TRINTA MILHÕES de Conspiradores!!!

Acabamos de chegar à marca de TRINTA FUCKING MILHÕES de Pageviews neste blog… Nada mal para um blog de Hermetismo e Espiritualismo no país dos petistas versus bolsomínions. Como de costume, para quem gosta dos números ou estava procurando pelos links de tudo o que fazemos, ao todo, nesta caminhada desde 7/5/2008, foram exatos 3.698 posts publicados e 50.352 comentários.

Você deve ter percebido que no último mês voltamos à marca de pelo menos 2 ou 3 publicações diárias. Isso aconteceu graças ao retorno do Projeto Mayhem. Estamos reorganizando todas as postagens antigas do site, selecionando as melhores e organizando o conteúdo. Todos os dias olhamos os 2-3 posts mais antigos que sejam interessantes e os jogamos direto para a primeira página (e já os reviso e adiciono alguma imagem bacana), trazendo todos os dias novos posts clássicos do TdC. Isso me dá mais tempo para poder voltar a escrever posts sem o stress do “preciso algo pra postar hoje” e faz com que sempre tenhamos coisas novas pelo menos 2 vezes ao dia no site. Para quem nunca leu os posts, serão novidades; para quem já os leu, agora é hora de reler com olhos 7 anos mais experientes!

Além destes canais, temos o Facebook e até mesmo uma Conta no Instagram onde publico pequenas dicas de magia prática. Também gravamos 22 Videos com Entrevistas e bate-papo sobre Hermetismo.

Post sobre como tudo começou.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/trinta-milh%C3%B5es-de-conspiradores

A Flauta Mágica

A famosa ópera de Wolfgang Amadeus Mozart e Emanuel Schikaneder, “A Flauta Mágica” tem sido objeto de inúmeros estudos, sem dúvida motivado tanto pelo seu imenso valor musical quando pelo tema subjacente ao seu livreto.

As claras referências esotéricas feitas em seu desenvolvimento motivaram inclusive que Goethe escrevesse uma segunda parte, continuação do livreto de Schikaneder e, não satisfeito com isso, ele preparava pessoalmente os esboços para uma representação da ópera de Mozart em Weimar, esboços que foram parcialmente preservados. Mas, infelizmente, a grande maioria dos estudos realizados são devidos a musicólogos. Estes são, sem dúvida, muito competente na sua disciplina, mas o são muito pouco em matéria de esoterismo.

Por isso, entendemos que poderia ser interessante uma análise da ópera do ponto de vista iniciático, deixando quase que totalmente na parte técnica da música (como nós entendemos que existem outros mais competentes do que nós para lidar com eles).

Além dos musicólogos quem vez por outra tentou mergulhar em “A Flauta Mágica” foram os Maçons. Com relação a isso, porém, convém ser taxativamente claro.

Na verdade, existem dois tipos distintos de Maçonaria. Por um lado temos a Maçonaria política e econômica formada quase inteiramente por pessoas pouco ou nada se importam com as tradições espirituais dessa Ordem.

Este tipo degradado de Maçonaria tem sido amplamente difundido no mundo, porque sempre existiram aventureiros sem escrúpulos, como desejos de poder político. Naturalmente, em tais organizações não deve buscar nem se pode encontrar valores espirituais.

Há, porém, um outro tipo de Maçonaria que transmite um legado espiritual real que vem desde o antigo Egito. Naturalmente, isso a Maçonaria é a antítese da anterior. Vale a pena parar um momento sobre este assunto para entender melhor a questão que hoje nos ocupa. Segundo nos informa o erudito francês antimaçônico Jacques D’Plonchard D’Assac, Mozart, bem como Schikaneder pertencia à Maçonaria Egípcia em Viena, aquela que praticava o Rito de Mizraim.

Este Rito havia se difundido enormemente tanto na Áustria quanto na Espanha desde meados do século XVIII, dando então origem ao Rito Nacional Espanhol neste segundo país.

Deve-se mencionar que o Rito de Mizraim originou-se no iniciação transmitida pelo Mestre Althotas a Joseph Balsamo, conhecido como Conde de Cagliostro.

Mais tarde, esse rito se difundiu na Itália e mais tarde na França. É interessante notar, de passagem, a Espanha, porque foi iniciado (na Loja “Lealidad” de Cádiz), o então jovem tenente do exército espanhol Dom José de San Martin. O fato é que em 14 de dezembro de 1784 Mozart foi iniciado como Aprendiz na loja “Zur Wohlthätigkeit” ascendendo a Companheiro em 07 de janeiro do ano seguinte (menos de um mês entre as duas iniciações).

Imediatamente começa a composição de sua famosas Sonatas Maçônicas.

Em abril de 1785 Mozart já é Mestre Maçom e em seis desse mesmo mês, é iniciado seu pai, o compositor e maestro Leopold Mozart. Este foi sem dúvida um homem de talento e provou-se recentemente que a famosa “Sinfonia dos Brinquedos”atribuída por muito tempo a Haydn é, na realidade, de autoria de Leopold Mozart.

Na loja, Mozart conheceu Johann Joseph Schikaneder, que tinha alí o nome de Emannuel, e que mais tarde seria o libretista de “A Flauta Mágica”.

Schikaneder era um homem de caráter, barítono de boa voz e bom gosto e, mais tarde, diretor de um pequeno teatro. Sabe-se que ele representou o primeiro Papageno na estréia da ópera em questão. Também frequentava a loja Karl Ludwig Giesecke que aparentemente contribuiu com algumas idéias para o libreto.

O fato incontestável é que Mozart foi um Maçom ativo até o fim de sua vida. Em 18 de novembro de 1791, quando só lhe restavam dezessete dias de vida, conduziu pessoalmente sua “Pequena Cantata Maçônica” (Köchel 623) por ocasião da consagração do novo templo da Loja “Zur neugekrönten Hoffnung”. Schikaneder por outro lado adormeceu, ou seja, retirou-se da loja logo depois de ter conhecido Mozart, embora a amizade e a cooperação entre os dois tenha persistido, dando conforme sabemos um magnífico resultado.

Uma das mais vis calúnias que circularam sobre Wolfgang Amadeus Mozart foi ter sido envenenado pelos Maçons por ter revelado segredos da Ordem em “A Flauta Mágica”. Justamente por isso mencionamos o fato de que poucos dias antes de sua morte, foi especialmente convidado para dirigir o sua Cantata para a consagração de um novo Templo. Isso aconteceu um mês e meio após a estréia de “A Flauta Mágica”, ou seja, a ópera em questão.

Isso prova a falsidade de tal afirmação.

Se houve revelação, como alguns dizem, o principal responsável teria sido Schikaneder o autor do libreto e não, evidentemente, o autor da música. Schikaneder continuou a viver por muitos anos, mas este fato não é mencionado por esses caluniadores.

Mozart e seu libretista estavam bem cientes destas coisas e por isso colocaram em sua ópera um arquétipo que simboliza a via lunar governada pelas emoções mais baixas que se disfarçam e se ocultam nas aparências religiosas. (Continua) Este arquétipo é a Rainha da Noite, cujas duas árias expressam aspectos bem contrastantes de uma personalidade sinistra.

Em sua primeira ária aparece como a mãe de coração partido por ter-lhe sido tirada sua filha. Tamino se deixa seduzir por suas lágrimas falsas e suas mentiras. Ela o elogia e lhe promete a mão de Pamina, enquanto sutilmente planta o ódio no coração do jovem príncipe.

Muito diferente é a sua atitude na segunda ária “Der Holle Rache kocht em meinem Herzen” (O rancor do inferno ferve no meu coração) quando coloca um punhal na mão de Pamina para que a virtuosa, porém perturbada jovem assassine o Venerável Mestre Sarastro.

Nessa cena se revela toda a traição e maldade que antes a Rainha encobria com sentimentalismo e lágrimas, pois ela ameaça Pamina se ela não cumprir seus desejos. Claramente aqui se aproxima do que temos tratado amplamente em vários artigos e conferências.

Trata-se do antagonismo existente entre os que praticam a via lunar ou religiosa (a pitriyana ou o caminho dos ancestrais dos hindus) e os Iniciados, que praticam a via solar ou Devayana (caminho dos deuses).

A via lunar se reveste de emotividade e pretende ser um conforto para as massas, a quem manipula com base justamente no medos e nas emoções. Desta forma, aceita-se indistintamente a todos os que se apresentam, pois seu último desejo é o poder temporal com base na quantidade. Corresponde ao modo passivo e é a única forma de vida espiritual a que podem aspirar as pessoas não qualificadas.

A via solar iniciática está reservada para as elites, quer dizer, a indivíduos plenamente qualificados. Naturalmente, os grupos sectários que são os religiosos, nunca quiseram aceitar sua subordinação aos Mistérios Iniciáticos e se esforçaram para destruí-los.

Na alegoria de Mozart e Schikaneder, a Rainha da Noite, que representa, sem dúvida, a Igreja Católica, organização sectária tipicamente lunar.

As damas da Rainha da Noite, apesar do flerte e do bom humor que revelam no início da ópera, não hesitam em se apresentar a Tamino e Papageno para derramar calúnias insidiosas contra a Sarastro e seus sacerdotes.

Finalmente, em cumplicidade com o traiçoeiro mouro Monostatos, a Rainha prepara uma grande complô nas sombras para destruir o Templo. Felizmente eles fracassam nessa tarefa e são jogados de volta para as trevas do mundo profano.

Parece muito provável hoje em dia que Mozart e Schikaneder tenham sido aconselhados por Ignaz von Born sobre este tema. Von Born era o Venerável Mestre da Loja “Zur Wohltätigkeit” naquela época, e um verdadeiro erudito nos mistérios da Grécia antiga.

A interpretação de alguns autores do rancor da rainha contra Sarastro para impor a primazia de sucessão matrilinear em relação à tradição patriarcal nos aparece hoje pura fantasia. Ainda em mais alto grau é fantasiosa a interpretação do escritor maçônico M. Zile, que em 1866 sustentou ingenuamente que Tamino representava o Imperador Joseph II, Pamina o povo austríaco e Sarastro era mencionado como Venerável Mestre e a Rainha da Noite, a imperatriz Maria Teresa, que então tinha começado a perseguir a Maçonaria.

Até aqui, um primeiro símbolo mais político que esotérico e que refletia uma realidade daqueles tempos. Não se pode esquecer que em 1738 o Papa Clemente XII havia excomungado a Maçonaria com sua encíclica “In eminenti specula”. Embora pouca atenção fosse dada em Viena a tal resolução, era evidente que o velho ódio da Igreja pelos Mistérios Iniciáticos subsistia em pleno vigor.

