As 42 Confissões Negativas para Maat do Livro dos Mortos

Do Livro dos Mortos do Antigo Egito (Papiro de Ani).

[As 42 Confissões Negativas são uma espécie de mandamentos de retidão para os antigos egípcios, como o decálogo o é para os judeus, os cristãos e muçulmanos. Elas eram recitados em reuniões religiosas.]

As 42 Confissões Negativas para Maat:

01. Eu não pequei.

02. Eu não roubei com violência.

03. Eu não furtei.

04. Eu não assassinei homem ou mulher.

05. Eu não furtei grãos.

06. Eu não me apropriei de oferendas.

07. Eu não furtei propriedades do deus.

08. Eu não proferi mentiras.

09. Eu não desviei comida.

10. Eu não proferi palavrões.

11. Eu não cometi adultério, eu não me deitei com homens.

12. Eu não levei alguém ao choro.

13. Eu não senti o inútil remorso.

14. Eu não ataquei homem algum.

15. Eu não sou homem de falsidades.

16. Eu não furtei de terras cultivadas.

17. Eu não fui bisbilhoteiro.

18. Eu não caluniei.

19. Eu não senti raiva sem justa causa.

20. Eu não desmoralizei verbalmente a mulher de homem algum.

21. Eu não desmoralizei verbalmente a mulher de homem algum. (repete a
afirmação anterior, mar direcionada a um deus diferente).

22. Eu não me profanei.

23. Eu não dominei alguém pelo terror.

24. Eu não transgredi a lei.

25. Eu não fui irado.

26. Eu não fechei meus ouvidos às palavras verdadeiras.

27. Eu não blasfemei.

28. Eu não sou homem de violência.

29. Eu não sou um agitador de conflitos.

30. Eu não agi ou julguei com pressa injustificada.

31. Eu não pressionei em debates.

32. Eu não multipliquei minhas palavras em discursos.

33. Eu não levei alguém ao erro. Eu não fiz o mal.

34. Eu não fiz feitiçarias ou blasfemei contra o rei.

35. Eu nunca interrompi a corrente de água.

36. Eu nunca levantei minha voz, falei com arrogância ou raiva.

37. Eu nunca amaldiçoei ou blasfemei a deus.

38. Eu não agi com raiva maldosa.

39. Eu não furtei o pão dos deuses.

40. Eu não desviei os bolos khenfu dos espíritos dos mortos.

41. Eu não arranquei o pão de crianças nem tratei com desprezo o deus da minha cidade.

42. Eu não matei o gado pertencente a deus.

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Fonte: O Livro dos Mortos do Antigo Egito, traduzido por E. A. Wallis Budge.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/as-42-confissoes-negativas-para-maat-do-livro-dos-mortos/

A Origem das Sefirot

 Um artigo de Spartakus FreeMann sobre a origem das Sefirot.
Para Melmothia.

Uma discussão com Melmothia me desafiou sobre a origem das Sefirot. No início, a resposta a esta pergunta parecia tão óbvia que respondi com um truque cabalístico: “ó minha boa dama, as dez Sefirot, bem, são o Sefer Yetzirah“. Ao refletir melhor, este curto-circuito me desagradou, e percebi que nunca havia tentado dar nem mesmo uma breve história da doutrina das Emanações. Espero que este lapso seja retificado neste artigo.

Um dos conceitos mais importantes na Cabala é sem dúvida o das Emanações ou Sefirot (singular: sefira) através das quais Deus se revela. Estas Emanações são atributos ou caracteres arquetípicos que a literatura cabalística frequentemente descreve como “esferas”, “regiões” ou “vasos” contendo a energia que emana de Deus, o infinito e ilimitado En-Sof, incognoscível por natureza. É somente através destas Emanações que se pode ganhar conhecimento (parcial) de Deus e de Sua criação.

As 10 Sefirot são segundo a representação tradicional da Árvore da Vida:

  1. Kether ou Kether Elyon, a Coroa Suprema
  1. Hokhmah, Sabedoria
  1. Binah, Inteligência
  1. Gedullah ou Hesed, Grandeza ou Amor
  1. Gedulah ou Din, Poder ou Julgamento
  1. Rahamim ou Tifereth, Compaixão ou Beleza
  1. Netzach, Vitória
  1. Hod, Majestade
  1. Tzaddik ou Yesod Olam ou Yesod, os Justos, a Fundação do Mundo ou a Fundação
  1. Malkhuth, o Reino.
Árvore da Vida do Pardes Rimmonim de Moisés Cordovero (século XVI).

Origem das Sefirot

Os nomes das dez Sefirot parecem ter sua fonte em I Crônicas 29:11:

“Tua é, Senhor, a grandeza, e a força, e a glória e o esplendor, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é, Senhor, o reino, e tu te exaltaste por cabeça sobre todos.”

Estes são os 7 atributos associados com as 7 Sefirot inferiores. No século XIII, Isaac, o Cego de Narbonne, que alguns acreditam ser o pai da Cabala, fez a conexão com esta passagem da Escritura em seu Comentário sobre o Sefer Yetzirah, a fim de falar da doutrina das Sefirot.

O Sefer Yetzirah (ou Livro de Formação) é outra fonte da doutrina das Emanações. De fato, este pequeno tratado cabalístico nos fala dos “32 Caminhos da Sabedoria” pelos quais Deus criou o mundo. Estes Caminhos compreendem as 22 letras do alfabeto hebraico e 10 numerações, ou Sefirot, um termo derivado, segundo G. Scholem, do “sapar” hebraico, para a palavra “contar”.

Mais tarde, encontramos o Sefer ha-Bahir, um tratado no qual os Sefirot não são mais percebidos como números, mas como éons, logos ou atributos (middoth em hebraico) que servem como instrumentos de criação. O Bahir identifica estes atributos com as 10 ma’amoroth ou 10 Palavras pelas quais o mundo foi criado (ver Pirke Avoth 5:1. Tratado Avoth).

Esta visão ecoa o Talmude onde lemos: “Por dez coisas o mundo foi criado, pela sabedoria e compreensão, e pela razão e força, pelo rigor e poder, pela justiça e julgamento, pelo amor e compaixão” (Talmude: Tratado Haguiga, 12a).

A Árvore da Vida de Kircher. Origem das Sefirot.

Com Azriel de Girona (século XIII), obtemos um desenvolvimento filosófico do sistema das Emanações que pode ser resumido em três características fundamentais:

  1. As Sefirot são manifestações finitas de En-Sof ;
  1. En-Sof é Infinito, Perfeito, Incognoscível;
  1. As Sefirot e En-Sof são um só.

Além disso, as Emanações são dez em número porque são limitadas pelas expressões da existência do mundo “físico” da criação do qual participam: substância, comprimento, altura, profundidade, tempo, lugar, etc.

Esta última ideia é muito próxima da teoria aristotélica das categorias do ser. Se Deus é incognoscível, o mundo foi criado pelas Dez Palavras e de acordo com Luzzatto:

“En-Sof é a Vontade como Ele poderia ter querido, aquele que não tem termo ou medida ou fim; os Sefirot são o que Ele quis com limite e que constituem os atributos particulares que Ele quis”.

O Zohar, esse tratado volumoso e críptico da Cabala, não fala explicitamente das Sefirot, mas usa uma série de termos diferentes que podem ser relacionados às qualidades das Sefirot (no fólio 176b eles são mencionados por suas iniciais, no entanto, isto parece ser uma adição tardia – do século 16 – à versão do Codex de Mantoue). Entretanto, o Zohar oferece uma explicação da estrutura da Árvore da Vida: as Sefirot estão dispostas dentro dela na forma de um Mishkal, ou Equilíbrio, com suas duas panelas (as duas colunas à esquerda e à direita) e seu centro. Assim, cada Sefirah é um equilíbrio entre a força e a energia dos dois Sefirot anteriores.

A fonte mais clara parece ser a Patah Eliyahu – uma oração recitada em certas liturgias judaicas – encontrada no Tikkunei Zohar (fólio 19a), uma obra mais tardia que o próprio Zohar. As referências às Sefirot muitas vezes aparecem apenas em adições (tosafot) ou em comentários (como na tradução de Baal haSulam, por exemplo). Daniel Matt, autor de uma tradução contemporânea do Zohar em inglês, escreve:

“os comentadores gostam de encontrar referências às Sefirot que os ba’alei ha-Zohar (os autores do Zohar) nem sempre pretendiam. Mas os brilhos são ingênuos não acrescentando as Sefirot, mas reduzindo a poesia do Zohar ao persistir em nomear as diferentes Sefirot onde o texto original apenas alude a eles sutilmente”. Além disso, os estudiosos são quase unânimes em dizer que o Zohar “raramente usa o termo Sefirah ou o próprio nome das Sefirot” (Sperling e Simon, tradução de 1931, 384).

A doutrina das Sefirot será desenvolvida por Isaac Luria. Está além do escopo deste artigo para descrevê-la mais detalhadamente e remetemos o leitor ao nosso trabalho sobre a Cabala Luriânica. Basta dizer aqui que, segundo Luria, a criação de um mundo de natureza finita é uma indicação da autolimitação de Deus por meio de Tzimtzum, ou retração, contração. Por este ato, Deus preserva um espaço livre para Sua criação, que então se desdobra através do derramamento de Sua luz através dos “vasos” (Sefirot).

Este processo não ocorreu corretamente, levando à “quebra dos vasos” e à queda na materialidade, mas esta imperfeição deveria, segundo Luria, ser concluída em um tikkun, uma reparação que apareceria então como a realização de uma parousia de Deus dentro da criação restaurada a sua perfeição original.

Isaac Luria dá outra classificação das Sefirot, omitindo Kether e acrescentando Da’ath (Etz Chaim 23:5,8), como segue (Etz Chaim 23:1,2,5,8; 25:6; 42:1):

  1. Hokhmah ;
  1. Binah ;
  1. Da’ath ;
  1. Hesed ;
  1. Goborah ;
  1. Tifereth ;
  1. Netzach ;
  1. Hod;
  1. Yesod;

Moisés Cordovero, por outro lado, enfatiza uma estrutura baseada nos Quatro Mundos (Pardes Rimonim 3:1 e Or Ne’erav 6:1) e organiza as Sefirot na seguinte ordem:

  • Atziluth (Emanação) que inclui Kether e Hokhmah;
  • Briah (Criação) que inclui Binah;
  • Yetzirah (Formação) que inclui Tifereth, Hesed, Goborah, Netzach, Hod e Yesod (que são as 6 direções do mundo);
  • e finalmente Assiah (Ação) que inclui Malkhuth.

A cada um destes quatro níveis, modelados nos quatro mundos, é atribuída uma das letras do divino Tetragrammaton YHVH.

“As três primeiras Sefirot devem ser consideradas como uma e a mesma coisa”. A primeira representa “Conhecimento”, a segunda “Conhecedor” e a terceira “o que é conhecido”. O Criador é o próprio conhecimento, conhecedor e conhecido… Assim, todas as coisas no universo têm sua forma dentro das Sefirot e as Sefirot tem sua fonte no que emana deles” (Cordovero, Pardes Rimonim).

O diagrama abaixo representa a ordem das Sefirot de acordo com Cordovero. Cada Sefira é representado pela inicial de seu nome:

Moses Cordovero, Pardes Rimmonim, 1592. Origem das Sefirot.

Deve-se notar que as várias representações das Sefirot em forma de árvore, embora favorecidas pela tradição, não são as únicas. Além de Cordovero, há também uma representação chamada “Coração de Deus” onde Tifereth está no centro de uma roda composta de outras Sefirot, sem mencionar a Menorah ou o castiçal de sete ramos (veja abaixo). Em qualquer caso, a árvore continua sendo o diagrama mais revelador, quanto mais não seja por causa de seu simbolismo na Cabala e no Judaísmo.

En-Sof e as 10 Sefirot.
Representação retirada de um manuscrito anônimo.

Ao longo dos séculos, da Cabala Cristã de Reuchlin à angustiante e redutora Nova Era contemporânea, passando pelo ocultismo sincrético de Crowley, a doutrina das Sefirot foi enxaguada, traída, pervertida, embelezada, complexificada e distorcida. Cada um puxando o “manto” para si mesmo, acrescentando aqui e ali atributos angélicos ou mesmo demoníacos; discutindo as virtudes mágicas desta Sefira ou daquela; escrevendo páginas abstrusas sobre as interações mais ou menos difusas da energia (como se a Árvore da Vida fosse um quadro elétrico);, etc.. Em suma, de uma teoria límpida, de uma safira, se pudermos usar este trocadilho, uma torre trêmula foi construída para nós que ninguém hoje pode entender totalmente. O nevoeiro é tão espesso hoje que algumas pessoas limitam tudo que sabem sobre as Sefirot aos jogos de RPG.

Para concluir, convidamos o leitor a voltar à fonte, a mergulhar na simplicidade de um sistema que postula em seu coração que o mundo foi criado por 10 “numerações”, nem mais nem menos.

As Dez Sefirot na Menorah de Kether (1) a Malkhuth (10).

Para ir mais longe na origem das Sefirot e da Cabala, leia nosso livro Initiation to the Way of the Cabalah (Iniciação ao Caminho da Cabala).

The Origin of the Sefirot, Spartakus FreeMann, dezembro de 2008 e.v.

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Fonte: L’origine des Sephiroth, Spartakus FreeMann, décembre 2008 e.v.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-origem-das-sefirot/

Aleister Crowley: o Homem Mais Perverso do Mundo

Por Mike Karn

Revista The Square, volume 43, n° 2, junho 2017, páginas 32-34.

Aleister Crowley é considerado uma das figuras mais notáveis e sinistras do século passado. Ele foi um renomado estudioso que usou seu incrível intelecto para se tornar um especialista e praticante do ocultismo e da magia negra. Tão grande era o seu domínio que, para muitas pessoas, ele se transformou na personificação absoluta do mal. Seus ritos, orgias e cerimônias profanas chocaram até mesmo os mais cínicos e despertaram curiosidade, fúria e ódio nas outras pessoas.

​Ele sempre insistiu que seu nome fosse pronunciado como “Crow-ly” – muitas vezes acrescentando, com um sorriso malicioso: “para rimar como holy [sagrado]!”. No entanto, provavelmente é difícil, para quem desconhece a reputação de Crowley, imaginar a controvérsia que seu nome incitou no público em geral – e o ódio e medo que sentiram.

​Crowley nasceu no auge da era vitoriana, em 1875, em Leamington, Warwickshire, Inglaterra. Proveniente de uma família próspera adepta da seita dos Irmãos de Plymouth, ele foi devidamente batizado como Edward Alexander Crowley. Foi criado para acreditar que Deus era todo-poderoso e que o livre-arbítrio não era uma opção. Seu pai, Edward, era de uma rica família quaker, e ele e sua esposa, Emily, eram fanáticos religiosos que se juntaram aos Irmãos de Plymouth na fundação da seita.

​Para Crowley, o Cristianismo assumiu proporções extremas e se tornou o inimigo. Em seu tormento, ele procurava ajuda e conforto em outras fontes – essa direção por fim levava ao inimigo natural: o demônio. Ele se rebelou totalmente contra a religião de sua família e posteriormente mudou seu nome para Aleister, para não partilhar do mesmo nome de seu pai, Edward.

​Crowley teve uma infância muito infeliz. Seu pai viajava pelo país pregando, enquanto sua mãe rezava, lamentava e atormentava o filho. O pior ainda estava por vir: seu pai faleceu quando ele tinha 11 anos de idade, e sua guarda foi concedida à mãe de seu irmão, que o tratava com crueldade. Isso só foi ultrapassado por um mestre sádico de uma escola dos Irmãos Plymouth, à qual foi confiado.

​Portanto, quando criança, Crowley rezou para o demônio em segredo, para se manter protegido de sua mãe, de seu tio, do mestre e dos garotos que o maltratavam na escola. Seus sentimentos em relação ao Cristianismo e à sua família eram de puro ódio, e ele não foi criado como uma criança normal. No início de sua adolescência, como seu comportamento comum era não aceitar a doutrina dos Irmãos Plymouth, a mãe de Crowley o amaldiçoou e passou a chamá-lo de “a besta”, cujo número era 666, conforme o Livro do Apocalipse no Novo Testamento da Bíblia. Em vez de ficar ofendido com isso, ele adotou o nome e agiu como se não houvesse mais nada a fazer a não ser aceitá-lo.

Crowley frequentou a Malvern College como uma criança oprimida e mentalmente perturbada. Uma escola pública não era lugar para um garoto tão tímido e estranho, e ele sofria agressões físicas e psicológicas, a ponto de ser retirado da escola e transferido para a Tonbridge School. Mas então houve uma transformação nele. Crowley tinha crescido e se tornou forte física e mentalmente. Ele passou por uma mudança completa, como se algo tivesse sido despertado dentro dele. Deixando de lado toda a sua insegurança, superou os intimidadores e se transformou em um deles.

Nessa época, ele começou a praticar alpinismo. O cabo de Beachy Head e as montanhas galesas foram os cenários de suas primeiras expedições, mas então ele começou a escalar penhascos que ninguém jamais havia ousado, e realmente obteve muitas experiências na escalada.

Em 1895, aos 20 anos de idade e denominando-se Aleister, foi para a Trinity College, em Cambridge, como graduando do curso de ciência moral. Ele também escreveu, estudou poesia e continuou a praticar alpinismo. Crowley era considerado um jovem com um futuro promissor, mas enveredou pelo ocultismo e por todas as formas de imoralidade. Ele vivia como um aristocrata privilegiado e mantinha uma vida sexual vigorosa, conduzida com prostitutas e mulheres que ele escolhia nos bares locais, mas isso posteriormente se estendeu a atividades homossexuais. Ele também começou a publicar poesia explicitamente sexual.

Quando frequentava a Trinity College, conheceu Allan Bennett. Os dois se interessaram pelo ocultismo e começaram a experimentar rituais mágicos. Ao que tudo indica, eles obtiveram resultados impressionantes, incluindo a manifestação de uma hoste de seres sobrenaturais e de atividades de espíritos.

Em 1898, Crowley e Bennett se juntaram à Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) em Londres, que praticava magia ritualística, alquimia, astrologia, tarô e outras ciências ocultas. A ordem foi fundada em 1887 por três membros da Maçonaria: Samuel MacGregor Mathers, William Robert Woodman e dr. William Wynn Westcott. Todos eles também foram membros da Sociedade Rosacruciana.

A Golden Dawn afirma que sua origem remonta de documentos codificados na posse de Wynn Westcott, segundo os quais o grupo era uma ramificação da Ordem Rosacruz alemã. Eles conceberam cinco rituais nos moldes maçônicos, que foram expandidos por Mathers. Sua influência no desenvolvimento do ocultismo moderno ocidental foi profundo, e muitos grupos afirmam serem originados da Golden Dawn.

Um ano depois, um fundo em depósito que foi estabelecido após a morte de seu pai lhe foi liberado. Crowley se tornou um homem rico, sem ter que depender mais de sua família. Ele abandonou a universidade sem concluir o curso, adquiriu um apartamento em Londres e começou a se dedicar a seus estudos ocultistas. Crowley tinha uma aptidão natural para a magia e logo fez avanços, tornando-se um mago poderoso, assim como seu amigo Allan Bennett.

Crowley não apenas se aprofundou no ocultismo, mas também foi promovido rapidamente pelos graus da Golden Dawn. Em 1889, ele completou os estudos necessários para obter o grau de Adeptus Minor. Entretanto, por causa de suas atitudes e de seu comportamento homossexual, o líderes em Londres o consideraram inadequado para avançar na Segunda Ordem. Então, Crowley foi para a França, onde o líder da Golden Dawn em Paris, MacGregor Mathers, o iniciou na Segunda Ordem.

Posteriormente, em 1900, a Golden Dawn foi fragmentada. Mathers, em uma tentativa de se unir à Loja londrina e se tornar um líder incontestável da ordem, mandou Crowley para a Inglaterra como seu “enviado especial”. Crowley fez uma tentativa frustrada de obter novamente o controle das propriedades da ordem em nome de Mathers. Ele surgiu em uma reunião ritualística vestido de maneira excêntrica com traje escocês completo e um capuz preto. Pouco tempo depois, Mathers e Crowley foram expulsos da ordem.

Crowley era maçom. Registros apontam que ele foi para a França em 1903, onde foi iniciado na Maçonaria na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris. Essa era uma Loja principalmente para expatriados e para aqueles que não podiam se afiliar à Maçonaria na Inglaterra por causa dos altos padrões da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Crowley afirmou ter sido recomendado por um Past Grão-Capelão Provinciano de Oxfordshire. No entanto, não existem evidências documentadas disso, e Crowley certamente nunca foi iniciado na Maçonaria inglesa. Posteriormente, ele continuou tentando ser admitido em reuniões de Lojas em Londres, mas frequentemente era recusado, pois pertencia a uma Ordem Maçônica ilegítima.

Em seu livro The Confessions of Aleister Crowley, uma auto-hagiografia, Crowley se explica:

Eu mencionei ter obtido o 33° na Cidade do México. Isso não acrescenta muita importância ao meu conhecimento dos mistérios, mas ouvi falar que a Maçonaria era uma irmandade universal e esperava ser recebido em todo o mundo por todos os Irmãos. Fui surpreendido com um considerável choque nos meses seguintes, quando, tendo a chance de discutir o assunto com um apostador arruinado ou agente de apostas – não me lembro exatamente –, descobri que ele não me “reconhecia”! Havia uma diferença simples em um dos apertos de mão ou alguma outra formalidade totalmente sem sentido. Demonstrei um desprezo imenso por todo o ritual. Eu fui admitido ao ser iniciado na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris.

Retornei à Inglaterra um tempo depois, após passar meu posto na minha Loja, e, esperando me juntar ao Arco Real, dirigi-me a seu venerável Secretário. Apresentei minhas credenciais. “Ó Grande Arquiteto do Universo”, o velho homem irrompeu de raiva, “por que não queimais este impostor no fogo dos céus? Senhor, vá embora. Você não é um maçom!”.

Pensei que isso seria um pouco difícil de meu Reverendo Pai em Deus, o criador, e percebi que, obviamente, todos os ingleses e norte-americanos que visitam uma Loja na França correm o risco de expulsão ou detenção instantânea e irrevogável. Então, eu não disse nada, mas fui para outra sala no Freemasons’ Hall sem seu conhecimento, e tomei meu lugar como um Past Master em uma das Lojas mais antigas e importantes de Londres.

Em 1905, Crowley voltou a se dedicar ao alpinismo e tentou conquistar o Kangchenjunga, no Nepal, a terceira montanha mais alta no mundo. Houve grande controvérsia durante a tentativa frustrada, e Crowley foi acusado de crueldade por agredir seus carregadores e deixar outro homem morrer na montanha. Era evidente que ele não conseguia tolerar qualquer tipo de fraqueza nas outras pessoas, mas essa viagem acrescentou muitas outras histórias terríveis à sua reputação crescente como um homem perverso.

Em 1906, Crowley fez uma viagem com sua esposa e sua filha para a China e depois para o Vietnã, onde as abandonou. A criança faleceu posteriormente, e sua esposa recorreu ao consumo de álcool para aliviar a dor, chegando à loucura. Tempos depois, Crowley a internou em um sanatório, e eles por fim se divorciaram em 1909.

Em 1910, Crowley conheceu John Yarker. Yarker era maçom, costumava escrever sobre assuntos relacionados à Maçonaria e era membro da Loja Quatuor Coronati. Em 1871, ele esteve envolvido com a fundação de um Grande Conselho do Rito Antigo e Primitivo em Manchester, uma ordem que se separou da GLUI e criou uma conexão com o Rito Antigo e Aceito e com outros ritos egípcios. Isso não era considerado comum pela maioria das Grandes Lojas. Crowley se juntou à ordem, da qual mais tarde se tornou Grão-Administrador Geral e também Mestre Patriarca Geral.

Em 1913, Crowley visitou o Secretário da Loja Quatuor Coronati e o Grande Secretário do Freemasons’ Hall, buscando uma forma de se juntar à Loja inglesa. Ele então escreveu à Grande Loja solicitando seu direito de se juntar a Lojas inglesas e participar delas, baseado em sua associação à Loja francesa. Seu pedido foi negado, devido à irregularidade de sua Loja-Mãe. A Grande Loja não identificou Crowley como um membro da Maçonaria. Todas as suas afiliações estavam ligadas a órgãos irregulares, portanto lhe negaram reconhecimento.

