Brasão do Arcanum Arcanorum

O Brasão do Arcanum Arcanorum representa todo o processo de busca e trabalho com o Sagrado Anjo Guardião. A Jornada por dentro de nosso Brasão começa pelo centro, na fagulha divina, perfeita e única que habita cada um de nós. Esta fagulha é representada pela Rosa Rubra dentro da Cruz Dourada.

Desperta a Vontade do buscador de trilhar as sendas do autoconhecimento e o aperfeiçoamento próprio em benefício da humanidade, esta pequena fagulha incandesce e acende as três primeiras pétalas do Lamen Rosacruz, representadas nas três letras mãe hebraicas: Alef, Mem e Shin. Alef representa o sopro divino, Mem as águas primordiais e Shin o fogo que testará o neófito em suas provações. Os três elementos etéreos que, somados à manifestação em Malkuth dada pela encarnação do buscador, completam os Quatro Elementos primordiais da Alquimia.

Do domínio dos Quatro elementos no grau de Zelator, o buscador passa a estudar os Sete Planetas no grau de Theoricus, seu próprio Mapa astral e toda a simbologia contida nas Sete Letras duplas do alfabeto Hebraico. São elas: Resh (o Sol), Gimmel (a Lua), Beit (Mercúrio), Daleth (Vênus), Peh (Marte), Kaph (Júpiter) e Tav (Saturno), cada um com seus mistérios, poderes ocultos e cobranças pessoais no caminho da Luz.

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A Recolha do Orvalho

Rubellus Petrinus

O orvalho ou água celeste é a condensação atmosférica nocturna, sob a influência da Lua, e, segundo a tradição alquímica, é o veículo privilegiado do espírito universal. Os antigos alquimistas tinham a água celeste em muito apreço. Nos países da Europa central, recomendavam recolher o orvalho nos meses de Março a Maio, porque nessa altura, tem uma virtude muito especial por estar impregnado do espírito universal.

No centro e sul do nosso país, (Portugal) a melhor altura para recolher o orvalho é nos meses de Março e Abril. Nos anos de pouca pluviosidade na Primavera, no mês de Maio, a erva dos prados começa a secar, dificultando, assim, a condensação. Além da condensação ser pouca e não justificar o esforço dispendido, o orvalho recolhido nestas condições fica cheio de impurezas como tivemos ocasião de verificar pessoalmente.

Por vezes, nos seus livros, os nossos Mestres fazem referência à água celeste por analogia quando há uma condensação de vapores num vaso ou numa destilação.

Vimos um alquimista muito conhecido no seu país pelos livros que escreveu sobre a sua “obra” alquímica, esboçar um sorriso incrédulo quando lhe falámos da aplicação do orvalho na alquimia, demonstrando, assim, um desconhecimento da realidade alquímica.

Se perguntardes a um “desses” alquimistas como se recolhe e destila o orvalho e como se extrai o seu sal, certamente não saberá responder-vos, porque esse conhecimento não está ao alcance de todos, pois são muito raros os livros onde esta operação é descrita. Nós aprendemo-lo num dos livros de Solazaref.

Na nossa Arte, esta água é usada geralmente como veículo no tratamento dos sais filosóficos e não só.

A condensação do orvalho, faz-se durante a noite, perto da madrugada. Para que haja uma condensação abundante, é necessário que o céu esteja descoberto, sem nuvens, que não haja vento ou aragem, isto é, numa noite tranquila.

O tempo apropriado para recolher o orvalho, como dissemos, é na Primavera durante o quarto crescente até ao plenilúnio.

São poucas as noites que oferecem as condições ideais para a recolha do orvalho, por isso, tereis de aproveitá-las o melhor possível.

Para recolher a água celeste, necessitareis, uma toalha de algodão de tamanho médio, de preferência, muito usada, uma bacia de ferro esmaltada de 10 litros, alguns garrafões de vidro muito bem lavados com água, um funil grande de plástico e um pano fino bem limpo para servir de filtro.

No dia anterior, inspeccionai o campo aonde ireis, para verdes o melhor caminho de acesso e outras condições que vos permitam identificar bem o lugar à noite.

Escolhei um campo limpo, sem poluição, com erva curta, o máximo de um palmo de altura e que esteja bem afastado do meio urbano.

Levantai-vos duas horas antes do amanhecer e, antes de vos deslocardes para o local, verificai se o tejadilho dos automóveis que se encontram estacionados na rua, em lugar aberto afastado dos edifícios, está coberta de condensação. Isto é um bom sinal. Se não houver condensação no tejadilho dos carros, é escusado sairdes de casa porque não há orvalho. Segui o nosso conselho, porque nós sabemo-lo bem, por experiência própria.

Se houver condensação abundante, deslocai-vos para o sítio escolhido, levando todo o vosso material. A toalha deverá ser previamente lavada em água da chuva ou de nascente.

Quando chegardes ao local, desdobrai a toalha e estendei-a no chão, num dos extremos do campo. Prendei-lhe uma corda fina nas duas pontas para a poderdes arrastar pelo prado.

Arrastai a toalha bem estendida devagar, para que esta tenha tempo de absorver a água celeste que se encontra na relva. Quando começardes, notai bem o seu peso, porque à medida que se for impregnando de orvalho, pesará mais. Quando virdes que está saturada, parai e espremei-a bem para a bacia.

O orvalho, nesta época do ano, está a uma temperatura inferior a 5º ou menos e, por isso, as vossas mãos ficarão muito frias.

Continuai, da mesma maneira, arrastando a toalha e, quando estiver novamente saturada, parai e espremei-a bem para a bacia, até enchê-la. Nessa altura, ide buscar um garrafão, colocai-lhe o funil com o pano para filtrar e vazai o líquido para o garrafão.

Não vos esqueçais de levar uma lanterna eléctrica para poderdes ver, pois, como vos dissemos, a recolha do orvalho deverá ser feita em plena madrugada, antes do nascer do Sol.

Prossegui, até que os primeiros raios da aurora comecem a aparecer no horizonte, então, parai. Guardai o vosso material e regressai a casa. Numa noite, em boas condições, podereis recolher mais de 10 litros de água celeste.

O orvalho recolhido, tem uma cor de chá, ligeiramente amarelada e é inodoro.

A primeira vez que o observámos, pensámos que esta cor era devida à poeira que estava na relva onde tinha sido recolhido e, para o confirmar, na noite seguinte, quando os raios do Sol começaram a aparecer no horizonte e havia boa visibilidade, com uma esponja muito bem limpa, recolhemos, cuidadosamente, o orvalho depositado nas plantas que estavam bem limpas e sem qualquer poluição. A cor era exactamente a mesma.

Chegados a casa, no escuro, despejai o líquido dos garrafões de 5 litros, através de um funil com o pano de filtragem, para um garrafão de vidro de 20 litros e fechai-o bem com uma rolha de borracha. Arrumai o garrafão numa            cave,                  ao                         abrigo              da                luz. Se tiverdes possibilidade, isto é, se viverdes no campo fora da zona citadina, nas noites de lua cheia, despejai o orvalho numa bacia grande de plástico e deixai-o, durante a noite, exposto à luz da Lua, para este se carregar de espírito universal e, assim, aumentar a sua virtude. Recolhei-o antes do nascer do dia.

Enchei, pelo menos, mais um garrafão de 20 litros, conforme as vossas necessidades e deixai repousar na cave durante um mês. Ao cabo desse tempo, retirai, com um tudo de plástico 5 litros de orvalho para um garrafão. Fazei esta operação de noite, servindo-vos de uma pequena lanterna eléctrica.

Durante esse tempo, o orvalho apodreceu e, por isso, todas as matérias em suspensão, assentaram no fundo, deixando o líquido límpido e transparente.

Deitai os 5 litros numa cucúrbita de 6 litros, igual à que usastes para destilar o espírito de vinho e do vinagre, colocai-lhe o capitel e um recipiente de 2 litros e destilai a fogo lento, não superior a 60º. Demorará mais de uma semana a destilar tudo dependendo da abertura que tiver a vossa cucúrbita. Não nos esqueçais que esta operação deverá ser feita no escuro. Guardai o orvalho destilado em garrafões de vidro, ao abrigo da luz.

Depois de tudo destilado, ficará, no fundo da cucúrbita, uma borra, que recolhereis.

Destilai todo o vosso orvalho, da mesma maneira e recolhei sempre as borras. Depois de terdes destilado 40 litros, deitai todas as borras na cucúrbita e destilai até à secura. Retirai o caput e calcinai-o numa escudela de barro, com fogo muito forte, num fogão a gás. Extraí o sal, por lixiviação, com orvalho destilado. Obtereis umas 20 ou 30 g de sal.

Este sal de orvalho, ainda grosseiro sob o ponto de vista alquímico, contém um nitro subtil que depois de devidamente tratado como manda a Arte, é utilizado na via seca canónica.

A recolha e a destilação do orvalho, é um verdadeiro trabalho de Hércules, que requer muita paciência e perseverança e, como já vos dissemos no início, nem sempre vos será possível, dentro da época propícia, recolher o orvalho que necessitareis, devido a condições adversas, como chuva, céu encoberto com nuvens, vento, etc.

O orvalho destilado ser-vos-á muito útil na preparação dos diversos sais canónicos inerentes à nossa Arte.

Para certas operações mais correntes, podereis empregar em vez do orvalho destilado, água da chuva bem limpa e filtrada, recolhida na Primavera, de preferência em dias de trovoada.

A propósito da recolha do orvalho e por se terem levantado algumas dúvidas sobre o processo que descrevemos, relemos o livro “L’Alchimie et son Livre Muet” (Mutus Liber), Réimpression première et integrale de l’edition originale de La Rochelle, 1677, Introdution et comentaires par Eugène Canseliet F.C.H. disple de Fulcanelli, à Paris, chez Jean-Jacques Pauvert.

Pelos comentários feitos por Canseliet neste livro, não só confirmámos o que descrevemos como também o que suspeitávamos quando vimos pela primeira vez estas figuras.

Página 87 – «Pois bem! Sim, o carneiro e o touro da imagem sobre a qual nos debruçámos presentemente correspondem aos dois signos zodiacais, isto é, aos meses primaveris durante os quais a operação tendo por objectivo recolher a flor do céu é realizada exactamente tal como ela se encontra definida neste lugar.»

«Trata-se sem dissimulação da maneira simples que já primeiramente por nós mesmo utilizada e não há menos de meio século, salvo a diferença quanto à instalação das peças de roupa branca sobre as estacas. Sistema que pode explicar, na passagem de Altus, a secura do terreno, ainda que, segundo um médico inglês, toda a substância colocada por cima do solo “adquirirá mais orvalho durante uma noite bem calma, que uma substância semelhante colocada sobre a erva”.

(1) Ensaio sobre o orvalho, Well (William-Charles. Essais sur la Rosée, traduit par Aug. J. Tordeux, Maitre en Pharmacie, Paris, 1817, p 24.»

«Depois de muito tempo operámos diferentemente, passeando, de preferência sobre os cereais verdes, os trevos, as luzernas e os sanfenos um pano de linho cuidadosamente lavado várias vezes com água da chuva. Convém que nenhum sal da lixívia e da lavagem se dissolva por pouco que seja no licor generoso que será absorvido. Do mesmo modo deverá recear- se que o vegetal portador não esteja desgraçadamente polvilhado ou aspergido de qualquer adubo.»

Página 88 – «A prática é banal e consiste em torcer em seguida o tecido embebido à saturação a fim de espremer e de recolher o orvalho como o fazem o homem e a mulher que nós vimos em oração na segunda figura.»

Página 103 – «O leitor sério e atento não será surpreendido se nós lhe dissermos que esta nossa figura não está no seu lugar e que a quarta figura a deveria ter precedido. É fácil compreender que esta segunda parte da preparação preliminar da obra se situa depois daquela recolha inicial a qual nós observámos sobre a estampa número quatro.

O líquido precioso é agora submetido à acção do fluido universal, em largos pratos circulares onde ele parece encobrir uma borra espessa e negra. Estas duas fracções da fase preliminar da Grande Obra, devem sempre ser efectuadas na estação que designam os dois animais das suas imagens…»

Página 104 – «Desta água celeste, mais exactamente do sal precioso que ele retêm em solução, o metalóide adquire a sua grande e nova virtude.»

Canseliet não refere que a recolha do orvalho terá de ser efectuada de madrugada antes do nascer do sol. No entanto, diz que as figuras não estão colocadas pela ordem dos trabalhos da Obra e que a quarta figura deveria ser seguida da nona e, como nós referimos, depois da recolha do orvalho este deverá ser exposto à radiação Lunar.

O processo indicado pela figura acima é a recolha do orvalho por meio de lençóis de algodão branco colocados sobre estacas pela razão que refere Wells.

No entanto, Canseliet, descreve a recolha do orvalho tal como nós o fizemos sobre os cereais verdes ou relva não com uma toalha de linho mas com uma toalha de algodão muito usada.

E tal como nós afirmámos, Canseliet utilizava o sal extraído do orvalho sem especificar como, na segunda obra da Via Seca ou seja nas Águias. Sempre afirmámos que Canseliet fez a via seca tal como a descreve no seu livro a “Alchimie Expliquee Sus Ses Textes Classiques”.

Há quem diga que a via espagírica praticada por Barbault seria a via descrita no Mutus Liber. Na nossa opinião o trabalho espagírico de Barbault não se enquadra de forma alguma com a obra descrita no Mutus Liber e a via descrita neste último não é feita exclusivamente com o orvalho como podereis observar na Sétima Figura e, ao que parece, de acordo com o que lemos, o seu autor Altus não chegaria a concluí-la.

Com a chegada da Primavera é a altura propícia para recolhermos o orvalho. Desta vez resolvemos recolhê-lo tal como nos mostra a Quarta Lâmina do Mutus Liber por meio de lençóis brancos de algodão esticados e presos em estacas de madeira espetadas no solo.

Na tarde do dia 1 de Abril de 1999, às 19.00h colocámos seis estacas de madeira de 50 cm no solo do jardim num local descoberto, sem árvores, ficando estas apenas 25 cm acima do solo. Os dois lençóis mediam 1,40 x 2,50m. e foram presos com um pedaço de corda fina em cada ponta de uma estaca como podereis observar na imagem.

A noite aproximava-se tranquila sem vento nem nuvens e a Lua já estava nos primeiros dias de quarto minguante mas brilhava no horizonte nocturno com o céu estrelado. Era uma noite ideal para a recolha do orvalho.

Cerca da meia noite fomos verificar o “material”. Os lençóis estavam ligeiramente húmidos e encurvados e tivemos de esticá-los novamente e, por precaução, colocar uns cartões por baixo para evitar que tocassem o solo e se sujassem.

Aproveitámos a ocasião para limpar com um pano de flanela limpo o tejadilho e os vidros automóvel que já tinham alguma condensação.

Levantámo-nos às 05.30h (eu e minha esposa) e fomos recolher os lençóis desprendendo-os das estacas auxiliados apenas pela fraca luz da iluminação pública. Levámos os lençóis para o interior da casa e com essa fraca luz dobrámos os lençóis em quatro e tentámos espremê-los para uma bacia  de ferro esmaltado.

Não saiu nem uma gota de orvalho embora eles estivessem molhados. Desdobrámo-los e voltámos a dobrá-los novamente mas desta vez no sentido do comprimento. Esprememo-los por pequenas secções cada um torcendo no sentido inverso. Sentimos então escorrer algum orvalho para a bacia. Recomeçámos até chegarmos ao fim, fazendo a mesma coisa com o outro lençol.

Deitámos o orvalho recolhido na bacia para uma pequena garrafa de vidro escuro de 300 ml previamente lavada com água de nascente. Colocámos a garrafa dentro dum saco de plástico preto.

Por uma questão de curiosidade, limpámos o tejadilho do automóvel e os vidros com o mesmo pano de flanela ainda húmido. Esprememo-lo para a bacia e deitámos esse orvalho para outra garrafa de 300 ml que encerrámos também dentro do mesmo saco de plástico preto.

Chegados a casa verificámos que o orvalho recolhido pelos lençóis estava turvo. O que recolhemos no tejadilho e nos vidros do automóvel estava sujo de poeiras.

Ficámos completamente desiludidos com o sistema pois o orvalho recolhido nos lençóis não ultrapassou os 200 ml. Os lençóis ficaram ainda húmidos mas não nos foi possível recolher mais nada. Para humedecer os lençóis seria necessário mais de um litro de água, por isso, o total de líquido recolhido seria pelo menos 1,5 litro do qual só pudemos recolher 300 ml. O orvalho recolhido no automóvel foi aproximadamente a mesma quantidade.

O orvalho turvo talvez se deva ao facto de os lençóis não terem sido lavados previamente com água de nascente porque quisemos fazer a experiência com os lençóis completamente secos.

Nestas condições e com tão pouca quantidade de orvalho turvo não pudemos evaporá-lo para ver se conseguíamos algum sal. Provámos o orvalho recolhido e verificámos que era um líquido insípido e inodoro.

Para a próxima vez, isto é, no próximo quarto crescente até à lua cheia faremos nova experiência mas lavando previamente os lençóis com água de nascente para ver se conseguimos maior quantidade e que seja límpido para tentar extrair algum sal por evaporação lenta.

Fizemos posteriormente nova recolha com o mesmo processo, mas desta vez lavando previamente os lençóis com água de nascente e colocando-os ainda húmidos. O resultado foi mais animador. Recolhemos 1 litro de orvalho mas também turvo embora os lençóis tivessem sido lavados com água de nascente, por isso, a poluição só poderia ser atmosférica.

Conclusão: a imagem 4 do Mutus Liber é, pelo menos, falaciosa e dá-nos a impressão de que quem a desenhou ou mandou desenhar nunca recolheu o orvalho por esse processo. Quem verificar a referida Lâmina 4 ficará com a impressão de que irá recolher litros de orvalho como se pode observar pelo líquido que escorre do lençol que o casal está torcendo.

Ainda em referência ao orvalho, vejamos os comentários que Eugène Canseliet faz à Quinta Chave de Basílio Valentim, em Les Douze Clefs de la Philosophie, Les Editions de Minuit , página 140 e 141:

«O espírito universal descende dos espaços celestes na primavera e retorna no outono.

Este movimento circular de queda e ascensão determina um ciclo anual e regular no qual o espírito representa o papel de mediador entre o céu a terra. Ele é mais abundante na época da germinação que no princípio do verão e manifesta   a   sua   actividade   mais   à   noite   que   de   dia. A radiação solar dissipa-o, o calor volatiliza-o, as nuvens interceptam-no, o vento dispersa-o e impede-o de se fixar, mas pelo contrário, as radiações lunares favorecem-no e exaltam-no.

Na superfície da terra, ele une-se à água pura do orvalho que lhe serve de veículo para o reino vegetal e forma com ele um sal dotado de uma acidez particular.

Na destilação ou evaporação lenta ao abrigo da luz, pode-se recolhê-lo em cristais minúsculos, verdes, muito refringentes e possuindo uma certa analogia qualitativa com o nitro ordinário.

É por isso que o Cosmopolita que o conhece muito bem, lhe impõe nos seus tratados o nome de “salpêtre” filosófico com o duplo sentido de nitro e de sal da pedra (Salpetrae).

A incorporação do espírito, a sua infiltração através da textura mais ou menos mole dos minerais, não implicam a necessidade de uma dissolução prévia nem do seu transporte num veículo aquoso. Pelo contrário, é directamente tal como ele nos chegam dos espaços celestes – sob forma de vibração obscura ou de energia invisível – que se pode aliar aos metais mineralizados.

Isto demonstra o erro de certos alquimistas que por não terem compreendido o seu modo de acção submetem o orvalho de Maio – extraído a maior parte das vezes do nostoc – metais divididos precipitados reduzidos em pó impalpável.

O fluido universal, apesar da sua grande subtileza não saberia penetrar os corpos metálicos, inicialmente porque está já corporificado ele mesmo no orvalho, em seguida porque a densidade a inércia dos metais reduzidos pela indústria humana constituem outro tanto de obstáculos à sua introdução. Se se quer conseguir a sua animação é indispensável mantê-los perfeitamente em fusão conforme o que indica nesta imagem da quinta chave, o personagem com o rosto em chamas e munido dum fole.»

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-recolha-do-orvalho/

Papageno – I

Yvette Centeno, na minha opinião uma das maiores especialistas da obra esotérica do Fernando Pessoa.

Nas primeiras cenas do Acto I adquirem especial importância Tamino, a serpente que o persegue, as damas de negro que o salvam e Papageno, o passarinheiro, coberto de penas como se ele mesmo fosse uma criatura mais próxima do reino animal do que do reino dos humanos.O cenário é descrito como uma paisagem rochosa, onde há grutas e árvores, vendo-se ao longe um templo de forma circular: duas esferas, a natural, primitiva, em parte por isso assustadora, e a religiosa ou espiritual, ao longe ainda, na representação do templo. Mas já estão presentes ambos os cenários, ambas as esferas, a natural e a espiritual.Os autores não querem deixar nada ao acaso.

No diálogo que se estabelece entre Tamino, o príncipe, e Papageno que fingirá ter sido o seu salvador, torcendo o pescoço da serpente, terá uma das deixas mais importantes. Quando o príncipe lhe pergunta “quem és tu?”, este responde:

Wer ich bin? Dumme Frage!

Ein Mensch, wie du.

Quem sou eu?Que pergunta mais tola!

Um homem, como tu.

Por ser um homem, poderá Papageno acompanhar o príncipe na aventura de redenção da princesa Pamina, ainda que as suas provações, por ele ser mais imperfeito (estar mais dependente dos seus instintos naturais, a fome, a sede, o sexo)durem mais tempo, até ele ter direito à sua Papagena, o seu contraponto feminino desejado. Se com os príncipes se realiza a Obra no seu grau mais sublime, com os Papagenos a Obra realiza-se num grau abaixo, por assim dizer, mais perto da realidade da res humana. Do ponto de vista alquímico, no entanto, ambos atingem a completude que a Conjunção representa.

A Rainha da Noite, para além de ser um símbolo da nigredo alquímica, é neste contexto da ópera de Mozart algo mais, de mais remoto, mais ancestral, primitivo. Daí o seu fascínio, desde logo sobre o príncipe, que aparentemente tinha sido atraído ao seu reino:

Sternflammende Koenigin!-Wenn es etwa gar die maechtige/Herrscherin der Nacht waere!

