Magia e o Poder da Palavra

Texto muito bacana de K.G.Gomes, ou AbraxasImago.

Um dos grandes questionamentos do iniciante, ao meu ver, é o que “diacho” seria magia e do que ela serviria ao homem que tivesse domínio sobre ela.Isso por ser bastante comum os interessados nelas anteverem primeiramente seus benefícios em detrimento dos encargos impostos.

Pela etimologia da própria palavra sua origem é incerta. Os antigos persas tinham uma visão bem mística da magia,como algo dado ao homem como dons divinos.Muitos desses homens era tidos como “sábios” ou “magi”.Outra possível origem pode ter surgido com a palavra “imago”,que significa “ilusão” e “imagem”. Fazendo uma alusão ao já exposto como “imagem”,”ilusão”,”sábio” podemos arriscar em definir como a magia ser a arte dos sábios de criar coisas miraculosas.

Essa visão de prodígios por muito tempo foi levada pelas mais diversas culturas. Ninguém de fora da arte entendia seu funcionamento.Isso porquê as pessoas não conseguem entender a sua linguagem.

Em qualquer sistema de linguagem e tradução existe uma linguagem que o leigo não entende e a linguagem comum e acessível a sua compreensão, sendo esta separada por um hiato.Essa separação é que afasta o homem do entendimento total acerca daquilo que desconhece.A única maneira de fazê-lo entender algo é ensinando a ele essa linguagem por um sistema de tradução.

Parece viagem,mas a nossa gramática(por exemplo) na verdade é o resultado de séculos de desenvolvimento em cima de grimórios antigos.Sim, grimórios,que são livros de magia compilados ao longo de gerações por autores desconhecidos que atribuiam a autoria e popularidade em cima de autoridades míticas como Salomão,Abraão-O Judeu, Abramelin,etc.

Nesse grimórios o funcionamento de linguagem é o mesmo.Antes de chamar um demônio ou anjo à sua presença,o magista (termo moderninho para mago,mais bonito e menos galhofa) tinha de conhecer a sua hierarquia e função,como um ser vivo de algum filo do reino animalia ou mesmo um indivíduo autônomo que compunha algum dos setores de funcionamento de uma grande empresa ou corporação.

Sabendo a função e posicionamento o mago tinha de saber o seu símbolo arquetípico,uma imagem que codificasse tudo aquilo sobre a dita entidade e que penetrasse no seu subconsciente para acessá-la.Esse caráter de imagem é importante,note bem. A imagem é uma forma de linguagem,porque nela pode se concentrar diversos simbolismos e explicações complexas que levariam mais tempo e esforço de serem transpostas ao papel.

Bom,temos o nome do ser e o seu símbolo.Para ser feita a conexão o magista tem de iniciar uma chamada simples,algo como teclar os números corretos do telefone para poder ter um te-te-a-te-te com a entidade.Mas antes ele deveria estar prevenido de que autoridade investir sobre si e como tratar a entidade,o que falar sem vacilar e expor…em linguagem nada mais são do que pronomes de tratamento,artigos,substantivos…

…essa linguagem é que é fabuloso da magia.O uso da linguagem desconhecida ao grande público e sabida apenas pelo operador do prodígio não é para chamar atenção dos outros,mas do subconsciente do próprio homem.Apopantoskakodaimonos,abrahadabra e outras palavras são fórmulas especiais de acesso a certas áreas restritas do subconsciente que o indivíduo não conseguiria fazer sozinho com a própria consciência.

A arte e ciência entram justamente em comum da magia,porque há uma cosmologia e paradigmas próprios àquele que decide acessar portais ocultos pela realidade aparente das coisas. Pantáculos,círculos,velas,invocações teatrais,orações fervorosas,etc,são muito recorrentes porque existe a técnica e a arte que as desenvolve para acobertá-la daqueles que a querem perverter e não detém de sabedoria e tradução suficientes para entendê-la.Um erro nessa tradução ou não tem efeito ou,no pior dos casos,tem efeitos desastrosos sobre o magista ou sobre o curioso que apenas quer saber como é essa brincadeira,caindo numa puta de uma “bad trip”.

O primeiro passo para o entendimento é se conhecer.O auto-conhecimento é importante,porque a magia não somente mexe com a realidade objetiva que é externa a pessoa,mas com a subjetiva que é interna a este.Caso contrário,como esperas ter o “domínio” sobre uma entidade ou plano de existência se você mesmo não tem controle mínimo sobre sí?

O segundo passo seria conhecer o universo.Estudar todas as ciências-base,que são português,matemática,geografia,história,filosofia,teologia e ciências naturais(física,química e biologia) eram estudadas com afinco por todos os magos.Magia não é um estudo somente da metafísica,mas um aprendizado constante dos planos tangíveis e intangíveis.Paracelso,por exemplo,era químico,médico,filósofo e teólogo.Não à toa Paracelso(o “médico excelso”) é considerado o pai da química e medicina(tanto homeopática quanto alopática,por mais que os últimos e céticos o neguem),algo que o gabarita de forma inquestionável como apto para estudar magia.

