Autopsicografia

Como eu havia dito anteriormente, o papa Marcos I, que também foi considerado um poeta, começou a compilar a lista de bispos e mártires que se ajustassem aos interesses da Igreja Roma. Ele permaneceu no cargo apenas nove meses até seu falecimento (é o que chamamos de “papa de transição”), sendo substituído pelo 35º papa, Júlio I.
Júlio I, assim como os primeiros “papas” oficializados por Constantino, era um tremendo fingidor. Finge que comemora o nascimento de Jesus no dia 25 de Dezembro apenas para agradar às massas, pois a festa do Solis Invictus já era comemorada há pelo menos 500 anos nesta data (mas, através da “fé” acaba convencendo tão completamente as pessoas que até os dias de hoje tem gente acreditando mesmo que Jesus nasceu neste dia). Ele provavelmente gostou da idéia, pois é em seu comando que o primeiro calendário com as festas católicas começa a ser elaborado (e adivinhem se cada data “coincidentemente” não chega a cair exatamente sobre as festas pagãs?).
O próximo papa chama-se Libério. Depois de fingir que fazia parte de uma seita ariana durante alguns anos (Arianismo é considerado mais uma heresia, pode adicionar na nossa lista), Libério retorna a Roma e vira a casaca, passando a perseguí-los. Neste meio tempo, instauram um antipapa chamado Félix II (um antipapa é como um vilão dos quadrinhos… é alguém que também se intitula papa ao mesmo tempo que o outro cardeal e surge uma cisma. O vencedor da disputa acaba virando o papa e o perdedor conhece a dor dos hereges e excomungados).
São Damaso I assume o cargo em 366 DC. Neste ponto, Constantino estava no auge de seu poder, coordenando a “Reestruturação do cristianismo segundo as doutrinas de Roma” (leia-se causar muita dor em qualquer seguidor de Yeshua que não concorde em seguir o Jesus-Apolo de Constantino). Damaso é conhecido por coordenar a “tradução” da bíblia e compilação dos capítulos e trechos que interessavam deveras ao Pontifex Maximus (líder da religião pagã em Roma). Em 376, o Imperador Graziano recusa este título, entregando-o para o papa, que sente o acumular do poder sobre os cristãos e sobre os pagões ao mesmo tempo!!!
Em 384 entra São Sirício, que instituiu o celibato para padres, bispos e para os cardeais. A razão para isto é que quando um padre falecia, a Igreja precisava tomar conta de sua esposa e filhos e o papado não desejava abrir os cofres sagrados pagando pensões a viúvas e filhos. É importante lembrar que naquele período não existia “salário” para padres e pastores; todas as suas contas eram pagas pela igreja (mais ou menos como os pastores evangélicos fazem hoje em dia). Também foi responsável pela equipe de tradução que lêem e traduzem para o clero os textos que chegam das seitas devastadas.
Anastásio I ficou no poder de 399 DC a 401 DC e escreve uma bula exigindo que os sacerdotes ficassem de pé na missa durante a leitura dos evangelhos (exceto se isto lhes causasse dor ou desconforto durante a lida); Inocêncio I assume o papado em 401 DC para logo em seguida Roma ser saqueada pelos Visigodos. Zózimo I assume o papado após sua morte, em 417, continuando a guerra contra a heresia do Pelagianismo (o Pelagianismo é a doutrina que diz que as pessoas vão para o céu se forem boas pessoas, independentes de “aceitarem Jesus” ou não). Esta briga entre os que pregavam a “salvação pelos atos” versus os que pregavam a “salvação apenas através da Igreja católica” ainda duraria muitos e muitos anos. Bonifácio I, Celestino I e Sisto III sentem bem as discussões com os antipapas e com outros heréticos.
Leão I, o 45º papa, conhecido como “Magno”, não teve um papado fácil. Assumiu o trono entre 440 e 461 e neste período, Roma foi saqueada pelos hunos e pelos vândalos. Mas este foi um papa macho, mesmo com as duasinvasões que ele teve de passar. Há relatos que, quando Átila o huno estava causando no ocidente, o papa montou um exército e foi até Mântua para negociar um acordo de paz com o velho Átila… todos achavam que o papa seria trucidado, mas ele conseguiu!
Em 461 assume o papa Hilário I. Ele só estabeleceu que para ser sacerdote era necessário possuir uma profunda cultura e que pontífices e bispos não podiam designar seus sucessores. Hilarus era o deus pagão da alegria. Achei curioso o papa adotar um nome pagão, se todos os pagões são satanistas pelos próprios critérios da Igreja… o que nos demonstra que até aquele momento há uma tolerância em relação aos deuses romanos, que como veremos daqui a pouco, ficará cada vez menor.
Durante seu pontifado ocorre a Queda do Império Romano. Definitivamente a Igreja de Roma não achou isso muito hilariante. Em 483 assume Félix III (ou Félix II, dependendo se você vai contar o anti-papa Félix II ou não). Para quem ficou curioso, ao todo existiram 39 anti-papas reconhecidos.
Além de Felix II, aparecem outros cardeais desafiando o papado. Felix alega que eles não têm direito sobre a cadeira de Pedro. E assim, excomunhões de ambos os lados e muitos envenenamentos depois, Gelásio I assume a cadeira de Roma. No meio de anti-papas e hereges (em seu papado enfrentou o Maniqueísmo, Arianismo e pelagianismo), como primeiro ato, declara que a figura do papa não poderia mais ser julgada por ninguém. Isto estabelece as bases da famigerada “Infabilidade papal” ou em outras palavras: “eu estou certo e vocês vão parar nas calhas de roda” (o costume da fogueira ainda estava sendo absorvido dos celtas, que queimavam seus inimigos em grandes bonecos de palha chamados Wicker Man). Gelásio também absorveu a “Gira (festa) de São Valentin”, transformando os bacanais pagãos em algo mais palatável à moral e aos bons costumes, que chamamos hoje de “dia dos namorados” (comemorado dia 14 de fevereiro).
Anastácio I tentou converter os francos e aquele povo pacífico que morava no sul da França e cultuava a Madonna Negra. Foi o primeiro a considerar a imagem blasfema. Dante Aliguieri (um iniciado) o coloca no Inferno em seu poema “Divina Comédia” por isso.
Em 498, com o falecimento de Anastácio, dois papas começam a disputar o papado. Símaco e Lourenço possuíam igual poder político e as guerras escalaram para um estado tal de violência que decidiram chamar o rei Teodorico (que era pagão) para decidir quem deveria ser o papa. Isso é tão absurdo quanto hoje em dia chamar o Richard Dawkins para decidir quem deveria ser o papa em caso de empate.
Os dois papas foram chamados a entreter o rei com promessas e, no final do concílio, Teodorico decide que quem tinha o maior número de votos deveria ser o papa (ah… a razão!).
Nos anos seguintes, esse comboio de papas formados por Símaco (498-514), Hormisdas (514-523) e João I (523-526) enfrentou todo tipo de problemas com hereges, antipapas e cismas, especialmente a de Acácio, Patriarca de Constantinopla, que estava causando com a corda toda no Oriente.
A decisão mais importante que tiveram foi a de proibir a compra do cargo de bispo com donativos e favores, pelo fim da simonia e para tentar colocar um pouco de ordem na bagunça política do Vaticano.
Felix IV (ou III, dependendo da lista) durou pouco no papado. O 54º papa tinha uma vida mais promíscua que o Clube 54 e o rei Ostrogodo o manteve completamente isolado politicamente. Quando ele morreu, Bonifácio II (que “coincidentemente” foi o primeiro papa de origem Germânica) assumiu, sob as bênçãos do rei germânico. É o que se chama “papa do coração”! Por alguma estranha razão, o novo papa estava totalmente alinhado com os gostos do Imperador e, talvez por esta estranha coincidência, tenha durado bastante no trono.

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AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

#Poemas

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/autopsicografia

A Manifestação de Nuit

"Eu sou Nuit, e minha palavra é seis e cinqüenta.
Dividi, somai, multiplicai e compreendei!"
- Liber AL vel Legis, I, 24-25.

50 dividido por 6 = 8,333, a interação do oito com o três: denotando as sete Sephiroth inferiores, mais Daäth como a Oitava, e as três Sephiroth Supernas, acima do Abismo, perfazendo Onze em
tudo.

6 somado a 50 = 56, o valor de NV, ou Nu, que é a palavra da deusa Nuit.

6 multiplicado por 50 = 300, o valor da letra Shin, que significa tanto Fogo quanto Espírito. Além disso 56 multiplicado onze vezes na série de 1-11, dá as manifestações de Nu de 56-616:

A Manifestação de Nuit:

Comentários da Manifestação de Nuit:

56 é o valor da frase Um a Um, ou AChD LACHD em hebraico. Significa a fusão do sujeito com o objeto no arrebatamento do relâmpago; ela ilumina o vazio primordial do espaço e obscurece o padrão e a sequência das Onze Sephiroth. Isso é demonstrado pelo fato de que 5 + 6 = 11, ou ‘um para um’. 11 é “O número geral de magia, ou energia que tende a mudar”. (Aleister Crowley, 777 Revised, p.xxv).

A efusão de energia resultante é primeiramente dividida nas duas sephiroth, ou emanações, do Pai e da Mãe Supernos – em termos Thelêmicos, de Hadit como Chokmah e N’uit como Binah. Eles projetam o impulso originado em Kether como um reflexo nas águas do Abismo, onde se torna focalizado como a quase-sephirah de Daäth, ou Conhecimento. Este é o Filho deles: Heru-ra-ha, o Senhor do Aeon, combinando dentro de si os aspectos gêmeos de Hórus e Harpócrates, representando a projeção da Palavra e sua subsequente retirada no Silêncio de Che. E ele é orgulhoso de espírito, brilhante como uma estrela na escuridão do espaço; ele permanece como uma fortaleza, (TIRH = 224), guardando o Caminho (DRK = 224) das Supernas.
Essas correspondências lembram as instruções dadas à Mulher Escarlate em AL III,44-45:  “Mas que ela se erga em orgulho! Que ela me siga em meu caminho! Que ela trabalhe a obra de perversidade! Que ela mate seu coração! Que ela seja escandalosa e adúltera! Que ela seja coberta com jóias, e ricos trajes, e que ela seja desavergonhada diante de todos os homens! Então eu a irei elevar aos pináculos do poder: então eu irei gerar dela uma criança mais forte que todas os reis da terra. Eu irei preenchê-la com alegria: com minha força deverá ela ver & golpear na adoração de Nu: ela deverá alcançar Hadit.”

As qualidades desta criança são ainda manifestadas como sendo vontade e desejo naquelas emanações relacionadas a Chesed e Geburah, respectivamente.

Tiphereth representa o lugar onde as energias celestiais se misturam e são distribuídas entre as sephiroth inferiores; o ponto de foco onde os “poucos e secretos” exercem seu domínio sobre “os muitos e os conhecidos”. (Ver AL I,10). Com efeito, a tríade sefirótica de Tiphereth-Netzach-Hod reproduz as energias que se manifestam naquela de Daäth-Chesed-Geburah em um nível inferior.

A emanação de Netzach relaciona-se diretamente com AL II,18: “…Nós não somos pelos pobres & tristes: os lordes da terra são nossos parentes.”. As correspondências associadas dos novos deuses (ALHIM ChDShIM = 448) e os lugares altos (BMVTh = 448) também são relevantes aqui. Os filhos da transgressão são a forma que a Corrente de Nu assume na emanação de Hod; eles se expressam com a língua dos sábios (LShVN ChKMIM = 504) que é como uma flecha afiada (ChTz ShNVN = 504), penetrando as barreiras ilusórias da restrição. A palavra hebraica PShO, para ‘transgressão’, também tem o significado de ‘vício’. Como AL II,52 declara: “…Arrancai aquele espectro mentiroso dos séculos: não veleis vossos vícios em palavras virtuosas: estes vícios estão a meu serviço; vós fazeis bem, & eu irei recompensar-vos aqui e no porvir”.

560 é a manifestação de Nu que corresponde à sephirah de Yesod, a fundação de toda a Árvore Cabalística. Kenneth Grant comentou sobre este número que: “560 resume o coração secreto da Corrente OTO pois 560 é o número do ThNINIM que é ‘Rei de todas as conchas e demônios’. A palavra está na forma plural e significa ‘dragões’”. (Fora dos Círculos do Tempo, p.77). Outra correspondência é a de Sombras (TzLLITh = 560). A qualidade fortemente qlippothicas desta emanação é melhor colocada em perspectiva por referência a AL II,9 “Lembrai-vos todos vós que a existência é puro gozo; que todos os amargores são como que sombras; eles passam e se vão mas existe aquilo que permanece.”

Finalmente, a Corrente está aterrada em Malkuth como a Lei do Novo Aeon. Aqui, na esfera material do Reino “os rituais deverão ser metade conhecidos e metade ocultos: a Lei é para todos.” (AL I,34). Enquanto a Torá, ou Lei religiosa, de tempos antigos era baseada em uma miscelânea de ‘mandamentos, estatutos e julgamentos’, a Lei de Thelema deriva direta e espontaneamente da corrente de inspiração que é o relâmpago das manifestações de Nu, a palavra sagrada (DBR QDVSh = 616), incorporada no Livro da Lei.

Texto de Stephen Dziklewicz, Starfire, Volume I, Número 5

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/manifestacao-de-nuit/

A morte de John Kennedy

Dallas, 22 novembro, 1963. O então presidente americano John Fitzgerald Kennedy, fazia uma visita a cidade texana. No roteiro estava programada uma parada em sua honra, e um desfile em carro aberto pelo centro da cidade.

Kennedy se reuniria com personalidades, empresários, senadores, o prefeito da cidade, e o governador do Texas. Na audiência JFK iria tratar dos assuntos que mais turbulência haviam causado a seu governo: URSS, e a sua aliada, Cuba. Depois de vários incidentes que colocavam em dúvida sua capacidade de administrar a política externa da superpotência. Kennedy, decidido a acabar com as dúvidas sobre sua firmeza, havia meses antes num discurso caloroso, afirmado que os EUA, haviam aceitado o desafio de chegar a Lua antes do fim da década, e antes dos soviéticos. Um golpe de propaganda forte o suficiente para alavancar a corrida espacial, e fonte de inspiração para que a NASA colocasse o homem na Lua antes dos “comunistas”.

Tudo transcorreu na maior normalidade, durante a manhã da chegada do presidente. Próximo das 12:00, o desfile em carro aberto, pelas ruas de Dallas, começou. Uma multidão foi às ruas ver o presidente, e aplaudi-lo. O desfile passaria por uma área central da cidade, onde havia um parque, tradicional cartão postal da cidade.

Ao chegar ao Parque Dealey, o carro transportando o presidente, era escoltado, por batedores, de moto, na frente, e seguido, por mais um carro idêntico, em que vinha o resto da comitiva. No carro presidencial, seguiam, o presidente, a sua esposa, Jaqueline Kennedy, e além do motorista, o governador do Texas.

Os batedores percorreram a rua que contorna o parque, seguidos pelo conversível em que estava Kennedy acenando ao público, e o resto da comitiva. Ao entrar na avenida Park Drive, na frente de centenas de pessoas, um som, estalo seco e alto foi ouvido, o primeiro tiro. Atingiu o governador do Texas. Não houve pânico. Nem reação. Em seguida o segundo tiro atingiu o ombro de Kennedy, o presidente moveu seu corpo lentamente, sem entender o que aconteceu e a primeira dama, continuava a acenar ao público. Mais dois segundos, e mais um tiro, foi disparado. Este atingiu o pescoço de JFK, que tombou o corpo, em direção a esposa, que se assustou (talvez ela tenha sido a primeira a perceber o que se passava). Em mais dois segundos, o tiro final, e mais certeiro, atingiu a parte posterior da cabeça de Kennedy, saindo na altura do pescoço, e atingindo o governador do Texas nas costas, com a bala seguindo uma trajetória, no mínimo incomum, acertando em seguida sua mão direita, sendo então rebatida pelo osso da mão, e atingindo sua perna esquerda, onde finalmente parou. Nesse momento, o motorista do carro, agente do serviço secreto, acelerou, em disparada. Horas depois, o hospital que recebeu o presidente, vivo, mas com ferimentos gravíssimos. O declarou morto.

As 17:00 horas o vice-presidente, Lyndon B. Johnsson, assumiu o cargo de presidente dos EUA, a bordo do Air Force One, na base aérea de Andrews, em Washington.

As 17:50, a polícia de Dallas, prendeu o ativista comunista, Lee Harvey Oswald, como assassino de Kennedy. Oswald foi morto uma semana depois, por um desconhecido, e o caso encerrado. Todas as informações sobre Oswald assim como seu passado, foram mantidas em sigilo absoluto, e classificadas como, artigo de segurança nacional pela CIA.

O presidente, Kennedy, foi enterrado, em um caixão lacrado, e as fotos dados de sua autópsia, também considerados de segurança nacional.

As informações só poderão ser reveladas 75 anos após a data do assassinato. Isso é em 2038, quando os membros da CIA, supostamente envolvidos na investigação, estarão, muito provavelmente, mortos.
A investigação foi toda ela conduzida pela agência de inteligência americana. E muitos fatos são considerados de veracidade duvidosa. Algumas testemunhas chave foram mortas em circunstâncias duvidosas, ou desapareceram sem deixar rastro.

São vários os pontos de interrogação:

1 – Lee Harvey Oswald, o suposto assassino de JFK, tinha ligações com a CIA. Integrara o grupo que fora formado e treinado pela agência para invadir Cuba e derrubar Fidél Castro do poder, numa iniciativa frustrada que causou muito constrangimento. O famoso incidente da “Baía dos Porcos”. Muitas de suas despesas eram pagas por funcionários do alto comando militar americano. Oswald fora um agente infiltrado americano em território soviético, e quando dentro da URSS, traiu o Pentágono, se unindo ao Exército Vermelho, crime esse que é punido com a morte. Mas ao voltar aos EUA nada lhe aconteceu.

2 – A arma que teria sido usada no assassinato, um rifle italiano, dos tempos da Segunda Guerra, era incapaz de dar 4 tiros em 7.6 segundos, (intervalo te tempo entre o 1º e o 4º tiro), com a precisão necessária. Uma arma dessas precisa ser rearmada manualmente, num processo que consome tempo, dificulta a mira, e torna impossível acertar um alvo em movimento. Os melhores atiradores do exército americano foram convocados para tentar repetir as condições dos tiros, e o resultado foi que, nenhum conseguiu dar os 4 tiros no mesmo intervalo de tempo, mesmo sem fazer mira.

3 – O tempo gasto pela polícia de Dallas para prender um suspeito foi muito pequeno. Oswald foi detido menos de 20 minutos após o assassinato de Kennedy, quando entrava em um cinema. Foi levado a interrogatório, durante 8 horas, e as fitas que gravaram o interrogatório, censuradas, e consideradas de Segurança Nacional. Dias depois um desconhecido surgiu do meio de uma multidão, quando o acusado era transferido para um presídio, e atirou 2 vezes, matando Oswald. Não houve reação e o assassino do assassino não foi sequer procurado.

4 – A trajetória das balas é terrivelmente estranha. Se sustentada a hipótese dos 4 tiros dados pela mesma arma fica claro que pelo menos um deles teria atingido a nuca de Kennedy, saído na altura do pescoço, atingido as costas do governador do Texas, (sentado no banco da frente), percorrido uma trajetória de “S” pelo seu peito, saído na altura do “umbigo”, atingido sua mão direita, onde o tiro foi refletido, atingindo finalmente a perna esquerda do governador, na altura da coxa. Não há registros de uma bala disparada por um rifle calibre 22 ter tamanha força para atravessar duas pessoas, e pior ainda, seguir uma trajetória tão absurda, sendo depois encontrado na maca do hospital em perfeito estado.