A rainha de estrelas flamejantes!Se fosse mesmo a poderosa/Senhora da Noite!

Adiante, pela descrição do atemorizado Papageno, que nunca a vira, só às damas de negro, o príncipe aluda ao facto de o seu pai lhe ter mencionado uma rainha assim, tão poderosa:

Nun ist’s klar; es ist/ eben diese naechtliche Koenigin, von der mein/ Vater mir so oft erzaehlte.

É óbvio, trata-se mesmo/dessa rainha da noite de quem o meu pai/ tantas vezes me falou.

O que o príncipe não percebe, como diz a seguir, nem os autores nos explicam, é por que razão o príncipe ali se encontra, ali é perseguido por uma grande serpente e salvo pelas damas de negro da rainha.

O fascínio das damas pelo príncipe é idêntico ao que ele sente pela poderosa Senhora. Os diálogos deixam no ar uma certa ambiguidade: tanto quando as damas o contemplam, desmaiado no chão, desejando, cada uma delas, ficar ali a guardá-lo enquanto as outras vão chamar a rainha, como quando ele, já bem desperto, ainda que algo confuso sobre o que lhe está a acontecer, se vê perante um pedido da rainha: que seja o salvador da sua filha Pamina, raptada por Sarastro, nestas cenas ainda apresentado como espírito do mal.

É importante o momento em que a terceira dama entrega ao príncipe o retrato da princesa. A primeira sedução é exercida pela imagem, que ele contempla emudecido e que parece hipnotizá-lo. A incumbência de a salvar parece-lhe um imperativo a que não pode nem quer furtar-se. Assim começará a sua grande aventura.

Falámos da importância do negro, do 3 ( 3 damas , 3 bocados da serpente) da flauta que é dada ao príncipe, fazendo dele um segundo Orfeu, e da dimensão cósmica que a rainha assume, ao aparecer num trono rodeado de estrelas brilhantes (Acto I, cena seis). Podemos evocar Hecate, deusa dos infernos, como faz van den Berk, mas prefiro pensar em Cybele, e os ritos sacrificiais de Attis (de que o príncipe poderia ter sido vítima, ou ainda Sarastro, no segundo acto, quando a rainha entrega a Pamina um punhal para o matar); ou talvez ainda melhor a grande prostituta do Apocalipse de João, descrita também ela como mulher carregada de pérolas e pedras preciosas, simbolizando a decadente Babilónia, a Grande Cidade que reinava sobre os reis da terra. De qualquer modo estes são cultos e figuras que terão o seu fim com a época das Luzes, celebrada na ópera.

O que se pode depreender, do simbolismo do negro feminino, é que diz respeito à matéria social ou humana decaída, e que é necessário opôr-lhe, para redenção social ou humana também ela, um complemento espiritual masculino (entenda-se, luminoso, racional).

Qualquer destas figurações o que faz é remeter-nos para uma memória ancestral, aterradora, que é preciso sublimar, pois a espessura da matéria negra carece de tal espiritualização – quer se trate da sociedade humana e sua condição (como no caso da ópera de Mozart)-quer se trate de algum processo alquímico de trabalho da Pedra Filosofal (como também a interpretação da ópera permite). No tocante à alquimia haverá sempre duas leituras: a da alquimia verdadeira ( do ouro espiritual) e a da falsa, que todos os filósofos herméticos condenam, sem excepção, como lembra Dom Pernety no seu dicionário Mito-Hermético. As cenas iniciais em que Papageno mente, fingido ser o salvador do príncipe são exemplo de um processo imperfeito (porque mentiroso ) da tal falsa alquimia. O seu pão e vinho são transformados em água e pedra, lembrando-lhe, ainda que ele não o entenda logo, que se trata da Pedra verdadeira dos filósofos e não da mentira e do fingimento da aparência. Também a regra do silêncio é ali apontada, quando as damas lhe põem um cadeado na boca.

Como se verá adiante na ópera, o Caminho exige privações e provações a que será preciso resistir: Tamino resiste a todas: do silêncio, desde logo, da água, do fogo, do ar (neste caso representado pelos jovens que atravessam os céus); Papageno tem mais dificuldades, mas a sua imperfeição é perdoada no momento em que, arrependido, tenta enforcar-se. E lembremo-nos que, para a leitura alquímica, o elemento terra já fora apresentado no início, com a paisagem rochosa e com a serpente que as damas mataram com as suas lanças.

Terra e nigredo estão na ópera muito próximas; depois, com Papageno, o das penas coloridas, se alude à fase da cauda pavonis, interessante porque anuncia um bom progresso na Obra.

A côr, tal como os números, os princípios e os elementos, vai anunciando a evolução do caminho.Tudo o que é suposto estar presente tem de ser figurado, de uma ou outra maneira, para que se veja a Obra na sua completude: nigredo, albedo, rubedo – e entre elas a cauda pavonis, multicolor.

#Poemas

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/papageno-i

O Ocultismo

Por Hamal

O ocultismo e o hermetismo expõe maneiras de se conhecer e estudar os mundos extrafísicos de acordo com diferentes linhas. Alguns chamam de mundo de Astral, outros de Espiritual, outros ainda comparam o Astral ao plano das emoções e o espiritual a dos pensamentos, e assim por diante, os separando em níveis e vibrações diversas.

Para nós em nosso estudo o que importa é entender que existe uma vida após esta acabar corpo material e que energias e seres não materiais estão em interação com a matéria. Para o ocultista não é nenhuma novidade que exista algo além da mera percepção que temos pelos cinco sentidos, e se é para você, com o tempo deixará de ser.

Se vestir corretamente em um Templo ou o acender de uma vela são atitudes que lidam com energias extrafísicas. Estaríamos sendo irônicos (ou ineficazes) se praticamos qualquer uma dessas ações sem crer que há algo além da matéria.

A importância do Ocultismo a nós é para responder perguntas como: qual o motivo da oração? Qual o motivo de me portar corretamente em um Templo? Qual o motivo de acender uma vela? E qual o efeito disso tudo? O ocultismo visa entender e conhecer essas energias que ora são egrégoras, ora são espíritos humanos ou não humanos, ou simplesmente ondas de pensamento, e a interação dessas energias com as práticas.

OCULTISMO

Ocultismo vem do latim occultus, que significa “clandestino, secreto, oculto”, o ocultista visa viver e descobrir os segredos do mundo de uma maneira além da casual, a partir de uma experiência pessoal e que nem sempre pode ser explicado por métodos científicos.

Explicamos. Existem duas ciências que são aparentemente opostas, que são as ciências exatas e mensuráveis, e a ciência metafísica e filosófica. As mensuráveis se ocupam em aprender a partir do material, e as metafísicas a partir do imaterial, e ambas tem o objetivo de achar respostas que satisfaçam o espírito humano, porém parece existir um abismo entre as duas. A ciência intermediária entre as duas não se baseia em idéias abstratas e nem em conceitos puramente físicos, a ciência que conecta as duas é a chamada Ocultismo.

O método do ocultismo é estudar e sentir pela prática o metafísico, e essa interação acontece por um despertar da consciência. Temos que entender que somos corpo, alma e espírito, o corpo é dotado de cinco sentidos que em interação com os instintos básicos de sobrevivência como comer, beber água, reproduzir, nos proporciona a capacidade de manter o corpo vivo. Na alma reside a psique, que estão nossa razão e emoção. No espírito (que não é a mesma coisa que alma) está nossa conexão com o divino, é de onde provêm a intuição e aquela voz interna que conversa (ou tenta conversar) com nós.

O corpo está ligado ao elemento terra, tudo que é palpável mensurável e está restrito ao tempo e ao espaço. A alma está ligada ao ar e água, razão e emoção respectivamente, está conectada ao corpo enquanto o corpo está vivo, mas não é restrita ao material podendo se desprender causando o que é conhecido como viagem astral. Já o espírito está relacionado ao elemento fogo, e está ligada a alma e não ao corpo.

As ciências exatas trabalham no elemento terra e ar, a psicologia trabalha no ar e água, a metafísica trabalha no ar e fogo, definindo de maneira grosseira. Dificilmente veremos filósofos, religiosos e cientistas trabalhando em termo de união entre esses estágios. É esse o campo da irreconciliável disputa entre Fé e Ciência.

O Ocultismo trabalha no elemento fogo, pois interage com o espirito, no ar e água pois é através da alma que o espírito se manifesta, e com o terra, pois é no material que estamos vivendo agora e com ele devemos nos preocupar e trabalhar.

Boa parte da humanidade está restrita ao elemento terra, sem nenhum equilíbrio emocional ou racional. Alguns despertam mais o racional e emocional, e pouquíssimos conseguem equilibra-los, pois é uma das mais difíceis tarefas, e menos ainda se preocupam com o espiritual. Temos também aqueles materialistas espirituais que desprezam a razão se prendendo a dogmas, outros ainda que acham razão para dogmas, como também os que sentem o espírito através das emoções (como médiuns), os que sentem o espírito pela razão (como Einstein), e assim por diante.

Podemos definir o ocultista como aquele que busca ter consciência do mundo que o cerca e do que está invisível, em ir além dos sentidos físicos. O ocultista sabe que existe (e não só crê) e interage com o mundo astral e espiritual, pois passou por alguma transformação espiritual (elemento fogo) que o fez sentir que existe algo além e imensurável. Esse é o objetivos das Iniciações, uma transformação espiritual.

Todos sentem esse algo espiritual sutilmente, e se você sentiu agarre e descubra, estude e pratique, pois poucos o fazem.

Complexo? Se sim, vá com calma e releia, pois ainda vamos analisar todos esses processos pelo ponto de vista ritualístico, estamos ainda fundamentando e dando um passo de cada vez.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ocultismo

Anotações sobre o Liber C vel Agape

O Livro sobre a Revelação do Santo Graal, onde se discorre sobre o Vinho do Sabat

Amor é a lei, amor sob querer.
O Sol é o Vinho, a Lua é a Taça.
Vertido seja o Sol na Lua.
Hafis

“Inverte o círculo três vezes
e cerra temerosamente os olhos:
ser-lhe-á concedido do mel do orvalho
e do leite do paraíso.”
Sal Philosophorum

“De um lado Baco, o Criador de ambos os sexos, do outro lado um tigre em pleno salto, devorando os cachos de uma vinha em forma de gente, cujas mãos recebem do mesmo Baco uma outra videira. Esta gravura representa a vinha entre os atributos criativo e destruidor de Deus: um deles dá o fruto, o outro imediatamente o devora. No pescoço do tigre enrola-se uma guirlanda de hera, o que mostra que o destruidor e o criador são Um. A hera (como também outras trepadeiras sempre-verdes) simboliza a Juventude e a Virginalidade perenes.”

Criatio in Principio

De tua mão, ó Senhor, provém todo o Bem: de ti provém toda a Misericórdia e a Bênção! Os sinais da Natureza são indicados por teus dedos, contudo só quem aprendeu em tua escola é capaz de decifrá-los. E como os servos miram as mãos de seu Senhor e as criadas as de suas amas, assim nossos olhos te seguem, pois tu sozinho és nossa ajuda. Ó Senhor Nosso Deus, quem não louvar-te-ia? A ti, o Senhor do Universo! Tudo provém de Ti, Tu és Tudo, a ti tudo retorna! Tu sozinho és os Senhor e não existe outro além de ti! Quem não honrar-te-ia, ó Senhor do Universo, a quem ninguém se iguala, que tem morada exterior no céu e interna em nossos corações? Ó Deus, imensamente grande e indizivelmente pequeno, estás em todas as coisas e todas as coisas estão em ti. Ó Natureza! Tu mesma derivaste do Nada! Como deveria eu chamá-la? Em mim mesmo não existe mais que eu mesmo: Sou em Ti o Nada verdadeiro! Vive, pois, em mim e conduze-me ao Ser em Ti”.

Instrução do O.H.O. a Baphomet

Merlin [Reuss] pela graça do Deus que é três em um, e pelo consentimento do Mestre do Oculto, conferem o Serviço à Humanidade e entre vós como Chefe Externo da Ordem, exaltado O.H.O, a Baphomet [Crowley] Summus Sanctissimus Xº O.T.O. da Irlanda, Iona e Bretão no Santuário da Gnosis, Grão-Mestre dos Cavaleiros do Espírito Santo, o mais alto comandante e Poderoso Soberano da Ordem Sagrada do Templo, etc., Saudações e Paz em todos os nomes santos e misteriosos do mais verdadeiro e sempiterno Deus, e em Palavra e em Espírito Santo.

Ouve tu, ó mais-que-santo, Irmão-Mor e mais iluminado, minha palavra, e acata meu conselho e meu sermão.

Encerra minha palavra em teu coração e sela teus lábios!

Revela isto somente a quem o merecer: e manifesta-o apenas àqueles que crêem.

Há algum dentre vós mui distintos Senhores Cavaleiros [Sir] que são soberanos grão-general-inspetores e que minha palavra compreenda? Há alguém em Konistorium [Conselho da Ordem] que compreenda a O.T.O. verdadeiramente?

Procurai e vede: revelai a mais íntima vontade de cada cavaleiro e ungí-a com um juramento. Testai-a ademais ao extremo e conduzi-a à derradeira prova.

Iniciai-a então secretamente no mais alto mistério: deixa-o então participar do último dos Mistérios.

Pois somente neste Arcano e neste apenas jaz a Divindade, sim, aquele que o possuir já não será um homem, mas DEUS.

Ex conventu
Ettae
die Mariae
Sacrificatae An VIII [1912]

Salutatio

Baphomet, sob a Graça do Deus Uno e Tripartido e sob o beneplácito e a nomeação da O.H.O. e do Mestre Secreto: Rex Summus Sanctissimus Xº O.T.O. da Irlanda, Iona e o Bretão no Santuário da Gnosis, Grão-Mestre dos Cavaleiros do Espírito Santo, Lugar-Tenente Comandante [Komtur] da Sagrada Ordem do Templo, aos mui distintos senhores Cavaleiros [no âmbito de] um Grande Soberano e Inspetor-Geral do Antigo e Presumido Rito de 95º do Real Ritual de Memphis inteiramente iniciado nosso Augusto IXº, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, um Deus, IAO, eterno, indivisível, Todo-Poderoso, Onisciente e Onipresente.

Graças a Deus e à graça de Nosso Senhor Jesus Cristo e a presença do Espírito Sagrado esteja convosco, hoje e até o final dos dias. Amém.

Aqui se segue agora o secretíssimo dos Secretos, a chave de toda Magia, sob a amorosa bondade do O.H.O. me é revelado sob vossa Instrução e Proveito.

Lege. Judica. Tace.

De Natura Arcani

“Sou o A e o O, o Princípio e o Fim. Eu, a quem
tem sede darei de graça da fonte
da Água da Vida. Vencedor tudo isto herdará
e eu lhe serei Deus e ele me será filho”
Apocalipse, 21:6-7

“Ex henos ta hanta genesthai, kei eis t’auton analuesthai.”
Plato, Phaedr.

Achega-te a mim, para que eu te possa descortinar a mais imensa das maravilhas. Sabei, nosso início é em Deus, e nosso fim é em Deus: isto constitui-se assim na Grande Obra, para a conquista da Divindade.

Compadecido e com afetuoso amor descortinou ele os campos da antigüidade para o caminho da [para tanto necessária] prontidão contida. Os gnósticos e os maniqueístas têm-no preservado [o caminho da prontidão] em todas as suas arqui-secretas congregações, tal como o aprenderam dos grandes magos egípcios: tampouco aos crísticos era estranho este mistério, nem aos adoradores de MITHRAS. O mistério jaz oculto na Fábula de Samsão; e nosso Senhor Jesus Cristo proferiu-o pela boca dos Amados Discípulos.

Este foi o mais oculto dos mistérios dos Senhores Templários e os irmãos Rosa-Cruzes o conservaram em seu Colégio do Espírito Santo. Diretamente deles e de seus seguidores os Irmãos Herméticos da Luz. Nós o recebemos e agora o transmitimos.

Sabei que o mistério consiste num determinado Rito, numa Alta Missa que se faz celebrar no Templo do Sagrado Espírito. Não sois vós então Reis e Sacerdotes de Deus, Mui Elevados Senhores Cavaleiros e meus amados e iluminados irmãos [IXº – XIº]?

Este é o verdadeiro sacramento [do Esperma e do Glúten] através do qual vós ides tomar parte no corpo e no sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo – não em sua morte mas em sua Ressurreição. Através disto vos tornais crianças da Luz, Veículos do Espírito Santo, totalmente puros, cavaleiros do Santo-Gral, Majestosos Cavaleiros da Ordem Sumamente Sagrada dos Kadosch. Através disto obtende vós GNOSIS; através disto tornai-vos Membros do Santuário [da O.T.O.].

Abençoados aqueles que recebem esta oferenda e assim adquirem direito à Árvore da Vida, podendo penetrar na cidade pelo portal adentro.

Pois cães e magos e prostitutas e assassinos e idólatras estão sem [este sacramento] e também todos aqueles que amam a mentira.

E o Espírito e a Noiva dizem: Vinde! E deixai que aquele que ouve diga: Vinde! E deixai que o sedento diga: Vinde! E quem ainda quiser, deve graciosamente tomar da Água da Vida .

De Alechemis

Nossos iluminados irmãos os Alquimistas eram sábios na Sabedoria de Deus e hábeis nas habilidades humanas – eles se consagravam extensivamente à magia material para encontrar a medicina dos metais, do Aço dos Sábios, a Tintura Alva e a Vermelha, o Elixir da Vida.

Pois (assim dizem eles) com a prosperidade vem o ócio, através da saúde, energia e com uma vida longa um tempo a mais: tudo isso queremos consagrar à execução da Grande Obra.

Eles possuíam verdadeiramente esse segredo, que a Tradição não perdeu com o passar dos séculos.

Ó tu que lá no alto estás com Deus!

Ó tu Eleito dos Homens!

Ó tu sobre quem caiu a Misericórdia de Cristo!

A ti desvelamos o indizível e insondável Mistério. Passamos a confiar-lhe o Arcanum Arcanorum, o ocultíssimo Tesouro dos Sábios. Sem ele, tudo se torna frio, inerte, morto. Com ele tudo é fogo, força, espírito, criação. Esta é a porta para todas as portas do Reino dos Céus! Este é o Cetro do Rei, que lá habita.

A posse e o correto uso desse mistério possibilita centuplicadas forças. Sim, verdadeiramente cêntuplo é o ganho. Pois este mistério foi passado diretamente por Jove ele-mesmo, cuja letra PK é: as iniciais de nosso Athanor e de nosso Curcurbite , como são em grego denominadas.

E verdadeiramente nomeio dessas forças apenas sete, a Eleusis da Glória, a Estrela sobre o Firmamento dos Irmãos da Hermética Luz.

Lua: A primeira delas é a construção dessa, que é não-nascida, e deveras transforma-se num prodígio.

Vênus: A segunda é a Harmonia e a Maestria desta, que simultaneamente e com amparo ajuda – desde sempre tua gêmea e consorte.

Marte: O terceiro traz juventude, beleza e força, com os quais tu nunca envelhecerás.

Saturno: O quarto traz o prolongamento da vida.

Mercúrio: O quinto é a obtenção do Altíssimo, a Magia da Luz.

Júpiter: O sexto te protege e te auxilia a estabelecer-te no mundo dos negócios. Ele o conduz a um alto nível e à honra.

Sol: Através do sétimo recebes toda Luz e reconheces o terreno, pois tu compreendes tanto a alma terrena quanto a alma espiritual do homem.

Não é esta propriedade mais valiosa do que toda a imundície da Terra?

Não é uma pérola mais cara do que todos os tesouros marinhos?

Não compensa, por este objetivo, despires-te de toda a indumentária? Um preço, que para alcançá-lo nenhum esforço é cansativo demais, nenhum movimento excessivamente exaustivo, nenhum sacrifício demasiadamente grande. E que de tuas mãos jorrem bênçãos, sim, verdadeiramente e Amém, seja tua cornucópia elevada para todo o sempre.

Tu esforçaste-te para tanto e o conseguiste! Ei-la aqui, ei-la aqui, não menos, aqui nesta hora em que te corôo, aqui no Santuário da Gnosis, Elevado, Iluminado e agora três vezes Sagrado Irmão da O.T.O..

De Natura

Aprende primeiramente o que concerne à natureza. O fundamento da vida mineral é matéria [Hyle] e é escuridão.

O fundamento da vida das plantas á a clorofila e é verde.

O fundamento da vida animal é o sangue e é vermelho.

O fundamento da vida divina é Luz, cujo mais suave brilho vai além do violeta.

Portanto ninguém [na O.T.O.] tem permissão de usar seja o que for de violeta exceção feita aos OHO e seus substitutos diretos Mais Sabios Soberanos Grande Mestre Geral, o Mais Potente Soberano Grande Comandante da Grande Loja e Soberano Geral Comandante o mais elevado e santo Regente Xº de cada país.

De Nomine Dei

[Encontra-se aqui o Hexagrama como foi desenhado por Eliphas Levi, o fundo contudo não está tão escuro]

Eu vos conjuro, Altos Senhores Cavaleiros e Plenamente Iluminados Irmãos [IXº] compreendai que este Mistério depende de um mais alto do início ao fim .

Ele não está representado de maneira que nosso entendimento possa compreendê-lo: e ainda que nossos corações dissolvam-se em Amor, nós não o alcançamos, pois ele, assim como o Sol é a alma, que por sua vez o reflete, ainda assim não o contém.

Agora é Ele o Pai, que gera a Palavra, que transforma, e o Espírito, que recebe: assim é também o Espírito que do pai emana, a Essência, que une o Pai ao Filho: e este Mistério está oculto em muitos nomes secretos, que agora lhes serão descortinados, vós Mui Elevados Senhores. Cavaleiros e Totalmente Iluminados Irmãos de nossa Antiga Ordem.

