Fantasmas no Cinema

O ILUMINADO [The Shining ─ EUA, 1980]
Um homem é contratado como zelador de um hotel em baixa temporada e, isolado com sua mulher e filho, gradualmente enlouquece enquanto forças sobrenaturais começam a persegui-lo.
Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Diane Johnson e Stanley Kubrick, baseado em livro de Stephen King

POLTERGEIST – O FENÔMENO (Poltergeist ─ EUA, 1982)
Em Poltergeist, uma família é visitada por fantasmas em sua casa, que inicialmente se manifestam apenas movendo objetos. Com o tempo, aterrorizam cada vez, até que capturam a caçula, levando-a para outra dimensão, através do tubo de imagem do televisor. Os pais se desesperam e uma especialista em fenômenos paranormais sugere a ajuda de uma mulher com poderes mediúnicos. Dominique Dunne, que interpretou a jovem adolescente Dana Freeling em Poltergeist, morreu no mesmo ano do lançamento do filme, asfixiada pelo seu namorado. Poltergeist – O Fenômeno gerou ainda duas seqüências, chamadas Poltergeist II – O Outro Lado (1986) e Poltergeist III – O Capítulo Final (1988).
Diretor: Tobe Hooper
Elenco: Craig T. Nelson, JoBeth Williams, Beatrice Straight, Dominique Dunne.
Roteiro: Steven Spielberg, Michael Grais e Mark Victor, baseado em história de Steven Spielberg

A HORA DO PESADELO (A Nightmare on Elm Street ─ EUA, 1984)
Quatro amigos começam a ter pesadelos recorrentes com uma criatura assustadora que usa uma luva com lâminas nos dedos. Quando um deles morre os outros acreditam a entidade é Freddy Kruger (Robert Englund). Eles têm pesadelos, nos quais se vêm sedo assassinados e começam a morrer na vida real. Daí por diante, eles têm que ficar acordados e desvendar o segredo por trás de Freddy Kreuger e de sua matança. O filme fez muito sucesso e teve várias seqüências tornando Freddy Kreuger um dos vilões mais conhecidos do cinema. O diretor, Wes Craven, seguiu dirigindo e produzindo outros filmes de terror adolescente, como a série Pânico. Filme de estréia de Johnny Depp.
Diretor: Wes Craven
Elenco: John Saxon, Ronee Blakley, Heather Langenkamp, Robert Englund, Amanda Wyss, Johnny Depp, Nick Corri.
Roteiro: Wes Craven

OS CAÇA-FANTASMAS (Ghostbusters ─ EUA, 1984)
Comédia. Quatro parapsicólogos que estudam fantasmas vêem suas pesquisas canceladas e resolvem abrir uma agência para combater assombrações. Armados com parafernálias, eles saem às ruas de Nova York em busca dos fantasmas que aterrorizam a cidade. Mas as coisas ganham novas proporções quando encontram um portal para outra dimensão, onde está uma terrível força maligna que ameaça tomar conta do mundo.
Diretor: Ivan Reitman
Elenco: Bill Murray, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver, Harold Ramis, Rick Moranis.
Roteiro: Dan Aykroyd, Harold Ramis e Peter Torokvei

GHOST [EUA, 1990]
Sam Wheat (Patrick Swayze) e Molly Jensen (Demi Moore) formam um casal apaixonado que tem suas vidas destruídas: ao voltarem de uma apresentação de “Hamlet” são atacados e Sam é morto. Porém seu espírito não vai para o outro plano e decide ajudar Molly, pois ela corre o risco de ser morta. Para poder se comunicar com Molly ele utiliza Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma médium trambiqueira que acaba se descobrindo verdadeira paranormal.
Diretor: Jerry Zucker
Elenco: Patrick Swayze, Demi Moore e Whoopi Goldberg
Roteiro: Bruce Joel Rubin

OS ESPÍRITOS (The Frighteners ─ Nova Zelândia/EUA, 1996)
Na pacata cidadezinha de Fairwater, a população está diminuindo misteriosamente, os médicos estão desesperados e o medo está crescendo. Chega, então, Frank Bannister, um psicólogo diferente, que junta seus amigos fantasmas para assombrar as pessoas até que eles consigam exorcizá-las. Logo as autoridades começam a suspeitar do envolvimento de Frank nas mortes e somente ele sabe da verdade. Frank morre, ressuscita, morre novamente, volta a vida e estabelece um vínculo entre a “figura da Morte” e um assassino em série que foi parar na cadeira elétrica há 40 anos.
Diretor: Peter Jackson
Elenco: Michael J. Fox, Trini Alvarado, Peter Dobson, John Astin, Jeffrey Combs, Dee Wallace-Stone, Jake Busey, Chi McBride, Jim Fyfe, Troy Evans, Julianna McCarthy, R. Lee Ermey, Elizabeth Hawthorne, Angela Bloomfield, Bannister, Desmond Kelly.
Roteiro: Peter Jackson, Frances Walsh.

O SEXTO SENTIDO [The Sixth Sense ─ EUA, 1999]
Cole Sear (Haley Joel Osment), um menino de 8 anos, é assombrado por um segredo: ele vê fantasmas. Confuso com seus poderes paranormais, Cole é muito jovem para entender sua missão e muito assustado para contar a qualquer pessoa sobre suas angústias. O psiquiatra infantil Dr. Malcolm Crowe (Bruce Willis) tenta descobrir a causa do comportamento introvertido e assustado do garoto, sem saber de seu dom sobrenatural.
Elenco: Bruce Willis, Haley Joel Osment, Toni Collette, Olivia Williams
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA (Sleepy Hollow ─ EUA, 1999)
Um conto de Washington Irving sobre a aventura de Ichabod Crane e o Cavaleiro Sem Cabeça. Dirigido por Tim Burton com seu estilo característico, Ichabod (Johnny Depp) é um detetive nova-iorquino enviado à distante cidade de Sleepy Hollow para desvendar uma série de assassinatos que tinham um detalhe em comum: todas as vítimas encontradas estavam sem cabeça. Toda a cidade acusava o temido Cavaleiro Sem Cabeça, lenda local que o jovem detetive considerava mera crendice popular. Durante a história, Ichabod começa a mudar de opinião.
Diretor: Tim Burton
Elenco: Johnny Depp, Christina Ricci, Miranda Richardson, Michael Gambon, Casper Van Dien.
Roteiro: Andrew Kevin Walker
Fotografia: Emmanuel Lubezki

OS OUTROS (The Others/Los Otros ─ Espanha/EUA/França, 2001)
Nicole Kidman está no papel de Grace, uma mulher que nos anos 40 mora com seus filhos em um isolado casarão na costa inglesa enquanto seu marido está na guerra. As crianças sofrem de uma rara doença, em razão da qual não podem receber diretamente a luz do dia, vivendo isoladas. Três novos empregados, contratados para substituir os anteriores, que desapareceram misteriosamente, precisam aprender regras importantes: a casa tem de estar sempre na penumbra, nunca se deve abrir uma porta antes de fechar a anterior. Mas estas regras são quebradas ao mesmo tempo em que eventos assustadores e sobrenaturais começam a acontecer. Inicialmente, Grace mostra-se relutante em acreditar nas visões assustadoras narradas pela filha, mas logo começa também a sentir a presença de intrusos em sua casa. Para descobrir a verdade, Grace deve deixar todos seus medos e crenças de lado e entrar no mundo intangível do sobrenatural.
Diretor: Alejandro Amenábar
Elenco: Nicole Kidman, Christopher Eccleston, Fionnula Flanagan, Elaine Cassidy, Eric Sykes, Alakina Mann, James Bentley, Rene Ascherson.
Roteiro: Alejandro Amenábar

OS 13 FANTASMAS (Thirthen Ghosts/13 Ghosts ─ EUA, 2001)
Remake do filme de 1960. Arthur Kriticos (Tony Shalhoub) e seus filhos, Kathy (Shannon Elizabeth) e Bobby (Alec Roberts) perderam tudo em um incêndio. Inesperadamente, eles herdam a velha mansão do excêntrico e misterioso Tio Cyrus (F. Murray Abraham) e se mudam para lá. Embora arquitetonicamente bonita, a casa é bastante estranha, com paredes que parecem mudar de lugar e fantasmas assustadores e perigosos transitando por ali. Em pouco tempo, eles percebem que a nova residência é, na verdade, uma charada. A busca por sua resposta pode significar a salvação ou a destruição.
Diretor: Steve Beck
Elenco: F. Murray Abraham, Tony Shalhoub, Shannon Elizabeth, Kathryn Anderson, J.R. Bourne, Embeth Davidtz, Rah Digga, Matthew Lillard, Alec Roberts.
Roteiro: Neal Marshall Stevens, Steve Beck, Todd Alcott, James Gunn, Rich d’Ovidio

DARK WATER – ÁGUA NEGRA (Honogurai mizu no soko kara/Dark Water Japão ─ 2002)
Recém-divorciada, Yoshimi (Hitomi Kuroki) muda-se para um apartamento antigo com sua filha de seis anos, Ikuko (Rio Kanno). O lugar parece ser perfeito para as duas, apesar de ser um prédio antigo. Os problemas começam quando uma goteira insuportável invade o apartamento. Ela pede a ajuda do agente imobiliário e do síndico, mas nenhum dos dois parece competente o suficiente para consertar seus problemas. Quando ela descobre que o apartamento de cima, aparentemente vazio, está inundado, ela e a filha são envolvidas em uma trama sobrenatural.
Diretor: Hideo Nakata
Elenco: Hitomi Kuroki, Rio Kanno, Mirei Oguchi. Asami Mizukawa, Fumiyo Kohinata, Yu Tokui, Isao Yatsu, Shigemitsu Ogi.
Roteiro: Hideo Nakata, Takashige Ichise, baseado em romance de Kôji Suzuki.

O CHAMADO (The Ring ─ EUA, 2002)
Rachel Keller (Naomi Watts) é uma jornalista que resolve investigar a morte misteriosa de quatro adolescentes. Com o tempo, descobre que os assassinatos aconteceram após as pessoas assistirem a um determinado vídeo. Cada em que assiste à fita recebe um telefonema avisando que viverá apenas mais sete dias; depois vê algumas alucinações e recebe uma espécie de chamado, fazendo com que ele morra sem que haja qualquer motivo aparente. Decidida a decifrar esse enigma, Rachel assiste ao vídeo e agora terá apenas uma semana para descobrir a razão das mortes. Refilmagem do cult japonês Ringu.
Diretor: Gore Verbinski
Elenco: Naomi Watts, Martin Henderson, David Dorfman, Brian Cox, Jane Alexander, Lindsay Frost, Amber Tamblyn, Rachael Bella, Daveigh Chase, Shannon Cochran.
Roteiro: Ehren Kruger, Hiroshi Takahashi, baseado em texto de Kôji Suzuki

ROSE RED ─ A CASA ADORMECIDA (Rose Red ─ USA, 2002)
A professora de parapsicologia Joyce Reardon (Nancy Travis) forma um grupo de paranormais para desvendar os mistérios de Rose Red, uma casa mal-assombrada no centro de Seattle (EUA). Juntos, eles despertam estranhos poderes na casa e terão de enfrentar os espíritos que estavam adormecidos. A história foi baseada em fatos reais, na Califórnia. Porém o filme foi gravado em Seattle por causa das locações.O ator David Dukes morreu de ataque cardíaco, jogando tênis, durante as filmagens. Foi substituído por Craig Baxley Jr. com uma máscara de zumbi.
Diretor: Craig R. Baxley
Elenco: Nancy Travis, Matt Keeslar, Kimberly J. Brown, David Dukes, Judith Ivey, Melanie Lynskey, Matt Ross, Julian Sands, Kevin Tighe, Julia Campbell, Emily Deschanel, Laura Kenny, Tsidii Leloka, Yvonne Sciò, Jimmi Simpson, Robert Blanche, Bobby Preston.
Roteiro: Stephen King

NAVIO FANTASMA (Ghost Ship ─ EUA/Austrália, 2002)
A equipe de resgate Artic Warrior é comandada pelo capitão Sean Murphy (Gabriel Byrne) e constituída pelos melhores especialistas da área: a chefe de equipe Maureen Epps (Julianna Margulies), o contramestre Greer (Isaiah Washington) e os técnicos Dodge (Ron Eldard), Munder (Karl Urban) e Santos (Alex Dimitriades). Eles são capazes de localizar e consertar qualquer navio e levá-lo até a costa. Quando o piloto canadense Jack Ferriman (Desmond Harrington) os contrata para encontrar um navio perdido na costa do Alasca, a equipe encontra destroços do lendário barco italiano Antonia Graza, desaparecido há 40 anos. O problema é que agora o navio é habitado por um ser estranho e imortal, que colocará a vida de todos em risco.
Diretor: Steve Beck
Elenco: Gabriel Byrne, Julianna Margulies, Ron Eldard, Desmond Harrington, Isaiah Washington, Alex Dimitriades, Karl Urban, Emily Browning, Francesca Rettondini, Boris Brkic.
Roteiro: Mark Hanlon, John Pogue

THE EYE – A HERANÇA (The Eye/Jian Gui ─ Hong Kong/Reino Unido/Tailândia/Cingapura, 2002)
Este filme de terror asiático, inédito nos cinemas brasileiros, virou cult depois de ser exibido em festivais internacionais e caiu nas graças de Hollywood depois que Tom Cruise comprou os direitos para refilmagem. A produção conta a assustadora história de Mun (Angelica Lee), cega desde os dois anos. Aos 18, ela faz um transplante de córneas, mas começa a também enxergar coisas que as outras pessoas não conseguem ver. Assombrada por esses espíritos, ela conta com a ajuda de um psicanalista para descobrir a identidade do doador e, assim, esclarecer o caso.
Diretor: Oxide Pang Chun, Danny Pang
Elenco: Angelica Lee, Lawrence Chou, Chutcha Rujinanon, Yut Lai So, Candy Lo, Yin Ping Ko, Pierre Png.
Roteiro: Jo Jo Yuet-chun Hui, Oxide Pang, Danny Pang

MEDO (A Tale Of Two Sisters ─ Coréia, 2003)
Baseado numa lenda tradicional na Coréia, o terror conta a história de duas irmãs que, após passarem um bom tempo numa instituição mental, voltam ao lar, onde vivem com o pai e sua cruel madrasta. Lá, um espírito ajuda as irmãs a lidarem com os hábitos obsessivos e violentos da madrasta.
Diretor: Ji-woon Kim
Elenco: Kap-su Kim, Jung-ah Yum, Su-jeong Lim, Geun-yeong Mun, Seung-bi Lee.
Roteiro: Ji-woon Kim

O GRITO (The Grudge ─ EUA/Japão, 2004)
Karen (Sarah Michelle Gellar) é uma enfermeira norte-americana que vive em Tóquio. Ao entrar em uma casa, ela é exposta a uma maldição antiga e sobrenatural: a assombração de um espírito de uma pessoa que morreu durante um momento de extremo ódio, condenado a vagar até que outra vítima seja feita e contraia a mesma maldição. Agora cabe a Karen a tarefa de desvendar esse mistério.
Diretor: Takashi Shimizu
Elenco: Sarah Michelle Gellar, Jason Behr, Clea DuVall, William Mapother, Kadee Strickland, Bill Pullman.
Roteiro: Stephen Susco, Takashi Shimizu

ESPÍRITOS – A MORTE ESTÁ AO SEU LADO (Shutter ─ Tailândia, 2004)
Jovem fotógrafo Thun (Ananda Everingham) e sua namorada Jane (Natthaweeranuch Thongmee) descobrem misteriosas sombras em suas fotografias, tiradas do local de um acidente. Enquanto investigam o fenômeno, descobrem que os retratos contêm imagens sobrenaturais, assim como outras.
Diretor: Banjong Pisanthanakun, Parkpoom Wongpoom
Elenco: Ananda Everingham, Natthaweeranuch Thongmee, Achita Sikamana, Unnop Chanpaibool.
Roteiro: Banjong Pisanthanakun, Sopon Sukdapisit, Parkpoom Wongpoom

VOZES DO ALÉM (White Noise ─ Canadá, 2004)
O tema do filme está relacionado ao FVE (Fenômeno de Voz Eletrônica). Segundo a teoria, o ruído, estática de um rádio mal sintonizado permite ouvir vozes do além. Se o mesmo é feito em relação a uma TV fora do ar, faces podem aparecer. São as imagens e sons da morte. Neste filme, Michael Keaton é John Rivers, um homem que acredita ter sido contatado por sua mulher, morta em um acidente de carro. A partir daí, ele usa as técnicas no FVE para rever mais uma a esposa mas a situação foge de controle.
Diretor: Geoffrey Sax
Elenco: Michael Keaton, Deborah Unger, Ian McNeice, Chandra West, Colin Chapin, Anastasia Corbett, Mike Dopud.
Roteiro: Niall Johnson

ALMAS REENCARNADAS (Rinne ─ Japão, 2005)
Professor universitário inicia massacre num hotel turístico, matando 11 hóspedes e funcionários. Enquanto filma seus atos com uma câmera 8mm, ele esfaqueia uma vítima após a outra. Trinta e cinco anos depois, Matsumura (Kippei Shiina) é um diretor que vai transformar esse crime em filme. Intitulado Memory, ele convida a atriz Nagisa Sugiura (Yuuka) para interpretar a heroína de seu projeto. Mas, quando o início das filmagens se aproxima, Nagisa começa a ter alucinações e sonhos assustadores.
Diretor: Takashi Shimizu
Elenco: Yûka, Takako Fuji, Mantarô Koichi, Marika Matsumoto, Tomoko Mochizuki, Kippei Shiina.
Roteiro: Masaki Adachi, Takashi Shimizu

HORROR EM AMITYVILLE (The Amityville Horror ─ EUA, 2005)
George (Ryan Reynolds) e Kathy Lutz (Melissa George) mudam-se, com os três filhos, para uma antiga mansão na cidade de Amityville (Long Island). A casa, que parecia ser a dos sonhos para esse jovem casal, acaba sendo um pesadelo. Um ano antes, Ronald DeFeo matou seus pais e os quatro irmãos com uma arma, enquanto eles dormiam. Apenas 28 dias depois da mudança, a família Lutz começa a ser aterrorizada por uma força demoníaca presente na casa. Baseado em fatos verídicos, refilmagem de clássico do terror de 1979.
Diretor: Andrew Douglas
Elenco: Ryan Reynolds, Melissa George, Jimmy Bennett, Philip Baker Hall, Jesse James, Chloe Moretz, Jason Padgett.
Roteiro: Scott Kosar, Sheldon Turner

1408 (1408 ─ EUA, 2007)
Mike Enslin (John Cusack) é escritor cético e famoso por suas obras sobre paranormalidade, as quais começou a escrever após a morte da filha. Para terminar seu livro Dez Noites em Quartos de Hotéis Mal-Assombrados, hospeda-se no hotel Dolphin e passa uma noite no quarto 1408. Mesmo com os avisos do gerente Gerald Olin (Samuel L. Jackson) sobre a morte de quase 60 pessoas naquele quarto, ele decide enfrentar os medos e encarar o desafio.
Diretor: Mikael Håfström
Elenco: John Cusack, Samuel L. Jackson, Mary McCormack, Jasmine Jessica Anthony, Len Cariou, Ray Nicholas, Paul Kasey, Tony Shalhoub.
Roteiro: Matt Greenberg, Scott Alexander, Larry Karaszewski, Stephen King

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/fantasmas-no-cinema/

Cagliostro

1743 – 1795

O mistério envolve os homens que passam suas vidas a serviço da humanidade e mantêm-se extremamente dedicados somente aos seus superiores. Os padrões de julgamento social e a moralidade convencional não podem ser separados de seus caracteres. O mistério que envolve Alessandro, Count di Cagliostro, foi montado por boatos e calúnias sem fundamento a uma tal extensão que, “Sua história aceita é muito bem conhecida para precisar ser repetida, e sua verdadeira história nunca foi contada”. A pesquisa conscienciosa tem dissipado as nuvens dos boatos e da difamação o suficiente para revelar à análise imparcial uma vida nobre permeada com sabedoria e envolvida pela compaixão.

