Hércules e o Javali de Erimanto

Foram necessários dois anos para Hércules capturar um javali feroz que devastava tudo por onde passava. Esse trabalho está relacionado ao aprendizado da vida em sociedade.

“O javali é um monstro sem fronteiras, que não respeita limites. Cada um de nós tem dentro de si essa fera, que é preciso dominar, aprendendo a reconhecer nosso espaço e o das outras pessoas. É um teste para vencer o egoísmo e a equilibrar os impulsos”.

Mitologia

Hércules é incumbido de capturar o Javali de Erimanto, sem contudo saber que este trabalho era na verdade uma dupla prova: a prova da amizade rara e da coragem destemida. Foi-lhe recomendado que procurasse pelo javali e Apolo que lhe deu um arco novo para usar, porém Hércules disse que não o levaria consigo, porque temia matar. Ele disse:

“Eu não o levarei comigo neste trabalho, pois temo matar. Deixo aqui o arco.”

E assim desarmado, a não ser por sua clava, ele escalou a montanha, procurando pelo javali e encontrando um espetáculo de medo e terror por toda a parte. Mais e mais ele subia e em determinada altura encontrou um amigo, Pholos, que fazia parte de um grupo de centauros, conhecidos dos deuses.

Eles pararam e conversaram e por algum tempo Hércules esqueceu-se do objetivo da sua busca. E Pholos convidou Hércules para furar um barril de vinho, que não era dele mas do grupo de centauros e que viera dos deuses, juntamente com a ordem de que eles jamais deveriam furar o barril, a não ser quando todos os centauros estivessem presentes, já que ele pertencia ao grupo. Mas Hércules e Pholos abriram-no na ausência dos seus irmãos, convidando Cherion, um outro sábio centauro, para se juntar a eles. Assim ele fez, e os três beberam e festejaram e se embebedaram-se e fizeram muito ruído que foi ouvido pelos outros centauros.

Enraivecidos eles vieram e seguiu-se uma feroz batalha e uma vez mais Hércules fez-se mensageiro da morte e matou os seus amigos, a dupla de centauros com quem ele antes tinha bebido.

E, enquanto os demais centauros com altos lamentos choravam as suas perdas, Hércules escapou novamente para as altas montanhas e reiniciou a sua busca pelo javali. Até aos limites das neves ele avançou, seguindo a pista do animal, mas não o encontrava. Depois de muito pensar, Hércules colocou uma armadilha habilidosamente oculta e esperou nas sombras pela chegada do javali.

Quando a aurora surgiu, o javali saiu da sua toca levado por uma fome atroz e caiu na armadilha de Hércules que, no tempo devido, libertou a fera selvagem, tornando-a prisioneira da sua habilidade. Ele lutou com o javali e domesticou-o, e fê-lo fazer o que lhe determinava e seguir para onde Hércules desejava.

Do pico nevado da alta montanha Hércules desceu, regozijando-se no caminho, levando adiante de si, montanha abaixo, o feroz, contudo domesticado javali. Pelas duas pernas traseiras ele conduziu o javali, e todos na montanha se riam ao ver o espectáculo. E todos os que encontrava Hércules, cantando e dançando pelo caminho, também riam ao ver a sua caminhada. E todos na cidade riram ao ver o espectáculo: o exausto javali e o homem cantando e rindo.

Quando reencontrou seu Mestre, este lhe disse: “O Trabalho foi completado. Medita sobre as lições do passado, reflecte sobre as provas. Por duas vezes mataste a quem amavas. Aprende porquê.”

Simbologia

Este trabalho está associado ao signo de Libra e Áries, onde a aprendizagem consiste na capacidade de manter o equilíbrio perante as adversidades (Libra), sendo capaz de manter as necessidades básicas atendidas (Áries).

Libra é o primeiro signo que não tem um símbolo humano ou animal, mas sustentando a balança, está a figura da Justiça – uma mulher com os olhos vendados. Ele apresenta-se com muitos paradoxos e extremos, dependendo de se o discípulo que se voltou conscientemente para o caminho de volta ao Criador segue o zodíaco segundo os ponteiros do relógio, ou no caminho inverso. Diz-se que é um interlúdio, comparável com a silenciosa escuta na meditação; um tempo de cobranças do passado.

Neste ponto percebemos como o equilíbrio dos pares de opostos deve ser atingido. A balança pode oscilar do preconceito até à injustiça ou julgamento; da dura estupidez à sabedoria entusiástica. Neste majestoso signo de equilíbrio e justiça nós verificamos que a prova termina numa explosão de riso, o único trabalho em que isso acontece.

Hércules conviveu, riu e cantou com os amigos, sendo que socializar é uma característica de Libra, e em vez de seguir a recomendação, de abrir o barril para o grupo, abriu-o para celebrar com um único centauro, procurando aqui um espelho, uma identificação com o outro. E embora estivesse determinado a não matar, o seu impulso, primeiro, de Áries, foi mais forte.

No entanto, Hércules conseguiu também entregar o javali ainda com vida e já domesticado, demonstrando que era possível domesticar o animal, devido à sua dedicação e delicadeza no trato, atributo natural de Libra.

Caminho de Iniciação

O Caminho de Iniciação considera o 3º Trabalho – A Captura da Corça Cerínia e o 4º Trabalho – O Javali de Erimanto como um só.

O céu de Vênus é a morada dos Principados. Esses vivem no Mundo Causal. O Iniciado que anela entrar nessa oculta morada interior, antes dve descer aos infernos de Vênus, e ali, como Hércules, capturar a Corça de Cerínia e o Negro Javali de Erimanto. Nesses dois símbolos vemos claramente a delicadeza e a brutalidade, o refinado e o tosco, a bela e a fera.

O Javali, perverso como poucos, é o símbolo vivo de todas as baixas paixões animais, a luxúria mais grosseira e devassa. Portanto, temos aí o contraste entre o denso e o sutil.

Mesmo após haver eliminado os defeitos do Mundo Astral Inferior e do Mundo Mental Inferior (as duas primeiras façanhas de Hércules), as “causas” desses defeitos continuam existindo. Essas causas são eliminadas durante os processos do terceiro e quarto Trabalhos de Hércules: a captura da Corça Cerínia e do Javali de Erimanto.

Se todos os defeitos têm origem sexual (não importa se os defeitos são refinados ou toscos), as maiores provas do Terceiro e Quarto Trabalhos consistem em resistir às tentações da carne, cujo drama foi ricamente descrito pelo patriarca gnóstico Santo Agostinho: Imenso é o número de delitos cujos gérmens causais devem ser eliminados nos infernos de Vênus.

Findo o Trabalho nos infernos do Mundo Causal, o Mundo de Tipheret, o Cristo Cósmico penetra no coração do Iniciado e este, cheio de êxtase, exclama: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus…”

Biblioteca de Antroposofia.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A9rcules-e-o-javali-de-erimanto

“I have a Dream inside a Dream”

O filme “A Origem” (Inception – 2010) é muito interessante, bem planejado e nos dá uma dimensão nova, um novo paradigma, uma nova forma de pensar. Mas devemos ponderar qual seria a aplicação disso nos estudos do magista. “I have a dream inside a dream I’m more awake the more I sleep, you’ll understand when you’re dead” (Marilyn Manson). O que resultaria de uma projeção dentro de uma projeção astral?

Primeiro analisemos o contexto de Inception. Num futuro próximo, a ciência criaria uma máquina capaz de colocar uma consciência em contato com outra em estado de sono (inconsciente). Bem, o magista já sabe como fazer isso sem precisar de aparato nenhum. É comum mandarmos mensagens quando em meditação (estado alpha) para outra pessoa, e esta possivelmente recebe-la de forma intuitiva ou em seus sonhos. Essa é uma forma básica de telepatia bem fácil de dominar e inclusive amplamente ensinada pela conscienciologia (www.iipc.org). Então vamos pular essa parte.

The Inception, a inserção, consistiria de uma difícil técnica de inserir uma idéia na mente de outra pessoa, objetivando uma mudança de comportamento baseada na influência dessa idéia na vida da pessoa, e um ponto de grande importância seria que a pessoa acreditaria que essa idéia seria sua, originalmente, nascida de seu próprio livre-arbítrio e meditação sobre sua vida. Pois bem, uma vez que se pode entrar em contato com o inconsciente de uma pessoa enquanto ela dorme – isso seria uma projeção astral consciente indo de encontro com a consciência adormecida de uma outra pessoa – é possível influenciar o inconsciente da mesma, plantando idéias, que podem ser aceitas ou rejeitadas dependendo da personalidade do indivíduo (quanto mais oposta à personalidade da “vítima”, mais difícil seria plantar a idéia). Nada ético e tenho a dizer que possivelmente nunca será visto um magista sério a praticar esse tipo de comportamento, principalmente porque fere a mais alta idéia de se ser um magista, que é a preservação do livre-arbítrio. Mas é possível.

Se várias das idéias do filme são possíveis de serem executadas através da aplicação de nossas disciplinas e técnicas, seriam outras idéias trazidas a tona pelo filme possíveis de serem executadas? No filme vemos que além do mundo real, dentro do sonho, são mostradas quatro camadas, e além destas está o Limbo, onde a noção de realidade daquele que está projetando-se, perde-se dentro de si mesma, ou de outras, pois é algo que não fica muito claro, pois todos que caem no Limbo acabam nos mesmos locais e Cobb mostra a Ariadne o que ele construiu enquanto dentro do Limbo, e o local onde Saito está é o mesmo criado para ele por Arthur. Logo o Limbo seria uma “área coletiva” de todos os sonhos, onde o sonhador se perde, onde a consciência se dilui no todo, não desejando retornar.

Quanto mais fundo o indivíduo vai no sonho, mais tempo ele tem, algumas horas no físico simbolizam dias ou semanas dentro dos níveis do sonho. Isso pode ser explicado e até comprovado através dos experimentos de projeção, sendo que muitos dos que o praticam, acabam relatando ter perdido a noção de tempo a uma certa altura. Certa vez quando questionado sobre como era o reino dos Céus, Jesus teria afirmado que no Reino do Pai não há tempo. Até algumas décadas atrás o tempo era considerado uma constante, porém com a Teoria da Relatividade de Einstein esse pensamente foi totalmente descartado, tendo ele provado que o tempo, assim como o espaço, são relativos e não constantes, podendo variar imensamente dependendo da situação e onde estamos aplicando é muito possível, sendo que não há massa física no astral, o tempo corre de forma diferente, sendo mais rápido lá, e demorando a passar no físico.

