A Diversidade da Experiência Alquímica

Thiago Tamosauskas

Três anos depois que escrever o Principia Alchimica me considero hoje uma pessoa muito diferente. Embora isso implique na necessidade de reescrever e melhorar algumas partes do livro em edições futuras, essa transformação por si só indica que o método descrito no livro em sua essência funciona; transformação é o resultado esperado do processo.

Uma das principais diferenças que observo é que na busca por clareza, naquele primeiro momento  me esforçarei para encontrar definições bastante objetivas sobre o que a alquimia realmente ensina. Isso foi ótimo, mas teve um custo e tem um risco. O custo foi ter acreditado ao menos temporariamente ter encontrado uma definição única e definitiva da Grande Obra, o risco foi não enxergar que justamente por ser tão antiga e tão geograficamente espalhada não existe apenas uma abordagem correta do que a alquimia deva ser.

As diferentes definições desta arte já foram abordadas em outro artigo e essa percepção foi fruto de um esforço gradual para que minhas definições não me fizessem apontar as respostas de outras pessoas  com a superioridade. De fato, foi por ouvir outras pessoas, algumas muito mais experientes do que eu que entendi  que próprias experiências, justamente por serem particulares nunca poderão descrever toda realidade.

Alquimia, método ou metodologia?

Essa ideia de diversidade dentro da alquimia ganhou corpo com o tempo, mas foi preciso um empurrãozinho de uma amiga para que essa chave virasse de uma vez. Quando Priscila Praude gentilmente aceitou escrever o prefácio do Psicotropicon, meu próximo livro, ela fez um questionamento sobre a minha definição de alquimia tal como apresentada no Principia Alchimica, ou seja,  “Uma metodologia empírica para a expansão intencional da consciência”. Seu questionamento foi se aquilo que foi apresentado no livro era realmente uma metodologia ou se na verdade não era um método. Confesso que eu não soube o que responder na hora. Mas, geralmente esse silêncio e falta de pressa em dar uma resposta é o que me leva as melhores conclusões.

Para ficar claro, um Método é um roteiro, um processo, para se atingir um determinado fim. Uma Metodologia, por sua vez, o estudo dos métodos para aperfeiçoá-los e encontrar assim os melhores processos para uma determinada área de aplicação. Então, de fato o que eu apresentei na primeira edição do livro foi um método, mas meu objetivo maior sempre foi que ao conhecê-lo cada alquimista pudesse não apenas experimentá-lo mas criticá-lo, adequá-lo à sua própria realidade e então aperfeiçoá-lo à sua maneira.

Dai a importância da palavra “empírica” na definição do livro, pois esse aperfeiçoamento só pode ser feito com base nas práticas, experiências e observações de cada um. Guardada às devidas diferenças, apresentei no Principia Alchimica um bom livro de receitas para quem – mesmo sem experiência na cozinha – quisesse se aventurar e experimentar alguma coisa. Isso com certeza ficará mais claro nas segunda edição da obra. Meu objetivo é que ao final da leitura o alquimista possa não apenas executar estas receitas, mas como um verdadeiro chef seja também capaz de criar seus próprios pratos.

Os Tipos de Alquimia

A alquimia tem documentalmente dois milênios de história é possui raízes ainda mais antigas. De Maria, a judia, a Timothy Leary, essa história foi escrita em todos os continentes, por pessoas de todas as raças, gêneros e origens e é mais antiga que qualquer império, dinastia e que a maioria das religiões.

Para demonstrar o tamanho desta diversidade farei a seguir um resumo das principais abordagens e tradições alquímicas que de uma forma ou de outra nos influenciam hoje em dia. Começarei pela Alquimia Espiritual, pois acredito que nela encontramos a unidade de todas às demais.

Alquimia Espiritual: A Alquimia Espiritual já foi chamada de Iluminação, Santificação, Apotheosis, Deificação e mais recentemente Individuação e Expansão da Consciência

Se magia é “a ciência e a arte de causar mudanças em conformidade com a Vontade.” então a Alquimia Espiritual pode ser entendida como uma forma de magia pois é ela é a mudança de si mesmo conforme a Vontade.

Essa mudança não é arbitrária, mas busca desenvolver a melhor possível de si mesmo.

