Unus Pro Omnibus, Omnes Pro Uno

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UNUS PRO OMNIBUS, OMNES PRO UNO
(“Um por todos, todos por um”)

Uns quinze anos atrás, quando tomei ayahuasca pela primeira vez, me vi em um campo imenso por onde surgia uma Escada de Jacó enorme, que subia até as estrelas. Nos degraus destas escadas, imagens dos deuses de todas as mitologias pairavam em meio a arcanos do Tarot, signos zodiacais, personagens da cultura pop e heróis da literatura clássica. Por entre estes caminhos, percebi que todas as nossas grandes histórias e mitologias nada mais são do que paletas de cores de uma meta-linguagem muito superior à nossa consciência adormecida do dia-a-dia.

Antes daquele dia, eu tinha todas as ferramentas à mão: Mestre Maçom e membro das principais Ordens Herméticas do ocidente, escritor com dezenas de livros sobre RPG; profundo conhecimento na Construção da Jornada do herói e uma devoção acadêmica à obra de Joseph Campbell… todas as informações estavam ali, compartimentadas… mas faltava aquele “passo” a mais em direção ao Abismo de Daath no qual toda essa base seria transformada em algo ainda maior.

A ayahuasca foi a chave de TAV que permitiu o cruzamento das fronteiras entre Malkuth e Yesod e agora, dez anos depois, o resultado de toda esta pesquisa esta se materializando após passar por todas as Esferas da Árvore da Vida. Sou muito grato a todos que fizeram e fazem parte desta jornada no Teoria da Conspiração.

Aos que perderam a chance de apoiar o Projeto no Catarse, pode encontrá-lo na página da editora: https://daemoneditora.com.br/categoria-produto/kabbalah/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/unus-pro-omnibus-omnes-pro-uno

Diálogo entre Jasão e Jesus

“Jasão”, sendo o protagonista do livro “Operação Cavalo de Tróia”, de J.J. Benitez, é um Major da Força Aérea dos EUA que participa de um experimento científico de viagem no tempo. O período que é escolhido para testar a máquina é o da crucificação de Jesus Cristo. Após diversas dificuldades e percalços pelo caminho, Jasão encontra-se com o Galileu na casa de Lázaro, o que ocasiona uma conversa deveras reveladora, profunda e meditativa entre o rabi e o viajante. Aproveitem esse dia para refletir nas palavras ditas pelo Mestre. Embora seja um livro de “ficção”, não deixa de abarcar um significado congruente com o que nós, Livres Pensadores, pensamos e refletimos acerca da Vida e do Universo, entre outros temas. (Os grifos são nossos)

“Ao notar que Jesus se oferecia prazerosamente ao diálogo, aproveitei a ocasião e perguntei-lhe sua opinião sobre o que sucedera naquela tarde.

– Tenho estado no centro do mundo e me revelado a eles na carne. Encontrei-os todos embriagados. Nenhum eu encontrei sedento. Minha alma sofre pelos filhos dos homens porque estão cegos de coração; não vêem que chegaram vazios ao mundo e tencionam sair vazios do mundo. Agora estão bêbados. Quando vomitarem seu vinho se arrependerão…

– São palavras muito duras – disse-lhe -. Tão duras como as que pronunciaste no cume do Monte das Oliveiras, à vista de Jerusalém…

– Talvez os homens pensem que vim para trazer a paz ao mundo. Não sabem que estou aqui para lançar na terra divisão, fogo, espada e guerra… Pois haverá cinco em uma casa: três contra dois e dois contra três; o pai contra o filho, o filho contra o pai. E eles estarão sós.

– Muitos, em meu mundo – acrescentei procurando fazer com que minhas palavras não soassem excessivamente estranhas para Lázaro – poderiam associar essas frases tuas sobre o fim de Jerusalém como o fim do tempo. Que dizes a isto?

– As gerações futuras compreenderão que a volta do Filho do Homem não se dará pela mão do guerreiro. Esse dia será inolvidável: depois da grande atribulação – como não houve outra desde o princípio do mundo – meu estandarte será visto nos céus por todas as tribos da terra. Essa será minha verdadeira e definitiva volta: sobre as nuvens do céu, como o relâmpago que sai do Oriente e brilha até o Ocidente…

– Que será a grande atribulação?

– Poderias chamá-la “um parto de toda a Humanidade…”

Jesus não parecia muito disposto a dar-me detalhes.

– Ao menos diz-nos quando se realizará.

– Daquele dia e daquela hora, ninguém sabe. Nem os anjos, nem o Filho. Só o que posso dizer-te é que será tão inesperado que a muitos os pilhará no meio da sua cegueira e iniquidade…

– Meu mundo, da qual venho – tratei de pressioná-lo – distingue-se precisamente pela confusão e pela injustiça…

– Teu mundo não é nem melhor nem pior do que este. A ambos só lhes falta o princípio que rege o Universo: o Amor.

– Dá-me, ao menos, um sinal para que saibamos quando te revelarás aos homens pela segunda vez…

– Quando vos desnudardes sem sentir vergonha, tornardes vossas vestimentas, as colocardes sob os pés como as crianças e as pisoteardes, então vereis o Filho do Vivente e não temereis.

Lázaro, oportunamente, continuava identificando “meu mundo” como a Grécia. Isso me permitia continuar interrogando o Mestre com uma certa margem de amplitude.

– Então – tornei – meu mundo está ainda muito longe desse dia. Ali os homens são inimigos dos homens e até do próprio Deus…

Jesus não me deixou prosseguir.

– Estais então equivocado. Deus não tem inimigos.

Aquela incisiva frase do Nazareno trouxe-me à memória muitas das crenças sobre um Deus justiceiro que condena ao fogo do inferno o que morre em pecado. E foi o que lhe disse.

Cristo sorriu meneando a cabeça negativamente.
– Os homens são hábeis manipuladores da Verdade. Um pai pode sentir-se aflito com as loucuras do filho, mas nunca condenaria os seus a um mal permanente. O inferno, como crêem em teu mundo, significaria que uma parte da Criação haveria escapado das mãos do Pai… E posso assegurar que crer nisso é não conhecer o Pai.

– Por que então falaste em certa ocasião de fogo eterno e ranger de dentes?

– Se falando por parábolas não me compreendes, como então posso ensinar-te os mistérios do Reino? Em verdade, em verdade te digo que aquele que aposte forte, e se equivoque, sentirá como lhe rangem os dentes.

– É que a vida é uma aposta?

– Tu o disseste, Jasão. Uma aposta pelo Amor. É o único bem em jogo desde que se nasce.

Fiquei pensativo. Aquelas eram palavras novas para mim.

– Que te preocupa? – perguntou-me Jesus.

– A ser assim, que podemos pensar dos que nunca amaram?

– Não há tais.

– Que me dizes dos sanguinários, dos tiranos?…

– Também esses ama à sua maneira. Quando passarem para o outro lado levarão um bom susto…

– Não entendo.

– Eles se darão conta, ao deixar este mundo, de que ninguém lhes perguntará por seus crimes, riquezas, poder ou beleza. Eles mesmos, e só eles, se convencerão de que a única medida válida, no “outro lado”, é o Amor. Se não amaste aqui, em teu tempo, somente tu te sentirás responsável.

– E que ocorrerá com os que não tiverem sabido amar?

– Quererás dizer: com os que não tiverem querido amar…

Novamente me senti confuso.

– …Esses, amigo – prosseguiu o rabi, captando minha dúvida – serão os grandes burlados e, em consequência, os últimos no Reino do meu Pai.

– Então teu Deus é um Deus de amor…

Jesus pareceu agastar-se.

– Tu és Deus!

– Eu, Senhor?!

– Em verdade te digo que todos os nascidos levam o selo da Divindade.

– Mas não respondeste à minha pergunta. É Deus um Deus de amor?

– Não o fosse e não seria Deus.

– Nesse caso devemos excluir de sua mente qualquer castigo ou prêmio?
– É nossa própria injustiça a que se volta contra nós próprios.

– Começo a intuir, Mestre, que tua missão é muito simples. Será que me engano se te digo que teu trabalho consiste em deixar uma mensagem?

O Nazareno sorriu satisfeito. Pôs a mão sobre meu ombro e replicou:

– Não podias resumi-lo melhor…

Lázaro, sem fazer o menor comentário, assentiu com a cabeça.

– Tu sabes que meu coração é duro – acrescentei. Poderias repetir-me essa mensagem?

– Diz ao teu mundo que o Filho do Homem só veio para transmitir a vontade do Pai: que todos sois seus filhos!

– Isso já o sabemos…

– Estás seguro? Diz-me, Jasão, que significa para ti ser filho de Deus?

Senti-me novamente apanhado. Sinceramente, não tinha uma resposta válida. Nem mesmo estava seguro da existência desse Deus.

– Eu to direi – interveio o Mestre com uma grande doçura. Haver sido criado pelo Pai supõe a máxima manifestação de amor. Ele dá tudo sem pedir nada em troca. Eu recebi o encargo de recordar isso. Essa é a minha mensagem.
– Deixa-me pensar… Então, façamos o que façamos, estaremos condenados a ser felizes?
– É questão de tempo. É necessário que o mundo entenda, e ponha em prática que o único meio para ele é o Amor.

Tive de meditar muito minha pergunta seguinte. Naquele instante, a presença do ressuscitado podia constituir um certo problema.

– Se tua presença no mundo obedece a uma razão tão elementar como a de depositar uma mensagem para toda a humanidade, não crês que “tua igreja” é demais?
– Minha igreja? – perguntou por sua vez Jesus, embora, em minha opinião, houvesse entendido perfeitamente – Não tive, nem tenho a menor intenção de fundar uma igreja, tal como tu pareces entendê-la.

Aquela resposta perturbou-me demais.

– Mas tu disseste que a palavra do Pai deveria ser estendida até os confins da Terra…
– E em verdade te digo que assim será. Mas isso não implica condicionar ou dobrar minha mensagem à vontade do poder ou das leis humanas. Não é possível que um homem monte dois cavalos ou que dispare dois arcos. Como não é possível que um criado sirva a dois amos. Senão, ele honrará a um e ofenderá ao outro. Ninguém que beba vinho velho deseja no momento beber vinho novo. Não se verte vinho novo em odres velhos, para que não se azede, nem se transvasa vinho velho em odres novos, para que não se deteriore. Nem se cose um remendo velho a um vestido novo porque se faria um rasgão. Da mesma forma te digo: minha mensagem só necessita de corações sinceros que a transmitam; não de palácios ou falsas dignidades e púrpuras que a cubram.

– Tu sabes que não será assim…

– Ai dos que antepuserem sua estabilidade à minha vontade!

– E qual é a tua vontade?

– Que os homens se amem como os tenho amado. Isso é tudo.

– Tens razão – admiti – para isso não faz falta montar novas burocracias, nem códigos, nem chefaturas… Não obstante, muitos dos homens de meu mundo desejaríamos fazer-te uma pergunta…

– Adiante – animou-me o Galileu.
– Poderíamos chegar a Deus sem passar pela igreja?

O rabi suspirou.
– E tu necessitas dessa igreja para chegar ao teu coração?

Uma confusão extrema bloqueou-me a voz. E Jesus o percebeu.
– Muito antes de que existisse a tribo de Davi, irmão Jasão, muito antes de que o homem fosse capaz de erguer-se sobre si mesmo, meu Pai havia semeado a beleza e a sabedoria na terra. Quem vem antes, portanto, Deus ou essa igreja?

