A Diversidade da Experiência Alquímica

Thiago Tamosauskas

Três anos depois que escrever o Principia Alchimica me considero hoje uma pessoa muito diferente. Embora isso implique na necessidade de reescrever e melhorar algumas partes do livro em edições futuras, essa transformação por si só indica que o método descrito no livro em sua essência funciona; transformação é o resultado esperado do processo.

Uma das principais diferenças que observo é que na busca por clareza, naquele primeiro momento  me esforçarei para encontrar definições bastante objetivas sobre o que a alquimia realmente ensina. Isso foi ótimo, mas teve um custo e tem um risco. O custo foi ter acreditado ao menos temporariamente ter encontrado uma definição única e definitiva da Grande Obra, o risco foi não enxergar que justamente por ser tão antiga e tão geograficamente espalhada não existe apenas uma abordagem correta do que a alquimia deva ser.

As diferentes definições desta arte já foram abordadas em outro artigo e essa percepção foi fruto de um esforço gradual para que minhas definições não me fizessem apontar as respostas de outras pessoas  com a superioridade. De fato, foi por ouvir outras pessoas, algumas muito mais experientes do que eu que entendi  que próprias experiências, justamente por serem particulares nunca poderão descrever toda realidade.

Alquimia, método ou metodologia?

Essa ideia de diversidade dentro da alquimia ganhou corpo com o tempo, mas foi preciso um empurrãozinho de uma amiga para que essa chave virasse de uma vez. Quando Priscila Praude gentilmente aceitou escrever o prefácio do Psicotropicon, meu próximo livro, ela fez um questionamento sobre a minha definição de alquimia tal como apresentada no Principia Alchimica, ou seja,  “Uma metodologia empírica para a expansão intencional da consciência”. Seu questionamento foi se aquilo que foi apresentado no livro era realmente uma metodologia ou se na verdade não era um método. Confesso que eu não soube o que responder na hora. Mas, geralmente esse silêncio e falta de pressa em dar uma resposta é o que me leva as melhores conclusões.

Para ficar claro, um Método é um roteiro, um processo, para se atingir um determinado fim. Uma Metodologia, por sua vez, o estudo dos métodos para aperfeiçoá-los e encontrar assim os melhores processos para uma determinada área de aplicação. Então, de fato o que eu apresentei na primeira edição do livro foi um método, mas meu objetivo maior sempre foi que ao conhecê-lo cada alquimista pudesse não apenas experimentá-lo mas criticá-lo, adequá-lo à sua própria realidade e então aperfeiçoá-lo à sua maneira.

Dai a importância da palavra “empírica” na definição do livro, pois esse aperfeiçoamento só pode ser feito com base nas práticas, experiências e observações de cada um. Guardada às devidas diferenças, apresentei no Principia Alchimica um bom livro de receitas para quem – mesmo sem experiência na cozinha – quisesse se aventurar e experimentar alguma coisa. Isso com certeza ficará mais claro nas segunda edição da obra. Meu objetivo é que ao final da leitura o alquimista possa não apenas executar estas receitas, mas como um verdadeiro chef seja também capaz de criar seus próprios pratos.

Os Tipos de Alquimia

A alquimia tem documentalmente dois milênios de história é possui raízes ainda mais antigas. De Maria, a judia, a Timothy Leary, essa história foi escrita em todos os continentes, por pessoas de todas as raças, gêneros e origens e é mais antiga que qualquer império, dinastia e que a maioria das religiões.

Para demonstrar o tamanho desta diversidade farei a seguir um resumo das principais abordagens e tradições alquímicas que de uma forma ou de outra nos influenciam hoje em dia. Começarei pela Alquimia Espiritual, pois acredito que nela encontramos a unidade de todas às demais.

Alquimia Espiritual: A Alquimia Espiritual já foi chamada de Iluminação, Santificação, Apotheosis, Deificação e mais recentemente Individuação e Expansão da Consciência

Se magia é “a ciência e a arte de causar mudanças em conformidade com a Vontade.” então a Alquimia Espiritual pode ser entendida como uma forma de magia pois é ela é a mudança de si mesmo conforme a Vontade.

Essa mudança não é arbitrária, mas busca desenvolver a melhor possível de si mesmo.

Esse trabalho não é fácil e não pode ser resolvido pela mera leitura de um livro que massageia seu ego. Se fosse algo simples de se fazer muitos dos problemas atuais da humanidade não existiriam. 

Ainda que a compreensão do que é seja mais perfeito mude com o tempo, a busca pelo aperfeiçoamento é uma constante.

A Alquimia Espiritual é assim a pedra de toque de todas às outras formas de alquimia que veremos, uma vez que é o objetivo por trás de todas elas. 

Alquimia Mineral:

As próximas três formas de alquimia que veremos são instrumentais, ou seja, elas servem à meta de aperfeiçoamento que as justifica e as motiva.

A Alquimia Mineral por exemplo é o trabalho com elementos inorgânicos como metais, sais, minerais bem como suas assinaturas astrológicas para auxiliar a evolução pessoal.

É dividida em Via Úmida, que trata os sólidos por meio de ácidos e solventes e Via Seca que trabalha com transformações promovidas em fornos e altas temperaturas.

A Alquimia Mineral pode envolver a manipulação e consumo de elementos pesados e tóxicos como chumbo e mercúrio, por essa razão Rubellus Petrinus, alquimista português dizia que suas tinturas só deveriam ser ministradas em dose homeopática, sob a orientação de um médico da especialidade.

A verdade é que desde a ascensão da Espagiria por Paracelso a Alquimia Mineral tem perdido espaço mas ainda hoje é possível encontrar praticantes dentro de guildas como a FAR+C , a Gallaecia Arcana Philosophorum e mesmo instruções abertas nos materiais que Jean Dubuis escreveu para a já extinta Les Philosophes de la Nature.

Alquimia Vegetal: Também chamada Espagiria é provavelmente a alquimia instrumental mais comum e imediatamente reconhecida com seus destiladores, fornos e barris de fermentação.

Trata-se do trabalho com plantas e suas assinaturas astrológicas para a extração de óleos essenciais, álcool e sais para a produção de tinturas e outros produtos capazes de auxiliar a Alquimia Espiritual tanto por suas qualidades materiais como pelo processo mental-espiritual envolvido em suas produções.

A Alquimia Vegetal ganhou enorme destaque na alquimia a partir da renascença e especificamente pela obra de Paracelso. Hoje em dia o livro Espagiria de Manfred Junius é um livro básico para explorar esta área da prática alquímica.

Alquimia Animal: Pouco falada em comparação as outras vertentes a Alquimia animal faz os mesmos processos de separação, purificação e reunião com produtos de origem animal como urina, sague e fluídos sexuais para auxiliar nas transformações da Alquimia Espiritual.

A Alquimia Sexual ganhou um certo destaque no século XX como uma chave escondida em qualquer textos sobre metais e plantas, mas é curioso notar que imagem de atos sexuais explícitos eram comuns nas ilustrações e textos alquímicas.

Enquanto na idade média se usavam estes símbolos sexuais para falar de realidades metafísicas os autores modernos usam símbolos metafísicos para falar de realidades sexuais.

Entre os principais nomes abordagem sexual da alquimia estão como Aleister Crowley e o Kenneth Grant. Uma boa obra para conhecer nesta área é o Modern Sex Magick de Donald Michael Kraig.

Note que estes três últimos tipos de Alquimia podem muito facilmente se transformar em outras coisas quando desconectadas do objetivo da Alquimia Espiritual. Isso acontece quando o objetivo de tentar melhorar a si mesmo dá lugar a manipulação do mundo ao redor. Nada errado com isso, mas são objetivos diferentes e nesse caso não se fala mais de alquimia. A Alquimia Mineral se torna Metalurgia, a Alquimia Vegetal se torna fármaco-cosmética e a Alquimia Animal se torna biologia. A própria Alquimia Espiritual pode se desviar, e então em vez de uma transformação da própria consciência caímos em um estilo ou outro de feitiçaria.

As Tradições Alquímicas

Mas esta é ainda apenas uma forma de se entender a alquimia. A medida muda conforme as unidades da régua e outra forma de se  admirar a grandiosidade da alquimia é percorrer a corrente histórica que nos liga até seus primórdios e além. Para isso destaco aqui os principais momentos em que houve uma efervescência entre os praticantes da alquimia:

Alquimia Helenista: A raiz ocidental da alquimia surgiu no Egito Ptolomaico. Aqui vemos um padrão de repetição que aparecerá várias vezes na história da alquimia: sempre que as instituições entram em crise, uma nova geração de alquimistas aparece. Nessa época o território já estava nas mãos do Império Romano e as antigas escolas de mistério ou já mão existiam ou se fecharam completamente. Sem tantas instituições confiáveis os experimentadores surgiram, nesse caso influenciados pelos pré-socráticos, judeus, gnósticos e pelo Egito faraônico. Este é o ponto de partida histórico da alquimia, uma vez que é o primeiro momento em que um grupo de pessoas chamam a si mesmos de alquimistas. Seus principais nomes foram Maria, a judia e Zósimo. Pouco de sua literatura chegou intacta até os dias de hoje mas entre estas podemos citar duas muito famosas: a Tábua Esmeralda e o Corpus Hermeticum.

Alquimia Chinesa: A raiz oriental da alquimia surgiu na China, entre os sábios taoístas. Embora nunca tenham chamado a si mesmos de alquimistas às similaridades com os helenistas é muito grande para não se fazer notar ou mesmo vislumbrar uma possível raiz ainda mais antiga entre ambas. Dessa raiz nada pode ser realmente afirmado, mas conceitos como Elixir da Vida, Mutação de Princípios Universais e Cinco Elementos são encontrados desde o período das Primaveras e dos Outonos. O grande objetivo dos taoistas é a busca da imortalidade por meio da manipulação da matéria densa e sutil que compõem o ser humano. Seus principais nomes foram Lü Dongbin e Jin Ge Hong e o principal livro foi o Baopuzi com grande influência do I-Ching.

Alquimia Indiana: Assim como os chineses, os indianos nunca se chamaram a si mesmos de alquimistas, mas isso não muda o fato de que a manipulação da matéria e de si próprio com fins de auto-aperfeiçoamento pode ser encontrada em todas as seis escolas de Yoga e está presente desde o Bhagavad Gita. Contudo, no período que vai da invasão de Alexandre, o Grande até a expansão do greco-budismo a temática alquimista tornou-se cada vez mais comum. Hoje a Ayurveda pode ser considerada um sistema alquímico-espagírico independente e não por acaso práticas de pranayama, asana e mantras são incorporadas em muitas escolas ocultistas.. Seus principais nomes foram Pantajali e Nagarjuna e suas principais obras são o Rasarathnakara e o Aforismos de Pantajali.

Alquimia Islâmica: Quando o Egito foi invadido pelo califa Omar, não demorou para que a curiosidade e o gênio árabe vissem nas tradições alquímicas locais algo de grande valor. Nesta fase a alquimia se tornou bastante simbólica e poética e com um indelével gosto monoteísta bem ao sabor do misticismo islamico. De fato, todos os grandes alquimistas do período foram também sufis. Além disso, com os árabes ocorreram os primeiros intercâmbios entre as tradições alquímicas geograficamente espalhadas que vimos até agora. Seus principais nomes foram Avicena e Jabir ibne Haiane, que escreveu o principal livro alquímico da época, o Corpus Jabiriano, com forte influência do Alcorão Sagrado.

Alquimia Latina: Às cruzadas expulsaram os governantes islâmicos da Europa, mas não a influência dos alquimistas muçulmanos. Esse conhecimento foi reconhecido como poderoso pela Igreja Cristã que rapidamente articulou para que nos próximos séculos a alquimia continuasse apenas dentro das paredes da Igreja. Todos os grandes alquimistas desta fase foram sacerdotes católicos. Albertus Magnus, Basilio Valentim e Roger Bacon são alguns desses nomes.  Foi apenas a partir de Nicolas Flamel que a alquimia tornou-se novamente uma arte secular, embora a simbologia cristã e religiosa da época tenha permanecido nos vários séculos que se seguiram. Opus Majus é um dos livros mais significativos da época, com forte influência da Bíblia Sagrada.

Alquimia Renascentista: Tal como o rosacrucianismo a quem está intimamente ligada à alquimia renascentista é fruto do esforço protestante de se apoderar de um conhecimento que por muito tempo foi exclusividade da igreja católica. Com o fim do monopólio eclesiástico logo nomes de mulheres voltaram a despontar como foi o caso de Marie Meurdrac e Isabella Cortese. Também foi o retorno das influências judaicas, principalmente na figura de Chayim Vital, que além de transmissor e discípulo de Issac Luria era também alquimista (para o desgosto de seu rabi). Mas o grande nome dessa fase foi certamente Paracelso, que entre outras coisas destacou a importância da Espargiria como uma ferramenta poderosa para o estudo e aperfeiçoamento do mundo. Essa abertura da alquimia para além dos muros igreja rendeu muitos frutos interessantes. Logo surgiram os primeiros tarots, o esquema da Árvore da Vida e as primeiras óperas. Os famosos  Três Livros de Filosofia Oculta, de Agrippa são bastante representativos desta fase histórica.

Alquimia Iluminista: A popularização da alquimia secular teve suas contraindicações. Para começar a Igreja não “entregou todo o ouro” facilmente, de modo que para cada conde de Saint Germain e Cristina da Súecia surgiram centenas de enganadores querendo um empréstimo adiantado para fingir trabalhar em seus laboratórios. Não demorou para os vigaristas da época perceberem que esta era uma ótima maneia de tirar proveito da ambição alheia. A reação das autoridades foi devastadora e a alquimia ganhou uma péssima fama como ofício de trapaceiros. Nesse período a prática passou a ser condenada como charlatanismo por papas e reis, mas se lermos bem as bulas e decretos reais veremos que a proibição nunca foi direcionada aos praticantes verdadeiros. Quando esse excesso de vigarice se somou ao cientificismo da Revolução Industrial (divorciado de qualquer preocupação mística) a divisão entre Alquimia para a Química tornou-se definitiva. Apesar de tudo disso, o conhecimento alquímico não foi abandonado. Na mesma época Irineu Filaleto teve uma brilhante carreira e Elias Ashmole criou a ritualística maçônica com forte influência da simbologia alquímica. O livro Aurea Catena Homeri de Hermann Kopp é um prova viva de que mesmo em tempos conturbados a alquimia espiritual permaneceu sendo praticada.

