chōchin-obake (1826/1837) e detalhe de uma ilustração de Yoshitoshi (1839-1892) figurando um provável kasa-obake ou morcego associado ao guarda-chuva. Ele pode ser a alma do objeto porque, em nihongo, uma das palavras sinônimas tanto de quirópteros quanto de guarda-chuvas é kōmori (コウモリ ou こうもり), por causa dos dedos e estruturas que suportam tecidos esticados. Cesar Gordon observou que em mebêngôkre, o idioma dos indígenas Kayapó, os guarda-chuvas também são chamados de morcegos (njêp).[24]

No início não havia nenhuma padronização da aparência de objetos mutantes na arte nipônica. E nem seria lógico se houvesse; afinal, eles têm poder de mutação. Hoje, contudo, a variação na aparência depende do tipo de item que os originou, assim como as condições de como o objeto estava. [25] Imagens da lanterna chōchin-obake (提灯お化け), do guarda-chuva kasa-obake (傘おばけ), do chinelo de palha bakezōri (化け草履) e doutros objetos que viram obake muitas vezes os mostram fazendo careta, com língua de fora, certamente por influência do padrão iconográfico estabelecido na era Kanei (1848-1853) pelo bonequeiro Hikoshichi Nishijinya (西陣屋彦七), natural da cidade Kumamoto, criador do boneco mecânico obake no Kinta (おばけの金太).

Arte em de papel machê: 1) Cabeças vermelhas e outros brinquedos obake no Kinta que exibem as línguas na Loja de Bonecos Atsuga (厚賀人形店), em Kumamoto, Japão.[26] 2) Máscara “O Linguarudo” representando o diabo, produzia por Dionísio (1909-2007), em Niterói, RJ, Brasil.

Este brinquedo folclórico tem aspecto duma cabeça humana ou animal de papel machê, fixada sobre haste de bambu, com engrenagens internas que permitem mover os globos oculares, abrir a boca e mostrar a língua quando puxamos uma corda.[27] Os descendentes de Hikoshichi Nishijinya ainda fabricam o brinquedo e explicam que seu nome era Kinta, porém alguém se assustou com o movimento e supôs ser um obake.

Oposição entre valores morais e pecuniários

Uma antiga lenda diz que Bodhidharma () atingiu o nirvana meditando durante nove anos numa caverna. Durante esse exercício meditativo ele permanecia imóvel, observando fixamente o vazio numa posição chamada bìguān (壁觀) ou “olhar perene” até suas pupilas ficarem reduzidas ao tamanho mínimo. Depois que o fundador do zen-budismo na China se mumificou em vida, os chineses começaram a esculpir santos e brinquedos verdadeiros sem pupilas em sua homenagem, transmitindo a tradição aos japoneses que hoje fabricam o boneco-amuleto Darumá (だるま).

Diz a lenda que Bodhidharma meditou em uma caverna por 9 anos sem nem ao menos piscar. Sua persistência foi tão forte, que ele continuou sem parar mesmo depois de seus braços, pernas e pálpebras caírem. Essa lenda (…) é a origem do formato redondo do Darumá. Os Darumás possuem mais peso na parte inferior para que fiquem de pé, não importa quantas vezes sejam derrubados.[28]

Na tradição zen-budista japonesa o devoto compra o Darumá cego, pinta uma pupila no olho esquerdo e faz um desejo. Quando o Bodhidharma atende este desejo o devoto retribui concedendo a visão do olho direito, desenhando a pupila que falta. Esses são bonecos inarticulados, humildes, feitos de materiais baratos, geralmente vendidos em feiras e festivais religiosos, mas também em lojas de souvenir. Ao fim de um ano é preciso devolver o Darumá para qualquer templo, onde ele será queimado num ritual, liberando o seu espírito. Esse ritual pode ser individual ou coletivo. Em razão da enorme demanda, desde 1954 o templo budista Nishiarai Daishi (西新井大師) promove o festival Darumá kuyō (だるま供養) onde milhares de exemplares são queimados juntos.

No Japão, China e Coréia do Sul é comum encontrar bonequeiros e vidraceiros produtores de olhos para bonecos de Resina PU com opções de íris monocromática, sem pupilas, disponíveis inclusive em cores fantasia como salmão e vermelho vivo. A artesã chinesa Heise Jin Yao (黑色禁药) é uma entre os muitos comerciantes de olhos para BJD que parodiam a iconografia do Darumá. Porém seus bonecos não são santos conservadores e ninguém os queimaria em sã consciência, pois hoje cada um chega a valer mil dólares americanos. Eles são personagens fantásticos de novelas de temática BDSM. Um deles, Huika (毁卡), teve o nome inspirado por Huìkě (慧可), discípulo de Bodhidharma, segundo patriarca da escola de zen-budismo na China, historicamente conhecido por haver sido um nobre de pouca virtude, pouca sabedoria, coração raso e mente arrogante, descendente direto de Sidarta Gautama.

O filme de horror coreano The Doll Master (인형사; 2004), dirigido por Yong-ki Jeong, foi patrocinado pela Ai Dolls, atual Custom House. Imagine como seria se a indústria estadunidense Mattel, produtora da boneca Barbie, patrocinasse um filme protagonizado por uma Bárbie assassina. Foi exatamente isto que a Custom House fez com seus preciosos produtos! Estariam decretando a obsolescência e recomendando aos proprietários que cremem todos os modelos antigos, a serem substituídos pela nova coleção? No Brasil juristas formulariam hipóteses de crime contra a economia popular; pois, se não destruir, papões com mãos geladas puxarão seus pés para baixo da cama!

Verificamos que o filme The Doll Master retrata fielmente a antiquíssima crença oriental de que certos objetos inanimados podem prejudicar seus donos quando tratados de modo irregular. Ou seja, que “se você se apegar a um objeto e andar sempre com ele a coisa pode formar uma alma”, e que objetos inanimados “como uma rocha, uma boneca ou uma casa” pela qual alguém se apega desmesuradamente, obsessivamente, acabam carregados de sentimentos deletérios que eles reproduzem e irradiam.

Esta obra de ficção apresenta vários resultados para o que acontece quando objetos feitos de Resina PU desenvolvem alma por culpa de seus donos: Damian, um boneco articulado por elásticos internos (BJD), foi adotado e transportado pela mesma pessoa durante dezenove anos, sete meses e vinte e oito dias. Esta mulher tímida se tornou ouvidora de vozes e dialogava com a coisa. Virou uma excluída social. No mesmo filme uma designer de bonecos encontrou um manequim sentado sobre um túmulo. O espírito vingativo do manequim passou para o corpo da mulher e começou a perseguir todos os descendentes do assassino do seu criador. A artesã possessa disse:

Eu acredito que meu trabalho da vida aos objetos inanimados. (…) Você nunca possuiu coisas às quais era apegado? Você já ficou triste após perder aquelas coisas? Eu penso que quando os objetos perdem seus donos, eles ficam tristes também. Você sabia que quando algo está perdido, há algumas ocasiões em que parece que ele nunca desapareceu do seu local de origem? Eles retornam para os seus antigos donos.

Mina, outra BJD, ganhou alma quando sua dona sofreu um acidente. Com o tempo a menina enjoou da boneca e jogou fora, mas a boneca não enjoou da menina. Mina passou a perseguir sua dona, inconformada com o descarte e esquecimento. A boneca era capaz de projetar seu espírito em forma humana diante da antiga proprietária, fazendo-a acreditar que dialogava com uma menina de verdade enquanto os outros a viam falar sozinha. Por isso aquela mulher deixou de ser uma modelo desinibida e bem sucedida. Ela acabou igualmente rotulada como louca.

O exemplo da BJD Mina, de The Doll Master, é idêntico ao da pequena boneca de porcelana Mary, que aparece no episódio 11 do anime Histórias de Fantasmas (学校の怪談; Japão, 2000), Mary reencontrou o caminho de casa e voltou, querendo brincar, mas só achou a filha órfã da sua falecida dona, que era bastante madura e não gostava de bonecas. O brinquedo problemático assombrou a adolescente até ser entregue a um templo budista onde um monge explicou que o certo teria sido cremar os pertences da falecida junto ao corpo na data do óbito. Enfim, nestas obras de ficção as almas dos brinquedos amados sempre requerem mais amor e as dos brinquedos maltratados devolvem a violência às pessoas. Assim todos continuam absorvendo energia alheia.

Propaganda da microempresa sul-coreana HyperManiac, onde são comercializados personagens da designer de bonecos Ka-Hyun.

No sexto episódio da série Witch Hunter Robin (2002), criada por Sunrise e pelo diretor de animação Shūkō Murase, uma jovem bruxa diagnosticada com transtorno de personalidade múltipla transfere suas personalidades para várias bonecas até restar só uma delas em sua mente.  No seriado Another (アナザー; 2012) a filha duma bonequeira extrai um olho tomado pelo câncer e equipa um olho de vidro, um olho de boneca, que transmuta e lhe dá capacidade de ver o mundo sob a perspectiva de um bakemono.

No segundo episódio da primeira versão do seriado Vampire Princess Miyu (吸血姫美夕; 1988), de Narumi Kakinouchi e Toshiki Hirano, algumas pessoas foram transformadas em bonecos articulados por uma criatura de mesma espécie que lhes prometeu beleza eterna. A energia emitida pelos embonecados sustentava o bakemono, porém a Princesa Miyu nada obteve ao mordiscar um aparentemente saboroso menino de plástico. No meio de tudo um personagem coadjuvante se recusou a comprar um brinquedo para sua filha: “Você não acha que as bonecas japonesas são assombradas? O folclore diz que o cabelo das bonecas cresce, e outras coisas deste tipo”.

No desenho animado Dantalian no Shoka (ダンタリアンの書架), sexto capítulo Funsho kan (焚書官), que foi ao ar no Japão pelo canal TV Tokyo, em 19/08/2011, os personagens protagonistas descobrem que todos os coadjuvantes moradores duma cidade misteriosa são bonecos articulados transformados por meios mágicos em shikigami (式神) para servirem de receptáculo das almas dos mortos.[29]

Isto parece uma versão em roteiro de horror da história real da aldeia Nagoro, situada na ilha de Shikoku, Japão, onde a artesã Tsukimi Ayano (月見綾乃) enfeitou áreas públicas e prédios vazios com centenas de bonecos de pano forrados com palha, jornal, etc., para combater a solidão, de modo que sua arte ocupa hoje os lugares dos mortos e dos moradores abduzidos pelo êxodo rural. Esses bonecos são mantidos limpos e substituídos quando se deterioram. Quando a quantidade de falsas pessoas superou a população humana na proporção de dez para um, agências de turismo passaram a chamar Nagoro de Kakashi No Sato (かかしの里), a Vila dos Espantalhos.[30]

Bonecos para um vampiro

Na primeira vez em que assisti ao filme Higanjima (彼岸島; Japão, 2010) pensei que Miyabi (雅) fosse um baquemono tsukumogami pois este personagem, interpretado pelo ator e modelo fashion Louis Kurihara (栗原 類), têm uma presença estética bastante diferenciada da dos demais vampiros. O seu nome significa elegância, refinamento ou cortesania, podendo designar um metrossexual, um destruidor de corações. Enfim, ele parece um boneco e foi achado num templo repleto de bonecos. Além do mais, o jogo Ragnarök Online apresenta uma versão da futa-kuchi-onna (二口女) chamada Miyabi Ningyō (雅人形) vivendo num mapa que obviamente inspirou a criação do labirinto que aparece no capítulo 295 do primeiro romance gráfico da outra franquia.

Miyabi (Louis Kurihara) em Higanjima (彼岸島; Japão, 2010).

Porém tudo se explica no capítulo 39 do romance gráfico, com roteiro e desenho de Kōji Matsumoto (松本 光司).[31] Uma mutação genética ocorrida numa família nobre criou os vampiros. Miyabi foi aprisionado num frigorífico. Durante os cinquenta e sete anos em que esteve preso os ilhéus oraram e construíram ao seu redor. Fizeram um altar para oferendas de alimentos e prosseguiram com as benfeitorias até o local virar um templo ornamentado com estantes de bonecos representando vampiros. No exterior erigiram um torii[32], uma escadaria e tudo que um templo tem direito. Enfim, tentou-se de tudo para apaziguar o vampiro exceto deixa-lo escapar do confinamento.  Foi assim até que um turista desinformado e curioso cometeu o erro de abrir a prisão.

Às vezes os seres humanos imaginam que deuses abstratos precisam de olhos e corpos para representação. O mesmo acontece com fantasmas. Em Chihuahua, México, uma loja de roupas chamada La Popular se transformou em atração turística por ostentar a mesma manequim na vitrine desde 25 de março de 1930. Esta manequim com olhos de vidro está sempre vestida de noiva e foi chamada de Pascualita por parecer com Pascuala Esparza, filha da primeira proprietária da loja, que morreu envenenada pela picada duma aranha viúva negra bem no dia do seu casamento.

Desde o início as pessoas espalharam a lenda urbana de que Pascualita observa os clientes da loja e muda de posição à noite. No Japão, a desenhista Naoko Takeucki parodiou uma lenda urbana semelhante: Até 1992 existia uma loja de vestidos de noiva num shopping de Minami Aoyama, que, para chamar atenção, posava uma manequim prestes a pular da janela do terceiro andar. Muitos transeuntes se assustaram pensando ser uma suicida e contaram estórias. Na versão fictícia do quinto ato do romance gráfico Sailor Moon esta noiva manequim[33] foi animada pela yōma (妖魔) do corpo redivivo do avatar dum shitenōu (四天王) controlado por poderes das trevas e pulava da sacada à noite procurando noivos para extrair energia (精力) e, com isso, nutrir o Dark Kingdom[34].

O sepultamento da cultura

Na vida real enquanto milhares de pessoas comparecem ao Darumá kuyō, dispondo peças para consolação e cremação, e bastante gente leva washi ningyō ao festival Hinamatsuri, como deve ser, somente poucas dezenas participam do ningyō kuyō. E mesmo assim a maioria leva washi ningyō, evitando o desapego de bens duráveis e dispendiosos que são o verdadeiro foco desta bonita cerimônia religiosa.

Fica óbvio que japoneses têm dó de entregar qualquer item superior a bichos de pelúcia. Coisas boas são revendidas, pois a maioria entende que o ideal é cremar no templo aquilo que se faz pelo templo e para o templo. Ou então os próprios monges preservam brinquedos seletos para a não-cremação conforme critérios misteriosos.

Se o problema ainda não ficou claro observem o polêmico artesão chinês Ryo Yoshida (吉田 凌) cremando duas bonecas de terracota que ele mesmo esculpiu, numa ilustração da monografia Articulated Doll, Anatomy of the Ball-Jointed Maiden (2007). Tenha em mente que seis bonecas articuladas, em tamanho humano, esculpidas por Ryo Yoshida entre os anos 1986 e 1999 constam na exposição permanente 球体関節人形展・Dolls of Innocence, do Museu Nacional do Japão.[35] Estando o artista vivo e atuante, o valor mínimo para essa categoria de arte gira em torno do equivalente a quatro mil dólares americanos. Então são pelo menos oito mil dólares em obras de arte com qualidade de museu crepitando no fogo. (Pense no Coringa queimando dinheiro).

O que acontece quando monges pedem para cremar uma categoria de bonecos que custa vários salários mínimos? O homem médio obedece ou questiona? Um artista consagrado como Ryo Yoshida pode se dar ao luxo de capitalizar a religião vendendo livro e postais com foto do rito secular, porém os colecionadores guardam itens valiosos mesmo que sejam objetos agourentos. Geralmente, quando solicitado, o colecionador leva qualquer treco dizendo “este é meu boneco”, os monges educadamente fingem que foram enganados e os bonequeiros se divertem desconstruindo o dogma.

A ideia duma dimensão espiritual intrinsecamente relacionada à produção de bonecos aparece ludicamente sugerida nos nomes-fantasia de microempresas sul-coreanas e chinesas, surgidas no século XXI, fabricantes de peças em Resina PU, a exemplo da Loong Soul (龙魂人形社; alma de dragão), Immortality of Soul (imortalidade da alma), Resin Soul (alma de resina), Souldoll (boneca com alma), Angel Studio (fábrica de anjos), Illusion Spirit (espírito ilusório), etc. No catálogo da Souldoll o nome do modelo Kagel vem de kage (影, sombra) e ele existe nas versões humano e vampiro.

O ateliê chinês ★ANother Secret★ produz cabeças para montagem de bonecos e possui uma coleção chamada Hyakki Yakō (百鬼夜行) que leva o nome duma folclórica parada onde uma centena de yōkai percorre as ruas à noite, aterrorizando os humanos.

Esses bonecos orientais de Resina PU destinados ao nicho do hobby específico já não são tão enormes e dispendiosos quanto as peças de terracota e porcelana fria em escala 1/1, mas ainda são maiores que a escala 1/6 adotada perlo padrão ocidental, custando em média de trezentos a setecentos dólares, salvo casos excepcionais.

Por que os bonequeiros do século XXI descontroem e subvertem a religiosidade popular? Quem fabrica peças para consumo em território nacional e internacional são predominantemente mulheres vivendo em países onde a lei e os costumes estabelecem salário diferenciado para o sexo masculino, a fim de assegurar a posição hierárquica do homem como arrimo de família. A existência de artistas de sexo feminino ganhando mais do que o homem médio nas indústrias de publicação de mangás shoujo e josei, nas fábricas de bonecos, etc., quebra todos os tabus. Elas chefiam os seus negócios.

A classe conservadora se mostra hostil às mulheres trabalhadoras e seus iguais, que retribuem com deboche e – no caso das bonequeiras – chegam a utilizar o ônus do folclore como propaganda indireta ao promover produções de horror, como The Doll Master (2004) e Rozen Maiden – Träumend (2005). Afinal, já dizia o velho bordão: “falem mal, mas falem de mim”. Entretanto, não podemos descartar a possibilidade de às vezes estarmos importando objetos feitos por algumas pessoas que sinceramente acreditam na tradição local e tiveram a intenção de nos vender seus receptáculos de programação energética sujeitos ao ganho de vida artificial.

Resumo geral: fluxo e refluxo energético

A queima de artefatos não é uma realidade apagada no ocidente. No Brasil, nos Estados Unidos e noutros lugares onde organizações religiosas cristãs possuem grande influência no ambiente cultural, existe uma ostensiva propaganda de “batalha espiritual” ordenando o exorcismo de pessoas e a queima de determinados objetos passíveis de canalizar a possessão demoníaca (normalmente brinquedos, revistas em quadrinhos, filmes, discos de vinil, camisetas com estampa de banda musical, livros de biologia lecionando sobre os princípios da seleção natural e da ancestralidade comum, etc.).

Isso é diferente do que acontece no oriente porque o cristão queima os objetos proscritos com desdém, em nome Jesus, lutando contra o Diabo, enquanto o zen-budista crema com respeito. O bakemono do folclore nipônico não é um objeto possuído por anjo rebelde. Ele ficou impregnado de energia desprendida por um ou mais humanos e fixou-a como uma espécie de programação, passando então a reproduzi-la e irradiá-la. Ou seja, qualquer objeto pode adquirir o poder de congelar sentimentos havidos à época de seu uso. Por isso quando qualquer coisa absorve um malefício o prejuízo se torna parte da coisa e ela precisa ser destruída, mesmo que seja uma estátua de santo.

A sabedoria oriental aconselha a consolar e cremar, como se morto fosse, quase tudo que vira bakemono porque não é possível transformar tantas coisas em artigos de devoção. Se uma coisa dessas for doada para caridade ou jogada no lixo ela continuará amando e sofrendo, ficará ressentida e retornará ao usuário, podendo expressar desejo de vingança. Depois, em caso de morte do usuário, a herança buscará os herdeiros.

O ser humano exala grandes quantidades de energia durante momentos de angústia, stress, paixão, etc. A energia exalada por um estressado, por exemplo, ficaria impregnada na casa como a poeira que se acumula atrás dos móveis. Isso faria com que os objetos inanimados se transformassem em verdadeiros depósitos de stress. Visitas que sentassem num sofá estressado perderiam a alegria e ficariam estressadas em decorrência da contaminação. Nem o proprietário da coisa conseguiria melhorar e mudar de humor, pois ele continuaria a absorver e exalar o seu próprio baixo astral.

Todos nós conhecemos contos folclóricos sobre imóveis que influenciam novos habitantes porque, no passado, houve ali algum crime violento ou alguém morreu de doença grave, em intensa agonia. Antigos hospícios enlouquecem visitantes. Antigas prisões e cemitérios geralmente são mal assombrados. Museus também. Todavia nem todos as coisas são tão grandes ou carregam experiências tão intensas. A diferença entre uma boneca carregada, uma memorabilia nupcial e uma espada de guerra é que a boneca quer brincar, a memorabilia quer presenciar o amor e a espada quer matar.

Várias narrativas descrevem coisas dotadas de pouca inteligência, emotividade excessiva e inclinação ao cometimento de crimes passionais. Quem descarta algo que foi um dia muito amado deixa a coisa saudosa, indignada, ciumenta e enraivecida.  Um bakemono criado a partir dum objeto superestimado será intensamente passional. Quando um homem vive intensamente a paixão por uma companheira ele está feliz, mas quando o sentimento acaba e a mulher rejeitada demonstra um ciúme doentio, ela o persegue e o faz infeliz. Com bakemono é a mesma situação.

