A Queda dos Anjos

Embora no Gênesis não esteja claro que os nefilins fossem maus, assim eles foram considerados nos livros apócrifos da época do Segundo Templo. Entre os achados arqueológicos mais importantes nesta área, encontra-se um texto em aramaico, descoberto no inverno de 1896-97 numa genizah de uma comunidade hebraica do Cairo e publicada, pela primeira vez, sob o título de Documento de Damasco, em 1910. Diz o seguinte:

«III – E, agora, ouvi-me, meus filhos, que eu descerrarei os vossos olhos para que possais escolher aquilo que Ele ama e desprezar tudo aquilo que odeia, para poderdes caminhar perfeitamente em todos os Seus caminhos e não errardes seguindo impulsos culposos ou deitando olhares de fornicação. Porque muitos foram os que se desviaram e homens fortes e valorosos aí escorregaram, tanto outrora como hoje. Caminhando com a rebelião nos corações, caíram os próprios guardas dos céus, a tal chegados porque não observavam os mandamentos de Deus, tendo caído também os seus filhos, cuja estatura atingia também a altura dos cedros e cujos corpos se assemelhavam a montanhas. Todo o ser vivo que se encontrava em terra firme, caiu, sim, e morreu, e foram como se não tivessem sido, porque procediam conforme a sua vontade e não observavam os mandamentos do seu Criador, de maneira que a cólera de Deus se inflamou contra eles.»

Vários fragmentos do Livro de Enoch, escritos em aramaico, foram descobertos nas célebres grutas de Qumran, no Mar Morto. Contudo, mesmo depois dos textos terem sido comparados e executado um árduo trabalho de reconstituição, ainda faltaram diversas lacunas. Tentei amenizar este problema tapando os buracos com passagens de uma tradução livre para o etíope quase idêntica ao original aramaico, encontrada na Abissínia (conhecida como Enoch Etíope ou I Enoch):

VI – 1 «Sucedeu que quando se multiplicaram naqueles dias os filhos dos homens, nasceram-lhe filhas formosas e belas. Os Vigilantes, filhos do céu, viram-nas, desejaram-nas e disseram uns aos outros: Vamos e escolhamos mulheres dentre as filhas dos homens e engendremos filhos. Porém Semihaza, que era o seu chefe, lhes disse: Temo que não queiras realizar esta obra, e seja eu sozinho culpável de um grande pecado. Responderam e lhe disseram todos:» «Juremo-nos todos e comprometamo-nos todos sob anátema. Uns com os outros, a não voltarmos atrás neste projeto até que tenhamos realizado esta obra. Então se juramentaram todos em uníssono e se comprometeram uns com os outros. Eram duzentos todos os que desceram no tempo de Jared sobre o cimo do monte Hermon. Chamaram o monte “Hermon”, porque juram e se comprometeram sob anátema uns com os outros nele. Estes são os nomes de seus chefes: Semihazah, que era seu chefe; ‘Ar’teqof, o segundo com relação a ele; Ramt’el, o terceiro com relação a ele; Kokab’el, o quarto com relação a ele; ???’el, o quinto com relação a ele; Ra’ma’el, sexto com relação a ele; Dani’el, sétimo com relação a ele; Zeq’el, oitavo com relação a ele; Baraq’el, nono com relação a ele; ‘Asa’el, décimo com relação a ele; Hermoni, undécimo com relação a ele; Matar’el, duodécimo com relação a ele; ‘Anan’el, décimo terceiro com relação a ele; Sato’el, décimo quarto com relação a ele; Shamsi’el, décimo quinto com relação a ele; Sahari’el, décimo sexto com relação a ele; Tumi’el, décimo sétimo com relação a ele; Turi’el, décimo oitavo com relação a ele; Yomi’el décimo nono com relação a ele; Yehadi’el, vigésimo com relação a ele. Estes são os chefes dos chefes de dezena.»

VI – 1 «Eles e seus chefes, todos tomaram para si mulheres, escolhendo entre todas, e começaram a ir a elas e a contaminar-se com elas, a ensinar-lhes bruxarias, encantos e o corte de raízes, e a revelar-lhes as plantas. Elas ficaram grávidas deles e pariram gigantes, altos uns três mil côvados, que nasceram sobre a terra conforme a sua infância, e cresceram de acordo com seu crescimento, e que devoravam o trabalho de todos os filhos dos homens, sem que os homens pudessem abastecê-los. Os gigantes conspiravam para matar os homens e para devora-los. Começaram a pecar […] contra todos os pássaros e animais da terra e contra os répteis que se movem sobre a terra e nas águas e no céu, e os peixes do mar, e a devorar uns a carne dos outros, e bebiam o sangue. Então a terra acusou os ímpios por tudo o que se havia feito nela.»

VIII – 1. «’Asa’el ensinou os homens a fabricar espadas de ferro e couraças de cobre e lhes mostrou o que se escava e como poderiam trabalhar o ouro para deixa-lo preparado; e quanto à prata, a lavrá-la para braceletes e outros adornos para as mulheres. Às mulheres revelou acerca do antimônio e acerca do sombreado dos olhos e de todas as pedras preciosas e sobre as tinturas [E assim grassava uma grande impiedade; eles promoviam a prostituição, conduziam aos excessos e eram corruptos em todos os sentidos.]» «Semihazah ensinou encantamentos e a cortar raízes; Hermoni ensinou a desencantar, a bruxaria, a magia e habilidades; Baraq’el ensinou os sinais dos raios; Kokab’el ensinou os sinais das estrelas; Zeq’el ensinou os sinais dos relâmpagos; ???’el ensinou os sinais de […]; ‘Ar’teqof ensinou os sinais da terra; Shamsi’el ensinou os sinais do sol; Sahari’el ensinou os sinais da lua. E todos começaram a descobrir segredos à suas mulheres.» «Como estava perecendo uma parte dos homens da terra, seu grito subia até o céu.»

IX -1 «Então Miguel, Sariel, Rafael, e Gabriel olharam para a terra do santuário dos céus e viram muito sangue derramado sobre a terra; e toda a terra estava cheia da maldade e da violência que se pecava sobre ela. Ouvindo isto, os quatro foram e disseram que o grito e o lamento pela destruição dos filhos da terra subia até as portas do céu. E disseram aos santos do céu: É agora a vós, santos do céu, a quem suplicam as almas dos filhos dos homens dizendo: “Levai nosso caso diante do Altíssimo e nossa destruição diante da majestade!” Foram Rafael, Miguel, Sariel e Gabriel, e disseram diante do Senhor do mundo: “Tu és nosso grande Senhor, tu és o Senhor do mundo; Tu és o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores e o Rei dos reis. Os céus são o trono de tua glória por todas as gerações que existem desde sempre, e toda a terra é o escabelo ante ti por toda a eternidade, e teu nome é grande e santo e bendito para sempre. [Tudo foi por Ti criado e conservas o domínio sobre todas as coisas. Tudo é claro e manifestado diante dos teus olhos. Tu vês tudo e nada pode ocultar-se na tua presença. Tu vês o que foi perpetrado por Azazel, como ele ensinou sobre a terra toda espécie de trangreções.]» «pois (eles) ensinaram os mistérios eternos que há no céu para que os praticassem os conhecedores dentre os homens. E (olha) Shemihaza, a quem deste autoridade para reinar sobre todos os seus companheiros. Foram às filhas dos homens da terra e dormiram com aquelas mulheres, contaminando-se com elas [e familiarizaram-nas com toda sorte de pecados. As mulheres pariram gigantes e, em conseqüência, toda a terra encheu-se de sangue e de calamidades. 6. Agora clamam as almas dos que morreram, e o seu lamento chega às portas do céu. Os seus clamores se levantam ao alto, e em face de toda a impiedade que se espalhou sobre a terra não podem cessar os seus queixumes. 7. E Tu sabes de tudo, antes mesmo que aconteça. Tu vês tudo isso e consentes. Não nos dizes o que devemos fazer.]”»

X – 1 «[Então o Altíssimo, o Santo, o Grande, tomou a palavra e enviou Uriel (= Sariel) ao filho de Lamech (Noé), com a ordem seguinte: “Diz-lhe, em meu nome: ‘Esconde-te’, e anuncia-lhe o fim próximo! Pois o mundo inteiro será destruído; um dilúvio cobrirá toda a terra e aniquilará tudo o que sobre ela existe.] Ensina ao justo o que deve fazer, e ao filho de Lamec a preservar sua alma para a vida e a escapar para sempre. E por ele será plantada uma planta e serão estabelecidas todas as gerações do mundo.» «[O Senhor] disse a Rafael: “Vai, pois, Rafael, e ata Azael de pés e mãos e arremessa-o nas trevas! [Cava um buraco no deserto de Dudael e atira-o ao fundo! Deposita pedras ásperas e pontiagudas por baixo dele e cobre-o de escuridão! Deixa-o permanecer lá para sempre e veda-lhe o rosto, para que não veja a luz! 4. No dia do grande Juízo ele deverá ser arremessado ao tremendal de fogo! Purifica a terra, corrompida pelos Anjos, e anuncia-lhe a Salvação, para que terminem seus sofrimentos e não se percam todos os filhos dos homens, em virtude das coisas secretas que os Guardiões revelaram e ensinaram aos seus filhos! Toda a terra está corrompida por causa das obras transmitidas por Azazel. A ele atribui todos os pecados!”]»; «E a Gabriel disse o Senhor: “Vai aos bastardos e aos filhos da fornicação e destrói os filhos dos Vigilantes dentre os filhos dos homens; mete-os em uma guerra de destruição, pois não haverá para eles longos dias. Nenhuma petição a seu favor será concedida a seus pais; pois esperam viver uma vida eterna, ou que cada um deles viverá quinhentos anos”. E a Miguel disse o Senhor: “Vai, Miguel, e anuncia a Shemihaza e a todos os seus amigos que se uniram com mulheres para contaminar-se com elas em sua impureza, que seus filhos perecerão e eles verão a destruição de seus queridos; acorrenta-os durante setenta gerações nos vales da terra até o dia grande de seu juízo. [Nesse dia, eles serão]» (condenados a) «tortura e ao fechamento na prisão eterna. Tudo o que seja condenado estará perdido desde agora; será acorrentado com eles até a destruição de sua geração. E no tempo do juízo com que eu julgarei, perecerão por todas as gerações. Destrói todos os espíritos dos bastardos e dos filhos dos Vigilantes, porque fizeram operar o mal aos homens. Destrói a iniqüidade da face da terra, faz perecer toda obra de impiedade e faz que apareça a planta da justiça; ela será uma bênção e as obras dos justos serão plantadas no gozo para sempre. Naquele tempo todos os justos escaparão e viverão até que engendrem milhares. Todos os dias de vossa juventude e de vossa velhice se completarão em paz.”»

VII – 1. [Enoch havia desaparecido, e nenhum dos filhos dos homens sabia onde ele se encontrava, onde se ocultava e o que era feito dele. O que ocorrera é que ele havia estado junto dos Guardiões e transcorreu os seus dias na companhia dos Santos. 2. Eu, Enoch, ergui-me e louvei o Senhor da Majestade e Rei do mundo. Então os Guardiões (santos) me chamaram, a mim Enoch, o Escriba, e disseram-me: “Enoch, tu, o Escriba da Justiça, vai e anuncia aos Guardiões do céu que perderam as alturas do paraíso e os lugares santos e eternos, que se corromperam com mulheres à moda dos homens, que se casaram com elas, produzindo assim grande desgraça sobre a terra; anuncia-lhes: ‘Não encontrareis nem paz nem perdão’. Da mesma forma como se alegram com seus filhos, presenciarão também o massacre dos seus queridos, e suspirarão com a desgraça. Eles suplicarão sem cessar, mas não obterão nem clemência nem paz!”]

XIII – 1. [Então Enoch encaminhou-se até eles e assim falou a Azazel: “Tu não terás a paz. Uma sentença severa recaiu sobre ti: deverás ser acorrentado. Não alcançarás indulgência nem será aceita a intercessão, por causa dos atos violadores que ensinaste a praticar, e por causa de todas as obras blasfemas, da violência e dos pecados que mostraste aos homens.” Então eu redigi a palavra a todos eles. Todos encheram-se de grande medo e foram tomados de pavor e tremor. Suplicaram-me que lhes escrevesse um rogo intercessório, para que pudessem obter o perdão, e que eu lesse o seu pedido na presença do Senhor dos céus. Pois a partir de então não lhes era mais permitido falar com ele nem levantar seus olhos para o céu, de vergonha pelos seus delitos, pelos quais foram castigados. Assim eu redigi o seu rogo] «com todas as suas petições, por suas almas, por todas e cada uma de suas obras e por todos o que pediam: que houvesse para eles perdão e longevidade. Fui e me sentei junto às águas de Dã, na terra de Dã, que está ao sul do Hermonim, ao seu lado oeste, e estive lendo o livro de anotações de suas petições até que dormi. Eis que me vieram sonhos e caíram sobre mim visões até que levantei minhas pálpebras às portas do palácio do céu […] E vi uma visão do rigor do castigo. E uma voz veio e me disse: Fala aos filhos do céu para repreendê-los. Quando despertei, fui a eles. Todos eles estavam reunidos juntos e sentados e chorando em Abel-Maya (a Fonte do Pranto) que está entre o Líbano e Senir, com os rostos cobertos.»; «Eu contei diante deles todas as visões que havia visto em sonhos e comecei a falar com palavras de justiça e de visão e a repreender os Vigilantes celestes.»

XIV 1. [Este é o] «livro das palavras da verdade e da repreensão dos Vigilantes que eram desde sempre, segundo o que ordenou o Grande Santo no sono que sonhei. Nesta visão eu vi em meu sonho o que agora digo com a língua carnal, com o alento de minha boca, que o Grande deu aos filhos dos homens para que falem com ela e para que compreendam no coração. Assim como Deus destinou e criou os filhos dos homens para que compreendam as palavras do conhecimento, assim me destinou e fez e criou a mim para que repreenda os Vigilantes, os filhos do céu. Eu escrevi vossa petição, Vigilantes, e numa visão me foi revelado que vossa petição não vos será concedida por todos os dias da eternidade, e que haverá juízo por decisão e por decreto contra vós; que a partir de agora não voltareis ao céu e não subireis por todas as idades; e que foi decretada a sentença para acorrentar-vos nas prisões da terra por todos os dias da eternidade; porém que antes vereis que todos os vossos queridos irão à destruição com todos os seus filhos; e as propriedades de vossos queridos e de seus filhos não as desfrutareis; cairão ante vós pela espada de destruição, pois vossa petição por eles não vos será concedida, como não vos é concedida por vós mesmos. Vós continuareis pedindo e suplicando. […] Não pronunciareis nem uma palavra do escrito que eu escrevi.»

Esses Vigilantes que “mudaram suas obras” e resolveram ensinar aos humanos ciências divinas foram responsabilizados não só pelas guerras (que naquele tempo nem sempre eram vistas como algo ruim) mas também por terem iniciado ou aperfeiçoado a própria civilização: Semihazah ensinou “bruxarias, encantos e o corte de raízes, e a revelar-lhes as plantas”. Nisso se incluía a antiga homeopatia (fabricação de remédios naturais), já conhecida e rigorosamente aperfeiçoada pelos egípcios desde tempos remotos; E também a fabricação de venenos – retirados das plantas – que era uma especialidade daquele período, herdada da dominação romana.

Menos eficazes, mas nem por isso menos populares, deveriam ser as “bruxarias” e “encantos”, aos quais alegava-se que serviam para praticamente tudo que se pudesse desejar, principalmente ganhar fama, fortuna e atrair o sexo oposto. Geralmente nessas práticas se ensina que quando o feitiço da errado é 1) porque o praticante não executou como devia ou 2) porque seu inimigo fez um contra feitiço anulando o primeiro. Assim Hermoni (et. Armaros) “ensinou a desencantar, a bruxaria, a magia e habilidades”… Uma segunda versão em etíope fala sobre outros Vigilantes que, juntamente com Semihazah, teriam ensinado magia: Kasdeja “ensinou aos filhos dos homens toda espécie de sortilégios dos espíritos e dos demônios, bem como os malefícios contra o fruto do ventre materno, para sua expulsão, e os contra a alma, feitiços contra a picada de cobra, contra a insolação e contra o filho da serpente, chamado Tabaet. – E esta foi a tarefa de Kasbeel, que desvelara aos Santos o Juramento supremo, quando habitava no alto da Glória e se chamava Bika. Este pedira a Michael para transmitir-lhe o Nome secreto, a fim de que pudesse ser conhecido e empregado nos juramentos, conquanto aqueles que ensinaram as coisas ocultas aos filhos dos homens tremessem em face desse Nome e desse Juramento.” (I Enoch LXIX)

Sobre culinária, alfabetização e leis, é dito que Penemue “ensinou aos filhos dos homens o doce e o amargo, bem como todos os segredos da sua sabedoria. Ele também instruiu os homens na escrita com tinta e sobre papel, e com isso muitos se corromperam, desde os tempos antigos por todas as épocas, até os dias de hoje. Pois os homens não foram criados para fortalecer sua honestidade dessa maneira, por meio de pena e tinta”. (I Enoxh LXIX)

Kokab’el “ensinou os sinais das estrelas. (et. Ciência das constelações)”. Isso sem dúvida é antiga Astrologia, que incorporava elementos da astronomia. Esta “ciência” era muito valorizada pois, na antigüidade, eram os astrólogos que ficavam encarregados de informar sobre a mudança das estações, da configuração de calendários e outras coisas de grande utilidade para a vida rural e economia dos reinos. Ainda no campo da astrologia, parece que Zeq’el, que “ensinou os sinais dos relâmpagos (Et. Observação das nuvens)” e Baraq’el que “ensinou os sinais dos raios” ficaram responsáveis pala previsão do tempo… Para completar o quadro astronômico/astrológico, Shamsi’el “ensinou os sinais do sol” e Sahari’el “ensinou os sinais da lua. (et. Fazes da lua)”.