De maior interesse para esta alegoria são outros símbolos de natureza tanto anagógica quanto tropológica que vemos desfilar na ópera. Vamos recordar brevemente que, segundo a classificação estabelecida por Dante Alighieri em “Il Convivio”, os símbolos podem ser agrupados em quatro categorias.

A primeira é a dos símbolos literais. Como exemplo podemos citar um texto escrito em qualquer língua ou uma equação matemática.

A segunda categoria corresponde aos símbolos alegóricos. Como tal, pode-se mencionar a pomba, símbolo da paz, a lira de Apolo representando a música, a foice uma reminiscência de Saturno que recorda a morte, Mercúrio representando o comércio e a cornucópia simbolizando abundância, entre muitos outros.

Símbolo tropológico (De tropos: mudança de direção) é o que tem um sentido ético-moralizante, indicando uma mudança de rumo na vida. Como tal, podemos citar um esquadro simbolizando a retidão, um prumo indicando a disciplina e verticalidade, e a colher do pedreiro que recorda necessidade de suavizar as asperezas.

Por último, temos os símbolos anagógicos (De Anas: no alto). Estes últimos representam uma indicação de elevação através da espiritualização da existência e, geralmente, têm conteúdo esotérico.

Podemos mencionar aqui a Escada de Jacó que recorda precisamente isso, o caduceu de Hermes-Mercúrio que esotericamente se refere à transmutação das energias inferiores do homem e o Olho de Deus que simboliza que nada do que fazemos foge ou está oculto para a Consciência Suprema.

Um desses últimos símbolos, muito interessante e que escapou completamente da análise dos musicólogos está no início da ópera, imediatamente após a abertura. Nos referimos à serpente ou dragão, um tema que reaparece mais tarde, com o mesmo significado na Tetralogia de Richard Wagner. (Recordemos o dragão Pfafnir em cujo sangue deve o herói solar Siegfried deve banhar-se).

Aqui estamos lidando com um símbolo tradicional que reaparece continuamente na literatura esotérica. Trata-se, naturalmente, do Primeiro Guardião do Umbral.

O candidato à Iniciação deve enfrentar os efeitos cármicos que ele mesmo acumulou em incontáveis existências. Seu enfrentamento supõe um processo doloroso de purificação e de um risco; quem evita isso renuncia para sempre à recompensa espiritual desejada; e Tamino, assim como Siegfried deve passar por essa prova.

Se Tamino pode ser bem-sucedido é com a ajuda das damas da Rainha da Noite. Mas essa ajuda, como era de se esperar, não é desinteressada. As damas têm a missão a lhe designar: é claro que se trata de salvar Pamina.

Tamino e Pamina são um casal arquetípico precursor como o são de certa forma Siegfried e Brunhilde. Não são diferentes, na verdade um do outro em ambos os casos.

Pamina é a alma de Tamino, a alma que deverá passar por novas e duras provas antes de chegar à Iniciação: odisséia de Pamina é uma verdadeira “Noite Escura da Alma” (A Nigredo na terminologia dos alquimistas). São provas iniciáticas que conduzem à purificação através do caminho do sofrimento humano e das dúvidas que assaltam os aspirantes. Constituem o chamado Segundo Guardião do Umbral e são uma parte inevitável da Via Iniciática. Desgraçado daquele que as evita ou cede ante estas dúvidas, pois se verá cada vez mais mais mergulhado nas trevas do mundo profano e não chegará a receber a luz espiritual da Iniciação.

Este processo vital de transmutação interior (cuja realidade só pode ser negada pelos ignorantes) tem como contrapartida visível as provas simbólicas do ritual, aquelas que em “A Flauta Mágica” são mencionadas com maior clareza.

Felizmente, Mozart e Schikaneder foram suficientemente discretos e seria muita ingenuidade alguém pretender conhecer alguma coisa dos mistérios da Iniciação Maçônica apenas assistindo à ópera.

As damas dão a Tamino, para ajudá-lo em sua missão de resgate a Flauta Mágica que dá o título à ópera, e também Papageno que será seu companheiro recebe sinos de prata, também dotados de incríveis poderes. Aqui há alusões simbólicas a várias pontos da tradição esotérica que merecem ser mencionadas rapidamente.

É uma dupla referência ao poder do som, o poder que pode ser incompreensível e absurdo, não só aos profanos, mas também aos pseudo-maçons tão ignorante quanto arrogante a quem referimos anteriormente.

É fácil ver que isso é verdadeiro; basta perguntar a qualquer um dos Maçons orientados para a política e os negócios, qual é a verdadeira origem dos símbolos e sinais de seus graus, e quais são as sílabas de poder associadas a tais sinais. Não terão outra alternativa, a não ser reconhecer a enormidade da sua ignorância sobre o assunto e nem por um momento mencionarão que existe uma antiquíssima tradição secreta a respeito disso.

Esta tradição foi, inclusive, transmitida pelo Profeta Maomé aos seus mais fiéis discípulos e o Corão contém certas sílabas intraduzíveis que estão ligadas a este mistério.

Mas, tudo isso e muito mais é e será para sempre desconhecido por este tipo de pessoa que têm a audácia de se auto-qualificar como Maçons Regulares e de qualificar outros como Irregulares. Seria possível escrever um livro sobre isso e é bem possível que algum dia este autor o faça.

Na Índia, este poder oculto do som é ensinado no Matrika Yoga e testemunhamos pessoalmente alguns fatos surpreendentes feitos por este meio.

A pergunta honesta, desde já, se Mozart e Schikaneder estavam ao corrente de tais fatos. É provável que eles estivessem, somente por tradição mítica na forma de contos de fadas populares.

O que é fato estabelecido é que a trama externa, profana digamos, o enredo de “A Flauta Mágica” era uma narrativa deste tipo intitulada *“Lulu oder die Zauberflöte”.* Seja como for, é interessante notar com William Mann que, tendo sido esculpida a flauta pelo pai de Pamina, este a havia feito de carvalho. Na tradição esotérica, esta árvore é um símbolo de *Sabedoria e Força.* Para ser esculpida, à madeira foi adicionada a *Beleza* e agora estamos de volta à tradição Maçônica completa. Isto se refere,

evidentemente, à Tradição Sagrada tanto Maçônica quanto não Maçônica.

Na tríade é simbolizado tanto a divindade quanto a síntese de opostos. Isto é bem conhecido e só se pode acrescentar que unido ao quaternário conduz ao setenário, símbolo do Justo e Perfeito.

Na encenação original se referia ao Quaternário (símbolo do material), com uma inscrição em uma pirâmide que os Vigilantes armados do templo liam para Tamino: “Quem passa por este caminho difícil será purificado por terra, ar, fogo e água.”

A pirâmide, assim como a famosa ária de Sarastro “Ísis e Osíris” eram uma clara referência à origem egípcia do Rito de Mizraim.

Curiosamente, esse rito (unificado posteriormente com o outro Rito Maçônico egípcio, qual seja o Rito de Memphis pelo Grão-Mestre Giuseppe Garibaldi) reverencia a memória de um notabilísimo Mestre Arquiteto: Imotep, que a Bíblia menciona com o nome de Hiram Abif, diretor das obras de construção do famoso Templo de Salomão, uma das maravilhas do mundo antigo e também artesão excelso.

Note-se que o referido Rito de Memphis constitui, em seu próprio direito, o mais notório da tradição Maçônica, pois vem, por sua vez, dos mistérios de Ísis do antigo Egito e das antiquíssimas filiações Maçônicas drusas. Este Rito foi trazido à Europa por Napoleão I, Champollion e oficiais do exército francês que foram iniciadas por ocasião da expedição ao Egito.

Nota-se de passagem, que as três crianças-guias na decoração original levavam em suas mãos folhas de palmeira. Este é um símbolo permanente na tradição esotérica, cujo significado é ascensão, vitória, regeneração e imortalidade.

Até agora, os aspectos anagógicos do simbolismo da ópera. Passemos agora a abordar rapidamente os aspectos tropológicos, ou seja, aqueles que tornam o conteúdo ético, moral e filosófico.

Em primeiro lugar, não se pode ignorar a tipologia psicológica que estabelece uma clara diferença entre os dois casais: Tamino – Pamina e Papageno – Papagena.

Os primeiros são seres superiores com aspirações nobres, autênticos “homens de desejo”, para usar a terminologia de Louis Claude de Saint Martin. Esta atitude contrasta com a dos outros dois que só aspiram a uma boa comida, um bom relacionamento conjugal e que, em suma, são seres humanos bons, mas pequenos e medíocres.

Assim, vemos que a Iniciação de Tamino e Pamina acontece, mas a de Papageno e sua futura esposa falha (como não poderia ser de outra forma). De fato, a esmagadora maioria dos seres humanos em seu estado atual não é iniciável, e deve se contentar com as pequenas coisas da vida: seu estado atual não lhes permite aspirar outra coisa.

Papageno o diz claramente: “Ein Netz fur Mädchen möchte ich, ich fing sie dutzenweis fuer mich”. (De uma rede para garotas eu preciso, eu as teria às dúzia para mim.) No entanto, e apesar da sua vulgaridade. Papageno é bom em seus sentimentos. Isto se manifesta no célebre dueto com Pamina, onde eles expressam o fato de que o amor é a lei suprema da natureza, e que ele leva o casal ao limiar da Divindade.

Cabe perguntar se os dois personagens, tão charmosos quanto diferentes entre si, concebem o amor da mesma maneira e no mesmo nível. Pamina é a própria espiritualidade e Papageno a pura sensualidade. Ela pode conceber e sentir o amor divino, assim como o humano. Seria demais pedir isso a Papageno.

Uma segunda lição pode ser encontrada nas palavras das crianças-guias. Deve ser dito que estas crianças são referências às Columbas, a personificação da voz da consciência. Tais Columbas foram introduzidas nos Ritos Maçônicos Egípcios por Cagliostro. Hoje eles desapareceram, mas ainda são preservados nos rituais de certas ordens Rosacrucianas de origem moderna e que afirmam ter uma filiação inexistente proveniente (segundo eles) de tais Ritos.

As crianças-guia são claras com Tamino: “standhaft, duldsam und verschwiegen” (Seja persistente, paciente e guarde o silêncio).

Aqui estão as três regras de que devemos adicionar ao amor fraterno entre os seres humanos.