Crowley estava escalando montanhas na Suíça quando a Primeira Guerra Mundial irrompeu e ele retornou para a Inglaterra. Estava impossibilitado de se juntar às forças armadas por causa de sua saúde debilitada, mas ofereceu seus serviços: sua escrita e sua inteligência. Supostamente, sua oferta foi rejeitada com desprezo pelo Serviço de Inteligência Britânico, e, para um homem como Crowley, isso resultou em seu ressentimento e apoio subsequente à Alemanha. Ele foi para os Estados Unidos, onde escreveu e publicou propaganda antibritânica, o que o tornou um traidor e desertor na Inglaterra.

Nos Estados Unidos, ele estudou com ocultistas norte-americanos, começou a pintar e escreveu muitos livros. Em 1919, enquanto vivia em Greenwich Village, conheceu Leah Hirsig, e os dois sentiram uma conexão imediata e instintiva. Em 1920, eles foram para a Sicília e criaram um templo em uma antiga fazenda. Eles tiveram uma filha e, sob a influência de ópio e cocaína, fundaram um novo culto religioso chamado Thelema. Com Crowley considerando-se um profeta da nova era, a famosa Abadia de Thelema foi fundada. Thelema era uma religião, e sua lei era: “Faze o que tu queres”. Rapidamente, circularam histórias sobre depravação. O povo italiano se ressentiu das atividades diabólicas de Crowley, e Benito Mussolini, o ditador italiano, determinou que ele fosse deportado. Como sempre, Crowley não negou as acusações feitas contra ele.

Crowley também foi membro da Ordo Templi Orientis (O.T.O.) e, em 1925, por fim assumiu liderança e revisou os ritos, estabelecendo rituais da ordem nos mesmos moldes da Maçonaria. A O.T.O. é uma sociedade secreta e, ao longo dos anos, ressurgiu diversas vezes. Atualmente, está em atividade em 25 países, com uma afiliação crescente de mais de 4 mil membros. Segundo consta, todos os homens e mulheres livres, com maioridade completa e bons precedentes, têm o direito de serem iniciados nos primeiros três graus dessa ordem.

Muitos livros ocultos foram escritos por Crowley, os quais, apesar de terem sido escritos com discernimento, são muitas vezes difíceis de serem acompanhados. Um deles é o sagrado Livro da Lei, que tem como princípio fundamental: “Faze o que tu queres há de ser o todo da lei”, que significa que todo homem e toda mulher deverão encontrar sua verdadeira vontade, seu propósito e seu sentido de vida, seguindo isso e nada mais. Dois de seus romances, The Diary of a Drug Fiend (1922) e Moonchild (1929), foram parcialmente baseados em sua vida pessoal e em suas alucinações egomaníacas. Acredita-se que Crowley tenha realizado muitas tentativas sem sucesso, com diferentes mulheres, de procriar uma “criança mágica”. Ele escreveu sobre essas tentativas em forma de ficção no livro Moonchild.

Crowley sempre atraiu um pequeno grupo de seguidores nos Estados Unidos e na Alemanha, talvez não mais de algumas centenas de pessoas por vez, e, por quatro anos, perambulou pela Alemanha e por Portugal, sendo financiado por seus seguidores fiéis. Ao retornar para a Inglaterra, em 1935, foi à falência após perder um processo judicial contra um jornal que o teria chamado de mago negro. A evidência contra ele era devastadora – e é de se imaginar que o caso só tenha sido levado à corte por mera publicidade!

Durante os anos seguintes, Crowley parou de viajar e permaneceu na Inglaterra, onde escreveu muitos outros livros. Ele passou seus últimos anos sozinho em uma pensão em Hastings, como um homem velho e debilitado, mal sobrevivendo por seu vício em heroína. Seu ato final foi amaldiçoar o médico que se negou a prescrever a quantidade de heroína que ele queria. Crowley morreu em 1º de dezembro de 1947, aos 72 anos de idade, e foi cremado em Brighton. Suas cinzas foram enviadas a seus seguidores nos Estados Unidos. O médico que ele amaldiçoou teria morrido em menos de 24 horas depois.

Sem arrependimentos e sem se curvar, ele partiu deste mundo com um desprezo final pela sociedade. Crowley havia preparado seu próprio funeral e, em vez do serviço religioso comum, criou seu último ritual com suas obras. Amigos leram Hymn to Pan e Collects and Anthems, de Gnostic Mass. Passagens selecionadas do Livro da Lei também foram lidas. Houve tantas reclamações por parte do público a respeito do serviço funerário que o Conselho de Brighton decidiu tomar providências para prevenir que um incidente como esse nunca mais acontecesse.

Provavelmente, Crowley foi o mago mais famoso de sua época, tornando-se ainda mais influente após sua morte do que quando estava vivo. Ele foi muitas vezes odiado em vida, mas certamente causou influência e impacto no desenvolvimento da nova era do ocultismo moderno. Seu conhecimento sobre magia e bruxaria era certamente profundo, e ele transmitiu esse conhecimento por meio de seus diversos livros. Na sociedade liberal dos dias de hoje, seus livros estão sendo procurados e reimpressos, e algumas pessoas parecem apreciar seu estranho intelecto. Sua impiedade persistente era um traço de sua personalidade e influenciou homens e mulheres, mas Crowley deixou para traz um rastro de devastação em se tratando das mulheres e dos homens em sua vida. Alcoolismo, vício em drogas, insanidade e suicídio surgiram em seu caminho. Portanto, Crowley era um mago negro perverso? Provavelmente sim, mas tão importante quanto isso era o fato de ele querer que todo mundo acreditasse nisso.

Há uma reviravolta na história, pois, quando Crowley morreu, foi encontrada uma carta da Inteligência Naval Britânica endereçada a ele, requerendo o prazer de sua companhia em uma recepção. A história então revelada é a de que ele teria sido recrutado pela Inteligência Britânica durante a Segunda Guerra Mundial, quando queriam explorar as informações de que nazistas de alto posto estavam envolvidos com astrologia e ocultismo. Agente britânico por muito tempo, Ian Fleming (que escreveu os romances de James Bond) disse que Crowley foi recrutado pela primeira vez para a investigação de Rudolf Hess. Fleming também revelou que foi Crowley quem sugeriu o símbolo de “V” de vitória usado por Churchill – o símbolo com os dois dedos sendo o oposto direto e destrutivo do símbolo solar da suástica.

Atualmente, poucas pessoas irão refutar a ideia de que Crowley teria sido um agente britânico durante a Primeira Guerra Mundial, trabalhando nos Estados Unidos e ajudando na campanha de desinformação, em vez de ter sido um traidor, como se acreditava.

Crowley foi chamado de “o homem mais perverso do mundo”. No entanto, talvez hoje em dia ele não fosse considerado assim. Ele possivelmente seria tratado como um excêntrico, com poucas pessoas se incomodando com seu comportamento – o que não seria de forma alguma apropriado para ele.

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/aleister-crowley-o-homem-mais-perverso-do-mundo

As Chaves Maiores e as Clavículas de Salomão

por Eliphas Levi Zahed

EDIÇÃO, ORGANIZAÇÃO, COMENTARIOS E TRADUÇÃO por Robson Belli

Creio ser de fundamental importância a tradução comentada deste material, por trazer uma visão magística diferenciada de um de seus grandes autores contemporâneos, Eliphas Levi um dos mais importantes autores da alta magia, e a sua visão de um dos principais grimórios medievais, as “Clavículas de Salomão”.

O fato desta obra ainda não ter uma tradução para o português em pleno ano de 2022, nos mostra o pouco ou nenhum interesse do nosso mercado editorial de nos servir com obras ótimas, e com as diferentes visões do mesmo tomo, estamos exaustos de ver traduções das clavículas traduzidas por Samuel Lidel “McGregor” Mathers, que apesar de ser um ótimo trabalho, expõe apenas uma visão embasada em algumas poucas fontes dos manuscritos das conhecidas Clavículas de Salomão que juntos somam mais do que 144 tomos manuscritos diferentes, só considerando os tomos das chaves maiores, tendo uma miríade muito maior quando consideramos as chaves menores.

Portanto não espere encontrar aqui os tradicionais pantáculos, este livro não é mais do mesmo, e justamente por isso vem a ser a minha primeira clavícula traduzida e publicada, a fim de quebrar os paradigmas impostos a esse tomo.

Muitos talismãs para invocação das forças celestiais estão descritos aqui, contudo é importante mencionar, que além de invocar estes poderes, nos sagrados e poderosos 72 nomes de Deus, esta clavícula nos ensina trabalhar também repelindo as forças malignas de nossas vidas, sendo, portanto, uma das mais puras clavículas no sentido de chamar para si a atenção do divino e do sagrado, afastando de si as forças negativas.

Este não é em definitivo, um tomo para membros do caminho da mão esquerda, este livro é para aqueles que entendendo que devem se ligar aos poderes elevados e aos nomes divinos, o fazem para expurgar de si os poderes das trevas, que apenas atrasam seu desenvolvimento enquanto ser humano e magista.

Este livro não pede sua aceitação ou concordância, ele apenas o é como deveria ser, peço apenas ao leitor a compreensão de obras como “Dogma e ritual da alta magia” e o livro “O grande arcano”, ambos de Levi, para entender melhor que este aqui é o livro referenciado na obra citada e não, as obras que Eliphas Levi considerava espúrias e impuras que visam chamar demônios para si, profanando assim o ideal Cabalístico de evolução do ser.

Esta é na opinião de Levi, a clavícula de Salomão retificada a sua gloria original, dentro de uma proposta muito mais próxima a ideia da cabala, e mesmo que tenha símbolos nos amuletos, a força deles provem na realidade dos nomes divinos e dos números gravados nos mesmos, sendo não um livro de evocação e dialogo com estas forças, este é um livro de magia talismanica, tal qual as Chaves Maiores de Salomão mais conhecidos do grande público, contudo faz uso dos 72 anjos ou 72 nomes divinos para atrair para si estes poderes benignos e afastar de si os 72 demônios, uma clara contra posição ao “Ars Goétia” do “Lemegeton” que Eliphas provavelmente considerou impuro e pagão, um livro corrompido.

Visão que pode ser bem compreendida por aqueles que adentram ao estudo da Cabala judaica, mesmo em seus níveis mais superficiais, creio ter bem referenciado o porquê desta obra ser o que é, e por que Eliphas Levi tentou retificar a tradição Salomônica escrevendo este livro.

Infelizmente este livro não se popularizou tanto quanto suas outras obras, mas finalmente chega agora ao leitor brasileiro que, espero sinceramente faça um maravilhoso uso desta obra a tanto tempo deixada de lado.

~Robson Bélli

23 de maio de 2022.

ADVERTENCIA

Este livro é uma reprodução fiel do manuscrito escrito e desenhado por Eliphas Levi para seu discípulo e amigo, Barão Spedalieri, que, de acordo com o desejo do Mestre, foi posteriormente entregue a J. Charrot, que o entregou a L. Chamuel para ser editado. A primeira edição apareceu em 1895; que está esgotado e raro.

Hoje, o número crescente de discípulos póstumos de Eliphas Levi nos obriga a reimprimi-lo.

As Clavículas de Salomão são um retorno da Doutrina Cabalística em sua pureza primitiva; baseado no Grande Nome Incomunicável, descrevendo com precisão e simplicidade setenta e dois ramos. Eles incluem as figuras de trinta e seis talismãs e os trinta e dois Caminhos da Sabedoria (os dez números e vinte e duas letras hebraicas); finalmente, o ritual é completado com instruções teúrgicas, profecias e um cânone para o uso das Clavículas.

Estas Clavículas são explicadas e discutidas através da correspondência do Mestre com o Barão Spedalieri.

Esta edição foi revisada e atualizada de acordo com o manuscrito original.

~P. Chacornac.

A COMPOSIÇÃO E O USO DESSAS CLAVÍCULAS

Estas clavículas, reestabelecidas em sua pureza original, e desenhadas pela primeira vez por mim, Eliphas Lévi, em 1860, se realizam em sua pureza e sem mescla de símbolos samaritanos ou egípcios, só com ajuda das cifras, dos símbolos hieroglíficos e dos números.

Os hebreus tinham horror ao uso de figuras em imagens sagradas, e é por este motivo que as imagens do Zohar são em sua maioria, quase todas traçadas apenas com letras.

O complemento perfeito deste livro é o jogo de Tarô italiano, cujos talismãs de Salomão explicam e resumem os símbolos.

Os talismãs podem, cada um em particular, servir de instrumento (magico) magnético e representar uma vontade análoga ao nome divino cuja explicação se encontra sob cada talismã.

É preciso observar que as dezenas que se encontram no tarô não são desenhadas nos talismãs porque, sendo a dezena a síntese da unidade, está contida virtualmente na unidade de cada número.

As imagens dos talismãs podem ser gravadas em sete metais ou desenhadas em pergaminho virgem, depois consagradas e magnetizadas segundo uma intenção muito precisa.

Desta forma, serão criados focos de luz astral, perfumados com os perfumes do ritual e mantidos em seda ou em recipientes de vidro para que não percam sua força.

Eles não devem ser emprestados ou dados, a menos que tenham sido feitos em nome de outra pessoa e de acordo com ela.

Servem para afastar ilusões e miragens de luz. Os espíritos errantes estremecem diante deles porque são símbolos fixos, personagens do verbo que é por si mesmo e que comanda vitoriosamente todos os espíritos.

Mas, para usar essas chaves corretamente, é necessário manter uma grande lucidez de espírito e uma grande pureza de coração. Caso contrário, eles se tornariam os instrumentos de uma maldição da qual o operador imprudente ou culpado seria a primeira vítima.

AS CHAVES MAIORES E CLAVÍCULAS

A TAU SAGRADA OU CHAVE UNIVERSAL.

COMENTARIO A RESPEITO DA CHAVE UNIVERSAL

Este símbolo de Levi vem aqui expor algumas questões importantes que podem ajudar ao leitor elucidar algumas ideias que Levi tinha a respeito das clavículas, em seu nível simbólico direto vemos as letras Yod, He, Vav, He, do tetragrama divino expostas cada uma em uma direção, com elementos mágicos bem conhecidos do público atual tanto pelo taro quando pela magia cerimonial.

Yod acima e ao lado da Baqueta representação do fogo e da autoridade divina do comando, o mundo de Aziluth ou ainda o mundo dos arquétipos, e graças a Taça que representa o elemento agua, sabemos que a ponta direita é a sequência e representa o mundo de Briah do mundo formativo ou da criação,  a próxima letra na sequência é Vav ao lado da espada que é um naipe e ferramenta mágica do ar, que também representa o mundo de Yetzirah, o mundo formativo e por fim nos temos ultimo He ao lado da moeda ou Pantáculo que são relacionados ao elemento terra, a realização material, ou ainda o muito material.

A cruz tau para Eliphas Levi estava associada ao Universo, sendo o seu criador (através do seu nome impronunciável) e principio e o universo o fim ou a sua manifestação material, Alfa e Ômega, sendo o magista então uma representação do próprio Deus que o criou sua imagem e semelhança, para dominar todas as coisas, por conta da representação dos quatro elementos que são todas estas coisas.

A seguir e a esquerda vemos um símbolo que parece uma cruz com um P e do seu lado na parte inferior a letra Alfa e Ômega, este símbolo chama-se Tau Rho que é um dos dois monogramas de cristo, sendo o Tau Rho a imagem de Moises com seus braços estendidos e o alfa e o ômega a representação do cristo ajudando o homem, vemos ao mesmo tempo um X pontilhado dando a ideia da transformação do estaurograma (sacrifício) no  cristograma (redenção) também conhecido por Chi Rho, que é o símbolo mais conhecido como monograma do Cristo.

Do lado direito da cruz Tau vemos o símbolo geomantico de conjunctio e dentro dele escrito Bara-Taish ( ) que é uma expressão cabalística que alude a baphometh ou o iniciado, o desperto e conhecedor dos mistérios ou ainda Bereshit ( ) que alude as primeira palavras do início do livro de gênesis “No princípio”, mas essa expressão aos judeus, que por sua vez alude ao bode que foi levado para ser sacrificado pelo patriarca Abraão e está ligada a uma ideia de lascívia (luxuria) divina em sua criação.

O SHEM HA MEPHORASH[1]

Toda a ciência está numa palavra e toda a força num nome.

A inteligência deste nome é a ciência de Salomão e a luz de Abraão.

Ninguém conhece Deus em sua essência, a não ser ele mesmo.

Mas a Ciência absoluta está no conhecimento dos nomes divinos que são todos formados a partir de um único nome.

Esta ciência é o que ela chama, o Shem Há Mephorasch ou nome explicado.

O Esquema ou nome incomunicável é composto de quatro letras.

  • Todo o poder (força) está em um, Yod.
  • Seu reflexo está em outro, He.
  • É explicado pelo terceiro. Vav.
  • É fertilizado pelo quarto. He

É formado com vinte e quatro pontos que são as vinte e quatro alegorias antigas de São João.

  • Cada ponto tem três linhas.
  • Há então sessenta e dois traços.

Sessenta e dois nomes são formados, que são escritos dois a dois em trinta e seis talismãs.

OS TRINTA E SEIS TALISMÃS

Estude cuidadosamente os hieróglifos e as letras sagradas dos trinta e seis talismãs e escreva ao redor de cada um deles um versículo bíblico de sua escolha, aquele que melhor expressa para você[2] a virtude das letras e dos nomes (números).

Esses talismãs fixam o espírito, fortalecem o pensamento e servem de sacramento à (verdadeira) vontade.

Os espíritos de todas as hierarquias estão em comunhão com aquele que entende e usa corretamente esses sinais.

TALISMÃ 01 – O PRIMEIRO PRINCIPIO

01 VEHUIAH/ 04 ELEMIAH [3]

[4]

TALISMÃ 02 – AJUDA DO SALVADOR

02 JELIEL / 05 MAHASIAH

TALISMÃ 03 – ESPERANÇA DIVINA

03 SITAEL / 06 LELAHEL

TALISMÃ 04 – QUATRO VEZES PAI

07 ACHAIAH / 10 ALADIAH

TALISMÃ 05 – RAZÃO DE CULTO

08 CAHETEL / 11 LAOVIAH[5]

TALISMÃ 06 – CONSOLO DIVINO

09 HAZIEL / 12 HAHAIAH

TALISMÃ 07 – BASE DE TODA A GRANDEZA

13 YESALEL[6] / 16 HEKAMIAH[7]

TALISMÃ 08 – PROVIDENCIA

14 MEBAHEL/ 17 LAUVIAH[8]

TALISMÃ 09 – CONSOLADOR

15 HARIEL / 18 CALIEL

TALISMÃ 10 – O AMOR

19 LEUVIAH[9]/ 22 IEIAIEL[10]

TALISMÃ 11 – A SALVAÇÃO

20 PAHALIAH / 23 MELAHEL

TALISMÃ 12 – A BONDADE

21 NELCHAEL / 24 HAHEUIAH[11]

TALISMÃ 13 – A FORÇA DO BEM

25 NITH-HAIAH[12] / 28 SEHEIAH

TALISMÃ 14 – O ARCANO DO AMOR

26 HAAIAH / 29 REYEL[13]

TALISMÃ 15 – PACIENCIA

27 IERATHEL[14] / 30 OMAEL

TALISMÃ 16 – CIENCIA DO AMOR

31 LECABEL / 34 LEHAHIAH

TALISMÃ 17 – AMOR DO JUSTO

32 VASAHIAH[15] / 35 CHAVAKIAH

TALISMÃ 18 – HIERARQUIA DO AMOR

33 IEHUIAH[16] / 36 MENADEL

TALISMÃ 19 – FORÇA QUE FECUNDA

37 ANIEL / 40 IEIAZEL[17]

TALISMÃ 20 – EQUILIBRIO POLITICO

38 HAAMIAH / 41 HAHAHEL[18]

TALISMÃ 21 – PAZ UNIVERSAL

39 REHAEL / 42 MIKAEL[19]

TALISMÃ 22 – IMPERIO DO VERBO

43 VEULIAH[20] / 46 ARIEL[21]

TALISMÃ 23 – A NOVA JERUSALEM

44 YELAIAH[22] / 47 ASALIAH[23]

TALISMÃ 24 – HARMONIA

45 SEALIAH[24] / 48 MIHAEL[25]

TALISMÃ 25 – VITORIA

49 VEHUEL / 52 IMAMAIAH[26]

A PARTIR DESTE PONTO O LIVRO PÁSSA A SER UMA RECONSTRUÇÃO, POIS ESTA PARTE É AUSENTE NO ORIGINAL OS SIGILOS SÃO OS MESMOS USADOS NO LIVRO “the kabbalistic and occult tarot of eliphas levi” E EM “The Science of the Kabbalah” de Lazare Lenain

TALISMÃ 26 – O SEGREDO DO VEICULO

50 DANIEL / 53 NANAEL

TALISMÃ 27 – O SEGEDO DA CRIAÇÃO

51 HAHASIAH / 54 NITHAEL

TALISMÃ 28 – O MAIS SAGRADO

55 MEBAHIAH / 58 IEIALEL

TALISMÃ 29 – OS ANEIS DA ALIANÇA

56 POIEL / 59 HAHAEL

TALISMÃ 30 – OS TRES ANEIS LUMINOSOS

57 NEMAMIAH / 60 MITZRAEL

TALISMÃ 31 – VONTADE

61 UMABEL / 64 MEHIEL

TALISMÃ 32 – SABER

62 IAH-HEL / 65 DAMABIAH

TALISMÃ 33 – OCULTISMO

63 ANAUEL / 66 MANAKEL

TALISMÃ 34 – REALIZAÇÃO

67 AYEL / 70 YABAMIAH

 

TALISMÃ 35 – EQUILIBRIO

68 HABUHIAH / 71 HAIAIEL

TALISMÃ 36 – FORÇA CONTRA OS TERRORES DA MORTE

69 ROCHEL / 72 MUMIAH

A partir deste ponto o este livro volta a ser uma tradução fiel ao original.

AS LETRAS SAGRADAS

Correspondem as figuras simples do Tarô

(O rei de paus, o Pai)

(O rei de copas, o esposo da mãe)

(O rei de espadas, O principe do amor)

(O rei de ouros, o pai de criação)

(A rainha de paus, a esposa de seu pai)

(A rainha de copas, a mulher que é dona de si mesma)

(A rainha de espadas, A princesa do amor)

(A Rainha de ouros, a mãe dos seus filhos)

(O cavaleiro de paus, Conquistador de poder)

(O cavaleiro de Copas, o conquistador da felicidade)

(O cavaleiro de espadas, o conquistador do amor)

(O cavaleiro de ouros,  o conquistador de obras)

(O valete de paus, escravo do homem)

(O valete de copas, o escravo da mulher)

(O valete de espadas, escravo do amor)

(O valete de ouros, o escravo das crianças)

OS NÚMEROS SAGRADOS

Comentário: Eliphas Levi coloca algumas atribuições que para nós estudantes atuais de cabala são completamente estranhas, tal como o Sol e Kether, Chockmah a esquerda sendo a Lua, e Binah a direita sendo Vênus, e isso pode nos causar tamanha estranheza, contudo é exatamente o que está descrito aqui.

AS LETRAS SAGRADAS OU AS CHAVES MAIORES

Os dez nomes e as vinte e duas letras formam trinta e dois caminhos da ciência universal.

A LETRA ALEPH

(Hieróglifo- o menestrel)

(O PENTACULO DO EDEN, PROTOTIPO DAS LETRAS SAGRADAS)

A LETRA BEITH
(A alta sacerdotisa)

(o binário é o primeiro número, é a unidade somada a ela mesma[27])

A LETRA GUIMEL
(O Terciário —  a mãe (gravida) — a geração)

(O primeiro grande número sagrado.

O triangulo de Jeová.
O mercúrio dos sábios.)

A LETRA DALETH

(O quaternario – a quadratura)

(O número do ciclo perfeito.
A cruz filosófica.
O fogo Elemental dos sábios.)

A LETRA HE
(Número cinco das letras e quinze dos caminhos)

(O número da ciência do bem e do mal.
A letra da mulher da religião.
O pentagrama angelico ou diabolico.)

