Apocalipse de Pedro

Enquanto o Salvador estava sentado no templo ele me disse, “Pedro, abençoados são os perfeitos que pertencem ao Pai, que por meu intermédio revelou vida para os que são de vida, já que eu os lembrei quem são os que estão edificados naquilo que é forte.”

“Que eles possam, então, ouvir a minha palavra, e distinguir palavras de imoralidade e indisciplina das palavras de disciplina, e reconheçam a excelência desta doutrina que é do Pleroma da Verdade. Assim, eles serão iluminados de bom grado por mim, a quem as autoridades perseguiram, mas elas não me encontraram. Tampouco eu foi mencionado entre qualquer geração dos profetas. Mas agora eu estou entre vocês, nesta forma visível. Eu sou o Filho do Homem, exaltado acima dos regentes dos céus, cujas criaturas nos perseguem por não quererem que surjam outros de natureza igual.”

“Mas você, Pedro, torne-se perfeito conforme eu te nomeei, pois eu o escolhi, e através de ti eu estabeleci uma fundação para os restantes que eu convoquei para a sabedoria. Portanto, seja forte até que eu termine a minha missão. Veja, eu desci para este mundo tomando esta forma provisória e os chamei 1, para que vocês me conhecessem de um modo que é digno de ser proclamado. Contudo, esta pele receberá as marcas da rejeição que eu sofri, e estacas serão cravadas nos tendões destas mãos e pés. Em seguida eles coroarão esta cabeça, para zombarem da minha honra. E um corpo espiritual luminoso eu receberei do Pai em recompensa pelo meu serviço realizado. Mas ainda esta noite eu te repreenderei três vezes.”

Enquanto o Senhor dizia estas coisas, eu vi os padres e as pessoas com pedras nos aproximando rapidamente; a intenção deles era nos matar! Eu estava com medo de que nós iríamos morrer!

Então ele me falou, “Pedro, eu já te disse várias vezes que estas pessoas são cegas, e elas não têm discernimento. Se você quer experimentar a cegueira delas, segure seu manto sobre os olhos, então me diga o que você vê.” Quando eu fiz isto, eu não vi nada. “Ninguém consegue ver deste jeito,” eu disse. Então ele me falou para fazer novamente. Eu fiz, e fui tomado por uma mistura de medo e alegria, pois eu vi uma luz nova, maior do que a luz do dia. Então a luz desceu sobre o Salvador, e eu contei para ele o que vi.

Ele me falou de novo, “Coloque suas mãos nos seus ouvidos e escute o que as pessoas estão dizendo.” Eu ouvi os padres enquanto eles estavam sentados com os escribas, as multidões estavam gritando. Eu contei para ele o que eu ouvi, e ele de novo me disse, “Aguce os seus ouvidos e escute o que eles estão dizendo.” Eu escutei novamente. “Enquanto você está sentado, eles te louvam.” Quando eu disse isto, o Salvador respondeu, “Eu te falei antes que estas pessoas não conseguem ver nem ouvir. Mas agora eu te digo para ouvir o que eles dizem, porque as palavras deles são um mistério. Guarde as informações que você ouvir. Não conte para ninguém, porque elas não são para as pessoas desta era, mas para o futuro. Se você fizer isto, você será louvado pela sua sabedoria. Por outro lado, se você contar tudo o que você sabe, os ignorantes desta época blasfemarão contra ti.”

“Muitos a princípio irão aceitar o nosso ensinamento, mas depois se desviarão de novo, pela vontade do deus do erro deles, pois assim eles cumprirão o que ele quer. Então, ao excluírem aqueles que não os seguem, eles irão revelar quem são os verdadeiros assistentes da Palavra Sagrada. Mas os que se associarem a eles serão tomados como seus prisioneiros, já que eles não têm sabedoria.”

“Assim, os honestos, bons e puros serão lançados para o carrasco. Congregações serão criadas em louvor ao Cristo ressurreto, onde os homens que propagam o ensinamento falso serão aclamados. Estas pessoas estarão aqui depois de ti, Pedro, e enriquecerão promovendo o erro. Eles irão adorar a imagem de um homem morto, enquanto pensam que se tornarão puros. Mas eles se tornarão enormemente corrompidos, e cairão numa desgraça terrível, nas mãos de homens presunçosos e hipócritas que pregarão uma imitação da verdade. E eles serão controlados pelos arcontes.”

“Pois todos eles discursarão contra a verdade e pregarão ensinamentos deturpados, e ainda assim eles darão conselhos uns aos outros e serão respeitados. Por se basearem na natureza animalesca da criação dos arcontes, eles pervertem o sentido da palavra ‘Amor’, que para eles significa um casal nu em posições sensuais variadas e sentindo muito prazer. Os que pensam dessa forma se oferecerão para interpretar os sonhos das pessoas, e se o sonho relatado tiver vindo de um demônio digno do erro deles, eles guiarão os outros para a perdição ao invés da imortalidade.”

“A raiz do mal não pode gerar bons frutos, porque cada planta produz aquilo que é da sua espécie. Certamente, nem toda alma é da verdade, nem da imortalidade. Como podemos ver, todas as almas desses tempos estão designadas à morte, pois, sendo escravas, elas são criadas para satisfazerem seus próprios desejos, perpetuando a destruição eterna na qual elas estão e à qual elas pertencem. Almas adoram as formas carnais que foram geradas com elas.”

“Mas almas imortais não são como estas, Pedro. Até a morte, o imortal parece com o mortal no seu aspecto exterior, porque sua essência se mantém escondida pela carne. De vista apenas ninguém consegue dizer que aquela é uma alma imortal, que se preocupa com as questões espirituais, tem fé e deseja renunciar as coisas mundanas. Elas se distinguem, entretanto, pelo seu comportamento.”

“Figos não são arrancados de árvores espinhosas pelo homem que adquiriu sabedoria, nem uvas dos cardos. Porém, aqueles que são ignorantes continuam até o fim na condição em que eles estão, e não procuram a sua salvação. Se a alma permanece escravizada por suas paixões, corrompendo-se neste mundo por esta vida transitória, e não muda de atitude, isto resulta na sua destruição e morte. Já a alma racional, por outro lado, busca pelas coisas eternas, e através da sua boa conduta adquire vida sagrada e imortalidade, e se torna espiritual.”

“Portanto, todos aqueles que não se arrependem de terem agido mal e não se corrigem irão se dissolver para a inexistência. Pois os surdos e cegos se unirão sempre com os do mesmo tipo.”

“Outros passarão da fé em um nome para a deturpação dos mistérios. Eles não compreendem os mistérios e falam dessas coisas mesmo sem conhecimento, com a intenção de desmitificá-las. Se vangloriando de possuírem a verdade absoluta, eles com arrogância irão caçoar da alma fiel que serve a Deus, por inveja. Pois cada autoridade, regente e poder dos céus sempre desejou depreciar as almas imortais, desde a criação do universo, para que, fazendo isso, eles possam ser glorificados no lugar delas. Eles querem ser considerados como aqueles que trazem os outros para a verdade, embora eles não conheçam a verdade e não foram salvos. Desta maneira, os ímpios pretensiosos serão admirados pelas multidões. De fato, se uma alma imortal não receber poder de um espírito intelectual, ela inevitavelmente se juntará aos que a desencaminham.”

“Porque os mensageiros do erro, que são muitos e odeiam a verdade, irão misturar o erro e as leis deles junto com estes ensinamentos meus, que são puros. Como eles têm uma compreensão defeituosa, eles acham que para Deus todos são iguais, tanto os maus quanto os bons. Eles transformarão as minhas palavras numa atividade comercial, e as almas imortais os seguirão para a danação enquanto eu não retornar. Pois elas estarão entre blasfemadores. E eu perdoo as transgressões delas, que elas cometeram por influência desses adversários. Eu as redimi da escravidão na qual elas estavam e as libertei. E após isso, os arcontes criarão um remanescente de impostores que cultuam a imagem de um homem morto, que é Hermas, o primogênito da injustiça, para que a luz verdadeira que existe não seja acreditada pelos pequenos. Mas os inimigos deste tipo serão lançados na escuridão externa, para longe dos Filhos da Luz. Pois eles não entrarão no Reino Eterno nem permitirão que outros obtenham o conhecimento necessário para entrar.”

“Outros deles que têm desejo sexual acham que poderão aperfeiçoar a sabedoria da fraternidade verdadeira, que é a amizade espiritual de companheiros enraizados em comunhão imaculada, através dos quais o mistério do matrimônio de incorruptibilidade será realizado. De forma similar aos outros blasfemadores, a congregação da irmandade aparecerá como uma imitação da sabedoria. Estas são aquelas que oprimem seus irmãos, dizendo a eles, “Já que a salvação veio do ventre, Deus abençoa a procriação.”, não estando cientes da punição que sofrerão por proclamarem essa maldade aos pequenos, os quais elas cobiçaram e capturaram com este engodo 2.”

“Numerosos também serão aqueles que se darão títulos impressionantes, como ‘bispos’ e também ‘diáconos’, como se tivessem recebido autoridade diretamente de Deus. Eles servem a vontade dos regentes. Estas pessoas são canais secos.”

Mas eu disse, “Eu estou muito perturbado pelo que você me disse, que as congregações, no nosso entendimento, são falsificações da verdade, e que multidões enganarão multidões daqueles que possuem vida, e irão se misturar com os pequenos e destruí-los. Mas, por dizerem o seu nome, eles serão acreditados.”

O Salvador disse, “Por um tempo predeterminado, em proporção ao erro deles, eles terão autoridade sobre os pequenos. Quando o prazo do erro for concluído, aquele que não tem idade e possui uma compreensão imortal se renovará, e os pequenos vencerão aqueles que os dominam. Ele arrancará a raiz do erro deles, e ele irá humilhá-la e expô-la junto com toda a glória descarada que ela tomou para si. E os perfeitos subirão para os Aeons imutáveis.”

“Venha, então, vamos prosseguir cumprindo a vontade do Pai Imaculado. Pois veja, aqueles que trarão julgamento sobre si mesmos estão a caminho, e eles se envergonharão. Mas eu sou inalcançável para eles. Você, Pedro, estará entre eles. Mesmo que se acovarde, eu te digo, não tema. As mentes deles se fecharão, porque O Invisível os opôs.”

Quando ele me disse estas coisas, eu vi a multidão aparentemente o pegar. Eu disse, “O que eu vejo, Senhor!? Eles estão realmente te levando embora? Ou é você que está junto a mim? Quem é esta pessoa que eu vejo, contente e sorrindo acima da cruz? E é outro aquele cujas mãos e pés eles estão golpeando?”

O Salvador me falou, “Aquele que você viu pairando sobre a cruz, que está contente e sorrindo, este é o Jesus vivo. O outro, em cujas mãos e pés eles estão cravando pregos, é a imagem carnal. É o substituto que está sendo punido. Olhe para ele, então olhe para mim.”

Eu olhei, e fiquei muito assustado e perturbado. Na minha confusão eu disse, “Senhor, ninguém mais está te vendo. Vamos fugir daqui!” Mas ele me disse, “Eu já não te disse para ficar longe dos cegos? Você não entendeu que eles não sabem o que estão fazendo? Pois foi o filho da glória deles que eles humilharam, e não o meu servo.”

E eu vi alguém nos aproximando que se parecia com ele, aquele mesmo, que estava sorrindo sobre a cruz. Ele estava acompanhado do Espírito Sagrado, e eu entendi então que ele era o Salvador. Havia uma grande luz inefável em volta deles, além de uma multidão de anjos inefáveis e invisíveis os abençoando. Eu fui o único que viu quando este ser glorioso apareceu!

E ele me disse, “Seja forte, a ti foram confiados estes mistérios e a interpretação deles através desta revelação. Aquele que as autoridades crucificaram era o primogênito de uma família da raça dos demônios, ou seja, um mero vaso de barro no qual uma alma deles habitava, pertencente ao Eloim, o regente deste mundo, e agora está sob a cruz da sua Lei 3. Mas perto dele você viu o Salvador vivo, o ser espiritual que estava dentro daquele que eles capturaram. E ele foi libertado. Ele olha para seus assassinos com felicidade, enquanto eles ainda estão confusos e divididos entre si. Ele ri da falta de percepção deles, sabendo muito bem que eles nasceram cegos e são cegos ainda. Portanto, a forma carnal que é suscetível ao sofrimento e à morte é desprezível para mim. O corpo era apenas um substituto. Mas o que eles libertaram é o meu corpo imaterial. Eu sou o Espírito Intelectual repleto de Luz radiante. Aquele que você viu me aproximando era o nosso Pleroma Intelectual, que une a Luz perfeita ao meu Espírito Virgem.”

“Estas coisas que você viu você irá apresentar para outras pessoas, que não são desta geração. Porque não há nenhuma honra verdadeira naqueles que não são imortais, mas somente nos que escolherem desenvolver uma essência imortal, já que estes são os únicos capazes de receber daquele que os fornece em abundância.”

“É por este motivo que eu disse, ‘Todos os que adquirirem mérito, lhes será concedida glória, e eles terão bastante. Mas os que não possuírem, isto é, aqueles que são criaturas deste lugar, de almas inteiramente mortais e corruptas por causa da atividade impura de semeação e procriação deste mundo, mesmo se a sabedoria imortal aparecer em certa quantidade neles e eles acharem que conseguiram a vida eterna e que serão salvos, a glória lhes será tomada e entregue aos dignos. Você, então, seja corajoso e não tema nada. Nenhum dos teus inimigos te vencerão, porque eu estarei contigo. Fique em paz! Seja forte!’”

Quando Jesus havia dito estas coisas, eu voltei a mim.

O Apocalipse Cóptico de Pedro.

Notas:

1. No Segundo Tratado do Grande Seth Jesus explica que não veio ao mundo através do nascimento, mas que ele tomou um corpo que já estava ocupado e expulsou a alma que o habitava.

2. Evangelho de Tomé – 79. Uma mulher na multidão disse a ele, “Abençoados são o ventre que te carregou e os seios que te amamentaram.” Ele respondeu a ela, “Abençoados são aqueles que ouviram a palavra do Pai e a cumpriram de verdade. Pois haverá dias em que você dirá, ‘Abençoados são o ventre que não concebeu e os seios que não deram leite.’”