Um objeto dotado de espírito precisa ser consolado em sinal de agradecimento e, depois, diluído em água corrente ou cremado para que descanse em paz após a prestação de serviços. Depois que um item não descartável promove uma cura absorvendo um malefício por osmose, a energia negativa absorvida se torna parte da coisa e o objeto precisa receber limpeza espiritual para não causar um refluxo, um efeito reverso, contaminando o ambiente.

Quem não deseja mudar de atitude ou opinião não precisa cremar o bakemono. Ele é literalmente sua alma gêmea (a menos que esteja possuído por um yōkai). Tem gente que programa cristais para catalisar a energia canalizada pelo Eu superior na intenção de auxiliar a si mesmo a manter o foco no serviço ou num objetivo a ser alcançado. Tudo bem se você se apaixonar por um brinquedo, permanecer com ele durante setenta anos e alguém depositar isto no seu túmulo. Provavelmente vocês serão felizes para sempre. O problema não existirá até que você deixe de ter prazer na interação com algo que passou a lhe causar vergonha e incômodo, que te deixa infeliz e escraviza como um vício. Desse jeito este velho amigo pode paralisar a vida do dono.

Não importa se o folclore alerta sobre a possibilidade de o espírito do vampiro de brinquedo sair do baú à noite para penetrar nos seus sonhos e mordiscar seu pescoço. As vezes a carga mitológica só agrega valor ao item de estimação, assim como histórias de fantasmas incitam a curiosidade sobre prédios históricos. Certa vez, no programa Trato Feito, o proprietário duma estátua de cavalo forjada no velho oeste estadunidense ficou feliz por encontrar nela um furo porque no que diz respeito às antiguidades do velho oeste “buracos de bala sempre deixam a coisa interessante”.

Bibliografia recomendada:

AMBROSIUS, Mario. 球体関節人形展・Dolls of Innocence. Tokyo, Nippon Television Network Corporation, 2004. 152p.

ITO, Eika (伊藤 叡香). Washi ningyō o tsukuru和紙人形を創る」. Japão, MPC (エムピーシー), 01/06/2002. 140p

YOSHIDA, Ryo. Articulated Doll, Anatomy of the Ball-Jointed Maiden.解体人形 吉田良人形作品集」. Japão, Editions Treville, 2007. 152p.

Notas:

[1] O termo bake (化け), “transformando”, é a forma ren’yōkei (連用形), correspondente ao nosso gerúndio, do verbo bakeru (化ける), “transformar” ou “mudar”.

[2] Todos os catálogos virtuais de folclore escritos em idiomas ocidentais classificam o bakemono dentro da categoria ontológica yōkai (妖怪). Porém na série Natsume Yūjinchō (夏目友人) o protagonista explica que existem diferenças entre bakemono e yōkai. “Se você conseguir beber sem se embebedar, você deve ser um bakemono…”.

[3] O animismo é a cosmovisão em que entidades não humanas possuem uma essência espiritual.

[4] WIKTIONARY, verbete 「霊魂」. URL: <https://en.wiktionary.org/wiki/%E9%9C%8A%E9%AD%82>. Acessado em 19/04/2022 14h16.

[5] TRAVI, Mauricio. A misteriosa lenda da boneca japonesa Okiku. Em: DANJOU, publicado em 08/06/2018. URL: <https://www.danjou.com.br/post/2018/06/08/a-misteriosa-lenda-da-boneca-japonesa-okiku>.

[6] NINGYOO – BONECAS. © 2003 Aliança Cultural Brasil Japão de Joinville. Texto salvo do Geocities em outubro de 2009. Acessado em 28/04/2022 às 19h. <URL: http://www.oocities.org/br/japaojoinville/ningyoo.htm>.

[7] ABUMI-GUCHI. Em: Yōkai Wiki. Acessado em 14/05/2022. URL: <https://yokai.fandom.com/wiki/Abumi-Guchi>.

[8] TEZUKA, Osamu. 無残帖Cruel. Em: TEZUKA, Osamu. Dororo: Volume 2. São Paulo, New Pop, 2011, p 07.

[9] Talvez não seja inútil mencionar o MMORPG coreano Ragnarök Online onde os avatares do jogador combatem cavalos pegando fogo chamados “pesadelos sombrios”.

[10] DORORO WIKI, verbete Dororo no Uta. URL: <https://dororo.fandom.com/wiki/Dororo_no_Uta#English>. Acessado em 18/04/2022 16h02.

[11] TUZI. Tsukumogami: yōkai de objetos antigos. Publicado na Radio Hero em 18/03/2021, 01h23. URL: <https://radiojhero.com/tsukinousagi/2021/03/tsukumogami-yokai-de-objetos-antigos/>.

[12] PAN. O que são os Tsukumogami: Os Objetos Possuídos. Publicado no blog Suco de Manga em 31/10/2021. URL: <https://sucodemanga.com.br/saiba-o-que-sao-os-tsukumogami-os-objetos-possuidos/>.

[13] TUZI. Tsukumogami: yōkai de objetos antigos. Publicado na Radio Hero em 18/03/2021, 01h23. URL: <https://radiojhero.com/tsukinousagi/2021/03/tsukumogami-yokai-de-objetos-antigos/>.

[14] TSUKUMO-GAMI: OS ESPÍRITOS ZOMBETEIROS DE ANTIGOS ARTEFATOS JAPONESES. Publicado em Caçadores De Lendas, 06/2013. URL: <https://cacadoresdelendas.com.br/japao/tsukumo-gami-espirito-de-artefato/>.

[15] DAVE, Ronin. Japanese Doll Memorial with Geisha in Kyoto – Ningyo Kuyo 人形供養. Publicado no canal do autor no Youtube em 16/10/2015. URL: <https://www.youtube.com/watch?v=JwiDg7mMU5Q>.

[16] A MAGIA DAS BONECAS. Em: Super Interessante. Publicado em 31/07/1992, 22h00. Atualizado em 31/10/2016. URL: <Leia mais em: https://super.abril.com.br/historia/a-magia-das-bonecas/>.

[17] WIKIPEDIA, verbete Tsukumogami. URL: <https://en.wikipedia.org/wiki/Tsukumogami>. Acessado em 27/04/2022 17h06.

[18] PAN. O que são os Tsukumogami: Os Objetos Possuídos. Publicado no blog Suco de Manga em 31/10/2021. URL: <https://sucodemanga.com.br/saiba-o-que-sao-os-tsukumogami-os-objetos-possuidos/>.

[19] ITO, Eika (伊藤 叡香). Washi ningyō o tsukuru和紙人形を創る」. Japão, MPC (エムピーシー), 01/06/2002, p 30-31.

[20] Tsundoku (積ん読) é o hábito de comprar livros e deixá-los de lado sem ler.

[21] RIBEIRO, Aline. Guia Conhecer Fantástico Extra: Samurai & Ninja. São Paulo, OnLine, 2015, p 31.

[22] TUZI. Tsukumogami: yōkai de objetos antigos. Publicado em Rádio Hero, em 18/03/2021, 01h23. URL: <https://radiojhero.com/tsukinousagi/2021/03/tsukumogami-yokai-de-objetos-antigos/>.

[23] Um Kasa Obake (傘お化け) é também chamado Karakasa Obake (唐傘お化け) ou Karakasa Kozo (唐傘小僧).

[24] GORDON, Cesar. Economia selvagem: Ritual e mercadoria entre os índios Xikrin – Mebêngôkre. São Paulo SciELO – Editora UNESP, 2006, p 356-357.

[25] TSUKUMO-GAMI: OS ESPÍRITOS ZOMBETEIROS DE ANTIGOS ARTEFATOS JAPONESES. Publicado em Caçadores De Lendas, 06/2013. URL: <https://cacadoresdelendas.com.br/japao/tsukumo-gami-espirito-de-artefato/>.

[26] SHIRAISHI, Yuta (白石雄太). Kumamoto no kyōdo omocha “obakenokinta” (熊本の郷土玩具「おばけの金太」). Publicado em Story Nakagawa, 27/08/2019. URL: <https://story.nakagawa-masashichi.jp/104515>.

[27] OBAKE NO KINTA お化けの金太 KINTA THE GHOST. Publicado na Daruma Pedia, em 26/05/2015. URL: <https://darumapedianews.blogspot.com/2015/05/mingei-kyushu-obake-no-kinta.html>.

[28] NISISHIMA, Leandro. A surpreendente história do boneco Daruma. Em: GO! GO! NIHON, 12/01/2022. URL: <https://gogonihon.com/pt/blog/boneco-daruma/>

[29] ANIME REVIEW: DANTALIAN NO SHOKA – 6. Publicado no blog Population GO, no Tumblr, em 24/08/2011. URL: <https://populationgo.tumblr.com/post/9338032459/anime-review-dantalian-no-shoka-6>.

[30] CONHEÇA NAGORO, A VILA JAPONESA ONDE BONECOS SUBSTITUEM OS MORTOS. Publicado no portal de notícias Mega Curioso. Acessado em 18/05/2022. URL: <https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/114824-conheca-nagoro-a-vila-japonesa-onde-bonecos-substituem-os-mortos.htm>.

[31] Higanjima (彼岸島) foi originalmente publicada na antologia de quadrinhos Shukkan Young Magazine (週刊ヤングマガジン), pela editora Kōdansha (講談社), desde 04/04/2003 até 06/12/2010.

[32] Um torii (鳥居) é um portão tradicional japonês encontrado na entrada ou dentro de um santuário xintoísta, onde simbolicamente marca a transição do mundano para o sagrado.

[33] NAVOK, Jay e RUDRANATH, Sushil K. Warriors of Legend: Reflections of Japan in Sailor Moon. South Carolina, BookSurge, 2006, p 51

[34] TAKEUCHI, Naoko. コードネームはセーラーV— 1. Japão, Kodansha Comics, 1993, ato 5, p 172-173.

[35] AMBROSIUS, Mario. 球体関節人形展・Dolls of Innocence. Tokyo, Nippon Television Network Corporation, 2004, p 66-71.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/almas-vintage/

8 Lições de Alquimia

Por Mark Stavish

A sabedoria só é adquirida através da experiência e da reflexão sobre essa experiência, que tira as lições que ela tem a oferecer. Uma vida não refletida é uma vida vivida na sombra da realidade. Somente parando, olhando para trás, para onde começamos, o que fizemos, onde estamos no presente, e como chegamos aqui, podemos começar a nos chamar de sábios – e Sabedoria é o objetivo do esoterismo genuíno, não poder, fama ou títulos – Sabedoria é o fruto de experiências que são compreendidas.

Praticar a alquimia é bater às portas do Templo de Sofia, da Sabedoria, e rezar para entrar. Percebe-se rapidamente que não importa o quanto se bata, não há ninguém do outro lado para abrir a porta. Somos nós que devemos, individualmente e por nossa livre vontade e acordo, empurrar a porta e abri-la para nós mesmos. Uma vez lá dentro, encontramos alguns amigos peculiares e úteis esperando, mas somente uma vez que assumimos a responsabilidade de abrir a porta para nós mesmos.

Este artigo é um resumo de algumas experiências minhas e de outros alquimistas, que ocorreram durante nossos primeiros doze meses de prática de espagiricas ou alquimia de plantas. Esperamos que eles sejam úteis aos aspirantes a alquimistas e até mesmo aos estudantes de outras artes e ciências ocultas para entender o caminho que escolheram e seu potencial.

Lições Aprendidas

Muitos acharam o estudo da alquimia particularmente gratificante, primeiro por causa do tipo de retorno que se obtém por seu investimento de tempo, e segundo por causa da certeza dos resultados.

Jean Dubuis, o fundador da organização francesa cabalística e alquímica The Philosophers of Nature, afirmou freqüentemente durante seminários que “a alquimia é o único caminho que não mente”. Com isto ele quis dizer que em uma variedade de práticas esotéricas, e as chamadas práticas esotéricas, é fácil desculpar os fracassos ou a falta de resultados. Ouvimos estas desculpas o tempo todo: o incenso errado foi usado, os ciclos da lua estavam fora, o “humor” não estava certo, as associações erradas, planetas, deuses ou Elementos foram invocados. A lista é interminável.

Entretanto, na alquimia – até mesmo na alquimia vegetal, ou espagística como é chamada apropriadamente – tudo é uma experiência de aprendizado que aponta para como devemos abordar não apenas nossas operações alquímicas, mas também a própria vida. Como disse Frater Albertus, “toda manifestação é realizada pela utilização da vontade, que é outro termo para se estar vivo”.

Se temos manifestação, temos demonstrado que estamos verdadeiramente “vivos” em um nível que não só afeta e inclui o material, mas também o precede e o supercede. É o Ouroboros, a serpente que come sua cauda; o Alfa e o Ômega. Alquimia, meu amigo, não mente, e aqui estão algumas de suas lições.

  1. Lição um: Sou responsável pela minha própria Transformação. A alquimia ensina que eu e somente eu somos responsáveis por mim mesmo, minha vida, minha consciência e meu crescimento em sabedoria, ou “Transformação”, como é chamado. Enquanto outros podem tentar me ajudar no caminho, eu tenho que estar receptivo à sua assistência e ouvir a voz da experiência. No final dos tempos, quando estou diante do Eterno, minha resposta à pergunta “Quem é você?” deve ser nas palavras de Victor Hugo, “Eu sou a liberdade”. Livremente entrei no Caminho, livremente assumi seus desafios, e livremente compartilho com os outros o que aprendi.
  2. Lição dois: A natureza não se importa se eu sou estúpido. A natureza me ajudará se eu estiver atento ao que está acontecendo. Eu sou a serva da natureza e a ajudo em seu trabalho, me auxilia em meus empreendimentos – mas somente se eu estiver consciente. A natureza responde tanto às próprias ações quanto às próprias intenções. Ao contrário da magia ritual onde um erro pode ser cometido e a essência interior anula o passo em falso no ritual, um erro pode resultar em arruinar todo o trabalho até hoje. Trabalhar diretamente com elementos materiais significa ser responsável pelas leis materiais, bem como pelas leis psíquicas.
  3. Terceira lição: A energia vai onde sua verdadeira atenção está, não onde você pensa que ela está. Durante a destilação de um pouco de álcool de vinho tinto para uso na fabricação de uma tintura espagírica, um colega alquimista decidiu ir sentar-se do lado de fora e deixar o processo correr. Para passar o tempo, ele decidiu “mandar alguma energia” para uma pequena fábrica perto de onde ele estava sentado. Primeiro um pouco de Terra, sem resposta; depois Água, com apenas uma leve resposta; depois Ar, com melhores resultados; e finalmente Fogo, com grandes resultados (além de ouvir sua destilação explodir, enviando álcool em chamas por todo o seu teto). Um incidente semelhante ocorreu com outro praticante da Arte, com ele encontrando um líquido azul flamejante por todo o ventilador de teto em sua cozinha. Se você estiver trabalhando em um experimento alquímico, concentre-se nele até que ele esteja completo, ou até que essa parte do processo esteja concluída.Os pensamentos são coisas e afetam meu ambiente físico e psíquico. Como tal, eles não se limitam apenas a “eu”, mas também têm impacto sobre aqueles ao meu redor.
  4. Lição Quatro: Aprender a teoria antes da prática. A alquimia trabalha principalmente no elemento Terra, e como tal, não promete nada rapidamente. Na série de falsas promessas oferecidas por uma variedade de autores e sistemas, e até mesmo abusadores auto-intitulados da palavra “alquimia”, a Arte Real se mantém sozinha ao dizer que a Iluminação pode ser feita – mas a um preço. O maior preço é o tempo, pois as habilidades devem ser aprendidas, os preparativos devem ser feitos, as anotações devem ser tomadas e revisadas e as experiências devem ser catalogadas. A preparação é a chave para o sucesso em qualquer coisa, seja material ou psíquica. Um elemento chave disto foi memorizar a Tábua Esmeralda e aceitá-la como um esboço de todo o processo alquímico, independentemente de outros métodos tomados. É um pobre artesão que culpa suas ferramentas.
  5. Lição Cinco: Apresse-se lentamente. Constantemente na literatura alquímica há referências ao trabalho que está sendo feito lentamente e depois, pouco antes de ser concluído, para aumentar o calor sobre um determinado produto, mas fazê-lo com cuidado e diligência, para não queimar a matéria e assim destruir todos os esforços, assim como o sucesso está à vista. Diz-se muitas vezes que em qualquer projeto, oitenta por cento do trabalho ocorre durante as etapas finais, e na alquimia isto é claramente verdade. Devagar, devagar, mais devagar, é o melhor caminho a seguir, com atenção diária ao trabalho.
  6. Lição Seis: Devemos estar preparados antes de iniciar os trabalhos. A preparação é mais do que apenas um processo físico de garantir que o vidro esteja limpo, e que os materiais e equipamentos adequados estejam disponíveis e em ordem de trabalho, é também um processo interno. Para ter sucesso na alquimia – ou em qualquer prática oculta voltada para a manifestação material ou psíquica – os estudantes têm que estar prontos para aceitar e participar do processo. Isto significa fazer de si mesmo um recipiente perfeito, internalizando as etapas do processo. Primeiro intelectualmente através da memorização, e através disso, deixando-os operar internamente em nosso subconsciente para organizar e direcionar suas energias. Uma vez internalizado o trabalho em teoria, podemos começar a utilizá-lo na prática externa. A internalização do processo resulta na externalização do processo através de uma técnica bem sucedida. O diabo está nos detalhes. “Ler, Ler, Ler, Rezar, Trabalhar e Ler de novo”.
  7. Lição Sete: Está Concluído! O axioma hermético da Tábua Esmeralda diz: “Assim acima como abaixo”. A internalização é também a afirmação de Paracelsus de que só transmutamos fora o que primeiro transmutamos dentro. Devemos prestar atenção à ainda pequena voz interior – a voz de Hermes, de nosso Mestre Interior – pois ela responderá ao nosso trabalho e nos ensinará em nossos sonhos e meditações. As informações serão tanto práticas como teóricas ou simbólicas. Não é raro sentir de repente que um processo está completo quando se trabalha com a produção de pedras vegetais. Ou seja, há um conhecimento interior de que é hora de passar ao próximo passo. Às vezes isto acontece até verbalmente. Uma vez durante o processo, ouvi dizer “estou acabado” e soube que esta era minha sintonia com uma pedra de planta em que estava trabalhando para que eu soubesse que o processo estava completo, embora fosse no meio da tarde e eu estivesse preocupado com outra coisa tudo junto. Mesmo aqui, porém, este conhecimento interior foi verificado em relação à realidade. Será que a pedra da planta funcionou? Fez o que a pedra da planta deve fazer? A prova está nos resultados, não nos desejos, desejos ou crenças, mas na fria e dura evidência de uma operação que foi bem sucedida.
  8. (Lição Oito: Você não é um alquimista até que tenha tido pelo menos uma explosão).Nas palavras de Hermes: “O que tenho a dizer sobre a Operação do Sol está concluído”.

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Fonte: https://www.llewellyn.com/journal/article/1230.

COPYRIGHT (2006) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/8-licoes-de-alquimia/

(i)Manifesto ZosKia – parte 2

Danilo Nobrega*

Conforme exposto anteriormente, neste momento, o autor entende ZosKia como uma experiência magicka e filosófica que emerge da interpretação em prática dos textos de Austin Osman Spare e tem como método, fenômeno e objetivo a criação materializada na arte. É difícil resumir um algo que foi criado com o objetivo de ser não cartesiano, com um forte recorte da perspectiva e um tanto labiríntico, mas enxerga que o “estado de presença” é seu principal sintoma… é como empunhar uma espada samurai, você é a espada, então você é além da espada, você é o corte, o matador, o morto e os pássaros acima. Talvez o mais eficiente pode ser fazer uma provocação: CRIE! Vale ressaltar que esse modelo de trabalho vem sendo tratado contemporaneamente no recorte da “arte visionária”.

Afastamento e aproximações entre ZosKia e magia do caos

ZosKia e Magia do Caos são tão próximos que por vezes são tratados como família, o que eu acho muito divertido, não por uma pretensa árvore genealógica, mas sim por uma série de afastamentos e aproximações muito “familiares”. Destas acho que existem as que são de ordem temporal (das quais eu vou tratar) e as de ordem autoral (que vão ficar para depois). Bom, vamos a lista:

A crença: fundamental para ambas e igualmente dispare. Enquanto no caos a crença é uma ferramenta, um objeto a ser desmontado em partes até um mecanismo primeiro… em ZosKia ela é um tipo de intermédio entre o ser e o comportamento e portanto há uma procura de não se identificar com a mesma, para, com isso Ser em potência. 

Cosmologia: “Nada é verdadeiro, tudo é permitido”. Mesma frase, contornos bem distantes. Enquanto no caos ela pautam tipo de relativismo e generalização estrutural, em ZosKia ela fala que “Estamos todos bêbados de sermos Deuses”, o ponto não é que tudo tem um mínimo divisor comum. É que tudo tem uma ligação macro, como um tipo de “biosfera de Ser em potência” ou um “holismo superlativo”. 

Fazer: O método do Caos é como um cartesianismo “Faça você mesmo” onde existem várias propostas de escadas e você pode formatar os degraus. ZosKia propõe um método sem edifícios. Existe um fluxo e o mergulhar, e nem é um mergulho que anseia a profundeza exclusiva. É um mergulhar onde você se desfaz, se perde.

Postura: O comportamento da magia do Caos é um tipo de contracultura que se agrega a outros objetos, como a magia cerimonial ou a cultura pop para assim se nutrir.