Em auxílio da agricultura, ‘Ar’teqof “ensinou os sinais da terra”, se era boa ou ruim para o plantio, etc. Tudo isso gerava grandes facilidades na vida humana que, tendo menos trabalho e mais tempo livre podia se dedicar a cuidados pessoais, iniciar uma vida urbana e até mesmo pensar numa expansão através da guerra. É aqui que entra aquele que apesar de não ser o líder parece ter provocado o maior dano de todos: ‘Asa’el (hebr. et. e árabe Azazel) “Ensinou os homens a fabricar espadas de ferro e couraças de cobre e lhes mostrou o que se escava e como poderiam trabalhar o ouro para deixa-lo preparado; e quanto à prata, a lavrá-la para braceletes e outros adornos para as mulheres. Às mulheres revelou acerca do antimônio e acerca do sombreado dos olhos (Kohol) e de todas as pedras preciosas e sobre as tinturas”.

Aparentemente, se não fosse pelos insaciáveis filhos vampiros, parece que os ensinamentos dos Vigilantes não seriam tão condenáveis assim, já que trouxeram para a humanidade mais bem do que mal… Tanto que um dos chefes de dezena, Dani’el (et. Danjal) foi adotado posteriormente como anjo da misericórdia pela tradição cristã, ficando mundialmente conhecido. Outro mencionado em versões posteriores, Uzza, tornou-se anjo benéfico para os árabes. De fato, o livro apocalíptico dos Jubileus conta que os Sentinelas (= Vigilantes) vieram para a Terra e depois pecaram, mas que seu príncipe, Samael, teria tido a permissão de Iahweh para atormentar a humanidade. Entretanto, o judaísmo posterior e quase todos os primeiros escritores eclesiásticos viram nesses “filhos de Deus” anjos culpados.

Sobre a posterior condenação, a Segunda versão de I Enoch limita-se a dizer que «em conseqüência desse Julgamento, eles serão submetidos à angústia e ao estremecimento por terem desvelado aquelas coisas aos habitantes da terra.» (I Enoch LXIX).

Na verdade nenhuma das sete cópias fragmentadas do Livro de Enoch (nem das cinco do Livro dos Gigantes) encontrados nas cavernas de Qumran continha menção ao “abismo de fogo” descrito no Enoch Etíope, o que é significativo pois se trata de textos particularmente grandes. É possível que estes textos sejam acréscimos posteriores de escribas ou tradutores Coptas – mesmo porque eles se assemelham mais à doutrina cristã dos primeiros séculos d.C. do que à mitologia judaica/essênia da época em que foram escritos os Manuscritos do Mar Morto. Uma descrição mais detalhada deste local de condenação aparece no Livro das “Similitudes de Enoch” (II Enoch); Esta versão, descoberta na Rússia em um texto eslavo, foi provavelmente escrita no Egito no princípio da era cristã e fala da viagem de Enoch através das diferentes coortes do Paraíso.

Por Shirley Massapust

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-queda-dos-anjos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-queda-dos-anjos/

A Natureza da Quimbanda Brasileira

por T.Q.M.B.E.P.N.

A Quimbanda Brasileira, por ser uma Tradição que durante muitos anos resguardou-se através dos ensinamentos orais, ocultou sua verdadeira natureza para poucos iniciados. Esses, por sua vez, em sua grande maioria saíram do ‘Caminho de Maioral’ por não suportarem a pressão que é impingida aos adeptos ao longo de seu processo de alquimia interna. Os poucos que resistiram moldaram a Quimbanda segundo expressões e perspectivas particulares, por isso existe uma grande pluralidade na forma com que o Culto é desenvolvido no Brasil.

Independente de como o Culto foi desenvolvido, deixando de lado o regionalismo e a formação dos zeladores, a Quimbanda Brasileira tem características particulares que devem ser levadas em consideração. A Natureza da Verdadeira Quimbanda, ao contrário das demais religiões e cultos, não está associada ao desenvolvimento de uma conduta moral e ética refinada e nem é influenciada pelas empenhas do período evolutivo da sociedade humana. Também não é um meio ao qual os adeptos sentirão a satisfação espiritual enquanto estiverem na matéria, pois o intuito da Quimbanda não é gerar satisfação e sim libertação, pois satisfação desprovida de libertação é ilusória.

A Quimbanda Brasileira está associada ao processo que ocorre entre a consciência e a inconsciência. É o árduo caminho de aprendizado que tem como intuito o conhecimento sobre si próprio e principalmente sobre a relação do “Eu” com o Sistema vigente mostrando as relações que existem entre o corpo, corpo astral e espírito e a escalada evolutiva ou escravista que esse Ser escolhe.

Os sentimentos são mecanismos que devem ser lapidados por todo adepto da Quimbanda. Diferente de outras expressões religiosas, a Quimbanda Brasileira entende que cada adepto é um Ser individual e tem a liberdade de formar seus parâmetros sem imposições sobre “Bem X Mal”. O mais interessante é que os Exus mostram-nos que existe uma corrente invisível que prende-nos a valores positivos e negativos, pois não compreender o que sentimos em relação a tudo é o mesmo que nos prender em teias invisíveis onde os fios da moral nos sufocam. Se o sentimento é inevitável, que seja formado com múltiplas visões, dotado de discernimento e não esteja atrelado aos conceitos de moral e ética da massa vigente. Exu é a semente que estoura a terra e rompe a vida e não uma árvore que já nasce com frutas.

Todo esse processo de autoconhecimento visa dominar e entender os sentimentos e emoções para formar os pensamentos adequados que irão ser a forma mais verdadeira de comunicação com o mundo espiritual. Para alcançar esse nível o adepto deverá vivenciar em variadas situações, experiências profundas e por vezes doloridas. Até que o adepto entenda que tudo que ele vibra e sente pode interferir em sua jornada e que a mente é mediadora entre o “Eu” e o Caminho de Exu, pode encontrar inúmeras dificuldades. A Quimbanda não deseja adeptos perfeitos, mas almas livres, mentes que transcendem as formas limitadoras e vão além dos conceitos morais e éticos.

Quimbanda e o Instinto Predador

O homem iluminado pela Luz da Quimbanda, que é um dos raios da Luz de Lúcifer, luta internamente contra as amarras do Sistema Cíclico Escravista (reencarnação e cumprimento de Carma). Para vencer esses entraves, o espírito deve ser constantemente alimentado através da fonte espiritual (Sabedoria) e, ao mesmo tempo, seus instintos devem ser incitados para que ajam como predadores. A Sabedoria não confronta o ato predatório, apenas concede ao adepto o discernimento de quando, como e com que intensidade essa voracidade deve aflorar. Não se trata de restringir, mas de adequar e adaptar nossos instintos à realidade que vivenciamos.

O adepto cria em seu “Eu” uma aversão à fraqueza e limitações que existem na sociedade. Um predador não chora em cima de sua presa, tampouco, dispende energia em perseguições infrutíferas. O verdadeiro predador não tende errar porque é alicerçado pela sabedoria e principalmente pelo autoconhecimento. Um adepto avançado sabe seus limites e limitações.

O homem é condicionado ao instinto de autopreservação. Luta incessantemente pela vida e pela integridade. Esse mecanismo é regulado pela dor e pelo medo, ou seja, o homem se mantem vivo porque cultua ambos. O medo libera a adrenalina que aumenta a força física e expande os sentidos tais como audição, olfato e visão e pode fazer com que o homem vá ao combate ou fuja do mesmo. O adepto da Quimbanda aprende que avançar ou recuar nas batalhas não é uma decisão motivada pelos sentimentos ou sensações; sim pelo instinto predatório frio, agudo e incisivo. O Quimbandeiro não é refém do medo, tampouco, da dor, pois entende sua natureza e a dos espíritos que o ministram.

Exu é um espírito com a capacidade de ‘andar’ em nossa linha temporal (passado, presente e futuro). Como se encontra no plano astral, essa linha de tempo não se restringe apenas a existência material ao qual temos consciência, ou seja, Exu pode vagar em nossas existências passadas e interferir, de maneira construtiva, na nossa vida material presente. Assim, Exu pode fazer com que fobias desenvolvidas em vidas anteriores sejam vencidas nessa existência. Todo esse processo visa fortalecer o instinto predador que é desperto nos verdadeiros adeptos.

O Homem de Fogo x Homem de Água

O mundo, cíclico e rotativo, proporciona mudanças perceptíveis e imperceptíveis a todo o momento. Entendemos que o mundo é o “espaço-cativeiro” onde almas diversas encontram-se em estado bruto/solidificado/material. Toda mudança do mundo acarreta mudanças em seu rebanho, ou seja, por mais imperceptível que seja a ação certamente atingirá os humanos. O ritmo dessas mudanças pode ser variável e atingir o coletivo e o individual em estágios diferentes fazendo com que todos sejam obrigados a passar pelos processos de adaptação necessários.

Obviamente que existem teorias sobre o comportamento fixo ou maleável do homem no seu processo de evolução, porém, existe algo importante de salientarmos: A Vontade e o Desejo. Através desses impulsos, aflora a atitude de dinamismo e ostracismo no comportamento humano. Esse é dividido em estágios, porém, no contexto desse ensaio destacamos duas marcas: Furioso e Passivo.

O comportamento furioso é dotado de fogo, auto cobrança, evolução e agressividade que capacita o homem enxergar as mudanças do mundo, suas consequências e criar uma multiplicidade de ações para conviver com elas. Homens de comportamento furioso compreendem rapidamente as ações exteriores e criam ambientes capazes de se estabilizarem nas incertezas deixando de serem ferramentas mecanistas que efetuam a prevenção e conserto do Sistema. Os dotados com esse comportamento conseguem aprender com os erros, mas nunca deixam de promover sua subjetividade, desejos, frustrações e aspirações como parte integrante dos sistemas e das organizações.

O comportamento passivo é como água parada que procura estabilidade e proteção contra as ações agressivas da natureza. Geralmente criam suas identidades baseados em contatos visuais e estruturas que consolidam suas aspirações. Possuí medo em diversos níveis e destaca-se o medo à rejeição da sociedade. Alimenta os traumas e as percas tornando-os obstáculos que estorvam as mudanças. Não suporta um ambiente competitivo e inovador, possui hábitos lineares e tem dificuldade com aspectos e mudanças inovadoras. Foi preparado para ser mão de obra, para ter um chefe mandando o que fazer.

Ambos os comportamentos coexistem na sociedade. Possuem família, amigos, dívidas e sonhos. Convivem com os mesmos problemas, crises e toda complexidade da sociedade. Disputam o mesmo espaço e estão suscetíveis as mudanças no mundo, sejam perceptíveis ou não. O homem de comportamento furioso e o homem de comportamento passivo podem, em algum momento, aproximarem-se do Culto de Exu. Os motivos que os levam a tal decisão são praticamente os mesmo, afinal, não são todas as pessoas que se aproximam do Culto em busca de revelações e evolução espiritual, sejam elas furiosas ou passivas. Inseridos no Culto, ambos passarão pelos mesmos estágios e nesse exato momento diferenciam-se.

Imaginemos que Exu interfira na linha temporal de ambos os comportamentos de forma agressiva. Essa agressividade, sob olhos atentos, capacitará mudanças significativas em suas vidas materiais, mas ao mesmo tempo impingirá pressão e confusão até estabilizar um “novo caminho”.

O homem de comportamento furioso certamente suportará essa pressão, pois rapidamente criará uma nova forma de adaptação e enxergará através das ‘brechas’ deixadas por Exu. Aproveitará ao máximo a oportunidade e não permitirá que as frustações o atinjam, porque construiu sua fé com subjetividade. Ele se regenerará nas formas sagradas que os Espíritos emitem e não no que seus sentimentos grosseiros tentam formar.

O homem de comportamento passivo entrará em colapso vendo sua estrutura protecional ruir. Lamentará por não ter seguido conselhos repelentes ao Culto e deixará os traumas tomarem-no de forma literal. Não suportará a pressão do novo e ruirá em pedaços grosseiros.

Exu, na sua imensa sabedoria e com sua gargalhada caótica que bane a inércia, pegará os dois comportamentos e colocará em sua peneira. O homem de comportamento furioso ruirá por inteiro tornando-se um pó sagrado apto a promover a ressurreição de seus antepassados obscuros, já o homem de comportamento passivo ficará sendo balançado em grosseiros pedaços até que Exu jogue-o em algum canto por não servir aos seus propósitos.

Todo esse ensaio mostra aos adeptos porque muitas pessoas que se aventuram nos caminhos de Exu deixam o Culto de forma inesperada e se tornam inimigos dessas forças. São passivos, inertes e esperam que as mudanças venham de forma linear, calma e protecionista. Essas pessoas acabam se escondendo em outros caminhos religiosos que propagam a sutileza, amor, compaixão e caridade. Esperam que Exu plante uma ‘Árvore do Dinheiro’ ou ‘tragam a pessoa amada em três dias’ porque tais situações corroborarão com seus queridos estados letárgicos e anti-evolucionistas.

Lembremos que Exu é constante movimento e nunca carregará fardos. ‘Exu não dá o peixe para quem não sabe pescar!’. Exu nos ensina a agirmos como catalisadores de ações!

O Instinto Predador e o Ego

O Ego é a defesa da personalidade, estrutura do aparelho psíquico que nos conduz pela realidade. O Ego é ‘defensor do medo’ e coíbe todos os instintos predatórios que possuímos.

Compreender nossos instintos predatórios não é o mesmo que coibi-los. Coibir significa reprimir, expressar claramente uma negativa. A compreensão é a aceitação e entendimento do impulso para que o mesmo seja desperto quando necessário. A coibição gera insatisfação, traumas e o ódio. Esses sentimentos, dentro desse contexto, são atrativos de Carma e elos das algemas do Sistema Escravista do Falso Deus. A compreensão dos impulsos é parte da libertação e do próprio autoconhecimento.

fonte: https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49/natureza-quimbanda

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-natureza-da-quimbanda-brasileira/

Simbolismo e a Liberdade Religiosa

Por Hamal

Os ensinamentos da Ordem DeMolay e da Maçonaria são transmitidos através de símbolos. Mas sabemos realmente a importância dessa afirmação?

Muitos dizem que os ensinamentos são transmitidos em forma de símbolos para se velarem ao entendimento profano. Essa afirmação é verdadeira, mas quem é profano? Aquele não iniciado nas Ordens ou aquele iniciado que não pratica o conhecimento que lhe é transmitido?

O símbolo esconde seu segredo somente aqueles que não procuram conhece-lo, sendo iniciado ou não. O símbolo é como uma pedra bruta que oculta seu formato a quem não sabe manusear as ferramentas. Basta estudar e trabalhar sobre um símbolo que ele se revela trazendo algo de oculto consigo.

É fundamental esclarecer a importância do simbolismo e da liberdade religiosa antes de analisarmos o que se encontra além das aparências simbólicas, pois necessitamos retirar o empecilho dogmático e tabus existentes em torno desses símbolos.

O SÍMBOLO

Nós usamos diversas maneiras para nos comunicar e expressar, seja a palavra falada, escrita ou em imagens. Isso é o que chamamos de sinais, cujo entendimento vêm através do aprendizado consciente e ali permanece, sem nenhum reflexo inconsciente.

Já o símbolo é diferente, é a ponte entre a consciência e o inconsciente, aquilo que vai além do seu significado aparente. Quando nos propomos a conhecer o domínio dos símbolos entramos em um mundo além da lógica e razão, pois adentramos no lado escuro da mente. Dessa maneira, é a conexão entre o visível e o invisível, são pelos símbolos que acessamos a egrégora e as energias do ritual.

O homem não inventa símbolos, assim como não inventa as Leis Físicas, ele apenas observa a vida e o universo ao seu redor e identifica os símbolos correspondentes a cada acontecimento ou fato existente.

Por exemplo, a vida e a morte são um fato do Universo e não só dos homens. De estrelas que explodem, à natureza que morre no inverno e os homens que vão ao Oriente Eterno. A morte é um destino certo a tudo que existe, e pode ser representado simbolicamente por uma caveira. Mas tudo está em evolução e crescimento, e da morte (que não significa “fim”) também surge a vida. Novas estrelas surgem do pó das antigas, novas folhas e frutos nascem na natureza e uma nova geração surge entre os homens. É o ciclo da vida e da morte que todos teremos que passar.

