As Prostitutas da Antiguidade

Em determinadas épocas do ano, sacerdotisas e mulheres de todas as classes sociais uniam-se sexualmente a reis, sacerdotes ou a estranhos.

Para os povos antigos, a lua era andrógina, como disse Plutarco, “chamase a Lua (Artemis) a mãe do universo cósmico; ela possui uma natureza andrógina”. Na Babilônia, o deus-lua Sin é andrógino e quando foi substituído por Istar, esta conservou seu caráter de androgismo. Igualmente no Egito, Ísis é denominada Ísis-Neit, enquanto andrógina.

Pelo mesmo fato de a lua ser andrógina, o homem-lua, cujo representante na terra era o rei ou o chefe tribal, passava a primeira noite de núpcias com a noiva, a fim de provocar a fertilização dela, da tribo e da terra. Tal hábito, permaneceu na França até a Idade Média com o nome de Le Droit du cuissage du Seigneur.

O fato de todos dependerem dos préstimos da lua para a propagação da espécie, da fertilização dos animais e das plantas, enfim, da boa colheita anual, em todos os sentidos, é que provocou, desde a mais remota antiguidade, um tipo especial de hieròs gámos, de casamento sagrado, uma união sagrada, de caráter impessoal. Trata-se das chamadas hierodulas, literalmente, “escravas sagradas”, porque adjudicadas, em princípio, a um templo, ou ainda denominadas “prostitutas sagradas”, mas sem nenhum sentido pejorativo.

Em determinadas épocas do ano, sacerdotisas e mulheres de todas as classes sociais uniam-se sexualmente a reis, sacerdotes ou a estranhos, todos simbolizando o homem-Lua, com o único fito de provocar a fertilização das mulheres e da terra, bem como de angariar bens materiais para o templo da deusa (Lua) a que serviam. Tudo isso parece muito estranho para nossa mentalidade ou para nossa ignorância das religiões antigas.

Puta, em latim, era uma deusa muito antiga e muito importante. Provém do verbo putare, “podar”, cortar os ramos de uma árvora, pôr ordem, “pensar”, contar, calcular, julgar, onde Puta era a deusa que presidia à podadura. Com o sentido de cortar, calcular, julgar, ordenar, pensar, discutir, muitos são os derivados de putare em nossa língua, como deputado, amputar, putativo, computar, computador, reputação. O sentido pejorativo, ao que parece, surgiu pela primeira vez num texto escrito entre 1180-1230 d.e.c. Não é difícil explicar a deturpação do vocábulo. É que do verbo latino mereri, receber em pagamento, merecer uma quantia, proveio meretrix, “a que recebe seu soldo”, de cujo acusativo meretrice nos veio meretriz, que também, a princípio, não tinha sentido erótico. Mas, como putas e meretrizes, que se tornaram sinônimos, se entrevam não só para obter a fecundação da tribo, da terra, das plantas e dos animais, mas também recebiam dinheiro para o templo, ambas as palavras, muito mais tarde, tomaram o sentido que hoje possuem.

Não eram, todavia, apenas mulheres que “trabalhavam” para a deusa-Lua. Homens igualmente, embora fosse mais raro, após se emascularem, entregavam-se ao serviço da deusa. Na Índia, segundo W. H. Keating, os homens de Winnipeck consideram o sol como propício ao homem, mas julgam que a lua lhes é hostil e se alegra quando pode armar ciladas contra o sexo masculino. Desse modo, os homens de Winnipeck, se sonhassem com a lua, sentiam-se no dever de tornar-se cinaedi, quer dizer, homossexuais. Vestiam-se imediatamente de mulher e colocavam-se ao serviço da lua.

Cibele era a grande deusa frígia, trazida solenemente para Roma entre 205 e 204 a.e.c., durante a segunda Guerra Púnica. Identificada com a lua, protetora inconteste da mulher, seus sacerdotes, chamados Coribantes, Curets ou Galos e muitos de seus adoradores, durante as festas orgiásticas da Bona Mater, Boa Mãe, como era chamada em Roma, se emasculavam e cobriam-se com indumentária feminina e passava a servir à deusa-Lua Cibele.

No Egito e na Mesopotâmia as deusas-Lua Ísis e Istar sempre tiveram um grande número para os templos, para elas trabalhavam infatigavemnte. No judaísmo, as hierodulas causaram problemas sérios. Para Astarté, deusa-lua semítica da vegetação e do amor (a Afrodite do Oriente), as hierodulas,, sobretudo em Canaã, operevam, quer ao longo das estradas, quer nos próprios santuários da deusa. O dinheiro arrecadado, a que se dava o nome de “salário de meretriz” ou “de cachorro”, era entregue aos santuários. Sob a influência cananéia, o abuso penetrou também no culto israelítico, embora a Lei se opusesse energicamente a isso e proibisse que o dinheiro fosse aceito pelto Templo. Sob Manassés e Amon (séc. VII a.e.c.), as prostitutas sagradas instalaram-se no próprio Templo de Jerusalém. Foi necessário que Josias mandasse demolir suas habitações. Mais tarde, à época da desordem total, até pagãos as procuravam no Templo da Cidade Santa.

Na Grécia, à época histórica, emludar de oferecer seu corpo e sua virgindade em honra da deusa-lua, as mulheres ofereciam sua cabeleira.

A Afrodite, divindade do prazer pelo prazer, do amor universal, que circula nas veias de todas as criaturas, porque, antes de tudo, Afrodite é a deusa das “sementes”, da vegetação, estavam ligadas, à maneira oriental, as célebres hierodulas, as impropriamente denominadas prostitutas sagradas. Essas verdadeiras sacerdotisas entregavam-se nos templos da deusa aos visitantes, com o fito, primeiro de promover e provocar a vegetação e, depois, para arrecadar dinheiro para os próprios templos. No riquíssimo (graças às hierodulas) santuário de Afrodite no monte Érix, na Sicília, e, em Corinto, a deusa era cercada por mais de mil hierodulas, que, à custa dos visitantes, lhe enriqueciam o santuário. Personagens principais das famosas Afrodísias de Corinto, todas as noites elas saíam às ruas em alegres cortejos e procissões rituais. Embora alguns poetas cômicos, como Aléxis e Eubulo, ambos do século IV a.e.c., tivessem escrito a esse respeito alguns versos maliciosos, nos momentos sérios e graves, como nas invasões persas de Dario (490 a.e.c) e Xerxes (480 a.e.c.) se pedia às hierofuldas que dirigissem preces públicas a Afrodite. Píndaro, talvez o mais religioso dos poetas gregos, celbrou com um (skólion), isto é, com uma canção convival, um grande número de jovens hierodulas que Xenofonte de Corinto ofertou a Afrodite, em agradecimento por uma dupla vitória nos Jogos Olímpicos.

por Prof. Junito de Souza Brandão

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/as-prostitutas-da-antiguidade/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/as-prostitutas-da-antiguidade/

A Maçonaria e a Igreja Católica

Ao longo de sua história a Igreja Católica condenou e desaconselhou seus fiéis à pertença a associações que se declaravam atéias e contra a religião, ou que poderiam colocar em perigo a fé. Entre essas associações encontra-se a maçonaria. Atualmente, a legislação se rege pelo Código de Direito Canônico promulgado pelo Papa João Paulo II em 25 de janeiro de 1983, que em seu cânon 1374, afirma: “Quem ingressa em uma associação que maquina contra a Igreja deve ser castigado com uma pena justa; quem promove ou dirige essa associação deve ser castigado com entredito”.

Esta nova redação, entretanto, apresenta duas novidades em relação ao Código de 1917: a pena não é automática e não é mencionado expressamente a maçonaria como associação que conspire contra a Igreja. Prevendo possíveis confusões, um dia antes de entrar em vigor a nova lei eclesiástica no ano de 1983, foi publicada uma declaração assinada pelo Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Nela se apresenta que o critério da Igreja não sofreu variação em relação às anteriores declarações, e a nominação expressa da maçonaria foi omitida para assim incluir outras associações. É indicado, juntamente, que os princípios da maçonaria seguem sendo incompatíveis com a doutrina da Igreja, e que os fiéis que pertençam a associações maçônicas não podem ter aceder à Sagrada Comunhão.

Neste sentido, a Igreja condenou sempre a maçonaria. No século XVIII, os Papas o fizeram com muito mais força, e no XIX persistira nisto. No Código de Direito Canônico de 1917 eram excomungados os católicos que fizessem parte da maçonaria, e no de 1983 o cânon da excomunhão desaparece, junto com a menção explícita da maçonaria, o que pôde criar em alguns a falsa opinião de que a Igreja por pouco aprovaria a maçonaria.

É dificil encontrar um tema – explica Federico R. Aznar Gil, em seu ensaio La pertenencia de los católicos a las agrupaciones masónicas según la legislación canónica actual (1995) – sobre o qual as autoridades da Igreja Católica tenham se pronunciado tão reiteradamente com no caso da maçonaria: desde 1738 a 1980 conservam-se não menos de 371 documentos, aos quais deve-se acrescentar abundantes intervenções dos dicastérios da Cúria romana e, a partir sobretudo do Concílio Vaticano II, as não menos numerosas declarações das Conferencias Episcopais e dos bispos de todo o mundo. Tudo isto está indicando que nos encontramos frente a uma questão vivamente debatida, fortemente sentida e cuja discussão não pode se considerar fechadas.

Quase desde a sua aparição, a maçonaria gerou preocupações na Igreja. Clemente XII, “In eminenti”, havia condenado a maçonaria. Mais tarde, Leão XIII, em sua encíclica “Humanum genus”, de 20 de abril de 1884, a qualificava de organização secreta, inimigo astuto e calculista, negadora dos princípios fundamentais da doutrina da Igreja. No cânon 2335 do Código de Direito Canônico de 1917 estabelecia-se que “aqueles que dão seu nome à seita maçônica, ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra as potestades civis legítimas, incorrem ipso facto em excomunhão simplesmente reservada à Sede Apostólica”.

O delito – segundo Federico R. Aznar Gil – consistia em primeiro lugar em dar o nome ou inscrever-se em determinadas associações. (…) Em segundo lugar, a inscrição devia se realizar em alguma associação que maquinasse contra a Igreja: se entendia por maquinar “aquela sociedade que, em seu próprio fim, exerce uma atividade rebelde e subversiva ou as favorecesse, quer pela própria ação dos membros, quer pela propagação da doutrina subversiva; que de forma oral ou por escrito, atua para destruir a Igreja, isto é, sua doutrina, autoridades em quanto tais, direitos, ou a legítima potestade civil”. (…) Em terceiro lugar, as sociedades penalizadas eram a maçonaria e outras do mesmo gênero, com o qual o Código de Direito Canônico estabelecia uma clara distinção: enquanto o ingresso na maçonaria era castigado automaticamente com a pena de excomunhão, a pertença a outras associações tinha que ser explicitamente declarada como delitiva pela autoridade eclesiática em cada caso. Os motivos que argumentava a Igreja católica para sua condenação à maçonaria eram fundamentalmente: o caráter secreto da organização, o juramento que garantia esse caráter oculto de suas atividades e os pertubadores complôs que a maçonaria empreendia contra a Igreja e os legítimos poderes civis. A pena estabelecia diretamente a excomunhão, estabelecendo-se também uma pena especial para os clérigos e os religiosos no cânon 2336.

Também recordavam as condições estabelecidas para proceder à absolvição desta excomunhão, que consistiam no afastamento e a separação da maçonaria, reparação do escândalo do melhor modo possível, e cumprimento da penitência imposta. As conseqüências da excomunhão incluiam, por exemplo, a privação de sepultura eclesiática e de qualquer missa exequial, de ser padrinho de batismo, de confirmação, de não ser admitidos no noviciado, e o conselho – no caso das mulheres – de não contrair matrimônio com maçons, assim como a proibição ao pároco de assistir núpcias sem consultar o Ordinário.

A partir da celebração do Concílio Vaticano II, um incipiente diálogo entre maçons e católicos fez com que a situação começasse a mudar. Alguns Episcopados (França, Países Escandinavos, Inglaterra, Brasil ou Estados Unidos) começaram a revisar a atitude frente a maçonaria; por um lado revendo na história os motivos que levaram a Igreja a adotar essa atitude condenadora, tais como sua moral racionalista maçônica, o sincretismo, as medidas anticlericais promovidas e defendidas pelos maçons; e por outro lado, foi questionado que se pudesse entender a maçonaria como um bloco único, sem levar em conta a cisão entre a maçonaria regular, ortodoxa e tradicional, religiosa e aparentemente apolítica, e a segunda, a irregular, irreligiosa, política, heterodoxa.

Estes motivos e as mais ou menos constantes petições chegadas de várias partes do mundo a Roma, diálogos e debates, fizeram com que, entre 1974 e 1983, a Congregação para a Doutrina da Fé retomasse os estudos sobre a maçonaria e publicasse três documentos que supuseram uma nova interpretação do cânon 2335. Neste ambiente de mudanças, não é de se estranhar que o cardeal J. Krol, arcebispo de Filadélfia, perguntasse à Congregação para a Doutrina da Fé se a excomunhão para os católicos que se afiliavam à maçonaria seguia estando em vigor. A resposta a sua pergunta foi dada por seu Prefeito, em uma carta de 19 de julho de 1974. Nela é explicado que, durante um amplo exame da situação, tinha-se dado uma grande divergência nas opiniões, segundo os países. A Sede Apostólica acreditava oporutno, conseqüentemente, elaborar uma modificação da legislação vigente até que se promulgasse o novo Código de Direito Canônico. Advertia-se, entretanto, na carta, que existiam casos particulares, mas que continuava a mesma pena para aqueles católicos que dessem seu nome a associações que realmente maquinassem contra a Igreja. Enquanto que para os clérigos, religiosos e membros de institutos seculares a proibição seguia sendo expressa para a sua afiliação em qualquer associação maçônica. A novidade nesta carta residia na admissão, por parte da Igreja católica, de que poderiam existir associações maçônicas que não conspirassem em nenhum sentido contra a Igreja nem contra a fé de seus membros.