A Organização Mundial de Saúde (OMS – www.who.int ) define o ser humano como um ser multidimensional, sendo ao mesmo tempo um ser bio-psico-socio-espiritual, sendo assim englobando quatro aspectos, físico, mental, social e espiritual. Essa história de quatro formas é um tanto conhecida pelos místicos antigos, sendo cada parte, cada ser ou corpo dentro do ser humano relacionado a um dos elementos – terra, ar, água e fogo, respectivamente. Ao realizar a projeção astral o magista tira seu foco do plano material, libertando-se dele temporariamente e vagando pelo astral, onde pode ter certa liberdade e podendo realizar grandes feitos. Ele muda seu foco do elemento Terra, associado ao material e concentra-se no próximo nível de nosso ser, num corpo mais sutil. Uma vez no plano astral, aqueles que já praticaram a projeção e todos os que realizam exercícios de mentalização e visualização sabem que no astral para que algo “se torne real” é importante um bom bocado de força de vontade e o mais importante, sentir como se fosse real, estimular os sentidos, visualizando, sentindo seu peso, sua textura, seu cheiro e seu gosto (quando aplicável), sendo que o tempo de vida de uma mentalização é determinado pela quantidade de energia que foi despendida em sua criação e a quantidade de sentimentos associada a ela. E essa é a palavra chave do astral, sentimento, sendo este associado ao elemento Água.

Agora entramos no tema de nosso post, e quanto a ter “um sonho dentro de um sonho”, uma projeção dentro de outra, seria possível? Sim, é possível, porém muito difícil. Existem poucas pessoas que conseguiram libertar-se, alterando o foco para o próximo nível, assumindo um corpo mais sutil que o anterior, sendo esse o plano mental, associado ao Ar. Os poucos que alcançaram esse nível conseguiram mantê-lo por curtos períodos de tempo, relatando grande dificuldade para alcançá-lo novamente, alguns só conseguindo uma vez em sua existência. Porém as impressões relatadas são maravilhosas e de grande valia para nossos estudos. Sensações de paz, tranqüilidade, a ausência de tempo, espaço ou forma, sendo que as consciências passaram a sentir tudo, saber tudo, como se fossem o tudo, um toque na onisciência de Deus. A maior parte não consegue lembrar de tudo que viu ou absorveu neste plano – como das primeiras vezes que se pratica projeção astral – porém quando retornam (sempre com um baque, como o “coice” usado para acordar em Inception) demonstram habilidades e conhecimentos que não tinham antes desse contato. E já que estamos associando com filmes, porque não associar essa experiência com o atravessar do Portão da Verdade do desenho Fullmetal Alchemist? Sim, seria como no desenho, quando se faz a transmutação humana e se têm acesso ao Portão da Verdade, onde o indivíduo tem acesso a todo conhecimento, porém não consegue retê-lo ao retornar ao corpo, mas vemos que depois de atravessá-lo e voltar os alquimistas conseguem realizar seus feitos sem necessidade de traçar seus diagramas místicos. Não se sabe exatamente o que há no Plano Mental ou como é, os relatos são deveras vagos, mas repletos de significados e sensações.

Mas espere! Inception mostra mais um sonho, e além deste o Limbo! Claro que mostra, pois só passamos por três dos elementos! Porém é aí que a base experimental acaba. Além do plano mental teoricamente está o plano representado pelo elemento Fogo. Mas como seria ou o que ele traria, nunca conheci nenhum magista que tenha estado por lá, nenhum relato. Se teorizarmos que o Plano Mental é um toque na onisciência de Deus, talvez o que esteja além seja a onipresença ou onipotência, vai saber… Não estou escrevendo este texto com o objetivo de ser um guia para a projeção dentro da projeção, muito pelo contrário, sou um pesquisador, um alquimista, um cientista como todos os buscadores, o que estou propondo é uma nova forma de ver a multidimensionalidade humana, estou propondo um novo paradigma, uma nova forma de ver essa questão e recolocando em pauta o Inception, e o Fullmetal Alchemist. E talvez essa nova possibilidade abra uma porta a todos os buscadores que tentam um contato com a Divindade e a descoberta de sua própria espiritualidade.

Só um adendo, quanto ao Limbo, o que vemos em todas as características deste, seria como uma experiência da Morte, algo libertador, acolhedor, de onde o indivíduo não quer retornar. Não a morte do corpo, mas a Morte Final, o diluir da consciência no todo que é Deus, sendo que a consciência do Ser deixa de existir e passa a ser apenas parte do todo que é Deus. Além disso não esqueçamos que falamos dos Quatro Elementos da alquimia, porém os magistas mais experientes sabem que traçamos o Pentagrama pois cada ponta representa um elemento, todas elas abaixo do Espírito que está em tudo, forma tudo é tudo e o princípio ao qual tudo está subjugado, em suma Deus.

PS: Se alguém tiver algum relato sobre os planos mais sutis como o Plano Mental ou o que esteja além dele, estou sempre aberto a novas possibilidades, e aguardo novas experiências para descobrirmos as maravilhas da Criação de Deus.

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O Paradigma Divino é um blog de autoria de Saulo Henrique Alves (Ketalel) e orgulhosamente faz parte do Project Mayhem, com artigos sobre ciência e espiritualidade. Agradeço o espaço no Teoria da Conspiração para difundirmos a cultura e espiritualidade no mundo atual.

#Filmes #PlanoAstral

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/i-have-a-dream-inside-a-dream

Abertura da Torre de Vigia

O mago de Frente para o leste.

Passo 1.

Bata 10x – 3 + 4 + 3 e diga

HAI-KAS, HAI-KAS, ES-TI BI-BE-LOI

 

Passo 2.

Bata 1x – Faça o Rito Menor de Banimento do Pentagrama.

 

Passo 3.

Bata 2x – Faça o Rito Menor de Banimento do Hexagrama.

Passo 4.

Bata 9x – 3+3+3

Subrotina: Passos 5-8

5. De frente para o sul

Sacuda a arma para a Esquerda, Direita e Centro, a frente do sigilo.

Levante-a acima da cabeça. Ande então no sentido horário, até dar a volta completa enquanto diz:

E quando todos os fantasmas desaparecerem, você deverá ver aquele fogo sagrado e sem forma, aquele fogo que irrompe e brilha através das profundezas ocultas do universo; Ouvi vós a voz do fogo.
 

6. De frente para o Oeste

E não agora, o mago que governa os trabalhos do fogo deve aspergir com água gloriosa do ruidoso mar.
 

7. De frente para o Leste

Como o fogo existiu, se estendendo através das ondulações do ar. Ou como fogo disforme, de onde veio a semelhança de uma voz; ou como uma luz brilhante, preenchedora, expandindo e proclamando alto.
 

8. De frente para o Norte

Não pare dentro do explêndido e escuro mundo onde contínuamente jaz uma falta de fé profunda e hades é envolto em escuridão deleitando-se em imagens ininteligíveis e ventosas. Um abismo sempre crescente, sempre desposando um corpo sem luminosidade, sem forma e vazio.

 

Traçe o pentagrama. Faça um circulo dourado e pentagrama flamejante em azul. Aponte ao centro e diga:

 

OH-I-PEI TE-A-A PE-DO-KEI.

 

EMM-PEI-REI AHR-CEL GAH-I-OHL

 

OH-ROW I-BAH-RAH AH-OH-ZOHD-PI

 

I-MOR DI-AHL HEC-TEI-GA

 

Levante a arma acima da sua cabeça e diga: Pelos nomes e letras do grande quadrante do Sul Eu vos invoco, a vós anjos da torre de sentinela do Sul Sinta a pura energia elemental emanando em sua direção. Recoloque a arma na sua posição, sempre andando no sentido horário.
Oeste Oeste
Leste Leste
Norte Norte

fim da rotina passos 5 à 8):

Passo 9:

Sobre o altar e o tablete da união, faça o sinal conhecido como “romper do véu”. É o sinal do entrante com as mãos para fora, afastando as como afastando um véu.

Diga:

” Oh-ell soh-nuf vai-oh-air-sah-ji go-roh i-ah-dah bahl-tah.
(vibre!) El-ex-ar-pei-rrei Co-mah-nah-nu Tah-bi-toh-ehm.
Zohd-ah-kah-rah eh-kah zohd-ah-kah-rei oh-dah zohd-ah-mehr-ah-nu oh-doh ki-klay kah-ah pi-ah-pei pi-ah-moh-ehl oh-dah vai-oh-ah-nu”

Isto significa: “Eu reino sobre você, diz o deus da justiça. (os três nomes mágicos que governam o tablete da união).Mova-se, entretanto, mova-se e apareça. Abra os mistérios da criação: Equilíbrio, Retidão e verdade.”

Passo 10:

Diga:

“Eu vos invoco, anjos das esferas celestiais, cuja morada é no invisível.
Vós sois os guardiões dos Portões do Universo.
Sejais vós também Guardiões desta esfera mística.
Mantenham distante e removam o mal e o desequilíbrio.
Fortaleçam me e deêm me inspiração, de modo que eu preserve a pureza desta morada dos mistérios dos deuses eternos.
Faça minha esfera ser pura e sagrada, então
que eu possa entrar e compartilhar dos segredos da Luz divina.”

Por uns momentos tente sentir e equilibrar os quatro elementos dentro do seu círculo.

Vá para o Nordeste

Passo 11:

Diga:

“O Sol visível é o doador de Luz para a Terra.
Que eu então forme um vórtex nesta câmara
Que o Sol invisível do espírito possa brilhar aqui vindo de cima”.

Passo 12:

Circule três vezes ao redor do círculo. Cada vez que passar pelo Leste, faça o “Sinal do Entrante” no sentido do giro, sem deter os passos. Visualize e sinta a formação de um poderoso Vórtex de energia).

Vá para o Altar de frente para o Leste

Passo 13:

Dê o sinal do entrante e diga:

Sagrado és vós, Senhor do Universo.

Dê o sinal do entrante e diga:

Sagrado és vós, cuja natureza não foi formada.

Dê o sinal do entrante e diga:

Sagrado és vós, ó vasto e poderoso, Senhor da Luz e da Escuridão.

Dê o “Sinal do Silêncio” (Bata o pé esquerdo no chão enquanto leva o dedo indicador esquerdo aos lábios)

Passo 14:

Execute o rito principal.

Passo 15:

Quando o Trabalho Mágico terminar, encare o Leste.

“Junto a Vós, o Único Sábio, o Único Eterno e Piedoso, estarão as preces e as glórias para sempre. Aquele que permitiu apresentar-me humildemente diante de Vós adentrar até aqui no santuário dos mistérios. Não por mim, mas pela glória do Teu nome. Que as influências de Tua divindade recaiam sobre minha cabeça, e ensine-me o valor do auto-sacrifício para que eu não me diminua na hora do julgamento, mas que meu nome possa ser escrito em Luz e meu gênio figure na presença dos Sagrados”.

 

Fechamento da Torre de Sentinela.

Passo 16:

Circunvagueie três vezes no sentido anti-horário, dando o “Sinal do Entrante”, toda vez que passar pelo Leste (enquanto isso sinta as energias dissipando-se)

Passo 17:

Faça o Ritual Menor do Hexagrama

Passo 18:

Faça o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama

Passo 19:

Diga:

“Eu agora libero qualquer espirito que possa estar aprisionado por esta cerimônia. Partam em paz para sua moradas e habitações , com as bençãos de (VIBRE) YEH-HAH-SHU-AH YEH-HOH-VAH-SHA

Bata 10x : 3+ 4+ 3+

“Eu agora declaro este Templo devidamente fechado”.

