Os Corvos de Wotan, parte 1

A chamada tradição oral é a preservação de histórias, lendas, usos e costumes através da fala. Origina-se do primórdio da história humana, quando ainda não havia a escrita e os materiais que pudessem manter e circular os registros históricos. Na atualidade própria das classes iletradas, a tradição oral tem sido, contudo, muito valorizada pelos eruditos que se dedicam ao seu estudo e compilação (as baladas da Edda Poética, por exemplo), ao considerarem que é na tradição oral que se fundamenta a identidade cultural mais profunda de um povo. Supõe-se, por exemplo, que a Ilíada e a Odisseia de Homero foram inicialmente, assim como as Eddas, longos poemas recitados de memória.

Joseph Campbell gostava de dizer que “o mito é algo que nunca existiu, mas que existe sempre”. Esse aparente paradoxo pode ser reconciliado se entendermos a tradição oral, mãe da mitologia, como a melhor forma com a qual o espírito humano pôde passar adiante suas experiências no contato com a essência das coisas, com o que há de eterno no mundo. Dessa forma, todas as variantes de um mesmo mito são, no fundo, uma mesma história. E toda mitologia é, no fundo, uma mesma mitologia, uma mitologia do espírito humano.

Mas hoje não vivemos mais em tribos e aldeias, e nem todos necessitam decorar tais histórias antigas. Além disso, não são os xamãs nem os anciãos quem nos passam os mitos, mas alguns poucos textos sagrados de outrora, que até hoje inspiram inúmeras variações na mente dos contadores de histórias modernos – a quem conhecemos, principalmente, como artistas. Existem mitos sendo recontados em todos os cantos: nos livros de vampiros adolescentes, nos filmes de Hollywood, nas séries de TV de fantasia, e até mesmo num gibi.

O deus que usarei como exemplo de referência neste artigo é hoje um conhecido personagem de histórias em quadrinhos da Marvel. Se você já leu algum gibi, ou viu algum filme recente, de seu filho, certamente o conhece: Odin (ou Wotan, ou Wôdan, variantes hoje menos conhecidas, mas que vieram do original germânico), é o Senhor de Asgard e pai de Thor, o heroico deus do trovão. Você pode achar que não há nada de muito profundo a se falar sobre um velho deus-herói-caçador aposentado que hoje se limita a governar uma cidade mítica, e talvez tivesse razão se considerarmos apenas a forma extremamente diluída deste mito que nos chegou aos dias atuais como um mero personagem de quadrinhos… Mas, não que eu esteja condenando Stan Lee e Jack Kirby, pelo contrário: apesar de terem “diluído” o mito, eles fizeram por ele bem mais do que o cristianismo, que por muitos séculos demonizou o grande deus dos povos nórdicos europeus, a fim de substituí-lo por sua versão bíblica.

Mas, o que exatamente eu quero dizer pelo mito de Odin, será que me refiro a uma entidade sobrenatural real? Bem, com todo o respeito à Freternidade de Odin [1], não é exatamente isso que quero dizer… É óbvio que não existe, na natureza terrestre pelo menos, um homem caolho a cavalgar os céus montado num cavalo de oito patas; mas, por outro lado, a iconografia de Odin é toda ela um imenso conjunto de símbolos, símbolos estes que existem e sempre existirão, ao menos enquanto existirem mentes com vontade de pensar sobre eles.

Os símbolos nada mais são do que imensas quantidades de informação reduzidas a uma única imagem ou história fantástica ou ícone que funcionam como uma chave mental para o acesso dessas informações e sensações, desde que a pessoa saiba, em seu pensamento, como usar esta chave de uma forma consciente. Você pode perfeitamente substituir a imagem (o símbolo) de Odin por uma série de palavras (formadas por conjuntos de símbolos – as letras do alfabeto) a formar uma extensa lista: sabedoria, fúria, excitação, guerra, caçada, mente, magia, poesia, escrita rúnica, etc. É claro que, dependendo da interpretação de cada pessoa, e de cada tradição folclórica, essa lista pode variar imensamente, mas não absolutamente. Odin é um conjunto de símbolos, ele serve para que acessemos tais ideias em nosso pensamento, sentimento e intuição, de forma simplificada e cada vez mais potente (o hábito faz o monge).