O terceiro pode ser o estudo teórico desse conhecimento e a prática deste.Estudar hermetismo ou hermeticismo e praticar theurgia como os gregos antigamente faziam,ou ler cabala e recitar invocações de anjos ou confeccionar pantáculos diversos,ou mesmo rezar sobre a rosa na cruz e transmutar os elementos alquímicos que são inerentes ao seu próprio ser.

Isso se tratando de ciência,em arte não muda muito.O exemplo mais recorrente que me vem agora é o próprio Alan Moore.Ele é escritor, quadrinista,desenhista…e Mago!Ele é simplesmente foda!A frase que me tocou muito quanto a linguagem e que compartilho com vocês é que ele,ao atingir a casa dos 40 ou 50,poderia ter tido uma crise de meia-idade como todo mundo,mas resolveu pirar e se assumir como um mago…e de tanto dizer essas sandices ele se surpreendeu com a ironia do universo,pois a partir do momento que ele se assumiu como mago ele se tornou um.

Essa é a sutileza do caminho.

The mindscape of Alan Moore

(Obs:àqueles que como eu são jumentos em se tratando de inglês,no vídeo tem o recurso de tradutor de legendas fraquinho,mas que dá para se virar bastante,bastando configurar.)

Texto original do blog Lamparina Magicka, que vale ser colocado nos favoritos.

#MagiaPrática

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Comodismo

Por que as pessoas se acostumam com o que não lhes faz bem? Acho a capacidade do ser humano se adaptar às adversidades fantástica, mas muito mal utilizada. Se você perguntar a um nativo da Islândia se ele é feliz, muito provavelmente vai dizer que sim, e que ama sua terra onde só tem gelo e ventos que queimam o rosto. Isso não é exatamente adaptação. Ele simplesmente nasceu ali e lhe falta parâmetros. Mas ,esse mesmo habitante pode ter ace$$o a outros países, como as Bahamas, e ainda assim preferir seu lugar gelado. Chega a ser irracional pra quem vê de fora, mas isso é costume, apego, afeição. Somente na mente daquela pessoa é que vamos encontrar os verdadeiros motivos que o mantém preso àquilo, porque na fria lógica não há a menor sustentação. Foi ali onde ele deu os primeiros passos, o primeiro beijo, onde há a lembrança de seus ancestrais, sua cultura, etc. É um apego sentimental.

Isso acontece muito em relacionamentos. Muitas vezes continuamos nos desgastando com nosso parceiro(a) e todos ao seu redor dizem “sai dessa, isso é loucura” e de fato toda a lógica aponta para o rompimento daquilo que só faz mal a eles e até mesmo aos que estão a seu redor. Mas, ainda assim, o vínculo permanece, todo construído a partir de sentimentos. Afinal, somos mesmo seres racionais? Fazemos julgamentos o tempo todo (isso é bom, aquilo é feio, aquilo é melhor, mais alto, mais baixo, etc.) só que não são baseados em coisas absolutas, que sirvam para todo ser humano. Nosso julgamento passa obrigatoriamente por nossos valores, sentimentos, experiências, enfim, pela nossa alma. Uma criança pode caminhar pra boca de um Leão que aparentemente era ameaçador pra todo e qualquer ser humano (não necessitando um conhecimento prévio de que aquele bicho vai lhe fazer mal). Mas, sabe-se lá que associação aquela mente fez? Não é exatamente o que acontece com o álcool e o fumo?

A Islândia foi um exemplo extremo. Mas podemos usar o mesmo raciocínio aqui no Brasil. Vivemos num país abençoado por Deus, com uma natureza exuberante, mas no meio de uma população de canibais. Um país de corda de caranguejos, todos se agarrando pra evitar que escapem da panela. É canibalismo no ambiente de trabalho, nas relações sociais, na violência desmedida nas ruas, na fome que assola uma parte gigantesca da população, enquanto uma minoria aumenta seus salários, etc. E vamos nos adaptando a isso com resignação, com o bom-humor característico do brasileiro, comprando a “carteira do ladrão”, achando natural que possamos estar mortos ao sair pra comprar pão, e que nossos “bem-nascidos” possam e devam andar com escolta e ter polícia na porta de casa, enquanto a maioria da população não tem. Tudo porque nos acostumamos a isso, através da aceitação do mal ao meu vizinho, através das repetidas notícias de violência na imprensa, e através de um comodismo que aceita absurdos dos menores aos maiores. Novas gerações simplesmente nascem acostumadas a esse mundo louco, e o tempo dos nossos bisavós, onde se “amarrava cachorro com linguiça”, torna-se apenas uma lenda distante, como uma Shangrilá.