3. No Apócrifo de João Eloim é o regente injusto que está no comando da água e da Terra.

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Fonte:

Apocalipse Cóptico de Pedro. Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2017. Disponível em:<https://web.archive.org/web/20200220131958/http://misteriosantigos.50webs.com/apocalipse-de-pedro.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/apocalipse-de-pedro/

Exercícios Práticos – 02

Meditação

Sente em um local qualquer, mantenha as costas eretas, coloque os dois pés no chão, ligeiramente afastados um do outro, e as palmas das mãos sobre as coxas. Ou se preferir, sente com as pernas cruzadas e coloque as mãos sobre os joelhos. Feche os olhos e respire devagar durante alguns minutos.

Agora preste atenção nos seus pensamentos. Tente assisti-los passivamente, como se estivesse diante de uma televisão, prestando atenção na quantidade e qualidade de pensamentos diferentes que vagam pela sua mente neste pequeno intervalo de tempo. Tome consciência destas muitas freqüências que estão entrando e saindo dos seus pensamentos o tempo todo… que pensamentos ficam se repetindo? Analise friamente que tipo de mensagens você está atraindo, que tipo de pensamentos estão poluindo a sua cabeça…

Nas primeiras vezes que fizer este exercício, procure não interferir. Apenas observe friamente a si mesmo como se fosse um observador externo e veja o que está acontecendo. Adquira a consciência de separar e catalogar em que tipos de pensamentos você está imerso.

Em uma segunda etapa, comece a monitorar seus pensamentos, mudando os pensamentos indesejáveis… Quanto tempo você perde em pensamentos inúteis, fúteis ou perniciosos?

Quanto da sua mente você desperdiça pensando no que os outros estão fazendo ao invés de se concentrar no que você quer ou necessita fazer?

Na terceira etapa, comece a destruir estes pensamentos inúteis, afastando-os do seu campo vibracional. Tente reunir apenas pensamentos voltados para coisas úteis que você tenha de fazer ou focados para aquilo que você está almejando.

Exercício 2 – Apenas para mulheres

Este exercício deve ser feito SOMENTE depois que vocês fizerem pelo menos umas 20 a 30 vezes o Exercício dos Chakras, pois todo o canal pela qual a energia irá fluir precisa estar limpo e desobstruído, caso contrário, vocês poderão ter um desequilíbrio nos seus chakras, como dores de cabeça, náuseas, tonturas ou desequilíbrios emocionais.

Deite em algum lugar calmo, confortável e isolado, coloque uma música suave, incenso e garanta que não vai ser perturbada. Deite em decúbito dorsal com a barriga voltada para cima, de preferência totalmente nua. Comece a se masturbar delicadamente, mas sem imaginar uma contraparte masculina/feminina ou fantasiar… Concentre-se apenas na sensação, no seu corpo e no ato em si. Comece a imaginar o chakra básico sendo ativado e o fluxo de energia começando nas suas pernas e espalhando-se pelo seu corpo.

Quando estiver chegando ao orgasmo, você vai ter de sincronizar os últimos suspiros com o exercício anterior. Comece imaginando o chakra básico emanando energia, suspiro, esta energia subindo para o segundo chakra (Svadisthana), suspiro, subindo para o terceiro chakra (Manipura), suspiro, subindo para o quarto chakra (Anahata), suspiro, subindo para o quinto chakra (Vishuda), suspiro, subindo para o sexto chakra (Anja) e orgasmo, quando você deve imaginar o sétimo chakra (Sahashara) abrindo-se em seu leque de mil pétalas e espalhando esta energia pelo universo.

Este, apesar de razoavelmente complicado, é considerado ainda um exercício básico de magia sexual. Vai demorar um bom tempo até você conseguir sincronizar direito o tempo até o orgasmo com o fluxo de energia com as respirações…

Mas quando dominar, estará pronta para exercícios futuros sobre o que fazer com esta energia extra, além de orgasmos maiores, mais demorados e melhores (fisicamente e astralmente falando). Qualquer dúvidas, deixem seus emails nos comentários que o povo do Sedentário me repassa e eu respondo em particular.

Exercício 2 – Apenas para Homens

Assim como o exercício para as mulheres, NÃO tentem fazer este exercício antes de terem realizado pelo menos 20 a 30 vezes o exercício básico dos chakras. Este segundo exercício vai aprimorar o controle sobre o chakra Muladhara (Vermelho), dando mais vitalidade ao homem (sexualmente falando).

O homem deve assumir a postura conhecida como “Mapu” ou “Cavalo” ou “Postura do Cavaleiro”, como na figura ao lado. O ângulo das pernas deve ser o mais próximo possível de 90 graus (para testar, basta colocar uma carteira e um celular apoiados sobre as coxas e eles devem ficar parado, sem cair, durante o tempo do exercício).

Nesta postura, o homem deve respirar pausadamente, imaginando, a cada respiração, que a energia da Terra está sendo absorvida por seus chakras plantares, subindo através de suas pernas e se unindo no chakra Muladhara, fazendo-o girar e abrir suas 4 pétalas.

Procure repetir este exercício por cerca de vinte respirações pausadas e lentas. O tempo de postura neste exercício deve ser de, no mínimo, 1m30 a 2 minutos no começo. Este também, apesar de ser considerado básico, possui uma dificuldade razoável, mas você vai me agradecer no futuro…

#Exercícios #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/exerc%C3%ADcios-pr%C3%A1ticos-02

John Dee

John Dee nasceu em Londres, em 13 de julho de 1527 e morreu em dezembro de 1608, tendo vivido 81 anos. Seu pai, Roland Dee, foi um comerciante e Oficial do governo de Henrique VIII, em Londres. Estudou no Saint John’s College, em Cambridge. Construiu robôs, como um escaravelho mecânico que soltou durante a apresentação teatral “Paz de Aristófanes” e causou pânico. Foi expulso de Cambridge em 1547, acusado de bruxaria e chamado de herege. Então foi para a Universidade de Louvain onde se tornou um hábil astrólogo, passando a ganhar a vida fazendo horóscopos.

Dee era da religião anglicana. Estudou Hermetismo, Cabala, o Talmud, Astrologia e Alquimia. Na maior parte de sua vida foi um alquimista itinerante. Mas, além de hábil astrólogo e filósofo oculto, foi um grande estudioso de Matemática. Previu as seguintes invenções posteriores: microscópio, telescópio, navios à propulsão de motores, automóveis e máquinas voadoras.

Dee recebeu uma proposta de lecionar na Universidade de Paris em 1551, e ocupar uma posição como conferencista em matemática em Oxford em 1554. Ele decaiu em ambas posições. Foi sustentado na maior parte de sua vida por meio de patrocínios, nunca viveu necessariamente de seu trabalho e esforço, sempre soube tirar o melhor proveito de seus conhecimentos ocultos, porque o estudo da filosofia oculta sim era o seu forte. Recebeu apoio financeiro para as suas pesquisas da Duquesa de Northumberland e de seu marido, de 1551 a 1555. Neste período, foi também tutor das crianças do ducado de Northumberland, tendo sido tutor do futuro Conde de Leicester. O Rei Edward lhe concedeu uma pensão anual de cem coroas, quando retornou à Inglaterra, em 1552. Dee também recebeu dinheiro de estudantes que o procuravam para aprender alquimia.

Em Louvain, de 1548 a 1550, Dee começou a ser tutor pessoas influentes em assuntos como matemática e geografia. Em algum ponto entre estas datas, ele tutorou o Conde de Warwick. Aparentemente o Senhor Philip Sidney estudou com ele, um pouco mais tarde. Em 1550, em Paris, expôs a teoria da matemática mágica, teoria revivida por Ficino. Ele trouxe instrumentos astronômicos e de navegação para a Inglaterra quando ele voltou do continente em 1550.

Ele foi uma figura importante para as descobertas geográficas que ocorreram durante o reinado Tudor. Por um longo período, aproximadamente de 1551 a 1583, Dee foi o conselheiro para as viagens de descobrimento inglesas, do Nordeste ao Noroeste. Ele pode ter tido Drake como um conselheiro para viagens. Sua Arte Perfeita de Navegação (mais geografia e propaganda para império Inglês do que a ciência de navegação propriamente dita), de 1577, originalmente pretendia ser um trabalho mais grandioso, uma história geral de descobertas. Ele foi um consultor de navegação da Companhia de Muscovy , aproximadamente de 1551 a 1583. A serviço da Companhia, em 1553, ele desenvolveu um gráfico para navegação em regiões polares. Em 1558, escreveu Propaedeumata Aphoristica, um livro de astrologia.

A coroação da Rainha Elizabeth I (05/09/1533), em 1559, teve sua importante participação. Dee, que já havia calculado horóscopos para Elizabeth I durante o reinado de Mary Tudor, e recebido o título de Astrólogo Real, escolheu a data e hora da coroação de Elizabeth I (a Rainha Virgem). O seu trabalho foi considerado o melhor trabalho de Astrologia Eletiva (especialidade na qual o astrólogo escolhe data e hora em que devem ocorrer acontecimentos importantes). Contudo, nunca recebeu o patrocínio esperado por parte de Elizabeth I, tendo recebido apenas quantias irrisórias e cargos pouco pomposos da mesma. O interessante é que havia sido preso no Hampt Court (na mesma semana antes do pentecostes em que Elizabeth I, antes de subir ao trono, também esteve ali prisioneira), acusado de bruxaria e conspiração contra a vida da Rainha Mary Tudor (Bloody Mary). Tudo porque certa vez, durante um retiro em Woodstock, sua irmã mais nova Elizabeth I o consultou sobre a época da morte de Mary Tudor, e este a revelou através de horóscopo. Ele foi julgado e conde nado à fogueira. Se livrou da morte com ajuda de Elizabeth I, e quando esta assumiu tudo melhorou para ele.

Pesquisou durante sete anos a “Steganographia” (alfabeto secreto) de Jean Tritheme (1462-1516), uma figura da renascença germânica que foi um dos mestres de Paracelso. Inspirado em tal obra escreveu Monas Hieroglyphia em 1564. No mesmo ano, apresentou uma cópia de Monas Hieroglypha ao Rei Maximillian II, ao qual ele tinha dedicado o trabalho. Monas Hieroglypha foi feito em 12 dias, e os segredos deste livro ligam-se à criptografia. Dee tinha contato por telepatia e clarividência com seres não-humanos. Quando Dee ficou gravemente doente em 1571, Elizabeth I enviou dois médicos para o curar. Entretanto, ela nunca concedeu a ele as posições lucrativas que este esperava Prefaciou a tradução do livro do grande matemático grego Euclides, em 1570.

Ele projetou um instrumento astronômico de longo alcance para Thomas Digges observar a nova estrela de 1572. Depois, continuou a trabalhar no desenvolvimento de instrumentos científicos. Smet o reconheceu como figura central no desenvolvimento da cartografia científica na Inglaterra, e sugeriu que a influência de Dee fosse transmitida à Holanda, onde o tal influencia ajudou a formular a cartografia Holandesa em sua idade dourada

Em 1573, escreveu Parallacticae commentationis praxos que- teoremas trigonométricos . Foi um admirador e de Copérnico, cujo trabalho estudou.

Em 1580, em Praga, estava na mira de uma condenação por parte da Igreja Católica.
Em 1582, ele se associou com o Edward Kelly em projetos alquímicos e ocultos.
Elizabeth I, finalmente lhe concede uma posição honrosa: a Tutela da Universidade Cristã, em Manchester, de 1595 a 1605.Em maio de 1583, o conde Alberto Laski, um rico polonês, viajou à Oxford especialmente para conhecer os Dee e Kelly. Perante as boas aventuranças que Kelly previa para Laski, este os levou a Polônia, onde começa uma nova fase em suas vidas.

John Dee e Edward Kellley

Antes de relatar os acontecimentos ocorridos após a associação de Dee E Kelly, remontemos à origem de tudo…Quando estava em seu museu, em meio a fervorosas preces, na janela que olhava para o ocidente. O Anjo Uriel (anjo de Mercúrio) lhe apareceu e lhe deu um cristal de forma convexa com o qual se comunicaria com seres de outras esferas se fitasse atentamente o cristal. Dee viu outros mundos e inteligências não humanas. Disse que a linguagem de tais criaturas era linguagem enoquiana. Para praticar sua “Cristalomancia”, chamou os ajudantes Barnabas Saul e Edward Tabolt (mais tarde se tornaria Edward Kelly) para que olhassem no espelho enquanto anotasse. Barnabas Saul foi dispensado por suspeita de agir como um espião.

Edward Kelly nasceu em 1 de agosto de 1555. Segundo Anthony Wood, durante o terceiro ano reinado de Mary Tudor, Kelly teria passado pela Universidade de Oxford;. Wood dia que este fez aprendizado de Boticário, obtendo conhecimentos químicos, e que ainda entrou para as profissões da lei e foi notório, que sabia inglês arcaico, e que por ser natural de Worcester, sabia galês. Era hábil calígrafo, e usava tal habilidade para falsificar documentos. Foi exposto ao pelourinho em Lancaster e perdeu as duas orelhas. Cobriu o local onde estariam as orelhas com um “barrete negro”, escondendo tão bem seu segredo, que o próprio Dee nuca descobrira este aspecto da vida de Kelly.

Depois de tal mutilação e de várias estadias na cadeia, Kelly fugiu para o país de Gales e adotou uma vida nômade, andando pelos arredores da abadia de Glastonbury (território famoso pela lenda do Rei Arthur). Numa hospedaria, ganhou a amizade do proprietário que lhe forneceu um velho manuscrito em língua galesa antiga. O manuscrito tratava da transmutação de metais e foi encontrado durante a violação de um túmulo de um bispo, numa igreja das vizinhanças. Junto ao corpo, estava o manuscrito e dois cofrinhos de marfim que continham respectivamente pó vermelho e pó branco, as “duas tinturas da Filosofia Hermética(!)”. Kelly se tornou dono do “kit”, já que aqueles que o descobriram ignoravam o seu valor. Os pós eram essenciais para a execução do Magnus Opus. Foi assim, num golpe de sorte, que Kelly se tornou proprietário do Livro de Saint Dustan e de seus pós alquímicos. Saint Dustan, ou arcebispo da Cantuária foi um alquimista e “Santo Padroeiro dos Ourives”.

John Dee, que já conhecia a alquimia, e Edward Kelly unidos a este manuscrito achado em Glastonbury (primeiro local Druídico) somaram uma corrente hermética poderosa.
Em relação ao espelho, Dee considerou Kelly um médium excelente. Não é para menos, Kelly havia visto e conversado com os 72 Anjos Herméticos!

