A Revolução Astral da Quimbanda

Existe um segredo sobre o plano vingativo de justiça dos orixás que é passado de geração em geração. A saber, o de que a quimbanda é uma revolução astral, física e histórica em oposição as religiões dominantes e opressão social. Para termos uma idéia melhor deste fato, vejamos algumas leis promulgadas em meados do século XIX:

‘”Todo indivíduo, branco, índio ou preto forro, que em sua casa fizer ajuntamento de pretos que dizem feitiçarias ou Bangalez, ainda mesmo que consista em sua casa desamparada por esta forma de seus senhores, incorrerá em pena de 15 dias de prisão e dez mil-réis de condenações pagos na cadeia (Lei de Posturas Municipais de 1831)

“Todo o que a título de curar feitiços, ou de adivinhar, se introduzir em qualquer casa, ou receber na sua algum para fazer semelhantes curas por meios supersticiosos e bebidas desconhecidas, ou para fazer adivinhar e outros embustes será multado, assim como o dono da casa” (Lei de Posturas Municipais de 1845)

Pode parecer coisa da inquisição espanhola, mas até muito recentemente, qualquer reconhecimento público de ser bruxa, feiticeira, ou de qualquer relação com o diabo, podia resultar em severa punição no Brasil. Na melhor das hipóteses poderia significar uma vida razoável a custos de com pagamentos e de um certo desprestigio social.

Mais é nos bastidores dos círculos dos pais na roda dos mistérios e na gira dos significados que os chefes Exus incorporados revelam e explicam detalhadamente que esta revolução começou social começou no plano astral. Segundo as sentenças de Oxalá e Omulu, em demanda a todas as portas que foram fechadas para os negros e índios na sociedade toda a opressão vivida e por isso eles fecham as mesmas portas para os brancos mantendo os na ignorância quanto aos segredos dos primórdios sustentando assim um clímax de curiosidade e envolvimento completo destes na quimbanda.

A quimbanda é um presente dos Orixás e Exus aos negros que através dela podem e devem dominar pelo conhecimento de praticas e feitiços aqueles que antes os dominaram. Os senhores trocam de lugar e os antigos servos recebem assim todo o lucro que nunca foi pago pelo seu trabalho escravo (por isto o uso da palavra trabalho nos terreiros e tem trabalhos que são cobrados 5 mil ou muito mais sendo que a consulta inicial é dez por cento deste valor ).

Todas as pessoas que procuram o terreiro são entendidas e recebidas como devedoras e por isso estão ali para quitar suas dividas astrais adquiridas em outros planos existenciais e no passado. Esta informação é um segredo de uma família que esta na quimbanda a 4 gerações e passados somente aos herdeiros da coroa. Nem os filhos de fé (pessoas “membros”dos terreiros gente de fora, ricos, professores, políticos, empresários, comerciantes etc..) não sabem deste fato, pois eles mesmo é que sustentam muita coisa.

Esta servidão não é apenas financeira mais ocorre em muitas outras esferas, como quando trazem suas filhas lindas e leigas que aos poucos se tornam fascinadas pelo poder dos filhos das trevas dos terreiros com seus colares pretos e vermelhos e com seus corpos suados tocando seus tambores, saudando e pactuando com “os maiorais”. Com olhar malicioso e liberdade, pra quem já freqüentou uma gira formosa num reduto bem feito sabe o quanto impactante e sensual isto é. Todos os rituais principalmente os que visam conquistas amorosas são envolvidos com toques incessantes por todo o corpo do visitante e muitas vezes em zonas erógenas o que torna uma consulta extremamente excitante para uma mulher insatisfeita sexualmente ou carente. Isso é realizado desta maneira e minuciosamente ditado pelos Exus que explicam ser isso uma paga as “nossas” negras virgens que foram estupradas nas senzalas pelos senhores de engenho. Os chefes são categóricos em dizer principalmente o Exu Capapreta: “Eles o fizeram com força e covardia e nós vamos fazer com jeito e magia héhéhé”. Muitos destes membros trazem muito dinheiro,trazem suas esposas gostosas,cheirosas e macias para o mesmo “fim” das filhas!

Enfim a quimbanda é satanicamente  indulgente e vingativa nos seus bastidores os chefes exus ditam as normas e segredos indefectíveis. Pode ter certeza que muitos chefes de terreiros não tem nada de ignorantes nem de gentinha; muito pelo contrario. Estão tendo o “melhor” desta terra! Por isto não recomendo a procura destas praticas por que são caminhos obscuros escravistas desde sua gênese que jusfica sua existência por vingança e por atos extremamente perninciosos que favorece materialmente e unilateralmente os exus e seus respectivos “filhos”. Ao pai de santo é permitido viver estas praticas indulgências sem pudor e com ostentação sem esconder os preços astronômicos e sem esconder a capacidade de envolvimentos sexual com as pessoas que se mostrarem sugestionáveis e atraídas ao acasalamento. Na maioria das vezes em práticas sexuais envolvendo o pai de santo e os visitantes os próprios chefes exus se manifestam várias vezes dentro do ato sexual por isto justifico minhas frases de que estes chefes são verdadeiramente indulgentes.

Assim termino temporariamente este assunto alguns relatos históricos do rio de janeiro meados do século passado que confirmam o envolvimento de pessoas da alta sociedade com os quimbandeiros. Nina Rodrigues, pioneiro nos estudos da religiosidade afro-brasileira, nos deixou o seguinte registro:

“Todas as classes, mesmo a dita superior, estão aptas a se tornarem negras. O número de brancos, mulatos e indivíduos de todas as cores e matizes que vão consultar os negros feiticeiros nas suas aflições, nas suas desgraças, dos que crêem publicamente no poder sobrenatural dos talismãs e feitiços, dos que em muito maior número, zombam deles em público, mas ocultamente os ouvem, os consultam, esse número seria incalculável… ”

O cronista João do Rio, contemporâneo de Nina Rodrigues,  disse a respeito da sociedade do  Rio de Janeiro:

“Eu vi senhoras de alta posição saltando, às escondidas, de carros de praça, como nos folhetins de romances, para correr, tapando a cara com véus espessos, a essas casas; eu vi sessões em que mãos enluvadas tiravam das carteiras ricas notas e aos gritos dos negros malcriados que bradavam. (…) Vivemos na dependência do Feitiço, dessa caterva de negros e negras de babaloxás e yauô, somos nós que lhes asseguramos a existência, com o carinho de um negociante por uma amante atriz. O Feitiço é o nosso vício, o nosso gozo, a degeneração. Exige, damos-lhe; explora, deixamo-nos explorar e, seja ele maitre-chanteur, assassino, larápio, fica sempre impune e forte pela vida que lhe empresta o nosso dinheiro.”

Esforcei-me ao máximo para passar a idéia da revolução astral da quimbanda neste artigo. Encontrei muitas dificuldades em passar esta mensagem sendo visto que é um tema “delicado”e complexo e que mostra na minha opinião a razão para a existência destas praticas. É uma boa explicação metafísica já que nunca tivemos justiças de todos os abusos cometidos contra as milhares de pessoas humilhadas e exploradas na história. Este mistério muitos pais revelam momentos antes de sua morte podendo estar presentes somente o primogênito de sua prole.

El Negro

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-revolucao-astral-da-quimbanda/

Gigantes Cabeludos

Uma outra espécie de gigante parece ter sempre existido conosco neste planeta. Ele tem a forma dum ser humano , mas está coberto de pelo e prefere viver nas sossegadas e pouco povoadas florestas do Canadá. No entanto, ele é um tanto vagabundo e foi frequentemente visto por todos os Estados Unidos. Como a maioria  dos nossos monstros , ele tem a pouca  vulgar habilidade de desaparecer no ar logo que o cerco começa a apertar-se. Os nativos dos longínquos Himalaias também estão muito familiarizados com esta criatura e desde há muito a apelidaram de Metoh-Kangmi, que significa “o malvado homem mal cheiroso das neves”. Os exploradores britânicos tomaram liberdades com esta frase e apelidaram o animal de Abominável Homen das Neves , ABNH para abreviarmos.

Existem agora provas consideráveis que o ABNH existe na realidade. E mais, parecem existir variados tipos diferentes a rondar por aí . Vem em vários tamanhos , indo de pequenos com apenas noventa centímetros a gigantes animais cobertos de pelo com três metros de altura. Alguns deles parecem estar diretamente ligados aos objetos voadores não identificados. Outros poderiam ser descendentes atuais de homens pré-históricos de Neanderthal. Como o rinoceronte de Hugh Troy, gostam de espalhar as suas gigantescas pegadas por todo o país. não deixando para trás qualquer outro tipo de provas . Nas florestas da Califórnia ganharam a alcunha de “Pé Grande” (BigFoot).

A primeira referencia publicada sobre o ABNH dos Himalaias apareceu em 1899, num livro chamado Among the Himalayas, pelo major L. A. Wadell. Ele afirmou precisamente que se lhe tinha deparado algumas pegadas gigantes com forma humana no pequeno reino de Sikkin em 1887. Expedições sucessivas a essas montanhas relataram encontrarem regularmente pegadas semelhantes e, em vários casos, grandes personagens cobertos de pêlos. Gerações de cientistas do tipo B ( burocráticos pilotos de escrivaninhas ), sentados confortavelmente entre os seus livros em universidades   —   torres de marfim , zombaram dos relatos e apresentaram uma larga obra de especulações. Era apenas um urso ou um macaco, anunciaram periodicamente , e um grupo de escolares conclui que as pegadas eram espalhadas por Yogis (  o personagem Zé Colméia dos desenhos animados ) nus que vagueavam pelas montanhas em temperaturas abaixo de zero.

Três anos antes do major Wadell ter achado essas pegadas em Sikkin , uma verdadeira criatura tipo ABNH foi capturada no Canadá . Segundo o Daily British Colonist ( 3 de julho de 1884) , um grupo de operários do caminho de ferro que cavava um túnel nas redondezas de Yale, Columbia Britanica, deparou-se com o que parecia à primeira vista ser um homem a dormir nos carris. Provou-se ser um peludo “meio homem, meio animal”, que foi capturado vivo e depois duma perseguição de cinco minutos. “Jacko”, como foi apelidado  pelos seus captores , tinha um metro e trinta e cinco de altura e pesava cinquenta e sete quilos.

“Ele tinha um pelo longo e negro  e assemelhava-se a um ser humano , mas com uma exceção: todo o seu corpo com um pelo
brilhantes com dois centimetros e meio de comprimento ” , afirmava o relatório. “Os seus antebraços são muito maiores do que os
antebraços do homem . . .”

O que aconteceu a “Jacko” não se sabe. Recentemente, em 1946 , um reporter canadiano entrevistou um idoso cavalheiro de Lytton, Columbia Britancia , que disse que o tinha visto. Outros , incluindo o Sr. Alexander Caulfield Anderson, da Hudson’s Bay Company , disseram ter encontrado animais desses desde 1864.

A obra definitiva Abominable Snowman: Legend Come to Life , de Ivan T. Sanderson, sonda esses antigos relatórios em
detalhe e anota as muito lendas e muitos indicios acerca dessas criaturas na América do Norte. Há vários antigos contos índios sobre mulheres terem sido violadas por ABNH e mesmo terem filhos deles. Podemos também mencionar que muitas outras culturas tiveram histórias identicas. Os escolares podem um dia descobrir que o homem frequentemente se cruzou com esses seres peludos como um ser nascido “todo vermelho com uma pele cabeluda”.

A literatura européia antiga contém numerosas  referencias aos “Homens Maus das Florestas” que se pensava existiam escondidos nas densas florestas da Inglaterra, França, Alemanha e muitos outros países. São descritos como homens altos , cobertos de pêlos, com uma extraordinária destreza, capazes de saltar enormes distancias e vencer homens vulgares. No folclore irlandês, segundo o De Animalibus, esses Homines Sylvestris  “habituados a habitarem em deselegantes cho,cas subterraneas, viviam de vegetais e recusavam-se a conviver  de todo com os outros humanos . . . Por mais bondosamente que fossem tratados , era impossivel civiliza-los, porque recusavam-se a reconhecer a lei e a ordem . . . Existiu um número quase infinito deles na Irlanda”.

Na literatura antiga os “Homens Selvagens” europeus tinham uma natureza sensual e atacariam femeas humanas sozinhas que passassem através das florestas, obrigando-as à  força a terem relações sexuais. Talvez esses contos fossem a base para as lendas dos sátiros, e artistas e desenhistas da Playboy interpretaram mal os sátiros, dando-lhes cascos fendidos. Uma vez que os indios americanos têm histórias semelhantes , é possivel que exista alguma verdade nos contos.

Tribos isoladas da América do Sul também têm lendas sobre misturas raciais com uns peludos. Alguns especuladores não
cientificos sugeriram mesmo que as criaturas só podem se reproduzir através de fêmeas humanas. No entanto, ainda não
descobrimos alguma queixa de alguem que tivesse sido rapatado por um monstro peludo, embora sabendo que se tal queixa fosse alguma vez feita não era possivel que aparecesse na imprensa.

Ainda mais incrivel é a prova que se vai acumulando firmemente que sugere fortemente que os cabeludos ABNH estão ligados de alguma maneira peculiar ao fenomeno de objetos voadores não identificados . Nós examinaremos isto mais adiante. Os comicos discos voadores produziram toda a espécie de relatos de monstros, e não estavamos a ser inteiramente facciosos quando propusemos que um gigante patagonio poderia ter sido transplantado para o Michigan em 1897. Quase que parece que as anormais criaturas terrestres foram alistadas ( ou destacadas ) para o serviço pelos discos voadores para cumprirem alguma misteriosa missão. As provas sobre OVNIs , que são discos voadores é uma ultrajante empresa que joga com a nossa credibilidade e é um meio de inspira uma totalmente falsa crença sobre os extraterrestres ( interplanetários ) visitantes.

Um dos principais UFOólogos da América é Brad Steiger, autor de muitos livros sobre o assunto. Steiger recebeu um espantoso diário de James C. Wyatt, de  Menfis, Tennessee. O diário foi escrito pelo avô do Sr. Wyatt e debate em detalhe uma experiencia com um “Urso Louco” no ano de 1888. Dizia-se que um indio teria conduzido o avô Wyatt a uma caverna escondida do Tennessee onde estava guardada uma criatura peluda com formas humanas . Os indios alimentavam o “Urso Louco” em intervalos regulares e diziam que tais criaturas  tinham sido atiradas de “luas” que aterravam periódicamente no vale.

Os indios disseram-lhe que através dos anos foram deixados muitos “Ursos Loucos” nas florestas e muitos do seu povo tinham visto os “homens do céu” a tirarem os “Ursos Loucos” das suas “luas”. Existe portanto uma solução para o nosso mistério. Os discos voadores estão a largar monstros cabeludos por todo o lado! O “Urso Louco” de Wyatt é descrito como uma criatura com um pescoço curto, grandes braços e coberto de um pêlo preto brilhante.

É um fato curioso que discos voadores tenham sido repetidamente vistos em áreas infestadas de ABHN. Uma expedição de montanheiros ao Everest em 1923-24, chefiada pelo general Bruce , não apenas se deparou com as clássicas pegadas gigantes do ABNH , mas também viu “um grande e peludo homem nu correndo através dum campo de neve em baixo ” a uma altitude de 2.000 metros . Subsequentes expedições tiveram mais encontros com a criatura. Durante a tentativa do Everest  em 1933, o alpinista F.S. Smythe estava a subir sozinho quando observou “dois objetos de aspecto curioso flutuando no céu” . Eles pairavam imóveis e pareciam pulsar devagar. Outras expedições aos Himalaias noa anos 20 e 30 relataram várias vezes terem visto “gigantescos discos de prata” e “um bule de chá voador” . A controvérsia dos OVNIs ainda não existia nessa altura, portanto a maioria dos cientistas do tipo B ( burocratas ) olhava essas histórias como alucinações causadas por alta altitudes . Embora os nativos tenham muito a dizer sobre ABN , ou Yeti  , eles consideravam os objetos aéreos como manifestações religiosas. Os discos tinham sempre voado em rotas regulares sobre as montanhas. Eles pertencem a elas como as nuvens , explicaram os nativos aos primeiros exploradores.

