O Satanismo Tradicional

Por Malachi Azi Dahaka.

Recordo-me de quando eu tinha dezesseis anos e estava na época de escola. Foi neste tempo que comecei a estudar o ocultismo de modo geral. A influência dos meus familiares católicos e umbandistas e suas opiniões a respeito da “magia negra” e do Satanismo ainda eram marcantes em mim. Em minha cabeça, a figura de um satanista era o exato aspecto “hollywoodiano” do grupo com capuzes negros sacrificando jovens virgens em seus ritos macabros.

Certa vez, o pai de um amigo foi buscar o mesmo na escola onde estudávamos. Era um senhor com cabelo grisalho, bem arrumado e simpático. Este senhor cumprimentou a nossa turma e levou seu filho até o carro. Um colega de classe, que sabia de meus interesses sobre ocultismo me confidenciou naquele momento que o pai de nosso amigo era um Satanista, e falava do assunto sem nenhum problema. Obviamente, me senti curioso (e ao mesmo tempo assustado) pelo assunto. Decidi conversar com meu amigo no dia seguinte.

E este foi o início da quebra de um estereótipo que circula até hoje no meio ocultista. O que é, afinal de contas, um Satanista?

Em primeiro lugar, para falarmos deste tema, é necessário nos situar muito bem dentro do mesmo, erro que normalmente é cometido pelos que se dizem entendidos no assunto. O Satanismo não é uma crença única, muito pelo contrário. Ele possui inúmeras variações e correntes filosóficas diferentes. A mais famosa delas, o Satanismo Moderno, foi fundado por Anton Lavey em 1969, e trata de uma forma de Antropocentrismo. Segundo esta filosofia, o sobrenatural deve ser deixado de lado, e o material deve ser vivido aqui e agora. Os Demônios e entidades seriam apenas aspectos psicológicos internos, exteriorizados para obter-se maior compreensão dos mesmos. Lavey popularizou o Satanismo, mas ao contrário do que se pensa, ele não foi o primeiro a organizar um grupo coeso e suas características não devem ser misturadas as de outras formas de crenças satânicas.

No outro extremo das vertentes, existe o chamado Satanismo Tradicional, e é deste que irei tratar aqui. Ao contrário da crença de Lavey – que é considerada pobre em espírito, já que ignora o desenvolvimento e evolução do Homem como um Todo – o Satanismo tradicional/ teísta crê nas entidades, deuses e demônios como seres independentes do ser humano. Estas deidades são utilizadas dentro do satanismo como auxiliares da Evolução do Adepto, e não como ídolos para mera adoração cega e submissão doentia, como normalmente se retrata.

Existe ainda o conceito do Luciferianismo, que é diferente do Satanismo, mas está presente no mesmo. Este é o conceito da iluminação e refinamento da mente-corpo-espírito através da Gnose Luciferiana e da utilização dos Mitos e “Máscaras de Deidades” associadas a Lúcifer e sua figura de portador do fogo do conhecimento e conhecedor tanto da Luz quanto da Escuridão.

A Mão Esquerda

Os termos “mão direita” e “mão esquerda” vieram do Tantra, mas passaram a ser utilizados para designar o caminho ocultista com base nas “árvores” da Cabalah. O caminho da mão esquerda seria aquele em que o ocultista se foca em sua própria evolução acima de tudo, sendo correspondente ao ideal satânico de evolução própria. Devido a isso, o Satanismo está contido no caminho da mão esquerda. Mas não é necessário ser um Satanista para ser um praticante do LHP (Left Hand Path).

Da Figura do Satanista

Um real adepto do Satanismo Tradicional, não será uma piada caricata diante da sociedade e não se valerá de meros “teatros” psicológicos em sua Mágicka. A figura de mantos negros e jóias exageradas existe apenas em seu mundo particular, durante seus rituais. Em seu dia-a-dia ele deve ser uma pessoa normal. Ser um satanista não significa perder o senso de educação, prestatividade e em especial, honra. Aqueles que não souberem entender e canalizar a sua Chama Interior, serão consumidos em sua ira – e não passarão de animais selvagens sem direção.

O Ideal Satânico

Cada corrente possui sua própria ideologia. A evolução do adepto é um ponto comum a todas. O despertar da Chama Negra interior, introduzido na humanidade por Samael, é o maior destes objetivos. Ser semelhante a Caim (a chama negra) ao executar simbolicamente Abel (o homem de barro) para se tornar um Deus em carne. O contato com o Demônio Guardião equivale ao despertar desta chama negra acausal, é o acordar do interior subconsciente. É a maior arma de um Satanista (adversário) contra a ordem causal e vigente.

Os Demônios

Derivado da palavra grega Daemon ou daimon (grego ??????, transliteração dáimon) que pode ser traduzida como “espírito” ou “divindade”, o tipo de entidades que eram nomeadas dessa forma passaram a ganhar fama de maléficos com o cristianismo, e a fama permanece até hoje, mesmo entre aqueles que não se consideram cristãos, de tal forma que está enraizada esta cultura na sociedade. O Satanista sabe que nem todos os demônios são maléficos e nem todos são bondosos, sendo aconselhável a relação com eles apenas após um bom tempo de prática. Cada um é único em essência, e podem fornecer o conhecimento necessário para o adepto evoluir. São uma gama de entidades difíceis de se trabalhar, o que envolve tempo e dedicação da parte do adepto.

As entidades demoníacas não devem ser confundidas com vermes astrais, eguns ou kiumbas. Demônios conseguem a energia com a qual trabalham através de oferendas e adoração, enquanto os vermes astrais são meros vampiros instintivos. Os vermes astrais podem muitas vezes se passar por outra entidade através da alteração de sua de sua forma de manifestação para se passarem por outros tipos de entidades (sejam demônios ou não). Isto torna uma exigência a aptidão do adepto para identificar e diferenciar impostores de seus “guias” ao trabalhar com eles. Entre estas formas de identificação, está a sensação percebida pela presença da entidade, que deve corresponder a frequência energética da mesma.

Este é um fato válido tanto para os praticantes do Satanismo quanto os de outras artes que lidem com entidades, e é algo geralmente negligenciado, e que culmina em erros graves.

Os Sacrifícios e Honrarias

Um Satanista é um ser orgulhoso de si, e que visa sua evolução. Desta forma, ele não se prostra diante de nenhum ser, a não ser a si mesmo. Os cânticos, oferendas, sacrifícios e honrarias concedidas as entidades são para exaltação e agradecimento as mesmas. Não existe devoção cega dentro do Satanismo. Não há “servir de alimento” para entidades. Não há pactos, e Demônio algum lhe dará nada em troca de sua “alma”. Aliás, se você não consegue se esforçar por algo e precisa pedir que caia do céu, sua alma para ele já não valerá nada. Os Sacrifícios, apesar de serem um ponto polêmico, podem ser realizados com oferendas. Objetos consagrados, confecção de imagens, incensos, velas, e até mesmo alimentos no caso de algumas entidades. Ou seja, não há necessidade de mortes humanas como retrata Hollywood.

Goétia e Satanismo

Outro mito do satanismo tradicional é a goétia. Deve-se ter consciência de que a goétia é apenas um dos muitos sistemas e formas de evocação que existem para se contatar entidades. Como todo sistema evocatório, ela deve ser adaptada à crença do praticante. Existe, portanto, alguns livros voltados para a prática da “goétia satânica”. Mas isto é apenas um passo na evolução do adepto, e não uma obrigatoriedade para um satanista e muito menos uma exclusividade, tendo em vista que o sistema original é judaico-cristão. Há muito que se discursar sobre este assunto.

Deidades Satânicas

Recentemente vi alguns leigos no Satanismo citando que o mesmo fazia uma “confusão com Deuses”. A realidade é bem diferente de uma confusão. As vertentes teístas do Satanismo realizam um resgate dos Deuses das Eras anteriores para utilizar na era atual. Os Deuses ancestrais não são esquecidos, mas adorados e sua energia utilizada em diversos trabalhos mágickos.

Para os Luciferianistas, não apenas os deuses “negros” sofrem este “resgate” ou esta “adaptação”, mas também os deuses considerados “luminosos” devido a seus aspectos semelhantes aos de Lúcifer. A assimilação destas deidades segue a máxima de que um Adepto deve absorver aquilo que lhe torna mais forte, e expurgar o que lhe torna fraco, para que o mesmo seja digno de alcançar a sua Chama interna.

Sobre os “Estereótipos”

É uma moda atualmente, que todo Satanista seja obrigado a ouvir “black metal” e derivados, andar sempre de preto e estar sempre mal encarado. Isto não poderia estar mais longe da verdade. Gostos pessoais não influem em uma crença, muito menos as roupas. E por sua vez, a crença não é desculpa para agir como um adolescente revoltado, faltando com respeito a tudo e todos. Deve-se ter o senso de postura e saber os meios certos de lutar contra a ordem vigente.

Os exemplos dados pelo Marcelo Del Debbio em sua postagem “Ordens Satanistas da Vida” é um grande exemplo do que um verdadeiro adepto NÃO é. Ele não fará ameaças que não pode cumprir e nem se valerá levianamente das entidades que o auxiliam em sua alquimia mental. As atitudes ali demonstradas são dignas apenas dos “estereótipos”, os jovens que acabam se apoderando de material presente na internet, e retirando de contexto e distorcendo informações, sem a mínima noção ou instrução – resultando no que foi aqui demonstrado.

Estes, não devem ser comparados aos praticantes sérios desta senda, que buscam a verdadeira evolução e possuem seus próprios objetivos, não se limitando a adoração cega e a serem “bateriais de entidades” (como foi denominado por alguns leitores), mas trilham um caminho difícil com seriedade para atingirem seus próprios objetivos, livres de amarras de qualquer espécie.

Este é apenas um resumo daquilo que eu estou trilhando, do que eu estudei e ainda estudo. Espero que sirva para quebrar alguns paradigmas e mudar alguns conceitos acerca desta senda espiritual, que é tão válida quanto qualquer outra, e que merece ser reconhecida pela sua funcionalidade e não por aqueles que mancham seu nome.

Malachi Azi Dahaka.

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-satanismo-tradicional

Zoantropia

Espíritos desencarnados podem ser tão ruins quanto os encarnados e, em alguns casos, se apresentam com formas animalescas que refletem sua degradação espiritual e moral.

