Baladeva Vidyabhusana

Srila Baladeva Vidyabhusana [Sri Govinda Dasa] apareceu no século XV perto de Remuna, Orissa. Na sua juventude, dominou gramática, poesia sânscrita e lógica. Após cuidadosamente estudar os comentários de Shankara [encarnação de Shiva] e Madhva, foi iniciado na sucessão discipular Tattva-vadi do mestre Sripad Madhvacharya. Baladeva Vidyabhusana se tornou um conquistador de todos oponentes [dig vijaya pandit] e começou a visitar os locais santos. Onde quer que fosse derrotava os sábios, estudiosos e renunciados [sannyasis] locais.

Em Jagannatha Puri, aprendeu a superexcelente filosofia de Sri Krishna Caitanya através do mestre Sri Radha-Damodara Goswami, e foi iniciado após converter-se a religião dos devotos de Deus [Gaudiya Vaisnavismo]. Em Vrindavana, estudou a coleção Srimad Bhagavatam [o Purana imaculado] com o mestre Srila Visvanatha Chakravarti Thakura e adorou a forma de Deus no altar Shyamasundara e Sua maior devota Radha [Radha-Shyamasundara].

Em 1706 D.C. Visvanatha Chakravarti Thakura enviou-o para perto de Jaipur, Rajasthan [Gulta] para manter a credibilidade do movimento de Mahaprabhu. Um grupo de devotos de Deus locais [Ramanandis] estavam asseverando que os devotos de Deus [Vaisnavas] Bengalis não tinham direito de adorar a forma de Deus no altar Govindaji porque não tinham nenhum comentário sobre o Vedanta-sutra.

O próprio Deus o Senhor Govindaji, revelou diretamente um comentário dos devotos de Deus [Vaisnava] sobre o Vedanta [Govinda-bhasya] a Baladeva Vidyabhusana. Usando-o, Baladeva estabeleceu solidamente a religião dos devotos de Deus [Gaudiya Vaisnavismo] como uma filosofia independente. Ele também restabeleceu os devotos de Deus [Vaisnavas] Bengalis no serviço a forma de Deus Govindaji em Jaipura. O comentário dos devotos sobre o Vedanta chamado Govinda bhasya é o único comentário de serviço prático, transcendental e amoroso a Deus [bhakti] sobre o Vedanta-sutra.

Sri Baladeva Vidyabhusana era, o mais elevado devoto totalmente renunciado do Senhor Krishna [niskincana-parama bhagavata]. Seus mais de vinte e quatro livros e comentários tem auxiliado milhares de devotos de Deus [Vaisnavas] a compreender a sublime filosofia da consciência de Krishna e os escritos íntimos do seis principais renunciados autorrealizados de Vrndavana [Goswamis]. Como ele era isento de falso prestígio, nunca escreveu sobre seu nascimento, pais, linhagem, vida pessoal. Segundo Sri Bhaktivinoda Thakura em Navadvipa-dhama Mahatmyam, nos passatempos eternos de Deus [Caitanya-lila] Baladeva Vidyabhusana e Sri Gopinatha Acharya, o cunhado de Sri Sarvabauma Bhattacharya. Em Vraja ele serve como a vaqueirinha Ratnavali Devi, a serva eterna de Sri Radha.

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Fonte: Hare Krishna. Baladeva Vidyabhusana. Biografia Vaishnava, 2019. Disponível em:  <https://biografia-vaishnava.blogspot.com/2019/06/baladeva-vidyabhusana.html>. Acesso em: 27 de fevereiro de 2022.

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Texto revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/baladeva-vidyabhusana/

Alice Bailey

Alice LaTrobe Bateman  nasceu em Manchester,  Inglaterra no dia 16 de junho de 1880, mudando para os Estados Unidos logo no início da fase adulta.

Recebeu educação cristã e casou-se com um anglicano, mas após o divórcio abandonou essa religião para tornar-se teosofista. Em pouco tempo tornou-se uma celebrada autora de misticismo, desencadeando um movimento esotérico internacional.

Segundo Alice contou, no outono de 1919 foi contatada telepaticamente pelo mestre tibetano Djwhal Khul, considerado pelos membros da Sociedade Teosófica o guia espiritual de toda a humanidade e desse encontro surgiram os 24 livros, escritos entre 1919 a 1949.

Os escritos de Bailey incluem uma exposição detalhada dos “sete raios” que são apresentados como as energias fundamentais que estão por trás e existem em todas as manifestações. Os sete raios são vistos como as forças criativas básicas do universo e emanações da Divindade que fundamentam a evolução de todas as coisas. Os raios são descritos como relacionados à psicologia humana, ao destino das nações, bem como aos planetas e estrelas do céu. O conceito dos sete raios pode ser encontrado nas obras teosóficas.

Suas obras causaram divisão dentro do movimento teosofico, surgindo ramificações como a Escola Arcana e o Movimento Internacional da Boa Vontade para seguir e difundir suas ideias. Uma das principais polêmicas diziam a respeito da diversidade racial humana. Segundo a autora cada qual com suas cargas cármicas com consequências na humanidade atual.

A Grande Invocação

Particularmente influente foi sua Grande Invocação recebida em 1937. Segundo ela “Esta nova Invocação, se for amplamente distribuída, pode ser para a nova religião mundial que virá como Pai Nosso foi para o Cristianismo e o Salmo 23 foi para o o povo Judeu”

“Do ponto de luz na mente de Deus

Que flua a luz à mente dos homens

e que a Luz desça à Terra!

Do ponto de amor no coração de Deus.

Que flua o amor aos corações dos homens

Que Cristo retorne à Terra!

Do centro onde a vontade de Deus é conhecida,

Que o propósito guie a vontade dos homens,

Propósito que os Mestres conhecem e servem!

Do centro a que chamamos a Raça dos Homens,

Que se realize o Plano de Amor e de Luz

E cerre a porta onde se encontra o mal!

Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam

O Plano Divino sobre a Terra,

Hoje e por toda a eternidade! ”

Alice morreu aos 69 anos em 15 de dezembro de 1949 na cidade de Nova Yorque.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/alice-bailey/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/alice-bailey/

O Simbolismo do Labirinto

O símbolo do Labirinto exemplifica perfeitamente o processo do Conhecimento, ao menos em suas primeiras etapas, naquelas em que o ser tem de se enfrentar com a densidade de seu próprio psiquismo (reflexo do meio profano em que nasceu e vive), isto é, com seus estados inferiores, separando alquimicamente o espesso do sutil, que a alma experimenta como sucessivas mortes e nascimentos –solve et coagula–, destinando ao mesmo tempo numerosas provas e perigos que somente fazem traduzir o próprio conflito ou psico-drama interior.

Esse desassossego é próprio daquele que, tendo abandonado suas seguranças e identificações egóticas, descobre ante si um mundo completamente novo e, portanto, desconhecido, mas para o qual se sente atraído, porque na verdade intui que ao atravessá-lo é que poderá se reencontrar com sua verdadeira pátria e destino. Essa impressão indelével de estarmos totalmente perdidos tem que nos levar imperiosamente a encontrar a saída, ajudados sempre pela Tradição (e seus mensageiros: os símbolos), que neste caso nos chega por meio do Agartha que, tal como um guia ou eixo, tem de nos conduzir (desde que nossa atitude seja reta e sincera) a um estado de virgindade, a um espaço vazio imprescindível, apto para a fecundação do Espírito, o que se vive no mais interno e secreto do coração.

Devemos assinalar que muitos labirintos representados na arte de todos os povos são autênticos mandalas ou esquemas do Cosmo, ou seja, da própria vida, com suas luzes e sombras, o que nos permitirá compreender que esse processo labiríntico é na realidade uma viagem arquetípica, uma gesta, em suma, que todos os heróis mitológicos e homens de conhecimento têm realizado, e que nos servirá de modelo exemplar a imitar, tal e como estamos vendo na série “Biografias”. Na verdade, a viagem pelo labirinto é uma peregrinação ligada à busca do centro, e neste sentido é importante destacar que em muitas igrejas medievais figurava um labirinto (como em Chartres, em meio do qual aparecia antigamente o combate entre Teseu e o Minotauro) que percorriam de forma ritual todos aqueles que, por uma ou outra razão, não podiam cumprir sua peregrinação ao centro sagrado de sua tradição (por exemplo, Santiago de Compostela, ou Jerusalém), o que era considerado um substituto ou reflexo da verdadeira “Terra Santa”, onde os conflitos e lutas se finalizam, possibilitando assim a ascensão pelos estados superiores até conseguir a saída definitiva da Roda do Mundo.

Como dissemos anteriormente, falando da simbólica do Templo, esses labirintos se encontravam justo após a pia batismal (Yesod), e antes de chegar ao altar (Tifereth, o coração), ou seja, entre o batismo de água –relacionado com a regeneração psicológica e as viagens terrestres– e o batismo de fogo, vinculado por sua vez com o sacrifício pelo espírito e as viagens celestes, horizontais uns e verticais os outros. Na Árvore Sefirótica, o labirinto corresponde, pois, a Yetsirah, ou plano das formações, ou das “Águas inferiores”, que o aprendiz tem de atravessar em sua viagem pelos estados e mundos da Árvore da Vida.

Adicionaremos, para finalizar, que no Adam Kadmon microcósmico, ou seja, o homem, este labirinto tem de ser localizado na zona ventral, área que se destaca tanto por suas combustões e revoluções, como pela analogia que apresentam seus órgãos internos com a representação geral do labirinto.

#Alquimia #hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-simbolismo-do-labirinto

Ali al-Rida

Ali ibn Musa, mais conhecido como o Imam Ali “Al-Rida” (A.S.) “A Aprovação”, nasceu na cidade de Medina, no ano de 765 d.C. Ele viveu com seu pai durante vinte e cinco anos. Ali Al-Rida foi o oitavo Iman do Xiismo dos Doze Imans.

Seu pai foi o Imam Musa Ibn Jaafar “Al-Kazim”. Sua mãe se chamava Tacatom, era uma das servas da mãe do Imam Musa Ibn Jaafar, e, era apelidada de “Attáhera”, isto é, “A Pura”.

SEUS FILHOS:

Não teve outros filhos além do Imam Mohammad “Al-Jauád”.

SEU MINISTÉRIO:

O Imam Ali Ibn Musa “Al-Rida” tomou posse do seu ministério no imamato após a morte de seu pai, o Imam Musa Ibn Jaafar, no ano de 173 da Hijra, prolongando-se por trinta anos, sendo dez anos durante o califado Abássida de Haroun Al-Rachid, cinco anos durante o califado de seu filho Al-Amin e outros quinze anos durante o califado de Al-Mamun Ibn Haroun Al-Rachid.

SEU CARÁTER E CONDUTA:

O Imam Ali Ibn Musa “Al-Rida” era bondoso em suas ações e atitudes, cumpridor da palavra dada, jamais caindo em contradições, sendo o exemplo em sua convocação e disciplina. Ele (A.S.) foi tal como foram os Imames anteriores, um belo exemplo para os muçulmanos na sua devoção, paciência, caráter, humildade, remissão do mal que lhes fora feito, em todas as virtudes e altos valores; por isso, os Imames purificados (a paz estejam com eles) não só possuíram a dignidade representativa, mas também a dignidade no trabalho, empenho e dedicação à Deus, fazendo jus com isto a serem o modelo de virtude para a humanidade.

ALGUMAS DAS QUALIDADES DO IMAM “AL-RIDA”:

Um dos seus parentes falou ao se referir à sua moral e polidez: “Jamais vi Abu Al-Hassan, isto é, o Imam, ofender alguém em uma palavra sequer, e nunca o vi interromper alguém, ouvindo-o até o fim, como nunca o vi recusar auxilio que estava ao seu alcance. Não estendia as suas pernas diante de quem quer que seja. Jamais insultou alguém e tampouco os que o serviam, sejam servos seus ou não, e jamais o vi se coçar ou dar gargalhadas, pois sorria somente”.

Um dos seus companheiros disse: “Certa vez estive viajando em companhia de “Al-Rida” para Khorassan, onde convidou seus servos para comerem na mesma mesa com ele; então lhe propus: “Que tal se reservássemos uma mesa a parte para eles?” E ele (A.S.) respondeu: “Ora! Deus Supremo e Bendito é único. A mãe e o pai são únicos e a recompensa é pelos atos”. Assim era o Imam Al-Rida (A.S.), ele personificava o bom caráter e o sentimento humanitário através de seu procedimento para com todos, sejam servos ou não, e os olhava com ternura e humildade sem jamais mostrar-se superior ou prioritário a quem quer que seja, exceto na devoção. O seu servo Yasser disse-nos certa vez: “O Imam nos falou, se alguma vez eu chegar enquanto estiverdes comendo, não levanteis até terminardes”. Se o Imam (A.S.) mandava chamar um dos seus servos e este estivesse comendo, ele dizia, “deixai-o até terminar a refeição”. Ele (A.S.) reunia os pequenos e os grandes e palestrava com eles; até os cavalariços ou os tratadores de sangria fazia-os sentarem-se a sua mesa de refeições.”

Certo homem se aproximou do Imam “Al-Rida” (A.S.) e lhe disse: “Por Deus, ó venerável Imam! Não há na face da Terra um pai mais honrado do que vós!”. O Imam respondeu: “A devoção os honrou e a obediência a Deus os privilegiou”. Outro veio e lhe falou: “Juro que és o melhor dos homens que conheci!” e o Imam retrucou: “Não jures para tal. Aquele que é devoto a Deus e o Obedece é melhor do que eu. Acaso não leste o versículo que diz: “… e Nós os fizemos povos e tribos a fim de saberdes, a vossa devoção vos enobrece diante de Deus?”.”

Em se tratando da devoção do Imam “Al-Rida” (A.S.), ele era tido como o melhor dos exemplos aos outros, expoente pela piedade e relacionamento com Deus Supremo. Dizia um dos seus companheiros: “Quando viajava com ele, de Medina para Merw. Por Deus! Nunca vi um homem tão devoto à Deus como ele, e ninguém menciona Deus como ele o faz em qualquer tempo e hora, como não vi alguém temente a Deus Protetor e Majestoso como ele o foi… Logo que amanhecia, o Imam orava e glorificava Deus e O Engrandecia e agradecia, orando pelo Profeta Mohammad (S.A.A.S.) até o surgimento do sol, ficando de joelhos até que o dia clareasse por completo, e só depois disto é que se aproximava do povo e conversava com ele até o crepúsculo”. Outra narrativa sobre ele diz que um de seus amigos o descrevia: “Dormia pouco e a noite ficava de vigília orando na maioria das vezes, até o amanhecer, jejuava muito e dizia: “Este é o jejum da vida”. Praticava muito o favor e a caridade enquanto passava pelas ruas, principalmente quando andava pelas noites escuras… e se ouvires falar que houve alguém como ele, não acredite”.

