Sangue, Necessidade e a Casa da Noite

Encontramos o termo ‘bruxaria’ utilizado como uma referência aos hábitos pagãos, ao naturalismo e uma série de práticas de tom mais sombrio. Em todas as suas variações, a idéia da bruxaria é diluída, enriquecida e amputada pela diversidade de práticas e inclinações que buscam este rótulo. Pode ser por isso que a que a arte das bruxas pode ser tomada por qualquer pessoa, assim como qualquer um pode se educar sobre um comércio ou arte através de alguns livros. Há outros que enveredam nos terrenos dos selvagens e há outros, por propósito ou acidente, que são reconhecidos como ‘o outro’ por um dos seus pares.

Ninguém pode ser o juiz de nada disso levado por sua própria crença, pode-se, entretanto, dizer algo sobre sua natureza. Para mim, minha percepção da Arte Tradicional vem se desenvolvendo ao longo de quase duas décadas agora, onde tenho sido abençoado em encontrar peregrinos e mestres de uma variedade de convicções que eu definiria como o Ofício dos Sábios investido na ascendência tradicional. Como muitos, tomei conhecimento do termo ‘bruxaria tradicional’ através das cartas e escritos de Robert Cochrane, e minha busca foi recompensada ao encontrar uma hoste de praticantes da arte maravilhosos, onde a consangüinidade foi mutuamente reconhecida. 

As artes e ofícios da bruxa são muitas vezes relacionados à transgressão, contudo, do tipo de transgressão e práticas que honram a natureza e desafiam a  ordem social profana em favor da verdade. Verdade — aquela incômoda palavra! Pois a verdade não está relacionada com fatos e evidências, mas com a imanência da fonte — por esta razão, podemos dizer que o ‘feiticeiro’ lida com a fonte e a bruxa transforma os trabalhos sobre a fonte em um ofício. Isto é verdade — a verdade é um estado ativo do ser. Em um mundo que ama o engano mais do que a verdade, naturalmente aqueles que defendem isto se arriscam a  serem vilipendiados e tornam-se alvo de ódio e desconfiança.

Então talvez seja correto assumir que ofício da bruxa possa ser definido como ‘possuir o conhecimento natural e oculto’, o que torna alguém apto a manipular ou apaziguar os espíritos da natureza, e fazer com que a alma do mundo seja favorável. Se assim for, muitos podem se declarar praticantes de bruxaria pela virtude feiticeira ou conhecimento íntimo do ofício de encantamentos e meios simpáticos para alcançar determinados objetivos. Naturalmente quando o conhecimento considerado oculto é revelado em divinação e pelos meios da astrologia clássica, ele pode causar suspeita — e do mesmo modo o murmurar de encantamentos que torcem e refinam uma corrente natural e desfavorável em uma favorável e gratificante.

O sábio que encanta uma verruga para desaparecer, o astrólogo que faz uma eleição e cria um talismã para determinado propósito, ou o andarilho solitário que abençoa o útero estéril para que dê luz a uma criança são praticantes da superabundância do Ofício. Poderíamos concordar que estas variedades da arte podem ser consideradas como ‘bruxaria’ no mesmo nível em que a ‘venefica’ (originalmente ‘trabalhos venerados’, que mais tarde foram associados com ‘envenenamento’) e ‘malefica’ (práticas negativas) estavam sujeitas à condenação pelo o Tribunal da Inquisição. O Ofício em si é, em última instância, os conhecimentos relacionados à ‘mão que amaldiçoa’ e à ‘mão que concede’. Também deve ser observado que há uma tendência em separar a bruxa benigna da bruxa malévola. Ginzburg descreve bem como a balança do mundo é mantida pela batalha entre os benadanti, que abençoam o mundo, e os maladante, que amaldiçoam o mundo. É o mesmo poder e segredos que são manipulados, mas por um é para benefício da comunidade e pelo outro para o detrimento do bem-estar comum. Assim, este ícone da bruxa como uma envenenadora e personificação da possível perversidade — sendo uma constante ameaça à ordem social — é, de fato, uma realidade que a bruxa abraça voluntariamente ou com relutância.

As acusações de bruxaria foram passadas às pessoas que eram acusadas de malefica, e também por agirem de formas que não estavam em conformidade com o que era considerado magia ‘lícita’. Magia lícita era, em maior parte, o trabalho simpático e com ervas, plantas e raízes, geralmente feitos por um clérigo, e daí aqueles que se envolviam com isso e estavam fora dos confinamentos eclesiásticos ou reais, e corriam risco de ser condenados por maléfica. Isso  mesmo se o trabalho fosse realizado com bons propósitos. Desde a Idade Média e até a maturidade da Idade Moderna, a ‘bruxaria’ passou por muitas fases de entendimento, mas sempre contendo algo perverso, misterioso e estranho. A palavra ‘bruxa’ se tornou tão problemática que os praticantes da Arte Tradicional muitas vezes aceitam o rótulo, só para escapar dele, como no caso de Robert Cochrane, que se limitou a aceitar o rótulo enquanto manteve um tipo de significado, embora não definisse a si como um bruxo. Para Cochrane, este desconforto com o termo ‘bruxo’ era parcialmente causado por um grupo de Wiccanos denominado por ele de ‘Gardnerianos’, que também se consideravam ‘bruxos’. Deixarei esta questão e apenas mencionar que Gerald Gardner — como demonstrado em pesquisas recentes por Philip Heselton — provavelmente obteve uma introdução tradicional em uma linhagem de bruxos tradicionais. Mas ele também queria fazer a transmissão e o conhecimento que ele recebeu como dele próprio. Para Gardner isso significava transformar a bruxaria em um sistema ritualístico mediado por uma guarnição maçônica polvilhada com alguns elementos crowleyanos e Rosacrucianos. Nada de errado nisso, mas ao fazer isso ele também se tornava o pai da religião da fertilidade moderna que vemos na Wicca hoje. Isso pode ser visto como uma transgressão em seu próprio direito, uma vez que assumiu aspectos dogmáticos distintos que são incomuns para as crenças daqueles que se definem como ‘bruxos tradicionais’ que conheço.

A idéia do sangue-bruxo/élfico é um tema constante, e de fato a questão do sangue é exatamente o que põe a bruxa à parte de um sábio ou um feiticeiro — uma linhagem secreta que vive desde tempos esquecidos, onde tudo era mistério, onde os mundos visível e invisível eram livres do véu. Possuir o sangue ou não é uma questão que às vezes é visto como provocativo e causado por elitismo, mas isso não é assim. Trata-se de linhagem e pertencimento em relação à família e aos parentes. Ao longo do tempo, muitas destas famílias se dissolveram e foram fragmentadas, levando aqueles do sangue para se encontrarem novamente, apelando ao sangue da terra e encontrando o reavivamento de seu ardente sangue lá, em sua terra natal. Para outros, o ‘cunning meeting’ (encontro sábio) e os vínculos familiares intactos fizeram o reconhecimento e aceitação do sangue-élfico menos enigmático e seus mistérios mais claros do que é para muitos peregrinos solitários que caminham pelas florestas e montanhas seguindo os sussurros de uma silenciosa pulsação na alma dos mundos.

A Arte dos Sábios é diversa, mas diversificada em todos os pólos de sangue e terra. Isso significa que uma prática específica pode manifestar-se em uma miríade de variações mediadas pela terra, pelo sangue e pelo homem — e para aqueles de olhos aguçados, estes laços se tornam salientes e evidentes onde quer que sejam encontrados. É também de minha convicção que, mesmo se o sangue for esquecido, isso não significa que ele não esteja lá.

O ícone da Bruxa que temos hoje deve muito à ‘La Celestina’ de Fernando de Rojas e a ‘La sorcière’ de Jules Michelet. Em ‘La Celestina’ encontramos o apaixonado Calisto que procura ajuda da dona do bordel, Celestina, para dominar o objeto de desejo com poções e feitiços, pintando uma imagem da bruxa sedutora e perigosa, tal como uma sereia da libertinagem possuidora da sabedoria proibida, espelhando Circe. Michelet segue essa imagem de muitas maneiras, mas dentro das anotações históricas e explicações, ele permite que a bruxa surja. Uma realidade poética — um conto de fadas encarnado — e talvez seja este ícone poético que colore nossa percepção da bruxa mais do que qualquer outro conto. Vejo Julio Caro Baroja e Carlo Ginzburg aperfeiçoarem este ícone. Também gostaria de colocar Emma Wilby e Gustav Henningsen nesta sucessão de pesquisa, pois eles alargaram o escopo de seus estudos e trouxeram mais nuances no estudo da bruxaria.

Como mencionado, Michelet argumentou que a bruxaria ocorreu como uma rebelião contra o sistema feudal e o abuso clerical na Idade Média, em outras palavras, como um contra-movimento ao abuso clerical e político. Ele se equivocou como a pesquisa de Keith Thomas e Eva Pocs demonstrou. Parece que a ‘feitiçaria’ que ele tem como foco para sua apresentação se desenvolveu dentro das paredes eclesiásticas da Igreja e dos monastérios. É possível sugerir que os clérigos e frades na verdade entraram no santo ofício com esta sabedoria ou simplesmente fizeram uso destas habilidades e encantamentos que aprenderam com os moradores da zona rural. Isso também pode ser assumido pelas idéias sobre Missa Negra e o Sabbath das Bruxas serem a mesma coisa, segundo Michelet e outros que o acompanharam. O Sabbath das Bruxas é o principal motivo que encontramos entre o povo basco e deste modo reconhecido pelas bruxas de outros lugares no mundo familiarizadas com o congresso do espírito. Pode ser que a Missa Negra seja uma corrupção deste Sabbath ou Aquelarre das Bruxas, dada a forma e significado profanos. Pelo o menos as ocorrências das Missas Negras e as investigações sobre o Sabbath das Bruxas coincidem ao longo da mesma linha de tempo e geografia. O precedente histórico das Missas Negras, no entanto, é largamente apresentado nos escândalos em torno os conventos das Ursulinas em Loudon e Aix-en-Provence, onde possessões diabólicas e matrimônios com demônios foram realizados em estilo orgiástico condizente com o imaginário popular das Missas Negras e continuados pelo abade Etienne Guibourg (1610 -1686). Guibourg morreu na prisão, mas as Missas Negras ainda foram celebradas, de verdade ou por boatos, dentre o clero francês e germânico, o que conduziu à adoração orgiástica do monsenhor carmelita Eugene Vintras e seu sucessor, o abade Boullan. Boullan adotou a Missa Negra em trabalhos de natureza sexual e mágica de forma mais similar à feitiçaria do que celebrações para apaziguar a natureza e a noite. Podemos de fato questionar se estes clérigos eram do sangue ou não — não será possível dar uma resposta, apenas admitir ou negar… O terreno da Bruxaria Tradicional é, e talvez deva ser e permanecer um mistério?

A marca da ‘bruxa’ é que ele ou ela busca ‘o outro’ em lugares de poder — e eles são encontrados em todos os lugares, assim como os parentes da ‘bruxa’ dispersos por todo o mundo, e estas encruzilhadas são encontradas em todos os lugares. É aqui que onde entra a idéia da Bruxaria Tradicional; trata-se de uma conexão com a origem pela virtude de um sangue e descendência partilhada. Trata-se de família no sentido mais radical da palavra, como famulus — habitantes de um agregado familiar, sejam eles vivos ou desencarnados, simulando a idéia de um totem entre os índios norte-americanos. A Bruxa que é Tradicional terá tal parentesco e enquanto muitas destas famílias mantêm um selo da discrição buscando manter a sua quietude e silêncio, há alguns que possuem e ainda demonstram a atividade do famulus de forma que eles se mostram ao mundo, conscientes ou não — é sobre a alteridade que fala a partir do silêncio, onde a verdade perdura e se arrasta…

A maioria dos dicionários, como por exemplo, o Webster, definirá a bruxaria como ‘um poder mais que natural’, ‘o poder da influência’ ou ‘encantar as pessoas’ — daí encantamento, o poder de atar alguém ou algo pela utilização de ligações naturais ou atividade espiritual. Feitiçaria e bruxaria são muitas vezes palavras sinônimas e definidas como ‘a arte das bruxas’ — e assim é o congresso em sonho ou ‘orgia’ (em seu real significado Elísio; uma comunhão mágica dos sentidos) com espíritos, geralmente considerados maléficos — ainda que eles sejam, na verdade, os habitantes da Noite.

O cruzamento entre feitiçaria, bruxaria, tradição e culto é um assunto delicado e se torna cada vez mais estonteante se voltarmos nosso olhar para fora e ver, por exemplo, na Índia, onde hoje a bruxaria é sinônima de maldade e é tratada como uma ameaça à ordem social. Apesar disso a bruxaria, na verdade, pode ser vista como algo transmitido entre Kapalikas e as seitas tântricas de várias orientações com o foco em yathuvidah — ‘o conhecimento feiticeiro’. Seria mais preciso, talvez, rotular estes praticantes como um tipo semelhante à idéia das ‘Bruxas Tradicionais’ do Norte da Europa, pois eles possuem um darshana/samaya, ou doutrina tradicional sobre a qual proferem a sua arte mágica em companhia dos espíritos. Da mesma forma, o obscuro keshupherim judeu — aqueles que conhecem keshup (os trabalhos secretos da lua) são pessoas conduzidas aos mistérios pela virtude da intercessão dos antigos Rabbis e Rebbas que continuam a trabalhar a partir do outro lado e abrem o mundo da noite para o praticante. Estas pessoas podem ser consideradas ‘bruxas tradicionais’ ou elas são mais semelhantes aos feiticeiros que trabalham com os poderosos djinns? Se assim for, onde está a linha divisória entre a arte da bruxa e a bruxa em si? Até certo ponto trata-se da indução de um grupo que possui uma sucessão linear que jaz no conhecimento tradicional, o conhecimento variado em foco e escopo.

Se nos voltarmos à África Ocidental, a bruxaria é considerada um poder inato com o qual algumas pessoas nascem – um fogo caótico e eruptivo que deve ser temperado, mas que, a partir de uma perspectiva do povo ioruba — não deve ser combatido. Este poder bruxo (ajé) é encontrado entre mulheres que são chamadas para receber a iniciação à Senhora dos Pássaros da Noite, Iyami Osoronga. Estas mulheres fazem parte do conselho Ogboni — a sociedade dos sábios — e somente elas possuem o poder de coroar ou destronar um rei. É somente quando malefica é proferida com férvidas paixões e em um espírito de cólera e vingança que estas mulheres são entendidas como bruxas em uma forma negativa e perversa. Do ponto de vista de uma bruxa tradicional, isso pode ser visto como um reconhecimento da ‘alteridade’ que conduz à iniciação e indução aos mistérios. Além disso, há também o Imole Oso, ao qual é dada a forma de mago e é o espírito protetor de um culto secreto ligado vagamente ao Ogboni. Acesso ao culto é concedido pela divinação e somente alguns são chamados para ingressar — eles são, então, sujeitos a iniciação destes mistérios e devem fundir-se ao espírito de Oso — tornando-se o próprio Oso. Alguns destes — ou talvez todos — são possíveis candidatos ao rótulo de Bruxaria Tradicional quando seus adornos culturais são removidos?

O ponto de debate é que, quando você convoca o espírito e ele responde, quem pode negar a você esta conexão? Se você julgar esta conexão como a do sangue, repousa apenas em sua irrevogável convicção de ter encontrado o seu Self — e isso automaticamente causará uma humilde lembrança do que foi esquecido. Ao encontrar a si mesmo você pode encontrar família e parentes — ou não. Ao afirmar isto também estou ciente de que abro as portas — porém, também sei que a Verdade fala em Silêncio e, portanto, qualquer necessidade de verificação profana sobre a descoberta do próprio Self de alguém se transformará em poeira e ilusões arruinadas. O sangue reconhece o sangue, pois a iniciação, como tal, foi um pacto do passado… que pode ser encontrado e perdido repetidas vezes.

Podemos entender a Bruxaria Tradicional como uma realidade poética da noite e da natureza que, enquanto toma várias formas, concede forma à possibilidade do ‘outro’. A Bruxaria Tradicional é um conjunto de práticas nascidas da necessidade, terra e sangue. Ela é a arte do trabalho com seu próprio Destino e a arte de trabalhar com o limiar, o monte e morro para o benefício próprio. Este benefício pode ser limitado a uma necessidade imediata própria ou a de um grupo ou conclave de pessoas e suas necessidades. A bruxa, em um sentido tradicional, é alguém que é ciente de sua linhagem — o sangue característico que põe a bruxa à parte, como o outro.