5 – Testemunhas afirmaram ter ouvido tiros sendo disparados de trás de uma cerca, ao lado do Parque Dealey, a menos de 20 metros do carro de Kennedy. E pessoas usando terno foram vistas atrás dessa mesma cerca, em atitude estranha, e logo após os disparos, esses suspeitos teriam partido em um carro. E desaparecido. As pessoas que afirmaram ter ouvido os tiros vindo da cerca, foram detidas e receberam uma ríspida advertência para que confirmassem a versão da CIA sobre os disparos, por questões de “segurança nacional”.
Haviam interesses relacionados a morte de Kennedy. Muito dinheiro estava em jogo. Kennedy queria retirar tropas americanas do Vietnam. Quando morreu, os EUA tinham 15000 soldados na região. Ele havia dado ordens para uma retirada inicial das tropas programada para antes do Natal de 63 (JFK foi morto em 11/63). Após sua morte, assumiu a presidência, Lyndon B. Johnsson, e sua primeira iniciativa foi reafirmar o compromisso de intervir no Vietnam, assinando um memorando de segurança nacional ordenando a permanência das tropas no sudeste asiático. Foram enviados no mesmo mês mais 27000 soldados. Ao final de seu primeiro ano no governo, 174000 soldados estavam na região. A guerra saiu caro aos EUA. Consumiu 75 bilhões de dólares/ano, num conflito que se arrastou de 1963 a 1974. As empresas do setor armamentista, que tem lobby enorme sobre o governo, tiveram seus dias de rei.

– A Bell Helicópters, fabricante de helicópteros, tinha um contrato de fornecimento do helicóptero Bell UH -1 Huey, e o exército americano teve nada mais nada menos que 7300 desses helicópteros abatidos durante o conflito.
– A General Dynamics venceu a concorrência para construir para a USAF, o caça-bombardeiro F-111 Aardward. Apenas para ter o projeto pronto, essa empresa cobrou 35 bilhões de dólares. E a aeronave foi considerada um fracasso. Outra empresa que forneceu armamento foi a Grumman, que recebeu do Pentágono, uma encomenda para desenvolver e construir o caça F-14 Tomcat. Foram 1200 aviões ao preço de 40 milhões de dólares a unidade.

Muito foi dito, pouco foi provado, mas é essencial dizer que em 1976, uma comissão de investigação do congresso americano, concluiu um novo relatório, e lá foi dito, que no incidente de 22 de novembro de 1963, houve provável conspiração.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-morte-de-john-kennedy/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-morte-de-john-kennedy/

Atlântida e Lemúria, Continentes Desaparecidos

Para os leitores não familiarizados com o progresso alcançado recentemente pelos diligentes estudantes de ocultismo ligados à Sociedade Teosófica, o significado do relato aqui contido seria mal compreendido sem uma explanação preliminar.

A civilização ocidental, em sua pesquisa histórica, sempre dependeu de algum tipo de registro escrito. Quando os dados literários são escassos, às vezes monumentos de pedra e restos fósseis têm sido encontrados, fornecendo-nos algumas evidências confiáveis, ainda que inarticuladas, a respeito da antiguidade da raça humana; mas a cultura moderna perdeu de vista ou tem negligenciado possibilidades relacionadas com a investigação de eventos passados que independem das evidências falíveis que nos foram transmitidas pelos antigos escritores. Sendo assim, atualmente, a humanidade em geral é tão pouco sensível aos recursos da capacidade humana que, até agora, para a maioria das pessoas, a própria existência, mesmo enquanto potencialidade de poderes psíquicos, que alguns de nós exercem conscientemente o dia todo, é desdenhosamente negada e ridicularizada. A situação é lamentavelmente ridícula do ponto de vista daqueles que apreciam as probabilidades da evolução, pois, desse modo, a humanidade mantém-se obstinadamente distante de um conhecimento que é essencial para seu próprio progresso ulterior. O desenvolvimento máximo de que é suscetível o intelecto humano, enquanto ele próprio negar todos os recursos da sua consciência espiritual mais elevada, nunca poderá ser mais do que um processo preparatório, comparado com aquele que poderá atingir quando as faculdades forem suficientemente ampliadas para entrar em contato consciente com os planos ou aspectos superfísicos da Natureza.

Para qualquer pessoa que tenha paciência para estudar os resultados divulgados pela investigação psíquica durante os últimos cinqüenta anos, a realidade da clarividência como fenômeno ocasional da inteligência humana deve estabelecer-se numa base sólida. Para estes que, mesmo sem serem ocultistas – isto é, estudantes dos aspectos mais sublimes da Natureza, em posição de obter melhor ensino do que alguns livros podem oferecer -, somente se utilizam de dados registrados, uma declaração da parte de outros acerca da incredulidade na possibilidade da clarividência estará no mesmo nível da notória incredulidade africana em relação ao gelo. Mas as experiências de clarividência, que se acumularam nas mãos dos que a estudam em conexão com o mesmerismo, nada mais fazem senão provar a existência, na natureza humana, da capacidade de conhecer fenômenos físicos distantes no espaço ou no tempo, de um modo que nada tem que ver com os sentidos físicos. Os que têm estudado os mistérios da clarividência em conexão com o ensinamento teosófico são capazes de perceber que os recursos básicos dessa faculdade colocam-se além de suas mais humildes manifestações, abordadas pelos pesquisadores mais simples, tal como os recursos dos grandes matemáticos superam os do ábaco. Há, de fato, muitas espécies de clarividência, as quais, sem exceção, assumem facilmente seus lugares quando apreciamos a maneira como a consciência humana atua nos diferentes planos da Natureza. A faculdade de ler as páginas de um livro fechado, de discernir objetos com os olhos vendados ou objetos que estão distantes do observador é uma faculdade completamente diferente daquela empregada no conhecimento de eventos passados. A respeito deste último, fazem-se necessárias aqui algumas palavras a título de esclarecimento, a fim de que o verdadeiro caráter do presente tratado sobre a Atlântida possa ser compreendido. Contudo, aludo às outras formas simplesmente para que esta necessária explicação não corra o risco de ser interpretada como uma teoria completa da clarividência, em todas as suas variedades.

Podemos ter uma melhor compreensão da clarividência relacionada com eventos passados considerando, em primeiro lugar, os fenômenos da memória. A teoria da memória que a relaciona com uma imaginária reorganização de moléculas físicas de matéria cerebral, que prossegue a cada instante de nossas vidas, não se apresenta como plausível a ninguém que possa ascender um degrau acima do nível de pensamento do inflexível materialista ateu. A todos os que aceitam, mesmo como uma hipótese razoável, a idéia de que o homem é algo mais do que uma carcaça em estado de animação, deve ser razoável a hipótese de que a memória tem que ver com aquele princípio suprafísico no homem. Em suma, sua memória é uma função, não do plano físico, mas de algum outro plano. As imagens da memória imprimem-se, sem dúvida, em algum agente não-físico e são acessíveis, em circunstâncias comuns, ao pensador incorporado, graças a algum esforço que este faça, embora tão inconsciente de seu caráter preciso quanto o é acerca do impulso cerebral que aciona os músculos do seu coração. Os eventos com os quais ele teve relação no passado estão fotografados pela Natureza em alguma página imperecível, de substância suprafísica, e, através de um esforço interior apropriado, ele é capaz de trazê-los de volta, quando deles necessita, para dentro do campo de algum sentido interior, o qual reflete sua percepção no cérebro físico. Nem todos somos capazes de fazer esse esforço igualmente bem, tanto que a memória às vezes é obscura mas, mesmo na experiência da pesquisa mesmeriana, a ocasional superexcitação da memória sob a ação do mesmerismo é um fato conhecido. As circunstâncias demonstram claramente que o registro da Natureza é acessível, caso saibamos como recuperá-lo, mesmo quando nossa capacidade de empreender um esforço para essa recuperação estiver, de algum modo, aperfeiçoada, sem que tenhamos um conhecimento aperfeiçoado do método empregado. E, a partir dessa reflexão, podemos chegar, através de uma simples transição, à idéia de que os registros da Natureza não são, de fato, coleções isoladas de propriedade individual, mas constituem a memória universal da própria Natureza, sobre a qual diferentes pessoas estão em condições de traçar esboços, de acordo com suas respectivas capacidades.

Não estou afirmando que esta conclusão seja uma consequência lógica, necessária, dessa reflexão. Os Ocultistas reconhecem-na como uma realidade, mas o meu propósito atual é mostrar ao leitor não-Ocultista o modo como o Ocultista talentoso chega aos seus resultados, sem pretender resumir todos os estágios do seu progresso mental nesta breve explanação. A literatura Teosófica deve ser consultada detalhadamente por aqueles que procuram uma elucidação mais ampla das perspectivas magníficas e das demonstrações práticas de seu ensino em muitas direções que, no decorrer do desenvolvimento Teosófico, têm sido expostas ao mundo para benefício de todos os que são aptos a delas tirar proveito.

A memória da Natureza é de fato uma unidade estupenda, assim como, num outro sentido, toda a Humanidade poderá constituir uma unidade espiritual, se ascendermos a um plano suficientemente elevado da Natureza, em busca da esplêndida convergência onde se alcança a unidade sem a perda da individualidade. No entanto, para a Humanidade comum representada no momento pela maioria, no primitivo estágio de sua evolução, as capacidades espirituais interiores, que se estendem além daquelas das quais o cérebro é um instrumento de expressão, encontram-se ainda muito pouco desenvolvidas para habilitá-la a entrar em contato com quaisquer outros registros nos vastos arquivos da memória da Natureza, exceto aqueles com os quais tiveram contato individual no ato de sua criação. O cego esforço interior que essas pessoas são capazes de fazer, não evocará, via de regra, quaisquer outros. Contudo, temos conhecimento, ha vida ordinária, de esforços que são um pouco mais eficazes. A “Transmissão de Pensamento” é um exemplo modesto. Nesse caso, as “impressões na mente” de uma pessoa, as imagens da memória da Natureza com as quais ela está em conexão normal, são captadas por outra que, em condições favoráveis, embora inconsciente do método utilizado, tem o poder de 4 atingir a memória da Natureza um pouco além do âmbito com o qual ela própria está em conexão normal. Embora superficialmente, essa pessoa começou a exercitar a faculdade da clarividência astral. Este termo pode ser usado convenientemente para denotar a espécie de clarividência que ora me empenho em elucidar; a espécie que, em alguns de seus mais magníficos desenvolvimentos, foi empregada para levar a cabo as investigações que serviram de fundamento à compilação deste relato acerca da Atlântida.

Na verdade, não há limite para os recursos da clarividência astral nas investigações concernentes à história do passado da Terra, quer estejamos interessados nos eventos que sobrevieram à raça humana em épocas pré-históricas, quer no desenvolvimento do próprio planeta ao longo dos períodos geológicos que antecederam o advento do homem, ou mesmo nos eventos mais recentes, cujos relatos em voga têm sido distorcidos por historiadores negligentes ou perversos. A memória da Natureza é totalmente exata e precisa. Tempo virá, tão certamente quanto a precessão dos equinócios, em que o método literário da pesquisa histórica será posto de lado como obsoleto em relação a toda obra original. As pessoas entre nós que são capazes de exercitar a clarividência astral com plena perfeição – mas que ainda não foram chamadas às funções mais elevadas, vinculadas ao fomento do progresso humano, a respeito do qual as pessoas comuns, nos dias atuais, sabem ainda menos do que um camponês hindu sabe acerca de uma reunião ministerial – são ainda muito poucas. Aqueles que estão a par do que essas poucas pessoas podem fazer e a que processos de treinamento e autodisciplina elas têm se submetido na busca de ideais interiores, dentre os quais a obtenção da clarividência astral é apenas uma circunstância individual, são muitos, mas ainda uma pequena minoria, se comparados com o mundo culto moderno. Mas com o passar do tempo, e dentro de um futuro mensurável, alguns de nós têm razão para acreditar que o número dos que são capazes de exercer a clarividência astral aumentará bastante para ampliar o círculo dos que estão conscientes de suas capacidades, até que este venha a abranger, daqui a umas poucas gerações, toda a inteligência e cultura da humanidade civilizada. Entrementes, este volume é o primeiro a se evidenciar enquanto ensaio pioneiro do novo método de pesquisa histórica. É divertido, para todos os que se preocupam com ele, pensar em como, inevitavelmente, será confundido – embora por um curto espaço de tempo e pelos leitores materialistas, incapazes de aceitar a franca explicação aqui fornecida a respeito do princípio sobre o qual ele foi elaborado – com um produto da imaginação.

Para benefício dos que são capazes de ser mais intuitivos, talvez fosse bom dizer uma palavra ou duas que possam impedi-los de supor que a pesquisa histórica feita por meio da clarividência astral é um processo que não envolve problemas e nem se depara com obstáculos, pelo fato de lidar com períodos centenas de milhares de anos distantes do nosso. Cada fato relatado neste volume foi obtido pouco a pouco, com muito cuidado, no curso de uma investigação na qual mais de uma pessoa qualificada vem se empenhando, nos intervalos de outras atividades, há alguns anos. E para favorecer o sucesso de seu trabalho, foi-lhes permitido o acesso a alguns mapas e a outros registros que foram preservados dos remotos períodos em questão – aliás, em custódia mais segura do que a daquelas turbulentas raças que, nos breves intervalos de lazer entre guerras, ocupavam-se, na Europa, com o desenvolvimento da civilização, duramente perseguida pelo fanatismo que, por tanto tempo durante a Idade Média, considerou sacrílega a ciência.

A tarefa tem sido árdua mas, de qualquer modo, o esforço será reconhecido como amplamente compensador por todos os que forem capazes de reconhecer o quanto uma compreensão apropriada de épocas antigas, tal como a época da Atlântida, faz-se necessária para uma compreensão adequada do mundo atual. Sem este conhecimento, todas as especulações

concernentes à etnologia são fúteis e enganosas. Sem a chave fornecida pelo caráter da civilização atlante e pela configuração da Terra nos períodos atlantes, o processo de desenvolvimento da raça humana é caótico e confuso. Os geólogos sabem que as superfícies da terra e dos oceanos devem ter mudado repetidamente de lugar durante o período em que, como é sabido pela localização de vestígios humanos em vários estratos, as terras eram habitadas. E, contudo, por falta de um conhecimento preciso sobre as datas em que essas mudanças ocorreram, eles rejeitam toda a teoria de seu pensamento prático e, à exceção de certas hipóteses postuladas pelos naturalistas que se dedicam ao Hemisfério Sul, geralmente se empenham em conciliar a migração das raças com a configuração atual da Terra.

Desse modo, o absurdo se instala em todo o retrospecto; e a sinopse etnológica permanece tão vaga e obscura que não consegue substituir as concepções incipientes a respeito do início da Humanidade, as quais ainda dominam o pensamento religioso e retardam o progresso espiritual da nossa era. A decadência e o desaparecimento final da civilização atlante são, respectivamente, tão instrutivos quanto sua ascensão e glória; creio assim ter atingido o principal propósito para o qual fui solicitado: apresentar esta obra para o mundo, através de breve explanação introdutória; e se o seu conteúdo for insuficiente para fornecer uma compreensão de sua importância aos leitores a quem ora me dirijo, esse efeito dificilmente seria atingido através de ulteriores recomendações minhas.

A. P. SINNETT 1896

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/atlantida-e-lemuria-continentes-desaparecidos-prefacio-a… […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/atlantida-e-lemuria-continentes-desaparecidos-prefacio-atlantida/

No Início era o CAOS

A matemática nasceu nas sociedades coletoras e caçadoras primitivas, se derivando da necessidade de manter um registro de gado e outros bens. Eles se utilizavam de marcas em pedaços de paus, pedras, etc. aplicando o princípio de correspondência biunívoca[1]. Essas necessidades foram responsáveis por uma crescente abstração por parte desses povos como, por exemplo, a percepção que um grupo de duas maçãs e um grupo de duas laranjas possuem algo em comum. Desta forma a matemática evoluiu gradualmente para

Espere. Por um momento me esqueci que este blog passa por constantes processos de higienização, tornando-o livre de merda. Isso mesmo. Se duvida confira o selo abaixo.

Viu? Um livre de merda.

Afirmar que conceitos matemáticos primitivos se limitavam a experiências nascidas de uma necessidade práticas é apenas uma forma moderna de poder ser racista sem que as pessoas falem mal de você. Isso é apenas uma maneira de dizer que os homens primitivos eram limitados e burros, incapazes de fazer contas e de lidar com abstrações filosóficas complexas. Bem, eles podiam ser feios. Com certeza eram fedidos e tinham bafo, piolhos talvez. Mas burros? Me dê uma prova de que a burrice foi extinta com a evolução e continuamos com esta conversa.

Já que a burrice e a limitação existem até hoje, de forma refinada ainda, e a matemática continua evoluindo, podemos afirmar que limitações cerebrais não tem nada a ver com o seu desenvolvimento.

Pare para pensar. O texto mais antigo que temos hoje, ou o registro mais antigo de um texto que temos hoje, é a Epopéia de Gilgamesh, um registro que conta a história de um monarca que existiu provavelmente no fim do segundo período dinástico da Suméria, aproximadamente no século XXVII a.C. O registro mais completo deste texto está em uma tábua de argila escrita na língua acádia que data do século VIII a.C., embora existam tábuas com excertos do texto datando do século XX a.C. Em 1860 George Smith traduziu o texto para que pudéssemos apreciá-lo.

Por acaso você sentiu calafrios ao ler o parágrafo acima? Não? Então releia-o mais devagar, pode ler acompanhando com a boca, ninguém vai tirar sarro.

Imagine agora que um texto escrito há mais de quarenta (40) séculos (grupo de 100 anos), não apenas pode ser lido como também traduzido e compreendido. Não só isso, ele pode ser compreendido e comentado, “nossa, esse Gilgamesh era mesmo um malandro não? Um velhaco de fato!” Hoje uma criança de sete anos pode ler e entender, e talvez achar chato, um coisa escrita em argila a mais de quatro mil (4000) anos atrás, depois de traduzida – a não ser que a criança tenha sido alfabetizada em acádio e assim pode entender sem a tradução. E o que assusta mais é que se a coisa foi escrita é porque a escrita já existia, e a história já circulava muito antes, pelo menos desde alguns anos depois do século XXVII a.C. Meu ponto aqui não é me surpreender com o período relativamente curto da história, desde que a linguagem escrita se desenvoleu até os dias de hoje e blah blah blah. Meu ponto é que sabendo a língua e as gírias, uma pessoa de hoje poderia trocar figurinhas e fofocar com um ser humano que viveu quarenta séculos atrás, cinquenta, sessenta séculos atrás. Ou seja, hoje vivemos praticamente o que se vivia naquela época, claro que temos essas chatisses de facebook e provão do Enem, mas de resto, tirando os odores corporais uma pessoa de 5.000 anos atrás é basicamente como nós. Dê um uniforme e alguns dias de treinamento ao homem de Cro-Magnon e ele poderá trabalhar no metrô. Tendo as mesmas dúvidas, os mesmos desejos e as mesmas divagações que qualquer um de nós teria.

Obviamente que historicamente isso não é muito, para se ter uma idéia eu perdi meu tempo criando uma linha do tempo (não se pode falar de tempo por muito tempo sem se esbarrar nesses malditos paradoxos) da evolução do que hoje é cientificamente conhecido como “nós”. Para entender o que é aceito cientificamente hoje pelo Dogma, temos que entender que ser humano, no contexto de evolução humana, se refere especificamente aos macacos carecas do gênero Homo (podem fazer suas piadinhas de bichas sendo nossos antepassados e como isso influencia nosso medo de esfregar pintos no metrô, eu faço o tempo todo). Como sei que desde crianças somos ensinados a associar nomes a formas coloridas, preparei um gráfico para que você não se perca com essa linha do tempo:

No início havia o nada e então BUM! O primeiro de nós, o macaco.

