Longevidade e Mortalidade

Gilberto Antônio Silva

Os temas “longevidade” e “imortalidade” são recorrentes dentro do Taoismo. Há milênios que os antigos chineses se debruçam sobre esses problemas, buscando soluções muitas vezes pitorescas. Mas qual seria a real importância de se obter a longevidade? E, quando falha a busca pela imortalidade, como lidar com nossa própria mortalidade? São questões que muito importam aos taoistas do século XXI.

A pouco mais de um mês perdi um professor e amigo, alguém muito importante e que possuía um conhecimento tremendo de Medicina Chinesa, Qigong e artes marciais internas. Foi algo inesperado, súbito e decisivo do tipo “uma hora está aqui e na outra não está mais”. E o que mais me marcou nesse evento foi, mais uma vez, a certeza de que todos estamos nesse mesmo processo e podemos ter nosso cartão carimbado a qualquer momento.

Existe uma ideia equivocada, mas muito difundida, de que mestres em artes taoistas vivem muitos anos a mais que a média das pessoas. Isso não é necessariamente verdade. Embora existam mestres de grande longevidade, isso não é uma norma. No Brasil, Mestre Liu Pai Lin fez seu passamento com 93 anos, enquanto Mestre Wu Jhy Cherng nos deixou aos 45 anos. Na verdade, Paramahansa Yogananda afirmou que, em geral, os mestres yogues vivem cerca de 60 anos, pouco mais. Então devemos enxergar algo de muito importante nisso: a longevidade deve ter um motivo e a imortalidade é relativa.

Dediquei o último capítulo de meu livro “26 Dicas de Saúde da Medicina Oriental” à longevidade. E o que digo lá repito aqui: a longevidade, em si mesma, nada representa; o importante é o que fazemos com nossa longevidade. Qual meta temos, quais objetivos almejamos, o que pretendemos fazer com nossos muitos anos a mais. Isso é de total importância nesse assunto. Bruce Lee viveu apenas 33 anos, mas seu trabalho servirá de inspiração e ensinamento por muitas décadas. Swami Vivekananda morreu com 39 anos, mas seu trabalho foi fundamental na introdução do pensamento indiano e do Yoga no Ocidente no início do Século XX. Então o período de vida de uma pessoa é relativo e a longevidade, se adquirida, deve ser utilizada para algum objetivo.

Do mesmo modo a imortalidade é relativa. No início, há cerca de 2.200 anos, era uma busca pela imortalidade física por meio de elixires feitos com substâncias químicas muitas vezes venenosas. Muitos alquimistas e alguns imperadores chineses morreram dessa forma (esse conhecimento chegou à Europa través dos árabes e levou a outro contingente de vítimas). John Blofeld encontrou reclusos taoistas na década de 1930 que ainda acreditavam na obtenção da imortalidade física. Apesar disso, a partir do segundo século de nossa era os alquimistas chineses perceberam que a imortalidade tinha mais a ver com o espirito do que com o corpo e que se integrar ao Tao após a morte seria uma maneira mais consistente de obter a tão sonhada imortalidade. Nascia a Alquimia Interna, que busca obter a realização com o Tao ao mesmo tempo em que promove a longevidade. É aí que nossa busca se afunila.

Obter a imortalidade pelo aprofundamento no Tao é algo complicado e que demanda grande esforço por muito tempo. Nada mais natural, portanto, que se busquem práticas que acentuem a saúde e prolonguem a vida de modo a ter tempo hábil para finalizar esse projeto ou, ao menos, adiantar o máximo possível.

Como ninguém sabe exatamente quando sua validade vence neste planeta, procurar se cuidar e se adiantar no Caminho é a coisa mais lógica a se fazer. Porque morrer é parte do processo, parte integrante do fluxo ininterrupto de ciclos a que estamos submetidos assim como todos nesse Universo Manifestado, que o Yi Jing já explicava há 3.000 anos.

Encarar nossa própria mortalidade faz parte da busca pelo Tao e mostra o quanto próximo estamos deste objetivo. Uma de minhas histórias preferidas é de Zhuangzi, um dos mais claros taoistas do Período Clássico chinês.

“A mulher de Zhuangzi morreu e Huizi chegou a fim de o consolar, mas Zhuangzi permaneceu sentado de pernas cruzadas, a bater numa bacia surrada e a cantar.

Huizi disse: “Viveste com ela como homem e mulher, e ela criou-te os filhos. Na morte o que pelo menos devias fazer seria sentir vontade de prantear, em vez de estares por aí a fazer da bacia um tambor e a cantar – isso não está certo.”

Zhuangzi respondeu: “Certamente que não. Quando ela morreu, decerto que fiz o luto tal como toda a gente! Contudo, recordei que ela já existia antes, num estado anterior ao do nascimento. Na verdade, não só antes que nascer, mas antes do seu corpo ser sequer criado. Não só sem forma como sem substância, mas antes mesmo do seu sopro vital ser adicionado ao seu corpo. E por meio do maravilhoso mistério da mudança foi-lhe atribuído o alento de vida. Esse alento vital forjou uma transformação e ela passou a possuir um corpo. O seu corpo gerou outra transformação e ela morreu. Ela assemelha-se às quatro estações, na forma como a primavera, o verão, o outono e o inverno se sucedem. Agora encontra-se em paz, a repousar no seu ataúde, mas se eu me entregar aos soluços e ao pranto decerto parecerá que eu não compreenda o destino. É por isso que me abstenho.”

Vemos que Zhuangzi percebeu ser uma incoerência tentar compreender o funcionamento do Universo e não estender esse conhecimento à morte de um ente querido. Mas, mesmo assim, passou pelo luto normal. Quando percebemos, ainda que muito superficialmente, as ações do Tao, ampliamos nossa compreensão das coisas ainda que não percamos totalmente nossa natureza emocional humana. Muitas pessoas acham que um taoista não deve se emocionar com o mundo, mas isso é falso. Por mais iluminados que sejam, não conseguem deixar de serem humanos. E isso não é apenas no Taoismo. Consta que o grande iniciado tibetano Milarespa chorou copiosamente a morte de um filho. Uma importante Mestra Zen, Sul, perdeu sua neta e chorou copiosamente. Ao ser questionada, disse que suas lágrimas ”eram maiores que todos os Sutras, que todas as palavras dos Patriarcas e de todas as possíveis cerimônias”. As pessoas próximas não entenderam, mas ela falava sobre a própria alma humana.

O que nos torna humanos é nossa capacidade de almejar elevados níveis espirituais enquanto convivemos com nossas fraquezas e, eventualmente, as sobrepujamos. Ser humano é apontar nossa cabeça para o Céu enquanto plantamos firmemente os pés na Terra. Obter longevidade é uma ferramenta poderosa para ter tempo de superar o ego e poder atingir a imortalidade na fusão com todas as coisas.

A busca pela imortalidade espiritual passa pela superação de nossa própria mortalidade humana.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica filosofia e cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo, Coordenador Editorial da Revista Brasileira de Medicina Chinesa e Editor Responsável da revista Daojia, especializada em filosofia e artes taoistas e cultura chinesa. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/longevidade-e-mortalidade

Rosacruz, Maçonaria e Martinismo

Texto de G. O. Mebes, datado de 1911.

Não queremos impor a ninguém a crença de que tenha existido, efetivamente, uma Fraternidade fundada por Christian Rosenkreuz (1378 – 1484) e composta de um pequeno conjunto de místicos castos; queremos, apenas, afirmar o fato do aparecimento no astral de uma forma apresentando, nitidamente, os ideais e caminhos de aperfeiçoamento dos quais, bem mais tarde, tratou a famosa obra “FAMA FRATERNITATIS ROSAE CRUCIS”. Nela, esses ideais foram registrados em forma de um código; mas o despertar da Egrégora aconteceu numa época bem anterior.

Estudemos como se apresenta para nós a Egrégora da Rosa-Cruz inicial, segundo a obra acima citada e também conforme o “CONFESSIO FIDEI R+C”. É claramente visível que essa poderosa Egrégora atraiu a si os fluidos de três importantes e amplos fluxos da Verdade: o Gnosticismo, a Cabala e o Hermetismo da Escola Alquímica.

O “Ponto Superior acima do Iod” deste novo aspecto da Egrégora Templária foi constituído pelo ideal do trabalho teúrgico, visando a vinda do “Reino de Elias Artista” e por uma fé inabalável de que este Reino virá no futuro.

O que quer dizer isso? Quem é “Elias Artista”?; de onde surgiu “Elias” e por que “Artista”?

Na Bíblia, Elias e Enoch são símbolos de algo que é levado vivo ao céu. No entanto, o caminho direto para o Empíreo da metafísica está aberto somente aos fluxos da Verdade Absoluta. Os Arcanos Menores do Livro de Enoch fazem parte de tais fluxos. Elias, por sua vez, é como uma imagem mais concreta de Enoch, está mais próximo de nós. Portanto, “Elias” e não “Enoch”.

Como é este Elias? Por quais caminhos pode ele nos levar aos Arcanos Menores, à Reintegração Rosacruciana? Seria este o caminho dos Bem-aventurados, caminho dos corações humildes e plenos de amor, das mentes simples e sem malícia, mas possuidoras de uma fé infinita?

Não. A Egrégora não era para eles. Era para os que haviam experimentado o refinado sabor do conhecimento e já não podiam a ele renunciar, O “Elias Rosacruciano” conduz seus seguidores aos Arcanos Menores pelo caminho difícil do estudo minucioso e profundo dos Arcanos Maiores, uma analise engenhosa, constituindo verdadeira arte; dai o nome “Artista”.

O poderoso “Iod” com o qual a Egrégora modelava seus adeptos expressou-se pelo símbolo imortal da Rosa+Cruz. Seja qual for a moldura que acompanhe este símbolo, sejam quais forem os acréscimos, sua parte central e essencial permanece sempre a mesma.

A Cruz, símbolo da auto-renúncia, do altruísmo ilimitado, submissão total às Leis Superiores, é um dos seus polos. A Rosa perfumada de Hermes, símbolo da ciência e do aperfeiçoamento nos três planos, envolve a Cruz.

Os vinculados ao símbolo da Rosa+Cruz, podem carregar a Cruz mas não poderão remover dele a Rosa. Mesmo se os espinhos do conhecimento os fizerem sofrer, não renunciarão à atração de seu perfume. A Rosa é o segundo polo do Binário .

A tarefa do Rosacrucianismo é neutralizar este binário com sua própria personalidade, harmonizar em si mesmo a Ciência e a auto renuncia, fazê-las servir a um mesmo ideal . Um Rosacriciano deve assemelhar-se ao terceiro símbolo que consta do pantáculo da Rosacruz, o Pelicano, cujas asas permanecem abertas e que sacrifica-se por seus filhotes, alimenta-os com seu próprio corpo, seu sangue e sua carne.

No emblema, os filhotes do Pelicano são de cores diferentes. Nos emblemas primitivos havia apenas três filhotes, simbolizando as três Causas Primordiais; nos emblemas posteriores há sete, simbolizando as sete Causas Secundárias, sendo cada um dos filhotes de uma cor planetária diferente. Isso indica que o sacrifício deve ser feito conforme a ciência das cores, ou seja, cada um dos filhotes necessita um tratamento especifico.

Esse “lod’ apresenta um tema a ser meditado por parte de cada um dos verdadeiros Rosacrucianos.

O “Primeiro He” do Rosacrucianismo inicial era constituído por um grupo de naturezas raras e excepcionais, capazes de unir o misticismo à mais elevada intelectualidade.

O “Shin” do esquema Rosacruciano revestiu-se de uma certa auto-apreciação, em consequência natural de se considerarem instrumentos escolhidos. Havia tão poucas pessoas, capazes de satisfazer a essas exigências, que a convicção da superioridade introduziu-se por si mesma. Ela acentuou-se ainda mais, devido as severas regras da ética Rosacruciana, que os eleitos introduziram em seu viver.

O culto, o elemento “Vau”, expressava-se pela meditação sobre os símbolos, especialmente sobre o grande pantáculo da Rosa + Cruz e, em parte, pelas cerimônias místicas durante as reuniões periódicas dos Rosacrucianos.

O “Segundo He”, a “política” da Escola, constituiu-se numa atividade que, de acordo com suas convicções, os Rosacrucianos consideravam indispensável ao progresso da Humanidade. Devido a necessidade da prudência, tanto essa atividade quanto as pessoas dos membros da Corrente, eram envolvidas num estrito anonimato. Nesse “Segundo He”, podia-se perceber facilmente a reação, ainda não dissolvida no astral puro, do violento ressentimento dos Templários contra a Igreja Romana, ressentimento que chegou a criar os elementos formais do Protestantismo.

O Rosacrucianismo inicial, como já sublinhamos, não podia, naturalmente, contar com muitos adeptos, pois exigia deles características que, em geral, se excluem mutuamente.

Mais tarde, no século XVI, da Escola inicial gradualmente aquilo que poderia ser chamado de Rosacrucianismo secundário. Se o primeiro era acessível somente a poucos, o segundo podia ser seguido por todos os homens conscientes. Se o primeiro exigia quase fanaticamente que seus seguidores adotassem regras rígidas de auto-aperfeiçoamento, o segundo era caracterizado por uma tolerância maior em todos os campos da mente e do coração.

O ponto acima do Iod é o próprio elemento “Iod” permaneceram os mesmos. Visivelmente, mudou o “Primeiro He”. O ambiente dos séculos XVI, XVII e, parcialmente, do XVIII, fecundado pelos ideais Rosacrucianos, era o dos Enciclopedistas no melhor e mais amplo sentido dessa palavra. Do adepto da nova Rosa+Cruz exigia-se uma multiplicidade de facetas intelectuais, capacidade de especulação científica, amplitude do horizonte mental e dedicação aos ideais. Na Corrente Rosacruciana entravam tanto as naturezas altamente místicas como fervorosos panteístas ou pessoas de mentalidade pratica. Todavia, tornamos a repetir, eram aceitas unicamente pessoas notáveis por sua inteligência e erudição, pessoas possuindo uma vontade desenvolvida e concepções claras a respeito do trabalho a desenvolver para a elevação da humanidade.