Robert Cochrane afirmou que uma bruxa nunca é uma pagã, mas uma pagã pode ser uma bruxa, apontando ao erro em confundir paganismo e reconstruções pagãs com bruxaria tradicional propriamente. A distinção encontra-se na diferença entre reverência e adoração, e aquilo que é conhecido como dupla observância, que é bastante característico de várias vertentes de bruxaria tradicional. A dupla observância indica que a pessoa é capaz de ver o mesmo mistério agindo em várias manifestações culturais e é capaz de abarcar ambos — sendo mais salientes as bruxas que utilizam santos, bem como seus próprios famulus e guias espirituais para alcançar seus fins.

Por Nicholaj de Mattos Frisvold

Do original Blood, Need and the House of Night

Traduzido por Leonardo Martins

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sangue-necessidade-e-a-casa-da-noite

A Geometria Sagrada

Peter J. Carroll

A medida que a fé dava lugar a razão durante o Iluminismo os humanos começaram a deduzir as relações entre certos padrões matemáticos e a natureza. É claro que um certo gosto estético por simetria e proporção já existisse a milênios como testemunha a extraordinária precisão das Pirâmides, do Stonehenge e de toda a Arquitetura Clássica por exemplo. A escola platônica de filosofia teve uma forte compreensão intuitiva da ideia de que a geometria permeia a estrutura da natureza, embora confiasse muito na sua teoria e não o suficiente nas medições propriamente ditas.

Os sábios e arautos do Iluminismo escolheram seus símbolos com sutileza. Não fosse assim os conceitos do Arianismo (que via Cristo como não-divino, mas apenas como um ser humano iluminado) ou simplesmente Ateismo, teria tido muito mais problemas do que teve. Assim, eles adotaram uma posição que substituiu o louco e caprichoso Deus bíblico pelo Arquiteto do Universo, uma espécie bem mais razoável de criatura cujos trabalhos eram mais favoráveis a compreensão racional. Desta idéia se desenvolveu a Maçonaria para promover os ideais iluministas sob vários graus de sigilo e ofuscamento dependendo das circunstâncias. Originalmente havia nela fortes correntes anti-monárquicas e anti-clericais (particularmente Anti-católicas) , mas esta tendência mudou com o tempo. Tornou-se um tanto supérflua a partir da ascensão da Ciência no mundo ocidentalizado, desde então tornou-se um mero clube social, as vezes um um pouco corrupto.

Curiosamente, assim que o Iluminismo começou a Geometria foi substituída pela Álgebra. Mas Álgebra pode ser entendida como Geometria sem os diagramas o que lhe dá liberdade de fazer geometria para quantas dimensões você quiser. Os antigos Egípcios parecem terem conhecido o teorema de Pitágoras na medida em que eles podiam construir um ângulo reto estendendo uma corda com nós para fazer um triângulo na proporção de 5x4x3. No entanto foram necessários os Gregos para descobrir que o quadrado da hipotenusa é igual ao quadrado dos outros dois lados de qualquer triângulo retângulo. Surpreendentemente Issac Newton, uma das maiores figuras do iluminismo descobriu que o movimento planetário funciona completamente segundo a geometria, usando medidas cuidadosamente recolhidas e estudando seus terrivelmente complicados diagramas ele destilou todas estas informações e uma elegante forma algébrica F = Gm1m2/r^2. Apesar da notação algébrica esta continua a ser, como todas as equações algébricas, uma relação essencialmente geométrica.

Hoje quando a mente moderna olha paras as maravilhas da arquitetura e dos simbolos do mundo antigo, ela discerne dentro de pelo menos alguns deles uma codificação geométrica para muitos dos fenômenos do mundo natural. Alguns possuem alinhamentos precisos com eventos celestes, outros porporções curiosas como a Medida Áurea que reflete as relações geométricas que ocorrem naturalmente nas formas biológicas e em símbolos como o pentagrama e a espiral.

Talvez nós não devessemos ficar muito animados com estas relações sagradas ou secretas e deixar a nossa apofenia correr solta. Afinal, parece que, assim como somos macacos fazedores de ferramentas e macacos sociais que falam, nós também temos uma carreira evolutiva como macacos reconhecedores de padrões.

Entretanto vamos continuar com nossos conceitos de geometria sagrada por enquanto para ver até onde chegamos, pois tantas vezes no passado o ocultismo abriu as portas por onde a ciência passou.

Uma geometria realmente sagrada deveria nos mostrar as proporções e relações inerentes a todo macrocosmo e microcosmo, a verdadeira substancia do universo.

Pode tal coisa existir?

Eu suspeito fortemente que sim, e nós já temos uma boa parte dela pronta, embora não a reconheçamos como tal. Boa parte dela aparece hoje como álgebra em vez de geometria; entretanto a álgebra reflete basicamente a estrutura geométrica da realidade.

Tentativas anteriores de extrair do microcosmo e do macrocosmo uma geometria sagrada, tal como foi a Árvore da Vida cabalistica ou o pensamento de Ramon Lull (autor do Liber Chaos original!) sofrem pela falta de bons dados de observacionais e de contaminação com panacéias teológicas.

Dados macrocosmicos começam com Newton e se expandem magnificamente com Einstein.

Einstein desenvolveu as bases das relações geométricas entre tempo e espaço, e entre massa e energia, e apresentado como a resultado o que ele chamou de Teoria Especial da Relatividade. Estes fundamentos existem basicamente como relações geométricas entre um fenômeno e outro.

Em seguida, ele foi além e desenvolveu a relatividade geral para incluir os efeitos da aceleração e da gravidade. A Relatividade Geral descreve o macrocosmo em termos exclusivamente geométricos:

Espaço / Curvatura do tempo = Massa / densidade da energia

Assim o que percebemos como matéria na verdade consiste em uma curvatura do tempo e do espaço e o que percebemos como gravidade na verdade consiste em um efeito da curvatura da matéria.

Embora se possa extrair os diagramas para representar a álgebra da Relatividade Especial como geometria no papel, nós precisaríamos de papel multidimensional para fazer isso com a Relatividade Geral, de modo que geralmente temos que deixá-la como álgebra.

Agora, em contraste com muitos outros físicos rebeldes de hoje eu não acho que Einstein tenha errado, ele acertou em cheio. Entretanto eu acho que muito mais vai surgir para expandir seus insights, em particular eu suspeito que:

6D Espaço/Curvatura dos tempo = 6D Carga/Densidade dos Spins

Quando Einstein intuiu e calculou a geometria do espaço/tempo e da gravitação nós tinhamos apenas um entendimento embrionário da física de particulas, o microcosmo, e ele não pode incluir seu pensamento em uma grande teoria unificada, embora tenha tentado fortemente fazer isso.

A teoria da física de partículas do microcosmo decolou desde então em direções completamente diferentes do modelo geométrico do macrocosmo. Ela depende da idéia do “Quanta” (bits de tamanho mínimo e indivisível realidade). Na física quântica blocos fundamentais de construção da realidade ocorrem como pontos sem dimensões com distribuição probabilística ondulatória no espaço/tempo, assim não podem ter uma descrição geométrica apropriada. Embora a teoria quântica forneça previsões que batem com os dados observados, Einstein considerava que ela continha uma profunda falha metafísica.

Eu suspeito que um modelo geométrico da física quântica requer 6 dimensões, três de espaço e três de tempo, ao invés do modelo de três dimensões espaciais e uma dimensão temporal com as quais tanto a relatividade quando a física quântica atualmente trabalham.

No momento em que escrevo, a Relatividade Geral ainda provê nosso melhor entendimento sobre a gravidade, o que define a estrutura em larga escala do universo, mas a Física Quântica fornece a descrição oficial das outras 3 forças elementares da natureza: a eletromagnética, a força nuclear fraca e a força nuclear forte. No entanto a descrição quântica parece sugerir idéias muito estranhas e idéias metafísicas paradoxais enquanto que o Modelo Padrão da física de partículas permanece fenomenológica e falha em prover uma descrição mecanicista que contêm ainda muitas constantes aparentemente arbitrárias. A descrição da força nuclear forte continua particularmente enevoada. O modelo padrão claramente não consegue explicar a existência de 3 gerações de partículas de férmion, quarks, elétrons e neutrinos.

Após ter descrito três das quatro forças fundamentais, ainda que de modo imperfeito, com a física quântica, os físicos tem tentado trazer a gravidade para o mesmo terreno para criar uma Grande Teoria Unificada de todas as quatro, e a busca por uma teoria quântica da gravidade tem dominado a agenda de toda uma geração de físicos.

Uma teoria quântica da gravidade implicaria que Einsteins estava errado ao descrever a gravidade como uma curvatura do espaço/tempo e descreveria os campos gravitacionais como sendo mediados pela troca de particulas de gravidade. Ondas gravitacionais surgiriam da troca entre estas particulas virtuais. Ninguém até hoje conseguiu capturar uma destas particulas virtuais, teóricos meramente lançam a hipótese da sua existência para explicar os efeitos de campo.

A busca por uma teoria quantica da gravidade tem falhado em dar frutos, e todas as partículas necessárias para as suas várias versões, os gravitons, as particulas supersimétricas e os Bósons de Higgs tem falhado em aparecer nos experimentos.

No lugar de tentar tornar a gravidade quântica eu sugiro que devamos geometrisar o quanta. Em uma Geometria Quântica, particulas virtuais não existiriam, todos os campos surgiriam de várias curvaturas do espaço tempo. Vários artigos meus recentes são uma tentativa de mostrar que uma geometria quantica pode existir em um espaço de seus dimensões, três espaciais e três temporais. Eu suspeito que precisamos investigar a geometria do tempo mais profundamente para alcançarmos uma grande teoria unificada do todo.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-geometria-sagrada/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-geometria-sagrada/

Sagrado mesmo…

Não há como negar que há uma crise por todos os lugares. E são os lugares que estão sendo repensados. A ética está sendo colocada em xeque. A moral a muito já desencarnou dos lugares aonde estamos. A crise financeira vista como a razão de todos os nossos problemas atuais é de longe o real motivo disso tudo.  O grande problema mesmo é acreditar.

Os seres humanos parecem necessitar de algo além de si mesmos para permanecerem de pé. Parece que todos precisam continuamente relembra-se de que há algo, por mais improvável que seja, além deles mesmos. Uns se prendem à moral, outros à ética, outros à sua fé.  Claro que não só isso é parte da função, mas são fatores essenciais do contexto de ser.

Independente dessas análises a crise continuará adiante. Ela é paradigmática. Não mudará facilmente enquanto não mudarmos todos ao mesmo tempo. Saber como isso ocorrerá é uma problemática maior do que podemos abarcar. Contudo o sopro apocalíptico é uma realidade, queiramos ou não. Não aquele hollywoodiano com o qual o resultado é a morte da vida na terra e do universo, não! Este é um sonho louco das pessoas sem esperança. O fator apocalíptico é bem diferente. Os quatro cavaleiros estão mais do que já materializados desde que fora “permitido” a todos envergonhar-se, matar, para obter lucros. Essa vergonha é mais velha que o cristo. Acredito que a verdadeira fala de Jesus na cruz fora esta: Pai, perdoai-os! Eles até sabem o que fazem. Mas o brilho do ouro lhes tirará suas parcas visões.

O fim já começou com um novo e longo começo. Este fim é a 17ª carta e é feita de ilusões. Enquanto for permitido enganar para crescer, usurpar para poder obter, decidir entre vida e morte para controlar nada será diferente. Esse paradigma é quase que um destino imutável. Foi aninhado na mente e alma de todos os seres humanos desde que ele se permitiu acreditar em si mesmo por intermédio do medo. A religião algum dia pode ter sido ética e verdadeira. Hoje isso não passa de um mero mito. A religião está com as pernas fracas. Ela cairá de joelhos pedindo perdão, mas será exterminada com a mesma voracidade que ela ensinou a todos ter. Ela será massacrada por seus fieis esfomeados. E a guerra, encarnação do demônio, que ela mesma gerou, publicará nos autos milhares de baixas.

Já não somos inocentes. O mudo já conhece o cheiro pútrido dos campos de batalha. Esse é o bafo do demônio que tanto a religião invocou. Deus nunca teve razão para ter inimigos, mesmo assim ela fez todos acreditarem nisso. Acreditarem que a única maneira de controlar é emburrecer seus fieis e amedronta-los diariamente com a promessa do inferno. Chegamos a um ponto de afirmar desejar mais o inferno do que o céu plácido feito de mentira. A religião há muito perdeu a chance de limpar suas mãos… O que escolheu todos sabem.

E não é por acaso que me prendo à religião para desenvolver este texto. Bem sei que ética e moral, como a própria religião, em si mesmas não são as devidas culpadas. A culpa é somente do ato de crer. Crer sem comprovação: fé. A fé deveria ser extinta. Ela institucionalizou a estupidez e a fraqueza. No momento que implico que para acreditar em Deus é preciso fé (crer sem comprovação) eu cometo dois enganos: primeiro que esse Deus de fato não existe e que tudo dito em seu nome não o fora. Se existisse, para que temer comprová-lo? Esse Deus ai é bem diferente da realidade. A realidade é que Deus não precisa ser provado por que este já se prova por suas criaturas. E esse livro que empunham dizendo ser d’Ele, nada mais é do que um manual da Grande Besta; segundo em acreditar no comércio das almas feitas pelas grandes multinacionais chamadas igrejas!

Isso em si é muito simples e com pouco esforço pode ser compreendido, mas então por que não ocorre? Por isso me prendi à religião. O ser humano teme, achando que Deus se importa com o que pensamos. Nós fomos feitos para isso mesmo, para errar e acertar e Deus em momento algum perde seu tempo medindo nossos passos. Pois se assim o fosse não teríamos pernas nem braços, seríamos ainda puras e simples amebas se engolindo e se regurgitando diariamente.

E os videntes compreenderam isso antes do tempo. Avisaram os líderes das nações e das religiões. Mas estes só pensaram no brilho do outro, do ouro da coroa do demônio que eles mesmos pariram. A religião, até tirar a beleza do parto e do sangue que escorre na dor deste ato das mulheres, ela assim o fez. Transformou todos os homens em frouxos e as mulheres em pessoas envergonhadas de sua natureza quando criaram uma Maria que gera filhos sem sexo, um filho sem sangue. Um filho que quando diz que todos nós somos filhos de Deus, não conseguimos chama-lo de irmão. Visto que nossas mães choraram e sangraram e se felicitaram no coito.

Ela, a religião, criou um panteão de aliens! Ela gerou uma nação de sem pais. Ela criou mulheres sem ventre e homens sem espírito. Ela corroeu nossa santidade ao dizer para nós: não se preocupe! Nós intervimos por você, vá dormir tranquilo; e já não mais acordamos cedo e nem mais Deus nos ajuda. E assim vemos lideres religiosos brigando por posições na política em lugares, cadeiras que estes nem de longe pertencem. O peso desse ato é muito maior do que uma revolta na internet. Esse ato pesa na consciência de toda a humanidade. As cadeiras foram feitas para serem usadas por pessoas dignas de sua magnitude. E quando quem as usa não possui alma, as pernas não tardarão em partirem-se, categoricamente, uma a uma. E assim veremos que quando os falsos profetas chegarem ao poder, a única forma de salvar a plantação será envenenando a todos.

Quando vejo que o preconceito é quem coordena um cargo que é feito para curar essa nossa mazela, vejo que não tardará para que de fato esse mundo que conhecemos seja encarado como morto. E cairão as paredes da estupidez. E quem as destruirá serão os demônios filhos desses partos alienígenas do qual todos nós fomos forçados a presenciar.

Sagrado mesmo é a vida humana. Que não precisa provar nada a ninguém.

Djaysel Pessôa

#fé #Religião

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sagrado-mesmo

A Originalidade na Magia do Caos

Por Wanju Duli

“Assim como é em cima, é embaixo, e também no meio”

– P.J. Carroll, “The Octavo”

Quando falamos em Magia do Caos, logo vêm à nossa mente nomes como Austin Osman Spare e Peter J. Carroll; o primeiro, idealizador dos sigilos e do Alfabeto do Desejo, enquanto o segundo ocupou-se de elaborar a IOT, uma Ordem particularmente exótica e ousada, tendo como base sua obra “Liber Null”.

Em Liber Null podemos encontrar excertos como Liber MMM e Liber LUX, que constituem as primeiras propostas desse sistema, com uma série de exercícios. Somos apresentados à Caosfera, o Sigilo do Caos, que seria um espelho de escuridão para comunicação entre os adeptos, segundo as palavras do autor. O termo “Caos” é escolhido, pois vocábulos como “Deus” ou “Tao” estariam condicionados às impressões mentais previamente atribuídas a tais expressões.