Bata 1x

Ritual encerrado

Copyright (c) 1999 – deste artigo para Carlos Fernando de Souza Silva
Agradecimento neste artigo ao Frater Baal, quanto ao confrontamento da tradução de certas partes obscuras à lingua portuguesa.
LICENSA LIMITADA. O texto neste arquivo, em suas versões eletrônicas ou físicas pode ser copiado e impresso, para uso PESSOAL e ou para pesquisa, caso sejam feitas cópias ou enviado por correio, nenhuma taxa além do custo deve ser cobrada. Este aviso, até a linha de asteriscos DEVE ACOMPANHAR TODAS AS CÓPIAS FEITAS, não devendo ser deletado ou mudado em quaisquer cópias ou impressões deste arquivo.

Copyright (c) 1999 – deste artigo para Carlos Fernando de Souza Silva

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/abertura-da-torre-de-vigia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/abertura-da-torre-de-vigia/

Décimo Segundo Trabalho: A morte de Cérbero

A morte de Cérbero: A elevação da personalidade

Valorizar as qualidades da alma. O desafio era descer ao inferno para vencer Cérbero, cão de três cabeças que guardava o Mundo Inferior. O herói agarrou o animal pelo pescoço e não o soltou até que concordasse em acompanhá-lo. “Esse trabalho fala da imortalidade. Ensina que o corpo pode perder o viço, mas a alma deve irradiar cada vez mais a beleza construída ao longo dos anos. É um ensinamento importante para estes tempos, em que o envelhecimento e as transformações do corpo não são aceitas com naturalidade.”

– Os Doze Trabalhos de Hércules e a iniciação

– O Leão da Neméia

– A Hidra de Lerna

– A Corça Cerínia

– O Javali de Erimanto

– Os Estábulos de Augias

– As Aves de Estinfalo

– O Touro de Creta

– As Éguas de Diomedes

– O cinturão de Hipólita

– O Gado de Gerião

– O Jardim das Hespérides

Mitologia

O Mestre disse a Hércules: “Enfrentaste com êxito mil perigos. Hércules, e muitas consquistas foram feitas. A sabedoria e a força pertencem-te. Farás uso delas para salvar alguém em angústia, uma presa de imenso e infindável sofrimento?” e tocando gentimente a fronte de Hércules, diante de seu olho interno, surgiu uma visão.

Um homem jazia sobre uma rocha e gemia como se seu coração fosse partir-se. Suas mãos e pés estavam acorrentados; as fortes correntes que o prendiam estavam ligadas a anéis de ferro. Um abutre, feroz e audacioso, mantinha-se bicando o fígado da vítima; em consequência, uma corrente de sangue jorrava do seu flanco. O homem elevava suas mãos acorrentadas e clamava por socorro; mas suas palavras ecoavam em vão na desolação e eram engolidas pelo vento.

A visão desapareceu e o Mestre falou: “Aquele que viste acorrentado chama-se Prometeu. Ele sofre assim há muito tempo, e contudo, sendo imortal não pode morrer. Do céu ele roubou o fogo; por isso foi punido. O lugar de sua morada é conhecido por Inferno, o reino de Hades. Pede-se que seja o salvador de Prometeu, Hércules. Desce às profundezas e liberta-o do sofrimento.”

Hércules iniciou a sua viagem descendo sempre através das ligações dos mundos da forma. A atmosfera tornava-se cada vez mais pesada, e a escuridão crescia. Contudo, a sua vontade era firme. Essa descida longa demorou muito tempo e sozinho, mas não absolutamente só, ele vagueava, e quando ele procurou no seu íntimo ouviu a voz prateada da deusa da Sabedoria, Athena, e as palavras encorajadas de Hermes.

Por fim, dele chegou a um rio escuro e envenenado que as almas dos mortos tinham que cruzar. Uma moeda tinha de ser dada a Caronte, o barqueiro, para que ele as levasse para o outro lado.

O visitante da terra assustou Caronte que levou Hércules ao outro lado, sem lembrar-se de cobrar-lhe, Hércules penetrou o Hades, uma nevoenta e escura região onde as sombras, ou melhor, as conchas dos que haviam partido esvoaçavam. Quando Hércules percebeu a Medusa, com o seu cabelo encaracolado com serpentes sibilantes, ele tomou a espada e tentou atingi-la, mas não bateu senão no ar vazio.

Ele seguiu por caminhos labirínticos até chegar à corte do rei que governava o mundo subterrâneo, Hades. Este, inflexível, severo e com semblante ameaçador, sentava-se em seu negro trono quando Hércules se aproximou.

“Que procuras, um mortal vivo, em meus reinos?” Interpelou-o Hades.

Hércules disse, “Procuro libertar Prometeu”.

“O caminho está guardado pelo cão Cérbero, um cão com três grandes cabeças, cada uma com serpentes enroladas em torno”, replicou Hades.

“Se puderes derrotá-lo com tuas mãos vazias, um feito que ninguém jamais realizou, poderá libertar o sofredor Prometeu”.

Satisfeito com a resposta, Hércules prosseguiu até deparar-se com o cão de três cabeças e ouviu o seu feroz latido. Ameaçador, avançou para Hércules que agarrou a primeira cabeça e a manteve presa em seus braços enquanto o monstro se debatia. Finalmente a sua força cedeu e Hércules seguiu até encontrar Prometeu numa laje de pedra, em dores atrozes. Hércules partiu as correntes e libertou o sofredor.

Simbologia

Este trabalho está associado ao signo de Capricórnio/Cancer, que é um dos mais difíceis para se escrever e é o mais misterioso de todos os doze. Há dois portões de importância dominante: Cancer, no que erroneamente chamamos a vida, e Capricórnio, o portão para o reino espiritual.

Capricórnio, o portão através do qual nós finalmente passamos quando não mais nos identificamos com o lado forma da existência, mas nos tornamos identificados com o espírito. É isto que significa ser iniciado.

Um iniciado é uma pessoa que não põe mais a sua consciência na sua mente, ou desejos, ou corpo físico. Ele pode usá-los, se quiser; e fá-lo para ajudar toda a humanidade, mas não é neles que focaliza a sua consciência. Ele está focalizado no que chamamos a alma, que é aquele aspecto de nós mesmos que está livre da forma. É na consciência da alma que finalmente funcionamos em Capricórnio, conhecendo-nos como iniciados e entramos nos dois grandes signos universais de serviço à humanidade.

É em Capricórnio, o adulto que existe em nós que Hércules desce às profundezas do inferno, munido da compaixão de Cancer, para conseguir resgatar Prometeu.

O caminho da alma é exatamente o mesmo, é com profundo amor (Cancer) que necessitamos de descer às profundezas dos nossos infernos interiores, amá-los e resgatar em nós a nossa sombra, para podermos depois, escalar a montanha, que caracteriza Capricórnio, com o mesmo determinismo e firmeza com que descemos ao inferno.

Após cumprir a sua tarefa, o héroi regressa ao reino dos vivos e ali reencontra a sua alma e é-lhe mostrado que aquele foi o seu primeiro serviço em prol de um mundo melhor.

Enquanto nos pássaros de Estínfalo, Hércules ainda tinha mergulhado nos pântanos do inferno pessoal, é em Cérbero que o mergulho se dá no inferno coletivo.

Este crescimento na capacidade de prestar serviço é a realização da alma. Não se pode aprender por ‘ouvir dizer’, mas sim através da realização e vivendo as circunstâncias.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/d%C3%A9cimo-segundo-trabalho-a-morte-de-c%C3%A9rbero

A Espiritualidade Queer no Vodu, na Santería e no Candomblé

A HISTÓRIA CULTURAL QUEER DA DIÁSPORA AFRICANA:

Durante o tráfico atlântico de escravos, os europeus transportaram mais do que os africanos de suas terras nativas para as plantações das Américas. Eles transportaram culturas, visões de mundo e crenças religiosas milenares. Por autopreservação e pressão de seus mestres cristãos anticristãos, os filhos da diáspora africana disfarçaram suas tradições espirituais nativas sob o disfarce do catolicismo místico. Ao longo dos séculos, as religiões se misturaram para criar novas fés únicas que espelhavam as crenças tradicionais de escravos e senhores, embora com uma corrente dominante de práticas da África Ocidental. Três em particular ganharam grande destaque e podem contar entre eles legiões de adoradores abertamente LGBT+: o Vodu, a Santería e o Candomblé.

O VODU:

Entre bonecos com alfinetes nos olhos, zumbis e associações com o macabro, o Vodu (alternadamente escrito Vodou, Vodum, Voodoo ou Vodoun) é uma das religiões mais sensacionalistas ao redor. A maioria de seus tons mórbidos vem do fato de ser uma religião ancestral, porque reverenciar os ancestrais envolve reverenciar os mortos. Existem diferentes tipos de Vodu, como o Vodu haitiano, o Vodu da Louisiana e o Vodu ainda praticado na África, mas em geral as versões do Novo Mundo são descendentes crioulos das religiões tribais da África Ocidental e do catolicismo francês.

Por si só, o Vodu é muito acolhedor para a comunidade queer, e em algumas culturas caribenhas onde o sentimento anti-LGBT+ é socialmente forte, a prática do Vodu funciona como um espaço seguro e acolhedor para as pessoas queer serem elas mesmas. Não há proteções legais para pessoas LGBT+ na capital Vodu do Haiti, e na outra Meca Vodu da Louisiana, as proteções são mínimas e muitas vezes não são aplicadas fora de Nova Orleans. Nessas geografias onde o Vodu é mais praticado, ser aparentemente queer muitas vezes corre o risco de repercussões que vão desde ser demitido de seu emprego até ser vítima de vários graus de crimes de ódio. A comunidade Vodu, no entanto, é um oásis tolerante e tolerante em um mar de discriminação, e muitas vezes é o único lugar onde haitianos gays e louisianos podem ser eles mesmos.