Zoantropia é o fenômeno em que os espíritos desencarnados devotados ao mal se tornam visíveis aos homens sob formas animalescas, demonstrativas de sua degradação tanto moral quanto espiritual. Essas formas são as mais diversas, sem esquecer da forma “diabólica” em que muitos se apresentam, com cara de homem, chifres, rabo e pés de bode, ou seja, um ser misto de homem e animal.

Muitos livros de ficção foram escritos em torno do tema, e também surgiram vários filmes e novelas explorando esse filão. Como sempre, no fundo das lendas e da imaginação popular há sempre uma verdade a ser encontrada. Mas é preciso não acreditar em tudo e tampouco negar tudo. Não existe o sobrenatural, porque tudo o que ocorre na natureza é natural, obedecendo a leis emanadas do Criador. O desconhecimento dessas leis é que leva ou à descrença ou à superstição. É por isso que o homem coloca “adereços” na verdade, de forma a deturpá-la.

Muitas pessoas já me contaram casos de lobisomem (licantropo) e juram que o viram. Dessa vez, vou deixar de lado esses casos e narrar alguns encontrados principalmente dentro da hagiografia e da literatura espírita.

As forças malévolas sempre atacam aqueles que servem ao bem. E, assim sendo, não é raro encontrarmos na vida dos santos fenômenos de zoantropia.

O hagiógrafo José Hussieim, na obra Heroínas de Cristo (Editorial Poblet), relata que na vida de Santa Gemma Galgani (1878-1903) ocorreram dolorosos fenômenos de infestação espiritual produzidos por entidades malfazejas do mundo invisível, que tomavam as mais terríveis formas. Uma delas aparecia às vezes “como um cão feroz que se arrojava sobre ela ou como um monstro gigantesco que a afligia a noite inteira, gritando: Tu me pertences! Tu me pertences!”.

São Pedro de Alcântara (1499-1562) sofreu grandemente a investida das forças do mal, às quais venceu com sua humildade e devoção ao bem. Frei Estefânio José Piat, na obra São Pedro de Alcântara (Ed. Vozes), descreve um desses ataques, acompanhado de fenômenos físicos: “O Diabo entra agora em cena. Obsessiona-o sob formas asquerosas, persegue-o com escárnios, com gritos e ruídos noturnos. E chega mesmo às vias de fato: derruba-o, sufoca-o até quase o estrangular; cobre-o com chuvarada de pedras que, na manhã seguinte, ainda se encontram espalhadas pelo soalho da pobre cela”.

QUE TAMBÉM RECEBEU CRUÉIS ATAQUES DE ENTIDADES TENEBROSAS e vingativas, interessadas em prejudicar a sua obra missionária, foi Dom Bosco (1815-1888). O Padre Aufíray, na célebre obra Saint Jean Bosco (Librarie Catholique Emmanuel Vitte), descreve essas perseguições confidenciadas pelo notável santo aos padres Cagliero, Bonetti e Ruffino, que certa manhã o encontraram pálido e extenuado. Além de gritos nos ouvidos, ventos repentinos, puxões nas cobertas, estrondos no teto da casa e outros fenômenos físicos, Dom Bosco enfrentou também os fenômenos de zoantropia (inclusive a licantropia), atestando a sua mediunidade poderosa e grande espiritualidade. Os perseguidores desencarnados apareciam “sob as expressões de animais ferozes – ursos, tigres, lobos, serpentes – ou sob o aspecto de monstros indescritíveis, que o atacavam furiosamente”.

São Geraldo Majela (1726-1755), cuja vida foi povoada pelos mais extraordinários fenômenos, não escapou também a zoantropia. Seu hagiógrafo, padre Montes, narra vários casos na obra São Geraldo. O primeiro ocorreu antes do santo entrar para o noviciado dos redentoristas. Dotado de grandes virtudes e fervor, gostava de fazer vigília na igreja de Muro, sua cidade natal. “Uma noite, ao abrir a porta da igreja, viu Geraldo na obscuridade os enormes olhos esbraseados de um cão que avançou como se quisesse saltar-lhe ao pescoço. O primeiro impulso do jovem foi o de gritar e fugir. Compreendeu, todavia, que aquele cão descomunal, que se encontrava dentro do templo, não era um animal como os demais. Entrou, tomou água benta e fez o sinal da cruz. O macabro assaltante retrocedeu e, dando horroroso uivo, desapareceu como por encanto”.

Já como Irmão Coadjutor, em Iliceto e outros conventos, numerosos grupos de “demônios” apareciam-lhe em forma corpórea. “Às vezes, tais como os representa a imaginação popular, com enormes chifres, fisionomia repugnante, pele vermelha ou negra e rabo descomunal. Executavam ataques simulados e davam gritos e uivos capazes de gelar o sangue a um cristão. Outras vezes, disfarçados em enormes cães pretos e lobos medonhos, atacavam a Geraldo como querendo devorá-lo. Vendo que as ameaças não impressionavam ao heróico jovem, os espíritos infernais não se contentaram com berros e ameaças”.

“Certo dia, lançaram-se sobre Geraldo, deitaram-lhes suas asquerosas mãos, lançaram-no por terra e maltrataram-no de tal maneira que, no dia seguinte, não pode levantar-se do leito. Outra noite, precipitaram-se sobre ele dois lobos gigantes, com uivos selvagens e, agarrando-o pela batina, arrastaram-no pelos corredores, saíram com ele para a horta e lá no fundo, tendo-o arrastado por pedras e lama e quanta imundície havia, lá o deixaram semimorto”. Tentavam, também atirá-lo ao fogo ou afogá-lo.

CHAMADA DE A VIDENTE DE PREVORST, FREDERICA HAUFFE (1801-1829), sensitiva alemã de faculdades excepcionais, costumava expulsar espíritos por meio de fórmulas escritas. A pedido do dr. Justinus Kemer, ajudou Fritzien, uma senhora idosa que foi perseguida durante 24 anos. “Tudo começou quando, ao deitar-se, ainda acordada, ouviu pela primeira vez um estalo na cama; em seguida viu um jato de luz azulada e a aparição de um ser semelhante a uma raposa, que se lhe aproximou da cama e desapareceu. Outra noite percebeu a mão de uma criança na sua. Esforçando-se para retirá-la, sentiu-se opressa, como sob a influência de um grande peso. Desde então, viu-se perturbada todas as noites, a princípio por luzes brandas, depois pela aparição de formas vivas, corujas, gatos ou cavalos, todos medonhos e assustadores”. Com a ajuda prestada pela vidente cessaram as perturbações na vida de Fritzien.

Na literatura espírita encontramos as explicações de como se processam esses aviltamentos das formas. Segundo Gúbio, instrutor de André Luiz, temos que tomar “por base, acima de tudo, os elementos plásticos do perispírito”.

A zoantropia não se manifesta só nos desencarnados. Os encarnados também apresentam problemas desse tipo. Vejamos apenas três casos: um extraído da Bíblia, outro de uma obra de André Luiz e o terceiro narrado pelo Cel. Edynardo Weyne.

O caso bíblico, encontramos em Daniel (4:25 a 34), e fala do rei Nabucodonosor, da Babilônia, que viveu como animal durante sete anos, findo os quais recobrou o juízo, o reino e a figura humana, glorificando a Deus e a Sua justiça. Destaquemos o trecho em que se opera a transformação: “Anunciam a ti, rei Nabucodonosor, que teu reino te foi arrebatado. Vão expulsar-te dentro os homens para te fazer viver entre os animais dos campos; pastarás ervas como os bois. Sete tempos passarão sobre ti, até que reconheças que o Altíssimo domina sobre a realiza humana e que a confere a quem lhe apraz” (Bíblia Sagrada. Editora Ave Maria, 18. edição, 1971).

“Na mesma hora se cumpriu esta palavra na pessoa de Nabucodonosor, e ele foi lançado da companhia dos homens, e comeu feno como o boi, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu: de sorte que lhe cresceram os cabelos e o pelo, como as plumas das águias, e as suas unhas se fizeram como as garras das aves”.

NO CAPITULO 23 DA OBRA NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE temos um exemplo de fascinação muito interessante. Uma senhora, dominada por um terrível hipnotizador, acompanhado por vários companheiros vingativos, adquiria aspecto animalesco, “quase que uivando e coleando pelo chão”. Não fosse a assistência espiritual, seria vítima integral da licantropia deformante. O instrutor Gúbio explica: “Muitos espíritos, pervertidos no crime, abusam dos poderes da inteligência, fazendo pesar tigrina crueldade sobre quantos ainda sintonizam com eles pelos débitos do passado. A semelhantes vampiros devemos muitos quadros dolorosos da patologia mental nos manicômios, em que numerosos pacientes, sob intensiva ação hipnótica, imitam costumes, posições e atitudes de animais diversos”.

Na obra A Próxima Parada, o Cel. Edynardo narra um caso interessantíssimo: “A 5 de agosto deste ano (1983), Valdeci Ribeiro de Souza, filho de João de Souza Filho e Francisca Ribeiro de Souza, 14 anos, residente no Sítio Coqueirinho, em Mangabeira, Aquiraz, e aluno do Grupo Escolar local, teve uma crise convulsiva. Foi levado às pressas para o Posto José Frota de Mecejana. Aplicaram-lhe uma injeção de Diasepan e recomendaram que o conduzissem ao Hospital de Saúde Mental para tirar um eletroencefalograma, pois suspeitavam de epilepsia. Como as crises continuassem, não falava, não dormia e chorava sem parar, o trouxeram para o Hospital de Saúde Mental. Lá ficou por três dias”.

“Ao voltar para casa, o corpo tinha marcas de pancadas, o rosto edemaciado e um olho “preto”. Contou que apanhara muito. No nosso plantão das quartas-feiras, a família o trouxe ao Centro Espírita Amor ao Próximo. Não mais parecia uma criatura humana! A entidade que o manipulava lhe transmitira sua configuração Espiritual (fenômeno de zoantropia). Adquirira a forma de um macaco. Essa degradação do perispírito do possessor foi logo identificado por uma vidente da nossa equipe de desobsessão. Cerca de dez pessoas, que se encontravam presentes, viram-no com as mãos dobradas, como se fossem patas, tentando agredir a tapas. Com fúria animalesca, procurava morder quem dele se aproximasse. Não falava, guinchava. Sua expressão fisionômica era simiesca. Coçava a barriga exatamente como fazem os macacos. Sua força era superior a de vários homens juntos”.