Esse trabalho não é fácil e não pode ser resolvido pela mera leitura de um livro que massageia seu ego. Se fosse algo simples de se fazer muitos dos problemas atuais da humanidade não existiriam. 

Ainda que a compreensão do que é seja mais perfeito mude com o tempo, a busca pelo aperfeiçoamento é uma constante.

A Alquimia Espiritual é assim a pedra de toque de todas às outras formas de alquimia que veremos, uma vez que é o objetivo por trás de todas elas. 

Alquimia Mineral:

As próximas três formas de alquimia que veremos são instrumentais, ou seja, elas servem à meta de aperfeiçoamento que as justifica e as motiva.

A Alquimia Mineral por exemplo é o trabalho com elementos inorgânicos como metais, sais, minerais bem como suas assinaturas astrológicas para auxiliar a evolução pessoal.

É dividida em Via Úmida, que trata os sólidos por meio de ácidos e solventes e Via Seca que trabalha com transformações promovidas em fornos e altas temperaturas.

A Alquimia Mineral pode envolver a manipulação e consumo de elementos pesados e tóxicos como chumbo e mercúrio, por essa razão Rubellus Petrinus, alquimista português dizia que suas tinturas só deveriam ser ministradas em dose homeopática, sob a orientação de um médico da especialidade.

A verdade é que desde a ascensão da Espagiria por Paracelso a Alquimia Mineral tem perdido espaço mas ainda hoje é possível encontrar praticantes dentro de guildas como a FAR+C , a Gallaecia Arcana Philosophorum e mesmo instruções abertas nos materiais que Jean Dubuis escreveu para a já extinta Les Philosophes de la Nature.

Alquimia Vegetal: Também chamada Espagiria é provavelmente a alquimia instrumental mais comum e imediatamente reconhecida com seus destiladores, fornos e barris de fermentação.

Trata-se do trabalho com plantas e suas assinaturas astrológicas para a extração de óleos essenciais, álcool e sais para a produção de tinturas e outros produtos capazes de auxiliar a Alquimia Espiritual tanto por suas qualidades materiais como pelo processo mental-espiritual envolvido em suas produções.

A Alquimia Vegetal ganhou enorme destaque na alquimia a partir da renascença e especificamente pela obra de Paracelso. Hoje em dia o livro Espagiria de Manfred Junius é um livro básico para explorar esta área da prática alquímica.

Alquimia Animal: Pouco falada em comparação as outras vertentes a Alquimia animal faz os mesmos processos de separação, purificação e reunião com produtos de origem animal como urina, sague e fluídos sexuais para auxiliar nas transformações da Alquimia Espiritual.

A Alquimia Sexual ganhou um certo destaque no século XX como uma chave escondida em qualquer textos sobre metais e plantas, mas é curioso notar que imagem de atos sexuais explícitos eram comuns nas ilustrações e textos alquímicas.

Enquanto na idade média se usavam estes símbolos sexuais para falar de realidades metafísicas os autores modernos usam símbolos metafísicos para falar de realidades sexuais.

Entre os principais nomes abordagem sexual da alquimia estão como Aleister Crowley e o Kenneth Grant. Uma boa obra para conhecer nesta área é o Modern Sex Magick de Donald Michael Kraig.

Note que estes três últimos tipos de Alquimia podem muito facilmente se transformar em outras coisas quando desconectadas do objetivo da Alquimia Espiritual. Isso acontece quando o objetivo de tentar melhorar a si mesmo dá lugar a manipulação do mundo ao redor. Nada errado com isso, mas são objetivos diferentes e nesse caso não se fala mais de alquimia. A Alquimia Mineral se torna Metalurgia, a Alquimia Vegetal se torna fármaco-cosmética e a Alquimia Animal se torna biologia. A própria Alquimia Espiritual pode se desviar, e então em vez de uma transformação da própria consciência caímos em um estilo ou outro de feitiçaria.