– Muitos sacerdotes do meu mundo – repliquei – consideram essa igreja como santa.

– Santo é meu Pai. Santos sereis todos vós no dia em que amardes.

– Então – e te rogo que me perdoes pelo que vou dizer-te – essa igreja está sobrando…
– O amor não necessita de templos ou legiões. Um homem tira o bem ou o mal de seu próprio coração. Um só mandamento vos é dado, e tu sabes qual é… O dia em que meus discípulos fizerem saber a toda a humanidade que o Pai existe, sua missão estará concluída.

– É curioso: esse Pai parece não ter pressa.

O gigante mirou-me compassivamente.

– Em verdade te digo que Ele sabe que terminará triunfando. O homem sofre de cegueira, mas eu vim abrir-lhe os olhos. Outros seres descobriram já que é mais vantajoso viver no Amor.

– Que ocorre então conosco? Por que não conseguimos encontrar essa paz?

– Eu já disse que os tíbios, vomitá-los-ei pela minha boca, mas não tentes mortificar teus irmãos na malícia ou na pressa. Deixa que cada espírito encontre seu caminho. Ele mesmo, ao final, será seu juiz e defensor.

– Então, tudo isso de juízo final…
– Por que tanto vos preocupais todos com o final, se nem sequer conheceis o princípio? Já te disse que do outro lado espera-vos a surpresa…

– Tenho a impressão de que Tu serias considerado excessivamente liberal para as igrejas do meu mundo.
– Deus é tão liberal, como dizes, que até mesmo permite que te enganes. Ai daqueles que se arrogam o papel de sacerdotes, respondendo ao erro com o erro e à maldade com a maldade! Ai dos que monopolizam Deus!

– Deus… Tu sempre estás falando de Deus. Poderias explica-me quem ou o que é?

O fogo daquele olhar tornou a transpassar-me. Duvido que exista muro, coração ou distância que não pudesse ser vencido por semelhante força.

– Podes tu explicar a estes de onde vens e como? Pode o homem apresar as cores entre as mãos? Pode um menino guardar o mar entre as pregas de sua túnica? Podem os doutores da lei alterar o curso das estrelas? Quem tem poder para devolver a fragrância à flor que foi pisoteada pelo boi? Não me peças que te fale de Deus: sente-o. É o suficiente…

– Eu estaria certo se dissesse que o sinto como… uma “energia”?

Eu não me dava por vencido, e Jesus o sabia.

– Vais muito bem.

– E que há por baixo dessa “energia”?

– É que não há “acima” ou “abaixo” – atalhou o Nazareno, cortando meus atropelados pensamentos – O Amor, quer dizer, o Pai, é o Todo.

– Por que é tão importante o Amor?

– É a vela do navio.

– Permite que eu insista: que é o Amor?

– Dar.

– Dar… mas dar o quê?

– Dar. Desde um olhar até tua vida.

– Que podem dar os angustiados?

– A angústia.

– A quem?

– À pessoa que lhes quer bem…

– E se não tiverem ninguém?

O mestre fez um gesto negativo.

– Isso é impossível… Até os que não te conhecem podem amar-te.

– E que dizes de teus inimigos? Também deves amá-los?

– Sobretudo a esses… O que ama aos que o amam já recebeu a recompensa.

A conversação se prolongaria, ainda, até bem entrada a madrugada. Agora sei que meu ceticismo para com aquele homem havia começado a fender.”

#consciência #Cristianismo #Jesus #Religião

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À Queda de Lúcifer!

Muitas pessoas já abriram a boca para falar da queda dos anjos. Mal sabem elas o que dizem, sequer recordam de alguma passagem bíblica de onde retiraram suas fábulas. Todos estão carecas de saber que o Livro de Isaías (14:12-17) não fomenta argumentos para tais assertivas! Hora, este povo não quer saber de retórica, nem de academicismo, mas se envaidecem com seus diabos e deuses supostamente imperiosos… Uma coisa é certa, eles adoram o Capeta, sem ele Jesus não seria nenhum Ungido, por não haver sagrado, nem teria qualquer maior fundamento ou subsistiria qualquer salvação… Enfim, um efeito Dominó! Se Lúcifer é uma lenda ou uma fantasia não importa tanto assim, mas vejamos o que ela nos conta…

Cansado de pastorar num paraíso repleto de alvas nuvens cinzentas, sob as ordens de um senhor pra lá de mimado, Lúcifer ousou cobiçar maiores propósitos. Vislumbrou na criação do próprio mestre uma morada mais afim aos seus desejos incestuosos. Aqui não se sabe se a terra veio antes ou depois, compete que ela existia ou veio a existir. Se Lúcifer foi atirado para lá ou para lá seguiu arbitrariamente, não postulamos ao certo, mas para lá foi. E o que haveria de tão mal nisso?! Não é na terra que vivemos?! Quem há de negar que aqui pode ser um verdadeiro paraíso de oásis tão extensos?!

A Queda de Lúcifer à Terra devia ser meio que uma espécie de purgatório, isso é o que nos contam, uma espécie de castigo! Lúcifer ao contrário do imaginado reverteu todo o processo, fez do seu inferno um lugar paradisíaco, e por ali ainda fez alguns amigos, a humanidade, por quem muito logrou distribuir seu fulgor e saber! Os humanos deixariam de ser assim vassalos da vontade divina pra tomarem contas de suas próprias vidas, vivendo dramas semelhantes aos de Lúcifer e seus anjos errantes!

Quando falamos em Queda, falamos que Lúcifer não era um ser perfeito, apesar de ser “o ser mais perfeito dentre os Querubins de Deus”. Este, no entanto, é um Mito que representa, apesar das aparências, a própria retomada de consciência da humanidade, um arquétipo, que caíu assim como adão e eva no momento em que tomaram consciência de si! Eles então precisam trilhar o caminho de volta pra casa!

Lúcifer não caíu pela eternidade! Ao contrário, ele apenas vive um momento transitório, singrando entre as Espirais do Mahavantara! Lúcifer não é um ser amaldiçoado, como dizem seus opositores. Ele é um ser que trilha sua própria evolução à par dos estigmas de que se faz possuidor, alcançando lentamente sua perfeição “junto” à Deus! Quem conta qualquer outra história escabrosa é porque não conhece de fato esta Entidade tão Linda que é Lúcifer, a beleza mais singela e tocante que alguém poderia expressar em forma de poesia. Lúcifer não aparece para todos, sequer atende a qualquer pedido, é preciso ser merecedor de sua atenção, ser um de seus filhos!

Lúcifer é uma energia, uma sublime esfera de luz “astral” que trás iluminação aos homens! Um ser todo especial em seu Arcano… Deus é um mistério, outrossim, que pode ser alcançado de muitas formas e por intermédio de vários seres e mitos, inclusive na sua forma Luciferiana! No seu levante de Portador da Luz, de Estrela da Manhã, Lúcifer é luz, vida e amor, embora Lúcifer também seja a escuridão e a morte, porque Ele vela em si mesmo sentimentos soberbos e egoístas que o fazem obscuro e insolente ao mesmo tempo! No seu lado “humano”, Ele está muito próximo de nós, numa aparição mais antropomórfica, ao passo que em seu lado divino Ele se mune de características pra lá de magnânimas e exuberantes!

Assim como Lúcifer, nós não merecemos nem precisamos de nenhuma “misericórdia” divina, ao contrário, nós nos doamos misericórdia, sendo apenas humanos, reles mortais, vivendo nossas vidas e dramas… Deus ao seu modo nos oferta indistintamente seu amor e energia, e Lúcifer se tornou neste caso o vetor dela para todos nós, uma espécie de prometeu, de demiurgo! Somos apenas mortais, disso sabemos, mas Lúcifer é um semi-deus! Ele é um Anjo e por isso pode ser o Avatar da humanidade, o Verdadeiro Messias! Aquele que “caiu” por nós!

Doravante o mito segue sua continuidade, e os finais são muitos. Decerto, hoje, mais do que antes, a história de Lúcifer vem sendo recontada de um modo mais promissor. Claro, os tempos são outros, a blasfêmia não é assim mais tão eivada de culpa. Estas reflexões praticamente fazem parte da consciência popular, já estão na boca do mundo. Pelo menos não faltam escudeiros para estas prosas. O que temos de descobrir é se de fato sabemos retirar alguma aprendizagem prática destas tréplicas?!

Se o desenredo da queda de um terço das estrelas do céu alimenta uma miríade de dúvidas, que dirá a vinda do suposto messias chamado “Cristo”! Um homem para lá de vadio, a pregar uma moral “abastarda” no meio de um palco milagroso de mágicas de terceira categoria. Sobrevoar as águas; curar leprosos; levantar defuntos; soerguer paralíticos e moribundos; que coisa mais batida. Isso não soa sobrenatural demais para nossa terra tão absurdamente mundana?! Que há de tão extraordinário nestes repetecos bíblicos?! Não existem meios mais plausíveis de se conseguirem os mesmos feitos?! Para que apelar ao metafísico?!

Bem, falar é fácil já dizia o pinguço meu amigo! Quem é que afinal não se sente ainda culpado e atônico com estas conclusões assim precipitadas, vindas diretamente do inferno! A culpa não é acaso o veneno plantado no coração de Satã, o Diabo?! Será que ele realmente degustou um gole desta taça amarga?!… Porque desgustaríamos nós também?! Não, não Mesmo! Não me parece que Lúcifer reine no Abismo preocupado com o que pensa seu inescrupuloso pai maldito, afinal, ele não foi suficientemente bastardo para sair de casa?! Para bater a porta na cara de seu velho caduco?! Ele não é o famoso malcriado da Apostasia?!

Não chegamos a falar por todos, mas amaldiçoados como somos, Lúcifer não nos soa um “Cidadão Estelar” pra lá de feliz, de (Ir) realizado, por isso mesmo um Eterno Buscador?! Ele que é tão exuberante em sua rebeldia, que sorrir para nós em seus caudalosos ninhos de antros tão “deploráveis”! Não nos atiça o desejo este galã tão sedutor, de olhar tão austero?! Afinal, para quê carregamos sua marca em nossos ombros esquerdos?! Deixemos então que ele nos envolva com suas negras asas, e fechemos os olhos, abraçando sua Escuridão… Lá no mais denso e terrível Pesadelo!… Amém.

Por Cauê de Barros Braga.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-queda-de-lucifer/

O Pentagrama

Saudações nobres companheiros, caros ir.: e demais viajantes da senda, é com grande alegria que inicio uma das novas categorias do Blog Hermetic Rose: Símbolos, neste artigo e nos subsequentes tratarei de símbolos, signos, sinais e seus significados, usos, costumes e origens, de forma a desmistificar muito do que se propaga como informação por aí. Para brindar o início deste que é um caminho tão vasto e muitas vezes mal interpretado, trago este que é um dos, se não o símbolo mais conhecido, difundido e mal interpretado de todos: o Pentagrama. Espero com estes pequenos ensaios elucidar um pouco mais sobre o verdadeiro valor dos velhos conhecimentos, trazendo à tona a chama do conhecimento, mantida acesa por sábios ao longo dos aeons. Bom, vamos ao que interessa:

O Pentagrama –

Segundo o dicionário: “Um pentagrama é uma figura de uma estrela composta por 5 retas e que possui 5 pontas. Também significa uma palavra de 5 letras. Em música são as 5 linhas paralelas que compõem a partitura”.

