Sangue, Necessidade e a Casa da Noite

Encontramos o termo ‘bruxaria’ utilizado como uma referência aos hábitos pagãos, ao naturalismo e uma série de práticas de tom mais sombrio. Em todas as suas variações, a idéia da bruxaria é diluída, enriquecida e amputada pela diversidade de práticas e inclinações que buscam este rótulo. Pode ser por isso que a que a arte das bruxas pode ser tomada por qualquer pessoa, assim como qualquer um pode se educar sobre um comércio ou arte através de alguns livros. Há outros que enveredam nos terrenos dos selvagens e há outros, por propósito ou acidente, que são reconhecidos como ‘o outro’ por um dos seus pares.

Ninguém pode ser o juiz de nada disso levado por sua própria crença, pode-se, entretanto, dizer algo sobre sua natureza. Para mim, minha percepção da Arte Tradicional vem se desenvolvendo ao longo de quase duas décadas agora, onde tenho sido abençoado em encontrar peregrinos e mestres de uma variedade de convicções que eu definiria como o Ofício dos Sábios investido na ascendência tradicional. Como muitos, tomei conhecimento do termo ‘bruxaria tradicional’ através das cartas e escritos de Robert Cochrane, e minha busca foi recompensada ao encontrar uma hoste de praticantes da arte maravilhosos, onde a consangüinidade foi mutuamente reconhecida. 

As artes e ofícios da bruxa são muitas vezes relacionados à transgressão, contudo, do tipo de transgressão e práticas que honram a natureza e desafiam a  ordem social profana em favor da verdade. Verdade — aquela incômoda palavra! Pois a verdade não está relacionada com fatos e evidências, mas com a imanência da fonte — por esta razão, podemos dizer que o ‘feiticeiro’ lida com a fonte e a bruxa transforma os trabalhos sobre a fonte em um ofício. Isto é verdade — a verdade é um estado ativo do ser. Em um mundo que ama o engano mais do que a verdade, naturalmente aqueles que defendem isto se arriscam a  serem vilipendiados e tornam-se alvo de ódio e desconfiança.

Então talvez seja correto assumir que ofício da bruxa possa ser definido como ‘possuir o conhecimento natural e oculto’, o que torna alguém apto a manipular ou apaziguar os espíritos da natureza, e fazer com que a alma do mundo seja favorável. Se assim for, muitos podem se declarar praticantes de bruxaria pela virtude feiticeira ou conhecimento íntimo do ofício de encantamentos e meios simpáticos para alcançar determinados objetivos. Naturalmente quando o conhecimento considerado oculto é revelado em divinação e pelos meios da astrologia clássica, ele pode causar suspeita — e do mesmo modo o murmurar de encantamentos que torcem e refinam uma corrente natural e desfavorável em uma favorável e gratificante.

O sábio que encanta uma verruga para desaparecer, o astrólogo que faz uma eleição e cria um talismã para determinado propósito, ou o andarilho solitário que abençoa o útero estéril para que dê luz a uma criança são praticantes da superabundância do Ofício. Poderíamos concordar que estas variedades da arte podem ser consideradas como ‘bruxaria’ no mesmo nível em que a ‘venefica’ (originalmente ‘trabalhos venerados’, que mais tarde foram associados com ‘envenenamento’) e ‘malefica’ (práticas negativas) estavam sujeitas à condenação pelo o Tribunal da Inquisição. O Ofício em si é, em última instância, os conhecimentos relacionados à ‘mão que amaldiçoa’ e à ‘mão que concede’. Também deve ser observado que há uma tendência em separar a bruxa benigna da bruxa malévola. Ginzburg descreve bem como a balança do mundo é mantida pela batalha entre os benadanti, que abençoam o mundo, e os maladante, que amaldiçoam o mundo. É o mesmo poder e segredos que são manipulados, mas por um é para benefício da comunidade e pelo outro para o detrimento do bem-estar comum. Assim, este ícone da bruxa como uma envenenadora e personificação da possível perversidade — sendo uma constante ameaça à ordem social — é, de fato, uma realidade que a bruxa abraça voluntariamente ou com relutância.

As acusações de bruxaria foram passadas às pessoas que eram acusadas de malefica, e também por agirem de formas que não estavam em conformidade com o que era considerado magia ‘lícita’. Magia lícita era, em maior parte, o trabalho simpático e com ervas, plantas e raízes, geralmente feitos por um clérigo, e daí aqueles que se envolviam com isso e estavam fora dos confinamentos eclesiásticos ou reais, e corriam risco de ser condenados por maléfica. Isso  mesmo se o trabalho fosse realizado com bons propósitos. Desde a Idade Média e até a maturidade da Idade Moderna, a ‘bruxaria’ passou por muitas fases de entendimento, mas sempre contendo algo perverso, misterioso e estranho. A palavra ‘bruxa’ se tornou tão problemática que os praticantes da Arte Tradicional muitas vezes aceitam o rótulo, só para escapar dele, como no caso de Robert Cochrane, que se limitou a aceitar o rótulo enquanto manteve um tipo de significado, embora não definisse a si como um bruxo. Para Cochrane, este desconforto com o termo ‘bruxo’ era parcialmente causado por um grupo de Wiccanos denominado por ele de ‘Gardnerianos’, que também se consideravam ‘bruxos’. Deixarei esta questão e apenas mencionar que Gerald Gardner — como demonstrado em pesquisas recentes por Philip Heselton — provavelmente obteve uma introdução tradicional em uma linhagem de bruxos tradicionais. Mas ele também queria fazer a transmissão e o conhecimento que ele recebeu como dele próprio. Para Gardner isso significava transformar a bruxaria em um sistema ritualístico mediado por uma guarnição maçônica polvilhada com alguns elementos crowleyanos e Rosacrucianos. Nada de errado nisso, mas ao fazer isso ele também se tornava o pai da religião da fertilidade moderna que vemos na Wicca hoje. Isso pode ser visto como uma transgressão em seu próprio direito, uma vez que assumiu aspectos dogmáticos distintos que são incomuns para as crenças daqueles que se definem como ‘bruxos tradicionais’ que conheço.

A idéia do sangue-bruxo/élfico é um tema constante, e de fato a questão do sangue é exatamente o que põe a bruxa à parte de um sábio ou um feiticeiro — uma linhagem secreta que vive desde tempos esquecidos, onde tudo era mistério, onde os mundos visível e invisível eram livres do véu. Possuir o sangue ou não é uma questão que às vezes é visto como provocativo e causado por elitismo, mas isso não é assim. Trata-se de linhagem e pertencimento em relação à família e aos parentes. Ao longo do tempo, muitas destas famílias se dissolveram e foram fragmentadas, levando aqueles do sangue para se encontrarem novamente, apelando ao sangue da terra e encontrando o reavivamento de seu ardente sangue lá, em sua terra natal. Para outros, o ‘cunning meeting’ (encontro sábio) e os vínculos familiares intactos fizeram o reconhecimento e aceitação do sangue-élfico menos enigmático e seus mistérios mais claros do que é para muitos peregrinos solitários que caminham pelas florestas e montanhas seguindo os sussurros de uma silenciosa pulsação na alma dos mundos.

A Arte dos Sábios é diversa, mas diversificada em todos os pólos de sangue e terra. Isso significa que uma prática específica pode manifestar-se em uma miríade de variações mediadas pela terra, pelo sangue e pelo homem — e para aqueles de olhos aguçados, estes laços se tornam salientes e evidentes onde quer que sejam encontrados. É também de minha convicção que, mesmo se o sangue for esquecido, isso não significa que ele não esteja lá.

O ícone da Bruxa que temos hoje deve muito à ‘La Celestina’ de Fernando de Rojas e a ‘La sorcière’ de Jules Michelet. Em ‘La Celestina’ encontramos o apaixonado Calisto que procura ajuda da dona do bordel, Celestina, para dominar o objeto de desejo com poções e feitiços, pintando uma imagem da bruxa sedutora e perigosa, tal como uma sereia da libertinagem possuidora da sabedoria proibida, espelhando Circe. Michelet segue essa imagem de muitas maneiras, mas dentro das anotações históricas e explicações, ele permite que a bruxa surja. Uma realidade poética — um conto de fadas encarnado — e talvez seja este ícone poético que colore nossa percepção da bruxa mais do que qualquer outro conto. Vejo Julio Caro Baroja e Carlo Ginzburg aperfeiçoarem este ícone. Também gostaria de colocar Emma Wilby e Gustav Henningsen nesta sucessão de pesquisa, pois eles alargaram o escopo de seus estudos e trouxeram mais nuances no estudo da bruxaria.

Como mencionado, Michelet argumentou que a bruxaria ocorreu como uma rebelião contra o sistema feudal e o abuso clerical na Idade Média, em outras palavras, como um contra-movimento ao abuso clerical e político. Ele se equivocou como a pesquisa de Keith Thomas e Eva Pocs demonstrou. Parece que a ‘feitiçaria’ que ele tem como foco para sua apresentação se desenvolveu dentro das paredes eclesiásticas da Igreja e dos monastérios. É possível sugerir que os clérigos e frades na verdade entraram no santo ofício com esta sabedoria ou simplesmente fizeram uso destas habilidades e encantamentos que aprenderam com os moradores da zona rural. Isso também pode ser assumido pelas idéias sobre Missa Negra e o Sabbath das Bruxas serem a mesma coisa, segundo Michelet e outros que o acompanharam. O Sabbath das Bruxas é o principal motivo que encontramos entre o povo basco e deste modo reconhecido pelas bruxas de outros lugares no mundo familiarizadas com o congresso do espírito. Pode ser que a Missa Negra seja uma corrupção deste Sabbath ou Aquelarre das Bruxas, dada a forma e significado profanos. Pelo o menos as ocorrências das Missas Negras e as investigações sobre o Sabbath das Bruxas coincidem ao longo da mesma linha de tempo e geografia. O precedente histórico das Missas Negras, no entanto, é largamente apresentado nos escândalos em torno os conventos das Ursulinas em Loudon e Aix-en-Provence, onde possessões diabólicas e matrimônios com demônios foram realizados em estilo orgiástico condizente com o imaginário popular das Missas Negras e continuados pelo abade Etienne Guibourg (1610 -1686). Guibourg morreu na prisão, mas as Missas Negras ainda foram celebradas, de verdade ou por boatos, dentre o clero francês e germânico, o que conduziu à adoração orgiástica do monsenhor carmelita Eugene Vintras e seu sucessor, o abade Boullan. Boullan adotou a Missa Negra em trabalhos de natureza sexual e mágica de forma mais similar à feitiçaria do que celebrações para apaziguar a natureza e a noite. Podemos de fato questionar se estes clérigos eram do sangue ou não — não será possível dar uma resposta, apenas admitir ou negar… O terreno da Bruxaria Tradicional é, e talvez deva ser e permanecer um mistério?

A marca da ‘bruxa’ é que ele ou ela busca ‘o outro’ em lugares de poder — e eles são encontrados em todos os lugares, assim como os parentes da ‘bruxa’ dispersos por todo o mundo, e estas encruzilhadas são encontradas em todos os lugares. É aqui que onde entra a idéia da Bruxaria Tradicional; trata-se de uma conexão com a origem pela virtude de um sangue e descendência partilhada. Trata-se de família no sentido mais radical da palavra, como famulus — habitantes de um agregado familiar, sejam eles vivos ou desencarnados, simulando a idéia de um totem entre os índios norte-americanos. A Bruxa que é Tradicional terá tal parentesco e enquanto muitas destas famílias mantêm um selo da discrição buscando manter a sua quietude e silêncio, há alguns que possuem e ainda demonstram a atividade do famulus de forma que eles se mostram ao mundo, conscientes ou não — é sobre a alteridade que fala a partir do silêncio, onde a verdade perdura e se arrasta…

A maioria dos dicionários, como por exemplo, o Webster, definirá a bruxaria como ‘um poder mais que natural’, ‘o poder da influência’ ou ‘encantar as pessoas’ — daí encantamento, o poder de atar alguém ou algo pela utilização de ligações naturais ou atividade espiritual. Feitiçaria e bruxaria são muitas vezes palavras sinônimas e definidas como ‘a arte das bruxas’ — e assim é o congresso em sonho ou ‘orgia’ (em seu real significado Elísio; uma comunhão mágica dos sentidos) com espíritos, geralmente considerados maléficos — ainda que eles sejam, na verdade, os habitantes da Noite.

O cruzamento entre feitiçaria, bruxaria, tradição e culto é um assunto delicado e se torna cada vez mais estonteante se voltarmos nosso olhar para fora e ver, por exemplo, na Índia, onde hoje a bruxaria é sinônima de maldade e é tratada como uma ameaça à ordem social. Apesar disso a bruxaria, na verdade, pode ser vista como algo transmitido entre Kapalikas e as seitas tântricas de várias orientações com o foco em yathuvidah — ‘o conhecimento feiticeiro’. Seria mais preciso, talvez, rotular estes praticantes como um tipo semelhante à idéia das ‘Bruxas Tradicionais’ do Norte da Europa, pois eles possuem um darshana/samaya, ou doutrina tradicional sobre a qual proferem a sua arte mágica em companhia dos espíritos. Da mesma forma, o obscuro keshupherim judeu — aqueles que conhecem keshup (os trabalhos secretos da lua) são pessoas conduzidas aos mistérios pela virtude da intercessão dos antigos Rabbis e Rebbas que continuam a trabalhar a partir do outro lado e abrem o mundo da noite para o praticante. Estas pessoas podem ser consideradas ‘bruxas tradicionais’ ou elas são mais semelhantes aos feiticeiros que trabalham com os poderosos djinns? Se assim for, onde está a linha divisória entre a arte da bruxa e a bruxa em si? Até certo ponto trata-se da indução de um grupo que possui uma sucessão linear que jaz no conhecimento tradicional, o conhecimento variado em foco e escopo.

Se nos voltarmos à África Ocidental, a bruxaria é considerada um poder inato com o qual algumas pessoas nascem – um fogo caótico e eruptivo que deve ser temperado, mas que, a partir de uma perspectiva do povo ioruba — não deve ser combatido. Este poder bruxo (ajé) é encontrado entre mulheres que são chamadas para receber a iniciação à Senhora dos Pássaros da Noite, Iyami Osoronga. Estas mulheres fazem parte do conselho Ogboni — a sociedade dos sábios — e somente elas possuem o poder de coroar ou destronar um rei. É somente quando malefica é proferida com férvidas paixões e em um espírito de cólera e vingança que estas mulheres são entendidas como bruxas em uma forma negativa e perversa. Do ponto de vista de uma bruxa tradicional, isso pode ser visto como um reconhecimento da ‘alteridade’ que conduz à iniciação e indução aos mistérios. Além disso, há também o Imole Oso, ao qual é dada a forma de mago e é o espírito protetor de um culto secreto ligado vagamente ao Ogboni. Acesso ao culto é concedido pela divinação e somente alguns são chamados para ingressar — eles são, então, sujeitos a iniciação destes mistérios e devem fundir-se ao espírito de Oso — tornando-se o próprio Oso. Alguns destes — ou talvez todos — são possíveis candidatos ao rótulo de Bruxaria Tradicional quando seus adornos culturais são removidos?

O ponto de debate é que, quando você convoca o espírito e ele responde, quem pode negar a você esta conexão? Se você julgar esta conexão como a do sangue, repousa apenas em sua irrevogável convicção de ter encontrado o seu Self — e isso automaticamente causará uma humilde lembrança do que foi esquecido. Ao encontrar a si mesmo você pode encontrar família e parentes — ou não. Ao afirmar isto também estou ciente de que abro as portas — porém, também sei que a Verdade fala em Silêncio e, portanto, qualquer necessidade de verificação profana sobre a descoberta do próprio Self de alguém se transformará em poeira e ilusões arruinadas. O sangue reconhece o sangue, pois a iniciação, como tal, foi um pacto do passado… que pode ser encontrado e perdido repetidas vezes.

Podemos entender a Bruxaria Tradicional como uma realidade poética da noite e da natureza que, enquanto toma várias formas, concede forma à possibilidade do ‘outro’. A Bruxaria Tradicional é um conjunto de práticas nascidas da necessidade, terra e sangue. Ela é a arte do trabalho com seu próprio Destino e a arte de trabalhar com o limiar, o monte e morro para o benefício próprio. Este benefício pode ser limitado a uma necessidade imediata própria ou a de um grupo ou conclave de pessoas e suas necessidades. A bruxa, em um sentido tradicional, é alguém que é ciente de sua linhagem — o sangue característico que põe a bruxa à parte, como o outro.

Robert Cochrane afirmou que uma bruxa nunca é uma pagã, mas uma pagã pode ser uma bruxa, apontando ao erro em confundir paganismo e reconstruções pagãs com bruxaria tradicional propriamente. A distinção encontra-se na diferença entre reverência e adoração, e aquilo que é conhecido como dupla observância, que é bastante característico de várias vertentes de bruxaria tradicional. A dupla observância indica que a pessoa é capaz de ver o mesmo mistério agindo em várias manifestações culturais e é capaz de abarcar ambos — sendo mais salientes as bruxas que utilizam santos, bem como seus próprios famulus e guias espirituais para alcançar seus fins.

Por Nicholaj de Mattos Frisvold

Do original Blood, Need and the House of Night

Traduzido por Leonardo Martins

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sangue-necessidade-e-a-casa-da-noite

A Iniciação no Velho e no Novo Aeon: Antagonismos

Dentro de corpos iniciáticos, é muito comum que um dos pontos críticos mais importantes justamente aborde os segredos iniciáticos, assim como os mistérios que sustentam estes segredos, e bem como as estruturas que são usadas para unir o praticante ao mistério, tal e qual a descrição costumeira do casamento alquímico nos demonstra.

No entanto, os rituais e fórmulas do chamado Velho Aeon estão muito longe de terem tais aplicações básicas no presente momento, e isto porque além da própria mudança de eixo ligada a este Aeon, também há a constante presença da ciência e da história, que unidas provaram ser um poderoso instrumento de dissolução de enigmas, ou mesmo de inverdades.

 

No entanto para poder abordar os elementos qualquer sistema de iniciação, precisamos citar suas fontes históricas, o que se pretende desencadear com o drama ligado ao rito, conforme o sistema religioso originalmente o fazia, e se há diferenças em relação à tradição original.

Desta forma, vejamos o que a ciência e a história nos podem dizer sobre o que se determinou chamar de “Velho Aeon”.

Ao contrário do que se tem afirmado por muitos hermetistas, ocultistas, e por vezes por várias vertentes ditas como sendo científicas, ligadas normalmente a correntes criacionistas, a tradição determinada como sendo o cabalismo, não tem a história antiga que lhe é imputada, e na verdade, a história do povo a qual ela estaria coligada não é tão velha como tem sido defendido por tantas pessoas, muitas delas nunca agindo por inocência, ou apenas por ignorância, e sim por motivos totalmente escusos.

Se pudéssemos retornar nos tempos históricos, veríamos então que em dado momento no império egípcio, houve uma quebra interna de suas instituições, em que o modelo de administração que sustentava todo o reino, foi agredido por um golpe sócio, econômico, religioso que foi promovido por Amen-hotep IV, que reinou no Egito em 1345 antes da era vulgar, e que esvaziou os cofres reais, para construir e sustentar uma cidade no meio do deserto, para onde transferiu a capital do reino, durante seu reinado.

Seu reinado durou apenas 15 anos, e durante o mesmo o faraó que declarou a todos ser o filho e representante do “deus único” Aton, na Terra, sob alegação de que estava levando o povo para a “Terra Prometida por Aton”, fundou ali justamente a cidade conhecida como Akhetaton (como é dito que Abraão teria procedido).

A todos que o seguiram, prometeu Akhenaton (nome assumido por Amen-hotep IV quando assumiu o culto a Aton), a “Vida Eterna no Paraíso de Aton”, e bem como a permissão para ser enterrado na necrópole de Akhetaton.

Curiosamente, ao atingir o local dito como sendo sagrado, Akhenaton ofereceu um sacrifício a Aton, e depois edificou no local um templo, demarcando assim por seus atos o abandono da Terra Sagrada de Karnac ( tal e qual o Abraão da bíblia teria feito).

Cada residência possuía um altar de pedra com inscrições em dois lados. “Todas as casas do reino tinham uma feição similar. Elas tinham um santuário colocado em seu aposento principal. Ele possuía apenas um portal pintado em vermelho e um nicho para receber uma pedra que continha o retrato da família real engajada numa no culto de adoração”, assim descrito por Cyril Aldred.

Como conexão aos relatos da história do êxodo bíblico, os portais vermelhos são uma lembrança ao sangue dos hebreus pintados nos portais das portas de suas casas. “Javé passará para matar os egípcios. E quando ele olhar o sangue nos postes dos portais e na parte superior, Javé atravessará a porta e não permitirá que a destruição entre em suas casas e mate vocês”. Êxodo 12:23.

Por conta do culto monoteísta, Akhenaton apagou o nome de Amon dos templos e obeliscos. Levando sua heresia adiante, ele profanou o nome de Amon no interior do cartucho de seu pai Amenhotep III. A supressão do nome do deus foi considerada como um verdadeiro sacrilégio pelos habitantes do antigo Egito. A bíblia monoteísta ecoa estas palavras no seu Deus Único: “Eu apagarei totalmente o nome de Amalek dos céus”.