7.000.000 a 5.000.000 de anos atrás – aquilo que virariam seres humanos ramificaram-se de seu ancestral comum com os lêmures;

5.000.000 a 4.000.000 de anos atrás – Depois de uma boa caminhada com o resto da macacada Ardipithecus ramidus se separa dos chipanzés para explorar seu próprio ramo evolutivo

4.000.000 a  3.500.000 de anos atrás – os Australopithecus espicham um pouco o cérebro e se sentem muito importantes para compartilhar o mesmo ramos dos Ardipithecus.

3.500.000 a 2.300.000 de anos atrás – o Gênero Homo se afastou dos Australopitecos na África.

ALERTA DE FATO IRRELEVANTE

Fato irrelevante: Dado à limitação do progresso linear do Dogma, o pessoal das antigas já andava ereto muito antes do Homo Erectus (1,8 milhões a 300 mil anos atrás – elemento 4) aparecer e ficar com a fama. Da mesma forma existem indícios de que já usavamos e construíamos coisas muito antes do Homo Habilis (2.3 a 1.4 milhões de anos atrás – Elemento 1) levar o título para casa. Isso é compreensivel já que no momento em que seus fósseis foram descobertos, respectivamente em 1891 e 1962 todos os macacos já haviam esquecido destes fatos ou eram novos demais para lembrar deles, e todos os livros a respeito de nossa evolução já haviam sido escritos e ficava complicado recolher a todos, reescrever os fatos, mudar todos os nomes e colocar tudo no mercado de novo como se nada houvesse acontecido.

400.000 e 250.000 de anos atrás – o Homo sapiens (Elemento 2) arcaico evoluiu.

O Dogma segue afirmando que o Homo sapiens surgiu na África e migrou para fora da continente num período que engloba provavelmente 100.000 a 50.000 anos atrás, substituindo as populações de H. erectus na Ásia e de H. neanderthalensis (Elemento 7) na Europa.[2]

(Os elementos restantes são Australopithecus boisei – Elemento 5 – que viveu entre 2.3 e 1.4 milhões de anos atrás. Homo Heidelbergensis 700.000 a 300.000 anos atrás – Elemento 6 – e o H. Floresiensis – Elemento 3 – que ficou famoso por comer ratos gigantes entre  95.000 e 13.000 anos atrás.)

Pelo menos 400.000 anos atrás já havia pessoas como nós contanto piadas e falando mal dos outros. Agora, caso você seja um racista de primeira linha, pode dizer que só em 250.000 anos atrás surgiram “pessoas como nós” correndo para cima e para baixo pelo mundo, as mesmas que alguns milênios depois e estariam escrevendo coisas como o Gilgamesh.

Seria justo imaginar que esses “primitivos” seriam tão diferentes de nós hoje em dia, que teriam que ficar olhando maçãs e laranjas feito imbecis babando antes de perceber que havia algo sinistro ali?

Esqueça que somos humanos por um momento. Será que a abstração que chamamos de números é algo unicamente primata? Como outros animais lidam com números?

Kevin C. Burns, da Victoria University em Wellington, Nova Zelândia, e seus colegas realizaram experimentos. Ele fizeram buracos em troncos e pedaços de troncos caídos. Mas não pararam por ai, dentro dos buracos eles colocaram diferentes númeras de larvas de besouros e, não se dando por satisfeitos por essa ousadia, fizeram isso na frente de grupos de tordos – tordos são pássaros ( No futuro será provado que pássaros são répteis, mas este é outro assunto). Não sabemos o que ele quis originalmente provar com esse experimento, mas sabemos o que ele descobriu com ele. Não apenas os tordos voavam juntos para os buracos que tinham uma maior quantidade de larvas, como se Kevin os enganasse, removendo alguns dos insetos quando os pássaros não podiam ver, após devorar todas as larvas que tiveram a infelicidade de ser colocadas no buracos, os pássaros permaneciam muito mais tempo lá “procurando algo” do que quando o número de larvas que eles viam ser postos não era adulterado.

Rosa Rugani, da Universidade de Trento, na Itália, e seu time de pesquisa realizaram experimentos. Eles chocaram ovos de pintinhos. Obviamente não se contentaram em parar por ai e foram além, assim que nasceram os pintinhos foram criados com cinco objetos idênticos. Obviamente as pequenas aves se encontravam em um de seus momentos de vulnerabilidade de impressão[3] e por isso passaram a considerar os objetos seus pais. Não sabemos o que ela quis originalmente provar com esse experimento, mas sabemos o que ela descobriu com ele. Quando um dos cientistas subtraia dois ou três dos objetos originais colocando os objetos subtraídos atrás de um biombo, os pintinhos saiam em busca pelo número maior de objetos, como se dissessem que sua mãe estava mais para um 3 do que para um 2. Rugani também variou o tamanho dos objetos para descartar a possibilidade de que os pintinhos se baseassem simplesmente no grupo de itens que ocupasse mais espaço.

Elizabeth Brannon da Universidade de Duke realizaou experimentos. Ela fez uma máquina que apitava. Mas não parou por ai. Na frente da máquina havia monitores que mostravam formas geométricas, um com o número de objetos igual ao número de apitos que a primeira máquina produzia e outros com números que não combinavam com nada. Não satisfeita ela pegou macacos rhesus e os fez ouvir os apitos e apresentou os víros monitores. Não sabemos o que ela quis originalmente provar com esse experimento, mas sabemos o que ela descobriu com ele. Os macacos eram capazes não apenas de contar, mas de combinar inputs vindo de diferentes estímulos. Claro que ela não parou por ai. Ela pegava uma tela mostrando um número X de objetos, cobria a tela e subtraia alguns deles, mostrando a tela depois. Os macacos eram colocados em telas que mostravam a diferença e outras com objetos aleatórios. Claro que eles acertaram as telas com as diferenças corretas. Não satisfeita ela colocou duas telas lado a lado, cada uma mostrando um grupo de pontos, a pegadinha é que um tinha mais pontos e o outro menos pontos. E não se limitou a macacos desta vez, ela colocou estudantes da universidade na cadeira também. O objetivo apontar a tela com mais pontos. “A performance final dos estudantes e a dos macacos é praticamente indistinguível uma da outra”. Olhando apenas os resultados você não sabe dizer se o teste foi realizado por um humano ou um macaco.

Claudia Uller, da Universidade de Essex, Reino Unido, descobriu que Salamandras sabem contar, escolhendo tubos de ensaios que possuem mais quantidades de moscas. Primeiro escolhendo entre tudo com 1, 2 e 3 moscas e depois entre tubos que possuiam diferenças de até 16 moscas entre si.

Porra, Christian Agrillo e seus colegas mostraram que um peixe-mosquito consegue contar, discriminando números até 16!

Pela Deusa, vivemos em um mundo onde atá galinhas fazem aritmética! E nós achando que os árabes eram fodas.

Se animais percebem números, por que nós, ou nossas versões antigas, não perceberiam também?

Assim, se fôssemos ignorar tudo isso que foi escrito para então reescrever o primeiro parágrafo, ele seria mais ou menos assim:

“Aquilo que conhecemos como matemática nasceu antes de nós, e é passada para nós através de nosso cérebro, queiramos ou não.” [4]

Concordo que é muito mais elegante e sucinto. Mas nem por isso menos real.

Querendo ou não, a matemática é algo que parece vir de brinde quando se é vivo. Macaco ou não. Mamífero ou não. Assim a história da matemática estaria de certa forma ligada à história de nosso sistema nervoso. Hoje existem cientistas fazendo pesquisas que indicam que invertebrados tem essa “abstração numérica” também. Logo vão descobrir que a abstração numérica é algo que independe de um sistema nervoso e ai as pessoas começam a pirar, ou não. Já existem hoje aqueles que afirmam que a Matemática existe pronta na natureza, nós apenas a percebemos. Se Pascal já não tivesse feito isso eu diria que é uma questão de tempo até as pessoas começarem a afirmar que a matemática é algo que não apenas emana de Deus como também Deus pode ser comprovado matematicamente. Deixemos isso para outro dia.

Peixes contam, anfíbios contam, répteis contam, aves contam, macacos contam, nós contamos. Assim não houve sociedades caçadoras e coletoras primitivas desenvolvendo uma noção abstrata de números, esse noção já fazia parte delas antes delas nascerem.

Mas ela pode ter sido desenvolvida graças à contagem de rebanhos e frutas, certo?

Hoje em dia, o conceito público do que é evolução tem a ver com algo primitivo se tornando moderno, com um aumento de sofisticação, com uma melhoria. Os primeiros computadores pesavam toneladas e ocupavam salas inteiras e não tinham 1/100 da capacidade do seu relógio digital de hoje certo? Se a voz do povo é a voz de Deus então infelizmente Deus é burro. Evolução tem a ver com um aumento de complexidade. Pense na primeira célula que só sabia comer, cagar, se dividir e morrer e pense no que existe hoje no tocante a variedade de espécies. Tecnicamente essas novas espécies fazem as exatas mesmas coisas que aquela célula primitiva, mas houve um aumento significativo na complexidade desses seres e mais ainda, na variedade desses seres. É ai que Darwin pisou na bola, já que seu cânon explica muito bem como uma espécie se adapta e evolui, mas não como surgem novas espécies com tanta variedade. Mas não viemos discutir religião aqui, voltemos aos números.

Se a Matemática se desenvolveu, ou evoluiu, partindo de uma forma simples de abstração numérica rumo a uma forma muito mais complexa, acompanhando o desenvolvimento do raciocínio, ela deve ter deixado evidências. Vejamos se podemos encontrar por ai alguns fósseis de idéias abstratas.

Estudos sobre como a matemática surgiu, recuando até 50.000 anos atrás, supostamente a época que os Homo sapiens começaram a se espalhar pelo mundo, chegaram-se à conclusão que o conceito de divisão numérica tem aproximadamente 12.000 anos, antes disso ele seria muito complexo para que os pobres macacomens que zanzavam pelo mundo a compreendessem.

Um entalhe feito na presa de um mamute, datado de aproximadamente 32.500 anos atrás traz uma representação da constelação de Orion. Num primeiro momento isso pode não parecer muito, mas quem fez esse entalhe já possuia uma noção muito boa de constelações. Fazer uma representação de um grupo aleatório de coisas é algo, uma costelação já é outra diferente. Você precisa saber que aquele grupo de estrelas surge constantemente. Isso já mostra uma noção de abstração de tempo muito boa. Datado quase da mesma época, aproximadamente 32.000 anos atrás, uma espécie de calendário trazendo o desenho de uma mulher a cada 28 dias. Pessoas, como você e eu, há dezenas de milhares de anos, com uma compreensão do mundo muito próxima da nossa hoje. Muito primitivo não? Esses dois entalhes nos mostram de cara que nossos tatatatatatatatatata elevado a tata taravós já se utilizavam de conceitos abstratos (números) para medir outro conceito abstrato (tempo), dividindo esse conceito em grupos menores – constelações de um lado, períodos de 28 dias do outro. Além disso existem outras evidências interessantes hoje como, por exemplo, um culto a cobras na Africa, datando de pelo menos 70.000 anos atrás ou um registro, datando de 30.000 anos atrás, da cerimônia de enterro de um xamã – para terem idéia isso é coisa do paleolítico, da idade da pedra lascada, é nessa época que o Dogma acredita que o homem descobriu o fogo e a roda. Esses achados já mostram que abstrações eram algo que já fazia parte do dia a dia dos antepassados, e já eram abstrações complexas. As formas de culto ou cerimônias de sepultamento não eram diferentes das que temos hoje – nossa capacidade de abstração não evoluiu tanto quanto gostaríamos de pensar que ela fez.

Dizer que o homem da caverna tinha medo do relâmpago e por isso achava que ele era um Deus, já que não sabia explicá-lo cientificamente, e ai criava uma religião para adorá-lo é uma besteira. Um pensamento simplista e tosco, mas que mesmo assim já mostra uma capacidade complexa de abstrações gerando ainda mais abstrações. Agora o que seriam esses primitivos e sociedades primitivas?

Quando pensamos em civilizações antigas hoje, a grande maioria de nós pensa nos Egípcios, nos Babilônios, nos Sumérios. A civilização Suméria é considerada a mais antiga de todas, ela é datada de 6.000 anos atrás mais ou menos. Antes disso a crença não era em civilização, mas em sociedades mais ou menos complexas e organizadas. Infelizmente esse pensamento a cada dia parece afundar cada vez mais e fazer cada vez menos sentido.

Ruinas submersas na ilha de Yonaguni no Japão, são o testemunho de sociedades complexas com economia e engenharia que datam de cerca de 11.000 anos atrás. Ou seja,  dezenas de milênios antes da nossa “civilização” mais antiga já haviam japoneses contando e medindo não apenas o tempo ou trabalhando com padrões cíclicos e repetitivos, mas erguendo obras arquitetônicas e lidando com economia.

Assim, não é de se surpreender que os artefatos matemáticos mais antigos que temos hoje venham deste período pré-civilizado, o osso Lebombo sendo o bisavô de todos eles. Datado de 37,000 anos, ele é uma fíbula de babuíno marcada com 29 talhos, e foi descoberto nas montanhas da Suiça. “Primitivo”, mas interessante, se bem que se peixes contam isso não deveria nos surpreender. Na Checoslováquia encontraram outro desses ossos com marcas, foi chamado de osso de Lobo, datados de 30.000 anos atrás, esse osso traz 55 marcas e uma escultura da figura de Vênus em uma das pontas; contagem ligada à Deusa da Fertilidade, a Deusa-Mãe. Uma complexidade maior, mas matematicamente simples ainda, afinal se envolve a deusa Mãe é apenas matemática aliada à biologia.

Olhemos para outro osso agora, batizado de osso Ishango. Ele foi encontrado perto do rio Nilo, no Congo, datado de 20,000 anos. Outra fíbula de babuíno com marcas, em um aponta trazia um cristal de quartzo preso, o que levou muitos a acreditarem que esse osso era uma espécie de caneta antiga, usada para marcar outras coisas. Nada sensacional certo?

Vamos olhar o osso de Ishango:

garotas, é só clicar na imagem acima com jeitinho que ela cresce pra vocês

Repare nos talhos que aparecem nele. Bem, logo que foi descoberto acreditaram que as marcas deste osso fossem simplesmente uma forma de deixar o osso menos escorregadio, e melhorar a “pegada” nele, a versão antiga das capinhas de silicone das canetas metidas de hoje.

Como essa imagem ainda é confusa, vamos remover o osso e deixar apenas as marcas:

Coluna A

Coluna B

Coluna C

Se você parou para contar as marcas das 3 colunas do osso deve ter se assombrado também. Repare como elas estão em três colunas assimétricas. na primeira coluna as marcas estavam agrupadas em 4 grupos:

19 riscos
17 riscos
13 riscos
11 riscos

Na coluna do centro em 8 grupos:

7 riscos
5 riscos
5 riscos
10 riscos
8 riscos
4 riscos
6 riscos
3 riscos

na última coluna 4 grupos:

9 riscos
19 riscos
21 riscos
11 riscos

Bem, isso implica que alguém, ou alguma coisa, 20.000 anos atrás, em pleno Paleolítico, pegou o osso do braço de um babuíno, e como não tinha nada a fazer começou a riscar nele, em colunas. Na primeira coluna marcou apenas números ímpares, listando todos os números primos entre 10 e 20, o que, se não bastasse forma um primo quádruplo – primos quádruplos são uma série de quatro primos na forma {p,p+2, p+6, p+8}, que representa o agrupamento mais próximo possível de quatro primos maiores que 3, caso você não esteja conseguindo seguir o raciocínio do primitivo limitado que riscava ossos.

Na coluna do meio, a pessoa/coisa começou fazendo 3 riscos e depois fez 6 (olhe da direita para a esquerda). Para provar que essa evolução não foi por acaso, em seguida foram feitos 4 riscos seguidos por 8. Notou algum padrão? Se não olhe de novo e veja que foram feitos 10 riscos e então 5. Para aqueles desavisados isso parece muito com multiplicação e divisão por 2.

Na terceira coluna números que podem ser representados como [10-1], [20-1], [20+1] e [10+1]. Se isso não fosse assustador o suficiente repare que as somas dos riscos da primeira coluna é igual a 60 e da terceira é igual a 60 também. Como vimos, de acordo com o Dogma, o ser humano só adquiriu o conceito de divisão em aproximadamente 10.000 a.C. e sem ele não haveria a chance de ter idéia do que são números primos, que por sua vez só seriam compreendidos no ano 500 a.C. Bem, parece que de novo o Dogma vai por água abaixo; bem, vimos que macacos e estudantes costumam ter o mesmo desempenho em alguns tipos de testes matemáticos, talvez este tenha sido o caso au invés de considerações matemáticas complexas – pense assim se imaginar um homem das cavernas brincando com números primos e coisas assim te faz cagar tijolos.

SIM IRMÃOS E IRMÃS! A MATEMÁTICA ESTÁ DENTRO DE NÓS! E ELA QUER SAIR! ALELUIA!

Mas antes de começarmos a cantar hinos e fazer dancinhas sinistras, vamos ver como diferentes pessoas ativaram esses circuito de contar de dentro de si, e como eles colocaram ele em uso. E então vejamos como podemos usar a própria matemática para alterar esse circuíto que existe dentro de nós.

Notas:

[1] Correspondência biunívoca é simplesmente a capacidade de comparar dois conjuntos estabelecendo uma relação entre o conjunto que se conta e o conjunto contado. Em linguagem simples, fechar a mão e levantar um dedo para cada vez que alguém espirrar, ou fazer uma marca para cada ave que enxergar.

[2] Existem, obviamente, hereges defensores da crença de que o Homo sapiens evoluiu em regiões geograficamente separadas. Muitos cientistas hoje invejam em segredo a Igreja Católica por ter inventado a inquisição e ficam tristes porque hoje queimar pessoas vivas em praça pública pode dar cadeia.

[3] Abracadabra

[4] Claro que se consideramos a matemática uma música que existe por tráz da existência, desenrolando de maneira sutil e que gradualmente é percebida por nós, eu afirmo que a matemática nos é passada independente de termos ou não um cérebro. Não precisamos dele para perceber a harmonia matemática, sentimos ela com o nosso ser – independente dele ser humano ou não.

Créditos fotográficos:

A imagem de abertura é da calculadora mecânica O Macaco Educado. Inventada na distante antiguidade, aproximadamente 100 anos atrás, era usada como um auxílio educacional e funcionava de forma totalmente mecânica, bastava mover os pés do macaco para os números que você desejava multiplicar e as mãos mostravam o resultado.

A imagem da rapaziada é de autoria de Ivan Allen.

fecham-se as cortinas – lembrem-se que é expressamente proibido alimentar os animais sem as calças.

Por LöN Plo

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/no-inicio-era-o-caos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/no-inicio-era-o-caos/

Mulher Objeto

Com o recente debate iniciado no post “Feminismo: um delírio“, achei por bem trazer um texto sobre o tema (todos os links no texto abrem novas janelas)…

Vamos ser honestos e ir direto ao ponto: faz muito tempo que o mundo ocidental é machista – no mínimo, desde que o culto a Deusa foi destroçado pela Igreja, mas isso não vem ao caso no momento…

Sim, já foi pior, já foi muito pior. Houve época em que mulheres “não tinham alma”. Houve época em que não podiam nem estudar nem trabalhar “porque sua única função era cuidar da casa e dos filhos”. Houve época em que não podiam votar e muito menos se eleger… Mas graças aos anticoncepcionais e aos movimentos de emancipação do século passado, as mulheres hoje estão em situação bem mais digna.

Ou melhor, elas sempre estiveram em situação digna. Os homens é que eram indignos das mulheres, pois por muito tempo foram educados para as tratar como seres secundários, às vezes serviçais.

Dizem que a humanidade não evoluiu moralmente. Os dogmáticos do apocalipse adoram lembrar que nossa evolução tecnológica nada fez por nossa moral. Dizem que “não há nada de novo abaixo do céu”… Eu não concordo.