Com isso, Tamino chega às três portas do templo. Sua reflexão é precisa: “Onde reina e atividade e o ócio é proibido, o vício dificilmente pode criar raízes.”

As dúvidas e os erros afligem Tamino. O Segundo Guardião do Umbral está em ação. Surge então do fundo de seu ser a pergunta-chave “Quando então verei a luz?”. Uma pergunta honesta da parte de alguém que está disposto a reconhecer seus erros e que cada profano de valor deve fazer em um dado momento a si mesmo.

Cabe recordar de passagem que Richard Wagner na Tetralogia também menciona claramente este Segundo Guardião do Umbral. Referimo-nos à passagem de Siegfried atacado pelo anão Alberich a quem a capa mágica torna invisível.

E aqui é imperativo encerrar pois não se trata de esgotar o tema, mas apenas fornecer abundantes motivos para reflexão a cada um dos amados leitores.

Por Dr. Carlos Raitzin (Spicasc)

Publicado no Site da Grande Loja Unida da Venezuela

#Arte #Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-flauta-m%C3%A1gica

32 Papas e uma garrafa de Rum – parte II

Postado originalmente em 01.10.2008

Semana passada, começamos a esmiuçar a origem dos Templários, Rosacruzes e da Maçonaria, ligados aos cultos essênios, aos construtores do Templo de Salomão, passando pelos Pitagóricos e faraós egípcios, cuja tradição se estende até mais de 4.000 anos antes de Cristo. Chegamos nos conturbados séculos I ao IV, que formou as bases do que mais tarde seria conhecida como Igreja Católica Apostólica Romana.

Como é impossível separar a história dos Templários, Druidas, Cátaros e outros hereges da história da ICAR, pretendo intercalar um post a respeito de cada Igreja/religião, para que vocês mesmos possam traçar paralelos do que aconteceu e tirarem suas próprias conclusões.

Semana passada falei sobre o início das revoluções judaicas, da expansão do Império Romano e da guerra entre os Imperadores Romanos (que veneravam os deuses greco-romanos e acreditavam nos preceitos da cultura helenística) e os rebeldes que defendiam o tal do Jesus Cristo (Yeshua).

Acredito que a forma mais prática de entender o que aconteceu é fazer uma breve lista de todos os papas e suas contribuições para o esqueleto desta religião que estava se formando. Começaremos pelo primeiro papa:

Pedro (Petrus I) cuja mitologia católica o coloca como sucessor de Jesus. Na verdade, cada um dos doze apóstolos tomou os ensinamentos e espalharam-se pelo mundo para continuar o trabalho iniciático essênio e espiritualista que Yeshua fazia parte. São Pedro e São Paulo ficaram em Roma, onde Pedro se tornou “Bispo de Roma”, ou seja, o responsável por implantar a religião essênia dentro da boca do leão (literalmente). A palavra Bispo significa “supervisor”. Foi crucificado de cabeça para baixo pelos exércitos do imperador Tiberius Claudius. O símbolo de Pedro passou a ser a cruz de ponta cabeça. Assim como Yeshua, a história de Pedro foi “absorvida” para dar suporte aos interesses do catolicismo. Seus seguidores, porém, ao usar a cruz de ponta cabeça como símbolo, foram taxados de “satanistas”.

Lino I foi o segundo papa, coordenou o bispado de 67 a 76 e foi o responsável pelo decreto que obrigava as mulheres a cobrirem a cabeça dentro de um templo. A ICAR diz que ele morreu como mártir, mas evidências históricas dizem que isto é improvável, Foi substituído por Anacleto I, que teve muita sorte: neste período ocorreu a erupção do Vesúvio (79), com as cidades de Pompéia e Herculano soterradas e os relatos do começo do “fim do mundo” ajudaram a elevar a popularidade do cristianismo. Dele são atribuídos uma série de orientações que condenam o culto de objetos “mágicos e de feitiçaria” e de aceitarem comida oferecidas aos deuses pagãos. Também a ele é atribuída a instauração da “Saudação e Bênção Apostólica” na abertura das mensagens papais. Anacleto é perseguido pelo imperador Domiciano e morre nos leões.

Clemente I assume o bispado em 88. Neste pontificado ocorreu uma segunda perseguição aos cristãos, na época de Domiciano. Mais tarde, Clemente foi preso no reinado de Trajano. Condenado a trabalhos forçados nas minas de cobre de Galípoli, converteu muitos presos e por isso foi atirado ao mar com uma pedra amarrada ao pescoço. Clemente é importante porque foi ele quem primeiro passou a utilizar a palavra “Amém”, de origem dos rituais egipcios (onde significa “Assim seja!”) nas cerimônias cristitas.

O quinto papa, Evaristo (que ficou no bispado de 97 a 105) e o sexto papa Alexandre I (106 a 115) não fizeram grandes coisas e não são muito lembrados. Alexandre foi o bispo que absorveu o costume dos magistas romanos e gregos de utilizar água Lustral em seus rituais, que passou a chamar de “água benta” a partir de seu pontificado.

Durante este período, João Evangelista escreve seu evangelho, que ficou conhecido posteriormente como “Apocalipse” ou “Livro das Revelações”, um dos mais gnósticos e controversos textos da bíblia.

O sétimo papa foi Sisto I. Suas principais contribuições para a igreja cristita foram no sentido de sistematizar e normalizar os vários procedimentos sagrados nas cerimônias religiosas, como o de que qualquer objeto sagrado só poderia ser tocado por ministros sacramentados (este procedimento foi adaptado também dos ocultistas, que trabalham com a consagração de objetos sagrados, que não devem ser tocados por mãos profanas). É atribuída a Sisto a introdução do tríplice canto do Sanctus na missa (adaptado dos ritos de Eleusis), bem como as cartas apócrifas que tratam da doutrina da Trindade e ao Primado da Igreja de Roma. Também entrou em conflito com alguns procedimentos da Igreja da Ásia.

Sisto morreu em Roma e foi sucedido por São Telésforo. Os papas e os vários martirólogos dão-lhe o título do mártir, embora não haja registo histórico de tal evento. Sisto I estava mais para gnóstico do que para um seguidor das doutrinas da ICAR, então é quase um consenso entre historiadores que sua história foi maquiada para servir aos interesses da Igreja.

O papa Telésforo tem um mandato tranquilo, de 126 a 137. O seu reinado, embora desenrolado num período de paz, quando os imperadores Adriano e Antonino não publicaram editos de perseguição aos cristãos, foi marcado por conflitos com as comunidades não cristãs. Boa parte dos costumes católicos usurpados das religiões pagãs foi feito em seu bispado, como por exemplo: a celebração da missa do galo (também conhecida por Missa da Meia Noite, é a missa da Luz. Esta celebração é claramente inspirada nos cultos antigos, nomeadamente celtas, em que se escolhia o solstício do Inverno [22/23 de Dezembro] para prestar culto ao deus Sol. Neste ritual, os sacerdotes sacrificavam um galo em homenagem aos deuses solares), páscoa aos domingos, sete semanas de quaresma antes da páscoa (A Quaresma é uma celebração da morte de Tamuz; a lenda diz que ele foi morto por um javali selvagem aos quarenta anos. Portanto, a Quaresma celebra um dia para cada ano de vida de Tamuz) e o cancionar da Glória normalmente são atribuídos ao seu pontificado.

Em 136, é escolhido Higino como novo bispo. Ele passou maus bocados nas mãos dos gnósticos, especialmente Valentim e Cerdão. Higino mexeu nas estruturas hierárquicas e na cerimônia do batismo (adaptando-as para que ficasse mais próxima do batismo dos iniciados essênios), instituiu as ordens menores para melhorar o serviço da Igreja e preparação do sacerdócio. O décimo papa é chamado de Pio I. O seu pontificado foi marcado por questões envolvendo judeus convertidos e com heresiarcas como os gnósticos Valentino, Cerdão e Marcião, criador do Marcionismo. Procurou o diálogo com os filósofos e estudiosos heresiarcas gregos e egípcios que possuíam versões mais espiritualizadas dos evangelhos sagrados. Foi, provavelmente, martirizado em Roma e foi substituído por São Aniceto, cuja única contribuição foi a de proibir os padres de usarem cabelos compridos.

Em 166 é escolhido Sotero como o décimo-segundo papa. Esse não apenas teve de enfrentar as perseguições de Marco Aurélio como levou uma surra filosófica dos gnósticos, liderados por Montano, que formaram a seita dos Montanistas. A Igreja montanista se espalhou pela Ásia Menor, chegou a Roma e ao norte da África. Seu adepto mais famoso foi, sem dúvida, Tertuliano – o maior teólogo de então.

O papa Eleutério sobe ao poder em 175. Eleutério resolveu a questão de origem judaica, sobre a distinção entre alimentos puros e impuros, libertando os cristãos de restrições alimentares. Quando morre, em 189, Vitor I assume. Vítor I estabeleceu que qualquer tipo de água, quer seja de um rio, mar ou outras fontes, pode ser utilizada no baptismo, no caso de faltar água benta (e começam as acoxambrações da ritualística). Outra contribuição na absorção das crenças alheias foi o estabelecimento do domingo (Dia do Sol, em substituição do sábado) como dia sagrado, copiando os costumes pagãos para anexar suas culturas mais facilmente. Ele também decide fazer as missas em latim ao invés de grego, para popularizar a religião em Roma. Foi substituído por são Zeferino (que introduziu o uso da patena e do cálice de cristal) e em 217 entra São Calixto I. São Calixto era tão picareta que Hipólito, o outro candidato ao papado, se proclama o primeiro Antipapa para combater seus abusos (e fica com a Igreja dividida por 20 anos). Calixto é morto em uma revolta popular que se originou nos próprios fiéis cristãos, tamanhos os desmandos que ele cometeu e é substituído por Urbano I.

Urbano I pegou uma época tranquila, coincidindo com a benevolência do Imperador Alexandre Severo, então passou mais do seu tempo discutindo filosofia com o antipapa do que temendo os romanos. Ponciano tornou-se papa em 230 e deu continuidade pelas brigas filosóficas com o antipapa Hipólito. O que foi uma tremenda burrice, porque eles haviam se acostumado com a moleza de Alexandre e baixaram a guarda…

Quando Maximino Trácio tornou-se imperador de Roma em 235, a primeira coisa que fez foi acabar com as briguinhas entre papas e antipapas e mandar todo mundo para as minas de trabalhos forçados na Sardenha. Ali morreram tanto o papa Ponciano quanto o antipapa Hipólito.
Antero, o décimo-nono papa, ficou pouco mais do que um mês com o poder e O Imperador fez com que se juntasse a seus amiguinhos nas minas de trabalho forçado. O papa seguinte foi um tal de Fabiano I.