O grande problema do “uso dos mitos” é quando os entendemos como seres literais (e não metáforas), dispostos a barganhar conosco em troca de “favores espirituais”, “boa sorte”, “boa saúde”, etc. Isso é um problema porque, exatamente, a grande vantagem dos mitos é poder ativar a nossa vontade para que nós mesmos busquemos tais objetivos, que nós mesmos nos tornemos heróis a vivenciar a grande aventura da vida, que nós mesmos nos tornemos, enfim, deuses (“sois deuses, farão tudo o que faço e ainda muito mais” – disse o grande rabi da Galileia [2]).

Mas, retornando a Odin: é verdade que o que sabemos hoje sobre o seu mito é extensivamente baseado na Edda Poética, um grandioso conjunto de poemas vindos diretamente dos mitos dos povos nórdicos antigos da Europa, e que foi preservado no Codex Regius (“Livro Real”), um códice islandês que provavelmente foi escrito em cerca de 1270 d.C., mas que só se tornou “conhecido na modernidade” quando um bispo o encontrou na Islândia e o enviou como presente ao então rei da Dinamarca, em 1662. A Edda então permaneceu na Biblioteca Real de Copenhagen até 1971, quando foi escoltada por militares por terra e mar (um acidente aéreo poderia a danificar permanentemente), de volta a capital da Islândia, Reykjavík. Lá ela permanece até hoje, como uma legítima relíquia que guardou praticamente sozinha aos séculos da cultura de um povo, e impediu que seus mitos de diluíssem até não mais existirem.

O que os versos da Edda nos trazem, entretanto, são baladas e cânticos bardos de épocas ainda muito mais remotas… Diz-se que Odin já era conhecido desde os primórdios da língua protogermânica, que durou de 500 a.C. há 500 d.C., e que formou a base de diversos idiomas atuais, como o inglês, o escocês, o alemão, o dinamarquês, o norueguês e o islandês, dentre outras. De fato, Odin é tido como o grande responsável por trazer aos homens o conhecimento das runas, a base da escrita germânica antiga, do mundo espiritual (falaremos mais sobre isso na sequência). Ora, como as runas mais antigas encontradas datam dos séculos I e II d.C., podemos dizer que o mito de Odin era tão antigo quanto elas… Mas, talvez seja ainda muito mais antigo do que isso. Porém, como teremos certeza?

Certeza nós jamais teremos, pois a história não é somente uma mera reconstrução moderna dos tempos de outrora: mas uma reconstrução criada primordialmente pelos povos e países vencedores das guerras e dos embates dentre crenças religiosas… O Odin que conhecemos hoje é um Odin sobrevivente aos séculos de domínio romano e cristão, e é mesmo quase um milagre que ele tenha sobrevivido. Apesar das extensivas campanhas de demonização feitas pelos ditos cristãos, o mito mostrou-se persistente: Odin ainda cavalga pelos céus, pelas películas de cinema e pelas histórias em quadrinhos.

Dito isso, é preciso deixar claro que a própria natureza do mito é a de se transformar continuamente, preservando-se apenas sua essência, aquilo que está fora do tempo, e sobrevive exatamente por nos tocar a alma, por ser eterno… Portanto, e interpretação que mais conta é a atual; e, além disso: é a nossa interpretação. Porque os mitos que nos são despejados como dogmas pré-estabelecidos por pretensas figuras de autoridade não são muito mais do que propaganda enganosa. O que nos importa, o que sempre importou, é identificar a essência, a verdade guardada em inúmeras metáforas, percebida sabe-se lá por qual ancestral selvagem em meio ao inverno europeu, e que, espantosamente, ainda está aqui, ainda nos toca a alma, ainda é capaz de nos elevar a estados de consciência que nem sabíamos que existiam.