As dúvidas não tardaram em surgir: qual era o critério para verificar se uma associação maçônica conspirava ou não contra a Igreja?; e que sentido e extensão devia se dar a expressão conspirar contra a Igreja?

O clima generalizado de aproximação entre as teses de alguns católicos e maçons foi quebrado pela declaração de 28 de abril de 1980 Conferência Episcopal Alemã sobre a pertença dos católicos à maçonaria. Como aponta Federico R. Aznar Gil, a declaração explicava que, durante os anos de 1974 e 1980, foram se mantendo numerosos colóquios oficiais entre católicos e maçons; que por parte católica tinham sido examinados os rituais maçônicos dos três primeiros graus; e que os bispos católicos tinham chegado à conclusão de que havia oposições fundamentais e insuperáveis entre ambas as partes: “A maçonaria – diziam os bispos alemães – não mudou em sua essência. A pertença à mesmas questiona os fundamentos da existência cristã. (…) As principais razões alegadas para isso foram as seguintes: a cosmologia ou visão de mundo dos maçons não é unitária, mas relativa, subjetiva, e não pode se armonizar com a fé cristã; o conceito de verdade é, também, relativista, negando a possibilidade de um conhecimento objetivo da verdade, o que não é compatível com o conceito católico;

Também o conceito de religião é relativista (…) e não coincide com a convicção fundamental do cristão, o conceito de Deus simbolizado através do “Grande Arquiteto do Universo” é de tipo deístico e não há nenhum conhecimento objetivo de Deus no sentido do conceito pessoal de Deus do teísmo, e está impregnado de relativismo, o qual mina os fundamentos da concepção de Deus dos católicos (…).

Em 17 de fevereiro de 1981, a Congregação para a Doutrina da Fé publicava uma declaração que afirmava de novo a ex-comunhão para os caltólicos que dessem seu nome à seita maçônica e a outras associações do mesmo gênero, com o qual a atitude da Igreja permanece invariável, e invariável permanece ainda em nossos dias.

No Brasil

Por volta de 1390, conforme registrado no Manuscriptus Regius, o relacionamento entre a Igreja Católica e a Maçonaria era bom. Naquela época, a Maçonaria operativa prestava serviços a Igreja, construindo catedrais. O chefe de cantaria normalmente era um clérigo, que orientava os obreiros, inclusive nos assuntos religiosos.

No que se refere ao Brasil, no final do século XIX, os padres defendiam abertamente idéias liberais, identificando-se com os maçons da época. Em conseqüência, muitos deles foram admitidos na maçonaria, alguns com o consentimento e outros contando apenas com a tolerância de seus Bispos.

“A paz termina quando, numa homenagem prestada pelas Lojas maçônicas do Rio de Janeiro ao seu grão-mestre, Visconde do Rio Branco, registra-se um incidente de maior monta. O padre Almeida Martins, que também é maçom, se apresenta na cerimônia em seus trajes de sacerdote e faz um discurso de saudação, representando a Loja do Grande Oriente do Lavradio, recebendo, por isso, uma punição do bispo diocesano, D. Pedro Maria de Lacerda. Reincidente em sua atuação, é, então, suspenso das ordens sacras. Começa aqui uma guerra surda em que os maçons passam a hostilizar a Igreja, enquanto esta, por seus bispos, age duro contra os religiosos renitentes na prática da maçonaria. Ocorre, então, um incidente mais grave. O bispo de Olinda, D. Vital Maria Gonçalves de Oliveira, jovem de vinte e poucos anos, resolveu aplicar, na área sob sua jurisdição, as recomendações da Encíclica de 1864, do papa Pio IX, proibindo o clero de participar de cerimônias patrocinadas por maçons. O bispo chama particularmente cada um dos sacerdotes envolvidos e ordena-lhes que se dediquem tão somente à vida religiosa, afastando-se de atividades estranhas aos conventos. Encontrando oposição, D. Vital acabou por suspender as irmandades recalcitrantes, impedindo-as de receber novos membros, de participar de ofícios religiosos e até de vestir os seus hábitos. Algumas dessas irmandades recorrem ao Governo e D. Vital, por sua parte, recorre ao Papa que lhe dá poderes para agir com rigor contra os rebelados. Está formado o embrulho, provocado pela espúria união entre o Estado e a Igreja. O acordo entre o Governo e o Vaticano determinava que todas as bulas papais, para serem cumpridas no país, deveriam primeiro receber o execute-se do Governo brasileiro o que não acontecera com a Encíclica cujas recomendações o bispo insistia em aplicar. A crise agrava-se mais ainda quando o bispo do Pará, D. Antônio Macedo Costa, faz um protesto formal contra a maçonaria e se solidariza com D. Vital.

Foi a conta. O Governo apresenta ação criminal contra os dois religiosos, perante o Supremo Tribunal de Justiça, por desrespeito aos poderes do Império. Presos, os dois bispos são levados ao Rio de Janeiro, julgados e condenados a dois anos de prisão com trabalhos forçados, sendo instaurados processos também contra outros padres que lhes deram apoio. Isto ocorreu em 1º de julho de 1873 e só ao final da pena é que os dois bispos foram anistiados, por decreto do Gabinete presidido pelo Duque de Caxias. Mas o desastre já acontecera e seus efeitos são irremediáveis. Já no início do século XVIII, a maçonaria trabalhava no sentido de separar a igreja do estado; instituir o casamento civil; introduzir o sistema republicano de governo; instituir a liberdade religiosa, etc. As encíclicas papais que atacaram a Maçonaria explicitam estas questões: O Papa Leão XII disse em sua encíclica de 13/03/1825, “as obras sobre religião e sobre a república que seus membros ousam dar a luz à publicidade…” A semente da república estava sendo lançada; os líderes religiosos da época começaram a se preocupar com a possibilidade de perder o poder temporal.

O Papa Leão XIII em sua encíclica de 20/04/1884 disse: “os maçons defendem a idéia de que os chefes do governo têm poder sobre o vínculo conjugal. Na educação dos filhos não há nada a lhes prescrever em matéria de religião. A cada um deles compete, quando estiver em idade, escolher a religião que lhe aprouver. Já em muitos países, mesmos os católicos, está estabelecido que fora do casamento civil não há união legítima”. Nesta encíclica, o papa protestava veementemente contra a maçonaria, por estar defendendo a liberdade de religião e a instituição do casamento civil. Isto poderia ser traduzido em perda de influência da igreja sobre os féis. Leão XIII também disse nesta encíclica que: “segundo os maçons, todo poder está no povo livre; os que exercem o poder só são detentores pelo mandato ou pela concessão do povo”. A mesma encíclica afirmava que o poder pertencia a DEUS, o qual transferiu à igreja a responsabilidade de governar, ou de indicar alguém que fosse capaz de fazê-lo. Esta questão é hoje traduzida pelo abuso da televisão que redundou na liberdade sexual, na degeneração da família, no poder atribuído ao dinheiro, etc.

Outro fato digno de nota, é que, no final do século XIX e início do século XX os esforços para a evolução social e política eram divididos entre os católicos conservadores, os liberais e os “cientificistas”. A Igreja católica defendia o pensamento conservador e a maçonaria o liberal. A Igreja tinha nas mãos as escolas que educavam somente os ricos; a maçonaria agiu no sentido de mudar esta situação. Criou escolas noturnas e conseguiu diminuir o custo do ensino, tornando-o mais acessível às classes menos abastadas.

Isto frustrou o objetivo da igreja, que era manter o status quo da época, ou seja, impedir que o poder mudasse de mãos. Do início do século XX até os dias de hoje não se tem notícias de grandes conflitos entre a Igreja Católica e a Maçonaria. Aliás, é interessante mencionar que entre os membros da maçonaria estão inúmeros católicos praticantes e evangélicos. Em 1984 após a publicação do novo código canônico, a Loja de Pesquisa Quatro Coroados de Londres fez uma pesquisa no Vaticano no sentido de saber como era vista a Maçonaria entre os Clérigos. O resultado mostrou que a maioria achava que somente a maçonaria que tinha tirado Deus de seus Postulados Fundamentais é que era condenável, ou seja, o Grande Oriente da França; não havia nenhuma restrição quanto à maçonaria que exigia que seus membros acreditassem em Deus.

Entretanto, esta não era uma posição oficial, pois, não tinha a aprovação das autoridades religiosas do Vaticano.

Mas também existem documentos anteriores ao Regius.

O Cristianismo estava em pleno progresso. Povos e mais povos eram catequizados pelos Soldados de Cristo – isto é, Bispo de grandes capacidades de catequeses. E a Igreja ao receber Reis e a Nobreza, em suas fileiras, passou a contar, também, com uma ajuda financeira muito grande de seus novos Fiéis. E com dinheiro se faz muitas coisas. Então aqueles feios amontoados de madeira sujeito ao fogo e aos raios e outros fenômenos da natureza, começavam a dar lugar às Grandes Catedrais de Pedras, como mostramos logo no início deste trabalho. Entre os anos de 1100 e 1300, milhares de Igrejas, Catedrais, Mosteiros, conventos, etc, foram erguidos na Europa. E para dar conta de tanto Trabalho, uma leva de homens foi se especializando na arte de Construir. Uma Arte Antiga, mas pouco divulgada. E essa leva de Profissionais de Pedra, precisava se organizar. Precisavam de um Estatuto. Precisavam de um espaço só seu. Foi então que Doze Freemasons (Pedreiro especializados em trabalhar na Pedra Franca), liderados por Henry Yevele, é bom guardar bem esse nome – Henry Yevele, nasceu em 1320 e morreu no ano de 1400 – foram até à Prefeitura de Londres, levando um esboço de um Estatuto do Trabalhador da Pedra e, numa audiência com o Alderman (Prefeito) e os Edis, apresentaram seu esboço de Estatuto, onde previa, além da Obediência às autoridades locais, também previa uma fidelidade (quase canina), ao Rei e à Religião Vigente, e, ainda, um pedido para que suas reuniões fossem fechadas, sem a presença de pessoas que não estivessem ligadas a ela.

Esses 12 homens saíram daqui, do local onde está Igreja, Antiga Guilda – desta Guildhall, no dia 2 de fevereiro de 1356. É bom repetir – dois de fevereiro de 1356.

Aqui está o Berço, o Dia, o Mês e o Ano do Nascimento da Maçonaria Documentada. Enquanto não apresentarem outro Documento, confiável, mais antigo. Este Documento que se encontra ainda hoje, na Biblioteca da Prefeitura de Londres, levará a glória e terá o privilégio de ser o Documento Maçônico mais Antigo.

Mas para que não surja ou permaneça nenhuma dúvida, segundo o pesquisador da Quatuor Coronati, o Irmão G. H. T. French:

“O Primeiro Código ou Regulamento dos Maçons da Inglaterra, é datada de 2 de fevereiro de 1356, quando, como resultado da disputa entre Carvoeiros e Maçons, Pintores, Doze Mestres de uma Obra, representando aquele ramo da Arte de Construir, foram até ao Prefeito e Edis de Londres, na sede da Prefeitura e eles obtiveram uma Autorização Oficial, para que fizessem um Código e um Regulamento Interno, para a Instalação de uma Sociedade e, acabar, de vez, com a disputa e, também, para que de uma forma geral, ajudasse nos Trabalhos. O Preâmbulo do Código, confirma que aqueles homens, foram lá, realmente juntos; porque o seu Ofício, até então, não havia sido regulamentado, de nenhuma forma pelo Governo do Povo, como já acontecia com outras Profissões.”

Essa Sociedade dos Maçons (The Fellowship os Masons), durou, ou prevaleceu sozinha durante 20 anos – até 1376, quando foi fundada a Companhia dos Maçons de Londres.

Incidentemente, a primeira Regra desse Regulamento, regido naquela ocasião, como objetivo, do “Delimitação em Disputa”, quando estabelecida “que, muitos homens da profissão, podiam trabalhar em qualquer serviço relacionado com a sua profissão, desde que ele fosse perfeitamente hábil e conhecesse muito bem a profissão.”

Daí por diante, eles passaram a trabalhar segundo esse Código. E muitos outros foram surgindo, formando o que chamamos de Old Charges, ou Constituições Góticas.

Bibliografia:

http://www.acidigital.com/controversia/catolicomacom.htm

Elias Mansur Neto – O Que Você Precisa Saber Sobre Maçonaria.

Assis carvalho – O Aprebdiz Maçom – Editora Trolha.

Blog do Editor – MADRAS.A

#Maçonaria #Religião

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-ma%C3%A7onaria-e-a-igreja-cat%C3%B3lica

Resultados da Hospitalaria – Janeiro 2010

Ao todo, em Janeiro, foram 32 mapas e 24 sigilos.

Entidades auxiliadas este mês:

– Doação de um fogão e uma geladeira para as Casas André Luiz.

– Casa da Comunhão Espírita (Brasília)

– Abrigo Doce Lar, em Sepetiba-RJ
http://www.abrigodocemorada.com

– Lar Sagrado Coração de Jesus

– Instituição ABRAPEC (Tratamento de pessoas com Câncer) – Ribeirão

– Sociedade Beneficiente Espírita Bezerra de Menezes

– Instituto Lar de Jesus
http://www.institutolardejesus.org.br

– Instituição “Asas Brancas”
http://adhemaralmeida.sites.uol.com.br/asasbrancas/

– Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira (FRECAB)

– Federação Espírita Brasileira (SP)

– Hospitalaria da Loja Madras, 3359

– Hospitalaria da Loja Aleister Crowley, 3632

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

Se vocês puderem ajudar divulgando o blog e o projeto, eu agradeço.

Em 2010, estou só vendo os detalhes para quem não tiver dinheiro para doar Cestas Básicas; vou aceitar doações de sangue para a fundação Pró-Sangue e outras (na mesma proporção: 2 doações para mapa ou sigilo, 3 para mapa+sigilo).

