A visão thelemita sobre os sacrifícios sanguíneos

O sacrifício de sangue é um assunto recorrente nas discussões religiosas e mágickas.

Muito se diz e muito pouco se sabe, ao menos por aqueles que não o praticam e por aqueles que o julgam sem conhecer.

Condenado por muitos e praticado desde os primórdios da civilização, o derramamento de sangue ainda é considerado um tabu.

O deus dos crististas, como retratado no Velho Testamento, era um exímio sacrificador de humanos.

Cain matou Abel, que por sua vez sacrificava animais. O deus iracundo não via com favor os sacrifícios de Cain, ao menos até o sangue de Abel ser derramado.

Maias sacrificavam crianças: seus corações eram retirados e suas peles eram usadas como vestimenta pelos sacerdotes.

Na África do Sul ainda hoje há o assassinato Muti: uma pessoa é morta ou mutilada para que partes de seu corpo sejam utilizadas como ingredientes de remédios da sabedoria popular.

Incas e Astecas acalmavam e satisfaziam os deuses com as vítimas humanas imoladas sobre os altares.

Os Thugs na Índia matavam para agradar Nossa Deusa Kali.

Escandinavos, gregos e romanos tinham em suas práticas ancestrais muitos sacrifícios, tanto de animais, quanto de seres humanos. Crianças, adolescentes, Homens e Mulheres.

O sacrifício animal costuma ser bastante solicitado nos cultos de descendência africana: na Umbanda, na Quimbanda e nos Candomblés “brasileiros”. Os animais sacrificados geralmente são galinhas, galos, caranguejos, gatos, pombas, cobras, bodes, cabras e cães.

O que fazemos aqui não é uma apologia ao sacrifício, mas um convite à reflexão e ao simbolismo arcano do ofício sagrado que envolve o sangue, seja ele procedente de algum animal, de nós mesmos, de nossa Vesica Pisces na sacra alquimia dos Kalas ou somente como um ato para saciar nossa fome e nossa sede.

Vida se alimenta de vida e o sangue é um dos Vayus mais potentes e eficazes para gerar determinadas energias dinâmicas de transformação no trabalho mágicko.

O texto de Crowley, publicado em seu Book Four, apresenta uma das teorias mágickas mais proeminentes no ocultismo tradicional thelêmico e serve de base ampla e sólida para o aprofundamento do estudo relacionado. A parte seguinte deste texto trás a tradução sobre a matéria relacionada, quem escreve é o próprio mega Therion

É esperado para nós considerar detidamente os problemas relacionados com os sacrifícios sanguíneos, tendo esta questão uma importância tradicional relacionada com a Magia. Para ser mais preciso, toda a Antiga Magia gira sobre este eixo. Em particular em todas as religiões Osirianas – Os Ritos do Deus Moribundo – são um claro exemplo. A matança de Osíris e Adonis; a mutilação de Attis; os Cultos do México e do Peru; a mitologia de Hércules ou Melcarth; as lendas de Dionísio e Mithras: todas estão relacionadas com esta idéia. Na Tradição Hebraica também a encontramos. Na primeira lição ética da Bíblia se indica que o único sacrifício que agrada os olhos do Senhor é um sacrifício de sangue; Abel, por realiza-lo, encontrou favor com o Senhor, enquanto que Caín, que oferecia vegetais, foi considerado um avarento. Isto ocorre uma e outra vez. Temos o sacrifício que se oferece pelos Judeus, depois de que Abraão foi ordenado pelo Senhor a sacrificar seu primeiro filho. A cerimônia anual das duas cabras expiatórias é outro exemplo. Também é a idéia dominante no romance de Esther, na qual Haman e Mordecai são as duas cabras ou deuses; e também no rito de Purím na Palestina, quando Jesus e Barrabás foram as cabras naquele ano em particular, do qual sabemos tanto sem chegar a um acordo sobre a data dos fatos.

Este tema pode ser estudado em The Golden Bough, de J.G. Frazer.

Já foi dito o suficiente para demonstrar que o eixo da Magia desde os tempos imemoráveis tem sido o sacrifício sanguíneo. A ética desta prática parece que não importou a ninguém em particular; e, para dizer a verdade, não deve importar. Como disse São Paulo, “Sem o derramamento de sangue não há remissão.”; E quem somos nós para discutir com S. Paulo ? Mas, depois de tudo, cada um pode julgar o que quiser sobre o tema, ou sobre qualquer outro tema, graças a Deus! Também não faz falta estudar o assunto, façamos o que façamos; porque nossa ética dependerá naturalmente da teoria que nós possuímos do universo. Se pudermos estar seguros, por exemplo, de que todos iremos para o céu quando morrermos, não haverá tanta objeção ao homicídio ou ao suicídio, como normalmente se faz – por aqueles que não sabem nada dos dois – que a Terra não é um lugar tão agradável quanto o céu.

De todas as formas, existe uma teoria oculta no sacrifício sanguíneo que é de grande importância para o estudante, não façamos portanto mais apologias. Não teríamos nem sequer feito essa apologia para uma apologia, se não fosse pela solicitude de um bom amigo de caráter mui austero, que insistiu que os trechos que agora se seguem – a parte que foi originalmente escrita – poderiam causar alguma confusão. Isto não deve ser assim.

O Sangue é a Vida. Esta simples afirmação é expressa pelos hindus como “O sangue é o veículo principal do Prana vital”. Há alguns fundamentos para afirmar a crença de que existem umas substâncias definidas, que ainda não puderam ser isoladas, e que determinariam a diferença entre matéria viva ou morta. Os Charlatões Pseudocientíficos da América, que afirmam que há uma perda de peso do corpo no momento da morte, devemos – como é natural – menosprezar, incluindo os supostos clarividentes que tem visto a alma sair da boca da pessoa em estado de Articulo mortis; mas sua experiência como explorador tem convencido ao Mestre Therion que a carne perde uma porção de seu valor nutritivo alguns minutos após a morte, e que esta perda aumenta com o passar das horas. Se sabe que a comida viva, como são as ostras, é o tipo de energia mais concentrada e que melhor se assimila. Os experimentos de laboratório sobre os valores nutritivos são inválidos, por razões que não discutiremos aqui; o testemunho geral da humanidade parece ser o guia mais confiável.

Seria irracional – deste ponto de vista – condenar aos selvagens que arrancam o coração e o fígado de seus inimigos e os comem enquanto ainda palpitam. Os Magos da antiguidade sustentavam a teoria de que qualquer ser vivo era um armazém de energia variando em quantidade segundo o tamanho do mesmo e em qualidade segundo seu caráter moral e mental. À morte deste animal esta energia se libera instantaneamente.

O animal, então, se deve matar dentro do círculo, ou no triângulo, segundo o caso, para que esta energia não se perca. Se deve escolher um animal que esteja em sintonia com a cerimônia. Por exemplo, se alguém sacrificasse uma ovelha para invocar a Marte, não obteria muita da energia violenta deste planeta. Neste caso seria melhor um carneiro. E este carneiro tem que ser virgem – a potência de toda sua energia original tem que ser intacta.

Para os trabalhos espirituais mais elevados, se tem que escolher aquela vítima que encerra a maior quantidade e pureza de força, e sem nenhuma deformação física.
Para as evocações, seria mais conveniente por o sangue da vítima dentro do Triângulo; a idéia é que o espírito pode obter deste sangue a substância, ainda que muito sutil, física, que é a quintessência de sua vida para permitir que o mesmo (espírito) tome uma forma tangível.

Os Magos são contrários ao emprego do sangue e utilizam em seu lugar o incenso. Para tal fim se pode empregar o incenso de Abra-Melin em grandes quantidades. Ainda que também sirvam os do tipo Dittany e Creta. Ambos os incensos são muito católicos em sua natureza, e são adequados para quase qualquer materialização.

Mas quanto mais perigoso for o sacrifício mágico, mais êxito se obterá. Para quase todos os propósitos o sacrifício humano é o melhor. O verdadeiro Mago será capaz de empregar seu próprio sangue, ou possivelmente o sangue de um de seus discípulos, e o fará de uma tal maneira que não sacrificará a vida irrevogavelmente. Um exemplo deste sacrifício se encontra no Capítulo 44 de Liber CCCXXXIII. Recomendamos esta Missa como uma prática diária.

Se deve dizer uma última palavra sobre o tema. Existe uma Operação Mágica com a máxima importância: a Iniciação de uma Nova Era “Aeon”. Quando é necessário pronunciar uma Palavra e todo o planeta terá que se banhar em sangue. Antes de que o Homem aceite a Nova Lei, de Thelema, se deve lutar a Grande Guerra. Este Sacrifício Sanguíneo é o ponto crítico da Cerimônia-Mundial da Proclamação de Hórus, o Menino Conquistador e Coroado ou Senhor da Era.

Todas estas profecias se encontram em The Book of the Law; que o aluno tome nota e se una as fileiras do senhor do Sol

Há outro sacrifício, que tem sido mantido como secreto por todos os Adeptos. É um mistério supremo da Magia Prática. Seu nome é a Fórmula da Rosa-Cruz. Neste caso, a vítima sempre é – para dize-lo de alguma maneira – o próprio Mago, e este sacrifício deve coincidir com a pronunciação do nome mais sublime e secreto do Deus que se deseja invocar.

Se esta operação é executada com precisão, sempre se cumprirá o efeito. Mas isto é demasiado difícil para o principiante, porque é muito laborioso manter a mente concentrada no propósito da cerimônia. O vencer deste obstáculo aumenta o poder do Mago.

Não aconselhamos que o aluno intente leva-la a cabo até que tenha sido iniciado na verdadeira Ordem da Rosa-Cruz, e deverá ter tomado os votos com a plena compreensão de seu significado, e logicamente, experiência. Sendo necessário também que tenha alcançado um grau absoluto de moral emancipada, e aquela pureza de espírito que resulta de um perfeito conhecimento das harmonias e diferenças dos planos sobre a Árvore da Vida.

Por este motivo Frater Perdurabo nunca se atreveu a empregar esta Fórmula de maneira cerimonial completa, salvo em uma ocasião de suma importância, quando realmente não foi Ele quem fez a oferenda, e sim UM dentro Dele. Porque percebeu um grande defeito em seu caráter moral, que pode superar no plano intelectual, mas até agora não o conseguiu nos planos superiores. Antes do término deste livro já o terá realizado. Os detalhes práticos do Sacrifício Sanguíneo podem ser estudados em outros manuais etnológicos, especialmente The Golden Bough de Frazer, que se recomenda ao leitor.

Os detalhes das cerimônias também podem ser aprendidos com o experimento. O método empregado para matar é praticamente uniforme. O animal deve ser apunhalado no coração, ou pelo pescoço, e em ambos os casos com o punhal. Todos os outros métodos são menos eficazes; inclusive no caso da crucifixação, a morte chega com a punhalada.

Deve-se indicar aqui, que para o sacrifício só se empregam animais de sangue quente, com duas exceções principais. A primeira é a serpente, que só se utiliza em um Ritual muito especial; e o segundo caso são os escaravelhos mágicos de Liber Legis.

Possivelmente se deveriam dar algumas palavras de cautela para o principiante. A vítima tem que estar em perfeito estado de saúde, caso contrário sua energia poderá estar como que envenenada. Também não deve ser demasiada grande, já que a energia liberada seria excessiva, e de uma proporção inimaginável pela natureza do animal. Em conseqüência, o Mago poderia perder o controle e ficar obcecado com a força extraordinária que teria liberado; então, provavelmente se manifestaria em sua condição mais baixa. O intenso propósito espiritual é absolutamente essencial para manter a segurança.

Nas evocações o perigo não é tão grande, porque o círculo forma uma barreira protetora; mas o círculo neste caso se tem que proteger, e não unicamente pelos nomes de Deus e as Invocações empregadas, também pelo hábito de defesa eficaz levado a cabo por muito tempo.

Se te alarmas ou ficas nervoso com facilidade, ou se ainda não tenhas superado a tendência que a mente tem de se distrair, não é aconselhável que executes o Sacrifício Sanguíneo. Mas não deve se esquecer que este e outros que remotamente temos mencionado são as Fórmulas Supremas da Magia Prática.
Também tu podes ter este capítulo e suas práticas como uma confusão se não compreendes seu verdadeiro significado.

Há um adágio tradicional que diz que quando um Adepto afirma uma coisa em branco e preto, que o mais seguro é que esteja dizendo uma coisa completamente diferente. A verdade nunca se expressa com a clareza de Suas Palavras, sendo sua simplicidade o que confunde aos indignos. Eu escolhi as expressões neste capítulo de tal forma que confundam aqueles Magos que permitem que os interesses egoístas turvem suas inteligências, por minha vez indico umas pistas aos que tem feito os Votos de dedicar seus poderes para fins legítimos. “Não tens outro direito que fazer Tua Vontade”.

Pharzhuph

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-visao-thelemita-sobre-os-sacrificios-sanguineos/

É preciso ouro para fazer ouro

Ouro é um dos elementos mais básicos da química e conhecido desde a Antiguidade. De cor amarela, transição brilhante, é um metal pesado e dúctil, símbolo atômico é ‘Au’ e número atômico 79. Suas principais características são de ser um material maleável, inerte e de tornar todos os seus sonhos realidade.  Neste capítulo da Fúria Periódica vamos tentar explicar porque você deveria ter um baú cheio dele.

Se podemos dizer uma coisa sobre o Ouro é que não tem o bastante para todo mundo. A ocorrência do ouro na crosta terrestre é de 0.0025 partes por milhão. Se juntarmos todo ouro que foi extraído até hoje teríamos apenas um cubo de aproximadamente 20 metros. Ou seja, todo ouro que a humanidade já viu, desde a época das pirâmides, caberia com ampla sobra dentro da Torre Eiffel. E mesmo hoje com as avançadas técnicas de mineração a produção anual de ouro por todas as empresas do mundo todo é equivalente apenas um cubo de 4.3 metros que caberia em qualquer garagem.

 

Se podemos dizer outra coisa sobre o ouro é que o ouro dura. Sendo um elemento inerte ele não interage com outros elementos e componentes químicos. Não será portanto corroído nem pelo ácido mais forte e possui resistência a oxidação, ou seja, não enferrujará. Então se você pegar uma grama de ouro e enterrar no seu jardim, daqui a um milhão de anos você terá uma grama de ouro.

À temperatura ambiente, o Ouro apresenta-se em estado sólido e puro e em forma de pepitas e depósitos aluviais. Contudo, o ouro puro é demasiadamente mole para ser usado, por isso, é, geralmente, endurecido, o que pode dar origem a três tipos de ouro. O mais comum e também o mais procurado é o ouro amarelo, no qual os elementos adicionais são o cobre e a prata. Por sua vez, o ouro branco, para além do ouro amarelo, contém também os chamados metais brancos, como é o caso, da prata, do paládio ou do níquel. E quanto ao ouro vermelho, este trata-se do ouro amarelo em conjunto com cobre, prata e zinco.

 

Para saber quanto ouro tem no seu ouro, usasse uma medida de pureza conhecida como Quilates, que funciona com base numa divisão de 24 partes. Ouro 1 quilate, também chamado de ouro 46, significa que você tem 1 parte de ouro para 23 partes de outros metais. Ouro 25 quilates portanto é algo que não pode existir.

 

A raridade e durabilidade deste elemento, assim como a facilidade de ser moldado fez com que desde que há pelo menos cinco mil anos o ouro fosse utilizado como moeda de troca em várias partes do mundo. Se você é um viajante do tempo é uma boa ideia levar algumas gramas com você onde quer que você vá. No entanto, só em finais do século XVIII é que ele adquiriu um estatuto monetário universal. As aplicações industriais, em especial no campo da eletrônica fez com que seu valor aumentasse ainda mais na era moderna.

 

 

Porque comprar ouro?

Ouro é medido e precificado usando Onças ou Gramas. Como um exemplo da capacidade do ouro de guardar valor, considere apenas que a dois mil anos atrás uma onça de ouro podia “vestir um homem com muita pompa” segundo contam os registros arqueológicos . Hoje esta mesma onça de ouro ainda poderia vestir um homem com um bom terno, camisa, gravata, cueca, meia, cinto e um bom par de sapatos. Com uma grama de ouro você poderia fazer uma excelente refeição hoje ou um milênio atrás. O cardápio e a moda mudam, mas o poder de compra do ouro permanece.

