Equivalência da Forma: O Decodificador Cabalístico

A sabedoria da Cabala é algo que hoje, mais do que nunca, exerce um enorme interesse sobre as pessoas, o que pode chocar à primeira vista, mas que já era previsto por nossos sábios. No século XXI, onde as mídias democratizaram tanta coisa., uma informação se espalha como rastilho de pólvora e a facilidade de se correlacionar sabedorias diferentes, comparando duas páginas de internet acabou por simplificar o processo. Com certeza, exige-se muito menos tempo do que no passado, quando pesquisas duravam uma infinidade de tempo.

O lado negativo disso, chama-se “autodidatismo”. A pessoa acha-se capaz de apreender TODA E QUALQUER forma de conhecimento simplesmente porque fez uma pesquisa de internet ou leu alguns pares de livros. Por isso, canso de receber pedidos para traduzir livros em hebraico (o que de fato estou fazendo, mas com fins de aprendizado verdadeiro no CCI), ou ver pessoas que ao invés de dedicar-se a aprender DE FATO à ciência cabalística, preferem unicamente consultar uma ou outra fonte, acreditando piamente que podem revelar o que nossos sábios demoram tempos razoáveis para adquirir, até que pudessem transmitir aos seus alunos.

Certa vez eu ministrava uma palestra, na qual abordava a bibliografia cabalística de importância primária, tendo levado alguns livros, simplesmente para fazer uma demonstração. Neste evento havia um rapaz muito inteligente, que volta e meia me interrompia com alguma pergunta interessante, sendo que a última pergunta que ele me fez, foi se não poderia passar à ele a lista bibliográfica para que ele pudesse estudar a cabala sozinho, em casa. Rindo, eu peguei dois volumes do Zohar e falei, enquanto passava os livros às suas mãos: “por que não começa então estudando agora?”. Ele pegou os livros e começou a ler, deixando com que eu conduzisse a palestra, sem mais me perguntar.

Ao final da palestra, antes de liberar as perguntas para os participantes, indaguei: “o que o meu amigo achou?” E ele disse: “Nossa, é humanamente impossível aprender isso aqui sem orientação!” Após ele dizer àquilo, eu afirmei que não só era humanamente impossível para ele, como seria também para qualquer pessoa, ainda que falássemos de mentes inteligentíssimas. Isto porque em cabala, há um conceito, que nossos sábios nos transmitem há milhares de anos, que hoje é chamado cientificamente de EQUIVALÊNCIA DE FORMA.

Isto significa, que escritos cabalísticos profundos como a Torá, o Talmud, O Zohar, O Sêfer Yetzirá, o Bahir e outros, foram escritos por pessoas que estavam sob efeito de forte Ruach Hakodesh (Inspiração Divina), o que nos leva simplesmente à conclusão que existem códigos em seus escritos. É verdade que todo código pode ser quebrado, mas trata-se de algo tão engenhoso, que os mistérios para a revelação e entendimento da sabedoria ocultos nestes livros, não são algo que estão fora e sim, dentro do “decodificador”.

Vamos por um exemplo: imagine que você ama uma mulher, e que ela não sabe nada disso. Você a admira pela cultura que ela tem, porque é inteligente, se comunica bem e aprecia música clássica. Sabe falar sobre várias coisas, em especial cinema, literatura e teatro. É muito correta com os assuntos do trabalho e em todas as ocasiões possíveis está folheando um livro. Você então se olha e constata que odeia ler, não é interessado em cinema, música, assim como acha teatro um saco. Está num trabalho por falta de opção melhor, o que o torna extremamente desleixado com os assuntos dele. Não estou dizendo que você precisa ser idêntico com uma pessoa para que se apaixonem, mas é preciso ter uma proximidade e questões internas afins, isto é o caminho para a equivalência de forma.

Então você aprende, que se realmente quiser se aproximar da mulher de seus sonhos, você só tem uma opção. Buscar as qualidades que lhe faltam e que podiam causar interesse nela, e nas qualidades que você já possui, você precisa refiná-las, até que levem automaticamente á uma proximidade. Com certeza as suas chances sairão de 0%, para algo mais elevado. Pode ser que você não conquista ESTA MULHER, mas com certeza abrirá as portas para alguém semelhante na sua vida.

A verdade é que usei um exemplo cotidiano para explicar algo profundamente espiritual. Em Cabala para que possamos desvendar certos códigos, é necessário que nos aproximemos do alvo a ser desvendado. Se pegarmos um livro como o Zohar, para entendê-lo não se trata somente de uma questão de leitura, mas sim uma aproximação espiritual com o autor daquele livro. Isto significa que é preciso que eu tenha uma aproximação com as qualidades daquele autor, para que possa de fato vir a compreendê-lo.

Mas como posso compreender ou provocar um estado que vai me levar até a equivalência de forma com os autores dos livros cabalísticos, se eu nem ao menos conheço as características espirituais que eles cultivavam? Aí entra o papel do Rav (Mestre). Tendo ele percorrido tal caminho, ele será capaz de evocar no estudo da Cabala, situações, através das quais estes estados serão atingidos, até que você vai ler o livro ou partes dele, uma, duas, três vezes, sentindo que em cada lida, um novo véu está sendo revelado. Aí, a equivalência de forma vai acontecendo e quanto mais eu cultivo em mim as características daqueles sábios, mais eu os compreendo e mais o conteúdo transmitido por eles fica claro.

No final das contas, nossos antigos sábios dizem, que tudo no universo nos “empurra” para a equivalência de forma, já que o objetivo final do ser humano é a similaridade com D´us. Até que sejamos tão parecidos com ele em qualidades espirituais, até o ponto em que não aja eu ou D´us e sim nós. Como na matemática cabalística: 1+1= 1.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/equival%C3%AAncia-da-forma-o-decodificador-cabal%C3%ADstico

A história dos Pretos-velhos

As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma.

Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França.

Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros:

Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África.

Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc. Os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo financiando as guerras e fazendo dos vencidos escravos.

No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII.

Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e malês.

A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou muito caro; em quatro séculos, do XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituiam uma parte selecionada da população.

Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos! Em troca de seu trabalho os negros recebiam três “pês”: Pau, Pano e Pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães-do-mato e proprietários. Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A “macumba” era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi (protegido de Ogum).

Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, do Ventre livre e, enfim, pela Lei Áurea.

A Legião de espíritos chamados “Pretos-Velhos” foi formada no Brasil, devido a esse torpe comércio do tráfico de escravos arrebanhados da África.

Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir mesmo de maneira precária uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África. Eles conseguiram preservar e até modificar, no sincretismo, sua cultura e sua religião.

Idosos mesmo, poucos vieram, já que os escravagistas preferiam os jovens e fortes, tanto para resistirem ao trabalho braçal como às exemplificações com o látego. Porém, foi esta minoria o compêndio no qual os incipientes puderam ler e aprender a ciência e sabedoria milenar de seus ancestrais, tais como o conhecimento e emprego de ervas, plantas, raízes, enfim, tudo aquilo que nos dá graciosamente a mãe natureza.

Mesmo contando com a religião, suas cerimônias, cânticos, esses moços logicamente não poderiam resistir à erosão que o grande mestre, o tempo, produz sobre o invólucro carnal, como todos os mortais. Mas a mente não envelhece, apenas amadurece.

Não podendo mais trabalhar duro de sol a sol, constituíram-se a nata da sociedade negra subjugada. Contudo, o peso dos anos é implacavelmente destruidor, como sempre acontece.

O ato final da peça que encarnamos no vale de lágrimas que é o planeta Terra é a morte. Mas eles voltaram. A sua missão não estava ainda cumprida. Precisavam evoluir gradualmente no plano espiritual. Muitos ainda, usando seu linguajar característico, praticando os sagrados rituais do culto, utilizados desde tempos imemoriais, manifestaram-se em indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua ascendência (linhagem), costumes, tradições e cultura. Teriam que possuir a essência intrínseca da civilização que se aprimorou após incontáveis anos de vivência.

Formação da Falange dos Pretos-Velhos na Umbanda

Depois de mortos, passaram a surgir em lugares adequados, principalmente para se manifestarem. Ao se incorporarem, trazem os Pretos-Velhos os sinais característicos das tribos a que pertenciam.

Os Pretos-velhos são nossos Guias ou Protetores, mas no Candomblé, são considerados Eguns (almas desencarnadas), e decorrente disso, só têm fio de conta (Guia) na Umbanda. Usam branco ou preto e branco. Essas cores são usadas porque, sendo os Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam andar de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos também a Guia de lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o material mais fácil de se encontrar na época dos escravos, cuja planta era encontrada em quase todos os lugares.

O dia em que a Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos).

O Nomes dos Pretos-Velhos

Há muita controvérsia sobre o fato de o nome do Preto-Velho ser uma miscelânea de palavras portuguesas e africanas. Voltemos ao passado, na época que cognominamos “A Idade das Trevas” no Brasil, dos feitores e senhores, senzalas e quilombos, sendo os senhores feudais brasileiros católicos ferrenhos (devido à influência portuguesa) não permitiam a seus escravos a liberdade de culto. Eram obrigados a aprender e praticar os dogmas religiosos dos amos. Porém eles seguiram a velha norma: contra a força não há resistência, só a inteligência vence. Faziam seus rituais às ocultas, deixando que os déspotas em miniatura acreditassem estar eles doutrinados para o catolicismo, cujas cerimônias assistiam forçados.

As crianças escravas recém-nascidas, na época, eram batizadas duas vezes. A primeira, ocultamente, na nação a que pertenciam seus pais, recebendo o nome de acordo com a seita. A segunda vez, na pia batismal católica, sendo esta obrigatória e nela a criança recebia o primeiro nome dado pelo seu senhor, sendo o sobrenome composto de cognome ganho pela Fazenda onde nascera (Ex.: Antônio da Coroa Grande), ou então da região africana de onde vieram (Ex.: Joaquim D’Angola).

O termo “Velho”, “Vovô” e “Vovó” é para sinalizar sua experiência, pois quando pensamos em alguém mais velho, como um vovô ou uma vovó subentendemos que essa pessoa já tenha vivido mais tempo, adquirindo assim sabedoria, paciência, compreensão. É baseado nesses fatores que as pessoas mais velhas aconselham.

No mundo espiritual é bastante semelhante, a grande característica dessa linha é o conselho. É devido a esse fator que carinhosamente dizemos que são os “Psicólogos da Umbanda”.

Eis aqui, como exemplo, o nome de alguns Pretos-Velhos:

Pai Cambinda (ou Cambina), Pai Roberto, Pai Cipriano, Pai João, Pai Congo, Pai José D’Angola, Pai Benguela, Pai Jerônimo, Pai Francisco, Pai Guiné, Pai Joaquim, Pai Antônio, Pai Serafim, Pai Firmino D’Angola, Pai Serapião, Pai Fabrício das Almas, Pai Benedito, Pai Julião, Pai Jobim, Pai Jobá, Pai Jacó, Pai Caetano, Pai Tomaz, Pai Tomé, Pai Malaquias, Pai Dindó, Vovó Maria Conga, Vovó Manuela, Vovó Chica, Vovó Cambinda (ou Cambina), Vovó Ana, Vovó Maria Redonda, Vovó Catarina, Vovó Luiza, Vovó Rita, Vovó Gabriela, Vovó Quitéria, Vovó Mariana, Vovó Maria da Serra, Vovó Maria de Minas, Vovó Rosa da Bahia, Vovó Maria do Rosário, Vovó Benedita.

Obs: Normalmente os Pretos-Velhos tratados por Vovô ou Vovó são mais “velhos” do que aqueles tratados por Pai, Mãe, Tio ou Tia).


Atribuições

Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado.

Com seus cachimbos, fala pausada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem incutir-lhes os conceitos de karma e ensinar-lhes resignação

Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de Preto-Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo-forma.

Outros foram até mesmo Exus, que evoluíram e tomaram as formas de um Pretos-Velhos.

Este comentário pode deixar algumas pessoas, do culto e fora dele, meio confusas: “então o Preto-Velho não é um Preto-Velho, ou é, ou o que acontece???”.

Esses espíritos assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita comunicação com aqueles que os vão procurar em busca de ajuda.

O espírito que evoluiu tem a capacidade de assumir qualquer forma, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses espíritos podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e em outros como um Preto-Velho ou até mesmo um caboclo ou exu. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não é uma forma de enganar ou má fé com relação àqueles que acreditam, muito pelo contrário, quando se conversa sinceramente, eles mesmos nos dizem quem são, caso tenham autorização.

Por isso, se você for falar com um Preto-Velho, tenha humildade e saiba escutar, não queira milagres ou que ele resolva seus problemas, como em um passe de mágica, entenda que qualquer solução tem o princípio dentro de você mesmo, tenha fé, acredite em você, tenha amor a Deus e a você mesmo.

Para muitos os Pretos-Velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são pisicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus desfazendo trabalhos. Também combatem as forças negativas (o mal), espíritos obssessores e kiumbas.


A Mensagem dos Pretos-Velhos

A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico. Ela representa o espírito de humildade, de serenidade e de paciência que devemos ter sempre em mente para que possamos evoluir espiritualmente.

Certa vez, em um centro do interior de Minas, uma senhora consultando-se com um Preto-Velho comentou que ficava muito triste ao ver no terreiro pessoas unicamente interessadas em resolver seus problemas particulares de cunho material, usando os trabalhos de Umbanda sem pensar no próximo e, só retornavam ao terreiro, quando estavam com outros problemas. O Preto-Velho deu uma baforada com seu cachimbo e respondeu tranquilamente: “Sabe filha, essas pessoas preocupadas consigo próprias, são escravas do egoísmo. Procuramos ajudá-las, resolvendo seus problemas; mas, aquelas que podem ser aproveitadas, depois de algum tempo, sem que percebam, estarão vestidas de roupa branca, descalças, fazendo parte do terreiro. Muitas pessoas vem aqui buscar lã e saem tosqueadas; acabam nos ajudando nos trabalhos de caridade”.