ZosKia se parece mais com um manifesto artístico, onde mediante termos, propostas, instrumentos, técnicas e apreciação…  Cada fazedor, espectador e objeto se expressa no mundo. Bom, depois de tudo isso, nos resta a aproximação. Para além de nomenclaturas, elementos e dadas as particularidades de cada um… a aproximação entre ambos os fazeres é a primazia do criar. CRIE

ZosKia é dificil? Sim e não

ZosKia tem fama de ser algo complicado, parte disso vem da escrita truncada do próprio Spare e parte vem de um fetichismo que acontece dentro da comunidade. Mas apesar desses pontos serem relevantes, eu ainda acho que todo esse estranhamento tem mais motivos. Eu vou listar alguns… Primeiro a incerteza, eu acho que é até uma posição política ter um tipo de fala que não dá a entender uma certeza e concretude absoluta do conhecimento, mas sim uma construção constante do mesmo. Mas isso é algo que também vem de uma proposta de ZosKia em torno de uma leitura que foge ao entendimento cartesiano em prol de uma percepção mais labiríntica, que valoriza a imersão, principalmente para se fazer em contínua formulação. Com isso existe uma preponderância da interpretação. O que me leva ao fato de que ZosKia Cultus é um termo criado pelo Kenneth Grant impactado pelo Spare e que este apenas o aceitou. Com isso e outros fatores, sou levado a pensar ZosKia como uma interpretação que emerge em fazer dado à contemplação da obra artística do Spare. O ponto central disso tudo é que ZosKia não se dá como um sistema, passo a passo ou um método típico das tradições ocultas europeias. ZosKia se aproxima mais da dinâmica das relações artísticas. Com criador, objeto e o espectador como autores de um significado, fazer ou impressão que fica no espaço entre. Nesse sentido, ZosKia é muito mais simples do que parece, ZosKia é sobre ser.

Servidores e Arte Abstrata… não é para tentar entender, mas quem consegue resistir?

Sigilos e servidores são duas faces de um mesmo fenômeno, atenção. Enquanto sigilos trabalham com esquecimento, servidores são fruto do foco, ou da obsessão. Aquilo que captura nossa atenção. Existe toda uma questão terapêutica e psiquica em torno disso, mas eu quero tratar da relação dos Servidores com suas representações. Acontecem uma série de discussões em torno do entendimento da arte, sobretudo a arte abstrata. Todavia em sua origem havia um objetivo de elogio ao não entendimento, a apreciação da forma pela forma, sem a formatação do Saber. Ainda assim existe todo um afã em torno dos significados das abstrações. Um dos motivos disso talvez seja a tendência do nosso olhar procurar formas e motivos que acalmem a nossa ansiedade pelo conhecido, familiar e seguro. É muito fácil ficar obcecado nas figuras incomuns e nos supostos segredos da arte abstrata. Com tudo isso no horizonte, eu me pergunto se, em detrimento da arte figurativa tão popular para servidores, não seria a abstração a forma mais alinhada à função do mecanismo dos mesmos.

Engula o Sigilo!

 ENGULA O SIGILO! Aqui eu pretendo propor uma forma um pouco distinta de operar simbolicamente o sigilo. Saindo das questões em torno da “energização/ carregamento”, afim de fazer um paralelo mais direto com corpo. Seria algo em torno de:

  Você sente fome (1), procura os ingredientes (2),  cozinha (3), come (4), faz a digestão (5) e… caga (6). 

 Para o sigilo, fica bem semelhante… você percebe a vontade (1), escolhe um método (2), “cozinha” (formula) o intento (3) e na hora de comer, mastigar e engolir você vai estar desfazendo o intento no sigilo, ou seja, sigilizando de forma propriamente dita (4) e consequente absorvendo, consumindo, engolindo. Tudo isso através de seu estado de presença. Até que sobre apenas o prazer da saciedade, a satisfação da certeza. Durante a digestão, você já não percebe o sigilo de forma direta (eis o famoso esquecimento) . O corpo está se nutrindo, se potencializando… o sigilo está em processo de manifestação (5). Você só vai “lembrar” do “almoço”, quando for a hora de por ele para fora ou… em outras palavras, no momento que a mudança proposta já foi alcançada. Quando aquele sigilo deixa de ser uma questão a ser tratada e já está manifesto (6).  

O sigilo não se manifesta no mundo, a Sigilização sim

Sigilização, eu trato sigilo como ação de desfazer um intento dentro de um processo artístico, a forma mais tradicional é um grafismo ininteligível, mas eu quero tratar da relação disso com a postura de “nem isso-nem aquilo” necessária para que o sigilo seja no mundo. Essa postura surge de um profundo estado de presença que segue uma impactante Catarse. Seria algo semelhante a uma tontura após rodar seguida de uma confortável sensação de apetite satisfeito. É um afeto no corpo que gera uma mudança de estar. Outro exemplo é o susto, porém o mais comum é o gozo, porém nesse recorte, eu ressalto não apenas ejaculação, mas toda permutação do ato sexual. A grande questão aqui é a alteração. Tendo isso em vista, a principal alteração que nos interessa é  a que se dá pelo é através do processo de criação… Portanto, não fragmentar a produção do sigilo do que chamam de “carregamento”, a meu ver, é a forma mais eficiente de manifestação.


Danilo Nobrega (1993) é artista visual carioca que vive desde a adolescência na cidade de Maricá. Sua arte teve semente nos desenhos de infância, mas foi na vida adulta (e no excesso dela) que se materializou, depois do contato com arte terapia em 2017. Desde então investiga um fazer que abraça uma linguagem mística ampla para tratar do Ser, Existir e Se Tornar no mundo enquanto um fenômeno artístico e para tudo que existe no mesmo. Unindo um abstrato filosófico com cotidiano social, sob esse argumento, possui forte influência de Deleuze. Mistura muitos fazeres, influências e técnicas, arte digital, ilustração, pintura, balonamento, sequencialidade, tabulação, colagem, fotografia, origami, caligrafia e uma série de outros elementos para compor seu trabalho. Tendo isso em vista tem uma dificuldade de se identificar com alguma escola ou semelhante. O mais próximo disso vem de sua referência mística, ZosKia Cultus. Para mais siga em: @danilonobrega23 no instagram, twitter e outros.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/imanifesto-zoskia-parte-2/

10 casos relevantes para o estudo da ufologia

Muita gente acredita em discos voadores. Mas também tem muita gente que não acredita. Claro que nem tudo que parece ser disco voador, realmente é. Mas é inegável que tem certos casos onde é muito mais improvável a hipótese cética do que admitir que ufos voam por aí. Muita gente me pergunta: Ah, mas o que faria um ET sair lá da PQP pra vir aqui na Terra? Só olhar? E por que eles não entram logo em contato. Pra essa pergunta, existem dezenas de respostas que vão da mais simples à s conjecturas mais complicadas, envolvendo antropologia, sociologia, política, etc.

Mas a resposta que eu mais gosto é a que estabelece um paralelo com nosso mundo.

“É legal ir ao jardim zoológico para olhar os animais, e nem por isso tentamos falar com o hipopótamo.”

Como é praticamente impossível provar a existência dos ufos de uma maneira completamente irrefutável, dada a inconstância e erraticidade do fenômeno, a solução é continuar catalogando as ocorrências e tentando documentá-las da maneira que for possível para um cruzamento de informações e estabelecimentos de hipóteses.

São eles:

  1. A noite Oficial dos Ufos
  2. Vôo 169 da VASP
  3. Caso Villas Boas
  4. Operação Prato
  5. Caso Saliut 6 – contato no espaço
  6. Caso Baependi
  7. Caso Travis Walton
  8. Caso Thomas Mantell
  9. Caso Westendorff
  10. Caso Crixás

Vamos ver um por um…

A noite oficial dos UFOS

 

Este caso foi escolhido para encabeçar a minha lista porque: Até hoje não conseguiram explicação melhor que discos voadores. ( e olha que tentaram apaixonadamente imaginar soluções malucas)

Está registrado fartamente. Os militares registraram tudo em video. Os ufos foram detectados e registrados em mais de 50 radares. O ministro em pessoa assumiu a existência dos ufos na Tv.

Em 19 de maio de 1986 nada menos que 23 UFOS invadiram o espaço aéreo nacional. Isso tumultuou e interrompeu o tráfego aéreo em alguns lugares do país. Os ufos ficaram registrados em várias estações de radares das regiões sobrevoadas e até o Cindacta, em Brasília (DF) – captou os objetos. Diante da gravidade da situação, por ordem expressa a aeronáutica, três caças Mirage e dois caças F-5E decolaram para interceptar aqueles UFOs. O que se seguiu nos céus do Brasil era digno dos momentos finais do filme Independence Day:

Os UFOs saltaram de 250 km/h para algo em torno de 1.500 km/h em menos de um segundo. em alguns momentos os ufos chegaram a fazer curvas de 90 graus a 3600 km/h Eles também mudavam constantemente de cor e de trajetória – faziam curvas em ângulos retos, sem reduzir a velocidade. Eram extremamanete manobráveis. Eles subiam, desciam, sumiam instantaneamente do radar e apareciam em outro lugar. O caça F-5E, chegou a ser seguido por 13 UFOs. Para escapar ele tentou uma manobra evasiva padrão e fez um “looping”, mas para a surpresa do piloto do caça, os ufos entraram com ele no looping, frustrando a intenção do piloto com a manobra.

Um dos objetos veio em alta velocidade e, repentinamente, parou, de forma que ficou em rota de colisão eminente com um dos aviões e deixando o piloto completamente apavorado. Mas, logo em seguida, o artefato disparou em alta velocidade, saindo da rota de colisão iminente.
Os ufos eram muito brilhantes e tinham o tamanhs variados um deles pelos registros do radar do caça tinha a dimensão de um avião jumbo. Haviam também outros menores, com 8 e 10 metros.
Os ufos foram perseguidos até que o combustível dos jatos chegou no limite e eles tiveram que voltar para a base aérea.
Os ufos voaram segundo os registros, por cerca de 8 horas.
A situação era tão esdrúxula que obrigou o próprio Ministro da Aeronáutica na época, o então Brigadeiro Otávio Júlio Moreira Lima, a se pronunciar na imprensa, organizando inclusive uma coletiva onde os próprios pilotos ficaram disponíveis para dar entrevistas. Um fato histórico para a Ufologia brasileira: pela primeira vez, oficialmente, era admitido publicamente que vários UFOs invadiram o espaço aéreo do Brasil.
Chegou-se a levantar a hipótese de ser um engano e até idiotices foram ditas, como os pilotos terem perseguido reflexos e até mesmo o planeta Vênus. É bom lembrar que os objetos ficaram registrados em diferentes radares, totalizando mais de 50 radares. Sobretudo nos radares internos dos Caças. E que os pilotos são treinados. Além disso o tempo estava bom e limpo. Sem nuvens. E planetas e reflexos não aparecem em radar.
Levantou-se a hipótese de falhas nos instrumentos. Porém considerando que mais de 50 radares registraram a mesma coisa, então uma falha dessas proporções é algo ainda mais bizarro que ufos voando pelo céu.

Vôo 169 da VASP

Este é um outro caso documentado e registrado oficialmente. Está aqui não só por ser bem legal mas pelo fato número de testemunhas oculares que produziu. (mais de 150 pessoas.)

Na madrugada do dia 8 de fevereiro de 1982, quando os passageiros e a tripulação de um Boeing 727/200 da VASP tiveram a chance de observar um OVNI por mais de uma hora, num vôo de Fortaleza para São Paulo, com escala na cidade do Rio de Janeiro. No total, aproximadamente 150 pessoas participaram da experiência.

Segundo o piloto, Gerson Maciel de Britto, o vôo teve início com a decolagem por volta das 2 horas da madrugada, da cidade de Fortaleza. O céu estava limpo, apresentando visibilidade total, condições que seriam mantidas durante toda a rota. Cerca de uma hora depois da decolagem, quando sobrevoavam a cidade de Petrolina, já no Estado de Pernambuco, o comandante percebe então pela primeira vez a presença de um objeto luminoso à esquerda do avião, semelhante inicialmente aos faróis de um outro avião. A partir daquele momento Britto passa a monitorar com atenção o OVNI, para verificar a trajetória que o objeto seguiria em relação à rota de seu avião, pensando na segurança do vôo que comandava. Neste momento, o avião estava justamente sobre a região onde temos um entroncamento de aerovias, relacionado ao tráfego aéreo proveniente da Europa. Naquele momento o comandante do vôo ainda pensava na possibilidade do envolvimento de um outro avião comercial.

Com o passar dos minutos, Britto percebeu que aquela fonte luminosa mantinha a mesma distância de seu Boeing, com uma trajetória paralela, sem se aproximar. Em seguida, percebe então já uma mutação de cor no objeto, como se ele estivesse girando em torno de si, ionizando gases de nossa atmosfera, apresentando uma coloração alternadamente avermelhada, cor de abóbora e azulada. Em seguida o comandante do vôo entra em contato com a jurisdição de tráfego aéreo de Recife, para saber se existia algum tráfego especial da Força Aérea Brasileira na região, já que não havia sido informado previamente, como é normal quando do início do vôo de qualquer vôo comercial, que pudesse explicar o que ele e os demais tripulantes estavam observando. Em resposta, “Recife” comunica – através do rádio – que desconhecia qualquer vôo militar na área, e que não tinham também informações sobre qualquer outro tráfego comercial naquele momento na região.

A partir da confirmação que não se tratava de um tráfego aéreo convencional o comandante Britto passa a observar ainda com mais atenção o objeto, já definido de maneira definitiva com um OVNI, mantendo seu avião na rota normal, já que o objeto não identificado não apresentava qualquer risco para o vôo, mantendo-se a uma distância segura, apresentando uma velocidade próxima à mantida pelo próprio Boeing, que voava a um pouco mais de 900km/h. Depois de vários minutos acompanhando o avião, o OVNI começou a apresentar deslocamentos surpreendentes. Segundo Britto, em frações de segundo o aparelho se deslocava dezenas de milhas, se posicionando bem mais à frente do avião, para depois retroceder à posição anterior, demonstrando um potencial tecnológico muito além da nossa compreensão. Estas variações de velocidade e posição ocorreram várias vezes, e foram observadas tanto visualmente como através do radar de bordo. Quando o vôo chegou à jurisdição do CINDACTA Brasília (Centro Integrado de Defesa Aeroespacial e Controle de Tráfego Aéreo), Britto entrou em contato com o mesmo, reportando todos os detalhes sobre o que estava acontecendo. Para sua surpresa, o centro de controle informou que não estava detectando nenhum eco-radar na região.

O comandante do vôo solicitou então, a seguir, sabendo que podiam existir outros aviões no mesmo setor, que os controladores do órgão indagassem se outras tripulações estavam observando o mesmo fenômeno. O CINDACTA entrou então em contato com um jumbo da Aerolíneas Argentinas, e o comandante do avião confirmou que estava também observando o fenômeno. Em seguida a tripulação de um vôo da Transbrasil, de Brasília para o Rio de Janeiro, confirmou que estava já observando as evoluções do objeto durante muito tempo, descrevendo os deslocamentos impressionantes que o OVNI realizava. O CINDACTA continuava sem dar nenhuma instrução de alteração de rota para o vôo 169. Diante desta situação o comandante Britto continuava a manter a mesma proa, nível e velocidade, mantendo a observação constante do aparelho não-identificado.

Quando o vôo já estava nas proximidades da cidade de Belo Horizonte, aquele objeto – que mantinha desde o início uma distância razoável do Boeing – começou a se aproximar de maneira definitiva, e o CINDACTA entrou em contato finalmente com a tripulação reportando que estavam detectando um eco-radar na posição nove horas, ou seja, bem à esquerda, a uma distância de 8 milhas náuticas. (detalhe: O CINDACTA estava registrando o ufo o tempo todo e deram a “desculpa padrão” até quando a coisa pareceu que “ia ficar feia”. Este comportamento é assim até hoje, como pessoalmente me confirmou um controlador aéreo)

O comandante Britto estranhou o comportamento do CINDACTA, pois só quando começou a se materializar uma situação de conflito de tráfego aéreo os operadores do órgão resolveram assumir que o OVNI estava realmente em suas telas. O foco luminoso cada vez ficava maior com sua aproximação do Boeing. Segundo Britto, ele já conseguia observava uma estrutura discoidal em meio àquela intensa luminosidade, com o tamanho equivalente a dois aviões jumbos juntos.

A partir deste momento, o comandante do vôo – já entendendo que se tratava realmente de uma nave extraterrena que, de alguma forma, estava tentando entrar em contato – deixou o seu lado mais humano surgir, mentalizando uma mensagem de boas-vindas aos tripulantes do objeto, e em seguida teve a idéia de convocar o restante da tripulação – já que até aquele momento apenas a tripulação da cabine vinha acompanhando o fenômeno – e os próprios passageiros para partilharem aqueles momentos especiais. O avião foi inundado por uma luminosidade intensa de coloração azulada, e os passageiros, de maneira tranqüila e ordeira, foram se revezando nas janelas do lado esquerdo para observarem o fenômeno. Com exceção de Don Ivo Lonchaider e um outro religioso que o acompanhava, que não desejaram observar o OVNI (temendo provavelmente serem transformados em testemunhas), todos os outros passageiros tiveram a oportunidade de observar o fenômeno, que continuou a manter aquela distância de 16 milhas até o início do procedimento de descida, quando o avião já estava próximo da cidade de Barra do Piraí, no interior do estado do Rio de Janeiro.

Britto pôde observar ainda, quando já sobrevoava as serras nas proximidades do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o OVNI por trás de uma formação nevoenta que existia sobre a região. Com a chegada do avião ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, os passageiros que desceram começaram a divulgar o ocorrido, e a mesma coisa aconteceu pouco tempo depois já em São Paulo, chamando a atenção do plantão de imprensa no local. Ao terminar o histórico vôo, Britto recolheu-se às dependências da VASP, ainda no Aeroporto, com a finalidade de elaborar o relatório sobre o vôo para o departamento de operações da empresa, como é de praxe.

Em seguida foi informado por um dos diretores do departamento que havia já uma multidão de repórteres de jornais, revistas, rádios e televisões, tentando – via o serviço de imprensa da companhia – entrevistas com o comandante do vôo, que desejavam saber todos os detalhes do encontro com o OVNI. O comandante Gerson Maciel de Britto, depois de ser liberado pela própria empresa para falar abertamente sobre o incidente, levou sete hora e meia atendendo aos jornalistas. Em poucas horas a história era apresentada para o Brasil de norte ao sul. Como costuma acontecer em casos ufológicos de repercussão, surgiram, com o passar dos dias, as mais absurdas explicações visando desqualificar a realidade da presença de uma nave extraterrestre. ( como sempre com as mais estrambúlicas possibilidades. De balões meteorológicos ao já manjado planeta Vênus)

Caso Villas Boas – O cara que transou com a ET

Este caso está aqui por razões óbvias. É um incrível relato de abdução de cunho genético. Escolhi este caso por ser um dos mais legais e emblemáticos casos de abdução ufológica no país.

Em 1957 o então jovem Antônio Villas Boas estava arando a terra num trator. Era o turno noturno e Antônio trabalhava duro na fazenda, localizada em São Francisco de Salles, em Minas Gerais quando notou que havia uma estrela com brilho incrívelmente intenso no céu.

Antes disso porém, Villas boas já tinah estado às voltas com estranhas luzes potentes por duas vezes. A primeira foi quando abriu a janela do quarto em função do calor e viu uma etsranha luz voar para próximo da janela. A tal luz foi testemunhada pelo irmão de Antônio, e deu a volta na casa, iluminando -a através das frestas do telhado.
A segunda ocorrência se deu quando ele e o irmão aravam a terra e a luz surgiu muito forte no céu. Antônio correu para a direção da luz, e o ufo pareceu fugir indo para outra direção e estacionando. Ficou parado por um tempo emitindo flashes e depois deslocou-se para o alto tão rapidamente que pareceu apagar.

Mas naquela fatídica noite, Antônio Villas Boas estava sozinho arando a terra. Por volta da uma hora da madrugada, Villas Boas viu uma estrela vermelha. No entanto, logo percebeu que não se tratava de uma simples estrela, pois aumentava progressivamente de tamanho e parecia se aproximar velozmente dele. Dentro de alguns poucos instantes, a estrela se revelou um objeto brilhante, com o formato de um ovo, que se dirigia na direção de Villas Boas com uma velocidade incrível. Sua aproximação era tão veloz que já estava sobre o trator antes de Villas Boas ter qualquer reação. De repente, o objeto parou a uma altura estimada pelo protagonista como em torno de uns 50 metros, e bem acima de sua cabeça. O trator e o campo ficaram iluminados como se fosse de dia. Essa situação durou uns dois minutos e Villas Boas, hesitante e sem saber o que fazer, ficou paralisado.

Finalmente, a luz tornou a se deslocar e parou a uns 10 a 15 metros à frente de seu trator, para então pousar no solo lentamente. Nesse momento já era possível distinguir nitidamente os contornos da máquina: era parecida com um ovo alongado, apresentando três picos, um no meio e um de cada lado. Os picos eram metálicos, de ponta fina e base larga. Villas Boas não pôde distinguir sua cor por causa da forte luz vermelha que o objeto emitia. Em cima havia algo girando a alta velocidade que, por sua vez, emitia uma luz vermelha fluorescente.

