A Gênese Alquímica

KAMALA JNANA
Trad. Rubellus Petrinus

PRIMEIRO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-Minério dos Filósofos.

-O enxofre e o mercúrio dos filósofos (não os vulgares) são colocados num vaso de vidro. Estas matérias informes, não amalgamadas naturalmente, são inertes e frias, embora algumas delas contenham no seu seio um fogo interno. Neste estado nenhuma proporção é feita pela mão do homem.

-O sal ou Espírito ígneo, ou elemento transformável pela vontade desta trindade, é colocado então em contacto com a terra sulfurosa e a água mercurial. Em contacto com este espírito de fogo, os dois outros revelam-se. Uma luta dura se desenvolve entre os três que originam uma quarta, mais violenta que as outras, criando assim um desequilíbrio nas forças da massa. Este desequilíbrio traduz-se por um movimento turbilionário. Sob o efeito desta quarta energia uma imantação se produz, amalgamando naturalmente, e numa proporção de natura, o sal, o enxofre e o mercúrio filosofal.

-Deste movimento rotativo nascerá um quinto fogo que terá por efeito electrizar os corpúsculos atómicos dos constituintes.

-Una electricidade atractiva nascerá, daí o nome de Electro Mineral.

-Neste estado as granulações são efectivas. O Artista escolherá portanto na natureza e no reino mineral uma terra semelhantemente proporcionada, para dela fazer a sua “Matéria Prima”.

-Então, por uma engenhosa indústria, toda natural, o Artista separará o que a natureza uniu. Ele separará o puro do impuro, o subtil do espesso; ele recolherá com cuidado a «Luz» do seu minério, ele fará cristais salinos rutilantes e brilhantes. Tendo agido assim, o Sábio separará a luz das trevas.

SEGUNDO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-Os mundos estando nascidos (lede granulações) com se viu, o quinto fogo (engendrado pelo movimento permanente) chega a fazer evaporar uma certa quantidade de «água divina» ou «fogo do espírito do sal». Um vapor eleva-se no alto do vaso, mantendo-se à distância pelo calor do quarto fogo, sempre mantido pelo combate dos outros três. O espaço livre que separa o vapor da humidade salina dos grânulos é comparável em efeito àquele que se chama firmamento.

-Todavia, à medida que a matéria arrefece, os vapores condensam-se e caiem em grandes gotas sobre a terra. Em breve, sob estas águas que penetram até ao centro dos mundos miniaturas, a terra é submergida, dissolvida; os corpúsculos sólidos transformam-se em vasa pendente que a água de fogo (tendo a absorvido a quintessência da trindade terrestre) sobrenada sob a forma de um óleo avermelhado rodeado de uma franja de dourada. O Artista verá que há duas espécies de líquidos.

-Neste instante, mais nenhum vapor aparece no vaso. Só, o mesmo vazio que existia persiste. Este vazio pode ser chamado céu em contraste com a terra e a água, que estão no fundo do vaso.

TERCEIRO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-Embora se note que se trata «das cales» debaixo do céu, e não das «águas». O plural é posto para chamar a atenção sobre as duas colorações da massa líquida.

-O Artista reunirá num só lugar, num só recipiente bem fechado, o precioso líquido.

-Depois quando tiver cortado a cabeça do seu corvo, verá aparecer a sua terra adâmica sob forma de areia muito negra e fétida. Então, fazendo sempre agir o seu quinto fogo, começará por secar a terra…

-Guardando preciosamente a sua quintessência líquida.

-A cor verde começa a aparecer. Toda a terra se cobre de verdura e de borbulhas contendo sementes minerais. Neste momento, alguns sábios comparam a sua matéria a uma desova de rãs.

QUARTO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-Sempre sob a acção do quinto fogo, as granulações verdes começam a clarear. A matéria lavada pelo fogo passa de verde ao branco. Os filósofos chamam então à sua matéria Lua Muito Pura, Muito Fixa.

-Esta cor é o indício de que se operou bem, depois de ter provocado o dilúvio em «Solve».

-Operou-se bem para iniciar «Coagula», verdadeiro labirinto.

-Sempre sob a acção do quinto fogo, atinge-se o terceiro grau de temperatura. O calor activado na cor branca dá a cor amarela. Neste estado os Sábios simbolizam a sua matéria por uma estrela de Cinco Ramos. Esta é a matéria próxima de Obra: A Estrela da Manhã.

QUINTO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-Aqui, a matéria em branco apresenta-se como olhos de peixe, os Sábios dizem que ele pesca os peixes «Echéneis»; é por isso que eles chamam também «Mar» as águas que recobrem a sua matéria. Ora, como uma parte desta matéria ao branco ou olhos de peixe tem o poder de transformar Dez Partes de metal vil em Lua, é-se obrigado a admitir a vitalidade desta matéria nascida na vasa e na água.

-A verificação faz-se então, colocando uma parte da matéria ao branco sobre uma lâmina aquecida ao rubro; se ela fundir sem fumegar, é porque a Pedra ao branco está fixada; senão é preciso continuar o quinto fogo.

SEXTO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-A Pedra ao Amarelo vai portanto continuar a fixar-se sob a acção do quinto fogo, temperada pela imbibição progressiva do mercúrio tingidor. De amarelo, ela para ao alaranjado e enfim ao vermelho. Neste estado, esta Pedra ou Pó de Projecção ou Terra Sublimada é capaz de dar origem aos três reinos;

-Inicialmente uma das suas partes pode transmutar dez de metais vis, e este em ouro muito puro e muito fino. (Reino Mineral).

-Em seguida, se se dissolve deste pó no álcool pode-se deitar deste licor sobre a terra ordinária calcinada sem fusão, ver-se-á nascer vegetais (musgos, fetos, gramíneas). (Reino Vegetal).

-Enfim se se tomar ainda da terra ordinária preparada como acima, e se pulverizar num pilão antes de a humedecer de uma nova quantidade de licor, ver-se-á nascer o verme, a lagarta, a mosca, a borboleta. (Reino Animal).

-Quando o Sábio sabe realizar tudo isto, Deus o tornou semelhante a Ele. O Homem pode criar o Universo à sua estatura e transmitir a vida a todos os reinos da natureza. Ele é o mestre incontestado do microcosmos, e como tal ele é feito bem à imagem de Deus.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-genese-alquimica/

Financiamento coletivo trás obra completa de Austin Osman Spare em português

Imagine um livro reunindo as obras (conhecidas e desconhecidas) de Austin Osman spare. E não estamos falando apenas dos textos mas dos desenhos e pinturas – todas em alta definição. Todos os textos traduzidos de maneira primorosa para o português em uma edição de mais de 500 páginas, capa dura e tudo mais que o avô da Magia do Caos merece.

livro spare

Calma, segurem seus sigilos, o livro já está em pleno processo de materialização através da Oficina Palimpsestus.

Eles reuniram uma equipe de profissionais que se dedicaram a uma pesquisa minuciosa para trazer para você, num volume único, os escritos de Spare sobre magia e suas reflexões filosóficas, além, é claro, de ilustrações, desenhos e pinturas.

desenho spare

O livro “Arte e magia do caos: obra reunida de Austin Osman Spare” terá encadernação em capa dura, será impresso em papel Pólen, que promove uma experiência suave de leitura, e em papel Couché, para destacar a qualidade das imagens, além das mais de 500 páginas. Uma obra que vai deixar a Bíblia da sua avó, e a sua própria avó, com inveja!

O projeto foi lançado no Catarse dia 10/10. Você pode ver mais detalhes e os valores visitando a página deles aqui.

A previsão de impressão para o livro e as recompensas de quem participar é o final de fevereiro de 2021.

Dividido em três partes, a primeira traz dois ensaios: um, escrito por Rogério Bettoni, introduz o leitor à vida e obra de Austin Osman Spare e o outro, assinado por Matt Lee, doutor em filosofia pela Universidade de Sussex e professor de filosofia da Universidade de Brighton, que faz uma aproximação entre o sistema mágico de Spare e a filosofia dos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari.

A segunda parte contempla toda a obra pública de Spare, tanto escrita quanto visual, e um caderno com ilustrações e reproduções de suas obras. A terceira parte é dedicada à cronologia e notas.

E não é só isso, como um bônus eles também estão publicando as CARTAS SURREALISTAS PARA PREVISÃO DE CORRIDAS [Obeah Cards], um baralho de 25 cartas feito por Spare para prever resultado de corridas de cavalo. As cartas foram feitas para sua amiga Ada Millicent Pain, que o acolheu depois que seu estúdio foi bombardeado pelos nazistas.

cartas obeah

As cartas serão uma recompensa exclusiva para os apoiadores do projeto no Catarse, e você terá a opção de escolher um conjunto de cartas numeradas de 25 a 50, como criadas por Spare, ou sem numeração para que você possa usá-las para prever resultados de diferentes eventos. Nas palavras de Phil Baker, biógrafo do autor: “As cartas surrealistas de previsão […] são uma obra de arte baseada no jogo; uma rara combinação. Nesse sentido, a única comparação real no cânone da história da arte – conceitual, um tanto jocosa, mas supostamente prática – só poderia ser o sistema de roleta de Marcel Duchamp”.

Mas o que exatamente você encontrará no livro?

* Terra Inferno [Earth Inferno] (1905)
* Livro dos sátiros [A Book of Satyrs] (1907)
* Livro dos prazeres (amor-de-si): psicologia do êxtase [The Book of Pleasure (self-love) – The Psychology of Ecstasy] (1909-1913)
* O foco da vida: murmúrios de Aaos [The Focus of Life: The Mutterings of Aaos] (1921)
* Anátema de Zos: sermão aos hipócritas [The Anathema of Zos] (1927)
* O livro do repugnante êxtase [The book of Ugly Ecstasy] (1996)
* Livro de desenhos automáticos [A Book of Automatic Drawing] (1972)
* O vale do medo [The Valley of Fear] (2008)
* Sabá das bruxas [The Witches’ Sabbath]
* Mente a mente e como [Mind to Mind & How] e Cartas de previsão de corridas surrealistas [Surrealist Racing Forecast Cards]
* O livro de Zos vel Thanatos [The Book of Zos vel Thanatos]
1. Logomaquia de Zos [The Logomachy of Zos]
2. Grimório zoético de Zos : a fórmula de Zos vel Thanatos [The Zoetic Grimoire of Zos (The Formulae of Zos vel Thanatos)]
3. A palavra viva de Zos [The Living Word of Zos]

O livro contará ainda com um caderno especial de imagens de alta resolução com dezenas de ilustrações e pinturas de Spare.

quadros spare

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👌

Puta merda!

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/financiamento-coletivo-tras-obra-completa-de-austin-osman-spare-em-portugues/

A Teosofia Termina no Vaishnavismo

Por Srila Prabhupada

O resumo de uma palestra proferida na sessão de abertura da Quinquagésima-Sexta Convenção Anual da Sociedade Teosófica na América, realizada em 25 de julho de 1943, foi-me entregue por um amigo bem intencionado em um panfleto sob o título “O Teosofista como o Cidadão Ideal na Guerra e na Paz”. Ao ler o panfleto, pudemos reunir os seguintes pontos que levam aos ideais e à filosofia do Vaishnavas.

O Teosofista acredita em uma Consciência Personalizada ou uma Vontade Direta por trás da operação da atividade universal. Esta conclusão é bastante lógica, como podemos ver em todos os campos de nossas atividades. Podemos observar que nada no mundo é possível de ser realizado sem uma Vontade Direta. A matéria não tem poder de movimentação sem um toque de Livre Vontade direcionadora e como tal é bastante natural pensar que toda a natureza material, por maior e consumadora que seja, é dirigida por trás, por uma grande Vontade que é denominada de forma diferente por diferentes especuladores.

Mas os Vaishnavas ou os devotos da Personalidade Absoluta da Divindade, não só acreditam em uma Consciência Personalizada no processo de direção das atividades universais, mas também aceitam Sri Krishna como a Pessoa Absoluta que é a raiz de todas as causas e de todos os efeitos.

Neste contexto, se nos referirmos a literaturas autênticas como Bhagavad Gita, Brahma-samhita etc., elas podem nos ajudar a nos aproximar mais da Consciência Personalizada da Personalidade Absoluta da Divindade. A primeira estrofe do Quinto Capítulo em Brahma-samhita, afirma muito enfaticamente que o Senhor Sri Krishna, que é conhecido como Govinda, é a Suprema Divindade. Ele tem um corpo espiritual eterno e bem-aventurado. Ele é a Origem de todos e Ele não tem outra origem, pois Ele é a Causa Principal de todas as causas.

Sua Divina Graça Sri Srimad Bhakti Siddhanta Saraswati Goswami Prabhupada explica esta estrofe da seguinte forma:

“Krishna é a entidade Suprema exaltada tendo Seu nome eterno, forma eterna, atribuição eterna e passatempos eternos. O próprio nome Krishna implica sua designação amorosa, expressando por sua eterna nomenclatura o Acme de entidade. Seu eterno e belo corpo azul-celeste brilhando com intensidade de conhecimento sempre existente, tem uma flauta em ambas as mãos. Como sua inconcebível energia espiritual está se estendendo, ele ainda mantém seu tamanho médium todo encantador por seus instrumentos espirituais qualificados. Sua suprema subjetividade é bem manifestada em sua forma eterna. A presença concentrada de todos os tempos, o conhecimento descoberto e a felicidade inebriante têm nEle sua beleza. A porção mundana manifestativa de Seu próprio Eu é conhecida como Paramatma, Iswara (Senhor Superior) ou Vishnu (Tudo-animador). Por isso é evidente que Krishna é a Única Divindade Suprema. Seu incomparável ou único corpo espiritual de encanto superexcelente é eternamente revelado com inúmeros instrumentos espirituais (sentidos) e atributos incontáveis mantendo sua localização significante adequadamente, ajustando-se ao mesmo tempo por seus inconcebíveis poderes conciliadores. Esta bela figura espiritual é idêntica a Krishna e a Entidade Espiritual de Krishna é idêntica a Sua própria figura”.

“A própria entidade combinada de intensidade de presença eterna de cognição feliz é o charmoso Ícone de mira ou transcendental. Segue-se que a concepção da magnitude indistinguível sem forma (Brahman), que é um indolente, laxista, pressentimento de bem-aventurança cognitiva, é meramente uma penumbra de intensidade de brilho misturado dos três concomitantes, ou seja, o bem-aventurado, o substantivo e o cognitivo. Este Ícone de manifestação transcendental de Krishna em sua face original é o fundo primordial da magnitude infinita Brahman e de toda a Superalma universal de Krishna como verdadeiramente visionada em seus variados passatempos, tais como Proprietário de vacas transcendentais, Chefe de vaqueiros, Consorte de criadas de leite, Governante da Morada terrestre Goloka e Objeto de adoração por residentes transcendentais das belezas de Goloka, é Govinda. Ele é a causa raiz de todas as causas que são os agentes predominantes e predominantes do Universo.

O olhar de Sua porção fracionária projetada na água Sagrada Originária, ou seja, a Alma Excedente Pessoal ou Paramatma, dá origem a uma potência-natureza secundária que cria o universo mundano. Esta energia intermediária da Superalma traz as almas individuais analogamente aos raios emanados do Sol”. O olhar de Sua porção fracionária projetada, como mencionado acima, é confirmado no 10º sloka do nono capítulo de Bhagavad Gita. A Personalidade da Divindade diz: “A Natureza Material (Prakriti) sob minha vigilância, dá à luz tudo que se move ou se fixa (animado ou inanimado) e por este processo, ó filho de Kunti, o universo evolui”.

Este olhar, superintendência ou vigilância, como podemos preferir chamar pela Suprema Personalidade da Divindade, é como a superintendência de um chefe executivo de um governo que faz tudo como vontade direta, mas ainda assim não o vê em todas as esferas das atividades governamentais. Sem ele, nada pode ser feito a não ser à face da atividade que ele parece estar ausente, pois o desempenho é completado por outro agente. Tal é a relação da Natureza Material com a Personalidade Absoluta da Divindade.

A Natureza Material é chamada de ‘Mãe Brahman’, ou seja, Ela está impregnada com as sementes da criação pela Personalidade Absoluta da Divindade, conforme confirmado no Bhagavad Gita no 14º capítulo.

Sri Krishna diz ali “Que a Natureza Material que também é chamada ‘Mahat Brahma’ é meu ventre; aí eu coloco as sementes ou germes da criação de onde vem o nascimento de todas as entidades, ó filho de Bharata”.

Sob a Consciência Personalizada em que o Teosofista acredita, é natural concluir que existe um grande plano para o universo criado.

Os Vaishnavas aceitam este plano de uma maneira muito simples. Sendo a Personalidade Suprema da Divindade o Desfrutador Absoluto e Criador de tudo o que é, o plano é feito de tal forma que tudo na criação é destinado à gratificação do sentido do Ser Supremo. Qualquer um que crie perturbação neste grande Plano do Ser Supremo é considerado pelo Vaishnava como Aparadhi ou Ofensor e aí ele conclui muito naturalmente que quando uma entidade ou alma Jiva se esquece de si mesmo como o eterno servidor do Ser Supremo para o ajuste do Grande Plano e se considera um desfrutador, ele é imediatamente apanhado pela potência externa do Ser Supremo que é chamado de Maya, e começa sua existência na natureza material esquecendo-se de sua verdadeira natureza de Espírito. Ele arrasta uma vida condicional sob os modos da Natureza, depois disso.

Este Grande Plano é explicado no Bhagavad Gita em dois slokas finais, ou seja, o 65o e o 66o slokas do 18o Capítulo que concluem os ensinamentos de Bhagavad Gita. A Personalidade da Divindade Sri Krishna diz ali que cada um deve oferecer-se a si mesmo como o eterno servo transcendental ou devoto de Sri Krishna com coração e alma. Ele não deveria ser como o “Karmayogi”, “Jnanyogi” ou “Dhyanyogi”, mas deveria ser “Bhaktayogi” puro e simples e, em cada esfera de sua atividade, ele deveria servir apenas ao propósito da Personalidade Suprema da Divindade, de acordo com Seu Grande Plano, sob a orientação Dele ou de Seu representante de boa-fé. Isto o levará gradualmente à posição de servidão eterna da Pessoa Eterna e este conselho foi dado a Sri Arjuna porque ele era o peito e o amigo mais querido de Sri Krishna.

Dentro deste plano de ação, Arjuna também foi aconselhado a desistir de todos os outros compromissos e simplesmente a seguir a Personalidade da Divindade. No início das lições de Gita, a Personalidade da Divindade explicou a Arjuna tantos compromissos diferentes como os deveres de um renunciante, de um Sanyasin, de um Yogi, ou um Jnani, de um Karmi, etc., e agora ele ordena diretamente a Arjuna que desista de todos esses compromissos e siga diretamente os desejos da Personalidade da Divindade. Dessa forma, ele garantiu a Arjuna que o protegeria de todos os vícios que pudessem acumular por não ter tentado cumprir todos os outros deveres e por isso teve que lamentar por nada. Pelos atos de serviço amoroso transcendental à Personalidade da Divindade, a pura natureza espiritual de cada um e tudo se torna manifesta. Os desempenhos de todos os chamados deveres neste mundo mundano, tais como o desempenho de deveres religiosos, deveres mundanos, deveres purificadores para um estado de vida superior, aquisição de conhecimento, meditação para controlar os sentidos e a mente, etc., são realizadas para se elevar da vida condicional da existência corporal e mental e para alcançar a existência espiritual de forma simples e simples; mas quando se transcende todo esse estado condicional de vida e se eleva alto pela atração espiritual da forma eterna e bem-aventurada de Sri Krishna, ele não tem nada a fazer e nada a realizar.

