Literatura e Cultura

Já observamos que as origens da cultura são sagradas. Isto é particularmente notório nas artes, já que tanto a dança, como o teatro, a música e as artes plásticas se remontam dos começos míticos e rituais do homem, e foi sempre uma deidade a reveladora e patrocinadora destas disciplinas. Na Antigüidade, as obras de arte eram anônimas, como seguem sendo ainda entre diversos povos, e só a partir do Renascimento é que se conhece seus autores em forma individualizada. Criar é repetir e reproduzir a situação da Criação original. A literatura não escapa a este princípio, e as grandes obras em verso e em prosa são aquelas que despertam e fazem pressentir a aflição e o deslumbramento do Conhecimento. O poeta, bardo, ou vate (daí a palavra “Vaticano”), é um transmissor inspirado das energias do sublime, e sua linguagem se articula com um ritmo preciso e particular. Os textos sagrados de todas as tradições dão conta cabal disso. A beleza da forma é a roupagem e a atração da Beleza do Princípio e, portanto, reflete-o harmonicamente. A arte é um veículo e uma maneira de conhecer, e são numerosos os esoteristas que se expressaram por seu intermédio. Lembremos que a sefirah Tifereth é Beleza, e que se acha no caminho ascendente que vai de Malkhuth a Kether.

Num sentido amplo, todo escrito é literatura. Mas há alguns nos quais a arte na maneira de dizer, a transparência das imagens com que se diz, a clareza e a ordem dos conceitos, ainda que permaneçam velados, fazem-nos memoráveis e os ligam a nós com laços emotivos e sutis. Assim, na memória dos povos as lendas transmitem seus mitos. Os contos de fadas e de bruxos nos aproximam a uma realidade prodigiosa. A poesia épica (a Ilíada, a Odisséia) nos revela uma mensagem heróica. O classicismo de Dante e Virgilio é completamente outra coisa sob uma leitura Hermética, acrescentando desta maneira seu conteúdo e sua estética. As histórias do Santo Graal, as gestas de cavalaria, as fábulas (como a Metamorfoses, ou Asno de Ouro, de Apuleio), ou a produção Metafísica de um Dionísio Areopagita, entre muitíssimas outras, são alguns dos exemplos da potencialidade da Arte como transmissor de Conhecimento e promotor de Iniciações espirituais.

A mensagem da Filosofia perene tomou todas as formas possíveis para se difundir. Inclusive os provérbios e ditos “populares”, foram cunhados como lembranças de princípios de sabedoria; ainda que como todas as coisas, tenham sofrido com o tempo um processo de degradação.

#hermetismo

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As Peregrinações

A aventura do Conhecimento se descreve muitas vezes como uma viagem ou peregrinação. “Uma viagem de mil milhas começa ante teus pés”. Essencialmente, a peregrinação se relaciona com a busca do Centro do Mundo, onde se estabelece a comunicação interna com os estados superiores do próprio ser. Trata-se de atingir a Pátria Celeste, que é a verdadeira morada do homem, pois, como mencionam diversas tradições, o homem é um estrangeiro nesta terra. A palavra “peregrino” não quer dizer senão isso: estrangeiro. “Vós não sois deste mundo”. Assim, desde que intuímos que não somos “daqui”, a própria vida, com seus avatares, suas lutas, suas paixões, luzes e sombras, converte-se num símbolo exemplar dessa busca interior. A partir desse momento qualquer acontecimento revelará sempre algo, tornar-se-á significativo e simbólico.

Mais concretamente, as denominadas peregrinações aos lugares santos ou sagrados, consideram-se como as etapas do processo iniciático, vinculado à idéia de labirinto e de “perder-se para se encontrar”.

Também as provas simbólicas da Iniciação se denominam “viagens” em que, além da influência espiritual que transmitem, são psico-dramatizadas ritualmente as inibições e tendências negativas do ego, esgotando-as ao emergir para o exterior. Apesar de suas múltiplas dificuldades, o peregrino, em sua viagem interna e externa, percorre um caminho arquetípico, aonde o símbolo é vivido (ritualizado) e se lhe revela com toda a potência de sua energia ordenadora, permitindo-lhe conhecer simultaneamente a realidade de um tempo mítico, no que o prodigioso se faz coetâneo com a realidade horizontal.