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-janeiro-2010

A História da Alquimia Ano a Ano

250000 aC – Possível origem da humanidade (homo sapiens) de acordo com pesquisas genéticas recentes
30000 aC – Idade de ouro do ciclo equinocial anterior. Data das lendas de Lemúria e Atlântida
15000 aC – Idade de ouro e início da descida na escuridão do atual ciclo equinocial.
12000 aC – País indiano de Rama, resquicios da civilização védica
8000 aC – Esfinge foi construída, acredita-se que os atlantes tenham levado seu conhecimento para o continente africano
5000 aC – 2000 aC – A Suméria se torna o berço da civilização no Ocidente
3000 aC – Unificação do Alto e Baixo Egito pelo Rei Menes, Capital está em Memphis
2900 aC – 2500 aC – Antigo Reino do Egito: Dinastias 3-6
2900 aC – Minas de ouro núbias em operação.
2100 aC – Epopeia de Gilgamesh fala sobre uma planta da Imortalidade
2160 aC – 1.800 aC –  Império Médio: Dinastias 11-12
2000 aC – 1.600 aC – Proto-alquimia é praticada na Caldéia
1800 aC – 500 dC – Os mistérios de Elêusis surgiram em Elêusis
1500 aC – 1.100 aC – Novo Reino, ou Império: Dinastias 18-20
1300 aC – Zaratustra funda o zoroastrismo
1150 aC – Provavel origem do  I-Ching
624 a.C – Tales de Mileto inicia a filosofia naturalista pré-socrática
600 aC – 492 aC – A Escola Pitagórica é fundada em Crotona, Itália
525 aC – 430 aC – Empédocles: Doutrina dos quatro elementos
300 aC – Teofrasto: Filósofo e naturalista
300 aC – Lao Tzu, fundador do taoísmo filosófico
249 aC – 210 aC – Shih Huang Ti, imperador, lendário fundador da alquimia na China
240 aC  – Papiro de Ani (versão do livro egípcio dos mortos)
200 aC – Bhagavad Gita
200 aC – Bolus de Mende: ‘Virtudes’ de animais, plantas e pedras
200 aC – 100 dC – Os essênios
200 aC – 500 dC – Mithraic Mysteries – Uma escola de mistérios iniciática na qual os alunos foram gradualmente introduzidos às verdades astronômicas através de símbolos, e como o conhecimento delas poderia levar o buscador à união com o poder por trás de toda a existência. Esta combinação de estudo científico, iniciação simbólica e união cósmica é uma característica do trabalho Rosacruz.
156 aC – 87 aC – Wu Ti, imperador chinês, patrono da alquimia e artes aliadas.
145 aC – 87 aC – Ssu-ma Ch’ien, historiador, mencionando pela primeira vez a alquimia na literatura cinesa
100 aC – 150 dC – Wei Po-yang, chamado de “Pai da Alquimia”, autor do primeiro tratado dedicado inteiramente à alquimia
4 aC – 33 dC – Jesus funda o cristianismo
1 aC – presente tradição hermética
23-79 —  Plínio, o Velho: História Natural
46 – São Marcos encontra Ormus, o sábio egípcio. Juntos, eles fundaram a Igreja Copta e os primórdios da Irmandade da Rosa Cruz (de acordo com a lenda maçônica)
100 – Demócrito: Receitas para colorir ou ligar metais básicos
100 – Maria, A Judia:  Líder Alquimista Operativa
100 – 200 – Cleópatra: Alquimista Operativa
100 – 300 –  Composição do Corpus Hermeticum, uma coleção de vários textos gregos dos séculos II e III, sobreviventes de uma literatura mais extensa, conhecida como Hermetica.
276 – Mani, sumo sacerdote persa de Zoroastro crucificado (Manichaesim)
281 – 361  – Jin Ge Hong, o principal alquimista chinês
296 – Diocleciano: Suposta proibição da alquimia
300 – Zósimo de Panópolis (alquimista helenístico) escritor de um dos mais antigos tratados alquímicos sobreviventes
500 – Conquista árabe do Egito. Árabes redescobrem a Alquimia e a Hermética
600 – O Sefer Yetzirah, um importante texto cabalístico, é editado. É o primeiro livro existente sobre esoterismo judaico.
610 a 632 – Muhammad recebe o Alcorão.
650 – Khalid ibn Yazid, alquimista árabe
700 – Século VIII. Cópia de um Ms alexandrino dá a primeira menção registrada da palavra Vitriol. A mesma senhora dá a primeira menção ao cinábrio (sulfeto de mercúrio)
721 – Jabir ibne Haiane
776 – Geber, o alquimista árabe cujo nome verdadeiro foi afirmado como Jabir Ben Haiyan ou Abou Moussah Djafar al Sofi, está ativo. De acordo com o Kitab-al-Fihrist do século X, Geber nasceu em Tarso e viveu em Damasco e Kufa.
796 – Lü Dongbin escreve o Segredo da Flor de Ouro
854 – Abu Bakr al’Rāzī
900 – Muḥammad ibn Umayl al-Tamīmī, alquimista árabe
920 – Rhazes, um médico árabe
940 – Ibn Wahshiyh, Abu Baker, alquimista árabe e botânico
950 – A- Majrett’ti Abu-alQasim, alquimista e astrólogo árabe
954 – Alfarabi, um alquimista árabe
1000 – Codex Marciano 299: Primeiro MS alquímico grego sobrevivente
1030 – Avicena, um médico árabe
1054 – Roma se separa da igreja ortodoxa, forma a igreja católica
1063 – Al Tughrai, poeta e alquimista 
1099 – Godfri de Bouillion toma Jerusalém
1100 – Fundação da Ordem de Sion por Godfri de Bouillion. Sua sede foi estabelecida no Monte Sião, fora da cidade de Jerusalém
1100 – Al-Tuhra-ee, Al-Husain Ibn Ali, alquimista árabe
1110 – EC Kalid, um rei no Egito
1128 –  Cavaleiros Templários obtêm Carta Papal e se tornam Ordem Monástica.
1141  – Robertus Ketenensis, tradutor latino da alquimia árabe
1144 – Primeiro tratado alquímico ocidental datado – Robert de Chester Depositione alchemiae
1150 – Turba philosophorum traduzido do árabe
1160 – Artephius (alquimista) afirma em seu ‘Livro Secreto’ que ele viveu por 1000 anos antes desta data devido ao uso do Elixir da Vida.
1188 –  Cavaleiros Templários se separam da Ordem de Sion no corte do Elm. Ordre de Sion muda seu nome para L’Ordre de la Rose Croix Veritas e adota o segundo título de “Ormus”.
1199 – Data aproximada Romances do Graal apareceram na Europa Ocidental
1200 – O Picatrix (O Objetivo do Sábio) é um grimório de origens incertas com orientações talismânicas e astrológicas, o texto vem claramente de um ethos não europeu. Foi atribuído a al-Majriti (um matemático andaluz), mas essa atribuição é duvidosa, e o autor às vezes é listado como Pseudo-Majriti.
1214 – Roger Bacon, alquimista, ocultista e frade franciscano, nasce. Bacon, também conhecido como Doutor Mirabilis (latim: “professor maravilhoso”), eventualmente coloca uma ênfase considerável no empirismo e se torna um dos primeiros defensores europeus do método científico moderno.
1231 – Primeira menção de alquimia na literatura francesa – Roman de la Rose. William de Loris escreve Le Roman de Rose, auxiliado por Jean de Meung, que também escreveu The Remonstrance of Nature to the Wandering Alchemist e The Reply of the Alchemist to Nature
1232 – Abraham Abulafia, cabalista siciliano, fundador da cabala extática, nasce em Saragosa.
1232 – Raymond Lull, um alquimista que se acredita possuir uma energia física e mental titânica, que se jogou de corpo e alma em tudo o que fez, nasce. Os escritos atribuídos a Lull incluem vários trabalhos sobre alquimia, mais notavelmente Alchimia Magic Naturalis, De Aquis Super Accurtationes, De Secretis Medicina Magna e De Conservatione Vitoe.
1234 – Albertus Magnus – alquimista, estudioso, filósofo e cientista nasce. Nada menos que 21 volumes de fólio alquímicos são atribuídos a ele
1235 – Robert Grosseteste, Bispo de Lincoln, discute a transmutação de metais em De artibus liberalibus e De generatione stellarum.
1256- O rei Alfonso, o Sábio de Castela, ordena a tradução de textos alquímicos do árabe. Supõe-se que ele tenha escrito Tesoro um tratado sobre a pedra filosofal
1270 – Roger Bacon, populariza o uso da pólvora
1270 – Tomás de Aquino é simpático à ideia de transmutação alquímica em sua Summa theologia. Em seu Thesaurus Alchimae, Aquinus fala abertamente dos sucessos de Albertus e de si mesmo na arte da transmutação.
1272  – Capítulo Provincial em Narbonne proíbe os franciscanos de praticar a alquimia.
1275 – Ce Ramon Lull Ars Magna.
1280 – Sefer Ha-Zohar, um texto cabalístico essencial, faz sua primeira aparição escrita, escrita por Moses de León, mas atribuída a Simon ben Yohai.
1280 – 1368 – Dinastia Yuan (Mongol) , trazendo a China e a Europa em contato direto por quase um século,
1289 – Albertus Magnus, Bispo de Ratisbona
1298 – Alain de Lisle. Há também relatos anteriores de Alanus de Insulis, nascido em Rijssel em 1114 EC na Holanda, mais tarde abade de Clairvaux e bispo de Auxerne
1300 – Sefer Raziel HaMalakh “Livro de Raziel, o Anjo”
1300 – Pedro de Abano ou Apone
1300 – Arnald de Villanova escreve uma série de tratados importantes sobre alquimia Quaestiones tam esseentiales quam acidentales, Epistola supe alchemia ad regem Neapolitanum, De secretis naturae, Exempla de arte philosophorum
1307 – Templários se estabelecem ou buscam refúgio na Escócia
1310 – Al-Jildaki, Muhammad Ibn Aidamer, alquimista árabe que compartilhou conhecimento com certos Templários
1310 –  Jean de Roquetaillade
1312 –  Os Cavaleiros Templários são extintos, exceto alguns, quando a ordem é dissolvida pelo Conselho de Vienne. Toda a propriedade dos Templários é transferida para os Cavaleiros de São João (Os Hospitalários)
1314 – Raymond Lully, um prelado espanhol
1314 – Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários, é queimado na fogueira
1315 – Raimundo Lulio
1317 – A primeira ordem Rosacruz é formada: a francesa Ordre Souverain des. Frères Aînés de la Rose Croix
1317 – A Bula Papal do Papa João XXII, Spondet quas non exhibent, é emitida contra aqueles que praticam a alquimia. Os cistercienses proíbem a alquimia.
1317 – Fundada a Frères Aînés de la Rose + Croix
1323 – Os dominicanos na França proíbem o ensino de alquimia na Universidade de Paris e exigem a queima de escritos alquímicos
1329 – Rei Edward III pede a Thomas Cary para encontrar dois alquimistas que escaparam, e para encontrar o segredo de sua arte
1330 d.C. – Nasce Nicolas Flamel. Flamel torna-se um escritor de sucesso, vendedor de manuscritos e alquimista. Flamel é atribuído como o autor do Livre des Figures Hiéroglypiques, um livro alquímico publicado em Paris em 1612 e depois em Londres em 1624 como “Exposição das Figuras Hieroglíficas”. fizeram a Pedra Filosofal que transforma chumbo em ouro, e alcançaram a imortalidade em uma única encarnação, juntamente com sua esposa Perenelle. O Papa João XXII dá fundos ao seu médico para montar um laboratório para um ‘certo trabalho secreto’.
1338 – Hospitalários adquirem Templar Holdings na Escócia
1340 – Jean de Meung, autor of o Romance da Rosa
1356 – Papa Inocêncio VI aprisiona o alquimista catalão João de Rupescissa, que insiste que o único propósito real da alquimia é beneficiar a humanidade. As obras de Rupescissa estão repletas de preparações medicinais derivadas de metais e minerais e ele enfatiza os processos de destilação que aparentemente separam as quintessências puras da matéria bruta das substâncias naturais.
1357 – Comentário de Hortulanus sobre a Tábua de Esmeralda de Hermes
1376 – O Directorium inquisitorum dominicano, o livro-texto para inquisidores, coloca alquimistas entre magos e magos.
1380 – EC Rei Carlos V, o Sábio, emite um decreto proibindo experimentos alquímicos
1380 – Bernardo de Trevisa
1388 – Geoffrey Chaucer Canterbury Tales discutiu a alquimia no Canon’s Yeoman’s Tale
1394  – Christian Rosenkreuz começa sua peregrinação aos dezesseis anos. Isso o leva à Arábia, Egito e Marrocos, onde entra em contato com sábios do Oriente, que lhe revelam a “ciência harmônica universal”
1396 – Ordem do Dragão é confirmada para existir neste momento, embora a data de fundação não seja clara
1398 – Suposta data em que Christian Rosencruez funda a Ordem Rosacruz
1403 – Rei Henry IV da Inglaterra emite uma proibição de alquimia e para parar dinheiro falsificado
1415 – Nicholas Flamel, um benfeitor dos pobres de Paris
1450 – Basílio Valentim, prior de um mosteiro beneditino
1452 – Leonardo da Vinci
1453 – Joost Balbian, alquimista holandês nascido em Aalst
1456 – 12 homens pedem a Henrique VI da Inglaterra uma licença para praticar alquimia
1470 – Der Antichrist und die funfzehn Zeichnen (o livro do anticristo) associa alquimistas com demônios e Satanás
1471 – George Ripley Composto de alquimia. A tradução de Ficino do Corpus Hermeticum
1476 – George Ripley escreve Medula alchemiae.
1484 – Christian Rosenkreutz, Frater C.R.C., o fundador da tradição Rosacruz, passa de acordo com a Confessio Fraternitatis. Avicena escreve De anima.
1484 – De anima de Avicena. Hieronymous Bosch Jardim das delícias terrenas
1485 – Summa perfectis, atribuída a Geber, é publicada. Neste importante texto alquímico, a teoria enxofre-mercúrio forma a base teórica para a compreensão dos metais, e o alquimista é informado de que deve dispor essas substâncias em proporções perfeitas para a consumação da Grande Obra. Geber descreve em detalhes consideráveis ​​os processos de laboratório e equipamentos do alquimista
1493 – Nasce Phillip von Hohenheim, ele mais tarde assume o nome de Philippus Theophrastus Aureolus Bombastus von Hohenheim, e mais tarde recebe o título de Paracelsus, que significa “igual ou maior que Celsus”.
1505 – Levinus nascido em Zierikzee, Holanda
1516 – Trithemius de Spanheim
1519 – Braunschweig’s Das Buch zu destillieren
1527 – John Dee, notável matemático galês, astrônomo, astrólogo, geógrafo, ocultista e consultor da rainha Elizabeth I, nasce em Londres.
1530 – Georgius Agricola Bermannus, livro sobre mineração e extração de minérios
1532 – A versão mais antiga do Splendor Solis, um dos mais belos manuscritos alquímicos iluminados. A obra consiste em uma sequência de 22 imagens elaboradas, dispostas em bordas e nichos ornamentais. O processo simbólico mostra a clássica morte e renascimento alquímico do rei e incorpora uma série de sete frascos, cada um associado a um dos planetas. Dentro dos frascos é mostrado um processo envolvendo a transformação de símbolos de pássaros e animais na Rainha e Rei, na tintura branca e vermelha.
1533 – Cornélio Agripa publica dos Três Livros de Filosofia Oculta
1541 – In hoc volumine alchemia primeiro compêndio alquímico
1550 – O Rosarium philosophorum, atribuído a Atribuído a Arnoldo di Villanova (1235-1315), é publicado pela primeira vez, embora tenha circulado em forma de manuscrito por séculos.
1552 – Nasce o imperador Rudolph II. A astronomia e a alquimia tornaram-se a ciência dominante na Praga renascentista e Rudolf era um devoto firme de ambas. Sua busca ao longo da vida é encontrar a Pedra Filosofal e Rudolf não poupa gastos para trazer os melhores alquimistas da Europa à corte, como Edward Kelley e John Dee. Rudolf até realiza seus próprios experimentos em um laboratório alquímico privado.
1555 – Agrícola
1560 – Denis Zachaire
1560 – Heinrich Khunrath nasce em Leipzig. É evidente que o primeiro manifesto rosacruz, o Fama Fraternitatis, é influenciado pela obra deste respeitado filósofo hermético e autor de “Amphitheatrum Sapientiae Aeternae” (1609), uma obra sobre os aspectos místicos da alquimia, que contém o gravura intitulada ‘A Primeira Etapa da Grande Obra’, mais conhecida como o ‘Laboratório do Alquimista’.
1561 – Jacopo Peri cria a Opera
1566 – Michael Maier, alquimista rosacruz e filósofo, médico do imperador Rudolph II, nasce Meier torna-se um dos mais destacados defensores dos Rosacruzes, transmitindo com clareza detalhes sobre os “Irmãos da Rosa Cruz” em seus escritos.
1571 – Johannes Pontanus, nascido em Hardewijk, Holanda, estudou o caminho de Artepius junto com Tycho Brahe. Morreu em 1640
1589 – Edward Kelley embarca em suas transmutações alquímicas públicas em Praga
1599 – A primeira aparição de uma obra de Basílio Valentim, o adepto alemão e monge beneditino, na filosofia alquímica é comumente suposta ter nascido em Mayence no final do século XIV. Suas obras eventualmente incluirão o Triumphant Chariot of Antimony, Apocalypsis Chymica, De Microcosmo degue Magno Mundi Mysterio et Medecina Hominis e Practica un cum duodecim Clavibus et Appendice.
1608 – Seton o cosmopolita, Isaac Hollandus
1608 – John Dee
1609 -André Libavius
1612 – Flamel figuras hierogliphiques (primeira publicação). Ruland’s Lexicon alchemiae.
1614 -A Fama Fraternitas, o primeiro manifesto Rosacruz é publicado. 1615 – Publicado o Confessio Fraternitatis
1616 – Publicado o Bodas Químicas de Christian Rosenkreutz
1617-  Oswald Croll
1620 – Jean d’Espagnet, autor do Arcano Hermético
1626 – Goosen van Vreeswyk, o mestre da montanha holandês. Morreu em 1690
1628 – Theodor Kerkring, bron em Amsterdã,
1629 – George Starkey (Irineu Filaleto)
1636 – -Michael Sendivogius
1638 – Robert Fludd, teólogo e místico
1640 – Albaro Alonso Barba Arte dos metais
1643 – Johannes van Helmont
1643 – Isaac Newton
1646 – George Starkey
1648 – Elias Ashmole, o antiquário
1650 – Rudolf Glauber, médico
1652 – Georg von Welling, um escritor alquímico e teosófico bávaro, nasce. Von Welling é conhecido por seu trabalho de 1719 Opus Mago-Cabalisticum et Theosophicum.
1666 – EC Relato de Helvécio sobre a transmutação em Haia. Crassellame Lux obnubilata
1668 – Rober Boyle, químico
1667 – Johan de Monte Snijder realizou uma transmutação em 1667 para Guillaume em Aken, Holanda
1667 – Eirenaeus Philalethes Uma entrada aberta para o palácio fechado do Rei
1675 – EC Olaus Borrichius
1677 – EC Mutus Liber
1690 – Publicação da tradução inglesa do Casamento Químico de Christian Rosenkreutz
1691 – Nascimento de Saint Germain
1710 – Samuel Richter começa a formar a Ordem da Cruz Dourada e Rosada Lascaris, um adepto/monge grego que viveu na Holanda por um tempo, e depois foi para Berlim, onde deu a J.F. Böttger a pedra
1717 – Grande Loja da Maçonaria Inglesa fundada
1719 – Georg von Welling “Opus Mago-Cabalisticum et Theosophicum” é publicado. Esta é uma obra esotérica importante e influente, que influencia vários autores subsequentes, incluindo Goethe, que a examinou durante seus estudos alquímicos.
1723 – Auera Catena Homeri , escrita ou editada por Anton Josef Kirchweger, é emitida pela primeira vez em Frankfurt e Leipzig em quatro edições alemãs em 1723, 1728, 1738 e 1757. Uma versão latina é emitida em Frankfurt em 1762 e outras edições alemãs Segue. Este trabalho tem uma enorme influência na alquimia Rosacruz e na Ordem Dourada e Rosacruz. No final do século XVIII
1735 – Abraham Eleazar Uraltes chymisches Werck
1737 – Jean Christophe Kunst, um professor alemão
1739 – Matthieu Dammy, um dos últimos famosos alquimistas parisienses, publicou suas obras em Amsterdã
1743 – Alessandro Cagliostro
1750 – Nasce o Dr. Sigismond Bacstrom, médico que também era alquimista e Rosacruz. Acredita-se que seja de origem escandinava, passou algum tempo como cirurgião de navio.
1751 – Tarot de Marselha
1776 – Adam Weishaupt forma a Ordem dos Illuminati da Baviera
1780 – A ordem dos Irmãos Asiáticos (Fratres Lucis) é fundada por Hans Heinrich von Ecker und Eckhoffen como uma ordem cismática da Cruz Dourada e Rosada. Os Irmãos Asiáticos admitem judeus e as doutrinas teosóficas e regulamentos cerimoniais da Ordem são baseados na Cabala
1785 – Geheime Figuren Os Símbolos Secretos dos Rosacruzes
1791 – Dr. Sigismund Bacstrom é iniciado em uma sociedade Rosacruz pelo Conde de Chazal na Ilha de Maurício. O conde, então um venerável ancião de cerca de 96 anos, parece ter visto em Bacstrom sua grandeza de estudante hermético e se ofereceu para aceitá-lo como aluno e ensinar-lhe a grande obra. Durante este período, Bacstrom foi autorizado a realizar uma transmutação sob a orientação de Chazal e usando suas substâncias. O conde de Chazal estava ligado à corrente francesa do rosacrucianismo, provavelmente ligada ao conde de St Germain.
1798 – Ethan Hitchcock
1813 – Operas de Richard Wagner
1817 – Mary Anne Atwood
1858 – Pascal B. Randolph funda a Irmandade Hermética de Luxor
1875 – Carl Gustav Jung
1877 – Fulcanelli
1887 – Fundação da Hermetic Order of the Golden Dawn
1889 – Lilly Kolisko
1891 – Fundação da Ordem Martinista
1898 – Rubellus Petrinus, alquimista português
1908 – Publicação do Kybalion
1909- Max Heindel funda a Fraternidade Rosacruz
1911 – Frater Albertus
1914 – Herbert Silberner publica Problems of Mysticism and its Symbolism.
1915 – Harvey Spencer Lewis funda a Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis
1915 – Marie-Louise von Franz
1919 –  Jean Dubuis
1920 – Timoth Leary
1921 – Pansophia Lodge é fundado por Heinrich Traenker
1929 – Manfred M. Junius
1931 – Stanislav Grof
1932 – Robert Anton Wilson
1959 – Paracelsus Research Society é fundada
1960 – Inicio da publicação do anuário Alchemical Laboratory Bulletins
1970 – Roger Caro revela a existência do Frères Aînés de la Rose-Croix
1979 – Les Philosophes de la Nature (LPN) é fundada
1980 – A Sociedade de Pesquisa Paracelsus é renomeada para Paracelsus College
1984 – A Biblioteca Ritman (Bibliotheca Philosophica Hermetica) é criada.
1990 – O grupo Gallaecia Arcana Philosophorum é fundado
1995 – Publicado o The Alchemical Tarot de Robert Place
2003 – The Alchemy Guild é estabelecida
2007 a 2009 – Primeira, Segunda e Terceira Conferência Internacional de Alquimia
2010 – Inner Garden Foundation é fundada
2011 – Quarta Conferência Internacional de Alquimia
2018 – Quinta Conferência Internacional de Alquimia