Essa é a sabedoria dos Pretos-Velhos…

Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados. Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo e a si mesmo, o amor próprio, a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina. Fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito.

Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece e cresce consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos. Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare seu destino e os acontecimentos de sua vida:

“Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro. Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS” (Pai Cipriano).

Características:

Linha e Irradiação

Todos os Pretos-Velhos vem na linha de Obaluaiê, mas cada um vem na irradiação de um Orixá diferente.

Fios de Contas (Guias)

Muitos dos Pretos-Velhos Gostam de Guias com Contas de Rosário de Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam Cruzes ou Figas feitas de Guiné ou Arruda.

Roupas

Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As Pretas-Velhas às vezes usam lenços na cabeça e/ou batas; e os Pretos-Velhos às vezes usam chapéu de palha.

Dia da semana: Segunda-feira

Chakra atuante: básico ou sacro

Planeta regente: Saturno

Cor representativa: preto e branco;

Fumo: cachimbos ou cigarros de palha.

Obs: Os Pretos-Velhos às vezes usam bengalas ou cajados.


Formas Incorporativas e Especialidade Dos Pretos-Velhos:

Sua forma de incorporação é compacta, sem dançar ou pular muito. A vibração começa com um “peso” nas costas e uma inclinação de tronco para frente, e os pés fixados no chão. Se locomovem apenas quando incorporam para as saudações necessárias (atabaque, gongá, etc…) e depois sentam e praticam sua caridade (Podemos encontrar alguns que se mantém em pé).

É possível ver Pretos-Velhos dançando, mais esse dançando é sutíl, e apenas com movimentos dos ombros quando sentados.

Essa simplicidade se expande, tanto na sua maneira de ser e de falar. Usam vocabulário simples, sem palavras rebuscadas.

A linha é um todo, com suas características gerais, ditas acima, mas diferenças ocorrem porque os Pretos-Velhos são trabalhadores de orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência da irradiação do Orixá para quem eles trabalham.

Essas diferenças são evidenciadas na incorporação e também na maneira de trabalhar e especialidade deles. Para exemplificar, separaremos abaixo por Orixás:

Pretos-Velhos De Ogum

São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e as vezes com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes.

São diretos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de “choque”, mais são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas.

São especialistas em consultas encorajadoras, ou seja, encorajando e dando segurança para aqueles indecisos e “medrosos”. É fácil pensar nessa característica pois Ogum é um Orixá considerado corajoso.

Pretos-Velhos De Oxum

São mais lentos na forma de incorporar e até falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível.

Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é “chocar” e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado.

São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-Velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior. As vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mas é necessário para a evolução daquela pessoa.


Pretos-Velhos De Xangô

Sua incorporação é rápida como as de Ogum.

Assim como os caboclos de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais.

Passam seriedade em cada palavra dita. Cobram bastante de seus médiuns e consulentes.


Pretos-Velhos De Iansã

São rápidos na sua forma de incorporar e falar. Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas.

Essa rapidez é facilmente entendida, pela força da natureza que os rege, e é essa mesma força lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro desse único Orixá.

Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa. São especialistas também em ensinar diretrizes para alcançar objetivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual.

Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego. É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do terreiro, de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos dessas pessoas.


Pretos-Velhos De Oxossi

São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas.

Esses Pretos-Velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo.

Possuem uma especialidade: A de receitar remédios naturais, para o corpo e a alma, assim como emplastros, banhos e compressas, defumadores, chás, etc… São verdadeiros químicos em seus tocos. – Afinal não podiam ser diferentes, pois são alunos do maior “químico” – Oxossi.


Pretos-Velhos De Nanã

São raros, sua maneira de incorporação é de forma mais envelhecida ainda. Lenta e muito pesada. Enfatizando ainda mais a idade avançada.

Falam rígido, com seriedade profunda. Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente, e pessoas a volta como: cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo.

Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes. Seu julgamento é severo. Não admite injustiça.

Costumam se afastar dos médiuns que consideram de “moral fraca”. Mas prezam demais a gratidão, de uma forma geral. Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada.

É difícil a relação com esses guias, principalmente quanto há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta.

São especialistas em conselhos que formem moral, e entendimento do nosso karma, pois isso sem dúvida é a sua função.

Atuam também como os de Inhasã e Obaluaiê, conduzindo Eguns.

Pretos-Velhos De Obaluaiê

São simples em sua forma de incorporar e falar. Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral.

Defendem quem é certo ou quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros.

Agarram-se a seus “filhos” com total dedicação e carinho, não deixando no entanto de cobrar e corrigir também. Pois entendem que a correção é uma forma de amar.

Devido a elevação e a antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Pretos-Velhos. Ou seja, se adaptam a qualquer assunto e falam deles exatamente com a precisão do momento.

Como trabalha para Obaluaiê, e este é o “dono das almas”, esses Pretos-Velhos são geralmente chefes de linha e assim explica-se a facilidade para trabalhar para vários assuntos.

Sua “visão” é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projetos distantes e longos para seus consulentes. Tanto pessoal como profissional e até espiritual.

Assim exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projetos não saiam errado, para tanto, os filhos que os seguem, devem fazer passo a passo tudo que lhes for pedido, apenas confiando nesses Pretos-Velhos.

Gostam de contar histórias para enriquecer de conhecimento o médium e as pessoas a volta.


Pretos-Velhos De Yemanjá

São belos em suas incorporações, contudo mantendo uma enorme simplicidade. Sua fala é doce e meiga.

Sua especialidade maior é sem dúvida os conselhos sobre laços espirituais e familiares.

Gostam também de trabalhar para fertilidade de um modo geral, e especialmente para as mulheres que desejam engravidar.

Utilizando o movimento das ondas do mar, são excelentes para descarregos e passes.


Pretos-Velhos De Oxalá

São bastante lentos na forma de incorporar, tornam-se belos principalmente pela simplicidade contida em seus gestos.

Raramente dão consulta, sua maior especialidade é dirigir e instruir os demais Pretos-Velhos.

Cobram bastante de seus médiuns, principalmente no que diz respeito a prática de caridade, bom comportamento moral dentro e fora do terreiro, ausência de vícios, humildade; enfim o cultivo das virtudes mais elevadas.

Extraído da Comunidade de Umbanda S. Sebastião

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-historia-dos-pretos-velhos/

Egrégoras

Egregora-Maconica

A utilização do Termo Egrégora pode gerar aos pesquisadores diferentes compreensões, mas afinal o que exatamente significa Egrégora?

Algumas definições são bastante enfáticas: “Palavra que se tornou popular entre os espiritualistas, significa a aura de um local onde há reuniões de grupo, e também a aura de um grupo de trabalho”

Outras definições são mais exóticas: “Egrégoras são entidades autônomas, semelhantes a uma classe de “devas” que se formam pela persistência e a intensidade das correntes mentais realizadas nos centros verdadeiramente espiritualistas; pois nos falsos tais criações psicomentais se transformam em autênticos monstros, que passam a perseguir seus próprios criadores, bem como os freqüentadores desses centros”.

Finalmente temos uma definição um pouco mais clássica: “Egrégora provém do grego egrégoroi e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade, A egrégora acumula a energia de várias freqüências Assim, quanto mais poderoso for o indivíduo, mais força estará emprestando a egrégora para que ela incorpore às dos demais”.

Na média temos que: Egrégora é a somatória de energias mentais, criadas por grupos ou agrupamentos, que se concentram em virtude da força vibratória gerada ser harmônica.

Se considerarmos esta como sendo uma definição mais ou menos válida, podemos tecer algumas conclusões.

Se a Egrégora é a somatória de energias, não há limites para que nível de freqüência seja a sua fonte criadora, assim pode existir em potencialidade Egrégoras com freqüências elevadas e egrégoras com freqüências vibratórias menos elevadas ou se preferirem “negativas”.

A existência de diferentes freqüências reforça a antiga lei da dualidade entre o positivo e o negativo, ou ainda entre o claro e o escuro e o bem e o mal, embora esta ultima definição careça de uma analise mais profunda.

Se for então verdadeiro que a somatória de forças vibratórias ressonantes se somam no Éter é provável que esta força criada seja capaz de prover seus geradores de potencialidades, esta hipótese se confirma pela manifestação material do que pode se chamar de energia construtiva (ou destrutiva) dos diversos grupos religiosos, esotéricos ou metafísicos.

Quer me parecer que o mais correto seria considerarmos a hipótese de que realmente possa existir uma Egrégora positiva construtiva, assim como pode haver uma egrégora negativa ou destruidora, até porque, se existe como conhecemos uma arvore da vida cuja existência representa o caminho da queda e da reintegração em ultima analise, também devemos considerar que para que esta arvore exista e permaneça ereta é necessário raízes ou uma outra arvore imersa na escuridão da terra. Em ultima analise o bem e o mal competem para o equilíbrio das forças. Alias o equilíbrio é o objetivo e não o caminho entre os extremos.

Talvez a pergunta mais enfática seja: qual é exatamente a fonte geradora desta energia potencial que anima e mantém uma Egrégora? Como fisicamente isto ocorre? Como as energias vibram em ressonância?

A resposta talvez esteja na Constância, na geração uniforme e linear da mesma e única energia. Como isto pode acontecer?

Possa aí estar depositada a tradição do ritual e das cerimônias Templárias das diferentes tradições, inclusive a Martinista. Tal qual um gerador ou dínamo, a permanência do eixo girando sempre no mesmo sentido, velocidade e harmonia é garantia da geração da energia elétrica que é o seu resultado.

O trabalho templário regular, constante, harmônico somado aos interesses superiores de seus praticantes é a fonte geradora de um nível vibratório elevado, alimentador constante de uma Egrégora capaz de gerar paz, evolução espiritual e conhecimento aos que dela usufruem.

Esta tese também responde a uma questão importante, diz a tradição Martinista que para trabalhar no caminho do equilíbrio não é permitido a “venda”, negociação ou pagamento de graus ou conhecimentos, ou seja, num grupo Martinista o dinheiro não pode e não deve ser uma preocupação, muito menos um objetivo, tais necessidades dentro de um Templo prejudicaria a própria energia potencialmente criadora.

Se os Martinista almejam um dia virem a ser os Soldados de Nosso Senhor, os Guardiões do Vaso Sagrado ou ainda os Sentinelas do Santo Sepulcro, certamente devem primeiro ser os combatentes fervorosos do Bem sobre o mal, das virtudes sobre os vícios, da riqueza espiritual sobre a mediocridade material.

Se isto não é possível em cada segundo de sua vida, uma vez que estamos invariavelmente imersos num mundo globalizado e repleto de necessidades sociais, que o seja pelo menos em espírito, na vontade, em seu Templo.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/egr%C3%A9goras

O mito da caverna comentado, parte 1

Texto de Platão em “A República”. Os comentários ao final são meus.

Trata-se de um diálogo metafórico onde as falas na primeira pessoa são de Sócrates, e seus interlocutores, Glauco e Adimanto, são os irmãos mais novos de Platão. No diálogo, é dada ênfase ao processo de conhecimento, mostrando a visão de mundo do ignorante, que vive de senso comum, e do filósofo, na sua eterna busca da verdade [1].

Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres [2] armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco – Estou vendo.

Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

Glauco – Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

Sócrates – Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?

Glauco – Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?

Sócrates – E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?

Glauco – Sem dúvida.

Sócrates – Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?

Glauco – É bem possível.

Sócrates – E se a parede do fundo da prisão provocasse eco sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?

Glauco – Sim, por Zeus!

Sócrates – Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados? [3]

Glauco – Assim terá de ser.

Sócrates – Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora? [4]

Glauco – Muito mais verdadeiras.

» continua na parte 2

***

[1] Essa introdução ao texto foi transcrita da Wikipedia.

[2] Bonecos de pano ou marionetes. A metáfora fala sobre um teatro de bonecos e sobre os prisioneiros da caverna que crêem piamente que tal teatro corresponde a realidade.

[3] Há aqui um conceito importantíssimo para a compreensão do mito – algo que normalmente escapa as análises superficiais. Decerto vocês já ouviram críticos de Platão afirmando que sua filosofia nos deixa alienados da realidade física, nos convencendo de que existe uma mítica “realidade superior”, normalmente chamada de “mundo das idéias”.

Dizem esses que foi “culpa de Platão” toda essa alienação do mundo físico que encontrou ressonância no cristianismo… Ora, eu não vou nem questionar aqui o cristianismo, mas me parece que aqueles que acreditam que Platão nos aliena do mundo físico estão bastante equivocados em sua interpretação.

Vamos lembrar que Sócrates, o grande sábio que inspirou quase todos os textos de Platão, dava pouca importância à sociedade hipócrita de sua época (não tanto diferente da de hoje), mas não ao mundo físico e a natureza em si. Tanto que participava de rituais em celebração as estações e a época de colheita. Freqüentemente temos trechos de livros de Platão onde Sócrates conversa com seus discípulos em agradáveis passeios pela área rural. Não me parece, honestamente, que Sócrates era um alienado da realidade.

Repare que o mito não fala em duas realidades opostas, e sim em um plano de observação onde as coisas são vistas com clareza, e um outro plano onde as mesmas coisas são vistas sem tanta clareza (onde vemos apenas sombras das coisas em si). Ou seja: é a mesma realidade, e são as mesmas coisas, o que muda é tão somente nossa visão – consciência, conhecimento, compreensão – delas.