Por causa disso, muitas pessoas LGBT+ são atraídas pela natureza inclusiva do Vodu; consequentemente, o Vodu tem um número desproporcionalmente alto de praticantes abertamente queer em comparação com outras religiões. [73]  A sexualidade e a expressão de gênero de uma pessoa nunca são julgadas por padrões morais, pois há um entendimento inerente de que você é como o Divino o fez, e a perfeição inerente do Divino significa que o Divino não comete erros. Portanto, você — como quer que seja — não é um erro. Além disso, a procriação não é um ponto focal da religião como é no catolicismo puro, o que significa que todas as formas de sexo não procriativo não são tabu nem vistas como não naturais. Pelo contrário, até as próprias divindades Vodu têm prazer em atos homoeróticos de sexualidade, mas falaremos mais sobre isso daqui a pouco. [74]

Uma das partes mais conhecidas do Vodu envolve a invocação de um espírito (conhecido como lwa) no próprio corpo. Isso geralmente é feito durante um tipo fortemente rítmico de ritual de dança de forma livre, e às vezes um lwa de um gênero habitará o corpo de um humano do gênero oposto. Nesse ponto, o dançarino possuído começa a pensar, se comportar e agir como o lwa dentro dele. Um homem masculino habitado por um loa efeminado começará a agir de forma efeminada, uma mulher afeminada habitada por um loa masculino passará a agir de forma masculina, e nunca a sexualidade pessoal e a identidade de gênero do homem ou da mulher são questionadas porque naquele momento, através da êxtase da dança, o lwa está no controle; o corpo humano é apenas um vaso. Como nota lateral, é importante saber que o Vodu não rotula seu lwa com rótulos LGBT+, embora os humanos geralmente reconheçam traços LGBT+ em seu caráter.

Nem todos, mas vários praticantes de Vodu também acreditam em uma forma de reencarnação em que o corpo é efêmero, mas a alma é eterna. Para eles, a alma é uma coisa sem gênero, e cada pessoa, independentemente de sua sexualidade e gênero atual, tem sido muitas coisas de muitas vidas passadas. Um homem homossexual branco flamejante hoje pode ter sido uma mulher asiática heterossexual Kinsey 1 em um ponto ou talvez uma mulher negra bissexual ou mesmo uma tribo pansexual de gênero fluido nas selvas de Papua Nova Guiné. Assim, a aparência externa, rótulos e desejos pessoais não definem a verdadeira alma de uma pessoa, tornando-os nulos e vazios nas conversas sobre o certo e o errado. São apenas fatos da vida, todos sujeitos a mudanças durante a próxima transmigração da alma.

A LIÇÃO DO VODU:

 

A INVOCAÇÃO DE DIVINDADES DE GÊNEROS OPOSTOS:

A prática Vodu de possessão espiritual é uma óbvia atividade mágica de lição ou conclusão. Agora, até que você aprenda mais sobre as tradições do Vodu ou já tenha um relacionamento com elas, não vá invocar lwa Vodu de maneira Vodu. Comece com sua própria tradição mágica. Especificamente, se sua fé envolve um panteão de divindades de gêneros diferentes, invoque uma divindade do gênero oposto ao qual você se identifica pessoalmente. Mas faça isso, é claro, à maneira de sua própria tradição com a qual você está familiarizado.

Uma coisa é falar, agir e simpatizar com outros gêneros, mas perder totalmente o controle e permitir que outro gênero tome as rédeas e faça você pensar, sentir e agir como eles é outra coisa. Então, para sua próxima atividade mágica, faça um ritual de invocação de uma divindade que seja o epítome estereotipado do gênero oposto ao seu. Experimente, veja como é e, em vez de apenas entrar em contato com outro gênero, permita que esse outro gênero entre em você.

A SANTERÍA:

A Santería é semelhante, mas muito diferente do Vodu de várias maneiras. Eles são semelhantes no sentido de que ambos são de origem caribenha, criados a partir da mistura de catolicismo colonial e religiões tradicionais da África Ocidental, e acreditam em um panteão de seres espirituais que muitas vezes são chamados a possuir um devoto durante a dança ritual. Suas diferenças predominantes, no entanto, vêm de ramos específicos de suas raízes religiosas, das quais suas outras diferenças evoluíram naturalmente. Especificamente, enquanto o Vodu é mais uma mistura de catolicismo francês e espiritualidade africana da tradição do Daomé, a Santeria é mais uma mistura de catolicismo espanhol e espiritualidade africana da tradição iorubá.

Em vez do lwa do Vodu, os espíritos de Santería são conhecidos como orishas. Os escravos iorubás que antes viviam sob o domínio colonial espanhol no Caribe disfarçavam seus orishas de santos católicos, fazendo com que cada orisha correspondesse a um santo específico. Ao longo dos anos, os traços, mitologias e esfera de domínio espiritual que cada orisha e santo possuíam se misturaram para formar a tradição espiritual única conhecida hoje como Santería, que ainda é popular em seus países caribenhos de língua espanhola, bem como nos EUA. e cidades latino-americanas com grandes populações de imigrantes hispano-caribenhos.

Do lado de fora, Santería tem todas as armadilhas do sensacionalismo: adivinhação com ancestrais falecidos, possessão, uso pesado de rituais de dança de tambores, transes e, mais notoriamente, sacrifício de animais. Soma-se a tudo isso o fato de que a Santería também possui uma porcentagem estatisticamente grande de praticantes LGBT+ em comparação com outras tradições religiosas. O raciocínio para isso é muito semelhante ao raciocínio para o mesmo fenômeno social encontrado no Vodu: a Santería coloca uma ênfase maior na alma sem gênero de uma pessoa, em vez de seu corpo físico ou apetites corporais. Isso permite uma atitude não julgadora e acolhedora para permear a fé. Além disso, a comunidade queer dentro da maior sociedade cultural machista caribenha/católica das ilhas encontra refúgio em sua comunidade religiosa da Santería porque eles podem ser eles mesmos com segurança e abertamente, encontrar outros como eles e conhecer outras pessoas de mente aberta. A identidade queer também é encontrada nos mitos e tradições de seus orishas.

Um exemplo disso é a história de origem da própria homossexualidade da Santería. Segundo a lenda, ela se desenvolveu naturalmente entre dois orishas masculinos em resposta à tentativa de sua mãe de esconder sua própria vergonha. Conforme a história, Yemaya (a orisha da lua, do oceano, dos mistérios femininos e a divindade mãe de todos os orishas) foi enganada para fazer sexo com seu filho Shango (orisha do trovão, raio, fogo e guerra) na frente de seus dois irmãos Abbatá e Inlé (os orishas da cura e da profissão médica). Envergonhada e horrorizada por alguém descobrir isso, ela baniu Abbatá e Inlé para viver no fundo do mar, longe do resto do mundo, e só para garantir ela fez Abbatá ficar surdo e cortou a língua de Inlé. Apesar de sua incapacidade de se comunicar um com o outro, eles ainda eram capazes de se entender com empatia. E juntos, em sua mútua solidão e sofrimento, os dois desenvolveram um vínculo profundo que se transformou em paixão romântica e sexual, dando origem à homossexualidade no mundo. [76]

Além da óbvia história de origem, esse mito também contém reflexões muito mais profundas da sociedade gay. Os laços de ser pária, rejeitado por sua família, sua incapacidade de se expressar plenamente e punição por ações além de seu controle são temas comuns na vida da comunidade queer como um todo. Além disso, também sugere a empatia natural das pessoas LGBT+ por outras pessoas que sofrem. A outra conexão está no símbolo de Abbatá de serpentes entrelaçadas, que, embora tenha associações com o caduceu médico, também tem fortes tons homoeróticos. O papel espiritual de Abbatá como enfermeiro de Inlé também tem uma tendência gay, devido aos estereótipos de enfermeiros do sexo masculino serem gays. No entanto, as especificidades desses dois amantes variam dependendo da preferência do praticante individual. As preferências variam de pessoas que veem Inlé como um ser andrógino a pessoas hetero-normalizando seu relacionamento ao ver Abbatá como uma mulher completa. [77]

Segundo alguns praticantes da Santería, não se pode ser um praticante solitário. Para eles, e para muitos, a Santería é uma religião comunal. Devido à grande porcentagem de praticantes queer na Santería, a exposição a eles permite que a maioria não-LGBT+ interaja com eles e passe a ver a comunidade queer como pessoas boas e comuns como eles. Isso cria um efeito de bola de neve social em que mais e mais pessoas se tornam cada vez mais receptivas e, por sua vez, criam seus filhos para serem mais socialmente liberais, levando a uma aceitação ainda maior dentro da Santería. Além disso, muitos líderes dentro da Santería são abertamente queer; como líderes, eles direcionam o curso da religião para se tornar ainda mais receptivo e de mente aberta. [78]

No entanto, como a maioria das religiões, a Santería está longe de ser um ideal utópico de aceitação perfeita. Apesar de cerca de 30-50 por cento dos praticantes serem indivíduos LGBT+ e a maioria de todos os praticantes serem mulheres, a estrutura hierárquica da Santería impede que pessoas e mulheres queer (na maioria das linhas) alcancem os mais altos cargos de liderança como o Babalawo (o mais alto- nível de classificação no sacerdócio). Além disso, os homens gays são proibidos de tocar os tambores sagrados conhecidos como batá. Por fim, a religião mantém uma estrita divisão de trabalho entre os sexos, e quando a orientação sexual, expressão e identidade de uma pessoa não se alinham com os papéis convencionais de gênero, seu lugar hierárquico dentro da religião pode se tornar complicado e sujeito ao arbítrio de autoridades regionais. Liderança. Mas apesar dessas limitações, a comunidade LGBT+ é geralmente muito aceita dentro de Santería e experimenta muito mais liberdade do que em muitas outras religiões em nosso mundo moderno.

A LIÇÃO DA SANTERÍA:

 

A SACRALIDADE DA COMUNIDADE:

A Santería é uma fé muito comunal, e o aspecto de união é altamente reverenciado. Mais do que apenas ajudar uns aos outros e estar sempre lá um para o outro, a comunidade da Santería considera sagradas suas interações comuns uns com os outros. Então, para sua próxima atividade mágica, vá lá e ajude sua comunidade. Intenções mágicas, palavras e correspondências são ótimas, mas o que elas significam se não agirmos de acordo com elas? Seja voluntário, envolva-se no ativismo, ajude um vizinho literal. Quanto mais interagimos com a sociedade de forma positiva e benéfica, mais a sociedade nos vê como positivos e benéficos. Afinal, uma mão amiga é muitas vezes o trabalho de feitiço mais poderoso que se pode fazer para um bem maior.

O CANDOMBLÉ:

Para completar nosso tour pelas religiões da diáspora africana, vamos velejar para fora do Caribe e atracar na nação sul-americana do Brasil, que tem a dupla desonra dúbia de não ser apenas o destino número um para a maioria dos escravos africanos levados para no Novo Mundo (cerca de 40% do total do comércio de escravos), mas também foi a última nação do Hemisfério Ocidental a abolir completamente a escravidão. O grande número de escravos combinado com a extensa linha do tempo da escravidão legalizada criou uma fusão espiritual e cultural única e duradoura entre o povo brasileiro. Atualmente, o Brasil é um país com uma das maiores populações de afrodescendentes, perdendo apenas para a Nigéria. [80]

De todas as tradições espirituais ecléticas que emergem dessa história única, o Candomblé é uma das maiores e mais conhecidas. Ele compartilha características semelhantes com seus primos do norte, o Vodu e a Santería, mas o Candomblé é mais o resultado das tradições da África Ocidental misturadas com o Catolicismo Português e as várias religiões nativas encontradas no Brasil Aborígene. Como o Vodu e a Santería, no entanto, o Candomblé também coloca grande ênfase em um panteão espiritual de orixás (sua grafia de orishas), bem como tambores ritualísticos, dança de forma livre e possessão de espíritos. Ele também tem um seguimento queer muito forte.