(A publicação do elemento Shin não foi autorizada pelo Mestre).

O elemento “Vau”, em linhas gerais, permaneceu idêntico ao da Rosacruz inicial. Segundo os vários ramos da Escola, apareceram pequenas diferenças no ritual de recepção dos novos membros, nos rituais dos graus ou nas cerimônias, durante as reuniões dos conselhos superiores. No elemento Vau devem ser também incluídos os métodos de transformação astral e de treinamento da personalidade, acrescentados à prática básica de meditação. A introdução desses métodos era devida, em grande parte, à influência de várias escolas orientais.

O ‘segundo He” ou a “política da Escola”, expressou-se pela orientação de exercer sua influência na sociedade contemporânea. No começo, essa influência tinha um caráter puramente ético, mais tarde, fortemente realizador. Os ramos e sub ramos do Rosacrucianismo Secundário possuíam seus programas políticos particulares. Estes mudavam, naturalmente com o passar do tempo, visando sempre as reformas políticas e religiosas mais necessárias. Não obstante, a Egrégora Templária, portadora do impressionante clichê da destruição do plano Físico da Corrente de Jacques DeMolay, vibrava na direção da prudência cada vez que o Rosacrucianismo se preparava para dar um passo decisivo no mundo externo, causando a escolha do modo de ação mais seguro. Em consequência de uma destas vibrações foi criada a Ordem Maçônica.

O astral muito sutil do Rosacrucianismo, apropriado ao ensino, não possuía qualidades necessárias para lidar com problemas práticos e adaptar-se aos condicionamentos e brutalidade dos homens. Podia ficar prejudicado em sua base. A fim de evitá-lo, ao redor da Rosa e da Cruz, foi criado um invólucro mais material, melhor adaptado a contatos e trabalhos externos: a MAÇONARIA.

A Maçonaria, isto é, a Maçonaria legítima do Rito Escocês, com interpretação ético-hermética do simbolismo tradicional, tornou-se a guardiã de “sua alma”, a Rosa+Cruz. Ela implantava, tanto no seu próprio ambiente, como no mundo externo, o respeito para com os símbolos tradicionais e para com seus intérpretes, os Rosacrucianos. Os Maçons espalhavam ao redor de si a convicção de que o exemplo irrepreensível de suas vidas e seu alto nível moral tinham suas bases nos ensinamentos iniciáticos.

A Maçonaria realizava as reformas decididas pelos Rosacrucianos, protegendo-os, com suas próprias pessoas, contra a possível hostilidade e as perseguições humanas no plano físico.

Os fundadores da Maçonaria, entre os quais ocupa um lugar proeminente ELIAS ASHMOLE (1817-1692), com muita habilidade adaptaram para seu uso o sistema dos graus dos Maçons Livres, fazendo dele a base de seus próprios três primeiros graus, os “simbólicos”, da Iniciação Maçônica. Este trabalho se iniciou em 1646 e em 1717 existia já um sistema dos Capítulos da Maçonaria Escocesa, plenamente organizado.

Assim, a Maçonaria tornou-se um instrumento indispensável no trabalho do Iluminismo Rosacruciano, cuja “política” (o “Segundo He”) recebeu o nome de “Maçônica”, nome que guardou até agora. Os efeitos da política Rosacruciana, alcançados pelos Maçons no mundo externo, receberam o nome de “tiros de canhão”. Entre outros, como “tiros de canhão”, foram consideradas as reformas religiosas de Lutero e de Calvino, assim como a libertação dos Estados Unidos da América do Norte da dependência britânica (Lafayette e seus oficiais Maçons). Os Rosacrucianos se utilizavam dos Maçons, tanto mais que entre eles escolhiam os que mereciam ser iniciados no Iluminismo Cristão.

Contudo, cada medalha tem seu reverso. Enquanto a Maçonaria foi uma organização submetida ao Rosacrucianismo, enquanto praticava o princípio da Sucessão Hierárquica por transmissão, ela cumpria sua tarefa e não havia problemas.

Infelizmente, diversos ramos bastante fortes resolveram introduzir o método de eleger seus dirigentes, rejeitando assim o princípio hierárquico tradicional. Em decorrência, o trabalho maçônico começou a mudar seu caráter e, de evolutivo, passou a ser quase revolucionário. Um momento importante neste novo rumo foi a dissidência de Lacorne e seus seguidores (em 1773) que, numa cisão, separaram-se da Maçonaria legítima e fundaram uma nova associação que passou a ser conhecida sob o nome de “Grande Oriente da França”.

Com isto concluiremos o nosso breve esboço relativo à Maçonaria e passaremos ao fim do século XVII, para analisar uma das correntes, ainda existente, do antigo Iluminismo Cristão.

Ao redor do ano de 1760, o famoso Martinez de Pasqually fundou uma fraternidade de “Seletos Servidores do Sagrado”, os “ELUS COHENS”, com nove graus hierárquicos. Os três graus superiores eram Rosacrucianos.

A Escola de Martinez era mágico-teúrgica, com forte predominância de métodos puramente mágicos. Após a morte de Martinez, seus dois discípulos preferidos, Willermoz e Louis Claude de Saint Martin, alteraram o caráter dessa Corrente.

Willermoz lhe deu um colorido maçônico e Claude de Saint Martin, um escritor conhecido sob o pseudônimo “Filosofo Descolhecido” encaminhou a Corrente para o lado místico-teúrgico. Contrariamente a Willermoz, ele favorecia uma Iniciação liberal e não as regras das Lojas Maçônicas. A influência de Saint Martin predominou e criou uma Corrente chamada “Martinismo”.

A Egrégora do Martinismo que possuía sua Maçonaria, seu círculo externo “encarnou” solidamente em todos os países da Europa. Ela era constituída, aproximadamente, do seguinte modo:

O ponto acima do Iod, correspondia à harmonização ética, do ser humano. O “Iod” baseava-se na filosofia espiritualista das obras de St. Martin, que variava, um pouco, segundo diversas épocas da vida do escritor.

O “Primeiro He” era constituído por um grupo de pessoas muito puras e desinteressadas, possuindo aspirações místicas mais ou menos pronunciadas, pessoas prontas a qualquer trabalho filantrópico

O elemento Shin era inexistente, provavelmente em virtude do caráter do “Primeiro He”. Os idealistas puros que aspiravam a harmonia interna, não necessitam de um ímã para atrair adeptos.

O elemento ”Vau” se limitava a um ritual muito simples, a oração e a cerimônia de Iniciação notável pela sua simplicidade. É verdade que alguns maçons, entre os Martinistas davam mais importância ao ritual e este em certas Lojas, tornou-se até imponente por sua magnificência; todavia nós frisamos agora o Martinismo puro, independente de qualquer acréscimo maçônico. No Martinismo todo valor era dado a meditação, à formação interna do “Homem de Aspiração” e não ao ambiente mágico, como foi o caso do Martinezismo ou do Willemozismo .

O “Segundo He” do Martinismo consistia do trabalho filantrópico de seus membros, ajudar aos necessitados e sofredores, evitando toda manifestação espetacular, na recusa de qualquer compromisso ético ao deparar-se com as influências externas e, em uma modéstia, simplicidade e presteza no adaptar-se a quaisquer condições externas de vida. Essas qualidades impressionavam fortemente todas as elites sociais contemporâneas.

Embora a Iniciação Martinista na época do Primeiro Império e, posteriormente, até a oitava década do século XIX, se transmitisse por um liame multo tênue, o Martinismo contava em suas fileiras pessoas de ato valor, como Chaptal, Delage, Constant e outros.

Aproximadamente, na oitava década , o bem conhecido Stanislas de Guaita, querendo recriar uma corrente mais esotérica, fundou a “Ordem Cabalística da Rosa+Cruz”, obedecendo o esquema seguinte:

O “Ponto acima do Iod” consistia numa conciliação da ciência acadêmica oficial com os ensinamentos esotéricos acessíveis, objetivando criar um trabalho frutífero, em conjunto, dos representantes dos dois aspectos do conhecimento.

O “Iod” resumia-se em uma síntese de todos o conhecimentos, acessíveis tanto pela pesquisa científica, quanto pelo estudo da Tradição.

O “Primeiro He” era de novo o ambiente dos Enciclopedistas, mas infelizmente, Enciclopedistas fracassados. Em nossa época, as pessoas capazes progridem rapidamente dentro de sua profissão ou especialização e, muitas vezes, falta-lhes o tempo para se desenvolver em outros sentidos, enquanto os que fracassaram em sua direção particular, procuram geralmente um derivativo no Enciclopedismo, que lhes forneça uma compensação. Para um observador superficial, tais pessoas podem aparentar possuir uma inteligência de muitas facetas, assemelhando-se, através disso, às pessoas realmente excepcionais como o foram os membros do Rosacrucianismo inicial.

O elemento “Shin” da nova Egrégora era a perspectiva, atraente para os fracassados, de receber, devido ao prestígio da Rosacruz, a mesma consideração que os reconhecidos luminares da ciência oficial.

O elemento “Vau” era o trabalho de reeditar, traduzir e comentar as obras clássicas relativas ao ocultismo, que naquela época tornaram-se raridades bibliográficas, de preços quase inacessíveis, mesmo às pessoas bem situadas materialmente. Neste campo, os Rosacrucianos de Paris fizeram um trabalho muito útil e mereceram uma profunda gratidão dos que reverenciam os grandes monumentos deixados pela Tradição.

O pior elemento do sistema revelou-se o “Segundo He”, manifestado como uma política oportunista, a fim de atrair o mundo universitário. As teses tradicionais, na sua explanação, eram alteradas para fazê-las concordar com as últimas obras científicas, perdendo assim o seu valor. O empenho de certos Rosacrucianos em obter a aprovação dos representantes da ciência oficial, prejudicava naturalmente o prestigio da Escola. Por outro lado, as tentativas de uma parte de seus membros, para atenuar as teses Rosacrucianas, a fim de não contrariarem demais a Igreja Romana, levaram a uma cisão dentro da própria Escola (o afastamento de Peladan). Em geral, ainda no tempo de Guaita, a situação tornou- se precária. Foi feita, por isso, uma tentativa de aproximação com a Maçonaria, o que, deturpando as finalidades da Ordem, precipitou sua queda. Ela existe ainda.

Paralelamente com a fundação da Ordem Cabalística da Rosa Cruz, S. de Guaita procurou dar uma nova e grande amplitude à Corrente Martinista. O “Neo-Martinismo” de Guaita, tornou-se bem diverso da corrente inicial, toda via, o Neo-Martinismo adotou o ritual Martinista da Iniciação ao grau de S:::I::: ( Superior Incógnito – NT) e neste ritual baseou seu simbololismo.

Os ideais de Saint Martin e a formação interna do Homem de Aspiração não podiam satisfazer o enérgico Guaita, atraído demais para os resultados visíveis. Ele não admitia nenhuma interrupção voluntária da atividade externa, mesmo quando necessária para magnetizar o ambiente. Nas obras de Guaita encontram-se mesmo, muitas vezes palavras irônicas a respeito de tais interrupções.

Para que a quase renascida Egrégora de Martinez de Pasqually pudesse trazer à nova Ordem da Rosa+Cruz adeptos escolhidos entre os mais capazes S:::I::: do novo Martinismo foi preciso introduzir no esquema do mesmo uma grande tolerância no campo dogmático.

O ponto acima do Iod permaneceu, como antes, a harmonização ética interna.

A escolha do elemento “Iod” foi deixada ao livre arbítrio de cada membro da Corrente Neo-Martinista. Naturalmente, as obras de Saint Martin conservavam o seu papel de linha mestra.

O elemento “He”, como consequência da livre escolha do elemento “Iod”, veio a ser constituído por círculos de diversas tonalidades e valores. Aí podiam ser encontrados os cansados da busca religiosa, os decepcionados com a ciência oficial, os que não conseguiram ingressar na Maçonaria e procuravam algo equivalente, os impressionados pelo uso dos emblemas místicos, os que se deleitavam em debates versando temas do ocultismo durante as reuniões, os simplesmente curiosos, sempre prontos a ingressar nas organizações “misteriosas”. Havia também aqueles que chegaram à conclusão de que era preferível tornar-se membro de qualquer corrente a permanecer sem nenhuma proteção egregórica.

Como a Ordem da Rosa+Cruz recebia e recebe até agora somente os que passaram pelos três primeiros graus do novo Martinismo, entre os últimos podiam ser sempre encontradas algumas pessoas adequadas a se tornarem instrutores na corrente Martinista e orientar o desenvolvimento de seus membros. Foi isso que sustentou e vivificou o Martinismo que cresceu consideravelmente depois de Guaita, e conta agora com um grande número de adeptos. Atualmente, seu Conselho Superior está chefiado pelo Dr. Gerard Encausse, escritor e propagador do ocultismo, mais conhecido sob o pseudônimo “Papus”  (lembrando que este artigo foi escrito por G. O. Mebes em 1911 – NT).

Devido a diversidade das tendências e dos níveis evolutivos de seus membros, o “Shin” da nova Corrente Martinista foi formado por vários elementos. A uns atraia o ritual; a outros a solidariedade existente entre os membros da Corrente. A uns, a possibilidade de desenvolvimento interno; a outros, a pureza da transmissão do poder, etc.