Alquimia Hermética:  Como  reação ao descrédito que a alquimia ganhou no século anterior, no século XIX houve a ascensão de um novo tipo de abordagem alquímica. Encabeçado primeiro pela teosofia de Helena Blavatsky e em seguida pelo hermetismo da Golden Dawn a alquimia tornou-se mais espiritualizada e simbólica e menos operativa e laboratorial. Foi tratada como parte de um currículo maior que buscou sintetizar várias áreas do saber esotérico como a Kabbalah Hermética, a Yoga, Gnosticismo, a Astrologia e a Magia Cerimonial. Também nessa época, graças a nomes como Pascal RandolphMaria Naglowska começou a se falar mais abertamente de alquimia sexual. Desde então símbolos alquimistas são encontradas em todas grandes ordens ocultistas.  Grandes alquimistas desta época incluem ainda Fulcanelli autor de ‘O Mistério das Catedrais’ e A.E. Waite que traduziu toda a obra de Paracelso do alemão para o inglês.

Alquimia Moderna: A próxima grande onda da alquimia veio junto com a primeira grande crise dos estados nações criados e é uma consequência da síntese esotérica que se tentou fazer no século anterior. Enquanto às Guerras Mundiais matavam bilhões, Carl Gustav Jung fazia em sua casa a maior biblioteca alquímica da Europa. Seu objetivo era decifrar os antigos textos e tratados do ponto de vista do que se convencionou chamar hoje de psicanálise junguiana. Mas ele não estava sozinho na leitura psicológica da antiga arte. Nomes como Mary Ann Atwood, Ethan Hitchcock, antes de Jung e Marie Louise Franz logo depois dele também participaram destes esforços de reinterpretação das ideias alquímicas. Em paralelo nadando contra a corrente a psicologização total da Grande Obra ordens rosacruzes, martinistas e maçônicas continuavam o legado da Alquimia Hermética e grupos como o Paracelsus Research Society (atual Paracelsus College ) e a Inner Garden, resgataram a tradição da alquimia laboratorial dos séculos anteriores.

Alquimia Pós-Moderna: O fácil acesso ao legado cultural anterior faz da alquimia de hoje a herdeira de todas as outras tradições que vimos até aqui. Curiosamente todo esse acesso a informação nos coloca novamente em um momento de crise das instituições espirituais, desta vez pelo excesso de oferta de ordens e gurus de todo tipo. A única forma de criar um filtro e nos orientarmos é nos tornando novamente experimentadores. Os avanços em separado das filhas da alquimia como a química, a psicologia e fármaco-botânica podem agora ser usadas novamente para cumprir o antigo e perene objetivo da Alquimia Espiritual. No nosso auxilio temos também todo desenvolvimento da alquimia hermetista no século XX e XXI que resultou nos diferentes grupos ocultistas que temos hoje além de novas “tecnologias espirituais” a serem exploradas como o tecno-xamanismo, a psiconáutica e a quimiognose psicodélica. Um dos primeiros a perceber isso foram Timothy Leary e Terence McKenna que em mais de uma ocasião chamaram a si mesmos de alquimistas. Outro nome que certamente deixará sua influência é o de Stanislav Grof, autor do enciclopédico ‘ Caminho do Psiconauta’ e Robert Anton Wilson que popularizou e desenvolveu as principais ideias de Leary. Em 2007 tivemos finalmente primeira Conferência Internacional de Alquimia com a participação de diversas guildas e alquimistas independentes.

Diante de tudo isso, por mais que eu me esforce para fazer do Principia Alchimica uma porta de entrada fácil e acessível à tradição alquímica, ninguém tem o direito de ser o guardião da única interpretação possível da alquimia, e muito menos tentar adivinhar como a alquimia do futuro deverá ser. Só podemos responder o que é a alquimia para cada um de nós agora. Ainda que usemos nomes e técnicas diferentes, se o objetivo for melhorar a nós mesmos então ainda faremos parte desta antiga tradição.

* Thiago Tamosauskas autor do Principia Alchimica, um manual simples e direto dos principais conceitos e práticas da alquimia.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-diversidade-da-experiencia-alquimica/

A Caixa do Esquecimento de Lethe

“Pois Vontade pura, desembaraçada de propósito, livre da ânsia de resultado, é toda via perfeita.” – Aleister Crowley, AL I:44

Quando Austin Osman Spare veio com a idéia de sigilização poucas pessoas lhe deram ouvidos. Hoje entretanto este é um dos métodos favoritos entre os adeptos iniciantes por se tratar de um ferramental simples mas eficiente de realização mágica. Todavia justamente por sua simplicidade ele costuma ser feito por pessoas sem qualquer preparo mágico prévio e sem muita disciplina mental e os resultados podem não ser tão satisfatórios. A lógica por trás do funcionamento dos sigilos é a da supressão consciente de um desejo de modo a reprimí-lo na mente subconsciente. Nesse sentido Spare usa o mesmo mecanismo psicológico que costuma gerar complexos e neuroses para o seu próprio benefício.

Assim um dos fatores chaves para atingir resultados em magia é a completa eliminação do desejo consciente por resultados de modo a conseguir armazenar o desejo na mente subconsciente. O processo é semelhante a um estudante que pensa tanto nas notas que deve tirar que trava na hora da prova ou a um apaixonado que está tão dominado por seu objeto de desejo que na frente dele mal consegue falar e arruína cada possibilidade de sucesso que surge.  Isso acontece porque a mente consciente projeta tantas imagens diferentes do resultado que é como se uma canibaliza-se a outra enfraquecendo a Vontade.  O grande problema é que é apesar do sigilo ser um desejo disfarçado é muito difícil para os iniciantes realmente esquecerem o que aquele desenho ou mantra significa porque na verdade eles acabaram de criá-lo. Entretanto se isso não for feito nenhum sucesso pode ser esperado.

Em geral o sigilo é carregado poucas horas após ter sido concebido. Está demasiadamente fresco para que possa de fato passar pela mente consciente de forma ilesa. Para adquirir esta disciplina mental é necessário um forte domínio sobre sua própria mente. Recomendo fortemente para isso a prática do Liber E vel Exercitiorum sub figura IX  de Aleister Crowley, o liber MMM de Peter Carroll, as instruções mágicas de Franz Bardon ou um quaisquer dos muitos exercícios de Vontade sugeridos por autores mais tradicionais como Levi e Papus. Vale dizer que o domínio dos exercícios passados nestes livros podem fortalecer a Vontade a tal ponto que realizar uma sigilização com eficiência se tornará apenas uma entre inúmeras habilidades adquiridas.

De fato, o esquecimento é uma chave importante que deve ser observada para qualquer cerimônia mágica, com algumas exceções que deverão ser pontuadas. A primeira é quando você consegue sair do ritual tão satisfeito que o problema original que o levou a executá-lo simplesmente não o incomoda mais e você consegue naturalmente sublimá-lo. Este é o caso por exemplo dos rituais descritos por Anton LaVey em sua Bíblia Satânica. O segundo caso é quando o ritual em si é o objetivo. Isso acontece por exemplo em rituais de iluminação, divinação e em alguns casos de evocação e invocação.

Dito isso apresentarei agora uma solução engenhosa, um tanto trabalhosa mas certamente eficiente para ajudar os iniciantes a esquecer do que os sigilos são feitos sem a necessidade de uma rígida yoga mental.

A Caixa do Esquecimento

A Caixa do Esquecimento é uma prática pré-ritualistica que pode ajudar os magistas de fato lançarem seus sigilos para o subconsciente sem mentirem para si mesmos que conscientemente não sabem do que se tratam. Seu funcionamento é simples e deve ser incorporado a rotina mágica dos interessados.

– Adquira sua própria caixa do esquecimento. Devido a sua importância psicológica ela deve ser construída pessoalmente pelo adepto. Caso lhe faltem habilidades de bricolagem será suficiente que a caixa seja decorada ou pintada de modo a se tornar uma representação da Vontade do adepto. Ela não deve ser muito grande, pois deve ser facilmente armazenável. O tamanho de uma caixa de charutos deve bastar.

– Limpe a caixa com seu ritual de banimento favorito. Após isso desenvolva um ritual específico de consagração a deusa grega Lethe, ou a algum deus/deusa do esquecimento de sua preferência. A essência da intenção deste ritual é a que a divindade leve embora com ela toda lembrança dos colocado dentro da caixa.

– Feito isso liste 23 desejos que você gostaria de realizar nos próximos cinco anos. Não é necessário que sejam coisas grandiosas, o ideal é que seja uma mistura de intenções importantes e triviais. ‘Vender a casa com uma altíssima margem de lucro’ pode estar nesta mesma lista ao lado de ‘Achar um novo corte de cabelo.’. Certifique-se apenas que todos eles tornem sua vida mais completa e agradável e que eles não sejam contraditórios.

– Agora crie 23 sigilos para cada um dos 23 desejos. Mantenha o mesmo estilo de traçado para todos eles e desenhe-os em papeis de igual tamanho. Dobre cada papel de forma idêntica e coloque todos eles dentro de sua Caixa do Esquecimento. Por fim, guarde sua caixa em algum lugar impregnado da própria essência do esquecimento, algo como o fundo do armário ou um quarto onde você raramente vá.

– A partir de agora, sempre que você  quiser lançar um sigilo, você não vai lançá-lo. Ao invés disso, crie-o e coloque-o em sua caixa exatamente como fez com os 23 sigilos iniciais. Em seguida sorteie da caixa um outro sigilo e carregue-o na sua forma de gnosis preferida. Lembre-se você só pode tirar um sigilo da Caixa do Esquecimento se colocar outro no lugar.

Conclusão

O processo descrito acima se provará muito útil pois sem dúvida aumentará perceptivelmente a taxa de sucesso em magia. Pela própria maneira como  a Caixa é construída o praticante não deve se espantar caso perceba que mais de um intento se realize em um período muito curto de tempo, ainda que o número de sigilos lançados não tiver sido suficiente. Para concluir devo dizer que espero sinceramente que este pequeno atalho apresentado não desestimule os estudantes de aprimorarem suas próprias mentes com os livros sugeridos acima. Caso procedam desta forma, o farão para seu próprio prejuízo. A soberania da própria Vontade é o bem mais valioso que um magista pode ter.

Obs – originalmente a caixa era consagrada a Mnemosine, deusa da memória grega. Mas por sugestão troquei para a deusa Lethe do esquecimento que por algum motivo não consegui lembrar ao escrever o artigo original.

Morbitvs Vividvs

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-caixa-do-esquecimento-de-lethe/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-caixa-do-esquecimento-de-lethe/

Os Templários

“Não por nós, Senhor, não por nós,

mas para que seu nome tenha a Glória.”

A Ordem Templária foi fundada em Jerusalém em 1118, logo após a Primeira Cruzada, mesmo havendo alguns indícios de ter sido fundada quatro anos antes. Seu nome está relacionado ao local de seu primeiro quartel-general, no lugar do antigo Templo de Salomão.

Nove monges veteranos dessa Primeira Cruzada, entre eles Hugues de Payens e Godofredo de Saint Omer, reuniram-se para fundar a Ordem em defesa da Terra Santa. Pronunciaram perante o patriarca de Jerusalém, Garimond, os votos de castidade, de pobreza e de obediência, comprometendo-se, solenemente, a fazer tudo aquilo que estivesse ao seu alcance para garantir as rotas e os caminhos e a defender os peregrinos contra os assaltos e os ataques dos infiéis. Foi dada a fundação da Ordre de Sion (Ordem de Sião) a Godofredo de Bouillon, por volta de 1099. A original Ordem de Sião foi estabelecida para que muçulmanos, judeus e outros indivíduos elegíveis pudessem aliar-se à Ordem cristã e tornar-se Templários.

Freqüentemente podemos encontrar os Templários sendo denominados Soldados de Cristo (Christi Milites), Soldados de Cristo e do Templo de Salomão. A regra que lhes foi concedida por ocasião do Concílio de Troyes, em Champagne, é: Regula pauperum commilitonum Christi Templique Salomonici.

Eles, no começo, viviam exclusivamente da caridade, e tamanha era sua pobreza que não podiam ter mais do que um só cavalo cada um. O antigo sinete da Ordem, no qual aparece a representação de dois cavaleiros em um só cavalo, comprova essa humildade primitiva.

O bispo de Chartres escreveu a respeito dos Templários em 1114, chamando-os de Milice du Christi (Soldados de Cristo).

O primeiro Grão-Mestre da Ordem foi Hugues de Payens, certamente um homem superior. Durante toda a sua vida, testemunhou um pensamento seguro e uma indomável coragem. Inspirado pelo espírito cavalheiresco de seu século, ele não podia ter se tornado apenas um cruzado cujo nome caiu no esquecimento, como o de tantos outros nobres e bravos senhores. Era grandioso armar-se com oito soldados contra legiões numerosas; oferecer-se, sob um céu implacável, aos golpes de um inimigo que observava atentamente sua empreitada e que podia afogá-lo definitivamente, já no primeiro combate, no sangue de seu punhado de bravos.

E foi assim que viveram durante dez anos. Sem pedir reforços nem subsídios, nenhuma recompensa, nenhuma prebenda esperava por eles. Viviam segundo suas próprias leis, vestidos e alimentados pela caridade cristã.

Martin Lunn, em seu livro Revelando o Código de Da Vinci (Madras Editora), fala-nos do Priorado de Sião, que compartilhava com a Ordem do Templo (Cavaleiros Templários) o mesmo Grão-Mestre; eram dois braços da mesma organização até algo conhecido como a “Corte do Olmo”, que aconteceu em Gisors, em 1118. Essa separação entre as duas Ordens foi supostamente causada pela chamada “traição” do Grão-Mestre Gerard de Ridefort que, de acordo com os Dossiês Secretos, resultou na perda de Jerusalém pela Europa para os sarracenos.

Quando do Concílio de Troyes (1128), Hugues e outros seis Cavaleiros compareceram diante dos mais altos dignitários da Igreja. O papa e o patriarca Étienne lhes deram um hábito, e o célebre abade de Clarval, São Bernardo de Clairvaux, encarregou-se da composição de sua regra, modificando parcialmente os estatutos primitivos da sociedade. Foi também São Bernardo quem revitalizou a Igreja Celta da Escócia e reconstruiu o mosteiro de Columba, em Iona (tal mosteiro havia sido destruído em 807 por piratas nórdicos). O juramento dos Cavaleiros Templários a São Bernardo exigia a “Obediência de Betânia – o castelo de Maria e Marta”.

Durante a era das cruzadas, que perfazem um total de oito e as quais continuaram até 1291 no Egito, na Síria e na Palestina, apenas a primeira, de Godofredo, foi de alguma utilidade, como afirma Laurence Gardner, um magnífico autor de nossa editora: “(…) Mas mesmo essa foi desfigurada pelos excessos das tropas responsáveis que usaram sua vitória como desculpa para o massacre de muçulmanos nas ruas de Jerusalém. Não apenas Jerusalém era importante para os judeus e cristãos, porém se tornara a terceira Cidade Santa do Islã, após Meca e Medina. Como tal, a cidade até hoje está no cerne de contínuas disputas. (Embora os muçulmanos sunitas considerem Jerusalém sua terceira cidade Sagrada, os muçulmanos xiitas colocam-na em quarto lugar após Carabala, no sul do Iraque.)