Todas as atividades da existência material são direcionadas a algum tipo de ideal ou plano. “O universo nunca é em momento algum o resultado de um mero ‘concurso fortuito de átomos’, mas, por outro lado, o resultado das operações da Direção da Vontade”. A partir disto, segue-se a conclusão lógica de que o Testamento opera de acordo com um plano: Em resumo, um crente da Teosofia aceita como fato que, “em e através de todas as coisas, uma Vontade Direta está em ação, com um plano de Ação de momento em momento em direção a um fim predominante”. Essa é a versão do Teosofista de uma maneira diferente como funciona o Vaishnavita. O fim predominado é servir ao propósito do Absoluto Predominador.

Em outras palavras, todas as nossas atividades são dirigidas ou ao fim de algum propósito corporal, ou algum propósito mental ou algum propósito espiritual. As atividades até o fim de algumas finalidades corporais e mentais não têm praticamente nenhum valor permanente, tendo em vista que o próprio fim é transitório e temporário e, portanto, são classificadas sob duas cabeças: boas ou más. Mas as atividades para o fim espiritual são chamadas transcendentais para todos os bons e todos os maus propósitos e como tais atividades podem ser divididas em três departamentos para a existência permanente e eterna. Esses três departamentos podem ser denominados apego à existência espiritual impessoal em oposição à existência material variegada, apego à Divindade Tudo-Perigosa ou ao aspecto localizado de Paramatma, a Superalma, ou apego à Personalidade Predominadora da Divindade em sua forma todo-brilhante, eterna e todo-atrativa. Se analisarmos todas as nossas atividades neste mundo, elas podem ser agrupadas sob qualquer um dos diferentes títulos acima, ou seja, mundano ou transcendental, temporário ou permanente e todas essas atividades atingem algum tipo de atmosfera de acordo com o plano ou ideal do executante. Eles são nomeados de forma diferente sob diferentes cabeçalhos e diferentes planos, mas tais atividades que são orientadas para a gratificação do sentido transcendental do Predominador, Personalidade da Cabeça de Deus Sri Krishna, são denominadas como devoção sem vínculo. Tais atividades são atividades devocionais e nunca devem ser mal concebidas como atividades comuns sob os títulos de plano de ação corporal ou mental. Estas atividades ou as atividades devocionais são atividades reais no final do Grande Plano e nunca devem perturbar o ajuste do Grande Plano, enquanto todas as outras atividades podem ser boas ou ruins, são simplesmente perturbadoras para o Grande Plano do Predominador e devem, portanto, ser abandonadas por alguém que deseje trabalhar de acordo com o Plano.

No nono capítulo (24º Sloka) a Personalidade da Divindade declara enfaticamente que “Eu sou o Desfrutador e Senhor também de todos os sacrifícios, mas os homens não Me conhecem na verdade e por isso sofrem”.

Sempre que qualquer atividade que não satisfaça os sentidos transcendentais da Personalidade da Divindade ou que não ajuste o Grande Plano de Ação é chamada de pecado. Quando Sri Krishna quis que Moharaj Judhisthir contasse uma mentira direta a Dronacharya, Moharaj Judhisthir primeiro se recusou a contar tal mentira e depois contou a verdade de uma forma que aparentemente parecia aos homens comuns ser inverdade de uma forma redonda. Mas o próprio Moharaj Judhisthir disse a verdade na medida do possível. Mas o resultado posterior foi que Judhisthir teve que visitar o inferno pela razão de que ele se recusou a contar uma mentira de acordo com o Plano de Sri Krishna. Os homens comuns entenderam que Judhisthir foi obrigado a visitar o inferno porque ele disse mentira de uma forma rotunda, mas os savants puderam entender que ele teve que visitar o inferno pela razão de que ele se recusou a dizer mentiras de acordo com a ordem de Sri Krishna. A importância da história é que contar mentiras ou dizer a verdade não importa se ela pode se reconciliar com o Fim Predominado. Na vida comum também podemos julgar um meio pelo resultado de seu fim. O fim justifica os meios. Se o fim é satisfazer o Grande Plano do Predominador Personalidade Absoluta da Divindade, não importa se os meios estão certos ou errados de acordo com o julgamento deficiente dos juízes imperfeitos. A Personalidade Absoluta da Divindade sendo o Desfrutador Supremo Ele deve ser satisfeito por todos os meios que é o Grande Plano de acordo com a filosofia dos Vaishnavitas.

O Teosofista empírico dá a este Grande Plano da Pessoa Absoluta nomes diferentes como “o Plano de Deus, que é Evolução”, o “Mundo Arquetípico”, um “Poder, não nós mesmos”, que faz justiça” e o Teosofista argumentará “que em e através de todas as coisas, de um elétron a uma estrela, de uma ameba a um anjo, há um padrão” e quem descobriu este padrão é chamado de Teosofista.

O Vaishnavita acredita no “Plano de Deus, que é Evolução”, mas não do modo como o Teosofista aceita. O Teosofista acredita que “todas as coisas estão se movendo para um fim ordenado, assim como uma raiz de lótus enterrada na lama, no processo de seu crescimento ordenado, produzirá inevitavelmente a bela flor”. Mas o Vaishnavita lhe aplicará mais razão do que qualquer outro filósofo, e ele dirá que o processo de crescimento ordenado também é condicional. A semente ou raiz de um lótus pode estar enterrada na lama, mas ainda assim o crescimento será verificado se não houver ajuda adequada da Natureza ou do Prakriti. A condição é oferecida pela natureza que faz com que a flor cresça ou morra no botão. A evolução não é constante de um estágio para outro, mas o mesmo depende também dos modos da Natureza Material e de acordo com os modos de trabalho de cada um. Portanto, não se deve concluir que uma vez que uma alma ou espírito Jiva é encarnado em forma humana, ele não é mais transformado em tigre ou anjo, mas de acordo com os Vaishnavitas a Evolução é tão flexível que um Anjo pode se tornar um tigre ou um tigre pode se tornar um Anjo a qualquer momento de acordo com as obras do livre arbítrio ajudado pelos modos da Natureza.

Cada alma individual que faz parte da Superalma tem independência subordinada à independência Absoluta do Predominador e esta independência nunca é prejudicada pela independência Predominadora da Pessoa Absoluta. Ele está cheio em Si mesmo e sua independência nunca é condicional à independência da alma Jiva. De acordo com o Plano Arquetípico, o Vaishnavita acredita que o Homem é feito de acordo com o próprio Modelo de Deus e, portanto, o Homem é considerado o ser mais elevado no processo de Evolução e é realmente assim, como podemos julgar pelas circunstâncias favoráveis.

A altura do homem, sua beleza em relação à cor e forma, sua inteligência e força, seu poder de resistência e acima de tudo seu desenvolvimento psíquico indicam claramente que ele é o mais alto de todos os seres criados. E para isso o Vaishnavita afirma que a encarnação de uma alma Jiva como ser humano é a forma de vida mais cobiçada e rara que é útil para a salvação espiritual dos encarnados e, portanto, o Vaishnavita conclui que esta forma de vida humana é muito mais importante do que a vida de um anjo e o que falar de outros em animais inferiores.

Mas infelizmente muito poucos homens percebem esta importância da vida humana e a maioria deles prefere aproveitar a vida ao máximo em suas melhores capacidades nas condições oferecidas pela natureza Material. Quando um homem percebe que sua forma humana de vida lhe foi concedida após crostas e crostas de nascimentos e mortes através de muitas espécies de encarnação pelo processo de Evolução e reconhece “um Poder, não nós mesmos, que faz justiça” e como tal distingue o mesmo com outro poder que faz justiça indiretamente, então ele tenta elevar-se à incondicional vida e atividade completamente livre no reino da Divindade e para este propósito ele engaja sua vida, dinheiro, inteligência e palavras para alcançar a mais alta forma de existência espiritual.

No processo de Autorrealização acima, o Vaishnavita como o Teosofista não só percebe que ele é também, em alguma medida, o Bom, o Verdadeiro e o Belo, mas também se lembra constantemente que quantitativamente sua bondade, veracidade e beleza nunca são comparáveis com as do Predominador. Como dizem os filósofos egípcios, “O Princípio que dá vida habita em nós, e sem nós, é imortal e eternamente benéfico, não é ouvido ou visto, ou cheirado, mas é percebido pelo homem que deseja a percepção”; assim, o Vaishnavita também percebe o mesmo Princípio tanto qualitativa quanto quantitativamente. Qualitativamente ele não faz diferença com o grande Predominador, mas quantitativamente ele sempre mantém uma diferença entre o Predominador e o Predominado.

Assim, o Vaishnavita não só reconhece “um Poder que não é nós mesmos, que faz justiça”, mas também reconhece o mesmo de forma indireta e dá a estes diferentes nomes, tais como Jogamaya e Mohamaya e as Jiva-almas que estão sob o controle de qualquer um dos Poderes ou Energias acima, são chamados de Poder Marginal. E acima de todos estes três Poderes, coloca o Poder ou o Predominador como a Personalidade Absoluta da Divindade. A Filosofia de Kshetra e Kshetrajna como discutida no Bhagavad Gita é baseada nestes três poderes e acima deles a Personalidade Todo-Poderosa da Cabeça-de-Deus Sri Krishna. Nosso ensaio sobre a Divindade e Suas potencialidades publicado neste folheto tenta explicar este assunto de forma mais elaborada. A conclusão pode ser tirada assim: a Divindade é o Todo e o Todo Poderoso e os Poderes podem ser grosseiramente divididos em três títulos que são como acima. O Vaishnavita, como o Teosofista, se acredita como uma unidade no mesmo Todo, sob o subtítulo Poder Marginal.

O deleite do Teosofista no sentimento de fraternidade de todas as entidades vivas é o plano mais alto do Vaishnavita chamado de palco de Mohabhagabat; mas o processo de realização dessa forma mais alta de fraternidade universal pelo Vaishnavita é diferente daquele do Teosofista.

O ideal de fraternidade universal do Teosofista é sem uma relação Central, enquanto que a fraternidade universal do Vaishnavita se baseia em uma relação Central. O Teosofista coloca seu ideal de fraternidade universal da seguinte forma:

“Mas ser irmão de tudo o que vive significa para o Teosofista uma responsabilidade para com tudo o que vive”. Como o Teosofista é um ser humano, sua responsabilidade é para com todos os outros seres como ele”. O conceito de uma Fraternidade Universal de toda a Humanidade passa de um mero ideal intelectual a uma Realidade sempre presente, sempre impulsionadora.

“É a partir desta realização de uma interligação de toda a humanidade, e de uma maneira muito precisa a interligação do homem e do homem dentro de qualquer comunidade, seja pequena como uma aldeia, ou grande como uma nação, que a realidade subjacente à palavra ‘cidadão’ deriva suas implicações de responsabilidade, dever e sacrifício. O Teosofista sabe, por seu conhecimento do padrão, que os homens não se uniram para formar comunidades por causa da ganância ou com o propósito de autoproteção; mas que se uniram principalmente porque devem ser mutuamente úteis, cada um para dar o que pode aos outros, e receber deles o que precisa e ajudar a liberar em todos os outros a Bondade, o Amor e a Beleza que se escondem no coração de cada homem, mulher e criança.

“É para este objetivo que o Grande Plano tem fomentado a civilização de selvagem para civilizado; portanto a palavra civilizado conotava os deveres da Cidadania. Entre estes deveres estão uma defesa corajosa daqueles que são injustamente atacados, para proteger os fracos contra a exploração pelos fortes, e para liberar a Beleza oculta do Divino em todos os homens e coisas, ajudando no desenvolvimento das ciências e das artes, e por todas as formas que apelam ao Altíssimo no Homem e que ligam o homem ao homem e nação à nação”.

O Vaishnavita aceita todos os princípios acima no vínculo da fraternidade universal, mas ele pode ver que estes laços de irmandade são apenas superficiais e não podem suportar um relacionamento permanente. Grandes líderes de pensamento em quase todos os países do mundo tentaram este método de ligar o homem ao homem e nação à nação por algum tipo de método altruísta, mas o Vaishnavita difere deles que tal processo pode causar temporariamente algum tipo de fraternidade externa entre homem e homem, etc., mas falhará no final, a menos que não seja ajudado a reviver sua natureza inata tecnicamente chamada de “Swarupa” como distinguida de sua “Birupa” ou natureza externa. A valente defesa daqueles que são injustamente atacados ou protegem os fracos da exploração pelos fortes, são sem dúvida dignos de menção por ligarem o homem ao homem e nação a nação, mas a Vaishnavita quer tornar cada um e todos tão fortes que ele não precisaria de nenhuma proteção externa nem será explorado por… …ninguém mais. O Vaishnavita diz que uma entidade viva quando ele esquece sua verdadeira “Swarupa” como a eterna unidade de serviço transcendental subordinada, torna-se explorada e constantemente atacada pela “Birupa” ou natureza material. A exploração e o ataque que geralmente vemos externamente sobre nossos semelhantes não são mais que os ataques e a exploração da natureza material sombria que tenta colocar a alma condicionada no caminho da retidão num método indireto – assim como o professor castiga o aluno a fim de colocá-lo na retidão. A ajuda temporária para salvar um de tal ataque ou exploração, pode salvar um de tais ataques ou exploração por um agente visível da natureza material, mas isso não salvará o doente das mãos da natureza material que é chamada de Deus e insuperável no Bhagavad Gita. Quando um culpado é punido dentro das paredes de uma prisão pelo Superintendente da prisão, o grito infantil de outros prisioneiros ou o protesto deles pode dar algum alívio temporário ao prisioneiro destinado à punição, mas isso não pode lhe dar alívio real. A fraternidade dentro dos muros da prisão pelos próprios prisioneiros não melhorará certamente seu ideal de fraternidade universal sob as rédeas do carcereiro responsável.

Todo o ideal de fraternidade universal, paz e amizade certamente dará prazer permanente assim que os irmãos receberem alívio da exploração e dos ataques da Natureza Material, assim como os prisioneiros, quando forem libertados do controle do Superintendente da Cadeia para desfrutar da doçura da fraternidade concebida por eles. Dentro dos muros da fraternidade de uma prisão para alívio mútuo está a revolta contra as leis da Cadeia e como tal a fraternidade universal dentro das leis da Natureza Material não tem sentido.

O Vaishnavita, portanto, tenta tirar um primeiro da exploração e ataque das mãos da Natureza Material, colocando um sob a orientação do Yogamaya e depois só ele concebe para uma verdadeira fraternidade universal entre homem para homem e nação para nação.

O processo de obter alívio da exploração e do ataque das mãos da Natureza Material é entregar-se incondicionalmente aos cuidados da Personalidade Absoluta da Divindade e essa é a fórmula reconhecida no Bhagavad Gita. Quando alguém consegue “VOLTAR A DEUS” ele pode realmente formar uma unidade nos ideais da Fraternidade Universal e nenhuma outra.

Toda ação no mundo mundano é influenciada pelos modos da Natureza Material e como tal são ativados ou por bons ideais, paixão ou ignorância. As ações de primeira classe são realizadas sob os modos de bondade, mas mesmo tais ações são influenciadas pela natureza material como resultado da qual elas são não permanentes, imperfeitas e não propícias.

Assim, para se livrar das mãos exploradoras e atacantes da natureza material, é preciso transcender os modos da natureza material através do serviço constante da Personalidade da Divindade, pois esse é o processo de transcender os modos da natureza material. Quando cada um, portanto, está engajado no serviço da Personalidade da Divindade é então e somente em relação à Personalidade da Divindade, tudo se torna perfeito, permanente e transcendental. Este é o processo concluído em Bhagavad Gita.

A Personalidade da Divindade diz no 26º sloka do 14º capítulo:

“E aquele que Me adora por uma devoção exclusiva no serviço, tendo passado por todas as três modalidades, está em conformidade com a natureza de Brahman (o Absoluto)”.

Assim, de acordo com o Vaishnavita, somente aqueles que se engajarem no serviço devocional da Personalidade da Divindade por sua vida, dinheiro, inteligência e palavras podem ser elegíveis para ser um membro do vínculo da fraternidade universal. Ao servir ao todo, somente as unidades podem ser servidas.

Os ideais do Teosofista, tal como foi dito por H. P. Blavatsky, são os seguintes:

“Que a tua Alma empreste seus ouvidos a todo grito de dor, como se o lótus batesse seu coração para beber o filho da manhã”.

Não deixe o sol feroz secar sobre lágrimas de dor antes que você mesmo as tenha enxugado do olho do sofredor”.

Mas que cada lágrima humana ardente caia sobre seu coração e lá permaneça; nem nunca a escove até que a lágrima seja removida.

Estas lágrimas, ó misericordioso de coração, são os rios que irrigam os campos da caridade imortal”.

Estas palavras só podem ser dadas forma prática por aqueles que dedicaram sua vida por cento do serviço da Personalidade da Divindade e sem isso simplesmente permanecerão como ideais de ouro que nunca serão cumpridos no reino do homem. Os devotos só pensam pelos caídos e abatidos, tentam pegá-los da lama da existência material e são eles que apenas tentam para o benefício permanente dos que sofrem com a exploração e o ataque das mãos da Natureza Material Soturna representada pela figura da Deusa Kalika em modo destrutivo.

A “Caridade imortal” só pode ser realizada quando somos capazes de reavivar a lembrança do serviço eterno da Personalidade da Divindade. Como este serviço pode ser realizado é um assunto a ser delineado em outro capítulo, mas como o Teosofista diz que tornar-se um cidadão no reino de Deus implica responsabilidade, dever e sacrifício, a responsabilidade de um Vaishnavita é reavivar na consciência de todos e de cada um, a relação transcendental da Divindade. O dever é primeiro se engajar no serviço transcendental da Personalidade da Divindade e depois tentar engajar outros também no mesmo compromisso transcendental e, portanto, deve haver sacrifício de vida, dinheiro, inteligência e palavra para a propagação e o renascimento de tais atividades transcendentais. O Senhor Jesus Cristo sacrificou Sua vida por esta causa e todos que querem entrar no Reino de Deus devem estar prontos para sacrificar pelo menos parte de sua renda se não outras coisas, a fim de transformar este inferno no Reino de Deus. Deus é Grande e Ele se reserva o direito de não ser exposto ao mundano especulador e filósofo seco, mas Ele próprio aparece por Sua própria vontade e independência quando lhe são oferecidos serviços amorosos transcendentais em todos os aspectos. O Sol aparece pela manhã apenas por Sua própria vontade e sem estar preso ao esforço alheio do cientista. O cientista deixará de fazer aparecer o Sol à noite pela descoberta de todos os holofotes e instrumentos científicos.
Quando Ele aparece, a ignorância desaparece e a pessoa é capaz de vê-lo Todo Bom, Todo Sabido e Todo Bonito e também é capaz de ver a si mesmo, que ele também é Todo Bom, Todo Sabido e Todo Bonito qualitativamente. Quando ele se levanta, pode-se ver o sol nos raios do sol e não só o sol, mas também a si mesmo e todas as outras coisas por ele. Assim como com a aparência do Sol, a escuridão voa, assim com a aparência da divindade por seu nome transcendental, fama, forma, qualidades, etc., a ignorância, a pobreza e a miséria desaparecem; esse é o veredicto de todos os aforradores e escrituras.