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-historia-da-alquimia-ano-a-ano/

Além do Mito do Vampiro

“Tivemos um lampejo da realidade e enxergamos a verdade por trás do véu. Fechamos o círculo e redescrobimos o Demônio. Recuperamos nossa herança ancestral. Achamos aquilo a que concedemos tantos nomes – a fonte de nosso terror mortal. Descobrimos o inimigos… e somos nós.”

– Retirado do livro: Vampiro: A Máscara

Um dia desses, dentre uma visita e outra à sites de vampirismo, me peguei tentando definir, em resumo o que é vampiro. Pensei, indaguei, refleti e a única verdade que achei foi que, vampiro, em um sentido amplo, não pode ser definido assim, como numa palavra em um dicionário. O vampirismo tem várias correntes, vampiros têm vários sentidos, que vai muito além do mito do monstro de dentes grandes que suga o sangue das pessoas para saciar sua sede e torná-las morta-vivas. Podemos pensar em vampiros como monstros vagando pela noite, criaturas noturnas, presas a sua imortalidade não humana, mas querendo resgatar seus valores humanos, perdidos há tempos, na hora de sua morte. Monstros que se revelam malignos quando atacam suas vítimas, deixando que a bestialidade possua seu corpo e mente para logo depois seu remorso lhe avisar que a cada vítima, a cada toque cruel, a sua humanidade se esvai como o sangue que ele bebe. Seres que se mostram ainda humanos, quando choram por seus entes queridos, por lembranças que nunca mais serão realidade, por sonhos que agora foram transformados em trevas e sangue. Esse é o mito, que tanto fascina a humanidade há tempos, que é retratado e reverenciado pela mídia e seus espectadores. Esse é a personificação do mau humano, o que o homem tem a oferecer de ruim, o “canibalismo social” que há na sociedade, onde a concorrência e o sistema lhe engolem, caso você não siga a risca o que é mandado por eles. O mito vampiro é, a consciência do homem por todos seus atos vis contra ele mesmo, é o arrependimento, o remorso e ao mesmo tempo, a agressividade, a bestialidade que cada um tem dentro si, o lado animal e humano. Mas podemos olhar também os vampiros como uma filosofia, um modo de pensar e agir, um reflexo distorcido do ser humano. Nele estão incluídos, em síntese, os sentimentos que mais mexem com a mente humana, não só de hoje, mas de sempre. Ódio e amor, prazer e sofrimento, crueldade e bondade. O bem e o mal lutando entre si dentro de uma só pessoa, e a mesma tentando achar um equilíbrio racional para a aflição de sua alma. Pare um pouco e pense como um vampiro.. sinta o que ele sente. Pense em uma sede que faz seu corpo ferver, faz sua cabeça girar e girar cada vez mais rápido, um impulso animal que o toma e que só pode ser terminado se você se alimentar do sangue de um ser humano, alguém que possui os mesmos sentimentos seus, que ama, que é amado, que tem um passado e principalmente um futuro e que você vai acabar por causa da sua sede animal. Pare um pouco… Pense… Sinta… Agora que você o matou, pense na família dessa pessoa, seus filhos, sua mulher, eles não terão mais o conforto e a segurança de um pai e a culpa é sua. Você matou para se alimentar, passou por cima da sua razão e da sua humanidade para acalmar o ódio, a besta que está aí lhe consumindo . Remorso… Sinta… Agora vamos a outro exemplo, mais rápido, prático, real e cruel. Pense na concorrência absurda que está aí fora da sua casa. Estudo, emprego, dinheiro, dinheiro… Você passa por cima de pessoas para poder ter a sua vida confortavelmente, com sua família, com o seu dinheiro. Você que o bem para você e para o seu próximo, e o resto que se dane. Mas não é porque você quer, é por que tem algo, sempre foi assim, que lhe força a esmagar a sua concorrência, seja quem for e como for, para você ter o poder. Esse é o sistema, é a nossa sociedade. Pense… Agora compare os dois exemplos. Você vê a semelhança? Você vê a profundidade que o mito “vampiro” tem? Vê o nosso reflexo nele? Somos vampiros, sugamos do outro para nos “alimentar”. E lá no fundo da nossa consciência, as vezes nem tão fundo, está o nosso remorso por fazer isso, daí vem a nossa carência em exercer a nossa cidadania, em dar para quem precisa por estar com a consciência pesada, por saber que errou, mesmo não tendo uma culpa real, mesmo sendo manipulado, dominado pela besta, o sistema.

por Hurlon

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/alem-do-mito-do-vampiro/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/alem-do-mito-do-vampiro/

A morte de John Kennedy

Dallas, 22 novembro, 1963. O então presidente americano John Fitzgerald Kennedy, fazia uma visita a cidade texana. No roteiro estava programada uma parada em sua honra, e um desfile em carro aberto pelo centro da cidade.