 

O Ouro já foi chamado de “Barômetro do medo.” Quando as pessoas ficam ansiosas sobre a economia eles se voltam para o ouro, o que faz seu preço subir. As duas coisas principais que fazem uma pessoa fica ansiosa sobre a economia são a deflação e a inflação. Algumas pessoas acham que deflação é queda de preços e inflação alta dos preços,mas estes são só sintomas. A raiz da alta e da queda contínua é a falta ou excesso de dinheiro circulando. Ouro possui a admirável qualidade de armazenar valor tanto em tempos de inflação como de deflação. Sua qualidade inerte é tão eficiente ao mercado quanto ao ácido sulfúrico.

 

Em termos de investimento, a maneira correta de se pensar no ouro é como um seguro. Ouro consegue armazenar valor independente das condições econômicas. Diferente de ações e títulos do governo, ouro sempre mantém seu valor. O uso mais importante do ouro é o de ser a garantia do tesouro do seu pais contra o mero papel representado pelo dinheiro. Quase todo pais passou por alguma crise financeira nos últimos cem anos. Aqueles que tinham sua riqueza em ouro sobreviveram.

 

Então, pense no ouro como um seguro. Não como uma forma de “fazer dinheiro”. Não entre no jogo do mercado. É melhor comprar ouro em pequenas quantidades regularmente, mensalmente por exemplo. A porcentagem do total de sua riqueza convertida em ouro é uma decisão pessoal e depende de sua situação em particular. 10% é uma meta conservadora. Em tempos de incerteza a porcentagem deve subir.

 

Não se preocupe se conseguirá vender o ouro se as coisas piorarem. Ouro é facilmente reconhecido e valioso em qualquer lugar do mundo. É mais fácil vender ouro do que comprá-lo.  Para resumir, ouro é um seguro contra tempos de incerteza econômica. Ouro pode protege-lo contra deflação e inflação. Todo mundo deveria ter parte de suas posses em ouro se possível.

 

 

Porque o preço do ouro não bate com o índice?

Quando você começa a se interessar pela compra de ouro você pode se perguntar porque há diferença entre os preços de um vendedor para outro.

 

Em primeiro lugar o preço do ouro que aparece nos jornais é o valor de uma onça de ouro, aproximadamente 31 gramas. Este é um preço geralmente fixado pelo mercado e pode ser consultado em diversas páginas pela internet. Mas além desta variação de preço da onça de ouro os valores disponíveis sempre parecem estar acima do estipulado pelo mercado. Digamos que a onça de ouro hoje esteja $787,50. Você encontrará vários negociantes com preços em torno de 830.80 a onça. Poderá pagar $832 por um American Gold Eagle de 1 onça, ou $826.90 por uma Barra de uma onça da OM D.T.V.M, ou mesmo $819.00 por um Krugerrand Sulafricano, também de uma onça. Sendo que cada uma contêm a mesma quantidade de ouro, porque esta variação?

 

Existem muitos outros fatores envolvidos na hora da precificação de uma moeda de ouro, e tradicionalmente os vendedores cobram o chamado “coin premium.”. Se ele vendesse a moeda, pelo preço exato da onça, não haveria como cobrir os gastos de manufatura, fretagem, impostos e seguro, sem mencionar é claro as margens de lucro do vendedor.

 

O mercado de ouro afinal, não é diferente de uma indústria de comida ou de roupas. Cada pessoa ou empresa envolvida na cadeia de compra desejará cobrir seus gastos e garantir seu próprio lucro. No caso das moedas existe ainda o fator raridade, que por ser de importância aos colecionistas também acaba mudando o preço do o produto.

 

Como investir em ouro?

Além do poder de reserva de poder de compra o ouro passa historicamente por uma lenta mas constante valorização. A razão é simples, o número de pessoas cresce em escala logarítmica, mas a produção anual de ouro se esforça para conseguir manter os 4 metros cúbicos que mencionamos acima. Assim, o investimento em ouro é em geral um investimento de longo prazo, ou seja de retorno esperado entre cinco e dez anos ou mais. O gráfico abaixo mostra o preço do ouro em dólares desde 1973 até 2011.

 

 

 

 

Uma onça em 1973 valia $64 e agora vale $900. Isso representa um “retorno sobre o investimento, maior que 1000%. Se formos computar os dados apenas a partir do ano 2000 ainda assim podemos afirmar que o ouro deu um retorno maior do que qualquer investimento em ações.

 

Além disso ao analisar o mercado algumas pessoas podem fazer boas decisões de compra e venda e lucrar no longo prazo também. Análises de gráficos e de fatores macroambientais podem ajudar a apontar alguma tendência a ser aproveitada. No Brasil, o preço do ouro é calculado a partir do valor negociado em Nova York, este por sua vez calcula o valor baseado nos números das 30 maiores empresas do ramo.

 

 

Que tipo de ouro comprar?

O valor do Ouro tem consistentemente se elevado nos últimos anos e há poucos indicativos de que isso vá mudar. Vivemos em um mundo tão estranho que você precisa de papeis tanto para provar que nasceu como para limpar a bunda. Existe uma diversidade de opções a disposição de quem quer comprar, vender e manter ouro de papel também. Mas este tipo de ouro não será muito útil no caso de uma invasão zumbi ou da terceira guerra mundial:

 

Ouro BMF: São certificados que representam uma parte do ouro guardado no cofre de algum banco. Ao comprar uma quantidade específica você recebe um certificado. Como acontece com todo commodity, o preço do ouro é alvo de flutuações o valor do certificado acompanha estas mudança, podendo valorizar ou desvalorizar. A desvantagem desta opção é que é considerado um investimento e portanto paga impostos na realização de lucros e nos ganhos de capital.

 

Ações de Mineradoras: Outra opção é comprar ações do mercado extrator de ouro, ou seja, investir em mineradoras. Neste caso, leve em consideração que o lucro dependerá de muitos outros fatores além do valor do ouro. Uma mineradora deve produzir uma certa quantidade de ouro de um dado jazigo e é isso que lhe dá valor. Se a mina supera as expectativas o valor da ação tende a crescer. Mas se a mina se esgota antes do tempo, então o preço da ação tende a cair rapidamente. Mesmo o câmbio da moeda do país onde a mineradora se encontra pode causar uma queda ou alta do valor de seus papéis, entre muitos outros fatores.

 

 

Ouro Futuro: O Ouro Futuro é outra opção. Normalmente esta é a alternativa predileta dos grandes especuladores internacionais e experts do mercado, sendo raramente a opção do investidor pessoal. A razão é simples: o Mercado Futuro lida com um cenário cheio de perigos e incertezas e é muito fácil perder um monte de dinheiro em negociação de futuras de ouro. Se vale o conselho, esta alternativa fica melhor na mãos dos especialistas.

 

Ouro Físico

Se por outro lado você quer sentir o peso do ouro nos bolsos e tem interesse em comprar comida e remédios em cenários apocalipticos, o Ouro físico, como barras, moedas e ouro laminado são algumas opções:

 

Moedas de ouro: Uma das vantagens é que as moedas de ouro geralmente possuem uso legitimado em seus países e assim não são tributadas. Além disso são fáceis de transportar e armazenar e também fáceis de alienar ou vender. A desvantagem é que muitas vezes você vai pagar a mais pelo valor de colecionador, próprio das cunhagens comemorativas.

 

Joias de Ouro: Embora seja a primeira ideia que venha a cabeça das pessoas, devemos lembrar que o valor da joia é sempre muito superior ao valor do ouro nela contida. isso porque pagamos também pelo trabalho artístico e luxuosidade envolvida na compra. Esta é uma opção para decoração e presentes, nada mais.

 

Barras de ouro: Assim como as moedas são fáceis de transportar, armazenar e vender também. Certifique-se de adquirir apenas barras cunhadas pelo governo ou por alguma grande empresa do setor. Uma consideração quanto as barras é que podem haver tributações dependendo da finalidade declarada da sua compra. Ao comprar barras de ouro lembre-se que há um aumento no preço, acima do preço do ouro no mercado, isso é normal e esperado já que o vendedor ou fornecedor precisa para pagar as despesas de análise, certificação, cunhagem, etc. No entanto, com o aumento constante no valor isso raramente chega a ser um problema.

 

Ouro Laminado: Outra boa opção que também tem muitas vantagens. O grande diferencial do ouro laminado é que ele pode ser adquirido em praticamente qualquer gramatura. A desvantagem é que ela precisa vir acompanhada de alguma certificação lacrada que legitime seu valor na recompra.

 

Onde comprar ouro?

Decidir onde você comprará ouro físico é uma decisão importante também. O conhecimento que você precisa para achar o melhor vendedor consiste em um conhecimento geral e específico sobre o ouro em si.

Use a mesma aproximação do bom senso que você usa para fazer qualquer compra importante. Depois de determinar o que você quer comprar, faça uma lista de vendedores potenciais. Em seguida entre em contato com eles pedindo mais informações. Estas informações incluem o endereço e os dados para contato sejam eletrônicos ou físicos. Em seguida liste alguns critérios que serão usados para eleger os três vendedores principais. Estes critérios podem ser:

 

  •  Quanto tempo esta empresa está no mercado?
  •  Quais são seus termos e condições de pagamento?
  •  Qual sua política de recompra?
  •  Seu preço é atrativo e de acordo como mercado?
  •  Qual a sua segurança durante a transação?
  •   A empresa é recomendada por pessoas que você conhece e confia?
  •   O vendedor é algum cigano de Wall Street ?

 

Em seguida faça sua própria comparação entre as empresas pesquisadas para eleger as três mais adequadas. Use a internet, o contato direto e principalmente a experiência de outras pessoas com estas empresas. Não tenha medo de dizer claramente as companhias que você as esta avaliando e gostaria de ter algumas respostas as suas perguntas. É importante encontrar nestas empresas uma pessoa que seja o seu contato principal. A esta altura você já estará apto a escolher duas entre as três empresas.

Uma abordagem é fazer uma compra pequena de teste em cada um dos vendedores potenciais. Outra alternativa é comprar cada mês de uma companhia diferente. De qualquer forma, considere todos os custos envolvidos em sua aquisição, incluindo, taxas, fretes e seguros antes de completar a transição. Baseado em sua experiência você encontrará boas empresas para comprar ouro. Idealmente você deveria tentar construir uma relação de longo prazo com uma boa empresa.

Aqui estão algumas coisas que você deveria ter em mente ao comprar ouro:

Procure por lojas perto que você possa visitar. Busque ouro cunhado pelo governo ou empresas sólidas. O Mercado Livre pode ser uma opção, especialmente se você possui interesse em colecionismo. Conforme o ouro se tornar popular veremos mais e mais anúncios de produtos do ouro. Seja muito cuidadoso sobre estas ofertas e lembre-se do processo acima. Se parece bom demais para ser verdade provavelmente é mesmo.

 

Como testar se o Ouro é de verdade?

 

Você finalmente tem o ouro em mãos e agora só precisa ter certeza de que não foi enganado. Existem várias técnicas para se testar se uma dada amostra é mesmo feita de ouro, ou apenas é aparente ou meramente banhado.

 

Antigamente, as pessoas cheiravam o ouro porque se ele apresentar nenhum cheiro tem grandes chances de ser ouro, já que não impregna facilmente. E quando detectavam algum aroma, mesmo metálico desconfiavam de que não fosse o que parecia.

O ouro puro é encontrado na natureza, ele tem uma consistência próxima à do chumbo. Por isso ao mordermos , nossos dentes terão dureza suficiente para marcá-lo, daí o teste da mordida visto nos filmes.

Existem também outros minérios de cor amarela, como a pirita, que é sulfeto de ferro, e é chamada de ouro de tolo, por ter um valor muitíssimo baixo e muitas vezes consegue enganar garimpeiros desavisados, que acreditam terem descoberto ouro. A dureza da pirita é muito maior do que a do ouro, é impossível marcá-la com os dentes.

O ouro, quando combinado com outros metais, como platina, cobre, níquel, ferro, prata e ainda outros, tem sua dureza aumentada, e estas ligas são usadas pelos joalheiros para ser possível criar peças utilizáveis. Não dá para fazer artefatos com ouro puro, pois pela sua falta de resistência mecânica, elas logo iriam se deformar com um mínimo de pressão sofrida.

Estes artefatos ganham uma dureza maior do que a dos nossos dentes, desta forma, fica impossível riscá-los somente com uma mordida.

Outro método possível é medindo a densidade da sua amostra. Sabemos que o ouro tem uma densidade de 19,3 g/cm³. Ou seja, basta calcular o volume dividindo o peso (massa) pelo volume da peça e compara com a densidade do ouro. O ouro é um metal pesado, se der menos do que o esperado, desconfie.

 

Ainda assim, a falsa barra de ouro pode pesar o mesmo que uma normal se for feita de tungstênio no seu interior. Por isso peça/faça um teste de condutividade elétrica e/ou térmica do metal principalmente se for comprar em grandes quantidades, em sua presença naturalmente.

Além disso, fique de olho no preço que estão cobrando pela peça. Se o valor estiver muito abaixo do de mercado, desconfie. Quando falamos de ouro se é bom demais para ser verdade, provavelmente é falso mesmo.

 

Como esconder seu ouro?

 

Conforme o cenário internacional fica mais e mais caótico e a crise dá sinais de que chegou para ficar, mais pessoas se refugiam no ouro como forma de entesourar suas posses dos efeitos maléficos da inflação galopante de do deflação inexorável. E conforme as pessoas perdem sua confiança nas instituições cresce também o número de pessoas que opta pela compra de ouro físico. A febre do ouro chegou ao ponto de que o artigo mais comentado da Bloomberg ser o de Ben Steverman no qual escreveu: “Se você está procurando um lugar seguro para colocar seus investimentos, Chad Venzke tem uma sugestão: cave um buraco no jardim de cerca de 1,2 metros de profundidade, embale seu ouro e prata em plástico, sele-o e enterre-o. Dificilmente Venzke é a única pessoa que quer seus metais preciosos por perto. 1 libra de ouro vale cerca de 24 mil dólares e pode ser facilmente colocada no bolso, a questão de como protegê-la é uma decisão importante.

 

Os chamados Punk-Investors que não confiam nos bancos tentam encontrar maneiras criativas de proteção, seja enterrando no jardim ou submergindo no seu Koi Pond, ocultando atrás do encanamento do ar condicionado ou debaixo do carpete. de fato, conforme a Venezuela exigir a posse das suas toneladas de ouro adquirido da Inglaterra, mesmo e o Banco central Holandês orgulhosamente admitir que esconde seu ouro da vista de todos, o tema deve incendiar como rastilho de pólvora. De fato, entre 2010 e 2011 foram sacados mais de 100 toneladas de ouro físico só nos estados unidos. Então, quais são as opções?

 

Um simples detector de metal pode detectar o ouro enterrado a 14 polegadas dependendo do solo, dai a sugestão de Venzke do buraco de 1, 2m. Os fóruns na internet fervilham em sugestões, que vão de cofres elaborados até a chamada manobra “hiding in plain sight”, ou seja, ocultar mostrando, por exemplo comprando barras de ouro, pintando-as de preto e usá-las como aparador de portas.

 

O artigo da Bloomberg nos lembra que por melhor que possamos esconder o ouro, nada pode parar uma pessoa determinada com uma arma na mão de força-lo a revelar onde esconde seu tesouro. Por isso é importante não contar para ninguém, nem mesmo pessoas de confiança que você tem ouro guardado. A melhor maneira de guardar seu tesouro é não deixar ninguém saber que ele existe para começar.

 

Tiamath

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/e-preciso-ouro-para-fazer-ouro/

Entrevista com Del Debbio no site Animus Libertus

Por Daniel Moricz

Era um fim de semana relativamente tranquilo e durante minhas pesquisas na internet me deparei com a Coluna Teoria de Conspiração no site Sedentários e Hiperátivos. Achei os posts interessantes e no fim das contas acabei devorando o material escrito, e passando para o site do autor, Marcelo Del Debbio, onde encontrei mais uma quantidade sem fim de posts. Marcelo Del Debbio é um cara polêmico, faz suas declarações e indagações com a coragem de poucos.Mas uma coisa é certa… quem lê material de Del Debbio, acaba tendo sua sede por mais conhecimento desperta. O Animus não podia perder a oportunidade de saber o ponto de vista de Marcelo sobre alguns dos assuntos que abordamos aqui. E sendo assim… segue abaixo uma esclarecedora entrevista. Um abraço a todos!