A segunda cruzada para Odessa, liderada por Luiz VII da França e pelo imperador alemão Conrado III, fracassou miseravelmente. Então, cerca de cem anos após o sucesso inicial de Godofredo, Jerusalém caiu sob o poder de Saladino do Egito, em 1187. Foi quando engatilhou a terceira cruzada de Felipe Augusto, da França, e Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, que, entretanto, não conseguiram recuperar a Cidade Santa. A quarta e quinta cruzadas concentraram-se em Constantinopla e Damieta. Jerusalém foi retomada brevemente dos sarracenos após a sexta cruzada, mas ficou longe de reverter a situação. Por volta de 1291, a Palestina e a Síria estavam firmemente sob o controle muçulmano e as cruzadas haviam terminado.

Vejamos alguns preceitos da nova legislação, mas é importante lembrarmos que nessa época os cavaleiros não eram classificados em graus como os nobres. Todo homem que não fosse sacerdote ou servo podia aspirar à Cavalaria e à nobreza moderna tinha aí sua origem. A partícula de não indicava seus nomes, mas a cidade, a vila ou o lugarejo que habitavam. Mais tarde, o nome de sua residência transformou-se em seu nome de família.

Todos os cavaleiros que tenham professado vestem mantos brancos de comprimento médio. Os mantos usados são entregues aos Escudeiros e irmãos servos, ou aos pobres.

Os mantos brancos que os escudeiros e servos vestiam originalmente foram substituídos por mantos negros ou cinzas.

Apenas os cavaleiros vestem mantos brancos.

Cada cavaleiro possui três cavalos, pois a pobreza não permite que tenham mais que isso.

Cada cavaleiro tem somente um escudeiro ao qual não poderá castigar, já que ele o serve gratuitamente.

Ninguém pode sair, escrever ou ler cartas sem autorização do Grão-Mestre.

Os cavaleiros casados habitam à parte e não vestem clâmides ou mantos brancos.

Os cavaleiros seculares que desejam ser admitidos no Templo serão examinados e ouvirão a leitura da regra antes de seu noviciado.

O Grão-Mestre escolhe seu capítulo dentre seus Irmãos. Nos casos importantes que dizem respeito à Ordem ou na admissão de um Irmão, todos podem ser chamados para o capítulo, se essa for a vontade do chefe.

Na obra A História dos Cavaleiros Templários, de Élize de Montagnac, da Madras Editora, encontramos um texto muito oportuno a respeito da iniciação, que passamos a transcrever: “(…) Os estatutos e regulamentos recomendavam, acima de tudo, a prece, a caridade, a esmola, a modéstia, o silêncio, a simplicidade, o desdém à riqueza e à opulência, a abnegação, a obediência, a proteção aos pobres e oprimidos; cuidar dos enfermos; o respeito aos mortos entre outros”. Tal Código de regras é composto de 72 artigos e foi descoberto em 1610, em Paris, por Aubert-le-Mire, cientista e historiador, decano de Anvers.

Mas a cada dia os regulamentos concernentes à hierarquia, à disciplina e ao cerimonial eram ajustados e adaptados ao Código Latino, assim declarado perfectível.

“Portanto não é de se surpreender que, além desse, hoje são conhecidos outros três códigos manuscritos, os quais não são nada mais do que sua continuação. Um foi descoberto em 1794, na biblioteca do príncipe Corsini, pelo cientista dinamarquês Münster; o outro foi encontrado na biblioteca Real por M. Guérard, conservador e restaurador; o terceiro foi encontrado nos arquivos gerais de Dijon por M. Millard de Cambure, mantenedor dos arquivos de Borgúndia.”

E desse último, datado de 1840, é que extraímos a descrição do modo de iniciação dos irmãos cavaleiros; a verdade sobre essas recepções nos sugere serem elas revestidas de um grande interesse, após as absurdas e terríveis lendas que as cercam. Por favor, observem a quantidade de coincidências com nossos rituais (maçônicos).

“Antes que um novo Irmão fosse recebido, era necessário sondar os espíritos para saber se ele vinha de Deus: Probate Spititus, si ex Deo Sunt. Em razão disso, ao longo de certo período, impunham-se ao candidato diversas privações de todas as naturezas; incumbiam-lhe os trabalhos mais pesados e baixos da casa, tais como: cuidar do fogão e da cozinha, girar o moinho, cuidar das montarias, tratar dos porcos, etc. Após isso, procedia-se à admissão, a qual era feita da seguinte forma:

A Assembléia reunia-se, ordinariamente, à noite. O candidato esperava do lado de fora; por três vezes, dois cavaleiros se dirigiam a ele para perguntar-lhe o que ele desejava; e por três vezes o candidato respondia que era sua vontade adentrar a Casa. A seguir, então, o candidato era conduzido à Assembléia, e o Grão-Mestre, ou aquele que presidia a sessão em seu lugar, apresentava-lhe tudo de rude e penoso que o aguardava naquela vida em que estava prestes a entrar. Dizia-lhe: ‘Devereis ficar desperto e alerta quando mais quiserdes dormir, suportar o cansaço quando mais quiserdes repousar. Quando sentirdes fome e quiserdes comer, ser-vos-á ordenado que vades aqui ou acolá, sem vos ser dada nenhuma explicação ou motivo. Pensai bem, meu querido Irmão, se sereis capaz de sofrer todas as asperezas.’ Se o candidato respondesse ‘Sim, eu me submeterei a todas, se assim agradar a Deus!’, o Mestre complementava: ‘Estai ciente, querido Irmão, de que não deveis pedir a companhia da Casa para obter benesses, honrarias e riquezas, nem satisfazer o vosso corpo, principalmente em relação a três aspectos:

1º, Evitar e fugir dos pecados deste mundo;

2º, Servir ao nosso Senhor;

3º, Ser pobre e fazer a penitência nesta vida para a santidade da alma.

Sabei também que sereis, a cada dia de vossa existência, um servo e escravo da Casa.

Estais certo de vossa decisão?’

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor’.

‘Estais disposto a renunciar para sempre à vossa própria vontade, e nada mais fazer além daquilo que vos for determinado?’

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor’.

‘Então, retirai-vos e orai a nosso Senhor para que Ele vos aconselhe’.

Assim que o candidato se retirava, o presidente da Assembléia continuava: ‘Beatos senhores, puderam constatar que essa pessoa demonstrou ser possuidora de um grande desejo de ingressar na Casa, e declarou estar disposta a dedicar toda a sua vida como servo e escravo. Se há entre vocês alguém que saiba alguma coisa que possa impedir que essa pessoa seja recebida como cavaleiro, que nos dê conhecimento agora, pois, após sua admissão, ninguém mais terá crédito para fazê-lo’. Caso nenhuma contestação fosse apresentada, o Mestre perguntava: ‘Admitamo-lo como oriundo de Deus?’

‘Por inexistir qualquer oposição, fazei-o retornar como vindo de Deus.’

Então um dos membros que se manifestaram saía ao seu encontro e o instruía como ele deveria pedir seu ingresso.

Retornando à Assembléia, o recipiendário ajoelhava-se e, com as mãos postas, dizia:

‘Senhor, eu compareço perante Deus, perante vós e perante os Irmãos, para vos pedir e implorar em nome de Deus e de Nossa Senhora que me acolham em vossa Irmandade, e nos benefícios da Casa, espiritual e materialmente, como um que será servo e escravo da Casa, em cada um dos dias de toda a sua vida.’

O presidente da Assembléia lhe respondia: ‘Pensastes bem? Ainda pensais em renunciar à vossa vontade em favor do próximo? Estais decidido a submeter a todas as dificuldades e asperezas que vigoram na Casa e a cumprir tudo aquilo que vos for mandado?’

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor.’

E continuava o presidente, agora se dirigindo aos cavaleiros presentes à Assembléia:

‘Então levantem-se, nobres senhores, e orem a Nosso Senhor e a Nossa Senhora Santa Maria pedindo que ele seja bem-sucedido.’

Em seguida, cada um deles recitava um Pai-Nosso, enquanto os capelães recitavam a oração ao Espírito Santo, e, em seguida, traziam o Evangelho, sobre o qual o recipiendário prestava o seu juramento de responder com franqueza, sinceridade e lealdade às questões seguintes:

1º, Não tendes nem esposa nem noiva?

2º, Não estais engajado em nenhuma outra Ordem; não fizestes nenhum outro voto, juramento ou promessa?

3º, Tendes alguma dívida convosco mesmo ou com algum outro, a qual não vos seja possível pagar?

4º, Estais em plena saúde física?

5º, Não destes, ou prometestes dar, dinheiro a nenhuma pessoa para que, assim, facilitasse vossa admissão à Ordem do Templo?

6º, Sois filho de um cavaleiro e de uma dama; pertencem vossos pais à linhagem dos cavaleiros?

7º, Não sois nem padre, nem diácono, nem subdiácono?

8º, Não fostes excomungado?

Procurai não mentir, pois, se o fizerdes, sereis considerado perjuro e tereis de abandonar a Casa.

Concluído esse interrogatório, o Grão-Mestre, ou aquele que substituía, ainda se dirigindo à Assembléia, indagava se ainda havia algumas outras perguntas a serem formuladas e, caso reinasse o silêncio, ele se voltava ao recipiendário, dizendo:

‘Ouvi bem, meu caro Irmão, o que ainda vos vamos pedir:

Prometei a Deus e a Nossa Senhora que, ao longo de toda a vossa vida, obedecereis ao Mestre do Templo e ao comandante sob cujas ordens estareis sujeito.

E mais: que todos os dias de vossa vida vivereis imaculado.

E mais ainda: prometei a Deus e a Nossa Senhora Santa Maria que, em todos os dias de vossa vida, respeitareis os bons costumes vigentes na Casa e aqueles que os Mestres e os doutos haverão de acrescentar.

Mais: que, em cada um dos dias de vossa vida, ajudareis, com todas as forças e com todo o poder que Deus vos outorgou, a conquistar a Terra Santa de Jerusalém e a proteger e defender as propriedades dos cristãos.

E ainda: que jamais abandonareis essa religião em favor de outra, seja ela qual for, sem permissão do Grão-Mestre e da Assembléia, etc.’

E a cada vez o futuro Cavaleiro devia responder:

‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor.’

Isso feito, aquele que conduzia a Assembléia assim anunciava sua admissão:

‘Vós, por Deus e por Nossa Senhora, por São Pedro de Roma, por nosso Padre Apóstolo e por todos os Irmãos do Templo, acolhei, vosso pai e mãe, e todos aqueles que foram acolhidos em vossa linhagem e em todos os benefícios que já fizeram e farão. E vos comprometeis sobre o pão e sobre a água e sobre a pobre vestimenta da Casa, do sacrifício e do trabalho farto.’

A seguir, tomando o manto do templário, ele o colocava no pescoço do novo cavaleiro, seguido pelo Irmão capelão que entoava o salmo:

‘Ecce quam Bonum et quam jucundum habitare in unum…’ (‘Oh! Quão bom e quão agradável viverem unidos os Irmãos!…’)

Segundo M. Mignard, algumas vezes, durante as iniciações, eles entoavam alguns versículos dos Salmos, ou alguma alocução em alusão ao espírito da fraternidade, como o Salmo 133. E a oração do Espírito Santo;

‘O Espírito de Deus me criou e o sopro do Todo-Poderoso me deu a vida.’

(João 33: 4)

Veni, Creátor Spíritus

[ Ao Espírito Santo]

Veni, Créator Spíritus,

[Espírito criador ]

Mentes tuórum visita,

[Visita a alma dos teus]

Imple supérna grátia,

[Nos corações que criaste]

Quae tu creásti péctora.

[derrama a graça de Deus]

Qui díceris Paráclitus,

[Ó fogo quem vem do alto,]

Altíssimi donum Dei,

[Teu nome é consolador,]

Fons vivus, ignis, cáritas,

[Unção espiritual,]

Et spiritális únctio.

[perene sopro de amor.]

Tu septifórmis múnere,

[Por Deus Pai tão prometido,]

Dígitus patérnae déxterae,

[És dedo da sua mão,]

Tu rite promíssum Patris,

[Os teus sete dons são fonte]

Sermóne ditanas gútura.

[De toda vida e oração]

Accénde lúmen sénsibus.

[Acende o lume das mentes,]

Infunde amórem córdibus.

[Infunde em nós teu amor;]

Infirma nostri córporis,

[nossa carne tão frágil,]

Virtúte firmans pérpeti.

[sustenta com teu vigor.]

Hostem repéllas lóngius,

[Atira longe o inimigo,]

Pacémque dones prótinus,

[Conserva em nós tua paz,]

Ductóre sic te praevio,

[A ti queremos por guia,]

Vitémus omne nóxium.

[noss’alma em ti se compraz]

Per te sciámus da Patrem,

[Ao Pai e ao Filho possamos]

Noscámus atque Fíluim,

[Em tua luz conhecer;]

Teque utriúsque Spíritum

[Dos dois tu és o Espírito,]

Credámus omni témpore.

[O sol de todo saber.]

Deo Patri glória

[Louvemos ao Pai celeste,]

Et Filio qui a mórtuis

[Ao Filho que triunfou,]

Surréxit, ac Paráclito,

[E a quem, de junto ao Pai,]

In saeculórum saecula. Amen.

[à santa Igreja enviou. Amém.]

…então aquele que tornou Irmão o novo cavaleiro levanta-o, beija-lhe a boca (era costume que o Irmão capelão assim o fizesse, como também era normal que os reis se cumprimentassem dessa mesma forma) e, convidando-o a sentar-se diante de si, diz: ‘Caro Irmão, nosso Senhor vos conduziu ao vosso desejo e vos introduziu em uma fraternidade tão bela como esta Cavalaria do Templo, pela qual deveis dedicar extrema atenção para jamais cometer algo que vos faça perdê-la – que assim Deus vos conserve!’

Finalmente, depois de enumerar as causas que poderiam acarretar a perda do hábito e da Casa, depois de ter lido para ele os regulamentos disciplinares, acrescentava:

‘Já vos dissemos as coisas que deveis fazer e as coisas das quais deveis manter-se afastado… E, se por acaso não abordamos tudo o que deveria ser dito sobre os nossos deveres, vós indagareis. E Deus vos ajudará a falar e a fazer o bem. Amém!’ (referência ao maior deus egípcio Amon). (Nesse momento, o Grão-Mestre selava com os lábios o cóquis (cóccix), o fim ou início da espinha dorsal, que é o equilíbrio do homem, seu eixo central, um chacra, que são pontos energéticos no corpo humano.)

Pois bem, aí está, segundo as únicas regras conhecidas, como eram realizadas as cerimônias de iniciação qualificadas de infames, e nas quais eram ultrajadas tanto a divindade como a moral; mas nas quais, na realidade, o maior crime cometido era o de continuarem secretas.