Da mesma forma como Moisés fez, ele se apresentava diante do povo com duas tábuas de pedra onde estava inscrito o nome de Aton nos dois cartouches. O povo prostrava-se diante do nome de Aton. Essas tábuas com inscrições, podiam ser lidas em ambos os lados. A similaridade com as tábuas de lei de Moisés é notável. Ambas eram ovais nas extremidades e podiam ser lidas de ambos os lados: “E virou-se Moisés e desceu a montanha com duas tábuas da lei em suas mãos, tábuas que eram escritas em ambos os lados.” [Êxodo 32:15].

Na tumba de seu sucessor, seu irmão menor que foi entronizado somente quando se tornou adulto, Tutankhamon, muitos outros detalhes extremamente esclarecedores foram encontrados.

 

Na escavação de Howard Carter e Phlinders Petrie, em 1923 da era vulgar, a tumba do sucessor de Akhenaton foi encontrada intacta – uma vez que seu nome foi apagado em maldição, a mando dos sacerdotes que fizeram oposição a Akhenaton, e sua tumba foi ocultada, o que acabou servindo em muito aos pesquisadores do mundo todo.

 

Estudos na tumba revelaram que na parede leste da câmara funerária, acima das figuras de doze sacerdotes carregando uma urna mortuária, haviam oito colunas pintadas com inscrições religiosas. Essas figuras lançaram uma nova luz sobre momento da história da humanidade onde monoteísmo foi estabelecido. Na parede norte da tumba contém uma figura enigmática, usando a coroa do Egito com a serpente, um antigo símbolo de realeza. O nome deste misterioso personagem aparece nos dois cartouches[1][6] colocados à frente de sua face. Ele era chamado de “O Pai Divino” – Faraó Ay. Seu nome está escrito por um símbolo hieróglifo duplo, (Yod Yod), que é o nome de Deus na Bíblia Aramaica, o qual é a nossa fonte mais antiga do velho testamento.

Este “Ay” sucedeu a Akhenaton, quando sua derrocada ocorreu – apenas 15 anos após ter começado, dado o ódio que sua profanação provocou em meio aos egípcios – e após alguns anos, entronizou Tutankhamon, que reinou apenas por Dois anos, sendo depois execrado e caindo em ostracismo, sob todas as maldições póstumas naturais no Egito de sucederem a blasfemadores ou criminosos.

A câmara funerária possuía quatro caixotes sobrepostos, um dentro do outro. Esses caixotes estavam cobertos por um tecido de linho, sustentado por uma moldura de madeira, apresentando-se com aparência de uma tenda. Essa moldura foi comparada no momento da descoberta, com os tabernáculos do Antigo Testamento, o sagrado dentre os mais sagrados, construído de madeira e sustentando a “Arca da Aliança”.

Ao abrir o terceiro caixote, Carter observou que em uma de suas laterais havia um painel com duas figuras aladas, onde suas asas abriam-se bem ao alto, evocando os anjos descritos do objeto citado na bíblia como sendo a “arca da aliança”, estavam reproduzidos nas duas portas seladas do quarto e último caixote. Esses e outros achados arqueológicos nos levam a considerar, que as descobertas da arqueologia egípcia possuem grande correlação com a escritura hebraica, sendo a fonte para a mesma.

O “Ay” acima mencionado, determinou a evacuação de Akhetaton denominando a cidade como terra impura e amaldiçoada, e os povos de mercadores que se mesclaram na cidade sob Akhenaton, se dividiram em dois grupos, sendo que um deles retornou para as terras egípcias, e outro seguiu a grande expansão egípcia que teve início a partir deste período, e aproximadamente 300 anos depois, em um dos pontos onde ocorreu a fixação por mais tempo do exército egípcio, veio a ser fundado o Reino de Judá.

Agora que conseguimos estabelecer estes pontos, vamos nos aproximar de outro grande eixo de sustentação do estilo de iniciação do Antigo Aeon.

Falemos agora de Constantino e de “Iaseus Christus”, de origem essênica.

Como sabemos, a seita Hassidim cresceu durante a dominação dos gregos sobre os judeus, e efetuou a ponte de dominação helênica traduzindo para o grego o ponto de vista hebraico, mas principalmente gerando a dominação do ponto de vista dos gregos sobre o povo dominado.

Destes Hassidim vieram os Essênios, que são os chamados pré-gnósticos, e que mantinham em Nag-Hamad uma sociedade a parte, com textos próprios que sofreram enorme influência de gregos, sumérios, egípcios e hindus.

Desta forma foram lançadas as bases para que por meio dos Essênios os textos chamados de apócrifos, e os textos chamados de aceitos, pelos concílios da posterior Igreja Católica.

Ocorre que os Essênios conceberam uma fusão de costumes religiosos, normalmente vinculados a adoração do Sol ou da Estrela que o anuncia em todas as manhãs, e atribuíram a divindade que nasceu desta fusão o termo “Iaseus Christus”, que foi absorvido posteriormente como “Jmmanuel”, dentro da bíblia.

Nascido de um “notaricom” que implica em sua origem em provável saudação a Zeus, muitas eram as diferenças do golpe religioso e político que Constantino veio a praticar depois.

Um dado interessante entre os essênios, é que adoravam Hermes Trimegistus, e o viam como o Enoch da torah e bíblia, principalmente no que tange a um texto apócrifo sobre Enoch, que cita os “nephelim”.

Fato é que o Pistis Sophia dos essênios, contém enormes similaridades com um texto anterior ao ano Zero da era vulgar, que tem por nome “saberia de jesus”.

Agora, abordemos outros dados.

Sob Constantino, que objetivava unificar todas as vertentes religiosas em guerra na época, e que estavam por desestabilizar e exterminar seu reinado por completo.

Desta forma, a vertente do sacerdócio politeísta romano, em eterna guerra com os mitraicos persas, que jamais cederia a língua ou costumes dos persas, e bem como a vertente persa, que pensava o mesmo da vertente romana, foram fundidos sob outra língua, e outros costumes, que fundiram a ambos, com enorme miscelânea de cultos fálico solares.

Assim, Mitra que escondeu as chaves do paraíso em Petrus, e que era nascido de uma virgem no dia 25 de dezembro, teve seus símbolos fundidos a Horus que combateu Set por 40 dias no deserto, juntamente com o deus de Belém, Tammuz, que ressuscita 3 dias após morrer, pelas artes de Inanna após a mesma verter muitas lágrimas por seu esposo, e descer a mansão dos mortos para resgatá-lo.

Tendo então a vida de conhecido filósofo da época, Apolônio de Tiana, dado o pano de fundo, para um “…christus…” físico, que jamais existiu.

Tendo sido então estudados a luz da ciência, história e antropologia, todos estes dados que são a base e sustentação dos cultos do Velho Aeon – pois em nenhum momento nos esquecemos que os Islâmicos alegam serem os verdadeiros descendentes de Abraão, e que Allah provém de Al Iliah que é uma saudação a Sin ou Nanna, o deus Lunar dos Antigos Sumérios. Podemos então começar a destilar informações preciosas sobre a Iniciação Mágica dentro do Velho Aeon.

Dentro do contexto das Ordens Iniciáticas chamadas de “osirianas”, o postulante a iniciação é visto como “cristo”, que deve perambular pelas mortificações, e depois adentrar em glória pelas dores da iniciação, para então renascer dos mortos como filho unigênito, e por fim exaltado as alturas.

Alega-se que a linguagem é universal, e que todas as religiões do passado procuravam desencadear o mesmo processo, sendo que na verdade todas as religiões, cultos e povos vieram a abraçar o monoteísmo como sua verdade.

Aqui já temos percebido o grande erro do Velho Aeon, pois como foi visto acima nada além de golpes de estado, maquinações políticas, e isso sem mencionar as torturas e assassinatos praticados por protestantes – como por exemplo os 100.000 pagãos que Lutero ordenou o massacre na Alemanha em seu tempo – os crimes da inquisição católica, os crimes da opressão muçulmana contra os infiéis – como pode nos mostrar o comportamento Taleban, por exemplo.

Assim sendo podemos logo de início perceber que as Iniciações do Velho Aeon, procuravam escravizar a mente, corpo e emoções do postulante a iniciação, a uma forma de ser que em todos os sentidos, defende uma mentira histórica, sendo então não sua Verdadeira Vontade, mas sim a Vontade de outro entronizado em lugar de sua individualidade.

Nisto repousa aquilo que é visto como a “fazer a vontade do pai”, que é tão comum em todos os sistemas monoteístas, como facilmente pode ser observado tanto em seus livros dogmáticos, como no comportamento de seus fiéis e de seus sacerdotes.

Outro fator preocupante aqui presente, é visto como algo natural e inclusive incentivado dentro destas organizações iniciáticas.

Tendo a temática tão conhecida e usada por Akhenaton como base, e levando-se em consideração o ciclo do ano com suas estações, é dito que sendo o sol o centro do sistema solar, o postulante a iniciação deve procurar ser um espelho do próprio sol, e a ele se unificar.

A este ponto, outro tópico iniciático problemático se junta, para causar uma “catástrofe oculta” para aquele que busca a iniciação.

Este tópico vive nas palavras de Dion Fortune, que inclusive nos define a forma de pensar do antigo aeon, dentro do ponto de vista a cerca da iniciação como era entendida até então:

…O máximo que alguém pode atingir em vida é a iniciação até Tiphareth – a Sephiroth do Sol – ou no máximo e apenas para alguns Geburah – a Sephiroth Marcial . Tendo então todos os seus passos regulados pelas ordens dos adeptos isentos de carma de Chesed – Sephiroth de Júpiter – que recebem as influência divinas diretamente da tríade suprema, que nenhum ser vivo pode alcançar em vida, salvo gênios como Moisés – Moshé…” .

Bem sabemos pelas úteis informações acima citadas, que Moshé e Abraão foram nomes posteriores gerados para representar a lembrança dos atos de Akhenaton, sobrevivente em meio aos descendentes dos que viveram em Akhetaton, e que seguiram a expansão egípcia, fundando depois o Reino de Juda.

Mas isto seria apenas um detalhe simbólico, tomado com base para apenas por seu uso para coisas maiores, se não existissem mais coisas a serem mencionadas nas entrelinhas.

Em primeiro lugar, não é o Sol o centro do universo daquele que observa o universo.

O observador do universo é o centro do universo que ele mesmo observa, e em outras palavras, deve ele ir em direção a si mesmo e não em direção ao ponto de vista de outro, mesmo que simbolicamente.

Em seguida, devemos ressaltar que os adeptos chamados de “isentos de carma”, são citados pelas tradições como sendo, por exemplo: “Cristo, Saint Germain, Maomé, Moisés, Akhenaton, etc…”

Deduzimos então, que em nenhum momento houve a isenção de carma de qualquer um dos que acima forma citados, pois o único que não foi abordado anteriormente de alguma forma, foi Saint Germain, que foi muito conhecido na Europa por suas enormes dívidas de jogo, todas elas no geral pagas pelas artes de sua bela e sensual esposa.

Desta forma, se observarmos bem o que Dion Fortune nos transmite, e que inclusive é opinião geral das formas inciáticas e religiosas do Velho Aeon, os Adéptos Menores – uma representação esquematizada dos vetores solares, incluindo aqui das religiões monoteístas, que no geral são todas elas fálico solares – são dominados e direcionados pelos Adeptos Maiores – que são representações dos líderes e criadores de religiões dogmáticas, ou seja, monoteístas.

Esta é a escala de dominação que subsiste no dogma fálico solar!

E há ainda mais oculto dentro disto.

Por mais penoso que o seja, devemos abordar este tema de forma clara.

Em meio aos cultos gnósticos, dos quais o foco gerador são os Essênios, gerados pelos Hassidim, a idéia difundida ali presente era de que havia um deus bom e um deus mal, ou no caso do monoteísmo com hoje o conhecemos, um “deus versus um de seus anjos”!

Estes cultos percebem o mundo físico como dominado pelo deus mal, no caso “Saklas” o demiurgo, e o mundo dos céus ou celeste como reino do deus bom.

Isto advém do pensamento de grupos humanos como os Maniqueus, por exemplo, que eram dualistas e apresentavam este ponto de vista, que na verdade nasceu das representações Fálico Solares da eterna oposição do Deus Sol contra um Ser Serpentiforme – como é o caso da oposição de Apolo contra Piton; de Rá contra Apophis, de Baal contra Lotan; e até mesmo da oposição de Marduk contra Tiamat, também vista na representação grega deste mito onde Zeus enfrente Typhon, que não é Solar mas guarda muitos dos elementos usados como base pelo monoteísmo.

Disto floresceu a idéia de que o espírito, sendo visto da mesma forma que os egípcios adoradores do sol o viam, seria uma representação solar, e portanto pertinente ao céu, e como o espírito somente estava presente no corpo da mulher quando esta estava grávida – segundo a visão fálico solar aqui apresentada.

Logo a mulher veio a ser uma expressão da matéria e da Terra, e portanto algo visto como pertencente ao demiurgo, ou mesmo uma expressão do demiurgo – como na lenda monoteísta de Lilith, que nada possuía em comum com a Lilith suméria.

O veículo para o espírito passou a ser então o falo, e o espírito é visto nesta temática como estando concentrado no sêmen.

Um detalhe muito importante neste momento para o nosso devido entendimento, das fontes e bases desta forma de pensar, foi o modelo Védico, que via os essênios e bem como o culto de Krishna, foi usado como modelo a este respeito – ou mesmo antes disto, já que o Demiurgo originalmente pensado por Sócrates e Platão, não tinha nada haver com o Demiurgo dos gnósticos, mas teve sua origem no Purusha do Vedanta.

Os atos sexuais levam ao contato com uma mulher, ou com alguém que fará as vezes de passivo – e portanto de quase feminino – e desta forma, estes atos foram vistos como vias malignas, que afastam o adorador ou o pleiteante de iniciação dos benefícios do céu, do sol e da fé.

Perder o sêmen foi visto como uma forma de adentrar nos reinos da desgraça do demiurgo e do que veio a ser entendido como “inferno” – embora saibamos que o Hell, tal e qual o Tártaro, nada tem haver como ponto de vista monoteísta, mas foram absorvidos e plagiados, e depois adulterados para servirem aos propósitos do dogmatismo.

Assim sendo a magia sexual deste tipo foi desenvolvida com o pensamento ligado a esta via que é solar e masculina, e é justamente nisto que muitas das estruturas básicas da iniciação do Velho Aeon se baseiam, e é também por isto que não se aceitam mulheres naquilo que se determinou por “maçonaria oziriana”.

No Velho Aeon, o iniciando na maioria das organizações de cunho “Iluminati”, é visto como o próprio “jesus cristo”, que sofre inicialmente os martírios, para então após a crucificação se erguer em glória, em retorno ao pai.

Desta forma, podemos observar que em muitos casos, é pleiteado que as fases da dita vida do assim dito “cristo”, são subdivididas como as sephiroth da Árvore da Vida, sendo que o assim chamado “mistério da crucificação” seria então a passagem pelo abismo, que no cabalismo e hermetismo é chamado de Daath, sendo então sua descida a mansão dos mortos Binah, e sua ascensão ao s céus, Chokimah, estando a experiência que se atribui a Kether, como algo jamais mencionado, e taxado como inatingível, e além de qualquer descrição para os que não passaram pela mesmo, sendo que é dito que os que “viram yaveh face a face”, jamais relataram o que viram, dentro da concepção do Velho Aeon.

Se somente houvesse o monoteísmo desde o início dos tempos, e se somente fosse um culto masculino, desde o começo dos tempos, ou pelo menos que o mais antigo culto fosse monoteísta e fálico solar, então estaríamos lidando com alguma possibilidade de veracidade a cerca do desenvolvimento dos praticantes, dentro desta temática.

Mas não é assim!

Em primeiro lugar, devemos entender que o ponto de vista que aborda este princípio, tem por base a idéia fálico solar, que como já foi exposto acima, tende a mencionar a Terra como domínio e reduto do mal, e o céu como domínio e reduto do bem, e ao homem como exemplo do Céu e do Sol, e a mulher como exemplo da Terra e da Lua, esta temática leva a concepção de que somente o homem possuí espírito e é passível de evolução, aliás este pensamento era muito presente dentro do gnosticismo, pois era dito que uma mulher deveria renascer como um homem, para poder evoluir para além do mundo físico, em direção aos reinos espirituais.

Em segundo lugar, também como já foi mencionado acima, os ritos fálicos solares que são a base para estas formulas iniciáticas, são todos eles de origem de cultos politeístas e que não são obrigatoriamente solares, em verdade muitos cultos solares do passado eram vinculados a deusas e não a deuses, como é o caso da Deusa Sowelo dos Nórdicos, da Suria dos Hindus, Sekhemet dos Egípcios.

E uma enorme quantidade símbolos de cultos mais antigos, foi usada para dar base para os cultos monoteístas e fálico solares, como é o caso de Horus, Mitra, Krishna e Tamuz, que deram corpo ao monoteísmo cristão.

No monoteísmo encontramos a necessidade implícita de eliminar o diferente e o discordante, com um fundo absolutista, claramente coerente com a proposta de centralização a qualquer preço, mesmo que seja aquele que a sociedade humana tem pago a dois mil anos.

Se observamos com cuidado, o corpo de experiências descrito dentro do monoteísmo, contém os mesmos elementos (até um certo ponto), que poderíamos encontrar dentro do politeísmo como era citado pelos gregos, por exemplo, e isso tem sido muito usado como base para causar adulteração do conhecimento, por muitos movimentos de pseudo iniciação.

Estes movimentos afirmam o mesmo que os movimentos dogmáticos afirmam, que a fonte da tradição e do ser humano é aquela que está descrita tal e qual a torah, bíblia e Corão, o apregoam, e que as multiplicidades de idiomas partem do episódio de babel, e que os povos impuros adoraram na verdade anjos caídos, e que somente o povo eleito (quer seja ele o judeu, islâmico ou cristão), é o único que está em afinidade com o deus único do absolutismo dogmático.

Duas de suas maiores bases residem na história de Moshé (Moisés), e antes dela, na história de Abraão (doze gerações posterior a Enoche pelo torah), sendo que a cabala teria sido transmitida por Enoche a seus descendentes.

Sobre Enoche é dito:

“E andou Enoche com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoche trezentos e sessenta e cinco anos. E ando Enoche com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou.

Este Enoche os Essênios e os pós essênios chamaram também de Hermes Trimegistus, figura presente mesmo nos testos sabeanos traduzidos por Miguel Psellus e Ulf Ospaksson em Bizâncio, como é o caso de um documento chamado Corpore Hermeticum, que os cidadãos de Harram – os sabeanos – teriam escrito, sob influência dos já citados movimentos gnósticos.

Desta figura mítica teve origem o movimento hermético, e o cabalismo em voga na idade média e moderna, usado até estes dias.

No entanto, como vimos na apresentação dos fatos históricos, acima, tanto Moisés quanto Abraão, são formas geradas para dar substância a sobrevivência da lembrança de Akhenaton, em meio aos cultos gerados na terra de Judah, praticados pelos rabinos, que ampliaram sua história e adicionaram os problemas que tiveram com outros povos, para dar mais corpo a mesma, sendo também usados símbolos, palavras, deuses e formas adorativas de povos a sua volta para tanto.

Um exemplo disto é o deus Shemesh, cujo nome foi por eles empregado como atribuição do sol, ou mesmo o uso das 22 letras fenícias para dar base ao hebraico, posteriormente reforçado pela dominação dos gregos sobre os judeus, com o advento do uso dos costumes dos gregos em empregar suas letras como vetores numéricos, sem mencionar o nascimento da gematria, notaricom e temurah tanto disto, quanto dos costumes dos seguidores de Pitágoras e Platão, absorvidos via os judeus hassídicos, antecessores dos essênios. Ou mesmo o nome de Zeus, “Joveh”, que foi absorvido pelos rabinos para ser a base etimológica de onde surgiu o nome “Yaveh”, que é o nome o dito “nome de deus” na Torah.

Desta forma, toda a atribuição dada a cabala e ao hermetismo, de fontes únicas da tradição da humanidade, reverte-se com as mesmas expressando-se como um composto de várias tradições matemáticas, simbólicas e politeístas, sob orientação monoteísta e dogmática, cujas experiência místicas e mágicas, podem gerar uma catarse que leve ao ser humano a desenvolver-se além dos limites impostos pelo dogmatismo, que naturalmente é um elemento de escravização da mente humana.

Os terrores do abismo, nada mais são do que expressões dos medos que são tão comuns em Zeus, Apolo, Rá, Omuz Mazda e Baal a cerca de Typhon, Píton, Apophis, Ariman e Lotan.

Estes medos são claramente uma forma representativa dos temores do ego, que está envergando uma série de medos e receios de perder a plena dominação da psique, que está em vias de tomar contato com o inconsciente superior, e portanto estando as portas de sua verdadeira vontade.