De repente, a parte debaixo do objeto se abriu e deles saíram três suportes metálicos… e isso aterrorizou Villas Boas, que previa que algo iminente iria acontecer com ele. Não disposto a esperar para ver do que se tratava, Villas Boas pôs o pé no acelerador, desviou-o do objeto voador e tentou escapar. Porém, após avançar alguns metros, o motor parou e os faróis se apagaram. Aterrorizado, ele tentou dar a partida, mas o motor não pegou mais. Em vista disso, Villas Boas pulou do trator, que estava atrás do objeto, e correu desesperadamente. Mas um minúsculo ser estranho, que mal chegava a altura dos seus ombros, pegou em seu braço. Chocado, Villas Boas aplicou-lhe um golpe que o fez perder o equilíbrio, largar o seu braço e cair para trás. Novamente, tentou correr quando, instantaneamente, três outros seres pegaram-me por trás e pelos lados, segurando seus braços e pernas. Villas Boas perdeu o equilíbrio, caindo no chão, e acabou ficando totalmente dominado pelas criaturas.

Os seres o levantaram do solo, sem que ele pudesse esboçar sequer o menor gesto. Tomado pelo mais completo desespero, Villas Boas tentou se livrar das criaturas, mas os seres o seguravam firme e não deixaram-no escapar.

Neste momento, Villas Boas gritou por socorro e xingou as criaturas exigindo que soltassem-no, mas nada adiantou. As criaturas o levaram então para sua nave que estava pousada sobre suportes metálicos. Na parte traseira do objeto voador havia uma porta, que se abria de cima para baixo, e assim servia de rampa. Na sua ponta havia uma escada de metal, do mesmo metal prateado das paredes da máquina, e que descia até o solo. Os seres estavam com a situação completamente dominada e só tiveram dificuldade em fazer Villas Boas subir pela escada, que só dava para duas pessoas, uma ao lado da outra, e não era firme, mas móvel, balançando fortemente a cada uma das tentativas de Villas Boas se livrar dos seus raptores. De cada lado havia um corrimão, com a espessura de um cabo de vassoura, no qual Villas Boas agarrou para não ser levado para cima – o que fez com que as criaturas tivessem de parar, a fim de desprender a força as suas mãos do corrimão.

Por fim, os seres conseguiram arrancar as mãos de Villas Boas do corrimão e leva-lo para o interior da nave. Logo em seguida, deixaram Villas Boas em um pequeno recinto quadrado. A luz brilhante do teto metálico refletia-se nas paredes de metal polido. Ela era emitida por numerosas lâmpadas quadradas, embutidas debaixo do teto, ao redor da sala. Logo em seguida, a porta de entrada, junto com a escada recolhida, levantou-se e se fechou. O que impressionou Villas Boas é que, uma vez a porta fechada, ela se integrava à parede de tal forma que era impossível percebê-la. Um dos cinco seres presentes apontou com a mão para uma porta aberta e fez Villas Boas compreender que deveria segui-lo para aquele recinto. Cansado, estressado e vendo que não tinha qualquer outra alternativa, Villas Boas obedeceu a criatura. Dentro desse recinto, os únicos móveis existentes eram uma mesa de desenho estranho e várias cadeiras giratórias parecidas com as nossas cadeiras de balcão de bar. Todos os objetos eram de metal. A mesa e as cadeiras tinham um só pé no centro.

Os seres continuavam segurando firmemente Villas Boas e pareciam conversar entre si numa linguagem completamente estranha e incompreensível – pareciam estar discutindo. Quando finalmente deu a entender que as criaturas tinham chegado a uma decisão, os cinco pararam de falar entre si e começaram a tirar as roupas de Villas Boas. Claro que Villas Boas não gostou nada da idéia de ficar nu. Imediatamente ele reagiu e começou a tentar se defender de todas as formas, inclusive debatendo-se, gritando e xingando os seres. Não adiantou: Villas Boas ficou completamente nu. Uma das criaturas se aproxima de Villas Boas segurando algo que parecia ser uma espécie de esponja, com a qual passou um líquido em todo o seu corpo. Era uma esponja bem macia e o líquido era bem claro e inodoro, porém mais viscoso do que a água. Num primeiro momento, Villas Boas pensou que fosse um óleo, mas chegou a conclusão que não era porque a sua pele não ficou oleosa, nem gordurosa. Quando passaram aquele líquido no corpo de Villas Boas, ele sentiu um frio intenso, e tremeu muito. No entanto, logo o líquido secou e Villas Boas já não sentia mais nada.

Então, três das criaturas levaram Villas Boas para uma porta que fica do lado oposto daquela pela qual eles haviam entrado no interior da nave. Um deles tocou em algo bem no centro da porta que, em seguida, se abriu para os dois lados, como uma porta de encaixar de bar feita de uma só folha, do piso ao teto. Em cima, havia uma espécie de inscrição com letreiros luminosos de cor vermelha. Os efeitos da luz deixaram aqueles letreiros salientes, destacados da porta em um ou dois centímetros. Eram totalmente diferentes de quaisquer dos símbolos ou caracteres conhecidos. Villas Boas tentou gravá-los em sua memória, mas não conseguiu.

Em companhia de dois seres, Antônio Villas Boas ingressou em uma pequena sala quadrada, iluminada como os demais recintos, e a porta se fechou atrás deles. De repente, a parede tornou a se abrir e pela porta entraram mais dois seres. As criaturas levavam nas mãos dois tubos de borracha vermelha, bastante grossos, cada um medindo mais de um metro. Uma das pontas do tubo estava ligada a um recipiente de vidro em forma de taça. Na outra ponta havia uma peça de embocadura, parecida com uma ventosa, que colocaram sobre a pele de Villas Boas, debaixo de seu queixo. O ser comprimiu o tubo de borracha fortemente com a mão, como se dele quisesse expelir todo o ar. Logo no início, Villas Boas não sentiu dores nem comichão, mas notou apenas que sua pele estava sendo sugada. Em seguida, Villas Boas sentiu uma ardência e teve vontade de coçar no local. Neste momento a taça se encheu lentamente de sangue até a metade. Logo em seguida, retiraram o tubo de borracha e substituíram-no por outro. Villas Boas sofre nova sangria, só que dessa vez no outro lado do queixo. Nesta segunda sangria as criaturas encheram a taça de sangue. Depois essa operação, os seres se retiraram do recinto e deixaram Villas Boas sozinho.

Por mais de meia hora, Antônio Villas Boas ficou a sós na sala. Na sala não existiam móveis, exceto uma espécie de cama sem cabeceira nem moldura. Como estava se sentido cansado, Villas Boas sentou-se naquela cama. No mesmo instante, começou a sentir um odor forte, estranho e que lhe causou náuseas. Villas Boas teve a impressão de estar inalando uma fumaça grossa, cortante, que o deixou quase asfixiado. Talvez fosse isso mesmo que estivesse acontecendo, pois quando examinou a parede da sala com mais atenção, notou uma quantidade de pequenos tubos metálicos embutidos na parede, à altura da sua cabeça. Semelhantes a um chuveiro, os tubos apresentavam múltiplos furinhos, pelos quais saia uma fumaça cinzenta, que se dissolveu no ar. Villas Boas estava preso na sala e as criaturas estavam aplicando um gás lá. Sentido-se bastante mal e com ânsia de vômito, Villas Boas foi para um canto da sala e acabou vomitando. Em seguida, pôde respirar sem dificuldades, porém continuava a se sentir mal com aquele cheiro.

Até aquele momento, Antônio Villas Boas não fazia a menor idéia de como era a aparência dos seres que haviam raptado-lhe. Os cinco usavam macacões bem colantes, de um tecido grosso, cinzento, muito macio e colado com tiras pretas. Cobrindo a cabeça e o pescoço, usavam um capacete de mesma cor, mas de material mais consistente, reforçado atrás, com estreitas tiras de metal. Esse capacete cobria toda a cabeça deixando à mostra somente os olhos que Villas Boas pôde distinguir através de algo parecido com um par de óculos redondos. Acima dos olhos, o capacete tinha duas vezes a altura de uma testa normal.

A partir do meio da cabeça, descendo pelas costas e entrando no macacão, à altura das costelas, Villas Boas notou três tubos redondos de prata, dos quais não soube dizer se eram de borracha ou metal. O tubo central descia pela coluna vertebral. Na esquerda e na direita desciam os dois outros tubos, que iam até uns 10 centímetros abaixo das axilas. As mangas do macacão eram estreitas e compridas. Os punhos continuavam em luvas grossas, de cinco dedos e com a mesma cor. Nenhum dos macacões tinham bolsos ou botões. As calças eram compridas e colantes e continuavam numa espécie de bota. Todavia, a sola dos sapatos deles era de quatro a sete centímetros de espessura. Era bem diferente dos nossos sapatos. Nas pontas, os sapatos eram levemente encurvados para cima.

Depois de um longo tempo que Villas Boas não soube precisar, começou um ruído na direção da porta. Villas Boas virou-se naquela direção e deparou-se com uma moça aproximando-se lentamente. Estava totalmente nua e descalça. Seus cabelos eram macios e louros, quase cor de platina – como que esbranquiçados – e lhe caíam na nuca, com as pontas viradas para dentro. Usava o cabelo repartido ao meio e tinha grandes olhos azuis amendoados. Seu nariz era reto. Os ossos da face, muitos altos, conferiam às suas feições uma aparência heterogênea, deixando o rosto bem largo e com o queixo pontudo, que ficava quase triangular. Tinha os lábios finos, pouco marcados, e suas orelhas eram exatamente como a de nossas mulheres comuns. Segundo Villas Boas, ela tinha um corpo lindo e com os seios bem formados. Sua cintura era fina. Os seus quadris eram largos, as coxas compridas, os pés pequenos, as mãos finas e as unhas normais. Ela era de estatura bem baixa – mal chegava nos ombros de Villas Boas.

Essa criatura se aproximou de Villas Boas, em silêncio, e fitou-lhe com seus olhos grandes – não deixando dúvidas para com suas intenções. De repente, ela abraçou Villas Boas e começou a esfregar seu rosto e corpo contra o dele. A porta tornou a se fechar e Villas Boas ficou a sós com aquela criatura. Considerando a situação em que se encontrava, isso parece um tanto improvável… mas Villas Boas acredita que a excitação pode ter sido resultado do líquido que passaram por todo o seu corpo. De qualquer forma, Villas Boas não conseguiu mais refrear seu apetite sexual e acabaram tendo várias relações sexuais. Depois, a criatura ficou cansada e começou a respirar ofegantemente. Segundo Villas Boas, ele ainda estava excitadíssimo – o que demonstra que não era um estado de excitação sexual comum e natural. Antônio até tentou transar mais, mas ela recusou continuar com o sexo. No momento da recusa, Villas Boas percebeu que queriam ele apenas como um reprodutor para algum tipo de experiência. Apesar disso, segundo seu próprio depoimento, ele tomou o cuidado para não deixar que percebessem a sua irritação. Afinal, ele se encontrava nu, num lugar estranho, com seres estranhos, completamente sem chance de fuga e, sendo assim, não seria muito prudente e inteligente demonstrar qualquer tipo de hostilidade.

Pouco depois de seus corpos terem se separado, a porta se abriu e um dos seres chamou a moça com gestos. Antes de sair da sala, ela virou-se para Antônio Villas Boas e apontou primeiro para sua barriga, depois, com uma espécie de sorriso, para o próprio Villas Boas e, por último, para o alto – como se quisesse dizer que Villas Boas iria ser pai de uma criança que iria viver no espaço.

Logo em seguida, um dos seres voltou com as roupas de Villas Boas e ele, por sua vez, se vestiu. Segundo Villas Boas, as criaturas lhe devolveram tudo, menos um isqueiro que tinha em um dos bolsos (apesar de cogitar a possibilidade de que ele possa ter caído no chão no momento da luta na hora que estavam capturando-no). Quando Villas Boas terminou de se vestir, os seres o levaram de volta para o mesmo recinto que estava antes de ter entrado naquela sala.

Chegando lá, três dos tripulantes estavam sentados nas cadeiras giratórias, grunhindo um para o outro. Aquele que veio buscar Villas Boas juntou-se a eles e deixaram-no sozinho. Enquanto eles “falavam entre si”, Villas Boas tentou gravar na memória todos os detalhes ao seu redor e observava minuciosamente tudo. Assim, reparou que dentro de uma caixa com tampa de vidro que estava sobre uma mesa havia um disco parecido com um mostrador de relógio: havia um ponteiro e, no lugar dos números 3, 6 e 9, uma marcação negra. No lugar em que normalmente está o número 12, havia quatro pequenos símbolos negros, um do lado do outro.

Naquele momento, já bem mais calmo, Antônio Villas Boas teve a idéia de pegar aquela coisa e levá-la consigo – a título de ter uma prova concreta de sua inacreditável aventura de abdução. Imaginando que se os seres percebessem seu interesse por aquele objeto e talvez acabassem presenteando-lhe com o mesmo, tratou de se aproximar dele, aos poucos e, quando os seres não olhavam, puxou-o da mesa com as duas mãos. Villas Boas estimou que aquele objeto pesava, pelo menos, uns dois quilos. Porém, as criaturas não deram tempo para que Villas Boas olhasse o objeto de mais perto pois, com a rapidez, um dos seres acabou empurrando Villas Boas para o lado, tirou a caixa de suas mãos e, aparentemente furioso, tornou a colocá-la no lugar. Intimidado com a ação do alienígena, Villas Boas recuou até a parede mais próxima e ficou parado lá, imóvel.

Enfim, depois de vários minutos, uma das criaturas se levantou e fez um sinal para que Villas Boas o seguisse. Assim, atravessaram a pequena ante-sala, até a porta de entrada, já aberta e com a escada descida. No entanto, ainda não desceram, mas o ser fez Villas Boas compreender que devia acompanha-lo até a rampa que havia em ambos os lados da porta. Ela era estreita, mas permitiu dar uma volta completa ao redor da nave. Primeiro foram para frente e lá Villas Boas viu uma protuberância metálica sobressaindo da nave. Na parte oposta havia essa mesma protuberância.

O ser também apontou para os picos de metal na parte frontal. Os três estavam firmemente ligados à nave. O protuberância do meio estava ligada diretamente com a parte dianteira. As três esporas tinham a mesma forma, base larga, diminuindo para uma ponta fina e sobressaindo horizontalmente. Elas brilhavam como metal incandescente, mas não irradiavam nenhum calor. Um pouco acima da esporas metálicas havia luzes vermelhas, sendo duas laterais, que eram pequenas e redondas, e uma na da parte dianteira de grande tamanho. Eram os possantes faróis. Acima da rampa, ao redor da nave, estavam dispostas inúmeras lâmpadas quadradas, embutidas no casco. Seu brilho vermelho refletia na rampa, a qual, por sua vez, terminava em uma grande placa de vidro grosso, que entrava fundo no revestimento de metal. Como não existiam janelas em parte alguma, Villas Boas julgou que aquela vidraça serviria para olhar para fora, mesmo que não fornecesse uma boa visão pois, visto de fora, o vidro parecia bastante turvo.

Após a vistoria da parte frontal da máquina, o ser levou Villas Boas para a parte traseira (que apresentava uma curvatura bem mais pronunciada do que a da dianteira) mas, antes disso, pararam mais uma vez, quando a criatura apontou para cima, onde estava girando a imensa cúpula em forma de prato. Ao girar lentamente, mergulhava numa luz esverdeada, cuja fonte não era possível detectar. Simultaneamente, emitia um som parecido com assobio. Quando, mais tarde, a máquina decolou, as rotações da cúpula aceleraram progressivamente, até desaparecer por completo, e, em seu lugar, permanecer apenas um brilho de luz vermelho-clara. Ao mesmo tempo, o ruído cresceu para um estrondoso uivo. Depois de ter mostrado toda a parte externa da nave para Villas Boas, o ser o levou para a escada metálica e deu a entender que ele estava livre para ir embora. Ele apontou primeiro para si próprio, depois para Villas Boas e, finalmente, para o quadrante sul no céu. Em seguida, fez sinal de que ia recuar e desapareceu no interior da nave.

A escada metálica foi se recolhendo e a porta da nave se fechou. As luzes da esporas metálica do farol principal e da cúpula ficaram progressivamente mais intensas com o aumento das rotações. Lentamente, a máquina subiu, em uma linha vertical, recolhendo, ao mesmo tempo, seu trem de pouso. O objeto subiu devagar, até uns 30 a 50 metros de altura. Lá parou por alguns segundos, enquanto sua luminosidade se tornava mais intensa. O ruído de uivo tornou-se mais forte, a cúpula começou a girar com uma velocidade enorme, ao passo que sua luz foi se transformando progressivamente, até ficar vermelho-clara. Naquele instante, a nave inclinou-se ligeiramente para o lado, ouviu-se uma batida rítmica e, repentinamente, desviou-se para o sul, desaparecendo de vista uns poucos segundos depois.

Finalmente, Villas Boas voltou para o seu trator. Era 01:15 horas quando foi levado para o interior da nave e retornou somente às 05:30 horas da madrugada – por mais de quatro horas ficou sob tutela daqueles inusitados seres. Com o passar do tempo, Villas Boas formou-se em Direito, casou-se e teve quatro filhos. Esse caso foi minuciosamente investigado pelo Dr. Olavo Fontes. Um dos elementos mais impressionantes na experiência de Villas Boas são as marcas escuras que começaram a surgir em seu corpo, cujas investigações indicaram como possível causa de um processo de intoxicação radioativa.

A Operação Prato

Um dos bem documentados e inacreditáveis casos envolvendo ufos hostis, militares e mortes suspeitas é o caso da Operação Prato. Não só por isso, mas porque eu tenho aqui em casa cópia dos relatórios oficiais desta operação. É um dos mais ricos e irrefutáveis casos ufológicos do país. Ao lado da Noite oficial dos ufos, eu acho que a Operação Prato é o mais emblemático retrato da condição militar-social-ufológica no país. ( sob todos os aspectos) A operação Prato foiuma missão inédita da Aeronáutica realizada entre setembro e dezembro de 1977 para monitorar atividades extraterrestres na Amazônia, mais especificamente no Pará, onde em várias cidades um raio de luz vindo do céu atacava os moradores até mesmo dentro das próprias casas. Essa luz (apelidade de chupa-chupa pela população ribeirinha) provocava queimaduras que necrosavam na mesma hora e deixavam dois orifícios, geralmente no peito esquerdo. De cada 10 pessoas atacadas, aproximadamente 8 eram mulheres. Para esta missão foi escolhido o – até então – cético e descrente capitão Uyrangê Hollanda. Ele comandou a famosa e polêmica Operação Prato por determinação do comandante do 1º Comando Aéreo Regional (COMAR), de Belém (PA).

Para este trabalho, Hollanda estruturou, organizou e colheu os espantosos resultados desse que foi o único projeto do gênero de que se tem notícia em nosso país – e provavelmente um dos poucos no mundo.O volume de dados obtido surpreendeu até o mais incrédulo dos militares da época. Para obter os mais de 500 fotogramas dos ufos, Hollanda levou consigo o que havia de mais moderno em equipamentos óticos, cameras, gravadores, lunetas, etc. Ele usou filmes especiais para diferentes comprimentos de onda. Infravermelho e ultravioleta. Ele organizou vigílias militares em turnos e sistematizou completamente o movimento ufológico da região. Inicialmente um descrente dos discos voadores, o comandando Hollanda chegou a temer pela própria vida ao dar de cara com ufos de diferentes tipos e tamanhos.

Vinte anos depois, já reformado, o agora Coronel Hollanda veio a público falar sobre o assunto. Logo após conceder uma histórica entrevista à Revista UFO, antes mesmo de vê-la publicada, o militar se suicidou coma corda do roupão em circunstâncias estranhas, mas que talvez não tenham a ver com o fato dele ter liberado informações confidenciais à imprensa.

O programa de Tv ” Linha direta” fez uma das edições com o Caso da operação Prato, usando a computação gráfica para reconstruir de maneira espetacular cenas que Hollanda vivenciou.

A entrevista é fantástica, e é suportada por depoimentos das (poucas) testemunhas que se atrevem a quebrar o silêncio, como os moradores do local, o então prefeito de Colares, uma médica que cuidou dos feridos, e de documentos sigilosos da aeronáutica que “vazaram” e mostraram que a operação existiu de fato. TUDO foi filmado e fotografado, mas a Aeronáutica não libera esses vídeos por se tratar de material classificado e a legislação não permite a liberação a menos que se mude a lei.
Recentemente um grupo de ufólogos conseguiu acesso a dois documentos da Aeronáutica, através do movimento UFO: Liberdade de informação já. Um deles são partes da Operação Prato, com algumas páginas de relatório e 500 fotografias. Mas é apenas uma fração do material que eles têm e não podem mostrar ainda, pois precisam mudar as leis do país, e é pra isso que o Movimento está lutando.
O documentário do Linha direta não mostra todo o caso, afinal foram muitas aventuras e perigos. Mas se você não viu, vale a pena ver.

Contato com alienígenas no espaço

 

Eu escolhi este caso por ser incrível,além de se tratar de um contato imediato de segundo grau no espaço, além do fato de que envolve um oficial russo que confirma o contato.

Em maio de 1981 a estação orbital russa Salyut-6 teve um contato com uma nave extraterrestre durante 4 dias. O evento envolveu astronautas da Salyut-6 e três ETS que tripulavam o OVNI, descrito como esférico e com cerca de oito metros de diâmetro. Os cosmonautas russos tiveram condições de rodar um vídeo de 45 minutos sobre o encontro, onde se vê claramente o OVNI a apenas 40 metros de distância da estação orbital russa. Esse vídeo permanece muito bem guardado e confidencial em algum porão governamental de Moscou. Um mês depois do avistamento do OVNI junto a Salyut-6, o Ministério de Planejamento da extinta União Soviética convocou uma reunião extraordinária que reuniu especialistas em ÓVNIS, cosmonautas e autoridades soviéticas, inclusive militares. Essa história só chegou ao público recentemente, quando fontes decidiram contar tudo.