Nascido em 1974, é hoje considerado um dos maiores escritores de Role Playing Games do Brasil.

– Formado Arquiteto pela FAU-USP e com especializações em Semiótica, História da Arte e Urbanismo, Mestre de RPG com ênfase no uso do RPG na Educação e técnicas teatrais aplicadas ao RPG, escritor com mais de 45 títulos publicados e mais de duas centenas de artigos publicados em revistas.

– Autor do site www.deldebbio.com.br e colunista do site “Sedentário e Hiperativo” www.sedentario.org, onde escreve semanalmente sobre ocultismo e filosofia. Autor da Enciclopédia de Mitologia, e Editor chefe da Daemon Editora, a segunda maior editora de livros de RPG no Brasil.

– Membro Maçon, Frater Rosacruz e iniciado em diversas ordens, é conhecedor de Tarô, Runas, Kabbalah e Numerologia formado pelas escolas herméticas mais tradicionais do ocidente.

– Faixa-Preta (10º grau) de Kung Fu, praticante do estilo Louva-Deus Sete Estrelas e professor e praticante de Chi-Kung, modalidade de técnicas de kung fu que lidam com energia interna.

Animus – Com frequência, você indica em seus textos as obras básicas de Alan Kardec como importante estudo para aqueles que buscam o conhecimento. Chico Xavier também é citado algumas vezes de forma positiva. Gostaria de saber como você vê o material psicografado por Chico Xavier, principalmente no que se refere aos “Romances de Emmanuel”, série composta por obras como “Há 2000 anos” e “Paulo e Estevão” onde Jesus é descrito de forma muito mais parecida com o Jesus “Católico” do que com o Jesus “Histórico” ou Yeshua.

MDD – Acredito que tenha tido interferência da egrégora na qual ele estava ligado, ou que seja o ponto de vista daquela entidade/espírito, pois não é porque alguém está no astral que vai ter acesso a todas as informações que tinha no Físico. Muitas informações são passadas de acordo com o que a egrégora deseja e, naquele momento, o espiritismo precisava do apoio dos católicos, que formariam a grande massa dos espíritas de hoje em dia, e uma visão que fosse mais aceitável aos seus olhos seria a melhor forma de ampliar aquela egrégora.

Animus – Jogo rápido… Estaria o espiritismo de hoje muito influenciado pelo catolicismo? Sim ou não? Chico Xavier tem parte nisso? Sim ou não?

MDD – Sim. Muito. O Brasil é um país com mais de 88% de católicos. É natural que a imensa maioria dos espíritas tenha vindo deste movimento, e boa parte deles trazendo os dogmas e preconceitos inerentes de passar a vida toda sem pensar e aceitando o que lhes era imposto. Vejo muitos espíritas venerando Chico Xavier como se ele fosse um Santo Católico (não é “privilégio” dos kardecistas isso… vejo muita gente tendo a mesma atitude na Grande Fraternidade Branca, no Pró-Vida, na Gnosis e em outros lugares). Muito da visão católica se manifestou na tradução dos textos do francês para o português dos livros de Kardec, nas atitudes contra a Astrologia Hermética e contra a Umbanda. Até na visão dos livros do Kardec como se fossem “bíblias” espíritas…

Animus– Ainda no que se refere à obra “Paulo e Estevão”, que conta a história de Saulo de Tarso (São Paulo), durante o texto, Paulo se encontra com o espírito de Jesus e este momento se torna um divisor de águas em sua vida, levando-o a se transformar em Paulo, o apóstolo.
Como seria isso possível se Jesus não havia morrido na cruz, estaria Jesus se apresentando a ele através de projeção astral? E mais, há quem diga que foi Paulo quem criou a imagem de Jesus que vemos hoje. Outros, o tem como um espírito de altíssima elevação. Qual a sua visão de São Paulo Apóstolo?

MDD – É a visão daquela egrégora, que ficaria mais palatável ao público brasileiro e causaria menos problemas. Na verdade, Paulo teve uma visão que seria mais agradável aos romanos, que depois foi abraçada por Constantino, então, por tabela, ele é indiretamente responsável pela visão deste Cristo-Apolo que temos hoje na ICAR e nas evangélicas.

Animus – Fica claro em seus depoimentos o seu descontentamento com a igreja Católica. O passado da igreja Católica realmente a condena, tendo em vista que até mesmo o último Papa, João Paulo, pediu perdão pelas atrocidades cometidas. As igrejas evangélicas, principalmente as caça-níqueis, também não lhe agradam (e a mim também não). No entanto, tenho o prazer de conhecer alguns padres e pastores destas igrejas que são pessoas boníssimas e que trabalham incessantemente em prol do próximo e no bem. Muitas vezes indo fazer caridade onde poucos espiritas, por exemplo, arriscariam ir. Será que estas instituições não tem também seu lado bom? Será que estes padres e pastores não acreditam mesmo no trabalho que está sendo feito como a obra de Deus? Ou será que todos eles tem conhecimento de todo o processo por trás destas instituições, de todas as histórias, que como foi citado no www.sedentario.org, foram inventadas para manter o controle e o poder sobre as pessoas através do medo e ainda assim continuam seguindo em frente? Resumindo, seriam eles controlados ou controladores?

MDD – Existem pastores e padres de boa-fé, que realmente acreditam estar fazendo o trabalho do velhinho barbudo e que conquistarão o seu “espaço no céu” quando morrerem. E fazem o que fazem de coração. Não são muitos, mas existem. Essas pessoas estão se enganando e enganando os fiéis, porque ficam mergulhados em dogmas e serão conflitados com eles quando morrerem. Já vi muitos cardeais e padres fazendo ataques astrais em centros espíritas, ou então revoltados em Igrejas da IURD após sua morte (sendo tratados como falsários de satanás quando conseguiam incorporar em algum médium inconsciente no público, claro!). Alguns são espíritos mais evoluídos que escolheram vir à Terra com pouca instrução para atender justamente a este publico sem estudos ou instrução. Seguem o que chamamos de “Via Úmida” da Árvore da Vida e, após suas mortes no Plano Físico, entenderão sua missão e continuarão o progresso.

Animus– Agora falando sobre os frequentadores das igrejas católicas e evangélicas. É comum ouvirmos nos centros espíritas frases do tipo: “Todos estão exatamente onde devem estar, afinal, não há coincidência”. Segundo alguns espíritas principalmente, se uma pessoa frequenta a igreja evangélica e se submete ao controle através do medo do demônio e ao pagamento de dízimos descabidos, isso é porque se trata de um espírito ainda muito rebelde, que tem dificuldade em se manter no caminho do bem por si só, e que estas religiões serviriam como um controle necessário a estes indivíduos, para que eventualmente, em outras reencarnações possam buscar a iluminação sozinhos e fazer o bem porque sabem que é o certo. Você concorda com estas afirmações? Até que ponto?

MDD – Concordo sim. É muita pretensão achar que um iletrado ignorante teria capacidade para seguir os Exercícios de Franz Bardon, por exemplo. Para aquela classe de espíritos, é melhor e mais condizente com o estado de consciência dele ouvir um “faça o bem ou vá para o inferno!” que estará mais em sintonia com o que aquelas pessoas entendem. Mais cedo ou mais tarde, migrarão para sendas mais adaptadas ao seu nível intelectual e espiritual.

Animus – O Santo Daime é uma religião tipicamente brasileira, mas conta com influências diversas. O Sacramento utilizado é a Ayahuasca, cuja história remete aos Incas, Maias e quiçá até aos Atlantes. O conteúdo doutrinário sofre clara influência da igreja católica, sendo que os trabalhos principais são realizados em dias de santos, como Santo Antônio e São José. Além disso, diversos hinos, inclusive no principal hinário, do Mestre Irineu, se referem a seguir a linha espirita, a seres espirituais e a reencarnação. Como você enxerga a doutrina do Santo Daime?

MDD – Infelizmente, em muitos lugares acabou virando uma mistureba. A Ayahuasca é uma erva que serve para despertar o Caminho 32, conectando a matéria ao astral. Infelizmente, o ser humano só consegue profanar tudo o que coloca as mãos e conseguiu deturpar até mesmo o uso destes chás como conexão com o divino.

Os piores exemplos são a mistura do chá com cocaína (Santa Clara), Maconha (Santa Maria) e crack (São Pedro) com essa desculpa esfarrapada de entrar em estados alterados de consciência que existem em alguns lugares por ai. Os daimistas não são pessoas más, como as igrejas e até mesmo os espíritas ficam falando, mas em geral são muito pouco estudados e informados sobre o que estão fazendo. Acabam se tornando “crentes de Daime” quando deveriam estudar e pesquisar mais e entender aquilo que estão fazendo ali: suas consequências e implicações.

Se a pessoa estuda e pesquisa; não só vai tomar chá, esse sim acaba conseguindo respostas.

Foi em uma das meditações com ayahuasca que eu consegui enxergar a Arvore da Vida completa, com todos os deuses e todos os encaixes que faltavam no final da pesquisa da enciclopédia. Sem aquela visão, eu não me animaria tanto a começar a escrever o Blog…

Animus – Falando ainda do Santo Daime, mirações (visões recebidas dentro dos trabalhos) recorrentes entre os participantes são de pirâmides, do Egito antigo e de templos. Como isso pode estar associado ao ocultismo e ao conhecimento milenar da busca por iluminação?

MDD – Pode… ou pode estar dentro da cabeça do sujeito, influenciado pela mistureba que se faz ali. Poucas pessoas têm tantas encarnações assim na Terra para se lembrarem de “pirâmides do Egito” e menos ainda tem autorização para se lembrar destas encarnações tão antigas. A maioria dos que tem essas visões são apenas frutos de fantasia, construções mentais e desejos da própria pessoa.

Animus – Finalmente, gostaria que você falasse um pouco sobre suas obras publicadas, como a Enciclopédia de Mitologia, onde podemos encontrar seus livros e que você deixasse uma dica para aqueles que buscam o conhecimento e a verdade.

MDD – A Enciclopédia de Mitologia é um dos trabalhos mais importantes no meio acadêmico com relação à pesquisa de múltiplas mitologias em uma linguagem fácil e acessível ao buscador. Embora atualmente eu esteja gostando mais de escrever para o Blog (www.deldebbio.com.br) e some mais de 900 textos sobre alquimia, maçonaria, Rosacruz, hermetismo, astrologia hermética e muitos outros assuntos de interesse do buscador que esteja em qualquer senda.

A dica é: nunca pare de estudar… nunca esteja satisfeito com aquilo que falaram para você. Procure conhecer todas as vertentes e todas as posições, mesmo se forem de Ateuzinhos de Dawkins ou Crentes Criacionistas.

Nota do Animus Libertus: Atenção, o uso concomitante de Daime (Ayahuasca) e qualquer outra substância, principalmente ilegal é TOTALMENTE PROIBIDO dentro da doutrina em todas suas vertentes. O verdadeiro Daimista sabe que para alcançar a iluminação e seguir a lei de Deus, primeiramente é necessário estar puro em estado de consciência e seguir a lei dos homens. O uso de qualquer droga juntamente com o Daime não é aprovado pela dotrina e definitivamente não faz parte da mesma.

#Entrevista

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/entrevista-com-del-debbio-no-site-animus-libertus

Ordem de Abraxas, Memphis Misraim e o Iluminismo Livre – Tales Azevedo

Bate-Papo Mayhem 247 – 09/11/2021 (Terça) 21h30 – com Tales Azevedo – Ordem de Abraxas, Memphis Misraim e o Iluminismo Livre

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Tales de Azevedo site: https://artereal.talesaz.com/

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#Batepapo #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ordem-de-abraxas-memphis-misraim-e-o-iluminismo-livre-tales-azevedo

Gremlins

A existência dos Gremlins se tornou mundialmente famosa nos anos 1980 graças a dois filmes de terror com tom de comédia produzidos por Steven Spielberg. O filme conta a história de um rapaz que adquiriu uma estranha criatura chamada ‘Mogwai’, um ser meigo de aparência inofensiva e claramente inteligente.  ‘Mogwai’ quer dizer “demônio” em cantones e esse era um prenuncio que não deveria ter sido ignorado. Junto do mascote ele recebeu as três regras para o cuidado do Mogwai que eram: 1 – Não alimentar depois da meia noite, 2 – Não molhar e 3 –  Não expor a luz do sol. A explicação das regras eram igualmente simples: A luz do sol era capaz de matar o Mogwai. A água fazia com que ele se reproduzisse indiscriminadamente. Já a alimentação após a meia noite transformava completamente a criatura que de aparência de mamífero dócil se tornava um reptiliano de agressivo, caótico e malicioso. O filme popularizou os gremlins, mas também foi responsável por uma certa perversão da descrição original desta criatura.  Sim, os gremlins já faziam bagunça por ai antes dos anos 80, e como vamos mostrar a seguir quanto maior nossa expansão tecnológica, mais eles se podem se divertir.

O nome “gremlim” tem origem em uma palavra do inglês antigo “grëmian”, que significa “incomodar” ou “maltratar” e também está relacionado com a raiz “grim” que tem a conotação de “macabro” e “sinistro.”  A primeira aparição impressa do termo “Gremlim” consta em um poema Journal Aeroplane, publicado em 10 de Abril de 1929. Um artigo de 1942 escrito por Hubert Griffith oficial da força aérea real para o Royal Air Force Journal descreve pela primeira vez a atuação destas criaturas com diversas histórias interessantes. Segundo eles os gremlins estão a solta por vários anos aparecendo durante os primeiros testes com os primeiros aeroplanos. Contudo, ele não apresenta qualquer evidência a favor desta hipótese.

A Origem da Lenda dos Gremlins

A origem desta criatura está no folclore inglês sempre descrito como uma criatura travessa e sempre (isso é importante) habitando proximidades de objetos mecânicos, em especial aeronaves. Os primeiros relatos remontam descrições feitas por mecânicos e pilotos ingleses alegando que algum tipo de criatura era a responsável pela sabotagem dos aviões da Royal Air Force (RAF, a Força Aérea Britânica) por todo Oriente Médio, Malta e índia. “. Neste período inicial os casos com os gremlims assombravam apenas o submundo dos pilotos militares. Antes de entrarem em missão era comum compartilharem algumas histórias que eram transmitidas pelo boca a boca. Cantavam algumas cantigas antes de irem voar como a que se segue:

Este é um poema pubicado pela RAF (Royal Air Force) Journal, a primeira referência escrita da lenda:

 

Existiam ainda uma série de “ditos populares” repetidos pelos oficiais da aeronáutica entre eles: “Onde passa um rato passam três gremlins”, referindo-se ao fato deles aparentemente chegarem em pontos inacessíveis das máquinas. “Culpe o Gremlim”, como uma piada interna para quem não assume as próprias faltas.  “Faça um gremlim aparecer. Confie sua vida a uma máquina.”,  usada na tentativa de assustar os novatos. E o mais popular “Quanto mais alto mais gremlins”. Este último mostrou-se assombrosamente verdadeiro, pois conforme o as máquinas foram ganhando altitude as pilhas de relatórios e casos contados entre os recrutas aumentaram na mesma proporção.

Já durante a segunda guerra mundial a idéia de responsabilizar qualquer pane mecânica aos gremlins tornou-se popular entre todos os pilotos do reino unido, em especial as unidade de reconhecimento fotográfico, em especial os esquadrões Benson, Wic e Eval. Para este último os gremlins foram responsáveis por acidentes que de outra forma seriam inexplicáveis e que muitas vezes aconteciam em pleno vôo. Como era óbvio, logo se responsabilizou os nazistas por terem criado tais criaturas, mas investigações revelaram que ambos os lados sofriam de similares problemas técnicos inesperados que só podiam ser causados por criaturas ativas e diminutas durante as operações. Com o tempo os gremlins ganharam a reputação de serem trapaceiros que não tomavam partido no conflito e atacavam em qualquer oportunidade por simples travessura. Talvez ele tenham sido uma experiência nazista que fugiu do controle. Talvez tenham outra origem e interesses próprios. Talvez simplesmente não precisem de uma razão para destruir.