O elemento “Vau” além das cerimônias místicas, a unirem os Martinistas, consistia em meditação obrigatória acerca de temas determinados e, facilitando essas meditações, palestras dos instrutores abordando assuntos iniciáticos.

O “Segundo He” consistia numa política, bastante passiva, de aguardar o progresso ético da sociedade, colaborando neste sentido com o exemplo de uma vida em acordo com sua consciência. Muitos círculos Martinistas acrescentavam, a esse modo de viver, um elemento mais ativo, filantrópico ou algum outro. Todavia, estas atividades particulares não de vem ser levadas em consideração numa análise dos princípios Egregóricos.

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#Maçonaria #Martinismo #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/rosacruz-ma%C3%A7onaria-e-martinismo

Uma Explicação Rápida Sobre o Umbral

Umbral

A explicação para eles é bem lógica e até banal:

Após a morte física, as pessoas tendem a ir para outros planos, que irão variar de acordo com o próprio grau de sutilização, etcétera e tal.

Pessoas que levem vida mais desregrada (uso aqui este termo de forma propositalmente genérica, sem tentar definir o que seja “vida desregrada”, visto que cada um terá diferentes definições para isto) tendem a ser mais dependentes e apegadas às coisas deste mundo e assim, após a morte física, acabam permanecendo em planos bem próximos a este, de onde inclusive terão maiores possibilidades para tentar satisfazer os vícios e necessidades que ainda conservam em si como reminiscências de seus tempos de encarnadas.

Aí acabarão por embarcar num nocivo círculo vicioso de roubo de energia vital de encarnados (vampirismo necessário para que possam permanecer nas redondezas deste nosso plano) e “usufruto” desta energia roubada, ou seja, satisfação ou pseudo-satisfação dos densos objetivos que as mantêm nestes planos.

“Umbral” quer dizer fronteira, divisa. E realmente, como foi explicado, estas colônias e regiões são fronteiriças ao nosso mundo físico.

Mas por que então seriam lugares tipicamente tristes e decrépitos, se todos que estão lá estão reunidos por compartilharem da mesma sintonia?

A explicação é que imensos aglomerados de entidades de baixa densidade, como o são estes bairros astrais, tenderão naturalmente a ser extremamente heterogêneo, em termos de população.

E assim, o vício de um daqueles infelizes poderá ser o tormento do outro, cujo comportamento, por sua vez, fará a desgraça daquele um, ou de um terceiro, numa roda viva a la Jean Paul Sartre, onde “o inferno são os outros”.

Tal e qual numa prisão, onde você não pode escolher seus companheiros de cela.

Mas mesmo assim, uma questão muito mais de sintonia do que de culpa, castigo, punição, etc.

Tanto que projetores astrais em momentos de má sintonia podem mesmo acabar passeando por tais plagas, em suas projeções, quase sempre contra a vontade.

Umbral é isto. Apenas isto. Não entrarei aqui nos aspectos espiritualistas e filosóficos que nos ensinam as formas de escapar dele, ou de elevar a sintonia para criar afinidades com planos mais elevados, pois para isto temos brilhantes oradores e escritores, com suas centenas de páginas, parábolas e palestras.

E mesmo porque acredito que cada um por aqui saiba, pelo menos intuitivamente, o que deve e não deve fazer para permanecer longe dele.

#Espiritismo #Espiritualidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/uma-explica%C3%A7%C3%A3o-r%C3%A1pida-sobre-o-umbral

Amodali

Amodali é um artista multidisciplinar, música e escritora do norte da Inglaterra. Essas atividades e disciplinas têm sido aplicadas à investigação da metafísica, fenomenologia e à prática da magia sexual desde os anos 1980. Seu trabalho se preocupa em explorar a fenomenologia dos estados alterados de consciência vivenciados pelas mulheres, a fim de resgatar aspectos psíquicos e físicos do “corpo mágico” e sua dinâmica oculta que foram rejeitados ou menos explorados na tradição mágica ocidental. Ela sugere que as narrativas simbólicas que definem a feminilidade dentro do esoterismo devem ser desafiadas e o status ontológico das mulheres reorientado de acordo com práticas “biognósticas” alquímicas incorporadas.

Amodali, Isis -Inside the Third Garment (Ísis – No Interior da Terceira Vestimenta). Colagem de mídia mista.

Sua pesquisa conduzida pela prática é focada principalmente na escavação do feminino erótico e divino na forma da deusa thelêmica Babalon – usando métodos vocais estendidos, performance ritual, estados de transe sexual e uma variedade auto-desenvolvida de tecnologias mágicas. A desestabilização dos modelos tradicionais de participação de gênero em práticas esotéricas também tem o efeito de trazer a teoria queer para esse discurso que se baseia nos conceitos de ‘imanência radical’ de Luce Irigaray e noções progressivas do feminino divino, bem como no discurso New Materialist (neomaterialist) sobre a interação pós-humana com a biosfera e cosmos — teorias que remodelam como percebemos nossas relações com a matéria, desde as partículas atômicas até o universo no macrocosmo. Sua pesquisa compartilha a especulação do filósofo Timothy Morton sobre as “reservas de zonas impensadas da materialidade” do misticismo e ela sugere que conceituações progressivas e esotéricas da sexualidade podem fornecer mecanismos físicos para que tais zonas impensadas se manifestem e quebrem as barreiras entre a vida humana e não humana.

Sua práxis tem sido amplamente apresentada desde a década de 1990 como parte de uma série de performances rituais ao vivo com o projeto ‘Mother Destruction (A Destruição da Mãe)’ e, mais recentemente, em apresentações solo na Europa e nos EUA.

Amodali -Mother Destruction (A Destruição da Mãe) – Sessão de fotos de Hagazussa. 1999. Foto por Robert Cook. 

A produção musical inicial na cena musical pós-punk, eletrônica experimental e underground inclui um álbum com seus vocais e teclados em discos de fábrica com o ‘Royal Family and the Poor’ (FACT140). Após esta colaboração, Amodali ficou fascinada com os aspectos mágicos da voz e o papel esotérico da cantora e desenvolveu um conjunto único de técnicas vocais estendidas como parte de seu trabalho com a corrente 156. Ela é mais frequentemente associada a ‘Mother Destruction‘, um projeto de música / performance ritual de dez anos criado com Patrick Leagas do 6 Comm. Mother Destruction gravou um grande catálogo de obras musicais e excursionou extensivamente por toda a Europa entre 1990-2000.

Amodali ao vivo no WGT/Leipzig Kuppelhalle. 2008. Com Psychic TV, Voxus Imp e Barditos. 

Após o término do projeto Mother Destruction, Amodali continuou desenvolvendo uma prática que integra voz, movimento e estados de transe em espaços de performance como meio de criar experiências imersivas da corrente 156. Ela se apresentou na Europa e nos EUA como artista solo. Desde 2000, Amodali também se estabeleceu como artista e escritor. Formada pela Liverpool School of Art, suas colagens complexas e eroticamente carregadas da anatomia sutil do corpo mágico feminino foram exibidas em Londres, Seattle e Dublin nos últimos anos.

‘Moon Moth Woman (A Mulher-Mariposa Lunar)‘ – Imagem usada como Capa para a Dreamflesh Magazine.

Amodali concluiu recentemente um mestrado em Belas Artes para explorar ainda mais os estados alterados de consciência e o feminino divino encarnado dentro da pesquisa artística conduzida pela prática. Ampliando seu repertório para escultura, instalação e realização de curtas-metragens.

Amodali 2020-21, Angels, Angles, Anarchy-installation and Geogamicas:Galvah-short film.  (Anjos, Ângulos, Instalação Anárquica e Geogâmicas: O curto-metragem Galvah). Documentação da exposição no laboratório da LJMU Exhibition  Research.

Os escritos de Amodali foram publicados em várias publicações de livros, como Schillerndes Dunkel: Geschichte, Entwicklung und Themen der Gothic-Szene (A Escuridão Iridescente: História, Desenvolvimento e Temas da Cena Gótica), ‘Spirit Builders’: A free Illuminist Approach to the Antient and primitive Rite of Memphis Misraim. (Os Construtores de Espíritos: Uma Abordagem Iluminista Livre do Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraim), e um ensaio foi apresentado no Three Hand Press Anthology, ‘A Rose veiled in Black’– Arcana and Art of Our Lady Babalon (‘Uma Rosa Velada de Preto’ – A Arcana e a Arte de Nossa Senhora Babalon).

Muitos projetos paralelos adicionais incluem material de trilha sonora escrito e gravado para ‘Claire Obscure’, um filme de Madmoiselle L/Limonadeart que foi exibido em festivais internacionais de curtas-metragens na França, Canadá, Cingapura e EUA

Amodali dá palestras sobre assuntos relacionados à magia de Babalon, e deu palestras sobre os aspectos mágicos e fenomenológicos da corrente 156 na série de palestras ‘Ecology, Cosmos and Consciousness (Ecologia, Cosmo e Consciência)’ na October Gallery, Londres. 2013 e na Esoteric Book Conference 2014, nas Magical Women Conferences 2019/21, na ASE Conference 2018 e a série de palestras Studium Generale KABK. Uma extensa síntese de sua prática mágica, THE MARKS OF TETH (Os Marcas de Teth), deve ser publicada pela THREE HANDS PRESS.

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Fonte: Biography, by Amodali.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/amodali-uma-autobiografia/

As raízes judaicas da Magia Sexual

Excerto de “Modern Sex Magick” de Donald Michael Kraig

Para aqueles que não estão familiarizados, a história da magia sexual começa com os Cavaleiros Templários. Fundado em 1118 EC, o propósito declarado dos Templários era proteger os peregrinos que iam para o Oriente Médio durante a Segunda Cruzada. A história dos Templários é bastante fascinante, mas para nossos propósitos basta dizer que eles foram suprimidos em 1312 por autoridades religiosas e temporais que tinham inveja de seu poder e riqueza. Vários dos seus membros foram presos ou mortos. Seu líder, Jacques DeMolay, foi queimado vivo. Os Templários, como outros acusados ​​de heresia, feitiçaria e prática de magia, foram acusados ​​de uma litania de crimes. Essas acusações provavelmente foram apenas um ardil perpetuado pela igreja e pelo estado para obter a imensa riqueza e amplas propriedades que os Templários possuíam. A história aceita é que os templários aprenderam magia sexual com os sufis do Oriente Médio, que a aprenderam com os tântricos da Índia. Os alquimistas medievais receberam esta informação dos Templários e a codificaram em alguns ensinamentos em suas obras. Eventualmente, Aleister Crowley, que aprendeu sobre magia sexual em suas viagens à Índia e à África, começou a experimentar tanto as técnicas tradicionais quanto as suas próprias técnicas recém-criadas.

Enquanto isso, um homem chamado Pascal Beverly Randolph havia descoberto os segredos da magia sexual ou inventado algumas novas técnicas também. Nascido em 1815, era filho de um médico e de uma dançarina de salão. Tornou-se grumete e aprendeu o ofício de marinheiro, tornando-se em seguida mestre de embarcação. Ser marinheiro permitiu-lhe viajar muito. Aos vinte e cinco anos, foi iniciado na Irmandade Hermética de Luxor. Em 1868 (depois de várias viagens à França), fundou a Irmandade de Eulis, que acabou tendo muitos seguidores. Ele publicou um livro (Magia Sexual) que postulava um tipo de bissexualidade espiritual junto com a ideia de que o orgasmo era mágico e sagrado. Randolph influenciou as pessoas que recriaram os Cavaleiros Templários na forma da Ordo Templi Orientis (OTO). Crowley se juntou a esta Ordem e, eventualmente, após uma batalha divisória, tornou-se seu chefe. Hoje, assim como a maioria dos ensinamentos sobre magia cerimonial foi filtrada pelas lentes dos membros da Golden Dawn, também a maioria dos ensinamentos sobre magia sexual foi filtrada através da lente de Aleister Crowley e da OTO.

A história acima é precisa, mas representa apenas uma parte da corrente. É uma versão um tanto quanto limitada da história da magia sexual ocidental – uma visão de túnel que ignora a realidade mais ampla e falha em duas áreas:  Primeiro, não identifica onde e como a magia sexual se desenvolveu originalmente. Em segundo lugar, implica que a magia sexual permaneceu relativamente inalterada ao longo do tempo (especialmente no último século) e simplesmente transportada para o presente. De fato, há ampla evidência de que a magia sexual tem uma história muito mais ampla do que é comumente reconhecida. Para entender essa história mais profunda, no entanto, devemos primeiro examinar a natureza da Cabala.

Nos últimos anos, tive a sorte de dar palestras em todos os EUA, da Flórida a São Francisco e de San Diego a Nova York. Uma das coisas que faço agora perto do início de cada palestra, não importa o assunto, é escrever as seguintes letras no quadro-negro: T F Y Q A

As letras representam as palavras em inglês para “Pense por si mesmo. Questione a autoridade”. Continuo explicando que simplesmente porque eu ou qualquer outra “autoridade” ou autor escreve ou diz algo não o torna verdadeiro. Eu sempre peço aos meus alunos que ouçam o que eu tenho a dizer, mas depois que verifiquem. Encorajo as pessoas a confiar em si mesmas em vez de acreditar em um líder ou professor, mesmo quando esse professor seja eu.

Muitos de vocês, sem dúvida, estão familiarizados com a Cabala. São os fundamentos místicos do judaísmo, do cristianismo e até, até certo ponto, do islamismo. Aqueles de vocês familiarizados com a Cabala usada em grupos ocultistas conhecem suas teorias sobre a Árvore da Vida com suas correspondências, bem como os sistemas numerológicos como a gematria. Na minha biblioteca, tenho bem mais de 1.000 livros especificamente relacionados à Cabala ou associados a ela. A maioria deles são semelhantes em conteúdo, simplesmente expressando as mesmas coisas de maneiras diferentes. Todos eles alegam explicar as bases do que é a “A” Kabalah.