Ele continua narrando que “após três sessões de transfusão energética, com complementação ectoplásmica, recuperou o aspecto humano e o comando da mente. Na segunda-feira seguinte, dia de sessão pública, mais de cem assistentes de todas as classes sociais viram o final dessa trágica metamorfose. Voltara-lhe a consciência de sua própria identidade!”

“Reprimir, bloquear, dopar, submeter a choques elétricos ou bioquímicos a incipiente mediunidade de um paciente sensitivo é inócuo, quase perversidade! Jamais ele passará de um “trapo ambulante”. Nunca se chegaria a uma solução autêntica como no caso desse menino-macaco. Para esse tratamento não empregamos nenhum produto farmacêutico convencional. Apenas o humilde arsenal terapêutico da Medicina dos Espíritos: a prece, o passe, a cooperação dos benfeitores do espaço, a água fluidificada, o amor e a fé. Principalmente a fé. Fé consciente, inamovível, granítica. Aquela fé que remove montanhas, como nos falou o meigo Filho de Maria”.

Para encerrar esse artigo vou narrar mais um caso ocorrido com um encarnado, cujas faculdades mediúnicas estavam começando a aflorar. Na obra Ala Dezoito, o escritor espírita Frungilo Júnior apresenta um fenômeno de zoantropia muito interessante, ocorrido com um advogado que se encontrava internado em hospital, por apresentar comportamento anormal, devido a “visões” que estava tendo: “Roberto começa a se agitar. Abre os olhos e aquilo que lhe parecia um sonho começa a se misturar com a realidade. Em primeiro lugar, não consegue atinar com o lugar onde se encontra; iluminada pela luz de um abajur, vê a esposa deitada no sofá, porém não a vê sozinha. Ao seu lado, duas figuras animalescas assediam-na, voluptuosamente. Possuem corpo, braços, pernas, cabeça, como um ser humano, porém, suas constituições físicas, no que se refere ao que lhes serve como tecido epidérmico, são de uma textura animalesca e repugnante. Cascos, no lugar dos pés, garras como mãos, olhos obliquamente compridos, maxilares protuberantes, chifres recurvados, sexos à mostra, tudo com forte odor nauseabundo e fétido, são as características horripilantes dessas criaturas que possuem, como vestes, apenas um tipo de colete escamoso, que mais parece uma continuação de seus horrendos corpos, diferenciando de todo o resto pela cor escarlate que apresentam”.

Quando a medicina terrestre estiver de mãos dadas com o conhecimento espiritual, será mais fácil o tratamento e a cura desses problemas expostos. Aguardemos!

Extraído da revista Espiritismo e Ciência número 20, páginas 6-10

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/zoantropia

Judas, o melhor amigo de Jesus

judas

Parte de um plano secreto

amigo fiel de Jesus

eu fui escolhido por ele

para pregá-lo na cruz

Cristo morreu como um homem

um mártir da salvação

deixando para mim seu amigo

o sinal da traição.

Se eu não tivesse traído

morreria cercado de luz

e o mundo hoje então não teria

a marca sagrada da cruz

e para provar que me amava

pediu outro gesto de amor

pediu que o traísse com um beijo

que minha boca então marcou.

– Raul Seixas, 1979

A música acima foi composta pelo melhor cantor brasileiro de todos os tempos, Raul Seixas, em conjunto com meu irmão alquimista Paulo Coelho, sob a orientação do Mestre Marcelo Motta. Poderia ser apenas, como a Igreja gosta de colocar para cada sujeira que varremos para fora do tapete eclesiástico, “mais uma ficção inspirada por Dan Brown”, se não fosse o detalhe dos Evangelhos de Judas terem sido descobertos e autenticados pela National Geographic em 2006, confirmando cada linha da música do Raulzito acima de qualquer dúvida razoável. Como explicar o fato desta canção ter sido escrita 27 anos antes?

Se você está lendo esta coluna pela primeira vez, sugiro que leia primeiro estes textos AQUI, AQUI, AQUI e AQUI para entender a história de Yeshua Ben Yossef, o Jesus histórico.

Para compreender a história de Judas Iscariotis, precisamos entender a história dos doze apóstolos. Nessa altura do campeonato, vocês já devem ter percebido que Tiago, João, André e Pedro não eram exatamente “pescadores”, mas apenas o grau simbólico destas pessoas dentro da organização de Yeshua. Pescadores, Peixes e outras alegorias referentes ao mar e ao “pescar almas” indicam o sacerdócio dentro da transição da Era de Áries para a Era de Peixes. Como veremos nas próximas colunas, especialmente as lendas do Rei Arthur, a figura do “Rei-Pescador” será muito comum também nas alegorias medievais.

Judas, no original Yehudhah ish Qeryoth ou Iouda Iskariotis (Iouda significa “abençoado” e Iskariotis significa “Sicário”, que é um punhal especial usado por assassinos zelotes denominados Sicários, uma seita judaica contrária ao domínio romano em Jerusalém naquela época). O nome dele, portanto, pode ser traduzido como “Lâmina abençoada”. Judas era ninguém mais, ninguém menos que o guarda-costas pessoal de Yeshua/Jesus.Mas, se ele era considerado o guarda-costas pessoal de Yeshua e um de seus melhores amigos, tão íntimo a ponto de ficar com ciúmes da esposa de Yeshua, Maria Madalena, quando esta realiza o ritual sagrado de perfumar os pés de Jesus, por que ele o trairia?

De acordo com a Bíblia (Mateus 26, 20-23), Jesus teria dito:

Ao anoitecer reclinou-se à mesa com os doze discípulos;

e, enquanto comiam, disse: Em verdade vos digo que um de vós me trairá.

E eles, profundamente contristados, começaram cada um a perguntar-lhe: Porventura sou eu, Senhor?

Respondeu ele: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá.

E um pouco mais para a frente (Mateus 26, 46-48) diz:

Então voltou para os discípulos e disse-lhes: Dormi agora e descansai. Eis que é chegada a hora, e o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.

Levantai-vos, vamo-nos; eis que é chegado aquele que me trai.

As otoridades dizem que isso seria uma “premonição” ou uma “profetização”, mas uma explicação muito mais racional nos diria que Jesus não está fazendo previsões, mas sim DANDO UMA ORDEM: “Um de vós me trairá”. Ao contrário da imagem de “cordeiro humilde” pregada pela Igreja (sem trocadilho), Yeshua era um revolucionário, lutando pela libertação do povo judeu do domínio romano. Uma de suas frases célebres: “Eu não vim trazer a paz, mas a espada” (Mt 10, 34 e Luc 12, 51), expressa bem esta posição de Jesus e seus seguidores. Aliado com os Essênios, com os Zelotes e com os Sicários, coisa boa ele não estava querendo, com certeza.

Agora, responda à seguinte pergunta: se você fosse o governador romano responsável pelo domínio de Jerusalém e pelo controle da cidade, você deixaria um legítimo rei dos Judeus mancomunado com zelotes, sicários e essênios, fazendo curas milagrosas e angariando cada vez mais fãs, dando sopa na sua cidade? Nem eu.

Então seria necessário capturar e matar este agitador cabeludo e rebelde.

Em João 18,12, é dito: “Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram”. Ora, uma coorte romana é constituída de seis centúrias e cada centúria é constituída de 80 legionários, como já vimos em outros posts (aposto que vocês esqueceram, mas eu avisei que era para lembrar disso pois seria importante para a história). Ou sejam, para que o governador romano enviaria 480 legionários pesadamente armados com lanças e escudos para capturar um carpinteiro? Seria Yeshua um X-men?

Por que a necessidade da traição?

Yeshua estava reunido com cerca de 5.000 pessoas que formavam a vila de Getsemani, formada em sua maioria por camponeses, mulheres e crianças. Estando cercados por quase 500 soldados armados, estas pessoas seriam totalmente massacradas se os zelotes não entregassem seu líder.

Para ter uma noção do que é uma coorte, basta olhar para a imagem ao lado: uma coorte são DOZE VEZES essa quantidade de gente. Um pouco exagerado para capturar “uma dúzia de pescadores”, não é mesmo?

Yeshua avaliou a situação: caso não se entregasse, haveria um massacre de inocentes e uma precipitação da revolta que estavam planejando (que só aconteceria alguns anos depois, na chamada “Revolta dos Judeus”) mas, caso se entregasse, poderia passar como um líder fraco, que entrega sua luta ao menor sinal de problemas. Depois de dar as ordens para a única pessoa que sabia que poderia confiar (Judas), Yeshua, José de Arimathea e Simão Mago começaram a preparar o plano que seria necessário para retirar Yeshua com vida da cruz.

Seguimos com a história como a conhecemos. Os soldados capturam Yeshua e o levam para o sinédrio para ser julgado. Aqui é necessário fazer uma pausa. Graças a Constantino (sempre ele, sempre ele!), o mundo inteiro acredita que foram os JUDEUS que mataram Jesus, o que serviu de base para todo tipo de perseguição a eles durante todos estes últimos 2000 anos, mas a verdade seja dita e é simples de provar: quem crucificou Yeshua foram os ROMANOS.

Se os judeus tivessem matado Yeshua, teria sido através do apedrejamento, tão comum e tão descrito em todo o Velho Testamento. Mas quem crucificava seus inimigos ao longo de suas estradas eram os romanos.

Vocês concordam que ficaria meio complicado para Constantino vender a imagem do Messias para os romanos se os próprios romanos mataram Yeshua? É como tentar vender a imagem de Fidel Castro como líder espiritual para os americanos!

E a coroa de espinhos e o manto vermelho? A Igreja nos ensinou que isso era uma “zombaria” com Jesus, mas ofereço outro ponto de vista: Sabendo que foram os ROMANOS que crucificaram Yeshua, creio que a mensagem que estavam passando para os judeus dominados era bem clara: AQUI ESTÁ O SEU REI. NÓS VAMOS CRUCIFICÁ-LO. Tanto que as iniciais INRI vem do latim (língua dos romanos): Iesua Nazarenus Rex Iudeorum.