“Não posso”, testemunhou Cagliostro, “falar positivamente com relação ao lugar onde nasci, nem dos pais de quem nasci”. Seus inimigos diziam que ele era José Balsamo, um famoso aventureiro e criminoso da Sicília, mas suas palavras e atos negam essa identificação. Ninguém que reconhecesse Balsamo veio a público para estabelecer a relação. De acordo com o próprio Cagliostro, ele viveu como uma criança chamada Acharat no palácio do Mufti Salahayyam em Medina. Seu governador, um Adepto Oriental chamado Althotas, disse-lhe que ele nascera de nobres pais cristãos, porém se recusou a falar mais. Referências casuais, contudo, levaram Cagliostro a acreditar que ele nascera em Malta. Althotas tratava-o como um filho e cultivava sua aptidão para as ciências, especialmente botânica e química. Cagliostro aprendeu a respeitar a religião e a lei em cada cultura e região. “Ambos nos vestimos como Maometanos e estamos externamente de acordo com a devoção do Islam, mas a verdadeira religião foi impressa em nossos corações”. Quando criança, aprendeu os idiomas árabe e orientais e também muito sobre o Egito antigo.

Aos doze anos, Althotas levou-o a Mecca, onde permaneceram por três anos. Quando Acharat encontrou o Sharif, ambos imediatamente sentiram uma forte ligação e choraram na presença um do outro. Embora passassem muito tempo juntos, o Sharif recusou-se a discutir a origem de Acharat, embora uma vez o tivesse avisado de que “se algum dia eu deixasse Mecca, estaria ameaçado com as maiores infelicidades, e acima de tudo ordenou-me cautela com a cidade de Trebizond”. A uniformidade da vida no palácio falhou em saciar a sede por conhecimento e experiência de Acharat e a tempo ele decidiu ir para o Egito com Althotas. Na hora da partida, o Sharif despediu-se dele chorando, com as palavras, “Filho infeliz da natureza, adeus”.

No Egito, ele aprendeu que as pirâmides continham segredos desconhecidos pelo turista. Foi admitido pelos sacerdotes do templo “a lugares tais, que nenhum outro viajante comum jamais havia entrado antes”. Após três anos de viagem “pelos principais reinos da África e da Ásia”, ele chegou a Rhodes em 1766, onde pegou um navio francês para Malta. Enquanto estava hospedado no palácio de Pinto, Grão Mestre de Malta, o Cavalheiro d’Aquino de Caramanica apresentou-o à ilha. “Foi aqui que eu pela primeira vez assumi o modo de vestir Europeu e com ele o nome de Conde Cagliostro”. Althotas apareceu com a roupa e a insígnia da Ordem de Malta.

“Tenho todas as razões para acreditar que o Grão Mestre Pinto estava familiarizado com minha verdadeira origem. Freqüentemente me falava do Sharif e mencionava a cidade de Trebizond, porém jamais consentiria em entrar em outros detalhes particulares sobre o assunto.” Com base nesta referência, alguém especulou que Cagliostro era o filho do Grão Mestre Pinto e uma nobre senhora de Trebizond, mas Cagliostro, ele mesmo, jamais expressou esta opinião. Enquanto ainda em Malta, Althotas faleceu. Minutos antes de sua passagem, ele declarou a Cagliostro: “Meu filho, conserve para sempre diante de seus olhos o temor a Deus e o amor de suas pequenas criaturas; logo você estará convencido, pela experiência, de tudo aquilo que tenho lhe ensinado”.

Com a permissão relutante do Grão Mestre, Cagliostro deixou Malta na companhia do Cavalheiro d’Aquino para a Sicília, as Ilhas Gregas, e finalmente, Nápoles, o lugar natal do Cavalheiro. Enquanto o Cavalheiro se ocupava com assuntos pessoais, Cagliostro prosseguiu para Roma. Retirou-se para um apartamento para melhorar seu italiano, mas logo o cardeal Orsini solicitou sua presença e, através dele, conheceu vários cardeais e príncipes romanos.

Em 1770, com a idade de vinte e dois anos, ele conheceu e se apaixonou por Seraphina Feliciani. Embora ela fosse a dona do seu amor e devoção pelo resto de suas vidas, ela nunca foi capaz de totalmente romper com a Igreja e seria usada como “a ferramenta dos Jesuítas”. Aconteceu que a natureza de Cagliostro, boa ao extremo, e a total confiança que colocava em seus amigos foram a causa de seus desapontamentos. A generosidade de Cagliostro logo esgotou suas fontes e o casal foi desfeito quando viajavam para visitar amigos em Piemonte e Genova. Mas em julho de 1776, quando chegaram a Londres, estavam outra vez em boas situação, porém a causa de seu progresso fica, como sempre, perdida em mistério.

Eles se hospedaram e logo atraíram admiradores, ainda que ninguém tivesse certeza de onde se originavam, ou qual era seu itinerário recente. Um laboratório foi montado num aposento para estudos de Física e Química. A grande generosidade de Cagliostro levou um grupo de impostores gananciosos a tentar trapaceá-lo através de processos legais que exigiam dinheiro, acusando-o de praticar bruxaria. Esta última acusação foi retirada imediatamente, mas uma coalizão de advogados e juízes desonestos arrancaram-lhe cada centavo que puderam antes que o Conde ficasse livre de suas intrigas. Suas intenções ficaram evidentes pelo fato de que, finalmente, todos eles, de alguma forma, morreram na prisão ou foram executados por fraude, perjúrio e outros crimes. Cagliostro recusou a oportunidade de propor recursos reparatórios, mas decidiu deixar a Inglaterra.

Antes da partida, contudo, tanto ele como a condessa foram admitidos na Loja Esperança da ordem da Estrita Observância. Seu lema era “União, Silêncio, Virtude”, seu trabalho filantropia e seu estudo, ocultismo. Através desta Ordem, Cagliostro espalharia a Maçonaria Egípcia por toda a Europa. Deixando Londres em Novembro de 1777 com apenas cinqüenta guinéus, viajou para Bruxelas “onde encontrei a Providência esperando que enchesse meu bolso outra vez”. Esta é sempre a história de Cagliostro. Quando ele aparece na história, ele tem tudo, não pede nada e deixa tudo generosamente.

Veio para Hague, onde foi recebido como um Franco-maçom pela loja local da Ordem da Estrita Observância. Seu discurso sobre Maçonaria Egípcia, a mãe do puro impulso Maçônico, motivou a Loja a adotar o Rito Egípcio tanto para homens como para mulheres. A Condessa Cagliostro foi instalada como Grã-Mestra. Aqui emergiu a missão de Cagliostro de purificar, restaurar e elevar a Maçonaria ao nível de verdadeiro ocultismo. Esta tarefa comanda o centro das atenções pelo do resto de sua vida. Como suas numerosas profecias sobre grandes e pequenos assuntos indicavam, ele tinha uma visão clara da iminente arrancada da ordem social, política e religiosa da Europa. Ele antevia que somente nas Lojas unificadas os servidores dos homens sábios do Oriente poderiam, poderiam atuar junto tanto os nobres e os homens comuns em mútua lealdade aos mais altos ideais e guiar a Europa através da transição em direção a uma era iluminada.

Ao passar por Nuremberg, ele trocou sinais secretos com um Franco-Maçom, hospedando-se no mesmo hotel. Quando indagado quem era, Cagliostro desenhou num papel a serpente mordendo sua cauda. O hóspede, imediatamente, reconheceu um grande ser numa missão importante e, tirando um rico anel de diamante de sua mão, investiu-o em Cagliostro. Quando ele chegou a Leipzig, a Ordem estava preparada para homenageá-lo com um lauto banquete preparado para um dignitário visitante, mas havia chegado a época de ser colocada a Maçonaria Egípcia em sua verdadeira perspectiva. Após o jantar, Cagliostro fez um discurso sobre o sistema e seu significado. Ele convocou os Maçons reunidos para adotarem o Rito, porém a direção da Loja hesitou. Cagliostro avisou que o momento da escolha para Maçonaria havia chegado e profetizou que a vida do chefe – Herr Scieffort – estava na balança: se a Maçonaria Egípcia não fosse abraçada, Scieffort não sobreviveria durante aquele mês. Scieffort recusou a aceitar modificações em sua Loja, e cometeu suicídio poucos dias depois. Abalados e intrigados, os membros da Loja aclamaram Cagliostro, e seu nome foi ouvido pela cidade. Enquanto ele continuava a viagem, as Lojas da Ordem da Estrita Observância calorosamente lhe davam boas vindas.

Seguiu para Mittau, capital de Duchy de Courland e centro de estudos ocultos, ali chegando em março de 1791. Cagliostro explicou o significado da Maçonaria Egípcia em termos de regeneração moral da humanidade. Embora o homem tenha conhecido a natureza da deidade e o mundo, os profetas, apóstolos e padres da Igreja apropriaram-se deste conhecimento para seus próprios fins. A Maçonaria Egípcia continha as verdades que poderiam restaurar este conhecimento numa humanidade renovada. O Marechal Von Medem e sua família convidaram Cagliostro para ficar em Courland e apresentaram-no às pessoas de influência. O longo interesse de Von Medem pela alquimia logo se voltou para outros fenômenos, e ele pediu insistentemente a Cagliostro que demonstrasse os poderes que, segundo boatos, ele possuía. A princípio relutante, ele finalmente produziu uma quantidade de fenômenos, além suas curas medicinais universalmente aclamadas.

Cagliostro agora deixou que soubessem que ele era o Grande Cophta da Loja, um sucessor na linhagem de Enoch, e que ele, obedientemente, recebia ordens de “seus chefes”. Infelizmente, a vontade de apoiar a Maçonaria Egípcia alimentava-se da insaciável fome por mais fenômenos. Cagliostro mostrou seus poderes em numerosas ocasiões, mas recusava-se a ser empurrado para um mercado atacadista de milagres. E pela primeira vez ele se viu chamado de impostor, quando não atendia aos pedidos. “O espiritismo nas mãos de um Adepto se torna magia”, H.P.Blavatsky escreveu, “pois ele é versado na arte de entremesclar as leis do Universo, sem quebrar nenhuma delas e sem por isso violar a natureza”. Ela disse que homens tais como Mesmer e Cagliostro “controlam os Espíritos, em vez de permitir que seus assuntos sejam controlados por eles; e o Espiritismo está a salvo nas suas mãos”. Mas, Cagliostro explicou, tais poderes eram para serem usados para o bem do mundo e não para a gratificação da curiosidade ociosa.

Ele decidiu ir para São Petersburg, onde foi aceito na Loja e inúmeras curas foram testemunhadas, mas não receberam com calor a idéia da Maçonaria Egípcia. Recusando-se a produzir os fenômenos, pensaram que era um curador, não um mago. Varsóvia respondeu melhor, contudo. Lá ele encontrou o Conde Moczinski e o Príncipe Adam Poninski, que insistiu com Cagliostro para ficar em sua casa. Ele aceitou a Maçonaria Egípcia e uma grande parte da sociedade polonesa o seguiu. Dentro de um mês, uma Loja para o Rito Egípcio foi fundada. Em 1780 ele foi recebido em várias ocasiões pelo Rei Stanislaw Augustus. Descreveu o passado e predisse o futuro de uma senhora da Corte que duvidou de seus poderes. Ela, imediatamente, atestou o passado, enquanto a história provou a verdade no futuro.

Cagliostro deixou Varsóvia em 26 de junho e não foi visto até 19 de setembro, quando chegou a Strasburgo. Multidões aguardavam na Ponte de Keehl para ver sua carruagem e ele foi aclamado quando entrou na cidade. Imediatamente, começou a atender aos pobres, libertando devedores da prisão, curando os doentes e fornecendo remédios gratuitamente. Tanto os amigos quanto os inimigos concordavam que Cagliostro se recusava a receber qualquer remuneração ou benefício por seus incansáveis trabalhos. Embora a nobreza se tornasse interessada, ele se recusava a produzir fenômenos, salvo em seus próprios e estritos termos. Logo ficou íntimo do Cardeal de Rohan, para quem ele previu a hora exata da morte da Imperatriz Maria Theresa. O cardeal convidou-o a se hospedar em seu palácio e mais tarde declarou que ele havia testemunhado em várias ocasiões Cagliostro produzir ouro num vaso alquímico. “Posso dizer-lhe com certeza”, ele insistiu com uma senhora que duvidava da habilidade de Cagliostro, “que ele nunca pediu ou recebeu qualquer coisa de mim”.

O General Laborde escreveu que nos três anos que Cagliostro viveu em Strasburgo ele atendeu quinze mil pessoas doentes, das quais apenas três morreram. Sua reputação foi confirmada quando ele salvou o Marquês de Lasalle, Comandante de Strasburgo, de um caso desesperador de gangrena. Durante este período, o primo do Cardeal, Príncipe de Soubise, adoeceu em Paris. Os médicos não lhe deram nenhuma esperança de cura e o Cardeal, alarmado, suplicou a ajuda de Cagliostro. Este viajou incógnito a Paris com o Cardeal, e o Príncipe recuperou a saúde em uma semana. Somente após a cura foi sua identidade anunciada, para espanto da faculdade de medicina parisiense.

Quando estava em Strasburgo, Cagliostro recebeu a visita de Lavater, o fisiognomonista de Zurique, que indagou acerca da fonte do grande conhecimento de Cagliostro. “In verbis, in herbis, in lapidibus”, ele respondeu, sugerindo três grandes tratados de Paracelso. Foi naquela época que Cagliostro foi tocado pela condição de pobreza de um homem chamado Sacchi e empregou-o em seu hospital. No espaço de uma semana, Cagliostro descobriu que o homem era um espião de alguns médicos invejosos e havia extorquido dinheiro de seus pacientes a fim de torná-lo desacreditado. Posto para fora do hospital, Sacchi ameaçou a vida de Cagliostro e foi imediatamente expulso de Strasburgo pelo Marquês de Lasalle. Sacchi inventou e publicou uma história difamatória na qual afirmava que Cagliostro era um filho criminoso de um cocheiro napolitano. Esse absurdo estava destinado a ser usado contra Cagliostro pelo resto de sua vida.

O Cardeal de Rohan, que havia instalado um busto de Cagliostro talhado pelo escultor Houdon em seu estúdio em Saverne, surgiu em sua defesa. Três cartas chegaram em março de 1783 da Corte de Versalhes, para o Real Baylor de Strasburgo. A primeira, do Conde de Vergennes, Ministro dos Negócios Estrangeiros, dizia: “O Sr. Di Cagliostro pede apenas por paz e segurança. A hospitalidade lhe assegura ambas. Conhecendo as inclinações naturais de V.S., estou convencido de que se apressará a cuidar para que desfrute de todos os benefícios e amenidades que ele pessoalmente merece”. A segunda veio do Marquês de Miromesnil, Guardador do Selo: “O Conde di Cagliostro tem estado comprometido ativamente no auxílio dos pobres e infelizes, e sou conhecedor de um fato notavelmente humanitário desempenhado por esse estrangeiro, que merece lhe seja garantida proteção especial”. A terceira, do Marechal de Segur, Ministro da Guerra, dizia: “O Rei encarrega V.S. que cuide não somente de que ele não seja atormentado em Strasburgo, como também que deva receber nessa cidade toda consideração totalmente merecida pelos serviços que tem prestado aos doentes e aos pobres”.

Em junho chegou uma carta de Nápoles, informando-lhe de que o Cavalheiro d’Aquino, seu companheiro em Malta, estava seriamente doente. Apressou-se a ir para Nápoles, apenas para encontrar o Cavalheiro morto. A Loja União Perfeita saudou-o com homenagens e ali ficou por vários meses, já que o governo napolitano tinha acabado de remover o banimento da Franco-Maçonaria. Bordeaux convidou-o a ir para lá, e ele decidiu assim fazer, viajando em lentas etapas.

O Conde de Saint-Martin já havia preparado terreno em Bordeaux e Lyons para instituir o Rito Retificado de Saint-Martin, que havia purificado e enobrecido a idéia da Maçonaria. O Duque de Crillon e Marechal de Mouchy pessoalmente lhe deram as boas vindas, mostrando-lhe a cidade e homenageando-o em banquetes. Os pobres afluíam até ele e eram curados. Em Bordeaux, Cagliostro teve um sonho no qual era levado a uma brilhante câmara, na qual sacerdotes egípcios e nobres Maçons estavam sentados. “Esta é a recompensa que você terá no futuro”, uma grande voz anunciou, “mas por enquanto você deve trabalhar ainda com mais diligência” Havia chegado o tempo de enraizar firmemente a Maçonaria Egípcia.