MOVIMENTO CIENTÍFICO NA ÉPOCA DO IMAM “AL-RIDA”:

O Imam “Al-Rida” (A.S.) viveu numa época em que florescia o movimento cientifico, dinamizando nele a pesquisa e a constituição, bem como, a especificação do conhecimento e do ensino, instituindo a corrente filosófica e a escola do espiritualismo diversificado; começou, outrossim, o movimento das traduções e registros de outros idiomas, aliás, isto já havia sido encorajado desde a época do sexto Imam Jaafar Ibn Mohammad “Assadeq”, permanecendo no tempo do Imam “Al-Rida”, e esta foi a fase mais rica das etapas do pensamento e da cultura islâmica (foi nessa fase que viveram os fundadores dos dogmas da erudição tais como: Al-Cháfii, Ahmad Ibn Hanbal, Mâlek Ibn Ans, Sufian Al-Tauri, Yahia Ibn Akhtam e outros), e o Imam Al-Rida (A.S.) era o refúgio dos senhores do conhecimento, da ciência e da legislação islâmica.

O califa abássida Al-Mamún reunia para si os sábios e oradores de todas as religiões e dogmas, para fins de diálogo e investigação, e o Imam “Al-Rida” (A.S.), lhes respondia com firmeza e eloquência, tanto é que um dos notáveis chamado Mohammad Ibn Issa Al-Yaqtini lhe apresentou quinze mil questões, as quais foram resolvidas satisfatoriamente pelo Imam (A.S.), que tinha inclusive, a posição de ser o servidor para os cientistas, e amparo dos discípulos do pensamento e do conhecimento, e sua palavra era a palavra de virtude e decisão.

Um dos amigos do Imam (A.S.) falou: “Nunca vi alguém mais sábio do que Ali Ibn Musa “Al-Rida” e todo erudito que o conheceu apoia totalmente meu testemunho.”

Certa vez, Al-Mamun reuniu em assembleia um determinado número de eruditos, teólogos e oradores, questionando o Imam “Al-Rida” (A.S.), o qual sobrepujou a todos, sem exceção, e todos lhe reconheceram a sapiência. Para esclarecimento, citaremos a seguir alguns questionários feitos ao Imam (A.S.) e suas respostas:

Onde esteve Deus e como era e em que Ele se apoia?

“Deus criou o local, por isso não havia local. Ele é como é, portanto não poderia ser de outra forma e Ele se apoia no Próprio Poder”.

O que significa o Poder de Deus?

“São as suas ações nada mais. Se ele ordena seja então será, sem pronúncias, nem pensamentos nem como será”.

O que significam as palavras de seu avô o Imam “Assadeq”: Sem determinismo e sem delegação, porém, uma ordem entre duas questões”?

“Quem pensou que Deus faz nossas ações e depois nos castiga por elas, afirmou pelo determinismo; quem pensou que Deus delegou a questão da criação e da graça aos seus peregrinos, isto é, os Imames, então afirmou na delegação. Aquele que fala pelo determinismo é um blasfemo e aquele que fala pela delegação é um idólatra, porém, o significado da ordem entre duas questões, significa a existência da vereda em praticar o que Deus ordena e abandonar o que Ele alerta, isto é, Deus Glorificado e Supremo é mais Poderoso do que o mal e se o permitiu foi porque deixou-nos a opção para fazer o bem ou mal. Deus ordena algo e alerta contra outro”.

Perguntaram-lhe sobre o conceito.

“Existem conceitos em camadas: se analisarem a má ação de alguém e a aprovam, já tiveram um mal conceito; se pensam que alguém fez algo e dele obter a benção de seu Senhor Deus, e se Deus o abençoou, é então um bom conceito”.

Perguntaram-lhe sobre o melhor na devoção.

“Aqueles que foram caridosos se consultaram; aqueles que se conduziram mal, pediram perdão; e se ofereceram algo, agradeceram; e se afligiram, enfraqueceram; e se irritaram, perdoaram”.

Perguntaram-lhe os significados das Palavras de Deus: “… e os abandonou na escuridão onde nada se enxerga”.

“Deus Supremo descreve o abandono tal como descreve a Sua criação, porém, ao saber que eles não renunciarão à blasfêmia e à aberração, Ele afasta deles o auxílio e a gentileza, deixando a opção a cargos deles”.

SITUAÇÃO POLÍTICA NA ÉPOCA DO IMAM “AL-RIDA”:

O Imam “Al-Rida” (A.S.) notabilizou-se pela grande popularidade e simpatia na maioria das províncias da nação, pois quando tomou posse do ministério, após a morte de seu pai, fez um extenso giro no mundo islâmico a partir de Medina até Basra no Iraque, e daí a todas as localidades do conhecimento islâmico, onde se reunia com os eruditos e oradores, dialogando com todos a respeito de diversos assuntos. Inclusive visitava as cidades principais tais como Al-Cufá, Al-Yomna, Maruá, Naichabur, etc. O Empenho do Imam “Al-Rida” (A.S.) destacou-se muito pela atenção no conhecimento religioso entre a população.

Os Abássidas deram continuidade à política do terror e suplícios contra os partidários dos Imames, e as perseguições contra os mesmos aumentavam a cada dia, enquanto que os chefes que eram contrários ao califado continuaram a liderar os levantes e as revoluções contra o Governo Abássida, porque, tanto os Omíadas como os Abássidas eram usurpadores no califado, e eram tiranos e perversos nos seus procedimentos contra a população, totalmente contrários aos preceitos islâmicos. Entre os rebeldes defendia-se a ideia que os verdadeiros sucessores (califas) seriam na verdade, os descendentes da “gente da Casa” que é a Linhagem do Profeta Mohammad (S.A.A.S.), representados pelos Imames purificados.

Quando Al-Mamun chegou ao poder, decidiu mudar a sua política, por aperceber-se de que já estavam em perigo a paz e a tranquilidade nos países islâmicos. Astuciosamente, começou a traçar novos planos a fim de conquistar a confiança e a simpatia do povo, principalmente a dos rebeldes, trocando a política da perversão e das condenações a morte, praticada durante setenta anos por seus ancestrais, os califas, sem resultado algum, por outra política astuciosa, nomeando o Imam “Al-Rida” (A.S.) como seu sucessor no califado, pois tendo-o ao seu lado e afastando o encanto e a inquietação de seu governo, poderia assim acalmar as insatisfações e revoltas da população islâmica, e por outro lado, aprisionaria o Imam “Al-Rida” (A.S.) em uma ‘gaiola de ouro’, isto é, não numa fétida prisão, mas no Palácio, onde ele poderia ser observado sutilmente em todos os seus passos.

Quando o califa Abássida Al-Mamun propôs ao Imam (A.S.) ficar ao seu lado, este se recusou terminantemente, pois sabia que não teria liberdade e teria de pedir a permissão do Al-Mamun para cada passo seu por mais curto que fosse. Diante da recusa, Al-Mamun lhe falou com severidade: “Com a tua recusa, tu me obrigas àquilo que detesto e tu ultrajaste a minha autoridade… Pois juro por Deus! Ou aceites a sucessão no califado ou te obrigarei a isto, caso contrário, se recusardes, decapitarei a tua cabeça”. O Imam (A.S.), não teve outra opção, aceitando o califado contra a sua vontade, pois sabia que com isto perderia a própria paz e o povo o desprezaria ao vê-lo se aliar ao Abássidas excedentes na opressão e na perversidade, enquanto que ele não poderia fazer nada para impedi-los ou modificá-los. Enfim, o Imam (A.S.) se encontrava de mãos atadas diante da situação.

Assim sendo, por causa desta sucessão, o califa Al-Mamun mandou o Imam “Al-Rida” (A.S.) para Khorassan, ao norte do Irã, que era a capital do Califado. Lá estando, o Imam passou a sentir o gosto da solidão no exílio, longe dos parentes e de sua família, separado do povo. O califa Al-Mamun procedeu propositadamente ao confinar o Imam (A.S.) em seu Palácio, onde os olhares o observavam e os serviçais o espionavam. A vida do Imam “Al-Rida” (A.S.) tornou-se insuportavelmente controlada e fiscalizada.

O PLANO DE AL-MAMUN COM A SUCESSÃO:

Houve vários motivos que levaram o Califa Al-Mamun a agir assim, eis que mencionaremos a seguir:

Quis cobrir o seu califado com a vestidura legal, pois os próprios Abássidas olhavam para o seu governo com a dúvida e a desconfiança, principalmente após o assassinato de seu irmão Al-Amin; daí, quis o Al-Mamun acrescentar ao seu mandato o que chamaríamos de “santidade” e “fé” no conceito dos outros, e, por outro lado, pretendeu atrair para si os rebeldes e os muçulmanos em geral.

Al-Mamun tentou plantar a semente da desconfiança e da dúvida sobre o ministério do imamato, e dessa forma se aproximava do sistema dos governantes Abássidas, cheio de contradições, espalhando cinzas nos olhos ao nomear como seu sucessor, o Imam “Al-Rida” (A.S.), e inclusive isolando seu próprio irmão Al-Mutamen. Após a nomeação, determinou o que segue: casou o Imam “Al-Rida” com sua filha Umm Habiba; substituiu a insígnia da vestimenta negra dos Abássidas como cor oficial da corte, pela cor verde dos xiitas; ordenou os Abássidas, colaboradores e oficiais da corte, a patentear a sucessão ao califado do Imam “Al-Rida”; e cunhou moedas com o nome do Imam “Al-Rida”.

Al-Mamun quis com essa sucessão épica fazer com que o Imam (A.S.) permanecesse ao seu lado e controlar suas ações, a fim de afastá-lo dos preceitos do xiismo e do resto do povo; e assim o Imam “Al-Rida” (A.S.) passou a viver sob a espionagem permanente no Palácio de Al-Mamun, vivendo o exílio no sufoco da saudade de sua gente e de seus adeptos.

A MORTE DO IMAM “AL-RIDA”:

Mencionamos de forma breve os motivos que levaram Al-Mamun a nomear o Imam “Al-Rida” (A.S.) como seu sucessor ao califado e esclarecemos que a causa para tal era a pretensão de afastar o ponto de vista negativo que pairava sobre ele, incluindo a inquietação política que as províncias sofriam, e por fim, mostramos que o Imam “Al-Rida” (A.S.) estava bem ciente das intenções de Al-Mamun e seus projetos.

Al-Mamun temia a inteligência do Imam considerando-o de suma importância e influência junto ao povo e personalidades de gabarito. Diante deste fato, Al-Mamun se empenhou em se livrar dele, assassinando-o pelo envenenamento fatal e fulminante, administrado em sua comida. Estrategicamente, Al-Mamun omitiu o fato, escondendo o corpo por um dia e uma noite, e depois, mandou chamar o tio e o pessoal dos Abi Táleb, a fim de notificá-los da morte repentina e “natural” do Imam “Al-Rida”, entregando-lhes os restos mortais do ente querido.

Entretanto, os historiadores relatam de que o povo se aglomerou ao redor do Palácio em que se encontrava o Imam, surgindo boatos de que foi o próprio califa Al-Mamun que mandara matar o Imam “Al-Rida” (A.S.). Temeroso, Al-Mamun pediu ao tio do Imam que anunciasse o féretro. Feito isto, as pessoas se afastaram, e, durante a noite escura, o Imam “Al-Rida” (A.S.) foi sepultado ao lado do sepulcro de Haroun Al-Rachid, no ano 203 da Hijra correspondente ao ano de 818 d.C, morrendo aos 55 anos de idade, pelo calendário lunar da Hijra, na cidade de Tuss em Khorassan.

Atualmente seu sepulcro é uma das maiores sepulturas sagradas do mundo, e é onde há um museu do Alcorão Sagrado e outro do Imam “Al-Rida”, onde se encontram pertences pessoais que ele usava em vida, inclusive as moedas cunhadas em seu nome.

Certa vez, o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) falou: “Será enterrado um pedaço de mim em Khorassan, onde cada visitante será recompensado por Deus com o Paraíso e livrará seu corpo do fogo”.

Outra frase do Profeta (S.A.A.S.) sobre o Imam “Al-Rida”: “Aquele que me visitou longe do meu lar, eu virei a ele no Dia do Juízo Final em três atribuições a fim de livrá-lo de seus horrores, nem que os livros tenham se espalhado pela direita ou pela esquerda, nos caminhos e nas qualificações”.

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Fonte:

https://www.arresala.org.br/profeta-mohammad-s-a-a-s/8-imam-ali-ibn-mussa-a-s

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/ali-al-rida/

Ali al-Hádi

O Imam Ali Ibn Mohammad era chamado de “Al-Hádi”, isto é, “O Orientador”. Ali al-Hádi foi o décimo Imam do Xiismo dos Doze Imans.

Ele nasceu na pequena aldeia de Sarba, que se localizava a 5 Km e meio da cidade de Medina, no ano de 829 d.C (214 da Hijra), e se desenvolveu sob os cuidados de seu pai por sete anos, sobrevivendo-lhe por mais trinta e três anos e alguns meses. Seu pai foi o Imam Mohammad “Al-Jauád” (A.S.). E sua mãe foi Sammaná, a maghrebita, uma senhora de prestigio e virtudes intocáveis, e de uma fé inabalável.

SEUS FILHOS:

O Imam “Al-Hádi”(A.S.) teve quatro filhos e uma filha: Al-Hassan “Al-Ascari”, Al-Hussein, Mohammad, Jaafar e Àlia.