Tudo se dá na “roda da vida”, espelho e receptáculo das energias do Cosmo, que o peregrino, efetivamente, tem que reconhecer em si mesmo para chegar ao centro ou coração imóvel da roda, ali onde se produz a identificação com o Universal e o retorno a sua verdadeira origem.

#hermetismo

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Satanismo – Jorge Flores

Bate-Papo Mayhem 246 – 28/10/2021 (Quinta) Com Jorge Flores – Satanismo

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #satanismo

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A Árvore e os Triângulos

Nota: Observe-se que os três planos superiores são equivalentes a três tríades, ficando a última sefirah (Malkhuth), exclusivamente em conexão com o plano de Asiyah. Daremos uma última correspondência. A que relaciona às sefiroth da Árvore com as distintas partes do corpo humano, divisão comum a distintas Tradições e que no Ocidente se expressa particularmente desde a Idade Média. Lembraremos que para a Cabala o Cosmo é um homem gigantesco chamado Adam Kadmon, e o ser humano uma miniatura dele:

– Kether, Hokhmah e Binah constituem sua cabeça, estando estas duas últimas sefiroth vinculadas ao olho esquerdo e direito, respectivamente; desta forma, correspondem a cada um dos hemisférios cerebrais.

– Hesed é relacionada com o braço esquerdo, e Gueburah ao direito, enquanto o coração, ou centro da Árvore, deve atribuir-se a Tifereth.

– A Netsah a perna e o quadril esquerdo e a Hod a do lado direito, sendo Yesod a que se relaciona aos genitais, ficando finalmente Malkhuth em relação com os pés.

Temos de lembrar que de acordo às leis da analogia e da natureza dos símbolos, o que é direito desde um ponto de vista pode ser esquerdo de outro. Portanto, pode também se ver à Árvore de maneira invertida, como indicado, correspondendo nesse caso à coluna do amor o direito e à do rigor o esquerdo, ou seja, a imagem de um homem paradigmático vista de frente ou de modo posterior.

Pode o leitor se exercitar em tratar de visualizar estas sefiroth em correspondência com centros sutis de seu corpo. Se o consegue, é interessante pensar em próximas práticas, incluídas as de inversão de polaridades de energia.

@MDD – na maçonaria e nas Ordens templárias, o lado direito do templo corresponde à beleza/misericórdia e o esquerdo à força/rigor.

#hermetismo #Kabbalah

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O dia em que a Terra parou (parte 1)

Artigo original em inglês por Lynn Picknett e Clive Prince (para a revista Fortean Times), tradução de Rafael Arrais. As notas ao final também são minhas.

“Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite.” (Giordano Bruno, Acerca do Infinito, o Universo e os Mundos, 1584).

A acusação da Igreja contra Galileu, por este haver promovido à teoria heliocêntrica – que afirma que o Sol está no centro do Sistema Solar, enquanto a Terra e os planetas giram ao seu redor – é usualmente retratada como um divisor de águas na guerra entre religião e ciência, o momento em que Galileu se tornou o primeiro grande mártir da ciência.

Entretanto, quando revisitávamos a história durante a pesquisa para o nosso livro The Forbidden Universe

Esta é a versão preguiçosa da história. A realidade, conforme os fortianos [1] poderiam suspeitar, é que existe muito, muito mais sobre ela do que o que nos foi contado.

De fato, apesar do cenário “ciência contra religião” ainda ser costumeiramente usado para atrair audiência, os acadêmicos há muito reconheceram que se trata de uma explicação moderna demais. Eles hoje veem o assunto mais como uma colisão entre dois egos obstinados, dois homens que “queriam ter razão”: Galileu, que se recusava a ser ordenado sobre o que fazer ou dizer, e o Papa Urbano VIII, implacável contra Galileu (em seu Diálogo sobre o Sistema dos Dois Mundos), tendo colocado sua visão de mundo na boca de um personagem chamado Simplício. Mas algo ainda está faltando – algo que nenhum dos lados gostaria de ver exposto na luz rigorosa do dia…

O que está faltando

A resposta, nós acreditamos, se encontra na tradição hermética – o coração da “filosofia ocultista”, uma síntese de sistemas mágicos, esotéricos e filosóficos – que teve um efeito profundo na formação da cultura ocidental durante a Renascença e o Iluminismo, embora hoje esteja lamentavelmente marginalizada.