Pode apresentar duas formas: pentagonal ou estrelada (com 10 ângulos), o pentagrama possui simbologia multipla, mas sempre se fundamenta no número cinco, a união dos desiguais, a união do princípio feminino (2), com o princípiomasculino (3), sendo assim uma representação do microcosmo. Simboliza a androginia e da síntese de forças complementares.

Para os pitagóricos era simbolo de saúde e conhecimento, sendo para eles uma forma de reconhecimento mútuo. É uma das chaves da Alta Ciência: abre a via do segredo. O pentagrama pitagórico – que se tornou, na europa, o do Hermes gnóstico – é, além de um simbolo de conhecimento, um meio de conjurar e adquirir o poder. Figuras de pentagramas eram utilizados pelos magos para exercer seu poder de várias formas: utilizando a base da figura da estrela de cinco pontas como base de seus sigilos e rituais.

Simboliza o casamento, a felicidade, a realização. Considerado pelos antigos como um símbolo da idéia do perfeito.

Na ciência propriamente dita a estrela pentagrama é um interessante diagrama que descreve várias leis matemáticas: se encontra como representante nos logarítmos, na sucessão de Fibonacci, a espiral logarítmica e por isto também nos fractais, etc.

O pentagrama sob a forma de estrela foi chamado, na tradição maçonica, de Estrela Flamejante. J. Boucher cita, entretanto com reservas, esta intrepretação de Ragon: Ela era (a estrela flamejante) entre os egipcios, a imagem do filho de Isis e do Sol, autor das estações e emblema do movimento; desse Hórus, simbolo dessa matéria primeira, fonte inesgotável de vida, dessa fagulha do fogo sagrado, semente universal de todos os seres. Ela é, para os maçons, o emblema doGênioque eleva a alma a grandes coisas. O autor lembra que o pentagrama era o símbolo favorito dos pitagóricos… Eles traçavam esse simbolo sobre suas cartas como forma de saudação, o que equivalia à palavra latinavale*: passe bem. O Pentagrama era ainda chamdo de higia (de Higia ou Higéia, deusa da saúde)e as colocadas em cada uma das suas pontas.

O Pentagrama como representação do Homem em relação ao Universo, como no Homem Vitruviano de Da Vinci, simboliza o domínio da alma divina do homem sobre os elementos, sendo em cada ponta a representação dos elementos coroados pelo espírito (a quintessência dos Alquimistas e Gnósticos), simbolizando assim o domínio do homem sobre o seu mundo, o homem cumpridor de sua Verdadeira Vontade.

O pentagrama Invertido, ou de ponta para baixo, de forma análoga representa o Homem subjugado pelos 4 elementos, vencido por seus vícíos mundanos. Este por sinal, não é em si um símbolo das forças negativas, ou mesmo simbolo de seitas satanistas, é, por associação uma oposição ao simbolo original (o pentagrama de ponta para cima), representando a dualidade, a contrariedade ao que é propagado pelo simbolo primeiro, adotado por Anton LaVey como emblema da Igreja de Satanás, e antes por Gerald Gardner como simbolo Wicca, viu-se a reação da igreja, considerando o pentagrama, invertido ou não, como simbolo do Diabo, conceito esse difundido entre os cristãos.

Com Eliphas Levi, o pentagrama pela primeira vez, através de uma ilustração, foi associado ao conceito do bem e do mal. Ele ilustra o pentagrama Microcósmico ao lado de um pentagrama invertido (formando a cabeça do bode, Baphomet).

Sua relação com seitas satânicas é tardia, sendo este, em um primeiro momento a quebra de vinculo com as idéias veiculadas pelos clérigos.

Num dos mais antigos significados do pentagrama, os Hebreus designavam como a Verdade, para os cinco livros do Pentateuco (os cinco livros do Velho Testamento, atribuídos a Moisés).

O pentagrama também é encontrado na cultura chinesa representando o ciclo da destruição, que é a base filosófica de sua medicina tradicional. Neste caso, cada extremidade do pentagrama simboliza um elemento específico: Terra, Água, Fogo, Madeira e Metal. Cada elemento é gerado por outro, (a Madeira é gerada pela Terra), o que dará origem a um ciclo de geração ou criação. Para que exista equilíbrio é necessário um elemento inibidor, que neste caso é o oposto (a Água inibe o Fogo).

Este é o pentagrama, e alguns de seus usos, listar todos eles em um primeiro momento seria enfadonho e seria longo demais para o formato do blog, falaremos a respeito de seus outros aspectos nos posts que virão, considero aqui o inicio, que estes breves ensaios sejam a porta de abertura para pesquisas maiores, em fontes que posso por algum motivo ter ignorado. Nas próximas postagens novos símbolos, mistérios e conceitos revelados.

Aqui me despeço, com votos de verdadeira fraternidade, e que vá em paz, seja quem for, e para onde for. Que os ventos do destino cruzem nossos caminhos novamente. Obrigado, e até breve.

*vale – Saudação na lingua latina, que deu origem ao moderno ‘salve’ e suas variações.

Referencia:

CHEVALIER, Jean, Dicionário de Símbolos, 22ª ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 2008

Ocultura

Wikipédia

Dicionário de Símbolos

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-pentagrama

A Maldição, a Bênção e a Astúcia

Por Nicholaj de Mattos Frisvold

O veneno sustenta a medicina e a resistência forja o que é bom para tomar forma clara, a luz vem das trevas e o rio Dão está constantemente a fluir a favor e contra para manter a maior harmonia cósmica de fluxo e movimento. Como nossa mão de contenção impõe limites em nossa vida – seja para nós mesmos ou para os outros – e nossa mão direita dá e abençoa em abundância, de tal forma replicamos a experiência cósmica e seu fluxo seja o amanhecer ou a lua cheia, a lua nova ou o permanência do Sol nos Salões da Morte. A expiração é vida e é sustentada pela inspiração e morte. O contraste é a experiência cósmica e isso também ocorre em nossas vidas – a questão problemática é quando ficamos muito obcecados em definir qualidades para o que emerge na experiência de ser. O reconhecimento das bênçãos é bom – mas o reconhecimento do antagonismo também é bom, porque isso apoia nossas bênçãos. Nisto reside mistério sobre mistério.

Se aceitarmos essa dinâmica, também nos tornaremos conscientes dos sinais de Deus, pois estamos desencadeando nossa própria autorrevelação e nos tornamos os sinais… Perceberemos que o mestre e o desorientador, o amigo e o inimigo são apenas aparências no campo da experiência que forja seu eu bom e abençoado a emergir no esplendor da luz – ou perecer na noite do esquecimento….

Tudo isso e muito mais está codificado no ditado; “QUE A BÊNÇÃO, A MALDIÇÃO E A ASTÚCIA SEJAM…”

Com isso, quero citar um Adura Ifá coletado e belamente traduzido por Baba Awo Fa’alokun Fatumbi em um lembrete de quem somos – se permitirmos que nosso verdadeiro eu brilhe como faróis e tochas no mundo:

Emi Baba Rere

Eu sou a Alma do Pai da Bondade

Emi Baba’jala

Eu sou a Alma do Pai dos Cães da Luz (Guerreiros)

Emi Baba’gbon

Eu sou a Alma do Pai da Sabedoria

Emi Baba’kin

Eu sou a Alma do Pai da Coragem

Emi Baba’wo

Eu sou a Alma do Pai da Abundância

Emi Baba’lo

Eu sou a Alma do Pai do Espírito

Emi Baba’la

Eu sou a Alma do Pai da Luz

Emi Baba’ile

Eu sou a Alma do Pai do Mundo

Ope ni fun Olorun

Minhas bênçãos vêm do Criador

Ire lona Iponri atiwo Orun

Coloque-me no caminho do meu eu superior e traga-me as bênçãos do céu

Resistência, antagonismo, inimizade são poderes que sustentam al haqq, a verdade – e são também as tensões mais sombrias no campo da experiência que nos dão a oportunidade de fazer julgamentos qualitativos das experiências que temos na vida – isso é conhecido como contraste – e esse contraste pode estar sujeito a uma série de julgamentos, tanto ruins quanto bons. Esses julgamentos estão enraizados em nossa experiência única e nosso nível de consciência das marcas cósmicas…

Há anos que me envolvo com a revelação do wujud de Ibn Al Arabi, que algo parece qualificado na existência – e a experiência cósmica do ser e seu discurso sobre ‘marcas’ espelhadas nas 28 letras e mansões lunares. Em suas Revelações de Meca, é especialmente uma passagem (22:32) onde o Shaykh fala de como podemos magnificar os marcos de Deus no horizonte por nós mesmos significando o conhecimento de Deus. Nisso encontramos a importância de estarmos cansados ​​ou não desse fato. Ele fala de Autodivulgação (ou Autorrevelação) e isso se apresenta em uma dialética de natureza hermenêutica que leva a um dos inquilinos mais provocativos do pensamento de Ibn Al Arabi, a saber, como Iblis é a potência divina de limitações e contenção que afirma o divino. Nesse campo, encontramos a pura experiência de ser – e nisso encontramos obstáculos e sinalizações que afirmam ou desafiam al-Haqq, a verdade em seu jogo com wujud.

Esta é uma verdade cósmica encontrada neste que é representada pela mão esquerda tamásica e a mão direita rajásica que sustenta o equilíbrio, como as serpentes no caduceu de Hermes e Asclépio.

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Fonte:

The Curse, the Blessing and the Cunning, by Nicholaj de Mattos Frisvold.

http://www.starrycave.com/2011/12/curse-blessing-and-cunning.html

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-maldicao-a-bencao-e-a-astucia/

A Cabala no Judaísmo e a Reencarnação

Por Yerachmiel Tilles

Judaísmo e Reencarnação – Kabbalah sobre judaísmo e reencarnação.

Quão prevalente é a crença judaica na reencarnação hoje? Como ela difere da crença asiática? O que os rabinos acham disso?

A raiz da palavra “Torá” é o verbo “instruir”. A função primária da Torá é nos ensinar como viver judaicamente, em harmonia com a vontade de D’us. Como tal, os níveis básicos de interpretação das escrituras levam a uma compreensão prática das mitsvot e dos valores judaicos relacionados.

A Torá, no entanto, é um documento de várias camadas. Muitos de seus níveis mais profundos de interpretação não são facilmente acessíveis; e podem não se prestar à aplicação prática e óbvia na vida diária. Como tal, esses aspectos mais esotéricos da Torá não são de interesse para segmentos significativos da população judaica, incluindo alguns rabinos e estudiosos.

Consequentemente, muitos judeus ficam surpresos ao saber, ou podem até querer negar, que a reencarnação – a “revolução” das almas através de uma sucessão de vidas, ou “gilgulim” – é parte integrante da crença judaica. Mas esse ensinamento sempre existiu. E está firmemente enraizado nos versos-fonte.

Exemplos não faltam. Ramban, um dos maiores comentaristas da Torá (e do Talmud), e uma figura seminal na história judaica, insinua várias vezes que a reencarnação é a chave para penetrar nos profundos mistérios envolvidos na mitsvá de yibum (a obrigação do irmão de um homem sem filhos, falecido para se casar com a viúva). Em sua explicação de Gn 38:8, ele insiste que Yehudah (Judá) e seus filhos estavam cientes do segredo da reencarnação, e que este foi um fator importante em suas respectivas atitudes em relação a Tamar.