Conta-nos Eusébio de Cesaréia que a eleição de Fabiano foi maravilhosa. Voltava ele de fora de Roma, com alguns amigos, quando a assembléia dos Cristãos deliberava sobre a sucessão do papa São Antero. Estavam divididos os votos e não se chegava a um acordo. Foi quando uma pomba branca, vinda não se sabe de onde, pousou sobre a cabeça do admirado Fabiano, que mais admirado ficou, quando, por unanimidade, os Cristãos romanos o apontaram como novo pontífice. Foi obrigado a obedecer. Recebeu ordens sagradas e tornou-se sucessor de São Pedro. Fabiano teve muita sorte, além da pomba… seu papado coincide com as mais sangrentas disputas pelo trono de Roma, e os Imperadores passavam mais tempo protegendo o próprio rabo do que perseguindo os cristãos. Ele sobreviveu a Maximiniano, os dois Górdianos, Pupiero, Balbino, Filipe (o árabe) e Décio.

Fabiano havia batizado o imperador Filipe, o que deu aos cristitas a esperança de uma Roma segura para os cristãos… mas quando o Imperador Décio tomou o poder, a primeira coisa que fez foi picar o papa em pedacinhos e mandá-lo para os leões, só para não perder o costume.

Cornélius I sentou-se no papado por menos de 3 anos. Para variar, a disputa pelo poder da Igreja fez com que o outro candidato, Novaciano, se declarasse papa também (anti-papa na terminologia técnica). Com o poder dividido (de novo), o novo Imperador Treboniano Galo, assim que pega o poder em Roma, manda os dois “papas” brigarem nas minas de trabalhos forçados de Civitavecchia, ondem morrem, para não perder o costume…

O 22º papa, Lucio I, durou cerca de 8 meses no poder. O período do Imperador Valeriano I (253-260) foi um dos mais terríveis para os cristãos (e um dos mais prósperos para os vendedores de pipoca do coliseu). Neste período, mais de 900 cristãos serviram de atração enfrentando gladiadores e leões. Além das perseguições, o papa teve de lidar com os hereges da seita Novaciana (discípulos de Novaciano)

Uma das coisas importantes que devem ficar bem claras é que os mártires acreditavam na REENCARNAÇÃO, de maneira muito semelhante aos kardecistas e espíritas dos dias de hoje. Por esta razão deixavam-se martirizar com tamanho afinco. Eles diziam que não importava quantas vezes os romanos os sacrificassem, eles retornariam para continuar pregando. Mais tarde, quando a ICAR absorveu esse “bônus” de 400 anos no catolicismo, ela “transformou” esses mártires em santos e defensores do catolicismo.

Os papas Estevão I e Sisto II passaram praticamente seus mandatos enfrentando os Novacianos e os romanos e não tiveram tempo hábil para organizar outros projetos.

Somente o 25º papa, São Dionísio, teve um respiro, pois seu papado coincide com os bárbaros tocando o terror no Império romano e os Imperadores mais preocupados com o Asterix e seus gauleses do que com festividades à base de alimentar leões com cristãos. Nos seus quase dez anos de papado, Dionísio conseguiu reorganizar os fiéis em Roma, derrotar os Novacianos e morrer em paz de morte natural, em 268. Note-se o total paganismo no nome do papa.

Felix I, o papa com o mesmo nome do gato do desenho animado, voltou a ter problemas com o Imperador. Juntou-se aos fiéis nas catacumbas, para escapar à perseguição do Imperador Aureliano. Iniciou o sepultamento dos mártires sob o altar e a celebração da missa sobre seu túmulos. Segundo a tradição, o papa de número 26 teria morrido martirizado em 30 de dezembro de 274.

O Papa Eutiquiano, próximo da fila, nasceu em Luni. Foi eleito em 4 de janeiro de 275, governou a Igreja durante oito anos. Ordenou que os mártires fossem cobertos pela “dalmática”, (o manto dos Imperadores Romanos), hoje vestimentas dos diáconos nas cerimônias solenes. Instituiu a benção da colheita nos campos, que é originalmente uma tradição celta e pagã. Ao invés do sexo ritualístico, foi instituída uma missa, trocando o pênis pelo hissope (nome do instrumento que é usado para aspergir água benta) e o sêmen pela água.

Caio I, que reinou de 283 a 296, foi um dos idealizadores do dízimo. Para tentar fazer média com o Imperador, foi o primeiro Papa a conseguir reunir emissários imperiais e fiéis em meio a uma acalorada discussão sobre a legitimidade de se cobrar tributos sobre os cristãos que conseguiu angariar algum tipo de simpatia do poder de Roma.

Tanto Caio I quanto seu sucessor, o papa Marcelino, sofreram perseguições do Imperador e ameaça de divisão da religião, desta vez pelos Donatistas (movimento que surgiu em 304 e condenada qualquer sagração feita por bispos corruptos. Afirmavam que a validade dos sacramentos dependia do mérito daquele que o administrava). Venceu a hipocrisia e Roma decidiu que não importa se o padre seja um pedófilo ou corrupto, seu sacramento continua valendo aos olhos da Igreja.
Marcelo I, meu xará, foi escolhido em 308 e martirizado menos de um ano depois. Decidiu que nenhum concílio poderia ser realizado sem sua presença. Tanto Eusébio (309-310) quanto Melquíades (311-314) tiveram poucos problemas com os Imperadores, pois este período foi marcado por grandes guerras na Europa, Inglaterra e Hispania, contra os celtas e gauleses, o que fez com que os cultos cristãos tivessem relativa paz para se tornarem cada vez mais populares.

Constanino, o marketeiro

O fato de Constantino (272-337) ser um imperador de legitimidade duvidosa foi algo que sempre influiu nas suas preocupações religiosas e ideológicas: enquanto esteve diretamente ligado à Maximiano, ele apresentou-se como o protegido de Hércules, Deus que havia sido apresentado como padroeiro de Maximiano na primeira Tetrarquia; ao romper com seu sogro e eliminá-lo, Constantino passou a colocar-se sob a proteção da divindade padroeira dos imperadores-soldados do século anterior, Deus Sol Invicto.

Constantino acabou, no entanto, por entrar na História como primeiro imperador romano a professar o cristianismo, na seqüência da sua vitória sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvio, em 28 de outubro de 312, perto de Roma, que ele mais tarde atribuiu ao Deus cristão: segundo a tradição, na noite anterior à batalha sonhou com uma cruz brilhante nos céus, e nela estava escrito em latim “In hoc signo vinces” (“sob este símbolo vencerás”), e de manhã, um pouco antes da batalha, mandou que pintassem uma cruz nos escudos dos soldados e conseguiu um vitória esmagadora sobre o inimigo.

Claro que isso foi uma pilantragem, para assegurar a simpatia dos cristãos. Assim como o Vidente Juscelino, Constantino comentou sobre suas visões DEPOIS que a batalha foi vencida.

Em 313, o Édito de Milão faz com que os cristãos tivessem legitimidade em Roma e os coloca em pé de igualdade com o Paganismo e com o Mithraísmo. Porém, como eram extremamente numerosos, o Imperador pretendia usá-los como massa de manobra para se legitimar no poder. Vale lembrar que Constantino NUNCA se converteu a nada, mantendo seu status de “Sumo Pontífice” até o dia de sua morte.

O próximo passo no circo foi o de inventar que Helena (mãe de Constantino) havia ido até Jerusalém e encontrado pedaços da Vera Cruz (a cuz onde o Jesus teria sido crucificado). Sobre o local, manda erigir a “Igreja do Santo Sepulcro” e a faz local de peregrinações.

Em 325, ocorre o famigerado Concílio de Nicéia, onde Constantino reune-se com 318 bispos (historiadores dizem que este número pode ter sido modificado para se ajustar com o número de criados de Abraão em genesis 14:14. É daqui que vem o número 318 que a Igreja Universal usa tanto em suas propagandas) e decide “colocar ordem no galinheiro”. A quantidade de seitas, heresias, divagações e subgrupos cristãos existentes beirava uma centena, com diversos escritos de discípulos de Yeshua.

Constantino precisava de um Jesus que agradasse aos romanos, aos membros do senado e aos pagãos que seriam em breve forçados a se converter. Lembram-se que explicamos que Yeshua era um revolucionário judeu que lutava CONTRA o Império Romano e foi crucificado por ordem do governador romano? Seria quase o mesmo que tentar angariar votos para Barak Obama usando como plataforma “o homem que adora Che Guevara”. Constantino precisava de um jesus que fosse palatável aos olhos dos cidadãos romanos.

Para tanto, reuniu todas as escrituras que haviam disponíveis e acabou se decidindo por todos os textos que o aproximavam de um “deus-solar”, como Apolo ou Mithra, muito mais agradáveis do que um “messias humano iniciado nos segredos do oriente que trouxe a busca pelo autoconhecimento”. O papa Silvestre I (de onde vem o nome da corrida de São Silvestre) não assistiu a nenhum dos Concílios, tendo de aceitar o que foi decidido. A partir de então, a Igreja recebe um NOME: Igreja Católica (católica quer dizer “universal”), Apostólica (fundamentada na doutrina dos apóstolos) Romana (porque sua sede ficará em Roma), ou a famigerada ICAR.

O papa Marcos I, que coordenou a reforma e os primeiros anos da nova Igreja “oficial”, começou a compilar a lista dos bispos e mártires, trabalhando para adaptar as necessidades históricas aos interesses do Imperador. Julio I fixa a data do “nascimento de Jesus” no dia 25 de Dezembro…

Com a morte de Constantino, seu poder se divide e surgem as Igrejas do Oriente (com sede em Constantinopla) e do Ocidente (com sede em Roma). Os cristãos que não ficaram satisfeitos com a pilantragem do Imperador começam a ser perseguidos como hereges, juntamente com os judeus, que começam a ganhar (má) fama como “o povo que matou jesus”.

#ICAR

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/32-papas-e-uma-garrafa-de-rum-parte-ii

Visualização Criativa

por Valter Cichini Junior

@MDD – Esses exercícios são muito bacanas para quem está com dificuldade em passar pela Monografia 1 do Arcanum Arcanorum ou de outras ordens. Desde pequenos somos incentivados a não desenvolver a imaginação, por isso a visualização é algo que é difícil para muitas pessoas…

Uma ferramenta muito utilizada e conhecida por todos aqueles que participam, participaram ou conhecem os grupos de meditação é a famosa Visualização Criativa. Hoje essa técnica é tão importante que existem grupos estudando sua eficiência até no auxílio do tratamento ao câncer.