SEU MINISTÉRIO:

O Imam Ali “Al-Hádi” tomou posse de seu ministério no imamato após a morte de seu pai o Imam Mohammad “Al-Jauád” (A.S.), em 220 da Hijra. Tinha ele na ocasião seis anos e alguns meses de idade, praticando a sua liderança apesar de pouca idade, tal como o fez seu pai anteriormente. E esta pura e extraordinária circunstância esclarece e comprova a continuidade dos Imames pela vontade de Deus Supremo, prolongando-se esta sua liderança por trinta e três anos, passando por sete governantes Abássidas, os quais são: Al-Mamun e seu irmão Al-Mutassem (Al-Uátiq Ibn Al-Mutassem, Al-Mutauaquel Ibn Al-Mutassem, Al-Muntasser Ibn Mutauaquel, Al-Mustaín primo de Al-Muntasser e por último Al-Muutazz Ibn Al-Mutauaquel.

SUA BIOGRAFIA E GENEROSIDADE:

Os Imames da Linhagem do Profeta (S.A.A.S.) eram privilegiados pelo especial compromisso com Deus Supremo e com o mundo do desconhecido, por causa da categoria da infalibilidade e do imamato que conquistaram pelo favorecimento de Deus; e a eles se conectam os milagres e a generosidade, os quais apoiam seus preceitos em Deus unicamente, que os fez Imames e líderes para guiarem a sociedade aos caminhos da virtude e da perfeição, e por intermédio deles, em algumas ocasiões, deu-se provas que levaram à serenidade da alma, por terem sido os Imames da justiça prediletos por Deus para a propagação de Sua Mensagem. E tais predicados unidos à generosidade e nobreza de caráter encontramos sem dúvida no Imam “Al-Hádi”,

A própria história confirma os acontecimentos milagrosos generosos ocorridos pelas mãos do Imam “Al-Hádi”, os quais citaremos a seguir:

SUBMISSÃO DAS FERAS AO IMAM “AL-HÁDI”:

A história menciona que, certa vez, o califa Abássida, Al-Mutauaquel, foi favorecido com três leões magníficos e ferozes. Um dia, mandou colocá-los no pátio do Palácio e ordenou que fechassem o Imam “Al-Hádi” nele juntamente com os leões esfomeados. Feito isto, as três feras começaram a rodeá-los até que finalmente sentaram-se e estenderam a suas patas dianteiras, como se quisessem se colocar em posição de obediência enquanto que o Imam (A.S.) as acariciava. Pouco depois, foi levado a presença de Al-Mutauaquel e começaram a dialogar por cerca de uma hora, retornando depois ao pátio em companhia dos leões, que procederam da mesma forma como tinham feito anteriormente. Quando o Imam “Al-Hádi” (A.S.) foi liberado e saiu do palácio, vieram os assessores do Califa e lhe falaram: “O vosso primo (aludindo ao Imam) procedeu com os leões tal qual como Vossa Majestade observaste. Então, que tal fazeres o mesmo?!”. Irritado o Governante exclamou: “Ora, vós quereis o meu fim?!”. Depois ordenou-os a calarem sobre o fato e jamais o mencionaram ou deixaram ventilar o que aconteceu.

SEU CONHECIMENTO SOBRE QUESTÕES SECRETAS:

Um dos amigos do Imam “Al-Hádi” (A.S.), chamado Abu Háchem Al-Jaafari, contou o seguinte: “Certa vez estive com muita dificuldade financeira quando por fim, me vi obrigado em recorrer ao Imam. Ao me receber em seu gabinete, me fez sentar diante dele, iniciando ele próprio o assunto, indiretamente alusivo àquilo que me levou a sua presença dizendo: “Ó Abu Háchem, diga-se, a qual das graças que te empenharias em agradecer?”. Encabulado e confundido, nada lhe respondi. Diante do meu silêncio, o Imam tornou a falar-me: “Sabei ó Abu Háchem que a benção é pela vossa fé, portanto, precavenha o vosso corpo contra o fogo. Vossa benção é a saúde, e isto o auxiliará na obediência. Vossa benção é o contentamento, que vos protegerá do desperdício; se iniciei a conversa, ó Abu Háchem, é porque percebi que desejas queixar-te a mim. Por isso, já dei ordem de vos entregar 100 dinares. Pegue-os e atenda a vossa necessidade”.”

A REVERÊNCIA DO IMAM E SUA GRANDEZA:

Mohammad Ibn Al-Hassan Al-Achtar, contou o seguinte: “Certa vez, quando eu era menino, estive em companhia de meu pai juntamente com outras pessoas a espera, na porta do Al-Mutauaquel, quando surgiu o Imam “Al-Hádi” ainda rapaz. Imediatamente, as pessoas começaram a se inclinar para reverenciá-lo, apesar de, enquanto esperávamos comentavam entre si: “Daqui a pouco virá o Imam “Al-Hádi”, e a troco do que iremos reverenciar este rapaz, afinal, ele não é mais importante do que nós, nem mais velho do que nós e tampouco mais honrado do que nós… Pois juro que não lhe reverenciaremos: Mas um dos presentes (que era amigo do Imam) retorquiu: “Por Deus é que ireis reverenciá-lo só de vê-lo!”. Nem acabou de falar, e, chegando o Imam (A.S.), todos o reverenciaram com respeito e dignidade. Nisso, Abu Háchem lhes disse: “Vós não decidistes em não reverenciá-lo?” E eles lhe responderam: “Nós não nos controlamos para tal ao vê-lo, portanto, o reverenciamos pela sua venerabilidade e grandeza!”.

FALOU EM TURCO:

Certa vez, Abu Háchem Al-Jaafari relatou o seguinte: “Estive um dia na cidade de Medina, em companhia do Imam “Al-Hádi” quando passou por nós um homem. De repente, vi o Imam conversar com ele no idioma turco, instantes depois, o cavaleiro desceu cavalo e começou a beijar as patas do cavalo do Imam. Surpreendido, insisti com o turco: “Afinal, o que o Imam vos falou para que agisse desta forma?”. O turco me respondeu com outra pergunta: “Acaso, este homem é um Profeta?”, e eu lhe respondi: “Não… não é um Profeta, porém, é um dos recomendados do Profeta Mohammad (S.A.A.S.)… Por que me perguntas isto?”. Perplexo, o turco me disse: “Porque o Imam me chamou por um nome que só me chamavam assim quando eu era criança, na Turquia somente, e até hoje, ninguém soube deste fato!”.”

PALAVRAS DO IMAM “AL-HÁDI”:

“Aquele que não se valoriza, não se deve fiar em seu mal”.

“Aquele que se conformou e se acomodou, aumentou sobre si os problemas”.

“A desgraça do paciente é uma só e do temeroso são duas”.

“O melhor do benefício é seu benfeitor. A preferência do conhecimento é seu portador. O pior dos males é seu transmissor. O mais temível que o terror é seu praticante”.

“Deus fez o mundo ser a morada da aflição; e da eternidade a morada final. Fez da aflição do mundo, o resultado da recompensa à eternidade; e a recompensa com a eternidade, é o resultado da aflição do mundo”.

“O mundo é um mercado: nele há os que lucram e os que perdem”.

“Aquele que reuniu para vós o seu afeto e o seu parecer, reúna para ele a vossa obediência”.

“O grato é mais benquisto do que aquele que concedeu o favor, porque os favores são a felicidade, e o agradecimento é a graça e a eternidade”.

“Não espere sinceridade de quem aborreceste, nem lealdade a quem traíste e nem conselhos de quem perdeste nele a confiança, pois o coração dos outros é semelhante ao teu coração”.

“Quem teme Deus é temido; quem obedece Deus é obedecido, pois quem obedece o Criador não alcança a ira das criaturas humanas”.

“A fé é o que veneram os corações e confirmam as ações; e o Islam é o que a boca divulga e nele se permitem as uniões”.

“O cinismo é o gracejo dos insolentes e procedimento dos ignorantes”.

A SITUAÇÃO POLÍTICA QUE O IMAM PRESENCIOU:

Aqueles que acompanharam a vida dos que foram da Linhagem do Profeta (A.S.), verificaram que sua existência terrena era de conhecimento, de boas ações e de exortação à fé em Deus Supremo e em Seu Livro, como também, no preceito de Seu Mensageiro (S.A.A.S.) bem como, a divulgação dos princípios do Islam na sociedade. E suas vidas eram de lutas e empenhos em prol da justiça e da verdade, afrontando e contrariando com coragem a opressão e os opressores, e que, por causa de sua oposição contra os maus governantes, os Imames se expuseram aos piores suplícios e ofensas… e a vida do Imam “Al-Hádi” (A.S.) não foi diferente. Ele também foi alvo da pior das tiranias dos governantes Abássidas, que o queriam afastado da prática de suas atividades no empenho de sua liderança sobre a nação islâmica.

Durante o período de 835 a 869 d.C., ou melhor, desde o califado de Al-Mutassem, começaram os sintomas da decadência da dinastia Abássida, devido a insegurança generalizada, rebeliões e movimentos separatistas, corrupção administrativa, etc… Caracterizando a desintegração política do califado, principalmente com o domínio dos turcos e impotência moral dos governantes, os quais eram Califas no título somente e não na ação e autoridade. Tanto é que certo Sheikh disse ao Califa Al-Muutassem, quando ele saía em dia de festejos numa procissão ornamentada com os seus servos e sua comitiva: “Que Deus não vos recompense com boa vizinhança e júbilo, pois vieste com aqueles desprezíveis mercenários turcos e os fizeste habitarem entre nós, e provocaste a orfandade de nossas crianças e enviuvaste as nossas mulheres e mataste nossos homens!”. Ao ouvir o que o sheikh acabara de praguejar, Al-Muutassem decidiu transferir a sede do Governo para Samarra.

Em certa ocasião, veio Al-Mutassem conversar com um dos seus assessores, o qual lhe falou a respeito do califado: “Majestade, para que vos preocupaste com o califado e seus problemas? Fique com o título sem exceder em vossas ordens e permissões e deixe a questão por nossa conta”. Desde então e, a sombra daquela situação, a comitiva e os ministros dominaram a Casa da Moeda, extorquindo as heranças e desperdiçando altos valores nas casas de diversões e deleites oferecendo altas somas aos poetas aduladores que enalteciam o Califa e rebaixavam a memória dos membros da Linhagem do Profeta (S.A.A.S.).

A opressão se estendeu e a justiça se perdeu, e acabaram as vozes que contradiziam a opinião do Estado, enquanto que Al-Mutassem pouco se importava com os santuários, com o povo e com sangue derramado. Conta a história que quando o sábio Ahmed Ibn Hanbal, contrariou Al-Mutassem em seu parecer e opinião, este mandou chicoteá-lo até que o sábio desfaleceu, e depois, ordenou algemá-lo e jogá-lo na imunda prisão.

Foi sob a sombra de tais ocasiões e acontecimentos que o Imam “Al-Hádi” (A.S.) praticava a sua liderança junto a nação islâmica na difusão da vigilância, da atenção e do conhecimento a fim de proteger a autenticidade do pensamento islâmico e seu verdadeiro caminho, reivindicando o direito e a justiça junto as autoridades, enfrentando toda espécie de pressões e dificuldades.

E assim, os Abássidas continuaram neste sistema, vindo substituir Al-Mutassem, seu filho Al-Uátiq, o qual não era melhor que seu pai, exceto que fora menos violento contra os da Linhagem do Profeta e seus seguidores, pois não se registrou que ele tenha mandado executar algum deles; pelo contrário, procurava manter a harmonia com eles e os demais, perdurando seu califado por seis anos aproximadamente (842 a 847 d.C.), e durante este período o Imam “Al-Hádi” (A.S.) era domiciliado, na cidade de Medina, dedicando-se ao conhecimento, orientando e alertando o seu povo.

O IMAM ALI “AL-HÁDI” NO TEMPO DO AL-MUTAUAQUEL:

Al-Mutauaquel sucedeu seu irmão Al-Uátiq em 232 da Hijra (847 d.C.), porém, era extremamente bruto e violento para com os da Linhagem do Profeta e seus seguidores. Este califa era movido por uma forte hostilidade contra o Imam Ali “Al-Hádi” (A.S.), e costumava exercer a tentativa de deturpar a sua reputação entre os muçulmanos, mencionando-o durante as suas reuniões a fim de fazer rir os presentes, escarnecendo o Imam (A.S.), chegando a insultar a memória de Fátima “Azzahra” filha do Profeta. Al-Mutauaquel decretou sítio econômico contra os seguidores da Linhagem do Profeta, proibindo que qualquer pessoa os auxiliassem, principalmente aos descendentes do Imam Ali Ibn Abi Táleb (A.S.); e as mulheres passaram a fazer trabalhos manuais para que pudessem dar sustento aos seus. A situação deles chegou ao auge das dificuldades, tanto é que as mulheres não mais possuíam mais as vestimentas adequadas para as orações, exceto indumentárias já em farrapos, tal era o ódio do Al-Mutauaquel contra os descendentes de Ali Ibn Abi Táleb, que chegou a nomear autoridades especiais em Medina para que se apertasse ao máximo o cerco contra os Ahlul Bait e contra os que os ajudavam, chegando a declarar condenação à pena de morte a quem amasse Ali e seus descendentes.

O Imam Ali “Al-Hádi” realizou uma transferência forçada da cidade de Medina para Samarra no Iraque, a capital do Califado Abássida, ocorreu no ano de 243 da Hijra (858 d.C.), tinha ele então 29 anos de idade, onde passou a ser espionado e observado com maior severidade. O Al-Mutauaquel chegou a realizar uma tentativa de substituir o Imam Ali “Al-Hádi” (A.S.) com a eleição de uma liderança fictícia, nomeando como líder espiritual o próprio irmão do Imam, cujo nome era Mussa, porém, a tentativa acabou malograda, porque o povo estava ciente de que o Imam determinado pela vontade Divina era Ali “Al-Hádi” (A.S.). Vendo-se burlado, Al-Mutauaquel apertou mais o sítio ao redor do Imam e, vez ou outra costumava mandar seus oficiais invadirem a sua casa durante a noite no intuito de levar o Imam ao Palácio para interrogatórios, alegando que estavam efetuando busca de armas e tesouros ilícitos na casa dele, porém, só encontravam o Alcorão Sagrado e livros sobre o conhecimento. E assim, o Imam “Al-Hádi” (A.S.) passou pelos mesmos sofrimentos que seus ancestrais experimentaram por parte dos governantes Abássidas.