O que falarei a seguir, portanto, é da minha interpretação do mito de Odin. Baseada num estudo das inúmeras histórias que ainda se contam dele, é claro; mas, não obstante, minha interpretação. Sinta-se a vontade para questioná-la, interpretá-la, vivenciá-la, pois é isso o que os mitos nos pedem…

» Na próxima parte: Odin, seus lobos e seus disfarces…

***

[1] Sociedade secreta neopagã que até os dias atuais celebra os ritos antigos relacionados à Odin e a outros elementos da mitologia nórdica. Segundo eles, “Odin não é um arquétipo psicológico ou uma metáfora para referência as forças naturais, mas uma entidade real”. Eles também são “politeístas a fundo”, e ao contrário de outros politeístas que na realidade compreendem aos deuses como emanações de um único Deus Primordial (o que no caso faria de Odin o Deus, e Thor, por exemplo, um de seus Arcanjos ou Profetas, se formos fazer uma [má] comparação com o catolicismo), para eles não há nenhuma lógica em crer que uma única entidade emana toda a realidade conhecida de si própria. Bem, provavelmente eles nunca leram Espinosa… Por outro lado, existe sempre a possibilidade de terem inventado essa história com o propósito de afastar curiosos indesejados.

[2] João 10:34; João 14:12 (NT).

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Crédito da imagem: Action figure por Randy Bowen (para a Marvel Comics)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#HQ #Mitologia #Odin #Paganismo

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O homem que esquecia (parte 2)

continuando da parte 1

Com o tempo, as anotações no Caderno de Oliver deram resultado: afora o fato de que ele gastava cada vez mais tempo lendo-o todas as manhãs, sua vida conjugal parecia bem mais normal agora… Para Maria e as gêmeas, era quase como ter o marido e o pai de volta, após uma breve pausa para leitura. No final das contas, Maria acabou tendo ciúmes das estrelas: é que Oliver esquecia da esposa, mas jamais esquecia das posições das estrelas.

Após chegar as mil páginas, Oliver teve de contratar um biógrafo para poder resumir sua própria história conjugal, senão só lhe restaria tempo de trabalhar a noite – teria de gastar todo o dia lendo sobre sua vida com as três Marias… Deu certo, mesmo quando suas filhas já estavam chegando na época do vestibular, o biógrafo conseguia resumir tudo em umas 500 páginas. A vida parecia mais superficial, mas funcionava, e sobrava o tempo necessário para continuar observando estrelas…

Maria Cristina queria ser cineasta, e Maria Luísa jornalista. Ainda que os pais tenham insistido, nenhuma das duas quis fazer documentários ou artigos sobre ciência… Elas achavam que esse negócio de ser cientista que tinha deixado o pai daquele jeito meio esquisito – embora o amassem como o melhor pai do mundo. O pai que retomava sua paternidade a cada nascer do sol.

Era uma vida feliz, novamente. Mas quiseram os deuses da fortuna que a história de Oliver e das três Marias se complicasse uma vez mais… Não se sabe se foi pelo estresse da situação conjugal, mas após o acidente de Oliver, Maria havia voltado a fumar – coisa que havia feito brevemente na adolescência, mas desde o acidente tinha retornado com força total: três maços por dia. Ela chamava-os de as três Marias também. O resultado foi câncer no pulmão, descoberto fora de hora. Que coisa, uma bióloga que não se cuidou… Acontece.

Quando visitava a esposa no leito do hospital, Oliver não se conformava com sua sorte: “Meu Deus, para que descobrir que tenho uma família tão linda todas as manhãs, se a noite percebo que estou prestes a perdê-la?”. Maria havia desenvolvido uma grande sabedoria através dos anos, e sempre respondia seu amado da mesma forma: “Não chore. Pior seria você não ter sobrevivido e suas filhas não terem crescido com um pai tão maravilhoso ao lado. Se estou assim não é culpa de Deus ou da sorte, mas do câncer que eu mesmo procurei sem saber… Em todo caso, é melhor amar e perder, amar e esquecer, do que nunca haver sequer amado!”

A beleza dos discursos de Maria só foi aumentando na medida em que se aproximava de sua hora… Mas para Oliver era sempre um único discurso. Não havia tempo para elaborar a perda: ele percebeu que em verdade perdia a quase todos que amava todas as noites. Era difícil se conformar…

Quando Maria finalmente se foi, Oliver pediu às filhas que lhe levassem para a cidade nas montanhas onde viviam dois de seus irmãos… Ele queria descansar de todo aquele sofrimento. Para seu biógrafo, fez um pedido especial: queria uma versão do Caderno do Amor onde não houvesse encontrado Maria. Nem encontrado nem perdido. Queria que as filhas fossem adotivas… Disse que queria ler assim sua vida, apenas durante as férias que ia passar nas montanhas. Suas filhas concordaram, em todo caso já estavam atarefadas demais na faculdade para dar suporte ao pai.