A compreensão judaica da reencarnação é diferente das doutrinas budistas. Não leva de forma alguma ao fatalismo. Em cada ponto de decisão moral em sua vida, um judeu tem total liberdade de escolha. Se não fosse pela liberdade de escolha, quão injusto seria de D’us fazer exigências de nós – especialmente quando recompensa e punição estão envolvidas! A reencarnação não implica pré-determinação. É, antes, uma oportunidade para retificação e perfeição da alma.

O santo Ari explicou de forma mais simples: todo judeu deve cumprir todas as 613 mitsvot, e se ele não tiver sucesso em uma vida, ele volta várias vezes até terminar. Por isso, os acontecimentos da vida de uma pessoa podem levá-la a determinados lugares, encontros, etc., de maneiras que podem ou não fazer sentido. A providência divina fornece a cada pessoa as oportunidades de que ela precisa para cumprir aquelas mitzvot particulares necessárias para a perfeição de sua alma. Mas a responsabilidade é nossa. No momento real da decisão em qualquer situação, a escolha é nossa.

Uma das maneiras pelas quais o céu mantém nossa capacidade de exercer total liberdade de escolha é não nos permitir o conhecimento consciente de encarnações anteriores. Consequentemente, pode parecer a algumas pessoas que há pouco benefício prático em estar ciente dessa doutrina. Além disso, muitos estudiosos afirmam que esses conceitos místicos podem ser facilmente mal interpretados ou levados a conclusões errôneas e enganosas. Podemos, portanto, entender por que este e assuntos semelhantes são apenas insinuados nas escrituras, e por que algum conhecimento e muita determinação são frequentemente necessários para obter acesso a essas informações.

(A edição em inglês de “Derech Hashem” de Rabi Moshe-Chaim Luzzatto, “O Caminho de D’us”, traduzido por Aryeh Kaplan (Feldheim, 1983), II:3:10 (página 125) mais notas 39- 40 (pp. 342-3) fornece uma lista em inglês de fontes da Torá sobre este tópico tanto nas escrituras quanto na Cabalá.)

Por Yerachmiel Tilles.

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Fonte:

Judaism and Reincarnation – Kabbalah on Judaism and reincarnation, by Yerachmiel Tilles.

https://www.chabad.org/kabbalah/article_cdo/aid/380599/jewish/Judaism-and-Reincarnation.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-cabala-no-judaismo-e-a-reencarnacao/

Aleister Crowley

1875 – 1947
“Faça o que quiseres pois é tudo da Lei.
O amor é a lei, amor sob a vontade.”

Edward Alexander (Aleister) Crowley nasceu dia 12 de Outubro de 1875, em Leamington Spa, Inglaterra. Seus pais eram membros do Plymouth Brethren, uma seita cristã muito estrita. Como resultado, Aleister cresceu com uma educação cristã muito forte, assim como um desdém muito forte pelo cristianismo.

Ele atendeu ao colégio de Trinity na Universidade de Cambridge, abandonando os estudos pouco antes de se formar. Pouco tempo depois ele foi apresentado a George Cecil Jones, que era membro da Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (Hermetic Order of the Goldew Dawn). A Golden Dawn era uma sociedade oculta liderada por S. L. MacGregor Mathers, que ensinava magia (magick), cabala (qabalah), alquimia, taro, astrologia e outras matérias de interesse hermético. A ordem possuía muitos membros notáveis (entre eles A. E. Waite, Dion Fortune e W. B. Yeats), e sua influência no desenvolvimento do ocultismo ocidental moderno foi profunda.

Crowley foi iniciado na Golden Dawn em 1898, e iniciou muito rapidamente sua escalada através dos níveis de desenvolvimento. Mas em 1900 a ordem foi desmembrada pela separação dos membros em grupos que possuiam filosofias divergentes, e Crowley então abandonou a Inglaterra para viajar extensivamente através do Leste. Foi então, nessas viagens, que ele aprendeu e praticou disciplinas mentais de Yoga, suplementando seus conhecimentos de magia ritual de estilo ocidental, com métodos de misticismo Oriental.

Em 1903, Crowley se casou com Rose Kelly e então seguiu para o Egito para a lua-de-mel. Ao retornar ao Cairo, em meados de 1904, Rose (que até esse ponto não havia demonstrado nenhum interesse ou familiaridade com o oculto) passou a experienciar estados de transe e a dizer ao marido que o deus Horus estava tentando entrar em contato com ele. Finalmente Crowley levou Rose ao Museu Boulak e pediu a ela para mostrar a ele a imagem de Horus. Ela passou por inúmeras imagens conhecidas de do deus e levou Aleister diretamente a um tablete funerário de madeira da 26a dinastia, mostrando Horus recebendo o sacrifício dos mortos, de um sacerdote chamado Ankh-f-n-khonsu. Crowley ficou especialmente impressionado pelo fato dessa peça ter sido marcada pelo museu pelo número 666, um número com o qual ele se identificava desde a infância.

O resultado foi que ele começou a ouvir Rose, e, seguindo suas instruções, nos três dias consecutivos, a partir de 8 de Abril de 1904, ele entrou em seu estúdio e escreveu o que lhe foi ditado por uma presença envolta em sombras que permanecia atrás dele. O resultado foram os três capítulos conhecidos como Liber AL vel Legis, ou O Livro da Lei. Esse livro foi o mensageiro do despertar da nova era de Horus, que seria governada pela Lei de Thelema. “Thelema” é a palavra grega que significa “vontade”, e a Lei de Thelema é comumente citada como: “Faça o que for da sua vontade”. Como profeta desta nova era Crowley passou o resto de sua vida desenvolvendo e estabelecendo a filosofia Thelêmica.

Em 1906 Crowley reencontrou George Cecil Jones na Inglaterra, onde juntos iniciaram a tarefa de criar uma ordem mágica para continuar de onde a Golden Dawn havia parado. Eles chamaram essa ordem de A.’. A.’. (Astron Argon ou Astrum Argentium ou Estrela de Prata), e ela se tornou o principal veículo de transmissão do sistema de treinamento mágico baseado nos princípios do Thelema de Crowley.

Então em 1910 Crowley foi contatado por Theodore Reuss, o líder de uma organização de base na Alemanha chamada Ordo Templi Orientis (O.T.O.). Esse grupo, composto de maçons dos altos níveis, clamava ser o descobridor do segredo supremo da magia prática, que era ensinado em seu mais alto grau. Aparentemente Crowley concordou, se tornando membro da O.T.O. e eventualmente tomando o lugar como líder quando Reuss morreu em 1921. Crowley reformulou os rituais da O.T.O. para adaptá-los à Lei do Thelema, e investiu à organização o propósito maior de estabelecer o Thelema no mundo. A ordem se tornou independente da Maçonaria (apesar de terem sido mantidos os mesmos padrões) e permitiu a associação de mulheres e homens que não estivessem ligados à Maçonaria.

Aleister Crowley morreu em Hastings, Inglaterra, no dia 1 de Dezembro de 1947. Mas seu legado ainda vive na Lei do Thelema trazida por ele à humanidade (juntamente com dúzias de livros e escrituras em magia e outros assuntos místicos), e nas ordens A.’. A.’. e O.T.O. que continuam a seguir e desenvolver os princípios do Thelema até os dias de hoje.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/aleister-crowley/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/aleister-crowley/

Moral e Dogma

A Maçonaria possui em sua filosofia um ensinamento que pode ser expresso num simples ditame: “Proteja os oprimidos dos opressores; e dedique-se a honra e aos interesses de seu País“. Maçonaria não é especulativa nem teórica, mas experimental, não sentimental, mas prática. Ela requer renúncia e autocontrole. Ela apresenta uma face severa aos vícios do homem e interfere em muitos de nossos objetivos e prazeres. Penetra além da região do pensamento vago; além das regiões em que moralizadores e filósofos teceram suas belas teorias e elaboraram suas esplendidas máximas, alcançando as profundezas do coração, repreendendo-nos por nossa mesquinhez, acusando-nos de nossos preconceitos e paixões e guerreando contra nossos vícios.É uma luta contra paixões que brotam do seio dos mais puros sentimentos, um mundo onde preconceitos admiráveis contrastam com práticas viciosas, de bons ditados e más ações; onde paixões abjetas não são apenas refreadas pelos costumes e pelos cerimoniais, mas se escondem por trás de um véu de bonitos sentimentos.

Este solecismo tem existido por todas as épocas. O sentimentalismo católico tem muitas vezes acobertados a infidelidade e o vício. A retidão dos protestantes apregoa, freqüentemente, a espiritualidade e a fé, mas negligencia a verdade simples, a candura e a generosidade; e a sofisticação do racionalismo ultraliberal em muitas ocasiões conduz ao céu em seus sonhos, mas chafurda na lama de suas ações.

Por mais que exista um mundo de sentimentos maçônicos, ainda assim ele pode ser um mundo onde ela esta ausente. Ainda que haja um sentimento vago de caridade maçônica, generosidade e desprendimento, falta a pratica ativa da virtude, da bondade, do altruísmo e da liberalidade. A Maçonaria assemelha-se aí às luzes frias, embora brilhantes.Há clarões ocasionais de sentimentos generosos e viris, um esplendor fugaz de pensamentos nobres e elevados, que iluminam a imaginação de alguns. Mas não há o calor vital em seus corações.

Boa parte dos homens tem sentimentos, mas não princípios. Os sentimentos são sensações temporárias, enquanto os princípios são como virtudes permanentemente impressas na alma para seu controle. Os sentimentos são vagos e involuntários; não ascendem ao nível da virtude. Todos os têm. Mas os princípios são regras de conduta que moldam e controlam nossas ações. Pois é justamente neles que a Maçonaria insiste.

Nós aprovamos o que é certo, mas geralmente fazemos o que é errado; esta é a velha história das deficiências humanas. Ninguém encoraja e aplaude injustiça, fraude, opressão, ambição, vingança, inveja ou calúnia; ainda assim, quantos dos que condenam essas coisas são culpados delas, eles mesmos.Já nos foi dito: “Homem, quem quer que sejas, se julgas, para ti não há desculpa, porque te condenas a ti mesmo, uma vez que fazes exatamente as mesmas coisas.”É surpreendente ver como os homens falam das virtudes e da honra e não pautam suas vidas nem por uma nem por outra. A boca exprime o que o coração deveria ter em abundância, mas quase sempre é o reverso do que o homem pratica.

Os homens podem realmente, de um certo modo, interessar-se pela Maçonaria, mesmo que muitos deficientes em virtudes. Um homem pode ser bom em geral e muito mau em particular: bom na Loja e ruim no mundo profano, bom em público e mau para com a família.Muitos desejam sinceramente ser bons Maçons. Mas é preciso que resistam a certos estímulos, que sacrifiquem certos caprichos. Como é ingrato aquele que morre medíocre, sem nada fazer que o glorifique para os Céus. Sua vida é como árvore estéril, que vive, cresce, exaure o solo e ainda assim não deixa uma semente, nenhum bom trabalho que possa deixar outro depois dele! Nem todos podem deixar alguma coisa para a posteridade, mas todos podem deixar alguma coisa, de acordo com suas possibilidades e condições.