O Teosofista tenta conhecer a Divindade e Seu Reino no Padrão em graus lentos no processo de esforço próprio e pelo processo indutivo de generalização, mas o processo de Vaishnavita é o oposto. Ele se aproxima de uma Autoridade Superior que conhece a Divindade e Seu Reino e tenta saber dele submissamente pelo processo de dedução em um modo de serviço e perguntas sinceras relevantes para conhecer a verdade. O trigésimo quarto sloka do quarto capítulo de Bhagavad Gita ordena isto com as seguintes palavras:

“Aprenda isto (conhecimento da Divindade e de Seu Reino, etc.) fazendo reverência (isto é, tornando-se discípulo) por contraquestões e por serviços. O Sábio (aquele que realizou a Divindade e Seu Reino) que viu a Verdade te ensinará (este conhecimento)”.

O processo do Vaishnavita é mais fácil e perfeito do que o processo dos filósofos empíricos que tentam conhecer Deus e Seu Reino por causa de seu pobre fundo de sentidos limitados e conhecimento imperfeito derivado da especulação sensual. No curso normal de nossa vida também nos aproximamos da pessoa certa para aprender um assunto perfeitamente. Não nos aproximamos de um engenheiro se quisermos aprender a ciência dos medicamentos. Da mesma forma, se quisermos conhecer Deus e Seu reino ou se quisermos ser servidores de Deus, devemos nos aproximar de um verdadeiro servo de Deus e não devemos nos aproximar de um servo de cachorro. A menos, portanto, que não nos aproximemos dos pés de alguém que seja transcendentalmente sábio e perfeito, é inútil falar de Deus e de Seu reino.

Nesse processo, o Vaishnavita percebeu Sri Krishna como a Personalidade Absoluta da Divindade e a Origem de todas as causas. Os Grandes Goswamins descobriram 64 qualidades transcendentais em sua plenitude em Sri Krishna que nunca devem ser descobertas em nenhuma outra pessoa ou deus e, portanto, O encontraram (Krishna) como Todo Bom, Todo Conhecedor e Todo Bonito.

O Teosofista percebe Sri Krishna em seu aspecto impessoal Brahman ou Vishnu que reside dentro como Paramatma e fora como a Virata e esta realização está em perfeita harmonia com a observação do Vaishnava. Mas o Vaishnava vai ainda mais fundo e O vê como a Personalidade da Divindade “Bhagwan”. O aspecto que permeia tudo da Personalidade da Divindade é realizado pelo Vaishnava simultaneamente com a realização de seu Aspecto Pessoal. O exemplo vívido para isto é Pralhad Moharaj. Quando Pralhad Moharaj estava sendo ameaçado por seu pai ateu Hiranyakashipu de ser morto instantaneamente, Ele (Pralhad Moharaj) permaneceu firme e corajosamente sem qualquer cuidado com as palavras ameaçadoras de seu pai. Hiranyakashipu perguntou: “Como é que você, menino tolo, ousa negligenciar minha raiva que ameaça todo o universo? Sob a influência de quem você é tão destemido que não se importa com as minhas palavras”?

Pralhad Moharaj respondeu a seu pai: “Oh rei, a força da qual eu dependo não é apenas minha força, mas é também a sua força e essa força é também a força de todos os homens fortes. Sob essa força tudo anima ou inanimado neste universo funciona como subordinado. Ele é o Todo-Poderoso, Ele é o Tempo, Ele é o Poder dos sentidos, Ele é a força da mente, Ele é a força do corpo e Ele é o espírito dos órgãos dos sentidos. Seu poder é ilimitado, Ele é o Maior de todos, Ele é o Senhor dos três modos da natureza e Ele, por sua própria força, cria, mantém ou destrói todo este universo. Você pode desistir deste caráter infiel, não nutra esta natureza de inimizade e amizade dentro do seu coração, mas seja igual a todos os seres. Não há outro inimigo maior do que a mente que está descontrolada e sempre se extraviando. Sentir para todas as entidades como uma só conosco é a forma mais elevada de religião. Nos tempos antigos, alguns homens tolos como você costumavam pensar como se tivessem conquistado todos os quatro cantos do universo, sem conquistar os seis sentidos dentro de si mesmos, que são objetos que matam a todos. Mas não há inimigo para aquele, que é igual a todas as entidades, santo autoconquistado. O inimigo é criado apenas por nossa ignorância”.

O pai ateísta ficou muito irritado com estas palavras de seu filho Pralhad Moharaj e começou a insultá-lo dizendo: “Seu tolo, você se atreve a me fama de mal e se chama de conquistador de todo inimigo e, portanto, você está orgulhoso de sua aquisição. Com isto posso entender claramente que você está fortemente desejoso de morrer, pois conheço aqueles que querem morrer, dizem todas estas palavras de lixo diante de mim. Você acredita que existe algum Deus mais poderoso do que eu? Onde Ele vive? Se Ele é todo-penetrante, por que Ele não vive dentro deste pilar diante de mim? Eu arrancarei sua cabeça de seu corpo que está tão orgulhoso e deixarei seu Deus vir aqui e salvá-lo”.

Pralhad Moharaj ainda permaneceu em silêncio, pois sabia que Deus é onipresente e que Ele certamente viverá dentro do pilar marcado por Hiranyakashipu. Hiranyakashipu quebrou o pilar e a Personalidade da Divindade saiu dele na forma de Narasingha apenas para matar o ateu Hiranyakashipu e outras pessoas demoníacas.

Assim, a realização do Vaishnavita da Divindade Absoluta é plena e perfeita em todos os seus diferentes aspectos, enquanto a realização do Empirista ou do Trabalhador Místico (Iogins) ou Fruitivo é apenas parcial e imperfeita, pois eles só podem perceber em um aspecto da Verdade Absoluta.

O Teosofista como uma unidade no Todo deseja moldar seu destino e, portanto, o destino do Todo. A alma individual quando ele se torna um Vaishnava ou seja, se identifica com o interesse do Visnu, o Senhor do Universo, é então apenas ele percebe sua verdadeira posição como unidade no Todo e assim ele descobre seu dever para com o Todo também. Ele percebe que faz parte do Todo e não é igual ao Todo. Ele é simultaneamente um com o Todo e diferente também. Ele percebe que Sri Krishna, a Personalidade Absoluta da Divindade, é Grande e Infinita enquanto ele mesmo, embora a parte e parcela desse Infinito, seja infinitesimal. Ele é o Fogo e as almas individuais são inumeráveis faíscas emanadas Dele. Como tal, qualitativamente, as almas individuais têm a mesma potência de fogo que o próprio Fogo. Sri Krishna, a Personalidade Absoluta da Divindade, é Todo-atraente, portanto, a alma individual, quando realmente se dá conta de sua própria posição e assim se torna atraída por Sri Krishna, é então capaz de atrair milhares e milhares de outras almas individuais para os pés de lótus de Sri Krishna. Em outras palavras, quando uma alma individual se realiza plenamente pela misericórdia de Sri Krishna, então só é possível para ele atrair outros para os Pés de Lótus da Personalidade Absoluta da Divindade. Nesta fase, somente a alma individual pode perceber que ele é um eterno servidor do Grande e do Infinito. A vida eterna é sua constituição e o amor transcendental da Divindade é seu negócio ou religião. Como tal, o Vaishnavita nesta fase molda seu destino por atividades que transcendentalmente aumentam seu Amor a Deus e da mesma forma ele tenta para os outros de modo que eles também possam reviver sua constituição latente de Amor e Serviço para a Pessoa Absoluta. Estas atividades são tão práticas quanto temos que fazer nossos trabalhos diários necessários e nunca devem ser simplesmente uma especulação intelectual com resultado de fadiga e desapontamento. Os trabalhos práticos são tão reais que gradualmente se colocam no oceano da bem-aventurança transcendental e todo o universo aparecerá a tal amante de Deus, como todo bem-aventurado, eterno e cheio de luz. Isto é chamado de vida pura e eterna incondicional da alma individual em sua existência espiritual.

Como tal, o Vaishnavita pode distinguir a vida de uma alma individual em divisões: incondicional e condicional. Como mencionado acima, a alma individual permanece a mesma parte e parcela do Grande e do Infinito, tanto no estado incondicional quanto no condicional. Nunca deve ser mal entendido que no estado incondicional a alma individual se torna o Infinito do Infinito. E porque a alma individual é infinitesimal sempre e nunca o Infinito, ela está sujeita a se tornar condicional sob as leis da natureza material e se fosse infinita em qualquer estágio, ela nunca teria sido sujeita a uma vida condicional sob as leis da natureza. Essa é sua posição marginal.

[Este artigo também apareceu em duas partes em Back to Godhead Vol I Parte VIII e Vol I Parte IX publicado em 1952].

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PRABHUPADA, Srila. Theosophy Ends in Vaishnavism. In. Back To Godhead. January, 1944. Disponível em:
<https://back2godhead.com/theosophy-ends-in-vaishnavism/>. Acesso em 4 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-teosofia-termina-no-vaishnavismo/

A Sublimação do Duplo Etéreo Materializado

Shirlei Massapust

Duplo etéreo ou perispírito é um segundo corpo com aparência idêntica à melhor versão que o corpo físico do falecido possuiu ou poderia ter possuído em vida. Como dizem, “a consciência intrafísica ao sair do corpo humano, geralmente apresenta-se com a aparência mais remoçada, bonita e, às vezes, surpreendentemente luminosa”.[1] Enquanto o corpo físico é feito de carne, ossos, sangue, etc., o duplo etéreo é feito de ectoplasma, assim como os demais objetos materializados por médiuns.

No século XIX, quando o espiritismo ganhou impulso nos Estados Unidos e na Europa, era comum se dizer que o ectoplasma é fotossensível. As pessoas realmente viam o perispírito dos mortos e o duplo dos vivos, sobretudo porque muitas vezes a coisa real era um boneco habilmente suspenso na escuridão. Porém nunca faltou gente de boa fé atestando que nem tudo na cena espírita era mera sugestão psicológica ou espetáculo de fraudes grosseiras. Havia sim um bom bocado de eventos miraculosos.

William Jackson Crawford (1881-1920) foi professor de Engenharia Mecânica da Universidade Queen’s de Belfast, na Irlanda. Ele foi um dos pesquisadores renomados que dedicaram tempo à investigação de fenômenos mediúnicos. W. J. Crawford observou e descreveu a materialização de “alavancas psíquicas” no Círculo Goligher.

Segundo Crawford, as extensões saíam do corpo do médium como se fossem braços mecânicos e movimentavam objetos. A intensidade da atividade sobrenatural era inversamente proporcional à claridade do ambiente:

O efeito da luz sobre os fenômenos é tão conhecido, que não comentarei o assunto. Quanto menos luz houver, mais intensidade terá o fenômeno. Cheguei à conclusão de que ela afeta a rigidez das hastes. (…) Não creio que a luz atue sobre as fibras da estrutura tanto quanto sobre a matéria intercalar que serve para enrijecê-la. Essa substância fria e viscosa talvez seja um composto químico complexo (…) do qual a luz dissocia as moléculas. Temos razões de sobra para assim crer, visto que a experiência nos demonstra que a luz, cuja extensão de onda é grande, isto é, a luz vermelha, é a menos nociva. Nas sessões, é naturalmente necessário levar em consideração o reflexo, a refração e a absorção da luz empregada[2].

Katie King, um dos espíritos mais famosos da literatura mediúnica, manifestou-se pela primeira vez em 22/05/1872 através da médium Srta. Cook. No início só conseguia assumir formas vagas; mas, com o tempo, Katie aprendeu a moldar um corpo. As forças de Katie King aumentaram gradualmente enquanto a Sra. Cook, que antes permanecia quase sempre acordada, mostrava-se cada vez mais fraca. Por fim, o espírito não mais apareceu sem que a médium entrasse em estado de transe.

De acordo com o registro da Sra. Florence Marryat, numa das sessões que ela testemunhou ocorrera o seguinte:

Perguntaram um dia a Katie King porque não podia mostrar-se sob uma luz mais forte. (Ela só permitia aceso um bico de gás e esse mesmo com a chama muito baixa). A pergunta pareceu aborrecê-la enormemente. Respondeu assim: “Já vos tenho declarado muitas vezes que não me é possível suportar a claridade de uma luz intensa. Não sei porque me é impossível; entretanto, se duvidais de minhas palavras, acendei todas as luzes e vereis o que acontecerá. Previno-vos, porém, de que, se me submeterem a essa prova, não mais poderei reaparecer diante de vós. Escolhei”. As pessoas presentes se consultaram entre si e decidiram tentar a experiência, a fim de verem o que sucederia. Queríamos tirar definitivamente a limpo a questão de saber se uma iluminação mais forte embaraçaria o fenômeno de materialização. Katie teve aviso de nossa decisão e consentiu na experiência. Soubemos mais tarde que lhe havíamos causado grande sofrimento.

O espírito Katie se colocou de pé junto à parede e abriu os braços em cruz, aguardando a sua dissolução. Acenderam-se os três bicos de gás. (A sala media cerca de dezesseis pés quadrados). Foi extraordinário o efeito produzido sobre Katie King, que apenas por um instante resistiu à claridade. Vimo-la em seguida fundir-se como uma boneca de cera junto de ardentes chamas. Primeiro, apagaram-se os traços fisionômicos, que não mais se distinguiam. Os olhos enterraram-se nas órbitas, o nariz desapareceu, a testa como que entrou pela cabeça. Depois, todos os membros cederam e o corpo inteiro se achatou qual um edifício que se desmorona. Nada mais restava do que a cabeça sobre o tapete e, por fim, um pouco de pano branco que também desapareceu, como se houvessem puxado subitamente. Conservamo-nos alguns momentos com os olhos fitos no lugar onde Katie deixara de ser vista. Terminou assim aquela memorável sessão[3].

Registros de época informam que o médium perde massa corporal à medida que o ectoplasma se forma e, às vezes, pequenas perdas são permanentes. Por exemplo, certa vez Crawford pediu aos “operadores” que extraíssem tanta matéria quanto lhes fosse possível do corpo de um médium imobilizado sobre uma balança, ao que o aparelho registrou a perda temporária de “um pouco mais de 24 quilos, durante uma dezena de segundos”[4].

Em 11 de dezembro de 1893, na Finlândia, a médium D’Espérance começou a se desmaterializar diante das testemunhas após uma sucessão de outros eventos, dentro de seu gabinete amplamente iluminado. Alguém do círculo propôs que terminassem o ato, visto que já se esgotavam as forças da médium, mas ao despertar do transe a mulher colocou as mãos nos joelhos e percebeu que a cadeira estava vazia.

Ela afirmou ter a sensação de que tudo em seu corpo impalpável e invisível permanecia no mesmo lugar, mas estava parcialmente desmaterializada; então pediu para continuarem a sessão até que os fantasmas lhe devolvessem as pernas![5]

Numerosos críticos crédulos na autenticidade das materializações professaram que todos os espíritos invocados agiam como vampiros que subtraíam sua essência vital do corpo do médium. Quanto a isto os espíritas objetavam alegando que se um espírito toma emprestada a matéria com o consentimento do médium, a conversão da carne ou sangue em ectoplasma não é um ato de vampirismo.

A propósito, até no Brasil do século XX o saudoso mineiro Waldo Vieira (1932-2015) reportou a queixa de certos alunos mal agradecidos, estudantes de um curso gratuito de projeção do corpo astral, que lhe acusaram de ser um “vampiro” e “suposto adversário ferrenho” cujo espírito consciente e desdobrado assedia os pupilos durante as tentativas de desdobramento astral.[6]

Bram Stoker estava ciente do debate em torno de fenômenos espíritas e extraiu dali ideias originais para que seus personagens literários pudessem se transformar em névoa e atravessar espaços estreitos. O psicanalista Aluísio Pereira de Menezes, atual professor nas Faculdades Integradas Hélio Alonso, escreveu a respeito em sua tese de doutorado De Sexo Jeito de Todos os Vampiros: Arte e Transmissão (UFRJ, 1991).

Tais passagens, que tratam da aproximação do vampiro, apresentam os elementos de uma ação hipnótica sobre a vítima. Silencio e barulho, imobilidade e movimento – termos contrários que vão se revolvendo, paralisando a subjetividade em relação aos seus modos correntes, “colocando-a num estado magnético, de quase câimbra, que não é acordado nem sonhado”[7]. Uma orgia onírica exaure a vítima; são os sonhos os restos de toda uma atividade, os produtos da atividade fantástica.

A névoa ficava cada vez mais densa, e eu sabia agora como ela tinha entrado, pois podia vê-la feito uma fumaça – ou feito um vapor de água fervendo – penetrando, não pela janela, mas pelas frestas da porta. Ela ficava mais e mais densa, até que tivesse como que se concentrado, no meio do quarto, em uma espécie de coluna de fumaça, através de cuja parte mais alta eu podia ver a luz do gás brilhando como um olho vermelho. As coisas começaram a rodar em meu cérebro ao mesmo tempo em que a coluna nebulosa rodopiava pelo quarto, como que formando as palavras bíblicas “uma coluna de fumaça de dia, de fogo à noite”[8].

Rodopio, turbilhão, redemoinho, são estas as palavras que traduzem whirl. O ponto máximo desse empuxo no que ele é suportável esbarra com um limite, o sujeito desmaia, muda de estado (que certamente não é definitivo). O essencial é este ponto preciso no qual a coluna rodopia “no cérebro” da personagem da mesma forma como ela estaria rodopiando lá fora. A personagem, ou melhor, certa dimensão que não mais está ligada ao específico da vida volitiva, se vê às voltas com uma posição que a situa num ponto de comparar o torvelinho de ectoplasma à aparição bíblica de deus a Moises e, com isso, blasfemar de forma involuntária.

A imagem que temos nos arquivos da memória são as evoluções do impressionante movimento natural da neblina fria e espessa, fantasmagórica, que escorre em cascata, flui no assoalho, se espalha por baixo dos lençóis e escapa em filetes descidos por entre os dedos das pessoas que ousam erguê-la no ar.

Ainda hoje muita gente se impressiona com aquela neblina encorpada, quase espumosa, bastante diferente da emissão fétida das máquinas de fumaça usadas nos clubes e danceterias. No cinema e no teatro estas cenas perfeitas e quase mágicas são produzidas atirando-se de gelo seco em panelas de água fervendo.

A primeira vez em que um vampiro entrou em combustão espontânea quando exposto à luz solar foi no filme de expressionismo alemão Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens (1922). Na ficção de Bram Stoker o Conde Drácula se expõe à luz solar e nada lhe acontece. Aparentemente ele apenas prefere atuar à noite.

Acaso o fictício Conde Drácula não era como qualquer duplo etéreo sublimado ao sol na vida real? Por que H. P. Blavatsky não mencionou a questão de sublimação do duplo quando falou do desdobramento dos vampiros reais no capítulo XVIII de Isis Unveiled (1877)? Nós não podemos voltar no tempo para questionar, mas convenhamos a perda de uma chance de opinar a respeito foi muito significativa. O duplo do vampiro é, talvez, um perispírito doutro nível de condensação e estrutura.