Vivendo nas montanhas Oliver parecia vivo e cheio de si novamente. Sempre perguntava das filhas, mas continuava fascinado pelas estrelas. Observava sempre as três Marias e se perguntava se não havia conhecido uma terceira Maria…

Como seus irmãos não consideravam suas questões, terminou por admitir: “Bem, são só estrelas mesmo.”

» continua na parte final

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Crédito da foto: viedeia

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#Contos

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Santo Daime e Magia do Caos – Felipe Boin

Bate-Papo Mayhem #262 – 09/12/2021 (Quinta) – Com Felipe Boin – Santo Daime e Magia do Caos

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Livro sobre caoísmo e Cthulhu

Aqui está o PDF e aqui a versão impressa.

Inicialmente minha intenção era escrever um breve livro com minha visão atual sobre o Caos, mas acabei desenhando o Cthulhu na capa. Então eu pensei: “que diabos, falemos sobre os Grandes Antigos também!”

Primeiro digo porque acho que a abordagem da magia do caos possui relevância e algumas noções filosóficas por trás dela. Depois comparo o conceito de “absurdo” das operações de Lovecraft com a teologia judaico-cristã.

Finalmente, para as práticas, falo sobre servidores, magia divina, gnose e tecnomagia. Você aprenderá como invocar Cthulhu e seus amigos, e ainda tem de brinde alguns contos sobre isso no fim. Para minha versão baseei-me um pouco em “Epoch” de Peter Carroll e em “Pseudonomicon” de Phil Hine.

Não se trata de um sistema completo, mas de um livro com pedaços de ideias sobre vários temas, com o intuito de tornar a leitura fluida.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/livro-sobre-cao%C3%ADsmo-e-cthulhu

Sincronicidade

Por Yubertson Miranda

Você já parou para refletir sobre as coincidências que ocorrem em seu dia a dia? E, mais do que isso, já reparou na sua reação quando elas ocorrem? Costuma dar atenção ao evento e tenta encontrar um significado ou apenas o considera uma obra do acaso?

CONCEITO DE SINCRONICIDADE
Quando existe uma conexão entre um evento externo e um sentimento, pensamento e desejo internos, pode-se dizer que ocorre uma sincronicidade. Conceito criado por Jung, a sincronicidade define acontecimentos que se relacionam não por relação causal, mas por relação de significado.

Essa ligação entre o mundo exterior e o interior, pode ser encontrada, por exemplo, numa livraria. Imagine que desejamos ler sobre determinado tema. Então, começamos a circular pelas estantes e o livro que precisamos ler parece “cair” em nossas mãos. Chega até nós de uma maneira surpreendente, inusitada. Ou seja, o desejo de entender sobre um assunto (realidade interior) se encontra com um evento exterior, tal como achar um livro caído no chão da livraria que trata justamente do que queremos saber.

CONSEQUÊNCIA PARA O AUTOCONHECIMENTO
Quem vivencia esse tipo de experiência recebe uma carga emocional impactante. Ela nos toca, nos sensibiliza, nos comove. Essa repercussão interna nos incita a reconhecer o quanto tal situação é especial para nós. Evidencia um significado que, quando aceito, assimilado e praticado, fará diferença na nossa vida. Parece que uma força poderosa organiza esses acontecimentos para trazer oportunidades úteis ao nosso processo de autoconhecimento e autorrealização.

COMO RECONHECER OS SINAIS
Devemos nos abrir para os sinais que se apresentam por meio das circunstâncias cotidianas. Essa atitude de entrega e de atenção desprendida no dia a dia nos permite enxergar o surgimento das mensagens que poderão trazer respostas às dúvidas e angústias.

Levo esse costume para a minha vida pessoal. Quando preciso tomar uma decisão e estou incerto sobre qual escolha fazer, adoto uma postura de caçador de tesouros. Com esse faro detetivesco, uma simples conversa ouvida no ponto de ônibus entre duas pessoas desconhecidas pode me ofertar a valiosa informação que necessito e me fará tomar uma decisão com sabedoria.