Como explicado acima, os meios e modos iniciáticos ligados ao sistemas fálico solar, contém esta armadilha interna, e na vazão exata da forma de pensar presente no hermetismo, tal e qual Dion Fortune expressou, ao atingir o ponto imediatamente anterior experiência ctônica do abismo, a manifestação máxima presente dentro dos cultos dogmáticos, plenamente visível nos vultos como o de Zeus e Marduk por exemplo, gera uma cisão na psique do praticante, que contempla nesta modalidade iniciática aquilo que se determina como sendo “…El…”, vivendo na sephiroth de Chesed. El por sua vez, é entendido como sendo o termo singular para Helohim (Deuses), que aparece em descrição acima.

Deus-El vive em Chesed, que é dita como sendo a serphiroth da misericórdia, e desta forma contemplamos os vínculos herméticos forjados das origens etimológicas politeístas, pois Chesed é atribuída a Zeus-Joveh, e assim passamos a compreender quais são os verdadeiros temores citados sobre o abismo, e o que realmente representa transcender o abismo, em termos realmente práticos.

Quando nos erguemos além do chamado abismo, o que viremos a contemplar além das muralhas tecidas pelo dogma é justamente o oposto do que é pretendido, dentro dos mecanismos de manipulação fálicos solares, pois percebemos que a experiência do dito deus uno, como apresentada pelo dogma presente nas Iniciações do Velho Aeon, são fatores naturais e presentes apenas e tão somente até aquilo que se determina chamar de chesed, e apenas e tão somente se os meios e modos iniciáticos usados para se chegar até este ponto, forem os que estão presentes no tradicionalismo hermético, sendo que outras formas de desenvolvimento que não se utilizem da metodologia apresentada dentro da Ortz Chaim, excluem de si esta situação.

Basicamente falando, os elementos acima são em muitos casos a base para os modelos iniciáticos conhecidos pelo termo “illuminati”, pois as chamadas irmandades da luz, dedicam-se a estes modelos de iniciação universal, desprezando a possibilidade de se ir além dos modelos concebidos previamente sem conhecimento das fontes, origens ou outras formas de pensamento, mas supostos como universais – e portanto católicos – para todos os povos, coisa que em si mesmo é um erro, já que como vimos, as coisas não correm desta forma.

Estes movimentos que oficialmente foram iniciados por Adam Weishaupt, na Baviera em 1776 da era vulgar, e aos quais se procuram estudar a origem extra-oficial em Hassam Ibn Sabbah o “velho da montanha”, ou posteriormente em Saladino, que combateu eficientemente os cruzados, e desencadeou o nascimento da Ordem dos Templários, indiretamente, que veio a dar nascimento a Maçonaria.

O fato é que a disposição criada por Sabbah dentro da Ordem dos Nizarins – termo que implica nos fundamentos do Corão – levou em consideração o batanya, que é a forma como se pode referir as ciências secretas, ligadas a iniciações e costumes Gnósticos, que foram introduzidos dentro desta Ordem assim como o costumeiro uso do Hashishiyun – usado de forma similar a algumas descrições modernas dadas por Crowley sobre Eleusis – e que alguns afirmam ser a fonte para muitas organizações extremistas árabes, nos dias atuais, tem vínculos em larga escala com a história de Saladino.

Para começar, o líder da Ordem dos Nizarins Hassam Ibn Sabbah, viveu entre 1034 e 1124 da era vulgar, e Saladino – aliás Rei Curdo do Egito – viveu entre 1.138 e 1.193 da era vulgar, tendo justamente o ápice administrativo de sua vida existido no momento de maior fervor religioso da Ordem dos Nizarins, pouco tempo após a morte de seu fundador.

Como foi logo em seguida a mais proeminente figura islâmica – por assim dizer, pois sua ascendência Curda, fazia dele muito provavelmente um herdeiro Yezidi, ou seja, um adorador de Malak Thaus ou Shaitan – reuniu a sua volta guerreiros mulçumanos em grande quantidade, para enfrentar a ameaça dos cruzados, que sob ordens do Vaticano estavam invadindo a região da terra, que para os árabes também era considerada sagrada, se bem que por outros motivos.

A força e estratégia de Saladino, causaram tamanhos entraves ao avanço dos templários, que o engendrar de uma companhia militar mercenária se fazia necessária em todos os sentidos para aquele período, tanto para salvaguardas as caravanas, quanto para servir de oposição aos islâmicos e seus Nizarins.

Desta forma foram criados os assim chamados “…pobres cavaleiros de Cristo…”, que em verdade após anos combatendo Saladino, tomando contato com a administração e trato usados pelo mesmo e bem como pelo que era visto, ou sabido por terceiros, a cerca dos Nizarins. Sem mencionar que alguns dentre os templários, ao serem capturados não foram mortos, como uma forma de estratégia para introduzir-se dentro da Europa sob várias frontes de batalha ao mesmo tempo, alguns dos templários foram introduzidos dentro dos círculos mais externos da Ordem dos Nizarins, sob a administração e ponto de vista de Saladino – que como foi acima mencionado, parece ter muito em comum com o culto de Shaitan – e enviados de volta para a Europa.

Estes ao entrarem em contato com seus superiores, aliados ao que se sabia e se ouvia dizer sobre a mesma, geraram um diferencial dentro da Ordem dos Templários, combinando-a com elementos gnósticos – assim como Ibn Sabbah o fez com os Nizarins – e fundindo a esta, elementos naturalmente encontrados em solo espanhol, como por exemplo mapas de rotas antigas, elementos ligados ao culto Herético do padre Ário, e em suma, muito do que foi a administração dos Godos sobre quase toda a Espanha e toda a parte norte de Portugal, desencadeando assim entre outras coisas, o surgimento da arquitetura gótica, e dos movimentos góticos, no decorrer do tempo.

Os templários acumularam tal capital em seus castelos, que o protótipo da ordem de pagamento, ou do “cheque”, foi engendrado por eles, pois qualquer um que chegasse a um castelo templário, poderia trocar seus bens por um determinado peso em ouro, e excetuando-se um valor cobrado pelo castelo para fazer tal coisa, poderia trocar o documento por ouro, em qualquer outro castelo templário.

Seus hábitos e costumes mesclados, imbuídos tanto de elementos cristãos, quanto de elementos mitraicos e gnósticos, levou-os a adotarem o culto a Baphomet, que pode ter as seguintes correlações: Baph somado a Metis do grego “Batismo de Sabedoria”; ou da composição do nome de três deuses: Baph – que seria ligado ao deus Baal – Pho – que derivaria do deus Moloc – e Met – advindo de um deus dos egípcios, Set – e há ainda “Baph Mitra”, que significaria “Pai Mitra”; ou o mais usado “TEM OHP AB” que é a abreviação de “Templi Omnivm Hominum Pacis Abbas“, ou em português, “O Pai do Templo da Paz de Todos os Homens”.

O fato é que Felipi VI, falido Rei da Espanha, pensou em se apoderar de seus muitos bens, e para tanto mandou assassinar um Papa, e colocou outro em seu lugar para dar prosseguimento a seus planos.

No entanto o poder e terror inspirados pelos templários era tamanho, que o papa Clemente V temia fazê-lo, e somente o fez com uma adaga encostada em sua garganta, quando assinou o documento que deu origem ao mais nefasto período da história da humanidade, a Inquisição.

Com este documento em mãos Felipi VI, mandou prender Jaques de Molay, líder da Ordem dos Templários, assim como muitos outros da mesma, se apropriou de todos os bens desta ordem que pode encontrar, e provocou uma fuga em massa dos Templários para região da França, onde tempos depois foi fundada a Franco Maçonaria.

A Maçonaria por sua vez, contando com elementos já vinculados ao cabalismo e hermetismo, tornou-se responsável com o crescimento de sua influência, de uma série de marcantes movimentos políticos, como a ascensão de Napoleão e bem como sua queda, ou a queda da bastilha e a revolução francesa, que foi toda ela galgada sobre os três pilares maçônicos “Liberdade, Fraternidade e Igualdade”.

No entanto, desejosa de obter controle sobre este tremendo instrumento de poder, a Coroa Britânica ordenou o assassinato do Grão Mestre da Maçonaria daquela época, e colocou no poder um Grão Mestre Inglês, que instituiu dentro da Ordem Maçônica, um voto de juramento a Coroa da Inglaterra.

Daí em diante nobres, comerciantes, militares e pessoas do povo, que fizessem parte da maçonaria, passaram a trabalhar em prol da Inglaterra.

Isto explica o fato dos piratas que atacavam os barcos Portugueses e Espanhóis, serem chamados de Corsários pelos Ingleses, e serem todos eles nobres da corte britânica, ou mesmo participantes da Câmara dos Lordes. E bem como, isto explica por que o Brasil assumiu a dívida de Portugal, favorecendo a Coroa da Inglaterra em muito com tal ato.

Mas a muito mais dentro do conceito das organizações secretas a ser discutido, no tocante a maçonaria e aos que a ela se ligaram.

Voltemos nossa atenção brevemente para aquilo que se conhece como Ordem Rosacruz.

Ali encontraremos o Confessio Fraternitatis escrito em 1615, onde é feita a defesa da Fraternidade, exposta no primeiro manifesto em 1614, contra vozes que se levantavam na sociedade colocando em pauta a autenticidade e os reais motivos da Ordem Rosacruz. Neste manifesto se pode encontrar as seguintes passagens que nos mostram a natureza “illuminati e portanto cristã” dos Rosacruzes:

“…O requisito fundamental para alcançar o conhecimento secreto, de que a Ordem se faz conhecer possuidora, é que sejamos honestos para obter a compreensão e conhecimento da filosofia descrevendo-nos simultaneamente como Cristãos! Que pensam vocês, queridas pessoas, e como parecem afetados, vendo que agora compreendem e sabem, que nós nos reconhecemos como professando verdadeira e sinceramente Cristo, não de um modo exotérico e sim no verdadeiro sentido esotérico do Cristianismo! Viciamo-nos na verdadeira Filosofia, levamos uma vida Cristã! Condenamos o Papa como a verdadeira Besta…”

E por notarmos que o Brasão de Armas de Lutero é o mesmo usado pelos Rosacruzes, para dar nome a seu símbolo máximo – justamente a Rosa e a Cruz – e a isto aliarmos o fato de que este movimento nasceu para dar apoio a administração dos Estados Protestantes da Boêmia, sob Frederico V, saberemos então porque foram apoiados pelo mesmo naquele território, e bem como qual a natureza de sua força motriz.

E quanto pensamos na história da organização que veio a dar origem a Maçonaria, ou seja a Ordem dos Templários, e bem como nos atemos ao que sobreveio a mesma sob os atos do papa Clemente V, entenderemos então os atos entrelaçados da Maçonaria e bem como os usos que a mesma deu as contribuições dos protestantes, a cerca tanto da movimentação política de então, quanto ao direcionamento simbólico que pretendeu posteriormente, principalmente quando ela veio a estar sob total influência da Coroa Britânica, já totalmente desvinculada do Vaticano.

Com tudo isto veremos que na verdade, Adam Weishaupt foi influenciado em sua reformulação do movimento dos Illuminati da Baviera, por ação do protestantismo rosacruciano, contido por exemplo no Confessio Fraternitatis acima descrito, e no entanto todos este movimentos contém sementes do gnosticismo quer seja pela via indireta dos Templários e de seus descendentes os Maçons, quer seja pela via da Ordem dos Nizarins de Hassam Ibn Sabbah, também usada por Saladino o Curdo, e quer seja pela influência que Saladino deu a todos que passaram por sua autoridade, uma vez que o mesmo era Curdo e que muito provavelmente possuía fortes influências Yezidis, em sua conduta.

No entanto observamos em todos os movimentos acima, Duas Coisas muito proeminentes.

A primeira delas é a constante batalha destes movimentos uns contra os outros.

A segunda, é o fato de que todos eles ou são descendentes de uma mesma fonte, ou detém os mesmos símbolos, ou afirmam as mesmas verdades, e ao final das contas são todos movimentos ligados a “iluminação do ser pelo sol da sabedoria secreta monoteísta”, que incansavelmente luta contra as trevas do grande inimigo infiel, que vive apartado da dita graça de “cristo-allah-yaveh-aton”!

E por tudo que já foi anteriormente descrito, saberemos que trata-se por um lado de corpos religiosos baseados em dogma, que em si mesmo sempre é vazio, e por outro em processos de catarse psicológica, que estão incompletos pelo uso apenas do que afirma a base escravagista da fórmula fálico solar, sendo sempre deixadas de lado toda e qualquer forma simbólica, por mais rica que seja, que aborde formas de pensamento diversos do dogma corânico, bíblico ou talmúdico, mas que mantém de forma adulterada, os simbolismos dos quais o dogma veio a se apropriar indevidamente, para dar sustentação a si mesmo – como foi largamente discutido acima.

Agora surgirá a seguinte pergunta:

Há possibilidade iniciática nos tempos modernos, dissociada dos melindres e tolices seculares – milenares na verdade – que possa nestes dias levar alguém a se erguer para além dos limites do ego, da falsidade social, da falsidade pessoal ou do rastejar contido na lastimável misericórdia, que tanto é citada como grande e respeitável virtude?

Certamente que sim!

Observemos que os reflexos deste Aeon, já eram notados em 1848 e.v. – com a obra de Orestes Brownson – e em 1888 da vulgar era cristã, quando uma das mais celebradas obras de Friedrich Nietzsche “O Anticristo” foi escrito – embora tenha sido somente publicada em 1895 e.v. – e desde aquele momento, começaram a tomar sena em meio ao mundo com cada vez mais ênfase, pois pouquíssimo tempo depois movimentos de renascimento de cultos, tradições e formas de conhecimento que historicamente se opuseram ao cristianismo e a outras formas de expressão fálico solar, ou dogmáticas conhecidas, começaram tanto a ganhar contornos quanto a se fazerem cada vez mais presentes na sociedade moderna.

Pois justamente em 1895 e.v. Carl Kellner, Franz Hartmann e Theodor Reuss engendraram os moldes do que então viria a ser conhecido como Ordo Templi Orientis, que veio a ser fundada concretamente em 1902 e.v., justamente o mesmo ano em que Karl Anton List desenvolveu um sistema de resgate das tradições setentrionais, que impulsionou uma gigantesca quantidade de trabalhos seus e de outros que vieram posteriormente.

Apesar da O.T.O., fundada por Carl Kellner, ter sido pensada nos mesmos moldes dos sistemas “illuminati” que acima foram mencionados, a mesma tanto já nasceu com alguns elementos diferentes em sua forma de expressão, como também veio a passar por alterações imensas poucos anos depois.

Esta academia de treinamento para maçons, como era o intento dos fundadores no início, contava com rituais sexuais ligados ao ponto de vista de Franz Hartimann e bem como a filosofia dos movimentos Samkhya e Addvaista, e contava com métodos de preparação do chamado elixir alquímico, que se usa de uma abordagem ligada a um ponto de vista acima citado, referente ao espírito estar presente no sêmen, e se fixar para o consumo via a emanação lunar do sangue menstrual.

Em 1904 e.v., na cidade egípcia do Cairo, Rose Kelly veio a ser o veículo pelo qual Aleister Crolwey recebeu o Liber Al vel Legis como a lei máxima do novo Aeon.

Este livro possuía uma tal natureza, que o comentário de Crowley ao seu término era caracterizado pelo terror, dado o choque cultural, social, religioso e político proposto no mesmo, que em muito já se alinhava com as disposições traçadas por Nietzsche em seu Anticristo, com o trabalho de Raleais “Gargântua e Pantagruel” e com o enfoque de Karl Anton List, perante a ética e o caminho de oposição a ser tomado.

Em 1912 e.v. Theodor Reuss convidou Aleister Crowley para encabeçar o ramo inglês da O.T.O., após ter testemunhado em um de seus trabalhos a chave do Santuário Supremo da Gnose.

Crowley que já havia engendrado a A.A. dentro de pontos de vista similares aos da O.T.O., mas já embasada no Liber Al vel Legis, não viu nenhum obstáculo em polarizar a O.T.O. com o Liber AL, tornando-a desta maneira uma forma de expressão do Thelemismo.

Paralelo a isso, os movimentos engendrados por K.A. List desdobraram-se de tal forma, que um trabalho de Orestes Brownson de nome “O Renascer do Odinismo” escrito em 1848 e.v., foi usado como base para engendrar um movimento com este nome em 1930 e.v., e que se estendeu em vários países, incluindo a Islândia, chegando a engendrar ali em 1972 e.v., a aceitação de uma derivação de seus conceitos sob o nome Asatru, com religião oficialmente aceita naquele país, e em 1973 e.v. foi criado o Odinic Rite na Inglaterra, e uma série de outros sistemas setentrionais entrou em curso desde então.

Em meados de 1900 e.v., em solo eslavo o mesmo começou a ocorrer, pois a Romuva – tradição natural dos povos Eslavos e Bálticos – que havia sido suprimida pelas artimanhas, perseguições e engodos dos jesuítas, voltou a tomar corpo no leste asiático.

No entanto em meados de 1940 e.v., o avanço soviético usando-se dos meios mais violentos a sua disposição, procurou exterminar todos os praticantes de Romuva que pôde encontrar, sendo que a mesma veio a se manter oculta no seio das famílias que ainda sustentavam seus ideais, até que 52 anos depois, por puro esforço de vontade e insistência veio ela a ser reconhecida em meio a muitos estados eslavos.

Em tempos muito recentes, os templos gregos voltaram a ser usados pelos “Hellenistas”, que procuram o resgate dos cultos antigos da região grega, e ali puderam reunir 50.000 pessoas, para adoração dentro dos templos helênicos.

Todos estes movimentos polarizados em seu início basicamente no mesmo momento histórico, não foram outra coisa senão o efeito indireto do despertar de melhores e mais precisas formas de iniciação, ligadas a fórmulas verídicas do desenvolvimento humano e que no geral contém veracidade histórica, tanto como um de seus sustentáculos, quanto expressão esta veracidade via seus símbolos e mistérios falando diretamente aos povos que participam da ancestralidade dos mesmos, ou falando aqueles que ligam-se a esta ancestralidade por identificação.

Se analisarmos o texto básico do thelemismo, notaremos que seu desenrolar nada tem em comum com as fórmulas de miserabilidade humana que Nietzsche sempre atacou, uma vez que neste mesmo texto não há espaço para o fraquejar ou para a misericórdia, que em si é vista como um vício.

Se notarmos os elementos acima reunidos, lembraremo-nos que a esfera de chesed citada dentro do cabalismo e hermetismo, lar da fórmula de “…Yaveh-Joveh-Zeus-Deus…” expressa pelo nome do deus supremo dos fenícios “..El…” ou “…Al…”, que foi absorvido para uso pelo hebraico como termo que define o deus do monoteísmo “…El…”, cujo plural ou coletivo é “…Helohim…” – como acima descrito.

Veremos que misericórdia é atribuída diretamente a esta sephiroth, que aliás é a antecessora da citada experiência do abismo, que abriga em si todos os temores de Zeus a cerca do despertar e liberdade dos Titãs.

Sobre isto o Liber Al vel Legis, deixa bem claro em suas estrofes a orientação pretendida para este Aeon:

21. Nós não temos nada com o proscrito e o incapaz: deixai-os morrer em sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão é vício de reis: pisa o infeliz & o fraco: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria do mundo. (Livro II – Hadit);

18. Que a piedade esteja fora: malditos aqueles que se apiedam! Matai e torturai; não vos modereis; sede sobre eles! (Livro III – Rá Hoor Khuit)

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Que muito guardam em comum com esta estrofe da tradição setentrional:

127.Se estás consciente que o outro é perverso, diga: não tenho trégua ou acordo com inimigos! (Havamal)

E bem como com estas importantes passagens do Anticristo de Nietzsche:

O que é bom? – Tudo que aumenta, no homem, a sensação de poder, a vontade de poder, o próprio poder.

O que é mau? – Tudo que se origina da fraqueza.

O que é felicidade? – A sensação de que o poder aumenta – de que uma resistência foi superada.

Não o contentamento, mas mais poder; não a paz a qualquer custo, mas a guerra; não a virtude, mas a eficiência (virtude no sentido da Renascença, virtu(1), virtude desvinculada de moralismos).

 

Os fracos e os malogrados devem perecer: primeiro princípio de nossa caridade. E realmente deve-se ajudá-los nisso.

 

O que é mais nocivo que qualquer vício? – A compaixão posta em prática em nome dos malogrados e dos fracos – o cristianismo…

 

Como pudemos então observar acima, o alinhamento que culminou com o nascimento do Liber Al vel Legis, tem características muito bem definidas que tendem a extirpar de si as formas mendicantes e sofríveis, que marcaram os tempos antigos, e procuram livrar-se das adulterações históricas e bem como dos dogmas e vícios que são tão comuns em meio ambiente fálico solar secular, que tem acompanhado a humanidade de forma tirânica tolhendo-lhe o livre pensamento.

O advento do thelemismo serviu como uma cabeça de aríete para dar passagem a uma série de estilos de expressão religiosa, artística, filosófica e científica em total oposição ao Aeon do Culto dos Escravos, buscando a divindade que subsiste na humanidade e pela humanidade, e bem como as formas de enaltecimento da nobreza de ser, da disciplina, da força, da vontade e da coragem do espírito do ser humano, não mais visto agora como um pecador a ser salvo, e sim como um deus a ser despertado, pois se o thelemismo afirma que “cada homem e cada mulher, são uma estrela”, também isto pode ser encontrado dentro das formas setentrionais, eslavas e célticas – entre outras – renascidas dentro deste pulso crescente, onde podemos encontrar citações tais como “quando os deuses criaram a humanidade, eles criaram uma arma”!