Nessa mesma obra, Carroll afirma que os Iluminados de Thanateros são os herdeiros mágicos do Zos Kia Cultus de Spare e da A.’.A.’. de Crowley. Ele inclusive cria um diagrama maluco para provar isso, demonstrando em que medida diferentes tradições mágicas se conectam a IOT.

Contudo, a ideia não era apenas desenvolver uma nova tradição mágica com a junção de diferentes elementos previamente existentes, como podemos ver nos seguintes trechos do autor:

“O intelecto é uma espada, e seu uso é para evitar a identificação com qualquer fenômeno particular encontrado. As mentes mais poderosas agarram-se ao menor número de princípios fixos. A única visão clara é do alto da montanha dos seus egos mortos “.

“É um erro considerar qualquer crença mais libertadora que outra. É a possibilidade de mudar que é importante. Cada nova forma de libertação está destinada a eventualmente se tornar outra forma de escravidão para a maioria de seus adeptos. Não há liberdade da dualidade neste plano de existência, mas podemos ao menos aspirar à escolha da dualidade”.

“A energia é liberada quando um indivíduo quebra as regras de condicionamento com algum ato glorioso de desobediência ou blasfêmia. Essa energia fortalece o espírito e dá coragem para atos de insurreição”.

A intenção mais profunda de Carroll era desenvolver uma magia que permitisse a mobilidade de sistemas de crenças, utilizando a crença escolhida somente como uma ferramenta para atingir determinado objetivo, dando mais ênfase ao resultado do que ao processo em si. Isso incluiria até uma possibilidade de inversão ou alteração em princípios éticos clássicos, pois, conforme o próprio autor diz, logo você descobrirá que ideias que nos parecem bizarras, loucas, extremas, arbitrárias e sem sentido são tão malucas quanto aquelas que antes julgávamos como razoáveis, sensíveis e humanitárias.

Com o texto “Truque da Mente em Demonologia”, apresentado em Liber Kaos, podemos sentir essa ideia:

“Liber Boomerang

Um deus ignorado é um demônio nascido.

Pensa você na hipertrofia de alguns egos à custa de outros?

O que é negado ganha poder, e busca formas estranhas e inesperadas de manifestação.

Negue a morte e outras formas de suicídio irão surgir.

Negue o sexo e formas bizarras de sua expressão irá atormentá-lo.

Negue o amor e sentimentalismos absurdos irão incapacitá-lo.

Negue a agressão, apenas para eventualmente fitar a faca ensanguentada em sua mão trêmula.

Negue medos e desejos honestos apenas para criar neuroses e avareza sem sentido.

Negue o riso e o mundo rirá de você.

Negue a magia apenas para se tornar um robô confuso, inexplicável até para si mesmo”.

No entanto, isso não significa que os caoístas destroem completamente a noção de moralidade, como nos relembra Phil Hine, em “Condensed Chaos”:

“Assim, apesar do glamour, os magos do Caos raramente são completamente amorais. Um dos axiomas básicos da filosofia mágica é que a moralidade cresce de dentro, uma vez que se começa a conhecer a diferença entre o que você aprendeu a acreditar e o que você quer acreditar”.

A ideia é quebrar noções pré-estabelecidas para começar a construir seus próprios castelos de areia nesse terreno fértil; estabelecer os fundamentos de suas ideias acerca da realidade; ou perceber que simplesmente não necessita de algo assim.

Isso nos recorda um pouco das três metamorfoses do espírito de Nietzsche:

“Qual é este grande dragão a que o espírito já não quer chamar nem senhor, nem Deus? O nome do grande dragão é ‘Tu deves’. Mas o espírito do leão diz: ‘Eu quero.’”

Inicialmente somos um camelo, que carrega o peso dos valores. Devemos nos converter em leão para destruí-los. E, finalmente, nos tornarmos crianças para criar.

“Na verdade, irmãos, para jogar o jogo dos criadores é preciso ser uma santa afirmação; o espírito quer agora a sua própria vontade; tendo perdido o mundo, conquista o seu próprio mundo”.

Estamos esquentando? Pois bem. Que pegue fogo! Para começarmos a tentar compreender que é a Magia do Caos, sugiro algumas palavras de meu escritor favorito sobre o tema, o cavalheiro chamado Ramsey Dukes, Lionel Snell, o Rato que Gira, ou seja lá qual foi o codinome que esse senhor resolveu adotar dessa vez. Comecemos com SSOTBME (“Sex Secrets of the Black Magicians Exposed”):

“Magia do Caos é, com efeito, o mais seguro sistema mágico que existe. Paradoxalmente, no entanto, ganhou uma reputação vermelha e quente por ser a mais perigosa, sinistra e insana forma da loucura mágica remanescente”.

Quando assumimos a premissa de que “Nada é verdadeiro. Tudo é permitido”, pode ser realmente assustador. Você precisa lidar com sua imaginação e principalmente com um verdadeiro terror: sua liberdade.

“Um magista prático não tem interesse nos problemas filosóficos que atormentam o cientista que pergunta: ‘Tem certeza que foi a sua magia que a curou? Como você sabe que não foi apenas uma coincidência?’ Tal especulação é irrelevante para o Mago. Ele fez o feitiço, ela foi curada. Se fosse uma coincidência, não importa contanto que ele possa trazer tais coincidências “.

Um caoísta está mais preocupado com o resultado prático, as emoções geradas, o chacoalhar de paradigmas, do que em vestir robes, carregar espadas ou enredar-se em paradoxos ontológicos. Para isso, ele realiza uma profunda investigação acerca dos processos mágicos, com a intenção de desvendar os caminhos que o levam a ativar as engrenagens da magia.

Enquanto a magia tradicional possui força pelo peso de seu caráter inveterado, riqueza cerimonial e alto teor filosófico, o poder da Magia do Caos reside em adaptar sistemas conforme o gosto, para que a paixão do magista e sua metamorfose paradigmática inflamem sua vontade e gerem essa carga empírica de transformação.

“Assim, é inútil perguntar a um magista se Deus, anjos ou demônios ‘realmente existem’. Simplesmente ao dizer as palavras você os fez existir! Pergunte novamente se essas entidades abstratas podem produzir qualquer efeito no mundo físico, e eles já produziram – eles fizeram você fazer perguntas “.

Agora, veremos o que Dukes tem a nos dizer em sua obra “BLAST Your Way To Megabuck$ with my SECRET Sex-Power Formula”:

“Nós não podemos acreditar agora na dualidade antiga dos que estão trabalhando para o bem e dos que estão trabalhando para o mal, porque fazer qualquer mudança é invocar a incerteza. A nova dualidade é entre aqueles que desejam manter as coisas como estão, e aqueles que desejam mudá-las”.

“Eu quero ser rico, feliz, sexy, poderoso ….

Ei! Eu descobri essa coisa chamada ‘magia’ que pode torná-lo rico, feliz, sexy, poderoso …

Uau! Estive lendo sobre magia e descobri que é realmente muito simples se tornar rico, feliz, sexy, poderoso … contanto que você faça uma coisa – você deve se tornar perfeito primeiro.

Então, como você sabe quando se tornou perfeito?

Oh merda. Você sabe que é perfeito quando você já não QUER ser rico, feliz, sexy, poderoso …”

E, para finalizar, uma frase de Hugo C. St. J. l’Estrange:

“Quando a humanidade irá crescer fora de seu flerte com a ética cristã, e encarar o fato de que o Grande Princípio Cósmico não é fazer o que é certo e honrado, mas fazer o que é errado com ESTILO”.

Espere, eu disse “finalizar”? Esse é só o começo. Magia do Caos é muito mais do que brincar de utilizar vários estilos de magia previamente existentes e misturar tudo para se revoltar contra a autoridade. Quando você quebra seus conceitos não irá simplesmente preencher o espaço coletando vários pedaços de conceitos aqui e ali, como se estivesse num buffet em self-service, selecionando os pratos que lhe parecem mais saborosos para montar o seu.

Você pode até experimentar os diferentes pratos no começo, para aprender os sabores. Mas em algum momento o caoísta DEVE tornar-se um cozinheiro. Esse é o coração da Magia dos Caos: ser um verdadeiro chef de sistemas do ocultismo. Pois a Magia do Caos não é somente um novo sistema, um destruidor de sistemas ou um agregador deles. Antes, é um “sistema criador de novos sistemas”.

E aqui iremos resgatar alguns excertos do brilhante artigo de Frater Xon, membro da IOT North America, chamado “O Magista Eclético vs. O Magista do Caos”:

“Qualquer um pode ler um livro de magia e cuspir de volta o que está contido nele. Memorize gematria e livros de Crowley, e de repente você é um mago Hermético. Leia um livro de xamanismo, compre um tambor, e de repente você é um místico tribal. Dê algum dinheiro para as pessoas certas, memorize alguns cânticos e orações, e de repente você é um Santero. Maldição, vá em frente e leia Spare, desenhe alguns sigilos e puf! Instantaneamente ‘Magista do Caos’!”

“Estes são todos truques e ilusões mentais inexpressivos. Mesmo um papagaio pode repetir os sons que ouve sem compreendê-los “.

“O verdadeiro caoísta tem a capacidade de dar à luz coisas novas e incomuns. Eles podem criar novos sistemas, novos métodos e novos rituais fora do que já foi criado. O verdadeiro caoísta é essencialmente um artista “.

“Se você não pode criar algo novo para mim, então eu não estou particularmente interessado em você. Eu não me importo se você memorizou todos os livros de magia do planeta. Eu não me importo se você está sentado em seu templo realizando rituais pré-fabricadas doze horas por dia. Se você não consegue pensar numa única coisa nova para me oferecer, o que há de bom em você? Você é apenas um computador dizendo as mesmas coisas antigas que outras pessoas já disseram antes”.

“Mas, se você pode criar uma única coisa simples de pura criatividade que funciona, mesmo se não é a coisa mais incrível do mundo, isso ainda me impressiona muito mais do que todas as bibliotecas de magia do mundo.”

E aqui finalmente concluímos nossa introdução sobre a Magia do Caos, com muitas citações, refrescos e poderosas frases de efeito, para tentar agradar tanto aos mais tradicionais quanto àqueles que estão cansados do velho cadáver mágico, já tão desgastado e apodrecido. A Magia do Caos é uma vertente incrível e muito viva, que está em polvorosa na atualidade, tanto no cenário nacional quanto internacional, com propostas criativas, inovadoras e extraordinárias.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-originalidade-na-magia-do-caos

A Iniciação no Velho e no Novo Aeon: Antagonismos

Dentro de corpos iniciáticos, é muito comum que um dos pontos críticos mais importantes justamente aborde os segredos iniciáticos, assim como os mistérios que sustentam estes segredos, e bem como as estruturas que são usadas para unir o praticante ao mistério, tal e qual a descrição costumeira do casamento alquímico nos demonstra.

No entanto, os rituais e fórmulas do chamado Velho Aeon estão muito longe de terem tais aplicações básicas no presente momento, e isto porque além da própria mudança de eixo ligada a este Aeon, também há a constante presença da ciência e da história, que unidas provaram ser um poderoso instrumento de dissolução de enigmas, ou mesmo de inverdades.

 

No entanto para poder abordar os elementos qualquer sistema de iniciação, precisamos citar suas fontes históricas, o que se pretende desencadear com o drama ligado ao rito, conforme o sistema religioso originalmente o fazia, e se há diferenças em relação à tradição original.

Desta forma, vejamos o que a ciência e a história nos podem dizer sobre o que se determinou chamar de “Velho Aeon”.

Ao contrário do que se tem afirmado por muitos hermetistas, ocultistas, e por vezes por várias vertentes ditas como sendo científicas, ligadas normalmente a correntes criacionistas, a tradição determinada como sendo o cabalismo, não tem a história antiga que lhe é imputada, e na verdade, a história do povo a qual ela estaria coligada não é tão velha como tem sido defendido por tantas pessoas, muitas delas nunca agindo por inocência, ou apenas por ignorância, e sim por motivos totalmente escusos.

Se pudéssemos retornar nos tempos históricos, veríamos então que em dado momento no império egípcio, houve uma quebra interna de suas instituições, em que o modelo de administração que sustentava todo o reino, foi agredido por um golpe sócio, econômico, religioso que foi promovido por Amen-hotep IV, que reinou no Egito em 1345 antes da era vulgar, e que esvaziou os cofres reais, para construir e sustentar uma cidade no meio do deserto, para onde transferiu a capital do reino, durante seu reinado.

Seu reinado durou apenas 15 anos, e durante o mesmo o faraó que declarou a todos ser o filho e representante do “deus único” Aton, na Terra, sob alegação de que estava levando o povo para a “Terra Prometida por Aton”, fundou ali justamente a cidade conhecida como Akhetaton (como é dito que Abraão teria procedido).

A todos que o seguiram, prometeu Akhenaton (nome assumido por Amen-hotep IV quando assumiu o culto a Aton), a “Vida Eterna no Paraíso de Aton”, e bem como a permissão para ser enterrado na necrópole de Akhetaton.

Curiosamente, ao atingir o local dito como sendo sagrado, Akhenaton ofereceu um sacrifício a Aton, e depois edificou no local um templo, demarcando assim por seus atos o abandono da Terra Sagrada de Karnac ( tal e qual o Abraão da bíblia teria feito).

Cada residência possuía um altar de pedra com inscrições em dois lados. “Todas as casas do reino tinham uma feição similar. Elas tinham um santuário colocado em seu aposento principal. Ele possuía apenas um portal pintado em vermelho e um nicho para receber uma pedra que continha o retrato da família real engajada numa no culto de adoração”, assim descrito por Cyril Aldred.

Como conexão aos relatos da história do êxodo bíblico, os portais vermelhos são uma lembrança ao sangue dos hebreus pintados nos portais das portas de suas casas. “Javé passará para matar os egípcios. E quando ele olhar o sangue nos postes dos portais e na parte superior, Javé atravessará a porta e não permitirá que a destruição entre em suas casas e mate vocês”. Êxodo 12:23.

Por conta do culto monoteísta, Akhenaton apagou o nome de Amon dos templos e obeliscos. Levando sua heresia adiante, ele profanou o nome de Amon no interior do cartucho de seu pai Amenhotep III. A supressão do nome do deus foi considerada como um verdadeiro sacrilégio pelos habitantes do antigo Egito. A bíblia monoteísta ecoa estas palavras no seu Deus Único: “Eu apagarei totalmente o nome de Amalek dos céus”.

Da mesma forma como Moisés fez, ele se apresentava diante do povo com duas tábuas de pedra onde estava inscrito o nome de Aton nos dois cartouches. O povo prostrava-se diante do nome de Aton. Essas tábuas com inscrições, podiam ser lidas em ambos os lados. A similaridade com as tábuas de lei de Moisés é notável. Ambas eram ovais nas extremidades e podiam ser lidas de ambos os lados: “E virou-se Moisés e desceu a montanha com duas tábuas da lei em suas mãos, tábuas que eram escritas em ambos os lados.” [Êxodo 32:15].

Na tumba de seu sucessor, seu irmão menor que foi entronizado somente quando se tornou adulto, Tutankhamon, muitos outros detalhes extremamente esclarecedores foram encontrados.

 

Na escavação de Howard Carter e Phlinders Petrie, em 1923 da era vulgar, a tumba do sucessor de Akhenaton foi encontrada intacta – uma vez que seu nome foi apagado em maldição, a mando dos sacerdotes que fizeram oposição a Akhenaton, e sua tumba foi ocultada, o que acabou servindo em muito aos pesquisadores do mundo todo.

 

Estudos na tumba revelaram que na parede leste da câmara funerária, acima das figuras de doze sacerdotes carregando uma urna mortuária, haviam oito colunas pintadas com inscrições religiosas. Essas figuras lançaram uma nova luz sobre momento da história da humanidade onde monoteísmo foi estabelecido. Na parede norte da tumba contém uma figura enigmática, usando a coroa do Egito com a serpente, um antigo símbolo de realeza. O nome deste misterioso personagem aparece nos dois cartouches[1][6] colocados à frente de sua face. Ele era chamado de “O Pai Divino” – Faraó Ay. Seu nome está escrito por um símbolo hieróglifo duplo, (Yod Yod), que é o nome de Deus na Bíblia Aramaica, o qual é a nossa fonte mais antiga do velho testamento.

Este “Ay” sucedeu a Akhenaton, quando sua derrocada ocorreu – apenas 15 anos após ter começado, dado o ódio que sua profanação provocou em meio aos egípcios – e após alguns anos, entronizou Tutankhamon, que reinou apenas por Dois anos, sendo depois execrado e caindo em ostracismo, sob todas as maldições póstumas naturais no Egito de sucederem a blasfemadores ou criminosos.