As Tradições Alquímicas

Mas esta é ainda apenas uma forma de se entender a alquimia. A medida muda conforme as unidades da régua e outra forma de se  admirar a grandiosidade da alquimia é percorrer a corrente histórica que nos liga até seus primórdios e além. Para isso destaco aqui os principais momentos em que houve uma efervescência entre os praticantes da alquimia:

Alquimia Helenista: A raiz ocidental da alquimia surgiu no Egito Ptolomaico. Aqui vemos um padrão de repetição que aparecerá várias vezes na história da alquimia: sempre que as instituições entram em crise, uma nova geração de alquimistas aparece. Nessa época o território já estava nas mãos do Império Romano e as antigas escolas de mistério ou já mão existiam ou se fecharam completamente. Sem tantas instituições confiáveis os experimentadores surgiram, nesse caso influenciados pelos pré-socráticos, judeus, gnósticos e pelo Egito faraônico. Este é o ponto de partida histórico da alquimia, uma vez que é o primeiro momento em que um grupo de pessoas chamam a si mesmos de alquimistas. Seus principais nomes foram Maria, a judia e Zósimo. Pouco de sua literatura chegou intacta até os dias de hoje mas entre estas podemos citar duas muito famosas: a Tábua Esmeralda e o Corpus Hermeticum.

Alquimia Chinesa: A raiz oriental da alquimia surgiu na China, entre os sábios taoístas. Embora nunca tenham chamado a si mesmos de alquimistas às similaridades com os helenistas é muito grande para não se fazer notar ou mesmo vislumbrar uma possível raiz ainda mais antiga entre ambas. Dessa raiz nada pode ser realmente afirmado, mas conceitos como Elixir da Vida, Mutação de Princípios Universais e Cinco Elementos são encontrados desde o período das Primaveras e dos Outonos. O grande objetivo dos taoistas é a busca da imortalidade por meio da manipulação da matéria densa e sutil que compõem o ser humano. Seus principais nomes foram Lü Dongbin e Jin Ge Hong e o principal livro foi o Baopuzi com grande influência do I-Ching.

Alquimia Indiana: Assim como os chineses, os indianos nunca se chamaram a si mesmos de alquimistas, mas isso não muda o fato de que a manipulação da matéria e de si próprio com fins de auto-aperfeiçoamento pode ser encontrada em todas as seis escolas de Yoga e está presente desde o Bhagavad Gita. Contudo, no período que vai da invasão de Alexandre, o Grande até a expansão do greco-budismo a temática alquimista tornou-se cada vez mais comum. Hoje a Ayurveda pode ser considerada um sistema alquímico-espagírico independente e não por acaso práticas de pranayama, asana e mantras são incorporadas em muitas escolas ocultistas.. Seus principais nomes foram Pantajali e Nagarjuna e suas principais obras são o Rasarathnakara e o Aforismos de Pantajali.

Alquimia Islâmica: Quando o Egito foi invadido pelo califa Omar, não demorou para que a curiosidade e o gênio árabe vissem nas tradições alquímicas locais algo de grande valor. Nesta fase a alquimia se tornou bastante simbólica e poética e com um indelével gosto monoteísta bem ao sabor do misticismo islamico. De fato, todos os grandes alquimistas do período foram também sufis. Além disso, com os árabes ocorreram os primeiros intercâmbios entre as tradições alquímicas geograficamente espalhadas que vimos até agora. Seus principais nomes foram Avicena e Jabir ibne Haiane, que escreveu o principal livro alquímico da época, o Corpus Jabiriano, com forte influência do Alcorão Sagrado.

Alquimia Latina: Às cruzadas expulsaram os governantes islâmicos da Europa, mas não a influência dos alquimistas muçulmanos. Esse conhecimento foi reconhecido como poderoso pela Igreja Cristã que rapidamente articulou para que nos próximos séculos a alquimia continuasse apenas dentro das paredes da Igreja. Todos os grandes alquimistas desta fase foram sacerdotes católicos. Albertus Magnus, Basilio Valentim e Roger Bacon são alguns desses nomes.  Foi apenas a partir de Nicolas Flamel que a alquimia tornou-se novamente uma arte secular, embora a simbologia cristã e religiosa da época tenha permanecido nos vários séculos que se seguiram. Opus Majus é um dos livros mais significativos da época, com forte influência da Bíblia Sagrada.