Neste Aeon aquele que pleiteia a iniciação deve buscar encontrar a si mesmo como o Centro do Universo, e não mais o Sol como tão freqüentemente ocorreu no Aeon passado, sob o dogma e as adulterações, e entender a si como uma estrela com um propósito, uma órbita, uma lei especificamente sua.

Ele não mais deve buscar virar a outra face, antes deve ele atingir o inimigo e extirpar-lhe a existência de forma fria e dura, pois a lei é a lei do forte e do mais capacitado.

Desta maneira vem a ser uma obrigação de todos os sistemas nascidos nesta maré de renovação, de eliminar todo e qualquer vestígio de maculo dos antigos tempos do dogma, pois tanto dão margem para suposições e aplicações baseadas em falsidade e mentira histórica ardilosamente manipulada, quanto são instrumentos de plágio e de experiências vividas pela metade, para dar alguma consistência ao “monotonoteísmo” – parafraseando Nietzsche.

Não é mais cristo quem está visível no altar!

Ali devem estar as imagens bélicas, belas e orgulhosas de Hoor, Baldhur, Dazbog, Belennos, Heracles ou Utu Absu.

Não é mais o manto recatado de uma Maria inviolada que deve instigar o coração das mulheres, e sim o brilho da estrela da manhã, sob a graça de Inanna, Astaroth, Freija, Lada, Afrodite e Isis.

Não mais deve ser celebrado um matador de dragões, antes disto Hadit, Svarog, Neit, Lock, Ophion, Dagon, Zalts serão celebrados como a fonte do saber humano, e origem da divindade humana.

Não mais as fórmulas que relegaram diferenças baseadas na simbologia do falo solar, podem ser empregadas nestes tempos sem que se pague o preço do ridículo, do escárnio ou do manto da tolice ou do engodo. Pois a história e a ciência juntas comprovam, que tem sido sempre assim em meio ao dogma e seu bastião.

No entanto tristemente podemos notar como, apesar dos sinais diretos e indiretos, sutis ou grosseiros, violentos ou suaves, constantemente baterem a porta de todos os ditos iniciadores. Estes em sua maioria prosseguem nos usos e costumes das falhas do Antigo Aeon, e em nenhum momento pautam-se em meios e modos de alterar sua conduta, ou sequer supõe-se errados em usá-la.

Esta conduta contumaz é fruto da relutância em perceber os próprios erros, ou na necessidade do ganho fácil proveniente do uso dos modelos antigos, ou do tráfico de influência que se possa fazer ao mantê-lo em voga, mesmo que se saiba o quão errado tal ato está.

Assim sendo, e tendo como base de análise o caso thelemico, veremos que em dado momento é afirmado no tema básico dos thelemitas, o Liber Al vel Legis, a cerca de Crowley que:

…49. Abrogados estão todos os rituais, todas as ordálias, todas as palavras e sinais. Ra-Hoor-Khuit tomou seu assento no Equinócio dos Deuses; e que Asar fique com Isa, que também são um. Mas eles não são meus. Que Asar seja o Adorador, Isa a sofredora; Hoor em seu nome secreto e esplendor é o Senhor iniciante. (Livro I – Nuit)…

 

…5. Vide! os rituais da velha era são negros. Que os maus sejam abandonados; que os bons sejam expurgados pelo profeta! Então este Conhecimento seguirá de forma correta. (Livro II – Hadit)…

E considerando-se estas passagens do Livro III de Rá Hoor Khuit, do Liber Al vel Legis:

51. Com minha cabeça de Falcão eu bico os olhos de Jesus enquanto ele se dependura da cruz.

52. Eu bato minhas asas na face de Mohammed & o cego.

53. Com minhas garras Eu rasgo a carne do Indiano e do Budista, Mongol e Din. 

54. Bahlasti! Ompedha! Eu cuspo em seus credos crapulosos.

55. Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: por sua causa que todas as mulheres castas sejam totalmente desprezadas entre vós!

56. Também por causa da beleza e amor.

57. Desprezai também todos os covardes; soldados profissionais que não ousam lutar, mas brincam; todos os tolos desprezai!

58. Mas o perspicaz e o orgulhoso, o real e o altivo; vós sois irmãos! 

59. Como irmãos, lutai!

 

Entenderemos que a lei de thelema é irmanada a todas as formas de expressão que veiculam o forte e o orgulhoso, o disciplinado e o capaz, em total oposição a misericórdia, compaixão, hipocrisia religiosa, falsidade moral e mentiras históricas que são legítimas representantes do movimento religioso fálico solar, desde Akhenaton dos golpes políticos, religiosos, militares e econômicos descendentes de sua atitude néscia.

E, no entanto, o próprio Crowley manteve alguns destes erros, que foram continuados por seus discípulos diretos e indiretos, tanto por descuido quanto por descaso.

Seus atos abriram portas a muito fechadas, mas muitas de suas atitudes e posicionamentos mantiveram-se seguramente mantidos dentro das muralhas do que o thelemismo afirma ser o Velho Aeon.

Uma prova disto, é uma análise sua a cerca de “Yod”:

Aleister Crowley, em sua obra O Livro de Thoth – O Tarot, explica: “Yod é a primeira letra do nome Tetragramaton e este simboliza o Pai, que é Sabedoria; ele é a forma mais elevada de Mercúrio, o Logos, o Criador de todos os mundos. Conseqüentemente, seu representante na vida física é o espermatozóide e esta é a razão da carta ser chamada O Eremita…

Em primeiro lugar, os movimentos gnósticos foram galgados sobre as fórmulas que foram acima descritas, e que pela observação adequada, se mostram incapazes de sobreviver neste Aeon, pois nem são históricas e nem são verdadeiramente tradicionais, e no geral apenas sustentam a atuação das bases do Aeon, que insidiosamente mentem-se presente até estes dias, por meio de seus sustentáculos do passado, tipificados como conhecimento, mesmo não o sendo sob a luz da ciência e da história.

Em segundo lugar, esta fórmula gnóstica que relega a mulher ao segundo plano, vista como “…He-Vau-He…”, ou “…Eva…”, enquanto Therion é visto como “…Yod…” e “…Adão…”, questionada inclusive por outro thelemita de nome Kenneth Grant, entra em um beco sem saída quando se observam as seguintes passagens do Liber Al vel Legis, Livro I de Nuit:

…52. Se isto não estiver correto, se vós confundirdes as demarcações dizendo: Elas são uma; ou dizendo, Elas são muitas; se o ritual não for sempre a mim: então aguardai os terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuit!…

…16. Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas para ele é a secreta chama alada, e para ela a descendente luz estrelar…

Se a mulher é somente um corpo sem alma, como gosta de afirmar toda versão antiga da bíblia, e muitas formas de entendimento tanto gnósticas como dogmáticas, então como pode ela tomar contato diretamente com a Luz Estelar de Nuit?

E se Hadit claramente afirmado ali como a Kundalini, no Homem, e deve ser erguer até Nuit, portanto as alturas do Sahashara Chacra, com pode ele ser o espírito se o mesmo procede do Nada Primordial que é Nuit/Tiamat por excelência, e tem nela sua verdadeira morada?

E sabendo-se da verdadeira história de Akhenaton, dos desdobramentos reais ligados a ele, do fato de que não houve envolvimento algum de uma língua sagrada ou sistema sagrado – ou de qualquer divindade real patronal – ligado aos usos e costumes do idioma, usado como base para estudos e aplicações. E entendendo-se pelo estudo adequado, que seus símbolos mais fortes, são de origem de povos mais velhos e mais sábios, e que estes símbolos perderam muito de si ao serem anexados indevidamente para uso do dogmatismo fálico solar dos herdeiros de Akhenaton, e mesmo para representação de fórmulas filosóficas destes, uma vez que em verdade o drama do fiasco que a cidade de Akhetaton foi, é o tema central destes símbolos base que sustentam sua tese de existência, contudo modificados para terem algum sustento histórico, mesmo que extremamente ficcional.

Não se admite mais em momento algum, que se possa supor qualquer uso real ou valor dentro da iniciação, para os códigos e meios e modos, tais e quais acima foram descritos.

Assim sendo, é chegado o momento de dar um basta no medíocre comportamento que tem abundado em meio aos ocultistas e ditos praticantes de outros estilos, onde coisas velhas e já sem uso algum são vendidas com novas roupagens, para não causar náusea aos clientes.

Outros sistemas e símbolos melhores, e outras línguas em total afinidade com o despertar do thelemismo se fazem necessárias para alavancá-lo adiante, como um baluarte da verdadeira e pura vontade humana.

É necessário que a ordem e o valor do alfabeto inglês sejam veridicamente empregado para tanto, com o estudo de suas origens e com o estudo de seus símbolos, que se adéquam em todos os sentidos a lei de thelema, e dos quais tanto necessitam os humanos para poderem dar seu passo além, e finalmente virarem esta página da história onde os grilhões do dogma foram pintados de ouro, e chamados de honraria.

Pois nesta ordem e valor das tradições do alfabeto da língua inglesa, “tzaddi” finalmente poderá ser descartado como “A Estrela”, e o caractere que demarca a “humanidade”, assumira ali seu lugar devido, e “Isa” estará com “Asar”, o qual é “Har” para os anglo-saxões antigos, que em verdade conheceram “Vontade” como seu irmão, e bem como um de seus principais deuses.

Por Grimm Wotan, o Berserker

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-iniciacao-no-velho-e-no-novo-aeon-antagonismos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-iniciacao-no-velho-e-no-novo-aeon-antagonismos/

A Bruxa (explicação do filme)

Por Storm Faerywolf.

(Atenção: grandes spoilers).

OK, bruxas e bruxos… É hora de falar sobre cultura pop e como somos retratados na mídia. Não… este não é um daqueles discursos raivosos sobre como somos erroneamente difamados na TV e nos filmes… é sobre o que eles acertaram. Se você ainda não viu o novo filme A Bruxa (em inglês, The Witch), pare de ler isso agora e largue o que está fazendo e vá vê-lo. Sim, é bom. Não, não é exatamente um filme de terror. (Bem, mais ou menos.) OK… você foi avisado…

Esta é definitivamente um “filme de bruxa para refletir”. O ritmo é lento, a tensão aumenta, com base em relatos históricos de bruxaria na época em que foi criada (por volta de 1630, Nova Inglaterra). Na verdade, o subtítulo do filme é “Um Conto Popular da Nova Inglaterra (em inglês, A New England Folktale)”, o que deve nos dar uma pista.

Ele começa com uma família puritana sendo banida de sua aldeia (pelo que não sabemos) e, posteriormente, caminhando para ganhar a vida no deserto.

Sabemos que a vida será difícil para eles, pois não terão a proteção ou apoio de ninguém além de si mesmos, mas a vida parece estar bem. Isto é, até que a filha mais velha, Thomasin, está brincando de esconde-esconde ou “cadê o bebê?” com o bebê Samuel e ele desaparece misteriosamente.

Não há tempo para o bebê ter sido levado, mas vemos o farfalhar da grama que leva à beira da floresta e somos brindados com a visão de uma figura vestida de vermelho atravessando a floresta densa como o som de um choro bebê enche o crepúsculo. Vemos então uma visão horrível: uma figura feminina nua esmagando os restos do bebê em um grande almofariz e pilão, e depois se lambuzando com a pomada resultante. Estamos testemunhando uma verdade? Ou uma fantasia do que a mente puritana poderia conjurar para explicar o inexplicável? A família está perturbada com razão, mas cabeças mais claras prevalecem sob a orientação do pai, William, e a explicação operacional é que o bebê Samuel foi levado por um lobo e então ele e o menino mais velho, Caleb, saem para procurar, apenas para não encontre nada.

A mãe, Katherine, está arrasada com a perda e não consegue dormir, causando grande preocupação à família. No jantar, uma noite, ela quase acusa Thomasin de roubar uma taça de prata que pertencia ao avô de Thomasin. Thomasin diz que ela não tocou, mas Katherine não acredita nela.

Depois de perceber que sua colheita está sendo dizimada por uma praga (fungo ergot)? (O fungo ergot também é conhecido como cravagem, uma doença de certas gramíneas, causada por fungos, de que resulta o apodrecimento da espiga antes da maturação; também conhecido como: centeio-espigado, corneta, cornicho, dente de cão, esporão, ferragem, fungão, morrão). William e Caleb saem para a floresta para caçar comida. Caleb pergunta ao pai se o bebê Samuel havia ido para o céu, já que ainda não foi batizado e William revela que foi ele quem roubou a taça, vendendo-a no mercado para seus suprimentos de caça. Eles veem uma lebre e ao tentar atirar, o mosquete sai pela culatra, derrubando William no chão.

Quando eles voltam para casa, Caleb mente para sua mãe para proteger seu pai, dizendo que eles saíram para caçar maçãs. Naquela noite, Caleb e Thomasin ouvem seus pais falando sobre sua intenção de mandar Thomasin embora para aprender habilidades de dona de casa, uma prática comum na época. Na manhã seguinte, Caleb e Thomasin saem sozinhos para a floresta para caçar comida. Eles encontram a mesma lebre que ele tinha visto antes. O cachorro deles corre atrás dele e o cavalo entra em pânico, jogando Thomasin no chão e deixando-a inconsciente. Caleb procura pela floresta e finalmente encontra seu cachorro estripado. Caleb tropeça na casa da bruxa, que surge como uma mulher jovem e bonita, atraindo-o para um beijo antes de agarrá-lo duramente com mãos velhas e mirradas.

Thomasin acorda e volta para a fazenda, mas não há sinal de Caleb. Katherine fica cada vez mais desconfiada dela e a acusa de ter algo a ver com o desaparecimento de Caleb e novamente a acusa de roubar a taça de prata. William confessa que roubou a taça e Thomasin sai para verificar as cabras, onde encontra Caleb nu, fraco e balbuciando na chuva.

Os jovens gêmeos acusam Thomasin de ser uma bruxa, principalmente porque ela já os havia provocado dizendo isso, e isso faz com que as suspeitas da família sobre ela cresçam. Quando a família tenta orar por Caleb, os gêmeos afirmam que não conseguem se lembrar de suas orações e novamente a suspeita recai sobre a pobre Thomasin. O feitiço sobre Caleb parece ser quebrado depois que ele tossiu uma maçã inteira. Ele então proclama poeticamente seu amor por Cristo antes de morrer na frente de todos eles.

Depois de ser acusado de bruxaria, Thomasin acusa os jovens gêmeos do mesmo, citando seu estranho relacionamento com o bode da família, Black Phillip, a quem eles alegaram falar com eles em um sussurro. Em um acesso de raiva, William tranca Thomasin e os gêmeos no celeiro com Black Phillip durante a noite enquanto ele enterra seu filho.

Durante a noite a bruxa entra no celeiro e começa a beber o sangue das cabras, assustando Thomasin e os gêmeos. Na casa, Katherine tem uma visão de Caleb e do bebê Samuel, o último de quem ela amamenta. Fora de sua visão vemos que ela está realmente na companhia de um corvo que está bicando seu peito fazendo-a sangrar.

Na manhã seguinte, William sai para ver o celeiro parcialmente destruído. Os gêmeos se foram e ele é atacado por Black Phillip, matando-o. Thomasin tenta correr para ajudar seu pai, mas é impedida por sua mãe, que a acusa de ser uma bruxa. Katherine tenta estrangular Thomasin, mas Thomasin pega uma faca próxima e mata sua mãe em legítima defesa. Agora sozinha, ela entra em casa e – exausta – adormece até o anoitecer. Ao acordar, ela segue Black Phillip até o celeiro e fala com ele: “Eu o conjuro a falar comigo”. Ao que ele responde em um sussurro sibilante: “Você gostaria de viver deliciosamente?” Ele então pede que ela escreva seu nome em seu livro (ela sendo analfabeta não pode, mas ele guiará sua mão) e assumindo a forma de um homem a instrui a remover sua roupa.

Na forma de um bode, ele a conduz pela floresta, onde ela chega a uma fogueira onde um coven de bruxas está celebrando seu sabá.

Elas começam a levitar (o visual aqui é uma reminiscência da pintura de Luis Ricardo Falero de 1878, Witches Going to Their Sabbath (“As Bruxas Vão ao Seu Sabá”, também conhecida como o “Sabá das Bruxas”) e Thomasin segue o exemplo, elevando-se acima da terra enquanto ela ri à luz do fogo.

Este filme é um deleite visual e psicológico. Com base em crenças populares reais, vemos como uma família desce à loucura. Nunca temos certeza se os horrores que estamos testemunhando são reais ou imaginários. Uma pista está no milho estragado que agora sabemos que foi uma causa provável dos infames julgamentos de bruxaria de Salém. O envenenamento por ergot (cravagem) produz efeitos semelhantes aos causados ​​pelo LSD e explicaria os ataques e alucinações sofridos por quem foi exposto. Quando vemos a bruxa andando pela floresta com o bebê Samuel, ou a vemos beijando o jovem Caleb, ou bebendo o sangue das cabras no celeiro, podemos não estar vendo uma verdade factual, mas um fantasma provocado pela histeria alimentada pelo ergot (cravagem) da família. Essa é uma das razões pelas quais eu amo esse filme. Somos solicitados a realmente pensar sobre o que estamos vendo, pois nada é simplesmente entregue a nós. Nós, como a família de que testemunhamos, descemos igualmente a um tipo de loucura em que não podemos distinguir o que é real do que é imaginário, uma marca de bruxaria folclórica em que uma verdade poética é mantida no mesmo nível que uma verdade factual.

Ao longo do filme vemos como realmente a única pessoa inocente (além do bebê Samuel) é Thomasin, apesar dela ser acusada de todos os erros e má sorte que a família sofre. É o pai quem rouba a taça, não ela… seu irmão Caleb mente para a mãe sobre procurar maçãs. Katherine desvia sua raiva para ela e os gêmeos constantemente Thomasin se envolve em algumas provocações com os gêmeos sobre ela ser uma bruxa, mas só depois de ser provocada por eles. Ela existe mais como uma figura tentadora, pois seu irmão Caleb começa a se distrair com sua feminilidade emergente, e ela se torna o bode expiatório perfeito para os problemas da família. No final, ela finalmente fala com Black Phillip e faz um pacto, mas somente depois que o resto de sua família se volta contra ela e se vai. Agora, sozinha, ela o segue até a floresta, onde encontra seu verdadeiro poder, literalmente elevando-se acima de tudo enquanto se transforma na mesma coisa que eles temiam. Não é uma experiência de medo para ela, no entanto, mas de empoderamento, e como ela literalmente ascende acima de tudo isso a manteria para baixo.

Esse filme deu muito certo. Primeiro, não se trata de uma prática neo-pagã da Arte, é sobre a fantasia puritana dela e isso atinge o alvo de frente. É sobre o medo e como esse medo se manifestou em uma cultura específica (orientada pela Bíblia). Mas também é uma história de empoderamento, como vemos com as provações e tribulações pelas quais passa a pobre Thomasin. Embora ela tenha sofrido muito, no final ela é recompensada com a capacidade de “viver deliciosamente” e encontra seu poder no sabá das bruxas. Esta é uma história sobre iniciação; as provações e desafios pelos quais todos devemos passar no caminho para encontrar nosso próprio poder. E, eventualmente, elevando-se acima de tudo o que buscaria nos manter para baixo e “mundanos”. O verdadeiro poder deve ser arrancado das garras do nosso próprio medo. Devemos olhar para o abismo profundo antes de podermos voar para o céu cheio de estrelas. A Bruxa é um excelente retrato dessa jornada arquetípica de empoderamento, habilmente disfarçada de filme de terror. Todos nós deveríamos ter a sorte de ser convidados para o sabá das bruxas. Eu sei que vou falar com o próximo bode preto que encontrar.

***

Fonte: Review: “The Witch”

©2022 Satyr’s Inc.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-bruxa-explicacao-do-filme/

Ordálias, Moedas e Consagrações

Estou bem feliz com o alto nível dos comentários; acho que seria o caso de abrir alguns Posts para as perguntas mais pertinentes ou que dariam respostas mais longas para debatermos.

Mglls disse: Oi Marcelo essas “Ordálias” chegam a nos levar p/a Noite Negra da alma, fazem um tsunami em nossas vidas???? isso é muito cruel….quantos impedimentos …tô chocada…eu estava em busca de conhecimento e os meus exs-irmãos diziam “Cuidado voce está mexendo nos Mistérios de Deus” ele vai tocar no que vc mais ama…e…tocou mesmo e agora depois de tres anos de sofrimento abro mão do conhecimento e gostaria muito de voltar no tempo essa busca custou a minha familia e é muito triste pq a minha intenção era compartilhar, ajudar as pessoas a deixarem de viver como gado…pq eu não costumava comer de tudo que era servido eu examinava, pesquisava e via que nem tudo era comestível e me entristecia de ver as pessoas nem se preocuparem com o que estavam comendo, simplesmente engoliam e inclusive eu era discriminada nesse meio porém eu não me importava, e quando alguém necessitava de esclarecimento eu ajudava…ah se eu soubesse. Por favor tem como reverter essa situação e reaver o que foi perdido????? e na Biblia tá escrito “Aquele que é de Deus o Maligno não lhe toca”????