O mistério com o qual os templários cercavam suas reuniões enchia de terror a imaginação dos contemporâneos daquela época, e não foge muito de nossa época também. Em geral, tudo o que os homens não podiam ver ou compreender adquiria, aos seus olhos, as mais sinistras tonalidades. Em 1789, quando a população sitiou a Bastilha, imaginava-se ser de boa-fé trabalhar pela libertação de grandes grupos de prisioneiros abandonados nas celas das prisões. Qual não foi o seu espanto ao ver as vítimas do despotismo real? Não havia mais do que sete, entre os quais falsários e dois desequilibrados mentais”.

A influência templária cresceu rapidamente. Os templários guerrearam heroicamente nas diversas cruzadas e também chegaram a ser os grandes financiadores e banqueiros internacionais da época; em conseqüência, acumularam grandes fortunas. Calcula-se que, antes da metade do século XIII, eles possuíam nove grandes propriedades rurais apenas na Europa. O Templo de Paris foi o centro do mercado mundial da moeda, e sua influência, assim como sua riqueza, era também muito grande na Inglaterra. No fim do mesmo século, diz-se que haviam alcançado uma receita cujo montante era equivalente a dois milhões e meio de libras esterlinas atuais, ou seja, maior que a de qualquer país ou reino europeu daqueles dias. Acredita-se que, a essa altura, os templários eram cerca de 15 ou 20 mil cavaleiros e clérigos; porém, ajudando-os, havia um verdadeiro exército de escudeiros, servos e vassalos. Pode-se conceber uma influência com base no fato de que alguns membros da Ordem tinham a obrigação de assistir aos grandes Concílios da Igreja, como o Concílio de Lateranense, de 1215, e o de Lyons, de 1274.

Os cavaleiros templários trouxeram para o Ocidente um conjunto de símbolos e cerimônias pertencentes à tradição maçônica, e possuíam um certo conhecimento que agora é transmitido somente nos Graus filosóficos e capitulares da Maçonaria. Desse modo, a Ordem era também um dos depositários da sabedoria oculta na Europa durante os séculos XII e XIII, embora os segredos completos fossem dados somente a alguns membros; portanto, suas cerimônias de admissão eram executadas pelo Grão-Mestre, ou Mestre que esse designasse, pois eram estritamente religiosas e em absoluto segredo, como já mencionamos. Por causa desse segredo, a Ordem sofreu as mais terríveis acusações.

Há também uma passagem no ritual templário, na qual o pão e o vinho eram consagrados em capítulo aberto durante uma esplêndida cerimônia: tratava-se de uma verdadeira eucaristia, um maravilhoso amálgama do sacramento egípcio com o cristão.

A Eliminação dos Templários

A supressão dessa poderosa Ordem é uma das maiores máculas na tenebrosa história da Igreja Católica Romana. Os relatos do processo francês foram publicados por Michelet, o grande historiador, entre 1851-61, e existe uma excelente compilação das provas apresentadas, tanto na França como na Inglaterra, em uma série de artigos que apareceram em 1907 na Ars Quattuor Coronatorum (XX, 47, 112, 269). Vamos apenas apresentar um esboço do que aconteceu:

Filipe, o Belo, então rei da França, necessitava desesperadamente de dinheiro. Já havia desvalorizado a moeda e aprisionado os banqueiros lombardos e judeus e, depois de confiscar-lhes suas riquezas, acusando-os falsamente de usura – algo abominável para a mente medieval –, expulsou-os de seu reino. Em seguida, resolveu desfazer-se dos templários, depois que eles haviam lhe emprestado bastante dinheiro e, como o papa Clemente V devia sua posição às intrigas de Filipe, o assunto não foi difícil de ser resolvido. Sua tarefa foi facilitada ainda mais pelas acusações apresentadas pelo ex-cavaleiro Esquin de Floyran, que tinha interesse pessoal no assunto e pretendeu revelar todo o tipo de coisas malévolas: blasfêmia, imoralidade, idolatria e adoração ao demônio na forma de um gato preto.

Essas acusações foram aceitas por Filipe com deleite. E em uma sexta-feira, 13 de outubro de 1307, todos os templários da França foram aprisionados sem nenhum aviso prévio por parte do mais infame tribunal que jamais existiu, um aglomerado de demônios em forma humana, chamado, em grotesca burla, de Santo Ofício da Inquisição que, nesses dias, tinha plena jurisdição naquele e em outros países da Europa. Os templários foram horrivelmente torturados, de modo que alguns morreram e os outros assinaram toda a classe de confissões que a Santa Igreja desejava. Os interrogatórios se relacionavam principalmente à suposta negação de Cristo e ao fato de terem cuspido na cruz e, em menor grau, com graves acusações de imoralidade. Um estudo das evidências revela a absoluta inocência dos templários e a engenhosidade diabólica mostrada pelos oficiais do Santo Ofício, encarregados da prisão dos acusados pela Inquisição, que os mantinha incomunicáveis, carentes de defesa adequada e de consulta pertinente, ao mesmo tempo em que faziam circular a versão de que o Grão-Mestre havia confessado diante do papa a existência de crueldades na Ordem. Os Irmãos foram convencidos por meio de adulações e promessas, subornados e torturados, até confessarem faltas que jamais haviam cometido, e tratados com a mais diabólica crueldade.

Assim era a “justiça” daqueles que usavam o nome do Senhor do Amor durante a Idade Média; assim era a compaixão exibida em relação a seus fiéis servidores, cuja única falta foi a riqueza, obtida legalmente para a Ordem e não para si mesmos. Filipe, o Belo, obteve dinheiro. Mas, que carma, mesmo com 20 mil vidas de sofrimento, poderá ser suficiente para um ingrato vil? A Igreja romana, sem dúvida, tem sua participação. E pergunto: como cancelar uma maldade tão incrível quanto essa?

O papa desejava destruir a Ordem e reuniu o concílio em Viena, em 1311, com tal objetivo, mas os bispos recusaram-se a condená-la sem primeiro escutá-la. Então, o papa aboliu a Ordem em um consistório privado efetuado em 22 de novembro de 1312, apesar de ter aceitado o fato de que as acusações não haviam sido comprovadas. As riquezas do Templo deviam ser transferidas à Ordem de São João; porém, o certo é que a parcela francesa foi desviada para os cofres do rei Filipe.

O último e mais brutal ato dessa desumana tragédia ocorreu em 14 de março de 1314, quando o Venerável Jacques de Molay, Grão-Mestre da Ordem Templária, e Gaufrid de Charney, Grande Preceptor da Normandia, foram queimados publicamente como hereges reincidentes, em frente à grande Catedral de Notre Dame. Quando as chamas os rodearam, o Grão-Mestre incitou o rei e o papa a que, antes de um ano, se reunissem a ele diante do trono de julgamentos de Deus e, de fato, tanto o papa como o rei morreram dentro do prazo de 12 meses.

Temos notícias que alguns cavaleiros templários franceses se refugiaram entre seus Irmãos do Templo da Escócia e, naquele país, suas tradições chegaram a fundir-se, em certa medida, com os antigos ritos celtas de Heredom, formando, assim, uma das fontes das quais mais tarde brotaria o Rito Escocês Antigo e Aceito.

Há muito pouco tempo, a escritora Barbara Frale encontrou na biblioteca do Vaticano um documento denominado “Chinon”. Trata-se de uma carta na qual o papa Clemente V perdoa o Grão-Mestre Jacques de Molay. Você poderá saber disso com mais detalhes na obra de Barbara Frale: Os Templários – E o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do Vaticano, da Madras Editora.

Por Wagner Veneziani Costa

#Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-templ%C3%A1rios

Cultura do Horror: um guia para o seu clube do terror

O medo nos une. Enquanto é cada vez mais difícil encontrar pessoas com os mesmos valores culturais, políticos e religiosos, o horror ainda oferece uma forma de união sem igual que permanece constante desde as primeiras reuniões noturnas em volta da fogueira. Quando a espinha gela não há diferença entre nós. O horror desafia a lógica como a fantasia, questiona a moralidade como a comédia e aproxima as pessoas como o romance. Quando a motossera aparece esquecemos temporariamente nossas disputas e nos reencontramos na base da pirâmide de maslow. A religião sabe disso, a política sabe disso. Porque então não usar estes mesmos gatilhos de um modo controlado e divertido começando o seu próprio clube do terror?

Nada mais simples do que convidar alguns amigos para apreciar algumas obras da cultura macabra. Mas há vantagens também em apreciar sozinho – de preferência a noite – os calafrios das obras primas do terror.  Diversos estudos mostram que um pouco de pavor controlado pode nos deixar mais saudáveis, resilientes, integrados, equilibrados e (quem diria) menos ansiosos na vida real. Quando o cérebro reptiliano assume não existem angustias existenciais.

Não sabe por onde começar? Como diria Jack, o estripador, vamos por partes. Nas listas abaixo você encontrará os nomes das obras mais assustadoras já criadas, separadas por ano e tipo de mídia. Cada uma a sua maneira colaborou na formação da atual e crescente cultura do horror.

🎃 para facilitar sua vida os nome imperdíveis estarão marcados

O Grotesco nas Artes Plásticas

Para esquentar, as primeiras expressões da cultura de horror veio pelas artes plásticas, primeiro pela pintura e em seguida pela fotografia e artes digitais. Inicialmente eram reproduções de medos e crenças populares da arte gótica, mas hoje a estética grotesca e macabra existe por si mesma. Estes são as principais artistas de cada período por data aproximada de atuação, todos com um grande acervo para decorar seus pesadelos.

1486 – Hans Memling
1494 – Hieronymus Bosch 🎃
1581 – Frans Francken II
1610 – Peter Paul Rubens
1738 – Benjamin West
1782 – Henry Fuseli 🎃
1797 – Utagawa Kuniyoshi
1805 – William Blake
1810 – Théodore Géricault,
1823 – Francisco de Goya🎃
1887 – Odilon Redon
1890 – Franz Stuck
1893  – Edvard Munch
1953 – Francis Bacon
1969 – John Bellany
1977 – H.R. Giger 🎃
1981 – Ray Donley
1984 – Zdzisław Beksiński 🎃
1987 – Joel Peter Witkin
2010 – Trevor Henderson
2015 – Peter Polach
2016 – Laura Makabresku
2017 – Joshua Hoffine🎃
2018 – Stefan Koid
2019 – Scott Kirschners
2020 – Anton Semenov

A Literatura de Horror

O macabro é parte da natureza humana e está presente desde o início da literatura seja nos textos sagrados ou nos contos de fadas.  Mas embora épicos como “A Divina Comédia” e “Macbeth” tenham seu lugar na história do pavor, foi apenas no século XVIII que o romance de horror ganhou a forma que conhecemos hoje.

Literatura Estrangeira de Horror

Confira a seguir a evolução deste gênero literário através do ano de nascimento de seus principais autores e monte sua biblioteca especializada. A literatura estrangeira exige tradutores tão bons quanto seus autores e isso foi levado em consideração na seleção das obras. Comece pelos contos curtos dos autores marcados e então siga seus instintos.

1764 – Horace Walpole (O Castelo de Otranto)
1764 – Ann Radcliffe (O Romance da Floresta)
1775 – Matthew Lewis (O Monge)
1776  – E.T.A. Hoffmann (O Homem de Areia)
1797 – Mary Shelley (Frankenstein)
1809 – Edgar Allan Poe🎃 (Histórias Extraordinárias)
1814 – Sheridan Le Fanu (Carmilla)
1831 – Amelia B Edwards (O Cocheiro Fantasma)
1847 – Bram Stoker (Drácula)
1842 – Ambrose Bierce (A Janela Velada)
1847 – Irmãs Brontë (Morro dos Ventos Uivantes)
1850 – Robert Louis Stevenson (O Médico e o Monstro)
1852 – M. R. James (Histórias de Fantasmas)
1854 – Oscar Wild (O retrato de Dorian Gray)
1863 – Arthur Machen (O Grande Deus Pã)
1865 – Robert W. Chambers (O Rei de Amarelo)
1869 – Algernon Blackwood (A Casa Vazia)
1878 – Horacio Quiroga (Contos de amor, loucura e morte)
1877 – William Hope Hodgson (Carnacki, O Caçador De Fantasmas)
1884 – Sir Andrew Caldecott (Not Exactly Ghosts)
1897 – Christine Campbell Thomson (Not at Night)
1890 – Howard Phillips Lovecraft🎃(A maldição de Sarnath)
1893 – Clark Ashton Smith (Além da Imaginação e do Tempo)
1903 – Wade Manley Wellman (Who Fears the Devil?)
1906 – Robert E. Howard (O Mundo Sombrio)
1907 – Daphne Du Maurier (Pássaros e outros contos macabros)
1916 Shirley Jackson 🎃(A assombração da Casa da Colina)
1917 – Robert Bloch (O Psicopata)
1920 – Ray Bradbury (Algo sinistro vem por aí)
1921 – James Blish (Páscoa Negra)
1924 – Ray Rusel (The Case Against Satan)
1926 – Richard Matheson 🎃 (Eu sou a Lenda)
1928 – William Peter Blatty (O Exorcista)
1940 – Thomas Harris (Dragão Vermelho)
1942 – Peter Straub 🎃 (Ghost Story)
1943 – James Herbert (Sepulcher)
1945 – Dean Koontz (O Estranho Thomas)
1946 – Ramsey Campbell (Alone with the Horrors)
1947 – Stephen King🎃(Sombras da Noite)
1948 – Dan Simmons (O Terror)
1949 – Tanith Lee (Red as Blood)
1950 – Mercedes Lackey (Burning Water)
1952 – Clive Barker🎃 (Livros de Sangue)
1953 – Thomas Ligotti (Songs of a Dead Dreamer)
1954 – Lisa Goldstein (O Mago vermelho)
1957 – Koji Suzuki (Ring)
1959 – Shaun Hutson (Slugs)
1965 – Scott Smith – (As Ruínas)
1966 – Tananarive Due (The Good House)
1967 – Mark Z. Danielewski (House of Leaves)
1969 – Gary McMahona (Pretty Little Dead Things)
1969 – Adam Nevill (O Ritual)🎃
1970 – David Moody (Autumn)
1971 – Paul G. Tremblay (Na escuridão da mente)
1972 – Victor LaValle (A Balada do Black Tom)
1973 – Mariana Enriquez (As coisas que perdemos no fogo)
1975 – Lauren Beukes (The Shining Girls)
1976 – Kealan Patric Burke (Kim)
1977 – Marisha Pessl (Filme noturno)
1978 – Samanta Schweblin (Pássaros na Boca)
1979 – Will Elliott 🎃 (The Pilo Family Circus)
1980 – Jac Jemc  (The Grip of It)
1981 – Ania Ahlborn (Brother)
1983 – Thomas Olde Heuvelt🎃 (Hex)

A Literatura de Horror Nacional

Os fãs de Poe e Lovecraft podem ficar orgulhosos também da safra nacional de escritores de horror, em especial ao subgênero contista. Confira algumas obras tupiniquins que merecem atenção dos amantes do medo por data de publicação.