Depois de estarem trabalhando em experiências científicas por 75 dias a bordo da Salyut-6, dois dos astronautas russos observaram um objeto esférico surgindo repentinamente, a cerca de um quilômetro deles. Vladmir Kovalyonok, um dos astronautas, apanhou uma câmera e começou a rodar os primeiros minutos do que se tornaria um documento secreto russo. Com a ajuda de binóculos, Kovalyonok percebeu que havia portinholas no OVNI, que por 24 horas permaneceu em posição estacionária em frente a Salyut-6, sem demonstrar a existência de tripulantes em seu interior. No outro dia, o objeto estava mais próximo, a menos de 100 metros de distância. Ela se movera sem usar jatos, impulsos ou quaisquer outros recursos visíveis aos astronautas russos, que contaram uma série de 24 janelas, em três níveis. Em três das janelas, foram avistadas cabeças parecidas às humanas. Os ETS usavam capacetes leves com visores que mostravam parcialmente seus rostos. O que mais impressionou os cosmonautas foram os olhos dos seres – enormes, azuis – fixos neles, sem demonstrar o menor sinal de emoção. Mais tarde, como as criaturas se mostraram amistosas, os cosmonautas pediram permissão a Terra para tentar estabelecer contato com elas. Um dos astronautas abriu um grande mapa celeste em frente a si mesmo, mostrando nosso Sistema Solar ao centro. O mapa foi colocado junto a uma escotilha da Salyut-6. Kovalyinok se emocionou quando um dos ETS da outra nave puxou seu próprio mapa, que mostrava nosso Sistema Solar de um lado e alguns astros ainda desconhecidos da humanidade em outro. Ainda emocionado, Kovalyonok, fez um sinal com o dedo polegar para cima, que foi retribuído pelo estranho E.T. de modo mecânico.

Em seguida, o OVNI se afastou a uma velocidade tal que pareia varrida do céu, como se os ETs quisessem mostrar sua manobrabilidade.

Na órbita seguinte, ele estava de volta. Usando uma lanterna potente Kovalyonok tentou se comunicar em russo pelo código Morse, sinalizando: “Cosmonautas soviéticos saúdam visitantes a Terra”. Os estranhos não entenderam. Tentou a mesma mensagem em inglês, também sem resposta. Decidiu então usar uma figura matemática, usando uma luz breve para o ZERO e uma longa para UM. Sinalizou o número 101101. Logo depois veio um sinal luminoso em resposta, que não só era uma repetição da cifra, como acabou decifrada como um logaritmo da base que Kovalyonok utilizou nos sinais. Isso prova que, pelo menos em Matemática, Humanos e E.T.s falam a mesma língua.
No outro dia, os ETS fizeram um passeio pela superfície de seu veículo esférico, usando os mesmos trajes vistos quando estavam no seu interior. Quatro dias depois do primeiro contato, o OVNI desapareceu. Por alguma razão, os cosmonautas Kovalyonok e Savinitkh tinham se acostumados àqueles seres estranhos silenciosos e antiemotivos. Tinham sentido uma amizade sutil que deixou como lembrança à certeza de que não estamos sós no Universo.

CASO BAEPENDI

 

Eu acho este caso muito peculiar, porque ele reflete as conseqüências da falta de cultura do brasileiro. Neste caso, alienígenas amistosos surgem para um capiau e tentam instruí-lo com um audiovisual sobre a sua tecnologia, de onde eles vem e seus interesses. Sabe o que o sujeito conseguiu entender? Nada.

O ano era 1971. Um agricultor semi-analfabeto da cidade de Três Corações (MG) chamado Arlindo Gabriel dos Santos saiu para caçar tatu.

Arlindo estava caçando com dois amigos e, quando eles estavam a uns seis quilômetros de distância da sede de sua fazenda, decidiram se separar. Cada qual teria tomado um rumo diferente.

Depois de um pequeno tempo, Arlindo avistou um objeto estranho descer no chão e que, inevitavelmente, o deixou cismado. Curiosos, decidiu se aproximar para observar melhor o objeto. Pelas suas descrições, o objeto tinha um formato cilíndrico com 50 centímetros de largura e 1,5 metros de comprimento, uma base circular escura e uma esfera na sua parte superior de cores branca e vermelha.Arlindo tinha levando uma câmera fotográfica que estava embrulhada em um embornal de pano e, sendo assim, teve a oportunidade de fotografar o objeto por uma vez, até que o mesmo desapareceu inexplicavelmente. Logo em seguida, desceu um outro objeto que tinha o formato ovóide e com uma haste na sua parte inferior. Essa haste parecia uma espada e, na parte superior, tinha algo que parecia ser uma espécie de hélice. Arlindo tirou uma foto do objeto até que o mesmo começou a emitir um ruído e, logo em seguida, se transformado numa névoa – que logo desapareceu.

Depois dessas duas aparições súbitas e seus respectivos desaparecimentos, Arlindo voltou a andar mais um pouco e, de repente, desceu um terceiro objeto. Este tinha a forma de um barril de um metro de altura e era listrado nas cores branco e vermelho. Este objeto também parecia ter uma espécie de hélice na sua parte superior. Arlindo não hesitou: também fotografou o inusitado aparelho. Tal qual os dois anteriores, o objeto desapareceu logo em seguida sem que Arlindo pudesse reparar como isso aconteceu.

Arlindo então andou uns dez metros na direção do local onde o objeto estava antes de desaparecer. Sua intenção era ver se conseguia encontrar alguma coisa que lhe indicasse o que estaria acontecendo e como aqueles objetos teriam sumido. E é exatamente neste momento que um enorme OVNI com o formato de um ovo e todo branco desce diante de Arlindo – numa distância de apenas um metro. Conforme a descrição da testemunha, o objeto tinha um ruído parecido com o de um motor de carro afogado. O aparelho tnha no mínimo uns dez metros de diâmetro e uns oito metros de altura e, antes de ele pousar no chão, saiu uma espécie de trem de pouso que consistia em quatro hastes pequeninas – algo como uns seis ou sete centímetros de largura. Arlindo tentou fotografar este UFO, porém ele emitiu um feixe de luz em sua direção que provocou uma dor em seus olhos. Imediatamente, Arlindo largou todas as suas coisas no chão e saiu correndo, temendo o que poderia acontecer com ele.Para seu desespero, Arlindo mal conseguiu se distanciar uns dez metros do UFO, pois o objeto disparou uma espécie de relâmpago que o atingiu em cheio – Arlindo ficou totalmente paralisado após ser atingido. Sem compreender o que lhe estava prendendo, Arlindo tentou olhar para trás e viu dois alienígenas que pareciam ser iguais a nós. Os seres estavam usando roupas que cobriam todo o seu corpo, além de capacetes justos que cobriam quase toda as suas cabeças. Eles também estavam usando luvas. Só era possível ver os rostos das criaturas, pois os capacetes tinham vidros transparentes na frente. Os dois alienígenas foram até Arlindo e o pegaram, sendo que um foi no seu lado direito e o outro do lado esquerdo. Nesse momento, Arlindo suplicou: “Pelo amor de Deus, me soltem!”. Neste exato momento ele ouviu uma resposta de um dos alienígenas que, inclusive, mexeu a boca para falar: “Em nome de Deus, nós todos somos irmãos”. O interessante é que o som não parecia sair de sua boca e sim de uma caixa que estava pendurada nas costas dos alienígenas. Desta caixa saia uma espécie de tubo que estava conectado no capacete deles. O outro alienígena falou logo em seguida: “Não fazemos mal a ninguém, apenas queremos uma informação”. E assim eles levaram Arlindo em direção do OVNI.

Quando chegaram diante da nave, Arlindo pode ver que este tinha uma porta com uma escada de quatro degraus e, ainda, havia outro alienígena parado ali, esperando-os. Esta criatura perguntou para Arlindo se ele não tinha visto uma “zurca” ali por perto. Arlindo disse que não e perguntou o que é uma “zurca”. Então o alienígena explicou que era um aparelho que eles transmitiram de lá para cá.

O ser perguntou para Arlindo se ele “tinha inteligência”. Arlindo respondeu negativamente ao aparente chefe da nave. Este então fez um sinal e finalmente os seres pegaram Arlindo e levaram-no para o interior do UFO. Ainda quando estava do lado de fora, Arlindo reparou que nas proximidades da porta de entrada da nave a temperatura estava mais baixa que no ambiente do local. Quando entraram, Arlindo percebeu que a temperatura era bem mais fria que do lado de fora. Era como se houvesse um ar condicionado no interior da nave. Outro detalhe interessante é que, além de frio, ele reparou um cheiro que julgou ser parecido com o de poeira. Além dos três alienígenas que Arlindo viu ainda do lado de fora, dentro da nave havia outros três, sendo que um deles era do sexo feminino. Ao entrar, imediatamente Arlindo viu outros dois seres que estavam sentados numa espécie de cadeira. Ambos estavam usando capacetes como os outros. A impressão que Arlindo teve é que – segundo suas próprias palavras – “eles estariam batendo máquina” (Arlindo comparou a atividade dos tripulantes com datilografia). Talvez tal julgamento fosse motivado em função do barulho que fazia enquanto os seres estavam mexendo nos dispositivos internos da nave. No entanto, ao entrarem, logo as criaturas pararam e conversaram com os três que foram lá fora capturar Arlindo. Inclusive ele reparou que eles chacoalhavam a cabeça em alguns momentos. Arlindo não entendeu absolutamente nada do que os seres alienígenas conversavam entre si.

De repente apareceu uma moça, que teria vindo de outro compartimento do UFO, e que não estaria usando capacete. Ela era loira e de rosto rosado. Ela estava usando um aparelho no ouvido com o que Arlindo comparou com um “ouvidor de telefone”. Inicialmente, a alienígena conversou com os outros seres, na qual foi impossível para Arlindo entender uma única palavra. Logo em seguida, a criatura e um dos alienígenas masculinos levaram Arlindo para um outro cômodo da nave, na qual tinha um aparelho parecido com uma geladeira.

A “moça” pegou uma espécie de varinha enquanto o outro ser começou a mexer nos botões deste aparelho que Arlindo comparou com uma geladeira. O aparelho tinha um monitor e, assim que apareceu uma imagem, a alienígena feminina usava a varinha para apontar para os objetos que apareciam nesse monitor. Segundo Arlindo, essa criatura aparentemente fêmea começou a explicar detalhes sobre sua civilização, a forma que eles conseguiam vencer as distâncias astronômicas e outras várias informações importantíssimas – que, infelizmente, não foi possível se resgatar nada em seus depoimentos devido a limitação cultural de Arlindo. Ele não entendeu nada e não se interessou em perguntar para a criatura o que não conseguia entender. É lógico que Arlindo poderia estar se sentindo intimidado ou mesmo, em função da situação incomum – um seqüestro alienígena – não estava em condição de raciocinar normalmente.

Depois que a criatura lhe passou diversas informações, Arlindo foi levado para o cômodo anterior e percebeu que um dos seres também tinha tirado o capacete. Segundo Arlindo, eles eram muito parecidos conosco, sendo que ele só reparou uma pequena diferença: a testa deles era um pouco diferente – embora Arlindo foi incapaz de dizer exatamente qual era a diferença no sentido anatômico. Já a boca Arlindo descreveu que parecia um corte com lábios bem fininhos.

Neste momento, as criaturas teriam lhe dito que: “Nós somos da mesma matéria, do mesmo sangue e vivemos o mesmo trabalho”. Depois disso, Arlindo foi levado para fora da nave e os seres ainda lhe avisaram: “Proteja a vista, que o aparelho condena a vista”. Os alienígenas conduziram Arlindo até a saída e Arlindo, por sua vez, desceu sozinho as escadas. O interessante é que Arlindo não conseguiu olhar para traz, pois ele se sentia meio “preso” – um efeito que ele nunca conseguiu explicar. Talvez isso ainda fosse alguma influência dos extraterrestres sobre Arlindo.

Depois de tudo isso, Arlindo teve de andar de volta um bom “pedaço” até que encontrasse seus dois amigos que tinham ido caçar com ele. Arlindo se sentia enjoado e com um pouco de tontura – sensações que duraram bastante tempo. No momento do contato com os alienígenas, Arlindo tinha deixado suas coisas caídas no chão e, quando retornou para procurar, ele acabou não achando nada. Porém reparou que o trem de pouso da nave tinha deixado marcas profundas no terreno.

Logo a notícia de sua experiência com os alienígenas se tornou a grande sensação da cidade de Baependi. E, inevitavelmente, acabou chegando nos ouvidos da imprensa que deu todo um tratamento sensacionalista ao incidente com manchetes de grande apelo público nos jornais. Obviamente este caso logo chegou também ao conhecimento do ufólogo Ubirajara Franco Rodrigues, que tratou de entrar em contato com Arlindo Gabriel dos Santos. Levado até o local onde teria se dado o incidente pelo próprio Arlindo, Ubirajara Rodrigues fez moldes de gesso das marcas do trem de pouso e, ainda, eles acharam o embornal que Arlindo tinha perdido no momento do contato.

A princípio Arlindo ficou em dúvida se aquele era mesmo o seu embornal, pois o mesmo estava com várias figuras desenhadas que pareciam uma espécie de escrita. O embornal de Arlindo era liso e não tinha qualquer figura pintada nele.Depois de alguma análise descobriu-se que a linguagem estranha no embornal parciea ser hebraico arcaico. Como os textos do Pergaminhos do Mar Morto.

Com relação às supostas fotografias obtidas por Arlindo, infelizmente as fotos não mostravam as supostas três sondas que tinham descido antes do pouso da nave tripulada. Verificado por Ubirajara Franco Rodrigues, a câmera acabou sofrendo uma grave avaria: a chapa interna de proteção do filme estava queimada e coberta de fuligem. É possível que isto tenha acontecido no momento que Arlindo tentou tirar uma fotografia do OVNI e este, por sua vez, emitiu um feixe de luz que acabou lhe paralisando e também, como conseqüência do feixe, estragou sua câmera fotográfica. A fuligem que cobria a placa interna do sistema de disparo pode ter sido provocada por uma reação química em função de uma exposição ao calor ou uma grande energia luminosa. Mas sem dúvida, o “ponto alto” deste caso seria as estranhas pinturas do embornal de Arlindo.

O que está escrito em hebraico no embornal?

TRADUÇÃO DE PAULO STEKEL
Hebraico e o aramaico bíblico, recorrendo a técnica cabalística quando o léxico não ajudava:

“Que aquele que oprime a erva nova a umedeça, faça-a nascer, para que seja concluída e domine a matéria para que a sua palavra realize o destino da beleza que a conserva perfeita. Pois aquele que a protege da palavra inútil e impura tem um escudo que reforça seu jardim. Caso contrário, sobre o que recairá a ruína? Sobre a força natural da vida. Agora é o momento para a evolução de sua forma e de sua consciência ordinária, pois consciência natural é como o ouro puro, como uma chapa superior, como a síntese da existência e do conhecimento. Defeito violento é à força da consciência objetiva, que é um movimento evolutivo, sem nenhum amor, usada apenas para conservar o domínio. Cada broto desta erva possui um sublime poder. A erva é como uma árvore de ouro puro, capaz da dissolução do mal, mesmo que no princípio seja apenas uma insignificante semente”.

TRADUÇÃO DE RICARDO FERREIRA ARANTES
Usou uma imagem invertida (como visto pelo reflexo do espelho) e baseou-se nos alfabetos fenício, hebraico e aramaico. Preferiu deixar sete frases sem tradução em função dos borrões:

“(Oh) quando está determinado;
Calamidades seis vezes;
Vermelho desolado;
Nem a beleza das terras mais longínquas será preservada na nuvem;
Escutai mensageiro, a dor (dos que foram) destruídos pelo clarão;
Livrai-nos da maldição (de ter) o corpo consumido;
Fazei saber (que) a ira de Deus cresce e se aproxima silenciosamente”.

CASO TRAVIS WALTON

Se você já viu aquele filme FOGO NO CÉU saberá do que se trata este caso. Esta é a história da mais famosa abdução do mundo. Um caso que abalou a opinião pública americana e é uma das mais fortes evidências da presença alienígena e das abduções no planeta. Considerado um clássico da ufologia mundial, o Caso Travis Walton reproduz as principais características comuns das abduções alienígenas. Por volta das 18:00 horas da tarde, do dia 05 de novembro de 1975, uma caminhonete de cabine dupla do Serviço Florestal voltava da Floresta Nacional Sitgraves, Arizona, (Estados Unidos), levando sete lenhadores: Michael Rogers, Ken Peterson, Travis Walton, Allen Dallis, John Goulete, Duane Smith e Stephen Pierce. Todos eles tinham menos de trinta anos e voltavam para casa depois de um longo dia de trabalho.

Travis Walton, na época com apenas 22 anos, reparou uma luminosidade amarelada por trás de uns pinheiros, do lado direito do caminhonete, e comentou com os companheiros. A caminhonete seguia sua rota normal, mas, ao chegar em uma clareira, viram um enorme disco de uns cinco metros de diâmetro que estava flutuando a cerca de seis metros de altura.

Chocado, Travis pediu que parassem a caminhonete e, imediatamente, saiu do veículo. Acreditando que ao se aproximar o objeto se afastaria, Travis Walton começou a caminhar em direção do OVNI. O disco começou a emitir um ruído alto e movimentar-se lentamente. O motorista da caminhonete, Mike Rogers, tomado pelo pânico, gritou para que Travis voltasse, mas ele estava absorvido na contemplação daquele objeto que, agora, já estava bem acima de sua cabeça. Subitamente, o OVNI emitiu um feixe de luz verde-azulado que atingiu em cheio o peito de Travis, jogando-o para trás. Ao cair, Travis Walton estava desmaiado.

Todas os outros trabalhadores que estavam na caminhonete ficaram em pânico e Mike, o motorista, imediatamente deu partida no veículo e se afastou, deixando para trás Travis caído próximo ao UFO. A alguma distância do local, quando todos comprovaram que o objeto não lhes perseguia, pararam a caminhonete e discutiram nervosamente se deveriam ou não voltar para socorrer Travis. Finalmente chegaram a algum entendimento e voltaram para o local, porém nem Travis e nem o UFO estavam mais lá.

Os seis trabalhadores decidiram ir então à delegacia de Navajo Country, que era o posto policial mais próximo. Foram atendidos pelo tenente Chuck Allison que, após ouvir toda a história, decidiu ir até o local dos fatos, às 21:30 horas daquele mesmo dia, levando junto mais três testemunhas para investigar. Não encontraram absolutamente nada. No dia seguinte, os seis trabalhadores passaram a ser suspeitos de assassinato. Ninguém acreditava na história contada por eles e a polícia passou a considerar a hipótese de que eles tinham matado Travis Walton e escondido o corpo. Depois inventaram a história do “disco voador” para justificar o sumiço de Travis.

Durante os três dias seguintes, foi realizada uma super operação “pente-fino” na floresta em busca do corpo de Travis Walton. Essa operação foi composta por um pouco mais de uma centena de homens, vários cães e um helicóptero – no entanto não obtiveram qualquer êxito. Durante toda essa operação de procura pelo corpo de Travis Walton, os investigadores responsáveis pelo caso ficaram surpreendidos ao ver que os seis lenhadores não hesitaram em passar pelo detector de mentiras. Durante o teste do detector de mentiras, foram tomadas todas as medidas para não dar vazão a qualquer possibilidade de dúvida. Entre as medidas estava a presença de C. Gibson, especialista em poligrafia. E para surpreender mais ainda as autoridades responsáveis pelo caso, todos eles passaram pelo detector sem que fosse detectada uma única mentira sequer. A partir daí, somando com o fato de não se ter encontrado o corpo ou qualquer vestígio do mesmo, a história dos lenhadores passou a ser levada a sério por toda a comunidade.

Seis dias depois do desaparecimento de Travis , no dia 11 de novembro, seu irmão recebe uma ligação telefônica na qual reconhece, imediatamente, que era o próprio Travis do outro lado da linha. Travis pede para que venham buscá-lo e é encontrado no chão de uma cabine telefônica, no posto de gasolina de Heber – cerca de 80 quilômetros de distância de Snowflake. Travis apresentava visíveis sinais de esgotamento e desidratação, tinha náuseas e estava completamente desorientado. Mas o mais surpreendente de tudo é que Travis Walton não acreditava que tinha sumido por vários dias. Para ele tinham se passados algumas poucas horas apenas desde que foi atingido pelo UFO.

Imediatamente, a família de Travis Walton o levou para um hospital. O doutor Howard Kandell certificou que Travis estava bem, mas tinha perdido um pouco de peso devido à desidratação. A única coisa estranha encontrada em Travis era uma marca no seu braço esquerdo, claramente produzida por uma agulha ou um outro instrumento pungente. As análises de sangue comprovaram que Travis Walton não era usuário de drogas – coisa que a própria família dele garantiu para o médico.

O passo seguinte das investigações foi submeter Travis Walton a uma sessão hipnótica para averiguar o que tinha acontecido realmente. Neste processo, os doutores Harder e Rosenbaum (presidente da Associação Psicanalítica do Sudeste) ficaram no controle da sessão hipnótica, além da presença de mais três médicos que assistiram tudo na qualidade de supervisores. Em transe hipnótico, Travis Walton relembrou de vários momentos de sua abdução. Quando foi atingido pelo feixe de luz do disco, tudo escureceu. Mas quando abriu os olhos, estava numa espécie de mesa num quarto fortemente iluminado. Inicialmente ele pensou que estava em um hospital mas, quando olhou para os lados, viu seres horripilantes, de um metro e meio de altura e com grandes olhos negros. Suas faces não tinham cor e suas testas eram inchadas. Seus longos dedos não tinham unhas. Travis Walton os comparou com “fetos muito desenvolvidos”.