Mas o fato é que é impossível compreender o Renascimento sem conhecer a tradição hermética. É como tentar escrever a história do século 20 ignorando o Comunismo, sob a lógica de que conforme ele se comprovou uma ideologia falida, nunca poderia haver sido realmente importante.

Os tratados conhecidos coletivamente como a Hermética, nos quais a tradição está baseada, tiveram o maior efeito sobre a cultura ocidental após a Bíblia – e o maior efeito sobre a cultura ocidental moderna de qualquer texto, inclusive o bíblico. Ainda assim, pouquíssimas pessoas ouviram falar deles.

O nome é derivado do lendário sábio egípcio, Hermes Trimegisto (“O três vezes grande”), tradicionalmente apontado como o autor dos textos. Sua origem exata pode ser controversa, mas indubitavelmente estão datados do antigo Egito, nos séculos próximos ao tempo de Jesus, durante o período da dominação grega e romana – e há um corpo de evidência crescente de que as ideias da Hermética são muito, muito mais antigas.

O livros herméticos foram quase totalmente perdidos na Europa durante a repressão a sabedoria pagã, após o cristianismo ter se tornado a religião oficial do Império Romano, no séc. IV. Mas eles sobreviveram no Oriente Médio, onde pavimentaram o caminho para a ciência árabe medieval [2]. A Europa os redescobriu em 1463, quando um agente atuando em favor do grande patrono renascentista, Cosimo de Medici, retornou a Florença com uma coleção de 14 tratados herméticos, escritos em grego, conhecidos como Corpus Hermeticum. Cosimo inclusive ordenou ao seu maior erudito, Marsilio Ficino, que interrompesse sua tradução épica da obra completa de Platão para o latim, a fim de que pudesse se concentrar nos tratados herméticos, que a seguir influenciaram a todos, de Leonardo a Shakespeare.

Para os eruditos, filósofos e intelectuais da época, a Hermética era a grande sensação, onde se acreditava estar preservada a sabedoria da mais antiga civilização egípcia, dos construtores das pirâmides, sendo ainda mais antiga do que o Velho Testamento. Mas a imagem que ela apresentava da raça humana dificilmente poderia ser mais diversa daquela encontrada no Gênesis. Este era precisamente o maior encantamento da Hermética.

A Igreja havia sempre ensinado que até o homem mais genial (ou mulher, quando se lembravam de mencioná-las) era miserável, pecador, totalmente dependente da misericórdia divina (e o conselho da Igreja, é claro) para a salvação e até mesmo a sua própria existência. Porém, na Hermética, os seres humanos desfrutavam de um potencial ilimitado, sendo inclusive capazes de se tornarem deuses [3]. O maior provérbio hermético é Magnum miraculum est homo (“O homem é um grande milagre”). Ainda mais fantástico para a época, a tradição hermética também incluiu a mulher neste “grande milagre”. E foi este tsunami de autoconfiança renovada que sustentou a pura ousadia intelectual que definiu a Renascença.

Apesar dos historiadores terem reconhecido a influência do Hermetismo nas artes da Renascença, eles tem sido dissimuladamente seletivos. Pois (conforme mostramos em nosso livro), ele também impactou profundamente em cada herói da revolução científica, de Copérnico a Isaac Newton [4].

A nova ordem de Bruno

Entretanto, é um grande erro acreditar que o movimento do Hermetismo atraiu apenas alguns poucos intelectos, embora usualmente grandiosos. Ele também atraiu o interesse de reis e imperadores, e até mesmo de certos papas. Alguns católicos acharam a filosofia hermética tão venerável que defenderam sua incorporação aos ensinos do Cristianismo. Alguns até mesmo arguiram que deveriam fazer o oposto: incorporar o Cristianismo ao Hermetismo [5]. E se há um nome associado a ideia desta associação improvável, este é Giordano Bruno (1548-1600), o monge dominicano que se tornou herege.