É importante notar que o Candomblé nem sempre aceitou a comunidade queer. Originalmente, suas regras e hierarquias rígidas impunham limitações severas e preconceituosas a qualquer pessoa LGBT+. Mas no início de 1900, um ramo separado da religião conhecido como caboclo se desenvolveu e rapidamente ganhou popularidade devido à sua preferência por orixás mais obscenos e irreverentes e falta de restrições para seus membros LGBT +. Consequentemente, o aumento da popularidade do caboclo forçou o Candomblé mais popular a se tornar menos rígido e mais aberto aos seus adeptos queer. Ainda assim, porém, o ramo caboclo da religião, devido à sua história, é conhecido como a versão “queer” do Candomblé e o próprio título carrega consigo uma nuance compreendida da natureza/ser queer (queerness). [81]

A popularidade moderna do Candomblé entre a comunidade queer é muito semelhante à afinidade da comunidade pelo Vodu e pela Santería. É um lugar acolhedor e tolerante para expressar seu verdadeiro eu em uma sociedade cultural intolerante e discriminatória, sua identidade sexual e expressão de gênero são refletidas tanto na mitologia quanto nas divindades espirituais, e não há moralidade percebida sobre orientação ou identidade sexual.

No Candomblé não existe a dualidade comum do bem e do mal. Em vez disso, cada pessoa está inserida em seu próprio destino pessoal a cumprir, e o destino de uma pessoa pode exigir um código moral diferente do destino de outra. Claro, isso é temperado pela crença adicional de reciprocidade cósmica de que o que você faz aos outros acabará por voltar para você, então isso não é de forma alguma uma tradição espiritual que tolera um tipo de mentalidade do tipo “para o inferno com as consequências”. Mas, em suma, há uma atmosfera de não julgamento entre os fiéis, enfatizando a importância de deixar as pessoas se expressarem da maneira mais correta para elas, que incluem sexualidade e identidade de gênero. É verdade que nem todos os membros são tolerantes, mas como um todo o Candomblé é muito menos intolerante do que muitas das principais religiões do mundo moderno. [82]

Os praticantes do Candomblé Queer costumam ser membros de uma “casa”. Essas casas são semelhantes às casas de drag queen, onde todos se reúnem e formam um vínculo familiar próximo, muitas vezes sob a liderança de uma “mãe” ou “pai” mais experiente. Na sociedade brasileira, essas casas de candomblé têm estado na vanguarda dos movimentos pelos direitos LGBT+ tanto na advocacia quanto na mobilização. Eles são conhecidos até mesmo por se esforçarem para implementar campanhas de prevenção ao HIV/AIDS e ajudar os já infectados, fornecendo referências e informações sobre o tratamento. Por causa de seus esforços, o Brasil hoje tem algumas das proteções legais mais progressistas para a comunidade queer no mundo, embora culturalmente ainda exista uma tremenda discriminação e intolerância.[83]

Além das casas, o Candomblé se destaca em outro pilar gay altamente evoluído: a leitura, como na leitura de uma companheira rainha para a sujeira (chamar a atenção de forma abrangente para as falhas de alguém, isto é, arrastar o nome de alguém com falhas para a lama). De fato, na década de 1980, o antropólogo gay Jim Wafer estudou a cultura gay dos adeptos do candomblé, e ficou particularmente fascinado com sua própria forma de abuso verbal estilizado e lúdico entre si que eles chamam de baixa. Os praticantes do candomblé têm duas formas distintas de baixa; uma forma é usada em ambientes públicos seculares e a outra é usada apenas em rituais privados durante os festivais. A principal diferença está no vocabulário e nos tipos de leitura que se faz. A versão secular é semelhante à leitura comum como a conhecemos na cultura gay contemporânea, mas a versão religiosa faz uso proposital de orixás, piadas internas de rituais e menções à política doméstica. Embora semelhantes, cada tipo de baixa desenvolveu seu próprio fluxo rítmico e forma de arte falada que são distintas umas das outras. Wafer faz uma nota final sobre a baixa, afirmando que é uma coisa muito gaycêntrica, uma vez que é mutuamente compreendida entre gays brasileiros e aqueles que conhecem a comunidade. [84]

A LIÇÃO DO CANDOMBLÉ:

 

A SACRALIDADE DA COMUNIDADE QUEER:

Agora, eu sei o que você está dizendo: “Mas Tomás, essa foi a atividade de algumas páginas atrás.” E sim, é, mas com um foco diferente: essa é a sacralidade de nossa própria comunidade queer. Você vê, a Santería fez grandes avanços na sociedade hispano-caribenha ao reunir as comunidades queer e não-queer, derrubando barreiras e mostrando como todos podemos nos dar bem. Mas o que nossos irmãos e irmãs do Candomblé fazem muito bem é agir para apoiar sua própria comunidade queer sagrada. Através de seu estabelecimento de acolhimento de fugitivos para formar casas, ativismo de HIV/AIDS e desenvolvendo suas próprias formas de comunicação verbal, eles estão aproximando a comunidade queer brasileira e cuidando uns dos outros.

Como pessoas LGBT+, muitas vezes lançamos a palavra “comunidade” como se quiséssemos, mas dando uma olhada ao redor, fragmentação e luta interna estão em toda parte. É bom dizer que somos uma comunidade e, em seguida, todos aparecem juntos em um evento do Orgulho, mas como estamos prestando homenagem à nossa sagrada comunidade queer nas outras cinquenta e uma semanas do ano? Não apenas diga, mostre.

Então, para sua próxima atividade mágica, ajude sua tribo queer. Seja voluntário em seu centro LGBT+ local, inicie um grupo de apoio queer no Facebook, escreva em um blog sobre sua experiência como feiticeiro queer; as opções são infinitas. Independentemente de como você faz isso, mostre sua devoção mágica à comunidade através da ação, porque se tudo o que você está fazendo é acender uma vela e enviar boas intenções para sua tribo queer, em que você é diferente daqueles que, em resposta a um pedido de ajuda, dizer coisas como “meus pensamentos e orações estão com você”? Lembre-se, a ação direta obtém satisfação; como um grupo minoritário global, precisamos ajudar uns aos outros com ações, não apenas palavras. Mãos que ajudam são mais sagradas do que lábios que oram.

AS DIVINDADES E AS LENDAS QUEER:

 

BABALÚ-AYÉ:

Conhecido como Babalú-Ayé na Santería e como Obaluaiê no Candomblé, ele é o orixá da doença e da cura. Além de ser muito temido e muito respeitado, é um dos orixás mais populares devido aos inúmeros relatos de suas milagrosas intercessões de cura. Embora não necessariamente considerado uma entidade queer em si mesmo, desde o nascimento da epidemia de HIV/AIDS ele foi adotado pela comunidade LGBT+. Para muitos na comunidade, Babalú-Ayé é visto como o orixá proeminente para pessoas que sofrem de HIV/AIDS, e as petições específicas para ele por seus poderes de cura são numerosas. E embora ele seja um orixá, ele também sofre de claudicação física e um corpo doente. Esse sofrimento concede uma compreensão de solidariedade entre ele e os mortais, pois, diferentemente de outras divindades, ele pode simpatizar diretamente com sua doença e dor.

Além da conexão com HIV/AIDS, a comunidade LGBT+ o considera especialmente sagrado por sua bondade para com os marginalizados do mundo. As lendas contam como ele é o orixá que vai ajudar os isolados por doenças contagiosas e transmissíveis quando ninguém mais o faria por medo de se infectar. Sua cor sagrada também é roxa, que tem conexões internacionalmente compreendidas dentro da comunidade queer. [85]

A oferta mais comum para ele são grãos, e ele tem fortes correspondências com o elemento terra. Ao usar um recipiente para apresentar ou guardar oferendas, porém, é tradicional que a tampa do recipiente tenha furos, simbolizando a impossibilidade de se proteger para sempre da doença. Além disso, seus navios nunca são deixados parados. Eles são tradicionalmente mantidos em movimento para vários locais de acordo com as histórias mitológicas de Babalú-Ayé, onde o movimento e a atividade são ensinados como as melhores formas de cura porque evitam a estagnação e mantêm o corpo saudável, evitando que o corpo fique doente em primeiro lugar. No trabalho de feitiços, os devotos oram a ele para curar os entes queridos de doenças e punir seus inimigos com doenças. [86]

BARON SAMEDI:

Baron Samedi é indiscutivelmente um dos mais conhecidos lwa do Vodu na cultura pop graças à sua personalidade excêntrica e representação caricaturizada em filmes populares como o Dr. Facilier no filme A Princesa e o Sapo, da Disney, e como o apropriadamente chamado Barão Samedi no clássico de James Bond: Com 007 Viva e Deixe Morrer. Como patrono da morte, sepulturas, cemitérios, cura, fumo, bebida e obscenidades, ele é uma das divindades mais transgressoras de qualquer religião.

Em termos de aparência, ele é frequentemente descrito como tendo uma estrutura magra como um esqueleto, com um copo de rum ou um charuto na mão enluvada e vestindo uma elegante sobrecasaca roxa e cartola. Ele às vezes complementa isso adicionando à mistura alguns itens essenciais femininos, como saia e sapatos de salto alto. Particularmente, ele é conhecido por seu desrespeito ao tato e decoro, bem como por sua devassidão lasciva, mas ele faz tudo com um ar urbano de suavidade.