Quem pretender alçar-se aos Céus, sozinho dificilmente encontrará o caminho.A operosidade jamais é infrutífera. Senão trouxer alegria com o lucro, ao menos, por mantê-lo ocupado, evitará outros males. Têm-se liberdade para fazer qualquer coisa, devemos encara-la como uma dádiva dos Céus; têm-se a predisposição de usar bem esta liberdade, então é uma dádiva da Divindade.

Maçonaria é ação, não inércia. Ela exige de seus iniciados que trabalhem, ativa e zelosamente, para o benefício de seus Irmãos, de seu país e da Humanidade. É a defensora dos oprimidos, do mesmo modo que consola e conforta os desafortunados.

Frente a ela é muito mais honroso ser o instrumento do progresso e da reforma do que se deliciar nos títulos pomposos e nos autos cargos que ela confere. A maçonaria advoga pelo homem comum no que envolve os melhores interesses da Humanidade. Ela odeia o poder insolente e a usurpação desavergonhada. Apieda-se do pobre, dos que sofrem, dos aflitos; e trabalha para elevar o ignorante, os que caíram e os desafortunados. A fidelidade à sua missão será medida pela extensão de seus esforços e pelos meios que empregar para melhorar as condições dos povos. Um povo inteligente, informado de seus direitos, logo saberá do poder que tem e não será oprimido. Uma nação nunca estará segura se descansar no colo da ignorância. Melhorar a massa do povo é a grade garantia da liberdade popular.

Se isto for negligenciado, todo o refinamento, a cortesia e o conhecimento acumulado nas classes superiores perecerão mais dia menos dia, tal como capim seco no fogo da fúria popular.Não é a missão da Maçonaria engajar-se em tramas e conspirações contra o governo civil. Ela não faz propaganda fanática de qualquer credo ou teoria; nem se proclama inimiga de governos. Ela é o apostolo da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Não faz pactos com seitas de teóricos, utopistas ou filósofos. Não reconhece como seus iniciados aqueles que afrontam a ordem civil e a autoridade legal, nem aqueles que se propõem a negar aos moribundos o consolo da religião. Ela se coloca à parte de todas as seitas e credos, em sua dignidade calma e simples, sempre a mesma sob qualquer governo.

A maçonaria reconhece como verdade que a necessidade, assim como o direito abstrato e a justiça ideal devem ter sua participação na elaboração das leis, na administração dos afazeres públicos e na regulamentação das relações da sociedade. Sabe o quanto à necessidade tem por prioridade nas lidas humanas.

A maçonaria espera e anseia pelo dia em que todos os povos, mesmo os mais retrógrados, se elevem e se qualifiquem para a liberdade política, quando, como todos os males que afligem a terra, a pobreza, a servidão e a dependência abjeta não mais existirão. Onde quer que um povo se capacite à liberdade e a governar-se a si próprio, ai residem as simpatias da Maçonaria.A Maçonaria jamais será instrumento de tolerância para com a maldade, de enfraquecimento moral ou de depravação e brutalização do espírito humano. O medo da punição jamais fará do maçom um cúmplice para corromper seus compatriotas nem um instrumento de depravação e barbarismo. O

nde quer que seja, como já aconteceu, se um tirano mandar prender um crítico mordaz para que seja julgado e punido, caso um maçom faça parte do júri cabe a ele defende-lo, ainda que à vista do cadafalso e das baionetas do tirano.O maçom prefere passar sua vida oculto no recesso da penumbra, alimentando o espírito com visões de boas e nobres ações, do que ser colocado no mais resplandecente dos tronos e ser impedido de realizar o que deve. Se ele tiver dado o menor impulso que seja a qualquer intento nobre; se ele tiver acalmado ânimos e consciências, aliviado o jugo da pobreza e da dependência ou socorrido homens dignos do grilhão da opressão; se ele tiver ajudado seus compatriotas a obter paz, a mais preciosa das possessões; se ele cooperou para reconciliar partes conflitantes e para ensinar aos cidadãos a buscar a proteção das leis de seu país; se ele fez sua parte, junto aos melhores e pautou-se pelas mais nobres ações, ele pode descansar, porque não viveu em vão.

A Maçonaria ensina que todo poder é delegado para o bem e não para o mal do povo. A resistência ao poder usurpado não é meramente um dever que homem deve a si próprio e a seu semelhante, mas uma obrigação que ele deve a Deus para restabelecer e manter a posição que Ele lhe confiou na criação. O maçom sábio e bem informado dedicar-se-á à Liberdade e a Justiça. Estará sempre pronto a lutar em sua defesa, onde quer que elas existam. Não será nunca indiferente a ele quando a Liberdade, a sua ou a de outro homem de mérito, estiver ameaçada.

O verdadeiro maçom identifica a honra de seu país como a sua própria. Nada conduz mais à glória e à beleza de um país do que ter a justiça administrada a todos de igual modo, a ninguém negada, vendida ou preterida.Não se esqueçam, pois daquilo a que você devotou quando entrou na Maçonaria: defenda o fraco contra o truculento, o destituído contra o poderoso, o oprimido contra o agressor! Mantenha-se vigilante quanto aos interesses e à honra de teu país! E possa o Grande Arquiteto do Universo dar-lhe a força e a sabedoria para mantê-lo firme em seus altos propósitos.

Por Albert Pike

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/moral-e-dogma

Coletânea de Koans Zen-Budistas

Um koan é uma anedota, diálogo, questão ou afirmação feita por u mestre dentro do zen budismo que contém aspectos inacessíveis à razão. Desta forma, o koan tem, como objetivo, propiciar a iluminação espiritual do praticante pela suspensão da mente discursiva e mergulho na vacuidade do ser.

Um famoso koans pergunta: “Se uma árvore cai e não há ninguém para escutar, ela faz barulho?”. Confira a seguir outros 67 koans tradicionais:

1.

Um homem, viajando em um campo, encontrou um tigre. Ele correu, com o tigre em seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos, e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo. O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha. Mas, ao olhar para a planta, viu dois ratos, um negro e outro branco, roendo aos poucos a sua raiz. Neste momento, seus olhos perceberam um belo morango vicejando perto. Segurando a vinha com uma mão, ele pegou o morango com a outra e o comeu. — Que delícia! — ele disse.

2.

Quando um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso: “A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenómenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o Dar e tampouco nada a receber!”
Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando insultos.
“Se nada existe,” perguntou, calmo, Dokuon, “de onde veio toda esta sua raiva?”

3.

Um homem muito rico pediu a Sengai para escrever algo pela continuidade da prosperidade de sua família, de modo que esta pudesse manter sua fortuna de geração a geração.
Sengai pegou uma longa folha de papel de arroz e escreveu: “Pai morre, filho morre, neto morre.”
O homem rico ficou indignado e ofendido. “Eu lhe pedi para escrever algo pela felicidade de minha família! Porque fizeste uma brincadeira destas?!?”
“Não pretendi fazer brincadeiras,” explicou Sengai tranquilamente. “Se antes da sua morte seu filho morrer, isto iria magoá-lo imensamente. Se seu neto se fosse antes de seu filho, tanto você quanto ele ficariam arrasados. Mas se sua família, de geração a geração, morrer na ordem que eu escrevi, isso seria o mais natural curso da Vida. Eu chamo a isso a Verdadeira Riqueza.”

4.

Durante as guerras civis no Japão feudal, um exército invasor poderia facilmente dizimar uma cidade e tomar controle. Numa vila, todos fugiram apavorados ao saberem que um general famoso por sua fúria e crueldade estava se aproximando — todos exceto um mestre Zen, que vivia afastado.
Quando chegou à vila, seus batedores disseram que ninguém mais estava lá, além do monge.
O general foi então ao templo, curioso em saber quem era tal homem. Quando ele lá chegou, o monge não o recebeu com a normal submissão e terror com que ele estava acostumado a ser tratado por todos; isso levou o general à fúria.
“Seu tolo!!” ele gritou enquanto desembainhava a espada, “não percebe que você está diante de um homem que pode trucidá-lo num piscar de olhos?!?”
Mas o mestre permaneceu completamente tranquilo.
“E você percebe,” o mestre replicou calmamente, “que você está diante de um homem que pode ser trucidado num piscar de olhos?”

5.

Uma noite quando Shichiri Kojun estava recitando sutras um ladrão com uma espada entrou em seu zendo, exigindo seu dinheiro ou a sua vida.
Shichiri disse-lhe:
“Não me perturbe. Você pode encontrar o dinheiro naquela gaveta.” E retomou sua recitação. Um pouco depois ele parou de novo e disse ao ladrão:
“Não pegue tudo. Eu preciso de alguma soma para pagar os impostos amanhã.”
O intruso pegou a maior parte do dinheiro e principiou a sair.
“Agradeça à pessoa quando você recebe um presente,” Shichiri acrescentou.
O homem lhe agradeceu, meio confuso, e fugiu.
Poucos dias depois o indivíduo foi preso e confessou, entre outras coisas, a ofensa contra Shichiri.
Quando Shichiri foi chamado como testemunha ele disse:
“Este homem não é ladrão, ao menos tanto quanto me diz respeito. Eu lhe dei o dinheiro e ele inclusive me agradeceu por isso.”
Após o homem ter cumprido sua pena, ele foi a Shichiri e tornou-se um de seus discípulos.

6.

Certa vez existiu um grande guerreiro. Ainda que muito velho, ele ainda era capaz de derrotar qualquer desafiante. Sua reputação estendeu-se longe e amplamente através do país e muitos estudantes reuniam-se para estudar sob sua orientação.
Um dia um infame jovem guerreiro chegou à vila. Ele estava determinado a ser o primeiro homem a derrotar o grande mestre. Junto à sua força, ele possuía uma habilidade fantástica em perceber e explorar qualquer fraqueza em seu oponente, ofendendo-o até que a este perdesse a concentração. Ele esperaria então que seu oponente fizesse o primeiro movimento, e assim revelando sua fraqueza, e então atacaria com uma força impiedosa e velocidade de um raio. Ninguém jamais havia resistido em um duelo contra ele além do primeiro movimento.
Contra todas as advertências de seus preocupados estudantes, o velho mestre alegremente aceitou o desafio do jovem guerreiro. Quando os dois se posicionaram para a luta, o jovem guerreiro começou a lançar insultos ao velho mestre. Ele jogava terra e cuspia em sua face.
Por horas ele verbalmente ofendeu o mestre com todo o tipo de insulto e maldição conhecidos pela humanidade. Mas o velho guerreiro meramente ficou parado ali, calmamente. Finalmente, o jovem guerreiro finalmente ficou exausto. Percebendo que tinha sido derrotado, ele fugiu vergonhosamente.
Um tanto desapontados por não terem visto seu mestre lutar contra o insolente, os estudantes aproximaram-se e lhe perguntaram: “Como o senhor pôde suportar tantos insultos e indignidades? Como conseguiu derrotá-lo sem ao menos se mover?”
“Se alguém vem para lhe dar um presente e você não o aceita,” o mestre replicou, “para quem retorna este presente?”

7.