Kennedy se reuniria com personalidades, empresários, senadores, o prefeito da cidade, e o governador do Texas. Na audiência JFK iria tratar dos assuntos que mais turbulência haviam causado a seu governo: URSS, e a sua aliada, Cuba. Depois de vários incidentes que colocavam em dúvida sua capacidade de administrar a política externa da superpotência. Kennedy, decidido a acabar com as dúvidas sobre sua firmeza, havia meses antes num discurso caloroso, afirmado que os EUA, haviam aceitado o desafio de chegar a Lua antes do fim da década, e antes dos soviéticos. Um golpe de propaganda forte o suficiente para alavancar a corrida espacial, e fonte de inspiração para que a NASA colocasse o homem na Lua antes dos “comunistas”.

Tudo transcorreu na maior normalidade, durante a manhã da chegada do presidente. Próximo das 12:00, o desfile em carro aberto, pelas ruas de Dallas, começou. Uma multidão foi às ruas ver o presidente, e aplaudi-lo. O desfile passaria por uma área central da cidade, onde havia um parque, tradicional cartão postal da cidade.

Ao chegar ao Parque Dealey, o carro transportando o presidente, era escoltado, por batedores, de moto, na frente, e seguido, por mais um carro idêntico, em que vinha o resto da comitiva. No carro presidencial, seguiam, o presidente, a sua esposa, Jaqueline Kennedy, e além do motorista, o governador do Texas.

Os batedores percorreram a rua que contorna o parque, seguidos pelo conversível em que estava Kennedy acenando ao público, e o resto da comitiva. Ao entrar na avenida Park Drive, na frente de centenas de pessoas, um som, estalo seco e alto foi ouvido, o primeiro tiro. Atingiu o governador do Texas. Não houve pânico. Nem reação. Em seguida o segundo tiro atingiu o ombro de Kennedy, o presidente moveu seu corpo lentamente, sem entender o que aconteceu e a primeira dama, continuava a acenar ao público. Mais dois segundos, e mais um tiro, foi disparado. Este atingiu o pescoço de JFK, que tombou o corpo, em direção a esposa, que se assustou (talvez ela tenha sido a primeira a perceber o que se passava). Em mais dois segundos, o tiro final, e mais certeiro, atingiu a parte posterior da cabeça de Kennedy, saindo na altura do pescoço, e atingindo o governador do Texas nas costas, com a bala seguindo uma trajetória, no mínimo incomum, acertando em seguida sua mão direita, sendo então rebatida pelo osso da mão, e atingindo sua perna esquerda, onde finalmente parou. Nesse momento, o motorista do carro, agente do serviço secreto, acelerou, em disparada. Horas depois, o hospital que recebeu o presidente, vivo, mas com ferimentos gravíssimos. O declarou morto.

As 17:00 horas o vice-presidente, Lyndon B. Johnsson, assumiu o cargo de presidente dos EUA, a bordo do Air Force One, na base aérea de Andrews, em Washington.

As 17:50, a polícia de Dallas, prendeu o ativista comunista, Lee Harvey Oswald, como assassino de Kennedy. Oswald foi morto uma semana depois, por um desconhecido, e o caso encerrado. Todas as informações sobre Oswald assim como seu passado, foram mantidas em sigilo absoluto, e classificadas como, artigo de segurança nacional pela CIA.

O presidente, Kennedy, foi enterrado, em um caixão lacrado, e as fotos dados de sua autópsia, também considerados de segurança nacional.

As informações só poderão ser reveladas 75 anos após a data do assassinato. Isso é em 2038, quando os membros da CIA, supostamente envolvidos na investigação, estarão, muito provavelmente, mortos.
A investigação foi toda ela conduzida pela agência de inteligência americana. E muitos fatos são considerados de veracidade duvidosa. Algumas testemunhas chave foram mortas em circunstâncias duvidosas, ou desapareceram sem deixar rastro.

São vários os pontos de interrogação:

1 – Lee Harvey Oswald, o suposto assassino de JFK, tinha ligações com a CIA. Integrara o grupo que fora formado e treinado pela agência para invadir Cuba e derrubar Fidél Castro do poder, numa iniciativa frustrada que causou muito constrangimento. O famoso incidente da “Baía dos Porcos”. Muitas de suas despesas eram pagas por funcionários do alto comando militar americano. Oswald fora um agente infiltrado americano em território soviético, e quando dentro da URSS, traiu o Pentágono, se unindo ao Exército Vermelho, crime esse que é punido com a morte. Mas ao voltar aos EUA nada lhe aconteceu.

2 – A arma que teria sido usada no assassinato, um rifle italiano, dos tempos da Segunda Guerra, era incapaz de dar 4 tiros em 7.6 segundos, (intervalo te tempo entre o 1º e o 4º tiro), com a precisão necessária. Uma arma dessas precisa ser rearmada manualmente, num processo que consome tempo, dificulta a mira, e torna impossível acertar um alvo em movimento. Os melhores atiradores do exército americano foram convocados para tentar repetir as condições dos tiros, e o resultado foi que, nenhum conseguiu dar os 4 tiros no mesmo intervalo de tempo, mesmo sem fazer mira.

3 – O tempo gasto pela polícia de Dallas para prender um suspeito foi muito pequeno. Oswald foi detido menos de 20 minutos após o assassinato de Kennedy, quando entrava em um cinema. Foi levado a interrogatório, durante 8 horas, e as fitas que gravaram o interrogatório, censuradas, e consideradas de Segurança Nacional. Dias depois um desconhecido surgiu do meio de uma multidão, quando o acusado era transferido para um presídio, e atirou 2 vezes, matando Oswald. Não houve reação e o assassino do assassino não foi sequer procurado.

4 – A trajetória das balas é terrivelmente estranha. Se sustentada a hipótese dos 4 tiros dados pela mesma arma fica claro que pelo menos um deles teria atingido a nuca de Kennedy, saído na altura do pescoço, atingido as costas do governador do Texas, (sentado no banco da frente), percorrido uma trajetória de “S” pelo seu peito, saído na altura do “umbigo”, atingido sua mão direita, onde o tiro foi refletido, atingindo finalmente a perna esquerda do governador, na altura da coxa. Não há registros de uma bala disparada por um rifle calibre 22 ter tamanha força para atravessar duas pessoas, e pior ainda, seguir uma trajetória tão absurda, sendo depois encontrado na maca do hospital em perfeito estado.

5 – Testemunhas afirmaram ter ouvido tiros sendo disparados de trás de uma cerca, ao lado do Parque Dealey, a menos de 20 metros do carro de Kennedy. E pessoas usando terno foram vistas atrás dessa mesma cerca, em atitude estranha, e logo após os disparos, esses suspeitos teriam partido em um carro. E desaparecido. As pessoas que afirmaram ter ouvido os tiros vindo da cerca, foram detidas e receberam uma ríspida advertência para que confirmassem a versão da CIA sobre os disparos, por questões de “segurança nacional”.
Haviam interesses relacionados a morte de Kennedy. Muito dinheiro estava em jogo. Kennedy queria retirar tropas americanas do Vietnam. Quando morreu, os EUA tinham 15000 soldados na região. Ele havia dado ordens para uma retirada inicial das tropas programada para antes do Natal de 63 (JFK foi morto em 11/63). Após sua morte, assumiu a presidência, Lyndon B. Johnsson, e sua primeira iniciativa foi reafirmar o compromisso de intervir no Vietnam, assinando um memorando de segurança nacional ordenando a permanência das tropas no sudeste asiático. Foram enviados no mesmo mês mais 27000 soldados. Ao final de seu primeiro ano no governo, 174000 soldados estavam na região. A guerra saiu caro aos EUA. Consumiu 75 bilhões de dólares/ano, num conflito que se arrastou de 1963 a 1974. As empresas do setor armamentista, que tem lobby enorme sobre o governo, tiveram seus dias de rei.

– A Bell Helicópters, fabricante de helicópteros, tinha um contrato de fornecimento do helicóptero Bell UH -1 Huey, e o exército americano teve nada mais nada menos que 7300 desses helicópteros abatidos durante o conflito.
– A General Dynamics venceu a concorrência para construir para a USAF, o caça-bombardeiro F-111 Aardward. Apenas para ter o projeto pronto, essa empresa cobrou 35 bilhões de dólares. E a aeronave foi considerada um fracasso. Outra empresa que forneceu armamento foi a Grumman, que recebeu do Pentágono, uma encomenda para desenvolver e construir o caça F-14 Tomcat. Foram 1200 aviões ao preço de 40 milhões de dólares a unidade.

Muito foi dito, pouco foi provado, mas é essencial dizer que em 1976, uma comissão de investigação do congresso americano, concluiu um novo relatório, e lá foi dito, que no incidente de 22 de novembro de 1963, houve provável conspiração.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-morte-de-john-kennedy/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-morte-de-john-kennedy/

A comprida sacola que arrastamos atrás de nós

ROBERT BLY

Diz uma antiga tradição gnóstica que não inventamos as coisas, apenas as relembramos. Dentre os europeus que conheço, aqueles que melhor relembram o lado escuro são Robert Louis Stevenson, Joseph Conrad e Carl Jung. Vou retomar algumas de suas idéias e acrescentar uns poucos pensamentos meus.

Falemos primeiro sobre a sombra pessoal. Com um ou dois anos de idade, temos uma “personalidade de 360 graus”. A energia se irradia de todas as partes do nosso corpo e de todas as’ partes da nossa psique. Uma criança correndo é um globo vivo de energia. Quando crianças, somos uma bola de energia; mas um dia percebemos que nossos pais não apreciam certas partes dessa bola. Eles dizem; “Você não consegue ficar quieto?” ou “Não é bonito tentar matar seu irmãozinho”. Atrás de nós temos uma sacola invisível e, para conservar o amor de nossos pais, nela colocamos a parte de nós que nossos pais não apreciam. Quando começamos a ir à escola, nossa sacola já é bastante grande, E aí nossos professores nos dizem: “O bom menino não fica bravo com coisinhas à-toa”, e nós guardamos nossa raiva na sacola. Quando eu e meu irmão tínhamos doze anos cm Madison, Minnesota, éramos conhecidos como “os bons meninos Bly”. Nossas sacolas já tinham um quilômetro de comprimento!

Depois fazemos o colegial e passamos por outro bom processo de guardar coisas na sacola. Agora quem nos pressiona não são os malvados adultos e, sim, o nosso próprio grupo etário. A paranóia dos jovens em relação aos adultos talvez esteja deslocada. Eu mentia automaticamente, durante todo o colegial, para me tornar mais parecido com os jogadores de basquete. Qualquer parte de mim que fosse mais “lenta” ia para a sacola. Meus filhos passam agora por esse processo, que eu já tinha observado nas minhas filhas, mais velhas que eles. Minha mulher e eu olhávamos, consternados, quantas coisas elas colocavam na sacola, mas não havia nada que pudéssemos fazer. Minhas filhas pareciam tomar suas decisões com base na moda e nos ideais coletivos de beleza, e sofriam tanta pressão das amiguinhas quanto dos rapazes.

Por isso sustento que o jovem de 20 anos conserva uma simples fatia daquele globo de energia. Imagine um homem que ficou com uma fina fatia — o restante do globo está na sacola — e que ele conhece uma mulher; digamos que ambos têm 24 anos de idade. Ela conservou uma fina e elegante fatia. Eles se unem numa cerimônia e essa união de duas fatias chama-se casamento. Mesmo unidos, os dois não formam uma pessoa! É exatamente por isso que o casamento, quando as sacolas são grandes, acarreta solidão durante a lua-de-mel. Claro que todos nós mentimos a esse respeito. “Como foi sua lua-de-mel?” “Fantástica, e a sua?”

Cada cultura enche a sacola com conteúdos diferentes. Na cultura cristã, a sexualidade geralmente vai para a sacola. E, com ela, muito da espontaneidade. Por outro lado, MarieLouise von Franz nos alerta para não sentimentalizarmos as culturas primitivas assumindo que elas não tinham nenhuma sacola. Ela diz que, na verdade, essas culturas tinham sacolas diferentes das nossas e, às vezes, até maiores. Talvez colocassem nelas a individualidade ou a inventividade. Aquilo que os antropólogos conhecem como “participação mística” ou “a misteriosa mente comunal” pode parecer muito bonito, mas talvez signifique apenas que todos os membros da tribo conhecem exatamente a mesma coisa e nenhum deles conhece nada além disso. E possível que as sacolas de todos os seres humanos sejam mais ou menos do mesmo tamanho.