Participando de grupos de meditação há alguns anos, fica muito evidente a dificuldade enfrentada por algumas pessoas que se dispõem a realizar essas técnicas; em geral elas têm grande dificuldade em visualizar as imagens solicitadas pela voz que está conduzindo o trabalho. O que muitos desconhecem é que existe uma técnica bastante simples para desenvolver e aprimorar essa capacidade que todos nós temos.

O primeiro passo é olhar e reter uma imagem. O processo consiste em olhar para um objeto tentando reter o máximo de detalhes pelo período de um minuto, em seguida fechar os olhos e visualizar o objeto com todos os seus detalhes também pelo período de um minuto. Esse processo deve se repetir em ciclos até que se consiga visualizar o objeto em todas as suas nuances.

Passando dessa etapa, o segundo passo é lembrar e reter uma imagem, ou seja, você vai se lembrar de um fato anterior, de cada um dos detalhes que o envolveram. Procure se concentrar nos pormenores do cenário em volta, nas pessoas que estavam ao redor, na expressão facial delas e em toda riqueza de detalhes que conseguir.

No terceiro passo já passa a existir o elemento de criação, o exercício da criatividade que existe dentro de cada um de nós. Vamos usar essa criatividade e inventar uma imagem, colocar nela todos os detalhes possíveis, fixar o cenário, as cores, os objetos e ficar apreciando cada um desses detalhes dentro da imagem como um todo.

Na quarta etapa estaremos incluindo o elemento sensação, vamos imaginar o corpo em bom funcionamento e sentir o que isso nos traz. Imaginemos, por exemplo, uma grande sensação de bem estar e na seqüência vamos sentir o que isso nos proporciona, observemos como nosso corpo reage a essas imaginações, como fica nossa respiração, entre outras coisas. Aqui já estaremos começando a experimentar o que a visualização criativa pode fazer por nós, como nosso corpo responde a esses estímulos.

No último passo da técnica trabalharemos com objetivos e os transformaremos em símbolos; estaremos utilizando o que se conhece como tela mental. Vamos nos imaginar, por exemplo, com saúde ou prosperidade. Que imagem teria a saúde ou a prosperidade para cada um de nós? Note que nesse ponto a imagem é muito subjetiva, vai depender muito da vivência de cada um e de seus valores íntimos. Para um a prosperidade pode significar a realização de diversas viagens, para outro pode ser a aquisição de bens materiais e assim por diante. O importante é que a imagem represente o que se deseja para quem está utilizando a técnica.

Tendo passado pelos cincos passos com sucesso, a visualização criativa deixou de ser aquele terror, aquele bicho de sete cabeças que tanto incomodava, transformando-se em um aliado poderosíssimo da nossa caminhada. Podemos usar esse aliado no auxílio à cura de doenças, no trabalho da auto-estima, na busca de tranqüilidade, de aumento de concentração, na superação de vícios – entre muitas outras coisas – nos tornando assim pessoas melhores, mais realizadas e conseqüentemente mais felizes.

#TemploAstral

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/visualiza%C3%A7%C3%A3o-criativa

Onryou, Médiuns e Ringu, ou “O Chamado” em japonês

Foi com o filme “O Chamado” que o ocidente abriu as portas para os filmes de assombração orientais. Infelizmente, abriram as portas para as péssimas refilmagens com atores norte-americanos em cenários orientais e personagens de nomes japoneses. Digo ainda filmes de “assombração” porque vejo muitas pessoas reclamarem desse tipo de gênero, alegando que não são assustadores o suficiente. É óbvio que não são – para os ocidentais.

Enfim, deixando as críticas cinematográficas (temporariamente) de lado, vamos ao que interessa.

Ringu é baseado na obra do escritor japonês Suzuki Koji, dividida em quatro livros: Ringu (1991), Rasen (1995), Loop (1998) e The Birthday (1999)

Evidentemente, o escritor dos livros baseou-se na história dessas duas mulheres para compor suas personagens, dando inclusive seus nomes a elas (Sadako – Sadako e Chizuko – Shizuko).

A alma humana é chamada de “reikon”, a junção dos elementos “rei” e “kon”, ou seja, essência espiritual e alma, respectivamente. Especificamente, “ichirei shikon”, ou “um espírito e quatro almas”. Isso porque a kon dos humanos é composta de quatro partes, quais sejam, “aramitama”, ou a coragem, “nigimitama”, ou a amizade, “sachimitama”, ou o amor, e “kushimitama”, ou a sabedoria.

Quando um ser humano morre, seu espírito “rei” e duas das quatro almas, “sachimitama” e “kushimitama”, vão para o outro mundo, enquanto que a “aramitama” e a “nigimitama” permanecem nesse plano. Como a “aramitama” está associada ao corpo físico, ela acabará por se desintegrar, restando apenas a “nigimitama”, que também irá desaparecer, mas num processo que levará um pouco mais de tempo.

Assim, se houver um desequilíbrio na reikon de uma pessoa, ou seja, entre as suas “quatro almas” (geralmente a “nigimitama”, que quando em desequilíbrio, está ligada ao ódio, ao egoísmo e ao apego), ela pode vir a se tornar um fantasma, um Yuurei. Assim, como é a “nigimitama” que permanece por maior tempo nesse plano, ela “segura” o restante das almas, impedindo que o espírito da pessoa parta para o outro mundo. Por outro lado, se ela vier a desencarnar em um momento de grande ódio e/ou violência, ela se torna um Onryou, um espírito vingativo.

Isso ocorre devido ao desequilíbrio da aramitama no momento da morte (geralmente brusca e violenta, tomada pelo ódio), que torna o espírito igualmente violento. Além disso, como a aramitama naturalmente sofre um processo de desintegração, esse tipo de espírito também costuma vampirizar as suas vítimas, de maneira a prolongar a sua “sobrevida” neste plano, e nada melhor do que a adrenalina liberada durante uma sessão de filme de terror para garantir a energia necessária para tal intento.

Apesar da crítica sobre ficção científica, a explicação original para as mortes – que vocês só descobrem em Rasen – não deixa de ser interessante. Quem não quiser spoilers, que não leia o próximo parágrafo.

Sadako (novamente, a do filme) plasma no vídeo as suas imagens mentais e acopla a ele um vírus por ela criado, que mata em sete dias, a menos que a pessoa dê um jeito de transmiti-lo, ou seja, fazendo com que outra pessoa assista ao vídeo e seja infectada, escrevendo livros e fazendo filmes sobre sua história para disseminá-lo, ou engravidando mulheres para que elas dêem a luz a clones seus. Seu objetivo? Dominar o mundo, que dúvida!

#MagiaOriental

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Um Conto do Eremita – Arcano IX

Sua fama, porém, era tão grande, que as pessoas estavam dispostas a andar por caminhos estreitos, subir colinas escarpadas, vencer rios caudalosos – apenas para conhecer aquele homem santo, que acreditavam ser capaz de resolver qualquer angústia do coração humano.

O sábio, como era um homem cheio de compaixão, dava um conselho aqui, outro ali, mas procurava livrar-se logo dos visitantes indesejados. Mesmo assim, eles apareciam em grupos cada vez maiores, e certo dia uma multidão bateu à sua porta, dizendo que lindas histórias a seu respeito haviam sido publicadas no jornal local, e todos estavam certos que ele sabia como superar as dificuldades da vida.

O sábio não disse nada; pediu que sentassem e esperassem. Três dias se passaram, e mais gente chegou. Quando não havia espaço para mais ninguém, ele dirigiu-se ao povo que estava diante de sua porta:

– Hoje vou dar a resposta que todos desejam. Mas vocês prometem que, assim que tiverem seus problemas solucionados, dirão aos novos peregrinos que me mudei daqui – de modo que possa continuar a viver na solidão que tanto almejo. Homens e mulheres fizeram um juramento sagrado; se o sábio cumprisse o prometido, eles não deixariam mais nenhum peregrino subir a montanha.

– Digam-me seus problemas – pediu o sábio.

Alguém começou a falar, mas foi logo interrompido por outras pessoas – já que todos sabiam que aquela era a última audiência pública que o santo homem estava dando, e tinham medo que ele não tivesse tempo de escutá-los. Minutos depois, a confusão estava criada; muitas vozes gritando ao mesmo tempo, gente chorando, homens e mulheres arrancando o cabelo de desespero, porque era impossível fazer-se ouvir.

O sábio deixou que a situação se prolongasse um pouco, até que gritou:

– Silêncio!

A multidão calou-se imediatamente.

– Escrevam seus problemas e coloquem o papel na minha frente.

Quando todos terminaram, o sábio misturou todos os papéis em uma cesta, pedindo em seguida:

– Passem esta cesta por todos; que cada um tire o papel que está em cima, e leia o que foi escrito. Vocês podem escolher entre passar a ter o problema que está escrito ou vocês podem pedir seu problema de volta a quem os sorteou.

Cada um dos presentes pegou uma das folhas de papel, leu, e ficou horrorizado. Concluíram que aquilo que tinham escrito, por pior que fosse, não era tão sério como o que afligia o seu vizinho. Duas horas depois, trocaram os papéis, e cada um tornou a colocar no bolso o seu problema pessoal, aliviado por saber que sua aflição não era tão dura como imaginava.

Agradeceram a lição, desceram a montanha com a certeza de que eram mais felizes que os outros, e – cumprindo o juramento feito – nunca mais deixaram que ninguém perturbasse a paz do santo homem.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/um-conto-do-eremita-arcano-ix

Santo Daime e Ayahuasca

Por Acid Zero.

Antes de mais nada, “Santo Daime” é o nome de uma doutrina da linha do Mestre Irineu que, segundo eles, faz “uso ritual das plantas expansoras de consciências dentro de um contexto apropriado”. Foi a doutrina que se tornou mais popular no Brasil, e por isso a bebida que eles fazem uso (Ayahuasca), rebatizada por eles de Santo Daime, acabou se tornando sinônimo de Ayahuasca para a maioria leiga (eu incluso), assim como Gillette se tornou sinônimo de lâmina de barbear. Mas chamar a bebida de “Santo Daime” dentro de outras doutrinas que fazem uso da Ayahuasca é como visitar a fábrica da Assolan e chamar de Bombril as esponjas de aço deles… Entretanto, o título do post continua, por uma questão de melhor identificação pra quem busca informações.