Mas esse ainda não é o ponto onde quero chegar, que é algo que transcende as notícias de jornal e mesmo o nosso planeta. É sabido que existem pessoas que se acostumam a viver de esmola. Normalmente pensa-se que é o efeito da falta de emprego, da especialização, e tal. Mas tivemos exemplos dramáticos no Nordeste por conta do bolsa-escola, onde famílias que OUTRORA trabalhavam ficaram de braços cruzados por acostumar-se a uma mixaria que o governos lhes dá. E ainda procuram botar mais filhos no mundo pra “aumentar a renda”. Isso é um fato, distante pra maoria (que pode dizer o clássico “o que eu tenho a ver com isso?). O que quero alertar, dentro do espírito do Saindo da Matrix, é que, E SE nos acostumamos de tal forma ao planeta Terra que deixamos nosso verdadeiro lar, nosso “paraíso” e nossos sonhos e potencialidades pra trás, justamente por nos acostumar-mos a uma “esmola” fácil e duradoura? Acostumados a um lugar onde o amor é uma coisa contraditória, hora animalesca e regida por instintos, ora Divina e transcedental? E SE hoje usamos uma couraça que limita nossos movimentos, mas que por outro lado é “fácil de usar” e nivela todos por baixo, e nos acostumamos com isso a ponto de esquecer nosso verdadeiro “corpo”? E SE fizemos como os norte-americanos pós-11 de setembro, um povo altamente endividado com as ações do passado e que termina por ter de abdicar de sua liberdade em favor de um ditador que “cuide” deles? E o pior, E SE ainda cultuássemos essa entidade protetora como um DEUS?

#hermetismo

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O Símbolo do Coração

É desse Princípio de onde, efetivamente, o homem recebe o hálito vital, ao mesmo tempo em que a luz da Inteligência, ou autêntica intuição intelectual, permite-lhe conhecer de maneira direta, simultânea e sem reflexos (ou seja, não dual, racional ou cerebral) a Unidade em todas as coisas. Neste sentido, lembraremos que na Cabala a sefirah Tifereth (que na simbólica construtiva corresponde ao altar do templo) é chamada o coração da Árvore da Vida, pois ao estar situada no próprio centro do pilar do equilíbrio faz possível que nela se unifiquem e sintetizem as restantes sefiroth. Por isso, esta sefirah também é chamada “Harmonia”, entendida como a autêntica expressão da “concórdia” universal, palavra que precisamente significa “união dos corações”.

#hermetismo

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Hipátia e Sinésio (parte 1)

A Filósofa,

Eu lhe saúdo, e lhe peço que saúde seus fortunados amigos por mim, majestosa Mestra. Há tempos venho lhe reclamando por não ser digno de uma resposta, mas hoje sei que não sou vítima do seu desprezo por nenhum erro de minha parte, mas porque sou desafortunado em muitas coisas, em tantas quanto um homem pode ser.

Se apenas eu pudesse receber novamente suas cartas e saber como todos estão passando – tenho certeza que estão felizes e desfrutando de boa fortuna – eu ficaria aliviado, neste caso, da metade dos meus próprios problemas, ao me alegrar pela sua felicidade. Mas hoje o seu silêncio é mais uma adição as minhas tristezas.

Eu perdi meus filhos, meus amigos, e a boa vontade de todos. A maior de todas as perdas, no entanto, é a ausência do seu espírito divino. Eu tive esperança de que isto sempre permanecesse em mim: a capacidade de vencer tanto os caprichos da fortuna quanto as voltas sombrias do destino.

A carta acima [1] foi escrita por Sinésio de Cirene no ano 413 d.C. Provavelmente seria tratada como um relato de pouca importância histórica, fruto do fim de vida amargo de um filósofo do século V, não fosse pela sua célebre destinatária, a qual o escritor lamenta profundamente a ausência: a “filósofa” em questão era exaltada como um “espírito divino” não somente por Sinésio, como por praticamente todos os seus discípulos. Ela era Hipátia de Alexandria, a mulher mais sábia de seu século, cuja luz e a lenda ainda irradiam até a era moderna.

Eis como Sócrates Escolástico, um historiador de sua época, a descreveu em sua obra Historia ecclesiastica [2]:

Havia uma mulher em Alexandria chamada Hipátia, filha do filósofo Théon, que galgou tantas realizações na literatura e na ciência, que ultrapassou em muito os filósofos de seu tempo. Tendo sido versada nos ensinamentos de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia para os seus ouvintes, muitos dos quais viajavam enormes distância para serem instruídos por ela. Por conta de seu autocontrole e serenidade, frutos do cultivo de sua mente, ela aparecia muitas vezes em público na presença dos magistrados da cidade, e não se sentia envergonhada em participar das assembleias dos homens. Pois todos os homens que tinham notícia de sua extraordinária dignidade e virtude eram seus admiradores.

Apesar de haver sido uma das mentes mais brilhantes de seu tempo, Hipátia é mais conhecida pela maneira brutal com que foi assassinada; assim como pela forma com que as lendas em torno do ocorrido alimentaram a curiosidade tanto de pagãos quanto de cristãos, tanto de adeptos da ciência e da racionalidade quanto de homens e mulheres de fé. Antes de sabermos como ela morreu, no entanto, talvez seja mais proveitoso saber como viveu…

Residiu a vida toda em Alexandria, tendo sido descendente de uma família de relativa nobreza e destaque na sociedade da época. Seu pai, Théon, era um cientista muito conhecido, membro do Museu (ou Templo das Musas, onde também residia a célebre Biblioteca da Alexandria [3]), escritor e filósofo com especial interesse no hermetismo. Apesar do que dizem as lendas, era o pai de Hipátia o amante do paganismo (ao menos publicamente), e não ela, que ficou conhecida em seu tempo bem mais pela sua vasta erudição em ciências matemáticas e astronômicas, assim como em filosofia, do que por algum conhecimento particular dos rituais pagãos.