A câmara funerária possuía quatro caixotes sobrepostos, um dentro do outro. Esses caixotes estavam cobertos por um tecido de linho, sustentado por uma moldura de madeira, apresentando-se com aparência de uma tenda. Essa moldura foi comparada no momento da descoberta, com os tabernáculos do Antigo Testamento, o sagrado dentre os mais sagrados, construído de madeira e sustentando a “Arca da Aliança”.

Ao abrir o terceiro caixote, Carter observou que em uma de suas laterais havia um painel com duas figuras aladas, onde suas asas abriam-se bem ao alto, evocando os anjos descritos do objeto citado na bíblia como sendo a “arca da aliança”, estavam reproduzidos nas duas portas seladas do quarto e último caixote. Esses e outros achados arqueológicos nos levam a considerar, que as descobertas da arqueologia egípcia possuem grande correlação com a escritura hebraica, sendo a fonte para a mesma.

O “Ay” acima mencionado, determinou a evacuação de Akhetaton denominando a cidade como terra impura e amaldiçoada, e os povos de mercadores que se mesclaram na cidade sob Akhenaton, se dividiram em dois grupos, sendo que um deles retornou para as terras egípcias, e outro seguiu a grande expansão egípcia que teve início a partir deste período, e aproximadamente 300 anos depois, em um dos pontos onde ocorreu a fixação por mais tempo do exército egípcio, veio a ser fundado o Reino de Judá.

Agora que conseguimos estabelecer estes pontos, vamos nos aproximar de outro grande eixo de sustentação do estilo de iniciação do Antigo Aeon.

Falemos agora de Constantino e de “Iaseus Christus”, de origem essênica.

Como sabemos, a seita Hassidim cresceu durante a dominação dos gregos sobre os judeus, e efetuou a ponte de dominação helênica traduzindo para o grego o ponto de vista hebraico, mas principalmente gerando a dominação do ponto de vista dos gregos sobre o povo dominado.

Destes Hassidim vieram os Essênios, que são os chamados pré-gnósticos, e que mantinham em Nag-Hamad uma sociedade a parte, com textos próprios que sofreram enorme influência de gregos, sumérios, egípcios e hindus.

Desta forma foram lançadas as bases para que por meio dos Essênios os textos chamados de apócrifos, e os textos chamados de aceitos, pelos concílios da posterior Igreja Católica.

Ocorre que os Essênios conceberam uma fusão de costumes religiosos, normalmente vinculados a adoração do Sol ou da Estrela que o anuncia em todas as manhãs, e atribuíram a divindade que nasceu desta fusão o termo “Iaseus Christus”, que foi absorvido posteriormente como “Jmmanuel”, dentro da bíblia.

Nascido de um “notaricom” que implica em sua origem em provável saudação a Zeus, muitas eram as diferenças do golpe religioso e político que Constantino veio a praticar depois.

Um dado interessante entre os essênios, é que adoravam Hermes Trimegistus, e o viam como o Enoch da torah e bíblia, principalmente no que tange a um texto apócrifo sobre Enoch, que cita os “nephelim”.

Fato é que o Pistis Sophia dos essênios, contém enormes similaridades com um texto anterior ao ano Zero da era vulgar, que tem por nome “saberia de jesus”.

Agora, abordemos outros dados.

Sob Constantino, que objetivava unificar todas as vertentes religiosas em guerra na época, e que estavam por desestabilizar e exterminar seu reinado por completo.

Desta forma, a vertente do sacerdócio politeísta romano, em eterna guerra com os mitraicos persas, que jamais cederia a língua ou costumes dos persas, e bem como a vertente persa, que pensava o mesmo da vertente romana, foram fundidos sob outra língua, e outros costumes, que fundiram a ambos, com enorme miscelânea de cultos fálico solares.

Assim, Mitra que escondeu as chaves do paraíso em Petrus, e que era nascido de uma virgem no dia 25 de dezembro, teve seus símbolos fundidos a Horus que combateu Set por 40 dias no deserto, juntamente com o deus de Belém, Tammuz, que ressuscita 3 dias após morrer, pelas artes de Inanna após a mesma verter muitas lágrimas por seu esposo, e descer a mansão dos mortos para resgatá-lo.

Tendo então a vida de conhecido filósofo da época, Apolônio de Tiana, dado o pano de fundo, para um “…christus…” físico, que jamais existiu.

Tendo sido então estudados a luz da ciência, história e antropologia, todos estes dados que são a base e sustentação dos cultos do Velho Aeon – pois em nenhum momento nos esquecemos que os Islâmicos alegam serem os verdadeiros descendentes de Abraão, e que Allah provém de Al Iliah que é uma saudação a Sin ou Nanna, o deus Lunar dos Antigos Sumérios. Podemos então começar a destilar informações preciosas sobre a Iniciação Mágica dentro do Velho Aeon.

Dentro do contexto das Ordens Iniciáticas chamadas de “osirianas”, o postulante a iniciação é visto como “cristo”, que deve perambular pelas mortificações, e depois adentrar em glória pelas dores da iniciação, para então renascer dos mortos como filho unigênito, e por fim exaltado as alturas.

Alega-se que a linguagem é universal, e que todas as religiões do passado procuravam desencadear o mesmo processo, sendo que na verdade todas as religiões, cultos e povos vieram a abraçar o monoteísmo como sua verdade.

Aqui já temos percebido o grande erro do Velho Aeon, pois como foi visto acima nada além de golpes de estado, maquinações políticas, e isso sem mencionar as torturas e assassinatos praticados por protestantes – como por exemplo os 100.000 pagãos que Lutero ordenou o massacre na Alemanha em seu tempo – os crimes da inquisição católica, os crimes da opressão muçulmana contra os infiéis – como pode nos mostrar o comportamento Taleban, por exemplo.

Assim sendo podemos logo de início perceber que as Iniciações do Velho Aeon, procuravam escravizar a mente, corpo e emoções do postulante a iniciação, a uma forma de ser que em todos os sentidos, defende uma mentira histórica, sendo então não sua Verdadeira Vontade, mas sim a Vontade de outro entronizado em lugar de sua individualidade.

Nisto repousa aquilo que é visto como a “fazer a vontade do pai”, que é tão comum em todos os sistemas monoteístas, como facilmente pode ser observado tanto em seus livros dogmáticos, como no comportamento de seus fiéis e de seus sacerdotes.

Outro fator preocupante aqui presente, é visto como algo natural e inclusive incentivado dentro destas organizações iniciáticas.

Tendo a temática tão conhecida e usada por Akhenaton como base, e levando-se em consideração o ciclo do ano com suas estações, é dito que sendo o sol o centro do sistema solar, o postulante a iniciação deve procurar ser um espelho do próprio sol, e a ele se unificar.

A este ponto, outro tópico iniciático problemático se junta, para causar uma “catástrofe oculta” para aquele que busca a iniciação.

Este tópico vive nas palavras de Dion Fortune, que inclusive nos define a forma de pensar do antigo aeon, dentro do ponto de vista a cerca da iniciação como era entendida até então:

…O máximo que alguém pode atingir em vida é a iniciação até Tiphareth – a Sephiroth do Sol – ou no máximo e apenas para alguns Geburah – a Sephiroth Marcial . Tendo então todos os seus passos regulados pelas ordens dos adeptos isentos de carma de Chesed – Sephiroth de Júpiter – que recebem as influência divinas diretamente da tríade suprema, que nenhum ser vivo pode alcançar em vida, salvo gênios como Moisés – Moshé…” .

Bem sabemos pelas úteis informações acima citadas, que Moshé e Abraão foram nomes posteriores gerados para representar a lembrança dos atos de Akhenaton, sobrevivente em meio aos descendentes dos que viveram em Akhetaton, e que seguiram a expansão egípcia, fundando depois o Reino de Juda.

Mas isto seria apenas um detalhe simbólico, tomado com base para apenas por seu uso para coisas maiores, se não existissem mais coisas a serem mencionadas nas entrelinhas.

Em primeiro lugar, não é o Sol o centro do universo daquele que observa o universo.

O observador do universo é o centro do universo que ele mesmo observa, e em outras palavras, deve ele ir em direção a si mesmo e não em direção ao ponto de vista de outro, mesmo que simbolicamente.

Em seguida, devemos ressaltar que os adeptos chamados de “isentos de carma”, são citados pelas tradições como sendo, por exemplo: “Cristo, Saint Germain, Maomé, Moisés, Akhenaton, etc…”

Deduzimos então, que em nenhum momento houve a isenção de carma de qualquer um dos que acima forma citados, pois o único que não foi abordado anteriormente de alguma forma, foi Saint Germain, que foi muito conhecido na Europa por suas enormes dívidas de jogo, todas elas no geral pagas pelas artes de sua bela e sensual esposa.

Desta forma, se observarmos bem o que Dion Fortune nos transmite, e que inclusive é opinião geral das formas inciáticas e religiosas do Velho Aeon, os Adéptos Menores – uma representação esquematizada dos vetores solares, incluindo aqui das religiões monoteístas, que no geral são todas elas fálico solares – são dominados e direcionados pelos Adeptos Maiores – que são representações dos líderes e criadores de religiões dogmáticas, ou seja, monoteístas.

Esta é a escala de dominação que subsiste no dogma fálico solar!

E há ainda mais oculto dentro disto.

Por mais penoso que o seja, devemos abordar este tema de forma clara.

Em meio aos cultos gnósticos, dos quais o foco gerador são os Essênios, gerados pelos Hassidim, a idéia difundida ali presente era de que havia um deus bom e um deus mal, ou no caso do monoteísmo com hoje o conhecemos, um “deus versus um de seus anjos”!

Estes cultos percebem o mundo físico como dominado pelo deus mal, no caso “Saklas” o demiurgo, e o mundo dos céus ou celeste como reino do deus bom.

Isto advém do pensamento de grupos humanos como os Maniqueus, por exemplo, que eram dualistas e apresentavam este ponto de vista, que na verdade nasceu das representações Fálico Solares da eterna oposição do Deus Sol contra um Ser Serpentiforme – como é o caso da oposição de Apolo contra Piton; de Rá contra Apophis, de Baal contra Lotan; e até mesmo da oposição de Marduk contra Tiamat, também vista na representação grega deste mito onde Zeus enfrente Typhon, que não é Solar mas guarda muitos dos elementos usados como base pelo monoteísmo.

Disto floresceu a idéia de que o espírito, sendo visto da mesma forma que os egípcios adoradores do sol o viam, seria uma representação solar, e portanto pertinente ao céu, e como o espírito somente estava presente no corpo da mulher quando esta estava grávida – segundo a visão fálico solar aqui apresentada.

Logo a mulher veio a ser uma expressão da matéria e da Terra, e portanto algo visto como pertencente ao demiurgo, ou mesmo uma expressão do demiurgo – como na lenda monoteísta de Lilith, que nada possuía em comum com a Lilith suméria.

O veículo para o espírito passou a ser então o falo, e o espírito é visto nesta temática como estando concentrado no sêmen.

Um detalhe muito importante neste momento para o nosso devido entendimento, das fontes e bases desta forma de pensar, foi o modelo Védico, que via os essênios e bem como o culto de Krishna, foi usado como modelo a este respeito – ou mesmo antes disto, já que o Demiurgo originalmente pensado por Sócrates e Platão, não tinha nada haver com o Demiurgo dos gnósticos, mas teve sua origem no Purusha do Vedanta.

Os atos sexuais levam ao contato com uma mulher, ou com alguém que fará as vezes de passivo – e portanto de quase feminino – e desta forma, estes atos foram vistos como vias malignas, que afastam o adorador ou o pleiteante de iniciação dos benefícios do céu, do sol e da fé.

Perder o sêmen foi visto como uma forma de adentrar nos reinos da desgraça do demiurgo e do que veio a ser entendido como “inferno” – embora saibamos que o Hell, tal e qual o Tártaro, nada tem haver como ponto de vista monoteísta, mas foram absorvidos e plagiados, e depois adulterados para servirem aos propósitos do dogmatismo.

Assim sendo a magia sexual deste tipo foi desenvolvida com o pensamento ligado a esta via que é solar e masculina, e é justamente nisto que muitas das estruturas básicas da iniciação do Velho Aeon se baseiam, e é também por isto que não se aceitam mulheres naquilo que se determinou por “maçonaria oziriana”.

No Velho Aeon, o iniciando na maioria das organizações de cunho “Iluminati”, é visto como o próprio “jesus cristo”, que sofre inicialmente os martírios, para então após a crucificação se erguer em glória, em retorno ao pai.

Desta forma, podemos observar que em muitos casos, é pleiteado que as fases da dita vida do assim dito “cristo”, são subdivididas como as sephiroth da Árvore da Vida, sendo que o assim chamado “mistério da crucificação” seria então a passagem pelo abismo, que no cabalismo e hermetismo é chamado de Daath, sendo então sua descida a mansão dos mortos Binah, e sua ascensão ao s céus, Chokimah, estando a experiência que se atribui a Kether, como algo jamais mencionado, e taxado como inatingível, e além de qualquer descrição para os que não passaram pela mesmo, sendo que é dito que os que “viram yaveh face a face”, jamais relataram o que viram, dentro da concepção do Velho Aeon.

Se somente houvesse o monoteísmo desde o início dos tempos, e se somente fosse um culto masculino, desde o começo dos tempos, ou pelo menos que o mais antigo culto fosse monoteísta e fálico solar, então estaríamos lidando com alguma possibilidade de veracidade a cerca do desenvolvimento dos praticantes, dentro desta temática.

Mas não é assim!

Em primeiro lugar, devemos entender que o ponto de vista que aborda este princípio, tem por base a idéia fálico solar, que como já foi exposto acima, tende a mencionar a Terra como domínio e reduto do mal, e o céu como domínio e reduto do bem, e ao homem como exemplo do Céu e do Sol, e a mulher como exemplo da Terra e da Lua, esta temática leva a concepção de que somente o homem possuí espírito e é passível de evolução, aliás este pensamento era muito presente dentro do gnosticismo, pois era dito que uma mulher deveria renascer como um homem, para poder evoluir para além do mundo físico, em direção aos reinos espirituais.

Em segundo lugar, também como já foi mencionado acima, os ritos fálicos solares que são a base para estas formulas iniciáticas, são todos eles de origem de cultos politeístas e que não são obrigatoriamente solares, em verdade muitos cultos solares do passado eram vinculados a deusas e não a deuses, como é o caso da Deusa Sowelo dos Nórdicos, da Suria dos Hindus, Sekhemet dos Egípcios.

E uma enorme quantidade símbolos de cultos mais antigos, foi usada para dar base para os cultos monoteístas e fálico solares, como é o caso de Horus, Mitra, Krishna e Tamuz, que deram corpo ao monoteísmo cristão.

No monoteísmo encontramos a necessidade implícita de eliminar o diferente e o discordante, com um fundo absolutista, claramente coerente com a proposta de centralização a qualquer preço, mesmo que seja aquele que a sociedade humana tem pago a dois mil anos.

Se observamos com cuidado, o corpo de experiências descrito dentro do monoteísmo, contém os mesmos elementos (até um certo ponto), que poderíamos encontrar dentro do politeísmo como era citado pelos gregos, por exemplo, e isso tem sido muito usado como base para causar adulteração do conhecimento, por muitos movimentos de pseudo iniciação.

Estes movimentos afirmam o mesmo que os movimentos dogmáticos afirmam, que a fonte da tradição e do ser humano é aquela que está descrita tal e qual a torah, bíblia e Corão, o apregoam, e que as multiplicidades de idiomas partem do episódio de babel, e que os povos impuros adoraram na verdade anjos caídos, e que somente o povo eleito (quer seja ele o judeu, islâmico ou cristão), é o único que está em afinidade com o deus único do absolutismo dogmático.

Duas de suas maiores bases residem na história de Moshé (Moisés), e antes dela, na história de Abraão (doze gerações posterior a Enoche pelo torah), sendo que a cabala teria sido transmitida por Enoche a seus descendentes.

Sobre Enoche é dito:

“E andou Enoche com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoche trezentos e sessenta e cinco anos. E ando Enoche com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou.

Este Enoche os Essênios e os pós essênios chamaram também de Hermes Trimegistus, figura presente mesmo nos testos sabeanos traduzidos por Miguel Psellus e Ulf Ospaksson em Bizâncio, como é o caso de um documento chamado Corpore Hermeticum, que os cidadãos de Harram – os sabeanos – teriam escrito, sob influência dos já citados movimentos gnósticos.