Aprendei portanto esta nossa terceira divisa de nosso Mais Alto Conselho, a significação mística. DEUS EST HOMO, i.é., Deus é Homem. O que significa também: ASSIM ACIMA COMO ABAIXO: ASSIM FORA COMO DENTRO. Não existe parte alguma do homem que não seja de DEUS: e não existe parte alguma de DEUS que não tenha sua correspondência na Humanidade.

E aprendei isto: nunca alcançarás Deus: pois tudo o que compreendes é tua própria criação como d’Ele Próprio. Tu O conheces, pois és Ele. Portanto há três no Céu, que disso prestam testemunho: o Pai, a Palavra e o Espírito: e estes Três são Um. E há deles Três na Terra, que disto dão testemunho: o Espírito, a Água e o Sangue: e esses Três são Um.

Neste três-em-um IAO o Pai é o I, o Espírito o A e O a Palavra: e aí A é o Espírito, M a água e Sh o Sangue: tudo isso perfaz 358: MS-hlCh, o Messias, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que por Sua morte liberou o Espirito, a Água e o Sangue – como testemunhou o Santo João em seu Evangelho. Deste modo Jesus Cristo é o Alpha e o Omega, o Símbolo da União de Deus com a Humanidade.

E aqui reside a segunda tríplice-unidade: DEUS, DEUS-Humanidade, Humanidade. E a este DEUS-Humanidade nossos antigos irmãos deram muitos nomes.

E mesmo tendo o Cristianismo profanado completamente o nome de Jesus Cristo, foi Ele preservado por nossos verdadeiros irmãos Rosa-Cruzes: e o que d’Ele se diz nos Evangelhos, nas Epístolas e no Apocalipse é verdadeiro, desde que interpretado à luz do Discípulo da Pedra [o sábio].

Portanto nossa salvação reside no DEUS-Humanidade: n’Ele somos ambos, DEUS e homens. O Testemunho disto foi traído e a quantidade dada maculada – assim como está escrito: “Não atireis vossas pérolas aos porcos, para que a vós não retornem, destruindo-vos!”

Por esta falha na guarda dos Mistérios foram os Adeptos perseguidos por 2000 anos. Atentai, Reverendíssimos Senhores Cavaleiros, que por vosso erro a verdade não se perca. Não confieis em estranhos: procurem por um herdeiro [do Mistério].

De Arcano Fratum Amussis

Dele é Nosso Senhor o Pai-Filho, Criador, Mantenedor e Destruidor, Um, Altíssimo, Plenipotente, Dispensador da Vida e da Morte, Imperador e Vice-Rei dos Céus: e na Terra temos Seu Representante, a Imagem Sagrada [Eidolon] na área aliada, da qual somente falamos de maneira encoberta, pois Ele está acima de tudo, do que é e do que há de existir, sagrado e oculto, o Archote no qual Prometeu nos trouxe o fogo celestial.

E tanto a Imagem quanto o Filho do Pai Supremo suportam morte e ressurreição: e os símbolos se correspondem: e as festas tanto de uma quanto da outra têm sido comemoradas através dos tempos pelos que crêem. E a massa néscia acabou por confundir ambos esses rituais na qual os ritos e processos de um e de outro se confundem; e assim passou a imperar a incompreensão e a ignorância. Portanto, tem-se festejado na Páscoa a crucificação e a cópula e, nove meses depois o nascimento da criança, que viveu 33 anos, o que significa uma geração humana inteira, tendo sido então crucificado. Isto se dá simultaneamente com o declínio do Sol pelo Equador e seu ressurgimento, e se renova com a batalha diária de morte que o Sol perfaz. E agora podem nossos Irmãos possuidores da verdadeira chave de todas as religiões [compreender que] todos os cultos representam quer os mistérios do Lingam e da Yoni, ou os do Sol, Lua e Terra, que em si mesmos encerram todos os ritos, criando novas crenças e novas festas, regendo o mundo de direito e por direito sob a égide do Altissimo e Sacríssimo Rei Xº, que se constitue em seu Pai e Deus.

Este é portanto o mistério dos velhos hierofantes, ou seja, o de que os homens podem unificar neste culto o Sol no Céu e o Falo sobre a terra, pois tais Mistérios iluminam e são verdadeiros, e não há quem o possa negar. Ou seja, o que está escrito: “Paz na Terra e Alegria aos Homens”!

E este é o mistério final e verdadeiro da maçonaria: não é este Sol o Construtor Todo Poderoso de todos os mundos, o Pai do Universo, a Representação do Macrocosmos? E não é este Falo o Todo Poderoso Construtor deste outro universo humano, o pai dos homens, a representação do Microcosmos? Não é esta uma Verdade que foi confirmada pela boca de duas testemunhas? Estai, portanto, vigilantes, preservai o Deus de realeza que habita em vós na imundície, conservai-o puro diante de vosso Senhor, que é a verdadeira Luz, Vida, Amor e Liberdade.

Cuidem, portanto, para que nessas preleções nenhuma palavra seja dita a mais: e que vós através de profunda e contínua leitura dos textos iluminai vossas almas.

Finalmente, sede verdadeiramente iniciados maçons: agora finalmente sois merecedores de executar o ritual adequadamente e com probidade – sede vós os portadores da Luz, Vida, Liberdade e Amor a todos os homens livres, maiores de idade e de boa reputação, e concedei a eles o acesso a esta Loja.

De Sactissime Trinitate

A mais-que-sagrada Tri-Unicidade, Una e Indivisível, encontra-se oculta:

Por nossos Irmãos egípcios arianos no trigrama AUM

por nossos Irmãos egípcios no trigrama AuMN

por nossos Irmãos árabes no trigrama ALL

(o L se dobra para denotar a natureza dupla do Logos)

por nossos Irmãos gnósticos no trigrama IAO

por nossos Irmãos hebreus no trigrama IHV e AMN

por nossos Irmãos chineses no trigrama TAO e em seu símbolo

por nossos Irmãos rosa-cruzes no trigrama INR e em seu símbolo

por nossos Irmãos da Arca Real na tríplice palavra de seu grau

por nossos Irmãos maçons pela palavra tríplice de seu Grau de Mestre

por nossos Irmãos cristãos no trigrama IHS e por nós mesmos à nossa própria maneira e modo de muitas formas secretas e sabidamente pelo trigrama O.T.O..

Vós conheceis ainda muitas outras designações d’Ele: todas contudo significam Um: e embora Ele seja Tudo, esteja em Tudo, sobre Tudo e sobre Todos, existe ali um aspecto que todas as descrições enfatizam, qual seja o de que ele é Um com nossa Natureza, tanto em carne como também em espírito.

De Meditatione

Por ser ele Tudo e por através dele estarem todas as coisas ordenadas, apesar da completa confusão, a diversidade sobrepujou a Unicidade, o Uno.

E aqui jaz a razão: nenhum homem sozinho é a representação completa e proporcional de Deus, como também nenhuma mulher sozinha o é. Pensai exatamente acerca destas palavras e percebei o que elas não dizem.

Quando nossos irmãos na China fecham um contrato eles costumam rasgá-lo ao meio e cada parceiro recebe uma metade, de tal forma que apenas juntando-se as duas partes a coisa fica inteira. Da mesma maneira dão-se as coisas em relação ao Reino dos Céus.

Esta é portanto a introdução. Até que não contenhais a outra metade na parte posterior de sua cabeça, não o compreenderás.

Esta é portanto a Obra do Criador, que dividiu, para poder reunir novamente.

Foi a Grande Obra perpetrada em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Segue-se aqui o Liber 333 [Crowley], Capitulo 36.

A Safira Estrela

Que o Adepto esteja munido de sua Cruz Mágica (e provido de sua Rosa Mística).

No centro [do círculo mágico] que dê os sinais L.V.X.; ou, caso os conheça, e [se quiser e ousar, e puder manter silêncio sobre eles] os de N.O.X., sendo eles os sinais de: Jovem, Homem, Donzela, Mulher. Omita o sinal de “Ísis Regozijando”.

Que vá em direção ao Leste, faça o Hexagrama Sagrado e diga: “PAI E MÃE, DEUS UNO ARARITA”.

Que gire em direção ao Sul, faça o Hexagrama Sagrado e diga: “MÃE E FILHO, DEUS UNO ARARITA”.

Que gire em direção ao Oeste, faça o Hexagrama Sagrado e diga: “FILHO E FILHA, DEUS UNO ARARITA”.

Que gire em direção ao Norte, faça o Hexagrama Sagrado e diga: “FILHA E PAI, DEUS UNO ARARITA”.

Que retorne ao Centro, e então Ao Centro de Tudo (fazendo a Rosa-Cruz como deve conhecer) dizendo: “ARARITA ARARITA ARARITA.”

(Então os Sinais serão os de Set triunfante e de Baphomet. Set também aparecerá no Círculo. Que beberá desse Sacramento e o comunique.)

Que então diga: “TUDO EM DOIS: DOIS EM UM: UM NO NADA. O QUE FAZEM QUATRO OU TUDO OU DOIS OU UM OU NADA.

GLÓRIA AO PAI E MÃE E FILHO E FILHA E ESPÍRITO SANTO EXTERNO E ESPÍRITO SANTO INTERNO QUE FOI É E SERÁ ATÉ O FIM DO MUNDO SEIS EM UM PELOS NOMES DE SETE EM UM ARARITA.”

Que então ele repita os sinais L.V.X. mas de não os N.O.X.: pois não é ele que ascenderá diante de Ísis Regozijando.

De Tota Symbola Dei

Te proteja, caríssimo Irmão, que não te confundas e te atoles no raciocínio sobre a Unidade: pois o Primeiro Princípio aparece em sua forma contrária. Pois é Ele teu Pai e tua Mãe, apesar de que o modo pelo qual o apreendes possa se ter alterado. Agora macho e fêmea estão opostos, embora n’Ele não exista nenhuma antinomia.

Estuda pois o símbolo inteiro e, ainda que o gires e o revires, ele não se altera. Vai de abismo em abismo! O encontrarás sempre como Nada e sempre como Muitos e sempre como Um e sempre como Tudo.

Como já o dissemos, o símbolo inteiro é tríplice. Freqüentemente, porém, homens sábios e santos o representaram com Dois-em-Um, o terceiro tornado invisível. Exemplos são: o ponto no círculo, Lingam e Yoni, a Rosa e a Cruz, o círculo subdividido dos chineses, a cruz no círculo ou o diamante [cruz no quadrado], a torre e a nave da igreja, a cruz tríplice e eneavada em diamantes invisíveis, diante dos quais os membros de nosso Superior Conselho antepõem suas assinaturas, entre outros.

E cada um desses símbolos testemunha a Grande Obra: o êxtase de reunificar-se com o Todo. Pensa portanto em:

1. DEUS e Humanidade como Humanidade-Deus.
2. Sujeito e Objeto em Samadhi.
3. Macho e Fêmea como Humanidade.
4. Círculo e Quadrado em k (pi) ou: como queiras: TUDO É UM.

[Segue-se aqui a Ilustração de Baphomet e do Microcosmos por Vitruvius.]

Alter Tractatus De Trinitate

Lavado em puro vinho e consagrado pelo fumo da cozinha da Luz aparece tiritante em puro júbilo diante da Arca, enquanto o véu do Mistério-Todo-Sagrado é rasgado pela espada do Grande Mestre do Todo Altíssimo.

Vê a sacramentada Tri-Unicidade, Una e Indivisível, IAO. Uma é a Tri-Unicidade Toda-Consagrada: e três suas pessoas ou máscaras. Um é seu Espírito, Um é sua Especificidade, sua Mutabilidade. Ararita! Ela é o Sêmen, que através de todas as alterações permanece o mesmo, se conserva o mesmo, protegido e Todo-Abrangente, IAO SABAO.

Agora é o Pai Um, vertical [ereto], Uno, Eterno.

E o Filho é Um, na similitude com o Pai, e contudo duplo em sua natureza de Deus-Homem. E reside aqui um Mistério: pois por ele ser Palavra, é Espírito que emana do Pai e cria os mundos.

E o Espírito é Um, Não-Nascido, mas permanentemente Existente, o Sêmen, do qual Pai e Filho em Verdade são meros Guardiões e Veículos. E a natureza do Espírito é Liberdade e, como o vento, Ele vai onde quer e a quem lhe compraza, fecundando os mundos.

E assim como o Filho é duplo, é duplo o Espírito: pois é ele ambos, macho e fêmea. Pois a pomba é o pássaro de Vênus: nosso então Irmão Marcus Valerius Martialis, grande conferencista do Império Romano na Antigüidade, encobriu o Falo Sagrado nesse quadro. Ele é a Mãe. Ele é o Regaço. Ele é o esperma que fecunda o óvulo; não, Ele é a coisa fecundada, auto-pulsante, que não é esperma nem útero, mas o casamento desses dois, a Tintura Perfeita, a Medicina dos Metais, a Pedra dos Sábios, o Remédio Universal, o Elixir da Vida.

É ele a Pomba que, em seu retorno à Arca de Noé, trouxe em seu bico um ramo de oliveira. É ele a Águia de Júpiter, o Cisne de Brahman.

Esta duplicidade causou intermináveis mal-entendidos na compreensão usual. Pois não fica aí entendido que o homem é o guardião da vida divina e a mulher apenas sua transitória ajudante: o depositário de Deus mas não o próprio Deus. E assim blasfema quem quer que cultue a falsa Tri-Unicidade de Pai-Mãe-Filho; bocarras cegas que cospem veneno: que pereçam no Dia do Conosco-Estai!

Além do mais, é o Espírito Santo a Unidade na Tri-Unicidade, o Pai e o Filho que são os guardiões da Quintessência mesma, herdeiros da Quintessência, [guardiões] do próprio âmago quintessencial, não são contudo a Quintessência ela-mesma. E esta é Divina [ocorre no céu]: na Terra unem-se contudo o Filho Pai e Espírito como Homem e Mulher, Deus e Homem. Este Mistério não será compreendido enquanto [fazendo uso] dos instrumentos divinos o homem não se aperceba e aperfeiçoe-se nisso, da maneira como foi aqui revelado, Altíssimos e Iluminados Irmãos.

De Una Substancia

[Aqui se encontra a Tábua Esmeraldina de Hermes Trimegistos]

Deus é Espírito e Verdade é Una: e Uno é Deus em matéria e ilusão. Ó Irmão! Ó Iluminados e Excelsos Senhores Cavaleiros, guardai isto tão energicamente quanto o punho da espada na hora do perigo!

Una é a Essência Divina e Una é a Essência Humana.

Mas assim com Deus é apenas Um, pois ele é três em Um, assim também é Uno o Homem, sendo ele dois em Um.

Assim como a Essência de Deus jaz n’Ele mesmo, da mesma forma ocorre também com a Essência Humana.

Mas em virtude de não ser o homem ele-mesmo, mas apenas uma parte de si-mesmo, essa essência (Divina) não se encontra nele de forma plena. Ela só pode ser encontrada plenamente sem ele, e pode ser obtida “per se” através da pureza do Sacramento Eucarístico.

De Cena Suprema

[Título Original: “De Sacrificia Eucharistico”]

Ler João IV:13-16, 31-32, VI:27, 48-58: VIII: 38,1. Epístola de Paulo aos Coríntios X: 1-4, 16-17 e 23-30:XIII:3.

O sacramento se celebra em duas etapas: pão (o feminino) e vinho (o masculino).

O pão é solido, branco, o fruto da Terra, o alimento do Homem, o Corpo de Cristo, a
Tintura Branca.

O vinho é fluido, vermelho, o fruto da videira, Fonte da Humanidade, o Sangue de Cristo, a Tintura Vermelha.

Este bi-partido sacramento é mortal: nele a Grande Obra não se consuma. A vida não está nem no pão nem no vinho: e ainda que eles possam ser o corpo e o sangue de Cristo, não são o próprio Deus, pois o Deus pregado na cruz não é o rei ressurrecto.

E, portanto, mui excelsos Senhores Cavaleiros e plenamente Iluminados Irmãos, eu vos conclamo a que cheguem à compreensão de que este sacramento de morte pouca serventia tem.

Deveis participar da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo em sua ressurreição: e só então a essência do sacramento do Elixir da Vida tornar-se-á autêntica.

Pois há de haver um e não dois, quer seja masculino ou feminino, sólido ou líquido. Ele conterá todas as possibilidades e sem isso nada será possível.

É o fogo prometéico no bem lubrificado Candeeiro de Vesta, a Kneph do Sacerdote de Memphis, o Disco Solar nos braços de Kephras: e a serpente que se enrodilha em volta do ovo.

Perguntai a nossos Irmãos, os alquimistas, e aos adeptos da Rosa e da Cruz. A primeira resposta: nada mais é do que o Leão com seu sangue coagulado e com o glúten da Águia Branca: é o oceano, que o Sol e a Lua banham. A outra: é o orvalho sobre a Rosa, aquele que oculta a Cruz. Perguntai aos antigos: sua resposta é que o mais velho dos deuses é Saturno. Tomai todo cuidado para que nisto não haja engano.

De Quintessencia

[Representação da Carta do Tarot “A Temperança”]

Abençoado seja aquele que a nós desvelou o Arcano dos Arcanos: é ele a Pedra Dissolvida: é o Elixir da Vida, o Remédio Universal, a Tintura, o Ouro do qual se pode beber.

Toma um Athanor e um Curcurbite e deixa preparado um Flaconete para este vinho do Espírito Sagrado.

Além disto, necessitarás de uma chama para a destilação. No Athanor está teu Leão, no Curcurbite a águia. Utiliza a princípio somente pouca chama, aumenta em seguida para chama total, até que o Leão apareça. Despeja teu destilado imediatamente no Flaconete que de antemão foi preparado.

De Modo Sacrifici Parandi

Estando agora tudo esclarecido diante de vós, mui augustos Senhores Cavaleiros e Iluminados Irmãos, não ide em atropelo ao Sacramento. Pois é esta Festa Sagrada. é o casamento da alma com Nosso Senhor Jesus Cristo: e deves estar adornado, como está escrito, pois a Filha do Rei é puro esplendor: Sua Vestimenta é de ouro fundido.

Assegura-te de ter cumprido a primeira regra de castidade: pois virginal deves comparecer diante de teu Senhor.

Em segundo lugar é preciso que jejues por sete horas antes de adorar, na Festa, a Tri-Unicidade Divina.

Terceiramente que compareças ao teu “Um” ornado de uma vestimenta multicolorida, que recebeste quando de tua iniciação.

E então, adentre tua Capela Secreta, passa uma hora em oração/adoração diante do Altar, eleva-te em amor a Deus e louva-o em Estrofes.

Efetua então o sacrifício da Missa.

Tendo o elixir sido preparado em silêncio e solenemente, consome-o sem demora. [Acontece agora a decantação da Gnosis sobre a Magia]. E durante todo o tempo mantém tua Vontade inquebrantável, totalmente concentrada sobre a finalidade estabelecida da operação. Além do que confia em Deus, que Ele com sua força conduza teus desejos correspondentemente.

Este é o mais antigo caminho, mas também o mais perigoso, pois há risco de profanação, o que amaldiçoaria teu comer e teu beber.

Reflete também no fato de que necessitas de experiência e de um condutor nas práticas, caso queiras criar/extrair o supra-sumo desta Obra. Quando semeias na ignorância das estações do ano, do clima e do solo, poucas sementes germinarão; o sábio agricultor, ao contrário, auferirá o rendimento ideal. Considera, portanto, que a Eucaristia é de tal tipo que algum resultado [de toda maneira] advirá, pois a Graça de Deus não é passível de ser contida ou manipulada. Se exercitares diariamente, te aprimorarás. E se estiveres na Obra com Espírito e Energia, atingirás a mais alta perfeição e levarás a termo a Grande Obra, antes da Terra ter completado seu segundo giro sobre si mesma. Assim isto deve ser.

[Segue aqui a Décima-Segunda Chave de Basil Valentinus]

[O manuscrito original contém agora as seguintes passagens]

In Fine

A matéria do Sacramento é a Quintessência da Vida de Deus, Deus é Homem. Prepara-te pela castidade, pelo jejum, pela vontade, pela vigília e pela adoração. Veste a túnica de tua iniciação e inflama-te diante do Altar.

Prepara o Elixir de Sangue do Leão Vermelho e do Glúten da Águia Branca. Consome o Elixir tão logo ele esteja pronto.

Exercita-te freqüentemente, pelo menos a cada mudança de Lua ou a cada dia do Senhor.

[Nota: O texto acima foi riscado por Aleister Crowley no manuscrito e falta em todas as cópias].

De Cantu

Este Elixir é o Germe da Vida. E apesar de ser a coisa mais poderosa e refulgente que existe no Universo, como a verdadeira representação de nosso Pai, o Sol, ao mesmo tempo ele é também a coisa mais delicada e mais sensível. Durante o preparo e a consumação permanece com tua espada flamejante para guardar seus portões: venera e inclui aí também a Luz do Todo-Poderoso e o poder das forças de tua operação.

E isto podes fazer adequadamente. Primeiro de tudo, deixa que tua Obra aconteça no Círculo Mágico. Depois, deixa que as forças (conforme indicadas) manifestem-se por invocações e sentenças. Por último, para iniciar a Obra propriamente dita e por toda sua duração, apenas uma invocação deve acompanhar o progresso da Obra:

Para uma Obra de Magia Sexual:

Tu Venus orta Mari Venias tu filia Patris,
Exaudi penis carmina blanda, precor,
Ne sit culpa nates nobis futuisse viriles,
Sed calaet cunnus semper amore meo.

Faze assim sempre com as palavras com as quais teu gênio poético te inspirar.

Contra Segnitatem

(Um sermão do Grão-Mestre da Ordem dos Templários em sua Igreja em Cambridge)

Lembrai-vos da promessa de vossa autoridade, Senhores Cavaleiros, Irmãos e Camaradas. Não desperdiceis vosso tempo com mulheres e torneios de cavalgadas! Pelas oito colunas que sustentam esta sagrada casa, isto não está direito! Verdadeiramente nossa Lei é Alegria, com toda virtude não negamos nossa humanidade, mas errais quando não vêde por detrás de vossos esportes o juramento ao Todo Poderoso. Não é este o cerne da verdade? O âmago da prova?