Oi, mglls,

As Ordálias são as maiores e mais perigosas provas de um ocultista de verdade. São elas que separam as crianças dos magistas. As Ordálias podem ser simplificadas como sendo a resposta direta da Mente Coletiva contra o Iniciado desperto, em sua tentativa de despedaçá-lo antes que ele consiga forças suficientes para se defender. Fazendo uma analogia, é como os veteranos surrando Noobs no World of Warcraft… Não é porque você começou agora que o lado negro vai pegar leve com você…

Este texto do Aleister Crowley ajuda a entendê-las melhor:

Essas ordálias cegas, presumivelmente, referem-se a tais testes de aptidão, como os referidos a pouco. Nos mistérios antigos, era possível distinguir as ordálias formais.

Um jovem entraria num templo para ser iniciado, e ele saberia bem que sua vida dependia de provar-se merecedor. Hoje o candidato sabe que as iniciações não são fatais, e que qualquer ordália proposta a ele, obviamente, aparecem apenas como pura formalidade. Na sala da Maçonaria por exemplo, ele pode jurar absolutamente disposto a manter o silêncio sob pena de ter sua garganta cortada, sua língua arrancada, e tudo mais e o juramento ser quebrado mais tarde.

Em uma Ordem Mágica genuína, não existem juramentos extravagantes. O candidato aceita o compromisso por si só, e sua obrigação é apenas “obter um conhecimento científico da natureza e forças do meu próprio ser”. Não há punições relacionadas a violação da obrigação, porém, como esta resolução está em contraste com os juramentos de outras Ordens no tocante a simplicidade e naturalidade, assim também com relação as punições. O rompimento com a egrégora atualmente envolve os mais assustadores perigos para a vida, liberdade e razão. A menor negligência é encarada com a mais implacável justiça.

O que acontece é isso: quando um homem afirma cerimoniosamente sua ligação com a Ordem (A verdadeira Iniciação), ele adquire, toma contato, com todas as forças daquela Ordem (egrégora).

Ele é capacitado, a partir desse momento, a fazer sua verdadeira vontade, da melhor forma possível, sem interferência. Ele adentra uma esfera em que cada perturbação é, direta e instantaneamente, compensada. O indivíduo colhe a conseqüência de cada ação imediatamente. Isso é porque ele entrou no que posso chamar de mundo fluídico, onde cada distúrbio é ajustado automática e instantaneamente.

Assim, normalmente, supõe-se um homem como Sir Robert Chiltern (“Um Marido Ideal”) que age de forma corrupta. Seu pecado sempre o assombra, não diretamente, mas depois de muitos anos, de modo a não manifestar uma conexão lógica com seu ato.

Se Chiltern fosse um probacionista da A.’.A.’. seus atos seriam respondidos imediatamente. Ele vendeu um segredo oficial por dinheiro. Ele teria descoberto , dentro de poucos dias, que um de seus próprios segredos foi revelado, com desastrosas conseqüências pessoais.

Além disso, tendo iniciado uma corrente de deslealdade, por assim dizer, ele seria vítima de uma torrente da mesma até conseguir eliminar a possibilidade de vir a agir desse modo novamente. Seria prematuro classificar este aparente exagero de punições como injustas. Não seria suficiente para cumprir a regra de pagar um “olho por um olho”.

Se você perdeu sua visão, você não tropeça em alguma coisa uma vez só, mas continuaria tropeçando de novo até recobrar o sentido perdido.

As punições não são aplicadas deliberadamente pelos Chefes da Ordem, elas ocorrem respeitando o curso natural dos eventos. Eu não deveria me conter em dizer que esses eventos foram arranjados pelos Chefes Secretos. O método, se eu o compreendo corretamente, pode ser ilustrado por uma analogia: suponha que eu tivesse sido avisado por Eckenstein, a testar a firmeza das rochas numa escalada, antes de me apoiar nelas. Eu negligencio a instrução. É desnecessário a ele, percorrer o mundo todo e enfraquecer as rochas em meu caminho – elas estarão lá. E eu começo a escalar, e as falhas ocorrerão ou não, à medida que eu as encontrar. Da mesma maneira, se eu esquecer de alguma instrução mágica, ou cometer alguma falha de magia, minha própria fraqueza me punirá à medida que as circunstâncias determinarem o apropriado método.

Pode se dizer, que essa doutrina não seja uma questão de Magia(k), mas de bom senso. Verdade. Mas Magia(k) é bom senso. Qual é a diferença então, entre o Magista e o profano? A diferença, é que o Magista determinou que a natureza será para ele, um modo fenomenal de expressar sua realidade espiritual. As circunstâncias, portanto, de sua vida são uniformemente adaptadas à sua obra.

Outro exemplo: O mundo revela-se ao advogado de modo totalmente diferente do que o faz ao carpinteiro e, o mesmo evento, ocorrendo aos dois homens, sugerirá dois diferentes treinos de pensamento e conduzirá os dois, a diferentes resultados.

Meus erros de julgamento, devido a aniquilação de meu ego e a conseqüente falta de direção sentida por meu corpo e mente, produziram seu efeito imediato. Eu não compreendi a extensão do meu erro e até sua real causa, porém, senti-me forçado a voltar à minha própria órbita.

As Ordálias afetam TODOS os despertos ou aqueles que estão começando a emanar alguma luz. Gosto muito do filme Matrix, quando o Morpheus explica para o Neo que “Até que todos os aprisionados sejam libertados, eles são potenciais agentes do outro lado”. Não há exceções. Vocês não fazem idéia das torrentes de problemas e privações que eu passei até conseguir publicar a Enciclopédia, que é um verdadeiro trabalho de tributo às Egrégoras dos Deuses. Todos os tipos de problemas que vocês puderem imaginar ocorreram; de divórcio à falta de grana à perda de arquivos à escolha entre retornar para uma vida acadêmica ortodoxa confortável (ensinando Semiótica e História da arte em uma faculdade) ou dedicar meus últimos recursos e esforços para enfrentar alguns MESES de problemas até a publicação da obra…

Nos relatos da Consagração, vi que ocorreram todos os tipos de problemas… de gente que perdeu a hora porque o despertador não tocou, até criança chorando, esposa reclamando, falta de materiais, falta de condições, falta de local, etc, etc, etc… todos os tipos de problemas para impedir que a consagração fosse feita… justamente porque ela funciona e o outro lado não está a fim simplesmente de te deixar ter um objeto desses sem nenhum problema.

No Sefirah ha Omer, muitos de vocês estão sendo testados, e vai ficar pior ainda antes de melhorar… quanto mais potencial você tiver, mais vai apanhar para verem se você desiste e volta para a vidinha confortável.

Mglls, não tem como “reaver” o que foi perdido porque estas pessoas não estão mais no mesmo grau de consciência que você. A única maneira de haver um reencontro é se eles atingirem o mesmo padrão de pensamentos que você. E isso é uma ordália apenas deles. Ninguém ajuda quem não quer ser ajudado.

#Consagrações #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ord%C3%A1lias-moedas-e-consagra%C3%A7%C3%B5es

do Nome Mágico

A preparação do templo sagrado, as vesperas da iniciação, exigem certas práticas, muitas delas comuns a vários grupos e ordens estabelecidas, marcando assim a entrada do aspirante a Neófito do Templo, abre-se assim as portas para os mistérios, a chave dos segredos e a comunhão do novo adepto com os simbolos, palavras e ritos por intermédio dos mestres ou tutores, destinados à guiar seus passos pela Senda, ultrapassando as Ordálias atrás da quintessencia, a centelha divina e o acolhimento e reconhecimento de seus iguais, seus irmãos, seus companheiros de jornada.

Entre as práticas utilizadas e incentivadas por muitas dessas ordens e grupos iniciáticos é a escolha de um Nome Mágico, um Mote que marca a passagem da vida profana para o reocnhecimento dentro do circulo interno. Existemmuitos usos para os nomes, e muitos adeptos possuem mais de um, variando conforme sua finalidade, uma forma de manter linhas distintas, como no caso de Iniciados em mais de uma ordem mágica.

Muitas ordens utilizam essa prática, como forma de incentivar a verdadeira fraternidade, onde seus nomes, profissões, posições sociais e credo não importam, e o Nome escolhido mostra, entre os irmãos, suas intenções, sua personalidadeou interesses enquanto indivíduos.

Esse nome pode surgir de diversas formas: pode ser um lema, uma palavra, um nome, usando-se comumente palavras em outras linguas para determinados significados, variantes de palavras, declinações e mesmo anagramas. Há quem prefira Motes simples, ou mesmo mais rebuscados, vai das aspirações da pessoa, conforme o que ela quer atrair para si, a identidade que pretende criar em torno de si.

Nomes trazem consigo vibrações, forças ao ser usado, e isso deve ser pensado com o devido cuidado, pesquisar e estudar todas as possibilidades que o moto tras para si, sejam caracteristicas boas ou ruins, tudo deve ser considerado, posicionar-se e assumir os riscos é parte da jornada. Deve-se ter o devido cudiado ao escolher nomes de entidades, sejam deuses, anjos ou personalidades ilustres de outros tempos: o nome atrairá a influência dessa energia para a pessoa, tanto nas caracteristicas positivas quanto nas negativas, e uma escolha indevida pode ser perigosa.

Buscar um arcano no tarot, um número específico, e usar de numerologia e qabalah para os calculos também são bem-vindos, assim pode-se manipular com calma e cuidado as energias que se quer, como um numero que complemente um valor que já carrregue, como a numerologia de seu nome de batismo, ou atrair algo que falta ou que precise trabalhar com maior cuidado, como caracteristicas do mapa astral ou mesmo traços que queiram ser modificados ou exaltados.

Um cuidado deve ser tomado ao pensar em nomes de anjos ou deuses, pois a atribuição do nome atrás para si todas as caracteristicas da entidade, e pode não ser realmente um bom negócio.

Entre exemplos de motos conhecidos, cito:

Julian Baker – Causa Scientiae (latim: “Por uma questão de conhecimento”)

Edward Berridge – Resurgam (Latim: “Eu ressuscitarei”)

Aleister Crowley – Perdurabo (do latim: “Eu perdurarei até o fim” a letra O no final significa: Nada)

Florence Farr – Sapientia Sapienti Dona de dados (em latim: “A sabedoria é um dom dado para o sábio”)

FL Gardner – De Profundis Ad Lucem (latim: “Das profundezas para a luz”)

Moina Mathers Bergson – Vestigia nulla retrorsum (Latim: “Não há pegadas de retorno”, ou mesmo “não voltarei atrás nos meus passos”)

Samuel Liddell MacGregor Mathers – ‘S Rioghail Mo Dhream ( Gaelic : “Real é a minha raça”)

Perca Elaine Simpson – Fidelis (do latim: “Fiel”)

Coronel Webber – Non Sine Numine (latim: “Não sem o favor divino”)

William Wynn Westcott – Aude Sapere (do latim: “Dare to Know – Atreva-se/ Ouse a Saber”)

AFA Woodford – Sente-se Lux et Lux frutas-(do latim: “Haja luz e houve luz”)

William Robert Woodman – Magna Veritas est (latim: “Grande é a Verdade”)

William Butler Yeats – Demon est Deus inversus (latim: “O demônio é o inverso de Deus”)

Israel Regardie – Ad Gloriam Majoram Adonai (do latim: “Para a maior glória do Senhor”)

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/do-nome-m%C3%A1gico

As Peregrinações

A aventura do Conhecimento se descreve muitas vezes como uma viagem ou peregrinação. “Uma viagem de mil milhas começa ante teus pés”. Essencialmente, a peregrinação se relaciona com a busca do Centro do Mundo, onde se estabelece a comunicação interna com os estados superiores do próprio ser. Trata-se de atingir a Pátria Celeste, que é a verdadeira morada do homem, pois, como mencionam diversas tradições, o homem é um estrangeiro nesta terra. A palavra “peregrino” não quer dizer senão isso: estrangeiro. “Vós não sois deste mundo”. Assim, desde que intuímos que não somos “daqui”, a própria vida, com seus avatares, suas lutas, suas paixões, luzes e sombras, converte-se num símbolo exemplar dessa busca interior. A partir desse momento qualquer acontecimento revelará sempre algo, tornar-se-á significativo e simbólico.

Mais concretamente, as denominadas peregrinações aos lugares santos ou sagrados, consideram-se como as etapas do processo iniciático, vinculado à idéia de labirinto e de “perder-se para se encontrar”.

Também as provas simbólicas da Iniciação se denominam “viagens” em que, além da influência espiritual que transmitem, são psico-dramatizadas ritualmente as inibições e tendências negativas do ego, esgotando-as ao emergir para o exterior. Apesar de suas múltiplas dificuldades, o peregrino, em sua viagem interna e externa, percorre um caminho arquetípico, aonde o símbolo é vivido (ritualizado) e se lhe revela com toda a potência de sua energia ordenadora, permitindo-lhe conhecer simultaneamente a realidade de um tempo mítico, no que o prodigioso se faz coetâneo com a realidade horizontal.

Tudo se dá na “roda da vida”, espelho e receptáculo das energias do Cosmo, que o peregrino, efetivamente, tem que reconhecer em si mesmo para chegar ao centro ou coração imóvel da roda, ali onde se produz a identificação com o Universal e o retorno a sua verdadeira origem.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-peregrina%C3%A7%C3%B5es

A História da Ordem dos Cavaleiros Templários

Por Spartakus FreeMann.

A História da Ordem
Organização do Templo
A vida no Templo
Lista dos Grão-Mestres
Símbolos e História oculta
Dante e os Templários
Godfrey de Bouillon e a Ordem do Priorado de Sião
Relação com as comunidades muçulmanas e gnósticas

História

 Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão.

Em 1097, a primeira cruzada liderada por Godfrey de Bouillon, Robert de Flandres e Bohémon de Tarento é lançada pelo Papa Urbano II.

Em 1099, Jerusalém foi tomada. Godfrey, não se sentindo digno de usar uma coroa na cidade onde Cristo foi crucificado, tomou o título de “Protetor do Santo Sepulcro”.

Em 1100, a morte de Godfrey de Bouillon, Baudoin de Boulogne, seu irmão, foi coroado Rei de Jerusalém.

Em 1118, Baudoin II foi coroado Rei de Jerusalém. Nesse mesmo ano, nove cavaleiros franceses, liderados por Hugues de Payens, chegaram a Jerusalém, onde se apresentaram a Baldwin II. Eles foram recebidos no recinto do Templo do Rei Salomão. Os cânones do Santo Sepulcro foram movidos para a ocasião. Antes do Patriarca de Jerusalém (Garimond) eles fizeram os três votos de pobreza, castidade e obediência e seguiram a regra de Santo Agostinho. A origem de Hugues de Payens levantou muitas controvérsias entre os historiadores. Nada se sabe sobre isso, exceto que ele provavelmente veio da região de Champagne. O personagem deve ser de alguma importância, pois seu nome aparece em duas cartas de Hugh de Troyes. O vilarejo cujo nome ele leva está localizado a cerca de dez quilômetros de Troyes.

“… O rei, os cavaleiros e o senhor patriarca, cheios de compaixão por esses homens nobres que haviam desistido de tudo por Cristo, apoiaram-nos com seus próprios recursos e posteriormente lhes conferiram… alguns benefícios e algumas propriedades. Como eles ainda não tinham uma igreja própria, nem uma residência fixa, o rei senhor lhes concedeu uma pequena moradia por um tempo em uma parte de seu palácio, perto do templo do Senhor… eles foram posteriormente chamados de Cavaleiros do Templo Irmãos”.

 Jacques de Vitry

 Em 27 de dezembro de 1118, dia de São João Evangelista, estes nove cavaleiros (Hugues de Payns, Geoffroy de Saint-Omer, André de Monbard (tio de São Bernardo), Payen de Montdidier, Archambaud de Saint Aignan (ou de Saint Amant), Geoffroy Bisol, Hugues Rigaud, Rossal e Gondemare) reuniram-se no local do Templo de Salomão onde revelaram a fundação da Ordem dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão (pauperes commilitones Christi Templique Salomonici).

“Há um templo em Jerusalém onde eles vivem em comum; se ele está longe de igualar na arquitetura o antigo e famoso templo de Salomão, ao menos não é inferior a ele em glória. Na verdade, toda a magnificência da primeira consistia na riqueza dos materiais corruptíveis de ouro e prata e na montagem de pedras e madeiras de todos os tipos que entraram em sua construção; A segunda, ao contrário, deve toda sua beleza, seus ornamentos mais ricos e agradáveis, à piedade, a religião de seus habitantes e sua vida perfeitamente regulamentada; uma encantava os olhos por suas pinturas; mas a outra exige respeito pelo espetáculo variado das virtudes que ali são praticadas e dos atos de santidade que ali são realizados.”

(São Bernardo de Claraval, “Para os Cavaleiros do Templo”)

A Ordem dos Templários havia acabado de nascer. Sua missão era proteger as rotas dos peregrinos para a Terra Santa.

De 1118 a 1127, durante 9 anos, os Templários se organizaram, mas estranhamente, eles que queriam proteger os peregrinos, não tomaram parte em nenhuma batalha. Sua única ocupação era renovar os estábulos subterrâneos do Templo. Em 1220, Baldwin II deu todo o Palácio do Templo aos Templários. Durante o mesmo período, a Ordem recrutou escudeiros e sargentos de armas.

Em 1126, o Conde Hugues de Champagne aderiu à Ordem, uma importante contribuição, pois era um grande amigo de Bernardo de Claraval, cuja autoridade era imensa nos círculos eclesiásticos.

Em 1227, Baldwin II enviou Hugues de Payens e alguns de seus companheiros para a Europa. O Papa Honório II os recebeu. Foram feitos contatos com Bernardo de Claraval, que organizou o Conselho que deveria dar existência legal à Ordem.

Em 14 de janeiro de 1128, o Conselho de Troyes, reunido na Catedral de Troyes, sob o impulso de Bernardo de Claraval, dotou oficialmente a nova congregação com as “Regras da Ordem”. Na verdade, isto só aprovou uma regra pré-existente. Esta regra, escrita em latim, contém 72 artigos e subordina o Templo à autoridade do Patriarca de Jerusalém.

Por volta de 1130, Bernardo de Claraval escreve “De Laude Novae Militiae”, uma obra na qual ele contrasta a cavalaria secular e o cavalheirismo celestial dos Templários.

“Diz-se que um novo tipo de milícia nasceu na terra, na mesma terra que o sol nascente veio visitar do céu, para que onde ele espalhou os príncipes das trevas com seu poderoso braço, a espada desta corajosa milícia extermine logo seus satélites, ou seja, os filhos da infidelidade. Ela redimirá novamente o povo de Deus e fará o chifre da salvação crescer aos nossos olhos na casa de Davi, seu filho (Lucas I, passim). Sim, é um novo tipo de milícia, desconhecido dos séculos passados, destinada a lutar sem descanso contra a carne e o sangue, e contra os espíritos da maldade espalhados no ar. Não é tão raro ver homens lutando contra um inimigo corporal apenas com a força do corpo que eu me surpreenda; por outro lado, travar guerra contra o vício e o diabo apenas com a força da alma também não é tão extraordinário a ponto de ser louvável; o mundo está cheio de monges que lutam essas batalhas; Mas o que eu acho tão admirável quanto é obviamente raro é ver ambas as coisas combinadas, o mesmo homem pendurando corajosamente sua espada dupla a seu lado e cingindo nobremente seus flancos com seu arnês duplo ao mesmo tempo. O soldado que veste sua alma com a couraça da fé e seu corpo com uma couraça de ferro ao mesmo tempo não pode deixar de ser destemido e em perfeita segurança; pois sob sua dupla armadura ele não teme nem o homem nem o diabo. Longe de temer a morte, ele a deseja. Pois o que ele pode temer, seja ele vivo ou morto, já que só Jesus Cristo é sua vida e a morte é seu ganho? Ele vive sua vida com confiança e de todo o coração por Cristo, mas o que ele preferiria é estar livre dos laços do corpo e estar com Cristo; isso é o que lhe parece melhor. Ide, pois, para a batalha em segurança, e acusai os inimigos da cruz de Jesus Cristo com coragem e destemor, pois sabeis que nem a morte nem a vida podem separar-vos do amor de Deus, que se fundamenta nas indulgências que Ele toma em Jesus Cristo, e recordai estas palavras do Apóstolo, em meio a perigos: “Se vivemos ou morremos, pertencemos ao Senhor” (Romanos XIV. 8). Que glória para aqueles que retornam vitoriosos da batalha, mas que felicidade para aqueles que encontram o martírio! Alegrai-vos, generosos atletas, se sobreviverdes à vossa vitória no Senhor, mas deixai que vossa alegria e alegria sejam dobradas se a morte vos une a Ele: sem dúvida vossa vida é útil e vossa vitória gloriosa; mas é com boa razão que se prefere a morte santa a eles; pois se é verdade que aqueles que morrem no Senhor são abençoados, quanto mais felizes ainda são aqueles que morrem pelo Senhor?