Nós ( John Keel ) visitamos a Índia e os Himalaias em 1955-56 e ouvimos muitas histórias de Yeti dos nativos. Esses misteriosos animais são um fato aceito nas vidas dos povos da montanha, da mesma maneira que as capivaras o são para nós. Na altura da nossa visita sómente quatrocentos homens brancos tinham visitado essas regiões em toda a História. Amaioria deles tinham sio missionários religiosos mais interessados em salvar almas do que caçar monstros. Em muitas aldeias remótas nós fomos os primeiros homens brancos a ser alguma vez visto pelos nativos. Desde aí os minusculos reinos do Nepal, Bhutan e Sikkin foram abertos a um turismo limitado. Mas os Chineses Vermelhos ocuparam o Tibete completamente, afastaram o Dalai Lama e os seus seguidores e selaram os caminhos da montanha com tropas e fortificações. É virtualmente impossivel obter um mapa correto dos territórios dos Himalaias . A área é estratégicamente importante para a Ïndia e seria mais fácil obter um mapa das instalações atomicas de Oak Ridge, Tennessee.

Em alguns locais o Yeti é muito temido e há numerosos registros do animal ter atacado e morto seres humanos. Em 1949 um pastor Sherpa chamado Lakhapa Tensing foi partido em dois pelo Yeti na passagem de Nanga Parbat, uma das mais altas passagens do mundo, muito mais para além das possibilidades dos animais vulgares. As mães da montanham assustam os seus filhos mal comportados dizendo-lhes que os Yetis os apanharão se não tiverem cuidado. Lavradores de algumas áreas têm medo de trabalhar de pois do por do sol por causa desta cortina de superstição e de medo. Eles crêem que olhar para o Yeti significa morte, e que a única proteção é cobrir os olhos e correr pelos montes abaixo. Os pés do Yeti estão supostamente colocados ao contrário para facilitar as escaladas , mas isso torna-o muito desajeitado quando corre para baixo nas montanhas.

Uma estranha crença provém dum acidente que alegadamente aconteceu por volta de 1900 quando os ingleses estavam a estender uma linha telegráfica de Kalimpong , na Índia, para Lhasa , no Tibete . Era um grande empreendimento e muitos homens da montanha foram contratados para trabalharem nele. Alguns deles estavam acampados em Chumbithang , a cinco quilometros da passagem de Jele-la, uma das portas para o Tibete. Uma manhã uma dezena de operários saiu e não conseguiu voltar. Na manhã seguinte um esquadrão de soldados britanicos saiu para os procurar.  Encontrara, em vez deles, um estranho animal escondido sob uma s rochas gigantes nas proximidades da passagem . Dispararam contra ele e arrastaram-no para o dak mais próximo ( cabanas mantidas para viajantes ) . Mais tarde Sir Charles Bell, então oficial político britanico de Sikkim , veio e ordenou que embalassem a carcaça e a enviassem para a Inglaterra. Nunca mais foi vista e não há nenhum traço dela.

Esta história tem sido apaixonadamente repetida em vários livros indianos sobre as lendas da montanha, mas parece estar mais baseada num boato do que na verdade. Não existe qualquer referencia a ela nos papéis de Sir Charles . No entanto, um velho de Darjeerling, Bombahadur Chetri, disse ter visto com os seus próprios olhos o animal quando era rapaz. Descreve-o como tendo três metros de altura e coberto com hirsutos pêlos com cinquenta ou sessenta centimetros de comprimento. A sua horrorosa face não tinha cabelos, com uma boca cheia de afiados caninos amarelos e frios olhos vermelhos. Os seus pés estavam  voltados para trás, disse. Mas isto podia ser uma falsa impressão, dependendo de como a carcaça estava deitada. Os seus pés podiam ter forma de mãos , como os dos macacos, pendendo sobre a esquina duma mesa.

É significativo que a lenda do Homem da Neve persista através de toda a cadeia Himalaia de Kasmir a Este, a Assam , longe para o Oeste. Todas as tribos têm histórias sobre a criatura , e todas as linguas da montanha ( existem muitas ) têm uma palavra para ela . todas essas histórias contêm essencialmente os mesmo detalhes e as descrições básicas são universais. Há dois tipos principais. Um tem aproximadamente um metro e vinte de altura e parece-se com um anão humano coberto de pêlos. O outro é muito alto, indo , segundo as descrições , de dois a três metros. Nenhum deles se parece com um urso ou macaco. Os ursos movem-se a quatro a maioria do tempo, exceto quando atacam . E quanto a gorilas , os antropologistas estimam que a população gorila mundial anda à volta dos quatrocentos, e podem apenas encontrar-se numa pequena área funda dentro da Africa Equatorial.

Animais que correspondiam às descrições dos dois tipos de Yeti himalaios têm sido vistos perto de discos voadores aterrados na América do Sul, e mesmo em França. Serão discutidos mais para frente.

Tenzig Norgay, o sherpa que, juntamente com Sir Edmund Hillary, foi o primeiro a chegar ao cume do Monte Everest em 29 de maio de 1953, vive na pitoresca vila da montanha de Darjeerling, India , no sopé dos Himalaias . Nós pudemos passar um tempo consideravel com este homem fantasticamente humilde e simples durante a nossa visita à região. Tenzig gosta de falar do seu cunhado que foi em tempos um dos assistentes do grande Sangay Rimboche, o último Grande lama do mosteiro de Rongbuck, perto do Everest. Ele ia com o Grande Lama nos seus passeios anuais para meditar nos elevados, secretos lugares da montanha . Durante uma dessas viagens um outro lama assistente encontrou um Yeti morto e mostrou a pele a Sangay Rimboche. Parecia-se com a pele dum jovem urso, e o Grande Lama usou-a durante anos para se sentar enquanto meditava. Foi provavelmente colocada no seu Chorten depois da sua morte.

Muitas das lamassarias da montanha guardam pedaços de pêlo do Yeti e ossos como reliquias sagradas. Pensam que os Yetis são demonios colocados à volta das montanhas para guardarem os deuses que supostamente vivem nos cumes. No fim de 1954, uma tribo de caçadores de cabeças de Assam disse ter morto e comido uma criatura com dez metros de altura. Os ossos e o pêlo foram supostamente levados para o mosteiro. Tenzing nunca viu um Yeti pessoalmente , mas não duvida da sua existencia. O seu pai disse ter uma vez encontrado um face a face e conseguiu escapar. Tenzing disse que o seu pai não era mentiroso ou dado a inventar contos do vigário. E as suas descrições correspondem aos relatórios de outras testemunhas oculares.

Quase todas as expedições aos mais remotos setores dos Himalaias nos ultimos cinquenta anos têm visto e fotografado enormes pegadas de ABNH. Geralmente tais pegadas são encontradas na neve em elevadas altitudes que estão para além do raio de ação da maioria dos animais vulgares. Por fim , não é provavel que animais se aventurassem em áreas onde não existe nem comida nem presas. Amostras de restos de Yeti também foram recolhidas e estudadas e indicam que vive de pequenos roedores conhecidos como o rato-lebre. Um grande número de expedições realizou importantes relatos em que eles próprios viram o animal de uma certa distancia. Foi visto a cavar raízes com um pedaço de pau, algo que um animal vulgar não faria . Este uso de um instrumento coloca-o na classe sub-humana.

O que poderá ele ser? Há algumas evidencias que dizem que ele poderia na realidade ser um sobrevivente do antigo homem de Neanderthal. Pegadas que se sabem terem sido feitas por Neanderthaleses foram descobertas e são quase identicas às do ABNH. Em 1948 numa antiga gruta , há muito selada por lava vulcanica , que foi aberta perto de Toirano, Itália , descobriram-se interessantes artefatos, incluindo as pegadas de homens modernos , de ursos e de homens do Neanderthal. As últimas foram imediatamente reconhecidas como sendo quase exatamente as mesmas  pegadas fotografadas pelas várias expedições ao Everest. De igual interesse é o fato de que a descoberta parece indicar que o homem moderno e os Neanderthalenses existiram na mesma era. Um fato que levou os cientistas do Tipo B (burocratas) a depressa esconderem a descoberta por detrás dos seus arquivos.

Em 1950 uma expedição ao Médio Oriente desenterrou restos que mostram que o homem moderno, o homem do Cro-Magnon, e o homem de Neanderthal viveram e existiram ao mesmo tempo. Também isto foi depressa varrido para debaixo do tapete pelos sujeitos da pré-evolução. Na verdade, se essas variadas personagens humanas e sub-humanas tivessem vívido juntas numa época então algo estaria radicalmente errado na nossa há muito tempo aceite escala das evoluções.

As provas que estamos a resumir aqui abrem um  totalmente  novo saco antropológico. Poderiam os “Homens Maus das Florestas” da Europa ser sobreviventes extraviados de algum tempo antigo, gradualmente afastados cada vez mais para as florestas e montanhas, forçados a acasalarem com fêmeas humanas para poderem sobreviver de todo, e, finalmente , empurrados para a extinção quando as fêmeas humanas foram menos acessiveis? Poderiam esses seres peludos ter sobrevivido nas áreas remotas dos Himalaias e nas profundas selvas do Brasil e do Norte do Canadá?

Nós ( John Keel ) próprios vimos pegadas do Yeti. Tentamos perseguir o animal até ao seu refugio. Em “Jadoo”, esta aventura foi completamente descrita. Aqui está um sumário dessa narrativa:

Enquanto viajávamos através do Norte de Sikkin com um guia nativo chamado Norbhu, ouvimos distintamente o grito do Yeti que
“se parecia com um pássaro muito perto, curtos gorgeios com uns pequenos trinados. Parecido com os gritos dos macacos, mas
mais agudos e menos definido.”

“Nós estavamos muito perto da fronteira do Tibete, e cedo encontravamos profundas pegadas de Yeti. “As pegadas eram claras e
espaçadas como se andasse a um passo vagaroso. Não era de maneira alguma um macaco ou um urso, e as pegadas eram
muitos grandes para terem sido feitas por um homem descalço . . . Então, de repente , de algum lugar à nossa frente , ouviu-se um
agudo grito animal; breve, cheio de uma dor chorosa. Norhu deu um enorme salto. Então ficou apenas o silêncio e o barulho da
água nas folhas à nossa frente.”

“Um pouco mais longe um grupo de nativos aparecu e conduziu-nos à sua aldeia na margem de um estreito ribeiro. Eles também
tinham ouvido o grito. Era de uma pantera, diziam. Uma pantera moribunda . . . Eles tinham encontrado uma mancha de sangue
rodeada de pegadas de Yeti . Estavam a correr para a sua aldeia quando esbarraram conosco.

“Poderia um Yeti matar uma pantera, perguntei?

“‘E um dos poucos animais que o pode fazer.”

“Norbhu voltou para Dubdi, e eu ( Jonh Keel ) continuei sózinho. A pista era fácil de se seguir; demasiado fácil. O Yeti era mais ágil
e rápido do que um vagaroso homem branco. Dando razão ao que os lamas me tinham repetidamente dito, o Yeti escolhia o
caminho mais fácil para onde quer que fosse, evitando as mais dificeis áreas da selva, atravessando os lugares mais baixos dos
rios, etc. Às vezes parecia que não o poderia encontrar.”

“Encontrei aldeias e lamassarias em estado de alerta e de medo, tendo ouvido ou visto a minha presa. Todas as descrições eram
as mesmas .tinha mais noventa centimetros do que eu ( tenho um metro e oitenta e cinco ), coberto de um pêlo castanho, com
uma face vermelha sem pelos e uma cabeça sujíssima.

” Num mosteiro acima de Changtthang , os lamas estavam a tocar tambores e trombetas quando chegavamos. Tinham visto o Yeti
apenas umas horas antes , a correr no caminho que eu levava . . .

“Seguindo a quente e fria pista do Yeti, cheguei finalmente à aldeia Norte de Lachem, a 2640 metros acima do nivel do mar, onde
os nativos me receberam excitadamente e me conduziram através de tortuosos caminhos até a um pântano . Um Yeti . . . o meu
Yeti , sem dúvida . . . tinha aí sido visto por um grupo de crianças nessa mesma manhã. O local estava cheio de pegadas.
Enquanto estava parado aí a observar , um estranho guincho ouviu-se, provindo de umas rochas perto. O efeito nos nativos foi
elétrico. Ficaram espantados e assustados; apenas a minha presença os impediu de fugir. Olharam para mim com curiosidade
alarmante, pensando o que eu ia fazer.”

“Eu também estava a pensar.”

“Cautelosamente andei para a frente vacilando num inclinado caminho cheio de seixos gigantes. Finalmente, cheguei à beira de
uma vasta cavidade cheia de agua, onde árvores partidas e arbustos definhados estavam como esquletos.

“Foi aí que o ví!”

“Talvez não fosse umYeti, eu não estava suficientemente perto para estar ompletamente certo. Mas algo estava ali, do outro lado
do lago. Algo grande, enormemente grande, e castanho, e movendo-se rápidamente na direção de uma pilha de seixos. Ao
aproximarmo-nos dele, outra sombra castanha mexeu-se para ir ter com ele e juntos desapareceram para além dos restos de um
abatimento.

“Circulei o lago e encaminhei-me para cima cautelosamente através das rochas e abatimentos. Em poucos minutos cheguei a um
estreito canal nos rochedos . . .

“Repetidamente o agudo grito do Yeti ouviu-se de novo e eu gelei. Vinha dos penhascos em cima. Os Yetis estavam em algum
lugar acima a observarem-me e a gozarem-me! Dobrei o canto do canal e olhei para cima. Muito acima de mim houve um rápido
movimento. Um relampejar de castanho no céu cinzento . . . Os Yetis devem ter trepado para cima, pelas rochas nuas; algo que
nenhum urso ou macaco poderia fazer fácilmente . . .Eu sabia que não poderia trepar esses rochedos. Sabia que não podia me
aproximar desses espertos , evasivos animais sózinho. Permaneci aí tenso um grande momento . . . depois desci devagar para o
canal.”

“Isso foi o mais perto que alguma vez estive do Abominável Homem das Neves.”

A aparição mais recente de pegadas de Abominável foi em Março de 1969. O Sr. Charles Loucks, um montanhes de Center Point, Nova York, estava a alpinar no Nepal quando se deparou com uma fila de pegadas na neve a três mile e seiscentos metros de altura. Tinham dez centimetros de largura, dezessete centimetros de comprimento, e pareciam ter um dedo do meio ligeiramente maior do que os outros quatros. A pista estendia-se por trintametros, conduzindo a um bosque e ignorando um caminho aberto perto.
Extraido do livro Estranhas Criaturas do Tempo e do Espaço de John Keel  –  EDILIVRO –  1980

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/gigantes-cabeludos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/gigantes-cabeludos/

A Gnose de Schopenhauer

A xilogravura de Flammarion retrata um homem olhando fora do espaço-tempo:

O que está fora do Eu se encontra além do espaço e do tempo.

por Chrystian Revelles Gatti, do Lectorium Rosicrucianum

Meio século antes da Sociedade Teosófica de Blavatsky e Olcott, foi o filósofo alemão Arthur Schopenhauer quem ergueu a ponte entre a sabedoria do ocidente e a tradição oriental. Influenciado por Platão, Kant e pelo Misticismo Cristão, ele considerou a descoberta das literaturas sânscritas como a maior dádiva do século e anunciou que a filosofia e sabedoria dos Upanishads renovariam a fé ocidental. Para interpretarmos corretamente a Metafísica Schopenhauriana, será necessário situar sua obra no espaço e no tempo, em sua localização histórica e geográfica – compreender quais foram suas influências, seu contexto, e o paradigma do Pensamento Ocidental do XVIII, especialmente a situação da Filosofia Alemã da época.