Ah, tio Marcelo, mas eu já ouvi que INRI significa “Igni Natura Renovatur Integra” ou as siglas dos 4 elementos “Iam (água), Nour (fogo), Ruach (ar) e Iabeshah (terra)”. Eliphas Levi dizia que INRI significa “Isis Naturae Regina Ineffabilis”… Qual está certo?

Naquele momento histórico, Rei dos Judeus, mas seria um erro achar que havia apenas um significado. Uma das coisas que aprendi nesses 25 anos dentro do ocultismo é que NADA acontece por acaso: nenhuma sigla, nome, cor, símbolo ou mensagem escolhida acontece por causa de um “tempo linear” acausal. Não existem coincidências, existe apenas a ILUSÂO de coincidência. Portanto provavelmente TODAS as alternativas estavam certas ao mesmo tempo, em diferentes “espaços temporais”. Complexo? você ainda não viu nada.

A escolha do local foi providencial: a Gólgota. Terreno pertencente a José de Arimathea, garantiria que a crucificação ocorreria longe dos olhos do povo, que NÃO teve acesso à crucificação, ao contrário da crença popular. Eles acompanharam o cortejo, mas ficaram longe das três cruzes, observando à distância.

Antes de começarmos: quanto tempo vocês acham que os romanos deixavam um condenado preso na cruz? 1 hora? 12 horas? 1 dia? 2 dias? uma semana?

A resposta correta é: até o cadáver se transformar em um esqueleto ou até você colocar outro condenado no seu lugar! A função de uma crucificação é passar uma mensagem clara sobre o que vai acontecer com você se você desafiar a Legião. Não importa se você “morreu na cruz”… os romanos não vão te tirar de lá, ok?

A menos que…

…eles tivessem um plano.

Como já haviamos visto em outros posts, Yeshua dominava completamente sua energia interna, kundalini, chakras e todas as técnicas de regeneração e manipulação de energias conhecidas. Eles estavam certos que ele conseguiria resistir a um dia na cruz e, para seus planos, apenas um dia bastaria.

Cristo é crucificado de manhã. Ele permanece durante o dia com Simão Mago aos pés da cruz, enquanto José de Arimathea consegue com Pilatos autorizações para remover o corpo da cruz. durante o passar do tempo, vamos novamente à bíblia:

“Jesus disse: “tenho sede.” Havia aí uma jarra cheia de vinagre. Amarraram uma esponja ensopada de vinagre na vara, e aproximaram da boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está realizado.” (João 19: 28,30)

A Igreja nos diz que isto foi mais uma “maldade” dos “terríveis” judeus. Coitadinho… dar vinagre para o pobre infeliz pregado na cruz… que cruel!

Ora. O líquido que ofereceram para Jesus é chamado de Posca, misturado com um pouco de mirra. O efeito desta bebida é o de um ANESTÉSICO que facilita a projeção astral e também serve para bloquear a dor, conhecido desde a antiguidade pelos alquimistas essênios e rosacruzes (e esse líquido posso garantir para vocês que funciona, porque já experimentei pessoalmente). Não nos esquecemos que Simão Mago não era conhecido como Simão MAGO à toa, certo? Ele estava aos pés da cruz por um motivo…

Yeshua ficaria até a noite na cruz, quando seria retirado, mas no meio da tarde, começou a dar sinais de que não aguentaria o dia todo. Outro detalhe que sempre passa batido era o de que os romanos quebravam as pernas dos condenados para que eles morressem mais rápido, já que, sem a sustentação das pernas, o pulmão seria comprimido com mais força e o condenado morreria mais rápido por sufocamento (daí a expressão “me quebraram as pernas” para indicar um problema que acaba com suas esperanças mais cedo). E ninguém fez isso com Yeshua.

A solução para isso foi “matá-lo” antes, com uma lança, para apressar sua retirada da cruz. Para isso, Yeshua se finge de morto e um dos soldados o perfura com uma lança para mostrar aos outros que ele estava morto. Na mitologia católica, a lança que perfura Jesus Cristo na cruz é conhecida como a Lança do Destino.

Agora começam as curiosidades… vocês não acham estranho uma lança que MATOU o filho de deus ser considerada SAGRADA pela Igreja? Não deveria ser um objeto AMALDIÇOADO? Por que justo os templários veneravam esta lança e tinham um grande cuidado com sua proteção?

A resposta é clara… a Longinus não matou Yeshua, mas o salvou de ter as pernas quebradas pelos outros soldados romanos.

No folclore medieval, São Longinus (sim, o cara que MATA Jesus vira santo na Igreja Católica, vai entender…) é retratado como um cego cujo sangue do messias que espirra sobre seus olhos o cura da cegueira (espera… um soldado CEGO vigiando a cruz?) e ele se converte ao cristianismo… Na verdade, todo este anedotário criado posteriormente, acrescido de outros detalhes, serviu apenas para reforçar a idéia de que os judeus seriam uns traidores da própria raça e assassinos do messia vaticânico.

Removido da cruz, levam Yeshua para o Santo Sepulcro (hummmm cavernas novamente… não teve um post antigo em que eu relacionava cavernas com templos sagrados? procurem) que eram propriedade de José de Arimathea. Neste local, um sacerdote chamado Nicodemus e outros discipulos essênios literalmente “revivem” Yeshua com suas habilidades curativas prânicas. Ao final dos trabalhos, Yeshua se encontra com sua esposa Maria Madalena e são escoltados para um local seguro.

Alguns dias depois, ele reaparece para os discípulos e a história da “ressurreição” começa rapidamente a se espalhar. Sabendo que os governadores romanos não engoliriam aquela história por muito tempo, Yeshua, seu filho e Maria Madalena (na época grávida) foram retirados de Jerusalém.

Yeshua foi para o oriente, José de Arimathea foi junto com o filho de Yeshua, Yossef, para as Ilhas Britânicas, onde chegou a Gastonbury levando o “Cálice Sagrado”. Maria Madalena foi levada para o Egito para dar a luz para Sara, filha de Yeshua.

Após o nascimento, Madalena é escoltada para o Sul da França, onde os essênios (agora com outros nomes, formando outros grupos naquela região) passam a proteger a Linhagem Real. Um detalhe interessante é que Madalena e sua filha contrastavam muito com os habitantes do sul da França, sendo chamadas de “Madonna Negra” por causa de seu tom de pele (não vai me dizer nessa altura do campeonato que você acredita na história do Jesus loiro de olhos azuis, né?).

Os habitantes do Sul da França (Languedoc) fizeram diversas estátuas e o culto à “Virgem Negra” se tornou muito popular entre os Cátaros e entre os Templários. A Igreja dirá durante a Idade Média que imagens da “Virgem Negra” eram uma deturpação SATÂNICA de nossa senhora Aparecida quando queimava os Templários e, mais tarde, dirão para os céticos que a cor negra das estátuas se devia “às velas que eram queimadas aos pés de Nossa Senhora, que escureciam as imagens”. Mas o FATO é que as Virgens Negras representavam (e representam) Maria Madalena carregando em seus braços Santa Sara Kali (Kali = negra), padroeira dos ciganos.

O filho de Yeshua e José de Arimathea chegam à Inglaterra, onde fundam a primeira Igreja Cristã. De acordo com as lendas posteriores, ele chega ao continente levando consigo “o Cálice Sagrado” mas… “um garoto que era rei mas não sabia, acompanhado por um ancião sábio, permanecendo escondido no meio dos profanos até que chegasse o momento de revelar sua descendência real”

Já ouviram esta história antes? vou dar uma dica. Começa com Rei e termina com Arthur.

#Essênios

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/judas-o-melhor-amigo-de-jesus

Virtude Cardeal

A Ordem DeMolay é uma organização fraternal para jovens do sexo masculino, cujos membros ativos têm entre 12 e 21 anos. Ela é patrocinada pela Maçonaria, suas reuniões normalmente ocorrem dentro das Lojas Maçônicas e existem mais de 800 Capítulos espalhados em todos os estados do Brasil. Fundado em 1919 por um maçom chamado Frank Sherman Land, em Kansas City, Missouri, Estados Unidos, espalhou-se rapidamente e mais de um milhão de jovens foram Iniciados. Aqui no Brasil, o primeiro Capítulo foi fundado em 1980, no Rio de Janeiro, através principalmente dos esforços dos maçons Alberto Mansur e Wilton Cunha.

Seus princípios são as Sete Virtudes Cardeais – Amor Filial, Reverência pelas Coisas Sagradas, Cortesia, Companheirismo, Fidelidade, Pureza e Patriotismo – e seus membros se mantêm firmes na defesa das Liberdades Civil, Religiosa e Intelectual.

Virtude Cardealé uma coluna compartilhada por dois Irmãos distantes geograficamente, Kennyo Ismail e Hugo Lima, mas unidos com propósitos dignos da Ordem DeMolay e da causa exemplificada por Jacques DeMolay. Terá publicação duas vezes por mês e será voltada para os jovens membros de nossa Ordem, mas também poderá ser lida por todos, para que conheçam melhor nossos trabalhos e nossos ideais.

#Demolay #VirtudeCardeal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/virtude-cardeal

Texto sobre Projeção Psíquica

Por Frater Phoenix, Historiador.

Este texto está baseado em conhecimentos empíricos, gerado a partir de várias observações e, destas observações, existe o resultado na técnica de projeção. Para projetar é importante entender um pouco desse universo, pois os sentidos quando projetado ficam todos aumentados, inclusive podemos conhecer melhor o funcionamento da magia, pois vemos os fluidos e resíduos do ritual quando projetado, entendendo-o de forma científica.

O que é um sonho e o que é uma projeção? Quando se está projetado você sabe o que a pessoa está fazendo e o que está sentindo; sente o grau de evolução de alguém ao está próximo, sem falar que pode ouvir os pensamentos e saber as intenções das pessoas ao seu redor; numa projeção você muda de plano a medida que suas emoções vão atuando em você (por exemplo, se você é dominado pela raiva, ficará um pouco mais denso e entrará em sintonia com planos mais densos vendo entidades mais densas e de um nível mais atrasado).