Aquelas criaturas tinham colocado um aparelho sobre seu tórax que lhe causava uma dor persistente e o impedia de respirar normalmente. Travis entrou em pânico imediatamente e, se debatendo, conseguiu tirar o aparelho de seu peito. Também tentou afastar os alienígenas com empurrões, no entanto, as criaturas continuavam tentando dominá-lo. Somente quando Travis pegou um tubo transparente na mão, que estava numa mesa ao lado, e ameaçou agredir as criaturas, os seres se afastaram e saíram da sala marchando por uma porta. Travis não teve dúvidas: optou por ir embora dali por uma outra porta que existia na sala.

Travis Walton chegou então num corredor e começou a caminhar. Viu outra porta e entrou. Era uma sala onde havia um sofá com vários botões nos braços. Na frente do sofá havia uma tela enorme, quase do tamanho da parede, e que tinha uma imagem típica do espaço: fundo negro com muitas estrelas. Ao apertar os botões no braço do sofá, as estrelas da imagem na tela se mexiam. Nesse exato momento entrou um ser humanóide idêntico a nós que, através de sinais, indicou que Travis devia acompanhá-lo. Travis se levantou do sofá e tentou falar com a criatura, que usava um capacete transparente, mas não obteve qualquer resposta – o ser apenas sorria de forma tolerante.

Sem opção e desconcertado, Travis Walton acompanhou aquele ser. Eles saíram do UFO, por uma rampa, e Travis viu que estavam em um hangar onde havia várias naves iguais a que eles estavam. Entraram, logo em seguida, num túnel que os levou a um pequeno quarto. Neste recinto se encontravam três pessoas, sendo dois homens e uma mulher. Subitamente uma mão colocou uma máscara no rosto de Travis e ele, por sua vez, perdeu os sentidos. A próxima lembrança de Travis Walton é ele acordando caído na estrada perto de Heber. Ele olhou para cima e viu uma nave se afastando – inusitadamente não parecia ser a mesma nave que lhe teria abduzido.

Tal qual foi feito com os outros lenhadores, Travis passou pelo detector de mentiras sem que fosse detectada qualquer fraude em seu relato. Infelizmente, hoje Travis Walton se recusa a fazer outras sessões de hipnose regressiva para tentar resgatar o que poderia estar perdido em sua memória. Ele alega ter medo de saber mais detalhes da experiência traumática que passou. O Caso Travis Walton foi amplamente divulgado e causou grande comoção na comunidade ufológica.

 

O CASO MANTHELL

 

Nem só de abdução vive o lado obscuro da ufologia. Existem casos impressionantes envolvendo mortes, desaparecimentos e violência. Este é um dos mais famosos deles.

Nas primeiras horas da tarde do dia 07 de janeiro de 1948, centenas de pessoas viram um objeto que definiram como “um sorvete de casquinha com a parte superior vermelha”, que se dirigia lentamente e a baixa altitude rumo a Fort Knox, Estado de Kentucky. O Fort Knox é uma zona de alta segurança usada para guardar as reservas de ouro dos Estados Unidos. Seu espaço aéreo é proibido e constantes rondas de caças acontecem. Os mais sofisticados radares vasculham, 24 horas por dia, nos 365 dias do ano, toda a região. Em torno das 14:30 horas, os radares acusaram um gigantesco OVNI se deslocando vagorosamente sobre Fort Knox. Imediatamente o comando militar responsável pela segurança do Campo Godman providenciou uma interceptação aérea do intruso. O Campo Godman é uma base militar que está baseada – convenientemente – ao lado de Fort Knox.

Justamente nesse momento, uma esquadrilha composta de 4 caças P-51 Mustang estava chegando de uma ronda aérea. A esquadrilha em questão era liderada pelo capitão Thomas Mantell que, devido ao seu desempenho em combate durante a Guerra, ele tinha várias condecorações e era uma espécie de ídolo das Forças Armadas. O que se seguiu naquela fatídica tarde de 07 de janeiro de 1948 marcou “a fogo” a vaidade militar norte-americana.

Imediatamente a esquadrilha foi acionada para realizar a interceptação. Dos 4 aviões da esquadrilha, foram apenas 3, pois um deles já estava com o combustível “na reserva”. Inicia-se a perseguição ao OVNI e, logo em seguida, um segundo avião se vê obrigado a abandonar a perseguição por seu painel apresentar problemas eletrônicos. Mal ele teve tempo de sair da formação para que o terceiro avião, por sua vez, também tivesse que abandonar a interceptação aérea por falta de oxigênio. Poucos minutos após o início da perseguição, o capitão Mantell ficou sozinho. Vale ressaltar que o avião do capitão Thomas Mantell deveria estar, como os outros, com o combustível e oxigênio acabando.

O fato é que Mantell continuou obstinadamente a caçar o OVNI mesmo sabendo de suas limitações em termos de combustível e oxigênio. Por volta das 14:45 horas, ele se comunica com a base informando que já conseguia avistar o intruso a olho nu. Foram vários comunicados descrevendo um objeto metálico, com a forma de um cone e de proporções gigantescas. Finalmente, por volta das 15:15 horas, se ouve pela última vez a voz de Mantell no rádio: “O objeto está adiante e acima de minha posição, movimentando-se à mesma velocidade de meu avião ou um pouco mais. Se eu não conseguir me aproximar mais vou desistir”.

Enquanto tentativas desesperadas de comunicação aconteciam, o avião de Mantell fazia círculos no ar para, logo em seguida, iniciar o megulho fatal ao chão. Maior que o impacto do avião do capitão Thomas Mantell foi o causado com a notícia de sua morte para todo o contingente das Forças Armadas dos Estados Unidos. Como isso poderia ter acontecido se os Estados Unidos era a maior força militar planeta? A explicação inical da USAF foi que Mantell perseguiu o planeta Vênus, até que ficou sem oxigênio e desmaiou. Sequer ele teria morrido com o impacto da queda, pois, provavelmente, o capitão Mantell teria morrido de anoxia (falta de oxigênio), já que estava a cerca de 20.000 pés. Obviamente, parece um absurdo que um piloto experiênte, condecorado, tivesse confundido o planeta Vênus ( olha o planeta Vênus aí, gente!) com uma nave desconhecida – sem mencionar o absurdo que é supor que o planeta Vênus seja detectado pelo radar.

Para tentar acabar com os boatos relacionando este caso com UFOs, a USAF acionou o projeto Blue Book para assumir as investigações. O capitão Edward Ruppelt, responsável pelo Blue Book, concluiu que Thomas Mantell havia perseguido um balão sonda meteorológico lançado pelo projeto “Skyhook”. A armada norte-americana criou um balão gigantesco capaz de ascender até 70.000 pés (cerca de 21.000 metros) de altitude, para recolher informação sobre a alta atmosfera. O gigantesco balão tinha forma de pêra próximo à Terra, mas se convertia numa esfera, de trinta metros de diâmetro, quando estava a grande altura.

Muitos ufólogos não concordaram com a explicação oficial e outros, como Jacques Vallée, aceitaram e deram o caso como encerrado. Já a imprensa, como sempre, fez sua glória com todo tipo de sensacionalismo possível.

CASO WESTENDORFF

 

A maioria dos avistamentos se dá com ufos chamados ufos standard. São as naves menores, para poucos tripulantes. Eventualmente uma nave grande, cahamada convenientemente de “Nave-Mãe” é vista. Este caso é emblemátoco pois uma dessas foi vista em pleno vôo por um piloto brasileiro, que deu voltas ao redor dela. E só se afastou quando ela liberou um ufo standard.

Haroldo Westendorff, empresário gaúcho, administrava uma empresa de beneficiamento de arroz, uma transportadora e uma fábrica de rações. Nas horas de folga costumava pilotar o seu próprio avião monomotor Tupi. Foi num desses momentos de lazer que o empresário viveu uma experiência intrigante.Às nove horas, logo depois de tomar o café da manhã, ele decolou do aeroporto de Pelotas para mais um passeio. Às 10h15, quando sobrevoava a ilha de Saragonha, na Lagoa dos Patos, a cerca de 15 quilômetros do aeroporto, Westendorff deparou-se com um imenso objeto aéreo não identificado. O susto foi enorme. Até a gagueira de infância voltou a afetar-lhe por alguns segundos. Recuperada a fala, o empresário conseguiu levar o monomotor a até muito próximo do objeto, onde permaneceu por mais de dez minutos.

Piloto desde os anos 70, Haroldo afirma que o objeto tinha uma base do tamanho de um estádio de futebol, com cerca de 100 metros de diâmetro, e de 50 a 60 metros de altura. Diz ainda que tinha a forma de um cone, com os vértices arredondados. Por 12 minutos, o empresário permaneceu voando ao redor do OVNI, a uma distância de aproximadamente 100 metros. Deu três voltas ao redor da nave e pôde observar seus detalhes. Era feita de algo parecido com metal, com a parte inferior lisa e oito vértices, que tinham cada um três saliências, como bolhas. A nave girava em torno de si própria e se deslocava em direção ao mar. Durante o tempo em que a testemunha permaneceu ao redor do OVNI não percebeu nenhum movimento da nave que pudesse indicar uma reação hostil. De repente, a parte superior do OVNI se abriu, bem na ponta, e dali saiu um disco voador na vertical, que em seguida se inclinou 45 graus e disparou para cima numa velocidade impressionante. Assustado, Haroldo se afastou da nave. Nesse momento, aquele objeto enorme subiu na vertical, numa velocidade fora do comum, sem fazer vento, sem ruído de explosão e sem nenhuma reação física.

O fato, ocorrido na manhã de 5 de outubro, impressiona não só pela riqueza dos detalhes descritos por um piloto com mais de 20 anos de experiência como pelo número e qualificação das testemunhas que asseguram ter avistado a mesma nave.

Westendorff, durante a segunda volta ao redor da nave, usou o rádio do avião para informar a sala de controle da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), do aeroporto de Pelotas, sobre o que estava ocorrendo. Perguntou ao operador da Infraero, Airton Mendes da Silva, o que ele via no setor Leste na direção da pista 15/33. “Olhei para fora e vi no horizonte um objeto, na forma de um triângulo acinzentado, com as bordas arredondadas”, conta o operador. Estavam com ele os auxiliares de serviços portuários Gilberto Martins dos Santos e Jorge Renato S. Dutra, que tentaram juntos identificar o objeto voador.

Westendorff também se comunicou com o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta II), em Curitiba, no Paraná, responsável por vigiar os céus do Sul do Brasil. A resposta recebida foi a de que não havia nenhum registro anormal nos radares, embora pudessem detectar a presença do monomotor.

O Ministério da Aeronáutica mantém uma investigação sigilosa sobre a nave avistada por Westendorff. Um sargento da Base Aérea de Canoas viajou a Pelotas para colher o depoimento do empresário e de funcionários da Infraero. O sargento pede para não ser identificado, mas passou uma tarde no aeroclube de Pelotas, ouviu os relatos e tomou conhecimento de um “desenho falado” de todo o episódio.

Sem dúvida, o Caso Westendorff é um dos relatos ufológicos com mais precisão de detalhes. Será que a testemunha viu mesmo uma nave? E será que esta nave tinha procedência extraterrestre?

Referência: Revista ISTOÉ

O Caso Crixás

Infelizmente nem só de coisas curiosas e estranhas vive a ufologia. Há situações de conflito direto entre humanos e humanóides, com a corta arrbentando do lado mais fraco. Este caso ilustra os ( vários) episódios de violência envolvendo humanos e aliens.

O Caso Crixás. Ocorrido no dia 13 de agosto de 1967, na cidade de Crixás, Goiás, o caso Crixás envolveu o capataz Inácio de Souza e sua esposa. Na ocasião, Inácio de Souza voltava para casa, na fazenda Santa Maria, cidade de Crixás, por volta das 16:00 horas. Ao chegar, foi calorosamente recebido por sua mulher do lado de fora. Ambos ainda não haviam percebido nada de anormal, até dirigirem o olhar para o pasto próximo da casa, que é cortado por uma pista de pouso de aviões. No fim da pista de pouso havia um estranho objeto que foi descrito por Inácio como sendo uma bacia invertida. Mas, num primeiro momento, Inácio e sua esposa realmente não deram muita atenção. O fato é que o proprietário da fazenda, o senhor Ibiracy de Moraes, era um fazendeiro realmente rico e poderia estar testando algum tipo de veículo novo para o Exército brasileiro – o que, se fosse o caso, não seria a primeira vez. Só para se ter uma idéia, entre os cargos que o senhor Ibiracy de Moraes já ocupou está a presidência do Banco do Brasil. Mas logo o casal percebeu que algo estranho estava acontecendo.

Mesmo estando a uma distância razoável, o casal percebeu que havia “três crianças” aparentemente nuas em volta do objeto. Isso teria indignado Inácio que classificava tal ato como uma afronta para a sua esposa. Inácio passou a caminhar diretamente na direção daquelas “crianças”. Mas, ao se aproximar um pouco mais, levou um susto: não estavam nuas, mas sim vestidas com uma roupa inteiriça colada no corpo e de cor amarela. Todas eram calvas e tinham uma aparência bastante incomum. Só que naquele momento as criaturas também perceberam o casal e um deles apontou diretamente para Inácio e sua esposa. Imediatamente, os três seres começaram a correr em suas direções, ficando claro que iriam abordá-los.

Quase que como uma ação reflexiva movida pelo terror, Inácio pegou sua espingarda, que sempre carregava no ombro, e se posicionou para disparar, mirando diretamente para a testa de uma das criaturas. Em seguida pediu para a sua mulher entrar correndo em casa e se trancar. Inácio dispara e acerta em cheio a cabeça de um dos seres que, segundo sua estimativa, deveria estar a um pouco mais de sessenta metros de distância. Inácio era conhecido na região por ser um atirador exímio. Ele acertava qualquer coisa com extrema precisão a uma distancia de até cem metros. O próprio proprietário da fazenda, o Sr. Ibiracy de Moraes, comentou que Inácio acertava uma pomba em pleno vôo a várias dezenas de metros de distância. No momento que Inácio atirou, o ser atingido caiu no chão. E naquele mesmo instante, o UFO disparou um raio de luz verde que atingiu o agricultor no ombro esquerdo. Inácio caiu imediatamente desacordado.

Desesperada com a cena do marido caído no chão, a esposa de Inácio, que acompanhava tudo pela janela da cozinha, saiu da casa correndo na direção do marido desmaiado. Ela pegou a arma e se colocou na frente de Inácio, para protegê-lo. Imediatamente apontou a arma na direção dos alienígenas. No entanto os seres haviam parado e pegado o que tinha sido atingido por Inácio, sendo que eles já estavam entrando no disco carregando o ser baleado. Logo em seguida, o disco começou a emitir um forte zumbido e ganhar altura lentamente em sentido vertical.

Inácio foi levado às pressas para o hospital. Ele passou a apresentar náuseas, formigamento e adormecimento por todo o corpo. Suas mãos sempre estavam trêmulas. Infelizmente, no dia 11 de outubro de 1967, cerca de cinqüenta e nove dias depois do incidente, Inácio veio a falecer. Ele tinha 41 anos e era pai de cinco filhos. No ombro esquerdo onde ele foi atingido tinha ficado uma espécie de mancha. Esta mancha evoluiu e acabou por se espalhar por todo o seu braço esquerdo e pescoço. No atestado de óbito, o médico colocou como causa da morte leucemia. Por recomendação do próprio Inácio ainda em vida, a sua esposa queimou todas as coisas dele após a sua morte, incluindo o colchão onde dormiam.

É interessante notar que nesse caso houve uma clara situação de confronto. No entanto, é difícil afirmar que se trate de uma hostilidade extraterrestre gratuita. Fica patente nesse caso que o raio que atingiu Inácio no ombro pode ter sido uma resposta imediata ao comportamento hostil de Inácio que, num primeiro momento, baleou uma das criaturas. Se por um lado é complicado tentar analisar o comportamento extraterrestre, por outro lado temos uma característica humana facilmente detectável: a nossa xenofobia.

Numa analogia rápida à questão, os primeiros contatos dos irmãos Villas Boas com os índios xavantes foi drástico e complicado, pois os xavantes atacaram o seu avião – um UFO para eles – com flechas, conforme foi fotografado e documentado na época. Infelizmente percebemos que o homem, independentemente de ser mais ou menos civilizado, tem uma tendência inata de atacar o desconhecido, pois teme tudo o que não compreende. Não é a toa que filmes como “Signs”, “Independece Day” e “Alien – O Oitavo passageiro” proporcionam grandes bilheterias, pois atingem nossas causas emotivas básicas, como o medo do desconhecido. E essa característica pode ser um desencadeador de confrontos com o fenômeno.

A situação de agressão do caso Crixás também nos leva a uma outra constatação: os extraterrestres parecem não hesitar em responder com hostilidade quando são atacados. Grande parte da casuística ufológica demonstra que o fenômeno é esquivo, evitando um maior contato. Mas em algumas situações extremas, parecem realmente dispostos a responder uma agressão de forma também violenta.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/10-casos-de-ufologia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/10-casos-de-ufologia/

A Natureza Pervertida dos Números

A vespa é um inseto curioso. Não pelo fato de apenas as fêmeas terem o ferrão. Não por serem parasitas, nem pelo fato de que a grande parte dos insetos que hoje são considerados como pragas e são responsáveis pela fome no mundo tem uma vespa como predador natural.

As vespas podem ser dividades em espécies solitárias ou sociais. As solitárias constróem seus ninhos com lama, geralmente em lugares protegidos, como paredes, quinas de telhados, etc. Se você observar aqueles canudinhos de lama numa parede pode apostar que foi feita por uma vespa solitária. Mais do que isso, quando bota os ovos, a mamãe vespa o faz em células individuais, e prende em cada célula lagartas vivas que se tornarão o bigmac de seus bebês assim que estes sairem dos ovos.

Agora preste atenção, pois é aqui que a mágica acontece, fique de olho nos copos e tente adivinhar debaixo de qual a bolinha se encontra.

Algumas espécies de vespas SEMPRE deixam 5 lagartas em cada célula. Outras 12 e outras ainda 24 lagartas por célula. A vespa da espécie genus Eumenus colocará 5 lagartas na célula se o ovo for de um macho – que é menor – e 10 se for a célula futuramente ocupada por uma fêmea.

Se você parou para pensar como uma vespa sabe se vai sair um macho ou uma fêmea de um ovo; ou de onde é que ela arranja seu estoque de lagartas, mesmo quando não é época de lagartas; ou como é que ela monta uma estrutura de barro que consiga segurar 24 lagartas vivas se contorcendo sem partir, parabéns! Você errou feio o lugar onde a bolinha está.

Essa habilidade de contar e dividir – ou multiplicar, dependendo de que ponta você olha – da vespa é um traço inato dela, não tem a ver nem com condicionamento, nem com aprendizado. Ele faz parte do circuito básico das funções vitais dela.

Agora, vespas não possuem dedos, mas contam bem até 24 como vimos. Já seres humanos temos dedos, normalmente 5 em cada mão e 5 em cada pé – se não forem nativos de Goiânia, abençoados pelo Césio 137. Sendo assim nossa capacidade de contar deve dar da 1000 a zero sobre a de um inseto, certo? Ou ao menos de 20 a 6, já que eles tem 6 patas, certo?

É obvio que não!

Somos mamíferos, temos um cérebro evoluído, lidamos com noções abstratas o tempo todo, inventamos a física nuclear.

De forma geral uma pessoa comum tem uma capacidade básica numérica de contar até 4. Até os dias de hoje existem grupos de pessoas que não usam os dedos para contar e tem dificuldade de contar grupos com quatro ou mais elementos. Provavelmente isso não se refere a pessoas que puderam ir a uma escola para se tornar engenheiros ou traficantes que crack, mas tenha em mente que no mundo de hoje, essas pessoas, e você, fazem parte de uma minoria gritante da raça humana; Um grande número de seres humanos tem um sistema quantitativo próprio que distingue o 1, o 2 e o Muito, que incluiria o 3, o 4 e qualquer valor acima disso. Várias sociedades tribais ainda tem esse costume hoje. Mas o homem civilizado passa por um processo de condicionamento e então de aprendizado [1] que nos possibilita usar um pouco melhor esse senso numérico que temos. Crianças humanas, por exemplo, quanto atingem a idade aproximada de 14 meses, quase sempre são capazes de notar que algo está faltando dentro de um grupo com o qual ela esteja familiarizada [2]. Nesta mesma idade as crianças já conseguem montar objetos de um grupo que foram separados, mas sua capacidade de perceber diferenças numéricas em pessoas ou objetos ao seu redor se torna muito limitada quando o número vai além de 4. Salamandras quando condicionadas conseguem distinguir números que vão até o 16, que ainda é um número inferior ao 24 da vespa.

Vamos, vamos, não tem porque ficar triste por insetos contarem melhor do que você ou seus filhos. Afinal evolutivamente eles chegaram um pouco antes de nós na terra; dizem que os artrópodes surgiram aproximadamente a 570.000.000 de anos, já os primeiros insetos de fato surgiram a 400.000.000 de anos – curiosamente junto com as primeiras sementes – e só 2.400.000/2.300.000 é que nós começamos a engatinhar para longe das árvores. Os circuitos das vespas estiveram lidando com contagem muitos e muitos e muitos milhões de anos a mais do que nós.