Alquimia Renascentista: Tal como o rosacrucianismo a quem está intimamente ligada à alquimia renascentista é fruto do esforço protestante de se apoderar de um conhecimento que por muito tempo foi exclusividade da igreja católica. Com o fim do monopólio eclesiástico logo nomes de mulheres voltaram a despontar como foi o caso de Marie Meurdrac e Isabella Cortese. Também foi o retorno das influências judaicas, principalmente na figura de Chayim Vital, que além de transmissor e discípulo de Issac Luria era também alquimista (para o desgosto de seu rabi). Mas o grande nome dessa fase foi certamente Paracelso, que entre outras coisas destacou a importância da Espargiria como uma ferramenta poderosa para o estudo e aperfeiçoamento do mundo. Essa abertura da alquimia para além dos muros igreja rendeu muitos frutos interessantes. Logo surgiram os primeiros tarots, o esquema da Árvore da Vida e as primeiras óperas. Os famosos  Três Livros de Filosofia Oculta, de Agrippa são bastante representativos desta fase histórica.

Alquimia Iluminista: A popularização da alquimia secular teve suas contraindicações. Para começar a Igreja não “entregou todo o ouro” facilmente, de modo que para cada conde de Saint Germain e Cristina da Súecia surgiram centenas de enganadores querendo um empréstimo adiantado para fingir trabalhar em seus laboratórios. Não demorou para os vigaristas da época perceberem que esta era uma ótima maneia de tirar proveito da ambição alheia. A reação das autoridades foi devastadora e a alquimia ganhou uma péssima fama como ofício de trapaceiros. Nesse período a prática passou a ser condenada como charlatanismo por papas e reis, mas se lermos bem as bulas e decretos reais veremos que a proibição nunca foi direcionada aos praticantes verdadeiros. Quando esse excesso de vigarice se somou ao cientificismo da Revolução Industrial (divorciado de qualquer preocupação mística) a divisão entre Alquimia para a Química tornou-se definitiva. Apesar de tudo disso, o conhecimento alquímico não foi abandonado. Na mesma época Irineu Filaleto teve uma brilhante carreira e Elias Ashmole criou a ritualística maçônica com forte influência da simbologia alquímica. O livro Aurea Catena Homeri de Hermann Kopp é um prova viva de que mesmo em tempos conturbados a alquimia espiritual permaneceu sendo praticada.

Alquimia Hermética:  Como  reação ao descrédito que a alquimia ganhou no século anterior, no século XIX houve a ascensão de um novo tipo de abordagem alquímica. Encabeçado primeiro pela teosofia de Helena Blavatsky e em seguida pelo hermetismo da Golden Dawn a alquimia tornou-se mais espiritualizada e simbólica e menos operativa e laboratorial. Foi tratada como parte de um currículo maior que buscou sintetizar várias áreas do saber esotérico como a Kabbalah Hermética, a Yoga, Gnosticismo, a Astrologia e a Magia Cerimonial. Também nessa época, graças a nomes como Pascal Randolph e Maria Naglowska começou a se falar mais abertamente de alquimia sexual. Desde então símbolos alquimistas são encontradas em todas grandes ordens ocultistas.  Grandes alquimistas desta época incluem ainda Fulcanelli autor de ‘O Mistério das Catedrais’ e A.E. Waite que traduziu toda a obra de Paracelso do alemão para o inglês.

Alquimia Moderna: A próxima grande onda da alquimia veio junto com a primeira grande crise dos estados nações criados e é uma consequência da síntese esotérica que se tentou fazer no século anterior. Enquanto às Guerras Mundiais matavam bilhões, Carl Gustav Jung fazia em sua casa a maior biblioteca alquímica da Europa. Seu objetivo era decifrar os antigos textos e tratados do ponto de vista do que se convencionou chamar hoje de psicanálise junguiana. Mas ele não estava sozinho na leitura psicológica da antiga arte. Nomes como Mary Ann Atwood, Ethan Hitchcock, antes de Jung e Marie Louise Franz logo depois dele também participaram destes esforços de reinterpretação das ideias alquímicas. Em paralelo nadando contra a corrente a psicologização total da Grande Obra ordens rosacruzes, martinistas e maçônicas continuavam o legado da Alquimia Hermética e grupos como o Paracelsus Research Society (atual Paracelsus College ) e a Inner Garden, resgataram a tradição da alquimia laboratorial dos séculos anteriores.