Alquier, Grão Mestre em Lyons, chefiou um grupo de delegações solicitando que ele se estabelecesse ali permanentemente. Aceito com toda a cerimônia dentro da Loja Lyons, foi convidado a fundar uma Loja para a Maçonaria Egípcia. Uma captação feita entre Maçons forneceu fundos para construírem um belo prédio, de acordo com as instruções de Cagliostro. Logo teve início a construção da Loja da Sabedoria Triunfante, a qual foi a Loja Mãe de todos os Maçons Egípcios, e a Cagliostro foi dado completo gerenciamento da Loja de Alquier.

Cagliostro instruiu seus novos discípulos a se retirarem em meditação por três horas diariamente, pois o conhecimento é adquirido pelo “preenchimento de nossos corações e mentes com a grandeza, a sabedoria e o poder da divindade, aproximando-nos dela através de nosso fervor”. Cada um deve cultivar a tolerância por todas as religiões, uma vez que existe a verdade universal em seus âmagos; segredo, porque é o poder da meditação e a chave da iniciação; e o respeito pela natureza, pois ela contém o mistério do divino. Com estas três diretrizes como base, o discípulo poderia esperar pela imortalidade espiritual e moral. A motivação que deverá estar sempre em mente é “Qui agnoscit mortem, cognoscit artem” – aquele que tem conhecimento sobre a morte, conhece a arte de dominá-la.

Tendo estabelecido a Maçonaria Egípcia sobre as firmes fundações erigidas por Saint-Martin, Cagliostro não estava destinado a testemunhar seu florescimento no grande templo para ela construído. O Cardeal de Rohan insistiu com veemência que ele viesse a Paris. A Ordem dos Philaléthes tinha organizado a Convenção Geral da Maçonaria Universal. Maçons proeminentes de todas as Lojas da Europa tinham vindo para a primeira assembléia realizada em novembro de 1784. Mesmer e Saint-Martin foram convidados. Agora era a chance para a bênção final do Rito Egípcio – “onde A Sabedoria triunfará” – fosse confirmada. Cagliostro decidiu ir em janeiro de 1785. Deixando os negócios da Loja em ordem, ele escolheu os oficiais permanentes e lembrou-lhes de seus compromissos.

“Nós, os Grandes Cophtas, fundadores e Grão Mestres da Suprema Maçonaria Egípcia em todas as quadrantes orientais e ocidentais do globo, damos ciência a todos aqueles que verão o que está aqui presente,que em nossa estada em Lyons muitos membros deste Oriente que seguem o rito ordinário, e que carregam o título de “Sabedoria”, tendo manifestado a nós seu ardente desejo de se submeterem ao nosso governo e de receberem de nós a iluminação e os poderes necessários para conhecerem e propagarem a Maçonaria em sua verdadeira forma e pureza original, atendemos aos seus pedidos, persuadidos de que, aos lhes fornecermos sinais de nossa boa vontade, conheceremos a grata satisfação de termos trabalhado para a glória do Eterno e para o bem da humanidade. Em aditamento, instruímos cada um dos irmãos que andem constantemente no estreito caminho da virtude e que mostre, pela propriedade desta conduta, que conhecem e amam os preceitos e o propósito de nossa Ordem.”

Quando Cagliostro chegou a Paris, tentou viver uma vida retirada, de modo a trabalhar pela união das Ordens Maçônicas. Mas os doentes irromperam em sua casa e ele outra vez passou longas horas curando-os. Panfletos surgiram por toda Europa com um retrato do divino Cagliostro, desenhado por Bartolozzi, sob o qual se escreveram as seguintes palavras: “Reconheçam as marcas do amigo da humanidade. Cada dia é marcado por novo benefício. Ele prolonga a vida e socorre o indigente, o prazer de ser útil é sua única recompensa.”

Cagliostro veio para auxiliar o progresso da Maçonaria Egípcia. Rapidamente fundou duas Lojas. Savalette de Langes convidou-o a se unir à Philaléthes, junto com Saint-Martin. Este último recusou, com base em que a Ordem seguia práticas espíritas, porém Cagliostro aceitou provisoriamente, e declarou sua missão:

“O desconhecido Grão Mestre da verdadeira Maçonaria lançou seus olhos sobre os Philalétheanos… Tocado pelo sincero reconhecimento de seus desejos, ele se digna estender sua mão sobre eles, e consente em conceder-lhes um raio de luz dentro da escuridão de seu templo. É o desejo do Desconhecido Grão Mestre provar a eles a existência de um Deus – a base de sua fé; a dignidade original do homem, seus poderes e destino… É por atos e fatos, pelo testemunho dos sentidos, que eles conhecerão DEUS, O HOMEM e as coisas espirituais intermediárias (princípios) existentes entre eles: dos quais a verdadeira Maçonaria dá os símbolos e indica o verdadeiro caminho. Que eles, os Philaléthes abracem as doutrinas desta verdadeira Maçonaria, submetam-se às normas de seu chefes, e adotem sua constituição. Mas, acima de tudo, que o Santuário seja purificado; saibam os Philaléthes que a luz pode apenas descer dentro do Templo da Fé (baseada no conhecimento), não dentro daquele do Ceticismo. Que se dediquem às chamas as vaidades acumuladas em seus arquivos; pois é apenas sobre as ruínas da Torre da Confusão que o Templo da Verdade pode ser erigido.”

Após infrutíferas negociações, ele enviou a seguinte mensagem: “Saibam que não estamos trabalhando para um homem, porém para toda a humanidade. Saibam que desejamos destruir o erro – não somente um simples erro, porém todos os erros. Saibam que esta política é dirigida não contra exemplos isolados de perfídia, porém contra todo um arsenal de mentiras.”

Finalmente, após ter ficado claro que a grande Convenção não chegaria a nenhum acordo, ele enviou a última e triste carta: “Já que vocês não têm fé nas promessas do Deus Eterno ou de Seu ministro na terra, eu os abandono a vocês mesmos, e lhes digo esta verdade: não é mais minha missão ensinar-lhes. Infelizes Philaléthes, vocês semearam em vão; vocês colherão apenas ervas daninhas”. Assim, foi perdida a maior possibilidade de lançar as fundações da Fraternidade Universal à época de Cagliostro.

O restante da vida de Cagliostro é trágico. O cardeal de Rohan desejou obter um lugar na corte, porém Maria Antonieta não gostava dele. Madame de Lamotte, desconhecida da Rainha, viu uma chance para um grande ganho pessoal na frustração do Cardeal. Fazendo-se de confidente da Rainha, ela forjou cartas de Maria Antonieta para de Rohan e fingiu que levava respostas de volta a Versalhes. Finalmente ela induziu o Cardeal a comprar um ostentoso colar no valor de um milhão e seiscentos mil livres para a Rainha, colocando o valor em sua conta. Quando a primeira prestação venceu, a Rainha, que não sabia nada do negócio, não pagou e de Rohan foi forçado a honrá-lo. A batalha que se seguiu na Corte viu Madame de Lamotte defendendo-se e acusando a Rainha de trapaça e Cagliostro de roubar o colar que ela mesma havia quebrado e vendido.

A Rainha ficou furiosa, e todas as partes envolvidas no caso foram encarceradas na Bastilha. Embora Cagliostro fosse completamente inocente, tanto ele como Seraphina passaram seis meses na prisão. O caso alcançou tão horríveis proporções que a velha e abusiva denúncia de Sacchi veio a público e lida contra Cagliostro, mas o Parlamento de Paris ordenou sua supressão por ser “injuriosa e caluniadora”. Finalmente Cagliostro foi declarado inocente e libertado diante de dez mil parisienses que esperavam por ele. O “Caso do Colar de Diamantes” é em geral admitido como sendo o prólogo da Revolução [francesa]. Maria Antonieta considerou a libertação de Cagliostro e do Cardeal como um ataque à sua reputação. O Rei ordenou que Cagliostro deixasse a França e afastou o Cardeal de suas atribuições.

Cagliostro viajou para a Inglaterra, porém seus inimigos, agora completamente cientes da total natureza de sua missão, viram a chance de destruí-lo. Mal havia chegado à Inglaterra quando o famoso editor do vicioso Correio da Europa o atacou. Cagliostro alojou Seraphina com o artista de Loutherbourg e viajou para a Suíça em 1787. Seraphina juntou-se a ele na companhia de Loutherbourg imediatamente depois. A Maçonaria Egípcia era praticada por pequenos grupos em Bale e Bienne, mas não puderam apoiar o casal Cagliostro. Já que seus próprios poderes somente poderiam ser usados para os outros e não para si mesmo, e agora que os outros o rechaçavam, ele era forçado a viajar sem repouso.

Por volta de 1789 ele chegou a Roma para encontrar-se em segredo com Franco-Maçons da Loja Verdadeiros Amigos. A Igreja, porém, totalmente ciente da ameaça espiritual que Cagliostro apresentava para ela, enviou dois Jesuítas fazendo-se de convertidos para a Maçonaria Egípcia. Na ocasião em que eram admitidos à Ordem, eles convocaram a policia papal, e o casal os Cagliostro foi levado para a prisão no Castelo Santo Ângelo em 17 de dezembro. Se Seraphina se voltou contra Cagliostro ou sucumbiu por medo diante da Inquisição, não está claro. Mas seus depoimentos foram prejudiciais. Após dúzias de interrogatórios, nos quais a trama foi ameaçadoramente disposta, a Inquisição soube apenas o que todo mundo sabia: que Cagliostro era um Maçom, um herege pela sua crença de que todas as religiões são iguais, e que desprezava a intolerância religiosa. A farsa terminou em 21 de março de 1791, quando a Inquisição condenou Cagliostro à morte. Entretanto, antes de o Papa assinar a sentença, um estrangeiro apareceu no Vaticano. Dando uma palavra ao Secretário do Cardeal, foi imediatamente admitido em audiência. Após sua saída, o Papa comutou a sentença para prisão perpétua.

Seraphina foi libertada apenas para ser presa por novas acusações e internada no convento de Santa Apolônia de Trastevere. Nada mais se soube sobre ela e seu corpo nunca foi encontrado. Cagliostro foi enviado ao Castelo São Leo e colocado no topo inacessível de um rochedo. Lá ele pereceu até 1795. Uma inscrição que fez na parede de sua cela tem a data de 15 de março. Roma reportou que ele morreu em 26 de agosto. Aqui acaba a história, mas a tradição maçônica sussurra que Cagliostro escapou da morte. Endreinek Agardi de Koloswar relatou que o Conde d’Ourches, que quando criança havia conhecido Cagliostro, jurou que o Senhor e a Senhora de Lasa, saudados em Paris em 1861, não eram ninguém menos que o Conde e a Condessa Cagliostro. Com o nascimento envolto em mistério, Cagliostro saiu desta vida também em mistério, conquanto sua existência tenha sido dedicada ao serviço da humanidade e à esperança da imortalidade espiritual.

Autor: Elton Hall
Tradução: Maurilena Ohana Pinto

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/cagliostro/

As Origens do Tarô

Tudo começou com o livro Tarô dos Boêmios (Paris, 1889) que seguramente é o primeiro na história do Tarot a abordar os arcanos, tanto sob a ótica da metafísica cabalística quanto dos jogos adivinhatórios numa única obra, pois os outros autores de sua época ou se reportavam a um ou a outro. O livro em questão foi escrito pelo médico espanhol, radicado na França, Gérard Anaclet Vincent Encausse (1865-1917), conhecido como Papus. Encontrei, com suas próprias palavras, toda sua vaidade e arrogância espiritual explicitada nas páginas 273/275 e depois no final da 309 da edição brasileira. Resumindo o conteúdo: Papus dizia que as mulheres eram todas burras o suficiente para não entenderem sua obra cheia de números, letras hebraicas e deduções abstratas, que pertencia aos homens da ciência, mas como era tradição delas jogarem cartas, ele escreveria algumas páginas para não se aborrecerem; esclarece às ignorantes leitoras que o homem tem a razão e a mulher a intuição. Pensei – Homens não jogavam cartas!? Por que ele exultou a cabala e desdenhou a cartomancia?

Tal fato foi uma luz no fim do túnel para começar o que desejava: entender um pouco do passado do Tarot. Como um detetive segui os passos de Papus para entender seu chovenismo; observei a bibliografia do Tarot dos Boêmios e percebi que de consistente e lógico sobre o estudo das cartas de Tarot, ele citava os autores de sua época até, no máximo, um século antes, precisamente, até 1775 sobre as idéias de Antoine Court de Gebelin. Comecei a ler algumas obras possíveis: Etteila (1787), Claude de Saint Martin (1790), Saint Yves d’Alveydre (1830), J.A.Vaillant (1850), Eliphas Lévi (1854), Estanislau Guaita (1886), Mac Gregor Mathers (1888), Piobb (1890), mas não cheguei a lugar nenhum porque observei que todos citavam uns aos outros e todos tinham como ponto de apoio Gebelin e Lévi. Até ai nenhuma novidade, pois todos os estudantes de Tarot já ouviram falar que eles escreveram uma vasta literatura sobre as origens do Tarot. Bem, então o melhor era começar pelo mais antigo.

Ao pesquisar Antoine Court de Gebelin (1725-1784) fiquei estarrecido com a descoberta que foi negligenciada, não sei se proposital, por ingenuidade ou falta de maiores informações dos ditos mestres ocultistas do século 19. Gebelin era filho do famoso pastor evangélico francês Antonie Court (1695-1760) que restaurou a Igreja reformada na França, fundou um importante seminário para a formação de pastores evangélicos, sendo um grande historiador de sua época. Gebelin seguiu os passos do pai, tornando-se um pastor e mais tarde, também influenciado pelo pai, interessou-se por mitologia, história e lingüística. Embora alguns livros o citem como ocultista, talvez, devido a sua obra sobre o Tarot, em sua biografia não encontrei qualquer referência a este respeito; em todo caso é mister esclarecer que ele não teve uma vida dedicada ao esoterismo. Tinha uma obsessão junto com o pai: descobrirem a língua primeva que dera origem a todas as outras e/ou explicaria as várias mitologias conhecidas; também acreditavam que esta língua seriam símbolos, talvez os hieróglifos egípcios.

Certo dia, como ele mesmo diz em sua obra (Le Mond Primitif…), inclusive citado no Tarot do Boêmios, página 231, foi convidado a conhecer um jogo de cartas que desconhecia e em menos de quinze minutos declarou ser um livro egípcio salvo das chamas, explicando, imediatamente, aos presentes, todas as alegorias das cartas. Escreveu, em sua obra, uma retórica do Tarot como sendo a chave dos símbolos da língua primeva e da mitologia; fez uma relação dos arcanos com as letras egípcias e hebraicas e, revelou que a tradução egípcia da palavra “tarot” é “tar” = caminho, estrada e “ot” = rei, real. Para tornar suas teorias pessoais mais contundentes, lançou mão de seu conhecimento em história, abordando a trajetória do Tarot (Tarot dos Boêmios, página 229 e 233), disse que ninguém antes dele desconfiou de sua ilustre origem porque as imagens eram muito comuns e por isso nenhum cientista dignou-se a estudá-las; também revelou que durante os primeiros séculos da Igreja os egípcios, que estavam muito próximos dos romanos (Era Copta, conversão absoluta do Egito ao Cristianismo – 313 a 631 d.C.), ensinaram-lhes o culto de Ísis e os jogos de cartas de seu cerimonial; assim, o jogo de Tarot ficou limitado à Itália e Alemanha (Santo Império Romano); posteriormente, chegou ao sul da França (Provença, Avignon, Marselha) e, ainda desconhecido, no norte (Paris, Lion).

A primeira vez que li sobre essa história, não atentei ao fato de que numa simples olhadela Gebelin descobre ser o Tarot um livro egípcio, que fora ensinado aos romanos pelos próprios egípcios e que ninguém antes dele sabia a respeito – se aceitarmos esta tese como verdadeira, como é possível os romanos (católicos) aprenderem uma devoção (culto de Ísis) considerada pagã aos moldes da época, passando de geração a geração durante mais de 1.500 anos (de 313 a 1775), incólume pela própria Santa Inquisição (1230/1834), sendo disseminada nas regiões que ele cita e absolutamente ninguém escreve ou fala nada a respeito de sua origem egípcia? Então, onde estaria a tradição egípcia do Tarot tão exultada pelos seus conterrâneos posteriores? No período por ele citado, a Itália teve renomados ocultistas, alquimistas, astrólogos, magistas, historiadores, filósofos, arqueólogos, enciclopedistas, todos formadores de opinião e de grande saber – o hermetismo, a gnose e a cabala eram amplamente disseminados -, e Gebelin chama-os de incapazes de observar o que ele, em sua enorme sapiência evangélica, descobriu literalmente em quinze minutos! Observe que Gebelin NÃO descobriu tal fato (a origem egípcia do Tarot) em algum livro perdido no tempo, em algum documento antigo, em alguma ordem esotérica ou revelado por alguma entidade espiritual! Então, tudo o que falamos a respeito da origem egípcia do Tarot surgiu numa simples visita a uma cartomante, numa tarde de sábado, que nem ela e nem a Europa sabiam nada a respeito? Eu me questionava.

Gebelin ficou rico e famoso com suas obras e, a partir de então, o Tarot se tornou uma febre parisiense, todos queriam aprender o jogo egípcio; as ciganas que eram considerados, na época, de origem egípcia, embarcaram na onda e começaram a ler cartas! Ele publicou um Tarot junto com sua obra, mas não se tem notícias de que tenha jogado ou ensinado, pois não se preocupou com jogos ou métodos em seu livro, somente com o Tarot enquanto revelação da escrita egípcia e com os símbolos das cartas como sendo a chave da mitologia. Bem, Gebelin sempre fora uma pessoa respeitada muito antes de falar sobre as origens do Tarot, era filho de um famoso pastor evangélico, historiador reconhecido e amigo pessoal de Benjamim Franklin (!). Com certeza merecia créditos; eu daria, se vivesse naquela época. Tenho que esclarecer mais um fato: Gebelin não escreveu Le Mond Primitif… para o ocultismo, foi em função de sua vaidade em buscar a mesma fama de seu pai que toda a sua obra é voltada em esclarecer a mitologia egípcia e romana e não propriamente o Tarot; embora os ocultistas o citem como tal depois de sua morte, ele era acima de tudo um evangélico! Suas obras e idéias percorreram o mundo da ciência, todos os arqueólogos queriam falar com ele, pois era uma febre francesa descobrir as chaves dos hieróglifos egípcios. Nenhum ocultista esteve com ele ou o citou em alguma obra até alguns anos após sua morte; somente uma pessoa que se tem notícia o procurou em vida para conversar sobre a origem egípcia e fins adivinhatórios: o francês Etteila, anagrama de seu verdadeiro nome Aliette.