Todos eles estão errados.

Para aqueles de vocês que foram estudantes da Cabala, eu lhes peço que reflitam sobre estas questões: Não é possível que a Cabala seja muito mais do que gematria, notarikon, temurah e a Árvore da Vida e suas correspondências? Se sim, então por que tão pouco se sabe de outros aspectos da Cabala? Para responder isso temos que olhar um pouco de história.

Nos anos 1700, um grupo de judeus ortodoxos e piedosos se formou na Europa Oriental. A palavra para “piedoso” em hebraico é Hasid (pronuncia-se: “RASSID”). Assim, essas pessoas ficaram conhecidas como os “Piedosos” ou os Hasidim.

Anteriormente, o judaísmo místico incluía muitas maneiras de desenvolver poder sobre o ambiente: o que hoje chamaríamos de magia. Mas os hassidim não queriam nada disso. Eles buscavam a exaltação espiritual, não a capacidade de mudar o mundo. Eles queriam aumentar o poder de suas orações, não o poder sobre as coisas ao seu redor. Como resultado, eles se concentraram nos aspectos mentais da Cabala, incluindo correspondências sobre a Árvore da Vida, meditação sobre como Deus criou o mundo e as manipulações de letras e números, uma versão moderna (para a época) de formas místicas mais antigas do que é chamado de “magia das letras”.

Como essa informação era mística, era inevitável que ela chegasse ao mundo oculto local (alemão), onde se tornou parte da tradição maçônica daquele país. Esses ensinamentos foram posteriormente traduzidos para as línguas românicas e acabaram se tornando, para muitas pessoas, os ensinamentos centrais da Cabala.

Mesmo depois dessa história, muitas pessoas vão duvidar do que estou dizendo sobre a Cabala. Peço-lhe, então, que olhe para o único trabalho publicado que é aceito como talvez o texto cabalístico mais importante – o Zohar. Há muito pouco lá sobre tal numerologia. O mesmo ocorre no pequeno mas importante livro cabalístico primitivo, o Sepher Yetzirah.

Para resumir, a versão da Cabala que é mais amplamente aceita entre os ocultistas hoje é basicamente nada mais do que parte dos ensinamentos místicos dos hassidim alemães. Isso não torna tais estudos de forma alguma “ruins” ou “errados” ou mesmo incompletos. Em vez disso, simplesmente indica que tais estudos são apenas uma abordagem em um tipo ou escola da Cabala,  e não na coisa toda.

Quando comecei a estudar a Cabala, ou melhor, o que é comumente conhecido entre os ocultistas ocidentais por esse nome, eu era como um cachorro faminto na loja de um açougueiro de bom coração. Eu queria provar e experimentar tudo.

Para quem não conhece a gematria, sua ideia básica é simples. Cada letra hebraica está associada a um número. Soma-se os números das letras de uma palavra e, se forem iguais ou tiverem relação com os números de outra palavra, há uma relação entre as duas palavras. Em Magia Moderna dei o famoso exemplo que mostrava como, em hebraico, a enumeração da palavra “amor” era igual ao valor numérico da palavra “unidade” e como, quando suas numerações são somadas, o total é igual a o valor numérico de uma palavra hebraica para “Deus”. É um sistema numerológico simples que, neste caso, indica que Deus é uma unidade e que Deus é amor.

Muitas noites eu ficava acordado até as primeiras horas da manhã seguinte me debruçando sobre cálculos para tentar provar alguma coisa. Analisei meu nome mágico de três letras escolhido em um papel que tinha várias páginas. Da mesma forma, tenho visto pessoas analisando seções das obras de Aleister Crowley, rituais da famosa Ordem Hermética da Golden Dawn, seções da Bíblia, etc., por mais páginas do que gostaria de lembrar.

Mas um dia percebi que faltava algo. Fiquei com a pergunta atormentadora que Peggy Lee fez em sua música: “Isso é tudo o que existe?” Depois de anos de manipulação numerológica cabalística, cheguei à conclusão de que – para mim, pelo menos – uma exploração mais aprofundada já não provava nada de importante. Percebi que havia se tornado uma estrada falsa, como um falso vidente que parece dar muitas informações, mas na verdade fala pouco.

Claro, eu poderia passar horas provando que as palavras estavam relacionadas. Esse tipo de trabalho ainda é feito hoje (veja, por exemplo, os livros de Kenneth Grant) e pode ser de grande valia para pessoas que sentem que precisam desse tipo de prova. Para eles, esse trabalho é importante e valioso. Eu também precisei disso no passado e recebi isto muitas recompensas e insights espirituais.

Mas para mim, os ensinamentos comumente considerados o núcleo da Cabala agora pareciam nada mais do que uma forma de masturbação mental. Para o exemplo de “amor mais unidade é igual a Deus”, eu disse: “E daí? Isso já não é aceito por muitos (inclusive eu)?” Eu já sabia disso. Eu não precisava “provar” isso para mim ou para qualquer outra pessoa. Sei que a Declaração da Independência foi assinada em 1776. Não preciso passar horas tentando provar que esse evento aconteceu. Não preciso ler centenas de livros para saber que esse evento ocorreu em um determinado ano. Fazer tal estudo neste momento da minha vida seria chato e uma perda de tempo. Um dos tipos de pessoas que encontramos no caminho oculto é o “mago de poltrona” que fará alguma magia assim que “acabar com mais um livro” ou “construir mais uma ferramenta mágica”. Ele não consegue nada prático porque nunca faz mágica. Sim, ele ganha conhecimento, o que certamente é um objetivo digno em si. Mas o conhecimento por si só não é o objetivo de um mago praticante. Para todos os efeitos práticos, ele está fazendo o mesmo trabalho que os do místico hassídico do século XVIII. Isso não era o suficiente para mim. Um mágico de poltrona não era alguém que eu queria ser. Esta foi uma grande crise. Eu estava prestes a perder completamente meu interesse pela Cabala – algo que havia me transformado e tinha sido o maior interesse da minha vida por mais de vinte anos. Eu hibernei, fiz leituras de tarô para mim mesmo e meditava. Então, um dia, ficou claro.

Experiência! Era isso que faltava em todas as manipulações numerológicas. Cheguei à conclusão de que pensar em algo não era suficiente para mim. Eu sou ação. E embora muitas das técnicas cabalísticas que usam a numerologia cabalística para fazer talismãs bem-sucedidos, por exemplo, proporcionassem uma gratificação tardia quando o talismã atingia seu objetivo, eu queria algo mais imediato. Eu conhecia apenas uma técnica que forneceu a aventura, ação e experiência que eu desejava: Pathworking cabalístico.

Devido a muitos trabalhos publicados, o termo pathworking perdeu seu significado original. Hoje, pathworking significa qualquer tipo de meditação guiada em que se faz uma viagem mental ou astral visualizada ou algum tipo de viagem. Eu uso a expressão “pathwork cabalístico para representar o significado original da palavra pathworking: andar na Árvore da Vida cabalística enquanto estiver no plano astral. A chave aqui é ser capaz de separar a consciência do corpo e viajar no plano astral. Em outras palavras, esta técnica cabalística requer que você alcance um estado alterado de consciência. Exceto pelos métodos fornecidos em fontes como The Golden Dawn de Regardie e as várias versões dessas instruções que foram publicadas, pouca informação apareceu de um antigo ponto de vista cabalístico. Se o pathworking cabalístico requerer acesso ao plano astral através de um estado alterado de consciência, segue-se que deve haver métodos cabalísticos tradicionais para alcançar tal estado.

Um método que descobri nas obras de Aryeh Kapi era simplesmente colocar a cabeça entre os joelhos. Isso muda o fluxo de sangue para o cérebro, resultando em um estado alterado. No entanto, ao investigar mais, descobri outro método para alcançar um estado alterado, uma técnica que Marsha Schuchard chama de transe sexual. Este método faz parte da teoria cabalística, embora tenha sido ignorado pela maioria dos pesquisadores e praticantes, pois não era uma parte publicada do movimento hassídico alemão. E enquanto esta chave cabalística para o mistério tem estado no subsolo por mais de 2.500 anos, ela vazou ou foi redescoberta de tempos em tempos e formou a base da magia sexual ocidental, em todas as suas formas, como existe hoje. Eu precisava daquilo.

Se você ler a Bíblia como um tipo de história, verá que os profetas de todas as gerações criticaram os hebreus por não adorarem os deuses e deusas de outras culturas. A implicação disso é que os hebreus não eram monoteístas desde a época de Abraão, mas eram tão politeístas quanto suas culturas vizinhas. De fato, em The Hebrew Goddess, o respeitado antropólogo Raphael Patai mostra que os hebreus adoravam uma deusa tanto em suas casas quanto no templo sagrado em Jerusalém até a destruição do segundo templo em 70 EC, você encontrará frequentemente nos artigos sobre as práticas religiosas dos primeiros hebreus, práticas que incluíam a adoração tanto de um Deus quanto de uma Deusa.

Na maioria dos templos judaicos de hoje, o local onde reside a Torá – os primeiros cinco livros da Bíblia em forma de pergaminho – está localizado em uma plataforma elevada. Essa plataforma geralmente tem a forma de um tipo de palco onde o Rabino (o líder das orações) e o Cantor (o líder dos cantos ) também têm suas posições rituais. Esta área é conhecida como bimah (pronuncia-se: bee-mah). A palavra “bimah” significa uma plataforma ou palco. No entanto, a origem da palavra é bamah (bah-mah) que se refere à ideia de um “lugar alto”. No Oriente Médio, uma área elevada era comumente onde várias divindades, não apenas o Deus judeu, eram adoradas. Outros resquícios de tempos pagãos anteriores – incluindo a adoração da Lua como uma forma da Deusa Lunar Levanah (que agora é o próprio nome da Lua em hebraico) – também são encontrados em várias tradições folclóricas judaicas.

As primeiras formas de paganismo tinham vários propósitos, talvez o mais importante fosse a fertilidade. Os primeiros pagãos praticavam ritos para garantir a fertilidade das colheitas, rebanhos e pessoas. Freqüentemente, esses ritos incluíam comportamento sexual. Por exemplo, em algumas culturas, os pagãos teriam ritualizado a relação sexual em cima de colheitas recém-plantadas. Acreditava-se que a energia levantada durante seu rito, através da imitação de sua magia sexual elementar, ajudaria as plantações a crescer.

Existe alguma evidência de que os primeiros hebreus, como seus vizinhos politeístas, tinham ritos e mistérios sexuais? A resposta é sim. Na verdade, alguns desses ritos têm até versões modernas.

Um exemplo é a prática da circuncisão. Antes que essa prática fosse fixada no judaísmo para oito dias após o nascimento de um menino, provavelmente fazia parte dos ritos da puberdade. Em outras palavras, era realizada quando um menino atingia a maioridade como sinal de maturidade sexual. Os ritos de puberdade para meninos e meninas são comuns nas culturas pagãs. Em algumas culturas, os ritos de circuncisão masculina na puberdade ainda são praticados como parte dos “Mistérios Masculinos”. No judaísmo, os meninos ainda têm um tipo de tal rito (embora sem a circuncisão) quando passam pelo ritual de entrada na idade adulta conhecido como Bar Mitzvah. Mais recentemente, as meninas foram adicionadas a essa tradição quando passam por um Bat Mitzvah semelhante.

Na Torá, a circuncisão é um sinal de um pacto entre Deus e os judeus. Nisto se insinua a ligação entre sexualidade e espiritualidade. Outras vezes, você lerá sobre situações em que colocar a mão na “coxa” é sinal de acordo, geralmente entre um humano e o Divino. “Coxa” é um eufemismo para “pênis” (assim como a Bíblia usa o verbo “conhecer” para significar “coito”). Essa ideia foi adotada ou emprestada de outras culturas onde um homem juraria colocando a mão sobre os testículos do outro. De fato, nossa palavra “testemunhar” (derivada, é claro, da palavra “testes”) vem dessa prática.

Há mais evidências de ritos sexuais no antigo judaísmo. O livro de Raphael Patai, “The Hebrew Goddess “, mostra claramente que não havia apenas um forte componente sexual no misticismo judaico mais antigo, mas que era algo muito importante.

Desde a realização do filme Caçadores da Arca Perdida, muitas pessoas se familiarizaram com a forma da Arca da Aliança. Em cima dela estavam dois Querubins. De acordo com Patai, há uma tradição talmúdica de que “… enquanto Israel cumpriu a vontade de Deus, os rostos dos querubins estavam voltados um para o outro: no entanto, quando Israel pecou, ​​eles viraram os rostos um do outro. ” O que isso pode significar?

A Arca da Aliança foi mantida no “Santo dos Santos”, a parte mais privada e sagrada do templo em Jerusalém. Já o famoso historiador primitivo dos judeus, Flávio Josefo (37 D.C.–100 D.C.), escreveu que não havia nada no Santo dos Santos. Por quê? É bem aceito que ele queria representar o judaísmo como “anti-icônico”, uma religião livre da adoração de ídolos ou ícones. Mas haveria algo mais? Algo que Josefo poderia até ter vergonha de mencionar?

A resposta vem de um historiador ainda mais antigo, Filo (30 A.C-45 D.C ). Ele escreveu que na parte mais interna do templo, na parte mais sagrada do local judaico mais sagrado, havia as estátuas dos Querubins. E esses Querubins estavam “entrelaçados como marido e mulher”. Ou seja, eles foram mostrados tendo relações sexuais.