Sócrates não nos pedia para ignorar o mundo físico, mas sim para não considerar apenas a aparência superficial das coisas, e nos esforçar para buscar uma compreensão mais elaborada de sua essência. Dessa forma, assim como Jesus, Sócrates viveu sim neste mundo, embora soubesse que sua essência não pertencia a ele.

Eu particularmente acho que Nikos Kazantzakis (ateu) resumiu muito bem a questão em um diálogo de Jesus de “A Última Tentação de Cristo”: “Eu vi o mundo dos homens, e vi também o mundo espiritual. Me perdoa Pai, pois não sei qual é o mais bonito”.

O grande sábio carrega seu céu e seu “mundo das idéias” consigo, de modo que o mundo é o mesmo, mas sua visão dele é muito mais profunda e maravilhosa.

[4] Aí está o principal motivo porque a evolução do conhecimento deve se realizar passo a passo. De nada adiantaria transportar um selvagem canibal para uma academia de física – não se produziriam grandes cientistas na tentativa. Porque para o selvagem a academia seria um inferno, ainda que não tivesse mais que caçar seus alimentos. Na natureza as coisas seguem o seu próprio ritmo, e é importante que respeitemos o tempo de cada um.

Não se trata de “jogar pérolas aos porcos”, mas sim de ensinar os porcos a apreciar a casca da ostra, para que um dia possam apreciar também sua pérola… Passo a passo, mas sempre à frente.

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Crédito da foto: Zep10

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-da-caverna-comentado-parte-1

A Cabala do Gênero

A Cabalá ensina que o masculino vê de cima para baixo – o feminino de baixo para cima.

Por Rabi Yitzchak Luria (dos Escritos de Isaac Luria, o Ari, conforme registrado pelo Rabi Chaim Vital); adaptado por Tzvi Freeman.

Quando a Luz Infinita emanou um mundo, fê-lo com duas mentes, dois estados de consciência. Uma mente vê de Cima para Baixo – e assim, tudo é insignificante diante dela. De Cima para Baixo, não há mundo, apenas Um.

A outra mente vê de baixo para cima – e assim toda a criação é divina para ela. De baixo para cima, há um mundo – um mundo para apontar para a Unidade acima.

No nexo dessas duas mentes, no fio da navalha de seu paradoxo, brilha a própria Essência da Luz Infinita. A primeira mente desceu ao homem; o segundo em mulher. É por isso que o homem tem o poder de conquistar e subjugar, mas lhe falta o sentido do outro. É por isso que a mulher sente o outro. Ela não conquista, ela nutre. Mas sua luz é fortemente restringida e, portanto, ela pode ficar cheia de julgamentos severos.

À medida que se unem, o homem adoça o julgamento da mulher e a mulher ensina o homem a sentir o outro. E na união brilha a própria Essência do Infinito.

[Sefer Halikutim, Shmot, de acordo com Chabad Chasidut]

* * * * *

Há três parceiros na concepção de cada criança: a mãe, o pai e Aquele que está acima.

O Aquele que está acima fornece o sopro da vida. Mas essa respiração não pode entrar neste mundo sem roupa. Se esse sopro é uma alma “nova”, é delicado demais para sobreviver aqui sem proteção. Se já esteve aqui muitas vezes antes (como acontece com a maioria de nós), então sua memória do passado, seu fracasso e suas contusões o impedirão muito de lidar com um novo corpo e uma nova vida. E assim ele entra com um “traje”, adaptado para respirar a vida de Cima enquanto manipula o corpo que é dado aqui Abaixo.

Cada pensamento, palavra e ato que a alma faz em sua vida deve se relacionar através desse naipe. Até mesmo a corrente de bênçãos e vida do Alto deve passar por seu canal. A própria alma pode ser pura e luminosa, mas se seu traje não combinar, essa luz terá grande dificuldade em penetrar.

Como esse terno é formado? É moldado pelos pensamentos e conduta da mãe e do pai no momento da concepção. Pensamentos egoístas, pensamentos distraídos, pensamentos grosseiros – estes fornecerão grandes desafios para a criança ao longo da vida. Unidade de mente, pensamentos elevados e pensamentos carinhosos – isso permitirá que a alma da criança brilhe.

Mesmo quando nenhuma criança nasce de relacionamentos, há almas nascidas acima em reinos mais elevados. E tudo o que uma pessoa faz por essas almas retornará a ela.

[Extraído de “Men, Women & Kabala (Homens, Mulheres e a Cabala)” (Class One Press; ClassOne@theRebbe.com); baseado em Likutei Torá, Vayera]

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Fonte: The Kabbalah of Gender.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-cabala-do-genero/

Al-Mahdi, o Imam Oculto

O Imam Mohammad Ibn Al-Hassan (A.S.), teve várias alcunhas, sendo a mais famosa a de “Al-Mahdi” por ter ser o “Guia” do povo. Outro apelido que lhe deram foi de “Al-Qá-emm”, isto é, “O Reformador”, pois retornará a Terra no fim dos tempos e erguerá a bandeira da justiça e dos direitos, e teve também o cognome de Sáheb Al-Zamán”, ou seja, “O Dono dos Tempos”. Mohammad Ibn Al-Hassan, o Al-Mahdi, é o décimo segundo Imam do Xiismo dos Imans.

Seu pai foi o Imam Al-Hassan “Al-Ascari” (A.S.). E sua mãe foi a grandiosa senhora Nârjas, que era neta do Imperador bizantino Yoshaa, descendente de Chamoun, ou seja, Simão “A Pedra”, um dos discípulos do Messias.

Essa senhora vivia em seu país, pertencente à ocasião ao Império Bizantino, juntamente com sua família e a nobreza. Ela tinha sempre sonhos premonitórios, dos quais num deles sonhou com o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) em companhia do Messias (A.S.), o qual a casava com o Imam Al-Hassan “Al-Ascari”. E. em outra noite, viu em seu sonho Fátima “Azzahra” (A.S.), exortando-a para abraçar a doutrina islâmica, convertendo-se para o Islam sob sua benção, porém, Nârjas ocultou o seu sonho e nada contou dele aos seus parentes, omitindo-lhes a conversão, até que se estenderam as lutas entre os muçulmanos e bizantinos comandados por seu avô, Yoshaa. Novamente, Nârjas teve um sonho, onde ouviu a voz “ordenando-a a se vestir como uma serviçal e se misturar com as serviçais do castelo, indo com as mesmas acompanhar os soldados até a fronteira dos combates”. Obediente, ela cumpriu a ordem recebida em sonho e foi até os campos de batalha, onde ficou prisioneira dos muçulmanos, os quais mandaram as caravanas dos cativos para Bagdá, antiga Capital do Califado Abássida. Este fato ocorreu no tempo do Imam Ali “Al-Hádi” (A.S.) que se encontrava em Samarrá, donde escreveu uma carta em latim e remeteu-a por intermédio de um homem de sua confiança, orientando-o de que deveria ir ao local onde se encontravam os prisioneiros de guerra e comprar determinada mulher, que o Imam (A.S.) lhe descreveu, depois de entregar-lhe sua missiva. E assim foi; o homem comprou aquela grandiosa mulher, levando-a posteriormente para o Imam “Al-Hádi” (A.S.). Chegando na residência do Imam e depois do descanso devido e merecido, o Imam mandou chamá-la para um diálogo, quando ele começou a lembrá-la dos sonhos que ela tivera, anunciando-lhe que seria a esposa de seu filho o Imam Al-Hassan “Al-Ascari” (A.S.) e mãe de seu neto, Mohammad “Al-Mahdi”, (A.S.) o qual preencheria o mundo com a justiça, a paz e os direitos humanos.

O NASCIMENTO MILAGROSO:

O Imam Mohammad “Al-Mahdi” nasceu na cidade de Samarrá no dia 15 de Chaaban do ano de 255 da Hijra (868 d.C), e os Abássidas tentaram por todos os meios controlar as mulheres do Imam “Al-Ascari” (A.S.) a fim de se informarem sobre o filho que iria sucedê-lo no Imamato, com a intenção macabra e maléfica de exterminá-lo; mas o Poder de Deus Supremo é invencível e Sua vontade protegeu-o de qualquer maldade, encobrindo-o dos olhares indiscretos; tanto é que quando sua mãe estava grávida dele nada denunciava a sua gravidez, até o dia em que deu a luz, e somente as pessoas de confiança de seu pai, o Imam Al-Hassan “Al-Ascari” (A.S.), o viam, com receio de que viesse a ser assassinado. Assim, o Imam “Al-Mahdi” (A.S.) viveu com seu pai até a idade dos cinco anos.

SEU MINISTÉRIO:

Após a morte de seu pai, o Imam Al-Hassan “Al-Ascari”, em 260 da Hijra, incumbiu-se lhe a responsabilidade do imamato, e tinha então, a idade de cinco anos; e, por ordem de Deus Altíssimo, o Imam Al-Mahdi (A.S.) ausentou-se, cortando as comunicações com as pessoas em geral, e somente transmitia suas informações sobre as questões do povo, através de seus assessores de confiança. Apesar de tal procedimento ser deveras estranho diante da conduta dos dois últimos Imames, “Al-Hádi” e “Al-Ascari”, os quais nomeavam seus procuradores e assessores em todas as províncias, enquanto que o Imam “Al-Mahdi” (A.S.), teve somente quatro assessores especiais, os quais um sucedeu o outro, sendo o primeiro Othmán Ibn Said Al-Umari, que era um dos amigos fieis dos Imames “Al-Hádi” e “Al-Ascari” (A.S.), e, após a morte do amigo Othmán, sucedeu-o seu filho Mohammad Ibn Othmán, que, após o falecimento deste, sucedeu-o Hussein Ibn Ruh’ Al-Noubkhati, nomeado pelo próprio Imam “Al-Mahdi” (A.S.) e depois que ele morreu, o Imam nomeou como seu 4º assessor, Ali Mohammad Al-Samari, o qual tinha recebido uma carta do Imam “Al-Mahdi” (A.S.), no ano de 329 da Hijra, que o notificava que ele morreria em poucos dias, cessando assim o assessoramento e a assistência, e começando daí a Grande Ausência, até que Deus permitisse o seu retorno, e então, a representação geral. Nesta missiva, o Imam “Al-Mahdi” (A.S.) menciona também o seguinte: “… e aquele que for dos jurisconsultos, preservado e conservador em sua religião, contrariando os próprios desejos, obedientíssimo ao seu Senhor Deus, será necessariamente procurado por todos pelo conhecimento de suas sentenças legislativas”.

O IMAM “AL-MAHDI” NOS NOBRES COLÓQUIOS:

Dezena de centenas de vezes foi mencionado o assunto alusivo ao 12 º Imam e seus atributos e qualidades, bem como, sobre a sua ausência e ressurgimento para o estabelecimento do Estado da Verdade; e muito foi declarado a respeito de qual seria o seu nome, e que ele descenderia do Imam Al-Hussein Ibn Ali (A.S.).

Eis que mencionaremos alguns desses colóquios oriundos da Nobre Tradição:

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Ainda que reste um dia neste mundo, Deus Majestoso enviará um de nós, para preenchê-lo com a justiça da mesma forma que ele foi preenchido com a tirania”.

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Eu vos anunciou o ‘Al-Mahdi’ que será enviado da minha nação, no tempo em que as nações estiverem em desacordo e com lapsos entre si, e então, ele preencherá a terra com a justiça e a equitatividade, tal qual como fora preenchida com a escuridão e a tirania, e os habitantes dos céus e da terra irão aprová-lo e contentar-se-ão com ele”.

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Ali é o Imam de minha nação depois de mim, e de seu filho descenderá o Reformador esperado, o qual encherá a Terra com a justiça e equitatividade, da mesma forma que ela se preencheu com a tirania e a crueldade; e Aquele que me enviou, para anunciar a verdade, adverte que os permaneceram firmes na crença de seu imamato durante a sua ausência serão como fósforo vermelho”. Quando o Profeta (S.A.A.S.) terminou, veio Jáber Ibn Abdulláh, o Ansári, e perguntou-lhe: “Ó Mensageiro de Deus, para vosso filho haverá ausência”? “Sim”, respondeu o Mensageiro, “pois meu Senhor purificará aqueles que creram e aniquilará o apóstata, ó Jáber, porque a questão pertence a Deus; portanto cuidado se duvidares, pois aquele que duvida das determinações de Deus Protetor e Majestoso, abjura”.

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “O reformador, que será um dos meus filhos, terá o meu nome e suas prevalências serão iguais as minhas, e seus preceitos iguais aos meus; e fará com que as pessoas permaneçam na minha religião e na minha lei, exortando-as ao Livro de Deus, meu Senhor; pois aquele que o desobedecer, me desobedeceu; e aquele que o irritar, me irritou; e aquele que renegar a sua ausência, me renegou; e aquele que o desmentir, me desmentiu; e aquele que nele acreditar, me acreditou; e a Deus me queixarei dos embusteiros que me desmentirem sobre a Sua questão e dos incrédulos que duvidaram das minhas palavras sobre Seus assuntos, e dos que desviarem a minha nação do Seu caminho; e saberão os tiranos a que vicissitudes eles reverterão”.