1855 – Alvarez de Azevedo 🎃  (Noite na Taverna)
1870 – Machado de Assis  (A Vida Eterna e outros contos)
1872 – Bernardo Guimarães (Lendas e Romances)
1893 – Cruz e Souza (Missal)
1893 – Aluísio de Azevedo (Demônios)
1903 – Júlia Lopes de Almeida (Ânsia eterna)
1910 – João do Rio (A peste)
1922 – M. Deabreu (Rag)

1939 – Monteiro Lobato  🎃 (Boca torta e outros contos)
1947 – Graciliano Ramos (Paulo)
1951 – Carlos Drummond de Andrade (Contos de aprendiz)
1965 – Walter Martins (Tuj)
1975 – Rubens Francisco Lucchetti (As Mascaras do Pavor)
1988 – Lygia Fagundes Telles 🎃 (Venha ver o por do sol)
1999 – André Vianco (Os Sete)
2007 – Gustavo Faraon (Os internos)
2012 – Tailor Diniz (A superfície da sombra)
2014 – Rô Mierlings (Diário de uma escrava)
2016 – Karen Alvares (Horror em gotas)
2019 – Larissa Prado (O rastro da serpente)
2021 – Thiago Tamosauskas 🎃 (Rei das Dores)

Filmes de Terror

Com a invenção do cinema o mundo conheceu uma nova forma de expressão do horror. Os filmes mudos que assombraram o público não acostumado com imagens em movimento são hoje vistos como truques de crianças, mas isso apenas mostra como o gênero evoluiu até tornar-se um dos mais lucrativos nichos cinematográficos. Não sabe por onde começar? Assista os marcados de cada década e depois explore sua época favorita. Continuações e reboots, mesmo quando mais celebrados foram omitidos desta lista.

1896 – Le Manoir du diable🎃
1897 – Le château hanté
1898 – La damnation de Faust
1899 – Le diable au couvent
1900 – The Prince of Darkness
1901 – Le diable géant ou Le miracle de la madonne
1902 – Les trésors de satan
1903 – Le chaudron infernal
1904 – Sorcellerie culinaire
1905 – O Diabo Negro
1906 – Les quatre cents farces du diable
1907 – La maison ensorcelée
1908 – La légende du fantôme
1909 – The Sealed Room
1910 – Dorian Grays Portræt
1911 – The Mummy
1912 – Dr. Jekyll and Mr. Hyde
1913 – O Estudante de Praga🎃
1914 – The Avenging Conscience
1915 – Les Vampires
1916 – Homunculus
1917  – Rapsodia satanica
1918 – Os Olhos da Múmia
1919 – Der Golem
1920 – O Gabinete do Dr. Caligari
1921 – A Carruagem Fantasma
1922 – Nosferatu🎃
1923 – O Corcunda de Notre Dame
1924 – As Mãos de Orlac
1925 – O Fantasma da Ópera
1926 – Uma Página de Loucura
1927 – Vampiros da Meia Noite
1928 – O Homem que Ri
1929 – Häxan: A Feitiçaria Através dos Tempos
1930 –  Meia Noite em Ponto
1931 – Frankenstein🎃, Drácula
1932 – Freaks, O Médico e o Monstro
1933 – King Kong, A Mumia
1934 – O Gato Preto, Os Crimes do Museu
1935 – A Noiva de Frankenstein
1936 – O Morto Ambulante
1937 – Canção da Noite
1938 – Sexton Blake and the Hooded Terror
1939 – O Cão dos Baskervilles
1940 – Sexta-Feira 13
1941 – O Lobisomem
1942 – Sangue de Pantera🎃
1943 – A Morta-Viva, A Sétima Vítima
1944 – O Solar das Almas Perdidas
1945 – Na Solidão da Noite
1946 – A Casa dos Horrores
1947 – A Cativa do Castelo
1948 – A Filha das Trevas
1949 – A Dama de Espadas
1950 – The Fall of the House of Usher
1951 – O Monstro do Ártico
1952 – Valkoinen Peura
1953 – El Vampiro Negro, House of Wax
1954 – Godzilla, Invasores de Marte
1955 – Les Diaboliques 🎃, Tarântula
1956 – Vampiros de Almas
1957 – O Abominável Homem das Neves, A Noite do Demônio
1958 – A Bolha Assassina, A Mosca da Cabeça Branca
1959 – Eyes Without a Face, O Vampiro da Noite
1960 – Psicose🎃, A Maldição do Demônio
1961 – O Poço e o Pêndulo
1962 – Tales of Terror, O Corvo
1963 – Os Pássaros, Desafio do Além
1964 – Kaidan, A Meia Noite Levarei sua alma
1965  – A Orgia da Morte
1966 – Drácula: O Príncipe das Trevas
1967 – Vij
1968 – A Noite dos Mortos-Vivos
1969 – Bebê de Rosemary
1970 – An Evening with Edgar Allan Poe
1971 – O Abominável Dr. Phibes
1972 – Contos do Além, O Homem de Palha
1973 – O Exorcista🎃
1974 – O Massacre da Serra Elétrica
1975 – Tubarão, Prelúdio Para Matar
1976 – A Profecia, Carrie
1977 – Suspiria
1978 – Halloween, Terror em Amityville
1979 – Alien: o 8.º Passageiro, Phantasm
1980 – O Iluminado, Sexta-feira 13
1981 – Evil Dead, Poltergeist
1982 – Enigma de Outro Mundo
1983 – Colheita Maldita, Videodrome, Elevador Assassino
1984 – A Hora do Pesadelo🎃, The Stuff
1985 – A Hora do Espanto, Re-Animator
1986 – A Casa do Espanto, Do Além
1987 – Hellraiser, Near Dark
1988 – Brinquedo Assassino, Eles vivem
1989 – O Mestre dos Brinquedos, Cemitério Maldito 
1990 – It: obra prima do medo, Louca Obsessão
1991 – Begotten, Silêncio dos Inocentes
1992 – Drácula de Bram Stoker, Candyman
1993 – Cronos, Sonâmbulos
1994 – A Beira da Loucura
1995 – A Cidade dos Amaldiçoados
1996 – Pânico, Event horizon
1997 – Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, Wishmaster, Mutação
1998 – Ringu (O Chamado)🎃
1999 – A Bruxa de Blair
2000 – Premonição, A Tempestade do Século
2001 – El Espinazo del Diablo, Os Outros
2002 – Juon (O Grito), The Eye
2003 – Pânico na Floresta, A Tale of Two Sisters, Bhoot
2004 – Jogos Mortais🎃, O Albergue, Espiritos – A morte está ao seu lado
2005 – Noroi (A Maldição), Abismo do Medo
2006 – O Labirinto do Fauno, O Hospedeiro, 13 Desafios
2007 – Atividade Paranormal, O Orfanato, REC
2008 – Mártires, Cloverfield, Kandisha, Deixe ela entrar
2009 – Arraste-me para o Inferno, Anticristo
2010 – Insidious, Contatos de 4.º Grau
2011 – O Segredo da Cabana, Casa dos Sonhos
2012 – Sinister, All Hallows’ Eve, Ilha do Medo
2013 – Invocação do Mal🎃, Somos o que somos, Uma noite de Crime
2014 – Babadook, Corrente do Mal
2015 – A Bruxa, O Lamento
2016 – Vozes da Escuridão, A Dama do Espelho, Rua Cloverfield 10
2017 – Get Out, Gerald’s Game, Mother!
2018 – Hereditário, Um Lugar Silencioso
2019 – Nós, Midsommar,
2020 – O que ficou para trás, La Llorona
2021 – Candyman, Maligno, Last night in Soho
2022 – The Celler

Quadrinhos de horror

Quando os primeiros leitores de histórias em quadrinhos chegaram a idade adulta, o horror ganhou também sua versão ilustrada. Conheça abaixo os principais nomes dos quadrinhos de horror até os dias de hoje.

1947 – Eerie Comics
1948 – Adventures into the Unknown
1950 – Tales from the Crypt🎃
1951 – The Haunt of Fear
1952 – The Vault of Horror
1954 – Beware: Chilling Tales of Horror
1964 – Creepy
1967 – Cat Eyed Boy
1968 – Ghost Manor
1970 – Tomb of Dracula
1971 – Monstro do Pântano
1972 – The Drifting Classroom
1980 – Twisted Tales
1982 – Creepshow
1983 – Yummy Fur
1984 – Fly in My Eye
1985 – Taboo (Spiderbaby Grafix)
1986 – Dylan Dog🎃
1987 – Tomie
1988 – Sandman
1989 – Hellblazer, From Hell
1990 – Clive Barker’s Hellraiser
1991 – Flinch
1992 – Spawn
1993 – Hellboy
1994 – Shadows Fall🎃
1995 – Black Hole, Ankoku Jiten
2000 – Uzumaki🎃
2001 – Gyo
2002 – 30 Days of Night
2003 – The Walking Dead🎃
2005 – Museum of Horror
2008 – Locke and Key
2010 – Neonomicon, PTSD Radio
2011 – Hideout, Colder
2012 – Fatale, Severed
2013 – Afterlife with Archie, Fuan No Tane
2014 – Wytches, Outcast
2015 – Mostri, Harrow County
2016 – Dora, Ibitsu
2017 – Melvina’s Therapy
2018 -1000 Nightmares
2019 – Something is Killing the Children
2020 – Tales of the Unusual, Sweet Heart
2021 – I Breathed a Body

Séries de Horror

Assim que a televisão se popularizou as histórias de terror entraram também para a sala de estar. Confira a lista abaixo o melhor da cultura do horror, ano a ano,  dos contos de Hitchcock até o terror por streamming da atualidade.

1955 – Alfred Hitchcock Presents
1959 – Além da Imaginação
1963 – The Outer Limits
1966 – Dark Shadows
1969 – Night Gallery
1979 – Tales of the unexpected
1974 – Kolchack, Demônios da noite
1983 – Tales of the Darkside
1987 –  Sexta-Feira 13: O Legado
1988  – Monsters, Freddy’s Nightmares
1989 – Tales from the Crypt🎃
1994 – Arquivo-X
1990 – Twin Peaks
2001 – Night Visions
2002 – Most Haunted
2004 – Ghost Hunters
2005 – Masters of Horror, Supernatural
2006 – A Haunting
2007 – Ghost Hunt
2008 – Fear Itself
2009 – Ghost Adventures
2010 – Walking Dead, Shiki
2011 – American Horror Story🎃, Grimm – Contos de Terror
2013 – Bates Hotel, Hemlock Grove
2014 – Penny Dreadful
2015 – Scream, Ash vs. Evil Dead
2016 – Channel Zero, Slasher
2017 – Eu vi, Into the Dark
2018 – The Hauting, The Terror, Castle Rock
2019 – Creepshow,  Two Sentence Horror Stories
2020 – Lovecraft Country, Ratched
2021 – Them, Midnight Mass

Músicas de Horror

Embora Paganini e Robert Johnson sejam sombrios à sua maneira e tenham a fama de ter vendido a alma ao diabo foi  Black Sabbath que nos anos sessenta escureceu as nuvens que pairavam sobre o movimento hippie e com temas ocultos e sonoridade sombria criou o que podemos chamar de “música de terror”. Desde então o metal seguiu seu próprio caminho e surgiram subgêneros como o Black Metal, Death Metal e Doom Metal, mais mesmo assim de tempos em tempos surgem mesmo em outros gêneros músicos para nos lembrar que a música de horror sempre voltará dos mortos.

1968 – Black Sabbath🎃
1969 – Coven
1970 – Alice Cooper
1071 – John Carpenter
1972 – Claudio Simonetti’s Goblin🎃
1973 – Blue Oyster Cult
1974 – Fabio Frizzi
1975 – Iron Maiden
1976 – The Cramps
1977 – The Misfits🎃
1978 – The Dickies
1979 – Venom, 45 Grave
1980 – Ozzy, The Meteors
1981 – Mercyful Fate
1982 – Demented Are Go
1983 – Gwar
1984 – Mayhem🎃
1985 – Richard Band
1986 – Darkthrone,
1987 – Danzig
1989 – Nekromantix
1989 – Insane Clown Posse🎃
1990 – Marilyn Manson
1991 – Cradle of Filth
1992 – Gorgoroth
1993 – Dimmu Borgir
1994 – Wednesday 13
1995 – Slipknot, Dahmer
1996 – Twiztid
1997 – Midnight Syndicate
1998 – Rob Zombie🎃
1999 – Schoolyard Heroes
2000 – Coph Nia
2001 – The Young Werewolves
2002 – Lordi, Murderdolls
2003 – Calabrese
2004 – Dr. Chud’s X-Ward
2005 – Nox Arcana🎃
2006 – Dead Vampires
2007 – Acid Witch
2008 – Ghost
2010 – Silent Horror
2012 – Antoni Maiovvi
2013 – Zeal & Ardor
2014 – Dance With The Dead 🎃
2015 – Terrible Tom & the Dingbatz
2016 – Carpenter Brut
2017 – Daniel Deluxe

Animes de Horror

O sucesso do terror japonês no final dos anos 90, com filmes como o Chamado, e o Grito, abriram espaço no mercado para animes de horror. Ao contrário do bônus no final deste artigo estas animações não são para crianças.

1987 – Wicked City
1997 – Perfect Blue🎃
1999 – Gakkou no Kaidan
2000 – Vampire Hunter D: Bloodlust
2001 – Hellsing
2004 – Monster, Elfen Lied
2005 – Jigoku Shojo
2006 – Ayakashi – Samurai Horror Tales
2007 – Fears of the Dark, Mononoke
2008 – Ghost Hound
2009 – When They Cry
2010 – Berserk: The Golden Age Arc
2011 – Shiki
2012 – Corpse Party Tortured Souls, Another
2013 – Yamishibai: Japanese Ghost Stories🎃
2014 – Pupa, Parasyte
2015 – Kagewani
2016 – Seoul Station
2018 – Junji Ito Collection🎃

Jogos de Horror

Nos anos noventa a primeira geração de gamers chegava a adolescência e com isso temas mais sombrios passaram a ser abordados. A crescente qualidade técnica de roteiro, música e artes gráficas, assim como a possibilidade de uma verdadeira imersão nos mundos criados fez desta uma opção difícil de superar para aqueles que amam a arte do assombro.

