A História da Golden Dawn

A Golden Dawn (ou Aurora Dourada), foi a segunda sociedade ocultista mais importante do século passado (a primeira foi a Sociedade Teosófica de H.P. Blavatsky). Foi criada em 1880 por quatro membros da S.R.I.A. (Societas Rosecruciana in Anglia) chamados:

  • A.F.A. Woodford, membro do Clero Anglicano e Maçon;
  • William Wynn Westcott, médico legista;
  • W.R. Woodman, médico;
  • Samuel Liddell Mac Gregor Mathers, estudioso de ocultismo.

A principal proposta da Ordem Hermética da Aurora Dourada, era colocar em prática os Rituais e Ensinamentos da Magia, fortemente influenciados pelos textos de John Dee, Eliphas Levi e Francis Barret, entre outros.

Sua reivindicação era a de ser a verdadeira herdeira dos primórdios do rosacrucianismo e dos princípios de Cristian Rosenkreutz (misterioso pai do rosacrucianismo), baseando-se num misterioso conjunto de manuscritos cifrados, oriundos de Westcott. De posse desses documentos cifrados, encontraram em meio a estes, uma carta com o endereço da Fraülein Ana Sprengel (Sapiens Dominabitur Astris = O Sábio Será Governado pelas Estrelas) originária de Nuremberg. Mais tarde descobriu-se que esses documentos foram na verdade, criados por eles.

Esses manuscritos estavam em inglês arcaico, transcritos num código “secreto” inventado no séc. XVI pelo Abade Trithemius. Nesses manuscritos encontram-se os rituais e a estrutura hierárquica básica da organização.

Através de um grande volume de cartas remetidas pelos dois lados, o quarteto de magos foi instruído de forma a preencher os rituais esboçados nos manuscritos cifrados. Em 1887 Ana Sprengel deu ao grupo, que até então estava subordinado à ela, autoridade suficiente para poderem abrir a primeira Loja (ou Templo) da Aurora Dourada, o Templo de Ísis-Urânia. Logo após a fundação do Templo foi anunciada a morte de Ana Sprengel.

A Aurora Dourada era fundamenta em Graus de aprimoramento, onde o estudante evoluía de acordo com suas aptidões. O recrutamento de novos membros era feito na maioria das vezes por cooptação, através de um padrinho, que iria cuidar de sua evolução dentro da organização e de sua diligência nos estudos.

A divisão dos Graus era baseada na Árvore da Vida, proveniente da Qabalah. São onze Graus divididos em três classes cada. A partir do Sexto Grau, ao que nos parece, reúne não seres humanos, mas entidades ou seres superiores.

A Grade de Estudos era bastante exigente em relação ao estudante, que, para passar de um Grau a outro necessitava provar seu domínio do Grau ao qual estava preste a abandonar.  Partindo de rituais do Pentagrama, Armas Mágicas, Talismãs, conversas com Anjos e Artes Divinatórias, pretendiam dar ao estudante o domínio do mundo em que este vivia.

A partir de 1892, Mathers começou a chefiar a Aurora Dourada praticamente sozinho, alegando que era iluminado por Mestres Secretos, os quais lhe davam plenos poderes para tanto. Criou-se então a Ordem Interna (Rubrae Rosae et Aurae Crucis = R.R.A.C.).

Os rituais da Ordem eram bem construídos pelo profundo conhecimento que Mathers tinha do ocultismo e eram plenos de poesia e filosofia. Seus efeitos sobre o espírito humano eram inegáveis assim como seus resultados.

Em 1898, Aleister Crowley ingressa na Aurora Dourada, tornando-se discípulo de Alan Bennett. Por seu talento com as artes esotéricas e pela sua perspicácia, adquiriu o respeito de Mathers. Por esse mesmo motivo além de sua independência nos estudos, surgiram atritos com outros membros da ordem. Em 1899, os membros de Londres recusaram-se a dar a Crowley o ingresso na Ordem Interna. Essa atitude contribuiu para a desagragação da Ordem conforme veremos a seguir.

Mathers havia se mudado para Paris com sua esposa Moina, para fundar um ramo continental da organização e lá conferiu a Crowley o grau de Adeptus Minor. Isso causou furor nos membros de Londres que votaram a expulsão de Mathers da Chefia da Organização.

A partir de 1900, a história da Aurora Dourada parecia estar chegando ao fim. Mathers troca insultos com vários membros da Ordem. Expulsou Florence Farr de seu posto de segunda no comando da organização. Mathers então manda Aleister Crowley a Londres para reprimir os rebeldes.

Após vários episódios bastante dramáticos e alguns até tragicômicos, Mathers foi afastado da Ordem. Depois do ano de 1900, a Ordem Hermética da Aurora Dourada deixou de existir na sua forma original, sendo dividida em diversos seguimentos, a saber: A Ordem de São Rafael, A Stella Matutina, Alpha-Omega, A Luz Interior, Builders of the Adytum.

A organização tentou reerguer-se através das mãos de outros grandes nomes do ocultismo, como Yeats, e A.E. Waite, mas seus esforços não conseguiram manter nem uma pálida lembrança dos dias de glória daquela que seria conhecida mais tarde como a maior Sociedade Rosacruz de todos os tempos.

A Ordem separou-se em várias facções que lutavam entre si pelo posto de verdadeira herdeira da Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Hoje ainda existem várias Lojas e Templos espalhados pelo mundo que se dizem descendentes daqueles quatro magos. A verdade de sua herança, apenas o tempo será capaz de dizer.

A Aurora Dourada foi o centro onde reuniram-se grandes cabeças da época, sendo que, da totalidade, podemos citar com segurança:

  • Maud Gonna, musa inspiradora de William Butler Yeats;
  • William Butler Yeats, poeta, nobel de literatura de 1924;
  • Jean-Marc Bride, pai de Maud Gonna, político;
  • Florence Farr, atriz, conselheira de Bernard Shaw;
  • William Peck, astrônomo;
  • Gérard Kelly, presidente da Real Academia;
  • Arthur Machen, escritor;
  • Bram Stocker, escritor, autor de Drácula;
  • Violet Wirth, ou seja, Dion Fortune, escritora;
  • Sam Rohmer, escritor;
  • Edita Montés, condessa de Landsfeld, filha bastarda de Luís I da Baviera, e de Lola Montés;
  • Bulwer Lytton, escritor de Zanoni;
  • Aleister Crowley, mago, fundador da Astrum Argentum, mais tarde O.H.O. da O.T.O

“Como um prelúdio ao que sucederá mais adiante, haverá agora uma reforma geral, tanto de coisas divinas como humanas, conforme desejamos, e outros esperam. Pois, é natural que, antes do nascer do Sol, surja a AURORA, ou alguma claridade, ou divina luz, no Céu; e, entretanto, alguns, que darão seus nomes, se reunirão para aumentar o número e o respeito de nossa FRATERNIDADE, dando feliz e tão desejado começo aos nossos Cânones Filosóficos, para nós prescritos pelo nosso irmão R.C., participando então dos nossos tesouros (que nunca se esgotam ou corrompem), com toda humildade, e amor que os alivie do labor e das misérias deste mundo, de modo que não caminhem tão cegamente no conhecimento das maravilhosas obras de Deus.” -FAMA

por Frater Goya

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-da-golden-dawn/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-da-golden-dawn/

A Perda da Phobos-2

Muitas pessoas acreditam, ou pelo menos desconfiam, que o insucesso de diversas missões exploratórias do sistema solar é devido a alguma interferência de seres extraterrestres. De todas as sondas espaciais que foram perdidas, a soviética Phobos-2 foi certamente a que gerou mais controvérsia. Supostamente fotos enviadas pela sonda antes da perda de contato mostrariam estranhos objetos em formato de charuto de quilômetros de tamanho. A implicação é óbvia: a sonda mostrava clara e dramaticamente o OVNI responsável por sua perda, tal qual um cinegrafista filmando alguém dando um murro na lente da câmera.

E como toda história não poderia ficar completa sem as fotos citadas, duas costumam acompanhar a história. A primeira mostra uma misteriosa sombra alongada, e é avisado que essa não poderia ser a sombra da própria lua de Marte Fobos porque é alongada demais (ou em formato de charuto):

É preciso notar que algumas versões diferentes de fotos da Phobos-2 mostrando a sombra modificam os contrastes para fazer com que ela pareça mais sólida do que realmente é. Se tais mudanças são feitas por causa da má qualidade da impressão ou para qualquer outro fim o leitor poderá decidir.

Já a outra foto que acompanha a história é muito mais intrigante:

O objeto à esquerda seria uma das luas de Marte (alguns dizem que é Fobos, outros que seria Deimos). Considerando isto, o objeto à direita deveria ter quilômetros de tamanho, sendo outro objeto em forma de charuto. Alguns dizem que essa seria a última foto enviada pela sonda.

O que há de realmente estranho nisso tudo?

Sondas são Artefatos Complexos

A Phobos-2 e sua sonda-irmã, Phobos-1, eram a terceira geração de sondas soviéticas enviadas à Marte no meio do ano de 1988. O detalhe é que as duas gerações anteriores foram fracassos retumbantes, e a própria Phobos-1 havia sido perdida pouco antes devido a um comando errôneo.

Por pouco a Phobos-2 não teve o mesmo destino da Phobos-1. Diversas falhas de seus sistemas eletrônicos a afetaram e quando chegou a Marte operava precariamente. Mesmo assim, conseguiu entrar em órbita e realizar boa parte de sua missão, enviando 37 fotografias e relizando diversos outros experimentos nos 60 dias em que ficou em órbita marciana.

Além de se voltar para Marte, a sonda periodicamente se voltava para a lua Fobos, o real destino da missão, e nessa manobra perdia contato com a Terra porque a antena deixava de apontar em nossa direção.

Em 27 de março de 1989 a sonda que estava em contato com a Terra iniciou outra manobra para fotografar Fobos e como esperado os sinais de rádio cessaram. Mas ele não voltou mais. Em uma análise mais cuidadosa, descobriu-se que havia pequenos sinais inconstantes da sonda, como se ela estivesse girando incontrolavelmente e apenas ocasionalmente apontando sua antena para a Terra. Pouco depois todos sinais pararam.

Esta seqüência de eventos não combina muito com a história contada popularmente sobre misteriosos OVNIs destruindo a sonda, mas vamos dar uma segunda olhada para as fotos.

A Sombra

Clique para ir ao release da NASAComo a sombra tem quilômetros de tamanho parece razoável perguntar se não seria a sombra da própria lua Fobos.

Ao lado pode ser vista uma foto da sombra de Fobos sobre Marte como tomada pela sonda americana Mars Global Surveyor em 1999 (clique na foto para ir ao release da NASA). A sombra de Fobos também foi vista pelas missões Viking e Mariner.

Deve estar razoavelmente claro que a sombra de Fobos alongada é muito similar à ‘misteriosa’ imagem que a Phobos-2 enviou. Poderíamos nos dar por satisfeitos, mas pode ser feita uma objeção a essa explicação.

A sonda estava bem próxima da lua Phobos. Nesta situação, a sombra simplesmente não deveria ter aparecido tão alongada. Para que esse alongamento pudesse ser tão grande, a sonda deveria estar razoavelmente distante da lua que criava a sombra. É uma questão de perspectiva.

Segundo o cientista da missão Aleksandr Selivanov, o efeito poderia ser explicado de outra forma. O sistema de imagens não é uma câmera fotográfica, mas um “radiômetro de varredura”, e não toma imagens de uma só vez, mas vai varrendo a superfície através de um espelho movendo-se de forma perpendicular ao movimento da sonda ao redor de Marte. Ela é um conjunto de diversas tomadas parciais.

Se a órbita da sonda fosse perfeitamente estável, a sombra deveria ter aparecido como um risco escuro bem no meio da imagem, à medida que a sonda formava a imagem linha por linha. Porém, devido a pequenas imperfeições em seu movimento, o resultado teria sido essa sombra alongada.

Segundo Selivanov, como todas essas sombras (sim, várias foram enviadas) estão precisamente alinhadas com a órbita da sonda, não há dúvidas de que não são objetos próximos de Marte. São a sombra de Fobos.

A Anomalia

A segunda foto que circula com a ‘misteriosa’ história sobre a perda da Phobos-2 é um tanto mais estranha. Enquanto alguns relatos dizem que a imagem que discutimos há pouco seria a ‘última enviada pela Phobos-2’, outros dizem que esta é que seria a última foto. Certamente essas manchas parecem mais dramáticas.

A verdade porém é que a data na imagem é de 25 de março de 1989, ou seja, dois dias antes que perdêssemos contato.

Provavelmente, ela é um defeito no sistema de transmissão da sonda, que como vimos, já sofria diversas restrições e falhas. Algo que apóia esta explicação é que a linha acompanha as linhas de telemetria.

Conclusões

Pode muito bem existir um demônio devorador de sondas ao redor de Marte, mas é feliz ou infelizmente muito mais sensato aceitar que elas são perdidas porque é uma tarefa muito difícil enviar com sucesso sondas para lá, ou para qualquer outro planeta. Não sabemos precisamente quais as causas do fracasso da Phobos-2, contudo dados os diversos fracassos anteriores e as sérias falhas que ela já sofria antes de entrar em silêncio definitivo dificilmente precisaremos pensar em ETs.

A perda da Phobos-2 não é nenhuma evidência convincente de naves alienígenas abatendo sondas e é apenas através da falta e mesmo distorção de informações que veículos sensacionalistas promoveram a história.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-perda-da-phobos-2/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-perda-da-phobos-2/

A Abolição da Estupidez

Dois eminentes e inteligentes homens, R. Buckmisnter Fuller e Werner Erhard propuseram que nós poderíamos e deveríamos abolir a desnutrição até o final deste século. Este objetivo é racional, prático e desejável – portanto ele é naturalmente denunciado como utópico, fantástico e absurdo.

Eu desejo propor um objetivo semelhante que também é racional, prático e desejável e que, portanto, será igualmente denunciado como utópico, fantástico e absurdo. Eu sugiro uma Guerra Mundial contra a Estupidez.

Embora os estúpidos venham naturalmente a se ressentir disso, eu dirijo as minhas idéias para aqueles que não são completamente estúpidos ou aqueles que não são estúpidos o tempo todo, isto é, aqueles raros indivíduos que possuem momentos Iúcidos ocasionais.

A argumentação para essa Noção Revolucionária são os pontos que se seguem:

1. Embora possamos parecer irônicos ao afirma-lo, este planeta parece estar controlado e amplamente populado por pessoas que não são homens ou mulheres razoáveis em muitos aspectos. Voltaire, é lógico, poderia estar exagerando quando disse que a única forma de compreender a conceito matemático do infinito era contemplar a extensão da estupidez humana; mas a situação parece ser realmente assim. Apenas para mencionar alguns exemples: Hitler assassinou seis milhões de judeus por razões que eram totalmente insanas; a Senador Joseph McCarthy liderou uma louca caça às bruxas contra os Comunistas que arruinou muitas pessoas inocentes e nunca teve nenhum sucesso em descobrir um único Comunista incontestável; Anita Bryant desencadeou uma cruzada do tipo Século Treze contra os homossexuais, etc.

Não é exagero dizer que milhões de humanos foram assassinados no curso de tais processos de ‘bode expiatório’ irracionais ao longe da história. Já que cada um de nós pertence, de uma forma ou outra, a algum grupo minoritário, qualquer um de nós poderá ser o alvo da próxima caça às bruxas e, se eles nos queimarem nada irá restar que possa ser preservado criônicamente …

A estupidez não é traço exclusivo do estúpido; você não necessita de uma ‘vocação’ para ser estúpido, como ocorre com o sacerdócio. Ela parece ser uma perturbação sóciosemântica que nos afeta vez por outra. Exemples notórios podem ser encontrados na vida dos ‘grandes’ tais corno Sinon Newcombe (o astrônomo que descobriu a planeta Netuno) que ‘provou’ matematicamente que o vôo mais pesado que o ar era impossível; a Academia Francesa recusando-se a estudar as evidências da existência de meteoritos no século dezoito, etc. (Alguns incluiriam as tentativas de Einstein de refutar a fator do acaso na mecânica quântica como mais um exemplo de estupidez numa mente de alta qualidade).