A MORTE E SACRIFÍCIO DO IMAM ALI “AL-HÁDI”:

O Imam Ali Ibn Mohammad, que era mais conhecido como Ali “Al-Hádi”, viveu por quarenta e um anos, dedicados ao serviço da doutrina e do conhecimento dos preceitos do Islam, deparando-se com toda sorte de infortúnios e terrorismo psicológico por parte dos califas Abássidas e seus assessores, que o fizeram sair da cidade de seus avós obrigando-o a viver em Samarra, a fim de ser controlado e observado de perto, permanecendo nela por quase onze longos anos, até que a morte veio buscá-lo em 254 da Hijra (870 d.C.).

O Imam Ali “Al-Hádi” (A.S.) foi enterrado em sua residência na cidade de Samarra, durante o califado de Al-Muutazz.

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Fonte:

https://www.arresala.org.br/profeta-mohammad-s-a-a-s/10-imam-ali-ibn-mohammad-a-s

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/ali-al-hadi/

Como entender e ler o I-Ching

Ao fluir com as circunstâncias se evita o atrito
e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio.

CONTEÚDO:

O I Ching [pronuncia-se “I Jing”] ou Livro das Mutações é um poderoso oráculo que usa as imagens do Céu, da Terra, dos elementos e da natureza para prever as mudanças do tempo na vida dos humanos, e um livro de sabedoria chinês muito difundido entre os orientais, onde o consultante utiliza-se de moedas ou varetas, que são jogadas enquanto faz uma pergunta, formando um Hexagrama* – figuras formadas pelas combinações de 6 linhas inteiras ou partidas superpostas – para ser consultado em um livro, onde a resposta à pergunta é respondida.

Um Hexagrama é composto pela combinação de dois Trigramas (figuras formadas pelas combinações de 3 linhas inteiras ou partidas superpostas), um sobreposto ao outro.

12º Hexagrama do I Ching = Pi (Estagnação)
Formado por dois Trigramas:
1. Abaixo Trigrama K’um (três linhas Yin)
2. Acima Trigrama Chi’em (três linhas Yang)

O I Ching é um dos mais antigos e um dos únicos textos antigos chineses que chegaram até nossos dias. A parte principal dos textos tem pelo menos 3.000 anos de existência. Antes era chamado apenas “I”, cujo ideograma é traduzido de muitas formas, e no século XX ficou conhecido no ocidente como “mudança” ou “mutação”; Ching, significa “clássico”, foi o nome dado por Confúcio (nome latinizado de King Fu Tze – século VI a. C.) à sua edição dos antigos livros.

O livro é um texto clássico chinês composto de várias camadas, sobrepostas ao longo do tempo, e traz 64 Hexagramas, acompanhados de seus respectivos textos explicativos. Cada um dos textos está dividido em várias partes:

1 – a Sentença – é a interpretação do Hexagrama como um todo, atribuída ao Rei Wen.
2 – o Comentário – é uma explicação das Sentenças (ou Julgamentos) do Rei Wen, atribuída a Confúcio.
3 – a Imagem – é o simbolismo maior ou a idéia do Hexagrama, também atribuído a Confúcio. Refere-se às imagens associadas aos Trigramas.
4 – as Linhas – com duas subdivisões: a primeira é a explicação dada pelo Duque de Chou, e a segunda são as observações de Confúcio, sobre esta explicação, ou o simbolismo menor.

Como fonte que alimentou diversas religiões e filosofias orientais, ele tem sido usado desde as mais remotas épocas até os tempos atuais, nos países cuja cultura tem forte influência chinesa, como Japão, Coréia e Vietnã. No Japão, até a época da Reforma Meiji, um século atrás, mesmo as táticas militares eram baseadas em configurações inspiradas por este livro extraordinário. Muitos japoneses acreditam que as vitórias navais que conseguiram na primeira parte da Guerra do Pacífico se deveram ao fato de serem os livros de estratégia baseados no “Livro das Mutações”. Nas universidades japonesas, a obra ainda retém parte de seu papel tradicional; na verdade, entre os povos do Extremo Oriente, o livro conserva um número incontável de admiradores em todas as camadas populares.

Na China, tradicionalmente, se utiliza o I Ching em todos os momentos, especialmente para a tomada de grandes decisões e definições de impasses. Decide caminhos políticos e econômicos do governo, auxilia empresários em suas definições, orienta famílias inteiras com relação à mudanças, casamentos, auxilia indivíduos a escolher os melhores lugares para construir suas residências, e ainda prevê as possíveis transformações na vida particular e coletiva das pessoas, oferecendo a oportunidade de que se decida qual o melhor rumo a tomar, sem sofrer conseqüências desagradáveis.

TRADUÇÕES E EDIÇÕES INDICADAS

Várias tentativas de transpô-lo para os idiomas ocidentais foram feitas, destacando-se a do sinólogo Richard Wilhelm, considerada a melhor existente em idioma ocidental, que aliou a sua compreensão do pensamento chinês (incluindo a concepção básica de que as situações por que passamos são, em essência, as mesmas) a uma refinada tradução: após verter o texto original para o alemão, passou-o novamente para o chinês, a fim de se garantir contra eventuais erros que comprometessem o sentido dos Hexagramas.

Richard Wilhelm traduziu o I Ching para o alemão ao longo dos anos em que viveu na China, inclusive durante a invasão japonesa, quando a cidade em que estava foi cercada. Teve o apoio de um velho e sábio mestre, Lao Nai Suan, que morreu ao ser concluída a tradução. Wilhelm traduziu também outro clássico chinês, o “Tao Te Ching”.

No Brasil, a melhor tradução do I Ching é a do monge budista Gustavo Alberto Corrêa Pinto, feita com Alayde Mutzenbercher, a partir da edição feita pelo sinólogo alemão Richard Wilhelm, publicada em 1923. Seguindo a tendência histórica do livro, a tradução para o português custou três anos de trabalho.

TEORIA DA SINCRONICIDADE

Foi baseando-se no I Ching que Jung elaborou sua “Teoria da Sincronicidade”, segundo a qual tudo o que acontece em um dado momento está legado à situação universal daquele instante.

O psicanalista suíço Carl Gustav Jung, que escreveu o prólogo da tradução inglesa da versão alemã de Richard Wilhelm, sugeriu que o efeito dos textos oraculares do “Livro das Mutações” é extrair do inconsciente para a superfície da consciência os elementos necessários à compreensão de determinado problema. E foi baseando-se no I Ching que Jung elaborou sua teoria da sincronicidade, segundo a qual tudo o que acontece em um dado momento está ligado à situação universal daquele instante.

A definição da tradição hermética, fonte primordial do ocultismo ocidental, ajuda a entender esta concepção de acaso significativo: “Toda a Causa tem seus Efeito, todo o Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei” (O Caibalion, Três Iniciados, Ed. Pensamento, São Paulo, 1985).

ORIGEM DO I CHING

A origem do I Ching é amplamente discutida, mas de qualquer forma, ela é cercada de mistérios e misticismo. Ele surgiu antes da dinastia Chou (1150-249 a.C.) e era um conjunto de oito Kua, figuras formadas por três e seis linhas sobrepostas. Na tradição chinesa, o I Ching foi usado para adivinhação na dinastia Shang.

Dizem que este oráculo sagrado foi escrito na China há cerca de 3.000 anos por Fu Hsi, o criador mítico chinês, conhecido como o pai da civilização, e até a dinastia Chou eles formavam o “I”. Conta a lenda que um dia, quando em suas meditações diárias, ele avistou uma tartaruga emergindo da água de um rio. Analisando o casco desta tartaruga, Fu Hsi concebeu que todo o universo estava representado em pequenas marcas, dispostas ordenadamente no casco. Estes oito símbolos, cada um com certas características, receberam no Ocidente o nome de Trigramas [James Legge, em sua tradução para o inglês (1882), chamou de Trigrama o conjunto de três linhas e Hexagrama o de seis, para distingui-los entre si. Os oito Trigramas têm nomes não encontrados em chinês, sua origem é pré-literária.]. Com a combinação destes oito Trigramas em todas as variações possíveis, tem-se 64 Hexagramas (composto por 6 linhas), ou seja, todo o I Ching.

O tempo obscureceu a compreensão das linhas, e no começo da dinastia Chou surgiram dois anexos: o Julgamento, atribuído pela tradição ao Rei Wên, e as Linhas Móveis, atribuídas a seu filho, o Duque de Chou, ambos fundadores desta dinastia. Essa era a forma do livro quando Confúcio o encontrou. Mais tarde, mesmo o significado destes textos começou a ficar obscuro, e no século VI a.C. foram acrescentadas as Dez Asas, que a tradição atribui a Confúcio, embora seja claro que a maioria delas não pode ser de sua autoria. O nome “I Ching” é dado ao conjunto dos textos posteriores. Dizem que Lao-Tsé também contribuiu com sua sabedoria ao I Ching.

Um fato célebre ocorreu ao “Livro das Mutações”: no ano de 213 a.C., Ch’in Shih Huang Ti, um tirano conhecido como “o Grande Unificador” (foi o construtor de parte da Grande Muralha e o unificador das províncias chinesas), ordenou a queima de todos os livros existentes, exceto os dos arquivos imperiais. Verdadeiro desastre para a maior parte da velha literatura chinesa: entre os livros clássicos que deveriam ser lançados às chamas, foi feita uma exceção àqueles que tratassem de “medicina, adivinhação e agricultura”. Como nessa época o I Ching era considerado livro de adivinhação, escapou a esta tragédia.

A doutrina do yin-yang foi sobreposta ao texto.

O QUADRADO MÁGICO DE LO SHU – Literalmente: Diagrama do Rio Lo.

Existe uma lenda que diz que este quadrado apareceu magicamente às margens do Rio Lo, afluente do Rio Amarelo, no centro da China, cinco mil anos atrás, inscrito no osso peitoral de uma tartaruga gigante que saiu do rio durante os trabalhos de irrigação, e lhe são atribuídas poderes mágicos.

As marcas no casco dela formavam um quadrado mágico perfeito, com nove ideogramas de números, que estavam organizados de tal maneira que, quando 3 números fossem somados, seja no sentido horizontal, vertical ou diagonal, o resultado era sempre 15, e foi interpretado como revelação da geometria secreta do universo, que está por trás de todas as coisas, origem do seu nome “quadrado mágico”. Em alguns lugares é chamado de “Chi das Nove Estrelas” porque reflete a posição de Vega, Polaris e as sete estrelas da Ursa Maior no céu.

Todos os sábios da época se interessaram por esse evento, resultando disso a criação do I Ching, do Feng Shui, e da Astrologia Chinesa. Esse “Quadro Mágico” também indicava 8 direções (sendo 1 o Norte e 9 o Sul), que representavam diferentes aspectos da vida da pessoa.

A INFLUÊNCIA DE CONFÚCIO

Confúcio (King Fu Tze) passou a se dedicar intensamente ao estudo do I Ching, escrevendo explicações relativas ao texto e transmitindo-as oralmente a seus discípulos. Por isso, considera-se como altamente provável, mas não absolutamente certo, que a parte denominada “Comentário” (Tuan Chuna) seja da autoria do famoso filósofo, assim como as explicações sobre as “Imagens”. Confúcio disse certa vez que poderia dar sábios conselhos apenas após ter estudado com profundidade o I Ching.

Lao Tse inspirou-se no I Ching para escrever os aforismos mais profundos do seu Tao Te King (traduzido no Ocidente como “Caminho Perfeito”), obra clássica do Taoísmo.

COMO CONSULTAR O ORÁCULO

Como todo oráculo, exige a aproximação correta: a meditação prévia, o ritual, e a formulação precisa da pergunta.

A consulta oracular é tradicionalmente feita com 50 varetas (originalmente de mil-folhas, uma planta sagrada), das quais uma é separada e as outras 49 manuseadas, seguindo seis vezes a mesma operação matemática, para a obtenção da resposta.

O I Ching, por ser um livro sagrado, e as varetas usadas na consulta, eram guardados em uma caixa de madeira virgem, embrulhados em seda também virgem.

No Japão, a consulta é feita com o uso de três moedas. Esta prática encurta a consulta, e aí reside seu defeito: nem sempre cria a disposição interior necessária à consulta.

Aqui, vamos ensinar o método das 3 moedas:

Você vai precisar de uma edição do livro do “I Ching“.

Usam-se 3 moedas, que serão lançadas juntas por 3 vezes. Consiste basicamente em jogar moedas e registrar o resultado (cara ou coroa) e daí consultar um padrão já definido de conselhos e/ou orientações no manual ou livro.

Você poderá procurar em casas de produtos esotéricos as “Moedas Chinesas do Feng Shui”, ou poderá usar pequenas moedas antigas (iguais, ou seja do mesmo tamanho e valor), de preferência moedas que não tenham mais valor comercial; costuma-se dar propriedade às moedas de cobre. Separe, limpe, purifique e consagre três moedas. Primeiramente, lave-as, e ponhas ao Sol (se puder depois as enterre na terra ou em um vaso com sal grosso, deixando-as por 3 dias, e por último torne a lavá-las).

As moedas chinesas têm um furo quadrado no centro, que representa a Terra (que os chineses antigos acreditavam ser quadrada); a forma circular da moeda representa o céu. Na moeda chinesa um lado é Yang (descrito por quatro caracteres), o outro o lado Yin (dois caracteres).

Se usar uma moeda comum, dê à sua face “cara” (Yang) o valor 3 e à face “coroa” (Yin) o valor 2.

1 – Pense no caso para o qual precisa de orientação.

2- Junte as mãos em concha e sacuda delicadamente as moedas na concavidade formada pelas palmas das mãos. Quando achar que sacudiu as moedas o suficiente para mistura-las, deixe-as cair suavemente sobre uma superfície plana (tradicionalmente usa-se um diagrama com os 8 Trigramas distribuídos ao redor da figura do símbolo do Tao).