O Imam “Zein Al-Ábidin” (A.S.) falou: “O Empreendedor dentre nós estimulou os profetas em preceito desde nosso pai Adão, seguido pelo preceito de Noé, de Abraão, de Moisés, de Issa (Jesus), de Jô e finalmente, do preceito de Mohammad, que as bênçãos de Deus estejam com eles. De Adão e Noé, veio a longevidade; de Abraão veio o envoltório da procriação e o seu afastamento das pessoas; de Moises veio o temor e a ausência; de Issa surgiu a diferenciação em relação a ele entre as pessoas; de Jô veio a bonança depois do infortúnio; porém, de Mohammad (Deus o abençoou e a sua linhagem e os saudou) veio a luta pela espada, contra os opositores do Islam, que é a religião da verdade, e a renegaram mesmo após conhecê-la”.

O Imam “Assadeq” (A.S.) disse: “Para o Empreendedor duas ausências, sendo uma delas uma curta ausência e a outra uma longa ausência. A primeira ausência desconhece e a sua posição, exceto a particularidade da seita, e a outra ausência desconhecemos a sua posição exceto a particularidade de seu Senhor (Deus)”.

O ideal sobre o Imam “Al-Mahdi” não é uma encarnação de uma ideia religiosa de caráter meramente islâmico, mas sim, algo presente em todos os dogmas e diversificações religiosas, é uma formação e inspiração inata que fez com que as pessoas compreendessem que apesar da variedade de suas ideologias a humanidade terá um dia determinado sobre a terra, no qual existirá nele a justiça e a boa conduta.

Os muçulmanos creem de que este dia realizar-se-á sem dúvida e que ele é umas promessas divinas, mencionadas no Alcorão Sagrado, conduzido por um líder divino, e que este líder é representado por alguém, determinado nominalmente, e que ele já existiu aqui na terra, esperando a hora que Deus lhe permita reaparecer, a fim de divulgar o apelo a verdade e confirmar a justiça, purificando a terra do germe da tirania e do despotismo.

Entretanto, a ideologia do Imam “Al-Mahdi” (A.S.), a qual esclarece sobre o Líder divino, escolhido por Deus, a fim de conduzir a Sua mensagem, e que nascera há muitos séculos atrás e permanece vivo até que Deus Supremo lhe permita o ressurgimento cria várias perguntas, tal qual: “Como alguém pode viver tanto tempo e de que forma se livrará da lei da natureza que se impõe sobre o homem, que é a de passar pela velhice e sua fragilidade, até que a morte natural chegue?!”

Eis que respondemos a esta pergunta:

Cientificamente, e, do lado do conhecimento humano, confirmou-se que, aparentemente, a velhice se mostra fisiológica e não temporal. Às vezes vem cedo demais outras vezes vem tardiamente para alguns. Há pessoas de faixa etária bem adiantada, possuindo uma energia incrível, afastando-se delas os sinais da senilidade, e isso é algo confirmado pelos cientistas. E hoje, a ciência atual tem se aproveitado das maleabilidades das leis das longevidade natural, conseguindo vitórias para o retardamento da velhice, e isto, em benefício do homem. O que realmente confirma cientificamente que o adiamento do envelhecimento do ser humano não é um processo impossível, mas algo solucionável. Por isso, afirmamos que a diferença entre o polegar, a vida de alguns animais e o insucesso disto para com o homem, não quer dizer no parecer cientifico, de que isto seja impossível que um dia não se torne realidade.

Religiosamente, o Alcorão Sagrado menciona alguns Profetas (A.S.) que viveram longo tempo, dentre os quais o Profeta Noé (A.S.) que o Alcorão Sagrado menciona em diversos versículos, tal como: “Enviamos Noé a seu povo e permaneceu entre eles mil anos exceto cinqüenta anos”. Há também o que Alcorão Sagrado mencionou sobre o Profeta de Deus, Issa Ibn Mariam Jesus (A.S.) de que ele não morreu e vive até os nossos dias, e que Deus o ascendeu até Ele e o protegeu da morte: “E por dizerem: Matamos o Messias O filho de Maria, o Mensageiro de Deus, embora não o mataram nem o crucificaram, porém, foi-lhes simulado e aqueles discordaram quanto a isto permaneceram na dúvida e não possuíram conhecimento algum disso senão somente em conjecturas e não o mataram deveras, porém, Deus o ascendeu até Ele e Deus é O Poderosíssimo Prudentíssimo”.

Voltando à existência do Imam “Al-Mahdi” (A.S.), vivo até os nossos dias, tendo hoje a idade de 1160 anos, podemos afirmar que esta longevidade já sucedeu a outros homens de bem, portanto, não há dúvida e tampouco há o que estranhar com os desígnios de Deus Supremo, se analisarmos a questão pelo lado miraculoso vindo da parte do Senhor dos céus e da terra.

Com isto, chegarmos à conclusão de que a ciência não descarta a questão e que a doutrina confirma em sua perfeição e realização, que a concreta veracidade diz que “a genuína ciência não se contradiz com a religião da verdade”.

Já ocorreram dezenas de acontecimentos aos Profetas (A.S.), enviados e devotos a Deus, os quais confirmaram que Deus Glorificado e Supremo desviou as leis da natureza e as desprezou a fim de protegê-los contra as iras dos inimigos, para que eles possam dar prosseguimento a sua missão divina até chegarem onde nada possa desabonar as suas mensagens.  Deus fez o mar se abrir para proteger Mussa Ibn Imran (A.S.) ira do Faraó e seus soldados. Deus fez os romanos acreditarem que aprisionaram Issa Ibn Mariam (A.S.), porém, eles capturaram outro que se assemelhava com ele, salvando-o de suas mãos. E quando o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) saiu de sua casa em Meca, mesmo sitiada pelos coraixitas, seus inimigos, os quais conspiravam derramar-lhe o sangue e matá-lo, Deus interveio e o protegeu de seus olhares, em conformidade com a revelação de Deus: “E lhe colocamos uma barreira na frente deles e uma barreira atrás deles e lhe ofuscaremos a vista para que não possam enxergar” (Alcorão Sagrado Cap. 36 versículo 9). E assim o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) prosseguiu em seu caminho rumo a Medina, mas durante o trajeto precisou se esconder na gruta com seu amigo que o acompanhava; e eis que interveio a Providência Divina, a vontade de Deus, quando uma aranha teceu a sua teia na entrada da gruta, vedando-a por completo, e, quando os seus inimigos, aliados de Coraich, chegaram ali nada viram. O Alcorão Sagrado registrou este acontecimento: “Se não o socorrerdes, Deus o socorrerá, como fez com os incrédulos o desterraram. Quando estava na caverna com um companheiro, disse-lhe: Não te aflijas, porque Deus está conosco! Deus infundiu nele o sossego, confortando-o com tropas celestiais que não poderíeis ver, rebaixando ao mínimo as palavras dos incrédulos, enaltecendo ao máximo as palavras de Deus, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo”. (Cap. 9 versículo 40)

Finalmente, podemos também afirmar que a Vontade Divina determinou os caminhos do último dos sucessores do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.), o 12º Imam “Al-Mahdi”, o esperado (Que Deus apresse o seu ressurgimento) ao qual o agraciou com a longevidade a fim de empenhar o seu papel no estabelecimento do Estado Islâmico Mundial de Direito, que o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) fundou, para iluminar a humanidade sob a bandeira do direito e da justiça, e se beneficiar com a segurança, a tranqüilidade, a concórdia e a paz.

OS MUÇULMANOS NO TEMPO DA AUSÊNCIA:

No início da missão islâmica, os muçulmanos honravam a risca os ensinamentos do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) quando se tratava de seu governo e suas legislações, que encerravam os seus conceitos morais e religiosos, porque o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) é considerado a segunda procedência para a legislação depois do Alcorão Sagrado, e depois que o Mensageiro de Deus partiu ao encontro de Deus Supremo, a nação islâmica procurava os Doze Imames, que o Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua linhagem e os saudou) designou como seus sucessores, iniciando-se com Ali Ibn Abi Táleb (A.S.) cognominado por Príncipe dos Crentes sendo o: 2º Imam Al-Hassan Ibn Ali “Al-Mujtabehân” (O comparador); 3º Imam Al-Hussein Ibn Ali “Sayed Al-Chuhadá” (Senhor dos mártires); 4º Imam Ali Ibn Al-Hussein “Zein Al-Ábidin” (Formosura dos devotos); 5º Imam Mohammad Ibn Ali “Al-Báqer” (O Erudito); 6º Imam Jaafar Ibn Mohammad “Assadeq” (O Verídico); 7º Imam Mussa Ibn Jaafar “Al-Kadhem” (O Silencioso); 8º Imam Ali Ibn Mussa “Al-Reda” (O Contentamento); 9º Imam Mohammad Ibn Ali “Al-Jauád” (O Generoso); 10º Imam Ali Ibn Mohammad “Al-Hádi” (O Orientador); 11º Imam Al-Hassan Ibn Ali “Al-Ascari” (Nascido em Ascar); 12º Imam Mohammad Ibn Al-Hassan “Al-Mahdi” (O Guia). A paz esteja com todos eles.

O grupo dos Imames completou-se com o 12º Imam, todos mencionados pelo Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) em diversas ocasiões; e quando o imamato chegou até o último dos sucessores do Mensageiro de Deus, devido a conspiração de seus inimigos, os quais pretenderam assassiná-lo, Deus o ocultou e o ausentou dos olhares de todos; e o Imam “Al-Mahdi” (A.S.) passou a se comunicar somente com seus assessores especiais, os quais eram a única conexão entre ele e os muçulmanos, seu seguidores. Estes assessores formaram o total de quatro, que reuniam os muçulmanos pela sua devoção e fé, sendo iniciada tal conexão em 260 da Hijra e que são: 1º Assessor foi Othmán Ibn Said Al-Umari, servindo-o por 5 anos; 2º Assessor foi Mohammad Ibn Othmán Ibn Said Al-Umari, servindo-o por 40 anos; 3º Assessor foi Al-Hussein Ibn Ruh’ Al-Noubkhati que o assessorou durante 21 anos; 4º e o último assessor, foi Abu Al-Hassan Ali Ibn Mohammad Al-Samari, que assessorou por apenas três anos.

Assim sendo, o assessoramento termina com o 4º embaixador no ano 329 da Hijra, conforme foi mencionado anteriormente, prolongando-se por quase setenta anos, deixando a nação islâmica preparada para a Grande Ausência. Sobre a questão a quem os muçulmanos deverão honrar e recorrer, o Imam “Al-Mahdi” (A.S.) disse: “A reverência deverá ser concebida àquele que faz parte dos jurisconsultos e que se previne e se conserva em sua doutrina, e contraria as próprias paixões, obediente ao seu Senhor e é dever que todos o imitem, isto é, todos deverão procurá-lo para a solução de seu problemas sejam eles quais forem”.

E foi a partir daí que os sábios se empenharam, praticando seu papel como Guias para a nação, a fim que os muçulmanos possam viver e enfrentar as situações mais inquietantes na sociedade islâmica, alusivas aos campos ideológicos e legislativos, de acordo com o que determina o Islam sobre os muçulmanos, procurando os sábios estudiosos, os quais despenderam as intenções de seus estudos na aplicação das sentenças legislativas, cultivadas de sua procedência básica, o Alcorão Sagrado e o Preceito do Mensageiro de Deus. E chamou-se este ato despendido pelos sábios para o conhecimento das sentenças legislativas, de “Al-Ijtihad”, isto é, “A Aplicação”, e aquele que alcança a escala desta magnífica ciência, se denomina de “Al-Mujtahid”, ou seja, “O Estudioso” ou “Aplicado”, assim pois, o Islam determina aos muçulmanos se guiarem pelos sábios e teólogos “estudiosos” para a orientação de seus problemas do dia-a-dia, e este procedimento se chama no termo da jurisprudência de “Attaqlid”, isto é, “A Tradição”; e com isto, os muçulmanos se beneficiam com a aprovação de Deus e a segurança contra as deturpações e o afastamento da religião.

OS SINAIS DO APARECIMENTO DO IMAM:

Nós aludimos aos sinais e indícios que ocorrerão antes do aparecimento do Imam “Al-Mahdi” (A.S.), como mencionados nos livros de tradições.

O alastramento da tirania, da crueldade, da violência e da devassidão e perversão dos costumes, e, principalmente o enfastiamento em geral, inclusive até entre os próprios muçulmanos, que se utilizarão das bebidas alcoólicas e das drogas publicamente; e o relacionamento com os demais com a usura e o estelionato para a aquisição das fortunas ilícitas. Por outro lado o alastramento do adultério e da sodomia (homossexualismo) e a prática de tudo que é abominável e indigno, abolindo e perdendo a castidade, a saúde, a vergonha e o pudor; e as mulheres se mostrando indecentemente em suas indumentárias e sem o véu (hijab); e os homens se travestido em mulheres e as mulheres agindo masculinizadas em todos os sentidos, moral, social e sexualmente; e a cada dia aumenta-se a coragem na prática do ilícito, isto é, tudo que é contrário a moral e ao direito, deixando de lado as obrigações divinas e preenchendo os corações com as ilusões, o logro, a fraude e a falsidade (a exibição de fé e devoção diante das pessoas enquanto escondem a abjuração e a apostasia); a falsa filantropia (o empenho na prática do bem, não pela fé e dedicação a Deus, mas para se engrandecer diante das pessoas); a fundação de seitas (o acréscimo de algo na religião, e fundação de uma nova crença); a crítica (a crítica ofensiva e caluniadora do fiel sobre aquilo que ele detesta); o falso testemunho (a acusação do inocente recriminando-o daquilo que ele não praticou).