Mais amplamente, como Thomas Kuhn demonstrou na ‘Estrutura das Revoluções Científicas’, uma medida exata da extensão da estupidez dos eruditos é dada pelo fato que cada revolução científica parece demorar uma geração para se implantar. Corno Kuhn documenta abundantemente, esta defasagem de uma geração parece ser causada pelo fato de que os cientistas mais velhos dificilmente aceitam um novo modelo, por melhor que este seja, e a revolução somente ocorre quando uma segunda geração, com menos preconceitos, examina ambos os modelos, o velho e o novo, de forma objetiva e determina que o novo modelo é mais útil.

Mas se a ciência, o paradigma da racionalidade, está infestada com uma quantidade mais do que suficiente de estupidez para gerar esta defasagem generacional, o que poderia ser dito da política, economia e religião? Defasagens de milhares de anos parecem ser normais nessas áreas. Realmente, foi principalmente contemplando a história religiosa que Voltaire foi levado a concluir que a estupidez humana se aproximava do infinito. O estudo da política não parece ser mais inspirador e qualquer exame de um debate econômico sugere fortemente que o teólogo da Idade das Trevas ainda está no nosso meio, trabalhando agora num outro departamento.

Não desejamos prolongar este assunto, já que foi amplamente discutido por Jonathan Swift e Mark Twain, entre outros. Vamos apenas resumir a assunto dizendo que a estupidez assassinou e aprisionou mais gênios, queimou mais livros, dizimou mais populações e bloqueou o progresso com maior eficiência do que qualquer outra força na história. Não seria exagero dizer que a estupidez matou mais pessoas do que todas as doenças conhecidas pela medicina e psiquiatria.

Várias curas foram tentadas é lógico. Sócrates pensou tê-la encontrado na dialética, Aristóteles na lógica, Bacon no método experimental; o Século Dezoito na democracia universal e na alfabetização, Freud na psicanálise, Korzybski na Semântica Geral, etc. Embora todas essas invenções tenham sido benéficas para alguns de nós por algum tempo, elas não impediram as epidemias mundiais desta praga e não conseguiram mesmo abolir totalmente as recaídas ocasionais na estupidez dos seus mais evoluídos praticantes (no que o autor enfaticamente se inclui).

2. Se a inteligência pudesse ser amplificada então soluções óbvias seriam encontradas de forma mais rápida para os vários cenários de Apocalipse que presentemente nos ameaçam.

A. Por exemplo, se cada cientista trabalhando no problema dos recursos energéticos pudesse dobrar sua inteligência, o trabalho que exigiria dez anos poderia ser feito em cinco anos.

B. Se a estupidez humana diminuísse de forma generalizada, haveria menos oposição ao pensamento criativo e a novos enfoques para os velhos problemas.

C. Se a estupidez diminuísse, menos dinheiro seria gasto nas imensas imbecilidades organizadas tais como a corrida armamentista e guerras e maiores recursos poderiam ser finalmente destinados para projetos que visassem a melhoria das condições de vida.

Os mesmos argumentos podem ser aplicados para qualquer outro projeto de valia mundial: a abolição da fome e da pobreza; a descoberta da cura da câncer ou da esquizofrenia, etc. Não existe nada racionalmente desejável que não possa ser alcançado mais depressa se a racionalidade vier a aumentar. Isto é virtualmente uma tautologia; ainda assim nós raramente levamos em conta o seu corolário. O trabalho para atingir um grau maior de inteligência é um trabalho para atingirmos todos os nossos outros objetivos.

3. Embora a Dialética, a Lógica, o Método Experimental, a Democracia, a Cultura, a Psicanálise, a Semântica Geral e outras não impediram as epidemias mundiais de estupidez elas certamente criaram algum tipo de força contrária: alguns enclaves de (comparativa) racionalidade nas quais os humanos funcionam com (comparativamente) menos estupidez do que aquela que é o normal para esta espécie domesticada de primata. Nós como uma espécie sempre aprendemos algo de cada uma destas invenções.

Aqueles que têm prática na dialética não serão enganados pela retórica vazia dos demagogos mais vulgares. A lógica protege alguns de nós dos modismos ‘intelectuais’ (ou anti-intelectuais) mais absurdos da época na qual vivemos. 0 método experimental nos mostrou como fugir das armadilhas da lógica puramente abstrata e como conectar a teoria com a realidade.

A Democracia e a Alfabetização tornaram estas invenções, pelo menos potencialmente, disponíveis para as massas ao invés de uma pequena elite embora ainda permaneça a verdade de que você pode levar um burro até a sabedoria mas você não pode faze-lo pensar. A Psicologia nos mostrou que até mesmo o mais ‘racional’ dos seres pode ser dominado por um pensamento compulsivamente irracional. A Semântica Geral demonstrou os reflexos lingüisticos que tornam tão difícil ao ser humano abandonar um velho modelo e aceitar um novo e oferece alguns truques que podem nos ajudar um pouco na quebra destes reflexos.

Mas a Psicologia avançou um bocado desde Freud; a psiconeurologia, desde Korzybski e a Modificação Comportamental, desde Pavlov. Estamos no limiar de uma grande descoberta na guerra contra a estupidez tão certamente quanto estamos no limiar de adquirirmos A Expansão da Vida Humana e A Migração Espacial. A Revolução da Inteligência poderá se provar muito mais ampla nos seus efeitos do que os saltos quânticos da indústria espacial ou da ciência da longevidade.

4. 0 dr. Nathan Kline, que poderia ser chamado de um conservador na área da neurofarmacologia (numa escala onde o Dr. Timothy Leary é um radical e o Governo dos Estados Unidos é reacionário) previu no seu livro ‘As Drogas Psicotrópicas no Ano 2000’ que, nos próximos 10 a 20 anos teremos drogas para ampliar a memória, aumentarou diminuir a emoção, drogas para “apagar” lembranças desagradáveis, drogas para prolongar ou encurtar a infância, drogas para estimular ou eliminar o comportamento maternal, etc. Não é necessário ter muita imaginação para ver que tais produtos químicos nos darão um maior controle sobre o nosso próprio sistema nervoso do que qualquer outra coisa que existiu no passado. Obviamente as pessoas irão USAR E ABUSAR destas drogas de uma variedade de maneiras sejam desejáveis ou não, mas os MAIS INTELIGENTES IRÃO USA-LAS DA FORMA MAIS INTELIGENTE, isto é, para aumentar a sua própria liberdade neurológica, para desprogramar seus programas irracionais e para ampliar de forma generalizada a sua consiência e aumentar a inteligência.

O potencial implícito para uma revolução neurológica que podemos antever nestes avanços psico farmacológicos deveria ser evidente para qualquer pessoa que teve algum tipo de contato mesto com algo tão primitivo como o LSD. (Um dos fatos menos conhecidos sobre LSD é que o projeto mais longo feito com este produto químico nos Estados Unidos, no Hospital de Sprinq Grave em Maryland mostrou uma média de 10% de aumento da inteligência para todos os testados – vide a ‘Psychedelics Encyclopedia’ de Stafford).

Walter Doward documentou extensivamente na sua “Operação Controle Mental’ que a hipnose associada a neuroquímicos é mais eficiente do que a hipnose ordinária; que a modificação do comportamento associada a neuroquímicos é mais eficiente do que a modificação do comportamento ordinária, e que qualquer técnica de alteração da mente é mais eficaz com o uso dos neuroquímicos do que sem estes. As evidências de Doward são todas retiradas do mal uso ou da perversão destas técnicas nas pesquisas feitas pelo Exército Americano e na CIA sobre a lavagem cerebral , mas não existe razão pela qual pessoas libertárias e humanas não possam fazer uso de tal conhecimento para ‘decondicionar’ e ‘de-programar’ ao invés de meramente ‘re-condicionar’ e ‘re-programar’.

Princípios seguros e saudáveis para promover tal expansão da mente e a liberação da inteligência são dados em livros tais como os do Dr. John Lilly ‘Programing and Metaprograming in the Hunan Biocomputer’, ‘Neuropolitics’ pelo Dr. Leary e ‘LSD: The Problem-Solvinqg Psychedelic’ por Stafford e Golighty. Por favor observe que estes livros lidam apenas com a liberação mediada pelo LSD, mas estamos nos referindo a produtos químicos muito mais precisos e previsíveis. (Por favor releia a última frase novamente).

5. Se a psico farmacologia está começando a nos oferecer a chance de programar, desprogramar e reprogramar a nós mesmos, então estamos entrando num novo estágio da evolução. Mais do que a Psicanálise ou Semântica Geral ou Análise Transacional ou qualquer técnica antiga de alteração da mente que possamos abordar, a neuroquímica representa um verdadeiro salto quântico em direção a um novo plano de liberdade: o sistema nervoso humano se auto estudando e se auto aperfeiçoando; a inteligência estudando e aperfeiçoando a própria inteligência.

Para sermos ainda mais específicos e definidos sobre o assunto, consideremos a avaliação feita em 1975 pela Mcgraw-Hill sobre a opinião científica de que tipos de avanços poderiam ser esperados antes do ano 2000. A maioria dos neurocientistas na pesquisa previu drogas específicas para aumentar permanentemente a inteligência humana (Vide ‘No More Dying’, de Kurtzman e Sordon, p.4). Reservei esta informação para ser oferecida depois das previsões mais gerais de Kline para evitar dar a impressão de que estou apenas falando sobre o aumento do QI do terceiro circuito linear: existem sete outros tipos de inteligência.

Existe um circuito de retroalimentação entre a psico farmacologia e as outras ciências do cérebro, tais como a eletro estimulação do cérebro, o biofeedback e outras. Como Williams S. Burroughs diz: ‘Qualquer coisa que possa ser feita quimicamente pode ser feita de outras formas’. Jean Millay e outros demonstraram que a loga associada ao biofeedback produz um desligamento de padrões imprintados emocionais-perceptuais de maneira muito mais rápida do que apenas a Ioga de forma isolada. John Lilly duplicou efeitos do LSD com seus tanques de isolamento sensorial. José Delgado produziu com ESB muitos dos efeitos previamente só encontrados com drogas.

É lugar comum que os alarmistas nos avisem que a arsenal completo das neurosciências interagindo entre si, que estão emergindo atualmente, irá permitir com que governos inescrupulosos venham a fazer lavagem cerebral em populações inteiras com uma eficiência mais completa do que nunca antes. Nós precisamos perceber que a mesma tecnologia sabiamente utilizada pelos homens e mulheres inteligentes pode nos libertar de toda forma de rigidez neurótica e irracional, nos permitir lidar e focalizar o nosso sistema nervoso com a mesma facilidade que lidamos e regulamos a foco de um televisor, acendendo e apagando qualquer circuito que venhamos a desejar.

Por que permanecer deprimido quando você pode ser feliz, burro quando pode ser esperto, agitado e nervoso quando você pode ficar tranqüilo? Obviamente a maioria das pessoas estão deprimidas, burras e nervosas a maior parte do tempo porque lhes FALTAM AS FERRAMENTAS para consertar e corrigir os circuitos defeituosos ou danificados nos seus sistemas nervosos. A Revolução Neurológica (química, elétrica, biofeedback e outras) nos está dando estas ferramentas. Esta Revolução da HEAD (*HEAD= Hedonic Engineering And Development (Engenharia e desenvolvimento hedônico.) possui o princípio do prazer como seu combustível básico. Isto quer dizer: quanto maior a liberdade interna que você vier a possuir, tanto mais você deseja; é mais interessante estar feliz do que triste; é mais agradável escolher as suas próprias emoções do que têlas desencadeadas em si mesmo por processos glandulares mecânicos; é mais prazeroso resolver os seus problemas do que ficar preso a eles pela eternidade.

Em outras palavras, o Aumento da Inteligência significa a inteligência estudando a inteligência e a primeira coisa que a inteligência estudando a inteligência descobre é que quanto mais inteligente se fica mais divertido é se tentar ficar ainda mais inteligente. (O que é uma outra maneira de dizer que, pelo menos neurologicamente falando, quanto mais liberdade alcançamos tanto mais é divertido trabalhar para alcançar um grau ainda maior de liberdade). Ninguém nos é mais interessante do que aquele personagem misterioso que chamamos de ‘eu’: isto é o porquê da ‘auto libertação’, ‘auto realização’, ‘auto transcendência’, etc., serem os jogos sempre mais em voga. Este feedback hedônico explica o porquê de um indivíduo que tenha dado um único passo em direção à liberdade neurológica nunca se contenta em parar ali mas é levado para o próximo passo, para o seguinte, e assim para sempre – ou enquanto a Ampliação da Vida nos possa permitir.

7. Em suma, o Aumento da Inteligência é desejável porque cada problema que a humanidade enfrenta, ou é diretamente causado ou consideravelmente piorado pela estupidez prevalecente na espécie humana; é atingível devido aos modernos avanços nas técnicas de modificação do cérebro sejam elas químicas, elétricas ou psicológicas que nos permitem alterar qualquer reflexo imprintado condicionado ou aprendido que previamente nos restringia; é hedônico porque quanto mais inteligência e liberdade atingimos mais somos capazes de ver as vantagens de ainda maior grau de liberdade e maior inteligência. Isto pode acelerar o nosso progresso em direção à Migração Espacial e Extensão da Vida e também em direção a qualquer outro objetivo racional ao criar mais racionalidade para trabalhar na aquisição daqueles objetivos e ainda pode nos dar a sabedoria para que venhamos a evitar os ‘maus’ resultados da Extensão da Vida e da Migração Espacial sobre os quais os conservadores tanto nos avisam.

Como a morte e a pobreza, a estupidez esteve conosco por tanto tempo que a maioria das pessoas não pode conceber a vida sem ela, mas sabemos que a estupidez está rapidamente se tornando obsoleta. Apesar dos lucros que certos grupos de interesse (políticos, clero, publicitários, etc.) possam auferir da estupidez, a humanidade como um todo irá lucrar mais na abolição da estupidez. Daqui por diante nós deveríamos medir o nosso progresso em direção aos nossos objetivos pessoais e a nossa contribuição para o progresso global de toda a humanidade em termos de o quanto mais espertos ficamos no último ano, no último mês, na última semana, NA ÚLTIMA HORA.


Observação dos tradutores: embora o texto pareça dar a idéia de justificar o uso de drogas para a atuação sobre o cérebro, as pesquisas da neurologia e da neuroquímica cerebral feitas mais recentemente demonstraram que o uso de drogas com esta finalidade não somente é inútil e desaconselhável como perigoso para a saúde. Portanto, o texto é aqui apresentado apenas como um registro de opiniões importantes, mas não representa uma apologia ao uso de drogas de qualquer espécie.

Hagbard Celine foi educado em advocacia contratual e em engenharia naval mas afirma que adquiriu a sua real educação tocando piano num bordel. Ele é o capitão do maior submarino do mundo, o Leif Erikson e presidente da Sold and Appel Inc., uma firma de importação e exportação que freqüentemente despertou suspeitas das agências fiscais do governo (‘137 prisões e nenhuma condenação’, se vangloria Hagbard). Alguns afirmam que ele é um mestre dos disfarces e se fez passar com sucesso debaixo de identidades alternativas tais como Howard Cork, Hugh Crane, Capitão Nemo, etc., e apareceu em incontáveis épicos e aventuras.

Hagbard Celine é também um personagem criado por Robert Anton Wilson, que se define como ‘visionário, futurista, escritor de ciência popular, filósofo libertarista, um dos fundadores de Instituto para o Estudo do Futuro Humano e também diretor da Sociedade Prometheus. Possui Ph.D em psicologia e é autor de uma série de livros e novelas, sendo as mais conhecidas a trilogia ‘Iluminatus’ e ‘The Schroedinger’s Cat’ além de numerosos artigos para revistas e jornais.

 

Hagbard Celine (Robert Anton Wilson). Tradução NoKhooja

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-abolicao-da-estupidez/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-abolicao-da-estupidez/

ERRO: Gödel Não Pode Estar Errado!