Quando se deita normalmente e vai a sonhar, a tendência é ver imagens e coisas que refletem sua psique, não tendo se quer nenhum vínculo com a realidade. Por várias projeções que tive, percebi que podemos cedo sem sono algum, pois a projeção psíquica ocorre junto ao adormecimento do corpo. A Projeção (nome dado no ocultismo a projeção astral) é o deslocamento corpo psíquico (corpo astral) para fora do corpo e assim poderá explorar o mundo espiritual. Alguns confundem sonhar com projetar, mas quando conseguir, vai perceber diferenças bem claras.

Por experimentos práticos, o exercício de alinhamento de chakras numa projeção aumenta a lucidez, porém tem mais detalhes que estão ligados ao processo de lucidez. A ideia é evitar bloqueios energéticos e fazer o alinhamento de energias todos os dias, se possível, inclusive antes de projetar até porque espíritos acoplados tendem a nos desalinhar para roubar energia, pois quando projetamos, ficamos com as defesas expostas.

A questão é: o que é lucidez? Ela existe somente para o sonho lúcido ou para todos desencarnados? Pela clarividência presenciei um espírito agarrado e travado parado num quarto por causa de tamanha densidade, sem conseguir atravessar paredes ou sequer sair do quarto por uma porta trancada. Estes espíritos não conseguem pensar nem refletir direito; a lucidez existe para o espírito, seu corpo não é feito de forma grosseira como o nosso, mas ele também é muito suscetível a energia que está envolvido e essa energia mexe no seu fluxo de pensamento, levando inclusive a ter delírios se em caso sua energia não estiver fluindo bem. É comum percebermos, ao dormir, sombrar nos rodeando ao lado da cama ou próximos quando estamos desbalanceados.

Quando se tem um encosto acoplado, eles tentam colocar a mão nos seus chakras e mexer no seu fluxo de energia, piorando a qualidade da lucidez. Porém quando se entra em estado profundo de meditação, sua energia começa a se alinhar novamente e pode ocorrer um desacoplamento. A meditação promove um certo alinhamento da energia (especialmente o exercício de alinhamento dos chakras feito antes de dormir). Ou então a técnica de “aquietar a mente”. A técnica é mais simples do que imagina: você deve afastar todos os pensamentos de tudo o que há a sua volta e calar a sua mente concentrando em algo, na tela mental entre os olhos, numa visualização de mente calada (existem várias técnicas, mas deve ser em algo que o deixa numa mente serena e com baixa atividade), sua concentração deve te isolar de tudo o que há a sua volta( pegue um horário que tenha tempo livre, sem preocupar com o que pode vim, assim sua mente estará serena e apta a um deslocamento do espírito). É natural aparecerem pensamentos aleatórios no percurso, isso não vai atrapalhar, contanto que continue concentrando.

O outro requisito é estar bem relaxado e tranquilo, deitar o mais neutro possível. Se a energia do ambiente te perturba, faça um RPM para higienizar alguns momentos antes o lugar, mas esse relaxamento nem sempre depende de você, é umas das razões por não conseguir projetar todas as noites. Se estiver relaxado demais pode dormir no processo e atrapalhar, mas se você sente um bem estar profundo, estando neutro e tranquilo estará meio caminho para projetar tendo o requisito.

É possível projetar sem está em jejum, porém a qualidade da lucidez não é a mesma, sem falar que ocorre com menos frequência dependendo de quase um milagre para que isto ocorra. Se for para tomar água, que seja muito pouca, e se for para comer, que seja umas 3 a 4 horas antes de deitar; o tempo é determinado de acordo a sua digestão. Má digestão atrapalha o processo e se alimentar não torna impossível, mas estamos falando de coisas que podem facilitar, sendo possível sim projetar após refeição com raridade e com as consequências já ditas.

Se você estiver cansando, terá dificuldades pois poderá dormir antes da projeção ocorrer, pode levar alguns minutos concentrando. A questão é não importar com o tempo, pois dependendo do seu estado de minutos pode chegar a horas concentrando, então relaxa e não esquenta com o tempo.

O exercício prático para o dia a dia é meditando acordado, repito o que faria dormindo, só que de dia e acordado, sem esperança de projetar. Se você tiver domínio desse grau de concentração necessária, você vai ter muita facilidade, pois só vai faltar o relaxamento para conseguir. Uma coisa de cada vez.

Assim como é cima é em baixo
Quando se projeta é comum ver a sua casa e conseguir abrir uma janela, mas por que isto ocorre? Os mundos superiores são semelhantes a estes, ao redor da sua casa há outra casa, são universos paralelos, espíritos podem fazer modificações nele através do exercício do Del Debbio de visualização presente aqui no blog, pois quando você imagina, você plasma e constrói. Através da imaginação podemos modificar objetos astralmente. Existem planos que são semelhantes, mas bem menos parecido com este aqui, havendo um certo grau de modificação.

Dependendo do plano, não serão feitos de partículas, mas sim energia radiante, então é a nível astral, porém há pessoas encarnadas em outros planos, mas geralmente quando mais sútil, menor a tendência a ter encarnados, lembrando que um plano de encarnados é um mundo feito de partículas como esse. Senti a presença de alguém pode ser tanto de um espírito como de um encarnado, são universos paralelos, é normal, porém sentir presença sem parar pode ser uma perturbação sua.

Segundo o ocultismo, tudo o que existe é feito de ondas, e toda onda tem uma frequência. Essa frequência é medida em Hz.

-Nós dividimos o mundo em 12 frequências principais, 7 notas e 5 semi tons como exemplo, a nota dó tem uma frequência, a ré tende a ter outra frequência, a mi a mesma coisa. Quando vamos crescendo em frequência e se fecham as 12 frequências principais, vamos para outra oitava, e nesta oitava o dó tem sempre o dobro da frequência da oitava anterior, mesmo vale para as outras notas, semi tons e frequências.
– O vermelho, laranja, amarelo, verde, anil, índigo e violeta são frequências principais também.
-Cada dimensão é uma oitava, todos corpos encarnados aqui estão presos na frequência de terceira dimensão, ou terceira oitava.
-Se você estiver num plano maior onde as coisas são mais leves, você estará numa oitava maior, ou seja outra dimensão.
-Tudo o que existe aqui está num grau de densidade energética maior que o da quarta dimensão, porém nossos corpos físicos são mais leves que o da segunda.
-Espíritos que vagam por aqui, vagam porque estão presos numa frequência mais densa, a frequência de terceira oitava que é a deste plano. Sua energia final dar a eles um corpo espiritual que vibra na terceira oitava, tendo contato com encarnados que também possuem corpos na terceira oitava.
-Se eles sutilizarem um pouco, vão para a quarta dimensão e começaram a ver pessoas com corpos de quarta oitava e espíritos quarta oitava.

O céu e inferno existem? Com certeza, mas a expressão de fogo e ranger de dentes é mais simbólico do que concreto, se vai para o céu ou para o inferno é determinado pela sua densidade quando você vai desencarnar. Mas no que isso tem a ver com a projeção? Se eu projetar vou ver meu corpo? Depende, se seu espírito estiver na mesma densidade do seu corpo físico, com certeza. Então é comum projetar, ver a cama, mas não ver o corpo… não se assuste, isso é um bom sinal.

O seu corpo não muda de frequência assim, ele é condensado e não tão mutável quando o corpo espiritual, se você sente raiva no astral, você mudará de plano, enquanto encarnado, sua energia vai ficar mais densa, mas continuará no mesmo plano. A sua energia não afeta o corpo físico.

Entendendo o mundo espiritual
Enquanto estiver projetado, poderá envolver com vários planos e vai mudar a medida que sua energia muda caso seja uma profunda mudança, pois pessoas mais estáveis tendem a permanecer num plano por mais tempo. Poderá achar que estará sonhando, quando na verdade está passando por um processo natural de mudanças de planos. Outro detalhe de quando está projetado e conversa com espíritos, poderá perceber que as pessoas vão sofrer leves mudanças em relação à sua fisionomia à medida que vão conversando, a energia que elas estão envolvidas mudará seu formato. Se sua alma é bela, por mais que tenha um rosto feio, será belo após o desencarne, pois mexerá no seu formato sendo involuntário, não tendo nada haver com plasmagem.

Outra coisa que pode ocorrer é ver um espírito pegando a sua forma. Eles não plasmam, simplesmente mudam de forma, assumindo uma forma de pessoa como ela é atualmente. Mesmo sem ver como a pessoa é atualmente, ela podem ganhar a forma exata dela por motivos que desconheço. Então não é porque você viu sua mãe no astral é que é ela de verdade, você tem olhar o formato e ver se a energia condiz com a dela. Por mais que eles possam pegar nossa forma, pode existir mas nunca vi um espírito sem forma, eles tomam forma de outra pessoa ou da deles mesmo, não podendo modificar o formato. Tem saliva na boca, tem orgasmo pelos órgãos genitais iguais a nós, em briga com espíritos, repare que alguns são mais fortes, então tem sim uma espécie de “musculatura”, mas que funciona mais através da vontade mental do que pela quantidade de “músculos” plasmados. Se comem uma fruta no astral, sentem o sabor pela boca, pois as frutas podem ser feitas através da imaginação.

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Por Quê se chama “Loja” Maçônica?

Qual maçom nunca foi questionado por um profano do porquê do termo “LOJA”? Muitos são aqueles que perguntam se vendemos alguma coisa nas Lojas, para justificar o nome. Alguns, fanáticos e ignorantes, chegam a ponto de indagar que é na Loja que os maçons vendem suas almas!

Em primeiro lugar, precisamos ter em mente que, só porque “loja”, em português, denomina um estabelecimento comercial, isso não significa que o mesmo termo em outras línguas tem o mesmo significado. Vejamos:

“Loge”, palavra francesa, pode se referir à casa de um caseiro ou porteiro, um estábulo, ou mesmo o camarote de um teatro. Mas os termos franceses para um estabelecimento comercial são “magasin”, “boutique” ou “commerce”.

Da mesma forma, o termo usado na língua inglesa, “lodge”, significa cabana, casa rústica, alojamento de funcionários ou a casa de um caseiro, porteiro ou outro funcionário. Os termos mais apropriados para um estabelecimento comercial em inglês são “store” ou “shop”.

Já o termo italiano “loggia” significa cabana, pequeno cômodo, tenda, mas também pode designar galeria de arte ou mesmo varanda. Os termos corretos para um estabelecimento comercial são “magazzino”, “bottega” ou “negozio”.