Roshi Kapleau (um mestre Zen moderno) concordou em falar a um grupo de psicanalistas sobre Zen. Após ser apresentado ao grupo pelo diretor do instituto analítico, o Roshi quietamente sentou-se sobre uma almofada colocada sobre o chão. Um estudante entrou, prostrou-se diante do mestre, e então sentou-se em outra almofada próxima, olhando seu professor.
“O que é Zen?” o estudante perguntou. O Roshi pegou uma banana, descascou-a, e começou a comê-la.
“Isso é tudo? O senhor não pode me dizer nada mais?” o estudante disse.
“Aproxime-se, por favor.” O mestre replicou. O estudante moveu-se mais para perto e Roshi balançou o que restava da banana em frente ao rosto do outro. O estudante fez uma reverência e partiu.
Um segundo estudante levantou-se e dirigiu-se à audiência:
“Vocês todos entenderam?” Quando não houve resposta, o estudante adicionou:
“Vocês acabaram de testemunhar uma completa demonstração do Zen. Alguma questão?”
Após um longo silêncio constrangido, alguém falou.
“Roshi, eu não estou satisfeito com sua demonstração. O senhor nos mostrou algo que eu não tenho certeza de ter compreendido. DEVE existir uma maneira de nos DIZER o que é o Zen!”
“Se você insiste em usar mais palavras,” o Roshi replicou, “então Zen é ‘um elefante copulando com uma pulga…’”.

8.

Ryokan, um mestre Zen, vivia a mais simples e frugais das vidas em uma pequena cabana aos pés de uma montanha. Uma noite um ladrão entrou na cabana apenas para descobrir que nada havia para ser roubado.
Ryokan retornou e o surpreendeu lá.
“Você fez uma longa viagem para me visitar,” ele disse ao gatuno, “e você não deveria retornar de mãos vazias. Por favor tome minhas roupas como um presente.”
O ladrão ficou perplexo. Rindo de troça, ele tomou as roupas e esgueirou-se para fora.
Ryokan sentou-se nu, olhando a lua.
“Pobre coitado,” ele murmurou. “Gostaria de poder dar-lhe esta bela lua.”

9.

Certa vez Bodhidharma foi levado à presença do Imperador Wu, um devoto benfeitor buddhista, que ansiava receber a aprovação de sua generosidade pelo sábio. Ele perguntou ao mestre:
“Nós construímos templos, copiamos os sutras sagrados, ordenamos monges e monjas. Qual o mérito, reverenciado Senhor, da nossa conduta?”
“Nenhum mérito, em absoluto”, disse o sábio.
O Imperador, chocado e algo ofendido, pensou que tal resposta com certeza estava subvertendo todo o dogma buddhista, e tornou a perguntar:
“Então qual é o Santo Dharma, o Primeiro Princípio?”
“Um vasto Vazio, sem nada santo dentro dele”, afirmou Bodhidharma, para a surpresa do Imperador. Este ficou furioso, levantou-se e fez sua última pergunta:
“Quem és então, para ficares diante de mim como se fosses um sábio?”
“Eu não sei, Majestade”, replicou o sábio, que assim tendo dito virou-se e foi embora.

10.

Dois monges discutiam a respeito da bandeira do templo, que tremulava ao vento. Um deles disse:
– É a bandeira que se move.
O outro disse:
– É o vento que se move.
Trocaram ideias e não conseguiam chegar a um acordo. Então Hui-neng, o sexto patriarca, disse:
– Não é a bandeira que se move. Não é o vento que se move. É a mente dos senhores que se move.
Os dois monges ficaram perplexos.

11.

Aquele que passa a Porta sem porta marchará de mão dadas com toda a linhagem de Patriarcas, olhando com o mesmo olho e ouvindo com o mesmo ouvido.

12.

Batendo duas mãos uma na outra temos um som. Qual é o som de uma única mão?

13.

Quem pensa que entendeu se questiona.
Quem pensa que não entendeu questiona os outros.
Quem entendeu não diz nada.
E quem não entendeu também não diz nada!

14.

Antes de os teus pais terem nascido, qual era a tua natureza original?

15.

Qual é o som do silêncio?

16.

Um Mestre oferece um melão a um discípulo, e pergunta: — Que te parece o melão? Tem bom gosto?
— Sim, sim! Muito bom gosto! – responde o discípulo.
O Mestre, então, faz outra pergunta: — O que tem bom gosto: o melão ou a língua?

17.

Quem é você?

18.

Qual era o seu rosto original – aquele que você possuía antes de nascer?

19.

Todos os fenómenos são impermanentes. Tudo que nasce deve finalmente morrer. O que nasce e o que morre?

20.

Não siga o passado; não se perca no futuro. O passado não existe mais; o futuro ainda não chegou. Observando profundamente a vida como ela é, aqui e agora, é que permanecemos equilibrados e livres.

21.

Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre o Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre as suas dúvidas. Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a chávena do seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando o chá pela borda.
O professor, vendo o excesso se derramando, não pôde mais se conter e disse:
“Está muito cheio. Não cabe mais chá!”
“Como esta chávena,” Nan-in disse, “você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua chávena?”
Então, o Mestre Nan-in disse: — Como esta xícara, você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como eu posso lhe demonstrar o Zen sem que você primeiro esvazie a sua xícara?

22.

Um orgulhoso guerreiro, chamado Nobushige, foi até o Mestre Hakuin, e perguntou-lhe: — Se existe um paraíso e um inferno, onde estão?
— Quem é você? — perguntou Hakuin.
— Eu sou um samurai! — o guerreiro exclamou.
— Você? Um guerreiro? — riu-se Hakuin. — Que espécie de governante teria tal guarda? Sua aparência é a de um mendigo!
Nobushige ficou tão raivoso que começou a desembainhar sua espada, mas Hakuin continuou:
— Então, você tem uma espada! Sua arma provavelmente está tão cega que não cortará minha cabeça…
O samurai desembainhou a espada e avançou pronto para matar, gritando de ódio. Neste momento, Hakuin anunciou:
— Acaba de se abrir o Portal do Inferno!
Ao ouvir estas palavras, e percebendo a sabedoria do Mestre, o samurai embainhou sua espada, e fez-lhe uma profunda reverência.
— Acaba de se abrir o Portal do Paraíso — disse suavemente o Mestre Hakuin.

23.

Certa vez, o Mestre taoísta Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho, ele não tinha mais a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta. Repentinamente, ele acordou, e se descobriu deitado em sua cama, uma pessoa novamente.
Mas, então, ele pensou para si mesmo:
“Antes, fui um homem que sonhava ser uma borboleta ou, agora, sou uma borboleta que sonha ser um homem?”

24.

Após dez anos de aprendizagem, Tenno atingiu o título de Mestre Zen. Em um dia chuvoso, ele foi visitar o famoso Mestre Nan-In. Quando ele entrou no mosteiro, o Mestre, imediatamente, recebeu-o com uma questão:
— Você deixou seus tamancos e seu guarda-chuva no alpendre?
— Sim, Mestre — respondeu Tenno.
— Então, diga-me — continuou o Mestre: — Você colocou seu guarda-chuva à esquerda de seu calçado ou à direita?
Tenno não soube responder, percebendo, afinal, que ainda não havia alcançado a plena atenção. Ele, então, se tornou aprendiz do Mestre Nan-In, e estudou sob sua orientação por mais dez anos.

25.

Dois peregrinos estavam perdidas no deserto. Estavam morrendo de inanição e sede. Finalmente, avistaram um alto muro. Do outro lado, podiam ouvir o som de quedas d’água e de pássaros cantando. Acima, podiam ver os galhos de uma árvore frutífera atravessando e pendendo sobre o muro. Seus frutos pareciam deliciosos. Um dos homens subiu o muro e desapareceu no outro lado. O outro, em vez disso, saciou sua fome com as frutas que sobressaíam da árvore, ali mesmo, e retornou ao deserto para ajudar outros perdidos a encontrar o caminho para o oásis.

26.

Dois monges estavam lavando suas tigelas no rio quando perceberam um escorpião que estava se afogando. Um dos monges, imediatamente, pegou-o e o colocou na margem. No processo, ele foi picado. Ele voltou para terminar de lavar sua tigela, e, novamente, o escorpião caiu no rio. O monge salvou o escorpião, e novamente foi picado. O outro monge, então, perguntou:
— Amigo, por que você continua a salvar o escorpião quando você sabe que sua natureza é agir com agressividade, picando-o?
— Porque — respondeu o monge — agir com compaixão é a minha natureza.

27.

O monge perguntou ao Mestre:
— Como posso sair do ‘Samsara’?
O Mestre respondeu:
— Quem te colocou nele?

28.

O pensamento lógico não pode ser usado para obter a Compreensão; apenas com a sensibilidade da não mente alcança-se a Verdade.

29.

Um estudante perguntou a Joshu, “Mestre, o que é Satori?”
O mestre replicou: “Quando estiver com fome, coma. Quando estiver cansado, durma.”

30.

Certa vez, enquanto o velho mestre Seppo Gisen jogava bola, Gessha aproximou-se e perguntou:
“Por que é que a bola rola?”
Seppo respondeu:
“A bola é livre. É a verdadeira liberdade.”
“Por quê?”
“Porque é redonda. Rola em toda parte, seja qual for a direção, livremente. Inconsciente, natural, automaticamente.”

31.

Certa vez um estudante perguntou ao mestre Joshu:
– Mestre, por favor, o que é o Satori?.
Joshu respondeu-lhe:
– Terminaste a refeição?
– É claro mestre, terminei.
– Então, vai lavar as tuas tigelas!

32.

Durante uma conversa, o rei Milinda perguntou ao Bodhisattva Nagasena:
– Que é o Samsara?
Nagasena respondeu:
– Ó grande rei, aqui nascemos e morremos, lá nascemos e morremos, depois nascemos de novo e de novo morremos, nascemos, morremos… Ó grande rei, isso é Samsara.
Disse o rei:
– Não compreendo; por favor, explicai-me com mais clareza.
Nagasena replicou:
– É como o caroço de manga que plantamos para comer-lhe o fruto. Quando a grande árvore cresce e dá frutos, as pessoas os comem para, em seguida, plantar os caroços. E dos caroços nasce uma grande mangueira, que dá frutos. Desse modo, a mangueira não tem fim. É assim, grande rei, que nascemos aqui, morremos ali, nascemos, morremos, nascemos, morremos.
Grande rei, isso é Samsara.
Em outro Sutra, o rei Milinda pergunta ainda:
– Que é o que renasce no mundo seguinte (Depois da morte.)
Responde Nagasena:
– Depois da morte nascem o nome, o espírito e o corpo.
O rei pergunta:
– É o mesmo nome, o mesmo espírito e o mesmo corpo que nascem depois da morte?
– Não é o mesmo nome, o mesmo espirito e o mesmo corpo que nascem depois da morte.
Esse nome, esse espírito e esse corpo criam a acção. Pela acção, ou Karma, nascem outro nome, outro espírito e outro corpo.

33.

Finalmente, após muitos sofrimentos, Shang Kwang foi aceite por Bodhidharma como seu discípulo. O jovem então perguntou ao mestre:
“Eu não tenho paz de espírito. Gostaria de pedir, Senhor, que pacificasse minha mente.”
“Ponha sua mente aqui na minha frente e eu a pacificarei!” replicou Bodhidharma.
“Mas… é impossível que eu faça isso!” afirmou Shang Kwang.
“Então já pacifiquei a sua mente.”, conclui o sábio.

34.

O Imperador perguntou ao Mestre Gudo:
“O que acontece com um homem iluminado após a morte?”
“Como eu poderia saber?”, replicou Gudo.
“Porque o senhor é um mestre… não é?” respondeu o Imperador, um pouco surpreso.
“Sim Majestade,” disse Gudo suavemente, “mas ainda não sou um mestre morto.”

35.