Passamos nossa vida até os 20 anos decidindo quais as partes de nós mesmos que poremos na sacola e passamos o resto da vida tentando retirá-las de lá. Algumas vezes parece impossível recuperá-las como se a sacola estivesse lacrada. Vamos supor que a sacola está lacrada — o que acontece?… Uma grande novela do século XIX ofereceu uma idéia a respeito. Certa noite, Robert Louis Stevenson acordou e contou para a mulher um trecho do sonho que acabara de ter. Ela o convenceu a escrevê-lo, ele o fez e o sonho tornou-se o “Dr, Jekyll e Mr. Hyde”. O lado agradável da personalidade torna-se, na nossa cultura idealista, cada vez mais agradável, O homem ocidental talvez seja, por exemplo, um médico liberal que só pensa em fazer o bem. Em termos morais e éticos, ele é maravilhoso. Mas a substância na sua sacola assume personalidade própria; ela não pode ser ignorada. A história conta que a substância trancada na sacola aparece, certo dia, em uma outra parte da cidade. Ela está cheia de raiva e, quando finalmente é vista, tem a forma e os movimentos de um gorila.

O que essa história conta é que quando colocamos uma parte de nós na sacola, essa parte regride. Retrocede ao barbarismo. Imagine um rapaz que lacra a sacola aos 20 e espera uns quinze ou vinte anos para reabri-la. O que ele irá encontrar? É triste, mas toda a sexualidade, selvageria, impulsividade, raiva e liberdade que ele colocou na sacola regrediram; não apenas seu temperamento se tornou primitivo como elas agora são hostis à pessoa que abre a sacola. O homem ou a mulher que abrem a sacola aos 45 anos sentem medo. Eles dão uma olhada e vêem a sombra de um gorila se esgueirando contra a parede; ora, qualquer pessoa que veja uma coisa dessas fica aterrorizada!

Pode-se dizer que, na nossa cultura, a maioria dos homens coloca o seu lado feminino (a mulher interior) na sacola. Quando ele quer, lá pelos 35 ou 40 anos, entrar novamente em contato com o seu lado feminino, a mulher interior talvez lhe seja bastante hostil. Nesse meio tempo, ele está enfrentando a hostilidade das mulheres no mundo exterior. A regra parece ser: o lado de fora é um espelho do lado de dentro. É assim que as coisas são neste nosso mundo. E a mulher que queria ser aceita pela sua feminilidade e para isso guardou seu lado masculino (o homem interior) na sacola, talvez descubra, vinte anos mais tarde, que ele lhe é hostil. Talvez ele também seja insensível e brutal em suas críticas. Essa mulher estará em apuros. Viver com um homem hostil dará a ela alguém a quem censurar e aliviará a pressão, mas não resolverá o problema da sacola fechada. Nesse meio tempo, ela está propensa a uma dupla rejeição: a do homem interior e a do homem exterior. Existe muita dor nisso tudo.

Cada parte da nossa personalidade que não amamos tornar-se-á hostil a nós. Ela também pode distanciar-se de nós e iniciar uma revolta contra nós. Muitos dos problemas sofridos pelos reis de Shakespeare desenvolveram-se a partir daí. Hotspur, lá “no País de Gales”, rebela-se contra o rei. A poesia de Shakespeare é maravilhosamente sensível ao perigo dessas revoltas interiores. O rei, no centro, sempre está em perigo.

Quando visitei Bali há alguns anos, percebi que essa antiga cultura hindu utiliza a mitologia para trazer à luz do dia os elementos da sombra. Os templos encenam, quase todos os dias, representações do Ramayana. Algumas peças aterrorizantes são encenadas como parte do cotidiano da vida religiosa. Diante da maioria das casas balinesas existe uma figura esculpida em pedra: hostil, feroz, agressiva e com grandes dentes aguçados. Sua intenção não é fazer o bem. Visitei um fabricante de máscaras e vi seu filho, de 9 ou 10 anos, sentado diante da casa a esculpir, com seu cinzel, uma figura hostil e raivosa. O objetivo desse povo não é dissipar as energias agressivas — tal como nós fazemos com o nosso futebol ou os espanhóis com as suas touradas. Seu ideal é fazer essas energias emergirem na arte. Os balineses talvez sejam violentos e brutais na guerra mas, na vida cotidiana, parecem ser bem menos violentos que nós. O que isso significa? As pessoas do Sul dos Estados Unidos colocam no jardim anõezinhos negros de ferro forjado, como ajuda; nós, no Norte, fazemos o mesmo com pacíficos veadinhos. Gostamos de rosas no papel de parede, Renoir sobre o sofá e John Denver no aparelho de som. Então a agressividade escapa da sacola e ataca a todos.

Abandonemos o contraste entre as culturas balinesa e americana e sigamos em frente. Quero falar sobre a ligação entre as energias da sombra e o projetor de cinema. Vamos supor que miniaturizamos algumas partes de nós mesmos, as enrolamos como um filme e colocamos dentro de uma lata, onde elas ficarão no escuro. Então uma noite — sempre à noite — as formas reaparecem, imensas, e não conseguimos desviar nossos olhos delas. Estamos dirigindo à noite, fora da cidade, e vemos um homem e uma mulher numa enorme tela de cinema ao ar livre; paramos o carro e observamos, Algumas formas que foram enroladas dentro da lata (duplamente invisíveis, por estarem só parcialmente “reveladas” e por terem sido mantidas na escuridão) existem, durante o dia, apenas como pálidas imagens numa fina tira de celulóide cinzento. Quando uma certa luz se acende por trás de nós, formas fantasmagóricas aparecem na parede à nossa frente. Elas acendem cigarros: ameaçam os outros com revólveres. Nossa psique, portanto, é uma máquina natural de projeção; podemos recuperar as imagens que guardamos enroladas na lata e projetá-las para os outros ou sobre os outros.

O marido pode rever sua raiva, enrolada na lata por vinte anos, no rosto da mulher, A mulher que sempre vê um herói no rosto do marido, certa noite, vê ali um tirano. A Nora de A Doll’s House [Casa de Bonecas] via essas duas imagens alternadamente. Um dia desses encontrei meus velhos diários e peguei, ao acaso, o de 1956. Naquele ano eu estava tentando escrever um poema sobre a natureza dos publicitários. Lembrei-me como a lenda de Midas era um fator importante para a minha inspiração. Tudo o que Midas tocava se transformava em ouro. No meu poema, eu dizia que todas as coisas vivas nas quais o publicitário tocava se transformavam em dinheiro e que era por isso que os publicitários tinham a alma tão faminta. Eu escrevi pensando nos publicitários que conhecia e me diverti atacando-os às escondidas. Mas, conforme fui relendo esses velhos escritos, senti um choque ao ver o filme que eu estava projetando. Entre a época em que escrevi tudo aquilo e o agora, eu tinha descoberto como comer sem ingerir alimento: a comida que os amigos me ofereciam se transformava em metal antes de chegar na minha boca. A imagem ficou clara? Ninguém pode comer nem beber metal. E por isso Midas era importante para mim. Mas o filme que mostrava o meu Midas interior estava enrolado na lata. Os publicitários, perversos e tolos, apareciam à noite sobre uma tela imensa e me fascinavam. Logo depois desse poema, escrevi um livro chamado Poems for the Ascension of J. P. Morgan [Poemas para a Ascensão de J. P. Morgan]; meus poemas sobre o mundo das finanças alternavam-se com anúncios discutíveis reproduzidos de jornais e revistas. A seu modo, é um livro vivo. Ninguém quis publicá-lo, mas tudo bem. De toda maneira, eram só projeções. Vou ler um poema que escrevi nessa época. Chama-se “Inquietação”.

Estranha inquietação paira sobre a nação.
E a última contradança, o bramir das ondas do mar de Morgan,
A divisão do espólio. Uma lassidão
penetra os diamantes do corpo.
Na escola, uma explosão; uma criança semimorta;
quando a batalha finda, terras e mares arruinados,
duas formas emergem em nós, e se vão.

Mas o babuíno assobia nas praias da morte —
subindo, caindo, jogando cocos e calhaus,
bamboleia na árvore
cujos ramos contêm a vastidão do frio,
planetas em órbita e um sol negro,
o zumbido dos insetos e os vermes escravizados
na prisão da casca.
Carlos Magno, aportamos às tuas ilhas!

Voltamos às árvores cobertas de neve
e à profunda escuridão enterrada na neve, através
da qual viajaste toda a noite
com as mãos a congelar; agora cai a escuridão
na qual dormimos e despertamos — uma sombra onde
o ladrão estremece, o insano devora a neve,
negra laje sepulta no sonho o banqueiro
e o negociante cai de joelhos no calabouço do sono.

Há cinco anos, comecei a suspeitar desse poema. Por que dei destaque especial aos banqueiros e aos negociantes? Se tivesse que substituir “banqueiro”, o que eu diria? “Um estrategista, alguém que planeja muito bem”… ora, eu planejo muito bem. E “negociante”? “Um homem impiedoso, de rosto duro”… olhei-me ao espelho. Reescrevi esse trecho do poema, que agora está assim:

… uma sombra onde
o ladrão estremece, o insano devora a neve,
negra laje sepulta no sonho o estrategista
e o impiedoso cai de joelhos no calabouço do sono.

Agora, quando vou a uma festa, sinto-me diferente do que costumava me sentir ao conhecer um homem de negócios. Pergunto a um homem, “O que você faz?” e ele responde, “Negocio com ações”. E ele tem ar de quem pede desculpas. Digo para mim mesmo, “Veja só: algo de mim que estava no fundo de mim está exatamente ao meu lado”. Sinto até uma estranha vontade de abraçar o homem de negócios. Não todos eles, é claro!

Mas a projeção também é uma coisa maravilhosa. Marie-Louise von Franz observou num de seus escritos: “Por que assumimos que a projeção é sempre uma coisa ruim? ‘Você está projetando’ tornou-se uma acusação entre os junguianos. As vezes a projeção é útil, é a coisa certa.” Sua observação é sábia. Eu sabia que estava me matando de inanição, mas esse conhecimento não conseguia sair diretamente da sacola para a minha mente consciente. Ele precisava antes passar pelo mundo. “Como são perversos os publicitários”, eu dizia para mim mesmo. Marie-Louise von Franz nos faz lembrar que, se não projetarmos, nunca conseguiremos estabelecer uma conexão com o mundo. As mulheres reclamam que o homem pega seu lado feminino ideal e o projeta sobre elas. Mas se não fizesse isso, como poderia ele sair da casa da mãe ou do apartamento de solteiro? A questão não é tanto o fato de projetarmos, mas sim por quanto tempo mantemos a projeção sobre o outro. Projeção sem contato pessoal é perigoso. Milhares, milhões de homens americanos projetaram seu feminino interior sobre Marilyn Monroe. Se um milhão de homens deixou suas projeções sobre ela, o mais provável era que Marilyn morresse. Ela morreu. Projeção sem contato pessoal pode causar danos à pessoa que a recebe.

Seja dito também que Marilyn Monroe precisava dessas projeções como parte de sua ânsia de poder, e que sua perturbação certamente retrocedia a problemas na infância. Mas o processo de projetar e recolher a projeção — feito com tanta delicadeza, face a face, na cultura tribal — foge de controle quando entra em cena a comunicação de massa. Na economia da psique, a morte de Marilyn era inevitável c até mesmo certa. Nenhum ser humano pode receber tantas projeções — isto é, tanto conteúdo inconsciente — e sobreviver. Por isso é da maior importância que cada pessoa traga de volta suas próprias projeções.

Mas por que abrir mão ou colocar na sacola tanto de nós mesmos? Por que o fazemos ainda tão jovens? E se colocamos de lado tantas das nossas raivas, espontaneidades, fomes, entusiasmos, nossas porções rudes e feias, como podemos viver? O que nos mantêm vivos? Alice Miller analisou esse ponto no seu livro Prisioners of Childhood [Prisioneiros da Infância], publicado em brochura com o título The Drama of the Gifted Child [O Drama da Criança BemDotada].

O drama é este. Chegamos como bebês “trilhando nuvens de glória” e vindos das mais distantes amplidões do universo, trazendo conosco apetites bem preservados da nossa herança de mamíferos, espontaneidades maravilhosamente preservadas dos nossos 150 mil anos de vida nas árvores, raivas bem preservadas dos nossos 5 mil anos de vida tribal — em suma, irradiando nossos 360 graus — e oferecendo esse dom aos nossos pais. Eles não o queriam, Queriam uma linda menininha ou um lindo garotinho. Esse é o primeiro ato do drama. Não quer dizer que nossos pais fossem perversos; é que eles precisavam de nós para alguma coisa. Minha mãe, imigrante de segunda geração, precisava de meu irmão e de mim para dar um toque de classe à família. Fazemos o mesmo aos nossos filhos; é parte da vida neste planeta. Nossos pais rejeitaram aquilo que éramos antes de podermos falar e, assim, a dor da rejeição está provavelmente guardada em algum local pré-verbal dentro de nós.

Quando li o livro de Alice Miller, fiquei deprimido por três semanas. Com tantas coisas perdidas, o que podemos fazer? Podemos construir uma personalidade que seja mais aceitável aos nossos pais. Alice Miller concorda que traímos a nós mesmos mas diz, “Não se culpe por isso. Não há nada mais que você pudesse ter feito”. Nos tempos antigos, é provável que as crianças que se opunham aos pais fossem condenadas à morte. Fizemos, enquanto crianças, a única coisa sensata diante das circunstâncias. A atitude adequada, diz Alice Miller, é o luto.

Falemos agora dos outros tipos de sacolas. Quando colocamos muita coisa na nossa sacola particular, o resultado é nos sobrar pouca energia. Quanto maior a sacola, menor a energia. Algumas pessoas têm, por natureza, mais energia que outras; mas todos nós temos mais energia do que nos é possível usar. Para onde ela foi? Se colocamos nossa sexualidade na sacola enquanto somos crianças, é lógico que perdemos bastante energia. Quando coloca o seu lado masculino na sacola ou o enrola como um filme e guarda na lata, uma mulher perde energia. Assim, podemos imaginar que a nossa sacola pessoal contém energia que agora não está à nossa disposição, Se um homem diz que não é criativo, quer dizer que ele guardou sua criatividade na sacola. O que ele quer dizer com “Eu não sou criativo”? Não seria “Deixe para o especialista”? Ora, é exatamente isso que ele está dizendo! O que ele quer é um poeta de aluguel, um mercenário caído dos céus. Ele deveria, isso sim, estar escrevendo os seus próprios poemas.