Em espanhol, “logia”, derivada do termo italiano “loggia”, denomina alpendre ou quarto de repouso. As palavras mais adequadas para estabelecimento comercial são “tienda” e “comercio”.

Por último, podemos pegar o exemplo alemão, “loge”, que não tem apenas a grafia em comum com o francês, mas também o significado: um pequeno cômodo mobiliado para porteiro ou caseiro, ou um camarote. Já os melhores termos para estabelecimento comercial em alemão são “kaufhaus”, “geschaft” ou “laden”.

Com base nesses termos, que denominam as Lojas Maçônicas nas línguas francesa, italiana, espanhola, alemã e inglesa, pode-se compreender que as expressões referem-se a uma edificação rústica utilizada para alojar trabalhadores, e não a um estabelecimento comercial. Verifica-se então uma relação direta com a Maçonaria Operativa, em que os pedreiros costumavam e até hoje costumam construir estruturas rústicas dentro do canteiro de obras, onde eles guardam suas ferramentas e fazem seus descansos. Essas simples edificações que abrigam os pedreiros e suas ferramentas nas construções são chamadas de “loge, lodge, loggia, logia” nos países de língua francesa, alemã, inglesa, italiana e espanhola.

A palavra na língua portuguesa que mais se aproxima desse significado não seria “loja” e sim “alojamento”. Nossas Lojas Maçônicas são exatamente isso: alojamentos simbólicos de construtores especulativos. Isso fica evidente ao se estudar a história da Maçonaria em muitos países de língua espanhola, que algumas vezes utilizavam os termos “Alojamiento” em substituição à “Logia”, o que denuncia que ambas as palavras têm o mesmo significado.

À luz dos significados dos termos que designam as Lojas Maçônicas em outras línguas, podemos observar que a teoria amplamente divulgada no Brasil de que o uso da palavra “Loja” é herança das lojas onde os artesãos vendiam o “handcraft”, ou seja, o fruto de seu trabalho manual, além de simplista, é furada. Se fosse assim, os termos utilizados nas outras línguas citadas teriam significado similar ao de estabelecimento comercial, se seria usado em substituição às outras palavras que servem a esse fim.

Na próxima vez que você passar em frente a um canteiro de obras e ver à margem aquela estrutura simples de madeira compensada ou placas de zinco, cheia de trolhas, níveis, prumos e outros utensílios em seu interior, muitas vezes equipada também com um colchão para o pedreiro descansar à noite, lembre-se que essa estrutura é a versão atual daquelas que abrigaram nossos antepassados, os maçons operativos, e que serviram de base para nossas Lojas Simbólicas de hoje.

#Maçonaria

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A Cartomante

Por Machado de Assis

Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de Novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: “A senhora gosta de uma pessoa…” Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade…
— Errou! Interrompeu Camilo, rindo.
— Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria…
Camilo pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois…
— Qual saber! tive muita cautela, ao entrar na casa.
— Onde é a casa?
— Aqui perto, na rua da Guarda Velha; não passava ninguém nessa ocasião. Descansa; eu não sou maluca.
Camilo riu outra vez:
— Tu crês deveras nessas coisas? perguntou-lhe.
Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia muito cousa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela agora estava tranqüila e satisfeita.

Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se, Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.
Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não só o estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes, e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa do encontro era na antiga rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de Rita. Esta desceu pela rua das Mangueiras, na direção de Botafogo, onde residia; Camilo desceu pela da Guarda velha, olhando de passagem para a casa da cartomante.
Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura, e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo entrou no funcionalismo, contra a vontade do pai, que queria vê-lo médico; mas o pai morreu, e Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província, onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo, e foi a bordo recebê-lo.
— É o senhor? exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. Não imagina como meu marido é seu amigo; falava sempre do senhor.
Camilo e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vinte e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era um ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem intuição.
Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor.
Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela; era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. Odor di femina: eis o que ele aspirava nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; — ela mal, — ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente, e de Rita apenas um cartão com um vulgar cumprimento a lápis, e foi então que ele pôde ler no próprio coração; não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho. Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as cousas que o cercam.
Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.
Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências. Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante restituiu-lhe a confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: — a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo.
Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.
— Bem, disse ela; eu levo os sobrescritos para comparar a letra com a das cartas que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a…
Nenhuma apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso deliberaram. A opinião dela é que Camilo devia tornar à casa deles, tatear o marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio particular. Camilo divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar a suspeita ou denúncia. Mais valia acautelarem-se, sacrificando-se por algumas semanas. Combinaram os meios de se corresponderem, em caso de necessidade, e separaram-se com lágrimas.
No dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de Vilela: “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora.” Era mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão, afigurou-se-lhe trêmula. Ele combinou todas essas cousas com a notícia da véspera.
— Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora, — repetia ele com os olhos no papel.
Imaginariamente, viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela indignado, pegando na pena e escrevendo o bilhete, certo de que ele acudiria, e esperando-o para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo, e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho, lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita, que lhe explicasse tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um pretexto fútil, viria confirmar o resto.
Camilo ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam decoradas, diante dos olhos, fixas; ou então, — o que era ainda peior, — eram-lhe murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. “Vem já, já à nossa casa; preciso falar-te sem demora.” Ditas, assim, pela voz do outro, tinham um tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria passar, que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéa, vexado de si mesmo, e seguia, picando o passo, na direção do largo da Carioca, para entrar num tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.
— Quanto antes, melhor, pensou ele; não posso estar assim…
Mas o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da rua da Guarda Velha, o tílburi teve de parar; a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra. Camilo, em si mesmo, estimou o obstáculo, e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi, ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente da rua. Dir-se-ia a morada do indiferente Destino.
Camilo reclinou-se no tílburi, para não ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária, e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar a primeira travessa, e ir por outro caminho; ele respondeu que não, que esperasse. E inclinava-se para fitar a casa… Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu, reapareceu, e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos… Na rua, gritavam os homens, safando a carroça:
— Anda! agora! empurra! vá! vá!
Daí a pouco estaria removido o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em outras cousas; mas a voz do marido sussurrava-lhe às orelhas as palavras da carta: “Vem já, já…” E ele via as contorções do drama e tremia. A casa olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar… Camilo achou-se diante de um longo véu opaco… pensou rapidamente no inexplicável de tantas cousas. A voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários; e a mesma frase do príncipe de Dinamarca reboava-lhe dentro: “Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a filosofia…” Que perdia ele, se…?
Deu por si na calçada, ao pé da porta; disse ao cocheiro que esperasse, e rápido enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos pés, o corrimão pegajoso; mas ele não viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas. Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para os telhados do fundo. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio.
A cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três cartas sobre a mesa, e disse-lhe:
— Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto…
Camilo, maravilhado, fez um gesto afirmativo.
— E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma coisa ou não…
— A mim e a ela, explicou vivamente ele.
A cartomante não sorriu; disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez as cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas, três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela, curioso e ansioso.
— As cartas dizem-me…
Camilo inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro, ignorava tudo. Não obstante, era indispensável mais cautela; ferviam invejas e despeitos. Falou-lhe do amor que os ligava, da beleza de Rita… Camilo estava deslumbrado. A cartomante acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.
— A senhora restituiu-me a paz ao espírito, disse ele estendendo a mão por cima da mesa e apertando a da cartomante.
Esta levantou-se, rindo.
— Vá, disse ela; vá, ragazzo innamorato…
E de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe na testa. Camilo estremeceu, como se fosse mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda, sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair, não sabia como pagasse; ignorava o preço.
— Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quantas quer mandar buscar?
— Pergunte ao seu coração, respondeu ela.
Camilo tirou uma nota de dez mil-réis, e deu-lha. Os olhos da cartomante fuzilaram. O preço usual era dois mil-réis.
— Vejo bem que o senhor gosta muito dela… E faz bem; ela gosta muito do senhor. Vá, vá tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu…
A cartomante tinha já guardado a nota na algibeira, e descia com ele, falando, com um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo, e desceu a escada que levava à rua, enquanto a cartomante alegre com a paga, tornava acima, cantarolando uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo.
Tudo lhe parecia agora melhor, as outras cousas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.
— Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.
E consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer cousa; parece que formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade… De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignora vale o futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: — Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e vivaz.
A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.
Daí a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra, e mal teve tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Vilela.
— Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?
Vilela não lhe respondeu; tinha as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: — ao fundo sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-o pela gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.

Este conto foi publicado originalmente na Gazeta de Notícias – Rio de Janeiro, em 1884. Foi incluído posteriormente no livro “Várias Histórias” e em “Contos: Uma Antologia”, Companhia das Letras – São Paulo, 1998. Aparece em www.releituras.com de onde foi extraído.

#Conto #Tarot

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Estudos sobre Astrologia

Ainda hoje, quando falamos em astrólogos, muita gente pensa em homens sinistros de chapéus pontudos, a contemplar o céu de suas altas torres e a interpretá-lo segundo seus delírios. E, no entanto, eles já estão penetrando nos gabinetes e laboratórios da ciência, misturando-se entre químicos, biólogos, meteorologistas, médicos e financistas. . .

No século passado, Carl Gustav Jung anunciou a volta da astrologia às cátedras universitárias. Na época, isso era verdade apenas em algumas raras escolas de psicologia na Suíça, onde pioneiros corajosos, como o próprio Jung, incentivavam ou promoviam cursos semi-oficiais de astrologia, à noite, para os futuros clínicos, sob os olhos complacentes dos velhos reitores.

Hoje, a Universidade de Stanford, a Escola Técnica Superior de Zurique e mais sete universidades em todo o mundo promovem estudos regulares sobre a astrologia. Na Universidade de Paris (e a França é o pais mais conservador face a astrologia), o professor Robert Jaulin, no curso de etnologia, concede “créditos” suplementares aos alunos que frequentam aulas de astrologia, e outro etnólogo, Jacques Halbronn, fundos o Movimento Astrológico Universitario, que reúne centenas de estudantes e professores da mesma universidade, e promoveu o último Congresso de Astrologia, em Paris. Desse congresso participaram figuras do porte de um Eric Weil, professor de filosofia em Louvain e pensador de renome universal.