Com a fama, o Conde Alberto Laski, os levou à Polônia, na Cracóvia, custeando as suas experiências alquímicas para que lhe fabricassem ouro. Foi durante este período, em 1584, que Dee teve a notícia da destruição de sua Biblioteca e de sua casa em Mortlake, pelas mãos de fanáticos que o acusavam de bruxaria. Com o ocorrido, deixam a corte de Laski, que fica arruinado financeiramente e sem resultados de seu investimento.

A dupla parte para a corte de Rodolfo II, de Habsbourg, em Praga, onde ficam de 1584 a 1589. É para Rodolfo II que Dee deixa o famoso manuscrito Voynich, depois de tenta-lo decifrá-lo em vão. O manuscrito Voynich foi achado pelo duque de Northumberland, quando este pilhava mosteiros durante o reinado de Henrique VIII. A família do duque passou o manuscrito a Dee. Segundo documentos encontrados, o manuscrito teria sido escrito por Roger Bacon (1214-1294). O manuscrito consiste em uma brochura de 15 por 27 cm, sem capa e, segundo a paginação, lhe faltam 28 páginas. Nele se encontram desenhos de mulheres nuas, diagramas e quatrocentas plantas imaginárias.

Em uma determinada altura, dizem que Dee prostituiu a sua esposa nos altares da alquimia. A esposa de Kelly, Joan Kelly, não era bonita e tinha hábitos vulgares, o que o levou a cobiçar Jane Dee, esposa de seu amigo, que era bonita e atraente. Um dia, perante o espelho mágico, Kelly disse a Dee que lhe havia aparecido uma mulher nua que lhe advertiu que os mesmos deveriam fazer uma troca de esposas sob pena de que o espelho não os revelaria mais nada se não o fizessem. Dee não aceitou, e já se encontrava saturado com a figura de Kelly, este por sua vez não conseguia mais esconder a insatisfação de apenas Dee levar o mérito de tudo. Dee dispensa Kelly e coloca seu filho Arthur Dee, na época com oito anos. Para olhar no espelho. Como vidente, seu filho foi uma negação, então Dee teve que recorrer a Kelly e ocorreu a troca de casais.

Em marco de 1589, em Praga, Dee e seus assistentes instalaram uma série de espelhos mágicos, através dos quais conseguiam emitir sinais a largas distâncias. Isso funcionava melhor em noites enluaradas.

Nesta época, a campanha contra os turcos na Hungria estava incerta, mas mesmo assim Dee informou a Rodolfo II que a cidade de Raab acabara de ser conquistada pelas forcas imperiais. É por esta e outras que a estadia de Dee na corte de Praga não foi muito feliz. George Popel Von Lobkowitz afirmava ao povo: “esse homem foi enviado pela rainha Elizabeth I, uma protestante, para afastar o nosso imperador da causa católica”. Rodolfo II expulsou Dee da Boêmia, por causa deste boato. Mas Dee não deixou a Boêmia e se tornou conselheiro de Guilherme de Roisenberg. Kelly permanece na corte de Rodolfo, do qual torna-se amigo e lhe dá um elixir misterioso.

Kelly, em Praga, não havia obtido ainda um bom resultado de suas experiências. O impaciente Rodolfo II, o manda prender na masmorra do Castelo de Zobeslau, para pressioná-lo. Kelly disse que teria que consultar Dee e foi-lhe permitido retornar escoltado à Praga, mas a casa onde se instalou era uma verdadeira prisão. Os católicos se voltaram contra Kelly. Lobkowitz induziu um jovem a desafiar Kelly para um duelo, mesmo com a proibição de duelos por parte de Rodolfo II. Ao se defender, Kelly feriu mortalmente o opositor, foi apanhado e preso. Elizabeth I enviou o capitão Peter Gwinne. Para persuadir Kelly para fugir e retornar ao seu país. Ao tentar fugir, Kelly quebrou uma perna (era muito gordo e a corda da fuga não agüentou o seu peso), e como a ferida não foi tratada adequadamente, ele morreu.

Dee dizia que a Terra não era completamente redonda, e sim composta por esferas superpostas alinhadas ao longo de uma outra dimensão. Entre estas esferas haveria pontos e superfícies de comunicação. Entendia a “Groelândia” como o “infinito” sobre as terras além das nossas. Dizia a Elizabeth I para que ela tomasse conta da Groelândia para que ela tivesse acesso a outros mundos. Conheceu Shakespeare, que se inspirou em Dee para criar seu personagem “Próspero” da obra “Tempestade”. Diz-se que Dee estava mais próximo da obra de Shakespeare do que Francis Bacon. Escreveu o livro chamado “Filosofia Oculta” e um tratado chamado “Harptarchia Mystica”, um sistema hermético prático que ficou conhecido como “Sistema Enoquiano”. Também dizem que Dee teria traduzido o “Necronomicon” de Abdul-Al-Azrid.

A Pedra Negra (espelho mágico), vinda de outro universo, foi recolhida pelo conde Peter Borough e depois por Horace Walpole. Atualmente, se encontra no Museu do Louvre e não pode ser tocado e nem estudado.

Dee havia sido convidado pelo Tzar da Rússia para ir à Moscou, talvez recusou por intermédio de Elizabeth I. Depois de tantos altos e baixos, já estava com a fortuna arruinada e pediu auxílio à Elizabeth I, que lhe negou ajuda dizendo que se fosse um alquimista de verdade não passaria por necessidades. Suas obras foram queimadas por ordem de James I, no triste episódio de Mortlake, local onde mais tarde faleceu por morte natural. Seu “Sistema Enoquiano” influenciou várias ordens secretas, inclusive a Golden Dawn, por onde passaram renomados ocultistas que influenciaram as Ordens Modernas.

Texto de Soror Agarath

1527 – 1608

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/john-dee/

As Associações de Pedreiros da Antiguidade

Os construtores em pedra detinham o exclusivo conhecimento – ou quase – de técnicas de construção baseadas em princípios geométricos há muito descobertos, mas perdidos, na sua aplicação, no obscurantismo da Idade Média. A sua associação em núcleos profissionais, Lojas, que asseguravam a formação e treino de novos elementos e a transmissão dos conhecimentos e técnicas herdados de gerações e gerações de profissionais, buscava também garantir a manutenção do conhecimento dessas técnicas e conhecimentos no restrito círculo de profissionais.

As Associações de Pedreiros da Antiguidade :

Na procura das origens da Maçonaria, os historiadores têm analisado as associações que existem desde os mais tempos mais longínquos e encontrado que os pedreiros ou outros ofícios relacionados com a arte de construir tem-se destacado por serem eles os que mais tem criado este tipo de associações, em certa forma similares das conhecidas nos tempos da Idade Média.

Na antiga Caldéia existiriam confrarias de construtores 4.500 anos a.c. e têm-se encontrado certos monumentos acádicos em que aparece um triângulo como símbolo da letra Rou (construir).

No Egito a arquitetura foi ciência sacerdotal, iniciática, hermética, com segredos que eram mantidos fora do alcance da sociedade comum.

Na China, existiam livros sagrados que conheciam o simbolismo do esquadro e do compasso, que eram a insígnia do sábio diretor dos trabalhos.

Na Grécia encontramos a confraria de Dionísio, que era uma divindade originaria da Tracia e que construiu templos e palácios tanto na Grécia como na Síria e na Pérsia. Seus membros eram homens de ciência que não somente se distinguiam pelo seu saber como também porque se reconheciam por sinais e toques. Mantiveram um colégio em Theos, lugar que lhes fora designado como residência e onde eram iniciados os novos membros. Reconheciam-se por médio de toques e palavras; estavam divididos em lojas que eles denominavam colégios; cada colégio era dirigido por um Mestre secundado por inspetores que eram eleitos pelo período de um ano; celebravam assembléias e banquetes; os mais ricos ajudavam aos que se encontravam em má situação ou doentes e relacionavam a arte de construir com o estudo de mistérios.

Numa Pompilio, segundo rei de Roma (715–672 ac) fundou ou somente autorizou e consagrou os Collegia de artesãos. O povo foi dividido em ofícios agrupados em confrarias com culto. Plutarco menciona 9 collegias; eram mutualidades que as vezes adotavam caráter religioso recebendo o nome de Sodalitates. Entre os Collegia Fabrorum (de Faber = pessoa que trabalha um material), nos colégios funerários e as confrarias religiosas existia ritual iniciático, cerimônias, eleições, decisões pela maioria de votos, patronos honorários; estima-se que o mesmo ritual teria sido transmitido através de 6 séculos, os membros estavam divididos em 3 classes, compostos unicamente por homens, podiam ser de diferentes países, adotaram uma fórmula similar ao Grande Arquiteto do Universo para simbolizar a Deus, tem sido encontrados sarcófagos romanos com compassos, esquadros, prumos e níveis.

Nas escavações realizadas em 1878, foi encontrado o Collegia de Pompéia (79 dc) que tinha duas colunas na entrada e esquadros unidos nas paredes. Os Colllegia acompanharam as legiões romanas em todas as suas conquistas onde tiveram a oportunidade de difundir sua arte da construção, podendo ser a semente das fraternidades da Idade Média, mas não existe nenhum documento ou outro fato concreto que demonstre esta possibilidade. Os Collegia terminam quando começam a serem usados como instrumentos políticos sendo abolidos pela Lex Julia (64 ac), voltam mas César baniu-os; Augusto dissolve-os, preservando somente os de utilidade pública; Trajano insiste na proibição mas Aurélio tolera e ajuda-os. Com o fim do Império Romano desaparecem definitivamente deixando poucas lembranças em alguns países.

Durante as escavações do antigo porto de Roma foi descoberta uma inscrição do ano 152 dc com os nomes dos membros da corporação dos bateleiros de Ostia.

Em 286 dc, São Albano obteve autorização de Carausius, imperador britânico, que facultava aos maçons para efetuar um Conselho Geral denominado Assembléia. São Albano participou da Reunião iniciando a novos irmãos. (Relatado nas Constituições Góticas de 926)

O rei lombardo Rotaris (governou entre 636-652), confirma por édito aos Magistri Comacini, privilégios especiais. Os Mestres Comacinos são considerados o elo perdido da maçonaria, o laço de união que une os clássicos Collegia com as guildas de pedreiros da Idade Média, mas não existe nenhuma evidencia documental. A Ordem foi fundada nas ruínas do Colegio Romano de Arquitetos e, na queda do Imperio Romano (478), refugiaram-se na ilha fortificada de Comacino, no Lago Como. Os Comacinos eram arquitetos livres, celebravam contratos e não estavam submetidos a tutela nem da Igreja e nem dos senhores feudais. O nome de Mestres Comacinos nao derivaria do nome da cidade Como, porque seus habitantes são chamados Comensis ou Comanus; o nome de comacinos significaria Companheiro Maçom e também, existe o nome de comanachus (companheiro monge) sem referencia a cidade de Como.

Na inauguração em 674 dc da Igreja de Wearmouth, nas Ilhas Britânicas, construída pêlos Comacinos, foi emitido um documento de apresentação com palavras e frases do edito de 643 do rei lombardo Rotaris.

Por uma pedra gravada entre 712 e 817 dc, sabe-se que a Guilda Comacina estava constituída por Mestres e Discípulos, obedeciam um Grão Mestre ou Gastaldo, chamavam Loja os locais de reunião, tinham juramentos, toques e palavras de passe, usavam aventais brancos e luvas, seus emblemas tinham esquadro, compasso, nível, prumo, arco, nó de Salomão e corda sem fim e reverenciavam os Quatro Mártires Coroados.

Durante o reinado progressista e cultural de Alfredo O Grande na Inglaterra (849-899) a corporação maçônica se estabelece sob normas mais regulares. Divide-se em reuniões parciais denominadas lojas, dependendo todas de um poder central regulador, hoje conhecido como Grande Loja, com sede em York, sendo o objetivo principal a construção de edifícios públicos e catedrais.

Na Grécia encontramos uma Ordem Iniciática chamada Confraria de Dionísio, que era uma divindade originaria da Tracia e que construiu templos e palácios tanto na Grécia como na Síria e na Pérsia. Seus membros eram homens de ciência que não somente se distinguiam pelo seu saber como também porque se reconheciam por sinais e toques. Mantiveram um colégio em Theos, lugar que lhes fora designado como residência e onde eram iniciados os novos membros. Reconheciam-se por méio de toques e palavras; estavam divididos em lojas que eles denominavam colégios; cada colégio era dirigido por um Mestre secundado por inspetores que eram eleitos pelo período de um ano; celebravam assembléias e banquetes; os mais ricos ajudavam aos que se encontravam em má situação ou doentes e relacionavam a arte de construir com o estudo de mistérios.

Estas fraternidades estudavam não apenas técnicas de construção, mas também matemática, astrologia, música, poesia, retórica, gramática e oratória, formando verdadeiros centros filosóficos de saber e conhecimento.

Da Grécia, inúmeros membros da Ordem Pitagórica estiveram em contato com estas fraternidades; entre eles, Fídias (do Colégio de Argos, responsável pela reconstrução de Atenas), Platão, Aristóteles e Alexandre Magno (conhecido como “Alexandre, o Grande”, filho de uma sacerdotisa Dionísica, que levou os engenheiros e arquitetos gregos junto com suas tropas para adquirir conhecimentos em praticamente todos os territórios conquistados, trazendo para dentro da ordem um conhecimento vastíssimo).

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-associa%C3%A7%C3%B5es-de-pedreiros-da-antiguidade

Amarração: a magia do amor

A Amarração é um processo místico com o qual é possivel “amarrar” uma pessoa a outra seja amorosamente, emocionalmente ou mesmo de forma puramente sexual. A tradição oculta ensina que por meio de alguns processos pode-se invocar entidades espirituais que vão atuar na vida de uma certa pessoa, de forma a influencia-la à apegar-se completamente a pessoa destinada pelo trabalho.

Uma amarração de verdade nunca conte com o apóio de entidades espiritualmente superiores, mas é sempre realizada com o apóio de entidades espirituais de natureza mundana, vulgarmente conhecidas como exus. Os exus não são perversos como costumam dizer os ignorantes, mas sim seres mais próximos da realidade humana e portanto mais dispostas a ajudar. Assim, qualquer pessoa que alegue realizar amarrações com o contato direto com deuses, orixás ou mesmo anjos ou está mentindo para não assustar o cliente, ou não entende nada do que está falando.