Os Gremlins ganham o grande público

Foi o escritor Roald Dahl que tirou as histórias dos gremlins da subcultura aeronáutica e os levou para a cultura popular. Dahl era familiar com o mito não apenas por ter servido a força aérea inglesa no Oriente Médio, mas também por  ter tido uma experiência de primeira mão perdendo seu avião no deserto da Líbia. Em janeiro de 1942 foi transferido para Washington, D.C. para trabalhar como  comissário de bordo. Foi nesta época que escreveu o livro infantil ‘The Gremlins’ onde descrevia estas criaturas. Os gremlins machos chamada de “Widgets” e as fêmeas de “Fifinellas”. O manuscrito inicial foi enviado a  Bernstein, chefe do Serviço de Informação Britânico, que imediatamente teve a ideia de enviar o roteiro aos estúdios de Walt Disney, que em 1942 ofereceu a Dahl um contrato para uma animação.

Por pedido do autor um ano depois foi publicada também uma versão impressa e revisada da história em um livro ilustrado pela Random House. Foram impressas 50 mil cópias para o mercado norte-americano e Dahl incomendou pessoalmente 50 cópias para usar como material promocional para o filme que seria lançado. A verdade é que o livro foi mais bem sucedido que o próprio filme da Disney. A obra tornou-se um sucesso internacional e Dahl ganhou bastante notoriedade e sua história recebeu diversas reimpressões.

Por outro lado a animação que inicialmente seria um longa metragem foi reduzida a um curta e eventualmente foi cancelado em 1943 por problemas de copyright com a Aeronáutica Britânica. Na mesma época, aproveitando o vácuo deixado pela Disney, a  Merrie Melodies lançou um desenho onde o Pernalonga enfrenta alguns gremlins em espaço aéreo. Um ano depois é lançado ainda outra animação da  Merrie Melodies onde alguns gremlins russos sabotavam um avião pilotado por Adolf Hitler.

O tom humorístico foi deixado de lado nos anos 1960 quando o terror de um Gremlim aparecendo na janela da frente de uma aeronave foi revivido por um episódio de Além da Imaginação chamado “Nightmare at 20,000 Feet” (No Brasil: “Vôo Noturno”). No roteiro uma criatura sabota um vôo comercial, em certa cena o personagem principal (William Shatner) olha pela janela do avião e fica de cara a cara com o gremlim. Este episódio ganhou uma imensa popularidade entre os norte-americanos e é constantemente homenageado e parodiado em outras séries, filmes e desenhos animados até hoje. O episódio foi regravado em 1983 na versão colorida da série.

Cena de Nightmare at 20,000 Feet

Tudo isso colaborou para dar um ar popular as histórias dos Gremlins, mas enquanto o público se divertia nos cinemas os relatos sérios a respeito dos gremlins continuavam aparecendo entre os mecânicos e pilotos de empresas privadas e da força aérea. Devido a popularidade dos desenhos e produções televisivas a respeito do assunto, tais relatos começaram a ganhar fama de ridículos, embora diversos oficiais jurassem que realmente viram criaturas mexendo em seus equipamentos.

A criatura tornou-se até mesmo o mascote oficial da WASPS (Women Airforce Service Pilots) durante a Segunda Guerra Mundial. Os relatórios dos pilotos se acumularam nas décadas seguintes. O caso testemunhado por John Hazen registrado no livro “Funk and Wagnalls Standard Dictionary of Folklore, Mythology and Legend.” publicado pela Funk and Wagnalls em 1972 é emblemático e representa bem a toda uma legião de ocorrências similares. Neste relato Hazen, enquanto pilotava disse que por mais de uma vez durante os voos escutou uma voz rouca e irritadiça provocando-o com palavras que na maior parte do tempo eram ininteligíveis. Em dado momento escutou um forte barulho vindo da parte traseira da aeronave e foi obrigado a pousar.A visão cética atribui estes relatos ao stress de combate e vertigem causada pela altitude que causariam perigosas alucinações durante o vôo.  Entretanto, já em terra firme, Hazen relata ter encontrado a confirmação de sua suspeita de que estava sendo infernizado por um Gremlim. Os  “cabos de parte do equipamento estavam partidos com óbvias marcas de dentição animal” e em uma parte claramente inacessíveis da aeronave.

Dossiê de Criptozoologia de Herman Flegenheimer Jr.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/gremlins/

V de Vingança, Guia de Referências

Estas anotações sobre a série  V for Vendetta de Alan Moore foram preparadas por uma classe de graduação em Pesquisa Literária, sob a direção do Dr. James Means, da Universidade Estadual do Noroeste da Louisiana, durante a primavera de 1994. Na realização destas anotações, adotou-se um sistema que permite ao leitor seguir cada entrada facilmente.

O primeiro número indica a página na qual a entrada original pode ser achada. O segundo número indica a linha de arte, numerada de cima para baixo; a maioria das páginas tem três linhas de arte, enquanto algumas tem menos. Finalmente, o último número indica a coluna, numerada da esquerda para a direita.

PARTE 1

-, -, – Europa Depois do Reino (título – Na versão da Ed. Globo: O Vilão)

O título do primeiro livro refere-se à pintura Europa Depois da Chuva de Max Ernst, e retém dentro dela implicações de reviravoltas climáticas de um ataque nuclear próximo. Depois do Reino certamente se refere à dissolução da realeza com um certo anel ominoso, da mesma maneira que o título da pintura implica um grande peso em cima de todo continente. A imagem da página do título, de uma única mão enluvada (que com certeza indica tempo frio) colocando algo pesado e sombrio sob a superfície, contribui para a natureza ominosa. A pintura, intitulada L’Europe Apres la Pluie, foi criada entre 1940 e 1942. É descrita como uma cena fúnebre cheia de ruína e putrefação, povoada apenas por criaturas bestiais que vagam solitárias ao redor, (pg. 44-45). Ernst tinha criado trabalhos semelhantes que implicavam os arruinados, os fossilizados, os inanimados; superfícies parecem estar decadentes, corroídas por ácido e perfuradas com inúmeros buracos como a superfície de uma esponja, (pg. 44).
Durante algum tempo antes da Segunda Guerra (trabalhando na técnica chamada de decalcomania, datando de 1936, 37, 40 – será que foi realmente antes da guerra? Onde ele estava neste momento? Estava sendo posto em vários acampamentos, sendo reposto em outros, fugindo e finalmente voando para a América (pg. 94). Mas foi depois da sua “premonição de guerra traduzida em realidade” que ele fugido para a América. Lá, assombrado pelas recordações de uma Europa feita em pedaços, ele criou a composição também chamada Europa Nach dem Regen que se traduz como A Europa depois da Chuva ou A Europa depois da Inundação (pg. 44).
Ernst nasceu em 1891 em Bruhl, sul de Colônia, às margens do Reno (pg. 29). As suas pinturas descrevem freqüentemente um mundo no qual a história de gênero humano foi apagada completamente por um evento cataclísmico no Universo … ou pelo ato consciente de revolução que destruiu tudo (pg. 8). Em 1925, o melhor amigo dele, Paul Eluard escreveu sobre a atitude mental de Ernst, que buscou destruir toda a cultura que foi herdada ou não como resultado de experiência pessoal, como se fosse um tipo de esclerose na sociedade Ocidental: ‘Não pode haver nenhuma revolução total mas somente revolução permanente. Como o amor, é a fundamental alegria de viver’ (nota de rodapé, pg. 8).
Ernst participou de exibições dadaístas onde os observadores destruíram a sua arte e observaram seus pedaços pregados na paredes e espalhados no chão. Para alcançar a galeria onde se desenrolou o evento, espectadores atravessaram o lavatório de uma cervejaria onde uma menina vestida como uma beata que acabou de receber a comunhão recitava versos lascivos. A exibição foi fechada sob a acusação de fraude e obscenidade (baseado na estampa de Adão e Eva de D’rer, que tinham sido incorporada em um das esculturas de Ernst). Subseqüentemente, ela foi reaberta.
De acordo com Hamlyn, o evento foi realizado para embaraçar e provocar o público (nota, página 8). Este elemento de drama e provocação também é uma linha seguida em V de Vingança.

1, 1, 1, O 5 de Novembro…

Esta é a primeira referência ao dia de Guy Fawkes, o aniversário do dia em que Guy Fawkes foi pego no porão de Parlamento com uma grande quantidade de explosivos. Fawkes era um extremista católico e um herói militar que se distinguiu como um soldado corajoso e de fria determinação, através de suas façanhas lutando com o exército espanhol nos Países Baixos (Encyclopaedia Britannica 705). Ele foi recrutado por católicos insatisfeitos que conspiraram para explodir o Parlamento e matar o rei James I. James tinha trabalhado para instituir uma multa à pessoas que se recusassem a comparecer as missas anglicanas (Encyclopaedia Britannica 571), somando isso à opressão que os católicos já sofriam na Inglaterra. Um do conspiradores alugou uma casa que compartilhava parte de seu porão com o Parlamento, e o grupo encheu esse porão de pólvora. Fawkes foi escolhido para iniciar o fogo, e foi determinado que ele devia escapar em quinze minutos antes da explosão; se ele não pudesse fugir, ele estaria totalmente pronto para morrer por tão sagrada causa, (Williams 479). Um dos conspiradores tinha um amigo no Parlamento; ele advertiu o amigo para não estar presente na abertura durante o dia escolhido para o atentado, e o paranóico rei James imediatamente descobriu o complô. Fawkes foi pego no porão e foi torturado. Ele foi executado exatamente em frente ao Parlamento no dia 31 de janeiro de 1606.

2, 3, 2, Utopia (livro na estante)

Este foi o mais famoso trabalho de Sir Thomas em 1516 (Sargent 844) no qual ele esboçou as características humanitárias de um sociedade decente e planejada, (Greer 307) uma sociedade de comum propriedade de terra, liberalidade, igualdade, e tolerância (Greer 456).

2, 3, 2, Uncle Tom’s Cabin (livro na estante)

Escrito por Harriet Beecher Stowe e publicado em 1852, este romance fala sobre os deprimentes estilos de vida dos negros escravos no Sul dos EUA, contribuindo enormemente com o sentimento popular de anti-escravidão (Foster 756-66).

2, 3, 2, O Capital (livro na estante)

Este foi a obra máxima de Karl Marx, publicada em 1867. Foi seu maior tratado sobre política, economia, humanidade, sociedade, e governo; Tucker o descreve como a mais completa expressão (de Marx) de visão global.

2, 3, 2, Mein Kampf (livro na estante)

A biográfica proclamação das convicções do líder nazista Adolf Hitler, Mein Kampf (Minha Luta), foi escrita durante o seu encarceramento após a sua primeira tentativa de golpe contra o governo bávaro, em 1923 (Greer 512). Sem nenhuma dúvida, Moore quis ironizar ao colocar este trabalho próximo ao de Marx, Já que a extrema-direita nazista era forte oponente do comunismo.

2, 3, 2, Murder in the Rue Morgue (cartaz de filme)

Os Assassinatos da Rua Morgue. Este foi um filme de horror de 1932, produzido pela Universal. Foi uma importante adaptação da história de Edgar Allen Poe, estrelada por Bela Lugosi, um famoso ator do gênero. É sobre uma série de terríveis assassinatos que se supõe ser o trabalho de um macaco treinado (Halliwell 678). Esta referência pode conter alguns sinais sobre os métodos de investigação de V para os seus ataques contra o sistema, e suas características de serial killer.

2, 3, 2, Road to Morocco (cartaz de filme)

Este filme de 1942 da Paramount foi um de uma série de leves comédias românticas estreladas por Bing Crosby e Bob Hope como dois ricos playboys que viajam ao redor do mundo tendo tolas aventuras (Halliwell 825).

2, 3, 2, Son of Frankenstein (cartaz de filme)

O Filho de Frankenstein. Filme de horror de 1939 da Universal, Son of Frankenstein foi o último de uma trilogia clássica. Foi estrelado por Boris Karloff, um famoso ator de filmes de terror, e envolveu o retorno do filho do barão e seu subseqüente interesse por ele (Halliwell 906).

2, 3, 2, White Heat (cartaz de filme)

White Heat, feito em 1949 pela Warner, estrelado por James Cagney. O enredo envolvia um gângster violento com fixação por sua mãe que finalmente cai após a infiltração de um agente do governo em sua gangue (Halliwell 1073). Esta pode ser outra importante indicação, de como V também derruba o violento e disfuncional líder do partido se infiltrando através de suas fileiras.

3, 1, 3, …E novamente tornar a Bretanha grande!

Este é um sentimento tipicamente “nacionalista”. O nacionalismo europeu, que tem suas raízes na Guerra dos Cem Anos (Greer 269-275), é o conceito de que cada nação tem que manter em comum uma única cultura e uma única história e no qual se considera, inevitavelmente, que uma nação é melhor que as outras. Foi este sentimento, levado a seus extremos, que levou o partido nacional-socialista trabalhista de Hitler (o nazismo) a tentar livrar a Alemanha dos “não-alemães”. (Wolfgang 246-249).


4, 3, 3, The Multiplying vilanies of nature do swarm upon him… (de vilanias tão cumulado pela natureza…).

Esta é uma fala do Sargento no Ato I, cena II, de MacBeth, de Shakespeare (766).

7, 1, 1-2 Lembrai, lembrai do 5 de novembro, a pólvora, a traição, o ardil. Por isso, não vejo por que esquecer uma traição de pólvora tão vil.

Esta é uma versão de uma rima infantil inglesa. Em busca por um poema confirmatório, eu procurei no The Subject Index to Poetry for Children and Young People (1957-1975) que apresenta cinco coleções de poemas onde se incluiam versos sobre Guy Fawkes (Smith e Andrew 267). Um destes, Lavender’s Blue, incluiu a seguinte versão feita em, pelo menos, 1956:
Please to remember the fifth of November
Gunpowder, treason and plot
I see no reason why gunpowder treason
Should ever be forgot (Lines 161)
Cuja tradução é:

Agradeça por lembrar do 5 de novembro
A pólvora, a traição e o complô
Eu não vejo nenhuma razão por que tal traição de pólvora
Deveria para sempre ser esquecida (linha 161)
O Oxford Dictionary of Quotations atribui esta versão a uma canção de ninar infantil anônima de 1826 (Cubberlege 368), e as primeiras duas linhas como sendo tradicionais desde o século 17, (Cubberlege 9).

7, 1, 2, A explosão do Parlamento…

Nesta cena, V teve sucesso onde Fawkes falhou; a posição dele e de Evey em oposição ao Parlamento é, provavelmente, significativa, como se fosse a posição oposta ao Parlamento em que Fawkes foi enforcado (Encyclopaedia Britannica 705).

7, 2, 2, Os fogos de artifício em forma de V

Isto se refere à prática comum de explodir fogos de artifício no dia de Guy Fawkes como parte da celebração (Encyclopaedia Britannica, p.705). Também é provavelmente uma referência a ‘Arrependa-se, Arlequim!’ Disse o Ticktockman (algo como homem Tique-taque) por Harlan Ellison.
9, 3, 1, Inglaterra triunfa
Este sentimento parece muito com o impulso em um verso da peça Alfred: Uma Máscara, de James Thomson, de 1740 (Ato III, última cena):

When Britain first, at heaven’s command, Arose from
out the azure main,
This was the charter of the land, And guardian angels
sung this strain:
Rule Britannia, rule the waves; Britons never will be
slaves. (Cubberlege 545)
Cuja tradução é:

Quando a Inglaterra primeiro, ao comando do céu, Surgiu do
mar azul-celeste,
Esta foi a escritura da terra, E anjos guardiões
cantaram esta melodia:
Comande Britannia, comande as ondas; Bretões nunca serão
escravos. (Cubberlege 545).

12, 2, 3, Frankenstein (livro na estante)

Este é uma famosa explanação de ficção ciêntífica/social de 1818, por Mary Wollstonecraft Shelley. De acordo com Inga-Stina Ewbanks, é sobre o eterno tema da criação do homem que fica além de seu poder de controle, (5).

12, 2, 3, Gulliver’s Travels (livro na estante)

As viagens de Gulliver. Este foi um romance utópico escrito em 1726 por Jonathon Swift, um satírico escritor social inglês que passou a maior parte de sua vida na Irlanda (Adler ix-x).