Em 1666, expulsa das cátedras universitárias

Para começo de conversa, quem expulsou a astrologia das cátedras universitárias não foi o avanço da ciência, como normalmente se supõe, mas uma interpretação apressada das descobertas de Copérnico. A expulsão foi decretada em 1666, por Colbert, ministro de Luís XIV, com a alegação de que a astrologia não tinha fundamento cientifico.

Na realidade, a ciência da época não tinha condições mínimas para averiguar isso realmente, e a primeira pesquisa estatística sobre o assunto foi feita só trezentos anos depois. O que Colbert supôs foi que, como os horóscopos eram desenhados geocenteicamente – isto é, com a Terra no meio, e o Sol, a Lua, os signos e os Planetas em torno – não podiam funcionar, já que Copérnico havia demonstrado que o que estava no centro era o Sol e não a Terra.

Colbert simplesmente não percebeu que o horóscopo não era propriamente geocêntrico mas antropocéntrico, isto é, que representava o universo centralizado não na Terra enquanto realidade física, mas no Homem, no indivíduo. O horóscopo não era um mapa físico do universo (embora fosse também isto), mas um mapa do seu significado, um mapa do sentido do universo, tal como este se apresentava para determinado indivíduo na hora e no local em que este nascia. Para esses fins, o centro do universo, o centro da experiência individual, continuava a ser obviamente a Terra (excetuando-se a hipótese de o consulente ter nascido em Marte ou na Estrela Vega), e o próprio Kepler, que calculou as órbitas heliocêntricas dos planetas, continuou a desenhar horóscopos geocentricamente até o fim dos seus dias.

Enquanto o mapa astronômico era inteiramente objetivo e material, o mapa astrológico era ao mesmo tempo objetivo e subjetivo, tal como as mandalas tibetanas, que representam ao mesmo tempo o círculo do universo exterior e o interior do homem. Esta sutileza escapou a Colbert. As universidades alemãs e suíças, mais sensatas, preferiram deixar abertas suas cátedras de astrologia, embora sem ocupantes, e foi esta brecha que permitiu a Jung anunciar uma volta triunfal.

Em 1945, reabilitada pelas provas estatísticas

Essa volta não seria nada triunfal, entretanto, se não se houvesse descoberto, pouco depois, provas eloqúentes de que a relação astroHomem não é uma pura fantasia.

Essa descoberta veio quando, em 1950, o pesquisador francês Michel Gauquelin resolveu tirar a limpo, pela estatística (sua especialidade acadêmica), a questão das “influências astrais”. Desde o começo do século, o grande astrólogo Paul Choisnard pedia aos estatísticos que fizessem isso. Mas era muito difícil, porque um único mapa astrológico (feito para a hora, data e local de nascimento de um indivlduo) tem mais de mil fatores a serem levados em ponta.

Por volta de 1945, outro astrólogo, Léon Lasson, conseguiu finalmente formular um bom método de aplicar a estatística à astrologia. Gauquelin aperfeiçoou esse método e o empregou numa pesquisa que abrangeu cinco mil mapas astrológicos.

A pesquisa submeteu à prova uma única doutrina astrológica, porém antiga e fundamental: a de que não só determinados planetas estão associados a determinadas profissões (Júpiter à política e ao teatro, Saturno à ciência, Marte aos esportes e artes militares, Lua à literatura), como também tais planetas exercerão uma influência mais intensa, se no instante do nascimento do indivíduo estiverem colocados em determinados pontos privilegiados do céu. Esses pontos são, segundo a doutrina, o ascendente, que é a parte mais oriental da linha do horizonte, e o meio-do-céu, que é o ponto mais alto do Zodíaco (faixa dos signos) em relação a determinado lugar da Terra.

Se a teoria estivesse certa, pensou Gauquelin, determinados planetas estariam com maior frequência no ascendente e no meio-do-céu no nascimento das pessoas cujas profissões estivessem relacionadas com esses planetas, do que no nascimento das outras pessoas. Saturno estaria com mais freqüência no ascendente e meio-do-céu dos cientistas, Marte no dos militares, Júpiter no dos políticos e atores, etc. Inversamente, seria raro um Saturno no ascendente ou meio-do-céu dos esportistas ou atores, e assim por diante. Mais ainda: seria preciso que essa freqüência ultrapassasse a média do acaso (no jargão dos estatísticos: feeqüência teórica) de maneira significativa, para se poder acreditar que o fenômeno fosse algo mais do que mera coincidência.

Do ponto de vista cientifico, a hipótese a ser testada era um absurdo completo, mas as estatisticas foram mais favoráveis ao absurdo do que ao ponto de vista científico. Com uma freqüência que só seria possível atribuir ao acaso com uma possibilidade de 1 contra 10 milhões (isso mesmo), os planetas estavam lá onde os astrólogos diziam que estariam: Júpiter no ascendente e meio-do-céu dos atores e políticos, Saturno no dos cientistas, Marte no dos esportistas e militares, Lua no dos escritores. Inversamente, a Lua não estava no ascendente nem no meio-do-céu de quem não era escritor, Marte no de quem não era militar, etc.

Embora tudo isso parecesse uma trama diabólica dos astros para confundir o bom senso dos pobres cientistas, Gauquelin, com exemplar honestidade intelectual, publicou os resultados da pesquisa, que se tornaram imediatamente motivo de escândalo e protestos gerais. O diretor do Instituto Nacional de Estatística da França, Jean Porte, convidado pelos adversários de Gauquelin a desmascarar a farsa toda, refez os cálculos e informou depois de algum tempo: lamentavelmente, os cálculos estavam certos. Ainda assim, Gauquelin refez a pesquisa, desta vez reunindo nada menos que 25.000 mapas, na França, na Bélgica, na Holanda, na Itália e na Alemanha, e chegou novamente aos mesmos resultados. Novamente Jean Porte refez as contas, e novamente elas estavam impecáveis.

Recentemente, nos Estados Unidos, a revista The Humanist publicou um abaixo-assinado de 186 cientistas contra a astrologia. Em resposta, vieram centenas de cartas a favor, e The Humanist resolveu arbitrar a questão promovendo uma pesquisa igual à de Gauquelin, com amostragem menor mas controle estatístico maior. Os resultados, pela terceira vez, foram os mesmos. (No Brasil, durante um debate na TV, o abaixo-assinado de The Humanist foi exibido como o sumo argumento antiastrológico por um psiquiatra, que obviamente não contou a continuação da história . . .)

Agora, resta saber qual e natureza do fenómeno

Todos os debates que houveram serviram para mostrar que a astrologia é um assunto infinitamente mais completo do que seus opositores jamais imaginaram.

Exemplo. Quando não pôde mais negar os resultados da pesquisa, o mais feroz adversário francês da astrologia, o astrônomo Paul Couderc, então chefe do Observatório de Paris, julgou ter descoberto um argumento fulminante ao declarar que uma correlação era uma coisa, e um mecanismo de causa e efeito, outra; que a pesquisa Gauquelin havia estabelecido uma correlação entre os astros e o Homem, mas não havia de modo algum provado que os astros causam as ações humanas, “como pretendem os astrólogos”.

Os astrólogos limitaram-se a exibir os textos clássicos da sua arte, desde a Tábua de Esmeralda de Hermes Trimegisto (milênios anterior a Cristo) e as Enéadas de Plotino (século 39) até os tratados de Paracelso (século 15), Kepler (século 16) e Robert Fludd (século 17), em que por toda parte se explica a relação entre os astros e os homens como um processo de semelhança, de analogia, de simpatia, de correlação, de sincronismo, e nunca de causa e efeito.

E completaram: nenhum astrólogo jamais disse que os astros causam as ações humanas, pela simples razão de que o principio de causa e efeito, tão importante para o cientista materialista, é, para os astrólogos, um principio menor e secundário. O princípio maior é a lei de analogia, mediante a qual o grande e o pequeno, o macrocosmo e o microcosmo, a matéria e a consciência, têm uma estrutura e uma dinâmica semelhante, já que são apenas faces diversas do mesmo fenômeno.

O pobre Couderc jamais imaginou que estivesse mexendo num vespeiro tão grande. Desde essa época, praticamente cessou a polêmica rasteira tipo pró-e-contra a astrologia, e desencadeou-se um debate teórico de alto nível sobre a natureza do fenômeno revelado pela pesquisa Gauquelin. Se não se tratava de uma relação de causa e efeito, que relação era então? Um sincronismo, como pretendia Jung? Ou, como afirmava o próprio Gauquelin, tenaz estudioso dos biorritmos, existe em cada ser vivo um “relógio cósmico” que o torna receptivo a todos os ritmos do universo ao seu redor? Qual era precisamente o sentido com que os antigos falavam em “analogia”? Não seria a analogia um instrumento mental utilizável pela ciência, para a análise de fenômenos demasiado grandes e complexos, como a dinâmica da vida social e política, os grandes sistemas ecológicos, a economia das grandes nações? Não teriam os antigos astrólogos tido, milênios atrás, a intuição de um método cientifico para a abordagem de grandes problemas? Não teriam feito, como disse Lucien Malavard, “ciências humanas avant Ia lettre”? Esse é hoje o grande debate astrológico, que envolve algumas das questões mais contundentes e vivas da cultura contemporânea e ocupa alguns dos melhores cérebros da atualidade.

Os astros na religião, na biologia, nas finanças . . .

Paralelamente, prosseguiram as pesquisas. No campo da história, foi possível obter uma vasta coleção de evidências em favor da tese da astróloga Marcelle Senard (e de todos os astrólogos tradicionalistas), segundo a qual o Zodíaco é uma espécie de chave universal de todas as religiões.

Aplicando um método estrutural a praticamente todas as religiões e mitologias do mundo, o historiador Jean-Charles Pichou descobriu que existem apenas doze mitos básicos em todos os povos e lugares, e que esses mitos se sucedem segundo uma ordem mais ou menos regular.

Essas estruturas básicas são nada menos que os doze signos do Zodíaco. O trabalho de Pichou é demasiado revolucionário e demasiado volumoso para poder ser endossado ou contestado em bloco, mas certamente permanecerá como um clássico na historiografia das religiões.