A FILOSOFIA OCIDENTAL – EMPIRISTAS E RACIONALISTAS

Foi entre Platão e Aristóteles que se manifestou a primeira dialética do pensamento ocidental após a morte de Sócrates. Platão, inclinado à matemática, encarava o mundo material dos sentidos físicos como composto de manifestações imperfeitas, individuais e transitórias, e confiava no conhecimento obtido por meio da Razão, que lhe parecia a única ferramenta humana capaz de apreender as formas perfeitas da Geometria, as verdades eternas da Matemática e as ideias transcendentes de Justiça, Beleza e Virtude. Aristóteles, por sua vez inclinado às ciências naturais, era prático e queria entender o funcionamento das coisas, e, para isso, se dedicava à observação e categorização dos fenômenos naturais, apreensíveis pelos sentidos. Apesar de discípulo direto de Platão, Aristóteles divergia da tendência mística e abstrata da Metafísica Platônica, preferindo confiar nas imperfeitas faculdades sensoriais humanas para construir conhecimento objetivo, empírico, descobrindo os padrões tais como se manifestam no mundo físico, ao invés de voltar-se para a contemplação mental dos arquétipos eternos como faziam os platônicos, que herdaram tais crenças e práticas dos pitagóricos e cujo legado espiritual foi mantido pelos neoplatônicos que, por sua vez, influenciaram todo o misticismo pagão, gnóstico, judaico-cristão e islâmico.

A divergência essencial entre Platão e Aristóteles, isto é, na confiança na Razão ou nos Sentidos, é a raiz do debate dualista entre racionalistas e empiristas, entre os filósofos da lógica e os filósofos da experiência, e se perpetuou dentro do Pensamento Ocidental até ser transcendido por Immanuel Kant no Século XVIII, que daí em diante passa a ser considerado por muitos – inclusive pelo próprio Schopenhauer – como o filósofo mais importante de toda a História, atrás apenas dos próprios fundadores da Filosofia Ocidental – Sócrates, Platão e Aristóteles.

IMMANUEL KANT – O PONTO DE PARTIDA

O debate entre empiristas, como Locke, e racionalistas, como Descartes, foi transcendido por Immanuel Kant, que escreveu Crítica da Razão Pura (uma das obras mais influentes da história da filosofia). Enquanto eles defendiam a primazia da sensibilidade ou do entendimento, Kant declarou que a experiência necessariamente envolve ambos os elementos, não sendo possível a experiência de um objeto em si (fora de nossa mente), mas apenas a percepção possibilitada por nossa própria estrutura mental. Só podemos conceber a existência de um objeto, e situá-lo no espaço e no tempo, na medida em que ele se apresenta à nossa consciência. Disso decorre que as coisas “em si”, enquanto exteriores à mente, não só não podem ser conhecidas como também podem não ter nada a ver com espaço, tempo, ou qualquer outra categoria inerente à nossa estrutura mental. O que está fora do Eu não está apenas fora de você no espaço, mas também fora do espaço, do tempo, da mente e de todos os conceitos a priori por meio dos quais experimentamos o mundo. Opondo-se ao realismo – postura de que a realidade é independente da mente – a teoria de Kant, o idealismo, postula que o espírito tem papel ativo na construção do conhecimento. Por isso, é dito que ele uniu racionalismo e empirismo e que a História da Filosofia pode ser dividida em antes e depois de Kant.

IDEALISMO TRANSCENDENTAL – A METAFÍSICA

Schopenhauer desenvolve seu sistema de pensamento a partir de Kant, não sem dar um passo ousado além da metafísica kantiana, pois afirma ser possível rasgar o véu das aparências. Se a sua versão do mundo é limitada pelas observações e experiências permitidas pela sua consciência, então os limites do seu estado de consciência traçam o limite de sua própria realidade – o estado de consciência determina o estado de vida. O mundo de conceitos e objetos experimentados pela consciência do Eu não passa de uma representação que nós mesmos fazemos da realidade, um véu ilusório – o véu de Maya. Se pudermos reconhecer que nossa separação dO Todo é uma ilusão, fruto de uma Consciência Separada, e não uma realidade fundamental, deixaremos de ver os fenômenos como inumeráveis e separados, e reconheceremos todos os seres e todas as coisas como interdependentes e interligados em uma manifestação Una que Schopenhauer denomina de Vontade Universal. Como o homem é, ao mesmo tempo, parte do mundo e experimentador do mundo, fenômeno e mente, então ele pode experimentar a realidade, a natureza última das coisas. É pela destruição de suas ilusões e no silêncio da contemplação que o homem pode experimentar o Incognoscível em si, essa Unidade que é sua própria Natureza Original, encoberta pela ilusão da Multiplicidade projetada pela Consciência-Eu.

A TRADIÇÃO ORIENTAL

A Magnum Opus (grande obra) de Arthur Schopenhauer é seu livro “O Mundo como Vontade e Representação”, uma das obras mais importantes do século XIX, fortemente influenciada pelos conceitos orientais do Hinduísmo, Budismo e Taoísmo como “Maya” (ilusão), “YinYang” (dualidade), “Dukkha” (sofrimento), “Karuna” (compaixão) e “Nirvana” (iluminação). Amigo pessoal de Goethe, foi por meio deste que Schopenhauer frequentou círculos intelectuais pioneiros e esteve em contato direto com os primeiros tradutores e divulgadores da filosofia oriental na Europa. Arthur Schopenhauer leu a tradução latina dos antigos textos Hindus que o escritor francês Anquetil du Perron traduziu diretamente da versão persa do Príncipe Dara Shikoh entitulada Sirre-Akbar (“O Grande Segredo”). Após interpretar o Bhagavad Gita, Schopenhauer considerou estes textos a mais elevada leitura do mundo, portadora de conceitos sobrehumanos.

A OBRA DE SCHOPENHAUER

A Teologia da época soava como uma série de perplexidades organizadas de um reino puramente conceitual e abstrato, sem conexão alguma com o mundo e com a vida, enquanto a sabedoria universal preservada pelo oriente era, pelo contrário, uma filosofia Do Mundo e Da Vida, cujo objetivo não era enrodilhar o homem em uma teia de abstrações emaranhadas mas, ao invés disso, conduzir o homem para a saída deste labirinto, dissipando as ilusões e projeções do Ego e visando a libertação do sofrimento da vida e do mundo. Entre os paralelos especiais que sua filosofia guarda com os ensinamentos de Gautama está a ideia da Ignorância e do Desejo como origem de todo o sofrimento. A Ignorância Fundamental consiste em tomar as Representações (os conceitos, os objetos, os fenômenos) como Realidade e ver a si mesmo como separado do resto. Consequentemente, o ignorante interpreta a existência como uma luta incessante, uma guerra de todos contra todos. Para Schopenhauer, esta é a origem do egoísmo inato dos indivíduos que, incapazes de conceber a unidade dos seres e compreender que cada indivíduo é apenas a expressão de uma universalidade que o transcende e engloba, é impelido a lutar contra os outros e contra o mundo, sem saber que, com isso, volta-se contra si mesmo. É da piedade pela infelicidade e pelo sofrimento inerente à condição humana que desabrocha a rosa da compaixão impessoal, a compreensão de que todas as vozes são, essencialmente, a voz do Uno, da Vida.

MISTICISMO CRISTÃO

Jakob Böhme foi um místico cristão alemão que tratou intensamente do Problema do Mal e da Natureza da Divindade, e deixou um legado que posteriormente inspirou diversas manifestações culturais e artísticas no Ocidente, como a Teosofia, a Maçonaria, o Rosacrucianismo, o Martinismo, os quadros e poemas de William Blake, a psicologia de Jung, e especialmente o Idealismo Alemão de Baader, Schelling, Schopenhauer e Hegel – este último chega ao ponto de declará-lo “o primeiro filósofo alemão”. Böhme teve uma experiência mística da visão da Unidade do Cosmos, e escrevia para si mesmo no intuito de reter as impressões que chegavam diretamente à sua consciência. Para ele, Deus era a Onipresença Eterna situada além do Espaço e do Tempo e, para alcançá-la, o homem haveria de transpassar seus próprios portões do inferno, já que “a vontade e a imaginação do homem perverteram-se de seu estado original. O homem se rodeou pelo mundo de sua própria vontade e imaginação” e, com isso, perdeu Deus de vista. Louis-Claude de Saint-Martin, filósofo francês que dedicou a vida a traduzir, interpretar e divulgar a obra de Böhme, diz que “A verdade não pede mais que fazer aliança com o homem; mas quer que seja somente com o homem e sem nenhuma mistura com tudo o que não seja fixo e eterno como ela. Ela quer que esse homem se lave e se regenere perpetuamente e por inteiro na piscina do fogo e na sede da unidade”, ou seja, o homem não pode apreender o Infinito por meio dos sentidos, dos desejos ou da razão egoísta, mas por meio de “uma condição na qual a vontade do homem, despindo-se de tudo o que é terrestre, torna-se divina e absorvida na autoconsciência”. É dessa forma que, de acordo com Bohme, o homem e o Deus Incognoscível “se fundem em uma só força”. Eles “se despertam mutuamente e se conhecem entre si. Neste conhecimento consiste o verdadeiro entendimento, que segundo o caráter da eterna sabedoria, é imensurável e abismal, sendo do Um que é o Todo. Uma vontade única, iluminada pela luz divina, pode brotar deste manancial e manter a infinidade. Desta contemplação escreve esta pena.”. O psiquiatra Richard Maurice Bucke escreveu em 1901 o “Estudo da Evolução da Mente Humana” e, explorando o conceito de “consciência cósmica”, cita Jakob Böhme, entre outros, como exemplos da manifestação de uma forma superior de consciência.

A IDEIA DE INCONSCIENTE

Quando agimos e pensamos no cotidiano, acreditamos estarmos no controle de nossas ideias, ações e pensamentos, mas existe algo que nos move. A Filosofia de Schopenhauer dá um nome para esta força primária que nos influencia muito mais do que qualquer lógica, moral ou razão – a Vontade. De acordo com Schopenhauer “a Vontade é um cego robusto que carrega um aleijado que enxerga”, e nossa consciência objetiva é o aleijado. Por isso, Schopenhauer é um dos precursores da ideia de Inconsciente. É a partir da ideia de Schopenhauer sobre a “Vontade” que Eduard von Hartmann escreve Filosofia do Inconsciente em 1869, influenciando toda a psicologia posterior e especialmente os trabalhos de Freud e Jung.

Sobre a conexão entre vontade individual (microcósmica) e vontade em si (macrocósmica), Schopenhauer supõe que há:

“além da conexão externa entre as aparições, fundamentada pelo nexumphysicum, ainda uma outra, que atravessaria a essência em si de todas as coisas como uma espécie de conexão subterrânea, graças à qual seria possível, partindo de um ponto da aparição, agir imediatamente sobre todos os outros por meio de um nexum metaphysicum; que, portanto, deveria ser possível agir sobre as coisas a partir de dentro, ao invés do agir comum a partir de fora, um agir da aparição sobre a aparição graças à essência em si, a qual é uma e a mesma em todas as aparições; que, assim como agimos causalmente como natura naturata, nós poderíamos também ser capazes de uma ação como natura naturans, fazendo valer momentaneamente o microcosmo como macrocosmo; que as divisórias que separam os indivíduos, por mais firmes que sejam, poderiam permitir ocasionalmente uma comunicação como que por detrás dos bastidores, ou como um jogo secreto sob a mesa”.

(SCHOPENHAUER – ANIMAL MAGNETISM AND MAGIC)

PARA SABER MAIS, LEIA:

SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo como Vontade e Representação [Contraponto Editora] por Chrystian Revelles Gatti, do Lectorium Rosicrucianum.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo como Vontade e Representação [Contraponto Editora] MANTOVANI, Harley Juliano. Heráclito e Schopenhauer. [Universidade Federal de Goiás] REDYSON, Deyve. Schopenhauer e o pensamento oriental. [Universidade Federal da Paraíba] SILVA, Luan Corrêa da. Schopenhauer e a magia. [Universidade Federal de Santa Catarina] videoaulas:

CURSO LIVRE DE HUMANIDADES. Arthur Schopenhauer – Crítico de kant, por Cacciola [https://www.youtube.com/watch?v=rdf0pRgsJuo] JOAO LUIZ MUZINATTI. Schopenhauer: só a arte nos livra da dor [https://www.youtube.com/watch?

v=WhGW6ULBZDQ]

SE LIGA NESSA HISTÓRIA. Schopenhauer | O Mundo Como Vontade e Representação [https://www.youtube.com/watch?v=65KrAfNUeWA] THE SCHOOL OF LIFE. PHILOSOPHY – Schopenhauer [https://www.youtube.com/watch?v=q0zmfNx7OM4]

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-gnose-de-schopenhauer

O Caso de Ouro Preto – Quinze anos de Incompetência

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Em outubro de 2001, a jovem Aline Silveira Soares saiu de Guarapari, no interior do Espírito Santo para a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Com apenas a roupa do corpo e alguns trocados no bolso, seu objetivo não era visitar as esculturas de Aleijadinho ou passear pela arquitetura colonial considerada pela UNESCO como um dos patrimônios da humanidade. Além de ser o mais belo monumento ao ciclo do ouro colonial, Ouro Preto também é uma cidade universitária, sede da Universidade Federal de Ouro Preto e coalhada de repúblicas estudantis, muitas delas com décadas de existência e tradições. Uma dessas tradições é a Festa Do Doze, que em todo 12 de outubro reúne alunos e ex-alunos da UFOP para beber e curtir nas repúblicas e ruas da cidade. Era para essa festa que Aline seguia, acompanhada apenas de uma amiga, Liliane, e sua prima Camila Dolabella.

8 anos depois, em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella entrou na sala do júri do Fórum de Ouro Preto para ser interrogada. Após ter amargado quase um ano na prisão, em 2005, e ter visto dois habeas corpus serem negados, Camila finalmente estava sendo julgada pela acusação de homicídio qualificado. A vítima seria sua prima Aline, que segundo a promotoria, teria sido assassinada por Camila, Edson Poloni Aguiar, Cassiano Inácio Garcia e Maicon Fernandes, todos os moradores da república Sonata, onde as jovens se hospedaram para a Festa. A causa do crime seria um jogo de RPG, que Aline teria perdido, sendo punida com a morte… mais especificamente uma morte ritual, de acordo com preceitos satânicos.

O Caso de Ouro Preto está fadado a fazer parte dos anais do direito no Brasil. Não só pela violência do assassinato: Aline Silveira foi descoberta na manhã de 14 de outubro morta, nua, sobre um túmulo no cemitério Nossa Senhora das Mercês, com 17 facadas no corpo. A causa da morte seria engorjamento, uma facada fatal no pescoço. Mas o que se destaca é a completa incompetência, ignorância, má fé e os abusos perpetrados por aqueles que deveriam ser os fiadores da justiça no caso: o Ministério Público e a polícia de Ouro Preto.

Desde o começo a marca da investigação em Ouro Preto foi a combinação de inépcia e sensacionalismo. O caso caiu nas mãos do delegado Adauto Corrêa, na época sendo investigado por atentado violento ao pudor e coerção no curso de processo. Corrêa, este exemplar da probidade administrativa, não demorou para arranjar suspeitos para o crime. Logo arrolou como acusados em seu inquérito a prima de Aline e três jovens estudantes da república onde ela tinha ficado temporariamente hospedada. Em uma inovação do procedimento policial normal, o principal elemento incriminatório apontado pelo delegado não era a arma do crime, mas sim livros e postêres encontrados na república Sonata. Incluindo aí livros de RPG.