Isso foi verificado mais tarde pelo relato de um talmudista conhecido como Rabi Qetina, que afirmou que nos dias santos, quando as pessoas iam em peregrinação para ir ao templo, os sacerdotes realmente mostravam os Querubins a eles e diziam: “Vejam! o amor diante de Deus é como o amor do homem e da mulher”. Várias centenas de anos depois, o famoso Rashi escreveu: “Os Querubins estavam unidos, agarrados e abraçados, como um macho que abraça uma fêmea”.
Em outras palavras, o segredo final do Santo dos Santos não era que ele continha a Arca da Aliança, a Torá ou as tábuas dos Dez Mandamentos. Em vez disso, era a natureza espiritual do sexo. A tradição talmúdica mencionada anteriormente implicaria que os querubins estariam envolvidos em relações sexuais constantes enquanto Israel cumprisse a vontade de Deus, mas eles se separariam de seu abraço se Israel pecasse. Além disso, acreditava-se que Deus “falava” entre os Querubins.

Lembre-se, de acordo com a Torá e a Cabala, Deus cria através da fala: “E o Senhor disse: “Haja luz.” E eis que havia luz.” Esta, então, é a revelação do segredo cabalístico da magia sexual: profecia, adivinhação e invocação que podem resultar do sexo espiritualizado.  De fontes talmúdicas também sabemos que um dos maiores feriados para os antigos judeus ocorreu cerca de duas semanas após o Ano Novo Hebraico. Os peregrinos vinham ao templo em Jerusalém de todas as partes para este feriado que era considerado uma festa alegre. No entanto, ao final dos sete dias desta festa, que era celebrada tanto por homens como por mulheres, as festividades se tornariam tão intensas que homens e mulheres se misturariam e cometeriam atos que eufemisticamente chamavam de “vertigem”. Em termos modernos, a multidão corria sexualmente desenfreada. Este comportamento terminou algo entre cerca de 100 AEC. e 70 d.C.

Outra fonte que indica que o judaísmo primitivo tinha ritos sexuais é encontrada no livro O Cântico dos Cânticos, de Carlo Suares, que é sua interpretação desse pequeno texto bíblico (conhecido também por seu título mal traduzido, Cantares de Salomão). Na introdução, Suares descreve brevemente o honrado Rabi Akivah (também conhecido como Akiba), que nasceu em 40 D.C e foi executado no ano 135.
D.C. depois de passar muitos anos na prisão por ser um apoiador da guerra judaica contra Roma. Hoje, Rabi Akivah é homenageado por judeus em todo o mundo. Poemas e orações atribuídos a ele são recitados por judeus fiéis. Ainda me lembro da bela e ritmada oração cantada que começa com “Amar Rabi Akivah…” (assim falou Rabi Akiba…). Ele é considerado o pai da versão escrita das leis orais judaicas conhecidas como Mishná. Ele também é considerado por muitos como o pai da Cabala.

Assim como as principais seitas cristãs têm divisões entre si, também houve divisões no judaísmo. No primeiro século EC, o rabino Ismael assumiu uma posição semelhante à de alguns cristãos fundamentalistas modernos de hoje. Ele e seus apoiadores sustentavam que os escritos sagrados judaicos foram escritos em uma linguagem que falava diretamente aos homens e deveriam ser aceitos literalmente. Rabi Akivah discordou e sustentou que as palavras eram apenas a forma da mensagem. O verdadeiro significado da Torá deveria ser encontrado em sua interpretação mística, sua essência interior. Assim, quando uma discussão sobre quais livros deveriam ser considerados parte da Bíblia judaica estava ocorrendo entre os principais Rabinos, a maioria deles queria excluir o aparentemente profano poema de amor que é o Cântico dos Cânticos. Afinal, como poderia um judeu hoje em dia ter frases como “beije-me com os beijos de sua boca” e “seus seios são como dois filhotes” em seu livro sagrado?

Rabi Akivah foi um dos rabinos mais honrados de seu tempo e assim permanece até os dias atuais. Em seu tempo, ele foi mantido em grande respeito e era considerado uma autoridade poderosa no judaísmo. Akivah exerceu sua reputação e autoridade para mudar a atitude dos outros rabinos. “O universo inteiro não vale o dia em que aquele livro… [foi] dado a Israel”, disse ele, “porque todas as escrituras são sagradas, mas o Cântico dos Cânticos é o mais sagrado”.

Quando li pela primeira vez esta citação, fiquei fascinado e intrigado. Não é estranho que um dos rabinos mais importantes da história judaica tenha defendido a canção de amor não apenas como um bom livro, não (como alguns diriam) porque é Deus dizendo como Ele ama Israel (ou vice-versa), mas porque é a “santíssima” de todas as escrituras?

Lembre-se, Akivah é considerado o pai da Cabala. Não poderia a razão para a defesa do livro de Akivah ser que ele retinha o segredo sagrado do judaísmo, o segredo da magia sexual? Este segredo teria então sido passado para seus seguidores e de lá para muitas das escolas da Cabala.

Mesmo o bastante enfadonho e pedante AE Waite, em The Holy Kabbalah, refere-se ao fato de que os judeus místicos consideravam o casamento um sacramento e que praticavam um “ensino em caminhos pouco freqüentados, algo herdado do passado … [dos quais ] há algum vestígio de ensino no Oriente.” Isso aparece na seção do livro de Waite intitulada “O Mistério do Sexo”, e indica que entre os cabalistas havia um ensinamento de magia sexual que era de certa forma semelhante aos ensinamentos sexuais dos taoístas e tântricos. Em uma nota de rodapé ele diz que os magos sexuais cabalísticos:

… tinham um ideal interior, espiritual e divino, no qual eles habitavam, e pelo qual eles parecem ter realizado transmutações abaixo. Isto é, sua magia sexual (que era tanto um ato físico quanto espiritual) e produzia mudanças – magia – no plano físico.

Como nota final para esta seção, eu acrescentaria que entre os judeus devotos de hoje é uma mitsvá (uma palavra que significa tanto um mandamento de Deus quanto uma bênção) fazer sexo com seu cônjuge no sábado. Isso porque Deus é considerado um andrógino Divino e ao fazer sexo, unindo homem e mulher, eles estão simulando Deus. Uma interpretação alternativa é que eles estão imitando Deus em união com sua consorte, a Shekhina (semelhante à noção pagã ocidental do Deus unido à Deusa ou à noção hindu de Shiva unida a Shakti).

A Disseminação da Cabala Após a destruição do Segundo Templo no ano 70 d.C., os judeus foram dispersos por toda a Ásia e Europa. Muitos judeus consideravam isso um castigo de Deus sobre eles por não seguirem as tradições do judaísmo. Especificamente, eles não estavam seguindo as muitas leis judaicas e estavam adorando outros deuses e deusas. Mas os cabalistas alegaram que, ao dispersar os judeus, a sabedoria da Cabala se espalhou por todo o mundo. Deste ponto de vista, a diáspora não era uma maldição para os judeus, mas uma bênção para o resto do mundo. E essa bênção, a Cabala, consistia, pelo menos em parte, nos segredos da magia sexual. À medida que os judeus se moviam pela Europa, formavam pequenas comunidades. Em alguns deles havia escolas de cabalistas. A separação entre as comunidades acrescentou diversidade, e muitos dos ensinamentos cabalísticos, incluindo aqueles relativos à magia sexual, devem ter mudado e evoluído. Mas como os ensinamentos foram além das escolas do judaísmo místico? A resposta, acredito, vem da própria natureza do judaísmo e sua longa tradição de judeus sendo o povo do livro. À medida que a Igreja Católica se fortaleceu, a educação secular (incluindo leitura, escrita e matemática) dos fiéis foi desaprovada e limitada à realeza, aos ricos, escribas da Igreja e certos membros das forças armadas. Mas porque muitos judeus sabiam ler, escrever e sabiam matemática, agiam como mensageiros viajantes ou como cobradores de impostos para os ricos. Com alguns deles veio junto Cabala e a magia sexual.

Eles se comunicavam com outros que viajavam, incluindo os músicos errantes conhecidos por nomes como trovadores, menestreis, bardose os posteriores minicantores e meistersingers que vagavam por partes da Europa ocidental nos séculos XII e XIII d.C.  Não eram apenas homens como como registrado por historiadores do sexo masculino que, durante séculos, subestimaram a importância das mulheres na história, algumas mulheres também atuavam assim.

No século XIII, um livro pouco conhecido chamado Iggeret Ha Kodesh (A Carta Sagrada) foi difundido entre os judeus na Espanha. Foi por muitos anos atribuído ao famoso rabino chamado Nachmanides, mas os estudiosos hoje concordam que o rabino provavelmente não foi o autor. O livro era tão popular que três manuscritos variados deste livro são conhecidos. Foi dito que todos os livros verdadeiramente sagrados podem ser lidos em três níveis: físico, espiritual e místico. No nível físico, este livro parece ser um manual de casamento judaico. Em um nível espiritual, este livro é visto como uma “obra cabalística que descreve o relacionamento de Deus” com os judeus. Mas em um nível místico revela virtualmente todos os mistérios e técnicas de magia sexual que estão em uso até hoje. É minha opinião que os menestréis errantes medievais tinham alguma familiaridade com este livro ou com aqueles que usaram suas técnicas e ajudaram a difundir o conhecimento.

Até então, os casamentos não eram muito conhecidos. As pessoas viveriam juntas e se chamariam de marido e mulher. Eles eram considerados casados ​​mesmo sem um ritual de casamento. Nas Ilhas Britânicas, as regras para proteger as mulheres tornaram-se parte do que era conhecido como “lei comum [principalmente não escrita]”. Assim, após um certo período de tempo de convivência e alegando ser marido e mulher (e aceito como tal pela comunidade), uma mulher seria legalmente reconhecida como esposa de direito comum de um homem. Daquele ponto em diante, ele não poderia simplesmente jogá-la na rua quando estivesse cansado dela. Ela tinha direitos sob as leis do divórcio, embora eles não tivessem passado por uma cerimônia formal de casamento. O direito comum é inda hoje uma das bases do sistema jurídico americano.

Geralmente, na sociedade ocidental, controlada pelos cristãos, eram apenas os ricos e a realeza que se casavam. O objetivo dessa exibição pública era mostrar a todos que apenas os filhos dessa mulher seriam os herdeiros legítimos de um determinado homem. Na verdade, o casamento era mais um contrato legal do que um desejo de se unir por amor. Às vezes, pinturas eram feitas para mostrar a cena do casamento para provar que um casamento havia sido realizado.

Governantes e homens ricos queriam saber que seus filhos, na verdade, eram seus filhos de sangue. Acreditava-se que o sangue tinha qualidades mágicas inatas. Existe até uma crença hoje entre alguns bretões no “Toque do Rei” – que o próprio toque de um rei (que também foi aprovado pelo Deus cristão, ou então como ele poderia ser rei?) poderia curar várias doenças. Para garantir uma linhagem contínua, a monogamia tornou-se a regra para as esposas dos ricos e da realeza. Mesmo assim, há ampla evidência de que tanto as esposas quanto os maridos costumavam fazer sexo fora do casamento.

Eventualmente, a ideia de amor tornou-se um acessório do casamento. Foi uma conseqüência da noção de “amor cortês” que foi difundida pelos bardos viajantes. Eles até tinham regras para o amor cortês, algumas das quais escondiam os segredos da magia sexual. Por exemplo, a regra 30, de acordo com Andreas Capellanus cerca de 1.500 anos atrás, diz: “Um verdadeiro amante é continuamente é ininterruptamente obcecado pela imagem de sua amada”.

Dentro dessas palavras está um segredo de magia sexual que alguns dizem ter sido “descoberto” por A. O. Spare neste século. Como pode ser visto, este aspecto da magia sexual antecedeu Spare em mais de um milênio!

Outro grupo de viajantes eram os comerciantes, artesãos capazes de muitas habilidades valiosas. Eles vieram desde os primeiros tempos (quando cada ofício também estava associado a uma divindade) e continuaram no Renascimento. Na Roma antiga, essas guildas eram conhecidas como collegia (a fonte de nossa palavra “faculdade”). Eles tinham seus próprios edifícios onde eles compartilhariam os segredos de sua guilda. Os membros realizavam festas conhecidas como ágape, provavelmente a fonte das festas ágape cristãs do primeiro século. Para identificar outros membros ou permitir entrada nos limites das casas de guildas, eles tinham sinais de mão, gestos e toques especiais, incluindo beijos especiais e ritualísticos. Dessa forma, eles eram os elos entre as antigas escolas de mistérios e as modernas lojas ocultistas. De fato, os collegia foram influenciados pelos gregos, que, por sua vez, foram influenciados por uma variedade de culturas do Oriente Médio, incluindo os ensinamentos dos egípcios, dos sírios e dos antigos Hebreus.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/as-raizes-judaicas-da-magia-sexual/

A Primeira Defesa contra um Ataque Psíquico

Por Donald Michael Kraig

A descrição a seguir é adaptada do meu diário mágico pessoal. O evento aconteceu há cerca de vinte anos. Na época eu morava em San Diego, dividindo um apartamento de dois quartos com Scott Cunningham. Scott ganhava a vida na época escrevendo artigos para boletins informativos privados e escrevendo romances sob pseudônimos. Seu primeiro livro de ocultismo, Magical Herbalism (O Herbalismo Mágico), tinha acabado de ser publicado e ele estava começando a se tornar famoso.

Eu ganhava a vida vendendo revistas pelo telefone e ocasionalmente trabalhando em lojas de ocultismo (incluindo Ye Olde Enchantment Shoppe e The Bead Bag, onde também vendiam colares de contas e contas individuais para projetos de artesanato), uma loja mágica para prestidigitação. mágicos de mão, e dando aulas individuais e séries de palestras sobre uma ampla variedade de tópicos mágicos e espirituais.