Compartilho um exemplo: almoçava com a minha esposa Cris e meus pais em um restaurante. Eu e ela tínhamos encontrado um apartamento que queríamos alugar. E conversávamos com meus pais se um tio meu, chamado Luiz, aceitaria ser um de nossos fiadores. Quando expus essa dúvida, imediatamente ouvimos uma mãe chamando seu filho: “Luiz, venha aqui!” Olhei para a Cris e sorri. Meu tio, muito provavelmente, toparia ser nosso fiador. E aceitou quando lhe fizemos o pedido.

TIRE PROVEITO DAS SINCRONICIDADES
Para se beneficiar dos sinais condutores presentes nas sincronicidades, adote uma postura mais alerta no seu dia a dia. Não aquele tipo de atenção concentrada, forçada, como esperar ansiosamente uma resposta da vida em cada instante. Pelo contrário, é estar aberto sem esforço, relaxado. É o que eu chamo de atenção desprendida.

Com isso, quando, por exemplo, se encontrar com alguma pessoa, ver uma propaganda na TV, ouvir uma música, naturalmente será tocado pelos detalhes importantes contidos nessas circunstâncias. Pelo fato de estar consciente, no momento presente, saberá encontrar os significados que essas experiências lhe oferecem.

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Os Livros Essenciais da Cabalá – Pré-venda

Esta semana os Livros Essenciais de Cabalá entram na gráfica e nestes 15 dias de impressão, abriremos a pré-venda para quem não teve oportunidade de comprar os livros poder adquiri-los, bem como o Qametz (Talismã da Sorte), presente a todos que apoiaram o Projeto nas primeiras 48hs.

– O Sepher Yetzirah (O Livro da Formação)
– O Sepher Ha-Zohar (o Livro do Esplendor) – Prólogo & Bereshet A
– O Livro da Reencarnação das Almas
– O Livro do Anjo Raziel

E todos que apoiarem com a compra dos 4 livros receberão também, como metas batidas no Financiamento:

– 5 marcadores de página, estilizados para cada um dos livros
– Livro Magia Tradicional – Ensaios em Filosofia Oculta.

Apoie já
Livros Essenciais da Cabalá

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Afrodite e Anquises

Olá crianças,

Na Palestra sobre Deuses e a Kabbalah, eu mencionei a respeito das concepções divinas que sempre eram retratadas como um pai-deus e uma mãe-mortal, gerando um herói solar (Hércules, Hórus, Mithra, Perseus, Ulisses, Jesus, etc) e disse que não haviam heróis resultantes da união de um mortal com uma deusa… mas o leitor Carlos eduardo me lembrou de uma exceção: Anchises. De qualquer forma, é curioso notar que ele não é resultado de uma “conquista”, mas sim de um “castigo/humilhação” a que Zeus submete Afrodite: apaixonar-se por um mortal.

Como diz o texto a seguir, extraído da obra de Karl Kerényi “Os Deuses Gregos”, Cultrix, 2000:

As histórias sobre a grande deusa do amor que até agora tenho contado tinham o seu cenário no extremo sudeste do nosso mundo grego – em Chipre e na Síria. A cena da história seguinte é a região de Tróia, na Ásia Menor. Afrodite ali aparece acompanhada de animais selvagens: isso a liga à “Mãe dos Deuses”, concluindo assim minha narrativa a respeito das divindades pré-olimpianas ou, pelo menos, alheias ao 0limpo. A história nos foi contada num hino atribuído a Homero.

Havia três deusas sobre as quais Afrodite não tinha poder algum: Atena, Ártemis e Héstia. Todos os outros deuses e deusas cediam às suas injunções, e ela chegou a compelir o próprio Zeus a apaixonar-se por mulheres mortais e a descurar da sua irmã-esposa Hera, filha de Crono e Réia. Foi por isso que Zeus, por seu turno, compeliu Afrodite a apaixonar-se pelo pastor Anquises, que apascentava o gado nas alturas do monte Ida e era tão belo quanto os imortais. Afrodite avistou-o, e o amor senhoreou-se dela. Ela dirigiu-se à pressa a Chipre, ao seu templo em Pafo. Fechou as portas do templo atrás de si, as Graças banharam-na e ungiram a grande deusa com o óleo dos imortais, cuja fragrância adere aos deuses eternos. Envergando um belo vestido e adornada de ouro, ela voltou, célere, a Tróia, ao monte Ida, à mãe dos animais selvagens.