Não encontrei muitas referências sobre a vida de Etteila, nome completo ou datas pessoais, além do que está exposto nas obras dos ocultistas do século 19; diziam que ele era um peruqueiro da corte francesa, professor de álgebra, amigo íntimo de Mlle Lenormand (famosa cartomante de Napoleão) e de Julia Orsini (outra famosa cartomante francesa) – não se tem notícias de que tivesse pertencido a alguma ordem ou fraternidade oculta; em todas as suas referências é tido como charlatão. Lévi e Papus revelam que ele se apropriou para benefício próprio das idéias da origem egípcia, da relação das letras hebraicas e egípcias feitas por Gebelin, criando seu próprio Tarot corrigido, compilando as obras de suas amigas, escrevendo onze livros. Instalou-se num dos mais luxuosos hotéis de Paris, Hotel de Crillon, e começou a atender e ensinar a nata parisiense! Voilá, cherry! Gebelin e Etteila devem ter falecido ricos e felizes; um sob a visão da fama científica e o outro do misticismo.

Vamos sair do contexto ocultista e voltar aos historiadores e arqueólogos que devem ter acreditado na figura respeitada, aos olhos parisienses, de Antoine Court de Gebelin, até que Jean-François Champollion (1790-1832) decifrasse os hieróglifos através da Pedra de Roseta. Champollion publicou em 1822 a relação legítima do alfabeto egípcio e seus fonemas; este trabalho lhe rendeu o disputado cargo de curador do departamento egípcio do Museu do Louvre, em Paris, em 1826. Após sua morte, foi publicado, em 1835, seu mais precioso trabalho onde revela toda a gramática e literatura egípcia jamais revelada em toda a história desde o seu desaparecimento na Era Copta. Descobre-se que tudo o que Gebelin escrevera a respeito do Tarot como língua primeva e codificação dos hieróglifos egípcios estava errado, em nada se sustentava perante as verdadeiras revelações da história do Egito – não existe a palavra tarot na língua egípcia (!), muito menos o que supostamente Gebelin disse ter traduzido (!); também, tudo o que ele decifrara de alguns hieróglifos estava absolutamente errado (!) – esta é a parte negligenciada pelos ocultistas, bem como a forma inconsistente da revelação de que precisou de quinze minutos para descobrir a própria origem das cartas de Tarot – Porque? Eu me perguntava frequentemente.

As respostas começaram a surgir quando reli as obras de Eliphas Lévi (1810-1875), pseudônimo de Alphonse Louis Constant, tido como padre por se instalar por algum tempo na ordem franciscana, em Paris, para ter acesso à vasta biblioteca sobre a cabala cristã, mas não era um padre oficializado na Igreja Católica Apostólica Romana, como se pressupõe – a roupa faz o monge, já diz o ditado popular. Um fato incontestável foi que Gebelin e Etteila mexeram com o imaginário popular e, consequentemente, dos esotéricos, pois fica muito claro nas obras de todos os ocultistas do final do século 18 e início do 19 que no âmbito tradicional do universo das ciências ocultas nunca se analisou ou questionou o Tarot – são palavras do próprio Gebelin e de todos posteriores a ele, sem exceção; este é sem dúvida um dos dados mais importantes a serem analisados no que tange à tão exultada expressão “tradição do Tarot”, pois tradição não é algo que se extingue e depois reparece.

Lévi, em seu primeiro livro (1854), Dogma e Ritual, páginas 405 a 421, e no segundo, História da Magia, páginas 76 e 242 a 252, execra as obras e a conduta de Etteila, contesta a origem egípcia de Gebelin e repudia a palavra tar=caminho e ot=real. Vai mais além, introduz o conceito de que Moisés escondeu nos símbolos do Tarot a verdadeira cabala e depois ensinou aos egípcios o jogo de carta; também, pela primeira vez, um ocultista, em toda a história da magia, faz uma acalentada tese de associações das letras hebraicas com os arcanos e diz que a palavra tarot é análoga a palavra sagrada IHVH ( h w h y ), sendo também uma variação das palavras Rota / Ot-tara / Hathor / Ator / Tora / Astaroth / Tika. Assim como no livro de Papus, numa segunda leitura, também encontrei críticas às mulheres na obra de Lévi, um pouco mais cruéis eu diria – desdenha Mlle Lenormand chamando-a de gorda, feia, ininteligível e louca, e duas outras cartomantes, Madame Bouche e Krudener, de prostitutas (coquetes ou Salomé à época) – História da Magia, paginas 346 e 347. Reparei que tanto Lévi quanto Papus condenavam as práticas femininas de cartomancia, achavam que elas usurpavam o poder do homem na ciência oculta… Indagava-me, por quê?

Bem, encontrei duas passagens em seu livro História da Magia, páginas 78 e 251, e uma no Dogma e Ritual, página 420, que me deixaram muito intrigado; pareceu-me que ele sabia da verdade sobre o passado do Tarot, mas não sei se foi por ingenuidade ou se proposital, preferiu não dar importância. Primeiro, ele diz que o Tarot mais antigo que se conhece é o Tarot de Gringonneur (1392) e que a Biblioteca Imperial tem uma vasta coleção de todas as épocas; segundo, ele contesta a origem dos ciganos revelada na obra de J.A.Vaillant – Les Rômes, historie vraie des vrais Bohémiens, 1853; a mesma obra que Papus faria sua apologia do Tarot mais tarde -; Vaillant diz que os ciganos eram egípcios e entraram na Europa no início do século 15, chegando à Paris em agosto de 1427; e Levi diz que ele estava errado pois os ciganos são originários da Índia, fato revelado historicamente à época. Temos três verdades absolutas: os ciganos são indianos, entraram no início do século 15, depois do surgimento do Tarot no fim do século 14. Surgem minhas questões: por que Lévi não questionou o porquê de tanto tempo sem que nenhum renomado ocultista falasse a respeito, visto que as cartas eram amplamente conhecidas? Por que Papus insistiu na idéia de que os ciganos eram egípcios, se já era de conhecimento publico sua origem indiana? Por que todos sustentaram a história egípcia de Gebelin, tanto na tradução da palavra Tarot quanto em sua origem, visto que, com a descoberta de Champollion, nada se descobriu em pergaminhos e papiros que as amparassem?

Antes de continuar é importante salientar que TODOS os conceitos que Lévi descreve sobre o Tarot NÃO são dele, pois Gebelin já havia feito a equiparação das letras hebraicas e o ocultista Claude de Saint Martin (1743-1803) publicou em 1792, na obra Table Natural du Rapports…, o restante que Lévi descreve para o Tarot; se você tiver paciência irá reparar em todos os escritos de Lévi que Saint Martin é constantemente citado. Outro dado impressionante, que também não havia percebido na primeira vez, é que absolutamente tudo o que Lévi e Papus escrevem sobre a cabala e os sistemas ritualísticos, podem ser encontrados nos seguintes livros da mesma época: Magus de Frances Barret (1801), A língua hebraica restituída de Fabre D`Olivet (1825) e A ciência cabalística de Lenan (1825). Vamos observar que da mesma forma que Gebelin, Lévi não se baseou em nenhum escrito antigo, lenda ou fraternidade oculta para estabelecer sua relação entre a cabala e o Tarot, foi a partir das idéias do próprio Gebelin e Saint Martin. Portanto, assim como Gebelin inventou a história egípcia, Lévi inventou a história hebraica, pois não há registros de nenhum ocultista – cabalista, magista, alquimista, gnóstico, hermetista – fraternidade ou ordem mística que tenha comentado, escrito ou usado o Tarot antes das obras deles. Para se entender o passado do Tarot ou o que escreveram sobre ele é mister observar os dados históricos; a crença e o misticismo pessoal, neste caso, somente levará à equívocos e discussões inúteis.

Contudo, verdade seja dita sobre as obras de Éliphas Lévi com relação aos textos de magia, cabala e filosofia: são perfeitos e maravilhosos; o que estou manifestando é a relação histórica do Tarot e a forma que entrou no ocultismo. A esta altura já tinha uma noção bem razoável que nem Gebelin e nem Lévi possuíam, ou seja, nada que sustentasse de forma verossímil o passado do Tarot como encontramos nas outras ciências: alquimia, hermetismo, astrologia, numerologia, i ching, magia, cabala. Está absolutamente claro o círculo vicioso de informações, um compilando do outro; talvez eles estivessem disputando quem seria o “pai da criança”. Mas tudo tem seu lado positivo, o interesse dos ocultistas pelo Tarot cresceu e, cada um ao seu modo contribuiu para a exploração inesgotável dos arcanos. Tudo é válido no âmbito de sua exploração simbólica, mas a consciência de seu surgimento é um passo importante para o seu futuro.

Eliphas Levi, por ter uma linguagem metafísica muito eloqüente e por sua dissertação dos conceitos cabalísticos em associação ao Tarot, chamou a atenção dos ocultistas ingleses, principalmente, Mac Gregor Mathers (1854-1918). Mac Gregor adota o sistema cabalístico de Lévi, mas faz correções segundo seu entendimento pessoal para aplicar, pela primeira vez na história da magia, o Tarot como forma de meditação e monografia para atingir os degraus de uma ordem esotérica: a Golden Dawn, 1888; esta fraternidade mudaria por completo a visão do Tarot no mundo (!) através de seus dissidentes no início do século 20 – Arthur Waite, Carl Zain, Israel Regardie, Aliester Crowley. No mesmo ano da fundação dessa ordem, ele lança um livro, The Tarot, its occult signification, com base no trabalho de Lévi, Guaita, Etteila, Gebelin, acrescentando correções que achou necessárias sobre a relação da cabala com o Tarot.

Voltemos a Papus – depois de estudar os autores citados até o momento, reli o Tarot dos Boêmios (já era a quinta vez!) e finalmente descobri que o livro é uma fonte arqueológica do Tarot! Tudo está absolutamente lá, só não vê quem não quer! Em cada título de seu livro há subtítulos se referindo a todos os demais. Dentre as obras de Tarot que ele possuía em sua biblioteca, Gebelin era o autor mais antigo e Mac Gregor o mais atual em sua época! Então, vamos observar a principal cadeia viciosa sobre as origens do Tarot: Gebelin (1775) – Etteila (1783) – Saint Martin (1792) – Vaillant (1853) – Lévi (1854) – Christian (1854) – d´Alveydre (1884) – Guaita (1886) – Mathers (1888) – Barlet (1889) – Papus (1889) e ponto final! Um se baseou no outro, cada qual colocou sua teoria, fez suas próprias correções e ninguém questionou nada – ingenuidade, manipulação, arrogância, vaidade, eloquência? Não saberia responder. A verdade dói, em mim também doeu. Eles tatearam no escuro para falarem sobre o Tarot; uma realidade bem cruel é que eles não sabiam absolutamente nada sobre o Tarot e suas origens, mas uma coisa eu achei interessante: por mais que fizessem a retórica cabalística e a verborréia para provar seus pontos de vistas, as explicações práticas sobre os jogos do Tarot terminavam nas cartilhas de Etteila e das cartomantes. Por que? Eu continuava a me indagar. Sinceramente, independente das falhas históricas grotescas que estou questionando em suas obras, eu os indicaria como os patronos do Tarot – Gebelin, Etteila, Lévi, Mac Gregor e Papus; foi graças a estes cinco personagens que o Tarot é o que é atualmente.

A esta altura, sentia-me como um órfão, abandonado de pai e mãe! Eu estava quase jogando para o alto minhas convicções de que o Tarot era sagrado, intocável pelo tempo, guardado a sete chaves por homens eruditos e que escondia toda ciência antiga; mas eu podia estar errado, eu queria acreditar em seu aspecto intocável pela profanidade! A forma como chegou a pseudo história egípcia, cigana ou hebraica do Tarot aos nossos ouvidos eu já havia descoberto: a idéia de Antonie Court de Gebelin foi ampliada por Etteila, Lévi e Mac Gregor; Papus fez uma amalgama de todos; chegou ao século 20 através das mãos dos dissidentes da Golden Dawn, que mantiveram as mesmas histórias, também acrescentando outras, todos corrigindo as imagens do Tarot, todos querendo os louros da vitória, e assim por diante… Mas e antes? Estaria, o Tarot, numa arca sagrada aos pés dos guardiões da verdade? Sendo escondido, noite após noite, do famigerado Santo Ofício?…

Durante anos bisbilhotei várias obras, referências históricas, museus, bibliotecas – tudo está detalhado em meu livro -, fiz uma mapa do tempo de tudo o que havia sobre o Tarot. Confesso que ri muito quando comecei a ver os verdadeiros fatos. É uma pena o século 19 ter sido desprovido do telefone, fax, computador, e-mail, internet, avião, pois não estaríamos dois séculos atrasados nos estudos do Tarot, inventando histórias e distorcendo a potencialidade do uso dos arcanos! Os dados históricos destronam qualquer idéia mais romântica a respeito do Tarot, mas em nada invalidam seu potencial; para continuar este manifesto do futuro do Tarot, vamos separar o que é o Tarot do que querem que o Tarot seja!

Minhas convicções sobre a “tradição” do Tarot começaram a ruir quando eu descobri que entre 1583 e 1811 na Espanha, e entre 1769 e 1832 em Portugal, houve estatais na produção de cartas de Tarot, produziam em média 250.000 pacotes por mês para consumo interno e envio para suas colônias ao redor do mundo! Para jogar adivinhação com o Tarot!? Não, para jogos lúdicos! Sim, o Tarot é usado até os dias atuais na Europa como uma jogatina, principalmente, na França, onde há campeonatos anuais; eu mesmo, já tive a oportunidade de observar um em 1998, em Avignon. O ofício de artesão de Tarot era uma profissão (!) em toda a Europa desde 1455 até o fim do século 19! As cartas pintadas à mão (valiosíssimas) constavam do espólio de famílias nobres, com clérigos! O Tarot teve altas tributações ficais em todos os países desde o século 16 até o início do século 20 – uma particularidade que achei fantástica (para acabar de vez com meu misticismo com o Tarot) foi que em 1751, o rei da França, Luiz XV, ordenou que todas as taxas provenientes do Tarot de todo território fosse para o fundo monetário da Academia Militar! E mais: os primeiros registros oficiais de cartomancia datam por volta de 1540 !!!!!

– Meu Deus!… Onde estava a Santa Inquisição que todos dizem ter persiguido o Tarot? Dormindo? O arcano 15, O Diabo, que possivelmente condenaria o Tarot aos olhos da Igreja, sempre esteve presente em todas as mesas da Europa, desde as primeiras cartas que se tem notícia no final do século 14 até os dias atuais! Como as cartomantes passaram incólumes pela fogueira? Por que Gebelin disse desconhecer as cartas de Tarot se havia alta produção de cartas em Paris e por toda Europa? Por que nenhum ocultista renomado da Europa anterior a Gebelin nunca prestou atenção na cartomancia ou nos símbolos das cartas? Por que??? Por que o Tarot não fazia parte do círculo ocultista?

Por fim soube que o Tarot não se chamava Tarot (!) e nem as cartas se chamavam de arcanos (!). – Onde está a tão exultada tradição milenar dita por Lévi e Papus sobre o nome “Tarot”? Foi a última coisa que me lembro perguntar sobre o passado do Tarot, antes de aterrissar meus pés no chão e ver que o Tarot ainda é um bebê se comparado à astrologia, numerologia, cabala, sem nenhum passado extraordinário… Os primeiros registros datam por volta de 1370/90, o que denominamos de Tarot era chamado de Ludus Cartarum (cartas lúdicas) ou Naibis; depois, por volta de 1440/1500, passou a se chamar Trunfos (mais usual à epoca), Tarocco ou Tarochino; por volta de 1550/1600 de Trunfos do Tarocco na Itália e Trunfos do Tarot na França, também outras variações chamadas de Minchiatte ou Florentino; somente por volta de 1850/1900 surge o termo Arcano do Tarot; e no século 20 cada país passa a nacionalizar a palavra: Tarocco (Itália); Taroc (países germânicos); Tarok (leste europeu); Tarot (língua portuguesa) e Tarot (na maioria dos países). Observe os espaços de datas, não são meses, são em média de um século. Imagine seu eu lhe dissesse que você iria casar daqui a cem anos? Sim, esse é o tempo de uma nominação para outra! Uma média de um século! Cadê a tradição? Onde está a base histórica de Gebelin e de todos os outros que o seguiram? A palavra “tarot” surge na França por volta de 1590/95 nos estatutos da Associação de Fabricantes de Cartas Parisienses!

As descobertas subsequentes não me aborreceram mais, muito pelo contrário: comecei a vibrar por ter certeza de que absolutamente ninguém sabe nada além do que está escrito (de certo ou errado) nos livros! Não tive nenhum trauma quando procurei referências dos grandes ocultistas renomados, formadores de opiniões, cátedras das ciências ocultas, e não encontrei nada que tivessem dito sobre o Tarot ou algo que se assemelhasse a ele. Para dizer a verdade, encontrei somente um único ocultista sem grande expressão que fez uma referência aos quatro elementos em relação ao Tarot – Guilleume de Postel (1510-1581) -, mas ninguém deu ouvidos a sua teoria até Lévi e Papus fazerem sua apologia do passado longínquo do Tarot e citá-lo como destaque. Em 400 anos de existência do Tarot, desde os primeiros registros oficiais até a história egípcia de Gebelin (~1370/~1770), somente uma única pessoa fez referências esotéricas!? Este fato corrobora ainda mais o desinteresse pela classe ocultista dos séculos 14 ao 18 pelo Tarot e sua cartomancia.