Desta figura mítica teve origem o movimento hermético, e o cabalismo em voga na idade média e moderna, usado até estes dias.

No entanto, como vimos na apresentação dos fatos históricos, acima, tanto Moisés quanto Abraão, são formas geradas para dar substância a sobrevivência da lembrança de Akhenaton, em meio aos cultos gerados na terra de Judah, praticados pelos rabinos, que ampliaram sua história e adicionaram os problemas que tiveram com outros povos, para dar mais corpo a mesma, sendo também usados símbolos, palavras, deuses e formas adorativas de povos a sua volta para tanto.

Um exemplo disto é o deus Shemesh, cujo nome foi por eles empregado como atribuição do sol, ou mesmo o uso das 22 letras fenícias para dar base ao hebraico, posteriormente reforçado pela dominação dos gregos sobre os judeus, com o advento do uso dos costumes dos gregos em empregar suas letras como vetores numéricos, sem mencionar o nascimento da gematria, notaricom e temurah tanto disto, quanto dos costumes dos seguidores de Pitágoras e Platão, absorvidos via os judeus hassídicos, antecessores dos essênios. Ou mesmo o nome de Zeus, “Joveh”, que foi absorvido pelos rabinos para ser a base etimológica de onde surgiu o nome “Yaveh”, que é o nome o dito “nome de deus” na Torah.

Desta forma, toda a atribuição dada a cabala e ao hermetismo, de fontes únicas da tradição da humanidade, reverte-se com as mesmas expressando-se como um composto de várias tradições matemáticas, simbólicas e politeístas, sob orientação monoteísta e dogmática, cujas experiência místicas e mágicas, podem gerar uma catarse que leve ao ser humano a desenvolver-se além dos limites impostos pelo dogmatismo, que naturalmente é um elemento de escravização da mente humana.

Os terrores do abismo, nada mais são do que expressões dos medos que são tão comuns em Zeus, Apolo, Rá, Omuz Mazda e Baal a cerca de Typhon, Píton, Apophis, Ariman e Lotan.

Estes medos são claramente uma forma representativa dos temores do ego, que está envergando uma série de medos e receios de perder a plena dominação da psique, que está em vias de tomar contato com o inconsciente superior, e portanto estando as portas de sua verdadeira vontade.

Como explicado acima, os meios e modos iniciáticos ligados ao sistemas fálico solar, contém esta armadilha interna, e na vazão exata da forma de pensar presente no hermetismo, tal e qual Dion Fortune expressou, ao atingir o ponto imediatamente anterior experiência ctônica do abismo, a manifestação máxima presente dentro dos cultos dogmáticos, plenamente visível nos vultos como o de Zeus e Marduk por exemplo, gera uma cisão na psique do praticante, que contempla nesta modalidade iniciática aquilo que se determina como sendo “…El…”, vivendo na sephiroth de Chesed. El por sua vez, é entendido como sendo o termo singular para Helohim (Deuses), que aparece em descrição acima.

Deus-El vive em Chesed, que é dita como sendo a serphiroth da misericórdia, e desta forma contemplamos os vínculos herméticos forjados das origens etimológicas politeístas, pois Chesed é atribuída a Zeus-Joveh, e assim passamos a compreender quais são os verdadeiros temores citados sobre o abismo, e o que realmente representa transcender o abismo, em termos realmente práticos.

Quando nos erguemos além do chamado abismo, o que viremos a contemplar além das muralhas tecidas pelo dogma é justamente o oposto do que é pretendido, dentro dos mecanismos de manipulação fálicos solares, pois percebemos que a experiência do dito deus uno, como apresentada pelo dogma presente nas Iniciações do Velho Aeon, são fatores naturais e presentes apenas e tão somente até aquilo que se determina chamar de chesed, e apenas e tão somente se os meios e modos iniciáticos usados para se chegar até este ponto, forem os que estão presentes no tradicionalismo hermético, sendo que outras formas de desenvolvimento que não se utilizem da metodologia apresentada dentro da Ortz Chaim, excluem de si esta situação.

Basicamente falando, os elementos acima são em muitos casos a base para os modelos iniciáticos conhecidos pelo termo “illuminati”, pois as chamadas irmandades da luz, dedicam-se a estes modelos de iniciação universal, desprezando a possibilidade de se ir além dos modelos concebidos previamente sem conhecimento das fontes, origens ou outras formas de pensamento, mas supostos como universais – e portanto católicos – para todos os povos, coisa que em si mesmo é um erro, já que como vimos, as coisas não correm desta forma.

Estes movimentos que oficialmente foram iniciados por Adam Weishaupt, na Baviera em 1776 da era vulgar, e aos quais se procuram estudar a origem extra-oficial em Hassam Ibn Sabbah o “velho da montanha”, ou posteriormente em Saladino, que combateu eficientemente os cruzados, e desencadeou o nascimento da Ordem dos Templários, indiretamente, que veio a dar nascimento a Maçonaria.

O fato é que a disposição criada por Sabbah dentro da Ordem dos Nizarins – termo que implica nos fundamentos do Corão – levou em consideração o batanya, que é a forma como se pode referir as ciências secretas, ligadas a iniciações e costumes Gnósticos, que foram introduzidos dentro desta Ordem assim como o costumeiro uso do Hashishiyun – usado de forma similar a algumas descrições modernas dadas por Crowley sobre Eleusis – e que alguns afirmam ser a fonte para muitas organizações extremistas árabes, nos dias atuais, tem vínculos em larga escala com a história de Saladino.

Para começar, o líder da Ordem dos Nizarins Hassam Ibn Sabbah, viveu entre 1034 e 1124 da era vulgar, e Saladino – aliás Rei Curdo do Egito – viveu entre 1.138 e 1.193 da era vulgar, tendo justamente o ápice administrativo de sua vida existido no momento de maior fervor religioso da Ordem dos Nizarins, pouco tempo após a morte de seu fundador.

Como foi logo em seguida a mais proeminente figura islâmica – por assim dizer, pois sua ascendência Curda, fazia dele muito provavelmente um herdeiro Yezidi, ou seja, um adorador de Malak Thaus ou Shaitan – reuniu a sua volta guerreiros mulçumanos em grande quantidade, para enfrentar a ameaça dos cruzados, que sob ordens do Vaticano estavam invadindo a região da terra, que para os árabes também era considerada sagrada, se bem que por outros motivos.

A força e estratégia de Saladino, causaram tamanhos entraves ao avanço dos templários, que o engendrar de uma companhia militar mercenária se fazia necessária em todos os sentidos para aquele período, tanto para salvaguardas as caravanas, quanto para servir de oposição aos islâmicos e seus Nizarins.

Desta forma foram criados os assim chamados “…pobres cavaleiros de Cristo…”, que em verdade após anos combatendo Saladino, tomando contato com a administração e trato usados pelo mesmo e bem como pelo que era visto, ou sabido por terceiros, a cerca dos Nizarins. Sem mencionar que alguns dentre os templários, ao serem capturados não foram mortos, como uma forma de estratégia para introduzir-se dentro da Europa sob várias frontes de batalha ao mesmo tempo, alguns dos templários foram introduzidos dentro dos círculos mais externos da Ordem dos Nizarins, sob a administração e ponto de vista de Saladino – que como foi acima mencionado, parece ter muito em comum com o culto de Shaitan – e enviados de volta para a Europa.

Estes ao entrarem em contato com seus superiores, aliados ao que se sabia e se ouvia dizer sobre a mesma, geraram um diferencial dentro da Ordem dos Templários, combinando-a com elementos gnósticos – assim como Ibn Sabbah o fez com os Nizarins – e fundindo a esta, elementos naturalmente encontrados em solo espanhol, como por exemplo mapas de rotas antigas, elementos ligados ao culto Herético do padre Ário, e em suma, muito do que foi a administração dos Godos sobre quase toda a Espanha e toda a parte norte de Portugal, desencadeando assim entre outras coisas, o surgimento da arquitetura gótica, e dos movimentos góticos, no decorrer do tempo.

Os templários acumularam tal capital em seus castelos, que o protótipo da ordem de pagamento, ou do “cheque”, foi engendrado por eles, pois qualquer um que chegasse a um castelo templário, poderia trocar seus bens por um determinado peso em ouro, e excetuando-se um valor cobrado pelo castelo para fazer tal coisa, poderia trocar o documento por ouro, em qualquer outro castelo templário.

Seus hábitos e costumes mesclados, imbuídos tanto de elementos cristãos, quanto de elementos mitraicos e gnósticos, levou-os a adotarem o culto a Baphomet, que pode ter as seguintes correlações: Baph somado a Metis do grego “Batismo de Sabedoria”; ou da composição do nome de três deuses: Baph – que seria ligado ao deus Baal – Pho – que derivaria do deus Moloc – e Met – advindo de um deus dos egípcios, Set – e há ainda “Baph Mitra”, que significaria “Pai Mitra”; ou o mais usado “TEM OHP AB” que é a abreviação de “Templi Omnivm Hominum Pacis Abbas“, ou em português, “O Pai do Templo da Paz de Todos os Homens”.

O fato é que Felipi VI, falido Rei da Espanha, pensou em se apoderar de seus muitos bens, e para tanto mandou assassinar um Papa, e colocou outro em seu lugar para dar prosseguimento a seus planos.

No entanto o poder e terror inspirados pelos templários era tamanho, que o papa Clemente V temia fazê-lo, e somente o fez com uma adaga encostada em sua garganta, quando assinou o documento que deu origem ao mais nefasto período da história da humanidade, a Inquisição.

Com este documento em mãos Felipi VI, mandou prender Jaques de Molay, líder da Ordem dos Templários, assim como muitos outros da mesma, se apropriou de todos os bens desta ordem que pode encontrar, e provocou uma fuga em massa dos Templários para região da França, onde tempos depois foi fundada a Franco Maçonaria.

A Maçonaria por sua vez, contando com elementos já vinculados ao cabalismo e hermetismo, tornou-se responsável com o crescimento de sua influência, de uma série de marcantes movimentos políticos, como a ascensão de Napoleão e bem como sua queda, ou a queda da bastilha e a revolução francesa, que foi toda ela galgada sobre os três pilares maçônicos “Liberdade, Fraternidade e Igualdade”.

No entanto, desejosa de obter controle sobre este tremendo instrumento de poder, a Coroa Britânica ordenou o assassinato do Grão Mestre da Maçonaria daquela época, e colocou no poder um Grão Mestre Inglês, que instituiu dentro da Ordem Maçônica, um voto de juramento a Coroa da Inglaterra.

Daí em diante nobres, comerciantes, militares e pessoas do povo, que fizessem parte da maçonaria, passaram a trabalhar em prol da Inglaterra.

Isto explica o fato dos piratas que atacavam os barcos Portugueses e Espanhóis, serem chamados de Corsários pelos Ingleses, e serem todos eles nobres da corte britânica, ou mesmo participantes da Câmara dos Lordes. E bem como, isto explica por que o Brasil assumiu a dívida de Portugal, favorecendo a Coroa da Inglaterra em muito com tal ato.

Mas a muito mais dentro do conceito das organizações secretas a ser discutido, no tocante a maçonaria e aos que a ela se ligaram.

Voltemos nossa atenção brevemente para aquilo que se conhece como Ordem Rosacruz.

Ali encontraremos o Confessio Fraternitatis escrito em 1615, onde é feita a defesa da Fraternidade, exposta no primeiro manifesto em 1614, contra vozes que se levantavam na sociedade colocando em pauta a autenticidade e os reais motivos da Ordem Rosacruz. Neste manifesto se pode encontrar as seguintes passagens que nos mostram a natureza “illuminati e portanto cristã” dos Rosacruzes:

“…O requisito fundamental para alcançar o conhecimento secreto, de que a Ordem se faz conhecer possuidora, é que sejamos honestos para obter a compreensão e conhecimento da filosofia descrevendo-nos simultaneamente como Cristãos! Que pensam vocês, queridas pessoas, e como parecem afetados, vendo que agora compreendem e sabem, que nós nos reconhecemos como professando verdadeira e sinceramente Cristo, não de um modo exotérico e sim no verdadeiro sentido esotérico do Cristianismo! Viciamo-nos na verdadeira Filosofia, levamos uma vida Cristã! Condenamos o Papa como a verdadeira Besta…”

E por notarmos que o Brasão de Armas de Lutero é o mesmo usado pelos Rosacruzes, para dar nome a seu símbolo máximo – justamente a Rosa e a Cruz – e a isto aliarmos o fato de que este movimento nasceu para dar apoio a administração dos Estados Protestantes da Boêmia, sob Frederico V, saberemos então porque foram apoiados pelo mesmo naquele território, e bem como qual a natureza de sua força motriz.

E quanto pensamos na história da organização que veio a dar origem a Maçonaria, ou seja a Ordem dos Templários, e bem como nos atemos ao que sobreveio a mesma sob os atos do papa Clemente V, entenderemos então os atos entrelaçados da Maçonaria e bem como os usos que a mesma deu as contribuições dos protestantes, a cerca tanto da movimentação política de então, quanto ao direcionamento simbólico que pretendeu posteriormente, principalmente quando ela veio a estar sob total influência da Coroa Britânica, já totalmente desvinculada do Vaticano.

Com tudo isto veremos que na verdade, Adam Weishaupt foi influenciado em sua reformulação do movimento dos Illuminati da Baviera, por ação do protestantismo rosacruciano, contido por exemplo no Confessio Fraternitatis acima descrito, e no entanto todos este movimentos contém sementes do gnosticismo quer seja pela via indireta dos Templários e de seus descendentes os Maçons, quer seja pela via da Ordem dos Nizarins de Hassam Ibn Sabbah, também usada por Saladino o Curdo, e quer seja pela influência que Saladino deu a todos que passaram por sua autoridade, uma vez que o mesmo era Curdo e que muito provavelmente possuía fortes influências Yezidis, em sua conduta.

No entanto observamos em todos os movimentos acima, Duas Coisas muito proeminentes.

A primeira delas é a constante batalha destes movimentos uns contra os outros.

A segunda, é o fato de que todos eles ou são descendentes de uma mesma fonte, ou detém os mesmos símbolos, ou afirmam as mesmas verdades, e ao final das contas são todos movimentos ligados a “iluminação do ser pelo sol da sabedoria secreta monoteísta”, que incansavelmente luta contra as trevas do grande inimigo infiel, que vive apartado da dita graça de “cristo-allah-yaveh-aton”!

E por tudo que já foi anteriormente descrito, saberemos que trata-se por um lado de corpos religiosos baseados em dogma, que em si mesmo sempre é vazio, e por outro em processos de catarse psicológica, que estão incompletos pelo uso apenas do que afirma a base escravagista da fórmula fálico solar, sendo sempre deixadas de lado toda e qualquer forma simbólica, por mais rica que seja, que aborde formas de pensamento diversos do dogma corânico, bíblico ou talmúdico, mas que mantém de forma adulterada, os simbolismos dos quais o dogma veio a se apropriar indevidamente, para dar sustentação a si mesmo – como foi largamente discutido acima.

Agora surgirá a seguinte pergunta:

Há possibilidade iniciática nos tempos modernos, dissociada dos melindres e tolices seculares – milenares na verdade – que possa nestes dias levar alguém a se erguer para além dos limites do ego, da falsidade social, da falsidade pessoal ou do rastejar contido na lastimável misericórdia, que tanto é citada como grande e respeitável virtude?

Certamente que sim!

Observemos que os reflexos deste Aeon, já eram notados em 1848 e.v. – com a obra de Orestes Brownson – e em 1888 da vulgar era cristã, quando uma das mais celebradas obras de Friedrich Nietzsche “O Anticristo” foi escrito – embora tenha sido somente publicada em 1895 e.v. – e desde aquele momento, começaram a tomar sena em meio ao mundo com cada vez mais ênfase, pois pouquíssimo tempo depois movimentos de renascimento de cultos, tradições e formas de conhecimento que historicamente se opuseram ao cristianismo e a outras formas de expressão fálico solar, ou dogmáticas conhecidas, começaram tanto a ganhar contornos quanto a se fazerem cada vez mais presentes na sociedade moderna.

Pois justamente em 1895 e.v. Carl Kellner, Franz Hartmann e Theodor Reuss engendraram os moldes do que então viria a ser conhecido como Ordo Templi Orientis, que veio a ser fundada concretamente em 1902 e.v., justamente o mesmo ano em que Karl Anton List desenvolveu um sistema de resgate das tradições setentrionais, que impulsionou uma gigantesca quantidade de trabalhos seus e de outros que vieram posteriormente.