Já falamos da nossa sacola pessoal, mas parece que cada cidade ou comunidade também possui a sua sacola. Vivi muitos anos nos arredores de uma cidadezinha agrícola de Minnesota. Esperava-se que cada habitante daquela cidade tivesse os mesmos objetos na sacola; ora, qualquer aldeia grega teria objetos diferentes na sacola! E como se a cidade, por uma decisão psíquica coletiva, colocasse certas energias na sacola e tentasse impedir que alguém as tirasse de lá. Nesse assunto, as cidades interferem com nossos processos particulares e é por isso que é mais perigoso viver nas cidades do que junto à natureza. Por outro lado, certos ódios ferozes que sentimos numa cidade pequena às vezes nos ajudam a ver para onde foram as nossas projeções. A comunidade junguiana, como a cidade, tem a sua sacola; ela geralmente recomenda aos junguianos que mantenham a vulgaridade e o amor ao dinheiro na sacola. Mas a comunidade freudiana geralmente exige que os freudianos mantenham sua vida religiosa na sacola.

Existe também uma sacola nacional, e a nossa é bem comprida. A Rússia e a China têm defeitos dignos de nota; mas se um cidadão americano tiver curiosidade de saber o que existe na nossa sacola nacional neste instante, basta ouvir com atenção algum funcionário do Departamento de Estado criticando a Rússia. Como dizia Ronald Reagan, nós somos nobres; as outras nações têm impérios. As outras nações suportam lideranças estagnadas, tratam as minorias com brutalidade, fazem lavagem cerebral em seus jovens e rompem tratados. Um russo poderá descobrir a respeito da sacola russa lendo algum artigo do Pravda sobre os Estados Unidos. Estamos lidando com uma rede de sombras, um padrão de sombras projetado por ambos os lados e todos se encontrando em algum ponto no ar. Não estou dizendo nada de novo com esta metáfora, mas quero tomar bem clara a distinção entre a sombra pessoal, a sombra da cidade e a sombra nacional.

Usei três metáforas aqui: a sacola, a lata de filme e a projeção. Já que a lata (ou sacola) está fechada e suas imagens permanecem na escuridão, só podemos ver o seu conteúdo quando o lançamos — com a maior inocência, como costumamos dizer — lá fora no mundo. E então as aranhas se tornam más, as serpentes astuciosas e os bodes libidinosos; os homens tornam-se lineares, as mulheres passam a ser fracas, os russos deixam de ter princípios e todos os chineses se parecem. Apesar de tudo, é precisamente através desse “mar de lama” dispendioso, prejudicial, ruinoso e confuso que acabaremos por entrar em contato com a lama sob nossos pés.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-comprida-sacola-que-arrastamos-atras-de-nos/

Mulher Objeto

Com o recente debate iniciado no post “Feminismo: um delírio“, achei por bem trazer um texto sobre o tema (todos os links no texto abrem novas janelas)…

Vamos ser honestos e ir direto ao ponto: faz muito tempo que o mundo ocidental é machista – no mínimo, desde que o culto a Deusa foi destroçado pela Igreja, mas isso não vem ao caso no momento…

Sim, já foi pior, já foi muito pior. Houve época em que mulheres “não tinham alma”. Houve época em que não podiam nem estudar nem trabalhar “porque sua única função era cuidar da casa e dos filhos”. Houve época em que não podiam votar e muito menos se eleger… Mas graças aos anticoncepcionais e aos movimentos de emancipação do século passado, as mulheres hoje estão em situação bem mais digna.

Ou melhor, elas sempre estiveram em situação digna. Os homens é que eram indignos das mulheres, pois por muito tempo foram educados para as tratar como seres secundários, às vezes serviçais.

Dizem que a humanidade não evoluiu moralmente. Os dogmáticos do apocalipse adoram lembrar que nossa evolução tecnológica nada fez por nossa moral. Dizem que “não há nada de novo abaixo do céu”… Eu não concordo.

Não concordo, porque há 2 mil anos o povo ia ver feras devorarem homens no Coliseu de Roma. E aplaudiam… Hoje o povo vai a um estádio de futebol (mesmo em Roma) para ver uma disputa esportiva, e raramente aplaude algum derramamento de sangue – é claro que os hooligans estão aí para nos lembrar do quão ignorante parte de nós ainda é, mas eles são a minoria, felizmente…

Os homens diziam que o mercado de trabalho não comportaria o afluxo de mulheres, que isso provocaria desemprego e conflitos e caos generalizado… Não, o apocalipse não chegou porque uma mulher assumiu a gerência de uma multinacional, ou a presidência de um país. Elas não são tão diferentes assim dos homens, e em muitas áreas são estatisticamente melhores – como na direção de automóveis, por exemplo; Se não acredita basta verificar em qualquer seguradora quanto custa o seguro para homens, e quanto custa o mesmo seguro para mulheres.

Mas há homens inteligentes e sensíveis o suficiente para reconhecer todas as potencialidades femininas… Vejamos o presidente da França, por exemplo, que certamente não deve ter muitas reclamações acerca da belíssima ex-modelo com quem se casou – uma artista de mão cheia, que não deixou de ser musicista e nem escritora por ser uma “primeira-dama”. Quantos homens não se sentiriam intimidados por uma Carla Bruni? Alguém tão bela, tão dona de si mesma, tão deliciosamente poética… Seria “muita areia para o caminhãozinho dele”? Certamente, talvez exatamente por isso ele esteja com ela – “o mais improvável dos relacionamentos”. “Improvável”, isto é, para os machistas que ainda se sentem melhor com as mulheres serviçais, as secundárias, as que não os podem ofuscar…

Porém, os ecos da barbárie medieval e a sombra da ignorância humana ainda se fazem presentes na época atual. Há algo de obscuro enterrado no cerne de nossa educação precária. Uma idéia de que homens são provedores e mulheres são “alguma espécie de bem material” – e que os homens devem ter muito, muito dinheiro, para poder “usufruir” dessas mulheres. Eis o absurdo conceito de mulher objeto (não estou me referindo a parafilia, mas simplesmente ao conceito em si), tão absurdo que se oculta longe da racionalidade, de modo que muitas vezes ele está no inconsciente, e não no consciente. Mulheres objeto no inconsciente coletivo de homens, e também de mulheres… Não acredita?

Se não acredita, dê uma breve olhada em comerciais de cerveja, em revistas masculinas, em sites pornô – ou melhor, talvez seja mais simples ir direto ao ponto, direto na “ferida”…

Clipes de música americana! Eles infestam as mentes de jovens e adolescentes – e mesmo de crianças e pré-adolescentes… Eu poderia citar vários exemplos, mas vamos direto a um ícone, do Black Eyed Peas (vale lembrar que não tenho nada contra a música em si, mas contra a idéia que os levou a escrever uma letra que, no fim das contas, resume muito bem o conceito de mulher objeto):

» Ver clipe de “My Humps” (Black Eyed Peas) no YouTube

Na música acima, chamada “My Humps”, temos praticamente uma relação comercial estabelecida: o homem deve prover a mulher com dinheiro e jóias caras, e ela deve prover ele (com o perdão da palavra) com “muita bunda dentro do seu jeans” – eu estou apenas traduzindo a letra!

Algumas mulheres perceberam o absurdo estabelecido na cultura musical “pop” americana… Alanis Morissette nos brindou com sua brilhante paródia da mesma música, em que ela usa a mesmíssima letra, mas com outro ritmo (ela certamente não pretendia lançar um hit com esse clipe):

» Ver clipe da paródia de “My Humps” (Alanis Morissette) no UOL+

Isso dá uma pequena idéia geral de como o conceito de mulher objeto penetra em nossa cultura desde praticamente o berço – e nem sempre nossos adolescentes percebem por onde esse tipo de pensamento adentrou suas vidas (e até mesmo alterou o funcionamento cerebral)… Infelizmente não somos educados para pensar por nós mesmos, e dá no que dá: “conceitos enlatados goela adentro” – muitos de nós são praticamente gansos com cérebro inchado (ao invés do fígado).

E como mudar? Como fazer com que as mulheres escapem dessa sina – e de quebra reduzir (muito) a violência contra a mulher, causa direta de muitos traumas e assassinatos, mesmo nas “melhores famílias” –?

Simples: não aceite. Não compre essas idéias. Analise a si mesmo, conheça aos próprios pensamentos, e questione-se até que ponto eles são seus, e até que ponto são fruto de uma sociedade algo decadente, onde o deus do consumo faz o que quer e aonde quer… E todos o aplaudem, ou quase todos.

Mas, sobretudo, homens e mulheres, não desanimem! Quem sabe o dia em que nos chamaremos não de homens e de mulheres – mas de seres, de almas, de consciências –, não esteja tão distante assim… Era após era. Século após século… Hoje melhor do que ontem. Amanhã melhor do que hoje. Passo a passo.

***

» Tradução da música “My Humps” (atenção: a leitura pode fazer você perder a fé na humanidade)

Nota: Não desconsidero a possibilidade da própria banda Black Eyed Peas ter feito uma grande sátira da nossa sociedade atual com a sua música. No entanto, seja porque a sátira tenha sido “sutil demais”, seja porque a grande maioria das pessoas não a entendeu, a crítica permanece válida. E, se for o caso de ter sido mesmo uma sátira, é possível que o próprio Black Eyed Peas também concorde com a crítica feita aqui…

***

Crédito das fotos: Anônimo/Divulgação.

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

» Ver todos os posts da coluna Textos para Reflexão no TdC

#Música #sexo #sociedade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mulher-objeto

Pactum Pactorum

pactum-pactorum

Venha Participar de um ritual de Alta Magia que tem por objetivo abrir os portais da Riqueza e da Prosperidade para o praticante. Este é um ritual sério que nada tem a ver com Pactos Demoníacos e entidades maléficas.

Só que não!

Praticamente uma vez por mês recebo estes SPAMS inúteis vindo de Estelionatários ávidos por separar os trouxas de seu dinheiro, prometendo pactos mirabolantes, cursos de magia e rituais de riqueza fantasiosas. P.T.Barnum estava coberto de razão quando dizia que “Nasce um otário a cada minuto!”. No caso de Pactos com Lúcifer, parece que essa cota aumenta…

Vamos observar o email:

Sabemos que existem muitos mitos que rodeiam sobre rituais de Alta Magia e Pactos e que assim povoam o consciente da maioria das pessoas com pensamentos assustadores e tenebrosos. Não são medos infundados, pois desde a Inquisição muitas estórias foram inventadas para colocar medo naqueles que ousassem desobedecer as ordens da Igreja Romana. Além disso, são comuns em nossos tempos, pessoas praticarem ritos absurdos com entidades do plano inferior oferecendo a própria alma em troca de poucos anos de riqueza.

Nosso Ritual não tem nada a ver com isso!

Trata-se de um ritual sério, bonito, fundamentado em conhecimento, não na fé cega. Nosso Ritual não ofende a nenhuma religião, não blasfema contra nenhum Deus, não é um ritual de cunho sexual, não há nudismo, não há venda de almas e nem sacrifícios de sangue. E, além disso, funciona melhor que qualquer outro ritual que se possa ter notícias. Simplesmente porque não há nenhuma entidade superior à do nosso ritual na função de distribuir riquezas em nosso planeta -Nosso Ritual é para Reis – Venha Reinar Conosco!

Podemos perceber a marmotagem logo no primeiro parágrafo… o cara é mais escorregadio que um pastor evangélico. Não fala quem faz o ritual, o que faz, o que fará, nada… a idéia de que exista um ritual “que não blasfema contra nenhum Deus” ou “que não ofenda nenhuma religião” já mostra a total picaretagem do sujeito e já deveria levantar todas as bandeiras de suspeita… mesmo os bananas satanistas de orkutbook e seus “rituais de prosperidade do diabo” sabem que os crentes se melindram até com as velas dos rituais dos wiccas.

Outra indicação forte de picaretagem está em anunciar “segredos proibidos, rituais de reis, coisas que apenas o nosso grupinho secreto sabe para dominar o mundo”. Curiosamente, continuam pobres e desesperados por vender pactos da prosperidade.

Ora, qualquer meio-cérebro sabe que, se um ritual de prosperidade luciferiana funcionasse, a pessoa só precisaria fazê-lo uma vez e seria próspero… se a pessoa tem de mandar spams vendendo pactos a cada dois meses, é mais do que óbvio que eles não funcionam.

· O ritual é realizado individualmente em nosso Castelo (de forma secreta), ou seja, sem que ninguém mais necessite saber que vós realizou o ritual (isso será entre você e os Mestres Magos possuidores do Rito (e somente com tal discrição existirá o retorno esperado – não prossiga sem total discrição) ’Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez’. Através desse ritual, nós vos apresentamos à uma Poderosa Entidade Espiritual, incumbindo-lhe a missão de trazer-lhe riquezas e bens materiais. Você obterá também aumento da percepção, da influência, do poder e fortuna pessoal.

Mesmo porque imagine a vergonha alheia de voce ter de ir na polícia reclamar que foi feito de trouxa porque queria “fazer um pactum pactorum com lucifugo rocambole para ficar rico, mas eles roubaram seu dinheiro e não te deram nada”… o delegado ia mijar de rir da sua cara… Muitos desses pilantras esquisotericos utilizam-se dessa cobertura de “sigilo e segredo” para criar uma aura de mistério e amedrontar os trouxas. Quem os vê no youtube até poderia dar alguma credibilidade (ainda mais porque o alvo desses espertalhões geralmente é a pessoa que não entende nada de hermetismo). Depois, quando nada der certo, o otário vai reclamar com quem? com Satã? hauahauaha

continuando:

O nosso Rito possui alta tensão mágicka e não meras formalidades teatrais ou simbólicas. O que pode ser descrito (é bem limitado, pois não deve ser exposto). Em sua iniciação você passará por algumas preparações fundamentais, que seguem toda uma tradição ritualística, essa cerimônia é individual e realizada somente com sua presença em nosso Castelo, na região de xxxxxxxxxxx; em data específica, com absoluto sigilo. Seu corpo astral receberá ”marcas” que serão reconhecidas por outros seres astrais, além do recebimento de alguns ”itens” (que não podemos descrever aqui).