E assim, a tirania prevalece e os tiranos tornam-se indiferentes e desinteressados com os problemas e valores monetários das pessoas, deixando ocorrerem os fatos sobre si mesmo, solucionando-os com favores, levando as pessoas a ingratidão pelos favores, e isto é o mal dos tempos. E contudo, os fieis e devotos são humilhados e escarnecidos, alastrando-se a apostasia e o ateísmo, sem a prática pelo Islam e o Alcorão Sagrado.

Os filhos passarão a enfrentar seus pais desrespeitosamente e com total desinteresse; e se interrompe a conexão das compaixões e comiserações, e não pagam o “quinto” do tributo e o donativo, gastando-o em futilidades, prevalecendo o parecer dos estrangeiros, dos apostatas, dos ateus e dos depravados sobre os muçulmanos, os quais acabam tomando-os como modelos, imitando-lhes o linguajar, os costumes e até o modo de se vestir e se enfeitar, e, se forem criticados, defendem-se com atrevimento, arrogância e insolência, sem se importarem com a própria religião e os princípios de seus preceitos, aviltando, menosprezando e depreciando Deus declaradamente, juntamente com os Profetas e Mensageiros, sem se importarem com a Sua ira, fazendo inclusive pouco caso dos lugares sagrados.

Desvairadamente, aumentarão os crimes e o derramamento de sangue, e se gastarão fortunas inutilmente para a ruína dos países, e a terra então se tornará improdutiva.

O mundo presenciará as piores catástrofes, escândalos e calamidades, e as grandes potências sucumbirão, e virão criaturas cósmicas avançadas tecnologicamente e implantarão o terror e o desespero provocados pelas organizações governantes, e o povo então, passará a viver em debates ideológicos e religiosos, se distinguirá entre as pessoas uma situação diversa a que estariam vivendo, e se encaminharão às necessidades da religião e se agarrarão aos valores virtuosos e se exortarão entre si a religião da verdade, reivindicando a permanência da justiça, e passarão a agir de acordo com a religião de Deus e seus limites, firmes e sem temor, seja de quem for, e jamais se desviarão do caminho da verdade, tendo o coração tal qual o ferro, por causa da força de sua devoção a Deus. E não mais temerão a morte, porém, a anelariam a fim de se encontrarem com Deus; e tudo farão para que se estabeleça um Estado Islâmico a fim que permaneçam os limites de Deus na terra, para que com isto cheguem ao Estado governado pelo Imam “Al-Mahdi” (A.S.).

O Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) disse:

“Virá um povo do Oriente, portadores de bandeiras negras, os quais procurarão o bem e quando este lhes for negado, lutarão e vencerão e conseguirão o que pretenderem, e só aceitarão até que seja entregue a um homem, descendente da minha linhagem, e então, ele preencherá o mundo com a justiça tal como o preencheram com a tirania; e aquele que compreender isto, virá até eles, nem que rasteje sobre a neve”.

“Virá um povo do Oriente e se preparará para o Al-Mahdi”.

Enfim, o estabelecimento de um Estado de justiça e da verdade é necessário, tanto pela razão antes do que pela lei, porque o confronto das sentenças divinas e os limites legais se baseiam nele.

O chamado celestial é mais um dos sinais que ocorrerão antes do surgimento do Imam “Al-Mahdi” (A.S.), quando se ouvirá um grito estrondoso do anjo Gabriel, entre o céu e a terra, que o mundo inteiro ouvirá, do Oriente ao Ocidente, e cada pessoa o entenderá de acordo com seu próprio idioma, chamando pelo nome do Restaurador e seu pai, ordenando os povos a apoiarem o Imam (A.S.) para se orientarem com ele e acatarem o seu governo, para não se extraviarem e para que se confirme o direito do Imam e seus assessores, defensores e dogmas.

O que acompanhará os acontecimentos do aparecimento do Imam “Al-Mahdi” (A.S.) é a descida a terra do Messias Issa Ibn Mariam (A.S.), o qual prosseguirá com o Imam e o fará um vencedor, chamando os cristãos para seguí-lo. Num dos colóquios do Profeta Mohammad (S.A.A.S.) com sua filha Fátima “Azzahra” (A.S.), ele disse: “Será um dos nossos. Por Deus Onipotente! O “Mahdi”, orientador desta nação, o qual, atrás dele, orará Issa Ibn Mariam”.

ESTABELECIMENTO DO ESTADO DO IMAM “AL-MAHDI”:

Coleções de livros que mencionaram os Imames (A.S.), afirmam que o Imam “Al-Mahdi” (A.S.) ressurgirá depois de uma longa ausência, em Mecca, ao lado da Caaba, portando a bandeira do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) e sua espada, vestindo a sua vestimenta e seu turbante, e com os anjos prontos para a sua defesa e vitória enquanto que ele se levanta colérico, reivindicante, vingando os oprimidos e guerreando com os inimigos de Deus e do Islam, e seus companheiros o apoiando desde Mecca e Medina, e todos eles dos mais valentes e tementes a Deus, totalmente dedicados à sua meta, acatando-o, saindo dali vencedores e se dirigindo em direção ao Iraque, entrando depois em Cufá, onde se estabelecerá a sede de seu governo justíssimo, e Cufá se tornará a sua Capital como fora no califado de seu ancestral, o Príncipe dos Crentes, Ali Ibn Abi Táleb (A.S.); e depois, Deus lhe abrirá a parte Oriental e a parte Ocidental do mundo, a fim de expandir o Islam, renovando a vida doutrinária, encaminhando a humanidade com as bênçãos de Deus através de Seu livro e preceito de Seu profeta, e assim, doravante, a terra tornar-se-á abençoada e produtiva, aumentando as suas bênçãos, e com isto, dissipar-se-á a pobreza e todos viverão felizes e tranquilos, e periodicamente, o povo se dirigirá a Cufá e muitos desejarão permanecer nela a fim de se avizinharem com o Imam (A.S.), como também irão construir uma imensa Mesquita com mil portas, para que todos possam entrar e orar, imitando o Grande Imam (A.S.).

E sob o seu justíssimo governo, todos tornar-se-ão confiantes, sem a necessidade de alguém cobrar alguém, ou deter o seu próximo por causa da ganância pleiteando possuir o que ele tem; inclusive, os livros mencionam que a mulher transitará pelas ruas ou viajará para longas distâncias enquanto estiver portando ou se enfeitando com suas pedras preciosas, sem que haja alguém para molestá-la ou assaltá-la.

No ressurgimento do Imam (A.S.), a promessa de Deus a seus devotos se realizará e eles herdarão a terra e tudo que nela houver, e explodirão as fontes do conhecimento e da sabedoria através do Imam (A.S.), e a humanidade passará a viver no auge de sua grandeza pelo saber e evolução tecnológica e industrial, tal como mencionou o Imam “Al-Báqer”: “… e se nos levantarmos, levantará conosco a questão de Deus e Ele colocará a Sua mão sobre as cabeças dos devotos, unificando os seus cérebros para a realização de seus sonhos…”; o que significa, que a sociedade chegará a perfeição em todos os sentidos.

O Imam Jaafar “Assadeq” falou: “O saber é composto de vinte e sete partículas, e tudo que os Mensageiros trouxeram foram somente duas partículas, e até hoje as pessoas só conhecem estas duas partículas, porém, se o nosso Restaurador vier, trará as vinte e cinco partículas restantes e as difundirá entre as pessoas, unindo-as as duas partículas, totalizando as vinte e sete”.

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Fonte:

https://www.arresala.org.br/profeta-mohammad-s-a-a-s/12-imam-mohammad-ibn-al-hassan-a-s

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/al-mahdi-o-imam-oculto/

Candomblé, Oratório para orquestra e coro

Fruto de meses frequentando um terreiro em Salvador, a obra “Oratório Candomblé”, para coro misto, coro infantil, seis solistas vocais, conjunto de percussão afro-brasileira e orquestra sinfônica, foi escrita em 1958 pelo compositor brasileiro José Siqueira.

Peça ousada e irreverente que une ritual afro-brasileiro com os conhecimentos musicais de compositores modernos como Stravinsky, é baseada em cantos de Candomblé que o maestro colhera na Bahia, desenvolvendo então sua visão musical do ritual.

Candomblé integra um conjunto de obras de José Siqueira inspiradas na cultura africana, resultado de incessantes pesquisas do compositor, professor e teórico da música.

Em um período em que o negro ainda era bastante discriminado e sua contribuição para a nossa cultura muito pouco reconhecida, José Siqueira criou uma série de peças orquestrais como o bailado Senzala, a cantata negra Xangô, a suíte Carnaval Carioca e sua obra-referência: Candomblé.

Vida

Responsável por iniciativas como a criação da Orquestra Sinfônica Brasileira da cidade do Rio de Janeiro, da Academia Brasileira de Música da Ordem dos Músicos do Brasil e dos Concertos Para a Juventude. Como professor foi descrito como “um mestre cuidadoso que indicava os infinitos caminhos da arte mas respeitava a personalidade de cada um de seus discípulos”.

Devido à sua pregação por um país livre e democrático, foi perseguido e “aposentado” pela ditadura militar ficando proibido de lecionar, gravar e reger. Mas o paraibano era um verdadeiro “cabra da peste”, continuou compondo, defendendo seus ideais e continuou a reger a sua própria Orquestra de Câmara do Brasil que ele criara com a ajuda de amigos músicos.

A vida de José Siqueira é um exemplo de que, quando alguém está cumprindo o papel para o qual foi designado neste mundo, não há ditadura nem toda a sorte de dificuldades que o impeça de cumprir sua missão. No que o Brasil o expulsou, a extinta União Soviética o abraçou, regeu a Orquestra Filarmônica de Moscou e foi justamente lá que boa parte de sua obra foi editorada e preservada (inclusive a versão do oratório candomblé que vocês irão ouvir), enquanto que no Brasil o governo militar cuidava em excluí-lo da história.

Obra

“José Siqueira ocupou a cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Música. Metaforicamente ele é um imortal. Mas a sua verdadeira imortalidade ele alcançou através de sua obra e de seu exemplo de vida” (Ricardo Tacuchian)

Siqueira nos deixou uma obra monumental que representa duas vertentes regionais bem marcantes. A primeira é baseada na influência africana sobre a música brasileira, com suas escalas pentatônicas e sua polirritmia percussiva. A outra vertente é o folclore do Nordeste, com sua diversidade de danças, cantos e suas melodias modais.

Destacam-se, dentre as obras orques­trais, 5 sinfonias, o Concerto para orquestra, concertos para os mais variados instrumentos, a série Brasilianas, peças para orquestra de cordas, como a famosa Toada, óperas como A compadecida e Gimba, inúmeros bailados, poemas sinfô­nicos e oratórios como Xangô e Candomblé.

Toda obra de José Siqueira é permeada de elementos e ritmos regionais, sua musicalidade se encerra numa belíssima e bem arquitetada fusão de estilos.  Ao ouvir o “Oratório Candomblé”, acompanhado de todos os instrumentos da orquestra e das vozes do coral, temos nossa alma inevitavelmente carregada para um terreiro.

Saudações Musicais, e boa audição.

Fabio Almeida é músico e autor do blog Sinfonia Cósmica.

#Biografias #Espiritualidade #Música #Religião #Candomblé

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/candombl%C3%A9-orat%C3%B3rio-para-orquestra-e-coro

Brahma, Vishnu, Shiva, os Muçulmanos e o Zero

Retornando aos nossos posts históricos, estamos chegando às vésperas da Primeira Cruzada e das origens secretas dos Templários, Hospitalários e Teutônicos (e também das histórias do Rei Arthur, com suas dezenas de versões e adaptações, e a chegada do Tarot na Europa… sim, todos estes assuntos estão interligados e veremos isso em breve).
Hoje falaremos dos hindus, muçulmanos e da origem espiritual do número Zero.

Seja no oriente ou no ocidente, a imagem circular de uma mandala (ou diagrama sagrado) é uma das mais intensas e utilizadas formas presente na história da arte.
A Índia, o Tibete, o Islã e a Europa Medieval produziram círculos em abundância, assim como todas as culturas mais antigas, seja através da pintura, seja através das danças circulares.
A imensa maioria destes diagramas está baseado na divisão dos quatro quadrantes, com todas as partes internas inter relacionadas de uma maneira ou de outra. Estas obras de arte são de alguma maneira cosmológicas; representam um símbolo que é a própria estrutura do universo: o zero.
Para os antigos, a própria arte de edificar estava intimamente ligada com o ser humano e com sua percepção do macrocosmos e do microcosmos; os quatro elementos, as quatro estações, os doze signos atravessados pelo sol em seu percurso nos céus, os círculos de divindades que representam o próprio homem e seus múltiplos aspectos… mas o que mais impressiona nestes diagramas é a expressão da noção do Cosmos, ou seja, da realidade como algo organizado e completo dentro de si mesmo.
A geometria antiga dependia de alguns axiomas; ao contrário da geometria euclidiana e outras mais recentes, o ponto de partida do pensamento geométrico antigo não é uma rede de abstrações intelectuais, mas uma meditação dentro de uma unidade metafísica, seguida de uma tentativa de simbolizar através do visual a ordem pura que brotava através destas experiências divinas e incompreensíveis.

É esta aproximação com o divino que separa a geometria antiga (ou sagrada) da moderna (ou mundana). A geometria antiga começa pelo número um, enquanto a matemática moderna começa pelo número zero.
Antes de avançar até os muçulmanos, eu gostaria de falar mais um pouco sobre estes dois começos simbólicos: Um e Zero, porque eles proporcionam um exemplo fantástico de como os conceitos matemáticos nada mais são do que dinâmicas de pensamento, de estruturas e de ações.