Afrodite caminhou através das montanhas, para os rebanhos de gado. Atrás dela, sacudindo a cauda, iam lobos cinzentos, leões de olhares ferozes, ursos e rápidos leopardos, insaciáveis em sua fome de gazelas. A deusa regozijou-se com a vista deles e encheu de amor o coração das feras, de modo que todas se deitaram, aos pares, à sombra das florestas. Afrodite entrou na tenda do pastor e encontrou Anquises a sós. Ele andava de um lado para outro tocando um alaúde. Afrodite postou-se diante dele na forma de uma bela e delicada donzela mortal. Anquises contemplou-a e maravilhou-se da sua beleza, da sua estatura e das suas roupas esplêndidas. Ela vestia uma túnica cuja vermelhidão ofuscava mais do que o fogo; brilhavam-lhe os seios maravilhosamente, como se fossem banhados de luar. O amor apoderou-se de Anquises, e ele dirigiu-se à deusa. Saudou-a como uma imortal, prometeu-lhe um altar e sacrifícios, e suplicou-lhe a bênção para ele e sua posteridade. Diante disso, a deusa mentiu-lhe, dizendo-se uma donzela mortal, uma princesa frígia que também sabia falar a língua dos troianos. Hermes a arrebatara, assim explicou ela, do coro de Ártemis, em que estivera dançando com suas companheiras de folguedos e com as ninfas, e a transportara para o monte Ida, através do ar, desde a Frígia. Pois ela fora convocada – assim falara o mensageiro divino – para tornar-se esposa de Anquises. Mas desejava que o pastor não a tocasse enquanto não a tivesse apresentado a seus pais e irmãos, cuja nora e cunhada viria a ser; e desejava também, antes de celebrar-se o casamento, mandar uma mensagem aos pais dela a respeito do dote. Essas palavras da deusa encheram Anquises de um amor ainda maior. “Se és donzela mortal, e estás destinada a ser minha esposa, nem deus nem homem poderá privar-me de ti. Ainda que Apolo deva matar-me depois, quero amar-te agora, imediatamente, e depois morrer!” Isso bradou o pastor, e segurou a mão de Afrodite. Ela o seguiu até a cama dele, virando-se repetidamente para trás, como se quisesse retroceder, e pousando no chão os lindos olhos. Sobre lençóis macios jaziam peles de ursos e leões, que o próprio Anquises matara. Ele retirou os adornos da noiva, afrouxou-lhe o cinto e descobriu-a. De acordo com a vontade dos deuses, o mortal deitou-se com a deusa imortal, sem saber o que estava fazendo. Somente à hora em que os outros pastores deviam voltar, Afrodite despertou o amante adormecido e mostrou-se a ele em sua verdadeira forma e beleza. Anquises ficou assustado quando lhe viu os lindos olhos. Virou-se para o outro lado, cobriu o rosto e implorou-lhe que o salvasse. Pois nenhum homem mortal continua gozando de boa saúde pelo resto da vida depois de haver dormido com uma deusa.

Conta-se ainda que Afrodite profetizou o máximo bem para o filho que concebeu de Anquises, e para seus descendentes. O filho era Enéias, que seria famoso mais tarde, entre os nossos vizinhos italianos, como fundador da nação latina. De sua parte, a deusa lamentou haver-se entregue a um mortal. Anquises não deveria revelar a ninguém que ela era mãe de seu filho; as ninfas lhe trariam, como se a criança pertencesse a uma delas. Se ele o fizesse, o raio de Zeus o atingiria. Afirma-se que Anquises, mais tarde, foi estropiado por um raio. Mas havia também a história de que ele foi punido com a cegueira por ter visto a deusa nua. Abelhas, com os ferrões, arrancaram-lhe os olhos.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afrodite-e-anquises

Sagração da Primavera

Considerada na época um insulto as regras da composição musical, sua estréia foi um escândalo quase sem precedentes na história da música. Stravinsky conseguiu despertar a fúria dos críticos, parte da platéia foi embora, mas os que ficaram foram iniciados nesta nova e nada fácil linguagem musical do século XX.