A sua vida privada, no entanto, era bem mais envolta em mistérios… Apesar de não nos restar nenhuma obra escrita de Hipátia que não seja relacionada à ciência [4], felizmente algumas cartas de Sinésio sobreviveram aos séculos, e nos confirmam em parte o que muitos estudiosos da sua vida intuíram.

Hipátia formou um círculo intelectual composto por discípulos que eram como que “alunos particulares”, alguns deles por muitos anos, outros ainda (como o próprio Sinésio) que a trataram como mestra até o fim da vida. Tais alunos vinham da própria Alexandria, de outras regiões do Egito, da Síria, de Cirene e Constantinopla. Pertenciam a famílias ricas e influentes; com o tempo, vieram a ocupar posições de comando na hierarquia do Estado ou na ordem eclesiástica do cristianismo nascente.

Em torno de sua mestra, esses discípulos formavam uma comunidade cujos fundamentos eram o sistema de pensamento platônico e os laços profundos de amizade. Aos conhecimentos transmitidos pelo “espírito divino” de Hipátia, davam o nome de “mistérios”. Tais conhecimentos, estes sim, eram mantidos inteiramente secretos, e jamais transmitidos a qualquer um que não fosse iniciado nos assuntos divinos e cósmicos.

Ainda que pouco saibamos atualmente sobre o que Hipátia e o seu círculo de discípulos estudavam em segredo, é certo que, entre os seus textos sagrados, contavam-se os Oráculos Caldaicos. Esses textos do hermetismo eram caros tanto ao pai de Hipátia, que os lecionou a própria filha em casa, quanto a Sinésio, que em suas obras demonstra estar plenamente familiarizado com a sua temática.

Seja como for, fato é que se Hipátia foi uma pagã no âmbito privado, jamais demonstrou, na esfera pública, nenhum interesse particular por frequentar templos dos deuses gregos ou participar de seus rituais. Ao que tudo indica, Hipátia foi muito mais uma mística do que uma adepta do ritualismo religioso.

Suas lições públicas incluíam, além da filosofia platônica, preciosas instruções da matemática e astronomia. As suas conferências tinham lugar tanto em sua própria casa, quando aberta ao público, como nas salas de leitura alexandrinas. Em ambos os casos, não era incomum ser acompanhada por multidões de admiradores e curiosos.

Ocasionalmente também era chamada a intervir nos assuntos da polis, atuando como conselheira dos assuntos municipais. A filha de Théon detinha uma grande autoridade moral, e todos os historiadores da época concordam em descrevê-la como um modelo de coragem ética, retidão, sinceridade, dedicação cívica e elevação intelectual.

Apesar de provavelmente ter sido belíssima em sua juventude, também sempre foi uma reconhecida adepta da sophrosyne, uma espécie de “estado de espírito” que, de acordo com o conceito grego antigo, incluía o bom senso e a moderação, a sanidade moral, o autocontrole e o autoconhecimento. Isso também se refletiu em sua vida sexual: Hipátia se conservou virgem por toda a vida, e não há sequer um relato consistente de quaisquer casos amorosos que tenha tido, seja com homens ou com mulheres. Aos que a questionavam sobre “quando afinal iria se casar”, ela respondia que “já era casada com a Verdade” [5].

E há quem tenha dito que o brutal assassinato de Hipátia tenha marcado o fim do helenismo e o início da hegemonia cristã. Tais lendas quase sempre mostram uma Hipátia jovem e bela sendo morta por uma multidão de fanáticos… Como ocorre muitas vezes em lendas históricas, o relato em si passa consideravelmente distante da verdade: Hipátia não poderia haver sido uma mestra tão jovem, a lecionar para homens bem mais velhos, e discursar para multidões.

Já sobre a questão entre o helenismo e o cristianismo, como já dissemos, Hipátia tampouco tinha qualquer predileção por um ou por outro – a ela interessava somente a Verdade. Tanto que um dos seus discípulos mais fiéis, e também um dos homens que mais a amou, um dia tornou-se bispo, e o seu nome era Sinésio de Cirene, o Bispo Filósofo.

» Na próxima parte, a triste e trágica morte da mulher mais sábia de Alexandria…

***
[1] Fonte original (em inglês): Livius.org. A tradução é de Rafael Arrais.
[2] Fonte original (em inglês): Wikipedia. A tradução é de Rafael Arrais.
[3] Na Grécia antiga o museu era um templo das musas, divindades que presidiam a poesia, a música, a oratória, a história, a tragédia, a comédia, a dança e a astronomia. Esses templos, bem como os de outras divindades, recebiam muitas oferendas em objetos preciosos ou exóticos, que podiam ser exibidos ao público mediante o pagamento de uma pequena taxa. Dos museus da Antiguidade, o mais famoso foi o criado em Alexandria por Ptolomeu Sóter em torno do século III a.C., que continha estátuas de filósofos, objetos astronômicos e um jardim botânico, embora a instituição fosse primariamente uma academia de filosofia, e mais tarde incorporasse uma enorme coleção de obras escritas, dando origem a célebre Biblioteca de Alexandria.
[4] E mesmo essas são, em teoria, somente edições de célebres matemáticos e astrônomos da época. Devido à dificuldade em se atribuir autoria feminina a quaisquer obras da época, fica impossível confirmar o quanto dessas “edições” não se tratavam, na realidade, de “adições”.
[5] Segundo a enciclopédia bizantina Suda, ela foi esposa de “Isidoro, o Filósofo” (aparentemente Isidoro de Alexandria); porém, Isidoro só nasceu muito depois da morte de Hipátia, e não se conhece nenhum outro filósofo com este nome que seja seu contemporâneo. A Suda também afirmou que “ela permaneceu virgem” e que rejeitou o candidato mostrando lençóis manchados de sangue afirmando que eles demonstravam que não havia “nada de belo” no desejo carnal – um exemplo de fonte cristã fazendo uso de Hipátia como símbolo de virtude.