Apesar de criminosamente ignorado mundo afora, ele é um favorito entre nós, e recebeu a atenção merecida nos livros de Hunt Emerson e Kevin Jackson, Phenomenomix (trata-se de uma série de 4 livros), sobre suas façanhas. Hoje, Bruno é até mesmo um protagonista dos thrillers bestsellers de SJ Parris, Heresy and Prophecy.

Bruno foi um homem extraordinário, trazendo ao mundo conceitos científicos que estavam muito além de seu tempo – como um universo infinito; ou a existência de outros mundos habitados – os quais derivaram largamente dos princípios herméticos. Mas eles também sustentaram sua campanha por uma reforma das raízes e fundamentos da sociedade – que incluíam religião e política.

Bruno acreditava que o Hermetismo representava a verdadeira religião, a sabedoria do antigo Egito que havia sido corrompida, primeiramente pelos judeus e cristãos. Mas os próprios livros herméticos profetizavam que a “verdadeira religião” do mundo seria um dia restaurada, e Bruno acreditava que isto se aplicava ainda ao seu tempo [6]. Isto causaria, ele acreditava firmemente, ao menos uma reforma radical na Igreja Católica – senão sua substituição completa.

É neste momento que nos pegamos gritando “eles estão atrás de você!” para Bruno. Certamente havia apenas um caminho onde sua paixão pelo Hermetismo poderia acabar? Apesar de seu destino ter sido tão previsível, Bruno tinha razões para crer que poderia escapar dos incendiários homicidas da Inquisição. Apesar de tudo, ele era famoso, desfrutando do patrocínio e proteção de nobres como Elizabeth I, Henri III da França e até mesmo do Sagrado Imperador Romano Rudolph II. Nestas circunstâncias, ele pode ser perdoado por se imaginar em perfeita segurança.

Mas Bruno não era apenas um filósofo errante com uma boa lábia para convencer monarcas e imperadores. Ele também era um militante político. Durante suas viagens pela Europa nos 1580s e início dos 1590s, ele estabeleceu uma sociedade secreta, os Giordanos – ele era bom em autopromoção desavergonhada – para continuar com seu trabalho e campanha pela reforma religiosa. Rumores sobre tal história devem ter tido um efeito similar a cutucar o Papa com um ferrete (de marcar gado). Agora não havia mais a menor chance do Vaticano continuar a ignorar Giordano Bruno.

A crença de Bruno na iminência da era do Hermetismo era também derivada de uma interpretação especial do heliocentrismo, a teoria proposta pelo cânone polonês Nicolau Copérnico cinco anos antes do nascimento de Bruno, e ainda furiosamente controversa. Copérnico teorizou que a Terra gira em torno do Sol em Da Revolução das Esferas Celestiais, de 1543 – mas qual foi sua inspiração? Uma pista pode ser encontrada na mesma página onde seu famoso diagrama demonstra sua visão radicalmente inovadora do Sistema Solar. Quatro linhas após, enquanto discute o significado espiritual do Sol ao centro, ele explicitamente referencia a passagem da Hermética onde Hermes Trimegisto descreve o Sol como um “deus visível”.

De fato todas as noções radicais de Copérnico estão descritas nos livros do Hermetismo. Por exemplo, um dos tratados fala explicitamente sobre a “rotação” do mundo. Ainda mais sugestivo, outro tratado declara que “o Sol está situado no centro do Cosmos, usando-o como uma coroa”, e “Em volta do Sol estão seis esferas que lhe são dependentes: a esfera das estrelas fixas, as esferas dos planetas, e a esfera que engloba a Terra” (“Esferas” correspondem a “órbitas”).

Ao referenciar explicitamente os tratados herméticos na mesma página em que apresenta sua nova ordem cósmica, Copérnico estava tacitamente anunciando que encontrou provas físicas e matemáticas para alguns dos antigos princípios da Hermética.