O RPG, ou role-playing game, foi inventado em 1974, nos Estados Unidos. Uma evolução dos então populares jogos de estratégia de tabuleiro, o RPG basicamente consiste de um grupo de jogadores que, trabalhando em conjunto e usando regras de jogo pré-definidas, tenta superar desafios propostos por um Mestre, responsável por narrar a história e organizar cada sessão de jogo. Com sua popularização, o jogo passou dar cada vez maior ênfase a interpretação, diminuindo o foco na estratégia e privilegiando o desenvolvimento de personagens. Uma das características principais do RPG é seu caráter cooperativo: os jogadores e o Mestre devem trabalhar em conjunto para criar uma boa história e garantir a diversão de todos. RPG não é competitivo, o que o tornou um jogo ideal para ser aplicado em processos educacionais em todo mundo. RPG também não é um jogo possível de se “perder” (uma vez que não há competição) e tampouco possui laços com satanismo.

Nenhum desses fatos importou para o delegado Adauto Corrêa. Desconhecendo os fundamentos do jogo de RPG, movido por intolerância cega e, talvez pressionado para apresentar resultados o mais rápido e espalhafotosamente possível (afinal de contas, até outro dia o principal réu nas páginas policiais era ele próprio) Corrêa decidiu que Camila, Edson, Cassiano e Maicon eram os responsáveis pelo crime. Corrêa estava suficientemente seguro de sua conclusão para poder se dar ao luxo de passar por cima e deixar de lado toda uma série de evidências, investigações e exames que seriam necessários para propriamente determinar o responsável pelo assassinato de Aline.

Corrêa, por exemplo, não levou em consideração o fato de que Aline mal tinha tido contato com Edson, Maicon e Cassiano. Apesar de estar hospedada na república deles, todos testemunhos concordavam que ela só dormia por ali, passando a maior parte do tempo pela cidade ou em festas em outra república, a Necrotério. Lá, testemunhas afirmaram que Aline passou tempo, isso sim, aos beijos com Fabrício Gomes, na época mal-afamado na cidade por um suposto envolvimento com o tráfico de drogas. Mais ainda, Fabrício Gomes e Aline Silveira teriam sido vistos em frente ao cemitério onde a jovem seria encontrada assassinada na manhã seguinte. Quando Camila Dolabella alertou o delegado Adauto Corrêa sobre o ocorrido, adicionando que Fabrício teria sido visto no dia seguinte à morte de Aline vestindo uma camiseta manchada de sangue, a resposta não foi promissora. Corrêa simplesmente anunciou que não queria saber de mais detalhes, pois ele já sabia quem eram os culpados.

Aline Silveira Soares foi localizada nua, com os braços abertos e pernas cruzadas, ao lado de roupas cuidadosamente arrumadas no chão, entre elas uma blusa coberta de esperma. O corpo tinha sido propositadamente arranjado dessa forma, fato evidenciado por uma trilha de sangue no local. Analíses toxicológicas revelavam traços de maconha no sangue da vítima. A investigação sob o comando de Adauto Corrêa não encontrou digitais dos suspeitos no local ou na arma do crime, econtrada próxima ao corpo. Também não comparou o esperma encontrado em Aline com o dos acusados. Na verdade isso seria impossível, uma vez que os policiais negligenciaram a coleta de material genético antes que ele fosse contaminado ou se deteriorasse. Tampouco foram localizadas drogas na posse dos acusados ou na república Sonata. Mas nada disso importava ao delegado Adauto Corrêa. Ele podia se dar ao luxo de desprezar evidências materiais e os testemunhos que contradiziam sua teoria. Afinal de contas, seu faro investigativo encontrava provas contra os quatro acusados em vários elementos considerados corriqueiros por um olhar não treinado. O fato de que Maicon Cassiano chegara a república Sonata naquela noite sem camisa, era evidência clara de que ele estaria fantasiado como um personagem de RPG. E, logo, era assassino. Embora não houvesse nada que indicasse que os acusados tinham passado pelo cemitério das mercês naquela noite, objetos tinham sido encontrados no local que poderiam ter servido num ritual. E se tinha havido ritual, os acusados tinham participado, afinal, para o delegado, eram todos obviamente satanistas. Outro elemento contundente contra os réus foi o fato de que eles terem limpado a república durante o curso investigação. Ignore-se que isso ocorreu quase uma semana após o crime, e que a polícia não tinha dado nenhuma instrução para que nada fosse alterado no local, apesar dos réus terem perguntado já nas primeiras horas do desaparecimento de Aline se deveriam preservar tudo intocado na república. Mas esse era justamente um exemplo do elemento mais incriminador de todos: o interesse dos jovens em desvendar o assassinato e ajudar a polícia só podia ser outra prova gritante de sua culpa. Como o delegado Adauto Corrêa sabia, criminosos sempre tentam agir como inocentes para despistar a polícia. Como o comportamento de Camila, Edson, Maicon e Cassiano denunciava a mais completa inocência, eles só poderiam ser culpados. Todos os quatro, apesar de que o laudo técnico deixava claro que as facadas em Aline tinham sido feitas por uma única pessoa.

A lógica tortuosa, irresponsável e perversa de Adauto Corrêa não avançou sem problemas. Após concluída a investigação, que indiciava os quatro jovens pelo assassinato, o caso chegou às mãos do promotor Edvaldo Pereira Júnior, que reconheceu prontamente a impossibilidade de dar seguimento aquele processo. Baseado em suposições, preconceitos e tentativas descabidas de fazer os fatos se conformarem à teoria (das mais mirabolantes), Pereira Júnior condicionou o seguimento do caso à realização de 17 diligências, que providenciassem alguma prova cabal, ou ao menos aceitável, sobre a culpa dos réus ou a identidade do assassino de Aline. Adauto Corrêa não realizou nenhuma dessas diligências, dando o caso por encerrado. Pereira Júnior tentou recorrer à Secretaria de Segurança Pública para afastar o delegado de seu cargo. Enquanto isso políticos oportunistas aproveitavam o caso para se promover, agitando a opinião pública e alimentando a indignação com boas doses de desinformação e mentiras. Um vereador chamado Bentinho Duarte passou uma lei proibindo o RPG em Ouro Preto. O promotor Fernando Martins iniciou processo contra as editoras Devir Livraria e Daemon tentando proibir a publicação de livros citados na investigação do caso. A mídia convencional se absteve de realizar qualquer trabalho jornalístico digno do nome e, seguindo a linha Fordiana de que se o factoide é melhor que o fato publica-se o factoide, deu ampla publicidade à teoria barroca de Corrêa, ao mesmo tempo que desprezava as hipóteses contraditórias. Apesar de se referirem aos réus como “suspeitos” ao invés de “assassinos”, o esforço de “imparcialidade” dos jornalões nunca atacou diretamente as óbvias irregularidades da investigação do caso nem contestou o caráter delirante da acusação. Enquanto isso, os quatro réus tentavam levar suas vidas, marcados pelo estigma de serem suspeitos de homicídio. Edson foi ameaçado de morte e trancou a faculdade. Maicon e Cassiano permanecerem em Ouro Preto, apesar da constante antagonização e assédio por parte de moradores da cidade. Camila retornou para Guarapari, onde passou a ser hostilizada pela família. Órfã de mãe, ela contou apenas com o apoio do pai durante todo o processo.

Em 2004, após três anos em que o caso esteve parado, ele saiu das mãos de Edvaldo Pereira Júnior e passou para a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca. Diferente de Pereira Júnior, que tinha se recusado a denunciar um processo tão eivado de inconsistências e sandices, Trócilo da Fonseca decidiu dar continuidade ao caso. Em 2005, Camila Dolabella e Edson Poloni foram presos. Quatro anos tinham se passado desde a morte de Aline, e nenhum dos acusados tinha apresentado qualquer atitude desabonadora até então. Edson saiu da cadeia após seis dias, sob efeito de uma liminar, mas Camila passou a maior parte daquele ano na detenção. Foi só quando o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça que a pena de prisão dos réus foi considerada descabida e lhes foi dado o direito de aguardarem o julgamento me liberdade, apesar das alegações do Ministério Público mineiro de que se tratavam de “contumazes jogadores de RPG, em todas suas modalidades“. Note que, até então, continuavam inexistentes qualquer evidência concreta de responsabilidade dos réus no assassinato de Aline Silveira. Eles estavam sendo presos e acusados por que tinham lido livros.

O caso permaneceu fora da mídia por alguns anos. Enquanto os réus tocavam a vida, a promotoria construía o caso e se preparava para o julgamento. Em 2006 a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca encontrou tempo para mandar apreender todas as edições de número 09 da revista Observatório Social, que denunciava na capa o uso de trabalho infantil nas mineradoras de Ouro Preto. A promotora se preocupava que as fotos expunham as pobres crianças, e afetavam negativamente a boa imagem da região… Mas, enfim. Em 2008 foi decidido que o caso de Aline Silveira seria levado à júri popular. Em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella, Edson Poloni Lobo de Aguiar, Cassiano Inácio Gracia e Maicon Fernandes foram finalmente julgados pela acusação de homicídio qualificado. Na falta de prova contundente contra eles, a acusação optou por lançar novo ineditismo jurídico no direito brasileiro, ao sustentar que “o álibi dos réus era fraco”. Ou seja, não cabia à promotoria provar que eles tinham matado Aline Silveira. Eram os quatro estudantes que deveriam mostrar que não tinham cometido assassinato, ou serem presos. Contra eles pesavam diversas evidências “incriminadoras”: seus gostos musicais, cinematográficos, o jeito como se vestiam e seus hobbies. Em 5 de julho de 2009, o júri os declarou inocentes.

Não se tratou aqui apenas da óbvia falta de qualquer prova contra eles. O decisão final dos sete jurados foi de que, efetivamente, os quatro réus “não concorreram, de qualquer forma, para prática do crime”. Os jovens que tinham passado quase uma década sendo coagidos, assediados, ameaçados, difamados e perseguidos não eram os assassinos de Aline Silveira Soares.

Teorias sobre o que realmente aconteceu não faltam, e já circulavam desde os primeiros dias do caso. A mais verossímel é de que Aline teria se envolvido com uma negociação de drogas, durante a Festa dos Doze, e, sem dinheiro, teria concordado em manter relações sexuais como pagamento. Não há indícios de violência sexual em seu corpo, o que demonstra a consensualidade do ato, comprovado pela perícia necrológica. Como a primeira facada em Aline foi em suas costas, tudo indica de que ela foi atraiçoada pelo seu parceiro de negócios. Este permanece solto e impune.

Os interesses escusos, a ignorância e o preconceito é que são os verdadeiros criminosos no caso de Ouro Preto. Foram eles que permitiram que por uma década quatro jovens inocentes fossem perseguidos injustamente, sendo até mesmo privados de liberdade e forçados a fazer inúmeros e pesados sacrifícios pessoais. Foram eles que deram ao verdadeiro assassino de Aline Silveira, um homem brutal e cruel, um passe livre para permanecer à solta. Em uma sanha cega e irresponsável de achar um culpado a justiça de Ouro Preto falhou miseravelmente, e duas vezes: não puniu o culpado e vitimou mais inocentes. Esse tipo de atitude, ignorando procedimentos básicos do processo legal, atropelando direitos civis e apelando para o ódio e a intolerância como elementos de incriminação, não é compatível com o Estado de Direito. Eu não contei essa história aqui hoje para inocentar Camila, Edson, Cassiano e Máicon. Coube ao tribunal do júri fazer isso. Mas para tomar a atitude digna e necessária de todo cidadão: exigir a imediata investigação e punição dos responsáveis pelo caso do assassinato de Aline Silveira Soares. Sua irresponsabilidade e malícia, sua truculência e abuso de poder não podem, nem devem ser perdoadas, nem as sérias acusações de acobertamento dos verdadeiros responsáveis devem ser relevadas. Isso não pode ser permitido.

Os inocentes estão, enfim, livres. É mais que hora de punir os culpados.

Por Felipe de Amorim

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caso-de-ouro-preto-quinze-anos-de-incompet%C3%AAncia

Blizzard of Ozz, Ozzy Osbourne

Desde sua saída do Black Sabbath, Ozzy Ousbourne galgou com sucesso a estrada da fama numa bem sucedida carreira solo.  Desde cedo ele soube que muito do apelo de Black Sabbath vinham do gosto demoníaco que suas músicas deixavam na boca de quem cantava suas músicas. Blizzard of Oz é o primeiro álbum desta sua fase solo  na qual sua voz metálica foi para delírio dos fãs somada ao talento inovador do guitarrista Randy Rhoads

Ozzy no entanto,  nunca deu de fato muita atenção ao ocultismo visto que sempre esteve muito ocupando dançando com seu próprio inferno pessoal que segundo ele mesmo o alcoolismo representa. “Como as pessoas podem me acusar de conjurar o Diabo? Eu tenho dificuldades até mesmo pa me conjurar para fora da cama!”. Com isso na cabeça Ozzy escreveu em Blizzard of Ozz a música Suicide Solution na qual desabafa sua escravidão à solução que o matava aos poucos e sobre os perigos e depressão causados pela bebida. Ironicamente em 1991 Osborne foi levado aos tribunais  sob a acusação de estimular o suicídio nas entrelinhas desta mesma música depois que um de seus fãs ganhou a mídia ao estourar os próprios miolos com a arma do pai.

Blizzard of Ozz também nos trás Mr Crowley, que é sem qualquer sombra de dúvida a mais explícita e genial homenagem da história do rock ao satanista inglês que deflagrou o Aeon de Hórus e proclamou a Lei da Thelema.  Na música, entre outras coisas Ozzy convida o mago Aleister Crowley a montar em seu cavalo branco, uma referência a uma alegoria muito usada nos textos thelemicos para se referir ao ato sexual. Ozzy brada neste que é um de seus maiores hinos: Ms. Crowley quem foi você? O que você tinha na cabeça? Onde você está agora? Nada mais apropriado para homenagear o grande questionador do que questioná-lo.

Mr.Crowley

 


Mr. Crowley, what they done in your head
(Oh) Mr. Crowley, did you talk to the dead
Your lifestyle to me seemed so tragic
With the thrill of it all
You fooled all the people with magic
(Yeah)You waited on Satan’s door

Mr. Charming, did you think you were pure
Mr. Alarming, in nocturnal rapport
Uncovering things that were sacred, manifest on this earth
(Oh)Conceived in the eye of a secret
Yeah, they scattered the afterbirth

Solo

Mr. Crowley, won’t you ride my white horse?
Mr. Crowley, it’s symbolic of course
Approaching a time that is classic
I hear that maidens call
Approaching a time that is drastic
Standing with their backs to the wall

(Solo)

Was it polemically sent?
I wanna know what you meant
I wanna know
I wanna know what you meant, yeah!

(Solo)

 

Tradução de Mr. Crowley
(SR. CROWLEY)

Sr. Crowley, o que se passava pela sua cabeça?
Sr. Crowley, você falava com os mortos?
Seu estilo de vida me parecia tão trágico
Com toda aquela diversão
Você enganou todas as pessoas com magia
Você esperou a chamada de Satã

Sr. Encantador, você achou que fossemos puros?
Sr. Alarmante, em harmonia noturna
Desmascarando coisas que eram
Manifestos sagrados nesta terra
Concebido no olho de um segredo
E eles espalharam os recém nascidos

Sr. Crowley, você não irá cavalgar no meu cavalo branco?
Sr. Crowley, simbólico, claro
Chegando um momento que é clássico
Eu ouço a chamada das donzelas
Chegando um momento que é drástico
Em pé com as costas contra a parede

Epílogo:
Foi enviado polemicamente?
Eu quero saber o que você quis dizer
Eu quero saber
Eu quero saber o que você quis dizer

 

Nº 54 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/blizzard-of-ozz-ozzy-osbourne/

Anjos Fósseis

Considere o mundo da magia. Uma diversidade de ordens ocultas que, quando não tentam refutar a procedência da outra, ou ficam criogenicamente suspensas na sua raiz ritual, seu jogo de Aiwaz diz, ou então parecem perdidas em alguma expansão canalizada por spam do Dungeons & Dragons, fora do mapa, em algum novo universo injustificável e completamente sem valor, até que eles demonstrem que é como um adesivo preto de unhas colado sobre o antigo. Autoconscientes de estranhas transmissões vindas de entidades com síndrome de Touret, martelando um glossário de horrores. Paralisados olhando bolas de cristal que de alguma forma, recebem trailers do canal Sci-Fi. Muito longe dos chefes secretos, e, no mesmo contexto, muito longe também dos índios secretos.