Um dia, uma jovem ansiosa e enérgica entrou saltitando no The Bead Bag. “Lauren” era esbelta e tinha cabelos compridos. Nos próximos anos, seu dinamismo atrairia um grande número de pessoas para seu círculo. Ela me anunciou: “Olá! Estou tentando aprender sobre ocultismo. Você pode me ajudar?”

Respondi que ficaria feliz em dar a ela qualquer ajuda que pudesse. “Mas existem muitas direções diferentes no ocultismo. Qual área você está procurando aprender?” Ela respondeu que estava apenas começando e tinha comprado um livro. Era um livro de bolso, escrito por um autor popular, sobre como se tornar um satanista. “Bem, a primeira coisa que você pode fazer é se livrar desse livro”, eu disse.

Passamos várias horas naquela tarde discutindo onde ela poderia começar seus estudos. Dei a ela algumas informações introdutórias com base em aulas que eu estava lecionando há algum tempo. (Foi esse tipo de informação, e minhas experiências de ensino, que se tornaram a fonte do meu livro, Modern Magick (A Magia Moderna).)

Nos meses seguintes, nos encontramos várias vezes para discutir o ocultismo e suas práticas. Como eu disse acima, ela estava muito ansiosa e trabalhou diligentemente. Pelo menos, foi o que me pareceu. Fiquei impressionado com o progresso de Lauren.

Antes de prosseguir, é importante que os leitores entendam a situação no momento. Embora existisse há um quarto de século, a Wicca estava apenas começando a se tornar popular. Na época, você poderia contar o número de tradições wiccanas nos dedos de ambas as mãos. A maioria dos livros sobre magia eram de vinte anos antes, baseados em trabalhos feitos cinquenta anos ou mais antes disso. (Isso, é claro, exclui os livros “completos” absurdos sobre magia e feitiçaria que explicavam tudo em duzentas páginas de um livro de bolso!)

Uma das áreas que mais faltou informação foi a de ataque psíquico e autodefesa psíquica. Naquela época, havia realmente apenas um livro sobre o assunto. Foi por Dion Fortune, e foi publicado originalmente cinquenta anos antes. Já li várias vezes e não gostei. Parecia cheio de paranoia, e a solução final para seu problema – a iniciação em um grupo ocultista – era algo que muitas pessoas não conseguiam obter na época. E devido ao sigilo que cerca muitos grupos ocultistas hoje, mesmo agora, mais de setenta anos depois, muitos buscadores não podem obter iniciação local.

Foi nesse ambiente que Denning e Phillips lançaram seu Practical Guide to Psychic Self-Defense: Strengthen Your Aura (Guia Prático de Autodefesa Psíquica: Fortaleça Sua Aura). Que livro incrível esse foi – e é! Dá técnicas práticas e utilizáveis ​​para autodefesa psíquica. Mais importante, em vez de se basear na paranoia, é baseado na lógica e na razão. Apresenta a ideia clara de que o ataque psíquico era realmente muito raro. No entanto, como escrevi em Modern Magick, “Seja como for, a sensação de estar sob ataque psíquico pode ser um sentimento muito real. Também nossa psique está constantemente sob ataque da sociedade: vendedores nos mandam comprar; anúncios de TV nos mandam para comprar; amigos, familiares e até estranhos, conscientemente ou não, tentam manobrar psicologicamente e nos influenciar.”

“Um ataque psíquico real geralmente não é causado por uma pessoa que faz um feitiço para prejudicá-lo. Em vez disso, é causado por uma pessoa ou pessoas que por algum motivo estão com raiva de você. Sua raiva faz com que eles enviem, sem saber, um fluxo de energia preenchido com a raiva deles em relação a você. O mais provável, no entanto, é que você simplesmente acredite que alguma negatividade está vindo em sua direção. Em ambos os casos, você ainda se sentirá como se estivesse sob ataque, e ambos os casos podem ser tratados no mesma forma.” (pág. 45-46)

Mas havia um método que eu não descrevi, e ajudou a mim e à mulher que eu estava aconselhando. É um método simples de usar, especialmente em uma situação forte.

UMA BATALHA NO MEIO DA NOITE:

Scott estava fora e eu estava sozinho no apartamento. Eu ouvia rádio e lia. Ouvi uma batida na porta e olhei para o relógio. Já passava das 22h.

Olhei pela janela ao lado da porta e vi que era Lauren. Abri a porta e a convidei a entrar. Seus olhos pareciam selvagens e ela agarrou-me. “Você está bem? O que há de errado?”

“Você tem que me ajudar”, ela implorou.

“O que está errado?” Eu perguntei novamente.

“Eu terminei com meu namorado na semana passada. Ele disse que ia se vingar de mim e acho que ele me atacou psiquicamente.”

Eu a fiz sentar. “Ele sabe magia?” Eu perguntei.

“Não”, ela respondeu.

“Bem, é provável que ele não saiba o suficiente para atacá-la psiquicamente”, eu disse, tentando acalmá-la. “Sabe, na maioria das vezes as pessoas pensam que estão sob ataque psíquico, elas estão criando a impressão elas mesmas. Na maioria das vezes não é nada real.”

“Mas está me seguindo. Aonde quer que eu vá, ele aparece. Você é minha última esperança.”

“Este apartamento está muito bem protegido. Acho que nada mágico poderia…”

Ela pulou e ficou atrás de mim, segurando como se sua vida dependesse disso. “Então como você chama isso?” ela disse, apontando ao lado da cadeira verde em que estava sentada.

O ar havia esfriado. Eu meio que fechei meus olhos para permitir que meus sentidos psíquicos saíssem. Eu segurei minha palma direita para frente, tentando sentir de onde vinha a frieza que eu agora sentia. Sua fonte, de fato, estava ao lado da cadeira em que Lauren estava sentada.

Finalmente, minha visão se abriu a um nível onde eu podia ver a “criatura”. Para mim, parecia ser uma coisa sombria e semitransparente, talvez com dois terços de um metro de altura, e uma das coisas mais desagradáveis ​​que eu já tinha visto.

Era esférico, coberto de espinhos afiados como um porco-espinho. Em ambos os lados tinha uma perna dobrada como um buldogue. Sua boca era viciosa com dentes perigosamente afiados. Seus olhos estavam tão cheios de ódio e raiva que eu podia sentir.

PRIMEIRA AÇÃO:

Foram aqueles olhos cheios de ódio que entregaram a criação da coisa. “Você vê seus olhos?” Eu perguntei.

Lauren estava me segurando por trás. Meus braços estavam abertos para que, se a coisa atacasse, eu pudesse protegê-la. Ela meio sussurrou, meio assobiou, “Sim”.

“Esse ódio, raiva e raiva são a fonte de sua criação. Seu ex não conhece magia, mas suas emoções a criaram.”

“Você pode fazer alguma coisa?”

Caminhei até a porta, mantendo-me entre ela e a criatura de ódio. Eu abri a porta. Então voltamos para a posição em que estávamos antes, deixando um caminho claro entre ela e a porta. Levantei-me e, com voz de comando, disse: “Vá embora! Ordeno que vá embora”.

O resultado foi que a coisa rosnou horrivelmente. Eu podia sentir Lauren se encolhendo atrás de mim, seu corpo tenso.

Aumentei a “pressão psíquica” (por falta de uma frase melhor) sobre ele.

“Em nome de Yud-Heh-Vahv-Heh eu ordeno que você vá embora. Não sou eu quem te ordena, mas Adonai!”

A coisa não se moveu, mas a aparência de seus olhos mudou e seu rosnado parecia um pouco menos cruel. Eu sabia que estava no caminho certo.

Dei o mesmo comando várias vezes. Finalmente, começou a se mover. Ele avançou lentamente em direção à porta. Na porta, estava virado para fora. Ele virou o rosto para nós e rosnou novamente. Então virou para nós e pensei que ia pular e atacar. Repeti o comando e pareceu relaxar. Então começou a desbotar. Demorou cerca de cinco minutos antes que todos os vestígios dele desaparecessem.

MANTENDO ISSO:

Quando tive certeza de que havia desaparecido, usei o método de projeção do pentagrama para manter a coisa afastada. Isso envolve a visualização na testa de um “pentagrama azul-elétrico brilhante com uma ponta para cima”. Eu cerquei isso com minhas mãos formando um triângulo e depois projetei isso para onde a coisa havia desaparecido. Eu fiz isso várias vezes. Eu me separei de Lauren, fui até lá e fechei a porta. O som dele fechando parecia muito final para mim, mas eu sabia que havia mais a fazer.

Eu me virei para Lauren que estava tremendo. “Se foi?” ela perguntou.

“Sim, por enquanto. Mas voltará a menos que façamos algo a respeito.”

“Por que vai voltar?”

“Você ainda tem várias ligações mágicas com seu ex. Elas são causadas pelo tempo que você passou com ele, que você estava psicologicamente ligada a ele, e que você fez sexo com ele. Essa coisa segue as ligações diretamente para você.”

“O que eu posso fazer?”

Precisávamos cortar esses links. Um método ideal para isso era algo que chamei de “Técnica I.O.B.” quando revelei o sistema em Modern Magick.

O “I” significa “identificar”. A primeira coisa a fazer é identificar a verdadeira origem do problema. O “O” significa “objetivar”. Isso é feito dando uma forma à fonte, se ela ainda não tiver uma forma. Como conhecemos a fonte, a técnica exige que façamos uma maquete visualizada dela – ou, neste caso, dele.

“Você tem uma foto do seu ex?”

“No meu carro. Isso é um problema?”

“Não, pode ser usado apenas como base para visualização. Mas não precisamos disso. O que eu gostaria que você fizesse é visualizá-lo do outro lado da porta. Visualize-o o mais forte possível. Volto em um momento.”

Enquanto ela visualizava seu ex-namorado, entrei no meu quarto (o quarto de Scott ficava do outro lado do apartamento). No meu quarto fui ao meu altar e tirei a faca de cabo preto que usei em muitos rituais. Quando voltei para a sala onde Lauren estava sentada, pude ver que ela tinha um olhar um tanto temeroso em seus olhos. Ela olhou rapidamente para mim e depois de volta para onde estava sua visualização. “Eu não quero mais vê-lo. Quanto tempo eu tenho que manter isso?”

Eu andei para frente e com minha visão estendida vi vários fios de energia, como tendões brancos, estendendo-se pela porta e em várias partes de Lauren. “Não muito”, eu respondi. Dei um passo à frente e comecei a cortar os fios que a ligavam ao seu ex. Alguns eram como uma faca quente passando por um pote de sorvete. Outros eram duros e eu tinha que serrar para frente e para trás para cortá-los. A cada corte, eu podia ouvi-la ofegar levemente.

Uma vez que eles foram cortados, eu me coloquei entre ela e onde sua visualização de seu ex tinha estado. Como antes, projetei pentagramas na direção de sua visualização.

Por fim, fiz o “B”, ou banimento da técnica. Eu puxei Lauren para fora de sua cadeira e a fiz sentar no centro da sala. Realizei o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama ao redor dela. (As instruções para a Técnica I.O.B. e o Ritual de Banimento estão incluídas na Magia Moderna.)

A “criatura” nunca mais voltou, e ela nunca mais teve notícias de seu ex-namorado. Considero esta operação um sucesso.

PROVAVELMENTE VOCÊ NÃO ESTÁ SOB ATAQUE PSÍQUICO:

Na maioria dos casos, se você acha que está sob ataque psíquico, é provável que não esteja. No entanto, em raras ocasiões, isso ocorre. Quando isso ocorre, é mais comum que o ataque seja uma manifestação da raiva e raiva do atacante e não um ato mágico calculado.

Se você sente que algo está atacando você, uma das coisas mais fáceis e rápidas que você pode fazer é simplesmente isso: diga para sair! Se isso parece simples, é. É tão simples que funciona e pode funcionar de forma bastante poderosa. Para maior resistência, você pode adicionar a Técnica I.O.B. e um ritual de banimento.

***

Fonte: The First Defense Against Psychic Attack, by Donald Michael Kraig.

COPYRIGHT (2002) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-primeira-defesa-contra-um-ataque-psiquico/

Igreja da Eutanásia: Salve o planeta, se mate.

Todo mundo têm um amigo eco-chato. Alguém que insiste em nos lembrar a cada oportunidade os danos que nosso comportamento causa ao meio ambiente. A pior parte disso, é que todos sabemos que este amigo geralmente tem razão no que diz. Mas se você acha que reciclar o lixo doméstico e reduzir o consumo de carne muito difícil, está na hora de conhecer Church of Euthanasia, a Igreja da Eutanásia, cujo lema não poderia ser mais extremo: Salve o planeta, mate-se.

Segundo os eutanatos, cada aspecto da crise ambiental, incluindo as mudanças climáticas, contaminação da água, o desmatamento, a produção de lixo e redução da biodiversidade são resultado direto de um único agente biológico: o homo sapiens. A população humana cresce numa taxa de um milhão de pessoas a cada quatro dias, que corresponde uma nova população do México, 95 milhões, por ano.

A visão de mundo defendida pelo grupo é idêntica a colocação do Agente Smith no filme The Matrix: “Todos os mamíferos do planeta instintivamente entram em equilíbrio com o meio ambiente. Mas os humanos não. Vocês vão para uma área e se multiplicam e se multiplicam, até que todos os recursos naturais sejam consumidos. A única forma de sobreviverem é indo para uma outra área. Há um outro organismo neste planeta que segue o mesmo padrão. Você sabe qual é? Um vírus. Os seres humanos são uma doença. Um câncer neste planeta. Vocês são uma praga. E nós somos a cura”.

Com esta lógica simples a Igreja da Eutanásia é uma fundação educacional sem fins lucrativos com a missão de restaurar o equilíbrio entre Humanos e as demais espécies pertencentes ao planeta Terra. Segundo eles, isso só poderá ser feito com uma diminuição drástica e voluntária da população humana. Assim os eutanatos só possuem um mandamento: “Não procriarás.” e este mandamento é sustentado pelos quatro pilares fundamentais da igreja: suicídio, aborto, sodomia e canibalismo.