Apesar da O.T.O., fundada por Carl Kellner, ter sido pensada nos mesmos moldes dos sistemas “illuminati” que acima foram mencionados, a mesma tanto já nasceu com alguns elementos diferentes em sua forma de expressão, como também veio a passar por alterações imensas poucos anos depois.

Esta academia de treinamento para maçons, como era o intento dos fundadores no início, contava com rituais sexuais ligados ao ponto de vista de Franz Hartimann e bem como a filosofia dos movimentos Samkhya e Addvaista, e contava com métodos de preparação do chamado elixir alquímico, que se usa de uma abordagem ligada a um ponto de vista acima citado, referente ao espírito estar presente no sêmen, e se fixar para o consumo via a emanação lunar do sangue menstrual.

Em 1904 e.v., na cidade egípcia do Cairo, Rose Kelly veio a ser o veículo pelo qual Aleister Crolwey recebeu o Liber Al vel Legis como a lei máxima do novo Aeon.

Este livro possuía uma tal natureza, que o comentário de Crowley ao seu término era caracterizado pelo terror, dado o choque cultural, social, religioso e político proposto no mesmo, que em muito já se alinhava com as disposições traçadas por Nietzsche em seu Anticristo, com o trabalho de Raleais “Gargântua e Pantagruel” e com o enfoque de Karl Anton List, perante a ética e o caminho de oposição a ser tomado.

Em 1912 e.v. Theodor Reuss convidou Aleister Crowley para encabeçar o ramo inglês da O.T.O., após ter testemunhado em um de seus trabalhos a chave do Santuário Supremo da Gnose.

Crowley que já havia engendrado a A.A. dentro de pontos de vista similares aos da O.T.O., mas já embasada no Liber Al vel Legis, não viu nenhum obstáculo em polarizar a O.T.O. com o Liber AL, tornando-a desta maneira uma forma de expressão do Thelemismo.

Paralelo a isso, os movimentos engendrados por K.A. List desdobraram-se de tal forma, que um trabalho de Orestes Brownson de nome “O Renascer do Odinismo” escrito em 1848 e.v., foi usado como base para engendrar um movimento com este nome em 1930 e.v., e que se estendeu em vários países, incluindo a Islândia, chegando a engendrar ali em 1972 e.v., a aceitação de uma derivação de seus conceitos sob o nome Asatru, com religião oficialmente aceita naquele país, e em 1973 e.v. foi criado o Odinic Rite na Inglaterra, e uma série de outros sistemas setentrionais entrou em curso desde então.

Em meados de 1900 e.v., em solo eslavo o mesmo começou a ocorrer, pois a Romuva – tradição natural dos povos Eslavos e Bálticos – que havia sido suprimida pelas artimanhas, perseguições e engodos dos jesuítas, voltou a tomar corpo no leste asiático.

No entanto em meados de 1940 e.v., o avanço soviético usando-se dos meios mais violentos a sua disposição, procurou exterminar todos os praticantes de Romuva que pôde encontrar, sendo que a mesma veio a se manter oculta no seio das famílias que ainda sustentavam seus ideais, até que 52 anos depois, por puro esforço de vontade e insistência veio ela a ser reconhecida em meio a muitos estados eslavos.

Em tempos muito recentes, os templos gregos voltaram a ser usados pelos “Hellenistas”, que procuram o resgate dos cultos antigos da região grega, e ali puderam reunir 50.000 pessoas, para adoração dentro dos templos helênicos.

Todos estes movimentos polarizados em seu início basicamente no mesmo momento histórico, não foram outra coisa senão o efeito indireto do despertar de melhores e mais precisas formas de iniciação, ligadas a fórmulas verídicas do desenvolvimento humano e que no geral contém veracidade histórica, tanto como um de seus sustentáculos, quanto expressão esta veracidade via seus símbolos e mistérios falando diretamente aos povos que participam da ancestralidade dos mesmos, ou falando aqueles que ligam-se a esta ancestralidade por identificação.

Se analisarmos o texto básico do thelemismo, notaremos que seu desenrolar nada tem em comum com as fórmulas de miserabilidade humana que Nietzsche sempre atacou, uma vez que neste mesmo texto não há espaço para o fraquejar ou para a misericórdia, que em si é vista como um vício.

Se notarmos os elementos acima reunidos, lembraremo-nos que a esfera de chesed citada dentro do cabalismo e hermetismo, lar da fórmula de “…Yaveh-Joveh-Zeus-Deus…” expressa pelo nome do deus supremo dos fenícios “..El…” ou “…Al…”, que foi absorvido para uso pelo hebraico como termo que define o deus do monoteísmo “…El…”, cujo plural ou coletivo é “…Helohim…” – como acima descrito.

Veremos que misericórdia é atribuída diretamente a esta sephiroth, que aliás é a antecessora da citada experiência do abismo, que abriga em si todos os temores de Zeus a cerca do despertar e liberdade dos Titãs.

Sobre isto o Liber Al vel Legis, deixa bem claro em suas estrofes a orientação pretendida para este Aeon:

21. Nós não temos nada com o proscrito e o incapaz: deixai-os morrer em sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão é vício de reis: pisa o infeliz & o fraco: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria do mundo. (Livro II – Hadit);

18. Que a piedade esteja fora: malditos aqueles que se apiedam! Matai e torturai; não vos modereis; sede sobre eles! (Livro III – Rá Hoor Khuit)

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Que muito guardam em comum com esta estrofe da tradição setentrional:

127.Se estás consciente que o outro é perverso, diga: não tenho trégua ou acordo com inimigos! (Havamal)

E bem como com estas importantes passagens do Anticristo de Nietzsche:

O que é bom? – Tudo que aumenta, no homem, a sensação de poder, a vontade de poder, o próprio poder.

O que é mau? – Tudo que se origina da fraqueza.

O que é felicidade? – A sensação de que o poder aumenta – de que uma resistência foi superada.

Não o contentamento, mas mais poder; não a paz a qualquer custo, mas a guerra; não a virtude, mas a eficiência (virtude no sentido da Renascença, virtu(1), virtude desvinculada de moralismos).

 

Os fracos e os malogrados devem perecer: primeiro princípio de nossa caridade. E realmente deve-se ajudá-los nisso.

 

O que é mais nocivo que qualquer vício? – A compaixão posta em prática em nome dos malogrados e dos fracos – o cristianismo…

 

Como pudemos então observar acima, o alinhamento que culminou com o nascimento do Liber Al vel Legis, tem características muito bem definidas que tendem a extirpar de si as formas mendicantes e sofríveis, que marcaram os tempos antigos, e procuram livrar-se das adulterações históricas e bem como dos dogmas e vícios que são tão comuns em meio ambiente fálico solar secular, que tem acompanhado a humanidade de forma tirânica tolhendo-lhe o livre pensamento.

O advento do thelemismo serviu como uma cabeça de aríete para dar passagem a uma série de estilos de expressão religiosa, artística, filosófica e científica em total oposição ao Aeon do Culto dos Escravos, buscando a divindade que subsiste na humanidade e pela humanidade, e bem como as formas de enaltecimento da nobreza de ser, da disciplina, da força, da vontade e da coragem do espírito do ser humano, não mais visto agora como um pecador a ser salvo, e sim como um deus a ser despertado, pois se o thelemismo afirma que “cada homem e cada mulher, são uma estrela”, também isto pode ser encontrado dentro das formas setentrionais, eslavas e célticas – entre outras – renascidas dentro deste pulso crescente, onde podemos encontrar citações tais como “quando os deuses criaram a humanidade, eles criaram uma arma”!

Neste Aeon aquele que pleiteia a iniciação deve buscar encontrar a si mesmo como o Centro do Universo, e não mais o Sol como tão freqüentemente ocorreu no Aeon passado, sob o dogma e as adulterações, e entender a si como uma estrela com um propósito, uma órbita, uma lei especificamente sua.

Ele não mais deve buscar virar a outra face, antes deve ele atingir o inimigo e extirpar-lhe a existência de forma fria e dura, pois a lei é a lei do forte e do mais capacitado.

Desta maneira vem a ser uma obrigação de todos os sistemas nascidos nesta maré de renovação, de eliminar todo e qualquer vestígio de maculo dos antigos tempos do dogma, pois tanto dão margem para suposições e aplicações baseadas em falsidade e mentira histórica ardilosamente manipulada, quanto são instrumentos de plágio e de experiências vividas pela metade, para dar alguma consistência ao “monotonoteísmo” – parafraseando Nietzsche.

Não é mais cristo quem está visível no altar!

Ali devem estar as imagens bélicas, belas e orgulhosas de Hoor, Baldhur, Dazbog, Belennos, Heracles ou Utu Absu.

Não é mais o manto recatado de uma Maria inviolada que deve instigar o coração das mulheres, e sim o brilho da estrela da manhã, sob a graça de Inanna, Astaroth, Freija, Lada, Afrodite e Isis.

Não mais deve ser celebrado um matador de dragões, antes disto Hadit, Svarog, Neit, Lock, Ophion, Dagon, Zalts serão celebrados como a fonte do saber humano, e origem da divindade humana.

Não mais as fórmulas que relegaram diferenças baseadas na simbologia do falo solar, podem ser empregadas nestes tempos sem que se pague o preço do ridículo, do escárnio ou do manto da tolice ou do engodo. Pois a história e a ciência juntas comprovam, que tem sido sempre assim em meio ao dogma e seu bastião.

No entanto tristemente podemos notar como, apesar dos sinais diretos e indiretos, sutis ou grosseiros, violentos ou suaves, constantemente baterem a porta de todos os ditos iniciadores. Estes em sua maioria prosseguem nos usos e costumes das falhas do Antigo Aeon, e em nenhum momento pautam-se em meios e modos de alterar sua conduta, ou sequer supõe-se errados em usá-la.

Esta conduta contumaz é fruto da relutância em perceber os próprios erros, ou na necessidade do ganho fácil proveniente do uso dos modelos antigos, ou do tráfico de influência que se possa fazer ao mantê-lo em voga, mesmo que se saiba o quão errado tal ato está.

Assim sendo, e tendo como base de análise o caso thelemico, veremos que em dado momento é afirmado no tema básico dos thelemitas, o Liber Al vel Legis, a cerca de Crowley que:

…49. Abrogados estão todos os rituais, todas as ordálias, todas as palavras e sinais. Ra-Hoor-Khuit tomou seu assento no Equinócio dos Deuses; e que Asar fique com Isa, que também são um. Mas eles não são meus. Que Asar seja o Adorador, Isa a sofredora; Hoor em seu nome secreto e esplendor é o Senhor iniciante. (Livro I – Nuit)…

 

…5. Vide! os rituais da velha era são negros. Que os maus sejam abandonados; que os bons sejam expurgados pelo profeta! Então este Conhecimento seguirá de forma correta. (Livro II – Hadit)…

E considerando-se estas passagens do Livro III de Rá Hoor Khuit, do Liber Al vel Legis:

51. Com minha cabeça de Falcão eu bico os olhos de Jesus enquanto ele se dependura da cruz.

52. Eu bato minhas asas na face de Mohammed & o cego.

53. Com minhas garras Eu rasgo a carne do Indiano e do Budista, Mongol e Din. 

54. Bahlasti! Ompedha! Eu cuspo em seus credos crapulosos.

55. Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: por sua causa que todas as mulheres castas sejam totalmente desprezadas entre vós!

56. Também por causa da beleza e amor.

57. Desprezai também todos os covardes; soldados profissionais que não ousam lutar, mas brincam; todos os tolos desprezai!

58. Mas o perspicaz e o orgulhoso, o real e o altivo; vós sois irmãos! 

59. Como irmãos, lutai!

 

Entenderemos que a lei de thelema é irmanada a todas as formas de expressão que veiculam o forte e o orgulhoso, o disciplinado e o capaz, em total oposição a misericórdia, compaixão, hipocrisia religiosa, falsidade moral e mentiras históricas que são legítimas representantes do movimento religioso fálico solar, desde Akhenaton dos golpes políticos, religiosos, militares e econômicos descendentes de sua atitude néscia.

E, no entanto, o próprio Crowley manteve alguns destes erros, que foram continuados por seus discípulos diretos e indiretos, tanto por descuido quanto por descaso.

Seus atos abriram portas a muito fechadas, mas muitas de suas atitudes e posicionamentos mantiveram-se seguramente mantidos dentro das muralhas do que o thelemismo afirma ser o Velho Aeon.

Uma prova disto, é uma análise sua a cerca de “Yod”:

Aleister Crowley, em sua obra O Livro de Thoth – O Tarot, explica: “Yod é a primeira letra do nome Tetragramaton e este simboliza o Pai, que é Sabedoria; ele é a forma mais elevada de Mercúrio, o Logos, o Criador de todos os mundos. Conseqüentemente, seu representante na vida física é o espermatozóide e esta é a razão da carta ser chamada O Eremita…

Em primeiro lugar, os movimentos gnósticos foram galgados sobre as fórmulas que foram acima descritas, e que pela observação adequada, se mostram incapazes de sobreviver neste Aeon, pois nem são históricas e nem são verdadeiramente tradicionais, e no geral apenas sustentam a atuação das bases do Aeon, que insidiosamente mentem-se presente até estes dias, por meio de seus sustentáculos do passado, tipificados como conhecimento, mesmo não o sendo sob a luz da ciência e da história.

Em segundo lugar, esta fórmula gnóstica que relega a mulher ao segundo plano, vista como “…He-Vau-He…”, ou “…Eva…”, enquanto Therion é visto como “…Yod…” e “…Adão…”, questionada inclusive por outro thelemita de nome Kenneth Grant, entra em um beco sem saída quando se observam as seguintes passagens do Liber Al vel Legis, Livro I de Nuit:

…52. Se isto não estiver correto, se vós confundirdes as demarcações dizendo: Elas são uma; ou dizendo, Elas são muitas; se o ritual não for sempre a mim: então aguardai os terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuit!…

…16. Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas para ele é a secreta chama alada, e para ela a descendente luz estrelar…

Se a mulher é somente um corpo sem alma, como gosta de afirmar toda versão antiga da bíblia, e muitas formas de entendimento tanto gnósticas como dogmáticas, então como pode ela tomar contato diretamente com a Luz Estelar de Nuit?

E se Hadit claramente afirmado ali como a Kundalini, no Homem, e deve ser erguer até Nuit, portanto as alturas do Sahashara Chacra, com pode ele ser o espírito se o mesmo procede do Nada Primordial que é Nuit/Tiamat por excelência, e tem nela sua verdadeira morada?

E sabendo-se da verdadeira história de Akhenaton, dos desdobramentos reais ligados a ele, do fato de que não houve envolvimento algum de uma língua sagrada ou sistema sagrado – ou de qualquer divindade real patronal – ligado aos usos e costumes do idioma, usado como base para estudos e aplicações. E entendendo-se pelo estudo adequado, que seus símbolos mais fortes, são de origem de povos mais velhos e mais sábios, e que estes símbolos perderam muito de si ao serem anexados indevidamente para uso do dogmatismo fálico solar dos herdeiros de Akhenaton, e mesmo para representação de fórmulas filosóficas destes, uma vez que em verdade o drama do fiasco que a cidade de Akhetaton foi, é o tema central destes símbolos base que sustentam sua tese de existência, contudo modificados para terem algum sustento histórico, mesmo que extremamente ficcional.

Não se admite mais em momento algum, que se possa supor qualquer uso real ou valor dentro da iniciação, para os códigos e meios e modos, tais e quais acima foram descritos.

Assim sendo, é chegado o momento de dar um basta no medíocre comportamento que tem abundado em meio aos ocultistas e ditos praticantes de outros estilos, onde coisas velhas e já sem uso algum são vendidas com novas roupagens, para não causar náusea aos clientes.

Outros sistemas e símbolos melhores, e outras línguas em total afinidade com o despertar do thelemismo se fazem necessárias para alavancá-lo adiante, como um baluarte da verdadeira e pura vontade humana.

É necessário que a ordem e o valor do alfabeto inglês sejam veridicamente empregado para tanto, com o estudo de suas origens e com o estudo de seus símbolos, que se adéquam em todos os sentidos a lei de thelema, e dos quais tanto necessitam os humanos para poderem dar seu passo além, e finalmente virarem esta página da história onde os grilhões do dogma foram pintados de ouro, e chamados de honraria.

Pois nesta ordem e valor das tradições do alfabeto da língua inglesa, “tzaddi” finalmente poderá ser descartado como “A Estrela”, e o caractere que demarca a “humanidade”, assumira ali seu lugar devido, e “Isa” estará com “Asar”, o qual é “Har” para os anglo-saxões antigos, que em verdade conheceram “Vontade” como seu irmão, e bem como um de seus principais deuses.