Portanto, ainda que sejais galantes ou façais torneios de cavalgadas (como o Santo Paulo, o bravo cavaleiro, quis dizer em sua carta) fazei tudo pela Glória de Deus. Mesmo quando fordes acometidos pelo poderio do demônio, sede homens, lutai fervorosamente pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo e pensai em sua crucificação entre dois ladrões (como não pensar então na lança que o transpassou?) ali onde ele entregou seu espírito ao Pai, seja por trato ou por sofrimento.

Não digamos “Non nobis domine, non nobis!”? E ainda: “Accendant in nobis Dominus ignem sui amoris et flamman aeternae caritatis.” O que significa, Tua é a Pureza, não minha: e esta é a descida e a morada interior do Espírito Santo.

Não, verdadeiramente Deus est Homo, Deus est in Homine, Homo est Deus, quem creant Elohim. Assim sois cada um de vós masculino e feminino. Fazei, portanto, num o bem, no outro o mal, para que assim a inspiração se aposse de vós, sobre a qual vos asfixiais e morreis no instante de cruzar o portal e descerrar a arca.

Pois está o Espírito do Senhor comigo e eu profetizo.

Se vos não penitenciardes, vossa Ordem vos será arrancada pelo Senhor pela raiz. Eu, o Senhor, rir-me-ei por causa de vossa penúria, e me comprazerei em virtude de vosso medo. Sereis objetos do escárnio dos maus e as mulheres vos insultarão. Pelo grande nome de Baphomet eu vos admoesto a retornar com toda pressa ao Senhor, para que a misericórdia do Leão e da serpente convosco esteja, em nome de MEITHRAS ABRAXAS IAO SABAO.

Ide, pois, Senhores Cavaleiros, uni-vos, Damas e Cavalheiros, mas não deixeis que se obscureça vosso intelecto, não aprisioneis vossa Sabedoria. Conservai a indescritível coroa em sua beleza e de cada lado dela a maravilha que aguarda a todo aquele que segue com verdade seu juramento, que permanece puro, apesar de todas as tentações da vida, assim como a regra prescreve. E a bênção de Deus esteja convosco em Nome do Pai + Filho + Espírito Santo + Amen.

Tractatus De Re Maxima Occulta In Palacio Regis

Reflitai agora ainda que, no jogo cambiante dos opostos o homem é ativo e a mulher passiva, apesar de o homem representar a Alegria e a mulher a Força. É este o Paradoxo Hermético: e aquele que tiver ouvidos que ouvem, que ouça.

Portanto existe [exatamente] uma Arte Mágica que conduz à Vida e uma outra, que conduz à Morte. A primeira termina, a segunda retorna a si mesma. É, portanto, a segunda perfeita, o verdadeiro Ritual do Altíssimo a ser executado para a Missa, até mesmo para nossos sagrados e iluminados Irmãos.

Como Forma prolongada ela faz brotar [a arte mágica] o demônio e suas manifestações impuras, tal como consta “Demon est Deus inversus”. E, embora ela seja, ainda que limitada e não possa ser transmitida vida após vida, a mais alta de todas das ferramentas de clemência, assim como o vinho para a água ela se comporta em relação às outras [artes mágicas]. A seu modo, o que ela faz é elevar a Alma Humana. E quem adquirir maestria sobre isto, achará seu poderio austero. Este era o Segredo das forças de nosso Grão-Mestre Gaius Julius Caesar, de nosso irmão Richard Wagner que foi eminência no Canto em Bayern e de tantos que se tornaram famosos dentro e fora de nossa Ordem, atingindo o tamanho e o brilho dos astros celestes. Esta [arte magica] sobretudo é mais luzidia por conter em si a verdadeira Luz mais que as outras. Aquele que, portanto, for capaz de inverter o turbilhão da matéria é maior que aquele que ali trabalha. Amaldiçoado seja, portanto, e mais uma vez amaldiçoado seja aquele cujas forças se deixam solapar, que seja para sempre destroçado no abismo!

Despertai, meus senhores, sêde vigilantes, intransigentes, perseverantes e estai alertas: pois aqueles que procuram destruir-vos estão à porta!

Mas disso tudo nada está escrito aqui: este é o Livro do Caminho Estreito, que conduz à Vida.

De Lege

Amor é a Lei, amor sob querer.

Não tem então Agape o mesmo valor numérico que Thelema?

A palavra de pecado é restrição.

Faze o que queres há de ser o todo da lei.

Consta também: Também, tomai vossa fartura e desejo de amor como quiserdes, quando, onde e com quem quiserdes! Mas sempre para mim. Teus sejam o êxtase e a alegria da Terra: para mim! Sempre para mim!

Eu vos exorto, distintos Senhores poderosos e Príncipes Soberanos Plenos da Rosa e da Cruz, Senhores Cavaleiros Companheiros do Santo Gral, compreendai estas palavras para vossa nobre castidade e impoluta humanidade!

Vêde! Eu anunciei a Lei; eu a promulguei para vós. Coloquei-a simbolicamente diante de vós, troquei convosco a Palavra.

Vencedores do pecado e da preocupação, partícipes do Cálice das Bênçãos, Adeptos do mais alto dos Ritos, guardiães do Inefável Santuário, [livres] Cidadãos da Cidade da Verdade, Santos do Tabernáculo Perpétuo! Vos tenho revelado sobre a Eucaristia da Ressurreição.

Indiquei-vos o caminho.

Vos promulguei a Verdade.

Vos presenteei com a Vida.

Filhos dos Céus e Filhas da Terra, Crianças de Deus e Herdeiros da Imortalidade. O banquete encontra-se pronto nos palácios de meu Pai.

Irmãos da Luz, Vida, Amor e Liberdade, consagrados Senhores Cavaleiros da Ordem Kadosch, batei com vosso castão à porta do Reinado de Mais Sagrado, da Sacríssima Arca, pois temos vigiado através de todas as catástrofes, reino sobre reino, dos dias de Henochs até hoje – batei e vos abrirá e adentrareis e provareis do MANNA que vem de Deus.

Valedictio

E agora, mui distintos senhores cavaleiros e iluminados Irmãos, saúde e alegria de viver!

Eu vos saúdo secretamente, assim como “adequado” é: troco [convosco] o símbolo: eu sussurro a palavra, tal como a recebi: e de nenhuma outra maneira ou modo. Beijo três vezes o punho da espada.

Conclamo sobre vós a Benção do Deus Tri-Uno em seu nome mais secreto e oculto de Potentade, Oniciência e Onipresença: em nome do Pai + do Filho + do Espírito Santo + tomo eu minha despedida de vós.

Que a verdade do Deus Pungente e Altíssimo esteja convosco!

A Graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco!

Que desperte em vós o âmago do Espírito Santo!

Agora e para sempre assim seja, Amen!

Emitido por minha mão e com meu selo Baphomet Rex Summus Sanctissimus O.T.O. M.W.S.G.M.G. M.P.S.G.Cr de F. e I. G.B. e I., neste décimo dia de Dezembro de 1912 era vulgatis An VIII Sol no grau décimo-oitavo de Sagitário. Ano da Verdadeira Luz 000’000’000 no Zênite de Londres.

(Fornecido ao preço de 33 guinéis na Irmandade dos Totalmente Iluminados IXº , Associados do Santuário da Gnosis).

Anotações por Peter R-Köenig

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/anotacoes-sobre-o-liber-c-vel-agape/

Lenda Urbana: Xuxa Bruxa

Shirlei Massapust

Desde o fim da oitava década do século XX até a início do século XXI eu cansei de ouvir narrativas de religiosos fundamentalistas, membros de denominações cristãs, as quais afirmavam que a modelo e atriz brasileira Maria da Graça “Xuxa” Menenguel teria feito um pacto com o Diabo. Em torno dessa invencionice surgiram lendas urbanas, inclusive aquela onde todas as bonecas da Mimo estriam sujeitas a possessão diabólica.

Xuxa tornou-se um alvo favorito da crítica fundamentalista por várias razões: Ela é mulher, sexo favorito das mitológicas investidas do diabo desde a tentação de Eva. É uma profissional bem-sucedida do invejado meio artístico. Alcançou fama e fortuna por mérito, mas de forma tão súbita quanto o Fausto da ficção de Goethe. Xuxa ditava moda e influenciava a educação das crianças. Dizem – não sei se é verdade – que ela hospedava o amigo Michael Jackson (1958-2009) quando ele vinha ao Brasil a passeio e ele retribuía o favor recebendo-a no rancho Neverland, em Santa Ynez, nos EUA.

Xuxa teve a má sorte de vincular sua imagem como garota propaganda da loteria Papatudo, um empreendimento da Interrunion que faliu sem quitar alguns prêmios. Seu primeiro programa, assim como o restante da programação da rede Globo de televisão, conforme exibida à época, foi severamente criticado no documentário Beyond Citizen Kane (1993), dirigido por Simon Hartog para o Channel Four da Inglaterra.[1]

Todas as narrativas sobre pactos diabólicos estão amparadas por evidências forjadas e fatos distorcidos. Por exemplo, após conversar com o músico e compositor estadunidense Steven Edward Duren, da banda W.A.S.P., o vocalista e baixista israelita Genne Simmons (Chaim Witz) deixou-se fotografar fantasiado de Satã, fazendo o ideograma “eu te amo” da linguagem de sinais (ASL). Com a diferença da posição do dedão, este é quase o mesmo ideograma para “chifes” popular entre roqueiros, que consiste em fechar as mãos levantando os dedos indicador e mindinho. Daí a paródia na foto que apareceu na capa do álbum Love Gun (1977), da banda Kiss.

A intenção de Genne Simmons foi usar sua imagem para denunciar os horrores da guerra. Porém pessoas ignorantes entenderam aquilo como um sinal identificador de cultistas do diabo. Daí em diante lendas urbanas rotulariam indiscriminadamente a todos os demais artistas que fizessem o mesmo sinal sem possuir deficiência auditiva. E Xuxa exibia tal sinal à plateia, com frequência, na intenção de incentivar o interesse do público infanto-juvenil por métodos de acessibilidade. No programa Xou da Xuxa (30/06/1986-31/12/1992), até o surfista Moderninho – marionete criada por Reinaldo Waisman – usava o “eu te amo”, em LIBRAS, como variante do hang loose, dizendo “Yeah Yeah”.

Lições de resistência à influência da melancolia

A coisa mais parecida com um pacto diabólico que os fãs da dita “Rainha dos Baixinhos” a viram fazer foi uma cena do filme Super Xuxa Contra o Baixo Astral (1988) onde o vilão Baixo Astral, interpretado por Guilherme Karan, anuncia que o cãozinho Xuxo morreu por falta de cuidado. Xuxa fica tão deprimida que se deixa convencer que também ela é “uma pessoa má”, assume um visual sombrio com maquilagem carregada, unhas pretas e dentes deformados. Então eles dançam trocando promessas de um eterno pesadelo até que, no fim, a farsa é revelada e tudo volta ao normal.

Xuxa quase aceitando a aliança proposta pelo Baixo Astral.

(Cena capturada do VHS e tratada no Photoshop com o efeito watercolor).

O roteiro de Super Xuxa Contra o Baixo Astral (1988) foi notoriamente inspirado a um nível antropofágico no filme Legend (1985), onde a Princesa Lili (Mia Sara) muda de aparência sob o encanto do antagonista Darkness (Tim Curry). Outro tema icônico de dança em filmes de Jim Henson é a cena de Sarah (Jennifer Connelly) na festa a fantasia, com Jareth (David Bowie), o rei dos goblins, em Labyrinth (1986).

Tudo isso é fantasia e a mera ficção não deveria ser misturada com realidade. Mas o que os narradores de teorias estapafúrdias fazem? Eles recortam cenas do filme onde Tim Curry parece interpretar um diabo vermelho com cornos enormes e montam vídeos de batalha espiritual como se o personagem cinematográfico fosse o verdadeiro Diabo. Quem faz a imitação diabólica, claro, nesta lógica, deve se pactuante confesso.

O que a Xuxa fala sobre passes e magia?

Pessoas ingênuas tendem a confundir Xuxa (apelido) com Xuxa (personagem), assim como confundem José Mojica (ator) com Zé do Caixão (personagem). Nós não podemos cometer esse erro. Durante a coreografia da música Tindolelê, composta por Cid Guerreiro em parceria com Dito, a apresentadora Maria da Graça Menenguel, interpretando sua personagem Xuxa, inequivocamente solicitava que a plateia do auditório simulasse um passe, gritando: “Levante a mão passando energia!”

O objetivo da personagem era transmitir o alto astral, pois a Xuxa contém duas personas. Sem jamais repetir uma roupa, a Xuxa feliz alterna as cores vívidas do arco-íris de energia, cujo significado holístico é revelado na melodia “Arco-íris”, escrita por Sullivan, Massadas e Ana Penido, para o álbum Xou da Xuxa 3 (1998).

Com o azul eu vou sentir tranquilidade
O laranja tem sabor de amizade
Com o verde eu tenho a esperança
Que existe em qualquer criança
E enfeitar o céu nas cores do amor
No amarelo um sorriso
Pra iluminar feito o sol tem o seu lugar
Brilha dentro da gente
Violeta mais uma cor que já vai chegar
O vermelho pra completar meu arco-íris no ar
Toda cor têm em si
Uma luz, uma certa magia
Toda cor têm em si
Emoções em forma de poesia

Francamente penso que tanta gente insiste em diferenciar “esoterismo” com “s” da palavra inexistente “exoterismo” com “x” por causa do jargão sui generis da Xuxa.

Quando está de alto astral a personagem tem medo das assombrações do Trem Fantasma (1990); mas a Xuxa de baixo astral é punk gótica, veste preto, controla os fantasmas e caveiras mirins que saem das tumbas em Tumbalacatumba (2008), ordenando que façam várias coisas, inclusive pintar as unhas de preto, igual a ela.

No fim das contas nem o maligno é tão malvado ou, se for, nunca logra êxito no que faz. O temível trem fantasma “parou”, as caveiras voltaram para a tumba, os maus conselhos sempre se voltavam contra a Bruxa Keka no programa Xuxa no Mundo da Imaginação (2002-2004). A energia positiva prevalece no clima esotérico de Xuxa e os Duendes (2001). Os detalhes sombrios se dispersam com o poder da alegria juvenil.

Xuxa beijou a cruz invertida?

Na campanha Criança Esperança 2005 a Xuxa apareceu vestindo figurino completamente preto para destacar a brancura da roupa da filha Sasha durante a primeira apresentação da nova atriz mirim na TV. Além da roupa, Xuxa estava usando uma joia com motivo abstrato composto por um aglomerado de contas pretas. No vídeo de alta qualidade captado pelas câmeras da Globo dava para ver que eram contas, mas em cenas capturadas por terceiros e transformadas em fotos com resolução reduzida o pingente ficou idêntico à Cruz de Pedro da simbologia católica e gnóstica.

Os teóricos do pacto foram à farra com esta ilusão óptica[2] porque, além do Papa, os góticos, os punks e outras tribos urbanas às vezes usam a legitima cruz invertida por razões religiosas ou meramente estéticas. Isso foi noticiado em vários lugares. Criaram até uma comunidade no Orkut chamada “Xuxa faz cruz Invertida na TV”.

Posteriormente, na comemoração dos vinte e cinco anos da TV Xuxa, a apresentadora estava usando um rosário comum com uma cruz latina e, quando pegou o pingente para beijar, de novo, a coisa ficou parecendo uma Cruz de Pedro.[3]

Então suponhamos que alguém resolvesse sair por aí usando e beijando uma Cruz de Pedro. Vamos falar desta cruz? Atualmente numerosos impressos de batalha espiritual sustentam que a cruz invertida representa ideologia adversa à doutrina cristã. Bandas de black metal costumam distorcer seu significado, a exemplo do que vemos na capa do álbum Profana la Cruz del Nazareno (2008) da banda Morbosidad. Entretanto, a própria igreja católica utiliza a Cruz de Pedro em seus padrões iconográficos.

Segundo Orígenes (256 d.C.) a inversão da cruz foi uma ideia de São Pedro que pediu aos captores romanos que pudesse ser martirizado desta forma, de cabeça para baixo (EUSEBIO. História Eclesiástica, III, 1.).[4] Um texto apócrifo reproduz seu discurso:

Eu vos suplico, carrascos, que me crucifiqueis assim, com a cabeça para baixo e não de outra maneira (…) porque o primeiro homem, da raça de quem eu tenho a semelhança, caiu com a cabeça para a frente, mostrando assim uma maneira de nascimento que não existia até então. (…) Assim, tendo ele sido puxado para baixo (…) estabeleceu toda esta disposição para todas as coisas, tendo dependurado para cima uma imagem da criação, pela qual fazia as coisas da mão esquerda serem tomadas pela mão direita e as da mão direita pela mão esquerda, mudando todas as marcas de sua natureza, de modo que ele pensou que as coisas que não eram justas fossem justas, e as coisas que na verdade eram más, fossem boas… E a figura que estais vendo de mim aqui dependurado é a representação daquele homem que foi o primeiro a nascer. (Os Atos de Pedro 37).[5]

Segundo a lenda, a intenção de Pedro era não ser confundido com Jesus e, uma vez condenado à morte, desejou imitar o nascimento dos bebês. No ano 1750 a igreja católica proibiu os atos de devoção extremados duma seita de flagelantes parisiense. As lesões corporais com consentimento das vítimas incluíam a crucificação comum e a crucificação invertida que “devia ter lugar com os pés para cima e a cabeça para baixo”.[6] A polícia pôs fim à seita quando foram reportados óbitos e incapacitações. A maioria dos flagelados eram mulheres (freiras e devotas) e os flagelantes homens (padres).

A lenda urbana do pacto da Xuxa

Dizer que inúmeros famosos e pessoas proeminentes na sociedade venceram na vida frequentando giras de Exu, fazendo despacho, etc., é um método da propagada pró e contra religiões de matrizes africanas no Brasil, desde a época em que a liberdade de culto ainda não era um direito constitucional. O jornalista João do Rio (1881-1921) ouviu narrativas de negros babalorixás acostumados a fazer feitiço de amarração com panos de seda, fios de cabelo louro e cartas escritas em inglês cursivo, fornecidas pela nata da sociedade carioca. Parece que todo mundo batucava escondido.

A polícia visita essas casas como consulente (…). Eu vi senhoras de alta posição saltando, às escondidas, de carros de praça, como nos folhetins de romances, para correr, tapando a cara com véus espessos, a essas casas; eu vi sessões em que mãos enluvadas tiravam das carteiras ricas notas (…). Um babaloxá da costa da Guiné guardou-me dois dias as suas ordens para acompanhá-lo aos lugares onde havia serviço, e eu o vi entrar misteriosamente em casas de Botafogo e da Tijuca, onde, durante o inverno, há recepções e conversationes às 5 da tarde como em Paris e nos palácios da Itália (…). Noutro dia, tílburis paravam à porta, cavalheiros saltavam, pelo corredor estreito desfilava um resumo da nossa sociedade, desde os homens de posição às prostitutas derrancadas, com escala pelas criadas particulares[7].

É uma lástima que tudo que dizem sobre os frequentadores de terreiros não seja sempre verdade, pois seria ótimo se todas as personalidades formadoras de opinião convocassem gente de todas as etnias e classes sociais a uma reunião onde impera a empatia, a igualdade e o respeito; onde a felicidade é encontrada num passe de mágica.

Desgraçadamente, ao invés de servir ao melhor propósito, tanto a propaganda quanto a crítica – da forma como é feita hoje – objetivam emprestar prestígio merecido ou forjado a um templo particular; ou ainda depreciar templos e religiões em conjunto.

Um dos primeiros “paquitos” que dançavam e cantavam na equipe da Xuxa foi o “Xand”, hoje Pastor Alexandre Canhodre, que estudou teologia na Igreja Renascer em Cristo. Em 2010 ele deu entrevista afirmando ter sido escolhido para aquela vaga de emprego não por mérito e boa aparência, mas pela graça do Diabo:

Aos 17 anos me surgiu a oportunidade de fazer o teste para o Xou da Xuxa (…). Fiquei quatro anos aproximadamente no programa (…). Eu (…) frequentava todos os centros de Umbanda, Candomblé, magia negra, missa negra e vodu. Fui convidado por uma comunidade da Ku Klux Kan, maçonaria; via óvnis e discos voadores (…). Tinha em casa imagens de todo o tipo: Desde Aparecida até do Tranca Ruas (…). Eu tinha mais de sessenta imagens e sempre andava com uma estátua do Tranca Ruas em minha bolsa, um Exu Caveira e Maria Padilha. Também vendi minha alma ao diabo, oferecendo comida e bebida aos santos e fazendo pactos com eles para conseguir minha projeção artística (…). Em 1992 (…) pedi minha rescisão de contrato (…). Quando me rendi a Jesus, queimei todas as lembranças da época que eu era paquito da Xuxa (…). Reneguei meu passado e renunciei.[8]

Será que o paquito diz a verdade quando afirma ter construído um congá com seis dezenas de imagens em sua própria casa? Será que ele convidava os colegas de trabalho para assistir festas de Exu, tomar passes e receber axé? Será que conseguiu convencer os colegas da necessidade de rogar a Exu para abrir caminhos, trazer saúde, dinheiro, prosperidade, etc.? Será que Cid Guerreiro, Dito e Ceinha fizeram a música Ilariê, gravada pela Xuxa em 1987, na intenção de remeter por cacofonia à saudação “laroiê” do idioma jeje-nagô? Nada disso foi confirmado por outros testemunhos.

Existe um método na loucura fundamentalista. Primeiro os narradores de lendas urbanas compilam e interpretam fatos conhecidos. Cada singularidade adere ao rótulo pré-concebido do “artista herege” e passa a servir para atacar a coletividade. O parecido se torna igual quando, por exemplo, o sinal de amor da linguagem dos surdos mudos vira a mano cornuta. Não existem limites para a interpolação.

Após identificar as marcas do diabo, os guerreiros de deus se inserem como protagonistas da estória. É por isso que existe a mulher chamada Xuxa, a personagem chamada Xuxa e uma entidade abstrata chamada Xuxa, tão mitológica quanto o Saci, a Mula Sem Cabeça e a Loira do Banheiro. Essa última é a Xuxa Bruxa, satânica, que fabrica bonecas assassinas e faz crianças sofrerem de epilepsia subliminar.