Alquimia Pós-Moderna: O fácil acesso ao legado cultural anterior faz da alquimia de hoje a herdeira de todas as outras tradições que vimos até aqui. Curiosamente todo esse acesso a informação nos coloca novamente em um momento de crise das instituições espirituais, desta vez pelo excesso de oferta de ordens e gurus de todo tipo. A única forma de criar um filtro e nos orientarmos é nos tornando novamente experimentadores. Os avanços em separado das filhas da alquimia como a química, a psicologia e fármaco-botânica podem agora ser usadas novamente para cumprir o antigo e perene objetivo da Alquimia Espiritual. No nosso auxilio temos também todo desenvolvimento da alquimia hermetista no século XX e XXI que resultou nos diferentes grupos ocultistas que temos hoje além de novas “tecnologias espirituais” a serem exploradas como o tecno-xamanismo, a psiconáutica e a quimiognose psicodélica. Um dos primeiros a perceber isso foram Timothy Leary e Terence McKenna que em mais de uma ocasião chamaram a si mesmos de alquimistas. Outro nome que certamente deixará sua influência é o de Stanislav Grof, autor do enciclopédico ‘ Caminho do Psiconauta’ e Robert Anton Wilson que popularizou e desenvolveu as principais ideias de Leary. Em 2007 tivemos finalmente primeira Conferência Internacional de Alquimia com a participação de diversas guildas e alquimistas independentes.

Diante de tudo isso, por mais que eu me esforce para fazer do Principia Alchimica uma porta de entrada fácil e acessível à tradição alquímica, ninguém tem o direito de ser o guardião da única interpretação possível da alquimia, e muito menos tentar adivinhar como a alquimia do futuro deverá ser. Só podemos responder o que é a alquimia para cada um de nós agora. Ainda que usemos nomes e técnicas diferentes, se o objetivo for melhorar a nós mesmos então ainda faremos parte desta antiga tradição.

* Thiago Tamosauskas autor do Principia Alchimica, um manual simples e direto dos principais conceitos e práticas da alquimia.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-diversidade-da-experiencia-alquimica/

As 3 Colunas ou Pilares [Update]

Esta divisão tradicional em três colunas, está em estreita vinculação com o expressado anteriormente acerca dos Princípios alquímicos. Como se pode observar, uma das colunas é ativa (+) –ou positiva, ou masculina–, e a outra é receptiva (–) –ou passiva, ou feminina–, enquanto a terceira, ou eixo central, eqüidistante de ambas, é neutra e permanentemente as conjuga. À energia passiva corresponde a Coluna da Beleza, composta, como podemos ver, pelas sefiroth Hochmah (2), Chesed (4) e Netzach (7). À energia ativa, a Coluna da Força, que está composta pelas sefiroth Binah (3), Gueburah (5) e Hod (8). A coluna ou pilar central ou axial, constituída pelas sefiroth Kether (1), Tiferet (6), Yesod (9) e Malkuth (10), é neutra, e perenemente realiza a assimilação dos contrários, dando lugar a novas possibilidades de desenvolvimentos indefinidos. É chamada pilar ou Coluna do Equilíbrio. Esta é a imagem da ordem permanente da Criação, segundo a Cabala.

@MDD – estava invertido!!! agora está certo.

#hermetismo #Kabbalah

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Santo Daime e Magia do Caos – Felipe Boin

Bate-Papo Mayhem #262 – 09/12/2021 (Quinta) – Com Felipe Boin – Santo Daime e Magia do Caos

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Magia do Caos: a Jornada – Luis Z Siqueira

Bate-Papo Mayhem 151 – gravado dia 13/03/2021 (Sabado) Com Luis Z Siqueira – Magia do Caos: a Jornada

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H.P. Lovecraft no Cinema, Literatura e nas Ordens de Magia – Lucio Reis

Bate-Papo Mayhem 224 – 21/08/2021 (Terça) Com Lucio Reis – H.P. Lovecraft no Cinema, Literatura e nas Ordens de Magia