O ciclo da vida e da morte nos ensinam que nessa vida nada é eterno, tudo um dia acabará. Faz parte da evolução e do nosso crescimento. Como a serpente que solta a pele antiga para poder crescer, deixando o antigo para trás e renascendo como um novo ser. A serpente que morde o próprio rabo é o ouroboros dos alquimistas, e representa esse eterno ciclo do universo da morte e ressurreição.

Esses símbolos representam a evolução, a morte do profano e o renascimento de um ser espiritual. O objetivo das iniciações.

É a observação do universo que fornece ao homem os símbolos, portanto o esoterismo reconhece o mesmo princípio nos símbolos utilizados por culturas e religiões diferentes. A Lua do Brasão da Ordem DeMolay é a mesma Lua na cabeça de Shiva, como também é a da deusa Ísis. A jornada, provas e fases da Iniciação Maçônica e DeMolay representam as mesmas provas que os mitos relatam daqueles que se tornam um “herói”, como as provas enfrentadas por Jesus, Buda ou Krishna. Mesma jornada que representa o andar do Sol no Céu e a vida de um homem, do nascer ao ocaso.

Percebam a importância do Princípio da Correspondência no simbolismo vista no texto Esoterismo na Ordem DeMolay e o exemplo dos símbolos da Maçonaria no Esoterismo na Maçonaria.

LIBERDADE RELIGIOSA

O hermetismo reforça a ideia de liberdade religiosa e de pensamento, pois tudo que provêm da obra de Deus é sagrado e existe um símbolo que pode revelar segredos transcendentes a nós. Não devemos desprezar nenhum conhecimento.

Dessa maneira o DeMolay e o Maçom devem aprender a enxergar além do senso comum, além do dogma e do separacionismo religioso. Reconhecendo que os símbolos religiosos são sagrados, é nosso dever respeitá-los assim como respeitar a decisão do outro em ser seguir ou não um dogma ou religião.

A respeito da Liberdade Religiosa e Maçonaria podemos ler na Constituição de Anderson, escrita em 1723, o seguinte trecho:

“Da mesma maneira que, nos tempos passados, os maçons eram obrigados, em cada país, a professar a religião de sua pátria ou nação, qualquer que ela fosse, nos tempos atuais nos pareceu mais adequado não obrigar além dessa religião na qual todos os homens estão de acordo, deixando cada um livre para ter sua opinião própria.

(…)

De onde segue que a Maçonaria é o Centro de União e o meio de suscitar a verdadeira amizade entre as pessoas. Sem ela, permaneceriam em um perpétuo distanciamento“.

E sobre esse assunto na Ordem DeMolay vemos em sua Cerimonia Branca:

“Nós abrimos a Bíblia Sagrada, fonte de nossa fé em dias eternos, sobre o Altar, como símbolo da liberdade religiosa, que é direito de primogenitura de todos os povos. Sobre este Altar, não está o emblema de qualquer credo, ou o depósito de qualquer sistema de teologia, mas sim a palavra do único e verdadeiro Deus, cuja paternidade universal nos ensina a lição inevitável da fraternidade de todos os seus filhos. Sem a oportunidade de venerar a um Deus de acordo com as instituições de nossa própria consciência, nossa liberdade seria sem sentido, portanto, com fundamento, colocamos a Bíblia Sagrada sobre nosso Altar.”

Chega a um ponto em nossos estudos que se formos presos por dogmas religiosos estaremos muito limitados e não progrediremos no esoterismo. Isso será muito importante, pois aqui não vamos poupar interpretações simbólicas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/simbolismo-e-a-liberdade-religiosa

Contos do Vigário – O Guia Anti-Estelionato

Wagner Tomás Barba, Jorge Rodrigues da Silva

Sabe aquela pessoa cheia de boa vontade para ajudar no caixa eletrônico do banco? E aquela cota já contemplada de consórcio? E aqueles sorteios e prêmios oferecidos por uma famosa loja, será que vão mesmo acontecer? Muito cuidado. Você pode estar sendo vítima de mais um conto do vigário. Existem maneira antigas e novas de se aplicar um golpe, mas todas elas têm um único objetivo: separar você do seu dinheiro. Esse é o livro mais completo sobre como esses golpes funcionam e como se blindar contra estas pessoas mal intencionadas..

Aqui você encontrará dezenas de modalidades de contos do vigário e o que fazer para se proteger contra eles. Os autores, profissionais consagrados no setor da segurança pública explicam aqui como agem os vigaristas por meio de numerosas descrições de casos comuns. O livro foi escrito com base na experiência no combate ao crime de estelionato dos dois autores, assim como pela colaboração e consulta de dezenas de outros policiais.

Às vezes os golpistas agem sozinhos, as vezes em duplas e às vezes em grupos e muitas vezes existe uma conivência, mais ou menos explícita das vítimas. A leitura desta obra será um ótimo investimento do seu tempo para proteger o seu patrimônio e até impedir que você e seus familiares e amigos sejam vítimas de amargas ( e as vezes merecidas) gozações. Ninguém gosta de ser enganado então aprenda como não ser.

O que é estelionato?

Qualquer um de nós, a qualquer instante pode ser vítima de estelionato. No aconchego do lar, no trabalho, no comércio e particularmente dentro das agências bancárias. O nome estelionato nasceu do direito romano stellionatus que vem de stellio onis, que é o nome em latim para o camaleão, o réptil que muda de cor. Da mesma forma o estelionatário conforme o instante tem de agir de forma teatral efetuando performances para conseguir que seus golpes alcancem o sucesso.

Para definirmos segundo o Código Penal Brasileiro, estelionato é crime contra o patrimônio que consiste em obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. A lei impõe uma descrição elástica de modo que os casos mais diferentes podem ser enquadrados nesta definição. Tornou-se sinônimo de falcatrua e fraudes diversas.

A Lei de Gerson

A lei de Gerson é aquela que diz que algumas pessoas querem levar vantagem em tudo. Muitas vezes o crime de estelionato se consuma exatamente quando a suposta vítima também é levada a acreditar que poderá usufruir de vantagens ilícitas ou imorais. Muitos golpes usam da malícia da vítima em levar vantagem ilícita. Isso faz com que,envergonhadas, poucas delas procurem a polícia. Veremos vários exemplos disso a seguir. Isso não significa entretanto que todas as vítimas de golpes são também vigaristas. Muitos outros golpes acontecem baseados simplesmente na inocência de suas vítimas.

O Conto do Prêmio

Neste tipo de conto é necessária a participação de dois estelionatários. Um deles, quase sempre uma mulher, observa dentro de uma agência bancária verificando quem efetua uma retirada grande de dinheiro. Após identificar a vítima, corre atrás dela e propositalmente deixa cair uma folha de cheque devidamente preenchida com alto valor.  Aproxima-se e pergunta se tal documento é dela. A vítima responde negativamente e então surge o comparsa dizendo ser proprietário do cheque. De tão agradecido dá uns telefonemas e diz sentir-se na obrigação  de oferecer aos outros dois um prêmio. A vítima cala-se no sentido de levar vantagem.Para retirar o prêmio cada um deve ir só em um endereço para retirar o prêmio e adverte que deverá deixar algum valor para comprovar sua honestidade. A mulher deixa a bolsa e vai retirar o prêmio retornando, por exemplo, com um belo calçado.  Agora é a vez da vítima que sabendo que ganhará o prêmio, não hesita em deixar seus pertences como  a desconhecida fez. Ao chegar na loja indicada descobre que não tem prêmio algum esperando e que ninguém conhece o homem. Ao retornar ao banco descobre que ambos os estelionatários já foram embora.

Conto do bilhete premiado

Este é um dos golpes mais antigos mas até hoje faz vítimas e também são necessários dois criminosos. Um estelionatário, geralmente vestindo roupas simples aproxima-se da vítima dizendo que veio do interior e que teria comprado um bilhete mas não sabe dizer se ganhou ou não. Quando a pessoa se dispõe a ajudá-lo surge o segundo estelionatário e entra na conversa sugerindo que todos entrem juntos na lotérica. Lá dentro ele chama a vítima de lado e diz: “Esse bilhete é premiado e vai dar uma fortuna.. Vamos conversar com o caipira e conseguir comprar dele pagando bem menos e então dividimos o prêmio, que tal?”

Convencendo a vítima o estelionatário diz ao seu comparsa disfarçado que o prêmio é muito pequeno e que deve ser retirado em Brasília. O comparsa fica feliz e diz que estava precisando do dinheiro mesmo para pagar uma dívida, dando o valor correspondente aos dois. O segundo estelionatário se afasta e diz que não tem todo aquele dinheiro, mas se a vítima puder dispor daquela quantia todos ficariam felizes, pois o caipira quitaria sua dívida e a vítima dividiria um prêmio de grande valor. Com o dinheiro o caipira agradece e vai embora muito feliz. O segundo estelionatário entrega o bilhete e diz que vai buscar o carro para irem juntos retirar o grande prêmio.

Conto do Stradivarius

Este golpe é mais raro, mas bastante curioso. Novamente dos estelionatários adquirem um violino usado por um valor irrisório. Em seguida um deles se aproxima de um bar, lanchonete ou ponto de ônibus dizendo que está doente e por isso precisa vender este violino. O comerciante como sempre ocorre nega-se a comprar. Parecendo frustrado e doente o estelionatário pede então somente o dinheiro para uma condução deixando o violino no estabelecimento como garantia de que retornará para devolver o valor da passagem. No dia seguinte o comparsa aparece  e começa a conversar fazendo com que o assunto gire em torno de música, instante em que se diz colecionador de instrumentos musicais antigos.  Quando o comerciante mostra o violino o estelionatário com ares de quem conhece o assunto e depois de minuciosa vistoria diz tratar-se de um Stradivarius de grande valor e após conversa oferece ao comerciante o valor de dez mil reais. O comerciante topa, mas o especialista diz que não gosta de coisa errada e que precisa ter certeza que o instrumento é mesmo dele. Diz que se o comerciante conseguir comprar o instrumento até a semana seguinte ele pagará o valor combinado.Quando o primeiro vigarista retorna ele diz que não deseja mais vender o violino, mas como se acha em estado de necessidade  pede pelo menos a quantia de três mil reais. Apesar do valor alto o comerciante acredita que vai ganhar muito dinheiro com a revenda. O que, é claro, jamais acontece.

Conto do Baú da Felicidade

Este golpe já fez muita vítimas no Brasil e precisa de cerca de quatro estelionatários.  Com documentos falsos eles alugam uma Kombi e decoram ela com adesivos  de forma a imitar a identidade visual do famoso carnê de premiação. Então escolhem uma área  e distribuem de casa em casa panfletos do grupo noticiando uma grande venda com prêmios diversos na data X. Quando o dia chega passam pelo local com a perua e de casa em casa oferecem o carnê com a primeira prestação quitada. Dizem que as pessoas já estariam concorrendo aos prêmios imediatamente e receberiam um desconto de 30% do total pago se comprassem com eles. Tudo é claro não passa de uma farsa, os carnês são falsos e o sorteio nunca acontece.

Conto da Bíblia

Neste golpe o criminoso primeiro pesquisa nos obituários os nomes e endereços de falecidos recentes.  Com estes dados cerca de três dias depois da morte comparece em suas casas levando uma bíblia (de cerca de 50 reais). Ao ser recebido diz que o falecido havia encomendado. Quando é informado do falecimento demonstra pesar e pergunta se a pessoa é parente e qual o nome. Fingindo consultar uma lista diz que aquela bíblia era justamente um presente para esse parente e que o produto seria pago na retirada. Alega ainda que infelizmente não poderia devolver o produto deixando a pessoa em uma situação constrangedora. As pessoas fragilizadas podem levadas por este golpe pagar cerca de quatro vezes mais pela bíblia (em torno de 200 reais). Nem todos escolhem realizar a compra, mas visitando quatro ou cinco casas por dia o estelionatário consegue uma bela quantia.

O Conto do Supermercado

Essa equipe de estelionatários prepara uma kombi adesivada como se fosse de um supermercado famoso. Passam então em bairros de classe média alta dizendo que estão fazendo uma pesquisa para ver a possibilidade de inaugurar uma nova unidade naquela região. A cada visita deixam um cupon de um sorteio promocional de inauguração, uma televisão de última geração por exemplo. Dias depois retornam a algumas residências  e informam que ela foi a felizarda ganhadora do sorteio. A felicidade é grande  e eles usam essa alegria para fazer uma falsa propaganda do  supermercado, recolhem um depoimento e batem uma foto para registrar o acontecido. Em seguida informam que como o equipamento é grande  não puderam trazer com eles e será necessário que a pessoa acerte o custo do frete de digamos 50 reais.  Geralmente a vítima paga de imediato e após visitar algumas casas a gangue recupera o dinheiro investido no golpe com grande lucro

Conto do Banco Eletrônico

Munido de cartões de crédito e débito conseguidos por meio do crime comum este estelionatário ronda filas de banco. Eventualmente alguém na sua frente demonstrará dificuldades em usar os menus do caixa automático. Nesse momento o estelionatário se oferece para ajudar com toda simpatia do mundo. Ele realiza o saque necessário e entrega o dinheiro para a pessoa junto com um cartão trocado. Possuindo o cartão da pessoa ele espera a vítima ir embora e com  a senha memorizada realiza um grande saque. A vítima raramente desconfia e só percebe que seu cartão foi trocado na próxima vez que precisar usá-lo.

Golpe do Fiscal

Bem vestido e munido de documentos falsos e um crachá esse estelionatário percorre a cidade fingindo ser um fiscal da prefeitura. Esse golpe é aplicado geralmente aos sábados quando não há fiscais de verdade circulando. Ao chegar em um estabelecimento ele procura o proprietário e pede uma série de documentos. Aparenta fazer uma vistoria e ao encontrar um erro informa que o dono será notificado de que o estabelecimento terá que ser interditado por quinze dias ou mais até que os encargos e multas sejam devidamente pagos na prefeitura. Nosso falso fiscal fica incitando o proprietário até que esse comece a procurar alternativas menos honestas de se livrar do problema. O estelionatário pode mostrar uma falsa relutância mas acaba saindo de lá com o bolso cheio.

Conto do concurso

Estes estelionatários ficam atentos as listas gerais de resultados de concursos públicos e em seguida vão atrás dos concursados. Após um pouco de conversa insuspeita levam o assunto para o concurso e então dizem ter um amigo que teria um esquema para colocar pessoas dentro. Um conhecido dentro do governo com poder o bastante para definir o resultado do concurso. Ele deixa o contato, que é de outro estelionatário. Muitas pessoas têm caráter e não aceitam tal tipo de coisa. Infelizmente muitos não agem assim e acabam procurando a pessoa para seu próprio prejuízo. Essas pessoas são levadas a acreditar que conseguirão uma boa colocação, mas que deverão pagar uma certa quantia ao farsante. Para ganhar confiança são levados a acreditar que podem pagar metade agora e metade quando estiverem empregados.

Um golpe semelhante é o golpe da aposentadoria, no qual uma pessoa é levada a acreditar que se pagar uma certa quantia não precisará mais trabalhar e passará a receber uma aposentadoria não merecida do INSS.

Conto da Pirâmide

Apesar de muito conhecido esse golpe continua a fazer vítimas todos os anos. Quem inicia o golpe é quem ganha a maior bolada. Geralmente junta alguns amigos ( que também ganharão alguma coisa), combinam um regulamento e montam uma organização. O criador, sem gastar nada faz com que dois conhecidos entreguem a ele um quantia de digamos 10 reais. Estes dois amigos estão no segundo bloco da pirâmide e cada um deles fará mais dois amigos entregarem a ele 10 reais cada. Ou seja, cada um deles gastou 10 reais e ganhou 20. Cada novo integrante da pirâmide deve procurar mais dois conhecidos para continuar o esquema. Tudo parece perfeito, mas o problema é que as pirâmides são insustentáveis e acabam de desestruturando e os blocos se perdem deixando em sua base muitas pessoas no prejuízo. Existem várias modalidades deste golpe, que apesar de disfarçado com outros nomes são a mesma coisa.

O Golpe do Baú

Este é um golpe muito antigo. Apesar de demorado de ser executado pode ser muito lucrativo para o vigarista. O golpista tem que ter uma beleza física acima da média, saber se produzir e frequentar festas da alta roda da sociedade. Ali procura se aproximar de pretendentes solteiros, separados ou viúvos. Geralmente procura idosos para tentar jogar seu charme e assim conquistar seu coração sofrido. Após a conquista busca conseguir o noivado o mais rápido possível. Depois do noivado vem o casamento com Comunhão Universal de Bens. A chantagem emocional é usada para driblar a desconfiança. Por fim, após alguns meses vem a separação e o golpista leva um lucro enorme para casa.