Os biólogos também descobriram algumas coisas agradáveis aos astrólogos. Primeiro, simples correlações entre ciclos planetários e o metabolismo de animais e plantas estabelecidas por Frank A. Brown, da Northwestern University, EUA (o que não tem valor astrológico direto, mas constitui indicio favorável ao tipo de interdependência postulado pelos astrólogos, e que até 40 anos atrás era considerado mera ficção). Depois, um vendaval de confirmações da antiga correlação – esta, puramente astrológica – entre a lua e a fertilidade. Um pesquisador tcheco, Eugen Jorias, médico e astrólogo, chegou a estabelecer um processo astrológico de previsão de períodos de fertilidade das mulheres pela posição da Lua no instante do seu nascimento. Uma pesquisa feita pelo governo tcheco encontrou 94 por cento de acerto no método Jonas.

Em seguida, o neurologista Leonard Ravitz, da Duke University, descobriu que mudanças marcantes de potencial elétrico emitido pelo corpo humano ocorriam segundo as fases da Lua e, mais ainda (coerente com a doutrina astrológica de que a Lua está relacionada com as doenças mentais, donde a palavra lunático), que nos pacientes psicóticos tais mudanças eram nitidamente mais agudas do que nas pessoas mentalmente sadias.

Mais recentemente o economista norte-americano L. Peter Cogan procurou averiguar em que medida os ciclos de pessimismo e otimismo dos investidores, com reflexos nítidos na bolsa de valores, coincidiam com posições planetárias. Abarcando o período de 1873 a 1966, seu estudo concluiu que tais ciclos respondiam simetricamente às posições do Sol com relação a Saturno e Urano (planetas que, segundo a astrologia, regem o capitalismo). Os ciclos de pessimismo correspondiam às relações de 180 e 90 graus (ângulos “maléficos”, segundo a tradição astrológica).

“Bem-aventurado aquele que pode ler no céu estrelado”

Ao lado disso, o médico holandês Nicholas Kollerstrom, pesquisador do Medical Research Hospital de Londres, refazendo uma experiência do filósofo Rudolf Steiner, demonstrou que certas reações químicas com tons metálicos têm seu resultado alterado quando realizadas sob determinadas conjunções planetárias. Kollerstrom observa que os planetas que tiveram o poder de alterar essas reações foram precisamente aqueles que, segundo a tradição astrológica, estão relacionados com os metais que, em solução, ele usou na experiência. Saturno, cujo metal tradicional é o chumbo, alterava as reações com sulfato de chumbo, e ficava indiferente às demais; a Lua, cujo metal é a prata, só mexia com o nitrato de prata; Vênus só alterava o sulfato de cobre, já que seu metal é o cobre; e Marte, que rege o ferro, alterava as reações de sulfato de ferro.

Paralelamente, médicos e biólogos de todo o mundo vêm estudando, até sob o patrocínio da Unesco, as relações entre os ciclos planetários e os ritmos biológicos e emocionais humanos, sob o nome de biometeorologia ou de biopsicometeorologia.

Diante da convergência de tantos caminhos em direção a um fenômeno que há algumas décadas era negado em bloco, os entusiastas da conexão entre homens e astros exultam de alegrias e esperanças. Mas o que importa não é isso, e sim estudar esse fenômeno, aprender a contempla-lo e a compreendê-lo. Épocas inteiras o ignoraram. Kant e sua época viam acima de si o céu estrelado e dentro de si a lei moral. Viam um universo dividido, onde a necessidade interior do homem, a lei moral, não tinha nenhuma relação com a realidade objetiva. Até muito recentemente foi assim.

Assim no inicio do século XX, entre os horrores da Grande Guerra, o pensador materialista Georg Lukacs dizia: “Bem-aventuradas as épocas que podem ter no céu estrelado o mapa dos caminhos que lhe estão abertos! Bem-aventuradas as épocas cujos caminhos são iluminados pela luz das estrelas! Para elas, tudo é novo, e entretanto familiar! Tudo é aventura, e tudo lhe pertence, pois o fogo que arde em suas almas é da mesma natureza das estrelas”. Ao redescobrir a pista das relações entre o cosmo e o Homem, nossa época recomeça a ver, depois de uma longa escuridão, a lei moral no céu estrelado e as estrelas no coração do Homem.

Texto de O. de Carvalho

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/estudos-sobre-astrologia

Pitágoras e os Feijões

Para quem acha que isto é apenas uma fábula:

“Perhaps the most famous of the Pythagorean dietary restrictions is the prohibition on eating beans, which is first attested by Aristotle and assigned to Pythagoras himself (Diogenes Laertius VIII. 34). Aristotle suggests a number of explanations including one that connects beans with Hades, hence suggesting a possible connection with the doctrine of metempsychosis. A number of later sources suggest that it was believed that souls returned to earth to be reincarnated through beans (Burkert 1972a, 183). There is also a physiological explanation. Beans, which are difficult to digest, disturb our abilities to concentrate. Moreover, the beans involved are a European vetch (Vicia faba) rather than the beans commonly eaten today. Certain people with an inherited blood abnormality develop a serious disorder called favism, if they eat these beans or even inhale their pollen. Aristoxenus interestingly denies that Pythagoras forbade the eating of beans and says that “he valued it most of all vegetables, since it was digestible and laxative” (Aulus Gellius IV. 11.5, Stanford University).

Muita gente me escreve nos comentários ou por email perguntando porque não escrevo textos mais profundos sobre determinados assuntos aqui no Blog, deixando apenas um conhecimento aparentemente para iniciantes ou para quem está no começo. A maioria dos meus alunos já sabe, porém, que após os cursos de hermetismo ou após alguns anos na Rosacruz, Maçonaria, Martinismo ou Ordens Herméticas, todos os textos do TdC revelam-se ao buscador com uma segunda camada de conhecimentos mais escondidos, que dificilmente eu vou explicar de maneira aberta.

Um dos exemplos mais óbvios são as imagens que coloco a cada passagem de signo solar. Cada ano, leitores comentam que entenderam mais e mais pedaços das imagens, inclusive percebendo objetos que nem repararam na primeira vez que observaram tais imagens.

Assim como nos tempos de Pitágoras, tudo no Ocultismo sério é aprendido na forma de espiral, ou labirinto. Primeiro se passa pelo texto de maneira exotérica (que, repetido sem o devido conhecimento, pode acabar nos sites esquisotéricos do famoso copia-e-cola-do-site-do-deldebbio-sem-dar-crédito). Ao buscador, que chegou ao texto porque já estava procurando por alguma palavra chave por conta dos trabalhos das ordens Herméticas (e eu coloco as palavras certas nos locais certos pois o deus Google é generoso com quem trabalha junto a ele), já compreende o texto de uma maneira mais profunda, porque vai encontrar a informação que precisava ali.

Infelizmente, no Reino da fast-food intelectual, as pessoas querem respostas rápidas e sem entender a profundidade do que necessitam aprender para compreendê-la totalmente (“O que significa aquela rosa branca na mão daquele personagem do tarot?” uma resposta XYZ e a pessoa diz “Ah tá” mas não aprendeu porra nenhuma, nem interiorizou o que aquela imagem realmente passa em uma meditação mais profunda).

Percebemos hoje que, de 4000 pessoas que começam estudos sérios no hermetismo, 3.400 sequer consegue passar do primeiro degrau da pirâmide… e menos de 2% chegam até as portas do Templo.

Paralelamente, vemos crescer o número de gente mandando emails porque se ferraram em rituais qliphoticos, caíram em pactos pactorums, roubadas tantricas, entraram em grupinhos de estudo picaretas, maçonarias espúrias galácticas, Illuminatis da silva, grupos de eguns canhotos, ordens de facebook ou compraram livrinhos de R$ 9,90 em Escolinhas de Magia sem caminho nem tradição nenhuma. Nesse momento, sempre me lembro das sábias palavras “Não existem atalhos para nada que valha a pena”.

O conhecimento está disponível? Sim. Crowley mesmo escreveu “não há mais segredos”, mas o conhecimento esotérico decente continua ESOTÉRICO, velado em camadas que exigem preparação, disciplina, entendimento e estudo. Como Pitágoras percebeu, pouco conhecimento é muito pior do que nenhum. Para ensinar alguma coisa, é necessário ter aprendido primeiro, e é o que menos observamos por aí.

Querer, Saber, Ousar e Calar.

E comam mais feijões…

#Pitágoras

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Entrevistas e Palestras de Julho/2020

Bate-Papo Mayhem #037 – Com Khaled Hammoud – A História do Islamismo.
https://youtu.be/tagBCzZUAro

Bate-Papo Mayhem #038 – Com Alfonso Odriozola – A História da Umbanda Sagrada
https://youtu.be/_oZ1dxSi2Yc

Bate-Papo Mayhem #039 – Com frater Goya – O Tarot de Thoth
https://youtu.be/YxNJ8nqSvx8

Bate-Papo Mayhem #040 – Com Rodrigo Vignoli – Magia do Caos, Servidores e ABRALAS
https://youtu.be/CPmB-qmR7d4

Bate-Papo Mayhem #041 – Com Marcelo Costa Menezes – Os Arcanos Maiores e a Jornada do Ser
https://youtu.be/Algn3mvLlEg

Bate-Papo Mayhem #042 – Com Gilberto Antonio Silva – O Taoísmo: unindo o visível e o invisível
https://youtu.be/aYVXKxbGfmY

Bate-Papo Mayhem #043 – Com Felipe Cazelli – Mito e Sagrado nas Historias em Quadrinhos – O aspecto religioso dos Super-herois
https://youtu.be/sIIt094ppKQ

Bate-Papo Mayhem #044 – Com Marcia Seabra Novello – Magia Sexual e o Tarot de Thoth
https://youtu.be/yasgmTFJfwI

Bate-Papo Mayhem #045 – Com Elizabeth Nakata – Básicos da Astrologia: Planetas, Signos e Casas
https://youtu.be/YviDWsHg6t8

Bate-Papo Mayhem #046 – Com Hugo Ramirez – Iniciação, Hermetismo e Ritualística na Ordem Demolay
https://youtu.be/tlVMt0A6-rM

Bate-Papo Mayhem #047 – Com Deborah Jazzini – Os Arcanos Menores do Tarot
https://youtu.be/EpSBbe0OxzE

Bate-Papo Mayhem #048 – Com Marcos Keller – Servidores, Entidades Astrais, Devas e Deuses.
https://youtu.be/Lo36JIx0-SQ

#Batepapo

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