Primeiramente, vamos considerar o zero, que é uma idéia relativamente recente na história do pensamento, apesar de estar tão integrado a nossos pensamentos que mal podemos conceber um mundo sem zero. As origens deste símbolo datam aproximadamente do século VIII depois de Cristo, quando aparecem os primeiros registros em textos matemáticos na Índia. É interessante notar que, paralelamente a estas anotações, florescia na Índia neste mesmo período uma Escola de Pensamento decorrente do hinduísmo (através de Shankhara) e do budismo (através do Navarana). Esta Escola tinha ênfase no objetivo de obter a transcendência através da meditação e escapar do Karma através da renúncia ao mundo material, até mesmo através da mortificação dos corpos físicos através do auto-flagelamento.
Este estado de Nirvana era atingido através do “nada”, um cancelamento total dos movimentos e dos pensamentos dentro da consciência concreta, um estado “zen”. Este aspecto de meditação era o objetivo máximo do desenvolvimento espiritual, a fusão com o “todo” e com o “nada” ao mesmo tempo.
Muitos consideram este período da historia indiana como um retrocesso, um declínio das tradições tântricas que pregavam a união e a harmonização do material e do espiritual.

Foi neste período da devoção ao “vazio” que o conceito do zero apareceu. O resultado disto foi uma manifestação tanto através de um nome específico quanto de um símbolo, tanto na matemática quanto na metafísica. Na matemática, ele acabou se tornando um número, com implicações que falarei mais adiante. Seu nome em sânscrito é “Sunya”, que significa “vazio”.

Até então, como as pessoas se viravam sem o zero?
Na Antiga babilônia, Egito, Grécia e Roma, eram utilizados símbolos que representavam quantidades, como por exemplo, I, V, X, L, C, D e M. Em valores como 1005 (MV) ou 203 (CCIII), não havia a necessidade de um zero pois os numerais eram formados por “caixinhas” que representavam uma determinada quantidade de elementos. V melancias eram 5 melancias… XII camelos eram 12 camelos e ninguém questionava os números. O conceito de “zero” camelos era marcado com um símbolo parecido com duas barras paralelas [ // ] mas existia apenas como resultado de contas, por exemplo XII – XII = // representando “todos os camelos foram vendidos”.
Mas anotar um carregamento vazio é muito diferente de tratar o zero como uma entidade tangível.
Aristóteles e outros matemáticos discutiram o conceito do zero filosoficamente, mas a matemática grega, fortificada pelas influências pitagóricas vindas do Egito, recusavam-se a incorporar o zero em seu sistema.

E chegamos aos muçulmanos…
Os árabes, que do século VI ao XIV funcionaram como os grandes transmissores do conhecimento do oriente para o ocidente, trouxeram com eles o conceito do zero, além de nove outros números que também haviam sido desenvolvidos na Índia. Os números, como os conhecemos, são baseados nos ângulos formados entre os traços, como na figura abaixo:

O responsável pela transformação dos números indianos em arábicos foi o matemático e alquimista Al-Khwrizmi, cujas obras serviram de base para os trabalhos do ocultista, astrólogo, alquimista e matemático chamado Al-Gorisma (da onde vem a palavra Algoritmo), que trouxe estes numerais para os acampamentos árabes na Espanha. Seus trabalhos foram traduzidos para o latim por volta do século XII. Gradualmente, este sistema “árabe” foi introduzido na Europa e começou a alavancar progressos na ciência e no pensamento filosófico. A mente menos mística e mais prática dos comerciantes árabes transformou o conceito espiritual do zero em algo que poderia ter aplicações práticas para facilitar os cálculos, especialmente envolvendo números grandes ou cheios de colunas vazias, como 155.521.972 ou 4.815.162.342 ou 2012, por exemplo.

Silvestre II (que foi papa de 999 a 1003), inventor do relógio mecânico, bem que tentou introduzir os algarismos na Europa, mas foi severamente reprimido e, após sua morte, seus sucessores papais consideravam o zero como sendo o “número do diabo” e mantiveram os números romanos como oficiais até meados do século XII. Apenas com a força dos comerciantes, que achavam o zero muito prático para fazer contas, é que seu uso foi definitivamente implementado na Europa.
As conseqüências para a ciência foram enormes, especialmente na aritmética. Até aquele momento, as adições de números necessariamente resultavam em números maiores que os originais. A partir do zero, chegava-se a operações como

3 + 0 = 3
3 – 0 = 3
30 = 3 x 10

Até que alguém chegou a 0 – 3 = -3… MENOS TRÊS ?!?!?
O que poderia significar aquilo? A lógica começava a quebrar. Matemáticos, rosacruzes e alquimistas se reuniram ao redor desta incrível curiosidade. Apesar de não fazer sentido no mundo real, estes “números negativos” tinham toda uma coerência dentro do sistema e despertaram uma nova gama de artifícios. Estes números eram chamados originalmente de “números espirituais”, pois não poderiam ser verificados materialmente, apesar de seus efeitos serem sentidos dentro da aritmética.
A matemática, que até então estava associada à forma e à geometria, passava a se tornar algo abstrato, mental. Originalmente, o impulso espiritual dos hindus não permitiu que o zero ficasse no início das contagens, então nos textos antigos, o zero é sempre colocado após o nove.

Somente no século XVI, quase na Era da Razão, é que o zero foi finalmente colocado antes do um.
A partir destes conceitos, foram desenvolvidos os números irracionais (como a raiz de dois, que até então era considerado um número mágico usado na geometria sagrada), logaritmos e finalmente os números imaginários (a raiz quadrada de um número negativo), números complexos (um número real adicionado a um número imaginário) e finalmente números literais (substituir números por letras).

Não apenas o zero se tornou indispensável para nossas vidas como seu uso transformou a maneira como vemos a natureza e nossas atitudes a respeito de nós mesmo. Originalmente, o zero representava o vazio (Sunya) mas foi traduzido para o latim como Chiffra (que significava “nada”), mas os conceitos intrínsecos do “vazio” hindu/zen é muito diferente do conceito materialista de “nada”. Naquele período, a palavra “Maya” em sânscrito passou de seu conceito original “véu que divide a realidade” para “ilusão” ou o aspecto ilusório do Plano Material. Durante o materialismo da matemática na Revolução Industrial, o zero tornou-se um objeto material e o Plano Espiritual tornou-se “ilusório”.
A mente racionalista começou a negar o conceito espiritual da unidade. A unidade perdeu sua posição para o zero e o advento do zero permitiu a extrapolação para as bases do ateísmo, ou “zero Deus”, a negação do espiritual.

A noção do zero também teve um efeito em nossos conceitos. Idéias como a finalidade da morte ou o medo da morte, e todas as filosofias baseadas na não-existência após a morte devem sua origem ao zero.

Al Mamum, Al-Hakim
Quando o assunto é história da arte, eu acabo me empolgando e sempre escrevo mais do que pensei a princípio… e acabei desviando do assunto…
Bem… a relação entre o início das cruzadas e a expansão dos conceitos matemáticos estão interligadas na figura dos estudiosos muçulmanos. Esta integração começa em 830 quando o califa Al-Mamum tem um sonho na qual Aristóteles conversa com ele e a partir disso, decide traduzir do grego para o árabe todos os livros de matemática e ciência que conseguissem pilhar na guerra contra os bizantinos.
Desta mistura de textos gregos, árabes e hindus, somado ao uso mais prático possível destas descobertas, que eram controle de estoques dos próprios exércitos muçulmanos… armas, comidas, saques, divisões, etc, etc, etc… sem contar a geometria, afinal de contas, os muçulmanos precisam rezar voltados para Meca, e alguém tem de calcular o ângulo correto durante as marchas dos soldados todos os dias… já parou para pensar nisso? E sem calculadoras…
Todos estes fatores fizeram com que os escribas e sábios acompanhassem a expansão do islã, chegando até a Espanha e até Jerusalém.

Como vimos nos posts anteriores, os muçulmanos tomam Jerusalém em 638, oito anos após a morte do profeta Maomé, com os exércitos do califa Omar. Jerusalém, naquele período, tornou-se um centro de estudos, pois era um ponto intermediário entre Alexandria e o oriente, servindo de passagem dos conhecimentos entre o oriente e o ocidente. Durante mais de 300 anos, a cidade tornou-se um movimentado centro de comércio e estudos.

Jerusalém é considerada a terceira cidade mais sagrada do Islamismo (atrás apenas de Meca e Medina) e neste período chegou a ter mais de 70.000 habitantes. Jerusalém estava atrás apenas de Alexandria e Bagdá em termos de estudos de matemática, astronomia, astrologia e geometria.

O começo do fim ocorre quando o califa Al-Hakim ordena a destruição dos templos e sinagogas não muçulmanos, a partir de 1009, quando ordena a destruição do Santo Sepulcro. A destruição dos outros templos cristãos acabou adiada por conta das revoltas sunitas e, ironicamente, das revoltas xiitas posteriores, que acabaram fazendo com que sua atenção ficasse voltada para as próprias mesquitas destas duas facções. Mas isto foi suficiente para acender uma “luz vermelha” nas Ordens protetoras da Arca da Aliança (ou assim diz a lenda).
Uma noite, em 1021, Al-Hakim saiu para passear nos jardins de seu palácio e desapareceu. No dia seguinte, foram encontrados apenas sua montaria e seu manto, com manchas de sangue. Seu desaparecimento nunca foi solucionado…

Curiosamente, a primeira decisão de seu sucessor, Al-Zahir, foi permitir aos monges que viviam próximos ao Santo sepulcro a reconstrução do que havia sido destruído em 1009. Seu governo durou até 1036, quando faleceu vítima de uma praga. Al-Mustansir, seu filho, tornou-se califa com a idade de 6 anos, sendo assessorado por 40 vizires até atingir a idade adulta. Al-Mustansir teve altos e baixos… no começo de seu reinado, os árabes tiveram um período de prosperidade e expansão, até 1065, quando uma seca terrível, seguida de pestes e fome assolou o Egito de 1065 a 1072, somada à guerra com os turcos e a derrota e perda de diversas cidades na região.
Com a morte de Mustansir e a tomada do poder por Al-Mustali (que muitos consideravam apenas um usurpador do verdadeiro califa, que seria Na-Nizar). Com os turcos ameaçando invadir Jerusalém a qualquer momento e a ameaça de destruição total dos templos, a guerra civil prestes a explodir e a expansão dos fatimidas pelos territórios bizantinos, a região da palestina tornou-se um problema.
A qualquer momento, algum habibs maluco iria tomar o poder e provavelmente mandar destruir todas as relíquias cristãs da cidade.
Estava na hora de fazer alguma coisa…

Semana que vem

Nove homens e um segredo…

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Para quem prefere ler textos mais esotéricos e menos históricos:
– O Bode na Maçonaria
– Biografias: Theodore Reuss, o verdadeiro fundador da OTO
– Inventário da Normalidade, um texto do Paulo Coelho.
– Paganalia
– Faça sua própria pirâmide dos Illuminati
– The Mindscape of Alan Moore
– Arcano 12 – O Enforcado
– Consagrando objetos Mágicos
– A Noite Negra da Alma (alquimia)
– Biografia: Karl Kellner, o fundador da OTO

#Hinduismo #Matemática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/brahma-vishnu-shiva-os-mu%C3%A7ulmanos-e-o-zero

Os Nove Desconhecidos e o livros do saber universal

A tradição dos Nove Desconhecidos remonta à época do imperador Ashoka, que governou as Índias a partir do ano 273 a.C. Era neto do Chandragunta, primeiro unificador da Índia. Cheio de ambição como o seu antepassado, cuja tarefa quis completar, empreendeu a conquista de Kalinga, que se estendia desde a actual Calcutá até Madras. Os “kalinganeses” resistiram e perderam cem mil homens na batalha. O espectáculo dessa multidão massacrada transtornou Ashoka. Ficou, para todo o sempre, com horror à guerra. Renunciou a prosseguir na integração dos países insubmissos, declarando que a verdadeira conquista consiste em captar a estima dos homens pela lei do dever e da piedade, pois a Majestade Sagrada deseja que todos os seres animados usufruam de segurança, liberdade, paz e felicidade. Convertido ao budismo e devido à sua maneira de agir, Ashoka espalhou esta religião através das Índias e do seu império, que ia até à Malásia, Ceilão e Indonésia. Depois o budismo chegou ao Nepal, Tibete, China e Mongólia. No entanto, Ashoka respeitava todas as seitas religiosas. Aconselhava os homens a serem vegetarianos, aboliu o álcool e o sacrifício de animais. H. G. Wells, no seu sumário da história universal, escreve: “Entre as dezenas de milhares de nomes de monarcas que se amontoam nos pilares da história, o de Asoka brilha quase isolado, como uma estrela”.

Diz-se que, consciente dos horrores da guerra, o imperador Ashoka quis proibir para sempre aos homens que utilizassem a inteligência de uma forma prejudicial. Sob o seu reinado, a ciência da natureza passou a ser secreta, tanto passada como futura.

As pesquisas, indo da estrutura da matéria às técnicas de psicologia coletiva, esconder-se-ão, dali em diante e durante vinte e dois séculos, atrás do rosto místico de um povo que o mundo julga apenas preocupado com o êxtase e o sobrenatural. Ashoka fundou a mais poderosa sociedade secreta do Universo: a dos Nove Desconhecidos. Nove Homens, Nove livros, todo o conhecimento do universo. Possuir um dos livros tornaria um dos nove seres mais fortes do mundo. Os nove, o mais forte da Terra. Todos os segredos residem nos Nove Livros que Ashoka fez questão de ocultar. Entretanto, como o portador de um livro teria um profundo respeito por outro portador, sendo que jamais tentariam roubá-los um do outro. Assim eles eram repassados de geração em geração, exceto pelo portador do livro que possuía a chave da imortalidade, que segundo a lenda continua a ser o mesmo desde o inicio da sociedade secreta.