A LETRA VAV
LINGHAM
(A flecha do amor — O lingham[28])

(O número do antagonismo e da liberdade. A união. O trabalho. Semana da criação)

A LETRA ZAÏN
(O septenio sagrado)

(O número completo da cabala. O espirito e a Forma. As três potencias do Ternário e suas quatro relações)

A LETRA HETH
(O equilíbrio universal)

(O tetragrama com seu reflexo. A estaca dupla. O quaternário multiplicado pelo binário)

A LETRA TETH
(O número da hierarquia)

(Nove

O número do iniciado.
o grande número magico.)

A LETRA JOD

(O número da criação do reino)

(Malkuth. O reino de Deus. O universo visível. O princípio natural das coisas sobrenaturais)

A LETRA KAPH
(O número da força)

(A unidade sintética
o homem feito.
A virilidade.
A idade da razão.)

A LETRA LAMED
(O número do ciclo perfeito)

(A realização.
O sacrifício
A consumação.
A crucificação.
O espirito que se desprende da matéria.)

A LETRA MEM
(O número treze, a morte)

(O renascimento
A imortalidade pela mudança.
A transmutação.)

A LETRA NUN
(Os afetos — As misturas)

Fig112

(Formas temperadas pelo equilíbrio.
A harmonia das misturas.)

A LETRA SAMEKH

(O número quinze — a serpente astral)

(A vida física e mortal.
O movimento continuo. O grande agente magico.)

A LETRA GNAYN
(O número dezesseis, o grande equilíbrio)

(Destruição pelo antagonismo.
Equilíbrio dos grandes poderes.)

A LETRA PHE
(O número dezessete)

(A natureza imortal e uma em sua diversidade.
A fecundidade eterna.)

A LETRA TSADE
(O número dezoito)

(Distribuição hierárquica da luz.
O ocultismo.
O dogma.
Os misterios.
O esoterismo.)

A LETRA COPH

(O numero dezenove)

(A verdadeira luz.
A verdade.
A cidade santa.
O ouro filosófico.)

A LETRA RESCH
(O número vinte)

(O reconhecimento de todo o grande arcano da vida eterna.)

A LETRA SCHIN
(nenhum número)

(A fatalidade. A cegueira o louco. A matéria abandonada a si mesma)

A LETRA TAV
(O número vinte um)

(tres vezes o sete, o absoluto, o resumo de toda a ciencia universal.)

OS ESPIRITOS E AS CONJURAÇÕES

OS ESPÍRITOS

Os espíritos são as inteligências secundarias, ou seja, criadas. Eles são de três tipos, fixos, errantes e mistos. Os fixos são puros espíritos libertos das leis que regem a matéria. Os andarilhos são os que flutuam na luz astral. Os mistos são os andarilhos que trabalham e conseguem se fixar em parte. Entre os fixos, pode-se distinguir os muito puros, os mais puros e os mais puros.

Entre os mistos: os dominantes, os militantes e os dominados. Entre os andarilhos: os motoristas, os inconstantes e os animados.

Os fixos são os anjos.

Os mistos” são os homens inteligentes.

Os andarilhos são os homens brutos.

Os espíritos se atraem e se governam hierarquicamente.

Eles estão ligados por correntes e círculos. Entrar em um círculo é jurar com os espíritos do círculo. Ao conjurar espíritos superiores, você não os atrai para você, você se eleva até eles. A conjuração por evocações só pode ser exercida em relação a espíritos inferiores. Para conjurar os espíritos superiores é preciso dar-se a eles, para conjurar os espíritos inferiores por evocação, é preciso constrangê-lo. Para nos dar.

Os Espíritos superiores são evocados fazendo-lhes sacrifícios, ou melhor, comprometendo-se assim a nos evocar. Os espíritos inferiores são evocados ao lisonjear suas avidezes ou suas atrações. As palavras nada mais são do que fórmulas que servem para fixar à vontade.

Os espíritos inferiores ao homem são os elementais e os andarilhos de última ordem. Os antigos teurgistas os chamavam de demônios. Esses demônios são mortais e tentam viver às nossas custas, procuram o esperma e as efusões de sangue, o vapor da carne e temem a ponta e o fio das espadas.

A hierarquia dos espíritos é infinita. Rila começa em Deus que não tem começo em nada – ou seja, ela não começa. As estrelas têm almas astrais, os sóis têm almas solares, e os universos são governados pelos Elohim vivos, os deuses que estão em Deus. A vida dos espíritos é uma contínua ascensão e mutação, sobem e descem na grande escala simbólica de Jacó.

Os anjos, governantes espirituais das estrelas, ascendem ao governo dos sóis e são substituídos pelo chefe das almas.

As cabeças das almas são os sucessivos reis da humanidade. O chefe das almas da terra leva o nome de Métatron Sarpanim, que significa príncipe das luzes. O chefe das almas não morre, ele sobe vivo para o rio. Enoque foi, em tempos após a criação de Moisés, o primeiro elevado ao posto de Metatron Sarpanim.

Depois de Enoque, reinou Moisés.

Depois de Moisés, Elias.

Depois de Elias, Jesus.

Todos os Metatrons devem ter dois reinados, eles retornam à terra depois de passar por todas as esferas do nosso sistema solar. É por isso que o retorno de Enoque e Elias precederá a segunda vinda de Jesus.

Em seu primeiro advento, Jesus se revelou como sumo sacerdote. Em seu segundo advento, ele se revelará como Rei.

Ele era o Cristo.

Ele deve ser o Messias que os judeus têm razão para esperar. Foi Enoque quem, no Sinai, deu a lei divina a Moisés. Moisés e Elias, no Tabor, ensinaram a Jesus os grandes mistérios da revelação cristã. Jesus transmitiu a iniciação a São João Evangelista e é por isso que este apóstolo deve permanecer até o segundo advento de seu mestre. Em tempos de decomposição, os espíritos inferiores se manifestam como vermes em cadáveres.

Eles são evocados pela corrupção e sendo devorados por eles. Estes são os vampiros de almas insalubres. Essas decomposições sempre precedem e anunciam a chegada à terra de um espírito regenerador na pessoa do Metatron Solar. As mesas falantes e os espíritos se debatendo anunciaram o retorno de Enoque. Ele virá quando o papado perder sua autoridade no mundo e os cabalistas brilharem. O advento de Elias seguirá de perto o de Enoque e então Jesus, o Salvador do mundo, virá à terra pela segunda vez.

Ele será precedido pelo Anticristo, cuja missão será preparar o grande império temporal do revelador do Evangelho.

A luz astral formiga nos espíritos elementais, pois uma nova criação está sendo preparada. As chaves de Salomão são encontradas e os mistérios da alta Maçonaria são explicados.

Uma escola, cujos primórdios são ainda mais obscuros e quase invisíveis, será formada no império eslavo, na Alemanha e na França. Em um século, esta escola terá sete mil seguidores e seu último Grão-Mestre será Enoque.

Enoque aparecerá no ano dois mil do mundo cristão. Depois e! O messianismo fiel que ele será o precursor, florescerá na terra por mil anos. Essas previsões são o resumo de todas as profecias e de todos os cálculos cabalísticos… elas devem ser mantidas em segredo para não expor as mais respeitáveis ​​obras do gênio humano e da ciência divina às profanações da ignorância.

Terminou no dia quinze de novembro, o décimo sétimo das calendas de dezembro, o último mês do ano sagrado.

ELIPHAS LEVI

Paris, 1860.

 Notas

Copiado para uso exclusivo e pessoal do Sr. Barão de Spedalieri, em outubro e novembro de 1861.

[1] Eliphas Levi aqui comente um erro estranho a alguém tão letrado em cabala e diz que o shem do inicio do shem há mephorash significa esquema (schem).

[2] Foram usados os versículos originais dos salmos que compõe os nomes dos 72 nomes divinos em cada um dos talismãs, o significado e uso de cada um dos 36 talismas esta no apêndice no final do livro.

[3] Eliphas levi escreve este nome como Chalamiah

[4] Todos os amuletos devem ser feitos dupla face, e são para serem usados no pescoço, são talismãs e não sigilos evocatórios.

[5] Eliphas levi grafa este nome de maneira errada como:

[6] EZALEL segundo Levi

[7] HACKAMIAH segundo Levi

[8] LOVIAH segundo levi

[9] LEVIVIAH segundo Levi

[10] JEJAHEL segundo Levi

[11] HAHUIAH segundo Levi

[12] NITHAIAH segundo Levi

[13] REJAJEL segundo Levi

[14] JERATHEL segundo Levi

[15] VASARIAH segundo Levi

[16] JEHUJAH segundo Levi

[17] JEJAZEL segundo Levi

[18] HAHAEL segundo Levi

[19] MICHAEL segundo Levi

[20] VAVALIAH segundo Levi

[21] NGARIEL segundo Levi

[22] JELAIAH segundo Levi

[23] AZALIAH segundo Levi

[24] SEATHIAH segundo Levi

[25] MEHIEL segundo Levi

[26] IMAMIAH segundo Levi

[27] Em francês falava-se sobre multiplicação, mas no desenho vemos uma adição.

[28] Não encontrei o significado dessa palavra


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

As Chaves Maiores e as Claviculas de Salomão (pdf)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/as-chaves-maiores-e-as-claviculas-de-salomao/

A Pedra dos Filósofos por Edward Kelly

Edward Kelly

PREFACIO

Este é o tratado que Edward Kelley escreveu em 1958 para Rodolfo II, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico na esperança de ser solto da prisão. Na ocasião, Kelley estava preso no Castelo Křivoklát, acusado pelo assassinato de um oficial chamado Jiri Hunkler.

Vemos neste obra não o resultado de experimentos laboratoriais, bem a documentação de observações pessoais, mas uma vasta coleção erudita da literatura alquímica da época. Isso nos leva a pensar até que ponto Kelley realmente era dedicado a alquimia operativa.

O fato de ter sido contratado por Rodolfo II para produzir ouro factual é um indicio de que ele não estava sendo completamente honesto enquanto desfrutava das grandes somas de dinheiro que passou a receber. Quando foi incapaz de apresentar resultados que descem um retorno ao investimento, Kelley foi novamente preso, desta vez no Castelo de Hněvín onde por fim faleceu.

Seja como for, a coleção de citações que Kelley apresenta aqui é valiosa tanto historicamente como alquimicamente. Historicamente para os pesquisadores que desejam uma listagem abrangente dos livros mais relevantes e dos autores mais célebres da época. Alquimicamente para aqueles que já possuem a a chave do significado dos metais e sabem o que o Ouro, a Prata, e principalmente o Mercúrio significam.

~Tamosauskas


Embora eu já tenha sofrido duas vezes cadeias e prisões na Boêmia, uma indignidade que não me foi oferecida em nenhuma outra parte do mundo, ainda assim minha mente, permanecendo livre, tem se exercitado todo esse tempo no estudo dessa filosofia que é desprezada somente pelos ímpios e tolos, mas é louvada e admirada pelos sábios. Não, o ditado de que só os tolos e os advogados odeiam e desprezam a Alquimia passou a ser um provérbio. Além disso, como durante os três anos anteriores usei muito trabalho, despesas e cuidados para descobrir para Vossa Majestade o que poderia lhe proporcionar muito lucro e prazer, também durante minha prisão – uma calamidade que me sobreveio pela ação de Sua Majestade – sou totalmente incapaz de permanecer ocioso. Por isso escrevi um tratado, por meio do qual sua mente imperial pode ser guiada em toda a verdade da filosofia mais antiga, de onde, a partir de uma eminência elevada, pode contemplar e distinguir os terrenos férteis do deserto estéril e pedregoso. Mas se meus ensinamentos o desagradam, saiba que você ainda está se desviando completamente do verdadeiro escopo e objetivo deste assunto, e está desperdiçando totalmente seu dinheiro, tempo, trabalho e esperança. Uma familiaridade com os diferentes ramos do conhecimento me ensinou uma coisa, que nada é mais antigo, excelente ou mais desejável do que a verdade, e quem a negligencia deve passar toda a vida na sombra.

No entanto, sempre foi, e sempre será , a maneira da humanidade libertar Barrabás e crucificar Cristo. Isso eu experimentei – para meu bem, sem dúvida – no meu próprio caso. Atrevo-me a esperar, no entanto, que minha vida e meu caráter se tornem conhecidos da posteridade para que eu possa ser contado entre aqueles que sofreram muito por causa da verdade. A plena certeza do tempo presente do tratado é impotente para revogar. Se Vossa Majestade se dignar a examiná-lo à vontade, facilmente perceberá que minha mente está profundamente versada neste estudo.

(1) Todos os filósofos genuínos e judiciosos remontam as coisas aos seus primeiros princípios, isto é, aqueles compreendidos na tríplice divisão da Natureza. A geração de animais eles atribuíram a uma mistura do macho e da fêmea em união sexual; a dos vegetais à sua própria semente; enquanto como princípio dos minerais eles atribuíram terra e água viscosa.

(2) Todas as coisas específicas e individuais que se enquadram em uma certa classe obedecem às leis gerais e se referem aos primeiros princípios da classe a que pertencem.

(3) Assim, todo animal é produto da união sexual; cada planta, de sua própria semente; cada mineral, da mistura de sua terra e água genéricas.

(4) Portanto, uma lei imutável da Natureza regula a geração de tudo dentro dos limites de seu próprio gênero particular.

(5) Segue-se que, quanto à sua origem, os animais são genericamente distintos dos vegetais e minerais; a mesma diferença existe respectivamente entre vegetais e minerais e os outros dois reinos naturais.

(6) A matéria comum e universal desses três princípios é chamada de Caos.

(7) O caos contém em si os quatro elementos de tudo o que é, a saber , fogo, ar, água e terra, pela mistura e movimento dos quais as formas de todas as coisas terrenas são impressas em seus súditos.

(8) Esses elementos têm quatro qualidades: calor, frio, umidade, secura. A primeira é inerente ao fogo, a segunda à água, a terceira ao ar, a quarta à terra.

(9) Por meio dessas qualidades, os elementos agem uns sobre os outros e o movimento ocorre.

(10) Os elementos agem uns sobre os outros, ou sofrem ação, e são chamados ativos ou passivos.

( 11) Elementos ativos são aqueles que, em um composto, imprimem ao passivo um certo caráter específico, de acordo com a força e a extensão de seu movimento. Estes são a água e o fogo.

(12) Os elementos passivos – terra e ar – são aqueles que, por suas qualidades inativas, recebem prontamente as impressões dos mencionados elementos ativos.

(13) Os quatro elementos distinguem-se não só pela sua atividade e passividade, mas também pela prioridade e posterioridade dos seus movimentos.

(14) Prioridade e posterioridade são aqui predicadas ou referenciadas à posição de toda a esfera, ou a importância do resultado ou objetivo do movimento.

(15) No espaço, objetos pesados tendem para baixo e objetos leves para cima; os que não são nem leves nem pesados ocupam uma posição intermediária.

(16) Deste modo, mesmo entre os elementos passivos, a terra ocupa um lugar mais alto que o ar, porque se deleita mais no repouso; pois quanto menos movimento, mais passividade.

(17) A excelência do resultado refere-se à perfeição e à imperfeição, sendo o maduro mais perfeito que o imaturo. Agora, a maturidade é totalmente devida ao calor do fogo. Portanto, o fogo ocupa o lugar mais alto entre os elementos ativos.

(18) Entre os elementos passivos, o primeiro lugar é aquele que é mais passivo, ou seja, que é mais rápida e facilmente influenciável. Em um composto, a terra é primeiro afetada passivamente, depois o ar.

(19) Da mesma forma, em todo composto, o elemento aperfeiçoador atua por último; pois a perfeição é uma transição da imaturidade para a maturidade.

(20) Sendo a maturidade causada pelo calor, o frio é a causa da imaturidade.

(21) É claro, então, que os elementos, ou primeiros princípios remotos de animais, vegetais e minerais, no Caos, são suscetíveis de movimentos ativos no fogo e na água, e de movimentos passivos na terra e no ar. A água atua na terra e a transmuta em sua própria natureza; o fogo aquece o ar e também o transforma em sua própria semelhança.

(22) Os elementos ativos podem ser chamados masculinos, enquanto os elementos passivos representam o princípio feminino.

(23) Qualquer composto pertencente a qualquer um desses três reinos – animal, vegetal, mineral – é feminino na medida em que é terra e ar, e masculino na medida em que é fogo e água.

(24) Somente o que tem consistência é sensorialmente perceptível. Fogo e ar elementares, sendo naturalmente sutis, não podem ser vistos.

(25) Apenas dois elementos, água e terra, são visíveis, e a terra é chamada de esconderijo do fogo, a água a morada do ar.

(26) Nestes dois elementos temos a ampla lei de limitação que divide o macho da fêmea.

(27) A primeira matéria dos vegetais é a água e a terra escondidas em sua semente, sendo estas mais água do que terra.

(28) A primeira matéria dos animais é a mistura do esperma masculino e feminino, que incorpora mais umidade do que secura.

(29) A primeira matéria dos minerais é uma espécie de água viscosa, misturada com terra pura e impura.

(30) A terra impura é o enxofre combustível, que impede toda fusão, e amadurece superficialmente a água a ela unida, como vemos nos minerais menores, marcassita, magnésia, antimônio, etc.

(31) A terra pura é aquela que une de tal maneira as menores partes de sua água supracitada que não podem ser separadas pelo fogo mais feroz, de modo que ambas permanecem fixas ou são volatilizadas.

(32) Desta água viscosa e terra fusível, ou enxofre, é composto o que é chamado mercúrio, a primeira matéria dos metais.

(33) Os metais nada mais são do que Mercúrio digerido por diferentes graus de calor.

(34) Diferentes modificações de calor causam, no composto metálico, maturidade ou imaturidade.

(35) O maduro é aquele que atingiu exatamente todas as atividades e propriedades do fogo. Assim é o ouro.

(36) O imaturo é aquele que é dominado pelo elemento água e nunca sofre a ação do fogo. Tais são chumbo, estanho, cobre, ferro e prata.

(37) Apenas um metal, a saber , o ouro, é absolutamente perfeito e maduro. Por isso é chamado de corpo masculino perfeito.

(38) Os demais são imaturos e, portanto, imperfeitos.

(39) O limite de imaturidade é o início do vencimento; pois o fim do primeiro é o começo do último.

(40) A prata é menos limitada pela imaturidade aquosa do que o resto dos metais, embora possa de fato ser considerada até certo ponto impura, ainda assim sua água já está coberta com a vestimenta congelante de sua terra e, portanto, tende à perfeição .

(41) Esta condição é a razão pela qual a prata é em toda parte chamada pelos Sábios de corpo feminino perfeito.

(42) Todos os outros metais diferem apenas no grau de sua imperfeição, conforme sejam mais ou menos limitados pela dita imaturidade; no entanto, todos têm uma certa tendência para a perfeição, embora lhes falte a referida vestimenta congelante de sua terra.

(43) Esta força de congelamento é o efeito da frieza terrena, equilibrando sua própria umidade própria e causando fixação na matéria fluida.

(44) Os metais menores são fusíveis em um fogo feroz e, portanto, carecem dessa força de congelamento perfeita. Se se solidificam quando arrefecem, isto deve-se à disposição das suas referidas partículas terrosas.

(45) De acordo com as diferentes maneiras pelas quais esta água viscosa e a terra pura se unem, de modo a produzir mercúrio por coagulação, com a mediação do calor natural, temos diferentes metais, alguns dos quais são chamados de perfeitos, como ouro e prata, enquanto o resto é considerado imperfeito.

(46) Quem quiser imitar a Natureza em qualquer operação particular deve primeiro certificar-se de que possui a mesma matéria e, em segundo lugar, que essa substância atua de maneira semelhante à da Natureza. Pois a Natureza se alegra com o método natural, e semelhante purifica semelhante.

(47) Por isso estão enganados aqueles que se esforçam para obter o remédio para o tingimento de metais de animais ou vegetais. A tintura e o metal tingido devem pertencer à mesma raiz ou gênero; e como são os metais imperfeitos sobre os quais a Pedra Filosofal deve ser projetada, segue-se que o pó da Pedra deve ser essencialmente Mercúrio. A Pedra é a matéria metálica que transforma as formas dos metais imperfeitos em ouro, como podemos aprender no primeiro capítulo de ‘O Código da Verdade’: “A Pedra Filosófica é a matéria metálica convertendo as substâncias e formas dos metais imperfeitos”; e todos os Sábios concordam que só pode ter esse efeito sendo como eles.

(48) Que Mercúrio é a primeira matéria dos metais, tentarei provar com o dizer de alguns Sábios.

No Turba Philosophorum, capítulo 1 , encontramos as seguintes palavras: “Na avaliação de todos os Sábios, Mercúrio é o primeiro princípio de todos os metais.” E um pouco mais adiante: “Assim como a carne é gerada a partir do sangue coagulado, o ouro é gerado a partir do Mercúrio coagulado”. Novamente, no final do capítulo: “Todos os corpos metálicos puros e impuros são Mercúrio, porque são gerados a partir do mesmo. ”

Arnold escreve assim ao rei de Aragão: “Saiba que a matéria e o esperma de todos os metais são Mercúrio, digerido e engrossado no ventre da terra; eles são digeridos pelo calor sulfuroso e, de acordo com a qualidade e quantidade do enxofre, diferentes os metais são gerados. Sua matéria é essencialmente a mesma, embora possa haver algumas diferenças acidentais, como um maior ou menor grau de digestão, etc. Todas as coisas são feitas daquilo em que podem ser dissolvidas, por exemplo, gelo ou neve, que pode ser dissolvido em água; e assim todos os metais podem ser dissolvidos em mercúrio; portanto, eles são feitos de mercúrio ” .

A mesma opinião é apresentada por Bernard de Trevisa, em seu livro sobre a “Transmutação dos Metais”: , e recebe as virtudes daquelas coisas que aderem a ele em decocção.” Um pouco mais adiante, o mesmo Trevisan afirma que “o ouro nada mais é do que mercúrio congelado pelo seu enxofre ” .

E, em outro lugar, escreve o seguinte: “O solvente difere do solúvel apenas na proporção e no grau de digestão, mas não na matéria, pois a Natureza formou um do outro sem qualquer adição, como por um processo igualmente simples e maravilhosa, ela evolui ouro de mercúrio.”

Novamente: “Os Sábios afirmam que o ouro não é nada além de mercúrio perfeitamente digerido nas entranhas da terra, e eles significam que isso é causado pelo enxofre, que coagula o Mercúrio e o digere por seu próprio calor. disseram que o ouro nada mais é do que mercúrio maduro.”

Tal também é o consenso de outras autoridades. “O Soar da Trombeta” não dá nenhuma nota incerta: “Extraia mercúrio dos corpos, e você terá acima do solo mercúrio e enxofre da mesma substância de que ouro e prata são feitos na terra ” .

O “Caminho dos Caminhos” leva à mesma conclusão: “Reverendo Padre, incline os ouvidos veneráveis, e entenda que o mercúrio é o esperma de todos os metais, perfeitos e imperfeitos, digeridos nas entranhas da terra pelo calor do enxofre, o variedade de metais devido à diversidade deste seu enxofre ” .

Encontramos no mesmo tratado um cânone semelhante : “Todos os metais na terra são gerados em Mercúrio, e assim Mercúrio é a primeira matéria dos metais”.

A estas palavras, Avicena significa seu consentimento no capítulo iii .: “Assim como o gelo, que pelo calor é dissolvido em água, é claramente gerado a partir da água, todos os metais podem ser dissolvidos em Mercúrio, do qual é claro que eles são gerados a partir de isto.”

Este raciocínio é confirmado por “O Soar da Trombeta”: “Todo corpo passivo é reduzido à sua primeira matéria por operações contrárias à sua natureza; a primeira matéria é mercúrio, sendo ele próprio o óleo de todas as coisas líquidas e dúcteis ” .

Assim também o terceiro capítulo da “Correção dos Tolos”: “A natureza de todas as coisas fusíveis é a de Mercúrio coagulado de um vapor, ou o calor do enxofre incumbível vermelho ou branco “.

No capítulo i. da “Arte da Alquimia” lemos: “Todos os Sábios concordam que os metais são gerados a partir do vapor de enxofre e mercúrio.”

Mais uma vez, uma passagem no Turba Philosophorum é assim: “É certo que todo assunto deriva daquilo em que pode ser resolvido. Todos os metais podem ser dissolvidos em mercúrio, por isso já foram mercúrio. ”

Se valesse a pena, eu poderia acrescentar centenas de outras
passagens dos escritos dos Sábios, mas como elas não serviriam para nenhum bom propósito, deixarei que elas sejam suficientes.