Por Grimm Wotan, o Berserker

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-iniciacao-no-velho-e-no-novo-aeon-antagonismos/

Moral e Dogma, por Albert Pike

A Maçonaria possui em sua filosofia um ensinamento que pode ser expresso num simples ditame: “Proteja os oprimidos dos opressores; e dedique-se a honra e aos interesses de seu País“. Maçonaria não é especulativa nem teórica, mas experimental, não sentimental, mas prática. Ela requer renúncia e autocontrole. Ela apresenta uma face severa aos vícios do homem e interfere em muitos de nossos objetivos e prazeres. Penetra além da região do pensamento vago; além das regiões em que moralizadores e filósofos teceram suas belas teorias e elaboraram suas esplendidas máximas, alcançando as profundezas do coração, repreendendo-nos por nossa mesquinhez, acusando-nos de nossos preconceitos e paixões e guerreando contra nossos vícios.É uma luta contra paixões que brotam do seio dos mais puros sentimentos, um mundo onde preconceitos admiráveis contrastam com práticas viciosas, de bons ditados e más ações; onde paixões abjetas não são apenas refreadas pelos costumes e pelos cerimoniais, mas se escondem por trás de um véu de bonitos sentimentos.

Este solecismo tem existido por todas as épocas. O sentimentalismo católico tem muitas vezes acobertados a infidelidade e o vício. A retidão dos protestantes apregoa, freqüentemente, a espiritualidade e a fé, mas negligencia a verdade simples, a candura e a generosidade; e a sofisticação do racionalismo ultraliberal em muitas ocasiões conduz ao céu em seus sonhos, mas chafurda na lama de suas ações.

Por mais que exista um mundo de sentimentos maçônicos, ainda assim ele pode ser um mundo onde ela esta ausente. Ainda que haja um sentimento vago de caridade maçônica, generosidade e desprendimento, falta a pratica ativa da virtude, da bondade, do altruísmo e da liberalidade. A Maçonaria assemelha-se aí às luzes frias, embora brilhantes.Há clarões ocasionais de sentimentos generosos e viris, um esplendor fugaz de pensamentos nobres e elevados, que iluminam a imaginação de alguns. Mas não há o calor vital em seus corações.

Boa parte dos homens tem sentimentos, mas não princípios. Os sentimentos são sensações temporárias, enquanto os princípios são como virtudes permanentemente impressas na alma para seu controle. Os sentimentos são vagos e involuntários; não ascendem ao nível da virtude. Todos os têm. Mas os princípios são regras de conduta que moldam e controlam nossas ações. Pois é justamente neles que a Maçonaria insiste.

Nós aprovamos o que é certo, mas geralmente fazemos o que é errado; esta é a velha história das deficiências humanas. Ninguém encoraja e aplaude injustiça, fraude, opressão, ambição, vingança, inveja ou calúnia; ainda assim, quantos dos que condenam essas coisas são culpados delas, eles mesmos.Já nos foi dito: “Homem, quem quer que sejas, se julgas, para ti não há desculpa, porque te condenas a ti mesmo, uma vez que fazes exatamente as mesmas coisas.”É surpreendente ver como os homens falam das virtudes e da honra e não pautam suas vidas nem por uma nem por outra. A boca exprime o que o coração deveria ter em abundância, mas quase sempre é o reverso do que o homem pratica.

Os homens podem realmente, de um certo modo, interessar-se pela Maçonaria, mesmo que muitos deficientes em virtudes. Um homem pode ser bom em geral e muito mau em particular: bom na Loja e ruim no mundo profano, bom em público e mau para com a família.Muitos desejam sinceramente ser bons Maçons. Mas é preciso que resistam a certos estímulos, que sacrifiquem certos caprichos. Como é ingrato aquele que morre medíocre, sem nada fazer que o glorifique para os Céus. Sua vida é como árvore estéril, que vive, cresce, exaure o solo e ainda assim não deixa uma semente, nenhum bom trabalho que possa deixar outro depois dele! Nem todos podem deixar alguma coisa para a posteridade, mas todos podem deixar alguma coisa, de acordo com suas possibilidades e condições.

Quem pretender alçar-se aos Céus, sozinho dificilmente encontrará o caminho.A operosidade jamais é infrutífera. Senão trouxer alegria com o lucro, ao menos, por mantê-lo ocupado, evitará outros males. Têm-se liberdade para fazer qualquer coisa, devemos encara-la como uma dádiva dos Céus; têm-se a predisposição de usar bem esta liberdade, então é uma dádiva da Divindade.

Maçonaria é ação, não inércia. Ela exige de seus iniciados que trabalhem, ativa e zelosamente, para o benefício de seus Irmãos, de seu país e da Humanidade. É a defensora dos oprimidos, do mesmo modo que consola e conforta os desafortunados.

Frente a ela é muito mais honroso ser o instrumento do progresso e da reforma do que se deliciar nos títulos pomposos e nos autos cargos que ela confere. A maçonaria advoga pelo homem comum no que envolve os melhores interesses da Humanidade. Ela odeia o poder insolente e a usurpação desavergonhada. Apieda-se do pobre, dos que sofrem, dos aflitos; e trabalha para elevar o ignorante, os que caíram e os desafortunados. A fidelidade à sua missão será medida pela extensão de seus esforços e pelos meios que empregar para melhorar as condições dos povos. Um povo inteligente, informado de seus direitos, logo saberá do poder que tem e não será oprimido. Uma nação nunca estará segura se descansar no colo da ignorância. Melhorar a massa do povo é a grade garantia da liberdade popular.

Se isto for negligenciado, todo o refinamento, a cortesia e o conhecimento acumulado nas classes superiores perecerão mais dia menos dia, tal como capim seco no fogo da fúria popular.Não é a missão da Maçonaria engajar-se em tramas e conspirações contra o governo civil. Ela não faz propaganda fanática de qualquer credo ou teoria; nem se proclama inimiga de governos. Ela é o apostolo da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Não faz pactos com seitas de teóricos, utopistas ou filósofos. Não reconhece como seus iniciados aqueles que afrontam a ordem civil e a autoridade legal, nem aqueles que se propõem a negar aos moribundos o consolo da religião. Ela se coloca à parte de todas as seitas e credos, em sua dignidade calma e simples, sempre a mesma sob qualquer governo.

A maçonaria reconhece como verdade que a necessidade, assim como o direito abstrato e a justiça ideal devem ter sua participação na elaboração das leis, na administração dos afazeres públicos e na regulamentação das relações da sociedade. Sabe o quanto à necessidade tem por prioridade nas lidas humanas.

A maçonaria espera e anseia pelo dia em que todos os povos, mesmo os mais retrógrados, se elevem e se qualifiquem para a liberdade política, quando, como todos os males que afligem a terra, a pobreza, a servidão e a dependência abjeta não mais existirão. Onde quer que um povo se capacite à liberdade e a governar-se a si próprio, ai residem as simpatias da Maçonaria.A Maçonaria jamais será instrumento de tolerância para com a maldade, de enfraquecimento moral ou de depravação e brutalização do espírito humano. O medo da punição jamais fará do maçom um cúmplice para corromper seus compatriotas nem um instrumento de depravação e barbarismo. O

nde quer que seja, como já aconteceu, se um tirano mandar prender um crítico mordaz para que seja julgado e punido, caso um maçom faça parte do júri cabe a ele defende-lo, ainda que à vista do cadafalso e das baionetas do tirano.O maçom prefere passar sua vida oculto no recesso da penumbra, alimentando o espírito com visões de boas e nobres ações, do que ser colocado no mais resplandecente dos tronos e ser impedido de realizar o que deve. Se ele tiver dado o menor impulso que seja a qualquer intento nobre; se ele tiver acalmado ânimos e consciências, aliviado o jugo da pobreza e da dependência ou socorrido homens dignos do grilhão da opressão; se ele tiver ajudado seus compatriotas a obter paz, a mais preciosa das possessões; se ele cooperou para reconciliar partes conflitantes e para ensinar aos cidadãos a buscar a proteção das leis de seu país; se ele fez sua parte, junto aos melhores e pautou-se pelas mais nobres ações, ele pode descansar, porque não viveu em vão.

A Maçonaria ensina que todo poder é delegado para o bem e não para o mal do povo. A resistência ao poder usurpado não é meramente um dever que homem deve a si próprio e a seu semelhante, mas uma obrigação que ele deve a Deus para restabelecer e manter a posição que Ele lhe confiou na criação. O maçom sábio e bem informado dedicar-se-á à Liberdade e a Justiça. Estará sempre pronto a lutar em sua defesa, onde quer que elas existam. Não será nunca indiferente a ele quando a Liberdade, a sua ou a de outro homem de mérito, estiver ameaçada.

O verdadeiro maçom identifica a honra de seu país como a sua própria. Nada conduz mais à glória e à beleza de um país do que ter a justiça administrada a todos de igual modo, a ninguém negada, vendida ou preterida.Não se esqueçam, pois daquilo a que você devotou quando entrou na Maçonaria: defenda o fraco contra o truculento, o destituído contra o poderoso, o oprimido contra o agressor! Mantenha-se vigilante quanto aos interesses e à honra de teu país! E possa o Grande Arquiteto do Universo dar-lhe a força e a sabedoria para mantê-lo firme em seus altos propósitos.

Por Albert Pike

#Maçonaria

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A História do Patrono da Ordem DeMolay

O nome da ordem tem origem em um homônimo, Jacques Demolay, nascido na França em 1244, que aos 21 anos uniu-se à Ordem dos Cavaleiros Templários, também conhecida como Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão.

Os Cavaleiros Templários foram uma organização sancionada pela Igreja Católica Romana em 1128, para proteger os caminhos que ligavam Jerusalém a Acre (atualmente corresponde à cidade de Akko, porto de Israel situado a Norte da Baía de Haifa, no Mediterrâneo). A Ordem dos Templários participou das cruzadas e ganhou renome por seu valor e heroísmo.

Com muitos nobres e governantes enviando seus filhos para unirem-se aos Templários, a Ordem também se tornara muito rica e popular por toda a Europa.

Em 1298, Jacques DeMolay, foi nomeado o Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários, posição esta de grande prestigio e poder. Como Grão-Mestre, no entanto, também estava em uma posição difícil. As Cruzadas não haviam alcançado seus objetivos. Os Sarracenos, não cristãos, haviam derrotado os Cruzados em uma batalha e capturado várias cidades e pontos geográficos vitais. Os Cavaleiros Templários e os Hospitaleiros (uma outra Ordem de Cavaleiros) foram os únicos grupos remanescentes do confronto com os Sarracenos.

Os Templários decidiram por se reorganizar e recuperar suas forças. Eles viajaram para a ilha de Chipre, esperando o suporte popular para uma nova Cruzada.

Todavia, ao invés do suporte popular esperado, os Templários atraíram a atenção de poderosos governantes, interessados na riqueza e no poder da Ordem. Em 1305, Felipe, o Rei da França, passou a dedicar-se a obter o controle sobre os Cavaleiros Templários. Até então, eles haviam sido controlados somente pela Igreja. Para prevenir um aumento do poder clerical, Felipe decidiu assumir o controle sobre a Ordem.

O ano de 1307 assistiu o início da perseguição aos Templários. Jacques DeMolay, juntamente com centenas de outros Cavaleiros, foi preso e atirado às masmorras. Por sete anos, eles sofreram torturas em padeceram nas condições desumanas do cárcere. Como os Templários não se acabavam, o Rei conseguiu forçar o Papa Clemente a condenar os Cavaleiros. Suas riquezas e propriedades foram confiscadas e foram dadas aos partidários de Felipe.

Durante anos de tortura, Jacques DeMolay continuou leal aos amigos e aos Cavaleiros. Ele recusou-se a revelar a localização dos tesouros da Ordem e a denunciar seus companheiros. Em 18 de março de 1314, DeMolay foi julgado por um tribunal especial. Como evidência, a corte baseou-se em uma confissão forjada, supostamente assinada por DeMolay.

Jacques DeMolay repudiou a confissão forjada. Pelas leis daquela época, o repudio de uma confissão era punível por morte. Outro Cavaleiro, Guy de Auvergne, assim mesmo, repudiou sua própria confissão e ficando ao lado de DeMolay. O Rei Felipe ordenou que ambos fossem queimados vivos naquele mesmo dia.

Apesar de tudo o que sofreu, DeMolay nunca renegou sua fé nem traiu seus companheiros, sendo, até hoje, considerado um exemplo de honra, lealdade e amizade.

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A Terra Oca

 Raymond Bernard

Em 1964 um livro causou uma certa polêmica sobre um assunto de certa forma já antigo. Escrito pelo Dr. Raymond Bernard, com Mestrado e Bacharelado em Artes, além de PhD, o livro trazia a afirmação de que a terra era oca, e não só isso, como também o interior oco do planeta seria habitado por uma raça avançada de seres.

Anunciado como: A MAIOR DESCOBERTA GEOGRÁFICA DA HISTÓRIA FEITA PELO ALMIRANTE RICHARD E. BYRD NA MISTERIOSA TERRA ALÉM DOS PÓLOS – A VERDADEIRA ORIGEM DOS DISCOS VOADORES

Este livro surgiu como a confirmação de uma história que, já desde a antiguidade, foi contada por inúmeras pessoas com crédito o suficiente para perdurar por séculos como uma possibilidade real. Desde os antigos costumes gregos do Hades, nórticos sobre o Svartalfheim, passando pelo Sheol Judaico, o Inferno Cristão e pela obra de Julio Verne, muitas pessoas sempre tiveram certeza de que o planeta que habitamos não era exatamente uma pedra flutuando no espaço. No fim do século XVII, Edmond Halley começou a dar um embasamento científico sobre a possibilidade dos mundos subterrâneos do planeta serem reais. Ele afirmou que a terra era na verdade uma casca oca de espessura aproximada de 800 Km e no seu interior haveria outro par de cascas, um dentro do outro, finalizando com um núcleo no centro de tudo. Cada casca oca seria separada por uma atmosfera própria e teriam rotações em velocidades próprias; ele considerou que cada camada de terra, que em sua visão se assemelhava a uma enorme boneca russa esférica, seria luminosa e possivelmente habitada.

Além de Halley inúmeros outros cientistas abraçaram esta probabilidade como algo realmente possível, Leonhard Euler, John Leslie, John Cleves Symmes Jr, e tantos outros, até mesmo durante o Reich de Hitler. afirmavam que não apenas nosso planeta não era sólido, mas também trazia, em seu interior, segredos e civilizações desconhecidas de nós. Outras tantas pessoas, impressionadas por esta possibilidade organizaram expedições, ou pediram que elas fossem organizadas, para que os pólos do planeta fossem explorados em busca de aberturas para o interior.

É ESTA A MAIOR DESCOBERTA DA HISTÓRIA?

É o que afirma o Dr. Raymond Bernard, não apenas dizendo que o interior do planeta já foi visitado por exploradores, como também trazendo evidências de que é do núcleo oco que vem os discos voadores avistados nas últimas décadas em várias localidades ao redor do mundo. Ele aponta que a verdadeira base dos discos voadores se encontra num imenso mundo subterrâneo, cuja entrada é uma abertura no Pólo Norte. Dr. Bernard acredita que no interior oco da Terra vive uma super-raça que não deseja manter contato com o homem da Superfície. Seus discos voadores somente foram lançados depois que o homem ameaçou o mundo com as bombas atômicas.

Hoje em dia tal afirmação parece ser a declaração de uma mente insana, mesmo assim não há como deixar de pensar que o insano é aquele que perdeu tudo, menos a razão. Julio Verne popularizou esta idéia na forna de um conto de ficção, e depois dele muitos escritores se apropriaram da idéia, o que lhe conferiu um ar de conto de fadas. Mas quando foi escrito, este livro foi levado muito a sério.

Reymond Bernard, era o pseudônimo de Walter Siegmeister, um americano filho de russos judeus, nascido em Nova Iorque em 1901. Seu pai foi um cirurgião que, quando viveu na alemanha, praticou a bioquímica. Walter conseguiu em 1932 seu título de Ph.D. em Educação, na New York University, mais tarde mudando seu sobrenome para Bernard e indo morar na Flórida. Walter era na época o que hoje conhecemos como um médico alternativo. Ele professava a religião Essênia, e escreveu sobre inúmeros assuntos de vanguarda na época, como a ciência desenvolvida por Hubbard, que mais tarde se tornaria a Cientologia, conhecida como Dianética, escrevia também sobre mistérios antigos, regeneração do corpo, longevidade, medicina alternativa, etc. Em 1941 Walter viajou para o Equador onde desejava criar um utopia paradisíaca e uma raça de super homens; seus planos foram por água a baixo quando o seu parceiro na época, John Wierlo, afirmou que não tinha interesse em criar uma super raça, queria apenas desenvolver um Acampamaneto de Santos. Quando retornou para os Estados Unidos, Walter adotou o nome de Dr. Robert Raymond por um período e então viajou novamente, desta vez para o Brasil, onde renovou seu interessa em OVNIs, lendas indígenas, nos mitos sobre Atlântida e na existência de inúmeros túneis neste país que serviriam de passagem para o núcleo oco e habitado do planeta. Durante este período adotou o nome de Dr. Uriel Adriana. Walter morreu um ano depois de ter publicado este livro, no ano de 1965, vítima de pneumonia.