Continua a dizer-se que os grandes responsáveis pelo atual destino da Índia – e sábios como Bose e Ram acreditam na existência dos Nove Desconhecidos – deles recebiam conselhos e mensagens. Com alguma imaginação, é possível avaliar-se a importância dos segredos que poderiam guardar nove homens beneficiando diretamente das experiências, dos trabalhos, dos documentos acumulados durante mais de duas dezenas de séculos. Quais os objetivos que esses homens têm em vista? Não deixar cair em mãos profanas os meios de destruição. Prosseguir as investigações benéficas para a humanidade. Esses homens seriam renovados por cooptação a fim de defender os segredos técnicos de um passado longínquo.

São raras as manifestações exteriores dos Nove Desconhecidos. Uma delas está ligada ao prodigioso destino de um dos homens mais misteriosos do Ocidente: o papa Silvestre II, conhecido sob o nome de Gerbert d’Aurillac. Nascido em Auvergne no ano 920, falecido em 1003, Gerbert foi monge beneditino, professor da universidade de Reims, arcebispo de Ravena e papa por mercê do imperador Otão III. Teria passado algum tempo em Espanha, depois, uma misteriosa viagem tê-lo-ia levado até às Índias, onde captara diversos conhecimentos que causaram assombro no seu séquito. Também possuía, no seu palácio, uma cabeça de bronze que respondia SIM ou NÃO às perguntas que ele lhe fazia sobre a política e a situação geral da cristandade.

Na opinião de Silvestre II (volume CXXXIX da Patrologia Latina, de Migne), esse processo era muito simples e correspondia ao cálculo feito com dois números. Tratar-se-ia de um autómato análogo às nossas modernas máquinas binárias. Essa cabeça “mágica” foi destruída quando da sua morte, e os conhecimentos trazidos por ele cuidadosamente escondidos. A biblioteca do Vaticano proporcionaria sem dúvida algumas surpresas ao investigador autorizado. O número de Outubro de 1954 de Computers and Automation, revista de cibernética, declara: “Temos de imaginar um homem de um saber extraordinário, de uma destreza e de uma habilidade mecânica fora do comum. Essa cabeça falante teria sido feita “sob determinada conjunção das estrelas que se dá exatamente no momento em que todos os planetas estão prestes a iniciar o seu percurso”. Não se tratava nem de passado, nem de presente, nem de futuro, pois aparentemente essa invenção ultrapassava de longe a importância da sua rival: o perverso “espelho sobre a parede” da rainha, precursor dos nossos modernos cérebros automáticos. Houve quem dissesse, evidentemente, que Gerbert apenas foi capaz de construir semelhante máquina porque mantinha relações com o Diabo e lhe jurara eterna fidelidade”.

Teriam outros europeus estado em contato com essa sociedade dos Nove Desconhecidos? Foi preciso esperar pelo século XIX para que reaparecesse este mistério, através dos livros do escritor francês Jacolliot.

Jacolliot era cônsul de França em Calcutá na época de Napoleão III. Escreveu uma obra de antecipação considerável, comparável, se não superior, à de Jules Verne. Deixou, além disso, várias obras consagradas aos grandes segredos da humanidade. Essa obra extraordinária foi roubada pela maior parte dos ocultistas, profetas e taumaturgos. Completamente esquecida em França, é célebre na Rússia. Jacolliot é formal: a Sociedade dos Nove Desconhecidos é uma realidade. E o mais estranho é que cita a este respeito técnicas absolutamente inimagináveis em 1860, como seja, por exemplo, a libertação da energia, a esterilização por meio de radiações e a guerra psicológica.

Yersin, um dos mais próximos colaboradores de Pasteur e de Roux, teria sido informado de segredos biológicos por ocasião da sua viagem a Madras, em 1890, e, segundo as indicações que lhe teriam sido dadas, preparou o soro contra a peste e a cólera.

A primeira divulgação da história dos Nove Desconhecidos deu-se em 1927, com a publicação do livro de Talbot Mundy, que pertenceu, durante vinte e cinco anos, à polícia inglesa das Índias. Esse livro está a meio caminho entre o romance e a investigação.

Os Nove Desconhecidos utilizariam uma linguagem sintética. Cada um deles estaria de posse de um livro constantemente renovado e contendo o relatório pormenorizado de uma ciência. O primeiro destes livros seria consagrado às técnicas da propaganda e da guerra psicológica. “De todas as ciências, diz Mundy, a mais perigosa seria a do controle do pensamento dos povos, pois permitiria governar o mundo inteiro”.

É de notar que a Semântica Geral, de Korjybski, apenas data de 1937 e que foi necessário aguardar a experiência da última guerra mundial para que principiassem a cristalizar-se no Ocidente as técnicas da psicologia da linguagem, quer dizer, da propaganda.

O primeiro colégio de semântica americano só foi criado em 1950. Em França, apenas conhecemos A Violação das Multidões, de Serge Tchokhotine, cuja influência nos meios intelectuais e políticos foi importante, apesar de só ao de leve tocar no assunto.

O segundo livro seria consagrado à psicologia. Falaria especialmente na maneira de matar um homem ao tocar-lhe, provocando a morte pela inversão do influxo nervoso. Diz-se que o judô deriva de certos trechos dessa obra.

O terceiro estudaria a microbiologia e especialmente os colóides de protecção. O quarto trataria da transmutação dos metais. Diz uma lenda que nas épocas de fome, os templos e os organizações religiosas de proteção recebem de uma fonte secreta enormes quantidades de ouro muito fino.

O quinto incluía o estudo de todos os meios de comunicação, terrenos e extraterrenos.

O sexto continha os segredos da gravitação.

O sétimo seria a mais vasta cosmogonia concebida pela nossa humanidade.

O oitavo trataria da luz, do eletromagnetismo e do magnetismo.

O nono seria consagrado à sociologia, indicaria as leis da evolução das sociedades e permitiria a previsão da queda.

À lenda dos Nove Desconhecidos está ligado o mistério das águas do Ganges. Multidões de peregrinos, portadores das mais pavorosas e diversas doenças, ali se banham sem prejuízo para os de boa saúde. Dizem que as águas sagradas purificam tudo. Pretenderam atribuir essa estranha propriedade do rio à formação de bacteriófagos.

Mas por que motivo não se formariam eles igualmente no Bramaputra, no Amazonas ou no Sena? A hipótese de uma esterilização por meio de radiações aparece na obra de Jacolliot, cem anos antes de se saber possível um tal fenómeno. Essas radiações, segundo Jacolliot, seriam originárias de um templo secreto cavado sob o leito do Ganges. Técnicas conhecidas hoje pela nossa Ciência para profileração e oxidação de microorganismos

Afastados das agitações religiosas, sociais e políticas, resoluta e perfeitamente dissimulados, os Nove Desconhecidos encarnam a imagem da ciência calma, da ciência com consciência. Senhora dos destinos da humanidade, mas abstendo-se de utilizar o seu próprio poder, essa sociedade secreta é a mais bela homenagem possível à liberdade em plena elevação. Vigilantes no âmago da sua glória escondida, esses nove homens vêem fazer-se, desfazer-se e tornar a fazer-se as civilizações, menos indiferentes que tolerantes, prontos a auxiliar, mas sempre sob essa imposição de silêncio que é a base da grandeza humana. Mito ou realidade?

Há aqueles que arriscam uma teoria, uma das mais interessantes é essa:

“O Vedas possui diversos trechos que supostamente demonstram a interferência de um povo alienígena convivendo com os indianos há muito tempo. Eram vistos como deuses por possuir uma tecnologia avançadissima. Esse povo passou para os indianos o seu conhecimento. Porém despreparados, os humanos começaram a utilizar de modo errado, como é o caso dos Vimanas ceifando milhares no campo de batalha com um único ataque. O povo extraterreno (ou intraterreno) cansado dessa destruição, retornou para casa. A matança continuou até o dia que Ashoka decidiu por um fim. Dividiu o conhecimento entre os membros da sociedade e estes foram ocultados para sempre e utilizados apenas quando necessário.”

Texto retirado do livro “O despertar dos Mágicos”, de Louis Pauwels e Jacques Bergier.

#Hinduismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-nove-desconhecidos-e-o-livros-do-saber-universal

A Conexão entre o rock e o vodu

Steve Lawhead, em seu livro Rock Reconsidered, cita Tony Palmer: “Que Rock e sua ‘má e nociva batida’ originaram-se com os escravos africanos é uma noção racista e sem nenhum fundamento na verdade” (Rock Reconsidered, pp. 55-60). Dan e Steve Peters expressam a mesma insana cegueira na página 187 do livro deles What About Christian Rock?

Tais negações são absoluta e completa cegueira espiritual. Leonard Seidel, famoso pianista de concertos e professor que também dá palestras sobre música, tem pesquisado este tópico e desmascara a mentira do dizer que não há conexão entre Vodu, paganismo africano, e música Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana):

“Os incessantes poli-rítmos batidos nos tambores cilíndricos [pelos nativos nas tribos africanas] são o catalisador do Rhythms-and-Blues, do Rock-and-Roll(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) , e do Metal-Pesado de hoje. É assombroso como as reações que contemporaneamente vemos em concertos de Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) são uma exata cópia do que acontecia nas celebrações de Pinkster [festivais dos negros em New York] ou em Place Congo [escravos negros dançando em New Orleans] durante o Período Antebellum[1]. Qualquer análise que negue este fato rouba das igrejas a percepção da [evidente] conexão do [paganismo] africano com o movimento do Rock(* e da Música Popular Afro-LatinoAmericana) do século 20.

“Em Stairway to Heaven [Escadaria para o Céu], Davin Seay cita Robert Palmer em Rolling Stone Illustrated History of Rock ‘N’ Roll [A História do Rock ‘N’ Roll Ilustrada nos Rolling Stones]:‘Em um sentido muito real, Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) estava implícito na música dos primeiros africanos trazidos para aAmérica do Norte (e América do Sul e Central). E, implícito na música deles, estavam séculos de acumulação de ritos, de rituais, e de inflamado [e grotesco] paganismo [culto a ídolos, a animais, e a demônios]. A música destes primeiros escravos brutalizados e animalizados, arrancados de culturas tão antigas quanto as pirâmides, aquelas antiqüíssimas cantigas e fortes pisadas [das danças] tribais, não meramente evocavam os espíritos dos deuses-demônios da floresta: deram-lhes vida e imortalidade (Davin Seay, Stairway to Heaven, New York: Ballantine Books, 1986, p. 11).

“Implicações tais como esta levam a uma investigação mais profunda e a focalizarmos nos escravos que foram trazidos para as Ilhas do Caribe. Um dos mais significativos livros publicados até hoje, sobre este assunto, é o estudo feito por Maya Deren, para a Fundação Guggenheim, em 1953, concernente à história das origens que os deuses-demônios do Haiti e os seus cultos têm nas tribos africanas. O livro Divine Horseman — The Living Gods of Haiti [Cavaleiros Divinos — Os Deuses-Demônios do Haiti, Vivos e Atuantes], lida com a importação dos escravos para as Ilhas Caribenhas ([eles eram vendidos por tribos caçadoras, geralmente muçulmanas, e eram oriundos] da costa Oeste da África). Estes escravos foram tomados das mesmas tribos das quais os escravos das Colônias [precursoras dos Estados Unidos] foram tomados: Senegaleses, Bambaras, Arades, Congos, Kangas, Fons e Fulas. O primeiro carregamento de escravos para o Haiti foi em 1510.

“Os escravos das Colônias TROUXERAM CONSIGO A ADORAÇÃO AOS SEUS DEUSES-DEMÔNIOS, TROUXERAM AS SUAS DANÇAS E SUAS BATIDAS DE TAMBORES [ênfase adicionada]. Eileen Southern declara: ‘Não há dúvidas que Haiti foi o local central onde as tradições religiosas africanas… sincretizaram com as crenças e práticas Católicas para dar a luz o Vaudau (Vodu)2] … as cerimônias se centralizavam na adoração do deus-serpente Damballa através do cantar, do dançar, e da possessão por espíritos’ (Eileen Southern, The Music of Black Americans, New York: W.W. Horton, 1983, p. 139).

“A ADORAÇÃO DELES ERA BASEADA EM TAMBORES E DANÇAS, e, enquanto adoravam um deus (isto é, um demônio), a suprema experiência [que buscavam] era ter seus corpos possuídos por aquele demônio. Os rituais eram grotescamente sensualistas e sádicos. Uma vez firmemente estabelecida nas Ilhas Caribenhas, a prática abriu caminho para a costa dos Estados Unidos, principalmente através da cidade de New Orleans. Historicamente, escravos oriundos de São Domingos foram trazidos aos Estados Unidos durante a revolução haitiana em 1804, mas Vodu provavelmente existiu [nos USA] antes disto, porque o estado da Louisiana tinha importado escravos das Índias Ocidentais em 1716, e a prática foi também relatada em Missouri, Geórgia e Flórida.

“As danças de New Orleans tinham nomes honrando aos deuses-demônios Vodus dos rituais de adoração. O SAMBA [ênfase adicionada] tem seu nome homenageando o deus-demônio ‘Simbi,’ deus da sedução e da fertilidade [nós chamaríamos de fornicação]. O CONGADO homenageia, com seu nome, o demônio africano ‘Congo.’ O nome MAMBO homenageia as sacerdotisas Vodu que ofereciam sacrifícios aos demônios, durante os rituais.