Não concordo, porque há 2 mil anos o povo ia ver feras devorarem homens no Coliseu de Roma. E aplaudiam… Hoje o povo vai a um estádio de futebol (mesmo em Roma) para ver uma disputa esportiva, e raramente aplaude algum derramamento de sangue – é claro que os hooligans estão aí para nos lembrar do quão ignorante parte de nós ainda é, mas eles são a minoria, felizmente…

Os homens diziam que o mercado de trabalho não comportaria o afluxo de mulheres, que isso provocaria desemprego e conflitos e caos generalizado… Não, o apocalipse não chegou porque uma mulher assumiu a gerência de uma multinacional, ou a presidência de um país. Elas não são tão diferentes assim dos homens, e em muitas áreas são estatisticamente melhores – como na direção de automóveis, por exemplo; Se não acredita basta verificar em qualquer seguradora quanto custa o seguro para homens, e quanto custa o mesmo seguro para mulheres.

Mas há homens inteligentes e sensíveis o suficiente para reconhecer todas as potencialidades femininas… Vejamos o presidente da França, por exemplo, que certamente não deve ter muitas reclamações acerca da belíssima ex-modelo com quem se casou – uma artista de mão cheia, que não deixou de ser musicista e nem escritora por ser uma “primeira-dama”. Quantos homens não se sentiriam intimidados por uma Carla Bruni? Alguém tão bela, tão dona de si mesma, tão deliciosamente poética… Seria “muita areia para o caminhãozinho dele”? Certamente, talvez exatamente por isso ele esteja com ela – “o mais improvável dos relacionamentos”. “Improvável”, isto é, para os machistas que ainda se sentem melhor com as mulheres serviçais, as secundárias, as que não os podem ofuscar…

Porém, os ecos da barbárie medieval e a sombra da ignorância humana ainda se fazem presentes na época atual. Há algo de obscuro enterrado no cerne de nossa educação precária. Uma idéia de que homens são provedores e mulheres são “alguma espécie de bem material” – e que os homens devem ter muito, muito dinheiro, para poder “usufruir” dessas mulheres. Eis o absurdo conceito de mulher objeto (não estou me referindo a parafilia, mas simplesmente ao conceito em si), tão absurdo que se oculta longe da racionalidade, de modo que muitas vezes ele está no inconsciente, e não no consciente. Mulheres objeto no inconsciente coletivo de homens, e também de mulheres… Não acredita?

Se não acredita, dê uma breve olhada em comerciais de cerveja, em revistas masculinas, em sites pornô – ou melhor, talvez seja mais simples ir direto ao ponto, direto na “ferida”…

Clipes de música americana! Eles infestam as mentes de jovens e adolescentes – e mesmo de crianças e pré-adolescentes… Eu poderia citar vários exemplos, mas vamos direto a um ícone, do Black Eyed Peas (vale lembrar que não tenho nada contra a música em si, mas contra a idéia que os levou a escrever uma letra que, no fim das contas, resume muito bem o conceito de mulher objeto):

» Ver clipe de “My Humps” (Black Eyed Peas) no YouTube

Na música acima, chamada “My Humps”, temos praticamente uma relação comercial estabelecida: o homem deve prover a mulher com dinheiro e jóias caras, e ela deve prover ele (com o perdão da palavra) com “muita bunda dentro do seu jeans” – eu estou apenas traduzindo a letra!

Algumas mulheres perceberam o absurdo estabelecido na cultura musical “pop” americana… Alanis Morissette nos brindou com sua brilhante paródia da mesma música, em que ela usa a mesmíssima letra, mas com outro ritmo (ela certamente não pretendia lançar um hit com esse clipe):

» Ver clipe da paródia de “My Humps” (Alanis Morissette) no UOL+

Isso dá uma pequena idéia geral de como o conceito de mulher objeto penetra em nossa cultura desde praticamente o berço – e nem sempre nossos adolescentes percebem por onde esse tipo de pensamento adentrou suas vidas (e até mesmo alterou o funcionamento cerebral)… Infelizmente não somos educados para pensar por nós mesmos, e dá no que dá: “conceitos enlatados goela adentro” – muitos de nós são praticamente gansos com cérebro inchado (ao invés do fígado).

E como mudar? Como fazer com que as mulheres escapem dessa sina – e de quebra reduzir (muito) a violência contra a mulher, causa direta de muitos traumas e assassinatos, mesmo nas “melhores famílias” –?

Simples: não aceite. Não compre essas idéias. Analise a si mesmo, conheça aos próprios pensamentos, e questione-se até que ponto eles são seus, e até que ponto são fruto de uma sociedade algo decadente, onde o deus do consumo faz o que quer e aonde quer… E todos o aplaudem, ou quase todos.

Mas, sobretudo, homens e mulheres, não desanimem! Quem sabe o dia em que nos chamaremos não de homens e de mulheres – mas de seres, de almas, de consciências –, não esteja tão distante assim… Era após era. Século após século… Hoje melhor do que ontem. Amanhã melhor do que hoje. Passo a passo.

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» Tradução da música “My Humps” (atenção: a leitura pode fazer você perder a fé na humanidade)

Nota: Não desconsidero a possibilidade da própria banda Black Eyed Peas ter feito uma grande sátira da nossa sociedade atual com a sua música. No entanto, seja porque a sátira tenha sido “sutil demais”, seja porque a grande maioria das pessoas não a entendeu, a crítica permanece válida. E, se for o caso de ter sido mesmo uma sátira, é possível que o próprio Black Eyed Peas também concorde com a crítica feita aqui…

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Crédito das fotos: Anônimo/Divulgação.

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Música #sexo #sociedade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mulher-objeto

A Paráfrase de Sem

SOBRE O NÃO-CONCEBIDO:

A paráfrase sobre o espírito não-concebido; o que Derdekeas me revelou, Sem, de acordo com a vontade da majestade.

SEM TEM UMA VISÃO:

Meu pensamento, que estava em meu corpo, me arrancou da minha raça. Ele me levou até o topo do mundo, que está próximo à luz que brilhava sobre toda a região. Não vi nenhuma semelhança com a terra, mas havia luz.  E meu pensamento se separou do corpo de escuridão como se estivesse dormindo.

DERDEKEAS FALA A SEM SOBRE OS PODERES DO UNIVERSO:

Ouvi uma voz que me dizia: “Sem, como você é de um poder não misturado e é o primeiro ser sobre a terra, ouça e entenda o que lhe direi primeiro a respeito dos grandes poderes que existiam no início antes de eu aparecer. Havia luz e escuridão, e havia espírito entre elas.  Como sua raiz caiu no esquecimento – o que era o espírito não concebido – eu lhe revelo a verdade sobre os poderes.  A luz era pensada, cheia de atenção e razão; eles estavam unidos em uma só forma. E a escuridão era o vento nas águas. Ele possuía a mente envolta em fogo caótico. E o espírito entre eles era uma luz suave e humilde. Estas são as três raízes. Elas reinavam cada uma em si mesmas, sozinhas. E se cobriam mutuamente, cada uma com seu poder.

“Mas a luz, como possuía grande poder, conhecia a humilhação das trevas e sua desordem, ou seja, que a raiz não era reta”. A tortuosidade da escuridão era a falta de percepção, ou seja, a ilusão de que não há ninguém acima dele. E enquanto ele foi capaz de conter seu mal, ele estava coberto pela água. E ele se agitava. E o espírito se assustou com o som.  Ele se elevou até seu posto, e viu uma grande e escura água. E ele ficou enjoado. O pensamento do espírito olhou para baixo; ele viu a luz infinita. Mas ele foi negligenciado pela raiz pútrida. E, pela vontade da grande luz, a água escura se separou. A escuridão surgiu envolta em ignorância vil, e isto foi para que a mente pudesse se separar dele, porque ele se orgulhava disso.

A ESCURIDÃO VÊ O ESPÍRITO:

“Quando as trevas se agitaram, a luz do espírito lhe apareceu. Quando ele a viu, ficou espantado. Ele não sabia que outro poder estava acima dele. E quando viu que sua semelhança era escura em comparação com o espírito, sentiu-se magoado. E em sua dor ele levantou, acima da altura dos membros da escuridão, sua mente, que era o olho da amargura do mal. Ele fez com que sua mente tomasse forma em um membro das porções do espírito, pensando que, olhando para baixo para seu mal, ele seria capaz de igualar o espírito.  Mas ele não era capaz, pois queria fazer uma coisa impossível, e isso não aconteceu. Mas para que a mente das trevas, que é o olho da amargura do mal, não fosse destruída, já que ele foi feito parcialmente semelhante, ele se levantou e brilhou com uma luz ardente sobre todo o Hades, para que a igualdade da luz impecável pudesse se tornar aparente. Pois o espírito se beneficiou de toda forma de escuridão, pois ele apareceu em sua majestade.

“E a luz exaltada e infinita apareceu, pois ele estava muito alegre. Ele desejava revelar-se ao espírito. E a semelhança da luz exaltada apareceu para o espírito não percebido. Eu apareci.  Eu sou o filho da luz incorruptível e infinita. Eu apareci à semelhança do espírito, pois sou o raio da luz universal. E sua aparência para mim era para que a mente das trevas não permanecesse no Hades. Pois a escuridão se fez semelhante a sua mente em uma porção dos membros. Quando eu, ó Sem, apareci à semelhança, para que as trevas se tornassem escuras para si mesmo, de acordo com a vontade da majestade, e para que as trevas se tornassem desprovidas de todos os aspectos do poder que possuía, a mente atraiu o fogo caótico, com o qual estava coberta, do meio das trevas e da água. E da escuridão a água se tornou uma nuvem, e da nuvem o ventre tomou forma.  O fogo caótico, que era um desvio, foi para lá.

A ESCURIDÃO EJACULA A MENTE PARA DENTRO DO ÚTERO DA NATUREZA:

“E quando a escuridão viu o útero, ele se tornou incasto. E quando ela despertou a água, ela esfregou o útero. Sua mente se dissolveu até as profundezas da natureza. Misturou-se com o poder da amargura da escuridão. E o olho do útero rompeu com a maldade, para que ela não voltasse a trazer a mente à tona. Pois era uma semente da natureza a partir da raiz escura. E quando a natureza tinha tomado para si a mente por meio do poder das trevas, todas as semelhanças tomaram forma nela. E quando as trevas haviam adquirido a semelhança da mente, ela se assemelhava ao espírito. Pois a natureza se levantou para expulsá-la; ela era impotente contra ela, já que não tinha uma forma da escuridão. Pois ela a trouxe à tona na nuvem. E a nuvem brilhava. Uma mente aparecia nela como um fogo assustador e nocivo. A mente colidiu contra o espírito não concebido, pois possuía uma semelhança dele, a fim de que a natureza pudesse se esvaziar do fogo caótico.

E imediatamente a natureza foi dividida em quatro partes. Elas se tornaram nuvens que variavam em sua aparência. Eram chamadas de hímen, pós-parto, poder e água.  E o hímen, o pós-nascimento e o poder eram fogos caóticos. E a mente foi tirada do meio da escuridão e da água – já que a mente estava no meio da natureza e do poder das trevas – para que as águas nocivas não se apegassem a ela. Por causa disso, a natureza foi dividida, de acordo com minha vontade, para que a mente pudesse retornar ao seu poder, que a raiz escura, misturada com a mente, havia tirado dela. E a raiz escura apareceu no ventre. Na divisão da natureza, a raiz escura separou-se do poder escuro, que ela possuía da mente. A mente foi para o meio do poder – esta era a região do meio da natureza.

A LUZ DO ESPÍRITO ESTÁ NOS CONFINS DA NATUREZA:

“O espírito de luz, quando a mente o sobrecarregou, ficou espantado. E a força de seu assombro o tirou do fardo. E ele voltou ao seu calor. Ele acendeu a luz do espírito. E quando a natureza se afastou do poder da luz do espírito, o fardo voltou. E o assombro da luz novamente lançou fora o fardo. Ela se agarrou à nuvem do hímen.  E todas as nuvens das trevas gritaram, elas que haviam se separado do Hades, por causa do poder alienígena.

“Este é o espírito de luz que entrou nelas”. E pela vontade da majestade o espírito olhou para a luz infinita, para que sua luz possa ser piedosa e a semelhança possa ser trazida para cima do Hades. E quando o espírito tinha olhado, eu fluí para fora – eu, o filho da majestade – como uma onda de luz e como um redemoinho do espírito imortal. E eu soprei da nuvem do hímen sobre o espanto do espírito não percebido. A nuvem separou e lançou luz sobre as nuvens. Estas se separaram para que o espírito pudesse retornar. Por causa disso, a mente tomou forma. Seu descanso foi despedaçado. Pois o hímen da natureza era uma nuvem que não podia ser agarrada; é um grande fogo. Da mesma forma, o resplendor da natureza é a nuvem do silêncio; é um fogo augusto. E o poder que se misturou com a mente – foi também uma nuvem da natureza que se uniu à escuridão que havia despertado a natureza para o descaso. E a água escura era uma nuvem assustadora. E a raiz da natureza, que estava abaixo, era tortuosa, pois era pesada e prejudicial. A raiz estava cega para a luz amarrada, o que era insondável porque tinha muitas aparências.

DERDEKEAS APELA EM NOME DO ESPÍRITO:

“Tive piedade da luz do espírito que a mente tinha recebido”. Voltei à minha posição para rezar à luz exaltada e infinita para que o poder do espírito pudesse aumentar ali e pudesse ser preenchido sem impurezas escuras. E reverentemente eu disse: “Você é a raiz da luz”. Sua forma oculta apareceu, ó exaltada, infinita. Que todo o poder do espírito se espalhe e que seja preenchido com sua luz, ó luz infinita. Então não poderá unir-se ao espírito não concebido, e o poder do espanto não poderá misturar-se com a natureza. De acordo com a vontade da majestade, minha oração foi aceita.

“E a voz da palavra foi ouvida dizendo através da majestade do espírito não-concebido, ‘Vejam, o poder foi completado’. Aquele que foi revelado por mim apareceu no espírito”.

“Novamente eu aparecerei”. Eu sou Derdekeas, o filho da luz incorruptível e infinita.

“A luz do espírito infinito desceu à natureza fraca por um curto período de tempo até que toda a impureza da natureza se tornou nula, e para que a escuridão da natureza pudesse ser exposta. Vesti meu traje, que é o traje da luz da majestade – que eu sou”.  Vim na aparência do espírito para considerar toda a luz, que estava nas profundezas das trevas, segundo a vontade da majestade, a fim de que o espírito, por meio da palavra, pudesse ser preenchido com sua luz independentemente do poder da luz infinita. E, segundo meu desejo, o espírito surgiu por seu próprio poder. Sua grandeza lhe foi concedida para que pudesse ser preenchido com toda sua luz e se afastar de toda a carga da escuridão. Pois o que estava por trás era um fogo escuro que soprava e pressionava o espírito. E o espírito se regozijou porque ele estava protegido da água assustadora. Mas sua luz não era igual à majestade. O que lhe foi concedido pela luz infinita foi dado para que em todos os seus membros ele pudesse aparecer como uma única imagem de luz. E quando o espírito se levantava sobre a água, sua semelhança escura se tornava aparente. E o espírito honrou a luz exaltada: “Certamente só tu és o infinito, porque estás acima de tudo o que não é concebido, pois me protegeste das trevas”. E a teu desejo eu me levantei acima do poder das trevas”.

“E para que nada se escondesse de ti, Sem, surgiu o pensamento, que o espírito da grandeza havia contemplado, já que as trevas não eram capazes de conter seu mal. Mas quando o pensamento apareceu, as três raízes ficaram conhecidas como eram desde o início. Se as trevas tivessem sido capazes de conter seu mal, a mente não teria se separado dele, e outro poder não teria surgido.

DERDEKEAS ILUMINA A LUZ DO ESPÍRITO:

“Mas desde o momento em que parecia que eu era visto, o filho da majestade, para que a luz do espírito não se desvanecesse, e que a natureza não reinasse sobre ela, porque ela me olhava fixamente.

“E pela vontade da grandeza minha igualdade foi revelada, que o que é do poder poderia se tornar aparente. Você é o grande poder que surgiu, e eu sou a luz perfeita que está acima do espírito e das trevas, aquele que envergonha as trevas pelo coito da fricção impura”. Pois através da divisão da natureza a majestade desejava ser coberta de honra até o auge do pensamento do espírito. E o espírito recebeu o descanso em seu poder. Pois a imagem da luz é inseparável do espírito inconcebível. E os legisladores não o nomearam depois de todas as nuvens da natureza, nem é possível nomeá-lo. Pois cada semelhança em que a natureza se dividiu é um poder do fogo caótico, que é a semente material. Aquele que tomou para si o poder das trevas o aprisionou no meio de seus membros. E pela vontade da majestade, para que a mente e toda a luz do espírito pudessem ser protegidas de toda carga e do trabalho da natureza, uma voz saiu do espírito para a nuvem do hímen. E a luz do espanto começou a se alegrar com a voz que lhe foi concedida. E o grande espírito da luz estava na nuvem do hímen. Ele honrou a luz infinita e a semelhança universal, que eu sou, o filho da majestade, dizendo: ‘Anasses Duses, tu és a luz infinita que foi dada pela vontade da majestade para estabelecer cada luz do espírito sobre o lugar, e para separar a mente da escuridão’. Pois não era correto que a luz do espírito permanecesse no Hades. Pois, conforme vosso desejo, o espírito surgiu para contemplar vossa grandeza”.

DERDEKEAS PERTURBA OS PODERES DA NATUREZA:

“Porque eu te disse estas coisas, Sem, para que saibas que a minha semelhança, o filho da majestade, é do meu pensamento infinito, pois sou para ele uma semelhança universal que não mente, e estou acima de toda verdade e sou a origem da palavra. Sua aparência está em minha bela veste de luz, que é a voz do pensamento imensurável. Nós somos aquela única e única luz que surgiu. Ele apareceu em outra raiz, a fim de que o poder do espírito pudesse ser elevado da natureza débil. Pois pela vontade da grande luz eu saí do espírito exaltado até a nuvem do hímen sem a minha veste universal.

“E a palavra me tomou para si, do espírito, na primeira nuvem do hímen da natureza”. E eu me vesti com isto, do qual a majestade e o espírito inconcebível me fizeram digno”. E a tríplice unidade de minha veste apareceu na nuvem, pela vontade da majestade, em uma única forma. E minha semelhança foi coberta com a luz da minha veste. E a nuvem foi perturbada, e não foi capaz de tolerar minha semelhança. Ela derramou o primeiro poder, que havia tirado do espírito – o que brilhou sobre ele desde o início, antes que eu aparecesse na palavra ao espírito. A nuvem não teria sido capaz de tolerar os dois. E a luz que saía da nuvem passou pelo silêncio até chegar à região do meio. E pela vontade da majestade, a luz se misturou com ele, ou seja, o espírito que existe no silêncio, que havia sido separado do espírito da luz. Ela foi separada da luz pela nuvem do silêncio. A nuvem foi perturbada. Foi ele quem deu descanso à chama do fogo. Ele humilhou o ventre escuro para que ela não revelasse outras sementes da escuridão. Ele os manteve de volta na região central da natureza em sua posição, que era na nuvem. Ficaram perturbados porque não sabiam onde estavam. Pois ainda não possuíam a compreensão universal do espírito.

“E quando rezei para a majestade, para a luz infinita, para que o poder caótico do espírito pudesse ir e vir, e o ventre escuro pudesse ser estéril, e que minha semelhança pudesse aparecer na nuvem do hímen, como se eu estivesse envolto na luz do espírito que me precedeu, e pela vontade da majestade e através da oração, eu vim na nuvem para que através da minha veste – que era do poder do espírito – o pleroma da palavra pudesse trazer poder aos membros que o possuíam na escuridão. Pois por causa deles eu apareci neste lugar insignificante. Pois sou um ajudante de todos que receberam um nome. Quando apareci na nuvem, a luz do espírito começou a se salvar da água assustadora e das nuvens de fogo que haviam sido separadas da natureza escura. E eu lhes dei a honra eterna de não se envolverem novamente na fricção impura.