Comete um grande erro aqueles que supõem que a água espessa do Antimônio, ou aquela substância viscosa que é extraída do Mercúrio sublimado, ou de Mercúrio e Júpiter dissolvidos juntos em uma mancha úmida, pode em qualquer caso ser a primeira substância dos metais.

O antimônio nunca pode assumir qualidades metálicas, porque sua água e umidade não são temperadas com terra seca, sutil, e carece, além disso, daquela untuosidade característica dos metais maleáveis. Mas, como Chambar bem diz no “Código da Verdade”: “É apenas por ciúmes que os Sábios chamaram a Pedra de Antimônio ” .

Da mesma forma, aqueles que destroem a composição natural de Mercúrio, para resolvê-la em uma água espessa ou límpida, que chamam de matéria primeira dos metais, lutam contra a Natureza no escuro, como gladiadores cegos.

Assim que Mercúrio perde sua forma específica, torna-se outra coisa, que não pode mais se misturar com os metais em suas menores partes, e é anulado para o trabalho dos Filósofos. Quem quer que se envolva com experiências tão infantis, deve ouvir o Sábio de Trevisa em sua “Transmutação de Metais”:

” Quem pode encontrar a verdade que destrói a natureza úmida de Mercúrio? Alguns tolos mudam seu arranjo metálico específico, corrompem sua umidade natural por dissolução, e mercúrio desproporcional de sua qualidade mineral original, que não queria nada além de purificação e digestão simples. Por meio de sais, vitríolo e alúmen, eles destroem a semente que a Natureza se esforçou para desenvolver. As coisas são formadas pela natureza e não pela arte, mas pela arte são unidas e misturadas. A semente não precisa de adição e não admite diminuição. foi formado pela Natureza. Todos os ensinamentos que alteram o Mercúrio são falsos e vãos, pois este é o esperma original dos metais, e sua umidade não deve secar, caso contrário não se dissolverá. Muito fogo causará uma morbidez id calor, como o de uma febre, e transformar os elementos passivos em ativos, assim o equilíbrio de forças é destruído, e todo o trabalho prejudicado. No entanto, esses tolos extraem dos minerais menores águas corrosivas, nas quais projetam as diferentes espécies de metais, e assim os corroem.

“A única solução natural é aquela pela qual do solvente e do solúvel, ou macho e fêmea, resulta uma nova espécie. Nenhuma água pode dissolver naturalmente os metais, exceto aquela que permanece com eles em substância e forma e que também onde metais dissolvidos podem congelar novamente; não é o caso da aqua fortis, visto que ela apenas destrói o arranjo específico. qualquer outra coisa que esses tolos tenham o prazer de chamar de Água Mercurial.” Até aqui cito Trevisan.

As pessoas que caíram neste erro fatal também podem se beneficiar do ensinamento de Avicena sobre este ponto: “O mercúrio é frio e úmido, e dele, ou com ele, Deus criou todos os metais. É aéreo e torna-se volátil por a ação do fogo, mas depois de resistir um pouco ao fogo, ele realiza grandes maravilhas e é ele mesmo apenas um espírito vivo de potência inigualável. Ele entra e penetra em todos os corpos, passa por eles e é seu fermento. então o Elixir Branco e Vermelho e é uma água eterna, a água da vida, o leite da Virgem, a fonte, e aquele Alum do qual quem bebe não pode morrer, etc. e que se produz no mesmo dia. Com seu veneno, destrói todas as coisas. É volátil, mas os sábios o fazem suportar o fogo, e então o transmuta como foi transmutado, tinge como foi tingido e coagula como foi coagulado. Portanto, é a geração da prata viva deve ser preferida antes de todos os minerais; encontra-se em todos os minérios, e tem seu assinatura em todos eles. O mercúrio é o que salva os metais da combustão e os torna fusíveis. É a Tintura Vermelha que entra na união mais íntima com os metais , porque é de sua própria natureza, mistura-se a eles indissoluvelmente em todas as suas partes menores e, sendo homogênea, naturalmente adere a eles. Mercúrio recebe todas as substâncias homogêneas, mas rejeita tudo o que é heterogêneo, porque se deleita em sua própria natureza, mas recua de tudo o que é estranho. Quão tolo, então, estragar e destruir aquilo que a Natureza fez a semente de todas as virtudes metálicas por elaboradas operações químicas! ”

O “Rosário” nos convida a ser particularmente cuidadosos, para que ao purificar o mercúrio não dissipemos sua virtude e prejudiquemos sua força ativa. Um grão de trigo, ou qualquer outra semente, não crescerá se sua virtude geradora for destruída pelo calor externo excessivo. Portanto, purifique seu mercúrio por destilação em fogo suave.

Diz o Sábio de Trevisa: ” Se o mercúrio é roubado de sua devida proporção metálica, como podem ser geradas outras substâncias do mesmo gênero metálico? É um erro supor que você pode fazer milagres com uma água límpida e límpida extraída de Mesmo se pudéssemos obter tal água, não seria útil, nem na forma nem na proporção, nem poderia restaurar ou construir uma espécie metálica perfeita. ele se torna impróprio para nossa operação, pois perde sua qualidade espermática e metálica. Eu, de fato, aprovo que o Mercúrio impuro e bruto seja sublimado e purificado uma ou duas vezes com sal simples, de acordo com o método apropriado dos Sábios, por tanto tempo. como a fluidez ou humor radical de tal Mercúrio permanece intacto, isto é, enquanto sua natureza mercurial específica não for destruída, e enquanto sua aparência externa não se tornar a de um pó seco”.

Na “Escada dos Sábios” nos é dito para tomar cuidado com a vitrificação na solução dos corpos, com odor e sabor de substâncias imperfeitas, e também com a virtude geradora de sua forma ser de alguma forma queimada e destruída por águas corrosivas .

Se você tem tentado fazer alguma dessas coisas, você pode ver o quão grave foi o seu erro. Pois a água dos Sábios não adere a nada, exceto a substâncias homogêneas. Ele não molha suas mãos se você tocá-lo, mas queima sua pele, irrita e corrói todas as substâncias com que entra em contato, exceto ouro e prata ( não os afetaria até que eles fossem dissipados e dissolvidos por espíritos e fortes águas), e com estes combina mais intimamente. Mas a outra mistura é muito infantil, condenada pelo concerto dos Sábios e por minha própria experiência.

Proponho agora mostrar que o mercúrio é a água com a qual, e na qual, a solução dos Sábios ocorre, colocando diante do leitor as opiniões de muitos Filósofos que vivem em diferentes países e épocas.

Menalates na Turba: “Quem une o mercúrio ao corpo de magnésia, e a mulher ao homem, extrai a natureza oculta pela qual os corpos são coloridos. Saiba que o mercúrio é um fogo consumidor que mortifica os corpos pelo seu contato “, na Turba, diz: “Divida os elementos pelo fogo, una-os pela mediação de Mercúrio, que é o arcano maior, e assim o magistério está completo, consistindo toda a dificuldade na solução e conjunção. A solução, ou separação , ocorre através da mediação de Mercúrio, que primeiro dissolve os corpos, e estes são novamente unidos pelo fermento e pelo Mercúrio”.

Rosinus faz Gold se dirigir a Mercúrio da seguinte forma: “Você disputa comigo, Mercúrio? Eu sou o Senhor, a Pedra que resiste ao fogo”. Diz Mercúrio: “Tu dizes a verdade; mas eu te gerei, e uma parte de mim vivifica muitos de ti, visto que tu és relutante em comparação comigo. Quem me unir a meu irmão ou irmã viverá e se alegrará, e me fará suficiente para ti.”

No capítulo 5 do “Livro das Três Palavras”, lemos: “Digo-te que em Mercúrio estão as obras dos planetas, e todas as suas imaginações em suas páginas ” .

Aristóteles diz que o primeiro modo de preparação é que a Pedra se torne Mercúrio; ele chama Mercúrio o primeiro corpo, que age sobre as substâncias grosseiras e as transforma em sua própria semelhança. ” Se Mercúrio não fizesse nada além de tornar os corpos sutis e semelhantes a si mesmo, isso nos bastaria.”

Sênior: “Nossa Pedra, então, é água congelada, ou seja, Mercúrio congelado em ouro e prata e, quando fixado, resistente ao fogo ” .

“O Soar da Trombeta”: “O mercúrio contém tudo o que os Sábios procuram e destrói todo o ouro escamoso. Ele dissolve , suaviza e extrai a alma do corpo.”

“O Livro da Arte da Alquimia”: “Os Sábios foram os primeiros a tentar revestir os corpos inferiores na glória e esplendor do corpo perfeito quando descobriram que os metais diferem apenas de acordo com o maior ou menor grau de sua digestão, e são todos gerados a partir de Mercúrio, com o qual extraíram o ouro e o reduziram à sua primeira natureza ” .

A “Correção dos Tolos”: “Observe que o Mercúrio bruto dissolve os corpos e os reduz à sua primeira matéria ou natureza. ., ouro e prata.” O mesmo livro observa: “Você pode fazer uso de Mercúrio bruto da seguinte forma – para selar e abrir naturezas, pois coisas semelhantes são úteis umas para as outras”. Mais uma vez: “O Mercúrio é a raiz na Arte da Alquimia, pois os Sábios dizem que todos os metais são dele, e através dele, e nele – segue-se que os metais devem primeiro ser reduzidos a Mercúrio, a matéria e o esperma de todos os metais.”

Novamente: “A razão pela qual todos os metais devem ser reduzidos à natureza de vapor é porque vemos que todos são gerados de mercúrio, através da mediação de que eles vieram a existir. ”

Graciano: “Purifique Laton, ou seja, cobre ( minério), com Mercúrio, pois Laton é de ouro e prata, um corpo composto, amarelo, imperfeito.”

“O Soar da Trombeta”: “Mercúrio Comum é chamado de espírito. Se você não resolver o corpo em Mercúrio, com Mercúrio, você não pode obter sua virtude oculta.”

“Arte da Alquimia”, capítulo vi .: “A segunda parte da Pedra que chamamos de Mercúrio vivo, que, sendo viva e bruta, diz-se que dissolve os corpos, porque adere a eles em seu ser mais íntimo. Esta é a Pedra sem que a Natureza nada faz.”

“Rosário”: “Mercúrio nunca morre, exceto com seu irmão e irmã. Quando Mercúrio mortifica a matéria do Sol e da Lua, fica uma matéria como cinzas. ”

O Sábio de Trevisa: “Não adicione nada acima do solo para digerir e engrossar Mercúrio na natureza do ouro ou dos metais.” Mais uma vez: “Esta solução é possível e natural, isto é, pela Arte como serva da Natureza, e é única e necessária na obra; mas só se consegue pelo mercúrio, nas proporções que se recomendam a um bom operário. que conhece as propriedades mais íntimas da Natureza.”

“Arte da Alquimia”: “Quem pode exaltar suficientemente Mercúrio, pois só Mercúrio tem o poder de reduzir o ouro à sua primeira natureza?”

Destas citações fica claro o que os Sábios queriam dizer com sua água, e o que eles pensavam deste maravilhoso líquido, a saber , Mercúrio, ao qual eles atribuíam todo poder no Magistério, pois nada pode ser aperfeiçoado fora de seu próprio gênero. Os homens digerem os vegetais, não no sangue dos animais, mas na água, que é seu primeiro princípio, nem os minerais são afetados pelo líquido vegetal. Nas palavras do “Soar da Trombeta”: “Todo o Magistério consiste em separar os elementos dos metais, e purificá-los, e em separar o enxofre da Natureza dos metais ” .

Além disso, como diz Hermes, só as substâncias homogêneas são coerentes, e só elas podem produzir descendentes segundo sua própria espécie, ou seja, se se quer um medicamento que é gerar metais, sua origem deve ser metálica, pois “as espécies são tingidas por seu gênero, ” como testemunha o filósofo.

Em suma, nosso Magistério consiste na união do masculino e feminino, ou ativo e passivos , elementos através da mediação de nossa água metálica e um grau adequado de calor. Agora, o macho e a fêmea são dois corpos metálicos, e isso vou provar novamente por citações irrefragáveis dos Sábios:

Dantius nos manda preparar os corpos e dissolvê-los .

Galienus: “Prepare os corpos e purifique-os da escuridão em que está a corrupção, até que o branco se torne branco e vermelho, então dissolva ambos, etc.”

Cálid (capítulo I): ” Se você não tornar os corpos sutis, para que sejam impalpáveis ao toque, você não alcançará seu fim. Se eles não foram moídos, repita sua operação e veja que eles são moídos e sutilizados. Se você fizer isso, você será direcionado ao seu objetivo desejado.”

Aristóteles: “Os corpos não podem ser mudanças, exceto pela redução em sua primeira matéria. ”

Calida (capítulo v.): “Da mesma forma, os sábios nos ordenaram dissolver os corpos para que o calor adere às suas partes mais íntimas; então procedemos à coagulação após uma segunda dissolução com uma substância que mais se aproxima deles.”

Menabadus: “Faça corpos, não-corpos, e corpos de coisas incorpóreas, pois este é todo o processo pelo qual a virtude oculta da Natureza é extraída ” .

Ascanius: “A conjunção dos dois é como a união de marido e mulher, de cujo abraço resulta água dourada. ”

“Antologia de Segredos”: “Case o homem vermelho com a mulher branca , e você terá todo o Magistério.”

“O Soar da Trombeta”: “Há outra tintura de mercúrio e permanente que é extraída de corpos perfeitos por dissolução, destilação, sublimação e subtilização ” .

Hermes: “Junte o macho à fêmea em sua própria umidade, porque não há nascimento sem união de macho e fêmea. ”

Platão: “A natureza segue uma natureza afim, a contém e a ensina a resistir ao fogo. Casa o homem com a mulher, e você tem todo o Magistério. ”

Avicena: “Purifica marido e mulher separadamente, para que se unam mais intimamente; porque se não os purificares, eles não podem amar-se. Pela conjunção das duas naturezas obtém-se uma natureza clara e lúcida, que, quando ascende, torna-se brilhante e útil.”

“Arte da Alquimia”: “Dois corpos nos fornecem tudo em nossa água. ”
Trevisanus: “Somente aquela água que é da mesma espécie, e pode ser engrossada por corpos, pode dissolver corpos.”

Hermes: “Que as pedras da mistura sejam tomadas no início do primeiro trabalho, e que sejam misturadas igualmente na terra.”

“Espelho”: “Nossa Pedra deve ser extraída da natureza de dois corpos, antes que possa se tornar um Elixir perfeito. ”

Demócrito: “Você deve primeiro dissolver os corpos sobre cinzas brancas quentes, e não moê-los, exceto apenas com água.”

“Rosário” de Arnold: “Extraia a Medicina dos corpos mais homogêneos da Natureza. ”

Provei assim o número dos corpos dos quais o Elixir é obtido. Mostrarei agora por citações o que são esses corpos .

“Exposição da Carta do Rei Alexandre”: “Nesta arte você deve se casar com o Sol e a Lua. ”

“O Soar da Trombeta”: “O Sol só aquece a Terra e lhe confere sua virtude por intermédio da Lua, que, de todas as estrelas, recebe sua luz e calor mais prontamente. ”

“A correção dos tolos”: “Semeie ouro e prata, e eles renderão mil vezes ao seu trabalho, pela mediação daquela única coisa que tem o que você procura. A Tintura de ouro e prata exibe as mesmas proporções metálicas que o imperfeito metais, porque eles têm uma primeira matéria comum em Mercúrio.”

Mais uma vez: “Tinja com ouro e prata, porque o ouro dá ao ouro e à prata a cor e a natureza prateadas. Rejeite todas as coisas que não têm natural ou virtualmente o poder de tingir, pois nelas não há fruto, mas apenas desperdício de dinheiro e rangidos. de dentes.”

Sênior: “Eu, o Sol, sou quente e seco, e tu, a Lua, és frio e úmido; quando nos casarmos em uma câmara fechada, eu gentilmente roubarei sua alma.”

Rosinus para Saratant: “Da água viva obtemos a terra, um corpo morto homogêneo, composto de duas naturezas, a do Sol e a da Lua ” .

Novamente: “Quando o Sol, meu irmão, por amor a mim (prata) derrama seu esperma (ou seja, sua gordura solar) na câmara (ou seja, meu corpo lunar), ou seja, quando nos tornamos um em uma tez forte e completa e união, o filho do nosso amor conjugal nascerá.”

Hermes : “Sua umidade é do império da Lua, e sua gordura do império do Sol, e esses dois são seu coágulo e semente pura do Sol e o Espírito da Lua.”

Turba Philosophorum: “Ambos os corpos em sua perfeição devem ser tomados para a composição do Elixir, seja laranja ou branco, pois nenhum se torna líquido sem o outro.”

Mais uma vez, Gold diz: “Ninguém me mata senão minha irmã. ”

Aristóteles: “Se eu não visse ouro e prata, certamente diria que a Alquimia não era verdadeira.”

O Sábio: “A base de nossa Arte é o ouro e sua sombra. ”

“Arte da Alquimia”: “Já dissemos que ouro e prata devem ser unidos.”

“Rosário”: “Há uma adição de cor alaranjada pela qual o Remédio é aperfeiçoado a partir da substância do enxofre fixo, ou seja, ambos os remédios são obtidos do ouro e da prata.”

O Sábio: “Quem sabe tingir enxofre e mercúrio atingiu o grande arcano. Ouro e prata devem estar na Tintura, e também o fermento do espírito. ”

“Rosário”: “O fermento do Sol é o esperma do homem, o fermento da Lua, o esperma da mulher. De ambos obtemos uma união casta e uma verdadeira geração. ”

“O Soar da Trombeta”: “Você quer que a prata subtilize seu ouro e torne-o volátil removendo sua impureza, pois a prata tem uma necessidade maior da luz do ouro.”

Portanto Hermes, como também Aristóteles em seu tratado sobre as plantas, diz que o ouro é seu pai, e a prata sua mãe; nada mais é necessário para a nossa Pedra. Prata é o campo em que a semente de ouro é semeada.” E um pouco mais adiante: “Em minha irmã, a Lua, cresce sua sabedoria, e não em nenhum outro de meus servos, diz o Senhor Sol. Sou como a semente lançada em terra boa e pura, que brota, cresce, se multiplica e dá grande lucro ao semeador . Eu, o Sol, dou a ti, a Lua, minha beleza, a luz do Sol, quando estamos unidos em nossas menores partes.” E a Lua diz ao Sol: “Tu precisas de mim, como o galo preciso da galinha, e eu preciso de tua operação, que és perfeito em moral, o pai das luzes, um grande e poderoso senhor, quente e seco, e eu sou a lua crescente, fria e úmida, mas recebo tua natureza por nossa União.”

Avicena: “Para obter o Elixir vermelho e o branco , os dois corpos devem ser unidos. Pois, embora o ouro seja o mais fixo e perfeito dos metais, se for dissolvido em suas partes menores, torna-se espiritual e volátil, como mercúrio, e isso por causa de seu calor. Esta tintura, que é incontável, é chamada de semente masculina quente. Mas se a prata for dissolvida em água morna, ela permanece fixa como antes, e tem pouca ou nenhuma tintura, mas prontamente recebe a tintura em um temperamento de quente e frio, e é chamada de semente feminina fria, seca. O ouro ou a prata por si só não são facilmente fundíveis, mas uma mistura dos dois derrete facilmente, como é bem conhecido pelos ourives. nossa Pedra não continha ouro e prata, não seria líquida, e não daria remédio por nenhum magistério, nem tintura, pois se ela rendesse tintura, ainda não teria poder de tingimento”.

E um pouco mais adiante: “Cuidado, então, e opere apenas com ouro, prata e mercúrio, pois todo o lucro de nossa arte deriva desses três ” .

Posso acrescentar que o Mercúrio bruto é a água que os Sábios usaram para fins de solução. Provei que dois corpos devem ser dissolvidos, e que não são mais que ouro e prata. Agora descreverei a conjunção desses dois corpos por meio do Mercúrio bruto dos Sábios.

“A Luz das Luzes”: “Saiba que é ouro, prata e Mercúrio que embranquecem e avermelham por dentro e por fora. O Dragão não morre, a menos que seja morto com seu irmão e irmã, e não deve ser por um, mas pelos dois juntos.”

“A Escada dos Sábios”: “Outros dizem que um corpo verdadeiro deve ser adicionado a esses dois, para fortalecer e encurtar a operação. ”

“Tesouro dos Sábios”: “Nossa Pedra tem corpo, alma e espírito, o corpo imperfeito é o corpo, o fermento a alma, e a água o espírito. ”

“Caminho dos Caminhos”: “A água chama-se espírito, porque dá vida ao corpo imperfeito e mortificado, e dá-lhe uma forma melhor; o fermento é a alma, porque dá vida ao corpo e muda em sua própria natureza. ”

Mais uma vez: “Todo o Magistério se realiza com nossa água e por ela. Pois ela dissolve os corpos, calcina-os e reduz-os à terra, transforma-os em cinzas, embranquece-os e purifica-os, como diz Morienus: “Azoth e fogo purificam Laton, isto é, lave-o e remova completamente sua obscuridade; Laton é o corpo impuro, Azoth é mercúrio.”

“O Soar da Trombeta”: “Como sem fermento não há tintura perfeita, como dizem os Sábios, sem fermento não há pão bom . Em nossa Pedra o fermento é como a alma, que dá vida ao corpo morto através da mediação do espírito, ou Mercúrio.”

“O Rosário” e Pedro de Zalentum dizem: ” Se o fermento, que é o meio da conjunção, for colocado no início, ou no meio, o trabalho é mais rapidamente aperfeiçoado”.

“O Soar da Trombeta”: “O Elixir dos Sábios é composto de três coisas, a saber , a Pedra Lunar, a Solar e a Pedra Mercurial. Na Pedra Lunar há enxofre branco, na Pedra Solar, enxofre vermelho, e a Pedra Mercurial abraça ambas, que é a força de todo o Magistério.”

Eximenus: “A água, com seus adjuntos, sendo colocada no vaso, preserva-os da combustão. As substâncias sendo moídas com água, segue-se a ascensão da Ethelia e a embebição de água é suficiente por si só para completar o trabalho. ”

Platão: “Tome corpos fixos, junte-os, lave o corpo na substância corporal e deixe-o ser fortalecido com o corpo incorpóreo, até que você o transforme em um corpo real ” .

Pandulphus: “A água fixa é água pura da vida, e nenhum veneno tingindo é gerado sem ouro e sua sombra. Quem tinge o veneno dos Sábios com o Sol e sua sombra, alcançou a mais alta sabedoria. ”

Novamente: “Separe os elementos com fogo, una-os por meio de Mercúrio, e o Magistério está completo. ”

Exercício, 14: “O espírito guarda o corpo e o preserva do fogo, o corpo clarificado impede que o espírito se evapore sobre o fogo, sendo o corpo fixo e o espírito incombustível. Portanto, o corpo não pode ser queimado, porque o corpo e o espírito são um através da alma. A alma os impede de serem separados pelo fogo. Portanto, os três juntos podem desafiar o fogo e qualquer outra coisa no mundo. ”

Rhasis ( “Livro das Luzes”): “Nossa Pedra tem o nome da criação do mundo, sendo três e ainda um. Em nenhum lugar nosso Mercúrio é encontrado mais puro do que em ouro, prata e Mercúrio comum.”

Quando corpos e espíritos são dissolvidos, eles se dissolvem nos quatro elementos, que se tornam uma substância firme e fixa. Mas quando não estão ambos dissolvidos, há uma mistura particular que o fogo ainda pode separar.”

Rosinus: “Em nosso Magistério há um espírito e corpos, de onde se diz: Regozija-se sendo semeado nas três substâncias associadas”.

Calid: “Prepare os corpos celestes com a umidade dissolvida, até que qualquer um seja reduzido à sua forma sutil. Se você não sutilizar e triturar os corpos até que se tornem impalpáveis, você não encontrará o que procura.”

Rosinus: “A Pedra consiste em corpo, alma e espírito, ou água, como dizem os Filósofos, e é digerida em um vaso. Todo o nosso Magistério é por nossa água, que dissolve os corpos, não em água, mas por uma verdadeira solução filosófica na água de onde os metais são extraídos, e é calcinada e reduzida à terra. Ela torna amarelos como cera aqueles corpos em cuja natureza ela é transformada; ela substancializa, branqueia e purifica o Latão, de acordo com a palavra de Morienus.”