Conto da Rifa Premiada

Inicialmente o vigarista ganha a amizade de algum comerciante. Após conquistar sua confiança o criminoso diz que vende rifas e propõe que o comerciante as revenda, sendo que como pagamento ganhará a mesma mercadoria que o ganhador da rifa. Periodicamente o vigarista passa pelo estabelecimento com o pretexto de perguntar como está a venda da rifa e pegar sua porção do dinheiro. Isso se repete até que perceba que já lhe foi entregue uma boa quantia do dinheiro e então não mais retorna. Como o comerciante não sabe que se trata de um golpe continua a venda das rifas, sendo que no final ele mesmo abre a rifa a fim de ver quem ganhou, chegando a entrar em contato com vencedor. O prêmio nunca será dado e a vítima ficará com um grande problema nas mãos.

Uma variação desse golpe é quando um vigarista cria uma rifa um determinado prêmio, como um carro ou uma moto. Tudo parece ir bem e a premiação realmente ocorre. O problema é que após receber o prêmio o  ganhador do mesmo, ao fazer o levantamento dos documentos para fins de transferência descobre que o veículo está bloqueado por uma financeira ou repleto de multas. O ganhador fica assim com uma terrível dor de cabeça em suas mãos.  Quando vai reclamar o ganhador não chega até o estelionatário mas sim com a entidade que bloqueou o veículo. Diante disso o vigarista sai ileso.

Conto da venda e troca da joia

Neste golpe o estelionatário  sai a procura de uma vítima que geralmente são encontradas em estabelecimentos bancários retirando uma boa quantia em dinheiro. O vigarista ultrapassa essa pessoa e deixa cair em sua frente um relógio ou pulseira de ouro. Ao ser avisado do falso acidente o criminoso se mostra muito agradecido e inicia uma conversa. Após curto tempo diz que estava indo vender a jóia que havia deixado cair por um preço muito atrativo. Trata-se de uma jóia real, que pode ser avaliada, mas valendo de habilidades manuais o estelionatário em dado momento troca por uma joia falsa. Muitas vítimas ao se descobrirem enganadas  não prestam queixas por vergonha ou pelo fato de terem comprado de forma clandestina.

Conto da Agiotagem

Devido a situação econômica desfavorecida, muitas pessoas tornam-se vítimas deste golpe. O estelionatário se aproveitando das necessidades financeiras de alguém empresta uma quantia em dinheiro, cobrando juros tão altos que não poderão ser pagos. Essas vítimas são levadas a se manterem eternamente em dívida ou como alternativa tomando seus bens e imóveis. Há um fator de perigo a mais nesse conto pois durante as cobranças são  comuns ameaças e extorsões chegando muitas vezes a agressão física das vítimas.

Conto da Entrevista

Inicialmente o vigarista escolhe um bairro e visita casas de famílias com o pretexto de entrevistar a dona de casa, fazendo-a preencher um formulário. Neste formulário a dona de casa responde várias perguntas. Ao final da entrevista o estelionatário, que como sabemos é um mestre em convencer as pessoas, convence a dona de casa a assinar o questionário. Ela não sabe, mas acabou de assinar um contrato afirmando que comprou e recebeu do vigarista uma determinada mercadoria que nunca chegará em suas mãos. O estelionatário vai embora e procura um advogado que fará a cobrança das promissórias. Muitas vítimas intimidadas pelo advogado acabam pagando a conta com medo de terem seus nomes protestados junto aos cartórios.

Conto do Boi Gordo

Os estelionatários montam uma empresa cuja atividade será a criação de bois e vacas. Montada a empresa iniciam uma campanha promocional nos meios de comunicação, jornais, rádio e televisão divulgando o funcionamento e as atividades da empresa. Em seguida, iniciam a venda de ações da empresa para as vítimas.  A alta procura gerada pela campanha faz as ações apresentarem um grande rendimento para os acionistas que raramente se preocupam em conhecer a empresa de perto. O golpe pode se prolongar por  meses ou mesmo anos e os vigaristas apresentam a seus acionistas o balanço anual de como suas ações se valorizaram devido ao grande montante de bois e propriedades que a empresa adquire. O objetivo é fazer os investidores confiantes e animados convencerem seus amigos e parentes a também fazer parte do negócio. O golpe só chega ao fim quando alguém investiga a empresa a fundo e descobre que não existe propriedade alguma, nenhuma cabeça de gado sequer. Quando isso acontece os estelionatários desaparecem com o dinheiro antes das ações caírem.

Conclusão

  • Muitos golpes ocorrem fazendo a vítima pensar que conseguirá alguma vantagem ilícita para si mesma, fazendo com que se sinta envergonhada de procurar a polícia ao se ver enganada.
  • Dobre a atenção contra qualquer ajuda não solicitada ao lidar com seu dinheiro e patrimônio.
  • Cuidado redobrado em agências bancárias e locais de comércio.
  • Se for convidado a participar de esquemas de pirâmide ou outras formas de enriquecimento ilícito, caia fora. Apenas o trabalho dignifica o homem e traz as riquezas que perduram durante a vida.
  • Não deixe a vergonha de ter sido enganado te impedir de recorrer às autoridades se for vítima de um golpe. Procure sempre um Delegacia de Polícia e faça um Boletim de Ocorrência para que seja instaurado um inquérito policial.
  • Se for necessário procure também ajuda no Procon e na Promotoria Pública.

 

 

 

 

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/contos-do-vigario-o-guia-do-estelionato/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/contos-do-vigario-o-guia-do-estelionato/

Como entender e ler o I-Ching

Ao fluir com as circunstâncias se evita o atrito
e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio.

CONTEÚDO:

O I Ching [pronuncia-se “I Jing”] ou Livro das Mutações é um poderoso oráculo que usa as imagens do Céu, da Terra, dos elementos e da natureza para prever as mudanças do tempo na vida dos humanos, e um livro de sabedoria chinês muito difundido entre os orientais, onde o consultante utiliza-se de moedas ou varetas, que são jogadas enquanto faz uma pergunta, formando um Hexagrama* – figuras formadas pelas combinações de 6 linhas inteiras ou partidas superpostas – para ser consultado em um livro, onde a resposta à pergunta é respondida.

Um Hexagrama é composto pela combinação de dois Trigramas (figuras formadas pelas combinações de 3 linhas inteiras ou partidas superpostas), um sobreposto ao outro.

12º Hexagrama do I Ching = Pi (Estagnação)
Formado por dois Trigramas:
1. Abaixo Trigrama K’um (três linhas Yin)
2. Acima Trigrama Chi’em (três linhas Yang)

O I Ching é um dos mais antigos e um dos únicos textos antigos chineses que chegaram até nossos dias. A parte principal dos textos tem pelo menos 3.000 anos de existência. Antes era chamado apenas “I”, cujo ideograma é traduzido de muitas formas, e no século XX ficou conhecido no ocidente como “mudança” ou “mutação”; Ching, significa “clássico”, foi o nome dado por Confúcio (nome latinizado de King Fu Tze – século VI a. C.) à sua edição dos antigos livros.

O livro é um texto clássico chinês composto de várias camadas, sobrepostas ao longo do tempo, e traz 64 Hexagramas, acompanhados de seus respectivos textos explicativos. Cada um dos textos está dividido em várias partes:

1 – a Sentença – é a interpretação do Hexagrama como um todo, atribuída ao Rei Wen.
2 – o Comentário – é uma explicação das Sentenças (ou Julgamentos) do Rei Wen, atribuída a Confúcio.
3 – a Imagem – é o simbolismo maior ou a idéia do Hexagrama, também atribuído a Confúcio. Refere-se às imagens associadas aos Trigramas.
4 – as Linhas – com duas subdivisões: a primeira é a explicação dada pelo Duque de Chou, e a segunda são as observações de Confúcio, sobre esta explicação, ou o simbolismo menor.

Como fonte que alimentou diversas religiões e filosofias orientais, ele tem sido usado desde as mais remotas épocas até os tempos atuais, nos países cuja cultura tem forte influência chinesa, como Japão, Coréia e Vietnã. No Japão, até a época da Reforma Meiji, um século atrás, mesmo as táticas militares eram baseadas em configurações inspiradas por este livro extraordinário. Muitos japoneses acreditam que as vitórias navais que conseguiram na primeira parte da Guerra do Pacífico se deveram ao fato de serem os livros de estratégia baseados no “Livro das Mutações”. Nas universidades japonesas, a obra ainda retém parte de seu papel tradicional; na verdade, entre os povos do Extremo Oriente, o livro conserva um número incontável de admiradores em todas as camadas populares.

Na China, tradicionalmente, se utiliza o I Ching em todos os momentos, especialmente para a tomada de grandes decisões e definições de impasses. Decide caminhos políticos e econômicos do governo, auxilia empresários em suas definições, orienta famílias inteiras com relação à mudanças, casamentos, auxilia indivíduos a escolher os melhores lugares para construir suas residências, e ainda prevê as possíveis transformações na vida particular e coletiva das pessoas, oferecendo a oportunidade de que se decida qual o melhor rumo a tomar, sem sofrer conseqüências desagradáveis.

TRADUÇÕES E EDIÇÕES INDICADAS

Várias tentativas de transpô-lo para os idiomas ocidentais foram feitas, destacando-se a do sinólogo Richard Wilhelm, considerada a melhor existente em idioma ocidental, que aliou a sua compreensão do pensamento chinês (incluindo a concepção básica de que as situações por que passamos são, em essência, as mesmas) a uma refinada tradução: após verter o texto original para o alemão, passou-o novamente para o chinês, a fim de se garantir contra eventuais erros que comprometessem o sentido dos Hexagramas.

Richard Wilhelm traduziu o I Ching para o alemão ao longo dos anos em que viveu na China, inclusive durante a invasão japonesa, quando a cidade em que estava foi cercada. Teve o apoio de um velho e sábio mestre, Lao Nai Suan, que morreu ao ser concluída a tradução. Wilhelm traduziu também outro clássico chinês, o “Tao Te Ching”.

No Brasil, a melhor tradução do I Ching é a do monge budista Gustavo Alberto Corrêa Pinto, feita com Alayde Mutzenbercher, a partir da edição feita pelo sinólogo alemão Richard Wilhelm, publicada em 1923. Seguindo a tendência histórica do livro, a tradução para o português custou três anos de trabalho.

TEORIA DA SINCRONICIDADE

Foi baseando-se no I Ching que Jung elaborou sua “Teoria da Sincronicidade”, segundo a qual tudo o que acontece em um dado momento está legado à situação universal daquele instante.

O psicanalista suíço Carl Gustav Jung, que escreveu o prólogo da tradução inglesa da versão alemã de Richard Wilhelm, sugeriu que o efeito dos textos oraculares do “Livro das Mutações” é extrair do inconsciente para a superfície da consciência os elementos necessários à compreensão de determinado problema. E foi baseando-se no I Ching que Jung elaborou sua teoria da sincronicidade, segundo a qual tudo o que acontece em um dado momento está ligado à situação universal daquele instante.

A definição da tradição hermética, fonte primordial do ocultismo ocidental, ajuda a entender esta concepção de acaso significativo: “Toda a Causa tem seus Efeito, todo o Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei” (O Caibalion, Três Iniciados, Ed. Pensamento, São Paulo, 1985).

ORIGEM DO I CHING

A origem do I Ching é amplamente discutida, mas de qualquer forma, ela é cercada de mistérios e misticismo. Ele surgiu antes da dinastia Chou (1150-249 a.C.) e era um conjunto de oito Kua, figuras formadas por três e seis linhas sobrepostas. Na tradição chinesa, o I Ching foi usado para adivinhação na dinastia Shang.

Dizem que este oráculo sagrado foi escrito na China há cerca de 3.000 anos por Fu Hsi, o criador mítico chinês, conhecido como o pai da civilização, e até a dinastia Chou eles formavam o “I”. Conta a lenda que um dia, quando em suas meditações diárias, ele avistou uma tartaruga emergindo da água de um rio. Analisando o casco desta tartaruga, Fu Hsi concebeu que todo o universo estava representado em pequenas marcas, dispostas ordenadamente no casco. Estes oito símbolos, cada um com certas características, receberam no Ocidente o nome de Trigramas [James Legge, em sua tradução para o inglês (1882), chamou de Trigrama o conjunto de três linhas e Hexagrama o de seis, para distingui-los entre si. Os oito Trigramas têm nomes não encontrados em chinês, sua origem é pré-literária.]. Com a combinação destes oito Trigramas em todas as variações possíveis, tem-se 64 Hexagramas (composto por 6 linhas), ou seja, todo o I Ching.

O tempo obscureceu a compreensão das linhas, e no começo da dinastia Chou surgiram dois anexos: o Julgamento, atribuído pela tradição ao Rei Wên, e as Linhas Móveis, atribuídas a seu filho, o Duque de Chou, ambos fundadores desta dinastia. Essa era a forma do livro quando Confúcio o encontrou. Mais tarde, mesmo o significado destes textos começou a ficar obscuro, e no século VI a.C. foram acrescentadas as Dez Asas, que a tradição atribui a Confúcio, embora seja claro que a maioria delas não pode ser de sua autoria. O nome “I Ching” é dado ao conjunto dos textos posteriores. Dizem que Lao-Tsé também contribuiu com sua sabedoria ao I Ching.

Um fato célebre ocorreu ao “Livro das Mutações”: no ano de 213 a.C., Ch’in Shih Huang Ti, um tirano conhecido como “o Grande Unificador” (foi o construtor de parte da Grande Muralha e o unificador das províncias chinesas), ordenou a queima de todos os livros existentes, exceto os dos arquivos imperiais. Verdadeiro desastre para a maior parte da velha literatura chinesa: entre os livros clássicos que deveriam ser lançados às chamas, foi feita uma exceção àqueles que tratassem de “medicina, adivinhação e agricultura”. Como nessa época o I Ching era considerado livro de adivinhação, escapou a esta tragédia.

A doutrina do yin-yang foi sobreposta ao texto.

O QUADRADO MÁGICO DE LO SHU – Literalmente: Diagrama do Rio Lo.

Existe uma lenda que diz que este quadrado apareceu magicamente às margens do Rio Lo, afluente do Rio Amarelo, no centro da China, cinco mil anos atrás, inscrito no osso peitoral de uma tartaruga gigante que saiu do rio durante os trabalhos de irrigação, e lhe são atribuídas poderes mágicos.

As marcas no casco dela formavam um quadrado mágico perfeito, com nove ideogramas de números, que estavam organizados de tal maneira que, quando 3 números fossem somados, seja no sentido horizontal, vertical ou diagonal, o resultado era sempre 15, e foi interpretado como revelação da geometria secreta do universo, que está por trás de todas as coisas, origem do seu nome “quadrado mágico”. Em alguns lugares é chamado de “Chi das Nove Estrelas” porque reflete a posição de Vega, Polaris e as sete estrelas da Ursa Maior no céu.

Todos os sábios da época se interessaram por esse evento, resultando disso a criação do I Ching, do Feng Shui, e da Astrologia Chinesa. Esse “Quadro Mágico” também indicava 8 direções (sendo 1 o Norte e 9 o Sul), que representavam diferentes aspectos da vida da pessoa.

A INFLUÊNCIA DE CONFÚCIO

Confúcio (King Fu Tze) passou a se dedicar intensamente ao estudo do I Ching, escrevendo explicações relativas ao texto e transmitindo-as oralmente a seus discípulos. Por isso, considera-se como altamente provável, mas não absolutamente certo, que a parte denominada “Comentário” (Tuan Chuna) seja da autoria do famoso filósofo, assim como as explicações sobre as “Imagens”. Confúcio disse certa vez que poderia dar sábios conselhos apenas após ter estudado com profundidade o I Ching.

Lao Tse inspirou-se no I Ching para escrever os aforismos mais profundos do seu Tao Te King (traduzido no Ocidente como “Caminho Perfeito”), obra clássica do Taoísmo.

COMO CONSULTAR O ORÁCULO

Como todo oráculo, exige a aproximação correta: a meditação prévia, o ritual, e a formulação precisa da pergunta.

A consulta oracular é tradicionalmente feita com 50 varetas (originalmente de mil-folhas, uma planta sagrada), das quais uma é separada e as outras 49 manuseadas, seguindo seis vezes a mesma operação matemática, para a obtenção da resposta.

O I Ching, por ser um livro sagrado, e as varetas usadas na consulta, eram guardados em uma caixa de madeira virgem, embrulhados em seda também virgem.

No Japão, a consulta é feita com o uso de três moedas. Esta prática encurta a consulta, e aí reside seu defeito: nem sempre cria a disposição interior necessária à consulta.

Aqui, vamos ensinar o método das 3 moedas:

Você vai precisar de uma edição do livro do “I Ching“.

Usam-se 3 moedas, que serão lançadas juntas por 3 vezes. Consiste basicamente em jogar moedas e registrar o resultado (cara ou coroa) e daí consultar um padrão já definido de conselhos e/ou orientações no manual ou livro.

Você poderá procurar em casas de produtos esotéricos as “Moedas Chinesas do Feng Shui”, ou poderá usar pequenas moedas antigas (iguais, ou seja do mesmo tamanho e valor), de preferência moedas que não tenham mais valor comercial; costuma-se dar propriedade às moedas de cobre. Separe, limpe, purifique e consagre três moedas. Primeiramente, lave-as, e ponhas ao Sol (se puder depois as enterre na terra ou em um vaso com sal grosso, deixando-as por 3 dias, e por último torne a lavá-las).