12, 2, 3, Decline and Fall of…? (livro na estante)

Este, provavelmente, deve ser o trabalho de Edward Gibbs, The History of the Decline and Fall of the Roman Empire (A História do Declínio e Queda do Império Romano), mais comumente conhecido como The Decline and Fall of the Roman Empire (O Declínio e Queda do Império Romano). A coleção de seis volumes foi escrita entre 1776 e 1788, e é considerada como uma das melhores histórias já escritas (Rexroth 596).

12, 2, 3, Essays of Elia Lamb (livro na estante)

Elia, ou Charles Lamb, primeiro publicou seus famosos ensaios nas páginas da London Magazine, de 1820 a 1825, posteriormente encadernados em dois volumes, publicados em 1923 e 1833. Seus ensaios são considerados como pessoais, sensíveis e profundos (Altick 686-87).

12, 2, 3, Don Quixote (livro na estante)

Este foi um romance satírico sobre cavalaria, escrito por volta de 1600 (Adler) pelo autor espanhol Miguel de Cervantes. Seu herói é um caricatural cavaleiro romântico que é desesperadamente idealista (Greer 307).

12, 2, 3, Hard Times (livro na estante)

Charles Dickens escreveu este quase solitário ataque à… industrialização em 1854. Ele se justapõe aos sérios e aplicados industriais com um circo criativo e divertido que vem à cidade na qual o romance se desenrola (Ewbanks 786). Provavelmente pode ter servido de apelo ao senso de drama de V e sua vitória sobre as mazelas.

12, 2, 3, French Revolution (livro na estante)

Este volume pode ser sobre qualquer história passada durante a Revolução Francesa, ou sobre a própria Revolução Francesa, que ocorreu entre 1787 e 1792.

18, 2, 3, Faust (livro em estante)

O famoso poema de Goethe, Fausto, foi publicado no início de 1808. Ele reconta uma lenda renascentista sobre um doutor que barganha com o diabo por juventude e poder. A segunda parte, postumamente publicada, foi um tratado filosófico no qual a alma de Fausto é salva porque ele ama e serve tanto a Deus quanto a humanidade, apesar dos seus erros. Este Fausto é considerado como a encarnação do “moderno” ser humano (Greer 426).

12, 2, 3, Arabian Nights Entertainment (livro na estante)

As Mil e Uma Noites. Este livro é uma coleção de histórias folclóricas originárias da Índia, mas que foi levada para a Persia e para a Arábia. Embora iniciadas na Bagdá do século 8 ou 9, elas retêm muitos mais características do Egito do século 15, onde foram formalmente traduzidas (Wickens 164).

12, 2, 3, The Odessey (livro em estante)

A Odisséia. Um dos dois históricos poemas épicos gregos, feitos por volta de 800 A.C. e escritos por Homéro. Embora a identidade de Homéro seja incerta, e ele pode ter sido até mesmo um arquetípico personagem de si próprio, A Odisséia é uma aventureira história sobre o retorno de gregos que viram heróis que atravessam mares bravios (Greer 66).

12, 2, 3, V (livro em estante)

O romance V, escrito em 1963 por Thomas Pynchon, é considerado um dos primeiros importantes trabalhos pós-modernos. Ele combina pedaços de história, ciência, filosofia, e psicologia pop com personagens paranóicos e metáforas científicas. O trabalho de Pynchon é descrito como uma variação entre a ‘cultura intelectual’ e o meio termo da cultura pop underground das drogas, (Kadrey e McCaffery 19). Isto também pode ser dito tanto sobre a Galeria Sombria como sobre o próprio livro de V de Vingança.

12, 2, 3, Doctor No (livro na estante)

Ian Fleming, um ex-agente de inteligência britânica, escreveu este romance de espionagem em 1958. Os romances de Fleming eram supostamente baseados na vida que teve como um espião (Reilly 320).

12, 2, 3, To Russia With Love (livro na estante)

Outros dos romances de Fleming, este aqui foi escrito em 1957 (Reilly 320).

12, 2, 3, Illiad (livro na estante)

Outro poema de Homéro, A Ilíada fala sobre a violenta e sangrenta guerra de Tróia.

12, 2, 3, Shakespeare (2 volumes na estante)

Shakespeare foi um escritor elizabetano de peças de teatro cujos dramas e sonetos são considerados trabalhos clássicos do renascimento humanista (Greer 307).

12, 2, 3, Ivanhoe (livro na estante)

Um dos dramáticos romances históricos de Sir Walter Scott, Ivanhoe, foi escrito em 1820 (Greer 425).

12, 2, 3, The Golden Bough (livro na estante)

O exaustivo décimo terceiro volume do trabalho de James G. Frazer sobre superstições primitivas foi publicado primeiro em 1890. A estante de livros de V contém um único volume do trabalho.

12, 2, 3, Divine Comedy (livro em estante)

A Divina Comédia. Esta é uma obra-prima da literatura italiana, escrita por Dante Alighieri. Começada por volta de 1306 e terminada com a morte de Dante em 1321, ela trata da viagem do autor através da vida após a morte.

12, 3, 3, Martha and the Vandellas

Um grupo musical de Rhythm-and-Blues, produzido e distribuído pelo selo Motown Record entre 1963 e 1972. Eles tiveram seu começo como cantores de apoio de Marvin Gaye, outra estrela da Motown, e então se lançaram para uma carreira de sucesso como artistas agressivos e extravagantes. A canção Dancing in the Streets foi lançada em 1964. (Sadie 178).

12, 3, 3, Motown

Motown foi uma gravadora independente, de propriedade de afro-americanos, fundada em Detroit (também conhecida como Motortown, ou a Cidade dos Motores), Michigan. A palavra também descreve o distinto estilo de música pop-soul que trouxe sucesso à gravadora. Este Motown sound foi extraído do blues, do rhythm-and-blues, do gospel e do rock, mas diferente destes outros estilos musicais afro-americanos, também contou com algumas das práticas de música popular anglo-americana socialmente aceitas, e isto obscureceu algumas das mais vigorosas características da música afro-americana (Sadie 283).

13, 1, 2, Tamla e Trojan

Não consegui determinar nenhuma referencia para Tamla e Trojan. Como Motown se refere tanto a gravadora quanto para o estilo de música que ajudou a popularizar, eu não sei que relação Tamla teve com os outros grupos mencionados. Como os outros indivíduos mencionados são reais, eu acredito que Tamla e Trojan tenham existidos, mas não pude achar nenhum registro sobre eles.

13, 1, 2, Billie Holiday

Famosa Cantora de jazz, Billy Holiday foi extremamente popular entre os intelectuais brancos de esquerda de Nova Iorque. Ela gravou com alguns dos melhores do jazz, incluindo Benny Goodman e Count Basie. Ela acabou em um mundo de drogas, álcool e abusos, e morreu em 1959, com a idade de 44 anos (Sadie 409-410).

13, 1, 2, Black Uhuru

Este grupo foi uma das mais famosas bandas de reggae da Jamaica. Foi formada no ano de 1974 em Kingston (Sadie 46-47). Reggae é um típico estilo de dance music jamaicano, influenciado tanto pela música afro-caribenha quanto pelo Rhythm-and-Blues americano (Sadie 464).

13, 1, 2, A Voz do Dono…

O logo da RCA trazia um cachorro fitando o cone de um gramofone (um dos primeiro toca-discos), simbolizando o reconhecimento do animal pela voz de seu dono.

13, 3, 3, Aden

Aden tanto foi o outro nome para os habitantes da República democrática de Iêmen (o Iêmen do Sul) como a cidade da capital do país. O país que agora é fundido com o Iêmen do Norte, ocupou a extremidade Meridional da Península árabe, no sul de Arábia Saudita. Os britânicos o colonizaram, e mantiveram controle parcial ali até que o país se tornou uma república marxista em 1967 (Encyclopaedia Britannica 835). Embora a idade de Prothero não seja mencionada, ele parece ter cerca de 50 anos; é provável que ele tenha servido como soldado imediatamente antes da revolução de Iêmen. Assim, ele seria um jovem durante a revolução de 1967, e cerca de 40 durante os seus anos como chefe no Campo de Readaptação de Larkhill.

18, 3, 1, V num círculo

Este símbolo apresenta semelhanças com o sinal de anarquia de um A num círculo, e também com a dramática inicial de Zorro (Stolz 60).

19, 1, 2, Rosas “Violet Carson”

A Violet Carson é uma rosa híbrida introduzida em 1963 (Coon 201) ou 1964 (Rosas Modernas 7 432) por S. McGredy. É uma criada pelo cruzamento de uma Madame Leon Cuny com uma Spartan. É descrita como uma flor colorida, com creme (Coon 201) ou prata (Rosas Modernas 7 432) por sob as pétalas, e tem um arbusto robusto e espalhado. Não parece ser de uma variedade muito comum, e é listada em publicações de sociedades idôneas de rosas mas não em livros dirigidos a um leitor casual, assim é incerto como Finch pode tê-la reconhecido imediatamente.

20, 1, 3, The Cat (cartaz de filme)

O cartaz para um filme chamado The Cat pendurado na parede parece descrever um homem que segura uma arma. O único filme que pude achar com este título, porém, foi um drama francês de 1973 sobre a relação pouco comunicativa entre uma amarga estrela de trapézio e seu marido (Halliwell 168).

20, 1, 3, Klondike Annie (cartaz de filme)

Um filme de 1936 da Paramount, Klondike Annie foi estrelado por Mae West, como uma ardente cantora em fuga que, disfarçada como uma missionária, revitaliza uma missão no Klondike (Halliwell 542). Alguns dos filmes descritos nos cartazes parecem ter atraído V apenas por propósitos de entretenimento. Porém, este aqui pode dar o leitor uma pista sobre o caráter de V. Ele tanto está em fuga, disfarçado, quanto tenta revitalizar toda uma nação.

20, 1, 3, Monkey Business (cartaz de filme)

Este filme de 1931 dos irmãos Marx, feito pela Paramount, narra as artimanhas de quatro passageiros clandestinos em um navio que bagunçam uma festa social a bordo, onde eles capturam alguns escroques (Halliwell 666). Esta é outra pista, pois V é um clandestino num sistema social que bagunça o sistema e capturas vários inimigos.

20, 1, 3, Waikiki Wedding (cartaz de filme)

Waikiki Wedding foi produzido em 1937 pela Paramount. Seu enredo envolve um agente de imprensa que está no Havaí para promover uma competição de A Rainha do Abacaxi (Halliwell 1050).

21, 3, 2, Salve uma Baleia (camiseta)

Por causa da ameaça de extinção das baleias, muitas pessoas nos anos 70 começaram a usar camisetas e bottons proclamando que alguém deveria Salvar uma Baleia. Este sentimento veio a ser associado com política e ambientalismo “liberais”.

22, 1, 1, …Quando os Trabalhistas subiram ao poder…

De acordo com a Encyclopaedia Britannica, o Partido Britânico dos Trabalhistas é um partido reformista socialista com fortes laços institucionais e financeiros com os sindicatos. Em janeiro de 1981, devido a vastas mudanças internas, o Líder do partido trabalhista eleito foi Michael Foot, um militante socialista cuja política incluia o desarmamento nuclear unilateral, a nacionalização das indústrias-chaves, união de poder e pesados impostos (82), da mesma maneira que Moore descreve em Por Trás do Sorriso Pintado (271).

22, 1, 1, …Presidente Kennedy…

A implicação é que o presidente dos Estados Unidos ou é Ted Kennedy, senador democrata ou John Kennedy Jr, respectivamente, o sobrinho e o filho do ex-presidente John F. Kennedy.

23, 2, 1, Nórdica chama

Este provavelmente é o nome de um partido estadual, com todas as bandeiras e uniformes exibindo grandes N’s. Nórdica deriva dos nórdicos ou Vikings dos países escandinavos que invadiram a Europa nos séculos V e VI (Greer 183). Eles eram ferozes, fortes, e “arianos” – a população “idealizada” pelo partido nazista de Hitler: loira e de olhos azuis (Greer 513-514). A escolha desta imagem ajuda a identificar a política do governo.

27, 2, 3, O mundo é um palco!

Esta é uma citação da peça As You Like It, de Shakespeare, Ato II, cena VII. (Bartlett 211).
40, 2, 3, …voltamos às cinco.

Uma expressão popular para dar um intervalo vem de uma frase do show business, embora leis de sindicatos agora requeiram dez minutos de intervalo (Sergal 219).

46, 3, 2, Mea Culpa

Do latin eu confesso ou a culpa é minha (Jonas 69).

47, 1, 3 – Bring me my bow of burning gold, Bring me my arrows/ of desire, Bring me My spear, O clouds unfold, Bring/ me my chariot of fire…I will not cease from mental/ flight Nor shall my sword sleep in my hand ‘Till we/ have built Jerusalem In England’s green and pleasant/ land.


Este é parte do poema de William Blake, And Did Those Feet (E Fez Esses Pés), do prefácio à sua coleção Milton. O prefácio de Blake para este trabalho foi um chamado aos cristãos para condenassem os clássicos escritos de Homéro, Ovídio, Platão, e Cícero, venerados no lugar da Bíblia. Ele declarou: Nós não queremos modelos gregos ou romanos na Inglaterra; de preferencia, ele disse, seus companheiros Cristãos deveriam se esforçar para criar esses mundos de eternidade nos quais nós viveremos para sempre, (MacLagan e Russell xix). V está, a seu modo, tentando criar a sua idéia de Jerusalém, um mundo livre, na Inglaterra. A tradução é a seguinte:
Tragam meu arco de ouro candente,
Traga minhas flechas de desejo,
Tragam minha espada, ó nuvens que se desfraldam,
Tragam minha carruagem de fogo…
Eu não cessarei minha luta espiritual…
Nem descansarei a espada em minha mão…
Até termos erguido Jerusalém…
Nas terras verdes e aprazíveis da Inglaterra.

54, 2, 2, Por favor, deixe que eu me apresente. Eu sou um homem de posses… e bom-gosto!

Esta é a abertura da canção Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones, lançada em 1968.
56, 3, 3, Eu sou o Demônio e vim realizar a obra demoniaca!
Finch descreve esta citação como vindo de um famoso caso de assassinato, quase vinte anos antes de 1997. Uma busca em almanaques dos anos 1974 a 1979 revela que o único caso famoso de assassinato naquele tempo foi o do Filho de Sam/David Berkowitz. Berkowitz foi condenado por matar seis pessoas e ferir outras sete em ataques aleatórios nas ruas de Nova Iorque entre 29 de julho de 1976 e 31 de julho de 1977. Não havia nenhum motivo aparente por trás dos assassinatos; Berkowitz os explicou dizendo que foi um comando. Eu tive um sinal e o segui (Delury, 1978, 942). Considerando esta citação, e a aparente insanidade de Berkowitz, na qual o fez interromper seu julgamento com violentos ataques, é provável que esta citação venha desse caso.

57, 2, 1-2: O Senhor é meu pastor: e nada me faltará; Em um lugar de pastos, ali me colocou. Ele me conduziu junto a uma água de refeição. Converteu minha alma, me levou pelas veredas da justiça, por amor de seu nome!

Esta é a tradução feita da seguinte versão inglesa do 23º Salmo do livro bíblico dos Salmos, usada originalmente na versão em inglês de V de Vingança:
The Lord is my shepherd: therefore I can lack
nothing; He shall feed me in green pasture and lead
me forth beside the waters of comfort. He shall
convert my soul and bring me forth in the paths of
righteousness, for His name’s sake…
Esta parece ser uma estranha versão deste salmo. Não é nada parecida com a versão padronizada pelo Rei James:

The Lord is my shepherd, I shall not want. He maketh
me lie down in green pastures; He leadeth me
beside the still waters. He restoreth my soul: he
leadeth me in the paths of righteousness for his
name’s sake. (Bartlett 18)
Procurei em várias bíblias e descobri que cada uma tinha uma versão diferente. Em uma versão bastante comum, da Holy Bible (versão católica padrão da Bíblia), lê-se:

The Lord is my shepherd, I shall not be in want. He
makes me lie down in green pastures, he leads me
beside quiet waters, he restores my soul. He guides
me in paths of righteousness for his name’s sake. (310)

PARTE 2

9, 3, 1, The Magic Faraway Tree, por Enid Bla?? (na tradução da Ed. Globo – A Árvore distante)

Embora muitos dos livros em V de Vingança sejam reais, este aqui parece ser uma das invenções de Moore. Nem o Oxdford Companion to Children’s Literature, nem a Science Fiction Encyclopedia incluem o seu título.