“E a luz que estava no hímen foi perturbada pelo meu poder, e passou pela minha região do meio. Estava repleta do pensamento universal. E, através da palavra da luz do espírito, voltou ao seu descanso. Recebeu forma em sua raiz e brilhou sem deficiência. E a luz que tinha surgido com ela do silêncio foi para a região do meio e voltou ao lugar. E a nuvem resplandeceu. E dela saiu um fogo insaciável. E a porção que se separava do espanto se revestia de esquecimento.  Ela foi enganada pelo fogo das trevas. E o choque de seu assombro lançou fora o fardo da nuvem. Era o mal, pois era impuro. E o fogo se misturou com a água para que as águas pudessem se tornar prejudiciais.

“A natureza, que havia sido perturbada, surgiu imediatamente das águas ociosas. Pois sua ascensão era vergonhosa. E a natureza tomou para si o poder do fogo. Ela se tornou forte por causa da luz do espírito que estava na natureza. Sua semelhança apareceu na água na forma de uma besta assustadora com muitos rostos, que está torturada abaixo. Uma luz desceu ao caos cheia de névoa e poeira, a fim de prejudicar a natureza. E a luz do espanto na região do meio veio a ela depois que ele lançou fora o fardo da escuridão.  Ele se regozijou quando o espírito se levantou. Pois ele olhou das nuvens para as águas escuras sobre a luz que estava nas profundezas da natureza.

“Então eu parecia ter a oportunidade de descer para o mundo inferior, para a luz do espírito que estava sobrecarregado, para protegê-lo do mal do fardo”. E, através de seu olhar para a região escura, a luz mais uma vez veio à tona, para que o ventre pudesse novamente subir da água. O ventre veio à tona por minha vontade. Guiadamente, o olho se abriu. E a luz, que tinha aparecido na região do meio e que se tinha separado do espanto, descansou e brilhou sobre ela. E o ventre viu coisas que ela não tinha visto antes, e ela se alegrou alegremente com a luz, embora esta que apareceu na região do meio, em sua maldade, não seja dela. Quando a luz brilhou sobre ela, e o ventre viu coisas que ela não tinha visto, e ela foi levada até a água, ela pensou que tinha alcançado o poder da luz. E ela não sabia que sua raiz estava ociosa pela semelhança da luz, e que era para a raiz que ele havia corrido.

A LUZ REZA POR MISERICÓRDIA:

“A luz estava espantada, a que estava na região do meio e que estava no começo e no fim. Por isso, seu pensamento olhava diretamente para a luz exaltada. E ele chamou e disse: “Senhor, tem piedade de mim, pois minha luz e meu esforço se desviaram”. Pois se vossa bondade não me estabelece, eu não sei onde estou”. E quando a majestade o ouviu, ele teve piedade dele.

“E eu apareci na nuvem do hímen, em silêncio, sem minha santa vestimenta”. Com minha vontade honrei minha veste, que tem três formas na nuvem do hímen. E a luz que estava no silêncio, aquela do poder regozijante, me conteve. Eu a usei.  E suas duas partes apareceram em uma única forma. Suas outras partes não apareceram por causa do fogo. Tornei-me incapaz de falar na nuvem do hímen, pois seu fogo era assustador, levantando-se sem diminuir. E para que minha grandeza e a palavra aparecessem, coloquei igualmente minha outra veste na nuvem do silêncio. Entrei na região do meio e coloquei a luz que estava nela, que estava afundada no esquecimento e que estava separada do espírito de espanto, pois ele havia lançado fora o fardo. A meu desejo, nada de mortal lhe apareceu, mas todas elas eram coisas imortais que o espírito lhe concedeu. E ele disse na mente da luz: “AI EIS AI OU FAR DOU IA EI OU, eu vim em grande descanso para que ele possa dar descanso à minha luz em sua raiz, e possa tirá-la da natureza nociva”.

DERDEKEAS TRAZ UMA ROUPA ARDENTE E FAZ SEXO COM A NATUREZA:

“Então, por vontade da majestade, eu tirei minha roupa de luz. Coloquei outra veste de fogo, que não tem forma, que é da mente do poder, que foi separada, e que foi preparada para mim, de acordo com minha vontade, na região do meio.  Pois a região do meio a cobriu com um poder escuro para que eu pudesse vir e vesti-la. Eu desci ao caos para salvar dela toda a luz. Pois sem o poder da escuridão eu não poderia me opor à natureza. Quando cheguei à natureza, ela não podia tolerar meu poder. Mas eu me apoiei em seu olhar fixo, que era uma luz do espírito. Pois ela havia sido preparada para mim como uma vestimenta e descansada pelo espírito. Através de mim, ele abriu seus olhos para o Hades. Ele concedeu à natureza sua voz por um tempo.

“E minha veste de fogo, segundo a vontade da majestade, desceu ao que é forte, e à porção impura da natureza que o poder das trevas estava cobrindo. E minha vestimenta esfregou a natureza em sua cobertura.  E a sua feminilidade impura era forte. E o útero irado surgiu e secou a mente, assemelhando-se a um peixe que tem uma gota de fogo e um poder de fogo. E, quando a natureza se livrou da mente, ela ficou perturbada e chorou.  Quando ela se machucou e em suas lágrimas, ela lançou fora o poder do espírito e permaneceu como eu estou. Coloquei a luz do espírito e descansei com minha roupa por causa da visão do peixe. E que os feitos da natureza poderiam ser condenados, já que ela é cega, de acordo com o número dos ventos fugazes, saíram dela múltiplos animais.  Todos eles surgiram no Hades, em busca da luz da mente que tomou forma. Eles não foram capazes de se opor a ela. Eu me regozijei com a ignorância deles.

DERDEKEAS ENGANA A NATUREZA, E A CRIAÇÃO COMEÇA:

“Eles me encontraram, o filho da majestade, em frente ao útero que tem muitas formas. Coloquei sobre a besta e lhe fiz um grande pedido para que o céu e a terra pudessem vir à existência, para que toda a luz pudesse se levantar.  Pois de nenhuma outra forma o poder do espírito poderia ser salvo da escravidão, exceto que eu lhe aparecesse em forma animal. Portanto, ela foi graciosa comigo como se eu fosse seu filho. E por causa do meu pedido, a natureza surgiu, pois ela possui o poder do espírito e a escuridão e o fogo. Pois ela havia tirado suas formas. Quando ela a jogou fora, ela soprou sobre a água.  O céu foi criado. E da espuma do céu surgiu a terra. E a meu desejo, ela produziu todo tipo de alimento de acordo com o número dos animais. E trouxe o orvalho dos ventos por causa de você e daqueles que serão concebidos pela segunda vez sobre a terra. Pois a terra possuía um poder de fogo caótico. Por isso, ela produziu cada semente. E quando o céu e a terra foram criados, minha veste de fogo surgiu no meio da nuvem da natureza e brilhou sobre o mundo inteiro até que a natureza se tornou seca. A escuridão que era a vestimenta da terra foi lançada nas águas nocivas. A região do meio foi limpa da escuridão. Mas o ventre se entristeceu por causa do que havia acontecido. Ela percebeu, em suas partes, a água como um espelho. Quando ela a percebeu, ela se perguntou como ela havia surgido. Portanto, ela permaneceu viúva. Também se espantou que não estivesse nela. Pois as formas ainda possuíam um poder de fogo e de luz. O poder permaneceu, que poderia estar na natureza até que todos os poderes lhe fossem tirados. Pois assim como a luz do espírito foi completada em três nuvens, é necessário também que o poder que está no Hades seja completado no momento designado. Pois, por causa da graça da majestade, eu saí da água para ela pela segunda vez. Pois meu rosto a agradou. Seu rosto também estava contente.

DERDEKEAS ORDENA À NATUREZA QUE DÊ À LUZ:

“E eu lhe disse: ‘Que a semente e o poder venham de vós sobre a terra’.  E ela obedeceu à vontade do espírito para que ela pudesse ser levada a nada. E quando suas formas voltaram, eles esfregaram a língua uns com os outros e copularam; produziram ventos e demônios e o poder que vem do fogo e da escuridão e do espírito.  Mas a forma que permaneceu sozinha expulsou a besta de si mesma. Ela não teve relações sexuais, mas foi ela quem se esfregou sozinha. E ela trouxe um vento que possuía um poder do fogo, da escuridão e do espírito.

“E para que os demônios também pudessem ficar desprovidos do poder que possuíam através das relações sexuais impuras, um ventre estava com os ventos que se assemelhavam à água. E um pênis impuro estava com os demônios de acordo com o exemplo da escuridão, e na forma como ele esfregou com o ventre desde o início”. E após as formas da natureza terem estado juntas, elas se separaram umas das outras. Eles se livraram do poder, ficando espantados com o engano que lhes havia acontecido. Eles sofreram com um luto eterno. Cobriram-se com seu poder.

“E quando os envergonhei, levantei-me com minha veste no poder – que está acima da besta, o que é uma luz – para que eu pudesse tornar a natureza desolada. A mente que tinha aparecido na natureza das trevas, e que era o olho das trevas, ao meu desejo reinou sobre os ventos e os demônios.  E eu lhe dei uma semelhança de fogo, luz e atenção, e uma quota-parte de razão sem astúcia. Portanto, ele foi dado da grandeza para ser forte em seu poder, independente do poder, independente da luz do espírito e do coito das trevas, para que, no final dos tempos, quando a natureza for destruída, ele possa descansar no lugar de honra. Pois ele será encontrado fiel, pois odiou o descaso da natureza com a escuridão. O forte poder da mente surgiu da mente e do espírito não-concebido. Mas os ventos, que são demônios da água e do fogo e das trevas e da luz, tiveram relações sexuais até a perdição. E através deste coito os ventos receberam em seu ventre espuma do pênis dos demônios. Eles conceberam um poder em seu ventre. Desde a respiração, os ventres dos ventos se cingiram até chegar o momento do nascimento. Eles desceram para a água. E o poder foi dado, através da respiração que causa o nascimento, no meio da fricção. E cada forma do nascimento recebeu forma nele. Quando os tempos do nascimento estavam próximos, todos os ventos eram colhidos da água que está perto da terra. Eles deram à luz todos os tipos de desencanto. E o lugar para onde apenas o vento ia era permeado pela falta de castidade. Dele saíram as esposas estéreis e os maridos estéreis. Pois assim como elas nascem, assim elas suportam.

OS DEMÔNIOS TRAZEM A INUNDAÇÃO E A TORRE DE BABEL:

“Por sua causa, a imagem do espírito apareceu na terra e na água”. Pois você é como a luz. Vocês possuem uma parte dos ventos e dos demônios e um pensamento da luz do poder do espanto. Pois tudo o que ele trouxe do ventre sobre a terra não foi uma coisa boa para ela, mas foi seu gemido e sua dor, por causa da imagem que em você apareceu do espírito. Pois você está exaltado em seu coração. E é uma bênção, Sem, se uma porção é dada a alguém e ele se afasta da alma para ir ao pensamento da luz. Pois a alma é um fardo para as trevas, e aqueles que sabem de onde veio a raiz da alma poderão apalpar atrás da natureza também. Pois a alma é uma obra de descortesia e um objeto de desprezo para o pensamento da luz. Pois eu sou aquele que revelou sobre tudo o que não é percebido.

“E para que o pecado da natureza pudesse ser preenchido, eu fiz o ventre, que foi perturbado, agradado – a sabedoria cega – que eu poderia ser capaz de trazê-lo a nada.  E, a meu desejo, ele conspirou com a água das trevas e também com as trevas, para que ferissem todas as formas de seu coração. Pois pela vontade da luz do espírito eles o cercaram; eles o amarraram na fé. E para que sua mente se tornasse ociosa, ele enviou um demônio, para que o plano de sua maldade fosse proclamado. E ele causou uma inundação, e destruiu sua raça, para tirar a luz e tirar-lhe a fé. Mas eu proclamei rapidamente pela boca do demônio que uma torre chegava até a partícula de luz, que ficou nos demônios e em sua raça – que era água – que o demônio poderia ser protegido do caos turbulento. E o ventre planejou estas coisas de acordo com minha vontade, para que ela pudesse derramar completamente. Uma torre veio a ser através dos demônios.  A escuridão foi perturbada por sua perda. Ele afrouxou os músculos do útero. E o demônio que ia entrar na torre foi protegido para que as raças pudessem continuar e pudessem adquirir coerência através dele. Pois ele possui o poder de todas as formas.

“Voltai doravante, ó Sem, e regozijai-vos muito sobre vossa raça e vossa fé, pois sem corpo e sem necessidade está protegida de todo corpo de trevas, dando testemunho das coisas santas da grandeza que lhes foram reveladas em seu pensamento pela minha vontade. E descansarão no espírito não concebido, sem luto. Mas vós, Sem, por causa disso, permanecestes no corpo fora da nuvem de luz, para que permanecêsseis com fé.  E a fé virá até você. Seu pensamento será tomado e dado a você com a consciência da luz. Eu lhe disse estas coisas para o benefício de sua raça, a partir da nuvem de luz. E da mesma forma, o que eu vos direi a respeito de tudo, eu vos revelarei completamente, para que o reveleis àqueles que estarão sobre a terra pela segunda vez.

UMA PERTURBAÇÃO DESFAZ O PODER DA NATUREZA:

“Ó Sem, a perturbação que ocorreu em meu desejo aconteceu para que a natureza pudesse ficar vazia.  Pois a cólera da escuridão diminuiu. Ó Sem, a boca da escuridão estava fechada. Já não aparece nela a luz que brilhava para o mundo, de acordo com minha vontade. E quando a natureza disse que seu desejo tinha sido realizado, então toda forma foi engolfada pelas águas na ignorância orgulhosa. A natureza transformou sua vagina escura e lançou dela o poder do fogo, que estava nela desde o início, através da fricção da escuridão. Ela se levantou e brilhou sobre o mundo inteiro ao invés do justo. E todas as suas formas enviaram um poder como uma chama de fogo para o céu, como uma ajuda à luz corrompida, que se elevou a si mesma. Pois eles eram membros do fogo caótico. E ela não sabia que havia se machucado. Quando ela lançava o poder, o poder que possuía, ela o lançava para fora dos genitais. O demônio, que é um enganador, despertou o ventre em todas as suas formas.

“E na sua ignorância, como se estivesse fazendo uma grande coisa, ela concedeu aos demônios e aos ventos uma estrela cada um. Pois sem vento e sem estrela nada acontece sobre a terra. Pois cada poder é preenchido por eles depois que são libertados das trevas e do fogo e do poder e da luz. Pois no lugar onde suas trevas e seu fogo se misturaram entre si, animais foram trazidos à luz. E no lugar das trevas e do fogo, e do poder da mente, e da luz, os seres humanos vieram à existência. Sendo do espírito, o pensamento da luz, meu olho, não existe em todas as pessoas. Pois antes que a inundação viesse dos ventos e dos demônios, a chuva vinha para as pessoas. Mas então, para que o poder que está na torre pudesse ser trazido e descansar sobre a terra, a natureza, que tinha sido perturbada, quis prejudicar a semente que estará sobre a terra depois do dilúvio. Foram-lhes enviados demônios, e um desvio dos ventos, e um fardo dos anjos, e um medo do profeta, uma condenação da fala, para que eu possa ensinar-lhes, ó Sem, de que cegueira sua raça é protegida. Quando eu vos tiver revelado tudo o que foi dito, então o justo brilhará sobre o mundo com a minha veste. E a noite e o dia serão separados.  Pois eu me apressarei a descer ao mundo para levar a luz daquele lugar, aquele que a fé possui. E eu irei aparecer àqueles que vão adquirir o pensamento da luz do espírito. Pois por causa deles apareceu minha majestade.

SODOMA, CIDADE DA GNOSE, É INJUSTAMENTE QUEIMADA:

“Quando ele tiver aparecido, ó Sem, sobre a terra, no lugar que se chamará Sodoma, então salvaguarde o discernimento que eu lhe darei”.  Pois aqueles cujo coração era puro se congregarão a vós, por causa da palavra que revelareis”. Pois quando aparecerdes no mundo, a natureza escura tremerá contra vós, juntamente com os ventos e um demônio, para que destruam o discernimento. Mas vós, proclamai rapidamente aos sodomitas vosso ensinamento universal, pois eles são vossos membros. Pois o demônio da forma humana se separará daquele lugar por minha vontade, uma vez que ele é ignorante. Ele guardará este enunciado. Mas os Sodomitas, segundo a vontade da majestade, darão testemunho do testemunho universal. Descansarão com a consciência pura no lugar de seu repouso, que é o espírito inconcebível. E como estas coisas acontecerão, Sodoma será queimado injustamente por uma natureza básica. Pois o mal não cessará, para que Vossa Majestade possa revelar esse lugar.

“Então o demônio partirá com fé. E então ele aparecerá nas quatro regiões do mundo. E quando a fé aparecer na última semelhança, então sua aparência se tornará manifesta. Pois o primogênito é o demônio que apareceu na união da natureza com muitas faces, para que a fé apareça nele.  Pois quando ele aparecer no mundo, surgirão paixões malignas, terremotos, guerras, fomes e blasfêmias. Pois por causa dele, o mundo inteiro será perturbado. Ele buscará o poder da fé e da luz; ele não o encontrará. Pois naquele momento o outro demônio aparecerá no rio para batizar com um batismo imperfeito e para perturbar o mundo com uma escravidão da água.  Mas é necessário que eu apareça nos membros do pensamento de fé para revelar as grandes coisas do meu poder. Vou separá-lo do demônio, que é Soldas.  E a luz que ele possui do espírito misturar-me-ei com minha veste invencível, bem como com aquele que revelarei nas trevas para vosso bem e para o bem de vossa raça, que será protegido das trevas malignas.

A LITANIA:

“Sabe, ó Sem,

que sem Elorchaios e Amoias

e Strofaias e Chelkeak

e Chelkea e Elaios,

ninguém poderá passar por aqui

esta região perversa.

Pois este é o meu testemunho,

que através dela eu tenho sido vitorioso

a região malvada.

E eu tomei a luz do espírito

da água assustadora.

Para quando os dias designados do demônio…

aquele que batizará erroneamente…

chegar perto, então eu aparecerei

no batismo do demônio

para revelar com a boca da fé

um testemunho para aqueles que lhe pertencem.

Testemunho de vocês, centelha, insaciável,

Osei, o eleito da luz, o olho do céu,

e a fé, a primeira e a última,

e Sofia, e Safaia, e Safaina,

e a centelha justa,

e a luz impura.

E você, ao leste, ao oeste, ao norte e ao sul,

ar superior e ar inferior,

e todos os poderes e autoridades,

você está na criação.

E você, Moluchtha e Soch,

são de todos os trabalhos

e todo esforço impuro da natureza.

“Então, eu irei através do demônio até a água”. E redemoinhos de água e chamas de fogo se erguerão contra mim. Então eu subirei da água, tendo acendido a luz da fé e o fogo insaciável, para que, com minha ajuda, o poder do espírito possa atravessar, ela que foi lançada no mundo pelos ventos, pelos demônios e pelas estrelas”. E neles serão preenchidos todos os inquebrantáveis.

“Finalmente, ó Sem, considera-te agradável no pensamento da luz. Não deixe que seu pensamento tenha relação com o fogo e o corpo de escuridão, que foi uma obra impura”. Estas coisas que eu te ensino estão certas.