Aristóteles: “Tome seu filho amado e case-o com sua irmã, sua irmã branca , em casamento igual, e dê-lhes o cálice do amor, pois é um alimento que os leva à união. coisas, ou terão filhos diferentes deles. Portanto, antes de tudo, como Avicena aconselha, sublima o Mercúrio e purifica nele os corpos impuros.

Ascanius: “Instigue a guerra entre o cobre e o Mercúrio até que eles se destruam e se devorem. Então o cobre coagula o mercúrio, o mercúrio congela o cobre, e ambos os corpos se tornam um pó por meio de embebição e digestão diligentes. homem vermelho e a mulher branca até se tornarem Ethelia, isto é, mercúrio. Quem os transforma em espírito por meio de mercúrio, e depois os torna vermelhos, pode tingir todos os corpos.

Quanto à natureza desse cobre, Graciano nos instrui com as seguintes palavras: “Faça Laton branco , ou seja, branqueie o cobre com Mercúrio, porque Laton é um corpo imperfeito laranja, composto de ouro e prata.”

Aconselho a todos que sigam meus ensinamentos, cuja exatidão minhas citações dos antigos não podem deixar dúvidas, o que também recebeu confirmação adicional de minhas próprias experiências. Qualquer desvio deste curso leva ao engano, exceto apenas o trabalho de Saturno, que deve ser realizado pela sutilização de princípios. Os Sábios dizem que as coisas homogêneas apenas combinam umas com as outras, tornam-se brancas e vermelhas e permitem a geração comum. O ponto importante é que Mercúrio deve agir sobre nossa terra. Esta é a união de macho e fêmea, da qual os Sábios tanto falam. Depois que a água, ou mercúrio, uma vez apareceu, ela cresce e aumenta, porque a terra fica branca, e isso é chamado de impregnação. Então o fermento é coagulado, isto é, unido ao corpo imperfeito preparado, até que eles se tornem um em cor e aparência: isso é denominado o nascimento de nossa Pedra, que os Sábios chamam de Rei. Desta substância é dito na “Arte da Alquimia” que se alguém queimar esta flor e separar os elementos, o germe gerador é destruído.

Concluo com as palavras de Avicena: “O verdadeiro princípio de nosso trabalho é a dissolução da Pedra, porque os corpos resolvidos assumiram a natureza dos espíritos, ou seja, porque sua qualidade é mais seca há a coagulação do espírito. Seja paciente, portanto, digere, bata , torne amarelo como cera, e nunca se canse de repetir esses processos até que eles sejam perfeitos. Pois as coisas saturadas com água são assim amolecidas. mais você o amolece e sutiliza suas partes grosseiras, até que sejam completamente penetradas com o espírito e assim dissolvidas. Pois batendo, assando e queimando, as partes duras e viscosas dos corpos são separadas.

Finalmente, quero dizer, filhos do conhecimento, que na obra dos Sábios há três soluções.

A primeira é a do corpo bruto.

A segunda é a da terra dos Sábios.

A terceira é aquela que ocorre durante o aumento da substância.

Se você considerar diligentemente tudo o que eu disse, este Magistério se tornará conhecido por você.

Quanto a mim, o quanto sofri por causa desta Arte, a história revelará às eras futuras.

Fonte: The Stone of the Philosophers

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Edição final: Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-pedra-dos-filosofos-por-edward-kelly/

As Oito Cores da Magia

Peter J. Carroll, Liber Kaos

Nosso aparato perceptivo e conceitual cria uma divisão quádrupla da matéria em uma tautologia de espaço, tempo, massa e energia. Da mesma forma, nossos impulsos instintivos criam uma divisão óctupla da magia. As oito formas de magia são convenientemente denotadas por cores com significado emocional e podem ser atribuídas aos sete “planetas” clássicos [Amarelo/Sol, Púrpura/Lua, Laranja/Mercúrio, Verde/Vênus, Vermelho/Marte, Azul/Júpiter e Preto/Saturno], mais Urano para a cor Octarina. No entanto, na causa de expandir os parâmetros do que pode ser tentado com cada uma dessas formas de magia, tal atribuição será aqui evitada. As oito formas de magia serão consideradas cada uma por sua vez.

Magia Octarina

Seguindo as hipóteses de Pratchett , oitava cor do espectro que é a percepção pessoal do magista da “cor da magia” pode ser chamada de octarina. Para mim, ela é uma tonalidade particular do rosa-púrpura elétrico. Minhas visões mais significativas têm ocorrido, todas nesta cor, e visualizo-a para colorir muitos de meus encantamentos e sigilos mais importantes no Astral. Antes que eu navegasse num barco feito à mão pelo Mar da Arábia, fui induzido por um feiticeiro indiano a aceitar uma imensa estrela de rubi, de valor incalculável. Ela era de um matiz, exatamente, octarino. Durante o mais violento tufão que jamais experimentei, encontrei-me agarrado aos gurupés, gritando minhas conjurações para Thor e Poseidon ao mesmo tempo que enormes ondas atiravam-se contra o barco e luminosos raios octarinos quebravam no mar por toda a volta. Olhando para o passado, parece um milagre que eu e minha tripulação tenhamos sobrevivido. Mantenho a pedra octarina comigo, incerto se ela me foi passada como uma maldição, uma bênção, um teste ou todas estas coisas reunidas.

Outros magos percebem a octarina de diferentes modos. Minha percepção pessoal da octarina provavelmente reflete minhas formas mais eficientes de gnoses: o sexo (púrpura) e a raiva (vermelho). Cada um deve buscar uma cor da magia (octarina) para si. O poder octarino é o nosso impulso instintivo para a magia. Impulso este que, ao permitirmos aflorar, cria o ‘eu-mágico’, ou personalidade na psique, e uma afinidade com várias formas de deus mágicas. O ‘eu-mágico’ varia entre os magos, porém possui as características gerais de antinomianismo e desvio (desencaminho) com uma predileção pela manipulação e pelo bizarro. O antinomianismo do “eu-mágico” surge, até certo grau, pela alienação geral da cultura vigente provocada pela magia. Assim, o “eu-mágico” tende a se interessar por tudo aquilo que não existe, ou que não deveria existir segundo o senso comum.. Para o “eu-mágico” nada é antinatural, uma declaração com ilimitados significados. O desvio do “eu-mágico” é uma conseqüência natural da “destreza da mente”, técnica requerida para manipular aquilo que não pode ser visto. As formas de deus do poder octarino são aquelas que correspondem mais estreitamente às características do “eu-mágico” e são, normalmente, as formas de possessão mais importantes para o mago que busca inspiração de natureza puramente mágica. Baphomet, Pan, Odin, Loki, Tiamat, Ptah, Eris, Hekate, Babalon, Lilith e Ishtar são exemplos de formas de deus que podem ser usadas para este propósito. Como alternativa, o mago pode desejar formular uma forma de deus em uma base unicamente idiossincrática onde, para tal, o planeta Urano e o simbolismo da serpente provaram ser pontos de partida muito úteis.

O mago pode invocar tais formas de deus para a iluminação de vários aspectos do “eu-mágico” e para inúmeros trabalhos de magia pura, preferivelmente à aplicada. A categoria de magia pura inclui atividades como: o desenvolvimento de teorias e filosofias mágicas, o desenvolvimento de programas de treinamento mágico, o planejamento de sistemas simbólicos para uso na adivinhação, o desenvolvimento de encantamentos e a criação de linguagens mágicas com objetivos similares. É valido assinalar aqui que as linguagens da Magia Caótica são, normalmente, escritas em V-primo, antes da transliteração para a forma bárbara mágica. V-primo, ou Vernacular primo, é simplesmente a sua língua nativa na qual são omitidos todos os usos de quaisquer tempos do verbo ser, de acordo com a metafísica quântica. Toda a falta de sentido do transcedentalismo desaparece muito naturalmente uma vez adotada esta tática. Não há ser, tudo é fazer.

Invoca-se o poder octarino para inspirar o “eu-mágico” e para alargar o arcano fundamental do mago. O arcano fundamental do mago consiste nos símbolos pessoais básicos com os quais você interpreta e influencia magicamente a realidade (tudo o que pode acontecer na percepção). Estes símbolos podem ser teorias ou kabbalas, obsessões, armas mágicas, astrais ou físicas, ou de fato, qualquer coisa que diga respeito à prática da magia de forma geral – qualquer coisa que não seja destinada, especificamente, para algum dos outros poderes da magia aplicada. Os símbolos desta última formam o arcano secundário de magia.

Da situação privilegiada que é a gnoses octarina, o “eu-mágico” é capaz de compreender os eus dos outros sete poderes e a sua inter-relação dentro de um organismo global. Portanto, o poder octarino traz alguma habilidade em psiquiatria, cuja função é o ajustamento da relação entre os eus em um organismo. A diferença básica entre um mago e um indivíduo comum é que neste último o poder octarino já é vestígio ou ainda incipiente. O repouso normal ou o modo indiferente de uma pessoa comum corresponde a uma leve expressão do poder amarelo. Este poder é considerado como sendo a personalidade normal ou o ego. O “eu-mágico” entretanto, é totalmente consciente de que este poder amarelo é somente uma das oito principais ferramentas que o organismo possui. Assim, num certo sentido, a personalidade normal do mago é uma ferramenta do “eu-mágico” ( e vice-versa ). Este entendimento dá a ele alguma vantagem sobre as pessoas comuns. Entretanto, o “eu-mágico” em desenvolvimento logo perceberá que não é superior, em si mesmo, aos outros eus pois há muitas coisas que estes podem fazer que ele não pode. O desenvolvimento do poder octarino através da filosofia e prática da magia, tende a prover o mago de um segundo centro principal entre os eus. Este segundo centro irá complementar o ego do poder amarelo. O despertar do poder octarino é, algumas vezes, conhecido como “ser mordido pela serpente”. Aqueles que passam por isto se reconhecem mutuamente tão instantaneamente quanto, por exemplo, dois sobreviventes de um bote salva-vidas.

Talvez um dos maiores artifícios da “destreza da mente” seja permitir que o “eu-mágico” e o ego dancem juntos dentro da psique sem conflitos excessivos. O mago que é incapaz de fingir ser uma pessoa comum ou que é incapaz de agir de forma independente de seu próprio ego, não é mago totalmente.

Por outro lado, o crescimento do octarino ou oitavo poder do eu, a descoberta do tipo de mago que a pessoa quer ser e a identificação ou síntese de uma forma-deus para representar este ideal, tendem a criar algo como um ser mutante que avançou na direção de um paradigma do qual muito poucos estão cientes. Não é fácil voltar atrás uma vez iniciada a viagem, embora alguns tenham tentado abortá-la com narcóticos, inclusive misticismo. É uma peregrinação para um destino desconhecido onde a pessoa desperta com êxito de um pesadelo para entrar em outro. Alguns deles parecem muito interessantes em determinados momentos. Há mundos dentre nós; os abismos são somente as iniciações entre eles.

A evocação de um servidor octarino pode criar uma inestimável ferramenta para aqueles que estão engajados em pesquisa mágica. As principais funções de tais entidades são, normalmente, ajudar na descoberta de informações úteis e contatos. Não podemos ignorar aqui os resultados negativos. Por exemplo: o completo fracasso de um servidor bem preparado em recuperar informações a respeito do hipotético Big-Bang cósmico foi um fator que contribuiu no desenvolvimento da teoria Fiat Nox.

Magia Negra 

Os programas de morte construídos dentro de nossa estrutura emocional e comportamental, ambas genéticas e hereditárias, são o preço que pagamos pela capacidade de reprodução sexuada, a única que permite mudanças evolutivas. Somente são imortais aqueles organismos que se reproduzem assexuadamente, reproduzindo inúmeras cópias idênticas de suas próprias formas, extremamente simples. Duas conjurações com o poder negro são de particular interesse para o mago: lançamento de encantos de destruição e o ato de se evitar uma morte prematura.

Os assim chamados ritos “Chod” são um ensaio ritual da morte, onde o “eu-morte” é invocado para manifestar seu conhecimento e sabedoria. Tradicionalmente concebido como uma figura de um esqueleto vestido em uma túnica negra e armado com uma foice, o “eu-morte” é responsável pelos mistérios do envelhecimento, senilidade, morbidez, necrose, entropia e decadência. Ele também possui um senso de humor pervertido e que denota enfado em relação ao mundo.

Cercado por todos os símbolos e parafernália da morte, o mago invoca o “eu-morte” em um rito “Chod” para um dos dois propósitos mencionados anteriormente. Primeiramente a experiência do “eu-morte” e a gnoses negra trazem o conhecimento do que se sente no momento que se começa a morrer. Isto prepara o mago para resistir às manifestações de uma morte prematura real, por conhecimento do inimigo. Um demônio é somente um deus agindo fora de sua vez ( fora do momento certo ). No curso de vários ritos “Chod” o mago pode, convenientemente, experimentar praticar o banimento, em estilo xamânico, de entidades e símbolos visualizados e invocados que são associados a várias doenças. Portanto, o “eu-morte” tem algumas utilidades em diagnose médica e adivinhação.

Em segundo lugar, o “eu-morte” pode ser invocado como uma condição privilegiada para lançar encantos de destruição. Neste caso, a invocação toma a mesma forma geral, porém a conjuração é normalmente chamada de Rito de Entropia. Deve-se sempre procurar alguma alternativa possível para o exercício da magia destrutiva, pois ser forçado a uma posição de ter que usá-la é uma demonstração de fraqueza. Em cada caso, o mago deve estabelecer um mecanismo no subconsciente pelo qual o alvo possa ir à ruína e, então, projetá-lo com a ajuda de um sigilo ou, talvez, de um servidor invocado. Magia Entrópica funciona mandando ao alvo informações que estimulam o comportamento auto-destrutivo. Magia Entrópica difere da magia de combate da gnoses vermelha em muitos aspectos importantes. Magia Entrópica é sempre realizada com completa discrição, na fúria fria da gnoses saturnina negra. O objetivo é um golpe cruel e cirúrgico sobre o qual o alvo não tem nenhum aviso. O mago não está interessado em uma luta mas, sim, numa morte rápida e eficiente. A grande vantagem de tais ataques é que, raramente, eles são percebidos como tais pelos alvos. Desta forma, o alvo, sem saber o que está acontecendo, terá pouca chance de se queixar pelos desastres que lhe sucederão. Uma desvantagem, entretanto é que é muito difícil apresentar orçamentos a clientes por efeitos que aparentam ser devidos a causas naturais.

Formas de deus do poder negro são Legião; se a forma de um simples esqueleto de manto com uma foice não simboliza adequadamente o “eu-morte”, então formas como Charon, Thanatos, Saturno, Chronos, a bruxa Hécate, irmã negra Atropos, Anúbis, Yama e Kali podem servir.

Raramente são estabelecidos servidores do poder negro para uso geral a longo prazo. Isto ocorre, em parte, porque seu uso é apropriado para ser esporádico e, por outro lado, porque eles podem ser perigosos para o seu possuidor. Assim, a tendência é que eles sejam feitos e enviados para um trabalho específico.

Magia Azul

Não se deve medir riquezas em termos de propriedades mas, sim, em termos de controle sobre pessoas e materiais. Portanto, em última instância, deve-se medi-la em termos de sua própria experiência. Dinheiro é um conceito abstrato usado para quantificar atividade econômica. Portanto, riqueza é uma medida de quão bem você controla suas experiências com o dinheiro. Assumindo que experiências variadas, excitantes, incomuns e estimulantes são preferíveis àquelas que são estúpidas e monótonas e que elas tendem a ser caras, o principal problema para muitas pessoas é encontrar uma forma altamente eficiente de entrada de dinheiro que possua as qualidades agradáveis acima.

O objetivo da magia da riqueza é estabelecer um grande movimento de dinheiro que permita experiências agradáveis em ambos os estágios: de entrada e de saída. Isto requer aquilo que é conhecido como “consciência do dinheiro”.

O dinheiro adquiriu todas as características de um ser espiritual; ele é invisível e intangível. Moedas, notas e números eletrônicos não são dinheiro. Eles são somente representações ou talismãs de algo que os economistas não podem definir de forma coerente. Além disso, embora seja ele próprio intangível e invisível, pode criar efeitos poderosos na nossa realidade.

O dinheiro tem suas próprias preferências e personalidade. Ele evita aqueles que o blasfemam e flui em direção àqueles que o tratam da maneira que ele gosta. Num ambiente apropriado, ele irá, até mesmo, reproduzir-se. a natureza do espírito do dinheiro é movimento; o dinheiro gosta de se mover. Se ele for armazenado e não usado, lentamente morrerá. Assim, o dinheiro prefere manifestar-se como uma propriedade mutável a se manifestar como uma propriedade inexplorada, inutilizada. Excedentes de capital para prazer imediato devem ser reinvestidos como uma evocação adicional, porém aqueles que possuem realmente a “consciência do dinheiro” descobrem que até mesmo seus prazeres fazem dinheiro para si. A “consciência do dinheiro” paga para divertir-se. Aqueles que possuem esta consciência são generosos naturalmente. Ofereça a eles um investimento interessante e eles lhe oferecerão fortunas. Apenas não peça migalhas. A obtenção da “consciência do dinheiro” e a invocação do “eu-riqueza” consiste na aquisição de um conhecimento completo sobre as preferências do espírito do dinheiro e na exploração completa dos desejos pessoais. Quando ambos os fatores forem compreendidos, uma verdadeira riqueza manifestar-se-á sem esforço.

Tais invocações devem ser realizadas com cuidado. A gnosis azul da riqueza e do desejo cria demônios tão facilmente quanto cria deuses. Muitos seminários contemporâneos sobre sucesso e treinamento de verdade concentram-se em criar um desejo histérico por dinheiro associado a um igualmente hipertrofiado desejo pelos meros símbolos de riqueza ao invés do desejo pelas experiências que o jogadores realmente querem. Trabalhar como um maníaco possuído o dia inteiro pelo questionável prazer de beber a si próprio, num estado quase que de esquecimento , numa champanhe de vindima todas as noites, é ter perdido completamente o ponto e ter entrado na condição de anti-riqueza.

Por outro lado, a maioria das pessoas que são pobres em sociedades relativamente livres onde outros são ricos deve a sua pobreza ou à falta de entendimento de como o dinheiro se comporta ou a sentimentos negativos que tendem a repeli-lo. Não são necessários grandes níveis de inteligência ou de capital para se tornar rico. A popularidade dos contos sobre a miséria e o infortúnio do rico é o testemunho do mito ridículo vigente entre os pobres de que o rico é infeliz. Antes de começar a trabalhar com a magia azul, é essencial examinar com seriedade todos os sentimentos e pensamentos negativos sobre dinheiro e tratar de exorcisá-los. Muitas das pessoas pobres que ganham loterias ( e somente o pobre entra regularmente nelas ) orientam suas vidas de tal forma a não terem mais nada poucos anos depois. É como se alguma força subconsciente, de alguma forma, se livrasse de algo que eles sentem que, na verdade, não merecem ou não querem.

As pessoas tendem a ter o grau de riqueza que profundamente acreditam que devem ter. Magia azul é a modificação desta crença através da determinação de crenças alternativas. Rituais de magia azul devem envolver necessariamente exorcismos de atitudes negativas em relação à riqueza, explorações divinatórias sobre quais são os seus desejos mais profundos e invocações do “eu-riqueza” e do espírito do dinheiro durante os quais o nível subconsciente de riqueza é ajustado pela expressão ritual de um novo valor. Durante esses rituais também são feitas afirmações sobre novos projetos para o investimento dos recursos e dos esforços. Podem ser recitados hinos e encantamentos ao dinheiro. Cheques de somas surpreendentes podem ser escritos para você mesmo e pode-se proclamar e visualizar os desejos. Várias formas de deus tradicionais com um aspecto próspero tais como Júpiter, Zeus, o mítico Midas e Croesus podem expressar o “eu-riqueza”.

Raramente são usados encantamentos simples para dinheiro na magia azul moderna. Hoje em dia a tendência é lançar encantamentos desenvolvidos para aumentar o valor dos esquemas projetados para fazer dinheiro. Se você falhou em providenciar um mecanismo através do qual o dinheiro possa se manifestar, nada ocorrerá ou o encantamento irá encarnar-se por meios estranhos como, por exemplo, a herança devida a morte prematura de um parente muito amado. Nunca se tenta a magia azul séria em formas tradicionais de jogo. O jogo tradicional é uma maneira cara de comprar experiências o qual não tem nada a ver com aumentar riqueza. Magia azul é uma matéria de investimentos cuidadosamente calculados. Qualquer um que não seja um idiota deve ser capaz de imaginar um investimento que ofereça maiores vantagens que as formas tradicionais de jogo.

Magia Vermelha

Tão logo a humanidade desenvolveu a sociedade e a tecnologia de armas para derrotar seus principais predadores e competidores naturais, parece ter aplicado um feroz mecanismo de seleção para si mesma na forma de combates sanguinários. Muitas das qualidades que consideramos como marcas de nosso sucesso evolutivo, tais como os polegares em oposição e a conseqüente habilidade de manipulação de ferramentas, nossa capacidade de comunicação por sons, nossa postura ereta e nossa capacidade de dar e receber comandos e disciplina foram quase certamente selecionados para manter milênios de conflitos armados organizados entre grupos humanos. Nossa moralidade reflete nossa história sangrenta pois enquanto é tabu atacar membros de nossa própria tribo, ainda é dever atacar estrangeiros. O único debate é sobre quem constitui nossa própria tribo. Quando o entusiasmo pela guerra é limitado, inventamos esportes e jogos nos quais expressamos nossa agressividade. Por todo o caráter e terminologia do esporte fica claro que o esporte é somente uma guerra com regras extras.

Entretanto, não se deve supor que a guerra seja completamente desapercebida de regras. As guerras são realizadas para aumentar a nossa posição de barganha; na guerra, o grupo inimigo é uma riqueza sobre a qual desejamos ganhar alguma medida de controle. As guerras são realizadas para intimidar os adversários, não para exterminá-los. Genocídio não é guerra.

A estrutura e conduta da guerra refletem o programa de “luta ou fuga” construído em nosso sistema nervoso simpático. Na batalha, o objetivo é intimidar o inimigo para fora do modo de luta e para dentro do modo de fuga. Assim, assumindo que há suficiente paridade de foças para fazer a luta parecer vantajosa para ambas as partes, o estado de ânimo é o fator decisivo em virtualmente todos os encontros competitivos, esportivos ou militares entre seres humanos.

A magia vermelha tem dois aspectos: o primeiro é a invocação de vitalidade, agressão e estado de ânimo para nos manter em qualquer conflito da vida; o segundo é a realização de um combate mágico real. Existe uma variedade de formas de deus onde o “eu-guerra” pode ser expressado, embora formas híbridas ou puramente idiossincráticas funcionem tão bem quanto as anteriores. Ares, Ishtar, Ogoum, Thor, Marte, Mithras e Horus, em particular, são usados freqüentemente. Não devemos negligenciar o simbolismo contemporâneo. Armas de fogo e explosivos são tão bem vindas para a gnose vermelha quanto espadas e lanças. Tambores são indispensáveis. Sigilos desenhados por líquidos inflamáveis ou, ainda, círculos flamejantes completos nos quais se fazem invocações devem ser considerados.

O combate mágico é normalmente praticado abertamente com o adversário sendo publicamente ameaçado e amaldiçoado ou quando ele acha o recipiente de um talismã, encantamento ou runa com um aspecto desagradável. Os objetivos são a intimidação e o controle do adversário que deve se tornar tão paranóico quanto possível e informado da origem do ataque. Por outro lado, a magia de combate toma as mesmas formas gerais das usadas em magia entrópica, com os sigilos e os servidores controlando informações auto-destrutivas para o alvo, agora, contudo, com intenções sub-letais.

Entretanto, a habilidade real da magia vermelha é ser capaz de apresentar tão irresistível glamour de vitalidade pessoal, estado de ânimo e potencial de agressão que o exercício da magia de combate não seja nunca necessária.