Bibliografia
Hipátia de Alexandria, Maria Dzielska (Relógio D’Água); Wikipedia; Livius.org

Crédito da imagem: Wikipedia (pintura de Charles William Mitchell [1885], provavelmente baseada nas lendas que chegavam a ver Hipátia como espécie de “heroína erótica da razão”).

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Filosofia #HipátiadeAlexandria #história

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A Cidade Celeste II

Também é importante advertir que a fundação das cidades, com seus templos e santuários, era um símbolo que expressava a constituição ou consolidação de uma doutrina tradicional, convertendo-se assim a cidade terrestre na própria expressão dos princípios cosmogônicos e metafísicos revelados por tal doutrina, pois esta sempre foi considerada como a emanação direta da Doutrina do céu, que não é outra que a própria Sabedoria Perene, Lei Eterna, ou Sanatana Dharma, contida na Tradição Primitiva, ou o que é o mesmo, no Centro Supremo. Este, embora em um princípio era acessível a todos os homens, tornou-se, por razões de ordem cíclica, oculto e inacessível para a grande maioria, Por isso que seja através da compreensão do sentido profundo e essencial do Ensino como se pode realmente estabelecer a comunicação com tal Centro, quer dizer, quando a “intenção” e a vontade de todo o ser se oriente para o Conhecimento, e se identifique e seja um com ele, promovendo assim uma verdadeira transformação interior casada com a realização de todas as possibilidades contidas no estado humano, à luz de cuja plenitude todas as coisas aparecem reintegradas na Unidade do Si mesmo, o qual está em relação com a frase evangélica: “Procurem e encontrarão, peçam e serão saciados, chamem e se lhes abrirá”. A essa transformação (precedida por numerosas mortes e nascimentos) refere-se a expressão hermética que sintetiza a consumação da Grande Obra: “espiritualizar os corpos e corporificar os espíritos”, ou “espiritualizar a matéria e materializar o espírito”, como se diz nas primeiras páginas deste Programa.

O centro do estado humano está representado precisamente pelo coração, onde, efetivamente, todas as tradições situam a morada simbólica da Cidade celeste, ou Cidade divina (em sânscrito Brahma-pura), que é o Reino dos céus (identificado com a Cristianópolis ou o Templo do Santo Espírito, “que está em todas partes”, do hermetismo Rosa-Cruz), do que se diz que não virá ostensivamente, “Nem poderá dizer-se: hei-lo ali, hei-lo aqui, porque o Reino de Deus está dentro de vós”, Lucas, XVII, 21. É também a Jerusalém Celeste como dissemos, cujo advento supõe a abolição da condição temporária, e portanto a restauração do estado primitivo e do sentido da eternidade ou “presente eterno”. Em conseqüência, poderia então se afirmar que a Cidade celeste é a possibilidade permanente de viver a realidade em si mesmo, sem reflexos duais, como foi, é e será sempre, constituindo o ponto de referência vertical que dá sentido e plenitude à totalidade de nossa existência, que se reconhece no universal, conduzindo-nos da periferia ao centro através do Eixo que comunica a Terra com a Pátria celeste, que é nossa origem e destino final: “Eis aqui o Tabernáculo de Deus entre os homens, e erigirá seu Tabernáculo entre eles, e eles serão seu povo e o mesmo Deus será com eles”, Apocalipse, XXI, 3-4.

#hermetismo

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Dabar (yod-heh-vav-heh)

Surgida no século II de nossa era, no povo de Israel, a Cabala se desenvolveu na Alta e Baixa Idade Média, em países cristãos como França e Espanha, particularmente neste último, onde no século XIII foi escrito nada menos que O Zohar, o grande livro cabalístico, brilhando na Itália durante o Renascimento sob sua forma cristianizada, e passando aos países do norte e centro da Europa, à Inglaterra, Polônia, etc., em distintas épocas, e onde ainda hoje se mantém viva, bem como em Jerusalém e muitas outras cidades do mundo moderno, entre judeus e não judeus. Isto quanto ao que se refere à Cabala histórica.