Cotudo, a natureza exata dos seres que atuam nos rituais de amarração não é importante para que o ritual funcione. As vezes são chamados de santos ou mesmo pelo nome de demônios. O importante para termos em mente é que qualquer forma as entidades de luz evoluidas não forçam ninguém a ficar com ninguém, não mudam os rumos de vida das pessoas por causa de nenhuma encomenda qualquer. Um ser evoluido pode até torcer desejar que pessoa fique com outra e pode até fazer algo para que isso aconteça desse jeito, mas nunca agredirá o livre-arbítrio de ninguém. Cabe ás entidades espirituais das “trevas”, especialmente aquelas ligadas á luxúria  realizar tais tarefas por via da sua invocação com rituais e produtos de feitiçaria.

O nome “Amarração” vem do fato de que as receitas mais antigas para se prender uma pessoa é pegar uma corda do tamanho exato da vítima e então realizar uma série de laços enquanto se assobra dentro destes nóz pedindo aos antigos deuses o amor ( ou a perdição ) da pessoa. A tradição iniciada em tempos imemoriais no continente africano sobrevive até hoje em diversas partes do mundo. No Alcorão encontramos um encantamento divino especialmente criado para o combate deste tipo de ataque oculto:

“Em nome de Deus o Clemente, o Misericordioso, dize:
Procuro refúgio junto ao Senhor da Alvorada,
Contra o Mal das criaturas que Ele criou,
Contra o Mal das trevas quando se estendem,
Contra o Mal das feiticeiras quando sopram sobre seus laços,
Contra o Mal do invejoso quando inveja.”
– A Alvorada Surata 113.

Uma amarração faz uma pessoa ficar com outra, ou faz ela voltar, faz ela desejar e não conseguir deixar de pensar nessa outra pessoa. Por isso, como mais abaixo é explicado, o trabalho de amarração acaba abrindo uma porta para que a pessoa que encomendou a amarração entre por essa porta e acabe conquistando vitoriosamente a vida da outra pessoa.

A Teoria Espiritual das Amarrações

Uma amarração produz esse resultado de união porque as entidades espirituais, acionadas de diversas maneiras, segundo a lógica de suas próprias hierarquias espirituais que vão abordar a pessoa amarrada e causar certos efeitos na vida dela. Assim, uma amarração abre aquela porta que estava fechada, para que a pessoa que fez a amarração entre por essa porta e acabe conquistando vitoriosamente a vida da outra pessoa.

Em outras palavras, não é de fato Vênus, ou Iemanja que atuam em favor de uma amarração, mas a força espiritual representada por elas é comovida a cooperar com o desejo do ritual de amarração.  Os espíritos engajados por uma Vontade manifesta via um ritual de amarraçao provocarão fundamentalmente 5 tipos de efeitos na vida da pessoa que estão querendo amarrar a quem encomendou o trabalho de magia. Os 5 efeitos de uma amarração são:

  1. Os espiritos vão murmurar a todo o tempo o nome de quem pediu a amarração, ao espirito da pessoa amarrada, numa tortura invisível. Se a pessoa for teimosa, ela pode até resistir um certo tempo á tentação de estar com a pessoa que mandou fazer a amarração, mas ela vai sentir os efeitos da magia
  2. Os espiritos vão embebedar a pessoa amarrada com forte e ardente luxúria, como terrível desejo sexual, abrindo essa pessoa a uma irresistível sede de ter sexo.
  3. Os espiritos vão amansar a pessoa, quebrando-lhe o espírito de forma a que a vontade da pessoa vá lentamente vergando e ela fique frouxa e mansa. Podem faze-lo com constantes acontecimentos desmoralizadores e que vão aos poucos abatendo a pessoa. Nesse caso, a pessoa vê todas as portas bloqueadas na sua vida e parece que nada dá certo, que a sorte abandonou a vida dessa pessoa amarrada.
  4. Os espiritos vão causar aborrecimentos , infelicidades, perdas, dores, problemas e todo o tipo de contratempos á pessoa amarrada. A pessoa vai sofrer imenso enquanto não estiver com a pessoa que encomendou a amarração, e quando estiver com ela tudo vai acalmar e estar bem. Mas de cada vez que se afastar , essa pessoa amarrada vai sofrer os infernos. E cada vez que se recusar a falar ou voltar, essa pessoa amarrada vai sofrer tormentos. Por isso se costuma dizer numa amarração: “que fulano tal não coma se não estiver ao meu lado; que fulano tal não durma se não estiver ao meu lado; que fulano tal sofra todos os mais cruéis tormentos se não estiver ao meu lado; que fulano tal não tenha nenhuma felicidade se não estiver ao meu lado, etc….”
  5. Os espiritos podem mesmo infiltrar-se nos sonhos da pessoa amarrada, atormentando-a com constantes visões da pessoa que encomendou a amarração, ou com sonhos eróticos com essa pessoa, ou com pesadelos sem fim, gerando grande instabilidade mental e espiritual. Ao faze-lo, estão torturando e quebrado o espírito da pessoa amarrada para que ela fique fraca e ceda aos desejos da pessoa que fez o trabalho.

Ao realizar todos estes 5 tipos de efeitos na vida da pessoa amarrada, o trabalho de amarração acaba abrindo uma porta para que a pessoa que encomendou a amarração entre por essa porta e acabe conquistando vitoriosamente a vida da outra pessoa.

Por isso é igualmente fácil de entender que todos os efeitos que uma amarração produz, ( e que estão acima descritos), não são típicos de magia branca, mas exclusivamente próprios de magia negra mais tem como ser realizada a amarraçao em varias linhas como a magia cigana na linha da umbanda (kimbanda) nas linhas do vudo e na linha da magia branca.

Exemplos Populares de Amarração Simples

Para fazer voltar a pessoa amada:

Ás 24h00 de numa noite de sexta feira, quando a lua estiver em Touro, (sob a magnânime regência de Vénus), ou em Escorpião, (sob a poderosíssima regência de Plutão), consagre  uma vela vermelha com mel e óleo liturgico. Deverá depois gravar na vela o seu nome e o nome da pessoa amada. Faça-o com uma agulha previamente mergulhada numa taça de vinho tinto, ao qual foi misturado uma pequeníssima pitada de valeriana. Enquanto grava na vela os nomes com agulha molhada pelo vinho, diga a seguinte oração: «Poderosa e irresistível Iemanjá, sublime Senhora do amor,  este vinho é sangue e nele reside o meu amor, este vinho é meu desejo e também minha dor. Com sangue gravei nossos nomes, e que assim no sangue de, ( nome da pessoa amada),  corra meu sentimento para que de mim não tires o teu pensamento.» Assim dito, a agulha deve ser espetada na vela, de forma a cruzar ambos os nomes, e a vela deve ser acesa. Com a vela já ardendo, assim orar: «Força de Iemanjá, toda poderosa senhora da luz do amor, como arde esta vela, assim arda o coração de ( nome da pessoa amada), por mim. Pelo Teu poder, força de Iemanjá, regresse ele para mim. Assim seja.» Beba o vinho, ele actuará como forte poção de apelo ás forças espirituais de Vénus.Conserve todos os elementos do ritual em local secreto. Se necessário, repetir nas sextas em que a conjunção lunar for favorável. Aguardar os fortes resultados, não forçando eventos, deixando o caminho livre para que a Deusa abra os seus caminhos.

Para atrair o amor:

Numa sexta feira á noite, ( depois das 21h00), coloque uma pétala de rosa vermelha numa taça de vinho tinto. Tape o cálice com um pano de ceda vermelho. Deixe a taça na sua mesa de cabeceira, e ao deitar pense: «Vênus, senhora do amor, senhora dos meus destinos: aceitai visitar-me, aceitai minha adoração, aceitai meu puro coração. Vinde a mim e partilhai deste divino vinho que Vos oferendo, e trazei para mim quem eu amo, inflamado pela poderosa chama do irresistível amor de que sois imperatriz. Assim seja» Durma tranquilamente. De manha, ao acordar, bebei o vinho e agradecei á Vênus. A pétala de rosa vermelha deve ser colocada num pequeno saquinho, que deverá andar  sempre junto ao seu corpo: será um fortíssimo chamamento ao amor.

Talismã do amor:

O diamante é a pedra sagrada da Deusa do amor,  a eterna representação do inigualável brilho do planeta Vénus. Numa sexta feira, ás 24h00, faça oferendas de mal vinho licoroso e incenso á Iemanjá. Deixe que o diamente permaneça no altar dedicado vénus por toda essa noite. De manha, quando o sol estiver nascendo, colocai o diamante num saquinho. Usai-o sempre junto do corpo e toda a sexta feira repita o ritual. Será poderoso talismã desblqueador de caminhos e protetor do amor.

Amarração para sedução:

Pegue uma maçã bem vermelha e espete diversos cravos-da-índia, em toda extensão da fruta. Em seguida, mergulhe a maçã no mel e deixe de um dia para o outro. Envolva-a numa folha de papel cor-de-rosa nova e entregue num jardim florido, de manhã bem cedo, de preferência um pouco antes do nascer do Sol.

Amarração de reconciliação:

Unte uma vela vermelha com óleo de sândalo (lembre-se de fazer movimentos ascendentes) e acenda-a no meio de um prato branco que nunca tenha sido usado. Ao lado, acenda um incenso de rosas. Com a ponta de um punhal virgem, corte a tampa de uma maçã vermelha e grande e retire parte da polpa. Usando um lápis, escreva sete vezes o nome completo do seu amado numa tira de papel e coloque o seu nome por cima do dele, de modo que as letras fiquem entrelaçadas. Ponha esse papel dentro da maçã, despeje um punhado de canela em pó e acrescente mel, até preencher o interior da fruta. Recoloque a tampinha da maçã, amarre tudo com uma fita vermelha de cetim e passe a fruta sete vezes pela fumaça do incenso, mentalizando que a paz e o amor prevalecerão e você e seu par reencontrarão a felicidade.

Para atrair um novo amor:

Coloque um cristal de quartzo rosa em um copo d’água pela manhã e lave o rosto com esta água no final da tarde, mentalizando as coisas boas e harmoniosas que você deseja atrair para sua vida: paz no relacionamento, maior poder de sedução, paciência, capacidade de compreensão, relações verdadeiras, etc.

Para aquecer o romance:

Depois do pôr-do-sol, coloque três colheres de mel puro numa garrafa de vinho tinto e tampe-a muito bem. Balance-a cuidadosamente, para que o mel se misture ao vinho, e deixe ao ar livre. Antes do amanhecer, recolha a garrafa e guarde-a muito bem. Sirva um cálice desse vinho à pessoa amada na próxima vez em que for encontrá-la. Com toda certeza, o sentimento que existe entre vocês vai se fortalecer ainda mais após essa cerimônia. Essa bebida só pode ser consumida por pessoas que não tenham contra-indicações relacionadas ao álcool!

Para facilitar os flertes:

Pegue uma dúzia de rosas vermelhas, duas velas também vermelhas, algumas conchas do mar ou seixos de rio, um incenso de rosas, um pouco de mel e um punhado de sal grosso. Tome um banho demorado e, ao terminar, despeje sobre o corpo um litro de água misturada com sal grosso. Coloque uma roupa vermelha e espalhe as rosas pelo chão, dispondo-as de tal maneira que elas formem um círculo. Sente-se no meio desse círculo, acenda o incenso e as duas velas à sua frente (lembre-se de colocá-las dentro de um pratinho) e espalhe as conchas ou seixos em volta. Olhando fixamente para as chamas das velas, peça o que você quer: charme, beleza, sensualidade, poder de sedução… Permaneça nessa posição o máximo de tempo que você puder. Os resultados serão surpreendentes e não vão demorar muito para aparecer!

Para ver um futuro amor:

Caso esteja solitário e queira saber como vai ser seu próximo par amoroso, experimente realizar o ritual dos sonhos reveladores. Pegue o arcano número 6 do tarô, chamado Os Enamorados (em alguns baralhos, essa carta também é chamada de Os Amantes) e coloque-o sob o seu travesseiro antes de dormir. Será importante não conversar com ninguém depois de fazer isso. Concentre-se no seu pedido e peça mentalmente para as deusas da natureza revelarem o seu futuro. É provável que a revelação venha por meio de um sonho, na mesma noite do ritual. Porém, é bom que você tenha em mente que nem sempre esse feitiço surte o efeito desejado: às vezes, o momento não é o mais propício para desvendar o futuro

Amarração para aguçar o tesão:

Pegue um vidro de boca larga e coloque dentro dele um punhado de pétalas de jasmim, uma mecha dos seus cabelos, algumas raspas das suas unhas e fragmentos de teia de aranha (prefira pegar uma teia “abandonada”, ou seja, que não esteja com o bichinho. Se por acaso você matar a aranha, o feitiço não surtirá o efeito desejado). Escreva o nome do seu parceiro numa folha de louro e coloque dento do vidro, acrescentando sete gotas do seu perfume favorito. Tampe o vidro com firmeza e deixe-o ao relento durante a noite, retirando-o no dia seguinte antes do Sol nascer. Guarde num lugar seguro, fora do alcance de qualquer outra pessoa. Você vai ver como seu relacionamento vai melhorar!

Para manter o parceiro fiel:

Espalhe um pouco de canela em pó dentro dos sapatos do seu amor. Enquanto estiver fazendo isso, diga em voz alta aquilo que você deseja: que o seu amado se mantenha fiel, que ele nunca minta para você, etc. Repita esse processo semanalmente, para assegurar a continuidade do feitiço.

Para ficar atraente:

Leve ao fogo um caldeirão contendo um litro de água mineral. Pegue sete rosas amarelas (de preferência colhidas por você mesmo) e vá jogando as pétalas dessas flores suavemente dentro do caldeirão, enquanto pede para as deusas da terra lhe trazerem amor, prosperidade, abundância, etc. Em seguida, adicione sete tirinhas de papel com o seu nome escrito a lápis. Assim que entrar em ebulição, retire do fogo, coe num recipiente qualquer e adoce tudo com um punhado generoso de açúcar. Despeje essa poção do pescoço para baixo depois do seu banho habitual.

Para melhorar a relação:

Unte uma vela cor-de-rosa com óleo ou essência de patchuli. Com a ponta de um alfinete que nunca tenha sido usado, grave o nome da pessoa amada. Acenda a vela e olhe fixamente para ela, mentalizando o rosto do seu parceiro. Em seguida, repita o processo com outra vela da mesma cor, escrevendo seu nome completo. Coloque as duas bem juntinhas, de modo que, ao derreterem, suas ceras se juntem. Acenda sete varetas de incenso de rosa ou sândalo, colocando-as em torno das velas acesas, de modo que formem um círculo. Haverá uma sensível melhoria na sua vida pessoal!