Entre uma temporada e outra de internação nos hospícios austríacos, um matemático de nome Kurt Friedrich Gödel, fez um rasgo tão profundo na nossa compreensão da realidade que até hoje ela está sangrando. O Teorema da completude de Gödel é a prova lógica de que, em última instância, tanto os cientístas quanto os padres estão todos construindo castelos de sonhos em bases igualmente arbitrárias, e que não existe nem a possibilidade de tentarem provar que suas ilusões são reais. Não há como confirmar se aquilo no que eles acreditam, ou por extensão aquilo que você acredita, é real, certo ou ao menos lógico.

A coisa funcionaria, de forma resumida e simplificada, da seguinte forma.:

Imagine que você está lendo isso logo antes do almoço, naquele dia que não conseguiu tomar seu café da manhã, nem comprar aqueles pacotes de bolacha de R$ 1 real para ficar beliscando. O tempo vai passando e a fome vai aumentando, até que você começa a se incomodar com aqueles banneres de sites de compra coletiva que mostram macarrons, sushis e cortes de picanha ao ponto. Neste momento, que a fome se torna uma sensação física para você eu te desafio: me prove que está com fome! Claro que você pode dizer “me traga comida e eu te mostro!”. Mas então eu me lembro de certas vezes que depois de jantar surge alguém querendo sair para papear e ivariavelmente o papo se desenvolve em um restaurante ou bar onde porções ou pratos são pedidos, e mesmo estando satisfeito eu comi, e comi bem. Também me lembro de um sobrinho que é capaz de comer feijoada até passar mal, literalmente, para 15 minutos depois sair pedindo comida porque está com fome. Também me lembro de uma conhecida que quando tem muita fome não consegue comer nada porque fica com o estômago embrulhado. E respondo: comer não é prova de fome. Me lembro de pessoas que comem quando estão ansiosas, deprimidas, alegres… e elas comem com mais gosto do que uma criança somaliana comeria um Big Mac. Se comer algo não é prova de fome, o que seria então uma boa prova? Testes para medir o açúcar do sangue? Algum exercício físico para ver se você apresenta sinais de fraqueza? Não isso tudo poderia trazer, na verdade com certeza traria resultados falso-positivos. Vamos tentar algo diferente então. Pense em alguém que você ama. Prove que de fato ama essa pessoa. Opsss… mesmo problema, da mesma forma que não podemos usar a fome para justificar a fome, não podemos usar o amor para justificar o amor e nem mesmo a lógica para justificar a lógica.

Bem, Gödel, em seus lampejos de genialidade que apenas a loucura consegue causar se dedicou a tentar entender isso. Como fome e amor são conceitos muito abstratos ele tentou se apegar àquilo que qualquer animal, até mesmo um humano, teria facilidade em trabalhar. Ele se apegou a números. E para não se perder neles resolveu pegar o grupo mais comum e sem graça de números, os números inteiros (lembre-se que números inteiros são todos os números naturais incluindo o zero e os números negativos, (…, -2, -1, 0, 1, 2, …). Então ele pensou que qualquer sistema axiomático – ou seja qualquer conjunto de axiomas que podem ser usados para se derivar logicamente qualquer teorema – que possa ser criado para se incluir a aritmética dos números inteiros, ou seja um sistema formado por hipóteses iniciais de onde se derivam enunciados que tem a ver com as possíveis operações matemáticas que envolvam o grupo dos números inteiros não pode ser ao mesmo tempo nem completo e nem consistente.

Coisa de louco né?

Sim, literalmente coisa de louco, Gödel não ia aos hospícios para se bronzear. Tecnicamente o que ele falou, em linguagem de pessoas sãs, é que se um sistema tem consistência, ou seja que é estável, ele não pode ser completo, e se é completo não pode ser consistente. Se existe um sistema auto-consistente então existirão proposições que não poderão ser nem comprovadas nem negadas por esse mesmo sistema (ele é incompleto) e caso o sistema seja completo, ele não pode validar a si mesmo (seria inconsistente). Isso significa que você não pode usar a fome para comprovar a fome, que seria necessário um computador fora do universo para entender o universo, que sua língua não pode se auto-saborear e que nós nunca poderemos provar que 2+2=4.

“E por que isso é interessante?” você se pergunta, “por que estou perdendo tempo com isto?”

Vamos começar do básico. Quando disse que não podemos provar que 2+2=4 não quero dizer que você não é capaz de colocar duas bananas na sua frente ao lado de duas pêras e contar que tem quatro frutas. Como dissemos até macacos fazem isso. Mas deixe as frutas de lado e pegue um lápis e um papel e pense no passado. Quando você era uma criancinha, seus professores adoravam abusar de você com tabuadas. Tabuadas de soma, de subtração, de divisão de multiplicação. Se hoje você consegue responder rápido quanto é 5×4 ou 11+3 não é porque saiba calcular, mas é porque decorou. Veja que responder quanto é 7×8 ou 11.347+32 não é tão rápido, apesar de serem contas tão fáceis quanto essas primeiras. Esse condicionamento desde criança serviu para que algumas verdades absolutas fossem colocadas em sua cabeça, assim desde criança você acredita que 2+2 é igual a 4. Mas será que é mesmo? Vejamos, pense em um exemplo da vida real em qeu você lide com números negativos. Qualquer pessoa que já tenha tido ou que tenha um cartão de crédito acha essa fácil. Pense em uma situação onde você lide com frações. Qualquer pessoa que tenha pedido uma pizza para 2 ou mais pessoas também se sai bem dessa. Agora pense em uma situação onde você tenha que lidar com a multiplicação de frações negativas. Onde isso entra no seu cotidiano? Chega uma hora que a coisa só faz sentido no papel.

Então você tem como provar que 2 + 2 = 4. Tem a matemática para isso. Da mesma forma você pode provar matematicamente que isso pode ser provado matematicamente. Não apenas isso, mas podemos provar que é possível provar que é possível provar que 2 + 2 = 4. E isso também pode ser provado.

Agora 2 + 2 não é 23. E nós podemos provar matematicamente que 2 + 2 não é 23. E podemos provar que podemos provar que 2 + 2 não é 23. E podemos provar que podemos provar que podemos provar isso. E isso também pode ser provado.

Assim pode ser provado que 2 + 2 não é 23. Mas poderia ser provado também que 2 + 2 é 23? Parece uma pergunta idiota, mas é algo crucial. Se for possível provar isso onde nossos professores de matemática se esconderiam de vergonha? Seria algo devastador, pois se for possível provar que 2 + 2 = 23, então seria possivel provar que 23 não é 23, pois também podemos provar que 2 + 2 não é 23. Isso significara que não existe nada que não pudesse ser provado, e isso é apenas uma outra forma de dizer que nada é verdadeiro e portanto tudo é permitido e então todas as nossas certezas seriam meras apostas mais ou menos convenientes.

Ficando confuso? Vou escrever mais devagar então para você tentar acompanhar.

Neste ponto devemos nos perguntar: Existe uma forma de provarmos que não pode ser provado que 2 + 2 = 23?

Claro que você já deve ter imaginado a resposta chocante de Gödel. Não apenas não podemos, como também jamais poderemos. Mais ainda: se pode ser provado que nunca provaremos que 2 + 2 = 23 então que base temos para afirmar qualquer coisa logicamente? E se nenhum argumento do tipo “prove que X não pode ser provado” pode ser provado então sabemos que a lógica e a matemática são tão inconsistentes quando qualquer outra forma de crença.

Gödel nos mostrou que não podemos entender o universo se fazemos parte do universo, que não podemos compreender a vitamina que estamos fazendo se estamos presos dentro do liquidificador. Para isso seria necessário que uma mente ou um computador de fora de nosso universo nos analisasse. E você achava engraçado aquele papo de 42 e a pergunta correta não poderem co-existir na mesma realidade, tsc, tsc…

Agora, isso tudo seria já um papo interessante de bar se parasse por ai, mas lembre-se do começo do texto: Gödel costumava ser institucionalizado. Em hospícios. Logo, tudo isto apenas serve para o próximo passo lógico – se é que você ainda acredita nessa superstição que chamamos “lógica”.

Embora não se possa ser provado que não pode ser provado que 2 + 2 = 23, podemos provar que se pode ser provado que não pode ser provado que 2 + 2 = 23. Então podemos provar que 2 + 2 = 23. Ou seja, se pudesse ser provado que não pode ser provado que 2 + 2 = 23 então também poderia ser provado que 2 + 2 é 23!

Confuso não? Mas este não é um problema da sua capacidade de compreensão mas sim um problema da compreensão de nossa capacidade. Na verdade o que o bom e velho Kurt fez foi expressar matematicamente o antigo paradoxo da auto-referência historicamente atribuído a Epimenides. Epimenides era de Creta e dizia que todos os Cretenses são mentirosos. Isso é como ler um a placa dizendo:

“Esta frase é falsa.”

Vamos chamar essa frase de afirmação G em homenagem a Göedel. Agora pergunte a si mesmo, a afirmação G é verdadeira? Se G é verdadeiro então temos uma afirmação válida que é falsa, mas se G é falso então sua afirmação é verdadeira. Ou seja, se a frase for verdade ela é uma mentira, se ela for uma mentira então ela é verdadeira. É a mesma coisa que você pedir para o Pinocchio dizer a frase: “Agora meu nariz vai crescer!” o que acha que vai acontecer?

Isso não quer dizer que devemos abandonar a lógica e sair por ai passando Amendocrem nas genitálias das crianças, mas quer dizer que G é incompleto. O mesmo pode ser feito com qualquer outro sistema, mostrando que não apenas haverão erros que jamais poderão ser provados como sendo erros, como também haverão verdades que não poderão ser provadas. E isso não apenas na matemática. Pense em Deus, amor, na crença que chocolate é gostoso e fígado ruim, que aquilo que você acredita ser correto é realmente correto. São coisas que não poderão ser provadas ou descartadas nunca, não de uma forma que possamos compreender.

BÔNUS

Ainda não entendeu do que falamos? Pelas coxas de Maria! Sejamos explícitos então. Está com aquele lápis e o papel nas mãos?

1- Vamos começar assumindo que A e B tem o mesmo valor. A então é igual a B.

2- Vamos multiplicar ambos os lados por A.

3- Vamos agora subtrair os dois lados da equação por B elevado a 2.

4- Lembra-se da matemática do colégio? Vamos fatorar os dois lados, ou seja, ver o que eles tem em comum e separar, no caso ambos os lados tem (A-B) em comum, então fatorado fica assim.

5- Como temos (A-B) multiplicando dos dois lados da igualdade podemos dividir os dois lados por (A-B) ficando com este resultado.

6- Como afirmamos no início que A=B então A+B=B é a mesma coisa que B+B=B ou A+A=A, vamos ficar com a primeira opção. Simplificando temos que B+B é igual a B vezes 2.

7- Vamos dividir os dois lados por B agora.

 

por LöN Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/erro-godel-nao-pode-estar-errado/

Afrodite e Anquises

Olá crianças,

Na Palestra sobre Deuses e a Kabbalah, eu mencionei a respeito das concepções divinas que sempre eram retratadas como um pai-deus e uma mãe-mortal, gerando um herói solar (Hércules, Hórus, Mithra, Perseus, Ulisses, Jesus, etc) e disse que não haviam heróis resultantes da união de um mortal com uma deusa… mas o leitor Carlos eduardo me lembrou de uma exceção: Anchises. De qualquer forma, é curioso notar que ele não é resultado de uma “conquista”, mas sim de um “castigo/humilhação” a que Zeus submete Afrodite: apaixonar-se por um mortal.

Como diz o texto a seguir, extraído da obra de Karl Kerényi “Os Deuses Gregos”, Cultrix, 2000:

As histórias sobre a grande deusa do amor que até agora tenho contado tinham o seu cenário no extremo sudeste do nosso mundo grego – em Chipre e na Síria. A cena da história seguinte é a região de Tróia, na Ásia Menor. Afrodite ali aparece acompanhada de animais selvagens: isso a liga à “Mãe dos Deuses”, concluindo assim minha narrativa a respeito das divindades pré-olimpianas ou, pelo menos, alheias ao 0limpo. A história nos foi contada num hino atribuído a Homero.

Havia três deusas sobre as quais Afrodite não tinha poder algum: Atena, Ártemis e Héstia. Todos os outros deuses e deusas cediam às suas injunções, e ela chegou a compelir o próprio Zeus a apaixonar-se por mulheres mortais e a descurar da sua irmã-esposa Hera, filha de Crono e Réia. Foi por isso que Zeus, por seu turno, compeliu Afrodite a apaixonar-se pelo pastor Anquises, que apascentava o gado nas alturas do monte Ida e era tão belo quanto os imortais. Afrodite avistou-o, e o amor senhoreou-se dela. Ela dirigiu-se à pressa a Chipre, ao seu templo em Pafo. Fechou as portas do templo atrás de si, as Graças banharam-na e ungiram a grande deusa com o óleo dos imortais, cuja fragrância adere aos deuses eternos. Envergando um belo vestido e adornada de ouro, ela voltou, célere, a Tróia, ao monte Ida, à mãe dos animais selvagens.

Afrodite caminhou através das montanhas, para os rebanhos de gado. Atrás dela, sacudindo a cauda, iam lobos cinzentos, leões de olhares ferozes, ursos e rápidos leopardos, insaciáveis em sua fome de gazelas. A deusa regozijou-se com a vista deles e encheu de amor o coração das feras, de modo que todas se deitaram, aos pares, à sombra das florestas. Afrodite entrou na tenda do pastor e encontrou Anquises a sós. Ele andava de um lado para outro tocando um alaúde. Afrodite postou-se diante dele na forma de uma bela e delicada donzela mortal. Anquises contemplou-a e maravilhou-se da sua beleza, da sua estatura e das suas roupas esplêndidas. Ela vestia uma túnica cuja vermelhidão ofuscava mais do que o fogo; brilhavam-lhe os seios maravilhosamente, como se fossem banhados de luar. O amor apoderou-se de Anquises, e ele dirigiu-se à deusa. Saudou-a como uma imortal, prometeu-lhe um altar e sacrifícios, e suplicou-lhe a bênção para ele e sua posteridade. Diante disso, a deusa mentiu-lhe, dizendo-se uma donzela mortal, uma princesa frígia que também sabia falar a língua dos troianos. Hermes a arrebatara, assim explicou ela, do coro de Ártemis, em que estivera dançando com suas companheiras de folguedos e com as ninfas, e a transportara para o monte Ida, através do ar, desde a Frígia. Pois ela fora convocada – assim falara o mensageiro divino – para tornar-se esposa de Anquises. Mas desejava que o pastor não a tocasse enquanto não a tivesse apresentado a seus pais e irmãos, cuja nora e cunhada viria a ser; e desejava também, antes de celebrar-se o casamento, mandar uma mensagem aos pais dela a respeito do dote. Essas palavras da deusa encheram Anquises de um amor ainda maior. “Se és donzela mortal, e estás destinada a ser minha esposa, nem deus nem homem poderá privar-me de ti. Ainda que Apolo deva matar-me depois, quero amar-te agora, imediatamente, e depois morrer!” Isso bradou o pastor, e segurou a mão de Afrodite. Ela o seguiu até a cama dele, virando-se repetidamente para trás, como se quisesse retroceder, e pousando no chão os lindos olhos. Sobre lençóis macios jaziam peles de ursos e leões, que o próprio Anquises matara. Ele retirou os adornos da noiva, afrouxou-lhe o cinto e descobriu-a. De acordo com a vontade dos deuses, o mortal deitou-se com a deusa imortal, sem saber o que estava fazendo. Somente à hora em que os outros pastores deviam voltar, Afrodite despertou o amante adormecido e mostrou-se a ele em sua verdadeira forma e beleza. Anquises ficou assustado quando lhe viu os lindos olhos. Virou-se para o outro lado, cobriu o rosto e implorou-lhe que o salvasse. Pois nenhum homem mortal continua gozando de boa saúde pelo resto da vida depois de haver dormido com uma deusa.