Às vezes ele é visto como um lwa transgênero, mas sempre com uma preferência descarada pelo sexo anal. Sua capacidade fluida de ir além do binário homem/mulher, hétero/gay, masculino/feminino, terra/submundo, vivo/morto o torna um lwa popular para a comunidade queer e para aqueles que sentem a necessidade de transgredir fronteiras sem vergonha ou que sentem que não se encaixam em uma categoria singular de rótulos. [87]

Na devoção, os cemitérios são lugares sagrados para ele, e muitas vezes ele pede que seus devotos usem as cores preta, branca ou roxa. Para oferendas, ele tem preferência por coisas esfumaçadas pesadas, como café preto, nozes grelhadas, charutos e rum escuro. Ele é solicitado principalmente por feitiços e magia prejudicial, mas também é solicitado para a prevenção da morte durante doenças com risco de vida, durante momentos perigosos e em resposta a ser fatalmente enfeitiçado. Segundo a tradição, diz-se que só se pode morrer se o Barão Samedi cavar a sua cova. Porque ele é um tipo de personalidade caprichosa e impulsiva, ele pode optar por não cavar sua cova, deixando você viver o que está acontecendo com você, se solicitado a fazê-lo, ou se ele simplesmente não o fizer. Não tenho vontade de cavar sua cova por qualquer motivo. [88]

ERZULIE FRÉDA & ERZULIE DANTOR:

Erzulie é uma família de lwa do Vodu, da qual dois membros às vezes estão diretamente associados à comunidade queer: Erzulie Freda e Erzulie Dantor. Erzulie Fréda pode ser mais comparada à deusa grega Afrodite e é a lwa do amor, beleza, joias, dança, luxo, flores e homossexuais masculinos. Diz-se que os gays estão sob sua proteção divina, e não é incomum que os homens afirmem que sua orientação sexual foi diretamente o resultado de ter invocado Erzulie Fréda para possuí-los durante a dança ritualística. Ela também é conhecida por ser muito paqueradora com todos os gêneros, e alguém de quem ela possui muitas vezes será visto flertando com outras pessoas, independentemente de sua orientação sexual regular. Condizente com uma divindade do amor, seu símbolo sagrado é o de um coração, sua cor sagrada é rosa e ela prefere oferendas românticas, como perfumes, sobremesas, joias e destilados com sabor doce. [89]

Erzulie Dantor, em comparação, é a lwa das mulheres, crianças e lésbicas. Ela é frequentemente retratada como uma Virgem Maria de pele negra com cicatrizes no rosto e um seio bem dotado, segurando uma criança de pele negra semelhante a Jesus. Suas cores sagradas geralmente são azul e dourado, enquanto suas ofertas preferidas são água da Flórida, carne de porco, rum e, especialmente, licor de chocolate. [90]

REFERÊNCIAS:

[73]. International Gay and Lesbian Human Rights Commission and SEROvie, The Impact of the Earthquake, and Relief and Recovery Programs on Haitian LGBT People, 2011, https://www.outrightinternational.org/content/impactearthquake-and-relief-and-recoveryprograms-haitian-lgbt-people (accessed Oct. 28, 2016).

[74]. Elizabeth A. McAlister, Rara! Vodou, Power, and Performance in Haiti and Its Diaspora (Berkeley: University of California Press, 2002).

[75]. Rev. Severina K. M. Singh, “Haitian Vodou and Sexual Orientation,” in The Esoteric Codex: Haitian Vodou, ed. Garland Ferguson (Morrisville: Lulu Press, Inc., 2002), 50-53.

[76]. Randy P. Conner, “Gender and Sexuality in Spiritual Traditions,” in Fragments of Bone: Neo-African Religions in a New World, ed. Patrick Bellegarde-Smith (Champaign: University of Illinois Press, 2005).

[77]. From https://www.viejolazaro.com/en/ (accessed Nov. 1, 2016) and http://agolaroye.com/Inle.php (accessed Nov. 1, 2016).

[78]. Scott Thumma and Edward R. Gray, Gay Religion (Walnut Creek: Altamira Press, 2004).

[79]. Salvador Vidal-Ortiz, “Sexual Discussions in Santería: A Case Study of Religion and Sexuality Negotiation,” Journal of Sexuality Research & Social Policy 3:3 (2006), http://www.academia.edu/1953070/Sexuality_discussionsJn_Santer%C3%ADa_A_case_study_o (accessed Nov. 1, 2016).

[80]. Nicolas Bourcier, “Brazil Comes to Terms with Its Slave Trading Past,” The Guardian, Oct. 23, 2012, https://www.theguardian.com/world/2012/oct/23/brazil-struggle-ethnic-racial-identity (accessed Nov. 2, 2016).

[81]. Roscoe, Queer Spirits.

[82]. “Candomble at a Glance,” British Broadcasting Corporation, Sept. 15, 2009, http://www.bbc.co.uk/religion/religions/candomble/ataglance/glance.shtml (accessed Nov. 2, 2016).

[83]. Andrea Stevenson Allen, Violence and Desire in Brazilian Lesbian Relationships (New York: Palgrave Macmillan, 2015).

[84]. Jim Wafer, The Taste of Blood: Spirit Possession in Brazilian Candomble (Philadephia: University of Pennsylvania Press, 1991).

[85]. “Babalu Aye,” Association of Independent Readers & Rootworkers, June 20, 2017, http://readersandrootworkers.org/wiki/Babalu_Aye (accessed Aug. 18, 2017).

[86]. David H. Brown, Santería Enthroned: Art, Ritual, and Innovation in an Afro-Cuban Religion (Chicago: University of Chicago Press, 2003).

[87]. Tomas Prower, La Santa Muerte: Unearthing the Magic & Mysticism of Death (Woodbury: Llewellyn, 2015).

[88]. “Baron Samedi—A Loa of the Dead,” Kreol Magazine, http://www.kreolmagazine.com/arts-culture/historyand-culture/baron-samedi-a-loa-the-dead/dead/(accessed June 12, 2017).

[89]. Des hommes et des dieux, directed by Anne Lescot and Laurence Magloire (2002, Port-au-Prince: Digital LM, 2003), DVD.

[90]. From http://ezilidantor.tripod.com (accessed Oct. 28, 2016).

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Fonte:

Queer Magic: LGBT+ Spirituality and Culture from Around the World © 2018 by Tomás Prower.

COPYRIGHT (2018) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/queer/a-espiritualidade-queer-no-vodu-na-santeria-e-no-candomble/

Devoção e Razão

Vivemos em um país onde nossas crenças, até certo ponto, são respeitadas. Não precisamos, como em certos países do Oriente Médio, escondê-las. Mas mesmo assim, é evidente o modo como estas crenças vistas de modo individual, às vezes beiram ao fanatismo de torcidas organizadas. Neste Brasil onde os eleitores são chamados de “curral eleitoral”, além de outros motivos, acredito que também por causa do mesmo fanatismo que os leva às ruas com camisas e cores do partido para, logo após seu candidato depois de eleito, mais uma vez esquecer de tudo.

A que ponto eu quero chegar com toda esta conversa? Bom, quero mostrar o quanto a crença cega de diversos ramos como: torcedores de futebol, crentes, ateus-ortodoxos e por que não os esquisotéricos, é nociva.

“Intolerância religiosa é um termo que descreve a atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar as diferenças ou crenças religiosas de terceiros. Poderá ter origem nas próprias crenças religiosas de alguém ou ser motivada pela intolerância contra as crenças e práticas religiosas de outrem. A intolerância religiosa pode resultar em perseguição religiosa e ambas têm sido comuns através da história. A maioria dos grupos religiosos já passou por tal situação numa época ou noutra.” Fonte: Wikipédia

Normalmente a crença é encarada como uma doença mental grave por ramos mais ortodoxos de intelectuais modernos. Aí está o outro lado da moeda. E a razão é tida da mesma forma pela contraparte “crente”.

Em minha humilde concepção, estas duas faculdades do espírito humano cortaram relações quando a devoção fanática abafou o intelecto. Indo historicamente desde o assassinato brutal da grande Hipátia de Alexandria, até o fim da temida Idade das Trevas.

Depois do final a muito tempo esperado da Era da Ignorância, mentes célebres do iluminismo aclararam a humanidade novamente. Pena que com o tempo, a razão, pela sua enorme vontade, abafou a crença. Mas se não fosse ela, ainda teríamos sacrifícios a homicidas deuses de raça. Pois o maior motivo dos homens de pensamento não engolirem a idéia de religião, é porque muitas pessoas ainda vivem à época das religiões de raça. Onde se crê apenas em um deus se suas necessidades materiais e imediatas forem supridas. O Cristianismo Místico e o Budismo, sendo as religiões mais avançadas hoje, pregam o desapego, a individuação (não individualismo) e a crença em uma Fraternidade Universal.

Entretanto, como muito bem evidenciou Eliphas Levi, o vulgo é mais de admirar do que conhecer. Portanto, vendo desta forma, o intelecto que provém da razão, necessária para uma compreensão científica. E a devoção, que é originada na crença em uma religião não-egóica (seja o que for, o que importa é que te dê um solo para se apoiar), necessária para uma manifestação plena da vontade no ser, são inseparáveis. E seu afastamento cria a irrealidade e o aleijo do espírito humano. E na união, o Templo de Deus se manifestará.

Não há emoção, há paz.

Não há ignorância, há conhecimento.

Não há paixão, há serenidade.

Nao há caos, há harmonia.

Não há morte, há a Força.

#Razão

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/devo%C3%A7%C3%A3o-e-raz%C3%A3o

Bacantes

As Bacantes ou Mênades, as furiosas, as impetuosas; mulheres tomadas de paixão por Dionísio e entregues a seu culto com tamanho fervor, que por vezes chegavam ao delírio e à morte. Em relação aos gregos, pode-se ler sobre esse tema na tragédia de Eurípedes, As Bacantes, e, em relação aos romanos, a descrição dramática de Tito Lívio (XXIX, 8-9). Deu-se às suas estranhas práticas, difundidas ao longo do contorno da bacia mediterrânea, o nome de ‘orgiasmo’ (celebração de orgias e mistérios, sobretudo no culto de Dionísio) ou ‘menadismo’.

Certas cenas não poderiam deixar de evocar as famosas descrições médicas de histeria. Sob muitos aspectos, o delírio das Bacantes, com os movimentos convulsivos e espasmódicos, a flexão do corpo para trás, o descaimento e o agitado movimento da nuca, faz lembrar as afecções neuropáticas devidamente descritas hoje em dia e que implicam o sentimento da despersonalização, da usurpação do ego por uma pessoa estranha, aquilo que é precisamente o entusiasmo na Antiguidade (i.e., exaltação ou arrebatamento extraordinário daqueles que estavam sob inspiração divina, como as sibilas etc.), ou seja, a possessão (SECG, 292). Elas simbolizam a embriaguez de amar, o desejo de serem penetrada pelo deus do amor, como também a irresistível influência dessa loucura, que é uma espécie de arma mágica do deus (JEAD)

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/bacantes/

Aisha

Por Aysha A. Hidayatullah.

Aisha bint Abi Bakr ibn Abi Quhafa (ca. 614-ca. 678), foi uma das esposas favoritas de Muhammad e membra principal da comunidade muçulmana primitiva.

Aisha (Aysha) nasceu em Meca, ela era filha de Abu Bakr (d. 634), o amigo próximo de Muhammad e primeiro califa do Islã.

Aisha ficou noiva de Muhammad no ano 623 em Medina, quando ela tinha nove anos de idade.

Aisha foi a única virgem com quem Muhammad se casou, e ela nunca deu à luz nenhuma criança.

Ela é frequentemente lembrada como a esposa mais próxima e mais amada de Muhammad, como a pessoa que tem a mais íntima compreensão das práticas do Profeta.

Como resultado, Aisha é creditada pelos sunitas como a transmissora de mais de 2.000 relatos de hadith.

Após a morte de Muhammad, ela foi consultada como uma autoridade sobre seus hábitos e recomendações.

Em 627, Aisha foi acusada por alguns muçulmanos habitantes de Medina de cometer adultério.

Durante uma jornada com Muhammad e sua caravana, ela havia se separado do grupo enquanto procurava por um colar perdido.

Um jovem a encontrou e a acompanhou de volta a Medina em segurança.