Magia Amarela

Muitos dos textos existentes sobre o que se chama tradicionalmente de “magia solar” contradizem-se mutuamente ou sofrem de confusões internas. Os comentários astrológicos a respeito dos supostos poderes do sol estão entre os mais idiotas e sem sentido que a disciplina pode produzir. Isto ocorre porque o poder amarelo possui quatro formas distintas, porém relacionadas, dentro da psique. Esta divisão quádrupla tem induzido a imensos problemas em psicologia, onde várias escolas de pensamento escolhem enfatizar um aspecto em particular e ignorar aqueles aos quais as outras escolas tem se dedicado. Os quatro aspectos podem ser caracterizados como se segue. Primeiro, o ego – ou auto-imagem: que é, simplesmente, o modelo que a mente tem da personalidade em geral. Desta definição excluem-se muitos dos padrões de comportamento extremados dos quais os eus são capazes. Segundo, o carisma que é o grau de autoconfiança que a pessoa projeta para as outras. Terceiro, algo para o qual não há uma palavra específica em inglês ou português: talvez possa ser chamado de criatividade da risada. Quarto, a ânsia de afirmação e domínio. Todas essas coisas são manifestações do mesmo poder amarelo, embora suas ênfases relativas variem enormemente entre os indivíduos.

O sucesso em muitas sociedades humanas normalmente resulta de uma hábil expressão do poder amarelo. A força do poder amarelo em um indivíduo parece manter uma relação direta com os níveis do hormônio sexual testosterona em ambos os sexos, embora sua expressão dependa da psicologia pessoal. Existe uma influência mútua complexa entre os níveis de testosterona, auto-imagem, criatividade, status quo e necessidades sexuais, mesmo que não estejam manifestos. Em termos esotéricos, a Lua é o poder secreto por trás do Sol, como muitas magas percebem instintivamente e muitos magos descobrem mais cedo ou mais tarde. O ego se forma gradualmente através dos acidentes da infância e da adolescência e, na ausência de poderosas experiências posteriores, permanece razoavelmente constante, mesmo que contenha elementos totalmente inadaptáveis. Qualquer tipo de invocação poderia fazer diferença para o ego, porém um trabalho direto com ele pode fazer muito mais. Estão envolvidos muitos truques neste processo. O próprio reconhecimento do ego implica que a mudança é possível. Somente aqueles que percebem que tem uma personalidade ao invés de consistirem de uma personalidade podem mudá-la. Para muitas pessoas, a preparação de um inventário detalhado de suas próprias personalidades é uma atividade muito difícil e transtornante. Porém, uma vez realizada, é normalmente muito fácil decidir que mudanças são desejáveis. Mudanças no ego, na auto-imagem ou na personalidade através da magia são classificadas como trabalhos de iluminação e são, principalmente, realizadas por encantamentos retroativos e invocações. Encantamento retroativo, neste caso, consiste em rescrever a nossa história pessoal. Como nossa história define amplamente o nosso futuro, podemos mudar o nosso futuro redefinindo nosso passado. Todas as pessoas possuem certa capacidade para reinterpretar as coisas que deram errado no passado sob uma luz mais favorável, porém muitas falham em perseguir o processo até o final. Nós não podemos eliminar as memórias limitantes e incapacitantes, porém, por um esforço de visualização e imaginação, podemos escrever em paralelo memórias edificantes e capacitantes do que também poderia ter acontecido. Isso irá neutralizar as originais. Nós podemos também, quando possível, modificar alguma evidência física remanescente que favoreça a memória limitante.

As invocações para modificar o ego são encantamentos e personificações rituais das novas qualidades desejadas. Deve-se dar atenção às modificações planejadas no vestuário, tons de fala, gestos, maneirismos e na postura do corpo que irão melhor corresponder ao novo ego. Um artifício muito usado em magia amarela é praticar a manifestação de uma personalidade alternativa através de um gatilho mnemônico simples tal como a transferência de um dedo para outro.

Várias formas de deus são utilizadas para criar manifestações novas e fortes do ego e para experimentos com as outras três qualidades do poder amarelo. São exemplos: Rá, Helios, Mithras, Apolo e Baldur.

Carisma, a projeção de uma aura de autoconfiança, é baseado num truque simples. Após um curto espaço de tempo não há diferença nenhuma entre simulada e a verdadeira autoconfiança. Qualquer um que deseje remediar a falta de confiança e carisma e que esteja em dúvida sobre como começar a aparentar estas qualidades, poderá descobrir que um ou dois dias gastos aparentando um zero absoluto de autoconfiança irão revelar rapidamente: a eficácia da simulação e os pensamentos, palavras, gestos e posturas específicos requeridos para projetar qualquer simulação.

Parece que não se pode dizer nada a respeito da risada e da criatividade. Porém, o humor depende de uma súbita formação de uma nova conexão entre conceitos desconexos. Nós rimos da nossa própria criatividade em formar esta conexão. Exatamente a mesma forma de exaltação surge de outras formas de atividade criativa e, se o insight vem repentinamente, a risada é o resultado. Se não somos capazes de rir quando vemos uma peça realmente brilhante de matemática, então não somos capazes de entender isto. Também é necessário um certo grau de auto-estima e autoconfiança positivas para rir de algo criativamente divertido. As pessoas de baixa auto-estima tendem unicamente a rir do humor destrutivo e da desgraça dos outros; isso se rirem.

A risada é, freqüentemente, um fator importante nas invocações das formas de deus do poder amarelo. A solenidade não é um pré-requisito para o ritual. A risada é também uma tática comum para atrair a atenção da consciência para longe dos sigilos ou outras conjurações mágicas, uma vez terminados os trabalhos com eles. O forçar deliberado de uma risada histérica pode parecer um caminho absurdo para encerrar um encantamento ou uma invocação, porém isto tem se mostrado extraordinariamente eficiente na prática. Isto pode ser considerado como uma “destreza da mente” artificial que evita a deliberação consciente.

A “ordem da bicada” dentro de vários grupos de animais sociais é, normalmente, imediatamente evidente para nós e para os próprios animais. Dentro de nossa própria sociedade, tais hierarquias de domínio são igualmente comuns em todos os grupos sociais, embora possamos ir a extremos para disfarçar isto de nós mesmos. A situação humana ainda é mais complicada pela nossa tendência de pertencer a muitos grupos sociais, nos quais podemos ter diferentes níveis de status social, e o status social é, freqüentemente, parcialmente dependente de outras habilidades especializadas , diferentes da força bruta. Entretanto, assumindo que uma pessoa possa parecer competente na habilidade especializada que o grupo social requer, a posição pessoal no grupo depende quase inteiramente do grau de afirmação e domínio que a pessoa exibe. Estes são exibidos basicamente através do comportamento não-verbal que todos entendem intuitivamente ou subconscientemente, mas que muitos não entendem racionalmente. Como conseqüência, eles não podem manipulá-lo deliberadamente. O comportamento de domínio típico envolve o falar alto e lentamente, usando muito o contato visual, interromper a fala dos outros enquanto resiste à interrupção feita por estes, manter uma postura ereta de ameaça disfarçada, a invasão do espaço pessoal dos outros enquanto resiste à invasão de seu próprio espaço e colocar-se estrategicamente em algum lugar no foco de atenção. Em culturas onde o toque é freqüente, o dominador sempre o inicia ou, intencionalmente, o recusa. Em ambos os casos, ele domina o contato.

O comportamento submisso é, logicamente, o reverso de tudo acima e aparece muito espontaneamente em resposta ao domínio bem sucedido de outros. Há uma interação em mão dupla entre o comportamento de domínio e os níveis de hormônios. Se o nível muda, por razões médicas, então o comportamento tende a mudar; porém, mais importante do ponto de vista mágico, é que uma mudança deliberada do comportamento irá modificar os níveis de hormônio. “Finja isto até que você o faça”. Não há nada particularmente oculto com a maneira que algumas pessoas são capazes de controlar outras. Nós simplesmente não notamos como isto é feito porque quase todos os sinais comportamentais envolvidos são trocados subconscientemente. Os sinais de domínio tendem a não funcionar se os seus recebedores os percebem conscientemente. Deste modo, em muitas situações, eles devem ser liberados discretamente e com um aumento gradual na intensidade. Uma das poucas situações em que estes sinais são enviados deliberadamente é nas hierarquias militares, porém isto só é possível por causa da imensa capacidade de coerção física direta que tais sistemas exibem. Quebre as regras formais de comunicação não-verbal com um oficial e terá um sargento para inculcar-lhe alguma submissão por meios diretos. Eventualmente as regras formais são absorvidas e funcionam automaticamente, criando obediência suficiente para permitir o auto-sacrifício e a matança em massa. O poder amarelo é a raiz de muito do melhor e do pior que nós somos capazes.

Magia Verde

Há uma considerável superposição no que há de escrito nos livros populares de magia no que diz respeito aos assuntos do amor venusiano e a magia sexual lunar. Conseqüentemente, neste texto evitou-se ao máximo uma nomenclatura planetária. Embora a magia do amor seja realizada freqüentemente com objetivos sexuais, este capítulo irá se limitar às artes de fazer as pessoas amigáveis, fiéis e afetuosas para conosco.

Talvez sejam os amigos a nossa maior propriedade. Meu caderno de endereços é, facilmente, minha mais valiosa posse. Como com a atração erótica, primeiro é necessário gostarmos de nós próprios antes que os outros possam fazê-lo. Esta habilidade pode ser aumentada por invocações apropriadas do poder verde. Muitas pessoas acham fácil fazer vir à tona uma amizade de pessoas de quem eles gostam; porém, fazer amigáveis, pessoas que não estavam dispostas a isto, e pessoas a quem não estamos dispostos a dar nossa amizade, é uma habilidade valiosa. Uma amizade não correspondida é uma inabilidade somente da pessoa que a oferece.

As invocações do poder verde devem começar com o amor próprio, uma tentativa de ver o lado maravilhoso de todos os eus dos quais nós consistimos e, então, proceder a uma afirmação ritual da beleza e amabilidade de todas as coisas e pessoas. Formas de deus disponíveis para o “eu-amor” incluem Vênus, Afrodite e o mítico Narciso cujo mito reflete somente um certo preconceito machista contra este tipo de invocação.

De dentro da gnoses verde, os feitiços para fazer as pessoas amigáveis podem ser enviados por simples encantamentos ou pelo uso de entidades criadas com este objetivo. Entretanto, é nos encontros face-a-face que as habilidades de empatia estimuladas pela invocação trabalham de forma mais eficiente. Fora os artifícios óbvios de mostrar interesse em tudo o que o alvo tem a dizer, afirmar e simpatizar com a maior parte, há um outro fator crítico chamado “combinação de comportamento” que normalmente ocorre subconscientemente. Este fator consiste, basicamente, em tentar imitar o comportamento não-verbal do alvo, com a exceção das posturas que sejam claramente hostis. Sente-se ou fique de pé em idêntica posição corporal, faça os mesmos movimentos, use o mesmo grau de contato visual e fale com intervalos similares. Quando com comportamento de domínio, tais sinais só funcionam se não forem percebidos conscientemente por quem os está recebendo. Não se mexa imediatamente para igualar os movimentos e posturas do alvo. É essencial sondar e equiparar o comportamento verbal e comunicar com o mesmo nível de inteligência, status social e senso de humor que o alvo.

Antes de me tornar rico, eu praticava estas habilidades enquanto pegava carona. Logo, até mesmo pessoas que encontrei desfiguradas e cadavéricas estavam me pagando o lanche e me transportando para longe de seus próprios caminhos. A empatia irá levá-lo a qualquer lugar.

Magia Laranja

Charlatanismo, trapaça, viver de suas próprias habilidades e o pensar rápido são a essência do poder laranja. Estas qualidades mercuriais eram tradicionalmente associadas às formas de deus que atuavam como protetores dos médicos, magos, jogadores e ladrões. Entretanto, agora, desde o momento que os médicos descobriram que os antibióticos e as cirurgias higiênicas realmente funcionam, a medicina está parcialmente dissociada do charlatanismo. Todavia, por volta de oitenta por cento dos medicamentos ainda são basicamente placebos. Por isso o caduceu de mercúrio ainda é o emblema desta profissão. Da mesma forma, a profissão da magia tornou-se menos dependente do charlatanismo através da descoberta da natureza quântica-probabilística dos encantamentos e adivinhações e o total abandono da alquimia e astrologia clássica. No momento, a magia pura é melhor descrita como uma expressão do poder octarino, tendo um caráter uraniano. Porém, o charlatanismo ainda tem seu lugar na magia, assim como na medicina. Não nos esqueçamos que todos os truques de conjuração foram parte, em algum momento, do repertório xamânico de “aquecimento”. Nesta prática, alguma coisa perdida ou destruída é miraculosamente restaurada pelo mago com o intuito de colocar a audiência no estado de ânimo apropriado, antes do verdadeiro negócio de cura placebo começar. Em sua forma clássica, o mago coloca um coelho numa cartola antes de tirá-lo na frente da platéia.

Devemos acrescentar à lista das profissões fortemente influenciadas pelo poder laranja: o vendedor, o vigarista, o corretor e, ainda, todas as profissões com uma alta taxa de ataques cardíacos. A força motriz da gnoses laranja é o medo, basicamente. Porém, um tipo de medo que não inibe aquele que o tem, mas que gera uma velocidade nervosa extraordinária que produz movimentos e respostas rápidas em situações em que se está encurralado.

A apoteose do “eu-inteligência” é a habilidade de entrar naquele estado de sobremarcha mental, onde a resposta rápida está sempre pronta para chegar. Paradoxalmente, para desenvolver esta habilidade é suficiente não pensar sobre o pensar, mas, sim, permitir que a ansiedade paralise parcialmente os processos inibitórios dos pensamentos, de forma que o subconsciente possa liberar uma resposta rápida e inteligente sem a deliberação consciente.

As invocações do poder laranja são melhor realizadas em velocidade frenética, louca; sua gnoses pode ser aprofundada pela performance de tarefas que exijam a mente, tais como: fazer, de cabeça, o somatório de várias listas de números ou abrir envelopes que contenham difíceis questões e respondê-las instantaneamente. Deve-se insistir nessas atividades até penetrar na experiência de pensar sem deliberação. Várias formas de deus podem ser usadas para dar forma ao “eu-inteligência”: Hermes, Loki, o Coiote trapaceiro e o Mercúrio romano.

A magia laranja é normalmente restrita a invocações designadas para aumentar o “pensamento rápido” em atividades seculares, tais como: jogo, crime e objetivos intelectuais. A hipótese do Fiat Nox, por exemplo, veio para junto de mim numa semana após eu ter realizado uma eficiente invocação mercurial utilizando as técnicas acima. Na minha experiência, os encantamentos e as evocações realizadas depois de uma invocação da gnoses laranja raramente dão tanto resultado quanto a própria invocação. Talvez devêssemos falar algo a respeito do crime e do jogo em benefício daqueles que podem não estar entendendo o que pode ser feito com a magia laranja no suporte de tais atividades. É ridiculamente fácil roubar se o fizermos metodicamente. Porém, a maioria dos ladrões são pegos após um certo tempo. Isto ocorre porque eles se tornam afeitos à ansiedade que experimentam como excitação. Desta forma, começam a correr riscos para aumentar essa excitação. É óbvio que o ladrão noviço, que rouba algo em estado de extrema ansiedade e numa situação de risco zero, não será pego. O mesmo ocorre com o profissional cuidadoso. Entretanto, há muito poucos profissionais cuidadosos pois há muitos caminhos mais fáceis de ganhar dinheiro para pessoas com esta espécie de habilidade. A maioria dos ladrões sempre arranja uma forma de se incriminar. Isto ocorre porque, uma vez decaída a ansiedade do roubo, resta a ansiedade da punição. Aqueles que possuem a “inteligência rápida” e frieza exterior suficiente para fazer um roubo bem sucedido poderão ter mais resultado no ramo das vendas.

Existem três tipos de jogadores permanentes, dois dos quais são perdedores. Existem aqueles afeitos à sua própria arrogância que somente precisam provar que podem vencer a sorte ou as vantagens fixadas pelos organizadores do jogo. Há também aqueles afeitos à ansiedade de perder. Mesmo que ganhem, irão, logo em seguida, perder tudo novamente. Há, então, os vencedores. Não se pode dizer que estes últimos sejam, exatamente, jogadores porque ou estão organizando as disputas e apostas, possuem informações internas ou estão trapaceando. Esta é a verdadeira magia laranja. O pôquer não é um jogo de sorte se for jogado habilmente. Um jogo hábil inclui o não jogar contra pessoas de competência igual ou superior ou, ainda, pessoas em posse de uma Smith & Wesson contra seus quatro ases. Muitas formas convencionais de jogo são montadas de forma que qualquer coisa fará pouca diferença, excetuando as mais extremas formas de poder psíquico. Eu jamais perderia tempo com disputas onde minhas chances tenham sido reduzidas de cem para um para apenas seis para um. Entretanto, certos resultados obtidos usando-se presciência oculta em corridas de cavalo têm mostrado um potencial encorajador.

Magia Púrpura

A maior parte dos cultos que atravessaram a história tem uma característica em comum: eles foram conduzidos por homens carismáticos capazes de persuadir mulheres a dispensar livremente favores sexuais a outros homens. Quando começamos a observar, este fato torna-se claro em muitos cultos antigos, seitas monoteístas cismáticas e grupos esotéricos modernos. Muitos, se não a maioria, dos adeptos do passado e do presente foram, ou são, cafetões. O mecanismo é muito simples: pague a mulher com a moeda da espiritualidade para servir aos homens; estes, por sua vez, irão devolver-lhe o pagamento com adulação e a aceitação de seus ensinamentos será, para eles, um efeito colateral. A adulação dos homens irá aumentar seu carisma com as mulheres, criando um laço de realimentação muito positivo. Este processo pode ser um agradável “ganha-pão” até a velhice ou poderá sofrer um ataque da polícia. Outro perigo óbvio é que a mulher e, eventualmente, o homem pode sentir que as constantes mudanças de parceiros irão contra seus interesses emocionais e de reprodução a longo prazo. A circulação de pessoas em tais cultos pode ser muito grande, de forma que jovens adultos constantemente estejam substituindo aqueles que estão se aproximando da meia idade.

Poucas são as religiões ou cultos que não possuem um ensinamento religioso pois qualquer ensinamento provê um poderoso nível de controle. A maioria das mais estabilizadas e duradouras religiões estimulam a supressão do chamado sexo livre. Isso também traz muitos dividendos. A posição das mulheres se torna mais segura e os homens sabem quem são seus filhos. É natural que o adultério e a prostituição floresçam em tais condições porque algumas pessoas querem sempre um pouco mais que uma vida monogâmica pode oferecer. Assim, é muito correto afirmar que os bordéis são construídos com os tijolos da religião: indiretamente com as religiões convencionais, diretamente com muitos cultos.

Tudo o que foi dito nos faz perguntar porque é que as pessoas têm tal necessidade de querer que os outros lhes digam o que fazer com a sua sexualidade. Porque as pessoas têm que procurar justificativas esotéricas e metafísicas para aquilo que elas querem fazer? Porque é tão fácil “vender água para o rio”?

A resposta, ao que parece, é que a sexualidade humana possui uma constituição de insatisfação de origem evolutiva. Nosso comportamento sexual é parcialmente controlado pela genética. Os genes mais aptos a sobreviver e prosperar são aqueles que, nas fêmeas, encorajam a permanente captura do macho mais poderoso disponível e a ligação ocasional (clandestina) com algum macho mais poderoso que possa estar temporariamente disponível. Ao mesmo tempo, nos machos, os genes mais aptos a prosperar são aqueles que encorajam a impregnação do maior número de fêmeas que eles possam sustentar, além, talvez, de impregnar sorrateiramente outras poucas que sejam sustentadas por outros homens. É interessante notar que somente nas fêmeas humanas o cio está oculto. Em todos os outros mamíferos, o período fértil é muito óbvio. Parece que houve esta evolução para permitir, paradoxalmente, o adultério e o aumento das ligações sexuais nos momentos em que o ato não tem nenhuma utilidade reprodutiva. A base econômica de uma determinada sociedade irá exercer certa pressão em favor de um tipo particular de sexualidade, pressão esta que será codificada na forma de moralidade que irá, inevitavelmente, entrar em conflito com as pressões biológicas. Esta confusão reina pois nada é satisfatório continuamente. O celibato é insatisfatório, masturbação é insatisfatória, monogamia é insatisfatória, adultério é insatisfatório, poligamia e poliandria são insatisfatórios e, provavelmente, a homossexualidade também é insatisfatória se a alegre troca frenética de parceiros nesta disciplina for algo que continue.

Nada no espectro das possibilidades sexuais provê um solução a longo prazo, porém este é o preço que pagamos por ocupar o pináculo da evolução dos mamíferos. Muito de nossa arte, cultura, política e tecnologia surgem, precisamente, de nossas ânsias, medos, desejos e insatisfações sexuais. Uma sociedade sexualmente em paz iria, com certeza, oferecer um espetáculo insípido. É, normalmente, se não sempre, o caso da criatividade e realização pessoais serem diretamente proporcionais às suas inquietações sexuais. Esta é, realmente, uma das maiores técnicas da magia sexual, apesar de não ser reconhecida como tal. Inspire-se com o máximo de inquietações e confusões sexuais se você realmente quer descobrir o que você é capaz em outros campos. Uma vida sexual tempestuosa não é um efeito colateral de ser um grande artista, por exemplo. Porém, é a arte que é um efeito colateral de uma vida sexual tempestuosa. Uma religião fanática não cria as supressões do celibato. São as tensões do celibato que criam uma religião fanática. A homossexualidade não é um efeito colateral das vidas nos quartéis entre as tropas de choque de elite suicidas. A homossexualidade cria as tropas de choque de elite suicidas primeiro.

A Musa, a origem hipotética da inspiração, normalmente desenhada em termos sexuais, é a Musa somente quando seu relacionamento com ela é instável. Quaisquer pronunciamentos morais a respeito do comportamento sexual foram dados, sem dúvida, milhões de vezes antes e seria indecoroso para um caoísta reenfatizar algum deles. Porém uma coisa parece relativamente certa. Qualquer forma de sexualidade invoca eventualmente toda a gama de êxtase, auto-rejeição, medo, prazer, tédio, raiva, amor, ciúmes, despeito, auto-piedade, exaltação e confusão. São essas coisas que nos fazem humanos e, ocasionalmente, super-humanos. Tentar transcendê-las é fazer-se menos que humano, não mais. Intensidade de experiência é a chave para estar realmente vivo e, tendo escolha, eu preferiria ter estas experiências através do amor do que através da guerra.

Uma vida sexual insípida cria uma pessoa insípida. Poucas pessoas conseguiram obter grandiosidade em qualquer campo sem a propulsão que uma vida sexual-emocional turbulenta provê. Este é o maior segredo da magia sexual. Os dois segredos menores envolvem a função do orgasmo como gnoses e a projeção de um glamour sexual. Qualquer coisa que seja mantida na mente consciente durante o orgasmo tende a alcançar a subconsciência. Anomalias sexuais podem prontamente ser implantadas ou retiradas por este método. No orgasmo pode-se dar poder aos sigilos de encantamento ou de evocação. Isto pode ser feito, por exemplo, através da visualização pura ou através da contemplação do sigilo fixado na testa do parceiro. Entretanto, este tipo de trabalho é freqüentemente mais conveniente se realizado de forma auto-erótica. Embora a gnoses oferecida pelo orgasmo possa, em teoria, ser usada em suporte de qualquer objetivo mágico, normalmente é desaconselhável usá-lo para as magias entrópica e de combate. Nenhum encantamento é totalmente isolado no subconsciente e qualquer “escape” que ocorra pode implantar associações muito prejudiciais com a sexualidade.

Durante o orgasmo pode ser lançada uma invocação, sendo que esta operação será mais eficiente se cada parceiro assumir uma forma-deus. Os momentos seguintes ao orgasmo são muito úteis para visões de busca adivinatória. Atividades sexuais prolongadas podem, também, conduzir a estágios de transe úteis em adivinhação visual e oracular ou estados oraculares de possessão em invocação.

A projeção de um glamour sexual, com o objetivo de atrair os outros, depende de muito mais que a simples aparência física. Algumas das pessoas mais bonitas, no sentido convencional, carecem totalmente disso, enquanto que algumas das mais comuns desfrutam seus benefícios ao limite.

Para ser atraente para outra pessoa, você deve oferecer alguma coisa que seja a reflexão de alguma parte dela mesma. Se a oferta se torna recíproca, isso poderá conduzir a um senso de complementação que é mais prontamente celebrada pela intimidade física. Em muitas culturas, é convencionado para o macho exibir uma vigor público exterior e para a fêmea exibir uma personalidade mais tenra, ainda que nos encontros sexuais cada um irá procurar revelar seus fatores ocultos. O macho irá procurar mostrar que ele pode ser tão compassivo e vulnerável quanto poderoso, enquanto que a fêmea procurará mostrar uma força interna por trás dos signos e sinais de receptividade passiva. Personalidades incompletas, tais como aquelas que são profundamente machistas ou que consistem do oposto polar disso, não são nunca atraentes sexualmente a ninguém, exceto no sentido mais transitório.