Xand afirmou ter levado CDs gravados por ele mesmo para um terreiro onde “consagrava ao diabo” antes de vender. Igualmente, antes dele, o Pastor evangélico Francisco José Vieira Guedes (1960-2018), alcunhado “Tio Chico”, já costumava pregar aos fiéis congregados na Igreja Evangélica Ministério Solar, em Belo Horizonte.

Em seu testemunho de fé, alegava ter sido o pai de santo de confiança do empresário e jornalista Roberto Pisani Marinho (1904-2003), proprietário do Grupo Globo de 1925 a 2003, e que toda programação gravada no Projac, no Rio de Janeiro, era enviada para um terreiro de Umbanda situado no subsolo duma rua paulista onde recebia a aprovação dos Orixás. Numa gravação de uma de suas pregações, ele fala do suposto pacto feito pela Xuxa:

Eu conheci a Xuxa através do primeiro pai de santo dela, de nome Tadeu de Oxosi (…). Ela era simplesmente modelo: Trabalhava na Rede Manchete (…). Ela disse: “Tio Chico, eu sou filha de santo do Tadeu. Quero ser rica e famosa e quero trabalhar na melhor emissora de televisão do mundo, a Rede Globo” (…). Orientei a Maria das Graças sobre o que teria que fazer (…). Ela fez dois pactos. O primeiro ela fez com Exu Mirim: Uma entidade que vem como menino, como criança (…). Ela não podia dizer o nome de Jesus. Senão seria quebrado o pacto. (Transcrição de um vídeo do YouTube).[9]

A missionária Elizabete Marinho repete e continua:

A palavra Xuxa significa Xuxieli, que significa “Rainha de pequenos demônios”. Xuxa fez pacto com Exu Mirim e Caboclo Ilariê. Quando ela canta essa música é um louvor a esse caboclo. Xuxa não pode falar de Jesus, senão quebra o pacto com Lúcifer, e ela vai perdendo os bens materiais. Ela pode falar Deus, pois existem vários deuses. Por isso, na música Lua de Cristal, ela diz: “Tudo que eu quiser o Cara Lá de Cima vai me dar…” (…) O pacto da Xuxa foi feito em sua própria casa. A boneca Xuxa pertence à bruxaria. Há alguns anos atrás uma dessas bonecas estrangulou uma criança. (…) O filme Xuxa e os Duendes (…) baseado em lendas e na crença de Xuxa Meneguel em tais contos, vem agradando o seu público alvo: Crianças em idade pré-escolar, promovendo a simpatia de todos por criaturas monstruosas e diabólicas. (…) A grande jogada de marketing talvez tenha ficado por conta das declarações de Maria da Graça: “Eu já vi duendes”, disse ela à imprensa durante a coletiva de lançamento do filme.[10]

Na verdade, Xuxieli é o nome fantasia de uma indústria de calçados de Novo Hamburgo. Não existe Caboclo Ilariê em Umbanda. A censura prévia da programação da Globo prezava pela garantia constitucional às liberdades lacas; por isso não enaltecia nenhuma crença em particular. Boneca da Xuxa estrangulando crianças?! É risível, mas Renata Gonçalves Pereira explica que a lenda nasceu em 1989, na cidade de Sorocaba, São Paulo, quando a mídia noticiou a captura duma boneca homicida que teria acabado acorrentada no Museu Sacro da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Ponte.

Na verdade, existem duas versões da lenda, a primeira dizia que uma menina dormia com uma boneca da Xuxa na noite do dia das crianças. Então, o brinquedo teria assumido a forma de uma pessoa com garras, seios fartos e olhos demoníacos e matado a criança esganada.

No entanto, a segunda versão da lenda é mais elaborada, onde dizia que uma menina humilde via os anúncios da boneca na TV e insistia que queria ganhar uma. Porém, sua mãe estava desempregada e era pedinte na praça principal da cidade. Então, cansada de ouvir a insistência da menina, a mãe fala ironicamente que só compraria a boneca caso “o diabo mandasse o dinheiro”. E, assim, no outro dia, apareceu um montante com a quantia exata para comprar a boneca.

Dessa forma, a mãe cumpriu sua promessa e comprou o brinquedo, dando de presente para a filha no dia das crianças daquele ano. Mas, enquanto a menina dormia com a boneca, ela assumiu uma forma assustadora e acabou matando a menina. Por fim, a mãe levou a boneca até a igreja para que fosse exorcizada e destruída.

Na época, o caso foi noticiado com destaque em vários jornais, como o Cruzeiro do Sul, Diário de Sorocaba e O Estado de São Paulo. (…). Uma multidão foi até a igreja em novembro de 1989 para encontrar a tal boneca assassina. Pois, acreditavam que a boneca estivesse acorrentada no Museu Diocesano de Arte Sacra, nas galerias da igreja Catedral. (…) O monsenhor Mauro Vallini que era o pároco da matriz, precisou fechar as portas da igreja para minimizar o tumulto. Logo depois, procurou a imprensa e a polícia para avisar que toda aquela história era apenas um boato. Mas, as histórias não cessaram, pelo contrário, se espalhou pelo país e em Minas Gerais, uma criança teria achado uma faca dentro da boneca Xuxa. Então, atendendo uma ordem do brinquedo, ela pegou a faca e matou sua mãe.

Atualmente, o pároco da Catedral, Tadeus Rocha Moraes, disse (…) que não há nenhuma boneca guardada nas dependências da matriz. (…) Recentemente, a Netflix divulgou um vídeo em seu canal no Youtube, onde a boneca da Xuxa era uma enviada do Mundo Invertido dos anos 80. Em suma, a brincadeira recria um quarto de criança da época com outras referências ao período, onde o brinquedo está em um canto escuro do quarto. (…) Os olhos da boneca se acendem diabolicamente e com uma voz assustadora ela invoca o temível Demogorgon. (…) Inclusive, a própria Xuxa participa do vídeo da Netflix, fazendo uma rápida narração avisando sobre os novos episódios da série Stranger Things que já estavam disponíveis.[11]

A lenda urbana não morreu com o tempo e o brinquedo vintage continuou a fazer vítimas. Por exemplo, em 2007 uma crédula Vanessa escreveu numa rede social:

Eu amo bonecas, mas tem uma que eu odeio. A Xuxa é assassina! Quando eu nasci minha irmã tinha essa maldita e ela caiu na minha cabeça. Ela tentou me matar e olha que eu estava no colo da minha mãe… Fui parar no pronto socorro com a cabeça amassada graças a essa maldita! Fiquei internada em observação. Até hoje acho que minha cabeça é amassada! Mas não ficou nenhuma sequela grave.[12]

Outra versão sobre o pacto da Xuxa me foi narrada por volta de 2005 pelo Pastor Guilherme, da IURD, que afirmou sem provas que a pactuante teria se comprometido a mudar de orientação sexual perante Exu, incorporado no médium Renato Aragão. Ele insistiu com tremenda convicção, gesticulando como se tivesse um papel em suas mãos vazias, que havia obtido a escritura em nome da Xuxa da compra dum “barracão velho e imundo” onde Didi (Renato Aragão) atuaria como Pai de Santo.

Pesquisando descobri que, de fato, existe um Pai de Santo Didi atuando no Axê Opó Afonja – Ilê fundado por Eugênia Anna dos Santos em 1910, – mas este se chama Deoscoredes M. dos Santos e não possui nenhuma relação com o ator Renato Aragão.

Seu irmão, José Ribeiro de Souza, narrou sobre eventos intermediados pelo guia Tranca Ruas das Almas, baixado no Terreiro de Yansã Egun Nitá. Segundo afirma, o cantor Roberto Carlos e o Cabeleireiro Silvinho[13] visitaram aquele local para pedir axé, a atriz global Wilza Carla e a cantora Emilinha Borba foram curadas de doenças participando de giras, o detetive policial Fernando Gargaglione prendeu um fugitivo localizado por meios mediúnicos, etc.[14] A Xuxa, contudo, nunca esteve lá.

O que a atriz faz que a personagem não faz?

No início da sua vida profissional Maria da Graça Menenguel trabalhava como modelo ostentando todo tipo de figurinos ousados conforme os usos e costumes da indústria da moda. Algumas vezes os contratantes solicitavam que ela descobrisse os seios ou glúteos nas fotos publicadas em revistas femininas de alta tiragem. Isto não era e nem deveria ser motivo de vergonha ou reprovação social, pois o nu artístico é um trabalho perfeitamente digno para modelos profissionais.

De acordo com o Ricardo Setti, na Veja online, a Xuxa posou nua em cinco oportunidades na extinta revista Ele & Ela, da Bloch Editores. Depois, em 1982 tanto ela Xuxa quanto sua irmã Maruska posaram para a revista Playboy:

Não era tanto material como muita gente poderia imaginar. Xuxa, na verdade, protagonizou apenas um único ensaio para Playboy, publicado na edição de 7º aniversário, em agosto de 1982, e ao lado da irmã Maruska. As chamadas de capa falavam em “Segredo de família” e “As fotos que Pelé quase proibiu”. Fotos desse ensaio, algumas inéditas, seriam depois republicadas, em diferentes edições. A última de todas seria um pôster na edição de 10º aniversário, concessão que Mário obteve de Pelé no finzinho da reunião.[15]

Paralelamente ocorreu a estreia nos cinemas do filme Amor Estranho Amor (1982), dirigido pelo respeitado cineasta Walter Hugo Khouri, onde Xuxa atuou no papel da personagem coadjuvante Tamara, uma jovem apaixonada por um menino, mas que teve sua virgindade leiloada no início da vida como garota de programa. A fúria da critica se deve ao fato de a atriz ter coberto o ator mirim Marcelo Ribeiro de beijos técnicos.

Em 1986 ela assinou contrato de exclusividade com a Rede Globo e mudou completamente de vida. A celebridade só voltou a posar com os seios à mostra no ano 2000, durante o desfile do 9º Morumbi Fashion Brasil, onde alternou diversas peças da coleção de Lino Villaventura.

Poucos dias antes um fã arrematou uma revista com um nu artístico por R$ 2000,00, num leilão promovido pelo Raul Barbosa, e levou juntamente com outras peças pedindo-a que renegasse seu passado queimando tudo. Isso saiu nos jornais e a Xuxa reagiu com a corajosa atitude de desfilar novamente quatorze anos depois do seu último desfile, provando assim que não se envergonhava do seu primeiro emprego.

Detalhe: Nem a TV Globo se incomoda com provocações. Do contrário não teriam permitido a criação da personagem Cacilda, da Escolinha do Professor Raimundo, em 1990. Cacilda (Cláudia Jimenez) era uma versão ninfomaníaca da Xuxa que dizia “Comigo é assim: Beijinho-Beijinho, Pau-Pau”, parodiando o bordão da outra atriz “Beijinho-Beijinho, Tchau-Tchau”.

Falsos indícios de lesbianismo

A missionária Elizabete Marinho é uma das muitas pessoas que afirmam que a Xuxa não pode ter relação sexual com o sexo oposto por causa duma exigência do diabo: “Ela pode namorar, casar, mas não pode ter relação com o seu parceiro”[16].

Os pastores que apregoam a lenda urbana concordam unanimemente que o pacto da Xuxa foi assinado em 1986. Vejam a magnitude da falta de lógica de tal argumento: Suponhamos que esta vítima da propaganda fundamentalista fizesse tudo que eles dizem da forma depravada e exagerada como eles narram. Para que o diabo mitológico, o rei da luxúria, o maior apreciador de todos os pecados, tiraria uma joia da sacanagem do seu inverificável ofício de musa de filmes pornô?[17] Que interesse o diabo teria em impedir uma bela dama de atiçar a imaginação masculina posando nua? Por que mandaria observar o celibato e educar crianças? Isso não faz sentido. Parece até que o tinhoso quiz perder para o céu uma alma cujo lugar no inferno já estaria garantido.

Na Umbanda o Filho de Ogum não precisa mudar de sexo só porque este orixá é associado a São Jorge, que combate um Dragão, e o rótulo “Drag Queen” é aplicado aos travestis. Porém a Umbanda é uma religião livre de preconceitos contra gêneros diversos e preferências estéticas divergentes. Logo, um travesti ou homossexual que se interesse sinceramente pelo culto de Ogum poderá ser eventualmente reconhecido como um legítimo Filho de Ogum. Isso laça um nó na cabeça dos conservadores que inventam estórias mirabolantes sobre umbandistas obrigados a mudar de sexo.

A matéria prima para construção de novos boatos surgiu depois que a Xuxa rompeu o namoro com o ainda jovem, bonito e rico futebolista Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como Pelé.

Quem em sã consciência faria uma coisa dessas? Só uma mulher de princípios inabaláveis que prefere trabalhar por conta própria a viver na dependência do marido. Ou então uma lésbica! Criaturas invejosas que nunca perderiam a oportunidade de dar o golpe da barriga num futebolista rico e famoso se apressaram em procurar indícios de lesbianismo, deduzindo que a empresária Marlene Matos era o novo homem da atriz.

Ato contínuo, pessoas inescrupulosas inventaram que a música Sorvetão foi feita por quem achava a paquita Andréa Faria gostosa de lamber[18]. A narrativa do Tio Chico, gravada em junho do ano 2002, continua afirmando que a Xuxa fez sexo lésbico com a missionária Lanna Holder, com a nadadora Joanna Maranhão, mais as cantoras Simony e Ivete Sangalo[19]. Esta última se defendeu numa entrevista à revista Playboy:

Como é que vou dizer: “Minha gente, nunca transei com a Xuxa?” Eu tenho vergonha de ter de falar isso. Por mais que eu desminta, não vai ser suficiente para suprimir essa necessidade do boato que vende. São vários problemas que uma fofoca dessas traz. Primeiro porque ela é minha amiga. Segundo porque eu não sou lésbica. Mas se eu fosse isso teria de ser respeitado.[20]

A missionária Lanna Holder também respondeu na sua antiga página oficial:

É chegado ao meu conhecimento por meio de e-mails, como de telefonemas, o falso testemunho que o Pastor Francisco (ex-tio Chico), tem dado ao meu respeito pelos púlpitos do Brasil. (…) Assim venho por meio desta nota, desmentir o testemunho do Pastor Francisco (…) ao qual foi por mim procurado há cerca de três meses atrás para esclarecimentos, porém o mesmo negou com veemência que tenha feito tal afirmativa. Minha tristeza é saber que ele esteja usando de acontecimentos do passado (meados de 1999 a 2000), quando esteve na época pregando na igreja do meu ex-sogro e hospedado por um dia no meu apartamento em Guarulhos, para abusar com maldade do ocorrido, alegando que na ocasião eu tenha lhe dito que tive um envolvimento com a Xuxa!

É estarrecedor o fato de que se houverem verdades em suas palavras e testemunho, das quais eu passei a duvidar após este ocorrido, seja acrescentada esta mentira ao meu respeito. (…) Assim aos que me procurarem questionando o testemunho deste pastor, fique assim esclarecido: Eu nunca tive um caso com a Xuxa. (…) “A pessoa que diz mentiras a respeito dos outros é tão perigosa quanto uma espada, um porrete ou uma flecha afiada” (Pv 25:18).[21]

Os fundamentalistas procuraram menções esparsas de rituais para lésbicas e inventaram a participação de toda essa gente nessa bazofia. Quando Ayrton Senna morreu tragicamente disseram que o acidente aconteceu por causa do ciúme do demônio, pois a Xuxa o estava namorando. Quando ela teve uma filha biológica com Luciano Zsafir disseram que a Sasha nasceu por inseminação artificial e que o bebezinho morreria caçado pelo demônio ciumento.[22]  Mesmo com inúmeras provas em contrário os fundamentalistas são extremamente cruéis e inventivos quando defendem suas crenças difamantes e injuriosas.

Mensagens subliminares inexistentes

Na época dos discos de vinil tinha muita gente que brincava de produzir sons disformes girando discos em sentido anti-horário com o dedo na vitrola. A garotada rodava qualquer disco ao revés para imitar vozes de demônios nas festas de Dia das Bruxas, etc. O problema é que certas pessoas começaram a acreditar que realmente existiam mensagens satânicas escondidas nos ruídos da rotação irregular.

Os teóricos do pacto inventaram que muitos artistas escondiam mensagens de adoração ao diabo nos discos de vinil para que as crianças e jovens dependentes do sustento familiar conseguissem pedir objetos de culto idólatra para pais cristãos. Ou seja, os filhos dos temerosos nunca ganhariam de presente um álbum dos Menudos chamado explicitamente Los Fantasmas (1977), mas poderiam lograr êxito na obtenção dum exemplar de nome venturoso, a exemplo de Los Últimos Héroes (1989) cuja música Não se Reprima conteria a frase oculta “Satanás Vive” em seu reverso.

Alguns músicos reagiram à demanda gerada pela curiosidade de verificar a lenda urbana. Eles inseriram mensagens verdadeiras na rotação inversa de discos de vinil para os consumidores procurarem. Por exemplo, na música Ilusão de Ótica da banda Engenheiros do Hawaii existem perguntas: “Por que você está ouvindo isto ao contrário? O que você está procurando, hein?” Em Empty Spaces da banda Pink Floyd a voz de Roger Waters felicita o descobridor do efeito especial: “Congratulations! You have just discovered the secret message”. Na rotação normal de My Darling Nikki, do Prince, uma letra deprimente fala sobre um rapaz usado como brinquedo sexual duma rapariga rica. Já na rotação invertida um coral entoa um louvor gospel: “Hello! How are you? I’m fine, because I know the Lord is comming!” Tal foi o cúmulo do deboche da superstição alheia.

Xuxa afirma que nunca inseriu gravações ao contrário nos seus vinis e isto deve ser verdade. Contudo, as inversões funcionam como os desenhos do teste psicológico dos borrões de Rorschach onde os pacientes são convidados a procurar significados plurais em manchas pretas.[23] Dizem que o álbum 4º Xou da Xuxa (1989) foi recolhido, queimado e relançado porque encontraram uma mensagem subliminar no reverso de Tindolelê. Por sorte minha irmã comprou aquele álbum lendário produzido por Michael Sulivan e Paulo Massadas no primeiro dia de lançamento e nós ouvimos um minúsculo pedaço que parecia defeituoso na rotação normal. Dava para ouvir crianças gritando algo extremamente parecido com a palavra “Liberdade” no reverso, por coincidência.

Não escutei nada inteligível ouvindo as várias outras músicas que foram tocadas de traz para frente, gravadas e legendadas pelos fundamentalistas, exceto na versão de Meu Cãozinho Xuxo invertida e editada por Rafael Hezadoff.[24] Não sei como ele fez isto, mas fez. Outros inverteram a mesma música sem sucesso.

Os produtores de vídeos de batalha espiritual que denunciam músicas invertidas legendadas muitas vezes editam impiedosamente as imagens do incêndio no estúdio F do Projac, ocorrido em 11/01/2001 durante gravações do programa Xuxa Park, inserindo alegações estapafúrdias de que o Diabo foi evocado para receber sacrifícios humanos.

Vivificação de brinquedos consagrados ao diabo

Conforme exposto, a lenda do brinquedo assassino é subproduto do dogma da consagração ao diabo de todos os objetos relacionados aos programas televisivos. Tudo que fosse consagrado teria algum vicio redibitório de natureza preternatural: Discos de vinil tocariam louvores à Satã e mensagens subliminares. Os bonecos da indústria Mimo, dos personagens Xuxa e Fofão, trariam uma peça perigosa no pescoço que se transforma em punhal para ferir ou ser usado como arma por crianças consumidoras.

Os fatos por traz da lenda eram muito diferentes. Crianças poderiam aprender o mínimo sobre fantasia e motivos ufológicos assistindo ao Xou da Xuxa. Não há produto mais digno duma menção honrosa do que a Xuxa africana, única boneca de etnia negra distribuída em larga escala no Brasil naquele ano!

Detalhe duma ilustração na caixa da boneca.

Uma curiosidade saiu no jornal EXTRA, da franquia O GLOBO, numa ocasião especialíssima. No dia 21/05/2014, durante uma sessão plenária em que a CCJ discutia o projeto de Lei 7672/2010, proibindo o tratamento cruel ou degradante de crianças pelos pais e responsáveis, o deputado e radialista Francisco Eurico da Silva (PSB-PE), pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, levantou gritando e usou linguagem abusiva para acusar a convidada Maria da Graça Menenguel de violentar o ator mirim Marcelo Ribeiro durante a gravação do filme Amor Estranho Amor (1982).

Xuxa não pôde se defender da injúria porque convidados não são autorizados a falar. Quatro dias depois João Arruda e Renato Machado publicaram que “uma das lendas urbanas famosas nos anos 80 dava conta de que a boneca da Xuxa atacava crianças a facadas”. Isto os motivou a criar uma charge onde um personagem inspirado no músico Psirico, tocando Lepo Lepo, revela uma mensagem subliminar escondida na rotação invertida dum disco enquanto o Pastor Eurico é sacrificado: “O deputado que ofendeu Xuxa não perde por esperar! A boneca da Xuxa vai dar várias facadas nele!”[25]

1) Deputado Pastor Eurico fugindo duma boneca assassina numa charge de João Arruda e Renato Machado. 2) Uma boneca da coleção “XUXA: Volta ao Mundo”, produzida pela indústria brasileira MIMO. Esta boneca morena de cabelos pretos, da primeira série baseada na apresentadora branca e loira, teve cor e vestuário definido na intenção de homenagear os povos e costumes africanos.

Quando a Xuxa se defendeu aconteceram coincidências assustadoras

Se um piloto não houvesse usado a máquina que caiu na Baía de Guanabara dia 12 de agosto de 2010 antes do previsto, a Xuxa provavelmente teria morrido numa sexta feira 13, vítima da queda do jatinho táxi aéreo, de prefixo PT-LXO, da OceanAir, que havia fretado para ir ao Recife participar de um desfile.

Curiosamente, naquela época ela estava aguardando o julgamento duma ação movida contra a Editora Gráfica Universal, cobrando danos morais e materiais causados pela publicação dum artigo escrito pelo missionário Josué Yrion, com título “Pacto com o Mal?”, matéria de capa do jornal Folha Universal, edição 855, de 2008.[26]

E se a estória do pacto fosse verdadeira?