Amarração para conquistar alguém:

Num caldeirão de ferro, coloque um litro de água mineral e adicione os seguintes ingredientes: um punhado de folhas de louro, um punhado de pétalas de rosas de várias cores, sete lascas de canela em casca e uma colher de sopa de anis estrelado. Assim que o líquido entrar em ebulição, retire do fogo e coe num outro recipiente. Acrescente três colheres de sopa de açúcar cristal a essa mistura e despeje da cabeça aos pés depois de tomar o seu banho habitual. Faça esse ritual antes de ir ao encontro da pessoa em quem estiver interessado.

Para fazer as pazes:

Se você teve um desentendimento com o seu amor e deseja se reconciliar rapidamente, pegue um saquinho de cetim branco, um quartzo cor-de-rosa de tamanho pequeno e algumas folhas secas de erva-cidreira. Em seguida, escreva seu pedido numa folha de papel cor-de-rosa. Triture a erva-cidreira e coloque-a no saquinho, juntamente com o cristal e o papel, e deixe exposto ao luar durante uma noite inteira. Recolha o saquinho antes de amanhecer. Coloque tudo na sua gaveta de roupas íntimas e espere. Você e seu amor farão as pazes num prazo máximo de oito dias.

Amarração para manter um amor:

Num vidro de boca larga, coloque pétalas de rosas de todas as cores, uma mecha dos seus cabelos, raspas das suas unhas e um objeto de uso pessoal do seu amor (pode ser uma meia, uma roupa fora de uso, etc.). Acrescente algumas gotas do seu perfume predileto e feche o vidro firmemente. Em seguida, acenda uma vela vermelha e lacre a tampa do vidro com gotas da cera da vela derretida. Enterre esse vidro ao pé de uma árvore frondosa durante 21 dias. Passado esse tempo, guarde o vidro num local onde não possa ser visto ou tocado por outras pessoas.

Para manter o relacionamento:

Pegue sete margaridas (de preferência, colhidas por você) e deixe-as sob o travesseiro até o dia seguinte. Ao amanhecer, ferva-as em meio litro de água mineral. Quando a água entrar em ebulição, retire a poção do fogo e deixe esfriar. Mergulhe um sabonete novo nesse líquido e retire-o após uns quinze minutos. Tome banho com esse sabonete na próxima vez em que for encontrar a pessoa amada. O relacionamento de vocês vai ganhar um novo vigor.

 

Simpatias e rituais simples para trazer e manter o seu amor

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/amarracao-a-magia-do-amor/

Casamento Alquímico e Taoísmo: O Sol e a Lua

“Cada um de nós é dois, e quando duas pessoas se encontram, se aproximam, se ligam, é raro que as quatro possam estar de acordo”

– Fernando Pessoa

O objetivo deste texto é explanar sobre alguns conceitos alquímicos ocidentais e orientais, evidenciar seus paralelos com a psicologia analítica de Carl Gustav Jung e, se possível, incentivar uma reflexão sobre como poderíamos melhorar nossa saúde mental através do entendimento da metáfora do “Casamento Alquímico” ou “Coniunctio” dos alquimistas. Esta é a primeira parte, de duas.

Antes de começar a falar de alquimia é necessário fazer uma breve introdução sobre o que se trata este antigo método de obtenção de conhecimento. De forma geral, a prática da alquimia se resume na obtenção da pedra filosofal, que concede a vida eterna e transforma qualquer metal em ouro.

Para aqueles que imaginaram que leriam este texto e se tornariam ricos e imortais, isso não vai acontecer, ao menos não literalmente. É de suma importância entender que a alquimia é uma prática alegórica, ou seja, ela é uma grande metáfora sobre o ser humano e suas potencialidades latentes. Os metais, nada mais são do que aspectos da personalidade que devem ser trabalhadas a fim de serem transformadas em ouro, ou seja, manifestar o melhor e mais elevado da personalidade.

Assim como todo conhecimento ocultista relacionado ao desenvolvimento psico-espiritual, sempre fora necessário certa discrição no que diz respeito à sua expressão e publicação. Sendo assim, os conhecimentos alquímicos eram expressados através de metáforas e de símbolos, o que permitia que tais conteúdos passassem despercebidos aos olhos ‘profanos’, e daqueles que não tinham, ainda, capacidade de compreender tais ensinamentos. Além disso, esta prática simbólica, não só protegia os alquimistas praticantes de preconceitos e perseguições, como permitia a expressão de conceitos complexos sintetizados em símbolos.

A alquimia tem sua origem de forma incerta e cheia de mistérios, mas é possível identificar seus ensinamentos desde o antigo Egito, através da emblemática figura do deus da magia e da sabedoria Thoth, mais tarde sincretizado com a figura do deus Hermes grego e o Mercúrio romano, culminando na criação da figura de Hermes Trismegisto, a quem é atribuído à autoria de diversos textos herméticos e alquímicos, entre eles a famosa “Tábua de Esmeralda”. Vocês podem saber mais sobre Hermes aqui.

É possível também identificar uma ‘alquimia chinesa’ cujas metáforas são presentes em diversos ensinamentos taoístas milenares. Encontramos as alegorias alquímicas atuando fortemente até o Séc. XVII, no entanto, após esta época, com a chegada do pensamento científico e iluminista, ‘bobagens’ como transmutação de metais foram esquecidas e deu-se lugar à um pensamento mais racional, que culminou, entre outras ciências, na contemporânea Química. Foi só no Séc. XX que um psiquiatra suíço fez uma interessante associação e reviveu, a luz da ciência, as metáforas alquímicas. Seu nome é Carl Gustav Jung.

Considerado como o pai da psicologia analítica, Jung tinha uma extensa formação no que diz respeito à mitologia, estudos de religiões comparadas, e evidentemente, alquimia. Percebeu, ao atender seus pacientes que muitos deles apresentavam conflitos e resoluções que podiam ser compreendidas através das metáforas alquímicas, e desenvolveu, ao longo de sua vida, muitos conceitos e teorias que podem ser consideradas uma ‘alquimia psicológica’. Vamos compreender um pouco desses conceitos para adentrar mais a frente na metáfora alquímica. Muito desses conceitos psicológicos e alquímicos já foram discutidos aqui.

Um conceito chave da psicologia analítica é o de arquétipo. Em grego, Arkhe: primórdio, origem e Typos: imagem, forma. Arquétipo pode ser considerado uma estrutura psíquica universal, que é presente em qualquer indivíduo e sociedade, de diferentes contextos sociais, geográficos e históricos. O fundamental destas estruturas são seus conteúdos, uma vez que as formas variam. Estes conteúdos são profundos e inesgotáveis, e uma pessoa quando interage com essas estruturas, sempre inconscientes, nunca esgota seus significados.

Vamos imaginar o arquétipo do guerreiro. Ele compreende diversos significados, como força, coragem, determinação, ação, movimento, caça, agressividade, persistência. Seu conteúdo, como dito, é inesgotável! Sua forma pode variar, e ultrapassa culturas: Ares (gregos), Marte (romanos), Thor (nórdicos), Ogum (africanos), entre diversos outros, todos eles representam simbolicamente o arquétipo do guerreiro. Na contemporaneidade, perdemos o contato com os mitos, e principalmente com figuras religiosas, então, é comum os arquétipos se manifestarem através de personagens e ícones da cultura que acabam carregando esses valores simbólicos.

A existência dos arquétipos está bem documentada na enorme quantidade de comprovações clínicas constituídas pelos sonhos e devaneios dos pacientes, e pela observação atenta dos arraigados padrões de comportamento humano. Também está documentada nos estudos profundos de mitologia no mundo inteiro. Vemos repetidas vezes as mesmas figuras essenciais surgindo no folclore e na mitologia. E acontece que elas aparecem também nos sonhos de pessoas que não possuem nenhum conhecimento nessas áreas. (GILLETTE e MOORE, 1993)

Uma vez entendido o conceito de arquétipo, vamos transcender. No exemplo citado o arquétipo do guerreiro é praticamente um representante do masculino. Ou seja, o próprio masculino pode ser considerado um arquétipo que se subdivide e outros arquétipos. Diversas podem ser as subdivisões, a utilizada por Robert Moore e David Gillette, divide o Arquétipo Masculino em Guerreiro, Amante, Mago e Rei. Na alquimia é muito comum vermos o simbolismo do Rei e do Sol como grandes representantes deste arcabouço masculino.

Assim, como o Arquétipo Masculino tem seus ‘sub-arquétipos’, o feminino não fica para trás. Podemos considerar o mesmo simbolismo, o da Rainha e da Lua, para representar alquimicamente o arcabouço arquetípico do feminino, que também pode ser divido em quatro categorias principais: A donzela, a mãe, a anciã e a amante. Vale a pena frisar que é difícil encontrar o termo amante, normalmente encontramos ‘meretriz’, contudo, existe a possibilidade disto ser um reflexo do patriarcado que, inclusive semanticamente, reprime a sexualidade feminina, e quando ela aparece, de alguma forma é categorizada como algo errado ou imoral, e não como uma expressão saudável e necessária.

Uma vez entendidos o significado de arquétipos, vamos entender o conceito de dois importantes arquétipos junguianos que serão de suma importância para a compreensão da metáfora do casamento alquímico. Estes arquétipos são a ‘anima’ e o ‘animus’. Tais conceitos nada mais são do que a manifestação dos arquétipos que vimos anteriormente, mas o pulo do gato está em compreender que em todo homem, vive uma figura feminina, chamada de ‘anima’ e em toda mulher, existe uma figura masculina, chamada de ‘animus’.

“São muitos os indícios da existência de padrões subjacentes que determinam a vida cognitiva e emocional humana. Esses modelos parecem numerosos e se manifestam tanto nos homens como nas mulheres. Existem arquétipos que moldam os pensamentos, os sentimentos e as relações das mulheres, e outros que moldam os pensamentos, os sentimentos e as relações dos homens. Além disso, os junguianos descobriram que em cada homem existe uma subpersonalidade feminina chamada Anima, formada por arquétipos femininos. E em cada mulher há uma subpersonalidade masculina chamada Animus, composto de arquétipos masculinos. Todos os seres humanos têm acesso a esses arquétipos, em maior ou menor grau. Fazemos isso, na verdade, na nossa inter-relação uns com os outros”. (GILLETTE e MOORE, 1993)

Percebemos então, que existem internamente em cada um de nós, representantes de duas energias primordiais, masculinas (Sol) e femininas (Lua), e que busca a harmonização de ambas, é um objetivo comum, não só na psicoterapia, como em diferentes sistemas religiosos, seja na alquimia, ou na Cabala, como vemos a seguir:

“Todos esses níveis (anima e animus) e muitos outros aspectos da polaridade do animus e da anima formam um sistema complementar altamente complexo e, contudo, essencialmente simples que opera entre homens e mulheres, enquanto estes trabalham dentro de si mesmos e um com o outro em busca de equilíbrio […] Esse equilíbrio vem, segunda a cabala, quando o Adão e a Eva de cada parceiro estão face a face em uma união mútua e interna. Jung diria que essa é a união entre o masculino e o feminino; na cabala é visto como o ‘casamento do Rei e da Rainha’”. (HALEVI, 1990)

Aqui termina a primeira parte deste artigo. Espero que tenham gostado e até breve!

You wanna know if I know why?

I can’t say that I do

Don’t understand the evil eye

Or how one becomes two
[…]

If I told you that I knew

About the sun and the moon I’d be untrue

The only thing I know for sure

Is what I wan’ do

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião e Escritor. 

Imagens:

Mural pintado em óleo pelo norueguês Per Lasson Krohg (1889 – 1965)

Desenho de Carl Jung entre duas imagens que ele mesmo fez no seu “Livro Vermelho”

“Venus and Mars”. Antonio Canova. Italian. (1757-1822)

Gravuras do Rei (Sol) e Rainha (Lua) se encontrando

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/parte-1-2-casamento-alqu%C3%ADmico-e-tao%C3%ADsmo-o-sol-e-a-lua

Ayn Rand

1905 – 1982

“O egoísta não é uma pessoa incapaz de amar; mas sim o único capaz disso. Para dizer “Eu amo você, é preciso primeiro saber dizer  “Eu”.” – Ayn Rand

Logo no início de sua vida Alissa Rosenbaum (este é seu verdadeiro nome de Ayn Rand)  mostrou-se ser audaciosa demais quando comparada a homens e mulheres de sua época. Any Rand era independente demais para os comunistas da época e inteligente demais para um ser humano de qualquer período histórico.  Ayn concebia o egoísmo como a única forma não hipócrita de comportamento e portanto o valor final no qual deveria estar baseada toda a moral:

“Se uma vida pode ter uma “Canção tema” – e eu acredito que todas aquelas que valeram algo tenham –  então a minha seria melhor expressa e uma única palavra: individualismo.

Ayn Rand nasceu no dia 2 de Fevereiro de 1905 em São Petersburgo, Rússia. Aos doze anos a pequena Alissa, já havia escrito várias histórias (em geral durante as aulas maçantes de história) e decidido que seria uma escritora. Ayn tinha a ânsia criadora típica de um demiurgo e desejava criar histórias, pessoas e acontecimentos infinitamente mais interessantes do que aqueles que ela confrontava em sua vida diária.

Este pequeno detalhe de sua infância já mostrava o desejo inerente em sua personalidade de superar a realidade por meio da criação humana. E de fato, passados os anos, todos os quatro romances da autora despontam entre as 10 melhores ficções escritas no século XX

Sua visão individualista da história e da humanidade era aritmeticamente oposta aos ideais que motivavam a Revolução Russa que explodiu em 1917 quando ela tinha apenas doze anos. Em sua opinião a ideologia comunista, especialmente quanto a centralização diretiva do Estado, roubava-lhe direito de definir sua própria vida e de viver para si. Ela acreditava que essa ideologia era voltada para destruir o indivíduo inteligente, transformando indivíduos pensantes em abelhas operárias.  A formação da União Soviética e diversos regimes autoritários posteriores comprovaram as teses de Rand.