Porém, encontrei algo surpreendente fora dos círculos esotéricos sobre as cartas do Tarot: crônicas questionando o que seriam aquelas imagens enigmáticas, poesias líricas, óperas, romances, murais, quadros, uma vasta expressão artística a partir do século 15; assim, as cartas do Tarot estavam inseridas no contexto social, sendo conhecidas por todos! Repito: um fato muito curioso é que as cartilhas sobre a taromancia começaram a surgir por volta de 1530-50 e o Tarot começou a ser visto também como algo para predizer a sorte e o futuro. Por que nenhum renomado ocultista sequer comentou sobre isso – Basílio Valentin (1398-1450), Picco della Mirandola (1463-1494), Paracelso (1493-1541), Cornelius Agrippa (1486-1535), John Dee (1527-1608) -, principalmente, Robert Fludd (1574-1637) e Jacob Boehme (1575-1624) que resumiram todos os oráculos de sua época? Os aspectos de jogos lúdicos e adivinhatórios andaram lado a lado e, estes, paralelos com a astrologia, numerologia, cabala, mitologia, hermetismo, alquimia, magia até se juntarem nas obras de Gebelin, Levi. Mac Gregor e Papus. Outro dado curioso que percebi: somente mulheres jogavam o Tarot (ditas cartomantes)!… Comecei a pensar sobre a sociedade até o final do século 19 – era patriarcal e misógina! Será que houve uma descrença no sistema de cartas por causa do contexto feminino? Ou será que pelo fato do Tarot expressar símbolos comuns de sua época não teria nenhum valor ocultista? Neste caso, eu acredito que foram ambos os fatores!

Lembram como comecei minha pesquisa que durou dez anos (1987/97)? Sim, voltemos ao cavalo de Tróia: Gebelin, Lévi e Papus; eles me forneceram as peças de todo o quebra-cabeça. A partir da bizarra história egípcia sobre o Tarot criada por Gebelin, os ocultistas viram uma possibilidade de abarcarem as técnicas de cartomancia, sem caírem no ridículo de usarem “uma arte feminina nos vôos da imaginação”, como disse Papus, ou usaram a arte das “loucas e coquetes”, segundo Lévi. Como? Fizeram uma retórica metafísica impossível delas compreenderem – se reparar na história do ocultismo, da magia, da cabala e da alquimia observará que não há uma única mulher (eram todas consideradas bruxas, ignorantes e maldosas!) que anteceda a Helena Blavatsky (1831-1891)! Ela foi muito “macho” em peitar todos os ocultistas eruditos. Assim, não foi difícil começarem a estudar uma arte feminina, que estava ao lado de todos eles por tantos séculos, mas que nunca ousaram tocar por puro preconceito machista. Os homens (ocultistas eruditos ou não) sempre tiveram a mulher como burra e incapaz, um ser inferior; como eles iriam admitir que o poder feminino descobriria uma arte oracular que somente pertenciam às sábias mentes masculinas?

Afinal, nada melhor do que a imaginação e a intuição feminina para descobrir o significado simbólico das cartas ao invés da razão e da lógica dos eruditos que necessitavam de fórmulas complicadas para tudo. Para mim ficou muito claro o porquê da ausência do estudo do Tarot entre os renomados ocultistas até o século 18 e, principalmente, o porquê de tanto escárnio nas obras de Lévi e Papus sobre as cartomantes ou, no caso de Etteila, um homem que se atreveu a jogar cartas como elas, denegrindo a imagem do “macho esotérico que conjura demônios”… Coisas do século passado… Hoje, homens e mulheres jogam o Tarot; mas você deve ter percebido que ainda temos uma resistência em aceitar os jogos adivinhatórios e tentamos sempre lucubrá-lo com a mais alta metafísica – talvez seja o ranço herdado das obras de Levi, Papus, Mac Gregor e seus dissidentes.

Vamos falar a verdade? Não conheço um só estudante de Tarot, em qualquer lugar do mundo, que se diga “cabalista da tradição em busca do sagrado”, ou que diga “o Tarot é uma arte do autoconhecimento”, que não esteja diariamente se profanando, jogando o Tarot, querendo saber dos acontecimentos e das causas! Vamos ser honestos? No fundo todos querem aprender a abrir o Tarot como qualquer cartomante antiga! Pode falar que é orientação, autoconhecimento, espiritualidade, tradição, não importa, no fundo terminamos onde Etteila começou; aliás, aperfeiçoamos primorosamente as suas cartilhas e de todas as cartomantes! Assim como os ocultistas do século 19, também estamos nos escondendo atrás dos estudos da cabala, mitologia, astrologia, psicologia, para encontrarmos a dignidade e o direito de jogarmos cartas! Estaremos nos enganando, complicando uma arte que poderia ser simples?

Embora o Tarot fosse conhecido e utilizado há séculos na Itália, Alemanha, Suíça, Espanha e França, foi precisamente em Paris que ele criou sua própria luz espiritual, tanto no surgimento de seu nome (tarot), quanto em sua centrifugação com o ocultismo; observe que todos os autores que descrevemos são franceses e publicaram suas obras na Cidade Luz. Bem, no início do século 20, principalmente, depois da 1º Guerra Mundial, tudo mudou para a imagem feminina: elas conquistaram o direito de trabalhar, de votar, de viver sozinha, escolher sua família e, finalmente, começaram a desenhar o Tarot… ôps, esqueci de dizer, somente homens podiam ser artesãos de Tarot até o início do século 20. A primeira mulher a pintar um Tarot foi Pamela Smith que desenhou o Rider-Waite Tarot, publicado em 1910… Hoje elas tomam seu lugar glorioso no pódio das sibilas e pitonisas parisienses, italianas, americanas, espanholas, brasileiras… Avante mulheres tomem as rédeas do Tarot: ele pertence a vocês – agora posso usar a palavra – por tradição!

Quem sabe, talvez, se tivéssemos a humildade e a dignidade de admitir que o Tarot opera perfeitamente no mundo oracular e divino, mas não existe todo esse passado magnífico, mágico e tradicional que nos imputam ou em que queremos acreditar; ou ainda melhor, aceitar uma verdade tão clara e evidente: ele é um oráculo recente, jovem, aberto à exploração, ávido por uma estruturação, que nasceu há poucos séculos e depende de nós preservá-lo, estudá-lo, tomando o devido cuidado em não deformar seus símbolos por puro egocentrismo e perder essa arte maravilhosa, esse alfabeto mágico, que casualmente foi descoberto! Também por quem foi descoberto não saberemos, como não saberemos nada além do que existe de real e concreto a respeito dele; se os verdadeiros homens eruditos que se debruçavam na maravilhosa arte alquímica e hermética ou de toda espécie de filosofia oculta não sabiam, ou não procuraram saber e investigar as cartas do Tarot, nós que perdemos o elo simbólico e a visão filosófico-espiritual do mundo iremos descobrir? Nós que nos baseamos em todo o manancial de cultura simbólica desses eruditos medievais e renascentistas, que não revelaram nada, iremos desvendar? A resposta é um sonoro NÃO; o restante será apenas conjecturas insólitas e inverossímeis. O Tarot é como uma criança que precisa ser alimentada e educada, senão poderá se perder durante sua vida com tantos Tarots corrigidos que surgem e tantas informações desencontradas.

Em todo caso é compreensível o fato dos antigos ocultistas não aceitarem o Tarot no âmbito esotérico, não pelo seu aspecto de pertencer às mulheres, mas pela falta de conhecimento do conceito de “arquétipo” – padrão de comportamento que é intrínseco na vida humana, desenvolvido na metade do século 20! Hoje observamos o símbolo e não propriamente a imagem desenhada, tentamos nos transportar além de sua figura para atingir um sentido de significações. Assim, o Tarot se tornou um conjunto de modelo comportamental humano, adapta-se a qualquer sistema que se queira trabalhar ou estudar. Talvez algum iluminado, um sábio ocultista, realmente o tenha criado, pois sua estrutura não deixa dúvidas de que há elementos bem significativos de toda ciência oculta, porém acredito que não tenha sido inventado para a finalidade que utilizamos atualmente… Coisas do destino… Também observe que se aceitarmos a associação do Tarot-cabala que Levi desenvolveu, o sistema desenvolvido por Mac Gregor ou Waite estarão errados; se aceitarmos o sistema cabalístico de Crowley, o de Mac Gregor, Waite e Levi estarão errados; se aceitarmos o de Mac Gregor e Waite, o de Levi e Crowley, também, estarão errados – o mesmo ocorre com os trabalhos de Juliet S.Burk (mitologia grega), Clive Barret (mitologia nórdica), Falconnier (mitologia egípica), Anna Franklin (mitologia céltica), que se negam um ao outro em analogias! -. Quem está com a razão? Todos! Qualquer sistema se adapta ao Tarot porque ele é um conjunto arquetípico! Isto é que faz o Tarot tão rico em sua expressão e, talvez, confuso à primeira vista.

Tenho lutado para que todos desenvolvam uma elaboração estrutural do Tarot, sem ego pessoal ou assimilação de outras doutrinas, que escrevam ou conceituam mais do que apenas desenhar “seu próprio Tarot”, porque fica evidente sua deformação simbólica à medida que todos querem ter a “revelação mágica dos símbolos”; mas para tal, não podemos nos negar nada, nem que seja o absurdo de começarmos do nada, de inutilizarmos tudo, fazermos uma deliciosa fogueira exorcizando todo devaneio romântico do que foi aprendido sobre os arcanos e recomeçarmos fortes, verdadeiros, rumo a análises confiáveis e livres de dogmas pessoais. Se não partirmos da premissa básica que é o reconhecimento de seu verdadeiro passado, seja ele bom ou mau, mundano ou divino, falso ou real, lazer ou oracular, não será possível termos certeza do que temos nas mãos, nem a convicção do que poderemos fazer com o Tarot. Sei que formulei mais questionamentos, deixei muito mais perguntas do que evidenciei respostas. Também vamos ser práticos, as respostas do passado não existem, somente as do futuro: como vamos estruturar e conceituar definitivamente seus arcanos e, assim, garantir a continuidade do Tarot para futuras gerações?

Notas Importantes

1) Desenhe o Tarot que desejar, expresse sua criatividade, mas nunca deforme sua fonte original simbólica, nominativa, quantitativa e os atributos essenciais de cada carta;

2) Ao consultar tarot escreva e associe o Tarot com qualquer coisa em nosso universo, mas nunca se esqueça de que é do Tarot que está falando ou explicando – sempre deixe essa “outra associação” em segundo plano;

3) Tenha mais consciência do Tarot enquanto significado de seus arcanos e não do significado da cabala, astrologia, mitologia, numerologia, pois cada uma destas ciências tem sua própria história, estrutura e utilização; todas as associações feitas até hoje ainda são discutíveis;

4) Vamos descobrir novas estruturas, explicações e análises para o Tarot, de uma forma mais pura, mais direta, menos abstrata, como ocorre na astrologia ou numerologia: longe dos devaneios místicos;

5) Esqueça do passado tradicional do Tarot, ele não existe; pense em seu futuro!  O tarot on line e o tarot virtual são apenas um rascunho do que está por vir.

6) Diga não a tudo o que não comporte a significação dos 78 arcanos.

7) Tarot é Tarot.

Por Nei Naiff

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/as-origens-do-taro/

A Pedra Vermelha: Entrevista com o alquimista Rubellus Petrinus

por Duane Saari (Alchemy Journal – Outono de 2005)

Este Alquimista vive em Portugal, é um jovem de 74 anos, ainda trabalha no seu laboratório, escreveu recentemente um livro sobre espagíria e procura agora uma editora para transformar o seu manuscrito atual em um livro. Seu nome é Rubellus Petrinus, e ele concordou em dar uma entrevista por e-mail e telefone. Seus comentários seguem minhas perguntas ou solicitações, que estão em negrito. Ouça com atenção, então, uma voz da Arte.

Qual é o propósito de um nom de plume para um alquimista e por favor me diga por que você escolheu o nom de plume de Rubellus Petrinus?

É a tradição desde os tempos antigos da alquimia. Depois de uma visita ao alquimista espanhol Simón H., que trabalhou no caminho do cinábrio, lembrei-me que cinábrio em latim seria muito interessante como nom de plume: rubellus (vermelho) petrinus (rocha).

Você está disposto a compartilhar seu nome? Se assim for, qual é?

Você me pergunta se eu compartilho meu nome? Acho que não porque gosto dele – Rubello Petrinus.

Você nasceu em Bragança, Portugal. Passou por alguma experiência em sua infância, ou descobriu algo, que o fez se interessar por alquimia?

Na minha infância em Bragança, estudei e fiz um curso industrial. Também estudei eletrônica. Eu não conhecia nem a palavra alquimia mas lembro que, naquela época, não tinha minério de galena para fazer um detector para o meu receptor. Fiz com enxofre e chumbo em um tubo de vidro de comprimidos colocando fogo e, depois de derretido, cristalizei galena artificial.

Você foi para Angola em 1951…

Sim, fui para Angola porque no meu país era difícil arranjar um emprego estável na época da Grande Guerra e regressei a Portugal em 1975.

Por que você se tornou um alquimista?

Quando estive em Angola, li o livro de Jacques Bergier, Despertar dos Magicos.

O que você aprendeu sobre alquimia em O Despertar dos Mágicos?

Não aprendi nada de alquimia porque não era isso que Bergier estava ensinando. O livro despertou minha curiosidade sobre Fulcanelli e li todos os seus livros. Eles são muito complicados.

Se Fulcanelli e outros Mestres estivessem aqui hoje, falariam algo muito diferente sobre a alquimia agora ou praticariam novos procedimentos laboratoriais que não existiam no passado?

Sim, alguns alquimistas hoje trabalham com modernos equipamentos de laboratório e simplificam o trabalho de alquimia, mas esse equipamento ainda é muito caro e é preciso um grande conhecimento químico. Por isso, sugiro que as pessoas trabalhem com vidraria como a usada pelos antigos alquimistas e com seus materiais brutos também.

Você disse que a alquimia inclui a prática de procedimentos de laboratório e as descobertas que vêm desse trabalho. O que se aprende no laboratório que não pode ser aprendido ou descoberto por leitura?

Esta é uma questão muito interessante. Lê-se um livro de alquimia e o modus operandi. Se entendemos, tentamos com o material adequado, mas bruto e às vezes – na maioria das vezes – os resultados são bem diferentes dos o que o livro diz. Portanto, algumas vezes em um fórum as pessoas falam sobre alquimia sem ter experimentado. É possível alguém falar sobre algo que não fez?

Você nasceu em 25 de março e, astrologicamente, é Áries, que é um signo de fogo frequentemente associado à iniciação e aos começos. A astrologia tem um significado especial para o seu trabalho em alquimia?
Não acredito em Astrologia mas as influências astrais, sobretudo a luz polarizada da Lua na Primavera, são muito importantes no trabalho da alquimia.

Muitos dos Mestres parecem ter trabalhado sozinhos. Ao mesmo tempo, há relatos de alquimistas trabalhando juntos. Trabalhar com um grupo de colegas alquimistas é útil?

Sim, é útil se todas as pessoas do grupo entenderem sobre o que é uma conversa mais avançada.

O que foi a Associação Solazaref na França e por que ela foi tão importante para você?

Em Portugal, conheci um discípulo de Solazaref; portanto, fiquei curioso para conhecer pessoalmente a Associação. Quando viajei para a França, Solazaref era um grande mestre, mas não era muito acessível para iniciantes. Estando lá que vi, pela primeira vez, trabalhar a verdadeira alquimia, sobretudo, no caminho seco do antimônio. Atualmente, parece que a Associação não existe mais.

Onde estão localizados hoje os centros de estudo e trabalho alquímico?

Conheço muitos dos melhores alquimistas ao redor do mundo, mas não conheço nenhum centro. Parece que alguns lugares estão ensinando as partes mais fáceis da alquimia e alguns não ensinam a verdadeira alquimia, apenas a espagíria.

Por que um Mestre é necessário para aprender alquimia?

Porque há coisas que você lê nos livros de alquimia, mas não entende até que seja feito na prática. Por exemplo, o caminho seco do antimônio – que posso explicar passo a passo por escrito – sem ver o trabalho feito, será muito difícil para você fazer o trabalho corretamente.

Como alguém pode encontrar um Mestre para aprender e trabalhar hoje?

Esta não é uma tarefa fácil. Algumas pessoas irão compartilhar com você, mas elas trabalham sozinhas. A maioria das pessoas que trabalha com alquimia verdadeira normalmente não fala sobre disso nos fóruns ou, se fala, não é em linguagem simples. Eles falam apenas com
pessoas que têm o mesmo conhecimento de alquimia ou em fóruns muito especiais como o nosso fórum: El-alquimista que é apenas para alquimistas que trabalham. Mas este fórum é para falantes de português e espanhol. Criei uma rede internacional muito especial como o El-alquimista em inglês mas não funcionou então eu a encerrei.

Um Mestre pode trabalhar sozinho?

Sim, mas ele ou ela precisa de grande conhecimento alquímico e compreensão dos verdadeiros livros alquímicos dos grandes Mestres, experiência de laboratório, a vidraria adequada para o caminho úmido ou um forno adequado para o caminho seco. E, mesmo que seja assim, há muitos problemas que ele não conseguirá resolver sozinho.

Há muita discussão e algum debate sobre os primórdios da alquimia. Quais você acredita que foram as origens da alquimia?

Isso não é realmente conhecido. O povo árabe trabalhava na alquimia de acordo com Geber. Os chineses e os hindus fizeram o mesmo. Os árabes trabalhavam com antimônio e os demais com cinábrio. Por que é isso? Então, não sabemos exatamente as origens da alquimia.

Se não conhecemos a origem da alquimia, sabemos qual era o propósito da alquimia nos tempos antigos e qual é o seu propósito hoje?

Bem, antigamente a alquimia era a busca da transmutação do ouro ou da prata, mas atualmente meu propósito é a Medicina Universal. Se formos capazes de fazê-lo, isso seria muito mais valioso do que o ouro!
O tempo é importante, até mesmo necessário, na maioria dos procedimentos alquímicos.

A alquimia também está relacionada ao tempo expresso em épocas mais longas, como o ciclo de 25.920 anos do Grande Ano Solar?

Não sei exatamente porque, para mim, a radiação lunar e cósmica é mais importante na alquimia. Não é uma tarefa fácil entender a aplicação, da maneira correta, da radiação cósmica citada em Hermes Revelado por Ciliany.

Que contribuições são feitas pela alquimia para a sociedade hoje?

O melhor seria a Medicina Universal. Mas existem alguns medicamentos espagíricos que são muito importantes na medicina, sobretudo os vegetais porque alguns dos metálicos são muito perigosos e só um povo com grande experiência seria capaz de fazê-lo. A supervisão com um médico também vale para este tratamento.

Qual você acredita ser o maior mal-entendido sobre a alquimia?

Pode ser a má interpretação dos livros de alquimia porque alguns foram escritos por pessoas que não têm conhecimento suficiente de alquimia e os livros antigos não são fáceis de entender. Alguns desses novos livros parecem como se não fossem reais.