Assim, os filósofos do amor têm identificado uma certa androginia em ambos os sexos como um importante componente da atração. Alguns têm usado de licença poética para expressar o belo ideal de o homem ter uma alma fêmea e a mulher uma alma masculina. Isso reflete o chavão que para ser atraente para os outros, você deve, primeiro, ser atraente para você mesmo. Algumas horas gastas praticando o ser atraente em frente a um espelho é um exercício valioso. Se você não consegue ficar nenhum pouco excitado com você mesmo, não espere que ninguém fique.

A técnica do “olhar da Lua” é freqüentemente eficiente. Você fecha os olhos rapidamente. Visualiza momentaneamente um crescente lunar de prata por trás de seus olhos, com os chifres da lua se projetando de cada lado de sua cabeça, atrás de seus olhos. Então, olhe nos olhos de um amante potencial enquanto visualiza uma radiação prata sendo emitida de seus olhos para os dele, ou dela. Esta manobra também tem o efeito de dilatar as pupilas e, normalmente, causa um sorriso involuntário. Ambos são sinais sexuais universais, sendo que o primeiro atua subconscientemente. Não se deve lançar encantamentos para parceiros específicos. É preferível conjurar para parceiros adequados em geral, para você ou para outros. Seu subconsciente possui uma apreciação muito mais penetrante de quem realmente é adequado.

A magia sexual é tradicionalmente associada com as cores púrpura (da paixão) e prata (da Lua). Entretanto, a eficiência das roupas pretas tanto como sinal sexual quanto anti-sexual, dependendo do estilo e corte, mostra que o preto é, num certo sentido, a cor secreta do sexo, refletindo o relacionamento biológico e psicológico entre o sexo e a morte.

Ritos de Natureza Mista

O poder amarelo combina bem, na invocação, com qualquer uma das outras forças, exceto a negra. Tais trabalhos têm o efeito de atrair a força aliada ao poder amarelo mais completamente para o reino da auto-imagem. Invocações negro-amarelas são realizadas convencionalmente em duas metades como experiências de morte e renascimento, em que o mago procura recriar vigorosamente sua auto-imagem após seu ritual de sacrifício. Invocações e encantamentos de natureza mista verde-púrpura funcionam bem, apesar de estas forças serem melhor utilizadas de forma isolada. Ainda assim, ritos púrpura-negros possuem efeitos incomuns e não são necessariamente perigosos para aquele que os realiza se construídos de forma cuidadosa.

Traduzido por Lucifer 149

[…] ou fortunas modestas e necessárias ou para grandes e inesperados ganhos. A magia do dinheiro, ( ou Magia Azul como colocaria Peter Carroll) é tão antiga quanto as maldições e os feitiçosd e amor, e muitas […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/as-oito-cores-da-magia/

Os Sonhos (Parte 6)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia, depois definimos nossos termos técnicos em Signos, falamos sobre a precisão das divisões entre os planos em A Percepção e a Evolução e como isso pode ser organizado em em Rituais e depois mostramos como a simples mistura de sistemas mágicos pode ser um fracasso para pesquisas em Análise de sistemas mágicos.

Para entender um pouco melhor o exercício prático do quinto texto, separei outra frase do livro “O Poder do Mito”, de Joseph Campbell:

“Quanto ao ritual, é preciso que ele se mantenha vivo. Muito do nosso ritual está morto. É extremamente interessante ler a respeito das culturas primitivas, elementares – como elas transformam os contos populares, os mitos, o tempo todo, em função das circunstâncias. Um povo se move de uma área em que, digamos, a vegetação era o suporte básico, para as planícies. Muitos dos nossos índios das planícies, do período em que andavam a cavalo, tinham pertencido originariamente à cultura do Mississipi. Eles viviam ao longo do Mississipi, tinham moradia fixa nas cidades e desenvolviam uma agricultura estável.

Então receberam os cavalos dos conquistadores espanhóis, o que tornou possível aventurar-se pelas planícies e praticar a grande caçada das manadas de búfalos. Por essa época, sua mitologia transformou-se de mitologia ligada à vegetação, em mitologia ligada ao búfalo.”

Muitos dos rituais foram criados de maneira a modificar o estado de consciência das pessoas e lembrá-las do que é realmente importante para suas vidas.

Como estamos falando sobre a criação dos sistemas mágicos, é preciso saber o porquê deles serem criados. Quase tudo que foi discutido até agora é mais ligado aos mundos ativo e formativo, ou Assiah e Yetzirah respectivamente (de acordo com a divisão com base nos Quatro Elementos citada no terceiro texto da série), então, após entender estes, vamos falar sobre o mundo emocional ou criativo, o mundo da Água, Briah.

“Emoção é uma experiência subjetiva, associada ao temperamento, personalidade e motivação. A palavra deriva do latim emovere, em que o e- (variante de ex-) significa ‘fora’ e movere significa ‘movimento’.” Emoção. In: Wikipedia. Disponível em:. . Acesso em: 07/08/2014.

Podemos ver que existe uma diferença entre sentimentos e emoções, já que os sentimentos estão ligados diretamente aos nossos sistemas de percepção, enquanto emoção é um tipo específico de sentimento, o que coloca a pessoa reativamente em movimento (aqui falamos dos mais diferentes tipos de movimento, desde um pensamento a um movimento físico).

Todos temos os mais variados tipos de emoções durante nosso dia a dia, desde a vontade de abraçar aqueles que amamos, até a vontade de afastar alguém que queremos não queremos por perto. Mas existe um problema muito grande quando vamos falar sobre emoções, elas estão além da nossa língua, estão acima do plano dos símbolos. Cada emoção depende basicamente da percepção de mundo de quem a sente e também da intensidade com que o algo que a gerou aconteceu.

Quando eu digo “Eu amo minha mãe”, é um amor muito diferente de quando eu digo “Eu amo minha namorada”, ou “Eu amo meu trabalho”, ou “Eu amo meu filho”, ou “Eu amo chocolate” etc. Quando, por exemplo, a palavra “amor” é lida em um texto, o leitor tenta ativá-la recordando de algo (ou seja, o remete a algo que ele já sentiu) para entender que tipo de amor o autor está tentando citar. Mas uma pessoa que nunca teve um filho, não vai entender exatamente o que um pai sente quando diz “Eu amo meu filho” enquanto esse não tiver um (exemplo emprestado do querido MDD).

Para contornar estas situações, existem muitas técnicas que ajudam a colocar uma parte maior do sentimento no texto, como fazer comparações ou metáforas, escrever poemas e músicas, fazer um desenho, um vídeo etc. Eu poderia falar “Eu amo tanto minha namorada que sem ela minha vida seria preto e branco”. Com isto, levo o leitor a pensar em como é a diferença em ver algo em preto e branco e à cores (como tv ou fotos); ao sentir a diferença, ver que é muito mais sem graça (obviamente existem exceções), ele consegue chegar mais perto de entender que minha vida seria bem mais sem graça sem minha namorada, e, assim, entender um pouco mais do meu amor por ela. Mas mesmo assim não é algo preciso, então eu poderia escrever um ou vários poemas, uma ou várias músicas, fazer desenhos e muitas outras coisas. Cada vez que fizer algo assim, as outras pessoas poderão entender um pouco melhor minhas emoções.

Mas sabemos que emoções não são ligadas apenas a amor. Os índios tinham uma ligação muito forte com a Mãe Natureza, então sempre que conseguiam alguma comida, sentiam gratidão e uma felicidade muito grande e, para expressar isso, criavam festivais, músicas, pinturas, esculturas e muitas outras coisas como forma de agradecê-La. É aí que percebemos a diferença que Joseph Campbell cita de quando há uma mudança nos hábitos dos índios, toda sua maneira de cultuar é modificada (cultos de agradecimento à floresta tornam-se cultos de agradecimento aos búfalos), porém, as emoções são praticamente as mesmas. Quem sabe uma foto ajude o leitor a perceber estas emoções que citei dos índios:

Com isso, voltamos àquilo que eu estava falando sobre símbolos no texto 4, que símbolos são imagens que um grupo de pessoas tem com um significado em comum (aquilo que os une), então, com a formação de um sistema simbólico, começa a existir uma padronização que ajuda muito na expressão das emoções entre pessoas que o entendem/vivem. Isto é fortalecido quando as pessoas vivem utilizando e percebendo aquele sistema simbólico rotineiramente, não é que não funciona para quem não vive assim, porém, é bem mais fraco para estes. Eu que, para comer, preciso apenas arrumar dinheiro e ir a um supermercado, nunca saberei de verdade o que é louvar um Deus Caçador, o que é suplicar comida a Ele junto com toda uma cidade, com seus filhos, com medo de nunca mais conseguir comer e ver seus entes queridos morrerem de fome.

Até aqui falamos das emoções que nós conseguimos entender e tentamos transmitir a alguém, mas e as que nem nós mesmos conseguimos entender? É aí que entra o que se chama de “subconsciente” dos seres humanos, o lugar onde ficam as emoções que o ser possui, mas ainda não foi capaz de entender conscientemente. Quando estas emoções começam a aflorar, elas começam a chegar na mente e tomam forma de símbolos que o ser possui em memória, o que pode ficar algo grosseiramente aproximado. Vamos a um exemplo:

Dois nativos, um que viveu a vida toda na Floresta Amazônica e o outro que viveu no Egito. Quando algo começa a ameaçar a vida do primeiro, nos sonhos, ele poderá ver uma onça pintada tentando atacá-lo, uma aranha, uma cobra etc. Se esse mesmo algo ameaça a vida do segundo, ele verá nos sonhos um escorpião, uma serpente, um crocodilo etc.

Quando é algo que a pessoa não consegue fazer a mínima ideia do que seja, não possui nada que se aproxime daquilo, começam a aparecer seres deformados e totalmente desconexos durante os sonhos, como uma onça pintada com cabeça de cobra e oito patas, formando um “novo ser”. Este novo ser, apesar de deformado, não é necessariamente bom ou mal, é apenas divergente dos padrões com que a pessoa criadora está habituada.

Utilizar um bom sistema simbólico ajuda justamente nisso, quando se sintoniza com um, as emoções começam a chegar baseadas nesses padrões. Por exemplo, imaginemos que várias pessoas, em diferentes partes do mundo, precisam disciplinar alguém mas não têm forças para isso. Neste momento um grego pode sonhar que é o deus Áres, um umbandista que é Ogum, um hindu que é Kali, um egípcio que é Hórus, uma criança dos dias atuais que é Vegeta, Kratos, um soldado armado etc.

Como é importante analisar as próprias emoções, é muito importante que se entenda qual a base simbólica que sua mente está utilizando, ou seus sonhos e visões viram uma salada de frutas. Note que, em razão de toda educação e percepção de mundo que as pessoas de um grupo têm (a forma de disciplinar do grego não é a mesma dos umbandistas, hindus e egípcios), logo, as imagens citadas não são as mesmas, gerando deuses, culturas e padrões de ação diferentes (algumas vezes muito parecidos, mas nunca iguais). Mas, apesar disso, existem sim símbolos que servem para a grande parte das pessoas do mundo todo, são imagens formadas à partir do que foi citado no capítulo 3 como “Inconsciente Coletivo”, que é a parte não consciente das coisas que todas as pessoas do mundo são capazes de perceber, simplesmente por serem seres humanos gerados e criados por outros seres humanos; este assunto será abordado no próximo capítulo, quando estivermos falando de Atziluth, ou o mundo do Fogo.

Como de costume, para terminar este texto proponho um exercício prático: a construção de um diário de sonhos. Todas as pessoas do mundo sonham, porém, nem todas lembram deles, justamente porque lembrar dos sonhos gasta energia e a maioria das pessoas não quer gastar energia em algo que para ela não faz o menor sentido. A melhor maneira que conheci para lembrar de sonhos é anotando-os, quando fazemos isso, nosso cérebro começa a dar mais atenção (awereness) a eles e nos ajuda a lembrar cada vez de mais e mais detalhes, até que chegará uma hora em que a pessoa dificilmente conseguirá lembrar se o que se passou foi sonho ou realidade. Daí vem a segunda grande importância de anotá-los: para não confundirmos os sonhos com a realidade do mundo físico. Existem outras coisas que nos ajudam a induzir nosso cérebro a lembrar dos sonhos, como: imagens, talismãs, músicas, orações etc. Um terceiro ponto, não menos importante que os outros, é começar a perceber os padrões em que as imagens chegam, assim, podemos entender melhor quais são nossos próprios sistemas simbólicos e, dessa forma, entender melhor nossas emoções inconscientes.

“Vamos todos em busca do elixir da longa vida…”

Vai dar certo!

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-sonhos-parte-6

Conclusão – A Perfeição da Renúncia

Bhagavad-gita, Capítulo XVIII.

01: Arjuna disse: Ó Krishna de braços poderosos, desejo compreender o propósito da renúncia (tyaga) e da ordem renunciada da vida (sannyasa), ó matador do demônio Kesi, Hrsikesa.

02: O Senhor Supremo disse: Os sábios chamam de renúncia (tyaga) o abandono dos resultados de todas as atividades. E os grandes homens eruditos chamam este estado de ordem renunciada da vida (sannyasa).

03: Alguns homens eruditos declaram que se deve abandonar todos os tipos de atividades fruitivas, mas há ainda outros sábios que mantêm que nunca se deve abandonar os atos de sacrifício, caridade e penitência.

04: Ó melhor dos Bharatas, ouça-Me falar sobre a renúncia. Ó tigre entre os homens, nas escrituras se declara que há três tipos de renúncia.

05: Os atos de sacrifício, caridade e penitência não devem ser abandonados mas devem ser executados. De fato, sacrifícios, caridade e penitência purificam até as grandes almas.

06: Todas estas atividades devem ser executadas sem nenhuma expectativa de resultado. Elas devem ser executadas por uma questão de dever, ó filho de Prtha. Essa é Minha opinião final.

07: Nunca se deve renunciar aos deveres prescritos. Se, por ilusão, uma pessoa abandona seus deveres prescritos, diz-se que tal renúncia está no modo da ignorância.

08: Diz-se que quem quer que abandone os deveres prescritos por serem problemáticos, ou por temor, está no modo da paixão. Com tal ação nunca se ganham os resultados da renúncia.

09: Mas aquele que executa seu dever prescrito só porque deve ser feito, e renuncia a todo apego aos frutos – sua renúncia é da natureza da bondade, ó Arjuna.

10: Aqueles que estão situados no modo da bondade, que nem odeiam o trabalho inauspicioso nem estão apegados ao trabalho auspicioso, não têm dúvidas quanto ao trabalho.

11: De fato é impossível um ser corporificado renunciar a todas as atividades. Por isso se diz que aquele que renuncia aos frutos da ação é uma pessoa que renunciou de verdade.

12: Para aquele que não é renunciante, os três frutos da ação – o desejável, o indesejável e o mesclado – manifestam-se depois da morte. Mas aqueles que estão na ordem renunciada da vida não têm que sofrer ou gozar tais resultados.

13 -14: Ó Arjuna de braços poderosos, aprenda de Mim sobre os cinco fatores que ocasionam o cumprimento de toda ação. Na filosofia sankhya se declara que estes fatores são: o lugar da ação, o executor, os sentidos, o esforço e finalmente a Superalma.

15: Qualquer ação correta ou incorreta que um homem execute com o corpo, mente ou fala, é causada por estes cinco fatores.

16: Portanto, uma pessoa que se considera o único executor, sem levar os cinco fatores em consideração, certamente não é muito inteligente e não pode ver as coisas como elas são.

17: Uma pessoa que não é motivada pelo falso ego, cuja inteligência não está envolvida, mesmo que mate homens neste mundo, não é o que mata. Nem tampouco está atada por suas ações.

18: O conhecimento, o objeto de conhecimento e o conhecedor são os três fatores que motivam a ação; os sentidos, o trabalho e o executor compreendem a base tripla da ação.

19: De acordo com os três modos da natureza material, existem três tipos de conhecimento, ação e executores de ação. Ouça enquanto Eu os descrevo.

20: Esse conhecimento através do qual se vê uma só natureza espiritual indivisa em todas as existências, indivisa no dividido, é conhecimento no modo da bondade.

21: O conhecimento através do qual se vê um tipo diferente de entidade viva morando em corpos diferentes é conhecimento no modo da paixão.

22: E se diz que o conhecimento através do qual uma pessoa se apega a um tipo de trabalho como se este trabalho fosse tudo, sem interessar-se na Verdade, e o qual é muito escasso, está no modo da escuridão.

23: Quanto às ações, a ação de acordo com o dever, que se executa sem apego, sem amor nem ódio, por uma pessoa que renuncia aos resultados fruitivos, chama-se ação no modo da bondade.

24: Mas a ação que se executa com grande esforço por parte de uma pessoa que busca gratificar seus desejos, e que se executa por um sentido de falso ego, chama-se ação no modo da paixão.

25: E a ação executada em ignorância e ilusão, sem se considerar o cativeiro ou as consequências futuras, que inflige dano e não é prática, é considerada ação no modo da ignorância.

26: O trabalhador que está livre de todos os apegos materiais e do falso ego, que é entusiasta e resoluto e que é indiferente ao êxito ou ao fracasso, é um trabalhador no modo da bondade.

27: Mas o trabalhador que está apegado aos frutos de seu trabalho e que quer apaixonadamente desfrutá-los, que é cobiçoso, invejoso e impuro, e se comove com a felicidade e o sofrimento, é um trabalhador no modo da paixão.

28: E o trabalhador que está sempre ocupado em trabalho contra a injunção da escritura, que é materialista, obstinado, enganador e experto em insultar os outros, que é preguiçoso, sempre desanimado e moroso, é um trabalhador no modo da ignorância.

29: Agora, ó conquistador de riquezas, ouça por favor enquanto Eu lhe falo em detalhe sobre os três tipos de compreensão e determinação segundo os três modos da natureza.

30: Ó filho de Prtha, esta compreensão através da qual uma pessoa sabe o que se deve fazer e o que não se deve fazer, o que se deve temer e o que não se deve temer, o que ata e o que libera, essa compreensão está estabelecida no modo da bondade.

31: E a compreensão que não pode distinguir entre a forma de vida religiosa e a irreligiosa, entre a ação que se deve executar e a ação que não se deve executar, essa compreensão imperfeita, ó filho de Prtha, está no modo da paixão.

32: Essa compreensão que considera que irreligião é religião e religião é irreligião, que está sob o encanto da ilusão e da escuridão, e que se esforça sempre na direção errada, ó Partha, está no modo da ignorância.

33: Ó filho de Prtha, a determinação que é inquebrantável, que se sustém com constância através da prática de yoga, e desse modo controla a mente, a vida e os atos dos sentidos, está no modo da bondade.

34: E a determinação através da qual uma pessoa se aferra ao resultado fruitivo na religião, no desenvolvimento econômico e na gratificação dos sentidos, é da natureza da paixão, ó Arjuna.

35: E a determinação que não pode ir além do sonho, do temor, da lamentação, do mal humor e da ilusão – tal determinação carente de inteligência está no modo da escuridão.

36-37: Ó melhor dos Bharatas, agora por favor ouça de Mim sobre os três tipos de felicidade que a alma condicionada desfruta, e através dos quais às vezes chega ao fim de todo o sofrimento. Diz-se que aquilo que no começo pode parecer veneno mas no fim é como néctar, e que desperta a pessoa para a autorrealização, é felicidade no modo da bondade.

38: Diz-se que a felicidade que deriva do contato dos sentidos com seus objetos e que parece como néctar no começo, mas que no final é como veneno, é da natureza da paixão.

39: E se diz que a felicidade que está cega para a autorrealização, que é ilusão do começo ao fim e que surge do sono, da preguiça e da ilusão, é da natureza da ignorância.

40: Não existe nenhum ser existindo, aqui ou entre os semideuses nos sistemas planetários superiores, que esteja livre dos três modos da natureza material.

41: Os brahmanas, os ksatriyas, os vaisyas e os sudras se distinguem por suas qualidades de trabalho, ó castigador do inimigo, de acordo com os modos da natureza.

42: Tranquilidade, autocontrole, austeridade, pureza, tolerância, honestidade, sabedoria, conhecimento e religiosidade estas são as qualidades com as quais os brahmanas trabalham.

43: Heroísmo, poder, determinação, destreza, coragem na batalha, generosidade e liderança são as qualidades de trabalho para os ksatriyas.

44: A agricultura, a proteção das vacas e o comércio são as qualidades de trabalho para os vaisyas, e para os sudras há o labor e o serviço aos outros.

45: Seguindo suas qualidades de trabalho, todo homem pode se tornar perfeito. Agora ouça por favor de Mim sobre como fazer isto.

46: Através da adoração do Senhor, o qual é a fonte de todos os seres e que é todo-penetrante, o homem pode alcançar a perfeição na execução de seu próprio dever.

47: É melhor dedicar-se à própria ocupação, mesmo que a pessoa talvez a execute imperfeitamente, do que aceitar a ocupação de uma outra pessoa e executá-la perfeitamente. As reações pecaminosas nunca afetam os deveres prescritos que estão de acordo com a natureza da pessoa.

48: Todo esforço é encoberto por algum tipo de defeito, exatamente como o fogo é coberto pela fumaça. Portanto, a pessoa não deve abandonar o trabalho que nasce de sua natureza, ó filho de Kunti, mesmo que tal trabalho esteja cheio de defeitos.

49: Uma pessoa pode obter os resultados da renúncia simplesmente pelo autocontrole e por se desapegar das coisas materiais, fazendo pouco caso dos prazeres materiais. Este é o mais elevado estágio perfeccional da renúncia.

50: Ó filho de Kunti, aprenda coMigo brevemente como uma pessoa pode alcançar o estágio perfeccional supremo, Brahman, agindo da maneira que agora vou resumir.

51-53: Estando purificado por sua inteligência e controlando a mente com determinação, abandonando os objetos de gratificação dos sentidos, estando livre do apego e do ódio, uma pessoa que vive em um lugar solitário, que come pouco e que controla o corpo e a língua, e está sempre em transe e está desapegada, que não tem falso ego, falsa força, falso orgulho, luxúria, ira, e que não aceita coisas materiais, tal pessoa é certamente elevada à posição de autorrealização.

54: A pessoa que está assim situada transcendentalmente realiza de imediato o Brahman Supremo. Ela nunca se lamenta nem deseja ter nada; ela está igualmente disposta com toda entidade viva. Neste estado ela alcança o serviço devocional puro a Mim.

55: Pode-se compreender a Suprema Personalidade como Ele é unicamente através do serviço devocional. E quando a pessoa tem plena consciência do Senhor Supremo através de tal devoção, ela pode entrar no reino de Deus.

56: Embora ocupado em todos os tipos de atividades, Meu devoto, sob Minha proteção e por Minha graça, alcança a morada eterna e imperecível.

57: Em todas as atividades dependa simplesmente de Mim e trabalhe sempre sob Minha proteção. Em tal serviço devocional, seja plenamente consciente de Mim.

58: Se você se tornar consciente de Mim, por Minha graça você passará por todos os obstáculos da vida condicional. Se, entretanto, você não trabalhar com tal consciência mas agir através do falso ego, sem Me ouvir, você estará perdido.

59: Se você não agir de acordo com Minha direção e não lutar, então você será dirigido falsamente. Por sua natureza, você terá que se engajar na luta.

60: Ó filho de Kunti, sob a influência da ilusão você agora recusa a agir segundo Minha direção. Mas, compelido por sua própria natureza, de qualquer maneira você terá que agir.

61: Ó Arjuna, o Senhor Supremo está situado no coração de todo mundo, e dirige as divagações de todas as entidades vivas, que estão sentadas como numa máquina, feita de energia material.

62: Ó descendente de Bharata, renda-se a Ele completamente. Por Sua graça você alcançará a paz transcendental e a morada suprema e eterna.

63: Desse modo Eu lhe expliquei o mais confidencial de todos os conhecimentos. Delibere sobre isto completamente, e então faça o que desejar fazer.

64: Porque você é Meu muito querido amigo, Eu estou lhe falando a parte mais confidencial do conhecimento. Ouça-Me falar sobre isto, pois é para o seu benefício.