Além disso, os que passam pelos portões rangentes das sociedades ilustres, são os cinquentões babacas que começam com planos de ingressar no palácio celestial, mas inevitavelmente acabam no Bates Motel, e fora disso estão as massas. Os videntes. Um eco incoerente do nosso superlotado circulo hermético, os Akashicos, Anoraks, os autoproclamados Wiccans e o templo dos quarentões- qualquer- coisa, convencendo pré-adolescentes, para mais tarde vender a eles uma franquia do reino das fadas, o famigerado reino de Potersville.

Exatamente como isso confirmaria um aeon de Hórus, esse aeon de nada exceto mais aparências, consumismo, status de gangster, a pedra filosofal do materialismo¿ Como pode uma aquiescência instintiva a ideias conservadoras ser um sinal de Thelema¿ Cthulhu esta voltando á qualquer momento, há maldições bárbaras das trevas que alguns iluministas tentam encontrar com suas lanternas¿ O ocultismo ocidental contemporâneo não possui nenhum talento em mensurar resultados além de truques de salão¿ A magia tem algum uso definido para a raça humana, fora oferecer a oportunidade de se vestir bem¿

Iguarias tântricas e sacerdotes em noites temáticas thelemicas. Pentagramas em seus olhos. “Esta noite Matthew, eu sou o logos do Aeon”. A magia tem demonstrado um proposito, justificando sua existência da mesma forma que a arte, ou a ciência, ou a agricultura se justificam¿ Resumindo, alguém tem alguma pista do que estamos fazendo, ou precisamente pra que estamos fazendo isso¿.

Certamente, a magia nem sempre foi tão aparentemente separada de toda a função humana básica. Suas origens xamânicas no Paleolítico certamente representaram, naquele momento, os únicos meios humanos de mediação com um universo em grande parte hostil sobre o qual ainda havia muito pouca compreensão ou controle. Dentro de tais circunstâncias, é fácil de conceber a magia como representando originalmente uma realidade, um ponto de apoio, uma visão de mundo em que todas as outras vertentes da nossa existência… a caça, a procriação, elementos com os quais lidam as pinturas nas paredes das cavernas… eram fundidos. A ciência do todo, a sua relevância para as preocupações dos mamíferos comuns eram tanto óbvias, como inegáveis.

Este papel, de uma “filosofia natural” incluída no todo, obtido ao longo do surgimento da civilização clássica podia ainda ser ainda ser vista, de forma mais furtiva, até o final do século 16, quando as ciências ocultas e mundanas não eram tão distinguíveis como são hoje. Seria surpreendente, por exemplo, que John Dee não permitisse que seu conhecimento da astrologia desse contribuições inestimáveis para a arte da navegação, ou vice-versa. Não até a Idade da Razão, que gradualmente limitou a nossa crença e, assim, entrar em contato com os deuses que tinham sustentado nossos antepassados, fariam nosso senso incipiente de racionalidade identificar o sobrenatural como um mero órgão vestigial no corpo humano, obsoleto e, possivelmente, falecido, melhor então que fosse retirado rapidamente.

A Ciência cresceu fora da magia, embora fosse descendente dela, a sua aplicação era mais prática e, portanto, materialmente rentável, muito em breve decidiu-se que o ritual e toda a matéria simbólica da sua cultura-mãe, a alquimia era redundante, um estorvo e um atraso. Orgulhosa em seu novo jaleco branco, usando canetas como medalhas no peito, a ciência veio a ter vergonha de seus companheiros (história, geografia, P.E) não queria se pega fazendo compras com a mamãe, resmungando e cantando. Seu terceiro mamilo. Melhor então que ela fosse escondida em algum local seguro, um asilo para de paradigmas idosos e decadentes.

O abismo que isso causou na família humana das ideias parecia intransponivell, com duas partes do que tinha sido um único organismo, substituído pelo reducionismo, uma “ciência do todo” inclusive ao tornarem-se dois pontos de vista, cada um, aparentemente, em amarga e feroz oposição ao outro. A Ciência, no processo deste divórcio amargo, pode, eventualmente, ter perdido o contato com a sua componente ética, com a base moral necessária para evitar a reprodução de monstros. A Magia, por outro lado, perdeu toda sua utilidade e finalidade comprovada, como acontece com muitos pais quando o bebe cresceu e deixou o ninho. Como preencher o vazio? A resposta é, se estamos falando de magia e do mundo deprimido de mães e pais com ninhos vazios, é, com toda a probabilidade, “com o ritual e nostalgia”.

O ressurgimento da magia no século XIX, com a sua natureza retrospectiva e essencialmente romântica, parece ter sido abençoada com esses dois fatores em abundância. Enquanto é difícil exagerar as contribuições feitas á magia como um campo por, digamos, Eliphas Levi ou os vários magistas da Golden Dawn, é tão difícil argumentar que essas contribuições não foram esmagadoramente sintéticas, na medida em que aspiravam criar uma síntese do conhecimento já existente, para formalizar as sabedorias variadas dos antigos.

Não podemos menosprezar esta realização considerável se observarmos que a magia, durante essas décadas, beirava uma proposital corrida pela caracterização pioneira, como por exemplo, nos trabalhos de Dee e de Kelly. Em seu desenvolvimento do sistema Enochiano, a magia renascentista apareceria com uma urgência criativa e experimental, voltada para o futuro. Em compensação, os ocultistas do século XIX também parecem quase ter-se deslocado no tempo para reverenciar a magia do passado, fazendo uma exposição de museu, criando um acervo, um arquivo, onde cada qual era um curador individual.

Todos os robes e as insígnias, com o seu ar da reencenação histórica para multidões, as sociedades ultra secretas, apenas uma engrenagem fracionada para os menos imbecis verem. O consenso preocupante sobre os valores de direita e o número de vítimas confusas tropeçando umas nas outras do outro lado, provavelmente teria sido idêntica. Os ritos das ordens mágicas, também são semelhantes às bandas de cromwell exaltando homicidas bêbados, a alegria da gravidez se opondo ao sombrio rodízio, implacável frente á realidade industrial. Varinhas lindamente pintadas, obsessivamente levantam piquetes autênticos, contra o avanço sombrio das chaminés. Quanto disto pode ser descrito com mais precisão como fantasias compensatórias para a era das máquinas? role-playing games que só servem para sublinhar o fato brutal que essas atividades não têm relevância humana contemporânea. Uma recriação melancólica de momentos eróticos pela mente de um impotente.

Outra distinção clara entre os magistas do século XVI e os do século XIX encontra-se em sua relação com a ficção de sua época. Os irmãos do inicio da Golden Dawn parecem ser inspirados mais pelo puro romance da magia do que por qualquer outro aspecto, com S.L McGregor Mathers atraído para a arte pelo seu desejo de viver a fantasia de Bulwer-Lytton Zanoni. Incentivando Moina para se referir a ele como “Zan”, alegadamente. Woodford e Westcott, por outro lado, ansiosos para estar dentro de uma ordem que tinha ainda mais parafernália do que Rosacruz e a Maçonaria, e de alguma forma adquirir um contato nas (literalmente)   lendárias fileiras de the Geltische Dammerung, o que significa algo como “a sagrada hora do chá”. Eles esperam para receber seus diplomas vindos de Nárnia, em fila atrás do armário. Como Alex Crowley, irritantemente tentando persuadir seus colegas de escola a se referir a ele como Alastor de Shelley, como alguns que se acham os góticos de Nottingham, um cara chamado Dave insistindo que seu nome vampiro é Armand. Ou, um pouco mais tarde, todos os antigos cultos de bruxas, todos os clãs de linha de sangue brotando como pétalas de dentes do dragão, onde quer que escritos de Gerald Gardner estivessem disponíveis. Os ocultistas do século XIX e início do século XX pareciam todos quererem ser o gênio de Aladdin, de alguma pantomima interminável. Para viver o sonho.

John Dee, por outro lado, era talvez mais consciente do que qualquer outra pessoa de sua época. Mais focado no propósito. Ele não precisou procurar por antecedentes nas ficções e mitologias disponíveis, porque John Dee não estava em nenhum sentido fingindo, não estava jogando jogos. Ele inspirou, ao invés de ser inspirado pelas grandes ficções mágicas de seu tempo. Prospero de Shakespeare. Fausto de Marlow. Ben Johnson foram todos molhados com o mijo do Alquimista. A magia de Dee era uma força inteiramente viva e progressiva de seu tempo, ao contrario de algumas que eram exemplares empalhados de coisas extintas, já não existiam salvo em histórias ou contos de fadas.  A sua era, um capítulo novo, escrito inteiramente no tempo presente, uma aventura mágica em curso. Em comparação, aos ocultistas que se seguiram cerca de três séculos  abaixo na linha do tempo, onde mostram apenas um apêndice elaborado, ou talvez uma bibliografia, após o fato. A liga da preservação, dublando rituais de mortos. versões cover.  Magos de karaoke . A Magia, tendo desistido ou usurpado a sua função social, tendo perdido a razão de ser, por sua vez, tentando arrastar multidões, encontrou apenas o teatro vazio, as cortinas misteriosas e empoeiradas, cabides de vestidos esquecidos, adereços insondáveis de dramas cancelados. Na falta de um papel definido, cresceu incerta de suas motivações, a magia parece não ter economizado nenhum recurso para furar obstinadamente o roteiro estabelecido, consagrando cada última tosse e gesto, tendo um desempenho oco e liofilizado, devidamente embalado; artisticamente enlatada para o Património Inglês.

Como foi infeliz este momento na história da magia, com o conteúdo e função perdidos sob um verniz ritual muito detalhado, calças boca-de sino, sobre as quais as ordens posteriores escolheram se a cristalizar. Sem um objetivo ou missão facilmente perceptível, que não fosse produzir uma mercadoria comercializável, o ocultista do século XIX parece derramar uma quantidade excessiva de sua atenção sobre o papel de embrulho, a fantasia. Possivelmente incapaz de conceber qualquer grupo não estruturado na forma hierárquica das lojas que estavam acostumados, Mathers e Westcott obedientemente importado todas as antigas heranças maçônicas quando vieram a fornecer sua ordem incipiente. Apenas roupas, qualificações e implementos. A mentalidade de uma sociedade secreta de elite. Crowley, naturalmente, pegou toda esta bagagem cara e pesada, e levou com ele quando pulou fora do barco para criar a sua OTO, e todas as ordens, desde então, até os empreendimentos supostamente iconoclastas, como, digamos, a IOT, parecem finalmente ter adotado o mesmo modelo da alta sociedade vitoriana. Armadilhas do drama, teorias complicadas o suficiente para chamar a atenção, e esconder o que a faltava em caridade, e como podem perceber, a falta de qualquer resultado prático, qualquer efeito sobre a condição humana.

O número XIV (e talvez final?) Da estimável revista KAOS de Joel Biroco contou com a reprodução de uma pintura, uma obra surpreendente e assombrosamente bela, o retrato de Marjorie Cameron, ruiva assustadora, Dennis Hopper e seu companheiro de casa Dean Stockwell, retratavam a suposta Mulher Escarlate, Pilar Thelêmico. Quase tão intrigante quanto o trabalho em si, no entanto, é o título: Fóssil de anjo, com suas conjuras contraditórias de algo maravilhoso, inefável e transitório, combinado com aquilo que é, por definição, morto, inerte e petrificado. Existe uma metáfora para nós nisso, tanto decepcionante quanto instrutiva? Não é possível, que todas as ordens mágicas, com suas doutrinas e seus dogmas, interpretaram erroneamente como restos calcificados e inertes de algo que uma vez foi imaterial e cheio de graça, vivo e mutável? Como energias, como inspirações e ideias que dançavam de mente para mente, evoluindo até que, finalmente o gotejamento de calcário do ritual e da repetição congelou-os em seus caminhos, obstruindo-os, deixando-os para sempre no meio do caminho, o final inalcançável, um gesto incompleto? Iluminações, tribulações. Anjos fósseis.

Algo imperfeito e etéreo uma vez desceu rapidamente, quicando como uma pedra na superfície da nossa cultura, deixando a sua fraca impressão tênue no barro humano, uma pegada que nós deixamos endurecer no concreto e, aparentemente, permanecemos ajoelhados perante ela durante décadas, séculos, milênios. Recitar os encantamentos, como canções de ninar familiares e calmantes palavra por palavra, em seguida, resgatando cuidadosamente os velhos e amados dramas, talvez faça algo acontecer, como fez antes.  Colocando bobinas de papel alumínio e palitos de algodão doce em que a caixa de papelão, para que se pareça vagamente com um rádio e então talvez John Frum venha, trazendo os helicópteros de volta? A ordem oculta, inundada de fetiches, um concurso para alguns, há meio século, sentan-se como Miss Haversham e se perguntam se os besouros do bolo de casamento de alguma forma confirmam Liber Al vel Legis.

Mais uma vez, nada disso tem a intenção de negar a contribuição que as várias ordens e suas obras fizeram a magia como um campo, mas apenas observar que essa contribuição reconhecidamente considerável é, em grande parte, uma privação de liberdade em sua natural preservação do folclore passado e ritual, ou então que a sua elegante síntese de ensinamentos diferentes é a sua principal ( e talvez única) conquista. Além dessas realizações, no entanto, o legado duradouro da cultura ocultista do século XIX parece principalmente, a antítese da saudável e continuada evolução, a proliferação contínua viável da magia, que, como uma tecnologia, certamente superou á muito tempo essa ornamentação do final da era vitoriana e tem extrema necessidade de mudança. Toda a mobília maçônica importada por Westcott e Mathers, basicamente, por incapacidade de imaginar qualquer outra estrutura válida, é hoje, pelas características da atualidade, uma limitação e impedimento para a promoção da magia.  Gerando engodos jamais vistos, linhas cerimoniais demasiado restritas que condicionam todo o crescimento, restringem todo o pensamento, ao limitar as maneiras em que nós concebemos ou podemos conceber a magia. Imitar-se as construções do passado, pensando em termos de hoje, não é necessariamente aplicável – talvez nunca realmente fosse – o que parece ter tornado o ocultismo moderno totalmente incapaz de enxergar diferentes métodos pelos quais possa organizar-se; incapaz de imaginar qualquer progresso, qualquer evolução, qualquer futuro, o que provavelmente é uma forma perfeita de garantir que ele não tenha um.

Se a Golden Dawn é muitas vezes apontada como um modelo, um exemplar radiante da ordem perfeita e bem sucedida, isto acontece quase certamente porque suas fileiras incluíam muitos escritores conhecidos de capacidade comprovada, cuja adesão emprestava a sociedade mais credibilidade, que ela nunca teria como pagar a eles. O brilhante John Coulthart sugeriu que a Golden Dawn pode ser caridosamente considerada uma sociedade literária, onde escribas renomados procuravam uma magia que poderiam ter encontrado demonstrável e evidente, já viva e funcionando em seus próprios trabalhos, eles não eram cegados pelo brilho de toda aquela cerimônia, pelo kit fantástico. Um autor que claramente contribuiu com algo que era de valor real mágico para o mundo através de sua própria ficção, muito mais do que através de quaisquer operações na loja foi Arthur Machen. Embora admitindo ter grande prazer em todo o mistério e maravilha das cerimônias secretas da ordem, Machen se sentiu compelido a adicionar ao escrever sobre a Golden Dawn em sua autobiografia, Coisas do tipo “como qualquer coisa vital na ordem secreta, por qualquer coisa não tinha mais importância que dois pedaços de palha para qualquer ser razoável, não havia nada nela, e às vezes menos do que nada”… a sociedade como uma sociedade era pura loucura preocupada com o impotente e imbecil abracadabra. Eles não sabiam nada sobre qualquer coisa e ocultavam o fato debaixo de um ritual impressionante e uma fraseologia sonora. Astutamente, Machen observa a relação aparentemente inversa entre o conteúdo genuíno e inventado, dos elaborados formulário que caracterizavam as ordens desta natureza, uma crítica tão relevante hoje, como era em 1923.