Outro mito acadêmico diz que as ideias de Copérnico enfureceram tanto a Igreja que ele postergou a publicação de suas ideias até que estivesse no leito de morte, assim evitando a ira eclesiástica. Porém, o Vaticano não tinha problemas teológicos com elas – o secretário do Papa chegou a tentar encorajar Copérnico a tornar suas ideias públicas. Entretanto, quando chegamos ao processo eclesiástico contra Galileu, cerca de 70 anos depois, alguma coisa havia mudado…

Basicamente, tudo se referia a Giordano Bruno, que – se baseando no famoso princípio hermético do “assim em cima, assim embaixo/assim embaixo, assim em cima” – não apenas acreditava que mudanças nos céus causavam ou se refletiam em mudanças na Terra, mas também que uma mudança na percepção humana da ordem celeste iria precipitar a mudança de era. Ele argumentava que se o heliocentrismo pudesse ser estabelecido além da dúvida, isto iria literalmente acarretar numa nova era de iluminação hermética, restaurando a religião do Egito antigo e derrubando o Cristianismo [7]. Até agora, nenhuma pressão em Galileu.

» Na continuação, a revolução abafada pela história.

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Crédito das imagens: [topo] Ettore Ferrari (escultura de Giordano Bruno, em Roma); [ao longo] Nicolau Copérnico (a página citada, de seu Da Revolução das Esferas Celestiais)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#hermetismo #história

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Simbolismo Animal II

É importante ademais destacar que quase todas as divindades zodiacais, não importa de que tradição, estão representadas com formas de animais, e recordaremos novamente que a palavra Zodíaco não quer dizer senão “roda dos animais”, ou “roda da vida”, o que está obviamente unido à idéia de movimento e de geração surgida do Ser universal, ou melhor, de sua energia criadora, que permanentemente se recria a si mesma, neste caso através das indefinidas formas animais. Isto concorda perfeitamente com a idéia, muito difundida entre as civilizações pré-colombianas de que o Cosmo, isto é a Vida universal, é um animal gigantesco, do qual todos fazemos parte integrante (tal é o caso também da serpente alquímica Ouroboros), e isso explicaria o porquê entre ditas culturas a Deidade criadora estar em bastantes ocasiões representada como um animal (como ocorre na tradição indiana, com o deus com forma de elefante Ganesha), ou bem caracterizada com as partes mais significativas de um animal, geralmente a cabeça, como é o caso, por exemplo, dos deuses assírio-babilônicos e do antigo Egito. Nas tradições Centro-americanas o deus Quetzalcoátl quer dizer “pássaro-serpente”, ou “serpente emplumada”, conjugando em sua natureza as energias aéreas que tendem para o céu (o vertical), e aquelas que reptan e se movem pela terra (o horizontal). A águia e a serpente são, efetivamente, os dois animais que melhor representam esse antagonismo e complementaridade entre o celeste urânico e o terrestre ctónico e telúrico.

Por outro lado, junto com o cordeiro, o pelicano e o peixe, a águia e a serpente são os animais-símbolos mais representativos de Cristo, conquanto isto teria que se estender a quase todos eles (inclusive os fabulosos), como o demonstra o riquíssimo bestiário de Cristo (dentro do qual se inclui o Tetramorfos), tão amplamente desenvolvido na arte da Idade Média. Dito bestiário compreende praticamente todas as espécies repartidas em quatro grandes grupos, em correspondência com os quatro elementos: os répteis à terra, os peixes e anfíbios à água, as aves ao ar, e os mamíferos ao fogo, sendo o mesmo Cristo (o Filho do Homem) o elemento central, ou “quintessência”, pois dele emanam, enquanto expressões dos atributos de seu Verbo ou Logos criador.

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Moisés

O nome de Moisés evoca imediatamente a idéia do povo judeu, que ele encarna e ao mesmo tempo gera. Efetivamente, tendo nascido no Egito, é considerado como da família do Faraó, pois aparece como filho da irmã deste e, como tal se diz, é iniciado pelos sumos sacerdotes nos mistérios mais profundos de Isis e Osíris, onde se sobressai por seus conhecimentos. Desde jovem, sente um chamado cada vez mais claro para algo que ainda não se define, mas que não está relacionado nem com Egito, nem com a posição invejável que ostenta, que, por outra parte, cada vez se lhe faz mais difícil, pelos ciúmes, inveja e desconfiança de seu tio Ramsés II, e de seu primo, que lhe sucederá no trono. A “casualidade” faz com que Moisés, ao defender um escravo judeu injustamente tratado, mate o agressor e tenha que fugir pois, para casos como o seu (Moisés era ministro do culto de Osíris), a justiça do Faraó aplica as penas máximas. Refugia-se onde encontra outro personagem chave: Jetro, rei de Salém, grande sacerdote e iniciado e pai espiritual de numerosos povos nômades que povoavam os desertos e terras entre as civilizações do Egito, Caldéia, Babilônia, etc., compostos por semitas, árabes, etíopes, etc.