A PARÁFRASE:

“Esta é a paráfrase: pois você não se lembrou que é do firmamento que sua raça tem sido protegida. Elorchaios é o nome da grande luz, o lugar de onde eu vim, a palavra que não tem igual. E a semelhança é a minha honrosa vestimenta. E Derdekeas é o nome de sua palavra na voz da luz. E Strofaia é o olhar abençoado, que é o espírito. E Chelkeach é minha veste, que veio do espanto, que estava na nuvem do hímen que apareceu como uma nuvem com três formas. E Chelkea é minha veste que tem duas formas, aquele que estava na nuvem do silêncio. E Chelke é a minha veste que lhe foi dada de cada região; foi dada de uma única forma da grandeza, e ele estava na nuvem da região do meio. E a estrela da luz que foi mencionada é minha veste invencível, que usei no Hades; esta, a estrela da luz, é a misericórdia que supera o pensamento e o testemunho daqueles que dão testemunho. E o testemunho foi mencionado: o primeiro e o último, a fé, a mente do vento das trevas. E Sofaia e Safaina estão na nuvem daqueles que foram separados do fogo caótico. E a centelha justa é a nuvem de luz que brilhou no meio de vocês. Pois na nuvem de luz, minha roupa descerá ao caos. Mas a luz impura, um poder, apareceu na escuridão e pertence à natureza escura. E o ar superior e o ar inferior, e os poderes e as autoridades, os demônios e as estrelas, estes possuíam uma partícula de fogo e uma luz do espírito. E Moluchthas é um vento, pois sem ele nada é trazido sobre a terra. Ele tem a semelhança de uma serpente e de um unicórnio. Suas protuberâncias são múltiplas asas. E o restante é o ventre que foi perturbado.

A BÊNÇÃO DE SEM E DO POVO DE ESPÍRITO:

“Você é abençoado, Sem, pois sua raça foi protegida do vento negro, que é de muitas caras”. E eles darão testemunho do testemunho universal e da fricção impura da natureza”. E eles se tornarão mais elevados de espírito, lembrando-se da luz.

“Ó Sem, ninguém que usa o corpo será capaz de completar estas coisas”. Mas através da lembrança, ele será capaz de compreendê-las, para que, quando sua mente se separar do corpo, estas coisas possam então ser-lhe reveladas”. Elas foram reveladas à sua raça. Ó Sem, é difícil para alguém que usa um corpo completar estas coisas, como eu disse a você. E é um pequeno número que as completará, aqueles que possuem a partícula da mente e o pensamento da luz do espírito. Eles vão manter sua mente longe da fricção impura. Para muitos na raça da natureza, buscarão a segurança do poder. Não a encontrarão, nem serão capazes de fazer a vontade da fé. Pois eles são a semente da escuridão universal. Eles serão encontrados em muito sofrimento. Os ventos e os demônios os odiarão. E a escravidão do corpo é severa. Pois onde os ventos, e as estrelas, e os demônios são expulsos do poder do espírito, aí vem sobre eles o arrependimento e o testemunho, e a misericórdia os conduzirá ao espírito inconcebível. E aqueles que estão arrependidos encontrarão descanso na consumação e na fé, no lugar do hímen. Esta é a fé que encherá o lugar que foi deixado vazio. Mas aqueles que não participam do espírito de luz e da fé dissolver-se-ão na escuridão, o lugar onde não veio o arrependimento.

“Fui eu quem abriu os portões eternos que estavam fechados desde o início. Aos que anseiam pelo melhor da vida, e aos que são dignos de descanso, ele os revelou. Eu concedi percepção àqueles que percebem. Eu lhes revelei todos os pensamentos e os ensinamentos dos justos. E não me tornei inimigo deles de modo algum. Mas quando eu tinha suportado a ira do mundo, eu saí vitorioso. Não havia nenhum deles que me conhecesse. As portas de fogo e a fumaça sem fim se abriram contra mim. Todos os ventos se levantaram contra mim. Os trovões e os relâmpagos por um tempo se levantarão contra mim. E eles trarão sua ira sobre mim. E por minha causa, em relação à carne, eles governarão sobre eles de acordo com sua raça.

O BATISMO IMPURO LEVA À ESCRAVIDÃO:

“E muitos que vestem carne errante descerão às águas prejudiciais através dos ventos e dos demônios. E eles estão presos pela água.  E a água se curará com um remédio fútil”. Ela desviará, e ligará o mundo. E aqueles que fazem a vontade da natureza … duas vezes no dia da água e das formas da natureza. E não lhes será concedida, quando a fé os perturbar para tomar para si o justo.

“Ó Sem, é necessário que o pensamento seja chamado pela palavra para que a escravidão do poder do espírito possa ser salva da água assustadora”. E é uma bênção se for concedido a alguém contemplar o que é exaltado e conhecer o tempo exaltado e a escravidão”. Pois a água é um corpo insignificante. E as pessoas não são libertadas porque estão presas na água, assim como desde o início a luz do espírito estava presa.

“Ó Sem, eles são enganados por diversos demônios, pensando que através do batismo com a imundícia da água, que é escura, fraca, ociosa e perturbadora, a água tirará os pecados. E eles não sabem que da água para a água há escravidão, erro, desconchavo, inveja, assassinato, adultério, falso testemunho, heresias, roubos, cobiças, balbucios, ira, amargura. . . . Portanto, há muitas mortes que sobrecarregam seus pensamentos. Pois eu o predigo àqueles que têm compreensão. Eles se absterão do batismo impuro. E aqueles que têm compreensão da luz do espírito não terão relações com a fricção impura. E seu coração não desmaiará, nem amaldiçoará, nem honrará a água. Onde está a maldição, há a deficiência. E a cegueira é onde está a honra. Pois se eles se misturam com os maus, tornam-se vazios na água escura. Onde a água foi mencionada, há a natureza, o juramento, a mentira e a perda. Pois somente no espírito não concebido, onde a luz exaltada descansou, a água não foi mencionada, nem pode ser mencionada.

“Pois esta é minha aparência: quando tiver completado os tempos que me são atribuídos sobre a terra, então lançarei de mim minha veste de fogo”. E minha inigualável vestimenta brilhará sobre mim, e todas as minhas outras vestimentas que eu colocarei em todas as nuvens que foram do assombro do espírito. Pois o ar rasgará minha vestimenta. Minha roupa brilhará, e dividirá todas as nuvens até a raiz da luz. O descanso é a mente e minha vestimenta. E minhas roupas restantes, as da esquerda e as da direita, brilharão nas costas a fim de que a imagem da luz possa aparecer. Pois no último dia minhas peças de vestuário que coloco nas três nuvens descansarão em sua raiz, ou seja, no espírito não concebido, já que não têm culpa, através da divisão das nuvens.

Portanto, eu apareci, sem culpa, por causa das nuvens, porque elas são desiguais, para que a maldade da natureza pudesse acabar. Pois ela desejava, naquele momento, me enganar. Ela estava prestes a deter Soldas, que é a chama escura, que foi colocada no alto, na árvore do erro, para que ela pudesse me prender. Ela cuidava de sua fé, sendo vaidosa.

REBOUEL É DECAPITADA:

“E naquela época a luz estava prestes a se separar da escuridão, e uma voz foi ouvida no mundo, dizendo: ‘Bênçãos no olho que te viu e a mente que apoiou tua majestade a meu desejo’.  Será dita pela exaltada, ‘Bênçãos sobre Rebouel entre todas as raças de pessoas, pois só você viu’.  E ela escutará. E eles decapitarão a mulher que tem a percepção, a qual você revelará sobre a terra. E de acordo com minha vontade, ela dará testemunho, e cessará de todo esforço vaidoso da natureza e do caos. Pois a mulher que eles decapitarão naquele momento é o suporte do poder do demônio que batizará a semente das trevas com severidade, para que a semente possa se misturar com a desconstrução. Ele gera uma mulher. Ela foi chamada de Rebouel.

“Veja, ó Sem, como todas as coisas que eu lhe disse foram cumpridas. . . . E as coisas que te faltam, segundo a minha vontade, aparecer-te-ão naquele lugar sobre a terra, para que as reveles como elas são. Não deixe que seu pensamento tenha relações com o corpo. Pois eu vos disse estas coisas, pela voz do fogo, pois entrei no meio das nuvens. E falei de acordo com a língua de cada um. Esta é a minha língua que falei com vocês.  E ela será tirada de vocês. E você falará com a voz do mundo sobre a terra.  E ela vos aparecerá com essa aparência e voz, e tudo o que eu vos disse. A partir de agora proceda com fé para brilhar nas profundezas do mundo”.

SEM RETORNA DE SUA EXTASIANTE JORNADA:

E eu, Sem, acordei como se fosse de um sono profundo. Eu me maravilhei quando recebi o poder da luz e todo o seu pensamento. E prossegui com fé para brilhar comigo. E o justo nos seguiu com minha vestimenta invencível. E tudo o que ele me havia dito que aconteceria sobre a terra aconteceu. A natureza foi entregue à fé, para que a fé a derrubasse e para que a natureza pudesse permanecer na escuridão. Ela produziu um movimento de viragem enquanto vagueava noite e dia, não descansando com as almas. Estas coisas completaram seus atos.

Então me regozijei com o pensamento da luz. Saí da escuridão e caminhei na fé onde as formas da natureza estão, até o topo da terra, até as coisas que estão preparadas. Sua fé está sobre a terra o dia inteiro. Por toda noite e dia ela envolve a natureza para tomar para si a justa. Pois a natureza está sobrecarregada, e ela está perturbada. Pois ninguém será capaz de abrir as formas do ventre, a não ser a mente sozinha a quem foi confiada sua semelhança. Porque assustadora é sua semelhança com as duas formas da natureza, a que é cega.

Mas aqueles que têm uma consciência livre se afastam do balbuciar da natureza. Pois darão testemunho do testemunho universal; despirão o fardo das trevas; porão a palavra da luz; e não serão mantidos de volta no lugar insignificante. E o que eles possuem do poder da mente, eles darão à fé. Eles serão aceitos sem pesar. E o fogo caótico que eles possuem deixarão na região central da natureza. E serão recebidos por minhas vestes, que estão nas nuvens. São eles que guiam seus membros. Eles descansarão no espírito sem sofrimento. E por causa disso, o termo de fé designado apareceu sobre a terra por um curto período de tempo, até que a escuridão lhe seja tirada, e seu testemunho seja revelado que foi revelado por mim. Eles, que provarão ser de sua raiz, despojarão as trevas e o fogo caótico. Eles colocarão a luz da mente e darão testemunho. Por tudo o que eu disse deve acontecer.

A DESOLAÇÃO FINAL:

Depois que eu deixar de estar sobre a terra e me retirar para o meu descanso, um grande e maligno erro virá sobre o mundo, e muitos males de acordo com o número das formas da natureza. Os tempos malignos virão.  E quando a era da natureza se aproximar da destruição, a escuridão virá sobre a terra. O número será pequeno. E um demônio surgirá do poder que tem uma semelhança de fogo. Ele dividirá o céu, e descansará nas profundezas do oriente. Pois o mundo inteiro tremerá. E o mundo enganado será lançado em confusão. Muitos lugares serão inundados por causa da inveja dos ventos e dos demônios que têm um nome que não faz sentido: Forbea, Chloerga. Eles são os que governam o mundo com seus ensinamentos. E eles desviam muitos corações por causa de sua desordem e seu descaso. Muitos lugares serão aspergidos de sangue. E cinco raças sozinhas comerão seus filhos. As regiões do sul receberão a palavra da luz. Mas eles que são do erro do mundo e do oriente. . . .  Um demônio surgirá da barriga da serpente. Ele estava escondido em um lugar desolado. Ele realizará muitas maravilhas. Muitos o abominarão. Um vento sairá de sua boca com uma semelhança feminina. Seu nome será chamado Abalfe. Ele reinará sobre o mundo do leste para o oeste.

Então a natureza terá uma última oportunidade. E as estrelas cessarão do céu. A boca do erro será aberta para que a escuridão maligna possa se tornar ociosa e silenciosa. E no último dia as formas da natureza serão destruídas com os ventos e todos os seus demônios; eles se tornarão um nódulo escuro, assim como eram desde o início.  E as águas doces que foram sobrecarregadas pelos demônios perecerão. Pois para onde o poder do espírito foi, existem as minhas águas doces. As outras obras da natureza não serão manifestadas. Elas se misturarão com as infinitas águas das trevas. E todas as suas formas cessarão a partir da região média.

SEM ASCENDE, EM MENTE, E RECITA A LITANIA:

Eu, Sem, já completei estas coisas. E minha mente começou a se separar do corpo de escuridão.  Meu tempo foi completado. E minha mente colocou sobre o testemunho imortal. E eu disse,

“Declaro seu testemunho,

que vocês me revelaram:

Elorchaios,

e você, Amoiaias,

e você, Sederkeas,

e sua inocência, Strofaias,

e você, Chelkeak,

e você, Chelkea,

e Chelke e Elaios,

você é o testemunho imortal.

Eu testemunho a vocês,

centelha, a insaciável,

que é um olho do céu e uma voz de luz,

e Sofaia, e Safaia, e Safaina,

e a centelha justa,

e a fé, a primeira e a última,

e o ar superior e o ar inferior,

e todos os poderes e autoridades que estão no mundo.

E você, luz impura,

e você também, leste e oeste, e sul e norte,

vocês são as zonas do mundo habitado.

E você também, Moluchtha e Essoch,

você é a raiz do mal

e todo trabalho e esforço impuro da natureza”.

Estas são as coisas que eu completei enquanto testemunhava. Eu sou Sem. No dia em que eu deveria sair do corpo, quando meu pensamento permaneceu no corpo, acordei como se fosse de um sono profundo. E quando me levantei como que do peso do meu corpo, eu disse: “Assim como a natureza envelheceu, assim é também no dia dos seres humanos”. Bênçãos sobre aqueles que sabiam, quando dormiam, em que poder descansava seu pensamento”.

E quando as Plêiades se separaram, eu vi nuvens, que eu vou passar. Pois a nuvem do espírito é como um berilo puro. E a nuvem do hímen é como uma esmeralda brilhante. E a nuvem do silêncio é como um florescente amaranto. E a nuvem da região do meio é como um jacinto puro.

“E quando o justo apareceu na natureza, então, quando a natureza estava zangada, ela se sentiu ferida, e concedeu à Morfaia de visitar o céu. O justo visita durante doze períodos para poder visitá-los durante um período, para que seu tempo seja completado rapidamente e a natureza se torne ociosa.

IDE EM GRAÇA E FÉ:

“Bênçãos para aqueles que se guardam contra a herança da morte, que é a água pesada da escuridão”. Pois não será possível conquistá-las em poucos momentos, já que elas se apressam a sair do erro do mundo”. E se forem conquistados, serão afastados deles e atormentados na escuridão até o momento de sua consumação.  Quando a consumação tiver chegado e a natureza tiver sido destruída, então seus pensamentos se separarão da escuridão. A natureza os sobrecarregou por um curto período de tempo. E eles estarão na luz inefável do espírito inconcebível, sem uma forma. E assim é a mente, como eu disse desde o início.

“Doravante, ó Sem, ide em graça e continua na fé sobre a terra”. Pois cada poder de luz e fogo será completado por mim por causa de ti”. Pois sem ti não serão revelados até que fales deles abertamente. Quando deixardes de estar sobre a terra, eles serão dados aos dignos. E, além desta proclamação, que falem de vocês sobre a terra, pois eles tomarão a terra despreocupada e agradável.

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Fonte:

<http://www.gnosis.org/naghamm/para_shem-barnstone.html>.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-parafrase-de-sem/

A Queda dos Anjos

Embora no Gênesis não esteja claro que os nefilins fossem maus, assim eles foram considerados nos livros apócrifos da época do Segundo Templo. Entre os achados arqueológicos mais importantes nesta área, encontra-se um texto em aramaico, descoberto no inverno de 1896-97 numa genizah de uma comunidade hebraica do Cairo e publicada, pela primeira vez, sob o título de Documento de Damasco, em 1910. Diz o seguinte:

«III – E, agora, ouvi-me, meus filhos, que eu descerrarei os vossos olhos para que possais escolher aquilo que Ele ama e desprezar tudo aquilo que odeia, para poderdes caminhar perfeitamente em todos os Seus caminhos e não errardes seguindo impulsos culposos ou deitando olhares de fornicação. Porque muitos foram os que se desviaram e homens fortes e valorosos aí escorregaram, tanto outrora como hoje. Caminhando com a rebelião nos corações, caíram os próprios guardas dos céus, a tal chegados porque não observavam os mandamentos de Deus, tendo caído também os seus filhos, cuja estatura atingia também a altura dos cedros e cujos corpos se assemelhavam a montanhas. Todo o ser vivo que se encontrava em terra firme, caiu, sim, e morreu, e foram como se não tivessem sido, porque procediam conforme a sua vontade e não observavam os mandamentos do seu Criador, de maneira que a cólera de Deus se inflamou contra eles.»

Vários fragmentos do Livro de Enoch, escritos em aramaico, foram descobertos nas célebres grutas de Qumran, no Mar Morto. Contudo, mesmo depois dos textos terem sido comparados e executado um árduo trabalho de reconstituição, ainda faltaram diversas lacunas. Tentei amenizar este problema tapando os buracos com passagens de uma tradução livre para o etíope quase idêntica ao original aramaico, encontrada na Abissínia (conhecida como Enoch Etíope ou I Enoch):

VI – 1 «Sucedeu que quando se multiplicaram naqueles dias os filhos dos homens, nasceram-lhe filhas formosas e belas. Os Vigilantes, filhos do céu, viram-nas, desejaram-nas e disseram uns aos outros: Vamos e escolhamos mulheres dentre as filhas dos homens e engendremos filhos. Porém Semihaza, que era o seu chefe, lhes disse: Temo que não queiras realizar esta obra, e seja eu sozinho culpável de um grande pecado. Responderam e lhe disseram todos:» «Juremo-nos todos e comprometamo-nos todos sob anátema. Uns com os outros, a não voltarmos atrás neste projeto até que tenhamos realizado esta obra. Então se juramentaram todos em uníssono e se comprometeram uns com os outros. Eram duzentos todos os que desceram no tempo de Jared sobre o cimo do monte Hermon. Chamaram o monte “Hermon”, porque juram e se comprometeram sob anátema uns com os outros nele. Estes são os nomes de seus chefes: Semihazah, que era seu chefe; ‘Ar’teqof, o segundo com relação a ele; Ramt’el, o terceiro com relação a ele; Kokab’el, o quarto com relação a ele; ???’el, o quinto com relação a ele; Ra’ma’el, sexto com relação a ele; Dani’el, sétimo com relação a ele; Zeq’el, oitavo com relação a ele; Baraq’el, nono com relação a ele; ‘Asa’el, décimo com relação a ele; Hermoni, undécimo com relação a ele; Matar’el, duodécimo com relação a ele; ‘Anan’el, décimo terceiro com relação a ele; Sato’el, décimo quarto com relação a ele; Shamsi’el, décimo quinto com relação a ele; Sahari’el, décimo sexto com relação a ele; Tumi’el, décimo sétimo com relação a ele; Turi’el, décimo oitavo com relação a ele; Yomi’el décimo nono com relação a ele; Yehadi’el, vigésimo com relação a ele. Estes são os chefes dos chefes de dezena.»

VI – 1 «Eles e seus chefes, todos tomaram para si mulheres, escolhendo entre todas, e começaram a ir a elas e a contaminar-se com elas, a ensinar-lhes bruxarias, encantos e o corte de raízes, e a revelar-lhes as plantas. Elas ficaram grávidas deles e pariram gigantes, altos uns três mil côvados, que nasceram sobre a terra conforme a sua infância, e cresceram de acordo com seu crescimento, e que devoravam o trabalho de todos os filhos dos homens, sem que os homens pudessem abastecê-los. Os gigantes conspiravam para matar os homens e para devora-los. Começaram a pecar […] contra todos os pássaros e animais da terra e contra os répteis que se movem sobre a terra e nas águas e no céu, e os peixes do mar, e a devorar uns a carne dos outros, e bebiam o sangue. Então a terra acusou os ímpios por tudo o que se havia feito nela.»