O território de magia, em grande parte abandonada como demasiado perigosos desde o período de Dee e Kelly, foi demarcado e recuperado (quando isso se tornou seguro) por entusiastas do ocultismo do século XIX, por suburbanos de classe média que transformaram a relva ressecada e negligenciada em uma série de requintados jardins ornamentais.  Inventando elementos decorativos, estátuas e adereços de grande complexidade, a imitação de um passado imaginado por sacerdotes hiperativos. Deuses terminais entre as camas arrumadas com azaleias.

O problema é que os jardineiros, por vezes brigavam. Disputas de fronteira. Vinganças e despejos de inquilinos lunáticos. Propriedades invejáveis estão fechadas, são muitas vezes ocupadas por novas famílias problemáticas, novos clas. Apegando-se a antiga placa de identificação, mantendo o mesmo endereço, e permitindo que seus fundamentos caíssem em estado de abandono. Lesmas nojentas e ervas-daninhas espalhando-se entre as rosas de vinte e duas pétalas. Nos anos noventa, a paisagem cansada do jardim da magia se tornou uma expansão mal conservada de loteamentos baratos, com infiltrações e pintura descascada, as casas de veraneio agora se tornam meros galpões onde paranoicos vigilantes se sentaram acordados a noite toda, com suas espingardas esperando vândalos adolescentes. Não há nenhum produto que vale a pena mencionar. As flores perderam o perfume e não mais conseguem encantar. Sabe, eram todos lamens extravagantes e xadrez Enoquiano por aqui , e agora ao olhar para ele, as sebes de topiaria Gótica estão ressecadas como estopa, a podridão toma conta desse gazebo Rosacruz, as madeiras estão secas. Este lugar agora só serve para receber o seguro quando pegar fogo.

Não, é sério. Terra queimada. É tudo o que dá para recomendar. Pense como ficaria quando todos os mantos e estandartes fossem capturados. Pode até mesmo ser que toda mente, corpo e Espírito monstruoso do vento vá na direção certa. Perda de vidas e meios de subsistência seria, evidentemente, inevitável, alguns danos colaterais no setor empresarial, mas com certeza seria muito bonito. As vigas do templo desmoronando em meio às faíscas. “Esqueça-me! Salve os manuscritos cifrados!” Entre as inúmeras missas gnósticas, juramentos, conjuras e banimentos, o que os levou a esquecer de seu péssimo treinamento contra incêndios? Ninguém está completamente certo sobre como eles devem evacuar o circulo interno, nem sei quantos ainda podem estar lá. “Finalmente, surgirão historias de cortar o coração sobre a bravura individual.” E-Ele voltou para resgatar o desenho LAM, e nós não pudemos impedi-lo. “Após um momento de lágrimas, para aconselhamento”. Enterrar os mortos, nomear sucessores. Abrir o selo do Himeneu Gamma. Lançar um olhar triste as nossas terras enegrecidas. Viver um dia de cada vez, Santo Deus. Assoar nossos narizes, nos recompor. De alguma forma, nós vamos superar.

E então? Terra queimada, é claro, é rica em nitratos e fornece uma base para a agricultura de corte e queima. Em terra carbonizada, aparecem os pontos verdes da recuperação. A vida revolve-se indiscriminadamente, agitando a terra preta. Poderíamos sacrificar esses gramados outrora imponentes e terraços á sua volta para o deserto. Por que não? Pense nisso como o ambientalismo astral, a recuperação de um cinturão verde psíquico debaixo da pavimentação, oculto pelas lajes vitorianas rachadas, como um incentivo para o aumento da biodiversidade metafísica. Considerado como um princípio organizador para o trabalho de mágica, a estrutura fractal complexa e autogerada de uma selva parece tão viável como toda a ordem do tabuleiro de xadrez imposta e espúria de um piso preto e branco; parece, de fato, consideravelmente mais natural e vital. Afinal de contas, o tráfego de ideias é que é a essência e a alma de magia é mais naturalmente transacionado nos dias de hoje pelo trafego de informações de um tipo ou outro, em vez de segredos como rituais solenemente alcançados após longos anos de cursinhos em Hogwarts. Não tem sido este jeitão de floresta tropical, de fato, a configuração padrão do ocultismo ocidental prático há algum tempo? Por que não sair e admitir isso, destruir todos estes clubinhos que não são tem mais qualquer utilidade nem beleza, e abraçar a lógica de lianas? Dinamitar as barragens, enfrentar a inundação, permitir a nova vida florescer nos habitats onde anteriormente estava moribunda e ameaçada de extinção.

Em termos de cultura oculta, nova vida equivale a novas ideias. Frescas e se contorcendo nas sombras, possivelmente girinos conceituais venenosos, essas pragas de cores vivas devem ser estimuladas em nosso novo ecossistema imaterial, para que ele floresça e permaneça em saúde. Vamos atrair as pequenas e frágeis ideias que brilham como néon, e as mais resistentes e grandes ideias muito mais fortes, que se alimentam delas. Se tivermos sorte, o frenesi alimentar pode chamar a atenção dos grandes paradigmas-raptor, que atropelarão tudo e agitarão a terra. Lutas ferozes, da mais minúscula bactéria ao incrivelmente grande e feio monstro, todos travando uma luta gloriosa e sangrenta, sem supervisão, pela sobrevivência, uma bagunça darwiniana espetacular.

Doutrinas esfarrapadas encontram-se incapazes de superar o argumento assassino, elegante e cheio de dentes. Dogmas Mastodontes e velhos vão escorregando para baixo na cadeia alimentar, e entrando em colapso sob seu próprio peso servindo de refeição para os carniceiros, virando historia, e em algum lugar há o zum-zum-zum do bate-papo na sala das moscas que colocam seus ovos. Trufas miméticas crescidas a partir da decomposição dos Aeons. Revelações vivas surgiram como um foguete em Londres, do seu meio natural, a expansão bombástica e desordenada. Pânico em Arcádia, cheia de abelhas assassinas. Seleção sobrenatural. Os mais fortes teoremas, os melhores adaptados estão autorizados a prosperar e se propagar, os fracos são sushi. Certamente esta é Thelema hardcore em ação, além de representar uma old-school produtiva e autêntica, o caos que deve aquecer o coração de qualquer um. De tal aplicação vigorosa do processo evolutivo, é difícil ver como a magia que é um campo de conhecimento poderia colher benefícios ao fazer o contrário.

Por outro lado, ao aceitar um meio menos cultivado, menos refinado onde a concorrência pode ser feroz e barulhenta, magia estaria fazendo não mais do que expor-se às mesmas condições que dizem respeito aos seus parentes mais socialmente aceitos, a ciência e a arte. Apresentar uma nova teoria para explicar a massa faltante do universo, ao apresentar alguma instalação conceitual difícil para o Prêmio Turner, é preciso aceitar sem dúvida que a sua ideia vai ser submetida ao escrutínio intenso, em grande parte hostil e proveniente de algum campo rival. Cada partícula de pensamento que desempenhar um papel na construção de sua teoria será desmembrada e examinada. Apenas se nenhuma falha for encontrada o seu trabalho será recebido no cânone cultural. Em toda a probabilidade, mais cedo ou mais tarde o seu projeto de estimação, a sua teoria de estimação vai acabar obsoleta e só servira para decorar as paredes manchadas dessas velhas, arenas públicas impiedosas. Assim é como deve ser. Suas ideias são transformadas e atropeladas, mas o próprio campo é reforçado e melhorado por este teste incessante. Ele avança e sofre mutações. Se o nosso objetivo é verdadeiramente o avanço da visão de mundo mágica (em vez de avanço de nós mesmos como seus instrutores), como alguém poderia opor-se a tal processo?

A menos, claro, que o avanço desta natureza não seja realmente o nosso objetivo, o que nos traz de volta às nossas perguntas de abertura: o que exatamente estamos fazendo e por que estamos fazendo isso? Sem dúvida, alguns de nós estão envolvidos na busca legítima de entendimento, mas isso levanta a questão de como fazemos isso. Temos a intenção de usar essa informação de alguma maneira, ou apenas de acumular conhecimento exclusivamente para seu próprio bem, para nossa satisfação particular? Será que desejamos, talvez, ser vistos como sábios, ou melhorar nossas personalidades sem brilho com notas de conhecimento secreto? Buscamos algum status que pode ser alcançado mais facilmente por uma perseguição do ocultismo, onde convenientemente, não existem padrões mensuráveis para que possamos ser julgados? Ou será que nós nos alinhamos com a definição de Crowley das artes mágicas como trazer mudanças de acordo com a sua vontade, o que quer dizer alcançar alguma medida de poder sobre a realidade?

Esta última, suponho que seria o motivo atualmente mais popular. O crescimento da Magia do Caos na década de 1980 centrado em uma série de promessas que o promoveram, como o mais notável, entre elas a entrega de um sistema de magia baseado em resultados que era prático e fácil de usar. O desenvolvimento único e altamente pessoal de Austin Spare da magia com sigilos, foi-nos dito, poderia ser adaptado para aplicação quase universal, iria fornecer um simples, infalível meio pelo qual o desejo do coração de alguém poderia ser tanto fácil e como imediatamente cumprido. Pondo de lado a questão “Isso é verdade?” (E a resposta gritante “Se for, então por que todos os seus defensores Ainda mantem seus dias de trabalho, em um mundo globalizado, certamente cada vez mais longe dos desejos do coração a cada semana que passa?”), talvez devêssemos perguntar se a prossecução desta atitude pragmática, causal com trabalho oculto é realmente um uso digno de magia.

 

Se formos honestos, a maior parte da feitiçaria causal como é praticado provavelmente é feita na esperança de realizar alguma mudança desejada em nossas duras circunstâncias materiais. Em termos reais, isso provavelmente envolve pedidos de dinheiro (mesmo Dee e Kelly não estavam acima chamando os anjos por um centavo de vez em quando), os pedidos de alguma forma de gratificação emocional ou sexual, ou talvez em algumas ocasiões um pedido para que aqueles que sentimos ter nos menosprezado ou ofendido sejam punidos. Nesses casos, mesmo em um cenário menos cínico, onde o propósito da magia é, digamos, ajudar um amigo em sua recuperação de uma doença, podemos alcançar nossos objetivos muito mais, certa e honestamente, bastando cuidar dessas coisas em um plano material não divino?

Se, por exemplo, é o dinheiro que exigem, por que não imitar o verdadeiro exemplo dado por Austin Spare (quase o único entre os magos que aparentemente viu o uso da magia para atrair mera riqueza como uma anátema) em relação a tais preocupações? Se quisermos dinheiro, então por que não podemos magicamente levantar nossas bundas gordas, e executar magicamente algum trabalho pela primeira vez em nossas vidas mágicas sedentárias, e ver se as moedas solicitadas não são magicamente algum tempo depois somadas as nossas contas bancárias? Se for o afeto de algum objeto de amor não correspondido que estamos buscando, a solução é mais simples ainda: sorrateiramente esperá-la em alguma esquina, e então estuprá-la. Afinal, a miséria moral de que você fez não será pior, e pelo menos você não vai ter arrastado o transcendental j, pedindo que os espíritos a segurem para você. Ou se há alguém a quem você realmente vê como merecedor de alguma retribuição terrível, ao invés de colocar seu nome embaixo de uma clavícula de Salomão porque não avançar direto sobre ele, como um cão pegando um osso, cortando-o com uma navalha do Frankie ou do Big Stan. O capanga contratado representa a decisão ética de escolha quando comparado com o uso de anjos caídos para com o trabalho sujo (isto é assumindo que o que vai volta para casa do cara que mandou, e talvez mesmo, você sabe, ficando com ele e seguindo em frente, não são opções viáveis). Mesmo o exemplo do amigo doente citado anteriormente: basta ir lá e visitá-lo. Apoiá-lo com o seu tempo, o seu amor, o seu dinheiro ou a sua conversa. Cristo! Enviar-lhe um cartão com um coelho de aparência triste dos desenhos animados na parte dianteira só fara você se sentir melhor, não ele. Magia intencional e causal poderia muitas vezes parecer ser sobre a realização de um fim bastante comum sem fazer o trabalho normal associado a ele. Podemos muito bem fazer melhor ao afirmar, como Crowley, que as nossas melhores e mais puras ações são aquelas realizadas “sem ânsia de resultado”.

Talvez sua máxima famosa, onde ele defende que nós devemos procurar “o objetivo da religião” utilizando “o método da ciência”, por mais bem intencionada que pareça, poderia ter levado a comunidade mágica (como é) a esses erros fundamentais. Afinal, o objetivo da religião, se examinarmos as origens latinas da palavra em religare (a raiz compartilhada com outras palavras como “ligamento” e “ligadura”), parece implicar que é melhor que todo mundo esteja “preso em uma crença”. Este impulso à evangelização e conversão deve, em qualquer aplicação no mundo real, chegar a um ponto onde aqueles vinculados por uma ligação virem para cima e contra aqueles ligados a outro conceito. Neste ponto, inevitavelmente, e historicamente, ambas as facções irão prosseguir a sua vontade programando-se para vincular e engolir a outra em sua única e verdadeira crença. Então nós vamos massacrar os taigs, os aguilhões, os goys, os Yids, os kuffirs e os ragheads. E quando isso historicamente e, inevitavelmente, não funciona, nós sentamos e pensamos sobre as coisas por um ou dois séculos, nós deixamos um intervalo decente, e então nós fazemos tudo de novo, o mesmo que antes. O objetivo da religião, enquanto claramente benigno, parece errar o alvo por uma ou duas milhas, lançada pelo recuo. O alvo, a coisa que eles estavam querendo acertar, fica lá ilesa, e as únicas coisas atingidas são Omagh ou Cabul, Hebron, Gaza, Manhattan, Bagdá, Kashmir, Deansgate, e assim por diante, e assim por diante, e assim por diante, para sempre.

A noção de unir está na raiz etimológica da religião é também, de forma reveladora, encontrada no ícone simbólico de varas amarradas, na aparência, o que gera o fascismo á longo prazo. O fascismo, com base em conceitos místicos como sangue e ‘volk’, é mais apropriadamente visto como religião do que como uma postura política, política supostamente baseada em alguma forma de razão, no entanto equivocada e brutal. A ideia compartilhada de presos a uma fé, uma crença; que na unidade (assim, inevitavelmente, na uniformidade) existem linhas de força, parece antitético à magia, que de alguma forma, é certamente pessoal, subjetiva e pertencente ao indivíduo, à responsabilidade de cada criatura sensível por chegar ao seu próprio entendimento, e assim, fazer a sua própria paz com Deus, o universo e tudo mais. Então, se a religião pode ser usada para encontrar um equivalente político próximo no fascismo, pode ser dito que a magia tem como equivalente politico mais natural à anarquia, o oposto do fascismo (decorrente de archon ou “nenhum líder”)? Que, naturalmente, nos leva de volta aos templos queimados e postos a baixo, despossuídos e sem espaço para os cabeças de ordem, a terra queimada e a abordagem anárquica e desértica natural à magia, como sugerido anteriormente.