3 – Quando elas pararem, examine quais caíram com a face “cara” e quais caíram com a face “coroa” (ou se caíram todas com a mesma gravura), contando o número total de pontos (“cara” = 3, “coroa” = 2). Há somente quatro possibilidades, pois não importa a ordem em que as moedas sejam examinadas. Por conseguinte, os números que podem ser obtidos pelas combinações cara-coroa do lançamento das três moedas, em cada uma das 6 jogadas, são: 6 (3 coroas – “Grande Yin”), 7 (2 coroas e 1 cara), 8 (2 caras e 1 coroa) e 9 (3 caras – “Grande Yang”). O primeiro lançamento formará a linha inferior do Hexagrama de seis linhas que você está construindo. O Hexagrama é produzido de baixo para cima, de forma que o resultado da primeira jogada determina a linha inferior ou primeira; o da segunda, a segunda linha, e assim por diante. Se o lançamento deu o número 6 (três coroas) ou 8 (duas caras e uma coroa), trace uma linha partida assim , e coloque o número obtido ao lado da linha. Se o lançamento deu o número 7 (duas coroas e uma cara) ou 9 (três caras), trace uma linha contínua, assim , e coloque o número obtido ao lado da linha.

4 – Para completar o Hexagrama, sacuda novamente as mãos e repita o lançamento das moedas, com os mesmos pensamentos em mente, e desenhe a linha apropriada (números pares = linhas interrompidas; linhas ímpares = linhas contínuas), estruturando o seu Hexagrama da linha de baixo (a primeira) para a de cima (a sexta).

A numeração ao lado indica apenas a seqüência das linhas, e não os números obtidos pelas jogadasdas moedas, que produzem as lin

Consulte a tabela abaixo. A coluna da esquerda traz 8 Trigramas, onde você irá procurar o “Trigrama inferior” do seu Hexagrama. Na coluna horizontal superior, você encontrará o seu “Trigrama superior”. Do cruzamento desses dois você terá o Hexagrama da questão consultada. Anote o número e nome dele e procure-o no manual ou livro.

NOTA: Ficou claro que as três moedas devem ser jogadas jutas seis vezes, sucessivas. O Hexagrama é formado de baixo para cima, ou seja, a primeira vez que você jogar as moedas estará formando a linha de baixo. E assim vai até a sexta linha – a última, ou linha de cima. Há somente sessenta e quatro (64) possibilidades de arranjo das linhas.

Preste atenção no pequeno número que aparece ao lado de cada linha. Se tiver algum 6 (3 coroas – “Grande Yin”) ou 9 (3 caras – “Grande Yang”), essas linhas estão com excesso do principio ativo ou passivo, e tendem a se transformar na sua oposta, ou complementar, de onde vem a fama do I Ching como “Livro das Mutações”. Estas Linhas têm significado próprio (há um comentário para as “Linhas Móveis” no texto que fala do primeiro Hexagrama obtido). Se não há nenhuma linha 6 ou 9 (linhas mutantes) no Hexagrama original, não haverá um segundo Hexagrama, geralmente dito “Hexagrama Futuro”.

O primeiro Hexagrama refere-se ao presente ou ao passado recente; já o segundo indica as mudanças necessárias para que o objetivo seja atingido. Se numa consulta o Hexagrama resultante não contêm nenhuma linha móvel, a situação que ele simboliza é constante e firme.

COMO INTERPRETAR

A linguagem do I Ching é, para a nós ocidentais do século XXI, um tanto quanto cifrada. Devemos sempre ter em mente que o I Ching é um intermediário entre o nosso “EU” interior, o nosso inconsciente, nosso Mestre Interior e o ambiente; dessa forma, nós o utilizamos para obter as respostas que temos dentro de nós.

A primeira linha representaria a sensação, chamada de “a causa externa”; a segunda o pensamento, a terceira o sentimento, a quarta o corpo, a quinta a alma e a sexta o espírito; que é o “resultado”. Esta sexta linha, como a primeira também não depende de sua consciência. A segunda linha é o “oficial”; a quinta “o príncipe”; a terceira é “a sua motivação” que o levará à quarta linha que é o “Karma”.

Cada Hexagrama tem uma ou mais linhas diretrizes, uma das quais normalmente ocupa o quinto lugar. As linhas 1 e 6 são extremidades da situação principal, e por isso, são as menos importantes. A linha 6 freqüentemente representa um sábio afastado da vida ativa.

EXPRESSÕES MAIS USADAS NOS TEXTOS

Há algumas expressões mais utilizadas pelo I Ching que para quem está começando a utilizá-lo podem parecer herméticas. Aqui seguem algumas dicas do que elas costumam significar:

  • A perseverança traz boa sorte: podemos dar prosseguimento aos nossos planos.
  • A perseverança traz desgraça: É melhor desistir dos nossos planos.
  • Arrependimento: consciência de nossos erros.
  • Boa fortuna – O céu está de acordo com a nossa vontade
  • Desgraça: acontecimentos ruins aos olhos dos outros e aos nossos próprios olhos.
  • É favorável atravessar a grande água: podemos empreender alguma coisa difícil ou viajar.
  • É favorável ver o grande homem – Seremos recompensados se buscarmos conselho e assistência de alguma pessoa de alto valor moral
  • É propício ter um objetivo em vista: desde que tenhamos um objetivo determinado, podemos seguir adiante.
  • É propício ver o grande homem: seremos recompensados se buscarmos conselho e assistência de alguma pessoa de alto valor moral.
  • Êxito Supremo: o Céu está de acordo com a nossa vontade.
  • Homem superior, nobre ou santo sábio: homem de grande valor moral, capaz de resistir firme e serenamente a forças que transformariam outros homens (os homens inferiores) em joguetes. Invulnerável à glória e à derrota, não gasta suas energias tentando o impossível. “Os tolos o consideram ainda mais tolo; os sábios, um sábio incomparável”. Invulnerável à glória e à derrota, não gasta suas energias tentando o impossível. Com freqüência designa o melhor de nós mesmos, nosso lado mais elevado, sábio, ético e nobre. Eventualmente pode designar pessoas em posição superior ou de poder.
  • Infortúnio – Acontecimento ruim aos olhos dos outros e aos nossos próprios olhos.
  • Nenhuma culpa – Se os resultados não são bons, devem-se a circunstâncias alheias à nossa vontade.
  • Sem erro ou culpa: se os resultados não são bons, devem-se à circunstâncias alheias à nossa vontade.

FILOSOFIA CHINESA

O I Ching é considerado um sistema operacional vazio, que independe do objeto e pode ser aplicado em diversas áreas, tornado-se a espinha dorsal de todas as ciências clássicas chinesas, como a Acunpuntura, o Feng Shui, etc. Para o pesquisador Ion Freitas Filho, seus símbolos são como uma álgebra, um código de barras. De fato, o próprio criador do cálculo binário, o filósofo e matemático alemão Leibniz (1646-1716) deve ao I Ching o “insight” para terminar seu estudo que possibilitou o surgimento da informática. “Ao contemplar a mudança de um símbolo em outro na seqüência circular dos 64 Hexagramas do I Ching, ele associou as linhas Yin e Yang a zero e 1, formulando o cálculo binário, que é a linguagem dos computadores modernos”, explica Ion . Portanto, não é nada exagerado dizer que o I Ching é o avô da informática.

As oito figuras que formam o I Ching estão na base da cultura que se desenvolveu na China durante milênios. Para os chineses a ordem do mundo depende de se dar o nome correto às coisas, portanto o significado de “I” sempre foi objeto de discussão.

A idéia básica do I Ching é o conceito de mutação, a eterna lei que rege todo o Universo. Entre os chineses, esta lei era chamada de Tao (que pode ser imperfeitamente traduzido com diversos significados: o Caminho, o curso dos acontecimentos) e se manifesta através do “Grande Princípio Primordial” (Tai Ch’i), cuja representação é um círculo dividido em escuridão e luz: Yin e Yang.

Para o pensamento chinês, não há o que mude, há apenas o mudar. A mutação seria o caráter mesmo do mundo. Mas a mutação é, em si mesma, invariável, ela sempre existe. Portanto, “I” significa mutação e não-mutação. Subjaz, à complexidade do Universo, uma “simplicidade” que consiste nos princípios que estão por trás de todos os ciclos. Ao fluir com as circunstâncias se evita o atrito e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio. Tudo está em movimento e mutação constante, pois só a mudança é permanente. Aquele que reconhece a mutação não mais se detém sobre as coisas particulares, mas dirige-se à eterna lei imutável presente em toda mutação. Esta lei é o Tao.

O Tao representa o aspecto funcional do Absoluto e não deve ser confundido com o T’ai Chi, embora em muitos aspectos se assemelhe a este. Para cada coisa ou cada indivíduo existe um sentido próprio, um caminho.

Não há um homem que possa banhar-se duas vezes no mesmo rio”, dizia o filósofo grego Heráclito, “porque nem o rio é o mesmo rio, nem o homem é o mesmo homem”. Este sentido de transitoriedade para nossa cultura é algo terrível, mas para o pensamento chinês tradicional é a própria essência da mudança e da mutação. As coisas são transitórias porque mudam constantemente, mas não mudam por mudar, mudam constantemente porque tem um sentido, um TAO. Compreender que as coisas acontecem e se desvanecem é, então, compreender o movimento para adiante. Tudo na natureza muda e nunca é estável, lembrando o símbolo que representa o Yin e Yang.

Tanto o Taoísmo como o Confucionismo, as duas linhas da filosofia chinesa, beberam da fonte do I Ching. A ênfase no aspecto oracular variou com o tempo. No século VI a.C. era visto mais como livro de filosofia, ao passo que na dinastia Han, quando a magia teve grande papel, era visto como oráculo. No ocidente, infelizmente, seu uso como livro de sabedoria tem papel irrelevante.

O I Ching tem o conceito de uma família, cada pessoa representada por um Trigrama. Assim, temos o Pai e a Mãe, e mais três filhas e três filhos. O Trigrama do Pai, por exemplo, compreende três linhas inteiras. Também chamado “O Criativo”, e associado com o pai, o líder, o homem. Seu nome chinês é Chien . Simboliza o céu, o firmamento e a perseverança. Todos os outros Trigramas têm características próprias.

A cada Trigrama corresponde um ponto cardeal e uma direção na bússola; também representam os Elementos e, como vimos, sintetizam um determinado membro da família.

NOTA AUXILIAR AO USO DO I CHING:

Para descobrir a dinâmica do Trigrama é melhor analisar suas linhas.

 

O 1o Trigrama (linhas 1-2-3) contém assuntos pessoais e humanos. O 2o segundo Trigrama (linhas 4-5-6) contém assuntos universais. As linhas 1 e 6 estão nas extremidades do Hexagrama e por isso são as menos importantes. Os Trigramas (e os Hexagramas) são sempre lidos de baixo para cima.

ESTUDO DOS TRIGRAMAS

Os 8 Trigramas e seus principais significados:

BIOGRAFIA

 

I Ching, tradução do chinês para o alemão por Richard Wilhelm, 1923. Edição brasileira, 1982, traduzida do alemão por Alayde Mutzenbecher e Gustavo Corrêa Pinto; traz o prefácio de C.G.Jung à tradução inglesa.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/como-entender-e-ler-o-i-ching/

Quebra de Paradigmas na Nutrição

“Que teu alimento seja teu remédio, e teu remédio seja teu alimento”

Hipócrates

É bastante comum que autores de livros sobre espiritualidade deem recomendações nutricionais, além de instruções sobre sono e exercícios físicos (Papus e Franz Bardon são alguns exemplos). Afinal, não somos apenas mente e alma. Além de nutrir o nosso espírito, é igualmente importante nutrirmos nosso corpo físico. Algumas pessoas consideram que a nutrição do corpo espiritual é mais relevante, já que o espírito seria eterno e o corpo seria impermanente. Não vou entrar nesse debate aqui. Por enquanto, basta sabermos que o bem estar do corpo possui uma íntima relação com o bem estar da mente e merece atenção. Nem todos nós somos experientes yogues para passar meses a fio em jejuns e asceses através de meditações e ignorar completamente o que acontece com o nosso corpo. Se você se encaixa nessa categoria, talvez esse post não seja para você.

Creio que a maioria de nós possamos exemplificar o estereótipo do homem ou da mulher da Idade Contemporânea: o dia a dia costuma ser corrido e não há muito tempo sobrando para dar atenção para o corpo. Comidas prontas são mais rápidas e práticas. Exercícios físicos regulares se tornam raros, com algumas experimentações na academia para alguns. Sono? Seis horas por dia já se tornou um luxo. Caso você seja alguém que cozinha suas próprias refeições, que se exercita três vezes por semana e dorme oito horas por dia, será visto por alguns quase como um alienígena. “E ainda tem tempo para lazer? Me diga com quem você fez um pacto, porque eu também quero! Usou o Fotamecus? Ou a Flor de Kairos?” seus amigos te perguntarão, com entusiasmo.

Existem inúmeros benefícios para aqueles que dormem horas suficientes por noite e praticam exercícios físicos regularmente, especialmente os benefícios cerebrais. Nós já estamos cansados de saber que há muitos ganhos em manter hábitos de vida saudáveis. Por um lado, sempre existirão aqueles que dirão: “Sim, eu sei que fumar aumenta em 20 vezes a chance de adquirir câncer de pulmão, mas eu não me importo”. Por outro lado, há aqueles que desejam ter hábitos de vida saudáveis, mas acabam confundidos pela mídia, que fornece informações incompletas e frequentemente contraditórias do que seja, por exemplo, uma alimentação correta. Isso é realmente frustrante para aquela categoria de pessoas que deseja se cuidar.

O que eu falei até aqui não é novidade para a maioria de nós. Agora, vamos ao que realmente interessa: por que as informações sobre nutrição chegaram a esse ponto? Por que até o ensino de nutrição nas universidades não parece fazer sentido? Por que parece que cada médico dá orientações nutricionais diferentes? Por que parece que as pesquisas científicas são contraditórias? Vou começar citando o nome de um cientista fundamental para esse quadro: Ancel Keys. Já já falaremos dele.

Até hoje eu ainda ouço pessoas citando benefícios que vieram com as guerras, como avanços científicos e a invenção do computador. Porém, muitos se esquecem de citar os grandes retrocessos científicos que as guerras geraram. As pesquisas sobre nutrição foram uma das áreas mais afetadas. Para começar, o hábito de fumar e o câncer de pulmão ganharam força com a Primeira Guerra Mundial, pois tal hábito foi adquirido pelos soldados nas trincheiras e levado para as esposas para casa. Nas décadas seguintes, o cigarro era largamente recomendado pelos médicos. Além disso, a Segunda Guerra resultou na morte de muitos cientistas alemães e austríacos. Era exatamente nesses países que as pesquisas sobre nutrição estavam mais avançadas.