As moedas chinesas têm um furo quadrado no centro, que representa a Terra (que os chineses antigos acreditavam ser quadrada); a forma circular da moeda representa o céu. Na moeda chinesa um lado é Yang (descrito por quatro caracteres), o outro o lado Yin (dois caracteres).

Se usar uma moeda comum, dê à sua face “cara” (Yang) o valor 3 e à face “coroa” (Yin) o valor 2.

1 – Pense no caso para o qual precisa de orientação.

2- Junte as mãos em concha e sacuda delicadamente as moedas na concavidade formada pelas palmas das mãos. Quando achar que sacudiu as moedas o suficiente para mistura-las, deixe-as cair suavemente sobre uma superfície plana (tradicionalmente usa-se um diagrama com os 8 Trigramas distribuídos ao redor da figura do símbolo do Tao).

3 – Quando elas pararem, examine quais caíram com a face “cara” e quais caíram com a face “coroa” (ou se caíram todas com a mesma gravura), contando o número total de pontos (“cara” = 3, “coroa” = 2). Há somente quatro possibilidades, pois não importa a ordem em que as moedas sejam examinadas. Por conseguinte, os números que podem ser obtidos pelas combinações cara-coroa do lançamento das três moedas, em cada uma das 6 jogadas, são: 6 (3 coroas – “Grande Yin”), 7 (2 coroas e 1 cara), 8 (2 caras e 1 coroa) e 9 (3 caras – “Grande Yang”). O primeiro lançamento formará a linha inferior do Hexagrama de seis linhas que você está construindo. O Hexagrama é produzido de baixo para cima, de forma que o resultado da primeira jogada determina a linha inferior ou primeira; o da segunda, a segunda linha, e assim por diante. Se o lançamento deu o número 6 (três coroas) ou 8 (duas caras e uma coroa), trace uma linha partida assim , e coloque o número obtido ao lado da linha. Se o lançamento deu o número 7 (duas coroas e uma cara) ou 9 (três caras), trace uma linha contínua, assim , e coloque o número obtido ao lado da linha.

4 – Para completar o Hexagrama, sacuda novamente as mãos e repita o lançamento das moedas, com os mesmos pensamentos em mente, e desenhe a linha apropriada (números pares = linhas interrompidas; linhas ímpares = linhas contínuas), estruturando o seu Hexagrama da linha de baixo (a primeira) para a de cima (a sexta).

A numeração ao lado indica apenas a seqüência das linhas, e não os números obtidos pelas jogadasdas moedas, que produzem as lin

Consulte a tabela abaixo. A coluna da esquerda traz 8 Trigramas, onde você irá procurar o “Trigrama inferior” do seu Hexagrama. Na coluna horizontal superior, você encontrará o seu “Trigrama superior”. Do cruzamento desses dois você terá o Hexagrama da questão consultada. Anote o número e nome dele e procure-o no manual ou livro.

NOTA: Ficou claro que as três moedas devem ser jogadas jutas seis vezes, sucessivas. O Hexagrama é formado de baixo para cima, ou seja, a primeira vez que você jogar as moedas estará formando a linha de baixo. E assim vai até a sexta linha – a última, ou linha de cima. Há somente sessenta e quatro (64) possibilidades de arranjo das linhas.

Preste atenção no pequeno número que aparece ao lado de cada linha. Se tiver algum 6 (3 coroas – “Grande Yin”) ou 9 (3 caras – “Grande Yang”), essas linhas estão com excesso do principio ativo ou passivo, e tendem a se transformar na sua oposta, ou complementar, de onde vem a fama do I Ching como “Livro das Mutações”. Estas Linhas têm significado próprio (há um comentário para as “Linhas Móveis” no texto que fala do primeiro Hexagrama obtido). Se não há nenhuma linha 6 ou 9 (linhas mutantes) no Hexagrama original, não haverá um segundo Hexagrama, geralmente dito “Hexagrama Futuro”.

O primeiro Hexagrama refere-se ao presente ou ao passado recente; já o segundo indica as mudanças necessárias para que o objetivo seja atingido. Se numa consulta o Hexagrama resultante não contêm nenhuma linha móvel, a situação que ele simboliza é constante e firme.

COMO INTERPRETAR

A linguagem do I Ching é, para a nós ocidentais do século XXI, um tanto quanto cifrada. Devemos sempre ter em mente que o I Ching é um intermediário entre o nosso “EU” interior, o nosso inconsciente, nosso Mestre Interior e o ambiente; dessa forma, nós o utilizamos para obter as respostas que temos dentro de nós.

A primeira linha representaria a sensação, chamada de “a causa externa”; a segunda o pensamento, a terceira o sentimento, a quarta o corpo, a quinta a alma e a sexta o espírito; que é o “resultado”. Esta sexta linha, como a primeira também não depende de sua consciência. A segunda linha é o “oficial”; a quinta “o príncipe”; a terceira é “a sua motivação” que o levará à quarta linha que é o “Karma”.

Cada Hexagrama tem uma ou mais linhas diretrizes, uma das quais normalmente ocupa o quinto lugar. As linhas 1 e 6 são extremidades da situação principal, e por isso, são as menos importantes. A linha 6 freqüentemente representa um sábio afastado da vida ativa.

EXPRESSÕES MAIS USADAS NOS TEXTOS

Há algumas expressões mais utilizadas pelo I Ching que para quem está começando a utilizá-lo podem parecer herméticas. Aqui seguem algumas dicas do que elas costumam significar:

  • A perseverança traz boa sorte: podemos dar prosseguimento aos nossos planos.
  • A perseverança traz desgraça: É melhor desistir dos nossos planos.
  • Arrependimento: consciência de nossos erros.
  • Boa fortuna – O céu está de acordo com a nossa vontade
  • Desgraça: acontecimentos ruins aos olhos dos outros e aos nossos próprios olhos.
  • É favorável atravessar a grande água: podemos empreender alguma coisa difícil ou viajar.
  • É favorável ver o grande homem – Seremos recompensados se buscarmos conselho e assistência de alguma pessoa de alto valor moral
  • É propício ter um objetivo em vista: desde que tenhamos um objetivo determinado, podemos seguir adiante.
  • É propício ver o grande homem: seremos recompensados se buscarmos conselho e assistência de alguma pessoa de alto valor moral.
  • Êxito Supremo: o Céu está de acordo com a nossa vontade.
  • Homem superior, nobre ou santo sábio: homem de grande valor moral, capaz de resistir firme e serenamente a forças que transformariam outros homens (os homens inferiores) em joguetes. Invulnerável à glória e à derrota, não gasta suas energias tentando o impossível. “Os tolos o consideram ainda mais tolo; os sábios, um sábio incomparável”. Invulnerável à glória e à derrota, não gasta suas energias tentando o impossível. Com freqüência designa o melhor de nós mesmos, nosso lado mais elevado, sábio, ético e nobre. Eventualmente pode designar pessoas em posição superior ou de poder.
  • Infortúnio – Acontecimento ruim aos olhos dos outros e aos nossos próprios olhos.
  • Nenhuma culpa – Se os resultados não são bons, devem-se a circunstâncias alheias à nossa vontade.
  • Sem erro ou culpa: se os resultados não são bons, devem-se à circunstâncias alheias à nossa vontade.

FILOSOFIA CHINESA

O I Ching é considerado um sistema operacional vazio, que independe do objeto e pode ser aplicado em diversas áreas, tornado-se a espinha dorsal de todas as ciências clássicas chinesas, como a Acunpuntura, o Feng Shui, etc. Para o pesquisador Ion Freitas Filho, seus símbolos são como uma álgebra, um código de barras. De fato, o próprio criador do cálculo binário, o filósofo e matemático alemão Leibniz (1646-1716) deve ao I Ching o “insight” para terminar seu estudo que possibilitou o surgimento da informática. “Ao contemplar a mudança de um símbolo em outro na seqüência circular dos 64 Hexagramas do I Ching, ele associou as linhas Yin e Yang a zero e 1, formulando o cálculo binário, que é a linguagem dos computadores modernos”, explica Ion . Portanto, não é nada exagerado dizer que o I Ching é o avô da informática.

As oito figuras que formam o I Ching estão na base da cultura que se desenvolveu na China durante milênios. Para os chineses a ordem do mundo depende de se dar o nome correto às coisas, portanto o significado de “I” sempre foi objeto de discussão.

A idéia básica do I Ching é o conceito de mutação, a eterna lei que rege todo o Universo. Entre os chineses, esta lei era chamada de Tao (que pode ser imperfeitamente traduzido com diversos significados: o Caminho, o curso dos acontecimentos) e se manifesta através do “Grande Princípio Primordial” (Tai Ch’i), cuja representação é um círculo dividido em escuridão e luz: Yin e Yang.

Para o pensamento chinês, não há o que mude, há apenas o mudar. A mutação seria o caráter mesmo do mundo. Mas a mutação é, em si mesma, invariável, ela sempre existe. Portanto, “I” significa mutação e não-mutação. Subjaz, à complexidade do Universo, uma “simplicidade” que consiste nos princípios que estão por trás de todos os ciclos. Ao fluir com as circunstâncias se evita o atrito e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio. Tudo está em movimento e mutação constante, pois só a mudança é permanente. Aquele que reconhece a mutação não mais se detém sobre as coisas particulares, mas dirige-se à eterna lei imutável presente em toda mutação. Esta lei é o Tao.

O Tao representa o aspecto funcional do Absoluto e não deve ser confundido com o T’ai Chi, embora em muitos aspectos se assemelhe a este. Para cada coisa ou cada indivíduo existe um sentido próprio, um caminho.

Não há um homem que possa banhar-se duas vezes no mesmo rio”, dizia o filósofo grego Heráclito, “porque nem o rio é o mesmo rio, nem o homem é o mesmo homem”. Este sentido de transitoriedade para nossa cultura é algo terrível, mas para o pensamento chinês tradicional é a própria essência da mudança e da mutação. As coisas são transitórias porque mudam constantemente, mas não mudam por mudar, mudam constantemente porque tem um sentido, um TAO. Compreender que as coisas acontecem e se desvanecem é, então, compreender o movimento para adiante. Tudo na natureza muda e nunca é estável, lembrando o símbolo que representa o Yin e Yang.

Tanto o Taoísmo como o Confucionismo, as duas linhas da filosofia chinesa, beberam da fonte do I Ching. A ênfase no aspecto oracular variou com o tempo. No século VI a.C. era visto mais como livro de filosofia, ao passo que na dinastia Han, quando a magia teve grande papel, era visto como oráculo. No ocidente, infelizmente, seu uso como livro de sabedoria tem papel irrelevante.

O I Ching tem o conceito de uma família, cada pessoa representada por um Trigrama. Assim, temos o Pai e a Mãe, e mais três filhas e três filhos. O Trigrama do Pai, por exemplo, compreende três linhas inteiras. Também chamado “O Criativo”, e associado com o pai, o líder, o homem. Seu nome chinês é Chien . Simboliza o céu, o firmamento e a perseverança. Todos os outros Trigramas têm características próprias.

A cada Trigrama corresponde um ponto cardeal e uma direção na bússola; também representam os Elementos e, como vimos, sintetizam um determinado membro da família.

NOTA AUXILIAR AO USO DO I CHING:

Para descobrir a dinâmica do Trigrama é melhor analisar suas linhas.

 

O 1o Trigrama (linhas 1-2-3) contém assuntos pessoais e humanos. O 2o segundo Trigrama (linhas 4-5-6) contém assuntos universais. As linhas 1 e 6 estão nas extremidades do Hexagrama e por isso são as menos importantes. Os Trigramas (e os Hexagramas) são sempre lidos de baixo para cima.

ESTUDO DOS TRIGRAMAS

Os 8 Trigramas e seus principais significados:

BIOGRAFIA

 

I Ching, tradução do chinês para o alemão por Richard Wilhelm, 1923. Edição brasileira, 1982, traduzida do alemão por Alayde Mutzenbecher e Gustavo Corrêa Pinto; traz o prefácio de C.G.Jung à tradução inglesa.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/como-entender-e-ler-o-i-ching/

LVX e NOX

LVX signs

Olá crianças,

O ocultismo também trabalha com o contraste natural entre a lux e as trevas. A Teosofia e as tradições ocidentais trabalham primordialmente com o que Eliphas Levi chamou de “Luz Astral”. A matéria da qual a imaginação é feita, ou nas palavras de Shakespeare, outro grande iniciado, “a matéria da qual os sonhos são feitos”. Os primeiros passos de qualquer mago, seja na Golden Dawn, seja no AA ou qualquer ordem séria, é o domínio de LVX. Respirações, Visualizações, Templo Astral, Golens, armas Astrais, sonhos lúcidos, controle da imaginação e criação do caminho de TAV. A entrada para a porta da Árvore da Vida em sua escalada como Serpente.

O nome LVX reflete o de “luz” porque ele literalmente “ilumina” o Plano Astral (uma dimensão abstrata mental de formas puramente mentais). Ele dá a forma, o controle e a percepção do que o mago está fazendo, bem como abre a visão para o que chamamos de SAG, “Sagrado Anjo Guardião” ou “Eu superior” ou, em português claro, “O que diabos eu vim fazer neste planeta?”

E por falar em diabos, não é à toa que o Arcano do Diabo é o primeiro Arcano que cruza o Véu de Parokhet na Escalada da Serpente.

A palavra para luz, em latim, é LVX (o “u” é escrito com “v” em latim) e utilizado como uma fórmula hermetica. Cada letra corresponde a um simbolismo esotérico, com um significado específico, começando no grau de Zelator na Golden Dawn e no Arcanum Arcanorum e finalizando no grau de Adeptus.

Cada uma das letras está relacionada a uma postura e um deus egípcio: “L”, Isis, a lua, a mãe poderosa, “V” de Apophis, a serpente do Caos e “X” para Osísis, ressuscitado no Sol de Tipheret. Suas iniciais formam o mantra IAO, também estudados nos graus além do Átrio. Do hebraico temos Yod para a primeira letra de Ísis, que ao mesmo tempo representa o signo de VIRGEM; Nun, a letra “N”, representando tanto a serpente quanto o signo de Escorpião, Resh, para a letra R, representando Osíris e o Sol; e o retorno ao ponto luminoso de origem, no círculo do Zodíaco, daí “INRI” (também “Iesvs Nazarenvs Rex Ivdaeorvm” ou “Inge Natvra Renovatvr Integra”).

Uma vez formado e preparado, dominando as construções mentais, astrais; com suas armas, defesas, templos, egrégoras e chaves magísticas, o iniciado está preparado para, ao mesmo tempo em que persegue sua Verdadeira Vontade, eliminar ou restituir os débitos passados. E chegamos ao símbolo de NOX, as trevas da caverna de Yesod, representando os portais que a deusa Lillith ultrapassou em busca de seu amado Dumuzi.

Nox, a Noite, ou Nyx, representa o estudo, confronto e domínio de nossas forças sinistras. Os rituais de evocação e invocação dos demônios internos para a compreensão e dissolução destas entidades. Mas, como tudo o que está dentro, está fora, estas energias se mesclam com as Qlipoth da Árvore da Morte. Para derrotar o dragão, é necessário estar preparado e armado, caso contrário, você será apenas a próxima pilha dos eguns que servem a estas forças fora da Lei.

Neste momento, percebemos que, se LVX representa a Iniciação ao estado de Tipheret, NOX representa a Iniciação ao estado de BINAH. Os Mistérios inferiores envolvem a construção harmônica do ego (Ruach) através do equilíbrio dos quatro elementos mais o domínio do espírito enquanto os grandes Mistérios de NOX exigem que você tenha o domínio sobre “QUEM VOCÊ É” e “O QUE VEIO FAZER AQUI”. Sem isso, sinto informar, mas você se fudeu na mão dos demônios. Sem despertar para a presença da Luz de Neshamah, o mago não possui nenhum tipo de armas para ultrapassar os desafios de NOX, sendo tragado pela escuridão.

NOX não é uma “contraparte escura e igual” de LVX, mas sim o complemento do caminho do Adepto, a ser trilhado DEPOIS do domínio de suas armas.

Nas palavras do Crowley, “The Unbroken, absorbing all, is called darkness. The broken manifests light“. Apenas a luz de uma estrela pode perfurar o abismo do universo e chegar a se manifestar através da atmosfera de Malkuth, daí a sua segunda frase mais famosa “todo homem e toda mulher é uma estrela“. Mas só depois de vencer o abismo, completo eu.

E aqui surge a brecha para as palhaçadas satanistas de internets e os pobres coitados que comprariam a torre Eiffel se tivessem dinheiro. Então, por que as autoproclamadas LHPs da vida começam pelo suposto NOX? Em primeiro lugar, não é verdadeiramente o NOX, é apenas um nome bonito que eles inventaram para parecerem sombrios… os exercícios jogam o infeliz direto nas garras das Qlipoth (que também recebem uma versão romanceada e bonita na qual eles serão os grandes heróis sombrios poderosos).