Mas, diferente das vespas e de outros animais, nós fomos além. Não apenas nos condicionamos a lidar com quantidades numéricas mais complexas como também desenvolvemos um processo de aprendizado que nos permitiu ir além da mera contagem e simples aritmética.

Para continuarmos com essa discussão unilateral vamos ter que fazer uma pausa para entrar no mundo da metafísica. Já vimos que muito tempo atrás o ser humano se envolveu com religião. De uma forma ou outra isso é uma abstração que vai além da simples abstração. A noção de tempo, por exemplo, é uma abstração por si só complicada, não apenas perceber o ciclo das coisas, mas dividir esse ciclo em partes menores e administráveis. Agora a religião lida com algo diferente. O tempo é algo impessoal. A religião trata com algo que tem uma vontade, com um algo abstrato com o qual podemos lidar e interagir, pedir e xingar. Ofereça um gamo para uma hora e ela continuará sendo uma hora. Ofereça um gamo para o Deus Caçador e você está garantindo que os gamos continuarão surgindo para que você não morra nem de fome nem de frio. Essa facilidade para a abstração talvez tenha sido responsável por outra ainda maior do que um simples conceito de horas, da atropomorfisação de constelações ou de Deuses ou Deusas, a abstração de números.

No grande clássico dos anos 1980, O Massacre da Serra Elétrica Parte II, existe um diálogo muito esclarecedor sobre alguns aspectos básicos, porém importantes, da vida. A família Sawyer está reunida no parque de diversões do diabo quando percebem que Bubba, também conhecido como Leatherface, não matou a Dj Stretch, Chop Top começa a cantar:

– Bubba tem uma namorada, bubba tem uma namorada!

Drayton Sawyer então chega junto de Leatherface e diz:

– Você tem uma escolha, rapaz: sexo ou a serra. Sexo é, bem… ninguém sabe. Mas a serra, a serra é a família.

Linda cena, meus olhos se enchem de lágrimas apenas de relembrar. Bem, vamos adaptar isso para nossa realidade imediata.

“Números são, bem… ninguém sabe.”

Números surgiram como a necessidade de dar nome a algo que ninguém sabe direito o que é. Pense em uma maçã. Onde está o número?

a) 1 maçã
b) 300 gramas
c) 1 macieira
d) Todas as anteriores
e) Nenhuma das anteriores

O número varia em relação a um mesmo objeto de acordo com a nossa atenção e de acordo com o interesse de nosso foco. Números são coisas mais sinistras do que deuses. Deuses ainda podem ter um comportamento imprevisível, mas mesmo assim é algo que conseguimos ver como funciona; agora pense, se todo número elevado a 0 é igual a 1, e 0 elevado a qualquer número é 0, quanto é 0 elevado a 0? Esqueça aquela conversa de Deus criar uma pedra tão grande que até Ele não consiga erguer. Números são piores.

Nosso pai dos burros afirma que um número é a “relação entre uma quantidade e outra quantidade, tomada como termo de comparação e chamada unidade.” Uhmmmm isso é merda. E vou mostrar o porque agora. Imagine uma imagem de Nossa Senhora pelada. Em seguida  imagine a imagem de um selo postal.

Como foi que você olhou para ela? Seu cérebro beteu uma foto do todo e você reparou em tudo ao mesmo tempo ou seus olhos foram pulando de detalhe em detalhe? Nossa, peitos! Meu Deus, é Maria? Nossa, Maria era depilada? Mas é mesmo ela? Olhe de novo, se quiser clicar na imagem para ver ela maior e mais viril, fique à vontade. Se você é um ser humano normal, com um sistema nervoso padrão de fábrica, você “escaneou” várias partes da imagem e foi compondo o todo na mente. Agora se você é MESMO um ser humano, e não um repolho, por exemplo, você fez esse escaneamento de forma aleatória sobre a superfície, não começou olhando no canto superior esquerdo e foi olhando linha por linha até em baixo.

A coisa fica assustadora quando passamos para a imagem logo abaixo da primeira. Ela é um selo. Mais precisamente um Treskilling Yellow. Independente deste selo impresso em 1857 ter sido vendido por mais dinheiro do que você jamais vai ver de uma só vez em sua vida[**] ele é uma imagem relativamente menor e com menos detalhes do que o quadro acima. Apesar de ser menor, ter menos detalhes e parecer muito mais sem graça, o seu processo de observação foi o mesmo. Sua atenção se concentra em pequenas partes aleatórias da imagem do selo e então você monta a imagem na sua mente.

E isso não é porque as duas tem detalhes ou palavras ou precisam fazer sentido. A sua mente executa o mesmo processo para observar um feijão. Duvida? Olha o feijão abaixo. Me diga, ou melhor, se diga se bateu o olho e já viu a imagem toda ou se seus olhos zanzaram de um lado para o outro montando ela?

Não importa o tamanho, detalhe ou complexidade do que olhamos, nossos olhos saem como loucos pulando de um lado para outro, dentro da área que contém aquilo que está sendo observado e a partir de suas partes isoladas vai construindo a figura, seria seguro dizer que mesmo no caso do feijão, você para de prestar atenção logo após um primeiro olhar de relance porque assim que junta alguns poucos dados aleatórios sobre ele já puxa a imagem mental “feijão” de seu arquivo platônico e julga que não precisa perder mais tempo reparando em cada detalhe de sua área. Para não ficar repetindo que isso ocorre de forma aleatória vamos dar nomes aos bois. Aquele é Arnaldo, aquele Jonas Jr, e este que discutimos se chama fractal. Nossos olhos percebem o mundo através de um padrão fractal de movimento, e através desse padrão eles montam as imagens do que vemos. Como nosso cérebro foi programado para poupar tempo e economizar energia, nós não precisamos nos deter em cada milímetro do que estamos observando para perceber o que é o objeto e então encerrar a observação. Não fomos criados para observar algo todo de uma vez ou então olhando em uma ponta e deslizando a visão calmamente para a outra criar a imagem como um scaner, assim como também não fomos criados para analisar cada micro irregularidade de uma forma, apenas o padrão geral e determinar a que grupo aquilo se encaixa. Nossa cabeça é uma zona, e nossa capacidade de observar o mundo não poderia ser diferente. Assim, quando você olha pela janela ou quando tenta ver a sujeira debaixo da unha, está esquadrinhando a área observada seguindo um padrão aleatório fractal para conseguir entender aquilo que os olhos mostram, e termina a observação assim que tem a quantidade mínima necessaria de informação para se criar um padrão.

Colocando o parágrafo acima em uma línguagem mais simples, cada vez que você olha para uma coisa, está iniciando uma brincadeira de Onde Está Wally [4], a diferença é que não está procurando um detalhe em especial, apenas tentando entender o que é a massa disforme para a qual está olhando para então lhe dar uma forma.

Pausa

Fim da pausa

Ufa.

Bem, se nossa mente não consegue trabalhar com um conceito de unidade visual, ou seja, um quadro, um selo, um feijão. Então como esperar que nosso cérebro trabalhe com esse mesmo conceito: “Isto é uma unidade!”

NÃO EXISTEM UNIDADES NA NATUREZA!!!

Os gregos já falavam de átomos, apenas para milênios depois descobrirem que átomos, os indivisíveis, era feitos por partes menores, então cada parte menor era feita por partes menores, e assim até chegarmos em algo que não pode ser mais compreendido como matéria, partícula ou nada assim. Simplesmente existe, mas desaparece.

Como então supor que números sirvam para representar uma unidade?

E se um número é uma relação entre uma unidade e outra unidade, assim que o primeiro macaco resolveu trocar bananas por alguma outra coisa, essa noção foi por ralo a baixo. Suponha que você planta batatas, e está cansado de batatas, você quer uma companheira. Então leva um saco de batatas para a aldeia vizinha, onde se criam cabras, e vai negociar. 1 cabra = 50 batatas, na promoção saem 2 cabras por 70 batatas. Na troca existe um padrão de “as batatas tem que pesar pelo menos tanto, ou ter tal tamanho” ou será que você podia ser malaco e levar apenas batatas pequenas? Da mesma forma, será que a cabra, ou cabras, seriam cabras suecas, versadas nas mais loucas artes de amor, ou seriam as cabras largadas que não produzem todo o leite que o dono delas gostaria que produzissem?

Qualquer começo de argumento nas linhas: “é por isso que se criaram regras de peso e medida” já começou errado.

O ser humano sempre procurou proporcionalidade, não para si, é claro, mas para os outros. Afinal se eu posso dar uma batata e voltar com cinco cabras para casa, ótimo para mim, mas se tenho que dar sete anos de colheita farta para conseguir dar uma ordenhadinha… nem fodendo!

Em 1901, um bando de franceses encontrou na mesopotâmia, mais precisamente no que hoje chamamos de Irã, um monolito preto com 2,25m metros de altura, mais fino na ponta do que na base, inscrito com 282 leis e um desenho do topo.

Se isso não é o maior dildo jamais descoberto no mundo eu não sei o que é. Os especialistas, cheios de pudor, ao invés de olhar qual o objetivo mais óbvio deste objeto resolveram se focar – seguindo um padrão fractal de observação – no que havia rabiscado ali. Depois de um tempo declararam que aquilo era um dos mais antigos conjuntos de leis escritas já encontrados, datado de 1700 a.C. e supostamente elaborado pelo rei Hamurabi. Esse código dividia a sociedade em três classes e destilava não apenas regras para uma vivência harmoniosa, mas também a punição para quem não seguisse as regras. Resumindo todo o texto existente no monolito Hamurabi declara, no epílogo que criou aquelas leis “para que o forte não prejudique o mais fraco, a fim de proteger as viúvas e os órfãos” e “para resolver todas as disputas e sanar quaisquer ofensas”. Quando olhamos para algumas das leis e penitências como por exemplo:

Art. 25 § 227 – “Se um construtor edificou uma casa para um Awilum, mas não reforçou seu trabalho, e a casa que construiu caiu e causou a morte do dono da casa, esse construtor será morto”.

e

§ 230 – “Se uma casa mal-construída causa a morte de um filho do dono da casa, então o filho do construtor será condenado à morte”.

Já vemos que por “evitar que um prejudique o outro e evitar ofensas dando bicotas em viúvas”, o código de leis buscava justamente a proporcionalidade. O famoso olho por olho dente por dente. E não existe a necessidade numérica para isso.

Assim, a idéia de que números tem a ver com proporcionalidade não está inteiramente correta. A vida em sociedade necessita, com ou sem matemática, de uma proporção. Se você pisa no meu pé eu tecnicamente não posso estuprar seus pais e matar seus filhos, por mais que eu tenha vontade, pois a minha resposta seria desproporcional à ofensa que você me cometeu.

Também quando falamos em comparar, não estamos falando de comparar qualidades intrinsecas de cada objeto. Se fôssemos parar para analisar um carro e ver o quanto ele vale, perderíamos um dia inteiro para ver cada pedaço dele e tirar da tabela do carro ideal aquilo que falta ou está danificado ou foi modificado para chegar a um valor – equivalente monetário dele. Por isso geralmente criamos um padrão médio do que vale um carro padrão e corremos o risco de pagar a mais ou a menos para não ter o trabalho de avaliar cada centímetro quadrado dele. O mesmo vale para qualquer coisa onde vá existir uma troca. Qualquer pessoa ajuizada sabe qua qualquer sistema de pesagem ou medição é falho, quanto mais rudimentar mais falho, e quando as pessoas começaram a negociar para uma coisa ser rudimentar ela tinha que ser muito, mas muito desenvolvida, nos padrões que temos hoje, e mesmo hoje nossas medições são estupidamente imperfeitas.

Se não temos como estabelecer o que é unidade, não temos meios reais de fato de falar em comparações e a relação entre quantidades tem mais a ver com a necessidade do que a uma qualidade intrinseca do que está sento quantitativado (o que você daria por um remédio que pode curar a leocemia de uma pessoa que você ama, e quanto daria por um remédio que pode curar a leocemia se você não conhece ninguém que sofre disso?), então o que nos resta sobre os números?

Curiosamente existe a história de um corvo que incomodava muita gente.

Um corvo construiu seu ninho na torre da residência de um agricultor. Incomodado com aquela situação o agricultor decide matá-lo. O corvo percebendo a presença de alguém saia da torre.

Então o agricultor usou da seguinte estratégia: duas pessoas entraram na residência e uma saiu, ficando a outra lá dentro e mesmo assim o corvo não retornou, pois percebeu que havia uma pessoa lá dentro. O procedimento foi repetido com três pessoas, ficando uma e saindo duas, com quatro, ficando uma e saindo três e o corvo não retornava, pois percebia que havia uma lá dentro.

Quando entraram cinco pessoas e saíram quatro, então o corvo retornou ao seu ninho e foi morto pelo agricultor por causa da sua percepção de contar até quatro.

Que lição podemos tirar deste conto, e dos outros exemplo contidos aqui?

  1. Nosso sistema neurológico de contagem chega num ponto em que não distingue muitos de 4, por exemplo; e isso se não o envenenarmos antes.
  2. Números, operações matemáticas e conjuntos não precisam ser aprendidos, nós viemos com eles como bônus de fábrica;
  3. A capacidade de contar pode estar muito mais relacionada a nossa capacidade de sobreviver do que imaginamos (eu não entro naquela caverna enquanto os 5 tigres que entraram não saírem);
  4. A abstração matemática não requer uma sofisticaçnao evolutiva grande. Os homens das cavernas brincavam com números primos já.
  5. A passagem dos números do universo abstrato para o concreto deve ter tido alguma ligação com o desenvolvimento da linguagem.

Isso pode soar como loucura, ou um chute completamente aleatório sobre o assunto, mas não tira a verdade da suposição. Um número na sua cabeça está preso e não possui comparação aos números na cabeça do macaco sentado na minha frente no metrô, assim como saber se o meu 3 é igual ao três dele? Uma vez que a linguagem se desenvolve e se estabelece como forma preferida de comunicação, no lugar da arte ou da telepatia, começamos a empurrar nossos símbolos goela abaixo dos outros que convivem com a gente e começamos a trabalhar com uma média, estabelecendo não mais significados pessoais, mas universais para algo, com isso definindo grupos padrões aos quais conceitos podem ser aplicados. Assim não existe uma batata padrão que possa ser usada de base para se trocar por uma pêra, e sim cria-se um grupo batata que possui uma média que pode ser relacionada, artificialmente com a média pêra criada.

Um exemplo claro disso é o exercício proposto logo abaixo.

EXERCÍCIO PROPOSTO LOGO ABAIXO

Pegue uma folha de papel e desenhe três fileiras de três pontos, ou se preferir três colunas de três pontos, como esta abaixo. Se tiver dificuldades para isso, aproveite quando ninguém estiver olhando, coloque uma folha em cima do monitor e use o meu desenho de cola e faça o seu rapidinho:

Agora, seu objetivo traçar quatro retas que toquem todos os pontos.

Regras:

Toda reta deve ser reta, nada de retas curvas.

Uma reta deve obrigatoriamente ter início onde a última terminou.

As retas podem se cruzar quantas vezes você quiser. Pode passar mais de uma reta por um mesmo ponto.

Você pode fazer o exercício sem as roupas se quiser.

As quatro devem passar por cima de todos os pontos em cheio, não de ladinho, não de quininha e nem raspando.

Se não entendeu eu vou desenhar para você:

É claro que no exemplo falta um ponto. Mas você é livre para usar sua intuição de macaco para se safar dessa, a resposta é simples, as regras são simples. Pense numa vespa capaz de dividir e multiplicar e mãos à obra.

Notas:

[1] Abracadabra

[2] Pintinhos, como vimos aqui, conseguem distinguir isso muito mais cedo na vida.

[3] O selo postal mais caro do mundo, o sueco “Treskilling Yellow”, foi vendido neste sábado (22) em Genebra a um consórcio internacional que não revelou sua identidade nem o montante da transação.

“Os integrantes do consórcio fizeram a compra considerando que se trata de um sólido investimento em tempos de crise”, destaca a casa de leilões David Feldman, precisando que o selo é o mais caro do mundo.

O selo já havia sido vendido em 1984, 1990 e 1996, quando chegou ao preço de 2,875 milhões de francos suíços (3,61 milhões de euros).

O “Treskilling Yellow” da Suécia foi descoberto por acaso, em 1885, por um jovem sueco de 14 anos que descolava selos de um velho álbum para tentar revendê-los, esperando engrossar um pouco sua mesada. O sueco Treskilling – habitualmente verde – foi impresso por erro em 1857.

Pertenceu a diferentes colecionadores, assim como a um aristocrata alemão que vivia na França e a um magnata belga.

[4] Onde Está Wally? é uma série de livros ilustrados de caráter infanto-juvenil criada pelo ilustrador britânico Martin Handford. No livro o leitor encontra ilustrações que ocupam duas páginas inteiras, nas quais em algum lugar está desenhado Wally, personagem central da série, e alguns de seus objetos. Wally sempre veste-se com uma camisa listrada em vermelho e branco, e com um gorro de mesmas cores. Também possui uma bengala e usa óculos. Ele geralmente perde seus pertences, como livros, equipamentos de acampamento ou seus sapatos, e o seu objetivo é encontrá-los.

Caso esteja sentindo que o tédio no escritório o domina, largue tudo por um objetivo mais nobre e  realize um estudo sobre os padrões fractais dos olhos ao tentar observar uma imagem aqui – lembre-se, você está fazendo isso em noma da ciência.

Por LöN Plo

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/a-natureza-pervertida-dos-numeros/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/a-natureza-pervertida-dos-numeros/

A Cura Sexual Através da Magia Sexual

Por Christopher Penczak

Sexo. É um dos mistérios espirituais. Não se pode realmente explicá-lo. Você tem que vivenciá-lo diretamente, como todos os mistérios de expansão de consciência das tradições orientais e ocidentais. Tantas histórias de criação têm o universo nascendo através do amor do casal divino. Mas ao contrário dos estados profundos da meditação iogue e dos rituais cabalísticos em línguas secretas, a maioria das pessoas comuns têm a chance de explorar os mistérios do sexo, e encontrar seu poder curativo e transformador. Todos nós o buscamos. Embora seja um impulso primordial, em um nível superior, também buscamos experiências sexuais para explorar os mistérios da divindade.

Através da atividade sexual, estimulamos os centros de energia do corpo e podemos experimentar uma profunda sensação de consciência alterada. Você encontra a sexualidade na yoga tântrica oriental e nas práticas taoístas, na magia cerimonial ocidental e no Grande Rito Wiccano. Você vê dicas de uma tradição de magia sexual nos mistérios de Ísis e Osíris, o Canto de Salomão, e, alguns especulariam, os mistérios gnósticos de Cristo e Maria Madalena. A ideia de união e cura através da sexualidade é universal.

Mesmo que não saibamos nada sobre energia, meditação, ou ritual, ativamos a corrente sexual e experimentamos estes estados de ser. O sexo é muito poderoso e por causa disso, muitas emoções, sentimentos e expectativas se envolvem em nossa sexualidade, tornando-a uma de nossas maiores forças e alegrias, mas também criando alguns de nossos maiores problemas. Ter uma compreensão dos componentes esotéricos da sexualidade pode influenciar profundamente nosso desenvolvimento espiritual, cura e atitudes em relação à sexualidade, transformando-nos.

De todas as tradições da sexualidade sagrada, a palavra mais fortemente ligada à prática é tantra. O tantra é um sistema esotérico oriental, enraizado nas religiões da Índia, e inclui uma variedade de práticas, incluindo aquelas associadas à sexualidade sagrada, mas seria negligente pensar que o tantra é apenas sobre sexualidade. Alguns traduzem a palavra tantra para significar ou “tear” ou “texto”, referindo-se a uma tradição maior. Embora grande parte desta tradição tenha tradicionalmente permanecido escondida de olhos abertos, ela felizmente veio à tona e foi disponibilizada ao público. Qualquer pessoa que deseje encontrar mais informações sobre a sexualidade espiritual pode fazê-lo com bastante facilidade.

O mais famoso destes manuais sexuais é o amplamente conhecido Kama Sutra. Um texto da Índia, a mais famosa tradução de Sir Richard Francis Burton apareceu em 1883. O Kama Sutra causou muita agitação por causa de seus diagramas que detalham várias posições sexuais, mas em geral, a maioria do livro não é sobre sexo, mas cobre tópicos de relacionamentos, casamento e como ser um bom cidadão, no contexto da cultura indiana na época em que foi escrito.

Os místicos modernos levaram seus próprios empreendimentos para a sexualidade sagrada e escreveram sobre suas experiências e ensinamentos. Eles estão se baseando em fontes tântricas tradicionais, assim como as da alquimia taoísta quando se aproximam dela a partir de uma visão oriental. As tradições mágicas ocidentais analisam o papel da alquimia ocidental, e a imagem do casamento divino, em suas práticas rituais. Elas se expandiram sobre as explorações do moderno renascimento ocultista que combinou teorias e ensinamentos tanto do Oriente como do Ocidente.