O termo dabar em hebraico significa ao mesmo tempo “palavra” e “coisa”. Nesse sentido, para os hebreus o nome de Deus, constituído pelas quatro letras sagradas, é impronunciável, por respeito a sua imanifestação, e porque o pronunciar de seu nome o revelaria em sua tremenda majestade e grandeza. Estas quatro letras são: Iod – letra a partir da qual surgiu todo o alfabeto hebreu, que é considerada um ponto e cujo valor numeral é dez; Hé – chamada a primeira Hé para distinguí-la da segunda que compõe o nome divino, de valor numeral cinco; Vau – de valor numeral seis; e Hé – a segunda, de idêntico valor cinco. A soma das letras do Nome Divino dá vinte e seis, e este número é de particular importância no esoterismo e na Cosmogonia cabalística. Abordaremos tão logo as letras do alfabeto hebreu. Estes elementos são muito importantes para determinadas operações. Não se trata aqui de dar um curso de hebraico, senão de nos familiarizarmos com os símbolos e valores cabalísticos. Se nossos leitores tivessem oportunidade de estudar hebraico, sugerir-lhes-íamos que o fizessem para aumentar as fronteiras das relações e sua ressonância em nosso trabalho hermético.

#hermetismo

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Podcast Mayhem – 02 – O Sefirat ha Omer

Neste episódio, Soror Tiamat, Frater Qos, Rodrigo Grola e Marcelo Del Debbio debatem sobre o o Sefirat ha Omer, o mais importante exercício cabalista que ocorre todos os anos entre o Pessach e o Shavuot, realizado por dezenas de milhares de hermetistas ao redor do mundo. Para que serve? o que esperar dele? Quão difícil é completar com sucesso estes exercícios?

Podcast do Projeto Mayhem

Ajudem a divulgar e sejam nossos padrinhos para participar do Projeto Mayhem que, além da orientação em ritualística (rituais jupiterianos semanais, Rituais de Solstícios e Equinócios, Sefirat ha Omer), revista Hermetismo trimestral e grupos fechados de debate e plantão de dúvidas no Facebook e Telegram, possamos chegar agora a um episódio a cada quinze dias (a próxima meta!).

#cabala #Kabbalah #Podcast #SefirathaOmer

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Curso de Tarot, Hermetismo e História da Arte

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

Em Dezembro (Vila Mariana, São Paulo)

14/12 – Tarot (Arcanos Maiores)

15/12 – Tarot (Arcanos Menores)

No curso de Arcanos Maiores, utilizamos 18 tarots diferentes. Estudamos cada um dos 22 Caminhos da Árvore da Vida e sua correlação simbólica e imagética com cada Arcano do Tarot.

Começamos pelo Visconti-Sforza, do século XIII, que une a simbologia dos Trionfi renascentistas à estrutura da Árvore da Vida. Em seguida, o tradicional Tarot de Marselha (1560), o Tarocchi Bolognese (1780) e o Ancient Italian (século XIX) para conhecermos as variações das escolas de tarot renascentistas; o tarot de Papus (Boêmios, 1889), Oswald Wirth (1889) que trazem as primeiras interações do tarot com a Maçonaria e o rosacrucianismo; o tarot de Rider Waite (1909), Golden Dawn (1978), e Tarot de Thoth (Crowley) usados dentro de Ordens herméticas. Isto nos dá uma noção muito clara de como os Arcanos se desenvolveram ao longo da história da magia e quais são as principais escolas; suas diferenças e semelhanças.

Também estudamos o Tarot Mitológico, Sephiroth Tarot (cabalístico) e o Tarot Egípcio e mais quatro ou cinco tarots modernos que eu vario de curso para curso para exemplificar a visão de outras culturas (celta, africano, dos orixás, etc). Somente com esta visão de conjunto é possível compreender a magnitude do tarot e as maneiras como ele pode ser utilizado em rituais e no seu altar pessoal.

Informações e inscrições: marcelo@daemon.com.br

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A Percepção e a Evolução (Parte 3)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia e depois definimos nossos termos técnicos em Signos.

Neste texto falarei um pouco mais sobre as divisões e classificações que são feitas para alguns dos diferentes planos do além físico, e citarei algumas técnicas que são utilizadas para a eliminação de interferências que podem atrapalhar a comunicação entre eles (outros planos) e nós, entre nós e eles.

A primeira parte dos processos de classificação é a percepção de padrões e, à partir da identificação, surgem os grupos em que cada participante tem pelo menos alguma coisa em comum. O que faz de mim um ser humano e não uma rocha? Por que chamam meu instrumento de escrita de notebook e não ipad? O que eu vejo para falar que o céu durante o dia é azul e não amarelo?

As respostas são bastante óbvias, mas enquanto alguém não se perguntou “qual a diferença entre o ser humano e uma rocha?”, não havia diferença entre a pessoa e a rocha. Esta ideia pode ser encontrada no Gênesis da Bíblia, livro que fala, de maneira metafórica, sobre os primórdios da vida do homem:

“E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.

Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.”

Gênesis 3:6-7

“Olho” (em Hebraico Ayin) é por onde enxergamos, é por onde reconhecemos as diferenças entre as coisas e, assim, também os padrões. Conseguir reconhecer as diferenças é a grande maldição que “tirou o homem do paraíso”, quando sabemos que existe algo em melhor situação que a nossa sofremos. A ignorância é uma ‘benção’ neste sentido, o paraíso relatado no Gênesis é um estado mental em que se acha que está na melhor situação possível por não conhecer outra melhor.

Porém, essa abertura da visão não é de todo ruim. No próprio Gênesis isso é melhor explicado logo depois:

“Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente, o Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.”