Os rumores começaram a circular, acusando-a de ter tido relações ilícitas com o homem.

Em resposta a esta calúnia, o Alcorão defende a inocência de Aisha em Alcorão 24:11-20:

“11 Aqueles que lançam a calúnia, constituem uma legião entre vós; não considereis isso coisa ruim para vós; pelo contrário, é até bom. Cada um deles receberá o castigo merecido por seu delito, e quem os liderar sofrerá um severo castigo.

12 Por que, quando ouviram a acusação, os fiéis, homens e mulheres, não pensaram bem de si mesmos e disseram: É uma calúnia evidente?

13 Por que não apresentaram quatro testemunhas? Se não as apresentarem, serão caluniadores ante Deus.

14 E se não fosse pela graça de Deus e pela Sua misericórdia para convosco, nesse mundo e no outro, haver-nos-ia açoitado um severo castigo pelo que propalastes.

15 Quando a receberdes em vossas línguas, e dissestes com vossas bocas o que desconhecíeis, considerando leve o que era gravíssimo ante Deus.

16 Deveríeis, ao ouvi-la, ter dito: Não nos compete falar disso. Glorificado sejas! Essa é uma grave calúnia!

17 Deus vos exorta a que jamais reincidais em semelhante (falta), se sois fiéis.

18 E Deus vos elucida os versículos, porque é Sapiente, Prudentíssimo.

19 Sabei que aqueles que se comprazem em que a obscenidade se difunda entre os fiéis, sofrerão um doloroso castigo, neste mundo e no outro; Deus sabe e vós ignorais.

20 E se não fosse pela graça de Deus e pela Sua misericórdia para convosco…e Deus é Compassivo, Misericordiosíssimo”.

Muhammad morreu quando Aisha tinha 18 anos de idade; consta que ele morreu em seus braços nos seus aposentos.

Após a morte do terceiro califa, Uthman ibn Affan em 655, ela se opôs à sucessão de Ali ibn Abi Talib ao califado, lutando contra ele na Batalha do Camelo, a primeira guerra civil do Islã, em 656.

Por este desafio a Ali, ela é frequentemente considerada pelos muçulmanos xiitas com desdém.

Embora Ali tenha sido vitorioso, os esforços de Aisha refletem seu caráter desafiador e franco, assim como o papel ativo que ela desempenhou em assuntos políticos.

Após sua derrota militar, Aisha voltou para Medina, passando o resto de sua vida transmitindo seus relatos sobre o Profeta.

Ela morreu lá em 678 aos 66 anos de idade e foi enterrada no cemitério de al-Baqi.

Leitura adicional:

– O Significado dos Versos do Alcorão Sagrado, traduzido por Samir El Hayek;

– Leila Ahmed, Women and Gender in Islam: Historical Roots of a Modern Debate (New Haven, Conn.: Yale University Press, 1992);

– Denise A. Spellberg, Politics, Gender, and the Islamic Past: The Legacy
of Aisha bint Abi Bakr (New York: Columbia University Press, 1994).

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Fonte:

Encyclopedia of Islam

Copyright © 2009 by Juan E. Campo

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/aisha/

Hércules e a Captura da Corça Cerínia

A missão de Hércules era capturar viva uma corça extremamente veloz, com chifres de ouro e cascos de bronze, que pertencia a Ártemis, deusa da caça. Orientado por Atena, o herói dominou o animal sagrado segurando-o pelos chifres.

“Os chifres representam a iluminação, e os cascos de bronze, o mundo material. O aprendizado nesse trabalho é substituir os impulsos por qualidades mais nobres, como sabedoria, delicadeza e paciência”

Mitologia

Hércules foi incumbido de capturar a corça com galhada de ouro e pés de bronze. Olhando ao redor de si, viu que ao longe, erguia-se o Templo do Deus-Sol. No alto de uma colina próxima viu o esguio cervo, objecto de seu quarto trabalho.

Foi então que Ártemis, que tem a sua morada na lua, disse a Hércules, em tom de advertência: “A corça é minha, portanto não toque nela. Por longos anos eu a alimentei e cuidei dela. O cervo é meu e meu deve permanecer.”

Então, de um salto surgiu Diana/Artemis, a caçadora dos céus, a filha do sol. Pés calçados de sandálias, em passos largos movendo-se em direção ao cervo, também ela reclamou a sua posse. “Não, Ártemis, belíssima donzela, não; o cervo é meu e meu deve permanecer”, disse ela, “Até hoje ele era jovem demais, mas agora ele pode ser útil. A corça de galhada de ouro é minha, e minha permanecerá.”

Hércules observava e ouvia a disputa e perguntava-se porque as donzelas lutavam pela posse da corça. Uma outra voz atingiu-lhe os ouvidos, uma voz de comando que dizia: “A corça não pertence a nenhuma das duas donzelas, oh Hércules, mas sim ao Deus cujo santuário podes ver sobre aquele monte distante. Salva-a, e leva-a para a segurança do santuário e deixa-a lá. Coisa simples de se fazer, oh filho do homem, contudo, e reflete bem sobre as minhas palavras; sendo tu um filho de Deus, deves ir à sua procura e agarrar a corça. Vai.”

De um salto Hércules lançou-se à caçada que o esperava. À distância, as donzelas em disputa tudo observavam. Ártemis, a bela, apoiada na lua e Diana, a bela caçadora dos bosques de Deus, seguiam os movimentos da corça e, quando surgia uma oportunidade, ambas iludiam Hércules, procurando anular os seus esforços. Ele perseguiu a corça de um ponto a outro e cada uma delas subtilmente o enganava. E assim o fizeram muitas e muitas vezes.

Durante um ano inteiro, o filho do homem que é um filho de Deus, seguiu a corça por toda a parte, captando rápidos vislumbre de sua forma, apenas para descobrir que ela desaparecer na segurança dos densos bosques.

Correndo de uma colina para outra, de bosque em bosque, Hércules a perseguiu até à margem de uma tranquila lagoa, estendida sobre a relva ainda não pisada, ele viu-a a dormir, exausta pela fuga. Com passos silenciosos, mão estendida e olhar firme, ele lançou uma flecha, ferindo-a no pé.

Reunindo toda a vontade que estava possuído, aproximou-se da corça, e ainda assim, ela não se moveu. Assim, ele foi até ela, tomou-a nos braços, e enlaçou-a junto ao seu coração, enquanto Ártemis e a bela Diana o observavam. “Terminou a busca”, bradou ele, “Para a escuridão do norte fui levado e não encontrei a corça. Lutei para abrir meu caminho através de cerradas, profundas matas, mas não encontrei a corça; e por lúgubres planícies e áridas regiões e selvagens desertos eu persegui a corça, e ainda assim não a encontrei. A cada ponto alcançado, as donzelas desviavam meus passos, porém eu persisti, e agora a corça é minha! A corça é minha!”

“Não, não é, oh Hércules”, disse a voz do Senhor, “A corça não pertence a um filho do homem, mesmo embora sendo um filho de Deus. Carrega a corça para aquele distante santuário onde habitam os filhos de Deus e deixa-a lá com eles.”

“Porque tem que ser assim, oh Senhor? A corça minha; minha, porque muito peregrinei à sua procura, e mais uma vez minha, porque a carrego junto ao coração.”

“E não és tu um filho de Deus, embora um filho do homem? E não é o santuário também a tua morda? E não compartilhas tu da vida de todos aqueles que lá habitam? Leva para o santuário de Deus a corça sagrada, e deixa-a lá, oh filho de Deus.”

Então, para o santuário sagrado de Micenas, levou Hércules a corça; carregou-a para o centro do lugar santo e lá a depositou. E ao deitá-la lá diante do Senhor, notou o ferimento em seu pé, a ferida causada pela flecha do arco que ele possuíra e usara. A corça era sua por direito de caça. A corça era sua por direito de habilidade e destreza do seu braço. “Portanto, a corça é duplamente minha”, disse ele.

Porém, Ártemis, que se encontrava no pátio externo do sagrado lugar ouviu seu brado de vitória e disse: “Não, não é. A corça é minha, e sempre foi minha. Eu vi a sua forma, refletida na água; eu ouvi seus passos pelos caminhos da terra; eu sei que a corça é minha, pois todas as formas são minhas.”

Do lugar sagrado, falou o Deus-Sol. “A corça é minha, não tua, oh Ártemis, não podes entrar aqui, mas sabes que eu digo a verdade. Diana, a bela caçadora do Senhor, pode entrar por um momento e contar-te o que vê.” A caçadora do Senhor entrou por um momento no santuário e viu a forma daquilo que fora a corça, jazendo diante do altar, parecendo morta. E com tristeza ela disse: “Mas se seu espírito permanece contigo, oh grande Apolo, nobre filho de Deus, então sabes que a corça está morta. A corça está morta pelo homem que é um filho do homem, embora seja um filho de Deus. Porque pode ele passar para dentro do santuário enquanto nós esperamos pela corça lá fora?”

“Porque ele carregou a corça em seus braços, junto ao coração, e a corça encontra repouso no lugar sagrado, e também o homem. Todos os homens são meus. A corça é igualmente minha; não vossa, nem do homem mas minha.”

Hércules diz então ao Mestre: “Cumpri a tarefa indicada. Foi simples, a ser pelo longo tempo gasto e o cansaço da busca. Não dei ouvidos àqueles que faziam exigências, nem vacilei no Caminho. A corça está no lugar sagrado, junto ao coração de Deus, da mesma forma que, na hora da necessidade, está também junto ao meu coração.”

“Vai olhar de novo, oh Hércules, meu filho”. E Hércules obedeceu. Ao longe se descortinavam os belos contornos da região e no horizonte distante erguia-se o templo do Senhor, o santuário do Deus-Sol. E numa colina próxima via-se uma esguia corça.

“Realizei a prova, oh Mestre? A corça está de volta sobre a colina, onde eu a vi anteriormente.”

E o mestre respondeu: “Muitas e muitas vezes precisam todos os filhos dos homens, que são os filhos de Deus, sair em busca da corça de cornos de ouro e carregá-la para o lugar sagrado; muitas e muitas vezes. O quarto trabalho está terminado, e devido à natureza da prova e devido à natureza da corça, a busca tem que ser frequente e não te esqueças disto: medita sobre a lição aprendida.”

Simbologia

Essa corça, era uma das cinco que Artemis encontrou no monte Liceu. Quatro a deusa atrelou em seu carro e a quinta, a poderosa Hera conduziu para o monte Cerinia, com o fito de servir a seus intentos contra Hércules.

Consagrada à irmã gêmea de Apolo, esse animal, cujos pés eram de bronze e os cornos de ouro, trazia a marca do sagrado e, portanto, não podia ser morta. Mais pesada que um touro, se bem que rapidíssima, o herói, que deveria trazê-la viva a Euristeu, perseguiu-a durante um ano.

Já exausto, o animal buscou refúgio no monte Artemísion, mas, sem lhe dar tréguas, Hércules continuou na caçada.