Estes foram os judeus, aqueles que saindo de seu cativeiro em terras estrangeiras do Egito, levantam-se um dia e empreendem uma gigantesca emigração pelo deserto, sob a orientação de um chefe que os sintetiza e encarna, e sob cuja condução, como intérprete direto de seu deus Jahvé, têm de se constituir definitivamente como povo eleito, e chegar a um destino que se dá no próprio Moisés, nome cuja tradução é “O Salvo”, e que ele imprime em seu meio, no povo ao que se lhe deu a missão de constituir e dirigir. Moisés é, pois, conjuntamente, um personagem histórico e um símbolo, como todos os protagonistas da História Sagrada. É também um ser humano, e ao mesmo tempo o receptor das energias e das mensagens de uma entidade sobre-humana, Jahvé, ao qual adora e faz adorar, quando não é o próprio deus o que atua diretamente. Como ser humano, padece por quarenta anos toda sorte de infortúnios e necessidades, a maior parte delas provocadas pela ignorância e a bestialidade dos seus. Como agente divino, aviva e fixa o monoteísmo e implanta a fogo sua lei, que sela com mandamentos. Termina sua peregrinação, e em vista da terra prometida deixa como herança A Bíblia, da qual escreve os cinco primeiros livros, síntese magistral que fundamenta a vida de um povo e de uma religião, o que posteriormente engendrará o cristianismo e o islamismo. A energia assombrosa de Moisés, seu diálogo constante com a deidade, a força de seus poderes, transferidos e compartilhados com setenta discípulos que conformam o núcleo interno de sacerdotes e sábios, iniciados e iniciadores, aos que entrega a Cabala, fazem possível sua sucessão até o final deste ciclo. Cumpre-se, pois, o Destino que Moisés inicia e que terminará com a gloriosa vinda do Messias, esperada também pelos cristãos e islâmicos, e anunciada em todos os textos e tradições orais das culturas unânimes

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A Montanha e a Caverna

A montanha, junto com a pedra (forma reduzida desta) e a árvore, com que se encontra associada, é um símbolo natural do “Eixo do Mundo”. Por ser na realidade uma elevação ou protuberância da terra, a estrutura imaginal do homem sagrado vê na montanha um símbolo da sua própria natureza, que aspira verticalmente para o superior ou celeste. Em geral todas as montanhas têm esse significado, mas existem algumas que, devido a certas correspondências espaciais relacionadas com a topografia sagrada estão “carregadas” de influxos espirituais. Estas são as denominadas “Montanhas Santas” ou “sagradas”, morada de entidades espirituais. Por isso, muitos templos e santuários (como é o caso, por exemplo, do Partenon grego) foram construídos nos cumes de determinadas montanhas, ou seja, ali onde a Terra parece tocar o Céu.