Conta-se ainda que Afrodite profetizou o máximo bem para o filho que concebeu de Anquises, e para seus descendentes. O filho era Enéias, que seria famoso mais tarde, entre os nossos vizinhos italianos, como fundador da nação latina. De sua parte, a deusa lamentou haver-se entregue a um mortal. Anquises não deveria revelar a ninguém que ela era mãe de seu filho; as ninfas lhe trariam, como se a criança pertencesse a uma delas. Se ele o fizesse, o raio de Zeus o atingiria. Afirma-se que Anquises, mais tarde, foi estropiado por um raio. Mas havia também a história de que ele foi punido com a cegueira por ter visto a deusa nua. Abelhas, com os ferrões, arrancaram-lhe os olhos.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afrodite-e-anquises

A Tradição Feri

A Tradição Feri é uma tradição iniciática da bruxaria pagã moderna. Foi fundada na Califórnia na década de 1960 pelos americanos Victor Henry Anderson e sua esposa Cora Anderson.

Os praticantes a descreveram como uma tradição de êxtase, em vez de uma tradição de fertilidade. Forte ênfase é colocada na experiência e consciência sensual, incluindo o misticismo sexual, que não se limita à expressão heterossexual. A Tradição Feri tem influências muito diversas, como Huna, Vodu, Faery, Cabala, Hoodoo, Tantra e Gnosticismo.

Estudiosos do paganismo como Joanne Pearson e Ethan Doyle White caracterizaram Feri como uma tradição wicca. Este último notou, entretanto, que alguns praticantes da Bruxaria pagã moderna restringem o termo Wicca à Wicca Tradicional Britânica, caso em que Feri não seria classificado como Wicca; ele considerou esta definição excludente do termo “inadequada para fins acadêmicos”. Em vez disso, ele caracterizou Feri como uma forma de Wicca que, no entanto, é distinta de outras, como a Wicca Tradicional Britânica, a Wicca Diânica e a Stregheria.

Anderson conheceu Cora Ann Cremeans em Bend, Oregon, em 1944; eles se casaram três dias depois, em 3 de maio, alegando que já haviam se encontrado antes no reino astral. Nascida em Nyota, Alabama, em janeiro de 1915, Cora foi exposta a práticas mágicas populares desde a infância; supostamente, seu avô irlandês era um “médico das raízes” que era conhecido entre os locais como o “druida”. Os Andersons alegaram que um de seus primeiros atos após o casamento foi a construção de um altar. No ano seguinte, nasceu um filho, e eles o chamaram de Victor Elon, sendo este último a palavra hebraica para carvalho; Cora alegou que ela havia recebido o nome em um sonho. Após o nascimento, foi realizado um ritual para dedicar a criança à Deusa. Em 1948, a família mudou-se para Niles, Califórnia, mais tarde naquele ano comprando uma casa em San Leandro. Lá, Anderson tornou-se membro da Loja Alameda da Ordem Fraternal das Águias, e posteriormente permaneceu assim por quarenta anos. Victor ganhava a vida como músico, tocando acordeão em eventos, enquanto Cora trabalhava como cozinheira de hospital. Alegou-se que Anderson poderia falar havaiano, espanhol, crioulo, grego, italiano e gótico.

Em meados da década de 1950, Victor e Cora leram Witchcraft Today (Bruxaria Hoje), um livro de 1954 do wiccano inglês Gerald Gardner, com Cora alegando que Victor se correspondia com Gardner por um tempo. O estudioso de estudos pagãos Chas S. Clifton sugeriu que os Andersons usaram o trabalho de Gardner como um “guia de estilo” para o desenvolvimento de sua própria tradição de bruxaria pagã moderna. Da mesma forma, Kelly afirmou que a tradição dos Andersons “começou a se assemelhar cada vez mais à dos Gardnerianos”, à medida que o casal aprendeu mais sobre o último, adotando elementos dele. Anderson estava em correspondência com o wiccano ítalo-americano Leo Martello, que encorajou Anderson a fundar seu próprio coven. Por volta de 1960, os Andersons fundaram um coven, nomeando-o Mahealani, em homenagem à palavra havaiana para lua cheia. Ao longo do final dos anos 1950 e início dos anos 1960, os Andersons iniciaram um número de indivíduos no coven. Um deles era Gwydion Pendderwen, um amigo de seu filho que compartilhava seu interesse pelo esotérico. Pendderwen contribuiu para o desenvolvimento do que veio a ser conhecido como a tradição Feri, com alguns membros da linhagem vendo-o como seu co-fundador. Pendderwen observou que conheceu a família quando, aos treze anos, brigou com Victor Elon, embora os dois mais tarde se tornassem amigos. Pendderwen foi particularmente influenciado pela mitologia galesa e, em uma visita à Grã-Bretanha, passou um tempo com os wiccanos alexandrinos Alex Sanders e Stewart Farrar, posteriormente introduzindo vários elementos alexandrinos na Wicca Feri. No início dos anos 1970, os Andersons estabeleceram um novo coven com Pendderwen e sua iniciada, Alison Harlow. Depois que Pendderwen se casou, sua esposa também se juntou a este coven, embora tenha se dissolvido em 1974.

O Ensino de Anderson

Nas quatro décadas seguintes, os Andersons iniciariam entre vinte e cinco e trinta pessoas em sua tradição. Anderson foi descrito como um dos “professores fundadores” e a “voz seminal” da tradição Feri. A palavra original que os Andersons usavam para sua tradição era Vicia, que Cora alegou ser italiana. Ela acrescentou que “o nome Fairy (Fada) tornou-se acidentalmente ligado à nossa tradição porque Victor tantas vezes mencionou essa palavra ao falar de espíritos da natureza e magia celta”. Os primeiros iniciados alternadamente soletravam o nome da tradição como Fairy, Faery ou Faerie, embora Anderson tenha começado a usar a grafia Feri durante a década de 1990 para diferenciá-la de outras tradições de bruxaria com o mesmo nome; nem todos os praticantes seguiram seu exemplo. Cora afirmou que Feri era a grafia original da palavra, acrescentando que significava “as coisas da magia”. Anderson também se referiu à sua forma de Wicca como a tradição picta. Em seus escritos, os Andersons misturaram a terminologia adotada de Huna, da Wicca Gardneriana e do Voodoo, acreditando que todas refletiam a mesma tradição mágico-religiosa subjacente. Baseou-se fortemente no sistema huna desenvolvido por Max Freedom Long. De acordo com um iniciado Feri, Corvia Blackthorn:

“O método de ensino dos Andersons era muito informal. Não havia aulas no sentido acadêmico, apenas conversas e um ritual ocasional, geralmente seguido de uma refeição caseira. As discussões com Victor não eram lineares e transbordavam de informações. Alguém uma vez apropriadamente comentou que falar com Victor era como tentar beber de uma mangueira de incêndio. Muitas vezes, os fios de conexão e os padrões subjacentes nas informações não se tornavam aparentes até mais tarde. Havia também um componente não verbal no ensino de Victor. Ele era um verdadeiro xamã, e tinha a capacidade de mudar a consciência de seus alunos em um nível bem abaixo da superfície da conversa.”

De acordo com Kely:

“Estudar com Victor apresentou alguns problemas incomuns. Ele exigia tanto respeito quanto qualquer avô da classe trabalhadora. Alguém poderia pedir esclarecimentos, mas até mesmo insinuar que alguém discordava dele, ou pior ainda, contradizê-lo, resultaria em um ordem imediata e permanente para sair. Alguém estava tentado a fazer essas perguntas proibidas porque Victor vivia no tempo mítico e estava totalmente desinteressado pelos conceitos de lógica ou consistência de outras pessoas;… Outro aluno me disse que quando Victor leu um novo livro e acreditou era verdade, então ele considerou que sempre foi verdade e repensaria sua história de acordo.”

De acordo com um iniciado, Jim Schuette, Anderson era “um capataz. Ele se orgulhava de testar seus alunos”. Um dos iniciados na tradição Feri dos Andersons foi Starhawk, que incorporou ideias da tradição Feri ao criar o Reclaiming. Ela também incluiu aspectos dele em seu livro de 1979, The Spiral Dance (A Dança Cósmica das Feiticeiras), incluindo menção ao Pentagrama de Ferro e Pérola e as três almas, todos originados dentro de Feri. Outro iniciado de destaque foi Gabriel Carillo (Caradoc ap Cador), que no final da década de 1970 desenvolveu um corpo escrito de ensinamentos Feri, e começou a oferecer aulas pagas na tradição na década de 1980, gerando a linhagem Bloodrose; isso gerou controvérsia entre os iniciados de Feri, com os críticos acreditando que era moralmente errado cobrar pelo ensino.

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Fontes:

Anaar, The White Wand (A Varinha Baqueta). Olha para as fundações artísticas de Feri. Também inclui uma entrevista com Victor Anderson. (disponível em pdf em White Wand: Intersection of Feri and Art: http://www.whitewand.com/ )

Blackthorn, Corvia (2003). “The Feri Tradition: Vicia Line”. The Witches’ Voice. Archived from the original on 2 February 2015.

Cora Anderson, Fifty Years in the Feri Tradition (Cinquenta Anos na Tradição Feri). Reflexões sobre a tradição e comunidade Feri.

Cora Anderson, Kitchen Witch: A Memoir. (A Bruxa da Cozinha: Uma Livro de Memórias) – Harpy Books. Sua vida.

Kelly, Aidan A. (1991). Crafting the Art of Magic – Book I: A History of Modern Witchcraft, 1939–1964. St. Paul: Llewellyn. ISBN 978-0-87542-370-8.

Kelly, Aidan A. (2007). Inventing Witchcraft: A Case Study in the Creation of a New Religion. Loughborough, Leicestershire: Thoth Publications. ISBN 978-1-870450-58-4.

Kelly, Aidan A. (2011). Hippie Commie Beatnik Witches: A Social History of the New Reformed Orthodox Order of the Golden Dawn. Tacoma: Hierophant Wordsmith Press. ISBN 978-1-4609-5824-7.

Victor Anderson, Thorns of the Blood Rose (Espinhos da Rosa Sangrenta). Uma coleção de sua poesia, muito da qual encontrou seu caminho nas liturgias e rituais da tradição.

Victor Anderson, Lilith’s Garden (O Jardim de Lilith). Um volume companheiro para Thorns of the Blood Rose (Espinhos da Rosa Sangrenta), é outra coleção de poesia principalmente litúrgica, incluindo algumas que foram consideradas muito “escandalosas” para serem incluídas no volume original.

Victor Anderson. Etheric Anatomy: The Three Selves and Astral Travel, (Anatomia Etérica: Os Três Eus e a Viagem Astral) – Harpy Books. Um olhar sobre a estrutura psíquica do ser humano, com insights intuitivos sobre algumas das práticas da magia Feri.

Cornelia Benavidez. Victor H. Anderson: An American Shaman, (Um Xamã Americano) – Megalithica Books. Entrevistas com Victor Anderson acompanhadas de ensaios contextualizadores.

  1. Thorn Coyle, Evolutionary Witchcraft (Bruxaria Evolucionária). Manual de treinamento em Feri escrito principalmente para um público pagão não Feri. Contém poesia, exercícios e lendas.
  1. Thorn Coyle, Kissing the Limitless (Beijando o Ilimitado). Expande e continua o treinamento em Evolutionary Witchcraft (Bruxaria Evolucionária), para uso com qualquer caminho espiritual que o leitor seguir.

Francesca De Grandis, Be A Goddess (Seja Uma Deusa). Treinamento abrangente em xamanismo Fey (não-Feri). A melhor parte de sua liturgia, visão de mundo e cosmologia foi canalizada pela autora, que veio de uma tradição familiar, com feedback de Victor Anderson sobre partes do manuscrito.

Francesca De Grandis, Goddess Initiation (Iniciação da Deusa). Uma jornada iniciática experiencial na espiritualidade da Deusa e no xamanismo Fey.

Schutte, Kelesyn (Winter 2002). “Victor H. Anderson: May 21, 1917 – September 20, 2001”. Reclaiming Quarterly (85). Archived from the original on 24 September 2015. Retrieved February 20, 2012.

Storm Faerywolf, “Betwixt and Between: Exploring the Faery Tradition of Witchcraft”. (Nem Uma Coisa Nem Outra: Explorando a Tradição Faery da Bruxaria) – Llewellyn Worldwide. Um estudo abrangente da Tradição Feri, que inclui lendas, rituais, liturgia e receitas.

Starhawk, The Spiral Dance (A Dança Cósmica das Feiticeiras). Codificação litúrgica inicial e influente da bruxaria de Anderson.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-tradicao-feri/

Aklo, a “linguagem” dos Grandes Antigos de H.P.Lovecraft

Dicionários são sempre divertidos, mas nem sempre reconfortantes
– M.F.K. Fisher

É inegável que um dos maiores charmes presentes não apenas nas histórias de Lovecraft mas também de seus “afilhados”, são os fragmentos de rituais escritos em línguas alienígenas ou inumanas.

O trecho mais famoso está presente em seu conto O Chamado de Cthulhu – Call of Cthulhu – escrito em 1926 e publicado dois anos depois. No conto a história se desenrola em torno do que se identifica como o Culto a Cthulhu e suas práticas ao redor do globo desde eras imemoriais até os dias de hoje. Durante uma batida policial em um pântano encontram quase 100 membros do culto em um frênesi, cercado por corpos talhados com marcas estranhas e no centros das antenções uma estatueta, todos eles entoando a frase:

ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn

Eventualmente Lovecraft a traduz, dando como significado “Em sua casa em R’lyeh, Cthulhu morto espera sonhando”.

Essa língua inteligível nunca foi propriamente batizada, mas em outras três obras Lovecraft menciona um nome, criado por um de seus escritores favoritos, Arthur Machen. Em 1899 Machen escreveu As Pessoas Brancas – The White People – um conto curto de horror fantástico que mostra como uma conversa entre dois homens sobre a natureza do mal leva um deles a revelar um temido Caderno Verde, que tem em sua posse. O caderno contém os escritos de uma jovem que, de forma ingênua e provocante, descreve suas memórias de quando era ainda mais nova, além de conversas que teve com sua ama, que a inicia em um mundo secreto repleto de folclore e magia ritual. Em seu caderno a jovem faz alusões cripticas a ninfas, Dôls, voolas, cerimônias brancas, verdes e vermelhas, caracteres Aklo, às línguas Xu e Chian, jogos Mao e a um jogo chamado Cidade de Tróia.

Aklo nunca passou disso em suas primeiras evocações, Machen apenas cita “caracteres Aklo” uma vez em todo o conto, mas isso serviu para incendiar a imaginação de Lovecraft que o menciona em três contos seus, O Horror de Dunwich, escrito em 1928, O Diário de Alonzo Typer, escrito em parceria com  William Lumley em outubro de 1935 e O Assombro das Trevas, escrito em novembro de 1935.

Machen não faz nenhuma menção nem tentativa alguma de sequer explicar o que são caracteres Aklo, ou como, onde ou por quem são usados. Já Lovecraft, em o Horror de Dunwich, o menciona duas vezes em uma única passagem encontrada no diário de uma das personagens:

“Hoje aprendi o Aklo para o Sabaoth, mas não gostei, podendo ser respondido das colinas, mas não do ar.”

e

“Imagino como irei parecer quando a terra for limpa e não houverem mais nela seres terrenos. Aquele que veio com o Aklo Sabaoth disse que eu posso ser transfigurado já que muito do exterior deve ser trabalhado.”

Neste trabalho Lovecraft une Aklo ao termo Sabaoth. Sabaoth é o termo judaico para “Hoste” ou “Exército”, e é usado exclusivamente com o nome do Senhor, para designar Deus como sendo o Senhor das Hostes ou Senhor dos Exércitos. Lovecraft teve acesso a livros de Eliphas Levi, como o Dogma e Ritual da Alta magia onde o termo Sabaoth aparece em dois capítulos, O “Sabbat” dos Feiticeiros”, que foi usado por Lovecraft em seu romance O Caso de Charles Dexter Ward e “O Setenário dos Talismãs”. Em ambos os textos o nome Sabaoth aparece precedido de um dos títulos de Deus: Adonai Sabaoth e Elohim Sabaoth respectivamente. Em ambos os casos o nome parece ser usado para rituais de necromancia ou a confecção de amuletos que necessitam de rituais que envolvem sangue. Algo perfeito para Lovecraft, mas que no texto, como ele o colocou, parece ficar deslocado. Uma hipótese é que tenha usado a palavra Sabaoht no lugar da palavra Sabbath, o termo utilizado para designar, popularmente, a conferência das feiticeiras, assunto tratado à exaustão e com todos os detalhes góticos no capítulo do livro de Levi. Assim ter aprendido as runas para o Sabbath e aquele que veio do Sabbath talvez fizessem mais sentido. Mas isso é indiferente no momento.