Um monge perguntou ao mestre:
“Qual o significado de Dharma-Buddha?”
O mestre apontou e disse:
“O cipreste no jardim.”
O monge ficou irritado, e disse:
“Não, não! Não use parábolas aludindo a coisas concretas! Quero uma explicação intelectual clara do termo!”
“Então eu não vou usar nada concreto, e serei intelectualmente claro,” disse o mestre. O monge esperou um pouco, e vendo que o mestre não iria continuar fez a mesma pergunta:
“Então? Qual o significado de Dharma-Buddha?”
O mestre apontou e disse:
“O cipreste no jardim.”

36.

Um monge jovem era o responsável pelo jardim zen de um famoso templo Zen. Ele tinha conseguido o trabalho porque amava as flores, arbustos e árvores. Próximo ao templo havia um outro templo menor onde vivia apenas um velho mestre Zen. Um dia, quando o monge estava esperando a visita de importantes convidados, ele deu uma atenção extra ao cuidado do jardim. Ele tirou as ervas daninhas, podou os arbustos, cardou o musgo, e gastou muito tempo meticulosamente passando o ancinho e cuidadosamente tirando as folhas secas de outono. Enquanto ele trabalhava, o velho mestre observava com interesse de cima do muro que separava os templos.
Quando terminou, o monge afastou-se um pouco para admirar seu trabalho.
“Não está lindo?” ele perguntou, feliz, para o velho monge.
“Sim,” replicou o ancião, “mas está faltando algo crucial. Me ajude a pular este muro e eu irei acertar as coisas para você.”
Após certa hesitação, o monge levantou o velho por sobre o muro e pousou-o suavemente em seu lado. Vagarosamente, o mestre caminhou para a árvore mais próxima ao centro do jardim, segurou seu tronco e o sacudiu com força. Folhas desceram suavemente à brisa e caíram por sobre todo o jardim.
“Pronto!” disse o velho monge,” agora você pode me levar de volta.”

37.

Certa vez, um buddhista foi às montanhas procurar um grande mestre, que segundo acreditava poderia lhe dizer a palavra definitiva sobre o sentido da Sabedoria.
Após muitos dias de dura caminhada o encontrou em um belo templo à beira de um lindo vale.
“Mestre, vim até aqui para lhe pedir uma palavra sobre o sentido do Dharma. Por favor, faça-me atravessar os Portões do Zen.”
“Diga-me,” replicou o sábio, “vindo para cá vós passastes pelo vale?”
“Sim.”
“Por acaso ouvistes o seu som?”
Um tanto incerto, o homem disse:
“Bem, ouvi o som do vento como um suave canto penetrando todo o vale.”
O sábio respondeu:
“O local onde vós ouvistes o som do vale é onde começa o caminho que leva aos Portões do
Zen. E este som é toda palavra que vós precisais ouvir sobre a Verdade.”

38.

Quatro monges decidiram meditar em silêncio completo, sem falar por duas semanas. Na noite do primeiro dia a vela começou a falhar e então apagou-se.
O primeiro monge disse, “Oh, não! A vela apagou-se!”
O segundo comentou, “Não tínhamos que ficar em silêncio completo?”
O terceiro reclamou, “Por que vocês dois quebraram o silêncio?”
Finalmente o quarto afirmou, todo orgulhoso, “Aha! Eu sou o único que não falou!”

39.

Um estudante foi ao seu professor e disse fervorosamente: “Eu estou ansioso para entender seus ensinamentos e atingir a Iluminação! Quanto tempo vai demorar para eu obter este prémio e dominar este conhecimento?”
A resposta do professor foi casual: “Uns dez anos…”
Impacientemente, o estudante completou: :”Mas eu quero entender todos os segredos mais rápido do que isto! Vou trabalhar duro! Vou praticar todo o dia, estudar e decorar todos os sutras, farei isso dez ou mais horas por dia!! Neste caso, em quanto tempo chegarei ao objetivo?”
O professor pensou um pouco e disse suavemente: “Vinte anos.”

40.

Quando jovem, Baso praticava incessantemente a Meditação. Certa ocasião, seu Mestre Nangaku aproximou-se dele e perguntou-lhe:
– Por que praticas tanta Meditação?
– Para me tornar um Buddha.
O Mestre tomou de uma telha e começou a esfregá-la com um pedra. Intrigado, Baso perguntou:
– O que fazeis com essa telha?
– Pretendo transformá-la num espelho.
– Mas por mais que a esfregueis, ela jamais se transformará num espelho! será sempre uma pedra.
– O mesmo posso dizer de ti. Por mais que pratiques Meditação, não te tornarás Buda.
– Então o que fazer?
– É como fazer um boi andar.
– Não entendo.
– Quando queres fazer um carro de bois andar, bates no boi ou no carro?
Baso não soube o que responder e então o Mestre continuou:
– Buscar o Estado de Buda fazendo apenas Meditação é matar o Buda. Dessa maneira, não acharás o caminho certo.

41.

Na China, havia um monge Zen, chamado mestre Dori, que, por fazer zazen empoleirado num pinheiro pára-sol, fora alcunhado de mestre Ninho de Passarinho Um poeta muito célebre, Sakuraten, foi visitá-lo e, ao vê-lo fazer zazen, disse-lhe:
“Tomai cuidado, que isso é perigoso; podereis, um dia, cair do pinheiro!”
“De maneira nenhuma,” respondeu mestre Dori. “Vós é que correis perigo de um dia cair.”
Sakuraten refletiu. “Com efeito, vivo dominado por paixão, é como brincar com o raio”. E perguntou ao mestre Zen:
“Qual é a verdadeira essência do budismo?”
Mestre Dori respondeu:
“Não façais nada violento, praticai somente o aquilo que é justo e equilibrado.”
“Mas até uma criança de três anos sabe disso!” exclamou o poeta.
“Sim, mas é uma coisa difícil de ser praticada até mesmo por um velho de oitenta anos…” completou o mestre.

42.

Certa vez, um homem encontrou Joshu, que estava atarefado em limpar o pátio do mosteiro.
Feliz com a oportunidade de falar com um grande Mestre, o homem, imaginando conseguir de Joshu respostas para a questão metafísica que lhe estava atormentando, lhe perguntou:
“Oh, Mestre! Diga-me: onde está o Caminho?”
Joshu, sem parar de varrer, respondeu solícito:
“O caminho passa ali fora, depois da cerca.”
“Mas,” replicou o homem meio confuso, “eu não me refiro a esse caminho.”
Parando seu trabalho, o Mestre olhou-o e disse:
“Então de que caminho se trata?”
O outro disse, em tom místico:
“Falo, mestre, do Grande Caminho!”
“Ahhh, esse!” sorriu Joshu. “O grande caminho segue por ali até a Capital.” E continuou a sua tarefa.

43.

Uma velha construiu uma cabana para um monge e o alimentou por vinte anos, como forma de adquirir méritos. Certo dia, como forma de experimentar a sabedoria adquirida pelo monge, a velha pediu à jovem mulher que levava ao monge o alimento todos os dias (já que a velha senhora não podia mais fazer o caminho com frequência) que o abraçasse. Ao chegar à cabana, a menina encontrou o monge em zazen. Ela abraçou-o e perguntou-lhe se gostava dela. O monge, frio e indiferente, disse de forma dura:
“É como se uma árvore seca estivesse abraçada a uma fria rocha. Está tão frio como o mais rigoroso inverno, não sinto nenhum calor.”
A jovem retornou, e disse o que o monge fez. A velha, irritadíssima, foi até lá, expulsou o monge e queimou a cabana. Enquanto ele se afastava, ela gritou:
“E eu, que passei vinte anos sustentando um idiota!”

44.

Um dia um discípulo perguntou ao seu professor:
“Mestre, todas as coisas existentes têm de extinguir-se, mas há uma Verdade Eterna?”
“Sim,” disse o mestre. E apontou para o jardim:
“Ela é como as flores do campo, que de tão belas parecem brocados de pura seda; como um riacho aparentemente imóvel, mas que de facto está fluindo suavemente para o oceano.”

45.

Shin-kung perguntou a um dos seus mais inteligentes monges:
“Podeis capturar o Vazio?”
“Sim, senhor”, replicou ele.
“Mostrai-me como fazes,” pediu o mestre.
O monge abriu os braços e açambarcou o espaço vazio. Shin-kung disse:
“É essa a maneira? Apesar de tudo, não capturou coisa alguma.”
“Então,” replicou o monge um tanto ofendido, “qual é o método que usas?”
O mestre segurou o nariz do aluno e deu um forte puxão. O rapaz gritou:
“Aaiii! Estás puxando com muita força! Está me machucando!”
O mestre replicou:
“Perfeito! Essa é a maneira de realmente capturar o Vazio!”

46.

Num dia chuvoso, quando estava sentado com um discípulo no salão do templo e ouvindo as gotas d’água batendo suavemente no telhado e no pátio, o mestre Jing-qing perguntou ao outro monge:
“Que som é aquele lá fora?”
“É a chuva,” respondeu o monge. O mestre disse:
“Ao buscar fora de si mesmos alguma coisa, todos os seres se confundem com os significados.”
“Então,” replicou o discípulo, “como deveria eu me sentir em relação ao que percebo, Mestre?”
O sábio apenas disse:
“Eu sou o barulho da chuva.”

47.

Um dia, um discípulo foi ao mestre Kian-fang e perguntou-lhe:
“Todas as direções levam ao caminho de Buddha, mas apenas uma conduz ao Nirvana. Por
favor, mestre, diga-me onde começa este Caminho?”
O velho mestre fez um risco no chão com seu bastão e disse:
“Aqui”.

48.

Um praticante foi até o seu professor de meditação, tristemente, e disse:
“Minha prática de meditação é horrível! Ou eu fico distraído, ou minhas pernas doem muito, ou eu constantemente fico com sono. É simplesmente horrível!!!!”
“Isso passará,” o professor disse suavemente.
Uma semana depois, o estudante retornou ao seu professor, eufórico:
“Minha prática de meditação é maravilhosa! Eu sinto-me tão consciente, tão pacífico, tão relaxado, tão vivo! É simplesmente maravilhoso!!!!!”
O mestre disse tranqüilamente:
“Isso também passará.”

49.

Um monge perguntou a Ta-chu:
“São as palavras a Mente?”
“Não, as palavras são condições externas. Elas não são a Mente,” disse o mestre.
“Então onde, fora das condições externas, podemos encontrar a Mente?”
“Não há Mente além das palavras,” declarou o sábio.
“Não havendo Mente independente das palavras, o que é afinal a Mente?” perguntou o monge, confuso.
“A Mente é sem forma e sem imagens. Em verdade, ela nem depende nem é independente das palavras. É eternamente serena e livre em seu movimento.”

Koan: Onde está a sua Mente?

50.