Na primeira casa onde morei os fantasmas nem ligavam para o sol. Apareciam mais de dia do que de noite. Impressionavam as visitas. Eram muito VIPs. 😊

notas

[1] VIEIRA, Waldo. Projeciologia. (4ª edição). Rio de Janeiro, IIPC, p 679.

[2] CRAWFORD, W. J. Mecânica Psíquica. Trad. Haydée de Magalhães. São Paulo, Lake, 1963, 114.

[3] GIBIER, Paul e BOZZANO, Ernesto. Materializações de Espíritos. Trad. Francisco Klörs Werneck. Rio de Janeiro, Eco, p 23-24.

[4] CRAWFORD, W. J. Obra citada, p 138.

[5] AKSAKOF, Alexandre. Um Caso de Desmaterialização Parcial do Corpo dum Médium. Trad. João Lourenço de Souza. Rio de Janeiro, FEB, © 1900, p 47-49.

[6] VIEIRA, Waldo. Projeciologia. (4ª edição). Rio de Janeiro, IIPC, p 679.

[7] MENEZES, Aluisio Pereira de. De Sexo Jeito de Todos os Vampiros: Tese de doutorado em teoria literária. Rio de Janeiro, UFRJ, 1991, p 86.

[8] STOKER, Bram. Drácula. Em: MENEZES, Aluisio Pereira de. Op cit, p 88.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-sublimacao-do-duplo-etereo-materializado/

A Lua na Astrologia segundo Aleister Crowley

Por Aleister Crowley
Tradução e Nota: Frater Goya (Anderson Rosa)

Um dos epítetos favoritos da deusa Lua entre os romanos era Trivia, a de três formas, porque tinha três formas. É uma mulher, como mãe e como menina; esta dupla capacidade completa esse conceito de sexo feminino, do qual Vênus, que foi descrita mais acima, é apenas uma parte. Há, sem dúvida, um certo aspecto sinistro da vida de uma mulher e para compreende-lo devemos novamente retornar ao exame dos povos primitivos. Nas primeiras comunidades, uma mulher que já não pudesse ter filhos era uma mulher inútil, quaisquer que tivessem sido seus serviços à comunidade, estes eram esquecidos. Ela caía em desprezo e no ódio, o qual ela naturalmente devolvia, pondo em uso a sublimação das artes, que havia aprendido a tratar com os homens para molesta-los. Inclusive nos dias atuais, na Índia, o mesmo que em outras comunidades sobre as quais é desnecessário entrar em detalhes, as mulheres velhas são vistas com medo e aborrecimento. Supõe-se que passam o tempo inteiro causando algum dano. Entre as pessoas supersticiosas, adquiria portanto, e de maneira bastante óbvia, a reputação de ser uma bruxa. A Lua minguante foi, portanto, tomada como um símbolo de toda classe de diabruras. É Hécate, a Rainha das Estrígias*. Uma descrição moderna e bastante aproximada nos é dada em Macbeth.

O terceiro aspecto da Lua é aquele sugerido pelos ocorridos na natureza, seu rápido curso pelo céu e seu aspecto mutável lhe dá inconstância e instabilidade. Isso se relaciona com a variabilidade e a falta de atenção que observamos nas crianças. Deve-se, por conseguinte, considerar estes principais aspectos. Primeiro, representa a vida da mulher exatamente da mesma maneira que o Sol representa a vida do Homem. Segundo, representa a mulher em seu aspecto como mãe em oposição à esposa, e também representa o menino em seus primeiros anos, antes que a mente, que é Mercúrio, esteja totalmente desenvolvida, e a criaturinha não seja mais que um conjunto de desejos, estados de ânimo e emoções. Terceiro, representa na mulher em grande medida o que Saturno representa para o Homem, mas isso somente quando está aflita e na minguante. A consideração desses aspectos permitirão ao estudante compreender bastante bem o que os astrólogos querem dizer ao falar da influência de nosso satélite.

Há outros dois aspectos que devemos assinalar no Horóscopo aos quais nos referimos anteriormente. Hoje em dia, alguns astrólogos se descuidam, dizendo que a influência que lhes é atribuída por investigadores mais antigos das estrelas foram explicadas pelo descobrimento de Urano e Netuno, mas temos visto Horóscopos nos quais sua influência é extremamente notória, e cremos que não irá complicar de forma indevida o assunto, se dedicamos brevemente suas funções e natureza.

São os Nódulos Lunares, que são os pontos nos quais a Lua cruza a eclíptica. São chamados na astrologia de Caput Draconis e Cauda Draconis, a cabeça e a cauda do dragão. A influência da cabeça do dragão combina de maneira peculiar, repentina e violenta os efeitos de Sol e Júpiter, e é portanto favorável para iniciar qualquer operação importante. É especialmente proveitoso para o estudo das mais sublimes e mais puras classes de ciências ocultas, e presta grande força ao estudante de tais materiais. A cauda do dragão, que está na direção oposta à cabeça, possui a influência oposta. É utilizada para terminar um assunto, mas implica em perdas repentinas, da mesma forma que a cabeça indica ganhos súbitos. É pouco apreciada para o estudantes de tipos mais físicos e práticos do ocultismo.

Nem a cabeça nem a cauda do dragão formam aspectos com os planetas. Sua única importância é sua posição no Horóscopo.

* Estrígia – Ser mitológico que temos conhecimento a partir de Antonio de Torquemada, que nos descreve o mesmo como sendo uma “Ave noturna, que de noite produz grande barulho, e quando pode entrar onde estão os bebês, lhes retira o sangue do corpo, e o bebe“. Por causa disso, as bruxas também são chamadas Estrígias, pois fazem a mesma coisa, que é sugar o sangue de tudo que podem alcançar, principalmente crianças pequenas. Em Latim, Strix=Ave Noturna, de onde surge o termo para bruxa na língua Italiana, Strega. (Plural=Streghe, Masculino=Stregone)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-lua-na-astrologia-segundo-aleister-crowley/

A Corrupção Moderna da Magia

Eu me identifiquei muito com o autor do texto. Ao longo destes 30 anos estudando ocultismo, presenciei praticamente os mesmos problemas que o “Prophecy” (autor do texto original). Atualmente, graças à internet, tenho visto tomos e mais tomos de magias disponíveis em pdf, e gente que se acha mago e thelemitas de facebook só porque leram meia dúzia de livros, mas que se você for ver, não sabem nem ao menos fazer os rituais mais básicos do Pentagrama ou um banimento simples.

Magia é como kung fu ou natação: você pode ler todos os livros do mundo a respeito, mas não vai saber fazer a não ser que tenha a parte prática.

Esta será uma lição longa, portanto, ao trabalho. Não pule partes por causa de seu tamanho. Leia cada palavra, e tome notas diligentemente.

A predominante abordagem à magia, nos dias atuais, deve ser abolida. O processo iniciatório dos maçons do passado e a ideia do avanço espiritual através apenas do conhecimento devem ser deixados como relíquias do passado. Como a Jnana Yoga atesta, e como Francis Bacon declara, existe, certamente, poder no conhecimento. Porém, o melhor poder é aquele adquirido da prática e, consequentemente, da experiência. Um pouco de prática vale muitos livros. Esta deve ser a ideia predominante dos anos vindouros, se a humanidade quiser reviver a irmandade de magos no mundo e redistribuir a carga de trabalho espiritual que, no momento, cai quase inteiramente nos ombros de iogues.

A incompreensão da magia legítima criou uma ameaçadora carência de adeptos ocidentais iluminados. Esses adeptos mestres, reais Deuses-Homens do passado, estão raramente reencarnando. Parece, portanto, que, no geral, existem poucos grandes magos disponíveis. O número deles se tornou escasso; seu nível, baixo. Nos meus tempos de garoto, antes de minhas memórias retornarem, eu procurei aqui e ali alguma faísca de sabedoria, estudei muitos sistemas de magia e de xamanismo, e, no fim, me senti como Abraão, o Judeu, depois de seus anos de procura pela Ciência Divina, antes de ser abençoado por seu guru, Abramelin. Em lugar algum, eu pude encontrar alguém que merecesse o título de professor da ciência divina. Fraudes e charlatãos eram numerosos, e pessoas pensavam que eles eram magos só porque nunca conheceram um mago verdadeiro. Hoje, essas mesmas pragas ainda infectam bastante as buscas de jovens aspirantes ao redor do mundo.

Existe um número de razões para a escassez atual de sábios na tradição oculta ocidental. Eu me esforçarei aqui para compartilhar com vocês algumas das razões que as minhas experiências com aspirantes esperançosos, os ensinamentos de várias ordens e paradigmas, e meu tempo com as “vítimas” de vários movimentos new age, me levaram a classificar como causas para o problema. Eu baseei essas conclusões nas súplicas de aspirantes esperançosos buscando iniciação, e nos meus encontros pessoais com alguns dos ditos adeptos de vários grupos e ordens. Ao fazê-lo, eu compreendo totalmente que falar com alguns estudantes e alguns membros superiores nunca pode dar uma representação compreensiva. Porém, eu também compreendo que, não importa quão ideais as condições internas de uma ordem possam ou não ser, ela não deveria levar seus estudantes externos à procrastinação ou a um treinamento inadequado.

Eu identifiquei dez problemas principais na magia de hoje. O primeiro é que o treinamento proposto por certas ordens nos últimos 200 anos ou mais era incompleto, e por eles terem ditado a regra para as ordens de hoje, os problemas continuaram. O segundo é que os materiais originais e manuscritos para certos sistemas são atribuídos com mais valor do que o que eles realmente possuem. O terceiro é que a mente ocidental transformou a magia em algo feito para se realizar os desejos materiais. A quarta razão para o problema presente é que, na medida em que nossa cultura propaga a concessão à preguiça, a abordagem ocidental à magia se torna mais e mais preguiçosa. A quinta razão é a tendência peculiar da mente ocidental de se tornar altamente investida em sua própria personalidade. A sexta razão é a destruição da sucessão de mestre e discípulo, a causa que é a raiz para muitos outros problemas. A sétima razão, que é um verdadeiro veneno para a evolução, é o movimento presente, na magia ocidental, de se tentar remover a ideia essencial de Deus e o valor da moralidade da magia. A oitava razão é a popularidade crescente de charlatãos, e seu poder sobre as massas ignorantes. A nona razão é a tendência de magos legitimamente treinados permanecerem silenciosos, aceitarem poucos estudantes e escreverem pouco ou nada. A décima e última razão que discutiremos é a atenção dada, no Ocidente, ao desenvolvimento dos poderes mágicos em vez do desenvolvimento de estados elevados de consciência. Essas dez razões primárias bastarão para nossa consideração, embora mais razões pudessem ser listadas.

A Primeira Razão

Treinamento Inadequado em Ordens Modernas

Entre aproximadamente 1850 e 1920, o mundo ocultista presenciou a formação de várias ordens que se ergueram no mundo como realizações gloriosas. De seus ensinamentos, vieram muitos dos livros influentes que agora são considerados clássicos do ocultismo, e os quais agora muitos estudantes otimistas estudam. Infelizmente, essas ordens não eram tão ideais quanto tentavam parecer. A maioria delas usava como fonte manuscritos desatualizados, sobre os quais falaremos mais daqui a um momento, e o resto usava métodos que se baseavam inteiramente sobre estimulação intelectual ou emocional, e muito pouco sobre a consciência da alma.

Essas ordens iludidas criaram muitos iniciados igualmente ou até mais iludidos. Um número considerável deles publicou livros, muitos dos quais agora são considerados clássicos do oculto no mundo da literatura ocidental ocultista. Em alguns casos, esses livros tinham riqueza de informação teórica, mas a maioria deles não tinha quase um momento de percepção prática. O aspirante esperançoso é levado a folhear um livro de centenas de páginas, para perceber que ele não absorveu nada dele além de filosofia. Até mesmo os livros chamados de “teoria e prática” deveriam ser renomeados para “teoria e possível aplicação ritual”.

Isso pode parecer uma afirmação iconoclástica. Ela é, e com razão, porque a iconologia da magia está falhando gravemente. Portanto, o que não produz resultados deve ser jogado de lado. “E agora também o machado é enterrado nas raízes das árvores: desse modo, qualquer árvore que não traga bons frutos é cortada, e jogada no fogo. (Mateus 3:10)”. A série de ações à qual a magia ocidental foi levada não trouxe muitos frutos. Essas ações produziram pseudoiniciados que conseguem executar truques de salão, que eles, erradamente, chamam de magia. Enquanto magos de cadeira estiveram gastando seu tempo, exercitando suas mentes com teorias e filosofias, o trabalho prático que realmente cria um mago esteve apodrecendo. Quem pode culpá-los, quando cada livro que lêem diz que precisam saber essa ou essa outra palavra hebraica ou magia simbólica para serem efetivos? Tudo isso compõe as armadilhas postas para o teste de iniciados, testes nos quais essas “autoridades” não passaram.

Um indivíduo pode memorizar sigilos do sol, kameas planetários, selos e talismãs salomônicos, e compreender intelectualmente os muitos processos que compõem a Maquinaria Universal. Ainda assim, ele não será um mago nos olhos de iniciados verdadeiros. Eu conheci pessoas que poderiam ser chamadas de enciclopédias de filosofia oculta, e, ainda assim, não possuem rotina diária de prática estabelecida, e nenhuma faculdade mágica de qualquer tipo. Eles estão presos à ilusão de Maya do mesmo modo que os homens comuns também o estão. A única diferença é que eles sabem que existe uma ilusão, enquanto a maioria nem se apercebe disso. Pessoas assim gostam de falar muito, porque, ao se ouvirem, tentam apoiar sua abordagem à magia, psicologicamente, para si mesmos. Tais pessoas sempre terão uma opinião, sempre parecerão ter respostas prontas, e esse tipo de “aspirante em potencial” torna-se particularmente perigoso aos buscadores genuínos da verdade. Você não pode construir uma base confiável somente nas palavras! Ao mago treinado, aos irmãos e irmãs de minha Ordem (N.T.: Fraternidade Rosa-Cruz), e os verdadeiros mestres reinantes deste mundo, essas pessoas estão mais enganadas do que o mais cru dos iniciantes neste caminho. O grupo deles é o pior, e, infelizmente, não é sempre a culpa deles. Para essas pessoas, eu farei muito esforço para desligar suas mentes e abrir seus corações para receber instrução prática. É por isso que eu aconselho a todos não se tornarem ligados demais a livros. Eu já li todos esses livros, e extraí seus pontos importantes em artigos no fórum do Veritas para o benefício de todos.

Isso não significa que a informação teórica é ruim. Um conhecimento sólido da filosofia oculta é necessário para que o mago compreenda tudo que faz. Ele deveria se orgulhar de conhecer todas as operações em funcionamento quando ele manipula um tipo de energia, e, quando uma operação mágica se manifesta, ele deveria ser capaz de explicar perfeitamente os mecanismos envolvidos. De fato, ele deve ser um cientista. Contudo, mais e mais pessoas se contentam apenas com o conhecimento da filosofia e o “como fazer”, sem nunca colocarem nada na prática, e, normalmente, sem terem ideia de como fazê-lo. Em muitas ocasiões, estudantes vieram a mim e disseram, “Eu li todos os livros que as pessoas me recomendaram, mas não tenho idéia alguma de como começar o caminho.” Isso acontece porque a estimulação intelectual somente não faz de alguém um mago, e, lá no fundo, o estudante inteligente sabe isso. A mente procura por fórmulas e símbolos; a alma busca por prática e experiência.

Que utilidade há em se conhecer como as estrelas afetam as nossas atividades, e não ser capaz de meditar por nem dez minutos? Que utilidade há em se conhecer todas as filosofias sobre quem Deus é, sem nunca experimentar Deus diretamente? Essas pessoas nunca se tornam nada na verdade, mas sim só aparentam ser magos. Você não pode alcançar o Reino através de inquisição intelectual somente. Você precisa viajar até lá.

O ponto ao qual eu quero chegar aqui é que o estudo intenso da Tábua de Bembine de Ísis, ou do selo da Rosa-Cruz, ou do dodecaedro mágico, etc, é incorreto. Eu não estou sugerindo que, por exemplo, a investigação das fórmulas do Etz Chaim e dos Nomes Divinos é inútil. Eu não estou dizendo que uma pessoa não deveria compreender os usos mágicos do pentagrama e do hexagrama. Do contrário, eu sou um forte defensor de tudo isso. Porém, tudo deve ser aprendido no tempo certo! Um aspirante não tem razão alguma para estudar os pentagramas, hexagramas, etc. Ele não deveria passar seus dias praticando magia ritual. Sim, com o passar do tempo isso gerará resultados no termo de crescimento de poder, mas afetará muito pouco a consciência e a realização geral do mago, depois, em sua carreira mágica. Por, pelo menos, os dois ou três anos iniciais, dependendo da aptidão do estudante, o foco deveria ser colocado no treinamento da mente, do corpo material, e do corpo astral para a verdadeira execução da magia. Uma vez que o estudante se preparou dessa maneira, e criou uma excelente base em sua consciência, então ele pode continuar, a fim de compreender e apreciar totalmente o poder de tal conhecimento e do simbolismo oculto.

A razão pela qual esses autores, embora não intencionalmente, cobriram o mundo ocultista ocidental em filosofia, é a de que eles nunca receberam o treinamento correto que deveria dá-los a base da experiência espiritual autêntica. Eles serviam como enciclopédias que regurgitavam o que eles foram ensinados. Juntos, eles criaram uma imagem contraprodutiva de que a prática diária não era necessária para se tornar um adepto. Eles se referiam a pessoas que nem tinham conquistado suas emoções primitivas e desejos como adeptos! Desse modo, eles baixaram muito o nível para as gerações seguintes, que seriam forçadas a olhar os ensinamentos dessas pessoass se quisessem saber alguma coisa sobre magia. Agora que o nível está tão baixo, as pessoas em geral são incapazes de alcançar grandeza espiritual. Portanto, esse nível deve ser elevado novamente, certo?

O que exatamente essas ordens estão fazendo de errado? Seus dois problemas principais foram que eles tentaram ensinar aos iniciados a correr antes de mostrá-los como engatinhar e andar, e eles não incluíram o desenvolvimento do caráter como parte de seu treinamento. O aspirante egoísta, glutão, e de pavio curto, entraria na ordem como neófito, e sairia como um “adepto” ainda contendo essas falhas de caráter. Eles são todos capazes de pequenos feitos de magia, e pelo fato de o nível ser baixo, pensam que são adeptos.

Muitas vezes o aspirante começaria a trabalhar com ritual e forças espirituais muito antes de ter aprendido a como sensibilizar seu corpo astral ou desenvolver suas faculdades mágicas. Através de repetição contínua, alguma proficiência poderia ser alcançada, talvez algumas pancadas fantasmais durante uma evocação ou coisa do tipo, mas o resto de seu ser nunca era desenvolvido. O caminho para a evocação deveria ser um caminho longo e frutífero, que preparasse o estudante de modo que, pela primeira vez que ele execute um ritual, ele receba a total experiência, por causa de seu treinamento e as faculdades que ele já desenvolveu. Pessoas que entram na sala ritual para evocar sem tal treinamento estão apenas enganando a si mesmas. Elas irão, é claro, ser as primeiras a te contar que são magas bem-sucedidas, e que elas conversam regularmente com esse ou aquele espírito. Eles dirão que “sentiram” isso ou aquilo, ou receberam essa ou aquela “impressão”, e desse modo “sabiam” que um espírito estava presente. Deixe essas pessoas continuarem desse modo em suas práticas. Na verdade, o que você pode experimentar em uma evocação real não são “sensações” ou “impressões”, mas fenômenos muito reais!