O ritual é dividido em duas partes com as seguintes cenas:
Adoração da Terra
Introdução

Os áugures da Primavera: Dança das adolescentes

Ritual do Rapto

Dança de Roda

Disputa entre clãs rivais

Cortejo do Sábio

Adoração da Terra

Dança da Terra
O Sacrifício

Círculo místico das adolescentes

Glorificação da Escolhida

Evocação dos Espíritos Ancestrais

Ação Ritual dos Ancestrais

Dança Sacrificial da Escolhida

Em 1940 a Walt Disney utilizou a música da Sagração como trilha sonora para o desenho Fantasia, onde é apresentado a evolução da vida na Terra desde os primeiros seres microscópicos aos gigantescos dinossauros. Stravinsky, que era vivo na época, não se agradou muito com a idéia, principalmente por terem “picotado” boa parte da obra. O fato é que a animação foi produzida e o gostar ou não gostar fica a critério do ouvinte.
Referências

Deutsche Grammophon Collection.

História da Música, Otto M. Carpeaux.

Fabio Almeida

#Biografias #Mitologia #Música

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A Raposa e as Uvas – Uma Fábula Moderna

Passeando por grupos do facebook, uma raposa, morta de fome de conhecimentos, viu, ao passar diante de um pomar, penduradas nas ramas de uma viçosa videira, alguns cachos de exuberantes uvas negras, e o mais importante, maduras. Eram quase 700 paginas coloridas e 800 mil palavras de conhecimento vinífero penduradas ali na sua frente.

Não pensou duas vezes, depois de certificar-se que o caminho estava livre de intrusos, resolveu colher o seu alimento.

– Alguém conhece este livro? Fiquei muito interessada…

Usou de todos os seus dotes, conhecimentos e artifícios para apanhá-las, mas como estavam fora do seu alcance, acabou cansando-se em vão, e nada conseguiu.

– Alguém tem um PDF para me mandar?

Desolada, cansada, faminta, frustrada com o insucesso de sua empreitada, suspirando, encolheu de ombros e deu-se por vencida. Outras raposas chegaram junto, mas nada conseguiram.

Deu meia volta e foi-se embora, desapontada foi dizendo:

– Está muito caro!

Outras disseram:

– Parece um trabalho superficial, o livreto de 100 paginas da Dion Fortune que pegamos de graça pirata é bem mais profundo.

– Não gosto do autor, autores nacionais nunca se aprofundam nos temas

– A parte gráfica deixa a desejar…

– Não recomendo o autor para ninguém que queira estudar Magia(k), ele é muito pop, só fala de Kabbalah e Harry Potter, Matrix e Senhor dos Aneis

– Com todo respeito aos meus amigos ocultistas, mas se quer aprender cabala “de verdade”, estude Hebraico e pegue livros como Tikunei Zohar, Zohar Hakadosh, Likutei Amarim, Likutei Moharam, Shney Luchot Habrit…

– Um amigo de um primo meu da capital disse que o autor colocou círculos cabalísticos reais em um RPG e faz com que o primo de um conhecido meu invocasse demônios em uma sessão de RPG, por isso não podemos comprar nada deste autor.

Quando já estavam indo, um pouco mais à frente, escutaram um barulho como se alguma coisa tivesse caído no chão… Voltaram correndo pensando ser um pdf…

Mas quando chegaram lá, para sua decepção, era apenas uma folha que havia caído da parreira. As raposas, decepcionadas, viraram as costas e foram-se embora de novo.

Fábula de Esopo, baseada em fatos reais.

#Arte #Fábulas

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Magia do Caos, Servidores e ABRALAS – Com Rodrigo Vignoli

Bate-Papo Mayhem #040 – Com Rodrigo Vignoli – Magia do Caos, Servidores e ABRALAS

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/CPmB-qmR7d4

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral duas vezes por semana, às segundas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados uma vez por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

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