A outra metade da máxima de Crowley, em que ele promove a metodologia da ciência também parece ter suas falhas, mais uma vez, por mais bem intencionada. Baseando-se nos resultados materiais, a ciência é talvez o modelo que levou as artes mágicas a sua causal decadência, como descrito acima. Além disto, se aceitarmos os caminhos da ciência como um ideal processual a que nossos trabalhos de magia podem aspirar, não caímos no perigo de também adotar uma mentalidade materialista e científica no que diz respeito às inúmeras e diferentes forças que preocupam o ocultista? Um cientista que trabalha com eletricidade, por exemplo, irá justamente considerar a energia como um valor neutro, um poder irracional que pode ser facilmente usado para executar os trabalhos de um hospital, ou acender um lava-lamp, ou para fritar um negro com mentalidade de nove anos de idade, no Texas. Magia, por outro lado, na experiência pessoal, não parece ser neutra em sua natureza moral, nem parece sem sentido. Pelo contrário, ao que parece, é um modo de estar ciente e ativamente inteligente, viva, em vez de viver em cima do muro. Ao contrário da eletricidade, há a sugestão de uma personalidade complexa, com características quase humanas, tais como, por exemplo, um aparente senso de humor. Ainda bem, quando se considera o desfile de truques pomposos de entretenimento que tem sido realizados e tolerados ao longo dos séculos. Magia, em suma, não parece estar lá apenas para ativar sigilos, que são versões astrais do gadget economizando o trabalho ou o aparelho. Ao contrário da eletricidade, pode se pensar que tem a sua própria agenda.

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Fossil Angels foi escrito por Alan Moore em dezembro de 2002, para ser publicado na KAOS # 15. KAOS # 15, na verdade nunca foi publicado, e o artigo ficou sem espaço desde então. (Mais informações sobre KAOS e por que não foi publicado estão neste artigo no Bleeding Cool.) Eu tive a sorte de receber vários textos de Alan Moore do próprio Alan, há alguns anos, e este estava entre eles. Perguntei se poderia publicá-lo e, quando apareceu outra publicação interessada nele, Alan me disse que eu estava livre para ir em frente. Então, eu tenho muito orgulho de ser autorizados a apresentar este artigo aqui na Glycon para a sua primeira publicação.  Foi escrito em duas partes, com um link para a segunda, no final desta página. Este artigo é e continua sendo, de propriedade exclusiva, com todos os direitos autorais pertencentes ao seu criador, Alan Moore.

Texto de Alan Moore. Tradução Giuliana Ricomini

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/anjos-fosseis/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/anjos-fosseis/

Símbolos do Ocultismo na Música Pop

Por Donald Tyson.

Tem havido muita conversa nas mídias sociais recentemente sobre o uso de símbolos ocultos por artistas proeminentes em grandes locais, como o Superbowl Halftime Show e o MTV’s Video Music Awards. Madonna era notória por usar tal simbolismo. Mais recentemente, Lady Gaga tirou a coroa de Madonna e superou a Material Girl em seu próprio jogo. Outros artistas, como Beyoncé, Marilyn Manson, Lil’ Wayne, Ke$ha, Miley Cyrus, Jay-Z, Kanye West e Eminem, para citar apenas alguns deles, entraram na onda e incorporaram simbolismo esotérico em seus apresentações de palco.

O que tudo isso significa? Devemos nos preocupar com isso? Esses artistas são membros de uma organização secreta conhecida como os Illuminati, como afirmam seus críticos? Eles são satanistas? Ou eles são apenas buscadores de atenção, usando e abusando de símbolos que não entendem por seu valor de choque? Você pode pensar que já leu o suficiente sobre esse assunto sobrecarregado, mas deixe-me dar algumas ideias da perspectiva de um mago que trabalha nas tradições ocidentais.

A primeira coisa que noto, quando estudo as fotografias e videoclipes desses artistas populares, é o pequeno conjunto de símbolos ocultos que eles realmente usam. Existem menos de duas dúzias de símbolos que aparecem regularmente. Isso não é muito, considerando que a magia ocidental tem centenas de símbolos potentes com significado esotérico. A limitação do número de símbolos distintos utilizados deve-se provavelmente à necessidade de reconhecimento por parte dos fãs.

Quais são os símbolos? O mais comum entre eles é o sinal da mão dos chifres, com o indicador e o dedo mínimo estendidos; o olho no triângulo; o olho de Odin (um olho coberto por uma mão), o sinal da mão do número 6, com o polegar e o dedo indicador fazendo um círculo e os outros dedos estendidos; a cruz invertida; a chamada cruz satânica ou símbolo alquímico do enxofre; os pentagramas sejam eles “normais” ou invertidos; o olho egípcio de Hórus; um olho na palma da mão; crânio e ossos; o bode; a serpente; o relâmpago; a figura de Baphomet.

Se você considerar esses símbolos, verá que eles se dividem em duas categorias: símbolos de uso geral na magia e símbolos considerados caóticos ou satânicos. Não há nenhuma tentativa dos artistas de diferenciar entre essas duas categorias. Muitas pessoas consideram qualquer símbolo ligado ao ocultismo como inerentemente mau. Aqueles de nós que estudam magia sabem que isso é incorreto. Exatamente o oposto é verdadeiro: nenhum símbolo é inerentemente mau – mas o público geral desses artistas não sabe disso. Para eles, os símbolos ocultos são misteriosos, intrigantes, poderosos e perigosos – tudo que pode fascinar a mente de um adolescente.

Cantores populares voltaram-se para símbolos ocultos como valor de choque porque esgotaram as possibilidades do sexo. Eles não podem ir mais longe com a sugestão sexual, a menos que tenham sexo real no palco. A maioria procura em outro lugar por algo que vai gerar controvérsia, e o encontra no ocultismo. Isso é lamentável, já que os símbolos ocultos têm um significado mais profundo que é rebaixado por sua exploração. Mas ninguém deve supor que os artistas que abusam desses símbolos sabem o que estão fazendo, ou que esses indivíduos pertencem aos Illuminati ou a qualquer outra corrente oculta séria.

Nossos agradecimentos a Donald por seu artigo de convidado! Visite a página do autor de Donald Tyson para obter mais informações, incluindo artigos e seus livros.

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Fonte:Occult Symbols in Pop Music, by Donald Tyson.

COPYRIGHT (2014) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/simbolos-do-ocultismo-na-musica-pop/

A Construção de Companheiros Humanos Artificiais

Anton Szandor Lavey

Os meios pelos quais um humanoide pode ser construído são tão diversos quanto à escolha de materiais que permitirão tal feito. No passado, os seres humanos artificiais eram formados a partir de metais, as seções do corpo unidas como em uma armadura, ou então eram formados em tecido emborrachado ou em borracha real esticada sobre uma estrutura esquelética, com o mecanismo de acionamento do robô contido em seu interior.

O androide mais rudimentar precisava ser nada mais do que um substituto visualmente e palpavelmente convincente. Não há nada de errado com isso já que o apelo principal do humano ide reside na aproximação do comprador com sua “outra metade”. Como sua natureza era de nos fazer cair em “amor à primeira vista,” o que era visto com entusiasmo seria entusiasticamente melhor aceito. Companheiros artificiais que são agradavelmente ouvidos, cheirados e sentidos também constitu em pontos de venda positivos. Porém , é necessário que um companheiro artificial pareça certo ao seu comprador, isso é de primordial importância.

Em uma nova indústria estas coisas não possuem necessidade imediata de obsolescência planejada, já que a oportunidade de melhoria constante permanece como uma condição fresca e inexplorada. Quanto mais à concorrência entre as fábricas de produção de humanoides se desenvolvem, maior será a elaboração e a complexidade do androide .

Inicialmente, haverá alguma relutância em admitir o uso de androides, especialmente por parte das pessoas que mais precisam deles. Daí deve ser considerado o desenvolvimento inicial de humanoides. Apesar dos anúncios que se veem na televisão de bonecas infláveis realmente grotescas que acompanham cavalheiros em festas de piscina, duvida-se que os egos dos compradores desses anúncios tenham concretizado um nível de indiferença pública, brincalhões são a exceção. Muitos androides primeiramente serão relegados para a gaveta da cômoda, para as sapateiras ou para um espaço sob a bancada da garagem quando não estiver em em uso, somente trazidos para fora quando “ o caminho estiver livre ” e ninguém estiver vendo.

Antes de embarcar no projeto de construção de um humanoide, deve-se considerar as exigências do fabricante, as necessidades de sigilo, o talento e os materiais disponíveis. Se você quer companhia de natureza puramente visual, podem ser utilizadas técnicas empregadas por escultores modernos . Os valores podem ser esculpidos em madeira, blocos de isopor devidamente colados ou lançar moldes nas muitas variedades de plástico disponíveis. Se você escolher esse método, há vários livros excelentes no mercado que fornecem instrução sobre esculpir figuras em madeira e esculturas com várias resinas de plástico ou fibra de vidro. Papel machê, gesso e outros métodos são facilmente aprendidos. A principal desvantagem de fazer o seu androide a partir de tais materiais é a falta de maleabilidade e maciez, além de uma notável limitação de movimentos do corpo. Na pior das hipóteses, você vai gastar uma grande parte do seu tempo em uma criatura que será, essencialmente, um manequim para exposição quando concluído.

Se suas necessidades são em grande parte como voyeur, você vai economizar muito tempo obtendo um manequim descartado ou danificado em lojas para usar como base sobre aquele que você irá construir. Manequins são geralmente fundidos a partir de pessoas vivas, mas é improvável que você irá encontrar um corpo ideal para suas demandas estéticas. A maioria possui um a camada extremamente fina de modo que a roupa se encaixe melhor para a exibição nas vitrines , e muitos são anormalmente alongados no tronco, pernas, braços e pescoço. Manequins masculinos são, invariavelmente, mais finos do que o normal para facilitar o lojista quando vesti-los. Rostos das mulheres tendem a ser aquilinos ou estéreis, e os dos homens são extremamente sem-graça. Nenhuma loja quer uma mulher com rosto sedutor ou um homem com cara de obrigação em sua janela diminuindo a beleza da roupa pendurada em cima deles. A menos que o seu gosto vá para mulheres que só comem vagens e homens magros como placas, você terá que modificar qualquer manequim.

Apesar de um manequim ser uma base adequada para seu humanoide , seus movimentos são normalmente limitados quanto ao rearranjo de braços e mãos. Descobri para as partes que são intercambiáveis (braços, mãos, as metades superior e inferior do corpo), peças que aumentam sua flexibilidade de posicionamento. Meus primeiros humanoides foram construídos a partir de manequins que eu seccionei, separando os pedaços de pernas, braços, pescoço e torso, e envolvendo – os com fibra de vidro ou elástico , em seguida, adicionando um composto de resina e talco sobre áreas construídas com diversos materiais. Desta forma eu criei algumas pessoas grotescas e belas – assim com o são as pessoas reais.

Se você pretende limitar seu humanoide artificial como um companheiro puramente visual , não importa quão pedregosa seja sua superfície. Ele pode ser pintado, dependendo da sua habilidade, de maneira tão realista quanto qualquer ser vivo possa parecer.

Se você quer apertar a mão de sua criação ou dar-lhe um pequeno aperto, no entanto, é melhor você ter uma imaginação altamente desenvolvida ou sua bolha irá estourar . Flexibilidade e realismo táteis são evidentes através de melhorias na rigidez. Existem três métodos básicos que tenho empregado para atingir estes fins: a pele cheia de ar, uma pele com enchimento e uma substância moldada que é suave ao toque.

Vamos considerar o tipo difundido por empresas de sex-shops apresentando anúncios do que parecem ser criaturas extremamente glamorosas . O comprador animadamente abre o seu pacote para descobrir um vinil fino (PVC, não BVD) com vestido, calcinha rosa, e com uma máscara dura ligada ao seu topo. Ele , tremendo , retira o maiô de plástico da boneca e encontra uma válvula onde passa a soprar para enchê-la, até ficar tonto e sem ar . E ele é recompensado com uma glamorosa menina hidrocefálica e esquálida . Qualquer semelhança com uma donzela voluptuosa é puramente mental. Alguns modelos esportistas oferecem um orifício vaginal (do diâmetro de um relógio de bolso) entre as coxas , e algumas “ melhorias ” entre outras.

Se quiser fazer seu próprio companheiro inflável você pode fazer um trabalho melhor, cortando folhas de vinil em partes e soldando eletricamente as costuras no local desejado. Par a obter um valor razoável, fixe o vinil em um modelo vivo da maneira que uma costureira marca no modelo onde as costuras e articulações serão. Remova os pinos (certifique-se que eles estão fora das linhas que você marcou ) e corte-o, de seguida soldando o vinil. As áreas mais problemáticas neste tipo de construção são a cabeça, mãos e pés. A cabeça e pescoço devem ser construídos separadamente e, em seguida, montados de forma perfeita , em especial na abertura da garganta da pele de vinil , e colado com uma cola especial de cimento plástico para assegurar uma vedação que estanque completamente o ar. Se você tentar fazer a cabeça pelo mesmo método que o resto da figura, ela vai parecer ou hidro ou microcefálica .

O mesmo com as mãos e pés. Eles não devem se assemelhar à presuntos de piquenique ou pequenas nadadeiras. Pare a construção nos pulsos e tornozelos e insira tornozelos rígidos e pés, além de mãos separadas , juntando-as nos pulsos. Estes podem ser moldados a partir de uma pessoa viva ou através de um manequim. Vede as articulações, como você fez com o pescoço. Se você tiver cuidado, as articulações serão quase imperceptíveis, já que as folhas de vinil são extremamente finas . Em um lugar conveniente (eu prefiro a parte de trás do pescoço, já que uma peruca vai cobri-lo) coloque a válvula utilizada para a inflação ou através de solda elétrica ou cimento plástico usado para reparar brinquedos de praia. Qualquer departamento de brinquedos irá produzir um brinquedo inflável barato no qual a válvula pode ser facilmente removida, e assim você poderá arranjar válvulas facilmente em brinquedos como estes.

Não desanime se suas primeiras tentativas não cumprir em com as suas expectativas, pois a experimentação e a inovação serão os seus melhores professores. A principal desvantagem do androide inflável é a sua incapacidade de permanecer em qualquer posição fixa, devido à distribuição igual de ar dentro dele . O corpo humano é constituído por diversos graus de densidade e de tónus musculares , para não mencionar um quadro engenhoso conhecido como o esqueleto. Tendões seguram membros e superfícies, assim o peso é distribuído adequadamente para as ações humanas.

O seguinte método de construção com uma pele preenchida com enchimento permite alguns destes fatores. Sua principal desvantagem é a dificuldade de ocultação . Uma boneca inflável pode ser armazenada em uma pequena caixa, gaveta ou levada em uma sacola de compras até onde seja necessário – um atributo que falta às pessoas reais . Uma figura “ recheada ” ocupa tanto espaço quanto um ser humano genuíno.

Ao contrário do tipo de manequim com superfície rígida, este que você poderá fazer é flexível o suficiente par a comprimi – lo um pouco, mas ainda assim deve ser considerado se você está preocupado com as instalações de armazenamento ou não. Um androide enchido pode ser construído com ou sem um esqueleto, embora uma estrutura interna vá elimi nar a problemática da aparência pouco natural inerente a um produto inflado.

Um esqueleto de base pode ser construído a partir de cavilhas ou de metal , ou também através de um tubo de plástico. Juntas de quadris, cotovelos, joelhos, etc, podem ser formados por rasgos e fixações ou com articulações comercialmente disponíveis . Dois ganchos para a aproximação dos ombros e para a região pélvica podem ser cortados a partir da madeira, a partir do qual os braços e as pernas estarão suspensos. Técnicas de construção de Marionetes são de valor inestimável e deve m ser estudada s da maneira que se estuda a anatomia humana. Descobri que o substituto mais facilmente obtido e eficiente para a coluna vertebral é um comprimento de tubagem flexível, tal como é utilizado para candeeiros ou cabos eléctricos. Uma das extremidades é fixada à placa pélvis e o topo final passa pela placa do ombro direito para dentro da cabeça. Assim, o torso e a cabeça podem ser posicionados em qualquer forma desejada.

A pele exterior pode ser de qualquer tipo de material que possa ser cosido ou colado, como folhas de vinil eletricamente soldadas . No vinil , porém, falta a resiliência da pele humana que as folhas de borracha ou tecido s elásticos proporcionam. Corte o padrão para a parte superior do tronco separado do tronco e das pernas inferiores. Tal como acontece com a boneca inflável, esqueça a cabeça e as mãos até mais tarde, uma vez que esta s podem ser áreas problemáticas. Feche o pescoço e os pulsos com uma extensão que será adicionada a cabeça e às mãos. Tal como acontece com humano ides infláveis, eu descobri que é melhor inserir pés e tornozelos pré – formados rígidos.