Um dos clássicos modernos a partir do qual se pode olhar a magia sexual de uma perspectiva ocidental é a Magia Sexual Moderna de Donald Michael Kraig. Como seu predecessor, Modern Magick, este texto fornece um manual minucioso e detalhado nas artes da magia sexual ocidental. Kraig traça a história a partir de uma variedade de tradições e inovadores, e cobre a prática real da magia sexual usando terminologia e um estilo que são fáceis de entender. Kraig tem uma extensa preparação para quem procura explorar a magia sexual. Uma de suas sugestões envolve o uso do Exercício de Kegel:

Este exercício, cujo nome vem de seu inventor, tonifica os músculos usados durante o ato sexual. Uma maneira fácil de aprender este exercício é parar o fluxo quando você urina. Permitir que o fluxo seja retomado e interrompido novamente. É esta contração e relaxamento que compreende o exercício. Certifique-se de que você não está apenas contraindo o esfíncter anal. Repita o exercício várias vezes. Você pode praticar este exercício em quase qualquer momento e em qualquer lugar. Trabalhe até fazer isso pelo menos cem vezes por dia.

– Modern Sex Magick, p. 72.

Os exercícios de Kegel podem ajudar uma mulher a ser orgástica, e também ajudar com alguns problemas em torno do fluxo urinário e incontinência. A construção deste músculo ajuda a preparar um para os rituais de magia sexual.

O contato sexual com entidades espirituais nos coloca em contato com a divindade aparentemente intangível, mas descobrimos através da sexualidade que a divindade também está dentro dela. Através de experiências sexuais individuais, duplas ou grupais, encontramos o divino dentro dos participantes, vendo os deuses dentro da humanidade, e encontramos nossa própria centelha divina interior. Ao encontrar esta centelha, temos epifanias e revelações espirituais que transformam nossas vidas.

Para uma visão mais ortodoxa sobre o assunto a partir de uma perspectiva taoísta oriental, temos a Yoga Taoísta & Energia Sexual de Eric Steven Yudelove. Este é um curso de 14 semanas apresentado pelo autor para incorporar a yoga taoísta, Chi Kung, alquimia taoísta e kung fu sexual em um sistema transformacional. Os iniciantes e os experientes nestas artes serão beneficiados com o livro.

O primeiro exercício na Semana Um do curso é chamado de Respiração Capilar. Envolve a retirada de energia excedente para dentro do corpo. O cabelo é um depósito de energia excedente.

Isto pode não parecer um exercício sexual, mas muitos dos exercícios preliminares de uma tradição devem ser dominados para se passar para as práticas mais exóticas. As tradições orientais estão focalizadas nos centros energéticos e refinando a energia que passa por esses centros, na vida diária e durante a interação sexual. O poder da energia sexual que passa por esses caminhos nos cura em vários níveis, aumentando nossa vitalidade, ajudando o sistema imunológico, curando doenças e, finalmente, expandindo a consciência.

Aqueles que procuram instruções mais diretas nas tradições tântricas podem se beneficiar do CD Yoga Nidra: Meditação Tântrica e Visualização pelo Dr. John Mumford e Jasmine Riddle. O Dr. Mumford é um renomado especialista em artes orientais e instrutor experiente em seus mistérios. Yoga Nidra é uma técnica de desenvolvimento que lhe permite progredir para um estado refinado de sono psíquico. Os elementos gêmeos que a yoga tântrica utiliza são a sensação e a visualização do corpo. Dr. Mumford e Jasmine Riddle guiam você através de estágios de desenvolvimento, movendo sua consciência através de diferentes partes de seu corpo. O componente de visualização permite que você entre em contato com seus centros psíquicos, ou chakras. Como exemplo, o Enigma nos guia através da sintonia sensacional em cada mão, concentrando-se individualmente em cada dedo. Nós nos movemos pela ponta, o prego, a primeira articulação seguida do nó, a segunda articulação seguida do nó, a terceira articulação seguida do nó, e terminamos com a almofada na palma de sua mão.

Depois de guiá-lo pelos centros de consciência de seu corpo com consciência sensacional, as visualizações avançam em direção aos diferentes sentidos. Luz, calor, frio e alegria são sentidos, seguidos por exercícios de chakra que se movem da base para a coroa e para trás novamente. Acompanhada de música meditativa, a voz suave de Jasmine Riddle dá uma sensação relaxante que o acompanhará ao longo de sua viagem. Em última análise, você pode alcançar um estado de movimento consciente através das sensações corporais usando exercícios de visualização que culminam em uma perspectiva iluminada.

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Fonte: https://www.llewellyn.com/journal/article/1037

COPYRIGHT (2006) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-cura-sexual-atraves-da-magia-sexual/

Hermes, Benedito e a Cadeira

Agora que sou um colunista neste Portal, estive pensando no que seria o conceito principal que procuraria defender e elaborar aqui. Como tendo a ver a espiritualidade de forma ecumênica, acredito que essa “conciliação de pensamentos”, esse ponto de encontro de diversas doutrinas e filosofias diferentes, parece ser uma causa nobre a ser buscada. Mesmo ateus e agnósticos, quando seres de certa espiritualidade, hão de concordar que o Cosmos é um lugar sagrado, que a Natureza é divina, e nesse caso não é necessário erguer um “deus barreira” entre nós… Talvez, o verdadeiro Deus esteja exatamente no entendimento, no movimento de um em direção ao outro, enfim, no amor possível entre todos nós – os seres da Criação.

Bem, e este diálogo é em homenagem a esta ideia:

(Hermes) Vê aquela cadeira, Benedito?

(Benedito) Claro, um belo exemplar talhado em madeira nobre.

(H.) Você sabe quem a talhou?

(B.) Certamente algum carpinteiro, mas não o conheci…

(H.) Do que necessitou para fazer esta obra?

(B.) Bem, além da madeira, provavelmente as ferramentas para o entalhe.

(H.) Ignoremos as ferramentas, você concordaria comigo em que o material principal foi à própria madeira, certo? Pois bem, imaginemos este nobre carpinteiro prestes a executar o entalhe, o que diria se no seu ateliê não existisse nenhuma madeira?

(B.) Bem, que ele certamente precisaria ir a alguma madeireira para comprar mais madeira…

(H.) Mas e se não existissem madeireiras?

(B.) Como assim? Nesse caso teria ele mesmo que ir derrubar árvores e extrair a madeira.

(H.) E se não existissem árvores? E se não existisse nenhuma madeira no mundo?

(B.) Porque suas conversas sempre ficam tão estranhas?

(H.) Isso não importa agora, o que importa é que você pense no que lhe falei…

(B.) Bem, supondo que não existissem árvores, nós tampouco existiríamos, e esse carpinteiro subitamente se torna alguma espécie de deus, ao meu entender.

(H.) Mas pensemos na cadeira: mesmo que não houvesse madeira nenhuma, ainda assim ela já estaria pronta, concorda?

(B.) Pronta aonde?

(H.) Na mente do carpinteiro. Ou você acredita que um carpinteiro possa dar sequer o primeiro entalhe nalgum bloco de madeira antes de ter a cadeira pronta em sua mente?

(B.) Compreendo. De fato: mesmo que não existisse madeira nenhuma no ateliê, o carpinteiro já poderia ter a cadeira pronta na própria mente, apenas esperando a madeira para construí-la.

(H.) Mas se não existisse madeira nenhuma, ela antes teria de ser inventada…

(B.) Aonde quer chegar?

(H.) Ora, e não é óbvio? Para se construir uma cadeira à partir do nada, antes é necessário inventar todo o Cosmos!

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Posts relacionados a este tema, no meu blog:

» Como criar um universo (trecho do Projeto Ouroboros)

» Reflexões sobre o nada (em 3 partes)

» Maldito Benedito (em 2 partes)

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Crédito da imagem: Photo2217

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph). Também faz parte do Projeto Mayhem.

» Ver todos os posts da coluna Textos para Reflexão no TdC

#ecumenismo #Espiritualidade #hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermes-benedito-e-a-cadeira

‘Técnicas para sair do corpo

Luiz V:.

O desdobramento astral, projeção astral ou simplesmente a experiência fora do corpo, e um assunto que qualquer estudante das artes ocultas deveria dominar. Este é um manual concreto e objetivo destinado a estas pessoas interessadas em viver experiências fora do seu corpo físico.

Índice

Notas Preliminares à Projeção Astral

A Barreira do Medo

Relaxamento

Estado de Vibração

Controle das Vibrações

O Processo de Separação

Projeção Astral,

Sonho Lúcido

Apoio Tecnológico, Idoser

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/tecnicas-para-sair-do-corpo/

A Linguagem Angelical: entrevista com Aaron Leitch

Uma entrevista de Aaron Leitch (AL) concedida à Llewellyn (LL):

Llewellyn (LL): Tenho em minhas mãos dois lindos livros de capa dura – The Angelical Language , volume um e volume dois. Eles parecem incríveis! Primeiro, vamos falar sobre o volume um: A História Completa e Mitos da Língua dos Anjos . O que este livro cobre, e quais partes você está mais animado em termos de ouvir o que a comunidade mágica tem a dizer sobre o que você apresentou aqui?

Aaron Leitch (AL): Sim, o design dos livros é uma verdadeira obra de arte! Vocês da Llewellyn realmente se superaram desta vez, e estou muito orgulhoso de ver este trabalho apresentado com tanta graça digna!

O primeiro volume começa com uma breve visão geral de três tradições ocultas que influenciaram mais diretamente a linguagem – e como ela é usada – nos diários de John Dee. Uma é a prática judaica de “Contar o Ômer” (envolvendo os 50 Portais Cabalísticos do Entendimento). Em segundo lugar estão os vários textos bíblicos apócrifos conhecidos como os Livros de Enoque. Finalmente, incluo também uma breve exploração do misterioso grimório chamado “Livro de Soyga”. Nenhum deste material é exaustivo – eu só queria dar ao leitor uma base histórica básica antes de lançar o material de Dee. O resto do livro se concentra exclusivamente na Linguagem Angélica registrada nos diários e no grimório pessoal de Dee. (A maioria das pessoas conhece isso como a “Língua Enochiana”, embora nunca tenha sido chamada assim por Dee. )

O que mais me empolga é que muitas das informações apresentadas neste livro nunca foram apresentadas antes. Por exemplo, o capítulo dois é dedicado inteiramente ao próprio Livro de Enoque de John Dee – também conhecido como o Livro de Loagaeth (Discurso de Deus). Não é um capítulo curto, mas explora o Livro de Loagaeth em detalhes exaustivos: sua recepção por Dee e Kelley, o que os Anjos tinham a dizer sobre ele, instruções sobre como construí-lo e muito mais. Nenhum outro livro sobre o material de Dee contém tanta informação sobre Loagaeth – e isso é uma pena porque Loagaeth é o coração e a alma de todo o sistema de magia enoquiana.

Outros capítulos cobrem as 48 Chaves Angélicas e seu relacionamento adequado com o Livro de Loagaeth , instruções sobre como usar as Chaves com Loagaeth , o Alfabeto Angélico e como usá-lo para magia angelical e talismânica e uma exploração das mitologias bíblicas por trás o idioma. Para completar, até coloquei um “Saltério Angélico”, que contém as 48 Chaves e outras invocações com traduções e um guia de pronúncia fonética. (É ótimo para uso em cerimônia prática. )

A maior parte do material no Volume Um raramente é mencionado ( se é que é ) na maioria dos livros sobre magia enoquiana. Tanto os iniciantes quanto os adeptos da Enochiana aprenderão aqui coisas que nunca encontraram antes. Isso vai gerar excitação ou controvérsia – qualquer um é legal comigo!

LL: O volume dois é Um Léxico Enciclopédico da Língua dos Anjos . Isso é absolutamente fascinante para mim, pois sou um grande nerd de idiomas. O que deu em você para cruzar todas essas palavras, procurar palavras-raiz e significados alternativos, para fornecer um dicionário de inglês para o angelical? Você é um Trekkie, isto é, um fã de Star Trek? (Estou brincando!)

AL: Este projeto nasceu um dia quando li minha cópia de Stranger in a Strange Land de Robert Heinlein. Essa história é sobre um homem que se perdeu em um planeta alienígena quando criança e foi criado pelos nativos de lá. Quando ele foi descoberto mais tarde e trazido de volta à Terra, eles aprenderam algo que enviou o mundo inteiro ao caos: este homem poderia realizar milagres à vontade. Ele não considerou estranho ou mesmo mágico. Para ele, era como escovar os dentes ou calçar os sapatos: depois que você aprende, é só fazer. Quando as pessoas lhe pediam para ensiná-las a fazê-lo, ele percebeu que não havia palavras humanas para o que ele precisava dizer. Se você quisesse aprender a habilidade, primeiro teria que aprender a língua alienígena. Ele montou uma escola para ensinar essa língua e a chamou de Igreja de Todos os Mundos (soa familiar?).

Na época em que li isso, eu estava trabalhando muito com os Anjos Enochianos. E, enquanto lia o livro naquele dia , eles me contataram com uma mensagem: “Aprenda as partes de nossa Língua que já lhe demos (plural), e vamos te ensinar mais”. Isso fez todo o sentido para mim. Eu tinha visto dezenas de pessoas por aí tentando aprender e até expandir a “Língua Enoquiana” sem a menor referência aos registros de Dee. Como um Anjo poderia levar esse tipo de esforço a sério?

Então, eu me propus a lidar com os diários de Dee e descobrir cada pequeno fragmento de informação que pudesse ser encontrado lá sobre a Língua, a maioria das quais não estava disponível em nenhum livro publicado sobre a magia de Dee. Eu também precisava de um conjunto corrigido das 48 Chaves (também não disponíveis), com referências cruzadas completas, para que eu pudesse montar o Lexicon. Tomado de uma só vez, pretendia ser meu material de estudo pessoal para que eu pudesse aprender a ler e até pensar no idioma.

Como resultado, não me tornei totalmente fluente na língua e certamente não penso nela! Pelo menos ainda não! Mas a promessa feita a mim pelos Anjos se manteve verdadeira. Ao fazer este trabalho, descobri palavras angélicas, elementos- palavra e palavras-raiz – juntamente com vários pontos de gramática, sintaxe e pronúncia que ninguém sabia que existiam. Sem mencionar o fato de que a seção English-to-Angelical do Lexicon é mais abrangente do que qualquer tentativa anterior, e pode ser expandida ainda mais.

Ah, e só para constar — eu também sou um amante da linguística. E eu amo Jornada nas Estrelas!

LL: Como você acha que o Lexicon ajudará outros magos por aí?

AL: Magos praticantes gostam de criar novas invocações Enochianas para sua própria magia. No entanto, nunca houve um recurso para eles traduzirem seus textos adequadamente . Por exemplo, você sabia que Enoquiano [diferente do inglês] tem duas palavras diferentes para o singular “você” e o plural “vocês”? A maioria dos magos enoquianos não sabe disso, mas eu acho que seria uma questão de alguma importância se você estivesse invocando anjos ou espíritos na língua. (Eu posso chamar “você” da Esfera de Júpiter , ou posso chamar “todos vocês” da Esfera de Júpiter – grande diferença!) usá-lo corretamente, é o que leva as pessoas a pensar que a magia enoquiana é de alguma forma excessivamente perigosa ou mesmo demoníaca.

Além disso, e tão importante quanto, analisei e decifrei as notas de pronúncia de Dee para as palavras e criei uma nova chave de pronúncia fonética para facilitar a leitura das palavras. Outros guias de pronúncia para o enoquiano têm sido alfabéticos em vez de fonéticos – o que significa que eles mostram como qualquer letra pode soar, mas não mostram como as letras soam quando combinadas em sílabas. Por causa disso e da obscuridade das próprias notações de Dee, surgiu um mito entre os magos enoquianos de que as palavras não têm pronúncias adequadas, e você pode simplesmente inventar enquanto lê. Na verdade, as palavras têm pronúncias adequadas, e você as verá no meu Léxico pela primeira vez em qualquer lugar.

LL: Em ambos os volumes você se concentra apenas nas palavras que foram transmitidas pelos anjos ao Dr. John Dee e Edward Kelley. Você pode explicar um pouco do seu raciocínio por trás da não inclusão de termos Crowleyanos e outros retardatários na linguagem Angélica?

AL: Assim como mencionei anteriormente, aqueles que seguiram Dee tentaram trabalhar com seu sistema sem gastar muito tempo com seus diários. Isso é ainda mais verdadeiro no que diz respeito à Linguagem Angélica. Nem a Golden Dawn, Aleister Crowley, a Aurum Solis nem muitos outros tiveram tempo para pesquisar exaustivamente os registros de Dee, reunir todas as informações possíveis sobre a Língua e dar uma olhada no quadro maior que teria resultado. Eles não se preocuparam com o que os Anjos tinham a dizer sobre isso, ou sobre como usá-lo corretamente. Eles apenas pegaram as 48 invocações (pelo menos pelo valor nominal!) e correram em suas próprias direções com elas.

De fato, muito trabalho foi feito para propositadamente arrancar a Língua (e a magia enoquiana em geral) de suas raízes na magia dos Anjos da Renascença. Eu queria voltar às raízes da Língua, cortar todas as inclusões posteriores semi-compreendidas dos outros, e fazer o trabalho pesado com os discos de Dee que deveria ter sido feito centenas de anos atrás. Só assim poderemos avançar com a Língua com alguma certeza.

LL: Gosto de me gabar de estar trabalhando nesses livros desde dezembro de 2006, quando seu manuscrito apareceu pela primeira vez na minha mesa em uma caixa enorme . (Ainda tenho aquela caixa – tão pesada que só a postagem custou US$ 15,25!) Mas quanto tempo você levou apenas para chegar a essa fase de rascunho? Há quanto tempo você estava pesquisando e escrevendo antes de imprimi-lo e enviá-lo para Llewellyn?

AL: Dez MUITO longos anos! Bem, na verdade eu tirei dois anos para escrever Segredos dos Grimórios Mágicos! Mas então estava de volta ao Lexicon. Eu tive a ideia para o projeto em 1997, e enviei para você no final de 2006. Adicione o tempo que levou para o processo de publicação, foi um projeto de 13 anos ! E isso, é claro, não inclui meus anos de estudos e práticas enoquianas que levaram à decisão de escrever o Léxico.

LL: Este livro passou por muitas reuniões de visão, reuniões de arte, relatórios de leitores externos e muito mais antes de nos contentarmos em enviá-lo ao nosso departamento de produção – daí a longa linha do tempo deste livro. Esse processo foi frustrante para você ou foi sempre agradável?

AL: Ah não, realmente não foi muito frustrante. Segredos dos Grimórios Mágicos , com suas dezenas de peças de arte e gravuras medievais, foi uma prova muito maior! Este projeto correu muito bem – só foi devagar devido à atenção especializada que obviamente recebeu. Isso sempre me fez sentir bem com esse processo, pois realmente parecia que vocês estavam levando o projeto tão a sério, prestando atenção em cada pequeno detalhe, querendo que isso fosse perfeito.

Enquanto isso, eu realmente não poderia chamar de “agradável” porque era muito trabalho duro! Especialmente considerando o tamanho deste projeto (mais de 900 páginas entre os dois volumes!), as notas de edição continuaram para sempre! Mas cada nota valeu a pena, e o livro resultante é infinitamente melhor do que o que enviei. (Meu editor, Brett, tinha um talento incrível para descobrir meus hábitos de escrita mais irritantes. Quanto ao Angelical, ele confiou em mim para editar meu próprio trabalho, já que ele não pode lê-lo sozinho. Então, confiei em suas habilidades de edição em troca. e funcionou lindamente.)

LL: A pergunta de um milhão de dólares: você acredita que Angelical é uma linguagem real, transmitida por seres celestiais, ou você acha que foi criada por Kelley e Dee, o que seria surpreendente por si só? Ou há uma terceira explicação?

AL: Como de costume , a verdade está no meio-termo. Eu certamente acredito em Inteligências Angélicas, e meu próprio trabalho com elas indicou que Angelical é de fato uma poderosa Linguagem Celestial. Isso não significa que outras pessoas, seguindo outras tradições, possam não obter resultados diferentes.

Enquanto isso, é inegável que as próprias mentes de Dee e Kelley desempenharam um papel no que ele recebeu de seus anjos. Afinal, a palavra angelical para “Reino” é Londoh, e a palavra para “Iniquidade” é Madrid. E você não saberia que o Reino Unido (capital: Londres) estava em guerra com a Espanha (capital: Madrid) na época em que Dee escrevia seus diários?! Nenhuma informação canalizada é encontrada sem a influência da mente que a canalizou.

No entanto, mesmo que o Livro de Loagaeth fosse decifrado e encontrado nada mais do que segredos políticos codificados ou algo assim, não acho que isso impediria os místicos de todo o mundo de usar o Angelical de Dee em sua própria magia e misticismo.

LL: Uma última pergunta – o que os anjos reservam para você em seguida?

AL: Os Anjos já me fizeram trabalhar duro no próximo projeto por vários anos! Desde que Georg Dehn finalmente nos deu uma tradução em inglês do original alemão “Livro de Abramelin”, tenho trabalhado na correção, decifração e tradução da infame palavra quadrada Talismãs encontrada no final do livro. Assim que estiver completo (ou, pelo menos, o mais completo possível) , adicionarei alguma discussão sobre o próprio Rito de Abramelin, incluindo guias aprofundados para aspirantes que desejam realizar a iniciação e colocar a magia de Abramelin em uso prático.

Depois disso, pretendo completar um livro que enfoca as ferramentas mágicas enoquianas, móveis e os vários sistemas de magia que os utilizam. Parte dele será no mesmo estilo de The Angelical Language Volume One , na medida em que explorará os próprios diários de Dee (e de mais ninguém) sobre a magia. Então, parcialmente será um grimório explicando como funciona o sistema. Você poderia dizer que será uma versão enoquiana de Secrets of the Magickal Grimoires .

Fonte: The Angelical Language: An Interview with Aaron Leitch

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-linguagem-angelical-entrevista-com-aaron-leitch/