O Brasil é um Estado laico onde existe garantia constitucional à liberdade de culto. Comete ato ilícito quem injuria, difama ou calunia toda e qualquer pessoa que adquire figuras sincréticas de diabos vermelhos em lojas de artigos religiosos. Também não há lei que proíba brasileiros de serem homossexuais. Pelo contrário, homofobia é crime. É imputável quem injuria o homossexual ou difama quem não é homossexual afirmando falsamente que seja (assim como fizeram com a Xuxa).

Conclusão: Ainda que a Xuxa fosse bissexual ou lésbica (não é) e houvesse feito (não fez) um pacto às escondidas com intermédio do Tio Chico, ou do Alexandre Canhodre, ou do Didi, ou frequentasse terreiros, ou fizesse macumba por conta própria, se o público não a viu realizando estas atividades é como se chovesse canivete no deserto. E mesmo se ela tivesse feito tudo isso não teria cometido nenhum ato ilícito.

Quanto as bonecas da Mimo, eu tive quatro na minha coleção particular. Nunca as vi mexer e nunca sonhei com nenhuma elas, apesar de minha neuro-divergência. Como ouço vozes e tenho outras alucinações, sou sujeita a alterações espontâneas de consciência que apresentam uma perspectiva onde coisas podem dialogar e bonecos interagem. Porém, mesmo assim, as xuxinhas sempre se comportaram como objetos inanimados normais, não despertando em mim nenhum gatilho.

 

Notas

[1] Este filme foi banido do Brasil, graças a um processo judicial cuja causa foi ganha pela Globo, mas até hoje cópias caseiras são assistidas e debatidas nos meios universitário e acadêmico. Também acabou ovacionado pelo partido dos trabalhadores e sua base aliada (são eles os heróis do filme).

[2] Quando a Leilah Moreno ganhou o concurso de calouros do programa Raul Gil, em 2002, ela cantou pela última vez usando um enorme pingente de estrela de cinco pontas invertida (com duas pontas para cima). A escolha foi incomum, pois naquela ocasião ela ganhou o direito de gravar um álbum gospel (não era tema livre). A Record nada fez para impedir a exibição da bijuteria, nem os patrocinadores que arquivaram imagens da futura protagonista da série global Antônia (2006-2007) com isto, cantando uma música da banda Guns N’ Roses.

[3] XUXA DA UM BEIJO NA CRUZ INVERTIDA? Em: Unidos na Fé. Publicado em 07/12/2011 às 06:56h. URL: <http://www.unidosnafe.com.br/joomla1.5/latest/xuxa-da-um-beijo-na-cruz-invertida-um-descuido-ou-proposital>.

[4] O’GRADY, Joan. Satã. Trad. José Antonio Ceschim. São Paulo, Mercuryo, 1989, p 30.

[5] O’GRADY, Joan. Satã. Trad. José Antonio Ceschim. São Paulo, Mercuryo, 1989, p 28-29.

[6] DUMAS, François Ribadeau. Arquivos Secretos da Feitiçaria e da Magia Negra. Trad. M. Rodrigues Martins. Lisboa, Edições 70, 1971, p 174.

[7] BARRETO, Paulo. As Religiões do Rio. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1976, p 39-40.

[8] EPOCAESTADO BRASIL URL: <http://epocaestadobrasil.wordpress.com/2008/11/26/processo-xuxa-quer-r5-milhoes-da-band-e-r-3-milhoes-de-jornal-caso-venca-o-processo/>. Acessado em: 16/05/2013 às 15:49h.

[9] Nesta gravação Tio Chico continua afirmando que o primeiro pacto foi quebrado quando a cantora evangélica Aline Barros cantou a música Consagração no Xou da Xuxa. Então foi necessário realizar um “pacto de sangue” mais forte, “feio e escandaloso” que usou como ingrediente a menstruação da pactuante. Tal rito de sexo oral não pertence à Umbanda, mas existe um precedente no opúsculo De Arte Magica (1914) onde Edward Alexander Crowley acusa a atriz Mina Bergson (1865-1928) de praticar vampirismo bebendo e/ou dando de beber sangue uterino. Isto é amplamente citado nas obras norte-americanas de batalha espiritual, sobretudo na autobiografia do pastor Willian Schnoebelen, Lucifer Dethroned (1993), porque Kenneth Grant dedicou um capítulo de The Magical Revival (1972) àquele rito antes de se tornar chefe internacional da Ordo Templi Orientis (O.T.O.).

[10] MARINHO, Elizabete Venceslau. A Bela Face do Mal. Paraná, Deus é Fiel, p 38-39.

[11] PEREIRA, Renata Gonçalves. Boneca da Xuxa – Conheça a lenda urbana assustadora de 1989. Em: SEGREDOS DO MUNDO. Acessado em 16/05/2022, 18h37. URL: <https://segredosdomundo.r7.com/boneca-da-xuxa/>.

[12] Mensagens de Vanessa publicada na comunidade “Bonecas, objetos do mal?”, na rede social Orkut (atualmente desativada), publicada em 13/05/2007 e 14/05/2007.

[13] De acordo com José Ribeiro de Souza o cabeleireiro Silvinho participava do júri do programa do Chacrinha e precisava de sorte ou axé para ter seu próprio salão de beleza.

[14] SOUZA, José Ribeiro de & ROSA, Celso. Tranca Ruas das Almas. Rio de Janeiro, ECO, 1974, p 53-55.

[15] SETTI, Ricardo. Histórias Secretas de Playboy (4): O dia em que Pelé foi, pessoalmente, recolher todas as fotos de Xuxa nua. Em: VEJA. Acessado em: 16/05/2013 às 15:08h. URL: <http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/bytes-de-memoria/historias-secretas-de-playboy-5-o-dia-em-que-pele-foipessoalmente-recolher-todas-as-fotos-de-xuxa-nua/>.

[16] MARINHO, Elizabete Venceslau. A Bela Face do Mal. Paraná, Deus é Fiel, p 38.

[17] Os teóricos do pacto tentam forçar a confusão entre o Projac carioca e a Boca do Lixo paulista. Existem lendas restritas aos círculos de cinéfilos sobre fitas VHS de “clássicos pornôs” produzidos na Boca do Lixo onde a Xuxa seria vista praticando sexo anal, etc., com homens adultos e seu nome apareceria nos créditos finais. Dentre os que juram ter assistido os tais filmes “pesados”, ninguém divulga os títulos, certamente porque essas películas nunca existiram. Os mesmos cinéfilos costumam dizer que o anão Chumbinho – um ator de filmes pornô cujo nome real é desconhecido – fazia o papel do personagem Praga no Xou da Xuxa, apresentando como prova somente a baixa estatura do ator.

[18] A verdade é que a Andréa Faria foi ameaçada de demissão por causa do limite de peso estabelecido em contrato, mas nem assim parou de comer sorvetes.

[19] Na minha experiência percebi que as pessoas dão mais valor aos boatos e ínferas excentricidades do que aos fatos concretos. Durante do Festival de Verão de Salvador, em 2007, a produção da Ivete Sangalo escolheu um vestido branco muito curto para a cantora usar e ela fingiu estar possuída por uma entidade chamada “Piriguete Sangalo” no início do show. Os sensacionalistas se apressaram em editar o vídeo excluindo a parte onde a cantora explicou a brincadeira, deixando só a encenação dos movimentos frenéticos e voz alterada. Lembraram que a Ivete é “amiga da Xuxa” e colaram este vídeo com outros… Mas o que a Xuxa tinha a ver com isso? Ela nem estava presente naquele show da Ivete Sangalo.

[20] IVETE SANGALO NEGA TER FEITO SEXO COM XUXA. Em: Ego Notícias. Publicado em 06/11/2012. URL: <http://ego.globo.com/famosos/noticia/2012/11/revista-ivete-sangalo-nega-ter-feito-sexo-com-xuxa-nao-sou-lesbica.html>.

[21] LANNA HOLDER DESMENTE PASTOR FRANCISCO (EX-BRUXO TIO CHICO). Cópia em: O Verbo. Acessado em 16/05/2013 às 18:10h. URL: <http://www.overbo.com.br/lanna-holder-desmente-pastor-francisco-ex-bruxo-tio-chico/>.

[22] Anos atrás Tio Chico reagiu à comoção publica causada pela matéria de capa da Revista Contigo (nº 486, edição 1386, editada em 02/04/2002) intitulada “Sacha ameaçada de Sequestro: A agonia de Xuxa”. A gravação da pregação proferida em junho do ano 2002 afirma que as igrejas estavam fazendo de tudo pela conversão da Xuxa. Ele disse: “Pode esperar que ela vai se converter. Estou pedindo nas igrejas para interceder pela Maria das Graças Meneghel. Eu vou explicar por que. A Maria das Graças está numa situação muito difícil. Eu estive no Rio e falei com o Steve e com o pastor Marco lá em São João de Meriti. A Maria das Graças está indo, uma vez, na igreja Internacional da Graça de Deus do nosso amado irmão R. R. Soares. Ela vai, fica escondida no gabinete, não fica no salão junto com as pessoas. A segurança dela fica ali; porque o Diabo está ameaçando de matar a sua filha. (…) Então vamos orar pela Xuxa. (…) No segundo pacto que a Maria da Graça fez (…) não podia realizar o desejo de ser feliz e seu sonho: Casar. A Maria das Graças não pode coabitar. Não pode ter contato com homem. Aquela criança nasceu de inseminação artificial”.

[23] Também não é verdade que a cifra da tablatura de Tumbalacatumba copia o ritmo da bateria do início da musica I Don’t Wanna Stop de Ozzy Osbourne. Isso é pura lenda urbana.

[24] Na versão de Meu Cãozinho Xuxo invertida, distorcida e editada por Rafael Hezadoff a Xuxa parece choramingar as frases “Te levarei no mato”, “Isso é uma delícia” e “Meu anjo é o Diabo”.

[25] ARRUDA, João & MACHADO, Renato. Semana da Tia Lúcia: Fatos e Humor politicamente incorreto. Em: Jornal EXTRA. Domingo, 25 de maio de 2014, p 12.

[26] XUXA, IGREJA UNIVERSAL, DIABO E US$ 100 MILHÕES. Em: Espaço Vital – notícias jurídicas. Acessado em 16/05/2022, 17h53. URL: <https://www.espacovital.com.br/imprimir?id=26768&tipo=noticia>.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/lenda-urbana-xuxa-bruxa/

Yod-He-Shin-Vav-He e Maria Madalena

Quero avisar que estou acompanhando os comentários, mas que só vou montar um post de respostas depois que as matérias sobre Yeshua terminarem, porque a maioria das perguntas feitas devem ser respondida ao longo dos textos. O que ficar faltando eu faço uma geral depois…

Continuaremos nesta semana a pequena série de matérias sobre Yeshua Ben Yossef, o Jesus, o Cristo, histórico. Como vimos na coluna anterior, Yeshua nunca foi o pobrezinho coitadinho nascido de uma virgem e de um carpinteiro que a Igreja Católica fez as pessoas acreditarem durante a Idade Média, nem nasceu em uma manjedoura porque não havia vagas nos hotéis de Belém por causa do recenseamento e muito menos três reis perdidos no deserto entregavam presentes para qualquer moleque nascido em estábulos que encontrassem pela frente.

Paramos a narrativa quando Yeshua é levado por seus pais para ser educado no Egito; mais precisamente nas Pirâmides do Cairo, e lá permanece estudando. A Bíblia nos dá um hiato de quase 30 anos…

O que aconteceu neste período?

Antes de continuarmos, precisamos explicar algumas coisas que os leitores estavam confundindo:

A primeira é “Se Yeshua é tão fodão quanto os ocultistas falam, porque ele não soltou bolas de fogo pelos olhos e raios elétricos pelo traseiro e matou todos os romanos?”

A resposta para isso é obvia. Yeshua é um humano como qualquer outro. Ele come, dorme, vai no banheiro e solta puns como eu ou você. Seu “poder” vem de sua iluminação e de seu conhecimento e do “ser Crístico” que foi despertado nele, assim como Buda, Krishna, Salomão, Davi, Moisés ou os Faraós. Claro que os conhecimentos alquímicos, astrológicos e místicos que possuía fazem com que Jesus fosse um ser humano muito superior aos demais, tanto física quanto mentalmente… um Mestre de bondade, caridade e iluminação, mas não o torna um super-homem. Cinco soldados com espadas dariam cabo dele com a mesma facilidade com que dariam cabo do Dalai Lama.

Quando Yeshua nasceu, os romanos já dominavam Jerusalém desde 63 AC e Herodes já estava no poder desde 37 AC.

Quando os romanos substituíram os selêucidas no papel de grande potência regional, eles concederam ao rei Hasmoneu Hircano II autoridade limitada, sob o controle do governador romano sediado em Damasco. Os judeus eram hostis ao novo regime e os anos seguintes testemunharam muitas insurreições. Uma última tentativa de reconquistar a antiga glória da dinastia dos Hasmoneus foi feita por Matatias Antígono, cuja derrota e morte trouxe fim ao governo dos Hasmoneus (40 AC); o país tornou-se, então, uma província do Império Romano.

Em 37 AC, Herodes, genro de Hircano II, foi nomeado Rei da Judéia pelos romanos. Foi-lhe concedida autonomia quase ilimitada nos assuntos internos do país, e ele se tornou um dos mais poderosos monarcas da região oriental do Império Romano. Grande admirador da cultura greco-romana, Herodes lançou-se a um audacioso programa de construções, que incluía as cidades de Cesaréia e Sebástia e as fortalezas em Heródio e Masada.

Dez anos após a morte de Herodes (4 AC), a Judéia caiu sob a administração romana direta. À proporção que aumentava a opressão romana à vida judaica, crescia a insatisfação, que se manifestava por violência esporádica, até que rompeu uma revolta total em 66 DC. As forças romanas, lideradas por Tito, superiores em número e armamento, arrasaram finalmente Jerusalém (70 DC) e posteriormente derrotaram o último baluarte judeu em Massada (73 DC), mas falarei sobre isso mais para a frente.

Portanto, estas Ordens das quais estamos discutindo (Pitagóricas, Essênias… ) das quais Yossef e Maria faziam parte já precisavam se manter “secretas” desde o Tempo de Pitágoras (eu tive de pular algumas partes da história do Ocultismo para chegar a Jesus mas voltarei aos Gregos assim que terminarmos esta série).

A conexão de Yeshua com a Ordem Pitagórica e com os ensinamentos orientais é simples de ser demonstrada. O nome Yeshua representa “Aquele que vem do fogo de Deus” ou, como mais tarde a Igreja colocou, “O Filho de Deus”, representando um sacerdote solar.

Cabalisticamente, Deus é representado pelas letras hebraicas Yod-Heh-Vav-Heh ou o tetragrama YHVH que simbolizam os 4 elementos e toda a Àrvore da Vida. Estas letras são dispostas em um quadrado ou uma cruz. O alfabeto hebraico não possui vogais e o nome de Deus precisava ser passado apenas oralmente de Iniciado para Iniciado. Quando surgia nos textos, os sacerdotes precisavam oculta-lo e usavam outras palavras para designá-lo. Eis o verdadeiro significado do mandamento “Não tomarás o nome de Deus em vão”.

A letra SHIN representa o espírito purificador. O fogo celestial que remove o Impuro (tanto que, como veremos mais adiante, ela representa o Arcano do Julgamento no tarot). Da evolução do quatro vem o número cinco, o pentagrama sagrado dos Pitagóricos, representado pela união dos 4 elementos mais o espírito (SHIN). Note que são os MESMOS elementos utilizados na bruxaria, no xamanismo, nas Ordens Egípcias, na wicca e na magia celta.

O pentagrama será, então, representado pelas letras Yod-Heh-Shin-Vav-Heh, ou YHSVH ou Yeshua. Este título já havia sido usado por Rama, Krishna, Hermes, Orfeu, Buda e outros líderes iluminados do passado.

A Infância de Jesus

De sua infância até seus 30 anos, Jesus viajou por muitos lugares, conhecendo a Índia, a Bretanha e boa parte da África. Sabia falar várias línguas, incluindo o grego, aramaico e o latim. Conhecia astrologia, alquimia, matemática, medicina, tantra, kabbalah e geometria sagrada, além das leis e políticas tanto dos judeus quanto dos gentios.

De toda a sua infância, a Igreja deixou escapar apenas um episódio ocorrido aos 12 anos, quando Jesus discute leis com os sábios e rabinos mais inteligentes de Jerusalém (Lucas 2: 42-50). Todo o restante foi destruído, já que seria embaraçoso para a Igreja ter de explicar onde o Avatar estava aprendendo tudo o que sabia. A versão oficial é que foi a “inteligência divina”, mas a verdade é muito mais óbvia e simples: Yeshua sabia tudo aquilo porque estudou. Conhecimento não vem de “graças dos céus”, mas de estudo e trabalho.

Jesus e Maria Madalena

Depois da febre Dan Brown, na qual a Opus Dei e todas as facções possíveis e imaginárias da Igreja tentaram abafar, criticar ou ridicularizar, sem sucesso, o mundo inteiro ficou sabendo do casamento de Jesus e Maria de Magdala. Foi um belo chute no saco da hipocrisia clerical e muita gente se sentiu finalmente vingada vendo os bispos e pastores desesperados pensando em como varrer tudo isso para debaixo do tapete sem a ajuda das fogueiras da Inquisição.

Para entender como este casamento aconteceu, precisamos passar por algumas explicações. A primeira é o fato de Jesus ser chamado de Rabbi (Rabino, ou Mestre) por todo o Novo Testamento. O titulo de Rabbi é passado de iniciado para iniciado desde Moisés, através de um ritual chamado Semicha (“ordenamento”). No período do Antigo Testamento, de acordo com o Judaísmo, para se tornar Rabbi, uma pessoa precisa obrigatoriamente preencher três requisitos:

1 – Ser um homem,

2 – ter conhecimento profundo do Tora e das Leis judaicas,

3 – ser casado.

Com isso, sabemos que Yeshua, por ser um líder religioso considerado um Rabbi por seus discípulos, era obrigatoriamente CASADO (não importando com quem) ou NUNCA poderia ter recebido este título. Além disso, naqueles tempos, qualquer líder religioso que estivesse na casa dos 30 anos e ainda fosse solteiro certamente seria considerado algo completamente fora dos padrões e digno de nota.

Sabemos, então, que Yeshua era casado… mas com quem?

Que mulher poderia ser digna do Mestre Carpinteiro?

A resposta é uma sacerdotisa vestal chamada Maria de Magdala, irmã de Lázaro e Marta. Assim como Yeshua, ela foi educada e preparada desde criança para ser a companheira do Avatar. Tinha grandes conhecimentos das artes lunares, divinatórias, dança e magia sexual, além de conhecimentos de astrologia, geometria, medicina e matemática. Assim como Maria, mãe de Yeshua, Maria de Magdala também era considerada uma “virgem”.

Lázaro, o irmão de Maria Madalena, é o sacerdote iniciado pelo próprio Yeshua. A bíblia cita isso como a “Ressurreição de Lázaro”, mas claramente percebemos que se trata de uma Iniciação Egípcia, lidando com a morte e renascimento do Sol. Lázaro era um iniciado muito importante em sua época, membro de uma das famílias mais ricas da Betânia, assim como os outros apóstolos também eram pessoas influentes. Passou três dias confinados em uma caverna (o templo religioso mais importante para os Essênios), sendo resgatado do Reino dos Mortos simbólico no terceiro dia por Yeshua.

Repare no mosaico acima, do século V. Note os 4 degraus, duas colunas e pirâmide com um olho que tudo vê na porta da “tumba” de Lázaro. Certamente “coincidências” estranhas…

Vamos ver o que a Bíblia fala de Maria Madalena:

Segundo o Novo Testamento, Jesus de Nazaré expulsou dela sete demônios, argumento bastante para ela pôr fé nele como o predito Messias (Cristo). (Lucas 8:2; 11:26; Marcos 16:9). Esteve presente na crucificação, juntamente com Maria, mãe de Jesus, e outras mulheres. (Mateus 27:56; Marcos 15:40; Lucas 23:49; João 19.25) e do funeral. (Mateus 27:61; Marcos 15.47; Lucas 23:55) Do Calvário, voltou a Jerusalém para comprar e preparar, com outros crentes, certos perfumes, a fim de poder preparar o corpo de Jesus como era costume funerário, quando o dia de Sábado tivesse passado. Todo o dia de Sábado ela se conservou na cidade – e no dia seguinte, de manhã muito cedo “quando ainda estava escuro”, indo ao sepulcro, achou-o vazio, e recebeu de um anjo a notícia de que Jesus Nazareno tinha ressuscitado e devia informar disso aos apóstolos. (Mateus 28:1-10; Marcos 16:1-5,10,11; Lucas 24:1-10; João 20:1,2; compare com João 20:11-18)
Maria Madalena foi a primeira testemunha ocular da sua ressurreição e foi quem foi usada para anunciar aos apóstolos a ressurreição de Cristo. (Mateus 27:55-56; Marcos 15:40-41; Lucas 23:49; João 19:25).

Ela também aparece como a da pecadora que ungiu os pés de Jesus (Lucas 7:36-39) e como a mulher que derrama óleo perfumado sobre sua cabeça (Mateus 26:6-7), mas a “versão oficial” em nenhum momento afirma que essas mulheres eram a Madalena. Para a Igreja Católica, eram 3 mulheres distintas.

Agora vamos explicar cada uma destas passagens:

Bodas de Caná
Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus;

e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento.

E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho.

Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.

Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram- nas até em cima.

Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram.

Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo

e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. (João 2: 1,11)

As Bodas de Caná é a passagem do Novo Testamento que narra o Casamento de Jesus com Maria Madalena (e não a Santa Ceia, como Dan Brown afirma).

A versão “oficial” não fala de quem é o casamento mas, pelo bom senso, veremos que não faz muito sentido a versão do papa: Imagine que você convide Jesus e seus amigos para sua festa de casamento e, de repente, a mãe dele começa a dar ordens e palpites para os seus serviçais… não tem muita lógica, não é mesmo? E, se é Jesus quem transforma água em vinho, porque o mestre-sala vai agradecer ao noivo? A resposta é óbvia.