Em plena revolução Russa As vésperas de todo o poderio que foi a União Soviética, Rand não tinha medo de se arriscar em a defender ideais de livre iniciativa e propriedade privada. No entanto, a luta de Rand nunca foi pelo sistema capitalista em si, mas sim pelo modo racional de se pensar:

“Não sou primariamente uma advogada do capitalismo, mas do egoísmo; e não sou primariamente uma advogada do egoísmo, mas da razão.“

É graças a seu racionalismo irretocável que Any Rand, chegará a todas as suas conclusões e é também graças a sua forma clara de pensar que ela ganhou tantos inimigos e é por isso que desponta entre as personalidades mais evitadas pelos pensadores do início do século XX.

Suas idéias deram origem a uma linha de pensamento conhecida como Objetivismo e como o satanismo este movimento é baseado no Individualismo, no egoísmo e no uso da razão em prol da vitalidade humana.  Sendo assim seu primeiro trabalho foi desconstruir as bases dos valores morais vigentes da irracionalidade do altruísmo e do auto-sacrifício:

“Observe o que a ética altruísta faz à vida de um homem. A primeira coisa que ele aprende é que a moralidade é sua inimiga: não ganha nada com ela, apenas perde; tudo o que pode esperar se for moral são perdas auto-impostas, dores auto-impostas e o manto cinzento e deprimente de uma obrigação incompreensível. Ele pode esperar que os outros possam, ocasionalmente, sacrificar-se em seu benefício, assim como ele se sacrifica de má vontade, em benefício deles, mas ele sabe que tal relacionamento só produzirá ressentimentos mútuos, não prazer – e que, moralmente, essa troca de valores será como uma troca de presentes de Natal não desejados e não escolhidos que nenhum deles se permite, moralmente, comprar para si mesmos.”

Ayn Rand entende que é o indivíduo e não a sociedade que deve ser a base de qualquer consideração moral, porque a razão é uma característica do indivíduo, e não da sociedade, e é através da razão que pode-se definir um código de valores útil e coerente para guiar o comportamento:

“Vocês alardeiam que a moralidade é social, e que o homem não precisaria da moralidade em uma ilha deserta. É numa ilha deserta que ele mais precisaria dela! Deixe que ele pretenda, em um tal lugar, quando não há nenhuma vítima que ele possa espoliar, que rocha é casa, que areia é vestimenta, que alimento vai cair em sua boca sem causa e esforço, que ele vai ter uma colheita amanhã devorando seu estoque de sementes hoje — e a realidade o varrerá da face da terra, como ele merece. A realidade lhe mostrará que a vida é um valor a ser comprado, e que o pensamento é a única moeda suficientemente nobre para adquiri-lo”

Rand é, portanto uma das pioneiras em minar as bases de uma antiga moralidade judaica/cristã de modo tão claro e racional. Sua preocupação, no entanto não é simplesmente destruir conceitos estabelecidos, mas substitui-los por modelos mais racionais e proveitosos para a natureza humana.  Em suas obras, Rand defende brilhantemente que o egoísmo é o mais racional e proveitoso de todos os sistemas morais e que deve portanto ser a base de toda a virtude:

“Dado que a natureza não provê o homem com uma forma automática de sobrevivência  ele tem de sustentar sua vida através do seu próprio esforço. O homem precisa agir para manter sua vida. Se não o fizer, morre, deixa de existir. A vida só é mantida através de um processo de ação que a gera e sustenta. O homem é, portanto, diariamente confrontado com a mais genuína de todas as decisões: a de continuar vivendo ou perecer, a da existência e da não-existência. É por isso que precisa de um código de valores para orientar suas decisões e ações.”

O valor supremo do homem é, portanto, sua própria vida. Sem ela não há nenhum outro valor. Tudo o mais que tem valor para o homem tem valor intermediário, derivativo. O valor supremo, o fim em si mesmo, é a manutenção da vida, porque sem ela nada mais existe para o ele, nada mais pode lhe ter valor. “

Assim Rand nos confronta com a mais básica decisão de todo o organismo vivo e criatura humana: “Quero viver?”.  Se sim, então a razão humana deverá o guiar uma ética racional e conseqüentemente egoísta que lhe dirá que princípios de ação são necessários para implementar sua escolha.  A liberdade é claro prevalece, mas se o individuo não escolher agir egoisticamente, então o fará em próprio prejuízo, como mostra a citação que fecha e conclui o nosso ensaio:

A vida do homem, como a de qualquer outro organismo, depende, do ponto de vista material, de haver suficiente combustível (alimentação) para que ele sobreviva, mas depende, também, do ponto de vista do organismo, de ele tomar as ações necessárias para se apropriar desse combustível e fazer dele uso apropriado. Se ele não escolher viver, a natureza se encarrega dele” .

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/ayn-rand/

Mentindo Com Pixels

A imagem que você vê no noticiário da tv pode ser uma falsificação – uma montagem fabricada pelas novas tecnologias de manipulação de vídeo

No ano passado, Steven Livingston, professor de Comunicação Política na George Washington University, deixou atônitos os participantes de uma conferência sobre Geopolítica. Discutia-se o papel dos satélites nas transmissões de imagens. Ele não produziu provas de novas mobilizações militares ou pandemias globais. Em vez disso, mostrou um vídeo da patinadora Katarina Witt durante uma competição de patinação em 1998.

No clipe, Katarina desliza no gelo graciosamente por cerca de 20 segundos. Então vem o que talvez seja uma das mais inusitadas repetições de imagens jamais vistas. O fundo era o mesmo e os movimentos da câmera eram os mesmos. Na realidade, a imagem era idêntica ao original em todas as formas, exceto talvez na mais importante: Katarina tinha desaparecido, junto com todos os sinais dela. Em seu lugar estava exatamente aquilo que você esperaria se Katarina nunca tivesse estado ali – o gelo, as paredes do ringue e a multidão.

Grande coisa, você dirá. Afinal, há mais de meio século a equipe de Stálin, o ditador soviético, já eliminava das fotos personalidades malvistas pelo governo. E, dezessete anos atrás Woody Allen realizou um grande número de deformações da realidade no filme Zelig, onde ele aparece junto a figuras do passado como Adolf Hitler e os presidentes americanos Calvin Coolidge e Herbert Hoover. Também em filmes como Forrest Gump e Mera Coincidência, a distorção da realidade tornou-se lugar-comum.

O que diferencia a demonstração com Katarina Witt – e muito – é que a tecnologia usada para “excluir virtualmente” a patinadora pode agora ser aplicada em tempo real, ao vivo, mesmo enquanto a câmera grava a cena e no mesmo instante em que a transmite aos espectadores. Na fração de segundo entre os quadros de vídeo, qualquer pessoa ou objeto que se mova em primeiro plano pode ser retirado, e objetos que não se encontram ali podem ser inseridos e parecer reais. “Plasticidade de pixel”, eis o nome que Livingston deu a essa técnica. As implicações para as pessoas que compareceram à conferência sobre Geopolítica e imagens de satélite deram o que pensar: as fotos exibidas podem não ser necessariamente aquelas que a câmera eletrônica do satélite efetivamente gravou.
Mas a ramificação dessa nova tecnologia vai além das imagens de satélite. À medida que a manipulação ao vivo se torna mas prática, a credibilidade de todos os vídeos se tornará tão suspeita quanto fotos soviéticas da Guerra Fria. O problema tem sua origem na natureza do vídeo moderno. Ao vivo ou não, ele é composto de pixels e, como diz Liningsotn, pixels podem ser alterados.

Os exemplos mais conhecidos de manipulação de vídeo em tempo real até agora são as “inserções virtuais” em transmissões de esportes profissionais. Em 30 de janeiro deste ano, quase um sexto da humanidade em mais de 180 países assistiu a uma linha laranja repetidamente traçada sobre o campo de futebol americano, durante a transmissão do Super Bowl. A Princeton Video Imaging (PVI), em Lawerenceville, Nova Jersey, criou aquela linha, gravou-a num computador e a inseriu na transmissão ao vivo. Para ajudar a determinar onde inserir os pixels de cor laranja, diversas câmeras do jogo foram equipadas com sensores que rastreavam as posições espaciais das câmaras e os níveis de ampliação. Adicionada à ilusão de realidade estava a capacidade do sistema da PVI garantindo que os jogadores e os juízes ocultassem a linha virtual quando seus corpos a atravessassem.

Mesmo as transmissões de TV ao vivo já podem ser manipuladas com “inserção virtuais”

Nos Estados Unidos, durante a primavera e o verão passados, enquanto a PVI e rivais como a Sport-vision de New York colocavam no ar produtos de inserção virtual, incluindo anúncios simulados em paredes atrás dos batedores da liga principal de beisebol, uma equipe de engenheiros da Sarnoff Corporation, de Princeton, Nova Jersey, voou até o Centro Operacional da Coalizão Aliada, da OTAN, Vicenza, Itália. Sua missão: transformar sua tecnologia experimental de processamento de vídeo numa ferramenta experimental de processamento de vídeo numa ferramenta operacional para localizar rapidamente e converter em alvos os veículos militares sérvios em Kosovo. O projeto foi batizado de Tiger, sigla em inglês que corresponde a “fixação de alvos por georregistro de imagem”. “Nosso objetivo era poder disparar munição guiada com precisão através de veículos militares sérvios – basta marcar as coordenadas e a coisa vai:, explica Michaels Hansen, um jovem e agitado aficionado por equipamentos da Sarnoff que acha difícil acreditar que estava ajudando a fazer uma guerra no ano passado.

Se comparada ao trabalho da PVI, a tarefa técnica dos militares era mais difícil – e o que estava em jogo era muito maior. Em vez de alterar transmissões de futebol, a equipe Tiger manipulou a transmissão de vídeo ao vivo de um Predator, uma aeronave de reconhecimento não-tripulada voando a 450 metros de altura sobre os campos de batalha de Kosovo. Em lugar de sobrepor linhas virtuais ou anúncios em cenários esportivos, a tarefa era colocar em tempo real as imagens “georregistradas” de Kosovo sobre as cenas correspondentes transmitidas ao vivo da câmera de vídeo do Predator. As imagens do terreno tinham sido capturadas antes com fotografia aérea e armazenadas digitalmente. O sistema Tiger, que detectava automaticamente objetos em movimento contra o fundo, podia, quase de forma instantânea, fornecer aos oficiais encarregados da artilharia as coordenadas de qualquer equipamento sérvio no campo de visão do Predator. Esse foi um feito bastante técnico, uma vez que o Predator estava se movendo e seu ângulo de visão apresentava constante mudança. Mesmo assim, aquelas visões tinham que ser eletronicamente alinhadas e registradas com a imagem armazenada em menos de um trinta avos de segundo (para corresponder à taxa de quadros da gravação em vídeo).

Em princípio, a definição de alvos poderia ter sido direcionada diretamente às armas guiadas com precisão. “Não estávamos realmente fazendo aquilo na Força Aliada”, observa Hansen. “Estávamos apenas informando aos oficiais encarregados da pontaria exatamente onde estavam os alvos sérvios e eles, então, dirigiam aviões para atingir os alvos”. Dessa forma, os tomadores de decisão humanos poderiam evitar decisões errôneas tomadas por máquinas com defeitos. De acordo com a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada para a Defesa, a tecnologia Tiger foi usada de forma extensa nas últimas três semanas da operação Kosovo, durante as quais “80% a 90% dos alvos móveis foram atingidos”.

Até então, a manipulação de vídeo em tempo real estava ao alcance somente de organizações tecnologicamente sofisticadas como, por exemplo, redes de televisão e os militares. Mas os desenvolvedores da tecnologia dizem que ela está se tornando simples e barata o suficiente para se espalhar para todos os lados. E isto tem levado alguns observadores a pensar se a manipulação de vídeo em tempo real vai corroer a confiança do público nas imagens de televisão, mesmo quando transmitidas em telejornais. “A idéia de ver para crer pode perder a validade”, diz Norman Winarsky, vice-presidente corporativo para tecnologia de informação da Sarnoff. “Você pode não saber em que confiar.”

Uma forma grosseira de manipulação de vídeo já está acontecendo na comunidade de imagens por satélite. A publicação semanal Space News informou no início do ano que o governo da Índia libera imagens de seus satélites de sensoriamento remoto somente após as instalações de defesa terem sido “removidas”. Neste caso, não há manipulação em tempo real e é aberta, como um marcador de tinta de censor. Mas os pixels são flexíveis. É perfeitamente possível agora inserir conjuntos de pixels em imagens de satálite que os interpretadores de dados poderiam identificar como batalhões de tanques, ou aviões de guerra, ou locais de sepultamento, ou linhas de refugiados, ou vacas mortas que ativistas aleguem ser vítimas de um acidente biotécnico.

Uma fita de demonstração fornecida pela PVI reforça esse aspecto no prosaico cenário de um estacionamento num subúrbio. A cena parece comum, exceto por uma característica perturbadora: entre camionetas e minivans estão diversos tanques estacionados e um monstro armado rodando de maneira desconcertante. Imagine uma fita de tanques paquistaneses virtuais rodando pela fronteira da Índia entregue aos telejornais como autêntica, e você pode sentir o tipo de problema que imagens falsificadas podem provocar.
Fornecedores comerciais de serviços de inserção virtual estão concentrados demais em novas oportunidades de marketing para se preocupar muito com geopolítica. Eles têm os olhos voltados para mercados muito mais lucrativos. De repente, esses grandes espaços de programação entre comerciais – ou seja, o verdadeiro show – tornam-se disponíveis para bilhões de dólares de anúncios em horário nobre. A fita de demonstração da PVI, por exemplo, inclui uma cena em que uma caixa do Microsoft Windows aparece – virtualmente, é claro – na estante do estúdio de Frasier Crane. Esse tipo de colocação de produto poderia tornar-se mais e mais importante à medida que novas tecnologias de gravação em vídeo como, por exemplo, TiVo e RePlayTV, oferecerem aos espectadores mais poder para editar comerciais.

Dennis Wilkinson, especialista em marketing que adora esportes e se tornou CEO da PVI há cerca de um ano, não podia estar mais feliz com isso. Os olhos de Wilkinson brilham quando ele descreve o futuro (próximo) em que a tecnologia de inserção virtual levará os anúncios a extremos de personalização. Combinado com serviços de datamining (através dos quais gostos individuais e padrões de consumo dos navegadores podem ser rastreados e analisados), a inserção virtual abre a possibilidade de enviar anúncios personalizados de acordo com o alvo por linhas ou cabos telefônicos a usuários da Web ou espectadores da TV a cabo. Digamos que você gosta de Pepsi, mas seu vizinho ao lado gosta de Coca e seu vizinho do outro lado da rua gosta de Seven Up – o tipo de dados de fácil coleta por meio de registros de caixas de supermercado. Será possível ajustar a imagem de refrigerante no sinal da transmissão para atingir cada um de vocês com sua marca preferida.