A maior parte dos poucos cientistas alemães da área da nutrição que sobreviveram se mudaram para os Estados Unidos. Os americanos não levaram tão a sério as informações dadas pelos alemães, devido à rivalidade ainda existente entre os dois países. Eles desejavam realizar suas próprias pesquisas e é aqui exatamente onde entra Ancel Keys. Em 1955 o presidente americano Dwight D. Eisenhower sofreu um ataque cardíaco. Doenças cardíacas eram uma raridade nas três décadas anteriores e os americanos estavam com medo. Por isso, cientistas americanos como Keys foram pressionados a dar respostas.

O que acontece quando se exige que cientistas deem explicações rápidas para questões complexas? Estudos mal feitos. Ancel Keys conduziu um estudo observacional e epidemiológico em 7 países e relacionou o consumo de gordura saturada com maior risco de ataque cardíaco. Porém, foi um estudo extremamente tendencioso, já que para obter resultados em questões de nutrição estudos observacionais não são suficientes, pois não estabelecem relações de causa e efeito. Para conclusões mais consistentes é necessário realizar experimentos controlados, prospectivos e randomizados, de forma que se possa isolar as variáveis com mais eficácia.

Até o início do século XX, poucos questionaram o conceito de tempo absoluto de Newton, pois ele tinha muita influência. Ancel Keys também foi muito influente em sua época. Sua hipótese de que a gordura saturada tinha relação com doenças cardiovasculares virou quase um dogma. Essa foi a capa da revista Time em 1984:

Mas será que essa ideia faz sentido? Para responder isso, vamos voltar no tempo.

O ser humano viveu mais de 99,5% de sua existência no período Paleolítico. Isso significa que estamos evolutivamente adaptados para consumir alimentos que estavam disponíveis na natureza. E o que se comia naquela época? Éramos caçadores-coletores. Ou seja: caçávamos animais selvagens e coletávamos plantas.

Por isso, o corpo humano está fisiologicamente adaptado para digerir carnes de diversos animais e muitos tipos de vegetais. Certos tipos de frutos são sazonais: só encontrados em épocas específicas. Hoje em dia muitas frutas foram selecionadas para serem mais doces do que eram na natureza. Para mais detalhes a respeito, sugiro o livro “Armas, Germes e Aço” de Jared Diamond. Somente com o período Neolítico houve o advento da agricultura. Isso corresponde a menos de 1% da existência humana. Por isso ainda não deu tempo, evolutivamente falando, para nosso corpo se adaptar a aproveitar bem a maior parte dos grãos (carboidratos como trigo, arroz, milho, etc) que atualmente são consumidos em grandes quantidades.

Vamos falar do aspecto bioquímico. Existem diversas rotas metabólicas que produzem energia para o corpo. É totalmente possível tirar energia a partir da oxidação de aminoácidos e ácidos graxos. Isso significa que o consumo de proteínas e especialmente gorduras naturais pode suprir a maior parte da necessidade do corpo.

Pela gliconeogênese, podemos produzir glicose a partir de compostos diferentes de açúcares. Não é necessário consumir quantias enormes de carboidratos, como sugere a velha pirâmide alimentar, que os coloca em sua base. Para muitas pessoas, é suficiente consumir os carboidratos e fibras provenientes dos vegetais folhosos e de baixo amido.

É comum que se confunda a cetose com a cetoacidose. Cetose é um estado natural do nosso metabolismo, que ocorre quando o fígado transforma as gorduras em corpos cetônicos. Entramos em cetose no jejum ou quando reduzimos o consumo de cardoibratos. Nessa condição, pode-se queimar os depósitos de gordura do corpo e convertê-los em energia. Cetoacidose é uma condição patológica, sem relação direta com o processo natural da cetose.

Nos últimos anos, o jornalista Gary Taubes revolucionou a nossa percepção sobre nutrição, resgatando conceitos antigos que foram perdidos no pós-guerra. Com seus livros “Good Calories, Bad Calories” e “Por que Engordamos?” ele apresenta uma nova forma de interpretar disfunções metabólicas: comemos mais por estarmos engordando e não o contrário.

Quando nós consumimos carboidratos há um pico de glicose no sangue, seguido de uma diminuição, devido à ação da insulina. Assim, ficamos com fome pouco tempo depois de uma refeição. A solução seria eliminar os alimentos que elevam a insulina. Ou seja, açúcar e carboidratos de alto índice glicêmico. Quando comemos alimentos ricos em proteínas e gorduras (como carnes e ovos), a insulina do nosso corpo praticamente não se eleva, o que nos gera sensação de saciedade. Somente quando não há picos de insulina, o corpo pode queimar os depósitos de gordura com eficácia, gerando a perda de peso.

A proposta de Gary Taubes é questionar o que ele chama de paradigma ou hipótese do “balanço calórico”, da “alimentação excessiva” ou do “equilíbrio energético”. Acredito que a maioria de nós aplique as leis da termodinâmica na nutrição, o que, segundo o autor, seria um equívoco. Acreditamos que ao comermos demais engordamos e ao comermos pouco emagrecemos. Nós simplesmente atribuímos uma alimentação excessiva ao ganho de peso, quando no fundo o que geraria isso seria uma má alimentação (má nutrição).

O crescimento do tecido adiposo é controlado por hormônios. O que ocorre no aumento de peso é um desequilíbrio hormonal e não calórico. A insulina é um dos hormônios mais importantes que regula o ganho ou perda de peso. Com a ingestão de alimentos ricos em carboidratos de fácil digestão (especialmente bebidas açucaradas), a secreção de insulina pelo pâncreas aumenta, para tirar o excesso de açúcar do sangue e levar para as células, já que muito açúcar no sangue é extremamente tóxico. Enquanto isso, nossa gordura não é queimada, ou é queimada em ritmo mais lento. Porém, se comemos mais gorduras (não a gordura trans de produtos industrializados, mas a gordura natural dos alimentos) o tecido adiposo do nosso corpo é usado como fonte de energia e emagrecemos.

Com o tempo, os receptores de insulina das células podem começar a falhar. Ficamos resistentes à insulina e isso causa diabetes tipo 2. Alguns pesquisadores já estão começando a chamar o Alzheimer de diabetes tipo 3, que seria a resistência à insulina das células cerebrais. Quando envelhecemos temos tendência a engordar porque a produção de hormônios sofre alterações (na menopausa na mulher, há diminuição da produção de estrógenos) e porque, após décadas de consumo excessivo de carboidratos, nossos músculos são os primeiros a adquirir resistência à insulina, o que faz com que nosso sistema digestivo trabalhe com menor eficácia.

Um dos maiores equívocos no estudo da nutrição hoje é considerar a obesidade como um problema quase que exclusivamente comportamental: uma doença psiquiátrica em vez de um distúrbio metabólico. É o que Taubes chama de “o pecado original da ortodoxia médica”: engordar não é o resultado de preguiça e gula; não se trata de um fracasso moral! Isso porque há fatores fisiológicos muito mais relevantes no processo de ganho de peso do que fatores psicológicos.

Os médicos, a mídia, as pessoas ao nosso redor: parece que todos querem nos fazer acreditar que o excesso de peso é causado por estados mentais e curados por mera força de vontade. Como se fosse fruto de autoindulgência e ignorância! “Apenas faça um esforço, coma menos e faça mais exercícios físicos” é a recomendação de praxe. Contudo, essa recomendação é uma análise superficial e não trata a raiz do problema.

Temos apenas a impressão de que a solução para emagrecer é comer menos. Na prática, comer menos só emagrece porque ao reduzir o consumo de todos os tipos de alimentos, automaticamente também estamos reduzindo o consumo de carboidratos.

Porém, fazendo isso passamos fome, ficamos cansados e indispostos. Quando fazemos atividade física, nossa fome aumenta ainda mais, porque o corpo envia um alerta para repormos a energia perdida. Então fazer atividade física, embora tenha inúmeros benefícios (beneficia as atividades cerebrais, corrige postura, gera ganho de massa muscular, dá flexibilidade, força, maior concentração, disciplina, etc) não é o fator crucial do emagrecimento. Na maior parte dos casos, mesmo quem consegue emagrecer temporariamente comendo menos e se exercitando, depois engorda de novo ao longo dos meses ou anos.

Todos sabemos que para manter o peso constante é preciso mudar a alimentação definitivamente, não se privar de comida temporariamente. No livro “Por que Engordamos?” Gary Taubes dá um ótimo exemplo: se quisermos abrir o apetite para uma farta refeição, nós provavelmente iremos fazer atividades físicas para gastar energia, além de ficar em jejum. Então seria paradoxal se as mesmas recomendações que nos dão mais fome também nos fizessem emagrecer.

Outros exemplos do livro: quando uma criança ou adolescente está em fase de crescimento, geralmente dizemos: “ele está com fome porque está crescendo”, porque o hormônio de crescimento está atuando. Não dizemos “ele está comendo mais e por isso está crescendo”. Como a regulação da gordura também é hormonal, não faria sentido dizer que comer mais é o que nos faz engordar. Na verdade, como foi dito antes, comemos mais porque o nosso hormônio insulina está ativo: isso nos faz engordar e comemos mais como consequência. Nós fazemos uma inversão de causa e efeito ao empregar o raciocínio oposto.

Comer menos não seria a forma de diminuir a atuação do hormônio insulina, mas comer somente menos carboidratos. O consumo de gorduras naturais (banha de porco, manteiga, óleo de coco, etc) na verdade auxilia o emagrecimento. Engraçado que não dizemos para um fumante “se exercitar mais” para evitar câncer de pulmão, mas somente dizemos para que largue o cigarro. Da mesma forma, deveríamos dizer para alguém que quer emagrecer diminuir os carboidratos na dieta, e não recomendar atividades físicas. Exercitar-se pode beneficiar a todos (fumantes, obesos, etc), mas não tem relação direta com câncer de pulmão ou obesidade.

Como sabemos, a obesidade está relacionada ao maior risco para a maior parte das doenças crônicas (diabetes, câncer, doenças cardiovasculares, etc). Porém, quem é magro não está livre de ter essas doenças. Mesmo que uma pessoa magra não tenha muita gordura subcutânea, ela pode ter gordura visceral (a gordura que fica entre os órgãos) e essa é a mais perigosa.

Se analisarmos a constituição de nosso corpo, perceberemos que a membrana das nossas células, nosso cérebro e muitos outros órgãos (como coração e rins) são constituídos por gordura. Mais da metade da composição do leite materno é gordura, sendo considerado um dos alimentos mais completos e saudáveis para o bebê, que favorece o crescimento e desenvolvimento cerebral. Sendo assim, é questionável que hoje em dia se recomende o consumo de leite desnatado, pois contém mais açúcar (lactose), enquanto o integral tem mais gorduras e favorece o emagrecimento, pois eleva menos a insulina e dá mais saciedade. Existem ácidos graxos essenciais (que devem ser obtidos pela alimentação) e aminoácidos essenciais, mas não existem carboidratos essenciais.

Antigamente, doenças cardiovasculares, diabetes e muitos tipos de câncer eram relativamente raros. Essa epidemia de obesidade e de diversas doenças crônicas é bastante recente e explodiu nas últimas décadas. Não por acaso, desde as recomendações nutricionais para evitar a gordura natural dos alimentos e para aumentar o consumo dos supostos “grãos integrais saudáveis”.

O médico cardiologista William Davis em seu livro “Barriga de Trigo” deixa claro que o consumo de duas fatias de pão integral aumenta mais a taxa de glicose no sangue do que duas colheres de sopa de açúcar branco. Dentre os incontáveis males causados pelo trigo, Davis cita não somente diabetes e doença celíaca, mas também doenças cardiovasculares e câncer, passando por muitas outras doenças pelo caminho. O autor é bem direto e escreve: “Trigo causa câncer”.

Antes dos anos 20, o câncer de pulmão era uma enfermidade tão rara que quando havia um caso desses todos os médicos queriam olhar. Quando houve um enorme aumento nos casos de câncer de pulmão nas décadas seguintes, ninguém sabia o que o causava, pois quase todos fumavam (de forma análoga, hoje quase todos comemos carboidratos em excesso e por isso não associamos seu consumo a muitas doenças). Alguns achavam que era o ar poluído das cidades, dentre outras hipóteses, mas ninguém nunca mencionava o fumo. Foi preciso décadas de estudo para se descobrir a relação entre cigarro e câncer de pulmão. E muito tempo depois de as pesquisas mostrarem isso claramente, a comunidade científica ainda estava cética.

Os fabricantes de cigarro não queriam perder os clientes e colocavam nas propagandas que “não há estudos conclusivos que indiquem a relação de cigarro com câncer de pulmão”, ou diziam que muitos outros fatores estão envolvidos, etc. É bem parecido com o que se diz hoje sobre açúcar e carboidratos. Se diz que não há estudos conclusivos e que muitos outros fatores causam câncer.

Claro, o câncer não é uma doença só, são várias, então cada câncer possui diferentes fatores de risco, alguns pesando mais e outros menos. Mas de forma geral, o açúcar é um dos fatores mais perigosos. Há muitos relatos de pacientes com câncer que observaram uma melhora significativa após retirar o açúcar e os carboidratos da dieta.

Porém, ainda são necessários mais experimentos prospectivos e randomizados para que se descubra a relação exata da redução de carboidratos com a regressão de diversos tipos de câncer, incluindo um estudo das diferentes rotas metabólicas bioquímicas envolvidas. Nossas células saudáveis podem usar tanto glicose quanto corpos cetônicos como fonte de energia. No entanto, há evidências de que as células cancerosas utilizam apenas glicose.

Recentemente muito tem se falado sobre o uso da fosfoetanolamina para tratamento de câncer. Ela é uma amina envolvida na síntese de lipídeos. É produzida em nosso corpo e forma as membranas celulares, que são constituídas por uma bicamada lipídica. Seguindo o raciocínio apresentado ao longo do texto, uma possível conclusão seria que o uso da fosfoetanolamina sintética supriria, em parte, a falta de gordura em nossa alimentação, o que pode gerar benefícios na resposta imune de nosso corpo. A propósito, alguns dos procedimentos recentes mais revolucionários para tratamento de diversos tipos de cânceres têm sido através de imunoterapias: incentivar a resposta imune de nosso corpo. E nós sabemos uma maneira muito eficaz de aumentar nossa imunidade: através do consumo de alimentos com alta densidade nutricional, o que inclui gorduras.