1990 – Elvira: Mistress of the Dark
1992 – Alone in the Dark
1993 – The 7th Guest
1994 – Phantasmagoria🎃
1995 – Clock Tower
1996 – Resident Evil🎃
1998 – Hellnight
1999 – Silent Hill🎃
2001 – White Day: A Labyrinth Named School
2002 – The Thing
2003 – Eternal Darkness
2004 – The Suffering
2005 – Condemned
2006 – Haunting Ground
2007 – Manhunt
2008 – Dead Space
2009 – F.E.A.R
2010 – Amnesia🎃
2011 – Dead Space 2
2012 – Slender: The Eight Pages
2013 – Outlast
2014 – Kraven Manor, Murdered: Soul Suspect
2015 – Until Dawn, SOMA
2016 – NightCry
2017 – Darkwood
2018 – Remothered
2019 – Call Of Cthulhu, Pacify
2020 – Phasmophobia🎃
2021 – Dagon

Jogos de Mesa de Horror

Desde a invenção da tábua Ouija o medo tem unido as pessoas de forma lúdica. A partir dos anos 80 apenas as mães mais bem treinadas sabiam diferenciar um jogo de RPG de um ritual satânico. Desde então as mecânicas e temáticas de jogos de horror evoluíram e nenhum Clube do Terror está completo sem pelo menos um dos nomes abaixo:

1981 – Chamado de Cthulhu (RPG)🎃
1983 – A Mansão do Inferno de Steve Jackson (Gamebook)
1984  -Chill (RPG)
1986 – Mafia/Werewolf (Party game)
1987 – GURPS Horror (RPG)
1989 – D&D Ravenloft (RPG)
1990 – Nightmare/Atmosfear (Boardgame)
1991 – Vampiro: a Máscara (RPG)
1992 – Kult: Divinity Lost (RPG)
1993 – Grave Danger (Boardgame)
1995 – Arkanun/Daemon (RPG)🎃
1996 – Barbecue With The Vampire (Boardgame)
1997 – In Nomine (RPG)
1998 – Murder Mystery Party (Party game)
1999 – Witchcraft (RPG)
2000 – All Flesh Must Be Eaten (RPG)
2001 – Kill Puppies for Satan (RPG)
2002 – Zombies!!! (Boardgame)
2003 – My Life With Master (RPG)
2004 – Historias Sinistras (Party game)🎃
2005 – Betrayal at House (Boardgame)
2006 – Dread (RPG)
2007 – Don’t Rest Your Head (RPG)
2008 – Shadow Hunters (Boardgame)
2009 – Fiasco (Cardgame)
2010 – Mansions of Madness (Boardgame)
2011 – Cave Evil (Boardgame)
2012 – Blood of Zombies (Gamebook)
2013 – Eldritch Horror (Boardgame)🎃
2014 – Psycho Raiders (Boardgame)
2015 – Mysterium (Boardgame)
2016 – Monster Of The Week (RPG)
2017 – Ten candles (RPG), Choose Cthulhu (Gamebook)
2018 – Escape the Dark Castle (Boardgame)
2019 – Zombie world (RPG)
2020 – Mythos Tales (Party game)
2021 – Edgar Allan Poe: The Horror (Gamebook)

Horror infarto-juvenil

Nos anos 60 a cultura do horror  já era tão estabelecida e rica em ícones culturais que iniciou-se a criação de produtos culturais voltados para o público infanto-juvenil permitindo as crianças darem seus primeiros goles no macabro. Preste atenção à faixa etária de classificação e confira a abaixo quais foram os principais nomes do modalidade açucarada do grotesco para curtir com as crianças.

1964 – Os Monstros e Família Addams🎃
1967 – A Dança dos Vampiros
1969 – Scooby-Doo
1974 – O Jovem Frankenstein
1975 – The Rocky Horror Picture Show
1981 – Um Lobisomem Americano em Londres
1982 – Vicent
1983 – No Templo das Tentações
1984 – Gremlins, Caça-Fantasmas
1986 – A Pequena Loja dos Horrores, O Labirinto
1987 – Os Garotos Perdidos, Deu a Louca nos Monstros
1988 – Os Fantasmas se Divertem
1989 – Palhaços Assassinos do Espaço Sideral
1990 – Clube do Terror, Convenção das Bruxas
1992 – Hocus Pocus
1993 – O Estranho Mundo de Jack
1994 – Goosebumps🎃
1995 – Gasparzinho
1996 – Coragem, o Cão Covarde
1997 – Buffy, a Caça-Vampiros
2006 – Casa Monstro
2007 – Noiva Cadáver
2009 – Coraline e o Mundo Secreto
2010 – R.L. Stine’s The Haunting Hour
2011 – Deadtime Stories
2012 – Frankenweenie
2013 – Hotel Transilvânia🎃
2016 – Strange Things
2017 – Castlevania, Creeped Out
2018 – O Mundo Sombrio de Sabrina
2019 – The Order
2020 – Locke & Key
2021 – Nightbooks🎃

2022 – Monster High

Dicas finais de um bom Clube do Terror

Assim como qualquer outro gênero de ficção, o horror oferece diferentes estilos para diferentes gostos. Experimentem vários e troquem informações e interpretações depois de cada sessão.  Se estiverem perdidos por onde começar consumam obras de épocas específicas para descobrirem qual mais agrada o grupo e então explorem a partir dai. Além disso, deixe espaço aberto para que todos possam sugerir o que ler, jogar ou assistir juntos.

Mais importante ainda, respeite as os limites dos participantes. Algumas pessoas simplesmente não suportam carnificina, outras são sensíveis a temas obscuros demais. Respeite isso. Não há problema nenhum em fechar os olhos, virar o rosto ou preferir assistir de luz acessa.

Por fim, especialmente se for um consumidor solitário ou adepto de mataratonas, cuidado com comportamentos obsessivos. A chave aqui é monitorar quanto você tem consumido e como isso afeta seu próprio comportamento. Observe como se sente no dia seguinte e se seus sonhos não estão sendo afetados a noite. Tudo em excesso pode ser prejudicial.

Bônus: Podcasts de Horror

Para encerrar esse catálogo e manter você constantemente informado sobre a cultura do medo, selecionamos sete podcasts com causos e histórias reais bem como resenhas, análises e bate-papos sobre a ficção de terror, em particular de filmes e séries.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/cultura-do-horror-guia-historia-macabro/

The Chaonomicon, por Jaq D Hawkins

Magia+do+Caos

Top 50 Livros de Magia do Caos coloquei no Top 1 o livro que a Jaq D Hawkins escreveu em 1996. Como a versão impressa está esgotada nas editoras, a autora resolveu escrever um livro novo na mesma linha de “Understanding Chaos Magic”. Esse mês ela lançou “The Chaonomicon” que está disponível pela Amazon brasileira.

Finalizei minha leitura agora mesmo e gostaria de compartilhar o que aprendi, incluindo alguns trechos da obra que me chamaram a atenção. Esse é um excelente livro para iniciantes, pois trata de temas como história da magia do caos, deidades do caos, teoria do caos, Austin Osman Spare, sigilos, servidores, grupos de magia, iniciação, técnicas de magia, rituais e muito mais.

Eis algumas passagens da obra:

“O termo ‘magia do caos’ foi criado pelo magista e autor Peter J. Carroll em meados dos anos 70. Ele escreveu e mantém que seu significado reflete a aleatoriedade do universo”

“A aleatoriedade na natureza não é inteiramente aleatória, mas trabalha dentro de parâmetros”

“Foi dito que se você pergunta para dez magistas do caos o que é a magia do caos, você irá obter onze respostas diferentes”

“Magia, de qualquer tipo, atrai uma certa porcentagem de pessoas que estão procurando por respostas simples para os problemas da vida. A realidade não é um conto de fadas. Nós não temos uma varinha e todos os problemas irão desaparecer. A magia pode ajudar uma situação, mas a magia é trabalho e aprender como fazê-la ser efetiva é um compromisso de toda uma vida de estudo. Por toda a reputação que a magia do caos tem de gerar ‘atalhos’ na prática mágica, tais atalhos só são efetivos se o magista sabe o que está fazendo”

“Décadas depois do começo da magia do caos, as pessoas ainda perguntam: ‘O que é isso?’. A dificuldade de responder essa pergunta simples está no fato de que ninguém pode dizer que algo não é magia do caos, porque ela é uma atitude em relação à magia e não um sistema em si. Autores modernos de livros que tratam da magia do caos escrevem sobre o misticismo oriental de uma perspectiva caoísta, um livro de rituais Discordianos ou um diário pessoal de práticas mágicas e ninguém pode dizer: ‘Mas isso não é magia do caos’”. 

“Minha própria definição, que penso ser a mais simples, é que a magia do caos é sobre entender o mecanismo da magia, a Física de como a magia funciona”

“Um dos problemas que a magia do caos gerou é a atratividade do que parecem ser métodos ritualísticos simples para os novos magistas aspirantes que podem não ter usado nenhuma outra forma de magia antes. Alguns desses magistas do caos noobs pegam o jeito muito bem, mas muitos passam mais tempo reclamando em grupos de internet e mídias sociais que tal magia não funciona do que tentando desenvolver sistemas que funcionam”

E agora vamos aos meus comentários:

A autora conversou bastante com Kenneth Grant para perguntar a ele sobre seu amigo Austin Osman Spare, então algumas das informações sobre Spare em seu livro são inéditas.

Spare costumava dividir seus sigilos em partes. Por exemplo: “Eu quero” + “obter” + “a força de um tigre” poderiam gerar três sigilos diferentes que poderiam ser posteriormente combinados. Assim você poderia guardar as duas primeiras partes para usar mais tarde. Um sigilo não precisaria ser necessariamente destruído, mas virar uma obra de arte na sua parede. Você veria o sigilo tantas vezes que em algum momento sua mente consciente não faria mas a associação entre sigilo e desejo, deixando que apenas a mente inconsciente atuasse. Ela também lembra que Spare costumava lançar seus sigilos escrevendo-os num papel em branco, colocando-o na testa e entoando alguma fórmula ritualística.

Embora Kenneth Grant tenha divulgado a magia com os Grandes Antigos de Lovecraft, foi Phil Hine seu maior divulgador através de sua obra Pseudonomicon. Também foi Hine quem divulgou o uso dos servidores em seu livro “Chaos Servitors: a User Guide” (1991). O termo “servidor” é relativamente novo e surgiu através do trabalho com formas-pensamento.

Jaq D Hawkins nos informa que, segundo uma carta de Charlie Brewster, o início da magia do caos foi em 1976. Peter Carroll começou a escrever para a revista “The New Equinox” publicada por Ray Sherwin. Em 1986 seria lançada a revista Chaos International, editada por P.D. Brown e Ray Sherwin em seus dois primeiros volumes. Nos volumes restantes, até a edição 23, Ian Read assumiu a direção. A revista teve uma pausa e retornou somente após o início do novo milênio. Outras revistas também existiram, como a americana Thanateros (1989-1990) com artigos de Lola Babylon e Peter Carroll. Também houve a revista Konton, editada por D.J. Lawrence (Dead Jellyfish, da IOT do Japão).

O objetivo inicial da IOT foi criar um grupo não hierárquico, mas frequentemente ocorre de pessoas serem vistas como líderes e abusarem do poder. Hawkins conta como isso acontece não somente na magia do caos, mas em várias outras correntes de magia, incluindo alguns covens de wicca.

Sobre a teoria do caos, Frater Choronzon em Liber Cyber nos diz que o fato de a magia do caos e a matemática do caos terem se desenvolvido mais ou menos na mesma época foi mais uma das “coincidências” mágicas que costumam ocorrer.

A autora nos fala sobre muitas divindades do caos, incluindo Exu. E ela alerta como é difícil trabalhar com as “entidades imaginárias” como as dos livros de ficção (como as obras de Lovecraft). Afinal, os efeitos advindos desses trabalhos são bem reais e pode ser um problema se o magista não souber mais separar o real e o imaginário. Para exemplificar essa abordagem, há o seguinte trecho do livro:

“Austin Spare escreveu sobre um conceito que ele chamou ‘neither-neither’. Essa é uma referência a algo que não é nem uma coisa nem outra. Nesse caso, os Deuses são vistos nem como reais e nem como não reais. Eles existem para nós, e ainda assim eles não existem. Nós damos a eles existência em nossa crença, que é uma existência bastante real. Porém, se nós escolhermos não acreditar neles, eles não existem, a não ser que outro magista escolha acreditar numa entidade particular e nós entramos em contato com isso através de uma experiência comum com o outro magista”. 

Eu diria que essa abordagem é bastante semelhante às teorias de Berkeley na filosofia de que “ser é ser percebido”.

Hawkins também nos alerta sobre o perigo de interpretarmos a realidade por somente um ponto de vista. Será que existe a ordem na natureza ou o caos? Estamos acostumados a uma interpretação linear da realidade baseada na matemática, mas “montanhas não são cones”. A teoria do caos nos aponta para uma realidade caótica, mas mesmo no interior do caos é possível encontrar padrões e ordem.

E será que a natureza funciona numa luta pela sobrevivência? Vejamos esse trecho da obra:

“O notável biólogo evolucionista Stephen Jay Gould salienta que A Origem das Espécies de Darwin foi interpretada de forma muito diferente pelo intelectual russo Petr Kropotkin da forma que foi interpretada pelos cientistas europeus e americanos. Kropotkin encontrou na natureza um sistema de cooperação em vez de competição. Biólogos eminentes como Gould mencionam que a pesquisa não apoia o ponto de vista neo-Darwiniano de que a acumulação gradual de mutações irá eventualmente levar a novas espécies”

A magia do caos nos convida a interpretar a realidade sob múltiplos pontos de vista e paradigmas, sem considerar necessariamente um melhor que o outro. A questão é: “melhor para que e para quem?”, que também é uma visão razoável para aplicar a modelos científicos, tais como nos sugeriu filósofos da ciência como Thomas Kuhn e Karl Popper.

Esses são alguns exemplos de temas abordados na obra. A autora também sugere técnicas mágicas e exercícios a serem usados por iniciantes. É um livro com uma porção de tudo que considero importante na magia. Uma valiosa leitura. E a autora já anunciou que lançará em breve um livro novo sobre magia, que aguardaremos com entusiasmo.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/the-chaonomicon-por-jaq-d-hawkins

A Lenda dos Nove Desconhecidos

A tradição dos Nove Desconhecidos remonta à época do Imperador Açoca que governou as Indias a partir do ano 273 a.C. Era neto da Chandragupta, primeiro unificador da India. Cheio de ambição como o seu antepassado, cuja tarefa quis completar, emprendeu a conquista de Calinga, que se estendia desde a atual Calcutá até Madrasta. Os calinganeses resistiram e perderam cem mil homens na batalha. O espetáculo dessa multidão massacrada transtornou Açoca. Ficou, para todo o sempre , com horror à guerra. Renunciou a prosseguir na integração dos países insubmissos, declarando que a verdadeira conquista consiste em captar a estima dos homens pela lei do dever e da piedade, pois a Majestade Sagrada deseja que todos os séres animados usufruam de segurança, liberdade, paz e felicidade.