No segundo conto que escreveu com Lumley, O Diário de Alonzo Typer, Lovecraft menciona o Aklo três vezes, dando um pouco mais de forma à idéia do que poderia ser:

“Eu acredito que possa ter se aliado a poderes que não desta terra – poderes no espaço além do tempo e além do universo. Ele se eleva como um colosso, se levarmos em consideração o que dizem os textos Aklo.”

seguido por

“Mais tarde eu subi ao sótão, onde encontrei vários baús repletos de livros estranhos – muitos de aspecto completamente alienígena, tanto em sua escrita quanto em sua forma. Um continha variações da fórmula Aklo que eu nem sabia existir.”

e finalmente

“Eu acredito que mais de uma presença possui tal tamanho e eu sei agora que o terceiro ritual Aklo – que achei no livro do sótão ontem – tornaria tal ser sólido e visível.”

Neste texto Lovecraft espande o conceito de Aklo de meros caracteres ou língua para uma cultura, os Textos Aklo, fórmulas e rituais Aklo. A idéia de que um ritual Aklo deveria ser usado para tornar um ser imaterial em uma presença sólida e visível é compatível com a idéia usada no Horror de Dunwich, onde Wilbor deseja manifestar em nosso mundo uma dessas criaturas usando as fórmulas do Necronomicon. Assim o Aklo que ele aprende pode ser uma parte fundamental do processo de evocação. Nos Diários de Alonzo Typer existe a menção a uma série de rituais e escritos Aklo. Isso poderia indicar uma forma não apenas de linguagem, mas de “escola mágica”, assim como a cabala tem sua cultura e caracteres, o Bon Po também, etc. Aklo poderia ser uma cultura que transcende apenas um alfabeto e uma linguagem.

No Assombro nas Trevas Lovecraft faz apenas uma menção ao Aklo, mas desta vez mais ampla.

“Foi em junho que o diário de Blake falou de sua vitória sobre o criptograma. O texto estava escrito, ele descobriu, na sombria linguagem Aklo, usada por certos cultos de maligna antigüidade e que ele aprendera de maneira hesitante através de pesquisas anteriores. O diário é estranhamente reticente sobre o que Blake decifrou, mas ele estava claramente impressionado e desconcertado por seus resultados. Haviam referências a um Assombro das Trevas que podia ser desperto ao se contemplar nas profundezas do Trapezoedro Brilhante e conjecturas insanas sobre os golfos negros do caos de onde ele era invocado.”

Tanto o texto de Machen quanto os de Lovecraft dão a idéia clara que o Aklo se deriva de uma cultura incrivelmente antiga e muito avançada nas artes obscuras. Capazes de evocar criaturas de outras dimensões, materializá-las em nosso mundo e conhecida por poucas pessoas nos dias de hoje. Uma cultura que possuia uma língua proibida e poderosa e possivelmente não humana.

Em vários textos Lovecraft faz uso de sua língua para dar clímax a alguma passagem específica, como no Caso de Charles Dexter Ward onde a fórmula “Y’AI ‘NG’NGAH, YOG-SOTHOTH H’EE-L’GEB FAI THRODOG UAAAH” é usada. Ou os gritos de “IA SHUB-NIGGURATH” que ecoam em diversos de seus contos.

Lovecraft não apenas nunca batizou explicitamente esta língua como também nunca ligou suas diversas menções em diferentes contos com uma única fonte. Geralmente aponta que uma das personagens encontrou as evocações em livros malditos como o Necronomicon ou o De Vermis Mysteriis, cada um desses livros tendo sido escrito por diferentes pessoas em diferentes épocas, mas, implicitamente, lidando com as mesmas criaturas do panteão Lovecraftiano, conhecido como Mito de Cthulhu.

Mais do que mera linguagem

Assim podemos assumir que essa linguagem poderia de fato ter origem extra-terrestre e ser ensinada a magos, feiticeiros, sacerdotes e ocultistas que entraram em contato com os Antigos. Mas seria correto dizer que esta língua/cultura alienígena seria o Aklo? E por que não? Machen nunca se foi além de sua única menção aos “caracteres Aklo” e Lovecraft escreve que o Aklo é usado “por certos cultos de maligna antigüidade” trazendo informações sobre os horrores que se escondem além do tempo e do espaço. Os próprios nomes das divindades parecem se derivar do Aklo, ou ao menos parecem ter chegado à terra nessa língua: Cthulhu, Shub-Niggurath, Shoggots, Cthugua, Tsatogua, etc. Além de outros nomes como a cidade de R’lyeh construída por Cthulhu, o planalto de Leng ou mesmo a misteriosa Sarnath, além disso existem menções a fórmulas e rituais como a fórmula de Dho-Hna; se somarmos a isso a menção de Lovecraft ao aspecto “completamente alienígena, tanto em sua escrita quanto em sua forma” podemos associar não apenas os rituais mas a origem dos Antigos e seus costumes ao Aklo. Talvez os Antigos sejam o Aklo assim como nós somos humanos.

Um ponto importantíssimo do idioma Aklo é que, ao contrário de qualquer outro idioma conhecido, ele não foi concebido para ser pronunciado por humanos, ou por criaturas presas na forma humana. Ele não foi nem mesmo concebido para ser pronunciado com o uso da garganta e língua humana, de modo que devemos ter ciência de que um homo sapiens falando Aklo é como a Gorila Koko falando a linguagem de sinais. Sempre uma mera aproximação limitada por nossa anatomia, neurologia e nossa consciência. É um idioma que deve ser falando principalmente com a mente, e não com as cordas vocais.

Essa idéia foi desenvolvida de forma magistral por Alan Moore no conto curto O Pátio – The Courtyard -, publicado na antologia Sabedoria Estrelar: Um Tributo a H. P. Lovecraft -The Starry Wisdom: A Tribute to H. P. Lovecraft. Em sua visão Aklo não é apenas uma língua alienígena, mas uma chave para se abrir as portas da percepção da mente humana. De acordo com Moore apenas ouvir, ler ou pronunciar o Aklo não causa nenhum efeito à mente, mas se “absorvida” por um cérebro em um estado alternado de consciência os resultados podem ser devastadores. No conto o agende federal Sax ingere DMT-7, para que pudesse “receber” o Aklo. A escolha de Moore é curiosa e muito acertada, já que a DMT, ou dimetiltriptamina é uma substância psicodélica encontrada não apenas em vários gêneros de plantas como a Acacia, Mimosa, Anadenanthera, Chrysanthemum, Psychotria, Desmanthus, etc. – famosa em celebrações religiosas como o culto do Santo Daime, da ayahuasca e da Jurema – como também é sintetizada no cérebro pelo próprio corpo humano. Não se sabe até hoje de forma concreta qual a função do DMT em nosso organismo, nem que órgão o produz – frequentemente se especula que a responsável é a glândula pineal. De acordo com Moore, assim que o DMT produz seu efeito no cérebro, cada “dose”, ou palavra em Aklo destrava na mente a compreensão física para seu próprio significado. Enquanto Lovecraft trabalhava apenas com a tradução do significado de cada palavra:

ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn = Em sua casa em R’lyeh, Cthulhu morto espera sonhando

Moore trabalha com a compreensão de cada significado, especificamente de três palavras:

WZA-Y’EI

Conhece a Tudo. É uma palavra para o espaço conceitual negativo que rodeia um conceito positivo. As classes de coisas maiores do que o pensamento, sendo tudo o que o pensamento exclui.

DHO-HNA

Uma força que define. Algo que dá significado ao seu receptáculo como uma mão dentro de uma luva, ou vento nos moinhos de vento. Um visitante ou um intruso que cruzam um umbral, lhe dando significado.

YR NHHNGR

Não há uma definição em palavras, pensamentos esquecidos se juntam em flashes que cegam, e fusões impensáveis ocorrem. Surge uma visão de tudo o que existe além de nosso universo, não apenas físico, mas mental.

Se uma língua é um sistema formado por regras e valores presentes na mente dos falantes de uma comunidade linguística, podemos evocar Korzybski que afirmou que todos nós somos limitados por nosso sistema nervoso e nossa linguagem. Assim Moore pode ter encontrado a fórmula para se reprogramar o cérebro e a consciência com os valores presentes em uma cultura alienígena pré-humana, o DMT serviria para preparar o sistema nervoso para receber não apenas uma palavra mas todos os valores presentes nela, desta forma a pessoa aprenderia um dialeto novo não pela repetição ou pelos inúmeros atos de fala com que tem contato, mas de forma viral, já que para compreender o significado de uma palavra a pessoa entraria em contato com todas as palavras usadas para descrevê-la, e cada palavra, por si só, tem o próprio significado. Moore afirma que Aklo é a Síntaxe de Ur, o vocabulário primogênito que recebeu sua forma de ordens pré-conscientes vindas da quente incoerência de estrelas. Ela é composta de cores perdidas e intensidades esquecidas e isso faria com que, uma vez absorvida pelo cérebo, desimpedisse a mente de suas limitações ou, como escreveu Blake: “Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito”. Isso também faria com que a pessoa pudesse enlouquecer, já que os valores que temos podem ser completamente diferentes daqueles que inundarão nossa mente, e isso é uma constante nos textos de Lovecraft, onde a personagem, quando se defronta com o conhecimento alienígena/antigo enlouquece, traz para si uma antiga maldição, morre ou as três coisas – não necessariamente nesta ordem.

 

Escrevendo Aklo

Como Lovecraft e sua turma não desenvolveram o Aklo além de citações breves e enigmáticas, coube a seus fãs modernos e contemporâneos desenvolver a língua. Inclusive muitos a rebatizaram de R’lyehan, Cthuvian e até Tsath-yo, além de Lovecraftiano e outros nomes mais estúpidos. Tanto R’lyehan quanto Cthuvian associam a língua diretamente a Cthulhu e a cidade que lhe serve de prisão, R’lyeh. O problema com esses nomes, é que além de ridículos tranformam a linguagem em um dialeto, lhe roubando a universalidade que seus criadores lhe atribuiram originalmente, é como chamar a língua falada no Brasil de Santista, Paulista ou Carioca só porque uma celebridade de alguma dessas cidades caiu na graça dos estrangeiros. Assim vamos nos ater a seu nome original.

Um primeiro obstáculo que encontramos quando começamos a estudar o Aklo é que ele foi desenvolvido por pessoas que falavam o inglês e que não tentaram desenvolver a complexidade da língua. Assim “Cthulhu fhtagn” é traduzido pra o inglês “Cthulhu Dreaming” ou Cthulhu Sonhando. “ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn” é traduzido para o inglês “In his house at R’lyeh dead Cthulhu waits dreaming” – Em sua casa em R’lyeh, Cthulhu morto espera sonhando. As únicas três palavras que podem ser traduzidas corretamente por comparação são dois nomes, Cthulhu e R’Lyeh e Fhtagn que significaria sonhando. Qualquer tradução palavra por palavra do texto cai no achismo, ainda mais que podemos ver que R’lyeh e Cthulhu são invertidos na tradução. Não há indicações do que “ph’nglui”, “mglw’nafh” e “wgah’nagl” signifiquem respectivamente, e ainda se pararmos para pensar que existem três palavras/termos/conceitos em Aklo que devem ser transliterados nas palavras/termos restantes, “em sua casa”, “morto” e “espera/aguarda”, não sabemos como a gramática funciona – por exemplo, em Latim, o que determina o significado de uma palavra não é sua ordem na frase, mas a terminação de cada palavra, assim ‘Caim matou Abel’ pode ser escrito, em latim, tanto ‘Caim matou Abel’ quanto ‘Abel matou Cain’ ou ainda ‘matou Abel Caim’ que saberíamos não apenas o significado da sentença mas quem faz o papel de assassino e quem foi a vítima. Poderíamos afirmar que Aklo seria semelhante ao latim ou teria uma estrutura mais rígida como o português ou inglês moderno? Não podemos afirmar nada.

Mesmo assim, compilando frases e termos em Aklo usado não apenas na ficção Lovecraftiana mas no material que surgiu posteriormente, podemos chegar a algumas conclusões:

– Aparentemente o Aklo não faz distinções entre pronomes, verbos, adjetivos e outras figuras de linguagem.

– Pronomes podem não aparecer.

– Verbos possuem apenas dois tempos: presente e não presente. A mente dos Antigos não pode ser explicada linearmente, e o nosso conceito de tempo – presente, passado e futuro – se mostra extremamente limítrofe e primitivo.

– Não existem preposições soltas, elas estão geralmente implícitas.

– As palavras se combinam facilmente com prefixos e sufixos que explicam se está sendo descrito um lugar, entidade ou dimensão, ou se algo está acontecendo agora ou não agora.

– Prefixos e sufixos são ligados, geralmente através de apóstrofe.

– Termos novos formados por duas ou mais palavras são ligados por hífem.

– O plural geralmente é indicado pela repetição da última letra.

– Não existe definição de gênero, que é uma limitação característica do tipo de existência física deste planeta, ao invés disso existe uma ligação entre energia e forma, tudo relacionado a energia é tido como masculino, tudo relacionado ao que dá forma é feminino, por isso a distinção entre Pai – principio energético – e Mãe – o ser que dá a forma à vida.

– Não existe diferenciação de localização espacial e localização temporal.

Além da forma, a direção da escrita também é vista como elemento diferenciador do sistemas Aklo. Semelhante ao grego antigo, o Aklo é escrito em linhas com direção alternada: uma linha da direita para a esquerda e a linha seguinte da esquerda para a direita, invertendo a direção das letras; a terceira linha equivalia à primeira e a quarta à segunda e assim sucessivamente. Esse método é chamado de boustrophedon, uma palavra grega que significa “da maneira como o boi ara o campo”. Em livros recentes é compreensível que a escrita seja feita da esquerda para a direita como se tornou comum no ocidente.

 

Caracteres Aklo

Não existe um alfabeto Aklo “oficial” apontado por Machen, Lovecraft ou outro escritor, o que existem são trabalhos feitos por fãs que tentam representar o que consideram ser o alfabeto. O problema com a maioria é que se revelam rebuscados demais para serem práticos. Ou runas trabalhadas demais, ou simbolos carregados de um barroquismo que interferem em sua escrita.

O Aklo sempre foi mostrado de duas formas: ou a transliteração fonética das palavras, como Fhtagn, ou descrição de arabescos e hieroglifos hediondos, antigos e não relacionados com nenhuma civilização. É sabido que a forma de escrita mais antiga que se tem conhecimento hoje era essencialmente formada por ideogramas. O desenho de um pão representava o próprio pão. Duas pernas poderiam representar tanto andar quanto ficar de pé. Com o tempo as simbolos se tornaram abstratos, deixando de representar conceitos para indicar sons. A letra M do nosso alfabeto evoluiu de um hieróglifo egípcio que representava ondas na água e o som que essas ondas faziam, a palavra egípcia água contem apenas uma consoante: M, assim a figura M não representava apenas a idéia de água mas o som que faziam.

Quando a escrita necessitou se tornar “portátil”, os ideogramas foram substituídos por caracteres que pudessem ser desenhados com rapidez pelas ferramentas de mão no meio em que seriam carregados. As ferramentas eram um instrumento pontiagudo e forma triangular e o “papel” da época eram tábuas de argila. O que determinou a evolução da escrita então foi o instrumento usado para escrever, logo que o triangular foi substituído por outro em forma de cunha, surgiu a escrita cuneiforme aproximadamente no século XXIX a.C.

Assim é lógico que qualquer tipo de escrita primitiva feita por humanos teria que seguir uma linha cuneiforme, ou sem formas que exigissem muita complexidade. Isso explicaria também a aparência alienígena atribuída aos textos encontrados nos tomos antigos.