15, 1, 3, Ouvi falar de um experimento…

A experiência, que não foi tão dramática quanto descrita em V de Vingança, foi administrada na Universidade de Yale em 1963 por Stanley Milgram. Os voluntários não estavam realmente acreditando que estavam matando as vítimas, e 65% (26 de 40 voluntários) continuaram administrando o que eles acreditavam ser perigosos e severos choques em suas vítimas (Milgram 376).

23, 2, 3, … uma mistura de extrato de Hipófise e Pineal.

Moore se refere-se a uma mistura de substâncias extraidas das glândulas Pituitária e Pineal, embora eu duvide que tal mistura apresente os efeitos que Moore descreve na série. Deve ser apenas uma criação de Moore.

24, 3, 3, fertilizante de amônia

Alguns fertilizantes contêm amônia que, na presença de certas bactérias, pode ser transformada em nitrato, que é usada pelas plantas (Chittenden 99).

24, 2, 2, gás mostarda

Este gás foi criado para ser usado como arma química durante a Segunda Guerra Mundial. Causa severas vesículas na pele e irritação nos olhos. Sua estrutura química é (Cl2CH2CH2)2S (sulfeto de 1,1-dicloro-etil) (Enciclopédia Americana 679).

24, 2, 3, napalm

Napalm é um explosivo derivado da gasolina, também usado durante a Segunda Guerra Mundial (Enciclopédia Americana 724). Não acho que uma pessoa possa fazer Napalm ou gás mostarda a partir de ingredientes de jardinagem. (N. do T.: Como foi apontado por outras pessoas, há a possibilidade de produzir tais substâncias com produtos de jardinagem, dependendo, é claro, das condições de produção. Mas como estamos falando de uma obra de ficção, o autor deve ter admitido que, devido a sua impressionante natureza mental, o personagem V seria capaz de tais façanhas científicas).

53, 3, 2, As Dunas de Sal

Este não é um filme real. Halliwell não dá nenhuma referência desse filme, e parece servir apenas como um ponto secundário do enredo, como um popular filme de Valerie Page.

57, 2, 3, Storm Saxon

Este programa de televisão é (felizmente) outra invenção. The Complete Encyclopedia of Television Programs de 1947-1979, não inclui nenhum programa parecido. A escolha do nome Saxon (saxão) é importante; o Saxões foram os descendentes dos conquistadores escandinavos que povoaram a França e a Inglaterra no século V (Greer 178-179). Note que a companheira de Storm é uma mulher branca de cabelos loiros chamada Heidi – o modelo de perfeição da Pureza ariana!

58, 2, 2, …na N.T.V um!

Aparentemente, N.T.V. significa Norse Fire Television (Televisão da Nórdica Chama), e é a substituição para a BBC – TV, a corporação estatal de televisão e radiodifusão britânica (Greene 566). O um se refere ao número do canal. A B.B.C. atualmente vai ao ar pelos canais Um e Dois (Greene 566).

62, 1, 3, …A gente paga, e pra quê?!

A BBC não é um canal comercial; é mantida pela venda das licenças de transmissão, pagas por donos de aparelhos de televisão e de rádio.

PARTE 3

4, 1, 2, Imagem espacial

Este é Neil Armstrong, caminhando na superfície da lua. Armstrong, a primeira pessoa a caminhar na lua, deu seu histórico passo em 1968.

6, 3, 1, Hitler

Um das imagens na colagem ao fundo é de Adolf Hitler, líder do Partido Nazista alemão, a linha de extrema-direita do governo que comandou a Alemanha de 1933 a 1945 e executou aproximadamente 6 milhões pessoas, entre judeus, ciganos, homossexuais e outros prisioneiros políticos (Sauer 248).

6, 3, 1, Stalin

O quadro de Josef Stalin está incluído porque, como Hitler e Mussolini, ele está associado com a tirania violenta. Ele controlou a antiga União Soviética de 1929 a 1953; durante os anos entre 1934 e 1939, ele prendeu e matou seus inimigos políticos, que eram quase todos membros das camadas militar, política e intelectual do país (Simmonds 571-74)

6, 3, 1, Mussolini

Benito Mussolini, outro líder apresentado na colagem, foi um líder italiano que era quase igual à Hitler em despotismo. Embora ele tenha começado como um socialista pacifista, durante a primeira grande guerra, ele formou o seu partido fascista de direita. Ele foi o ditador da Itália de 1922 a 1943, e controlou o norte da Itália de 1943 a 1945, antes de ser executado (Smith 677-78).

7, 2, 1, Imagem de tropas marchando (ao fundo)

Estas são as tropas nazistas do exército de Hitler.

A partir de agora, vamos acompanhar, por conveniência, a numeração das páginas do livro dois de V de Vingança, publicado pela Via Lettera.

17, 2, 1, … alguém que se espelha numa bandeira vermelha…

Historicamente, bandeiras vermelhas simbolizaram o movimento anarquista ou o comunista, ou ambos.

17, 3, 1, …Quero a emoção… da vontade triunfante…

 

Esta linha da canção no caberé se refere o famoso filme-documentário de propaganda nazista, The Triumph of the Will (O triunfo da Vontade, produzido por Leni Riefenstahl em 1934. O filme descreve um comício ao ar livre do partido nazista em Nuremburg como uma experiência mística, quase religiosa, da mesma maneira que a cantora está encenando (Cook 366).

18, 1, 2, …se um gato loiro…
Outra referência ao ideal da raça ariana.

18, 1, 2, O Kitty-Kat Keller

O nome da boate é uma referência ao clube burlesco Kit Kat Klub, do filme Caberet durante a subida de Hitler ao poder numa Alemanha pré II Guerra mundial. Ambos apresentam as iniciais KKK, que leva a uma inevitável associação com a infame organização racista Ku Klux Klan.

18, 3, 1, Faz ‘heil’ pra mim…

Mais uma referência ao nazismo; heil era a saudação verbal dada à Hitler com o braço direito levantado e a palma da mão virada para baixo.

43, 3, 2, …um show de marionetes muito especial…

O show que o pai de Evey menciona, e que vemos representado na página 34 é um tipo de show de marionetes conhecido como Punch & Judy, que se originou na Itália antes do século XVII. É um espetáculo extremamente violento; o boneco Punch geralmente bate nos outros personagens até a morte. Como V, Punch sempre destrói seus inimigos (Encyclopedia Americana 6).

PARTE 4

15, 2, 1, Arthur Koestler, As Raízes da Coincidência

Koestler foi um jornalista humanista e intelectual do início do século XX. Este trabalho trata de fenômenos paranormais [Enciclopédia Americana (530-31)].

34, 3, 1, 1812 Overtune Solennelle

Este peça musical, escrita em 1880 por Peter Ilich Tchaikovsky, foi a consagração da Catedral de Cristo de Moscou. A catedral foi construída em agradecimento à derrota de Napoleão em 1812. O trabalho incorporou um velho hino russo, e incluiu tanto o hino nacional francês, a Marseillaise, para representar a invasão de Napoleão e God Save The Czar (Deus Salve o Czar) para simbolizar a vitória de Rússia. Moore provavelmente escolheu este trabalho tanto pelo seu som revolucionário, quanto por um motivo incomum: a orquestração original incluía sons de tiros de um campo de batalha que o maestro produzia ao acionar interruptores elétricos (Adventures in Light Classical Music 34), uma ação que V imita com suas bombas.

48, 3, 1, Ordnung

Palavra alemã que significa, nesse caso, ordem, disciplina (Betteridge 452).
Aparentemente, na edição da Via Lettera, a grafia está errada: a palavra está escrita como Ordung.

48, 3, 2, Verwirrung

Palavra alemã que significa confusão, perplexidade, desordem (Betteridge 686).

49, 1, 1, Rodando em giro cada vez mais largo,/ O falcão não escuta o falcoeiro;/ Tudo esboroa…/… o centro não segura.

Estas palavras são do poema de William Butler Yeats, The Second Coming (A Segunda Vinda), que fala sobre uma figura que representa Cristo/anti-Cristo que sustenta a caótica história da humanidade (Donoghue 95-96). Isso ilustra visão de V de um mundo caótico, mas V acredita que como resultado do caos virá a ordem. Isto também está prenunciado, pois V representa um Cristo/anti-Cristo e Evey é a segunda vinda. O trecho em inglês do poema original é o seguinte:
Turning and turning in the widening gyre the
Falcon cannot hear the falconer.
Things fall apart…
the centre cannot hold.

54, -, – Todavia, como se diz, vale tudo no amor e na guerra. Como, no caso, trata-se de ambos, maior a validade./ Embora ostente os cornos de um traído, não serão/ eles uma coroa que usarei sozinho./ Como vê, meu rival, embora inclinado a pernoitar fora,/ Amava a mulher que tinha em casa./ Há de se arrepender/ O vilão que roubou meu único amor,/ Quando souber que, há muitos anos…/ Eu me deito com o seu.

V fala freqüentemente, como ele faz aqui, em pentâmetro iambico, que é um esquema rítmico. Cada linha consiste em cinco pés métricos, cada um dos quais contêm duas sílabas, uma breve (átona) e uma longa (acentuada), (Encyclopedia Americana 688). Simplificando, um pentâmetro iambico é uma coluna de cinco estrofes, cada uma formada por um iambo, que é uma medida – um pé de verso – constituído de uma sílaba breve e outra longa. Falando em versos brancos, característicos de peças Jacobeanas, V presta uma homenagem. Era comum que os dramas Jacobeanos fossem uma peça de vingança, que V imita em mortal adaptação ao longo da história. O texto original em inglês é o seguinte:
Still all in love and war is fair, they say,
this being both and turn-about’s fair play.
Though I must bear a cuckold’s horns, they’re not a crown that I shall bear alone. You see,
my rival, though inclined to roam, possessed
at home a wife that he adored. He’ll rue
his promiscuity, the rogue who stole
my only love, when he’s informed how
many years it is since first I bedded his.


56, -, – A Queda dos Dominós (imagem)

Os dominós, que V tem colocado em pé desde o começo, estão prontos para cair. Na pequena história de Harlan Ellison ‘Repent, Harlequin!’ said the Ticktockman ( Arrependa-se, Arlequim! disse o Homem-Tick-Tack), o primeiro ato de terrorismo do Arlequim é descrito dessa forma:
Ele tinha tocado o primeiro dominó na linha, e um após o outro, em um ‘chik, chik, chik’, tinham caído.
‘Repent, Harlequin!’ said the Ticktockman demostra uma ridícula distopia onde o tempo é tanto os meios quanto os fins para o facismo; nisto, o atraso é erradicado pela constante exigência da vingança bíblica: se um indivíduo está dez minutos atrasado, dez minutos são tomados do fim de sua vida. Neste mundo, o Arlequim, disfarçado com uma fantasia de palhaço, consegue perturbar o tempo derramando 150.000 dólares em balas de mascar em uma multidão de transeuntes que esperam em uma calçada móvel. As balas de mascar, que são um mistério já que foram deixadas de ser fabricadas há mais de cem anos (como os fogos de artifício de V e o badalar do Big Ben na página 145 de V de Vingança), literalmente impede o funcionamento da calçada e anula todo o sistema desse mundo por sete minutos. Este ato faz do Arlequim um terrorista contra o estado, e o Mestre Controlador do Tempo (o Homem-Tick-Tack do título) tem que descobrir a identidade do encrenqueiro antes do sistema ser totalmente destruído. Muitos dos truques de V são semelhantes aos do Arlequim: ambos usam fogos de artifício para se comunicar com as massas, e ambos aparecem sobre edifícios para zombar das massas com canções ou poemas. O Ticktockman sabe, como Finch, que a identidade do Arlequimé menos importante que o entendimento de o que ele é. O Arlequim e V fundamentalmente representam idéias opostas àqueles que dirigem seus mundos, e ambos, embora usem de destruição, semeiam os que detém o poder para demolir as realidades que os consomem. Ambos são, de certa forma, celebridades, e ambos são inimigos do estado porque eles querem ser reformadores deste [uma referência à Civil Disobedience (Desobediência Civil) de Henry David Thoreau].

PARTE 5

1, 2, 2, Dietilamida de Ácido Lisérgico

Também conhecido como LSD ou LSD-25, esta droga é um psicotrópico que induz a um estado de psicose. Foi isolada pela primeira vez em Basle, Suíça, em 1938 por Albert Hoffman, que a sintetizou a partir de um fungo que ataca cereais, causando uma moléstia conhecida como ferrugem de gramíneas (Stevens 3-4).

2, 1, 1, Quatro tabletes

Hoffman também foi a primeira pessoa a experimentar a LSD-25. No seu primeiro experimento, ele usou 250 miligramas (Stevens 4). Ele experimentou uma violenta viagem e as doses subseqüentes foram reduzidas para menos de dois terços da quantidade inicial (Stevens 10). Assim, os quatro tabletes de Finch, cada um com 200 miligramas, era uma quantidade muito, mas muito excessiva.

5, 3, 1, …in nomini patri, et filii, et spiritus sancti…

Latim, da missa Cristã: Em nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo.

7, 2, -, La Voie… La Verite… La Vie.

Estas palavras são francesas, e significam, respectivamente, o caminho (ou a estrada), a verdade, a vida.

7, 3,1, Stonehenge

Um dos maiores e mais completos monumentos de pedra dispostas da Inglaterra. Sua origem e propósito são desconhecidos, mas se acredita que tenha sido ou um tipo de local de observação astrológica, ou um lugar para cerimônias religiosas, ou ambos.

9, 1, 3, Everytime we say goodbye…I die a little./ Everytime we say goodbye, I wonder/ why a little. Do the gods above me, who must/ be in the know think so little of me they’d/ allow you to go?

A citação é de uma canção de Cole Porter intitulada Ev’ry time we say goodbye (Toda Vez Que Dizemos Adeus), do espetáculo de Porter, Seven Lively Arts, de 1944. Porter (1891-1964) foi um compositor americano que escreveu trabalhos sinfônicos de jazz e musicais. Ele é mais lembrado por sua adaptação da peça de Shakespeare, The Taming of the Shrew (A Megera Domada), no musical Kiss me, Kate (Lax and Smith 611; Havelince 200).
Uma tradução livre para esse trecho da canção é a seguinte:
Toda vez que dizemos adeus… Eu morro um pouco. Toda vez que dizemos adeus, eu desejo saber um pouco porquê.
Será que os deuses acima de mim,
que sabem tanto de tudo, pensam tão pouco em mim,
a ponto de permitir que você se vá?

9, 2, 2, Faze o que quiseres, Eve. Essa será a única lei!

Esta é a Lei de Thelema, de Aleister Crowley, em sua publicação de 1904, The Book of the Law (O Livro da Lei). Crowley foi um controverso e mal-compreeendido mago e ocultista dos meados do século XIX e início do século XX. Ele declarou que esse livro foi ditado a ele por seu espírito guardião, um deus-demônio, a encarnação de Set, um deus egípcio, a quem Crowley chamava de Aiwas. Embora alguns interpretem a lei como permissão para fazer pura anarquia, pode na verdade significar que alguém tem que fazer o que deve fazer e nada mais (Guiley, 76).

13, 1, 1, … uma história de Ray Bradbury que você me leu, sobre um trigal…

A história é A Foice, do livro The October Country. O livro contém outros nove contos, e aqui no Brasil foi publicado com o nome de Outros Contos do País de Outubro.

15, 2, 1, Eu estou esperando o homem.

Esta é uma citação da canção de Velvet Underground Heroin (Heroína) sobre um viciado que espera por sua conexão que vai trazer mais de sua droga para lhe vender.

15, 3, 3, Adeus, Minha Adorada (Cartaz)

Este filme de 1945, cujo título em inglês é Farewell, My Lovely, foi produzido pela RKO. Foi um dos primeiros filmes noir, um estilo caracterizado pelo violência e depravação de suas personagens, seu enredos complexos e sua fotografia sombria e de alto-contraste. Este filme foi adaptado de um romance de Raymond Chandler, e trata da procura de um detetive particular pela namorada de um ex-condenado (Halliwell 314).