65: Pense sempre em Mim e converta-se em Meu devoto. Adore-Me e ofereça suas homenagens a Mim. Desse modo você virá a Mim sem falta. Eu lhe prometo isto porque você é Meu muito querido amigo.

66: Abandone todas as variedades de religião e simplesmente se renda a Mim. Eu libertarei você de todas as reações pecaminosas. Não tema.

67: Este conhecimento confidencial não pode ser explicado para os que não são austeros, nem devotados, nem ocupados em serviço devocional, nem para uma pessoa que Me inveja.

68: Para uma pessoa que explica este segredo supremo aos devotos, o serviço devocional está garantido, e no final ela retornará a Mim.

69: Não há servo neste mundo mais querido para Mim do que ele, nem jamais haverá um mais querido.

70: E Eu declaro que aquele que estuda esta conversação sagrada Me adora com sua inteligência.

71: E uma pessoa que ouve com fé e sem inveja liberta-se das reações pecaminosas e alcança os planetas onde vivem os piedosos.

72: Ó Arjuna, conquistador de riquezas, você ouviu este conhecimento atentamente com sua mente? E suas ilusões e ignorância já se dissiparam?

73: Arjuna disse: Meu querido Krishna, ó pessoa infalível, agora minha ilusão se foi. Recobrei minha memória por Sua misericórdia, e agora estou firme e livre de dúvidas e estou preparado para agir de acordo com Suas instruções.

74: Sanjaya disse: Desse modo, eu ouvi a conversação de duas grandes almas, Krishna e Arjuna. E esta mensagem é tão maravilhosa que meu cabelo se arrepia.

75: Pela misericórdia de Vyasa, eu ouvi estas conversações, as mais confidenciais, diretamente do mestre de todo o misticismo, Krishna, que falava pessoalmente para Arjuna.

76: Ó Rei, enquanto recordo repetidamente este santo e maravilhoso diálogo entre Krishna e Arjuna, sinto prazer, vibrando a todo momento.

77: Ó Rei, quando me lembro da forma maravilhosa do Senhor Krishna, fico tomado de uma admiração ainda maior, e me regozijo repetidamente.

78: Onde quer que esteja Krishna, o mestre de todos os místicos, e onde quer que esteja Arjuna, o arqueiro supremo, certamente também haverá opulência, vitória, poder extraordinário e moralidade. Esta é minha opinião.

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Ilustrações:

Ilustração Quarenta e Um – Sri Krishna diz no Bhagavad-gita: ‘”Ó Arjuna de braços poderosos, aprenda de Mim sobre os cinco fatores que ocasionam o cumprimento de todas as ações. Na filosofia sankhya se declara que esses fatores são: o lugar da ação (abaixo, extrema esquerda), o executor (abaixo, à direita), os sentidos (abaixo, extrema direita). o esforço e finalmente a Superalma (abaixo, ao centro).” Assim, existem cinco fatores da ação, mas todas essas atividades da pessoa dependem da vontade da Superalma que está situada dentro do coração como um amigo. O Senhor Supremo é a causa suprema. (Veja Capítulo 18, Verso 4)

Ilustração Quarenta e Dois – Aqui se representa como é que os brahmanas (acima, à esquerda), caracterizados por sua tranquilidade, controle, sabedoria etc., os ksatriyas (acima, à direita), caracterizados por seu heroísmo, generosidade, liderança etc., os vaisyas (abaixo, à esquerda), caracterizados pela agricultura e pelo comércio, e os sudras (abaixo, à direita), caracterizados pelo trabalho e pelo serviço, podem alcançar a perfeição na execução de seu dever através da adoração do Senhor Supremo (no centro da figura), que é a fonte de todos os seres e que é todo-penetrante. Todo mundo deve pensar que o Senhor o está ocupando em determinado tipo de trabalho, e que com o resultado desse trabalho deve-se adorar à Suprema Personalidade de Deus, Sri Krishna. Em qualquer ocupação a que se dedique a pessoa, se ela serve ao Senhor Supremo, alcançará a perfeição mais elevada. (Veja Capítulo 18, Versos 41-46)

Ilustração Quarenta e Três – Sri Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, retratado nesta pintura, conclui o Bhagavad-gita: “Pense sempre em Mim e converta-se em Meu devoto. Adore-Me e ofereça suas homenagens a Mim. Desse modo você virá a Mim sem falta. Eu lhe prometo isto porque você é Meu muito querido amigo.” Estas palavras enfatizam que uma pessoa deve concentrar sua mente em Krishna – a mesma forma com duas mãos segurando uma flauta, o menino azulado com um rosto bonito e penas de pavão em Seu cabelo. Uma pessoa deve fixar sua mente nesta forma original de Deus, Krishna. Ela não deve nem mesmo distrair sua atenção para outras formas do Senhor. E a promessa do Senhor é que qualquer pessoa que esteja em tal consciência pura certamente retornará à morada de Krishna, onde estará ocupada na associação de Krishna, face a face. (Veja Capítulo 18. Verso 65)

Ilustração Quarenta e Quatro – Arjuna disse: “Meu querido Krishna, ó pessoa infalível, agora minha ilusão se foi. Recobrei minha memória por Sua misericórdia, e agora que estou firme e livre de dúvidas estou preparado para agir de acordo com Suas instruções.” Quando Arjuna compreendeu que o plano de Krishna era reduzir o aumento desnecessário de população, ele concordou em lutar segundo o desejo de Krishna. Ele tomou novamente de suas armas – suas flechas e arco – para lutar sob as ordens da Suprema Personalidade de Deus. “Sanjaya disse: Ó Rei Dhrtarastra, onde quer que esteja Krishna, o mestre de todos os místicos, e onde quer que esteja Arjuna, o arqueiro supremo, certamente também haverá opulência, vitória, poder extraordinário e moralidade. Esta é minha opinião.” (Veja Capítulo 18, Versos 73-78)

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Fonte:

Srila Prabhupada. Bhagavad-gita Como Ele É, 1ª Edição.

© The Bhaktivedanta Book Trust 1976.

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Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/conclusao-a-perfeicao-da-renuncia/

Geomancia, Runas e LOST

Postado originalmente no S&H,

10 Partiu, pois, Jacob de Berseba, e foi a Harä;
11 E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pós por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar.
12 E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;
13 E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaac; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência;
Genesis 28:10-13

Aproveitando o final da quinta temporada de LOST e seu enigmático personagem Jacob, o Teoria da Conspiração decidiu fazer um post especial sobre Oráculos. Para começarmos o texto, nada mais justo que explicarmos o simbolismo contido na Escada de Jacob e as bases para quase todas as Ordens Esotéricas Antigas (incluindo o próprio templo no qual o enigmático Jacob reside). A partir da estrutura do Templo, temos as bases dos primeiros Oráculos.

Jacob
A Bíblia nos relata que Jacob (ou Jacó, para os brasileiros), em sua viagem para Harã, precisou repousar e utilizou-se de uma pedra como travesseiro. Em seus sonhos, ele viu uma escada que avançava da Terra até o Reino dos Céus, e que os Anjos subiam e desciam através dela, levando e trazendo as mensagens até Deus.
Como sabemos que toda a Gênesis é simbólica e ocultista, cujos textos são alegorias para textos herméticos e iniciáticos relacionados com a Kabbalah, precisamos primeiro entender quem foi Jacó e qual sua importância para as principais religiões mundiais.
Jacó é neto de Abraão, filho de Isaac e irmão de Esaú. Jacó teve doze filhos e uma filha de suas duas mulheres, Léia e Raquel, e de suas duas concubinas, Bila e Zilpa. Ele foi o antepassado das doze tribos de Israel. Seus filhos são Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Benjamim e sua filha era Diná. As doze tribos de Israel tem relação direta com os Doze Signos do Zodíaco, mas isso é assunto para outra coluna.

A Escada de Jacó
A Escada de Jacob é uma alegoria para a estrutura completa da Árvore da Vida, entrelaçada em seus quatro mundos (Atziluth, Briah, Yetzirah e Assiah), formando uma complexa estrutura que se assemelha aos degraus de uma escada em espiral.
Os 72 anjos da Kabbalah, ou “Emanações do Nome de Deus” são os anjos que aparecem simbolicamente no sonho de Jacob, trazendo as perguntas e respostas dos magistas que utilizam-se deste sistema oracular. A Escada também simboliza a subida iniciática do Mundo Material até O Mundo Primordial.
Esta pedra usada por Jacob é tão importante esotericamente que até os dias de hoje, NENHUM soberano é coroado na Inglaterra se não estiver sentado sobre ela. A chamada “Stone of Scone” (atualmente localizada na abadia de Westminster) é usada desde tempos imemoriais, tendo registros anteriores ao século VIII de seu uso na coroação dos reis britânicos. Como eu já havia falado em outro Post, ela faz referência à pedra na qual a espada do Rei Arthur está cravada e serviu como um dos exemplos para os textos originais da lenda do rei (além, claro, do seu simbolismo tradicional como Malkuth e o ponto de partida para a Iniciação à Escada de Jacó).
A Escada passa pelos quatro mundos: o Mundo Material (representado pelo elemento Terra, pelo naipe de ouros e pela távola redonda), o Mundo Mental (representado pelo elemento ar, pelo naipe de Espadas e por excalibur), o Mundo Emocional (representado pelo elemento água, pelo naipe de copas e pelo Santo Graal) e finalmente pelo Mundo Espiritual (representado pelo elemento fogo, pelo naipe de paus e pelo Cajado de Merlin).

O Templo de Hermes-Toth
A partir da escada de Jacob, podemos estruturar os templos antigos segundo a própria Árvore da Vida. Como já discutimos em posts anteriores, a Construção dos Templos (e posteriormente das catedrais, igrejas templárias e finalmente templos maçônicos) reflete a Árvore da Vida.

A Geomancia
Suas origens remontam à África, embora tenham MUITAS semelhanças com o I-Ching chinês. O próprio Jesus Cristo (Yeshua) é retratado em diversos Apócrifos como tendo “escrito nas areias” antes de responder aos questionamentos de alguns homens que o procuravam. Como Essênio, é muito claro que ele era também um Mestre de Geomancia.
Não vou explicar os detalhes de como a Geomancia funciona. Quem quiser ler a respeito eu fiz um post específico sobre Geomancia no meu blog. Basicamente, consiste em se riscar traços na areia em um estado alterado de consciência e depois decodificar a mensagem recebida.
A Geomancia tradicional funciona com base na estrutura simbólica da Árvore de Jacob, ou seja, utiliza-se quatro níveis qu,e através da meditação, resultam em símbolos que podem ser codificados como “zeros” ou “uns”. A partir destas combinações temos desde (1-1-1-1 – Via) até (2-2-2-2 – Populus), cada um associado aos sete planetas tradicionais (mercúrio, vênus, marte, júpiter, saturno, lua e sol) e o dragão (cauda e cabeça) que representa a própria escada de Jacob. Cada planeta aparece em seu aspeco solar (yang) ou lunar (yin), totalizando 16 combinações possíveis.
Como a seqüência divinatória completa envolve também os quatro mundos (espiritual, emocional, mental e físico), temos um total de 16 x 4 = 64 combinações (curiosamente e “coincidentemente” o mesmo resultado dos trigramas do I-ching…). Mesma coisa, nomes diferentes…

Urim e Tumim
De acordo com a visão judaica, o Urim e Tumim remonta ao Sumo Sacerdote de Israel. A placa peitoral que utilizava era dobrada ao meio, formando um bolso onde ficava um pergaminho contendo o nome de Deus. Este nome fazia com que certas letras gravadas sobre as pedras preciosas acendessem de acordo com as questões perguntadas. Aquele que desejava uma resposta (apenas questões de relevância dentro da comunidade israelita poderiam ser perguntadas) ia ao sumo sacerdote . Este virava-se para a arca da aliança, e o inquiridor de pé atrás do Sumo-Sacerdote fazia a pergunta em voz baixa. O sumo sacerdote, olhando para as letras que se acendiam, era inspirado para decifrar a resposta de Deus. Estes utensílios foram utilizados até a destruição do Primeiro Templo, quando pararam de funcionar.
Geralmente os cristãos crêem que Urim e Tumim fossem duas pedras colocadas no peitoral do Sumo Sacerdote de Israel, contendo em uma face resposta positiva e em outro resposta negativa. Fazendo-se a pergunta, jogavam-se as pedras, e de acordo com os lados que caissem era confirmado uma resposta negativa, positiva ou sem resultados.
Alguns personagens bíblicos e, posteriormente, diversos rabinos, utilizavam-se de duas pedras, uma branca e uma negra, que ficavam em um saco especialmente preparado, para fazer as vezes de oráculo. Podemos encontrar diversas referências bíblicas a respeito deste antigo método oracular (Exodo 28:30, Levítico 8:8, Números 27:21, Deuteronômio 33:8, Samuel 28:6, Esdras 2:63 e Neemias 7:65).

As pedras brancas e negras faziam também o papel dos traços na areia, e por sua praticidade, começaram a ser usadas também como um auxílio à Geomancia. Ao invés de riscar os traços na areia, o consulente pegava em um saco pedras brancas ou negras e fazia as combinações necessárias (de maneira semelhante às moedas do I-ching).
Com a associação das letras e números do alfabeto hebraico (também chamada Gematria), os Pitagóricos e alguns Oráculos utilizavam ossos esculpidos para representar estas letras (que por sua vez também representavam planetas, signos e elementos, e todas as gazilhões de informação que cada elemento desses simboliza).

Os Dados e os Dominós
Muita gente se pergunta qual seria o elo de ligação entre o Urim e Tumim, as Runas e o Tarot. A resposta, por mais prosaica que pode parecer, sempre remete aos inocentes e singelos jogos (e nunca vamos nos esquecer dos vícios dos Jogos de Azar… “seres humanos, profanando tudo o que encontram pela frente desde 4.000 AC”). Dados como oráculos e utilizados como jogos de azar são registrados desde o Mahabharata até os Salmos (salmo 22:18, “repartem entre si minhas vestes, e sobre minha túnica lançam sortes”). Para substituir as duas pedras de Urim e Tumim, eram arremessados dois dados, numerados de 1 a 6. O número de combinações possíveis é de 21 (1-1, 1-2, 1-3, 1-4, 1-5, 1-6, 2-2, 2-3, 2-4, 2-5, 2-6 e assim por diante) totaliza 21 (com algumas jogadas com maiores possibilidades do que outras, os chamados “duplos”, entre eles o famigerado “Snake eyes”, equivalente ao arcano do Diabo).
Os dominós nada mais são do que estas 21 jogadas de dados colocadas lado a lado. Posteriormente, alguns jogos de dominó passaram a contar também com uma das casas vazias, para simular o lançamento de apenas um dado, elevando o total de possibilidades para 28.
Tudo o que restou desta transição nos baralhos modernos foi justamente as figuras da corte, que aparecem “divididas” ao meio, tal qual as peças de dominó.

As Runas
Das 16 pedras originais, os nórdicos desenvolveram a estrutura que ficou conhecida como “Elder Futhark”. As primeiras referências que temos do uso de runas datam de 150 DC. Composta de 24 letras, parcialmente adaptadas do alfabeto grego e do romano. Todo mundo pensa que runas eram exclusividades nórdicas, mas pouca gente sabe que existiam também jogos de runas baseadas no alfabeto Etrusco, composto de 20 símbolos. As runas, chamadas não por acaso de “folhas de Yggdrasil”, foram os segredos passados para Odin durante os nove dias que ficou espetado pela própria lança na “Árvore dos Mundos” (nove dias, nove esferas descontando Malkuth…)
Cada uma das 24 runas representa um Caminho dentro da Árvore da Vida, mais duas runas que representam Yesod e Malkuth. Além disso, cada conjunto de runas possui sua própria mitologia envolvendo diversos deuses nórdicos.
Os celtas tinham sua própria versão das runas, apesar de utilizarem-nas apenas por um curto período de tempo, quando os vikings invadiram a Irlanda, que usavam também para confeccionar talismãs. O problema é que as runas celtas eram tradicionalmente esculpidas em galhos cortados de macieiras, o que fez com que pouquíssimos exemplares ficassem preservados nos museus. Os nórdicos entalhavam suas runas em pedras, o que fez com que exemplares intactos chegassem até os dias de hoje.
A Magia prática rúnica se assemelha muito à magia ritualística cabalista, sendo (na minha opinião) mais simples para um magista iniciante de trabalhar.

Geomancia, Gematria e Tarock
No Egito, especialmente Alexandria, estava o berço dos Illuminati e os maiores avanços esotéricos e científicos. Quando os Mamelucos tomaram o controle daquela região (vamos ver isso mais em detalhes quando eu chegar nas Cruzadas), eles tomaram muitos dos conhecimentos dos Sufis (os místicos islâmicos), especialmente seus conhecimentos de Astrologia e Oráculos (que já vinham sendo desenvolvidos desde o século XI, com al-Ghazali). Este conhecimento passou posteriormente para os Templários, Cátaros e Rosacruzes.
Da combinação da Gematria (as 22 letras e números do alfabeto hebraico) somados ao conceito dos 4 Mundos (que eram representados simbolicamente pelos 4 elementos, como já vimos anteriormente) e as dez esferas, temos as primeiras impressões de um oráculo que era chamado de “Tarock Mamluk”. Os protótipos dos primeiros conjuntos de Tarot.
O primeiro registro a respeito de um deck de tarot consta de 1376, em Bern, na Suíça (justamente os católicos banindo qualquer tipo de “adivinhações” da cidade). Os decks mais antigos que se tem exemplares são os Visconti-Sforza (produzido por volta de 1450-1490 e já com os tradicionais 78 Arcanos, embora nenhum museu do mundo tenha mais do que trinta deles em sua coleção), da família de ocultistas italianos que foram patronos de ninguém menos que o Grão Mestre Leonardo daVinci (1452-1519); o tarot de Visconti de Modrone (produzido por volta de 1466) e o Brera-Brambilla, confeccionado por Francesco Sforza em 1463 (Francesco Sforza foi mencionado no “Príncipe”, de Maquiavel e serviu como modelo para uma das mais famosas estátuas do Leonardo DaVinci).

O Tarot de Marselha
Ao contrário da crença popular, o “Tarot de Marselha” não faz parte da primeira leva de tarots que apareceram no ocidente nos séculos XIV e XV. Seu nome origina-se no capítulo XI do livro “O Tarot dos Boêmios” em 1889, escrito por ninguém menos que o dr. Gerard Encausse (Papus) e baseado nos tarots de Noblet (1650) e Dodal (1701). Uma das características principais deste tarot é conter a Papisa Joana no lugar da Sacerdotisa.
E do século XVIII até o dia de hoje, milhares de tipos diferentes de tarot foram criados. Uns bons, a imensa maioria cópia ou plágio dos tradicionais e um monte de porcaria… mas isso é assunto para uma coluna só de tarot, e voltarei a abordar este tema quando chegarmos à Arthur Waite, Aleister Crowley e a Golden Dawn.

#Geomancia #Runas

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/geomancia-runas-e-lost

Bibliografia sobre vampiros

Clássicos da literatura:

 

• Cid Vale Ferreira (org.). – Voivode, Estudos sobre o Vampirismo, da mitologias às sub-culturas urbanas. Ed. Via Lettera. 2002.
• Gomes Leal. O Estrangeiro Vampiro – Carta a el-rei D. Carlos I. Empresa Literaria Lisbonense Libanio & Cunha, 1897. [Romance reproduzido sem a longa introdução em “Voivode”].
• J. Sheridan Le Fanu. O Vampiro de Karnstein. Edições GRD. (Reeditado em “O Vampiro de Karnstein e Outras Histórias”, Círculo do Livro. Também: Sheridan Le Fanu. Carmilla. Tradução de Cascais Franco. Europa-América.)
• Bram Stoker. Drácula. Tradução de Theobaldo de Souza. L&PM editores. Pág. 295-30. [Essa é a melhor tradução “não esgotada” do mercado].
• Bram Stoker. O Monstro Branco. Global Ground. (Com introdução de Tony faivre).
• Vários autores. Histórias de Vampiros. Coleção Livro B n º 21. Estampa.
• Vários autores. Histórias de Vampiros. Hemus. (Não é o mesmo livro, apesar de ter o mesmo nome).
• Vários autores. Vampiros. Relatos cortos. Seleção de Victoria Robins. (Em espanhol)
• Conan Doyle. O Vampiro de Sussex. Ediouro.

História:

• Raymond T. McNally & Radu Florescu. Drácula: Mito ou Realidade? Livraria José Olympio Editora.
• Raymond T. McNally & Radu Florescu. Em Busca de Drácula e Outros Vampiros. Mercuryo.
• Valentine Penrose. A Condessa Sanguinária. Paz e Terra.

Antropologia:

• Gordon Melton. O Livro dos Vampiros – a Enciclopédia dos Mortos Vivos. Makron Books.
• Richard Francis Burton. Vikram e o Vampiro. Círculo do Livro. (Stoker conheceu o tradutor desse livro… Excelente curiosidade sobre vampirismo indiano…)
• Anônimo. Contos do Vampiro. Martins Fontes. (Versão de Somadeva de “Vikram e o Vampiro”)
• Nathan Wachtel. Deuses e Vampiros. Edusp. (Excelente estudo antropológico)

Ocultismo:

• Robert Amberlain. O Vampirismo. Bertrand. (Para leitores avançados)
• Migel Angel Nieto (ed.). Profecias, Lendas e Personagens Malditos. Coleção As Ciências Proibidas. Vol. 16. Edições Século Futuro.
• Colin Wilson. O Oculto. Francisco Alves.
• H. P. Blavatsky & Mario Roso de Luna. Paginas Ocultistas y Cuentos Macabros. Editorial Eyras. (Em espanhol).
• Helena Petrovna Blavatsk. Isis sem Véu. Ed. Pensamento. Livro II. Capítulo XII (principalmente as págs. 141 a 149). [Para ver mais um caso relevante à Teosofia consulte Dr. Franz Hartmann. An Authenticated Vampire Story. Reeditado por Leslie Shepard em The Dracula Book of Great Vampire Stories. JOVE]
• Aleister Crowley. De Arte Mágica. Madras. [Ou leia minha tradução revisada do capítulo em “Vampirismo Rosacruz”]
• Dion Fortune. Autodefesa Psíquica. Pensamento.
• Kenneth Grant. Renascer da Magia. Madras.
• Konstantinos. Vampiros, a Verdade Oculta. Editorial Estampa. (Tendencioso mas interessante… A parte sobre vampirismo de cemitério está coberta de erros)

Religião:

• Caio Fábio. Nephilim. Razão Cultural. [Romance evangélico… Fala de vampirismo…]
• J. Herculano Pires. Vampirismo. Paidéa. (Livro espírita)
• XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da Luz. Ditado pelo Espírito André Luiz. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991. 347 p. (Série André Luiz, 4)

Romances:

• Todos das Crônicas Vampiriescas de Anne Rice.
• Whitley Strieber. Fome de Viver. Nova Cultural.
• F. Paul Wilson. O Fortim. Record. (Acreditem… Esse romance consegue meter medo…)
• Colin Wilson. Vampiros do Espaço. Francisco Alves. (Apesar de ser um romance, desenvolve a tese apresentada em “O Oculto”)
• Roderick Anscombe. A Vida Secreta de Laszlo, Conde Drácula. Editora Beste Seller.
• Martin Cruz Smith. Terrores da Noite. Círculo do Livro. (romance sobre Morcegos vampiros e deuses indígenas da morte)
• Stephen King. A Hora do Vampiro. Nova Cultural. [Romance… Muito bom]
• Carlos Queiros Teles. “A Marca da Serpente” em Sete Faces do Terror. Editora Moderna. (Conto)
• Antonio Carlos de Mello. A Metáfora de Drácula. Livraria José Olympio Editora. (Conto)
• Flávia Muniz. Os Noturnos. Editora Moderna. (Romance baseado no filme Garotos Perdidos)
• Tono Collins. Um Vampiro em Nova York. Nova Cultural. (romance. Quem gosta de Anne Rice vai adorar este aqui)

Variados:

• José Luiz Aidar & Márcia Maciel. O Que é Vampiro? Brasiliense.
• Ivan Cardoso & R. F. Lucchetti. Ivampirismo. O Cinema em Pânico. (Sobre cinema brasileiro).
• Jaques Bergier. O Livro do Inexplicável. Tradução de Francisco de Sousa. Hemus. [Ver ‘Quarta Parte: Fenômenos Fortianos’. Págs. 204 a 208]

Shirlei Massapust

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/bibliografia-sobre-vampiros/