Em 1934, seis anos após a publicação do conto O Chamado de Cthulhu, H.P. Lovecraft enviou uma carta a R.H. Barlow com uma ilustração de próprio punho da escultura de Cthulhu sentado em um bloco com inscrições ao redor.

As inscrições com certeza seriam, na estatueta descrita, Aklo. Lovecraft tentou no desenho incorporar sua versão do Aklo ou simplesmente fez rabiscos sem sentido apenas para mostrar o conceito da estatueta? Alguns dos rabiscos de Lovecraft lembram alguns caracteres do alfabeto fenício.

Outros simplesmente parecem rabiscos mesmo. Mas como os fenícios evoluiram dos sumérios, e uma das cidades estados mais conhecidas da Suméria era Ur talvez não seja um chute tão extremo dizer que Aklo poderia ser representado por caracteres que tenham sido usados pelos fenícios. Curiosamente em uma das edições mais populares do Necronomicon, a de Simon, todo panteão Lovecraftiano é associado com as divindades sumérias, mas essa associação nunca foi feita de forma explícita ou implícita pelos escritores do Mito.

Outra curiosidade a respeito do Necronomicon é que outra de suas edições, conhecida como O Necronomicon de Wilson-Hay-Turner-Langford, graças a seus autores, Colin Wilson, George Hay, Robert Turner e David Langford, oferece um alfabeto de Nug-Soth para ser usado em rituais e sigilos. Nug-Soth é personagem do conto “A Sombra fora do Tempo” de Lovecraft, um mago dos conquistadores negros que viveu no século XVII d.C – DEPOIS DE CRISTO – e que por causa de uma tranferência de mentes com um dos membros da Grande Raça dos Yith ficou aprisionado no ano 150,000,000 a.C. – ANTES DE CRISTO.

Nunca foi afirmado que esse alfabeto fosse Aklo, e basta uma olhada para ver que, apesar dele ter uma funcionalidade prática para a antiguidade, lhe falta a aura alienígena e o aspecto sombrio tão presentes nos textos lovecraftianos. E assim voltamos ao alfabeto fenício. Em 1518 um alfabeto de origem desconhecida foi publicado na obra Polygraphia de Johannes Trithemius. O alfabeto foi atribuido a Honório de Tebas, uma figura cuja existência beira a lenda. Ninguém sabe quem foi Honório, já afirmaram que na verdade era o Papa Honório, e assim sua figura foi associada não apenas com um Papa mas dois: Honorius I e Honorius III. Ele é o autor de um dos maiores livros de magia negra medieval existentes, conhecido como Liber Juratus ou O Livro Jurado de Honório. Curiosamente esse alfabeto não foi encontrado em nenhum dos dois livros atribuídos a Honório que sobreviveram a Inquisição. O alfabeto Tebano, como ficou conhecido, não apresenta semelhança com os alfabetos da época em que foi publicado, seus caracteres não se assemelham a letras latinas, hebraicas, árabes ou de nenhum tipo, mas tem certa semelhança a um alfabeto mais antigo, o fenício. O Alfabeto Tebano, também conhecido como Alfabeto das Bruxas, por causa do seu uso difundido em grupos de feiticeiras ou mesmo por praticantes solitárias, tem as características oníricas e estranhas evocadas por Lovecraft e se assemelham a alguns de seus “rabiscos” na base da estátua. Se levarmos em conta sua presença em livros de magia negra medievais, sua origem desconhecida, sem uso místico, podemos ver que serve perfeitamente como um bom candidato a canal para o Aklo ser transmitido.

Assim como no Latim não existe diferença entre a pronuncia do I e do J ou do U e do V – ou o W moderno – sendo o mesmo caracter usado para indicar os diferentes sons. Não existem também diferenciação entre maiúsculas ou minúsculas, como no caso do hebraico. Assim as diferentes “letras” representam os sons pronunciados pelo mago. Também não existem apóstrofes, hífens ou qualquer pontuação além de uma indicação de fim de sentença, o que indica que o texto não era separado em frases ou parágrafos, sento escrito em bloco com o sinalizador de fim de sentença.

Isso sim é algo que esperamos encontrar garatujado no Necronomicon.

Os apóstrofes, hífens, etc. que surgem na transliteração são indicativos apenas da sonoridade da palavra, de sua pronúncia, não existem no texto Aklo original.

Baixe aqui o Alfabeto Tebano

Pronunciando Aklo

Apesar de deixar sempre claro que os nomes e palavras Aklo não poderiam ser pronunciados por gargantas humanas, existe uma aproximação fonética.

Por exemplo, apesar de Lovecraft ter sugerido diferentes pronúncias para o nome Cthulhu, a mais aceita é a que oferece em Selected Letter V: o “u” é similar a urubu, e a primeira sílaba não sendo muito diferente de “Klul”, então o primeiro “h” representa o som gutural do “u”. Isso seria, de acordo com Lovecraft, o mais próximo que as cordas vocais humanas chegariam de pronunciar uma língua alienígena.

Mas a pronúncia nos contos é muito próxima da fonética das letras. No Caso de Charles Dexter Ward a fórmula:

Y’ai ‘ng’ngah, Yog-Sothoth

é pronunciada no inglês antigo:

Aye, engengah, Yogge-Sothotha

ou, “abrasileirando”:

Iai, ingeingá, Iogui-Sototi

ou ainda:

Yi nash Yog Sothoth

ou, “abrasileirando”:

I-í náchi Ióg Sossóss

Além disso esbarramos em outro problema levantado pelo próprio Lovecraft quando desejamos aprender a pronunciar corretamente as palavras. Em O Chamado de Cthulhu ele escreve:

“[…] de um ponto indeterminado das profundezas veio uma voz que não era uma voz; uma sensação caótica que apenas uma suposição poderia traduzir como som, mas que ele tentou traduzir com um entulho de letras quase impronunciável, ‘Cthulhu fhtagn’.”

“[…] uma voz ou inteligência subterrânea gritando monotonamente em enigmáticos impactos sensoriais indescritíveis a não ser como sons inarticulados […]”

“[…] o modo de discurso [dos Grandes Antigos] era a transmissão de pensamentos.”

E no Horror de Dunwich:

“É quase errôneo chamá-los de ‘sons’, uma vez que muito do seu medonho, e grave timbre falava diretamente com lugares sombrios de consciência e do terror, muito mais sutis do que o ouvido; mesmo assim é necessário que o façamos, uma vez que sua forma era indiscutivelmente, todavia de forma vaga, a de ‘palavras’ semi-articuladas.”

Assim fica claro que qualquer transliteração de Aklo se torna apenas uma aproximação fonética da forma pronunciada da palavra, pronunciada por uma mente alienígena; forma esta que inclui imagens, sensações, emoções, impressões e qualquer outra forma de informação que o limitado cérebro humano possa processar. É um idioma que deve ser falando principalmente com a mente, e não com as cordas vocais. Faça um exercício, tente traduzir a sua última trepada em uma única palavra, escreva em um papel e depois leia a palavra e veja se ela está à altura do ato. Isso torna a proposta de Moore muito mais interessante, talvez com o uso de alguma droga, como o DTM, o aprendizado do Aklo nos leve mais próximo de seu real significado do que meramente de sua pronuncia. Já que nossa mente filtra apenas o que podemos processar e compreender podemos afirmar que o que sabemos desta língua é muito limitado se comparado com o que um Antigo pode compreender e tentar nos passar.

 

Glossário Aklo – Humano

-agl = (sufixo) lugar

aag = local/realidade dos espíritos / essência sem o corpo

ah = ação genérica, e.g. saudar, comer, fazer

‘ai = falar / chamar / glorificar

athg = firmar (contrato) / concordar

ath = nativa / nascida de

azoth = caos

azathoth = caos + nascer/ser criado

 

‘bthnk = corpo / essência

bug = ir

 

c- = (prefixo) nós / nosso

ch’ = cruzar / viajar / atravessar

chtenff = irmandade / sociedade

 

ebumna = poço

eeh = respostas

ehye = coesão / integridade

ep = não agora / então / mas

ep hai = como consequência neste momento

 

f’- = (prefixo) eles / deles

‘fhalma = mãe

fhayak = enviar / oferecer / lugar

fhhui = considerar / preparar

fhtagn = estado de não consiência do momento (contempla sem conseguir sair da contemplação) o espaço entre dois momentos a experiência mais próaxima é “dormir” ou não estar desperto.

fm’latgh = queimar

ftaghu = pele / o espaço externo que limita uma forma / os ângulos que contém uma forma

 

geb = aqui / agora / esta área

gha = vida

ghft = aquilo que revela formas / luz?

gnaiih = pai/criador

gof’n = criança/criação

gof’nn = crianças/criações

goka = garantir/garantia/assegurar

gotha = desejo/desejar

grah = o mesmo que gha

grah’n = desgarrado/larva (possivelmente grah + nnn)

 

h’- = (prefixo) aquilo/daquilo

hafh’drn = sacerdote / aquele que evoca/chama (possivelmente ai/ah + f’ + ron)

hai = agora

hlirgh = aquele que trilha o caminho próprio / que cria a própria escolha

hri = seguidor

hrii = seguidores

hupadgh = nascido de / pertencente a

 

ilyaa = esperar / aguardar

 

k’yarnak = compartilhar / trocar

kadishtu = compreender (Kadath = não compreendida?)

kn’a = indagar / aprender / absorver

 

l’geb = não aqui mas ao lado / próximo

lg = informação sem forma / “pensamento”

li’hee = “ser oprimido sensorialmente por” o sentimento mais próximo para expressar essa palavra é “sofrendo de”

ll = em / ao lado

lloig = mente / psiquê

lw = consciência livre do corpo/da restrição

lw’nafh = ensino por sonhos / influência por sonhos / doutrina por sonhos (lw + nafh?)

 

mg = (conjunção) ainda que

mnahn’ = sem valor

 

‘nagl = local / espaço de influência

n’ = negação do atributo / não

n’gha = não existência / não consciência / morte (n’ + gha)

n’ghft = ausência de sentidos / escuridão (n’ + ghft)

na’ = (prefixo) (contração de nafl-)

nafl- = (prefixo) não, aplicado ao agora

ng- = (prefixo) (conjunção) e / por consequência / uma ação que depende de uma ação não tomada

nglui = limite

niggur = negro

nilgh’ri = qualquer coisa / todas as coisas

nnn- = (prefixo) observar / proteger

nnn-l = tomar conta / proteger / acompanhar

nnn-lagl = aquele que espreita / aquele que observa de “não aqui”

nog = vir/estar agora

nw = cabeça / lugar / indivíduo

-nyth = (sufixo) servo / extensão da vontade de

 

-og = (sufixo) ênfase

ogg = poder perceber / estar cônscio

ooboshu = carregar / levar para / visitar

-or = (sufixo) força de / aspecto de

orr’e = essência / informação que compõe / ser sem forma ou fronteiras

-oth = (sufixo) nativo de / nascido de

 

ph’ = (prefixo) sobre / além

phlegeth = onde a informação existe / também o local onde duas mentes se encontram (ph’+ lg ?)

 

r’luh = secreto / segredo / escondido / ofuscado (R’lyeh = cidade oculta?)

r’luh-eeh = sem coerção / conhecimento secreto/proibido (R’lyeh = cidade do conhecimento secreto/proibido?)

ron = aquilo que define a vontade / “religião”

 

s’uhn = aliança

sgn’wahl = espaço que existe para mais de um / espaço compartilhado

sh = um aspecto da realidade / reino

shagg = onde sonhos existem (sh + agg ?)

shogg = onde a ausência de sentidos/escuridão existe (sh + ogg ?)

shub = sh + ub ? lugar fértil / o aspecto da fertilidade?

shub-niggurath = shub + niggur + ath = a manifestação negra (cor) viva da fertilidade

shugg = reino da Terra / dimensão onde a Terra é real

soth = forma que dá origem

sothoth = soth + oth ? aquele que nasceu da forma que dá origem

shtunggli = transmitir / contato

sll’ha = convidar / oferecer

stell’bsna = pedir / rezar por

syha’h = todo tempo / ausência de tempo (neste momento) / eternidade

 

tharanak = juramento / exorcismo / trazer a um preço (sacrifício?)

thflthkh’ngha = preparar (para) receber (a) essência/consciência/vida (daquele) que serve/que é extensão de sua vontade

throd = tremer

 

uaaah = conclusão do ritual

ub = fértil

Ugaga = Cria a vida em nosso planeta / é responsável pela vida em nosso planeta (ugg+gha ?)

ugg = Terra / nosso plano de existência

uh’e = muitos / multidão

uln = chamar / evocar / tornar real

 

vra = entrar / se tornar um com

vulgtlagln = pedir/desejar

vulgtm = pedido/desejo

 

wgah’n = ocupar / habitar / controlar

wgah’nagl = casa (de) (ocupar/controlar + local/espaço de influência)

wgn = aguardar no local que habita

wk’hmr = transferir a / impregnar com

 

y’hah = “que se realize”

y- = (prefixo) eu / meu

ya = eu

-yar = (sufixo) tempo de / momento

yog = era / tempo

yog-sothoth = yog+soth+oth = aquele que nasceu da forma que dá origem ao tempo

 

zhro – anular desejo/feitiço

por Shub-Nigger, A Puta dos Mil Bodes

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/aklo/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/aklo/

A Hipóstase dos Arcontes

(A Realidade dos Regentes)

A respeito da realidade das autoridades, (inspirado) pelo Espírito do Pai da verdade, o grande apóstolo – se referindo às “autoridades da escuridão” – nos disse que “nossa disputa não é contra os seres de carne e sangue; mais propriamente, as autoridades do universo e os espíritos da perversidade.” Eu te enviei isto porque você indaga sobre a realidade das autoridades.

O chefe deles é cego; devido ao poder dele e sua ignorância e sua arrogância ele disse, com o poder dele, “Eu é que sou Deus; não há outro além de mim.” Quando ele disse isto, ele pecou contra a totalidade. E esta declaração chegou até a incorruptibilidade; então houve uma voz que partiu da incorruptibilidade, dizendo, “Você está enganado, Samael” – que é, “deus dos cegos.”

A presunção dele o cegou. E, tendo expelido seu poder – ou seja, a blasfêmia que ele havia dito – ele prosseguiu até o Caos e o Abismo, que é a mãe dele, instigado pela Pistis Sofia. E ela estabeleceu cada um da prole dele de acordo com o poder deles – segundo o padrão dos reinos que estão acima dos céus, pois, a partir do universo invisível, o universo visível foi inventado.

Assim que a incorruptibilidade olhou para baixo na região das águas, sua imagem apareceu nas águas; e as autoridades da escuridão se apaixonaram por ela. Mas eles não puderam se apropriar daquela imagem que havia aparecido para eles nas águas, por causa da fraqueza deles – já que seres que meramente possuem uma alma não podem se apropriar daqueles que possuem um Espírito – pois eles eram do reino inferior, enquanto ela era de cima. Esta é a razão pela qual a “incorruptibilidade olhou para baixo na região (etc.)”: para que, pela vontade do Pai, ela possa trazer a totalidade para a união com a luz.

Os regentes planejaram e disseram, “Venham, vamos criar um homem com o solo da terra.” Eles modelaram a criatura deles como sendo completamente da terra. Agora os regentes são andróginos, seus corpos são iguais aos que eles criaram para a humanidade deles, tendo características de macho e de fêmea, mas com o rosto de um animal. Então quando eles haviam tomado um pouco de solo da terra, eles modelaram o homem deles segundo o corpo deles, e segundo o semblante de Deus que havia aparecido para eles nas águas. Eles disseram, “Venham, vamos dominar ele por meio da forma que nós modelamos, para que ele veja sua aparência neste corpo, se sinta atraído e venha habitar nele, e nós possamos capturá-lo com a forma que nós modelamos” – não compreendendo a força de Deus, por causa da impotência deles. O chefe deles soprou no rosto dele; e o homem obteve uma alma (e permaneceu) no chão muitos dias. Mas eles não puderam fazê-lo se erguer por causa da impotência deles. Como vendavais eles persistiram soprando, tentando capturar aquela imagem que apareceu para eles nas águas. E eles não conheciam a identidade daquele poder.