INTRODUÇÃO

Certa vez fui convidado a assistir a uma palestra da União do Vegetal (UDV), para escolher se tomaria ou não a Ayahuasca. Foi uma explanação interessante, onde era dito que o chá não criava dependência, não era droga, buscava a evolução espiritual, e tal… Saí de lá confuso, afinal, qualquer coisa que eu tome para deliberadamente alterar minha consciência pra mim é droga. Seja um sonífero, aspirina ou cocaína, estarei brincando perigosamente com meu cérebro.

Resolvi decidir só após consultar Oráculo. Ela não disse pra eu ir ou não ir, mas foi taxativa: aquilo é droga, assim como maconha. Falou pra eu estudar sobre os princípios ativos, e que a maioria das experiências que as pessoas têm lá são alucinações.

Acabei não indo, afinal não tenho a MENOR curiosidade em experimentar drogas alucinógenas. Alguns parentes foram, tiveram experiências boas, outras ruins, e logo deixaram de freqüentar. Pra mim não é através de experiências alucinógenas que uma pessoa alcança a iluminação. Jesus, pelo que se sabe, não usou drogas (e muito menos recomendou-as). Buda também não. Gandhi e Sócrates também não… Ao contrário, participaram ativamente de sua REALIDADE, procurando modificá-la através do Amor, do bom-senso, da responsabilidade para com o mundo e com as pessoas, e principalmente das AÇÕES.

A BEBIDA

A Ayahuasca (Vegetal, Uasca ou Santo Daime) é uma mistura de duas plantas (Cipó Mariri e Chacrona) que, após cozidas, resultam num chá de gosto amargo e alucinógeno, que normalmente evoca visões e imagens religiosas (a chamada “miração”), costumando por vezes provocar vômitos ou diarréia em quem toma (por isso os locais onde a beberagem é consumida são equipados de algum tipo de “vomitório”, e recomenda-se comer pouco nos 3 dias anteriores).

O RITUAL

O Santo Daime preserva o caráter sagrado da festa e da dança, oriundo do catolicismo popular. Convivem no seu panteão mítico Deus, Jesus, a Virgem Maria, os santos católicos, entidades originárias do universo afro-brasileiro e seres da natureza. Também são louvadas as figuras do Mestre Irineu, identificado com Jesus Cristo, e do Padrinho Sebastião, “encarnação de São João Batista” — de onde são derivadas algumas concepções messiânicas e apocalípticas. Do espiritismo kardecista são reelaboradas noções como as de karma e reencarnação. Os indivíduos possuem dentro de si elementos de uma “memória divina”; ao mesmo tempo, podem, através do próprio comportamento, alterar seu karma, “evoluindo espiritualmente” em direção a sua “salvação”. Em consonância com os sistemas xamânicos, verifica-se a existência de uma “guerra mística” entre os homens e os seres espirituais. Os daimistas são concebidos como os “soldados do Exército de Juramidam”, empenhados numa “batalha astral para doutrinar os espíritos sem luz”. Todo o ritual está permeado por um espírito militar com ênfase na ordem, na disciplina.

Na união do Vegetal (UDV) a cerimônia costuma ter a duração de quatro horas e são dirigidas ou pelo Mestre ou por quem tenha ele designado. A presença do Mestre ou do seu delegado é imprescindível para garantir a necessária concentração e o alto nível do ritual. Após terem bebido a Oaska, os participantes da sessão permanecem sentados até o fim da cerimônia. O Mestre faz então as “chamadas” (cantos iniciáticos) de abertura e inicia a doutrinação espiritual, na qual se pode intercalar alguma peça musical, para criar um clima propício a ter boas “mirações”. Nessa ocasião os discípulos têm a oportunidade de ouvir aquilo que eles mais precisam de ouvir, pois o Mestre atua como canal de ligação com a “Força Superior”, da qual provêm todos os ensinamentos espirituais. Encerrada a doutrinação, os participantes têm a oportunidade de se expressar e fazer perguntas ao Mestre. Chegada a hora de encerramento, o Mestre entoa as “chamadas” finais e dá por finda a sessão.

Já no Daime eles acrescentam a isso trabalhos espirituais de concentração (com períodos de meditação) ou bailado (execução de uma coreografia simples), podendo chegar a produzir um verdadeiro êxtase coletivo. Há também trabalhos de missa (para os mortos) e rituais de fardamento (momento em que o indivíduo adere oficialmente ao grupo, passando a usar suas vestimentas). Recentemente, vem ganhando força alguns ritos onde ocorre incorporação de espíritos, produto das influências crescentes da umbanda nesta instituição.

OS EFEITOS

O efeito alucinógeno do chá, embalado pelo ritual e egrégora do local, produzem as “mirações”, imagens contempladas durante a “burracheira” (efeito da bebida) que podem se manifestar de formas variadas: ora são duradouras, ora fugazes; ora nítidas, ora dotadas de tênues contornos; ora de aparência assustadora, ora de grande beleza. Muitas vezes as mirações revelam fatos do passado, às vezes de um passado anterior à atual encarnação. E, segundo eles, até mesmo o futuro pode ser revelado. Na verdade, as mirações constituem recursos de ilustração utilizados pela burracheira para revelar ensinamentos e o estado de espírito de cada um. Em todas é possível encontrar um significado; todas pedem uma decifração. Mas a forma pela qual elas revelam seus conteúdos é também extremamente variável: às vezes são bastante claras e diretas; outras vezes são enigmáticas e oraculares. Por este motivo, os discípulos podem precisar do auxílio do Mestre para conseguir compreender o seu significado.

Algumas vezes pode ocorrer, associada a limpeza (vômitos), uma experiência de intenso sofrimento, que os daimistas chamam de “peia”, ou “surra do Daime”. A peia está associada também a outros processos fisiológicos incômodos ou aparece, ainda, sob forma de pensamentos ou sensações. Apesar de extremamente desagradável — incluindo visões aterradoras de monstros, vermes, trevas, sensação de morte ou medo intenso, enfim, toda classe de tormentos conhecidos ou não — a peia produziria efeitos benéficos, didáticos e transformadores.

Os defensores da planta dizem que ela provoca uma limpeza física ou energética do canal ou instrumento que a usa, “pois luz não habita em templo sujo”. Então, se você estiver com problemas, numa baixa vibração, ou tiver ingerido carne ou comida pesada, vai vomitar copiosamente, ter diarréia de se acabar, ficar enjoado, etc. Só que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento de biologia sabe porque o organismo expulsa e rejeita certas substâncias estranhas, quando ingeridas…

Existem denúncias de que o uso deste chá faz mal, a longo prazo, tendo como um dos efeitos adversos o eventual retorno da “miração” nas horas mais inadequadas, e os mais puristas até alegam que o chá apresenta riscos para a tela búdica dos usuários, ou seja, poderia fazer mal até nas próximas encarnações. Nada disso, entretanto, está confirmado, assim como não se dispõe de estudos científicos sobre os efeitos à longo prazo da ingestão do Daime.

O chá contém dois alcalóides potentes: a harmalina, no cipó, e a dimetiltriptamina (DMT), que vem da chacrona. O DMT é uma substância controlada e foi proscrita para uso humano pelo Escritório Internacional de Controle de Narcóticos, órgão da ONU encarregado de estudar substâncias químicas e aconselhar os países membros quanto à sua regulamentação. O governo dos EUA afirma que seu uso é perigoso mesmo sob supervisão médica, e seu uso é proibido em países que possuem legislação anti-drogas, mas recentemente os EUA liberaram o uso APENAS para uma pequena seita brasileira em território americano, enquanto no Brasil ele é liberado para uso religioso. Advogados da União do Vegetal (UDV) dizem que especialistas atestaram que o chá é inofensivo, mas o CONAD (Conselho Nacional Antidrogas) em seu parecer não fala nada sobre ser inofensivo, e libera apenas seu uso terapêutico, em caráter experimental, e que o “controle administrativo e social do uso religioso da ayahuasca somente poderá se estruturar, adequadamente, com o concurso do saber detido pelos grupos de usuários”. Lembrando que o LSD também já foi permitido legalmente, e que no Canadá a maconha é liberada para uso terapêutico também… o problema não são as drogas, mas o uso que se faz delas…

No site do IPPB, vemos no artigo do Dr. Luiz Otávio Zahar que explica que “a DMT (dimetiltriptamina) é naturalmente excretada pela glândula pineal, e que desempenha um papel no processo de sonhar e possivelmente nas experiências próximas à morte e em outros estados místicos. A mistura das duas plantas potencializa a ação das substâncias ativas, pois o DMT é oxidado pela enzima Monoaminoxidase (MAO), a qual está inibida pela harmina, acarretando um aumento nos níveis de serotonina, o que causa impulsão motora para o sistema límbico no sentido de aumentar a sensação de bem-estar do indivíduo, criando condições de felicidade, contentamento, bom apetite, impulso sexual, equilíbrio psicomotor e alucinações.”

Ou seja, você está ingerindo uma dose cavalar de uma substância que deveria ser naturalmente produzida pelo corpo, afetando uma parte importantíssima como o cérebro.

Lázaro Freire, da lista exotérica Voadores, explica o processo:
Há uma aceleração vibracional desordenada, onde cada chakra entra num estado vibracional de freqüência diferente. Não sei se isso é bom ou mal, se vale a pena ou não (essa resposta depende de cada um, e do que conseguirá com o processo), mas me parece um método estranho que, alterando as freqüências vibracionais / conscienciais das (áreas) corpóreas e cerebrais, só pode mesmo levar a uma saída (expulsão) do corpo físico. Além do mais, encontrei exatamente o que imaginava encontrar, do lado de lá; com detalhes de controle, e influências tanto projetivas reais quanto oníricas aceleradas pelo uso do FORTÍSSIMO alucinógeno.

A ORIGEM

A ingestão ritual de Ayahuasca por parcelas da população urbana inicia-se no Brasil, na década de 30, em Rio Branco, Acre, com o culto ao Santo Daime, sistematizado por Raimundo Irineu Serra, que atribuiu à Ayahuasca a denominação “Santo Daime” e fundou o “Centro de Iluminação Cristã Luz Universal – CICLU Alto Santo”. No final da década de 60, em Porto Velho, Rondônia, José Gabriel da Costa organizou outro grupo ayahuasquero, denominando-o “União do Vegetal” (UDV), visto que nele a Ayahuasca é chamada de “Vegetal”. O processo de divergências e de desdobramentos dos núcleos originais propiciaram a expansão das religiões ayahuasqueras por grande parte do território nacional e mesmo pelo exterior.