Quando era jovem, o então monge Ikkyu e seu irmão estavam arrumando o quarto de seu mestre, e num acidente o irmão quebrou a tigela da cerimonia do chá favorita do sábio professor. Ambos ficaram assustados, pois a tigela era muito estimada pelo mestre, pois foi um presente do imperador. Entretanto, Ikkyu disse ao irmão:
“Não se preocupe. Sei como abordar a questão com nosso mestre!”
Juntou os pedaços de cerâmica, escondeu-os no manto, saiu para o jardim do templo e sentou-se a esperar pelo velho sábio. Quando este se aproximou, Ikkyu propôs-lhe um Mondo (uma seqüência de perguntas e respostas):
“Mestre, é dito que todos os seres e todas as coisas no Universo estão fadadas a morrer?”
“Sim,” respondeu o Mestre, “o próprio Buddha assim afirmou, e tal conceito é inegável: todas as coisas têm de perecer.”
“Sendo assim, devemos compreender a natureza da impermanência, e superar o sofrimento ignorante pelas perdas que são, afinal, relativas e inevitáveis.”
“Com certeza, tal compreensão faz parte do caminho correto!” disse o mestre feliz pela sagacidade de seu jovem discípulo. Neste momento, Ikkyu retirou os cacos de sua manga, pousou-os à frente do mestre e disse:
“Mestre, sua querida tigela de chá morreu…”
E saiu ligeiro da presença do surpreso sábio…

51.

Um professor de Zen, após anos como orientador de um aluno particularmente sensível e sábio, resolveu lhe dar um presente:
“Estou ficando velho, em breve morrerei. Para simbolizar sua sucessão a mim como mestre vou lhe dar este livro valiosíssimo.”
O discípulo, entretanto, não estava interessado em livros:
“Não é necessário, obrigado, mestre. Eu aceitei o seu ensinamento como o Zen que prescinde a palavra escrita. Gosto de sua face original. Fique com seu precioso livro.”
O professor insistiu, e afirmou, orgulhoso:
“Este livro atravessou sete gerações, é uma relíquia! Por favor, fique com ele como um símbolo de sua aceitação do manto e da tigela!”
O outro apenas disse:
“Está bem, dê-me o livro.”
Ao recebê-lo, o discípulo simplesmente atirou o livro no fogo próximo, queimando-o. O professor ficou chocado. Gritou para o aluno, indignado:
“Como pôde fazer isso?! Era uma peça inestimável de conhecimento!”
Foi a vez do sábio discípulo ficar indignado:
“Como podes dar mais valor a papel e couro do que àquilo que me ensinastes directamente, de forma pura? Ensinar uma sabedoria que não se pode praticar é como agir sem coração, e não ser nada mais do que um repetidor de textos sagrados. Tu me deste um objeto, e eu usufrui dele como considerei adequado. Como podes ficar indignado com um simples ‘dar e receber’?”

52.

Um monge perguntou a Tozan enquanto ele estava pesando algum linho:
“O que é Buddha?”
Tozan disse:
“Um quilo e meio de puro linho…”

53.

Joshu perguntou a Nansen: “Qual é o Caminho?”
Nansen disse: “O dia-a-dia é o Caminho”.
“Pode ele ser estudado?” perguntou Joshu
Nansen disse: “Se tentares estudá-lo, irás estar muito longe dele.”
Joshu replicou: “Se não posso estudá-lo, como posso entender o Caminho?”
Nansen completou: “O Caminho não pertence ao mundo da percepção, nem Ele pertence ao mundo da não-percepção. A cognição é delusão e a não-cognição é sem sentido. Se desejais alcançar o Verdadeiro Caminho além das dúvidas, busqueis ser tão livre como o céu. E não afirmais que isso é bom ou ruim.”
Ao ouvir tais palavras, Joshu atingiu o Satori.

Koan: Sabeis reconhecer a Liberdade?

54.

Shogen perguntou:
“Por que o homem Iluminado não se ergue e explica sua natureza?”
E então completou:
“Na verdade, não é necessário que as palavras venham da língua…”

55.

Um monge perguntou a Yun-men (Ummon ? – 966):
“O que é o Dharma-Buddha?”
Yun-men respondeu:
“Esterco seco.”

56.

Um monge perguntou a Fuketsu:
“Sem falar, sem silenciar, como vós podeis expressar a Verdade?”
Fuketsu replicou:
“Eu sempre me lembro das primaveras no sul da China. Os pássaros cantam por entre as inumeráveis espécies de belas e cheirosas flores…”

57.

Quando Buddha atingiu a Suprema Iluminação, diz uma lenda que alguém lhe perguntou:
“Vós sois um Deus?”
“Não,” ele disse.
“Vós sois um santo?”
“Não”
“Então quem sois vós?”
Ele então disse:
“Eu sou Desperto.”

58.

Após algumas horas em agradável colóquio com seu mestre Niao-wo, o discípulo ergueu-se e reverentemente despediu:
“Obrigado por vosso tempo, Mestre. Agora eu me vou.”
“E para onde vais?” Perguntou o sábio.
“Parto pelo país, sempre estudando com afinco o Dharma-Buddha,” disse o discípulo.
“Ah, o Dharma-Buddha!” exclamou o Mestre, “Por acaso eu tenho um pouco disso aqui comigo, sabes?”
O jovem discípulo, intrigado e algo curioso, e também ligeiramente ambicioso, perguntou rápido, olhando em volta:
“É mesmo? Onde está? Onde está?”
O Mestre retirou um fio de seu manto e mostrou-o, declarando:
“Este fio também é o Dharma-Buddha.”

59.

Um filósofo perguntou a Buddha:
“Sem palavras, sem silêncio, podeis vós revelar-me a Verdade?”
O Buddha permaneceu em silêncio.
O filósofo agradeceu profundamente e disse:
“Com vossa amável generosidade eu esclareci minha Ilusão e penetrei no verdadeiro caminho.”
Após o filósofo ter partido, Ananda perguntou ao Buddha o que ele havia obtido.
O Buddha replicou:
“Um bom cavalo corre apenas à visão da sombra do chicote.”

60.

Um monge perguntou a Chao-chou:
“O que diríeis se eu chegasse ante vós sem nada trazer?”
Chao-chou respondeu:
“Deixai-o aí mesmo, no chão.”
O monge contestou:
“Mas eu disse que nada trazia, como então poderia pôr algo no chão?”
“Tudo bem então,” comentou Chao-chou, despreocupado, “nesse caso, levai-o daqui.”

61.

Certo dia, um discípulo perguntou ao monge Pa-ling:
“Há alguma diferença entre o que disseram os patriarcas e o que está escrito nos Sutras sagrados?”
O sábio respondeu:
“Quando fica frio, os faisões empoleram-se nos galhos das árvores, e os patos mergulham sob a água…”

62.

Em dois mosteiros vizinhos viviam dois jovens monges muito amigos. De manhã, sempre os monges se encontravam, cada um cuidando de seus afazeres. Certo dia, um dos monges estava varrendo o pátio de seu templo e, vendo aproximar-se o amigo, perguntou:
“Olá! Onde vais?”
O amigo respondeu, feliz:
“Vou aonde meus pés me levarem…”
O monge ficou intrigado com a resposta e comentou com seu mestre. Este lhe disse:
“Da próxima vez, diga-lhe: ‘E se não tivesses pés?’”
Quando o jovem noviço viu o amigo de novo na manhã seguinte, fez a mesma pergunta já antecipando o momento em que pegaria o amigo de jeito, desta vez:
“Onde vais?”
Mas o outro disse:
“Aonde o vento me levar!”
O monge ficou frustado! Voltou ao mestre e contou a nova resposta, e este, sorrindo, disse:
“Da próxima vez, diga-lhe: ‘E se o vento parasse de soprar?’”
O jovem monge ficou encantado com a ideia:
“Sim, sim! Essa é boa! Agora ele não me escapa!”
No dia seguinte, ao amanhecer, ele viu seu amigo aproximando-se de novo. Perguntou-lhe:
“Olá! Onde vais?”
O amigo parou, sorriu-lhe, e falou suavemente:
“Simplesmente vou ao mercado, meu amigo…”, e seguiu seu caminho.

63.

Chao-Chou (Joshu) certa vez varria o chão quando um monge lhe perguntou:
“Sendo vós o sábio e santo Mestre, dizei-me como se acumula tanto pó em seu quintal?”
Disse o Mestre, apontando para o pátio:
“Ele vem lá de fora.”

64.

Um monge aproximou-se de seu mestre – que se encontrava em meditação no pátio do Templo à luz da lua – com uma grande dúvida:
“Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitos de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?”
O velho sábio respondeu:” As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta.”
O monge replicou: “Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?”
“Poderia,” confirmou o mestre, “e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio.”
“Então,” o monge perguntou,” por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?”
“Porque,” completou o sábio, “da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como facto consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples facto dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário.”
O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

65.

“Se vires o Buda, mata-o !”
“Mata aquele que encontres no teu caminho. Se encontrares o Buda, mata o Buda; se encontrares os Patriarcas, mata os Patriarcas; se encontrares os Arahat, mata-os também”
O que significa isso? Leia este Ensaio de Paulo Borges

66.

Um monge perguntou a Joshu: “um cão possui a natureza de Buda?”
Joshu respondeu: “Mu”»

67.

Um monge perguntou a Hui-neng (o Sexto Patriarca Zen):
“Quem herdou o espírito do Quinto Patriarca?”
Hui-neng respondeu:
“Aquele que compreende o Budismo.”
“Teríeis então vós herdado este espírito?” quis saber o monge.
“Não,” replicou o mestre. “Eu não o herdei.”
“Por que não?!?” o monge, naturalmente pasmo, perguntou então.
“Porque não compreendo o Budismo.” Afirmou Hui-neng.

Fonte: Koan: Vós compreendeis o Budismo?

[…] faz parte do arsenal espiritual de várias tradições. Ela está presente no humor judaico, nos koans do zen-budismo e nas histórias sufis de Nasrudin e é usada ritualisticamente dentro da Umbanda e […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/coletanea-de-koans-zen-budistas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/coletanea-de-koans-zen-budistas/

Enciclopedia de Mitologia na Daemon

Consegui uma pausa de dez minutos aqui para agradecer a todos os pedidos da Enciclopédia que chegaram até a editora. Estou autografando desde ontem e, pelo visto, ainda ficarei mais um ou dois dias até terminar todo o processo.

Foram pedidos de todo o Brasil, além de Portugal, Alemanha, Inglaterra e vários outros países onde temos leitores. Não poderia ter recebido um presente de aniversário melhor.

A Enciclopédia de Mitologia é um trabalho que tenho desenvolvido desde 1998, reunindo e compilando histórias, personagens, deuses, objetos, locais e demônios de diversas mitologias ao redor do planeta. A partir do estudo comparado destas mitologias, cheguei em um banco de dados muito interessante sobre as principais mitologias e religiões do planeta, cujos símbolos me inspiraram para o estudo da Árvore da Vida como a apresento na palestra “A Kabbalah e os deuses de todas as Mitologias“.

Traz elementos da mitologia grega, romana, egípcia, indiana, árabe, chinesa, japonesa, celta, nórdica, européia, polinésia, sul americana, norte-americana, azteca, maia, inca, goécia e bíblica.

Seu lançamento foi feito na Bienal do Livro de 2008, no Stand da Daemon Editora. A Enciclopédia possui 640 páginas, trata de 7.159 verbetes e 994 ilustrações. Esta nova impressão apenas corrigiu pequenos erros de digitação/texto, portanto, se você já possui a Enciclopédia, não vai precisar da nova edição (mas pode comprá-la para dar de presente para alguém que você goste!).

Você pode baixar uma preview das 10 primeiras páginas AQUI.

Para os leitores do Blog, a Enciclopédia de Mitologia estará em preço promocional e autografada na Loja de RPG. Coloque o nome da pessoa para qual o livro será dedicado no campo “observação” da compra.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/enciclopedia-de-mitologia-na-daemon