Fale-me do seu primeiro livro – Espagiria Alquimica.

Este livro foi publicado em espanhol e será de grande ajuda para iniciantes que desejam aprender alquimia porque a espagírica é o primeiro passo na alquimia. É um verdadeiro curso espagírico começando com fornos, vidrarias, espagírias vegetal e metálica – com muitas imagens coloridas. Pelo que sei dos vários livros espagíricos publicados até agora, escrevi um livro diferente do que já existia.

Qual é a mensagem do seu manuscrito recente: A Grande Obra Alquimica?

Tentei neste livro explicar simbolicamente e na prática o trabalho de três grandes alquimistas clássicos – Philalethes, Flamel e Basil Valentine. Ainda não alcancei esses caminhos porque não tenho as condições de laboratório e, com o método do amálgama, você precisa de muito ouro, que é muito caro agora. Para experimentar o caminho de Basil Valentine, é necessária uma retorta adequada e especial para destilar vitríolo, como a que vi na Associação Solazaref. Assim, o objetivo deste livro é mostrar às pessoas que as imagens simbólicas da alquimia estão de acordo com seu material e modus operandi. A editora com a qual trabalho há dois anos ainda não publicou o livro, então estou procurando outra editora.

O seu site (http://pwp.netcabo.pt/r.petrinus/) tem muita informação e muitos links sobre alquimia. O que você está tentando realizar com seu site?

Eu sei que a alquimia é muito difícil de entender então, no meu site, eu tento explicar em linguagem simples algumas coisas que nunca foram explicadas antes. Muitas pessoas me escreveram e me agradeceram por isso. No meu site,  você pode encontrar os melhores livros de alquimia, simbologia, vidraria e modus operandi. Editei-o em seis idiomas com a ajuda de bons amigos e irmãos da Arte. No fórum alquimista em Arquivos e Fotos há muita informação de alquimia com boas imagens. Lembro-me das dificuldades que tive e fico muito feliz em ajudar outros irmãos na Arte.

Qual é o significado da Madona Negra e Criança na página inicial do seu site e qual é a sua conexão com a Grande Obra?

Esta é uma observação muito interessante. Esta imagem tem origem espanhola. A Virgem Negra simboliza a primeira matéria do caminho seco que é: minério preto ou antimônio.

Quando a imagem da Concha do Peregrino em seu site é selecionada, três imagens de Santiago de Compostela são mostradas. Por que você tem essas imagens em seu site e como elas estão relacionadas à alquimia?

Estas imagens foram tiradas por mim em Santiago de Compostela quando viajei para esta cidade. Quem leu o livro de Flamel lembra-se da peregrinação que fez a Santiago de Compostela. Na Europa, existem alguns caminhos da França e Portugal para Santiago chamados Caminhos de Santiago. São Santiago é o padroeiro dos alquimistas e o símbolo da peregrinação é a Vieira.

Você declarou em seu site que não terminou a Grande Obra Alquímica. Você acredita que vai completá-lo?

Sinceramente não sei. Trabalhei profundamente em vários caminhos alquímicos com as matérias-primas adequadas e o resultado não foi o que os autores dos livros afirmam. Por quê? Não sei. Algumas pessoas me dizem que eu tomo o textos ao pé da letra e, portanto, os resultados não estão corretos, mas quando leio o que eles escreveram nos fóruns, vejo que eles não sabem mais do que eu. Alguns são grandes químicos (alquimistas), mas não vejo deles nenhum resultado sobre a Grande Obra. Depois de muitos anos de trabalho em alquimia, algumas vezes trabalhando com matérias perigosas como nitrato de amônio, etc, estou convencido de que o segredo é o “Alkahest” ou o dissolvente universal. eu tentei fazer seguindo Van Helmont, mas o resultado não foi o que ele afirma em seu texto e trabalhei com matérias-primas adequadas e vidraria adequada. Acho, e disse-o por vezes em vários fóruns, que a primeira questão a desvendar será algo simples um que podemos encontrar em qualquer lugar como barro de ferro. Mas o segredo principal será sempre o dissolvente ou o “Alkahest”.

Olhando para trás em sua vida, o que você faria de diferente em sua abordagem da Grande Obra?

Seria a mesma; embora na verdade eu tenha muito mais conhecimento de alquimia e prática de laboratório e conheça os melhores alquimistas modernos do mundo.

Há algo que você gostaria de dizer aos nossos leitores, muitos dos quais não são alquimistas praticantes, mas estão muito interessados ​​em aprender mais sobre a Arte?

Sim, se eles acreditam em alquimia, primeiro estudem espagíria e os livros antigos de química (espagíricos) como Lemery ou Glaser para entender a linguagem alquímica dos livros antigos que podem ser encontrados no fórum The-Alchemist e nos arquivos no meu site. Depois disso, adquira vidrarias e manta elétrica adequadas e trabalhe cuidadosamente comparando o simbolismo com a prática e os resultados no laboratório. Lembre-se, faça o trabalho antigo com
vidraria e matérias-primas – não sintéticas. Nunca execute nenhuma operação de laboratório se não tiver certeza do que acontecerá. A alquimia é como a química, mas também bem diferente. As reações são as mesmas e se não souber o que ele está fazendo, ele coloca sua vida e as pessoas próximas a você em perigo. Sugiro que todas as pessoas interessadas em alquimia se inscrevam em um fórum de alquimia e troquem informações sobre os procedimentos alquímicos que são
usando com as outras pessoas que têm mais experiência. Bom trabalho.

Obrigado, Rubelo Petrino.

Rubellus Petrinus pode ser contactado através do email: r.petrinus@netcabo.pt . Seu site está em http://pwp.netcabo.
pt/r.petrinus/

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-pedra-vermelha-entrevista-com-o-alquimista-rubellus-petrinus/

Vibração

 “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra.”

O som é uma forma de energia causada por vibração; combinando com o ritmo, resulta em música. As vibrações passam para a atmosfera sob a forma de propagação ondulatória quando então o ouvido humano torna-se capaz de captá-las, resta o cérebro para fazer a interpretação para dar sentido.
O número de vibrações na unidade de tempo chama-se freqüência. As unidades de medida de freqüência sonora são representadas pelo Hertz. Por sua vez, notas musicais são vibrações sonoras comunicadas através do ar e as freqüências de todas as notas de uma escala musical ficam definidas quando se fixa a freqüência de uma delas. Os músicos de hoje fixam a freqüência da nota La com 440Hz, mas sabemos que em outras épocas não havia esse padrão.

Há muitos outros mistérios a serem compreendidos nesta passagem, no entanto, quando estudamos física, mais especificamente sobre o movimento ondulatório, descobrimos que o som ritmado, como a marcha dos soldados, pode determinar uma sobrecarga vibratória por ressonância suficientemente forte para acarretar o desmoronamento de uma ponte. 

Dentre muitos outros exemplos que poderiam ser citados há o caso de um edifício na França onde funciona o Instituto de Pesquisas Físicas de Ultra-sons que começou a apresentar rachaduras, embora ninguém escutasse som algum, foi confirmado que o problema tinha como causa as vibrações sonoras em nível de ultra-sons. 

#Arte

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/vibra%C3%A7%C3%A3o

Mapa Astral de Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte (em francês: Napoléon Bonaparte, nascido Napoleone di Buonaparte; Ajaccio, 15 de agosto de 1769 — Santa Helena (território), 5 de maio de 1821) foi um líder político e militar durante os últimos estágios da Revolução Francesa. Adotando o nome de Napoleão I, foi imperador da França de 18 de maio de 1804 a 6 de abril de 1814, posição que voltou a ocupar por poucos meses em 1815 (20 de março a 22 de junho). Sua reforma legal, o Código Napoleônico, teve uma grande influência na legislação de vários países. Através das guerras napoleônicas, ele foi responsável por estabelecer a hegemonia francesa sobre maior parte da Europa.

Mapa Astral

O Mapa de Napoleão mostra Sol e Mercúrio em Leão; Lua em Capricórnio-Aquário (Cavaleiro de Espadas); Vênus em Câncer; Marte e Netuno em Virgem; Júpiter em Escorpião e Saturno em Câncer-Leão (Cavaleiro de Bastões). O planeta mais forte do mapa é Marte, que dá ao mapa a característica básica de estrategista.

Sol e Mercúrio em Leão mostram uma pessoa com capacidades de liderança acima da média, e pensamentos capazes de vender qualquer idéia ou ideal, também capaz de pensar grande (como um publicitário ou alguém que venda idéias ou produtos). Marte em Virgem indica uma pessoa extremamente estrategista, influenciando em aspectações fortes todo o restante do mapa, como um jogador de xadrez, que gasta sua energia empenhado em ser o melhor na área técnica em que escolheu lutar. Sua lua faz com que ele tenha a capacidade de conhecer todas as regras e quebrá-las (excelente energia para um estrategista, pois lhe confere a facilidade de enxergar todas as peças do tabuleiro e pensar em movimentos utilizando as regras do jogo que seus adversários não esperam que sejam feitas. Seu Júpiter (e possivelmente seu Ascendente também) em Escorpião o impulsionam para o poder e a política; a facilidade de tomar conta de muitas pessoas (um exército, um Império…). Saturno em Cavaleiro de Bastões faz com que esta energia se torne um líder “que carrega a bandeira”.

O mapa de napoleão indica uma pessoa que estava plenamente dentro de sua Verdadeira Vontade como líder militar e estrategista.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-napole%C3%A3o-bonaparte

Mapa Astral de Paulo Coelho

Paulo Coelho nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 24 de agosto de 1947. Filho do engenheiro Pedro Paulo Coelho e de Lígia Coelho. Fez seus estudos no Rio de Janeiro. É casado, desde 1981, com a artista plástica Christina Oiticica. Antes de dedicar-se inteiramente à literatura, trabalhou com diretor e autor de teatro, jornalista e compositor. Escreveu letras de música para alguns dos nomes mais famosos da musica brasileira, como Elis Regina e Rita Lee. Seu trabalho mais conhecido, porém, foram as parcerias musicais com Raul Seixas, que resultou em sucessos como “Eu nasci há dez mil anos atrás”, “Gita”, “Al Capone”, entre outras 60 composições com o grande mito do rock no Brasil.

Seu fascínio pela busca espiritual, que data da época em que, como hippie, viajava pelo mundo, resultou numa série de experiências em sociedades secretas, religiões orientais, etc. O Alquimista é um dos mais importantes fenômenos literários do século XX. Chegou ao primeiro lugar da lista dos mais vendidos em 18 países. Tem sido elogiado por pessoas tão diferentes como o Prêmio Nobel de Literatura Kenzaburo Oe, o prêmio Nobel da Paz Shimon Peres, a cantora Madonna e Julia Roberts, que o consideram seu livro favorito. A edição ilustrada pelo famoso desenhista Moebius (autor, entre outros, dos cenários de O Quinto Elemento e Alien) já foi publicada em vários países. The Graduate School of Business of the University of Chicago recomenda o romance no seu currículo de leitura. Também foi adotado em escolas da França, Itália, Brasil, Estados Unidos, dentre outros países.

Mapa Astral

Com Sol, Mercúrio e Vênus cravados na posição Leão-Virgem (Rei de Moedas); Lua em Sagitário; Ascendente em Touro e Caput-Draconis em Touro-Gêmeos (Rei de Espadas); Marte em Câncer; Júpiter em Escorpião e Saturno em Conjunção com Plutão em Leão.

A combinação das Energias de Leão e Virgem (Rei de Moedas), que são as mais fortes no Mapa de Paulo Coelho, foi descrita por Vicky Noble como “Uma pessoa que aprendeu a trabalhar no plano físico de tal maneira que será bem sucedido no que quer que faça. Saber aonde ir e como chegar lá”. Mistura o brilhar leonino com o trabalhar virginiano. Seu Planeta mais forte é Mercúrio (por que não estou surpreso?)

A Lua em Sagitário é a lua dos otimistas, das pessoas capazes de observar o mundo ao seu redor e formular regras, leis e interpretações a respeito dele. Paulo Coelho poderia ter sido um filósofo bem sucedido (na verdade, ele nunca deixou de sê-lo) mas a energia de Júpiter em Escorpião o levou para a área do hermetismo, magia e do ocultismo, onde provavelmente conseguiu travar contato com seu Sagrado Anjo Guardião.

Saturno em Leão nas oitavas mais altas implica em responsabilidade com o que se comunica; a restrição e o cuidado com que se trabalha a própria imagem e o que se quer expor… É uma energia indispensável a reis e pessoas que estarão servindo como exemplo para outras.

Seu Caput-Draconis é o resultado destas decisões e o que ele está realizando agora: o Rei de Espadas, senhor das palavras que reúne a curiosidade e comunicabilidade geminiana com a profundidade taurina. Posso afirmar com toda a certeza que ele conhece muito sobre magia e ordens iniciáticas. Muito mais do que 99% dos manés que o criticam…

Se a Alquimia é realizar a Verdadeira Vontade e ser bem sucedido no que se ama fazer; e magia é a arte de concretizar em Malkuth o que se projeta em Yesod, não resta a menor sombra de dúvida que Paulo Coelho é um dos maiores magos deste século. Os pseudo-céticos e babacas de plantão costumam xingar a sua obra sem ler (engraçado que só aqui no Brasil, reino da Igreja Católica e Evangélica, os criticos do resto do mundo sempre o elogiaram bastante) simplesmente porque ele teve a ousadia de se declarar mago em público.

Seus textos, em linguagem coloquial e facilmente compreensíveis, trouxeram milhões de pessoas em contato com o universo da espiritualidade (pessoas com bem menos oportunidades do que os leitores deste blog, diga-se de passagem, que de outra maneira nunca teriam sequer descoberto este caminho) e ajudaram muito a melhorar o karma do planeta.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-paulo-coelho

Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz (AMORC)

O livro “O Domínio da Vida” distribuído pela AMORC aos seus candidatos apresenta a Ordem como tendo nascido a quase 3.500 anos, no Egito. Nesta época o velho Egito atingiu um grau elevado da sua evolução, a religião e os conhecimentos científicos se fundiram. Para preservar esses conhecimentos foram criadas as escolas-de-mistérios, administrada pelos sacerdotes. A primeira reunião teria ocorrido no dia 1º de abril de 1489 a.C., no Templo de Kanark. A partir desta data, passaram a se reunir todas as quintas-feiras subseqüentes. A princípio, não foi usado nenhum nome parecido ou derivado da palavra rosacruz. A Ordem Rosacruz apenas tem suas raízes na antiga Fraternidade.

O faraó Ahmose I (1580 a.C.), foi o primeira a dirigir essa classe, antes governada pelos altos sacerdotes do Egito. É tido como fundador da Ordem o Faraó Tutmés III, da XVIIIª dinastia, por volta de 1350 a.C. Teria o Faraó fundado uma fraternidade secreta, com o objetivo de estudar os mistérios da vida, assim como as tradições osirianas. Tutmés III usava sua insígnia pessoal, um escaravelho, que se tornou selo da ordem e hoje é usado pelos rosacruzes. Após A morte deste faraó, seu filho Amenhopet II passa a reger e assume os encargos do pai na fraternidade em setembro de 1448 a.C.. Em 1420 a.C. foi sucedido por seu filho, Thutmose IV, e este por Amenhopet III, que finalmente foi sucedido por seu filho Amenófis IV (ou Akhenaton – XVIII Dinastia), que particularmente é importante na história da Ordem Rosacruz. Considerado o primeiro Grande Mestre da Ordem, seu reinado é marcado pela instauração aos poucos do conceito monoteísta, a crença em um Deus único, criador de tudo o que existe. Esse deus chamava-se Aton, e acabou dando um novo nome ao faraó; Akhenaton (Devoto de Aton) [leia sua biografia na nossa área de Biografia dos Grandes Ocultistas]. Seu pai construíra o templo de Luxor, dedicado a fraternidade.

Foi Akhenaton quem construiu uma nova capital em El Amarna e um templo em forma de cruz dedicado à Aton. Neste templo vivia cerca de 236 Frates em regime monásticos. Eles usavam um cordão na cintura e viviam com a cabeça coberta. O sacerdote vestia um sobrepeliz de linho e tinha um corte de cabelo circular na cabeça. Akhenaton introduziu a cruz e a rosa como símbolos e adotou a CRUZ ANSATA Como emblema a ser usado por todos os mestres da ordem.

Com a morte de Akhenaton , terminou a primeira fase da Fraternidade. E os sacerdotes contrariados retomam o culto politeísta para agradar ao povo.

Não se pode esquecer que Moisés, filho da tribo de Levi, foi criado no Egito como filho de faraó Amenhotep, recebeu a educação de um herdeiro, freqüentou as escolas egípcias e provavelmente as escolas-de-mistérios, onde adquiriu o dogma de Monoteísmo. O dogma do “Deus Único”, era interpretação da Fraternidade Egípcia e constituía ensinamentos do Faraó Akhenaton que fundara a primeira religião monoteísta conhecida pelo homem.

Com a queda do império egípcio, cabe às Escolas de Mistério gregas perpetuarem os segredos.

Segundo os escritos da AMORC, durante o século XII, ela se desenvolveu na Alemanha, mas era secreta e inativa em suas manifestações externas. Este período de inatividade duraria cerca de 108 anos. Segundo muitos historiadores a fraternidade funcionava em períodos de atividades e outro de inatividade alternadamente e cada período duraria cerca de 108 anos, porém não se sabe porque esses ciclos foram adotado. Parece que a cada novo ciclo a Ordem renasce e sem ligações com os ciclos anteriores., sabe-se também que a diferença nos ciclos de atividade e inatividade, variava de país para país. Por isso quando a Fraternidade estava ativa na Alemanha, ela estava inativa na França. Esta falta de coincidências dos ciclos dificulta muito os estudos históricos para determinar a origem exata da Fraternidade em cada país.

O novo ciclo teve início no ano de 1915 (em 2007 teremos 92 anos de atividade), nos Estados Unidos, com Harvey Spencer Lewis primeiro Imperator sendo ele mesmo seu representante perante a FUDOSI, uma federação independente de ordens esotéricas. No início a sede da AMORC era na cidade de Nova Iorque, tendo lojas em São Francisco e Tampa, no estado da Flórida. A sede da Suprema Grande loja foi deslocada em 1927 para San José, na Califórnia. Em 1990, a sede foi transferida para a Cidade de Quebec, no Canadá.