As religiões ayahuasqueras estão atualmente divididas em três “linhas”:
Uma, a do Mestre Irineu, fundador da seita. Não admitem incorporação, praticando estritamente o xamanismo, e não aderem e nem mesmo toleram o uso de outros psicoativos que não a Ayahuasca.
Outra, do Mestre Gabriel (União do Vegetal).
Outra ainda, a do Padrinho Sebastião Mota, do CEFLURIS (dissidência do CICLU). Esse grupo atraiu acadêmicos, jornalistas, artistas, estudantes e diferentes categorias de profissionais liberais empenhados em torná-lo objeto de estudo, notícia ou modo de vida. Algumas conseqüências decorreram dessa aliança, entre elas a adoção (não endossada pelo CEFLURIS) de muitos dos costumes e crenças dos jovens urbanos, a exemplo do controvertido uso “ritual” da Cannabis sativa (Maconha, que é chamada por esses usuários de “Santa Maria”) e Cocaína (conhecida por “Santa Clara”). Emiliano Dias Linhares, conhecido como “Gideon Lakota” (do CICLU), fez denúncias graves contra o CEFLURIS neste vídeo, em que acusa a seita de ser ponto de distribuição de drogas ilícitas.

Entretanto, é enorme o número de depoimentos de pessoas que faziam uso de álcool e drogas pesadas, foram atraídas a um desses grupos e ficaram curadas. Mas não sabemos o número de pessoas que continuam dependentes, por isso fica aqui o alerta aos pais: se seu filho(a) enveredar em qualquer um desses grupos, procure ir com ele, mesmo que não beba o chá. Procure conhecer as práticas, e principalmente os freqüentadores destes locais. Um grupo que se reúne regularmente pra tomar alucinógenos, mesmo que em uso ritual e por motivos nobres, por melhor que seja a orientação espiritual da casa, pode acabar atraindo pessoas interessadas APENAS na bebida e seus efeitos, sem nenhum comprometimento espiritual nem interesse em desenvolver-se no autoconhecimento. Pra ilustrar o que estou falando, entre no Orkut e digite “Ayahuasca”. A primeira comunidade que aparece, com o maior número de pessoas, é “Ayahuasca sem dogmas” que, pelas opiniões expostas, procura deslocar a bebida de seu contexto religioso (o que agride frontalmente a liberação do CONAD, baseada no relatório final do GMT), com pessoas oferecendo o chá a quem quiser. O problema não é a doutrina, são as pessoas que se acercam da doutrina com interesses outros, SEM PREPARO, SEM SUPERVISÃO, verdadeiros irresponsáveis que podem acabar influenciando pessoas para o uso de drogas mais pesadas. Tanto isso é verdade que, mesmo na linha de Irineu, que é rígida e não permite quaisquer outras drogas, soube-se que já teve membros presos no exterior por tráfico de drogas.

Lázaro explica os perigos:

No contexto xamânico de vários povos as ervas são usadas em eventos com conotação espiritual, visando uma determinada iniciação dentro daquele nível. Já no contexto urbano, pode ser usado como fuga da realidade. Conheço vários casos assim: as pessoas usavam porque não aguentavam conviver com um nível de realidade duro como a vida física na Terra. A substância acelera o acesso ao inconsciente, com tudo de bom ou de doentio que estiver ali. Pode ser interessante para alguns, sagrado para outros. Mas como tudo que tira a consciência do normal, e/ou altera abruptamente os estados cerebrais, tem seus preços. Neurológicos e, principalmente, psicológicos.
A mente tende sempre à compensação. O uso excessivo de Prozac, por exemplo, leva a pessoa à depressão. Café demais excita, e quando passa o efeito você se sente cansado. Cocaína deixa a pessoa entusiasmada, mas a compensação disso a faz insegura quando não usa a substância. TUDO na mente humana é assim, e o preço do acesso “espiritual” do daime é CARÍSSIMO, em termos psicológicos posteriores. A não ser, claro, que a pessoa tome mais, para ter de novo o acesso e miração, e assim sucessivamente. Dependência psicológica. E depois, sem o “espiritual” miraculoso, a vida “comum” passa a ser mais e mais vulgar. E começa tudo outra vez. Com o agravante de que até mesmo as formas de contato espiritual parecerão fúteis, afinal, como comparar com o barato do Daime? Então, essa é uma droga que rouba do dependente até mesmo o seu direito à conexão espiritual…

#ayahuasca #santodaime

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/santo-daime-e-ayahuasca

RPGQuest – Diário de Produção – 01

mapa-rpgquest

Muita gente tem pedido para acompanhar o dia-a-dia da criação e desenvolvimento do Boardgame RPGQuest. A proposta é colocar nesta sessão as decisões que tomamos ao longo do processo, para que vocês possam entender melhor o complicado processo de transformar uma idéia em algo real.

A primeira dica que eu posso dar a alguém que queira publicar um Boardgame é “Escreva sobre o que você conhece”. Não adianta querer criar um RPG ou jogo de tabuleiro sobre algum tema porque é modinha ou porque você acha que vai dar dinheiro ou porque todo mundo está falando sobre um assunto X. Um boardgame bem sucedido nasce no coração do designer, antes de passar pelo cérebro e pelas matemática das regras até se materializar. Quem já acompanha meus textos sabe o quanto sou apaixonado por alquimia, hermetismo e RPG. Um Boardgame meu teria, obviamente, de envolver estes assuntos!

Desde 2006 tínhamos a idéia de lançar um jogo de tabuleiro. Quando o Hero Quest deixou de ser fabricado, o mercado de tabuleiros ficou sem uma excelente porta de entrada para os RPGs. Na época, eu e meu sócio, Norson Botrel, pensamos em um jogo que fosse um RPG simplificado, fácil e gostoso de ser jogado, sem muitas regras e preocupações, de modo que pudesse ser utilizado como módulo básico para iniciantes, barato e acessível. Nos juntamos ao Ronaldo barata e bolamos a essência do RPGQuest. Um Dungeon-Crawler (tipo de jogo no qual os jogadores controlam heróis que se aventuram por masmorras e labirintos, matando monstros e recolhendo tesouros) que tivesse características de um RPG simples.

Lançado na Bienal do Livro de 2006, o jogo vendeu mais de 20 mil cópias e teve 5 volumes publicados (Masmorras, Mitologia Grega, Templários, Oriental China e Oriental Reinos de Jade), um Módulo Básico e um Livro de Monstros. O jogo acabou se tornando um sucesso também entre os professores que acompanhavam as hordas de alunos do primeiro grau no evento. Uma aventura que poderia ser usada para praticar matemática, redação e desafios lógicos enquanto as crianças se divertiam.

RPGQuest vendeu até 2010, quando as regras de distribuição em bancas de jornal foram radicalmente afetadas e muitas editoras fecharam as portas, levando inclusive ao fim da Dragão Brasil. o RPG de Mesa nunca mais foi o mesmo e as crianças debandaram para os videogames e jogos eletrônicos. Os jogadores de RPG de antigamente cresceram, se formaram, arrumaram emprego, família e a imensa maioria nunca mais conseguiu jogar uma Campanha de Fantasia Medieval. Mas a chama da Aventura em nossos corações nunca se apagou…

Por volta de 2013, tivemos um boom no mercado de Boardgames. Jogos de tabuleiro melhores e mais inteligentes do que WAR ou Banco imobiliário começaram a ser vendidos dentro do Mercado Nerd. Muita gente que jogava RPG quando criança/adolescente viu nos Boardgames uma chance de retornar ao lúdico e ao prazer de rolar os dados mais uma vez. No final de 2014, as pessoas começaram a pedir a volta do RPGQuest, desta vez como Boardgame.

Pois bem. Já tinhamos o conjunto de regras montado e testado exaustivamente durante mais de 4 anos, o que nos ajudaria bastante, pois um dos tópicos mais delicados em game-design é justamente o balanceamento das regras e estratégias de jogo. Poderíamos nos focar no design do jogo em si. Como converter um livro de recortar em um tabuleiro com peças?

O Tabuleiro

Uma das coisas que eu tinha decidido logo no começo é que o Boardgame teria uma relação direta com o Hermetismo. Em 2014 eu estava no final de um trabalho de quase 6 anos sobre Kabbalah Hermética e sabia que era perfeitamente possível adaptar o contexto da Árvore da Vida para cenários (Alan Moore fez isso em sua HQ Promethea) e adaptar as Esferas da Árvore da Vida para o tabuleiro seria obrigatório.

Desta maneira, pensamos originalmente em 11 Reinos, representando cada um uma Esfera da Árvore da Vida. Kether estaria representado por seus Jardins magníficos, Hochma pelo vulcão, Binah pelas Montanhas, Chesed pelas florestas, Geburah pelo deserto e assim por diante. Cada Reino refletindo os aspectos de cada Esfera que representasse.

Um charme a mais que nenhum outro jogo de tabuleiro teria. Para quem não conhece Hermetismo, seriam apenas Reinos com características próprias, mas para quem já está familiarizado com os termos, seria algo sensacional!

Outra coisa que pensei foi no tabuleiro. Um Mapa estilizado transformando a Árvore da Vida em um Mapa de um Continente seria bacana, mas achei que seria mais interessante fazer um mapa que pudesse ser SEMPRE DIFERENTE a cada partida, para que cada Campanha fosse sempre algo inédito e apresentasse novos desafios a cada Aventura.

Procuramos por Mapas que se encaixassem entre jogos que já existiam e chegamos a algumas possibilidades interessantes. Catan possuía hexas individuais, Mage Knight possui conjuntos de 7 hexas unidos; Mighty Empires trazia conjuntos de hexas representando mapas maiores e finalmente Magic Realms trazia hexas únicos representando partes próximas de um reino.

Acabei optando por uma solução diferente e original. Tiles formados por 19 Hexas (o formato de um tabuleiro completo de Catan) mas menores e encaixados de maneira a formar Regiões maiores (Kether, Hochma, Binah…), como as dos Mapas de RPG que estávamos acostumados na infância. Assim, na escala que eu queria, um hexa poderia representar algumas horas de viagem a cavalo (cada 5-6 Hexas representando um dia de viagem dos Heróis, o que representaria aprox. 10km por hexa). Chegamos assim a um modelo que seria grande, mas não tão grande; o suficiente para representar uma região do tamanho da Europa, por exemplo…

A vantagem principal é que a combinação de cada conjunto de Reinos seria praticamente infinita, pois cada Reino pode ser encaixado de 6 maneiras diferentes (girando o tile). Tendo como base 11 Reinos, chegamos ao número insano de 14 quatrilhões de combinações de mapas diferentes!