Basta conhecer um pouco de cultura judaica para saber que, em um casamento judeu, e mais especificamente o casamento dinástico, a ÚNICA pessoa que pode dar ordens para os serviçais é a mãe do noivo, que é a pessoa responsável pela organização da festa… e tudo faz muito mais sentido agora. E transformar água em vinho certamente não seria uma dificuldade para um Avatar.

O Ritual Sagrado da Unção com Nardo

Como já vimos, as regras do matrimônio dinástico não eram banais. Parâmetros explicitamente definidos ditavam um estilo de vida celibatário, exceto para a procriação em intervalos regulares.

Um período extenso de noivado era seguido por um Primeiro Casamento em setembro, depois do qual a relação física era permitida em dezembro. Se ocorresse a concepção, havia então uma cerimônia do Segundo Casamento em março para legalizar o matrimônio.

Durante esse período de espera, e até o Segundo Casamento, com ou sem gravidez, a noiva era considerada, segundo a lei, um almah (“jovem mulher” ou, como erroneamente citada, “virgem” ).

Entre os livros mais pitorescos da Bíblia está o Cântico dos Cânticos – uma série de cantigas de amor entre uma noiva soberana e seu noivo. O Cântico identifica a poção simbólica dos esponsais com o ungüento aromático chamado nardo. Era o mesmo bálsamo caro que foi usado por Maria de Betânia para ungir a cabeça de Jesus na casa de Lázaro (Simão Zelote) e um incidente semelhante (narrado em Lucas 7:37-38) havia ocorrido algum tempo antes, quando uma mulher ungiu os pés de Jesus com ungüento, limpando-os depois com os próprios cabelos.

João 11:1-2 também menciona esse evento anterior, explicando depois como o ritual de ungir os pés de Jesus foi realizado novamente pela mesma mulher, em Betânia. Quando Jesus estava sentado à mesa, Maria pegou “uma libra de bálsamo puro de nardo, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo” (João 12:3).

No Cântico dos Cânticos (1:12) há O refrão nupcial: “Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume”. Maria não só ungiu a cabeça de Jesus na casa de Simão (Mateus 26:6-7 e Marcos 14:3), mas também ungiu-lhe os pés e os enxugou depois com os cabelos em março de 33 DC. Dois anos e meio antes, em setembro de 30 DC, ela tinha realizado o mesmo ritual três meses depois das bodas de Caná.

Em ambas as ocasiões, a unção foi feita enquanto Jesus se sentava à mesa (como define o Cântico dos Cânticos). Era uma alusão ao antigo rito no qual uma noiva real preparava a mesa para o seu noivo. Realizar o rito com nardo era maneira de expressar privilégio de uma noiva messiânica, e tal rito só se realizava nas cerimônias do Primeiro e do Segundo Casamento. Somente como esposa de Jesus e sacerdotisa com direitos próprios, Maria poderia ter ungido-lhe a cabeça e os pés com ungüento sagrado.

e check-mate, papa.

Este rito também é narrado no Salmo 23, um dos meus favoritos (só perde para o Salmo 133).

O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.

Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranqüilas.

Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda.

Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

O Salmo 23 descreve Deus, na imagem masculina/feminina da época, como pastor e noiva. Da noiva, o salmo diz “Prepara-me uma mesa… Unge-me a cabeça com óleo“.Os De acordo com o rito do Hieros Gamos da antiga Mesopotâmia (a terra de Noé e Abraão), a grande deusa, Inana, tomou como noivo o pastor Dumuzi (ou Tammuz),106 e foi a partir dessa união que o conceito da Sekiná e YHVH evoluiu em Caná por meio das divindades intermediárias Asera e El Eloim.

No Egito, a unção do rei era o dever privilegiado das irmãs/noivas semidivinas dos faraós. Gordura de crocodilo era a substância usada na unção, pois era associada à destreza sexual, e o crocodilo sagrado dos egípcios era o Messeh (que corresponde ao termo hebraico Messias: “Ungido” ). Na antiga Mesopotâmia, o intrépido animal real (um dragão de quatro pernas) era chamado de MushUs.

Era preferível que os faraós desposassem suas irmãs (especialmente suas meio-irmãs maternas com outros pais) porque a verdadeira herança dinástica era passada pela linha feminina.

Alternativamente, primeiros de primeiro grau maternos também eram consideravam. Os reis de Judá não adotavam essa medida como prática geral, mas consideram a linha feminina um meio de transferir realeza e outras posições hereditárias de influência (mesmo hoje, o judeu verdadeiro é aquele nascido de mãe judia). Davi obteve sua realeza, por exemplo, casando-se com Micol, filha do rei Saul. Muito tempo depois, Herodes, o Grande, ganhou seu status real desposando Mariane da casa real sacerdotal.

Assim como os homens que eram designados para várias posições patriarcais assumiam nomes que representavam seus ancestrais – como Isaac, Jacó e José – também as mulheres seguiam sua genealogia e escalão. Seus títulos nominais incluíam Raquel, Rebeca e Sara. As esposas das linhas masculinas de Zadoque e Davi tinham o posto de Elisheba (Elizabeth, ou Isabel) e Miriam (Maria), respectivamente. Por isso a mãe de João Batista é chamada de Isabel e a de Jesus, Maria, nos Evangelhos. Essas mulheres passaram pela cerimônia de seu Segundo Casamento só quando estavam com três meses de gravidez, quando a noiva deixava de ser uma almah e se tomava uma mãe designada.

Ou seja: Através destas passagens bíblicas, sabemos que, além de casada com Jesus, Maria Madalena teve filhos com ele.

Os Sete Demônios

“Expulsou sete demônios” é uma expressão simbólica esotérica e representa que Jesus e Maria Madalena realizaram os rituais sagrados de magia sexual (os sete demônios representam os sete chakras despertos nos rituais sexuais, como eu já havia explicado em colunas anteriores). Estas alegorias são descritas várias vezes na Bíblia, especialmente no Apocalipse, quando se fala de “Sete Igrejas” e “Sete Selos” que precisam ser “rompidos”. Isto nada mais é do que o ser humano desenvolvendo sua energia kundalini e explorando todo o seu potencial divino, aflorando e abrindo os sete chakras.

Maria Madalena foi a principal discípula de Jesus e sua grande companheira. Em lugar algum da Bíblia ela é referida como uma “prostituta” embora eu já tenha conversado com vocês a respeito de como a Igreja Católica (e evangélica) trata as sacerdotisas das outras religiões.

A primeira citação oficial da Igreja a respeito da “prostituta Maria Madalena” foi feita pelo papa Gregório I em 591 DC, para coibir o culto a Maria Madalena (Notre Damme) no Sul da França (falarei sobre o herege “Culto à Virgem Negra” mais tarde).

Maria Madalena é a figura feminina mais sagrada para os Templários e todas as catedrais chamadas de “Notre Damme” na França construídas pelos Templários foram dedicadas a ela (inclusive a Notre damme de Paris, que mereceria uma coluna só para ela de tanto simbolismo que possui escondida nela.

Santa Maria Madalena, a prostituta arrependida, foi canonizada em 886 e transformada em Santa pela Igreja Ortodoxa, que dizia que suas relíquias estavam em Constantinopla. De acordo com a versão oficial, Madalena e Maria (mãe de Jesus) foram até o Éfeso onde passaram o restante de suas vidas e seus ossos foram levados para Constantinopla após sua morte… Mas a inconveniente tradição francesa insistia que Maria Madalena, sua filha Sara (Santa Sara Kali), Lázaro e outros companheiros aportaram em Marseille, vindos do Egito, e se juntaram aos nobres que ali viviam, continuando uma dinastia de reis-pescadores que mais tarde daria origem aos Merovíngios.

A seguir: João Batista, Apóstolos, Crucificação, Mel Gibson, a Fuga de Maria Madalena para o Egito e José de Arimatéia para Glastonbury, a Revolta dos Judeus de 66 DC, Masada e o descanso final na Cachemira.

Marcelo Del Debbio

#Essênios #Gnose #ICAR #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yod-he-shin-vav-he-e-maria-madalena

O Livro Enochiano dos Amuletos e Talismãs

Pesquisa, tradução e adaptação feita
POR ROBSON BÉLLI
abril de 2022

Sumario

Origem deste material
Teoria dos Amuletos e Talismãs
Correspondências.
Geometria Talismanica da Golden Dawn.
Gematria Enochiana.
Magnetizando um Talismã.
Teoria dos quadrados mágicos.
Usos dos quadrados mágicos.
Ritual para magnetizar os talismãs.
O que fazer?
Perguntas para este material
Bibliografia.

Origem deste material

Este material tem origem no livro “The Enochian workbook” e no livro “Advanced Enochian Magic” dos autores Gerald & Betty schueller, obra recomendadíssima para aqueles que desejam entender mais sobre o assunto aqui apresentado, foram usadas inúmeras outras referencias tanto pelos autores quanto por mim (Robson Bélli) para a composição deste material.

Este material se refere a pratica da magia neo-enochiana, não sendo usado em outras vertentes, quaisquer outras duvidas pergunte no grupo, estamos sempre prontos em melhor aconselhar o grupo em suas praticas.
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Teoria dos Amuletos e Talismãs

Talismãs e amuletos são dispositivos bem conhecidos que são usados ​​por praticantes de magia há milhares de anos. Amuletos e talismãs geralmente têm o mesmo design; a principal diferença entre os dois dispositivos é como eles devem ser usados.

Amuletos são geralmente usados ​​no corpo como uma forma de proteção mágica – para afastar forças indesejadas ou entidades hostis. Eles podem ser feitos e usados ​​no corpo sem ser previamente magnetizados. O material de que são feitos influencia você diretamente. Um amuleto deve durar muito tempo, um cristal, um orgonite.

Os talismãs geralmente não são usados ​​no corpo e são construídos e carregados com força mágica para um propósito específico. Um talismã pode ser usado uma vez – então geralmente é cuidadosamente destruído ou recarregado (assim como uma bateria deve ser recarregada periodicamente).

Na Magia Enochiana, amuletos e talismãs são usados ​​como uma expressão física de sua Vontade Mágica. Eles são usados ​​para lembrá-lo do poder de sua Vontade Mágica. Além disso, outros que o virem também serão movidos consciente ou inconscientemente para realizar a sua vontade ou intento.

Correspondências

A construção de um amuleto ou talismã depende de sua função e como será usado. Seu propósito geralmente determina o material do qual é feito, as inscrições que são colocadas nele e o tipo de força ou poder que é invocado nele. Vários metais, cores, pedras preciosas e os dias da semana têm correspondências mágicas com os corpos sutis e planetas. Essas correspondências, mostradas na Tabela a seguir, devem ser consideradas ao projetar/desenhar um amuleto ou talismã.

Correspondências do Talismã

Corpo Planeta Metal Cor Dia Pedra
1 Físico Sol Ouro Amarelo Domingo Topázio, Jade amarelo
2 Etéreo Marte Ferro Vermelho terça-feira Rubi, Hematita
3 Astral Lua Prata Violeta segunda-feira Quartzo, pedra da lua
4 Mental Saturno Chumbo Preto Sábado Onix, Turmalina
5 Causal Vênus Cobre Verde sexta-feira Jade, esmeralda
6 Espiritual Mercúrio (não usar) Laranja quarta-feira Cornalina, Berilo
7 Divino Júpiter Estanho Azul quinta-feira Ametista, Lapis-Lazuli

Outras correspondências

Símbolo Incenso Animal
1 Cruz, candelabro, mandala Olibano, arruda, louro Leão, águia. Ecaravelho, veado
2 Espada, lança, açoite, escudo Café, alho, lavanda, cravo Lobo, Javali, Carneiro
3 Arco e flecha, taça, meia lua Jasmin, Canfora, Acacia Serpente, sapo, peixe
4 Foice, Cranio, Cruz Tau Mirra, Almiscar, Salsa Morcego, Coruja, Corvo
5 Rosa, Pomba, cruz ansata Rosa, Sandalo, Baunilha Pomba, Pavão, Borboleta
6 Caduceu, Livro, Pluma Benjoin, Estoraque, Alecrim Íbis, Macaco, Cão
7 Sino, Flor de liz, Quadrado Hortelã, Olibano, Eucalipto Bufalo, Alce, Elefante

Todas as correspondências aqui descritas foram conferidas no 777 e no livro Kabbalah Hermetica do Marcelo Del Debbio

Geometria Talismanica da Golden Dawn

Na Golden Dawn temos formas geométricas especificas para cada talismã e isso pode ser encontrado no livro “Self Initiation in the Golden Dawn Tradition” do Chic Cicero e Sandra Tabatha Cicero, na realidade a Golden Dawn oferece modelos de talismãs prontos para cada planeta especifico, a seguir algumas informações que podem ajudar você a compor seus proprios talismãs:

Planeta Arestas Nome da forma geométrica
Sol 6 Hexágono
Lua 9 Eneogono
Marte 5 Pentágono
Mercúrio 8 Octogono
Júpiter 4 Quadrado
Venus 7 Heptagono
Saturno 3 Triangulo

Gematria Enochiana

Os dados de origem a partir dos quais as tabelas de gematria foram calculadas são tão preciso quanto várias revisões rápidas poderiam fornecer, mas é não é garantido que seja preciso além da expectativa razoável, e sem dúvida contém pelo menos um erro. Alerta Mago!

VALORES DE GEMATRIA DOS CARACTERES ENOQUIANOS

GOLDEN DAWN CROWLEY ULISSES MASSAD
A 1 6 1
B 2 5 2
C 20 300 10
D 4 4 4
E 5 7 8
F 6 300 9
G 3 9 3
H 8 1 5
I 10 60 10
J 0 0 10
K 0 0 10
L 30 40 11
M 40 90 12
N 50 50 13
O 70 30 15
P 80 8 16
Q 90 40 17
R 100 100 20
S 200 10 14
T 300 400 22
U 0 0 6
V 400 70 6
W 0 0 6
X 60 400 21
Y 0 0 10
Z 7 1 7

Para maiores relações entre cabala, arvore da vida e magia enochiana, recomendo a leitura atenta ao Liber Arphe de Ulisses Massad, As demais gematrias podem ser encontradas através de estudos no Liber 777 e The Golden Dawn de Israel Regardie.

Magnetizando um Talismã

Os talismãs devem ser recarregados periodicamente. Os passos necessários para construir e carregar um talismã enoquiano são os seguintes:

1. No dia indicado na Tabela de correspondencias, faça um talismã em forma de pantáculo de preferencia com o metal mostrado na mesma tabela. Se os metais não estiverem disponíveis, use um substituto, como madeira ou papel pintado na cor apropriada, conforme indicado na Tabela. Esta cor serve como a cor de fundo do talismã e não da tinta.

2. No mesmo dia, inscreva o talismã com os números e símbolos apropriados. Por exemplo, se invocar uma divindade, use o número de gematria do nome do deus e sigilo, se conhecido.

3. No dia apropriado (veja a Tabela de correspondencias), realize um ritual de invocação para carregar o talismã (um ritual típico para este propósito é dado mais adiante).

4. Após carregar o talismã com a força adequada, enrole-o em linho branco ou seda e guarde-o cuidadosamente em sua própria caixa para ajudar a manter a carga até que seja usado.

5. Use o talismã quando e onde for necessário para obter o resultado desejado.

Geralmente isso feito é durante um ritual apropriado onde o talismã é usado para enfatizar o propósito desejado e garantir um resultado favorável.

Exemplo:

Vejamos um exemplo, mas lembre-se de que não existem regras rígidas e rápidas. Use os símbolos/sinais disponíveis neste e em outros livros e coloque-os juntos de uma maneira que seja do seu agrado. Uma regra da Golden Dawn era “Na construção de um talismã, o simbolismo deve ser exato e em harmonia com as forças universais”.

Exemplo:

A Figura acima mostra um talismã que pode ser usado para obter riqueza, fertilidade, abundância e prosperidade geral. Ele emprega o poder mágico de ALHKTGA, o quarto Sênior da Terra. Este talismã é projetado com um heptágono de sete lados que tem uma letra do nome do Sênior em cada espaço. Deve ser feito de cobre e pintado de verde (o metal e a cor de Vênus porque este Sênior está associado a Vênus.

O centro do talismã contém um pentagrama verde com o número 338 no centro. O verde esmeralda é a cor especial do ALHKTGA. O pentagrama simboliza o número 5. (O valor da gematria do nome deste Sênior é 338 que se reduz a 5 por adição teosófica. Ou seja, você adiciona os três números que compõem o valor da gematria, 338, (3+3+8=14) e, em seguida, some os números que compõem o resultado, 14, (1+4=5), para obter um valor de 5.

Os principais símbolos deste Sênior também estão incluídos: uma rosa vermelha e um amuleto vermelho de cinco faces. O vermelho é usado porque é o complemento do verde, a cor de ALHKTGA. Ao lado da parte superior da estrela está o signo mágico do elemento Terra (elemento deste Sênior); e abaixo do pentagrama temos o símbolo de vênus.

Teoria dos quadrados mágicos

 

Um antigo texto egípcio diz: “A vida de uma pessoa é investida em seu nome”. Esse antigo ensinamento expressa a ideia de que os nomes têm poder no sentido de que, se você souber o verdadeiro nome de algo, terá um grau de controle sobre ele. Nomes e palavras sempre foram considerados importantes na magia.

A Magia Enoquiana usa nomes e palavras enoquianas. Algumas palavras podem ser colocadas juntas de uma maneira especial para formar um quadrado. Estes são chamados de Quadrados Mágicos.

As tabelas abaixo mostram dois típicos Quadrados Mágicos Enochianos.

 

N E M O
E M O A
M O A D
O A D O

NEMO. Este quadrado soma 516, o número para MIKA-SOESA que significa “o poderoso salvador interior”.

Também 516 = 129×4 onde 129 é o número para MOZ que significa “alegria”. Além disso, 516 = 12×43 onde 43 é o número para BALT-ZA que significa “na justiça”. AIK BKR reduz 516 e 129 para 12 que reduz a 3, “o filho ou soma de um” (o pai supremo) e “dois” (a mãe suprema). Esta é a praça de NEMO, o Magister Templi ou Mestre do Templo.

 

B A B A L O N
A D A N O D O
B A H A N O Q
A N A N A E L
L O N A S M I
O D O R M N A
N O Q L I A D

BABALON. Este quadrado soma um total de 1183, o número de KA-KAKOM-ZORGE que significa “fazer o amor florescer”. Também 1183=169×7, onde 169 é o número para RIT que significa “misericórdia” e PIR, “brilhante”. AIQ BKR reduz 1183 para 4, o número para definição através da memória.

BABALON é a corrente feminina encontrada nos Aethyrs, ADNA-ODO implica abrir-se ao conceito de obediência; BAHA [L]-NOQ [01 é “o clamor de um servo fiel”; ANANAEL significa “a sabedoria secreta”; LONSA-MI sugere o poder ou energia que está latente em todos; ODO-EMNA pode significar “abrir-se a partir de agora” e NOQ[01-L-IAlD pode significar “o servo supremo (ou ministro) de Deus”.

Uma interpretação deste Quadrado Mágico é:

Ó BABALON

Reverências a você.

Receba-me,

Seu servo fiel

Quem proclama sua Sabedoria Secreta.

Você é o poder que reside em todos.

Receba-me,

Por agora e para sempre.

Usos dos quadrados mágicos

O uso de tais quadrados é variável. Por exemplo, muitos, se não todos, os Quadrados Mágicos podem ser transformados em talismãs, devidamente carregados, e então usados ​​em rituais mágicos. De acordo com o livro da  magia de Abramelin, simplesmente ter tal quadrado em sua pessoa e tocá-lo, enquanto faz um desejo correspondente, ajudará a tornar esse desejo realidade.

Muitos magos, especialmente aqueles que praticam Magia Enochiana, os usam para meditação. Cada letra representa uma ideia mágica especial, conforme mostrado na Tabela abaixo.

Letra ZODIACO/ELEMENTO Tarô
A Touro Hierofante
B Aries Estrela
C, K Fogo Julgamento
D Espirito Emperatris
E Virgem Eremita
F Cauda Mago
G Cancer Carruagem
H Ar Louco
I, J, Y Sagitario Temperança
L Cancer Carroagem
M Aquario Imperador
N Escorpiao Morte
O Libra Justiça
P Leão Força
Q Agua Pendurado
R Peixes Lua
S Gêmeos Amantes
T Leão Força
Caput Draconis Alta sacerdotiza
U, V, W Capricornio Diabo
X Terra Universo
Z Leão Força
Caput draconis Alta sacerdotiza

Quadrados de letras podem fornecer a base para meditações poderosas simplesmente concentrando-se nos significados das letras e sua disposição dentro dos quadrados.

Os três exemplos a seguir são fornecidos.

Exemplos

Exemplo 1. O quadrado LAMA.

L A M A
A A I T
M I A O
A T O L

Este quadrado contém as palavras enoquianas, LAMA-AAI-T-MI-AOA-TOL, que podem ser traduzidas como “o caminho que está dentro de você leva ao poder que está dentro de todos”, ou “o caminho em você é o poder em todo.” Este quadrado contém a ideia de que todos nós temos uma fonte interna de poder que podemos usar para superar quase todos os problemas que podem surgir se soubéssemos como. O valor da gematria de todas as 16 letras é 430 e isso se reduz a 7 (4+3+0=7), o número para integridade e completude. Este quadrado deve ser usado sempre que nos sentimos indignos ou mal sucedidos para aumentar nossa auto-estima e otimismo.

Exemplo 2. O quadrado PAHS.

P A S H S
A B R A M
S R O R N
H A R G A
S M N A D

Este quadrado contém as palavras enoquianas, PASHS-ABRAM-S-ROR-NHARG-A-SMNAD, que significam “As crianças são providas pelo Sol. Posso conceber uma assim”, ou “As crianças são preparadas pelo Sol. Que eu semear outro.” Este quadrado contém a ideia de que as crianças são um presente da divindade criativa porque o Sol foi ensinado pelos antigos a ser a mais alta divindade criativa em nosso sistema solar. O valor da gematria de todas as 25 letras é 802 que a adição teosófica reduz a 1 (8+0+2=10, 1+0=1). O número 1 é o número para a mônada, unidade e para masculino e feminino conjugados. Tomado em conjunto, este quadrado deve ser usado para garantir a fertilidade ao tentar produzir um filho.