Gênesis 3:22-23

Se lembrarmos do clichê de que o homem havia sido feito “à Sua imagem e semelhança” (como citado no próprio livro citado, Gênesis 1:26), a única coisa que o separava de ser realmente um Deus era ter seu olho aberto e conhecer as diferenças entre cada coisa (Conhecimento ou Da’ath em Hebraico), poder perceber aquilo que não percebia.

Voltando à analogia da primeira parte desta série, do homem que dominou o fogo, o primeiro padrão que ele deve ter percebido é que sentia algum incômodo ao chegar muito próximo do fogo; um segundo é que o fogo precisava queimar algo para se manter vivo e aceso, e que não queimava tudo de uma vez… algumas coisas demoravam um pouco mais para serem queimadas ou nem queimavam ao ter contato com o fogo; uma terceira é que se ele colocasse um graveto próximo ao fogo sua ponta começava a queimar, porém, sem causar incômodo a ele enquanto o fogo estivesse só no graveto. A partir da observação, ele começou a conseguir transportar o fogo de um lugar para o outro.

Notem que a percepção de padrões está presente em qualquer processo de descoberta e essa é a principal ferramenta (como uma muleta para a Vontade, o Querer, citado no texto anterior) para a evolução do homem, para a escalada do abismo, indo de um simples animal até Deus.

Com a percepção de padrões, o homem passou a perceber que muitos deles se repetiam nas diferentes coisas do universo, por exemplo, Yin e Yang (contração e expansão) estão presentes no modo como a musculatura do ser humano se move para ele se mexer, no temperamento das pessoas (extrovertidas e introvertidas), no comportamento sexual (ativo e passivo), na presença e ausência e em infinitas outras coisas. A percepção das correspondências entre padrões é essencial para a expansão do conhecimento do ser humano, é a base do que no hermetismo chamam de ‘princípio da analogia’.

Este princípio fala que, ao começar a analisar algo, começamos a entendê-lo fazendo analogia com outros padrões previamente conhecidos; passada esta fase, começamos a fazer novas descobertas e assim o universo do conhecimento se expande.

Se antes tínhamos a ideia da Contração e Expansão que estava presente em tudo no Universo, estudando-as a fundo, tirando as cobertas, descobrimos que existe também contração dentro da Expansão e também uma expansão dentro da Contração, como foi abordado na parte 2. Podemos ir nos aprofundando cada vez mais, analisando os padrões e chegando a padrões cada vez mais precisos, como podemos notar na figura 7, que mostra como se chega aos signos astrológicos.

O total aprofundamento na precisão nem sempre é desejável, pois, muitas vezes, pode nos deixar mais perdidos do que nos ajudar. Vamos a um exemplo:

Das paletas de cores mostradas acima, qual a mais indicada para um pintor iniciante e qual a mais indicada para um pintor profissional? A paleta da esquerda normalmente é mais indicada para um pintor iniciante, pois ela é mais simples, está dividida em padrões mais fáceis de se perceber; porém, após o domínio do uso da primeira, geralmente é melhor passar a utilizar a da direita, que oferece uma diferenciação técnica maior, capaz de gerar detalhes melhores. Na maioria das vezes, o iniciante nem consegue perceber muito bem as diferenças entre uma cor e suas duas cores vizinhas na paleta da direita, o que pode atrapalhá-lo, deixá-lo perdido.

Gosto de dar o seguinte exemplo em minhas palestras: na engenharia classificamos grãos em vários grupos diferentes, como argila, silte, areia fina, areia grossa, etc. Já um pipoqueiro chama tudo isso de sujeira… e cada sistema funciona muito bem para ambos, mesmo sendo diferentes em precisão.

Voltando ao assunto, utilizaremos nesta série a divisão dos Quatro Elementos, e não outras mais precisas, por se tratar de uma apostila introdutória. Após o domínio do conteúdo apresentado aqui, sugiro o estudo de novas e mais precisas divisões, como as da Kabbalah Hermética, do Tarot, da Astrologia, da Umbanda, etc. Utilizando o padrão dos elementos para definir e classificar os diferentes planos com que o Homem consegue ter contato, fica mais ou menos assim (os nomes complicados vêm do hebraico, que é uma linguagem muito utilizada nesses meios de estudo):

– Fogo: Atziluth, o mundo arquetípico, onde estão as energias puras, fatorais, e sem combinações.

– Água: Briah, o mundo criativo, onde estão nossas emoções.

– Ar: Yetzirah, o mundo formativo, onde estão os símbolos e ideias, o plano astral.

– Terra: Assiah, o mundo ativo, onde vivemos.

Não existe uma divisão precisa destes mundos, tudo que existe em um plano pode existir nos outros como um continuum, a divisão, em teoria, é feita simplesmente para simplificar o entendimento do todo, mas as divisões têm uma certa precisão naquilo que exige mudanças bem marcantes de percepção para o entendimento. Então seria algo assim: tenho esse meu corpo físico, que está em Assiah, tenho o corpo astral (conjunto de todas as minhas ideias e conhecimentos puros) em Yetzirah, tenho meu corpo emocional (conjunto de todas as emoções que sinto ou já senti) em Briah e, por fim, meu corpo mais puro, livre de qualquer influência mundana (conjunto de utopias que persigo), que está em Atziluth. Mas, se olharmos de uma maneira geral, todos eles juntos formam a pessoa e não só uma das partes.