Convertido ao Budismo e devido à sua maneira de agir, Açoca espalhou esta religião através das Índias e do seu império, que ia até à Malásia, Ceilão c Indonésia. Depois o Budismo chegou ao Nepal, Tibete, China e Mongólia. No entanto, Açoca respeitava todas as seitas religiosas. Aconselhava os homens a serem vegetarianos, aboliu o álcool e o sacrifício de animais. H..G Wells, no seu sumário da história universal, escreve: “Entre as dezenas de milhares de nomes de monarcas que se amontoam nos pilares da história, o de Açoca brilha quase isolado, como uma estréia”.

Diz-se que, consciente dos horrores da guerra, o Imperador Açoca quis proibir para sempre aos homens que utilizassem a inteligência de uma forma prejudicial. Sob o seu reinado, a ciência da natureza passou a ser secreta, tanto passada como futura. As pesquisas, indo da estrutura da matéria às técnicas de psicologia coletiva, esconder-se-ão, daí em diante e durante vinte e dois séculos, atrás do rosto místico de um povo que o mundo julga apenas preocupado com o êxtase e o sobrenatural. Açora fundou a mais poderosa sociedade secreta do Universo: a dos Nove Desconhecidos.

Continua a dizer-se que os grandes responsáveis pelo atual destino da indica — e cientistas como Bose e Ram acreditam na existência dos Nove Desconhecidos — dêles receberiam conselhos e mensagens. Com alguma imaginação, é possível avaliar a importância dos segredos que poderiam guardar nove homens beneficiando-se diretamente das experiências, dos trabalhos, dos documentos acumulados durante mais de duas dezenas de séculos. Quais os objetivos que êsses homens têm em vista? Não deixar cair em mãos profanas os meios de destruição. Prosseguir as investigações benéficas para a humanidade. Êsses homens seriam renovados por cooptação fim de defender os segredos técnicos de um passado longínquo.

São raras as manifestações exteriores dos Nove Desconhecidos. Uma delas está ligada ao prodigioso destino de um dos homens mais misteriosos do Ocidente: o Papa Silvestre II, conhecido sob o nome de Gerbert d’Aurillac. Nascido em Auvergne no ano 920, falecido em 1003, Gcrhert foi monge beneditino, professor da Universidade de Rcims, arcebispo de Ravena e papa por mercê do Imperador Otão III.

Teria passado algum tempo na Espanha, depois, uma misteriosa viagem tê-lo-ia levado até às índias, onde obtivera diversos conhecimentos que causaram assombro ao seu círculo. Também possuía, cm seu palácio, uma cabeça de bronze que respondia SIM ou NÃO às perguntas que êle lhe fazia sôbre a política e a situação geral da cristandade. Na opinião de Silvestre II (volume CXXXIX da Patrologia Latina, de Migne), êsse processo era muito simples e correspondia ao cálculo feito com dois números. Tratar-se-ia de um autômato análogo às nossas modernas máquinas binárias. Essa ca-beça “mágica” foi destruída quando da sua morte, e os conheci. mentos trazidos por êle cuidadosamente escondidos. A biblioteca do Vaticano proporcionaria sem dúvida algumas surprêsas ao investigador autorizado. O número de outubro de 1954 de Computers and Automation, revista de cibernética, declara: “Temos de imaginar um homem de um saber extraordinário, de uma destreza e de uma habilidade mecânica fora do comum. Essa cabeça falante teria sido feita “sob determinada conjunção das estrêlas que se dá exatamente no momento em que todos os planetas estão iniciando o seu percurso”. Não se tratava nem de passado, nem de presente, nem de futuro, pois aparentemente essa invenção ultrapassava de longe a importância da sua rival: o perverso “espelho sôbre a parede” da rainha, precursor dos nossos modernos cérebros automáticos. Houve quem dissesse, evidentemente, que Gerbert apenas foi capaz de construir semelhante máquina porque mantinha relações com o Diabo e lhe jurara eterna fidelidade.

Teriam outros europeus estado em contato com essa sociedade dos Nove Desconhecidos? Foi preciso esperar pelo século XIX para que reaparecesse êste mistério, através dos livros do escritor francês Jacolliot.

Jacolliot era cônsul da França em Calcutá na época do Segundo Império Escreveu uma obra de antecipação considerável, comparável, se não superior, à de Júlio Verne. Deixou, além disso, vinte obras consagradas aos grandes segredos da humanidade. Essa obra extraordinária foi roubada pela maior parte dos ocultistas, profetas e taumaturgos. Completamente esquecida na França, é célebre na Rússia.

Jacolliot é formal: a sociedade dos Nove Desconhecidos é uma realidade. E o mais estranho é que cita a êste respeito técnicas absolutamente inimagináveis em 1860, como seja, por exemplo, a libertação da energia, a esterilização por meio de radiações e a guerra psicológica.

Yersin, um dos mais próximos colaboradores de Pasteur e de Roux, teria sido informado de segredos biológicos por ocasião da sua viagem a Madrasta, em 1890, e, segundo as indicações que lhe teriam sido dadas, preparou o sôro contra a peste e a cólera.

A primeira divulgação da história dos Nove Desconhecidos deu-se em 1927, com a publicação do livro de Talbot Mundy, que pertenceu, durante vinte e cinco anos, à polícia inglesa das Índias. Esse livro está a meio caminho entre o romance e o inquérito. Os Nove Desconhecidos utilizariam uma linguagem sintética. Cada um dêles estaria de posse de um livro constantemente renovado e contendo o relatório pormenorizado de uma ciência.

O primeiro dêstes livros seria consagrado às técnicas da propaganda e da guerra psicológica. “De tôdas as ciências, diz Mundy, a mais perigosa seria a do contrôle do pensamento dos povos, pois permitiria governar o mundo inteiro.” É de notar que a Semântica Geral, de Korzybski, data apenas de 1937 e que necessário aguardar a experiência da última guerra mundial para que principassem a cristalizar-se no Ocidente as técnicas da psicologia da linguagem, quer dizer, da propaganda. O primeiro colégio de semântica americano só foi criado em 1950. Na França, apenas conhecemos A Violação das Multidões, de Serge Tchakhotine, cuja influência nos meios intelectuais e políticos foi importante, embora apenas mencione a questão.

O segundo livro seria consagrado à fisiologia. Falaria especialmente na maneira de matar um homem ao tocar-lhe, provocando a morte pela inversão do influxo nervoso. Diz-se que o judô deriva das “fugas” dessa obra.

O terceiro estudaria a microbiologia e especialmente os colóides de proteção.

O quarto trataria da transmutação dos metais. Diz uma lenda que, nas épocas de fome, os templos e os organismos religiosos de assistência recebem de uma fonte secreta enormes quantidades de ouro muito fino.

O quinto incluía o estudo de todos os meios de comunicação, terrenos e extraterrenos.

O sexto continha os segredos da gravitação.

O sétimo seria a mais vasta cosmogonia concebida pela nossa humanidade.

O oitavo trataria da luz,

O nono seria consagrado à sociologia, indicaria as leis da evolução das sociedades e permitiria a previsão da sua queda.
À lenda dos Nove Desconhecidos está ligado o mistério das águas do Ganges. Multidões de peregrinos. portadores das mais pavorosas e diversas doenças, ali se banham sem prejuízo para os de boa saúde. As águas sagradas tudo purificam. Pretenderam atribuir essa estranha propriedade do rio à formação de bacteriófagos. Mas por que motivo não se formariam êles igualmente no Bramaputra, no Amazonas ou no Sena? A hipótese de uma esterilização por meio de radiações aparece na obra de Jacolliot, cem anos antes de se saber possivelel um tal fenômeno. Essas radiações, segundo Jacolliot, seriam originárias de um templo secreto cavado sob o leito do Ganges.

Afastados das agitações religiosas, sociais e políticas, resoluta e perfeitamente dissimulados, os Nove Desconhecidos encarnam a imagem da ciência calma, da ciência com consciência. Senhora dos destinos da humanidade, mas abstendo-se de utilizar o seu próprio poder, essa sociedade secreta é a mais bela homenagem possível à liberdade em plena elevação. Vigilantes no âmago da sua glória escondida, êsses nove homens vem fazer-se, desfazer–se e tornar a fazer-se as civilizações, menos indiferentes que tolerantes, prontos a auxiliar, mas sempre sob essa imposição de silêncio que é a base da grandeza humana.

Mito ou realidade? Mito soberbo em todo o caso, vindo das profundezas dos séculos — e ressaca do futuro.

Extraido do livro Le Matin des Magiciens de Louis Pauwels e Jacques Bergier – Ed. Bertrand – 1959

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-lenda-dos-nove-desconhecidos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-lenda-dos-nove-desconhecidos/

Escravos Contemporâneos

Um dia você cansa de si mesmo. Da paisagem desbotada do seu quarto escuro, de ser o seu próprio carcereiro. Sim, as prisões mais cruéis tecem suas grades na engenharia de ideias enlatadas, preconceitos ou covardias impostas por medos alheios e ancestrais. Ou por alguém. Chegada a hora de experimentar as asas que sempre foram suas e nunca usadas. Então, você se lança em um voo absurdo nas profundezas coloridas e alturas iluminadas de um universo desconhecido e fantástico que se descortina na medida da sua leveza, coragem e ousadia. É assim que acontece quando se assume o protagonismo da própria vida. O poder, a magia e o encantamento são seus, pegue-os de volta!

Por vezes estamos aprisionados por conceitos que nos foram impostos e simplesmente aceitamos por medo ou comodidade, noutras subjugados por pessoas que, por algum motivo, não conseguimos nos insurgir contra a dominação permitida. As pessoas só têm sobre você o poder que você concede a elas. Entender este simples conceito é se olhar forte diante do espelho da vida.

A decisão de ser emocionalmente independente, de se manifestar de acordo com a sua verdade, é essencial na maravilhosa estrada da liberdade. Abdicar da plena consciência é transferir ao outro o eixo central da vida. Quando abrimos mão de vivenciar o nosso melhor, negamos ao mundo algo ímpar, pois não há dois seres iguais. Você é único e nisto reside toda a sua beleza.

Aceitar que algumas pessoas tenham poder sobre outras como sendo um comportamento normal é crer que algumas pessoas nasceram apenas para satisfazer e servir a outras. Conceitos medievais que a História tratou de deixar para trás por absoluto absurdo. No entanto, o desejo de dominação ainda se manifesta por atavismo, ignorância ou má-fé, fazendo que muitos se curvem a existência tácita em uma espécie de escravidão contemporânea, seja na esfera afetiva ou social.

O medo está na raiz desse comportamento castrador que leva uma pessoa a se anular diante outra ou mesmo diante todos. O medo silencioso de que se eu colocar a minha verdade vou encerrar o meu casamento ou namoro, ser demitido ou discriminado no trabalho, perder o amigo ou ser afastado de determinado grupo encerra com qualquer possibilidade de ser pleno. É como tentar ser feliz sendo apenas metade do que somos.

Todos querem ser aceitos, amados e admirados. No entanto, esquecem que no fundo ninguém reverencia o fraco. Na melhor das hipóteses desperta sentimentos de misericórdia e compaixão. Na pior, desprezo e ironia. Ninguém lembra o nome do figurante do filme. A História não fala dos covardes.

Ameaças mudas de rejeição, demissão ou dívidas morais sorrateiramente criadas, e que jamais se consegue quitação, são alguns truques dos escravocratas modernos. Suas eficientes e surdas chibatas. Conhece alguém assim? Se em tempos idos a força da lei obrigava tal submissão, hoje temos os escravos que não conseguem arrebentar os grilhões emocionais que os prendem aos absurdos desejos alheios. E, claro, são infelizes. Todos, vítimas e feitores, sem exceção. Ditadores, em qualquer escala ou tamanho, são sujeitos atormentados.

No entanto, liberdade não é concessão, é conquista. Não se pede, se impõe. Só você pode assinar a própria alforria.

Se falar e agir dentro da sua verdade vai levar o outro a pedir o divórcio, te demitir, nunca mais andar contigo, gritar, espernear ou fazer cara feia, melhor. Sinal que essa relação estava baseada na dominação, na mentira, no abuso e na dor. Com certeza o que você está deixando para trás não te fará falta, pois tempos e companhias melhores se apresentarão. Nada de bom pode se sustentar na servidão da vontade. Abra mão do que não te serve mais. Só assim o novo poderá surgir e brilhar.

Se conseguir estabelecer um novo conceito de relacionamento baseado no respeito e na dignidade, será perfeito. Se acabar porque você se insurgiu contra o domínio, significa que aquela relação estava estragada e o fim chegou em boa hora.

Ninguém pertence a ninguém. Sua vida é pessoal e intransferível. Não a entregue a ninguém, mas não esqueça de compartilhar as suas alegrias e conquistas com o mundo.

Pergunte a si se o outro tem o direito em se arvorar dono da sua vontade e verdade. Não tenha medo de fazer suas escolhas, elas são ferramentas poderosas para a sua navegação vida afora. É através das suas escolhas que você traça o seu caminho no mundo, desenha a sua história e exerce a sua espiritualidade. Logo, suas escolhas são sagradas. Honre-as como a uma divindade!

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/06/05/escravos-contemporaneos/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/escravos-contempor%C3%A2neos

A Matriz Holográfica Reptiliana, a “Realidade” Fabricada:O Pacto Reptiliano

Será uma ilusão tão grande e tão vasta, que ela escapará da percepção deles.

Aqueles que virem isso, serão tidos como insanos.

Criaremos frentes separadas de atuação para evitar que eles vejam a conexão que existe entre nós.

Nos comportaremos como se  não estivéssemos  conectados, para manter viva a ilusão.

Nosso objetivo será alcançado gota-a-gota, para nunca trazer suspeitas sobre nós.

Isto também irá evitar que eles vejam as mudanças a medida em que elas estiverem ocorrendo.

Estaremos sempre acima do campo relativo da experiência deles, pois nós sabemos os segredos do absoluto.

Trabalharemos sempre juntos e permaneceremos ligados pelo sangue e pelo segredo. A morte virá para aquele que falar.

Nós manteremos suas vidas curtas e suas mentes fracas, enquanto fingimos fazer o contrário.

Usaremos nossos conhecimentos de ciência e de tecnologia de formas sutis, para que eles nunca vejam o que está acontecendo.

Usaremos metais suaves, aceleradores de idade e sedativos nos alimentos e na água, e também no ar.

Eles estarão cobertos de venenos em todas as direções que se voltarem.

Os metais suaves irão causar a eles a perda de suas mentes.

Iremos prometer encontrar a cura em nossas muitas frentes, no entanto nós iremos alimentá-los com mais venenos.

Os venenos serão absorvidos através de suas peles e bocas, levando-os a destruir suas mentes e sistemas reprodutivos.