Exemplo 3. O quadrado ZORGE.

Z O R G E
O I L
R I T Z
G A
E L Z A P

Este quadrado representa um tipo popular de quadrado, um quadrado incompleto, pois nem todas as posições contêm letras. O quadrado contém três palavras enoquianas: ZORGE, que significa amor; RIT, significando misericórdia; e ELZAP, significando o caminho. Sugere que a maneira correta de viver é com misericórdia e amor. As 19 letras enoquianas têm um valor total de gematria de 489 que reduz para 3 (4+8+9=21 e 2+1=3), o número de palavras usadas. O número 3 indica inteligência e manifestação. Sugere que a maneira inteligente de viver neste mundo é expressar amor e misericórdia. Este quadrado deve ser usado por qualquer pessoa que queira ver mais amor e misericórdia em suas vidas.

Ritual para magnetizar os talismãs

Talismãs

Ritual para Carregar o Talismã

PASSO 1.

Faça um círculo mágico. Coloque uma mesa ou altar no centro. Coloque o Talismã de no altar. Entre no círculo.

PASSO 2.

Conduza o Ritual de Invocação do Pentagrama e depois o Ritual de Invocação do Hexagrama para invocar as forças necessárias da Torre de Vigia.

PASSO 3.

Vire a face para a respectiva Torre de Vigia (direção).

PASSO 4.

Entre no seu Corpo de Luz (conforme ensinado no Livro do Mochileiro dos éteres).

PASSO 5.

Trace o Hexagrama de Invocação de (do planeta da entidade).

PASSO 6.

Vibre os nomes:

(nome divino de 12 letras da torre adequada)

(nome do rei da torre adequada)

(nome do sênior da torre adequada)

PASSO 7.

Assuma o caráter e a forma divina da entidade enochiana que vai atuar no talismã. Deixe seu Corpo de Luz assumir a aparência deste anjo.

PASSO 8.

Recite uma invocação:

Ó (nome do anjo), (titulo) da atalia do (elemento), Venha a mim e me ajude.

Ajude-me a eliminar tudo o que se opõe ao meu progresso.

Conceda-me sua grande dádiva de (campo de atuação da entidade).

Ajude-me em minha Vontade Mágica E dilacere meus inimigos.

PASSO 9.

Assuma o caráter do anjo (veja-se como se fosse o mesmo).

PASSO 10.

Agindo como se fosse o anjo, estenda sua mão direita sobre o Talismã e veja uma névoa das cores do sigilo da atalaia correspondente. Deixe sua mão e entre no Talismã carregando-o com seus poderes e habilidades.

PASSO 11.

Retorne a sua própria forma. Retorne ao seu corpo físico.

PASSO 12.

Trace o Hexagrama de Banimento de (do planeta da entidade).

PASSO 13.

Conduza o Ritual de Banimento do Pentagrama e depois o Ritual de Banimento do Hexagrama para banir as forças da Torre de Vigia.

O que fazer?

  1. Faça seu próprio Talismã de um anjo a sua escolha e necessidade de acordo com as regras dadas na Lição.
  2. Faça um talismã do quadrado LAMA ou de qualquer outro a sua escolha e necessidade.

Perguntas para este material

  1. Qual é a diferença entre um talismã e um amuleto?
  2. Verdadeiro ou Falso: Quadrados Mágicos podem ser usados ​​como talismãs mágicos.
  3. Verdadeiro ou Falso: A construção de um amuleto ou talismã depende do seu uso.
  4. Verdadeiro ou Falso: Quadrados Mágicos podem ser usados ​​para meditação.

 

Bibliografia

Self Initiation of the Golden Dawn Tradition. By Chic Cicero and Sandra Tabatha Cicero, Llewellyn.

Kabbalah Hermetica. By Marcelo Del Debbio, Daemon editor.

Liber Arphe, By Ulisses Massad, V0.15 2015

Liber 777, Aleister Crowley, Weiser Books

The Golden Dawn. Ed by Israel Regardie, Llewellyn.

The Sacred Magic of Abramelin the Mage. Trans, by S.L. Macgregor Mathers, Dover.

The Magus. Francis Barrett, Citadel.

The Book of the Goetia of Solomon the King. Ed. by Aleister Crowley, Magical Childe.

Amulets and Superstitions. E.A. Wallis Budge, Dover.

Egyptian Magic, E.A. Wallis Budge, Citadel.

The Complete Book of Spells, Ceremonies & Magic. Migene Gonzalez-Wippler, Llewellyn.

The Secret Lore of Magic. Idries Shah, Citadel.

The Book of Ceremonial Magic, a Complete Grimoire. A.E. Waite, Citadel.

The Legend ofAleister Crowley. RR. Stephensen and Israel Regardie, Llewellyn.

The Eye in the Triangle. Israel Regardie, Llewellyn.

A Pictorial History ofMagic and the Supernatural. Maurice Bessy, Spring Books.

The Complete Book ofAmulets & Talismans. Migene Gonzalez-Wippler, Llewellyn.

The Book of Ceremonial Magic: A Complete Grimoire. A. E. Waite. Citadel.

Techniques of High Magic; A Manual of Self-Initiation. Francis King and Stephen Skinner, Doubleday.

Applied Magic. Dion Fortune, Weiser.

The Swordand the Serpent. Denning & Phillips, Llewellyn.

The New Magus. Donald Tyson, Llewellyn.

The Golden Dawn. Ed. by Israel Regardie, Llewellyn.

The Key ofSolomon the King. S. Liddell MacGregor Mathers, Weiser.

The Secret Rituals ofthe O.T.O. Ed. by Francis King, Weiser.

The Book of the Goetia of Solmon the King. Trans, by Aleister Crowley, Magickal Childe.

Buckland’s Complete Book of Witchcraft. Raymond Buckland, Llewellyn.

A Witches Bible Compleat. Janet and Stewart Farrar, Magical Childe.

Planetary Magick. Denning and Phillips, Llewellyn.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-livro-enochiano-dos-amuletos-e-talismas/

Os Cavaleiros Templários – parte 1

Publicado no S&H em 1/9/09

Retornando à nossa História das Ordens Iniciáticas, chegamos ao começo do século XII. Herdeiro da desintegração do Império Romano, o Ocidente Europeu do início da Idade Média era pouco mais que uma colcha de retalhos com populações rurais e tribos bárbaras. A instabilidade política e o definhar da vida urbana golpearam duramente a vida cultural do continente. A Igreja Católica, como única instituição que não se desintegrou juntamente com o extinto império, mantinha o que restava de força intelectual, especialmente através da vida monástica.
Com o tempo a sociedade foi se estabilizando e, em certos aspectos, no século IX o retrocesso causado pelas migrações bárbaras já estava revertido, mas nessa época os pequenos agricultores ainda eram impelidos a se proteger dos inimigos junto aos castelos. Esse cenário começa a mudar mais fortemente com a contenção das últimas ondas de invasões estrangeiras no século X, época em que o sistema feudal começa a ser definido. O período de relativa tranqüilidade que se segue coincide com um período de condições climáticas mais amenas. A partir do ano 1000, o Feudalismo entra em ascensão.

Os Templários e a Primeira Cruzada
Depois que Maomé morreu (632), as vagas de exércitos árabes lançaram-se com um novo fervor à conquista dos seus antigos senhores, os bizantinos e persas sassânidas que passaram décadas a guerrear-se. Estes últimos, depois de algumas derrotas esmagadoras, demoram 30 anos a ser destruídos, mais graças à extensão do seu império do que à resistência: o último Xá morre em Cabul em 655. Os bizantinos resistem menos: cedem uma parte da Síria, a Palestina, o Egito e o norte de África, mas sobrevivem e mantêm a sua capital, Constantinopla.
Num novo impulso, os exércitos conquistadores muçulmanos lançam-se então para a Índia, a Península Ibérica, o sul de Itália e França, as ilhas mediterrânicas. Tornado um império tolerante e brilhante do ponto de vista intelectual e artístico, o império muçulmano sofre de um gigantismo e um enfraquecer guerreiro e político que vai ver aos poucos as zonas mais longínquas tornarem-se independentes ou então serem recuperadas pelos seus inimigos, que guardavam na memória a época de conquista: bizantinos, francos e reinos neo-godos.
No século X, esse desagregar acentua-se em parte devido à influência de grupos de mercenários convertidos ao islã e que tentam criar reinos próprios. Os turcos seljúcidas (não confundir com os turcos otomanos antepassados dos criadores do atual estado da Turquia; nem com os Mamelucos, que só vão surgir em 1250; os Seljucidas seguiam o califa Seljucida), procuraram impedir esse processo e conseguem unificar uma parte desse território. Acentuam a guerra contra os cristãos, chutam a bunda das forças bizantinas em Mantzikiert em 1071 conquistando assim o leste e centro da Anatólia e finalmente tomam Jerusalém em 1078.

O Império Bizantino, depois de um período de expansão nos séculos X e XI está completamente ferrado e em sérias dificuldades: vê-se a braços com revoltas de nômades no norte da fronteira, e com a perda dos territórios da península Itálica, conquistados pelos normandos. Do ponto de vista interno, a expansão dos grandes domínios em detrimento do pequeno campesinato resultou em uma diminuição dos recursos financeiros e humanos disponíveis ao estado. Como solução, o imperador Aleixo I Comneno decide pedir auxílio militar ao Ocidente para poder enfrentar a ameaça seljúcida.
E adivinha quem eles mandaram?

Errou. Ao invés de mandarem cavaleiros bem preparados, em 1095, no concílio de Clermont, o papa mané Urbano II exorta a multidão de esfomeados malucos religiosos a libertar a Terra Santa e a colocar Jerusalém de novo sob o domínio cristão, apresentando a expedição militar que propõe como uma forma de “penitência”. A multidão presente aceita entusiasticamente o desafio e logo parte em direção ao Oriente, tendo consigo uma cruz vermelha sobre as suas roupas (daí terem recebido o nome de “cruzados”). Assim começavam as cruzadas. A idéia basicamente era “Vão lá e matem todo mundo, e Deus perdoará os seus pecados”.
Treinamento? Equipamento? Blá…

A Cruzada dos Pobres
A Cruzada Popular ou dos Mendigos (1096) foi um acontecimento extra-oficial que consistiu em um movimento popular que bem caracteriza o misticismo da época e começou antes da Primeira Cruzada oficial. O monge Pedro, o Eremita, graças a suas pregações comoventes, conseguiu reunir uma multidão. Entre os guerreiros, havia uma multidão de mulheres, velhos e crianças.
Auxiliado por um cavaleiro, Guautério Sem-Haveres, os peregrinos atravessaram a Alemanha, Hungria e Bulgária, causando todo tipo de desordens e desacatos, sendo em parte aniquilados pelos búlgaros. Ainda no caminho, seus seguidores tinham criado diversos tumultos, massacrando comunidades judaicas em cidades como Trier e Colônia, na atual Alemanha.
Chegaram em péssimas condições a Constantinopla. Mal equipada e mal alimentada, essa “Cruzada” massacrou judeus pelo caminho, matou, pilhou e destruiu tudo, como hordas assassinas de personagens de RPG. Ainda assim, o imperador bizantino Aleixo I Comneno recebeu os seguidores do eremita em Constantinopla. Prudentemente, Aleixo aconselhou o grupo a aguardar a chegada de tropas mais bem equipadas… Mas a turba começou a saquear a cidade.

O imperador bizantino, desejando afastar esse “bando de personagens low level de world of warcraft” (ok, ele não os chamava assim, mas vocês entenderam a idéia) de sua capital, obrigou-os a se alojar fora de Constantinopla, perto da fronteira muçulmana, e procurou incentivá-los a atacar os infiéis. Foi um desastre, pois a Cruzada dos Mendigos chegou muito enfraquecida à Ásia Menor, onde foi arrasada pelos turcos, que tinham um level muito maior e melhores equipamentos… Noobs.
Somente um reduzido grupo de integrantes conseguiu juntar-se à cruzada dos cavaleiros.

Durante um mês, mais ou menos, tudo o que os cavaleiros turcos fizeram foi observar a movimentação dos invasores, que se ocupavam apenas de badernar e saquear as regiões próximas do acampamento onde foram alojados. Até que, em agosto de 1096, o bando inquieto cansou-se de esperar e partiu para a ofensiva.
Quando parte dos europeus resolveu partir em direção às muralhas de Nicéia, cidade dominada pelos muçulmanos, uma primeira patrulha de soldados do sultão turco Kilij Arslan foi enviada, sem sucesso, para barrá-los. Animado pela primeira vitória, o exército do Eremita maluco continuou o ataque a Nicéia, tomou uma fortaleza da região e comemorou bebendo todas, sem saber que estava caindo numa emboscada. O sultão mandou seus cavaleiros cercarem a fortaleza e cortarem os canais que levavam água aos invasores. Foi só esperar que a sede se encarregasse de aniquilá-los e derrotá-los, o que levou cerca de uma semana.
Quanto ao restante dos cruzados maltrapilhos, foi ainda mais fácil exterminá-los. Tão logo os francos tentaram uma ofensiva, marchando lentamente e levantando uma nuvem de poeira, foram recebidos por um ataque de flechas. A maioria morreu ali mesmo, já que não dispunha de nenhuma proteção. Os que sobreviveram fugiram como galinhas amarelas.
O sultão, que havia ouvido histórias temíveis sobre os francos, respirou aliviado. Mal imaginava ele que aquela era apenas a primeira invasão e que cavaleiros bem mais preparados ainda estavam por vir…

Os Cavaleiros e o Templo
No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, abrasados pelo fervor religioso e movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos muçulmanos a glória dos atos de bravura e a consagração da impavidez, abalaram rumo à Palestina levando no peito a cruz de Cristo e na alma um sonho de amor. Eram os Gouvains do Cristianismo, que se constituiam fiadores da fé, disputando as relíquias sagradas que os fanáticos do Crescente retinham e profanavam. Reinava em Jerusalém Balduíno II que os acolheu e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde os montões de escombros assinalavam as ruínas de um grande Templo. Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo.

Hugo de Payens (1070-1136), um fidalgo francês da região de Champagne, foi o primeiro mestre da Ordem dos Templários. Ele era originalmente um vassalo do conde Hugues de Champagne. Conde Hugues de Champagne visitou Jerusalém uma vez com Hugo de Payens, que ficou por lá depois de o conde voltar para a França. Hugo de Payens organizou um grupo de nove cavaleiros para proteger os peregrinos que se dirigiam para a terra santa no seguimento das iniciativas propostas pelo Papa Urbano II.
De Payens aproximou-se do rei Balduíno II com oito cavaleiros, dos quais dois eram irmãos e todos eram parentes de Hugo de Payens, alguns de sangue e outros de casamento, para formar a primeira das ordens dos Templários.
Os outros cavaleiros eram: Godofredo de Saint-Omer, Archambaud de Saint-Aingnan, Payen de Montdidier, Geofroy Bissot, e dois homens registrados apenas com os nomes de Rossal ou possivelmente Rolando e Gondamer. O nono cavaleiro permanece desconhecido, apesar de se especular que ele era o Conde Hugh de Champagne.

O símbolo destes Templários era esta imagem ao lado: dois Cavaleiros “tão pobres que precisavam dividir um cavalo”… você escutou esta balela na escola, certo? Vamos aos fatos: FIDALGO Hugo de Payens; Godofredo de Saint Omer, nobre da Família de Saint Omer, cujos VASSALOS foram alguns dos primeiros cavaleiros recrutados; Payen de Montdidier, da casa nobre flamenca Montdidier; o CONDE Geofroy Bissot, da família Bissot, entre outros… tantos nobres reunidos e não tinham dinheiro sequer para comprar um cavalo para cada um? Fala sério…
O que o Símbolo dos Templários realmente representa é que eles eram guerreiros espirituais. Os dois corpos no cavalo representam a união do guerreiro físico com o guerreiro espiritual que eles ali representavam. Mas a idéia de falar que eles eram pobres não era ruim…
Outro ponto bizarro é dizer que a função dos Templários era “defender as rotas de Peregrinos dos Muçulmanos”… ora, o que nove cavaleiros de meia-idade poderiam fazer contra as hordas de muçulmanos que estavam tomando conta da região? O que estes nove cavaleiros fizeram foi escavar sob os estábulos do Templo durante nove anos (de 1109 a 1118), até que finalmente encontraram o que estavam procurando…

As ruínas do Templo
Destruído pelos caldeus e reconstruído por Zorobabel, fora ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo e, finalmente, arrasado pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Os “Pobres Cavaleiros de Cristo” atraídos pela sensação do mistério que pairava sobre as veneradas ruínas, não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Kabbalah. E entraram. Uma extensa galeria conduziu-os até uma porta chapeada de ouro por detrás da qual deveria estar o maior Segredo da Humanidade.

Sobre a porta, uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-SE DO MUNDO DOS VIVOS.

Hugh de Payens escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de figuras bizarras, delicadas umas e monstruosas outras, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD. Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a “LEI” cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que “comprovavam” a heresia dos Templários. A “Lei Sagrada” era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão.

A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica da Kabbalah. Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Yetzira propõe ao entendimento humano. As chaves expostas sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento dão aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE?

Entre as figuras mais bizarras que adornavam o majestoso Templo, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa, encantadora. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a idéia da Criação. E foi essa figura atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas.

Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já tinha uma concepção acerca da idéia de Deus que não era muito católica. A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem “Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria” não era uma sujeição à Igreja mas uma referência à inicial que, no centro do Triângulo, simbolizava a unidade perfeita: YOD.

Continua…

#Maçonaria #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-cavaleiros-templ%C3%A1rios-parte-1

Eletric Ladyland, Jimi Hendrix

A relação de Jimi Hendrix com magia negra é bem anterior a óbvia obra prima Vodu Chile e suas cenas botando fogo cerimonialmente em seus instrumentos de trabalho. Hendrix tinha fama de ser possuído por todos os seus demônios cativos em cima do palco. Seu interesse nos cultos africanos e em especial no culto Yoruba podem ser evidenciados na maioria de suas entrevista, mas começou com o encontro com o baterista Kwasi Dzidzornu, vulgo Rocki.

Rocki, nativo de Ganá  era filho de sacerdote e percebeu que as músicas de Hendrix eram muito semelhantes aos toques que ouvia quando era pequeno. Na excelente biografia de Jimi Hendrix, ‘Escuse me while I kiss the sky” lemos:

“Uma das primeiras coisas que Rocki perguntou a Jimi foi onde ele tinha aprendido aqueles capenga que muitas das ‘assinaturas rítmicas’ que Jimi tocava na guitarra eram, freqüentemente, idênticas aos ritmos que seu pai tocava em cerimônias Vodu. A maneira com que Jimi dançava aos ritmos que tocava faziam Rocki rememorar os ritmos que seu pai tocava para os loas. A cerimônia é chamada de Vodushi. Quando criança na aldeia, Rocki entalhava em madeira representantes destes espíritos. Eles também representavam seus ancestrais. Estes eram os deuses-demônios que eles adoravam e vieram a tomar um bocado de espaço na casa de Jimi.”

Em sua época de ouro a fama era de que Hendrix vendera a alma ao diabo em troca de seus talentos musicais. Sua namorada oficial, Fayne Pridgon, disse: “Ele costuma falar que há um tipo de diabo nele, você sabe, ele não tinha muito controle sobre isso. Ele não sabia a razão de muitas das coisas que fazia ou dizia em suas canções. ”

Quando colocado contra a parede e questionado se acreditava nestes demônios Jimi se saiu com essa: “Pergunte as cordas de minha guitarra e ouvirá a resposta.”. A música escolhida para representar o álbum registra o amor lascivo de Hendrix pela Magia Cigana, encontrada nesta pérola chamada Eletric Ladyland.

Gypsy Eyes, Jimi Hendrix

 

Well I realize that I’ve been hypnotized, I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
Alright!

Hey!
Gypsy.

Way up in my tree I’m sitting by my fire
Wond’rin’ where in this world might you be
And knowin’ all the time you’re still roamin’ in the country side
Do you still think about me?
Oh my gypsy.

Well I walked right on to your rebel roadside
The one that rambles on for a million miles
Yes I walk down this road searchin’ for your love and ah my soul too
But when I find ya I ain’t gonna let go.

I remember the first time I saw you
The tears in your eyes look like they’re tryin’ to say
Oh little boy you know I could love you
But first I must make my get away
Two strange men fightin’ to the death over me today
I’ll try to meet cha by the old highway.
Hey!

Well I realize that I’ve been hypnotized, I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
Alright!

I’ve been searchin’ so long my feet have made me lose the battle
Down against the road my weary knees they got me
Off to the side I fall but I hear a sweet call
My gypsy eyes is comin’ and I’ve been saved.

Oh I’ve been saved
That’s why I love you uh
Said I love you
Hey!
Love you uh
Lord I love you
Hey!

Tradução de Gypsy Eyes
Olhos ciganos

Bem ,descobri que fui hipnotizado,
Amo seus olhos ciganos
Amo seus olhos ciganos
tudo bem!
hey! cigana
escalo minha árvore e fico e me aqueço no fogo
querendo descobrir onde neste mundo você está
e sabendo o tempo todo que você continua rodando pelo país
você ainda pensa em mim?
oh, minha cigana
bem, eu fui até a estrada, o lugar onde você vive
aquele que se situa a milhão de milhas
sim, saí por aquela estrada em busca de seu amor e de minha alma também
mas quando encontrá-la não vou deixá-la ir
lembro-me da primeira vez que a vi
as lágrimas em seus olhos pareciam que tentavam dizer
oh menino, você sabe que eu poderia amar você
mas pimeiro devo trilhar meu caminho
hoje, dois homens estranhos brigaram até a morte por mim
vou encontrá-lo lá na velha estrada velha
hey!
tenho procurado por tanto tempo e meus pés me fizeram perder a batalha
andando pela estrada meus joelhos cansados
me jogaram fora do caminho, caí mas ouvi uma voz doce chamar
minha olhos ciganos está vindo e serei salvo
oh estarei salvo
por que eu a amo tanto
disse eu te amo
hey!
te amo uh
deus, eu te amo
hey!

Nº 71 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/eletric-ladyland-jimi-hendrix/