Porém, aqui vai uma ressalva: não sou especialista em câncer, então eu recomendo o livro “O Imperador de Todos os Males: Uma Biografia do Câncer” de Siddhartha Mukherjee para uma maior compreensão do assunto (esse ano foi feito um excelente documentário sobre o livro), especialmente para saber mais sobre a história do câncer de pulmão e os diferentes métodos de tratamento já tentados para o câncer: dos mais antigos aos mais recentes. Doenças crônicas como o câncer são multifatoriais, então seria precipitado pensar que um dia existirá um panaceia mágica que irá curar todos os tipos de doenças.

No entanto, é verdade que existem alguns procedimentos mais eficazes que outros, embora alguns deles também possam variar de pessoa para pessoa, já que tanto fatores genéticos quanto ambientais estão em jogo. Conforme comentado no livro “Epigenética” de Richard C. Francis, a influência do meio ambiente sobre os genes não é algo estático e sim dinâmico. Nós temos um controle sobre os nossos genes muito maior do que imaginamos. A nossa propensão genética de ter ou não uma doença não é o fator crucial que determina nosso destino. Na verdade, para muitos tipos de enfermidades é justamente o contrário: dependendo da nossa alimentação, podemos evitar muitas doenças que parentes próximos já tiveram. Até mesmo algumas doenças com as quais os bebês já nascem ou que são adquiridas na infância podem ser evitadas dependendo da alimentação da mãe durante a gravidez ou do consumo de açúcar ou carboidratos na primeira infância (como é o caso do diabetes tipo 1).

E sobre a relação de consumo de gordura de carnes e ovos com doenças cardiovasculares? Basta olharmos a capa da revista Time do ano passado para concluirmos que houve uma mudança em relação à reportagem de 1984:

Contudo, é preciso tomar muito cuidado com reportagens de revistas sobre alimentação. Muitas vezes são feitos estudos observacionais (que estabelecem somente correlações e não causa e efeito) ou estudos com ratos, e as capas de revistas já estampam títulos duvidosos.

Assim como no passado se questionou a relação de causa e efeito do cigarro com o câncer de pulmão, atualmente muitos estão enfrentando resistência a aceitar a influência do consumo de açúcares e carboidratos com a maior parte das doenças crônicas.

Geralmente nos mostram aquelas imagens de um vaso sanguíneo sendo entupido por uma placa de gordura (aterosclerose) e dizem que o que causou a placa de gordura foi a gordura de carnes, quando na verdade os culpados foram os carboidratos (pão, massas, arroz, açúcares). Se a gordura de carnes realmente fosse responsável por doenças cardiovasculares, veríamos muitos animais na natureza com problemas de coração, o que não se verifica, sendo que eles comem os animais inteiros, incluindo pele e órgãos. Quem tem câncer são nossos animais domésticos que comem rações cheias de carboidratos em vez de carne. Na verdade, é observado que em diversos povos caçadores-coletores (incluindo os esquimós, que possuem mais de 90% da alimentação de origem animal) eram praticamente inexistentes doenças como câncer, aterosclerose e diabetes antes do contato com os alimentos ocidentais.

Muitas pessoas têm medo de possuir colesterol elevado, quando sabemos que o HDL é extremamente benéfico. Já o LDL se divide em dois tipos: há as partículas pequenas e densas, que são prejudiciais (advindas da metabolização dos carboidratos) e as partículas grandes e leves que são benéficas (vindas da gordura natural dos alimentos). A formação da aterosclerose começa com uma inflamação. Há evidências de que os grãos, açúcares e gorduras trans (gordura vegetal hidrogenada, como as margarinas) são inflamatórios e baixam a imunidade.

Um dos exames de sangue mais importantes para saber como anda sua saúde é a análise da glicemia e da insulina. Porém, para se ter um marcador ainda mais confiável do que a glicose em jejum, um dos exames mais indicados é a hemoglobina glicada (HbA1C). No livro “A Dieta da Mente” de David Perlmutter, é sugerido que o valor ideal deve estar entre 5 e 5,5. Um valor da insulina acima de 5 significa que o pâncreas está sobrecarregado e que o nível de açúcar no sangue não está sob controle.

E por que hoje em dia há tantas pessoas com falta de vitamina D? Em primeiro lugar, há a resposta que já sabemos: pelo medo do câncer de pele, evitamos tomar Sol. Porém, também há outra explicação: a vitamina D (que alguns consideram ser um hormônio ou esteroide), que atualmente também é usada para o tratamento de doenças autoimunes como a esclerose múltipla, é lipossolúvel (assim como as vitaminas A, E e K): ou seja, ela é solúvel em gorduras. Como hoje em dia se evita gorduras na alimentação devido a todas essas recomendações nutricionais sem base científica adequada, a vitamina D acaba não sendo absorvida e utilizada corretamente pelo nosso organismo. O colesterol presente na pele precisa ser exposto aos raios ultravioletas do Sol para haver a produção de vitamina D pelo corpo. A fórmula química do colesterol e da vitamina D são quase indistinguíveis.

Sobre vegetarianismo: não vou entrar nas discussões éticas e econômicas envolvendo o tema. Apenas irei ressaltar que é totalmente possível seguir um estilo de alimentação Low-Carb (ou seja, com baixos carboidratos) e ser vegetariano. A foto no topo da postagem é um exemplo. Ser vegano já é mais difícil, mas também é possível.

Eu ainda teria muitas coisas a dizer sobre esse assunto, mas acho melhor finalizar por aqui.

Finalmente, vale a pena ressaltar que ainda há muito a ser descoberto no campo da nutrição. Os atuais microscópios (incluindo o eletrônico) não são potentes o suficiente para observarmos de perto o funcionamento de uma célula. Muito do que sabemos ainda são hipóteses. Como será que a insulina age realmente e de que forma os carboidratos atuam no nosso corpo? Nós só conseguimos observar os resultados aqui fora e desenvolver hipóteses sobre o funcionamento de tais mecanismos. No futuro é possível que saibamos mais, que se deixe de lado conceitos atuais, se criem novos e se resgate os antigos.

Aqui vão dicas rápidas sobre recomendações nutricionais que funcionam bem, tanto para perda de peso como para melhorar a saúde: o consumo de carnes, ovos e vegetais folhosos e de baixo amido pode ser feito sem restrições (evitando carnes embutidas, que podem ter adição de amido ou açúcar). Alimentos de baixo índice glicêmico a ser consumidos com moderação: morangos e outras “berries”, coco, abacate, queijo amarelo e manteiga. Alimentos a serem evitados: carboidratos como trigo, milho, arroz, etc. Lembre-se que na hora de consultar o rótulo de um alimento é mais importante saber a quantidade de carboidratos do que as calorias. Para mais recomendações de alimentos e seus respectivos índices glicêmicos, sugiro consultar o livro “A Dieta dos Nossos Ancestrais” de Caio Augusto Fleury.

Esse é um post meramente informativo que expressa a minha opinião e a minha interpretação da opinião de autores dos livros citados que li. Realize alterações em sua dieta de forma gradual (já que alterações alimentares resultam em mudança na microbiota intestinal) e somente com a aprovação e orientação de seu médico e/ou nutricionista, especialmente se você possui alguma doença e toma medicação, pois as recomendações alimentares podem mudar de acordo com a pessoa e com as condições patológicas apresentadas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/quebra-de-paradigmas-na-nutri%C3%A7%C3%A3o

Mapa Astral de Aleister Crowley

Aleister Crowley (12 de Outubro de 1875 – 1 de Dezembro de 1947), nascido Edward Alexander Crowley, foi um influente ocultista inglês, responsável pela fundação da doutrina Thelema. Ele é conhecido hoje em dia por seus escritos sobre magia, especialmente o Livro da Lei, o texto sagrado e central da Thelema, apesar de ter escrito sobre outros assuntos esotéricos como magia cerimonial e a cabala.

Libriano com Lua em Peixes, Ascendente em Leão e Caput Draconis em Áries. Uma pessoa que possui uma percepção dos outros e o íntimo em estreito contato com o Plano astral, que gosta de aparecer e de se mostrar e ao final de sua vida, terá se tornado um líder.

O gosto de Crowley pelo oculto vem da combinação forte de Júpiter em conjunção a Mercúrio (em Escorpião), que indica não apenas que a mente de Crowley procurava buscar o que há de mais profundo nos mistérios como seu facilitador natural também o impulsionava para tal. Mercúrio em Escorpião é a mente daqueles que desejam desvendar mistérios, encontrada tanto em céticos quanto em ocultistas.

O Planeta mais forte do Mapa de Crowley é Plutão (em Touro), que indica uma pessoa voltada para experimentar tudo o que a vida pode oferecer. Sua combinação com a Lua em Peixes (em sextil de 0,2 graus) faz com que ele canalize estas experiências para o Plano Astral e escapismo da realidade. Esta combinação é comum em viciados em jogos ou drogas (o caso do Crowley). Some-se esta energia com sua curiosidade e facilidade para buscar o que há de experiências mais profundas (Mercúrio e Júpiter em escorpião) e você tem um mapa de alguém que está disposto a testar todos os limites da experimentação.

Marte é o Planeta que mostra como a pessoa briga, planeja e executa suas ações. Marte em Capricórnio é o guerreiro-planejador-estratégico, muito encontrado em militares de carreira e também em jogadores de xadrez ou outros esportes que exijam calma, planejamento e disciplina (alpinismo, por exemplo).

Uma Aspectação interessante no Mapa de Crowley é a Oposição Urano em Leão (facilidade em exibir-se para os outros) e Saturno em Aquário (facilidade para organizar/controlar/estar responsável por grupos de pessoas). Com Sol e Vênus em Libra (diplomacia), fica fácil entendermos como Aleister conseguiu mesclar e utilizar todos estes recursos e se tornar “o homem mais perverso do mundo” segundo os jornais sensacionalistas…

Engraçado notar que, ao contrário de outros ocultistas como Arthur Waite (que tinha Marte/Vênus em Virgem) ou este que vos escreve (Marte/vênus em Virgem) que abordam o ocultismo de uma maneira mais enciclopédica (pesquisar, anotar, comparar, catalogar…) Crowley era um verdadeiro porra-louca, que precisava experimentar e testar tudo em sua própria pessoa para obter o conhecimento direto em primeira mão.

Acabou quebrado e falido, mas deixou seu legado para toda a posteridade.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-aleister-crowley

Aleister Crowley

1875 – 1947
“Faça o que quiseres pois é tudo da Lei.
O amor é a lei, amor sob a vontade.”

Edward Alexander (Aleister) Crowley nasceu dia 12 de Outubro de 1875, em Leamington Spa, Inglaterra. Seus pais eram membros do Plymouth Brethren, uma seita cristã muito estrita. Como resultado, Aleister cresceu com uma educação cristã muito forte, assim como um desdém muito forte pelo cristianismo.

Ele atendeu ao colégio de Trinity na Universidade de Cambridge, abandonando os estudos pouco antes de se formar. Pouco tempo depois ele foi apresentado a George Cecil Jones, que era membro da Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (Hermetic Order of the Goldew Dawn). A Golden Dawn era uma sociedade oculta liderada por S. L. MacGregor Mathers, que ensinava magia (magick), cabala (qabalah), alquimia, taro, astrologia e outras matérias de interesse hermético. A ordem possuía muitos membros notáveis (entre eles A. E. Waite, Dion Fortune e W. B. Yeats), e sua influência no desenvolvimento do ocultismo ocidental moderno foi profunda.

Crowley foi iniciado na Golden Dawn em 1898, e iniciou muito rapidamente sua escalada através dos níveis de desenvolvimento. Mas em 1900 a ordem foi desmembrada pela separação dos membros em grupos que possuiam filosofias divergentes, e Crowley então abandonou a Inglaterra para viajar extensivamente através do Leste. Foi então, nessas viagens, que ele aprendeu e praticou disciplinas mentais de Yoga, suplementando seus conhecimentos de magia ritual de estilo ocidental, com métodos de misticismo Oriental.

Em 1903, Crowley se casou com Rose Kelly e então seguiu para o Egito para a lua-de-mel. Ao retornar ao Cairo, em meados de 1904, Rose (que até esse ponto não havia demonstrado nenhum interesse ou familiaridade com o oculto) passou a experienciar estados de transe e a dizer ao marido que o deus Horus estava tentando entrar em contato com ele. Finalmente Crowley levou Rose ao Museu Boulak e pediu a ela para mostrar a ele a imagem de Horus. Ela passou por inúmeras imagens conhecidas de do deus e levou Aleister diretamente a um tablete funerário de madeira da 26a dinastia, mostrando Horus recebendo o sacrifício dos mortos, de um sacerdote chamado Ankh-f-n-khonsu. Crowley ficou especialmente impressionado pelo fato dessa peça ter sido marcada pelo museu pelo número 666, um número com o qual ele se identificava desde a infância.

O resultado foi que ele começou a ouvir Rose, e, seguindo suas instruções, nos três dias consecutivos, a partir de 8 de Abril de 1904, ele entrou em seu estúdio e escreveu o que lhe foi ditado por uma presença envolta em sombras que permanecia atrás dele. O resultado foram os três capítulos conhecidos como Liber AL vel Legis, ou O Livro da Lei. Esse livro foi o mensageiro do despertar da nova era de Horus, que seria governada pela Lei de Thelema. “Thelema” é a palavra grega que significa “vontade”, e a Lei de Thelema é comumente citada como: “Faça o que for da sua vontade”. Como profeta desta nova era Crowley passou o resto de sua vida desenvolvendo e estabelecendo a filosofia Thelêmica.

Em 1906 Crowley reencontrou George Cecil Jones na Inglaterra, onde juntos iniciaram a tarefa de criar uma ordem mágica para continuar de onde a Golden Dawn havia parado. Eles chamaram essa ordem de A.’. A.’. (Astron Argon ou Astrum Argentium ou Estrela de Prata), e ela se tornou o principal veículo de transmissão do sistema de treinamento mágico baseado nos princípios do Thelema de Crowley.