Agora todas estas coisas decorreram pela vontade do Pai da totalidade. Posteriormente, o Espírito viu o homem dotado de alma no chão. E o Espírito veio adiante da Terra de Adamantina; ele desceu e veio habitar dentro dele, e aquele homem se tornou uma alma viva, e chamou-se Adão. Já que ele foi visto se movendo sobre o chão, uma voz partiu da incorruptibilidade para o auxílio de Adão; e os regentes reuniram todos os animais da terra e todos os pássaros do céu e os trouxeram para Adão, para ver como ele iria chamá-los, para que ele desse um nome a cada um dos pássaros e a todos os animais.

Eles pegaram Adão e colocaram ele no jardim, para que ele o cultivasse e vigiasse. E os regentes emitiram um comando a ele, dizendo, “Você comerá de toda árvore no jardim; mas da árvore do reconhecimento do bem e do mal não coma, nem a toque; pois no dia que você comer dela, com morte você morrerá.”

Eles estavam mentindo quando falaram isto. Eles não entendem o que disseram para ele; pelo contrário, pela vontade do Pai, eles disseram isto de modo que ele de fato coma, e para que Adão não os considerasse do mesmo jeito que um homem de natureza totalmente material consideraria.

Os regentes se consultaram uns com os outros e disseram, “Venham, vamos causar que um sono profundo caia sobre Adão.” E ele dormiu. – Agora o sono profundo que eles “causaram que caísse sobre ele, e ele dormiu” é a Ignorância. – Eles abriram a lateral dele que era como uma mulher viva. E eles montaram a lateral dele com um pouco de carne no lugar dela, e Adão ficou dotado apenas de alma.

E a mulher dotada de Espírito veio até ele e falou com ele, dizendo, “Levante-se, Adão.” E quando ele a viu, ele disse, “Foi você quem me deu vida; você será chamada ‘mãe dos vivos’. – Pois ela que é a minha mãe. Ela que é a obstetra, a mulher, e ela que deu à luz.”

Então as autoridades vieram até o Adão deles. E quando eles viram a contraparte feminina dele falando com ele, eles ficaram agitados com grande agitação; e eles se apaixonaram por ela. Eles disseram uns aos outros, “Venham, vamos espalhar nossa semente nela,” e eles a perseguiram. E ela riu deles pela tolice e cegueira deles; e nas garras deles ela se tornou uma árvore, e deixou diante deles o reflexo indistinto dela aparentando a si mesma; e eles o violaram de forma imunda. – E eles violaram o sinal da voz dela, de modo que, por meio da forma que eles modelaram, junto com a própria imagem deles, eles se tornaram propensos à condenação.

Então o princípio espiritual feminino entrou na águia, que é o instrutor; e ele os ensinou, dizendo, “O que ele disse para você? Foi, ‘Você comerá de toda árvore no jardim; mas – da árvore do reconhecimento do bem e do mal não coma’?”

A mulher carnal disse, “Ele disse não somente, ‘Não coma’, mas até ‘Não a toque; pois no dia que você comer dela, com morte você morrerá.’”
E a águia, o instrutor, disse, “Com morte vocês não irão morrer; pois foi por ciúmes que ele disse isto a vocês. Pelo contrário, seus olhos se abrirão e vocês se tornarão como deuses, reconhecendo o mal e o bem.” E o princípio instrutor feminino foi removido da águia, e ela o abandonou, uma coisa meramente da terra.

E a mulher carnal pegou da árvore e comeu; e ela deu ao marido dela também; e estes seres que possuíam apenas uma alma, comeram, e então eles ficaram sóbrios do esquecimento. Eles perceberam a imperfeição e a falta de sabedoria dos seus criadores; e reconheceram que eles mesmos estavam despidos do elemento espiritual, então eles pegaram folhas de figueira e amarraram em seus quadris.

Então o regente chefe (que é a serpente) veio; e ele disse, “Adão! Onde você está?” – porque ele não entendeu o que tinha acontecido. E Adão disse, “Eu ouvi a sua voz e tive medo porque eu estava nu, e eu me escondi.”

O regente disse, “Por que você se escondeu, a menos que é porque você comeu da única árvore que eu ordenei que você não comesse? E você comeu!”

Adão disse, “A mulher que você me deu, ela me ofereceu e eu comi.” E o regente arrogante amaldiçoou a mulher.

A mulher disse, “Foi a águia que me induziu e eu comi.” Eles se voltaram para a águia e amaldiçoaram o reflexo indistinto dela, […] impotentes, não compreendendo que era uma forma que eles mesmos haviam modelado. Desde aquele dia, a águia ficou sob a maldição das autoridades, até que o regente todo-poderoso viesse, aquela maldição caiu sobre a águia.

Eles se voltaram para o Adão deles, e o tomaram e expulsaram do jardim junto com sua esposa; pois eles não possuem bênção, já que eles também estão sob a maldição. Além do mais, ele jogou a humanidade em grande distração e em uma vida de dificuldades, para que a humanidade deles possa estar ocupada com afazeres mundanos, e não possa ter a oportunidade de se dedicar ao Espírito sagrado.

Agora em seguida, ela gerou Caim, o filho deles, e Caim cultivava a terra. Logo após isso ele reconheceu sua esposa, engravidando novamente, ela gerou Abel; e Abel era um pastor de ovelhas. Agora Caim apresentou das colheitas do campo dele, mas Abel apresentou uma oferenda dentre suas ovelhas. Então Sabaoth, que é chamado Senhor das Forças, olhou sobre as oferendas votivas de Abel; mas ele não aceitou as oferendas votivas de Caim. E o Caim carnal perseguiu Abel, seu irmão.

E Sabaoth disse para Caim, “Onde está Abel, teu irmão?”

Ele respondeu dizendo, “Eu sou, então, zelador do meu irmão?”

Então Sabaoth disse para Caim, “Escute! A voz do sangue do teu irmão está clamando para mim! Você pecou com tua boca. Isto retornará para ti: qualquer um que matar Caim soltará sete vinganças, e você existirá gemendo e tremendo sobre a terra.”

E Adão reconheceu sua contraparte feminina Eva, e ela ficou grávida, e gerou Seth para Adão. E ela disse, “Eu gerei um homem através de Deus, no lugar de Abel.” Novamente Eva engravidou, e ela gerou Norea. E ela disse, “Ele gerou em mim uma virgem como uma assistência para muitas gerações da humanidade.” Ela é a virgem a quem as forças não corromperam.

Então eles começaram a se multiplicar e aperfeiçoar. Os regentes se consultaram uns com os outros e disseram, “Venham, vamos causar um dilúvio com nossas mãos e eliminar toda carne, desde homem até animal.” Mas quando o Senhor das Forças soube da decisão deles, ele disse para Noé, “Construa para vocês uma arca com madeira que não apodreça e se escondam nela – você e os meus filhos, e os anjos do céu, e os animais deles, do pequeno ao grande – e coloque-a sobre o Monte Senhor.”

Então Orea veio até ele, querendo embarcar na arca. E quando ele não a deixou, ela soprou sobre a arca e ocasionou que ela fosse consumida pelo fogo. Novamente ele fez a arca, por uma segunda vez.

Os regentes foram conhecê-la, pretendendo corrompê-la. O chefe supremo deles disse a ela, “A sua mãe Eva foi criada por nós.” Mas Norea virou-se para eles e disse, “São vocês os regentes da escuridão; vocês estão amaldiçoados. E vocês não conheceram a minha mãe; pelo contrário, vocês conheceram a contraparte feminina de vocês. Pois eu não sou descendente de vocês; pelo contrário, é do aeon superior que eu venho.”

O regente arrogante levantou-se contra ela com toda a sua força, e sua aparência era como um enorme dragão preto; e ele disse a ela presunçosamente, “Você deve servir a nós, como a sua mãe Eva também serviu; pois me foi dada autoridade sobre todo este universo!”
Mas Norea virou-se, com o poder da sua fé; e numa voz alta ela exclamou para o alto para o sagrado, o Deus da totalidade, “Resgate-me dos regentes da injustiça e me salve das garras deles – depressa!”

O grande anjo eterno desceu do Oitavo Céu e disse a ela, “Por que você está exclamando a Deus? Por que você age com tanta audácia para com o Espírito sagrado?”

Norea disse, “Quem é você?” Os regentes da injustiça haviam se afastado dela.

Ele disse, “Eu que sou Eleleth, sagacidade, o grande anjo que fica na presença do Espírito sagrado. Eu fui enviado para falar com você e salvá-la das garras dos malfeitores. E eu irei te ensinar sobre a sua raiz.”

(Aparentemente Norea falando agora) Agora quanto a esse anjo, eu não posso expressar o poder dele: sua aparência é como ouro fino e seu traje é como neve. Não, deveras, minha boca não se porta a falar do poder e da aparência do rosto dele!

Eleleth, o grande anjo, falou comigo. “Sou eu,” ele disse, “que sou compreensão. Eu sou um dos quatro doadores de luz, que ficam na presença do grande Espírito invisível. Você acha que estes regentes têm algum poder sobre ti? Nenhum deles pode prevalecer contra a raiz da verdade; pois foi por ela que ele apareceu nos últimos tempos; e estas autoridades serão restringidas. E estas autoridades não podem te corromper nem corromper aquela geração, pois sua residência é na incorruptibilidade, onde o Espírito virgem habita, que é superior às autoridades do Caos e ao universo deles.”

Mas eu disse, “Senhor, me ensine sobre a capacidade destas autoridades – como eles surgiram, e por qual tipo de gênesis, e de que material, e quem criou eles e a força deles?”

E o grande anjo Eleleth, compreensão, falou para mim: “Dentro de domínios ilimitados habita a incorruptibilidade. Sofia, que é chamada Pistis, quis criar algo sozinha, sem o cônjuge dela; e o produto dela foi a abóbada celeste. Ela é um véu que existe entre os grandes aeons superiores e os domínios inferiores. Então uma nuvem surgiu abaixo do véu; e essa nuvem gerou matéria; e a matéria foi expelida e dispersada. E o que ela havia criado foi parido pela nuvem como um feto abortado. E aquilo assumiu uma forma plástica modelada através da matéria, e se tornou uma besta arrogante parecendo um leão. E era andrógino, como eu já havia dito, e ignorante, porque foi da matéria que ele derivou.

Quando ele abriu os olhos, ele viu uma vasta quantidade de água sem limite; e ele se tornou arrogante, dizendo, “Eu é que sou Deus, e não há outro além de mim”. Quando ele disse isto, ele pecou contra a totalidade. E uma voz partiu do alto, do reino de poder absoluto, dizendo “Você está enganado, Samael” – que é, ‘deus dos cegos’.

E ele disse, “Se outra coisa existe antes de mim, que se torne visível para mim!” E imediatamente Sofia esticou o dedo dela e introduziu luz no universo; e ela brilhou até as profundezas do Caos. Então ela recolheu a sua luz; e mais uma vez a escuridão encobriu todo o universo.

Este regente, sendo andrógino, criou para si um vasto reino, um tamanho inimaginável. E ele contemplou criando filhos de si próprio, e criou para ele mesmo sete filhos, andróginos assim como o pai deles. E ele disse à prole dele, “Eu é que sou o Deus da totalidade.”

E Zoe (Vida), a filha de Pistis Sofia, exclamou e disse a ele, “Você está enganado, Saclas!” – cujo nome alternativo é Yaldabaoth. Ela soprou no rosto dele, e a respiração dela se tornou um anjo de fogo para ele; e o anjo prendeu Yaldabaoth e o lançou abaixo dentro do Tártaro, no fundo do abismo.

Agora quando o filho dele Sabaoth viu a força daquele anjo, ele se arrependeu e condenou o pai dele e a mãe dele, a matéria. Ele a repugnou, mas ele cantou canções de louvor para cima para Sofia e a filha dela Zoe. E Sofia e Zoe o ergueram e lhe deram o comando do sétimo céu, para que ele pudesse reger sobre o universo, entre os reinos eternos e o Caos. E ele é chamado ‘Senhor das Forças, Sabaoth’, já que ele está acima das forças do Caos, pois Sofia o estabeleceu.

E quando estes eventos aconteceram, ele fez para si próprio uma mansão enorme, e uma congregação de deuses para governarem sobre os mundos das pessoas, e muitos infinitos anjos para atuarem como ministros, e também harpas e liras. E Sofia pegou a filha dela Zoe e a fez sentar à direita dele, para ensiná-lo sobre as coisas que existem no Oitavo Céu; e o anjo da ira ela colocou à esquerda dele. Desde aquele dia, a direita dele tem sido chamada ‘vida’, e a esquerda veio a representar a injustiça, para o domínio de poder absoluto acima. Foi antes da sua época que eles surgiram.

Agora quando Yaldabaoth viu ele (Sabaoth) neste grande esplendor e nesta altura, ele o invejou; e a inveja se tornou um produto andrógino, e esta foi a origem da inveja. E inveja produziu morte; e morte produziu a prole dele, e deu para cada um deles o comando de seu céu; e todos os céus do Caos se tornaram repletos de suas multidões. Mas foi pela vontade do Pai da totalidade que eles todos surgiram – segundo o padrão de todas as coisas superiores – para que a quantia do Caos fosse alcançada.

“Assim, eu te ensinei sobre o padrão dos regentes; e a matéria na qual ele foi expressado; e o pai deles; e o universo deles.”

Mas eu disse, “Senhor, eu também sou da matéria deles?””

Você, junto com seus descendentes, são do Pai Imortal, de cima, da luz imperecível é que almas deles são provenientes. Por isso as autoridades não podem se aproximar deles, por causa do Espírito da verdade que está presente dentro deles; e todos que se instruíram sobre estas coisas existem como imortais no meio da humanidade mortal. Mesmo assim, esses fatos não serão conhecidos agora. Pelo contrário, após três gerações é que isto será reconhecido, e esta sabedoria os libertou da escravidão e do erro das autoridades.”

Então eu disse, “Senhor, quanto mais irá demorar?”

Ele me disse, “Até o momento em que o homem verdadeiro, dentro de uma forma modelada, revele a existência do Espírito da verdade, que o Pai enviou.

Então ele ensinará a eles sobre tudo, e ele os ungirá com a unção da vida, dada a ele pela geração sobre a qual não há regente.

Então eles serão libertados do pensamento cego, e eles irão pisar sobre a morte com os pés, pois ela pertence às autoridades, e eles subirão até a luz ilimitada, que é onde os eleitos pertencem.

Então as autoridades irão abandonar suas eras, e os anjos deles prantearão sobre a destruição deles, e os demônios deles irão lamentar suas mortes.

Então todas as crianças da Luz serão verdadeiramente familiarizadas com a verdade e com a raiz deles, e com o Pai da totalidade e o Espírito sagrado. Eles todos dirão com uma única voz, “A verdade do Pai é justa, e o filho preside sobre a totalidade”, e todos louvarão nos aeons dos aeons eternos, “Sagrado – sagrado – sagrado! Amém!’”

A Realidade dos Regentes.

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Fonte:

A Hipóstase dos Arcontes. Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2014. Disponível em:<https://web.archive.org/web/20200224151504/http://misteriosantigos.50webs.com/hipostase-dos-arcontes.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-hipostase-dos-arcontes/

Alguns Fatos (e Ficção) sobre o Tabuleiro Ouija

Por Eileen Troemel (Dragonlady).

O tabuleiro Ouija é uma técnica de contato com espíritos que tem a reputação de ser manipulada e usada para fins malignos. Eu mergulhei em muitos tipos de adivinhação, desde numerologia, tarô e lançamento de moedas, até pêndulos, médiuns e leitura de mãos. Como muitas pessoas, sou fascinado por me conectar com aqueles que já se foram, por receber mais uma mensagem de um ente querido.

Laura, uma grande amiga minha, se conecta com os espíritos e passa mensagens desses espíritos para as pessoas que deixaram para trás. Laura me disse que usa o tabuleiro Ouija de uma forma não tradicional. Ela usa uma peça de joalheria, como um colar ou um anel, pendurado em uma corda como um pêndulo. Eu era cético, mas em mais de uma ocasião eu a vi segurar o pêndulo e receber mensagens.