O Dr. Lewis teria sido iniciado na tradição rosacruciana na Europa, em Toulouse, na Ordre Rose-Croix, por Emille Dantine. Como parte desse iniciação, foi ortogado ao Dr. Lewis cartas de autorização para fundar a AMORC como um novo corpo rosacruciano nos Estados Unidos. Através de seus inúmeros contatos europeus, o Dr. Lewis se associou à Madame May Banks-Stacy, uma das últimas sucessores da colônia original de rosacruzes que migraram para a América nos fins do século XVII. Já no final dos anos 20, ele se tornou uma figura notável e muito conhecida no mundo esotérico. Harvey Spencer Lewis morreu em 1939 e lhe sucedeu no cargo de Imperator seu filho, Ralph Maxwell Lewis, quem lhe servia anteriormente de Grande Secretário. Gary L. Stewart foi apontado para o cargo de Imperator para susceder Ralph Maxwell Lewis em 1987. O atual Imperator é Christian Bernard, que foi eleito para o cargo de Imperator em 1990.

A Ordem também é conhecida por seu nome em Latim, Antiquus Mysticusque Ordo Rosæ Crucis ( = Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz, de onde temos a sigla AMORC). Esta denominação é a simplificação de “Antiga e Arcana Ordem da Rosa Vermelha e da Cruz Dourada”.A AMORC é a maior fraternidade rosa-cruz existente, em número de membros e de países em que possui membros ativos. Hoje, essa sociedade possui lojas em mais de 50 países.

A AMORC considera que provavelmente foi filósofo e ensaísta inglês Sir Francis Bacon (1501-1626) o autor do Fama Fraternitas e de outros trabalhos que reavivaram a Ordem na Alemanha. O livro “The New Atlantis”, escrito por ele, parece indicar esta conexão, segundo a Ordem.

A Segunda Grande Guerra Mundial teve um impacto devastador sobre os membros de muitas ordens esotéricas, já que tais ordens passaram para ilegalidade sob as leis nazistas de Adolf Hitler. Várias lideranças conhecidas foram presas, perseguidas, e em alguns casos, assassinadas pela GESTAPO. Outros ainda encontraram seu triste fim em campos de concentração, como prisioneiros comuns. A AMORC, estando protegida de tais perseguições, estando bem fundada nos Estados Unidos, cresceu imensamente nesse duro período. Após a destruição causada pela guerra, muitas ordens encontraram a apoio necessário na AMORC para retomarem seus trabalhos. Eventualmente, muitas ordens foram incorporadas pela administração da AMORC, em San José, como é o caso da Ordre Rose-Croix e da Ordre Martiniste Traditionnel (Tradicional Ordem Martinista – TOM).

A hierarquia da AMORC compreende 12 graus.

A Ordem Rosacruz-AMORC apresenta-se oficialmente com o símbolo do Sol Alado tendo acima a palavra “AMORC” e abaixo “Ordem Rosacruz”, Segundo a Ordem, através da história um número proeminente de pessoas no campo da ciência e das artes foram associados com o movimento Rosa Cruz, como Leonardo da Vinci (1452-1519), Francoix Rabelais (1494-1553), René Descartes (1596-1650), Blaise Pascal (1623-1662), Baruch Spinoza (1632-1677), Isaac Newton (1642-1727), Gottfried Wilhelm Leibnitz (1646-1716), Benjamin Franklin (1632-1677), Thomas Jefferson (1743-1826), Claude Debussy (1862-1916), Erik Satie (1866-1925) e Edith Piaf (1915-1952).

A Grande Loja do Brasil da Ordem Rosacruz implantada em 1956 no Rio de Janeiro, foi transferida para Curitiba em 1960. O templo faz parte de um conjunto arquitetônico de 06 edifícios em estilo egípcio em homenagem aos seus primeiros membros que (supostamente) se reuniam nas câmaras secretas da grande pirâmide. Nos outros edifícios funcionam a administração geral, o auditório “H. Spencer Lewis”, um memorial com pirâmide e a Loja Curitiba, onde funcionam a biblioteca e o museu com reproduções de peças egípcias de várias dinastias, inclusive papiros e múmias.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/antiga-e-mistica-ordem-rosa-cruz/

John Dee: Anjo para Uns, Demônio para Outros

Por Dave Evans.

As tensões religiosas dentro da heresia cristã de John Dee.

Dee viveu em meio a mudanças religiosas e científicas extremas, e esteve na vanguarda do movimento que empurrou os limites da ciência e da magia. Isto foi feito com a grande dificuldade de não ser pego pela lei, o que ele provou dentro da própria Corte Real. Feiticeiros, astrólogos, bruxas e profetas estavam todos em perigo de serem processados naquela época. John Dee foi sem dúvida um deles, e mais; ele viveu mais de 80 anos, viu cinco monarcas e experimentou três mudanças de religião estatal.

Esta sobrevivência pode se dever particularmente ao fato de que as elites eram mais seguras do que as bruxas da aldeia pobre. Dee nasceu em uma pequena família na Corte, e teve uma excelente educação, o que ajudou a protegê-lo; embora outros ocultistas de nota tenham tido menos sorte: John Lambe, por exemplo, foi apedrejado até a morte por uma multidão enfurecida.

Entretanto, Dee teve a distinção de alienar as autoridades protestantes e católicas durante sua vida, e é provável que tenha sobrevivido, pelo menos na Inglaterra, por causa dos serviços especiais que prestou à Coroa, inclusive sendo espião no continente.

Para Dee, tudo era uma busca pelo conhecimento, e ele era em grande parte responsável pela qualidade da ciência na Inglaterra, tão pouco estudo parece ter sido feito fora de seu próprio círculo. Ele usou a magia como um meio simples de se esforçar para conseguir:

“Um conhecimento mais profundo de todas as ciências, passadas, presentes ou futuras”.

E sua concepção de iluminação viu a ciência e a magia como uma só. Isto foi difícil de racionalizar, e Dee tem sido criticado por historiadores modernos por sua inconsistência, “pensamento eclético e flutuante”. Isto dificilmente parece ser inevitável em toda uma carreira em pelo menos sete disciplinas diferentes praticadas ao longo de cerca de 60 anos, um período de incalculável mudança intelectual.

Dee obteve seus diplomas em Cambridge e em Leuven, onde foi aluno do geógrafo Mercator. Esta relação duradoura permitiu a realização de exploradores britânicos como Raleigh e Frobisher. Dee também recebeu Ordens Sacras na Igreja da Inglaterra, apesar de suas raízes católicas. Ele viajou e estudou muito em sua juventude e aos 23 anos já era famoso na Europa como filósofo, recebendo inúmeras ofertas de monarcas estrangeiros. Ele os recusou, no entanto, permanecendo leal à Inglaterra e retornou em 1550 para aconselhar o governo sobre navegação, cargo que ocupou por 30 anos, auxiliado por seu primo, William Aubrey.

Durante o reinado de Eduardo VI, ele já ocupava um alto cargo na corte como matemático. Quando Maria chegou ao trono, foi-lhe pedido pela curiosa Isabel que elaborasse um horóscopo para ela e sua irmã, a rainha Maria. Isto era uma traição potencial, pois aplicar meios mágicos para prever eventos como a morte de um governante poderia ser politicamente muito perigoso; previsões mágicas poderiam levar a eventos induzidos magicamente. Ele foi, portanto, preso por três meses; depois foi absolvido depois de se defender.

Foi um caminho teológico desconfortável que Dee teve que tomar. Ele escreveu a Maria em 1556, alegando que os escritos e monumentos antigos fossem preservados; mas ele teve que escrever sua carta de tal forma que não podia ser visto como promovendo a sobrevivência dos escritos heréticos protestantes.

Apesar de criado como católico, as crenças de Dee poderiam hoje ser chamadas de Cientificismo Cristão, mas com uma grande parte reservada à magia cerimonial. Pode não haver conflito entre ser um cristão devoto e conversar com anjos; na verdade, talvez seja por isso que se possa conversar com anjos, porque a crença neles é tão forte. Entretanto, o cristianismo puro parece errado quando meios mágicos não cristãos são usados para chamar anjos, especialmente em uma época em que não havia como distinguir os anjos dos demônios.

Dee era bibliófilo e antiquário, ampliando sua casa várias vezes para acomodar uma coleção sempre em expansão (e para abrigar vários estudantes de ciência e magia) e tinha a maior biblioteca da Inglaterra com cerca de 4000 livros. Foram estas que foram confiscadas de bruxas suspeitas. Tais livros, os ‘livros de círculos’, podem ter sido livros de geometria, mas veja a Heptarchia (a referência on-line é dada no final deste artigo) e especialmente a página 32, para mais exemplos ocultos; e considere que o policial médio pode se concentrar em imagens enquanto as investiga.

Em todos os casos, matemática, astrologia e bruxaria estavam fortemente associadas a temas mágicos, e a ciência era fumaça e espelhos.

Numa inversão de atitude, sob a rainha Elizabeth, Dee foi designada para selecionar a data mais favorável para a coroação, via precisamente a mesma astrologia para o monarca pelo qual ele havia sido anteriormente encarcerado. Imagine seu constrangimento. Tal mudança abrupta de atitude, de certa forma, sublinha a forma como a sociedade define os criminosos.

Elizabeth também empregou Dee para combater a bruxaria usada contra ela, e ele tinha editos especiais de Elizabeth que o protegiam de :

“Quem em seu reino deveria procurar, em razão de seus valiosos estudos e exercícios filosóficos, derrubá-lo injustamente”.

Isto deve ter sido necessário porque, apesar de uma reputação muito alta na corte, muitos nobres e alguns da população o viam como um feiticeiro perigoso. Isto desenha paralelos com o teatro contemporâneo e o mágico de Marlowe no Doutor Fausto, a quem o Imperador promete que “o que quer que você faça, não será prejudicado ou abusado de forma alguma”. A proteção seria igualmente vital na espionagem; onde Dee seria frequentemente incapaz de explicar um comportamento suspeito por medo de exposição. Infelizmente não posso discutir aqui as possíveis ligações com Marlowe, que também era um espião.

Dee viajou muito e na sua ausência Elizabeth foi uma forte defensora; como seus livros publicados no continente muitas vezes chegavam à Inglaterra antes dele, a fim de reter os clérigos e acadêmicos que não os entendiam.

Inusitado para a época, Dee escreveu principalmente em inglês, alcançando assim mais da classe educada do que o latim teria feito.

Além de seus trabalhos científicos, Dee continuou suas experiências ocultas, usando bolas de cristal, mas achando-as difíceis de usar. Ele empregava um médium de Lancashire, Edward Kelly. Kelly já foi condenada por fraude, perdendo um ouvido por tal crime.

Durante as sessões psíquicas, Kelly se comunicou com inúmeros anjos que lhe deram profecias e ditaram uma nova linguagem que Dee chamou de ‘Enoquiano’. Tem sido sugerido que Kelly fez o próprio Enoquiano, mas um homem jovem e semialfabetizado nunca teria sido capaz de construir uma linguagem coerente e consistente que não tivesse nenhuma conexão com as línguas existentes. É mais provável que tenha sido a Dee polimática que o fez.

Em 1583 havia rumores de que eles estavam fazendo ouro por alquimia. Isto gerou grande interesse entre a realeza europeia e um nobre polonês, Laski, os convidou para trabalhar em sua casa. Dee e Kelly deixaram a Inglaterra e realizaram experiências alquímicas e mediúnicas caras que colocaram as finanças de Laski em risco. Apesar das profecias políticas angélicas, que previam a realeza de Laski, ele decidiu enviá-las e seus custos ao Imperador Rudolph II, que estava fascinado pela alquimia.

Rudolph ficou muito impressionado, porém, sua alquimia logo levou a queixas de bruxaria e heresia, com o Papa exigindo sua prisão. Rudolph permitiu que eles escapassem. Dee e Kelly tornaram-se então astrólogos independentes, viajando pela Europa, trabalhando para o Rei da Polônia e a nobreza bávara, enquanto espionavam os interesses espanhóis.

As sessões mediúnicas continuaram, mas Kelly, que de repente ficou muito agitada, estava convencida de que o cristal não estava mostrando anjos, mas demônios. Kelly tentou sair, mas foi forçado por Dee a ficar e explicar. Kelly confessou então, relutantemente, que os anjos tinham ordenado que compartilhassem suas esposas, sexualmente.

Eles estavam tão envolvidos no trabalho angélico e, como sua saúde financeira dependia em grande parte das comunicações angélicas para os patrões ricos, eles trocaram esposas. Isto, apesar das próprias mulheres, a grande diferença de idade entre os quatro indivíduos e a imoralidade da situação. Isso seria psicologicamente muito difícil para os cristãos devotos contemporâneos, então o que dizer disso no século XVI

O “ménage à quatre” não durou muito tempo. Dee retornou à Inglaterra em 1589. Kelly continuou como ocultista itinerante. Ele foi preso em várias ocasiões por várias atividades ocultistas e fraudulentas e morreu por ferimentos recebidos durante uma tentativa de fuga em 1595.

Quando ele voltou para casa, quase falido após seis anos de viagem, Dee encontrou sua casa saqueada e muitas de suas obras destruídas ou roubadas. A ausência do tribunal também havia reduzido sua popularidade. Tendo estado a favor da Rainha, ela agora estava fora de contato e lhe deu um posto de ensino longe de Londres, um insulto a um acadêmico como Dee. Para sobreviver, ele teve que vender seus livros restantes e continuou suas experiências ocultas até sua morte em 1608.

Meu primeiro artigo, Heptarchia (referências on-line no final do artigo) é uma fascinante mistura de magia cerimonial e panteísmo com uma tentativa de cristianização. Não foi publicado durante a vida de Dee, mas foi usado como material didático em cópias manuscritas, e como tal pode muito bem ter caído nas mãos das autoridades. Ao longo do texto há referências ao poder de Deus, orações a Deus, etc., que podem ser lidas como cristãs, mas há muitas passagens, apenas uma delas seria suficiente para acusar Dee de bruxaria, heresia ou traição:

“Pois somos deuses”. Criaturas que governaram, que governam e que governarão sobre você”, Heptarchia página 1.

Uma pluralidade de deuses eternos não é uma singularidade cristã, e como tal é uma heresia grave.

“Estes (anjos) estarão sujeitos a você”, Heptarchia página 3.

Dee recebe poder sobre os anjos – uma blasfêmia, pois somente Deus deveria ser capaz de fazer isso. Da mesma forma:

“…o Príncipe Geral, Governador ou Anjo que é o Principal neste mundo”, Heptarchia página 7.

Este não é o Deus cristão, e pode ser o Diabo. Se eles não são anjos, então podem ser demônios ou espíritos familiares, ter relações sexuais com eles é um crime.

“Através delas você fará maravilhas”, Heptarchia página 3.

“A alteração da Corrupção da Natureza, em Perfeição”, Heptarchia página 28, “obras maravilhosas”, Heptarchia página 29.

Estes são milagres, que só Deus pode fazer, e na doutrina protestante eles simplesmente não existem mais.

“Eles são reis caídos e iníquos, cujo poder foi quebrado por Mim, assim farás”, Heptarchia página 3.

Dee tem o poder de realizar mudanças políticas; material imensamente perigoso para escrever sobre. Embora ele tenha sido avisado:

“Grande cuidado deve haver para aquele que se intromete nos assuntos dos príncipes”, Heptarchia página 4.

E ele é informado mais adiante:

“Você está entrando em novos mundos, novas pessoas, novos reis e novos conhecimentos de um novo governo”, Heptarchia página 30.

Dinamite política e traição.

“… espíritos… que guardam a terra e seus tesouros”, Heptarchia página 22.

Magia para descobrir um tesouro enterrado foi um crime e parece que Dee adivinhou ou procurou adivinhar a localização de um tesouro enterrado por vários meios.

“Seu poder está sobre as águas”, Heptarchia página 30.

Isto se refere ao controle mágico da terra. Uma tempestade repentina que destruiu a Armada tem todas as marcas do sobrenatural, e Dee usou tanto suas habilidades de espionagem, navegação e ocultismo contra os navios espanhóis. Sua capacidade de alterar o tempo seria perigosa para Dee em sua vida posterior, quando James tornou-se rei, pois as bruxas de Bernwick foram executadas em 1591 por levantar uma tempestade contra os navios de James.

O principal anjo na Heptarchia (e outros manuscritos da Dee) é Uriel. Na Tempestade de Shakespeare, o anjo chefe é Ariel. A cena de abertura envolve uma tempestade mágica que leva um navio até a ilha de Prospero e ele também tem uma biblioteca fantástica. Há muitos outros paralelos entre Próspero e Dee, que Shakespeare pode ter encontrado já que Dee fez vários efeitos especiais para o Globe Theater. A Tempestade foi realizado três anos após a morte de Dee.

Como vimos, na Europa a Dee poderia entrar em todas as escolas de prestígio como um colega intelectual. Na Inglaterra ele era considerado com medo e desconfiança. No entanto, foi talvez apenas com a sua morte e os retratos simpáticos subsequentes, juntamente com a liberalização religiosa e uma compreensão crescente do valor de seu trabalho em matemática, navegação, filosofia e ciência em geral, que a sociedade inglesa naquela época foi capaz de aceitá-lo como algo mais do que um objeto de superstição, e sua imagem foi reabilitada.

Notas:

NB/ meu título: ‘Anjos para uns, demônios para outros’ é uma frase emprestada de uma ficção de terror, ‘The Hellbound Heart’ de Clive Barker, que é o roteiro do filme ‘Hellraiser’, onde esta frase é uma das partes centrais do diálogo.

Há pelo menos quatro biografias de Dee em papel, nenhuma delas é verdadeiramente abrangente.

Referências on-line: John Dee, De Heptarchia Mystica, (Diuinis, ipsius Creationis, stabilis legibus) Collectaneorum 1582. (On-Line) Peterson. J.H. (ed) versão, 1997, British Library Ms. Sloane 3191. <http://www.esotericarchives.com/dee/hm.htm>.

E seu Mysteriorum Libri Quinque ou, Five Books of Mystical Exercises de John Dee.

Uma Revelação Angélica da Magia Cabalística e outros Mistérios Ocultistas e Divinos revelados ao Doutor John Dee e Edward Kelly, 1581 – 1583. <http://www.esotericarchives.com/dee/sl3188.htm>.