Então em 1910 Crowley foi contatado por Theodore Reuss, o líder de uma organização de base na Alemanha chamada Ordo Templi Orientis (O.T.O.). Esse grupo, composto de maçons dos altos níveis, clamava ser o descobridor do segredo supremo da magia prática, que era ensinado em seu mais alto grau. Aparentemente Crowley concordou, se tornando membro da O.T.O. e eventualmente tomando o lugar como líder quando Reuss morreu em 1921. Crowley reformulou os rituais da O.T.O. para adaptá-los à Lei do Thelema, e investiu à organização o propósito maior de estabelecer o Thelema no mundo. A ordem se tornou independente da Maçonaria (apesar de terem sido mantidos os mesmos padrões) e permitiu a associação de mulheres e homens que não estivessem ligados à Maçonaria.

Aleister Crowley morreu em Hastings, Inglaterra, no dia 1 de Dezembro de 1947. Mas seu legado ainda vive na Lei do Thelema trazida por ele à humanidade (juntamente com dúzias de livros e escrituras em magia e outros assuntos místicos), e nas ordens A.’. A.’. e O.T.O. que continuam a seguir e desenvolver os princípios do Thelema até os dias de hoje.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/aleister-crowley/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/aleister-crowley/

Aldous Huxley

por Marco Scott Teixeira

Na cidade inglesa de Goldaming (Surrey, Inglaterra), onde nasce a 26 de julho de 1894, Aldous Leonard Huxley passa uma infância de menino tímido.

Quando começa a cursar o colégio de Hillside, revela-se um aluno inteligente e esforçado, que escreve poesias entre uma aula e outra e aproveita o recreio para decorar seu papel numa peça de Sheakspeare, tradicionalmente encenada no fim do ano letivo. Com treze anos, obtém seu primeiro “sucesso literário”. A publicação de seu poema “Cavalos do Mar” na revista da escola.

Em 1910, ingressa no colégio de Eton, reservado às crianças de famílias ricas. E Aldous tem razões para se orgulhar de seus parentes: o avô paterno, Thomas Huxley, fora médico e zoólogo de renome; o irmão mais velho, Julian, iniciava brilhante carreira de biólogo.

Também Aldous demonstra este interesse familiar pelas ciências naturais: quando sua cegueira começa a se manifestar, ele está olhando através de um microscópio (1910). A doença progride até que ele só possa ver sombras indistintas, mas desaparece ao fim de oito meses. (A desagradável experiência seria descrita em A Arte de Ver, publicada em 1943.) Em 1914, quando o trauma causado pela doença já está superado, Aldous recebe novo e profundo abalo: seu irmão Trev suicida-se.

Tudo isso faria do menino solitário um homem precocemente amadurecido, cuja obra refletiria a amargura e o pessimismo irônico e resignado de seu caráter.

Mas essa sofrida maturidade não impede que, aos 25 anos, Aldous seja um noivo nervoso e embaraçado. Em 1919, casa-se com Maria Nys, quatro anos depois de ter se formado em letras pela Universidade de Oxford. E a vida de casado viria a ampliar a atividade literária que começara em 1916, quando ele publicara versos na revista Wheels, editada pela poetisa Edith Sitwell (1887-1964), e que continuara em 1919, quando passara a colaborar no Athenaeum, revista dirigida pelo crítico John Middleton Murry.

Fugindo da agitação das grandes cidades, o casal aluga um chalé retirado, na Suíça, onde ele passa a maior parte do tempo escrevendo. Maria datilografa os manuscritos (Aldous jamais se habituaria à “diabólica” máquina de escrever) e, mais que esposa e secretaria, é um estímulo à produção do marido. Faz o impossível para que ele escreva romances e ensaios sem se deixar vencer pela insegurança e pela severidade do julgamento que dispensava a seus textos. Sua coluna de crítica dramática da Westminster Gazette, por exemplo, é quase uma consagração, mas ele tem a sensação de estar enganando o público. Maria consegue vencer esses anseios injustificados e leva Aldous a escrever dia e noite. Só interrompem o trabalho para breves passeios pela floresta ou viagens ocasionais à Itália (país que fascina o escritor e ambiente de muitos dos seus romances) Surgem o Limbo (1920), Crome Yellow (Amarelo Brilhante, 1921) e Essas Folhas Murchas (1925).

De 1928 é Contraponto, romance incomum, saudado e criticado no mundo literário da época, em que faz uma ousada elaboração formal ao construir um romance dentro de um romance e adaptar a estrutura na “Suíte Número 2 em Si Menor” de Bach à narrativa em palavras. Nele, Aldous denuncia o que acredita ser a impossibilidade do amor, da comunicação e da arte na sociedade excessivamente racionalizada, cheio de sofisticação e materializada da Inglaterra de entre-guerras. A intelectualidade britânica é mordaz e implacavelmente dissecada – Huxley está se colocando ao lado de James Joyce, Virgínia Woolf e D. H. Lawrance, inovadores que recusam criticamente a sociedade em que vivem. O misticismo e a angústia intelectual do pós-guerra estão sendo substituídos pela reação desesperada a um mundo cada vez mais tecnicista e impessoal, e Aldous, fustigando as injustiças e a hipocrisia, anseia pela volta do homem aos princípios básicos da sua natureza.

Admirável Mundo Novo, de 1932, é uma utopia na qual a fé no progresso científico e materialista é cruelmente ridicularizada: Aldous descreve em minúcias uma sociedade que resolveu o problema do excesso de população esmagando racionalmente qualquer individualidade. Outro ponto importante é o consumo. No livro, tudo gira em torno da questão do consumo, como hoje, onde vivemos atrás de marcas e etiquetas. O livro é muito bem aceito – talvez por alertar os leitores para um possível estado da sociedade futura, e se manteve conhecido através de sete décadas provavelmente por seu tom panfletário e porque quase todo mundo pode enxergar nele sustentação para suas próprias crenças. Foi saudado do na época por André Maurois como um “prognóstico pessimista, uma terrificante distopia”. No minha concepção é um extraordinário romance, que deixa marcas indeléveis mesmo no leitor mais insensível. É, respeitado o ano de publicação, a mais trágica, profética e aterradora visão do mundo, de uma civilização escravizada pela máquina e dominada pela tecnologia. Uma sociedade onde as crianças são geradas em laboratórios e especialmente treinadas para desempenhar funções pré-determinadas no meio social programado. Um mundo em que foi abolida a família e onde não há lugar para os sentimentos e para o amor. Ainda em 1932, Aldous edita a Correspondência de Lawrance. Dois anos depois, viaja para a América Central.

Em seus romances seguintes ele demonstra crescente preocupação com os grandes problemas morais e religiosos.

Sem Olhos em Gaza, de 1936, em que o relato da história salta no tempo em vez de obedecer à cronologia tradicional – recurso pouco utilizado na época e que se destaca pela criatividade ou qualidade do conteúdo, deixa clara a influência do budismo e do misticismo oriental. A bagagem cultural de Huxley impressiona. Em um determinado trecho, por exemplo, cita, com desenvoltura e pertinência, Pavlov, David Hume e o Marquês de Sade.

A narrativa em si pode não ser encontrada nas entrelinhas do livro, no entanto o enredo fez com que os intelectuais conservadores da época entrassem em polvorosa.

Se Huxley com sua alucinada lucidez utilizou a sensibilidade para prever acontecimentos, aí já é outra coisa… Lançada antes da Segunda Guerra Mundial, o fato é que a publicação trouxe idéias e visões que mais uma vez fariam os leitores refletir acerca da sociedade em que viviam.

A epígrafe de abertura é um verso da obra Samson Agonistes, do poeta inglês John Milton, cuja cegueira não era empecilho para captar o universo e transcrevê-lo como sentia, consagrando-se como uma dos maiores escritores já existentes.

Aliás, “Sem Olhos em Gaza” pode ser considerado um estudo sobre a cegueira humana que permeava as altas camadas da sociedade nas primeiras décadas do século XX. E metáforas com os olhos são bastante comuns em toda sua obra, fato que encontra justificativa biográfica.

Em 1937, Aldous transfere-se para Los Angeles, com sua mulher. Os americanos conhecem então um escritor para o qual o bem e o mal não existem em si mesmos: a vida é composta por ambos. A ninguém cabe julgar radical e definitivamente coisa alguma. Assim, seu romance já não procura mais destruir para melhorar: contenta-se em contemplar os homens, fixando sua realidade. É o espírito que transparece em Fins e Meios (1937).

Nos Estados Unidos, o trabalho continua intenso: Também o Cisne Morre (1939), sobre o tema da morte e da imortalidade. O público não identificou que o inspirador do enredo é o mesmo que levou Orson Welles a realizar o filme “Cidadão Kane”, ou seja: William Randolph Hearst, o legendário empresário, jornalista e político da Califórnia, ícone permanente da cultura de massa; Eminência Parda (1941), biografia do padre Joseph (confessor e conselheiro de Richilieu), onde se revela também a preocupação entre bem e mal; A Arte de Ver; O Tempo Precisa Parar (1944) e a Filosofia Perene (1946) são os principais livros do período, acompanhados de dezenas de ensaios literários e filosóficos.

Em 1948, Aldous recebe Laura Archera em sua casa em Wrigwood, perto de Los Angeles. Ela deseja fazer um filme, e espera contar com a ajuda do escritor, familiarizado com os meios cinematográficos. Mas Laura é italiana, e acabam falando muito mais de seu país do que a respeito de tal filme. Torna-se amiga dos Huxley e passam muito tempo juntos.

Os três se encontrariam pela última vez na Itália, em 1954. Foram dias agradáveis, mas poucos: o casal logo volta aos Estados Unidos, e Maria morre no ano seguinte. Quando recebe o telegrama de Aldous, Laura intui, antes de lê-lo, que seu amigo está agora mais sozinho que nunca. Precisa de sua companhia. Faz as vezes, durante um ano, da secretária e da companheira estimulante que Aldous perdera. E, em março de 1956, passa a substituir também a esposa, após um casamento repentino e informal.

Huxley continua sendo um homem de intensa atividade intelectual: além de sua enorme produção literária, encontra tempo para ler de tudo, desde os grandes autores da época até a Enciclopédia Britânica, que sabia quase de cor, passando pelas revistas mais extravagantes. Numa delas, lida em 1952, um artigo chamou particularmente sua atenção. Era o trabalho de um certo Dr. Osmond acerca de alguns cactos e cogumelos que produzem visões semelhantes às do êxtase religioso. Não se restringindo à teoria, Aldous entra em contato com o médico e faz experiências – com a atitude objetiva de um cientista – com mescalina e ácido lisérgico (LSD). No ano seguinte, As Portas da Percepção relatam suas impressões a respeitos dos alucinógenos. Talvez esta obra nunca tivesse saído da obscuridade se Jim Morrison não tivesse dado este nome à sua banda. As conseqüências da droga sobre a mente humana passaram a constituir um dos temas prediletos do autor.

Huxley escreve incessantemente. No ano da morte de Maria, publicara O Gênio e a Deusa, seguido, já em 1956, de Céu e Inferno.

Em 1958, acompanhado de Laura, está no Brasil, como hóspede oficial do governo. Quer ver de tudo (as obras de Brasília, as favelas do Rio de Janeiro, os índios do Mato Grosso), mas as jornadas lhe são fatigantes, apresenta-se pálido e fraco às inúmeras entrevistas e conferências. É um câncer na garganta que começa a se manifestar.

Mesmo assim, publica, no ano seguinte, Volta ao Admirável Mundo Novo, e, em 1961, viaja à Suíça. Mas os sintomas da doença, agora, já são conclusivos: Aldous deve retornar imediatamente aos Estados Unidos, para um tratamento que – no máximo – lhe prolongará a espera. De volta a Los Angeles, escreve seu último romance, A Ilha (1962), onde volta a falar da experiência com drogas, numa mensagem de amor e de confiança na humanidade. O livro trata da tentativa da fusão cultural do Ocidente e do Oriente na busca de uma convivência pacífica entre os homens (radicalmente oposta ao ceticismo irônico de Contraponto). O romance começa com Will Farnaby, jornalista que encontra-se perdido em Pala, a ilha em questão. Descoberto pelos nativos, Farnaby começa uma jornada que o levará a conclusões sobre si mesmo em relação ao novo meio em que viverá: uma nova cultura em que os valores foram estabelecidos a fim de alcançar o equilíbrio pleno da sociedade.

O Oriente como um ‘espelho’ do Ocidente. Ao invés da atitude predadora do consumo ocidental frente à mansidão oriental, o inverso acontece: o pensamento milenar tem como objetivo restaurar os resultados da inconseqüência gerada pelo avanço tecnológico.

Os habitantes da ilha seguem um livro filosófico chamado “Notas sobre o que é o quê e sobre o que seria razoável fazer a respeito disso”, que traz os princípios básicos a serem seguidos.

Aldous Huxley foi um personagem interessante. Precursor do que hoje se chama de “intelectual público” (o que se aventura em todas as áreas da criação e da política e se torna referência constante da atenção da mídia) e um dos últimos exemplares do que antigamente se chamava “renaissance man” (pessoa de múltiplos interesses e habilidades, da música ao esporte, das ciências à literatura).

Apesar das aplicações de cobalto, o escritor não apresenta melhoras. Está praticamente mudo, não pode mais ditar (como era seu hábito). Escrever a mão lhe é penoso, mas pior seria não poder empregar em literatura seus últimos dias.

Se houve no século XX um escritor que nunca cedeu ao cansaço e ao tédio, que conservou até o fim um apaixonado interesse pela vida e pelo conhecimento, que não cessou de se elevar a patamares cada vez mais altos de compreensão, até chegar, em seus últimos dias, às portas de uma autêntica sabedoria espiritual, esse foi Aldous Huxley.

Morre em 22 de novembro de 1963. Mas, nesse dia, o mundo, abalado com o assassínio de John F. Kennedy, não fica sabendo dessa outra perda. Apesar do renome que alcançara, e de contar entre seus amigos com grandes nomes das letras e da política, o escritor não tem um enterro muito concorrido: Laura e Mathew (filho único do escritor e de Maria) enterram-no como ele vivera – com simplicidade e discrição. Depois da cerimônia, comunicam ao mundo que Aldous Leonard Huxley já não existia.

1894 – 1963

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