A princípio, acreditei que ela estava balançando o pêndulo sozinha, mas perguntei quem estava lá para mim. Usando um pêndulo feito do meu colar, ela pegou as iniciais do meu pai. Meu pai faleceu muito antes de eu conhecer Laura, então achei que ela não sabia o nome dele. Repassei uma lista de perguntas, a maioria das quais Laura não sabia as respostas, e obtive respostas para todas elas.

A certa altura, ela parou de ler para mim porque disse que meu pai estava muito zangado. Ela largou o colar e se afastou da leitura. Embora o tópico em discussão fosse um que teria irritado meu pai, uma pequena parte de mim estava cética de que ela pudesse ficar tão sobrecarregada de emoção. Eu pensei que talvez ela estivesse apenas cansada e precisasse de uma pausa.

Então, Laura me desafiou a aprender essa habilidade. Tentei em algumas ocasiões na casa dela com seu tabuleiro Ouija. Ela me entregou o pêndulo (feito do meu anel), mas ele ficou pendurado e não se moveu. Não obtive nenhum resultado.

O MÉTODO DO PÊNDULO DE LAURA:

O tabuleiro Ouija de Laura foi passado para ela de sua mãe quando criança, mas ela o deixou de lado porque os pais de seus amigos desaprovaram, pensando que era mau. Anos depois, Laura começa a explorar diferentes maneiras de trabalhar com ele novamente. Ela seguiu seus instintos e deixou de lado a prancheta.

Com seu pêndulo individualizado, Laura instrui o buscador a se concentrar em uma única pergunta, em voz alta ou em sua cabeça. Então ela balança as joias sobre o tabuleiro Ouija e espera por uma resposta.

Minha irmã, Teri, fez sua primeira tentativa de adivinhar dessa maneira em uma reunião, mas em uma sala cheia de pessoas barulhentas ela se distraiu com muita facilidade.

Teri e eu estávamos indo para um retiro de três dias quando Laura sugeriu que levássemos seu tabuleiro Ouija conosco. Achei que seria um desperdício de espaço na mala, mas Laura era uma pessoa tão maravilhosa que não consegui dizer não a ela.

Teri e eu dirigimos pelas colinas do oeste de Wisconsin, apreciando a beleza da paisagem natural e parando em um local natural ao qual ambos nos conectamos à nossa maneira. Mais tarde, depois de relaxar e apreciar a bela paisagem da varanda do nosso hotel, decidimos limpar a mesa de centro e tentar trabalhar com o tabuleiro Ouija. Peguei um pêndulo, fechei os olhos para focar enquanto ela fazia uma pergunta – e esperei. Teri observou o tabuleiro, porque acho mais fácil focar quando meus olhos estão fechados. Tivemos um círculo informal, com nossa única vela acesa em uma estátua de Kwan Yin.

A princípio nada aconteceu. O pêndulo pendia direto para baixo, sem se mover nem um pouco. Pensei comigo mesmo que sabia que isso seria uma perda de tempo. Eu ofereci a minha irmã a chance de tentar novamente, mas ela me encorajou a continuar.

Perguntamos se havia um espírito ali para falar conosco. O pêndulo balançou ligeiramente em direção ao não. Nós dois rimos. Teri disse: “Então quem estava movendo o pêndulo?” Depois disso começamos a fazer mais perguntas. Perguntamos se nosso pai estava lá. Meu pêndulo balançou um pouco em direção ao “sim”, como se respondesse a uma brisa suave.

Continuamos fazendo perguntas e recebendo respostas. A certa altura, nós dois dissemos que amávamos e sentíamos saudades de papai, e quase imediatamente comecei a chorar. O pêndulo estava balançando loucamente para sim. Sabíamos que ele estava enviando seu amor de volta para nós. Fiquei impressionado com o amor feroz que recebi dele e não pude continuar.

Depois de um breve intervalo das emoções intensas, continuei a usar o tabuleiro Ouija para conversar com papai. Perguntamos sobre nossas vidas e a dele. Cobrimos toda a família. Perguntamos se havia outros lá e recebemos um retumbante sim, mas o único que falou conosco através do Ouija foi papai.

Às vezes, o pêndulo balançava descontroladamente e outras vezes apenas balançava suavemente. Eu quase podia sentir a mão do meu pai em cima da minha empurrando-a para uma resposta ou outra. Minha mão ficou quente como se estivesse envolvida na dele. Meu braço não se cansou como eu esperava – talvez porque eu estivesse tão focada na conversa ou talvez porque meu pai estava lá me apoiando.

Não tenho certeza de quanto tempo passamos usando o tabuleiro para falar com papai. Parecia que estávamos em um lugar e tempo diferentes. Todo o resto parecia desaparecer para mim, exceto a conexão que eu tinha com minha irmã e meu pai. Foi um momento mágico cheio de poder e amor.

Fiquei surpreso por ter um resultado tão positivo e devia a Laura um enorme pedido de desculpas por ser cético em relação à sua habilidade e técnica. Combinar o pêndulo com o tabuleiro Ouija cria uma ferramenta única para se comunicar com os espíritos. Laura me ensinou bem.

Como acontece com qualquer nova técnica de adivinhação, eu queria aprender um pouco mais sobre o tabuleiro Ouija. Eu sabia que havia um estigma associado, então entrei no modo de pesquisa.

A ORIGEM DO TABULEIRO OUIJA:

Descobri uma variedade de crenças. O tabuleiro atual e todas as patentes pertencem à Parker Brothers, que em meados da década de 1960 a comprou da família Fuld. A família Fuld detinha essas patentes e fabricava os tabuleiros desde o final dos anos 1800, e a popularidade do tabuleiro flutuou com o movimento espiritualista. Parece que o próprio tabuleiro evoluiu da prática das mesas girantes e da escrita automática.

Algumas fontes afirmam que essa técnica de adivinhação remonta a culturas antigas, mas há muito ceticismo sobre esse ponto. Há uma referência a um prato de pêndulo, que é um prato redondo com letras na borda externa, sendo usado na época romana. Isso é interessante para mim, uma vez que se relaciona tão intimamente com a forma como Laura mudou instintivamente. Embora algumas pesquisas indiquem que essa técnica pode remontar aos antigos egípcios, ela não é definitiva e as fontes são vagas. Indiscutíveis, porém, são as patentes modernas. A patente mais antiga, mas menos conhecida, é para um tabuleiro falante em Londres, Inglaterra, em 1854. A marca Ouija foi patenteada nos EUA em 1890.

O estigma do tabuleiro Ouija parece ter começado em 1972 com o filme O Exorcista. Antes disso, o tabuleiro era usado para se comunicar com parentes mortos e outros espíritos. O Exorcista deu origem a uma onda de filmes que retratavam os tabuleiros Ouija como ferramentas para os espíritos malignos possuírem ou causarem danos ao usuário.

Em geral, parece haver duas opiniões quando se trata do tabuleiro Ouija. Uma crença é que é apenas um jogo e que o movimento da prancheta vem da mente subconsciente do usuário. A outra crença é que esta é uma ferramenta espiritual, que pode ou não trazer espíritos “maus”, dependendo de como é usada.

Minha pesquisa revelou as seguintes sugestões para usar um tabuleiro (os números entre parênteses referem-se aos recursos listados no final deste artigo):

  • Coloque o tabuleiro entre os usuários para que todos tenham fácil acesso à prancheta (3, 8)
  • Coloca os dedos levemente na prancheta (3)
  • Convide um espírito para se juntar e peça um espírito disposto para manter o negativo (3)
  • Faça uma pergunta – apenas uma de cada vez (3, 6, 8)
  • Peça a uma terceira pessoa para atuar como escriba ou use um gravador para que você possa ter clareza sobre as mensagens que chegam (7, 8)
  • Sempre diga adeus e certifique-se de que o espírito o faça, para que não permaneça após a sessão terminar (7)

Além desses passos básicos, encontrei inúmeras sugestões sobre segurança e cuidados:

  • Seja sério e respeitoso (6, 8)
  • Limpe e mantenha o tabuleiro livre de poeira com um pano macio e seco (6)
  • Use um círculo lento ao redor do tabuleiro para fazer a prancheta se mover (8)
  • Esfume o tabuleiro com sálvia para purificar e uma vela branca para proteção (8)
  • Use em um círculo de proteção (7)
  • Use uma moeda de prata ou use joias de prata para se proteger de danos (7)
  • Faça uma oração antes de usar para afastar os espíritos negativos (8)
  • Use o bom senso em relação à mensagem que você recebe; se você se sentir desconfortável com a mensagem, peça ao mensageiro para sair (7, 8)
  • Use à noite (8)
  • Use um tabuleiro de madeira (9)

Todas essas são sugestões de fontes diferentes oferecidas para o uso do tabuleiro Ouija. Alguns podem funcionar e outros não. Laura fez toda a sua vidência durante o dia, e minha tentativa bem-sucedida foi à noite. Minha experiência pessoal me ensinou que mesmo com meu próprio ceticismo eu poderia fazer uma técnica de adivinhação com a qual não estava necessariamente confortável. Eu só precisava me concentrar na técnica e não me concentrar no meu ceticismo. Com prática e crença em minhas habilidades, sou capaz de me conectar com espíritos usando o tabuleiro Ouija. Eu só precisava confiar em minhas próprias habilidades.

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Por Eileen Troemel (Dragonlady). Extraído de 2008 Witches’ Companion (Companheiro de Bruxas de 2008) da Llewellyn. Para os Almanaques e Calendários Llewellyn atuais, clique aqui: Erro! A referência de hiperlink não é válida.

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Sobre as Mesas Girantes:

Também conhecido como em inglês como “Table Turning” ou “Table Tipping”, refere-se a movimentos misteriosos de uma mesa, geralmente em uma sessão espírita. Elas podem ser usadas para responder a perguntas (toque uma vez para “sim”, duas vezes para “não”, etc.) e algumas pessoas recriaram o fenômeno fora do círculo espírita.

AUTOR: Donald Michael Kraig

Mesas girantes, mesas falantes ou dança das mesas são um tipo de sessão espírita em que os participantes se sentam ao redor de uma mesa, colocam as mãos sobre ela e esperam que ela se movimente. Populares no século XIX, acreditava-se que as mesas serviam como meio de comunicação com supostos espíritos.

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Sobre a Escrita Automática:

  1. Um meio pelo qual uma entidade não física – classicamente um espírito de alguém que morreu – pode se comunicar com os vivos. Uma pessoa segura uma caneta ou lápis em algum papel em um estado de espírito relaxado e expectante (alguns acreditam que requer um estado de transe). Ou o espírito move a mão externamente, ou o espírito habita temporariamente o corpo para fazer a escrita e deixar mensagens para os vivos. Muitas vezes, os comentários do espírito são em resposta a perguntas feitas por “assistentes” na sessão ou pelo médium. Os desmascaradores apontam que isso poderia ser facilmente produzido por fraude.

AUTOR: Donald Michael Kraig.

  1. Uma estratégia psíquica em que a escrita espontânea ou involuntária é usada para trazer informações, geralmente da mente subconsciente ou aparentemente guiadas por espíritos. Uma forma de canalização na qual uma pessoa, às vezes em transe, escreve ou mesmo digita mensagens que geralmente se acredita serem originárias de seres espirituais ou de aspectos da mente subconsciente.

Na escrita automática, a mão que segura uma caneta geralmente repousa levemente sobre uma folha de papel em branco e pode escrever espontaneamente. Não raramente, rabiscos sem sentido precederão a escrita significativa que se torna o canal entre a consciência e a fonte de informação durante a qual mensagens específicas do subconsciente ou diretamente do mundo espiritual são recebidas por meio de escrita espontânea e então comunicadas à consciência.

AUTOR: Carl Llewellyn Weschcke.

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Fonte:

Some Facts (and Fiction) About the Ouija Board, by Llewellyn.

Erro! A referência de hiperlink não é válida.

COPYRIGHT (2008) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/alguns-fatos-e-ficcao-sobre-o-tabuleiro-ouija/

Cthulhu: uma introdução ao universo de H. P. Lovecraft

As Edições Textos para Reflexão publicam o conto mais conhecido de H. P. Lovecraft, o escritor que revolucionou o Horror Fantástico. Traduzido do inglês original por Rafael Arrais.

Na cosmologia de Lovecraft, os chamados Mitos de Cthulhu, o ser humano é uma coisa insignificante, que mal compreende as Coisas imensas e antiquíssimas que habitam o seu mundo, como deuses anciãos e raças multimilenares. Em O Chamado de Cthulhu, temos uma apavorante introdução a este universo.

Um ebook já disponível para Amazon Kindle, Kobo e Saraiva Lev:

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Abaixo, segue uma amostra com o trecho inicial do conto:

“De tais poderes grandiosos ou entidades é concebível que possa haver restado um vestígio […] um vestígio de uma era regressa onde […] a consciência era manifestada, quem sabe, em contornos e formas há muito submersos diante da maré do avanço da humanidade […] formas das quais tão somente a poesia e as lendas puderam guardar alguma memória fugidia, e então os chamaram de deuses, monstros, criaturas míticas de todos os tipos e espécies […].”

(por Algernon Blackwood – isto foi encontrado entre os papéis do já falecido Francis Wayland Thurston, em Boston)

A coisa mais misericordiosa neste mundo, penso eu, é a incapacidade da mente humana de correlacionar tudo o que nele existe. Nós vivemos numa pacata ilha de ignorância em meio a mares escuros vastos de infinito, e não era a intenção que velejássemos muito longe. As ciências, cada uma vagando em sua própria direção, até hoje pouco mal nos causaram; no entanto, algum dia a junção de conhecimentos desconexos nos abrirá os olhos para visões tão terríveis da realidade, e da nossa posição assustadora em seu meio, que nós deveremos ou enlouquecer diante da revelação ou fugir da sua luminosidade fatal, rumo à paz e a segurança de uma nova idade das trevas.

Os teosofistas têm especulado acerca da grandeza abissal do ciclo cósmico no qual o nosso mundo e a raça humana não passam de incidentes passageiros. Eles vêm aludindo a estranhos vestígios usando termos que gelariam o sangue dos incautos, não fossem mascarados por um tolo otimismo. Mas não foi deles que surgiu o breve vislumbre de éons proibidos que me arrepia quando penso no assunto, e me enlouquece quando aparece em meus sonhos.

Tal vislumbre, como todos os pavorosos vislumbres da verdade, surgiu de uma conexão acidental de duas coisas separadas – neste caso, um recorte de jornal antigo e as anotações de um professor falecido. Eu espero que ninguém mais consiga chegar a esta conexão; se eu sobreviver, é certo que jamais irei revelar propositadamente elo algum desta corrente hedionda. Eu penso que o professor também tinha a intenção de manter silêncio acerca da parte que sabia, e que teria destruído as suas anotações caso não fosse surpreendido por uma morte tão súbita.

O meu conhecimento do caso começou no inverno de 1926-27, com a morte do meu tio-avô George Gammell Angell, professor emérito de línguas semíticas na Universidade Brown, em Providence, Rhode Island. O professor Angell era amplamente reconhecido como uma autoridade em inscrições arcaicas, e era frequentemente consultado por diretores de museus importantes acerca do tema; assim sendo, o seu falecimento aos noventa e dois anos deve ser lembrado por muitos.

Localmente, no entanto, tal interesse foi intensificado pela causa da morte ser um tanto obscura. O professor sucumbiu enquanto retornava da barca de Newport; segundo testemunhas, foi uma queda súbita, após um encontrão com um negro com aparência de marujo que havia surgido de um dos pátios escuros e sinistros que podiam ser encontrados na encosta íngreme que servia de atalho da praia até a sua casa, na Williams Street.

Os médicos foram incapazes de encontrar qualquer doença visível, porém chegaram à conclusão, após debates cheios de perplexidade, que alguma lesão obscura no coração, induzida pela subida de um morro tão íngreme para um homem de idade avançada, foi a responsável pela morte. Na época eu não vi razão para divergir desta conclusão, mas ultimamente eu tenho me inclinado a questioná-la – e até mais do que isso.

(continua no ebook…)

#Lovecraft

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cthulhu-uma-introdu%C3%A7%C3%A3o-ao-universo-de-h-p-lovecraft