Um site muito útil: The John Dee Society. <http://www.johndee.org/>

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EVANS, Daves. John Dee : Ange pour certains démon pour d’autres.
Traduction française par Spartakus FreeMann, Zénith de Libertalia, février 2004 e.v. EzoOccult, 2004, 2020. Disponível em: <https://www.esoblogs.net/42/anges-pour-certains-demons-pour-d-autres/>. Acesso em 15 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/john-dee-anjo-para-uns-demonio-para-outros/

Aleister Crowley: o Homem Mais Perverso do Mundo

Por Mike Karn

Revista The Square, volume 43, n° 2, junho 2017, páginas 32-34.

Aleister Crowley é considerado uma das figuras mais notáveis e sinistras do século passado. Ele foi um renomado estudioso que usou seu incrível intelecto para se tornar um especialista e praticante do ocultismo e da magia negra. Tão grande era o seu domínio que, para muitas pessoas, ele se transformou na personificação absoluta do mal. Seus ritos, orgias e cerimônias profanas chocaram até mesmo os mais cínicos e despertaram curiosidade, fúria e ódio nas outras pessoas.

​Ele sempre insistiu que seu nome fosse pronunciado como “Crow-ly” – muitas vezes acrescentando, com um sorriso malicioso: “para rimar como holy [sagrado]!”. No entanto, provavelmente é difícil, para quem desconhece a reputação de Crowley, imaginar a controvérsia que seu nome incitou no público em geral – e o ódio e medo que sentiram.

​Crowley nasceu no auge da era vitoriana, em 1875, em Leamington, Warwickshire, Inglaterra. Proveniente de uma família próspera adepta da seita dos Irmãos de Plymouth, ele foi devidamente batizado como Edward Alexander Crowley. Foi criado para acreditar que Deus era todo-poderoso e que o livre-arbítrio não era uma opção. Seu pai, Edward, era de uma rica família quaker, e ele e sua esposa, Emily, eram fanáticos religiosos que se juntaram aos Irmãos de Plymouth na fundação da seita.

​Para Crowley, o Cristianismo assumiu proporções extremas e se tornou o inimigo. Em seu tormento, ele procurava ajuda e conforto em outras fontes – essa direção por fim levava ao inimigo natural: o demônio. Ele se rebelou totalmente contra a religião de sua família e posteriormente mudou seu nome para Aleister, para não partilhar do mesmo nome de seu pai, Edward.

​Crowley teve uma infância muito infeliz. Seu pai viajava pelo país pregando, enquanto sua mãe rezava, lamentava e atormentava o filho. O pior ainda estava por vir: seu pai faleceu quando ele tinha 11 anos de idade, e sua guarda foi concedida à mãe de seu irmão, que o tratava com crueldade. Isso só foi ultrapassado por um mestre sádico de uma escola dos Irmãos Plymouth, à qual foi confiado.

​Portanto, quando criança, Crowley rezou para o demônio em segredo, para se manter protegido de sua mãe, de seu tio, do mestre e dos garotos que o maltratavam na escola. Seus sentimentos em relação ao Cristianismo e à sua família eram de puro ódio, e ele não foi criado como uma criança normal. No início de sua adolescência, como seu comportamento comum era não aceitar a doutrina dos Irmãos Plymouth, a mãe de Crowley o amaldiçoou e passou a chamá-lo de “a besta”, cujo número era 666, conforme o Livro do Apocalipse no Novo Testamento da Bíblia. Em vez de ficar ofendido com isso, ele adotou o nome e agiu como se não houvesse mais nada a fazer a não ser aceitá-lo.

Crowley frequentou a Malvern College como uma criança oprimida e mentalmente perturbada. Uma escola pública não era lugar para um garoto tão tímido e estranho, e ele sofria agressões físicas e psicológicas, a ponto de ser retirado da escola e transferido para a Tonbridge School. Mas então houve uma transformação nele. Crowley tinha crescido e se tornou forte física e mentalmente. Ele passou por uma mudança completa, como se algo tivesse sido despertado dentro dele. Deixando de lado toda a sua insegurança, superou os intimidadores e se transformou em um deles.

Nessa época, ele começou a praticar alpinismo. O cabo de Beachy Head e as montanhas galesas foram os cenários de suas primeiras expedições, mas então ele começou a escalar penhascos que ninguém jamais havia ousado, e realmente obteve muitas experiências na escalada.

Em 1895, aos 20 anos de idade e denominando-se Aleister, foi para a Trinity College, em Cambridge, como graduando do curso de ciência moral. Ele também escreveu, estudou poesia e continuou a praticar alpinismo. Crowley era considerado um jovem com um futuro promissor, mas enveredou pelo ocultismo e por todas as formas de imoralidade. Ele vivia como um aristocrata privilegiado e mantinha uma vida sexual vigorosa, conduzida com prostitutas e mulheres que ele escolhia nos bares locais, mas isso posteriormente se estendeu a atividades homossexuais. Ele também começou a publicar poesia explicitamente sexual.

Quando frequentava a Trinity College, conheceu Allan Bennett. Os dois se interessaram pelo ocultismo e começaram a experimentar rituais mágicos. Ao que tudo indica, eles obtiveram resultados impressionantes, incluindo a manifestação de uma hoste de seres sobrenaturais e de atividades de espíritos.

Em 1898, Crowley e Bennett se juntaram à Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) em Londres, que praticava magia ritualística, alquimia, astrologia, tarô e outras ciências ocultas. A ordem foi fundada em 1887 por três membros da Maçonaria: Samuel MacGregor Mathers, William Robert Woodman e dr. William Wynn Westcott. Todos eles também foram membros da Sociedade Rosacruciana.

A Golden Dawn afirma que sua origem remonta de documentos codificados na posse de Wynn Westcott, segundo os quais o grupo era uma ramificação da Ordem Rosacruz alemã. Eles conceberam cinco rituais nos moldes maçônicos, que foram expandidos por Mathers. Sua influência no desenvolvimento do ocultismo moderno ocidental foi profundo, e muitos grupos afirmam serem originados da Golden Dawn.

Um ano depois, um fundo em depósito que foi estabelecido após a morte de seu pai lhe foi liberado. Crowley se tornou um homem rico, sem ter que depender mais de sua família. Ele abandonou a universidade sem concluir o curso, adquiriu um apartamento em Londres e começou a se dedicar a seus estudos ocultistas. Crowley tinha uma aptidão natural para a magia e logo fez avanços, tornando-se um mago poderoso, assim como seu amigo Allan Bennett.

Crowley não apenas se aprofundou no ocultismo, mas também foi promovido rapidamente pelos graus da Golden Dawn. Em 1889, ele completou os estudos necessários para obter o grau de Adeptus Minor. Entretanto, por causa de suas atitudes e de seu comportamento homossexual, o líderes em Londres o consideraram inadequado para avançar na Segunda Ordem. Então, Crowley foi para a França, onde o líder da Golden Dawn em Paris, MacGregor Mathers, o iniciou na Segunda Ordem.

Posteriormente, em 1900, a Golden Dawn foi fragmentada. Mathers, em uma tentativa de se unir à Loja londrina e se tornar um líder incontestável da ordem, mandou Crowley para a Inglaterra como seu “enviado especial”. Crowley fez uma tentativa frustrada de obter novamente o controle das propriedades da ordem em nome de Mathers. Ele surgiu em uma reunião ritualística vestido de maneira excêntrica com traje escocês completo e um capuz preto. Pouco tempo depois, Mathers e Crowley foram expulsos da ordem.

Crowley era maçom. Registros apontam que ele foi para a França em 1903, onde foi iniciado na Maçonaria na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris. Essa era uma Loja principalmente para expatriados e para aqueles que não podiam se afiliar à Maçonaria na Inglaterra por causa dos altos padrões da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Crowley afirmou ter sido recomendado por um Past Grão-Capelão Provinciano de Oxfordshire. No entanto, não existem evidências documentadas disso, e Crowley certamente nunca foi iniciado na Maçonaria inglesa. Posteriormente, ele continuou tentando ser admitido em reuniões de Lojas em Londres, mas frequentemente era recusado, pois pertencia a uma Ordem Maçônica ilegítima.

Em seu livro The Confessions of Aleister Crowley, uma auto-hagiografia, Crowley se explica:

Eu mencionei ter obtido o 33° na Cidade do México. Isso não acrescenta muita importância ao meu conhecimento dos mistérios, mas ouvi falar que a Maçonaria era uma irmandade universal e esperava ser recebido em todo o mundo por todos os Irmãos. Fui surpreendido com um considerável choque nos meses seguintes, quando, tendo a chance de discutir o assunto com um apostador arruinado ou agente de apostas – não me lembro exatamente –, descobri que ele não me “reconhecia”! Havia uma diferença simples em um dos apertos de mão ou alguma outra formalidade totalmente sem sentido. Demonstrei um desprezo imenso por todo o ritual. Eu fui admitido ao ser iniciado na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris.

Retornei à Inglaterra um tempo depois, após passar meu posto na minha Loja, e, esperando me juntar ao Arco Real, dirigi-me a seu venerável Secretário. Apresentei minhas credenciais. “Ó Grande Arquiteto do Universo”, o velho homem irrompeu de raiva, “por que não queimais este impostor no fogo dos céus? Senhor, vá embora. Você não é um maçom!”.

Pensei que isso seria um pouco difícil de meu Reverendo Pai em Deus, o criador, e percebi que, obviamente, todos os ingleses e norte-americanos que visitam uma Loja na França correm o risco de expulsão ou detenção instantânea e irrevogável. Então, eu não disse nada, mas fui para outra sala no Freemasons’ Hall sem seu conhecimento, e tomei meu lugar como um Past Master em uma das Lojas mais antigas e importantes de Londres.

Em 1905, Crowley voltou a se dedicar ao alpinismo e tentou conquistar o Kangchenjunga, no Nepal, a terceira montanha mais alta no mundo. Houve grande controvérsia durante a tentativa frustrada, e Crowley foi acusado de crueldade por agredir seus carregadores e deixar outro homem morrer na montanha. Era evidente que ele não conseguia tolerar qualquer tipo de fraqueza nas outras pessoas, mas essa viagem acrescentou muitas outras histórias terríveis à sua reputação crescente como um homem perverso.

Em 1906, Crowley fez uma viagem com sua esposa e sua filha para a China e depois para o Vietnã, onde as abandonou. A criança faleceu posteriormente, e sua esposa recorreu ao consumo de álcool para aliviar a dor, chegando à loucura. Tempos depois, Crowley a internou em um sanatório, e eles por fim se divorciaram em 1909.

Em 1910, Crowley conheceu John Yarker. Yarker era maçom, costumava escrever sobre assuntos relacionados à Maçonaria e era membro da Loja Quatuor Coronati. Em 1871, ele esteve envolvido com a fundação de um Grande Conselho do Rito Antigo e Primitivo em Manchester, uma ordem que se separou da GLUI e criou uma conexão com o Rito Antigo e Aceito e com outros ritos egípcios. Isso não era considerado comum pela maioria das Grandes Lojas. Crowley se juntou à ordem, da qual mais tarde se tornou Grão-Administrador Geral e também Mestre Patriarca Geral.

Em 1913, Crowley visitou o Secretário da Loja Quatuor Coronati e o Grande Secretário do Freemasons’ Hall, buscando uma forma de se juntar à Loja inglesa. Ele então escreveu à Grande Loja solicitando seu direito de se juntar a Lojas inglesas e participar delas, baseado em sua associação à Loja francesa. Seu pedido foi negado, devido à irregularidade de sua Loja-Mãe. A Grande Loja não identificou Crowley como um membro da Maçonaria. Todas as suas afiliações estavam ligadas a órgãos irregulares, portanto lhe negaram reconhecimento.

Crowley estava escalando montanhas na Suíça quando a Primeira Guerra Mundial irrompeu e ele retornou para a Inglaterra. Estava impossibilitado de se juntar às forças armadas por causa de sua saúde debilitada, mas ofereceu seus serviços: sua escrita e sua inteligência. Supostamente, sua oferta foi rejeitada com desprezo pelo Serviço de Inteligência Britânico, e, para um homem como Crowley, isso resultou em seu ressentimento e apoio subsequente à Alemanha. Ele foi para os Estados Unidos, onde escreveu e publicou propaganda antibritânica, o que o tornou um traidor e desertor na Inglaterra.

Nos Estados Unidos, ele estudou com ocultistas norte-americanos, começou a pintar e escreveu muitos livros. Em 1919, enquanto vivia em Greenwich Village, conheceu Leah Hirsig, e os dois sentiram uma conexão imediata e instintiva. Em 1920, eles foram para a Sicília e criaram um templo em uma antiga fazenda. Eles tiveram uma filha e, sob a influência de ópio e cocaína, fundaram um novo culto religioso chamado Thelema. Com Crowley considerando-se um profeta da nova era, a famosa Abadia de Thelema foi fundada. Thelema era uma religião, e sua lei era: “Faze o que tu queres”. Rapidamente, circularam histórias sobre depravação. O povo italiano se ressentiu das atividades diabólicas de Crowley, e Benito Mussolini, o ditador italiano, determinou que ele fosse deportado. Como sempre, Crowley não negou as acusações feitas contra ele.

Crowley também foi membro da Ordo Templi Orientis (O.T.O.) e, em 1925, por fim assumiu liderança e revisou os ritos, estabelecendo rituais da ordem nos mesmos moldes da Maçonaria. A O.T.O. é uma sociedade secreta e, ao longo dos anos, ressurgiu diversas vezes. Atualmente, está em atividade em 25 países, com uma afiliação crescente de mais de 4 mil membros. Segundo consta, todos os homens e mulheres livres, com maioridade completa e bons precedentes, têm o direito de serem iniciados nos primeiros três graus dessa ordem.

Muitos livros ocultos foram escritos por Crowley, os quais, apesar de terem sido escritos com discernimento, são muitas vezes difíceis de serem acompanhados. Um deles é o sagrado Livro da Lei, que tem como princípio fundamental: “Faze o que tu queres há de ser o todo da lei”, que significa que todo homem e toda mulher deverão encontrar sua verdadeira vontade, seu propósito e seu sentido de vida, seguindo isso e nada mais. Dois de seus romances, The Diary of a Drug Fiend (1922) e Moonchild (1929), foram parcialmente baseados em sua vida pessoal e em suas alucinações egomaníacas. Acredita-se que Crowley tenha realizado muitas tentativas sem sucesso, com diferentes mulheres, de procriar uma “criança mágica”. Ele escreveu sobre essas tentativas em forma de ficção no livro Moonchild.

Crowley sempre atraiu um pequeno grupo de seguidores nos Estados Unidos e na Alemanha, talvez não mais de algumas centenas de pessoas por vez, e, por quatro anos, perambulou pela Alemanha e por Portugal, sendo financiado por seus seguidores fiéis. Ao retornar para a Inglaterra, em 1935, foi à falência após perder um processo judicial contra um jornal que o teria chamado de mago negro. A evidência contra ele era devastadora – e é de se imaginar que o caso só tenha sido levado à corte por mera publicidade!

Durante os anos seguintes, Crowley parou de viajar e permaneceu na Inglaterra, onde escreveu muitos outros livros. Ele passou seus últimos anos sozinho em uma pensão em Hastings, como um homem velho e debilitado, mal sobrevivendo por seu vício em heroína. Seu ato final foi amaldiçoar o médico que se negou a prescrever a quantidade de heroína que ele queria. Crowley morreu em 1º de dezembro de 1947, aos 72 anos de idade, e foi cremado em Brighton. Suas cinzas foram enviadas a seus seguidores nos Estados Unidos. O médico que ele amaldiçoou teria morrido em menos de 24 horas depois.

Sem arrependimentos e sem se curvar, ele partiu deste mundo com um desprezo final pela sociedade. Crowley havia preparado seu próprio funeral e, em vez do serviço religioso comum, criou seu último ritual com suas obras. Amigos leram Hymn to Pan e Collects and Anthems, de Gnostic Mass. Passagens selecionadas do Livro da Lei também foram lidas. Houve tantas reclamações por parte do público a respeito do serviço funerário que o Conselho de Brighton decidiu tomar providências para prevenir que um incidente como esse nunca mais acontecesse.

Provavelmente, Crowley foi o mago mais famoso de sua época, tornando-se ainda mais influente após sua morte do que quando estava vivo. Ele foi muitas vezes odiado em vida, mas certamente causou influência e impacto no desenvolvimento da nova era do ocultismo moderno. Seu conhecimento sobre magia e bruxaria era certamente profundo, e ele transmitiu esse conhecimento por meio de seus diversos livros. Na sociedade liberal dos dias de hoje, seus livros estão sendo procurados e reimpressos, e algumas pessoas parecem apreciar seu estranho intelecto. Sua impiedade persistente era um traço de sua personalidade e influenciou homens e mulheres, mas Crowley deixou para traz um rastro de devastação em se tratando das mulheres e dos homens em sua vida. Alcoolismo, vício em drogas, insanidade e suicídio surgiram em seu caminho. Portanto, Crowley era um mago negro perverso? Provavelmente sim, mas tão importante quanto isso era o fato de ele querer que todo mundo acreditasse nisso.

Há uma reviravolta na história, pois, quando Crowley morreu, foi encontrada uma carta da Inteligência Naval Britânica endereçada a ele, requerendo o prazer de sua companhia em uma recepção. A história então revelada é a de que ele teria sido recrutado pela Inteligência Britânica durante a Segunda Guerra Mundial, quando queriam explorar as informações de que nazistas de alto posto estavam envolvidos com astrologia e ocultismo. Agente britânico por muito tempo, Ian Fleming (que escreveu os romances de James Bond) disse que Crowley foi recrutado pela primeira vez para a investigação de Rudolf Hess. Fleming também revelou que foi Crowley quem sugeriu o símbolo de “V” de vitória usado por Churchill – o símbolo com os dois dedos sendo o oposto direto e destrutivo do símbolo solar da suástica.

Atualmente, poucas pessoas irão refutar a ideia de que Crowley teria sido um agente britânico durante a Primeira Guerra Mundial, trabalhando nos Estados Unidos e ajudando na campanha de desinformação, em vez de ter sido um traidor, como se acreditava.

Crowley foi chamado de “o homem mais perverso do mundo”. No entanto, talvez hoje em dia ele não fosse considerado assim. Ele possivelmente seria tratado como um excêntrico, com poucas pessoas se incomodando com seu comportamento – o que não seria de forma alguma apropriado para ele.

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/aleister-crowley-o-homem-mais-perverso-do-mundo