Além do presente livro ele escreveu:

Agharta, O Mundo Subterrâneo,
Apolônio, O Nazareno – O Homem Misterioso da Bíblia
A Criação do Super-Homem
Discos Voadores do Interior da Terra
De Krishna até Cristo
O Grande Segredo do Conde de Saint Germain

entre outras dezenas de obras publicadas.

Agora, mesmo que este assunto tenha um tom de brincadeira de mal gosto, este livro não deve ser lido com leviandade. Ele resume idéias muito anteriores ao escritor e acrescenta alguns pontos contemporâneos, todos expostos por alguém que de fato acreditava no que estava sendo exposto.

Durante a história inúmeras pessoas consideraram a possibilidade deste planeta de fato ser oco e abrigar vida em seu interior, alguns afirmam que a vida é mais primitiva, outros que ela é absurdamente mais avançada. Religiões e cultos já foram, e são formados atá os dias de hoje, tendo esta idéia como base ou como parte de suas crenças. Como Hitler afirmou, quando foi questionado sobre a possibilidade da terra ser oca, e de se enviar tropas para se averiguar isso:

“Não temos a menor necessidade de uma concepção do mundo coerente. A terra pode mesmo ser oca.”

A obra foi dedicada:

“Aos Futuros Exploradores do Novo Mundo que existe além dos Pólos Norte e Sul, no interior oco da terra. Àqueles que repetirão o vôo histórico do Almirante Byrd, por 2.730 quilômetros além do Pólo Norte, e o da sua expedição, por 3.690 quilômetros além do Pólo Sul, penetrando num Novo Território Desconhecido, que não é mostrado em qualquer mapa, e sobre uma imensa superfície de terras, cujo tamanho total é maior do que o da América do Norte, constituindo-se de  florestas, montanhas, lagos, vegetação e vida animal. O aviador que for o primeiro a alcançar este Território Novo, desconhecido até que o Almirante Byrd o descobriu, ficará na história como um Novo Colombo, e até mesmo maior do que Colombo, porque enquanto Colombo descobriu um novo Continente ele descobrirá um Novo Mundo.”

Trazendo o lembrete de que:

O planeta Saturno é um mundo dentro de outro, e talvez mais. O mundo interno é achatado nos pólos e tem 120.000 quilômetros de diâmetro. Se fosse oco, a terra poderia girar dentro dele e todavia, permanecer a mais de 32.000 quilômetros das suas paredes.

Índice

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A Bruxaria na Velha Itália

E quando um padre causar-te mal com suas bênçãos,
deves imputar a ele males duas vezes piores.
-Mito da Vinda de Aradia

Charles G. Leland no século XIX apresentou para o mundo em seu livro Aradia: Evangelho das Bruxas, a obra que cem anos mais tarde inspiraria Gardner junto com os escritos de Crowley a tecer a Wicca ou Bruxaria Moderna. Mas a crença das Bruxas da Itália, nem de longe se limitaria a ele. Outro historiador e escritor, Raven Grimassi, dedicou sua vida a explorar os mistérios da Bruxaria da Velha Europa.

Altamente influenciado pela Wicca, Grimassi manteve em seus livros um paradigma cerimonial básico para a estrutura da Bruxaria, isto é, celebrações de lua cheia, oito festivais ligados a roda do ano (as treguendas), e adoração a Diana e estranhamente Dianus. Dianus não é outro senão Lúcifer, que utilizando seu outro nome, tornava seu material mais viável e menos diabólico. Afinal, as bruxas do século XXI fazem de tudo para se afastar da imagem de adoradores do Diabo. Talvez mais ligadas ao cristianismo do que eram as bruxas de antigamente, a palavra diabo sequer é mencionada em livros de bruxaria. Ou totalmente repugnada.

É interessante que a palavra diabo vem de diabolus, em latim, “o adversário”. Assim como a palavra Bruxaria e Witchcraft, a Stregheria era um culto marginal. Era encontrado mais nas beiras da comunidade, com mulheres que jogavam cartas ou faziam poções. E um aborto ou outro de vez em quando.

E uma das coisas que mantinha a fé na Stregheria era a Sagrada Strega – Aradia.

Aradia, a Filha de Lúcifer

E deves ser a primeira das bruxas conhecidas;
E deves ser a primeira de todas no mundo;
E deves ensinar a arte do envenenamento,
-Aradia, Evangelho das Bruxas

Na Itália, a Inquisição foi fundada para reprimir a seita dos cátaros e começou a funcionar em 1224 quando o Papa Honório III incumbiu vários bispos para proceder contra os hereges; como tribunal, oficialmente começou a funcionar, como nos demais países, no ano de 1232 pela bula do Papa Gregório IX. Ela era responsável por julgar indivíduos acusados de um vasto leque de crimes relacionados com a heresia, incluindo a feitiçaria, a imoralidade, blasfêmia, e bem como para a censura da literatura impressa.

A Igreja não imaginava que no meio de toda sua diversão – o roubo de terras, estupros, saques, abuso de poder dos papas e tudo que só o Catolicismo faz por você – iria nascer uma contra cultura, uma mulher que mudaria os rumos daquela terra. No norte da Itália na região de Toscana, no dia 11 de agosto de 1313 iria nascer uma das figuras mais peculiares da Bruxaria: Aradia.

Foi dito que Aradia ouvia vozes desde pequena. E em um certo dia, ela escutou Diana a chamando e então começou a aprender com Ela a arte da Stregheria. E nem de longe era essa bruxaria regada a borboletas e unicórnios que vemos atualmente. Diana ensinava a ela evocar tempestades, envenenar pessoas, amaldiçoar padres. Padres eram os alvos mais claros de toda bruxaria italiana. Em um dos seus vários mitos, um padre após ter insultado uma imagem de Diana, é acordado várias vezes com assombrações e então decepado.

Lúcifer, o pai de Aradia e filho/irmão de Diana tem um mito interessante. Ele foi criado pela própria Diana logo no inicio, que em seguida se apaixonou pela sua criação. Tão grande era a beleza de Lúcifer que fez Diana fazer o primeiro de todos os feitiços de amor: e então prende-lo a si para gerar toda a criação.

No trabalho de Raven Grimassi, o nome Lúcifer foi substituído por Dianus, “Divino”. Dianus Lucifero, o nome correto do Deus da Luz e do Esplendor da Itália, que mais adiante se tornou o temido Lúcifer, rei do inferno.  É interessante que no livro do Leland, Lúcifer e Diana são tidos tanto como reis do céu como do inferno. Charles Godfrey Leland (18241903) escritor de diversas obras sobre folclore e ocultismo, entre as mais conhecidas Aradia, or The Gospel of the Italian Witches, Etruscan and Roman Remains e Legends of Florence, obras que falam sobre Stregheria, a Bruxaria Italiana. O evangelho das bruxas, foi lançado em 1899 através de umas cartas que ele recebeu de uma bruxa chamada Madalena, que jogava tarot e ocasionalmente, passava uma parte dos mistérios para ele.

Aradia então passou a ensinar as pessoas a cultuar Lúcifer e Diana. A própria figura de Aradia é muito discutida entre historiadores e poucos realmente acreditam que ela viveu. Ela supostamente foi capturada pela inquisição e então, após seduzir os guardas e escapar desapareceu pela velha Itália. Sua magia, que na época passou para seus treze discípulos, foi então espalhada em vários outros grupos e sobreviveu a fogueiras, torturas e missas nauseantes.

O Elo Perdido do Catolicismo e a Stregheria

 

Se há algo que as bruxas italianas entendem, é de missas e santos. É dito que quem é do sangue, nasce vendo e usando o poder em cada oportunidade. A missa é a base da magia cerimonial cristã – é o encontro entre o céu e a terra, a purificação e a iluminação. É aonde as bruxas buscam para amaldiçoar nomes, enfiando-os na agua benta.

Os movimentos da streghe são sempre delicados. O terço nas mãos é usado antes de qualquer ritual, que muito diferente da cerimônia atualmente praticada em grupos modernos, se baseia tradicionalmente em se sentar na cozinha, com algumas velas acesas e um terço na mão. E então evocando enquanto conta o terço, o streghe começa a dar vida a Chama – o elo espiritual entre as bruxas da Velha Europa.

A Chama é um conceito espiritual erroneamente tido como um fogo no meio da cerimônia, por grupos que tentam modernizar a stregheria. A Chama, é a palavra Fé, é o espírito da própria bruxaria, que é pedido enquanto o praticante reza “Diana , bella Diana , pensa a me in questo momento”, é acreditado dentro da Stregheria que a Chama, é algo que deve ser alimentado, através da pratica de adoração aos antigos. Segundo contam as lendas, no dia que não houver mais um streghe para para alimentar a Chama, nem o Sol, nem a Lua irão brilhar mais.

As Bruxas da Velha Itália mantém uma vela acesa ao San Michele Arcangelo, que assim como San Pietro e Santa Luzia, tem papel fundamental. Ele não é visto como um arcanjo guerreiro pronto para combater Satã. Pelo contrario, ele é visto como um antigo espírito de guerra, que foi usurpado pelo catolicismo e ganhou a forma de anjo; o mesmo ocorreu com San Pietro que é um espírito que prende, amarra ou libera as pessoas e situações.

Por nascer em uma terra fortemente católica, a bruxaria italiana mantém essas raízes. Tanto católicas, como etruscas. Os etruscos são povos que viveram na região da Península Itálica. O período exato em que houve a ocupação não se sabe, mas acreditam que ela ocorreu por volta dos anos de 1200 a 700 a.C. A região cuja qual eles habitavam equivale o que é hoje a Toscana, com partes no Lácio e Umbria, na Itália.

A Bruxaria se espalhou pelo mundo e aqui no Brasil também tem fortes representantes. Obviamente, cada grupo de bruxaria incorpora sua visão, suas praticas e acaba alterando um pouco o conteúdo recebido. É importante que a tradição se mantenha viva, mesmo que não nos tornemos fanáticos pela mesma, mas mantendo um respeito pela sua beleza e sua manifestação.

A Stregueria é uma das manifestações da Bruxaria, carregando consigo a riqueza de um povo apaixonado, fervoroso e forte. Que Aradia abençoe a cada um de nós.

 

 

por King

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-bruxaria-na-velha-italia/

HermetiCAOS – Sobre a Disciplina

Eu acordo de manhã completamente disfuncional. Demoro algum tempo para pegar no tranco, caso não tenha nenhuma obrigação agendada. Se eu não tomar café, demora mais.

Ao longo do dia, tenho que conciliar a vida de pai, marido, eterno mestrando, minhas tentativas esporádicas de me enveredar pelas vias literárias, o trabalho como professor de filosofia e, agora, como coordenador, e a busca por dimensões superiores de existência. É muita coisa. Pra mim, é. Muitas vezes, algumas dessas coisas ficam comprometidas. Às vezes, todas elas ficam, pois o nosso mundo contemporâneo parece construído com o objetivo de nos afastar o máximo possível da excelência (areté), de sermos o melhor que podemos ser. E minha mente, com frequência perturbadora, se envereda por caminhos de procrastinação autodestrutiva, de recompensas e prazeres imediatos, que me distanciam de mim mesmo.

Assim, o que deveria ser disciplina, se torna preguiça e o que deveria ser motivação, se torna autoindulgência. Eu sei exatamente o que fazer. A disciplina mágica que eu tenho intenção de seguir se descortina perante mim e a sabedoria da Antiguidade me eleva a patamares mais altos, de maneira que eu possa vislumbrar meu Destino, lá longe, lá no final. Mas, como disse o Morpheus, “há uma diferença entre conhecer o Caminho e trilhar o Caminho”. Existe um tanto de Fé para que se trilhe esse caminho, porque há que se ter confiança na palavra dos Mestres quando eles dizem: “É pra lá”.

Quem não consegue desenvolver essa confiança, rapidamente se desfaz desses ensinamentos, acusando-os de charlatanismo, de ingenuidade infantil, de sei lá mais o quê. Mas, de alguma maneira, meu envolvimento com Magia, e Ocultismo de uma maneira geral, vem de um sentimento interior de que há Razão nesse trajeto. De que caminhar nessa direção de fato liberta, eleva, nos transforma em pessoas melhores. Esse é, de fato, o caminho que leva à Iluminação. E ele foi atestado por várias pessoas que se dispuseram a seguí-lo, e elas nos dizem: “Venha, você também pode”.

De minha parte, já vivi intensamente essa disciplina, pelo menos por algum tempo. Sei dos benefícios que ela traz. Posso dizer que a Magia é responsável por me tornar uma pessoa melhor. Mas e se eu não houvesse trilhado esse caminho, senão outro? Não seria tão bom quanto sou hoje? Sei lá. Pode ser que sim, pode ser que eu chegasse onde estou por inúmeras outras vias: psicoterapia, biodanza, coaching… Mas a Magia foi o método que eu escolhi, ou talvez, aquele que me escolheu. É o que eu achei mais divertido e o que inunda minha existência de Sentido. E sei que ainda tenho muito a caminhar, não sou uma pessoa iluminada, senão apenas mais um buscador, como tantos outros. A perspectiva adequada, conforme aprendi, é a de que “não somos seres materiais buscando uma experiência espiritual, mas sim seres espirituais vivendo uma experiência material”.

Entretanto, viver na matéria é um grande desafio, tanto mais difícil quanto mais se compreende o que significa isso e o que está em jogo. Transcender a matéria somente se dá através da própria matéria, não de sua negação. A disciplina do trabalho mágico leva a essa compreensão, que é fundamental ao caminho, mas é fugidia. Se a disciplina esmorece, a consciência desvanece. E parece que, quanto mais o tempo passa, mais difícil fica manter a disciplina. Dura uma semana, duas, três… na seguinte, eu falho. Outras coisas entram na frente. Obrigações, responsabilidades, cansaço, a consciência perdida em pequenos prazeres inúteis feitos sob medida para roubar toda a nossa energia. Daí, quando percebo a armadilha, me forço a reiniciar. Começo de novo. Quantas vezes forem necessárias. Foi quando eu entendi uma coisa fundamental.

Deixar de meditar, de conduzir rituais, de desenvolver trabalhos mágicos, enfim… largar a disciplina por um tempo, não é falhar. Falhar é parar de fazer para sempre. Falhar é abandonar o Caminho. Na estrada para o desenvolvimento da disciplina, pular um dia ou dois — ou uma semana ou duas, que seja — não significa que eu fracassei, pelo contrário: faz parte do processo. Se eu já fosse uma pessoa disciplinada, não precisaria praticar a disciplina. Se já fosse uma pessoa iluminada, não precisaria buscar a Iluminação. Se a pressa é inimiga da perfeição, então a senda deve ser seguida com calma. Porque sentar na beira do caminho para descansar não é desistir do caminho. E eu não estou apostando corrida com ninguém. O outro extremo da autoindulgência é a cobrança excessiva que desmotiva. Para nos tornarmos pessoas melhores, o primeiro passo é sermos melhores conosco mesmos. Aliás, aprendi também que só se pode ser verdadeiramente honesto consigo mesmo. O resto é ilusão. Venho corroborando isso com o passar dos anos. Talvez seja assim também com você.

Dessa maneira, todas as vezes que me esforço para recomeçar, mesmo acreditando que possa ter jogado toda minha dedicação anterior no lixo, percebo que é ali que se encontra minha força. Quando a luz na fresta da janela bate dentro do meu olho, quando falta energia em casa e me vejo refletido na tela desligada da TV, quando a angústia da existência vazia começa a querer cobrar seu preço, aí eu me levanto e começo de novo. Esse é o meu maior sucesso.

No mais, não faz muito tempo, “recebi” um certificado como o abaixo. Apareceu pra mim na leitura do livro “O Manual do Messias”, de Richard Bach. Acredito que você possa tomá-lo também como seu. Está à disposição de todo mundo, na verdade.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermeticaos-sobre-a-disciplina