A apenas 15 minutos de distância da PVI, Winarsky, da Sarnoff, também está radiante – não tanto com ganhar fatia de mercado, mas quanto ao poder transformador da tecnologia. A Sarnoff tem uma história distinta nesse campo: a empresa descende dos Laboratórios RCA, que iniciaram a inovação em tecnologia de televisão no início da década de 40 e trouxeram à luz grande quantidade de tecnologias de mídia. O tubo de TV em cores, as telas de cristal líquido e a televisão de alta definição vieram todos, pelo menos em parte, da RCA. A Sarnoff exibe cinco prêmios Emmy técnicos em sua recepção.

A capacidade de manipular dados de vídeo em tempo real, diz Winarsky, tem tanto potencial quanto alguns desses predecessores. “Agora que você pode alterar o vídeo em tempo real, você mudou o mundo”, diz. Isso pode soar pomposo, mas, após ver o vídeo de Katarina Witt, a conversa de Winarsky sobre “mudar o mundo” perde um pouco do tom de exagero.

Apagar pessoas ou abjetos no vídeo ao vivo, ou inserir pessoas previamente gravadas ou objetos em cenas ao vivo é somente o início de todos os truques que estão tornando possíveis. Muito de qualquer vídeo que tenha sido gravado está se tornando clipart que os produtores podem esculpir digitalmente na história que quiserem contar, diz Eric Haseltine, vice-presidente sênior de P&D da Walt Disney Imagineering em Glendale, Califórnia. Com tecnologias adicionais de manipulação de vídeo, os atores anteriormente gravados podem dizer e fazer coisas que eles efetivamente nunca fizeram ou disseram. “Você pode fazer com que atores mortos estrelem novos filmes inteiros”, diz Haseltine.

Filmagens contemporâneas, incluindo gravações de atores mortos, têm estado por aí por muitos anos. Mas o ilusionismo de Hollywood – que, por exemplo, inseriu John Wayne num comercial de TV – exigia um trabalho difícil de pós-produção quadro-a-quadro, feito por técnicos especializados. Existe agora uma grande diferença, diz Haseltine. “O que costumava levar 1 hora (por quadro de vídeo) agora pode ser feito em um sessenta avos de segundo”. Essa aceleração dramática significa que a manipulação pode ser feita em tempo real, instantaneamente, à medida que a câmera grava ou transmite. Não somente podem John Wayne, Fred Astaire ou Saddam Hussein ser virtualmente inseridos em anúncios pré-produzidos, como eles poderiam ser inseridos em, digamos, uma transmissão ao vivo de um show de TV.

A combinação de tempo real, inserção virtual com técnicas de pós-produção existentes e emergentes abre um mundo de oportunidades de manipulação. Consideremos a tecnologia Video Rewrite (regravação de vídeo), desenvolvida pela Interval Corporation e pela Universidade de Berkeley, e demonstrada pela primeira vês três anos atrás. Com apenas alguns minutos de vídeo de alguém falando, seu sistema captura e armazena um conjunto de fotos em vídeo, de modo que a área da boca da pessoa parece mover-se ao dizer diferentes conjuntos de sons. A partir da biblioteca resultante de “visemas” é possível retratar a pessoa como se ela dissesse qualquer coisa que os produtores sonhassem – incluindo expressões que o indivíduo nunca usaria, nem morto.

Num teste de aplicação, o cientista de computação Tim Bregler, agora na Universidade Stanford, e colegas digitalizaram 2 minutos de gravação de domínio público do presidente americano John F. Kennedy falando durante a crise dos mísseis cubanos, em 1962. Usando a biblioteca de “visemas”, os pesquisadores criaram “animações” da boca de Kennedy dizendo coisas que ele nunca disse, entre elas, “Eu nunca me encontrei com Forrest Gump”. Com tecnologia desse tipo, em princípios os ativistas poderão em futuro próximo ser capazes de orquestrar via Internet transmissões de seus adversários dizendo coisas que poderiam fazer a pessoa mais íntegra e honrada soar como o mais rematado dos cafajestes.

Haseltine acredita que as técnicas de manipulação de vídeo serão rapidamente levadas a seu extremo lógico: “Posso prever, com absoluta certeza”, diz ele, “que uma pessoa sentada diante de um computador poderá escrever o roteiro de um vídeo, desenhar as personagens, fazer a iluminação, o guarda-roupa, toda a atuação, diálogo e pós-produção, distribuir esse vídeo numa rede de banda larga, tudo isso num laptop – e os espectadores não notarão a diferença”.

Truques que hoje exigem um sistema de 80.000 dólares poderão em breve estar nas lojas, numa câmera de vídeo comercial
Até agora, as aplicações amplamente encontradas de manipulação de vídeo em tempo real ocorreram em áreas benignas como esportes e entretenimento. Já no ano passado, entretanto, a tecnologia começou a se difundir além desses locais, para aplicações que já provocaram uma certa preocupação. No outono passado, por exemplo, a CBS contratou a PVI para inserir virtualmente o logotipo familiar da rede em toda a cidade de New York, em edifícios, outdoors, fontes e outros locais – durante a transmissão do programa The Early Show da rede. O New York Times publicou uma reportagem de primeira página em janeiro questionando a ética jornalística existente em alterar a aparência de algo que está realmente ali.

A combinação de inserção virtual em tempo real, cibermarionetes, regravação de vídeo e outras tecnologias de manipulação de vídeo com uma infra-estrutura de mídia de massa que transmite instantaneamente vídeo de noticiário para o mundo inteiro tem preocupado alguns analistas. “Imagine se você é o governo de um país hipotético que deseja mais assistência financeira internacional”, diz Livingston, da George Washington University. “Você poderia enviar vídeos de uma área remota com pessoas morrendo de fome, e isto poderia nunca ter acontecido”, diz ele.

Haseltine concorda. “Estou surpreso que ainda não tenhamos visto vídeos falsos”, diz ele antes de voltar atrás um pouco: “Talvez tenhamos visto. Quem poderia saber?”

É exatamente o tipo de cenário exibido no filme Mera Coincidência, de 1988, no qual um assessor presidencial de primeiro nível conspira com um produtor de Hollywood para transmitir uma guerra montada virtualmente entre os Estados Unidos e a Albânia para desviar a atenção de um escândalo de corrupção presidencial. Haseltine e outros ficam imaginando quando a realidade imitará a arte imitando a realidade.

A importância da questão somente se intensificará à medida que a tecnologia se tornar mais acessível. O que agora exige uma máquina de 80.000 dólares do tamanho de um pequeno refrigerador logo será encontrado em placas do tamanho da palma da mão (e no limite, num único chip) que caberão num gravador de vídeo comercial, segundo Winarsky. “Isso estará disponível nas lojas de componentes eletrônicos”, diz ele. Um equipamento de consumo para inserção virtual provavelmente exigirá uma câmera de vídeo com uma placa ou chip especial para processamento de imagem. Esse hardware receberá sinais dos sensores de imagem eletrônica da câmera e os converterá numa forma que poderá ser analisada e manipulada num computador com software adequado – algo idêntico ao que se faz com o Adobe Photoshop e outros programas para “limpar” arquivos de imagem digital. Um usuário doméstico poderia, por exemplo, inserir parentes ausentes numa filmagem da última reunião de família, ou remover estranhos que prefiram não aparecer na cena – trazendo as revisões históricas no estilo soviético direto para o ambiente doméstico.

Nos EUA, especialistas já discutem os riscos do uso político das novas técnicas de vídeo

Combine-se a erosão potencial da confiança na autenticidade de reportagens ao vivo com o chamado “efeito CNN” e o cenário está montado para a falsificação mover o mundo de diferentes maneiras. Livingston descreve o efeito CNN como a capacidade da mídia de massa de ir além da mera reportagem sobre o que acontece, para influenciar verdadeiramente os tomadores de decisões quando examinarem questões militares, de assistência internacional e outros assuntos nacionais e internacionais. “O efeito CNN é real”, diz James Currie, professor de Ciência Política na National Defense University, em Fort McNair, Washington. “Todos os escritórios aonde você vai no Pentágono estão com uma TV ligada na CNN”. E isso significa, diz ele, que um governo, um grupo terrorista ou uma ONG poderia colocar eventos geopolíticos em movimento dentro de poucas horas, partindo de uma credibilidade conseguida graças à distribuição de um pedaço de vídeo bem trabalhado.

Com experiência como reservista do Exército, membro de uma equipe com privilégios de alta confidencialidade no Comitê de Inteligência do Senado, e como oficial de ligação legislativa para a Secretaria do Exército, Currie viu de perto as tomadas de decisões governamentais e políticas. Ele está convencido de que a manipulação de vídeo em tempo real estará, ou já está, nas mãos das comunidades militares e de inteligência. E, embora ainda não tenha evidências de que alguma organização tenha empregado técnicas de manipulação de vídeo, em tempo real ou não, para finalidade política ou militar, ele é capaz de divisar cenários de desinformação. Por exemplo, diz ele, pensa só no impacto de um vídeo fabricado que pareça amostrar Saddam Hussein “derramando uísque escocês num copo e bebendo um grande gole. Você poderia transmiti-lo na televisão do Oriente Médio e isso minaria totalmente a credibilidade dele junto a audiências islâmicas”.

Apesar de todas as reações emocionais, entretanto, alguns especialistas ainda não estão convencidos de que a manipulação de vídeo em tempo real representa uma verdadeira ameaça, não importando quão boa a tecnologia venha a se tornar. John Pike, analista da comunidade de inteligência da Federação de Cientistas Americanos, em Washington, D.C., diz que os riscos são simplesmente grandes demais para que governos ou organizações sérias sejam surpreendidas tentando enganar o público. E, para as organizações que estivessem dispostas a correr o risco de faze-lo, diz Pike, o pessoal que trabalha com notícias – sabendo aquilo que a tecnologia pode fazer – vai se tornar cada vez mais vigilante.

“Se alguma organização de direitos humanos aparecesse na CNN com um vídeo, particularmente uma organização com a qual eles não estejam familiarizados, acho que (a CNN) consideraria aquilo radioativo”, diz Pike. O mesmo vale para as organizações não-governamentais (ONGs). “Nenhum diretor responsável de uma organização séria autorizaria esse tipo de coisa. E eles demitiriam, no ato, qualquer pessoa surpreendida fazendo isso. A moeda corrente de ONGs políticas é “nós falamos a verdade”.

Mesmo pessoas mais ponderadas como Pike, entretanto, admitem que a mídia tem um calcanhar-de-aquiles: a Internet. “A questão não é tanto a capacidade de falsificar vídeos na CNN, mas conseguir coloca-los online”, diz ele. Isso ocorre porque a maior parte do conteúdo da Internet não é filtrado. “Isso poderia interferir no processo de produção de notícias, onde você não reproduziria o relatório original, mas relataria o que foi relatado”, diz Pike. Tal procedimento poderia resultar, em cascata, num efeito CNN. “Sem dúvida, esse tipo de experiência acabará acontecendo”, diz Pike.

O problema, afirma Livingston, é que apenas algumas experiências podem ser suficientes para levar as pessoas a questionar para sempre a autenticidade do vídeo. Isso poderia ter repercussões enormes sobre operações militares, de inteligência e de notícias. Uma conseqüência sociológica irônica poderia surgir: o retorno a uma dependência mais pesada de comunicação cara-a-cara, sem intermediários. Neste meio tempo, entretanto, haverá algumas interessantes torções e reviravoltas, à medida que os pixels se tornarem ainda mais flexíveis.

por Ivan Amato – Publicada originalmente na revista Info Exame No. 175 – Outubro/2000

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/mentindo-com-pixels/

Mapa Astral de Albert Pike

Albert Pike (29 de dezembro de 1809, Boston — 2 de Abril de 1891, Washington DC.) foi um militar e escritor dos Estados Unidos. Albert ficou conhecido como gênio, falava 16 idiomas diferentes e conseguiu a patente de General-de-Brigada do Exército Confederado na Guerra Civil dos Estados Unidos da América.

Albert Pike causou impacto ao publicar a obra “Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry” que trata do conteúdo moral e filosófico dos 33 graus do Rito Escocês.

Albert Pike foi pupilo do célebre maçom Mackey. Sua revisão dos 33 Graus do REAA, a qual originou os Rituais praticados atualmente, demorou 05 anos e foi aprovada pelo Supremo Conselho do REAA Jurisdição Sul dos EUA em 1861. Albert Pike permaneceu como Soberano Grande Comendador do 1º e maior Supremo Conselho do mundo por 32 anos.

Mapa Astral

Com Sol, Ascendente e Mercúrio em Capricórnio, Lua e caput Draconis em Libra; Vênus, Saturno e Netuno em Sagitário; Marte em Aquário e Júpiter em Áries, o mapa de Albert Pike indica um caminho seguro pela diplomacia, direito e militarismo.

Seu Planeta mais forte é Vênus (em Sagitário na casa 12/11), indicando alguém que tem gosto por reunir e compilar regras, na área da espiritualidade e na organização de grupos. Isso é reforçado também pela responsabilidade (Saturno) e espiritualidade com que conduz e organiza estas regras.

Sol, Ascendente e Mercúrio em capricórnio indicam uma pessoa séria e severa, defensora de tradições e de disciplina tanto mental quanto prática. Muito útil para alguém que deseja seguir a carreira militar. Sua Lua em Libra ameniza estas características de guerra, levando-o mais para a parte diplomática ou jurídica de Capricórnio e certamente sua vontade em explorar aspectos diferentes fez com que enveredasse pelos caminhos da Maçonaria e do espiritualismo.

Júpiter em Áries (na Casa 3) impulsiona toda esta máquina, levando-o para cargos onde sua liderança e pioneirismo seriam úteis. Realmente alguém que soube explorar bem suas energias na realização da Verdadeira Vontade.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-albert-pike

Introdução ao Shintoismo

O Shinto ou shintoísmo, a religião nacional do Japão, denominada mais corretamente pelos japoneses “Kami-no Michoi”, que significa “o caminho dos deuses”. Traduzida esta frase para o chinês, temos Shin-tao, cuja abreviação é Shinto, seu nome popular mesmo no Japão.