O moleque entra pensando em se tornar um Batman ou Constantine da vida, mas acaba uma bateria energética de eguns fora da lei. Muitos dos que entram nestas roubadas são adolescentes revoltados com Igrejas evangélicas e impressionados com heróis sombrios, mas esquecem que, ANTES de combater o crime vestido de morcego, o Batman treinou pra caralho seu corpo e sua mente para chegar até as sombras. Ele sabe exatamente quem ele é e quais suas capacidades… os pretensos magos LHP não…

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/lvx-e-nox

A Primeira Defesa contra um Ataque Psíquico

Por Donald Michael Kraig

A descrição a seguir é adaptada do meu diário mágico pessoal. O evento aconteceu há cerca de vinte anos. Na época eu morava em San Diego, dividindo um apartamento de dois quartos com Scott Cunningham. Scott ganhava a vida na época escrevendo artigos para boletins informativos privados e escrevendo romances sob pseudônimos. Seu primeiro livro de ocultismo, Magical Herbalism (O Herbalismo Mágico), tinha acabado de ser publicado e ele estava começando a se tornar famoso.

Eu ganhava a vida vendendo revistas pelo telefone e ocasionalmente trabalhando em lojas de ocultismo (incluindo Ye Olde Enchantment Shoppe e The Bead Bag, onde também vendiam colares de contas e contas individuais para projetos de artesanato), uma loja mágica para prestidigitação. mágicos de mão, e dando aulas individuais e séries de palestras sobre uma ampla variedade de tópicos mágicos e espirituais.

Um dia, uma jovem ansiosa e enérgica entrou saltitando no The Bead Bag. “Lauren” era esbelta e tinha cabelos compridos. Nos próximos anos, seu dinamismo atrairia um grande número de pessoas para seu círculo. Ela me anunciou: “Olá! Estou tentando aprender sobre ocultismo. Você pode me ajudar?”

Respondi que ficaria feliz em dar a ela qualquer ajuda que pudesse. “Mas existem muitas direções diferentes no ocultismo. Qual área você está procurando aprender?” Ela respondeu que estava apenas começando e tinha comprado um livro. Era um livro de bolso, escrito por um autor popular, sobre como se tornar um satanista. “Bem, a primeira coisa que você pode fazer é se livrar desse livro”, eu disse.

Passamos várias horas naquela tarde discutindo onde ela poderia começar seus estudos. Dei a ela algumas informações introdutórias com base em aulas que eu estava lecionando há algum tempo. (Foi esse tipo de informação, e minhas experiências de ensino, que se tornaram a fonte do meu livro, Modern Magick (A Magia Moderna).)

Nos meses seguintes, nos encontramos várias vezes para discutir o ocultismo e suas práticas. Como eu disse acima, ela estava muito ansiosa e trabalhou diligentemente. Pelo menos, foi o que me pareceu. Fiquei impressionado com o progresso de Lauren.

Antes de prosseguir, é importante que os leitores entendam a situação no momento. Embora existisse há um quarto de século, a Wicca estava apenas começando a se tornar popular. Na época, você poderia contar o número de tradições wiccanas nos dedos de ambas as mãos. A maioria dos livros sobre magia eram de vinte anos antes, baseados em trabalhos feitos cinquenta anos ou mais antes disso. (Isso, é claro, exclui os livros “completos” absurdos sobre magia e feitiçaria que explicavam tudo em duzentas páginas de um livro de bolso!)

Uma das áreas que mais faltou informação foi a de ataque psíquico e autodefesa psíquica. Naquela época, havia realmente apenas um livro sobre o assunto. Foi por Dion Fortune, e foi publicado originalmente cinquenta anos antes. Já li várias vezes e não gostei. Parecia cheio de paranoia, e a solução final para seu problema – a iniciação em um grupo ocultista – era algo que muitas pessoas não conseguiam obter na época. E devido ao sigilo que cerca muitos grupos ocultistas hoje, mesmo agora, mais de setenta anos depois, muitos buscadores não podem obter iniciação local.

Foi nesse ambiente que Denning e Phillips lançaram seu Practical Guide to Psychic Self-Defense: Strengthen Your Aura (Guia Prático de Autodefesa Psíquica: Fortaleça Sua Aura). Que livro incrível esse foi – e é! Dá técnicas práticas e utilizáveis ​​para autodefesa psíquica. Mais importante, em vez de se basear na paranoia, é baseado na lógica e na razão. Apresenta a ideia clara de que o ataque psíquico era realmente muito raro. No entanto, como escrevi em Modern Magick, “Seja como for, a sensação de estar sob ataque psíquico pode ser um sentimento muito real. Também nossa psique está constantemente sob ataque da sociedade: vendedores nos mandam comprar; anúncios de TV nos mandam para comprar; amigos, familiares e até estranhos, conscientemente ou não, tentam manobrar psicologicamente e nos influenciar.”

“Um ataque psíquico real geralmente não é causado por uma pessoa que faz um feitiço para prejudicá-lo. Em vez disso, é causado por uma pessoa ou pessoas que por algum motivo estão com raiva de você. Sua raiva faz com que eles enviem, sem saber, um fluxo de energia preenchido com a raiva deles em relação a você. O mais provável, no entanto, é que você simplesmente acredite que alguma negatividade está vindo em sua direção. Em ambos os casos, você ainda se sentirá como se estivesse sob ataque, e ambos os casos podem ser tratados no mesma forma.” (pág. 45-46)

Mas havia um método que eu não descrevi, e ajudou a mim e à mulher que eu estava aconselhando. É um método simples de usar, especialmente em uma situação forte.

UMA BATALHA NO MEIO DA NOITE:

Scott estava fora e eu estava sozinho no apartamento. Eu ouvia rádio e lia. Ouvi uma batida na porta e olhei para o relógio. Já passava das 22h.

Olhei pela janela ao lado da porta e vi que era Lauren. Abri a porta e a convidei a entrar. Seus olhos pareciam selvagens e ela agarrou-me. “Você está bem? O que há de errado?”

“Você tem que me ajudar”, ela implorou.

“O que está errado?” Eu perguntei novamente.

“Eu terminei com meu namorado na semana passada. Ele disse que ia se vingar de mim e acho que ele me atacou psiquicamente.”

Eu a fiz sentar. “Ele sabe magia?” Eu perguntei.

“Não”, ela respondeu.

“Bem, é provável que ele não saiba o suficiente para atacá-la psiquicamente”, eu disse, tentando acalmá-la. “Sabe, na maioria das vezes as pessoas pensam que estão sob ataque psíquico, elas estão criando a impressão elas mesmas. Na maioria das vezes não é nada real.”

“Mas está me seguindo. Aonde quer que eu vá, ele aparece. Você é minha última esperança.”

“Este apartamento está muito bem protegido. Acho que nada mágico poderia…”

Ela pulou e ficou atrás de mim, segurando como se sua vida dependesse disso. “Então como você chama isso?” ela disse, apontando ao lado da cadeira verde em que estava sentada.

O ar havia esfriado. Eu meio que fechei meus olhos para permitir que meus sentidos psíquicos saíssem. Eu segurei minha palma direita para frente, tentando sentir de onde vinha a frieza que eu agora sentia. Sua fonte, de fato, estava ao lado da cadeira em que Lauren estava sentada.

Finalmente, minha visão se abriu a um nível onde eu podia ver a “criatura”. Para mim, parecia ser uma coisa sombria e semitransparente, talvez com dois terços de um metro de altura, e uma das coisas mais desagradáveis ​​que eu já tinha visto.

Era esférico, coberto de espinhos afiados como um porco-espinho. Em ambos os lados tinha uma perna dobrada como um buldogue. Sua boca era viciosa com dentes perigosamente afiados. Seus olhos estavam tão cheios de ódio e raiva que eu podia sentir.

PRIMEIRA AÇÃO:

Foram aqueles olhos cheios de ódio que entregaram a criação da coisa. “Você vê seus olhos?” Eu perguntei.

Lauren estava me segurando por trás. Meus braços estavam abertos para que, se a coisa atacasse, eu pudesse protegê-la. Ela meio sussurrou, meio assobiou, “Sim”.

“Esse ódio, raiva e raiva são a fonte de sua criação. Seu ex não conhece magia, mas suas emoções a criaram.”

“Você pode fazer alguma coisa?”

Caminhei até a porta, mantendo-me entre ela e a criatura de ódio. Eu abri a porta. Então voltamos para a posição em que estávamos antes, deixando um caminho claro entre ela e a porta. Levantei-me e, com voz de comando, disse: “Vá embora! Ordeno que vá embora”.

O resultado foi que a coisa rosnou horrivelmente. Eu podia sentir Lauren se encolhendo atrás de mim, seu corpo tenso.

Aumentei a “pressão psíquica” (por falta de uma frase melhor) sobre ele.

“Em nome de Yud-Heh-Vahv-Heh eu ordeno que você vá embora. Não sou eu quem te ordena, mas Adonai!”

A coisa não se moveu, mas a aparência de seus olhos mudou e seu rosnado parecia um pouco menos cruel. Eu sabia que estava no caminho certo.

Dei o mesmo comando várias vezes. Finalmente, começou a se mover. Ele avançou lentamente em direção à porta. Na porta, estava virado para fora. Ele virou o rosto para nós e rosnou novamente. Então virou para nós e pensei que ia pular e atacar. Repeti o comando e pareceu relaxar. Então começou a desbotar. Demorou cerca de cinco minutos antes que todos os vestígios dele desaparecessem.

MANTENDO ISSO:

Quando tive certeza de que havia desaparecido, usei o método de projeção do pentagrama para manter a coisa afastada. Isso envolve a visualização na testa de um “pentagrama azul-elétrico brilhante com uma ponta para cima”. Eu cerquei isso com minhas mãos formando um triângulo e depois projetei isso para onde a coisa havia desaparecido. Eu fiz isso várias vezes. Eu me separei de Lauren, fui até lá e fechei a porta. O som dele fechando parecia muito final para mim, mas eu sabia que havia mais a fazer.

Eu me virei para Lauren que estava tremendo. “Se foi?” ela perguntou.

“Sim, por enquanto. Mas voltará a menos que façamos algo a respeito.”

“Por que vai voltar?”

“Você ainda tem várias ligações mágicas com seu ex. Elas são causadas pelo tempo que você passou com ele, que você estava psicologicamente ligada a ele, e que você fez sexo com ele. Essa coisa segue as ligações diretamente para você.”

“O que eu posso fazer?”

Precisávamos cortar esses links. Um método ideal para isso era algo que chamei de “Técnica I.O.B.” quando revelei o sistema em Modern Magick.

O “I” significa “identificar”. A primeira coisa a fazer é identificar a verdadeira origem do problema. O “O” significa “objetivar”. Isso é feito dando uma forma à fonte, se ela ainda não tiver uma forma. Como conhecemos a fonte, a técnica exige que façamos uma maquete visualizada dela – ou, neste caso, dele.

“Você tem uma foto do seu ex?”

“No meu carro. Isso é um problema?”

“Não, pode ser usado apenas como base para visualização. Mas não precisamos disso. O que eu gostaria que você fizesse é visualizá-lo do outro lado da porta. Visualize-o o mais forte possível. Volto em um momento.”

Enquanto ela visualizava seu ex-namorado, entrei no meu quarto (o quarto de Scott ficava do outro lado do apartamento). No meu quarto fui ao meu altar e tirei a faca de cabo preto que usei em muitos rituais. Quando voltei para a sala onde Lauren estava sentada, pude ver que ela tinha um olhar um tanto temeroso em seus olhos. Ela olhou rapidamente para mim e depois de volta para onde estava sua visualização. “Eu não quero mais vê-lo. Quanto tempo eu tenho que manter isso?”

Eu andei para frente e com minha visão estendida vi vários fios de energia, como tendões brancos, estendendo-se pela porta e em várias partes de Lauren. “Não muito”, eu respondi. Dei um passo à frente e comecei a cortar os fios que a ligavam ao seu ex. Alguns eram como uma faca quente passando por um pote de sorvete. Outros eram duros e eu tinha que serrar para frente e para trás para cortá-los. A cada corte, eu podia ouvi-la ofegar levemente.

Uma vez que eles foram cortados, eu me coloquei entre ela e onde sua visualização de seu ex tinha estado. Como antes, projetei pentagramas na direção de sua visualização.

Por fim, fiz o “B”, ou banimento da técnica. Eu puxei Lauren para fora de sua cadeira e a fiz sentar no centro da sala. Realizei o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama ao redor dela. (As instruções para a Técnica I.O.B. e o Ritual de Banimento estão incluídas na Magia Moderna.)

A “criatura” nunca mais voltou, e ela nunca mais teve notícias de seu ex-namorado. Considero esta operação um sucesso.

PROVAVELMENTE VOCÊ NÃO ESTÁ SOB ATAQUE PSÍQUICO:

Na maioria dos casos, se você acha que está sob ataque psíquico, é provável que não esteja. No entanto, em raras ocasiões, isso ocorre. Quando isso ocorre, é mais comum que o ataque seja uma manifestação da raiva e raiva do atacante e não um ato mágico calculado.

Se você sente que algo está atacando você, uma das coisas mais fáceis e rápidas que você pode fazer é simplesmente isso: diga para sair! Se isso parece simples, é. É tão simples que funciona e pode funcionar de forma bastante poderosa. Para maior resistência, você pode adicionar a Técnica I.O.B. e um ritual de banimento.

***

Fonte: The First Defense Against Psychic Attack, by Donald Michael Kraig.

COPYRIGHT (2002) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-primeira-defesa-contra-um-ataque-psiquico/

Satanismo na Idade Média

“Mas Deus tira férias?? R: Claro, você nunca ouviu falar em Idade Média?” – O Todo Poderoso (Diálogo entre Bruce e Deus).

Seguindo nossa Série de posts com relação ao Satanismo, vamos falar hoje da (suposta) aparição do Satanismo no mundo.

Caso você ainda não tenha lido, recomendo ler o primeiro post deste blog sobre o satanismo: O que o Satanismo NÃO É.

Vamos introduzir nosso assunto falando um pouco da Santa Igreja Católica e do seu desenvolvimento.

Diferente do que muitos pensam, a Igreja Católica demorou centenas de anos, desde o seu surgimento, para adquirir força e poder. Primeiramente, nos primeiros séculos de seu surgimento, ela começou como uma Religião bem sucedida (porém, muito combatida) no Império Romano.

Depois de muitos embates, ela tornou-se a religião oficial, no final do século IV, graças ao Imperador Teodósio I.

Após a queda do Império Romano (em 476 DC), ela passou alguns séculos sobrevivendo, no período que hoje conhecemos como Idade Média Alta (que compreende o período de 476 até o ano 1000).

Foi um período muito conturbado, onde a Europa vivia o surgimento do período feudal e lidava com diversos invasores, sejam dos Árabes, vindos do Oriente Médio, dos Vikings, que vinham das terras Nórdicas, ou dos Magiares, nômades do Leste que deram origem aos Húngaros. Naquele momento ainda não havia espaço para qualquer domínio de poder absoluto.

Para ser mais específico, o “poder” da Igreja começa no início das “Cruzadas”, que se deu com a tomada da cidade de Jerusalém, em 1095. A igreja resolveu reivindicar a cidade de Jerusalém e responder as investidas dos muçulmanos (mas claro, ainda existem muitos outros fatores envolvidos).

Para quem nunca ouviu falar das “Cruzadas”, foi um período que durou cerca de 200 anos, de um conflito entre Cristãos e Muçulmanos pelas Terras de Jerusalém (que acabou envolvendo terras dos arredores, como Antióquia, Trípoli e Edessa).

Porém, nesse período de Cruzadas, a Igreja fez algo inesperado: Ela atacou cristãos europeus. Mas como assim? Eles atacaram os Católicos? Não, eles atacaram os Cátaros.

Os cátaros eram uma Seita Cristã (do sul da França) baseada em algumas das correntes cristãs do primeiro e segundo século depois de cristo, sendo as suas características mais marcantes as do Maniqueísmo e do Gnosticismo.

Eles acreditavam que os princípios de “Bem e Mau” tinham a mesma força e poder. Acreditavam que toda a Matéria era obra do Demônio (e isso explicava as tantas imperfeições da “carne”).

Eles acreditavam no processo de reencarnação, e que, a procriação deveria ser desconsiderada, afinal, é através da procriação que a matéria se perpetua. Se ninguém mais tivesse filhos, nenhuma alma poderia renascer e estes não precisariam mais habitar o mundo da matéria.

Os cátaros foram considerados uma seita herética, pela Igreja Católica (alguns autores, inclusive, os colocam como sendo os primeiros hereges da Igreja).

A grande questão que os envolve é que a Igreja resolveu promover uma Cruzada CONTRA os Cátaros (por não os considerarem verdadeiros cristãos). Hoje em dia, pode até não parecer nada demais, pois já conhecemos a história da Igreja, mas, naquela época, tudo isso era, no mínimo, questionável. Principalmente a forma com que isso se desenvolveu.

Era muito fácil distinguir um muçulmano de um católico (pelas feições, cor da pele e etc), ou seja, nos conflitos contra os árabes, era fácil saber contra quem você deveria lutar. O que não era possível quando se tratava dos Cátaros, já que eles eram todos europeus e essas diferenças não existiam.