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#Batepapo

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Simbolismo Vegetal I

A vegetação, na indefinida variedade de suas espécies, formas, cores e fragrâncias, constitui um mundo inesgotável de significações simbólicas conhecidas por todos os povos desde a mais remota Antigüidade. Recordemos, neste sentido, que o Paraíso terrestre é descrito como um jardim ou um vergel, ao cuidado do qual estavam os primeiros homens. Por este motivo, a agricultura (a “cultura do agro”) é considerada como o primeiro ofício nascido da sedentarização da humanidade, que dá lugar à aldeia e posteriormente à cidade em pedra e à civilização tal qual a conhecemos. Não esqueçamos que a palavra cultura deriva precisamente de “cultivo”, o que está relacionado evidentemente com o vegetal. A isto se deve, sem dúvida, o porquê do homem arcaico e tradicional ter incorporado o vegetal na descrição simbólica de sua cosmogonia e de sua visão sagrada do mundo. Efetivamente, nada há que expresse melhor o desdobramento da vida universal do que uma planta em seu pleno desenvolvimento, como por exemplo a árvore, que é também um dos símbolos naturais mais difundidos do Eixo do Mundo, e o que mais claramente alude à estrutura cósmica e seus diferentes planos ou graus de manifestação. Baste recordar a Árvore da Vida Sefirótica, semelhante, quanto a sua significação essencial, a outras muitas árvores sagradas pertencentes às mais diversas tradições de todos os tempos e lugares, como a ceiba [N.T.: Ceiba Pentandra Gaertin, árvore existente na América Central] entre os maias, o carvalho (ou encina [N.T.: Quercus ilex]) entre os celtas, a oliveira entre os povos mediterrâneos, a árvore Yggddrasil entre os escandinavos, a palmeira entre os antigos egípcios e os árabes, etc.

A mesma função simbólica desempenham determinadas flores, como o lótus nas tradições orientais e a rosa ou o lírio nas ocidentais. Todas elas são símbolos do Centro e do Mundo, e o abrir-se de suas pétalas expressa o desenvolvimento da manifestação a partir da Unidade primordial, por isso também que se as relacione com o simbolismo da “roda cósmica”, estando o número de pétalas em correspondência com os radios ou raios que conectam o centro da roda com sua periferia. Não esqueçamos tampouco que as flores em geral estão vinculadas ao simbolismo da copa, e por conseguinte ao aspecto passivo e receptivo da manifestação, à pureza virginal da “quintessência”, por exemplo quando se fala do “cálice” de uma flor.

#hermetismo

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Lovecraft e o Necronomicon – Luigi Doria

Bate-Papo Mayhem 179 – gravado dia 29/05/2021 (Sabado) Com Luigi Doria – Chtulhu, Lovecraft e o Necronomicon

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Metraton

Todos os povos, desde a mais remota Antigüidade, conservaram a realidade do mito como um componente essencial de sua concepção do mundo, de sua Cosmogonia e Teogonia. Por muito longe que nos remontemos na história das civilizações tradicionais, sempre encontramos nelas uma rica profusão de relatos e lendas relacionados com seres míticos, que servem de comunicação entre a Terra e o Céu, entre o de baixo e o de cima. A tradição cabalística também conserva um grande número de gestas míticas vinculadas com o descenso à Terra das energias celestes, angélicas ou espirituais. Assim, na Cabala se acha com freqüência o nome de Metatron, que se identifica com o arcanjo Miguel, também chamado o “Príncipe das Milícias Celestes”.

A Cabala considera o Metatron como o princípio ativo e espiritual de Kether, a Unidade, que com as tropas divinas sob seu comando (as sefiroth de construção cósmica) empreendem a luta contra as potências do mal e das trevas (que constituem seu próprio reflexo escuro e invertido, as “cascas”, “escórias” ou keliphoth) dissipando a dúvida e a ignorância no coração do homem, fecundando-o, simultaneamente a essa mesma ação, com a influência espiritual que transmitem. Em algumas representações da iconografia cristã e Hermética pode se ver este combate mítico nas figuras do arcanjo Miguel e das hostes angélicas, lutando contra os demônios e Satã, o “príncipe deste mundo”, segundo a conhecida expressão evangélica.

Com o mesmo significado, mas a nível humano, encontramos o cavaleiro São Jorge combatendo o Dragão terrestre, símbolo das paixões inferiores e do “caos”. Precisamente, a lança ou espada (símbolos do eixo) de São Jorge atravessando o corpo do monstro, sugere a “penetração” das idéias celestes, verticais e ordenadoras, em dito “caos”. Esta variante do mito é análoga à luta que o homem acomete na busca do Conhecimento, o que lhe dá a possibilidade de viver um processo mítico idêntico ao dessas mesmas energias cósmicas e telúricas, celestes e infernais, em permanente luta e conciliação.