Para participar do ritual é preciso antes fazer o Curso Preparatório e também uma preparação pessoal antes do rito. Além disso, nós temos que confeccionar a jóia ritualística, os utensílios mágickos, vestimenta e pergaminho sagrado que será usado por vós na realização do ritual.

Dercy Gonçalves, grande illuminati, dizia sempre que “alta tensão mágicka de cu é rola!” e, na verdade, todo o teatrinho desses vigaristas era feito pensando justamente em deixar o infeliz assustado. Os crentes em suas centenas de anos de propaganda já criaram um diabo super-hiper-duper-poderoso, e nada mais bacana do que aproveitar dessa fama para pegar alguns trouxas. Além do mais, se o camarada já ficar com medo, melhor ainda, porque não vai reclamar depois. O lance de inventar um “curso preparatório para ritual de prosperidade” é coisa de Jênio! Espremer cada trocado da carteira do mané.

*Existem diversos custos que envolvem esse forte ritual e portanto esse custo é repassado ao interessado(a) que também deve contribuir com o Grande Templo, assim sendo, a taxa de participação é um investimento único de R$3.000,00 (Três Mil Reais) = um único investimento para uma nova vida de absoluto sucesso.

*pagamento no valor acima à vista e antecipado ao agendamento do ritual.

*consulte opções de parcelamento da taxa – com cheque – valor diferenciado.

Aceitamos vale-transporte e ticket restaurante também!

O nosso ritual é um rito de Alta Magia somente para os Reis!

Os Reis são aqueles que tem a mente aberta e têm coragem de encarar o mundo como ele realmente é!

Os Reis são aqueles que se responsabilizam pelos seus atos ao invés de compadecer-se de suas próprias dôres!

Os Reis são guerreiros, conquistadores e ambiciosos…

Os Reis compreendem que não ser escravo da matéria não significa viver na pobreza e sim possuir e dominar todo o qualquer bem que vier a desejar. Os Reis reinarão sobre todas as coisas materiais. E os escravos servirão!

Se você realmente tem interesse e está preparado para vir reinar conosco;

Obviamente, qualquer um que tenha o mínimo dessas qualidade passa longe dos picaretas. A única coisa certa que disseram é que os escravos servirão…

Felizmente, a polícia já começou a desbaratar essas quadrilhas de espertalhões. Alguns já foram, outros continuam agindo por ai. Fique esperto!

#Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pactum-pactorum

A Natureza da Quimbanda Brasileira

por T.Q.M.B.E.P.N.

A Quimbanda Brasileira, por ser uma Tradição que durante muitos anos resguardou-se através dos ensinamentos orais, ocultou sua verdadeira natureza para poucos iniciados. Esses, por sua vez, em sua grande maioria saíram do ‘Caminho de Maioral’ por não suportarem a pressão que é impingida aos adeptos ao longo de seu processo de alquimia interna. Os poucos que resistiram moldaram a Quimbanda segundo expressões e perspectivas particulares, por isso existe uma grande pluralidade na forma com que o Culto é desenvolvido no Brasil.

Independente de como o Culto foi desenvolvido, deixando de lado o regionalismo e a formação dos zeladores, a Quimbanda Brasileira tem características particulares que devem ser levadas em consideração. A Natureza da Verdadeira Quimbanda, ao contrário das demais religiões e cultos, não está associada ao desenvolvimento de uma conduta moral e ética refinada e nem é influenciada pelas empenhas do período evolutivo da sociedade humana. Também não é um meio ao qual os adeptos sentirão a satisfação espiritual enquanto estiverem na matéria, pois o intuito da Quimbanda não é gerar satisfação e sim libertação, pois satisfação desprovida de libertação é ilusória.

A Quimbanda Brasileira está associada ao processo que ocorre entre a consciência e a inconsciência. É o árduo caminho de aprendizado que tem como intuito o conhecimento sobre si próprio e principalmente sobre a relação do “Eu” com o Sistema vigente mostrando as relações que existem entre o corpo, corpo astral e espírito e a escalada evolutiva ou escravista que esse Ser escolhe.

Os sentimentos são mecanismos que devem ser lapidados por todo adepto da Quimbanda. Diferente de outras expressões religiosas, a Quimbanda Brasileira entende que cada adepto é um Ser individual e tem a liberdade de formar seus parâmetros sem imposições sobre “Bem X Mal”. O mais interessante é que os Exus mostram-nos que existe uma corrente invisível que prende-nos a valores positivos e negativos, pois não compreender o que sentimos em relação a tudo é o mesmo que nos prender em teias invisíveis onde os fios da moral nos sufocam. Se o sentimento é inevitável, que seja formado com múltiplas visões, dotado de discernimento e não esteja atrelado aos conceitos de moral e ética da massa vigente. Exu é a semente que estoura a terra e rompe a vida e não uma árvore que já nasce com frutas.

Todo esse processo de autoconhecimento visa dominar e entender os sentimentos e emoções para formar os pensamentos adequados que irão ser a forma mais verdadeira de comunicação com o mundo espiritual. Para alcançar esse nível o adepto deverá vivenciar em variadas situações, experiências profundas e por vezes doloridas. Até que o adepto entenda que tudo que ele vibra e sente pode interferir em sua jornada e que a mente é mediadora entre o “Eu” e o Caminho de Exu, pode encontrar inúmeras dificuldades. A Quimbanda não deseja adeptos perfeitos, mas almas livres, mentes que transcendem as formas limitadoras e vão além dos conceitos morais e éticos.

Quimbanda e o Instinto Predador

O homem iluminado pela Luz da Quimbanda, que é um dos raios da Luz de Lúcifer, luta internamente contra as amarras do Sistema Cíclico Escravista (reencarnação e cumprimento de Carma). Para vencer esses entraves, o espírito deve ser constantemente alimentado através da fonte espiritual (Sabedoria) e, ao mesmo tempo, seus instintos devem ser incitados para que ajam como predadores. A Sabedoria não confronta o ato predatório, apenas concede ao adepto o discernimento de quando, como e com que intensidade essa voracidade deve aflorar. Não se trata de restringir, mas de adequar e adaptar nossos instintos à realidade que vivenciamos.

O adepto cria em seu “Eu” uma aversão à fraqueza e limitações que existem na sociedade. Um predador não chora em cima de sua presa, tampouco, dispende energia em perseguições infrutíferas. O verdadeiro predador não tende errar porque é alicerçado pela sabedoria e principalmente pelo autoconhecimento. Um adepto avançado sabe seus limites e limitações.

O homem é condicionado ao instinto de autopreservação. Luta incessantemente pela vida e pela integridade. Esse mecanismo é regulado pela dor e pelo medo, ou seja, o homem se mantem vivo porque cultua ambos. O medo libera a adrenalina que aumenta a força física e expande os sentidos tais como audição, olfato e visão e pode fazer com que o homem vá ao combate ou fuja do mesmo. O adepto da Quimbanda aprende que avançar ou recuar nas batalhas não é uma decisão motivada pelos sentimentos ou sensações; sim pelo instinto predatório frio, agudo e incisivo. O Quimbandeiro não é refém do medo, tampouco, da dor, pois entende sua natureza e a dos espíritos que o ministram.

Exu é um espírito com a capacidade de ‘andar’ em nossa linha temporal (passado, presente e futuro). Como se encontra no plano astral, essa linha de tempo não se restringe apenas a existência material ao qual temos consciência, ou seja, Exu pode vagar em nossas existências passadas e interferir, de maneira construtiva, na nossa vida material presente. Assim, Exu pode fazer com que fobias desenvolvidas em vidas anteriores sejam vencidas nessa existência. Todo esse processo visa fortalecer o instinto predador que é desperto nos verdadeiros adeptos.

O Homem de Fogo x Homem de Água

O mundo, cíclico e rotativo, proporciona mudanças perceptíveis e imperceptíveis a todo o momento. Entendemos que o mundo é o “espaço-cativeiro” onde almas diversas encontram-se em estado bruto/solidificado/material. Toda mudança do mundo acarreta mudanças em seu rebanho, ou seja, por mais imperceptível que seja a ação certamente atingirá os humanos. O ritmo dessas mudanças pode ser variável e atingir o coletivo e o individual em estágios diferentes fazendo com que todos sejam obrigados a passar pelos processos de adaptação necessários.

Obviamente que existem teorias sobre o comportamento fixo ou maleável do homem no seu processo de evolução, porém, existe algo importante de salientarmos: A Vontade e o Desejo. Através desses impulsos, aflora a atitude de dinamismo e ostracismo no comportamento humano. Esse é dividido em estágios, porém, no contexto desse ensaio destacamos duas marcas: Furioso e Passivo.

O comportamento furioso é dotado de fogo, auto cobrança, evolução e agressividade que capacita o homem enxergar as mudanças do mundo, suas consequências e criar uma multiplicidade de ações para conviver com elas. Homens de comportamento furioso compreendem rapidamente as ações exteriores e criam ambientes capazes de se estabilizarem nas incertezas deixando de serem ferramentas mecanistas que efetuam a prevenção e conserto do Sistema. Os dotados com esse comportamento conseguem aprender com os erros, mas nunca deixam de promover sua subjetividade, desejos, frustrações e aspirações como parte integrante dos sistemas e das organizações.

O comportamento passivo é como água parada que procura estabilidade e proteção contra as ações agressivas da natureza. Geralmente criam suas identidades baseados em contatos visuais e estruturas que consolidam suas aspirações. Possuí medo em diversos níveis e destaca-se o medo à rejeição da sociedade. Alimenta os traumas e as percas tornando-os obstáculos que estorvam as mudanças. Não suporta um ambiente competitivo e inovador, possui hábitos lineares e tem dificuldade com aspectos e mudanças inovadoras. Foi preparado para ser mão de obra, para ter um chefe mandando o que fazer.

Ambos os comportamentos coexistem na sociedade. Possuem família, amigos, dívidas e sonhos. Convivem com os mesmos problemas, crises e toda complexidade da sociedade. Disputam o mesmo espaço e estão suscetíveis as mudanças no mundo, sejam perceptíveis ou não. O homem de comportamento furioso e o homem de comportamento passivo podem, em algum momento, aproximarem-se do Culto de Exu. Os motivos que os levam a tal decisão são praticamente os mesmo, afinal, não são todas as pessoas que se aproximam do Culto em busca de revelações e evolução espiritual, sejam elas furiosas ou passivas. Inseridos no Culto, ambos passarão pelos mesmos estágios e nesse exato momento diferenciam-se.

Imaginemos que Exu interfira na linha temporal de ambos os comportamentos de forma agressiva. Essa agressividade, sob olhos atentos, capacitará mudanças significativas em suas vidas materiais, mas ao mesmo tempo impingirá pressão e confusão até estabilizar um “novo caminho”.

O homem de comportamento furioso certamente suportará essa pressão, pois rapidamente criará uma nova forma de adaptação e enxergará através das ‘brechas’ deixadas por Exu. Aproveitará ao máximo a oportunidade e não permitirá que as frustações o atinjam, porque construiu sua fé com subjetividade. Ele se regenerará nas formas sagradas que os Espíritos emitem e não no que seus sentimentos grosseiros tentam formar.

O homem de comportamento passivo entrará em colapso vendo sua estrutura protecional ruir. Lamentará por não ter seguido conselhos repelentes ao Culto e deixará os traumas tomarem-no de forma literal. Não suportará a pressão do novo e ruirá em pedaços grosseiros.

Exu, na sua imensa sabedoria e com sua gargalhada caótica que bane a inércia, pegará os dois comportamentos e colocará em sua peneira. O homem de comportamento furioso ruirá por inteiro tornando-se um pó sagrado apto a promover a ressurreição de seus antepassados obscuros, já o homem de comportamento passivo ficará sendo balançado em grosseiros pedaços até que Exu jogue-o em algum canto por não servir aos seus propósitos.

Todo esse ensaio mostra aos adeptos porque muitas pessoas que se aventuram nos caminhos de Exu deixam o Culto de forma inesperada e se tornam inimigos dessas forças. São passivos, inertes e esperam que as mudanças venham de forma linear, calma e protecionista. Essas pessoas acabam se escondendo em outros caminhos religiosos que propagam a sutileza, amor, compaixão e caridade. Esperam que Exu plante uma ‘Árvore do Dinheiro’ ou ‘tragam a pessoa amada em três dias’ porque tais situações corroborarão com seus queridos estados letárgicos e anti-evolucionistas.

Lembremos que Exu é constante movimento e nunca carregará fardos. ‘Exu não dá o peixe para quem não sabe pescar!’. Exu nos ensina a agirmos como catalisadores de ações!

O Instinto Predador e o Ego

O Ego é a defesa da personalidade, estrutura do aparelho psíquico que nos conduz pela realidade. O Ego é ‘defensor do medo’ e coíbe todos os instintos predatórios que possuímos.

Compreender nossos instintos predatórios não é o mesmo que coibi-los. Coibir significa reprimir, expressar claramente uma negativa. A compreensão é a aceitação e entendimento do impulso para que o mesmo seja desperto quando necessário. A coibição gera insatisfação, traumas e o ódio. Esses sentimentos, dentro desse contexto, são atrativos de Carma e elos das algemas do Sistema Escravista do Falso Deus. A compreensão dos impulsos é parte da libertação e do próprio autoconhecimento.

fonte: https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49/natureza-quimbanda

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-natureza-da-quimbanda-brasileira/