Como eram todos iguais, não era possível olhar e saber quem era Cátaro e quem era Católico.

Deste evento surgiu uma famosa frase (que alguns atribuem ao papa Inocêncio III) quando questionaram como seria possível fazer a distinção entre um Cátaro e um Cristão:

A frase foi: “Matai-os todos, Deus reconhecerá os seus!”

E foi um grande massacre na história – que durou cerca de 20 anos. Maior do que qualquer uma das investidas promovidas contra os Muçulmanos. A primeira de muitas da Igreja Católica. Afinal, foi exatamente para combater os Cátaros que surgiu o famoso movimento da Inquisição.

Bem depois, surgiu aquela que seria (direta ou indiretamente) um braço fortíssimo para a Inquisição: a Companhia de Jesus, mais conhecida como Ordem dos Jesuítas.

Obviamente eu irei dedicar um post para falar da Inquisição, da mesma forma que irei dedicar um post para falar, exclusivamente, dos Jesuítas. Porém, não será no próximo post. Irei seguir com a história do Satanismo, chegando no primeiro momento em que vai surgir, verdadeiramente, uma ideologia acerca do tema.

A partir desse evento (a cruzada contra os Cátaros), passam-se a ter diversas perseguições aos Grupos não Católicos que atuavam no mundo Europeu. Essas perseguições ainda iriam durar muitos séculos. Por exemplo, a responsável direta por forçar Galileu a “renegar” sua teoria sobre o heliocentrismo (que destruía, em definitivo, a ideia de que o Sol girava em torno da Terra), foi o movimento da Inquisição.

Essas perseguições na Idade Média, vinham através de uma justificativa: “A perseguição dos Satanistas”.

Não é de hoje que “tudo que não vem da Igreja é do Demônio”. Naquela época isso já existia. Movimentos como a famosa “Caça as Bruxas” tiveram origem daí. Quaisquer idéias, movimentos e cerimoniais que fossem contrários aos padrões cristãos eram caçados para que fossem eliminados.

Tudo era considerado “farinha do mesmo saco”, e eram repreendidos da mesma forma. Dos cultos nórdicos aos cerimoniais xamânicos, eram todos considerados “satanistas” e, eram tratados da mesma forma.

Nunca existiu movimentos de adoração ao Demônio na Idade Média. A Igreja é que os acusou e os caçou com tal. O “satanismo” da Idade Média foi uma criação daqueles que acusavam, e não dos que sofriam essas acusações. Era, também, uma forma com que a Igreja imprimia o medo na mente das pessoas.

Mas tudo isso é bem simples de se entender, afinal, se hoje em dia, em pleno século XXI, ainda existem pessoas que acusam de “satânico” tudo aquilo que não está de acordo com as suas crenças, imagine então naquela época.

Bem. Por hora é só!

O próximo posts sobre Satanismo, como eu já havia comentado, será sobre o “Satanismo no Renascimento”, onde iremos falar do primeiro movimento Satanista do mundo.

Até mais…

#Maçonaria #satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/satanismo-na-idade-m%C3%A9dia

Quebra de Paradigmas na Nutrição

“Que teu alimento seja teu remédio, e teu remédio seja teu alimento”

Hipócrates

É bastante comum que autores de livros sobre espiritualidade deem recomendações nutricionais, além de instruções sobre sono e exercícios físicos (Papus e Franz Bardon são alguns exemplos). Afinal, não somos apenas mente e alma. Além de nutrir o nosso espírito, é igualmente importante nutrirmos nosso corpo físico. Algumas pessoas consideram que a nutrição do corpo espiritual é mais relevante, já que o espírito seria eterno e o corpo seria impermanente. Não vou entrar nesse debate aqui. Por enquanto, basta sabermos que o bem estar do corpo possui uma íntima relação com o bem estar da mente e merece atenção. Nem todos nós somos experientes yogues para passar meses a fio em jejuns e asceses através de meditações e ignorar completamente o que acontece com o nosso corpo. Se você se encaixa nessa categoria, talvez esse post não seja para você.

Creio que a maioria de nós possamos exemplificar o estereótipo do homem ou da mulher da Idade Contemporânea: o dia a dia costuma ser corrido e não há muito tempo sobrando para dar atenção para o corpo. Comidas prontas são mais rápidas e práticas. Exercícios físicos regulares se tornam raros, com algumas experimentações na academia para alguns. Sono? Seis horas por dia já se tornou um luxo. Caso você seja alguém que cozinha suas próprias refeições, que se exercita três vezes por semana e dorme oito horas por dia, será visto por alguns quase como um alienígena. “E ainda tem tempo para lazer? Me diga com quem você fez um pacto, porque eu também quero! Usou o Fotamecus? Ou a Flor de Kairos?” seus amigos te perguntarão, com entusiasmo.

Existem inúmeros benefícios para aqueles que dormem horas suficientes por noite e praticam exercícios físicos regularmente, especialmente os benefícios cerebrais. Nós já estamos cansados de saber que há muitos ganhos em manter hábitos de vida saudáveis. Por um lado, sempre existirão aqueles que dirão: “Sim, eu sei que fumar aumenta em 20 vezes a chance de adquirir câncer de pulmão, mas eu não me importo”. Por outro lado, há aqueles que desejam ter hábitos de vida saudáveis, mas acabam confundidos pela mídia, que fornece informações incompletas e frequentemente contraditórias do que seja, por exemplo, uma alimentação correta. Isso é realmente frustrante para aquela categoria de pessoas que deseja se cuidar.

O que eu falei até aqui não é novidade para a maioria de nós. Agora, vamos ao que realmente interessa: por que as informações sobre nutrição chegaram a esse ponto? Por que até o ensino de nutrição nas universidades não parece fazer sentido? Por que parece que cada médico dá orientações nutricionais diferentes? Por que parece que as pesquisas científicas são contraditórias? Vou começar citando o nome de um cientista fundamental para esse quadro: Ancel Keys. Já já falaremos dele.

Até hoje eu ainda ouço pessoas citando benefícios que vieram com as guerras, como avanços científicos e a invenção do computador. Porém, muitos se esquecem de citar os grandes retrocessos científicos que as guerras geraram. As pesquisas sobre nutrição foram uma das áreas mais afetadas. Para começar, o hábito de fumar e o câncer de pulmão ganharam força com a Primeira Guerra Mundial, pois tal hábito foi adquirido pelos soldados nas trincheiras e levado para as esposas para casa. Nas décadas seguintes, o cigarro era largamente recomendado pelos médicos. Além disso, a Segunda Guerra resultou na morte de muitos cientistas alemães e austríacos. Era exatamente nesses países que as pesquisas sobre nutrição estavam mais avançadas.

A maior parte dos poucos cientistas alemães da área da nutrição que sobreviveram se mudaram para os Estados Unidos. Os americanos não levaram tão a sério as informações dadas pelos alemães, devido à rivalidade ainda existente entre os dois países. Eles desejavam realizar suas próprias pesquisas e é aqui exatamente onde entra Ancel Keys. Em 1955 o presidente americano Dwight D. Eisenhower sofreu um ataque cardíaco. Doenças cardíacas eram uma raridade nas três décadas anteriores e os americanos estavam com medo. Por isso, cientistas americanos como Keys foram pressionados a dar respostas.

O que acontece quando se exige que cientistas deem explicações rápidas para questões complexas? Estudos mal feitos. Ancel Keys conduziu um estudo observacional e epidemiológico em 7 países e relacionou o consumo de gordura saturada com maior risco de ataque cardíaco. Porém, foi um estudo extremamente tendencioso, já que para obter resultados em questões de nutrição estudos observacionais não são suficientes, pois não estabelecem relações de causa e efeito. Para conclusões mais consistentes é necessário realizar experimentos controlados, prospectivos e randomizados, de forma que se possa isolar as variáveis com mais eficácia.

Até o início do século XX, poucos questionaram o conceito de tempo absoluto de Newton, pois ele tinha muita influência. Ancel Keys também foi muito influente em sua época. Sua hipótese de que a gordura saturada tinha relação com doenças cardiovasculares virou quase um dogma. Essa foi a capa da revista Time em 1984:

Mas será que essa ideia faz sentido? Para responder isso, vamos voltar no tempo.

O ser humano viveu mais de 99,5% de sua existência no período Paleolítico. Isso significa que estamos evolutivamente adaptados para consumir alimentos que estavam disponíveis na natureza. E o que se comia naquela época? Éramos caçadores-coletores. Ou seja: caçávamos animais selvagens e coletávamos plantas.

Por isso, o corpo humano está fisiologicamente adaptado para digerir carnes de diversos animais e muitos tipos de vegetais. Certos tipos de frutos são sazonais: só encontrados em épocas específicas. Hoje em dia muitas frutas foram selecionadas para serem mais doces do que eram na natureza. Para mais detalhes a respeito, sugiro o livro “Armas, Germes e Aço” de Jared Diamond. Somente com o período Neolítico houve o advento da agricultura. Isso corresponde a menos de 1% da existência humana. Por isso ainda não deu tempo, evolutivamente falando, para nosso corpo se adaptar a aproveitar bem a maior parte dos grãos (carboidratos como trigo, arroz, milho, etc) que atualmente são consumidos em grandes quantidades.

Vamos falar do aspecto bioquímico. Existem diversas rotas metabólicas que produzem energia para o corpo. É totalmente possível tirar energia a partir da oxidação de aminoácidos e ácidos graxos. Isso significa que o consumo de proteínas e especialmente gorduras naturais pode suprir a maior parte da necessidade do corpo.

Pela gliconeogênese, podemos produzir glicose a partir de compostos diferentes de açúcares. Não é necessário consumir quantias enormes de carboidratos, como sugere a velha pirâmide alimentar, que os coloca em sua base. Para muitas pessoas, é suficiente consumir os carboidratos e fibras provenientes dos vegetais folhosos e de baixo amido.

É comum que se confunda a cetose com a cetoacidose. Cetose é um estado natural do nosso metabolismo, que ocorre quando o fígado transforma as gorduras em corpos cetônicos. Entramos em cetose no jejum ou quando reduzimos o consumo de cardoibratos. Nessa condição, pode-se queimar os depósitos de gordura do corpo e convertê-los em energia. Cetoacidose é uma condição patológica, sem relação direta com o processo natural da cetose.

Nos últimos anos, o jornalista Gary Taubes revolucionou a nossa percepção sobre nutrição, resgatando conceitos antigos que foram perdidos no pós-guerra. Com seus livros “Good Calories, Bad Calories” e “Por que Engordamos?” ele apresenta uma nova forma de interpretar disfunções metabólicas: comemos mais por estarmos engordando e não o contrário.

Quando nós consumimos carboidratos há um pico de glicose no sangue, seguido de uma diminuição, devido à ação da insulina. Assim, ficamos com fome pouco tempo depois de uma refeição. A solução seria eliminar os alimentos que elevam a insulina. Ou seja, açúcar e carboidratos de alto índice glicêmico. Quando comemos alimentos ricos em proteínas e gorduras (como carnes e ovos), a insulina do nosso corpo praticamente não se eleva, o que nos gera sensação de saciedade. Somente quando não há picos de insulina, o corpo pode queimar os depósitos de gordura com eficácia, gerando a perda de peso.

A proposta de Gary Taubes é questionar o que ele chama de paradigma ou hipótese do “balanço calórico”, da “alimentação excessiva” ou do “equilíbrio energético”. Acredito que a maioria de nós aplique as leis da termodinâmica na nutrição, o que, segundo o autor, seria um equívoco. Acreditamos que ao comermos demais engordamos e ao comermos pouco emagrecemos. Nós simplesmente atribuímos uma alimentação excessiva ao ganho de peso, quando no fundo o que geraria isso seria uma má alimentação (má nutrição).

O crescimento do tecido adiposo é controlado por hormônios. O que ocorre no aumento de peso é um desequilíbrio hormonal e não calórico. A insulina é um dos hormônios mais importantes que regula o ganho ou perda de peso. Com a ingestão de alimentos ricos em carboidratos de fácil digestão (especialmente bebidas açucaradas), a secreção de insulina pelo pâncreas aumenta, para tirar o excesso de açúcar do sangue e levar para as células, já que muito açúcar no sangue é extremamente tóxico. Enquanto isso, nossa gordura não é queimada, ou é queimada em ritmo mais lento. Porém, se comemos mais gorduras (não a gordura trans de produtos industrializados, mas a gordura natural dos alimentos) o tecido adiposo do nosso corpo é usado como fonte de energia e emagrecemos.

Com o tempo, os receptores de insulina das células podem começar a falhar. Ficamos resistentes à insulina e isso causa diabetes tipo 2. Alguns pesquisadores já estão começando a chamar o Alzheimer de diabetes tipo 3, que seria a resistência à insulina das células cerebrais. Quando envelhecemos temos tendência a engordar porque a produção de hormônios sofre alterações (na menopausa na mulher, há diminuição da produção de estrógenos) e porque, após décadas de consumo excessivo de carboidratos, nossos músculos são os primeiros a adquirir resistência à insulina, o que faz com que nosso sistema digestivo trabalhe com menor eficácia.

Um dos maiores equívocos no estudo da nutrição hoje é considerar a obesidade como um problema quase que exclusivamente comportamental: uma doença psiquiátrica em vez de um distúrbio metabólico. É o que Taubes chama de “o pecado original da ortodoxia médica”: engordar não é o resultado de preguiça e gula; não se trata de um fracasso moral! Isso porque há fatores fisiológicos muito mais relevantes no processo de ganho de peso do que fatores psicológicos.

Os médicos, a mídia, as pessoas ao nosso redor: parece que todos querem nos fazer acreditar que o excesso de peso é causado por estados mentais e curados por mera força de vontade. Como se fosse fruto de autoindulgência e ignorância! “Apenas faça um esforço, coma menos e faça mais exercícios físicos” é a recomendação de praxe. Contudo, essa recomendação é uma análise superficial e não trata a raiz do problema.

Temos apenas a impressão de que a solução para emagrecer é comer menos. Na prática, comer menos só emagrece porque ao reduzir o consumo de todos os tipos de alimentos, automaticamente também estamos reduzindo o consumo de carboidratos.

Porém, fazendo isso passamos fome, ficamos cansados e indispostos. Quando fazemos atividade física, nossa fome aumenta ainda mais, porque o corpo envia um alerta para repormos a energia perdida. Então fazer atividade física, embora tenha inúmeros benefícios (beneficia as atividades cerebrais, corrige postura, gera ganho de massa muscular, dá flexibilidade, força, maior concentração, disciplina, etc) não é o fator crucial do emagrecimento. Na maior parte dos casos, mesmo quem consegue emagrecer temporariamente comendo menos e se exercitando, depois engorda de novo ao longo dos meses ou anos.

Todos sabemos que para manter o peso constante é preciso mudar a alimentação definitivamente, não se privar de comida temporariamente. No livro “Por que Engordamos?” Gary Taubes dá um ótimo exemplo: se quisermos abrir o apetite para uma farta refeição, nós provavelmente iremos fazer atividades físicas para gastar energia, além de ficar em jejum. Então seria paradoxal se as mesmas recomendações que nos dão mais fome também nos fizessem emagrecer.

Outros exemplos do livro: quando uma criança ou adolescente está em fase de crescimento, geralmente dizemos: “ele está com fome porque está crescendo”, porque o hormônio de crescimento está atuando. Não dizemos “ele está comendo mais e por isso está crescendo”. Como a regulação da gordura também é hormonal, não faria sentido dizer que comer mais é o que nos faz engordar. Na verdade, como foi dito antes, comemos mais porque o nosso hormônio insulina está ativo: isso nos faz engordar e comemos mais como consequência. Nós fazemos uma inversão de causa e efeito ao empregar o raciocínio oposto.

Comer menos não seria a forma de diminuir a atuação do hormônio insulina, mas comer somente menos carboidratos. O consumo de gorduras naturais (banha de porco, manteiga, óleo de coco, etc) na verdade auxilia o emagrecimento. Engraçado que não dizemos para um fumante “se exercitar mais” para evitar câncer de pulmão, mas somente dizemos para que largue o cigarro. Da mesma forma, deveríamos dizer para alguém que quer emagrecer diminuir os carboidratos na dieta, e não recomendar atividades físicas. Exercitar-se pode beneficiar a todos (fumantes, obesos, etc), mas não tem relação direta com câncer de pulmão ou obesidade.

Como sabemos, a obesidade está relacionada ao maior risco para a maior parte das doenças crônicas (diabetes, câncer, doenças cardiovasculares, etc). Porém, quem é magro não está livre de ter essas doenças. Mesmo que uma pessoa magra não tenha muita gordura subcutânea, ela pode ter gordura visceral (a gordura que fica entre os órgãos) e essa é a mais perigosa.