Os Pilares da Igreja da Eutanásia

Pilares da DorSuicídio

É claro que a Igreja da Eutanásia não quer que seus membros se matem. Entretanto defendem que as pessoas que desejam morrer devem ser ajudadas nesta tarefa. Eles orientam doentes terminais e pessoas que simplesmente não querem mais viver sobre como proceder da forma mais rápida e menos dolorosa possível. Também orientam as pessoas na parte burocrática e legal estimulando-as a prepararem um testamento a seus entes queridos. Qualquer pessoa que se matar se torna automaticamente um santo da igreja.

Aborto

Neste aspecto a Igreja da Eutanásia é bastante ativa, defendendo o direito político a prática do aborto. Em seu objetivo de diminuir a população mundial os membros acreditam que o aborto deveria não apenas ser legalizado, mas que deveria receber todo suporte do governo, estando disponível inclusive como parte do planejamento de saúde pública a qualquer mulher que desejar passar pelo procedimento.

Sodomia

Na definição da Igreja da Eutanásia, sodomia é qualquer forma de ato sexual que não tem a intenção de procriar: fellatio, cunnilingus, sexo anal, entre outras. Por razões óbvias o homossexualismo é não apenas aceito, mas estimulado dentro da Igreja. Podemos dizer que os heterossexuais são aceitos, desde que aceitem o uso de métodos contraceptivos. Sua principal porta voz Chris Korda é, ela mesma, um transexual.

Canibalismo

O princípio orientador é não se alimentar de carne não humana. Na prática os membros da Igreja da Eutanásia são vegetarianos estritos. Entretanto Advogam o canibalismo como a única forma ética de alimentação carnívora uma vez que, dentro da Igreja é ensinado que deve ocorrer apenas em seres humanos que já estejam mortos.

 

Atividades dos eutanatos

O mandamento principal da igreja e seus quatro pilares são promovidos pela Church pf Eutanásia através de ações patrocinadas por seus membros, incluindo aparições públicas na mídia norte americana, manifestações , passeatas, promoção de palestras e campanhas de propaganda usando slogans ácidos como: “7 milhões de humanos não podem estar errados”, “Por favor, pare de respirar.” e “Coma um feto por Jesus.”. Eles também produzem e distribuem um periódico impresso “Snuff it” onde todos os aspectos de sua doutrina são explorados.

A lógica dos extremados

Talvez haja uma sutil estratégia em todo este barulho. Sendo extremos os eutanatos redesenham a discussão ambiental e redefinem o meio-termo. Ao defender que deveriamos colocar produtos que causem infertilidade em massa nos reservatórios de água eles, de repente, os eco-chatos não parecem mais assim tão chatos. Hoje sabemos que o planeta terra é um organismo vivo , capaz de defender a si mesmo se necessário.

A Igreja da Eutanásia diz que é propositadamente polêmica e que não vê problemas nisso se este for o preço a ser pago para que os seres humanos parem de enxergar a si mesmo apenas como indivíduos pertencentes a uma raça ou nacionalidade e despertarem para uma consciência de espécie. O site oficial da organização http://churchofeuthanasia.org  está no ar a mais de dez anos e está hoje repleto de materiais de apóio aos eutanatos, assim como informações detalhadas de filiação aos interessados.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/igreja-da-eutanasia-salve-o-planeta-se-mate/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/igreja-da-eutanasia-salve-o-planeta-se-mate/

O que aprendemos com Rafael Chiconeli?

– Por que você estuda magia?

– Porque estou em busca da Verdadeira vontade.

– então você está em busca de uma verdade.

– Sim

– Quando a gente busca a verdade, é normal as mentiras caírem pelo caminho.

Em 2000, uma figuraça apareceu na mídia nacional alegando, aos 99 anos, falar 33 idiomas e 72 dialetos. Omar Kayan dizia ter 107 títulos de doutor e três indicações ao Prêmio Nobel.

Ninguém no país tinha ouvido falar nesse detentor de tanta sapiência. Mesmo assim, o senhor com ares de profeta enganou todo mundo direitinho. Deu entrevistas para os grandes jornais e chegou a ocupar dois blocos do Programa do Jô Soares. Khayam na verdade se chamava Alexandre Selva, tinha 62 anos, e não era doutor coisíssima nenhuma. Tratava-se de um charlatão que se fazia passar por gênio para dar palestras e faturar dinheiro. Um estelionatário de marca maior.

Recentemente, tivemos um caso semelhante aqui no Brasil. Rafael Chiconeli, a.k.a. Raphael Chiconelli, a.k.a. Rafael Ithzaak, a.k.a. Rafael Moura Pessoa Freire, se passava por rabino, cabalista e rav para dar cursos e se aproveitar das alunas seduzidas com seu papo mole de “alma gêmea”. Chegou a palestrar no mais importante Simpósio de Hermetismo da América do Sul e até escreveu posts para este blog. Mas nem judeu ele é. Como ele conseguiu chegar tão longe? e como foi descoberto?

Tivemos o desprazer de conhecer esta figura uma semana antes do Simpósio de Hermetismo. Para quem não o conhece, ele é extremamente simpático e de uma cara de pau inacreditavel. Coisa de psicopata mesmo.

Quando o encontrei pela primeira vez, ele foi extremamente simpático e conversamos durante umas duas horas e vi que ele sabia o básico da cabalá judaica. Não aprofundamos porque ele era indicado de pessoas conhecidas do RJ, então não tínhamos a menor razão para desconfiar dele.

[Update 2013] – as pessoas no RJ o recomendaram sem o conhecer pessoalmente, com base em seu blog, que depois verificamos ser apenas um amontodado de plágios de blogs de cabalistas famosos. quando denunciado, Rafael Moura tentou deletar o blog, mas mantivemos uma cópia no Internet Archive.

No Simpósio, tanto sua palestra sobre a Cabalá quanto o ritual conduzido no final da palestra foram bem executados ([Update] O ritual e a palestra são recortes de palestras dadas no Kabbalah Centre). A pedidos, ele começou a ministrar o módulo de Cabala I em São Paulo também ([update] O curso de “cabala iniciática” – nomenclatura que ele INVENTOU e que não existe em nenhum lugar, é uma colcha de retalhos montada com material do Kabbalah Centre também, como alguns alunos relataram posteriormente). Perdi contato com ele até as vésperas do Sefirat ha Omer. Nesse meio tempo, conseguiu fazer diversos contatos nas lojas de maçonaria mista e espaços holísticos com pouca seriedade.

Quando ele quis começar a palestrar na Maçonaria regular, fiz o pedido de praxe: número do CIM e Loja na qual foi iniciado. E ele começou a me enrolar. Logo em seguida, dois fatos ocorreram em menos de uma semana para terminar de desmascará-lo.

O primeiro foi ele ter falhado com o Sefirat ha Omer e, de quebra, ferrado o exercício de quase quinhentas pessoas que estavam “seguindo o rabino” ao invés das orientações do Blog, pois ele disse que só poderia haver uma fonte. Mas a melhor veio pelo Facebook.

[Update] Rafael Moura tentou duas vezes entrar na Maçonaria depois dos ocorridos, e foi rejeitado em ambas as tentativas. Descobrimos que ele fingia ser maçom desde 2010.

Uma moça que estava em recuperação pela Narcóticos Anônimos tinha como um dos passos buscar a espiritualidade e acabou na cabala judaica, com o “mestre” que lhe garantiu que já havia cuidado de vários casos assim e que precisaria vê-la pessoalmente. Depois do encontro, do qual não teve tratamento cabalistico nenhum, o rabino se dizia apaixonado, que ela era a alma gêmea dele e que iriam se casar. E, uma semana depois, desapareceu sem dar explicações e, quando confrontado, disse que ela era louca e que tudo era imaginação dela. O que ele não contava é que a guria estava pensando em se suicidar e que, quando foi conversar com uma psicóloga, por essas “coincidências” dos deuses, foi parar justamente em uma amante do rabino, que já estava tendo um caso com ele há quase um ano e também achava que era a alma gêmea do “mestre”.

Com as duas garotas muito putas da vida, decidiram investigar o caso a fundo e acharam quase uma dezena de alunas na mesma situação… em SP e RJ… cada uma achando que era a alma gêmea dele e que iria se casar e ter filhos koshers. Uma delas, uma senhora, planejava fazer uma viagem a Israel acompanhada do rav. E ai a novela chega aos ouvidos deste que vocês escreve.

[update] Pelo menos 8 casos com o mesmo modus operandi.Escolhe mulheres fragilizadas emocionalmente e usa de manipulação e lábia para prometer casamento, dizendo serem almas gêmeas. apesar do papo mole de don juan, ele é CASADO. Casou-se com Márcia Chiconeli para adotar o sobrenome dela (no Brasil, que homem adota o sobrenome da mulher?) pouco antes de tentar processar o autor deste blog pelas denúncias feitas.

Primeira lição: Coerência

A Primeira coisa que se aprende em uma Ordem Iniciática séria, no grau de Zelator, é o Caminho da Terra. O Caminho da Terra ensina a Coerência, ou seja, que devemos agir de acordo com o que pregamos. Não faz o menor sentido criticar o Vaticano por ficar remanejando padres pedófilos e ao mesmo tempo passar a mão na cabeça de um suposto rabino que abusava da confiança das alunas pelo seu cargo. Aqui no TdC, cortamos a própria carne se precisar.

Como somos justos, tentamos entrar em contato de todas as formas para perguntar o que estava acontecendo e dar a ele amplo direito de defesa. Porém, algumas das almas gêmeas já haviam contado a ele sobre o caso e ele desapareceu. Nesse meio tempo, procurando por telefones e meios de contato, descobrimos que “Rafael Chiconeli” simplesmente não existia. Nenhum RG, nenhum CPF, nenhum telefone, nenhum registro… um fantasma. E como ele chegou até o Aya? Excelente pergunta.

Em 2011 ele começou a dar os cursos de Cabalá no RJ, no espaço da mãe, em uma empresa fantasma sem CNPJ ou endereço e seduziu algumas alunas como o papo mole de alma gêmea. Uma delas o apresentou a organização da Mystic Fair RJ. E lá ele conheceu outra palestrante, que se tornou aluna e alma gêmea e o trouxe para espaços em São Paulo. Ele teve problemas no primeiro espaço que conseguiu, com absurdos do tipo andar de cuecas na casa da pessoa que o acolheu, deixar camisinhas jogadas pelo espaço e causar brigas entre alunas apaixonadas pelo don juan cabalístico, um completo absurdo… ([update] conforme fomos levantando material dele para o processo, mais e mais absurdos apareciam…) e levou o que restou da turma que ainda não sabia dos escândalos para o novo espaço.

Segunda Lição: Conhecimento não traz caráter

Ele teria sido descartado de cara pelo Leo, por mim ou pelo frater Alef se não tivesse um grande conhecimento. E de onde diabos veio isso? ao investigarmos a vida do sujeito, descobrimos que tudo era uma fraude. Ele nunca pisou em Israel, a historinha do pai diplomata era outra mentira ([update] o pai é um sargento aposentado da marinha com segundo grau completo, nunca nem abriu um livro de cabala na vida); a história da avó ser uma judia milionária dona de imóveis também é uma farsa ([update] a família toda de Rafael Moura mora no subúrbio do RJ, na Vila Sulacap) e ele tentou ser iniciado na maçonaria, mas foi rejeitado, e nunca esteve nem perto de uma Yeshiva ou de um rabino de verdade.

A resposta veio de uma namorada do tempo de adolescente: ele estuda por livros e fez uns módulos do Kabbalah Centre. E, segundo ela, já tinha essa mitomania de falar que era judeu desde sempre. Tentou aplicar os primeiros golpes como Rafael Ithzaak (o sobrenome de um rabino famoso) e depois de 2010, Chiconeli (sobrenome de uma tal de Márcia, que vive com ele e para uns diz que é irmã, para outros diz que é esposa ([update] Márcia Chiconeli é esposa dele desde 2013, quando ele assumiu o nome dela para posteriormente tentar processar o autor deste blog)).

O que, para mim, é o mais triste dessa história toda: a necessidade dele inventar toda essa maluquice doente. Não há nada de errado em se ter estudado a cabalá judaica no Kabbalah Center e ter adquirido esse conhecimento pelo esforço próprio. Foi essa psicopatia e necessidade de enganar as pessoas e abusar das mulheres que fez com que ele fosse banido do cenário sério do ocultismo brasileiro, sendo relegado a ficar como uma barata se juntando com outros lixos para enganar quem ainda não o conhece.

[update] Hoje ele ainda tenta se vender como “cabalista”, em espaços de quinta categoria e acompanhado de “simbologistas” e “cientistas quanticos” e “sagrado masculinos” em uma invencionice pior que a outra para angariar quem ainda não o conhece.

Você é responsável por sua própria queda, Rafael.