21, 2, 2, Eva Perón…, Evita…e Não Chores por mim, Argentina…
Eva Perón foi a esposa de Juan Perón, antigo presidente da Argentina,de 1946 a 1952. Eva Perón, também conhecida como Evita, controlou o sindicato trabalhista, e os purgou de seus líderes, fazendo-os assim completamente dependente do governo. Ela também suprimiu grupos que a insultavam. Porém, ela era bastante querida por muitos de Argentina. Eva Perón inspirou um musical, Evita, escrito por Andrew Lloyd Webber, e encenado pela primeira vez em Londres em 1978.

23, 1, 1, …e deu estes passos em tempos antigos…

As primeiras linhas do poema And Did Those Feets, de William Blake.

27, 2, – …então, como podes me dizer que estas sozinho…/ … e afirmar que o sol não brilha para ti?/ Dá-me tuas mãos e vem comigo pelas ruas de Londres./ Eu lhe mostrarei algumas coisas…/ … que te farão mudar de idéia.

Esta pode ser uma canção real; porém, Fui incapaz de determinar sua origem ou qualquer outra informação sobre ela.

41, 3, 1, … um funeral viking.

Os vikings enterravam seus mortos primeiro colocando o cadáver em um navio e, depois de atear fogo na embarcação, empurravam-na para dentro do mar.

41, 3, 1, Ave atque vale

Latim, que significa, Olá e adeus (Simpson 63, 70, 629).

52, 1, 2, Les Miserables (cartaz)

Este cartaz pertence a Les Miserables (Os Miseráveis), uma moderna peça de ópera de Claude-Michel Schonberg, baseada no romance de Victor Hugo e encenada pela primeira vez em Londres em 1980. Fala sobre um insignificante ex-criminoso que, saído da prisão, se torna um líder revolucionário (Behr 391).

55, 2, 2, As notícias de minha morte foram… exageradas.

Esta citação é de um telegrama enviado de Londres à Associated Press por Mark Twain, escritor americano, em 1897 (Bartletts 625).

Por Madelyn Boudreaux – 27 de abril de 1994.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/v-de-vinganca-guia-de-referencias/

Medicina, Saúde e Espiritualidade

O conjunto de sistemas, práticas e produtos médicos e de atenção à saúde que não se considera atualmente parte da medicina convencional é chamado de Medicina Complementar e Alternativa (MCA). Vários destes métodos estão ligados à espiritualidade, como a oração, meditação e os passes. Eles têm atraído a atenção da comunidade médica, da mídia, dos órgão governamentais e do público em geral.

Diante deste contexto, há uma revolução na medicina que está mudando a forma de tratar o paciente. Está se começando a incluir na Saúde a prática de estimular nos pacientes a espiritualidade e o fortalecimento da esperança e do otimismo, a fim de despertar condições emocionais positivas, recursos eficazes no combate à doença. Além disso, o curso de Medicina e Espiritualidade está surgindo nas universidades brasileiras e pelo mundo. Um dos nomes no Brasil responsável por esta integração, conferindo uma visão holística ao tema da medicina, da cura e da espiritualidade é o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira.

Em 1993, tínhamos 5 escolas médicas dos EUA com a disciplina de religião e espiritualidade em medicina. Em 2000, este número subiu 13 vezes, indo para 65. Em 2004, atingiu-se a importância de 84 escolas médicas. No Brasil, a Universidade Santa Cecília (Santos-SP) deu o pontapé inicial colocando um curso de extensão universitária sobre Saúde e Espiritualidade, em 2002. A primeira Faculdade de Medicina a incluir este tema curricularmente foi a Universidade Federal do Ceará 2 anos mais tarde. No ano seguinte, a Faculdade do Triângulo Mineiro iniciou a disciplina optativa sobre Saúde e Espiritualidade, junto com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Em 2006, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte iniciou a disciplina optativa de Medicina, Saúde e Espiritualidade. Nos últimos anos, vemos surgí-la na forma de cursos, grupos acadêmicos e/0u seminários na Universidade de São Paulo e na Universidade Federal de São Paulo. Existe também curso de pós-graduação, no caso da USP.

Adentrando nos planos de ensino desta disciplina nas universidades referidas acima, vemos propostas interesssantes como o respeito a espiritualidade e religião do paciente, compreender sua relação com a saúde e distinguir a espiritualidade da religião. Dentre os conceitos, dependendo da universidade, temos medicina ayuvérdica, prece, meditação, experiências de quase morte, musicoterapia… Também relacionam com psiconeuroendocrinologia, bioética, psicologia, filosofia e física quântica (medo…).

Lamento o fato de que em alguns destes cursos há o enfoque em apenas uma religião/doutrina. Há cursos voltados apenas para o Espiritismo. Fica parecendo a disciplina de religião no ensino fundamental, linda na teoria, mas na prática um enfoque totalmente cristão/católico. Porém, é um avanço tamanho incluir tal curso nas universidades do país.

A maior crítica de alguns perante estes cursos é a não comprovação da utilização da espiritualidade e da religiosidade através da metodologia científica. É dificultoso mensurar e quantificar tais aspectos, constituindo um desafio para a ciência médica, já que estudos já apontam efeitos benéficos na saúde para os praticantes da espiritualidade.

A ciência já observou como efeitos benéficos o bem-estar psicológico (satisfação com a vida, felicidade, afetos positivos, otimismo e moral mais elevados), a redução do estresse, da ansiedade e da depressão, diminuição de pensamentos e comportamentos suicidas, a ajuda na recuperação de usuários de droga e álcool, o efeito protetor cardiovascular, a redução do risco de óbito e das taxas de mortalidade (inclusive nas áreas próximas ou afiliadas a área onde se pratica em conjunto e a redução da mortalidade dos pacientes com problemas cardiovasculares e neoplasias. Muitos destes efeitos são verificados a níveis sanguíneos, onde observou menores valores de interleucinas e marcadores inflamatórios. Para os soropositivos ao HIV, verificou-se redução da carga viral e aumentos dos valores de CD4.

Logicamente, existem muito mais efeitos benéficos de tais práticas. Conforme já falei, não se sabe os mecanismos envolvidos que fazem a espiritualidade e a religião desenvolver os benefícios observados. Poucas pesquisas científicas analisam a relação entre saúde e espiritualidade e muitos investigadores dentre eles simplesmente teorizam fatores tirando conclusões baseadas em suas crenças e forçando encontrar os resultados que procuram, tanto da parte dos religiosos e dos espiritualistas, quanto dos céticos e pseudo-céticos. É lamentável. Porém, existem trabalhos sérios a respeito.

#Ciência #Espiritualidade #Medicina

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/medicina-sa%C3%BAde-e-espiritualidade

Entrevistas e Palestras de Junho/2020

Bate-Papo Mayhem #025 – Com Virginia Gaia e Pedro Pietroluongo – Magia Sexual.
https://youtu.be/z2ZTahJFCiM

Bate-Papo Mayhem #026 – Com Carlos Raposo – Aleister Crowley, Thelema e a História da O.T.O.
https://youtu.be/gjn8MdagesU

Bate-Papo Mayhem #027 – Com Aton Gondim – Uso Terapeutico e Magístico do Tarot.
https://youtu.be/EsRNQjCCY04

Bate-Papo Mayhem #028 – Com Lorde A – O Vampiro na literatura, filmes e na cultura pop.
https://youtu.be/L9I4MHt4j7E

Bate-Papo Mayhem #029 – Com Ulisses P. S. Massad – Enochiano e Magia Enochiana.
https://youtu.be/uksP6eoZ96I

Bate-Papo Mayhem #030 – Com Thiago Thamosauskas – Principia Alchimica, o Manual do Alquimista Moderno
https://youtu.be/nCH4k9PR02k

Bate-Papo Mayhem #031 – Com Obito (Morte Súbita) – O Diabo não é tão feio quanto se pinta: a História do Satanismo.
https://youtu.be/rqseOAktVmk

Bate-Papo Mayhem #032 – Com Carlos Brasilio Conte – Pitágoras e a Escola Pitagórica
https://youtu.be/FFwmiuq5fkY

Bate-Papo Mayhem #033 – Com Oghan N´Thanda – A Jornada do Herói Negro e a Magia Africana.
https://youtu.be/v_N4kwTCXwc

Bate-Papo Mayhem #034 – Com Marcelo Del Debbio – Qlipoth, a Árvore da Morte
https://youtu.be/4a7WJ29G0To

Bate-Papo Mayhem #035 – Com Marco Antônio Seschi – A História das Artes Marciais na China
https://youtu.be/vWx4sDm8Lvk

Bate-Papo Mayhem #036 – Com Caio Ribeiro Chagas – Magia e Video-Games. Quando a Alquimia encontra a jogabilidade.
https://youtu.be/Eh3xbqJEaF0

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/entrevistas-e-palestras-de-junho-2020

Asas de Morcego: a arte de Koppay

Asas de Morcego: violação da eugenia e empoderamento da marginalidade na arte de Koppay

Shirlei Massapust

Por motivo de antiguidade e pertinência temática decidi realizar um estudo de imagem das xilogravuras (holzstich) da série Kraft und List, produzidas e/ou inspiradas pelo conceito original dum pintor de nome Barão Jószef Arpád Koppay von Drétoma (1859-1927), que assinava simplesmente Koppay.

Kraft und List significa “Poder e Astúcia” em idioma alemão. Nas versões de 1880 e 1982 a personagem List tem asas de morcego. Na última versão, datada de 1891, ela é apenas uma mulher normal. List tem pele branca e cabelos pretos, sem cachos ou frisos. Está sedutoramente recostada sobre o leão Kraft, embora lance um olhar feroz sobre ele. A fera desconhece o perigo, pois olha distraidamente para o nada.

Aparentemente Kraft pensa que é amado por List e se deixa domesticar, tendo uma corrente no pescoço, com função de coleira. Na Bíblia, o leão (Panthera leo) é o símbolo heráldico do rei (Provérbios 19:12 e 20:2), especialmente da classe governante da tribo de Judá (Gênese 49:9, Oséias 5:15; Apocalipse 5:5). Segundo Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, outros povos entendem que Kṛṣṇa é o leão entre os animais (Bhagavad Gītā 10:30). Buda é o leão entre os Shakya. O brasão do rei budista Açoca († 232 a. C.) tinha a efigie de três leões sobre um pedestal de roda. Tais são, ainda hoje, as armas do Hindustão. Ali, genro de Maomé, glorificado pelos xiitas, é o leão de Alé, razão pela qual a bandeira iraniana é estampada com um leão coroado. “Com a libertação feminina de nossa época, o leão soberbo e generoso tornou-se o macho falocrata, que não sabe ou finge não saber que seu poder é bem relativo[1]”.

Em todo os casos, leões iconográficos podem ser interpretados como pessoas. Koppay vivenciou um período conturbado da História. Nascido em Viena, capital da Áustria, sentiu-se subitamente rebaixado à nacionalidade austro-húngara com a dissolução do Império Austríaco, sucedido pelo Império Austro-Húngaro, resultado dum acordo entre as nobrezas austríaca e húngara que durou de 1867 até 1918. Era como se repentinamente os Estados Unidos integrassem o México e declarassem que todo mexicano teria igual direito à cidadania. O húngaro era historicamente valorado pelos austríacos como os colonos brasileiros perante os colonizadores portugueses.

Na primeira versão de Kraft und List (1880), a jovem mulher morcego de biótipo húngaro está pobremente vestida, com pernas expostas e pés descalços. Mesmo sem asas, num quadro subsequente a andrajosa List é facilmente reconhecida com seu traje esfarrapado e pés descalços, prestes a girar a maçaneta da porta dum prédio luxuoso. Esta maçaneta é um símbolo fálico[2]. List está cercada por um semicírculo de víboras. Um ramo de visco[3] sobre a porta revela a intenção oculta da visita.

Rudolf Lothar, na biografia Koppay Gebundene Ausgabe (1919), fornece o título Das Unheil (1982)[4] ou “A Calamidade” para tal xilogravura. Antigos cartões postais com reproduções de estampas colorizadas trazem o título Das Verhängnis ou “A Perdição”.

Seria List uma “perdida” entrando escondida pela entrada de serviço? Ou uma “calamidade” atravessando a porta principal, na qualidade jurídica de nova dona da casa, ostentando status de esposa do arrimo? Uma pessoa assim, ocupando o lugar da mulher de classe alta, olhando com um ódio nascido do ressentimento para a vizinhança que não aceita seu relacionamento com um nobre, nem sua ascensão social, era com um espelho que refletia todo o asco dirigido à sua laia.

Segundo Lothar, 1882 também foi o ano da censura dos pés de List na segunda versão de Kraft und List. Nela existe outra assinatura além da de Koppay, do coautor Mlanges, que assina junto à folha de palma (ou pena gigante) deitada sobre a cauda alongada do vestido que passa a cobrir a vergonha de List. Desde então a personagem não mais exibiria pernas e pés. Mlanges adicionou um cemitério ao fundo do cenário.

O meio artístico pressentia que o futuro reservava algo de terrível para a nação representada por Kraft. Faltavam trinta e dois anos para o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A terceira versão de Kraft und List (1891) é tautológica[5]. A última produção de Koppay com pertinência temática foi Ein weiterer Sieg für die Mächte der Dunkelheit (1894) ou “Mais uma Vitória das Forças das Trevas” onde um exemplar masculino com asas de morcego e o mesmo biótipo de List aparece totalmente nu, carregando uma mulher branca caucasiana enrolada num lençol transparente. Ele voa levando-a para o fundo dum penhasco com neblina, onde acaba de pular. Uma estrela isolada, ou o planeta Vênus, brilha num céu carregado de nuvens nimbos estratos.

Apesar da ausência de chifres, rabo e forcado, e embora já houvesse descrições de vampiros que viram morcego em Portugal, é mais provável que List e Dunkelheit sejam sobrenaturais austro-húngaros da eterna espécie diabólica (Teufelin), composta de gênero feminino súcubo (sukkuba) e masculino íncubo (inkubus), e não do eveterno espírito (geist) que cria o vampiro (vampir) ao reentrar em seu próprio cadáver.

O Diabo é nada menos que um dogma, que depende de todos os outros. Modificar o eterno vencido não é o mesmo que modificar o vencedor? Duvidar dos atos do primeiro corresponde a duvidar dos atos do segundo, dos milagres que ele fez precisamente para combater o Diabo. As colunas do céu estão apoiadas no abismo[6].

Os anjos diabólicos existem desde o princípio dos tempos, conforme o folclore do século XIX, e não buscam companheiros humanos porque gostam de dormir com gente. O modus operandi organizacional da súcubo e da íncubo segue uma estratégia padronizada pelo serviço de inteligência da governança do Inferno. O objetivo é hibridar a linhagem adâmica para torná-la imprestável aos propósitos da ideologia monárquica e, consequentemente, promover mudanças sociopolíticas favoráveis à sua causa.

Esse mito, que nada tem de bíblico, atualiza a concepção original dos teólogos Heinrich Kramer e James Sprenger, no Malleus Maleficarum (1484), em contestação à teoria da desumanidade dos filhos de relacionamentos extraconjugais, quando o diabo usa alguém como instrumento, outorgando o poder de causar o mal por vias de fato.

Ademais, anjo agostiniano não tem sexo. Para suprir sua impotência sexual, o mesmo sobrenatural agénero teria o habito de solidificar-se como súcubo de aparência humana feminina para colher esperma de algum homem, sublimar-se e solidificar-se novamente como íncubo de aspecto masculino para ejetar o esperma recém colhido numa mulher. “Pode-se agora perguntar de quem é filha a criança assim gerada. Está claro que não é do diabo, mas do homem cujo sêmen recebeu[7]”. O súcubo-íncubo não faz mais do que manipular o genoma, produzindo “transmutações no sêmen[8]”.

Houve até um magistrado, o assessor criminal de Baiona (França), que deixou fazer o sabbat em sua casa. O senhor de Saint-Pé, Urtubi, foi obrigado a fazer a festa no seu próprio castelo. Com isso lhe ficou a cabeça tão abalada que imaginou que uma feiticeira lhe estava a chupar o sangue. Tendo-lhe o medo dado coragem, foi em companhia de um outro senhor a Bordéus, dirigiu-se ao Parlamento, os senhores d’Espagnet e de Lancre, fossem encarregados a julgar os feiticeiros do país basco.[9]

O filósofo e historiador francês Jules Michelet (1798-1874) verificou que a tradição da feitiçaria era múltipla e muito diversificada. Quanto mais próxima da Alemanha, onde o Diabo era forte, mesclado a restos de mitologia nórdica, afigurava-se mais pesada e sombria, “só gosta de animais pretos[10]”.