Relacionado em certo modo com as origens da Tradição Hermética, e intimamente vinculado com o que vimos dizendo, encontra-se o mito dos “anjos caídos”, que igualmente é relatado no Gênesis bíblico. Considerado desde o ponto de vista da Ciência esotérica –que tende a resolver os opostos e, portanto, exclui, por insuficientes, o simplesmente moral e sentimental, bem como as leituras demasiado literais das coisas, que estão incluídas no ponto de vista simplesmente religioso e exotérico– a “queda dos anjos” representa, ante tudo, um símbolo do descenso das influências espirituais no seio da própria vida e da natureza humana.

Certos anjos caíram acesos pelo amor que professavam às filhas dos homens às quais, diz-se, “encontraram formosas e belas”. De seu casamento, nasceram seres semidivinos (os antepassados míticos), que revelaram aos homens as ciências e as artes teúrgicas, mágicas e naturais, ou seja, todas aquelas disciplinas que, como já sabemos, integram os textos sagrados dos “Hermética” e do “Corpus Hermeticum”.

#hermetismo

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En Sof

Não falamos ainda em nosso Programa de En Sof, (ainda que o tenhamos citado de passagem) pois nos interessava apresentar primeiro o modelo da Árvore da Vida e trabalhar com ele, para que o estudante se familiarizasse com sua estrutura e ao mesmo tempo jogasse com as diferentes relações a que dá lugar, o mesmo que com as letras e com outras imagens propriamente cabalísticas. Queremos recordar que este modelo da Árvore corresponde exatamente a Adam Kadmon, o homem total, e nos referimos primeiro a ele para tratar de entender certas proporções que nos levarão à idéia do que é En Sof para os cabalistas. Estamos falando de suas medidas, chamadas em hebraico Shiur Koma, pois a Cabala identifica a Adam Kadmon com o cosmos. A “altura dos calcanhares deste ser é de trinta milhões de parasangas”, afirma-se laconicamente. Mas depois se explica que “uma parasangae do Criador tem três milhas, uma milha tem dez mil metros e um metro três empans, e um empan contém o mundo inteiro”.

Sem dúvida estas medidas abarcam todas as possibilidades do Universo, quaisquer que estas sejam. No entanto a idéia de En Sof supera, se assim pode se dizer, todas estas possibilidades.

Como se verá, sua posição é supra-cósmica, chama-se-lhe o Antigo dos Antigos (Deus Ignotu). Não pode ser nem sequer imaginado pelo homem. Expressa-se através do cosmos, do homem celestial, do criador, que mal é um ponto residual de seu nada infinito. A palavra Ayin (Nada), utilizada às vezes pelos cabalistas e pelo Zohar como idêntica a En Sof, entranha uma idéia de vazio absoluto. Mas este nada e este vazio não são “algo” no sentido da expressão moderna, a saber: algo que possa ser percebido ou se expresse como uma negação de outra coisa. Na verdade, En Sof não é nada do que pudesse ser algo, tal a Majestade Imensurável desta doutrina cabalística. Pelo que as três primeiras sefiroth correspondem à Triunidade dos Princípios do Ser Universal, e portanto também as do ser individual. Correspondem-se com os princípios celestes que, por sua vez, geram os terrestres, tal qual no simbolismo construtivo a cúpula e a base do templo. Trata-se da natureza de Deus, se convém utilizar esta forma de dizer, que se sintetiza na Unidade, à qual Deus se assemelha. Estes estados são supra-individuais e estão assinalados no diagrama da Árvore da Vida como supra-cósmicos, já que estão por cima das sefiroth de “construção” (cósmica). No entanto, ainda se encontram determinados pela numeração que se lhes atribui, começando pela Unidade. Efetivamente, a Unidade é a síntese onde se pode encontrar a essência e o sentido da totalidade da Criação; mas ao mesmo tempo esta assunção do Si (chamado também Bem e Só) é, por sua vez, o único meio de passagem a outros “espaços”, estes sim, autênticos e verdadeiramente supra-individuais e supra-cósmicos (metafísicos), claramente assinalados na Cabala com o nome de En Sof, equivalentes ao Não-Ser, dos quais não se fala, já que por definição são inefáveis. Também esta simbolização de uma sucessão de graus de Conhecimento se acha implícita na própria planta do edifício do Templo, por meio da porta, do labirinto, do altar e do sancta-sanctorum, que delimitam zonas simbólicas específicas que se articulam, do menor ao maior, no percurso iniciático que a construção propõe.

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