#cabala #Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-que-aprendemos-com-rafael-chiconeli

Entrevistas e Palestras de Abril/2020

Bate-Papo Mayhem 001 – Com Marcelo Del Debbio e Pri Martinelli – Viagem ao Egito, Templos, Pirâmides, Rituais e Espiritualidade.
https://youtu.be/gkgNgW32UYY

Bate-Papo Mayhem 002 – Com Rafael Daher – Sefirat Ha Omer, Cabala Judaica, Árvore da Vida e Sephiroth.
https://youtu.be/ZEDJPbNeUDU

Bate-Papo Mayhem 003 – Com Marcelo Del Debbio – Verdadeira Vontade, Altar Pessoal e Realização da Grande Obra.
https://youtu.be/tbFBDKG5S1s

Bate-Papo Mayhem 004 – Com Raph Arrais – 49 dias antes da Colheita, A Questão Emocional dentro do Sefirat ha Omer.
https://youtu.be/s9IpBBbYOt8

Bate-Papo Mayhem 005 – Com Luis Z Siqueira – Magia do Caos, Psicologia, Sigilos, Servidores, Egrégoras, Projeto Kaos.
https://youtu.be/IeHUej53eE0

Bate-Papo Mayhem 006 – Com Giancarlo Kind Schmid – Evolução Simbólica e Linguística da Cartomancia, do século XV ao XXI.
https://youtu.be/2wHAcSNLMlw

Bate-Papo Mayhem 007 – Com Ricardo Bina – História e fundamentos do Reiki, comparação com outros sistemas herméticos e iniciáticos.
https://youtu.be/bGK_WADt9g0

Bate-Papo Mayhem 008 – Com Eduardo Regis – Origem, lendas, Lwas e rituais do Vodú Haitiano.
https://youtu.be/pS6UzBNK6L0

Bate-Papo Mayhem 009 – Com Frater Aleph – Gurdjieff e o Quarto Caminho: mantenha-se desperto!
https://youtu.be/IZuRBaAaalY

Bate-Papo Mayhem 010 – Com Francisco Tupy – A Jornada do Herói e os Mitos Modernos pelo viés de Krishnamurti.
https://youtu.be/haMZqQt_nSs

Bate-Papo Mayhem 011 – Com Acauã Silva – A História da Ordem Rosacruz, Arnold Krumm-Heller, a FRA e a Igreja Gnóstica.
https://youtu.be/jY77TBJtrMs

Bate-Papo Mayhem 012 – Com Uilian Tadeu Vendramini – Conhecendo um pouco sobre o Candomblé de Angola.
https://youtu.be/YqJO-f0WYGQ

#Batepapo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/entrevistas-e-palestras-de-abril-2020

A Ordem de Aset Ka e a Popularização do Vampirismo Moderno

Em Hotep,

Tomei conhecimento da Ordem de Aset Ka em 2007 quando a Bíblia Asetiana foi liberada para deleite do publico em geral, em especial os europeus que já tinham alguma noção dos trabalhos vinculados a misteriosa sociedade cuja sede, sabe-se através do autor Luís Marques, se encontra na cidade de Porto, Portugal. É provavel que hajam outros capitulos da mesma espalhados ao redor do globo terrestre, todos estes interligando os adeptos as suas origens vampíricas presentes no Egito Antigo, onde a matriarca divina, Ísis, compartilhou não somente sua sabedoria entre sua descendencia, como sua própria imortalidade.
Por séculos a Ordem tomou a si a regencia do Antigo império egipcio, em um glamoroso reinado de Beleza e Poder, meramente esquecido pelos historiadores de nossa época, sequer reconhecido pelos mesmos.

“Para o seu grupo secreto e silencioso, Aset (Ísis) atribuiu-lhes o nome de Aset Ka, um símbolo direto de suas verdadeiras origens – a essência de Ísis, o Ka de Aset. E assim ela disse te-los vinculados através do sangue, e os fiéis a ela seriam para sempre fiéis para eles próprios, porque eles eram um só. Em seu “Beijo Negro”, ela gravou o sigilo santo no fundo de suas almas, que seria para sempre sua Marca Asetiana, e eles fariam o mesmo com seus seguidores” A Bíblia Asetiana.

A Aset Ka, enquanto ordem iniciática, existia muito antes de qualquer ordem vampírica, tal como Crimson Tongue, Dreaming, House Kheperu, ou até mesmo a notória Black veil, famosa pelos seus roles playing games e fãs de Nox Arcana. É certo que, em contexto de exposição muito diferente e com recursos completamente distantes dos que utiliza hoje em dia, vide o site oficial circulando na Web, mas já à 20 anos atrás haviam serões de palestras sobre manipulação de energia organizadas pela Aset Ka em Londres e Paris. Fatos tais são dificilmente encontrados em textos liberados, mas correm aos sussurros pelos círculos ocultistas, da onde a autora que os expõe aqui, sugou deliberadamente as informações.

Pois bem, antes que tomem notas através do trabalho que aqui se segue, é importante fazer um parecer sobre a pratica do Vampirismo, já muito propagada fora dos círculos ocultos, em especial pelos sujeitos mais problemáticos que são os adolescentes deslumbrados e fãs de qualquer alegoria sombria/sensual. Tais ordens como Aset Ka jamais registraram qualquer indicio de prática canibalista em seus meios como uma questão de obrigatoriedade de sua natureza divina, senão uma alusão ao que seria “sugadores da essência divina”, energia psiquica ou sexual. Fora isto, moldar em mente sujeitos de preto, cabelos longos, pele pálida e feições aquilinas voando entre árvores de um bosque a caçar mocinhas, é apenas uma visão romanceada, figurativa, do que o Vampiro de fato representa. A questão da alimentação sanguinea não é uma condição inerente ao Asetiano, que privado desta dieta, padecerá em uma funesta não-existencia cá entre os vivos. Sobre esta questão, busquei referencias na fonte mais correta da Ordem, sua Bíblia, que nos trás a questão de maneira bem direta:

“O que um vampiro real realmente anseia em seu núcleo é o Ka, a essência da vida, se liberada por um intenso orgasmo sexual, desde o sangue pingando da veia do doador, ou simplesmente pelo toque da carne”

Procede-se então que o Vampiro se comporta de maneira similar a um daemon invocado cujo sigilo necessita ser alimentado pela energia do seu conjurador, seja numa gota de sangue, seja através do fluído sexual. O Vampiro todavia, não é uma condição sobrenatural inalcançavel. Tomando o presuposto que o Vampiro se alimenta da energia exterior, o vampirismo psiquico fora abordado de maneira bastante elucidatoria por autores como Dion Fortune e Anton Lavey.O “Psyvamp” sendo uma condição repassada seja geneticamente ou através de ataques exteriores, PORÉM, não resulta no recrutamento do mesmo para uma Ordem como Aset Ka. Simplesmente porque ser asetiano não é somente ser um vampiro. A questão é mais profunda e essencialmente vinculada a hereditariedade.

Não adianta donativos, puxa-saquismo, sequer seu sangue é interessante a Ordem. Sendo um círcuo estritamente fechado, entende-se bem o porque de poucos conhecerem Aset ka. Esta casa ocultista não é como as casas por ai que dizem serem secretas, e fazem entrevistas até para o Jô Soares se puderem. Não deve-se confundir Ordem restrista com Ordem Secreta, pois nem todas as ordem restritas sobrevivem na obscuridade, por exemplo a famosa Maçonaria. Mas então porque diabos lançar um livro, um site, até uma pagina na Wikipedia, se a palavra de ordem da Aset Ka é Sigilo?

Em dialogos com um possivel conhecedor dos trabalhos asetianos nas terras lusitanas, este me deu a entender que alguns descendentes da Ordem vagavam por ai sem conhecimento de suas origens. As publicações rescentes, por tanto, pretendiam, e pretendem, despertar esses irmãos e levá-los de encontro a suas origens. O reconhecimento se daria de uma maneira profundamente íntima, é deduzível, já que não consta um manual de comportamentos asetianos, senão poucas caracteristicas referentes as linhagens. Obviamente, as publicações atraíram muitos tipos de fanboys e fangirls de RPG, Anne Rice, Saga Crepúsculo e até membros de outras ordens, curiosos acerca desta identidade otherkind presente no asetiano. Mas é provavel que os curiosos não obtiveram sucesso em suas pesquisas, tal como eu que apenas pude me satisfazer com informações minguadas espalhadas entre os círculos.

 

Aset Ka e as Três Linhagens Vampíricas

“Vivemos em segredo. Vivemos em silêncio. E nós vivemos sempre …Que a Serpente beije o infinito de sua beleza fria”

A palavra Asetiana refere-se à linhagem imortal criada por Ísis no Antigo Egito. Em seu ato de criação divina, ela deu sozinha à luz a três crianças para fora de sua essência. Esses são os Asetianos Primordiais, os primeiros de seus parentes, representações perfeitas das Linhagens encontrados em Asetianismo. Isso explica a natureza tríplice da linhagem que é representada por três linhagens distintas: Serpente, a Linhagem dos Viperines, Escorpião, a linhagem dos Guardiões, Escaravelho, a Linhagem dos Concubines.

1 – Linhagem das Serpentes (tambem conhecida como a linhagem de Hórus): Esta linhagem assenta as suas bases na honra, no poder e na força da liderança. Os seres desta linhagem destacam-se por possuir elevados poderes metafisicos, e uma criatividade extraordionária. São habitualmente temidos por aqueles que conhecem os seus poderes. Fisicamente, tem uma aparência frágil (apesar de serem de todas as linhagens os mais poderosos) devido a possuirem um grande desprendimento da Terra em si. São na maioria das vezes pessoas palidas, magras, e tem um olhar profundo que lhes é caracteristico.

2 – Linhagem dos Escorpiões (Guardiões) :os seres desta linhagem denotam-se por uma grande ligação ao amor, e busca do mesmo. Para eles, o amor é a propria razão da vida. São desligados das pessoas em geral, apresentando por diversas vezes pontos de vista divergente da maioria das opinioes da sociedade. São muito ligados á Terra, o que resulta no desenvolvimento de um grande escudo de protecção á sua volta quase constante. São seres notoriamente protetores, contudo só permitem a alguns aproximarem-se de si intimamente. Nao interagem muito facilmente com a energia, devido precisamente ao seu “escudo” quase constante. São donos de uma saude excelente assim como de um ótimo sistema imunologico. São poucos sensiveis á luz solar, e podem ainda ser menos palidos que os asetianos das outras duas linhagens. Tem um metabolismo energetico lento, logo sao raras as vezes em que necessitam de retirar energia dos outros. São avançados na alimentação tantrica. Alimentam-se de energia sexual.

3 – Linhagem dos Escaravelhos (Concubines): Tem uma natureza caótica, e ao mesmo tempo adaptativa. Tem a habilidade de partilhar grandes quantidades de energia, tornando-os excelentes doadores , sobretudo para a linhagem das serpentes. Sao submissos e controlados, mas apenas por aqueles que lhe são bastante proximos. Tem uma grande necessidade de contacto humano social, e por isso mesmo sao das 3 linhagens a que possui uma alma mais humanizada, sendo que o facto de se misturarem com os humanos e agirem muitas vezes como eles emotivamente é um dos seus maiores fardos, uma vez que assim se torna mais dificil de atingir o seu eu interior divino. Umas das suas capacidades mais marcantes é a de conseguirem transformar a dor fisica em prazer, alimentando-se muitas vezes de energia sexualmente liberada. Não tem uma aparencia fisica esteriotipamente definida, a mesma costuma variar imensamente.

Keepers – Crianças de Anubis

São os protetores dos Asetianos, estão a eles ligados através de lealdade, respeito, honra e dedicação. Tal como os Asetianos, tem uma alma imortal nao humana, logo sao conhecidos como otherkins. Alguns possuem uma alma vampirica, outros tem uma alma humanizada. Discípulos de Anubis, sao extremamente avançados no que toca a praticas e ritos de magia e feitiçaria. A sua maior ambiçao é proteger os Asetianos.

“Desenvolvimento e iluminação são processos lentos e persistentes da viagem Asetiana através da vida. Esta iniciação metafísica é um sistema de transmutação. Com esta mudança pura e profunda, significa que o Asetiano consegue alterar de forma,aparência e natureza, que é uma manifestação da força da Chama Violeta em si. Esta transmutação, profundamente conectada com o nascimento vampírico, representa a natureza da alquimia da alma Asetiana, sempre mudando eternamente. De acordo com isto, podemos estabelecer o Asetianos como os alquimistas do alma, criadores e destruidores,catalisadores de mudança e evolução, com o poder de transformar chumbo em ouro. Asetianos são os doadores de vida, os pilares da existência sutil, os proprietários darespiração da imortalidade. ”

Mas então, qual seria o sistema asetiano? Como vivem e o que fazem?

Existem trechos deveras notáveis nas obras de Luis Marques que calam a boca dos insistentes, porém nao conseguem fazer morrer o interesse. Tal como o autor é uma pessoa física E conhecida, os asetianos assim são, habitando entre nós, podendo ser nossos vizinhos ou um apresentador de um talk show na TV.
“Para aqueles fora da Ordem, nós jamais existiremos” (A Biblia Asetiana).

No entando, sabemos que eles sim existem, mas não da maneira extravagante que Hollywood demonstrou.

“Os vampiros e criaturas similares podem ser encontradas em quase todas as culturas ao redor do mundo. Nos contos do Vetalas da Índia encontram-se no folclore sânscrito, chamados demonios vampiricos, tanto que os Lilu são conhecidos desde os mistérios da Babilônia, e mesmo antes, os sanguessugas de Akhkharu foram vistos na mitologia suméria. De fato,um desses demônios do sexo feminino, chamado Lilitu, foi adotado mais tarde pelademonologia judaica, Lilith, sendo um arquétipo ainda atualmente utilizado em algumas tradições ritualísticas do Caminho da Mão Esquerda. Mas a maioria do que é reconhecido do vampiro vem da Romênia e contos eslavos, os Strigoi chamados Nosferatu e Varcolaci, entre outros. No entanto, o Vampiro verdadeiro, como um ser real e não o conceito encontrado em todo o mundo e na história como puro mito criado pelo homem, tem suas raízes no Antigo Egito, sendo ele o Asetiano”. (A Bíblia Asetiana)

Nathalia Claro.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-ordem-de-aset-ka-e-a-popularizacao-do-vampirismo-… […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-ordem-de-aset-ka-e-a-popularizacao-do-vampirismo-moderno/