Se analisarmos a constituição de nosso corpo, perceberemos que a membrana das nossas células, nosso cérebro e muitos outros órgãos (como coração e rins) são constituídos por gordura. Mais da metade da composição do leite materno é gordura, sendo considerado um dos alimentos mais completos e saudáveis para o bebê, que favorece o crescimento e desenvolvimento cerebral. Sendo assim, é questionável que hoje em dia se recomende o consumo de leite desnatado, pois contém mais açúcar (lactose), enquanto o integral tem mais gorduras e favorece o emagrecimento, pois eleva menos a insulina e dá mais saciedade. Existem ácidos graxos essenciais (que devem ser obtidos pela alimentação) e aminoácidos essenciais, mas não existem carboidratos essenciais.

Antigamente, doenças cardiovasculares, diabetes e muitos tipos de câncer eram relativamente raros. Essa epidemia de obesidade e de diversas doenças crônicas é bastante recente e explodiu nas últimas décadas. Não por acaso, desde as recomendações nutricionais para evitar a gordura natural dos alimentos e para aumentar o consumo dos supostos “grãos integrais saudáveis”.

O médico cardiologista William Davis em seu livro “Barriga de Trigo” deixa claro que o consumo de duas fatias de pão integral aumenta mais a taxa de glicose no sangue do que duas colheres de sopa de açúcar branco. Dentre os incontáveis males causados pelo trigo, Davis cita não somente diabetes e doença celíaca, mas também doenças cardiovasculares e câncer, passando por muitas outras doenças pelo caminho. O autor é bem direto e escreve: “Trigo causa câncer”.

Antes dos anos 20, o câncer de pulmão era uma enfermidade tão rara que quando havia um caso desses todos os médicos queriam olhar. Quando houve um enorme aumento nos casos de câncer de pulmão nas décadas seguintes, ninguém sabia o que o causava, pois quase todos fumavam (de forma análoga, hoje quase todos comemos carboidratos em excesso e por isso não associamos seu consumo a muitas doenças). Alguns achavam que era o ar poluído das cidades, dentre outras hipóteses, mas ninguém nunca mencionava o fumo. Foi preciso décadas de estudo para se descobrir a relação entre cigarro e câncer de pulmão. E muito tempo depois de as pesquisas mostrarem isso claramente, a comunidade científica ainda estava cética.

Os fabricantes de cigarro não queriam perder os clientes e colocavam nas propagandas que “não há estudos conclusivos que indiquem a relação de cigarro com câncer de pulmão”, ou diziam que muitos outros fatores estão envolvidos, etc. É bem parecido com o que se diz hoje sobre açúcar e carboidratos. Se diz que não há estudos conclusivos e que muitos outros fatores causam câncer.

Claro, o câncer não é uma doença só, são várias, então cada câncer possui diferentes fatores de risco, alguns pesando mais e outros menos. Mas de forma geral, o açúcar é um dos fatores mais perigosos. Há muitos relatos de pacientes com câncer que observaram uma melhora significativa após retirar o açúcar e os carboidratos da dieta.

Porém, ainda são necessários mais experimentos prospectivos e randomizados para que se descubra a relação exata da redução de carboidratos com a regressão de diversos tipos de câncer, incluindo um estudo das diferentes rotas metabólicas bioquímicas envolvidas. Nossas células saudáveis podem usar tanto glicose quanto corpos cetônicos como fonte de energia. No entanto, há evidências de que as células cancerosas utilizam apenas glicose.

Recentemente muito tem se falado sobre o uso da fosfoetanolamina para tratamento de câncer. Ela é uma amina envolvida na síntese de lipídeos. É produzida em nosso corpo e forma as membranas celulares, que são constituídas por uma bicamada lipídica. Seguindo o raciocínio apresentado ao longo do texto, uma possível conclusão seria que o uso da fosfoetanolamina sintética supriria, em parte, a falta de gordura em nossa alimentação, o que pode gerar benefícios na resposta imune de nosso corpo. A propósito, alguns dos procedimentos recentes mais revolucionários para tratamento de diversos tipos de cânceres têm sido através de imunoterapias: incentivar a resposta imune de nosso corpo. E nós sabemos uma maneira muito eficaz de aumentar nossa imunidade: através do consumo de alimentos com alta densidade nutricional, o que inclui gorduras.

Porém, aqui vai uma ressalva: não sou especialista em câncer, então eu recomendo o livro “O Imperador de Todos os Males: Uma Biografia do Câncer” de Siddhartha Mukherjee para uma maior compreensão do assunto (esse ano foi feito um excelente documentário sobre o livro), especialmente para saber mais sobre a história do câncer de pulmão e os diferentes métodos de tratamento já tentados para o câncer: dos mais antigos aos mais recentes. Doenças crônicas como o câncer são multifatoriais, então seria precipitado pensar que um dia existirá um panaceia mágica que irá curar todos os tipos de doenças.

No entanto, é verdade que existem alguns procedimentos mais eficazes que outros, embora alguns deles também possam variar de pessoa para pessoa, já que tanto fatores genéticos quanto ambientais estão em jogo. Conforme comentado no livro “Epigenética” de Richard C. Francis, a influência do meio ambiente sobre os genes não é algo estático e sim dinâmico. Nós temos um controle sobre os nossos genes muito maior do que imaginamos. A nossa propensão genética de ter ou não uma doença não é o fator crucial que determina nosso destino. Na verdade, para muitos tipos de enfermidades é justamente o contrário: dependendo da nossa alimentação, podemos evitar muitas doenças que parentes próximos já tiveram. Até mesmo algumas doenças com as quais os bebês já nascem ou que são adquiridas na infância podem ser evitadas dependendo da alimentação da mãe durante a gravidez ou do consumo de açúcar ou carboidratos na primeira infância (como é o caso do diabetes tipo 1).

E sobre a relação de consumo de gordura de carnes e ovos com doenças cardiovasculares? Basta olharmos a capa da revista Time do ano passado para concluirmos que houve uma mudança em relação à reportagem de 1984:

Contudo, é preciso tomar muito cuidado com reportagens de revistas sobre alimentação. Muitas vezes são feitos estudos observacionais (que estabelecem somente correlações e não causa e efeito) ou estudos com ratos, e as capas de revistas já estampam títulos duvidosos.

Assim como no passado se questionou a relação de causa e efeito do cigarro com o câncer de pulmão, atualmente muitos estão enfrentando resistência a aceitar a influência do consumo de açúcares e carboidratos com a maior parte das doenças crônicas.

Geralmente nos mostram aquelas imagens de um vaso sanguíneo sendo entupido por uma placa de gordura (aterosclerose) e dizem que o que causou a placa de gordura foi a gordura de carnes, quando na verdade os culpados foram os carboidratos (pão, massas, arroz, açúcares). Se a gordura de carnes realmente fosse responsável por doenças cardiovasculares, veríamos muitos animais na natureza com problemas de coração, o que não se verifica, sendo que eles comem os animais inteiros, incluindo pele e órgãos. Quem tem câncer são nossos animais domésticos que comem rações cheias de carboidratos em vez de carne. Na verdade, é observado que em diversos povos caçadores-coletores (incluindo os esquimós, que possuem mais de 90% da alimentação de origem animal) eram praticamente inexistentes doenças como câncer, aterosclerose e diabetes antes do contato com os alimentos ocidentais.

Muitas pessoas têm medo de possuir colesterol elevado, quando sabemos que o HDL é extremamente benéfico. Já o LDL se divide em dois tipos: há as partículas pequenas e densas, que são prejudiciais (advindas da metabolização dos carboidratos) e as partículas grandes e leves que são benéficas (vindas da gordura natural dos alimentos). A formação da aterosclerose começa com uma inflamação. Há evidências de que os grãos, açúcares e gorduras trans (gordura vegetal hidrogenada, como as margarinas) são inflamatórios e baixam a imunidade.

Um dos exames de sangue mais importantes para saber como anda sua saúde é a análise da glicemia e da insulina. Porém, para se ter um marcador ainda mais confiável do que a glicose em jejum, um dos exames mais indicados é a hemoglobina glicada (HbA1C). No livro “A Dieta da Mente” de David Perlmutter, é sugerido que o valor ideal deve estar entre 5 e 5,5. Um valor da insulina acima de 5 significa que o pâncreas está sobrecarregado e que o nível de açúcar no sangue não está sob controle.

E por que hoje em dia há tantas pessoas com falta de vitamina D? Em primeiro lugar, há a resposta que já sabemos: pelo medo do câncer de pele, evitamos tomar Sol. Porém, também há outra explicação: a vitamina D (que alguns consideram ser um hormônio ou esteroide), que atualmente também é usada para o tratamento de doenças autoimunes como a esclerose múltipla, é lipossolúvel (assim como as vitaminas A, E e K): ou seja, ela é solúvel em gorduras. Como hoje em dia se evita gorduras na alimentação devido a todas essas recomendações nutricionais sem base científica adequada, a vitamina D acaba não sendo absorvida e utilizada corretamente pelo nosso organismo. O colesterol presente na pele precisa ser exposto aos raios ultravioletas do Sol para haver a produção de vitamina D pelo corpo. A fórmula química do colesterol e da vitamina D são quase indistinguíveis.

Sobre vegetarianismo: não vou entrar nas discussões éticas e econômicas envolvendo o tema. Apenas irei ressaltar que é totalmente possível seguir um estilo de alimentação Low-Carb (ou seja, com baixos carboidratos) e ser vegetariano. A foto no topo da postagem é um exemplo. Ser vegano já é mais difícil, mas também é possível.

Eu ainda teria muitas coisas a dizer sobre esse assunto, mas acho melhor finalizar por aqui.

Finalmente, vale a pena ressaltar que ainda há muito a ser descoberto no campo da nutrição. Os atuais microscópios (incluindo o eletrônico) não são potentes o suficiente para observarmos de perto o funcionamento de uma célula. Muito do que sabemos ainda são hipóteses. Como será que a insulina age realmente e de que forma os carboidratos atuam no nosso corpo? Nós só conseguimos observar os resultados aqui fora e desenvolver hipóteses sobre o funcionamento de tais mecanismos. No futuro é possível que saibamos mais, que se deixe de lado conceitos atuais, se criem novos e se resgate os antigos.

Aqui vão dicas rápidas sobre recomendações nutricionais que funcionam bem, tanto para perda de peso como para melhorar a saúde: o consumo de carnes, ovos e vegetais folhosos e de baixo amido pode ser feito sem restrições (evitando carnes embutidas, que podem ter adição de amido ou açúcar). Alimentos de baixo índice glicêmico a ser consumidos com moderação: morangos e outras “berries”, coco, abacate, queijo amarelo e manteiga. Alimentos a serem evitados: carboidratos como trigo, milho, arroz, etc. Lembre-se que na hora de consultar o rótulo de um alimento é mais importante saber a quantidade de carboidratos do que as calorias. Para mais recomendações de alimentos e seus respectivos índices glicêmicos, sugiro consultar o livro “A Dieta dos Nossos Ancestrais” de Caio Augusto Fleury.

Esse é um post meramente informativo que expressa a minha opinião e a minha interpretação da opinião de autores dos livros citados que li. Realize alterações em sua dieta de forma gradual (já que alterações alimentares resultam em mudança na microbiota intestinal) e somente com a aprovação e orientação de seu médico e/ou nutricionista, especialmente se você possui alguma doença e toma medicação, pois as recomendações alimentares podem mudar de acordo com a pessoa e com as condições patológicas apresentadas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/quebra-de-paradigmas-na-nutri%C3%A7%C3%A3o

A magia dos nós: amarrando os cardaços do Universo

Hermekate

A magia de nós, tem sua origem, a mais ou menos 4.000 anos, quando tabuletas cuneiformes foram feitas, descrevendo vários tipos de magia que constituem o uso de nós. Este tipo de magia, é conhecido do mundo todo, e em diversas culturas. Mas, recentemente, andei levantando em meus estudos, que, este tipo de magia vem ainda em desuso. Mas, de uma forma ou de outra, ela ainda permanece arraigada no subconsciente de todos nós. Exemplos disso, são aquele costume de para não se esquecer de algo, amarrar um barbante no dedo.

Mas, por quê isso funciona? Bom, assim como este tipo de magia, a resposta é simples! Ao atar um nó de forma concreta, física, a uma ideia, concepção, ou pensamento, você está estabelecendo uma conexão entre o nó ( físico ) e o pensamento de que precisa ( mental ). Se não entendeu como funciona, bom. É basicamente como carregar um sigilo, e perde-lo no subconciênte, para que venha se manifestar na realidade, tempos depois que você o esqueceu. Uma das formas mais conhecidas, creio eu, é amarrar um barbante ao redor de uma imagem que represente uma pessoa. No caso, pode-se inibir esta pessoa de fazer algo, ou, pode-se prender duas imagens para uma ” amarração amorosa “.

Este tipo de magia é tão poderoso e temido, que séculos atrás, haviam leis, que proibiam imagens amarradas. Bom. Assim como todos os tipos de magia são interessantes e possuem histórias incríveis, a maga dos nós não é diferente, mas , chega de aula… ”

Tipos de Nós

A magia dos nós é tão flexível assim como os barbantes e linhas que são usados para faze-la, que não a nada que não seja possível fazer com este tipo de prática. Você pode fazer como eu disse acima, amarrar uma figura para fins de paralisar um inimigo ou prender uma amor. Pode desatar nós com a intenção de desfazer doenças, ou laços de amizade. Ou, pode se certificar de que um objeto emprestado sempre volte para você. São várias as ” opções de nós ” como eu gosto de chamar.

Amarrando o Perfume.

Sabe, fazia um tempo que eu queria um trabalho, ganhar a minha independência, sair da casa da minha mãe, e ir morar com o meu namorado – sim, sou um homem. Primeiro, aquela coisa de reservista me impediu, pois então usei magia de sigilos para apressar a minha dispensa. Foi ai que sai a procura de um jobs, e encontrei. Adivinha aonde? Se você disse telemarketing, você não ganhou nada que não sou talk show… Mas, voltando… Quem já trabalhou disso sabe, o stress emocional é muito, e bom, sou do tipo que sente tudo a flor da pele, afinal, sou empata. Então, sem completar um mês, comecei a fazer entrevistas para mudar de jobs. Não consegui nada…

Um dia, estava eu, após aquela foda com o meu namorado, lendo este site lindo de bonito, quando comecei a ler sobre sigilos olfativos. Foi então, que eu tive a ideia. O cheiro, atrai muitas coisas. Quase tudo é atraído pelo cheiro, afinal, eu encaro o universo como um grande animal com um senhor cacete inchado, e pronto, apenas esperando quem estiver no cio para movimentar os quadris, socar e socar, até ejacular uma nova realidade. Quem entende um pouco, sabe que no cio, a cachorra libera um cheiro que atrai o macho, – Sim, chamei todos nos nós de cadelas do universo -, no caso, quem tiver o cheiro mais agradável ganha aquela gozada do Uni.

Bom. Eu tinha a mão apenas um frasco de perfume que minha tia tinha me dado, daqueles bem pobres de revista, e um pedaso de barbante que tirei de um poste aonde estaam presos panfetos de convenio médico. Eu penso o seguinte, o seguinte: um bom mago, sabe fazer coisas fantásticas com o que tem a mão. Pois então, como eu queria muito trocar de emprego, peguei o meu perfume, e o pedaço de barbante, amarrei e fiz o paranauês. Demorou uma semana, e fui chamado para uma entrevista de emprego. Antes de ir passei o perfume, e, no mesmo dia, fui aprovado, e só preciso correr atrás da papelada agora. Foi muito rápido.

A minha explicação pra isso é: Ao amarrar um barbante carregado com minha energia e intenção ao perfume, criei um elo entre o barbante, o desejo, e o perfume, que ficou gravado no meu subconsciente, e, assim como um sigilo pode ir para o inconsciente coletivo, ele foi, e influenciou os meus entrevistadores para que eles se sentissem atraídos a me contratar.

Nó Criativo

1 – Se você quer algo, primeiro esteja certo do que quer. Quando estiver certo, visualize com vontade. Com o máximo de detalhes possíveis – segurando o barbante nas duas mãos.

2 – Em seguida, depois de estar carregado de emoção, dê um nó forte.

Pronto, já sabe como fazer. É tão simples e poderoso, que é um pecado deixar esta magia sem o verdadeiro reconhecimento.

O Nó Destrutivo. 

Se você tem algum mal habito, ou um problema, apanhe um barbante, e vizualize os problemas que o incomodam. Se emocione até se inflamar de raiva, ou tristeza, ai, amarre com força um nó. Se afaste, vá esfriar a cabeça. Tome banho frio, vá caminhar, comer ou dar pra alguém, apenas deixe o nó de lado, e esfrie a cabeça. Quando estiver mais calmo, volte em paz, e desate o nó, vendo o problema se desfazer com ele. Atar Objetos. Se você é como eu, e não gosta de emprestar algo, pegue o objeto que vai emprestar, e se ele for pequeno, o amarre a você. Fique com ele preso ao seu corpo, por um tempo, e depois corte – sem desfazer o nó – e guarde o barbante. E agora, uma dica final: Queimar o nó, ou enterrar, é um modo de garantir que ninguém desfará esse nós, e desfará seu feitiço.

 

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-magia-dos-nos-amarrando-os-cardacos-do-universo/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-magia-dos-nos-amarrando-os-cardacos-do-universo/