Quantos aspirantes perdidos pensam que executar o Ritual Menor do Pentagrama cem vezes por dia os levará às alturas espirituais? Até mesmo o mago aspirante que medita somente 10 minutos por dia para controle e foco mental fará um progresso em um ano que o outro estudante fará em cinqüenta!

A Segunda Razão

Manuscritos originais Sobrestimados

Um número das ordens populares que surgiram no século 19 estilizou uma parte de suas práticas e rituais, baseando-se em coisas que não continham, na verdade, o valor atribuído a elas. Desses manuscritos, talvez aquele que foi mais usado (e abusado) foi o Livro Egípcio dos Mortos. Embora seja uma bela série de rituais e de invocações, os fundadores de uma pretensa ordem oculta não deveriam precisar de se basear em antigos pergaminhos empoeirados e da interpretação de seus hieróglifos para serem capazes de ensinar magia! Se a fonte deles para muitas de suas práticas e filosofias vem de tais coisas, então isso só serve para demonstrar que eles não tinham experiência prática real através da qual organizavam seus ensinamentos, e não eram treinados por adeptos verdadeiros que podiam iniciá-los numa linha de sucessão de mestre e discípulo. Simplesmente o fato de se ler algo que está disponível num Museu de História Egípcia nunca poderia ser o suficiente para permitir que alguém iniciasse uma ordem ocultista.

O Livro Egípcio dos Mortos não foi a única coisa atacada pela ignorância dos autoproclamados adeptos, no entanto. Sua hostilidade os levou também ao coração de Jerusalém, onde eles se uniram, com suas facas, para despejar terror sobre a Cabala. Usando dois ou três textos hebraicos pobremente traduzidos, eles presumiram ter diante deles informação cabalística suficiente para uma compreensão do sistema inteiro. Assim sendo, eles roubaram uma pequena parte desse sistema glorioso de misticismo e a levaram de volta a suas ordens, onde eles tentaram ao máximo fazer com que um fragmento se parecesse com algo completo.

A Cabala ocidental moderna, frequentemente chamada de Cabala Rosacruz (erradamente), se tornou apenas uma fina camada de manteiga espalhada em muito pão. Interpretações e mais interpretações bombardearam o sistema, e o tornaram inteiramente sujeito aos caprichos filosóficos de intelectuais e estudantes de simbolismo. Agora, reconhecidamente, a beleza da Cabala é a de que ela é um sistema universal, cuja ideia pode ser aplicada fora do esquema judaico. Porém, tudo deve ter seus limites razoáveis, e esses limites foram ultrapassados há muito tempo atrás pela maioria dos autores desse assunto. Se você quiser relacionar a esse esquema os deuses de outras religiões, os nomes divinos judaicos, plantas, animais, ações, planetas etc, tudo bem com isso, mas essas relações deveriam fazer ao menos sentido!

A mais infeliz destruição da Cabala não ocorreu em relação ao simbolismo empregado ou a seu papel como um método de categorização conveniente. Embora essas duas coisas tenham saído do controle, elas não são a jóia da Cabala. A jóia, o verdadeiro tesouro, é sua real aplicação prática na ciência da magia. Essa jóia tem sido quase inteiramente esquecida por ordens modernas e autores, que proclamam que a aplicação prática da Cabala reside somente em se conhecer quais nomes divinos ou cartas de tarô correspondem a quais sephiroth e a quais caminhos. Esse é um dos usos da Cabala, mas não é a verdadeira essência da Cabala prática posta em execução. Em sua raiz, anterior a todas as culturas, num nível muito mais profundo do que qualquer associação religiosa, a Cabala é uma bela síntese de forma, de som e de virtude. Isso pode ser dito de outra maneira, ao se afirmar que a Cabala combina, numa maneira prática, os três pilares primários de quantidade, vibração e qualidade. Isso se torna aplicado tangivelmente como luz, som e vibração. Quando isso é compreendido pelo iniciado, então, muitas portas são abertas a ele, e o uso prático da Cabala é entendido. Então, em vez de passar horas num devaneio espiritual, tentando fazer “pathworking” de uma esfera para outra, o adepto consegue absorver praticamente as autoridades e poderes daquela esfera e conquistá-los diretamente, de uma maneira mágica. Não apenas tal abordagem é muito mais eficiente, mas, por causa do maior número de habilidades conseguidas, artigos de sabedoria que se tornam compreensíveis, e por causa de mais trabalho meticuloso em todos os três reinos, é, dessa maneira, uma experiência mais significativa. Passar tempo se contemplando os símbolos de uma esfera pode ser uma prática útil, mas torná-la o curso principal é um erro. A consciência se expande mais quando todo o ser se torna imergido nas energias através de suas utilizações, não apenas através de sua contemplação.

A Cabala e sua aplicação apropriada devem ser, necessariamente, reservadas para um trabalho posterior em minha vida, mas é importante para o estudante sincero da magia de hoje compreender que uma das pedras angulares da magia ocidental moderna foi enormemente corrompida, e que ela não é tudo que as pessoas tentam fazê-la parecer. É meu conselho ao aspirante, se ele deseja aprender a Cabala, que espere até que um professor apropriado seja conseguido. Deixo que o estudante avançado contemple, nesse meio tempo, o significado da sabedoria de Poimandres a Hermes Trismegisto, quando ele disse, “A vida é união da palavra e mente.” O estudante que consegue entender isso, mais especialmente em conexão à formula Abracadabra, começará a pegar a essência da Cabala prática.

Portanto, acontece que os fundadores das ordens mágicas eram, simplesmente, intelectuais. No início, eles só eram mais avançados que o homem comum, em vista de sua compreensão superior de linguística e sua vontade de visitar frequentemente os museus. Por causa de sua habilidade de apenas traduzir, não por sua proeza mágica, tais homens eram tratados como adeptos. Embora houvesse alguns raros, como MacGregor Mathers, que eventualmente se tornou um adepto por um curto tempo, em essência, a maioria deles era simplesmente de intelectuais. Intelectuais podem treinar intelectuais, mas eles não têm nem uma ideia de como criar magos.

A Terceira Razão

A Corrupção da Magia para a Realização de Desejos Pessoais

Quando se folheia livros sobre espiritualidade, e até livros que, supostamente, ensinam a evolução espiritual, descobre-se que a maioria dos ensinamentos espirituais se adequou à satisfação de paixões e desejos mundanos. Ironia peculiar, porque o indivíduo iluminado compreende que essas duas coisas (evolução espiritual e desejos materiais) não podem vir juntos, porque um é contraprodutivo à consumação do outro. Eu não consigo deixar de rir alto ao ler títulos tais como “Tornando-se um Mestre Ascencionado: Como Materializar Todos os Seus Desejos”. Seria igual a intitular um livro de “Tornando-se Elevado: Como ser Inferior.”

A poluição da tecnologia espiritual foi uma inevitabilidade quando alguns relances das leis espirituais foram obtidos pelas massas indisciplinadas. O homem normal, abatido pela tristeza, procura um caminho fácil de sair dela, e erradamente acredita que ele encontrou a alegria dentro dos salões da espiritualidade. Realmente, nada poderia ser mais distante da verdade. Essas pessoas, desejando modos de alcançarem facilmente todos os seus desejos mundanos e terem sucesso, glória, honra, riquezas etc, se trancam ao pequeno número de leis espirituais que foi publicado, nas esperanças de usá-las para seus próprios fins egoísticos. Eles lêem um livro que discute alguns dos pequenos mistérios, e então corrompem essas chaves para fins egoísticos. Se eles tiverem algum sucesso, eles ficam cheios de excitação e, ansiosamente, escrevem livros ou criam websites que pregam os bons ensinamentos do egoísmo. Desse modo, em apenas poucas décadas, a vasta maioria de livros “ocultistas” se tornou livros que prometem ao homem fraco e egoísta um caminho fácil, ao se usar leis ocultas básicas para abastecerem seu animalismo. As pérolas foram jogadas aos porcos, e, tão certo quanto o sol deva nascer e se pôr novamente, também os porcos pisaram sobre essas pérolas, aprofundando-as na lama.

Muito mais perigosos do que o homem de negócios ambicioso desejando modos de aumentar seu portfólio, ou do que aquelas pessoas em sofrimento que procuram por um modo fácil de sair dele, são aqueles que perseguem seriamente a magia prática e ainda assim a corrompem numa arte egoística. Eles proclamam, ignorantemente, “A Magia é uma ferramenta do homem, e deixemos o homem usá-la para conseguir tudo que ele deseja!”. Eles gritam orgulhosamente, “Faça como quiser, tudo é caos mesmo, e não existem repercussões negativas”. Tais pessoas cegaram a si mesmas a até a mais básica das operações, observada até na própria natureza. Elas são tão cegas, contudo, que nem percebem que suas “realizações” não são realmente mágicas. Elas são egoístas e egoísticas, e, realmente, executam apenas truques de salão. Elas ficam tão presas em suas ilusões de sucesso por terem sido capazes de ganhar um aumento de salário ou seduzir alguém que não percebem quão fracos e inferiores esses pequenos truques são. Quando essas pessoas, iludidas como são, passam para os mundos espirituais depois da morte física, eles percebem imediatamente o tempo que gastaram, e depois de servirem o seu tempo, voltam ao mundo para levarem uma vida mais frutífera. Por eles nunca terem buscado uma realização imortal, e não “construíram seu tesouro no céu”, eles não estão mais distantes no caminho supremo do que o homem mediano. Esse é um ponto importante, que todos aqui deveriam dedicar à memória: você NÃO CARREGA poderes mágicos com você para a sua próxima encarnação. Até que você alcance henosis, que é a deificação e a imortalidade do corpo astral, a única coisa que continuará a crescer e expandir, de uma vida a outra, é a sua consciência. Isso irá, naturalmente, carregar algumas siddhis, que são poderes inerentes, mas não os frutos de uma grande parte de seu treinamento mágico. O corpo astral cresce e evolui de uma vida a outra, como resultado de treinamento mágico, e discutiremos isso mais no futuro.

Por causa da obsessão com os pequenos mistérios, que podem ser aprendidos até antes de alguém ter alcançado um caráter iluminado, as pessoas se tornaram satisfeitas com o aperitivo e esqueceram até que a entrada principal exista. O resultado disso é que o termo “magia” tomou um significado ambíguo, que nunca pretendeu de ter: na mão esquerda, refere-se simplesmente à mudança de acordo com a vontade, e, na mão direita, significa a perseguição da evolução espiritual. Se o mundo fosse um lugar bom e o último significado de magia o mais bem conhecido, todos compreenderiam que a magia é uma maneira de se buscar Deus. Esse não é o caso, contudo, e o mundo é um lugar predominantemente egoístico. Assim, a mais comum compreensão do quê magia significa é fenomenalmente egoísta e corrompida. Através da graça de Deus, o século por vir verá uma evolução acontecer dentro do mundo da magia, no qual esse grande e glorioso caminho será exaltado à sua altura correta em seu mérito espiritual.

A Quarta Razão

Preguiça

Na medida em que a tecnologia avança e o mundo material se torna mais e mais uma parte do ser de alguém, as pessoas têm se tornado mais e mais preguiçosas. A preguiça, é claro, é um instinto diretamente conectado ao egoísmo, o qual vimos acima como um desejo dominante no modo com o qual as pessoas abordam a magia. Assim, a preguiça também é inerente na maioria das abordagens das pessoas à magia.

Hoje, as pessoas se acostumaram a ter tudo em suas mãos. O sucesso se tornou definido como se fazer o mínimo possível para alcançar alguma coisa. Pessoas ao redor do mundo, todos os dias, prefeririam passar dez minutos em busca de um controle remoto do que levantarem e ligarem ou desligarem a televisão em poucos segundos de esforço físico. Essas pessoas abordam a magia do mesmo modo. Querem saber onde o controle remoto para a evolução espiritual está, de modo que eles possam se ligar em Samadhi quando não estão muito ocupados para Deus, e então o desligam novamente quando eles têm coisas “melhores” para fazer. Do mesmo modo que se procura por um controle remoto, eles gastarão uma hora numa livraria procurando por um livro “torne-se um mago rapidamente”, quando o fato de se gastar até mesmo dez minutos daquela hora em meditação teria sido muito mais benéfico.

A profundidade do egoísmo da pessoa comum nunca cessa de me impressionar. Eu falo a eles sobre magia, e sobre se procurar Deus e evolução espiritual, e eles desistem porque soa como “muito trabalhoso”. As mesmas pessoas que não jogarão nem dez dólares para um dízimo também não darão a Deus nem dez minutos de seu dia. “Eu dou a Ele uma hora por semana todo domingo”, dizem para si mesmos. “Se isso não é bom o bastante para Ele, Ele precisa superar isso. Eu estou ocupado.”

A falta de habilidade de se perturbar a rotina usual de preguiça por até poucos minutos, por Deus, é precisamente o que muitos autores e os chamados professores pregam hoje. Eles ganham centenas de milhares de dólares ao escreverem livros especificamente criados para esse tipo de pessoa, dizendo a ela “É normal ser preguiçoso”. Nos olhos desse autor, é claro que é normal. Essas pessoas irão torná-lo rico!

Formas de magia que estão surgindo hoje estão refletindo essa preguiça. As pessoas estão tentando convencer outras de que a magia pode ser um esporte de um tipo fácil, e que tudo estará bem. O que eles estão ganhando? Eles estão convencendo pessoas de que magia não é real, porque, depois de tentarem essas tentativas preguiçosas e não verem nenhum resultado, proclamam que, uma vez, tentaram fazer magia e descobriram que era tudo mentira. Nunca diriam que talvez eles só estivessem sendo preguiçosos. O homem comum se levanta orgulhosamente e grita, “Eu, com certeza, não sou o problema!”.

Não espere ter uma boa colheita sem primeiro trabalhar o solo e cultivar as plantas com cuidado. Não espere ter uma boa refeição sem primeiro cozinhá-la. Não espere chegar a um lugar distante sem viajar até lá. O universo não é mau; mas ele não atenderá à sua egoística letargia.

A Quinta Razão

Egomania

A quinta razão que eu observei como fonte dos problemas de hoje na magia, é a egomania geral que infesta o mundo ocidental. No mundo de hoje, somos constantemente ensinados a sermos individuais, que ser único é o sonho humano, que você é especial e diferente de todo mundo, e que tudo isso é bom e verdadeiro. Infelizmente, o incorreto nessas autoafirmações é uma ligação fenomenalmente resistente à falsa percepção de quem se é. As pessoas se tornaram absolutamente investidas em suas cascas de ego que permeiam a parte mais externa de sua personalidade, e a defendem selvagemente.

Um dos medos mais comuns que as pessoas têm no que diz respeito à evolução espiritual é a perda de autoidentidade. Esse medo é baseado sobre duas percepções inteiramente falsas: a falsa percepção do que a iluminação é, e a falsa percepção de si mesmo. Quando esses dois se unem, um medo intrínseco surge, colocando muralhas entre a mente e a ideia de realização espiritual. Em algum ponto, as pessoas colocaram em suas cabeças que a destruição do ego é a destruição de sua personalidade, de seu caráter, e isso é, simplesmente, não verdadeiro. É, na realidade, simplesmente, a purificação do seu caráter, de modo que se eliminem os vícios e defeitos maiores, removendo-se assim o desequilíbrio espiritual. O problema real surge quando alguém é tão defensivo de sua personalidade que defenderá até mesmo seus vícios. Eles dirão coisas como “Claro, eu sou um mentiroso crônico, mas isso é quem eu sou, é assim que Deus me fez”. Tal ideia é inteiramente sem fundamento. Você não é um mentiroso crônico, porque, em sua essência, você é Deus. Apenas sua casca de ego mais externa é mentirosa, e não foi porque Deus o fez, mas por causa de suas ações que você, conscientemente, escolheu perseguir. Contudo, as pessoas não aceitarão isso.

Isso cai novamente no quarto problema, o da preguiça. As pessoas desejam tudo por nada, ou, se elas investem dez dólares, querem instantaneamente cem dólares de volta. Elas não acreditam que um relacionamento com Deus é um relacionamento recíproco, mas sim que é um relacionamento de “servidão”, onde Deus dá tudo, enquanto nós recebemos. Não funciona dessa maneira; nunca funcionou, nunca funcionará. Deus é um pai melhor que isso. Infelizmente, as pessoas prefeririam se apegar a seus vícios do que oferecerem seus aspectos negativos ao fogo alquímico para que sejam destruídos. A uma pessoa assim, o “ser único” é sempre mais importante que a Divindade. Existe esperança para tal pessoa? Você não pode ajudar alguém que não ajuda a si mesmo.

A falta de desejo de se sacrificar as falhas pecaminosas de caráter resultou não apenas na corrupção da magia, mas contribuiu grandemente à queda de um grande número de ordens ocultistas. No campo geral da magia, autores não treinados, que não são mais maduros do que uma criancinha de um ponto de vista mágico estão lançando livros que são absolutamente corrompidos por suas falhas pessoais. No campo das ordens ocultistas, os “adeptos superiores” são ainda crianças egoístas que tramarão vários dramas dentro da ordem, normalmente a fim de abolirem a autoridade do Grão-Mestre, de modo que possam competir com esse poder. Uma ordem ocultista genuína consiste de adeptos que ultrapassaram tais simples preocupações, e que nunca tentarão se elevar para prejudicar outras pessoas ou ao risco de prejudicarem um bem maior. Quando pessoas são permitidas a carregarem todas as suas falhas mundanas para uma posição de, supostamente, autoridade divina, o caos deve, necessariamente, resultar. Precisa-se meramente olhar a história do Papa para ver as evidências.

Deveria ser suficiente, nesse meio tempo, enfatizar que aspirantes nunca são postos em algum programa de lavagem cerebral que faz com que eles pensem e ajam de um modo determinado. Isso não poderia ser mais verdadeiro. Cada pessoa tem uma personalidade absolutamente única, e essa personalidade é uma expressão muito real do próprio Deus. Desse modo, todos são um avatar, uma manifestação de uma Personalidade Divina. A diferença entre uma pessoa comum e um santo realizado, porém, é a de que a pessoa comum turvou e sujou sua personalidade divina com uma lama imunda, enquanto o santo realizado poliu sua alma de modo que sua verdadeira personalidade pudesse brilhar. Você não é quem pensa que é! As pessoas acreditam que são tão velhas quanto seus corpos físicos, mas, na verdade, você é muito mais velho. Pelo fato de que a única personalidade que você pode lembrar é aquela em seu presente corpo, que tem apenas alguns anos de idade, você pensa que é você. A verdade é que você tem uma personalidade universal, uma personalidade muito única, sendo a única expressão total de Deus em essa forma exata, que esteve por aí por muito mais tempo do que o seu corpo. Deslocar a sua identidade de si mesmo da falsa percepção de seu corpo, para o supremo local de sua alma, é a meta da Grande Obra, a Verdadeira Alquimia. Para fazer isso, você deve remover gradualmente a lama que se acumulou como um grosso muco sobre sua alma, de modo que você se torne o você verdadeiro, em vez de esse você mortal e temporário. A personalidade que você tem neste momento tem todas as virtudes positivas da sua alma, mas você adicionou a elas os vários vícios e defeitos que você adquiriu nesta e nas últimas encarnações. A sua personalidade pode ser vista como uma parede cheia de buracos. A luz que brilha através desses buracos é sua personalidade real, enquanto o resto da parede é a imundície e o muco com o qual você se cobriu. A meta da sublimação pessoal é fazer com que o seu inteiro ser brilhe com pura luz.