Assim a montanha, quanto a sua estrutura, é um arquétipo do templo, o que é especialmente visível nas pirâmides egípcias e pré-colombianas e nos zigurates babilônicos. Relacionado com isto, é significativo o fato de que Dante, na Divina Comédia, situe ao Paraíso Terrenal, ou Jardim do Éden (do qual todo templo é uma imagem simbólica), no cume de uma montanha, que é a “Montanha Polar”, “Celeste” ou “Mítica”, comum a muitos povos tradicionais, como é o caso do monte Meru entre os hindus, o Alborj entre os antigos persas, o Sinai e Moriah entre os hebreus, a montanha Qaf entre os árabes, ou o morro Urulu (ou ¨Ayers Rock¨) entre os aborígines australianos, etc. A vinculação da montanha com o Paraíso nos sugere seu caráter primordial, pois este, ou seu equivalente em qualquer tradição, é considerado como o começo ou origem mítica da humanidade (a “Idade de Ouro”), quando todos os homens sem exceção participavam do Conhecimento e da Verdade. O Paraíso era também a residência da Grande Tradição Universal, conservadora da doutrina e da sabedoria perene, e toda montanha sagrada, como o Éden, é o símbolo do Centro do Mundo. Mas a partir de certa época, e devido às condições cíclicas adversas, o Conhecimento deixou de pertencer à totalidade dos homens, ficando em posse tão só de umas minorias que, para o salvaguardar e o manter através dos tempos, criaram as culturas tradicionais, conformadas pelos ritos e símbolos sagrados. O Conhecimento se repregou no interior de si mesmo, no coração da montanha, ou seja, na caverna, um lugar que por sua situação está oculto e protegido.

Por tal motivo o mundo “supra-terrestre” gerou, em certo modo, o “mundo subterrâneo”. Fez-se invisível. Ocultou-se, mas não desapareceu. A vacuidade escura da caverna substituiu à luminosidade da cúspide da montanha. A Verdade, que nos primeiros tempos era espalhada aos quatro ventos e estava na boca de todos, converteu-se num segredo só percebido no mais interno. A caverna (como o ovo) é também um símbolo do Cosmo, um “Centro do Mundo” igualmente à montanha. Porém, assim como nesta [a Verdade] se manifesta em todo seu desenvolvimento e amplitude, à vista de todos, na caverna, o Centro se mantém invisível, virtual e potencial. O templo é igualmente uma caverna, ainda que esta se encontra mais bem representada pela cripta, situada em muitas catedrais debaixo do Altar, ou seja, sobre o mesmo eixo perpendicular que parte da “chave de abóbada”, ou seja, da sumidade. Na caverna sagrada se produzem as hierofanias e se celebram os mistérios da Iniciação, o mesmo que as “revelações” e “aparições” da divindade. Lembremos que Jesus Cristo nasce num estábulo, equivalente da caverna. Por outro lado, o mesmo esquema simbólico tradicional para representar a caverna é idêntico ao do coração e ao da copa, ou seja, um triângulo eqüilátero com o vértice para baixo, dando a imagem de um recipiente que recolhe os eflúvios espirituais. O símbolo geométrico da montanha é por sua vez um triângulo, mas com o vértice para cima.

Existe aqui uma aplicação deste símbolo, que completa o que se disse até agora, e é que como a caverna está no interior da montanha, podemos ver que a reunião de ambos conforma o símbolo já conhecido do “Selo de Salomão” ou “Estrela de David”. Este é, como já sabemos, o símbolo da analogia, que faz que o de baixo seja complementar com o de cima e vice-versa. Portanto o triângulo invertido é um reflexo do outro, exatamente igual que o microcosmo é um reflexo do macrocosmo, ou que a realidade relativa do manifestado é um reflexo da Realidade Absoluta do imanifestado.

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Podcast Mayhem – 01 – O que é Kabbalah?

Está no ar o episódio #01 do Podcast do Projeto Mayhem !!!

Neste Podcast, Rodrigo Grola, Marcelo Del Debbio, Fratet Qos e Soror Tiamat debatem sobre o que é Kabbalah, para que estudar Hermetismo, quais as diferenças entre a Kabbalah Hermética e a Cabala Judaica, métodos para estudar magia e outros assuntos levantados pelos membros do Projeto Mayhem!

Podcast do Projeto Mayhem

Ajudem a divulgar e, se puderem, sejam nossos padrinhos para participar do Projeto Mayhem que, além da orientação em ritualística (rituais jupiterianos semanais, Rituais de Solstícios e Equinócios, Sefirat ha Omer), revista Hermetismo trimestral e grupos fechados de debate e plantão de dúvidas no Facebook e Telegram, possamos chegar agora a um episódio a cada quinze dias (a próxima meta!).

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A Disciplina no Estudo da Magia – Frater Magog

Bate-Papo Mayhem 180 – gravado dia 31/05/2021 (segunda) Com Frater Magog – A Disciplina no Estudo da Magia

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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