Ignoro o que foi produzido e exposto primeiro, se a primeira versão de Kraft und List (1880) de Koppay ou La chauve-souris (1880) do francês Albert Joseph Pénot (1862-1930). Porém o tema é o mesmo. Pénot se especializou em pintar nu artístico. Em muitos de seus quadros as mulheres voam, deitam ou flutuam sobre nuvens. Na cena de nu artístico de “A Morcega”, uma jovem de pele branca e longos cabelos pretos, com asas pretas, voa à frente dum céu tempestuoso. Diferentemente das demais personagens voadoras de outros quadros, a morcega é fisicamente idêntica a bruxa que voa sentada numa vassoura em Départ pour le Sabbat (1910), do mesmo autor.

Quadros La chauve-souris (1880) e Départ pour le Sabbat (1910) de Albert Pénot

Notas:

[1] CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Trad. Vera da Costa e Silva, Raul de Sá Barbosa, Angela Melim e Lúcia Melim. Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p 539.

[2] Toda fechadura é constituída de algumas partes. As exteriormente visíveis são a maçaneta, o espelho e a chave. Espelho é a placa com buraco onde entra a chave, que também suporta a maçaneta. Nesta xilogravura a fechadura tem espelho circular que compõe uma figura fálica em conjunto com a sombra do braço da personagem.

[3] Uma lenda que sobreviveu à civilização escandinava diz que duas pessoas que se encontram de baixo de visco devem se beijar para celebrar com amor a ressurreição de Balder (Balðr) no Ragnarök. Há uma tradição derivada em alguns países do hemisfério norte (Canadá, EUA, Inglaterra, Irlanda, Escócia) onde se um homem e uma mulher se encontrarem sob um ramo de visco, devem se beijar para trazer boa sorte.

[4] KOPPAY, MALER DER HIGH SOCIETY.  Resenha ilustrada publicada no blog Kunst Kommt Von Können, em 06/03/2009. URL: <http://kunstkommtvonkoennen.blogspot.com.br/2009/03/koppay-maler-der-high-society.html>

[5] A terceira versão de Kraft und List (1891) é uma pintura a óleo colorida. Não é uma xilogravura ou estampa colorizada derivada de impressão xilográfica. A inscrição Koppay – 1891, em letras de fôrma diferentes da assinatura usual, consta numa rocha quadrada com partes rústicas a serem esculpidas. Essa é a pedra angular que indica o conceito autoral duma obra inacabada pelo autor, concluída por outrem. Todavia, há mais perda de elementos iconográficos do que indícios de transcendência na variante. O cemitério de Mlanges foi descartado juntamente com as asas de Koppay. O fundo do novo coautor, cuja assinatura é ilegível, é um escuro túnel circular.

[6] MICHELET, Jules. Sobre as Feiticeiras. Trad. Manuel João Gomes. Lisboa, Edições Afrodite, 1974, p 17.

[7] KRAMER, Heinrich & SPRENGER, James. O Martelo das Feiticeiras. Trad. Paulo Froés. Rio de Janeiro. Editora Rosa dos Tempos, 1991, p 85.

[8] KRAMER, Heinrich & SPRENGER, James. O Martelo das Feiticeiras, p 87.

[9] MICHELET, Jules. Sobre as Feiticeiras. Trad. Manuel João Gomes. Lisboa, Edições Afrodite, 1974, p 190.

[10] MICHELET, Jules. Sobre as Feiticeiras. Trad. Manuel João Gomes. Lisboa, Edições Afrodite, 1974, p 369.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/asas-de-morcego-violacao-da-eugenia-e-empoderamento-da-marginalidade-na-arte-de-koppay/

A.·.A.·. Astrum Argentum – A Ordem da Estrela de Prata

” Na A.·. A.·. cego não guia cego.”

Tal afirmação reflete por completo o eixo do sistema de instrução da Ordem. O pupilo é avaliado por uma série de deveres explícitos no documento Liber 185, por outros propostos pelo instrutor e por si mesmo, onde o seu sucesso será a base para a instrução de seus futuros discípulos. Todos os documentos da Ordem estão disponíveis neste site ou distribuídos na internet, pois a A.·. A.·. apresenta-se sem mistérios aberta a qualquer análise e estudo, onde não apenas a literatura é a responsável pelo conhecimento, mas também a tradição oral.

A estrutura da Ordem é composta de 10 graus, todos equivalentes a uma sephirah da Árvore da Vida. Existe ainda o Estudante da A.·. A.·. que apenas é apresentado ao sistema da Fraternidade, não possuindo nenhum vínculo com a mesma.

Os fundadores desenvolveram o método denominado Iluminismo Científico , publicado no The Equinox, como oficial da A.·. A.·. que deverá ser inteiramente estudado, apesar da liberdade de escolha daquele que melhor agradar o candidato dentro dos limites da Fraternidade.

O candidato deve saber que, ao aceitar o ingresso como Probacionista, entrará em uma esfera de eventos e testes próprios do sistema, onde será constantemente medido pela Ordem em vários aspectos. Deverá manter um diário de suas práticas e pensamentos que servirá como avaliação do progresso.

Segundo Crowley: ” Um juramento mágico, é a mais irresistível das forças morais. Ele é uma afirmação da verdadeira vontade; sendo o elo entre a consciência humana e a consciência divina da natureza do ser. Um juramento mágico, que não expressa a verdadeira vontade, desperta forças de oposição, enfraquecendo o homem de acordo com seriedade do compromisso “.

Cada pessoa é uma estrela, e como tal necessita de um método próprio de instrução que deverá ser percebida pelo instrutor. A sua sensibilidade às fraquezas do pupilo será de suma importância na condução do processo, uma vez que o Homem só evolui superando seus medos e fraquezas, caso contrário, estaríamos criando apenas teóricos.

Quantidade de conhecimento não reflete evolução, assim como práticas sem base teórica é desperdício de tempo, daí a necessidade de um instrutor. A avaliação é feita pelos cumprimentos dos deveres propostos e pela sensibilidade do seu guia pois, apenas alguém que está no seu grau, ou além, pode reconhecer aquele em que você está.

Um dos mitos que cercam a Ordem é de que um membro conhece apenas o seu instrutor e futuramente seus instruídos.

Isso não é verdade.

Alguns rituais de passagem de grau são feitos em grupo, assim como existem certos cargos que visam a organização estrutural implicando em conhecimento dos nomes do membros da mesma ascendência.

O objetivo desta regra é evitar que membros do mesmo grau trabalhem -no juntos, o que é proibido, pois a A.·. A.·. é uma ordem de trabalho individual.

Um indivíduo somente pode ser expulso da A.·. A.·.em uma ocasião: se usar a Ordem para ganhos financeiros pessoais. Aqui cabe um comentário: não é proibida a aquisição de dinheiro, uma vez que fundos são necessários para a manutenção de qualquer serviço (templos, cópias de Libri, robes, impressões etc). Não é cobrado mensalidade, cabendo ao membro responsável definir o método de obtenção de fundos.

Outra proibição diz respeito a instrução: ninguém está autorizado a indicar quaisquer métodos para realizar a Conversação com o Sagrado Anjo Guardião. Esse é um método extremamente pessoal que o iniciado deverá descobrir por suas próprias virtudes, ainda que auxiliado pelo instrutor.

Se for da Vontade do indivíduo, que proclame a sua saída ao seu instrutor porém, após o grau de Zelator, o iniciado só tem dois pontos onde chegar: a Cidade das Pirâmides ou as solitárias torres do Abismo.

Estrutura

De caráter puramente espiritual, a A.·. A.·. é dividida em três principais ordens a saber:

– A Golden Dawn (não a antiga) – que compreende os graus de Neófito ao grau de Dominus Liminus ( ou não).

– A R.·.C.·. – que compreende os graus de Adeptus Minor a Adeptus Exemptus

– A S.·.S.·. (ou Silver Star ou Collegium Summum) – a manifestação acima do abismo, que compreende os graus de Magister Templi a Ipsíssimus, é a mesma para todas as Fraternidades Brancas e onde, tradicionalmente, estão os Chefes Secretos da Ordem.

O mais atento irá reparar que a divisão das ordens se dá pela relação das Três Trindades da Árvore da Vida, com exceção de Malkuth incorporada na Primeira Ordem. Porém, uma relação de separação ainda é implícita, pois no pilar do meio, a passagem entre cada sephirah é feita por três véus que separam as trindades: o Véu de Nephesh, o Véu de Parroketh e o Véu do Abismo.

O significado Estrela de Prata possui várias vertentes, dentre as quais as mais importantes são:

– Segundo Crowley, a Aurora Dourada precede a Estrela de Prata ao amanhecer que significa a nova transmutação da Grande Fraternidade Branca ( uma vez que a primeira Golden Dawn foi uma das manifestações dela no nosso plano. A Grande Fratrenidade Branca tem como objetivo a evolução espiritual da humanidade e manifestou-se anteriormente através de vários estudiosos, dentre eles John Dee, Eliphas Levi , Gerard Encausse ou Papus, Mme. Blavatsky em confronto com os Irmãos Negros, representados por todos aqueles que mantém o homem em estado de servidão material e inferiorização pelo desconhecimento de suas capacidades e poderes internos).

– De acordo com uma nota de Crowley em Gematria Grega, o verdadeiro nome da Ordem está em grego e não em latim, Aster Argos. Na verdade significa Estrela Brilhante ( não ” de Prata” ), aparentemente ele enganou-se grafando erradamente a palavra, porém se somarmos suas letras, obteremos o valor o 983, o mesmo da palavra GNOSIS.

– A Estrela de Prata, segundo Kenneth Grant ,discípulo direto de Crowley ainda em atividade, significa a Estrela Sírius que é visível em todas as partes da Terra, o Sol de que o nosso Sol é reflexo, e de grande importância na cultura egípcia.

Sobre a graduação da A.·. A.·.., os símbolos referen-se a conceitos da Árvore da Vida, como por exemplo:

– o grau de Neófito é escrito 1º = 10º ( na verdade um zero no primeiro número e um quadrado no segundo), um método numérico para dizer que ” Kether está em Malkuth ” e o de Zelator, 2º = 9º onde 2 refere-se a Sephirah de Chokmah, a ” Mudança ” enquanto 9 refere-se a Yesod, a Sephirah lunar, enquanto 5º = 6º refere-se a ” Deus est Homo ”

Desde a morte dos fundadores ( Aleister Crowley em 1947 e George Cecil Jones em 1953 ) , a Ordem ficou sem uma liderança universal. Crowley apontou como seu herdeiro, dentre seus vários discípulos, Karl Germer ( Frater Saturnus 8º = 3°) que ao seu tempo teve como herdeiro o brasileiro Marcelo Motta ( Frater Adjuvo ), responsável pela vinda da A.·. A.·. ao nosso país. George Cecil Jones, retirou-se do seu trabalho mágico, aparentemente, não especificando sucessor oficial.

Sem uma liderança oficial, a Ordem organiza-se nas ascendências dos discípulos diretos de seus fundadores. O membro sênior da ascendência então torna-se o responsável pela mesma, sendo devidamente atualizado do progresso de seus discípulos e discípulos dos discípulos e assim sucessivamente.

Os cargos oficiais da ordem são quatro a saber:

– Cancellarius – significa “chanceler”. Sua função é semelhante a do secretário. Possui equivalência ao deus Thoth, como escriba e responsável pela comunicação e circulação interna de materiais. Corresponde ao grau de Adeptus Minor.

– Imperator – significa ” diretor , comandante” . Sua função é a de gerência ou administração da Ordem . Corresponde ao deus Horus – Apophis e ao grau de Adeptus Major.

– Præmonstrator – do latim monstrare ” mostrar, exibir, ensinar”. Seu dever corresponde a preservação da forma e estrutura da Fraternidade e promulgação dos ensinamentos sob o aval da Ordem da S.·.S.·. e ao grau de Adeptus Exemptus.

– Præmonstrator -Geral – acima de todos os anteriores está esse cargo. Ao menos o responsável deve possuir o grau de Adeptus Exemptus. Só é conhecido a utilização deste cargo uma vez por Crowley, na autorização da emissão de um documento (Book Four , Parte I). Na ocasião assinou como N.·. ( Nemo, um nome genérico para aquele que assume o grau de Magister Templi).

Existem menções de outros cargos, como o de Grão- Neófito, Orador e Tesoureiro, porém os quatro acima são os mais importantes. Se for necessário, a regra de equivalência de grau a determinado cargo pode ser relaxada, com aconteceu com J.F.C. Fuller, que no grau de Probacionista ( Frater Per Ardua), foi dado o cargo de Cancellarius e um grau honorário de Adeptus Minor ( Frater Non Sine Fulmine ).

Se houver necessidade, os cargos poderão ser preenchidos pelos membros da ascendência.

História

A Astrum Argentum foi fundada em 1907 por George Cecil Jones e Aleister Crowley em cima da estrutura de umas das mais influentes ordens mágicas dos Séculos XIX e XX, a Golden Dawn (The Hermetic Order of Goldem Dawn).

Ambos foram membros da primeira Golden Dawn , e após desavenças internas, decidiram fundar uma versão própria da Grande Fraternidade Branca sobre a Terra.

Após uma (re)celebração do velho ritual do Adeptus Minor em 27 de Julho de 1906, ambos foram envolvidos em uma experiência mística que ultrapassou os resultados esperados. Dois dias mais tarde, discutiram a criação de uma nova ordem e Jones queria a autorização de uma alta autoridade. Celebraram o Ritual do Equinócio de Outono e continuaram a desenvolver a base do novo sistema.

Entre Setembro e Dezembro de 1906, coisas extraordinárias aconteceram: Sabe-se apenas o que Crowley estava fazendo, pelos escritos de seu diário, porém não sabemos o que Jones estava fazendo, apenas o resultado. Em Dezembro ambos prepararam a admissão à Ordem da S.·.S.·., através do grau de Magister Templi. Crowley disse , em seu diário em 7 de Dezembro , que Jones o escreveu do “Samadhi – dhattu”. No dia 10, Jones visitou Crowley e disse: ” O.M. (Crowley) é 8°=3° “.

Os dois passaram o natal juntos e posteriormente um validou a entrada do outro na Terceira Ordem. No dia 8 de Abril de 1907, Crowley escreve a Jones para aprovar a Lição de História da A.·. A.·. (Liber 61 vel causae).

Eles receberam a autorização que Jones queria.

Em 1911 devido a publicidade que Crowley fazia de si mesmo e da publicação de materiais no orgão divulgador oficial da A.·. A.·., The Equinox, a ordem passou a ser atacada pelos jornais, descrita como satânica, pervertida… as coisas de sempre. Isso culminou num processo de G.C.Jones contra o tablóide The Looking Glass, que insinuava uma possível relação homossexual sua com Crowley ( assumidamente bissexual na Inglaterra vitoriana, um escândalo). A audiência foi tendenciosa, principalmente quando uma das testemunhas de defesa do jornal era nada mais nada menos do que S.L.Mathers, ex instrutor e amigo de Crowley. Querendo vingança contar Crowley sobre um desentendimento de ambos, Mathers ajudou a quebrar a relação de Jones com ele.

No final, Jones e outro membro de alto grau da Ordem, J.F.C. Fuller, romperam com Crowley. Ao invés de enfraquecer a A.·. A.·., o evento a promoveu, garantindo a sua existência até hoje, mesmo que sob uma nova forma.

 

A.·.A.·. no Brasil

A A.·. A.·. iniciou no Brasil, como instutuição organizada, com Marcelo Ramos Motta ( Frater Adjuvo ), porém, há registro de um Probacionista no nosso país em 1913, H.E. Inman, discípulo de Frater A.H.A., Frank Bennet.

A primeira publicação da A.·. A.·. em nosso país, foi por Frater Aleph, ” Chamando os Filhos do Sol ” em 1962, na cidade do Rio de Janeiro

Site: https://www.astrumargentum.org.br/

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-%c2%b7-a-%c2%b7-astrum-argentum-a-ordem-da-estrela-de-prata/