VIII – 1. «’Asa’el ensinou os homens a fabricar espadas de ferro e couraças de cobre e lhes mostrou o que se escava e como poderiam trabalhar o ouro para deixa-lo preparado; e quanto à prata, a lavrá-la para braceletes e outros adornos para as mulheres. Às mulheres revelou acerca do antimônio e acerca do sombreado dos olhos e de todas as pedras preciosas e sobre as tinturas [E assim grassava uma grande impiedade; eles promoviam a prostituição, conduziam aos excessos e eram corruptos em todos os sentidos.]» «Semihazah ensinou encantamentos e a cortar raízes; Hermoni ensinou a desencantar, a bruxaria, a magia e habilidades; Baraq’el ensinou os sinais dos raios; Kokab’el ensinou os sinais das estrelas; Zeq’el ensinou os sinais dos relâmpagos; ???’el ensinou os sinais de […]; ‘Ar’teqof ensinou os sinais da terra; Shamsi’el ensinou os sinais do sol; Sahari’el ensinou os sinais da lua. E todos começaram a descobrir segredos à suas mulheres.» «Como estava perecendo uma parte dos homens da terra, seu grito subia até o céu.»

IX -1 «Então Miguel, Sariel, Rafael, e Gabriel olharam para a terra do santuário dos céus e viram muito sangue derramado sobre a terra; e toda a terra estava cheia da maldade e da violência que se pecava sobre ela. Ouvindo isto, os quatro foram e disseram que o grito e o lamento pela destruição dos filhos da terra subia até as portas do céu. E disseram aos santos do céu: É agora a vós, santos do céu, a quem suplicam as almas dos filhos dos homens dizendo: “Levai nosso caso diante do Altíssimo e nossa destruição diante da majestade!” Foram Rafael, Miguel, Sariel e Gabriel, e disseram diante do Senhor do mundo: “Tu és nosso grande Senhor, tu és o Senhor do mundo; Tu és o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores e o Rei dos reis. Os céus são o trono de tua glória por todas as gerações que existem desde sempre, e toda a terra é o escabelo ante ti por toda a eternidade, e teu nome é grande e santo e bendito para sempre. [Tudo foi por Ti criado e conservas o domínio sobre todas as coisas. Tudo é claro e manifestado diante dos teus olhos. Tu vês tudo e nada pode ocultar-se na tua presença. Tu vês o que foi perpetrado por Azazel, como ele ensinou sobre a terra toda espécie de trangreções.]» «pois (eles) ensinaram os mistérios eternos que há no céu para que os praticassem os conhecedores dentre os homens. E (olha) Shemihaza, a quem deste autoridade para reinar sobre todos os seus companheiros. Foram às filhas dos homens da terra e dormiram com aquelas mulheres, contaminando-se com elas [e familiarizaram-nas com toda sorte de pecados. As mulheres pariram gigantes e, em conseqüência, toda a terra encheu-se de sangue e de calamidades. 6. Agora clamam as almas dos que morreram, e o seu lamento chega às portas do céu. Os seus clamores se levantam ao alto, e em face de toda a impiedade que se espalhou sobre a terra não podem cessar os seus queixumes. 7. E Tu sabes de tudo, antes mesmo que aconteça. Tu vês tudo isso e consentes. Não nos dizes o que devemos fazer.]”»

X – 1 «[Então o Altíssimo, o Santo, o Grande, tomou a palavra e enviou Uriel (= Sariel) ao filho de Lamech (Noé), com a ordem seguinte: “Diz-lhe, em meu nome: ‘Esconde-te’, e anuncia-lhe o fim próximo! Pois o mundo inteiro será destruído; um dilúvio cobrirá toda a terra e aniquilará tudo o que sobre ela existe.] Ensina ao justo o que deve fazer, e ao filho de Lamec a preservar sua alma para a vida e a escapar para sempre. E por ele será plantada uma planta e serão estabelecidas todas as gerações do mundo.» «[O Senhor] disse a Rafael: “Vai, pois, Rafael, e ata Azael de pés e mãos e arremessa-o nas trevas! [Cava um buraco no deserto de Dudael e atira-o ao fundo! Deposita pedras ásperas e pontiagudas por baixo dele e cobre-o de escuridão! Deixa-o permanecer lá para sempre e veda-lhe o rosto, para que não veja a luz! 4. No dia do grande Juízo ele deverá ser arremessado ao tremendal de fogo! Purifica a terra, corrompida pelos Anjos, e anuncia-lhe a Salvação, para que terminem seus sofrimentos e não se percam todos os filhos dos homens, em virtude das coisas secretas que os Guardiões revelaram e ensinaram aos seus filhos! Toda a terra está corrompida por causa das obras transmitidas por Azazel. A ele atribui todos os pecados!”]»; «E a Gabriel disse o Senhor: “Vai aos bastardos e aos filhos da fornicação e destrói os filhos dos Vigilantes dentre os filhos dos homens; mete-os em uma guerra de destruição, pois não haverá para eles longos dias. Nenhuma petição a seu favor será concedida a seus pais; pois esperam viver uma vida eterna, ou que cada um deles viverá quinhentos anos”. E a Miguel disse o Senhor: “Vai, Miguel, e anuncia a Shemihaza e a todos os seus amigos que se uniram com mulheres para contaminar-se com elas em sua impureza, que seus filhos perecerão e eles verão a destruição de seus queridos; acorrenta-os durante setenta gerações nos vales da terra até o dia grande de seu juízo. [Nesse dia, eles serão]» (condenados a) «tortura e ao fechamento na prisão eterna. Tudo o que seja condenado estará perdido desde agora; será acorrentado com eles até a destruição de sua geração. E no tempo do juízo com que eu julgarei, perecerão por todas as gerações. Destrói todos os espíritos dos bastardos e dos filhos dos Vigilantes, porque fizeram operar o mal aos homens. Destrói a iniqüidade da face da terra, faz perecer toda obra de impiedade e faz que apareça a planta da justiça; ela será uma bênção e as obras dos justos serão plantadas no gozo para sempre. Naquele tempo todos os justos escaparão e viverão até que engendrem milhares. Todos os dias de vossa juventude e de vossa velhice se completarão em paz.”»

VII – 1. [Enoch havia desaparecido, e nenhum dos filhos dos homens sabia onde ele se encontrava, onde se ocultava e o que era feito dele. O que ocorrera é que ele havia estado junto dos Guardiões e transcorreu os seus dias na companhia dos Santos. 2. Eu, Enoch, ergui-me e louvei o Senhor da Majestade e Rei do mundo. Então os Guardiões (santos) me chamaram, a mim Enoch, o Escriba, e disseram-me: “Enoch, tu, o Escriba da Justiça, vai e anuncia aos Guardiões do céu que perderam as alturas do paraíso e os lugares santos e eternos, que se corromperam com mulheres à moda dos homens, que se casaram com elas, produzindo assim grande desgraça sobre a terra; anuncia-lhes: ‘Não encontrareis nem paz nem perdão’. Da mesma forma como se alegram com seus filhos, presenciarão também o massacre dos seus queridos, e suspirarão com a desgraça. Eles suplicarão sem cessar, mas não obterão nem clemência nem paz!”]

XIII – 1. [Então Enoch encaminhou-se até eles e assim falou a Azazel: “Tu não terás a paz. Uma sentença severa recaiu sobre ti: deverás ser acorrentado. Não alcançarás indulgência nem será aceita a intercessão, por causa dos atos violadores que ensinaste a praticar, e por causa de todas as obras blasfemas, da violência e dos pecados que mostraste aos homens.” Então eu redigi a palavra a todos eles. Todos encheram-se de grande medo e foram tomados de pavor e tremor. Suplicaram-me que lhes escrevesse um rogo intercessório, para que pudessem obter o perdão, e que eu lesse o seu pedido na presença do Senhor dos céus. Pois a partir de então não lhes era mais permitido falar com ele nem levantar seus olhos para o céu, de vergonha pelos seus delitos, pelos quais foram castigados. Assim eu redigi o seu rogo] «com todas as suas petições, por suas almas, por todas e cada uma de suas obras e por todos o que pediam: que houvesse para eles perdão e longevidade. Fui e me sentei junto às águas de Dã, na terra de Dã, que está ao sul do Hermonim, ao seu lado oeste, e estive lendo o livro de anotações de suas petições até que dormi. Eis que me vieram sonhos e caíram sobre mim visões até que levantei minhas pálpebras às portas do palácio do céu […] E vi uma visão do rigor do castigo. E uma voz veio e me disse: Fala aos filhos do céu para repreendê-los. Quando despertei, fui a eles. Todos eles estavam reunidos juntos e sentados e chorando em Abel-Maya (a Fonte do Pranto) que está entre o Líbano e Senir, com os rostos cobertos.»; «Eu contei diante deles todas as visões que havia visto em sonhos e comecei a falar com palavras de justiça e de visão e a repreender os Vigilantes celestes.»

XIV 1. [Este é o] «livro das palavras da verdade e da repreensão dos Vigilantes que eram desde sempre, segundo o que ordenou o Grande Santo no sono que sonhei. Nesta visão eu vi em meu sonho o que agora digo com a língua carnal, com o alento de minha boca, que o Grande deu aos filhos dos homens para que falem com ela e para que compreendam no coração. Assim como Deus destinou e criou os filhos dos homens para que compreendam as palavras do conhecimento, assim me destinou e fez e criou a mim para que repreenda os Vigilantes, os filhos do céu. Eu escrevi vossa petição, Vigilantes, e numa visão me foi revelado que vossa petição não vos será concedida por todos os dias da eternidade, e que haverá juízo por decisão e por decreto contra vós; que a partir de agora não voltareis ao céu e não subireis por todas as idades; e que foi decretada a sentença para acorrentar-vos nas prisões da terra por todos os dias da eternidade; porém que antes vereis que todos os vossos queridos irão à destruição com todos os seus filhos; e as propriedades de vossos queridos e de seus filhos não as desfrutareis; cairão ante vós pela espada de destruição, pois vossa petição por eles não vos será concedida, como não vos é concedida por vós mesmos. Vós continuareis pedindo e suplicando. […] Não pronunciareis nem uma palavra do escrito que eu escrevi.»

Esses Vigilantes que “mudaram suas obras” e resolveram ensinar aos humanos ciências divinas foram responsabilizados não só pelas guerras (que naquele tempo nem sempre eram vistas como algo ruim) mas também por terem iniciado ou aperfeiçoado a própria civilização: Semihazah ensinou “bruxarias, encantos e o corte de raízes, e a revelar-lhes as plantas”. Nisso se incluía a antiga homeopatia (fabricação de remédios naturais), já conhecida e rigorosamente aperfeiçoada pelos egípcios desde tempos remotos; E também a fabricação de venenos – retirados das plantas – que era uma especialidade daquele período, herdada da dominação romana.

Menos eficazes, mas nem por isso menos populares, deveriam ser as “bruxarias” e “encantos”, aos quais alegava-se que serviam para praticamente tudo que se pudesse desejar, principalmente ganhar fama, fortuna e atrair o sexo oposto. Geralmente nessas práticas se ensina que quando o feitiço da errado é 1) porque o praticante não executou como devia ou 2) porque seu inimigo fez um contra feitiço anulando o primeiro. Assim Hermoni (et. Armaros) “ensinou a desencantar, a bruxaria, a magia e habilidades”… Uma segunda versão em etíope fala sobre outros Vigilantes que, juntamente com Semihazah, teriam ensinado magia: Kasdeja “ensinou aos filhos dos homens toda espécie de sortilégios dos espíritos e dos demônios, bem como os malefícios contra o fruto do ventre materno, para sua expulsão, e os contra a alma, feitiços contra a picada de cobra, contra a insolação e contra o filho da serpente, chamado Tabaet. – E esta foi a tarefa de Kasbeel, que desvelara aos Santos o Juramento supremo, quando habitava no alto da Glória e se chamava Bika. Este pedira a Michael para transmitir-lhe o Nome secreto, a fim de que pudesse ser conhecido e empregado nos juramentos, conquanto aqueles que ensinaram as coisas ocultas aos filhos dos homens tremessem em face desse Nome e desse Juramento.” (I Enoch LXIX)

Sobre culinária, alfabetização e leis, é dito que Penemue “ensinou aos filhos dos homens o doce e o amargo, bem como todos os segredos da sua sabedoria. Ele também instruiu os homens na escrita com tinta e sobre papel, e com isso muitos se corromperam, desde os tempos antigos por todas as épocas, até os dias de hoje. Pois os homens não foram criados para fortalecer sua honestidade dessa maneira, por meio de pena e tinta”. (I Enoxh LXIX)

Kokab’el “ensinou os sinais das estrelas. (et. Ciência das constelações)”. Isso sem dúvida é antiga Astrologia, que incorporava elementos da astronomia. Esta “ciência” era muito valorizada pois, na antigüidade, eram os astrólogos que ficavam encarregados de informar sobre a mudança das estações, da configuração de calendários e outras coisas de grande utilidade para a vida rural e economia dos reinos. Ainda no campo da astrologia, parece que Zeq’el, que “ensinou os sinais dos relâmpagos (Et. Observação das nuvens)” e Baraq’el que “ensinou os sinais dos raios” ficaram responsáveis pala previsão do tempo… Para completar o quadro astronômico/astrológico, Shamsi’el “ensinou os sinais do sol” e Sahari’el “ensinou os sinais da lua. (et. Fazes da lua)”.

Em auxílio da agricultura, ‘Ar’teqof “ensinou os sinais da terra”, se era boa ou ruim para o plantio, etc. Tudo isso gerava grandes facilidades na vida humana que, tendo menos trabalho e mais tempo livre podia se dedicar a cuidados pessoais, iniciar uma vida urbana e até mesmo pensar numa expansão através da guerra. É aqui que entra aquele que apesar de não ser o líder parece ter provocado o maior dano de todos: ‘Asa’el (hebr. et. e árabe Azazel) “Ensinou os homens a fabricar espadas de ferro e couraças de cobre e lhes mostrou o que se escava e como poderiam trabalhar o ouro para deixa-lo preparado; e quanto à prata, a lavrá-la para braceletes e outros adornos para as mulheres. Às mulheres revelou acerca do antimônio e acerca do sombreado dos olhos (Kohol) e de todas as pedras preciosas e sobre as tinturas”.

Aparentemente, se não fosse pelos insaciáveis filhos vampiros, parece que os ensinamentos dos Vigilantes não seriam tão condenáveis assim, já que trouxeram para a humanidade mais bem do que mal… Tanto que um dos chefes de dezena, Dani’el (et. Danjal) foi adotado posteriormente como anjo da misericórdia pela tradição cristã, ficando mundialmente conhecido. Outro mencionado em versões posteriores, Uzza, tornou-se anjo benéfico para os árabes. De fato, o livro apocalíptico dos Jubileus conta que os Sentinelas (= Vigilantes) vieram para a Terra e depois pecaram, mas que seu príncipe, Samael, teria tido a permissão de Iahweh para atormentar a humanidade. Entretanto, o judaísmo posterior e quase todos os primeiros escritores eclesiásticos viram nesses “filhos de Deus” anjos culpados.

Sobre a posterior condenação, a Segunda versão de I Enoch limita-se a dizer que «em conseqüência desse Julgamento, eles serão submetidos à angústia e ao estremecimento por terem desvelado aquelas coisas aos habitantes da terra.» (I Enoch LXIX).

Na verdade nenhuma das sete cópias fragmentadas do Livro de Enoch (nem das cinco do Livro dos Gigantes) encontrados nas cavernas de Qumran continha menção ao “abismo de fogo” descrito no Enoch Etíope, o que é significativo pois se trata de textos particularmente grandes. É possível que estes textos sejam acréscimos posteriores de escribas ou tradutores Coptas – mesmo porque eles se assemelham mais à doutrina cristã dos primeiros séculos d.C. do que à mitologia judaica/essênia da época em que foram escritos os Manuscritos do Mar Morto. Uma descrição mais detalhada deste local de condenação aparece no Livro das “Similitudes de Enoch” (II Enoch); Esta versão, descoberta na Rússia em um texto eslavo, foi provavelmente escrita no Egito no princípio da era cristã e fala da viagem de Enoch através das diferentes coortes do Paraíso.

Por Shirley Massapust

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-queda-dos-anjos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-queda-dos-anjos/

As Aventuras de Pi – Uma análise cabalística

Aparentemente, “As Aventuras de Pi” (The Life of Pi), filme mais premiado do Oscar de 2013 (Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Trilha Sonora e Melhor Diretor), é apenas um filme com fotografia de encher os olhos que conta a história de Piscine Patel, vulgo Pi, que tenta provar a existência de Deus a um escritor desencorajado, relatando sua luta por sobrevivência em um bote salva-vidas, após um naufrágio em alto-mar com seu companheiro de viagem: o tigre Richard Parker. Porém, pode-se considerar redundância fazer uma análise cabalística deste filme, tão óbvio é o viés cabalístico presente em sua essência.

Pi nasce na Índia, filho caçula do dono de um zoológico e de uma botânica. Inabalável em sua crença no sagrado, quando criança, ele encontra espaço o suficiente em seu coração para abraçar as três maiores fés do mundo: o hinduísmo, o cristianismo e o islamismo, ignorando as diferenças de dogmas e preconceitos. Pi entende a unicidade e onipresença da luz de D’us, independente das formas e dos avatares existentes na história da humanidade.

Em um episódio peculiar com Richard Parker, em seu primeiro contato íntimo com o tigre, o protagonista tenta alimentá-lo com a própria mão, encarando-o nos olhos. Pi enxerga a alma do animal e a impressão que temos é que tudo correria bem, se o pai de Pi não o tivesse impedido, com medo do que aconteceria com o filho. Para ensiná-lo uma lição, o Sr. Patel alimenta o tigre com uma cabra, pedindo-o para ficar de olhos abertos, presenciando a selvageria do animal. Pi fica desolado. Seu mundo perde a cor, e sua fé fica completamente abalada. Assim o protagonista cresce, à procura de algo que trouxesse novamente significado em sua vida.

O auge do filme, porém, ocorre após a decisão do Sr. Patel de se mudar com toda a família para o Canadá, embarcando em um navio japonês, denominado Tsimtsum, para vender os animais do zoológico. Depois de quatro dias de viagem, Pi acorda no meio da noite em meio a uma violenta tempestade. Curiosamente, ele pede “mais chuva, mais chuva” ao “Deus da Tempestade”, e o Tsimtsum afunda, deixando-o a deriva no Oceano Pacífico.

O grande cabalista Isaac Luria descreveu um fenômeno curioso. No começo não havia Nada, apenas Luz Infinita. Nesse estágio pré-Criação, não existia lugar onde algo pudesse existir. Quando Ele decidiu criar, sabendo que nada poderia existir onde existisse a Luz Infinita, tamanha sua potência, o Criador retraiu sua Luz em um determinado espaço e o circunda, resultando em um vácuo dentro da Luz Infinita. Só então Ele estendeu para dentro deste vácuo circular um raio de Luz que gerou toda a Criação.

Esse ato de contração de si mesmo para que pudéssemos existir, Luria chamou de Tsimtsum. O Criador, ao criar este espaço, delimitá-lo e enviar um raio de Luz, revela os conceitos de limite e restrição tão necessários à criação, muito similar à função do número irracional Pi.

Pi, durante a tempestade, age como a Criatura foi programada para agir: ele pede mais e mais, pois assim é a criatura em essência, em seu desejo egoísta de receber. E é nesse instante que o Tsimtsum afunda, em uma linda cena com alegorias sobre o momento da Criação para satisfazer qualquer estudante de cabala (talvez até mesmo o próprio Isaac Luria).

Após o naufrágio, o protagonista passa por diversas situações em sua luta para sobreviver. Sozinho, tendo perdido sua família, alimentando e ao mesmo tempo dominando Richard Parker, o que pode claramente ser uma alusão ao nosso Adversário, ao nosso ego e ao constante desejo de receber para si.