Sheldon Rodman, autor de Haiti, the Black Republic, descreve estas danças e as relaciona com as danças de hoje. É interessante notar que, no álbum de Rock de 1981, My Life in the Bush of Ghosts [Minha Vida na Mata dos Espíritos], por Brian Eno e David Byrne, estes enaltecem-invocamos próprios espíritos africanos do tenebroso passado do Rock). [D.W. Cloud — Este álbum incorporou tambores africanos com Rock eletrônico]

“A MAIS PENETRANTE OBSERVAÇÃO FEITA NO LIVRO DE MAYA DEREN REFERE-SE AOS BATEDORES DE TAMBORES, AOS RITMOS, E À BATIDA. ‘De todos os indivíduos relacionados à atividade ritual, é o batedor de tambores aquele cujo papel pareceria quase análogo ao de um virtuoso [o excepcional solista, atração de uma banda] … tocar os tambores nos rituais haitianos exige mais treinamento explícito [aulas] de destreza e requer mais o praticar do que qualquer outra atividade ritual.'(Maya Deren, Divine Horseman–The Living Gods of Haiti, New Paltz: McPherson & Co., 1953, p. 233).

“Ela observa que os dançarinos são forçados a saudar ou encurvar-se aos batedores de tambores, antes que qualquer outra parte do ritual seja iniciada. É óbvio que, sem os tambores, o ritual não pode se consubstanciar. Que chocante paralelo com a moderna banda de Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) ! O conjunto de baterias está sempre no centro do palco, usualmente elevado por detrás do cantor líder. Sem o baterista (ou, em muitos casos, sem o ritmista da guitarra elétrica tipo baixo ou contrabaixo), a banda de Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) cessaria de existir.

“Ademais, a Senhorita Deren escreve que ‘é sobre os batedores de tambores que recai a responsabilidade de integrar os participantes em um coletivo homogêneo. É a batida dos tambores que funde os cinqüenta ou mais participantes em um único corpo, fazendo que se movam como um [um só ser], como se todos estes corpos individuais tivessem se acorrentado ao fluir de um único pulsar – um pulso que bate … levando o corpo em uma [pulsante e alucinante ou] lenta [e sensualíssima] ondulação (como a de uma serpente) e que começa nos ombros, depois [desce] pela espinha dorsal, sobe pelas pernas e [explode] nos quadris’ (Deren, Divine Horseman, p. 235).

“Esta descrição é assombrosamente paralela ao que tem lugar em um moderno concerto de Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) . Basta que observemos um vídeo dos participantes para sermos convencidos. As ações dariam a um observador a impressão de que algum tipo de possessão [demoníaca] ocorreu. No seu livro, a Senhorita Deren desce a alguns detalhes para descrever o objeto inanimado do tambor como sendo sagrado, até mesmo ao ponto de sertratada como vital à sobrevivência e assim vigiada e guardada por uma guarnição dos participantes[3] . ‘São os tambores e a batida dos tambores que são, em si, o som sagrado’ (Deren, Divine Horseman, pp. 244-246).

“Pearl Primus, há muito tempo aclamada como uma das maiores experts em dança Vodu, disse: ‘Os batedores dos tambores mantêm terríveis pulsar e batida, os quais muito facilmente tomam posse das sensibilidades dos adoradores. Observadores dizem que estes tambores são (por si só)capazes de trazer uma pessoa ao ponto onde é fácil para a deidade-demoníaca (Loa) ter possessão dos seus corpos – a pessoa indefesa é açoitada por cada golpe do conjunto de tambores, à medida que o batedor de tambores começa a ‘bater a Loa (deusa-demônio) para dentro de sua cabeça’: a pessoa encolhe-se com cada uma das batidas acentuadas[4] como se o cassetete do tambor descesse sobre sua própria cabeça; a pessoa ricocheteia ao redor do local, cegamente se agarrando aos braços estendidos para apoiá-la'(aula-palestra, Mount Holyoke College, Holyoke, Massachusetts, Mary E. Wooley Hall, 1953).

“Não pode ser negado que há um forte relacionamento entre o que temos descoberto no Vodu haitiano (Candomblé brasileiro)e a sua contraparte na cidade de New Orleans e outras cidades do sul. TAMBÉM NÃO PODE SER NEGADO QUE O MODERNO MOVIMENTO DE ROCK AND ROLL(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) EVOLVEU PARCIALMENTE DE ALGUMAS DAS DANÇAS ACIMA DESCRITAS, PROGREDINDO ATRAVÉS DE UM NÚMERO DE ESTÁGIOS: RUMBA DANÇANTE, RHYTHMS-AND-BLUES, ROCK-AND-ROLL, DISCO, METAL-PESADO E PUNK-ROCK.É óbvio que há outros elementos que compõem a evolução da música Rock; no entanto, eles não são nosso tema aqui. Concernente a Disco, a Senhorita Southern diz: ‘Os insistentes ritmos pulsantes da música Disco empurraram as convencionais melodia e harmonia para posições subalternas … de uma maneira que lembra descrições da recitação de Juba[5] para acompanhar as danças das plantações do século dezenove’ (Eileen Southern, The Music of Black Americans, New York: Norton and Co., 1983, p. 507). …

“Ruth Tooze e Beatrice Krone, no livro que escreveram, relatam que ‘o mesmo instinto por ritmos pulsantes que é encontrado nas canções dos negros é levado para como [escolheram e] passaram a usar instrumentos musicais … banjos nas plantações e depois na cidade, onde adicionaram o pistão, o clarinete e o trombone. Com seu inato talento para improvisar, um novo tipo de música instrumental foi criada – nós o chamamos de Jazz’ (Ruth Tooze, Beatrice Krone, Literature and Music, Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1955, p. 105).

“É irrefutável que música Rock and Roll(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) deve algumas [nós diríamos, a maioria] de suas raízes às tribos da África. Cada análise escrita sobre o assunto reconhece que as raízes do Rock vêm das profundezas do ‘Jazz’ e do ‘Rhythms-and-Blues.’Por causa do relacionamento entre a música Negro-Americana e a música Africana, criaram um termo que é consideravelmente usado hoje, ‘Música AfroAmericana’ (Literature and Music, p. 102). Joseph Machlis diz (em seu volumoso trabalho, The Enjoyment of Music [O Prazer da Música]:): ‘Jazz, numa definição sem teoria e sem refinamentos, mas que funciona muitíssimo bem, é um idioma musical Afro-Americano cheio de improvisações. Faz uso de elementos de ritmo + melodia + harmonia oriundos da África, e de elementos de melodia + harmonia da tradição musical européia. A influência do Jazz(e dos idiomas [musicais] Afro-Americanos que lhe são intimamente associados) tem sido tão insidiosa e onipresente, que agora a maior parte da nossa música popular é no idioma musical Afro-Americano, e elementos de Jazz também têm permeado um bocadão da nossa música de concerto’ (Joseph Machlis, The Enjoyment of Music, New York: W. W. Norton, 1963, p. 597).

“Declarar que os paganismo e feitiçaria da África, através do Haiti, são as únicas raízes da música Rock, seria enganar e ser menos que honesto. Um cuidadoso estudo da música Rock revela-a ser mais complexa que isto; no entanto, NEGAR QUE EXISTE UMA CONEXÃO AFRICANA COM OS RITMOS DE ROCK(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) DE NOSSOS DIAS É SER IGUALMENTE ENGANADOR E DESONESTO. Declarar que um certo ritmo ou batida é ‘mau e nocivo’ não pode ser completamente provado. Mas o que é muitíssimo mais importante é a revelação histórica de que atividade demoníaca tem sido observada em conexão com rituais onde tambores e batidas rítmicas têm sido o catalisador. Que esta possibilidade exista já deveria bastar como uma advertência, às igrejas, de que Satanás pode e irá usar tudo que estiver em seu poder para fazer com que todos adorem não a Deus mas a ele, para que, no devido tempo, o Diabo consuma seu mau propósito e receba a glória” (Leonard J. Seidel, Face the Music: Contemporary Church Music on Trial [Encare a Música: A Música Cristã Contemporânea no Banco de Réus , 1988, p. 34-42).

A conexão entre Rock & Roll(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) e Vodu (Candomblé brasileiro) tem sido notada mesmo por músicos de Rock, descrentes. O baterista inglês de sessões de Rock, Rocki (Kwasi Dzidzornu), que tem gravado com muitos grupos famosos e para músicos tais quais os Rolling Stones, Spooky Tooth, e Ginger Baker, percebeu que a música de Jimi Hendrix era similar à música Vodu. Note as seguintes assombrosas declarações da biografia de Hendrix:

“Ele [Hendrix] tinha tido uma chance de ver Rocki e alguns outros músicos africanos no cenário de Londres. Achou um prazer tocar ritmos contra seus poli-rítmos. Eles gostavam de totalmente saírem [fora de si mesmos] para [entrarem] dentro de outro tipo de espaço em que [nunca ou] raramente tivessem antes estado … O pai de Rocki era um sacerdote de Vodu e era, também, o principal batedor de tambores em uma aldeia de Gana, África Ocidental. O nome real de Rocki era Kwasi Dzidzornu. Uma das primeiras coisas que Rocki perguntou a Jimi foi de onde ele tinha recebido aquele ritmo Vodu. Quando Jimi objetou, Rocki foi em frente, explicando (em seu inglês tropeçante) que muitas das ‘assinaturas rítmicas’ que Jimi tocava na guitarra eram, muito freqüentemente, os mesmos ritmos que seu pai tocava em cerimônias Vodu. A maneira com que Jimi dançava aos ritmos que tocava faziam Rocki rememorar os ritmos que seu pai tocava para OXUM [ênfase adicionada], o deus do trovão e dos raios. A cerimônia é chamada de Vodushi. Quando criança na aldeia, Rocki entalhava em madeira representantes dos seus deuses-demônios. Eles também representavam seus ancestrais. Estes eram os deuses-demônios que eles adoravam. Eles vieram a tomar um bocadão de espaço na casa de Jimi. Uma vez eles estavam congestionando e Jimi parou e, à queima-roupa, perguntou a Rocki: ‘Você se comunica com este deus-demônio, não é?” Rocki disse: ‘Sim, eu me comunico com este deus-demônio’ ” (David Henderson, ‘Scuse Me While I Kiss the Sky [Desculpe-me, Enquanto Beijo Este Firmamento], pp. 250,251).

Como temos chamado sua atenção, há proponentes de música “Rock Cristão” que etiquetam de “racista” o que expusemos [acima]. No entanto, na biografia de Hendrix (a qual NÃO foi escrita por um crente), vemos que o filho (descrente) de um real sacerdote do Vodu vê uma conexão entre a música do estrela do Rock, Jimi Hendrix, e Vodu idólatra. O baterista Rocki, um negro, seria um racista por fazer tais observações? Estas suas observações não podem ser convenientemente postas de lado como furioso delírio de um fundamentalista bíblico!

O bem-conhecido artista do Rock, Peter Gabriel, não tem dúvidas de que há uma conexão africana direta, com o Rock & Roll(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) :

“Há coisas, como o ritmo de Bo Diddley, que, batida-por-batida, tenho ouvido em padrões Congoleses. Parte do que nós [americanos] consideramos ser a herança do Rock and Roll que criamos, originou-se na África. Ponto final”(Peter Gabriel, citado por Timothy White, em Rock Lives, p. 720).

Little Richard, um dos pais da música Rock, também tem testificado desta conexão:

“Minha verdadeira crença a respeito de Rock ‘n’ Roll(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) – e tem havido um bocado de frases atribuídas a mim ao longo dos anos – é esta: CREIO HOJE QUE ESTE TIPO DE MUSICA É DEMONÍACA. … UMA PORÇÃO DE TIPOS DE BATIDAS NA MÚSICA TÊM SIDO TOMADAS DO VODU(Candomblé brasileiro), ISTO É, DOS TAMBORES DO VODU. Se você estudar música em ritmos, como eu o tenho feito, verá que isto é verdade … CREIO QUE ESTE TIPO DE MÚSICA ESTÁ EMPURRANDO AS PESSOAS PARA LONGE DE CRISTO.É CONTAGIOSO[6]” (Little Richard, citado por Charles White, The Life and Times of Little Richard, p. 197).

Suponho que seria fácil um proponente de música Rock Cristão desconsiderar o testemunho de Little Richard, talvez por causa da sua estranha personalidade e do seu relacionamento com o cristianismo parecer ser do tipo “hoje aceso, amanhã apagado”. Mas responda-me isto: os defensores do Rock Cristão sabem mais do caráter do Rock and Roll do que um homem como Little Richard, que foi um dos seus criadores?

Os Rolling Stones e outros grupos de Rock & Roll têm gravado cerimônias de tambores ocultistas (tribais e do Vodu) e incorporaram [elementos das mesmas] dentro das suas músicas Rock. Em 1981, por exemplo, Brian Eno e David Byrne gravaram My Life in the Bush of Ghosts [Minha Vida na Mata dos Espíritos].

Música não é neutra. Há música que encoraja a atividade demoníaca, e há música que encoraja a atividade do Espírito Santo. Há música que ministra ao lado carnal do homem, e há música que ministra ao lado espiritual do homem. Música Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) sempre tem sido associada com o carnal e o demoníaco. Rock(* e Música Popular Afro-LatinoAmericana) não tem nenhum lugar legítimo na vida e ministérios cristãos.

“Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.Ou provocaremos o Senhor? Somos nós mais fortes do que ele? (1Cor 10:21-22).

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-conexao-entre-o-rock-e-o-vodu/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-conexao-entre-o-rock-e-o-vodu/