São Bernardo de Claraval, “Aos Templários Louvores de sua Nova Milícia”

Em 29 de março de 1139, Inocêncio II emitiu a bula papal “Omne Datum Optimum”, a fonte de todos os privilégios da Ordem. O objetivo disto era fornecer ao Templo capelães para o serviço religioso e assim libertá-lo da jurisdição episcopal. A Ordem foi submetida diretamente à autoridade do Papa, deixando assim o Mestre e seu capítulo quase total liberdade. Além disso, os Templários tiveram o privilégio de coletar o dízimo.

“Nós os exortamos a combater os inimigos da cruz com ardor e, como sinal de nossa recompensa, permitimos que guardem para si todos os saques que tiraram dos sarracenos sem que ninguém tenha o direito de reivindicar uma parte deles. E declaramos que sua casa, com todos os seus bens adquiridos pela generosidade dos príncipes, permanece sob a proteção e a tutela da Santa Sé.”

Em 1146, o Papa Eugênio III lhes deu a túnica branca com a cruz vermelha no ombro com quatro ramos iguais.

A partir daquele momento, a Ordem cresceu constantemente e logo teve comandantes em toda a Europa, bem como na Palestina. A Ordem fretou sua própria frota sediada em La Rochelle. De lá, navios com destino ao Levante partiram e navios da Inglaterra e da Bretanha chegaram a este porto.

Durante os séculos XII e XIII, a história do Templo se entrelaçou com a história das Cruzadas.

Esquieu de Floyrian, sob pressão de Guillaume de Nogaret, confessou em 1305 ao Rei da França as práticas obscenas dos ritos de entrada da ordem, e Filipe, o Belo aproveitou esta informação para encomendar uma investigação, e assim em 13 de outubro de 1307 os sargentos de Felipe, o Belo apreenderam quase todos os Templários da França. Quase todos os outros estados europeus seguiram o exemplo. De acordo com os documentos da investigação papal, que contêm até 127 itens, os Templários foram acusados principalmente de simonia (tráfico criminal de coisas sagradas), heresia, idolatria, magia e sodomia. Além disso, eles foram acusados de forçar seus neófitos a negar Cristo, cuspir no crucifixo e dar beijos obscenos. Os sacerdotes, enquanto celebravam a missa, foram omitidos voluntariamente para consagrar os anfitriões; foi dito que eles não acreditavam na eficácia dos sacramentos.

Finalmente, foi dito que os Templários se dedicaram à adoração de um ídolo conhecido como “Bafomet” (uma cabeça humana, que discutiremos mais tarde) ou de um gato; foi dito que eles usaram cordas encantadas em suas camisas noite e dia. A acusação representou todos estes crimes como sendo ordenados por uma Regra secreta.

O Conselho de Viena de 1311-1312 examinou o caso dos Templários, mas a maioria dos cardeais concluiu que não havia provas da culpa da Ordem e que seus representantes deveriam ser ouvidos novamente. Sob pressão de Felipe, o Belo, o Papa oficializou a supressão da Ordem em 22 de março de 1312 com a bula papal “Vox in excelso”.

“Considerando, portanto, as infâmias, suspeitas e insinuações ruidosas e outras coisas acima mencionadas que surgiram contra a ordem, e também a recepção secreta e clandestina dos irmãos desta ordem; que muitos destes irmãos se afastaram dos costumes, vida e hábitos gerais dos outros fiéis de Cristo, e isto especialmente quando receberam outros [homens] entre os irmãos de sua ordem; [que] durante esta recepção fizeram com que aqueles que receberam fizessem profissão e jurassem não revelar a ninguém a forma de sua recepção e não deixar esta ordem, por causa da qual surgiram presunções contra eles;

 Considerando ainda o grave escândalo que essas coisas causaram contra a ordem, que parecia não poder ser apaziguada enquanto essa ordem permanecesse, e também o perigo para a fé e as almas; que tantas coisas horríveis foram cometidas por muitos irmãos dessa ordem […] que caíram no pecado de uma apostasia atroz contra o próprio Senhor Jesus Cristo, no crime de uma idolatria detestável, no execrável ultraje dos sodomitas […] ;

 Considerando também que a Igreja Romana às vezes reprimiu outras ordens ilustres de obras muito menos do que as acima mencionadas, sem sequer uma reprovação apegada aos irmãos: Não sem amargura e tristeza de coração, não em virtude de uma sentença judicial, mas por meio de disposição ou decreto apostólico, a referida ordem do Templo e sua constituição, hábito e nome por decreto irrevogável e válido perpetuamente, e o submetemos à proibição perpétua com a aprovação do santo conselho, proibindo formalmente qualquer pessoa de se permitir no futuro entrar na referida ordem, de receber ou vestir seu hábito, ou de agir como Templário. Quem transgredi-lo incorrerá ipso facto na sentença de excomunhão.

Além disso, reservamos as pessoas e bens desta ordem à ordem e disposição de nossa sede apostólica, que, pela graça do favor divino, pretendemos dispor para a honra de Deus, a exaltação da fé cristã e a prosperidade da Terra Santa antes do fim do presente Concílio.”

A bula papal “Ad providam” de 2 de maio decretou que a propriedade do Templo passaria para as mãos dos Hospitalários.

O Papa Clemente V apoiou o Rei da França e assim, em 1314, Jacques de Molay (22o Grande Mestre), Geoffroy de Charnay (Colecionador da Normandia) e 37 cavaleiros da Ordem foram queimados vivos em Paris, na Ilha dos Judeus. Godfrey de Paris foi uma testemunha ocular desta execução. Em sua Crônica Métrica (1312-1316), ele escreveu as palavras do Mestre da Ordem: “Eu vejo aqui meu julgamento, onde morrer me convém livremente; Deus sabe quem está errado, quem pecou. Deus sabe quem está errado, quem pecou. A infelicidade logo recairá sobre aqueles que erroneamente nos condenaram: Deus vingará nossa morte”. Esta é uma versão muito distante da versão de Rois Maudits de Druon (Reis Malditos de Druon) das diatribes de Molay.

Na Alemanha, os Templários foram absolvidos e se juntaram a outras ordens. Na Espanha, os Templários se refugiaram na Ordem de Calatrava e foi criada uma nova ordem, a de Montesa. Em Portugal, os Templários foram absolvidos e fundaram a Ordem de Cristo (da qual Vasco da Gama e Henrique o Navegador eram membros). Vale a pena notar que os navios de Colombo carregavam a Cruz Templária e que ele mesmo era casado com a filha de um antigo Grão Mestre desta ordem.

Organização do Templo

Os territórios onde são realizadas as atividades do Templo estão divididos em Províncias. Em 1294, havia 22 deles (5 na França, 4 na Espanha, 3 na Itália, 2 na Alemanha, 1 na Inglaterra, 1 na Hungria, 6 no Leste).

Os Templários formaram um exército permanente de vários milhares de homens, liderado por 500 cavaleiros e 1000 sargentos. Todos eles obedeciam ao Mestre e sua equipe.

Baldwin II cedendo o Templo de Salomão a Hugues de Payns e Gaudefroy de Saint-Homer, de William of Tyre, século XIII.

Hierarquia :

O pessoal do Templo é composto por:

  • O Mestre da Ordem: comparado a um Abade ou, melhor dizendo, a um soberano. Ele não pode tomar nenhuma decisão sem o acordo do Capítulo.
  • O Seneschal da Ordem: ele tem o selo da Ordem.
  • O Marechal: líder militar e responsável pela disciplina.
  • O Comandante da Terra e do Reino de Jerusalém: Tesoureiro do Templo e chefe da Marinha.
  • O Comandante de Trípoli e de Antioquia.
  • O Drapier: encarregados dos suprimentos da Ordem.
  • O Turcopolier.
  • O Submarechal.
  • O Gonfanonier.
  • O Comandante de Jerusalém: guardião dos peregrinos, da Santa Cruz e Embaixador da Ordem.

O Mestre do Templo, que mais tarde foi chamado Grande Mestre, tinha a autoridade de um líder supremo, mas só podia tomar uma decisão após consulta ao Capítulo. Ele não podia dar ou emprestar os bens da ordem e não podia começar ou terminar uma guerra. Na verdade, o Grande Mestre era como um presidente controlado pelo capítulo. Ele tinha que cumprir com as decisões do capítulo. “Todos os Irmãos devem obedecer ao Mestre e o Mestre deve obedecer a seu Convento”. (Estatutos Hierárquicos).

Com a morte do Mestre, as funções são assumidas pelo Marechal que reúne todos os dignitários da Ordem. Eles nomeiam o Grande Comandante que atuará até a eleição do novo Mestre. O Grande Comandante forma um pequeno conselho que fixa o dia da eleição. Naquele dia, ele convoca um capítulo restrito que escolhe três irmãos, um dos quais é nomeado Comandante da Eleição. O Capítulo escolhe um deputado. O Comandante da Eleição e seu deputado se retiram para a capela onde rezam até o nascer do sol. Pela manhã, o Comandante da Eleição e seu deputado nomeiam mais dois Irmãos. Depois elegem mais dois Irmãos e assim por diante até que haja 12 (em memória dos Apóstolos) e depois um décimo terceiro que deve ser capelão da Ordem. Entre este Capítulo devem existir 8 Cavaleiros e 4 Sargentos. Os treze eleitores se aposentam e quando parece haver acordo sobre dois nomes, o Comandante coloca à votação e aquele que recebe a maioria é designado como o novo Mestre da Ordem do Templo.

Os demais membros do Templo foram distribuídos da seguinte forma: Cavaleiros, Escudeiros, Sargentos, Capelães e Irmãos Artesãos.

Além disso, havia três categorias de pessoas que serviram a Ordem por um período fixo de tempo: Cavaleiros Clientes, Escudeiros Clientes e Turcopoles.

A vida no Templo

O enxoval dos cavaleiros consistia de duas camisas, dois pares de sapatos, dois calções, um gibão, uma peliça, uma capa, dois casacos, uma túnica e um amplo cinto de couro. Além dessas roupas, há duas toalhas: uma para a mesa e a segunda para a lavagem.

O traje militar consistia de uma cota de malha, um par de calções de ferro, um chapéu de ferro, um elmo, sapatos e um brasão. O armamento consistia de uma espada, uma lança e um escudo.

Além de suas ocupações civis e do serviço militar, sua existência era a dos monges. Quando soa o sino das matinas, os Templários vão à capela onde devem dizer 13 Pais-nossos para Nossa Senhora e 13 para o santo do dia. Após as matinas, eles devem ir para os estábulos. À prima, os cavaleiros vão novamente à missa. Os Templários não podem comer sem ouvir ou recitar 60 Pais-nossos. Antes das refeições, são recitados a Bênção e um Pai-nosso. Graças na capela após o refeitório, depois as vésperas, as horas da nona e completa.

Cada uma das horas é acompanhada por 13 ou 18 Pais-nossos. Além disso, há toda a gama de obrigações nas festas católicas. Ao cair da noite, os irmãos fazem um lanche e depois vão para a capela.

Lista dos Grão-Mestres

Observe que a lista aqui apresentada é indicativa e é apenas uma das muitas listas emitidas por historiadores. De fato, parece que os historiadores não concordam com o número e os nomes dos Grão-Mestres da Ordem do Templo…

  1. Hugues de Payens
  1. Robert le Bourgignon
  1. Evrard des Barres
  1. Bernard de Tramelay
  1. Bertrand de Blanquefort
  1. Filippe de Napelouse
  1. Odon de Saint-Amand
  1. Arnaud de Toroge
  1. Terrie (ou Thierry ou Therence)
  1. Gerard de Riddeford
  1. Robert de Sablé
  1. Gilbert Horal
  1. Filippe de Plessiez
  1. Guillaume de Chartres
  1. Pierre de Montaigu
  1. Armand de Périgord
  1. Guillaume de Tonnac
  1. Renaud de Vichiers
  1. Thomas Beraut
  1. Guillaume de Beaujeu
  1. O monge Gaudin
  1. Jacques de Molay

Símbolos e História oculta

Aqui estão algumas hipóteses e elementos de ocultismo relacionados com o Templo. Os templários sempre animaram a imaginação de muitos pesquisadores profissionais e não profissionais. Assim, há aqueles que defendem a ideia do esoterismo templário e tentam ligar todos os eventos mundiais à intervenção direta ou indireta dos Templários. O objetivo desta seção não é defender ou rejeitar esta ou aquela hipótese.

1 – O Selo da Ordem: representa dois cavaleiros cavalgando juntos em um cavalo. Este selo pode então simbolizar a pobreza da Ordem, mas também em um nível mais profundo, pode simbolizar:

  • A natureza dupla da Ordem, exotérica e esotérica, bélica e monástica
  • A natureza dual do homem, divina e humana
  • A tripartição do ser em spiritus (mente), animus (alma) e corpus (corpo)

Descriptio Terrae Sanctae, 1283. De Jerusalém, por Michel Join-Lambert. Elek Books, 1958.

2 – O Bafomet: antes de tudo, é importante saber que o termo “Bafomet” nunca foi usado pelos acusadores ou pelos próprios Templários. Na verdade, apenas a forma adjetival “bafomética” ou “bafomético” é encontrada. Assim, um irmão occitano da Ordem em Montpezat, Gaucerant, confessou ter adorado uma “imagem bafomética” que, em langue d’oc, poderia ser uma distorção do nome do profeta islâmico Maomé. Segundo os ocultistas, o Bafomet é um ídolo de origem islâmica, enquanto o Islã proíbe qualquer representação humana, ou uma simbolização dos dois São João na forma de Jano, um símbolo de batismo e iniciação?

Aqui, antes de tudo, estão os termos precisos de um artigo da primeira investigação (articulo super quibus inquiretur contra ordinem Templi): “Que os cavaleiros nas várias províncias tinham ídolos, ou seja, cabeças, algumas com três rostos e outras apenas uma; outras tinham um crânio humano. Estes ídolos ou este ídolo foram adorados… Os cavaleiros disseram que esta cabeça podia salvá-los, enriquecê-los, que fazia florescer as árvores, que fazia brotar as colheitas; os cavaleiros cingiram ou tocaram com cordas uma certa cabeça destes ídolos e depois se cingiram com esta corda, seja sobre a camisa ou sobre a pele.”

O historiador dinamarquês Munter, assim como outros, levantou a hipótese de que as chamadas cabeças adoradas pelos Templários eram simples cabeças relicárias, como ainda são encontradas em muitos museus e tesouros da igreja.

3 – A Beaucéant: preto e branco ou vermelho e dourado, poderia simbolizar as Trevas e a Luz. Veja o livro de Gérard de Sède para outras implicações desta bandeira.

4 – Números Simbólicos:

O número três aparece frequentemente na vida da Ordem (esmola três vezes por semana, aceitando três assaltos antes de retaliar…)

O número nove de fato, a Ordem foi fundada por nove cavaleiros em 27 de dezembro de 1118 (2+7=9, 12=9+3…), a Regra Latina tem 72 artigos (7+2=9), há nove anos entre 1118 e 1127 e os anos 18 e 27 são múltiplos de nove, a Ordem tinha nove províncias, a Beaucéant era às vezes um composta de 81 quadrados pretos e brancos (quadrados de 9, 8+1=9).

Dante e os Templários

Em 1318, Dante terminou sua Divina Comédia, na qual alude várias vezes aos Templários. No Paraíso (Canto XXX), Beatrice é cercada e protegida por “um conjunto de capas brancas” (nome pelo qual os Templários eram conhecidos). Também nos círculos do Paraíso, Dante escolhe São Bernardo como seu guia (Canto XXXII) por causa de seu papel na fundação da Ordem do Templo. São Bernardo em sua De laude novae militiae estabelece, como vimos, a missão e o ideal do cavalheirismo cristão, a ‘milícia de Deus’, termo muitas vezes encontrado nos escritos dos Fiéis do Amor, dos quais Dante era um membro proeminente.

No Purgatório (Canto XXVII), Dante lembra-se de testemunhar a execução de Jacques de Molay e Geoffroy de Charnay na fogueira em 18 de março de 1314 em Paris: “Estiquei-me para frente com as mãos fechadas e me deitei, olhando para o fogo e imaginando vividamente os corpos humanos que eu já tinha visto queimados”.

Finalmente, Dante compara o Papa Clemente V ao Anticristo, e lhe atribui um lugar em seu Inferno (Canto XIX): ‘Um pastor sem lei virá do oeste […] Ele será um novo Jasão, do qual os Macabeus falam, e quanto a este flexível foi seu rei, a este será o rei que governa a França’. Ele compara ainda o rei da França, Felipe, o Belo, a Pilatos em seu Purgatório (Canto XX): “Vejo o novo Pilatos tão cruel que não o satisfaz, mas sem decreto ele empurra seus véus gananciosos para dentro do Templo”.

Dante e os Fiéis do Amor, aos quais Dante pertencia, aspergiram suas obras com vários símbolos esotéricos a fim de lembrar sua filiação ao espírito cavalheiresco da Ordem do Templo. Assim, Dante frequentemente usa o número 9 como um número sagrado, simbolizando a trindade: espírito, alma, corpo, cada um com 3 aspectos e 3 princípios. Este número, também muito simbólico para os Templários, lembra os 9 fundadores tradicionais da Ordem, assim como as 9 províncias do Templo Ocidental; através do significado dos “Céus” dado por Dante em sua Divina Comédia – os 9 “Céus” são os graus da hierarquia iniciática que conduzem à “Terra Santa”.

Godfrey de Bouillon e a Ordem do Priorado de Sião

Em 1099, diz-se que ele fundou a Ordem do Priorado de Sião na Abadia de Notre-Dame du Mont de Sion (Nossa Senhora do Monte Sião), que é a origem da fundação da Ordem do Templo. De acordo com algumas fontes, o Priorado de Sião era a estrutura esotérica enquanto o Templo era a estrutura exotérica visível. Diz-se que o Priorado sobreviveu de várias formas até os dias de hoje. Na realidade, e para grande desgosto dos fãs do Código Da Vinci e outros disparates místicos e misteriosos, o Priorado de Sião foi mencionado pela primeira vez em 1956, a invenção do mistificador francês Pierre Plantard. Em uma série de documentos forjados depositados na Biblioteca Nacional em meados dos anos 60 e intitulados “Arquivos Secretos de Henri Lobineau”, Plantard apresenta o Priorado como uma irmandade datada de 1099, ligada à Ordem do Templo e cuja missão teria sido preservar o segredo de uma descendência oculta dos merovíngios para a restauração de uma monarquia merovíngia na França.

Relação com as comunidades muçulmanas e gnósticas

 1- Os Assassinos: uma seita xiita fundada no século XI por Hassan Ibn Sabbah, os Assassinos são cavaleiros baseados principalmente na Síria e na Pérsia que obedecem cegamente a seu líder, o “Velho da Montanha”.

Existe um certo paralelismo entre a ordem Assassina e a ordem Templária:

  • cavaleiros – refiks
  • escudeiros – fedavi
  • sargentos – lassiks
  • priores – daîkebir
  • grande mestre – xeque el djebel

Embora religiosamente opostas, houve um certo grau de colaboração entre as duas ordens. Além disso, os Templários mantiveram relações diplomáticas e até militares com os Assassinos da Síria. Também vale a pena notar que havia uma certa comunidade de espírito na linha das ordens de cavalheirismo.

2- Ordem dos Irmãos do Oriente: fundada na segunda metade do século XI por Michael Psellos, esta ordem está impregnada de doutrinas herméticas neopitagóricas.

3- Ordem dos Santos (ou Kaddosh): esta ordem era de inspiração Essênia, Gnóstica e Joanina. Diz-se que um certo Arnaud de Toulouse foi para a Palestina no início do século IX para estudar e penetrar nos mistérios desta sociedade. Ele atingiu o início das três graus e obteve permissão para fundar uma emanação da Ordem na Europa. A primeiro alojamento, ou loja, foi fundado em 804 em Toulouse por Arnaud sob o nome de Amus. A ordem teria incluído figuras como Gerber de Aurillac (futuro Papa Silvestre II), Raymond de Saint-Gilles (Conde de Toulouse), Godefroi de Bouillon e os nove cavaleiros fundadores da Ordem dos Templários. No Museu de Viena, uma medalha de Dante de Pisanello está em exposição. No verso da medalha, que representa Dante, pode-se ler a seguinte estranha sequência de letras: “F.S.K.I.P.F.T.”. Segundo René Guénon, estas letras significam “Fidei Sanctae Kadosh Imperialis Principatus Frater Templarius”.

Se você quiser saber mais sobre o esoterismo templário, não hesite em consultar nosso livro, coautoria de Spartakus FreeMann e Soror D.S., Le Bafomet, Figure de l’ésotérisme templier & de la franc maçonnerie, retraçando a lenta elaboração do mito do Bafomet, recém-publicado pela Alliance Magique.

Ordem do Templo, Spartakus FreeMann, agosto de 2008.

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Fonte:

Ordre du Temple : histoire, Spartakus FreeMann, août 2008. 

https://www.esoblogs.net/211/l-ordre-du-temple-histoire-1/

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-da-ordem-dos-cavaleiros-templarios/

A Grande Fraternidade Branca

Em termos de Sociedade Secreta não há registro de nada mais antigo nem mais secreto-secretíssimo do que a Grande Fraternidade Branca ─ ou Grande Loja Branca: seus integrantes, afinal, são invisíveis e atemporais. Dela se diz que sua regência sobre a evolução das criaturas humanas terrenas remonta à Terceira Raça Raiz ─ ou seja, a Fraternidade Branca atua neste globo desde as extintas civilizações Lemuriana [a Terceira] passando pela civilização Atlante e chegando à atual, a civilização do auto-denominado homo sapiens, Quinta Raça Raça Humana, ponto extremo inferior da curva evolutiva.