Ao construir uma figura de pelúcia, isso deve á ser feito antes do enchimento ser inserido, empurrando os pés que estão ligados às extremidades dos “ossos” dentro da pele exterior que foi formada , sendo esta muito parecida com os pés dormentes das crianças. Eu tenho usado um zíper (ou velcro) para prender as duas secções do corpo, mantendo – a juntas na cintura. Este método não só permite que seja inserido com uma maior facilidade o enchimento em ambas as seções, fechando o zíper gradualmente até que modele bem , mas fornece acesso às entranhas de sua criação, se você desejar adicionar vários “órgãos”, ou algo menos sofisticado. É impressionante o que pode ser feito usando um pouco de criatividade.

Faces podem ser modeladas a partir de pessoas vivas usando procedimentos estabelecidos pela técnica de moulage . A máscara de látex flexível pode ser atada a uma cabeça sem rosto, a peruca escondendo qualquer amarra . Assim, se você está cansado de um rosto ou expressão básico demais , você pode simplesmente substituí – lo por outro com a mesma facilidade como amarrar os sapatos. Se o seu homem ideal ou a mulher ideal não está disponível para fundição, esculpa – o em argila, fazendo um molde e não precisará procurar mais. Perucas podem ser presas à cabeça com fita adesiva dupla – face ou velcro.

Plásticos, que sã o altamente tóxicos, são trabalhados por um amado r com instalações de ventilação e podem ser empregado s em condições industriais. No entanto, a espuma de poliuretano flexível com célula aberta ou fechada é facilmente disponível em folha o u em bloco e pode ser empregada como forma realista da “carne”. E nrole a armadura ou o esqueleto com ele ou com blocos laminados inteiros , e esculpa o molde com uma faca elétrica. Ao corpo acabado pode ser dado uma “pele” de PVC aplicada com fita dupla – face ou recoberto com um órgão de preenchimento adequado.

A eletrônica pode ser facilmente incorporada . Mecanismos de voz não são nenhum desafio. Eu escondi em meus humanoides pequenos gravadores na cabeça, com a abertura do alto – falante sob a peruca. Cassetes pré – gravado s inseridos numa ranhura sob a linha fina proporcionam um efeito audível convincente. Os odores associados com os seres humanos são simples de se fornecer, usando perfumes, colônias ou algo pior.

E todo o congresso de pênis, vulvas, vaginas, saco escrotal, seios, mamilos, etc, podem ser encontrados em qualquer loja de artigos sexuais ou catálogos das mesmas . Com poucas exceções, todos esses objetos são sem corpos . Vamos juntá-los para as formas humanas a que pertencem.

Tenho grande respeito por aqueles pioneiros que fizeram seus próprios companheiros humanos artificiais não importando o quão difícil inicialmente pareceu ser . Eles percorreram um pequeno passo e chegaram o mais perto possível de brincar de ser Deus e criar o homem ou a mulher de acordo com sua imagem deseja da. Com uma saída criativa envolta em tabus antigos como esta, a inovação pode agora correr desenfreada – no ritmo de novas artes de modelagem humana que vê m a ser conhecidas.

O mundo crepuscular e bizarro do ventríloquo, o boneco e seu mestre, talvez possa ser entendido melhor por outras pessoas do que pelas mentes dos psicólogos. O elemento esquizoide aceitável em todos nós – aquele que seleciona nossos companheiros – tem um portal fresco, novo e aberto a se cruzar . Através de substitutos , a raça humana sobreviverá .

Anton Lavey. Excerto de “Devil’ s Notebook ”, 1992 – Tradução: Nathalia Claro

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-construcao-de-companheiros-humanos-artificiais/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-construcao-de-companheiros-humanos-artificiais/

Como se tornar uma Súcubo e atacar um homem enquanto ele dorme

Texto Anton LaVey, trecho de Satanic Witch

Uma súcubo é um demônio feminino que visita os homens durante a noite enquanto eles estão dormindo para ter com eles relações sexuais. Um homem sabe que foi atacado por um súcubo quando acorda pela manhã e noite e seu calção está repleto de sêmen seco. É muito provável que ele passe o dia seguinte cheio de pensamentos lascivos em sua mente, geralmente com a mulher cuja aparência é a mesma da  súcubo que o atacou.

Se ele é um “bom homem”, santo e casto, ele não vai deixar isso passar batido. Vai procurar o seu padre para contar sua experiência no pesadelo e pode até levar seu pijama endurecido como prova. Ele vai descrever o sonho que teve com a visita monstruosa e lembrar com toda sua capacidade dos detalhes deste encontro. O padre, um homem sábio, vai entender, ele sabe que esse mal existe e já ouviu muitas histórias parecidas e inspecinou muitos calções incrustados de sêmem. O fato de que muitas dos demônios descritos para ele correspondem aos rostos e corpos de algumas das mulheres da cidade não lhe passa apercebido. Algo deveria ser feito a respeito.

Houve muito barulho quanto a isso séculos atrás. Hoje, finalmente, é seguro se tornar uma súcobo e entrar nos sonhos do homem que você deseja. Tudo que você precisa é uma imagem mental indelével de seus atributos físicos, um desejo ardente, um lugar para trabalhar, e alguma ajuda de outros homens!

Escolha um momento em que ele já esteja dormindo por pelo menos quatro horas. Exercite sua sensualidade saindo mais cedo de forma a excitar os outros homens, mesmo que apenas visualmente, empregando a Lei do Proibido e as Virtudes de Constrangimento. Não dependa apenas do desejo para com o homem, por forte que seja ele  não é o suficiente. É importante que você gere o desejo da energia sexual de outros homens, pois eles fornecerão facilmente a você através de suas fantasias sexuais esta noite, dando o equilíbrio adequado para fechar o círcuito de energia magica necessária.

Entre em sua câmara ritual na hora prescrita e comece a se masturbar. Se você conseguir forçar sua imagem mental no exato momento do clímax é altamente provável que ele receberá a sua visita. Agora, se um homem estiver se masturbando com sua imagem em mente ou se a pessoa que estiver tendo relação com você e também chegar ao climax enquanto você estiver visualizando o objeto do seu desejo, então pode ter certeza que conseguiu visitar sua mente enquanto ele dorme.

Se quiser, pode adicionar alguns encantamentos ou queimar um incenso ou velas para fazer o seu encantamento mais “magico”. Mulheres são em geral românticas e bruxas são, afinal de contas, mulheres, por isso estes acessórios serão sempre muito populares. Em termos de apetrechos, tudo o que faz você se sentir como uma bruxa, lançando um poderoso feitiço, vai fazer a sua magia mais forte. Se o homem que você visitou não vier até você, isso é  só porque ele precisa ser evocado e não porque você já não esteja em sua mente.

Como uma súcobo, a finalidade do seu trabalho é o de entrar em sua mente e corpo enquanto ele dorme, embora tais coisas freqüentemente tirem o sono e faça-o durante o dia sonhar acordado com um nó em seu plexo solar. Depois de ter visitado ele desta maneira e invadir a sua mente, tudo o que você precisa fazer é evocá-lo.

A razão de um feitiço de luxúria falhar para bruxas despreparadas é porque a vítima não foi amaciada corretamente, antes do ritual, que é na verdade uma espécie de evocação. Para esta evocação, muitos rituais podem ser empregadas. Aqui está um exemplo: Poucos dias após a sua visita como  súcubo ou logo no dia seguinte se você estiver ansiosa, realize o ritual, conforme descrito no capítulo sobre “Sex Magic.” (The Satanic Witch). Olhe-se no espelho e se estimule, mas ao invés de conceber a excitação que busca no homem que visitou, fique de frente e imagine a si mesma como sendo o homem que você deseja evocar e conversar no espelho. Conforme ele se apresenta em seu corpo, ele ouve você comanda-lo a vir até você. Torne o momento tão convincente quanto você puder, usando o mesmo procedimento e atingindo seu clímax como você faria se estivesse praticando este ritual como um “reforço” ao invés de uma evocação.

Execute os rituais de súcubo e evocação quantas vezes você desejar. Se perseverar seu “amante dos sonhos” se tornará uma realidade física. Mas ao menos que você conheça a magia menor você não tem nenhum direito se sua evocação durar menos do que gostaria. Lembre-se sempre que existe muito mais mágica na bruxaria do que aquele que acontece durante as cerimônias.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/como-se-tornar-uma-sucubo-e-atacar-um-homem-enquanto-ele-dorme/ […]

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Hércules e o Cinturão de Hipólita

A missão do herói era conseguir o cinturão da rainha das amazonas, mulheres conhecidas por sua bravura. Mas não poderia obtê-lo pela força: precisaria ganhá-lo conquistando o coração da guerreira. Esse trabalho fala sobre a importância de construirmos laços afetivos duradouros. Ensina que a arte de conquistar uma pessoa não se faz pela força nem criando ilusões e falsas aparências, mas pelo respeito ao outro e pela coragem de mostrar quem verdadeiramente somos.

Mitologia

Este trabalho leva Hércules até às praias onde vivia a grande rainha, que reinava sobre todas as mulheres do mundo conhecido. Elas eram suas vassalas e guerreiras ousadas. Nesse reino não havia homens, só as mulheres reunidas em torno da sua rainha, Hipólita.

A ela pertencia o cinturão que lhe fora dado por Vénus, a rainha do Amor. Aquele cinturão era um símbolo da unidade conquistada através da luta, do conflito, da aspiração, da maternidade e da sagrada Criança para quem toda a vida humana está verdadeiramente voltada.

“Ouvi dizer”, disse Hipólita às guerreiras, “que está a caminho um guerreiro cujo nome é Hércules, um filho do homem e no entanto um filho de Deus; a ele eu devo entregar este cinturão que eu uso. Deverei obedecer a ordem, oh Amazonas, ou deveremos combater a palavra de Deus?” Enquanto as Amazonas reflectiam sobre o problema, foi passada uma informação, dizendo que ele se havia adiantado e estava lá, esperando para tomar o sagrado cinturão da rainha guerreira.

Hipólita dirigiu-se ao encontro de Hércules. Ele lutou com ela, combateu-a, e não ouviu as palavras sensatas que ela procurava dizer. Arrancou-lhe o cinturão, somente para deparar-se com as mãos dela estendidas e lhe oferecendo a dádiva, oferecendo o símbolo da unidade e amor, de sacríficio e fé.

Entretanto, tomando-o, ele, matou quem lhe dera o que ele exigira. E enquanto estava ao lado da rainha agonizante, consternado pelo que fizera, ele ouviu a voz do mestre que dizia: “Meu filho, por que matar aquilo que é necessário, próximo e caro? Por que matar a quem você ama, a doadora das boas dádivas, guardiã do que é possível? Por que matar a mãe da Criança sagrada?

Novamente registamos um fracasso. Novamente você não compreendeu. Ou redimirá este momento, ou não mais verá a minha face.”

Hércules partiu em silêncio deixando as mulheres lamentando a perda da liderança e do amor. Quando ele chegou às costas do grande mar, perto da praia rochosa, ele viu um monstro das profundezas trazendo presa em suas mandíbulas a pobre Hesione. Os seus gritos e suspiros elevavam-se aos céus e feriram os ouvidos de Hércules, perdido em remorsos e sem saber que caminho seguir. Dirigiu-se prontamente em sua ajuda quando ela desapareceu nas cavernosas entranhas da serpente marinha.

Esquecendo-se de si mesmo, Hércules nadou até o monstro e desceu até o fundo do seu estômago onde encontrou Hesione. Com a sua mão esquerda ele agarrou-a e segurou-a junto a si, enquanto com a sua espada se esforçou para abrir caminho para fora do ventre da serpente até a luz do dia. E assim ele salvou-a, equilibrando seu feito anterior de morte.

Pois assim é a vida: um ato de morte, um ato de vida, e assim os filhos dos homens, que são filhos de Deus, aprendem a sabedoria, o equilíbrio e o caminho para andar com Deus.

Simbologia

Este trabalho está associado à Virgem, signo onde a consciência de Cristo é concebida e nutrida através do período de gestação até que por fim em Peixes, o signo oposto, o salvador mundial nasce.

Note-se que nos dois Trabalhos onde Hércules vence, na verdade, são os dois onde ele se saiu mal justamente com os seus opostos, femininos (as éguas bravias e a rainha das Amazonas).

Assim a guerra entre os sexos é de origem antiga, na verdade, está inerente na dualidade da humanidade. O Leão é o rei dos animais. Nele alcançamos a personalidade integrada; mas em Virgem é dado o primeiro passo para a espiritualidade, a alma é chamada de filho da mente, e Virgem é regida por Mercúrio, que leva a energia da mente.

É em virgem que, o mau uso da matéria representa o maior erro de toda a peregrinação de Hércules: atentar contra o Espírito Santo; quando ele não compreendeu que a rainha das Amazonas devia ser redimida pela unidade, e não morta, e foi aí que ele sentiu a dor do signo de Peixes, diante do sofrimento humano provocado pela violência e pela agressividade, criada muitas vezes pela falta de diálogo ou até mesmo de compreensão.

O cinto é o símbolo da união e do amor, e ele mata quem lho quisera entregar por amor a Deus. Aqui o herói é abatido pela depressão e pena que sente de si mesmo, característica de Peixes.

Ao salvar Hesione da boca do monstro, Hércules compreende que tudo o que se faz, se reflecte no universo eternamente, e que para que o ser pare de sofrer, deve compreender que a dor é uma forma de redenção e aprendizagem que nos conduz ao crescimento. Que a aceitação da imperfeição do mundo é um caminho para atingir a perfeição.

Enquanto nos martirizamos com a culpa do mal feito, não assumimos a responsabilidade dos erros, mas quando aceitamos esta responsabilidade, transformamos esta dor em atitude, fazemos o bem e libertamo-nos das amarras do sofrimento. É neste momento e com esta tomada de consciência que passamos do trabalho ao serviço à humanidade.

Caminho de Iniciação

Na Mitologia Esotérica, o Nono Trabalho de Hércules corresponde à conquista do Cinto de Ouro de Hipólita – a Raimnha das Amazonas – viva alegoria do aspecto psíquico feminino oculto e mais delicado de nossa íntima natureza.

Durante este trabalho, o Iniciado é atacado naquilo que ele tem de mais fraco: o sexo. As Amazonas, suscitadas por Hera (um dos aspectos de nossa Mãe Divina), assediam com seus encantos femininos o caminhante que adentra seus domínios; usam de todas as artimanhas da sedução para infligir fatal derrota ao nobre e valente guerreiro que está prestes a conquistar sua rainha com seu precioso cinto, uma vez que o cinto sem a rainha não possui nenhuma beleza…

Mas infeliz do Hércules que se deixa cair ou seduzir por essas beldades dotadas de beleza enfeitiçadora. Apoderar-se do Cinto de Hipólita consiste, justamente, em não se deixar seduzir ou cair sob o hipnotismo de tais provocações sexuais femininas; significa dominar totalmente os sentidos, a mente e as sensações físicas e psíquicas. O Hércules que tem total domínio sobre si acaba conquistando a Rainha das Amazonas, não pela força, mas pelo amor, pelo respeito e pela veneração ao Feminino Cósmico.

Netuno é o Senhor da Magia. Portanto, torna-se evidente que o inferno de Netuno é habitado pelos magos negros mais terríveis e pela magas tenebrosas de beleza fatal e maligna.

Durante este Trabalho, o alegórico Castelo do tenebroso Klingsor, autêntico templo de magia negra, deve ser totalmente destruído. Quando o castelo cair em pedaços, o Iniciado, vencedor da terrível batalha contra si mesmo, ganha o direito de ingressar no Céu do Senhor Netuno, o Empíreo, a região dos Serafins, criaturas do amor e expressões diretas da Unidade Divina.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A9rcules-e-o-cintur%C3%A3o-de-hip%C3%B3lita