Hércules seguiu a corça em direção ao norte, através da Ístria, chegando ao país dos Hiperbóreos, onde, na Ilha dos Bem-Aventurados, foi acolhido por Artemis.

A interpretação é uma antecipação da única tarefa realmente importante do herói, sua liberação interior. Sua estupenda vitória, após um ano de tenaz perseguição, apossando-se da corça de cornos de ouro e pés de bronze, tendo chegado ao norte e ao céu eternamente azul dos Hiperbóreos, configura a busca da sabedoria, tão dificil de se conseguir.

O simbolismo dos pés de bronze há que ser interpretado a partir do próprio metal. Enquanto sagrado, o bronze isola o animal do mundo profano, mas, enquanto pesado, o escraviza à terra.

Têm-se aí os dois aspectos fundamentais da interpretação: o diurno e o noturno dessa corça. Seu lado puro e virginal é bem acentuado, mas o peso do metal poderá pervertê-la, fazendo-a apegar-se a desejos grosseiros, que lhe impedem qualquer vôo mais alto.

A corça, como o cordeiro, simboliza uma qualidade do espírito, que se contrapõe à agressividade dominadora. Os pés de bronze, quando aplicados à sublimidade, configuram a força da alma.

A imagem traduz a paciência e o esforço na consecução da delicadeza e da sensibilidade sublime, especificando, igualmente, que essa mesma sensibilidade representada pela corça, embora se oponha à violência, possui um vigor capaz de preservá-la de toda e qualquer fraqueza espiritual.

Caminho de Iniciação

O Caminho de Iniciação considera o 3º Trabalho – A Captura da Corça Cerínia e o 4º Trabalho – O Javali de Erimanto como um só.

O céu de Vênus é a morada dos Principados. Esses vivem no Mundo Causal. O Iniciado que anela entrar nessa oculta morada interior, antes dve descer aos infernos de Vênus, e ali, como Hércules, capturar a Corça de Cerínia e o Negro Javali de Erimanto. Nesses dois símbolos vemos claramente a delicadeza e a brutalidade, o refinado e o tosco, a bela e a fera.

O Javali, perverso como poucos, é o símbolo vivo de todas as baixas paixões animais, a luxúria mais grosseira e devassa. Portanto, temos aí o contraste entre o denso e o sutil.

Mesmo após haver eliminado os defeitos do Mundo Astral Inferior e do Mundo Mental Inferior (as duas primeiras façanhas de Hércules), as “causas” desses defeitos continuam existindo. Essas causas são eliminadas durante os processos do terceiro e quarto Trabalhos de Hércules: a captura da Corça Cerínia e do Javali de Erimanto.

Se todos os defeitos têm origem sexual (não importa se os defeitos são refinados ou toscos), as maiores provas do Terceiro e Quarto Trabalhos consistem em resistir às tentações da carne, cujo drama foi ricamente descrito pelo patriarca gnóstico Santo Agostinho: Imenso é o número de delitos cujos gérmens causais devem ser eliminados nos infernos de Vênus.

Findo o Trabalho nos infernos do Mundo Causal, o Mundo de Tipheret, o Cristo Cósmico penetra no coração do Iniciado e este, cheio de êxtase, exclama: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus…”

Biblioteca da Antroposofia.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A9rcules-e-a-captura-da-cor%C3%A7a-cer%C3%ADnia

O Pensamento que Liberta

“Não existe pensador católico. Não existe pensador marxista. Existe pensador. Preso a nada. Pensa, a todo risco” Millôr Fernandes

Nos tempos pré-históricos, encontrava-se o homem num período de escuridão intelectual, sua inteligência achava-se dormente. Tal como uma semente que carrega dentro de si todo o potencial de um dia tornar-se árvore, assim era o homem, um embrião em estado latente, prestes a se transformar.

Com o passar do tempo, sua compreensão dos fenômenos físicos aumentava, diminuam seus medos, suas distrações. Logo, encontrava mais tempo para refletir sobre a sua existência. Movido pela curiosidade, passou a buscar um entendimento lógico da realidade natural, da origem do cosmos, bem como, o entendimento do próprio pensamento.

Portanto, se filosofia é amor pela saber, ela não nasceu na Grécia. É claro que não podemos tirar o mérito dos gregos, por serem, provavelmente, os primeiros a elaborar uma forma de pensamento que se desvincula das explicações míticas e religiosas, formalizando o que hoje chamamos de filosofia. Mas não foram eles os inventores do livre pensar.

Grandes civilizações da antiguidade já faziam suas especulações filosóficas, entretanto, o caráter religioso desses pensadores fez com que hoje fossem categorizados como místicos e não como filósofos.

No entanto, um livre pensador não se importa se esse conhecimento é de origem filosófica, científica ou religiosa, mas se esse conhecimento é significativo para sua vida, para sua evolução como ser humano.

Ciência, Filosofia, Religião e Arte

Da mesma forma que o capitão de um navio, utiliza-se de uma bússola com quatro pontos cardeais para orientar-se pelos mares, também o livre pensador, que é o capitão do seu destino, precisa de quatro pontos cardeais para orientar sua navegação pelos turbulentos mares do conhecimento. Os quatro pontos cardeais, a saber, são: o da ciência, da religião, da filosofia e da arte. Seu destino: autoconhecimento e autorrealização.

Quando possível, é através da Ciência que o livre pensador tira a prova real das suas reflexões. Aqui, a ciência é vista sob uma óptica um pouco diferente do cientificismo materialista. A Ciência representa o pensamento livre e esclarecido, e a entendemos em seu significado original, do latim Scientia, significando, conhecimento.

Conhecimento este que deve ser útil e prático para o próprio indivíduo, pois, conhecimento que não se usa, atrofia, tal como um músculo quando não se movimenta. Assim também funcionam nossos neurônios, pesquisas recentes indicam que as áreas do cérebro não exercitadas, são progressivamente desativadas.

Ao livre pensador, religião é a vivência espiritual que ocorre no interior de cada um. Através dela procuramos ligar nosso espírito individual com a essência do Universo. Mas uma religião não institucionalizada, uma religião que não é alienante, que não possui dogmas inquestionáveis ou leis imutáveis, mas que pretende se realizar no interior do indivíduo, tal como o significado real da palavra religião, religar-se com o divino, o grande Todo universal.

Filosofia é simplesmente, “amor pela sabedoria”, união das palavras gregas philos e sophia, e a compreendemos como uma atitude natural do homem que, movido pela curiosidade, realiza a busca pelo conhecimento de si mesmo, das suas verdades, a fim de compreender os mistérios da alma e do cosmos. Acordando com as antigas inscrições do oráculo de Delfos “Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo”.

Entretanto, o livre pensador, não deve obediências à filosofia acadêmica, que infelizmente aprisionam seus alunos em labirintos metodológicos. Mas deve obediência a si mesmo, a sua consciência. Não devendo reduzir sua capacidade de pensar aos métodos, que em muitas ocasiões são tão úteis como formas de gelo: congelar o pensamento em blocos iguais.

Como nos atenta o filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé, os alunos de filosofia devem: “pesquisar aquilo que não querem, de uma forma que não querem, a fim de garantir verbas institucionais de pesquisa em grande escala. Esmagamos a criatividade e as intenções dos alunos fazendo deles uma infantaria estatística. A universidade mente: quer formar rebanhos dizendo que defende a liberdade de pensamento”.

Arte, do latim Ars, significa técnica ou habilidade de criar algo. Esse processo de criação ocorre a partir da percepção que temos de algo, assim, expressamos emoções e ideias através das habilidades que desenvolvemos. Ao final desse processo, cada obra ganha um significado único.

Através da arte, o livre pensador materializa suas reflexões, assim, ideias podem ser expressas através da música, da escultura, do desenho ou da literatura. Para tal, o artista deve expressar-se sinceramente, na medida do possível, sem a intervenção de metodologias ortodoxas, que por muitas vezes, desviam o pensamento autêntico, convertendo o artista num mero refém de teorias.

Filósofo ou Livre Pensador?

Antes de Pitágoras, o filósofo era chamado de sábio, mas ele entendia que esse termo qualificativo caberia apenas ao Eterno, ao Criador de todas as coisas, que tudo sabe. Portanto, para Pitágoras, o homem em sua pequenez só pode ser um buscador da sabedoria, um amigo da sabedoria, ou filósofo, união das palavras philos e sophia.

Philos é um termo grego que dá significado a uma das facetas do Amor. É o amor fraterno, o amor entre a família, o amor entre amigos, pais e filhos. E está diretamente relacionado com o nível mental do ser humano. Vale lembrar que os gregos utilizavam três palavras distintas para os diferentes aspectos do amor: eros, philos, e ágape.

Sophia, também de origem grega, significa Sabedoria. Sophia, em algumas ramificações do cristianismo e judaísmo, é também considerada como sendo o aspecto feminino de Deus.

Atenção, todo livre pensador é também um filósofo, mas talvez, nem todo filósofo seja um livre pensador.

Um livre pensador não se preocupa em provar nada para ninguém, ele simplesmente pensa. E uma vez que seu pensamento é transmitido, a lei é a mesma que ocorre nas redes sociais: gostou? curta! quer dividir com mais alguém? compartilhe!

Contudo, ele tem a liberdade para navegar pelos diversos afluentes do grande rio do conhecimento, usar tudo, sem apegar-se a nada. Até que um dia, trilhando seu próprio caminho, esteja preparado para ultrapassar o limiar do santuário, entrando em contato com o mundo metafísico da suprema sabedoria, e quando aí chegar estará próximo de completar sua grande obra.

Convém lembrar que filosofar não é algo para desocupados. É dito na doutrina budista que: “Para se andar com segurança, nos labirintos da vida humana, é necessário que se tenham como guias a luz da sabedoria e a virtude”. Entendo que busca pela sabedoria tem por finalidade iluminar cada um de nossos pensamentos, de nossas palavras, de nossas ações.

Mas nem tudo são flores, a busca pelo saber, também tem os seus espinhos. Como bem escreveu Salomão: “Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor”. (EC.: 1:18). Entretanto, parafraseando o escritor russo Isaac Asimov, “se a busca pelo saber traz problemas, não é a ignorância que os resolve”.

Assim, estamos longe de encontrar respostas imediatas, nosso caminho é mais demorado, envolve questionamentos, pesquisas e constantes leituras. Isso porque, o livre pensar não pretende aliviar os sintomas, mas tratar a causa. Leva-se tempo para começar a sentir seus efeitos, porque também, leva-se muito tempo para libertar nosso organismo de toda uma miríade de concepções e ideias intoxicantes.

O alimento dessa busca incessante é a curiosidade, é o querer ir além do óbvio e a vontade de enxergar a realidade um pouco diferente daquela que é jogada aos nossos olhos. No fim, queremos apenas encontrar nosso lugar no cosmos, aceitando que somos apenas meros aprendizes da vida.

E fiquem em Paz.

#Filosofia #Universalismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-pensamento-que-liberta