Isso é, como muitos assuntos do oculto são, uma coisa difícil de ser explicada se usando a linguagem humana. Até com a explicação acima, será difícil, até para os mais inteligentes leitores, absorverem exatamente o que eu estou tentando dizer, até se pensam que compreendem. É algo que deve ser experimentado individualmente para saber, e, portanto, eu evitarei qualquer discussão compreensiva sobre isso.

A Sexta Razão

A Destruição da Sucessão de Mestre e Discípulo

A sexta maior razão para o deplorável estado da magia moderna é a destruição de uma linha de sucessão entre o guru e chela, mestre e discípulo. Quanto mais pessoas lançaram vários livros contendo os Pequenos Mistérios, mais pessoas começaram a, lentamente, substituir o mestre pela estante. Eles colocam em suas cabeças que, desde que consigam ler muito, nunca precisarão de um professor. Não é preciso dizer que essa abordagem raramente encontra sucesso. Por razões que já foram clarificadas, a vasta maioria dos livros de hoje é quase inteiramente inútil para alguém que esteja procurando por um meio prático e eficiente de autoavanço. Seu conhecimento pode crescer, mas sua alma normalmente não.

Uma razão para essa substituição, que deveria agora ser óbvia ao leitor, é o fato de que as pessoas hoje simplesmente não gostam da ideia de um professor, de um guru. Um mentor é, às vezes, bem recebido, mas apenas sob a exigência de que o mentor não seja saudado com muita apreciação, e a de que ele possa ser facilmente afastado. O ego da maioria das pessoas as leva a odiar a ideia de serem subservientes a um verdadeiro professor, por até mesmo pouco tempo, para assegurarem sua evolução espiritual. Isso as faria sentir menos sagradas que o guru, o que, de fato, elas são, e isso machucaria demais os seus egos. Dessa forma, elas não tolerarão isso.

Isso tudo fez com que muitos autores de hoje não tenham recebido treinamento legítimo de um professor verdadeiro. O conhecimento que eles apresentam em seus livros é, simplesmente, a mesma informação reprocessada que qualquer um poderia armazenar com tempo suficiente numa biblioteca, e eles, portanto, não se tornaram melhores que seus predecessores uma centena de anos atrás, os quais pensavam ser adeptos simplesmente por causa de sua habilidade de compilar a informação disponível. Tais autores, assim, começaram uma tendência que infectará totalmente os autores do amanhã, e, dessa maneira, solidificará essa tendência infeliz e autodestrutiva. Eu rezo seriamente para que, no futuro, mais adeptos que tenham passado por treinamento real nas mãos de um professor treinado dêem um passo à frente e passem os ensinamentos de seus mestres para o mundo. Até se isso acontecesse, cada livro deveria dizer dentro de suas páginas o que eu estou precisamente para dizer: embora o conhecimento ajude e ilumine a mente, a iluminação da alma deve ser recebida de um bom professor.

Por que você não pode fazer tudo sozinho? Por que você não pode ser aquele “lobo solitário” sobre o qual você ouviu falar? Aquele lobo solitário e durão que nunca precisa da ajuda de ninguém? Supere você mesmo. Você não pode fazer isso sozinho porque você nem sabe o que fazer ou onde começar, e se você soubesse, você não entenderia como fazê-lo mesmo assim. Se você pode derrotar o seu ego o suficiente para admitir isso, então você pode ainda ter esperança para o Reino de Deus. Se não, então você está muito mais interessado em si mesmo do que em Deus. Um livro pode sugerir lugares para começar, pode fornecer fórmulas e técnicas práticas (embora poucos, muito poucos o fazem) e podem até suprir uma rotina de treinamento completa. Até se você tenha esses livros memorizados, a quem você se voltaria quando um obstáculo surgisse que você não pudesse superar intelectual ou espiritualmente? Se você, embora com treinamento rigoroso, não visse resultados, como adivinharia o porquê disso? De qual lugar você receberia a informação que nunca foi antes publicada? Além disso, você seria forçado a aceitar a legitimidade de qualquer sistema de treinamento ou séries de informação, baseado inteiramente sobre a sua própria crença. Quando você tem um bom professor que está lhe iniciando diretamente, numa linha de mestre e discípulo, na magia genuína, então você tem alguém para se referir como um modelo e um exemplo. Você consegue ver quão efetiva essa abordagem à magia é, toda vez que você vê o seu professor. Através das ações dele, você pode decidir se o sistema é válido ou não. Dessa forma, o professor destruirá níveis de dúvida que, frequentemente, infectam pessoas que se submetem ao que agora é popularmente chamado de “autoiniciação”.

Neste ponto, nós dificilmente poderíamos continuar sem uma rápida consideração de uma jóia em particular, o livro O Caminho do Adepto, pelo Mestre Arion, Grande Iniciador Rosacruz, o S.F.C.R. (Sagrado Frater Christian Rosencreutz), que vocês conhecem pelo nome de Franz Bardon. Essa grande alma, um dos doze maiores adeptos mestres na inteira Fraternidade Branca, que governa particularmente sobre a iniciação, veio ao mundo em total Nirvikalpa Samadhi, na glória de seu corpo astral imortal, por toda a humanidade. Houve um grande sacrifício nisto.

Urgaya o invocou e ordenou que, enquanto estivesse aqui, ele lançasse ao mundo os primeiros três dos vinte e dois estágios de iniciação da Fraternidade Branca. Ele o fez, mas, do mesmo modo que Veos e eu fizemos, ele suavizou o sistema consideravelmente, para alcançar e ajudar o maior número possível de pessoas, enquanto tomava como estudantes pessoais aqueles poucos que estavam prontos para os ensinamentos mais sérios. O resultado desse serviço altruísta foram os três livros que ele escreveu, que foram feitos para levar o estudante até o ponto em que ele atraia um mestre espiritual que o inicie nos Grandes Mistérios. Embora essa trilogia seja excelente, particularmente seu primeiro livro, O Caminho do Adepto, eles ainda contém todas as inibições que um livro traz. Você não pode perguntar questões ao livro, não pode receber experiências espirituais dele, não pode chorar nos seus ombros quando o mundo parece ter se voltado contra você. O livro não irá assumir o seu karma para te ajudar, não limpará suas nadis e trabalhar nos seus chakras, não imergirá você, amavelmente, em sua própria aura. Acima de tudo, não servirá como um canal de mediação entre sua Kundalini pequena e a Kundalini Cósmica superior.

É minha convicção, baseada na experiência, que existe somente um tipo de pessoa que pode se submeter à autoiniciação com sucesso sem nunca ter tido um professor. Deve ser um adepto reencarnado que está simplesmente recapitulando seu desenvolvimento mágico de vidas passadas. Para tal pessoa, na medida em que ele aprende até apenas técnicas básicas, suas memórias mágicas começarão a, quietamente, voltar a ele, na forma de intuição acurada sobre como certas coisas deveriam ser executadas. Essa intuição mágica guiará suas ações, e sua alma guiará a consciência aos lugares corretos. Essa pessoa não precisa de um professor. Porém, a um tempo atrás ele certamente teve um, e se não tivesse sido pelo professor, ele nunca teria se tornado o adepto que se tornou.

A Sétima Razão

A Remoção de Deus da Situação

Na medida em que o mundo se torna, gradualmente, mais materialista, uma escuridão começa a envolver o intelecto de pessoas inteligentes. É um tipo de doença que dá a uma pessoa cegueira e a torna surda; de fato, deixa-a quase completamente insensível a qualquer estímulo. O nome dessa aflição, que paralisa e torna mudos todos os três corpos, é chamado Ateísmo. Quando algumas pessoas são afligidas por ele, tornam-se totalmente desafiantes contra todos os impulsos espirituais que sugiram a existência de Deus. Eles são uma ninhada de pessoas peculiar, sendo ignorantes ao grau de se tornarem engraçados aos olhos do iniciado.

Existe uma ninhada particular de ateístas que é mais divertida que todas as outras. É uma ninhada relativamente nova, que apareceu apenas neste século passado. Esse tipo de pessoa é um ateísta que acredita que fenômenos espirituais são, na verdade, fenômenos físicos num nível altamente refinado, e dessa forma buscam explicações para as coisas espirituais. Eles não negarão que as energias dos elementos, por exemplo, existem. Eles simplesmente pensarão em alguma teoria absurda e estúpida de como essas energias são apenas divisões de uma substância mental física, mas enormemente refinada, e que suas qualidades atribuídas são algum tipo de ilusão. Eles dirão que espíritos são as expressões externas de arquétipos subconscientes na psique, e sugerem que, quando eles são conjurados à aparência visível, tudo que está ocorrendo é autohipnotismo. Essa estranha espécie de pessoa fará tudo pelo motivo de ser capaz de sugerir que Deus não existe, que mundos espirituais não são reais, que não existe alma, etc, etc.

É óbvio ao iniciado que qualquer pessoa que se submeta ao treinamento adequado possa provar a si mesma além de qualquer possibilidade de dúvida que espíritos não são arquétipos pessoais, que mundos espirituais existem, que existem energias externas diferenciadas, que a alma é real e imortal, e que Deus é uma verdade eterna. Qualquer pessoa que sugere ao contrário está fazendo-o do ponto de vista da teoria e especulação somente, e não tem base prática na magia. Embora o iniciado devesse sempre mostrar respeito sobre a opinião da outra pessoa, de modo a não causar conflito imediato e desconforto, ele não deveria permitir ser persuadido por tais argumentos. Frequentemente, essas pessoas são ótimas em argumentar e debater, mas não podem fazer quase nada a esse respeito com magia verdadeira. Dessa forma, deixe-os falarem a si mesmos enquanto você quietamente volta a sua mente à meditação sagrada.

Isso precisa que consideremos um ponto importante, contudo. Apenas você, no fim, pode provar a si mesmo a realidade de todas essas coisas. Apesar de todos os meus poderes e siddhis, eu não posso fazê-lo. A mente animal duvidará da sua escolha de perseguir esse caminho a cada virada, e, acima de tudo, também tentará me fazer duvidar, não importa o que eu faça. Alguns exemplos podem ilustrar bem este ponto. Ano passado, quando eu estava morando com um grupo de oito aprendizes (com mais cinco visitando regularmente) num belo lote de 5 acres firmado entre árvores e invisível a todos os vizinhos ou à estrada, uma grande tempestade apareceu sobre nós. O vento uivava ferozmente, a chuva parou por um momento, e, então, no pátio próximo a nós, um tornado começou a descer. Os aprendizes, até Veos (até hoje eu brinco com ele sobre isso!) ficaram muito assustados. Na verdade, eu estaria assustado também, apesar da minha confiança para lidar com a situação, se eu não tivesse aberto meus olhos de uma maravilhosa hora de meditação profunda no momento em que o tornado começou a surgir. A mim, naquele estado elevado de felicidade, o tornado era apenas uma demonstração da natureza para ser amada e reverenciada. Apesar disso, eu me esforcei o suficiente para me convencer de que o tornado, tão próximo à casa, era uma coisa ruim. Eu me coloquei na direção da tempestade, com Veos ao meu lado e ajudando, e nós dois elevamos o tornado de volta ao céu e redirigimos a direção da tempestade para longe da casa. Isso foi feito com todos os estudantes assistindo. Em outra ocasião, apenas quatro semanas antes, eu usei um sigilo para criar uma chama sólida e negra no coração de um grande fogo ritual que todos viram e cuja realidade de sua presença atestaram. No momento em que começou a chover, por ele ser um importante ritual do fogo, eu chamei um espírito que me serve para nos proteger da chuva. A chuva parou, mas os estudantes logo notaram que estava chovendo em todos os lugares da propriedade, menos no lugar onde estávamos!

Eu estou relembrando essas coisas não para glorificar a mim mesmo, mas para ajudar a ilustrar este assunto. Embora eu demonstrasse essas aparentemente “maravilhosas” ocorrências, sem pouco esforço meu, eu rudemente exibia a magia aos meus estudantes como um prêmio por sua devoção duradoura aos meus ensinamentos, e, mesmo assim, essas coisas não preveniam suas mentes de, às vezes, duvidar que magia não existia. Pouco menos de um mês depois do incidente com o tornado, um dos meus estudantes melancolicamente veio a mim e confessou que ele estava tendo de lutar com a dúvida, porque ele nunca tinha visto antes um poder mágico. Numa classe do Veritas quatro anos atrás, eu tive um estudante para o qual, um dia, eu mandei uma mensagem e informei que ele estava desenvolvendo uma infecção de sinus. Sendo alguém que duvida por natureza, ele decidiu não tomar nenhum remédio. Quatro dias depois, ele pegou uma infecção de sinus, e, num instante, eu o curei da infecção completamente. Eu não consegui mais informações desse estudante, que terminou aquela classe como um estudante de magia muito devotado, por um longo tempo depois que a classe terminou. Eu descobri, poucos meses atrás, que, pouco depois da minha classe terminar, ele decidiu que eu era uma fraude e um mentiroso, e que eu não tinha habilidade mágica ou consciência elevada, e que ele estava convencido de que magia em si pudesse nem ser real.

Essas, e outras experiências parecidas, me convenceram de que não é o dever do professor fazer o estudante acreditar em magia, e, realmente, que o professor não é capaz de fazê-lo, não importa quais habilidades ele possa ter demonstrado. No final, a última evidência convincente que o estudante será capaz de usar para conquistar a dúvida de seu ser inferior é a evidência que surge de suas próprias práticas continuadas, as recompensas de sua fé douradoura em seu caminho.

Mas, voltando ao assunto à mão, é uma grande má sorte ao mundo dos aspirantes sinceros que esses mesmos ateístas estão realmente se juntando para formar sistemas de “magia” juntos, embora esses, na realidade, sejam feitiçaria astral no máximo. Ao fazê-lo, eles estão apelando aos lados animalistas e mundanos da consciência do ego que governa sobre os não iniciados antes de alma ter uma chance de se agarrar a algo significativo. Por tais sistemas de feitiçaria não terem nenhuma ênfase real na moral, por eles não terem ideia nenhuma de Deus ou de avanço espiritual, as pessoas estão se unindo para achar uma desculpa para praticar o que eles pensam que é magia sem ter de desistir de seus modos pecaminosos de viver. Tais pessoas adoram se ostentar, dizendo “Eu descobri que magia é tão efetiva sem o componente espiritual desnecessário”. Eu juro a todos vocês, pelo meu grande amor por essa ciência, que, nos meus anos de magia, eu nunca encontrei, nunca mesmo, nenhum estudante dessa escola de feitiçaria que poderia produzir até a mais simples das demonstrações mágicas. Eu nunca descobri um estudante dessa escola que possuísse alguma das faculdades mágicas a um grau demonstrável ou talvez significativo. Por quê? Porque eles estão praticando ideias, não verdades. Eles estão tentando fazer com que o universo satisfaça os seus próprios desejos egoísticos, em vez de quererem sacrificar qualquer coisa que seja para se tornarem magos reais.

A Oitava Razão

Charlatãos

À luz de todas as razões previamente mencionadas, deveria se tornar óbvio que charlatãos e fraudes naturalmente surgiriam. A falta quase total de iniciados verdadeiros e adeptos conhecidos às pessoas comuns tornou impossível se comparar uma fraude contra a coisa real. Os fraudadores, é claro, saberão isso, e usam isso ao seu favor. O fato de que existam tantos enganadores que se tornaram muito bem-sucedidos não sugere em momento algum que eles tenham alguma habilidade, mas, em vez disso, simplesmente mostra o quão mal informada e enganada a pessoa comum é nesses assuntos.

Bem como fizeram no início dos anos 1900, médiuns começaram a ir e vir e a escreverem pilhas de lixo para encherem as estantes das livrarias modernas. Essas pessoas, que são normalmente tão boas em enganar a si mesmas quanto a enganar os outros, lançam livro após livro. Eles escrevem centenas de páginas, e ainda, de alguma forma, não dizem nada nelas. Eles citam seres espirituais como a fonte de sua sabedoria, ou guias espirituais, ou animais totem, ou trevos de quatro folhas e tal nonsense. Embora eu ainda não o tenha encontrado, eu estou certo de que exista um médium por aí que alega receber instruções místicas de seu sanduíche de presunto. Não seria mais absurdo que as alegações anteriores. Embora, é claro, uma vez, eu tive uma conversa muito reveladora com uma garrafa de coca-cola, e um espírito decidiu, por uma razão qualquer, falar comigo numa voz audível que até os não iniciados poderiam ter ouvido.

Se tais médiuns estão de fato conversando com seres espirituais, então esses espíritos são muito misteriosos ou são muito estúpidos. Se esses médiuns estão conversando com guias espirituais, eles devem estar precisando despedir seus guias e encontrar novos. Em minhas experiências com seres espirituais, animais totem e guias espirituais, nenhum deles era tão mal informado quanto os desses médiuns. Dessa forma, podemos concluir que é muito provável que eles não estejam falando com nenhum dos acima, mas, em vez disso, que eu estou terrivelmente enganado, e que todos estão, na verdade, conversando com sanduíches de presunto. Se eles estivessem conversando com garrafas de coca, então, baseado na experiência, eu seria levado a acreditar que seus livros poderiam ter sido melhores.

Nada disso implica que todos os médiuns são fraudes. É, porém, um infeliz fato que a vasta maioria de fraudadores alegue ser médium, e, se o resto da comunidade de bons médiuns não quiser ser associada com esses charlatãos, então eles deveriam aparecer e lutar contra eles. Eu conheci vários bons médiuns em meu tempo, alguns deles naturais e outros treinados, portanto, essas declarações, de modo algum, se aplicam a esses tipos de pessoa. O leitor observador, porém, será capaz de fazer uma caminhada, achar uma estante de New Age numa livraria popular e ser capaz de ver precisamente de quais autores eu estou falando.

O grupo de médiuns impostores é apenas uma das duas maiores categorias de fraudadores na comunidade ocultista. Para a pessoa firmada em pensamento racional e com pelo menos alguma educação em literatura ocultista, os médiuns impostores são comparativamente fáceis de serem reconhecidos. Embora eles agarrem um número entristecedor de otimistas da New Age, os mais eruditos tendem a ficar longe deles. É, portanto, minha opinião que o mais perigoso dos dois grupos não é o médium impostor, mas o sim mago impostor.