No primeiro texto de magia falamos do engenheiro que constrói um prédio baseado em ideias, não em simples força física. Quando ele recorre às ideias, está recorrendo a um outro “plano” e, quando isto é feito de forma consciente, é uma forma de magia.

Peço licença para propor um experimento prático e finalizar este texto.

Experimento prático – Organização e consagrações

Como foi citado no texto anterior, o mundo físico pode alterar o mundo intelectual e vice-versa. Tendo isso em mente, vamos a um experimento:

– Por uma semana deixe seu quarto, ou ambiente em que mais tempo costuma ficar, totalmente desorganizado, com as coisas todas jogadas e fora do lugar. Analise (sente e pare para observar, como uma meditação) seus pensamentos e sonhos e faça algumas anotações que achar pertinentes;

– Na semana seguinte arrume tudo, não deixe nem uma pequena sujeirinha, nada fora do lugar, tudo perfeitinho. Analise seus pensamentos e sonhos, faça algumas anotações que julgar pertinentes, e compare com as da semana anterior.

Uma semana pode ser pouco para algumas pessoas, mas a diferença será notável dependendo do tempo de cada um; se quisermos ter o corpo mental organizado e harmônico, precisamos dominar o meio físico de maneira que ele nos transmita a ideia de que estamos em um lugar organizado e harmônico. Arrumar o próprio quarto, lavar a louça, arrumar o jardim, são formas básicas de começar a controlar sua mente à partir do controle do mundo físico.

Note que desenhos, símbolos, frases, esculturas, objetos, tudo isto influencia a maneira como sua mente enxerga o ambiente: se você coloca uma escultura de um Deus que te faça sentir bem no seu quarto, sempre que entrar nesse local, ela irá modificar sua mente de maneira a ajudá-lo a se sentir bem naquele ambiente. Rezar antes de dormir pode colocar a pessoa em conexão com uma ideia com que gostaria de sonhar. Muitas são as formas de ação no mundo físico para modificar algo ou a nós mesmos no mundo das ideias.

Para finalizar este texto, podemos fazer algo para melhorar mais ainda esta força de modificação, o que é chamado de “consagração de um objeto”. A consagração é uma maneira de falar para você mesmo “Este objeto é isto e faz isso toda vez que eu olhar para ele”, por exemplo, posso consagrar uma vela para colocar no meu quarto para que me lembre, toda vez que olhar para ela, que existe um deus dentro de mim.

Existem muitas maneiras de se consagrar um objeto, uma delas é utilizando os Quatro Elementos que ajuda lembrar qual/quais será/serão o(s) plano(s) que a consagração visa atingir (existem outras melhores, esta é uma simples para quem não sabe nenhum tipo de consagração), por exemplo:

– Se quero que algo tenha um objetivo no mundo físico, como um ventilador que irá aliviar o calor, faço uma consagração jogando sal grosso (normalmente utilizado para representar o elemento Terra) nele. Passo o sal grosso nele e falo em voz alta: “Eu, Pessoa x, consagro esse ventilador com as energias de terra, com o intuito de aliviar um pouco do calor.”, ou pode-se fazer uma oração como “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador…” pedindo para seus guias consagrarem para você.

– Se quero algo que tenha um objetivo no mundo das ideias, como uma pintura que sempre vai me lembrar de um grupo, faço uma consagração passando a fumaça (representa o elemento Ar) de um incenso pelo objeto e falo algo parecido com a consagração com a Terra (acima), mas trocando por “energias do ar”.

– Se quero algo que tenha um objetivo no mundo emocional, como um quadro que me ajuda a lembrar de alguém de que gosto, faço uma consagração passando vinho (representa o elemento Água) pelo objeto (cuidado para não estragar o objeto) e falo o mesmo já mencionado para a Terra e o Ar, mas trocando por “energias da água”.

– Se quero algo que tenha um objetivo no mundo arquetípico, como uma estatueta de um deus que me lembra dos meus objetivos mais importantes em vida, faço uma consagração passando o objeto perto da chama de uma vela (que representa o elemento fogo) e falo algo parecido, trocando por “energias do fogo”.

Não há problemas em usar um objeto para mais de um plano, para isso use mais de um elemento na consagração. Pode-se combinar com as energias astrológicas também para maior precisão na consagração, os métodos que o MDD ensina no TdC são ótimos.

Quando todos os objetos de seu quarto forem devidamente consagrados, sua mente se sentirá “em casa” e funcionará de maneira absurdamente bem e harmônica ali, mas note que se alguém que não seja você tocar seu objeto, a consagração será perdida, pois o objeto foi utilizado para algo que não era seu objetivo (objeto e objetivo são palavras bem parecidas não?!).

Vai dar certo!

#MagiaPrática

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Os Mitos Modernos do Tarot – Rodrigo Grola e Marcos Keller

Bate-Papo Mayhem 232 – gravado dia 11/09/2021 (Sabado) Com Rodrigo Grola e Marcos Keller – Os Mitos Modernos do Tarot

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-mitos-modernos-do-tarot-rodrigo-grola-e-marcos-keller