De tudo isso, seus filhos nascerão mortos, e nós iremos esconder esta informação.

Os venenos estarão escondidos em tudo que os cercam, no que eles bebem, comem, respiram e vestem.

Precisamos ser espertos na disseminação dos venenos, pois eles vêem longe.

Nós ensinaremos a eles que os venenos são bons, utilizando imagens engraçadas e músicas bonitas.

Aqueles que eles procurarem irão ajudar. Nós os alistaremos para repassarem os nossos venenos.

Eles irão ver nossos produtos sendo usados em filmes e irão crescer acostumados com eles e nunca saberão os seus verdadeiros efeitos.

Quando eles nascerem, iremos injetar venenos no sangue de suas crianças e convenceremos a eles que é para ajudá-los.

Começaremos bem cedo, quando suas mentes estão jovens, e nós visaremos suas crianças com o que as crianças mais amam, coisas doces.

Quando seus dentes estragarem, nós os encheremos de metais que irão matar suas mentes e roubar seus futuros.

Quando a capacidade deles de aprender tiver sido afetada, nós criaremos medicamentos que irão torná-los mais doentes e que causarão outras doenças, para as quais nós iremos criar ainda mais medicamentos.

Iremos fazer com que eles sejam dóceis e fracos perante nós, usando nosso poder.

Eles crescerão com depressão, devagar e obesos, e quando vierem nos pedir ajuda, nós iremos dar a eles mais veneno.

Iremos focalizar a atenção deles para o dinheiro e bens materiais, de tal forma que eles nunca possam conectar-se com seu eu interno.

Iremos distraí-los com fornicação, prazeres externos e jogos, tal que eles nunca possam ficar um com a unicidade do Todo.

Suas mentes nos pertencerão e eles farão o que mandarmos.

Se eles se recusarem, iremos encontrar modos de implementar tecnologias de controle mental em suas vidas. Usaremos o medo como nossa arma.

Nós iremos impor seus governos e estabeleceremos oposição dentro deles. Iremos controlar ambos os lados.

Nós iremos sempre esconder nosso objetivo, mas levaremos adiante nosso plano.

Eles irão trabalhar para nós e nós iremos prosperar com o trabalho deles.

Nossas famílias nunca irão se misturar com as deles.

Nosso sangue precisa ser sempre puro, pois este é o caminho.

Nós faremos eles se matarem entre si, quando isso nos convier.

Nós manteremos eles separados da unicidade através de dogma e religião.

Nós controlaremos todos os aspectos de suas vidas e diremos a eles como e o que pensar.

Nós os guiaremos bondosa e gentilmente, deixando eles pensarem que  estão guiando a si mesmos.

Fomentaremos a animosidade entre eles através de nossas facções.

Quando uma luz brilhar entre eles, nós iremos extingüí-la usando o ridículo ou a morte, o que nos for melhor.

Iremos fazer com que rompam seus próprios corações e matem suas próprias crianças.

Iremos conseguir isto usando o ódio como nosso aliado, e a raiva como nossa amiga.

O ódio irá cegá-los totalmente, e nunca irão ver que, de seus conflitos, nós emergiremos como seus governantes.

Eles estarão ocupados se matando entre si.

Eles se banharão em seu próprio sangue e matarão seus vizinhos durante o tempo que acharmos conveniente.

Nós nos beneficiaremos muito deste fato, pois eles não nos verão, já que eles não conseguem nos ver.

Continuaremos a prosperar devido às suas guerras e suas mortes.

Iremos repetir isso sem cessar até que nosso objetivo final seja alcançado.

Continuaremos a fazer com que vivam com medo e raiva, usando imagens e sons.

Usaremos todas as ferramentas que dispomos para conseguir isto.

As ferramentas serão fornecidas pelo trabalho deles.

Faremos com que se odeiem entre si e odeiem seus vizinhos.

Sempre ocultaremos a verdade divina deles, de que somos todos um.

Eles nunca devem saber disso!

Eles nunca devem saber que a cor é uma ilusão, devem sempre pensar que eles não são iguais.

Gota-a-gota, iremos avançando em direção ao objetivo.

Iremos roubar-lhes a terra, recursos e riqueza para exercer controle total sobre eles.

Nós os enganaremos para aceitar leis que irão roubar a pouca liberdade que eles possuirão.

Estabeleceremos um sistema monetário que os aprisionarão para sempre, mantendo eles e seus filhos em dívidas.

Quando eles se reunirem em bandos, nós iremos acusá-los de crimes e apresentaremos uma história diferente para o mundo, pois nós iremos ser donos de toda a mídia.

Usaremos nossa mídia para controlar o fluxo de informação e o sentimento deles em nosso favor.

Quando eles se insurgirem contra nós, nós os esmagaremos como insetos, pois eles são menos que isso.

Eles não terão condições de fazer nada, já que eles não disporão de armas.

Recrutaremos alguns deles para levar adiante nossos planos, iremos prometer a eles a vida eterna, mas a vida eterna eles nunca terão pois não são um de nós.

Os recrutas serão chamados de “iniciados” e serão doutrinados para acreditar em falsos ritos de passagem para os reinos mais elevados.

Membros desses grupos [os illuminati] pensarão que eles são um conosco, nunca sabendo a verdade.

Eles nunca devem saber essa verdade, pois eles se voltarão contra nós.

Pelos seus trabalhos, eles serão recompensados com coisas materiais e grandes títulos, mas nunca se tornarão imortais e se juntarão a nós, nunca receberão a luz e nunca viajarão para as estrelas.

Eles nunca alcançarão os reinos superiores, pois a matança de seus semelhantes irá impedir a passagem para o reino da iluminação.

Isto eles nunca saberão.

A verdade estará escondida nos seus rostos, tão perto que eles serão incapazes de focarem ela, até que seja tarde demais.

Oh sim, tão grande será a ilusão de liberdade, que eles nunca irão saber que eles são nossos escravos.

Quando tudo estiver em seu lugar, a realidade que tivermos criado para eles irá possuí-los.

Esta realidade será a prisão deles.

Eles viverão em auto-ilusão.

Quando nosso objetivo for conseguido, uma nova era de dominação irá começar [a Nova Ordem Mundial, New World Order].

Suas mentes estarão limitadas por suas crenças, as crenças que nós estabelecemos desde tempos imemoriais.

Porém se eles conseguirem descobrir que são iguais a nós, então nós iremos morrer. ISTO ELES NUNCA PODEM SABER.

Se eles conseguirem descobrir que juntos eles podem nos derrotar, eles tomarão esta ação.

Eles nunca, jamais, devem descobrir o que nós temos feito, pois se eles descobrirem, nós não teremos nenhum lugar para ir, pois será fácil de ver quem nós somos, uma vez que o véu caia.

Nossas ações irão revelar quem nós somos e eles nos caçarão e nenhuma pessoa nos dará abrigo.

Este é o pacto secreto pelo qual viveremos pelo resto das nossas vidas presente e futura, pois esta realidade irá transcender muitas gerações e muitos períodos de vida.

Este pacto é selado com sangue, nosso sangue. Nós, aqueles que do céu para a terra vieram.

Este pacto NUNCA, JAMAIS pode ser conhecido que exista.

Ele NUNCA, JAMAIS deve ser escrito ou falado pois se ele for, a consciência que ele produzirá irá liberar a fúria do CRIADOR PRIMORDIAL sobre nós e nós seremos lançados para as profundezas, de onde viemos, e permaneceremos lá até o fim do tempo infinito.

Traduzido por Rui Fragassi

Autor Desconhecido

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-matriz-holografica-reptiliana-a-realidade-fabricadao-pacto-reptil… […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-matriz-holografica-reptiliana-a-realidade-fabricadao-pacto-reptiliano/

O Anjo Metatron

Texto do frater Matheus Saraiva

Metatron é o anjo supremo que rege a mais alta ordem angelical, sendo líder de todos os outros anjos, tal Hierarquia sendo a original Cabalista chamada de Haioth Hakadosh e que se situa na Sephira de Kether, mas no nosso mundo ocidental sendo conhecida pela nomenclatura dada pelo Pseudo Dionioso o Areopagita em sua Teologia Mística de Serafins. Metatron é o anjo mais misterioso e enigmático de todos, ninguém sabe ao certo quem Ele é e nem a etimologia do seu nome, até mesmo o modo de escrever seu nome. Mas uma coisa é certa Metatron é o Ser que mais se iguala a manifestação da Divindade no Plano Espiritual.

Dentro dos significados de seu nome podemos encontrar, O Príncipe do Mundo, Rei dos Anjos, Anjo da Morte, entre outros, porém um dos mais prováveis seria uma corrupção grega do hebreu (meta ton thronón) “Mais próximo do Trono”. Pela Gematria Metatron é comparado a YHVH, pois a correspondência de seu nome é 314 como o nome Divino Shaday. E assim sendo ele tem um nome como do seu Senhor.

Na leitura Talmúdica feita por Karaíta Kirkisani, Metatron é chamado de YHVH menor. Também no Talmude há um incidente com Elisha ben Abuya, conhecido também como Aher (O Outro), qual se dizia ter entrado no Paraíso e visto sentado no trono Metatron, em uma posição que se permitiria apenas ao próprio YHVH. Os Rabinos então explicam que ele tem a permissão de sentar lá por que ele é o escriba celestial, e cabe ao mesmo escrever todos os fatos de Israel.

O Zohar (O Livro do Esplendor) identifica Metatron como ‘O Jovem’ , e o identifica como o anjo que guiou o povo de Israel no deserto, e o descreve como um sacerdote celestial. Existem varias menções de Metatron também nos Apócrifos.

Ele simplesmente é o preferidoe o primeiro emanado de YHVH, e a sustentação da existência do mundo, ele é o que mais tem e distribui a “our” a Luz. O verdadeiro portador da luz, o verdadeiro Lúcifer, mas que nunca caiu como diz a tola lenda cristã. O verdadeiro Demiurgo, afinal ele é o pequeno Senhor, criador do Mundo. Ele é quem nos empoem em principal os testes para provar nosso interior e nossas virtudes e mantém as Leis Karmicas, e muitos tem o karma como algo ruim assim transformando Metatron naquela figura luciferica e sombria. Inclusive muitas ordens tem erroniamente o ‘Ser’ Lúcifer como Demiurgo, pseudo entidade que não passa de um erro da tradução da bíblia no século VII, se tornando apenas uma alegoria da Luz Astral. E o mais sombrio príncipe das trevas, e ‘rival de Deus’ tem seu trono não no inferno, mas no coração dos Homens, e atravez deste cria egregoras de demónios, do próprio Diabo e Lúcifer, e mais infinitas criações mentais sombrias, que só a Verdade e Força de YHVH e Metatron pode reduzir a nada.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-anjo-metatron

A chave para a Qabbalah Inglesa

Aleister Crowley não escreveu o Livro da Lei – ele foi o escriba sob a direção da inteligência ‘praeter-human’ Aiwass. Que a qabbalah numérica que foi revelada nos artigos anteriores não poderiam ter sido inventadas por qualquer inteligência humana, evidencia-se por si só; contudo, aqueles que duvidam precisam de uma prova que é irrefutável para agir em suas almas escuras.

O Livro da Lei fornece uma prova tão estonteante, tão clara, tão devastadoramente simples que ninguém pode negar que é verdade. Uma chave foi deixada por Crowley, sob a direção de Aiwass, para que “tu obtivesse a ordem e o valor do Alfabeto Inglês” (I.55)

A instrução está no capítulo 3 v. 47 “This book shall be translated into all tongues but always with the original in the writing of the beast; for in the chance shape of the letters and their position to one another; in these are mysteries no beast shall divine.” A imagem que consta na folha deste verso é um facsimile do Livro da Lei – Folha 16 do Capítulo 3 do caderno de notas de Crowley, no qual ele recebeu o Liber Al. O restante do verso 47 é escrito sobre uma grade padrão com uma linha oblíqua desenhada sobre ela e um símbolo rosa cruz (um círculo com uma cruz dentro), perto do fim da linha.

O segredo desta página nunca fora revelado antes. Há letras escritas no topo da página, e parecia ser óbvio continuar com o alfabeto na maneira indicada, mas a pista está nos números na vertical, ao lado. A está escrito ao invés de 1, o que sugere que B é 2, C 3, e assim por diante. Preencha todos os espaços na grade, desta maneira, repetindo o alfabeto quando chegar no Z. Para continuar até o próximo passo, a instrução está escrita na página, pois aqueles que têm olhos vejam “então esta linha desenhada é uma chave”.

A linha desenhada é uma linha diagonal, cortando a página. Se alguma pessoa ler em qualquer diagonal nestes quadrados, ela irá encontrar a ordem do Alfabeto Ingles a ser usado na Qabbalah Inglesa. Qualquer diagonal que for lida, a ordem das letras é obtida (fig 3). Há apenas uma ordem em que todas as letras nesta ordem de 1 – 26 e assim temos o Alfabeto Qabbalistico Inglês. Assim: A L W H S D O Z K V G R C 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 N Y J U F Q B M X I T E P 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26

A Ordem e Valor do Alfabeto Inglês

Um outro método de se obter a Qabbalah Inglesa usando a chave de 11 foi explicado no Volume 5, número 1. Até mesmo nesta página, há uma referência a isso… “então esta linha desenhada é uma chave… e ABRAHADABRA”. Abrahadabra é uma palavra com 11 letras, enfatizando a natureza do número 11 da chave. Há um outro mistério. Estude o próximo texto desta página – a frase “whence I say not” (quando eu disser não), ocorre em relação à descoberta da chave.

A mente inconsciente ignora o conceito de ‘not’ pois ela não pode ater qualidades negativas. Este fator é bem conhecido pelos propagandistas (tome cuidado!) e reportagens do tipo: “Mr. Brown Não é um homossexual”. Uma vez que o conceito foi estabelecido, mesmo com uma negativa, a positiva é o que resta.

A linha desenhada e o símbolo rosa cruz portam uma semelhança muito grande à área onde a chave foi revelada. A linha desenhada está na realidade em uma onda permanente, o círculo quadrdo está em uma área chamada “Rosy Cross”. Ninguém sabe porque esta área é chamada RosyCross, pois nada existe lá para justificar o nome.

A localização da descoberta da chave está na posição “whence” [quando] no manuscrito! Então esta página do Liber Al não só diz que há uma chave escondida, como a revela, mas também mostra onde será descoberta. Esta prova é irrefutável, está lá, preto no branco para que todos vejam.

Os deuses que prepararam o Livro da Lei dirigiram a sua formação na Língua Inglesa, e deixaram uma chave para seu significado oculto, aqui, agora entre todos nós.

Do what thou wilt shall be the whole of the Law.
Love is the law, love under will.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-chave-para-a-qabbalah-inglesa/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-chave-para-a-qabbalah-inglesa/