18 milhões de anos! Considerando tal longevidade e analisando a cronologia dos Brâmanes [veja box abaixo] conforme da Doutrina Secreta, essa Grande Fraternidade Branca deve estar atuando nos destinos humanos há pelo menos 18 milhões de anos! quando, segundo os teósofos,  a Humanidade atual, a Quinta Raça Humana, começou a se manifestar.

Cronologia dos Brâmanes

Idade deste Sistema Planetário-Solar [em 2009]
Idade do Surgimento da Primeira Raça Humana [etérea]
Idade da Humanidade Atual ─ Quinta Raça Humana
Duração do Kali-Yuga, Era atual
Tempo de KaliYuga já transcorrido [em 2009]

1 bilhão 995 milhões 884 mil 809 anos
1 bilhão 644 milhões 501 mil 109 anos
18 milhões 618 mil 728 anos
432 mil anos
5 mil 111 anos

Fonte: BLAVATSKY, 2001

Para muitas Sociedades Secretas, a Grande Fraternidade Branca é uma espécie de modelo hierárquico, doutrinário e ideológico invisível. Muitas dessas sociedades, mais ou menos antigas, reivindicam o posto de representantes fiéis dos Mestres Espirituais neste mundo material:

Segundo abalizados autores, a Loja Branca é uma poderosa Fraternidade ou Hierarquia de Adeptos cujas colunas mestras são o Amor e a Sabedoria [estrutura da qual] uma Loja maçônica é uma miniatura simbólica. …Essa Fraternidade vela pela humanidade e através dos séculos vem guiando sua evolução e governando internamente [secretamente] os negócios do nosso globo. [FIGUEIREDO, 1899 ─ p 225]

Durante os séculos XVIII, XIX, XX e mesmo hoje, no século XXI, quando o interesse nas tradições ocultistas era [e ainda é] tão intenso quanto o entusiasmo pela ciência objetiva, Teósofos e outros esotéricos revelaram a Grande Loja Branca como um Colégio, um Conselho de Mestres responsáveis pela preservação da Sabedoria e pela orientação da evolução da Humanidade deste planeta. De acordo com essa revelação, os Mestres da Grande Loja Branca são os verdadeiros governantes deste mundo; são guias dos Homens ao longo do processo de desenvolvimento espiritual.

Estudos e ensaios teosóficos descrevem com detalhes a organização interna dessa Fraternidade transcendental. Seu líder e considerado o Senhor do Mundochama-se Sanat Kumara. Na hierarquia da Fraternidade, o segundo mestre é Gautama [príncipe Sidarta Gautama, o Buddha Sakyamuni ─  [vida terrena situada entre 563-483 a.C.] ─ o Buda da Raça Humana atual, [a Quinta]. A estes Mestres seguem-se muitos outros, menos graduados, entre manus, bodhisatvas [corpos de Sabedoria], Cohans, Maha-cohans, mestres de Raios!  e toda uma corte de seres supra-humanos, metafísicos e sobretudo, ocultos, inacessíveis aos sentidos e meios físicos, misteriosos.

Quanto à fonte de Todo esse conhecimento, sobre esta suposta Irmandade que interage com o mundo humano-terreno a partir de uma outra dimensão existencial, essas informações foram obtidas, segundo os ocultistas informantes, por meio da paranormal faculdade da clarividência [portanto é um conhecimento que pertence á categoria Acredite se quiser] ─ [GREER, 2003 ─ p 209]. Todavia, não é bem assim; o fato é que a Grande Fraternidade Branca é uma idéia que tem um precursor histórico.

Origem da Idéia

A idéia de uma organização secreta de místicos iluminados, guias do desenvolvimento espiritual da raça humana, foi apresentada pela primeira vez no século XVIII [anos 1700] por Karl von Ekartshausen [1752-1803], escritor, filósofo, místico alemão, no livro The Cloud Upon the Sanctuary [A Nuvem Sobre o Santuário] publicado depois da morte do autor, em 1802.

Na concepção de Ekartshausen estes místicos, que formam um Conselho da Luz, eram [ou são] Espíritos que permanecem ativos em relação à Terra mesmo depois depois da morte física neste planeta. O autor propõe, então, que se promova uma comunhão entre vivos e mortos, unindo a idéia cristã da Comunhão dos Santos com as Sociedades Secretas Ocultistas, místicas ou mágicas, como os Rosa-cruzes e os Illuminatti.

Durante o século XIX ocultistas de diferentes linhas de pensamento se encarregaram de enriquecer, alimentar e difundir a crença nessa Irmandade. Entre esses difusores, destacam-se: os Teósofos, como Alfred Percy Sinnet [1840-1921, autor de Mahatma Letters, ou cartas de Mahatmas, mestres espirituais], Helena Petrovna Blavatsky [1831-1891], C. W. Leadbeater [1854-1934], Alice Bailey [1880-1949], Helena Roerich [1879-1955]; Guy Balard, [1878-1939], pseudônimo de Godfré Ray King, fundador do movimento Eu Sou, transmissor na Terra dos ensinamentos transcendentais do Conde de Saint-Germain, personagem misterioso do ocultismo ocidental, um dos Iluminados da Fraternidade Branca ou, como também são chamados esses mestres invisíveis, um mestre ascencionado [CABUS, 2008].

Os teósofos foram um dos primeiros a atribuir sua doutrina, seus ensinamentos a esse Colegiado de Adeptos. Em Isis Unveiled [Isis Sem Véu] H.P. Blavatsky refere-se a estes Guias como Mestres da Irmandade Oculta ou Mahâtmas [Grande Espírito] e afirma que não somente encontrou pessoalmente esses Adeptos com também, durante toda a sua vida, manteve com eles comunicações regulares através de poderes telepáticos, incorporações, como os mediuns espíritas fazem com espíritos desencarnados ou, ainda, por deslocamentos do corpo astral.

A expressão Grande Irmandade Branca [white brotherhood] começou a ser usada depois da publicação de The Masters and The Path [Os Mestres e O Caminho] de C. W. Leadbeater, 1925. Desde então o título Grande Irmandade Branca tornou-se o preferido nas referências a essa comunidade de Adeptos Iluminados.

Os ocultistas ocidentais também costumem se referir à Irmandade com Grande Loja Branca, denominação que parece indicar que esses ocultistas idealizam esse Colégio de Sábios, como uma sociedade hierárquica, com estrutura semelhante às sociedades secretas iniciáticas terrenas.

Inúmeras Sociedades ocultistas reclamam para si a condição de verdadeiras representantes da Grande e invisível Irmandade Branca. Até Aleister Crowley [1875-1947], com sua fama auto-proclamada de perversa besta, chegou a insinuar que sua Astrum Argentum era diretamente ligada aos bondosos Mestres Ascensos.

Mestres Ascensos e Doutrina do EU SOU

Em 1934, Guy Ballard [1878-1939], um engenheiro norte-americano, que alegava ter tido uma revelação em 1930, no Mt. Shasta ─ Califórnia, publicou Unveiled Mysteries onde refere-se à Irmandade Branca como um Conselho ou Colegiado de Mestres Ascensos.

Ballard afirma que esteve frente a frente com o lendário Conde de Saint-Germain. O Conde seria um desses Mestres Ascensos que encarnou voluntariamente na Terra em diferentes períodos da História sempre usando, ostensivamente, a mesma identidade, de Conde de Saint-Germain, intrigando gerações que envelheceram enquanto o misterioso personagem permanecia jovem.

Mestre Saint-Germain transmitiu a Ballard os ensinamentos da Doutrina EU SOU, muito difundida através de um livrinho precioso chamado O Livro de Ouro de Saint-Germain. Precioso porque, com certeza, a pequena obra é origem e fundamento de praticamente todas as técnicas de auto-ajuda, em cujo cerne repousa a velha e boa reprogramação comportamental com base na neuro-lingüística, tão em moda nas últimas cinco décadas [desde os anos de 1960, no mínimo ─ CABUS, 2008].

Sincretismo & Mestres Ascensos

Depois de tantas revelações e tantos reveladores, a Grande Fraternidade Branca chegou à segunda metade do século XX [a partir dos anos de 1950] envolta em doutrinas sincréticas, que misturavam ensinamentos de várias vertentes místico-religiosas: cristianismo esotérico, gnose, teosofia, budismo e doutrinas outras entre exóticas e fantasiosas. Essas Irmandades terrenas que se dizem representantes da verdadeira White Brotherhood proliferam em todo o mundo adotando diferentes denominações.

O conceito do Colegiado de Mestres Ascensos enfatizado por Guy Ballard obteve enorme aceitação entre esotéricos da Nova Era [New Age] resultando na formação de numerosas irmandades, fraternidades, sociedades, muitas delas fazendo absoluta questão de serem legítimos rosa-cruzes, outras, proclamando-se profetas contemporâneos guiados pelos Ascencionados.

O elenco ou lista desses Ascencionados, não é um consenso e cada organização tem lá suas preferências embora alguns personagens de elite, conhecidos do grande público, sejam comuns a todas elas: Jesus, Maria mãe de Jesus, Buda Sakyamuni, qchamam familiarmente Gautama quando o próprio Buda Sakyamuni renunciou ao seu nome de família nobre e, mais recentemente, até o desencarnado papa João Paulo II foi admitido na equipe dos Mestres Ascencionados!

Oh! Raios!

Outros destacados Mestres Ascensos, mais ou menos famosos, fazem são nomeados e até suas imagens, desenhadas, aparecem em suas fichas. São alguns deles:  El Morya, Hilarion, classificados como cohans ou seja, Mestres do Raio: Kuthumi [que foi popularizado pela Teosofia], Mestra Nada [que tem sido identificada com Maria de Nazaré], Maytreya, Palas Atena [aquela mesma, da mitologia grega] entre outros menos famosos.

O Raio, na verdade, ao menos sete deles, são emanações energéticas diferentes, cada uma sob o domínio de um Mestre do Raio. Esses raios têm uma cor terapêutica própria e comunicam aos que os recebem ou invocam diferentes virtudes. Esses mestres atuam sob a liderança de um superior, o Maha-Cohan.

O cargo não é eterno e, no momento, segundo os teóricos da Summit Lighthouse, [Cúpula da Casa da Luz], uma das incontáveis organizações que se apresentam como verdadeiros representantes da White Brotherhood, o lugar é ocupado por um conhecido personagem histórico: Aquele que atualmente ocupa o cargo de Maha-Chohan esteve encarnado como o poeta cego Homero! ─ cujos poemas épicos, a Ilíada e a Odisséia, incluem sua chama gêmea, Palas Atena!, como personagem central. A Summit Lighthouse define a Irmandade:

A Grande Fraternidade Branca é uma ordem espiritual de santos do Ocidente e de adeptos do Oriente, que se reuniram ao Espírito do Deus vivente, e da qual fazem parte as hostes celestiais. Eles transcenderam os ciclos de carma e renascimento e ascenderam para essa realidade superior, que é a eterna morada da alma… A palavra “branca” não se refere à raça, mas à aura de luz branca que circunda esses seres. [SUMMIT LIGHT HOUSE]

Endereço! ─ Onde Fica a Sede da Grande Fraternidade Branca

Para chegar à sede da Grande Fraternidade Branca é necessário: 1. ou morrer em santidade; 2. ou aprender a sair do corpo e visitar pessoalmente os Mestres, se os Mestres quiserem receber você. Isso porque, como já foi esclarecido, a Grande Fraternidade Branca é invisível e sua sede está situada em um não-lugar terreno; em um plano outro de existência [outro plano ontológico, de Ser], em outra dimensão, em alguma dobra das curvas do Universo.

Todavia, essa mansão sem endereço topográfico tem sua localização etérica que, eventualmente, tem seus pontos de referência geográficos. Mas não há consenso entre os ocultistas: para alguns, a morada dos Mestres fica em uma dimensão transcendental situada no Deserto de Gobi.

O Deserto de Gobi, que ocupa territórios da Mongólia e da China, em tempos arcaicos, teria sido um mar e a cidade dos Ascensos ficava às margens deste mar. O mar foi engolido pelas convulsões geológicas do planeta porém, no mesmo lugar, existiria, ainda, a ilha sagrada dos Mestres, que os sentidos meramente físicos dos humanos não podem perceber. Diz a lenda que o local permanece oculto graças aos poderes sobrenaturais de seus habitantes; e protegido pela vigilância de seres encantados.

Outra possível localização dessa Morada dos Mestres seriam os subterrâneos da cordilheira dos Himalaias, entre o Tibete e o Nepal. Nesse caso, não é uma cidade invisível; antes, é uma sede oculta. Uma terceira hipótese, supõe que os Iluminados estão onde sempre estiveram desde o início dos tempos: no único ponto imutável do planeta [segundo os teósofos], o Pólo Norte, na região diretamente alinhada com a estrela chamada Ursa Polar. Ali habitariam seres remanescentes da Primeira Raça Humana, os Sombras, os Arûpa, os Sem-Corpos [materiais densos]; e também os sábios de todas as outras quatros Raças que vieram depois. Entre estes, destacam-se os magos brancos da Atlântida.

Finalmente, existe a versão dos Mestres Invisíveis que vivem não nos subterrâneos mais superficiais, mas nas entranhas do mundo, em uma cidade mítica sobre a qual há controvérsias. A idéia mais aceita implica na admissão não de um, mas de dois Colegiados de seres superiores e rivais. Os mestres da mão direita, magos brancos, teriam se instalado no reino de Agharta, ao norte, no interior deste planeta. Estes trabalham pela evolução da Humanidade.

Os mestres da mão esquerda, magos negros, seriam os fundadores moradores de Shambala, que ou são indiferentes ao destino dos Homens ou não se importam em, eventualmente, promover a desgraça desta Quinta Raça Humana. Nesta hipótese, tanto os Magos brancos quanto negros seriam os últimos descendentes/sobreviventes da civilização Atlante e, somente escaparam das enchentes e terremotos porque souberam previamente da iminência da tragédia graças aos seus poderes de clarividência.

Fraternidade Branca: O que Dizem os Místicos

Muitos ocultistas escreveram sobre essas Entidades, Seres, Mestres que governam o mundo por meios insidiosos e agentes secretos, pelo bem ou pelo mal da Humanidade. Eis alguns comentários e revelações sobre aquela que deve ser a mais antiga das Sociedades Secretas da História desta e de todas as Humanidades que já existiram na Terra:

H. P. Blavatsky [1831-1891] ─  Quando a Quinta Raça [atual] estava ainda em sua infância, o Dilúvio alcançou a Quarta Raça, Atlante [que eram gigantes comparados ao homo sapiens]… Somente [um] punhado de eleitos, cujos instrutores divinos tinham ido habitar a Ilha Sagrada [no deserto de Gobi] – de onde virá o último Salvador – impediu que metade da Humanidade se convertesse em exterminadora da outra metade. …Os Adeptos e Sábios moram em habitações subterrâneas, geralmente sob construções piramidais existentes nos quatro cantos do mundo. …Os Senhores da Sabedoria trouxeram frutas, grãos de outras esferas, para benefício da Raça que eles governavam. O primeiro uso do fogo, a domesticação de animais, o plantio dos cereais e das ervas foram conhecimentos transmitidos pela Hoste Santa. [BLAVATSKY, 1899]

O Colégio dos Sábios Segundo Gurdjieff [1860/1872?-1949] ─ Setenta gerações antes do último dilúvio [e cada geração valia por cem anos]… no tempo em que o mar estava onde hoje está a terra e a terra, onde hoje está o mar – existia uma grande civilização, cujo centro era a ilha Hannin. Os únicos sobreviventes desse dilúvio [o dilúvio ao qual o autor se refere é o que aparece no relato sumério-mesopotâmica de Gilgamesh] tinham sido alguns membros de uma confraria [irmandade] denominada Imastun que representava, por si só, toda uma casta.

Esses Irmãos Imastun estavam, antigamente, espalhados por toda a Terra, mas o centro de sua confraria permanecia nessa ilha. Esses homens eram sábios. Estudavam, entre outras coisas, a astrologia e foi para poder observar os fenômenos celestes sob ângulos diferentes que, pouco antes do dilúvio tinham se dispersado por todo o globo. Mas qualquer que fosse a distância, às vezes considerável, que os separasse, permaneciam em comunicação entre si, bem como com o centro de sua comunidade, que mantinham ao corrente de suas pesquisas por meios telepáticos. [GURDJIEFF, 2003- ─ p 44]

Peter Deunov ─  [1864-1944] Gnóstico búlgaro, mestre espiritual fundador da School of Esoteric Christianism, [chamado por seus discípulos de Master Beinsa Douno] refere-se a essa organização como Universal Brotherhood [Irmandade Universal]. Ao ser excomungado em julho de 1922, defendeu a Irmandade: Existe apenas uma Igreja no mundo mas a Universal Brotherhood está além das Igrejas, é mais que Igrejas. Mais elevado que a Universal Brotherhood, somente o reino do Céus [o Paraíso].

C. W. Leadbeater [1854-1934, teósofo] ─ Desde sempre existe uma Irmandade de Adeptos [Brotherhood of Adepts], The Great White Brotherhood [Grande Irmandade Branca]; desde sempre existiram Aqueles que sabiam, Aqueles que possuíam [essa] sabedoria secreta, e nossos Mestres estão entre os atuais representantes dessa poderosa linhagem de Profetas e Sábios. Durante incontáveis Eons Eles têm preservado O Conhecimento.

Atualmente, parte desse Conhecimento está ao alcance de qualquer um, aqui, no plano físico, [no corpo da chamada Doutrina Secreta revelada pela Teosofia]. O próprio Mestre Kuthumi disse uma vez, sorrindo, que quando alguém fala da grande mudança que o conhecimento teosófico trouxe à sua vida, Ele reflete: Sim, mas nós somente levantamos uma pequena ponta do véu [LEADBEATER, 1925].

A Grande Fraternidade Branca é uma organização diferente de qualquer outra no mundo. Alguns a descrevem, ou imaginam, como uma irmandade Himalaica ou tibetana que reúne ascéticos indianos em algum tipo de monastério situado em algum ponto inacessível de uma montanha. [Mas não é assim, os Irmãos pertencem, muitas vezes, a outras esferas, outros globos; outros são desencarnados terrenos e não habitam, necessariamente, um lugar físico]. Esse Grandes Espíritos pertencem a duas categorias: aqueles que mantêm um corpo físico e os que não mantêm. Esses últimos são chamados Nirmanakayas. Os Nirmanakayas mantêm a si mesmos em um estado de ser intermediário entre o mundo-terreno e o Nirvana. Dedicam todo o seu tempo e energia para a geração de força espiritual benéfica para Humanidade [LEADBEATER, 1996]

Koot’ Hoomi Lal Sing [1880, mestre ascenso] ─ A verdade sobre nossas Lojas e sobre nós mesmos… os Irmãos, sobre os quais todos ouvem falar e poucos vêem, são entidades reais, e não ficções criadas como alucinações por um cérebro em desordem. [Apud SINNETT, 1926]

Trevor Barker [teósofo] ─ Entre os estudiosos da Teosofia e Ocultismo é bem conhecido o fato de que a doutrina e a ética apresentadas ao mundo pela Sociedade Teosófica, durante os 16 anos depois de de sua fundação, em 1875, são conhecimentos ministrados por Mestres do Oriente pertencentes a uma Irmandade Oculta que vive no Trans-Himalaia Tibetano. Blavatsky, que tinha esses sábios como mestres, afirmava não somente a existência da Irmandade, mas dizia que, durante sua estada no Tibete, tinha recebido pessoalmente, destes mestres, treinamento, ensinamentos e instruções [BARKER, 1926]

Wouter J. Hanegraaff[Grande Fraternidade Branca & Jesus] ─ Segundo o clarividente Edgar Cayce [1877-1945], os Essênios foram representantes da Grande Fraternidade Branca, ativos na Palestina no tempo de Jesus. Seu principal centro não era em Quram, mas no Monte Carmelo, lugar associado ao profeta Elias, outro iniciado, membro da Fraternidade. …Antes do nascimento de Jesus, os essênios souberam e prepararam seu advento. Chamavam-no o Velho Irmão. Acreditava-se que Ele foi o primeiro ser humano a completar o desenvolvimento espiritual. Aquele mesmo Jesus que viria como Messias tinha vivido muitas vidas neste planeta: Adão, Enoch, Melchizedek, José do Egito.

Preparando a chegada ou encarnação do mestre, os essênios selecionaram várias jovens; uma delas seria a mãe do Messias. Essas candidatas a Mãe do Salvador eram educadas no Monte Carmelo. Maria foi escolhida por um anjo. No episódio da Fuga Para o Egitoos essênios providenciaram que a Sagrada Família chegasse ao seu destino em segurança. Ao longo de toda sua vida até o momento em que começou seu ministério público, Jesus foi treinado por mestres da Grande Fraternidade Branca. Depois dos sete anos passados no Egito, o menino foi levado à Índia, onde ficou por três anos; depois, Pérsia voltando à Judéia na ocasião da morte de seu tutor terreno, José. [HANEGRAAFF, 1996]

George D. Chryssides─ A Grande Fraternidade Branca é um grupo de seres espirituais que vivem, existem em um espaço paralelo ao mundo físico humano. Essa Fraternidade é liderada por um Senhor do Mundo que preside uma hierarquia de mestres que inclui o Buda Sakyamuni, o mestre Maiterya, o mestre Morya e Mestre Koot Hoomi. Alguns desses mestres são pessoas desencarnadas, outros, pertencem a uma mitologia religiosa e alguns não se encaixam em nenhuma dessas categorias.