O mago impostor é muito mais difícil de distinguir, e apenas alguém que é firmemente enraizado na experiência prática pode descobrir o disfarce. Existem autores que escrevem livros que fascinam seus leitores sobre simbolismo oculto, aparente conhecimento da Cabala, algumas correspodências ocultas etc, e mostram isso como se a experiência os tivesse levado a acreditar nessas coisas. Eu não estou falando aqui de meros ocultistas. Um ocultista é um filósofo, portanto ele se preocupa com as várias cosmogonias filosóficas, em vez de experimentar o lado prático da espiritualidade. Desse modo, é perfeitamente normal para um ocultista falar num nível puramente intelectual, igual ao filósofo. Não, eu não estou me referindo a esses autores, mas aos autores que criam um véu de suposto conhecimento experimental. Essas pessoas são geralmente indivíduos que aprenderam e, subsequentemente, praticaram apenas duas ou três técnicas básicas, e, então, se consideraram a si mesmos grandes magos. Eles escrevem livros sob esse propósito, e prescrevem ridículos regimes de treinamento para seus leitores.

Tudo isso naturalmente resultou numa situação na qual pessoas que queiram aprender magia, queiram comprar um livro e, por causa da probabilidade, pegarão um livro escrito por um autor fraudulento. Percebendo como pessoas que são completamente novas à magia não são tão sábias, elas acreditam em muito do que é dito, e assim a corrupção começa. Muitos desses aspirantes promissores vieram à minha casa por um curto tempo, e eu descobri que, depois de alguns anos de encherem suas mentes com tal lixo, eles se tornaram ligados demais a esses mundos ilusórios para serem salvos pela luz da experiência prática. Espero que, nas próximas vidas deles, suas almas levarão suas mentes a buscarem algo mais elevado.

A Nona Razão

O Silêncio dos Adeptos

Durante o período do Renascimento, e por um tempo após, houve um número de adeptos que escrevia. O advento do aparecimento público dos rosacruzes na Europa, por um pouco tempo, gerou informação suficiente para os autores discutirem por muitos anos. Pessoas como Paracelso, Agrippa e Francis Bacon forneceram suficientemente os Pequenos Mistérios às pessoas. Autores rosacruzes como Francis Bacon promoviam a iluminação intelectual das pessoas, como a Ordem Exterior Rosacruz (que eventualmente gerou a Maçonaria), focada primariamente no avanço espiritual através de conhecimento e de sabedoria em vez da prática. As práticas estavam presentes, mas eram normalmente ritualísticas e reservadas para dias especiais. Os exercícios mágicos verdadeiros eram mantidos para o próximo nível de iniciados.

Autores como esses forneciam tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. De um lado, as pessoas estavam engajando suas mentes, pela primeira vez, no feijão-e-arroz da magia teórica. Em vez de lerem sobre demônios e feitiços mágicos, eles podiam aprender sobre o magnetismo espiritual, o archeus, os éteres, a lei de atração, a lei do microcosmo, e por aí vai. Alguns dos Pequenos Mistérios mais básicos tinham finalmente se tornado disponíveis às pessoas. Isso permitiu que leitores da época checassem duas vezes os escritos de pessoas sobre ocultismo contra autoridades conhecidas. Embora fraudes e charlatãos estivessem ainda rampantes, eles não estavam se focando tanto nas contribuições literárias ao ocultismo e assim não deixaram uma impressão duradoura sobre aspirantes das gerações futuras.

Por outro lado, a explosão de informação intelectual sem uma fundação de trabalho prático levaria gerações futuras ao engajamento somente na filosofia, em vez de na magia verdadeira. Isso permitiria a todos que tivessem lido alguns livros a regurgitarem a informação em novos livros e chamá-los seus. Acima de tudo, deixaria muitas questões sem resposta nas mentes de muitos aspirantes sinceros, sobre onde começar e como avançar na magia. A tendência de alguns dos grandes magos do passado de não aceitarem discípulos diretos resultou numa falta de sucessão de mestre e discípulo, como foi falado anteriormente, e o fato de nenhum manual real de avanço na magia ter sido publicado resultaria em autores lançando livros em assuntos puramente teóricos, em vez de terem investigado praticamente suas ideias.

Nos últimos cinqüenta anos, quase não houve adeptos escritores, e até aqueles que escreveram algo normalmente não forneceram uma base prática para os leitores. Toda uma geração surgiu e desapareceu sem ter quase informação publicada confiável sobre magia. É claro, tudo isso aconteceu de acordo com a Providência Divina, e há razões exatas para os períodos históricos de silêncio que os adeptos escritores assumiram e assumem. Ainda assim, é importante considerar os efeitos desses períodos.

Os poucos adeptos que ainda estão por aí no hemisfério ocidental têm permanecido silenciosos, e talvez por razão, porque o dom de expressar ideias na linguagem escrita não pertence a todas as pessoas. Pelo fato de existirem tão poucos adeptos, existem poucos autores entre eles. Eu espero honestamente que, num futuro próximo, isso comece a mudar.

A Décima Razão

A Falta de Expansão da Consciência

A natureza incompleta das deploráveis desculpas de muitas ordens modernas para rotinas de treinamento resultou na quase extinção da real expansão de consciência entre os chamados iniciados. Seus estudantes recebem complicado “pathworking” e várias invocações para executarem, mas esses são meios tão indiretos de progresso que uma inteira vida de prática renderia pouco sucesso. Infelizmente, a lavagem cerebral de muitos aspirantes hoje os convenceu de que um conhecimento simplesmente experimental dos símbolos das esferas elevadas, e até seu funcionamento, é a realização de modos superiores de consciência. Isso simplesmente não é verdadeiro. Até se você colocar sua mente regularmente na contemplação de reinos nos quais vibrações são muito mais elevadas e puras que as suas, nunca se produzirão os mesmos resultados se você tivesse elevado sistematicamente sua consciência a esse nível. Isso dá um bom suplemento, mas não deveria ser a completa abordagem.

Existem duas principais maneiras de se expandir a consciência:

1) Imergir-se em energias, como em invocação ou viagem esférica.

2) A ascensão gradativa da Kundalini psicossexual da base da espinha e órgãos sexuais até o córtex cerebral.

Nenhum desses métodos resultará necessariamente na realização do outro. A ativação dos seis maiores centros inteiros da consciência na espinha não resultará no aumento de vibração no seu corpo astral, para se adequar às vibrações das esferas elevadas, e passar tempo em esferas mais elevadas não despertará automaticamente a Schechinah-Kundalini e despertar as fortalezas, de modo que ela possa entrar e estar com Elohim-Siva. No mago, ambos deveriam ser realizados. O primeiro é a deificação de si de fora para dentro, e o segundo de dentro para fora.

Até os sistemas de treinamento que utilizam pelo menos o primeiro método de ascensão da consciência, sendo o mais comum no mundo ocidental hoje, não prestam tanta atenção a ele quanto deveriam. Muito frequentemente, ênfase excessiva é dada sobre as habilidades mágicas, ou pelo professor ou na mente do estudante. A meta da magia se torna o poder, em vez da evolução da consciência pessoal. Quando nenhuma habilidade é conseguida, ou uma vez que a curiosidade científica do estudante seja satisfeita, o caminho para. É por essa razão que as escrituras orientais advertem tão ferozmente que poderes mágicos devam ser rejeitados, e não porque tais poderes são inerentemente maus. Os iniciados do Oriente compreendiam simplesmente que, se o estudante acreditasse, do primeiro dia de seu treinamento, que habilidades mágicas eram ruins, ele provavelmente não sacrificaria depois sua evolução espiritual por causa da tentação dessas siddhis. Ele não se distrairia. Na realidade, isso não é ruim, e o estudante é altamente encorajado a adquirir várias habilidades mágicas para manifestar a Vontade Divina mais efetivamente no mundo, mas isso deve ser abordado muito metodicamente e apenas de uma base muito bem estabelecida, com os motivos corretos.

“Pathworking” se tornou, infelizmente, o modo principal com o qual as escolas ocidentais tentam fazer com que seus estudantes expandam sua consciência, mas existem muitas desvantagens nisso. O estudante consegue captar uma compreensão intuitiva de esferas superiores ao elevar suas vibrações às delas diretamente. Quando ele tem um flash e uma visão de Tzaphqiel, ele percebe o simbolismo de Luna e de Hécate, e compreende o tridente e os quatro minotauros índigo que cercam o Templo da Deusa de Três Faces e o Homem Nu, e começa a acreditar que ele realmente elevou seu status espiritual à esfera de Yesod. A iluminação intelectual sobre simbolismo universal é confundida com realização espiritual legítima. O resultado é que o tolo que consegue superar as imagens do Demônio de Face de Cachorro e o Portador do Vinho no limiar do abismo intelectual acredita ter fatualmente cruzado esse abismo e emergido no outro lado como “Magister Templi” ou qualquer cargo sua facção possa ter designado para essa realização. A direção do simbolismo, e a natural habilidade da mente de entrar num modo de resolução de problemas, quando confrontada com a diversidade, levou, neste caso, a mente racional a uma série de equações lineares, resultando na compreensão de certos símbolos ocultos. Embora essa compreensão tenha um efeito positivo sobre o espírito, é quase uma blasfêmia dizer que essa estimulação intelectual sozinha pode ser considerada como uma cruzada do Abismo. Quando a respiração cessa, quando a pele se torna gelada e as suturas entre os ossos parietal e occipital do crânio ficam quentes, quando visões de anjos e personificações de Deus aparecem no olho da mente, quando todas as escrituras se tornam instantaneamente compreendidas, quando os joelhos de cada anjo e arcanjo se dobram em reverência, quando a aura se estende para encompassar um inteiro vale, quando a palavra se torna universalmente criativa, então saiba que o abismo foi cruzado. Procure o homem com o inteiro universo em seus olhos; ele é um deus.

Isso deve bastar por agora. O estudante terá agora uma sólida compreensão dos problemas no modo com o qual a magia é frequentemente praticada hoje, e, com esse conhecimento, ele pode escolher começar seu caminho com uma compreensão correta e a salvação resultante desta bela ciência. Eu forneci nesta aula meras linhas de direção pelas quais o estudante pode checar a si e àqueles que se chamam gurus. Busque o homem que fala da autoridade da experiência, e não da autoridade dos livros.

#Magia #Pessoal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-corrup%C3%A7%C3%A3o-moderna-da-magia

A Luz da Tradição Rosacruz

por Frater Illuminatus, OS+B (*)

Um dos mais importantes papéis da Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (AMORC) dentro do moderno Rosacrucianismo – período que se estende do início da Era Industrial até os dias de hoje – tem sido o de preservar a autêntica Tradição Rosacruz, através da constituição de um acervo histórico que compreende documentos iniciáticos e livros raros. Esse trabalho, persistente e minucioso, vem sendo feito com extrema seriedade, por homens e mulheres abnegados. Sozinhos ou em equipes, eles vem coletando, desde a época do Dr. Spencer Lewis, cartas, manifestos, declarações, artigos, ensaios, discursos, exposições, livros, mapas, desenhos, diagramas, pinturas, esculturas e toda uma extensa gama de documentos, objetos e peças de artes plásticas que compõem a História Rosacruz.

A importância da formação deste acervo místico-histórico não é apenas documental e cultural. Transcende em muito esses parâmetros e se constitui na Luz da Tradição Rosacruz, um conceito de iluminismo que só pode ser perfeitamente compreendido pelos iniciados nos Graus Superiores da Ordem. Em linhas gerais e para uma compreensão mais fácil por parte dos interessados que visitam as páginas disponíveis na Internet à procura de esclarecimentos, pode-se dizer que o conjunto desses tratados, documentos, símbolos e peças de arte Rosacruz constitui no plano físico a tessitura material de um todo imaterial, um Símbolo Maior, que de tempos em tempos se manifesta, ciclicamente, gerando os eventos que resultam nessas produções.

Nos dias de hoje, quando o homem acaba de passar de um milênio para outro dentro da Era Cristã, vergado ao peso da imensa carga de culpa que a Igreja lhe impôs, lado-a-lado com um tremendo desejo de libertação das amarras da ignorância, do medo da morte e da superstição, sobressai ainda mais a importância do acervo Rosacruz preservado pela AMORC. Cultura, arte, história e misticismo se misturam no cadinho de Chronos, formando a Pedra Filosofal tão buscada pelos Alquimistas.

Muito embora o Movimento Rosacruz, em seu cerne, seja tipicamente cristão-ocidental, vê-se a todo momento provas de sua transcendência, tanto assim que organizações que nada têm a ver com a Cristandade avocam o nome Rosacruz para ser seu rótulo, ou por afinidade de posições ou por enquadramento dentro de certas Leis comuns a todas as instituições que pretendem levar algum tipo de Luz aos mais sombrios recônditos da criatura humana.

Se a AMORC fosse apenas uma instituição educativa, assim mesmo estaria exercendo um grande papel dentro da obra de formação do ser humano superior, pela notável abrangência dos ensinamentos que disponibiliza em seus estudos. Aquele que tiver estudado com seriedade, ao longo dos anos, todo o material que a AMORC fornece aos seus membros de Sanctum, na forma de monografias, discursos, fori e uma infinidade de livretos, certamente há de chegar, ao final de pouco mais de duas décadas, a um ponto que dificilmente alguém atingiria com apenas um curso universitário e suas extensões de mestrado e doutorado.

Esse trabalho cultural e educativo, ao par da iniciação mística autêntica, tem contribuído para que um grande número de pessoas se tornasse capaz de compreender melhor os mistérios do Universo, que são os mistérios de sua própria existência, colocando esse conhecimento a serviço da humanidade, para que possa haver melhor qualidade de vida para todos.

A persistência nos estudos, que abre caminho para a Iluminação, só é possível quando o estudante acredita com sinceridade que está na trilha certa. Essa certeza vem não apenas da fé cega nos ensinamentos de uma organização, o que a caracterizaria como religião – o que não é o caso das Ordens e Fraternidades do Rosacrucianismo -, mas também das provas documentais e demais evidências da autenticidade. É justamente aí que entra a suma importância do acervo preservado e continuamente enriquecido pela AMORC.

Na sua carta anual aos membros da AMORC, datada de fevereiro de 2001, o atual Imperator, Christian Bernard, informa que mais documentos foram incorporados ao acervo da Ordem. Entre eles, documentos relativos ao início da AMORC na Suiça, sob a liderança de Edouard Bertholet (1883-1965), cujo mandato foi conferido pelo Dr. Spencer Lewis. E também uma importante coleção de correspondências de Stanislas de Guaita (1861-1897), que com Joséphin Péladan, foi criador da Ordem Cabalística da Rosacruz, em 1887.

Esse vasto acervo vem permitindo que a AMORC funcione como uma espécie de farol no emaranhado de ordens e fraternidades que se multiplicam dia-a-dia, apontando aos estudantes sinceros a direção certa em meio à neblina. Esse trabalho vem sendo realizado em âmbito mundial, contribuindo para a elevação do nível de consciência a um plano tal que permita uma mais clara compreensão das respostas à antiga tríplice pergunta: “Quem sou? De onde vim? Para onde estou indo?”.

Nota dos Editores: Frater Illuminatus é membro da Ordo Svmmvm Bonvm.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-luz-da-tradicao-rosacruz/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-luz-da-tradicao-rosacruz/

Hierarquia, Dualismo e Evolução Espiritual

Eu não acho que exista um problema no dualismo ou na hierarquia em si, como ideia. São meras sistematizações. Há muitos exemplos em que se pode utilizar esses sistemas com sucesso e inclusive eles ajudam para a organização.

Meu ponto é que pode ser que em alguns casos essa ideia traga problemas. Por exemplo, como se tornou recorrente citar Platão desde o lançamento de “Epoch: The Esotericon & The Portals of Chaos”, seu “Mundo das Ideias” deu origem a um tipo de idealismo que dividiu o mundo em dois: um mundo espiritual e melhor, e outro material e pior; uma alma superior e um corpo inferior, etc.

Um dos problemas é que o universo criado por Platão é estático, em que tudo tem o seu lugar determinado. Essa ideia era inclusive usada para reforçar o sistema de castas e a escravidão. Claro que seria um pouco precipitado culpar a hierarquia e os dualismos por causa disso, considerando-os fadados ao conservadorismo e preconceitos. Eu não acho que seja esse o caminho.

Essa reflexão serve para alertar o magista sobre o seguinte: caso ele opte por utilizar um sistema idealista e dualista, derivado das tradições neoplatônicas (isso resume praticamente todo o ocultismo tradicional, especialmente os sistemas derivados das religiões judaico-cristãs como a cabala), ele deve ficar atento para não cair nas armadilhas que o dualismo pode gerar.

Evidentemente, cada sistema tem suas armadilhas, pontos fracos e problemas. O próprio caoísmo não é isento disso. Quem é caoísta pode cair na armadilha de confundir a imaginação com o mundo dos sentidos, de acreditar que tem superpoderes realmente extraordinários a ponto de comandar o universo, dentre outras conclusões precipitadas.

Não há respostas definitivas para essas questões, mas para concluir até onde pode ir, o caoísta deve testar: no seu dia a dia, a sua imaginação é tão poderosa a ponto de transformar completamente a realidade lá fora? E até que ponto a imaginação pode alterar suas emoções? Ele é realmente o rei do universo?

Há outras problemáticas em jogo. O magista não é somente mente; ele é corpo. O seu corpo possui aspectos fisiológicos que não devem ser ignorados. Os hormônios influenciam diretamente em suas emoções, não importa o quão forte seja sua mente. Ele precisa de comida, precisa de coisas materiais. Não irá transformar o mundo somente com o poder da mente. Esse poder existe, mas deve ser aliado ao próprio corpo e à realidade material lá fora.

Corpo e mente, mente e espírito, todas essas coisas estão tão conectadas que é difícil separá-las. Elas devem ser vistas e transformadas em sua totalidade. A magia deve ser realizada de forma holística e não pela metade.

Muitos sistemas de magia neoplatônicos que clamam ser o espírito superior à matéria não estão “errados”. Eles são verdadeiros, mas somente dentro de seus modelos. Lá eles funcionam, contanto que se enxergue esse dualismo somente como uma sistematização.

A própria Magia do Caos, ao falar de “caos” não está realmente clamando que não existem padrões na natureza e que eles são somente inventados pela mente. Nós não sabemos se há padrões, falta de padrões ou uma mistura dos dois. Porém, como não é possível viver ou fazer magia fora de um modelo, os caoístas geralmente optam por modelos que mostram uma realidade mais caótica, pois abre um universo de possibilidades. Em suma, cada modelo tem seus altos e baixos.

Claro que quando eu digo que não é possível fazer magia fora de um modelo, nem mesmo isso deve ser visto como uma afirmação absoluta. Eu uso até mesmo essa colocação meta-paradigmática como um paradigma.

Mas você não precisa ficar louco ao estudar teoria da magia, tentando entender o que realmente é a magia e como ela atua. Isso é difícil de descobrir, por isso no caoísmo nós optamos por ser pragmáticos: use a teoria ou a prática que te gere resultados interessantes.

O que é um resultado interessante? Isso cada magista deve descobrir. Cada um é livre para usar magia para o que bem entender. Sempre há os moralistas defendendo que magia só deve ser usada para A e não para B. Algumas vezes pode ser que eles estejam certos, mas os magistas também merecem a liberdade de explorar um pouco o que funciona até chegarem em suas próprias respostas.