Muitas pessoas que são religiosas gostam de negar isso. “Eu? Não sou religioso”, dizem, “sigo o Jesus, Nosso Senhor… Mas isso não é religioso, é um fato histórico”. Assim dizem. E os xintoístas também são particularmente improváveis ​​de ver seu comportamento como sendo “religioso”. Eles podem ter seu carro purificado, podem ter pedido boa sorte ao deus local antes de seus exames de admissão na universidade ou fazer investimentos, provavelmente vão a um santuário todos os anos no dia de Ano Novo. Eles podem até pedir ajuda espirituais com empréstimos se precisarem de algum dinheiro. Mas se perguntados se eles são religiosos, eles dirão: “Quem eu? Isso não é religião. Isso é apenas um costume. Apenas, bem, a coisa normal a se fazer”.

Para verificar o fato de que os praticantes xintoístas não veem seu comportamento como religioso, realizei uma pesquisa perguntando aos visitantes de um santuário xintoísta “Você acredita em Deus?”, “Você é religioso?” e ​​”Quanto dinheiro eu daria tenho que pagar para você ir para casa hoje sem ter orado?”. Enquanto aqueles que responderam “sim” às duas primeiras perguntas foram a minoria, à terceira pergunta, todos, exceto um dos 40 entrevistados, responderam “Eu não iria para casa sem orar, não importa quanto dinheiro você me desse”. Era evidente que alguns dos alguns dos entrevistados ficaram levemente ofendidos por serem questionados. O único entrevistado que teria dispensado o dinheiro para ir para casa sem orar se definiu como cristão.

A partir disso, fica claro que: aqueles que praticam o xintoísmo não o consideram uma religião, mas também não consideram seu comportamento totalmente secular e mundano. As razões pelas quais o xintoísmo não é visto como religião são várias. Principalmente, a imagem de uma religião mantida por muitos japoneses é a de uma organização à qual se filia e que estipula várias maneiras de se comportar de acordo com algum tipo de ensinamento ou escritura.

Se o xintoísmo já teve uma organização, hoje não tem mais. Ao xintoísmo sempre faltou uma escritura além dos mitos que explicam a origem do Japão, mas não são proscritivos de forma alguma. As escrituras japonesas compõem-se de duas secções: o Kojiki ou “Registros de Assuntos Antigos”, e o Nihon-gi, as “Crônicas do Japão”, elaborada no oitavo século de nossa era.

Além de mitos e lendas desse tipo, o xintoísmo quase não tem tradição oral. Sem uma organização e qualquer formulação linguística de como se deve se comportar, o xintoísmo é particularmente transparente. Tudo o que o xintoísmo parece possuir é uma tradição corporal – um vê o corpo do outro, imita e a prática é transferida. A oração é uma questão de movimento – diante de Deus a pessoa se curva duas vezes, bate palmas duas vezes e se curva novamente. As festas xintoístas estão predominantemente ligadas ao calendário – a festa do ano novo, a festa da colheita – e, portanto, não parecem exigir qualquer justificação pela escritura ou como evento comemorativo.

Embora o xintoísmo seja muito diferente das religiões judaicas e até mesmo do budismo indiano, na minha opinião ele contém pontos em comum suficientes para permitir que seja comparado a eles e seja chamado de religião. No xintoísmo há oração e adoração a algo transcendente, que não faz parte do mundo físico mundano. E mais do que isso, o xintoísmo como o cristianismo e outras religiões do mundo tem, acredito, uma estrutura que firma a sociedade japonesa e em particular a família, da mesma forma que a “filosofia” do cristianismo estrutura as sociedades do ocidente cristão.

Totemismo Geográfico

A religião popular venera a sagrada montanha, Fuji-Yama. Religião e patriotismo acham-se tão intimamente entrelaçados, que vários governantes têm sido considerados praticamente deuses. Nas casas xintoístas existe em geral um pequeno altar consagrado aos deuses locais, o kamidana. Em cima deste altar encontra-se muitas vezes um amuleto oriundo do santuário local, do Grande Santuário de Ise e em alguns casos. Para encurtar a história, acho que o xintoísmo pode ser melhor entendido como uma forma de totemismo geográfico. Como mencionado acima, o sagrado no xintoísmo está quase invariavelmente ligado a uma determinada localização geográfica. No xintoísmo, Deus é algo que você pode apontar, está “lá”. O santuário ou “jinja” contém ou consagra uma coisa, mas também é um local sagrado. O corpo divino do santuário pode ser uma montanha, uma árvore, uma rocha ou outra característica natural, mas o mais importante será a coisa naquele lugar. E esse lugar cria uma atmosfera particular. O deus ou deuses que residem lá podem ter certas qualidades para conceder certos benefícios. Mas, acima de tudo, a característica fundamental de um santuário é o ponto geograficamente definido no espaço. Todos os aspectos do local sagrado: sua abordagem, seus limites, suas camadas são todos delineados de forma a enfatizar sua localização. Ao entrar na fronteira lava-se as mãos e a boca. A pessoa entra no santuário com o pé esquerdo primeiro e antes de sair se curva. De um modo geral, tradicionalmente se adora apenas o deus ou deuses do santuário localizado na proximidade geográfica de sua casa. E o mais importante, considera-se filho daquele santuário, daquele local.

É uma coisa impressionante acreditar ser filho de um local. Freud e Durkheim consideravam uma forma semelhante de “totemismo geográfico” como a mais “primitiva”, ou seja, a mais antiga forma de religião encontrada na sociedade humana, uma vez que, nas sociedades da Austrália central, os membros das tribos negavam a existência da paternidade. Aqui eu não considerarei as possíveis conexões entre o culto a um lugar e a ausência da crença na paternidade, exceto para notar que a paternidade também foi muitas vezes dita ter sido fraca ao longo da história japonesa (além do período Meiji e pré-guerra) e até mesmo ” ausente” no atual Japão. Em vez disso, concentro-me simplesmente na natureza localizada do xintoísmo e mostro como isso reflete, e pode-se dizer, que teve um efeito profundo na sociedade japonesa.

Sociedade Japonesa e Lugar

O título do livro tremendamente popular de Nakane Chie sobre a sociedade japonesa “Tateshakai no Ningen Kankei” (Relações humanas em uma sociedade verticalmente orientada) parece descrever o Japão como uma hierarquia – um equívoco que Nakane se esforçou para corrigir em suas publicações subsequentes. Ele fez as seguintes duas afirmações. O alicerce fundamental da sociedade japonesa não é o indivíduo no sentido ocidental, mas o pequeno grupo. A característica distintiva dos pequenos grupos japoneses é que eles contêm o elemento essencial de um espaço, um lugar onde são fundados. Alguns exemplos de como uma importância dada aos lugares são os seguintes:

O casamento foi descrito como “Vai ser uma noiva” no sentido de que não era um arranjo entre o marido e a esposa, nem mesmo entre a esposa e a família do marido, mas um movimento físico pelo qual uma pessoa entra e se torna um membro da família de outro espaço doméstico. Pode-se descrever o marido ou a esposa como “uchi no hito” a pessoa da minha casa.

Os casamentos japoneses são entre casas no sentido que só se mantêm na Grã-Bretanha pela aristocracia. A linhagem da família japonesa é por vezes descrita como sendo uma linhagem dupla (com linhas de descendência matrilinear e patrilinear) mas na verdade é mais correcto dizer que a família japonesa é, como um estudioso japonês a descreve, “linear segundo a casa” – ou seja, a linha de descendência é determinada por quem mora na casa.

A família japonesa ainda mantém a antiga tradição japonesa de manter um “honseki” ou registro de onde as pessoas são originárias. Agora que este registro foi assumido pelo sistema legal estadual, é possível mover o registro, mas o casamento ainda significa mover fisicamente a documentação para o registro de outra família. Este não é simplesmente o local de nascimento de um agrupamento social geograficamente definido que se poderia chamar de “lugar de família”.
Não se pergunta a alguém “Em qual empresa você trabalha” mas “Onde (é a) empresa em que você trabalha”

Todos os grupos, sejam eles clubes universitários ou grupos de pesquisa, sentem-se carentes, a menos que tenham um lugar, um ponto de apoio, algum lugar onde possam chamar de lar.

Os japoneses são muito sensíveis ao lugar e ao comportamento apropriado em relação a esse lugar. O comportamento aceitável em um local é inaceitável em outro. No local de trabalho, a pessoa é encorajada a se comportar de maneira altamente respeitosa em relação ao seu chefe. Depois do trabalho, enquanto estiver no local de trabalho, a situação não muda. Mas assim que alguém se muda para o bar, a maneira de comportamento provavelmente mudará radicalmente na medida em que a distinção entre patrão e trabalhador pode se dissolver. As regras são limitadas ao local.

Exemplos mais extremos são a tolerância japonesa de distritos da luz vermelha e sindicatos do crime. Se o bordel é uma certa parte da cidade, então é aceitável. Se o sindicato do crime organizado colocar uma placa dizendo “estamos aqui”, desde que todos saibam onde estão, até eles são aceitáveis.

Por outro lado, aqueles que não são aceitáveis ​​na sociedade japonesa, por exemplo, o burakumin (um nome que quando traduzido literalmente significa as pessoas nômades) são novamente confinados a um lugar. Diz-se que os burakumin são párias por causa de seu envolvimento com o abate de gado e tratamento de couro e outras atividades consideradas impuras pelo budismo japonês. Mas eles também são impuros em virtude de onde eles vêm. Eles vêm do lugar impuro. Eles são delineados do resto da sociedade precisamente por onde eles vêm.

O sumô, esporte nacional do Japão, consiste em uma batalha pela defesa de um espaço, que é sagrado. Este ano, foi recusada ao major de Oosaka permissão para entrar no ringue de sumô, pois, como mulher, ela é considerada impura. Mas isso é outra história.

Em suma, podemos chegar a dizer que no Japão, devido à natureza politeísta geograficamente localizada de sua religião xintoísta, não há deus universal nem regras universais. Em vez disso, existem normas de comportamento definidas localmente.

Xintoísmo e a Família Japonesa

A conexão entre essas características da sociedade japonesa e o xintoísmo deve ser clara. A adoração de locais sagrados estimula os japoneses a terem certos valores e certas formas de ver a organização – principalmente em termos espaciais. As pessoas são vistas como unidas pelo fato de compartilharem o mesmo ambiente, a mesma atmosfera, o mesmo espaço. A manutenção desses espaços e ambientes é considerada importante. A religião xintoísta fomentou essa forma de perceber o mundo. E essa forma de perceber o mundo encorajou o povo japonês a manter a religião xintoísta. No caso específico da família, os membros da família são definidos e vinculados à família por sua atitude compartilhada em relação ao lar. São pessoas que voltam para casa em um determinado lugar e se esforçam para manter e melhorar as condições nele. Ao fazê-lo, eles acreditam que viverão felizes e harmoniosamente de acordo com sua natureza. Isso é simplesmente, do ponto de vista xintoísta, o que os humanos fazem. Ou melhor, isso é simplesmente o que é natural para os humanos japoneses, ou seja, humanos que são da região geográfica Japão. O conceito de “humano” é um conceito não espacialmente limitado e, portanto, sob essa visão de mundo, um tanto falso. Os americanos, que cresceram em um ambiente diferente, são diferentes.

Defini o xintoísmo como uma forma de totemismo geográfico e, por sua vez, como espaço-centrismo ou orientação para o lugar. Mas isso é suficiente? De que estrutura precisa uma sociedade? Os princípios do cristianismo são bastante simples. Os seres humanos são todos filhos de um deus e todos eles têm o mesmo “amor” é são considerados uma unidade até mesmo com o próprio deus). Esta fórmula é simples e, no entanto, suficiente para organizar as sociedades de uma forma muito diferente do Japão. Sob o princípio do amor, homens e mulheres ocidentais podem ser unidos em casamento sob a presunção de ter o mesmo objetivo cristão.

Do ponto de vista japonês, esse suposto objetivo do cristianismo é falso, visto que homens e mulheres são vistos como tendo objetivos diferentes. Assim como do ponto de vista cristão é falso pensar que os humanos têm a propensão natural para criar e delinear lugares sagrados.

Xintoismo Hoje

O decorrer da história impôs ao povo japonês a revisão de seu credo. Nos últimos cinqüenta anos o facilismo que distinguira o shinto por tanto tempo, tem sido suprimido em grande parte. A partir do século sexto, o confucionismo e o taoísmo vieram da China. Na mesma época o budismo chegou ao país via Coréia, quando o rei de Paekche enviou uma estátua do Buda e cópias das suras ao imperador japonês.  Os xintoístas não viam conflito entre suas práticas e estas filosofias e logo todas foram liberalmente mescladas.

Com o tempo o budismo se sobressaiu, mas a religião tradicional não despareceu.

No século dezoito ocorreu uma grande revivificação do xinto, sob os auspícios dum grupo de intelectuais, que logrou restaurar em grande parte a religião nativa.. Nessa reformulação os  budas foram interpretados como kami encarnados, que assim deixavam o seu estado original para descerem à terra em benefícios das pessoas. Durante a era Meiji floresceu uma ideologia profundamente nacionalista e escolha de uma religião oficial recaiu sobre o xintoísmo, já antes aclamado como a religião nacional e desde então considerada pelo regime como superior a todas os outras. Aos poucos o xintoísmo de Estado promoveu uma laicização do xintoísmo, tornando um dever cívico de reverência ao Estado e ao imperador.

O xintoísmo estatal durou várias décadas e ainda reflete na cultura nacional. Em 1946, foi proclamada a nova constituição e o imperador foi destituído de todas as prerrogativas divinas e de todo o poder político, tornando-se apenas símbolo da unidade nacional.   Neste mesmo ano foi fundada em Tóquio a Associação dos Santuários (Jinja honchó) e desde então o xintoísmo tem experimentado um retorno as bases locais.

Contudo esta época assistiu também o retorno de religiões estrangeiras, incluindo agora as religiões ocidentais como o cristianismo. A tendência liberal dos shintonistas para com outras  doutrinas, converteu-se recentemente num movimento ambicioso visado fazer do shinto uma religião universal, compreendendo não só o budismo, confucionismo e taoísmo, como também os credos de Muhamad e Jesus. O Xintoísmo hoje pensa globalmente mas continua agindo localmente. Isso é possível porque existem “oitocentas miríades” de deuses, ou seja tantos quanto existem famílias, comunidades e locais sagrados espalhados pelo planeta. Como disse Madre Teresa: “Se você deseja mudar o mundo, vá para casa e ame a sua família.”

Fonte: http://www.nihonbunka.com/shinto/

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/introducao-ao-shintoismo/