A Fraternidade abriga, ainda, históricas personalidades religiosas, ocultistas e filosóficas:

  • o patriarca Abraão
  • o rei Salomão
  • Confúcio [551-479 a.C.]
  • Lao Tzu [filósofo e alquimista chinês,autor do Tao Te Ching]
  • Platão [428-347 a.C., grego], Jacob Boehme [1575-1624, filósofo e místico alemão]
  • Roger Bacon [1214-1294, inglês]
  • Francis Bacon []1561-1626, inglês]
  • Cagliostro [1743-1795 Alexandro, conde de Cagliostro, ocultista, alquimista, maçom]
  • e até Franz Anton Mesmer [1734-1815, alemão], o famoso médico e hipnotizador. [CHRYSSIDES, 2001]

Glossário Mínimo da Grande Fraternidade Branca

Fonte: BLAVATSKY, H. P.. Glossário Teosófico. [Trad. Silvia Branco Sarzana] ─ São Paulo: Pensamento, 1995.

Adepto  ─ latim. Adeptus  ─  aquele que obteve. Em Ocultismo, aquele que pelo desenvolvimento espiritual alcançou o grau de Iniciação ou seja, alcançou conhecimentos e poderes transcendentais e chegou à condição de Mestre esotérico [dos segredos] [BLAVASTKY, 1995].

Cohan ─ Na Doutrina Secreta a tradução é Senhor. Na literatura teosófica atual é o mesmo que Dhyân-Cohan ou seja, Luzes Celestiais, Arcanjos.[BLAVASTKY, 2001]

Dhyânis ─ sânscrito. Anjos ou espíritos angélicos. Nome genérico aplicado a alguns Seres espirituais ordenados [hierarquizados] ─  [HOUDT Apud BLAVASTKY, 1995]

Doutrina Secreta ─ [Gupta Vidyâ ─ ciência oculta ou esotérica] denominação usada para designar os ensinamentos secretos da Antiguidade. [BLAVASTKY, 1995]

Gnôsis [do grego] ─  Gnose. Conhecimento. Termo empregado pelas escolas de filosofia religiosa, antes e durante os primeiros séculos do Cristianismo a Gupta Vidyâ [veja acima], o conhecimento supremo ou divino através do  estudo e prática das ciências ocultas ou esotéricas a fim de alcançar a posição de Iniciado nos Mistérios Espirituais [realidade metafísica, BLAVASTKY, 1995]

Gnósticos ─ Filósofos que formularam e ensinaram a Gnôsis. Viveram nos três primeiros séculos da Era Cristã. entre estes precursore, destacam-se: Valentino, Basilides, Marcion, Simão, o Mago ─ entre outros.

Loja ─ etimologicamente, do sânscrito loka, mundo, lugar próprio, podendo se referir a um templo, um prédio, uma casa, este mundo, outros mundos ou o Universo. [BLAVASTKY, 1995]

Maha-Cohan ─ sânscrito. Chefe de uma hierarquia espiritual ou de uma escola de ocultismo; o chefe dos místicos da região situada além do Himalaia. [BLAVASTKY, 1995]

Mahâtma ou Mahâtman ─ sânscrito. Em pali, Arhats ou Rahats. Adepto de ordem mais elevada. Sres que, tendo obtido o domínio de seus princípios inferiores [físicos orgânicos-astrais] vivem livres das limitações do homem carnal. Possuem conhecimento e poderes [faculdades, habilidades, sentidos, percepção] que o homem comum considera sobrenaturais mas que decorrem de evolução espiritual.

Também são chamados Sidhas, na condição de seres perfeitos que, por sua poderosa inteligência e santidade chegaram a uma condição semi-divina; ou, ainda, Jivan-muktas, almas libertadas; mas concedem em se ligar a corpos mais ou menos físicos sempre que necessário em sua missão de auxílio ao progresso da Humanidade.Como primeiros espíritos que um dia encarnaram em Humanidades arcanas, ao longo de Eons! alcançaram a consciência atmica [de Atman, o Todo incognoscível, consciência divina] ou nirvânica; completaram o ciclo de evolução como humanos. [BLAVASTKY, 1995]

Páli ─ Língua arcaica que precedeu o sânscrito mais refinado. As escrituras budistas mais antigas são todas escritas nessa língua. [BLAVASTKY, 1995]

texto, organização & pesquisa: Ligia Cabus

O Ser Humano tem uma necessidade enorme de complicar as coisas e uma imaginação que não cabe no planeta.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-grande-fraternidade-branca/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-grande-fraternidade-branca/

A Ordem de Aset Ka e a Popularização do Vampirismo Moderno

Em Hotep,

Tomei conhecimento da Ordem de Aset Ka em 2007 quando a Bíblia Asetiana foi liberada para deleite do publico em geral, em especial os europeus que já tinham alguma noção dos trabalhos vinculados a misteriosa sociedade cuja sede, sabe-se através do autor Luís Marques, se encontra na cidade de Porto, Portugal. É provavel que hajam outros capitulos da mesma espalhados ao redor do globo terrestre, todos estes interligando os adeptos as suas origens vampíricas presentes no Egito Antigo, onde a matriarca divina, Ísis, compartilhou não somente sua sabedoria entre sua descendencia, como sua própria imortalidade.
Por séculos a Ordem tomou a si a regencia do Antigo império egipcio, em um glamoroso reinado de Beleza e Poder, meramente esquecido pelos historiadores de nossa época, sequer reconhecido pelos mesmos.

“Para o seu grupo secreto e silencioso, Aset (Ísis) atribuiu-lhes o nome de Aset Ka, um símbolo direto de suas verdadeiras origens – a essência de Ísis, o Ka de Aset. E assim ela disse te-los vinculados através do sangue, e os fiéis a ela seriam para sempre fiéis para eles próprios, porque eles eram um só. Em seu “Beijo Negro”, ela gravou o sigilo santo no fundo de suas almas, que seria para sempre sua Marca Asetiana, e eles fariam o mesmo com seus seguidores” A Bíblia Asetiana.

A Aset Ka, enquanto ordem iniciática, existia muito antes de qualquer ordem vampírica, tal como Crimson Tongue, Dreaming, House Kheperu, ou até mesmo a notória Black veil, famosa pelos seus roles playing games e fãs de Nox Arcana. É certo que, em contexto de exposição muito diferente e com recursos completamente distantes dos que utiliza hoje em dia, vide o site oficial circulando na Web, mas já à 20 anos atrás haviam serões de palestras sobre manipulação de energia organizadas pela Aset Ka em Londres e Paris. Fatos tais são dificilmente encontrados em textos liberados, mas correm aos sussurros pelos círculos ocultistas, da onde a autora que os expõe aqui, sugou deliberadamente as informações.

Pois bem, antes que tomem notas através do trabalho que aqui se segue, é importante fazer um parecer sobre a pratica do Vampirismo, já muito propagada fora dos círculos ocultos, em especial pelos sujeitos mais problemáticos que são os adolescentes deslumbrados e fãs de qualquer alegoria sombria/sensual. Tais ordens como Aset Ka jamais registraram qualquer indicio de prática canibalista em seus meios como uma questão de obrigatoriedade de sua natureza divina, senão uma alusão ao que seria “sugadores da essência divina”, energia psiquica ou sexual. Fora isto, moldar em mente sujeitos de preto, cabelos longos, pele pálida e feições aquilinas voando entre árvores de um bosque a caçar mocinhas, é apenas uma visão romanceada, figurativa, do que o Vampiro de fato representa. A questão da alimentação sanguinea não é uma condição inerente ao Asetiano, que privado desta dieta, padecerá em uma funesta não-existencia cá entre os vivos. Sobre esta questão, busquei referencias na fonte mais correta da Ordem, sua Bíblia, que nos trás a questão de maneira bem direta:

“O que um vampiro real realmente anseia em seu núcleo é o Ka, a essência da vida, se liberada por um intenso orgasmo sexual, desde o sangue pingando da veia do doador, ou simplesmente pelo toque da carne”

Procede-se então que o Vampiro se comporta de maneira similar a um daemon invocado cujo sigilo necessita ser alimentado pela energia do seu conjurador, seja numa gota de sangue, seja através do fluído sexual. O Vampiro todavia, não é uma condição sobrenatural inalcançavel. Tomando o presuposto que o Vampiro se alimenta da energia exterior, o vampirismo psiquico fora abordado de maneira bastante elucidatoria por autores como Dion Fortune e Anton Lavey.O “Psyvamp” sendo uma condição repassada seja geneticamente ou através de ataques exteriores, PORÉM, não resulta no recrutamento do mesmo para uma Ordem como Aset Ka. Simplesmente porque ser asetiano não é somente ser um vampiro. A questão é mais profunda e essencialmente vinculada a hereditariedade.

Não adianta donativos, puxa-saquismo, sequer seu sangue é interessante a Ordem. Sendo um círcuo estritamente fechado, entende-se bem o porque de poucos conhecerem Aset ka. Esta casa ocultista não é como as casas por ai que dizem serem secretas, e fazem entrevistas até para o Jô Soares se puderem. Não deve-se confundir Ordem restrista com Ordem Secreta, pois nem todas as ordem restritas sobrevivem na obscuridade, por exemplo a famosa Maçonaria. Mas então porque diabos lançar um livro, um site, até uma pagina na Wikipedia, se a palavra de ordem da Aset Ka é Sigilo?

Em dialogos com um possivel conhecedor dos trabalhos asetianos nas terras lusitanas, este me deu a entender que alguns descendentes da Ordem vagavam por ai sem conhecimento de suas origens. As publicações rescentes, por tanto, pretendiam, e pretendem, despertar esses irmãos e levá-los de encontro a suas origens. O reconhecimento se daria de uma maneira profundamente íntima, é deduzível, já que não consta um manual de comportamentos asetianos, senão poucas caracteristicas referentes as linhagens. Obviamente, as publicações atraíram muitos tipos de fanboys e fangirls de RPG, Anne Rice, Saga Crepúsculo e até membros de outras ordens, curiosos acerca desta identidade otherkind presente no asetiano. Mas é provavel que os curiosos não obtiveram sucesso em suas pesquisas, tal como eu que apenas pude me satisfazer com informações minguadas espalhadas entre os círculos.

 

Aset Ka e as Três Linhagens Vampíricas

“Vivemos em segredo. Vivemos em silêncio. E nós vivemos sempre …Que a Serpente beije o infinito de sua beleza fria”

A palavra Asetiana refere-se à linhagem imortal criada por Ísis no Antigo Egito. Em seu ato de criação divina, ela deu sozinha à luz a três crianças para fora de sua essência. Esses são os Asetianos Primordiais, os primeiros de seus parentes, representações perfeitas das Linhagens encontrados em Asetianismo. Isso explica a natureza tríplice da linhagem que é representada por três linhagens distintas: Serpente, a Linhagem dos Viperines, Escorpião, a linhagem dos Guardiões, Escaravelho, a Linhagem dos Concubines.

1 – Linhagem das Serpentes (tambem conhecida como a linhagem de Hórus): Esta linhagem assenta as suas bases na honra, no poder e na força da liderança. Os seres desta linhagem destacam-se por possuir elevados poderes metafisicos, e uma criatividade extraordionária. São habitualmente temidos por aqueles que conhecem os seus poderes. Fisicamente, tem uma aparência frágil (apesar de serem de todas as linhagens os mais poderosos) devido a possuirem um grande desprendimento da Terra em si. São na maioria das vezes pessoas palidas, magras, e tem um olhar profundo que lhes é caracteristico.

2 – Linhagem dos Escorpiões (Guardiões) :os seres desta linhagem denotam-se por uma grande ligação ao amor, e busca do mesmo. Para eles, o amor é a propria razão da vida. São desligados das pessoas em geral, apresentando por diversas vezes pontos de vista divergente da maioria das opinioes da sociedade. São muito ligados á Terra, o que resulta no desenvolvimento de um grande escudo de protecção á sua volta quase constante. São seres notoriamente protetores, contudo só permitem a alguns aproximarem-se de si intimamente. Nao interagem muito facilmente com a energia, devido precisamente ao seu “escudo” quase constante. São donos de uma saude excelente assim como de um ótimo sistema imunologico. São poucos sensiveis á luz solar, e podem ainda ser menos palidos que os asetianos das outras duas linhagens. Tem um metabolismo energetico lento, logo sao raras as vezes em que necessitam de retirar energia dos outros. São avançados na alimentação tantrica. Alimentam-se de energia sexual.

3 – Linhagem dos Escaravelhos (Concubines): Tem uma natureza caótica, e ao mesmo tempo adaptativa. Tem a habilidade de partilhar grandes quantidades de energia, tornando-os excelentes doadores , sobretudo para a linhagem das serpentes. Sao submissos e controlados, mas apenas por aqueles que lhe são bastante proximos. Tem uma grande necessidade de contacto humano social, e por isso mesmo sao das 3 linhagens a que possui uma alma mais humanizada, sendo que o facto de se misturarem com os humanos e agirem muitas vezes como eles emotivamente é um dos seus maiores fardos, uma vez que assim se torna mais dificil de atingir o seu eu interior divino. Umas das suas capacidades mais marcantes é a de conseguirem transformar a dor fisica em prazer, alimentando-se muitas vezes de energia sexualmente liberada. Não tem uma aparencia fisica esteriotipamente definida, a mesma costuma variar imensamente.

Keepers – Crianças de Anubis

São os protetores dos Asetianos, estão a eles ligados através de lealdade, respeito, honra e dedicação. Tal como os Asetianos, tem uma alma imortal nao humana, logo sao conhecidos como otherkins. Alguns possuem uma alma vampirica, outros tem uma alma humanizada. Discípulos de Anubis, sao extremamente avançados no que toca a praticas e ritos de magia e feitiçaria. A sua maior ambiçao é proteger os Asetianos.

“Desenvolvimento e iluminação são processos lentos e persistentes da viagem Asetiana através da vida. Esta iniciação metafísica é um sistema de transmutação. Com esta mudança pura e profunda, significa que o Asetiano consegue alterar de forma,aparência e natureza, que é uma manifestação da força da Chama Violeta em si. Esta transmutação, profundamente conectada com o nascimento vampírico, representa a natureza da alquimia da alma Asetiana, sempre mudando eternamente. De acordo com isto, podemos estabelecer o Asetianos como os alquimistas do alma, criadores e destruidores,catalisadores de mudança e evolução, com o poder de transformar chumbo em ouro. Asetianos são os doadores de vida, os pilares da existência sutil, os proprietários darespiração da imortalidade. ”

Mas então, qual seria o sistema asetiano? Como vivem e o que fazem?

Existem trechos deveras notáveis nas obras de Luis Marques que calam a boca dos insistentes, porém nao conseguem fazer morrer o interesse. Tal como o autor é uma pessoa física E conhecida, os asetianos assim são, habitando entre nós, podendo ser nossos vizinhos ou um apresentador de um talk show na TV.
“Para aqueles fora da Ordem, nós jamais existiremos” (A Biblia Asetiana).

No entando, sabemos que eles sim existem, mas não da maneira extravagante que Hollywood demonstrou.

“Os vampiros e criaturas similares podem ser encontradas em quase todas as culturas ao redor do mundo. Nos contos do Vetalas da Índia encontram-se no folclore sânscrito, chamados demonios vampiricos, tanto que os Lilu são conhecidos desde os mistérios da Babilônia, e mesmo antes, os sanguessugas de Akhkharu foram vistos na mitologia suméria. De fato,um desses demônios do sexo feminino, chamado Lilitu, foi adotado mais tarde pelademonologia judaica, Lilith, sendo um arquétipo ainda atualmente utilizado em algumas tradições ritualísticas do Caminho da Mão Esquerda. Mas a maioria do que é reconhecido do vampiro vem da Romênia e contos eslavos, os Strigoi chamados Nosferatu e Varcolaci, entre outros. No entanto, o Vampiro verdadeiro, como um ser real e não o conceito encontrado em todo o mundo e na história como puro mito criado pelo homem, tem suas raízes no Antigo Egito, sendo ele o Asetiano”. (A Bíblia Asetiana)

Nathalia Claro.

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-ordem-de-aset-ka-e-a-popularizacao-do-vampirismo-moderno/

A Montanha e a Caverna

A montanha, junto com a pedra (forma reduzida desta) e a árvore, com que se encontra associada, é um símbolo natural do “Eixo do Mundo”. Por ser na realidade uma elevação ou protuberância da terra, a estrutura imaginal do homem sagrado vê na montanha um símbolo da sua própria natureza, que aspira verticalmente para o superior ou celeste. Em geral todas as montanhas têm esse significado, mas existem algumas que, devido a certas correspondências espaciais relacionadas com a topografia sagrada estão “carregadas” de influxos espirituais. Estas são as denominadas “Montanhas Santas” ou “sagradas”, morada de entidades espirituais. Por isso, muitos templos e santuários (como é o caso, por exemplo, do Partenon grego) foram construídos nos cumes de determinadas montanhas, ou seja, ali onde a Terra parece tocar o Céu.

Assim a montanha, quanto a sua estrutura, é um arquétipo do templo, o que é especialmente visível nas pirâmides egípcias e pré-colombianas e nos zigurates babilônicos. Relacionado com isto, é significativo o fato de que Dante, na Divina Comédia, situe ao Paraíso Terrenal, ou Jardim do Éden (do qual todo templo é uma imagem simbólica), no cume de uma montanha, que é a “Montanha Polar”, “Celeste” ou “Mítica”, comum a muitos povos tradicionais, como é o caso do monte Meru entre os hindus, o Alborj entre os antigos persas, o Sinai e Moriah entre os hebreus, a montanha Qaf entre os árabes, ou o morro Urulu (ou ¨Ayers Rock¨) entre os aborígines australianos, etc. A vinculação da montanha com o Paraíso nos sugere seu caráter primordial, pois este, ou seu equivalente em qualquer tradição, é considerado como o começo ou origem mítica da humanidade (a “Idade de Ouro”), quando todos os homens sem exceção participavam do Conhecimento e da Verdade. O Paraíso era também a residência da Grande Tradição Universal, conservadora da doutrina e da sabedoria perene, e toda montanha sagrada, como o Éden, é o símbolo do Centro do Mundo. Mas a partir de certa época, e devido às condições cíclicas adversas, o Conhecimento deixou de pertencer à totalidade dos homens, ficando em posse tão só de umas minorias que, para o salvaguardar e o manter através dos tempos, criaram as culturas tradicionais, conformadas pelos ritos e símbolos sagrados. O Conhecimento se repregou no interior de si mesmo, no coração da montanha, ou seja, na caverna, um lugar que por sua situação está oculto e protegido.

Por tal motivo o mundo “supra-terrestre” gerou, em certo modo, o “mundo subterrâneo”. Fez-se invisível. Ocultou-se, mas não desapareceu. A vacuidade escura da caverna substituiu à luminosidade da cúspide da montanha. A Verdade, que nos primeiros tempos era espalhada aos quatro ventos e estava na boca de todos, converteu-se num segredo só percebido no mais interno. A caverna (como o ovo) é também um símbolo do Cosmo, um “Centro do Mundo” igualmente à montanha. Porém, assim como nesta [a Verdade] se manifesta em todo seu desenvolvimento e amplitude, à vista de todos, na caverna, o Centro se mantém invisível, virtual e potencial. O templo é igualmente uma caverna, ainda que esta se encontra mais bem representada pela cripta, situada em muitas catedrais debaixo do Altar, ou seja, sobre o mesmo eixo perpendicular que parte da “chave de abóbada”, ou seja, da sumidade. Na caverna sagrada se produzem as hierofanias e se celebram os mistérios da Iniciação, o mesmo que as “revelações” e “aparições” da divindade. Lembremos que Jesus Cristo nasce num estábulo, equivalente da caverna. Por outro lado, o mesmo esquema simbólico tradicional para representar a caverna é idêntico ao do coração e ao da copa, ou seja, um triângulo eqüilátero com o vértice para baixo, dando a imagem de um recipiente que recolhe os eflúvios espirituais. O símbolo geométrico da montanha é por sua vez um triângulo, mas com o vértice para cima.

Existe aqui uma aplicação deste símbolo, que completa o que se disse até agora, e é que como a caverna está no interior da montanha, podemos ver que a reunião de ambos conforma o símbolo já conhecido do “Selo de Salomão” ou “Estrela de David”. Este é, como já sabemos, o símbolo da analogia, que faz que o de baixo seja complementar com o de cima e vice-versa. Portanto o triângulo invertido é um reflexo do outro, exatamente igual que o microcosmo é um reflexo do macrocosmo, ou que a realidade relativa do manifestado é um reflexo da Realidade Absoluta do imanifestado.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-montanha-e-a-caverna