Durante toda a viagem de Pi e Richard Parker em alto mar, é possível identificar diversas referências cabalísticas. Em certo ponto, por exemplo, os personagens passam pela esfera de Yesod, antes de terminarem sua jornada, chegando finalmente a Malkuth. Para não entregar o ouro tão facilmente, deixemos aos leitores a percepção destes pormenores.

Ao final de sua história, Pi conta para o jornalista que existem duas versões da história e que ele deve escolher qual é a verdadeira: a que ele acabara de contar, repleta de significados, amor e milagres; e a outra, com fatos realistas e cruéis.

De acordo com Pi, D’us é a “melhor história”. Acreditar em D’us torna a vida mais rica e mais repleta de sentidos – e ainda assim, a vida é a mesma. Ele viveu seu momento pessoal de re-criação do seu universo, sobrevivendo a todas as mazelas e vendo a beleza do Criador em todas elas.

A escolha, na verdade, é sempre nossa: ver apenas o sofrimento e a dor do mundo ou descobrir o significado profundo de todas as coisas.

D’us, ao criar o Universo, oculta sua Luz de nós, para que nós possamos fazer nossas próprias escolhas. Mas Ele permanece imanentemente presente, mesmo estando oculto. De certa forma, ele está mais presente em Sua ausência que em Sua presença.

Do excelente blog CEMEC – Centro de Estudos e Meditação Cabalista

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-aventuras-de-pi-uma-an%C3%A1lise-cabal%C3%ADstica

Contos do Vigário – O Guia Anti-Estelionato

Wagner Tomás Barba, Jorge Rodrigues da Silva

Sabe aquela pessoa cheia de boa vontade para ajudar no caixa eletrônico do banco? E aquela cota já contemplada de consórcio? E aqueles sorteios e prêmios oferecidos por uma famosa loja, será que vão mesmo acontecer? Muito cuidado. Você pode estar sendo vítima de mais um conto do vigário. Existem maneira antigas e novas de se aplicar um golpe, mas todas elas têm um único objetivo: separar você do seu dinheiro. Esse é o livro mais completo sobre como esses golpes funcionam e como se blindar contra estas pessoas mal intencionadas..

Aqui você encontrará dezenas de modalidades de contos do vigário e o que fazer para se proteger contra eles. Os autores, profissionais consagrados no setor da segurança pública explicam aqui como agem os vigaristas por meio de numerosas descrições de casos comuns. O livro foi escrito com base na experiência no combate ao crime de estelionato dos dois autores, assim como pela colaboração e consulta de dezenas de outros policiais.

Às vezes os golpistas agem sozinhos, as vezes em duplas e às vezes em grupos e muitas vezes existe uma conivência, mais ou menos explícita das vítimas. A leitura desta obra será um ótimo investimento do seu tempo para proteger o seu patrimônio e até impedir que você e seus familiares e amigos sejam vítimas de amargas ( e as vezes merecidas) gozações. Ninguém gosta de ser enganado então aprenda como não ser.

O que é estelionato?

Qualquer um de nós, a qualquer instante pode ser vítima de estelionato. No aconchego do lar, no trabalho, no comércio e particularmente dentro das agências bancárias. O nome estelionato nasceu do direito romano stellionatus que vem de stellio onis, que é o nome em latim para o camaleão, o réptil que muda de cor. Da mesma forma o estelionatário conforme o instante tem de agir de forma teatral efetuando performances para conseguir que seus golpes alcancem o sucesso.

Para definirmos segundo o Código Penal Brasileiro, estelionato é crime contra o patrimônio que consiste em obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. A lei impõe uma descrição elástica de modo que os casos mais diferentes podem ser enquadrados nesta definição. Tornou-se sinônimo de falcatrua e fraudes diversas.

A Lei de Gerson

A lei de Gerson é aquela que diz que algumas pessoas querem levar vantagem em tudo. Muitas vezes o crime de estelionato se consuma exatamente quando a suposta vítima também é levada a acreditar que poderá usufruir de vantagens ilícitas ou imorais. Muitos golpes usam da malícia da vítima em levar vantagem ilícita. Isso faz com que,envergonhadas, poucas delas procurem a polícia. Veremos vários exemplos disso a seguir. Isso não significa entretanto que todas as vítimas de golpes são também vigaristas. Muitos outros golpes acontecem baseados simplesmente na inocência de suas vítimas.

O Conto do Prêmio

Neste tipo de conto é necessária a participação de dois estelionatários. Um deles, quase sempre uma mulher, observa dentro de uma agência bancária verificando quem efetua uma retirada grande de dinheiro. Após identificar a vítima, corre atrás dela e propositalmente deixa cair uma folha de cheque devidamente preenchida com alto valor.  Aproxima-se e pergunta se tal documento é dela. A vítima responde negativamente e então surge o comparsa dizendo ser proprietário do cheque. De tão agradecido dá uns telefonemas e diz sentir-se na obrigação  de oferecer aos outros dois um prêmio. A vítima cala-se no sentido de levar vantagem.Para retirar o prêmio cada um deve ir só em um endereço para retirar o prêmio e adverte que deverá deixar algum valor para comprovar sua honestidade. A mulher deixa a bolsa e vai retirar o prêmio retornando, por exemplo, com um belo calçado.  Agora é a vez da vítima que sabendo que ganhará o prêmio, não hesita em deixar seus pertences como  a desconhecida fez. Ao chegar na loja indicada descobre que não tem prêmio algum esperando e que ninguém conhece o homem. Ao retornar ao banco descobre que ambos os estelionatários já foram embora.

Conto do bilhete premiado

Este é um dos golpes mais antigos mas até hoje faz vítimas e também são necessários dois criminosos. Um estelionatário, geralmente vestindo roupas simples aproxima-se da vítima dizendo que veio do interior e que teria comprado um bilhete mas não sabe dizer se ganhou ou não. Quando a pessoa se dispõe a ajudá-lo surge o segundo estelionatário e entra na conversa sugerindo que todos entrem juntos na lotérica. Lá dentro ele chama a vítima de lado e diz: “Esse bilhete é premiado e vai dar uma fortuna.. Vamos conversar com o caipira e conseguir comprar dele pagando bem menos e então dividimos o prêmio, que tal?”

Convencendo a vítima o estelionatário diz ao seu comparsa disfarçado que o prêmio é muito pequeno e que deve ser retirado em Brasília. O comparsa fica feliz e diz que estava precisando do dinheiro mesmo para pagar uma dívida, dando o valor correspondente aos dois. O segundo estelionatário se afasta e diz que não tem todo aquele dinheiro, mas se a vítima puder dispor daquela quantia todos ficariam felizes, pois o caipira quitaria sua dívida e a vítima dividiria um prêmio de grande valor. Com o dinheiro o caipira agradece e vai embora muito feliz. O segundo estelionatário entrega o bilhete e diz que vai buscar o carro para irem juntos retirar o grande prêmio.

Conto do Stradivarius

Este golpe é mais raro, mas bastante curioso. Novamente dos estelionatários adquirem um violino usado por um valor irrisório. Em seguida um deles se aproxima de um bar, lanchonete ou ponto de ônibus dizendo que está doente e por isso precisa vender este violino. O comerciante como sempre ocorre nega-se a comprar. Parecendo frustrado e doente o estelionatário pede então somente o dinheiro para uma condução deixando o violino no estabelecimento como garantia de que retornará para devolver o valor da passagem. No dia seguinte o comparsa aparece  e começa a conversar fazendo com que o assunto gire em torno de música, instante em que se diz colecionador de instrumentos musicais antigos.  Quando o comerciante mostra o violino o estelionatário com ares de quem conhece o assunto e depois de minuciosa vistoria diz tratar-se de um Stradivarius de grande valor e após conversa oferece ao comerciante o valor de dez mil reais. O comerciante topa, mas o especialista diz que não gosta de coisa errada e que precisa ter certeza que o instrumento é mesmo dele. Diz que se o comerciante conseguir comprar o instrumento até a semana seguinte ele pagará o valor combinado.Quando o primeiro vigarista retorna ele diz que não deseja mais vender o violino, mas como se acha em estado de necessidade  pede pelo menos a quantia de três mil reais. Apesar do valor alto o comerciante acredita que vai ganhar muito dinheiro com a revenda. O que, é claro, jamais acontece.

Conto do Baú da Felicidade

Este golpe já fez muita vítimas no Brasil e precisa de cerca de quatro estelionatários.  Com documentos falsos eles alugam uma Kombi e decoram ela com adesivos  de forma a imitar a identidade visual do famoso carnê de premiação. Então escolhem uma área  e distribuem de casa em casa panfletos do grupo noticiando uma grande venda com prêmios diversos na data X. Quando o dia chega passam pelo local com a perua e de casa em casa oferecem o carnê com a primeira prestação quitada. Dizem que as pessoas já estariam concorrendo aos prêmios imediatamente e receberiam um desconto de 30% do total pago se comprassem com eles. Tudo é claro não passa de uma farsa, os carnês são falsos e o sorteio nunca acontece.

Conto da Bíblia

Neste golpe o criminoso primeiro pesquisa nos obituários os nomes e endereços de falecidos recentes.  Com estes dados cerca de três dias depois da morte comparece em suas casas levando uma bíblia (de cerca de 50 reais). Ao ser recebido diz que o falecido havia encomendado. Quando é informado do falecimento demonstra pesar e pergunta se a pessoa é parente e qual o nome. Fingindo consultar uma lista diz que aquela bíblia era justamente um presente para esse parente e que o produto seria pago na retirada. Alega ainda que infelizmente não poderia devolver o produto deixando a pessoa em uma situação constrangedora. As pessoas fragilizadas podem levadas por este golpe pagar cerca de quatro vezes mais pela bíblia (em torno de 200 reais). Nem todos escolhem realizar a compra, mas visitando quatro ou cinco casas por dia o estelionatário consegue uma bela quantia.

O Conto do Supermercado

Essa equipe de estelionatários prepara uma kombi adesivada como se fosse de um supermercado famoso. Passam então em bairros de classe média alta dizendo que estão fazendo uma pesquisa para ver a possibilidade de inaugurar uma nova unidade naquela região. A cada visita deixam um cupon de um sorteio promocional de inauguração, uma televisão de última geração por exemplo. Dias depois retornam a algumas residências  e informam que ela foi a felizarda ganhadora do sorteio. A felicidade é grande  e eles usam essa alegria para fazer uma falsa propaganda do  supermercado, recolhem um depoimento e batem uma foto para registrar o acontecido. Em seguida informam que como o equipamento é grande  não puderam trazer com eles e será necessário que a pessoa acerte o custo do frete de digamos 50 reais.  Geralmente a vítima paga de imediato e após visitar algumas casas a gangue recupera o dinheiro investido no golpe com grande lucro

Conto do Banco Eletrônico

Munido de cartões de crédito e débito conseguidos por meio do crime comum este estelionatário ronda filas de banco. Eventualmente alguém na sua frente demonstrará dificuldades em usar os menus do caixa automático. Nesse momento o estelionatário se oferece para ajudar com toda simpatia do mundo. Ele realiza o saque necessário e entrega o dinheiro para a pessoa junto com um cartão trocado. Possuindo o cartão da pessoa ele espera a vítima ir embora e com  a senha memorizada realiza um grande saque. A vítima raramente desconfia e só percebe que seu cartão foi trocado na próxima vez que precisar usá-lo.

Golpe do Fiscal

Bem vestido e munido de documentos falsos e um crachá esse estelionatário percorre a cidade fingindo ser um fiscal da prefeitura. Esse golpe é aplicado geralmente aos sábados quando não há fiscais de verdade circulando. Ao chegar em um estabelecimento ele procura o proprietário e pede uma série de documentos. Aparenta fazer uma vistoria e ao encontrar um erro informa que o dono será notificado de que o estabelecimento terá que ser interditado por quinze dias ou mais até que os encargos e multas sejam devidamente pagos na prefeitura. Nosso falso fiscal fica incitando o proprietário até que esse comece a procurar alternativas menos honestas de se livrar do problema. O estelionatário pode mostrar uma falsa relutância mas acaba saindo de lá com o bolso cheio.

Conto do concurso

Estes estelionatários ficam atentos as listas gerais de resultados de concursos públicos e em seguida vão atrás dos concursados. Após um pouco de conversa insuspeita levam o assunto para o concurso e então dizem ter um amigo que teria um esquema para colocar pessoas dentro. Um conhecido dentro do governo com poder o bastante para definir o resultado do concurso. Ele deixa o contato, que é de outro estelionatário. Muitas pessoas têm caráter e não aceitam tal tipo de coisa. Infelizmente muitos não agem assim e acabam procurando a pessoa para seu próprio prejuízo. Essas pessoas são levadas a acreditar que conseguirão uma boa colocação, mas que deverão pagar uma certa quantia ao farsante. Para ganhar confiança são levados a acreditar que podem pagar metade agora e metade quando estiverem empregados.

Um golpe semelhante é o golpe da aposentadoria, no qual uma pessoa é levada a acreditar que se pagar uma certa quantia não precisará mais trabalhar e passará a receber uma aposentadoria não merecida do INSS.

Conto da Pirâmide

Apesar de muito conhecido esse golpe continua a fazer vítimas todos os anos. Quem inicia o golpe é quem ganha a maior bolada. Geralmente junta alguns amigos ( que também ganharão alguma coisa), combinam um regulamento e montam uma organização. O criador, sem gastar nada faz com que dois conhecidos entreguem a ele um quantia de digamos 10 reais. Estes dois amigos estão no segundo bloco da pirâmide e cada um deles fará mais dois amigos entregarem a ele 10 reais cada. Ou seja, cada um deles gastou 10 reais e ganhou 20. Cada novo integrante da pirâmide deve procurar mais dois conhecidos para continuar o esquema. Tudo parece perfeito, mas o problema é que as pirâmides são insustentáveis e acabam de desestruturando e os blocos se perdem deixando em sua base muitas pessoas no prejuízo. Existem várias modalidades deste golpe, que apesar de disfarçado com outros nomes são a mesma coisa.

O Golpe do Baú

Este é um golpe muito antigo. Apesar de demorado de ser executado pode ser muito lucrativo para o vigarista. O golpista tem que ter uma beleza física acima da média, saber se produzir e frequentar festas da alta roda da sociedade. Ali procura se aproximar de pretendentes solteiros, separados ou viúvos. Geralmente procura idosos para tentar jogar seu charme e assim conquistar seu coração sofrido. Após a conquista busca conseguir o noivado o mais rápido possível. Depois do noivado vem o casamento com Comunhão Universal de Bens. A chantagem emocional é usada para driblar a desconfiança. Por fim, após alguns meses vem a separação e o golpista leva um lucro enorme para casa.

Conto da Rifa Premiada

Inicialmente o vigarista ganha a amizade de algum comerciante. Após conquistar sua confiança o criminoso diz que vende rifas e propõe que o comerciante as revenda, sendo que como pagamento ganhará a mesma mercadoria que o ganhador da rifa. Periodicamente o vigarista passa pelo estabelecimento com o pretexto de perguntar como está a venda da rifa e pegar sua porção do dinheiro. Isso se repete até que perceba que já lhe foi entregue uma boa quantia do dinheiro e então não mais retorna. Como o comerciante não sabe que se trata de um golpe continua a venda das rifas, sendo que no final ele mesmo abre a rifa a fim de ver quem ganhou, chegando a entrar em contato com vencedor. O prêmio nunca será dado e a vítima ficará com um grande problema nas mãos.

Uma variação desse golpe é quando um vigarista cria uma rifa um determinado prêmio, como um carro ou uma moto. Tudo parece ir bem e a premiação realmente ocorre. O problema é que após receber o prêmio o  ganhador do mesmo, ao fazer o levantamento dos documentos para fins de transferência descobre que o veículo está bloqueado por uma financeira ou repleto de multas. O ganhador fica assim com uma terrível dor de cabeça em suas mãos.  Quando vai reclamar o ganhador não chega até o estelionatário mas sim com a entidade que bloqueou o veículo. Diante disso o vigarista sai ileso.

Conto da venda e troca da joia

Neste golpe o estelionatário  sai a procura de uma vítima que geralmente são encontradas em estabelecimentos bancários retirando uma boa quantia em dinheiro. O vigarista ultrapassa essa pessoa e deixa cair em sua frente um relógio ou pulseira de ouro. Ao ser avisado do falso acidente o criminoso se mostra muito agradecido e inicia uma conversa. Após curto tempo diz que estava indo vender a jóia que havia deixado cair por um preço muito atrativo. Trata-se de uma jóia real, que pode ser avaliada, mas valendo de habilidades manuais o estelionatário em dado momento troca por uma joia falsa. Muitas vítimas ao se descobrirem enganadas  não prestam queixas por vergonha ou pelo fato de terem comprado de forma clandestina.

Conto da Agiotagem

Devido a situação econômica desfavorecida, muitas pessoas tornam-se vítimas deste golpe. O estelionatário se aproveitando das necessidades financeiras de alguém empresta uma quantia em dinheiro, cobrando juros tão altos que não poderão ser pagos. Essas vítimas são levadas a se manterem eternamente em dívida ou como alternativa tomando seus bens e imóveis. Há um fator de perigo a mais nesse conto pois durante as cobranças são  comuns ameaças e extorsões chegando muitas vezes a agressão física das vítimas.

Conto da Entrevista

Inicialmente o vigarista escolhe um bairro e visita casas de famílias com o pretexto de entrevistar a dona de casa, fazendo-a preencher um formulário. Neste formulário a dona de casa responde várias perguntas. Ao final da entrevista o estelionatário, que como sabemos é um mestre em convencer as pessoas, convence a dona de casa a assinar o questionário. Ela não sabe, mas acabou de assinar um contrato afirmando que comprou e recebeu do vigarista uma determinada mercadoria que nunca chegará em suas mãos. O estelionatário vai embora e procura um advogado que fará a cobrança das promissórias. Muitas vítimas intimidadas pelo advogado acabam pagando a conta com medo de terem seus nomes protestados junto aos cartórios.

Conto do Boi Gordo

Os estelionatários montam uma empresa cuja atividade será a criação de bois e vacas. Montada a empresa iniciam uma campanha promocional nos meios de comunicação, jornais, rádio e televisão divulgando o funcionamento e as atividades da empresa. Em seguida, iniciam a venda de ações da empresa para as vítimas.  A alta procura gerada pela campanha faz as ações apresentarem um grande rendimento para os acionistas que raramente se preocupam em conhecer a empresa de perto. O golpe pode se prolongar por  meses ou mesmo anos e os vigaristas apresentam a seus acionistas o balanço anual de como suas ações se valorizaram devido ao grande montante de bois e propriedades que a empresa adquire. O objetivo é fazer os investidores confiantes e animados convencerem seus amigos e parentes a também fazer parte do negócio. O golpe só chega ao fim quando alguém investiga a empresa a fundo e descobre que não existe propriedade alguma, nenhuma cabeça de gado sequer. Quando isso acontece os estelionatários desaparecem com o dinheiro antes das ações caírem.

Conclusão

  • Muitos golpes ocorrem fazendo a vítima pensar que conseguirá alguma vantagem ilícita para si mesma, fazendo com que se sinta envergonhada de procurar a polícia ao se ver enganada.
  • Dobre a atenção contra qualquer ajuda não solicitada ao lidar com seu dinheiro e patrimônio.
  • Cuidado redobrado em agências bancárias e locais de comércio.
  • Se for convidado a participar de esquemas de pirâmide ou outras formas de enriquecimento ilícito, caia fora. Apenas o trabalho dignifica o homem e traz as riquezas que perduram durante a vida.
  • Não deixe a vergonha de ter sido enganado te impedir de recorrer às autoridades se for vítima de um golpe. Procure sempre um Delegacia de Polícia e faça um Boletim de Ocorrência para que seja instaurado um inquérito policial.
  • Se for necessário procure também ajuda no Procon e na Promotoria Pública.

 

 

 

 

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/contos-do-vigario-o-guia-do-estelionato/