Isso garante que praticamente cada partida de RPGQuest será única.

Sobre esta geografia, colocaremos Castelos, Vilas, Mercados, Guildas, Torres de Magos, Templos, Cemitérios, Árvore Élfica, Acampamento dos Orcs e outros locais de interesse, que descreverei melhor em textos futuros. Para que realmente cada partida tenha um sabor único, faremos com que estas localidades especiais sejam sorteadas no mapa a cada partida!

Já temos o Mapa onde as Aventuras acontecerão. No próximo capítulo, falaremos mais sobre os Heróis e sobre as Regras.

#boardgames #Kabbalah #RPG

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/rpgquest-di%C3%A1rio-de-produ%C3%A7%C3%A3o-01

Dia Internacional do Maçom

Nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro de 1.994, realizou-se em Washington, nos Estados Unidos, a Reunião Anual dos Grão-mestres das Grandes Lojas da América do Norte (Estados Unidos, Canadá e México).

Na ocasião, estiveram presentes como Obediências Coirmãs (Sister Jurisdictions), a Grande Loja Unida da Inglaterra, a Grande Loja Nacional Francesa, a Grande Loja Regular de Portugal, a Grande Loja Regular da Itália, O Grande Oriente da Itália, a Grande Loja Regular da Grécia, a Grande Loja das Filipinas, a Grande Loja do Irã, no exílio; além do Grande Oriente do Brasil, com uma delegação chefiada por seu Grão-Mestre Francisco Murilo Pinto, que ali estava como observador.

Ao encerramento dos trabalhos, o Grão-Mestre da Grande Loja Regular de Portugal, Ir .’. Fernando Paes Coelho Teixeira, apresentou uma sugestão encampada pelos Grãos-Mestres de todas as Grandes Lojas dos Estados Unidos e mais as do México e Canadá, no sentido de fixar o dia 22 de fevereiro como o DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM, a ser comemorado por todas as Obediências reconhecidas, o que foi totalmente aprovado.

E por quê 22 de fevereiro?

Porque foi no dia 22 de fevereiro de 1.732, em Bridges Creek, Na Virginia (EUA), que nasceu GEORGE WASHINGTON, o principal artífice da independência dos Estados Unidos. Nascido pouco depois do início da Maçonaria nos Estados Unidos – o que ocorreu em 23 de abril de 1.730, no estado de Massachussets – Washington foi iniciado a 4 de novembro de 1.752, na “Loja Fredericksburg nº 4”, de Fredericksburg, no estado da Virginia; elevado ao grau de Companheiro em 1.753, e exaltado a Mestre em 4 de agosto de 1.754.

Representante da Virginia no 1º Congresso Continental (1.774) e Comandante-geral das forças coloniais (1.775), dirigiu as operações, durante os cinco anos da Guerra de Independência, após a declaração de 1.776. Ao ser firmada a paz em 1.783, renunciou à chefia do Exército, dedicando-se então aos seus afazeres particulares. Em 1.787, reunia-se, em Filadélfia, a Assembléia Constituinte, para redigir a Constituição Federal e Washington, que era um dos Delegados da Virginia, foi eleito, por unanimidade, para presidi-la. E, depois de aprovada a Constituição, havendo a necessidade de se proceder à eleição de um Presidente, figura nova na política norte-americana, Washington, pelo seu passado, pela sua liderança, e pelo prestígio internacional de que desfrutava, era o candidato lógico e foi eleito por unanimidade, embora desejasse retornar à vida privada e dedicar-se às suas propriedades.

Como Presidente da República norte-americana, nunca olvidou a sua formação maçônica: ao assumir o seu primeiro mandato, em abril de 1.789, prestou o seu juramento constitucional sobre a Bíblia da “Loja Alexandria nº 22”, da qual fora Venerável Mestre em 1.788; em 18 de setembro de 1.783, como Grão-Mestre pro-tempore da Grande Loja de Maryland, colocou a primeira pedra do Capitólio – o Congresso norte-americano – apresentando-se com todos os seus paramentos e insígnias de alto mandatário Maçom. Falecido em 14 de dezembro de 1.799, seu sepultamento ocorreu no dia 18, em sua propriedade de Mount Vernon, numa cerimônia fúnebre Maçônica, dirigida pelo Reverendo James Muir, capelão da “Loja Alexandria nº 22”, e pelo Dr. Elisha C. Dick, Venerável Mestre da mesma Oficina.

Como se vê, a criação do DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM representou uma homenagem mais do que justa a um grande maçom, além de também ser historicamente pertinente.

O Grande Oriente do Brasil, através do Decreto nº 003, de 10/02/95, do seu Grão-Mestre Francisco Murilo Pinto, atendeu à recomendação da reunião das mais importantes potências Maçônicas do mundo, e passa a comemorar o DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM a 22 de fevereiro, com plenas justificativas maçônicas e históricas.

Fonte: Gerald Koppe Junior

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dia-internacional-do-ma%C3%A7om

Alguns Pontos sobre Magia Prática

Os magos em geral são pessoas que acreditam muito pouco em magia, me explico, você já ouviu algum praticante da arte dizer com certo encantamento na fala e brilho nos olhos: “-Eu fiz o sigilo, carreguei e funcionou !!! Sério !! “ Creio que sim, eu já. No entanto acredito que você nunca ouviu um químico dizer: “Você não acredita ! Eu coloquei o ácido e ele derreteu o objeto !!” O ponto é que magia funciona, sempre. Se ela não funcionou você tem que mudar alguma coisa. E talvez você possa começar dando maior atenção a sua própria descrença em relação a Grande Arte.

A magia tem método, que em geral começa de forma simples e vai se tornando mais complexa até um ponto onde ela se torna simples de novo. Havendo método ele deve ser seguido e os experimentos anotados. Uma das coisas que diferencia a magia da ciência na observação dos fenômenos é que o cientista analisa criteriosamente o mundo externo, e nada mais. O mago olha ao mesmo tempo para dentro e para fora em todas as suas experiências, observando os fatos da natureza e suas próprias sensações e percepções.

Os paradigmas de magia são muitos, as formas de explicar como a magia funciona são inúmeras, essa informações deve servir para potencializar o resultado de uma operação e não para miná-la. O mago não precisa necessariamente entender todo o processo energético envolvido na materialização do resultado, saber ajuda muito, mas acreditar ajudar muito mais.

No paradigma caoísta crer é poder e isso é muito sério, o estudo deve servir a um proposito, que é aumentar sua confiança nos resultados, potencializando sua vontade para atingir um fim, daí a suma importância do postulado hermético “Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto.” todas as verdades são meias verdades, portanto não se preocupe em procurar a verdade absoluta por trás da magia, ela é incogniscível em nosso estado de consciência, procure encontrar a explicação que lhe reverbera, que lhe da confiança, onde você pode construir uma base sólida para um bom trabalho, e quando essa não mais servir, troque-a sem pudor, mas baseado única e exclusivamente na sua crença, no seu poder.

Se tornar um mago é trazer a consciência que estamos fazendo magia o tempo todo, essa consciência pode vir a se transformar na percepção de que não se faz magia, se é magia. Daí a importância do controle de pensamentos e da disciplina. A medida em que se aumenta sua capacidade de manifestação e transformação da realidade a sua volta nossa responsabilidade aumenta, e muito. Fazer um ritual complexo envolvendo espíritos planetários para aumentar sua renda financeira e passar o resto da semana reclamando das suas dívidas e de como o dinheiro está faltando é magia, só que ao contrário !

É de suma importância seu estado mental/emocional em relação ao resultado, não é possível dizer qual a forma perfeita mas existem algumas que podem ser consideradas mais positivas e outras negativas, vejamos: o esquecimento total do intento, sendo reprimido até que exploda em manifestação, esse é bem complexo e exige bastante prática. O desejo é uma forma negativa que vai de encontro ao esquecimento e traz consigo um série de outras emoções nocivas a realização, como a expectativa e a ansiedade que estão fadadas a frustração.

É muito fácil entender se colocarmos nessa balança o medo e a esperança, em geral o medo SEMPRE vai vencer a esperança por isso fazemos de tudo para evitá-lo nesse processo, não trazendo a tona esses desejos. Esse fato é um dos que reforçam a ideia inicial de que os magos acreditam muito pouco em magia, tem muito medo de que ela falhe e isso leva a a) não fazer nenhuma por medo do fracasso b) fazer magia e fracassar materializando suas inseguranças.

O medo gera um volume de movimentação energética enorme que a esperança em geral não consegue combater, portanto ao realizar uma magia e duvidar de si mesmo, você está abrindo a porta para o medo, que como um estouro de manada vai entrar arrebentando tudo sem você nem perceber, a dúvida já se instalou e a tensão energética necessária para manifestar seu intento foi destruída pelo medo, se expressando na forma de dúvida e descrença.

Esse comportamento de felicidade quando uma magia funciona só reforça essa ideia. A magia funciona oras ! Caso não funcionasse você não estaria lendo esse texto, estaria vendo um filme ou fazendo outra coisa sem qualquer relação com um blog de ocultismo, muito dessa descrença é projetada na magia quando sua origem e objeto é o próprio mago que não confia em si mesmo.

Daí a importância de praticar sempre o tempo todo, se tornar mago/magia olhar o tempo todo para dentro e para fora, anotar resultados, buscar sucessos, descobrir sobre si mesmo o tempo todo. Se encontrar com outros praticantes, discutir conversar se mobilizar para realizar atividades em conjunto, torná-las magicas. Não existe nada tão cruel quanto a realidade e não existe nada tão maravilhoso quanto a realidade.

Portanto conhecer outras pessoas vão destruir muitos dos seus conceitos e vai permitir a construção de novos e melhores. Vai fazer você aprender muito, desenvolver-se muito. O ocultismo no Brasil vem crescendo a passos largos, vamos fazer nossa parte em torná-lo sério, vamos nos agregar a quem está fazendo um trabalho no qual confiamos ou ao menos queremos conhecer melhor. Vamos nos conectar, temos diversas redes e mecanismos para isso, existe uma revolução no horizonte, vamos fazer com que seja a nossa revolução.

Chay ! Nos vemos no comentários !

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/alguns-pontos-sobre-magia-pr%C3%A1tica