E aqui nós caímos novamente na questão da hierarquia. Um sistema hierárquico já te deu estas respostas e já te colocou num ranking. Esse sistema te indicou o caminho que você deve seguir para “evoluir espiritualmente”, seguindo um passo a passo mais ou menos determinado. Isso é válido. Esse sistema pode ser usado com sucesso. Mas não é a única forma de fazer as coisas. Provavelmente não é a melhor, pois o que é melhor pode variar de pessoa para pessoa.

Eu particularmente não me sinto tão à vontade ao pensar em termos de melhor ou pior na magia. Para mim, a Magia do Caos permite descobertas, transformações e sobretudo autoconhecimento. Para alguns (note, não para todos!), é difícil haver autoconhecimento quando você já tem tudo pronto numa cartilha e não tem a liberdade de refletir, de questionar e de construir suas perguntas e respostas. Porém, cada pessoa é diferente e cada um tem a liberdade de conhecer a si mesmo da forma que bem entender e não precisa dar satisfações.

Acredito que a maior parte dos desentendimentos que existem no ocultismo é porque cada magista clama ter encontrado a forma “melhor” de fazer magia. A meu ver, não há uma forma melhor, pois cada indivíduo é único. Ou se realmente existe um caminho melhor, é difícil definir o que ele realmente seja através de nossa razão e de nossos sentidos. Essa primeira falha inerente à natureza humana é chamada de “ídolos da tribo” por Francis Bacon: tanto o intelecto quanto as percepções sensoriais estão sujeitos a enganos.

Alguns magistas podem dizer: “Eu li mais livros” ou “Consigo mover objetos com a mente” ou “Meus feitiços sempre funcionam” ou “Sou iniciado em dez Ordens diferentes” ou “Faço mais doações para instituições” ou “Sou ativo politicamente”.

Todas essas coisas são ótimas, mas eu acredito que não é nada disso que defina em absoluto o nível de magia, nível espiritual ou mesmo o caráter de uma pessoa. Simplesmente porque eu prefiro tentar olhar para a realidade como, por natureza, isenta de hierarquias. Para mim, pelo menos a maior parte dessas hierarquias foram artificialmente inventadas por nós.

Alguém pode clamar: “O certo e o errado, o bem e o mal, eles são absolutos, não são construções históricas e sociais”. Existe uma chance de isso ser verdade. Mas mesmo se for, quem realmente consegue diferenciar essas coisas se a mente e o mundo são tão complexos e existem tantos ídolos distorcendo nosso entendimento?

Vamos supor que, na maior parte das situações, sejamos capazes de diferenciar o bem e o mal. E provavelmente nós somos. Mas quem disse que isso é uma competição?

Há essa mania de competir, seja no mundo ou na magia. E isso não me surpreende. Somos incentivados a competir desde o colégio, com as notas. Na universidade, no trabalho. E os sistemas e teorias da magia foram construídos no interior de um mundo competitivo, que funciona como um jogo.

O jogo da magia é: “vamos evoluir espiritualmente. Vamos ver quem ganha. Vejamos quem é o mais bondoso e o mais poderoso”. Eu não sou contra competições saudáveis. Porém, como eu já mencionei antes, pode haver o risco de transformar uma boa intenção em algo perigoso, como a ideia de que existem os “escolhidos ou iniciados sábios” e a “massa ou o gado ignorante”. Um dualismo, a meu ver, bastante negativo. Em vez de desejar destruir a dualidade, queremos fazer parte dos “sábios” e manter a dicotomia. Como disse Paulo Freire, o sonho do escravo não é acabar com a escravidão, mas tornar-se um senhor que possui escravos.

Acho que cada pessoa deve ser livre para explorar a magia no seu ritmo. Ir descobrindo a si e ao mundo pouco a pouco, de forma natural e divertida. O magista não precisa sacrificar a si mesmo pelo bem do mundo (pode ajudar os outros, mas sem prejudicar a si) ou treinar meditações ou feitiços horas por dia pelo desejo de se tornar “mais poderoso”.

Claro, como foi dito, na magia queremos ganhar o jogo: ser o mais sábio, o mais poderoso, o mais bonzinho, o mais qualquer coisa, contanto que seja “o mais”. Vamos ver quem leu mais livros, quem ganha as discussões, quem dobra o mundo material a seus pés com a magia ou quem é o redentor do mundo, para se tornar um herói e receber a aprovação dos outros.

Evidentemente, quem se diverte jogando o jogo, pode continuar, principalmente se os resultados forem positivos. Se a competição estimula o magista a estudar, praticar ou até a ser mais gentil, que legal! Então use a hierarquia de forma positiva. Isso é possível.

No entanto, devo dizer que eu, particularmente, prefiro tentar não jogar tanto o jogo da hierarquia. Não acho que “os fins justificam os meios”. Não acredito que seja justificável fazer as coisas certas pelos motivos errados (considerando o que é “certo” e “errado” dentro desse modelo).

Ainda acho mais válido simplesmente dizer: que tal deixarmos de lado a ideia de evolução espiritual? Para mim essa é uma ideia de Darwin que faz sentido na biologia (e até mesmo na biologia ela não é absoluta). A evolução não necessariamente se aplica tão bem ao ocultismo. A propósito, no livro “A Origem das Espécies” Darwin deixa claro que aplicou a teoria de Malthus (que posteriormente se mostrou incorreta) para desenvolver a ideia de luta pela sobrevivência. Não sei porque muitos colocam um status quase divino nas ideias de cientistas como Darwin e Einstein, já que a história nos mostra que tais teorias irão eventualmente se mostrar não tão corretas no futuro ou serão no mínimo complementadas por outras. São hipóteses verificadas pela experiência, mas que não descrevem de forma absoluta a realidade. Não há nenhuma razão, tampouco, para aplicar as teorias atualmente aceitas (que são temporais) para o que ocorreria ao nosso espírito, que, segundo se costuma dizer, seria atemporal.(Só abrindo um parênteses: isso não significa que devemos deixar de dar crédito à ciência.

Devemos considerá-la como divulgadora de verdades provisórias até que surjam teorias melhores. O método científico não é perfeito, mas é bom o bastante para confiarmos nele, com os devidos cuidados. É algo vivo e em constante transformação, sempre desafiando a si mesmo).

Não acho que devemos desesperadamente tentar fazer o bem para outras pessoas a custa de nossa saúde e sanidade ou estudar magia loucamente e sem parar para “estar na frente dos outros”. Deve haver um equilíbrio. Eu acho que os magistas formam um grupo múltiplo, vejo beleza na diversidade. Ninguém é melhor, mais poderoso, mais sábio ou mais “espiritualmente avançado” do que ninguém. As pessoas são apenas diferentes.

Claro que sempre podemos melhorar a nós mesmos, mas até essa ideia de “melhorar” a si não precisa ser vista de forma absoluta ou fatalista. Nós estamos sempre aprendendo, mas também desaprendendo. Acho duvidosa essa ideia de que gradativamente nos tornamos cada vez melhores. Até a evolução na biologia frequentemente atua de forma aleatória. Uma mutação pode até extinguir uma espécie. O nosso cérebro é seletivo, deleta informações o tempo todo, esquece coisas. Nossa memória engana. E um dia ela vai desaparecer.

Pode existir coisas como karma e alma imortal, mas não sabemos direito como isso funciona. O que sabemos é que, aparentemente, nosso corpo está vivo, nosso cérebro aprende e esquece coisas, passa os genes adiante e morre. Enquanto isso podemos criar, destruir, aprender coisas e esquecer. A magia entra aí no meio num contexto histórico e cultural, no meio da arte e da espiritualidade.

Nós criamos sentido para as coisas, inventamos padrões e hierarquias. Outros nós descobrimos, sem ter certeza se é uma ilusão ou a verdade. O padrão parece funcionar por um instante. Em outros momentos pode não funcionar mais, pois a realidade e a mente são dinâmicas.

A magia pode trazer grandes momentos de diversão, deleite e descobertas. Aprendizados e esquecimentos, que não são lineares. Para mim, não existe uma escadinha que marque uma evolução espiritual e que te faça subir até o céu. E se existir, ela pode ser tão diferente do que imaginamos que poderia se assemelhar mais a uma espiral ou a algo que aos nossos olhos pareceria um grande caos.

Portanto, a ideia de que estamos realmente “avançando” no entendimento da magia e do mundo ou “evoluindo”… será que faz sentido? A partir do Iluminismo muitos começaram a falar na ideia de progresso (criticada por Rousseau) e na supremacia da razão humana, no domínio sobre a matéria através da ciência. Até que estouraram as Grandes Guerras. Se estamos sempre progredindo, por que o sistema heliocêntrico de Aristarco de Samos foi retomado somente muitos séculos depois?

É bem aceito na biologia que o ser humano não é mais evoluído do que outros animais, mesmo possuindo a razão. Alguns animais voam, outros respiram embaixo d’água; existe a ideia de um ser mais adaptado ao ambiente em que vive e não um animal mais evoluído que todos, de forma absoluta. E se o ser humano não está mais evoluído que outro animal, por que um ser humano estaria mais evoluído que outro? Se isso faz sentido do ponto de vista biológico, faria ainda mais do ponto de vista espiritual, que seria mais subjetivo.

Para alguns a ideia de evolução espiritual pode soar simpática. Para outros, pode haver soluções melhores. Aconselho usar a visão que mais te agrada, que mais faz seu coração bater forte e seguir experimentando e compartilhando suas descobertas. Não somente por desejo de ser melhor ou de evoluir, mas pela alegria de se divertir com os amigos. No final, pode ser que todos esqueçam de tudo, seja ainda em vida ou na morte, mas ainda assim terá valido a pena.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hierarquia-dualismo-e-evolu%C3%A7%C3%A3o-espiritual

9 Pontos da Filosofia Satânica

O Manifesto a seguir trata-se da resposta magistral de uma bruxa satânica frente a indagação: Quais foram os passos mentais de sua escalada pessoal que permitem hoje você proclamar com orgulho sua identidade como satanista?

Eis a resposta:

1. Eu vivo por mim, tendo por base o Satanismo Moderno. Deste ponto, parte todos os meus caminhos.

2. Não acredito em deuses, pois os mesmos foram criados por humanos de tempos antigos. Acredito na existência de seres que não possuem corpo físico, que permeiam o universo, agindo independente de culto ou não. E seria muito errado dar-lhes nomes ou atribuições humanas, já que eles estão além disso. Apenas deixo sua ação agir em mim sem idolatrias.

3. O corpo é o altar onde divinizo-me. A mente é o meu trono. Por isso, necessito viver da melhor forma possível neste mundo, adaptando-me à sociedade a qual vivo, pois para estar neste mundo e nela, preciso lutar para viver, e não sobreviver, por meio do trabalho, da elevação do meu intelecto e erudição através dos estudos e leituras.

4. Eu não tenho limites. Vivo intensamente, sem culpa ou pecado. E não me restringiria por convenções, moral ou imposições.

5. A Lei do Talião é a maior das leis. E eu aplico isso aos que me tratam bem, e aos que tentam me prejudicar.

6. Os símbolos e sistemas mágickos criados servem apenas como um norte para a criação do próprio sistema mágicko. Todos os deuses e deusas são arquétipos que podem ajudar no entendimento do Daimon interior.

7. Rito não é teatro. As intenções mencionadas nos ritos devem ter reflexo direto na vida do Satanista. Isso sim é Magia Satânica.

8. Todas as relações humanas são baseadas em interesses. Não existem amigos: existem concorrentes ou aliados. Isso não é usar as pessoas, mas conviver em sociedade. Tudo é troca.

9. Racismo não é desprezar um povo, uma cultura, uma religião, ou o que seja. É colocar a sua Pátria, a sua Filosofia, o seu grupo social, você mesmo, acima de tudo. Principalmente acima da escória, dos fracos, dos “tangidos como gado”, entre outros.

Elaine .Z:

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/9-pontos-da-filosofia-satanica/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/9-pontos-da-filosofia-satanica/

Absurdos Bíblicos

Confira abaixo uma seleção inicial de absurdos, contradições e contrasensos encontrados no texto bíblico do Antigo e do Novo testamento, Você verá que a Bíblia pode ser uma leitura muito divertida para aquele com imaginação forte.

GÊNESIS 1:29 Todas as plantas com semente, todas as árvores em que há fruto que dá semente servirão de alimento para o homem (e as plantas venenosas com semente?)

GÊNESIS 4:17 Caim constrói e povoa uma cidade em duas gerações apenas.

GÊNESIS 6:4 Gigantes na Terra.

GÊNESIS 6:5 Por estar insatisfeito com o homem, Deus decide inundar a terra e eliminar toda a humanidade. Todos os seres vivos, plantas, animais, mulheres e crianças inocentes são também exterminados (Isso é como por fogo numa casa só por ela estar infestada de ratos).

GÊNESIS 8:20 O primeiro ato de Noé após o Dilúvio foi o de sacrificar um exemplar de cada espécie de animal limpo e de cada ave ao Senhor… (Levando-se em consideração a existência de somente um casal de cada na Arca, isso foi no mínimo um absurdo). Além disso, se tudo havia perecido, de que iriam os animais se alimentar quando saíssem da Arca?

GÊNESIS 8:21 O odor da carne sacrificada agradou ao Senhor.

GÊNESIS 30:37-43 Jacó altera a estrutura genética do gado fazendo com que eles procriem em frente a varas de madeira verde descascada, fazendo com que os bezerros nasçam listrados e malhados por essa influência visual (e Jacó fazia isso para enganar Labão a quem servia…)

GÊNESIS 38:27-29 Nascimento de gêmeos: “e aconteceu que dando ela à luz, que um pôs fora a mão, e a parteira tomou-a e atou em sua mão um fio roxo, dizendo: este saiu primeiro. Mas aconteceu que tornando ele a recolher a sua mão, eis que saiu o seu irmão e ela disse: como tens tu rompido?… E depois saiu o seu irmão em cuja mão estava o fio roxo”.

EXODUS 12:30 O Senhor mata todos os primogênitos do Egito, inclusive o dos animais, e não há uma casa onde não há pelo menos um morto (Isso quer dizer que em todas as casa havia pelo menos um primogênito).

EXODUS 12:37, NUMEROS 1:45-46 O número de judeus homens que partiu do Egito é de 600.000 Considerando-se no mínimo uma mulher, um filho e uma pessoa idos a para cada um deles, temos um total de aproximadamente 2.000.000 de israelitas saindo do Egito, numa época em que toda a população de egípcios era menor que esse número.

NUMEROS 22:21-30 Uma jumenta vê um anjo, reconhece-o como tal e começa a falar na língua humana (provavelmente em Hebreu) com o seu dono.

DEUTERONOMIO 1:1 Moisés discursa para todo o povo de Israel (cerca de 2.000.000 de pessoas!)

DEUTERONOMIO 7:15 Moisés promete a seu povo que Deus não deixará que ninguém fique enfermo e no versículo 14 diz que ninguém será estéril, nem mesmo dentre os animais.

DEUTERONOMIO 25:5-9 O homem tem por obrigação manter relações sexuais com a viúva de seu irmão, para nela gerar um filho. Caso ele se recuse, a sua cunhada deverá cuspir em seu rosto na frente dos mais velhos.

JUÍZES 3:21-22 (KJV) “Eude pegou da adaga e a enfiou no ventre, de tal maneira que entrou até a empunhadura após da lâmina e a gordura encerrou a lâmina e saiu-lhe o excremento…”

JUÍZES 7:12 Os camelos eram tão numerosos como os grãos de areia da praia.

JUÍZES 20:16 Havia setecentos homens canhotos escolhidos, os quais todos acertavam com a funda uma pedra em um fio de cabelo, e não erravam…

REIS I 3:12, 16-28 Salomão, o homem mais sábio que já existiu, não consegue pensar em um jeito melhor para determinar qual a mãe verdadeira de uma criança, a não ser ameaçando esquartejar a criança. (Isso sem falar no distúrbio mental que poderia ter causado na mãe verdadeira, pois afinal ele era o Rei, todo poderoso, e estaria falando a
verdade).

REIS I 6:2, CRÔNICAS II 3:3 O templo de Salomão tinha 28 metros de comprimento por 13 de largura. E mesmo assim: REIS I 5:15-16 153.300 pessoas foram usadas na sua construção.

REIS I 6:38 Sua construção durou 7 anos.

CRONICAS I 22:14 5,8 toneladas de ouro e 52 toneladas de prata foram consumidos em sua construção.

CRONICAS I 23:4 24.000 supervisores e 6.000 oficiais e juizes foram
empregados na obra.

REIS I 10:24 Toda a terra buscava Salomão para ouvir sua sabedoria.

REIS I 17:2-6 Deus ordena aos corvos que levem pão e carne a Elias em seu refúgio.

REIS II 6:5-7 Uma viga de ferro sai nadando.

CRÔNICAS II 7:5, 8-9 Salomão sacrificou ao Senhor 22.000 bois e 120.000 ovelhas em uma semana. Isto dá mais de 845 animais por hora, mais de 14 por minuto, sem parar durante toda a semana.

CRÔNICAS II 21:20, 22:1-2 Acazias tinha 42 anos quando se tornou rei; ele sucedeu seu pai, que morreu com a idade de 40 anos. Assim, Acazias era dois anos mais velho que seu
próprio pai!

CRÔNICAS II 13:3 Abias enviou 400.000 homens para a batalha contra os 800.000 homens de Jerobão. Isso dá um total de 1.200.000 indivíduos, todos judeus. (Imaginando no mínimo mais 2 pessoas por cada um – seus pais ou seus filhos – daria uma população judia naquela área de cerca de 4.800.000 pessoas, um número fantástico.

CRÔNICAS II 13:17 500.000 Israelitas morrem numa única batalha.(Isso é muito mais do que as mortes ocorridas nas batalhas da Segunda Guerra Mundial)

SALMOS 121:6 O sol não te molestará de dia nem a lua de noite.

MATEUS 4:8 Existência de uma montanha tão alta que de seu alto podem ser vistos todos os reinos da Terra. (Terra plana.)

MATEUS 4:23-24, 9:32-33, 12:22, 17:14-18, MARCOS 1:23-26, 32-34, 5:2-16, 9:17-29, 16:9, LUCAS 11:14, 4:33-35, 8:2, 27-36, 9:38-42, ATOS 8:7, 16:16-18 Tanto as doenças físicas quanto as mentais são causadas por possessão demoníaca e podem ser curadas pelo exorcismo.

MATEUS 27:52-53 Os corpos dos santos mortos se levantaram dos túmulos e
invadem a cidade.

MARCOS 11:12-14, 20-21 Jesus amaldiçoa e seca uma figueira só porque ela não estava dando frutos fora da estação.

MARCOS 16:17-18 Aqueles que tem fé podem segurar em serpentes e beber veneno sem que sofram nenhum mal.

JOÃO 12:34 Uma verdadeira multidão (em uníssono?) faz uma pergunta com cerca de trinta palavras a Jesus (Respondeu-lhe a multidão: “nós temos ouvido da lei, que o Cristo permanece para sempre; e como dizes tu que convem que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse filho do homem?”).

TIMÓTEO 5:09-11 “Nunca seja inscrita viúva com menos de 60 anos, e só a que tenha sido mulher de um só marido…” “não admitas as viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristro, querem casar-se”.

TIMÓTEO 6:10 O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.

TITO 1:12 “Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos….”

HEBREUS 7:1-3 Melquisedeque não teve mãe nem pai, nem princípio nem fim.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/absurdos-biblicos/ […]

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